ÍNDICE DAS APOSTILAS
APOSTILA PÁGINA
EXPLOSIVOS
MUNIÇÃO DE AMAMENTO LEVE
MUNIÇÃO DE ARMAMENTO PESADO
CONSERVAÇÃO E TRANSPORTE DE MUNIÇÕES
MÍSSEIS
DESTRUIÇÃO
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NDICE DOS ASSUNTOS
Capítulo 01 – Explosivos ............................................................................................... 03
1. Definição .................................................................................................................... 03
2. Velocidade de transformação ..................................................................................... 03
3. Excitação .................................................................................................................... 04
4. Onda explosiva ........................................................................................................... 04
5. Composição ................................................................................................................ 05
6. Classificação .............................................................................................................. 06
7. Propriedades principais dos explosivos ..................................................................... 08
8. Requisitos de um explosivo ....................................................................................... 08
9. Principais explosivos militares .................................................................................. 09
Capítulo 02 – Baixo Explosivos .................................................................................... 11
1. Pólvora negra ............................................................................................................. 11
2. Pólvora coloidal ......................................................................................................... 13
Capítulo 03- Alto Explosivos ......................................................................................... 16
1. Explosivos iniciadores ............................................................................................... 16
2. Explosivos reforçadores ............................................................................................ 17
3. Explosivos de ruptura ................................................................................................ 18
Capítulo 04 – Munições ................................................................................................. 22
1. Introdução .................................................................................................................. 22
2. Classificação .............................................................................................................. 23
3. Encadeamento explosivo ........................................................................................... 24
4. Classificação dos explosivos dentro da cadeia .......................................................... 24
5. Munições químicas ou não letais ............................................................................... 24
Capítulo 05 – Artifícios ................................................................................................. 32
1. Definição .................................................................................................................... 32
2. Classificação .............................................................................................................. 32
3. Artifícios Iniciadores ................................................................................................. 32
4. Artifícios Pirotécnicos ............................................................................................... 37
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CAPÍTULO I
EXPLOSIVOS
1. DEFINIÇÃO
São substâncias que sob a ação de um excitante, se transformam em grande volume de
gases, sob grande pressão, em um curto espaço de tempo e com grande produção de calor.
1.1. Análise da Definição
a) Necessidade do excitante: por menor ou mais variado que seja a excitação, sempre será
necessário um elemento extrínseco para iniciar a transformação. Um caso raríssimo de explosão
espontânea (sem excitação) é o da pólvora de nitro-celulose seca.
b) Grande volume de gases: todo explosivo transforma-se em uma quantidade muito
maior de gases que expandem-se na atmosfera.
Ex: 1 litro de pólvora negra (PN) transforma-se em 300 litros de gases.
1 litro de nitroglicerina (NG) transforma-se em 700 litros de gases.
c) Grande pressão: atuação de uma força sobre uma área determinada e que quando
confinada no interior de um cano ou tubo impulsiona o projetil em direção ao alvo.
d) Curto espaço de tempo: embora a percepção humana ache instantânea, a velocidade de
transformação é variável.
e) Calor desprendido: toda transformação produz calor.
Ex:1 Kg de PN gera 2600º C.
2. VELOCIDADE DE TRANSFORMAÇÃO
A transformação de um explosivo nunca é instantânea como parece aos nossos sentidos.
Dentre os fatores para a variação da velocidade de transformação estão a:
• quantidade de explosivo;
• tipo de explosivo;
• condições e forma de emprego; e
• pureza e estado de conservação.
Um mesmo explosivo pode queimar, deflagrar ou explodir influenciado pelas causas do
item acima (quantidade, condições, etc).
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Concebendo-se vários explosivos em forma de um fio, sem nenhuma compressão e
excitados ao ar livre, observamos que a velocidade de transformação dos mesmos é variável; uns
se transformam mais rapidamente e outros mais lentamente. Os fenômenos observados são os
seguintes:
• queima(inflamação) ................até 1000 m / s.
• deflagração ..............................de 1000 a 2000 m / s.
• explosão ..................................de 2000 a 3000 m / s.
• detonação ................................acima de 4000 m / s.
3. EXCITAÇÃO
Normalmente, salvo em casos raríssimos, é necessária uma excitação para iniciar a
transformação de um explosivo. Mesmo uma excitação involuntária ou imprevista (um choque,
calor de sol, etc) se faz necessária.
a) tipos de excitação:
• mecânica: dispositivo de percussão das armas, choque, atrito, etc.
• física: corrente elétrica, chama, centelha, aumento de temperatura, etc.
• química: explosão por simpatia através da explosão de outro explosivo,
geralmente um explosivo iniciador (espoleta), etc.
4. ONDA EXPLOSIVA
Representa a influência de determinada explosão, direcionada ou não. Um alto explosivo
gera durante a sua transformação uma onda de choque que propaga-se em todas as direções a
partir do local da explosão (esfera). Se a velocidade de. transformação for muito rápida, após a
transformação de toda a massa explosiva, os gases ainda não terão tido tempo de expandirem-se
e formarão um pequeno volume com considerável pressão. A descompressão dos gases será,
então, muito mais violenta. Caso esta onda de choque encontre um outro explosivo que tenha
sensibilidade ao choque o mesmo poderá detonar, caracterizando desta forma a explosão por
simpatia, influência ou indução.
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Em linhas gerais a onda de choque será amplificada no sentido da direção do primeiro
explosivo para o segundo formando o chamado encadeamento explosivo.
5. COMPOSIÇÃO
Os explosivos contém:
5.1. Indispensavelmente
• comburente : corpo capaz de ocasionar a combustão de outro corpo,
misturando-se com ele.
Ex: nitratos, cloratos, ar líquido, etc. (à base de oxigênio).
• combustível : combinado com o comburente, é o que se inflama.
Ex: carvão vegetal, amidos, celulose, óleos, etc. (à base de hidrogênio,
carbono, enxofre, alumínio, etc).
5.2. Facultativamente
a) elemento suporte: elemento que liga o comburente ao combustível.
b) elementos auxiliares: não alteram o valor dos explosivos, mas
fornecem-lhes determinadas características necessárias. São os seguintes:
• dissolventes – empregados para dissolver o explosivo com a finalidade de fazer
com que tenha maior homogeneidade. Ex: álcool, éter , acetona, etc.
• gelatinizantes – empregados para dissolver o explosivo além de fazer com que
adquira uma consistência gelatinosa. Ex: glicerina, etil, centralite, etc.
• estabilizantes – empregados para fazer com que o explosivo adquira uma maior
estabilidade, tornando-o mais resistente ao calor e à umidade. Ex: cânfora, parafina, vaselina,
resina, goma-laca, pixe, etc.
• absorventes – empregado para fazer com que determinado material absorva um
explosivo, facilitando o emprego. Ex: farinha de “Kielseguhr” absorve a nitroglicerina,
formando a dinamite.
• refrigerantes – empregados para diminuir as altas temperaturas geradas
na transformação. Ex: guanidina e polivinila.
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6.CLASSIFICAÇÃO
6.1. Quanto à velocidade de transformação
• baixos explosivos: (pólvoras) => empregados para cargas de projeção,
artifícios pirotécnicos e eventualmente, ruptura. Queimam ou deflagram.
• altos explosivos (brisantes ou de ruptura) => utilizados para arrebentamento,
fragmentação, destruição e iniciação. Explodem ou detonam.
6.2. Quanto ao estado físico
• sólido;
• líquido;
• gasoso;
6.3. Quanto à forma
• pulverizados ou pulverulentos: em pó (fulminato de mercúrio, PN, etc);
• granulados: grãos de diversa formas e tamanhos (pólvoras);
• em palhetas: escamas (trotil em palhetas);
• bastonetes: cilindros não perfurados, mono ou heptaperfurados e pólvoras;
• massas fundidas: dentro ou fora dos recipientes empregados (petardos e
granadas de artilharia, etc);
• massas plásticas: blocos moldáveis ou qualquer meio de fácil emprego
(compostos C2, C3, etc);
• líquidos finos: ar líquidos, etc;
• líquidos espessos: lama explosiva;
• gelatinosos: dinamite e etc;
6.4. Quanto à associação dos elementos
a) físicos ou mecânicos:
•Por trituração - triturar e misturar para o máximo de homogeneidade.
•Por revestimento - revestir com substância inerte para proteção contra umidade
calor e atrito.
b) químicos: combinação de várias substâncias por processos químicos. ( trotil
que é o tolueno 3 vezes nitrado).
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c) mistos:
•Mistura de explosivo, com explosivo que forma um novo elemento (nitrol +
glicerina + nitrocelulose = dinamite goma).
•Mistura de explosivo com substancia inerte formando um explosivo com novas
características (nitroglicerina + farinha inerte de Kielseguhr = dinamite).
6.5. Quanto à Aplicação
•Pólvora balística: utilizados nas cargas de projeção das munições;
•Explosivos brisantes: produzir ruptura, arrebentamento ou fragmentação (carga
das granadas);
•Explosivos detonadores de escorvamento: inicia a cadeia explosiva (nas
espoletas, cápsulas, etc);
•Misturas pirotécnicas: para produzir efeitos visuais, ou auditivos nos artifícios
pirotécnicos (fumaças coloridas, foguetes, etc).
6.6. Quanto à Fabricação
•Primário: constituídos de um único explosivo.( trotil, tetril, etc);
•Derivado: mistura ou combinação de dois ou mais explosivos (amatol, RDX,
etc);
7. PROPRIEDADES PRINCIPAIS DOS EXPLOSIVOS
a)brisância: é a capacidade que tem o explosivo de despedaçar o seu recipiente;
b)poder explosivo: é a capacidade que tem o explosivo de deslocar o meio circundante;
c) ponto de fusão: é a temperatura mínima em que o explosivo se torna líquido a fim de
se proceder o carregamento de granadas;
d)sensibilidade: é a maior ou menor aptidão que tem o explosivo para entrar em
combustão devido a uma circunstancia qualquer imprevista;
e)estabilidade: é a maior ou menor capacidade que tem o explosivo de não se deteriorar
em um determinado tempo;
f)higrospicidade: é a maior ou menor tendência do explosivo de absorver a umidade do
ar;
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8. REQUISITOS DE UM EXPLOSIVO
8.1. Gerais
• Potencial elevado;
• Insensibilidade ao calor, choque, atrito e excitamentos acidentais;
• Detonação completa sob a influencia da escorva; e
• Não deixar resíduos sólidos capazes de ocasionar acidentes.
8.2. Especiais
8.2.1. De projeção
• velocidade de transformação lenta e facilmente regulável;
• nenhum desprendimento de produtos corrosivos; e
• temperatura de transformação pouco elevada.
8.2.2. De carregamento:
• vivacidade de brisância variável;
• produzir fumaça abundante; e
• produzir gases deletérios ou tóxicos.
8.3. Militares
•empregar matéria prima nacional ou de fácil aquisição;
•baixo custo e facilidade de fabricação em grande escala;
•não ser higroscópio;
•não reagir com metais nem ser abrasivo;
•insensibilidade ao choque, atrito permitindo uma maior segurança;
•grande brisância e potência; e
•conveniência.
9. PRINCIPAIS EXPLOSIVOS MILITARES
9.1. Baixos Explosivos ou Propelentes
Pólvoras utilizadas para propulsão ou projeção, sua estabilidade é afetada pela umidade e
pela temperatura:
a)pólvora negra ou mecânica; e
b)pólvora coloidal ou química.
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•de base simples.
•de base dupla.
•de base tripla.
9.2. Altos Explosivos
a) Explosivos Iniciadores: empregados em mistos para iniciação ou excitação de cargas
explosivas. São muito sensíveis ao atrito, calor e choque. Quando sob efeito do fogo,
transformam-se sem incendiar. Os principais são (entre outros):
•azida de chumbo;
•estifinato de chumbo; e
•fulminato de mercúrio.
b) Explosivos Reforçadores: servem como intermediários entre o iniciador e a carga
explosiva propriamente dita. Podem ser iniciados pelo calor , atrito ou choque. Quando sob o
fogo e em grande quantidade, podem transformar-se sem incendiar. Os principais são (entre
outros):
•nitropenta;
•tetril; e
•ciclonita.
c) Explosivos de Ruptura: constituem os alto explosivos propriamente ditos. São quase
todos tóxicos. Os principais são (entre outros):
•trotil;
•pentolite;
•tetritol;
•haleita; e
•amatol.
9.3. Principais diferenças entre os dois grupos
CARACTERÍSTICAS BAIXO EXPLOSIVO ALTO EXPLOSIVO
MODO DE INICIAÇÃO Chama ou centelha Percussão ou choque
REGIME DE REAÇÃO Combustão lenta Combustão rápida
RESULTADO DA REAÇÃO Deslocamento ou projeção Ruptura ou brisância
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A comparação acima feita, contudo não é absoluta, a azida de chumbo e o fulminato de
mercúrio, por exemplo, sendo alto explosivos, são iniciados em alguns casos, por meio de uma
centelha e por outro lado já vimos que as pólvoras podem queimar, deflagrar e explodir.
CAPÍTULO II
BAIXOS EXPLOSIVOS
1. PÓLVORA NEGRA (PN)
1.1. Fabricação
A fabricação de pólvora negra (pólvora mecânica) não é tecnicamente difícil visto ser
uma simples mistura dos elementos que a compõe, no entanto, devido à sua grande sensibilidade,
à inflamação, tornam-se necessárias precauções especiais
1.2. Composição
Os elementos componentes da pólvora negra são o salitre (KNO3) a 74%, o enxofre a
10,4 % e o carvão vegetal a 15,6 %.
1.3. Emprego
A pólvora negra como baixo explosivo que é, esta compreendida entre os explosivos cuja
velocidade de transformação se classifica como DEFLAGRAÇÃO. Em regimes mais lentos de
transformação a sua combustão não passa de uma simples inflamação ou queima.
As deflagrações caracterizam as pólvoras e podem ser muito mais rápidas que uma
simples queima ou inflamação, indo ate a mais dê 1000 m/seg. A própria deflagração em
condições especiais de excitação ou pressão, poderá se transformar em explosão de 2.000 a 3.000
m/seg, porém, nunca em detonação.
Os explosivos que deflagram são usados na propulsão dos projeteis porque possuem
enorme força explosiva. Esta transformação não se processando tão rapidamente como a dos
altos explosivos brisantes ou detonantes, pode atuar no projétil ao longo de toda alma,
aumentando consideravelmente a impulsividade dada ao projétil sem forçar os
tubos das armas.
Na época presente é usada para confecção de petardos, escorvas, rastilhos,
dispositivos de segurança das espoletas, etc.
Atualmente as pólvoras negras só são empregadas como propelentes em casos raríssimos;
nesse mister foram substituídas pelas pólvoras coloidais.
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Seu emprego se restringe presentemente:
•ao shrapnel: como carga propulsora dos ballins;
•às espoletas: servindo com pequenas escorvas, ou ainda como elemento de
retardo na transmissão das combustões;
•aos artifícios pirotécnicos de fogo lento (fogos, etc);
•aos trabalhos de minas;
•a armas de caça; e
•nas cargas de projeção de alguns canhões muito antigos (de grande calibre).
1.4. Inconvenientes como propelentes
Apresenta entre outros, os seguintes:
•chama e fumaças muito grandes (denunciando a posição da peça tanto de
dia como de noite);
•calor intenso e pressão violenta desenvolvidas durante à combustão, produzem
erosão excessiva nos tubos das armas;
•os resíduos sólidos que deixam nas câmaras depois da combustão, apresentam
perigo para os carregamentos posteriores, particularmente no caso das munições
desencartuchadas;
•a velocidade de queima dificulta o controle; a uniformidade da queima
ê indispensável para os efeitos balísticos;
•instabilidade quando em depósito sendo muito higroscópica, a umidade
atua como adulterante e baixa velocidade de queima;
•seu manuseio é perigoso, visto entrar em combustão com grande facilidade.
1.5. Velocidade de decomposição
A velocidade de decomposição varia segundo as circunstancias sob as quais se produz;
daí, temos que a pólvora negra é suscetível de deflagração ou de explosão. Quaisquer que sejam,
porém, as condições de combustão, jamais detonarão.
No caso de deflagração a velocidade de decomposição (ao ar livre) e de cerca de um
metro em 90 segundos.
2. PÓLVORA COLOIDAL
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2.1. Tipos
As pólvoras sem fumaça (PSF), ou coloidais, também conhecidas como pólvoras
químicas, são de três espécies:
•pólvoras de base simples - (BS) - Nitrocelulose
•pólvoras de base dupla - (BD) – Nitrocelulose + nitroglicerina
•pólvoras de base tripla - (BT) Nitrocelulose + nitroglicerina + nitroguanidina
Não foi preocupação obter uma pólvora que não produzisse fumaça, e que
principalmente deu origem à adoção das pólvoras modernas, muito embora, essa propriedade
seja. de grande importância e necessidade, tanto que pareça por si só caracterizá-las.
A origem dessas pólvoras pode ser encontrada na carência de conseguir "uma pólvora
que sob menor carga contivesse maior .potencial balístico”.
2.2. Finalidade
As pólvoras sem fumaça surgiram para substituir a pólvora negra em determinados
empregos. Atualmente são empregadas militarmente como propelente. As pólvoras de base
duplas têm potencial mais elevado que as de base simples e são de combustão mais viva.
2.3. Composição . .
Normalmente, na composição das pólvoras sem fumaça, tornam-se:
•corpo combustível (celulose) (60 a 80%);
•corpo comburente (ácido nítrico, nitroglicerina) (20 a 40%);
•dissolvente (éter, álcool, acetona); e
•estabilizante (diaferíil-amina, anilina, cânfora).
2.4. Formato
As pólvoras sem fumaça são dadas em consumo aos grãos de vários formatos: pequenas
lâminas, fios, grãos esféricos, grãos cilíndricos, perfurados. O tipo cilíndrico perfurado é muito
usado nas pólvoras de empregos militares em geral, as pólvoras para as armas de pequenos
calibres possuem uma só perfuração, enquanto que as pólvoras para as armas de grande calibre
possuem ate 7 perfurações.
2.5. Propriedades
As pólvoras coloidais possuem as seguintes propriedades, essenciais ao seu emprego nas
bocas de fogo:
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•sua combustão é completa e não dá lugar a resíduos sólidos;
•produz uma quantidade mínima de fumaça e suja pouco a alma do material;
•seus efeitos são regulares e fáceis de serem previstos (previsão e velocidade
inicial);
•a força viva comunicada ao projétil, quando em condições iguais de peso, e a de
duas a três vezes mais considerável que a pólvora negra, sem que as pressões, desenvolvidas
sejam exageradas;
•manipulação, relativamente fácil e pouco perigosa; ao ar livre, queimam
lentamente sem perigo de detonação;
•sua deflagração só se produz sob pressão bastante forte (a obtida nas bocas de
fogo é provocada pela carga de pólvora negra da escorva ou da estopilha).
É fundamental para emprego das pólvoras o conhecimento dos seus efeitos balísticos
(pressão e Vo).
O conhecimento da pressão máxima medida com o auxilio de CRUSCHER (pequeno
cilindro de cobre) permite:
•determinar quais as resistências que deverão apresentar as diversas
partes da boca de fogo;
•determinar as resistências das paredes dos projéteis; e
•conhecer a aceleração do projétil pois cada tipo de espoleta exige para
se armar na partida do tiro, que o projétil possua uma certa aceleração.
2.6. Estabilidade
As pólvoras sem fumaça se decompõem pouco a pouco, com emissão de vapores
nitrosos.
Esta decomposição, ocasionada por uma desnitrificação de algodão-pólvora, é lenta a
temperatura ordinária e se acelera com a elevação de temperatura ou sob a ação de umidade.
2.7. Sensibilidade
A deflagração das pólvoras coloidais só se produz sob pressão bastante forte, como a
obtida nas bocas de fogo, provocadas pelas cargas de pólvora negra das escorvas ou das
estopilhas.
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Sem pressão, a pólvora queima mais lentamente em chama; para que uma carga de
projeção deflagre no interior da câmara e necessário que no início de sua combustão, encontre
resistência no ambiente esta resistência inicial a ela oposta é conseguida graças ao
FORÇAMENTO (diferença entre diâmetro de cinta e o da arma nas raias) daí, resultando sua
necessidade.
Com o aumento da pressão, a um valor X, esta resistência é vencida e o projétil inicia seu
movimento na alma.
CAPÍTULO III
ALTOS EXPLOSIVOS
1. EXPLOSIVOS INICIADORES
a) Azida de chumbo: pó cristalino de cor variando de branco a camurça, sensível ao
choque. Explode a 340°C. Destrutível pelo acetato dê amônio ou nitrato de cério. Forma um
explosivo supersensível em contato com o cobre. Úmida ataca o cobre e zinco daí ser carregada
em alumínio. Empregada em detonadores, espoletas, mistos iniciadores e rebites explosivos.
b)Estifinato de chumbo ou trinitrorresorcinato de chumbo: cristais amarelo-alaranjados.
Explode a 282°C. Sensível ao choque e a descarga de eletricidade estática. Empregado em
mistos detonantes, espoletas comerciais e detonadores. Destrutível pelo hidróxido de sódio a 20
%.
c) Fulminato de mercúrio: apresenta-se sob a forma de pó branco-amarelado ou cinza-
claro. Explode a 210°C. Muito sensível à chama, choque e atrito, quando seco. Deteriora-se
quando conservado em climas quentes. Úmido, torna-se inerte, mas ataca o alumínio, cobre,
latão, magnésio, zinco e bronze, exceto o níquel. Prensado acima de 30.000 psi torna-se inerte ao
choque e só queima com chama. Usado em mistos iniciadores, espoletas e detonadores.
Destrutível pelos álcalis.
d) Tetraceno: cristais incolores ou amarelo-pálidos. Explode a 154 C. Usa do com azida
de chumbo, em iniciadores. Destrutível por água fervente.
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EXPLOSIVOS INICIADORES
Nomen-
clatura
Azida de chumbo,
plumbazida ou
nitreto de
chumbo.
trinitroressoscinat
o de chumbo
Fulminato de
mercúrio.
Tetraceno
Compo-
sição
N e Pb C:15,4%, N:
9,0%, Pb: 44, 2%,
H: 0,6% e O:
30,8%.
C: 8,4%, O:
11,2%, N: 9,8% e
Hg: 70,6%.
C:12,8%, N:
74,4%, H: 4,3% e
O: 8,5%.
Solubi-
lidade
quase insolúvel
em água, éter,
acetona e álcool.
solúvel em soluções
diluídas de
hidróxidos de amônia
e cianeto de potássio
e em piridina.
solúvel em
solução forte de
ácido
hidroclórico.
Higros-
copicidad
e
A 36º
C, 90º
UR.-
0,03%
30º
C, 90%UR -
0,02%.
a 36º
C, 90% UR-
0,02%
a 30º
C, 90%UR -
0,77%
Corrosão seca, não ataca
metais de uso
corrente, úmida
corrói o zinco e
cobre ( com o
cobre forma um
explosivo
extremamente
sensível e
perigoso a "Azida
de cobre").
não é corrosivo
sob forma
nenhuma, motivo
pelo qual é usado
como cobertura
de outros
iniciadores para
proteção de
invólucros
metálicos.
seco, não ataca
metais de uso
corrente, úmido
ataca levemente o
alumínio e o
magnésio.
seco não ataca os
metais em uso
corrente.
Toxidez própria do
chumbo,
respiração do seu
pó provoca dor de
cabeça e distensão
dos vasos
sangüíneos.
Aconselha-se o
uso de filtro para
quem a manuseia.
própria do
chumbo.
Venenoso, libera
Hg, ataca a pele e
a respiração do
pó provoca
intoxicação.
Sensibi-
lidade
sensível ao
choque, atrito e
tiro de fuzil.
muito sensível a
chama e a
centelha.
muito sensível ao
choque, calor e
atrito.
calor e a chama.
Estabi-
lidade
quando pura é
excepcional.
quando pura é
excepcional.
fraca, começa a se
decompor a 50º
C.
relativamente
estável a
temperatura
inferiores a 75º
C.
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Tempe-
ratura de
detonação
340º
C. 282º
C. 210º
C. 160º
C.
Produtos
de
detonação
calor: 367 cal/g -
Gases: 308 cc/g.
Calor = 457 cal/g
- Gases =
368cc/g.
calor: 658 cal/g -
gases 1.190 cc/g.
Especi-
ficação
cristais de forma
alongadas (cor
branca).
amarelo ou
alaranjada com
forma de cristais
cúbicos.
Velocidad
e
detonação
densidade: 2,9 -
velocidade : 5.200
m/s.
Densidade = 4,17
- velocidade =
5.400 m/s.
não aferida
Ponto de
fusão
entre 260º
C e
310º
C.
explode entre 140º
C - 160º
C.
2. Explosivos Reforçadores
a) Ciclonita (RDX) - Apresenta-se como um sólido de cor branca, que funde a 204°C e
explode a 260°C. É comumente empregada em mistura com outros explosivos, óleos ou graxas.
Com trotil é usada no carregamento de bombas, como carga de ruptura. É raramente usada
sozinha. Destrutível pela soda cáustica a fervura.
b) Nitropenta (PETN) - Pó branco, podendo tomar uma ligeira cor acinzentada, devido a.
impurezas. Explode a 225°C. Sensível ao choque. Seca, não ataca o cobre, latão, alumínio,
níquel e zinco. Empregada na composição de detonadores e em reforçadores, bem como em
mistura com trotil no carregamento de granadas e projeteis. Destrutível por fervura com solução
aquosa de sulfato ferroso.
c) Tetril - Apresenta-se como um pó de cor clara, tornando-se amarelo pela ação da luz.
Sensível ao choque. Explode a 257°C. Não ataca os metais quando seco, mas úmido ataca o aço
e zinco, porém não o cobre, níquel e alumínio. Empregado em reforçadores, espoletas e
detonadores. Misturado como trotil é usado em cargas de ruptura. Destrutível por fervura com 12
vezes seu peso de sulfito de sódio a 25%.
