ANEMIA NA GESTAÇÃO – IMPORTÂNCIA DO FERRO –
                  SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO
Entre as causas de anemia na gestação destacam-se o baixo consumo dietético,
as baixas reservas de ferro pré-concepcionais e a elevada necessidade do
mineral em razão da formação de tecidos. O inadequado consumo de ferro está
relacionado com dietas de baixa disponibilidade de ferro e geralmente é
responsável pela anemia antes da gestação. Os ajustes metabólicos
(mobilização de reservas e aumento da absorção) são insuficientes para atingir
as necessidades aumentadas durante a gestação. A presença de baixos níveis de
vitamina A infecções e ancilostomíase em gestante está associada a formas
graves de anemia. A ancilostomíase ocasiona perda de sangue no trato
intestinal, cuja quantidade é diretamente proporcional a intensidade da
infecçãoi.

O risco de morte materna está muito aumentado na anemia grave
(hemoglobina entre 7 e 8 g/dl), sendo poucas as evidencias de riscos de morte
materna nas anemias leves e moderadasii.

A anemia ferropriva está associada a risco aumentado de baixo peso ao nascer e
parto prematuro, especialmente se níveis de hemoglobinas são inferiores a 8
g/dl e se ocorrem na fase inicial da gestaçãoiii.

O efeito da deficiência de ferro no feto ainda é controverso, mas diversos
estudos demonstram que recém-nascidos de mães deficientes em ferro têm
reservas de ferro reduzidas e podem desenvolver anemia no primeiro ano de
vidaiv.

Na gestação o volume sanguíneo aumenta em cerca de 50%, a sua quantidade
passa a girar em torno de 7500 ml para atender ao aumento dos tecidos que
serão fundamentais para permitir uma gestação.

O volume do sangue aumenta, porém os seus constituintes não aumentam na
mesma proporção a hemoglobina, por exemplo, aumenta somente e
aproximadamente 30%, o que deixa o sangue com um caráter mais “diluído”,
mesmo o organismo produzindo ao máximo de sua capacidade,
fisiologicamente não tem a capacidade de dobrar também os constituintes
sanguíneos.

Como exemplo disso uma mulher grávida com 11,0 mg/dl de hemoglobina não é
diagnosticada como portadora de anemia patológica, pois os valores de
referência se diferem de uma mulher não grávida (12,0 mg/dl), essa situação
não é considerada patológica, mas sim fisiológica, por isso é denominada com
sendo Anemia Fisiológica da Gestação.

A OMS considera a anemia da seguinte forma:

Leve – hemoglobina ≥ 10 g/dl e < que 11 g/dl

Moderada – hemoglobina ≥7 g/dl e < 10g/dl

Grave – < 7 g/dl

O Ministério da Saúde recomenda que seja realizada a suplementação de ferro
para todas as gestantes a partir da 20ª semana de gestação na quantidade de
60mg de ferro elementar todos os dias até o final da gestação. As gestantes têm
acesso gratuitamente através do SUS.

O Programa Nacional de Suplementação de Ferro consiste na suplementação
medicamentosa de ferro para crianças de 6 a 18 meses de idade, gestantes a
partir da 20ª semana e mulheres até o 3º mês pós-partov.

Os suplementos de ferro serão distribuídos, gratuitamente, às unidades de
saúde que conformam a rede do SUS em todos os municípios brasileiros,de
acordo com o número de crianças e mulheres que atendam ao perfil de sujeitos
da ação do programavi.

Além da suplementação preventiva, as mulheres e os responsáveis pelas
crianças atendidas pelo programa deverão ser orientados acerca de uma
alimentação saudável e sobre a importância do consumo de alimentos ricos em
ferro, incluindo informações sobre alimentos facilitadores ou dificultadores da
absorção do ferro, com vistas à prevenção da anemia por deficiência de ferro vii.

Quanto a forma e a quantidade de suplementação de ferro é possível fazer
ajustes na dose e na periodicidade da ingestão de ferro, para atender a
necessidade individual de cada gestante, podendo o nutricionista e o médico
adequar da melhor forma possível para atender a necessidade individual da
gestante.

É fundamental que a mulher faça o acompanhamento médico e nutricional
durante todo o período da gestação, para que se evite entre tantos outros
problemas a anemia que pode causar problemas sérios se não tratada.




Por: Damylle Bueno
Graduanda no 6° período no Curso de Nutrição Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo. Monitora em Nutrição Aplicada a Atividade Física,
Anatomia Humana,Nutrição Humana, Composição Quimica dos Alimentos, Técnica e Dietética. Parceira no programa Voluntariado VALE.
Estagiária no PNAE Vitória.

Damyllebuenonutricao.blogspot.com                  nutricaomaternoinfantil.blogspot.com



Accioly,Elizabeth; SAUNDERS, Claudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica,2009.
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ii Accioly,Elizabeth; SAUNDERS, Claudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica,2009.
iii Accioly,Elizabeth; SAUNDERS, Claudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica,2009.
iv Accioly,Elizabeth; SAUNDERS, Claudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica,2009.
v MANUAL OPERACIONAL PROGRAMA NACIONAL DE SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,

Departamento de Atenção Básica. Série A. Normas e Manuais Técnicos, Brasília-DF 2005.
vi MANUAL OPERACIONAL PROGRAMA NACIONAL DE SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,

Departamento de Atenção Básica. Série A. Normas e Manuais Técnicos, Brasília-DF 2005.
vii MANUAL OPERACIONAL PROGRAMA NACIONAL DE SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,

Departamento de Atenção Básica. Série A. Normas e Manuais Técnicos, Brasília-DF 2005.

