MARINHA DO BRASIL
COLÉGIO NAVAL
APOSTILA DE INSTRUÇÃO MILITAR
NAVAL 1º. ANO ESCOLAR
REVISÃO I
COLÉGIO NAVAL
APOSTILA DE INSTRUÇÃO MILITAR
NAVAL
1º. ANO ESCOLAR
REVISÃO I
(Atende às alterações curriculares ocorridas de 2015 para 2016)
Elaborada em DEZ/2015.
ÍNDICE
PÁGINAS
CAPA............................................................................................................................................ I
FOLHA DE ROSTO................................................................................................................... II
ÍNDICE........................................................................................................................................ III
CAPÍTULO 1 - PROCEDIMENTO MILITAR NAVAL E ESTRUTURA DA
MARINHA DO BRASIL................................................................................. 1
CAPÍTULO 2 - PRINCIPAIS PUBLICAÇÕES DA MARINHA DO BRASIL................... 8
CAPÍTULO 3 - NOÇÕES SOBRE NAVIOS I......................................................................... 42
CAPÍTULO 4 - IDENTIFICAÇÃO E EMPREGO DOS PRINCIPAIS TIPOS DE
NAVIOS DE GUERRA E NAVIOS DA MB................................................. 48
CAPÍTULO 5 - EMBARCAÇÕES MIÚDAS........................................................................... 74
CAPÍTULO 6 - EMBARCAÇÕES A REMO.......................................................................... 82
CAPÍTULO 7 - CABOS UTILIZADOS A BORDO................................................................ 100
CAPÍTULO 8 - NÓS, VOLTAS E TRABALHOS DO MARINHEIRO............................... 112
CAPÍTULO 9 - HIGIENE E PRIMEIROS SOCORROS...................................................... 123
CAPÍTULO 10 - SOBREVIVÊNCIA NO MAR...................................................................... 141
CAPÍTULO 11 - ETIQUETA SOCIAL.................................................................................... 150
CAPÍTULO 12 - MARCAÇÃO RELATIVA E POLAR........................................................ 160
CAPÍTULO 13 - NOÇÕES SOBRE CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÕES A VELA.......... 162
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CAPÍTULO 1
PROCEDIMENTO MILITAR NAVAL ESTRUTURA DA MARINHA DO BRASIL (MB)
1.1 – DESTINAÇÃO CONSTITUCIONAL DAS FORÇAS ARMADAS
De acordo com a Constituição Federal, as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo
Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares,
organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob autoridade suprema do Presidente
da República e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por
iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
1.2 – A MARINHA DO BRASIL NO CONTEXTO DO MINISTÉRIO DA DEFESA
A Marinha do Brasil é um órgão da Administração Federal, subordinado ao Ministério da
Defesa. O Comandante da Marinha administra os assuntos da MB e a prepara para o
cumprimento de sua destinação constitucional. A figura abaixo mostra como o Comando
da Marinha está situado dentro do organograma do Ministério da Defesa.
1.3 – MISSÃO DA MARINHA DO BRASIL
"Preparar e empregar o Poder Naval, a fim de contribuir para a defesa da Pátria. Estar
pronta para atuar na garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer
destes, da lei e da ordem; atuar em ações sob a égide de organismos internacionais e em
apoio à política externa do País; e cumprir as atribuições subsidiárias previstas em Lei,
com ênfase naquelas relacionadas à Autoridade Marítima, a fim de contribuir para a
salvaguarda dos interesses nacionais".
1.4 – ATRIBUIÇÕES SUBSIDIÁRIAS DA MB
Cabe à Marinha, como atribuições subsidiárias:
. orientar e controlar a Marinha Mercante e suas atividades correlatas, no que interessa à
defesa nacional;
. prover a segurança da navegação aquaviária e a salvaguarda da vida humana no mar;
. contribuir para a formação e condução de políticas nacionais que digam respeito ao mar;
MINISTÉRIO
DA
DEFESA
COMANDO DA MARINHA COMANDO DO EXÉRCITO COMANDO DA AERONÁUTICA
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. executar a inspeção naval, implementando e fiscalizando o cumprimento de leis e
regulamentos, no mar e nas águas interiores, em coordenação com outros órgãos do Poder
Executivo, federal ou estadual, quando se fizer necessária, em razão de competências
específicas; e
. cooperar com os órgãos federais, quando se fizer necessário, na repressão aos delitos de
repercussão nacional ou internacional, quanto ao uso do mar, águas interiores e de áreas
portuárias, na forma de apoio logístico, de inteligência, de comunicações e de instrução.
1.5 – TAREFAS BÁSICAS DO PODER NAVAL
São quatro as Tarefas Básicas do Poder Naval.
- Controle de área marítima;
- Negação do uso do mar ao inimigo;
- Projeção de poder sobre terra; e
- Contribuir para dissuasão.
1.6 – ORGANIZAÇÕES MILITARES (OM) DA MARINHA
Denominam-se Organizações Militares (OM) os elementos organizacionais da Marinha
que possuem denominação oficial, estrutura administrativa e tabela de lotação próprias.
Por exemplo, o Colégio Naval é uma Organização militar da Marinha do Brasil.
1.7 – ORGANOGRAMA SIMPLIFICADO DA MARINHA DO BRASIL
A figura abaixo permite a visualização da estrutura organizacional simplificada da MB até
o nível organizacional dos órgãos de direção setorial (ODS):
COMANDANTE DA MARINHA
ALMIRANTADO Estado-Maior da Armada
EMA
Secretaria-Geral da
Marinha
SGM
Diretoria-Geral
do Pessoal da
Marinha
DGPM
Diretoria-Geral
do Material da
Marinha
DGMM
Comando de Operações Navais
ComOpNav
Órgão de Assessoramento Superior
Órgãos de Direção Setorial
Apoio
Órgão de Direção Geral
Órgão de Direção Setorial
Operativo
Diretoria-Geral
de Navegação
DGN
Comando-Geral
do Corpo de
Fuzileiros Navais
CGCFN
ORGANIZAÇÕES MILITARES DE APOIOORGANIZAÇÕES MILITARES OPERATIVAS
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1.8 – PROPÓSITO E COMPOSIÇÃO DOS PRINCIPAIS ÓRGÃOS DA ESTRUTURA
ORGANIZACIONAL DA MB
1.8.1 – Órgão de Direção-Geral (ODG)
a) ESTADO-MAIOR DA ARMADA - EMA
Toda organização militar da Marinha do Brasil possui um Comandante ou um Diretor,
dependendo de suas características. Diretamente subordinado a esse Comandante ou
Diretor existe o Imediato (Comandante) ou Vice-Diretor (Diretor).
O Imediato é o Oficial cuja autoridade se segue, em qualquer caso, à do Comandante. Na
ausência do Comandante, o Imediato o representa e, nos seus impedimentos, o substitui
interinamente no exercício do Comando.
No caso de Comandos de Forças Navais, o Comandante da Força não possui um Imediato
e sim um Estado-Maior e o Chefe do Estado-Maior será o seu substituto quando este
estiver com algum impedimento.
O Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) é o substituto eventual do Comandante da
Marinha.
O Estado-Maior da Armada tem a função de elaborar estudos, consolidar e opinar sobre os
estudos encaminhados pelos órgãos subordinados (Órgãos de Direção Setorial - ODS),
visando assessorar o Comandante da Marinha nos assuntos pertinentes ao planejamento de
alto nível da Marinha.
1.8.2 – Órgãos de Direção Setorial (ODS)
a) COMANDO DE OPERAÇÕES NAVAIS - ComOpNav
Aprestar os meios operativos da MB para a adequada aplicação do Poder Naval. É o
responsável pelo emprego operacional dos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais,
atividade-fim da Marinha.
b) DIRETORIA-GERAL DE NAVEGAÇÃO - DGN
c) SECRETARIA-GERAL DA MARINHA - SGM
d) DIRETORIA-GERAL DO MATERIAL DA MARINHA - DGMM
e) DIRETORIA-GERAL DO PESSOAL DA MARINHA - DGPM
f) COMANDO-GERAL DO CORPO DE FUZILEIROS NAVAIS - CGCFN
1.8.3 – Setor de Apoio
Composto por Diretorias e Comandos Especializados (DE) e por OM específicas que
tratam dos seguintes assuntos na MB: Finanças, Administração, Contas, Abastecimento,
Documentação e Patrimônio Histórico e Cultural, Engenharia, Aeronáutica, Sistemas de
Armas, Comunicações e Tecnologia da Informação, Obras Civis, Pessoal Militar, Ensino,
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Comando de Operações Navais
ComOpNav
Comando-em-Chefe da Esquadra
ComemCh
Comandos de Distritos Navais
(DN)
Comando da Força de Fuzileiros da
Esquadra
ComFFE
Comando da Força de Superfície
ComForSup
Comando da Força de Submarinos
ComForS
Comandos da Força Aeronaval
ComForAerNav
Grupamentos Navais
Grupamentos de Fuzileiros Navais
Esquadrões de Aeronaves
Navios
Tropa de FN
Aeronaves
Esquadrões Esquadrões
Navios
Submarinos
Aeronaves
Pessoal Civil, Saúde, Assistência Social, Portos e Costas, Hidrografia e Navegação,
Esportes, Pessoal e Material de Fuzileiros Navais.
a) Setor de Ensino
b) Setor de Manutenção e Apoio
c) Setor de Saúde
d) Setor de Abastecimento
e) Setor de Ciência e Tecnologia
1.9 – FORÇAS NAVAIS, AERONAVAIS, DE FUZILEIROS NAVAIS E NAVIOS DA
MARINHA DO BRASIL
1.9.1 – Organização Operativa da Marinha do Brasil
As Forças Navais, Aeronavais e de Fuzileiros Navais encontram-se subordinadas em seu
mais alto escalão ao Comando de Operações Navais, Órgão de Direção Setorial Operativo,
conforme apresenta o organograma simplificado abaixo:
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1.9.2 – Comando-em-Chefe da Esquadra
Situado no Rio de Janeiro (sede da MB), na Ilha de Mocanguê em Niteroi, o Comando-em-
Chefe da Esquadra possui sob sua subordinação indireta, através de Comandos de Força e
Esquadrões, os navios de médio e grande porte da Marinha do Brasil, os submarinos e as
principais aeronaves. Esses meios navais são capazes de realizar quase que a totalidade das
Operações de Guerra Naval previstas nas doutrinas da Marinha. Para isso, o Comando-em-
Chefe da Esquadra mantém as Forças subordinadas no mais elevado grau de aprestamento.
1.9.2.1 – Força de Superfície
Situado também na Ilha de Mocanguê, o Comando da Força de Superfície é subordinado
ao Comando-em-Chefe da Esquadra e tem sob sua subordinação três Esquadrões que
agrupam os meios navais de superfície (navios) dependendo de seus tipos, empregos e
características logísticas (abastecimento, manutenção, pessoal, etc.).
O Comando da Força de Superfície ainda possui sob sua subordinação direta o Navio
Aeródromo “São Paulo”, o Navio Escola “Brasil” e o Navio Veleiro “Cisne Branco”.
As principais caracteríisticas de cada navio serão estudadas mais adiante, nesta apostila.
1.9.2.2 – Força de Submarinos
O Comando da Força de Submarinos é responsável por todas as atividades envolvendo este
meio naval, os meios navais de apoio e ensino relacionados e as atividades de mergulho na
Marinha do Brasil. É subordinado ao Comando-em-Chefe da Esquadra. Possui os seguintes
meios subordinados:
1.9.2.3 – Força Aeronaval
O Comando da Força Aeronaval, situado cidade de São Pedro D`Aldeia – RJ, possui a
tarefa de assegurar o apoio aéreo adequado às operações navais, sendo responsável por
todas as atividades envolvendo o meio aéreo assim como os meios de apoio e de ensino
relacionados. É subordinado ao Comando-em-Chefe da Esquadra.
Possui as seguintes unidades subordinadas:
1.9.3 – Comandos de Distritos Navais
Os 9 (nove) Comandos de Distritos Navais (ComDN), subordinados ao Comando de
Operações Navais, têm como propósito contribuir para o cumprimento das tarefas de
responsabilidade da Marinha, nas suas respectivas áreas de jurisdição.
Aos Comandantes de Distritos Navais são subordinadas as seguintes Organizações
Militares (OM):
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Base ou Estação Naval;
Grupamento de Navios-Patrulha ou Flotilha – Força Distrital;
Grupamento de Fuzileiros Navais – Força Distrital;
Depósito Naval;
Hospital Naval;
Capitania(s) dos Portos e Capitania(s) Fluviais; e
Estação-Rádio.
De um modo geral, aos Distritos Navais são subordinadas todas as OM situadas em suas
áreas de jurisdição.
1.9.4 – Força de Fuzileiros da Esquadra
O Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra, subordinado ao Comando de Operações
Navais, desenvolve operações terrestres de caráter naval, contribuindo para a aplicação do
Poder Naval Brasileiro.
1.10 – COMENTÁRIOS, EXPLANAÇÕES E EXEMPLOS REAIS DA VIDA
PROFISSIONAL DO FUTURO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL
Onde está localizado o Comando da Marinha?
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O que é um Estado-Maior?
Exemplos de Organizações Militares de Apoio.
Exemplo de Organizações Militares Operativas.
Servir à Marinha embarcado e servir em terra.
Servir à Marinha na sede e fora de sede.
Possibilidades de carreira relacionadas ao capítulo estudado.
Movimentações de pessoal.
Outros comentários e exemplos julgados pertinentes.
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CAPÍTULO 2
PROCEDIMENTO MILITAR NAVAL - PRINCIPAIS PUBLICAÇÕES DA MARINHA DO
BRASIL (MB)
2.1 – ESTATUTO DOS MILITARES
2.1.1 – GENERALIDADES
O Estatuto dos Militares regula a situação, obrigações, deveres, direitos e prerrogativas dos
membros das Forças Armadas.
As Forças Armadas, essenciais à execução da política de segurança nacional, são
constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, e destinam-se a defender a
Pátria e garantir os poderes constituídos, a lei e a ordem.
A presente apostila apresentará um resumo do Estatuto, abordando os itens mais
importantes para o Aluno do Colégio Naval.
2.1.2 – MILITARES DA ATIVA, DA RESERVA E REFORMADOS
Os militares encontram-se em uma das seguintes situações:
a) na ativa:
b) na inatividade:
I – os da reserva remunerada, quando pertençam à reserva das Forças Armadas e percebam
remuneração da União, porém sujeitos, ainda, à prestação de serviço na ativa, mediante
convocação ou mobilização;
II – os reformados, quando, tendo passado por uma das situações anteriores estão
dispensados, definitivamente, da prestação de serviço na ativa, mas continuam a perceber
remuneração da União; e
III – os da reserva remunerada e, excepcionalmente, os reformados, executando tarefa por
tempo certo, segundo regulamentação para cada Força Armada.
2.1.3 - A HIERARQUIA MILITAR E A DISCIPLINA
A Hierarquia e a Disciplina são a base institucional das Forças Armadas.
A Hierarquia Militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura
das Forças Armadas. A ordenação se faz por postos ou graduações: dentro de um mesmo
posto ou graduação se faz pela antiguidade no posto ou na graduação. O respeito à
hierarquia é consubstanciado no espírito de acatamento à sequência de autoridade.
A Disciplina Militar é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis,
regulamentos, normas e disposições que fundamentam o organismo militar e coordenam
seu funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do dever
por parte de todos e de cada um dos componentes desse organismo.
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2.1.4 - POSTO E GRADUAÇÃO
São os graus hierárquicos dos oficiais e das praças, conferidos pelas autoridades militares
competentes.
HIERARQUIZAÇÃO MARINHA EXÉRCITO AERONÁUTICA
Oficiais
Circulo de
Oficiais-Generais
Postos
Almirante
Almirante-de-Esquadra
Vice-Almirante
Contra-Almirante
Marechal
General-de-Exército
General-de-Divisão
General-de-Brigada
Marechal-do-Ar
Tenente-Brigadeiro
Major-Brigadeiro
Brigadeiro
Círculo de Oficiais
Superiores
Capitão-de-Mar-e-Guerra
Capitão-de-Fragata
Capitão-de-Corveta
Coronel
Tenente-Coronel
Major
Coronel
Tenente-Coronel
Major
Círculo de Oficiais
Intermediários
Capitão-Tenente Capitão Capitão
Círculos de Oficiais
Subalternos
Primeiro-Tenente
Segundo-Tenente
Primeiro-Tenente
Segundo-Tenente
Primeiro-Tenente
Segundo-Tenente
Praças
Círculo de Suboficiais,
Subtenentes e Sargentos
Graduações
Suboficial
Primeiro-Sargento
Segundo-Sargento
Terceiro-Sargento
Subtenente
Primeiro-Sargento
Segundo-Sargento
Terceiro-Sargento
Suboficial
Primeiro-Sargento
Segundo-Sargento
Terceiro-Sargento
Círculos de Cabos e Solda-
dos
Cabo Cabo e Taifeiro-Mor Cabo e Taifeiro-Mor
Marinheiro e Soldado
Marinheiro-Recruta e
Recruta
Soldado e Taifeiro de Pri-
meira Classe
Soldado Recruta e Taifeiro
de Segunda Classe
Soldado de Primeira Classe
Taifeiro de Primeira Classe
Soldado de Segunda Classe e
Taifeiro de Segunda Classe
PraçasEspeciais
Frequentam o Círculo de
Oficiais Subalternos
Guarda-Marinha Aspirante-a-Oficial Aspirante-a-Oficial
Excepcionalmente ou em
reuniões sociais tem acesso
aos círculos dos oficiais
Aspirante (Aluno da Escola
Naval)
Cadete (Aluno da Academia
Militar)
Cadete (Aluno da Academia
da Força Aérea) e Aluno da
Escola de Formação de
Oficiais-Especialistas da
Aeronáutica)
Aluno do Colégio Naval
Aluno da Escola Preparatória
de Cadetes do Exército
Aluno da Escola Preparatória
de Cadetes do Ar
Aluno de Órgão de Formação
de Oficiais da Reserva
Aluno de Órgão de Forma-
ção de Oficiais da Reserva
Aluno de Órgão de Forma-
ção de Oficiais da Reserva
Excepcionalmente ou em
reuniões sociais tem acesso
aos círculos dos Subofici-
ais, Subtenentes e Sargen-
tos
Aluno da Escola ou Centro de
formação de Sargentos
Aluno da Escola ou Centro
de formação de Sargentos
Aluno da Escola ou Centro
de formação de Sargentos
Frequentam o círculo de
Cabos e Soldados
Aprendiz-Marinheiro Aluno de
Órgão de Formação de Praças
da Reserva
Aluno de Órgão de Forma-
ção de Praças da Reserva
Dá-se o nome de precedência ao grau hierárquico superior de um militar em relação ao
outro.
Os Alunos do Colégio Naval têm precedência sobre os Terceiros-Sargentos, aos quais são
equiparados.
Os Aspirantes da Escola Naval são hierarquicamente superiores aos suboficiais.
Os Guardas-Marinha são hierarquicamente superiores às demais praças.
- 10 -
Quadro apresentando as platinas dos Oficiais das três Forças Armadas separados por
Círculos Hierárquicos.
2.1.5 – O VALOR MILITAR
São manifestações essenciais do valor militar:
. O PATRIOTISMO, traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever militar e pelo
solene juramento de fidelidade à Pátria até com o sacrifício da própria vida.
. O CIVISMO e o culto das tradições históricas.
. A FÉ NA MISSÃO ELEVADA DAS FORÇAS ARMADAS.
. O ESPÍRITO DE CORPO, orgulho do militar pela organização onde serve.
. O AMOR À PROFISSÃO das armas e o entusiasmo com que é exercida.
. O APRIMORAMENTO técnico-profissional.
- 11 -
2.1.6 – A ÉTICA MILITAR
O sentimento do dever, o pundonor1
militar e o decoro da classe impõem, a cada um dos
integrantes das Forças Armadas, conduta moral e profissional irrepreensíveis, com a
observância dos seguintes preceitos da ética militar:
I – amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal;
II – exercer, com autoridade, eficiência e probidade, as funções que lhe couberem em
decorrência do cargo;
III – respeitar a dignidade da pessoa humana;
IV – cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das
autoridades competentes;
V – ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos
subordinados;
VI – zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico e, também, pelo dos
subordinados, tendo em vista o cumprimento da missão comum;
VII – empregar todas as suas energias em benefício do serviço;
VIII – praticar a camaradagem e desenvolver, permanentemente, o espírito de cooperação;
IX – ser discreto em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada;
X – abster-se de tratar, fora do âmbito apropriado, de matéria sigilosa de qualquer
natureza;
XI – acatar as autoridades civis;
XII – cumprir seus deveres de cidadão;
XIII – proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular;
XIV – observar as normas da boa educação;
XV – garantir assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família
modelar;
XVI – conduzir-se, mesmo fora do serviço ou quando já na inatividade, de modo que não
sejam prejudicados os princípios da disciplina, do respeito e do decoro militar;
XVII – abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de
qualquer natureza ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros;
XVIII – abster-se, na inatividade, do uso das designações hierárquicas;
a) em atividades político-partidárias;
b) em atividades comerciais;
c) em atividades industriais;
1
Pundonor: s. m. Sentimento de dignidade; brio; decoro; cavalheirismo; denodo.
- 12 -
d) para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos ou
militares, excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica, se devidamente
autorizado; e
e) no exercício de cargo ou função de natureza civil, mesmo que seja na administração
pública; e
XIX – zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes;
obedecendo e fazendo obedecer os preceitos da ética militar.
Ao militar da ativa é vedado comerciar ou tomar parte na administração ou gerência de
sociedade ou dela ser sócio ou participar, exceto como acionista ou quotista, em sociedade
anônima ou por quotas de responsabilidade limitada.
No intuito de desenvolver a prática profissional, é permitido aos oficiais titulados dos
Quadros ou Serviços de Saúde e de Veterinária o exercício de Atividade técnico-
profissional no meio civil, desde que tal prática não prejudique o serviço e não infrinja o
disposto neste artigo.
2.1.7 – OS DEVERES MILITARES
Os deveres militares emanam de um conjunto de vínculos racionais e morais que ligam o
militar à Pátria e ao seu serviço, e compreendem, essencialmente:
I – a dedicação e a fidelidade à Pátria, cuja honra, integridade e instituições devem ser
defendidas mesmo com o sacrifício da própria vida;
II – o culto aos Símbolos Nacionais2;
III – a probidade e a lealdade em todas as circunstâncias;
IV – a disciplina e o respeito à hierarquia;
V – o rigoroso cumprimento das obrigações e das ordens; e
VI – a obrigação de tratar o subordinado dignamente e com urbanidade.
2.1.8 – OS DIREITOS DOS MILITARES
São direitos dos militares:
I – a garantia da patente em toda a sua plenitude, com as vantagens, prerrogativas e deveres
a ela inerentes, quando oficial, nos termos da Constituição;
II – a percepção de remuneração correspondente ao grau hierárquico superior ou melhoria
da mesma quando, ao ser transferido para a inatividade, contar mais de 30 (trinta) anos de
serviço;
III – a remuneração calculada com base no soldo integral do posto ou graduação quando
não contando 30 (trinta) anos de serviço, for transferido para a reserva remunerada, “ex-
2
Bandeira Nacional; Hino Nacional; Armas Nacionais (Brasão) e Selo Nacional.
- 13 -
officio”, por ter atingido a idade-limite de permanência em atividade no posto ou na
graduação, ou ter sido abrangido pela quota compulsória; e
IV – nas condições ou nas limitações impostas na legislação e regulamentação específicas:
a) a estabilidade, quando praça com 10 (dez) ou mais anos de tempo de efetivo serviço;
b) o uso das designações hierárquicas;
c) a ocupação de cargo correspondente ao posto ou à graduação;
d) a percepção de remuneração;
e) a assistência médico-hospitalar para si e seus dependentes, assim entendida como o
conjunto de atividades relacionadas com a prevenção, conservação ou recuperação da
saúde, abrangendo serviços profissionais médicos, farmacêuticos e odontológicos, bem
como o fornecimento, a aplicação de meios e os cuidados e demais atos médicos e
paramédicos necessários;
f) o funeral para si e seus dependentes, constituindo-se no conjunto de medidas tomadas
pelo Estado, quando solicitado, desde o óbito até o sepultamento condigno;
g) a alimentação, assim entendida como as refeições fornecidas aos militares em atividade;
h) o fardamento, constituindo-se no conjunto de uniformes, roupa branca e roupa de cama,
fornecido ao militar na ativa de graduação inferior a Terceiro-Sargento e, em casos
especiais, a outros militares;
i) a moradia para o militar em atividade, compreendendo;
l) alojamento em organização militar, quando aquartelado ou embarcado; e
2) habitação para si e seus dependentes: em imóvel sob a responsabilidade da União, de
acordo com a disponibilidade existente;
j) o transporte, assim entendido como meios fornecidos ao militar para seu deslocamento
por interesse do serviço; quando o deslocamento implicar em mudança de sede ou de
moradia, compreende também as passagens para seus dependentes e a translação das
respectivas bagagens, de residência a residência;
l) a constituição de pensão militar;
m) a promoção;
n) a transferência a pedido para a reserva remunerada;
o) as férias, os afastamentos temporários do serviço e as licenças;
p) a demissão e o licenciamento voluntários;
q) o porte de arma quando oficial em serviço ativo ou em inatividade, salvo caso de
inatividade por alienação mental ou condenação por crimes contra a segurança do Estado
ou por atividades que desaconselhem aquele porte;
- 14 -
r) o porte de arma, pelas praças, com as restrições impostas pela respectiva Força Armada;
e
s) outros direitos previstos em leis específicas.
São considerados dependentes do militar:
I – a esposa;
II – o filho menor de 21 anos ou inválido ou interdito;
III – a filha solteira, desde que não receba remuneração;
IV – o filho estudante, menor de 24 anos, desde que não receba remuneração;
V – a mãe viúva, desde que não receba remuneração;
VI – o enteado, o filho adotivo ou tutelado, nas mesmas condições dos itens II, III e IV;
VII – a viúva do militar, enquanto permanecer neste estado, e os demais dependentes
mencionados nos itens II, III, IV, V e VI deste parágrafo, desde que vivam sob a
responsabilidade da viúva;
VIII – a ex-esposa com direito à pensão alimentícia estabelecida por sentença transitada
em julgado, enquanto não contrair novo matrimônio.
§ 3o – São, ainda, considerados dependentes do militar, desde que vivam sob sua
dependência econômica, sob o mesmo teto, e quando expressamente declarados na
organização militar competente:
a) a filha, a enteada e a tutelada, nas condições de viúvas, separadas judicialmente ou
divorciadas, desde que não recebam remuneração;
b) a mãe solteira, a madrasta viúva, a sogra viúva ou solteira, bem como separadas
judicialmente ou divorciadas, desde que, em qualquer dessas situações não recebam
remuneração;
c) os avôs e os pais quando inválidos ou interditos, e respectivos cônjuges, estes desde que
não recebam remuneração;
d) o pai maior de 60 anos e seu respectivo cônjuge, desde que ambos não recebam
remuneração;
e) o irmão, o cunhado e o sobrinho, quando menores ou inválidos ou interditos, sem outro
arrimo;
f) a irmã, a cunhada e a sobrinha, solteiras, viúvas, separadas judicialmente ou divorciadas,
desde que não recebam remuneração;
g) o neto, órfão, menor de idade ou interdito;
h) a pessoa que viva, no mínimo há cinco anos, sob sua exclusiva dependência econômica,
comprovada mediante justificação judicial; e
- 15 -
i) a companheira, desde que viva em sua companhia há mais de cinco anos, comprovada
por justificação judicial; e
j) o menor que esteja sob sua guarda, sustento e responsabilidade, mediante autorização
judicial.
3.1.14 – COMENTÁRIOS, EXPLANAÇÕES E EXEMPLOS REAIS DA VIDA
PROFISSIONAL DO FUTURO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL
O Aluno matriculado e o Aluno incorporado.
A importância da Hierarquia e da Disciplina.
O comportamento do militar no trato com seus superiores e subordinados.
Verdade, Responsabilidade e o primeiro item de nossa Ética.
A Promoção do militar.
Férias, Licenças e outros Afastamentos Temporários do serviço.
2.2 – ORDENANÇA GERAL PARA O SERVIÇO DA ARMADA (OGSA)
2.2.1 – GENERALIDADES
Nos capítulos anteriores desta apostila e nas aulas ministradas, o Aluno se deparou com
diversos termos e procedimentos comuns do quotidiano do militar da MB e incomuns para
a sociedade civil. Definições de termos como Estado-Maior, Força Naval, Comando de
Força, Esquadra, etc. e procedimentos comentados em sala de aula pelo Instrutor são
facilmente reconhecidos pelo militar da Marinha com alguma experiência e a partir de um
determinado tempo de serviço. Porém, todas essas definições de termos e procedimentos
não foram proferidas ao acaso, elas podem e devem ser estudadas, pois estão precisamente
explicadas na publicação da MB conhecida como Ordenança Geral para o Serviço da
Armada (OGSA).
“A Ordenança Geral para o Serviço da Armada tem como propósito consolidar as disposições
fundamentais relativas à organização das Forças Navais e demais Estabelecimentos da
Marinha bem como aquelas relacionadas com o pessoal, seus deveres e serviços.
Constitui-se em documento normativo essencial para a correta condução das atividades
diárias a bordo das Organizações Militares. Seu pleno conhecimento é obrigatório para todos
aqueles que servem à Marinha. Seu manuseio constante e fiel observância contribuem
significativamente para um desempenho profissional uniforme e eficiente.
Traz a Ordenança também consigo a preservação de valores que se cristalizaram nas
tradições navais, permitindo assim uma desejável continuidade nos usos, costumes e
linguagem naval.” (OGSA – INTRODUÇÃO)
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Em termos simplificados, a OGSA é um manual de procedimentos e conceitos básicos para
todos aqueles que servem à Marinha do Brasil e seu conhecimento obrigatório é
fundamental para o profissionalismo do militar e para a uniformidade dos serviços.
2.2.2 – PRINCIPAIS DEFINIÇÕES
Armada é a totalidade de navios, meios aéreos e de fuzileiros, destinados ao serviço naval,
pertencentes ao Estado e incorporados à Marinha do Brasil.
Força é uma parcela da Armada, posta sob Comando único.
O Estado-Maior de uma Força tem como propósito assessorar o Comandante da Força no
exercício deste cargo.
Força Naval é a Força constituída por navios.
Força Aeronaval é a Força constituída por unidades aéreas ou por navios e unidades aéreas.
Força de Fuzileiros Navais é a Força constituída por unidades de fuzileiros navais.
Os Oficiais, exceto o Comandante, que servem numa OM constituem a sua Oficialidade.
Os Guardas-Marinhas também farão parte da Oficialidade, porém com as restrições
inerentes à sua situação de Praças Especiais.
As Praças que servem numa OM constituem a sua Guarnição.
A Oficialidade e a Guarnição de uma OM constituem a sua Tripulação.
Saudação - A continência individual é a saudação devida pelo militar de menor
antiguidade, quando uniformizado, a bordo ou em terra, aos mais antigos da Marinha, do
Exército, da Aeronáutica e dos países estrangeiros, ainda que em traje civil; neste último
caso, desde que os conheça.
Em trajes civis, o mais moderno assumirá postura respeitosa, e cumprimentará
formalmente o mais antigo, utilizando-se das expressões usadas no meio civil.
Os mais antigos devem responder tanto à saudação quanto à continência individual dos
mais modernos.
Uniformes - É obrigatório possuir todos os uniformes previstos na legislação em vigor, em
quantidade suficiente. O pessoal embarcado deve manter a bordo os uniformes para
serviço, licença e representação em condições de pronto uso.
Linguagem - O subordinado, em suas relações verbais ou escritas com o superior, usará
sempre de expressões respeitosas. O superior, conquanto deva dirigir-se ao subordinado
em termos corteses, dará sempre suas ordens em linguagem e tom imperativos.
Comunicação para fora da unidade - Só o Comandante, ou subordinado por ele autorizado,
poderá fazer comunicação verbal ou escrita para fora de sua unidade, sobre assuntos
operativos ou administrativos de sua OM.
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2.2.3 - DEVERES DAS PRAÇAS ESPECIAIS QUANDO EMBARCADAS
As Praças Especiais ficarão sujeitas às normas das OM e terão, sempre que possível, seus
alojamentos e ranchos à parte.
As Praças Especiais serão distribuídas pelas Divisões, a fim de complementarem os
conhecimentos adquiridos em seus Órgãos de Formação.
As Praças Especiais ficarão obrigadas aos estudos, aulas e exercícios determinados pelo
Comandante, em cumprimento aos programas expedidos pela autoridade competente.
Em benefício do aproveitamento nos trabalhos e estudos, as Praças Especiais poderão ser,
a juízo do Comandante, dispensadas de algumas das tarefas e serviços.
As Praças Especais, no que se refere às tarefas de bordo, devem:
a) tomar parte nas fainas e exercícios da OM, e ter máxima atenção àquelas a que
assistirem;
b) auxiliar os encarregados dos setores nos quais estiverem distribuídas;
c) auxiliar o pessoal de serviço; e
d) fazer os serviços de rancho que lhes forem atribuídos.
Às Praças Especiais matriculadas em Órgãos de Formação de Oficias caberá, além do
disposto no artigo anterior, dirigir, sob supervisão e responsabilidade de Oficiais, fainas e
exercícios compatíveis com o adestramento já recebido.
Os alunos do Colégio Naval deverão participar daquelas atividades, sob supervisão e
responsabilidade dos Oficiais de bordo.
As Praças Especiais matriculadas em Escolas de Formação de Oficias e no Colégio Naval
têm a obrigação de se impor às Praças mais modernas, evitar intimidade e exigir
tratamento militar apropriado à sua posição hierárquica.
2.3 – REGULAMENTO DE CONTINÊNCIAS, HONRAS, SINAIS DE RESPEITO E
CERIMONIAL MILITAR DAS FORÇAS ARMADAS (RCONT)
2.3.1 - GENERALIDADES
O RCONT tem por finalidade:
. estabelecer as honras, as continências e os sinais de respeito que os militares prestam a
determinados símbolos nacionais e às autoridades civis e militares;
. regular as normas de apresentação e de procedimento dos militares, bem como as formas
de
tratamento e a precedência entre os mesmos;
. fixar as honras que constituem o Cerimonial Militar no que for comum às Forças
Armadas.
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2.3.2 – SINAIS DE RESPEITO – REGRAS MAIS IMPORTANTES
Quando dois militares se deslocam juntos, o de menor antiguidade dá a direita ao superior.
Quando os militares se deslocam em grupo, o mais antigo fica no centro, distribuindo-se os
demais, segundo suas precedências, alternadamente à direita e à esquerda do mais antigo.
Quando encontrar um superior num local de circulação, o militar saúda-o e cede-lhe o
melhor lugar.
Em local público onde não estiver sendo realizada solenidade cívico-militar, bem como em
reuniões sociais, o militar cumprimenta, tão logo lhe seja possível, seus superiores
hierárquicos.
Para falar a um superior, o militar emprega sempre o tratamento "Senhor" ou "Senhora".
Para falar, formalmente, a um oficial-general, o tratamento é "Vossa Excelência", "Senhor
Almirante", "Senhor General" ou "Senhor Brigadeiro", conforme o caso. Nas relações
correntes de serviço, no entanto, é admitido o tratamento de "Senhor".
Para falar a um mais moderno, o superior emprega o tratamento "você".
Todo militar, quando for chamado por um superior, deve atendê-lo o mais rápido possível,
apressando o passo quando em deslocamento;
Nos refeitórios, ao terminar a refeição, cada oficial levanta-se e pede permissão ao mais
antigo para retirar-se do recinto;
Sempre que um militar precisar sentar-se ao lado de um superior, deve solicitar-lhe a
permissão.
IMPORTANTE: A palavra “senhor” nunca deverá ser usada, por si só, como denominação
ou vocativo quando a comunicação partir do mais moderno para o mais antigo.
Normalmente, o Posto ou a Graduação do mais antigo ou, na Marinha, a palavra
Comandante para os Oficiais Superiores e Almirante para Oficiais Generais são as palavras
adequadas ao início do diálogo.
Exemplos de procedimento incorreto:
- Senhor, permissão para me retirar.
- Mas Senhor, a turma encontra-se em estudo.
- Com licença, senhor.
Exemplos de procedimento correto:
- Tenente Fulano, permissão para me retirar.
- Comandante, a turma está pronta para a instrução.
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- Imediato, o navio está pronto para suspender.
- Tenente Fulano, o senhor vai ministrar a instrução?
- Já terminou sua tarefa Aluno Fulano? Sim senhor, Tenente.
- Com licença Almirante Fulano
2.3.3 – A CONTINÊNCIA
A continência é a saudação prestada pelo militar e pode ser individual ou da tropa.
A continência é impessoal: visa a autoridade e não a pessoa.
A continência individual é devida a qualquer hora do dia ou da noite, não podendo ser
dispensada, salvo quando um dos militares encontrar-se:
I – em faina ou serviço que não possa ser interrompido;
II – em postos de combate;
III – praticando esportes;
IV – sentado, à mesa de rancho; e
V– remando ou dirigindo viatura.
A continência parte sempre do militar de menor precedência hierárquica. Em igualdade de
posto ou graduação, quando ocorrer dúvida sobre qual seja o de menor precedência, deve
ser executada simultaneamente.
Todo militar deve, obrigatoriamente, retribuir a continência que lhe é prestada: se
uniformizado, presta a continência individual; em trajes civis, responde-a com um
movimento de cabeça, com um cumprimento verbal ou descobrindo-se, caso esteja de
chapéu.
O aperto de mão é uma forma de cumprimento que o superior pode conceder ao mais
moderno; o militar não deve tomar a iniciativa de estender a mão para cumprimentar o
superior, mas se este o fizer, não pode se recusar ao cumprimento.
O militar deve responder com saudação análoga quando, ao cumprimentar o superior, este,
além de retribuir a continência, fizer uma saudação verbal.
Têm direito à continência:
a) a Bandeira Nacional:
. ao ser hasteada ou arriada diariamente em cerimônia militar ou cívica;
. por ocasião da cerimônia de incorporação ou desincorporação, nas formaturas;
. quando conduzida por tropa ou por contingente de Organização Militar;
. quando conduzida em marcha, desfile ou cortejo, acompanhada por guarda ou por
organização civil, em cerimônia cívica;
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. quando, no período compreendido entre 08h00 e o pôr-do-sol, um militar entra a bordo de
um navio de guerra ou dele sai, ou, quando na situação de "embarcado", avista-a ao entrar
a bordo pela primeira vez, ou ao sair pela última vez;
b) o Hino Nacional, quando executado em solenidade militar ou cívica;
c) as diversas autoridades civis devidamente reconhecidas (Presidente, Governadores etc.);
d) os militares da ativa das Forças Armadas e Auxiliares (PM e BM), mesmo em traje
civil; neste último caso, quando for obrigatório o seu reconhecimento em função do cargo
que exerce ou, para os demais militares, quando reconhecidos ou identificados;
e) os militares da reserva ou reformados, quando reconhecidos ou identificados;
f) a tropa quando formada.
Observação: Quando o Hino Nacional for cantado, não será executada a continência.
2.3.4 – PROCEDIMENTOS MAIS IMPORTANTES EM SITUAÇÕES DIVERSAS
Quando em trajes civis, o militar assume as seguintes atitudes:
I - nas cerimônias de hasteamento ou arriamento da Bandeira, nas ocasiões em que esta se
apresentar em marcha ou cortejo, assim como durante a execução do Hino Nacional, o
militar deve tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio;
II - ao encontrar um superior fora de Organização Militar, o subordinado faz a saudação
com um cumprimento verbal, de acordo com as convenções sociais.
b) O militar em deslocamento, quando não puder corresponder à continência por estar com
as mãos ocupadas, faz vivo movimento de cabeça.
c) O militar em um veículo, exceto bicicleta, motocicleta ou similar, procede da seguinte
forma:
I - com o veículo parado, tanto o condutor como o passageiro fazem a continência
individual sem se levantarem;
II - com o veículo em movimento, somente o passageiro faz a continência individual.
III - por ocasião da cerimônia da Bandeira ou da execução do Hino Nacional, se no interior
de uma Organização Militar, tanto o condutor como o passageiro saltam do veículo e
fazem a continência individual; se em via pública, procedem do mesmo modo, sempre que
viável.
d) Ao fazer a continência ao Hino Nacional, o militar volta-se para a direção de onde vem
a música, conservando-se nessa atitude enquanto durar sua execução.
e) Quando o Hino Nacional for tocado em cerimônia à Bandeira ou ao Presidente da
República, o militar volta-se para a Bandeira ou para o Presidente da República.
f) Quando o Hino Nacional for tocado em cerimônia militar ou cívica, realizada em
ambiente fechado, o militar volta-se para o principal local da cerimônia e faz a continência;
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g) Quando um militar entra em um recinto público, percorre com o olhar o local para
verificar se há algum superior presente; se houver, o militar, do lugar em que está, faz-lhe a
continência;
h) Quando um superior entra em um recinto público, o mais moderno que aí está levanta-se
ao avistá-lo e faz-lhe a continência;
i) Seja qual for o caráter - oficial ou particular da solenidade ou reunião, deve o militar,
obrigatoriamente, apresentar-se ao superior de maior hierarquia presente, e ao de maior
posto entre os oficiais presentes de sua Organização Militar;
j) Todo militar é obrigado a reconhecer o Presidente e o Vice-Presidente da República, o
Ministro da Defesa, os Comandantes, Chefes ou Diretores da cadeia de comando a que
pertencer a sua organização e os oficiais de sua Organização Militar.
l) Todo militar deve saber identificar as insígnias dos postos e graduações das Forças
Armadas.
m) O militar fardado descobre-se ao entrar em um recinto coberto.
n) Para saudar a civis, inclusive senhoras e prelados, o militar não deve descobrir-se, mas,
fazer a saudação militar. A exceção deve ser feita pelo homem militar, quando, após a
saudação a uma senhora, ocorrer o aperto de mão ou beijo na face.
o) O militar, para se apresentar a um superior, aproxima-se deste até a distância do aperto
de mão; toma a posição de "Sentido", faz a continência individual e diz, em voz claramente
audível, seu grau hierárquico, nome de guerra e Organização Militar a que pertence, ou
função que exerce, se estiver no interior da sua Organização Militar; desfaz a continência,
diz o motivo da apresentação, permanecendo na posição de "Sentido" até que lhe seja
autorizado tomar a posição de "Descansar” ou de "À vontade".
p) Para se retirar da presença de um superior, o militar faz-lhe a continência individual,
idêntica à da apresentação, e pede permissão para se retirar; concedida a permissão, retira-
se normalmente. Somente as Praças é que fazem o movimento de meia-volta e rompem
marcha com o pé esquerdo.
2.3.5 – HONRAS
Honras Militares são homenagens coletivas que se tributam aos militares das Forças
Armadas, de acordo com sua hierarquia, e às altas autoridades civis.
Têm direito a honras militares:
. os Militares das Forças Armadas;
. as diversas autoridades civis devidamente reconhecidas (Presidente, Governadores etc.);
São denominadas Honras de Recepção e Despedida as honras prestadas às autoridades, ao
chegarem ou saírem de navio ou outra organização militar, e por ocasião de visitas e
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inspeções. A autoridade é recebida pelo Comandante, Diretor ou Chefe, sendo-lhe
prestadas as continências devidas.
Não são prestadas honras nas seguintes circunstâncias:
. em faina geral, de emergência ou de evolução decorrente de manobra ou exercício;
. durante qualquer atividade, cuja paralisação, mesmo que momentânea, possa afetar a
segurança de pessoal ou material;
. durante o cerimonial à Bandeira.
. a qualquer autoridade, na presença de outra a quem caibam honras superiores, exceto
durante transmissão de Comando;
. no período compreendido entre o arriar e o hastear da Bandeira; e
. durante funeral ou em dias de luto oficial, por motivos que não os previstos como honras
fúnebres, a menos que especificamente autorizado pelos Comandantes de Distrito Naval .
2.4 – CERIMONIAL DA MARINHA DO BRASIL
2.4.1 - GENERALIDADES
O Cerimonial da Marinha do Brasil é o conjunto de tradições, normas de cortesia,
saudações, honras e sinais de respeito em uso nas marinhas de guerra, quer no mar, quer
nos estabelecimentos de terra.
2.4.2 – NORMAS DE CORTESIA E RESPEITO MAIS UTILIZADAS
. Permissão para largar
O militar mais antigo a bordo de embarcação miúda ou viatura, qualquer que seja seu nível
hierárquico, pede licença para largar a quem lhe tiver prestado as honras de despedida, por
meio da expressão “Com licença”, recebendo em troca a resposta “Está quem manda”.
. Embarque e Desembarque
Em embarcação miúda ou viatura, o mais antigo embarca por último e desembarca em
primeiro lugar; em circunstâncias especiais, no desembarque, o mais antigo pode
determinar que mais modernos desembarquem na sua frente utilizando-se da expressão
“Salta quem pode”.
2.4.3 – HONRAS DE PORTALÓ
São denominadas honras de portaló as continências de guarda, "boys" e toques de corneta e
apito devidas na recepção ou despedida a autoridade. As honras de portaló são prestadas
junto à escada do portaló ou prancha do navio ou no local para tal designado nas OM de
Terra.
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2.4.4 - USO DA BANDEIRA NACIONAL
. Hasteamento
A Bandeira Nacional é hasteada diariamente, às 08h00, mediante cerimonial específico.
. Arriamento
A Bandeira Nacional é arriada diariamente:
I – ao pôr-do-Sol, mediante cerimonial específico, em todas as OM que mantenham
serviço ininterrupto; e
II – cinco minutos antes de encerrar-se o expediente, sem cerimonial, nas demais OM.
2.4.5 – CERIMONIAL À BANDEIRA
O cerimonial à Bandeira consiste dos seguintes procedimentos:
a) às 07h55, por ocasião do hasteamento, ou cinco minutos antes do pôr-do-Sol, no
arriamento, é içado o galhardete “Prep” na adriça de bombordo ou da esquerda e
anunciado, por voz, o “Sinal para Bandeira”, sendo então dado por corneta o toque de
Bandeira;
b) ao sinal, formam nas proximidades do mastro, com a frente voltada para a Bandeira, a
guarda e, quando determinado, a banda de música e a tripulação;
c) decorridos três minutos do sinal para a Bandeira, é tocado por corneta o “Primeiro
Sinal”;
d) um minuto após, é tocado por corneta o “Segundo Sinal”, quando então o Oficial de
Serviço comanda sentido ao dispositivo, e solicita, da autoridade que preside a cerimônia,
permissão para prosseguir com o cerimonial;
e) às 08h00 ou quando do pôr-do-Sol, o galhardete “Prep” é arriado e anunciado, por voz,
“Arriou”, sendo então tocado por corneta o “Terceiro Sinal ”;
f) imediatamente, o Oficial de Serviço comanda “Em continência”, ocasião em que o
corneteiro toca apresentar armas, e em seguida, “Iça” ou “Arria”, seguindo-se, só então, o
ponto do toque de “Apresentar arma”;
g) nessa ocasião, simultaneamente:
I) é iniciado o hasteamento ou arriamento da Bandeira Nacional;
II) todos os presentes prestam a continência individual; e
III) é iniciado o toque de apito pelo Contramestre e a execução do Hino Nacional (se for o
caso);
h) ao final do Hino ou dos toques de corneta e apito, a continência é desfeita;
i) no hasteamento, aquele que içou coloca seu chapéu e volta-se para o Oficial de Serviço
junto com o Praça que guarneceu o galhardete “Prep”, dando o pronto da faina por meio de
continência;
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j) no arriamento, três militares designados, sem se descobrirem, dobram a bandeira,
cuidando para que ela não toque o piso e, ao final, o mais antigo comanda meia-volta e dá
o pronto ao Oficial de Serviço por meio de continência;
l) o Oficial de Serviço, então, dá o pronto à autoridade que preside o cerimonial, fazendo-
lhe continência e dizendo em voz alta “Cerimonial encerrado”, no hasteamento, ou “Boa
noite”, no arriamento;
m) a autoridade que preside volta-se para os presentes e dá “Boa noite”, sendo este
cumprimento respondido pelos Oficiais; e
n) a formatura é desfeita.
2.4.6 – SAUDAÇÃO À BANDEIRA
a) aquele que pela primeira vez no dia chegar à OM, ou dela retirar-se pela última vez no
dia, saúda a Bandeira Nacional, se hasteada, para ela voltado, assim que:
I – a bordo de navio, atingir o patim superior do portaló ou a extremidade superior da
prancha;
II – em OM de Terra, transitando a pé, defrontar-se com o mastro onde estiver hasteada.
b) todos saúdam a Bandeira Nacional quando diante de si passar conduzida em desfile
militar, fazendo alto aquele que estiver em marcha.
2.4.7 – OUTRAS DEFINIÇÕES IMPORTANTES DO CERIMONIAL DA MARINHA
a) Honras aos Oficiais da Marinha
Todos os Oficiais, ao entrarem ou saírem de OM da MB, têm direito às honras de portaló
(continências, guarda, “boys” etc, dependendo do seu posto). Há toques de apito e corneta
específicos para cada círculo hierárquico de oficiais.
b) Datas Festivas
São denominadas datas festivas os dias em que, pela significação de suas datas, se realizam
cerimônias cívico-militares.
I) Os dias de grande gala são as datas festivas em que se comemora o aniversário da
Independência (7 de setembro) e da Proclamação da República (15 de novembro).
II) Os dias de pequena gala são as datas festivas em que se comemora o Dia da
Confraternização Universal (1º de Janeiro), o Dia de Tiradentes (21 de abril), o Dia do
Trabalho (1º de maio), o aniversário da Batalha Naval do Riachuelo (11 de junho), o Dia
da Bandeira (19 de novembro), o Dia do Marinheiro (13 de dezembro) e o Natal (25 de
dezembro).
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2.5 – REGULAMENTO DISCIPLINAR PARA A MARINHA (RDM)
2.5.1 - GENERALIDADES
O Regulamento Disciplinar para a Marinha tem por propósito a especificação e a
classificação das contravenções disciplinares e o estabelecimento das normas relativas à
amplitude e à aplicação das penas disciplinares, à classificação do comportamento militar e
à interposição de recursos contra as penas disciplinares.
Como todo militar da Marinha, o Aluno do Colégio Naval está sujeito às regras previstas
no Regulamento Disciplinar para a Marinha, porém, na maior parte dos casos, as questões
disciplinares dos Alunos estão previstas no Regimento Interno do Colégio Naval.
2.5.2 – CONTRAVENÇÕES DISCIPLINARES
Contravenção Disciplinar é toda ação ou omissão contrária às obrigações ou aos deveres
militares estatuídos nas leis, nos regulamentos, nas normas e nas disposições em vigor que
fundamentam a Organização Militar, desde que não incidindo no que é capitulado pelo
Código Penal Militar como crime.
São contravenções disciplinares (Art. 7º. Do RDM):
1. dirigir-se ou referir-se a superior de modo desrespeitoso;
2. censurar atos de superior;
3. responder de maneira desatenciosa ao superior;
4. dirigir-se ao superior para tratar de assuntos de serviço ou de caráter particular em
inobservância à via hierárquica;
5. deixar o subalterno, quer uniformizado quer trajando à paisana, de cumprimentar o
superior quando uniformizado, ou em traje civil, desde que o conheça; ou deixar de
prestar-lhe as homenagens e sinais de consideração e respeito previstos nos regulamentos
militares;
6. deixar deliberadamente de corresponder ao cumprimento do subalterno;
7. deixar de cumprir ordem recebida da autoridade competente;
8. retardar, sem motivo justo, o cumprimento de ordem recebida da autoridade competente;
9. aconselhar ou concorrer para o não cumprimento de qualquer ordem de autoridade
competente ou para o retardamento da sua execução;
10. induzir ou concorrer intencionalmente para que outrem incida em contravenção;
11. deixar de comunicar ao superior a execução de ordem dele recebida;
12. retirar-se da presença do superior sem a sua devida licença ou ordem para fazê-lo;
13. deixar o Oficial presente a solenidade interna ou externa onde se encontrem superiores
hierárquicos de apresentar-se ao mais antigo e saudar os demais;
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14. deixar, quando estiver sentado, de oferecer seu lugar ao superior, ressalvadas as
exceções regulamentares previstas;
15. representar contra o superior:
a) sem prévia autorização deste;
b) em inobservância à via hierárquica;
c) em termos desrespeitosos; e
d) empregando argumentos falsos ou envolvendo má-fé.
16. deixar de se apresentar, finda a licença ou cumprimento de pena, aos seus superiores ou
a quem deva fazê-lo, de acordo com as normas de serviço de Organização Militar;
17. permutar serviço sem autorização do superior competente;
18. autorizar, promover, tomar parte ou assinar representação ou manifestação coletiva de
qualquer caráter contra superior;
19. recusar pagamento, fardamento, equipamento ou artigo de recebimento obrigatório;
20. recusar-se ao cumprimento de castigo imposto;
21. tratar subalterno com injustiça;
22. dirigir-se ou referir-se a subalterno em termos incompatíveis com a disciplina militar;
23. tratar com excessivo rigor preso sob sua guarda;
24. negar licença a subalterno para representar contra ato seu;
25. protelar licença, sem motivo justificável, a subalterno para representar contra ato seu;
26. negar licença, sem motivo justificável, a subalterno para se dirigir a autoridade
superior, a fim de tratar dos seus interesses;
27. deixar de punir o subalterno que cometer contravenção, ou de promover sua punição
pela autoridade competente;
28. deixar de cumprir ou fazer cumprir, quando isso lhe competir, qualquer prescrição ou
ordem regulamentar;
29. ofender física ou moralmente qualquer pessoa, procurar desacredita-la ou concorrer
para isso, desde que não seja tal atitude enquadrada como crime;
30. desrespeitar medidas gerais de ordem policial, embaraçar sua execução ou concorrer
para isso;
31. desrespeitar ou desconsiderar autoridade civil;
32. desrespeitar, por palavras ou atos, a religião, as instituições ou os costumes de país
estrangeiro em que se achar;
33. faltar à verdade ou emitir informações que possam conduzir à sua apuração;
34. portar-se sem compostura em lugar público;
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35. apresentar-se em Organização Militar em estado de embriaguez ou embriagar-se e
comportar-se de modo inconveniente ou incompatível com a disciplina militar em
Organização Militar;
36. contrair dívidas ou assumir compromissos superiores às suas possibilidades,
comprometendo o bom nome da classe;
37. esquivar-se a satisfazer compromissos assumidos de ordem moral ou pecuniária;
38. não atender a advertência de superior para satisfazer débito já reclamado;
39. participar em Organização Militar de jogos proibidos, ou jogar a dinheiro os
permitidos;
40. fazer qualquer transação de caráter comercial em Organização Militar;
41. estar fora do uniforme determinado ou tê-lo em desalinho;
42. ser descuidado no asseio do corpo e do uniforme;
43. ter a barba, o bigode, as costeletas, o cavanhaque ou o cabelo fora das normas
regulamentares;
44. dar, vender, empenhar ou trocar peças de uniformes fornecidas pela União;
45. simular doença;
46. executar intencionalmente mal qualquer serviço ou exercício;
47. ser negligente no desempenho da incumbência ou serviço que lhe for confiado;
48. extraviar ou concorrer para que se extraviem ou se estraguem quaisquer objetos da
Fazenda Nacional ou documentos oficiais, estejam ou não sob sua responsabilidade direta;
49. deixar de comparecer ou atender imediatamente à chamada para qualquer exercício,
faina, manobra ou formatura;
50. deixar de se apresentar, sem motivo justificado, nos prazos regulamentares, à
Organização Militar para que tenha sido transferido e, às autoridades competentes, nos
casos de comissões ou serviços extraordinários para que tenha sido nomeado ou designado;
51. deixar de participar em tempo à autoridade a que estiver diretamente subordinado a
impossibilidade de comparecer à Organização Militar ou a qualquer ato de serviço a que
esteja obrigado a participar ou a que tenha que assistir;
52. faltar ou chegar atrasado, sem justo motivo, a qualquer ato ou serviço de que deva
participar ou a que deva assistir;
53. ausentar-se sem a devida autorização da Organização Militar onde serve ou do local
onde deva permanecer;
54. ausentar-se sem a devida autorização da sede da Organização Militar onde serve;
55. deixar de regressar à hora determinada à Organização Militar onde serve;
56. exceder a licença;
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57. deixar de comunicar à Organização Militar onde serve mudança de endereço
domiciliar;
58. contrair matrimônio em desacordo com a legislação em vigor;
59. deixar de se identificar quando solicitado por quem de direito;
60. transitar sem ter em seu poder documento atualizado comprobatório de identidade;
61. trajar à paisana em condições que não as permitidas pelas disposições em vigor;
62. permanecer em Organização Militar em traje civil, contrariando instruções em vigor;
63. conversar com sentinela, vigia, plantão ou, quando não autorizado, com preso;
64. conversar, sentar-se ou fumar, estando de serviço e quando não for permitido pelas
normas e disposições da Organização Militar;
65. fumar em lugares onde seja proibido fazê-lo, em ocasião não permitida,
ou em presença de superior que não seja do seu círculo, exceto quando dele tenha obtido
licença;
66. penetrar nos aposentos de superior, em paióis e outros lugares reservados, sem a devida
permissão ou ordem para fazê-lo;
67. entrar ou sair da Organização Militar por acesso que não o determinado;
68. introduzir clandestinamente bebidas alcoólicas em Organização Militar;
69. introduzir clandestinamente matérias inflamáveis, explosivas, tóxicas ou outras em
Organização Militar, pondo em risco sua segurança, e desde que não seja tal atitude
enquadrada como crime;
70. introduzir ou estar de posse em Organização Militar de publicações prejudiciais à
moral e à disciplina;
71. introduzir ou estar de posse em Organização Militar de armas ou instrumentos
proibidos;
72. portar arma sem autorização legal ou ordem escrita de autoridade competente;
73. dar toques, fazer sinais, içar ou arriar a Bandeira Nacional ou insígnias, disparar
qualquer arma sem ordem;
74. conversar ou fazer ruído desnecessário por ocasião de faina, manobra, exercício ou
reunião para qualquer serviço;
75. deixar de comunicar em tempo hábil ao seu superior imediato ou a quem de direito o
conhecimento que tiver de qualquer fato que possa comprometer a disciplina ou a
segurança da Organização Militar, ou afetar os interesses da Segurança Nacional;
76. ser indiscreto em relação a assuntos de caráter oficial, cuja divulgação possa ser
prejudicial à disciplina ou à boa ordem do serviço;
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77. discutir pela imprensa ou por qualquer outro meio de publicidade, sem autorização
competente, assunto militar, exceto de caráter técnico não sigiloso e que não se refira à
Defesa ou à Segurança Nacional;
78. manifestar-se publicamente a respeito de assuntos políticos ou tomar parte fardado em
manifestações de caráter político-partidário;
79. provocar ou tomar parte em Organização Militar em discussão a respeito de política ou
religião;
80. faltar com o respeito devido, por ação ou omissão, a qualquer dos símbolos nacionais,
desde que em situação não considerada como crime;
81. fazer uso indevido de viaturas, embarcações ou aeronaves pertencentes à Marinha,
desde que o ato não constitua crime;
82. disparar arma em Organização Militar por imprudência ou negligência;
83. concorrer para a discórdia ou desarmonia ou cultivar inimizades entre os militares ou
seus familiares; e
84. disseminar boatos ou notícias tendenciosas.
Parágrafo único – São também consideradas contravenções disciplinares todas as omissões
do dever militar não especificadas no presente artigo, desde que não qualificadas como
crimes nas leis penais militares, cometidas contra preceitos de subordinação e regras de
serviço estabelecidos nos diversos regulamentos militares e determinações das autoridades
superiores competentes.
2.5.3 – AS PENAS DISCIPLINARES
As contravenções disciplinares previstas no item anterior serão punidas com penas
disciplinares.
As penas disciplinares são as seguintes:
a) para Oficiais da ativa:
1. repreensão;
2. prisão simples, até 10 dias; e
3. prisão rigorosa, até 10 dias.
b) para Oficiais da reserva que exerçam funções de atividade:
1. repreensão;
2. prisão simples, até 10 dias;
3. prisão rigorosa, até 10 dias; e
4. dispensa das funções de atividade.
c) para os Oficiais da reserva remunerada não compreendidos na alínea anterior e os
reformados:
- 30 -
1. repreensão;
2. prisão simples, até 10 dias; e
3. prisão rigorosa, até 10 dias.
d) para Suboficiais:
1. repreensão;
2. prisão simples, até 10 dias;
3. prisão rigorosa, até 10 dias; e
4. exclusão do serviço ativo, a bem da disciplina.
e) para Sargentos:
1. repreensão;
2. impedimento, até 30 dias;
3. prisão simples, até 10 dias;
4. prisão rigorosa, até 10 dias; e
5. licenciamento ou exclusão do serviço ativo, a bem da disciplina.
f ) para Cabos, Marinheiros e Soldados:
1. repreensão;
2. impedimento, até 30 dias;
3. serviço extraordinário, até 10 dias;
4. prisão simples, até 10 dias;
5. prisão rigorosa, até 10 dias; e
6. licenciamento ou exclusão do serviço ativo, a bem da disciplina.
Não será considerada como pena a admoestação que o superior fizer ao subalterno,
mostrando-lhe irregularidade praticada no serviço ou chamando sua atenção para fato que
possa trazer como consequência uma contravenção.
Por uma única contravenção não pode ser aplicada mais de uma punição.
A punição disciplinar não exime o punido da responsabilidade civil que lhe couber.
2.5.4 – COMENTÁRIOS, EXPLANAÇÕES E EXEMPLOS REAIS DA VIDA
PROFISSIONAL DO FUTURO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL
O Livro de Contravenções Disciplinares
A Contravenção Disciplinar e o Crime Militar
Quem pode punir a bordo?
Punir ou promover a punição sempre por obrigação, nunca por vontade.
- 31 -
2.6 – REGIMENTO INTERNO DO COLÉGIO NAVAL (RICN)
2.6.1 – GENERALIDADES
O Regimento Interno do Colégio Naval regula a organização, as atribuições dos elementos
componentes do CN, os deveres funcionais, as normas para o ciclo escolar, a precedência
entre Alunos, a aptidão para o Oficialato dos Alunos, as recompensas e prêmios escolares,
a transferência para a Escola Naval, as atividades dos Alunos, as transgressões
disciplinares, as penas disciplinares e os conselhos de ensino e de avaliação de Alunos.