EXPLOSIVOS REFORÇADORES
Nomen-
clatura
Nitropenta,PETN, NP, pentrita,
pentaeritretol ou tetranitrato de
pentaeritrita.
Tetril, tetralite, pironite ou CE.
Compo-
sição
C: 19,0%, N: 17,7%, H 2,5% e O2:
60,8%.
C: 29,3%, N: 24,4%, H: 17% e O:
14,6%.
Emprego reforçador e ruptura. reforçador (ruptura)
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -17-
Solubi-
lidade
solução aquosa de cloreto ferroso
fervente.
acetona, benzeno e TNT líquido.
Higros-
copicidad
e
30º
C, 90%UR - 0,0%. a 30º
C. 90%UR -0,04%.
Corrosão
seca não corrói o cobre, latão, aço
inoxidável, cádmio e zinco.
com baixo teor de umidade ataca
levemente aço e zinco.
Toxidez
pequena doses: abaixa a pressão
arterial; elevadas doses provoca
dispnéia e convulsões.
coloração amarela na pele humana;
aspiração da poeira causa efeitos
tóxicos: quando maior de 1,5mg/m
que é a concentração máxima
permitida, nos locais de trabalho o
uso de mascara com filtro passa ser
obrigatório.
Sensibi-
lidade
choque, atrito e tiro de fuzil. choque, atrito e tiro de fuzil.
Estabi-
lidade
altamente estável devido a sua
estrutura simétrica.
pouco menos que o TNT e o RDX;
mantém sua estabilidade por 100
horas a 100º
C, por 6 (seis) meses a
75º
C, por um ano a 65º
C e em
temperatura baixa até 20 anos.
Tempe-
ratura de
detonação
225º
C. 257º
C.
Produtos
de
detonação
calor: 1.385cal/g e Gases: 790 ml/g. 1.120 cal/g – calor -760ml/gases.
Especi-
ficação
cristais na cor branca.
Velocidad
e
detonação
densidade 1,70 - velocidade :
8.300cc/g.
densidade: 1,71 - velocidade : 7.850
m/s.
Ponto de
fusão
141º
C. 130º
C.
3. EXPLOSIVOS DE RUPTURA
a) Ácido pícrico - Sólido, solúvel em água. Úmido, ataca o ferro, níquel, zinco, cobre e
chumbo, dando picratos perigosamente sensíveis ao choque. Produz mancha amarela persistente
sobre a pele. Suas poeiras não devem ser inaladas. Carregado por fusão. Explode a 322°C. Funde
a 123°C. Destrutível por solução em 25 vezes seu peso de hidróxido de sódio-sulfeto de sódio-
água.
b) Amatol - É uma mistura higroscópica de trotil e nitrato de amônio em várias
percentagens. É empregado como carga de bombas de alto-explosivo, sendo carregado por fusão.
Explode a 265°C.
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c) Composição à base de RDX - São as composições A,. A-2, À-3, B, B-2, C, C-2 e C-4,
sendo constituídas de ciclonite (RDX) com outros, ingredientes explosivos, como TNT, tetril,
etc. Usadas em reforçadores, granadas perfurantes, bombas, blocos de demolição e espoletas
elétricas. Destrutível como o ciclotol.
d) Pentolite - É uma mistura de 50% de nitropenta a 50% de. trotil, de cor variando de
branco à camurça. É empregada em cargas de ruptura de pequenos calibres, rojões e cargas
demolidoras. As munições carregadas com pentolite devem ser manuseadas com cuidado. Funde
a cerca de 78°C. Explode a 222°C.
e) Picrato de amônio (Explosivo D) - Apresenta-se sob a forma de grânulos amarelo-
avermelhados. Absorve umidade reagindo lentamente com os metais, particularmente com o
cobre e chumbo, dando picratos sensíveis e perigosos. É empregado como reforçador do ácido
pícrico e do trotil em granadas perfurantes. É destruído dissolvendo-se com 30 vezes seu peso de
solução de sulfeto de sódio. Funde a 265°C e explode a 318°C.
f) Picratol - É uma mistura de TNT e picrato de amônio. Possui as mesmas características
gerais do trotil. Funde a cerca de 85°C e explode á 285°C.
g) Tetritol - É uma mistura de tetril e trotil, podendo ter até 70% de tetril. É intermediário
entre o trotil e tetril quanto à sensibilidade ao choque. Usado em reforçadores de carga de ruptura
e demolição. Pode exsudar no armazenamento. Funde a 68°C e explode a 320°C.
h) Torpex - É uma mistura de 41% de RDX, 41% de trotil e 18% de alumínio em
pó, misturados com cera de abelha ou similar. A umidade aumenta sua sensibilidade ao
choque. Sob a água seu poder de destruição é 50% maior que o trotil, e no ar, 30%. Usado como
carga de ruptura em minas, torpedos e cargas de profundidades. Explode a 260°C. ' ' '
i) Tritonal - É uma mistura de trotil (80%) com alumínio (20%). Exsuda a temperaturas
elevadas. Usado em bombas. Explode a 470°C.
j) Trotil - Apresenta-se com a cor amarelada. Funde a cerca de 81º C explode a 475°C.
Arde sem detonar, quando em pequenas quantidades; mas em grandes quantidades o calor
gerado pela inflamação pode alcançar a temperatura de detonação. Absorvido pela pele ou por
inalação, pode causar sérios males. Com os álcalis, forma compostos instáveis e perigosos. Não é
alterado pela umidade. Destrutível com 30 vezes seu peso de sulfeto de sódio juntado
lentamente. Pode detonar quando comprimido entre superfícies metálicas, tais como roscas de
parafusos etc. Empregado largamente em cargas de ruptura tanto só, como em misturas com
outros explosivos usado, também, em mistos iniciadores, cordéis detonantes, reforçadores,
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -19-
detonadores, dinamites, explosivos de segurança e ainda como componente de pólvoras sem
fumaça.
k) Haleita - Cristais incolores que fundem a 177°C e explodem a 190° C. Usada em
cargas de ruptura e na fabricação do ednatol, com trotil.
l) Ednatol - Composto por cerca de 55% de haleita e 45% de trotil. Sólido amarelado que
funde a cerca de 85°C. Carregado em granadas, bombas e elementos de munições especiais.
Explode a 190°C.
EXPLOSIVOS DE RUPTURA
Nomen-
clatura
pentolite.
Trotil, T3, tolite, tritolo,
trinitrotolueno,
trinitrometil Benzeno ou
TNT.
Composto B - Hexolite
dessensibilizada ou
ciclotol
dessensibilizado.
Compo-
sição
PETN: 50% OU 10% e
TNT: 50% OU 90%
C: 37%, N: 11,8%, H
2,2% e O: 42,5%.
Solubi-
lidade
solúvel em acetona,
álcool, éter, benzeno,
etc.
levemente solúvel em
acetona e ácido nítrico.
Higros-
copicidad
e
30ºC. 90%UR –
nenhuma.
a 30º
C., 90%UR -
0,03%.
30º C, 90% UR –
0,02%.
Corrosão
seca ataca os metais de
uso corrente na indústria
com exceção do aço
inoxidável, úmido ataca
levemente cobre, latão,
magnésio, etc.
não ataca metais em uso
corrente na indústria,
leve corrosão no
chumbo.
seco, ataca ligeiramente
o cobre, aço doce
cobreado e cadmiado,
úmido ataca levemente o
cobre, latão, aço doce,
etc.
Toxidez própria do TNT.
pequena, porém os
vapores provenientes da
fusão, podem causar dor
de cabeça e gosto
amargo na boca.
própria do TNT.
Sensibi-
lidade
choque e tiro de fuzil.
insensível ao choque,
calor, atrito ou tiro de
fuzil, quando sólido e
em bom estado, sensível
e aumenta sua detonação
por simpatia quando no
estado liquido. Poeira
fina de TNT:
extremamente sensível.
choque, atrito e tiro de
fuzil.
Estabi-
lidade
menor que a da
nitropenta, tendência a
exsudação quando
armazenado a + de 50ºC.
bastante estável quando
perfeitamente
empaiolado segundo T9-
1903
menor que a do TNT,
armazenados em período
de mais de 5 meses e a
65ºC, causa leve
exudação
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -20-
Tempe-
ratura de
detonação
220ºC. 475º
C. 278ºC.
Produtos
de
detonação
1.300 cal/g - Gases 908
ml/g.
1,240 cal/g.
Especi-
ficação
cor branca. cor branca.
Velocidad
e
detonação
densidade: 1,65 -
velocidade: 7.450 m/s.
densidade: 1,56 (TNT
fundido) - velocidade
6.900 m/s.
densidade: 1,66 -
velocidade 7.800 m/s.
Ponto de
fusão
quando 90% por 10% -
76ºC.
81º
C. 78º
C. a 80º
C.
CAPÍTULO IV
MUNIÇÕES
1. INTRODUÇÃO
1.1. Conceituação
Munições são corpos carregados com explosivos e agentes químicos destinados a
produzir, isolada ou combinadamente, baixas e danos ou incapacidades físicas ou psicológicas
temporárias através de efeitos explosivos, tóxicos, fumígenos, incendiários, iluminativos,
sonoros, dispersivos e neutralizantes e que sejam lançados de uma arma, com exceção das
granadas de mão e das minas. Com exceção, também entende-se como munições os tiros de
exercício.
2. CLASSIFICAÇÃO
2.1. Quanto à organização dos seus elementos
a) encartuchada: quando utiliza estojo para reunir o projétil aos elementos de projeção (
carga de projeção, estopilha ou espoleta). A munição encartuchada pode ser:
•Engastada: é aquela que utiliza o estojo preso, rigidamente, ao projétil. Ex: Car
7’62mm, .50”, Tir 57mm, Tir 90mm.
•Desengastada: é a que utiliza o estojo separado do projétil, permitindo variar a
carga de projeção. Ex: Tir 105mm.
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b) desencartuchada : é a que não utiliza estojo. Os elementos (projétil, carga de projeção e
estopilha) são carregados separadamente da arma. Ex: Tir 155mm.
2.2. Quanto ao emprego
a) munições para armamento leve: são utilizadas em revólveres, pistolas, fuzis, carabinas,
mosquetões, metralhadoras e fuzis-metralhadoras. Serão estudadas detalhadamente durante o
ensino de munições de armamento leve.
b) munições para armamento pesado: compreendem os rojões, as granadas de morteiro e
todos os tipos de granadas utilizadas em canhões e obuseiros. Serão estudadas detalhadamente
durante o ensino de munições de armamento pesado.
c) munições de arremesso: granadas de mão e de bocal. Serão estudadas detalhadamente
durante o ensino de munições de arremesso.
d) minas terrestres: anticarro e antipessoal.
2.3 Quanto à finalidade
a) munição de guerra: é todo e qualquer munição que tenha a finalidade de produzir
baixas.
b) munição química ou não-letal: é todo e qualquer munição que não tenha a finalidade
de causar baixas.
3. ENCADEAMENTO EXPLOSIVO
Em qualquer munição de armamento leve ou pesado, temos, basicamente:
a) um iniciador ( cápsula, estopilha etc );
b) um propelente; e
c) um projétil ou granada.
Além desses elementos, há os intermediários (escorvas, etc) e há os elementos da cadeia
explosiva do projétil, se for o caso ( retardo, reforçador, detonador etc ).
Nas munições de arremesso de lançamento ã mão: não existe propelente. A projeção é
feita pelo próprio esforço do homem que lança a granada.
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4. CLASSIFICAÇÃO DOS EXPLOSIVOS DENTRO DA CADEIA
4.1. Iniciadores
Produzem o jato inicial de chama; geralmente a estopilha ou cápsula.
4.2. Auxiliares
São as escorvas para as cargas de projeção e os detonadores-reforçadores das granadas e
espoletas, que aumentam a chama dos iniciadores.
4.3. Propelentes
São cargas explosivas que impulsionam os projeteis devido à pressão dos gases sobre o
culote dos mesmos.
4.4. Cargas de Arrebentamento
Produzem, por sua detonação, o arrebentamento do projétil.
4.5. Retardos (Rastilhos)
Geralmente de pólvora negra, colocados entre o iniciador e o reforçador-detonador,
retardam a explosão da carga principal.
NOTA: o traçante não é um elemento explosivo; serve para balizar a trajetória e são
colocados no culote do projétil.
5. MUNIÇÕES QUÍMICAS OU NÃO-LETAIS
a) Munição tóxica: é toda munição química que por sua ação tóxica é empregada como
antipessoal;
b) Munição fumígena: é toda munição química destinada a produzir fumaça ou neblina;
c) Munição incendiária: é toda munição química que contém agentes destinados a
produzir incêndios.
d) Munição iluminativa: é toda munição química destinada a produzir luz durante o
tempo de queima de substância inflamável.
5.1 Munições não-letais de calibre leve
5.1.1. Sinalizadoras
a) Cartucho sinalizador 40 mm com luz vermelha
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -23-
Sinalização para salvamento, orientação para o deslocamento de tropas e para operações
militares.
b) Cartucho sinalizador 40 mm com duas estrelas vermelhas
O Cartucho 40 mm com duas estrelas vermelhas foi desenvolvido para operações de
sinalização em salvamento e em manobras militares.
5.1.2. Lacrimogêneas
a) Projétil cal. 38.1 mm de médio e longo alcance com carga lacrimogênea
O projétil de médio alcance com carga lacrimogênea (CS) cal. 38.1mm, foi desenvolvido
para emprego em operações de controle de distúrbios e combate à criminalidade. Destina-se a ser
lançado a 90 m (média) e 120 m (longa) de distância, antes ou por sobre obstáculos tais como:
muros e barricadas, com objetivo de desalojar pessoas e dissolver grupos de infratores pelo efeito
do agente lacrimogêneo. A arma deve ser posicionada a um ângulo de 45°, que corresponde,
aproximadamente, ao melhor desempenho no alcance do tiro. Em situações extremas de graves
distúrbios e combate à criminalidade, pode ser usado para penetrar em ambientes fechados,
atirando-se através de aberturas ou janelas.
b) Cartucho Cal. 37/38, 38.1 e 40mm. com carga múltipla de emissão lacrimogênea
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O cartucho com carga múltipla de emissão lacrimogênea CS - GL-230L foi desenvolvido
para emprego em operações de controle de distúrbios e combate à criminalidade. Destina-se a ser
lançado através de projetores e armas especiais a distâncias entre 70 e 90 metros antes ou após
obstáculos tais como muros e barricadas, com o objetivo de desalojar pessoas e dissolver grupos
de infratores pelo efeito do agente lacrimogêneo CS.
5.1.3. Impacto controlado
a) Cartucho plástico cal. 12 com um ou três projéteis de borracha
A munição AM 403 foi projetada para ser utilizada por tropas Policiais e Militares em
operações de controle de graves distúrbios e combate à criminalidade.
Consiste em um ou três projéteis cilíndricos de borracha macia que podem ser disparado
contra uma ou mais pessoas, com a finalidade de deter ou dispersar os infratores, em alternativa
ao uso de munições convencionais.
b) Cartucho cal. 38.1 mm com 3 ou 12 projéteis de borracha
O cartucho calibre 38.1 mm com 3 ou 12 projéteis de borracha foi projetado com a
mesma finalidade do cartucho plástico cal. 12 com projétil de borracha.
5.2 Munições não-letais de arremesso
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5.2.1. Explosivas para ambientes abertos
Foram projetadas para ser utilizada por tropas Policiais e Militares em operações de
controle de distúrbios graves e combate à criminalidade. Possuem grande efeito atordoante
provocado pela detonação da carga explosiva.
No controle de distúrbios a granada deve ser lançadas para explodirem a uma distância
mínima de 10 metros dos infratores. A distâncias menores existe a possibilidade de projeção de
partículas irregulares, oriundas da fragmentação do corpo plástico da granada, as quais podem
produzir pequenos ferimentos.
Em situações extremas, de graves distúrbios e de combate à criminalidade, os efeitos
sonoro, explosivo e de emissão de partículas, devem ser avaliados pelo Comandante da
operação, que deverá decidir sobre a conveniência ou não do lançamento próximo aos infratores
e/ou em recinto fechado.
Granada explosiva de efeito moral - poder
explosivo associado a uma nuvem de um pó
branco, sem agressividade química.
Granada explosiva lacrimogênea – poder
explosivo associado ao efeito lacrimogêneo.
Granada explosiva identificadora - Poder
explosivo associado ao efeito da emissão de
partículas de gel na cor vermelha e não
tóxico, cujo objetivo é marcar os infratores
para posterior identificação.
Granada explosiva de luz e som – Poder
explosivo associado à luminosidade intensa
que ofusca a visão dos agressores por alguns
segundos, permitindo uma eficiente ação
policial.
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5.2.1. Explosivas para ambientes fechados (indoor)
Possuem as mesmas finalidades das granadas para uso aberto porém foram desenvolvidas
para a utilização em ambientes fechados. Possuem um tempo de detonação mais curto para evitar
a reação dos agressores e um efeito explosivo reduzido mas com excelentes resultados em
ambientes fechados.
Granada indoor explosiva de efeito moral A) Granada indoor explosiva
lacrimogênea - CS
B) Granada indoor explosiva
identificadora
C) Granada indoor explosiva de
luz e som
5.2.2. Exercício
a) Simulacro de granada reutilizável
A granada AM-500 foi projetada para emprego em treinamento de tropas Policiais e
Militares para operações de controle de distúrbios. Produz alto estampido, acompanhado de uma
nuvem de fumaça, análogos a uma granada de emprego real, capazes de identificar o local da
explosão. Esses efeitos são alcançados sem a produção de estilhaços, o que permite um
treinamento seguro.
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5.2.3. Fumígenas
a) Granada 80 fumígena M1 ou M2 para carro de combate
A granada fumígena para carro de combate foi desenvolvida para produzir densa cortina
de fumaça de cor cinza, com a finalidade de ocultar viaturas ou guarnições, quer em missões de
ataque ou em retiradas onde haja a necessidade da proteção visual contra o inimigo.
b) Granada fumígena manual – HC
A granada MB-502, foi projetada para emprego em operações militares e policiais, com o
objetivo de produzir uma densa cortina de fumaça, que serve para mascarar a retirada ou a
movimentação de tropas de infantaria em relação ao agressor. Pode ser utilizada em controle de
distúrbios desorientando e dispersando infratores, pela ação da densa fumaça. Serve ainda como
artefato sinalizador.
Em situações extremas de graves distúrbios e combate à criminalidade, pode ser usada
para forçar a saída dos infratores de ambientes fechados, atirando a granada através de aberturas
ou janelas.
c) Granada de fumaça colorida
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -28-
Sinalização diurna colorida para salvamento de tropas, início e término de operações, na
selva e áreas rural e urbana, com a utilização do código de cores. Este produto não é indicado
para o uso no mar, pois não flutua.
5.2.4. Lacrimogêneas
Foram projetadas para serem utilizadas por tropas Policiais e Militares em operações de
controle de graves distúrbios e combate à criminalidade. Atua por saturação de ambientes através
da geração de intensa nuvem de fumaça contendo agente lacrimogêneo (CS).
CAPÍTULO V
A R T I F Í C I O S
1. DEFINIÇÃO
Artifícios são engenhos destinados a produzir efeitos visuais ou auditivos, ou ainda
provocar a inflamação ou detonação dos explosivos.
2. CLASSIFICAÇÃO
a) artifícios iniciadores: destinados a inflamação ou detonação. Iniciam uma destruição.
b) artifícios pirotécnicos: são os que produzem efeitos luminosos, fumígenos e
incendiários.
3. ARTIFÍCIOS INICIADORES
3.1. Estopim Comum / Hidráulico
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -29-
O estopim hidráulico é um acessório de alta segurança, utilizado para iniciar espoletas
comuns e cargas explosivas sensíveis à chama. É flexível, resistente e, por sua
impermeabilidade, tem desempenho inalterado em trabalhos com presença de água, desde que
suas características originais sejam preservadas.
•constituição: núcleo de PN (cor preta) , envolvidos por fios de juntas de algodão
revestido por película plástica (geralmente cor branca);
•velocidade de queima: 1 metro / 150 s. Variando de lote para lote e de
fabricante para fabricante.
PARÂMETROS
Massa do núcleo por metro linear (6,5 + - 1,0) g/m
Tempo de queima à céu aberto (150 + - 7) seg/m
Tempo de queima submerso 20% para menos em relação a céu aberto
Impermeabilidade 16 h/1 atm
Comprimento da chispa > 30 mm
Encordoamento Fios de Algodão
Revestimento Resina Termoplástica Branca
3.2. Cordel Detonante
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O cordel detonante é um explosivo extremamente útil devido às suas características de
elevada capacidade de transmissão de energia, fácil manuseio, maleabilidade, resistência,
impermeabilidade e segurança, cuja finalidade é a detonação de petardos e cargas explosivas.
•constituição: núcleo contendo o explosivo reforçador nitropenta (cor branca)
envolvidos por fios de algodão revestido externamente por uma camada de plásticos ( à prova
d’água e de cor variável, dependendo do fabricante);
•iniciação: com espoleta comum ou espoleta elétrica .
PARÂMETROS
TIPOS NP5 NP10
Cargas do Núcleo (pentolite) 5 g / m 10 g / m
Encordoamento Fios Sintéticos
Resistência à Tração 1960 N
Impermeabilidade 72 h à 2 atm
Revestimento Resina Termoplástica amarela
Diâmetro Externo 4,5 mm 5,0 mm
Velocidade Média de Detonação 6600 m / s 7000 m / s
OBS: face à dificuldade de identificação do estopim e do cordel detonante pela
apresentação externa, os mesmos deverão ser identificados pelas cores internas, isto é, através
das cores de seus explosivos.
3.3. Espoleta Comum N.º 08
Acessório de detonação iniciado por estopim, utilizado para acionamento de cordel
detonante ou diretamente nos explosivos.
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•constituição: estojo de alumínio ( 45 mm comprimento e 6mm diâmetro ), carga
detonadora de nitropenta (muito sensível a chama - Trinitroresorcinato de chumbo + Azida de
chumbo);
•funcionamento: é presa ao estopim (comum ou hidráulico) através de sua
extremidade aberta, este transmite a chama que irá através da carga iniciadora detonar a
nitropenta (carga detonadora).
PARÂMETROS
Diâmetro Externo 44,95 + - 0,25 mm
Diâmetro Externo 6,55 mm máximo
Diâmetro Interno 5,86 mínimo
Altura Livre 25 + - 2 mm
Carga Explosiva 3 mg iniciadores / 5 mg alto explosivo
Brizância (Ensaio de Esopo) 8 mm
3.4. Espoleta Elétrica N.º 08
•finalidade: idêntica a da espoleta comum;
•constituição: estojo cor de alumínio com dois fios condutores elétricos ligados
em sua extremidade estriada;
•carga detonadora: semelhante a espoleta comum;
•carga iniciadora: sensível a corrente elétrica; e
•funcionamento: o misto de iniciação é inflamado com dois fios condutores
ligados a sua extremidade estriada.
3.5. Acendedor de Fricção
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O acendedor de fricção é um acessório usado para acendimento do estopim comum/
hidráulico.
PARÂMETROS
Comprimento + - 115 mm
Diâmetro 9,5 + - 2 mm
Temperatura de Funcionamento de – 10º C à + 52º C (+/- 2º C)
Comprimento do Estopim Mínimo de 10 cm
Esforço de Tração de 50g Estopim não deve soltar da garra
•constituição: corpo cilíndrico e com puxador, uma cápsula com misto de
iniciação e arame com misto de atrito;
•funcionamento: tracionado com energia o puxador arrasta o arame de atrito que
atravessa a cápsula com misto de iniciação, produzindo chama que irá queimar o estopim
(comum ou hidráulico).
3.6. Acendedor à Prova D’água
•finalidade: acender o estopim sob água;
•constituição: tubo de alumínio com puxador e argola;
•funcionamento: empunha-se o acendedor;
•retira-se o pino de retenção;
•percussor é lançado contra a cápsula; e
•produção da chama.
3.7. Acionador de Retardo
•Finalidade: detonação de cargas explosivas.
•Tipos: cilíndrico cor vermelha e puxador "T" - 8 segundos e cilíndrico cor
amarela e puxador "anel"- 15 segundos.
•Constituição: conjunto cilíndrico de 15cm de altura e 1,6cm de diâmetro,
contendo corpo e protetor. Corpo ( acendedor retardo detonador).
h. Simulacro de Granada
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O simulacro de granada é usado no treinamento de tropas, substituindo as granadas de
mão reais nos combates simulados. Possui baixo poder explosivo e não produz estilhaços.
PARÂMETROS
Comprimento do Corpo Entre 99 e 102 mm
Diâmetro Externo Entre 28 e 30 mm
Comprimento Visível do Estopim Maior que 42 mm
Tempo de Retardo para funcionamento Maior que 10 s
Distância de Lançamento de Estilhaços Menor que 20 m
•Funcionamento: acende-se a ponta do estopim e lança-se o simulacro num prazo
de, aproximadamente 10 segundos o estopim se queima, inicia o misto explosivo que faz detonar
o explosivo.
•Precaução: pode produzir ferimentos se detonado junto ao corpo do indivíduo. A
distância de segurança para arremesso é de 10 metros do local da explosão nos artefatos até 1973
e de 20 metros para os fabricados após aquela data.
4. ARTIFÍCIOS PIROTÉCNICOS
4.1. Definição
Os artifícios pirotécnicos são artefatos fundamentais na atividade de socorro e salvamento
de náufragos e outros acidentados, através da sinalização visual de fumaça durante o dia e luz
durante a noite em áreas de difícil acesso e comunicação. Produzem efeitos luminosos e
fumígenos.
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4.2. Tipos
a) Sinalizador manual estrela (vermelho, branco e verde)
Sinalização de salvamento e orientação para o deslocamento de tropas, início e término
de operações, na selva, no mar e em áreas rural e urbana, com a utilização do código das cores.
Desenvolvido para ser visto a longas distâncias. Luminosidade de 20.000 candelas.