Anemia na gestação pdf

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    ANEMIA NA GESTAÇÃO– IMPORTÂNCIA DO FERRO – SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO Entre as causas de anemia na gestação destacam-se o baixo consumo dietético, as baixas reservas de ferro pré-concepcionais e a elevada necessidade do mineral em razão da formação de tecidos. O inadequado consumo de ferro está relacionado com dietas de baixa disponibilidade de ferro e geralmente é responsável pela anemia antes da gestação. Os ajustes metabólicos (mobilização de reservas e aumento da absorção) são insuficientes para atingir as necessidades aumentadas durante a gestação. A presença de baixos níveis de vitamina A infecções e ancilostomíase em gestante está associada a formas graves de anemia. A ancilostomíase ocasiona perda de sangue no trato intestinal, cuja quantidade é diretamente proporcional a intensidade da infecçãoi. O risco de morte materna está muito aumentado na anemia grave (hemoglobina entre 7 e 8 g/dl), sendo poucas as evidencias de riscos de morte materna nas anemias leves e moderadasii. A anemia ferropriva está associada a risco aumentado de baixo peso ao nascer e parto prematuro, especialmente se níveis de hemoglobinas são inferiores a 8 g/dl e se ocorrem na fase inicial da gestaçãoiii. O efeito da deficiência de ferro no feto ainda é controverso, mas diversos estudos demonstram que recém-nascidos de mães deficientes em ferro têm reservas de ferro reduzidas e podem desenvolver anemia no primeiro ano de vidaiv. Na gestação o volume sanguíneo aumenta em cerca de 50%, a sua quantidade passa a girar em torno de 7500 ml para atender ao aumento dos tecidos que serão fundamentais para permitir uma gestação. O volume do sangue aumenta, porém os seus constituintes não aumentam na mesma proporção a hemoglobina, por exemplo, aumenta somente e aproximadamente 30%, o que deixa o sangue com um caráter mais “diluído”, mesmo o organismo produzindo ao máximo de sua capacidade,
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    fisiologicamente não tema capacidade de dobrar também os constituintes sanguíneos. Como exemplo disso uma mulher grávida com 11,0 mg/dl de hemoglobina não é diagnosticada como portadora de anemia patológica, pois os valores de referência se diferem de uma mulher não grávida (12,0 mg/dl), essa situação não é considerada patológica, mas sim fisiológica, por isso é denominada com sendo Anemia Fisiológica da Gestação. A OMS considera a anemia da seguinte forma: Leve – hemoglobina ≥ 10 g/dl e < que 11 g/dl Moderada – hemoglobina ≥7 g/dl e < 10g/dl Grave – < 7 g/dl O Ministério da Saúde recomenda que seja realizada a suplementação de ferro para todas as gestantes a partir da 20ª semana de gestação na quantidade de 60mg de ferro elementar todos os dias até o final da gestação. As gestantes têm acesso gratuitamente através do SUS. O Programa Nacional de Suplementação de Ferro consiste na suplementação medicamentosa de ferro para crianças de 6 a 18 meses de idade, gestantes a partir da 20ª semana e mulheres até o 3º mês pós-partov. Os suplementos de ferro serão distribuídos, gratuitamente, às unidades de saúde que conformam a rede do SUS em todos os municípios brasileiros,de acordo com o número de crianças e mulheres que atendam ao perfil de sujeitos da ação do programavi. Além da suplementação preventiva, as mulheres e os responsáveis pelas crianças atendidas pelo programa deverão ser orientados acerca de uma alimentação saudável e sobre a importância do consumo de alimentos ricos em ferro, incluindo informações sobre alimentos facilitadores ou dificultadores da absorção do ferro, com vistas à prevenção da anemia por deficiência de ferro vii. Quanto a forma e a quantidade de suplementação de ferro é possível fazer ajustes na dose e na periodicidade da ingestão de ferro, para atender a
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    necessidade individual decada gestante, podendo o nutricionista e o médico adequar da melhor forma possível para atender a necessidade individual da gestante. É fundamental que a mulher faça o acompanhamento médico e nutricional durante todo o período da gestação, para que se evite entre tantos outros problemas a anemia que pode causar problemas sérios se não tratada. Por: Damylle Bueno Graduanda no 6° período no Curso de Nutrição Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo. Monitora em Nutrição Aplicada a Atividade Física, Anatomia Humana,Nutrição Humana, Composição Quimica dos Alimentos, Técnica e Dietética. Parceira no programa Voluntariado VALE. Estagiária no PNAE Vitória. Damyllebuenonutricao.blogspot.com nutricaomaternoinfantil.blogspot.com Accioly,Elizabeth; SAUNDERS, Claudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica,2009. i ii Accioly,Elizabeth; SAUNDERS, Claudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica,2009. iii Accioly,Elizabeth; SAUNDERS, Claudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica,2009. iv Accioly,Elizabeth; SAUNDERS, Claudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica,2009. v MANUAL OPERACIONAL PROGRAMA NACIONAL DE SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Série A. Normas e Manuais Técnicos, Brasília-DF 2005. vi MANUAL OPERACIONAL PROGRAMA NACIONAL DE SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Série A. Normas e Manuais Técnicos, Brasília-DF 2005. vii MANUAL OPERACIONAL PROGRAMA NACIONAL DE SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Série A. Normas e Manuais Técnicos, Brasília-DF 2005.