2.6.2 – A Organização do Colégio Naval
O Sr. Comandante do Colégio Naval (CN-01) é diretamente auxiliado pelo Imediato do
Colégio Naval (CN-02) e assessorado por um Conselho de Ensino (CN-03) e por um
Conselho de Gestão (CN-04).
Os serviços a cargo do CN são realizados por meio de cinco setores de atividades, a saber:
Departamento de Ensino........................................................(CN-10);
Comando do Corpo de Alunos...............................................(CN-20);
Departamento de Serviços Gerais..........................................(CN-30);
Departamento de Intendência.................................................(CN-40); e
Departamento de Saúde..........................................................(CN-50).
Subordinados diretamente ao Imediato (CN-02), há, ainda, a Divisão de Administração
(CN-05), o Núcleo do Serviço de Assistência Integrada ao Pessoal da Marinha – N-SAIPM
(CN-06), a Divisão de Informática e Telefonia (CN-07) e o Serviço de Assistência
Religiosa (CN-08).
O Conselho de Ensino (CN-03) é constituído pelo Sr. Comandante, que o preside, pelo
Imediato, pelos Chefes de Departamento, pelo Comandante do Corpo de Alunos, pelo
Coordenador Geral do Ensino Básico, pelo Encarregado do Serviço de Orientação
Educacional (SOE) e pelo Encarregado do Serviço de Orientação Pedagógica (SOP).
Quando necessário, o Comandante designará outros Oficiais e Professores para
participarem das reuniões do Conselho de Ensino.
Ao Conselho de Ensino (CN-03) compete, especificamente:
- assessorar o Sr. Comandante na elaboração e atualização do Currículo e do Programa de
Ensino;
- assessorar o Sr. Comandante nos assuntos ligados ao ensino;
- analisar os Inquéritos Pedagógicos de fim de curso, assim como outras informações
relativas à avaliação do processo de formação dos Alunos;
- propor ações destinadas ao aperfeiçoamento das atividades de ensino e de formação; e
- 32 -
- assessorar o Sr. Comandante nos assuntos atinentes à renovação, ao trancamento, à
manutenção ou cancelamento de matrícula e à transferência para a EN dos Alunos do CN.
O Aluno que for submetido à apreciação do Conselho de Ensino por ter cometido
transgressão disciplinar muito grave, a fim de resguardar-se o direito à ampla defesa e ao
contraditório, será notificado formalmente (por escrito) deste fato com antecedência
mínima de cinco dias da data prevista para a reunião do Conselho. Da notificação a ser
encaminhada ao Aluno, deverá constar: o motivo e a data da reunião do Conselho de
Ensino; o nome do Oficial que lhe servirá de curador e defenderá seus interesses junto ao
Conselho de Ensino; e o fato de que o Aluno deverá apresentar suas alegações acerca do
motivo por escrito.
No caso de o Aluno que será submetido ao Conselho de Ensino não desejar apresentar sua
defesa por escrito, deverá ser formalizada sua decisão em declaração por ele assinada.
2.6.3 – Atribuições dos Comandantes de Companhia
Aos Comandantes de Companhia do Corpo de Alunos compete, especificamente:
- participar dos eventos e das paradas do Corpo de Alunos;
- preparar os detalhes de serviço e de representações dos Alunos que lhes forem
subordinados;
- promover a disciplina, a orientação e a formação militar, marinheira, moral, psicológica e
esportiva, assim como fomentar o gosto pela carreira dos Alunos subordinados;
- manter o registro histórico de cada Aluno subordinado no que se refere ao
comportamento, ao conceito e às atividades extracurriculares;
- propor os graus de conceito e emitir parecer quanto ao Desempenho de Oficialato;
- acompanhar o desempenho acadêmico, físico e militar-naval dos Alunos de sua
Companhia, procurando manter-se ciente dos fatores intra e extra CN que possam vir a
influenciá-los;
- providenciar e controlar a documentação administrativa afeta à vida militar dos Alunos
subordinados; e
- julgar as transgressões disciplinares leves cometidas pelos alunos, quando determinado e
de acordo com a delegação de competência que lhe for atribuída.
2.6.4 – Normas para o Ciclo Escolar
As condições para matrícula, renovação, trancamento e cancelamento de matrícula e os
critérios para aferição do aproveitamento escolar e a classificação no curso são
regulamentadas pelas Normas para o Curso de Preparação para Aspirantes, baixadas por
Portaria do Diretor de Ensino da Marinha.
- 33 -
2.6.5 – Aptidão para o Oficialato (NApOf)
Além das condições intelectuais e físicas, verificadas por provas, inspeções de saúde e
provas de capacidade física, é condição essencial, para que os Alunos prossigam seus
cursos, o preenchimento dos atributos cívicos, éticos, morais e vocacionais, verificados
pela Nota de Aptidão para o Oficialato (NApOf), que constitui uma das parcelas
formadoras do grau de classificação dos Alunos.
A NApOf é a média ponderada entre um grau de Conceito atribuído pelo Conselho de
Avaliação de Alunos, com peso dois, e um grau de Comportamento, com peso um, aferida
em uma escala de zero a dez, com aproximação a décimos.
No caso dos Alunos do primeiro ano, não-repetentes, aos quais ainda não tenha sido
atribuído grau de conceito pelo Conselho de Avaliação de Alunos, considerar-se-á como
grau de NApOf o grau de Comportamento.
O grau de Conceito significa o resultado da avaliação do Aluno, no que concerne à aptidão
para a carreira, liderança (aptidão para o mando), cumprimento do dever, bem como aos
atributos cívicos, morais e vocacionais e padrões de conduta militar e pessoal.
O grau de Conceito é expresso por um valor na escala de 0 a 10, com a aproximação a
décimos.
O grau de Conceito corresponde à avaliação de um semestre escolar, sendo atribuído a
todo o Corpo de Alunos ao término dos semestres. O grau de Conceito atribuído no 2º
semestre servirá para obtenção da Nota de Aptidão para o Oficialato a ser utilizada na
determinação do grau de classificação dos Alunos, e servirá como referência para o cálculo
atualizado (dinâmico) da NApOf do ano seguinte.
O Grau de Comportamento será calculado considerando-se que cada punição imposta
acarretará a perda de um determinado número de pontos de comportamento.
Será atribuída a seguinte pontuação para as penas disciplinares:
PUNIÇÃO 1º - ANO 2º - ANO 3º - ANO
Repreensão 0,05 0,10 0,15
Serviço Extra 0,10 0,15 0,20
Impedimento 0,20 0,25 0,30
Recolhimento 0,25 0,30 0,35
O grau de Comportamento, com aproximação a centésimos, será obtido deduzindo-se da
nota máxima a soma dos pontos perdidos.
Para efeito de comportamento, em um ano letivo, serão considerados os pontos perdidos
nos seguintes períodos:
- 34 -
- para os Alunos do 1º Ano Escolar: do dia da apresentação para o Período de Adaptação
até 31 de dezembro do mesmo ano;
- para os Alunos do 2º Ano Escolar: de 1º de janeiro até 31 de dezembro do mesmo ano; e
- para os Alunos do 3º Ano Escolar: de 1º de janeiro até a data de transferência para a
Escola Naval.
Em consequência do estabelecido anteriormente, a NApOf será continuamente atualizada,
tendo como referência o último grau de Conceito.
Sempre que a NApOf atingir grau igual ou inferior a cinco, o ComCA submeterá o assunto
à apreciação do Sr. Comandante. Nesses casos, assessorado pelo Conselho de Ensino, o Sr.
Comandante decidirá pela manutenção ou não da matrícula, baixando os atos pertinentes.
Decidindo-se pela manutenção da matrícula, a NApOf será reformada para o grau 5,1 e o
Conceito retificado conforme os cálculos do algoritmo da NApOf.
Essa NApOf reformada não será computada para cálculo de grau de classificação, ao
término do ano letivo. Nesse cálculo, utilizar-se-á a NApOf original.
2.6.7 – Recompensas e Prêmios Escolares
Aos Alunos são conferidos os títulos abaixo especificados, como recompensa ao mérito
individual:
- ao Aluno com o maior grau de classificação de cada ano é conferido o título de Chefe-de-
Classe, fazendo jus ao uso de uma estrela dourada, prevista no Regulamento de Uniformes
da Marinha do Brasil (RUMB) e fornecida pelo CN;
- ao Aluno com o maior grau de classificação do 3º Ano é conferido o título de
Comandante-Aluno do Corpo de Alunos, fazendo jus ao uso do distintivo de Comandante-
Aluno; e
- ao Aluno com o segundo maior grau de classificação do 3º Ano é conferido o título de
Imediato-Aluno do Corpo de Alunos, fazendo jus ao uso do distintivo de Imediato-Aluno,
previsto no RUMB e fornecido pelo CN;
- os Alunos que seguem em antiguidade ao Comandante-Aluno e ao Imediato-Aluno são
denominados Oficiais-Alunos Comandantes de Companhia e Oficiais-Alunos
Comandantes de Pelotão, em função da subdivisão administrativa do Corpo de Alunos. Os
Oficiais-Alunos comissionados como Comandantes de Companhias e de Pelotões fazem
jus ao uso dos distintivos para suas funções.
Os títulos de Oficiais-Alunos somente poderão ser concedidos aos Alunos que, durante o
curso, tiverem obtido, de forma cumulativa, grau de NApOf igual ou superior a seis e meio
durante o primeiro ano escolar, igual ou superior a sete e meio durante o segundo ano
- 35 -
escolar e, durante o terceiro ano escolar, mantiverem-na em grau igual ou superior a oito.
Em caso de repetência, serão consideradas as NApOf de todos os anos cursados.
2.6.8 – Transferência para a Escola Naval
São transferidos para a Escola Naval os Alunos classificados dentro do número de vagas
estabelecido pelo Diretor-Geral do Pessoal da Marinha, desde que tenham sido aprovados
nas disciplinas constantes na grade curricular do 3º Ano, no exame psicológico,
considerados Aptos em Inspeção de Saúde e obtenham parecer favorável do Conselho de
Ensino no que tange à NApOf.
Aos Alunos que concluírem o curso serão fornecidos os respectivos certificados de
conclusão.
Os Alunos aprovados que não preencherem as condições para a transferência para a Escola
Naval serão impossibilitados de matricularem-se e desligados do Serviço Ativo da
Marinha.
Os Alunos aprovados e que não forem transferidos por desistirem de suas matrículas na
Escola Naval, de acordo com a regulamentação da Lei do Serviço Militar, receberão os
certificados de reservista a que tiverem direito.
2.6.9 – Atividades dos Alunos Menores de Idade
Aos Alunos menores de dezoito anos é vedada a prática de tiro e manuseio de armamento,
munição ou explosivo, bem como as atividades de mergulho ou quaisquer outras que
contenham risco, a critério do ComCA.
2.6.10 – Transgressões e Penas Disciplinares
Os Alunos estão sujeitos ao Código Penal Militar (CPM), no tocante aos crimes militares,
ao Estatuto dos Militares, à Ordenança Geral para o Serviço da Armada e, de acordo com o
Regulamento Disciplinar para a Marinha (RDM), a este Regimento Interno, no que se
refere às transgressões disciplinares, respeitado o balizamento legal vigente.
As transgressões disciplinares cometidas pelos Alunos são julgadas pelo Comandante do
CN. Poder-se-á, por delegação de competência, atribuir ao ComCA o julgamento das
transgressões graves e leves, e aos Oficiais Comandantes de Companhia, o julgamento das
transgressões leves. Quando embarcados em outras OM da MB, o julgamento caberá aos
respectivos Comandantes ou Diretores.
Para efeito de julgamento, as transgressões disciplinares são classificadas em: muito
graves, graves e leves. Essa classificação é tipificada conforme o dano que causem à
moral, à hierarquia e disciplina ou ao serviço, em virtude de sua natureza, ou das
- 36 -
consequências que dessas advêm, ou puderem advir, e pelas circunstâncias em que forem
cometidas.
O Aluno que cometer transgressão disciplinar classificada como muito grave está sujeito a
ter a sua matrícula cancelada.
Art. 122 - São transgressões disciplinares muito graves:
I. causar, deliberadamente, danos às instalações e a objetos de propriedade do Es-
tado, incluindo-se sistemas operacionais, programas e bancos de dados;
II. fazer uso indevido de instalações e de objetos de propriedade do Estado, incluin-
do-se sistemas operacionais, programas e bancos de dados;
III. desobedecer, deliberadamente, às ordens das autoridades;
IV. desacatar os superiores, por ato ou palavras;
V. agir, direta ou indiretamente, de modo prejudicial à disciplina ou contrário às fi-
nalidades precípuas da Organização Militar;
VI. negar-se ao cumprimento de pena disciplinar;
VII. praticar ato indecoroso ou que atente contra a moral;
VIII. servir-se de anonimato;
IX. manifestar-se publicamente a respeito de assunto político com declaração de sua
condição militar ou tomar parte, fardado, em manifestações;
X. tomar atitude atentatória à dignidade, à ética ou ao pundonor militar;
XI. introduzir, estar de posse ou fazer uso, no CN, ou fora dele, de entorpecentes,
psicotrópicos ou outra substância de uso proibido;
XII. introduzir ou estar de posse, clandestinamente, no CN, de bebidas alcoólicas;
XIII. introduzir, no CN, armas, explosivos ou instrumentos proibidos, ou estar de pos-
se deles na OM;
XIV. faltar ao CN por período superior a oito dias, sem motivo justificado;
XV. receber ou fornecer auxílio, ou usar qualquer outro meio ilícito, durante a reali-
zação de qualquer prova, teste ou avaliação complementar;
XVI. aplicar trote ou qualquer castigo físico em outro Aluno;
XVII. penetrar nos compartimentos privativos, em paióis e outros locais reservados,
sem a devida permissão ou ordem para fazê-lo;
XVIII. abandonar o posto ou o local de serviço que lhe tenha sido designado, ou o ser-
viço que lhe cumprir, antes de terminá-lo; e
XIX. praticar “bullying”, ou seja, praticar atos de violência física ou psicológica, in-
tencionais e repetidos, com objetivo de intimidar ou agredir outro aluno (ou gru-
po de alunos) incapaz(es) de se defender.
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No caso de suspeita ou de ocorrência de uma das transgressões disciplinares tratadas neste
artigo, o Comandante do CN poderá determinar a apuração dos fatos por meio de uma
Sindicância.
Caso a solução da Sindicância aberta, de acordo com o contido no parágrafo anterior,
confirme a prática de transgressão disciplinar muito grave, a critério do Comandante do
CN, esta poderá ser objeto de análise pelo Conselho de Ensino, a quem caberá assessorar o
Comandante do Colégio Naval quanto ao cancelamento da matrícula ou a aplicação de
outra pena disciplinar prevista neste Regimento.
Nos casos de suspeita ou confirmação de maus tratos em Alunos menores, serão realizadas
consultas ao Conselho Tutelar de Angra dos Reis, sem prejuízo de outras providências
legais, para verificar a necessidade de formalização da ocorrência.
Art. 123 - São transgressões disciplinares graves:
I. referir-se de modo desrespeitoso a superior ou procurar desacreditá-lo;
II. deixar de cumprimentar, deliberadamente, o superior, quando ambos estiverem
fardados, ou quando conhecer o superior, esteja este fardado ou em traje civil;
III. retardar ou deixar de cumprir ordem recebida de autoridade competente;
IV. retirar-se da presença do superior sem sua autorização;
V. demonstrar comprovada má vontade, dificultar o cumprimento de ordens dadas
ou, deliberadamente, executá-las mal;
VI. representar contra superior, sem prévia licença deste, ou fazê-lo sem ser por via
hierárquica;
VII. empregar, na representação contra superior, termos desrespeitosos;
VIII. empregar, em qualquer situação, argumentos falsos ou de comprovada má-fé;
IX. recusar-se a receber pagamento, fardamento, equipamento ou qualquer artigo de
recebimento obrigatório;
X. fazer uso indevido de autoridade;
XI. ofender, moral ou fisicamente, pessoa de igual graduação ou procurar desacredi-
tá-la;
XII. desacatar autoridade civil ou desrespeitar medidas de ordem policial;
XIII. faltar com a verdade ou tentar encobri-la em qualquer situação;
XIV. faltar com os compromissos assumidos, inclusive os de ordem pecuniária;
XV. ofender a moral, por ato ou palavras;
XVI. portar-se sem compostura, principalmente em lugar público;
XVII. embriagar-se;
XVIII. fazer comércio de caráter particular ou não autorizado dentro do CN;
- 38 -
XIX. tomar parte, no CN, em jogos proibidos ou jogar a dinheiro os permitidos;
XX. dar, vender, empenhar ou trocar peças de uniforme fornecidas pela Marinha;
XXI. simular doença;
XXII. trabalhar mal, intencionalmente, em qualquer serviço, manobra, faina ou exercí-
cio, ou conduzir-se mal, deliberadamente, em aula, formatura ou prova;
XXIII. extraviar, ou concorrer para que se extraviem ou estraguem, quaisquer objetos da
Fazenda Nacional;
XXIV. ausentar-se do CN, sem licença, por período inferior a oito dias;
XXV. exceder o regresso geral de licenciados;
XXVI. entrar no CN, ou dele sair, por outro lugar que não seja o designado para este
fim;
XXVII. introduzir, no CN, publicações prejudiciais à disciplina e à moral, ou estar de
posse delas;
XXVIII. deixar de transmitir, com urgência, ao superior imediato o conhecimento que ti-
ver de qualquer fato que possa comprometer a disciplina ou a segurança do CN;
XXIX. faltar com o respeito devido, por ação ou omissão, à Bandeira, ao Hino, ao Esta-
do e às Armas Nacionais;
XXX. prejudicar, deliberadamente, a arrumação, a limpeza e a ordem, em qualquer de-
pendência;
XXXI. abandonar o local de cumprimento de pena, mesmo sem sair da área do CN;
XXXII. ausentar-se da enfermaria, estando baixado, sem a devida permissão;
XXXIII. publicar, difundir ou apregoar notícias exageradas ou falsas, de caráter alarman-
te, que possam gerar desassossego;
XXXIV. ser indiscreto em relação a assuntos de caráter oficial, cuja divulgação possa pre-
judicar a disciplina ou o serviço;
XXXV. dar toques, fazer sinais, içar ou arriar a Bandeira Nacional ou insígnias, ou dis-
parar qualquer arma, sem ordem para fazê-lo;
XXXVI. transitar por locais ou áreas proibidas; e
XXXVII. acessar “sites” de conteúdo não permitido.
Art. 124 - São transgressões disciplinares leves:
I. estar fora do uniforme ou tê-lo em desalinho;
II. ter peças do enxoval, livros ou quaisquer de seus pertences em desordem, em
mau estado ou fora dos devidos lugares;
III. ser descuidado no asseio do corpo e da roupa;
IV. usar cabelo, bigode, costeleta e barba em descordo com as instruções em vigor;
- 39 -
V. ter peças do enxoval desmarcadas ou marcadas em desacordo com as instruções
em vigor;
VI. revelar conduta descuidada ou imprudência no desempenho da incumbência ou
do serviço que lhe for afeto e para o qual esteja habilitado;
VII. chegar atrasado, sem justificativa, a qualquer exercício, aula, faina ou formatura;
VIII. fumar em lugar proibido e quando não permitido;
IX. adotar atitude incompatível com o procedimento militar por ocasião de faina,
manobra, exercício ou qualquer serviço (conversa, ruído, desatenção, algazarra,
postura descuidada ou fumo);
X. provocar ou tomar parte em discussão a respeito de política ou de religião;
XI. concorrer, de qualquer forma, para prejudicar a limpeza do CN;
XII. dormir fora de hora ou em local não permitido;
XIII. permanecer em qualquer compartimento ou local fora das horas permitidas;
XIV. deixar de comunicar à autoridade o cumprimento das ordens que dela tiver rece-
bido;
XV. deixar de submeter-se às prescrições médicas, sem razão que justifique tal atitu-
de;
XVI. deixar de assumir a devida atitude militar nas ocasiões em que deva fazê-lo;
XVII. ter sob sua guarda objetos não permitidos;
XVIII. usar peças não regulamentares quando uniformizado;
XIX. utilizar peças de uniforme quando trajado a paisana;
XX. conversar com sentinela, vigia, plantão ou preso incomunicável;
XXI. permutar de serviço sem autorização;
XXII. exceder licença; e
XXIII. deixar de comparecer, sem motivo justo, a qualquer aula, formatura, faina ou
serviço.
São, também, consideradas transgressões disciplinares todas as omissões do dever militar
não especificadas nos artigos anteriores, nem qualificadas como crime nas leis penais
militares, cometidas contra preceitos de subordinação e regras de serviço estabelecidas nos
diversos regulamentos militares e determinações das autoridades superiores competentes.
São circunstâncias agravantes:
I. reincidência;
II. conluio de duas ou mais pessoas;
III. premeditação;
IV. ter sido a falta praticada atentando contra a honra e o pundonor militar;
- 40 -
V. ter sido a falta praticada em serviço;
VI. ter sido a falta cometida iludindo a vigilância de quem estiver de serviço;
VII. alegar ignorância da disposição, ou da ordem transgredida, quando estas tiverem
sido amplamente divulgadas; e
VIII. ter sido a falta praticada contra o pessoal de serviço.
Serão circunstâncias atenuantes:
I. ter sofrido provocação por outrem; e
II. ter bons antecedentes.
São circunstâncias justificativas:
I. força maior ou caso fortuito comprovado;
II. evitar mal maior ou dano ao serviço;
III. ordem de superior hierárquico; e
IV. ignorância plenamente comprovada da disposição ou da ordem transgredida.
Os Alunos estão sujeitos às seguintes penas disciplinares:
I. repreensão;
II. serviço extraordinário, até 10 dias;
III. impedimento, nos dias de licença geral, até 10 dias; e
IV. recolhimento, até 10 dias.
Os Alunos que adotarem atitudes inconvenientes no decorrer das aulas, fainas ou
exercícios poderão ser retirados da sala de aula ou afastados dos exercícios, fainas,
representações, formaturas ou reuniões, pelo docente ou pelo encarregado,
independentemente da punição que venha a sofrer.
A admoestação feita pelos Oficiais ou Docentes aos Alunos, em virtude de irregularidade
ou fatos que possam redundar em transgressões disciplinares ou de observações relativas a
procedimento ou conduta não coerente com o padrão moral e cívico exigido dos Alunos,
não será considerada pena disciplinar.
Nesses casos, o Oficial ou o Docente deverá comunicar o fato ao ComCA, o que servirá
como subsídio para a aferição do grau de conceito, ficando registrado na ficha escolar do
Aluno.
A pena de repreensão consiste na declaração formal de que o Aluno é assim punido por
haver cometido determinada transgressão disciplinar, devendo ser feita em particular.
A pena de serviço extraordinário consiste no desempenho, pelo Aluno punido, de serviço
previsto no detalhe para o seu ano escolar, em dias de rotina de domingo em que não lhe
competir esse serviço.
- 41 -
A pena de impedimento obriga o Aluno punido a permanecer no CN, nos dias de
licenciamento, sem prejuízo de qualquer serviço que lhe competir.
Nos dias em que o Aluno punido fizer parte do detalhe de serviço, será interrompido o
cumprimento da pena de impedimento, sendo esta reiniciada no primeiro dia de
licenciamento geral que lhe suceder.
A pena de recolhimento consiste na permanência do Aluno no seu alojamento,
participando de aulas, das atividades práticas programadas, do rancho e da parada escolar.
Nos demais tempos livres, o Aluno permanece em Estudo Obrigatório, em sala de aula.
Ocorrerá o Licenciamento do Serviço Ativo da Marinha e consequente desligamento do
CN quando o Aluno incorrer em pelo menos uma das causas de Cancelamento de
Matrícula estabelecidas nas Normas para o Curso de Preparação para Aspirantes, emitidas
pelo Diretor de Ensino da Marinha.
O Licenciamento do Aluno do Serviço Ativo da Marinha consiste no cancelamento da
matrícula e na consequente desincorporação como Praça Especial, por ato do Comandante
do CN.
O tempo em que o Aluno passar baixado à enfermaria ou hospital não será computado para
o cumprimento de pena disciplinar.
Os recolhidos e impedidos podem receber visitas de seus pais ou responsáveis diretos, mas
não podem gozar licenças especiais a partir do momento da aplicação da pena.
As partes de ocorrência, após o conhecimento do Aluno, serão entregues ao Oficial
Comandante da Companhia, que fará sua transcrição na Folha de Informações de Aluno e
no Banco de Dados. Aquelas que forem para julgamento do Sr. Comandante serão
também lançadas em livro próprio.
Nenhuma pena será imposta sem que seja ouvido o Aluno e os fatos devidamente
apurados.
Todo superior que tiver conhecimento, direto ou indireto, de qualquer transgressão
disciplinar cometida por um Aluno deverá dar parte escrita, preferencialmente dentro do
prazo de 24 horas, contadas do momento em que a transgressão disciplinar chegou ao seu
conhecimento.
Quando o Aluno cometer transgressões disciplinares simultâneas, mas não correlatas, ser-
lhe-ão impostas penas separadas.
Normalmente, a pena é cumprida tão logo ocorra o julgamento pela autoridade competente.
- 42 -
CAPÍTULO 3
NOÇÕES SOBRE NAVIOS I
3.1 - GENERALIDADES
3.1.1 – Navios e Barcos
Um navio é uma nave. Conduzir uma nave é navegar, ou seja, a palavra vem do latim
“navigare”, “navis” (nave) + “agere” (dirigir ou conduzir).
Estar a bordo é estar por dentro da borda de um navio. Abordar é chegar à borda para
entrar. O termo é mais usado no sentido de entrar a bordo pela força: abordagem. Mas, em
realidade, é o ato de chegar a bordo de um navio, para nele entrar.
Pela borda tem significado oposto. Jogar, lançar pela borda.
Significado natural de barco é o de um navio pequeno (ou um navio é um barco grande...).
Barco vem do latim “barca”. Quem está a bordo, está dentro de um barco ou navio, está
embarcado. Entrar a bordo de um barco, é embarcar. E dele sair é desembarcar.
Um navio de guerra é uma belonave. Vem, a palavra, do latim “navis” (nave, navio) e
“bellum” (guerra).
3.2 – PARTES DE UM NAVIO EM GERAL
3.2.1 - Casco, seus Acessórios e Nomenclatura
. Casco – É o corpo do navio sem mastreação, ou aparelhos acessórios, ou qualquer outro
arranjo. Normalmente, o casco não possui uma forma geométrica definida, e a principal
característica de sua forma é ter um plano de simetria (plano diametral) que se imagina
passar pelo eixo da quilha.
Da forma adequada do casco dependem as qualidades náuticas de um navio: resistência
mínima à propulsão, mobilidade e estabilidade.
Diagrama do casco de um navio petroleiro
- 43 -
. Proa (Pr) – É a extremidade anterior do navio no sentido de sua marcha normal, ou seja,
em linguagem não marinheira, é a frente do navio. Quase sempre tem a forma exterior
adequada para mais facilmente cortar o mar.
. Popa (Pp) – É a extremidade posterior do navio, ou seja, a parte de trás do navio.
. Bordos – São as duas partes simétricas em que o casco é dividido pelo plano diametral.
Boreste (BE) é a parte à direita e bombordo (BB) é a parte à esquerda, supondo-se o
observador situado no plano diametral e olhando para a proa. Em Portugal se diz estibordo,
em vez de boreste.
. Meia-nau (MN) – Parte do casco compreendida entre a proa e a popa.
As palavras proa, popa e meia-nau não definem uma parte determinada do casco, e sim
uma região cujo tamanho é indefinido.
. A vante e a ré – Diz-se que qualquer coisa é de vante ou está a vante (AV), quando está
na proa; e que é de ré ou está a ré (AR), quando está na popa.
Se um objeto está mais para a proa do que outro, diz-se que está por ante-a-vante (AAV)
dele; se está mais para a popa, diz-se por ante-a-ré (AAR).
. Obras vivas (OV) – Parte do casco fica total ou quase totalmente debaixo d`água.
. Obras mortas (OM) – Parte do casco que fica sempre em cima d`água.
. Linha-d’água (LA) – É uma faixa pintada com tinta especial no casco dos navios, de proa
a popa.
. Bico de proa – Parte externa da proa
de um navio.
- 44 -
Normalmente só é usada nos navios de guerra. Linha-d’água, em arquitetura naval, tem
outra significação.
. Costado – Invólucro do casco acima da linha-d’água.
. Bochechas – Partes curvas do costado de um e de outro bordo, junto à roda de proa.
. Alhetas – Partes curvas do costado, de um e de outro bordo junto à popa.
- 45 -
. Convés – Os conveses do navio são as estruturas horizontais formadas por chapas que a
bordo definem os pisos e tetos (nos casos dos compartimentos internos). A palavra convés,
sem outra referência, designa, de modo geral, o convés principal; na linguagem de bordo
indica a parte do convés principal que é descoberta, ou coberta por toldo.
3.2.2 – Conveses, Plataformas e Compartimentos
. Passadiço e Tijupá
Numa superestrutura colocada geralmente a vante, onde se encontram os postos de
navegação, o pavimento mais elevado toma o nome tijupá. O pavimento imediatamente
abaixo deste, dispondo de uma ponte na direção de BB a BE, de onde o Comandante dirige
a manobra, chama-se passadiço. Nele ficam usualmente o timoneiro, os camarins de
navegação e de rádio e a plataforma de sinais.
Interior do Passadiço de uma Fragata classe “Niterói”
- 46 -
Interior do passadiço de um Navio Patrulha Oceânico classe “Amazonas”
Passadiço e Tijupá
PASSADIÇO
TIJUPÁ
- 47 -
. Plataformas
O pavimento mais elevado de qualquer superestrutura que não seja o passadiço e o tijupá, e
de modo geral qualquer pavimento parcial elevado e descoberto, chama-se plataforma. As
plataformas tomam diversos nomes conforme sua utilização, e assim temos: plataforma dos
holofotes, plataforma de sinais, plataforma do canhão AA etc.
. Compartimentos
Compartimentos são as subdivisões internas dos navios.
. Câmara
A câmara é o local que aloja o Comandante do navio ou oficial mais antigo presente a
bordo, com autoridade sobre o navio, ou ainda, um visitante ilustre, quando tal honra lhe
for concedida. Se embarcar num navio o Comandante da Força Naval, esta autoridade
maior terá o direito à câmara.
O navio onde embarca o Comandante da Força Naval é chamado capitânia. Seu
Comandante passa a denominar-se Capitão de Bandeira.
. Camarotes e afins
Os demais compartimentos de bordo, conforme sua utilização, ganham denominações com
diminutivos de câmara: camarotes, para alojar oficiais, e camarins, para uso operacional ou
administrativo; como os camarins de navegação, de cartas e da máquina.
. Praças e cobertas
Uns tantos compartimentos são chamados de praças: praça de máquinas, praça d´armas,
praça de vaporizadores, etc.
Os alojamentos da guarnição e seus locais de refeição são chamados de cobertas: coberta
de rancho, coberta de praças, etc.
. Praça d'armas
O compartimento de estar dos oficiais a bordo, e onde também são servidas suas refeições,
é denominado praça d'armas.
Essa denominação prende-se ao fato de que, nos navios antigos, as armas portáteis eram
guardadas nesse local, privativo dos oficiais.
- 48 -
CAPÍTULO 4
NOÇÕES SOBRE NAVIOS I
IDENTIFICAÇÃO E EMPREGO DOS PRINCIPAIS TIPOS DE NAVIOS DE GUERRA E
NAVIOS DA MB
4.1 - NAVIOS-AERÓDROMO (NAE) E AERONAVES EMBARCADAS
O NAe é uma unidade de superfície que se destina a lançar e recolher um grande número
de aeronaves, abastecê-las de combustível e armamento, prover recursos para sua
manutenção. Os NAe são capazes de levar a aviação a áreas distantes onde não haja pistas
terrestres utilizáveis.
4.1.1 – Principais características e equipamentos de um navio-aeródromo
1) Convés de voo - é um grande convés corrido, com o mínimo de obstruções, servindo
para pista e parque das aeronaves. Nos NAe modernos, esse convés é em ângulo,
permitindo que os aviões pousem a um ângulo de 8 a 10 graus para a esquerda da linha de
centro do navio. Assim, o avião pode alçar voo novamente (arremeter) caso não tenha
pegado o cabo do aparelho de parada, sem pôr em perigo as operações de lançamento dos
outros aviões na proa; deste modo as fainas de lançamento e recolhimento podem ser
realizadas simultaneamente.
2) Hangar - é o convés coberto dos NAe, onde são guardadas as aeronaves.
3) Aparelho de parada - sistema que tem como finalidade reduzir gradualmente a
velocidade da aeronave no pouso, consistindo de cabos de aço dispostos transversalmente
na parte de ré da pista em ângulo. O avião embarcado possui um gancho em sua cauda que,
no momento do toque no convés, engata num dos cabos, provocando desta forma sua
rápida e gradativa desaceleração.
4) Catapulta - sistema de impulsionamento que tem por finalidade permitir a decolagem
dos aviões quando há um pequeno espaço no convés de voo, devido ao grande número de
aeronaves estacionadas neste. É usada, principalmente, quando se deseja lançar aviões a
jato, pois estes necessitam de grande impulsão na decolagem.
4.1.2 – Aeronaves embarcadas
Um porta-aviões moderno pode levar os seguintes tipos de aeronaves, organizadas em
esquadrões específicos:
- Ataque - aviões a jato utilizados para efetuar bombardeios sobre unidades navais.
Também empregam mísseis AR-SUPERFÍCIE nos ataques.
- 49 -
- Caça-bombardeiro - aviões a jato utilizados na proteção de uma Força Naval ou para
ataque a uma Força de Superfície. Constituem a PAC (Patrulha Aérea de Combate) e
podem ser empregados em alerta no ar ou no convoo;
Os Caças-bombardeiro, nas ocasiões das missões das aeronaves de ataque, atuam como
escoltas, fazendo a proteção das vagas contra o ataque dos caças inimigos. Empregam
mísseis AR-AR e canhões.
- Anti-submarino - aviões e helicópteros dotados de sensores e armamento anti-submarino
(A/S).
- Alarme Aéreo Antecipado - (AEW - Air Early Warning) - aviões ou helicópteros dotados
de grande capacidade em detecção radar que tem por finalidade orientar a PAC em suas
missões contra os bombardeiros inimigos.
- Tanque - aviões dotados de tanques de combustíveis que são empregados no
reabastecimento em voo dos aviões de ataque e caças (REVO - reabastecimento em voo),
com isto aumentando os seus raios de ação.
- Guerra eletrônica - aviões a jato que, fazendo parte de uma vaga de ataque, utilizam seus
equipamentos de guerra eletrônica, visando dificultar ou impedir a detecção das aeronaves
de ataque por parte dos radares inimigos. Podem também interferir nas comunicações do
inimigo.
Os navios aeródromo que operam exclusivamente com helicópteros são normalmente
chamados de porta-helicópteros e não possuem os aparelhos necessários para pouso e
decolagem de aviões.
4.1.3 – NAVIO-AERÓDROMO “SÃO PAULO”
Deslocamento (toneladas) - 30.884 (padrão), 33.673 (plena carga)
Comprimento - 266 metros
Boca - 51,2 metros
Convés de Voo - 266 metros
Aeronave AF-1 no convoo
do Navio-Aeródromo “São
Paulo”.
- 50 -
Sistema de propulsão - caldeiras e turbinas
Velocidade máxima - 30 nós (55 km/h)
Número de catapultas - 2
Tripulação - 1.030 homens
Aeronaves - pode transportar até 40 aeronaves de asa fixa e helicópteros.
Observação: A tripulação do navio é de 1.030 homens. Considerando-se a ala aérea,
acrescentar-se-ão 670 homens.
O NAe “São Paulo” é o maior navio de guerra do hemisfério sul.
4.1.4 – NAVIO-AERÓDROMO "NIMITZ" (USN)
Deslocamento - 90.000 ton
Comprimento - 317 metros
Boca - 40 metros
Armamento - MSA SEA SPARROW/SIWS
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
NAe “SÃO PAULO” A12 - NAe “São Paulo”
- 51 -
- Vulcan Phalanx 20 mm.
Velocidade - 30 nós
Tripulação - 6300 homens (grupo de aviação embarcado)
Aeronaves - Total de 90 aeronaves (aviões e helicópteros)
4 catapultas a vapor
4.1.5 – NAVIO-AERÓDROMO " ALMIRANTE KUZNETSOV" (RÚSSIA)
Deslocamento - 67.500 ton
Comprimento - 304 metros
Boca - 70 metros
Armamento - Mísseis SUP-SUP SS-N-19
- Mísseis SUP-AR AS-N-9 e AS-N-11
- CIWS
- Morteiros A/S
TIPO DE NAVIO CLASSE
NAe “NIMITZ”
- 52 -
Propulsão - vapor
Velocidade - 30 nós
Tripulação - 1.700 (não inclui o grupo de aviação embarcada)
Aeronaves - Total de 60 aeronaves
3 catapultas
4.2 – FRAGATAS
As Fragatas são navios de médio porte com grande manobrabilidade e velocidade,
normalmente destinados à proteção (escolta) de uma Força Naval no mar. São equipadas
com modernos sistemas de armas para defesa da Força e defesa de ponto (próprio navio)
contra navios, submarinos, mísseis e aeronaves de alta performance. Esses sistemas de
armas incluem diversos sensores que orientam o armamento do navio, normalmente
composto de canhões, mísseis superfície-superfície (MSS), mísseis superfície-ar (MSA),
torpedos anti-submarino, foguetes anti-submarino e bombas de profundidade.
A capacidade para operar com helicóptero provê às Fragatas as características de
velocidade e mobilidade necessárias para engajar modernos submarinos nucleares, que
desenvolvem altas velocidades.
TIPO DE NAVIO CLASSE
NAe “ALMIRANTE KUZNETSOV”
- 53 -
A MB possui seis fragatas da classe “Niterói” das quais quatro foram construídas na
Inglaterra e duas no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Possui, também, três fragatas
da classe “Greenhalgh”, construídas na Inglaterra.
As fragatas da classe “Niterói” iniciaram um processo de modernização no ano de 1998
para a substituição de sensores, armamento, equipamentos de comunicação, computadores
do sistema de armas e equipamentos de máquinas.
4.2.1 – FRAGATAS CLASSE “NITERÓI”
Deslocamento - 3750 ton
Comprimento - 129 metros
Boca - 13,5 metros
Armamento - 2 reparos triplos de torpedos MK46
- 1 lançador de foguete A/S BOROC
- 1 canhão de 4,5 pol. (114 mm.)
- 2 canhões de 40 mm.
- MSS MM 40 EXOCET (ou MM 38)
- 1 lançador MSA ASPIDE
Propulsão - Diesel – Turbina a gás (Combined Diesel or Gas - CODOG)
Velocidade - 22 nós (diesel) – 30 nós (turbina)
Tripulação - 200 homens
Aeronave - Helicóptero LYNX (AH-11A) (Torpedo MK 46 ou MAS SEA SKUA)
Fragata classe “Niterói”
disparando míssil
EXOCET MM-40.
- 54 -
4.2.2 – FRAGATAS CLASSE “GREENHALGH”
Deslocamento - 4868 ton
Comprimento - 131 metros
Boca - 14,8 metros
Armamento - 2 reparos triplos de torpedos MK 46 mod 5
- MSS MM 38 EXOCET
- MSA SEAWOLF
- 2 metralhadoras de 20 mm.
- MAS SEA SKUA (armando as aeronaves LINX)
Propulsão - Turbina a gás (Combined Gas or Gas - COGOG)
Velocidade - 30 nós
Tripulação - 213 homens
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Fragata “NITERÓI” F40 - F. “Niterói”
F41 - F. “Defensora”
F42 - F. “Constituição”
F43 - F. “Liberal”
F44 - F. “Independência”
F45 - F. “União”
- 55 -
Aeronave - Até 2 helicópteros SUPER LYNX (AH-11A) (Torpedo MK 46 ou MAS
SEA SKUA e Bomba de profundidade Mk-9)
4.3 – CORVETAS
Corvetas são navios de médio porte (cerca de 1500 toneladas), que possuem grande
manobrabilidade, alta velocidade e considerável capacidade de combate. Praticamente,
podem ser empregadas nas mesmas tarefas de uma fragata, pois possuem armamento e
sensores semelhantes.
A MB possui quatro Corvetas da Classe “INHAÚMA”, e uma Corveta classe
“BARROSO”.
4.3.1 – CORVETA CLASSE “INHAÚMA”
Deslocamento - 1900 ton
Comprimento - 95 metros
Boca - 11metros
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Fragata “GREENHALGH” F46 - F. “Greenhalgh”
F48 - F. “Bosísio”
F49 - F. “Rademaker”
- 56 -
Armamento - 2 reparos triplos de torpedos MK46
- 1 canhão de 4”,5 (114 mm.)
- 2 canhões de 40 mm.
- MSS MM 40 EXOCET
Propulsão - Diesel - Turbina a gás (Combined Diesel or Gas - CODOG)
Velocidade - 20 nós (diesel) - 27 nós (turbina)
Tripulação - 115 homens
Aeronave - Helicóptero LYNX (AH-11A) (Torpedo MK 46 ou MAS SEA SKUA
e Bomba de profundidade Mk-9)
4.3.2 – CORVETA “BARROSO”
Deslocamento - 2400 ton
Comprimento - 103,4 metros
Boca - 11,4 metros
Armamento - Sistema de lançamento de torpedos Mod. 400
- 1 canhão de 4”,5 (114 mm.)
- 1 canhões de 40 mm.
- MSS MM 40 EXOCET
Propulsão - Diesel - Turbina a gás (Combined Diesel or Gas - CODOG)
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Corveta “INHAÚMA” V30 - CV “Inhaúma”
V31 - CV “Jaceguai”
V32 - CV “Júlio de Noronha”
V33 - CV “Frontin”
- 57 -
Velocidade - 22 nós (diesel) - 30 nós (turbina)
Tripulação - 145 homens
Aeronave - Helicóptero SUPER LYNX (AH-11A) (Torpedo MK 46,MAS SEA
SKUA e Bomba de profundidade Mk-9)
NOTA - A MB possui ainda duas corvetas de uma classificação antiga, Corvetas Classe
“IMPERIAL MARINHEIRO”, que são empregadas em missões de Socorro, Salvamento e
Patrulhamento de áreas distritais. Estes navios serão apresentados posteriormente, nesta
apostila.
4.4 – SUBMARINOS
O submarino é uma unidade naval concebida para operar em imersão tão completa e
permanente quanto possível, devendo permanecer, deslocar-se e combater sob as águas. Para
que isto seja atendido, são consideradas as seguintes características de um submarino:
- Armamento - número de tubos de torpedos, dotação de torpedos e minas e número e tipos de
mísseis.
- Sensores - sonar passivo e ativo, equipamento MAGE, periscópio, radar.
- Velocidade em imersão - varia de acordo com o sistema de propulsão.
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Corveta “BARROSO” V34 - CV “Barroso”
- 58 -
- Cota máxima de imersão - varia de acordo com o material do casco resistente (um fator de
segurança irá determinar a cota de operação).
- Qualidades Operativas - discrição e manobrabilidade.
Estas características acima mencionadas irão determinar os tipos de patrulha que um submarino
pode realizar como a seguir:
a) anti-navio - realizada por submarino de ataque, (podendo ser convencional ou nuclear),
empregando como armamento torpedos ou mísseis táticos. O objetivo principal é a destruição
de um navio capital e uma Força Naval ou navios mercantes de um comboio.
b) anti-submarino - realizada por submarino de ataque (convencional ou nuclear), empregando
o armamento torpedo. O objetivo principal é a destruição de submarinos inimigos que possam
configurar ameaça as unidades de uma Força Naval.
c) de dissuasão - realizada por submarino (normalmente de propulsão nuclear) com capacidade
para lançar mísseis balísticos de longo alcance. O objetivo principal é qualquer alvo continental
de valor (cidades, indústrias, silos de mísseis estratégicos).
Ao executar suas tarefas, o submarino cumpre certas condições de silêncio com a finalidade de
manter elevada taxa de discrição e contribuir para maiores alcances de seus sensores acústicos.
Os submarinos, independente ou paralelamente às tarefas, poderão executar tarefas especiais,
quando, para seu atendimento, houver necessidade de sigilo das ações e necessitarem ser
realizadas em águas controladas pelo inimigo.
Tipos de Operações Especiais:
. Operações de minagem
. Operações de esclarecimentos (perifotos)
. Operações com mergulhadores de combate
. Transporte e resgate de pessoal
Em termos de propulsão, temos a seguinte classificação dos submarinos:
- Nuclear - Devido sua fonte de energia quase inesgotável, praticamente sem tempo limite de
permanência submerso, o submarino fica limitado somente pela fadiga do pessoal e pelo
reprovisionamento de gêneros e munição. Possuem altas velocidades, sendo que os que
carregam mísseis balísticos são muito espaçosos devido às necessidades de estoques, visando
um longo período de patrulha.
- Não-Nuclear ou convencionais (diesel-elétrico/bateria).
A MB possui atualmente quatro submarinos convencionais da classe “TUPI” sendo que um foi
fabricado no estaleiro HDW - Kiel, Alemanha e três foram fabricados no Arsenal de Marinha
do Rio de Janeiro. Possui, também, um submarino da classe “TIKUNA” que foi fabricado no
Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.
- 59 -
NOTA IMPORTANTE: O Brasil é o único país do hemisfério sul que detém instalações com
capacidade e tecnologia para a fabricação de submarinos. Encontra-se ampliando essa
capacidade com a implementação da Base de Submarinos em Itaguai-RJ e com a construção de
mais quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear.
4.4.1 – SUBMARINOS CLASSE “TUPI” e “TIKUNA” (GERMANY “IKL 209” – 1400
CLASS)
Deslocamento - 1400 ton
Comprimento - 60 metros
Boca - 6 metros
Armamento - 8 tubos torpedos (MK-37/MK-24)
Propulsão - diesel - elétrico
Velocidade - 21 nós (mergulhado)
Tripulação - 30 homens
4.4.2 - SUBMARINO CLASSE “Los Angeles” (USN)
Deslocamento - 6000 ton
Comprimento - 109 metros
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Submarino “TUPI” S30 - SB “Tupi”
S31 - SB “Tamoio”
S32 - SB “Timbira”
S33 - SB “Tapajó”
“TIKUNA” S34 - SB “Tikuna”
- 60 -
Boca - 10 metros
Propulsão - nuclear
Velocidade - 30 nós (mergulhado)
4.4.3 - SUBMARINO CLASSE “TYPHOON” (AKULA) (RÚSSIA)
Deslocamento - 23200 ton
Comprimento - 172 metros
Boca - 23,3 metros
Armamento - 20 mísseis balísticos RSM 52, 1 sistema MAS defesa de ponto, 6 tubos de
torpedo na proa e 16 mísseis Stallion
Propulsão - nuclear
Velocidade - 25 nós (mergulhado)
TIPO DE NAVIO CLASSE
Submarino de Ataque “LOS ANGELES”
TIPO DE NAVIO NAVIO
Submarino lançador de mísseis balísticos “Typhoon”
- 61 -
4.5 – NAVIO DE DESEMBARQUE
Em uma Operação Anfíbia, na qual haverá desembarque de tropa de Fuzileiros Navais e
material (carros de combate, armamento, etc.) são utilizados vários tipos de Navios de
Desembarque que executam tarefas bem específicas.
4.5.1 - NAVIO DESEMBARQUE-DOCA CLASSE “CEARÁ”
Deslocamento - 6880 ton (leve) 12150 ton (plena carga)
Comprimento - 155,45 metros
Boca - 25,6 metros
Armamento - 6 canhões 76,2 mm./50 cal
Propulsão - Turbina a vapor
Velocidade - 22,5 nós
Tripulação - 350 homens + tropa
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Navio de Desembarque Doca “CEARÁ” G 30 - NDD “Ceará”
- 62 -
4.5.2 - NAVIO DE DESEMBARQUE DE CARROS DE COMBATE “MATTOSO MAIA”
Deslocamento - 4975 ton (leve) 8576 ton (plena carga)
Comprimento - 159 metros
Boca - 21,18 metros
Armamento - Vulcan Phalanx 20 mm.
4 metralhadoras 12,7 mm.
Propulsão - 6 motores diesel
Velocidade - 22 nós
Tripulação - 310 homens + tropa
4.5.3 - NAVIO DE DESEMBARQUE DE CARROS DE COMBATE “GARCIA D`ÁVILA”
Deslocamento - 8.751 toneladas - plena carga;
Comprimento - 140,5 metros
Boca - 19,5 metros
Velocidade (nós) - 17
Raio de ação – 13.000 milhas a 14 nós;
Tripulação - 150 homens;
Capacidade de transporte tropa - 460 militares;
Capacidade de carga - 1.000 ton;
Propulsão - dois motores diesel.
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Navio de Desembarque de
Carros de Combate
“MATTOSO MAIA” G 28 - NDCC “Mattoso Maia”
- 63 -
4.5.4 - NAVIO DE DESEMBARQUE DE CARROS DE COMBATE “ALMIRANTE SABÓIA”
Deslocamento máximo: 6.700 t
Comprimento: 137,50 m
Boca: 18,30 m
Calado: 4,80 m
Raio de ação: 9.200 Mn a 15 nós
Velocidade (cruzeiro/máxima.): 14/16 nós
Propulsão: 2 MCP Wartisila diesel Bow-Thruster
Armamento: 2 metralhadoras 20mm Gamb-O1
Tripulação: 150 militares
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Navio de Desembarque de
Carros de Combate
“GARCIA D`ÁVILA” G 29 - NDCC “Garcia D`Ávila”
- 64 -
4.6 – NAVIOS-TANQUE
Os Navios-Tanque são navios que reabastecem de combustível, no mar, os navios de uma
esquadra.
4.6.1 – NAVIO-TANQUE “MARAJÓ”
Deslocamento - 16000 ton (plena carga)
Comprimento - 137,1 metros
Boca - 19,22 metros
Propulsão - 1 motor diesel
Velocidade - 13 nós
Tripulação - 80 homens
Capacidade para transporte de óleo combustível - 6600 ton
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Navio de Desembarque de
Carros de Combate
“ALMIRANTE SABÓIA” G 25 – NDCC “Almirante Sabóia”
- 65 -
4.6.2 – NAVIO-TANQUE “ALMIRANTE GASTÃO MOTTA”
Deslocamento - 10300 ton (plena carga)
Comprimento - 135 metros
Boca - 19 metros
Propulsão - 2 motores diesel
Velocidade - 20,5 nós
Tripulação - 121 homens
Capacidade para transporte de óleo combustível - 5000 ton
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Navio Tanque “MARAJÓ” G 27 - NT “Marajó”
TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE
Navio Tanque “ALMIRANTE GASTÃO
MOTTA”
G 23 - NT “Almirante Gastão
Motta”
- 66 -
4.7 – NAVIOS-PATRULHA
Os Navios Patrulha possuem a tarefa de fiscalização das áreas sob jurisdição brasileira, ai
abrangidos o Mar Territorial Brasileiro, a Zona de Exclusividade Econômica, as ilhas oceânicas
e fluviais e os rios navegáveis.
4.7.1 – NAVIO-PATRULHA CLASSE “GRAJAÚ”
Deslocamento -213 ton
Comprimento - 46,5 metros
Boca - 7,5
Armamento - 1 canhão 40 mm/70 cal e 2 metralhadoras A/A 20 mm
Propulsão - 2 motores diesel
Velocidade - 22 nós
Tripulação - 31 homens
Dos 12 Navios-Patrulha classe “Grajaú” que a Mb possui, 6 foram fabricados na Alemanha, 4
no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e 2 no Estaleiro Inace, no Ceará.
TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE
Navio Patrulha P40 - NPa “Grajaú”
P41 - NPa “Guaíba”
CLASSE P42 - NPa “Graúna”
“GRAJAÚ” P43 - NPa “Goiana”
P44 - NPa “Guajará”
P45 - NPa “Guaporé”
P46 - NPa “Gurupá”
P47 - NPa “Gurupí”
P48 - NPa “Guanabara”
P49 - NPa “Guarujá”
P50 - NPa “Guaratuba”
P51 - NPa “Gravataí”
- 67 -
4.7.2 – NAVIO-PATRULHA CLASSE “BRACUÍ”
Deslocamento - 760 ton
Comprimento - 47,5
Boca - 10,5
Armamento - 1 canhão 40 mm./60 cal.
Propulsão - 2 motores diesel
Velocidade - 14 nós
Tripulação - 35 homens
4.7.3 – NAVIO PATRULHA CLASSE “MACAÉ”
Deslocamento - 500 ton
Comprimento - 55,6 metros
Boca - 8 metros
Armamento -1Canhão40 mmL70(AOS) e 2 Metralhadoras 20 mm GAM-B01
Propulsão - 2 motores diesel
Velocidade - 21 nós
Tripulação - 35 homens
TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE
Navio Patrulha P 60 - NPa “Bracuí”
P 61 - NPa “Benevente”
CLASSE P 62 - NPa “Bocaina”
“BRACUÍ” P 63 - NPa “Babitonga”
- 68 -
4.8 – CAÇA-MINAS E VARREDORES
Os Caça-Minas e Varredores são navios utilizados para limpeza de um campo minado
(contramedidas de minagem).
A MB possui seis navios varredores da classe “ARATU” sediados no 2º Distrito Naval e
subordinados ao Comando da Força de Minagem e Varredura, destinados a manter livres, da
ameaça de minas, as linhas do tráfego marítimo ao longo do nosso litoral, as áreas marítimas
adjacentes aos portos, terminais e plataformas nacionais; bem como, as possíveis áreas de
operações de nossas Forças Navais.
4.8.1 – NAVIO-VARREDOR CLASSE “ARATU”
Deslocamento - 253 ton
Comprimento - 47,20 metros
Boca - 7,16 metros
Armamento - um canhão automático Bofors 40mm/L70
Propulsão - 2 motores diesel
Velocidade - 22 nós
Tripulação - 36 homens
TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE
Navio-Patrulha P 70 – NPa “Macaé”
P 72 – NPa “Maracanã”
CLASSE P 75 - NPa “Macau”
“MACAÉ”
- 69 -
4.9 – NAVIOS DISTRITAIS DE SOCORRO E SALVAMENTO
A região de busca e salvamento marítimo sob a responsabilidade do Brasil compreende uma
extensa área do oceano atlântico, que abrange toda a costa brasileira e se estende na direção
leste até o meridiano de 10ºW, (próximo à ilha de Ascenção na África).
No Brasil, todos os órgãos componentes de um serviço de busca e salvamento marítimo, a
exceção do sistema de alerta, estão estruturados na organização da Marinha Brasileira, sendo
parte integrante de Organizações Militares que têm outras atribuições paralelas. Os Distritos
Navais (DN) são os responsáveis pelas diversas áreas SAR em que se divide a área sob
responsabilidade do Brasil. Subordinados aos DN temos os Navios Distritais de Socorro e
Salvamento que concorrem a um detalhe de Navio de Serviço Distrital, devendo suspender, em
caso de necessidade, em no máximo 2 horas quando durante o expediente e em no máximo 4
horas quando fora do horário de expediente. Os Navios Distritais de Socorro e Salvamento,
também, realizam as tarefas de Patrulha Costeira e de Apoio a ilhas guarnecidas por pessoal da
MB.
TIPO DE NAVIO PORTO SEDE NAVIOS DA CLASSE
Varredor Salvador M 15 - NV “Aratu”
M 16 - NV “Anhatomirim”
CLASSE M 17 - NV “Atalaia”
“ARATU” M 18 - NV “Araçatuba”
M 19 - NV “Abrolhos”
M 20 - NV “Albardão”
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4.9.1 – REBOCADOR DE ALTO-MAR CLASSE “GUILHEM”
Deslocamento - 2400 ton
Comprimento - 63,15 metros
Boca - 13,4 metros
Armamento - 2 metralhadoras AA 20 mm.
Propulsão - 2 motores diesel
Velocidade - 14 nós
Tripulação - 40 homens
Tração de reboque - 86 ton
Área marítima na qual o Brasil possui responsabilidade pelas ações S.A.R. (Search and
Rescue – Socorro e Salvamento)
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4.9.2 – REBOCADOR DE ALTO-MAR CLASSE “TRIUNFO”
Deslocamento - 1350 ton
Comprimento - 59 metros
Boca - 11,6 metros
Armamento - 2 metralhadoras AA 20 mm.
Propulsão - 2 motores diesel
Velocidade - 12 nós
Tripulação - 40 homens
Tração de reboque - 23,5 ton
TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE
Rebocador de Alto-Mar R 24 - RAM “Almirante Guilhem”
CLASSE “GUILHEM” R 25 - RAM “Almirante Guillobel”
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4.9.3 – CORVETAS CLASSE “IMPERIAL MARINHEIRO”
Deslocamento - 900 ton
Comprimento - 56 metros
Boca - 9 metros
Armamento - um canhão 76,2 mm. e 4 metralhadoras AA 20 mm.
Propulsão - 2 motores diesel
Velocidade - 12 nós
Tripulação - 64 homens
Tração para reboque - 19 ton
TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE
Rebocador de Alto Mar R21 - RAM “Tritão”
CLASSE R22 - RAM “Tridente”
“TRIUNFO” R23 - RAM “Triunfo”
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4.10 – COMENTÁRIOS, EXPLANAÇÕES E EXEMPLOS REAIS DA VIDA
PROFISSIONAL DO FUTURO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL
Principais Operações de Guerra Naval.
Outros navios da MB não citados.
O Navio-Escola “Brasil” e a Viagem de Instrução de GM.
A rotina do Oficial embarcado.
O Segundo-Tenente a bordo de um Navio da “Esquadra”.
O Segundo-Tenente a bordo de um Navio “Distrital”.
O Encarregado de Divisão e seus desafios administrativos e técnicos.
Os cursos de carreira e a aplicação do conhecimento a bordo.
Comissões no país e no exterior.
O desafio do submarino nuclear brasileiro.
Outros comentários e exemplos julgados pertinentes.
TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE
Corveta V 15 - CV “Imperial Marinheiro”
CLASSE V 19 - CV “Caboclo”
“IMPERIAL MARINHEIRO”
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CAPÍTULO 5
EMBARCAÇÕES MIÚDAS
5.1 – INTRODUÇÃO
Pelo nome de embarcações miúdas, ou somente embarcações, designam-se todas as
construídas para serem transportadas a bordo dos navios e usadas para salvamento ou em
diferentes serviços.
Os navios mercantes possuem um número suficiente de embarcações miúdas de
salvamento para todos os passageiros e tripulação.
Nos navios de guerra a função principal das embarcações miúdas não é o salvamento do
pessoal, mas o serviço do navio. Em tempo de guerra essas embarcações são deixadas em
terra.
Nos navios de guerra prontos para combate, a prática usual é manterem-se somente duas
embarcações para fins de salvamento, ficando a segurança do pessoal em caso de abandono
confiada a numerosas balsas e salva-vidas individuais que ocupam menor espaço.
5.2 – CLASSIFICAÇÃO DAS EMBARCAÇÕES MIÚDAS
5.2.1 - Lanchas
Lanchas são embarcações a motor de construção mais resistente e casco reforçado para
suportar o peso e o esforço de propulsão dos motores.
Os nomes dados às lanchas dependem do serviço a que se destinam:
. Vedetas – Possuem cabine a ré. Normalmente são usadas pelos oficiais e dotadas de
grande velocidade.
Vedeta
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. Lanchas cobertas – Possuem superestrutura para proteger o pessoal e a carga.
. Lanchas abertas – Possuem popa quadrada, servem para o transporte de pessoal, serviços
pesados, espiar uma âncora e outros serviços no mar. As lanchas maiores, deste tipo,
tomam o nome de bois ou lanchões.
Lancha aberta
5.2.2 – Embarcações de casco semirrígido
As embarcações de casco semirrígido apresentam vantagens significativas em relação às
embarcações tradicionais. Com cascos de borracha e madeira ou com casco em fibra de
vidro e flutuadores de borracha infláveis, foram introduzidas a bordo com o propósito de
contribuir para reduzir pesos altos e permitir o emprego de aparelhos de carga menos
robustos e mais leves. Apresentam as seguintes vantagens quando comparadas às
embarcações tradicionalmente encontradas a bordo:
· são de manuseio mais rápido e fácil (são rapidamente retiradas do berço e colocadas na
água);
· podem operar em condições piores de mar;
· desenvolvem velocidades superiores à maioria das lanchas tradicionais; e
· apresentam boa manobrabilidade, além de conferirem ao patrão um amplo campo de
visão em torno da embarcação.
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5.2.3 – Escaleres
Escaleres são embarcações, a remo ou a vela, de proa fina e popa quadrada. Possuem de 3
a 6 bancadas, podendo ser de voga (dois remos por bancada) ou de palamenta (um remo
por bancada). São particularmente úteis para os serviços leves no porto.
Embarcações infláveis com casco semirígido.
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5.2.4 – Baleeiras
São embarcações a remo e a vela com a proa e a popa mais ou menos iguais, finas e
elevadas. São mais próprias para aterrar numa praia, investir na barra de um rio, etc.
5.2.5 – Canoas
São embarcações leves, de formas finas e com popa quadrada (pequenos escaleres de
formas elegantes). São sempre de voga, podendo ter dois, quatro ou seis remadores.
5.2.6 – Botes
São escaleres pequenos, de formas cheias, isto é, grande boca em relação ao comprimento.
São de voga e comumente guarnecidas por dois remadores e destinam-se a serviços leves
no porto.
5.2.7 – Chalanas
São de proa e popa quadradas, borda baixa e fundo chato. Servem para serviço de pintura e
limpeza da linha d’água e do costado. Possuem forquetas, mas usualmente são impelidas
por um remo livre.
Escaler a remo
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5.2.8 – Jangadas
São simples flutuadores, constituídos por cinco pranchas de madeira leve. Empregadas
para serviços leves como as chalanas.
5.2.9 – Balsas salva-vidas
São flutuadores especiais normalmente construídos de borracha, usadas para salvamento.
Existem outras embarcações para fainas específicas como: trabalhos especiais e
salvamento no mar, serviços de policiamento, salvamento de aviões, pesca de torpedos,
embarcações para aterragem na praia, etc.