Operação : remova a tampa de segurança, segure firmemente o sinalizador na posição
vertical, puxe a argola e o acionamento será imediato. Tempo de queima de 6 segundos e altura
máxima de 80 metros.
b) Facho manual luz vermelha
Sinalização noturna para salvamento marítimo e orientação para o deslocamento de
tropas. Desenvolvido para curtas e médias distâncias. Luminosidade de 15.000 candelas.
Operação : remova a tampa de segurança, segure firmemente o sinalizador na posição
vertical, puxe a argola e o acionamento será imediato. Tempo de queima do facho é de 60 seg.
c) Sinal de perigo diurno/noturno
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O sinal de perigo diurno/noturno foi desenvolvido para a utilização em terra ou no mar,
nas operações de salvamento, no balizamento e no auxílio à tropas durante os deslocamentos. O
sinal diurno emite fumaça na cor laranja (20 segundos queima) e o noturno emite facho de luz
vermelha intensa (20.000 candelas por 20 segundos) .
Sinal de perigo diurno/noturno menor e
com tempo de emissão reduzido
d) Foguete de sinalização com pára-quedas
Sinalização, salvamento, orientação e iluminação para operações militares. Com o
acionamento, o foguete é impulsionado até uma altura de 300 metros, fazendo liberar o pára
quedas com a carga iluminativa (30.000 candelas) que queima, emitindo forte luz vermelha,
durante 40 segundos.
e) Foguete de sinalização 5 estrelas
Sinalização, salvamento, orientação e iluminação para operações militares. Com o
acionamento, o foguete é impulsionado até uma altura de 300 metros, liberando os cinco sinais
de estrela colorida.
f) Conjunto de Sinais 9 estrelas
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Utilizado em operações de salvamento e em aeronaves, navios em qualquer situação de
perigo que exija o uso de pirotécnicos para sinalização.
Consiste de um invólucro plástico, contendo 9 cápsulas de alumínio com carga
sinalizadora e caneta ejetora. Fabricado em duas versões: Colorida (3 vermelhas, 3 verdes e 3
brancas) e Vermelha (9 estrelas vermelhas). Tempo de queima de 6 segundos e alcance de 80
metros. Luminosidade em torno de 15.000 candelas.
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ÍNDICE
Capítulo I – Generalidades da Munição de Armamento Leve............................ 03
1. Apresentação .................................................................................................. 03
2. Terminologia ................................................................................................. 03
3. Finalidade ....................................................................................................... 03
4. Componentes ................................................................................................. 04
5. Estudo dos componentes ............................................................................... 04
5.1. Estojo .......................................................................................................... 05
5.2. Cápsula ....................................................................................................... 07
5.3. Carga de Projeção ....................................................................................... 08
5.4. Projétil ......................................................................................................... 09
6. Funcionamento ............................................................................................... 13
Capítulo II – Munição de Arremesso.................................................................. 14
1. Granadas de Mão ............................................................................................ 14
1.1. Definição ..................................................................................................... 14
1.2. Classificação ............................................................................................... 14
1.3. Constituição ............................................................................................... 15
1.4. Tipos ............................................................................................................ 15
1.5. Granada de mão M3 c/EOT M9 .................................................................. 19
Capítulo III – Munição de Lançamento ............................................................. 25
1. Granadas de Bocal ......................................................................................... 25
1.1. Definição ..................................................................................................... 25
1.2. Classificação ............................................................................................... 25
1.3. Conceituação ............................................................................................... 26
1.4. Tipos ............................................................................................................ 27
1.5. Funcionamento ............................................................................................ 28
1.6. Segurança .................................................................................................... 29
2. Munição do Lança Granadas 40 mm M79 ..................................................... 30
2.1. Apresentação ............................................................................................... 30
2.2. Terminologia ............................................................................................... 31
2.3. Composição ................................................................................................. 31
2.4. Classificação ............................................................................................... 32
2.5. Estudo dos Elementos ................................................................................. 32
2.6. Funcionamento ............................................................................................ 35
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CAPÍTULO I
GENERALIDADES DA MUNIÇÃO DE ARMAMENTO LEVE
1. APRESENTAÇÃO
São aquelas de calibre igual ou menor que .60” =15,24 mm.
São utilizadas em : revólveres, pistolas, metralhadoras de mão, carabinas, fuzis, fuzis
metralhadoras, metralhadoras leves, metralhadoras pesadas e etc.
2. TERMINOLOGIA
Cartucho: munição encartuchada engastada.
Efeitos balísticos: conjunto de forças que atuam em um corpo durante sua trajetória.
Durante o deslocamento do projétil no interior do cano são gerados um conjunto de forças que
atribuem aos projéteis movimentos rotatórios. Estes têm a finalidade de minimizar os efeitos
balísticos.
3. FINALIDADE OU EMPREGO
Está diretamente associada ao tipo de projétil que está sendo utilizado.
a) Munição de guerra
Possuem por objetivo causar danos ou baixas.
•comum : contra pessoal e alvos não blindados.
•perfurante : utilizados contra aviões, veículos de blindagem leve e abrigos de
concreto.
•incendiária : tem por finalidade causar um efeito incendiário.
•traçante : tem por finalidade realizar-se a observação do tiro.
•perfurante – incendiária : visa combinar dois efeitos desejados.
•perfurante - incendiária - traçante : visa combinar três efeitos desejados.
b) Munição de emprego especial
Visa um efeito específico e que não seja necessariamente causar baixas.
• festim: tiro simulado e salvas;
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• manejo: inerte, treina o manuseio do armamento;
• pressão majorada: testa o armamento;
• sub – calibre: utilizada nos tubos redutores; e
• lançamento: lançamento de granada de bocal com fuzil, mosquetão ou
carabina, com bocal adaptado.
4. COMPONENTES
• estojo;
• cápsula ou espoleta;
• carga de projeção ou propelente;
• projétil ou projetil;
5. ESTUDO DOS COMPONENTES
5.1. Estojo
Estojos de .50 pol., 7,62 mm e 9 mm
5.1.1 Finalidades
• reunir os demais elementos componentes da munição;
• proteger a carga de projeção;
• fazer a obturação da câmara.
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5.1.2 Nomenclatura
1. Estojo - Elemento por completo.
2. Culote – parte inferior do estojo onde localizam-se as inscrições de
identificação, (Fábrica, lote, tipo de munição,...).
3. Corpo - Seu formato (cilíndrico, tronco cônico ou tronco cônico com gargalo
cilíndrico) está totalmente ligado ao sistema de funcionamento da arma.
4. Ombro - Faz a redução câmara / cano.
5. Gargalo - Fixa o projétil.
6. Boca - Recebe o projétil.
7. Alojamento da cápsula - Recebe a cápsula. Pode possuir bigorna ou não.
8. Gola - Aloja a garra do extrator.
9. Evento(s) - Permite que a chama da cápsula atinja a carga de projeção.
10. Câmara - Aloja a carga de projeção.
11. Parede - Pela dilatação realiza a obturação dos gases.
12. Bigorna - (Somente nos estojos tipo Berdan), com auxílio do percussor,
permite o esmagamento do alto explosivo iniciador existente na cápsula.
13. Virola - Permite a extração.
5.1.3. Fabricação
São produzidos em aço, alumínio ou latão. São confeccionados pelo processo de
estiramento sucessivo, devido a isso, torna-se o componente de maior custo de fabricação.
5.1.4. Classificação
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a) Quanto ao tipo
• Fogo circular
• Fogo central
b) Quanto ao perfil
Cilíndrico (Usado em pistolas)
Tronco-cônico (Usado em carabinas)
Tronco-cônico c/ gargalo cilíndrico (Fuzis e Mtrs)
c) Quanto ao formato da virola
Escavada Semi-saliente Saliente
5.2. Cápsula
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Cápsula Boxer
Atualmente costuma ser chamada de espoleta por empresas e por usuários civis. Porém
de acordo com o T 9-200 (Nomenclatura-Padrão Geral de Armamento e Munição)- 1ªEdição-
1975, sua nomenclatura no âmbito do Exército Brasileiro permanece como cápsula.
5.2.1. Finalidade
Iniciar, depois da excitação externa , a queima da carga de projeção.
5.2.2. Nomenclatura
1 - Corpo ou copo: recebe os demais elementos.
2 - Mistura iniciadora: alto explosivo iniciador.
3 - Disco de papel: mantém a mistura no seu local.
4 – Bigorna: existente somente nas cápsulas do tipo Boxer. Com auxílio do
percussor, permite o esmagamento do alto explosivo iniciador.
5.2.3. Constituição
Seu corpo e sua bigorna são compostas de cobre ou latão e o misto iniciador, que
é um alto explosivo, geralmente é composto de fulminato de mercúrio ou azida de chumbo ou
estifinato de chumbo ou tetraceno.
5.2.4. Tipos
Boxer: A cápsula possui bigorna e é acondicionada num estojo com evento único
(central).
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Berdan: A cápsula não possui bigorna, esta faz parte do estojo que possui dois ou
mais eventos.
5.3. Carga de projeção
5.3.1. Definição
São baixos explosivos (pólvoras) que transformam-se em gases através de uma
queima de grande velocidade gerando pressão. Através desta pressão é que os projéteis são
impulsionados em direção ao alvo.
5.3.2. Classificação
a) quanto ao tipo
• pólvora negra
• pólvora química ou coloidal
b) quanto à composição
• base simples - Nitrocelulose (NC)
• base dupla - NC + Nitroglicerina (NG)
• base tripla - NC + NG + Nitoguanidina (NGu)
c) quanto a forma
• grãos
• lâminas
• fios
• cilindros (não, mono ou heptaperfurados).
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5.4. Projétil
Projétil de .50 pol
5.4.1. Finalidade
Causar danos, é o próprio emprego da munição.
5.4.2. Nomenclatura
1 - Projétil ou projetil: elemento por completo.
2 - Base ou culote: favorece as propriedades balísticas, no que concede ao arrasto
com o ar. Recebe a pressão oriunda da queima da carga de projeção e nas munições traçantes,
torna-se a saída do misto traçante durante a sua trajetória.
3 – Corpo: área que se engraza ao raiamento fazendo com que o projétil adquira
propriedades balísticas.
4 - Ogiva ou ponta: favorece as propriedades balísticas, no que concede a
resistência do ar.
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5 – Camisa: somente nos projéteis tipo encamisados, uso militar obrigatório pois a
camisa evita o desgaste exagerado do cano da arma.
6 – Núcleo: é a finalidade do projétil.
7 - Cinta de lubrificação ou cinta de engastamento ou canelura: mantém a camisa
firmemente presa ao núcleo, permite que o gargalo (no estojo) engaste o projétil na montagem do
cartucho.
5.4.3. Classificação
a) Quanto ao tipo
Chumbo - Endurecidos com estanho e / ou antimônio.
Encamisado - Núcleo de chumbo [aço ( Car .50 Cm)], e revestido com uma
camisa com percentuais de cobre, zinco e níquel.
Vantagens:
• Não provocam chumbeamento no interior do cano.
• Permitem maiores velocidades iniciais.
• Não são danificados pelo carregamento.
b) Quanto a forma
Ponta arredondada.
Ponta ogival.
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5.4.4. Projéteis Encamisados
São projéteis constituídos por uma capa metálica externa, fabricada em metal não
ferroso (ligas de cobre/níquel com alto teor de cobre são as mais comumente utilizadas), metal
ferroso(nesse caso com recobrimento eletrostático por um metal não ferroso) e de núcleo, quase
sempre de chumbo, destinado a dar aos mesmos o peso necessário para que possam desenvolver
energia adequada.
Embora as formas construtivas dos projéteis encamisados possam variar bastante
de fabricante para fabricante, para efeito prático podemos dividi-los em dois subgrupos:
a) aqueles que possuem a “camisa” fechada na ponta e aberta na base para
introdução do núcleo. Estes projéteis são conhecidos como encamisados totais (FMJ- Full Metal
Jacket ou FMC- Full Metal Case);
b) aqueles que possuem a “camisa” fechada na base e aberta na ponta para
também permitir a colocação do núcleo. Nesses casos, quando a camisa se estende até a ponta do
projétil ele é identificado como encamisado e quando não se extende, como semi-encamisado.
Em função do posicionamento máximo da camisa, o núcleo poderá ser bastante,
ou pouco visível. Após a colocação do núcleo, a extremidade da camisa pela qual ele foi
introduzido sofrerá sempre uma ou mais operações de acabamento. Todos os projéteis com o
núcleo exposto nas pontas são genericamente conhecidos por expansivos pois, ao impacto com o
corpo, apresentam maior ou menor deformação (formação de “cogumelo”) a qual ajuda a
“freiar” sua trajetória no alvo aumentando a transferência de energia ( “Stopping-Power” ) e
evita que o projétil atravesse com energia suficiente para causar danos letais a outros corpos.
Os projéteis semi ou totalmente encamisados, possuem as seguintes vantagens:
a) podem ser impelidos a velocidades bem maiores do que os de chumbo, não
apresentando problemas de chumbeamento dos canos e possibilitando o aumento da energia e do
alcance útil;
b) permitem maior criatividade aos projetistas;
c) apresentam menor possibilidade de “engasgar” em armas semi ou totalmente
automáticas.
E as seguintes desvantagens:
a) alto custo;
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b) desgaste prematuro dos canos das armas, reduzindo sua vida útil de precisão.
1- ETOG – encamisado total ogival;
2- SEPC – semi-encamisado ponta de chumbo;
3- EPO – encamisado ponta-oca;
4- SEPC – semi-encamisado ponta de chumbo;
5- SEPC – semi-encamisado ponta de chumbo, fabricação Remington;
6- EPO – encamisado, ponta oca, fabricação Remington;
7- SEPC – semi-encamisado ponta de chumbo;
8- EPO – encamisado ponta-oca;
9- ETPT-encamisado total, pontiagudo;
10- (ETPT/BT) – encamisado total, pontiagudo
6. FUNCIONAMENTO
Partindo dos conceitos aprendidos, a munição de armamento leve funciona de da forma
abaixo discriminada.
Levando-se em consideração a arma carregada, dá-se a percussão. A partir daí existe o
choque do percussor com a cápsula. O alto explosivo iniciador presente na cápsula sofre um
esmagamento, por um lado feito pelo percussor e pelo outro pela bigorna. Este explosivo
sensível ao choque detona e propaga sua chama pelo evento do alojamento da cápsula que chega
até à carga de projeção (baixo explosivo - pólvora base simples ou dupla). Quando a carga de
projeção começa a queimar, inicia-se a transformação da pólvora em gases e a partir daí, quanto
maior a pressão dos gases, maior a velocidade de queima no interior do estojo. Logo em seguida,
o estojo começa a dilatar-se, fazendo a vedação com a câmara. O projétil desengasta-se da boca
do estojo e adquire rapidamente alta velocidade devido à alta pressão agora já existente no
interior do estojo. O projétil é impulsionado durante todo o seu deslocamento no interior do cano
e adquire neste trajeto suas propriedades balísticas caso o cano da arma seja de alma raiada. Caso
o projétil seja traçante ou fumígeno, o misto que encontra-se no seu interior é liberado pelo
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culote do projétil durante sua trajetória. Caso seja incendiário, o misto entrará em contato com o
alvo quando do impacto do projétil.
CAPÍTULO II
MUNIÇÃO DE ARREMESSO
1. GRANADAS DE MÃO
1.1 Definição
É um engenho de forma cilindro-ogival ou oval, munido de espoleta e carregado com
uma carga interna explosiva ou química. Lançadas a mão, destinam-se a reforçar o fogo das
armas leves no combate aproximado, produzir cortinas de fumaça ou produzir efeitos especiais.
Na concepção atual da guerra, são fatores indispensáveis para artefatos bélicos de
infantaria:
•baixo peso e volume reduzido, não só para facilitar o transporte, como para
permitir maior poder de fogo individual e coletivo;
•finalidade múltipla, sempre que possível, para que haja adaptação à situação
tática (ofensiva e defensiva)
•sem riscos para o usuário;
•estilhaços em grande quantidade e de baixo peso, com o objetivo de produzir
morte apenas nas proximidades do local da explosão, ferindo o inimigo mais afastado, pois com
isso acarretará a mobilização de padioleiros, médicos e ambulâncias, evacuação para a
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retaguarda etc; provocando no inimigo maiores complicações logísticas, além de traumas
psicológicos sobre a tropa.
1.2 Classificação
Conforme a natureza da carga
•letais (explosivas - defensivas ou ofensivas );
•não-letais;
•de exercício (simulacro); e
•lastradas.
1.3 Constituição
Basicamente as granadas de mão constituem-se de três partes:
• Corpo;
• Carga; e
• Espoleta.
1.4 Tipos
1.4.1. Granadas de mão letais
São carregadas com um alto explosivo, o TNT ( ou Composição “B” )
A granada explosiva foi projetada para ser utilizada por tropas militares em operações
táticas e de contra ataque. Possui grande efeito atordoante provocado pela detonação da carga
explosiva. Esta granada não pode ser utilizada em operações de controle de tumulto. Possuem
dupla finalidade, dependendo ou não da utilização da luva de estilhaçamento:
• defensivas: agem pelo estilhaçamento do seu invólucro; e
• ofensivas: agem pelo efeito da onda explosiva resultante da detonação de sua
carga de arrebentamento.
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1.4.2 Granadas de mão não-letais
a) Explosivas para ambientes abertos
Foram projetadas para ser utilizada por tropas Policiais e Militares em operações de
controle de distúrbios graves e combate à criminalidade. Possuem grande efeito atordoante
provocado pela detonação da carga explosiva.
No controle de distúrbios a granada deve ser lançadas para explodirem a uma distância
mínima de 10 metros dos infratores. A distâncias menores existe a possibilidade de projeção de
partículas irregulares, oriundas da fragmentação do corpo plástico da granada, as quais podem
produzir pequenos ferimentos.
Em situações extremas, de graves distúrbios e de combate à criminalidade, os efeitos
sonoro, explosivo e de emissão de partículas, devem ser avaliados pelo Comandante da
operação, que deverá decidir sobre a conveniência ou não do lançamento próximo aos infratores
e/ou em recinto fechado.
Granada explosiva de efeito moral - poder
explosivo associado a uma nuvem de um pó
branco, sem agressividade química.
Granada explosiva lacrimogênea – poder
explosivo associado ao efeito lacrimogêneo.
Granada explosiva identificadora - Poder
explosivo associado ao efeito da emissão de
partículas de gel na cor vermelha e não
tóxico, cujo objetivo é marcar os infratores
para posterior identificação.
Granada explosiva de luz e som – Poder
explosivo associado à luminosidade intensa
que ofusca a visão dos agressores por alguns
segundos, permitindo uma eficiente ação
policial.
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b) Explosivas para ambientes fechados (indoor)
Possuem as mesmas finalidades das granadas para uso aberto porém foram desenvolvidas
para a utilização em ambientes fechados. Possuem um tempo de detonação mais curto para evitar
a reação dos agressores e um efeito explosivo reduzido mas com excelentes resultados em
ambientes fechados.
Granada indoor explosiva de efeito moral Granada indoor explosiva lacrimogênea - CS
Granada indoor explosiva identificadora Granada indoor explosiva de luz e som
1.4.3. Granadas de mão de exercício
a) Simulacro de granada reutilizável
A granada AM-500 foi projetada para emprego em treinamento de tropas Policiais e
Militares para operações de controle de distúrbios. Produz alto estampido, acompanhado de uma
nuvem de fumaça, análogos a uma granada de emprego real, capazes de identificar o local da
explosão. Esses efeitos são alcançados sem a produção de estilhaços, o que permite um
treinamento seguro.
1.4.4. Granadas de mão fumígenas
d) Granada fumígena manual – HC
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A granada MB-502, foi projetada para emprego em operações militares e policiais, com o
objetivo de produzir uma densa cortina de fumaça, que serve para mascarar a retirada ou a
movimentação de tropas de infantaria em relação ao agressor. Pode ser utilizada em controle de
distúrbios desorientando e dispersando infratores, pela ação da densa fumaça. Serve ainda como
artefato sinalizador.
Em situações extremas de graves distúrbios e combate à criminalidade, pode ser usada
para forçar a saída dos infratores de ambientes fechados, atirando a granada através de aberturas
ou janelas.
e) Granada de fumaça colorida
Sinalização diurna colorida para salvamento de tropas, início e término de operações, na
selva e áreas rural e urbana, com a utilização do código de cores. Este produto não é indicado
para o uso no mar, pois não flutua.
1.4.5. Granadas de mão lacrimogêneas
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Foram projetadas para serem utilizadas por tropas Policiais e Militares em operações de
controle de graves distúrbios e combate à criminalidade. Atua por saturação de ambientes através
da geração de intensa nuvem de fumaça contendo agente lacrimogêneo (CS).
1.4.6 Granada de mão lastrada
São completamentes inertes e destinam-se a instrução da tropa.
1.5 Granada de mão M3 c/EOT M9
Granada utilizada por muito tempo pelo Exército Brasileiro, produzida pela CEV
(Companhia de Explosivos Valparaíba). Possui as seguintes vantagens:
• utilização da mesma granada como ofensiva e defensiva, dependendo da
situação tática, apenas com a retirada ou permanência da luva de estilhaçamento no corpo
plástico da granada;
• utilização contra pessoal em distâncias curtas, especialmente guarnições de
armas ou grupos, normalmente abrigados e desenfiados ao tiro tenso das armas portáteis;
• estilhaços em forma e quantidade determinadas pelo pré-ranhuramento da luva
de estilhaçamento;
• peso reduzido do artefato, podendo ser lançado com maior precisão e maiores
distâncias;
• utilização como carga dirigida para rompimento de chapas de aço, trilhos e
outro trabalhos de sapadores;
• utilização como carga de demolição e rutura.
1.5.1. Descrição e nomenclatura
A granada de mão M3 ( Defensiva-Ofensiva ) com espoleta de ogiva de tempo M9,
compõe-se, basicamente, de 2 subconjuntos, com os componentes a seguir:
a) Granada propriamente dita
•corpo ( plástico );
•carga explosiva; e
•luva de estilhaçamento.
b) Espoleta
•capacete;
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•grampo de segurança;
•corpo;
•dispositivo de percussão; e
•retardo-detonador.
1.5.2. Espoletamento
• retirar o tampão de vedação da granada;
• introduzir o retardo-detonador, no corpo da granada;
• segurar a espoleta com uma das mãos e rosquear o corpo da granada na
espoleta com a outra mão. Nesta operação, como medida de segurança, a espoleta deve
funcionar como peça fixa e a granada como peça móvel.
1.5.3 Emprego
a) Como granada de mão defensiva
A granada é fornecida com a luva de estilhaçamento ajustada ao corpo plástico. Para
empregá-la, é suficiente espoletar a granada e seguir as instruções de lançamento
regulamentares.
b) Como granada de mão ofensiva
A transformação da granada em ofensiva é efetuada retirando - se a luva de
estilhaçamento, restando apenas o corpo plástico e a espoleta.
Para retirar a luva, segurar a granada pela luva com uma das mãos, e com o polegar da
outra mão, empurrar o corpo plástico pelo fundo cônico.
c) Como carga dirigida
Para segurança do operador, retirar a luva de estilhaçamento, cuja ausência,
praticamente não influi no rendimento da perfuração.
Fixar firmemente a granada com o fundo cônico apoiado sobre a parte a ser perfurada
Retirar o tampão de vedação.
Introduzir uma espoleta elétrica n.º 8 ou espoleta comum n.º 8 com estopim, até
encostar no fundo, procurando fixá-la.
Estender os fios até uma posição de segurança onde o operador procederá ao contato
elétrico ( pilha, bateria, explosor etc ) para a detonação.
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Se for usada espoleta comum n.º 8, com estopim, cortá-lo com comprimento
suficiente para se abrigar.
d) Como carga de demolição e rutura
Para segurança do operador, retirar das granadas a serem utilizadas, as luvas de
estilhaçamento, cuja ausência praticamente não influi no rendimento da perfuração.
De acordo com os manuais de demolição regulamentares, calcular o posicionamento e a
quantidade de explosivo necessária para obtenção dos efeitos previstos.
Fixar firmemente as granadas entre si e no local desejado.
Introduzir as espoletas elétricas n.º 8 ou espoletas comuns n.º 8 com estopim até
encostar no fundo, procurando fixá-las.
Estender os fios até uma posição de segurança onde o operador procederá aos
contatos elétricos ( pilha, bateria, explosor etc ), para a detonação, levando em conta a
resistência elétrica total.
Se for usada a espoleta comum n.º 8 com estopim, cortá-lo com comprimento suficiente
para se abrigar.
1.5.4. Funcionamento
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1- Anel do grampo de segurança 6- Capacete
2- Percussor 7- Corpo plástico
3- Cápsula 8- Carga explosiva
4- Corpo 9- Luva de estilhaçamento
5- Retardo-detonador 10- Garra do capacete
Após a retirada do grampo de segurança pelo combatente e lançada a granada,
desenvolvem-se as seguintes operações:
•fica liberada a mola do percussor;
•a distensão da mola imprime ao percursor um movimento rotativo que ejeta o
capacete e, em continuação, vai ferir a cápsula;
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•esta, por sua vez, faz funcionar um misto químico que queima durante 4 e 5
segundos; e
•o final desta queima provoca a explosão do detonador e, consequentemente, da
granada.
1.5.5. Seguranças
a) De manuseio
•grampo de segurança, quando em seu alojamento no corpo, impede o deslocamento do
capacete e, portanto, o movimento do percussor citado no segundo item do funcionamento;
•ainda que retirado o grampo de segurança, enquanto a granada permanecer empunhada
– com o capacete firmemente apoiado contra a palma da mão – fica impedido, da mesma forma,
o funcionamento do dispositivo de percussão;
•após a retirada do grampo de segurança, se por qualquer motivo a granada não for
lançada, é possível a recolocação do grampo em sua posição primitiva bastando, para isso, serem
executados, cuidadosamente, os movimentos inversos ao da retirada. É, entretanto um
procedimento perigoso que, sempre que possível, deve ser evitado.
b) De transporte
É caracterizada, complementarmente, pelo fornecimento, em separado, dos cunhetes de
granadas e de espoletas e pelo acondicionamento das peças em compartimentos isolados de
contato, dentro dos cunhetes.