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5.3 – PROPULSÃO E GOVERNO
Conforme a propulsão empregada, as embarcações miúdas podem ser: de motor; de vela; e
de remos.
5.3.1 – Motor de Propulsão
São as máquinas que fornecem energia mecânica à propulsão. As pequenas embarcações
em geral são movidas por motores diesel, que transmitem um movimento de rotação a um
eixo que possui um hélice em sua extremidade.
5.3.2 – Eixo propulsor
São peças metálicas cilíndricas que servem para transmitir o movimento rotativo do motor
ao hélice da embarcação. O eixo é apoiado em mancais que suportam seu peso e o mantém
alinhado. Um mancal muito importante é o da bucha telescópica do eixo que se localiza na
abertura do casco por onde o eixo passa para fora da embarcação.
5.3.3 – Hélice
É o propulsor da embarcação instalado na extremidade do eixo propulsor. A tradição
marinheira considera hélice como palavra masculina. Assim, ao referirmo-nos a essa peça,
dizemos: o hélice, em vez de a hélice. Há navios que possuem mais de um hélice, embora a
maioria possua apenas um e este se situa a ré, envolto por uma peça robusta situada no
extremo da quilha, denominada cadaste.
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5.3.4 – Roda do leme ou Timão
É uma roda de madeira ou metal cujo giro, para um bordo ou para o outro, ocasiona a
movimentação do leme para o mesmo bordo de seu giro. Malaguetas são punhos fixados
ao contorno exterior do timão por meio dos quais o timoneiro imprime a ele o movimento
de rotação.
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5.3.5 – Leme
É o principal aparelho de governo da embarcação e serve para dar a direção em que ela
navega.
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CAPÍTULO 6
EMBARCAÇÕES A REMO
6.1 – INTRODUÇÃO
O presente capítulo tem por objetivo apresentar de forma detalhada o escaler a remo,
embarcação miúda característica das escolas de formação.
O escaler a remo é o primeiro contato interativo do aluno com o mar pois, do guarnecimento à
primeira remada, o aluno estará sujeito às condições do mar, à faina marinheira, à noção de
esforço conjunto, portanto, é a primeira vez em que se vê à mercê de suas capacidades.
Tradicionalmente, as escolas de formação detêm o maior número de escaleres, onde estes se
tornam uma ferramenta para o aprendizado, salvamento e competições esportivas. Tais
competições, além de promoverem uma maior higidez física, desenvolvem a lealdade, o
espírito de sacrifício, companheirismo, a liderança e acima de tudo, o amor pelas coisas do
mar.
6.2 – O ESCALER
É uma embarcação miúda, a remo ou a vela, de proa fina e popa quadrada. Possui de 3 a 6
bancadas, podendo ser de voga ou de palamenta. São particularmente úteis para serviços leves
no porto.
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Escaler de Voga Escaler de Palamenta
6.2.1 – Dados técnicos
Item Peso (Kg)
Remo 5
Paineiros 5
Leme 11
Cana do leme 3
Forqueta 0,6
O peso total da embarcação, com toda a palamenta embarcada é de ± 600 Kg.
Deslocamento (Kg) Tripulação
1850 15
1550 11
1400 9
O guarnecimento padrão do escaler a remo requer 11 tripuantes.
É importante saber que a inclinação máxima (banda) de um escaler a remo é de 30º, além
desse valor a borda mergulha e seu interior é alagado.
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6.3 – NOMENCLATURA DO ESCALER
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1 – Castelo de proa – Superestrutura na parte extrema da proa, acompanhada de elevação da
borda;
2 – Roda de proa – Peça de mesmo material que foi construída a quilha, fixada no extremo de
vante dela; dá forma à proa da embarcação. Geralmente é forrada na sua face de vante por
uma chapa ou barra de latão;
3 – Falca – É a primeira tábua superior do costado; serve para formar a borda da embarcação;
4 – Costado – É o forro exterior da embarcação; é formado por tábuas delgadas;
5 – Toleteiras – São peças de madeira ou metal, entalhadas e pregadas sobre a borda (falca),
nas embarcações guarnecidas com remos ou forquetas; têm um furo no centro, onde recebem
as hastes das forquetas;
6 – Verdugo – São peças de madeira, metal ou borracha, fixas exteriormente ao costado, no
sentido logitudinal e logo abaixo das falcas, servindo de proteção ao costado;
7 – Forquetas – Peças de ferro ou metal, em forma de forquilha e apoiadas nas toleteiras. Têm
por função apoiar e firmar o remo durante a remada;
8 – Cunhos – Pequenas peças de metal, distribuídas nos lugares próprios, na parte interna da
borda, e geralmente fixas à falca. Servem para gurnir cabos ou aguentar aparelhos;
9 – Quilha – Peça disposta em todo o comprimento do casco no plano diametral e na parte
mais baixa da embarcação, constitui a espinha dorsal e é a parte mais importante da
embarcação, qualquer que seja seu tipo;
10 – Fiel – Constituído por uma linha de barca ou cabo fino, que se aguenta pelo seio, por
meio de duas pinhas, para que não recorra, em um furo praticado na porta do leme. Os seus
chicotes têm alças que se prendem em dois cunhos na borda da embarcação.
Os fiéis do leme servem para evitar que o leme vá ao fundo se ficar descalado por qualquer
motivo; pode-se ainda governar o leme por eles, em caso de emergência quando se perder ou
avariar a cana do leme. O fiel deve ser sempre passado, logo que se calar o leme;
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11 – Porta do leme – (leme) – É uma peça de madeira, servindo para o governo da
embarcação; é geralmente constituído de uma só tábua (porta do leme), e as suas partes
principais são: madre, cabeça, e porta do leme;
12 – Pinha – Tem por função evitar que o fiel recorra;
13 – Espelho de popa – Também conhecido como painel de popa, é uma tábua de madeira
grossa, dando forma à popa da embarcação;
14 – Cana do leme – Barra de madeira ou de ferro, que se coloca na cabeça do leme e pela
qual se pode movimentá-lo, e assim governar a embarcação;
15 – Bancada – Prancha disposta de um bordo a outro, servindo para nelas sentarem os
remadores e também para travamento da embarcação; elas descansam as suas extremidades na
parte interna do costado;
16 – Cavernas – Peças curvas que se fixam na quilha e em direção perpendicular a ela e que
servem para dar forma ao casco e sustentar o chapeamento exterior. Caverna mestra é a
caverna situada na seção mestra. Cavername é o conjunto das cavernas do casco;
17 – Castelo – Tabuado na proa, que é cavilhado aos dormentes, ficando no mesmo nível das
bancadas;
18 – Bico de proa – Parte mais extrema da proa;
19 – Castanhas – Pequenas peças de madeira com entalhes para receber os finca-pés;
20 – Finca pés – Hastes de madeira forte, colocadas no fundo da embarcação, servindo para
nelas os remadores firmarem os pés; apoiam-se nos entalhes das castanhas, sem ficarem
presos e devem também estar marcados com o número da bancada a que servem, além do
número da embarcação. Podem ainda tomar o nome de escoras, servindo para escorar a
embarcação quando colocada em seco, apoiando-se exteriormente no verdugo;
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21 – Governaduras – Conjunto de machos e fêmeas de latão ou ferro e pelos quais se fixa o
leme ao espelho de popa, permitindo o movimento dele em torno do eixo vertical. Para cada
leme são colocados dois pares de governaduras;
22 – Caverna – Peça de madeira flexível, recurvada, nas embarcações leves, ou de madeira
trabalhada nas embarcações pesadas. Uma de suas extremidades é presa em entalhes abertos
na quilha, ficando a outra ligada ao alcatrate;
23 – Bueiros – São furos abertos nas tábuas do resbordo, junto à quilha, servindo para esgoto
das águas, quando se iça ou encalha a embarcação; são taponados com bujões de rosca, ou
válvulas automáticas;
24 – Bujões – Servem para taponar os bueiros;
25 – Pés de carneiro – Colunas suportando o peso das bancadas;
26 – Fêmea – As fêmeas são constituídas de um olhal e um braço, e ficam colocadas, uma na
parte inferior da madre e a outra na parte superior do painel de popa;
27 – Macho – O macho é constituído de um perno e um braço. um dos machos é colocado na
parte inferior do painel de popa, e o outro na parte superior da madre;
28 – Madre – Parte de ataque da porta do leme onde se fixam as governaduras. Geralmente é
reforçada por uma chapa latão ou outro metal;
29 – Remo – Haste de madeira leve (geralmente a faia), servindo para movimentar a
embarcação, quando impulsionados pelos remadores.
Para escolha dos remos, o seu comprimento é dado por uma regra prática: nas embarcações de
palamenta, 2 bocas, e nas embarcações de voga, 2,5 bocas; a boca é tomada na seção
correspondente à bancada onde vai trabalhar o remo.
Além do número da embarcação, os remos devem trazer, próximo aos punhos o número da
bancada em que vão servir, a partir do voga, que tem o número 1. As embarcações devem ter
sempre dois ou três remos de sobressalente, incluindo a esparrela. Chama-se esparrela ao
remo colocado na popa da embarcação, servindo de leme de fortuna, em caso de mar grosso,
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ou para aterragens, quando a embarcação pode não obedecer ao seu leme, que fica fora d’água
ou corre com o mar;
30 – Haste – Parte compreendida entre os extremos do remo;
31 – Pá – Extremidade, larga e achatada que trabalha na água durante a remada;
32 – Ascoma – Forra a parte da haste que trabalha na forqueta, é de couro, lona grossa ou
material sintético. A operação de forrar chama-se ascomar um remo. A ascoma deve ficar a
uma distância do punho de 1 boca menos 20cm na embarcações de palamenta, e meia boca
menos 20cm nas embarcações de voga. A ascoma é usualmente pregada no remo por meio de
pequenas taxas ou então é cozida sobre si mesma, de maneira tão justa que não posas sair do
lugar; e
33 – Punho – É a parte cilíndrica mais fina, onde os remadores apoiam as mãos.
6.4 – DEFINIÇÕES DO LIVRO ARTE NAVAL
. Cabeça do leme – Extremidade superior do leme onde se aloja a cana do leme;
. Paineiros – É o espaço que fica na popa, tendo bancadas ao redor, e onde se sentam os
passageiros. Geralmente, o assoalho do paineiro é formado de seções de tábuas ou xadrez,
chamadas quartéis;
. Alcatrates – Peças de madeira colocadas de proa a popa, prendendo-se às extremidades
superiores das cavernas; elas determinam o tosamento da embarcação;
. Buçarda – Peça de madeira, de forma curva, colocada na parte interna da proa; serve para
reforçar a proa e para travamento dos topos dos alcatrates;
. Dormentes – Peças de madeira forte, situadas um pouco abaixo dos alcatrates, paralelamente
a eles e também de proa a popa. São presos às cavernas e se destinam a suportar as bancadas
da embarcação;
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. Escoas – Tábuas delgadas pregadas nas cavernas interiormente, no fundo e no bojo da
embarcação; impedem que os homens pisem nas tábuas do forro e nas cavernas, reforçando
ainda mais a estrutura;
. Casa do cão – É o pequeno compartimento que fica por baixo do local onde senta o patrão;
. Arganéus – Neles se engatam as pernadas dos estropos; as embarcações que moram num par
de turcos possuem quatro arganéus, cravados: dois na quilha ( um a vante e outro a ré), um na
roda de proa e outro no cadaste. As embarcações que são içadas por lança, tendo um só
estropo, possuem apenas dois arganéus, cravados na quilha;
. Olhais – Fixos aos alcatrates, são cravados os olhais em que se passam as trapas dos estropos
da embarcação; e
. Croque – Gancho de metal, com cabo de madeira, servindo para aguentar atracada uma
embarcação e auxiliá-la a atracar ou largar. Usualmente, há três croques numa palamenta: um
para a proa, outro para a popa e um de sobressalente; seu tamanho é variável com o porte da
embarcação.
Um croque deve ter a flutuabilidade necessária para não ir a pique se cair n’água, e para isso o
cabo deve ser de madeira leve. Ao se receber um croque novo, uma boa prática é
experimentar sua flutuabilidade na água, amarrando-o com um cabo fino.
6.5 – DOTAÇÃO DE UM ESCALER
Dotação é o conjunto de todos os objetos pertencentes a uma embarcação e não fixos ao
casco; consta de palamenta, meastreação e velame, os dois últimos quando o escaler for
destinado à vela também.
A dotação deve ser marcada com o número da embarcação a que pertence, conservada com o
necessário cuidado, e arrumada a bordo dela ou em paiol próprio, mas de modo que não pegue
nunca a saída da embarcação por falta de suas peças.
6.5.1 – Palamenta
É o conjunto dos objetos usados no serviço comum da embarcação e na sua movimentação a
remos. Quando do uso de escalares em escolas de formação e não a bordo, resume-se a
palamenta necessária a:
Leme
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Cana do leme
Remos (10 + 2 sobressalentes)
Forquetas (10 + 2 sobressalentes)
Croque
Coletes salva-vidas (11)
Cabos de atracação (2)
Quando usados em competições, são dispensados os coletes salva-vidas e croque.
6.6 – TURCOS
As embarcações são içadas e arriadas por meio de turcos, lanças e guindastes. Os turcos são
quase sempre aparelhados aos pares, servindo apenas às embarcações que neles moram;
somente as chalanas, jangadas e botes pequenos podem ser manobrados por um turco singelo.
Os turcos permitem uma manobra mais rápida de arriar, e por isto são os únicos aparelhos
usados para as embarcações dos navios mercantes, nos quais não se faz objeção ao espaço que
elas ocupam.
Disparar um turco é movimentá-lo para fora.
6.6.1 – Nomenclatura dos Turcos
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1 – Cabeça – Extremidade superior, que
termina num olhal onde engata o aparelho de içar;
2 – Curva – Parte superior, curva; possui, a meia altura, uma roldana sobre a qual labora o
tirador durante a manobra de arriar e içar;
3 – Pé – Parte inferior, que descansa em cachimbo de ferro;
4 – Cunho – Peça de metal localizada a meio turco cuja função é receber o tirador e fixá-lo;
5 – Estralheira – Aparelho de laborar utilizado para içar e arriar o escaler;
6 – Patarrases – Cabos de arame em número de três, o patarrás de vante, o do meio, e o de ré,
servindo para aguentar os turcos na posição conveniente. O patarrás liga as cabeças dos dois
turcos. Os patarrases de vante e de ré terminam em mão com sapatilho aos quais se fixam
cabos de fibra (fiéis) para dar volta nos olhais colocados junto à borda, no convés, para vante
e para ré dos turcos, respectivamente;
7 – Andorinhos – Também chamados de retinidas de guia, são cabos de fibra, em número de
quatro ou seis, amarrados a intervalos iguais no patarrás do meio; neles os homens se seguram
quando a embarcação é arriada guarnecida, o que se faz em mar grosso;
8 – Cabos de cabeço – Dois cabos singelos, de fibra, cada um amarrado à cabeça de um turco.
Têm as seguintes utilidades num par de turcos:
Estando arriada a embarcação e havendo correnteza, facilitam as manobras de engatar e
desengatar as talhas;
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O pessoal pode embarcar por eles, com a embarcação arriada no mar;
Aguentam o peso da embarcação nos momentos que antecedem ao içamento;
9 – Estropos – Os estropos das embarcações são constituídos por duas pernadas de corrente
ou cabo de arame forte, ligadas a um arganéu, e tendo nos outros chicotes os gatos que vão
engatar nos arganéus da quilha, da roda, ou do cadaste da embarcação. Ao arganéu do estropo
prendem-se ainda duas outras pernadas de menor resistência e que tomam o nome de trapas;
as trapas vão engatar em olhais por dentro da falca e servem para não deixar a embarcação
ficar adernada durante a manobra de içar ou arriar. Elas podem ser de cabo, pois não suportam
o peso da embarcação, o qual deve ser sempre exercido sobre a quilha;
10 – Cabide – Peça de metal existente no turco, onde descansa a estralheira;
11 – Arganéu – Localizado ao lado dos turcos, cuja função é aguentar a patesca;
12 – Patesca – Consta de uma caixa semelhante a de um moitão, porém mais comprida e
aberta de um lado, a fim de se poder gurnir ou desgurnir um cabo pelo seio. A ferragem é
adaptada com charneira, de modo que se pode fechar a patesca depois de se colocar o cabo
que se vai alar. Serve para retorno de um cabo qualquer, sendo muito usada para este fim no
tirador de um aparelho de laborar;
13 – Charneira – Peça de metal que permite a abertura ou o fechamento da patesca;
14 – Tirador – Chicote do cabo do aparelho de laborar, por onde se ala o cabo;
15 – Gato – Peça de metal em forma de gancho;
16 – Cachimbo – Parte da estrutura da ponte sobre o qual descansa o turco; e
17 – Roldana – Dá retorno ao tirador.
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6.7 – MANOBRAS NA INSTRUÇÃO DE REMO EM ESCALER
6.7.1 – Arriando o Escaler
O patrão formará a guarnição do escaler junto à sala de estado, em formatura por três, e
solicitará permissão para prosseguir com a instrução de remo. Exemplo:
“Aluno 3167 Rocha Martins. Permissão para prosseguir com a instrução de remo em
escaler”.
O patrão já deverá ter em mente a hora em que a embarcação será arriada, pernadas e hora de
atracação, pois se o Oficial de Serviço perguntar, a resposta deverá ser pronta e imediata.
Em seguida o patrão desloca, sem cadência, o grupo até o paiol de barcos, onde a palamenta
da embarcação será apanhada e colocada em frente ao escaler na ponte. Em seguida determina
que a guarnição forme por dois, paralelamente ao escaler, partindo da proa para popa, proas,
sota proas, meios de bancada, sota vogas e vogas.
Após obtida a permissão do oficial de serviço, o patrão ordenará:
Proeiros embarcar – Os proeiros embarcam, safam os cabos de cabeço, fecham os bueiros,
calam o leme (O primeiro cuidado é gurnir uma das pernadas do fiel num dos cunhos, para
que em caso de incidente, o leme não venha a cair na água), verificam a ordem da palamenta e
cabos de cabeço, embarcam as forquetas. (proeiro de BE na popa e proeiro de BB na proa);
Embarcar remos – Os proeiros recebem os remos dos sota vogas e os acomodam a centro, na
linha longitudinal do escaler com as pás voltadas para a popa.
Clarear – Os sota-proeiros e meios de bancada desfarão as aduchas e clarearão os tiradores,
que deveram ficar disparados na ponte, no sentido da puxada;
Guarnecer tiradores – O pessoal de BE guarnece o tirador de ré e o de BB o tirador de
vante, de acordo com a disposição da formatura, a partir dos vogas, que devem trabalhar a
uma distância de um metro do turco;
Sob-mão – Os vogas e sota vogas desfarão a volta no cunho e retornarão a sua posição na
formatura, a fim de auxiliar os demais componentes da guarnição a aguentar o escaler sob-
mão;
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Arriar – A guarnição solecará os tiradores e arriará o escaler a uma;
Atenção para guarnecer bancadas – Deverão ser executados os seguintes eventos:
Os proeiros desengatarão as estralheiras, que serão recolhidas pelos vogas e colocadas nos
cabides;
Os proeiros aguentarão o escaler pelos cabos de cabeço e evitarão que o mesmo se choque
com a ponte; e
Guarnecer bancadas – Toda a guarnição, à exceção do patrão, descerá pelos de cabos de
cabeço; o pessoal de BE pelo cabo de ré e o pessoal de BB pelo cabo de cabeço de vante a
partir do voga, ocupando seus lugares nas bancadas. Finalmente o patrão descerá pelo cabo de
cabeço, guarnecerá o leme e comandará o escaler.
6.7.2 – Largando com o Escaler
Para largar o patrão dará as seguintes vozes:
Remos ao alto – Todos seguram seus remos, levantando-os na vertical, com o punho apoiado
no fundo do barco, alinhados com os vogas, com as pás paralelas à quilha;
Vogas e sota-vogas armar remos – Os vogas e sota-vogas farão disparar os remos,
colocando-os nas forquetas, com as pás na vertical e prontos para iniciar a remada;
Abre a proa – O proeiro empurra a ponte afastando o escaler, largando o cabo de cabeço;
Proeiros guarnecer – Os proeiros tomam suas posições e empunham os remos ao alto com as
pás paralelas à quilha;
Guarnição, armar remos – A guarnição dispara os remos, colocando-os nas forquetas, coma
as pás na vertical e prontos para iniciar a remada;
Atenção escaler – Todos ficam atentos para o início da manobra;
Remos avante – Os remadores devem trazer os punhos de seus remos avante do corpo na
altura do peito, ficando preparados para iniciar a remada com os remos quase tangenciando a
superfície d’água;
- 95 -
6.7.3 – Vozes de manobra durante o deslocamento
Remos n’água – Os remadores mergulham as pás perpendicularmente à superfície da água e
aguentam os punhos imobilizando os remos. Muito utilizado quando se deseja quebrar o
seguimento da embarcação;
Picar a voga – A cadência das remadas deve ser mais rápida;
Voga larga – A cadência das remadas deve ser lenta, aproveitando bem o esforço de cada
remada;
Arvorar – Os remadores param de remar, levando os remos à horizontal, pás perpendiculares
à água e hastes perpendiculares à linha longitudinal da embarcação;
Remos à ré – Os remadores devem trazer os punhos junto ao corpo na altura do peito, ficando
preparados para iniciar a remada (ciar remos) com os remos quase tangenciando a superfície
d’água
Ciar remos – Os remadores remam para trás, empurrando o remo;
Safar remos – Colocam-se os remos no prolongamento da embarcação, bastando-se apenas
que levem os punhos dos remos para ré ou para vante, encostando-os (os punhos) na falca; e
Remos ao alto – Os remadores retiram os remos das forquetas colocando-os na vertical, com
o punho apoiado ao fundo do barco e as pás paralelas à quilha. Usado para cumprimentar
outras embarcações. Os vogas ficam com os remos n’água.
6.7.4 – Atracação
Para atracar, com o escaler ainda ao largo, o patrão dará as seguintes vozes:
Guarnição, arvorar remos – Exceto os vogas e sota-vogas, a guarnição para de remar, tira
os remos das forquetas, deita-os entre as bancadas, na linha longitudinal da embarcação com
as pás voltadas para a popa; o proeiro de BB dirige-se para a proa e o de BE para a popa com
o fim de escorar o escaler de modo que o mesmo não se choque com a ponte; os vogas e sota-
vogas continuam a remada;
- 96 -
Vogas e sota-vogas arvorar remos – Os vogas e sota-vogas param de remar, tiram os remos
da forquetas e os deitam na bancada, com as pás voltadas para a popa. Os proeiros colhem os
cabos de cabeço e, por meio deles, aguentam o escaler; e
Guarnição, desembarcar – O pessoal de BE sobe pelo cabo de cabeço de ré a partir do voga
e o de BB pelo cabo de cabeço de vante a partir do sota-proeiro. A guarnição forma na ponte
ao longo dos tiradores, com os vogas junto aos respectivos turcos e o restante da guarnição a
partir da patesca.
6.7.5 – Içando o escaler
Para içar, o patrão dará as seguintes vozes:
Guarnecer tiradores – A guarnição guarnece os tiradores;
Sob-mão – Quando o escaler atingir a altura normal de descanso nos turcos, é dada a voz de
sob-mão e os vogas e sota-vogas dão a volta no cunho e retornam as suas posições;
Clarear – Os proeiros descalarão o leme, darão volta nos cabos de cabeço, arrumarão os
remos, retirarão os bujões, enquanto o restante aducha os tiradores junto ao turco;
Terminada a faina, o patrão forma sua guarnição na ponte, no mesmo dispositivo do início do
exercício, levando a guarnição, sem cadência, até o Oficial de Serviço onde apresentará o
grupo. Exemplo:
“Aluno 3167 Rocha Martins. Encerrada a instrução de remo em escaler, embarcação a
bordo”.
Em seguida o mais antigo manobra o grupo a fim de guardar toda a palamenta no paiol de
barcos.
- 97 -
6.7.6 – Quadro resumo das manobras com o escaler sem seguimento
Manobra Cana do leme BE BB Voz Observação
Largar A meio Remos avante Remos avante Larga
Os remadores
iniciam a re-
mada;
Guinar para BE
Para BB Remos n’água Remos avante BB larga
Manobra mais
rápida;
Para BB Remos avante Remos avante BB e BE larga
Manobra rá-
pida mas a
embarcação
adquire gran-
de segmento;
Guinar para BB
Para BE Remos avante Remos n’água BE larga
Manobra mais
rápida;
Para BE Remos avante Remos avante BB e BE larga
Manobra rá-
pida mas a
embarcação
adquire gran-
de segmento;
Conjugado para
BE
Para BB Remos a ré Remos avante BB e BE larga
Manobra rá-
pida e a em-
barcação gira
no mesmo
ponto;
Conjugado para
BB
Para BE Remos avante Remos a ré BB e BE larga
Manobra rá-
pida e a em-
barcação gira
no mesmo
ponto;
Ciar A meio Remos a ré Remos a ré Larga
Os remadores
remam em-
purrando o
remo;
- 98 -
6.7.7 – Quadro resumo das manobras com o escaler com segmento
Manobra Cana do leme BE BB Voz Observação
Largar A meio Remos avante Remos avante Larga
Os remado-
res iniciam a
remada de
forma rela-
xada, pois a
embarcação
já está com
seguimento;
Guinar para BE
Para BB Remos n’água Remando
BE remos
n’água
Manobra
mais rápida
porém dimi-
nui a veloci-
dade da em-
barcação e os
remos de BE
tendem a
afogar ou
enforcar;
Para BB Remando Remando ***
Recomenda-
do, pois a
diminuição
de velocida-
de é mínima
e não há ris-
co de enfor-
car ou afogar
remos;
Guinar para BB
Para BE Remando Remos n’água
BB remos
n’água
Manobra
mais rápida
porém dimi-
nui a veloci-
dade da em-
barcação e os
remos de BB
tendem a
afogar ou
enforcar;
Para BE Remando Remando ***
Recomenda-
do, pois a
diminuição
de velocida-
de é mínima
e não há ris-
co de enfor-
car ou afogar
remos;
- 99 -
Conjugado para
BE
*** *** *** ***
Não reco-
mendado.
Enforcamen-
to e afoga-
mento de
remos.
Conjugado para
BB
*** *** *** ***
Não reco-
mendado.
Enforcamen-
to e afoga-
mento de
remos.
Ciar *** *** *** ***
Não reco-
mendado.
Enforcamen-
to e afoga-
mento de
remos.
- 100 -
CAPÍTULO 7
CABOS UTILIZADOS A BORDO
7.1 – CLASSIFICAÇÃO
Os cabos, de um modo geral, podem ser classificados, segundo a matéria-prima utilizada em
sua confecção, em cabos de fibra ou de aço.
- Cabos de fibra
. Cabos de fibras naturais – Confeccionados com as fibras do caule ou das folhas de algumas
plantas têxteis, tais como manilha, sisal, linho cânhamo, linho cultivado, coco, juta e algodão.
Atualmente, os cabos de fibras naturais mais empregados a bordo são confeccionados com
manilha e sisal; e
. Cabos de fibras sintéticas – Nesta categoria incluem-se os cabos confeccionados com
matéria plástica, entre elas náilon, polipropileno, polietileno, poliéster e kevlar.
- Cabos de aço – Confeccionados principalmente com fios de arame de aço, podendo ser
utilizado o ferro na confecção de cabos de qualidade inferior.
7.2 – PRINCIPAIS CABOS UTILIZADOS A BORDO
Atualmente, quase todos os cabos utilizados nos navios são confeccionados de fibras
sintéticas pois estas apresentam características superiores às das fibras naturais. Para algumas
fainas, ainda podemos ver presentes em nossos navios cabos de sisal.
7.2.1 – CABO DE SISAL
Oriundo do México, Haiti e África. É uma fibra encontrada nas folhas de uma planta sem
caule, muito semelhante ao pé de abacaxi. O sisal é muitas vezes empregado como substituto
da manilha na manufatura de cabos, por ser mais barato, mas sofre muito a ação do tempo.
Além disso, a fibra do sisal não é tão lisa e macia como a da manilha, de modo que um cabo
feito de sisal apresenta-se com asperezas e pontas salientes. Uma vantagem do sisal sobre a
manilha é aceitar melhor o alcatrão. O sisal tem uma resistência à tração de cerca de
17kg/mm2, isto é, 20% a menos que a manilha, e se enfraquece bastante com a umidade.
7.2.2 – CABOS DE NÁILON
A melhor fibra dos cabos de bordo é o náilon, que apresenta qualidades superiores às fibras
naturais. Náilon é o nome dado por E.I. DuPont de Nemours Company à matéria plástica
derivada do petróleo. Comparando dois cabos de mesmo diâmetro, os cabos de náilon,
dependendo de sua qualidade, têm uma resistência de 2 a 3 vezes maior que a dos cabos de
fibra natural.
- 101 -
De uma maneira geral, com base na resistência, cabos de náilon com a metade do diâmetro
dos de fibra natural podem fazer a mesma tarefa e possuírem maior elasticidade e resistência
ao desgaste, o que os torna adequados a diferentes usos, como, por exemplo, nos serviços de
reboque. Eles não absorvem umidade, sendo desnecessário, e até inconveniente, fazê-los secar
ao sol; recebem perfeitamente bem os nós e costuras e são de melhor aparência que qualquer
outro cabo.
Quando cortados por uma faca quente, as pontas das fibras ficam coladas umas às outras, o
que reduz a possibilidade de ficar o cabo descochado (destorcido); isto não quer dizer,
entretanto, que não se deva falcaçar o chicote. A colagem das pontas das fibras pode ser feita
com ferro quente e é recomendada pelos fabricantes.
A elasticidade do náilon é de 25% a 33% de seu comprimento, isto é, 2,5 a 4,5 vezes a maior
elasticidade que encontramos nas fibras naturais, o que é uma grande vantagem em
determinadas aplicações, como reboque de navios e travamento de aviões no pouso em
navios-aeródromos.
Para emprego em espias o náilon apresenta ainda vantagens adicionais: quando molhado,
retém de 85% a 95% de sua resistência quando seco; imerso na água, pesa somente 11% de
seu peso no ar. Considerando ainda que um cabo mais fino de náilon resiste ao mesmo esforço
de uma espia mais grossa de fibra natural, pode-se avaliar como se torna muito mais fácil de
manobrar, principalmente numa embarcação que tenha de conduzir uma espia para terra ao
atracar o navio, porque ele flutua.
O cabo de náilon custa cerca de seis vezes, por quilograma, mais do que o de fibra natural.
Mas ele é muito mais durável e mais resistente a graxas e ácidos do que qualquer cabo de
fibra natural. Contudo, as costuras nos cabos de náilon devem ser bem apertadas, e devem ter
mais uma cocha (torcida) do que nos cabos de fibra natural; deve-se evitar a exposição
continuada dos cabos finos de náilon à luz solar, pois os raios ultravioleta eventualmente
danificam sua superfície, mas este inconveniente é desprezível nos cabos grossos.
As características que um cabo de náilon apresenta demonstrando que está próximo ao limite
de resistência são o seu esticamento e a diminuição do diâmetro. Os ruídos de protesto que os
cabos de fibra natural apresentam, quando por demais tensionados, só ocorrem nos cabos de
náilon enquanto as pernas se reajustam.
Um aumento de 33% do seu comprimento é normal e um aumento de 40% representa o seu
ponto crítico. Porém, o cabo só se partirá, com uma forte chicotada, ao esticar cerca de 50%.
Trabalhando-se com cabos de náilon sob volta, deve-se tomar cuidado com a fusão de suas
fibras, devido ao calor gerado pelo atrito.
- 102 -
Há muitos outros cabos de matéria plástica, com as mesmas características do náilon, de
nomes diferentes patenteados pelos fabricantes.Tem-se notícia de que a Marinha americana já
utiliza espias de náilon com alma de Kevlar, material muito resistente à tração, porém muito
vulnerável à umidade. A principal vantagem é o amortecimento da chicotada em caso de
rompimento.
O náilon é a mais forte das fibras sintéticas e apresenta uma alta capacidade de absorção de
energia, além de excepcional resistência a sucessivos carregamentos.
Foi a primeira poliamida a ser descoberta, sendo produzida a partir do diamino hexametileno.
O teste convencional de abrasão mostrou que os cabos de náilon têm vida útil superior aos
outros do grupo das fibras sintéticas. A vida mais longa deste tipo de cabo tem origem em três
fatores. O primeiro deles é que as fibras poliamídicas (denominação genérica das resinas
termoplásticas, em que se inclui o náilon) têm excelente resistência à abrasão. O segundo
fator são os filamentos lubrificados que protegem as fibras internas da abrasão causada pela
fricção das pernas. O terceiro e último fator é a formação de um escudo protetor nas fibras
rompidas na superfície dos cabos durante a abrasão, evitando danos nos filamentos internos.
O comportamento dos cabos de náilon nos diversos testes de resistência a que são submetidos
durante seu uso é superior a todos os outros produtos feitos com resinas termoplásticas, com
propriedades similares, mas de composições químicas diferentes, como podemos observar a
seguir:
· absorção de água – a quantidade de água absorvida pelos cabos de náilon equivale a 20% do
seu peso, e eles sofrem pequena ou nenhuma transformação com a absorção deste líquido.
Mesmo após longo contato com a água, até em regiões muito frias, os cabos se mantêm
flexíveis e de fácil manuseio.
· abrasão e fricção – a grande flexibilidade garante ao náilon uma alta resistência à abrasão.
Em testes de fricção reversa sob tensão, os cabos de náilon têm uma resistência 80 vezes
superior aos de fibra natural de igual diâmetro.
· resistência ao tempo e ao sol – os cabos de náilon possuem muito boa resistência à
degradação pela luz solar e pelo tempo; os de diâmetro superior a uma polegada dispensam
cuidados especiais em relação aos raios solares.
7.2.3 – CABOS DE POLIPROPILENO
A utilização do polipropileno no mercado de fios e cabos em geral deve-se às suas excelentes
propriedades mecânicas e ao seu baixo peso específico. Não se deve dizer que esta fibra
sintética seja exatamente um produto forte, mas apresenta grandes vantagens quando
empregada como cabo de reboque (shock-line), pois flutua, facilitando a passagem do
dispositivo.
- 103 -
Os cabos de polipropileno quase não absorvem umidade e, mesmo quando molhados, são de
fácil manuseio nas atracações, para emendas quando necessário ou mesmo na confecção das
mãos.
7.2.4 – CABOS DE POLIETILENO
A grande aceitação do polietileno no mercado consumidor deve-se a uma combinação de
propriedades químicas e físicas excelentes, quando esta fibra se apresenta em alta densidade.
O polietileno de alta densidade é um polímero poliolefínico obtido a partir da polimeração do
etileno, com o qual são formadas macromoléculas em forma de longas cadeias com
segmentos idênticos.
Dois fatores influem nas propriedades químicas do polietileno de alta densidade:
o peso molecular e a densidade das resinas. É o fator densidade que vai determinar a
capacidade de permeabilidade aos líquidos e também aos gases. Já o peso molecular influi
sensivelmente na resistência ao fissuramento sob tensão, em presença de agentes químicos.
A ótima resistência do polietileno a um grande número de agentes químicos (álcalis, ácidos,
hidrocarbonetos etc.) resulta da composição de sua resina e de um alto grau de cristalinidade.
Quanto mais alta a densidade de um polietileno e maior o seu peso molecular melhor será a
resistência aos agentes químicos.
7.3 – PROPRIEDADES E CONSTRUÇÃO DOS CABOS DE FIBRA SINTÉTICA
A fabricação dos cabos é realizada pela união e torção de determinado número de fios
primários; reunião e retorção destes, até se chegar às pernas, que são reunidas, torcidas e/ou
trançadas. Atualmente no mercado há dois tipos básicos:
a. Cabo torcido de três pernas – Cabos de seção circular. As pernas são feitas com fio triplo de
uma só espessura e todas devem ter igual número de fios. A sua arquitetura apresenta pernas
com torção à esquerda “S” e fechamento do cabo com torção à direita “Z” e vice-versa. O
comprimento da torção de uma perna é a extensão de um movimento espiral descrito pelos
fios em volta do perímetro da perna, ou seja, é a extensão da passagem consecutiva de uma
perna pela mesma geratriz do cabo.
b. Cabo trançado de oito pernas (4x2) – Cabos de seção quadrada. A sua arquitetura apresenta
quatro pernas com torção à esquerda “S” e quatro pernas com torção à direita “Z” trançadas
aos pares. É um tipo de cabo que só é fabricado de fibra sintética. Os cabos trançados
apresentam grande flexibilidade em estado seco ou molhado.
- 104 -
7.4 – FUSÍVEL DE ESPIAS
Fusível é um cabo sintético de pequena bitola preso à espia em dois pontos próximos da alça,
cerca de uma braça e meia, de tal modo que se rompa, caso a espia estique além de sua carga
segura de trabalho. Quando este ponto é atingido, o fusível fica esticado, indicando que há o
perigo de o cabo romper-se.
Uma espia de fibra sintética pode ser submetida repetidas vezes a sua carga segura de
trabalho, sem danificar o cabo ou reduzir sua vida útil. Sob o ponto de vista de segurança e
economia, faz sentido ter o cuidado de não exceder a carga segura de trabalho.
Arquitetura de um cabo torcido Arquitetura de um cabo trançado
- 105 -
Cabos de náilon e poliéster praticamente não sofrem decréscimo na carga de ruptura
decorrente da exposição à luz solar; mas os de polipropileno sim. Os cabos de polipropileno
podem perder até 40% de sua resistência à ruptura em 3 meses de exposição ao sol tropical.
Quando um cabo sintético é submetido à tração, ele estica; ao retirar-se a carga, ele volta ao
comprimento original. Esta recuperação, no entanto, leva algum tempo. Se um cabo foi
submetido a tração elevada por muito tempo, a sua recuperação total pode levar um mês.
Felizmente, a maior parte desta recuperação ocorre nos primeiros três minutos após cessar a
tração. Esta característica dos cabos sintéticos é chamada de memória. Por causa da memória,
cabos sintéticos não devem ser aduchados em sarilhos tracionados por motores ou similar. Se
um cabo é colocado num sarilho, com tração motor (tensionado), as voltas em seu tambor
entrarão apertadas, não havendo espaço para que o cabo recupere o seu comprimento original,
então o cabo continuará a recuperação no sarilho, ficando cada vez mais apertado; em muitos
casos, isto causará avaria ao sarilho e ao cabo por ocasião de sua retirada.
Os cabos sintéticos que forem submetidos a grandes trações podem apresentar áreas brilhantes
onde o cabo atritou contra cabeços e buzinas. Essas áreas brilhantes são causadas pela fusão
das fibras de náilon ou pela tinta dos acessórios onde o cabo atritou. Após longos períodos de
uso, o cabo pode se apresentar cabeludo. Nos dois casos, o efeito sobre a resistência à ruptura
é desprezível. Quando tal situação for excessiva e localizada, a parte danificada deve ser
cortada, e feita emenda através de uma costura.
7.4 – CABOS DE AÇO
7.4.1 – ARAMES OU FIOS – Fios de aço carbono ou aço liga, obtidos por laminação ou
trefilação. Os fios devem ser contínuos;se necessárias, emendas são admitidas, desde que
realizadas antes do torcimento dos fios para formação das pernas e por caldeamento ou solda
elétrica.
7.4.2 – PERNA – Conjunto de fios torcidos, em forma de hélice, podendo ou não ter um
núcleo ou alma, de material metálico ou não.
7.4.3 – CABO DE AÇO – Conjunto de pernas dispostas em forma de hélice, podendo ou não
ter um centro ou alma, de material metálico ou não, constituindo-se em um elemento flexível
de transmissão de força.
7.4.4 – ALMA – Núcleo em torno do qual as pernas são dispostas em forma de hélice. Nos
cabos de fibra recebe a denominação de madre do cabo. A alma pode ser constituída de fibras
natural ou artificial, podendo ainda ser formada por uma perna ou um cabo de aço
independente.
- 106 -
7.4.5 – TORÇÃO À DIREITA – O torcimento das pernas de um cabo é feito da direita para a
esquerda.
7.4.6 – TORÇÃO À ESQUERDA – O torcimento das pernas de um cabo é feito da esquerda
para a direita.
7.4.7 – CARGA DE RUPTURA MÍNIMA EFETIVA – É a força mínima, expressa em
quilonewtons (kn) e quilograma-força (kgf) que deve ser atingida no ensaio de resistência à
tração até à ruptura.
7.4.8 – CARGA DE TRABALHO – É a maior força efetiva, expressa em quilonewtons (kn) e
quilograma-força (kgf), estática ou de esforço dinâmico, resultante do trabalho a que o cabo
deve ser submetido.
7.4.9 – CONSIDERAÇÕES GERAIS
Os cabos de aço são constituídos por um número variável de pernas, torcidas (cochadas) com
inclinação uniforme e menor que a dos cabos de fibra, em torno de uma alma. As pernas são
- 107 -
confeccionadas com um número também variável de fios torcidos em torno de uma alma, que
pode ser de aço (AA) ou de fibra (AF), conforme a relação flexibilidade-resistência desejada.
A alma de fibra, em geral, dá mais flexibilidade ao cabo de aço, podendo ser confeccionada
com fios torcidos de fibras naturais ou fibras artificiais (sintéticas).
Essas últimas apresentam as mesmas vantagens das fibras naturais, não se deterioram em
contato com a água ou substâncias agressivas e não absorvem umidade, o que representa uma
garantia contra o perigo de corrosão no interior do cabo de aço. A desvantagem da utilização
da fibra artificial é seu elevado custo em relação às fibras naturais, o que limita seu uso a
cabos especiais. Os fios de fibra da alma deverão ser tratados, durante a fabricação, com
lubrificação especial que contenha composto de cobre (Cu) ou outro material preservativo, a
fim de evitar a deterioração.
A alma de aço garante maior resistência aos amassamentos e aumenta a resistência à tração.
Um cabo de seis pernas com alma de aço apresenta um aumento de 7,5% na resistência à
tração e aproximadamente 10% no peso em relação a um cabo com alma de fibra de mesmo
diâmetro e construção.
As características dos cabos de aço e os processos de sua fabricação variam
extraordinariamente, de acordo com as necessidades do serviço desejado. A espécie de
matéria-prima, o número e a disposição dos fios da perna, e das pernas no cabo e o tipo de
alma permitem fazer variar, em grande escala, as duas propriedades mais desejadas no cabo
de aço: resistência e flexibilidade. Nos cabos de laborar, por exemplo, tem-se que assegurar
uma certa flexibilidade, mesmo com prejuízo da resistência. Nos aparelhos fixos dos navios,
ao contrário, exige-se um esforço permanente sobre o cabo, o que lega à resistência uma
importância máxima; neste caso, a galvanização se torna necessária, em virtude de sua
exposição ao tempo. Os cabos de aço mais comuns são constituídos por seis pernas torcidas
em torno de uma alma de fibra , mas o número de fios por perna e a alma destas pernas
dependem do grau de flexibilidade desejado.
Para um mesmo diâmetro de perna, quanto maior for o número de fios maior será a
flexibilidade do cabo. Também serão mais flexíveis os cabos cujas pernas tiverem uma alma
de fibra, em vez da alma de aço. O uso da alma de fibra não somente contribui para a
flexibilidade, mas tem ainda a vantagem de constituir um coxim, no qual as pernas dos fios se
apertam quando o cabo se distende sob o esforço de uma tensão forte, agindo assim, com a
elasticidade própria do fio e a espiral das torcidas, para reduzir o efeito de uma lupada.
Sempre que o cabo for lubrificado, a alma absorve uma parte do lubrificante, servindo como
depósito para a lubrificação dos fios internos, diminuindo deste modo o atrito mútuo interior.
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A resistência de um cabo de determinado tipo depende do diâmetro e da matéria prima de que
é feito.
Os cabos de aço empregados a bordo são classificados em tipos padrões, entre eles: 6x7;
6x12; 6x19; 6x24; 6x37. O número 6 indica o número de pernas e o segundo número mostra
quantos fios tem cada perna. Assim, um cabo 6 x 12 tem seis pernas de 12 fios. O mais usado
é o de 6 x 37, considerado aquele em que se reúnem as melhores qualidades desejadas de um
cabo de aço, realizando a combinação ideal entre a resistência e a flexibilidade.
7.4.10 – MEDIÇÃO DOS CABOS DE AÇO
A medição da bitola dos cabos de aço geralmente é feita pelo seu diâmetro, em milímetros, ou
em polegadas. Ao medi-los, deve-se ter o cuidado de colocar o calibre no sentido da maior
grossura, isto é, na direção de duas pernas opostas, pois o diâmetro do cabo é o da
circunferência que o circunscreve.
Para a medida precisa do diâmetro de um cabo de aço, devemos utilizar um calibre em três
partes do cabo distantes entre si de, pelo menos, 1,5 metro; a média destes três diâmetros será
o diâmetro do cabo.
A bitola dos cabos de aço empregados a bordo vai desde 1/4 até 2 3/4 polegadas de diâmetro.
O comprimento é medido em metros.
7.4.11 – TERMOS NÁUTICOS REFERENTES AOS CABOS E SUA MANOBRA
Aguentar sob volta – Segurar um cabo que esteja portando, dando uma, duas ou mais voltas
redondas para mantê-lo sob mão.
Alar – Exercer tração num cabo para executar qualquer manobra.
Alar de leva-arriba – Alar caminhando sem parar.
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Alar de lupada – Alar aos puxões, com os intervalos necessários para que o pessoal mude a
posição das mãos ao longo do cabo. Nesta manobra é preciso que um homem aguente o
socairo, que é a parte do cabo que vai sobrando e se vai colhendo. Para aguentar o socairo dá-
se volta singela numa peça fixa, nada se deixando voltar do que se alou. Lupada é cada um
dos puxões dados.
Alar de mão em mão – Alar o cabo seguidamente, sem o pessoal sair do lugar, pagando-o
alternadamente com uma ou outra mão; também, neste caso, fica aguentando o socairo numa
peça fixa.
Aliviar um cabo, um aparelho – É folgá-lo pouco a pouco.
Amarrar a ficar – Dar um nó ou volta firme, de modo a não se desfazer por si. Diz-se
principalmente ao se dar volta às manobras ou ao amarrar uma embarcação miúda para passar
a noite.
Amarrilhos – Fios ou linhas que se amarram os diversos objetos a bordo. Dá-se,
especialmente, esse nome aos cabos com que se amarram os toldos nos vergueiros.
Arriar um cabo – Largar, aos poucos, um cabo que suspende ou aguenta qualquer peça.
Arriar um cabo sob volta – Consiste em não desfazer totalmente as voltas, podendo ser
aguentadas quando preciso. Para arriar sob volta, em geral, deixa-se uma ou duas voltas
redondas no cabo.
Beijar – Fazer encostar duas peças quaisquer. Diz-se de uma adriça quando chega ao seu
lugar; de uma talha quando, içando, seus poleames se tocam; de ma escota, quando o punho
toca o gorne; atopetar.
Boça – Pedaço de cabo ou de corrente empregado para aboçar.
Brandear – Folgar um cabo, uma espia, uma amarra etc.; tornar brando um cabo; dar seio a
um cabo que esteja portando.
Coçado – Diz-se de um cabo que está ferido em consequência do atrito.
Colher o brando – Alar um cabo que esteja com seio até que fique sem folga; rondar um cabo.
Colher um cabo – Arrumá-lo em aduchas; “quem dá volta colhe o cabo”.
Coseduras – Botão que se dá nas alças do poleame, nas encapeladuras, nos estais etc.
Dar salto – Arriar repentinamente parte de um cabo de manobra.
Desabitar a amarra – Tirar a amarra da abita.
Desaboçar – Desfazer a boça do cabo.
Desbolinar um cabo – Tirar-lhe as cocas.
Desencapelar – Tirar as encapeladuras; tirar um aparelho de onde está amarrado.
Desgurnir – Tirar os cabos de laborar dos lugares em que estão trabalhando; desfazer talhas,
teques e estralheiras.
- 110 -
Desengastar – Tirar um corpo estranho que o poleame tenha engolido com o cabo que nele
labora, ou desfazer uma coca que tenha mordido no gorne.
Dobrar a amarração – Aumentar o número de pernadas das espias para amarrar um navio no
cais ou a outro navio.
Encapelar – Lançar as encapeladuras nos lugares respectivos. Diz-se ainda encapelar um
aparelho, quando se o coloca no lugar.
Encapeladuras – São as partes extremas dos cabos fixos dos mastros, que ficam alceadas nos
mastros, mastaréus etc.
Engasgar – Diz-se de um cabo que, passando por um gorne ou um retorno qualquer, fica
impedido de correr em consequência de nós, cocas, cordões arrebentados, ou qualquer corpo
estranho.
Enrascar – Diz-se dos cabos, velas etc. que se embaraçam entre si de modo a não poderem
trabalhar regularmente.
Espia – Cabo grosso que se lança de um navio para terra ou para outro navio, a fim de amarrá-
lo.
Fiéis – Cabos finos com que se prendem quaisquer objetos, tais como as fundas dos escaleres,
as defensas etc.
Furar uma volta, um nó – Diz-se assim quando a volta, ou o nó, foi dado erradamente; diz-se,
também, de um teque ou talha cujos cabos ficaram enrascados no poleame.
Gurnir – Meter um cabo num gorne, olhal etc., ou passá-lo num cabrestante ou num retorno.
Largar por mão um cabo – Largá-lo completamente, desfazendo as voltas que possam segurá-
lo.
Michelos – Pequenos pedaços de cabo, fio ou linha com que se tomam botões provisórios,
enquanto se faz um serviço que deles necessita.
Morder um cabo, uma talha – Apertar, engasgar, entalar um cabo ou amarra; diz-se que uma
talha ficou mordida quando uma das pernadas montou sobre a outra junto ao gorne do
cadernal, impedindo a roldana de girar.
Peias – Nome que tomam os cabos quando prendem a bordo quaisquer peças ou objetos, a fim
de evitar que eles se desloquem com o jogo do navio. Pear é prender qualquer objeto
amarrando-o com peias.
Recorrer – Folgar. Deixar que arriem os cabos ou a amarra o quanto for necessário para
aliviá-los. Diz-se também de um cabo ou amarra que arria sob a ação do próprio peso ou do
esforço que aguenta. Um nó ou volta pode recorrer.
Rondar – É alar um cabo ou o tirador de uma talha até que fique portando.
- 111 -
Safar cabos – Colher os cabos nos seus respectivos lugares depois de concluída uma manobra,
para desembaraçar ou safar o navio; deixar os cabos claros à manobra.
Socairo – É a parte do cabo depois do cabrestante que o está alando; é aguentada por um
homem postado junto ao cabrestante para manter o atrito das voltas sobre a saia; no tirador de
uma talha, ou quando se está alando a mão, é a parte que se alou, a qual deve ficar aguentada
em um cunho ou malagueta sob a volta, com um homem ao chicote. Diz-se que o homem está
aguentando o socairo.
Solecar – Dar um brando ao cabo, arriando-o um pouco; aliviar o peso ou esforço; dar mais
folga ao seio.
Tesar – Esticar um cabo.
Tocar uma talha, um aparelho – Diz-se quando se recorre o tirador aliviando as voltas das
pernadas, para estender a talha ou para melhor trabalho dos cadernais.
Virador – É um cabo grosso, em geral de aço, empregado para reboque, atracação ou mesmo
para fundear com ancorote.
- 112 -
CAPÍTULO 8
NÓS, VOLTAS E TRABALHOS DO MARINHEIRO
8.1 – DEFINIÇÕES
Chamam-se trabalhos do marinheiro ou obras do marinheiro os diferentes trabalhos de bordo
pelos quais as lonas e os cabos se prendem, são emendados ou se fazem fixos, ou, ainda, são
preparados para qualquer aplicação especial. No dia-a-dia de bordo a expressão simplificada
“trabalho marinheiro” é a mais utilizada.
Eles só podem ser bem conhecidos pela prática intensa, mas as ilustrações, as definições e as
explicações a seguir darão uma idéia e, ainda mais, mostrarão a utilidade de cada um. Podem
ser enumerados, de modo geral, como falcaças, nós, voltas, malhas, aboçaduras, botões, alças,
mãos, estropos, costuras, pinhas, rabichos, gaxetas, coxins e redes.
Nós e voltas são os diferentes entrelaçamentos feitos a mão e pelos quais os cabos se prendem
pelo chicote ou pelo seio. Se dados corretamente aumentam de resistência quando se porta
pelo cabo; entretanto, podem ser desfeitos com facilidade pela mão do homem. Se mal dados,
podem recorrer no momento em que é aplicado um esforço sobre o cabo, e são às vezes
difíceis de desfazer, por ficarem mordidos.
Apresentamos neste capítulo os principais nós e voltas considerados clássicos nos trabalhos
do marinheiro em todas as marinhas e em todos os tempos. Alguns nós e voltas já caíram em
desuso e têm apenas interesse instrutivo ou servem como ornamento. A maioria, porém, é
constituída por trabalhos que, realizados por um marinheiro hábil, são de grande valor a
bordo, pela segurança que apresentam e pela facilidade com que são feitos e desfeitos. Quem
os souber fazer estará apto a realizar qualquer amarração nas fainas necessárias a bordo. Há,
certamente, outros nós e voltas e muitos outros podem ser deduzidos, mas serão mais
complicados, ou menos seguros. Ao consultar as figuras e ao estudar a confecção de nós, é
importante também não esquecer que alguns nós e voltas tomam aspectos diferentes quando
vistos de diversos ângulos.
Cabo solteiro é um pedaço de cabo que não tem aplicação especial e que está à mão para ser
empregado em qualquer mister.
Tomemos um cabo solteiro (figura a seguir).
Se a parte que vai de 1 a 2, suposta de grande comprimento, estiver portanto sob a tensão de
um esforço determinado, ou mesmo, se apenas deu volta em um objeto, será chamado o vivo
do cabo.
- 113 -
Qualquer parte do cabo compreendida entre 2 e 3 (passando ou não por d e b) será chamada o
seio do cabo. A parte entre 3 e 4 será o chicote. Ao cabo que se vê na figura damos um seio,
ou uma dobra y. Este seio, tal como está dado, vai servir para começar alguns nós, conforme
veremos adiante. O chicote 4 do cabo está falcaçado.
Um cabo, passando em torno de um objeto qualquer em uma só volta de circunferência, sem
morder ou dar qualquer nó, dá uma volta singela. Dando duas ou mais voltas de
circunferência em torno do mesmo objeto, dá voltas redondas.
8.2 – RESISTÊNCIA DOS NÓS, VOLTAS E COSTURAS
Ao fazer uma amarração qualquer, convém lembrar-se que nenhum nó, volta ou costura pode
ser tão resistente quanto o próprio cabo. A razão é simples, pois enquanto no vivo do cabo o
esforço é distribuído uniformemente pelos cordões, no ponto de amarração há dobras mais ou
menos acentuadas e há distorções que ocasionam a sobrecarga do esforço sobre um
determinado cordão ou sobre certo número de fios de carreta. Por isto, se um cabo tem um nó,
volta ou costura, e sofre um esforço de tração demasiado, é quase certo que se parta no ponto
de amarração.
A resistência aproximada de alguns tipos de amarração em percentagem da resistência do
próprio cabo é dada no quadro abaixo, organizada pela Columbian Rope Company, Auburn,
NY, EUA, de acordo com experiências feitas em cabos novos:
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Cabo úmido 111%
Cabo seco 100%
Costura de mão 100%
Costura de mão, seca, em sapatilho 95 – 90%
Costura redonda 85%
Volta de fateixa 76%
Volta de ribeira, volta redonda e dois cotes 70 – 65%
Lais de guia 60%
Volta de fiel 60%
Nó de escota 55%
Nó direito 45%
Meia volta 45%
8.3 – VOLTAS
São dadas, com o chicote ou com o seio de um cabo, em torno de um objeto qualquer.
8.4 – MEIA VOLTA
É a volta usada comumente nos embrulhos, a qual se dá com o chicote de um cabo e pode-se
desfazer facilmente. Pode ser dada em torno de um objeto, mas nesta forma não é muito usada
a bordo; pode ser dada num cabo sobre si mesmo, e então se aplica em um cabo fino, para não
deixar o chicote desgurnir de um gorne ou para não deixa-lo descochar. Sua principal função
é servir como base ou parte de outros nós. Muitas vezes a meia-volta aparece
espontaneamente em um cabo solteiro mal acondicionado; convém, então, desfazê-la
imediatamente, porque, depois de apertada, é difícil de ser desfeita.
Meia Volta
Um cabo com meia-volta perde mais da metade
de sua força.
- 115 -
8.5 – VOLTA DE FIADOR
Uma volta que lembra o número oito. Para construí-la, passa-se o chicote em torno de a e por
trás de z e depois se mete por dentro do seio b, apertando em seguida.
É dada, por exemplo, no chicote do tirador de uma talha,
a fim de não deixar desgurnir; para este fim é superior à
meia-volta, pois não fica mordido, sendo desfeito mais
facilmente.
É um nó simetricamente perfeito; sua aplicação prática é
restrita, mas é muito usado como nó ornamental, por sua
beleza e simplicidade de desenho.
8.6 - COTE
É uma volta singela em que uma das partes do cabo morde a outra; é raramente usado só,
servindo para rematar outras voltas. Como está representado na figura a seguir, serve para
prender momentaneamente o chicote de um cabo que não deverá sofrer esforço, e que deve
ser de diâmetro moderado.
Cote
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8.7 – VOLTA DE FIEL SINGELA
São dois cotes dados um contra o outro, de modo que os dois chicotes saiam por entre eles e
em sentidos contrários. A a seguir mostra, em três estágios sucessivos, como se dá uma volta
de fiel singela, começando pelo chicote.
É a volta mais usada a bordo para se passar um fiel ou uma adriça em torno de um balaústre,
um olhal, ou um pé-de-carneiro. É útil também para amarrar um cabo fino em torno de um
mais grosso.
8.8 – VOLTA DE FIEL DOBRADA
É começada e terminada como a volta de fiel singela, mas, como se pode ver na figura a
seguir, há uma volta a mais entre o primeiro e o ultimo cote, ou seja, o primeiro cote é
mordido com volta redonda.
O grande valor desta volta é que nunca
recorre, e, deste modo, pode ser usada para
aguentar qualquer cabo em torno de um mais
grosso, ou em torno de um pé-de-carneiro; é
muito usada para dar volta aos fiéis das
macas nos pés-de-carneiro e para aboçar um
cabo.
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8.9 – VOLTA SINGELA E COTES – VOLTA REDONDA E COTES
Um, dois ou mais cotes rematando uma volta singela ou uma volta redonda. Se for dado
apenas um cote, deve-se abotoar o chicote do cabo. A volta com dois cotes não se desfaz
como a anterior, mas também recorre, a menos que se abotoe o chicote. Os dois cotes devem
ser dados no mesmo sentido. Servem para aguentar um cabo ao anete de um ancorote, à boça
de uma embarcação, ao arganéu de uma bóia etc. A volta redonda e dois cotes pode ser usada
para aguentar uma espia em um cabeço, mas deve-se então colocar um pedaço de madeira
separando os dois cotes, ou abotoar o chicote.
8.10 – VOLTA DA RIBEIRA
Dá-se uma volta em torno do objeto e depois um cote,
enleando o chicote em torno do próprio cabo. Serve para
amarrar um mastro, uma antena e, de modo geral, objetos
leves, para içar.
Volta singela e dois cotes Volta redonda e dois cotes
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8.11 – VOLTA FALIDA
É constituída por uma série de voltas alternadas dadas entre dois objetos quaisquer e é usada
para diversos fins, porém, principalmente, para dar volta a uma espia ou a um cabo de laborar
qualquer em torno de dois cabeços ou em cunhos de malaguetas.
8.12 – LAIS DE GUIA
É o rei dos nós; muito usado a bordo, pois é dado com presteza e nunca recorre. Serve para
formar uma alça ou um balso, que pode ser de qualquer tamanho, mas não corre como um
laço; nesta forma, serve para fazer a alça temporária numa espia, ou para ligar duas espias que
não devem trabalhar em cabrestante.
Para dar um lais de guia, se o cabo for de diâmetro moderado, de acordo com a figura a
seguir, segura-se a parte A na mão esquerda, e a parte d do cabo na mão direita, faz-se o seio
x deixando a parte d por cima da parte a. Passando-se o chicote c por dentro do seio x, faz-se
a alça y. Depois o chicote c passa por debaixo de a e retorna para o seio x por cima. Se o
diâmetro do cabo for grande, procede-se de modo semelhante, mantendo, porém, o cabo sobre
o convés.
Um emprego muito útil do lais de guia é na amarração temporária de embarcações pequenas,
e até mesmo fragatas, ao arganéu de uma bóia. Passa-se o chicote por dentro do arganéu e dá-
se o lais de guia no seio do cabo, dentro da embarcação. Esta fica amarrada pelo balso
formado pelo lais de guia, o qual é fácil de desfazer pelo pessoal de bordo em qualquer
momento.
Volta Falida
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8.13 - CATAU
É uma dobra que se dá no seio de um cabo, principalmente para esconder um ponto fraco, mas
que também serve para encurtá-lo.
Para começar um catau, dobra-se o cabo, como se vê em (a); em seguida, dão-se, com o seio
do cabo, dois cotes (b); para maior segurança pode-se passar um botão redondo esganado (c)
ou meter duas taliscas de madeira (d); se o cabo é de bitola tão grande que dificulta o nó,
abotoa-se somente (e).
Lais de Guia
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8.14 – NÓ DE AZELHA
Dado com o seio do cabo, conforme se vê na figura, serve para marcar um cabo ou merlim
pelo seio. É muito empregado para tomar medidas das velas, com linha ou merlim, dando-se
um nó de azelha para marcar os punhos. É útil também para encurtar a linha ou o merlim.
- 121 -
8.15 – NÓ DIREITO
É o método mais antigo e, em terra, o mais empregado, para unir dois chicotes ou dois
cordões quaisquer. Tem a qualidade de não recorrer, mas é muito difícil de ser desfeito, uma
vez rondado. É por isto mais usado na ligação, pelos chicotes, de dois cabos finos que não
demandem força, ou para terminar uma amarração definitiva qualquer. Desfaz-se por si
mesmo se os cabos são de diferentes tamanhos ou materiais. Nunca deve ser empregado para
unir cabos que trabalham em aparelhos de laborar ou para emenda de espias. É muito usado,
por exemplo, para amarrar os rizes das velas.
É dado como mostra a figura a seguir, fazendo-se primeiro uma meia-volta com ambos os
chicotes e depois, conforme a linha pontilhada, dando outra meia-volta em sentido inverso ao
da primeira.
8.16 – FALCAÇA
Sempre que é cortado um cabo para qualquer serviço, é necessário falcaçá-lo. A falcaça é o
meio mais correto e o mais usado para não permitir descochar o chicote de um cabo, e
consiste em dar em torno dos cordões um certo número de voltas redondas, com fio de vela ou
merlim. O número de voltas que deve ter uma falcaça não é arbitrário; ele deve ser tal que a
largura da falcaça seja igual ao diâmetro do cabo no qual ela é dada.
Falcaça comum. Dobra-se e coloca-se o merlim sobre o chicote do cabo a falcaçar, no sentido
longitudinal deste (I); então, com a parte a do merlim, dá-se em torno do cabo e sobre o
merlim o número necessário de voltas redondas bem unidas e apertadas, de c para d.
Aguentam-se as voltas dadas com uma das mãos, e com a outra enfia-se o chicote a por dentro
do seio d (II). Rondam-se bem os dois chicotes, unem-se as voltas dadas e cortam-se rentes à
falcaça as partes que sobram (III). Existem outros métodos de falcaçar de acordo com o livro
Arte Naval.
- 122 -
- 123 -
CAPÍTULO 9
HIGIENE E PRIMEIROS SOCORROS
9.1 – INTRODUÇÃO
9.1.1 – DEFINIÇÃO DE PRIMEIROS SOCORROS
Primeiro Socorro é o socorro imediato prestado, por uma pessoa capacitada, a uma vítima
de acidente ou mal súbito, antes que o atendimento médico possa ser prestado.
O Primeiro Socorro visa salvar a vida, diminuir o sofrimento (DOR) e evitar a piora da
vítima.
Resumindo, o objetivo do primeiro socorro é “salvar vidas”.
Todos nós podemos realizar um primeiro socorro sendo que o melhor socorrista será
aquele que souber o que fazer e como fazer.
9.2 - ABORDAGEM INICIAL
Os seguintes comportamentos deverão ser observados na abordagem inicial, ou seja, ao se
deparar com uma vítima necessitando de primeiros socorros.
. Observar os aspectos de segurança da cena do acidente. No ímpeto de tentar ajudar uma
vítima, o socorrista que se descuidar dos aspectos de segurança poderá ser vítima de um
novo acidente.
Por exemplo: Ao prestar socorro a uma vítima de acidente de trânsito, a primeira
providência deverá ser sinalizar o local no intuito de alertar os outros veículos.
É importante observar rapidamente se existem perigos para o acidentado e para quem
estiver prestando o socorro nas proximidades da ocorrência3
;
. Agir com rapidez, calma e segurança. Tentar transmitir calma e segurança;
. Ser decidido;
. Manter os curiosos afastados e evitar que outros atuem por conta própria;
. Não realizar nenhum procedimento se não tiver a CERTEZA e SEGURANÇA do que
está fazendo;
. Procurar sempre pessoal especializado; e
. Transmitir ao pessoal especializado todos os dados disponíveis sobre o acidentado. Evitar
suposições.
9.3 - AVALIAÇÃO INICIAL
9.3.1 - VÍTIMA ESTÁ CONSCIENTE.
Se está consciente, realizar perguntas objetivas como: o que aconteceu? Seu nome, o que
está sentindo?
3
BRASIL, Fundação Oswaldo Cruz - Manual de Primeiros Socorros
- 124 -
Evitar ao máximo que o acidentado se locomova em caso de suspeita de fraturas
(principalmente de coluna) e chamar pessoal especializado.
9.3.2 - VÍTIMA ESTÁ INCONSCIENTE.
Se a vítima estiver inconsciente, deverá ser observado o ABC da vida, que consiste das
seguintes verificações:
. A - Vias aéreas (Airways) - Verificar se algo obstrui as vias (próteses, queda de língua);
. B - Respiração (Breathing) - Observar se há movimentos do peito, abdome ou saída de ar
pelas narinas ou boca; e
. C - Circulação (Circulation) - Verificar pulsação (batimentos cardíacos) através do punho,
braço, pescoço, têmpora, peito do pé e virilha.
IMPORTANTE: Sempre que encontrar uma vítima desacordada, suspeite de trauma de
coluna. O zelo é sempre importante.
OBSERVAÇÃO: O pulso é considerado normal se em um minuto for constatado entre 72 e
80 batimentos. Na ausência de respiração e pulso, não significa que a vítima morreu e sim
está em PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA.
Resumo4
Para o bom atendimento é imprescindível:
1. Manter a calma. Evitar pânico e assumir a situação.
2. Antes de qualquer procedimento, avaliar a cena do acidente e observar se ela pode
oferecer riscos, para o acidentado e para você. EM HIPÓTESE NENHUMA PONHA SUA
PRÓPRIA VIDA EM RISCO.
3. Os circunstantes devem ser afastados do acidentado, com calma e educação. O
acidentado deve ser mantido afastado dos olhares de curiosos, preservando a sua
integridade física e moral.
4. Saiba que qualquer ferimento ou doença súbita dará origem a uma grande mudança no
ritmo da vida do acidentado, pois o coloca repentinamente em uma situação para a qual
não está preparado e que foge a seu controle. Suas reações e comportamentos são
diferentes do normal, não permitindo que ele possa avaliar as próprias condições de saúde
e as consequências do acidente. Necessita de alguém que o ajude. Atue de maneira
tranquila e hábil, o acidentado sentirá que está sendo bem cuidado e não entrará em
pânico. Isto é muito importante, pois a intranquilidade pode piorar muito o seu estado.
5. Em caso de óbito serão necessárias testemunhas do ocorrido. Obter a colaboração de
outras pessoas dando ordens claras e concisas. Identificar pessoas que se encarreguem de
desviar o trânsito ou construir uma proteção provisória. Uma ótima dica é dar tarefas
- 125 -
como, por exemplo: contatar o atendimento de emergência, buscar material para auxiliar
no atendimento, como talas e gaze, avisar a polícia se necessário, etc.
6. JAMAIS SE EXPONHA A RISCOS. Utilizar luvas descartáveis e evitar o contato direto
com sangue, secreções, excreções ou outros líquidos. Existem várias doenças que são
transmitidas através deste contato
7. Tranquilizar o acidentado. Em todo atendimento ao acidentado consciente, comunicar o
que será feito antes de executar para transmitir-lhe confiança, evitando o medo e a
ansiedade.
8. Quando a causa de lesão for um choque violento, deve-se pressupor a existência de
lesão interna. As vítimas de trauma requerem técnicas específicas de manipulação, pois
qualquer movimento errado pode piorar o seu estado. Recomendamos que as vítimas de
traumas não sejam manuseadas até a chegada do atendimento emergencial. Acidentados
presos em ferragens só devem ser retirados pela equipe de atendimento emergencial.
9. No caso do acidentado ter sede, não ofereça líquidos para beber, apenas molhe sua
boca com gaze ou algodão umedecido.
10. Cobrir o acidentado para conservar o corpo quente e protegê-lo do frio, chuva, etc.
11. Em locais onde não haja ambulância, o acidentado só poderá ser transportado após
ser avaliado, estabilizado e imobilizado adequadamente. Evite movimentos
desnecessários.
12. Só retire o acidentado do local do acidente se esse local causar risco de vida para ele
ou para o socorrista. Ex: risco de explosão, estrada perigosa onde não haja como
sinalizar, etc.
A pessoa que está prestando os primeiros socorros deve seguir um plano de ação
baseando-se no P.A.S., que são as três letras iniciais a partir das quais se desenvolvem
todas as medidas técnicas e práticas de primeiros socorros.
Prevenir - afastar o perigo do acidentado ou o acidentado do perigo
Alertar - contatar o atendimento emergencial informando o tipo de acidente, o local, o
número de vítimas e o seu estado.
Socorrer - após as avaliações.
4
BRASIL - Fundação Oswaldo Cruz - Manual de Primeiros Socorros
- 126 -
9.4 - PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA
9.4.1 - Definição.
Define-se como parada cardiorrespiratória (PCR) a interrupção súbita e brusca da
circulação sistêmica e ou da respiração.
9.4.2 - Sinais clínicos.
Os sinais clínicos da PCR são a inconsciência, a ausência de movimentos respiratórios e a
ausência de pulso.
9.4.3 - Possíveis causas da parada cardiorrespiratória.
A parada cardiorrespiratória pode ser causada pelos seguintes fatores:
- GASES VENENOSOS;
- VAPORES QUÍMICOS;
- AFOGAMENTO;
- SUFOCAMENTO;
- CHOQUE ELÉTRICO;
- TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO;
- ENVENENAMENTO;
- INFARTO DO MIOCÁRDIO;
- ALERGIA A DROGAS; e
- ARRITMIAS CARDÍACAS.
9.4.4 - Procedimento de reanimação.
Verificando o ABC da vida e não achando parâmetros, inicie os procedimentos de
reanimação.
- Abertura das vias aéreas.
Com a vítima deitada sobre uma superfície rígida, mova ligeiramente sua cabeça para trás
de forma que o seu pescoço fique esticado. No caso de desconfiança de traumas na coluna,
mova o pescoço da vítima o mínimo possível.
Com o auxílio dos dedos polegares e indicadores, abra a boca da vítima, abaixe sua língua
e verifique se não há objetos bloqueando sua respiração.
Aproxime o ouvido da boca aberta da vítima e verifique se há movimento respiratório.
Verifique, também, se há movimento do tórax, indicando respiração normal.
IMPORTANTE! Não gaste muito tempo nessa manobra. Dez segundos no máximo. Iniciar
prontamente as manobras de reanimação, antes mesmo da chegada da equipe de suporte
avançado aumenta a chance de sobrevida e evita sequelas pós-PCR.
- 127 -
- Respiração boca a boca.
Com as vias aéreas abertas, utilize os dedos polegar e indicador da mão que está sobre a
testa da vítima para fechar o seu nariz.
Realize uma inspiração profunda, aproxime-se da vítima e aplique seus lábios na parte
externa da boca da vítima soprando ar suficiente para inflar o seu tórax.
Caso a vedação entre sua boca e a da vítima não seja satisfatória, utilize sua mão livre para
ajustar o maxilar inferior da vítima melhorando a vedação.
Ventile a vítima de 2 em 2 vezes com duração de 1 a 2 segundos e com uma frequência de
aproximadamente 10 a 12 ventilações por minuto.
Evite respirações rápidas e muita pressão.
- 128 -
- Reanimação cardíaca.
Com a vítima deitada em uma superfície rígida, de costas, ou seja, de barriga para cima,
preferencialmente com as pernas levantadas, o socorrista deverá posicionar suas mãos
sobre o peito da vítima com os dedos entrelaçados, cotovelos esticados sobre o osso
esterno (metade inferior).
Alternativamente, o socorrista pressiona com força e alivia a pressão de forma que o osso
esterno se desloque para baixo entre 4 e 5 centímetros. A compressão deverá ser realizada
em uma frequência de aproximadamente 80 a 100 vezes por minuto, ou seja, quase duas
por segundo, até que o coração volte a bater ou até a chegada do socorro.
Os braços do socorrista devem ficar em extensão durante a manobra, ou seja,
as articulações dos cotovelos devem permanecer fixas, sem dobrar, transmitindo o peso dos
ombros e do tronco do socorrista para a vítima.
Com um socorrista apenas, a alternância deve ser de quinze compressões para duas
ventilações. Caso haja dois socorristas, um se encarregará da ventilação e o outro da
compressão cardíaca, com alternância de cinco compressões cardíacas para cada
ventilação.
Deve-se interromper a reanimação cardiorrespiratória a cada dois ou três minutos, para
verificar se a vítima readquiriu a respiração e os batimentos cardíacos espontâneos, caso a
vítima não tenha se recuperado, as manobras devem ser mantidas até que chegue o socorro
especializado.
- 129 -
- RCP somente por compressão
Se um atendente não for treinado em RCP ou treinado, mas não proficiente em ventilações,
ele deve fornecer RCP apenas manual (somente compressão) para adultos, crianças e
recém nascidos.
9.5 - QUEIMADURAS
9.5.1 - Socorro a vítima de queimadura.
Pessoas com queimaduras profundas podem correr sério risco de vida. Quanto maior a
extensão, maiores os perigos para a vítima. Existem diferentes graus de lesão. Leve em
conta que uma pessoa pode apresentar, ao mesmo tempo, queimaduras de terceiro, segundo
e primeiro graus e cada tipo de lesão pede um socorro específico.
É proibido!
Passar gelo, manteiga ou qualquer coisa que não seja água fria no local, em qualquer caso.
Também não se deve estourar bolhas ou tentar retirar a roupa colada à pele queimada.
Passar pasta de dente, pomadas, ovo, manteiga, óleo de cozinha. Apenas água fria é
permitida. Gelo também não pode. Furar as bolhas, retirar a pele morta, apertar o ferimento
9.5.2 - Queimadura de primeiro grau.
As queimaduras deste tipo atingem apenas a epiderme, que é a camada mais superficial da
pele. O local fica vermelho, um pouco inchado, e é possível que haja um pouco de dor. É
considerada queimadura leve, e pede socorro médico apenas quando atinge grande
extensão do corpo.
Socorro a vítimas de queimadura de primeiro grau.
- 130 -
1. Use água, muita água. É preciso resfriar o local. Faça isso com água corrente, um
recipiente com água fria ou compressas úmidas. Não use gelo.
2. Depois de cinco minutos, quando a vítima estiver sentindo menos dor, seque o local,
sem esfregar.
3. Com o cuidado de não apertar o local, faça um curativo com uma compressa limpa.
4. Em casos de queimadura de primeiro grau, e apenas nesse caso, é permitido e
recomendável beber bastante água e tomar um remédio que combata a dor.
9.5.3 - Queimadura de segundo grau.
Já não é superficial: epiderme e derme são atingidas. O local fica vermelho, inchado e com
bolhas. Há liberação de líquidos e a dor é intensa. Se for um ferimento pequeno, é
considerada queimadura leve. Nos outros casos, já é de gravidade moderada. É grave
quando a queimadura de segundo grau atinge rosto, pescoço, tórax, mãos, pés, virilha e
articulações, ou uma área muito extensa do corpo.
Socorro a vítimas de queimadura de segundo grau.
1. Use água, muita água. É preciso resfriar o local. Faça isso com água corrente, um
recipiente com água fria ou compressas úmidas. Não use gelo.
2. Depois de cinco minutos, quando a vítima estiver sentindo menos dor, seque o local,
sem esfregar.
3. Com o cuidado de não apertar o local, faça um curativo com uma compressa limpa.
9.5.3 - Queimadura de terceiro grau.
Qualquer caso de queimaduras de terceiro grau é grave: elas atingem todas as camadas da
pele, podendo chegar aos músculos e ossos. Como os nervos são destruídos, não há dor –
mas a vítima pode reclamar de dor devido a outras queimaduras, de primeiro e segundo
grau, que tiver. A aparência deste tipo de ferimento é escura (carbonizada) ou
esbranquiçada.
Socorro a vítimas de queimadura de terceiro grau.
1. Retire acessórios e roupas, porque a área afetada vai inchar. Atenção: se a roupa estiver
colada à área queimada, não mexa!
2. É preciso resfriar o local. Faça isso com compressas úmidas. Não use gelo.
3. Nas queimaduras de terceiro grau pequenas (menos de cinco centímetro de diâmetro), só
nas pequenas, você pode usar água corrente ou um recipiente com água fria. Cuidado com
o jato de água, ele não deve causar dor nem arrebentar as bolhas.
- 131 -
4. Atenção: a pessoa com queimadura de terceiro grau pode não reclamar de dor e, por
isso, se machucar ainda mais, como, por exemplo, dizer que o jato de água não está
doendo.
5. Se a queimadura tiver atingido grande parte do corpo, tenha o cuidado de manter a
vítima aquecida.
6. Com o cuidado de não apertar o local, faça um curativo com uma compressa limpa. Em
feridas em mãos e pés, evite fazer o curativo você mesmo, porque os dedos podem grudar
um nos outros. Espere a chegada ao hospital.
7. Não ofereça medicamentos, alimentos ou água, pois a vítima pode precisar tomar
anestesia e, para isso, estar em jejum.
8. Não perca tempo em remover a vítima ao hospital. Ela pode estar tendo dificuldades
para respirar.
9.6 - AFOGAMENTO
DEFINIÇÃO: Aspiração de fluido não corporal por submersão ou imersão.
Quanto ao tipo de água:
Afogamento em água doce;
Afogamento em água salgada.
Quanto à causa:
Afogamento primário;
Afogamento secundário.
Quanto à gravidade:
Do grau 0 ao 6° grau.
FISIOPATOLOGIA
Líquido aspirado;
Traquéia – brônquios – bronquíolos;
Alvéolos pulmonares encharcados;
Entrada de oxigênio prejudicada;
Saída de gás carbônico prejudicada.
AFOGAMENTO EM ÁGUA DOCE (Rios, tanques, lagos, piscinas, etc)
X
AFOGAMENTO EM ÁGUA SALGADA (Mar)
- 132 -
Prognóstico após afogamento
Diferenças terapêuticas – Tratamento diferente.
AFOGAMENTO PRIMÁRIO
Sem fator incidental ou patológico. É o mais comum.
AFOGAMENTO SECUNDÁRIO
Causado por patologia ou incidente associado.
Traumatismos, drogas (álcool), etc.
GRAUS DE AFOGAMENTO
RESGATE:
Vítima LOTE;
Sem tosse;
Sem espuma na boca ou no nariz;
Sem evidência de aspiração de água.
Tratamento:
Tranquilizar a vítima;
Pode ser liberada do local.
GRAU 1:
Pequena quantidade de líquido aspirado;
Tosse;
Sem espuma na boca ou no nariz;
Ausculta pulmonar normal.
Tratamento:
Tranquilizar a vítima;
Repouso;
Aquecimento;
Pode ser liberada do local.
GRAU 2:
Quantidade considerável de líquido aspirado;
Vítima torporosa, agitada e/ou desorientada;
Ausculta pulmonar com poucos estertores;
Pode apresentar pequena quantidade de espuma na boca e/ou no nariz.
Tratamento:
Oxigênio a 5 L/min
Posição lateral de segurança sob o lado direito;
Repouso e aquecimento;
- 133 -
Necessita de atendimento médico-hospitalar.
GRAU 3:
Muita quantidade de líquido aspirado;
Ausculta pulmonar com muitos estertores;
Edema agudo de pulmão;
Apresenta grande quantidade de espuma na boca e/ou no nariz;
Pulso periférico palpável.
Tratamento:
Oxigênio de 10 a 15 L/min;
Posição lateral de segurança sob o lado direito;
Necessita de atendimento médico-hospitalar urgente.
GRAU 4:
Muita quantidade de líquido aspirado;
Ausculta pulmonar com muitos estertores;
Edema agudo de pulmão;
Apresenta grande quantidade de espuma na boca e/ou no nariz;
Pulso periférico ausente.
Tratamento:
Oxigênio de 10 a 15 L/min;
Posição lateral de segurança sob o lado direito;
Necessita de atendimento médico-hospitalar urgente.
GRAU 5:
Parada respiratória;
Pulso central palpável;
Tratamento:
Ventilação artificial com Oxigênio a 15 L/min;
Após retorno espontâneo na respiração, tratar como GRAU 4;
Necessita de atendimento médico-hospitalar urgente.
GRAU 6:
Parada cardiorrespiratória;
Pulso periférico e central ausente;
Tratamento:
RCP com oxigênio a 15 L/min;
Após retorno de pulso palpável, tratar como GRAU 5;
Necessita de atendimento médico-hospitalar urgente.
- 134 -
GRAUS DE AFOGAMENTO
Incidência de óbitos:
Resgate = 0%
Grau 1 = 0%
Grau 2 = 0,6%
Grau 3 = 5,2%
Grau 4 = 19,4%
Grau 5 = 44%
Grau 6 = 93%
CURIOSIDADES SOBRE AFOGAMENTO:
1 a 3 mL/Kg de peso corporal de água aspirada reduzem em até 50 % da troca gasosa.
Afogado seco x afogado molhado.
O maior tempo registrado, em todo mundo, de submersão em água fria, sem sequela
neurológica, é de 66 minutos.
- 135 -
O CRA do Gmar (Rio de Janeiro) registrou um caso de afogamento com tempo de
submersão superior a 10 minutos sem sequela neurológica.
Existem casos de reanimação de afogados com mais de 40 minutos de RCP, porém, com
sequelas neurológicas.
9.7 - TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
Como transportar uma vítima?
Falamos do resgate de acidentes com gás de cozinha, incêndio, afogamento,
estrangulamento, enforcamento e acidentes rodoviários. Agora independente de como
aconteceu, é preciso conhecer métodos de transportes das vítimas.
É sempre importante tentar remover a vítima com ajuda. Evite removê-la sozinho e avalie
a capacidade de seus auxiliares.
Ao tentar levantar a vítima, procure manter as costas retas, abaixando e dobrando os
joelhos e mantendo o peso junto ao seu corpo.
Se a vítima estiver consciente, use a técnica da "muleta humana". Você fica ao lado lesado
ou mais fraco da vítima e passe o braço da vítima em volta do seu pescoço. Seu outro
braço passa ao redor da cintura da vítima, segurando no cinto ou cós da roupa. Dê passos
pequenos e inicie a marcha com o pé com o lado de dentro.
Se for necessário o "arrasto" da vítima, coloque os braços da vítima sobre o peito. Agache-
se atrás dela e segure-a pelas axilas. Agora puxe segurando os pulsos com firmeza.
O transporte "em berço" consiste em agachar atrás da vítima, passando um de seus braços
em volta do tronco, acima da cintura, e o outro por baixo das coxas.
Quando a vítima é socorrida por duas pessoas, a técnica da "cadeirinha" é simples. Os dois
agacham-se um de frente para o outro, um de cada lado da vítima, cruzando os braços atrás
das costas e segurando na cintura. Debaixo das coxas da vítima, eles seguram firmemente
as mãos.
A técnica do transporte "longitudinal" consiste em um dos socorristas agachar atrás da
vítima, passar seus braços por baixo das axilas e pegar firme pelo pulso. O auxiliar agacha-
se ao lado da vítima e passa seus braços por baixo das coxas, segurando as pernas. Ambos
levantam vagarosamente e procuram caminhar ao mesmo tempo.
É muito importante saber que as técnicas do "berço", "arrasto" e "longitudinal" são as
melhores para as vítimas inconscientes. Para pacientes conscientes e falando, a "muleta
humana com um ou dois socorristas é a melhor. Para pacientes conscientes e que não
falam, "o arrasto", a técnica da "cadeirinha" e a "longitudinal" são as mais indicadas.
A técnica do "berço" é ideal para crianças. A técnica do "arrasto" pode agravar lesões na
cabeça e no pescoço.
- 136 -
Ao tentar levantar a vítima, procure
manter as costas retas, abaixando e do-
brando os joelhos e mantendo o peso
junto ao seu corpo.
Se a vítima estiver consciente, use a técnica da
"muleta humana". Você fica ao lado lesado ou mais
fraco da vítima e passe o braço da vítima em volta do
seu pescoço. Seu outro braço passa ao redor da cintura
da vítima, segurando no cinto ou cós da roupa. Dê
passos pequenos e inicie a marcha com o pé com o lado
de dentro.
Se for necessário o "arrasto" da vítima, coloque os
braços da vítima sobre o peito. Agache-se atrás dela e
segure-a pelas axilas. Agora puxe segurando os pulsos
com firmeza.
O transporte "em berço" consiste em agachar atrás da
vítima, passando um de seus braços em volta do tronco,
acima da cintura, e o outro por baixo das coxas.
Quando a vítima é socorrida por duas pessoas, a técnica da
"cadeirinha" é simples. Os dois agacham-se um de frente para
o outro, um de cada lado da vítima, cruzando os braços atrás das
costas e segurando na cintura. Debaixo das coxas da vítima, eles
seguram firmemente as mãos.
A técnica do transporte "longitudinal" consiste em um
dos socorristas agachar atrás da vítima, passar seus
braços por baixo das axilas e pegar firme pelo pulso. O
auxiliar agacha-se ao lado da vítima e passa seus braços
por baixo das coxas, segurando as pernas. Ambos
levantam vagarosamente e procuram caminhar ao
mesmo tempo.
- 137 -
9.8 - FRATURAS, ENTORSES E DISTENSÕES
CONCEITO DE FRATURA.
É o rompimento total ou parcial de qualquer osso.
Classificação:
Quanto à relação do osso com o meio externo:
1. Fechada: quando a pele não é rompida pelo osso quebrado;
2. Aberta ou Exposta: quando o osso atravessa a pele e fica exposto. A possibilidade de
infecção neste tipo de fratura é muito grande e deve ser observada com atenção.
Quanto à extensão da fratura:
1. Completa: abrange toda a espessura do osso;
2. Incompleta: abrange parte da espessura do osso. Pode ser uma simples FISSURA
(rachadura).
SINAIS E SINTOMAS.
Dor intensa no local e que aumenta ao menor movimento;
Inchaço no local;
Crepitação ao movimentar (som parecido com o amassar de um papel);
Hematoma (rompimento de vaso, com acúmulo de sangue no local);
Paralisia por lesão de nervos.
TRATAMENTO DE EMERGÊNCIA.
Consiste em:
Contenção de hemorragia, como a que pode ocorrer nas fraturas expostas;
Proteção do ferimento, se houver, visando a prevenção de infecção;
Imobilização provisória;
Encaminhamento para atendimento médico.
ATENÇÃO!!!
Não tentar colocar o osso no lugar, pois isto poderá causar complicações. Colocar os ossos
numa posição mais próxima do natural, lentamente, junto ao corpo;
Só movimentar o segmento do corpo fraturado após sua imobilização. Esta pode ser feita
com um pedaço de madeira, cabo de vassoura, guarda-chuva, jornal enrolado ou outro
material estável;
Deve-se imobilizar as articulações acima e abaixo do local fraturado;
Evitar limpar qualquer ferida; qualquer movimento desnecessário poderá causar
complicações (exposição da fratura, corte de vasos ou ligamentos, etc.);
IMPORTANTE! Se existe dúvida se o osso está ou não quebrado, agir como se realmente
houvesse uma fratura e imobilizar.
- 138 -
ENTORSE.
É a torção de uma junta ou articulação, com ruptura parcial ou total dos ligamentos.
SINAIS E SINTOMAS.
Dor intensa ao redor da articulação;
Dificuldade de movimentação em graus variáveis;
Pode haver sangramentos internos.
TRATAMENTO DE EMERGÊNCIA.
Trate como se fosse uma fratura.
Aplicar frio intenso no local (bolsa de gelo, toalhas frias, etc.).
Não fazer massagens ou aplicações quentes (apenas 24 horas após a entorse.);
Imobilizar a articulação atingida e não movimentá-la;
Encaminhamento para avaliação médica.
DISTENSÃO.
É um estiramento de um músculo ou tendão, devido a esforços musculares excessivos.
Pode resultar de levantamentos de cargas demasiadamente pesadas, saltos, corridas, etc.
SINAIS E SINTOMAS.
Dores no músculo;
Fraqueza do membro;
Tumefação (inchaço) ao nível da ruptura, caso ocorra.
TRATAMENTO DE EMERGÊNCIA.
Repouso da área afetada;
Gelo ou compressas frias (sem restrição).
Cuidado quanto às lesões causadas pelo frio;
A não ser em casos de traumatismos sem importância, o paciente deverá ser examinado por
um médico na primeira oportunidade.
9.9 - ESTADO DE CHOQUE
Definição.
É a falência do sistema cardiocirculatório, devido a causas variadas, proporcionando uma
inadequada perfusão e oxigenação dos tecidos.
Sinais e Sintomas.
- Inconsciência profunda;
- Pulso fraco e rápido;
- Aumento da frequência respiratória;
- Perfusão capilar lenta ou nula e
- Tremores de frio.
- 139 -
9.10 - FERIMENTOS
Os ferimentos podem ser:
- Leves e/ou superficiais; e
- Extensos e/ou profundos.
FERIMENTOS LEVES E / OU SUPERFICIAIS
. lavar o ferimento com água e sabão;
. proteger o ferimento com gaze ou pano limpo;
. não tentar retirar farpas, vidros ou partículas de metal do ferimento; e
. não colocar pastas, pomadas, óleos ou pó secante.
FERIMENTOS EXTENSOS E/OU PROFUNDOS
. cobrir o ferimento com pano limpo;
. não lavar para não aumentar o risco de hemorragia;
. não remover objetos fixados no ferimento;
. usar técnicas para cessar hemorragia; e
. providenciar transporte.
A principal complicação dos ferimentos é a infecção.
Os seguintes itens podem ser utilizados para limpeza e curativo:
. água e sabão neutro (sabão de côco);
. soro fisiológico, água oxigenada;
. gazes, ataduras, esparadrapo;
. antisséptico (povidine); e
. pomada cicatrizante (neomicina).
9.11 - HEMORRAGIA
INTERNA ou EXTERNA.
Hemorragia interna.
. manter o paciente calmo, deitado com a cabeça de lado;
. aplicar compressas frias ou gelo no local suspeito de hemorragia;
. afrouxar a roupa;
. providenciar transporte urgente; e
. não oferecer líquidos e alimentos.
- 140 -
Hemorragia nasal.
. sentar a vítima;
. apertar com os dedos a narina, fazendo a vítima respirar pela boca;
. colocar um chumaço de algodão na narina;
. colocar toalha úmida, fria ou gelo sobre o rosto; e
. não assoar nariz pelo menos 1 hora após cessar sangramento.
Hemorragia externa.
Técnicas de controle:
. pressão direta;
. elevação dos membros;
. pontos de pressão arterial; e
. torniquete.
TORNIQUETE
Usar essencialmente no caso de amputação de membro ( Braço ou Perna).
Usar panos resistentes e largos acima do ferimento. Nunca usar arame, cabos (cordas),
barbante ou outros materiais muito finos. Desapertar gradualmente a cada 10 a 15 minutos
ou quando notar extremidades frias ou arroxeadas. Não tirar a vítima do lugar caso pare a
hemorragia.
- 141 -
CAPÍTULO 10
SOBREVIVÊNCIA NO MAR
10.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS
10.1.1 – FATORES DOS QUAIS DEPENDE A SOBREVIVÊNCIA
. Preparo físico
. Conhecimento sobre o assunto
. Auto domínio
. Conhecimento dos equipamentos e suas técnicas
10.1.2 – NECESSIDADES DO HOMEM PARA VIVER
. Abrigo
. Comida
. Repouso
. Vontade De Viver
10.2 – DOTAÇÃO MÍNIMA DAS EMBARCAÇÕES
. Dispositivos adequados de salvamento
. Mínimo de água e comida
10.3 – POSIÇÃO DO NAUFRÁGIO
. Conhecida (boa precisão)
. Na dúvida ou não conhecida ⇒ assumir que é desconhecida
10.4 – FATORES MAIS COMUNS QUE LEVAM O NÁUFRAGO À MORTE
. Falta de água potável
. Exposição do corpo ao meio ambiente
10.5 – FATORES ADVERSOS AO NÁUFRAGO
10.5.1 – FATORES SUBJETIVOS
. Pânico
. Solidão
DOUTRINA: “MESMO DISPONDO DE EMBARCAÇÕES DE SALVAMENTO,
NÃO SE AFASTAR MUITO DO LOCAL DO ACIDENTE, ESPECIALMENTE SE
O NAUFRÁGIO FOI COMUNICADO”.
- 142 -
. Tédio
10.5.2 – FATORES OBJETIVOS
. Frio (hipotermia)
. Fome
. Sede
. Fadiga
10.5.3 – Pânico
No momento do incidente; mais tarde por ocasião de mau tempo ou avistamento de
barbatanas de tubarão. Tem como característica básica a desorientação. Meio de superá-lo
(domínio e controle): autocontrole.
10.5.4 – Solidão
Característica básica: abatimento. Meio de superá-la: ocupação da mente.
10.5.5 – Tédio
Característica básica: revolta contra tudo e todos / desinteresse pelas coisas que ocupariam a
mente. Meio de superá-lo: combatê-lo de forma que sejam retomadas as atividades normais.
10.5.6 – Frio (Hipotermia)
Perda de calor corpóreo mais rápida que a possibilidade do corpo em gerá-lo. A hipotermia é
a grande causa de morte no mar. O progressivo resfriamento do corpo humano causa uma
função fisiológica reduzida, com declínio do consumo de oxigênio, da condução nervosa, da
frequência cardíaca, da função gastrintestinal e da respiração.
A capacidade de reação do corpo humano é inferior ao abaixamento de temperatura que sofre
quando em imersão. Até mesmo em águas a 30ºC se verifica um considerável arrefecimento e
há que se considerar que muito poucas são as zonas do globo em que a água atinge esta
temperatura.
A perda de calor com o corpo exposto à água fria é mais intensa do que a perda de calor com
o corpo exposto ao ar frio.
Com o corpo imerso, o uso de colete salva vidas proverá a manutenção da cabeça e do
pescoço fora d`água, diminuindo o resfriamento da artéria que irriga a cabeça, prolongando a
vida.
Meio de superá-lo:
- ao navegar ter o corpo protegido e agasalhos à mão;
- evitar roupas molhadas e proteger-se do vento;
- manter a embarcação de salvamento seca;
- manter uma cobertura na embarcação e seu bom isolamento; e
- 143 -
- ao adentrar em uma balsa salva vidas coberta, seja rápido e evite a troca de calor com o
ambiente externo.
Temperatura ºC Tempo estimado de sobrevivência
Menos de 2ºC Menos de 45 min
De 2ºC a 4ºC Menos de 1 hora e meia
De 4ºC a 10ºC Menos de 3 horas
De 10ºC a 15ºC Menos de 6 horas
De 15ºC a 20ºC Menos de 12 horas
Acima de 20ºC Indefinido - Dependerá da fadiga
Tempo estimado de sobrevivência na água
10.5.7 – Fome
É possível a sobrevivência sem comida por longos períodos, desde que haja água para beber.
Uma embarcação de salvamento possui ração para 6 dias.
Alimentação:
- ração sólida: jujubas; e
- pesca;
- aves marinhas; e
- brotos / frutas / algas.
- 144 -
10.5.8 – Sede
Perda de água: transpiração; evaporação pela pele; urina e respiração.
Balsa salva-vidas: ração líquida.
Fontes de água:
- chuva; e
- orvalho.
Meio de superá-la: evitar a transpiração.
Observações:
- evitar beber água nas primeiras 24 horas após o abandono;
- não beber água do mar; e
- não beber urina.
10.6 – SITUAÇÕES ADVERSAS
10.6.1 – ENJÔO
Gera um processo de desidratação.
Meio de superá-lo: pílulas contra enjôo do estojo de primeiros socorros.
10.6.2 – CONGELAMENTO
Dormência das áreas afetadas causada pelos ventos frios.
Meio de superá-lo: todas as partes do corpo devem ser convenientemente protegidas.
10.6.3 – PÉ SUBMERSO
Gerado por pés imóveis em água fria (partes dormentes).
Meio de superá-lo:
- desapertar ou descalçar sapatos;
- mover os pés e os dedos; e
- manter as pernas na horizontal.
10.6.4 – AÇÃO DO ÓLEO
Normalmente ingerido com a água do mar.
Provoca inflamação nos olhos quando estes são expostos ao sol.
10.6.5 – AÇÃO DA ÁGUA SALGADA
Pele: formação de bolhas e suscetibilidade a inflamações.
Meio de superá-la: tratar as bolhas com pomadas e curativos protetores.
10.6.6 – QUEIMADURAS SOLARES
Meio de superá-las: Proteger o corpo de forma a evitar queimaduras de 3° grau.
- 145 -
10.7 - BALSAS SALVA-VIDAS
10.7.1 - Definições
As balsas salva-vidas são os meios de salvamento mais utilizados e que oferecem mais
segurança tendo em vista que são mais fáceis de se lançar na água, ocupam pouco espaço a
bordo dos navios e tem excelente poder de flutuação, podendo alojar um grande número de
pessoas.
As balsas salva-vidas utilizadas nos navios da MB podem ser lançadas ao mar por ação
humana caso a situação permita. Se o navio vier a afundar com alguma balsa presa a ele, um
mecanismo hidrostático irá liberar a balsa, que se inflará e virá à superfície.
10.7.2 - Material que equipa as balsas salva-vidas
O seguinte material será encontrado no interior das balsas salva-vidas:
- Uma faca;
- Um coletor de água da chuva;
- Duas esponjas para realização de esgoto da balsa;
- Duas âncoras flutuantes;
- Dois remos flutuantes;
- Três abre latas ou canivetes de bolso possuindo abre latas;
- Uma caixa de primeiros socorros à prova de água que possa ser hermeticamente fechada
depois de usada;
- Um apito ou meio equivalente para emitir sinais acústicos;
- Quatro sinalizadores de paraquedas de luz vermelha;
- Seis sinalizadores do tipo fachos de mão;
- Dois sinalizadores do tipo fumígeno flutuante;
BALSA SALVA-VIDAS
INFLÁVEL
MECANISMO
HIDROSTÁTICO DE
LIBERAÇÃO
- 146 -
- Uma lanterna eléctrica à prova de água com capacidade para sinalização Morse e um jogo de
pilhas e uma lâmpada sobressalentes, guardados em invólucro à prova de água;
- Um refletor de Radar;
- Um espelho de sinalização com as respectivas instruções;
- Um exemplar do código de sinais para salvamento, plastificado ou em invólucro à prova de
água;
- Um jogo de apetrechos de pesca;
- Um kit de ração alimentar e de água suficiente para 6 dias de acordo com a lotação da balsa;
- Um copo graduado;
- Medicamentos contra o enjoo; e
- Instruções de sobrevivência e medidas urgentes.
10.7.3 - Documentação e revisões das balsas salva-vidas
Todo material de salvatagem existente a bordo dos navios deverá ser mantido em perfeito
estado de conservação.
As balsas salva-vidas, por conterem material perecível em seu interior, por serem
equipamentos mais elaborados com mecanismos para inflarem automaticamente e por serem
confeccionadas de material que pode sofrer deterioração, deverão ser obrigatoriamente
revisadas uma vez por ano em empresa certificada para este fim.
O Oficial Encarregado Geral do Armamento ou o Oficial Encarregado do Convés será o
responsável pelo envio das balsas para a citada revisão, assim como pela manutenção dos
registros das revisões e a guarda da documentação que acompanha cada balsa salva-vidas.
10.8 - COLETES SALVA-VIDAS
Todos os que andam no mar correm o risco de cair na água. Este risco depende do tamanho,
tipo e características da embarcação e do tipo de serviço que estiver sendo realizado.
Saber nadar estando longe da costa não será suficiente para garantir a sobrevivência de um
náufrago pois ele não terá energia suficiente para salvar-se por si só.
O colete salva-vidas proporcionará ao náufrago a flutuação necessária para que ele possa
descansar e, também, manterá sua cabeça fora d`água.
O ser humano ao cair ao mar inconsciente e sem colete salva-vidas fica sujeito a uma força de
flutuação muito pequena. A cabeça terá a tendência de cair para frente, ficando a força de
flutuação aplicada basicamente nas costas.
O colete salva-vidas proverá a flutuação necessária na área do peito do náufrago de forma que
suas costas fiquem dentro d`água e sua parte frontal voltada para cima.
- 147 -
Além da flutuação peitoral, o colete salva-vidas proverá apoio na parte de trás e nas partes
laterais da cabeça, mantendo-a fora d`água.
10.9 - PROCEDIMENTOS NO MAR E NAS BALSAS SALVA-VIDAS
A primeira providência do náufrago dentro d`água será se afastar do navio sinistrado e dos
destroços. Ao alcançar uma distância de aproximadamente 200 metros do navio sinistrado, aí
sim o náufrago buscará uma balsa salva vidas para alcançar e ser resgatado.
Sem prejudicar sua segurança, o náufrago deverá tentar preservar suas energias o quanto
possível pois nada impedirá que surja uma emergência que o obrigue a um dispêndio a mais
de forças.
Caso haja explosões no navio sinistrado ou nos destroços, o náufrago deverá nadar de costas,
com a cabeça e o peito o tão fora d`água quanto possível.
Na balsa salva vidas deverá haver o consenso de que o trabalho de equipe será essencial para
o sucesso do salvamento de todos.
- 148 -
O mais antigo presente assumirá o comando das ações, controlará o uso das rações e demais
alimentos disponíveis, definirá as situações nas quais serão utilizados sinais de socorro e
manterá a disciplina. Para tal, deverá ter pleno conhecimento das doutrinas empregadas no
salvamento no mar.
As embarcações salva-vidas deverão manter-se juntas, amarradas umas às outras por suas
boças (cabos externos). No caso de mau tempo, as boças deverão ser afrouxadas ou mesmo
soltas para que as embarcações enfrentem melhor o estado do mar.
10.9 - BALIZA RÁDIO INDICADORA DE POSIÇÃO EM EMERGÊNCIA - EPIRB
(EMERGENCY POSITION-INDICATING RADIO BEACON)
Emergency position-indicating radio beacons – EPIRB, são transmissores de localização
usados em situações de emergência, operados através do consórcio de satélites(COSPAS-
SARSAT), Quando ativado, este aparelho envia sinais intermitentes com dados que
possibilitam a localização das pessoas, embarcações ou aeronaves necessitando de resgate.
Este equipamento é parte do Sistema de Apoio a Segurança Marítima Global (Global
Maritime Distress Safety System), liderado pelos Estados Unidos.
O propósito básico dessa tecnologia é possibilitar o resgate mais rápido possível da(s)
vítima(s), quando é conhecido estatisticamente, que a maioria de acidentados sobrevive
apenas aos primeiros dias, quando não apenas ao primeiro dia, dependendo das situações.
Entre 1982 e 2002, esse sistema possibilitou o salvamento de cerca de 14.700 pessoas. No ano
de 2002, foi registrado cerca de 82.000 usos do sistema, ajudando a diversas pessoas no
mundo inteiro.
A maioria dos equipamentos são de cores fortes (a mais usada é a vermelha), são à prova
d’água, medem cerca de 30 cm de lado, e pesam cerca de 2 a 5 kg. Podem ser comprados em
lojas de suprimentos náuticos, aeronáuticos ou lojas de campismo especializadas. As unidades
têm uma vida útil de 10 anos, e são fabricadas de modo a operar em condições adversas (-
40°C a 40°C), e transmitem o sinal durante 24 ou 48 horas.
Quando accionado o sinal de 406MHz é captado primeiro por satélites GOES
(geoestacionários) localizados a cerca de 36000Km de altitude, e em seguida pelos satélites da
rede COSPAS SARSAT, em órbita a cerca de 1000Km, que localizam a posição de origem do
sinal de socorro e retransmite a informação para a estação terrena. O sinal do EPIRB contém
também a identificação da embarcação ou aeronave e seu código. 2 - A estação terrena recebe
o sinal e o retransmite para ao Centro de Controle da Missão. 3 - O Centro de Controle da
Missão combina a informação recebida com as de outras recepções de satélite, refina a
localização, adiciona a informação de registo do transmissor e gera uma mensagem de alerta.
- 149 -
Esta mensagem é então transmitida ao Centro de Coordenação de Salvamento em cuja área
está localizado o sinal.
- O Centro de Coordenação de Salvamento do Brasil está localizado no Primeiro Centro
Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo - CINDACTA I, em Brasília.
EPIRB
- 150 -
CAPÍTULO 11
ETIQUETA SOCIAL
11.1 – EDUCAÇÃO E POSTURA
11.1.1 – BOAS MANEIRAS
Etiqueta, boas maneiras e postura são quesitos aprimorados ao longo da vida. Porém, a
base de tudo é a educação. Educação que nos é ensinada desde tenra idade. Nada é muito
novo: respeitar as pessoas para ser respeitado, lembrar dos limites, ser gentil, ser agradável
numa conversa, fazer o melhor possível, ouvir mais em vez de falar e tantas outras
demonstrações pertinentes a uma pessoa educada. Educação não depende de classe social.
Em um ambiente militar tudo é observado e até mesmo avaliado.
Onde começa a etiqueta
O princípio da etiqueta é o respeito ao próximo, logo: nunca entre num ambiente sem se
anunciar, podem estar tratando de assuntos confidenciais, segredos de família ou outros
que podem não lhe dizer respeito; não se comunique aos brados, nem murmurando, você
tem que se comunicar de forma clara, objetiva e sem insinuações; seja pontual (especial
atenção em cerimônias militares e à chegada de autoridades); evite invasão de privacidade
de qualquer espécie; nunca leia correspondências de outros; não mexa em “material alheio”
sem expresso consentimento; não ouça conversa de terceiros e não abra outra geladeira que
não a sua.
Cuidados Importantes
- Uso de perfumes
Perfume é algo particular, não público. Cada pessoa tem um gosto. Não se deve saturar um
ambiente com o seu cheiro, pois se todos sentiram o perfume é porque está forte,
exagerado. Lembre-se da questão do limite. O mesmo deve ser em relação ao desodorante,
loção de barba, cremes de beleza etc. O perfume deve ser agradável ao chegar perto.
Quando bom, faz lembrar uma pessoa, um ambiente, uma geração, uma época da vida.
Logo, não transforme uma lembrança num desastre.
- Fumo
Lembre-se de que o fumo é um vício pessoal, não um castigo coletivo. Se você fuma deve
ter alguns cuidados importantes, como não fumar em lugares públicos, perto de gestantes,
durante um evento ou às refeições. O hálito de um fumante não é muito agradável, portanto
procure por pastilhas para amenizar o cheiro. O fumante fica com as roupas mal cheirosas,
o cabelo fedido, as mãos meio amareladas e a saúde totalmente prejudicada. Se você fuma
repense este hábito.
- 151 -
Quando a necessidade de fumar for irresistível e nos locais onde for permitido, peça
licença às pessoas com quem estiver conversando, principalmente às senhoras, antes de
acender um cigarro. Em ambientes militares, em que for permitido o fumo, sempre peça
permissão ao mais antigo presente antes de acender um cigarro.
- Uso de óculos escuros
Óculos escuros servem para proteger os olhos do sol e só. É uma indelicadeza conversar
com uma pessoa usando óculos escuros, isto porque você não vê os olhos de quem fala e
não tem certeza para onde ela está olhando. Ao conversar, retire os óculos e os reponha
quando a conversa terminar. Se você sofre de algum mal e precisa usar os óculos
regularmente, peça desculpa pelo inconveniente. Após o sol se pôr não se tem motivo para
continuar usando os óculos escuros.
Em ambientes militares só devem usar óculos escuros os que tiverem problemas de
fotofobia.
- Bocejos
São imperdoáveis em qualquer circunstância. Em formaturas militares são inaceitáveis, em
sala-de-aula são de uma grosseria sem igual para com o professor/instrutor, em eventos e
nas refeições são da maior indelicadeza e todos os exemplos são para explicar que não se
deve bocejar em hipótese alguma. Quando eles simplesmente acontecem, deve-se pedir
desculpa, colocar a mão na frente da boca e tentar o uso da técnica de apertar a língua sob
o céu da boca com força. Se puder se ausentar por alguns instantes, procure um lugar para
lavar o rosto.
- Chicletes
O hábito de mascar chiclete não é elegante, reserve este hábito para ambientes mais
descontraídos e informais. Mascar deve ser com a boca fechada! Quando você fala com
alguém mascando um chiclete, a pessoa com quem você fala não consegue prestar a
atenção no que você diz, a atenção fica condicionada aos movimentos do chiclete.
- Guarda-chuva
O guarda-chuva serve para proteger você da chuva, não converse mexendo-o, apontando-o,
revirando-o. Isto incomoda, atrapalha e pode até machucar alguém.
Os militares fardados não usam guarda-chuva e sim capa de chuva.
- Não fure filas
Dizem que furar filas é uma mania de brasileiro. Mentira. Isto é mania de mal-educado,
seja de qualquer naturalidade e sob qualquer pretexto (até de antiguidade).
Se você estiver numa fila e chegar algum militar mais antigo, por cortesia, você deve ceder
seu lugar a ele. Mas não insista: se ele não quiser, seja cortês e mantenha seu lugar.
- 152 -
- Limpar o nariz
Limpe o nariz em casa, no banheiro, sozinho, com a porta fechada. Ninguém precisa ver.
Se você precisar limpar num momento inoportuno, procure um toalete para resolver seu
problema, mas nunca com o dedo encravado dentro do nariz!!
- Uso do celular
Não se pode dizer que exista uma forma elegante de utilizar o telefone celular. Vamos dar
algumas dicas de como usar da melhor forma possível:
. Desligue o celular em reuniões de trabalho, cinemas, teatros e locais como festas,
recepções ou reuniões íntimas. Se estiver esperando uma ligação muito importante deixe
no vibracall ou silencioso e afaste-se para atender.
. Celulares em hospitais, só para os profissionais a trabalho e, ainda assim, apenas nas
áreas permitidas.
. Não se deve usar o celular na cintura. É um modo não muito elegante. Também não se
deve usá-lo pendurado em bolsas, nos cintos e muito menos em pochettes. As senhoras
devem usá-lo dentro da bolsa. Na hora do cooper e da ginástica, deixe-o em casa, ou
guardado. Aos militares só é permitido o uso do celular na cintura aos médicos e ao Oficial
de Serviço.
. Não se pergunta onde a pessoa está. Assim que a outra pessoa atender, o que se deve
perguntar é se é possível falar naquele momento.
. Quando atender o seu celular e estiver com outras pessoas seja rápido. Em especial
quando um casal estiver em um restaurante ou bar e um dos dois atender ao celular.
. Retorne sempre suas ligações.
. Se não quiser ser encontrado é melhor deixar o telefone desligado ou no “vibracall”. Se
por acaso esqueceu de desligá-lo, peça licença e seja rápido.
. Muito cuidado com os toques “alegrinhos”. Telefone deve ter toque de telefone.
. Nunca incomode ninguém antes das 9 horas e depois das 22 horas, a menos que já tenha
combinado anteriormente. Com relação ao celular essa regra deve ser seriamente
respeitada.
. Evite pedir emprestado o celular dos outros, só o faça em casos extremos. E nem pensar
em fazer ligações DDD ou DDI...
11.1.2 – POSTURA E ELEGÂNCIA
Mantenha uma postura adequada a cada ambiente.
As costas devem ser retas, mas não esticadas demais, causando uma sensação de
artificialidade. As mãos revelam muito de nós: insegurança, timidez, confiança, alegria,
entusiasmo e tristeza, pela forma como gesticulamos. Porém, é perfeitamente possível
- 153 -
treinar a aprender a usar os gestos com moderação. Ombros erguidos e braços pendentes
com suavidade, as mãos devem ficar à frente do corpo, podendo ficar uma sobre a outra.
Evite balançá-las, prendê-las, enrolar os cabelos ou roer unha!
Ande com naturalidade e sente-se confortavelmente com as pernas fechadas, cruzando-as
sem bater nos outros:
Tenha atenção à sola do sapato que não deve ficar a mostra.
Ao parar em pé o ideal é apoiar o peso do corpo nas duas pernas, porque transmite uma
sensação de tranquilidade e segurança, tornando a conversa mais agradável, além de
preservar a coluna.
Em ambientes militares observe antes:
. se existem mais antigos sentados.
. se é permitido sentar no momento.
. se existem mais antigos em pé a procura de assentos.
. onde se localiza seu círculo hierárquico.
. se for servido qualquer tipo de alimento, verifique se o mais antigo presente já se serviu.
Nunca se sirva antes de o mais antigo presente “dar a partida”, mesmo se for a você
oferecido.
. atenção com o horário de chegada, com o lugar de sentar, com seu comportamento e com
os bocejos.
O olhar é muito importante. O primeiro contato deve transmitir simpatia, interesse e
confiança. As pessoas sentem a diferença entre um olhar caloroso e um olhar indiferente.
Outro fato marcante em relação aos olhos: ao falar com alguém mantenha sempre contato
com os olhos, transmita segurança, firmeza nas atitudes, convicções e decisão. Não use
desculpas evasivas como defesa para seus erros ou incompetência, principalmente em
ambiente militar, assuma os erros e ou os deslizes com um “me desculpe, vou me esforçar
ou vou providenciar ou não irá se repetir”, é mais digno.
Mantenha uma certa distância das pessoas ao falar. Nem muito longe, criando uma
verdadeira barreira para o entendimento, nem muito perto, invadindo a intimidade do
outro. Evite toques, puxões, segurar a pessoa com quem conversa e respingar saliva devido
ao entusiasmo do assunto.
11.2 - REUNIÕES, VISITAS, CERIMÔNIAS E RELACIONAMENTOS SOCIAIS.
11.2.1 - GENERALIDADES
As tradições navais remontam aos primórdios da navegação à vela quando se mantinham
um conjunto de práticas, normas de cortesias, saudações, valores éticos e morais, honras,
sinais de respeito, em uso nas marinhas de guerra. As tradições navais devem ser
- 154 -
cultivadas por todos, num ambiente de respeito e cortesia de todos os militares para com
seus superiores, em todas as circunstâncias. A espontaneidade e a correção dos gestos,
atitudes e procedimentos são indicadores não só do grau de disciplina, mas também da
educação moral e militar dos componentes de uma organização. Desta forma, os usos,
costumes e tradições navais compõem a Etiqueta Naval.
11.2.2 - PROCEDIMENTOS
Nunca apareça em casa alheia sem prévio contato: se quiser fazer uma visita, ligue antes
para ver se a pessoa tem algum compromisso ou se está disposta a atendê-lo. Não apareça
de súbito. Se for uma visita a uma Organização Militar (OM) ligue com antecedência para
verificar a possibilidade da visita, se o dia e a hora são apropriados, se a OM tem alguma
solenidade, qual o uniforme adequado e se os oficiais estão disponíveis para atendê-lo.
Ao chegar a uma OM apresente-se sempre ao Imediato.
Evite chegar no horário do cerimonial à Bandeira e no início do expediente quando o
Comandante da OM é recebido e, normalmente, faz seu primeiro despacho com o Imediato
e os Oficiais.
Em reuniões, dê atenção a todos: se você convida ou foi convidado para algum evento
procure conversar com todos, circular pelo ambiente, evitando patotas. Na hora de sentar
não marque seu lugar antecipadamente fechando um círculo de companheiros. Num evento
militar, no qual sua OM é a anfitriã, procure dar atenção a todos os convidados,
principalmente aos civis e aos militares de outras Forças.
Em visita de pêsames ou a doentes, seja breve. Evite comentários e detalhes sobre a
doença/morte, machucando as pessoas que estão doloridas pela doença ou pela perda de
alguém querido. Em enterro/missa, evite roupas extravagantes. Seja discreto, coerente com
a ocasião, respeite a dor alheia. Na dúvida, não fale.
Apresentação: um homem sempre se levanta ao ser apresentado a uma mulher, a um
homem mais velho ou a um superior hierárquico. A mulher se levanta para cumprimentar
os idosos, os eclesiásticos, as altas personalidades e, caso seja militar, os superiores
hierárquicos. Em sociedade a mulher tem precedência sobre o homem.
O subordinado, homem ou mulher, é sempre apresentado ao superior hierárquico. A
iniciativa de estender a mão para o cumprimento deve partir sempre da pessoa mais
importante, da mulher, da pessoa mais velha ou do superior hierárquico.
- 155 -
Despedidas: nestas ocasiões aguarde que o dono da casa abra a porta. Se você é militar
aguarde o oficial mais antigo se retirar ou dar a permissão para sair. Caso tenha que sair
antes, peça permissão a ele com uma pequena justificativa, sem entrar em detalhes.
Nas Cerimônias a que o militar comparecer como convidado ou acompanhante de parente,
cônjuge, companheiro ou pessoa de seu relacionamento afetivo, também militar, deverá
fazê-lo no uniforme previsto para a cerimônia. Quando os militares forem de círculos
diferentes (Círculo de Oficiais ou Praças), aquele que comparecer na condição de
convidado deverá fazê-lo em traje civil. (Capítulo 2 da DGPM-319). No caso de
festividades de formatura de Alunos do Colégio Naval, instruções especiais sobre
convidados militares serão divulgadas com antecedência.
Fotografias: Saiba o que fotografar, se o momento é oportuno, se é permitido, se tem
permissão. Não use fotos de terceiros sem a devida concordância. Cuidado com as
exposições na internet e com as fotos pessoais trazidas a bordo.
Telefonemas: O mais moderno deverá aguardar na linha até que o mais antigo atenda, não
deixando que o militar de maior precedência aguarde na linha.
Internet: De forma a minimizar a exposição da MB e de seu pessoal, os militares devem
seguir as seguintes orientações (DCTIMARINST Nº 31-01, 2009):
a) nunca postar ou publicar informações sigilosas da MB ou pessoais;
b) nunca nomear ou utilizar, na titulação do grupo, símbolos, siglas, brasões,
indicativos ou nome de OM da MB;
c) nunca postar informação que possa ser explorada em ação contra o pessoal ou
contra a MB;
d) nunca postar nada que não queira que se torne público. Todas as informações
veiculadas em sítios de relacionamento devem ser consideradas como públicas;
e) ter o mesmo comportamento dentro do sítio de relacionamento, que se têm quando
em uma reunião social com presença física;
f) seguir os padrões de comportamento navais orientados pelos bons costumes;
h) limitar a quantidade de informação pessoal postada;
i) lembrar que a internet é pública;
j) desconfiar que algum componente possa ser um estranho;
k) cuidados ao falar com estranhos em chats, blogs, comunidades;
l) não participar de comunidade virtual criminosa que “odeia” alguma coisa, pois se a
mesma for investigada por conduta indevida ou pratica de crime, todos os participantes
podem ser envolvidos;
m) não acreditar em tudo que se lê online;
- 156 -
n) manter os grupos sempre fechados e protegidos por fortes senhas de forma a
restringir o acesso às informações somente ao pessoal do grupo;
o) não criar grupos sociais vinculados ou que denotem vínculo à Marinha ou suas
OM; e
p) usar e manter os antivírus e sistemas operacionais atualizados.
Convites RVSP: “Rèpondez S’íl Vous Plaît”: Expressão francesa que significa
“responda, por favor”. É usada do lado direito de convites acompanhada de um ou mais
números de telefone, através dos quais o convidado deverá confirmar ou não sua presença
ao evento para o anfitrião poder se programar.
Agradecimentos: ao fazer um agradecimento tenha em mente para quem o está fazendo. Se
for um agradecimento para autoridade mantenha as formas adequadas de tratamento e seja
objetivo. Seja claro, sucinto, muito respeitoso e siga o protocolo e trâmites administrativos
cabíveis. O agradecimento a um cartão enviado por Oficial General deverá, dentro das
possibilidades, ser realizado pessoalmente.
11.3 – PROCEDIMENTOS À MESA
11.3.1 – POSTURA E COMPORTAMENTO À MESA
A maneira como você se senta e se coloca à mesa torna-se um fator diferencial de
civilidade. Manter o corpo nem muito próximo nem afastado da borda da mesa é a postura
correta ao sentar. As mãos ficam colocadas sobre a mesa, com os braços apoiados e não os
cotovelos. As costas apóiam-se levemente no encosto da cadeira. Você deve se inclinar
ligeiramente e não se curvar em direção ao prato. Os cotovelos devem permanecer junto ao
corpo sem bater nos vizinhos da mesa. As pernas devem se comportar, não devem bater
nas outras pessoas, ficarem esticadas ou balançando. Se precisar de algo que esteja fora do
seu alcance peça gentilmente. Gestos expansivos na mesa não são de bom tom, dedos
levantados ao levantar xícaras são inaceitáveis e assuntos íntimos não devem ser tratados.
Dê atenção a todos os vizinhos na mesa, mantendo uma conversa sadia e agradável.
Desculpe-se quando cometer algum erro, deslize ou indelicadeza, porém sem exageros,
sem valorizar muito o erro cometido.
O comportamento ao comer é um teste infalível do grau de civilidade de uma pessoa, pois
o manuseio com os talheres e a postura durante uma refeição falam mais que palavras.
A naturalidade e espontaneidade nas atitudes transmitem confiança tornando o ambiente
mais descontraído e aprazível.
- 157 -
11.3.2 – USO DO GUARDANAPO
O guardanapo cumpre uma função importante durante toda a refeição e também qualifica o
evento. Não se deve ter medo de sujar o guardanapo, mas devemos saber utilizá-lo.
Quando o guardanapo estiver preso deve ser retirado do porta guardanapo que estará à
esquerda do prato, próximo dos talheres. Quando dentro do guardanapo vier uma bolsinha
com os talheres, você deve retirar os talheres colocando-os a sua direita e procedendo da
mesma forma. Ao sentar, a primeira coisa que se faz é colocar o guardanapo no colo. Se
precisar levantar da mesa durante a refeição, lembre-se de colocar o guardanapo sobre a
toalha, à esquerda do prato, sem dobrá-lo. Ao fim da refeição, após o cafezinho, faça o
mesmo.
Sempre, antes de beber, deve-se limpar a boca cuidadosamente. O mesmo procedimento
após beber e retornar a comer. Há um motivo para isto: para não deixar manchas no copo e
para não pingar ou escorrer líquido na refeição.
11.3.3 – DISPOSIÇÃO E USO DOS TALHERES, PRATOS E COPOS
Uma refeição completa compreende vários pratos e esta é a razão de tantos talheres. A
ordem dos talheres e dos copos é a mesma em que os pratos serão servidos: os primeiros
talheres a serem usados são os mais afastados do prato, à direita e à esquerda. A colher é
usada para sopa. A faca e o garfo mais externos serão para o primeiro prato, geralmente
uma carne branca como peixe ou frango. Se for peixe, esse jogo de talheres será trocado
pelo que é próprio para comer peixe. A faca e o garfo mais próximos do prato são para o
prato principal, e o jogo acima do prato são os talheres adequados à sobremesa; a pequena
faca para passar manteiga fica sobre a borda do pratinho de pão. Os demais utensílios são o
guardanapo e as taças.
A taça a de pé maior para água, a taça de pé menor para o vinho branco que, geralmente,
acompanha o primeiro prato e a taça média para o vinho tinto que geralmente acompanha o
prato principal.
O prato de serviço ou sous-plat (pronúncia “suplá”) é um prato que fica sob os pratos de
refeição e funciona como uma bandeja para esses pratos. Sobre ele é colocado o prato de
sopa e, na sequência, o primeiro prato e o prato principal. É removido junto com este
último, antes da sobremesa. A taça da sobremesa terá seu próprio prato de serviço por
baixo. Neste caso, a colher, ao final, é deixada sobre esse prato de serviço e não na taça em
que a sobremesa foi servida. Raramente será usada faca para a sobremesa.