1.5.6. Cuidados especiais
Além do conhecimento que devem ser portadores aqueles que manuseiam munições,
podemos lembrar, dentre outros:
a) nenhum homem deverá executar lançamentos de granadas reais sem antes haver
mostrado eficiência e cuidado nos treinamentos;
b) as espoletas com detonadores devem ser manejadas com o máximo cuidado.
Contendo carga explosiva sensível, evitar calor, choque ou atrito, como a seguir
exemplificaremos:
• calor – não devem ser excessivamente submetidas a altas temperaturas (acima
de 35.) estejam ou não expostas aos raios solares;
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• choque – não conduzi-las de maneira que possam bater uma contra as
outras; não se deve deixa-las cair; não se deve abrir os cunhetes empregando martelo ou
qualquer instrumento pesado; e
• atrito - não deve existir maior que o provocado pelo uso normal das mãos
sem ferramentas.
c) grampo de segurança somente deve ser retirado quando o atirador estiver pronto para
lançar;
d) as granadas não devem ser espoletadas:
• em depósitos ou ambientes fechados;
• em ponto de carga ou descarga de munições; e
• a menos de 100 metros de construções.
CAPÍTULO III
MUNIÇÃO DE LANÇAMENTO
1. GRANADAS DE BOCAL
Granada de Bocal Antipessoal
1.1 Definição
São projéteis explosivos ou químicos dotados de uma carga interna e de um dispositivo
de acionamento.
A granada de bocal, alto explosivo, é um engenho que visa dar aos combatentes de
infantaria recursos que lhe permitam realizar o tiro curvo sobre a tropa amiga e objetivos
dispersos, sempre que os projéteis de pequeno calibre e de tiro tenso não consigam os desejados
resultados. Produzindo efeito explosivo e de estilhaçamento, torna-se eficaz contra objetivos
ainda que desenfiados.
A granada de bocal, é um artefato que, lançado pelo fuzil 7,62 M964, possui o efeito
secundário de perfuração em concreto ou chapas de aço (couraças), de até 3`` (7,62 mm) de
espessura no caso das antipessoais e de até 4” (10,2 mm) ) de espessura no caso das anticarro.
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Assim sendo, poderá realizar com eficiência as missões normalmente atribuídas aos morteiros
leves e lança-rojões de pequeno calibre, pois não apresenta os inconvenientes deste ( ruído,
chama, poeira).
1.2. Classificação
Conforme a natureza da carga:
• antipessoal;
• anticarro; e
• exercício ( lastradas ou com carga de pólvora negra ).
1.3. Constituição
Basicamente: cabeça explosiva, espoleta e empenagem.
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a) cabeça explosiva :ogiva, pelo cone, corpo e carga principal;
b) espoleta: grampo de segurança, pino de armar, luva guia do percussor, mola de
segurança, percussor, detonador-reforçador;
c) empenagem: tubo estabilizador e aletas;
d) cartucho de lançamento: vem preso a um tarugo de borracha colocado no fundo da
empenagem; e
e) mira individual: alça graduada, que serve para a pontaria.
1.4. Tipos
1.4.1. Gr Bc Antipessoal
São carregadas com pentolite, sendo de fabricação nacional e agindo pela ação de
estilhaçamento, podendo agir em algumas situações pela ação de perfuração, pois é de carga
“carga oca”, perfurando blindagens de até 7 mm de espessura.
A explosão da granada produz mais de 100 estilhaços eficazes sobre um homem em pé
num raio de 20 metros do ponto de detonação e com efeitos secundários até 60 metros.
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
Peso total 550 g
Peso do explosivo 90 g
Comprimento 323 mm
Diâmetro do corpo 40 mm
Velocidade inicial (Car Lçmt 7,62 CEV) 70 m/s
Alcance máximo ângulo de 42 graus 400 m
Alcance de alça (utilização) 150 m
Alcance normal dos estilhaços 30m
Tiro tenso contra pessoal e Vtr Bld até 150m
1.4.2. Gr Bc Anticarro
São também carregadas com pentolite e agem pelo princípio da “carga oca”. Permitem
furar couraças com espessuras superiores a 4’’ (10,2 mm).
Todas as suas características são semelhantes às pessoais.
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1.5. Funcionamento
1- Corpo da Carga 6- Grampo de segurança
2- Carga explosiva 7- Pino de armar
3- Detonador-reforçador 8- Luva-guia do percussor
4- Corpo da espoleta 9- Percussor
5- Mola de segurança 10- Tubo-Motor
a) Posição inicial:
•cartucho de lançamento na câmara;
•uma granada no bocal;
•granada sem o grampo de segurança; e
•dá-se a percussão no cartucho de lançamento.
b) Funcionamento propriamente dito:
1ª ETAPA: Percussão do cartucho de lançamento e trajetória da granada de bocal
1ª FASE: Recuo da luva-guia do percussor:
• Retirado o grampo de segurança, o pino de armar permanece em seu lugar;
• Após a percussão, por ação da inércia, a luva-guia tende a permanecer no seu
lugar (recua em relação à granada), enquanto a granada é lançada, indo liberar a cabeça do pino
de armar, que é ejetado por ação de sua mola;
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• Com o recuo da luva-guia do percussor, a mola de segurança, que se encontra à
frente do percussor, começa a se distender (abrir) para permitir a passagem do percussor, que é
mantido à retaguarda por inércia.
2ª FASE: Armação da espoleta:
• Após o máximo de distensão possível da mola de segurança, o percussor estará
livre para ir à frente, só não o fazendo por ação da inércia;
• Em virtude de suas características técnicas de fabricação a espoleta não
funcionará antes de haver percorrido 02 metros de sua trajetória, a partir da boca da arma,
mesmo que encontre um obstáculo;
• Isto é assegurado pelo tempo que leva a mola de segurança para se distender, após
a liberação de sua posição original, liberando o percussor.
2ª ETAPA: Granada no momento do impacto
- Ao atingir o alvo, a granada bate com a ogiva. Neste momento, por ação da inércia, o
êmbolo onde está preso o percussor avança percutindo a o detonador-reforçador e
consequentemente a granada.
1.6. Seguranças
a) De manuseio
O grampo de segurança, quando em seu lugar, impede a ejeção do pino de armar e,
consequentemente, o funcionamento do dispositivo de percussão, até mesmo por efeito de queda.
Devido ao seu sistema de segurança, ainda que retirado o grampo de segurança, a granada
poderá sofrer queda de até 3 metros sem qualquer problema, pois não haverá inércia provocada
pela força do impacto resultante da velocidade de lançamento.
Em caso de queda da granada sem o grampo de segurança, e não tendo sido ejetado o
pino de armar, a mesma poderá ser recolocada no bocal de lançamento sem que isso implique na
segurança do manuseio do artefato; caso contrário, isto é, o pino de armar tendo sido ejetado (o
que dificilmente acontecerá), a granada não deverá ser tocada pois todo o sistema de segurança
foi acionado no sentido da liberação do percussor. A granada deverá, então, ser destruída no
local.
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Após a retirada do grampo de segurança, se por qualquer motivo a granada não for
lançada, é possível a recolocação do grampo em sua posição primitiva, bastando, para isso,
serem executados, cuidadosamente, os movimentos inversos ao da retirada.
b) De boca
Em virtude de suas características técnicas de fabricação, a espoleta não funcionará antes
de haver percorrido 02 (dois) metros de sua trajetória, a partir da boca da arma, mesmo que
encontre um obstáculo.
Isto é assegurado pelo tempo que leva a mola de segurança colocada à frente do percussor
para se distender, após a liberação de sua posição original.
c) De transporte
Para o transporte, o percussor fica impedido de se movimentar pela ação:
•de dois pinos de aço, sendo um solidário ao grampo de segurança e outro (pino de
armar) que só é ejetado automaticamente pelo tiro de lançamento (desde que se retire o grampo
de segurança);
• da mola de segurança posicionada à frente do percussor.
2. MUNIÇÃO DO LANÇA GRANADAS 40 MM M79
2.1. Apresentação
Calibre 40mm. São utilizadas no Lançador de granadas M-79 ou M-203.
VISTA EM CORTE
2.2. Terminologia
Granada ou Cartucho 40 x 46mm ou Cartucho 40 de baixa velocidade.
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OBS: As características abaixo exemplificadas referem-se ao Car 40X46 M406HE.
2.3. Composição
A munição é composta de estojo, estopilha, carga de projeção, projétil e espoleta.
Estojo Munição Estopilha
Carga de projeção
ou propelente
Projétil ou granada Espoleta
2.4. Classificação
a) quanto a colocação dos elementos
ENCARTUCHADA: Estojo reúne os demais elementos.
ENGASTADA - Projétil fixo ao estojo, não permite a variação da carga de projeção.
b) quanto ao uso: único;
c) quanto a estabilização: rotação;
d) quanto ao emprego:
2.5. Estudo dos elementos
a) estojo
Contém a carga de projeção e fazer a obturação da câmara. É de alumínio e fabricado pelo
processo de estiramento sucessivo. Possui traçado cilíndrico.
nomenclatura aplicada
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1. GOLA - Recebe o projétil;
2. GARGALO - Fixa o projétil por punções;
3. CORPO – Inscrições: Lote.
4. VIROLA – Permite a extração: Escavada;
5. CULOTE – Inscrições: Lote;
6. CÂMARA – Nesta munição, é subdivida em 2 [câmaras de alta (aloja a carga de
projeção) e de baixa pressão];
7. ALOJAMENTO DA ESTOPILHA - Recebe a estopilha e a carga de projeção;
b) estopilha
Quando excitada, produz a chama que inicia a queima da carga de projeção. Do tipo
estampada. Atua por percussor. Possui perfil curto e carga de encadeamento explosivo através
de misto fulminante -> cápsula e explosivo iniciador;
nomenclatura aplicada
1. CORPO - Recebe os demais elementos;
2. BIGORNA – Em conjunto com o percussor da arma, realiza o
esmagamento do alto-explosivo iniciador;
3. CÁPSULA – Aloja o alto-explosivo iniciador;
4. MISTO FULMINANTE – Alto-explosivo iniciador (Tetraceno).
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c) carga de projeção
Projeta a granada. É encartuchada de uso único e composta de pólvora coloidal.
TIPO: BASE DUPLA - BD: Nitrocelulose (NC) + Nitroglicerina (NG).
EMPREGO: Propelente.
FORMA: Esférica (2,84mm)
CARREGAMENTO: Solta
d) projétil ou granada
Conduz a carga química ou explosiva. É composta de aço e alumínio - fundido / forjado e
torneado com traçado biogival.
nomenclatura aplicada
1. OUVIDO ROSCADO - Recebe a espoleta;
2. OGIVA - Favorece as propriedades balísticas concernentes a resistência do ar;
TIPO: Curta (baixa Vo) e falsa;
3. CORPO - É o projetil propriamente dito, de espessura e material variável com a
finalidade da granada. Neste caso, a granada encontra-se alojada em um falso corpo de alumínio,
formando um só corpo;
4. CINTA DE FORÇAMENTO - Cinta ligeiramente maior que o calibre da arma, que
engraza-se nas raias, proporcionando a rotação da granada e obturando os gases a frente;
TIPO: Simples;
PERFIL: Escavado - O sulco recebe o excesso de metal do forçamento;
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5. CULOTE - Favorece as propriedades balísticas concernentes ao arrasto;
6. CARGA DO PROJÉTIL - É feito através de enchimento – fundido com carga
explosiva de composto B (45g);
e) espoleta
Inicia a cadeia explosiva no momento e nas condições desejadas. Colocação na ogiva, com ação
percutente instantânea (funciona no momento do impacto). Princípio de armar através da força
centrífuga, com encadeamento explosivo partindo da cápsula => reforçador - detonador => carga
de arrebentamento.
nomenclatura aplicada
1. DISPOSITIVO DE ARMAR E SEGURANÇA – Pelo desalinhamento de seus
elementos, oferece segurança ao operador;
2. PLACA DE PRESSÃO – Aciona o percussor;
3. CONJUNTO DE PERCUSSÃO – Composto de cápsula e percussor, é o elemento
iniciador da cadeia explosiva;
4. CONJUNTO REFORÇADOR - DETONADOR – Reforça a transformação da cápsula
e transmite à carga principal.
2.6. Funcionamento
O princípio de funcionamento foi originado de uma idéia alemã da 2º Guerra Mundial,
chamado de sistema de redução de pressão.
Neste sistema, uma carga de projeção é confinada dentro de uma pequena câmara na base
do estojo do cartucho. Esta câmara é provida com orifícios cuidadosamente calculados. Quando
a cápsula é atingida, a carga explosiva transforma-se dentro de sua câmara e desenvolve uma
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elevadíssima pressão – em torno de 2500 Kg por cm². Esta pressão, sem controle, poderia expelir
a granada a uma altíssima velocidade e causar uma extrema pressão na culatra. Ao invés disso,
esta alta pressão é confinada na câmara especial existente no cartucho e através dos seus orifícios
esta pressão é gradualmente liberada para o espaço vazio entre a câmara e a granada. Neste
espaço o gás se expande e atinge a pressão de 200 Kg por cm², pressão esta suficiente para
arremessar a granada a uma velocidade de 76 m/s e a uma distância de 350 a 400m, sem resultar
em um excessivo recuo no corpo da arma. Este sistema permitiu que a arma fosse leve, de
pequenas dimensões e segura.
As granadas são estabilizadas durante o vôo pelo giro imprimido pelo raiamento da arma.
A granada atinge a velocidade de 76 m/s (comparados a uma velocidade aproximada de 800 m/ s
de um 7,62 mm) e um granadeiro treinado pode lança-la dentro de uma janela a uma distância de
150 m.
A força centrífuga oriunda da rotação da granada (3700 rpm) faz com que o dispositivo
de armar e segurança arme a granada a uma distância mínima de 14 m do atirador. Após isso a
granada irá detonar com o impacto. Desta forma a cabeça explosiva não pode ser detonada por
causa de uma queda ou se for atingida por um tiro. Esta distância mínima preserva o atirador de
não ser atingido pelo raio de fragmentação da granada.
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As granadas M 406 40 mm HE atiradas do Lançador M79 fragmenta seu recipiente
metálico em mais de 300 fragmentos que são lançados a uma velocidade de 1.524 m/s com um
raio letal de 5 m.
Existem uma grande variedade de cartuchos de 40 mm que podem ser atirados do
Lançador de Granadas M79. Todos estes cartuchos são engastados ou seja, o projétil já vem fixo
ao estojo.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -70-
Munições para o Lançador de Granadas M79
Coloração
Modelo Ação
Estojo Projétil Ogiva
M397
M397A1
Fragmentação Verde Verde Dourada
M433 Duplo efeito Verde Verde Dourada
M381
M386
M406
M441
Alto explosivo Verde Verde Dourada
M576 Multiprojétil
Verde
e
Preto
- -
M651
Química
Lacrimogênea
CS
Verde Vermelho Prateada
M781 Exercício Verde Azul -
M407
M382
Exercício Verde
Verde
Azul
Prateada
Azul
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ÍNDICE
Capítulo I – Generalidades da Munição de Armamento Pesado ............................ 03
1. Apresentação ...................................................................................................... 03
2. Classificação ....................................................................................................... 04
3. Componentes....................................................................................................... 04
4. Estudo dos Componentes .................................................................................... 05
4.1. Estojo ............................................................................................................... 05
4.2. Estopilha .......................................................................................................... 07
4.3. Carga de Projeção ............................................................................................ 07
4.4. Projéteis ou Granadas ...................................................................................... 09
4.5. Espoleta ........................................................................................................... 13
5. Funcionamento .................................................................................................... 15
Capítulo II – Munição dos Carros de Combate ...................................................... 16
1. Munição 90 MM do EC–90 (Cascavel) e M32 Br2 (M 41) .............................. 16
2. Munição 105 MM CAN L7 A3 (Leopard) ......................................................... 18
3. Munição 105 MM CAN M68 (VBC M-60) ....................................................... 26
Capítulo III – Munição dos Obuseiros .................................................................... 33
1. Munição 105 MM L 118 Light-Gun ................................................................... 36
2. Munição 155 MM M114 AR ............................................................................. 41
Capítulo IV – Munição dos Canhões Sem Recuo ................................................... 45
1. Munição do canhão 106 SR ................................................................................ 45
2. Munição do Canhão 84 Carl Gustav ................................................................... 46
Capítulo V – Munição de Morteiro ........................................................................ 54
1. Generalidades ...................................................................................................... 54
2. Elementos componentes de um tiro completo de morteiro ................................ 54
3. Função de cada elemento .................................................................................... 54
4. Tipos de granada ................................................................................................. 55
5. Estudo dos componentes ..................................................................................... 56
6. Propulsão dos projéteis dos morteiros ................................................................ 57
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CAPÍTULO I
GENERALIDADES
1. APRESENTAÇÃO
São aquelas de calibre maior que .60” = 15,24 mm e utilizadas em morteiros, canhões e
obuseiros.
ARMAS
CARACTERÍSTICAS
MORTEIROS OBUSEIROS CANHÕES
TUBO EM RELAÇÃO AO
CALIBRE
MUITO
CURTO
CURTO LONGO
VELOCIDADE INICIAL PEQUENA MÉDIA GRANDE
ÂNGULO DE TIRO GRANDE PEQUENO
TRAJETÓRIA
MUITO
CURVA
CURVA TENSA
TIRO INDIRETO
DIRETO OU
INDIRETO
DIRETO
CARREGAMENTO BOCA CULATRA
ALCANCE PEQUENO MÉDIO GRANDE
CARGA DE PROJEÇÃO VARIADA ÚNICA OU
VARIADA
2. CLASSIFICAÇÃO
2.1. Quanto a colocação dos elementos
a) Encartuchada
O estojo reúne os demais elementos. Classificam-se ainda como:
• Engastada: projétil fixo ao estojo, não permite a variação da carga de projeção. Ex: Tir
40mm.
• Desengastada: projétil separa-se do estojo, permitindo a variação da carga de projeção. Ex:
Tir 105mm.
b) Desencartuchada
Não utiliza estojo. Ex: Tir 155mm.
2.2. Quanto a estabilização
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ROTAÇÃO EMPENAGEM ou
ALETAS
PROCESSOS
COMBINADOS
ROTAÇÃO – As propriedades balísticas relativas ao vôo do projétil, da arma ao alvo, são
conseguidas através do movimento giratório do projétil em torno de seu próprio eixo.
EMPENAGEM ou ALETAS – As propriedades balísticas relativas ao vôo do projétil, da
arma ao alvo, são conseguidas através de superfícies aerodinâmicas.
PROCESSOS COMBINADOS – Aliam as duas características acima citadas.
2.3. Quanto ao emprego
a) guerra
• explosiva;
• perfurante;
• perfurante - explosiva;
• de balins;
• química; e
• incendiária
b) especial
• exercício;
• manejo;
• salva;
• iluminativa; e
• fumígena.
3. COMPONENTES
• estojo;
• estopilha;
• carga de projeção ou propelente;
• granada;
• espoleta; e
• detonador/ reforçador.
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4. ESTUDO DOS COMPONENTES
4.1. Estojo
a) finalidades
•reunir os demais elementos componentes da munição; e
•fazer a obturação da câmara.
b) fabricação
É composto de aço, latão ou alumínio, fabricado pelo processo de estiramento sucessivo
e protegido por uma camada de verniz. É o componente mais caro da munição.
c) traçado
• cilíndrico; e
• tronco-cônico.
c) vantagens
• rapidez no tiro; e
• obturação pelo estojo.
d) desvantagens
•requer aparelho extrator;
•alto custo de fabricação; e
•acúmulo de material durante o tiro.
e) nomenclatura aplicada:
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1- gola - recebe o projetil;
2- gargalo - fixa o projetil;
3- ombro - reduz o tamanho câmara/tubo;
4- corpo - perfurado nos Tir S/R.
5- virola - permite a extração: escavada - Tir 35mm, saliente - Tir 40mm L 70,
traçado especial Tir 40mm L60;
escavada saliente traçado especial
6- culote - inscrições ou gravações - fábrica, ano, lote, calibre, modelo, emprego;
Fábrica – [FJF] Fábrica de Juiz de Fora
Ano – [79] 1979
Lote – Lt 795
Calibre – 57 mm
Modelo – M 3
Emprego – Canhão 57 mm
7- câmara- aloja a carga de projeção; e
8- alojamento da estopilha - recebe a estopilha. Pode ser com rosca ou sem
rosca.
Com rosca,
nos tiros nacionais e
europeus.
Sem rosca,
nos tiros norte-americanos.
4.2. Estopilha
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a) finalidade
Possui misto iniciador que quando excitado, produz a chama que inicia a queima da
carga de projeção.
b) tipos segundo colocação dos elementos
Segundo a colocação dos elementos
Para Mun Encartuchada Para Mun Desencartuchada
Tipo cartucho de caça
Atarraxada Estampada
c) processos utilizados
• percussão: com percussor ou sem percussor; e
• elétrico.
d) perfil
Curta Longa Longa e perfurada
e) cargas
•misto fulminante - cápsula - explosivo iniciador; e
•pólvoras: solta e comprimida para escorvar a carga de projeção.
4.3. Carga de Projeção
a) finalidade
Projetar a granada ou produzir o estampido para as salvas.
b) classificação quanto à colocação
•encartuchada (carga de projeção colocada no estojo); e
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•desencartuchada (carga de projeção colocada diretamente na câmara).
c) classificação quanto ao uso
•única (carga de projeção não variável); e
•variável (carga de projeção variável).
d) constituição
• propelente - com descobreante, para evitar efeito abrasivo sobre o estojo com
anti-clarão, para evitar o clarão.
• escorva - vem na estopilha, em saquitel separado ou amarrado ao saquitel carga
“0”.
e) tipos de pólvoras
Eram utilizadas inicialmente a pólvora negra na forma de grãos mas devido à fumaça e
chama excessivas, ao efeito abrasivo, à instabilidade e por ser higroscópica, deixou de ser
utilizada sendo usada somente nos tiros de salva. Atualmente a pólvora utilizada é a pólvora
coloidal no formato de grãos ou cilindros não, mono ou heptaperfurados. Existe na composição
de base simples- BS: Nitrocelulose (NC) , base dupla- BD: NC + Nitroglicerina (NG), e base
tripla- BT: NC + NG + Nitroguanidina (NGU). Nas munições desengastadas encontram-se em
sacos de linho, cambraia ou algodão unidos por cadarços.
f) Carregamento
MUN ENCARTUCHADA ENGASTADA: Solta ou em sacos - plástico, seda,
tela de amianto, cambraia, linho, algodão...
MUN ENCARTUCHADA DESENGASTADA: Em sacos de linho, cambraia ou
algodão... (saquitel Cg "1" PN é preso ao fundo do estojo)
MUN DESENCARTUCHADA: Saquitéis de tecido unidos por cadarços. (Cg "1" = escorva PN);
g) Embalagens
MUN ENCARTUCHADA DESENGASTADA: No estojo protegidas com
opérculo de papelão;
MUN DESENCARTUCHADA: Porta cargas de metal ou papelão;
INSCRIÇÕES: (em cada saquitel):
BR- espécie e n° da pólvora, lote, sub-lote e ano de fabricação, n° da carga, arma;
EUA- tipo, n° da carga, lote e fábrica, arma, peso;
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4.4. Projéteis ou granadas
a) Finalidade
•causar dano pelo impacto violento ou penetração; e
•conduzir carga química ou explosiva.
b) Fabricação
Geralmente em aço - fundido / forjado e torneado.
c) Traçado
TRAÇADO
Cilindro ogival Ogiva alongada
Culote tronco cônico Biogival
d) Nomenclatura aplicada
1- Ouvido roscado - espaço na granada onde posiciona-se a espoleta - na ogiva ou no
culote. Pode ser protegido ou tracionado por tarugos (madeira, zinco, plástico, aço...);
2- Ogiva - favorece as propriedades balísticas. Podem ser curtas, longas e falsas;
3- Cinta de turgência - cinta polida, geralmente sem pintura, com o calibre aproximado ao
da arma, que evita os efeitos de turgência como o vento (diferença entre calibre da arma e o
calibre da cinta) e o batimento (trepidação da granada no interior do tubo devido ao excesso de
vento) .Podem ser simples, múltiplas e escavadas;
4- Corpo - é a granada propriamente dita, de espessura e material variável de
acordo com a sua finalidade;
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5- Cinta de forçamento - cinta ligeiramente maior que o calibre da arma, que engraza-se
nas raias, proporcionando a rotação da granada, e obturando os gases a frente. Os sulcos
existentes na cinta são para receber o excesso de metal devido ao forçamento;
6- Culote - espessura variável com emprego. Podem possuir ouvido roscado para espoleta
ou misto traçante. Recebem empenagens ou aletas (se for o caso).
e) Carga dos projéteis
É a finalidade da granada.
Cargas explosivas:
• TNT (mais freqüente), Amatol, picrato de amônio - Gr AE;
• pentolite - Gr AAe. e AC; e
• composto B - Gr AAe e AC;
Cargas químicas e especiais:
• fósforo branco "WP"- fumígena de fragmentação;
• hexacloretana "HC"- fumígena de ejeção pelo culote;
• trioxido de enxofre "S"- fumígena de fragmentação;
• mostarda "M"- causador de baixa;
• levisita "L"- causador de baixa;
• fosfogênio "CG"- causador de baixa;
• cloroaceto "CNB","CNS"- inquietante;
• termita "TH"- incendiária;
• mistos iluminativos - Gr iluminativa;
• mistos traçantes - no culote das Gr AC, AAe e Ex.
f) Tipos de projéteis
•explosivo - arrebentamento e contra pessoal;
A quantidade e qualidade dos estilhaços são previsíveis e controladas.