Variações para esse esquema são comuns substituindo-se a sopa por uma pequena salada
de entrada e retirando-se o primeiro prato, passando-se diretamente ao prato principal.
- 158 -
Arrumação da mesa para uma refeição completa.
1 – “Sous-plat” 9 – Prato para pão
2 – Prato principal 10 – Faca para pão
3 – Prato para sopa 11 – Talheres para sobremesa
4 – Garfo para peixe 12 – Taça para água
5 – Garfo para o prato principal 13 – Taça para vinho tinto
6 – Faca para o prato principal 14 – Taça para vinho branco
7 – Faca para peixe 15 - Guardanapo
8 – Colher para sopa
- 159 -
Posição de repouso dos talheres durante a refeição.
Posição de repouso dos talheres ao final da refeição.
- 160 -
CAPÍTULO 12
MARCAÇÃO RELATIVA E POLAR
12.1 – INTRODUÇÃO
Sempre que estiver no mar, o navegante deverá conhecer com confiabilidade sua posição e a
posição de perigos em potencial em relação à sua embarcação. Acidentes geográficos, sinais
náuticos, e outras embarcações na sua área de navegação e, principalmente, dentro de seu
alcance visual, deverão, assim que avistados, serem disseminados para todo pessoal que
conduz uma embarcação.
A posição dos perigos em potencial em relação a sua embarcação é expressa em marcação e
distância, existindo uma nomenclatura padrão que deve ser de conhecimento de todo pessoal a
bordo.
Quando a direção de referência é a proa da nossa própria embarcação, a marcação pode ser
denominada de MARCAÇÃO RELATIVA ou MARCAÇÃO POLAR.
Normalmente, em embarcações miúdas, os dados de marcação e distância são estimados e
aproximados.
12.2 – MARCAÇÃO RELATIVA
- 161 -
MARCAÇÃO RELATIVA (Mr) é o ângulo horizontal entre a PROA e a linha que une o
navio ao objeto marcado, medido de 000º a 360º, no sentido horário, a partir da PROA. Então,
teremos. Para obtermos a marcação verdadeira do objeto, basta somar a marcação relativa ao
rumo da nossa embarcação: Mv = Mr + R.
12.2 – MARCAÇÃO POLAR
MARCAÇÃO POLAR (Mp): é medida a partir da proa para BORESTE (BE) ou para
BOMBORDO (BB), de 000º a 180º. Recebe sempre uma designação (BE ou BB).
- 162 -
CAPÍTULO 13
NOÇÕES SOBRE CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÕES A VELA
13.1 – TERMINOLOGIA BÁSICA
ORÇAR - Manobra que movimenta a proa da embarcação para a direção de onde vem o
vento.
ARRIBAR - Manobra que movimenta a proa da embarcação na direção para onde o vento
sopra, ou seja, se afastando da direção de onde o vento está soprando.
CAMBAR - Manobra de orçar (movimentar a proa da embarcação para a direção de onde
vem o vento) até que a proa cruze a linha do vento, trocando o bordo por onde o vento passa a
forçar a vela, mudando a vela de lado.
JAIBEAR – Arribar (movimentar a proa da embarcação na direção para onde o vento sopra),
até que as velas mudem de lado (cambar em roda). Ou seja, cruzar a linha do vento com a
popa da embarcação.
VELEJANDO NA ORÇA – Velejar orçando na tentativa de alcançar a linha do vento.
VELEJANDO DE TRAVÉS – Velejar com o vento entrando por um dos lados da
embarcação.
EMPOPADA – Velejar com o vento entrando pela popa da embarcação.
13.2 – ESTRUTURA BÁSICA DE UM VELEIRO

Aim 1

  • 1.
    MARINHA DO BRASIL COLÉGIONAVAL APOSTILA DE INSTRUÇÃO MILITAR NAVAL 1º. ANO ESCOLAR REVISÃO I
  • 3.
    COLÉGIO NAVAL APOSTILA DEINSTRUÇÃO MILITAR NAVAL 1º. ANO ESCOLAR REVISÃO I (Atende às alterações curriculares ocorridas de 2015 para 2016) Elaborada em DEZ/2015.
  • 4.
    ÍNDICE PÁGINAS CAPA............................................................................................................................................ I FOLHA DEROSTO................................................................................................................... II ÍNDICE........................................................................................................................................ III CAPÍTULO 1 - PROCEDIMENTO MILITAR NAVAL E ESTRUTURA DA MARINHA DO BRASIL................................................................................. 1 CAPÍTULO 2 - PRINCIPAIS PUBLICAÇÕES DA MARINHA DO BRASIL................... 8 CAPÍTULO 3 - NOÇÕES SOBRE NAVIOS I......................................................................... 42 CAPÍTULO 4 - IDENTIFICAÇÃO E EMPREGO DOS PRINCIPAIS TIPOS DE NAVIOS DE GUERRA E NAVIOS DA MB................................................. 48 CAPÍTULO 5 - EMBARCAÇÕES MIÚDAS........................................................................... 74 CAPÍTULO 6 - EMBARCAÇÕES A REMO.......................................................................... 82 CAPÍTULO 7 - CABOS UTILIZADOS A BORDO................................................................ 100 CAPÍTULO 8 - NÓS, VOLTAS E TRABALHOS DO MARINHEIRO............................... 112 CAPÍTULO 9 - HIGIENE E PRIMEIROS SOCORROS...................................................... 123 CAPÍTULO 10 - SOBREVIVÊNCIA NO MAR...................................................................... 141 CAPÍTULO 11 - ETIQUETA SOCIAL.................................................................................... 150 CAPÍTULO 12 - MARCAÇÃO RELATIVA E POLAR........................................................ 160 CAPÍTULO 13 - NOÇÕES SOBRE CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÕES A VELA.......... 162
  • 5.
    - 1 - CAPÍTULO1 PROCEDIMENTO MILITAR NAVAL ESTRUTURA DA MARINHA DO BRASIL (MB) 1.1 – DESTINAÇÃO CONSTITUCIONAL DAS FORÇAS ARMADAS De acordo com a Constituição Federal, as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob autoridade suprema do Presidente da República e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. 1.2 – A MARINHA DO BRASIL NO CONTEXTO DO MINISTÉRIO DA DEFESA A Marinha do Brasil é um órgão da Administração Federal, subordinado ao Ministério da Defesa. O Comandante da Marinha administra os assuntos da MB e a prepara para o cumprimento de sua destinação constitucional. A figura abaixo mostra como o Comando da Marinha está situado dentro do organograma do Ministério da Defesa. 1.3 – MISSÃO DA MARINHA DO BRASIL "Preparar e empregar o Poder Naval, a fim de contribuir para a defesa da Pátria. Estar pronta para atuar na garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem; atuar em ações sob a égide de organismos internacionais e em apoio à política externa do País; e cumprir as atribuições subsidiárias previstas em Lei, com ênfase naquelas relacionadas à Autoridade Marítima, a fim de contribuir para a salvaguarda dos interesses nacionais". 1.4 – ATRIBUIÇÕES SUBSIDIÁRIAS DA MB Cabe à Marinha, como atribuições subsidiárias: . orientar e controlar a Marinha Mercante e suas atividades correlatas, no que interessa à defesa nacional; . prover a segurança da navegação aquaviária e a salvaguarda da vida humana no mar; . contribuir para a formação e condução de políticas nacionais que digam respeito ao mar; MINISTÉRIO DA DEFESA COMANDO DA MARINHA COMANDO DO EXÉRCITO COMANDO DA AERONÁUTICA
  • 6.
    - 2 - .executar a inspeção naval, implementando e fiscalizando o cumprimento de leis e regulamentos, no mar e nas águas interiores, em coordenação com outros órgãos do Poder Executivo, federal ou estadual, quando se fizer necessária, em razão de competências específicas; e . cooperar com os órgãos federais, quando se fizer necessário, na repressão aos delitos de repercussão nacional ou internacional, quanto ao uso do mar, águas interiores e de áreas portuárias, na forma de apoio logístico, de inteligência, de comunicações e de instrução. 1.5 – TAREFAS BÁSICAS DO PODER NAVAL São quatro as Tarefas Básicas do Poder Naval. - Controle de área marítima; - Negação do uso do mar ao inimigo; - Projeção de poder sobre terra; e - Contribuir para dissuasão. 1.6 – ORGANIZAÇÕES MILITARES (OM) DA MARINHA Denominam-se Organizações Militares (OM) os elementos organizacionais da Marinha que possuem denominação oficial, estrutura administrativa e tabela de lotação próprias. Por exemplo, o Colégio Naval é uma Organização militar da Marinha do Brasil. 1.7 – ORGANOGRAMA SIMPLIFICADO DA MARINHA DO BRASIL A figura abaixo permite a visualização da estrutura organizacional simplificada da MB até o nível organizacional dos órgãos de direção setorial (ODS): COMANDANTE DA MARINHA ALMIRANTADO Estado-Maior da Armada EMA Secretaria-Geral da Marinha SGM Diretoria-Geral do Pessoal da Marinha DGPM Diretoria-Geral do Material da Marinha DGMM Comando de Operações Navais ComOpNav Órgão de Assessoramento Superior Órgãos de Direção Setorial Apoio Órgão de Direção Geral Órgão de Direção Setorial Operativo Diretoria-Geral de Navegação DGN Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais CGCFN ORGANIZAÇÕES MILITARES DE APOIOORGANIZAÇÕES MILITARES OPERATIVAS
  • 7.
    - 3 - 1.8– PROPÓSITO E COMPOSIÇÃO DOS PRINCIPAIS ÓRGÃOS DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA MB 1.8.1 – Órgão de Direção-Geral (ODG) a) ESTADO-MAIOR DA ARMADA - EMA Toda organização militar da Marinha do Brasil possui um Comandante ou um Diretor, dependendo de suas características. Diretamente subordinado a esse Comandante ou Diretor existe o Imediato (Comandante) ou Vice-Diretor (Diretor). O Imediato é o Oficial cuja autoridade se segue, em qualquer caso, à do Comandante. Na ausência do Comandante, o Imediato o representa e, nos seus impedimentos, o substitui interinamente no exercício do Comando. No caso de Comandos de Forças Navais, o Comandante da Força não possui um Imediato e sim um Estado-Maior e o Chefe do Estado-Maior será o seu substituto quando este estiver com algum impedimento. O Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) é o substituto eventual do Comandante da Marinha. O Estado-Maior da Armada tem a função de elaborar estudos, consolidar e opinar sobre os estudos encaminhados pelos órgãos subordinados (Órgãos de Direção Setorial - ODS), visando assessorar o Comandante da Marinha nos assuntos pertinentes ao planejamento de alto nível da Marinha. 1.8.2 – Órgãos de Direção Setorial (ODS) a) COMANDO DE OPERAÇÕES NAVAIS - ComOpNav Aprestar os meios operativos da MB para a adequada aplicação do Poder Naval. É o responsável pelo emprego operacional dos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais, atividade-fim da Marinha. b) DIRETORIA-GERAL DE NAVEGAÇÃO - DGN c) SECRETARIA-GERAL DA MARINHA - SGM d) DIRETORIA-GERAL DO MATERIAL DA MARINHA - DGMM e) DIRETORIA-GERAL DO PESSOAL DA MARINHA - DGPM f) COMANDO-GERAL DO CORPO DE FUZILEIROS NAVAIS - CGCFN 1.8.3 – Setor de Apoio Composto por Diretorias e Comandos Especializados (DE) e por OM específicas que tratam dos seguintes assuntos na MB: Finanças, Administração, Contas, Abastecimento, Documentação e Patrimônio Histórico e Cultural, Engenharia, Aeronáutica, Sistemas de Armas, Comunicações e Tecnologia da Informação, Obras Civis, Pessoal Militar, Ensino,
  • 8.
    - 4 - Comandode Operações Navais ComOpNav Comando-em-Chefe da Esquadra ComemCh Comandos de Distritos Navais (DN) Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra ComFFE Comando da Força de Superfície ComForSup Comando da Força de Submarinos ComForS Comandos da Força Aeronaval ComForAerNav Grupamentos Navais Grupamentos de Fuzileiros Navais Esquadrões de Aeronaves Navios Tropa de FN Aeronaves Esquadrões Esquadrões Navios Submarinos Aeronaves Pessoal Civil, Saúde, Assistência Social, Portos e Costas, Hidrografia e Navegação, Esportes, Pessoal e Material de Fuzileiros Navais. a) Setor de Ensino b) Setor de Manutenção e Apoio c) Setor de Saúde d) Setor de Abastecimento e) Setor de Ciência e Tecnologia 1.9 – FORÇAS NAVAIS, AERONAVAIS, DE FUZILEIROS NAVAIS E NAVIOS DA MARINHA DO BRASIL 1.9.1 – Organização Operativa da Marinha do Brasil As Forças Navais, Aeronavais e de Fuzileiros Navais encontram-se subordinadas em seu mais alto escalão ao Comando de Operações Navais, Órgão de Direção Setorial Operativo, conforme apresenta o organograma simplificado abaixo:
  • 9.
    - 5 - 1.9.2– Comando-em-Chefe da Esquadra Situado no Rio de Janeiro (sede da MB), na Ilha de Mocanguê em Niteroi, o Comando-em- Chefe da Esquadra possui sob sua subordinação indireta, através de Comandos de Força e Esquadrões, os navios de médio e grande porte da Marinha do Brasil, os submarinos e as principais aeronaves. Esses meios navais são capazes de realizar quase que a totalidade das Operações de Guerra Naval previstas nas doutrinas da Marinha. Para isso, o Comando-em- Chefe da Esquadra mantém as Forças subordinadas no mais elevado grau de aprestamento. 1.9.2.1 – Força de Superfície Situado também na Ilha de Mocanguê, o Comando da Força de Superfície é subordinado ao Comando-em-Chefe da Esquadra e tem sob sua subordinação três Esquadrões que agrupam os meios navais de superfície (navios) dependendo de seus tipos, empregos e características logísticas (abastecimento, manutenção, pessoal, etc.). O Comando da Força de Superfície ainda possui sob sua subordinação direta o Navio Aeródromo “São Paulo”, o Navio Escola “Brasil” e o Navio Veleiro “Cisne Branco”. As principais caracteríisticas de cada navio serão estudadas mais adiante, nesta apostila. 1.9.2.2 – Força de Submarinos O Comando da Força de Submarinos é responsável por todas as atividades envolvendo este meio naval, os meios navais de apoio e ensino relacionados e as atividades de mergulho na Marinha do Brasil. É subordinado ao Comando-em-Chefe da Esquadra. Possui os seguintes meios subordinados: 1.9.2.3 – Força Aeronaval O Comando da Força Aeronaval, situado cidade de São Pedro D`Aldeia – RJ, possui a tarefa de assegurar o apoio aéreo adequado às operações navais, sendo responsável por todas as atividades envolvendo o meio aéreo assim como os meios de apoio e de ensino relacionados. É subordinado ao Comando-em-Chefe da Esquadra. Possui as seguintes unidades subordinadas: 1.9.3 – Comandos de Distritos Navais Os 9 (nove) Comandos de Distritos Navais (ComDN), subordinados ao Comando de Operações Navais, têm como propósito contribuir para o cumprimento das tarefas de responsabilidade da Marinha, nas suas respectivas áreas de jurisdição. Aos Comandantes de Distritos Navais são subordinadas as seguintes Organizações Militares (OM):
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    - 6 - Baseou Estação Naval; Grupamento de Navios-Patrulha ou Flotilha – Força Distrital; Grupamento de Fuzileiros Navais – Força Distrital; Depósito Naval; Hospital Naval; Capitania(s) dos Portos e Capitania(s) Fluviais; e Estação-Rádio. De um modo geral, aos Distritos Navais são subordinadas todas as OM situadas em suas áreas de jurisdição. 1.9.4 – Força de Fuzileiros da Esquadra O Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra, subordinado ao Comando de Operações Navais, desenvolve operações terrestres de caráter naval, contribuindo para a aplicação do Poder Naval Brasileiro. 1.10 – COMENTÁRIOS, EXPLANAÇÕES E EXEMPLOS REAIS DA VIDA PROFISSIONAL DO FUTURO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL Onde está localizado o Comando da Marinha?
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    - 7 - Oque é um Estado-Maior? Exemplos de Organizações Militares de Apoio. Exemplo de Organizações Militares Operativas. Servir à Marinha embarcado e servir em terra. Servir à Marinha na sede e fora de sede. Possibilidades de carreira relacionadas ao capítulo estudado. Movimentações de pessoal. Outros comentários e exemplos julgados pertinentes.
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    - 8 - CAPÍTULO2 PROCEDIMENTO MILITAR NAVAL - PRINCIPAIS PUBLICAÇÕES DA MARINHA DO BRASIL (MB) 2.1 – ESTATUTO DOS MILITARES 2.1.1 – GENERALIDADES O Estatuto dos Militares regula a situação, obrigações, deveres, direitos e prerrogativas dos membros das Forças Armadas. As Forças Armadas, essenciais à execução da política de segurança nacional, são constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, e destinam-se a defender a Pátria e garantir os poderes constituídos, a lei e a ordem. A presente apostila apresentará um resumo do Estatuto, abordando os itens mais importantes para o Aluno do Colégio Naval. 2.1.2 – MILITARES DA ATIVA, DA RESERVA E REFORMADOS Os militares encontram-se em uma das seguintes situações: a) na ativa: b) na inatividade: I – os da reserva remunerada, quando pertençam à reserva das Forças Armadas e percebam remuneração da União, porém sujeitos, ainda, à prestação de serviço na ativa, mediante convocação ou mobilização; II – os reformados, quando, tendo passado por uma das situações anteriores estão dispensados, definitivamente, da prestação de serviço na ativa, mas continuam a perceber remuneração da União; e III – os da reserva remunerada e, excepcionalmente, os reformados, executando tarefa por tempo certo, segundo regulamentação para cada Força Armada. 2.1.3 - A HIERARQUIA MILITAR E A DISCIPLINA A Hierarquia e a Disciplina são a base institucional das Forças Armadas. A Hierarquia Militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura das Forças Armadas. A ordenação se faz por postos ou graduações: dentro de um mesmo posto ou graduação se faz pela antiguidade no posto ou na graduação. O respeito à hierarquia é consubstanciado no espírito de acatamento à sequência de autoridade. A Disciplina Militar é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis, regulamentos, normas e disposições que fundamentam o organismo militar e coordenam seu funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes desse organismo.
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    - 9 - 2.1.4- POSTO E GRADUAÇÃO São os graus hierárquicos dos oficiais e das praças, conferidos pelas autoridades militares competentes. HIERARQUIZAÇÃO MARINHA EXÉRCITO AERONÁUTICA Oficiais Circulo de Oficiais-Generais Postos Almirante Almirante-de-Esquadra Vice-Almirante Contra-Almirante Marechal General-de-Exército General-de-Divisão General-de-Brigada Marechal-do-Ar Tenente-Brigadeiro Major-Brigadeiro Brigadeiro Círculo de Oficiais Superiores Capitão-de-Mar-e-Guerra Capitão-de-Fragata Capitão-de-Corveta Coronel Tenente-Coronel Major Coronel Tenente-Coronel Major Círculo de Oficiais Intermediários Capitão-Tenente Capitão Capitão Círculos de Oficiais Subalternos Primeiro-Tenente Segundo-Tenente Primeiro-Tenente Segundo-Tenente Primeiro-Tenente Segundo-Tenente Praças Círculo de Suboficiais, Subtenentes e Sargentos Graduações Suboficial Primeiro-Sargento Segundo-Sargento Terceiro-Sargento Subtenente Primeiro-Sargento Segundo-Sargento Terceiro-Sargento Suboficial Primeiro-Sargento Segundo-Sargento Terceiro-Sargento Círculos de Cabos e Solda- dos Cabo Cabo e Taifeiro-Mor Cabo e Taifeiro-Mor Marinheiro e Soldado Marinheiro-Recruta e Recruta Soldado e Taifeiro de Pri- meira Classe Soldado Recruta e Taifeiro de Segunda Classe Soldado de Primeira Classe Taifeiro de Primeira Classe Soldado de Segunda Classe e Taifeiro de Segunda Classe PraçasEspeciais Frequentam o Círculo de Oficiais Subalternos Guarda-Marinha Aspirante-a-Oficial Aspirante-a-Oficial Excepcionalmente ou em reuniões sociais tem acesso aos círculos dos oficiais Aspirante (Aluno da Escola Naval) Cadete (Aluno da Academia Militar) Cadete (Aluno da Academia da Força Aérea) e Aluno da Escola de Formação de Oficiais-Especialistas da Aeronáutica) Aluno do Colégio Naval Aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Exército Aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Ar Aluno de Órgão de Formação de Oficiais da Reserva Aluno de Órgão de Forma- ção de Oficiais da Reserva Aluno de Órgão de Forma- ção de Oficiais da Reserva Excepcionalmente ou em reuniões sociais tem acesso aos círculos dos Subofici- ais, Subtenentes e Sargen- tos Aluno da Escola ou Centro de formação de Sargentos Aluno da Escola ou Centro de formação de Sargentos Aluno da Escola ou Centro de formação de Sargentos Frequentam o círculo de Cabos e Soldados Aprendiz-Marinheiro Aluno de Órgão de Formação de Praças da Reserva Aluno de Órgão de Forma- ção de Praças da Reserva Dá-se o nome de precedência ao grau hierárquico superior de um militar em relação ao outro. Os Alunos do Colégio Naval têm precedência sobre os Terceiros-Sargentos, aos quais são equiparados. Os Aspirantes da Escola Naval são hierarquicamente superiores aos suboficiais. Os Guardas-Marinha são hierarquicamente superiores às demais praças.
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    - 10 - Quadroapresentando as platinas dos Oficiais das três Forças Armadas separados por Círculos Hierárquicos. 2.1.5 – O VALOR MILITAR São manifestações essenciais do valor militar: . O PATRIOTISMO, traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever militar e pelo solene juramento de fidelidade à Pátria até com o sacrifício da própria vida. . O CIVISMO e o culto das tradições históricas. . A FÉ NA MISSÃO ELEVADA DAS FORÇAS ARMADAS. . O ESPÍRITO DE CORPO, orgulho do militar pela organização onde serve. . O AMOR À PROFISSÃO das armas e o entusiasmo com que é exercida. . O APRIMORAMENTO técnico-profissional.
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    - 11 - 2.1.6– A ÉTICA MILITAR O sentimento do dever, o pundonor1 militar e o decoro da classe impõem, a cada um dos integrantes das Forças Armadas, conduta moral e profissional irrepreensíveis, com a observância dos seguintes preceitos da ética militar: I – amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal; II – exercer, com autoridade, eficiência e probidade, as funções que lhe couberem em decorrência do cargo; III – respeitar a dignidade da pessoa humana; IV – cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades competentes; V – ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados; VI – zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico e, também, pelo dos subordinados, tendo em vista o cumprimento da missão comum; VII – empregar todas as suas energias em benefício do serviço; VIII – praticar a camaradagem e desenvolver, permanentemente, o espírito de cooperação; IX – ser discreto em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada; X – abster-se de tratar, fora do âmbito apropriado, de matéria sigilosa de qualquer natureza; XI – acatar as autoridades civis; XII – cumprir seus deveres de cidadão; XIII – proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular; XIV – observar as normas da boa educação; XV – garantir assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar; XVI – conduzir-se, mesmo fora do serviço ou quando já na inatividade, de modo que não sejam prejudicados os princípios da disciplina, do respeito e do decoro militar; XVII – abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de qualquer natureza ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros; XVIII – abster-se, na inatividade, do uso das designações hierárquicas; a) em atividades político-partidárias; b) em atividades comerciais; c) em atividades industriais; 1 Pundonor: s. m. Sentimento de dignidade; brio; decoro; cavalheirismo; denodo.
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    - 12 - d)para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos ou militares, excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica, se devidamente autorizado; e e) no exercício de cargo ou função de natureza civil, mesmo que seja na administração pública; e XIX – zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes; obedecendo e fazendo obedecer os preceitos da ética militar. Ao militar da ativa é vedado comerciar ou tomar parte na administração ou gerência de sociedade ou dela ser sócio ou participar, exceto como acionista ou quotista, em sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. No intuito de desenvolver a prática profissional, é permitido aos oficiais titulados dos Quadros ou Serviços de Saúde e de Veterinária o exercício de Atividade técnico- profissional no meio civil, desde que tal prática não prejudique o serviço e não infrinja o disposto neste artigo. 2.1.7 – OS DEVERES MILITARES Os deveres militares emanam de um conjunto de vínculos racionais e morais que ligam o militar à Pátria e ao seu serviço, e compreendem, essencialmente: I – a dedicação e a fidelidade à Pátria, cuja honra, integridade e instituições devem ser defendidas mesmo com o sacrifício da própria vida; II – o culto aos Símbolos Nacionais2; III – a probidade e a lealdade em todas as circunstâncias; IV – a disciplina e o respeito à hierarquia; V – o rigoroso cumprimento das obrigações e das ordens; e VI – a obrigação de tratar o subordinado dignamente e com urbanidade. 2.1.8 – OS DIREITOS DOS MILITARES São direitos dos militares: I – a garantia da patente em toda a sua plenitude, com as vantagens, prerrogativas e deveres a ela inerentes, quando oficial, nos termos da Constituição; II – a percepção de remuneração correspondente ao grau hierárquico superior ou melhoria da mesma quando, ao ser transferido para a inatividade, contar mais de 30 (trinta) anos de serviço; III – a remuneração calculada com base no soldo integral do posto ou graduação quando não contando 30 (trinta) anos de serviço, for transferido para a reserva remunerada, “ex- 2 Bandeira Nacional; Hino Nacional; Armas Nacionais (Brasão) e Selo Nacional.
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    - 13 - officio”,por ter atingido a idade-limite de permanência em atividade no posto ou na graduação, ou ter sido abrangido pela quota compulsória; e IV – nas condições ou nas limitações impostas na legislação e regulamentação específicas: a) a estabilidade, quando praça com 10 (dez) ou mais anos de tempo de efetivo serviço; b) o uso das designações hierárquicas; c) a ocupação de cargo correspondente ao posto ou à graduação; d) a percepção de remuneração; e) a assistência médico-hospitalar para si e seus dependentes, assim entendida como o conjunto de atividades relacionadas com a prevenção, conservação ou recuperação da saúde, abrangendo serviços profissionais médicos, farmacêuticos e odontológicos, bem como o fornecimento, a aplicação de meios e os cuidados e demais atos médicos e paramédicos necessários; f) o funeral para si e seus dependentes, constituindo-se no conjunto de medidas tomadas pelo Estado, quando solicitado, desde o óbito até o sepultamento condigno; g) a alimentação, assim entendida como as refeições fornecidas aos militares em atividade; h) o fardamento, constituindo-se no conjunto de uniformes, roupa branca e roupa de cama, fornecido ao militar na ativa de graduação inferior a Terceiro-Sargento e, em casos especiais, a outros militares; i) a moradia para o militar em atividade, compreendendo; l) alojamento em organização militar, quando aquartelado ou embarcado; e 2) habitação para si e seus dependentes: em imóvel sob a responsabilidade da União, de acordo com a disponibilidade existente; j) o transporte, assim entendido como meios fornecidos ao militar para seu deslocamento por interesse do serviço; quando o deslocamento implicar em mudança de sede ou de moradia, compreende também as passagens para seus dependentes e a translação das respectivas bagagens, de residência a residência; l) a constituição de pensão militar; m) a promoção; n) a transferência a pedido para a reserva remunerada; o) as férias, os afastamentos temporários do serviço e as licenças; p) a demissão e o licenciamento voluntários; q) o porte de arma quando oficial em serviço ativo ou em inatividade, salvo caso de inatividade por alienação mental ou condenação por crimes contra a segurança do Estado ou por atividades que desaconselhem aquele porte;
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    - 14 - r)o porte de arma, pelas praças, com as restrições impostas pela respectiva Força Armada; e s) outros direitos previstos em leis específicas. São considerados dependentes do militar: I – a esposa; II – o filho menor de 21 anos ou inválido ou interdito; III – a filha solteira, desde que não receba remuneração; IV – o filho estudante, menor de 24 anos, desde que não receba remuneração; V – a mãe viúva, desde que não receba remuneração; VI – o enteado, o filho adotivo ou tutelado, nas mesmas condições dos itens II, III e IV; VII – a viúva do militar, enquanto permanecer neste estado, e os demais dependentes mencionados nos itens II, III, IV, V e VI deste parágrafo, desde que vivam sob a responsabilidade da viúva; VIII – a ex-esposa com direito à pensão alimentícia estabelecida por sentença transitada em julgado, enquanto não contrair novo matrimônio. § 3o – São, ainda, considerados dependentes do militar, desde que vivam sob sua dependência econômica, sob o mesmo teto, e quando expressamente declarados na organização militar competente: a) a filha, a enteada e a tutelada, nas condições de viúvas, separadas judicialmente ou divorciadas, desde que não recebam remuneração; b) a mãe solteira, a madrasta viúva, a sogra viúva ou solteira, bem como separadas judicialmente ou divorciadas, desde que, em qualquer dessas situações não recebam remuneração; c) os avôs e os pais quando inválidos ou interditos, e respectivos cônjuges, estes desde que não recebam remuneração; d) o pai maior de 60 anos e seu respectivo cônjuge, desde que ambos não recebam remuneração; e) o irmão, o cunhado e o sobrinho, quando menores ou inválidos ou interditos, sem outro arrimo; f) a irmã, a cunhada e a sobrinha, solteiras, viúvas, separadas judicialmente ou divorciadas, desde que não recebam remuneração; g) o neto, órfão, menor de idade ou interdito; h) a pessoa que viva, no mínimo há cinco anos, sob sua exclusiva dependência econômica, comprovada mediante justificação judicial; e
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    - 15 - i)a companheira, desde que viva em sua companhia há mais de cinco anos, comprovada por justificação judicial; e j) o menor que esteja sob sua guarda, sustento e responsabilidade, mediante autorização judicial. 3.1.14 – COMENTÁRIOS, EXPLANAÇÕES E EXEMPLOS REAIS DA VIDA PROFISSIONAL DO FUTURO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL O Aluno matriculado e o Aluno incorporado. A importância da Hierarquia e da Disciplina. O comportamento do militar no trato com seus superiores e subordinados. Verdade, Responsabilidade e o primeiro item de nossa Ética. A Promoção do militar. Férias, Licenças e outros Afastamentos Temporários do serviço. 2.2 – ORDENANÇA GERAL PARA O SERVIÇO DA ARMADA (OGSA) 2.2.1 – GENERALIDADES Nos capítulos anteriores desta apostila e nas aulas ministradas, o Aluno se deparou com diversos termos e procedimentos comuns do quotidiano do militar da MB e incomuns para a sociedade civil. Definições de termos como Estado-Maior, Força Naval, Comando de Força, Esquadra, etc. e procedimentos comentados em sala de aula pelo Instrutor são facilmente reconhecidos pelo militar da Marinha com alguma experiência e a partir de um determinado tempo de serviço. Porém, todas essas definições de termos e procedimentos não foram proferidas ao acaso, elas podem e devem ser estudadas, pois estão precisamente explicadas na publicação da MB conhecida como Ordenança Geral para o Serviço da Armada (OGSA). “A Ordenança Geral para o Serviço da Armada tem como propósito consolidar as disposições fundamentais relativas à organização das Forças Navais e demais Estabelecimentos da Marinha bem como aquelas relacionadas com o pessoal, seus deveres e serviços. Constitui-se em documento normativo essencial para a correta condução das atividades diárias a bordo das Organizações Militares. Seu pleno conhecimento é obrigatório para todos aqueles que servem à Marinha. Seu manuseio constante e fiel observância contribuem significativamente para um desempenho profissional uniforme e eficiente. Traz a Ordenança também consigo a preservação de valores que se cristalizaram nas tradições navais, permitindo assim uma desejável continuidade nos usos, costumes e linguagem naval.” (OGSA – INTRODUÇÃO)
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    - 16 - Emtermos simplificados, a OGSA é um manual de procedimentos e conceitos básicos para todos aqueles que servem à Marinha do Brasil e seu conhecimento obrigatório é fundamental para o profissionalismo do militar e para a uniformidade dos serviços. 2.2.2 – PRINCIPAIS DEFINIÇÕES Armada é a totalidade de navios, meios aéreos e de fuzileiros, destinados ao serviço naval, pertencentes ao Estado e incorporados à Marinha do Brasil. Força é uma parcela da Armada, posta sob Comando único. O Estado-Maior de uma Força tem como propósito assessorar o Comandante da Força no exercício deste cargo. Força Naval é a Força constituída por navios. Força Aeronaval é a Força constituída por unidades aéreas ou por navios e unidades aéreas. Força de Fuzileiros Navais é a Força constituída por unidades de fuzileiros navais. Os Oficiais, exceto o Comandante, que servem numa OM constituem a sua Oficialidade. Os Guardas-Marinhas também farão parte da Oficialidade, porém com as restrições inerentes à sua situação de Praças Especiais. As Praças que servem numa OM constituem a sua Guarnição. A Oficialidade e a Guarnição de uma OM constituem a sua Tripulação. Saudação - A continência individual é a saudação devida pelo militar de menor antiguidade, quando uniformizado, a bordo ou em terra, aos mais antigos da Marinha, do Exército, da Aeronáutica e dos países estrangeiros, ainda que em traje civil; neste último caso, desde que os conheça. Em trajes civis, o mais moderno assumirá postura respeitosa, e cumprimentará formalmente o mais antigo, utilizando-se das expressões usadas no meio civil. Os mais antigos devem responder tanto à saudação quanto à continência individual dos mais modernos. Uniformes - É obrigatório possuir todos os uniformes previstos na legislação em vigor, em quantidade suficiente. O pessoal embarcado deve manter a bordo os uniformes para serviço, licença e representação em condições de pronto uso. Linguagem - O subordinado, em suas relações verbais ou escritas com o superior, usará sempre de expressões respeitosas. O superior, conquanto deva dirigir-se ao subordinado em termos corteses, dará sempre suas ordens em linguagem e tom imperativos. Comunicação para fora da unidade - Só o Comandante, ou subordinado por ele autorizado, poderá fazer comunicação verbal ou escrita para fora de sua unidade, sobre assuntos operativos ou administrativos de sua OM.
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    - 17 - 2.2.3- DEVERES DAS PRAÇAS ESPECIAIS QUANDO EMBARCADAS As Praças Especiais ficarão sujeitas às normas das OM e terão, sempre que possível, seus alojamentos e ranchos à parte. As Praças Especiais serão distribuídas pelas Divisões, a fim de complementarem os conhecimentos adquiridos em seus Órgãos de Formação. As Praças Especiais ficarão obrigadas aos estudos, aulas e exercícios determinados pelo Comandante, em cumprimento aos programas expedidos pela autoridade competente. Em benefício do aproveitamento nos trabalhos e estudos, as Praças Especiais poderão ser, a juízo do Comandante, dispensadas de algumas das tarefas e serviços. As Praças Especais, no que se refere às tarefas de bordo, devem: a) tomar parte nas fainas e exercícios da OM, e ter máxima atenção àquelas a que assistirem; b) auxiliar os encarregados dos setores nos quais estiverem distribuídas; c) auxiliar o pessoal de serviço; e d) fazer os serviços de rancho que lhes forem atribuídos. Às Praças Especiais matriculadas em Órgãos de Formação de Oficias caberá, além do disposto no artigo anterior, dirigir, sob supervisão e responsabilidade de Oficiais, fainas e exercícios compatíveis com o adestramento já recebido. Os alunos do Colégio Naval deverão participar daquelas atividades, sob supervisão e responsabilidade dos Oficiais de bordo. As Praças Especiais matriculadas em Escolas de Formação de Oficias e no Colégio Naval têm a obrigação de se impor às Praças mais modernas, evitar intimidade e exigir tratamento militar apropriado à sua posição hierárquica. 2.3 – REGULAMENTO DE CONTINÊNCIAS, HONRAS, SINAIS DE RESPEITO E CERIMONIAL MILITAR DAS FORÇAS ARMADAS (RCONT) 2.3.1 - GENERALIDADES O RCONT tem por finalidade: . estabelecer as honras, as continências e os sinais de respeito que os militares prestam a determinados símbolos nacionais e às autoridades civis e militares; . regular as normas de apresentação e de procedimento dos militares, bem como as formas de tratamento e a precedência entre os mesmos; . fixar as honras que constituem o Cerimonial Militar no que for comum às Forças Armadas.
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    - 18 - 2.3.2– SINAIS DE RESPEITO – REGRAS MAIS IMPORTANTES Quando dois militares se deslocam juntos, o de menor antiguidade dá a direita ao superior. Quando os militares se deslocam em grupo, o mais antigo fica no centro, distribuindo-se os demais, segundo suas precedências, alternadamente à direita e à esquerda do mais antigo. Quando encontrar um superior num local de circulação, o militar saúda-o e cede-lhe o melhor lugar. Em local público onde não estiver sendo realizada solenidade cívico-militar, bem como em reuniões sociais, o militar cumprimenta, tão logo lhe seja possível, seus superiores hierárquicos. Para falar a um superior, o militar emprega sempre o tratamento "Senhor" ou "Senhora". Para falar, formalmente, a um oficial-general, o tratamento é "Vossa Excelência", "Senhor Almirante", "Senhor General" ou "Senhor Brigadeiro", conforme o caso. Nas relações correntes de serviço, no entanto, é admitido o tratamento de "Senhor". Para falar a um mais moderno, o superior emprega o tratamento "você". Todo militar, quando for chamado por um superior, deve atendê-lo o mais rápido possível, apressando o passo quando em deslocamento; Nos refeitórios, ao terminar a refeição, cada oficial levanta-se e pede permissão ao mais antigo para retirar-se do recinto; Sempre que um militar precisar sentar-se ao lado de um superior, deve solicitar-lhe a permissão. IMPORTANTE: A palavra “senhor” nunca deverá ser usada, por si só, como denominação ou vocativo quando a comunicação partir do mais moderno para o mais antigo. Normalmente, o Posto ou a Graduação do mais antigo ou, na Marinha, a palavra Comandante para os Oficiais Superiores e Almirante para Oficiais Generais são as palavras adequadas ao início do diálogo. Exemplos de procedimento incorreto: - Senhor, permissão para me retirar. - Mas Senhor, a turma encontra-se em estudo. - Com licença, senhor. Exemplos de procedimento correto: - Tenente Fulano, permissão para me retirar. - Comandante, a turma está pronta para a instrução.
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    - 19 - -Imediato, o navio está pronto para suspender. - Tenente Fulano, o senhor vai ministrar a instrução? - Já terminou sua tarefa Aluno Fulano? Sim senhor, Tenente. - Com licença Almirante Fulano 2.3.3 – A CONTINÊNCIA A continência é a saudação prestada pelo militar e pode ser individual ou da tropa. A continência é impessoal: visa a autoridade e não a pessoa. A continência individual é devida a qualquer hora do dia ou da noite, não podendo ser dispensada, salvo quando um dos militares encontrar-se: I – em faina ou serviço que não possa ser interrompido; II – em postos de combate; III – praticando esportes; IV – sentado, à mesa de rancho; e V– remando ou dirigindo viatura. A continência parte sempre do militar de menor precedência hierárquica. Em igualdade de posto ou graduação, quando ocorrer dúvida sobre qual seja o de menor precedência, deve ser executada simultaneamente. Todo militar deve, obrigatoriamente, retribuir a continência que lhe é prestada: se uniformizado, presta a continência individual; em trajes civis, responde-a com um movimento de cabeça, com um cumprimento verbal ou descobrindo-se, caso esteja de chapéu. O aperto de mão é uma forma de cumprimento que o superior pode conceder ao mais moderno; o militar não deve tomar a iniciativa de estender a mão para cumprimentar o superior, mas se este o fizer, não pode se recusar ao cumprimento. O militar deve responder com saudação análoga quando, ao cumprimentar o superior, este, além de retribuir a continência, fizer uma saudação verbal. Têm direito à continência: a) a Bandeira Nacional: . ao ser hasteada ou arriada diariamente em cerimônia militar ou cívica; . por ocasião da cerimônia de incorporação ou desincorporação, nas formaturas; . quando conduzida por tropa ou por contingente de Organização Militar; . quando conduzida em marcha, desfile ou cortejo, acompanhada por guarda ou por organização civil, em cerimônia cívica;
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    - 20 - .quando, no período compreendido entre 08h00 e o pôr-do-sol, um militar entra a bordo de um navio de guerra ou dele sai, ou, quando na situação de "embarcado", avista-a ao entrar a bordo pela primeira vez, ou ao sair pela última vez; b) o Hino Nacional, quando executado em solenidade militar ou cívica; c) as diversas autoridades civis devidamente reconhecidas (Presidente, Governadores etc.); d) os militares da ativa das Forças Armadas e Auxiliares (PM e BM), mesmo em traje civil; neste último caso, quando for obrigatório o seu reconhecimento em função do cargo que exerce ou, para os demais militares, quando reconhecidos ou identificados; e) os militares da reserva ou reformados, quando reconhecidos ou identificados; f) a tropa quando formada. Observação: Quando o Hino Nacional for cantado, não será executada a continência. 2.3.4 – PROCEDIMENTOS MAIS IMPORTANTES EM SITUAÇÕES DIVERSAS Quando em trajes civis, o militar assume as seguintes atitudes: I - nas cerimônias de hasteamento ou arriamento da Bandeira, nas ocasiões em que esta se apresentar em marcha ou cortejo, assim como durante a execução do Hino Nacional, o militar deve tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio; II - ao encontrar um superior fora de Organização Militar, o subordinado faz a saudação com um cumprimento verbal, de acordo com as convenções sociais. b) O militar em deslocamento, quando não puder corresponder à continência por estar com as mãos ocupadas, faz vivo movimento de cabeça. c) O militar em um veículo, exceto bicicleta, motocicleta ou similar, procede da seguinte forma: I - com o veículo parado, tanto o condutor como o passageiro fazem a continência individual sem se levantarem; II - com o veículo em movimento, somente o passageiro faz a continência individual. III - por ocasião da cerimônia da Bandeira ou da execução do Hino Nacional, se no interior de uma Organização Militar, tanto o condutor como o passageiro saltam do veículo e fazem a continência individual; se em via pública, procedem do mesmo modo, sempre que viável. d) Ao fazer a continência ao Hino Nacional, o militar volta-se para a direção de onde vem a música, conservando-se nessa atitude enquanto durar sua execução. e) Quando o Hino Nacional for tocado em cerimônia à Bandeira ou ao Presidente da República, o militar volta-se para a Bandeira ou para o Presidente da República. f) Quando o Hino Nacional for tocado em cerimônia militar ou cívica, realizada em ambiente fechado, o militar volta-se para o principal local da cerimônia e faz a continência;
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    - 21 - g)Quando um militar entra em um recinto público, percorre com o olhar o local para verificar se há algum superior presente; se houver, o militar, do lugar em que está, faz-lhe a continência; h) Quando um superior entra em um recinto público, o mais moderno que aí está levanta-se ao avistá-lo e faz-lhe a continência; i) Seja qual for o caráter - oficial ou particular da solenidade ou reunião, deve o militar, obrigatoriamente, apresentar-se ao superior de maior hierarquia presente, e ao de maior posto entre os oficiais presentes de sua Organização Militar; j) Todo militar é obrigado a reconhecer o Presidente e o Vice-Presidente da República, o Ministro da Defesa, os Comandantes, Chefes ou Diretores da cadeia de comando a que pertencer a sua organização e os oficiais de sua Organização Militar. l) Todo militar deve saber identificar as insígnias dos postos e graduações das Forças Armadas. m) O militar fardado descobre-se ao entrar em um recinto coberto. n) Para saudar a civis, inclusive senhoras e prelados, o militar não deve descobrir-se, mas, fazer a saudação militar. A exceção deve ser feita pelo homem militar, quando, após a saudação a uma senhora, ocorrer o aperto de mão ou beijo na face. o) O militar, para se apresentar a um superior, aproxima-se deste até a distância do aperto de mão; toma a posição de "Sentido", faz a continência individual e diz, em voz claramente audível, seu grau hierárquico, nome de guerra e Organização Militar a que pertence, ou função que exerce, se estiver no interior da sua Organização Militar; desfaz a continência, diz o motivo da apresentação, permanecendo na posição de "Sentido" até que lhe seja autorizado tomar a posição de "Descansar” ou de "À vontade". p) Para se retirar da presença de um superior, o militar faz-lhe a continência individual, idêntica à da apresentação, e pede permissão para se retirar; concedida a permissão, retira- se normalmente. Somente as Praças é que fazem o movimento de meia-volta e rompem marcha com o pé esquerdo. 2.3.5 – HONRAS Honras Militares são homenagens coletivas que se tributam aos militares das Forças Armadas, de acordo com sua hierarquia, e às altas autoridades civis. Têm direito a honras militares: . os Militares das Forças Armadas; . as diversas autoridades civis devidamente reconhecidas (Presidente, Governadores etc.); São denominadas Honras de Recepção e Despedida as honras prestadas às autoridades, ao chegarem ou saírem de navio ou outra organização militar, e por ocasião de visitas e
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    - 22 - inspeções.A autoridade é recebida pelo Comandante, Diretor ou Chefe, sendo-lhe prestadas as continências devidas. Não são prestadas honras nas seguintes circunstâncias: . em faina geral, de emergência ou de evolução decorrente de manobra ou exercício; . durante qualquer atividade, cuja paralisação, mesmo que momentânea, possa afetar a segurança de pessoal ou material; . durante o cerimonial à Bandeira. . a qualquer autoridade, na presença de outra a quem caibam honras superiores, exceto durante transmissão de Comando; . no período compreendido entre o arriar e o hastear da Bandeira; e . durante funeral ou em dias de luto oficial, por motivos que não os previstos como honras fúnebres, a menos que especificamente autorizado pelos Comandantes de Distrito Naval . 2.4 – CERIMONIAL DA MARINHA DO BRASIL 2.4.1 - GENERALIDADES O Cerimonial da Marinha do Brasil é o conjunto de tradições, normas de cortesia, saudações, honras e sinais de respeito em uso nas marinhas de guerra, quer no mar, quer nos estabelecimentos de terra. 2.4.2 – NORMAS DE CORTESIA E RESPEITO MAIS UTILIZADAS . Permissão para largar O militar mais antigo a bordo de embarcação miúda ou viatura, qualquer que seja seu nível hierárquico, pede licença para largar a quem lhe tiver prestado as honras de despedida, por meio da expressão “Com licença”, recebendo em troca a resposta “Está quem manda”. . Embarque e Desembarque Em embarcação miúda ou viatura, o mais antigo embarca por último e desembarca em primeiro lugar; em circunstâncias especiais, no desembarque, o mais antigo pode determinar que mais modernos desembarquem na sua frente utilizando-se da expressão “Salta quem pode”. 2.4.3 – HONRAS DE PORTALÓ São denominadas honras de portaló as continências de guarda, "boys" e toques de corneta e apito devidas na recepção ou despedida a autoridade. As honras de portaló são prestadas junto à escada do portaló ou prancha do navio ou no local para tal designado nas OM de Terra.
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    - 23 - 2.4.4- USO DA BANDEIRA NACIONAL . Hasteamento A Bandeira Nacional é hasteada diariamente, às 08h00, mediante cerimonial específico. . Arriamento A Bandeira Nacional é arriada diariamente: I – ao pôr-do-Sol, mediante cerimonial específico, em todas as OM que mantenham serviço ininterrupto; e II – cinco minutos antes de encerrar-se o expediente, sem cerimonial, nas demais OM. 2.4.5 – CERIMONIAL À BANDEIRA O cerimonial à Bandeira consiste dos seguintes procedimentos: a) às 07h55, por ocasião do hasteamento, ou cinco minutos antes do pôr-do-Sol, no arriamento, é içado o galhardete “Prep” na adriça de bombordo ou da esquerda e anunciado, por voz, o “Sinal para Bandeira”, sendo então dado por corneta o toque de Bandeira; b) ao sinal, formam nas proximidades do mastro, com a frente voltada para a Bandeira, a guarda e, quando determinado, a banda de música e a tripulação; c) decorridos três minutos do sinal para a Bandeira, é tocado por corneta o “Primeiro Sinal”; d) um minuto após, é tocado por corneta o “Segundo Sinal”, quando então o Oficial de Serviço comanda sentido ao dispositivo, e solicita, da autoridade que preside a cerimônia, permissão para prosseguir com o cerimonial; e) às 08h00 ou quando do pôr-do-Sol, o galhardete “Prep” é arriado e anunciado, por voz, “Arriou”, sendo então tocado por corneta o “Terceiro Sinal ”; f) imediatamente, o Oficial de Serviço comanda “Em continência”, ocasião em que o corneteiro toca apresentar armas, e em seguida, “Iça” ou “Arria”, seguindo-se, só então, o ponto do toque de “Apresentar arma”; g) nessa ocasião, simultaneamente: I) é iniciado o hasteamento ou arriamento da Bandeira Nacional; II) todos os presentes prestam a continência individual; e III) é iniciado o toque de apito pelo Contramestre e a execução do Hino Nacional (se for o caso); h) ao final do Hino ou dos toques de corneta e apito, a continência é desfeita; i) no hasteamento, aquele que içou coloca seu chapéu e volta-se para o Oficial de Serviço junto com o Praça que guarneceu o galhardete “Prep”, dando o pronto da faina por meio de continência;
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    - 24 - j)no arriamento, três militares designados, sem se descobrirem, dobram a bandeira, cuidando para que ela não toque o piso e, ao final, o mais antigo comanda meia-volta e dá o pronto ao Oficial de Serviço por meio de continência; l) o Oficial de Serviço, então, dá o pronto à autoridade que preside o cerimonial, fazendo- lhe continência e dizendo em voz alta “Cerimonial encerrado”, no hasteamento, ou “Boa noite”, no arriamento; m) a autoridade que preside volta-se para os presentes e dá “Boa noite”, sendo este cumprimento respondido pelos Oficiais; e n) a formatura é desfeita. 2.4.6 – SAUDAÇÃO À BANDEIRA a) aquele que pela primeira vez no dia chegar à OM, ou dela retirar-se pela última vez no dia, saúda a Bandeira Nacional, se hasteada, para ela voltado, assim que: I – a bordo de navio, atingir o patim superior do portaló ou a extremidade superior da prancha; II – em OM de Terra, transitando a pé, defrontar-se com o mastro onde estiver hasteada. b) todos saúdam a Bandeira Nacional quando diante de si passar conduzida em desfile militar, fazendo alto aquele que estiver em marcha. 2.4.7 – OUTRAS DEFINIÇÕES IMPORTANTES DO CERIMONIAL DA MARINHA a) Honras aos Oficiais da Marinha Todos os Oficiais, ao entrarem ou saírem de OM da MB, têm direito às honras de portaló (continências, guarda, “boys” etc, dependendo do seu posto). Há toques de apito e corneta específicos para cada círculo hierárquico de oficiais. b) Datas Festivas São denominadas datas festivas os dias em que, pela significação de suas datas, se realizam cerimônias cívico-militares. I) Os dias de grande gala são as datas festivas em que se comemora o aniversário da Independência (7 de setembro) e da Proclamação da República (15 de novembro). II) Os dias de pequena gala são as datas festivas em que se comemora o Dia da Confraternização Universal (1º de Janeiro), o Dia de Tiradentes (21 de abril), o Dia do Trabalho (1º de maio), o aniversário da Batalha Naval do Riachuelo (11 de junho), o Dia da Bandeira (19 de novembro), o Dia do Marinheiro (13 de dezembro) e o Natal (25 de dezembro).
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    - 25 - 2.5– REGULAMENTO DISCIPLINAR PARA A MARINHA (RDM) 2.5.1 - GENERALIDADES O Regulamento Disciplinar para a Marinha tem por propósito a especificação e a classificação das contravenções disciplinares e o estabelecimento das normas relativas à amplitude e à aplicação das penas disciplinares, à classificação do comportamento militar e à interposição de recursos contra as penas disciplinares. Como todo militar da Marinha, o Aluno do Colégio Naval está sujeito às regras previstas no Regulamento Disciplinar para a Marinha, porém, na maior parte dos casos, as questões disciplinares dos Alunos estão previstas no Regimento Interno do Colégio Naval. 2.5.2 – CONTRAVENÇÕES DISCIPLINARES Contravenção Disciplinar é toda ação ou omissão contrária às obrigações ou aos deveres militares estatuídos nas leis, nos regulamentos, nas normas e nas disposições em vigor que fundamentam a Organização Militar, desde que não incidindo no que é capitulado pelo Código Penal Militar como crime. São contravenções disciplinares (Art. 7º. Do RDM): 1. dirigir-se ou referir-se a superior de modo desrespeitoso; 2. censurar atos de superior; 3. responder de maneira desatenciosa ao superior; 4. dirigir-se ao superior para tratar de assuntos de serviço ou de caráter particular em inobservância à via hierárquica; 5. deixar o subalterno, quer uniformizado quer trajando à paisana, de cumprimentar o superior quando uniformizado, ou em traje civil, desde que o conheça; ou deixar de prestar-lhe as homenagens e sinais de consideração e respeito previstos nos regulamentos militares; 6. deixar deliberadamente de corresponder ao cumprimento do subalterno; 7. deixar de cumprir ordem recebida da autoridade competente; 8. retardar, sem motivo justo, o cumprimento de ordem recebida da autoridade competente; 9. aconselhar ou concorrer para o não cumprimento de qualquer ordem de autoridade competente ou para o retardamento da sua execução; 10. induzir ou concorrer intencionalmente para que outrem incida em contravenção; 11. deixar de comunicar ao superior a execução de ordem dele recebida; 12. retirar-se da presença do superior sem a sua devida licença ou ordem para fazê-lo; 13. deixar o Oficial presente a solenidade interna ou externa onde se encontrem superiores hierárquicos de apresentar-se ao mais antigo e saudar os demais;
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    - 26 - 14.deixar, quando estiver sentado, de oferecer seu lugar ao superior, ressalvadas as exceções regulamentares previstas; 15. representar contra o superior: a) sem prévia autorização deste; b) em inobservância à via hierárquica; c) em termos desrespeitosos; e d) empregando argumentos falsos ou envolvendo má-fé. 16. deixar de se apresentar, finda a licença ou cumprimento de pena, aos seus superiores ou a quem deva fazê-lo, de acordo com as normas de serviço de Organização Militar; 17. permutar serviço sem autorização do superior competente; 18. autorizar, promover, tomar parte ou assinar representação ou manifestação coletiva de qualquer caráter contra superior; 19. recusar pagamento, fardamento, equipamento ou artigo de recebimento obrigatório; 20. recusar-se ao cumprimento de castigo imposto; 21. tratar subalterno com injustiça; 22. dirigir-se ou referir-se a subalterno em termos incompatíveis com a disciplina militar; 23. tratar com excessivo rigor preso sob sua guarda; 24. negar licença a subalterno para representar contra ato seu; 25. protelar licença, sem motivo justificável, a subalterno para representar contra ato seu; 26. negar licença, sem motivo justificável, a subalterno para se dirigir a autoridade superior, a fim de tratar dos seus interesses; 27. deixar de punir o subalterno que cometer contravenção, ou de promover sua punição pela autoridade competente; 28. deixar de cumprir ou fazer cumprir, quando isso lhe competir, qualquer prescrição ou ordem regulamentar; 29. ofender física ou moralmente qualquer pessoa, procurar desacredita-la ou concorrer para isso, desde que não seja tal atitude enquadrada como crime; 30. desrespeitar medidas gerais de ordem policial, embaraçar sua execução ou concorrer para isso; 31. desrespeitar ou desconsiderar autoridade civil; 32. desrespeitar, por palavras ou atos, a religião, as instituições ou os costumes de país estrangeiro em que se achar; 33. faltar à verdade ou emitir informações que possam conduzir à sua apuração; 34. portar-se sem compostura em lugar público;
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    - 27 - 35.apresentar-se em Organização Militar em estado de embriaguez ou embriagar-se e comportar-se de modo inconveniente ou incompatível com a disciplina militar em Organização Militar; 36. contrair dívidas ou assumir compromissos superiores às suas possibilidades, comprometendo o bom nome da classe; 37. esquivar-se a satisfazer compromissos assumidos de ordem moral ou pecuniária; 38. não atender a advertência de superior para satisfazer débito já reclamado; 39. participar em Organização Militar de jogos proibidos, ou jogar a dinheiro os permitidos; 40. fazer qualquer transação de caráter comercial em Organização Militar; 41. estar fora do uniforme determinado ou tê-lo em desalinho; 42. ser descuidado no asseio do corpo e do uniforme; 43. ter a barba, o bigode, as costeletas, o cavanhaque ou o cabelo fora das normas regulamentares; 44. dar, vender, empenhar ou trocar peças de uniformes fornecidas pela União; 45. simular doença; 46. executar intencionalmente mal qualquer serviço ou exercício; 47. ser negligente no desempenho da incumbência ou serviço que lhe for confiado; 48. extraviar ou concorrer para que se extraviem ou se estraguem quaisquer objetos da Fazenda Nacional ou documentos oficiais, estejam ou não sob sua responsabilidade direta; 49. deixar de comparecer ou atender imediatamente à chamada para qualquer exercício, faina, manobra ou formatura; 50. deixar de se apresentar, sem motivo justificado, nos prazos regulamentares, à Organização Militar para que tenha sido transferido e, às autoridades competentes, nos casos de comissões ou serviços extraordinários para que tenha sido nomeado ou designado; 51. deixar de participar em tempo à autoridade a que estiver diretamente subordinado a impossibilidade de comparecer à Organização Militar ou a qualquer ato de serviço a que esteja obrigado a participar ou a que tenha que assistir; 52. faltar ou chegar atrasado, sem justo motivo, a qualquer ato ou serviço de que deva participar ou a que deva assistir; 53. ausentar-se sem a devida autorização da Organização Militar onde serve ou do local onde deva permanecer; 54. ausentar-se sem a devida autorização da sede da Organização Militar onde serve; 55. deixar de regressar à hora determinada à Organização Militar onde serve; 56. exceder a licença;
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    - 28 - 57.deixar de comunicar à Organização Militar onde serve mudança de endereço domiciliar; 58. contrair matrimônio em desacordo com a legislação em vigor; 59. deixar de se identificar quando solicitado por quem de direito; 60. transitar sem ter em seu poder documento atualizado comprobatório de identidade; 61. trajar à paisana em condições que não as permitidas pelas disposições em vigor; 62. permanecer em Organização Militar em traje civil, contrariando instruções em vigor; 63. conversar com sentinela, vigia, plantão ou, quando não autorizado, com preso; 64. conversar, sentar-se ou fumar, estando de serviço e quando não for permitido pelas normas e disposições da Organização Militar; 65. fumar em lugares onde seja proibido fazê-lo, em ocasião não permitida, ou em presença de superior que não seja do seu círculo, exceto quando dele tenha obtido licença; 66. penetrar nos aposentos de superior, em paióis e outros lugares reservados, sem a devida permissão ou ordem para fazê-lo; 67. entrar ou sair da Organização Militar por acesso que não o determinado; 68. introduzir clandestinamente bebidas alcoólicas em Organização Militar; 69. introduzir clandestinamente matérias inflamáveis, explosivas, tóxicas ou outras em Organização Militar, pondo em risco sua segurança, e desde que não seja tal atitude enquadrada como crime; 70. introduzir ou estar de posse em Organização Militar de publicações prejudiciais à moral e à disciplina; 71. introduzir ou estar de posse em Organização Militar de armas ou instrumentos proibidos; 72. portar arma sem autorização legal ou ordem escrita de autoridade competente; 73. dar toques, fazer sinais, içar ou arriar a Bandeira Nacional ou insígnias, disparar qualquer arma sem ordem; 74. conversar ou fazer ruído desnecessário por ocasião de faina, manobra, exercício ou reunião para qualquer serviço; 75. deixar de comunicar em tempo hábil ao seu superior imediato ou a quem de direito o conhecimento que tiver de qualquer fato que possa comprometer a disciplina ou a segurança da Organização Militar, ou afetar os interesses da Segurança Nacional; 76. ser indiscreto em relação a assuntos de caráter oficial, cuja divulgação possa ser prejudicial à disciplina ou à boa ordem do serviço;
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    - 29 - 77.discutir pela imprensa ou por qualquer outro meio de publicidade, sem autorização competente, assunto militar, exceto de caráter técnico não sigiloso e que não se refira à Defesa ou à Segurança Nacional; 78. manifestar-se publicamente a respeito de assuntos políticos ou tomar parte fardado em manifestações de caráter político-partidário; 79. provocar ou tomar parte em Organização Militar em discussão a respeito de política ou religião; 80. faltar com o respeito devido, por ação ou omissão, a qualquer dos símbolos nacionais, desde que em situação não considerada como crime; 81. fazer uso indevido de viaturas, embarcações ou aeronaves pertencentes à Marinha, desde que o ato não constitua crime; 82. disparar arma em Organização Militar por imprudência ou negligência; 83. concorrer para a discórdia ou desarmonia ou cultivar inimizades entre os militares ou seus familiares; e 84. disseminar boatos ou notícias tendenciosas. Parágrafo único – São também consideradas contravenções disciplinares todas as omissões do dever militar não especificadas no presente artigo, desde que não qualificadas como crimes nas leis penais militares, cometidas contra preceitos de subordinação e regras de serviço estabelecidos nos diversos regulamentos militares e determinações das autoridades superiores competentes. 2.5.3 – AS PENAS DISCIPLINARES As contravenções disciplinares previstas no item anterior serão punidas com penas disciplinares. As penas disciplinares são as seguintes: a) para Oficiais da ativa: 1. repreensão; 2. prisão simples, até 10 dias; e 3. prisão rigorosa, até 10 dias. b) para Oficiais da reserva que exerçam funções de atividade: 1. repreensão; 2. prisão simples, até 10 dias; 3. prisão rigorosa, até 10 dias; e 4. dispensa das funções de atividade. c) para os Oficiais da reserva remunerada não compreendidos na alínea anterior e os reformados:
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    - 30 - 1.repreensão; 2. prisão simples, até 10 dias; e 3. prisão rigorosa, até 10 dias. d) para Suboficiais: 1. repreensão; 2. prisão simples, até 10 dias; 3. prisão rigorosa, até 10 dias; e 4. exclusão do serviço ativo, a bem da disciplina. e) para Sargentos: 1. repreensão; 2. impedimento, até 30 dias; 3. prisão simples, até 10 dias; 4. prisão rigorosa, até 10 dias; e 5. licenciamento ou exclusão do serviço ativo, a bem da disciplina. f ) para Cabos, Marinheiros e Soldados: 1. repreensão; 2. impedimento, até 30 dias; 3. serviço extraordinário, até 10 dias; 4. prisão simples, até 10 dias; 5. prisão rigorosa, até 10 dias; e 6. licenciamento ou exclusão do serviço ativo, a bem da disciplina. Não será considerada como pena a admoestação que o superior fizer ao subalterno, mostrando-lhe irregularidade praticada no serviço ou chamando sua atenção para fato que possa trazer como consequência uma contravenção. Por uma única contravenção não pode ser aplicada mais de uma punição. A punição disciplinar não exime o punido da responsabilidade civil que lhe couber. 2.5.4 – COMENTÁRIOS, EXPLANAÇÕES E EXEMPLOS REAIS DA VIDA PROFISSIONAL DO FUTURO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL O Livro de Contravenções Disciplinares A Contravenção Disciplinar e o Crime Militar Quem pode punir a bordo? Punir ou promover a punição sempre por obrigação, nunca por vontade.
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    - 31 - 2.6– REGIMENTO INTERNO DO COLÉGIO NAVAL (RICN) 2.6.1 – GENERALIDADES O Regimento Interno do Colégio Naval regula a organização, as atribuições dos elementos componentes do CN, os deveres funcionais, as normas para o ciclo escolar, a precedência entre Alunos, a aptidão para o Oficialato dos Alunos, as recompensas e prêmios escolares, a transferência para a Escola Naval, as atividades dos Alunos, as transgressões disciplinares, as penas disciplinares e os conselhos de ensino e de avaliação de Alunos. 2.6.2 – A Organização do Colégio Naval O Sr. Comandante do Colégio Naval (CN-01) é diretamente auxiliado pelo Imediato do Colégio Naval (CN-02) e assessorado por um Conselho de Ensino (CN-03) e por um Conselho de Gestão (CN-04). Os serviços a cargo do CN são realizados por meio de cinco setores de atividades, a saber: Departamento de Ensino........................................................(CN-10); Comando do Corpo de Alunos...............................................(CN-20); Departamento de Serviços Gerais..........................................(CN-30); Departamento de Intendência.................................................(CN-40); e Departamento de Saúde..........................................................(CN-50). Subordinados diretamente ao Imediato (CN-02), há, ainda, a Divisão de Administração (CN-05), o Núcleo do Serviço de Assistência Integrada ao Pessoal da Marinha – N-SAIPM (CN-06), a Divisão de Informática e Telefonia (CN-07) e o Serviço de Assistência Religiosa (CN-08). O Conselho de Ensino (CN-03) é constituído pelo Sr. Comandante, que o preside, pelo Imediato, pelos Chefes de Departamento, pelo Comandante do Corpo de Alunos, pelo Coordenador Geral do Ensino Básico, pelo Encarregado do Serviço de Orientação Educacional (SOE) e pelo Encarregado do Serviço de Orientação Pedagógica (SOP). Quando necessário, o Comandante designará outros Oficiais e Professores para participarem das reuniões do Conselho de Ensino. Ao Conselho de Ensino (CN-03) compete, especificamente: - assessorar o Sr. Comandante na elaboração e atualização do Currículo e do Programa de Ensino; - assessorar o Sr. Comandante nos assuntos ligados ao ensino; - analisar os Inquéritos Pedagógicos de fim de curso, assim como outras informações relativas à avaliação do processo de formação dos Alunos; - propor ações destinadas ao aperfeiçoamento das atividades de ensino e de formação; e
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    - 32 - -assessorar o Sr. Comandante nos assuntos atinentes à renovação, ao trancamento, à manutenção ou cancelamento de matrícula e à transferência para a EN dos Alunos do CN. O Aluno que for submetido à apreciação do Conselho de Ensino por ter cometido transgressão disciplinar muito grave, a fim de resguardar-se o direito à ampla defesa e ao contraditório, será notificado formalmente (por escrito) deste fato com antecedência mínima de cinco dias da data prevista para a reunião do Conselho. Da notificação a ser encaminhada ao Aluno, deverá constar: o motivo e a data da reunião do Conselho de Ensino; o nome do Oficial que lhe servirá de curador e defenderá seus interesses junto ao Conselho de Ensino; e o fato de que o Aluno deverá apresentar suas alegações acerca do motivo por escrito. No caso de o Aluno que será submetido ao Conselho de Ensino não desejar apresentar sua defesa por escrito, deverá ser formalizada sua decisão em declaração por ele assinada. 2.6.3 – Atribuições dos Comandantes de Companhia Aos Comandantes de Companhia do Corpo de Alunos compete, especificamente: - participar dos eventos e das paradas do Corpo de Alunos; - preparar os detalhes de serviço e de representações dos Alunos que lhes forem subordinados; - promover a disciplina, a orientação e a formação militar, marinheira, moral, psicológica e esportiva, assim como fomentar o gosto pela carreira dos Alunos subordinados; - manter o registro histórico de cada Aluno subordinado no que se refere ao comportamento, ao conceito e às atividades extracurriculares; - propor os graus de conceito e emitir parecer quanto ao Desempenho de Oficialato; - acompanhar o desempenho acadêmico, físico e militar-naval dos Alunos de sua Companhia, procurando manter-se ciente dos fatores intra e extra CN que possam vir a influenciá-los; - providenciar e controlar a documentação administrativa afeta à vida militar dos Alunos subordinados; e - julgar as transgressões disciplinares leves cometidas pelos alunos, quando determinado e de acordo com a delegação de competência que lhe for atribuída. 2.6.4 – Normas para o Ciclo Escolar As condições para matrícula, renovação, trancamento e cancelamento de matrícula e os critérios para aferição do aproveitamento escolar e a classificação no curso são regulamentadas pelas Normas para o Curso de Preparação para Aspirantes, baixadas por Portaria do Diretor de Ensino da Marinha.
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    - 33 - 2.6.5– Aptidão para o Oficialato (NApOf) Além das condições intelectuais e físicas, verificadas por provas, inspeções de saúde e provas de capacidade física, é condição essencial, para que os Alunos prossigam seus cursos, o preenchimento dos atributos cívicos, éticos, morais e vocacionais, verificados pela Nota de Aptidão para o Oficialato (NApOf), que constitui uma das parcelas formadoras do grau de classificação dos Alunos. A NApOf é a média ponderada entre um grau de Conceito atribuído pelo Conselho de Avaliação de Alunos, com peso dois, e um grau de Comportamento, com peso um, aferida em uma escala de zero a dez, com aproximação a décimos. No caso dos Alunos do primeiro ano, não-repetentes, aos quais ainda não tenha sido atribuído grau de conceito pelo Conselho de Avaliação de Alunos, considerar-se-á como grau de NApOf o grau de Comportamento. O grau de Conceito significa o resultado da avaliação do Aluno, no que concerne à aptidão para a carreira, liderança (aptidão para o mando), cumprimento do dever, bem como aos atributos cívicos, morais e vocacionais e padrões de conduta militar e pessoal. O grau de Conceito é expresso por um valor na escala de 0 a 10, com a aproximação a décimos. O grau de Conceito corresponde à avaliação de um semestre escolar, sendo atribuído a todo o Corpo de Alunos ao término dos semestres. O grau de Conceito atribuído no 2º semestre servirá para obtenção da Nota de Aptidão para o Oficialato a ser utilizada na determinação do grau de classificação dos Alunos, e servirá como referência para o cálculo atualizado (dinâmico) da NApOf do ano seguinte. O Grau de Comportamento será calculado considerando-se que cada punição imposta acarretará a perda de um determinado número de pontos de comportamento. Será atribuída a seguinte pontuação para as penas disciplinares: PUNIÇÃO 1º - ANO 2º - ANO 3º - ANO Repreensão 0,05 0,10 0,15 Serviço Extra 0,10 0,15 0,20 Impedimento 0,20 0,25 0,30 Recolhimento 0,25 0,30 0,35 O grau de Comportamento, com aproximação a centésimos, será obtido deduzindo-se da nota máxima a soma dos pontos perdidos. Para efeito de comportamento, em um ano letivo, serão considerados os pontos perdidos nos seguintes períodos:
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    - 34 - -para os Alunos do 1º Ano Escolar: do dia da apresentação para o Período de Adaptação até 31 de dezembro do mesmo ano; - para os Alunos do 2º Ano Escolar: de 1º de janeiro até 31 de dezembro do mesmo ano; e - para os Alunos do 3º Ano Escolar: de 1º de janeiro até a data de transferência para a Escola Naval. Em consequência do estabelecido anteriormente, a NApOf será continuamente atualizada, tendo como referência o último grau de Conceito. Sempre que a NApOf atingir grau igual ou inferior a cinco, o ComCA submeterá o assunto à apreciação do Sr. Comandante. Nesses casos, assessorado pelo Conselho de Ensino, o Sr. Comandante decidirá pela manutenção ou não da matrícula, baixando os atos pertinentes. Decidindo-se pela manutenção da matrícula, a NApOf será reformada para o grau 5,1 e o Conceito retificado conforme os cálculos do algoritmo da NApOf. Essa NApOf reformada não será computada para cálculo de grau de classificação, ao término do ano letivo. Nesse cálculo, utilizar-se-á a NApOf original. 2.6.7 – Recompensas e Prêmios Escolares Aos Alunos são conferidos os títulos abaixo especificados, como recompensa ao mérito individual: - ao Aluno com o maior grau de classificação de cada ano é conferido o título de Chefe-de- Classe, fazendo jus ao uso de uma estrela dourada, prevista no Regulamento de Uniformes da Marinha do Brasil (RUMB) e fornecida pelo CN; - ao Aluno com o maior grau de classificação do 3º Ano é conferido o título de Comandante-Aluno do Corpo de Alunos, fazendo jus ao uso do distintivo de Comandante- Aluno; e - ao Aluno com o segundo maior grau de classificação do 3º Ano é conferido o título de Imediato-Aluno do Corpo de Alunos, fazendo jus ao uso do distintivo de Imediato-Aluno, previsto no RUMB e fornecido pelo CN; - os Alunos que seguem em antiguidade ao Comandante-Aluno e ao Imediato-Aluno são denominados Oficiais-Alunos Comandantes de Companhia e Oficiais-Alunos Comandantes de Pelotão, em função da subdivisão administrativa do Corpo de Alunos. Os Oficiais-Alunos comissionados como Comandantes de Companhias e de Pelotões fazem jus ao uso dos distintivos para suas funções. Os títulos de Oficiais-Alunos somente poderão ser concedidos aos Alunos que, durante o curso, tiverem obtido, de forma cumulativa, grau de NApOf igual ou superior a seis e meio durante o primeiro ano escolar, igual ou superior a sete e meio durante o segundo ano
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    - 35 - escolare, durante o terceiro ano escolar, mantiverem-na em grau igual ou superior a oito. Em caso de repetência, serão consideradas as NApOf de todos os anos cursados. 2.6.8 – Transferência para a Escola Naval São transferidos para a Escola Naval os Alunos classificados dentro do número de vagas estabelecido pelo Diretor-Geral do Pessoal da Marinha, desde que tenham sido aprovados nas disciplinas constantes na grade curricular do 3º Ano, no exame psicológico, considerados Aptos em Inspeção de Saúde e obtenham parecer favorável do Conselho de Ensino no que tange à NApOf. Aos Alunos que concluírem o curso serão fornecidos os respectivos certificados de conclusão. Os Alunos aprovados que não preencherem as condições para a transferência para a Escola Naval serão impossibilitados de matricularem-se e desligados do Serviço Ativo da Marinha. Os Alunos aprovados e que não forem transferidos por desistirem de suas matrículas na Escola Naval, de acordo com a regulamentação da Lei do Serviço Militar, receberão os certificados de reservista a que tiverem direito. 2.6.9 – Atividades dos Alunos Menores de Idade Aos Alunos menores de dezoito anos é vedada a prática de tiro e manuseio de armamento, munição ou explosivo, bem como as atividades de mergulho ou quaisquer outras que contenham risco, a critério do ComCA. 2.6.10 – Transgressões e Penas Disciplinares Os Alunos estão sujeitos ao Código Penal Militar (CPM), no tocante aos crimes militares, ao Estatuto dos Militares, à Ordenança Geral para o Serviço da Armada e, de acordo com o Regulamento Disciplinar para a Marinha (RDM), a este Regimento Interno, no que se refere às transgressões disciplinares, respeitado o balizamento legal vigente. As transgressões disciplinares cometidas pelos Alunos são julgadas pelo Comandante do CN. Poder-se-á, por delegação de competência, atribuir ao ComCA o julgamento das transgressões graves e leves, e aos Oficiais Comandantes de Companhia, o julgamento das transgressões leves. Quando embarcados em outras OM da MB, o julgamento caberá aos respectivos Comandantes ou Diretores. Para efeito de julgamento, as transgressões disciplinares são classificadas em: muito graves, graves e leves. Essa classificação é tipificada conforme o dano que causem à moral, à hierarquia e disciplina ou ao serviço, em virtude de sua natureza, ou das
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    - 36 - consequênciasque dessas advêm, ou puderem advir, e pelas circunstâncias em que forem cometidas. O Aluno que cometer transgressão disciplinar classificada como muito grave está sujeito a ter a sua matrícula cancelada. Art. 122 - São transgressões disciplinares muito graves: I. causar, deliberadamente, danos às instalações e a objetos de propriedade do Es- tado, incluindo-se sistemas operacionais, programas e bancos de dados; II. fazer uso indevido de instalações e de objetos de propriedade do Estado, incluin- do-se sistemas operacionais, programas e bancos de dados; III. desobedecer, deliberadamente, às ordens das autoridades; IV. desacatar os superiores, por ato ou palavras; V. agir, direta ou indiretamente, de modo prejudicial à disciplina ou contrário às fi- nalidades precípuas da Organização Militar; VI. negar-se ao cumprimento de pena disciplinar; VII. praticar ato indecoroso ou que atente contra a moral; VIII. servir-se de anonimato; IX. manifestar-se publicamente a respeito de assunto político com declaração de sua condição militar ou tomar parte, fardado, em manifestações; X. tomar atitude atentatória à dignidade, à ética ou ao pundonor militar; XI. introduzir, estar de posse ou fazer uso, no CN, ou fora dele, de entorpecentes, psicotrópicos ou outra substância de uso proibido; XII. introduzir ou estar de posse, clandestinamente, no CN, de bebidas alcoólicas; XIII. introduzir, no CN, armas, explosivos ou instrumentos proibidos, ou estar de pos- se deles na OM; XIV. faltar ao CN por período superior a oito dias, sem motivo justificado; XV. receber ou fornecer auxílio, ou usar qualquer outro meio ilícito, durante a reali- zação de qualquer prova, teste ou avaliação complementar; XVI. aplicar trote ou qualquer castigo físico em outro Aluno; XVII. penetrar nos compartimentos privativos, em paióis e outros locais reservados, sem a devida permissão ou ordem para fazê-lo; XVIII. abandonar o posto ou o local de serviço que lhe tenha sido designado, ou o ser- viço que lhe cumprir, antes de terminá-lo; e XIX. praticar “bullying”, ou seja, praticar atos de violência física ou psicológica, in- tencionais e repetidos, com objetivo de intimidar ou agredir outro aluno (ou gru- po de alunos) incapaz(es) de se defender.
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    - 37 - Nocaso de suspeita ou de ocorrência de uma das transgressões disciplinares tratadas neste artigo, o Comandante do CN poderá determinar a apuração dos fatos por meio de uma Sindicância. Caso a solução da Sindicância aberta, de acordo com o contido no parágrafo anterior, confirme a prática de transgressão disciplinar muito grave, a critério do Comandante do CN, esta poderá ser objeto de análise pelo Conselho de Ensino, a quem caberá assessorar o Comandante do Colégio Naval quanto ao cancelamento da matrícula ou a aplicação de outra pena disciplinar prevista neste Regimento. Nos casos de suspeita ou confirmação de maus tratos em Alunos menores, serão realizadas consultas ao Conselho Tutelar de Angra dos Reis, sem prejuízo de outras providências legais, para verificar a necessidade de formalização da ocorrência. Art. 123 - São transgressões disciplinares graves: I. referir-se de modo desrespeitoso a superior ou procurar desacreditá-lo; II. deixar de cumprimentar, deliberadamente, o superior, quando ambos estiverem fardados, ou quando conhecer o superior, esteja este fardado ou em traje civil; III. retardar ou deixar de cumprir ordem recebida de autoridade competente; IV. retirar-se da presença do superior sem sua autorização; V. demonstrar comprovada má vontade, dificultar o cumprimento de ordens dadas ou, deliberadamente, executá-las mal; VI. representar contra superior, sem prévia licença deste, ou fazê-lo sem ser por via hierárquica; VII. empregar, na representação contra superior, termos desrespeitosos; VIII. empregar, em qualquer situação, argumentos falsos ou de comprovada má-fé; IX. recusar-se a receber pagamento, fardamento, equipamento ou qualquer artigo de recebimento obrigatório; X. fazer uso indevido de autoridade; XI. ofender, moral ou fisicamente, pessoa de igual graduação ou procurar desacredi- tá-la; XII. desacatar autoridade civil ou desrespeitar medidas de ordem policial; XIII. faltar com a verdade ou tentar encobri-la em qualquer situação; XIV. faltar com os compromissos assumidos, inclusive os de ordem pecuniária; XV. ofender a moral, por ato ou palavras; XVI. portar-se sem compostura, principalmente em lugar público; XVII. embriagar-se; XVIII. fazer comércio de caráter particular ou não autorizado dentro do CN;
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    - 38 - XIX.tomar parte, no CN, em jogos proibidos ou jogar a dinheiro os permitidos; XX. dar, vender, empenhar ou trocar peças de uniforme fornecidas pela Marinha; XXI. simular doença; XXII. trabalhar mal, intencionalmente, em qualquer serviço, manobra, faina ou exercí- cio, ou conduzir-se mal, deliberadamente, em aula, formatura ou prova; XXIII. extraviar, ou concorrer para que se extraviem ou estraguem, quaisquer objetos da Fazenda Nacional; XXIV. ausentar-se do CN, sem licença, por período inferior a oito dias; XXV. exceder o regresso geral de licenciados; XXVI. entrar no CN, ou dele sair, por outro lugar que não seja o designado para este fim; XXVII. introduzir, no CN, publicações prejudiciais à disciplina e à moral, ou estar de posse delas; XXVIII. deixar de transmitir, com urgência, ao superior imediato o conhecimento que ti- ver de qualquer fato que possa comprometer a disciplina ou a segurança do CN; XXIX. faltar com o respeito devido, por ação ou omissão, à Bandeira, ao Hino, ao Esta- do e às Armas Nacionais; XXX. prejudicar, deliberadamente, a arrumação, a limpeza e a ordem, em qualquer de- pendência; XXXI. abandonar o local de cumprimento de pena, mesmo sem sair da área do CN; XXXII. ausentar-se da enfermaria, estando baixado, sem a devida permissão; XXXIII. publicar, difundir ou apregoar notícias exageradas ou falsas, de caráter alarman- te, que possam gerar desassossego; XXXIV. ser indiscreto em relação a assuntos de caráter oficial, cuja divulgação possa pre- judicar a disciplina ou o serviço; XXXV. dar toques, fazer sinais, içar ou arriar a Bandeira Nacional ou insígnias, ou dis- parar qualquer arma, sem ordem para fazê-lo; XXXVI. transitar por locais ou áreas proibidas; e XXXVII. acessar “sites” de conteúdo não permitido. Art. 124 - São transgressões disciplinares leves: I. estar fora do uniforme ou tê-lo em desalinho; II. ter peças do enxoval, livros ou quaisquer de seus pertences em desordem, em mau estado ou fora dos devidos lugares; III. ser descuidado no asseio do corpo e da roupa; IV. usar cabelo, bigode, costeleta e barba em descordo com as instruções em vigor;
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    - 39 - V.ter peças do enxoval desmarcadas ou marcadas em desacordo com as instruções em vigor; VI. revelar conduta descuidada ou imprudência no desempenho da incumbência ou do serviço que lhe for afeto e para o qual esteja habilitado; VII. chegar atrasado, sem justificativa, a qualquer exercício, aula, faina ou formatura; VIII. fumar em lugar proibido e quando não permitido; IX. adotar atitude incompatível com o procedimento militar por ocasião de faina, manobra, exercício ou qualquer serviço (conversa, ruído, desatenção, algazarra, postura descuidada ou fumo); X. provocar ou tomar parte em discussão a respeito de política ou de religião; XI. concorrer, de qualquer forma, para prejudicar a limpeza do CN; XII. dormir fora de hora ou em local não permitido; XIII. permanecer em qualquer compartimento ou local fora das horas permitidas; XIV. deixar de comunicar à autoridade o cumprimento das ordens que dela tiver rece- bido; XV. deixar de submeter-se às prescrições médicas, sem razão que justifique tal atitu- de; XVI. deixar de assumir a devida atitude militar nas ocasiões em que deva fazê-lo; XVII. ter sob sua guarda objetos não permitidos; XVIII. usar peças não regulamentares quando uniformizado; XIX. utilizar peças de uniforme quando trajado a paisana; XX. conversar com sentinela, vigia, plantão ou preso incomunicável; XXI. permutar de serviço sem autorização; XXII. exceder licença; e XXIII. deixar de comparecer, sem motivo justo, a qualquer aula, formatura, faina ou serviço. São, também, consideradas transgressões disciplinares todas as omissões do dever militar não especificadas nos artigos anteriores, nem qualificadas como crime nas leis penais militares, cometidas contra preceitos de subordinação e regras de serviço estabelecidas nos diversos regulamentos militares e determinações das autoridades superiores competentes. São circunstâncias agravantes: I. reincidência; II. conluio de duas ou mais pessoas; III. premeditação; IV. ter sido a falta praticada atentando contra a honra e o pundonor militar;
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    - 40 - V.ter sido a falta praticada em serviço; VI. ter sido a falta cometida iludindo a vigilância de quem estiver de serviço; VII. alegar ignorância da disposição, ou da ordem transgredida, quando estas tiverem sido amplamente divulgadas; e VIII. ter sido a falta praticada contra o pessoal de serviço. Serão circunstâncias atenuantes: I. ter sofrido provocação por outrem; e II. ter bons antecedentes. São circunstâncias justificativas: I. força maior ou caso fortuito comprovado; II. evitar mal maior ou dano ao serviço; III. ordem de superior hierárquico; e IV. ignorância plenamente comprovada da disposição ou da ordem transgredida. Os Alunos estão sujeitos às seguintes penas disciplinares: I. repreensão; II. serviço extraordinário, até 10 dias; III. impedimento, nos dias de licença geral, até 10 dias; e IV. recolhimento, até 10 dias. Os Alunos que adotarem atitudes inconvenientes no decorrer das aulas, fainas ou exercícios poderão ser retirados da sala de aula ou afastados dos exercícios, fainas, representações, formaturas ou reuniões, pelo docente ou pelo encarregado, independentemente da punição que venha a sofrer. A admoestação feita pelos Oficiais ou Docentes aos Alunos, em virtude de irregularidade ou fatos que possam redundar em transgressões disciplinares ou de observações relativas a procedimento ou conduta não coerente com o padrão moral e cívico exigido dos Alunos, não será considerada pena disciplinar. Nesses casos, o Oficial ou o Docente deverá comunicar o fato ao ComCA, o que servirá como subsídio para a aferição do grau de conceito, ficando registrado na ficha escolar do Aluno. A pena de repreensão consiste na declaração formal de que o Aluno é assim punido por haver cometido determinada transgressão disciplinar, devendo ser feita em particular. A pena de serviço extraordinário consiste no desempenho, pelo Aluno punido, de serviço previsto no detalhe para o seu ano escolar, em dias de rotina de domingo em que não lhe competir esse serviço.
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    - 41 - Apena de impedimento obriga o Aluno punido a permanecer no CN, nos dias de licenciamento, sem prejuízo de qualquer serviço que lhe competir. Nos dias em que o Aluno punido fizer parte do detalhe de serviço, será interrompido o cumprimento da pena de impedimento, sendo esta reiniciada no primeiro dia de licenciamento geral que lhe suceder. A pena de recolhimento consiste na permanência do Aluno no seu alojamento, participando de aulas, das atividades práticas programadas, do rancho e da parada escolar. Nos demais tempos livres, o Aluno permanece em Estudo Obrigatório, em sala de aula. Ocorrerá o Licenciamento do Serviço Ativo da Marinha e consequente desligamento do CN quando o Aluno incorrer em pelo menos uma das causas de Cancelamento de Matrícula estabelecidas nas Normas para o Curso de Preparação para Aspirantes, emitidas pelo Diretor de Ensino da Marinha. O Licenciamento do Aluno do Serviço Ativo da Marinha consiste no cancelamento da matrícula e na consequente desincorporação como Praça Especial, por ato do Comandante do CN. O tempo em que o Aluno passar baixado à enfermaria ou hospital não será computado para o cumprimento de pena disciplinar. Os recolhidos e impedidos podem receber visitas de seus pais ou responsáveis diretos, mas não podem gozar licenças especiais a partir do momento da aplicação da pena. As partes de ocorrência, após o conhecimento do Aluno, serão entregues ao Oficial Comandante da Companhia, que fará sua transcrição na Folha de Informações de Aluno e no Banco de Dados. Aquelas que forem para julgamento do Sr. Comandante serão também lançadas em livro próprio. Nenhuma pena será imposta sem que seja ouvido o Aluno e os fatos devidamente apurados. Todo superior que tiver conhecimento, direto ou indireto, de qualquer transgressão disciplinar cometida por um Aluno deverá dar parte escrita, preferencialmente dentro do prazo de 24 horas, contadas do momento em que a transgressão disciplinar chegou ao seu conhecimento. Quando o Aluno cometer transgressões disciplinares simultâneas, mas não correlatas, ser- lhe-ão impostas penas separadas. Normalmente, a pena é cumprida tão logo ocorra o julgamento pela autoridade competente.
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    - 42 - CAPÍTULO3 NOÇÕES SOBRE NAVIOS I 3.1 - GENERALIDADES 3.1.1 – Navios e Barcos Um navio é uma nave. Conduzir uma nave é navegar, ou seja, a palavra vem do latim “navigare”, “navis” (nave) + “agere” (dirigir ou conduzir). Estar a bordo é estar por dentro da borda de um navio. Abordar é chegar à borda para entrar. O termo é mais usado no sentido de entrar a bordo pela força: abordagem. Mas, em realidade, é o ato de chegar a bordo de um navio, para nele entrar. Pela borda tem significado oposto. Jogar, lançar pela borda. Significado natural de barco é o de um navio pequeno (ou um navio é um barco grande...). Barco vem do latim “barca”. Quem está a bordo, está dentro de um barco ou navio, está embarcado. Entrar a bordo de um barco, é embarcar. E dele sair é desembarcar. Um navio de guerra é uma belonave. Vem, a palavra, do latim “navis” (nave, navio) e “bellum” (guerra). 3.2 – PARTES DE UM NAVIO EM GERAL 3.2.1 - Casco, seus Acessórios e Nomenclatura . Casco – É o corpo do navio sem mastreação, ou aparelhos acessórios, ou qualquer outro arranjo. Normalmente, o casco não possui uma forma geométrica definida, e a principal característica de sua forma é ter um plano de simetria (plano diametral) que se imagina passar pelo eixo da quilha. Da forma adequada do casco dependem as qualidades náuticas de um navio: resistência mínima à propulsão, mobilidade e estabilidade. Diagrama do casco de um navio petroleiro
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    - 43 - .Proa (Pr) – É a extremidade anterior do navio no sentido de sua marcha normal, ou seja, em linguagem não marinheira, é a frente do navio. Quase sempre tem a forma exterior adequada para mais facilmente cortar o mar. . Popa (Pp) – É a extremidade posterior do navio, ou seja, a parte de trás do navio. . Bordos – São as duas partes simétricas em que o casco é dividido pelo plano diametral. Boreste (BE) é a parte à direita e bombordo (BB) é a parte à esquerda, supondo-se o observador situado no plano diametral e olhando para a proa. Em Portugal se diz estibordo, em vez de boreste. . Meia-nau (MN) – Parte do casco compreendida entre a proa e a popa. As palavras proa, popa e meia-nau não definem uma parte determinada do casco, e sim uma região cujo tamanho é indefinido. . A vante e a ré – Diz-se que qualquer coisa é de vante ou está a vante (AV), quando está na proa; e que é de ré ou está a ré (AR), quando está na popa. Se um objeto está mais para a proa do que outro, diz-se que está por ante-a-vante (AAV) dele; se está mais para a popa, diz-se por ante-a-ré (AAR). . Obras vivas (OV) – Parte do casco fica total ou quase totalmente debaixo d`água. . Obras mortas (OM) – Parte do casco que fica sempre em cima d`água. . Linha-d’água (LA) – É uma faixa pintada com tinta especial no casco dos navios, de proa a popa. . Bico de proa – Parte externa da proa de um navio.
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    - 44 - Normalmentesó é usada nos navios de guerra. Linha-d’água, em arquitetura naval, tem outra significação. . Costado – Invólucro do casco acima da linha-d’água. . Bochechas – Partes curvas do costado de um e de outro bordo, junto à roda de proa. . Alhetas – Partes curvas do costado, de um e de outro bordo junto à popa.
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    - 45 - .Convés – Os conveses do navio são as estruturas horizontais formadas por chapas que a bordo definem os pisos e tetos (nos casos dos compartimentos internos). A palavra convés, sem outra referência, designa, de modo geral, o convés principal; na linguagem de bordo indica a parte do convés principal que é descoberta, ou coberta por toldo. 3.2.2 – Conveses, Plataformas e Compartimentos . Passadiço e Tijupá Numa superestrutura colocada geralmente a vante, onde se encontram os postos de navegação, o pavimento mais elevado toma o nome tijupá. O pavimento imediatamente abaixo deste, dispondo de uma ponte na direção de BB a BE, de onde o Comandante dirige a manobra, chama-se passadiço. Nele ficam usualmente o timoneiro, os camarins de navegação e de rádio e a plataforma de sinais. Interior do Passadiço de uma Fragata classe “Niterói”
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    - 46 - Interiordo passadiço de um Navio Patrulha Oceânico classe “Amazonas” Passadiço e Tijupá PASSADIÇO TIJUPÁ
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    - 47 - .Plataformas O pavimento mais elevado de qualquer superestrutura que não seja o passadiço e o tijupá, e de modo geral qualquer pavimento parcial elevado e descoberto, chama-se plataforma. As plataformas tomam diversos nomes conforme sua utilização, e assim temos: plataforma dos holofotes, plataforma de sinais, plataforma do canhão AA etc. . Compartimentos Compartimentos são as subdivisões internas dos navios. . Câmara A câmara é o local que aloja o Comandante do navio ou oficial mais antigo presente a bordo, com autoridade sobre o navio, ou ainda, um visitante ilustre, quando tal honra lhe for concedida. Se embarcar num navio o Comandante da Força Naval, esta autoridade maior terá o direito à câmara. O navio onde embarca o Comandante da Força Naval é chamado capitânia. Seu Comandante passa a denominar-se Capitão de Bandeira. . Camarotes e afins Os demais compartimentos de bordo, conforme sua utilização, ganham denominações com diminutivos de câmara: camarotes, para alojar oficiais, e camarins, para uso operacional ou administrativo; como os camarins de navegação, de cartas e da máquina. . Praças e cobertas Uns tantos compartimentos são chamados de praças: praça de máquinas, praça d´armas, praça de vaporizadores, etc. Os alojamentos da guarnição e seus locais de refeição são chamados de cobertas: coberta de rancho, coberta de praças, etc. . Praça d'armas O compartimento de estar dos oficiais a bordo, e onde também são servidas suas refeições, é denominado praça d'armas. Essa denominação prende-se ao fato de que, nos navios antigos, as armas portáteis eram guardadas nesse local, privativo dos oficiais.
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    - 48 - CAPÍTULO4 NOÇÕES SOBRE NAVIOS I IDENTIFICAÇÃO E EMPREGO DOS PRINCIPAIS TIPOS DE NAVIOS DE GUERRA E NAVIOS DA MB 4.1 - NAVIOS-AERÓDROMO (NAE) E AERONAVES EMBARCADAS O NAe é uma unidade de superfície que se destina a lançar e recolher um grande número de aeronaves, abastecê-las de combustível e armamento, prover recursos para sua manutenção. Os NAe são capazes de levar a aviação a áreas distantes onde não haja pistas terrestres utilizáveis. 4.1.1 – Principais características e equipamentos de um navio-aeródromo 1) Convés de voo - é um grande convés corrido, com o mínimo de obstruções, servindo para pista e parque das aeronaves. Nos NAe modernos, esse convés é em ângulo, permitindo que os aviões pousem a um ângulo de 8 a 10 graus para a esquerda da linha de centro do navio. Assim, o avião pode alçar voo novamente (arremeter) caso não tenha pegado o cabo do aparelho de parada, sem pôr em perigo as operações de lançamento dos outros aviões na proa; deste modo as fainas de lançamento e recolhimento podem ser realizadas simultaneamente. 2) Hangar - é o convés coberto dos NAe, onde são guardadas as aeronaves. 3) Aparelho de parada - sistema que tem como finalidade reduzir gradualmente a velocidade da aeronave no pouso, consistindo de cabos de aço dispostos transversalmente na parte de ré da pista em ângulo. O avião embarcado possui um gancho em sua cauda que, no momento do toque no convés, engata num dos cabos, provocando desta forma sua rápida e gradativa desaceleração. 4) Catapulta - sistema de impulsionamento que tem por finalidade permitir a decolagem dos aviões quando há um pequeno espaço no convés de voo, devido ao grande número de aeronaves estacionadas neste. É usada, principalmente, quando se deseja lançar aviões a jato, pois estes necessitam de grande impulsão na decolagem. 4.1.2 – Aeronaves embarcadas Um porta-aviões moderno pode levar os seguintes tipos de aeronaves, organizadas em esquadrões específicos: - Ataque - aviões a jato utilizados para efetuar bombardeios sobre unidades navais. Também empregam mísseis AR-SUPERFÍCIE nos ataques.
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    - 49 - -Caça-bombardeiro - aviões a jato utilizados na proteção de uma Força Naval ou para ataque a uma Força de Superfície. Constituem a PAC (Patrulha Aérea de Combate) e podem ser empregados em alerta no ar ou no convoo; Os Caças-bombardeiro, nas ocasiões das missões das aeronaves de ataque, atuam como escoltas, fazendo a proteção das vagas contra o ataque dos caças inimigos. Empregam mísseis AR-AR e canhões. - Anti-submarino - aviões e helicópteros dotados de sensores e armamento anti-submarino (A/S). - Alarme Aéreo Antecipado - (AEW - Air Early Warning) - aviões ou helicópteros dotados de grande capacidade em detecção radar que tem por finalidade orientar a PAC em suas missões contra os bombardeiros inimigos. - Tanque - aviões dotados de tanques de combustíveis que são empregados no reabastecimento em voo dos aviões de ataque e caças (REVO - reabastecimento em voo), com isto aumentando os seus raios de ação. - Guerra eletrônica - aviões a jato que, fazendo parte de uma vaga de ataque, utilizam seus equipamentos de guerra eletrônica, visando dificultar ou impedir a detecção das aeronaves de ataque por parte dos radares inimigos. Podem também interferir nas comunicações do inimigo. Os navios aeródromo que operam exclusivamente com helicópteros são normalmente chamados de porta-helicópteros e não possuem os aparelhos necessários para pouso e decolagem de aviões. 4.1.3 – NAVIO-AERÓDROMO “SÃO PAULO” Deslocamento (toneladas) - 30.884 (padrão), 33.673 (plena carga) Comprimento - 266 metros Boca - 51,2 metros Convés de Voo - 266 metros Aeronave AF-1 no convoo do Navio-Aeródromo “São Paulo”.
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    - 50 - Sistemade propulsão - caldeiras e turbinas Velocidade máxima - 30 nós (55 km/h) Número de catapultas - 2 Tripulação - 1.030 homens Aeronaves - pode transportar até 40 aeronaves de asa fixa e helicópteros. Observação: A tripulação do navio é de 1.030 homens. Considerando-se a ala aérea, acrescentar-se-ão 670 homens. O NAe “São Paulo” é o maior navio de guerra do hemisfério sul. 4.1.4 – NAVIO-AERÓDROMO "NIMITZ" (USN) Deslocamento - 90.000 ton Comprimento - 317 metros Boca - 40 metros Armamento - MSA SEA SPARROW/SIWS TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE NAe “SÃO PAULO” A12 - NAe “São Paulo”
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    - 51 - -Vulcan Phalanx 20 mm. Velocidade - 30 nós Tripulação - 6300 homens (grupo de aviação embarcado) Aeronaves - Total de 90 aeronaves (aviões e helicópteros) 4 catapultas a vapor 4.1.5 – NAVIO-AERÓDROMO " ALMIRANTE KUZNETSOV" (RÚSSIA) Deslocamento - 67.500 ton Comprimento - 304 metros Boca - 70 metros Armamento - Mísseis SUP-SUP SS-N-19 - Mísseis SUP-AR AS-N-9 e AS-N-11 - CIWS - Morteiros A/S TIPO DE NAVIO CLASSE NAe “NIMITZ”
  • 56.
    - 52 - Propulsão- vapor Velocidade - 30 nós Tripulação - 1.700 (não inclui o grupo de aviação embarcada) Aeronaves - Total de 60 aeronaves 3 catapultas 4.2 – FRAGATAS As Fragatas são navios de médio porte com grande manobrabilidade e velocidade, normalmente destinados à proteção (escolta) de uma Força Naval no mar. São equipadas com modernos sistemas de armas para defesa da Força e defesa de ponto (próprio navio) contra navios, submarinos, mísseis e aeronaves de alta performance. Esses sistemas de armas incluem diversos sensores que orientam o armamento do navio, normalmente composto de canhões, mísseis superfície-superfície (MSS), mísseis superfície-ar (MSA), torpedos anti-submarino, foguetes anti-submarino e bombas de profundidade. A capacidade para operar com helicóptero provê às Fragatas as características de velocidade e mobilidade necessárias para engajar modernos submarinos nucleares, que desenvolvem altas velocidades. TIPO DE NAVIO CLASSE NAe “ALMIRANTE KUZNETSOV”
  • 57.
    - 53 - AMB possui seis fragatas da classe “Niterói” das quais quatro foram construídas na Inglaterra e duas no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Possui, também, três fragatas da classe “Greenhalgh”, construídas na Inglaterra. As fragatas da classe “Niterói” iniciaram um processo de modernização no ano de 1998 para a substituição de sensores, armamento, equipamentos de comunicação, computadores do sistema de armas e equipamentos de máquinas. 4.2.1 – FRAGATAS CLASSE “NITERÓI” Deslocamento - 3750 ton Comprimento - 129 metros Boca - 13,5 metros Armamento - 2 reparos triplos de torpedos MK46 - 1 lançador de foguete A/S BOROC - 1 canhão de 4,5 pol. (114 mm.) - 2 canhões de 40 mm. - MSS MM 40 EXOCET (ou MM 38) - 1 lançador MSA ASPIDE Propulsão - Diesel – Turbina a gás (Combined Diesel or Gas - CODOG) Velocidade - 22 nós (diesel) – 30 nós (turbina) Tripulação - 200 homens Aeronave - Helicóptero LYNX (AH-11A) (Torpedo MK 46 ou MAS SEA SKUA) Fragata classe “Niterói” disparando míssil EXOCET MM-40.
  • 58.
    - 54 - 4.2.2– FRAGATAS CLASSE “GREENHALGH” Deslocamento - 4868 ton Comprimento - 131 metros Boca - 14,8 metros Armamento - 2 reparos triplos de torpedos MK 46 mod 5 - MSS MM 38 EXOCET - MSA SEAWOLF - 2 metralhadoras de 20 mm. - MAS SEA SKUA (armando as aeronaves LINX) Propulsão - Turbina a gás (Combined Gas or Gas - COGOG) Velocidade - 30 nós Tripulação - 213 homens TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Fragata “NITERÓI” F40 - F. “Niterói” F41 - F. “Defensora” F42 - F. “Constituição” F43 - F. “Liberal” F44 - F. “Independência” F45 - F. “União”
  • 59.
    - 55 - Aeronave- Até 2 helicópteros SUPER LYNX (AH-11A) (Torpedo MK 46 ou MAS SEA SKUA e Bomba de profundidade Mk-9) 4.3 – CORVETAS Corvetas são navios de médio porte (cerca de 1500 toneladas), que possuem grande manobrabilidade, alta velocidade e considerável capacidade de combate. Praticamente, podem ser empregadas nas mesmas tarefas de uma fragata, pois possuem armamento e sensores semelhantes. A MB possui quatro Corvetas da Classe “INHAÚMA”, e uma Corveta classe “BARROSO”. 4.3.1 – CORVETA CLASSE “INHAÚMA” Deslocamento - 1900 ton Comprimento - 95 metros Boca - 11metros TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Fragata “GREENHALGH” F46 - F. “Greenhalgh” F48 - F. “Bosísio” F49 - F. “Rademaker”
  • 60.
    - 56 - Armamento- 2 reparos triplos de torpedos MK46 - 1 canhão de 4”,5 (114 mm.) - 2 canhões de 40 mm. - MSS MM 40 EXOCET Propulsão - Diesel - Turbina a gás (Combined Diesel or Gas - CODOG) Velocidade - 20 nós (diesel) - 27 nós (turbina) Tripulação - 115 homens Aeronave - Helicóptero LYNX (AH-11A) (Torpedo MK 46 ou MAS SEA SKUA e Bomba de profundidade Mk-9) 4.3.2 – CORVETA “BARROSO” Deslocamento - 2400 ton Comprimento - 103,4 metros Boca - 11,4 metros Armamento - Sistema de lançamento de torpedos Mod. 400 - 1 canhão de 4”,5 (114 mm.) - 1 canhões de 40 mm. - MSS MM 40 EXOCET Propulsão - Diesel - Turbina a gás (Combined Diesel or Gas - CODOG) TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Corveta “INHAÚMA” V30 - CV “Inhaúma” V31 - CV “Jaceguai” V32 - CV “Júlio de Noronha” V33 - CV “Frontin”
  • 61.
    - 57 - Velocidade- 22 nós (diesel) - 30 nós (turbina) Tripulação - 145 homens Aeronave - Helicóptero SUPER LYNX (AH-11A) (Torpedo MK 46,MAS SEA SKUA e Bomba de profundidade Mk-9) NOTA - A MB possui ainda duas corvetas de uma classificação antiga, Corvetas Classe “IMPERIAL MARINHEIRO”, que são empregadas em missões de Socorro, Salvamento e Patrulhamento de áreas distritais. Estes navios serão apresentados posteriormente, nesta apostila. 4.4 – SUBMARINOS O submarino é uma unidade naval concebida para operar em imersão tão completa e permanente quanto possível, devendo permanecer, deslocar-se e combater sob as águas. Para que isto seja atendido, são consideradas as seguintes características de um submarino: - Armamento - número de tubos de torpedos, dotação de torpedos e minas e número e tipos de mísseis. - Sensores - sonar passivo e ativo, equipamento MAGE, periscópio, radar. - Velocidade em imersão - varia de acordo com o sistema de propulsão. TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Corveta “BARROSO” V34 - CV “Barroso”
  • 62.
    - 58 - -Cota máxima de imersão - varia de acordo com o material do casco resistente (um fator de segurança irá determinar a cota de operação). - Qualidades Operativas - discrição e manobrabilidade. Estas características acima mencionadas irão determinar os tipos de patrulha que um submarino pode realizar como a seguir: a) anti-navio - realizada por submarino de ataque, (podendo ser convencional ou nuclear), empregando como armamento torpedos ou mísseis táticos. O objetivo principal é a destruição de um navio capital e uma Força Naval ou navios mercantes de um comboio. b) anti-submarino - realizada por submarino de ataque (convencional ou nuclear), empregando o armamento torpedo. O objetivo principal é a destruição de submarinos inimigos que possam configurar ameaça as unidades de uma Força Naval. c) de dissuasão - realizada por submarino (normalmente de propulsão nuclear) com capacidade para lançar mísseis balísticos de longo alcance. O objetivo principal é qualquer alvo continental de valor (cidades, indústrias, silos de mísseis estratégicos). Ao executar suas tarefas, o submarino cumpre certas condições de silêncio com a finalidade de manter elevada taxa de discrição e contribuir para maiores alcances de seus sensores acústicos. Os submarinos, independente ou paralelamente às tarefas, poderão executar tarefas especiais, quando, para seu atendimento, houver necessidade de sigilo das ações e necessitarem ser realizadas em águas controladas pelo inimigo. Tipos de Operações Especiais: . Operações de minagem . Operações de esclarecimentos (perifotos) . Operações com mergulhadores de combate . Transporte e resgate de pessoal Em termos de propulsão, temos a seguinte classificação dos submarinos: - Nuclear - Devido sua fonte de energia quase inesgotável, praticamente sem tempo limite de permanência submerso, o submarino fica limitado somente pela fadiga do pessoal e pelo reprovisionamento de gêneros e munição. Possuem altas velocidades, sendo que os que carregam mísseis balísticos são muito espaçosos devido às necessidades de estoques, visando um longo período de patrulha. - Não-Nuclear ou convencionais (diesel-elétrico/bateria). A MB possui atualmente quatro submarinos convencionais da classe “TUPI” sendo que um foi fabricado no estaleiro HDW - Kiel, Alemanha e três foram fabricados no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Possui, também, um submarino da classe “TIKUNA” que foi fabricado no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.
  • 63.
    - 59 - NOTAIMPORTANTE: O Brasil é o único país do hemisfério sul que detém instalações com capacidade e tecnologia para a fabricação de submarinos. Encontra-se ampliando essa capacidade com a implementação da Base de Submarinos em Itaguai-RJ e com a construção de mais quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear. 4.4.1 – SUBMARINOS CLASSE “TUPI” e “TIKUNA” (GERMANY “IKL 209” – 1400 CLASS) Deslocamento - 1400 ton Comprimento - 60 metros Boca - 6 metros Armamento - 8 tubos torpedos (MK-37/MK-24) Propulsão - diesel - elétrico Velocidade - 21 nós (mergulhado) Tripulação - 30 homens 4.4.2 - SUBMARINO CLASSE “Los Angeles” (USN) Deslocamento - 6000 ton Comprimento - 109 metros TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Submarino “TUPI” S30 - SB “Tupi” S31 - SB “Tamoio” S32 - SB “Timbira” S33 - SB “Tapajó” “TIKUNA” S34 - SB “Tikuna”
  • 64.
    - 60 - Boca- 10 metros Propulsão - nuclear Velocidade - 30 nós (mergulhado) 4.4.3 - SUBMARINO CLASSE “TYPHOON” (AKULA) (RÚSSIA) Deslocamento - 23200 ton Comprimento - 172 metros Boca - 23,3 metros Armamento - 20 mísseis balísticos RSM 52, 1 sistema MAS defesa de ponto, 6 tubos de torpedo na proa e 16 mísseis Stallion Propulsão - nuclear Velocidade - 25 nós (mergulhado) TIPO DE NAVIO CLASSE Submarino de Ataque “LOS ANGELES” TIPO DE NAVIO NAVIO Submarino lançador de mísseis balísticos “Typhoon”
  • 65.
    - 61 - 4.5– NAVIO DE DESEMBARQUE Em uma Operação Anfíbia, na qual haverá desembarque de tropa de Fuzileiros Navais e material (carros de combate, armamento, etc.) são utilizados vários tipos de Navios de Desembarque que executam tarefas bem específicas. 4.5.1 - NAVIO DESEMBARQUE-DOCA CLASSE “CEARÁ” Deslocamento - 6880 ton (leve) 12150 ton (plena carga) Comprimento - 155,45 metros Boca - 25,6 metros Armamento - 6 canhões 76,2 mm./50 cal Propulsão - Turbina a vapor Velocidade - 22,5 nós Tripulação - 350 homens + tropa TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Navio de Desembarque Doca “CEARÁ” G 30 - NDD “Ceará”
  • 66.
    - 62 - 4.5.2- NAVIO DE DESEMBARQUE DE CARROS DE COMBATE “MATTOSO MAIA” Deslocamento - 4975 ton (leve) 8576 ton (plena carga) Comprimento - 159 metros Boca - 21,18 metros Armamento - Vulcan Phalanx 20 mm. 4 metralhadoras 12,7 mm. Propulsão - 6 motores diesel Velocidade - 22 nós Tripulação - 310 homens + tropa 4.5.3 - NAVIO DE DESEMBARQUE DE CARROS DE COMBATE “GARCIA D`ÁVILA” Deslocamento - 8.751 toneladas - plena carga; Comprimento - 140,5 metros Boca - 19,5 metros Velocidade (nós) - 17 Raio de ação – 13.000 milhas a 14 nós; Tripulação - 150 homens; Capacidade de transporte tropa - 460 militares; Capacidade de carga - 1.000 ton; Propulsão - dois motores diesel. TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Navio de Desembarque de Carros de Combate “MATTOSO MAIA” G 28 - NDCC “Mattoso Maia”
  • 67.
    - 63 - 4.5.4- NAVIO DE DESEMBARQUE DE CARROS DE COMBATE “ALMIRANTE SABÓIA” Deslocamento máximo: 6.700 t Comprimento: 137,50 m Boca: 18,30 m Calado: 4,80 m Raio de ação: 9.200 Mn a 15 nós Velocidade (cruzeiro/máxima.): 14/16 nós Propulsão: 2 MCP Wartisila diesel Bow-Thruster Armamento: 2 metralhadoras 20mm Gamb-O1 Tripulação: 150 militares TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Navio de Desembarque de Carros de Combate “GARCIA D`ÁVILA” G 29 - NDCC “Garcia D`Ávila”
  • 68.
    - 64 - 4.6– NAVIOS-TANQUE Os Navios-Tanque são navios que reabastecem de combustível, no mar, os navios de uma esquadra. 4.6.1 – NAVIO-TANQUE “MARAJÓ” Deslocamento - 16000 ton (plena carga) Comprimento - 137,1 metros Boca - 19,22 metros Propulsão - 1 motor diesel Velocidade - 13 nós Tripulação - 80 homens Capacidade para transporte de óleo combustível - 6600 ton TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Navio de Desembarque de Carros de Combate “ALMIRANTE SABÓIA” G 25 – NDCC “Almirante Sabóia”
  • 69.
    - 65 - 4.6.2– NAVIO-TANQUE “ALMIRANTE GASTÃO MOTTA” Deslocamento - 10300 ton (plena carga) Comprimento - 135 metros Boca - 19 metros Propulsão - 2 motores diesel Velocidade - 20,5 nós Tripulação - 121 homens Capacidade para transporte de óleo combustível - 5000 ton TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Navio Tanque “MARAJÓ” G 27 - NT “Marajó” TIPO DE NAVIO CLASSE NAVIOS DA CLASSE Navio Tanque “ALMIRANTE GASTÃO MOTTA” G 23 - NT “Almirante Gastão Motta”
  • 70.
    - 66 - 4.7– NAVIOS-PATRULHA Os Navios Patrulha possuem a tarefa de fiscalização das áreas sob jurisdição brasileira, ai abrangidos o Mar Territorial Brasileiro, a Zona de Exclusividade Econômica, as ilhas oceânicas e fluviais e os rios navegáveis. 4.7.1 – NAVIO-PATRULHA CLASSE “GRAJAÚ” Deslocamento -213 ton Comprimento - 46,5 metros Boca - 7,5 Armamento - 1 canhão 40 mm/70 cal e 2 metralhadoras A/A 20 mm Propulsão - 2 motores diesel Velocidade - 22 nós Tripulação - 31 homens Dos 12 Navios-Patrulha classe “Grajaú” que a Mb possui, 6 foram fabricados na Alemanha, 4 no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e 2 no Estaleiro Inace, no Ceará. TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE Navio Patrulha P40 - NPa “Grajaú” P41 - NPa “Guaíba” CLASSE P42 - NPa “Graúna” “GRAJAÚ” P43 - NPa “Goiana” P44 - NPa “Guajará” P45 - NPa “Guaporé” P46 - NPa “Gurupá” P47 - NPa “Gurupí” P48 - NPa “Guanabara” P49 - NPa “Guarujá” P50 - NPa “Guaratuba” P51 - NPa “Gravataí”
  • 71.
    - 67 - 4.7.2– NAVIO-PATRULHA CLASSE “BRACUÍ” Deslocamento - 760 ton Comprimento - 47,5 Boca - 10,5 Armamento - 1 canhão 40 mm./60 cal. Propulsão - 2 motores diesel Velocidade - 14 nós Tripulação - 35 homens 4.7.3 – NAVIO PATRULHA CLASSE “MACAÉ” Deslocamento - 500 ton Comprimento - 55,6 metros Boca - 8 metros Armamento -1Canhão40 mmL70(AOS) e 2 Metralhadoras 20 mm GAM-B01 Propulsão - 2 motores diesel Velocidade - 21 nós Tripulação - 35 homens TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE Navio Patrulha P 60 - NPa “Bracuí” P 61 - NPa “Benevente” CLASSE P 62 - NPa “Bocaina” “BRACUÍ” P 63 - NPa “Babitonga”
  • 72.
    - 68 - 4.8– CAÇA-MINAS E VARREDORES Os Caça-Minas e Varredores são navios utilizados para limpeza de um campo minado (contramedidas de minagem). A MB possui seis navios varredores da classe “ARATU” sediados no 2º Distrito Naval e subordinados ao Comando da Força de Minagem e Varredura, destinados a manter livres, da ameaça de minas, as linhas do tráfego marítimo ao longo do nosso litoral, as áreas marítimas adjacentes aos portos, terminais e plataformas nacionais; bem como, as possíveis áreas de operações de nossas Forças Navais. 4.8.1 – NAVIO-VARREDOR CLASSE “ARATU” Deslocamento - 253 ton Comprimento - 47,20 metros Boca - 7,16 metros Armamento - um canhão automático Bofors 40mm/L70 Propulsão - 2 motores diesel Velocidade - 22 nós Tripulação - 36 homens TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE Navio-Patrulha P 70 – NPa “Macaé” P 72 – NPa “Maracanã” CLASSE P 75 - NPa “Macau” “MACAÉ”
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    - 69 - 4.9– NAVIOS DISTRITAIS DE SOCORRO E SALVAMENTO A região de busca e salvamento marítimo sob a responsabilidade do Brasil compreende uma extensa área do oceano atlântico, que abrange toda a costa brasileira e se estende na direção leste até o meridiano de 10ºW, (próximo à ilha de Ascenção na África). No Brasil, todos os órgãos componentes de um serviço de busca e salvamento marítimo, a exceção do sistema de alerta, estão estruturados na organização da Marinha Brasileira, sendo parte integrante de Organizações Militares que têm outras atribuições paralelas. Os Distritos Navais (DN) são os responsáveis pelas diversas áreas SAR em que se divide a área sob responsabilidade do Brasil. Subordinados aos DN temos os Navios Distritais de Socorro e Salvamento que concorrem a um detalhe de Navio de Serviço Distrital, devendo suspender, em caso de necessidade, em no máximo 2 horas quando durante o expediente e em no máximo 4 horas quando fora do horário de expediente. Os Navios Distritais de Socorro e Salvamento, também, realizam as tarefas de Patrulha Costeira e de Apoio a ilhas guarnecidas por pessoal da MB. TIPO DE NAVIO PORTO SEDE NAVIOS DA CLASSE Varredor Salvador M 15 - NV “Aratu” M 16 - NV “Anhatomirim” CLASSE M 17 - NV “Atalaia” “ARATU” M 18 - NV “Araçatuba” M 19 - NV “Abrolhos” M 20 - NV “Albardão”
  • 74.
    - 70 - 4.9.1– REBOCADOR DE ALTO-MAR CLASSE “GUILHEM” Deslocamento - 2400 ton Comprimento - 63,15 metros Boca - 13,4 metros Armamento - 2 metralhadoras AA 20 mm. Propulsão - 2 motores diesel Velocidade - 14 nós Tripulação - 40 homens Tração de reboque - 86 ton Área marítima na qual o Brasil possui responsabilidade pelas ações S.A.R. (Search and Rescue – Socorro e Salvamento)
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    - 71 - 4.9.2– REBOCADOR DE ALTO-MAR CLASSE “TRIUNFO” Deslocamento - 1350 ton Comprimento - 59 metros Boca - 11,6 metros Armamento - 2 metralhadoras AA 20 mm. Propulsão - 2 motores diesel Velocidade - 12 nós Tripulação - 40 homens Tração de reboque - 23,5 ton TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE Rebocador de Alto-Mar R 24 - RAM “Almirante Guilhem” CLASSE “GUILHEM” R 25 - RAM “Almirante Guillobel”
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    - 72 - 4.9.3– CORVETAS CLASSE “IMPERIAL MARINHEIRO” Deslocamento - 900 ton Comprimento - 56 metros Boca - 9 metros Armamento - um canhão 76,2 mm. e 4 metralhadoras AA 20 mm. Propulsão - 2 motores diesel Velocidade - 12 nós Tripulação - 64 homens Tração para reboque - 19 ton TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE Rebocador de Alto Mar R21 - RAM “Tritão” CLASSE R22 - RAM “Tridente” “TRIUNFO” R23 - RAM “Triunfo”
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    - 73 - 4.10– COMENTÁRIOS, EXPLANAÇÕES E EXEMPLOS REAIS DA VIDA PROFISSIONAL DO FUTURO OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL Principais Operações de Guerra Naval. Outros navios da MB não citados. O Navio-Escola “Brasil” e a Viagem de Instrução de GM. A rotina do Oficial embarcado. O Segundo-Tenente a bordo de um Navio da “Esquadra”. O Segundo-Tenente a bordo de um Navio “Distrital”. O Encarregado de Divisão e seus desafios administrativos e técnicos. Os cursos de carreira e a aplicação do conhecimento a bordo. Comissões no país e no exterior. O desafio do submarino nuclear brasileiro. Outros comentários e exemplos julgados pertinentes. TIPO DE NAVIO NAVIOS DA CLASSE Corveta V 15 - CV “Imperial Marinheiro” CLASSE V 19 - CV “Caboclo” “IMPERIAL MARINHEIRO”
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    - 74 - CAPÍTULO5 EMBARCAÇÕES MIÚDAS 5.1 – INTRODUÇÃO Pelo nome de embarcações miúdas, ou somente embarcações, designam-se todas as construídas para serem transportadas a bordo dos navios e usadas para salvamento ou em diferentes serviços. Os navios mercantes possuem um número suficiente de embarcações miúdas de salvamento para todos os passageiros e tripulação. Nos navios de guerra a função principal das embarcações miúdas não é o salvamento do pessoal, mas o serviço do navio. Em tempo de guerra essas embarcações são deixadas em terra. Nos navios de guerra prontos para combate, a prática usual é manterem-se somente duas embarcações para fins de salvamento, ficando a segurança do pessoal em caso de abandono confiada a numerosas balsas e salva-vidas individuais que ocupam menor espaço. 5.2 – CLASSIFICAÇÃO DAS EMBARCAÇÕES MIÚDAS 5.2.1 - Lanchas Lanchas são embarcações a motor de construção mais resistente e casco reforçado para suportar o peso e o esforço de propulsão dos motores. Os nomes dados às lanchas dependem do serviço a que se destinam: . Vedetas – Possuem cabine a ré. Normalmente são usadas pelos oficiais e dotadas de grande velocidade. Vedeta
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    - 75 - .Lanchas cobertas – Possuem superestrutura para proteger o pessoal e a carga. . Lanchas abertas – Possuem popa quadrada, servem para o transporte de pessoal, serviços pesados, espiar uma âncora e outros serviços no mar. As lanchas maiores, deste tipo, tomam o nome de bois ou lanchões. Lancha aberta 5.2.2 – Embarcações de casco semirrígido As embarcações de casco semirrígido apresentam vantagens significativas em relação às embarcações tradicionais. Com cascos de borracha e madeira ou com casco em fibra de vidro e flutuadores de borracha infláveis, foram introduzidas a bordo com o propósito de contribuir para reduzir pesos altos e permitir o emprego de aparelhos de carga menos robustos e mais leves. Apresentam as seguintes vantagens quando comparadas às embarcações tradicionalmente encontradas a bordo: · são de manuseio mais rápido e fácil (são rapidamente retiradas do berço e colocadas na água); · podem operar em condições piores de mar; · desenvolvem velocidades superiores à maioria das lanchas tradicionais; e · apresentam boa manobrabilidade, além de conferirem ao patrão um amplo campo de visão em torno da embarcação.
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    - 76 - 5.2.3– Escaleres Escaleres são embarcações, a remo ou a vela, de proa fina e popa quadrada. Possuem de 3 a 6 bancadas, podendo ser de voga (dois remos por bancada) ou de palamenta (um remo por bancada). São particularmente úteis para os serviços leves no porto. Embarcações infláveis com casco semirígido.
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    - 77 - 5.2.4– Baleeiras São embarcações a remo e a vela com a proa e a popa mais ou menos iguais, finas e elevadas. São mais próprias para aterrar numa praia, investir na barra de um rio, etc. 5.2.5 – Canoas São embarcações leves, de formas finas e com popa quadrada (pequenos escaleres de formas elegantes). São sempre de voga, podendo ter dois, quatro ou seis remadores. 5.2.6 – Botes São escaleres pequenos, de formas cheias, isto é, grande boca em relação ao comprimento. São de voga e comumente guarnecidas por dois remadores e destinam-se a serviços leves no porto. 5.2.7 – Chalanas São de proa e popa quadradas, borda baixa e fundo chato. Servem para serviço de pintura e limpeza da linha d’água e do costado. Possuem forquetas, mas usualmente são impelidas por um remo livre. Escaler a remo
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    - 78 - 5.2.8– Jangadas São simples flutuadores, constituídos por cinco pranchas de madeira leve. Empregadas para serviços leves como as chalanas. 5.2.9 – Balsas salva-vidas São flutuadores especiais normalmente construídos de borracha, usadas para salvamento. Existem outras embarcações para fainas específicas como: trabalhos especiais e salvamento no mar, serviços de policiamento, salvamento de aviões, pesca de torpedos, embarcações para aterragem na praia, etc.