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•perfurante-explosivo - carga dirigida contra blindagens;
•perfurante - maciços ou reforçados: sem coifa, com coifa e falsa ogiva;
HEAT (High Explosive
Anti-Tank) – Alto
explosivo anticarro
APDS
(Armour Piercing,
Discarding Sabot) –
Perfurante com o corpo
destacável
APFSDS (Armour-Piercing,
Fin Stabilized, Discarding
Sabot) - Perfurante com o
corpo destacável
estabilizado por aletas
•exercício - possui espoleta;
•inerte - exercício sem espoleta;
•manejo - treina a guarnição. Pode ser com espoleta inerte, com falsa espoleta, ou
sem espoleta;
•químico- fumígenos, causadores de baixa, inquietantes, incendiário;
•iluminativo - ejeção pelo culote. A expulsa pára-quedas e misto iluminativo;
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Iluminativo
• balins
LANTERNETA - Defesa aproximada. Esferas de ferro com resina e breu;
SCHRAPNELL - Contra pessoal - Gr de aço com paredes delgadas, carga de PN e
a ejeção das esferas (aço, breu e celofônio) se efetua pela ogiva;
Lanterneta Saída de lanterneta da boca da arma
Ação antipessoal de uma lanterneta
Schrapnell
Ação antipessoal de um schrapnell
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -82-
4.5. Espoleta
a) Finalidade
Iniciar a cadeia explosiva no momento e nas condições desejadas.
b) Classificação quanto à colocação
•ogiva;
•culote; e
•culote com iniciação na ogiva.
c) Classificação quanto à ação e princípio de funcionamento
Percutente - funcionam no momento do impacto e agem por compressão ou inércia.
• super instantânea - < 0,001 seg;
• instantânea - 0,001 seg;
• com retardo - 0,15 seg; e
• reguláveis - com retardo ou instantânea;
Aproximação
Super instantânea Instantânea Com retardo
De tempo - Inicia o funcionamento na partida do projetil.
•fixo - utiliza-se de um rastilho com tempo de queima pré definido e que possui
comunicação com a cápsula;
•variável - dispositivos mecânicos semelhantes aos de um mecanismo de relógio;
•duplo efeito - possui os dois princípios de funcionamento acima descritos, caso
um deles falhe o outro realizará o acionamento; e
•proximidade – são eletrônicas e funcionam a certas distâncias por princípio do
radar (alterações no campo eletromagnético).
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -83-
d) Princípio de armar
• inércia;
• força centrífuga; e
• processos combinados.
Seqüência do princípio de armar por inércia
Seqüência do princípio de armar por força centrífuga
Seqüência do princípio de armar por processos combinados (inércia e força centrífuga)
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -84-
e) Detonador / Reforçador
Tem por finalidade, reforçar a onda explosiva vinda da cápsula da espoleta.
Na espoleta encontra-se um explosivo mais sensível, semelhante à estopilha e em
pequena quantidade. Para que se tenha certeza da explosão da granada, após a queima da cápsula
da espoleta, existe o detonador ou reforçador. É um explosivo menos sensível que o da cápsula e
mais sensível que o da granada, cuja função gerar uma queima e uma onda explosiva maior do
que a gerada na cápsula, assegurando a detonação da granada. Em algumas espoletas serve como
regulador da velocidade de detonação.
Encadeamento explosivo: Cápsula => Reforçador => Detonador => Carga
de arrebentamento.
5. FUNCIONAMENTO
O funcionamento da munição da armamento pesado funciona da seguinte forma:
Após a colocação dos componentes da munição no tubo dá-se a percussão que pode ser
elétrica ou mecânica dependendo do funcionamento da arma. A cápsula da estopilha possui um
explosivo sensível a este impulso e ao receber o impulso ela inicia a sua queima. Esta queima é
transferida para a estopilha, que possui uma pólvora um pouco menos sensível e que funciona
como uma escorva dentro da carga de projeção, sendo portanto responsável por amplificar a
chama para que a mesma seja suficiente para queimar a pólvora da carga de projeção, a qual já
possui uma sensibilidade menor. A queima da carga de projeção possui velocidade variável
dependendo da quantidade de furos, tamanho, quantidade e etc. Esta queima gera uma altíssima
pressão no interior do tubo transmitindo movimento à granada. Durante o deslocamento a
granada adquire suas propriedades balísticas e a espoleta arma-se por inércia ou por rotação. No
ponto programado na espoleta para a explosão ocorre o acionamento da espoleta e
consequentemente a explosão.
CAPÍTULO II
MUNIÇÃO DOS CARROS DE COMBATE
1. MUNIÇÃO DO CANHÃO EC–90– ENGESA (CASCAVEL) E DO CANHÃO 90
M32 BR2 (M 41 REPOTENCIALIZADO)
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -85-
1.1. Generalidades
A munição do canhão 90 do Cascavel e do M41 Repotencializado são intercambiáveis,
somente algumas munições francesas, antigamente adquiridas pelo EB possuem o culote do
estojo de maior espessura, sendo necessário ajustes na garra do extrator para serem utilizadas.
a) Classificação quanto a reunião de seus elementos
Encartuchada engastada com carga de projeção única
b) Estabilização dos projéteis ( granadas )
Processo combinado: Rotação e empenagem
1.2 Características Técnicas dos Principais Tiros
a) Tir HEAT - T - ( High Explosive Anti Tank - Tracer - Alto explosivo anticarro com
traçante)
Utilizado contra objetivos blindados.
b) Tiro HE - T( High Explosive – Tracer - Alto explosivo - traçante )
Utilizado contra alvos materiais e pessoais, produzindo efeito de sopro e penetração.
c) Tiro HESH - T ( High Explosive Smashed Head – Tracer - Alto explosivo com cabeça
esmagável traçante )
Utilizado contra objetivos blindados e casamatas.
d) Tiro SMOKE WP - T ( Smoke White Phosphorus - Tracer Fumígeno fósforo branco -
traçante )
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -86-
Utilizado para a formação de cortina de fumaça e eventualmente incendiário.
e) Tir HEAT - TP - T ( High Explosive Anti Tank – - Alto explosivo anticarro - traçante
exercício )
Utilizado para adestramento da tripulação do veículo de combate.
Características HEAT - T HE- T HESH - T
SMOKE
WP - T
HEAT
TP - T
Carga de
arrebentamento
Composto B
RDX/TNT
TNT
Composição
A3
- -
peso do tiro
completo
7,65 Kg 8,56 Kg 7,51 Kg 8,76 Kg 7,65 Kg
peso do projétil 4,19 Kg 5,15 Kg 4,25 Kg 5,33 Kg 4,19 Kg
peso da carga de
projeção
1,35 Kg 1,25 Kg 1,10 Kg 1,27 Kg 1,35 Kg
V0 890 m/s 700 m/s 800 m/s 690 m/s 890 m/s
alcance útil 2000 m 1600 m 1200 m 1600 m 1600 m
tempo de queima
do traçante
3,5 Seg 3,5 seg 3,5 seg 3,5 Seg 3,5 Seg
2. MUNIÇÃO 105 MM CAN L7 A3 (VBC LEOPARD)
2.1. Composição
Um tiro completo 105 mm da VBC LEOPARD é composto de:
• um projétil destinado a destruir ou neutralizar o objetivo;
• um estojo que contém o alojamento da estopilha elétrica;
• uma carga de projeção que desenvolve uma pressão de gás suficiente para que
o projétil possa ser projetado até o alvo;
• um estopilha elétrica para iniciar a queima da carga de projeção;
• em algumas munições, um corpo destacável que contem o projétil até a saída do
tubo.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -87-
Sendo dado que a configuração genérica do conjunto, estojo, carga de projeção e
estopilha são praticamente o mesmo para todos os tipos de munições 105 mm, os parágrafos
seguintes conterão somente a descrição do projétil.
APDS-T HEP-T
2.2. MUNIÇÕES ANTI CARRO
2.2.1. APFSDS-T (Armor Piercing Fin Stabilished Discarding Sabot-Tracer - Perfurante
Estabilizado por Aletas com Corpo Destacável e Traçante)
a) Tipos
Atualmente 2 tipos de APFSDS-T são previstos dentro da cadeia logística (belga):
•primeiro tipo leva a denominação técnica de DM 23 A1.
•segundo tipo leva a denominação técnica de DM 33.
b) Descrição do projétil
O tiro completo compreende:
- um estojo com culote um alojamento para estopilha elétrica; e
- um projétil subcalibrado com corpo destacável que compreende:
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -88-
• projétil subcalibrado propriamente dito, estabilizado por aletas com:
> um perfurador longo (núcleo) em liga de tungstênio, roscado nas duas
extremidades;
> uma empenagem (aletas), em aço cádmio, visível sob o núcleo e contendo o
traçante. O perfil das aletas é assimétrico;
> uma ogiva visível sobre o núcleo, contendo penetradores livres em liga de
tungstênio.
• corpo destacável, com:
> setores articuláveis em duralumínio;
> dois aros de pré-fragmentados, um na frente (pequeno), o outro na traseira
(grande);
> um anel em polipropileno sobre o qual é montada a cinta de forçamento em
fibra de nylon.
O projétil subcalibrado e o corpo destacável são montados seguindo uma parte ranhurada.
Uma junta no tiro assegura a estanqueidade deste conjunto.
O tiro DM 33 difere exteriormente do DM 23 por seu comprimento (mais longo 11 cm).
O projétil DM 33 também é mais fino.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -89-
c) Observação
Sendo determinado que alguns pedaços metálicos são projetados fora da trajetória na
partida do tiro, este projétil não pode ser atirado sobre tropas amigas NÃO prevenidas e
abrigadas.
ZONA DE SEGURANÇA DO APFSDS-T E O APDS-T
2.2.2. APDS-T (Armor Piercing Discarding Sabot-Tracer - Perfurante com Corpo
Destacável com Traçante)
a) Descrição do projétil
O projétil, é composto de:
•um núcleo sub-calibrado de liga dura de carboneto de tungstênio;
•um culote oco em aço com o traçante;
•uma ogiva em alumínio;
•duas coifas de penetração que impedem que o projétil ricocheteie no objetivo.
O projétil é envolvido por uma fina camada composta de:
•um culote de corpo destacável que serve apoio para o corpo destacável do
projétil. Um anel de obturação que é fixado ao culote de corpo destacável;
•um corpo destacável que contém o projétil.
A parte anterior pode fragmentar-se em três pétalas que são mantidas unidas por uma
fixação leve e por uma cinta de turgência em plástico. O corpo destacável é atarraxado no culote
de corpo destacável. A parte posterior leva uma cinta de forçamento de nylon.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -90-
2.2.3. HEAT-T (High Explosive Anti-Tank-Tracer - Alto Explosivo Anti-Carro com
Traçante)
Denominação técnica: Tiro 105 milímetros, HEAT-T, Comp. B M456A1, com espoleta,
PIBD, M509A1.
c) Descrição do projétil
O projétil é composto de:
• uma haste tendo na parte anterior a iniciação da espoleta de culote através de
um elemento piézoelétrico; e
• um corpo cilíndrico que contém um cone de cobre ao redor do qual é colocado
a carga explosiva (CARGA OCA)
O corpo apresenta:
• uma cinta de turgência;
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -91-
• uma cinta de forçamento em fibra que não é fixada ao corpo do projétil para
não transmitir nenhuma rotação;
•uma empenagem com pequenas asas para estabilizar o projétil na trajetória;
•um traçante ;e
•uma espoleta de culote, elétrica, ligada ao iniciador que se encontra na parte
anterior da haste.
2.3. MUNIÇÃO ANTI-MATERIAL / ANTI-PESSOAL
2.3.1. HEP-T (High Explosive Plastic-Tracer - Alto Explosivo Plástico com Traçante)
Denominação técnica: Tiro 105 milímetros, HEP-T M393 A2, com espoleta, BD, M578
02M578 Bg.
O projétil é composto de:
•um corpo de aço tendo na parte anterior uma cabeça esmagável e na parte
posterior a carga explosiva;
•uma cinta de forçamento;
•uma espoleta de culote; e
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -92-
•a trajetória do HEP-T é relativamente curva, por esta razão não se utiliza escala
de combate com o HEP-T;
•efeito contra pessoal, trincheiras, edificações e as viaturas levemente ou não
blindadas é realizado pela onda de choque e a projeção de estilhaços. A projeção de estilhaços a
partir do alvo cria uma área perigosa de + 40 m de largura e de + 8 m de profundidade, centrada
sobre o ponto de impacto.
Os efeitos do HEP-T contra blindagem são os seguintes:
•uma blindagem leve (até 50 mm) é perfurada; e
•sobre blindagens mais espessas, um disco metálico é arrancado da parte interna,
este disco torna-se um projétil no interior do carro de combate.
Pode ser que este disco cisalhe-se em vários e pequenos pedaços (estilhaços) ferindo ou
matando a guarnição e danificando certos equipamentos.
Este efeito não ocorre sobre blindagens mais espessas ou se o projétil explodir
antecipadamente sobre uma blindagem de sacrifício ou em um acessório de pouca importância
colocado sobre o carro de combate.
Como a velocidade inicial do HEP-T é
muito baixa, esta munição é muito sensível as influências externas (por exemplo o vento).
2.4. MUNIÇÃO FUMÍGENA E INCENDIÁRIA
2.4.1. SMK WP-T [SMOKE White Phosphorus-Tracer (Fumígeno de Fósforo Branco
com Traçante)]
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -93-
Denominação técnica: Tiro 105 milímetros, SMOKE, WP-T, M 416, estojo de aço, com
espoleta, BD 534 A1.
a) Descrição do projétil: O projétil é composto de:
•um corpo de aço contendo uma carga de fósforo branco;
•um estojo de arrebentamento contendo a carga de arrebentamento;
•uma espoleta de culote;
•uma cinta de forçamento ;e
•um traçante.
e) Características
•fósforo branco inflama espontaneamente no contato com o ar. Esta munição tem
por conseguinte grande poder incendiário sobre todos os tipos de objetivos, aumentado ainda
mais pelo fato que o fósforo adere facilmente a todas as superfícies, mesmo as superfícies lisas.
•uma outra propriedade é a espessa fumaça branca que se forma pela combustão
do fósforo, e que se eleva por causa do forte calor. Esta munição não forma o que possa se
chamar de cobertura fumígena.
•se o fósforo branco for armazenado ou transportado a uma temperatura superior
a 40° C, o tiro deve ser colocado invertido (no paiol de 1 ª intervenção da VBC Leopard). Caso
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -94-
contrário, a carga de fósforo branco do fundo se desloca. Isto cria uma borra que afeta a
estabilidade do projétil na sua trajetória.
f) Emprego
Nas ordens de tiro, o WP-T é chamado "FÓSFORO".
O WP-T é empregado para:
•impedir a observação inimiga;
•designar um objetivo pela fumaça; vale a pena lembra que o objetivo será
subtraído a própria observação; e
•incendiar um objetivo. O tiro "FÓSFORO" pode ser empregado para inflamar
edificações, fortificações, posições na floresta.
g) A localização da dotação embarcada da VBC Leopard é composta de:
•11 em prateleiras da torre (distribuição segundo ordens do chefe tático)
•na torre, à direita do rádio *
•debaixo do canhão somente APDS-T *
•verticalmente, à frente do paiol do cesto *
•39 presos no paiol do cesto
* Somente APDS-T
Resumo das características:
Mun APFSDS-T APDS-T HEAT-T HEP – T SMK WP – T
Tipos DM 23 A1 e
DM 33
Peso 18,7 Kg e 18,5
Kg
18,3 Kg 21 Kg 21 Kg 21,6 Kg
Cor Preto com letras
brancas
Preto com letras
brancas
Preto com letras
amarelas
VO com letras
amarelas
Cinza Claro
com letras
amarelas
V0 1450 m/s 1428 m/s 1173 m/s 731 m/s 731 m/s
Efeit
o
0,19 m p/
direita e
0,84m de
elevação
0,19 m p/
direita e
0,84m de
elevação
0,46 m p/
direita e 0,04 m
de elevação
0,11 m p/
esquerda e 0,45
m de derivação
0,11 m p/
esquerda e
0,45 m de
derivação
Usura 0,3 CME 1 CME
(padrão)
0,2 CME 0,1 CME 0,1 CME
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Trajet
ória
Muito Tensa Muito Tensa Tensa Curva Curva
Uso Anti-Carro Anti-Carro Anti-Carro Anti – Pessoal/
Material
Anti-Pessoal
/ Material
3. MUNIÇÃO CAN M68 (VBC M-60)
3.1. Generalidades
A munição(1) para o Can 105 mm M68 é fornecida na forma de cartuchos engastados,
que possuem todos os componentes necessários ao disparo do tiro. Cada cartucho é composto
por uma estopilha elétrica(2), pela carga propulsora(3) contida num estojo(4) e um projétil(5).
Dependendo do tipo de granada, pode haver uma espoleta(6) na ponta do projétil.
3.2. Identificação
a) Generalidades
A munição e seus componentes são completamente identificados pela pintura ou
inscrições nos componentes e em toda as embalagens originais.
b) Número do lote
O número do lote é necessário para registro, incluindo informações das condições,
funcionamento ou incidentes em que a munição pode ser submetida. Os cartuchos completos de
carga propulsora fixa de qualquer lote são fabricados com propriedades idênticas. Para obter a
maior precisão durante o tiro, sucessivos disparos devem ser realizados com o mesmo número de
lote, quando for possível.
c) Pintura
Os projéteis são para evitar a corrosão e facilitar a identificação. A pintura é opaca para
facilitar a camuflagem.
d) Exemplos de inscrições gravadas no projétil.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -96-
(1) calibre e tipo do Can:105G;
(2) tipo de carga: COMP B;
(3) tipo de projetil HEAT-T;
(4) modelo de projetil: M456;
(5) quando o projetil contem traçante, ele é marcado com T ou TTT. A inscrição TTT é
vermelho claro.
e) Inscrições gravadas na base do estojo
•calibre e modelo; e
•número do lote do estojo, incluindo iniciais ou símbolos do fabricante.
3.3. Tipos
3.3.1. Munições de energia cinética (Flecha)
A munição de energia cinética, também conhecida como "flecha", é o principal tipo de
munição, e o mais preciso, utilizado pelo Can M68 mm, sendo empregada para penetrar
blindagens de carros de combate e viaturas blindadas pesadas.
A energia cinética é a combinação de massa e velocidade do projetil, sem a presença de
explosivos para a penetração do alvo.
A penetração da munição de energia cinética normalmente causa diversos danos ao alvo,
contudo, depende efetivamente da densidade da superfície do alvo. Deve-se selecionar a
munição mais apropriada para destruir a blindagem do alvo considerado. Por exemplo: utilizar
uma munição de energia cinética para destruir uma viatura levemente blindada é um desperdício.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -97-
OBSERVAÇÃO: As munições APDS-T, APFSDS-T e TPDS-T não devem ser
disparadas sobre tropa amiga desabrigada, pois ela pode ser atingida pelos seus componentes
descartáveis que se despendem após a saída do projetil da boca do tubo do Can. A área de perigo
estende-se em 1000 m a frente do Can e 70 m para os lados da trajetória do tiro.
3.3.2. Munição Alto-Explosiva Anticarro Traçante (HEAT-T)
A munição de energia química é uma munição secundária, usada principalmente contra
fortificações, pessoal e viaturas levemente blindadas. Contém uma carga de alto-explosivo, que
penetra a blindagem. Quando a ponta da munição bate no alvo, ela explode, causando a
detonação da base da carga moldada, formando uma onda de choque. Ao mesmo tempo um jato
contínuo penetra a blindagem e no interior do alvo a destruição é causada pelas lascas
(despedaçadas da parede interior) pelo impacto direto do jato remanescente e pela onda de
choque.
OBSERVAÇÃO: A munição HEAT-T não deve ser disparada sobre tropas amigas
desabrigadas, pois seus componentes descartáveis podem atingi-los. A área de perigo estende-se
em 1000 metros a frente do Can e 70 metros aos lados da trajetória do tiro. Alguns tipos de
espoletas antigas podem causar uma detonação no ar devido a peculiaridades do material.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -98-
3.3.3. Alto-Explosiva Plástica Traçante (HEP-T)
É uma munição anti-material usada, prioritariamente, contra área e pontos a grandes
distâncias (acima de 2000 m). É relativamente fácil para observar este tiro, devido a sua alta
trajetória e baixa velocidade inicial. Tem maior explosão, choque e fragmentação que a APDS-T
e HEAT-T. A munição HEPT pode ser usada contra veículos blindados, após ter se esgotada a
munição anticarro existente nos alojamentos do CC.
Quando a HEP-T detona contra uma superfície dura, dependendo do tipo e densidade da
sua blindagem, o lado oposto quebrará em pequenos pedaços (estilhaços). Estes podem matar ou
ferir a guarnição e provocar danos aos instrumentos de tiro e outros componentes menores. O
mesmo efeito é obtido contra superfícies de concreto, no qual a munição HEP-T 105 mm pode
destruir concreto reforçado com espessura de 1,8 a 2,4 m.
3.3.4. Antipessoal Traçante (APERS-T)
É uma munição antipessoal usada, prioritariamente, contra tropas em campo aberto. O
interior da granada é composto por inúmeros subprojetis (flechetes), que, após a detonação, se
dispersam sobre a área do alvo. Ela possui um espoleta mecânica de tempo que pode ser regulada
para explodir no momento do impacto ou a uma distância entre 200 a 4400 m (o mecanismo se
arma a 100 m). A escala de distância na cabeça da espoleta é marcada a cada 100m e numerada a
cada 200 m.
Para aplicar a distância selecionada, o Aux At pressiona o botão ao lado da espoleta e gira
a escala no sentido horário, até a marca índice estar alinhada com a distância anunciada no
comando de tiro. A espoleta funciona 75 a 100 m antes da distância marcada, a fim de
possibilitar a melhor dispersão dos flechetes, antes de alcançar o alvo. Um sopro de fumaça
amarela permite à guarnição observar quando a espoleta entra em funcionamento em relação ao
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -99-
alvo, possibilitando a realização dos ajustes subseqüentes. Se após marcada a distância desejada,
a munição não for disparada, retorne a espoleta para posição inicial pelo girando-a no sentido
horário.
ATENÇÃO: O tiro com a munição APERS-T não pode ser realizado sobre tropa amiga
desabrigada.
3.3.5. Munições com empregos especiais - Nesta categoria, estão incluídas as granadas
usadas na instrução da guarnição e aquelas que podem ser empregadas no tiro em substituição às
munições de guerra. São conhecidas como munições de exercício, tais como a HEAT-TP-T
M490 e a TPDS-T M724. Também incluem munições de guerra, cuja finalidade de emprego não
é a destruição do alvo pelo tiro direto.
a) WP-T - Fósforo branco - Seu emprego principal é marcar ou enquadrar um alvo. Pode
ser usada, ainda, para ignição de material combustível e efeito psicológico. Com o impacto, a
espoleta na base do projetil detona a carga de rompimento, que, por sua vez, rompe o projetil e
dispersa o fósforo branco. Ao explodir no ar, o fósforo branco queima, produzindo uma espessa
fumaça branca. Ao entrar em contato com material combustível ou com a pele, o fósforo branco
adere e queima. Para causar o máximo de danos a estruturas passíveis de serem incendiadas, o
tiro deve ser disparado para dentro de um ambiente fechado, tal como uma casamata ou
edificação. Contudo, ela não possui a capacidade de destruição que as granadas explosivas anti-
materiais. A explosão de uma granada de fósforo branco, produz grandes efeitos psicológicos em
tropas inimigas e é especialmente eficaz quando empregada em conjunto com outros tipos de
munição do Can. Dois pontos importantes devem ser observados no manuseio e estocagem da
WP-T: o fósforo branco é sensível ao calor e torna-se líquido à temperatura de 43,8º C (111º F).
A munição que for exposta a esta temperatura não pode mais ser utilizada.
b) TP-T - Munição de exercício - É uma munição com projetil inerte, utilizado na
instrução do At em substituição às munições de guerra. Possui características balísticas iguais às
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -100-
de guerra, porém seu alcance e precisão diminuem. No comando de tiro é anunciada como
FLECHA ou HEAT. Seu código de cores é azul claro com letras brancas.
c) Munição de manejo - Usada na instrução do Atirador e na prática do manuseio e
carregamento pelo Aux At. É encontrada nas cores preto, bronze, azul claro ou ainda nas cores
da munição de guerra com letras brancas. Geralmente é confeccionada aproveitando-se um
cartucho deflagrado, no qual é colocado um simulacro de projetil feito de madeira.
APFSDS-T APDS-T HEAT- T HEP - T APERS-T WP - T
Tipo Flecha Flecha Auto-
explosiva
Auto-
explosiva
Auto-
explosiva
Incendiária
e fumígena
V0 1501,14
m/s
1426,5 m/s 1173,48 m/s 731,5 m/s 822,96 m/s 731,5 m/s
Espoleta Não possui Não possui Ignitor frontal
com iniciação
pela base
De base
detonante
De ajuste
mecânico de
tempo
(M 571)
De base
detonante
Composição
projétil
Urânio
empobreci-
do
Tungstênio-
carbono,
níquel e cobre
Emprego Vtr
Blindadas
ou CC
Vtr Blindadas
ou CC
Vrt Blind, CC
e áreas
fortificadas
Contra
tropas
Contra
tropas e Vtr
não -
blindadas
Marcação
de alvos e
incendiária
Cores Preto c/
letras
brancas
Preto c/ listras
brancas
Preto c/ listras
amarelas
VO com
faixas pretas
e amarelas
VO com
faixa
amarela e
letras
brancas
Verde-claro
com anel
amarelo e
letras
vermelhas
CAPÍTULO III
MUNIÇÃO DOS OBUSEIROS
1. MUNIÇÃO DOS OBUSEIROS 105 M101 AR, 105 M56 OTOMELARA E 105 M108
AP.
1.1. Generalidades
a) Classificação quanto a reunião dos elementos
Encartuchada, desengastada, de carga de projeção variável.
b) Diferença da munição nacional e americana
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -101-
A munição americana já vem pronta para ser utilizada, com todos os elementos reunidos,
enquanto a munição nacional vem acondicionada com seus elementos separados só se fazendo
seu preparo por ocasião do tiro.