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    - 79 - 5.3– PROPULSÃO E GOVERNO Conforme a propulsão empregada, as embarcações miúdas podem ser: de motor; de vela; e de remos. 5.3.1 – Motor de Propulsão São as máquinas que fornecem energia mecânica à propulsão. As pequenas embarcações em geral são movidas por motores diesel, que transmitem um movimento de rotação a um eixo que possui um hélice em sua extremidade. 5.3.2 – Eixo propulsor São peças metálicas cilíndricas que servem para transmitir o movimento rotativo do motor ao hélice da embarcação. O eixo é apoiado em mancais que suportam seu peso e o mantém alinhado. Um mancal muito importante é o da bucha telescópica do eixo que se localiza na abertura do casco por onde o eixo passa para fora da embarcação. 5.3.3 – Hélice É o propulsor da embarcação instalado na extremidade do eixo propulsor. A tradição marinheira considera hélice como palavra masculina. Assim, ao referirmo-nos a essa peça, dizemos: o hélice, em vez de a hélice. Há navios que possuem mais de um hélice, embora a maioria possua apenas um e este se situa a ré, envolto por uma peça robusta situada no extremo da quilha, denominada cadaste.
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    - 80 - 5.3.4– Roda do leme ou Timão É uma roda de madeira ou metal cujo giro, para um bordo ou para o outro, ocasiona a movimentação do leme para o mesmo bordo de seu giro. Malaguetas são punhos fixados ao contorno exterior do timão por meio dos quais o timoneiro imprime a ele o movimento de rotação.
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    - 81 - 5.3.5– Leme É o principal aparelho de governo da embarcação e serve para dar a direção em que ela navega.
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    - 82 - CAPÍTULO6 EMBARCAÇÕES A REMO 6.1 – INTRODUÇÃO O presente capítulo tem por objetivo apresentar de forma detalhada o escaler a remo, embarcação miúda característica das escolas de formação. O escaler a remo é o primeiro contato interativo do aluno com o mar pois, do guarnecimento à primeira remada, o aluno estará sujeito às condições do mar, à faina marinheira, à noção de esforço conjunto, portanto, é a primeira vez em que se vê à mercê de suas capacidades. Tradicionalmente, as escolas de formação detêm o maior número de escaleres, onde estes se tornam uma ferramenta para o aprendizado, salvamento e competições esportivas. Tais competições, além de promoverem uma maior higidez física, desenvolvem a lealdade, o espírito de sacrifício, companheirismo, a liderança e acima de tudo, o amor pelas coisas do mar. 6.2 – O ESCALER É uma embarcação miúda, a remo ou a vela, de proa fina e popa quadrada. Possui de 3 a 6 bancadas, podendo ser de voga ou de palamenta. São particularmente úteis para serviços leves no porto.
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    - 83 - Escalerde Voga Escaler de Palamenta 6.2.1 – Dados técnicos Item Peso (Kg) Remo 5 Paineiros 5 Leme 11 Cana do leme 3 Forqueta 0,6 O peso total da embarcação, com toda a palamenta embarcada é de ± 600 Kg. Deslocamento (Kg) Tripulação 1850 15 1550 11 1400 9 O guarnecimento padrão do escaler a remo requer 11 tripuantes. É importante saber que a inclinação máxima (banda) de um escaler a remo é de 30º, além desse valor a borda mergulha e seu interior é alagado.
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    - 84 - 6.3– NOMENCLATURA DO ESCALER
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    - 85 - 1– Castelo de proa – Superestrutura na parte extrema da proa, acompanhada de elevação da borda; 2 – Roda de proa – Peça de mesmo material que foi construída a quilha, fixada no extremo de vante dela; dá forma à proa da embarcação. Geralmente é forrada na sua face de vante por uma chapa ou barra de latão; 3 – Falca – É a primeira tábua superior do costado; serve para formar a borda da embarcação; 4 – Costado – É o forro exterior da embarcação; é formado por tábuas delgadas; 5 – Toleteiras – São peças de madeira ou metal, entalhadas e pregadas sobre a borda (falca), nas embarcações guarnecidas com remos ou forquetas; têm um furo no centro, onde recebem as hastes das forquetas; 6 – Verdugo – São peças de madeira, metal ou borracha, fixas exteriormente ao costado, no sentido logitudinal e logo abaixo das falcas, servindo de proteção ao costado; 7 – Forquetas – Peças de ferro ou metal, em forma de forquilha e apoiadas nas toleteiras. Têm por função apoiar e firmar o remo durante a remada; 8 – Cunhos – Pequenas peças de metal, distribuídas nos lugares próprios, na parte interna da borda, e geralmente fixas à falca. Servem para gurnir cabos ou aguentar aparelhos; 9 – Quilha – Peça disposta em todo o comprimento do casco no plano diametral e na parte mais baixa da embarcação, constitui a espinha dorsal e é a parte mais importante da embarcação, qualquer que seja seu tipo; 10 – Fiel – Constituído por uma linha de barca ou cabo fino, que se aguenta pelo seio, por meio de duas pinhas, para que não recorra, em um furo praticado na porta do leme. Os seus chicotes têm alças que se prendem em dois cunhos na borda da embarcação. Os fiéis do leme servem para evitar que o leme vá ao fundo se ficar descalado por qualquer motivo; pode-se ainda governar o leme por eles, em caso de emergência quando se perder ou avariar a cana do leme. O fiel deve ser sempre passado, logo que se calar o leme;
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    - 86 - 11– Porta do leme – (leme) – É uma peça de madeira, servindo para o governo da embarcação; é geralmente constituído de uma só tábua (porta do leme), e as suas partes principais são: madre, cabeça, e porta do leme; 12 – Pinha – Tem por função evitar que o fiel recorra; 13 – Espelho de popa – Também conhecido como painel de popa, é uma tábua de madeira grossa, dando forma à popa da embarcação; 14 – Cana do leme – Barra de madeira ou de ferro, que se coloca na cabeça do leme e pela qual se pode movimentá-lo, e assim governar a embarcação; 15 – Bancada – Prancha disposta de um bordo a outro, servindo para nelas sentarem os remadores e também para travamento da embarcação; elas descansam as suas extremidades na parte interna do costado; 16 – Cavernas – Peças curvas que se fixam na quilha e em direção perpendicular a ela e que servem para dar forma ao casco e sustentar o chapeamento exterior. Caverna mestra é a caverna situada na seção mestra. Cavername é o conjunto das cavernas do casco; 17 – Castelo – Tabuado na proa, que é cavilhado aos dormentes, ficando no mesmo nível das bancadas; 18 – Bico de proa – Parte mais extrema da proa; 19 – Castanhas – Pequenas peças de madeira com entalhes para receber os finca-pés; 20 – Finca pés – Hastes de madeira forte, colocadas no fundo da embarcação, servindo para nelas os remadores firmarem os pés; apoiam-se nos entalhes das castanhas, sem ficarem presos e devem também estar marcados com o número da bancada a que servem, além do número da embarcação. Podem ainda tomar o nome de escoras, servindo para escorar a embarcação quando colocada em seco, apoiando-se exteriormente no verdugo;
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    - 87 - 21– Governaduras – Conjunto de machos e fêmeas de latão ou ferro e pelos quais se fixa o leme ao espelho de popa, permitindo o movimento dele em torno do eixo vertical. Para cada leme são colocados dois pares de governaduras; 22 – Caverna – Peça de madeira flexível, recurvada, nas embarcações leves, ou de madeira trabalhada nas embarcações pesadas. Uma de suas extremidades é presa em entalhes abertos na quilha, ficando a outra ligada ao alcatrate; 23 – Bueiros – São furos abertos nas tábuas do resbordo, junto à quilha, servindo para esgoto das águas, quando se iça ou encalha a embarcação; são taponados com bujões de rosca, ou válvulas automáticas; 24 – Bujões – Servem para taponar os bueiros; 25 – Pés de carneiro – Colunas suportando o peso das bancadas; 26 – Fêmea – As fêmeas são constituídas de um olhal e um braço, e ficam colocadas, uma na parte inferior da madre e a outra na parte superior do painel de popa; 27 – Macho – O macho é constituído de um perno e um braço. um dos machos é colocado na parte inferior do painel de popa, e o outro na parte superior da madre; 28 – Madre – Parte de ataque da porta do leme onde se fixam as governaduras. Geralmente é reforçada por uma chapa latão ou outro metal; 29 – Remo – Haste de madeira leve (geralmente a faia), servindo para movimentar a embarcação, quando impulsionados pelos remadores. Para escolha dos remos, o seu comprimento é dado por uma regra prática: nas embarcações de palamenta, 2 bocas, e nas embarcações de voga, 2,5 bocas; a boca é tomada na seção correspondente à bancada onde vai trabalhar o remo. Além do número da embarcação, os remos devem trazer, próximo aos punhos o número da bancada em que vão servir, a partir do voga, que tem o número 1. As embarcações devem ter sempre dois ou três remos de sobressalente, incluindo a esparrela. Chama-se esparrela ao remo colocado na popa da embarcação, servindo de leme de fortuna, em caso de mar grosso,
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    - 88 - oupara aterragens, quando a embarcação pode não obedecer ao seu leme, que fica fora d’água ou corre com o mar; 30 – Haste – Parte compreendida entre os extremos do remo; 31 – Pá – Extremidade, larga e achatada que trabalha na água durante a remada; 32 – Ascoma – Forra a parte da haste que trabalha na forqueta, é de couro, lona grossa ou material sintético. A operação de forrar chama-se ascomar um remo. A ascoma deve ficar a uma distância do punho de 1 boca menos 20cm na embarcações de palamenta, e meia boca menos 20cm nas embarcações de voga. A ascoma é usualmente pregada no remo por meio de pequenas taxas ou então é cozida sobre si mesma, de maneira tão justa que não posas sair do lugar; e 33 – Punho – É a parte cilíndrica mais fina, onde os remadores apoiam as mãos. 6.4 – DEFINIÇÕES DO LIVRO ARTE NAVAL . Cabeça do leme – Extremidade superior do leme onde se aloja a cana do leme; . Paineiros – É o espaço que fica na popa, tendo bancadas ao redor, e onde se sentam os passageiros. Geralmente, o assoalho do paineiro é formado de seções de tábuas ou xadrez, chamadas quartéis; . Alcatrates – Peças de madeira colocadas de proa a popa, prendendo-se às extremidades superiores das cavernas; elas determinam o tosamento da embarcação; . Buçarda – Peça de madeira, de forma curva, colocada na parte interna da proa; serve para reforçar a proa e para travamento dos topos dos alcatrates; . Dormentes – Peças de madeira forte, situadas um pouco abaixo dos alcatrates, paralelamente a eles e também de proa a popa. São presos às cavernas e se destinam a suportar as bancadas da embarcação;
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    - 89 - .Escoas – Tábuas delgadas pregadas nas cavernas interiormente, no fundo e no bojo da embarcação; impedem que os homens pisem nas tábuas do forro e nas cavernas, reforçando ainda mais a estrutura; . Casa do cão – É o pequeno compartimento que fica por baixo do local onde senta o patrão; . Arganéus – Neles se engatam as pernadas dos estropos; as embarcações que moram num par de turcos possuem quatro arganéus, cravados: dois na quilha ( um a vante e outro a ré), um na roda de proa e outro no cadaste. As embarcações que são içadas por lança, tendo um só estropo, possuem apenas dois arganéus, cravados na quilha; . Olhais – Fixos aos alcatrates, são cravados os olhais em que se passam as trapas dos estropos da embarcação; e . Croque – Gancho de metal, com cabo de madeira, servindo para aguentar atracada uma embarcação e auxiliá-la a atracar ou largar. Usualmente, há três croques numa palamenta: um para a proa, outro para a popa e um de sobressalente; seu tamanho é variável com o porte da embarcação. Um croque deve ter a flutuabilidade necessária para não ir a pique se cair n’água, e para isso o cabo deve ser de madeira leve. Ao se receber um croque novo, uma boa prática é experimentar sua flutuabilidade na água, amarrando-o com um cabo fino. 6.5 – DOTAÇÃO DE UM ESCALER Dotação é o conjunto de todos os objetos pertencentes a uma embarcação e não fixos ao casco; consta de palamenta, meastreação e velame, os dois últimos quando o escaler for destinado à vela também. A dotação deve ser marcada com o número da embarcação a que pertence, conservada com o necessário cuidado, e arrumada a bordo dela ou em paiol próprio, mas de modo que não pegue nunca a saída da embarcação por falta de suas peças. 6.5.1 – Palamenta É o conjunto dos objetos usados no serviço comum da embarcação e na sua movimentação a remos. Quando do uso de escalares em escolas de formação e não a bordo, resume-se a palamenta necessária a: Leme
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    - 90 - Canado leme Remos (10 + 2 sobressalentes) Forquetas (10 + 2 sobressalentes) Croque Coletes salva-vidas (11) Cabos de atracação (2) Quando usados em competições, são dispensados os coletes salva-vidas e croque. 6.6 – TURCOS As embarcações são içadas e arriadas por meio de turcos, lanças e guindastes. Os turcos são quase sempre aparelhados aos pares, servindo apenas às embarcações que neles moram; somente as chalanas, jangadas e botes pequenos podem ser manobrados por um turco singelo. Os turcos permitem uma manobra mais rápida de arriar, e por isto são os únicos aparelhos usados para as embarcações dos navios mercantes, nos quais não se faz objeção ao espaço que elas ocupam. Disparar um turco é movimentá-lo para fora. 6.6.1 – Nomenclatura dos Turcos
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    - 91 - 1– Cabeça – Extremidade superior, que termina num olhal onde engata o aparelho de içar; 2 – Curva – Parte superior, curva; possui, a meia altura, uma roldana sobre a qual labora o tirador durante a manobra de arriar e içar; 3 – Pé – Parte inferior, que descansa em cachimbo de ferro; 4 – Cunho – Peça de metal localizada a meio turco cuja função é receber o tirador e fixá-lo; 5 – Estralheira – Aparelho de laborar utilizado para içar e arriar o escaler; 6 – Patarrases – Cabos de arame em número de três, o patarrás de vante, o do meio, e o de ré, servindo para aguentar os turcos na posição conveniente. O patarrás liga as cabeças dos dois turcos. Os patarrases de vante e de ré terminam em mão com sapatilho aos quais se fixam cabos de fibra (fiéis) para dar volta nos olhais colocados junto à borda, no convés, para vante e para ré dos turcos, respectivamente; 7 – Andorinhos – Também chamados de retinidas de guia, são cabos de fibra, em número de quatro ou seis, amarrados a intervalos iguais no patarrás do meio; neles os homens se seguram quando a embarcação é arriada guarnecida, o que se faz em mar grosso; 8 – Cabos de cabeço – Dois cabos singelos, de fibra, cada um amarrado à cabeça de um turco. Têm as seguintes utilidades num par de turcos: Estando arriada a embarcação e havendo correnteza, facilitam as manobras de engatar e desengatar as talhas;
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    - 92 - Opessoal pode embarcar por eles, com a embarcação arriada no mar; Aguentam o peso da embarcação nos momentos que antecedem ao içamento; 9 – Estropos – Os estropos das embarcações são constituídos por duas pernadas de corrente ou cabo de arame forte, ligadas a um arganéu, e tendo nos outros chicotes os gatos que vão engatar nos arganéus da quilha, da roda, ou do cadaste da embarcação. Ao arganéu do estropo prendem-se ainda duas outras pernadas de menor resistência e que tomam o nome de trapas; as trapas vão engatar em olhais por dentro da falca e servem para não deixar a embarcação ficar adernada durante a manobra de içar ou arriar. Elas podem ser de cabo, pois não suportam o peso da embarcação, o qual deve ser sempre exercido sobre a quilha; 10 – Cabide – Peça de metal existente no turco, onde descansa a estralheira; 11 – Arganéu – Localizado ao lado dos turcos, cuja função é aguentar a patesca; 12 – Patesca – Consta de uma caixa semelhante a de um moitão, porém mais comprida e aberta de um lado, a fim de se poder gurnir ou desgurnir um cabo pelo seio. A ferragem é adaptada com charneira, de modo que se pode fechar a patesca depois de se colocar o cabo que se vai alar. Serve para retorno de um cabo qualquer, sendo muito usada para este fim no tirador de um aparelho de laborar; 13 – Charneira – Peça de metal que permite a abertura ou o fechamento da patesca; 14 – Tirador – Chicote do cabo do aparelho de laborar, por onde se ala o cabo; 15 – Gato – Peça de metal em forma de gancho; 16 – Cachimbo – Parte da estrutura da ponte sobre o qual descansa o turco; e 17 – Roldana – Dá retorno ao tirador.
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    - 93 - 6.7– MANOBRAS NA INSTRUÇÃO DE REMO EM ESCALER 6.7.1 – Arriando o Escaler O patrão formará a guarnição do escaler junto à sala de estado, em formatura por três, e solicitará permissão para prosseguir com a instrução de remo. Exemplo: “Aluno 3167 Rocha Martins. Permissão para prosseguir com a instrução de remo em escaler”. O patrão já deverá ter em mente a hora em que a embarcação será arriada, pernadas e hora de atracação, pois se o Oficial de Serviço perguntar, a resposta deverá ser pronta e imediata. Em seguida o patrão desloca, sem cadência, o grupo até o paiol de barcos, onde a palamenta da embarcação será apanhada e colocada em frente ao escaler na ponte. Em seguida determina que a guarnição forme por dois, paralelamente ao escaler, partindo da proa para popa, proas, sota proas, meios de bancada, sota vogas e vogas. Após obtida a permissão do oficial de serviço, o patrão ordenará: Proeiros embarcar – Os proeiros embarcam, safam os cabos de cabeço, fecham os bueiros, calam o leme (O primeiro cuidado é gurnir uma das pernadas do fiel num dos cunhos, para que em caso de incidente, o leme não venha a cair na água), verificam a ordem da palamenta e cabos de cabeço, embarcam as forquetas. (proeiro de BE na popa e proeiro de BB na proa); Embarcar remos – Os proeiros recebem os remos dos sota vogas e os acomodam a centro, na linha longitudinal do escaler com as pás voltadas para a popa. Clarear – Os sota-proeiros e meios de bancada desfarão as aduchas e clarearão os tiradores, que deveram ficar disparados na ponte, no sentido da puxada; Guarnecer tiradores – O pessoal de BE guarnece o tirador de ré e o de BB o tirador de vante, de acordo com a disposição da formatura, a partir dos vogas, que devem trabalhar a uma distância de um metro do turco; Sob-mão – Os vogas e sota vogas desfarão a volta no cunho e retornarão a sua posição na formatura, a fim de auxiliar os demais componentes da guarnição a aguentar o escaler sob- mão;
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    - 94 - Arriar– A guarnição solecará os tiradores e arriará o escaler a uma; Atenção para guarnecer bancadas – Deverão ser executados os seguintes eventos: Os proeiros desengatarão as estralheiras, que serão recolhidas pelos vogas e colocadas nos cabides; Os proeiros aguentarão o escaler pelos cabos de cabeço e evitarão que o mesmo se choque com a ponte; e Guarnecer bancadas – Toda a guarnição, à exceção do patrão, descerá pelos de cabos de cabeço; o pessoal de BE pelo cabo de ré e o pessoal de BB pelo cabo de cabeço de vante a partir do voga, ocupando seus lugares nas bancadas. Finalmente o patrão descerá pelo cabo de cabeço, guarnecerá o leme e comandará o escaler. 6.7.2 – Largando com o Escaler Para largar o patrão dará as seguintes vozes: Remos ao alto – Todos seguram seus remos, levantando-os na vertical, com o punho apoiado no fundo do barco, alinhados com os vogas, com as pás paralelas à quilha; Vogas e sota-vogas armar remos – Os vogas e sota-vogas farão disparar os remos, colocando-os nas forquetas, com as pás na vertical e prontos para iniciar a remada; Abre a proa – O proeiro empurra a ponte afastando o escaler, largando o cabo de cabeço; Proeiros guarnecer – Os proeiros tomam suas posições e empunham os remos ao alto com as pás paralelas à quilha; Guarnição, armar remos – A guarnição dispara os remos, colocando-os nas forquetas, coma as pás na vertical e prontos para iniciar a remada; Atenção escaler – Todos ficam atentos para o início da manobra; Remos avante – Os remadores devem trazer os punhos de seus remos avante do corpo na altura do peito, ficando preparados para iniciar a remada com os remos quase tangenciando a superfície d’água;
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    - 95 - 6.7.3– Vozes de manobra durante o deslocamento Remos n’água – Os remadores mergulham as pás perpendicularmente à superfície da água e aguentam os punhos imobilizando os remos. Muito utilizado quando se deseja quebrar o seguimento da embarcação; Picar a voga – A cadência das remadas deve ser mais rápida; Voga larga – A cadência das remadas deve ser lenta, aproveitando bem o esforço de cada remada; Arvorar – Os remadores param de remar, levando os remos à horizontal, pás perpendiculares à água e hastes perpendiculares à linha longitudinal da embarcação; Remos à ré – Os remadores devem trazer os punhos junto ao corpo na altura do peito, ficando preparados para iniciar a remada (ciar remos) com os remos quase tangenciando a superfície d’água Ciar remos – Os remadores remam para trás, empurrando o remo; Safar remos – Colocam-se os remos no prolongamento da embarcação, bastando-se apenas que levem os punhos dos remos para ré ou para vante, encostando-os (os punhos) na falca; e Remos ao alto – Os remadores retiram os remos das forquetas colocando-os na vertical, com o punho apoiado ao fundo do barco e as pás paralelas à quilha. Usado para cumprimentar outras embarcações. Os vogas ficam com os remos n’água. 6.7.4 – Atracação Para atracar, com o escaler ainda ao largo, o patrão dará as seguintes vozes: Guarnição, arvorar remos – Exceto os vogas e sota-vogas, a guarnição para de remar, tira os remos das forquetas, deita-os entre as bancadas, na linha longitudinal da embarcação com as pás voltadas para a popa; o proeiro de BB dirige-se para a proa e o de BE para a popa com o fim de escorar o escaler de modo que o mesmo não se choque com a ponte; os vogas e sota- vogas continuam a remada;
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    - 96 - Vogase sota-vogas arvorar remos – Os vogas e sota-vogas param de remar, tiram os remos da forquetas e os deitam na bancada, com as pás voltadas para a popa. Os proeiros colhem os cabos de cabeço e, por meio deles, aguentam o escaler; e Guarnição, desembarcar – O pessoal de BE sobe pelo cabo de cabeço de ré a partir do voga e o de BB pelo cabo de cabeço de vante a partir do sota-proeiro. A guarnição forma na ponte ao longo dos tiradores, com os vogas junto aos respectivos turcos e o restante da guarnição a partir da patesca. 6.7.5 – Içando o escaler Para içar, o patrão dará as seguintes vozes: Guarnecer tiradores – A guarnição guarnece os tiradores; Sob-mão – Quando o escaler atingir a altura normal de descanso nos turcos, é dada a voz de sob-mão e os vogas e sota-vogas dão a volta no cunho e retornam as suas posições; Clarear – Os proeiros descalarão o leme, darão volta nos cabos de cabeço, arrumarão os remos, retirarão os bujões, enquanto o restante aducha os tiradores junto ao turco; Terminada a faina, o patrão forma sua guarnição na ponte, no mesmo dispositivo do início do exercício, levando a guarnição, sem cadência, até o Oficial de Serviço onde apresentará o grupo. Exemplo: “Aluno 3167 Rocha Martins. Encerrada a instrução de remo em escaler, embarcação a bordo”. Em seguida o mais antigo manobra o grupo a fim de guardar toda a palamenta no paiol de barcos.
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    - 97 - 6.7.6– Quadro resumo das manobras com o escaler sem seguimento Manobra Cana do leme BE BB Voz Observação Largar A meio Remos avante Remos avante Larga Os remadores iniciam a re- mada; Guinar para BE Para BB Remos n’água Remos avante BB larga Manobra mais rápida; Para BB Remos avante Remos avante BB e BE larga Manobra rá- pida mas a embarcação adquire gran- de segmento; Guinar para BB Para BE Remos avante Remos n’água BE larga Manobra mais rápida; Para BE Remos avante Remos avante BB e BE larga Manobra rá- pida mas a embarcação adquire gran- de segmento; Conjugado para BE Para BB Remos a ré Remos avante BB e BE larga Manobra rá- pida e a em- barcação gira no mesmo ponto; Conjugado para BB Para BE Remos avante Remos a ré BB e BE larga Manobra rá- pida e a em- barcação gira no mesmo ponto; Ciar A meio Remos a ré Remos a ré Larga Os remadores remam em- purrando o remo;
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    - 98 - 6.7.7– Quadro resumo das manobras com o escaler com segmento Manobra Cana do leme BE BB Voz Observação Largar A meio Remos avante Remos avante Larga Os remado- res iniciam a remada de forma rela- xada, pois a embarcação já está com seguimento; Guinar para BE Para BB Remos n’água Remando BE remos n’água Manobra mais rápida porém dimi- nui a veloci- dade da em- barcação e os remos de BE tendem a afogar ou enforcar; Para BB Remando Remando *** Recomenda- do, pois a diminuição de velocida- de é mínima e não há ris- co de enfor- car ou afogar remos; Guinar para BB Para BE Remando Remos n’água BB remos n’água Manobra mais rápida porém dimi- nui a veloci- dade da em- barcação e os remos de BB tendem a afogar ou enforcar; Para BE Remando Remando *** Recomenda- do, pois a diminuição de velocida- de é mínima e não há ris- co de enfor- car ou afogar remos;
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    - 99 - Conjugadopara BE *** *** *** *** Não reco- mendado. Enforcamen- to e afoga- mento de remos. Conjugado para BB *** *** *** *** Não reco- mendado. Enforcamen- to e afoga- mento de remos. Ciar *** *** *** *** Não reco- mendado. Enforcamen- to e afoga- mento de remos.
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    - 100 - CAPÍTULO7 CABOS UTILIZADOS A BORDO 7.1 – CLASSIFICAÇÃO Os cabos, de um modo geral, podem ser classificados, segundo a matéria-prima utilizada em sua confecção, em cabos de fibra ou de aço. - Cabos de fibra . Cabos de fibras naturais – Confeccionados com as fibras do caule ou das folhas de algumas plantas têxteis, tais como manilha, sisal, linho cânhamo, linho cultivado, coco, juta e algodão. Atualmente, os cabos de fibras naturais mais empregados a bordo são confeccionados com manilha e sisal; e . Cabos de fibras sintéticas – Nesta categoria incluem-se os cabos confeccionados com matéria plástica, entre elas náilon, polipropileno, polietileno, poliéster e kevlar. - Cabos de aço – Confeccionados principalmente com fios de arame de aço, podendo ser utilizado o ferro na confecção de cabos de qualidade inferior. 7.2 – PRINCIPAIS CABOS UTILIZADOS A BORDO Atualmente, quase todos os cabos utilizados nos navios são confeccionados de fibras sintéticas pois estas apresentam características superiores às das fibras naturais. Para algumas fainas, ainda podemos ver presentes em nossos navios cabos de sisal. 7.2.1 – CABO DE SISAL Oriundo do México, Haiti e África. É uma fibra encontrada nas folhas de uma planta sem caule, muito semelhante ao pé de abacaxi. O sisal é muitas vezes empregado como substituto da manilha na manufatura de cabos, por ser mais barato, mas sofre muito a ação do tempo. Além disso, a fibra do sisal não é tão lisa e macia como a da manilha, de modo que um cabo feito de sisal apresenta-se com asperezas e pontas salientes. Uma vantagem do sisal sobre a manilha é aceitar melhor o alcatrão. O sisal tem uma resistência à tração de cerca de 17kg/mm2, isto é, 20% a menos que a manilha, e se enfraquece bastante com a umidade. 7.2.2 – CABOS DE NÁILON A melhor fibra dos cabos de bordo é o náilon, que apresenta qualidades superiores às fibras naturais. Náilon é o nome dado por E.I. DuPont de Nemours Company à matéria plástica derivada do petróleo. Comparando dois cabos de mesmo diâmetro, os cabos de náilon, dependendo de sua qualidade, têm uma resistência de 2 a 3 vezes maior que a dos cabos de fibra natural.
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    - 101 - Deuma maneira geral, com base na resistência, cabos de náilon com a metade do diâmetro dos de fibra natural podem fazer a mesma tarefa e possuírem maior elasticidade e resistência ao desgaste, o que os torna adequados a diferentes usos, como, por exemplo, nos serviços de reboque. Eles não absorvem umidade, sendo desnecessário, e até inconveniente, fazê-los secar ao sol; recebem perfeitamente bem os nós e costuras e são de melhor aparência que qualquer outro cabo. Quando cortados por uma faca quente, as pontas das fibras ficam coladas umas às outras, o que reduz a possibilidade de ficar o cabo descochado (destorcido); isto não quer dizer, entretanto, que não se deva falcaçar o chicote. A colagem das pontas das fibras pode ser feita com ferro quente e é recomendada pelos fabricantes. A elasticidade do náilon é de 25% a 33% de seu comprimento, isto é, 2,5 a 4,5 vezes a maior elasticidade que encontramos nas fibras naturais, o que é uma grande vantagem em determinadas aplicações, como reboque de navios e travamento de aviões no pouso em navios-aeródromos. Para emprego em espias o náilon apresenta ainda vantagens adicionais: quando molhado, retém de 85% a 95% de sua resistência quando seco; imerso na água, pesa somente 11% de seu peso no ar. Considerando ainda que um cabo mais fino de náilon resiste ao mesmo esforço de uma espia mais grossa de fibra natural, pode-se avaliar como se torna muito mais fácil de manobrar, principalmente numa embarcação que tenha de conduzir uma espia para terra ao atracar o navio, porque ele flutua. O cabo de náilon custa cerca de seis vezes, por quilograma, mais do que o de fibra natural. Mas ele é muito mais durável e mais resistente a graxas e ácidos do que qualquer cabo de fibra natural. Contudo, as costuras nos cabos de náilon devem ser bem apertadas, e devem ter mais uma cocha (torcida) do que nos cabos de fibra natural; deve-se evitar a exposição continuada dos cabos finos de náilon à luz solar, pois os raios ultravioleta eventualmente danificam sua superfície, mas este inconveniente é desprezível nos cabos grossos. As características que um cabo de náilon apresenta demonstrando que está próximo ao limite de resistência são o seu esticamento e a diminuição do diâmetro. Os ruídos de protesto que os cabos de fibra natural apresentam, quando por demais tensionados, só ocorrem nos cabos de náilon enquanto as pernas se reajustam. Um aumento de 33% do seu comprimento é normal e um aumento de 40% representa o seu ponto crítico. Porém, o cabo só se partirá, com uma forte chicotada, ao esticar cerca de 50%. Trabalhando-se com cabos de náilon sob volta, deve-se tomar cuidado com a fusão de suas fibras, devido ao calor gerado pelo atrito.
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    - 102 - Hámuitos outros cabos de matéria plástica, com as mesmas características do náilon, de nomes diferentes patenteados pelos fabricantes.Tem-se notícia de que a Marinha americana já utiliza espias de náilon com alma de Kevlar, material muito resistente à tração, porém muito vulnerável à umidade. A principal vantagem é o amortecimento da chicotada em caso de rompimento. O náilon é a mais forte das fibras sintéticas e apresenta uma alta capacidade de absorção de energia, além de excepcional resistência a sucessivos carregamentos. Foi a primeira poliamida a ser descoberta, sendo produzida a partir do diamino hexametileno. O teste convencional de abrasão mostrou que os cabos de náilon têm vida útil superior aos outros do grupo das fibras sintéticas. A vida mais longa deste tipo de cabo tem origem em três fatores. O primeiro deles é que as fibras poliamídicas (denominação genérica das resinas termoplásticas, em que se inclui o náilon) têm excelente resistência à abrasão. O segundo fator são os filamentos lubrificados que protegem as fibras internas da abrasão causada pela fricção das pernas. O terceiro e último fator é a formação de um escudo protetor nas fibras rompidas na superfície dos cabos durante a abrasão, evitando danos nos filamentos internos. O comportamento dos cabos de náilon nos diversos testes de resistência a que são submetidos durante seu uso é superior a todos os outros produtos feitos com resinas termoplásticas, com propriedades similares, mas de composições químicas diferentes, como podemos observar a seguir: · absorção de água – a quantidade de água absorvida pelos cabos de náilon equivale a 20% do seu peso, e eles sofrem pequena ou nenhuma transformação com a absorção deste líquido. Mesmo após longo contato com a água, até em regiões muito frias, os cabos se mantêm flexíveis e de fácil manuseio. · abrasão e fricção – a grande flexibilidade garante ao náilon uma alta resistência à abrasão. Em testes de fricção reversa sob tensão, os cabos de náilon têm uma resistência 80 vezes superior aos de fibra natural de igual diâmetro. · resistência ao tempo e ao sol – os cabos de náilon possuem muito boa resistência à degradação pela luz solar e pelo tempo; os de diâmetro superior a uma polegada dispensam cuidados especiais em relação aos raios solares. 7.2.3 – CABOS DE POLIPROPILENO A utilização do polipropileno no mercado de fios e cabos em geral deve-se às suas excelentes propriedades mecânicas e ao seu baixo peso específico. Não se deve dizer que esta fibra sintética seja exatamente um produto forte, mas apresenta grandes vantagens quando empregada como cabo de reboque (shock-line), pois flutua, facilitando a passagem do dispositivo.
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    - 103 - Oscabos de polipropileno quase não absorvem umidade e, mesmo quando molhados, são de fácil manuseio nas atracações, para emendas quando necessário ou mesmo na confecção das mãos. 7.2.4 – CABOS DE POLIETILENO A grande aceitação do polietileno no mercado consumidor deve-se a uma combinação de propriedades químicas e físicas excelentes, quando esta fibra se apresenta em alta densidade. O polietileno de alta densidade é um polímero poliolefínico obtido a partir da polimeração do etileno, com o qual são formadas macromoléculas em forma de longas cadeias com segmentos idênticos. Dois fatores influem nas propriedades químicas do polietileno de alta densidade: o peso molecular e a densidade das resinas. É o fator densidade que vai determinar a capacidade de permeabilidade aos líquidos e também aos gases. Já o peso molecular influi sensivelmente na resistência ao fissuramento sob tensão, em presença de agentes químicos. A ótima resistência do polietileno a um grande número de agentes químicos (álcalis, ácidos, hidrocarbonetos etc.) resulta da composição de sua resina e de um alto grau de cristalinidade. Quanto mais alta a densidade de um polietileno e maior o seu peso molecular melhor será a resistência aos agentes químicos. 7.3 – PROPRIEDADES E CONSTRUÇÃO DOS CABOS DE FIBRA SINTÉTICA A fabricação dos cabos é realizada pela união e torção de determinado número de fios primários; reunião e retorção destes, até se chegar às pernas, que são reunidas, torcidas e/ou trançadas. Atualmente no mercado há dois tipos básicos: a. Cabo torcido de três pernas – Cabos de seção circular. As pernas são feitas com fio triplo de uma só espessura e todas devem ter igual número de fios. A sua arquitetura apresenta pernas com torção à esquerda “S” e fechamento do cabo com torção à direita “Z” e vice-versa. O comprimento da torção de uma perna é a extensão de um movimento espiral descrito pelos fios em volta do perímetro da perna, ou seja, é a extensão da passagem consecutiva de uma perna pela mesma geratriz do cabo. b. Cabo trançado de oito pernas (4x2) – Cabos de seção quadrada. A sua arquitetura apresenta quatro pernas com torção à esquerda “S” e quatro pernas com torção à direita “Z” trançadas aos pares. É um tipo de cabo que só é fabricado de fibra sintética. Os cabos trançados apresentam grande flexibilidade em estado seco ou molhado.
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    - 104 - 7.4– FUSÍVEL DE ESPIAS Fusível é um cabo sintético de pequena bitola preso à espia em dois pontos próximos da alça, cerca de uma braça e meia, de tal modo que se rompa, caso a espia estique além de sua carga segura de trabalho. Quando este ponto é atingido, o fusível fica esticado, indicando que há o perigo de o cabo romper-se. Uma espia de fibra sintética pode ser submetida repetidas vezes a sua carga segura de trabalho, sem danificar o cabo ou reduzir sua vida útil. Sob o ponto de vista de segurança e economia, faz sentido ter o cuidado de não exceder a carga segura de trabalho. Arquitetura de um cabo torcido Arquitetura de um cabo trançado
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    - 105 - Cabosde náilon e poliéster praticamente não sofrem decréscimo na carga de ruptura decorrente da exposição à luz solar; mas os de polipropileno sim. Os cabos de polipropileno podem perder até 40% de sua resistência à ruptura em 3 meses de exposição ao sol tropical. Quando um cabo sintético é submetido à tração, ele estica; ao retirar-se a carga, ele volta ao comprimento original. Esta recuperação, no entanto, leva algum tempo. Se um cabo foi submetido a tração elevada por muito tempo, a sua recuperação total pode levar um mês. Felizmente, a maior parte desta recuperação ocorre nos primeiros três minutos após cessar a tração. Esta característica dos cabos sintéticos é chamada de memória. Por causa da memória, cabos sintéticos não devem ser aduchados em sarilhos tracionados por motores ou similar. Se um cabo é colocado num sarilho, com tração motor (tensionado), as voltas em seu tambor entrarão apertadas, não havendo espaço para que o cabo recupere o seu comprimento original, então o cabo continuará a recuperação no sarilho, ficando cada vez mais apertado; em muitos casos, isto causará avaria ao sarilho e ao cabo por ocasião de sua retirada. Os cabos sintéticos que forem submetidos a grandes trações podem apresentar áreas brilhantes onde o cabo atritou contra cabeços e buzinas. Essas áreas brilhantes são causadas pela fusão das fibras de náilon ou pela tinta dos acessórios onde o cabo atritou. Após longos períodos de uso, o cabo pode se apresentar cabeludo. Nos dois casos, o efeito sobre a resistência à ruptura é desprezível. Quando tal situação for excessiva e localizada, a parte danificada deve ser cortada, e feita emenda através de uma costura. 7.4 – CABOS DE AÇO 7.4.1 – ARAMES OU FIOS – Fios de aço carbono ou aço liga, obtidos por laminação ou trefilação. Os fios devem ser contínuos;se necessárias, emendas são admitidas, desde que realizadas antes do torcimento dos fios para formação das pernas e por caldeamento ou solda elétrica. 7.4.2 – PERNA – Conjunto de fios torcidos, em forma de hélice, podendo ou não ter um núcleo ou alma, de material metálico ou não. 7.4.3 – CABO DE AÇO – Conjunto de pernas dispostas em forma de hélice, podendo ou não ter um centro ou alma, de material metálico ou não, constituindo-se em um elemento flexível de transmissão de força. 7.4.4 – ALMA – Núcleo em torno do qual as pernas são dispostas em forma de hélice. Nos cabos de fibra recebe a denominação de madre do cabo. A alma pode ser constituída de fibras natural ou artificial, podendo ainda ser formada por uma perna ou um cabo de aço independente.
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    - 106 - 7.4.5– TORÇÃO À DIREITA – O torcimento das pernas de um cabo é feito da direita para a esquerda. 7.4.6 – TORÇÃO À ESQUERDA – O torcimento das pernas de um cabo é feito da esquerda para a direita. 7.4.7 – CARGA DE RUPTURA MÍNIMA EFETIVA – É a força mínima, expressa em quilonewtons (kn) e quilograma-força (kgf) que deve ser atingida no ensaio de resistência à tração até à ruptura. 7.4.8 – CARGA DE TRABALHO – É a maior força efetiva, expressa em quilonewtons (kn) e quilograma-força (kgf), estática ou de esforço dinâmico, resultante do trabalho a que o cabo deve ser submetido. 7.4.9 – CONSIDERAÇÕES GERAIS Os cabos de aço são constituídos por um número variável de pernas, torcidas (cochadas) com inclinação uniforme e menor que a dos cabos de fibra, em torno de uma alma. As pernas são
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    - 107 - confeccionadascom um número também variável de fios torcidos em torno de uma alma, que pode ser de aço (AA) ou de fibra (AF), conforme a relação flexibilidade-resistência desejada. A alma de fibra, em geral, dá mais flexibilidade ao cabo de aço, podendo ser confeccionada com fios torcidos de fibras naturais ou fibras artificiais (sintéticas). Essas últimas apresentam as mesmas vantagens das fibras naturais, não se deterioram em contato com a água ou substâncias agressivas e não absorvem umidade, o que representa uma garantia contra o perigo de corrosão no interior do cabo de aço. A desvantagem da utilização da fibra artificial é seu elevado custo em relação às fibras naturais, o que limita seu uso a cabos especiais. Os fios de fibra da alma deverão ser tratados, durante a fabricação, com lubrificação especial que contenha composto de cobre (Cu) ou outro material preservativo, a fim de evitar a deterioração. A alma de aço garante maior resistência aos amassamentos e aumenta a resistência à tração. Um cabo de seis pernas com alma de aço apresenta um aumento de 7,5% na resistência à tração e aproximadamente 10% no peso em relação a um cabo com alma de fibra de mesmo diâmetro e construção. As características dos cabos de aço e os processos de sua fabricação variam extraordinariamente, de acordo com as necessidades do serviço desejado. A espécie de matéria-prima, o número e a disposição dos fios da perna, e das pernas no cabo e o tipo de alma permitem fazer variar, em grande escala, as duas propriedades mais desejadas no cabo de aço: resistência e flexibilidade. Nos cabos de laborar, por exemplo, tem-se que assegurar uma certa flexibilidade, mesmo com prejuízo da resistência. Nos aparelhos fixos dos navios, ao contrário, exige-se um esforço permanente sobre o cabo, o que lega à resistência uma importância máxima; neste caso, a galvanização se torna necessária, em virtude de sua exposição ao tempo. Os cabos de aço mais comuns são constituídos por seis pernas torcidas em torno de uma alma de fibra , mas o número de fios por perna e a alma destas pernas dependem do grau de flexibilidade desejado. Para um mesmo diâmetro de perna, quanto maior for o número de fios maior será a flexibilidade do cabo. Também serão mais flexíveis os cabos cujas pernas tiverem uma alma de fibra, em vez da alma de aço. O uso da alma de fibra não somente contribui para a flexibilidade, mas tem ainda a vantagem de constituir um coxim, no qual as pernas dos fios se apertam quando o cabo se distende sob o esforço de uma tensão forte, agindo assim, com a elasticidade própria do fio e a espiral das torcidas, para reduzir o efeito de uma lupada. Sempre que o cabo for lubrificado, a alma absorve uma parte do lubrificante, servindo como depósito para a lubrificação dos fios internos, diminuindo deste modo o atrito mútuo interior.
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    - 108 - Aresistência de um cabo de determinado tipo depende do diâmetro e da matéria prima de que é feito. Os cabos de aço empregados a bordo são classificados em tipos padrões, entre eles: 6x7; 6x12; 6x19; 6x24; 6x37. O número 6 indica o número de pernas e o segundo número mostra quantos fios tem cada perna. Assim, um cabo 6 x 12 tem seis pernas de 12 fios. O mais usado é o de 6 x 37, considerado aquele em que se reúnem as melhores qualidades desejadas de um cabo de aço, realizando a combinação ideal entre a resistência e a flexibilidade. 7.4.10 – MEDIÇÃO DOS CABOS DE AÇO A medição da bitola dos cabos de aço geralmente é feita pelo seu diâmetro, em milímetros, ou em polegadas. Ao medi-los, deve-se ter o cuidado de colocar o calibre no sentido da maior grossura, isto é, na direção de duas pernas opostas, pois o diâmetro do cabo é o da circunferência que o circunscreve. Para a medida precisa do diâmetro de um cabo de aço, devemos utilizar um calibre em três partes do cabo distantes entre si de, pelo menos, 1,5 metro; a média destes três diâmetros será o diâmetro do cabo. A bitola dos cabos de aço empregados a bordo vai desde 1/4 até 2 3/4 polegadas de diâmetro. O comprimento é medido em metros. 7.4.11 – TERMOS NÁUTICOS REFERENTES AOS CABOS E SUA MANOBRA Aguentar sob volta – Segurar um cabo que esteja portando, dando uma, duas ou mais voltas redondas para mantê-lo sob mão. Alar – Exercer tração num cabo para executar qualquer manobra. Alar de leva-arriba – Alar caminhando sem parar.
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    - 109 - Alarde lupada – Alar aos puxões, com os intervalos necessários para que o pessoal mude a posição das mãos ao longo do cabo. Nesta manobra é preciso que um homem aguente o socairo, que é a parte do cabo que vai sobrando e se vai colhendo. Para aguentar o socairo dá- se volta singela numa peça fixa, nada se deixando voltar do que se alou. Lupada é cada um dos puxões dados. Alar de mão em mão – Alar o cabo seguidamente, sem o pessoal sair do lugar, pagando-o alternadamente com uma ou outra mão; também, neste caso, fica aguentando o socairo numa peça fixa. Aliviar um cabo, um aparelho – É folgá-lo pouco a pouco. Amarrar a ficar – Dar um nó ou volta firme, de modo a não se desfazer por si. Diz-se principalmente ao se dar volta às manobras ou ao amarrar uma embarcação miúda para passar a noite. Amarrilhos – Fios ou linhas que se amarram os diversos objetos a bordo. Dá-se, especialmente, esse nome aos cabos com que se amarram os toldos nos vergueiros. Arriar um cabo – Largar, aos poucos, um cabo que suspende ou aguenta qualquer peça. Arriar um cabo sob volta – Consiste em não desfazer totalmente as voltas, podendo ser aguentadas quando preciso. Para arriar sob volta, em geral, deixa-se uma ou duas voltas redondas no cabo. Beijar – Fazer encostar duas peças quaisquer. Diz-se de uma adriça quando chega ao seu lugar; de uma talha quando, içando, seus poleames se tocam; de ma escota, quando o punho toca o gorne; atopetar. Boça – Pedaço de cabo ou de corrente empregado para aboçar. Brandear – Folgar um cabo, uma espia, uma amarra etc.; tornar brando um cabo; dar seio a um cabo que esteja portando. Coçado – Diz-se de um cabo que está ferido em consequência do atrito. Colher o brando – Alar um cabo que esteja com seio até que fique sem folga; rondar um cabo. Colher um cabo – Arrumá-lo em aduchas; “quem dá volta colhe o cabo”. Coseduras – Botão que se dá nas alças do poleame, nas encapeladuras, nos estais etc. Dar salto – Arriar repentinamente parte de um cabo de manobra. Desabitar a amarra – Tirar a amarra da abita. Desaboçar – Desfazer a boça do cabo. Desbolinar um cabo – Tirar-lhe as cocas. Desencapelar – Tirar as encapeladuras; tirar um aparelho de onde está amarrado. Desgurnir – Tirar os cabos de laborar dos lugares em que estão trabalhando; desfazer talhas, teques e estralheiras.
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    - 110 - Desengastar– Tirar um corpo estranho que o poleame tenha engolido com o cabo que nele labora, ou desfazer uma coca que tenha mordido no gorne. Dobrar a amarração – Aumentar o número de pernadas das espias para amarrar um navio no cais ou a outro navio. Encapelar – Lançar as encapeladuras nos lugares respectivos. Diz-se ainda encapelar um aparelho, quando se o coloca no lugar. Encapeladuras – São as partes extremas dos cabos fixos dos mastros, que ficam alceadas nos mastros, mastaréus etc. Engasgar – Diz-se de um cabo que, passando por um gorne ou um retorno qualquer, fica impedido de correr em consequência de nós, cocas, cordões arrebentados, ou qualquer corpo estranho. Enrascar – Diz-se dos cabos, velas etc. que se embaraçam entre si de modo a não poderem trabalhar regularmente. Espia – Cabo grosso que se lança de um navio para terra ou para outro navio, a fim de amarrá- lo. Fiéis – Cabos finos com que se prendem quaisquer objetos, tais como as fundas dos escaleres, as defensas etc. Furar uma volta, um nó – Diz-se assim quando a volta, ou o nó, foi dado erradamente; diz-se, também, de um teque ou talha cujos cabos ficaram enrascados no poleame. Gurnir – Meter um cabo num gorne, olhal etc., ou passá-lo num cabrestante ou num retorno. Largar por mão um cabo – Largá-lo completamente, desfazendo as voltas que possam segurá- lo. Michelos – Pequenos pedaços de cabo, fio ou linha com que se tomam botões provisórios, enquanto se faz um serviço que deles necessita. Morder um cabo, uma talha – Apertar, engasgar, entalar um cabo ou amarra; diz-se que uma talha ficou mordida quando uma das pernadas montou sobre a outra junto ao gorne do cadernal, impedindo a roldana de girar. Peias – Nome que tomam os cabos quando prendem a bordo quaisquer peças ou objetos, a fim de evitar que eles se desloquem com o jogo do navio. Pear é prender qualquer objeto amarrando-o com peias. Recorrer – Folgar. Deixar que arriem os cabos ou a amarra o quanto for necessário para aliviá-los. Diz-se também de um cabo ou amarra que arria sob a ação do próprio peso ou do esforço que aguenta. Um nó ou volta pode recorrer. Rondar – É alar um cabo ou o tirador de uma talha até que fique portando.
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    - 111 - Safarcabos – Colher os cabos nos seus respectivos lugares depois de concluída uma manobra, para desembaraçar ou safar o navio; deixar os cabos claros à manobra. Socairo – É a parte do cabo depois do cabrestante que o está alando; é aguentada por um homem postado junto ao cabrestante para manter o atrito das voltas sobre a saia; no tirador de uma talha, ou quando se está alando a mão, é a parte que se alou, a qual deve ficar aguentada em um cunho ou malagueta sob a volta, com um homem ao chicote. Diz-se que o homem está aguentando o socairo. Solecar – Dar um brando ao cabo, arriando-o um pouco; aliviar o peso ou esforço; dar mais folga ao seio. Tesar – Esticar um cabo. Tocar uma talha, um aparelho – Diz-se quando se recorre o tirador aliviando as voltas das pernadas, para estender a talha ou para melhor trabalho dos cadernais. Virador – É um cabo grosso, em geral de aço, empregado para reboque, atracação ou mesmo para fundear com ancorote.
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    - 112 - CAPÍTULO8 NÓS, VOLTAS E TRABALHOS DO MARINHEIRO 8.1 – DEFINIÇÕES Chamam-se trabalhos do marinheiro ou obras do marinheiro os diferentes trabalhos de bordo pelos quais as lonas e os cabos se prendem, são emendados ou se fazem fixos, ou, ainda, são preparados para qualquer aplicação especial. No dia-a-dia de bordo a expressão simplificada “trabalho marinheiro” é a mais utilizada. Eles só podem ser bem conhecidos pela prática intensa, mas as ilustrações, as definições e as explicações a seguir darão uma idéia e, ainda mais, mostrarão a utilidade de cada um. Podem ser enumerados, de modo geral, como falcaças, nós, voltas, malhas, aboçaduras, botões, alças, mãos, estropos, costuras, pinhas, rabichos, gaxetas, coxins e redes. Nós e voltas são os diferentes entrelaçamentos feitos a mão e pelos quais os cabos se prendem pelo chicote ou pelo seio. Se dados corretamente aumentam de resistência quando se porta pelo cabo; entretanto, podem ser desfeitos com facilidade pela mão do homem. Se mal dados, podem recorrer no momento em que é aplicado um esforço sobre o cabo, e são às vezes difíceis de desfazer, por ficarem mordidos. Apresentamos neste capítulo os principais nós e voltas considerados clássicos nos trabalhos do marinheiro em todas as marinhas e em todos os tempos. Alguns nós e voltas já caíram em desuso e têm apenas interesse instrutivo ou servem como ornamento. A maioria, porém, é constituída por trabalhos que, realizados por um marinheiro hábil, são de grande valor a bordo, pela segurança que apresentam e pela facilidade com que são feitos e desfeitos. Quem os souber fazer estará apto a realizar qualquer amarração nas fainas necessárias a bordo. Há, certamente, outros nós e voltas e muitos outros podem ser deduzidos, mas serão mais complicados, ou menos seguros. Ao consultar as figuras e ao estudar a confecção de nós, é importante também não esquecer que alguns nós e voltas tomam aspectos diferentes quando vistos de diversos ângulos. Cabo solteiro é um pedaço de cabo que não tem aplicação especial e que está à mão para ser empregado em qualquer mister. Tomemos um cabo solteiro (figura a seguir). Se a parte que vai de 1 a 2, suposta de grande comprimento, estiver portanto sob a tensão de um esforço determinado, ou mesmo, se apenas deu volta em um objeto, será chamado o vivo do cabo.
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    - 113 - Qualquerparte do cabo compreendida entre 2 e 3 (passando ou não por d e b) será chamada o seio do cabo. A parte entre 3 e 4 será o chicote. Ao cabo que se vê na figura damos um seio, ou uma dobra y. Este seio, tal como está dado, vai servir para começar alguns nós, conforme veremos adiante. O chicote 4 do cabo está falcaçado. Um cabo, passando em torno de um objeto qualquer em uma só volta de circunferência, sem morder ou dar qualquer nó, dá uma volta singela. Dando duas ou mais voltas de circunferência em torno do mesmo objeto, dá voltas redondas. 8.2 – RESISTÊNCIA DOS NÓS, VOLTAS E COSTURAS Ao fazer uma amarração qualquer, convém lembrar-se que nenhum nó, volta ou costura pode ser tão resistente quanto o próprio cabo. A razão é simples, pois enquanto no vivo do cabo o esforço é distribuído uniformemente pelos cordões, no ponto de amarração há dobras mais ou menos acentuadas e há distorções que ocasionam a sobrecarga do esforço sobre um determinado cordão ou sobre certo número de fios de carreta. Por isto, se um cabo tem um nó, volta ou costura, e sofre um esforço de tração demasiado, é quase certo que se parta no ponto de amarração. A resistência aproximada de alguns tipos de amarração em percentagem da resistência do próprio cabo é dada no quadro abaixo, organizada pela Columbian Rope Company, Auburn, NY, EUA, de acordo com experiências feitas em cabos novos:
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    - 114 - Caboúmido 111% Cabo seco 100% Costura de mão 100% Costura de mão, seca, em sapatilho 95 – 90% Costura redonda 85% Volta de fateixa 76% Volta de ribeira, volta redonda e dois cotes 70 – 65% Lais de guia 60% Volta de fiel 60% Nó de escota 55% Nó direito 45% Meia volta 45% 8.3 – VOLTAS São dadas, com o chicote ou com o seio de um cabo, em torno de um objeto qualquer. 8.4 – MEIA VOLTA É a volta usada comumente nos embrulhos, a qual se dá com o chicote de um cabo e pode-se desfazer facilmente. Pode ser dada em torno de um objeto, mas nesta forma não é muito usada a bordo; pode ser dada num cabo sobre si mesmo, e então se aplica em um cabo fino, para não deixar o chicote desgurnir de um gorne ou para não deixa-lo descochar. Sua principal função é servir como base ou parte de outros nós. Muitas vezes a meia-volta aparece espontaneamente em um cabo solteiro mal acondicionado; convém, então, desfazê-la imediatamente, porque, depois de apertada, é difícil de ser desfeita. Meia Volta Um cabo com meia-volta perde mais da metade de sua força.
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    - 115 - 8.5– VOLTA DE FIADOR Uma volta que lembra o número oito. Para construí-la, passa-se o chicote em torno de a e por trás de z e depois se mete por dentro do seio b, apertando em seguida. É dada, por exemplo, no chicote do tirador de uma talha, a fim de não deixar desgurnir; para este fim é superior à meia-volta, pois não fica mordido, sendo desfeito mais facilmente. É um nó simetricamente perfeito; sua aplicação prática é restrita, mas é muito usado como nó ornamental, por sua beleza e simplicidade de desenho. 8.6 - COTE É uma volta singela em que uma das partes do cabo morde a outra; é raramente usado só, servindo para rematar outras voltas. Como está representado na figura a seguir, serve para prender momentaneamente o chicote de um cabo que não deverá sofrer esforço, e que deve ser de diâmetro moderado. Cote
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    - 116 - 8.7– VOLTA DE FIEL SINGELA São dois cotes dados um contra o outro, de modo que os dois chicotes saiam por entre eles e em sentidos contrários. A a seguir mostra, em três estágios sucessivos, como se dá uma volta de fiel singela, começando pelo chicote. É a volta mais usada a bordo para se passar um fiel ou uma adriça em torno de um balaústre, um olhal, ou um pé-de-carneiro. É útil também para amarrar um cabo fino em torno de um mais grosso. 8.8 – VOLTA DE FIEL DOBRADA É começada e terminada como a volta de fiel singela, mas, como se pode ver na figura a seguir, há uma volta a mais entre o primeiro e o ultimo cote, ou seja, o primeiro cote é mordido com volta redonda. O grande valor desta volta é que nunca recorre, e, deste modo, pode ser usada para aguentar qualquer cabo em torno de um mais grosso, ou em torno de um pé-de-carneiro; é muito usada para dar volta aos fiéis das macas nos pés-de-carneiro e para aboçar um cabo.
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    - 117 - 8.9– VOLTA SINGELA E COTES – VOLTA REDONDA E COTES Um, dois ou mais cotes rematando uma volta singela ou uma volta redonda. Se for dado apenas um cote, deve-se abotoar o chicote do cabo. A volta com dois cotes não se desfaz como a anterior, mas também recorre, a menos que se abotoe o chicote. Os dois cotes devem ser dados no mesmo sentido. Servem para aguentar um cabo ao anete de um ancorote, à boça de uma embarcação, ao arganéu de uma bóia etc. A volta redonda e dois cotes pode ser usada para aguentar uma espia em um cabeço, mas deve-se então colocar um pedaço de madeira separando os dois cotes, ou abotoar o chicote. 8.10 – VOLTA DA RIBEIRA Dá-se uma volta em torno do objeto e depois um cote, enleando o chicote em torno do próprio cabo. Serve para amarrar um mastro, uma antena e, de modo geral, objetos leves, para içar. Volta singela e dois cotes Volta redonda e dois cotes
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    - 118 - 8.11– VOLTA FALIDA É constituída por uma série de voltas alternadas dadas entre dois objetos quaisquer e é usada para diversos fins, porém, principalmente, para dar volta a uma espia ou a um cabo de laborar qualquer em torno de dois cabeços ou em cunhos de malaguetas. 8.12 – LAIS DE GUIA É o rei dos nós; muito usado a bordo, pois é dado com presteza e nunca recorre. Serve para formar uma alça ou um balso, que pode ser de qualquer tamanho, mas não corre como um laço; nesta forma, serve para fazer a alça temporária numa espia, ou para ligar duas espias que não devem trabalhar em cabrestante. Para dar um lais de guia, se o cabo for de diâmetro moderado, de acordo com a figura a seguir, segura-se a parte A na mão esquerda, e a parte d do cabo na mão direita, faz-se o seio x deixando a parte d por cima da parte a. Passando-se o chicote c por dentro do seio x, faz-se a alça y. Depois o chicote c passa por debaixo de a e retorna para o seio x por cima. Se o diâmetro do cabo for grande, procede-se de modo semelhante, mantendo, porém, o cabo sobre o convés. Um emprego muito útil do lais de guia é na amarração temporária de embarcações pequenas, e até mesmo fragatas, ao arganéu de uma bóia. Passa-se o chicote por dentro do arganéu e dá- se o lais de guia no seio do cabo, dentro da embarcação. Esta fica amarrada pelo balso formado pelo lais de guia, o qual é fácil de desfazer pelo pessoal de bordo em qualquer momento. Volta Falida
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    - 119 - 8.13- CATAU É uma dobra que se dá no seio de um cabo, principalmente para esconder um ponto fraco, mas que também serve para encurtá-lo. Para começar um catau, dobra-se o cabo, como se vê em (a); em seguida, dão-se, com o seio do cabo, dois cotes (b); para maior segurança pode-se passar um botão redondo esganado (c) ou meter duas taliscas de madeira (d); se o cabo é de bitola tão grande que dificulta o nó, abotoa-se somente (e). Lais de Guia
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    - 120 - 8.14– NÓ DE AZELHA Dado com o seio do cabo, conforme se vê na figura, serve para marcar um cabo ou merlim pelo seio. É muito empregado para tomar medidas das velas, com linha ou merlim, dando-se um nó de azelha para marcar os punhos. É útil também para encurtar a linha ou o merlim.
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    - 121 - 8.15– NÓ DIREITO É o método mais antigo e, em terra, o mais empregado, para unir dois chicotes ou dois cordões quaisquer. Tem a qualidade de não recorrer, mas é muito difícil de ser desfeito, uma vez rondado. É por isto mais usado na ligação, pelos chicotes, de dois cabos finos que não demandem força, ou para terminar uma amarração definitiva qualquer. Desfaz-se por si mesmo se os cabos são de diferentes tamanhos ou materiais. Nunca deve ser empregado para unir cabos que trabalham em aparelhos de laborar ou para emenda de espias. É muito usado, por exemplo, para amarrar os rizes das velas. É dado como mostra a figura a seguir, fazendo-se primeiro uma meia-volta com ambos os chicotes e depois, conforme a linha pontilhada, dando outra meia-volta em sentido inverso ao da primeira. 8.16 – FALCAÇA Sempre que é cortado um cabo para qualquer serviço, é necessário falcaçá-lo. A falcaça é o meio mais correto e o mais usado para não permitir descochar o chicote de um cabo, e consiste em dar em torno dos cordões um certo número de voltas redondas, com fio de vela ou merlim. O número de voltas que deve ter uma falcaça não é arbitrário; ele deve ser tal que a largura da falcaça seja igual ao diâmetro do cabo no qual ela é dada. Falcaça comum. Dobra-se e coloca-se o merlim sobre o chicote do cabo a falcaçar, no sentido longitudinal deste (I); então, com a parte a do merlim, dá-se em torno do cabo e sobre o merlim o número necessário de voltas redondas bem unidas e apertadas, de c para d. Aguentam-se as voltas dadas com uma das mãos, e com a outra enfia-se o chicote a por dentro do seio d (II). Rondam-se bem os dois chicotes, unem-se as voltas dadas e cortam-se rentes à falcaça as partes que sobram (III). Existem outros métodos de falcaçar de acordo com o livro Arte Naval.
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    - 123 - CAPÍTULO9 HIGIENE E PRIMEIROS SOCORROS 9.1 – INTRODUÇÃO 9.1.1 – DEFINIÇÃO DE PRIMEIROS SOCORROS Primeiro Socorro é o socorro imediato prestado, por uma pessoa capacitada, a uma vítima de acidente ou mal súbito, antes que o atendimento médico possa ser prestado. O Primeiro Socorro visa salvar a vida, diminuir o sofrimento (DOR) e evitar a piora da vítima. Resumindo, o objetivo do primeiro socorro é “salvar vidas”. Todos nós podemos realizar um primeiro socorro sendo que o melhor socorrista será aquele que souber o que fazer e como fazer. 9.2 - ABORDAGEM INICIAL Os seguintes comportamentos deverão ser observados na abordagem inicial, ou seja, ao se deparar com uma vítima necessitando de primeiros socorros. . Observar os aspectos de segurança da cena do acidente. No ímpeto de tentar ajudar uma vítima, o socorrista que se descuidar dos aspectos de segurança poderá ser vítima de um novo acidente. Por exemplo: Ao prestar socorro a uma vítima de acidente de trânsito, a primeira providência deverá ser sinalizar o local no intuito de alertar os outros veículos. É importante observar rapidamente se existem perigos para o acidentado e para quem estiver prestando o socorro nas proximidades da ocorrência3 ; . Agir com rapidez, calma e segurança. Tentar transmitir calma e segurança; . Ser decidido; . Manter os curiosos afastados e evitar que outros atuem por conta própria; . Não realizar nenhum procedimento se não tiver a CERTEZA e SEGURANÇA do que está fazendo; . Procurar sempre pessoal especializado; e . Transmitir ao pessoal especializado todos os dados disponíveis sobre o acidentado. Evitar suposições. 9.3 - AVALIAÇÃO INICIAL 9.3.1 - VÍTIMA ESTÁ CONSCIENTE. Se está consciente, realizar perguntas objetivas como: o que aconteceu? Seu nome, o que está sentindo? 3 BRASIL, Fundação Oswaldo Cruz - Manual de Primeiros Socorros
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    - 124 - Evitarao máximo que o acidentado se locomova em caso de suspeita de fraturas (principalmente de coluna) e chamar pessoal especializado. 9.3.2 - VÍTIMA ESTÁ INCONSCIENTE. Se a vítima estiver inconsciente, deverá ser observado o ABC da vida, que consiste das seguintes verificações: . A - Vias aéreas (Airways) - Verificar se algo obstrui as vias (próteses, queda de língua); . B - Respiração (Breathing) - Observar se há movimentos do peito, abdome ou saída de ar pelas narinas ou boca; e . C - Circulação (Circulation) - Verificar pulsação (batimentos cardíacos) através do punho, braço, pescoço, têmpora, peito do pé e virilha. IMPORTANTE: Sempre que encontrar uma vítima desacordada, suspeite de trauma de coluna. O zelo é sempre importante. OBSERVAÇÃO: O pulso é considerado normal se em um minuto for constatado entre 72 e 80 batimentos. Na ausência de respiração e pulso, não significa que a vítima morreu e sim está em PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA. Resumo4 Para o bom atendimento é imprescindível: 1. Manter a calma. Evitar pânico e assumir a situação. 2. Antes de qualquer procedimento, avaliar a cena do acidente e observar se ela pode oferecer riscos, para o acidentado e para você. EM HIPÓTESE NENHUMA PONHA SUA PRÓPRIA VIDA EM RISCO. 3. Os circunstantes devem ser afastados do acidentado, com calma e educação. O acidentado deve ser mantido afastado dos olhares de curiosos, preservando a sua integridade física e moral. 4. Saiba que qualquer ferimento ou doença súbita dará origem a uma grande mudança no ritmo da vida do acidentado, pois o coloca repentinamente em uma situação para a qual não está preparado e que foge a seu controle. Suas reações e comportamentos são diferentes do normal, não permitindo que ele possa avaliar as próprias condições de saúde e as consequências do acidente. Necessita de alguém que o ajude. Atue de maneira tranquila e hábil, o acidentado sentirá que está sendo bem cuidado e não entrará em pânico. Isto é muito importante, pois a intranquilidade pode piorar muito o seu estado. 5. Em caso de óbito serão necessárias testemunhas do ocorrido. Obter a colaboração de outras pessoas dando ordens claras e concisas. Identificar pessoas que se encarreguem de desviar o trânsito ou construir uma proteção provisória. Uma ótima dica é dar tarefas
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    - 125 - como,por exemplo: contatar o atendimento de emergência, buscar material para auxiliar no atendimento, como talas e gaze, avisar a polícia se necessário, etc. 6. JAMAIS SE EXPONHA A RISCOS. Utilizar luvas descartáveis e evitar o contato direto com sangue, secreções, excreções ou outros líquidos. Existem várias doenças que são transmitidas através deste contato 7. Tranquilizar o acidentado. Em todo atendimento ao acidentado consciente, comunicar o que será feito antes de executar para transmitir-lhe confiança, evitando o medo e a ansiedade. 8. Quando a causa de lesão for um choque violento, deve-se pressupor a existência de lesão interna. As vítimas de trauma requerem técnicas específicas de manipulação, pois qualquer movimento errado pode piorar o seu estado. Recomendamos que as vítimas de traumas não sejam manuseadas até a chegada do atendimento emergencial. Acidentados presos em ferragens só devem ser retirados pela equipe de atendimento emergencial. 9. No caso do acidentado ter sede, não ofereça líquidos para beber, apenas molhe sua boca com gaze ou algodão umedecido. 10. Cobrir o acidentado para conservar o corpo quente e protegê-lo do frio, chuva, etc. 11. Em locais onde não haja ambulância, o acidentado só poderá ser transportado após ser avaliado, estabilizado e imobilizado adequadamente. Evite movimentos desnecessários. 12. Só retire o acidentado do local do acidente se esse local causar risco de vida para ele ou para o socorrista. Ex: risco de explosão, estrada perigosa onde não haja como sinalizar, etc. A pessoa que está prestando os primeiros socorros deve seguir um plano de ação baseando-se no P.A.S., que são as três letras iniciais a partir das quais se desenvolvem todas as medidas técnicas e práticas de primeiros socorros. Prevenir - afastar o perigo do acidentado ou o acidentado do perigo Alertar - contatar o atendimento emergencial informando o tipo de acidente, o local, o número de vítimas e o seu estado. Socorrer - após as avaliações. 4 BRASIL - Fundação Oswaldo Cruz - Manual de Primeiros Socorros
  • 130.
    - 126 - 9.4- PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA 9.4.1 - Definição. Define-se como parada cardiorrespiratória (PCR) a interrupção súbita e brusca da circulação sistêmica e ou da respiração. 9.4.2 - Sinais clínicos. Os sinais clínicos da PCR são a inconsciência, a ausência de movimentos respiratórios e a ausência de pulso. 9.4.3 - Possíveis causas da parada cardiorrespiratória. A parada cardiorrespiratória pode ser causada pelos seguintes fatores: - GASES VENENOSOS; - VAPORES QUÍMICOS; - AFOGAMENTO; - SUFOCAMENTO; - CHOQUE ELÉTRICO; - TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO; - ENVENENAMENTO; - INFARTO DO MIOCÁRDIO; - ALERGIA A DROGAS; e - ARRITMIAS CARDÍACAS. 9.4.4 - Procedimento de reanimação. Verificando o ABC da vida e não achando parâmetros, inicie os procedimentos de reanimação. - Abertura das vias aéreas. Com a vítima deitada sobre uma superfície rígida, mova ligeiramente sua cabeça para trás de forma que o seu pescoço fique esticado. No caso de desconfiança de traumas na coluna, mova o pescoço da vítima o mínimo possível. Com o auxílio dos dedos polegares e indicadores, abra a boca da vítima, abaixe sua língua e verifique se não há objetos bloqueando sua respiração. Aproxime o ouvido da boca aberta da vítima e verifique se há movimento respiratório. Verifique, também, se há movimento do tórax, indicando respiração normal. IMPORTANTE! Não gaste muito tempo nessa manobra. Dez segundos no máximo. Iniciar prontamente as manobras de reanimação, antes mesmo da chegada da equipe de suporte avançado aumenta a chance de sobrevida e evita sequelas pós-PCR.
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    - 127 - -Respiração boca a boca. Com as vias aéreas abertas, utilize os dedos polegar e indicador da mão que está sobre a testa da vítima para fechar o seu nariz. Realize uma inspiração profunda, aproxime-se da vítima e aplique seus lábios na parte externa da boca da vítima soprando ar suficiente para inflar o seu tórax. Caso a vedação entre sua boca e a da vítima não seja satisfatória, utilize sua mão livre para ajustar o maxilar inferior da vítima melhorando a vedação. Ventile a vítima de 2 em 2 vezes com duração de 1 a 2 segundos e com uma frequência de aproximadamente 10 a 12 ventilações por minuto. Evite respirações rápidas e muita pressão.
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    - 128 - -Reanimação cardíaca. Com a vítima deitada em uma superfície rígida, de costas, ou seja, de barriga para cima, preferencialmente com as pernas levantadas, o socorrista deverá posicionar suas mãos sobre o peito da vítima com os dedos entrelaçados, cotovelos esticados sobre o osso esterno (metade inferior). Alternativamente, o socorrista pressiona com força e alivia a pressão de forma que o osso esterno se desloque para baixo entre 4 e 5 centímetros. A compressão deverá ser realizada em uma frequência de aproximadamente 80 a 100 vezes por minuto, ou seja, quase duas por segundo, até que o coração volte a bater ou até a chegada do socorro. Os braços do socorrista devem ficar em extensão durante a manobra, ou seja, as articulações dos cotovelos devem permanecer fixas, sem dobrar, transmitindo o peso dos ombros e do tronco do socorrista para a vítima. Com um socorrista apenas, a alternância deve ser de quinze compressões para duas ventilações. Caso haja dois socorristas, um se encarregará da ventilação e o outro da compressão cardíaca, com alternância de cinco compressões cardíacas para cada ventilação. Deve-se interromper a reanimação cardiorrespiratória a cada dois ou três minutos, para verificar se a vítima readquiriu a respiração e os batimentos cardíacos espontâneos, caso a vítima não tenha se recuperado, as manobras devem ser mantidas até que chegue o socorro especializado.
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    - 129 - -RCP somente por compressão Se um atendente não for treinado em RCP ou treinado, mas não proficiente em ventilações, ele deve fornecer RCP apenas manual (somente compressão) para adultos, crianças e recém nascidos. 9.5 - QUEIMADURAS 9.5.1 - Socorro a vítima de queimadura. Pessoas com queimaduras profundas podem correr sério risco de vida. Quanto maior a extensão, maiores os perigos para a vítima. Existem diferentes graus de lesão. Leve em conta que uma pessoa pode apresentar, ao mesmo tempo, queimaduras de terceiro, segundo e primeiro graus e cada tipo de lesão pede um socorro específico. É proibido! Passar gelo, manteiga ou qualquer coisa que não seja água fria no local, em qualquer caso. Também não se deve estourar bolhas ou tentar retirar a roupa colada à pele queimada. Passar pasta de dente, pomadas, ovo, manteiga, óleo de cozinha. Apenas água fria é permitida. Gelo também não pode. Furar as bolhas, retirar a pele morta, apertar o ferimento 9.5.2 - Queimadura de primeiro grau. As queimaduras deste tipo atingem apenas a epiderme, que é a camada mais superficial da pele. O local fica vermelho, um pouco inchado, e é possível que haja um pouco de dor. É considerada queimadura leve, e pede socorro médico apenas quando atinge grande extensão do corpo. Socorro a vítimas de queimadura de primeiro grau.
  • 134.
    - 130 - 1.Use água, muita água. É preciso resfriar o local. Faça isso com água corrente, um recipiente com água fria ou compressas úmidas. Não use gelo. 2. Depois de cinco minutos, quando a vítima estiver sentindo menos dor, seque o local, sem esfregar. 3. Com o cuidado de não apertar o local, faça um curativo com uma compressa limpa. 4. Em casos de queimadura de primeiro grau, e apenas nesse caso, é permitido e recomendável beber bastante água e tomar um remédio que combata a dor. 9.5.3 - Queimadura de segundo grau. Já não é superficial: epiderme e derme são atingidas. O local fica vermelho, inchado e com bolhas. Há liberação de líquidos e a dor é intensa. Se for um ferimento pequeno, é considerada queimadura leve. Nos outros casos, já é de gravidade moderada. É grave quando a queimadura de segundo grau atinge rosto, pescoço, tórax, mãos, pés, virilha e articulações, ou uma área muito extensa do corpo. Socorro a vítimas de queimadura de segundo grau. 1. Use água, muita água. É preciso resfriar o local. Faça isso com água corrente, um recipiente com água fria ou compressas úmidas. Não use gelo. 2. Depois de cinco minutos, quando a vítima estiver sentindo menos dor, seque o local, sem esfregar. 3. Com o cuidado de não apertar o local, faça um curativo com uma compressa limpa. 9.5.3 - Queimadura de terceiro grau. Qualquer caso de queimaduras de terceiro grau é grave: elas atingem todas as camadas da pele, podendo chegar aos músculos e ossos. Como os nervos são destruídos, não há dor – mas a vítima pode reclamar de dor devido a outras queimaduras, de primeiro e segundo grau, que tiver. A aparência deste tipo de ferimento é escura (carbonizada) ou esbranquiçada. Socorro a vítimas de queimadura de terceiro grau. 1. Retire acessórios e roupas, porque a área afetada vai inchar. Atenção: se a roupa estiver colada à área queimada, não mexa! 2. É preciso resfriar o local. Faça isso com compressas úmidas. Não use gelo. 3. Nas queimaduras de terceiro grau pequenas (menos de cinco centímetro de diâmetro), só nas pequenas, você pode usar água corrente ou um recipiente com água fria. Cuidado com o jato de água, ele não deve causar dor nem arrebentar as bolhas.
  • 135.
    - 131 - 4.Atenção: a pessoa com queimadura de terceiro grau pode não reclamar de dor e, por isso, se machucar ainda mais, como, por exemplo, dizer que o jato de água não está doendo. 5. Se a queimadura tiver atingido grande parte do corpo, tenha o cuidado de manter a vítima aquecida. 6. Com o cuidado de não apertar o local, faça um curativo com uma compressa limpa. Em feridas em mãos e pés, evite fazer o curativo você mesmo, porque os dedos podem grudar um nos outros. Espere a chegada ao hospital. 7. Não ofereça medicamentos, alimentos ou água, pois a vítima pode precisar tomar anestesia e, para isso, estar em jejum. 8. Não perca tempo em remover a vítima ao hospital. Ela pode estar tendo dificuldades para respirar. 9.6 - AFOGAMENTO DEFINIÇÃO: Aspiração de fluido não corporal por submersão ou imersão. Quanto ao tipo de água: Afogamento em água doce; Afogamento em água salgada. Quanto à causa: Afogamento primário; Afogamento secundário. Quanto à gravidade: Do grau 0 ao 6° grau. FISIOPATOLOGIA Líquido aspirado; Traquéia – brônquios – bronquíolos; Alvéolos pulmonares encharcados; Entrada de oxigênio prejudicada; Saída de gás carbônico prejudicada. AFOGAMENTO EM ÁGUA DOCE (Rios, tanques, lagos, piscinas, etc) X AFOGAMENTO EM ÁGUA SALGADA (Mar)
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    - 132 - Prognósticoapós afogamento Diferenças terapêuticas – Tratamento diferente. AFOGAMENTO PRIMÁRIO Sem fator incidental ou patológico. É o mais comum. AFOGAMENTO SECUNDÁRIO Causado por patologia ou incidente associado. Traumatismos, drogas (álcool), etc. GRAUS DE AFOGAMENTO RESGATE: Vítima LOTE; Sem tosse; Sem espuma na boca ou no nariz; Sem evidência de aspiração de água. Tratamento: Tranquilizar a vítima; Pode ser liberada do local. GRAU 1: Pequena quantidade de líquido aspirado; Tosse; Sem espuma na boca ou no nariz; Ausculta pulmonar normal. Tratamento: Tranquilizar a vítima; Repouso; Aquecimento; Pode ser liberada do local. GRAU 2: Quantidade considerável de líquido aspirado; Vítima torporosa, agitada e/ou desorientada; Ausculta pulmonar com poucos estertores; Pode apresentar pequena quantidade de espuma na boca e/ou no nariz. Tratamento: Oxigênio a 5 L/min Posição lateral de segurança sob o lado direito; Repouso e aquecimento;
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    - 133 - Necessitade atendimento médico-hospitalar. GRAU 3: Muita quantidade de líquido aspirado; Ausculta pulmonar com muitos estertores; Edema agudo de pulmão; Apresenta grande quantidade de espuma na boca e/ou no nariz; Pulso periférico palpável. Tratamento: Oxigênio de 10 a 15 L/min; Posição lateral de segurança sob o lado direito; Necessita de atendimento médico-hospitalar urgente. GRAU 4: Muita quantidade de líquido aspirado; Ausculta pulmonar com muitos estertores; Edema agudo de pulmão; Apresenta grande quantidade de espuma na boca e/ou no nariz; Pulso periférico ausente. Tratamento: Oxigênio de 10 a 15 L/min; Posição lateral de segurança sob o lado direito; Necessita de atendimento médico-hospitalar urgente. GRAU 5: Parada respiratória; Pulso central palpável; Tratamento: Ventilação artificial com Oxigênio a 15 L/min; Após retorno espontâneo na respiração, tratar como GRAU 4; Necessita de atendimento médico-hospitalar urgente. GRAU 6: Parada cardiorrespiratória; Pulso periférico e central ausente; Tratamento: RCP com oxigênio a 15 L/min; Após retorno de pulso palpável, tratar como GRAU 5; Necessita de atendimento médico-hospitalar urgente.
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    - 134 - GRAUSDE AFOGAMENTO Incidência de óbitos: Resgate = 0% Grau 1 = 0% Grau 2 = 0,6% Grau 3 = 5,2% Grau 4 = 19,4% Grau 5 = 44% Grau 6 = 93% CURIOSIDADES SOBRE AFOGAMENTO: 1 a 3 mL/Kg de peso corporal de água aspirada reduzem em até 50 % da troca gasosa. Afogado seco x afogado molhado. O maior tempo registrado, em todo mundo, de submersão em água fria, sem sequela neurológica, é de 66 minutos.
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    - 135 - OCRA do Gmar (Rio de Janeiro) registrou um caso de afogamento com tempo de submersão superior a 10 minutos sem sequela neurológica. Existem casos de reanimação de afogados com mais de 40 minutos de RCP, porém, com sequelas neurológicas. 9.7 - TRANSPORTE DE ACIDENTADOS Como transportar uma vítima? Falamos do resgate de acidentes com gás de cozinha, incêndio, afogamento, estrangulamento, enforcamento e acidentes rodoviários. Agora independente de como aconteceu, é preciso conhecer métodos de transportes das vítimas. É sempre importante tentar remover a vítima com ajuda. Evite removê-la sozinho e avalie a capacidade de seus auxiliares. Ao tentar levantar a vítima, procure manter as costas retas, abaixando e dobrando os joelhos e mantendo o peso junto ao seu corpo. Se a vítima estiver consciente, use a técnica da "muleta humana". Você fica ao lado lesado ou mais fraco da vítima e passe o braço da vítima em volta do seu pescoço. Seu outro braço passa ao redor da cintura da vítima, segurando no cinto ou cós da roupa. Dê passos pequenos e inicie a marcha com o pé com o lado de dentro. Se for necessário o "arrasto" da vítima, coloque os braços da vítima sobre o peito. Agache- se atrás dela e segure-a pelas axilas. Agora puxe segurando os pulsos com firmeza. O transporte "em berço" consiste em agachar atrás da vítima, passando um de seus braços em volta do tronco, acima da cintura, e o outro por baixo das coxas. Quando a vítima é socorrida por duas pessoas, a técnica da "cadeirinha" é simples. Os dois agacham-se um de frente para o outro, um de cada lado da vítima, cruzando os braços atrás das costas e segurando na cintura. Debaixo das coxas da vítima, eles seguram firmemente as mãos. A técnica do transporte "longitudinal" consiste em um dos socorristas agachar atrás da vítima, passar seus braços por baixo das axilas e pegar firme pelo pulso. O auxiliar agacha- se ao lado da vítima e passa seus braços por baixo das coxas, segurando as pernas. Ambos levantam vagarosamente e procuram caminhar ao mesmo tempo. É muito importante saber que as técnicas do "berço", "arrasto" e "longitudinal" são as melhores para as vítimas inconscientes. Para pacientes conscientes e falando, a "muleta humana com um ou dois socorristas é a melhor. Para pacientes conscientes e que não falam, "o arrasto", a técnica da "cadeirinha" e a "longitudinal" são as mais indicadas. A técnica do "berço" é ideal para crianças. A técnica do "arrasto" pode agravar lesões na cabeça e no pescoço.
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    - 136 - Aotentar levantar a vítima, procure manter as costas retas, abaixando e do- brando os joelhos e mantendo o peso junto ao seu corpo. Se a vítima estiver consciente, use a técnica da "muleta humana". Você fica ao lado lesado ou mais fraco da vítima e passe o braço da vítima em volta do seu pescoço. Seu outro braço passa ao redor da cintura da vítima, segurando no cinto ou cós da roupa. Dê passos pequenos e inicie a marcha com o pé com o lado de dentro. Se for necessário o "arrasto" da vítima, coloque os braços da vítima sobre o peito. Agache-se atrás dela e segure-a pelas axilas. Agora puxe segurando os pulsos com firmeza. O transporte "em berço" consiste em agachar atrás da vítima, passando um de seus braços em volta do tronco, acima da cintura, e o outro por baixo das coxas. Quando a vítima é socorrida por duas pessoas, a técnica da "cadeirinha" é simples. Os dois agacham-se um de frente para o outro, um de cada lado da vítima, cruzando os braços atrás das costas e segurando na cintura. Debaixo das coxas da vítima, eles seguram firmemente as mãos. A técnica do transporte "longitudinal" consiste em um dos socorristas agachar atrás da vítima, passar seus braços por baixo das axilas e pegar firme pelo pulso. O auxiliar agacha-se ao lado da vítima e passa seus braços por baixo das coxas, segurando as pernas. Ambos levantam vagarosamente e procuram caminhar ao mesmo tempo.
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    - 137 - 9.8- FRATURAS, ENTORSES E DISTENSÕES CONCEITO DE FRATURA. É o rompimento total ou parcial de qualquer osso. Classificação: Quanto à relação do osso com o meio externo: 1. Fechada: quando a pele não é rompida pelo osso quebrado; 2. Aberta ou Exposta: quando o osso atravessa a pele e fica exposto. A possibilidade de infecção neste tipo de fratura é muito grande e deve ser observada com atenção. Quanto à extensão da fratura: 1. Completa: abrange toda a espessura do osso; 2. Incompleta: abrange parte da espessura do osso. Pode ser uma simples FISSURA (rachadura). SINAIS E SINTOMAS. Dor intensa no local e que aumenta ao menor movimento; Inchaço no local; Crepitação ao movimentar (som parecido com o amassar de um papel); Hematoma (rompimento de vaso, com acúmulo de sangue no local); Paralisia por lesão de nervos. TRATAMENTO DE EMERGÊNCIA. Consiste em: Contenção de hemorragia, como a que pode ocorrer nas fraturas expostas; Proteção do ferimento, se houver, visando a prevenção de infecção; Imobilização provisória; Encaminhamento para atendimento médico. ATENÇÃO!!! Não tentar colocar o osso no lugar, pois isto poderá causar complicações. Colocar os ossos numa posição mais próxima do natural, lentamente, junto ao corpo; Só movimentar o segmento do corpo fraturado após sua imobilização. Esta pode ser feita com um pedaço de madeira, cabo de vassoura, guarda-chuva, jornal enrolado ou outro material estável; Deve-se imobilizar as articulações acima e abaixo do local fraturado; Evitar limpar qualquer ferida; qualquer movimento desnecessário poderá causar complicações (exposição da fratura, corte de vasos ou ligamentos, etc.); IMPORTANTE! Se existe dúvida se o osso está ou não quebrado, agir como se realmente houvesse uma fratura e imobilizar.
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    - 138 - ENTORSE. Éa torção de uma junta ou articulação, com ruptura parcial ou total dos ligamentos. SINAIS E SINTOMAS. Dor intensa ao redor da articulação; Dificuldade de movimentação em graus variáveis; Pode haver sangramentos internos. TRATAMENTO DE EMERGÊNCIA. Trate como se fosse uma fratura. Aplicar frio intenso no local (bolsa de gelo, toalhas frias, etc.). Não fazer massagens ou aplicações quentes (apenas 24 horas após a entorse.); Imobilizar a articulação atingida e não movimentá-la; Encaminhamento para avaliação médica. DISTENSÃO. É um estiramento de um músculo ou tendão, devido a esforços musculares excessivos. Pode resultar de levantamentos de cargas demasiadamente pesadas, saltos, corridas, etc. SINAIS E SINTOMAS. Dores no músculo; Fraqueza do membro; Tumefação (inchaço) ao nível da ruptura, caso ocorra. TRATAMENTO DE EMERGÊNCIA. Repouso da área afetada; Gelo ou compressas frias (sem restrição). Cuidado quanto às lesões causadas pelo frio; A não ser em casos de traumatismos sem importância, o paciente deverá ser examinado por um médico na primeira oportunidade. 9.9 - ESTADO DE CHOQUE Definição. É a falência do sistema cardiocirculatório, devido a causas variadas, proporcionando uma inadequada perfusão e oxigenação dos tecidos. Sinais e Sintomas. - Inconsciência profunda; - Pulso fraco e rápido; - Aumento da frequência respiratória; - Perfusão capilar lenta ou nula e - Tremores de frio.
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    - 139 - 9.10- FERIMENTOS Os ferimentos podem ser: - Leves e/ou superficiais; e - Extensos e/ou profundos. FERIMENTOS LEVES E / OU SUPERFICIAIS . lavar o ferimento com água e sabão; . proteger o ferimento com gaze ou pano limpo; . não tentar retirar farpas, vidros ou partículas de metal do ferimento; e . não colocar pastas, pomadas, óleos ou pó secante. FERIMENTOS EXTENSOS E/OU PROFUNDOS . cobrir o ferimento com pano limpo; . não lavar para não aumentar o risco de hemorragia; . não remover objetos fixados no ferimento; . usar técnicas para cessar hemorragia; e . providenciar transporte. A principal complicação dos ferimentos é a infecção. Os seguintes itens podem ser utilizados para limpeza e curativo: . água e sabão neutro (sabão de côco); . soro fisiológico, água oxigenada; . gazes, ataduras, esparadrapo; . antisséptico (povidine); e . pomada cicatrizante (neomicina). 9.11 - HEMORRAGIA INTERNA ou EXTERNA. Hemorragia interna. . manter o paciente calmo, deitado com a cabeça de lado; . aplicar compressas frias ou gelo no local suspeito de hemorragia; . afrouxar a roupa; . providenciar transporte urgente; e . não oferecer líquidos e alimentos.
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    - 140 - Hemorragianasal. . sentar a vítima; . apertar com os dedos a narina, fazendo a vítima respirar pela boca; . colocar um chumaço de algodão na narina; . colocar toalha úmida, fria ou gelo sobre o rosto; e . não assoar nariz pelo menos 1 hora após cessar sangramento. Hemorragia externa. Técnicas de controle: . pressão direta; . elevação dos membros; . pontos de pressão arterial; e . torniquete. TORNIQUETE Usar essencialmente no caso de amputação de membro ( Braço ou Perna). Usar panos resistentes e largos acima do ferimento. Nunca usar arame, cabos (cordas), barbante ou outros materiais muito finos. Desapertar gradualmente a cada 10 a 15 minutos ou quando notar extremidades frias ou arroxeadas. Não tirar a vítima do lugar caso pare a hemorragia.
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    - 141 - CAPÍTULO10 SOBREVIVÊNCIA NO MAR 10.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS 10.1.1 – FATORES DOS QUAIS DEPENDE A SOBREVIVÊNCIA . Preparo físico . Conhecimento sobre o assunto . Auto domínio . Conhecimento dos equipamentos e suas técnicas 10.1.2 – NECESSIDADES DO HOMEM PARA VIVER . Abrigo . Comida . Repouso . Vontade De Viver 10.2 – DOTAÇÃO MÍNIMA DAS EMBARCAÇÕES . Dispositivos adequados de salvamento . Mínimo de água e comida 10.3 – POSIÇÃO DO NAUFRÁGIO . Conhecida (boa precisão) . Na dúvida ou não conhecida ⇒ assumir que é desconhecida 10.4 – FATORES MAIS COMUNS QUE LEVAM O NÁUFRAGO À MORTE . Falta de água potável . Exposição do corpo ao meio ambiente 10.5 – FATORES ADVERSOS AO NÁUFRAGO 10.5.1 – FATORES SUBJETIVOS . Pânico . Solidão DOUTRINA: “MESMO DISPONDO DE EMBARCAÇÕES DE SALVAMENTO, NÃO SE AFASTAR MUITO DO LOCAL DO ACIDENTE, ESPECIALMENTE SE O NAUFRÁGIO FOI COMUNICADO”.
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    - 142 - .Tédio 10.5.2 – FATORES OBJETIVOS . Frio (hipotermia) . Fome . Sede . Fadiga 10.5.3 – Pânico No momento do incidente; mais tarde por ocasião de mau tempo ou avistamento de barbatanas de tubarão. Tem como característica básica a desorientação. Meio de superá-lo (domínio e controle): autocontrole. 10.5.4 – Solidão Característica básica: abatimento. Meio de superá-la: ocupação da mente. 10.5.5 – Tédio Característica básica: revolta contra tudo e todos / desinteresse pelas coisas que ocupariam a mente. Meio de superá-lo: combatê-lo de forma que sejam retomadas as atividades normais. 10.5.6 – Frio (Hipotermia) Perda de calor corpóreo mais rápida que a possibilidade do corpo em gerá-lo. A hipotermia é a grande causa de morte no mar. O progressivo resfriamento do corpo humano causa uma função fisiológica reduzida, com declínio do consumo de oxigênio, da condução nervosa, da frequência cardíaca, da função gastrintestinal e da respiração. A capacidade de reação do corpo humano é inferior ao abaixamento de temperatura que sofre quando em imersão. Até mesmo em águas a 30ºC se verifica um considerável arrefecimento e há que se considerar que muito poucas são as zonas do globo em que a água atinge esta temperatura. A perda de calor com o corpo exposto à água fria é mais intensa do que a perda de calor com o corpo exposto ao ar frio. Com o corpo imerso, o uso de colete salva vidas proverá a manutenção da cabeça e do pescoço fora d`água, diminuindo o resfriamento da artéria que irriga a cabeça, prolongando a vida. Meio de superá-lo: - ao navegar ter o corpo protegido e agasalhos à mão; - evitar roupas molhadas e proteger-se do vento; - manter a embarcação de salvamento seca; - manter uma cobertura na embarcação e seu bom isolamento; e
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    - 143 - -ao adentrar em uma balsa salva vidas coberta, seja rápido e evite a troca de calor com o ambiente externo. Temperatura ºC Tempo estimado de sobrevivência Menos de 2ºC Menos de 45 min De 2ºC a 4ºC Menos de 1 hora e meia De 4ºC a 10ºC Menos de 3 horas De 10ºC a 15ºC Menos de 6 horas De 15ºC a 20ºC Menos de 12 horas Acima de 20ºC Indefinido - Dependerá da fadiga Tempo estimado de sobrevivência na água 10.5.7 – Fome É possível a sobrevivência sem comida por longos períodos, desde que haja água para beber. Uma embarcação de salvamento possui ração para 6 dias. Alimentação: - ração sólida: jujubas; e - pesca; - aves marinhas; e - brotos / frutas / algas.
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    - 144 - 10.5.8– Sede Perda de água: transpiração; evaporação pela pele; urina e respiração. Balsa salva-vidas: ração líquida. Fontes de água: - chuva; e - orvalho. Meio de superá-la: evitar a transpiração. Observações: - evitar beber água nas primeiras 24 horas após o abandono; - não beber água do mar; e - não beber urina. 10.6 – SITUAÇÕES ADVERSAS 10.6.1 – ENJÔO Gera um processo de desidratação. Meio de superá-lo: pílulas contra enjôo do estojo de primeiros socorros. 10.6.2 – CONGELAMENTO Dormência das áreas afetadas causada pelos ventos frios. Meio de superá-lo: todas as partes do corpo devem ser convenientemente protegidas. 10.6.3 – PÉ SUBMERSO Gerado por pés imóveis em água fria (partes dormentes). Meio de superá-lo: - desapertar ou descalçar sapatos; - mover os pés e os dedos; e - manter as pernas na horizontal. 10.6.4 – AÇÃO DO ÓLEO Normalmente ingerido com a água do mar. Provoca inflamação nos olhos quando estes são expostos ao sol. 10.6.5 – AÇÃO DA ÁGUA SALGADA Pele: formação de bolhas e suscetibilidade a inflamações. Meio de superá-la: tratar as bolhas com pomadas e curativos protetores. 10.6.6 – QUEIMADURAS SOLARES Meio de superá-las: Proteger o corpo de forma a evitar queimaduras de 3° grau.
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    - 145 - 10.7- BALSAS SALVA-VIDAS 10.7.1 - Definições As balsas salva-vidas são os meios de salvamento mais utilizados e que oferecem mais segurança tendo em vista que são mais fáceis de se lançar na água, ocupam pouco espaço a bordo dos navios e tem excelente poder de flutuação, podendo alojar um grande número de pessoas. As balsas salva-vidas utilizadas nos navios da MB podem ser lançadas ao mar por ação humana caso a situação permita. Se o navio vier a afundar com alguma balsa presa a ele, um mecanismo hidrostático irá liberar a balsa, que se inflará e virá à superfície. 10.7.2 - Material que equipa as balsas salva-vidas O seguinte material será encontrado no interior das balsas salva-vidas: - Uma faca; - Um coletor de água da chuva; - Duas esponjas para realização de esgoto da balsa; - Duas âncoras flutuantes; - Dois remos flutuantes; - Três abre latas ou canivetes de bolso possuindo abre latas; - Uma caixa de primeiros socorros à prova de água que possa ser hermeticamente fechada depois de usada; - Um apito ou meio equivalente para emitir sinais acústicos; - Quatro sinalizadores de paraquedas de luz vermelha; - Seis sinalizadores do tipo fachos de mão; - Dois sinalizadores do tipo fumígeno flutuante; BALSA SALVA-VIDAS INFLÁVEL MECANISMO HIDROSTÁTICO DE LIBERAÇÃO
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    - 146 - -Uma lanterna eléctrica à prova de água com capacidade para sinalização Morse e um jogo de pilhas e uma lâmpada sobressalentes, guardados em invólucro à prova de água; - Um refletor de Radar; - Um espelho de sinalização com as respectivas instruções; - Um exemplar do código de sinais para salvamento, plastificado ou em invólucro à prova de água; - Um jogo de apetrechos de pesca; - Um kit de ração alimentar e de água suficiente para 6 dias de acordo com a lotação da balsa; - Um copo graduado; - Medicamentos contra o enjoo; e - Instruções de sobrevivência e medidas urgentes. 10.7.3 - Documentação e revisões das balsas salva-vidas Todo material de salvatagem existente a bordo dos navios deverá ser mantido em perfeito estado de conservação. As balsas salva-vidas, por conterem material perecível em seu interior, por serem equipamentos mais elaborados com mecanismos para inflarem automaticamente e por serem confeccionadas de material que pode sofrer deterioração, deverão ser obrigatoriamente revisadas uma vez por ano em empresa certificada para este fim. O Oficial Encarregado Geral do Armamento ou o Oficial Encarregado do Convés será o responsável pelo envio das balsas para a citada revisão, assim como pela manutenção dos registros das revisões e a guarda da documentação que acompanha cada balsa salva-vidas. 10.8 - COLETES SALVA-VIDAS Todos os que andam no mar correm o risco de cair na água. Este risco depende do tamanho, tipo e características da embarcação e do tipo de serviço que estiver sendo realizado. Saber nadar estando longe da costa não será suficiente para garantir a sobrevivência de um náufrago pois ele não terá energia suficiente para salvar-se por si só. O colete salva-vidas proporcionará ao náufrago a flutuação necessária para que ele possa descansar e, também, manterá sua cabeça fora d`água. O ser humano ao cair ao mar inconsciente e sem colete salva-vidas fica sujeito a uma força de flutuação muito pequena. A cabeça terá a tendência de cair para frente, ficando a força de flutuação aplicada basicamente nas costas. O colete salva-vidas proverá a flutuação necessária na área do peito do náufrago de forma que suas costas fiquem dentro d`água e sua parte frontal voltada para cima.
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    - 147 - Alémda flutuação peitoral, o colete salva-vidas proverá apoio na parte de trás e nas partes laterais da cabeça, mantendo-a fora d`água. 10.9 - PROCEDIMENTOS NO MAR E NAS BALSAS SALVA-VIDAS A primeira providência do náufrago dentro d`água será se afastar do navio sinistrado e dos destroços. Ao alcançar uma distância de aproximadamente 200 metros do navio sinistrado, aí sim o náufrago buscará uma balsa salva vidas para alcançar e ser resgatado. Sem prejudicar sua segurança, o náufrago deverá tentar preservar suas energias o quanto possível pois nada impedirá que surja uma emergência que o obrigue a um dispêndio a mais de forças. Caso haja explosões no navio sinistrado ou nos destroços, o náufrago deverá nadar de costas, com a cabeça e o peito o tão fora d`água quanto possível. Na balsa salva vidas deverá haver o consenso de que o trabalho de equipe será essencial para o sucesso do salvamento de todos.
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    - 148 - Omais antigo presente assumirá o comando das ações, controlará o uso das rações e demais alimentos disponíveis, definirá as situações nas quais serão utilizados sinais de socorro e manterá a disciplina. Para tal, deverá ter pleno conhecimento das doutrinas empregadas no salvamento no mar. As embarcações salva-vidas deverão manter-se juntas, amarradas umas às outras por suas boças (cabos externos). No caso de mau tempo, as boças deverão ser afrouxadas ou mesmo soltas para que as embarcações enfrentem melhor o estado do mar. 10.9 - BALIZA RÁDIO INDICADORA DE POSIÇÃO EM EMERGÊNCIA - EPIRB (EMERGENCY POSITION-INDICATING RADIO BEACON) Emergency position-indicating radio beacons – EPIRB, são transmissores de localização usados em situações de emergência, operados através do consórcio de satélites(COSPAS- SARSAT), Quando ativado, este aparelho envia sinais intermitentes com dados que possibilitam a localização das pessoas, embarcações ou aeronaves necessitando de resgate. Este equipamento é parte do Sistema de Apoio a Segurança Marítima Global (Global Maritime Distress Safety System), liderado pelos Estados Unidos. O propósito básico dessa tecnologia é possibilitar o resgate mais rápido possível da(s) vítima(s), quando é conhecido estatisticamente, que a maioria de acidentados sobrevive apenas aos primeiros dias, quando não apenas ao primeiro dia, dependendo das situações. Entre 1982 e 2002, esse sistema possibilitou o salvamento de cerca de 14.700 pessoas. No ano de 2002, foi registrado cerca de 82.000 usos do sistema, ajudando a diversas pessoas no mundo inteiro. A maioria dos equipamentos são de cores fortes (a mais usada é a vermelha), são à prova d’água, medem cerca de 30 cm de lado, e pesam cerca de 2 a 5 kg. Podem ser comprados em lojas de suprimentos náuticos, aeronáuticos ou lojas de campismo especializadas. As unidades têm uma vida útil de 10 anos, e são fabricadas de modo a operar em condições adversas (- 40°C a 40°C), e transmitem o sinal durante 24 ou 48 horas. Quando accionado o sinal de 406MHz é captado primeiro por satélites GOES (geoestacionários) localizados a cerca de 36000Km de altitude, e em seguida pelos satélites da rede COSPAS SARSAT, em órbita a cerca de 1000Km, que localizam a posição de origem do sinal de socorro e retransmite a informação para a estação terrena. O sinal do EPIRB contém também a identificação da embarcação ou aeronave e seu código. 2 - A estação terrena recebe o sinal e o retransmite para ao Centro de Controle da Missão. 3 - O Centro de Controle da Missão combina a informação recebida com as de outras recepções de satélite, refina a localização, adiciona a informação de registo do transmissor e gera uma mensagem de alerta.
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    - 149 - Estamensagem é então transmitida ao Centro de Coordenação de Salvamento em cuja área está localizado o sinal. - O Centro de Coordenação de Salvamento do Brasil está localizado no Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo - CINDACTA I, em Brasília. EPIRB
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    - 150 - CAPÍTULO11 ETIQUETA SOCIAL 11.1 – EDUCAÇÃO E POSTURA 11.1.1 – BOAS MANEIRAS Etiqueta, boas maneiras e postura são quesitos aprimorados ao longo da vida. Porém, a base de tudo é a educação. Educação que nos é ensinada desde tenra idade. Nada é muito novo: respeitar as pessoas para ser respeitado, lembrar dos limites, ser gentil, ser agradável numa conversa, fazer o melhor possível, ouvir mais em vez de falar e tantas outras demonstrações pertinentes a uma pessoa educada. Educação não depende de classe social. Em um ambiente militar tudo é observado e até mesmo avaliado. Onde começa a etiqueta O princípio da etiqueta é o respeito ao próximo, logo: nunca entre num ambiente sem se anunciar, podem estar tratando de assuntos confidenciais, segredos de família ou outros que podem não lhe dizer respeito; não se comunique aos brados, nem murmurando, você tem que se comunicar de forma clara, objetiva e sem insinuações; seja pontual (especial atenção em cerimônias militares e à chegada de autoridades); evite invasão de privacidade de qualquer espécie; nunca leia correspondências de outros; não mexa em “material alheio” sem expresso consentimento; não ouça conversa de terceiros e não abra outra geladeira que não a sua. Cuidados Importantes - Uso de perfumes Perfume é algo particular, não público. Cada pessoa tem um gosto. Não se deve saturar um ambiente com o seu cheiro, pois se todos sentiram o perfume é porque está forte, exagerado. Lembre-se da questão do limite. O mesmo deve ser em relação ao desodorante, loção de barba, cremes de beleza etc. O perfume deve ser agradável ao chegar perto. Quando bom, faz lembrar uma pessoa, um ambiente, uma geração, uma época da vida. Logo, não transforme uma lembrança num desastre. - Fumo Lembre-se de que o fumo é um vício pessoal, não um castigo coletivo. Se você fuma deve ter alguns cuidados importantes, como não fumar em lugares públicos, perto de gestantes, durante um evento ou às refeições. O hálito de um fumante não é muito agradável, portanto procure por pastilhas para amenizar o cheiro. O fumante fica com as roupas mal cheirosas, o cabelo fedido, as mãos meio amareladas e a saúde totalmente prejudicada. Se você fuma repense este hábito.
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    - 151 - Quandoa necessidade de fumar for irresistível e nos locais onde for permitido, peça licença às pessoas com quem estiver conversando, principalmente às senhoras, antes de acender um cigarro. Em ambientes militares, em que for permitido o fumo, sempre peça permissão ao mais antigo presente antes de acender um cigarro. - Uso de óculos escuros Óculos escuros servem para proteger os olhos do sol e só. É uma indelicadeza conversar com uma pessoa usando óculos escuros, isto porque você não vê os olhos de quem fala e não tem certeza para onde ela está olhando. Ao conversar, retire os óculos e os reponha quando a conversa terminar. Se você sofre de algum mal e precisa usar os óculos regularmente, peça desculpa pelo inconveniente. Após o sol se pôr não se tem motivo para continuar usando os óculos escuros. Em ambientes militares só devem usar óculos escuros os que tiverem problemas de fotofobia. - Bocejos São imperdoáveis em qualquer circunstância. Em formaturas militares são inaceitáveis, em sala-de-aula são de uma grosseria sem igual para com o professor/instrutor, em eventos e nas refeições são da maior indelicadeza e todos os exemplos são para explicar que não se deve bocejar em hipótese alguma. Quando eles simplesmente acontecem, deve-se pedir desculpa, colocar a mão na frente da boca e tentar o uso da técnica de apertar a língua sob o céu da boca com força. Se puder se ausentar por alguns instantes, procure um lugar para lavar o rosto. - Chicletes O hábito de mascar chiclete não é elegante, reserve este hábito para ambientes mais descontraídos e informais. Mascar deve ser com a boca fechada! Quando você fala com alguém mascando um chiclete, a pessoa com quem você fala não consegue prestar a atenção no que você diz, a atenção fica condicionada aos movimentos do chiclete. - Guarda-chuva O guarda-chuva serve para proteger você da chuva, não converse mexendo-o, apontando-o, revirando-o. Isto incomoda, atrapalha e pode até machucar alguém. Os militares fardados não usam guarda-chuva e sim capa de chuva. - Não fure filas Dizem que furar filas é uma mania de brasileiro. Mentira. Isto é mania de mal-educado, seja de qualquer naturalidade e sob qualquer pretexto (até de antiguidade). Se você estiver numa fila e chegar algum militar mais antigo, por cortesia, você deve ceder seu lugar a ele. Mas não insista: se ele não quiser, seja cortês e mantenha seu lugar.
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    - 152 - -Limpar o nariz Limpe o nariz em casa, no banheiro, sozinho, com a porta fechada. Ninguém precisa ver. Se você precisar limpar num momento inoportuno, procure um toalete para resolver seu problema, mas nunca com o dedo encravado dentro do nariz!! - Uso do celular Não se pode dizer que exista uma forma elegante de utilizar o telefone celular. Vamos dar algumas dicas de como usar da melhor forma possível: . Desligue o celular em reuniões de trabalho, cinemas, teatros e locais como festas, recepções ou reuniões íntimas. Se estiver esperando uma ligação muito importante deixe no vibracall ou silencioso e afaste-se para atender. . Celulares em hospitais, só para os profissionais a trabalho e, ainda assim, apenas nas áreas permitidas. . Não se deve usar o celular na cintura. É um modo não muito elegante. Também não se deve usá-lo pendurado em bolsas, nos cintos e muito menos em pochettes. As senhoras devem usá-lo dentro da bolsa. Na hora do cooper e da ginástica, deixe-o em casa, ou guardado. Aos militares só é permitido o uso do celular na cintura aos médicos e ao Oficial de Serviço. . Não se pergunta onde a pessoa está. Assim que a outra pessoa atender, o que se deve perguntar é se é possível falar naquele momento. . Quando atender o seu celular e estiver com outras pessoas seja rápido. Em especial quando um casal estiver em um restaurante ou bar e um dos dois atender ao celular. . Retorne sempre suas ligações. . Se não quiser ser encontrado é melhor deixar o telefone desligado ou no “vibracall”. Se por acaso esqueceu de desligá-lo, peça licença e seja rápido. . Muito cuidado com os toques “alegrinhos”. Telefone deve ter toque de telefone. . Nunca incomode ninguém antes das 9 horas e depois das 22 horas, a menos que já tenha combinado anteriormente. Com relação ao celular essa regra deve ser seriamente respeitada. . Evite pedir emprestado o celular dos outros, só o faça em casos extremos. E nem pensar em fazer ligações DDD ou DDI... 11.1.2 – POSTURA E ELEGÂNCIA Mantenha uma postura adequada a cada ambiente. As costas devem ser retas, mas não esticadas demais, causando uma sensação de artificialidade. As mãos revelam muito de nós: insegurança, timidez, confiança, alegria, entusiasmo e tristeza, pela forma como gesticulamos. Porém, é perfeitamente possível
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    - 153 - treinara aprender a usar os gestos com moderação. Ombros erguidos e braços pendentes com suavidade, as mãos devem ficar à frente do corpo, podendo ficar uma sobre a outra. Evite balançá-las, prendê-las, enrolar os cabelos ou roer unha! Ande com naturalidade e sente-se confortavelmente com as pernas fechadas, cruzando-as sem bater nos outros: Tenha atenção à sola do sapato que não deve ficar a mostra. Ao parar em pé o ideal é apoiar o peso do corpo nas duas pernas, porque transmite uma sensação de tranquilidade e segurança, tornando a conversa mais agradável, além de preservar a coluna. Em ambientes militares observe antes: . se existem mais antigos sentados. . se é permitido sentar no momento. . se existem mais antigos em pé a procura de assentos. . onde se localiza seu círculo hierárquico. . se for servido qualquer tipo de alimento, verifique se o mais antigo presente já se serviu. Nunca se sirva antes de o mais antigo presente “dar a partida”, mesmo se for a você oferecido. . atenção com o horário de chegada, com o lugar de sentar, com seu comportamento e com os bocejos. O olhar é muito importante. O primeiro contato deve transmitir simpatia, interesse e confiança. As pessoas sentem a diferença entre um olhar caloroso e um olhar indiferente. Outro fato marcante em relação aos olhos: ao falar com alguém mantenha sempre contato com os olhos, transmita segurança, firmeza nas atitudes, convicções e decisão. Não use desculpas evasivas como defesa para seus erros ou incompetência, principalmente em ambiente militar, assuma os erros e ou os deslizes com um “me desculpe, vou me esforçar ou vou providenciar ou não irá se repetir”, é mais digno. Mantenha uma certa distância das pessoas ao falar. Nem muito longe, criando uma verdadeira barreira para o entendimento, nem muito perto, invadindo a intimidade do outro. Evite toques, puxões, segurar a pessoa com quem conversa e respingar saliva devido ao entusiasmo do assunto. 11.2 - REUNIÕES, VISITAS, CERIMÔNIAS E RELACIONAMENTOS SOCIAIS. 11.2.1 - GENERALIDADES As tradições navais remontam aos primórdios da navegação à vela quando se mantinham um conjunto de práticas, normas de cortesias, saudações, valores éticos e morais, honras, sinais de respeito, em uso nas marinhas de guerra. As tradições navais devem ser
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    - 154 - cultivadaspor todos, num ambiente de respeito e cortesia de todos os militares para com seus superiores, em todas as circunstâncias. A espontaneidade e a correção dos gestos, atitudes e procedimentos são indicadores não só do grau de disciplina, mas também da educação moral e militar dos componentes de uma organização. Desta forma, os usos, costumes e tradições navais compõem a Etiqueta Naval. 11.2.2 - PROCEDIMENTOS Nunca apareça em casa alheia sem prévio contato: se quiser fazer uma visita, ligue antes para ver se a pessoa tem algum compromisso ou se está disposta a atendê-lo. Não apareça de súbito. Se for uma visita a uma Organização Militar (OM) ligue com antecedência para verificar a possibilidade da visita, se o dia e a hora são apropriados, se a OM tem alguma solenidade, qual o uniforme adequado e se os oficiais estão disponíveis para atendê-lo. Ao chegar a uma OM apresente-se sempre ao Imediato. Evite chegar no horário do cerimonial à Bandeira e no início do expediente quando o Comandante da OM é recebido e, normalmente, faz seu primeiro despacho com o Imediato e os Oficiais. Em reuniões, dê atenção a todos: se você convida ou foi convidado para algum evento procure conversar com todos, circular pelo ambiente, evitando patotas. Na hora de sentar não marque seu lugar antecipadamente fechando um círculo de companheiros. Num evento militar, no qual sua OM é a anfitriã, procure dar atenção a todos os convidados, principalmente aos civis e aos militares de outras Forças. Em visita de pêsames ou a doentes, seja breve. Evite comentários e detalhes sobre a doença/morte, machucando as pessoas que estão doloridas pela doença ou pela perda de alguém querido. Em enterro/missa, evite roupas extravagantes. Seja discreto, coerente com a ocasião, respeite a dor alheia. Na dúvida, não fale. Apresentação: um homem sempre se levanta ao ser apresentado a uma mulher, a um homem mais velho ou a um superior hierárquico. A mulher se levanta para cumprimentar os idosos, os eclesiásticos, as altas personalidades e, caso seja militar, os superiores hierárquicos. Em sociedade a mulher tem precedência sobre o homem. O subordinado, homem ou mulher, é sempre apresentado ao superior hierárquico. A iniciativa de estender a mão para o cumprimento deve partir sempre da pessoa mais importante, da mulher, da pessoa mais velha ou do superior hierárquico.
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    - 155 - Despedidas:nestas ocasiões aguarde que o dono da casa abra a porta. Se você é militar aguarde o oficial mais antigo se retirar ou dar a permissão para sair. Caso tenha que sair antes, peça permissão a ele com uma pequena justificativa, sem entrar em detalhes. Nas Cerimônias a que o militar comparecer como convidado ou acompanhante de parente, cônjuge, companheiro ou pessoa de seu relacionamento afetivo, também militar, deverá fazê-lo no uniforme previsto para a cerimônia. Quando os militares forem de círculos diferentes (Círculo de Oficiais ou Praças), aquele que comparecer na condição de convidado deverá fazê-lo em traje civil. (Capítulo 2 da DGPM-319). No caso de festividades de formatura de Alunos do Colégio Naval, instruções especiais sobre convidados militares serão divulgadas com antecedência. Fotografias: Saiba o que fotografar, se o momento é oportuno, se é permitido, se tem permissão. Não use fotos de terceiros sem a devida concordância. Cuidado com as exposições na internet e com as fotos pessoais trazidas a bordo. Telefonemas: O mais moderno deverá aguardar na linha até que o mais antigo atenda, não deixando que o militar de maior precedência aguarde na linha. Internet: De forma a minimizar a exposição da MB e de seu pessoal, os militares devem seguir as seguintes orientações (DCTIMARINST Nº 31-01, 2009): a) nunca postar ou publicar informações sigilosas da MB ou pessoais; b) nunca nomear ou utilizar, na titulação do grupo, símbolos, siglas, brasões, indicativos ou nome de OM da MB; c) nunca postar informação que possa ser explorada em ação contra o pessoal ou contra a MB; d) nunca postar nada que não queira que se torne público. Todas as informações veiculadas em sítios de relacionamento devem ser consideradas como públicas; e) ter o mesmo comportamento dentro do sítio de relacionamento, que se têm quando em uma reunião social com presença física; f) seguir os padrões de comportamento navais orientados pelos bons costumes; h) limitar a quantidade de informação pessoal postada; i) lembrar que a internet é pública; j) desconfiar que algum componente possa ser um estranho; k) cuidados ao falar com estranhos em chats, blogs, comunidades; l) não participar de comunidade virtual criminosa que “odeia” alguma coisa, pois se a mesma for investigada por conduta indevida ou pratica de crime, todos os participantes podem ser envolvidos; m) não acreditar em tudo que se lê online;
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    - 156 - n)manter os grupos sempre fechados e protegidos por fortes senhas de forma a restringir o acesso às informações somente ao pessoal do grupo; o) não criar grupos sociais vinculados ou que denotem vínculo à Marinha ou suas OM; e p) usar e manter os antivírus e sistemas operacionais atualizados. Convites RVSP: “Rèpondez S’íl Vous Plaît”: Expressão francesa que significa “responda, por favor”. É usada do lado direito de convites acompanhada de um ou mais números de telefone, através dos quais o convidado deverá confirmar ou não sua presença ao evento para o anfitrião poder se programar. Agradecimentos: ao fazer um agradecimento tenha em mente para quem o está fazendo. Se for um agradecimento para autoridade mantenha as formas adequadas de tratamento e seja objetivo. Seja claro, sucinto, muito respeitoso e siga o protocolo e trâmites administrativos cabíveis. O agradecimento a um cartão enviado por Oficial General deverá, dentro das possibilidades, ser realizado pessoalmente. 11.3 – PROCEDIMENTOS À MESA 11.3.1 – POSTURA E COMPORTAMENTO À MESA A maneira como você se senta e se coloca à mesa torna-se um fator diferencial de civilidade. Manter o corpo nem muito próximo nem afastado da borda da mesa é a postura correta ao sentar. As mãos ficam colocadas sobre a mesa, com os braços apoiados e não os cotovelos. As costas apóiam-se levemente no encosto da cadeira. Você deve se inclinar ligeiramente e não se curvar em direção ao prato. Os cotovelos devem permanecer junto ao corpo sem bater nos vizinhos da mesa. As pernas devem se comportar, não devem bater nas outras pessoas, ficarem esticadas ou balançando. Se precisar de algo que esteja fora do seu alcance peça gentilmente. Gestos expansivos na mesa não são de bom tom, dedos levantados ao levantar xícaras são inaceitáveis e assuntos íntimos não devem ser tratados. Dê atenção a todos os vizinhos na mesa, mantendo uma conversa sadia e agradável. Desculpe-se quando cometer algum erro, deslize ou indelicadeza, porém sem exageros, sem valorizar muito o erro cometido. O comportamento ao comer é um teste infalível do grau de civilidade de uma pessoa, pois o manuseio com os talheres e a postura durante uma refeição falam mais que palavras. A naturalidade e espontaneidade nas atitudes transmitem confiança tornando o ambiente mais descontraído e aprazível.
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    - 157 - 11.3.2– USO DO GUARDANAPO O guardanapo cumpre uma função importante durante toda a refeição e também qualifica o evento. Não se deve ter medo de sujar o guardanapo, mas devemos saber utilizá-lo. Quando o guardanapo estiver preso deve ser retirado do porta guardanapo que estará à esquerda do prato, próximo dos talheres. Quando dentro do guardanapo vier uma bolsinha com os talheres, você deve retirar os talheres colocando-os a sua direita e procedendo da mesma forma. Ao sentar, a primeira coisa que se faz é colocar o guardanapo no colo. Se precisar levantar da mesa durante a refeição, lembre-se de colocar o guardanapo sobre a toalha, à esquerda do prato, sem dobrá-lo. Ao fim da refeição, após o cafezinho, faça o mesmo. Sempre, antes de beber, deve-se limpar a boca cuidadosamente. O mesmo procedimento após beber e retornar a comer. Há um motivo para isto: para não deixar manchas no copo e para não pingar ou escorrer líquido na refeição. 11.3.3 – DISPOSIÇÃO E USO DOS TALHERES, PRATOS E COPOS Uma refeição completa compreende vários pratos e esta é a razão de tantos talheres. A ordem dos talheres e dos copos é a mesma em que os pratos serão servidos: os primeiros talheres a serem usados são os mais afastados do prato, à direita e à esquerda. A colher é usada para sopa. A faca e o garfo mais externos serão para o primeiro prato, geralmente uma carne branca como peixe ou frango. Se for peixe, esse jogo de talheres será trocado pelo que é próprio para comer peixe. A faca e o garfo mais próximos do prato são para o prato principal, e o jogo acima do prato são os talheres adequados à sobremesa; a pequena faca para passar manteiga fica sobre a borda do pratinho de pão. Os demais utensílios são o guardanapo e as taças. A taça a de pé maior para água, a taça de pé menor para o vinho branco que, geralmente, acompanha o primeiro prato e a taça média para o vinho tinto que geralmente acompanha o prato principal. O prato de serviço ou sous-plat (pronúncia “suplá”) é um prato que fica sob os pratos de refeição e funciona como uma bandeja para esses pratos. Sobre ele é colocado o prato de sopa e, na sequência, o primeiro prato e o prato principal. É removido junto com este último, antes da sobremesa. A taça da sobremesa terá seu próprio prato de serviço por baixo. Neste caso, a colher, ao final, é deixada sobre esse prato de serviço e não na taça em que a sobremesa foi servida. Raramente será usada faca para a sobremesa. Variações para esse esquema são comuns substituindo-se a sopa por uma pequena salada de entrada e retirando-se o primeiro prato, passando-se diretamente ao prato principal.
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    - 158 - Arrumaçãoda mesa para uma refeição completa. 1 – “Sous-plat” 9 – Prato para pão 2 – Prato principal 10 – Faca para pão 3 – Prato para sopa 11 – Talheres para sobremesa 4 – Garfo para peixe 12 – Taça para água 5 – Garfo para o prato principal 13 – Taça para vinho tinto 6 – Faca para o prato principal 14 – Taça para vinho branco 7 – Faca para peixe 15 - Guardanapo 8 – Colher para sopa
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    - 159 - Posiçãode repouso dos talheres durante a refeição. Posição de repouso dos talheres ao final da refeição.
  • 164.
    - 160 - CAPÍTULO12 MARCAÇÃO RELATIVA E POLAR 12.1 – INTRODUÇÃO Sempre que estiver no mar, o navegante deverá conhecer com confiabilidade sua posição e a posição de perigos em potencial em relação à sua embarcação. Acidentes geográficos, sinais náuticos, e outras embarcações na sua área de navegação e, principalmente, dentro de seu alcance visual, deverão, assim que avistados, serem disseminados para todo pessoal que conduz uma embarcação. A posição dos perigos em potencial em relação a sua embarcação é expressa em marcação e distância, existindo uma nomenclatura padrão que deve ser de conhecimento de todo pessoal a bordo. Quando a direção de referência é a proa da nossa própria embarcação, a marcação pode ser denominada de MARCAÇÃO RELATIVA ou MARCAÇÃO POLAR. Normalmente, em embarcações miúdas, os dados de marcação e distância são estimados e aproximados. 12.2 – MARCAÇÃO RELATIVA
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    - 161 - MARCAÇÃORELATIVA (Mr) é o ângulo horizontal entre a PROA e a linha que une o navio ao objeto marcado, medido de 000º a 360º, no sentido horário, a partir da PROA. Então, teremos. Para obtermos a marcação verdadeira do objeto, basta somar a marcação relativa ao rumo da nossa embarcação: Mv = Mr + R. 12.2 – MARCAÇÃO POLAR MARCAÇÃO POLAR (Mp): é medida a partir da proa para BORESTE (BE) ou para BOMBORDO (BB), de 000º a 180º. Recebe sempre uma designação (BE ou BB).
  • 166.
    - 162 - CAPÍTULO13 NOÇÕES SOBRE CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÕES A VELA 13.1 – TERMINOLOGIA BÁSICA ORÇAR - Manobra que movimenta a proa da embarcação para a direção de onde vem o vento. ARRIBAR - Manobra que movimenta a proa da embarcação na direção para onde o vento sopra, ou seja, se afastando da direção de onde o vento está soprando. CAMBAR - Manobra de orçar (movimentar a proa da embarcação para a direção de onde vem o vento) até que a proa cruze a linha do vento, trocando o bordo por onde o vento passa a forçar a vela, mudando a vela de lado. JAIBEAR – Arribar (movimentar a proa da embarcação na direção para onde o vento sopra), até que as velas mudem de lado (cambar em roda). Ou seja, cruzar a linha do vento com a popa da embarcação. VELEJANDO NA ORÇA – Velejar orçando na tentativa de alcançar a linha do vento. VELEJANDO DE TRAVÉS – Velejar com o vento entrando por um dos lados da embarcação. EMPOPADA – Velejar com o vento entrando pela popa da embarcação. 13.2 – ESTRUTURA BÁSICA DE UM VELEIRO