1.2. Estudo da munição nacional
1.2.1. Munição de alto explosivo
Tiro 105 AE M2 ou 105 AE M2 A1
A diferença entre as duas munições é que a 105 AE M2 utiliza a espoleta M1 e a munição 105
AE M2 A1 utiliza a espoleta M4
Detonador - utilizam detonador M2 A1, constituído de reforçador e detonador
propriamente dito.
Estojo - Utilizam estojo M3
Estopilha - utilizam estopilhas M1 atarraxada no estojo.
Carga de projeção
Carga V0
1 198 m/s
2 216 m/s
3 238 m/s
4 267 m/s
5 311 m/s
6 376 m/s
7 472 m/s
1.2.2. Munição de Exercício
a) Granada 105 M2A1 C3
EOP M4
b) Munição de salva
Tiro 105 Sv (sem projétil).
1.3. Funcionamento da espoleta de percussão M4
A espoleta pode ser regulada para funcionamento:
• instantâneo – 0,001 seg.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -102-
• sem retardo – 0,01 seg
• com retardo – 0,01 a 0,15 seg
a) Funcionamento instantâneo
Para o funcionamento instantâneo, retira-se o eliminador e faz-se a coincidência da fenda
do regulador com a letra “I”.
Na partida da granada a inércia de translação, faz com que o percussor vá de encontro a
capsula de fulminato, no que é impedido pelos calços de segurança.
Quando a granada atinge a determinada velocidade de rotação (3000 rotações por
segundo) , a força centrífuga afasta os calços, mantendo-se porém, o percussor em sua posição
inicial, graças ao esforço da mola de segurança.
Ainda pela ação da força centrífuga o êmbolo vence a ação de sua mola e, a palheta
centrífuga é lançada para fora, alojando-se nos entalhes do regulador.
Quando a granada encontra o solo a haste de recalque comprime o percussor de encontro
a capsula ao mesmo tempo que o porta-cápsula é lançado a frente em virtude do choque da
granada com o solo.
Esta dupla reação permite o funcionamento da capsula de fulminato instantaneamente,
isto é, com uma duração de 0,001 s.
O jato de fogo produzido pela capsula de fulminato, atravessa o canal central do corpo da
espoleta, do porta-retardo e do porta-misto, penetra no interior da granada provocando o
funcionamento do detonador reforçador.
b) Funcionamento sem retardo
Para o funcionamento sem retardo, conserva-se o eliminador e faz-se a coincidência com
a letra “I”
O funcionamento sem retardo é semelhante ao funcionamento ao funcionamento
instantâneo; a diferença reside na presença do eliminador, que retarda o recalque do percussor,
permitindo o funcionamento somente pela inércia da translação do porta-cápsula.
A duração deste funcionamento é da ordem de 0,01 s.
c) Funcionamento com retardo
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Para o funcionamento com retardo, conserva-se o eliminador e faz-se a coincidência da
fenda do regulador com a letra “R”.
Neste caso, o canal central do porta-retardo permanece fechado pela palheta; a espoleta
funciona como no caso do funcionamento sem retardo, porém, o jato de fogo produzido pela
capsula de fulminato, passando pelo canal excêntrico do corpo da espoleta, se comunica ao
retardo, cuja duração de queima é de 0,15 s.
Daí o fogo é transmito ao misto, passando em seguida para o interior da granada,
atingindo o detonador reforçador .
1.4. Estudo da munição americana
Características principais dos principais tiros:
Características Antipessoal
com traçante
AE M 67
AE AC
AE AC - T
Fumígena
fósforo
Branco
M314 A2 E1
Iluminativo
peso da
munição
17,33 Kg 19,03Kg 16,79 Kg 19,85Kg 21,03 Kg
comprimento
da munição
86,74 cm 78,92 cm 178,87 cm 78,92 cm 82 cm
V0 549 m/s 471 m/s 380m/s 471 m/s 432 m/s
alcance
máximo
12.000 m 11.270 m 7.851 m 11.270 m 9.088 m
estojo série M14 série M14 M14
M14B1
M14 M14
estopilha M90 M28B2,M1A
2,M1B1A2
M28A2,
M28B2
M28B2,
M28A2
M28A2,
M28B2
corpo da
granada
Alumínio aço
carregamento
da granada
8.000 dardos
de aço, de 8
gramas.
TNT ou
composição B
composição
B ou
pentolite
1,81 Kg e
fósforo
Branco +
0,89 Kg
450.000 velas
60 segundos
espoleta De tempo De
proximidade
espoleta de
culote
Tiro 105mm M67 de exercício com traçante
Semelhante, externa e balisticamente, aos AE AC e AE AC-T. Granada é inerte – pode
ter ou não traçante.
2 - MUNIÇÃO DO OBUSEIRO L 118 LIGHT-GUN
2.1. Generalidades
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A munição para a boca de fogo do obuseiro L 118 Light-Gun é classificada como
desengastada, pois a granada não é fixada ao gargalo do estojo.
Um tiro compreende todos os elementos necessários a um disparo da arma.
Os elementos são os seguintes:
(1) Projétil;
(2) Espoletas;
(3) Estojo metálico com carga de projeção;
(4) Estopilha elétrica ;
(5) Indicador de impacto ( para granadas de exercício ).
2.2. Granadas
2.2.1. Granada 105mm Alto-Explosiva L31A3.
a) Corpo
A granada apresenta-se na cor verde-escuro e é a munição padrão para a confecção das
tabelas de tiro. O corpo da granada é constituído de paredes finas, é feito de um aço com alto teor
de elasticidade, dando um grande poder de fragmentação. a base da granada é reforçada por uma
placa-base de aço, segura por uma junção soldada. Uma única cinta de forçamento é colocada em
uma nervura formada em torno do corpo da granada. o ouvido roscado para a espoleta, situa-se
na parte superior do corpo da granada e é rosqueada para espoletas de 2 polegadas ou tampões
para armazenamento e transporte.
b) Carga da granada
A granada HE L31A3 é preenchida com um composto de RDX/TNT, tipo “A”. O ouvido
roscado para a espoleta é revestido com um tubo de papel fechado em seu fundo. A composição
RD1284A é usada para fechar a junta entre o tubo e o corpo de papel. Um detonador, composto
de RDX/WX8 em forma de bilhas e dentro de uma lata de alumínio revestida por um tubo de
papel, é inserido na granada.
2.2.2. Granada 105mm Fumígena de cobertura L45A2.
a) Corpo
A granada apresenta-se na cor verde-claro e é do tipo ejeção pela base, devendo ser
utilizada, portanto, com espoleta de tempo. Produz uma densa cortina de fumaça durante 60seg e
não forma colunas. A granada é montada em duas seções uma seção do corpo de aço e uma
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seção da ogiva, em alumínio. Existe um rosqueado em seu fundo para receber uma placa base e
um anel de trancamento. Uma única cinta de forçamento é colocada em uma nervura formada em
torno do corpo da granada. Há um encaixe e uma rosca interna na parte superior para receber a
seção da ogiva. Esta seção é reduzida em diâmetros e rosqueada para entrar na seção do corpo. O
diâmetro interno é reduzido na parte superior para promover uma cavidade de queima. A
cavidade é conectada por um canal de fogo até o alojamento da espoleta. O ouvido roscado está
pronto para receber uma espoleta padrão de 2 polegadas ou tampões de armazenamento e
transporte. Um disco de papel é preso na base do alojamento da espoleta por verniz.
b) Carga da granada
Uma carga de ignição é colocada na cavidade de queima. Uma cinta de aço e uma
arruela são inseridos, seguidos de três recipientes de carga fumígena. Discos de vedação são
colocados antes da placa base e, após isso, são colocados anéis de fechamento. A junta da placa-
base e o corpo são vedados por um anel de borracha.
2.2.3. Granada 105mm Fumígena de sinalização L37 ou L38
a) Corpo
A granada apresenta-se na cor branca e ao se fragmentar, produz uma pequena porção de
fumaça colorida ( vermelha ou laranja ). Deve ser utilizada como espoleta percutente. As demais
características do corpo da granada são semelhantes a da granada alto-explosiva.
b) Carga da granada
A granada é dotada de uma pequena carga explosiva ( detonador ) e, de uma carga
fumígena colorida, nas cores vermelho ou laranja, que é liberada após a fragmentação da granada
pela ação da carga explosiva.
2.2.4. Granada 105mm Iluminativa L43A2
a) Corpo
A granada apresenta-se na cor branca. É do tipo de ejeção pela base e produz um milhão
de candolas com o tempo de queima de 30 seg. Ilumina uma área de 350 metros quadrados com
uma altura de arrebentamento de 400m. A cavidade do corpo tem paredes paralelas, se
extendendo a dois terços do comprimento da granada. Na sua base, o diâmetro é aumentado para
receber a placa-base. A parte de baixo da placa-base tem um encaixe inclinado em forma de meia
lua, que gira a placa para se livrar do dispositivo de pára-quedas quando da ejeção. Uma única
cinta de forçamento é colocada em uma nervura formada em torno do corpo da granada. Na parte
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superior há um ouvido roscado para receber a espoleta. Este ouvido é diferente do padrão de 2
pol. e só recebe a espoleta de tempo L81 , a qual não deve ser removida em hipótese alguma. A
granada iluminativa não comporta o tampão de armazenamento e transporte.
b) Carga da granada
Dispositivo de iluminação- Consiste de uma caixa de liga de alumínio contendo o
composto iluminativo. Aparte da frente da caixa é reduzida em seu diâmetro para acomodar
quatro estabilizadores. A carga de ejeção, dentro de seu receptáculo, é fixada na base da caixa de
alumínio. O dispositivo de iluminação é inserido no corpo da granada em uma posição invertida
para apresentar a carga de ejeção ao canal de fogo.
Dispositivo pára-quedas- O velame do pára-quedas é feito de um único pedaço de nylon
de 864mm de diâmetro. Oito cordas de nylon de 1,34m de comprimento ligam o velame a uma
corda central que se liga ao pino giratório da unidade de iluminação. O dispositivo do pára-
quedas é empacotado em uma bolsa que é colocada em dois meios- tubos de alumínio.
Acionamento
Depois do tiro, a espoleta funciona quando é atingido o tempo correspondente a
regulagem do evento. A chama produzida pela espoleta inicia a queima da carga de separação
com 1,7seg de atraso. A pressão produzida pela carga de separação ejeta a placa-base e expele os
dispositivos do pára-quedas e iluminação. O tubo de liga de alumínio e a bolsa são expulsos e o
velame se infla. A rotação do pára-quedas cessa, devido a ação dos estabilizadores.
2.2.5. Granada 105mm de Exercício R038-05
A granada apresenta-se na cor azul. Esta granada é feita de aço e é construída com as
mesmas características da granada alto-explosiva L31A3. A granada não possui carga explosiva
e a largura das paredes do corpo permite seu equilíbrio, em função da perda da carga explosiva.
Um tampão simbolizando a espoleta é colocado na granada e um única cinta de forçamento é
colocada em uma nervura formada em torno do corpo da granada. a base da granada é preparada
para receber o indicador pirotécnico de impacto B118A1.
2.2.6. Granada 105mm Anti-carro L42
Destina-se a realização de tiro direto contra carros de combate ou viaturas blindadas,
utilizando para isto a carga 4 1/2, em conformidade com especificação da luneta de cotovelo.
2.3. Espoletas
a) Espoleta de percussão L106A2
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A espoleta L106A2 é acionada por um impacto direto ou leve contato com a superfície, e
pode ser regulada para ação instantânea ou retardo ( SUPERQUICK ou DELAY ), agindo na
fenda do regulador.
b) Espoleta de tempo L92A2
Esta espoleta tem um mecanismo de ignição tipo tempo para o uso em granadas de ejeção
pela base. Ela possui um mecanismo de ajuste de tempo para 80seg.
c) Espoleta de tempo L81A2
Esta espoleta tem um sistema de acionamento tipo tempo e foi feita para utilização em
granadas com o ouvido roscado de 52mm. A espoleta L81A2 é utilizada na granada iluminativa.
A espoleta tem uma escala principal e um vernier. A escala principal é graduada de 0 a
60seg e numerada a cada 10seg. O vernier tem 10 graduações e é numerado em 0,2,4,6,8,10. A
espoleta é ajustada utilizando-se uma chave L3A1 e é usada no sentido anti-horário.
2.4. Estojo
As cargas de projeção do Obuseiro L118 Light Gun são constituídas com pólvoras de
base tripla o que proporciona grande velocidade de queima. São sempre montadas dentro de
estojos metálicos RW297, os quais dispõem de um canal de fogo.
a) Estojo 105mm L35A2 com carga de projeção normal:
O estojo é montado de cinco implementos diferentes e alojados em sacos de pano.
Implemento Propelente Cor
1 N0 17 Vermelha
2 N0 17 Branca
3 N0 17 azul
4 NS 123/043 Laranja
5 NS 123/043 Verde
A preparação das cargas para o tiro é feita da seguinte forma:
Carga 1 - Somente o saquitel vermelho.
Carga 2 - Saquitéis vermelho e branco.
Carga 3 - Saquitéis vermelho, branco e azul.
Carga 4 - Saquitéis vermelho, branco, azul e laranja.
Carga 4 ½ - Saquitéis vermelho, branco, laranja e verde.
Carga 5 - saquitéis vermelho, branco, azul, laranja e verde.
OBS - O estojo L35A2 não suporta carga super.
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b) Estojo 105mm L36 com carga de projeção super.
A carga super já vem totalmente pronta em um fardo, o qual é devidamente amarrado por
uma corda e fixado ao estojo metálico.
c)Estojo 105mm L45 com carga de treinamento.
A carga de treinamento é constituída pelas cargas de projeção dos implementos 1, 2 e 3.
2.2.4. Estopilha Elétrica
A estopilha elétrica L10A1 é constituída de duas partes principais: Uma base e uma
câmara, ambas feitas de metal. a estopilha é atarrachada na base do estojo RW297. Para sua
proteção contra acionamento acidental, por atrito, há uma cinta que só deve ser removida antes
da introdução do estojo no tubo do obuseiro.
2.2.5. Indicador pirotécnico de impacto B118A1
O indicador de impacto é constituído de três partes principais: o corpo, a unidade de
retardo e câmara e a carga pirotécnica. O indicador de impacto é atarrachado na base da granada
de exercício, utilizando-se uma chave específica. Ele produz uma fumaça branca capaz de ser
vista a uma distância de 4km.
3. MUNIÇÃO DO OBUSEIRO 155 M114 AR
3.1. Generalidades
O obuseiro médio 155M114AR de origem americana é empregado em artilharia de
campanha.
Quanto a reunião de seus elementos a munição é classificada como desencartuchada,
porque os seus componentes individuais (granada, estopilha, carga de projeção e espoleta) são
manuseados e carregados separadamente no armamento.
3.2. Características das munições 155mm
3.2.1. Identificação
Tanto a munição nacional como a de origem americana são identificadas através do
código de cores e marcações contidas respectivamente no TM 9-1300-203 – 1ª
parte /edição
1977. Também são facilmente diferenciadas das demais munições pela presença de um tarugo de
transporte rosqueado à cavidade da espoleta.
3.2.2. Tipos de granada
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -109-
a) De origem nacional
♦ alto-explosiva (AE)
♦ lastrada (Lst)
b) De origem americana
♦ alto-explosiva (AE)
♦ gás
♦ fumígena (FUM WP) e de ejeção pelo culote (EC) – cores: branco e colorido
♦ química (CS)
♦ iluminativa
♦ manejo
3.2.3. Estopilha
a) De origem americana
A estopilha de percussão Mk2A4 .
Consiste de uma carga iniciadora de 19 grãos de PN acondicionada a um tubo de
estopilha, vedado em uma de suas extremidades por um disco espesso de cortiça e na outra
extremidade por um selo de goma-laca. A estopilha possui também, em seu culote, uma válvula
cônica para evitar o retrocesso do gás, uma bigorna e uma capsula contendo composição
iniciadora.
b) De origem nacional
Utiliza-se a estopilha de percussão M10A2.
3.2.4. Carga de projeção
a) Origem nacional
Tanto para o tiro alto-explosivo (AE) e como para o lastrado (Lst) é utilizada a carga de
projeção 155M2 é a mesma e a sua composição é a seguinte:
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CARGA PROPELENTE PESO (GR) VO (m/s)
Escorva
Carga I
Carga II
Carga III
Carga IV
Carga V
Carga VI
Carga VII
BS
BD
BD
BD
BD
BD
BD
BD
100
780
-
*1310 +- 5
1370
680
1000
1170
-
207
-
268+- 5
307
375
464
560
(*) Soma das cargas I a III.
OBS Importante: A carga de projeção 155M2 encontra-se com seu uso suspenso.
b) De origem americana
•Carga de projeção – as cargas de projeção de guerra M3A1, M3 , M4A2, M4A1 e M4 e
a carga de manejo M2 são utilizados com esta munição. Para melhor identificação, as cargas de
guerra são carregadas em saquitéis brancos para as cargas máxima e mínima.
•Precaução: - Não misturar o conteúdo do saquitel verde e branco para fazer a mistura
completa. Os elementos individuais nesses dois tipos de cargas contém diferentes tipos e
quantidades de propelentes e não são intermutáveis.
•Advertência: - Os elementos em saquitel branco M4A2 e M4A1 deveram ter um
desempenho dentro dos limites especificados nas cargas de 5 a 7. Entretanto, tiros de pequeno
alcance e / ou fora das previsões podem resultar quando estes elementos são usados com carga 3
e 4. Se as cargas de saquitel verde não forem disponíveis, as cargas de saquitel branco podem ser
utilizadas, tendo-se no entanto, conhecimento de que pode haver desvios em alcance.
3.2.5. Espoleta
As espoletas autorizadas para o uso com este tipo de munições são descritas no TM9 –
1300 – 203 / 1977 1ª parte e na LP 5/DAM.
3.3. Precauções para o disparo
Antes de carregar a arma, inspecionar o percussor para se assegurar de que a estopilha
utilizada no tiro anterior foi removida.
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O carregamento do tiro completo na arma exige três operações distintas:
♦ carregamento do projetil;
♦ carregamento da carga de projeção;
♦ carregamento da estopilha.
CAPÍTULO IV
MUNIÇÃO DOS CANHÕES SEM RECUO
1. MUNIÇÃO DO CANHÃO 106 S/R
1.1. Introdução
O canhão 106mm S/R, de origem americana é uma arma refrigerada a ar, de
carregamento pela culatra, empregada contra carros de combate, casamatas, barricadas e,
eventualmente, contra pessoal.
As munições utilizadas nesse canhão são de origem americana.
1.2. Generalidades
a) Granada
♦ construídas de aço e / ou alumínio;
♦ estabilização na trajetória é obtida através de cintas de forçamento ( estabilização por
rotação ) ou de empenagem/aletas ( estabilização aerodinâmica ) .
b) Cintas de forçamento
♦ pré raiadas;
♦ de aço ou tombac.
c) Estojos
Aço ou alumínio. Apresentam perfurações circulares nas paredes laterais, cuja finalidade
é permitir o escapamento de gases pela extremidade posterior da arma, contrapondo-se ao recuo.
d) Carga de projeção
Propelente multiperfurado de base dupla. Quantidade varia de tiro para tiro.
e) Estopilha
De percussão – tubo de aço perfurado contendo carga iniciadora de pólvora negra e
cabeça de latão.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -112-
1.3. Classificação quanto a reunião de seus elementos
Encartuchada, engastada com carga de projeção única.
1.4. Tipos de granadas
•Antipessoal com traçante;
•Alto explosiva com traçante; e
•Alto explosiva anticarro.
2. MUNIÇÃO CAN 84 MM CARL GUSTAF
2.1. Generalidades
O poder de fogo do CSR 84 mm AC é muito grande e diversificado, tendo em vista a
quantidade e a variedade de munição que lhe é disponível.
Existem oito tipos de munição e um redutor de calibre
2.2. Identificação da munição
Para facilitar o manuseio e evitar erros, os diversos tipos de munição são codificados com
cores e especialmente marcados. As marcações e colorações da munição estão listados no quadro
abaixo. Conhecer a codificação e o significado das marcações irá ajudar na seleção do projétil
requerido, quando se for atirar.
2.3. Especificação da munição
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As distâncias para engatilhar e as informações especiais sobre as diversas
granadas são informações vitais para a obtenção do desempenho máximo do
sistema. A tabela a seguir fornece informação especial relativa à munição
específica usada com o canhão.
2.4. Principais Tipos de Munição
a) Granada 84 mm HEAT 551
Esta munição é empregada na destruição de blindagem de 90% dos modernos tipos de
CC blindados da atualidade; por essa característica recebe o nome de anti-tanque alto explosiva.
Também é eficaz contra abrigos de concreto, embarcações de desembarque, alvos sólidos
similares e pista de pouso de aviação. Além de sua grande potência de penetração, os fragmentos
do corpo de sua granada tem um efeito letal anti-pessoal nas proximidades do alvo.
A granada possui um motor foguete que é iniciado tão logo a granada sai do tubo do
canhão. Isto proporciona não só uma trajetória tensa, como também um curto tempo de vôo até o
alvo.
A granada é estabilizada por aletas e gira vagarosamente em vôo.
A granada é do tipo de carga oca e dotada de um sistema de espoleta piezoelétrica, que é
capaz de detonar a carga, mesmo em alto ângulo de impacto. Ainda possui um dispositivo de
segurança que permite o tiro da granada através arbusto e mato ralo sem que aja a iniciação da
granada.
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Para a prática de tiro contra alvos de instrução é disponível o tiro TP 552, que
balisticamente equivale ao tiro HEAT 551, porém é dotado de carga inerte.
b) Granada HEDP - 502 de 84 mm (Alto Explosiva Duplo Emprego)
A granada HEDP 502 permite emprego duplo, HE (alto explosiva) e HEAT (alto
explosiva anti-tanque) otimizados para combater em áreas urbanas.
É altamente eficaz contra veículos blindados leves, paredes de concreto, fortificações e
também contra tropa.
Na função HEAT a carga explosiva tem efeito devastador atrás da blindagem. É
empregada em situações que se necessite de tiros de rápida resposta em unidades da linha de
frente, contra variedades de alvos. A granada é estabilizada por aletas. A espoleta possui dois
modos de função, impacto e ação retardadora e são selecionadas conforme o alvo.
Dados Numéricos
Peso completo do tiro 3,3 kg
Peso da granada 2,5 kg
Velocidade inicial 230 m/s
Distância para ativação 15 - 40 m
Penetração na blindagem maior que 1,5 cm
Alcance eficaz - alvos móveis 300 m
Casamatas 500 m
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c) Granada HE 441B de 84 mm
Uma característica especial desta granada é a capacidade que ela tem para ser empregada
tanto para detonação por impacto direto, como detonação no ar sobre tropas desabrigadas ou
posicionadas atrás de elevações, veículos não blindados e tipos similares de alvos.
Esta granada contém cerca de 800 esferas de aço que por ocasião da detonação, são
lançados com altíssima energia cinética sob uma forma de nuvens letal. Ela se estabiliza apenas
por rotação e é dotada de espoleta que funciona por impacto e tempo mecânico com uma unidade
mecânica SAI (unidade de segurança e impacto), que pode ser detonada à distância desejada.
distância para ativação ...................................... 20 - 70 m
penetração na blindagem ...................... maior que 1,5 cm
alcance eficaz ........................................................1100 m
d) Granada SMOKE (fumígena) 469B de 84 mm
Pode ser utilizada para impedir a visibilidade do inimigo sobre a tropa que confronta,
sendo que o tiro é realizado diretamente sobre esse inimigo-alvo.
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O tiro pode também ser realizado a uma distância intermediária entre o inimigo e a tropa,
constituindo-se numa cortina de fumaça intermediária.
Também pode ser utilizada para a designação de alvos inimigos para melhor mostrar e
identificar para a artilharia ou para a aviação de ataque e apoio ao solo, alvos inimigos a serem
detectados.
A cortina de fumaça provocada é instantânea após a detonação por impacto. Esta fumaça
entretanto, não apresenta risco à saúde, uma vez que a composição química da carga não é
tóxica, tendo por princípio ativo o tetra cloreto de titânio, podendo por isso ser utilizada sem
restrições em manobras ou treinamentos.
alcance prático ....................................... maior que 1,5 m
largura da cortina de fumaça ............................ 10 a 15 m
alcance eficaz ........................................................1300 m
e) Granada ILLUM (iluminativa) 545 de 84 mm
Esta granada é capaz de iluminar rapidamente áreas-alvo, auxiliando forças terrestres,
principalmente em missões noturnas. A unidade pode assim se tornar auto-suficiente em suas
necessidades de iluminação.
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A espoleta é equipada com um anel de ajuste graduado, variando de 200 a 2300 m e
subdividido em divisões de 50 m. Três alcances pré selecionados podem ser facilmente
registrados pelo tato sob condições de escuridão total.
A altura de detonação é de aproximadamente 200 m e com intensidade de 650 000 velas,
com duração média de 30 segundos, cobrindo uma área de cerca de 400 a 500 m de diâmetro.
Uma ranhura luminosa na luneta telescópica permite se obter o ângulo adequado da arma.
alcance prático mínimo .......................................... 300 m
área de iluminação ........................................ 400 - 500 m
tempo de iluminação .............................................. 30 seg
f) Granada HEAT (Anti-carro) 751 de 84 mm
Esta granada possui uma granada extra e uma capacidade de penetração de 5 cm, que é
mais que suficiente para perfurar as blindagens de todos os CC existentes, mesmo quando
equipados com blindagem explosiva reativa.
A granada com o efeito combinado de penetração na forma de explosivo e carga oca, bate
e penetra a blindagem explosiva reativa sem detoná-la onde sua carga principal consegue
atravessar a blindagem de proteção causando danos internos.
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As aletas de estabilidade são equipadas com fusível piezoelétrico para todos os ângulos
de ataque e um motor foguete que lhe permite alcançar uma trajetória tensa e um curto tempo de
vôo para o alvo.
Dados Numéricos
peso completo do tiro 3,8 kg
peso da granada 2,2 kg
velocidade inicial 210 m/s
velocidade máxima 340 m/s
penetração em blindagem maior que 5 cm
alcance eficaz 600 m
g) Granada TP 552 de 84 mm
A granada TP 552 é destinada para ser usada como munição de treinamento para a
granada HEAT 551.
Ela tem um sistema de espoleta, reforço ou carga principal. Para se ter as mesmas
características balísticas e de peso da granada HEAT 551, o material foi feito mais grosso e
usada uma base mais sólida de projétil.
O projeto motor do foguete é idêntico ao da granada HEAT 551, e ela é estabilizada pelas
aletas e por seu giro suave durante o vôo.
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CAPÍTULO IV
MUNIÇÃO DE MORTEIROS
1. GENERALIDADES
A munição de morteiro possui a carga de projeção constituída de suplementos de pólvora
que permitem variar à vontade o alcance do tiro. As granadas americanas são fornecidas com as
granadas espoletadas, já os morteiros de fabricação nacional os elementos vêm separados da
granada, exceção da empena, sendo necessário reuni-los para compor um determinado tiro.
A forma característica resultante do uso de uma empena para se obter a desejada
estabilidade na trajetória, ao invés do emprego da velocidade de rotação, serve para distinguir a
munição dos morteiros 60 mm, 81 mm e 120 mm dos outros tipos de munição.
2. ELEMENTOS COMPONENTES DE UM TIRO COMPLETO DE MORTEIRO
• espoleta (de ogiva);
• reforçador;
• detonador;
• granada;
• cartucho de projeção;
• suplemento;
• estopilha.
3. FUNÇÃO DE CADA ELEMENTO
a) Espoleta
Elemento iniciador do encadeamento explosivo da granada.
b) Reforçador
Tem como finalidade aumentar a chama e onda explosiva proveniente da espoleta.
c) Detonador
Amplia a chama e onda explosiva proveniente do reforçador, provocando a
transformação da carga de arrebentamento. Na munição nacional o detonador e o reforçador vem
montado em um único elemento.
d) Granada
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É o engenho ofensivo arremessado pelo tubo. É constituído por um corpo de forma
ogivo-cilíndrico-cônica, com uma cinta em na parte mais espessa, que serve para guiá-lo dentro
do tubo no seu percurso para o lançamento e uma empenagem para estabilizá-lo no ar.
e)Estopilha
Elemento iniciador do encadeamento explosivo da carga de projeção.( Mun 120 mm)
f) Estojo de projeção
Elemento propelente da granada (constitui a carga zero).
g) Suplementos
Ampliam o volume de gases, aumentando assim o alcance da granada.
4. TIPOS DE GRANADAS
a) Auto-explosivas
Podem ser de capacidade normal ou grande capacidade, ambas com carga de trotil ou
explosivo similar. Produz efeitos de fragmentação e demolição de acordo com o desenho da
granada ou ação da espoleta.
b) fumígenas
São carregadas com fósforo branco ou trióxido de enxofre. A carga do detonador está
contida em um tubo que mergulha na carga fumígena , contendo pequena quantidade de tetril.
c) iluminativas
Contém carga de pólvora negra para expulsão do elemento iluminativo e do pára-quedas
que se sustentará no ar. A granada iluminativa de 60 mm funciona 15 segundos após Ter sido
atirada , a composição iluminativa queima durante 25 segundos, fornecendo luz com intensidade
de 145.000 velas e cai com a velocidade média de 3 metros por segundo.
Essas granadas são empregadas em missão à noite, que requeiram iluminação para fins de
observação ou então para sinalização.
d) exercício
São carregadas com uma carga de pólvora negra que produz uma nuvem de fumaça no
impacto, para observação do tiro. Podem possuir também carga inerte.
5. ESTUDO DOS COMPONENTES
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5.1. Projétil
a) Ogiva
É a parte acima da cinta de turgência e cuja forma facilita o movimento do projétil no ar.
b) Cinta de turgência
É a parte que fica logo abaixo da ogiva, composta de várias cintas de resistência
responsáveis pela vedação dos gases e por guiar o projétil durante o seu movimento no interior
do tubo. A granada iluminativa só possui uma cinta de resistência.
c) Corpo
Parte do projétil compreendida entre a turgência e a cauda. O corpo é parte integrante do
projétil e sua finalidade é balística.
d) Cauda com empenagem
É a parte posterior do projétil atarraxada ao corpo. É constituída por um tubo com vários
orifícios, aberto na sua parte inferior, e que serve de alojamento para o cartucho de projeção. A
ela são fixadas as empenagens com três asas e seis pás furadas, munidas de rebordos na munição
nacional para a fixação dos suplementos.
e) Ouvido roscado
Recebe a espoleta ou tarugo de proteção. A dimensão do ouvido roscado também é em
função do tipo de espoleta empregada, segundo o seu fabricante. Assim sendo, uma granada
nacional tem o ouvido roscado com diâmetro menor que uma de fabricação americana.
f) Alojamento da carga
É a parte oca do projétil, destinada à carga de arrebentamento.
5.2. Espoletas
Podem ser de percussão, de tempo e de duplo efeito.
a) Percussão
Funcionam ao se chocarem com um objeto resistente. Podem ser de percussão
instantânea, com retardo e reguláveis.
b) Tempo
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -122-
Destinam-se a funcionar automaticamente durante o trajeto no ar, sem a necessidade de
se chocarem com um objeto resistente. Podem ser de tempo fixo(rastilho) ou de tempo variável
(mecanismo de relógio). Espoletas deste tipo são americanas.
c) De Duplo Efeito
Associam as duas finalidades, podendo detonar por tempo ou por impacto.
5.3. Carga de projeção
Os projéteis de morteiro são lançados no espaço por meio dos seguintes elementos:
• estopilha ( no Mrt 120 mm);
• cartucho de projeção;
• suplementos.
Os cartuchos de projeção são exteriormente semelhantes aos cartuchos de caça e são
colocados no interior da cauda dos projéteis, constituindo carga zero. A carga um compõe-se do
cartucho mais um suplemento, a carga dois do cartucho e mais dois suplementos e assim
sucessivamente.
Os suplementos têm por finalidade reforçar a carga de projeção do cartucho, quando há
necessidade de maiores alcances. Estas cargas são colocadas nas empenas das caudas, na
quantidade correspondente à indicação dada pela tabela de tiro, para o alcance considerado.
A fabricação norte-americana adotou a estopilha do cartucho de projeção separada do
cartucho de projeção, constituindo juntos a carga de inflamação, a fim de facilitar a substituição
da estopilha, ao invés de formar um só conjunto, uma vez que, nessas condições, inutilizava o
tiro da granada em caso de nega. O cartucho de projeção é introduzido no tubo da empenagem; a
estopilha é aparafusada na empenagem após a colocação do cartucho.
Na munição nacional, o cartucho é conjugado com a estopilha, porém, há facilidade de
substituí-lo, com emprego de um saca-cartucho especial, que existe para esse fim.
Os suplementos nacionais vêm acondicionados num invólucro de celofane e são
colocados presos nos ressaltos para isso dispostos nas asas da empenagem (com a parte convexa
para dentro, nos projéteis de capacidade normal e para foras nos de grande capacidade).
6. PROPULSÃO DOS PROJÉTEIS DOS MORTEIROS
O projétil munido de cartucho de projeção e, se for o caso, de um ou vários suplementos é
introduzido na boca do tubo com a empenagem para baixo. Escorregando por efeito do próprio
peso, até o fundo do tubo, e batendo com a cápsula da estopilha na ponta do percutor, que faz
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saliência no seu interior, faz deflagrar a carga de projeção nele contida; esta por sua vez inflama
a carga dos suplementos, graças aos orifícios praticados na cauda da empenagem; a força da
expansão dos gases provenientes da deflagração da carga total, expulsa o projétil que leva
consigo o cartucho vazio, deixando o tubo em condições de receber a nova granada.
As granadas dos morteiros tem o seu calibre um pouco inferior ao da peça que utiliza. O
fator fundamental que impede o escape de gases e a conseqüente perda da velocidade do projétil
é o formato da cinta de turgência que propcia a vedação perfeita através do turbilhonamento dos
gases. Quando se dá a deflagração da carga de projeção, a grande massa de gases impele o
projétil. Esses gases encontram a turgência, procurando impedir o seu escape para a frente; como
há uma diferença de calibre entre a turgência e a alma do tubo, eles passam, encontrando, porém
um vazio, que provoca uma onda evolutiva nos gases em sentido contrário ao seu deslocamento,
fazendo, assim, uma barreira em seu caminho. Enquanto isso acontece, o projétil vai saindo do
tubo da arma. A formação desse primeiro turbilhonamento impediu a velocidade de escape para
a frente; mais à frente os gases encontrarão um novo espaço que provoca um novo
turbilhonamento, dificultando ainda mais o seu escape e, mais à frente ainda outro espaço vazio.
Aí o turbilhonamento quase já não existe, pois nessa altura o projétil já está fora do tubo da peça,
em sua trajetória; e, assim, não houve escape de gases para a frente. Por conseguinte, houve por
intermédio desses vazios, a vedação perfeita dos gases à frente.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -124-
PRINCÍPIOS FUDAMENTAIS DE
SEGURANÇA
Importante: esta é uma nota de aula que possui a finalidade de auxiliar o aluno no
aprendizado da matéria. Qualquer atividade com o uso de explosivos deve ser consultado e
realizado o previsto nos Manuais Técnicos T 9 –1903 e C 5 – 25.
a) Qualquer operação que envolva o manuseio de munições, explosivos e artifícios requer
o emprego, durante o menor tempo possível, do pessoal estritamente necessário. As quantidades
de material perigoso a ser manuseado devem ser reduzidas ao mínimo, conciliando-se sempre a
segurança do pessoal com a eficiência das atividades.
b) A segurança do material repousa, sobretudo, na rigorosa observância das normas e
regras estabelecida para seu armazenamento, conservação, transporte e destruição.
c) A segurança das instalações depende dos cuidados dispensados aos materiais estocados
ou manipulados e das medidas que visem a reduzir a ação de fatores intrínsecos e extrínsecos, a
saber:
• fatores intrínsecos - os explosivos, especialmente as pólvoras químicas, estão
sujeitos a um processo de decomposição que se inicia logo após a sua fabricação. Esta
degradação química tem caráter autocatalítico, chegando até a determinar a sua inservibilidade e
provocar a sua combustão instantânea;
• fatores extrínsecos - os explosivos são sensíveis a ação de agentes exteriores,
tais como o calor, a umidade, os fenômenos sísmicos, as faíscas, o fogo, o choque e os atritos,
bem como a imperícia e negligência no manuseio do material
d) A segurança dos depósitos repousa sobre três princípios básicos:
• controle de estabilidade do material estocado, efetuado por meio da execução
periódica de provas e exames;
• dispersão dos paióis e armazéns respeitadas as distância de segurança e a
compatibilidade dos agentes explosivos para o armazenamento em comum;
• limitação da explosão assegurada pela técnica de construção dos depósitos de
munição.
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CAPÍTULO I
DEPÓSITOS, PAIÓIS E ARMAZÉNS DE MUNIÇÕES
1. DEFINIÇÕES
1.1. Depósito de Munições
•Designação dada ao conjunto de instalações dotadas de meios destinados a
receber munições, mantê-las estocadas em condições satisfatórias de conservação e segurança
dentro de seus paióis e distribuí-las segundo as necessidades dos órgãos ligados a sua cadeia de
suprimento. Podem ser de unidade, de guarnição, regional e central.
1.2. Paiol de munições
Construção especial destinada a estocagem prolongada de munições em ótimas
condições de conservação e segurança.
Os paióis podem ser:
a) Cobertos por terra - têm estrutura, paredes e teto de concreto armado ou de material
que ofereça as mesmas condições de resistência e são cobertos por uma camada de terra com
espessura mínima de 60cm que, não só serve como proteção contra fragmentos oriundos de
explosões externas, mas também é capaz de conservar a temperatura interior mais uniforme.
Poderão ter ou não trincheiras frente a sua entrada.
b) Não Coberto de terras - a uniformidade da temperatura interna é conseguida através de
paredes e coberturas projetadas especialmente para este fim. Poderão ter ou não trincheiras a sua
volta; nos paióis não coberto de terra do tipo chamado CONVENCIONAL, as paredes são
duplas, de alvenaria, e os espaços entre elas e o telhado e o forro são ventilados.
1.3. Armazém de munições
Construção comum que se destina a guarda de munição quando a previsão de estocagem
não excede a um ano. Dada as características não especializadas da sua construção, não oferece
proteção muito eficiente contra as variações de temperatura e umidade e por isso, deve-se ter
atenção redobrada na inspeção dos materiais nele estocados.
2. PRINCÍPIOS PARA ESCOLHA DO LOCAL PARA A CONSTRUÇÃO DOS
PAIÓIS
A área destinada a construção de depósitos de munições deverá satisfazer aos seguintes
princípios:
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• Terreno - ser localizada em terreno firme, seco, a salvo de inundações e não
sujeitos a mudanças freqüentes de temperaturas ou ventos fortes. O terreno não deverá ser
constituído de extrato de rocha continua por causa da possível transmissão, a grandes distâncias,
da onda de choque resultante de uma eventual explosão.
• Segurança – ficar afastado de centros povoados, rodovias, ferrovias, obras de
artes importantes, habitações isoladas, oleodutos, linhas-tronco de distribuição de energia
elétrica, de água e de gás.
• Acesso – ser de fácil acesso, através de vias de transportes que, em princípio,
serão de uso privativo.
• Vegetação – não ser coberta por vegetações que permitam rápida combustão.
• Distância – nas distribuições dos paióis dentro da área, serão obedecidas as
distâncias mínimas, prevista nas tabelas de quantidade e distâncias, afim de assegurar, em casos
de acidentes, menores danos materiais e pessoais.
• Segurança Periférica - a distância entre o limite da área e cada um dos paióis
será sempre calculada com base nas tabelas de quantidade e distância. Desse modo ficará
constituída , entre o limite da área de depósito e a linha dos paióis mais próximos, a chamada
“faixa de segurança periférica”, na qual não poderá existir qualquer edificação.
3. DISTÂNCIAS PARA A CONSTRUÇÃO DE PAIÓIS
a) As munições, segundo o risco que oferecem, distribuídos em 12 classes.
b) A cada classe corresponde a uma tabela de distância de segurança.
c) Quando munições de classes diferentes tiverem de ser estocadas em conjunto,
prevalecerá a maior distância de segurança.
d) A distribuição em classes visa, apenas, ao calculo das distâncias mínimas
permitidas entre os paióis ou entre estes edificações, rodovias e ferrovias.
e) A distribuição em classe não significa que os elementos de uma classe possam
ser estocados em conjunto. Os empaiolamentos obedecerão, rigorosamente, ao que preceitua o
Art III do Cap 4 do T9-1903.
f) As quantidades, em quilo, do material a ser empaiolado são computados na
maneira seguinte:
g) Para pólvora química e explosivos encunhetados: peso liquido.
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h) Para artifícios pirotécnicos: peso bruto das respectivas caixas.
i) Para as munições engastadas e desengastadas: peso liquido das cargas em
ruptura. As cargas de projeção, neste caso, não são computadas por serem menos perigosas do
que as de ruptura, relativamente aos estilhaços.
j) As distancias previstas nas tabelas não só decorrem da quantidade total de
material empaiolado, como também do alcance dos estilhaços.
k) Para paióis coberto de terra, as distâncias previstas nas tabelas podem ser
reduzidas a metade, exceto quando se tratar de materiais das classes VI e VII . Quando os paióis
forem entrincheirados as distâncias poderão ser reduzidas apenas para os materiais das classes
VIII , IX e X.
l) As classes em que são distribuídas as munições, explosivos e artifícios com as
respectivas tabelas de quantidade e distâncias encontram-se publicada no T9-1903.
3.1. CÁLCULO DAS DISTÂNCIAS MÍNIMAS PARA A CONSTRUÇÃO DE PAIÓIS
1º - Classificar a munição nas classes I a X.
2º - Dividir a munição dentro dos paióis observando o Art III do Cap 4 do T9 1903.
3º - Calcular o peso do explosivo baseado na letra g) do item acima.
4º - Observar dentro da cada paiol a munição da classe que exige a maior distância
mínima. Esta distância será a distância mínima do paiol para as outras edificações.
4. PRINCÍPIOS PARA A CONSTRUÇÃO DE PAIÓIS
a) Materiais Empregados – devem ser, tanto quanto possível, de difícil combustão,
impermeável e maus condutores de calor e de eletricidade. As peças metálicas usadas no interior,
tais como trincos, roldanas, tarjetas, dobradiças etc, deverão ser de bronze ou latão.
b) Dimensões – Além de outras imposições de ordem técnica, as dimensões de paióis e
armazéns serão determinadas em função do material a estocar, observadas para cada material, as
quantidades máximas previstas nas respectivas tabelas e as condições de arrumação estabelecidas
nas prescrições gerais sobre empaiolamento e armazenamento.
c) Paredes – Deverão garantir o bom isolamento térmico do paiol. Em paióis
entrincheirados, as paredes deverão oferecer a explosão uma resistência menor que a oferecida
pela cobertura, para que o principal efeito da onda explosiva se faça para os lados (contra as
trincheiras) e não para cima. Em paióis não entrincheirados deverá acontecer o contrário. Nas
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paredes internas deverão ser construídos nichos para os aparelhos de controle do ambiente dos
paióis.
d) Cobertura - Será dimensionada de acordo com as paredes para que se obtenham os
efeitos mencionados na letra C. Deverá, também, garantir bom isolamento térmico dos paióis.
e) Piso – Será impermeabilizado com material próprio e terá acabamento liso para evitar
centelhamento por atrito e para facilitar a limpeza.
f) Portas – Serão de correr ou abrir para fora devendo fechar hermeticamente, mantendo
isolamento térmico obtido com as paredes e o teto, e impedindo a entrada de fagulhas, poeira, ar
etc. Deverão ser protegidas dos raios solares mediante conveniente orientação da edificação. Seu
número e destruição dependerá das dimensões dos armazém ou do paiol.
g) Soleiras – As soleiras das portas de paióis e armazéns servidos por via férrea, terão
altura igual a dos pisos dos vagões.
h) Iluminação – Deverá ser elétrica e localizada na parte externa do paiol ou armazém.
No interior deste, só poderão utilizadas lanternas portáteis, de pilhas secas. A rede elétrica não
poderá passar por cima do paiol ou armazém. As estradas do sistema de circulação interna dos
depósitos de munição devem ser dotadas de rede de iluminação.
i) Pára-raios – A área do depósito de munição deverá ser protegida por um sistema de
pára-raios.
j) Eletricidade Estática – Deverão ser previstos meios de proteção contra descarga de
eletricidade estática.
k) Rede D’água - Serão prevista redes d’água divididas em seções e com hidratantes
colocados próximos aos paióis e armazéns. Deverá ser possível alimentar um mesmo hidratante
por dois caminhos diferentes. As redes d’água não poderão passar sob os paióis e armazéns.
Deverão ser construídos reservatórios para abastecer a rede do sistema de proteção contra
incêndio.
l) Motores – No interior dos paióis e armazéns de munição é proibida a utilização ou
instalação de motores de qualquer natureza.
m) Cercas - Além do cercamento normal de delimitação do terreno do Depósito de
Munições, devem ser prevista cercas de arame farpado ou tela que, de acordo com as condições
locais, dificultem o acesso de elementos estranhos aos paióis e armazéns, facilitando o controle
da respectiva área.
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n) Entrincheiramento – Os paióis e armazéns de munições poderão ser protegidos com
entrincheiramento afim de atenuar os efeitos de possíveis explosões. Mesmo quando não houver
trincheiras, a segurança deverá ser obtida através das distâncias determinadas nas tabelas de
quantidade e distância.
•as trincheiras, que poderão ser naturais ou artificiais, deverão ficar afastada de
1,20 a 12,00 metros do armazém ou paiol a que se refere e terão uma espessura mínima de 1
metro na sua parte superior;
•para proteção de uma edificação qualquer a altura da trincheira deverá ser tal que
esta seja cortada pela reta que una o topo do paiol ou armazém a qualquer ponto de edificação;
•para proteção de ferrovia e rodovias, a reta que una o topo do paiol ou armazém
do topo da trincheira deverá passar acima de 3,70 metros de seus respectivos pisos;
•as trincheiras serão dispostas de tal modo que permitam o desenfiamento
completo dos paióis e armazéns. Se for o caso, os paióis não cobertos de terra terão trincheira em
toda a volta; os cobertos de terra apenas em frente a sua entrada;
•os paióis de munições cobertos de terra com a porta entrincheirada são
considerados entrincheirados em todas as direções; sem entrincheiramento na porta eles são
considerados entrincheirados em todas as direções, menos nas compreendidas num setor de 60
graus, cujo vértice é o centro da porta e cujo eixo de simetria é normal a ela;
CAPÍTULO II
MEDIDAS DE SEGURANÇA
A maioria dos acidentes com munições é causada por circunstâncias perfeitamente
evitáveis como:
1. Inobservância dos princípios básicos de segurança relativos aos locais onde são
manuseados e estocados esses materiais.
2. Desrespeitos as instruções relativas ao manuseio e estocagem, motivado pelo excesso
de confiança ou pelo desconhecimento das normas preconizadas nesta NA.
3. Inobservância dos períodos de inspeção e exames de estabilidade.
4. Emprego de pessoal não habilitado.
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5. Inobservância as medidas de prevenção contra incêndio.
6. A obediência aos três princípios básicos de segurança ( letra E, n.2, do Cap 1) e o
respeito as regras de manuseio e trato do material explosivo não só reduzirão as probabilidades
de ocorrência de acidentes como também limitarão seus efeitos.
7. É de sua importância, portanto que o pessoal que trabalha com munições seja
convenientemente instruído.
8. Uma atitude calma e consciente é fator importante que completa as regras de
segurança. Indivíduos extremamente nervosos não são indicados para lidar com explosivos
sensíveis.
9. Choques bruscos, descuidos, utilização de equipamento deficiente ou inadequado
podem provocar os mais diversos tipos de acidente no manuseio de munições.
10. Os explosivos além do perigo natural que oferecem, ainda podem apresentar de
intoxicação quando inalados, ingeridos ou absorvidos pela pele.
11. Os efeitos causados pelo contato de explosivo com a pele variam desde de uma
simples descoloração da epiderme até uma dermatite e de uma simples dor de cabeça até o
envenenamento.
12. Por isso, e também por serem inflamáveis as misturas de poeiras de explosivos com o
ar, os explosivos devem ser manuseados em locais ventilados.
13. Ao manusear explosivos, as mãos devem estar bem secas, porque a umidade facilita
a absorção através da pele. Ao término do trabalho, as mãos devem ser lavadas com um solvente
apropriado, como seja, uma solução aquosa de sulfito de sódio a cerca de 2% e, depois, com
água e sabão.
14. Quanto mais sensível for o explosivo, tanto menor deverá ser a quantidade
manipulada de cada vez e maiores as precauções a tomar, afim de reduzir a um mínimo os danos
em caso de explosão acidental. Deve se ter em mente que a sensibilidade é uma característica
que acarreta a iniciação por qualquer fonte de energia aplicada, seja por atrito, compressão,
choque, calor, meios mecânicos diversos, meios químicos ou elétricos.
15. As munições e os artifícios podem explodir espontaneamente, devido a
decomposição das pólvoras ou dos explosivos com que são carregados.
16. As munições devem ser manuseadas sob a supervisão direta de pessoa competente.
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17. Todo aquele que trabalha com munições deve ter sempre em mente que a sua própria
segurança, bem como a dos outros dependem dos cuidados no trato desses materiais.
18. Estado físico e mental do pessoal que manuseia materiais explosivos, deve constituir
preocupação constante por parte dos responsáveis pelos depósitos de munições.
19. Pessoal empregado no manuseio da munição não deve mexer em seus componentes,
nem fazer experiência com os mesmos sem que esteja devidamente autorizado.
20. O manuseio das munições deve ser sempre conduzido de forma a limitar ao
menor número possível o pessoal exposto.
21. É proibido fumar, acender fósforos ou isqueiros nas áreas em que se operem com
munições.
22. As munições devem ser manuseadas cuidadosamente. Os cunhetes não podem ser
empurrados, rolados, arrastados ou lançados uns sobre os outros.
23. Ferramentas ou equipamentos cujas partes de metal sejam capazes de produzir
faíscas não podem ser utilizadas no manuseio dos explosivos.
CAPÍTULO III
CONSERVAÇÃO
1. CONTROLE DA TEMPERATURA
Grande atenção deve ser dispensada ao controle da temperatura do paiol. O principal
fator da deterioração precoce do explosivo é a variação extrema da temperatura. Os paióis e
armazéns de munição deverão ser equipados com termômetros de máxima e mínima e sempre
que for observado, nas inspeções diárias, que a temperatura do momento é superior aos limites
previstos, serão tomadas providências relativas ao arejamento ou a irrigação. Na fixação das
condições ótimas de ambiente no interior dos paióis de munição, dois fatores primordiais serão
levados em consideração: temperatura e umidade.
Serão consideradas temperaturas máximas as seguintes:
•+ de 27 C para nitrocelulose, nitroamido e pólvoras químicas de base dupla;
•+ de 30 C para pólvoras químicas de base simples e ácido pícrico;
•+ de 35 C para projéteis carregados e pólvoras mecânicas;
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•+ de 40 C para trotil, picrato de amônio e outros explosivos não especificados.
TERMÔMETRO DE MÁXIMA E MÍNIMA TEMPERATURA
a) Descrição
É um tubo em "U" com mercúrio na parte inferior; um ramo termina pelo reservatório A
que contém álcool; a ampola A não se encontra completamente cheia de líquido; é destinada a
receber todo produto de dilatação do termômetro. O outro ramo é também, curvo em forma de
"U" virado e termina pelo reservatório B completamente cheio de álcool. Dois pequenos
marcadores de ferro (ou de esmalte atravessado por fios de ferro) estão no álcool; como
escorregam com atrito leve contra as paredes do tubo, podem manter-se a uma altura qualquer.
b) Funcionamento
Quando a temperatura se eleva, a dilatação do álcool e do mercúrio se produz da esquerda
para a direita; o álcool passa em torno do marcador do termômetro de mínima, sem arrasta-lo,
enquanto o mercúrio levanta o marcador do termômetro de máxima até a temperatura maior
registrada. Quando a temperatura diminui, o marcador do termômetro de máxima fica suspenso
e o marcador do termômetro de mínima fica imóvel até o momento em que a coluna ascendente
do mercúrio no termômetro de mínima entra em contato novamente com ele, quando então é
arrastado pelo mercúrio para cima. Portanto, a extremidade inferior do marcador do termômetro
de máxima indica a temperatura máxima e a extremidade inferior do marcador do termômetro
de mínima, a temperatura mínima. Pode-se observar que a temperatura do momento, é dado ao
mesmo tempo pelos dois níveis do mercúrio no tubo.
c) Medição
1º - Observar que existem dois termômetros, um de máxima e outro de mínima
temperatura. Cada um deles com um alfinete em seu interior.
2º - Observar o termômetro de mínima e verificar onde a cabeça do alfinete (parte inferior
do alfinete) está posicionada. Esta é a temperatura mínima registrada desde que o termômetro foi
zerado pela última vez. Observar a graduação do termômetro e não esquecer que na maioria dos
casos, no termômetro de mínima, a temperatura diminui conforme a coluna de mercúrio sobe.
3º - Observar o termômetro de máxima e verificar onde a cabeça do alfinete (parte
inferior do alfinete) está posicionada. Esta é a temperatura máxima mínima registrada desde que
o termômetro foi zerado pela última vez. Observar a graduação do termômetro e não esquecer
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que na maioria dos casos, no termômetro de máxima, a temperatura aumenta conforme a coluna
de mercúrio sobe.
4º - Após a medição diária, deve-se zerar o termômetro com um ímã, posicionando a
cabeça dos alfinetes novamente em contato com a coluna de mercúrio.
2. AREJAMENTO
O arejamento dos paióis e armazéns de munição será feito abrindo-se portas
.obrigatoriamente de 3 em 3 meses ou em qualquer época quando a temperatura ultrapassar os
limites previstos.
3. IRRIGAÇÃO
A irrigação dos paióis e armazéns de munição será feita com aparelhagem própria ou, na
falta desta, com a de incêndio. Nos dias de grande calor, as paredes externas e as imediações dos
paióis e armazéns de munição serão irrigados, tendo-se o cuidado de evitar que a água penetre
nos mesmos.
4. CONTROLE DA UMIDADE
O estado hidrométrico do ambiente dos paióis e armazéns de munição será anotado
diariamente e na mesma hora.
Para a aferição do termômetro úmido do pisicrômetro, deve-se cobrir completamente o
bulbo, e estar mergulhado na água, de preferência destilada.
A temperatura do termômetro úmido deverá ser sempre inferior a do seco; caso contrário,
o pisicômetro está defeituoso.
Para reduzir a umidade ambiente nos paióis e armazéns de munição, poderá ser colocada
no interior dos mesmos, substâncias higroscópicas, tais como cloreto de cálcio, silica-gel ou cal-
virgem, as quais deverão ser renovadas sempre que necessário.
PSICRÔMETRO
a) Generalidades
Os psicômetros usados nos paióis são do tipo úmido e seco; não sendo permissível o
emprego de psicômetro de cabelo. Destinam-se a nos oferecer o estado higrométrico do ambiente
do paiol. O termo "UMIDADE" é usado para descrever o vapor d ` água existente no ar
atmosférico. Ordinariamente, não é visível, porém, sob certas condições de temperatura e
saturação, o vapor de água se condensa sob a forma de neblina, serração ou nevoeiro na
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superfície da terra e sob a forma de nuvens no ar. Os termos de medidas usados são: UMIDADE
RELATIVA em percentagem, quando descreve a condição de saturação e UMIDADE
ABSOLUTA em peso de unidade de volume, quando descreve a atual quantidade do vapor d `
água presente.
Entende-se por unidade relativa a quantidade de um vapor de água existente num espaço
tomado como unidade de volume, comparada com a quantidade total que poderia ter neste
mesmo espaço sob as mesmas condições de pressão atmosférica e temperatura. É expressa em
percentagem. A umidade relativa varia, normalmente, entre os limites de 10% a 80% da
seguinte maneira:
• de 10% a 30% é considerado seco;
• de 30% a 60% é considerado normal:
• de 60% a 80% é considerado úmido.
As autoridades no assunto afirmam que, a umidade relativa ideal para condições de vida
humana deve variar entre 40 e 50% a uma temperatura de 20 grau a 21 grau.
b) Descrição
O piscrômetro foi inventado por Gay-Lussac e August deu-lhe a forma atual. Consiste em
dois acurados termômetros paralelos, denominados respectivamente de termômetro seco e de
termômetro úmido. O bulbo do termômetro úmido é envolvido por uma gaze que absorve a água,
por ação de capilaridade, de um reservatório líquido. Embora não seja necessário, é conveniente
se empregar água destilada neste reservatório, pois as partículas sólidas existente na água
permanecerão na mecha após a evaporação daquele, o que irá interferir na capilaridade e na
evaporação. Na falta de água destilada pode-se empregar a água de chuva.
c) Funcionamento
A água existente em torno do bulbo evapora-se com uma velocidade proporcional ao
estado de umidade do ar ambiente resultando disso uma temperatura no termômetro úmido
inferior a do termômetro seco. Conhecendo-se as temperaturas acusadas pelos dois termômetros,
a úmida e relativa poderá ser facilmente determinada por intermédio de tabela que acompanha
cada instrumento. Caso o ambiente se encontre completamente saturado, os dois termômetros
acusaram a mesma temperatura, em virtude de não ser possível ocorrer evaporação da água no
termômetro úmido. Neste caso a umidade relativa será de 100%.
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Antes de fazer-mos uma leitura, devemos abanar rigorosamente o aparelho para se obter
maior precisão, a menos que o psicômetro se encontre exposto ao um vento com velocidade de
cerca de 183 metros / minuto. Esta agitação é necessária afim de dispersar qualquer acúmulo de
umidade em torno dos bulbos, ocasionado pela evaporação do termômetro úmido. Deve-se
proceder assim até que a coluna do termômetro úmido atinja seu ponto mais baixo.
d) Medição
1º - Identificar no psicrômetro um termômetro seco, um termômetro úmido, a tabela de
umidade entre os dois termômetros, um cursor móvel sobre a tabela de umidade, um depósito de
água e uma mecha de pano ligando o termômetro úmido ao depósito de água.
2º - Verificar se o depósito de água encontra-se cheio e se a mecha de pano encontra-se
conduzindo umidade para o termômetro úmido, se não, recompletar a água.
3º - Após isso, inicia-se a medição deslocando o cursor móvel até que a seta sobre o
termômetro úmido, posicionada no cursor móvel, coincida com a leitura do termômetro úmido.
4º - Com o cursor parado, fazer a leitura do termômetro seco e seguir, a partir desta
marcação, a seta em arco de círculo até o visor no cursor móvel. Neste visor, seguindo a seta
oriunda da marcação do termômetro seco será a umidade relativa do ar naquele momento.
Exemplo: A marcação do termômetro úmido é de 30º e no termômetro seco é de 35º, a
umidade relativa do ar será de 68 %.
5. PROVAS E EXAMES
5.1 FINALIDADE
As provas e exames têm por finalidade determinar o estado de conservação das munições,
explosivos e artifícios permitindo, em qualquer época retirá-los de uso antes que suas condições
anormais ofereçam graves perigos no armazenamento ou no emprego. Há necessidade de provas
e exames periódicos, para verificar-se o estado atual das pólvoras e explosivos, e caracterizar a
estabilidade dos mesmos. As provas serão feitas nos próprios depósitos, e os exames, em
laboratórios regionais especializados ou outros devidamente autorizados pelo órgão competente.
Sempre que forem observadas anormalidades no armazenamento ou no emprego, deverão ser
realizados exames eventuais no material.
5.2 PERIODICIDADE DOS EXAMES
São realizados em datas específicas dependendo do tipo de munição. São
realizados também sempre que houver indícios de decomposição. O encarregado dos paióis ou
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armazéns de munição tomará as providências para retirar uma amostra do lote correspondente e
enviá-la para exame de laboratório. O elemento onde se constatou a alteração será isolado dos
demais até que o resultado das provas permita providências definitivas.
5.3 EXAMES
Os exames são de duas espécies : eventuais e periódicos.
Eventuais- serão feitos sempre que:
• as provas de observação revelarem anormalidade no material;
• houver incêndio sem destruição total do material;
• houver suspeita de que a causa de acidentes ou anormalidades verificadas
durante o emprego de munições, explosivos ou artifícios forem a eles atribuídos.
• a média mensal das temperaturas máximas no interior do paiol ou do armazém
atingir ou ultrapassar os limites abaixo:
+ 30ºc: para pólvoras químicas e ácido pícrico;
+ 35ºc: para projéteis carregados e pólvoras mecânicas;
+ 40ºc: para trotil, picrato de amônio e outros explosivos.
Periódicos - serão feitos em épocas determinadas com intervalos que variam de acordo
com o material estocado.
Atualmente a periodicidade para exame das munições está prevista na portaria 061.
5.4 TOMADA DE AMOSTRA
Deverão ser obedecidas as regras contidas na Portaria 061 para as tomadas de amostras,
pois dessa operação dependerá a precisão nas conclusões dos exames.
5.5 CLASSIFICAÇÃO DAS PÓLVORAS QUÍMICAS QUANTO À ESTABILIDADE
QUÍMICA
De acordo com os resultados obtidos nas provas de estabilidade química e balística, as
pólvoras são classificadas em cinco categorias:
1) Categoria A – são incluídas nessa categoria as pólvoras com menos de 10 anos de
fabricação e que apresentem bons resultados nas provas de estabilidade química. Para as
pólvoras nestas condições, são dispensados os exames balísticos, e seu emprego será feito nos
serviços ordinários.
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2) Categoria B –São incluídas nessa categoria as pólvoras de 10 a 15 anos de fabricação
e que apresentem bons resultados nas provas de estabilidade química. As pólvoras nessas
condições não necessitam de exames balísticos, e seu emprego será feito nos serviços ordinários.
3) Categoria C – Nessa categoria serão incluída tanto as pólvoras que tiverem mais de 15
anos e apresentarem boa estabilidade como aquelas que com qualquer tempo de fabricação
apresentarem resultados regulares nas provas de estabilidade química. A conclusão nessa
categoria, é sempre dependente de um exame de valor balístico, obrigatório, cujo o resultado
deverá ser satisfatório para que ela permaneça nessa categoria. As munições cujo as pólvoras se
encontram nessa categoria terão seu uso com emprego preferencial. As pólvoras a granel que
atingirem essa categoria não poderão mais ser usadas como propelente no carregamento de
munições, e são automaticamente incluídas na categoria D.
4) Categoria D - de acordo com o que propõe a comissão de estudo da estabilidade das
pólvoras de base dupla em seu relatório final, deve ter a seguinte redação: são incluídas nesta
categoria tanto as pólvoras em condições de estabilidade química regulares como as boas com
mais de 15 anos de fabricação, e que não satisfaçam as exigências das provas balísticas. Estas
pólvoras são consideradas imprestáveis para fins militares. As pólvoras e munições desta
categoria serão recolhidas para aproveitamento de matéria-prima ou recuperação.
5) Categoria E - São incluídas nessa categoria as pólvoras que apresentam maus
resultados nas provas de estabilidade química. Essas pólvoras são perigosas; seu transporte é
proibido, devendo ser destruídas pelo órgão competente, imediatamente após cientificado das
condições das mesmas. Apenas o elemento considerado perigoso será destruído, devendo os
elementos restantes serem recolhidos para recuperação ou aproveitamento da matéria-prima.
TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DAS PÓLVORAS
TEMPO DE
FABRICAÇÃO
ESTAB
QUÍMICA
VALOR BALÍSTICO CAT EMPREGO
T < 10 BOA DESNECESSÁRIO A ORDINÁRIO
10 < T < 15 BOA DESNECESSÁRIO B ORDINÁRIO
T > 15 BOA SATISFATÓRIO C PREFERENCIAL
QUALQUER REG SATISFATÓRIO C PREFERENCIAL
QUALQUER BOA NÃO SATISFATÓRIO D IMPRESTÁVEL
QUALQUER REG NÃO SATISFATÓRIO D IMPRESTÁVEL
QUALQUER MÁ DESNECESSÁRIO E PROIBIDO
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Desta tabela convém ressaltar que o primeiro exame balístico periódico, de caráter
obrigatório, em princípio, só deve ser realizado após quinze anos de fabricação do lote da
munição.
CAPÍTULO IV
EMPAIOLAMENTO
D) 1. PRESCRIÇÕES GERAIS
Para a boa ordem e segurança dos paióis e armazéns de munição, deverá ser observado o
seguinte:
1) Quando houver necessidade de empaiolar dois ou mais materiais de espécies
diferentes, deverá ser consultado o Quadro de Empaiolamento, (Art 33 do T9-1903) que
mostrará quais os materiais que podem ser empaiolados num mesmo paiol de munição.
2) Os explosivos e munições deverão agrupados por lotes e sublotes, em pilhas firmes e
em disposição metódica, observando-se intervalos entre elas, afim de facilitar o serviço de
inspeção.
3) Nas pilhas serão fixas nas quais contem: a espécie do material, o lote, sublote, a
quantidade, o ano de fabricação, o fabricante, e a categoria de estabilidade do material.
4) Os intervalos entre as pilhas de um mesmo lote serão de 25cm e de 50cm entre as
pilhas de lotes diferentes.
5) Os lotes deverão ser dispostos nos paióis e armazéns de munição de tal modo que
possibilite a retirada dos mais antigos, para emprego.
6) O material deverá ser empilhado sobre suportes, afim de protege-lo da umidade
eventual do piso, e permitir a ventilação. Quando necessário, também para facilitar o
arejamento, deverão ser previsto suporte entre volumes da mesma pilha.
7) A altura da pilha deverá permitir que fique um espaço, pelo menos, de 70 cm entre elas
e o teto.
8) As estantes existente nos paióis ou armazéns deverão ser fixas e dispostas
paralelamente, e as marcações bem visíveis.
9) As distâncias das paredes as estantes ou pilhas serão de 70 cm no mínimo.
10) Nos pisos dos paióis de munições deverão ser pintadas faixas brancas reservadas a
circulação e delimitado espaços livres juntos às portas.
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11) Todo material suspeito, quanto a seu estado de conservação, deverá ser recolhido a
paióis de munições especiais, isolado, até que a autoridade superior determine quanto ao seu
destino.
12) Os volumes de materiais não identificados deverão ser marcados com os dizeres
“conteúdo desconhecido“, e recolhido a paióis de munição especial.
13) Quando as embalagens, tais como cunhetes, caixas, tambores, etc, estiverem em mau
estado de conservação, deverão retiradas dos paióis de munição e substituídas ou reparadas,
conservando-se entretanto, os dizeres da marcação anterior.
14) Nos paióis de munição não deverão ser empaiolados juntos materiais que sejam os
previsto no Quadro de Empaiolamento, ressalvado o exposto no artigo 33 do T9-1903.
15) Os paióis de munição deverão ter, à entrada, um quadro no qual conste a espécie e
quantidade de materiais neles contidos.
16) Para efeito de empaiolamento, os explosivos e munição são grupados por
compatibilidade em relação aos seguintes fatores:
• efeito da explosão do elemento;
• facilidade de deterioração;
• sensibilidade à iniciação;
• sensibilidade ao fogo;
• tipo de embalagem;
• quantidade de explosivo por elemento.
17) Os grupamentos de contabilidade de estocagem não devem ser confundidos com a
classificação de risco, estabelecido para as exigências de quantidade-distância.
2. EMPAIOLAMENTO
2.1 De Munições
a) Cartuchos, projéteis de pequenos calibres, estojos vazios ou carregados e carga de
projeção acondicionadas em saquitéis ou outros invólucros deverão ser empaiolados em sua
própria embalagem.
b) Os volumes desses materiais são calçados por suportes nas pilhas ou estantes.
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c) No empaiolamento de estojos e cartuchos, que não estiverem nas embalagens
próprias, deverão ser tomadas cautelas, afim de que não sejam deformados.
d) Os projéteis de grande calibre deverão ser colocados sobre calços adequados, para
proteção das cintas de forçamento e turgência.
e) As pilhas não deverão ter altura que não dificulte o serviço.
2.2 De Espoleta, Estopilhas, Reforçadores e Detonadores:
a) As espoletas, estopilhas, reforçadores e detonadores serão empaiolados em cunhetes
estanques ou embalagens próprias.
b) Os reforçadores e detonadores poderão, excepcionalmente, ser conservados nos
projéteis.
c) Os cunhetes incompletos deverão ser conservados perfeitamente fechados.
d) As espoletas deverão ser armazenadas em paióis ou armazéns pequenos, a fim de
limitar a perda deste material, em caso de sinistro.
2.3. De Artifícios Pirotécnicos
a) Os artifícios pirotécnicos, quando úmidos, não deverão ser empaiolados, pois
oferecem grande perigo, exigindo, portanto, grande proteção contra umidade.
b) 2) Quando as embalagens de artifícios pirotécnicos apresentarem sinais de umidade,
deverão ser estes volumes removidos e abertos; se o conteúdo estiver úmido, deverão ser
destruído.
c) Certos artifícios pirotécnicos decompõem-se com o tempo, mesmo empaiolados em
ótimas condições; portanto devem constar nas respectivas fichas a vida de cada lote, a fim de ser
empregado dentro do prazo previsto.
2.4. De Munição Química
a) A munição química deverá ser armazenada, isoladamente devido ao perigo e
dificuldades que se apresentam ao combater incêndio que envolva agentes químicos.
b) No empaiolamento da munição química Ter-se-á cuidado de prever fácil acesso, para
inspeções e remoção do material.
c) A munição química deverá ser inspecionada, nos paióis e armazéns, pelo menos uma
vez por mês.
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d) O encarregado do paiol deverá estar familiarizado com os agentes químicos, a fim de
identificar pelo qualquer vazamento.
CAPÍTULO V
TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS
1. PRESCRIÇÕES GERAIS
•Material deverá estar em bom estado, e em embalagem regulamentar.
•Por ocasião de embarque e desembarque conferir-se-á o material com a guia.
•Embarque ou desembarque deverá ser assistido por um oficial.
•Sinais de perigo devem ser afixados nos transportes.
•Material deverá ser arrumado e fixado, de maneira que facilite a inspeção e segurança.
•Os explosivos, munições e artifícios serão transportados separadamente.
•No transporte, proteger-se-á o material contra a umidade e a incidência de raios solares.
•É proibido derrubar, bater, arrastar, rolar ou jogar recipientes que contenham explosivos
ou munições.
•Examinar o local de armazenagem antes de descarregar.
•É proibida a utilização de luzes não protegidas, fósforos, isqueiros e ferramentas
capazes de produzir chamas ou centelhas nos locais de embarque, desembarque e durante os
transportes.
•É proibido remeter pelo correio explosivos ou munições sob qualquer pretexto.
•Os serviços de carga e descarga deverão ser feitos durante o dia e com o tempo bom.
•Se houver necessidade de carregar ou descarregar à noite, somente serão usadas
lanternas e holofotes elétricos.
•Deverão ser prevista paradas para inspeções e determinadas as velocidades máxima e
mínima.
2. TRANSPORTE FERROVIÁRIO
• Explosivos, munições e artifícios normalmente serão transportados em trens especiais.
• Os vagões que transportam explosivos ou munições deverão ficar separados da
locomotiva e/ou dos vagões de passageiros no mínimo de três outros carros.
• As composições militares especiais para transporte de explosivos e munições deverão
ser escoltadas.
• Os vagões serão limpos e inspecionados antes e depois do transporte de material.
• Os vagões devem ser travados e calçados durante a carga e descarga do material.
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• Para retenção de fagulhas, as chaminés das locomotivas deverão ser guarnecidas com
telas metálicas.
• Somente poderão ser utilizados vagões em perfeitas condições, não podendo ser
executada qualquer reparação após o início do carregamento.
• Os vagões carregados com explosivos não poderão permanecer na área dos paióis.
• As portas dos vagões carregados deverão ser lacradas e, nelas, colocadas tabuletas
com os dizeres “CUIDADO - EXPLOSIVO”.
• As portas dos paióis de munição serão conservadas fechadas ao aproximar-se a
composição.
• As manobras para engatar e desengatar os vagões deverão ser feitas sem choque.
• Quando, durante a carga ou descarga, for derramado qualquer explosivo, o trabalho
será interrompido e só recomeçado depois de completamente limpo o local.
• A composição especial não poderá parar em plataforma de estações.
• Tanto quanto possível, as composições especiais serão constituídas de vagões
especializados.
3. TRANSPORTE RODOVIÁRIO
• Em princípio, o transporte em viaturas comuns e do tipo militar será restrito às
munições de armamento leve.
• transporte em viatura civil deverá estar acompanhado de uma guia de trânsito com
indicação de material transportado, peso da carga, origem, destino e itinerário.
• É proibido o transporte de explosivos ou munições em viaturas movidas a gasogênio.
• As viaturas destinadas ao transporte, serão vistoriadas para exame de seus circuitos
elétricos, freios, tanques de combustível estado da carroceria e do extintores de incêndio, assim
como verificação da existência de quebra-chamas no cano de descarga e ligação por corrente
metálica da carroceria com a terra.
• Os motoristas deverão ser instruídos quanto aos cuidados a serem observados, bem
como sobre o manejo dos extintores de incêndio.
• A carga explosiva deverá ser fixada firmemente à viatura e ser coberta com encerado
impermeável, não podendo ultrapassar a altura da carroceria.
• É proibida a presença de estranhos nas viaturas que transportem explosivos ou
munições.
• Durante a carga ou descarga, as viaturas deverão conservar-se freadas, calçadas e com
os motores desligados.
• Quando em comboios, as viaturas manterão entre si uma distância aproximada de
80m.
• A velocidade de uma viatura que transporta explosivos e/ou munições não poderá
ultrapassar de 40 Km / h.
• As cargas e as viaturas deverão ser inspecionadas nos altos horários (locais afastados
de habitações).
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• Para viagens longas, as viaturas terão dois motoristas.
• Viaturas transportando explosivos ou munições não poderão ser rebocadas.
• No desembarque, a carga não poderá ser empilhada nas proximidades dos canos de
descarga das viaturas.
• Durante o abastecimento de combustível, os circuitos elétricos deverão estar
desligados.
• Tabuletas visíveis serão afixadas nos lados e atrás da viatura com os dizeres
“CUIDADO - EXPLOSIVO”, colocando-se, também, bandeirolas vermelhas na frente e na
retaguarda da viatura.
• As viaturas carregadas não poderão estacionar em garagens, postos de serviço,
depósitos ou lugares onde haja probabilidade de propagação de chamas.
• As viaturas depois de carregadas, não ficarão na área dos paióis.
• Em casos de acidentes com a viatura, a primeira providência será a retirada da carga
explosiva (distância mínima de 60 m da viatura ou de habitações.
• Em caso de incêndio, o trânsito deverá ser impedido e o local isolado.
4. TRANSPORTE MARÍTIMO OU FLUVIAL
•Em navio de passageiros somente será permitido o transporte de munição de armamento
leve.
•Os explosivos e munições, somente sob a vigilância de guarda especial capaz de
removê-los em caso de urgência, poderão ser mantidos no cais.
•Todas as embarcações que transportarem explosivos ou munições deverão manter içada
uma bandeirola vermelha.
•No caso de carregamentos mistos, os explosivos e as munições serão embarcados com
última caga.
•local da embarcação para explosivos e munições deverá ser forrado com tábuas de 2,5
cm de espessura.
•As embarcações que rebocarem navios carregados com explosivos e/ou munições terão
as chaminés protegidas com telas metálicas.
•Os locais reservados aos explosivos estarão o mais afastado possível da casa de
máquinas e caldeiras.
•As embarcações, quando rebocadas, deverão guardar distância mínima de 50 m de
outras embarcações e, quando ancoradas, 100 m no mínimo.
5. TRANSPORTE AÉREO
•Somente munição de armamento leve poderão ser conduzidas.
•É proibido o transporte de quaisquer explosivos, munições ou artifícios em aviões de
passageiros.
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CAPÍTULO V
ESCRITURAÇÃO DOS PAIÓIS
1. LIVROS DE REGISTRO
A escrituração dos paióis e depósitos será feita, pelo encarregado dos mesmos, em três
livros:
a. Livro ou Ficha de Estoques
Nele serão feito os lançamentos das entradas, saída e estoque existente nos paióis e
depósitos. Normalmente, nos depósitos de Munições, utiliza-se o sistema de fichários.
b. Livro de Ocorrência
Nele serão registrados todas as ocorrências, tais como: abertura e fechamento dos paióis e
depósitos com os respectivos dias e horas, medidas tomadas em caso de anormalidades e
providências delas decorrentes.
Neste livro a autoridade inspetora lançara de próprio punho, a crítica da visita de
inspeção.
c. Livro das Ocorrências Meteorológicas:
Nele serão lançadas, diariamente, as temperaturas máximas e mínimas e taxa de umidade
lidas.
2. MAPAS E DIAGRAMAS
Deverão ser organizados os mapas de estoques e os diagramas de temperatura máxima e
mínima de acordo com as normas e modelos específicos de cada Serviço Regional de
Armamento e Munição (SRAM).
a. Diagramas de Temperaturas e Umidade:
1) Modelo:
• Os modelos atualmente em vigor são os previsto pelo T9-1903 ressaltando-se que a
legenda para a temperatura máxima é em cor preta e a para a temperatura mínima é
em cor vermelha.
2) Confecção:
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• Inicia-se sua confecção pela a anotação diária e a mesma hora das temperaturas
máxima e mínima ocorridas nas últimas 24 horas, bem como das temperaturas dos
termômetros seco e úmido do psicrômetro.
• No verso do diagrama de temperatura serão registradas as providências tomadas no
caso de anormalidade e os resultados delas obtidos.
ANEXO E da Portaria 061
Periodicidades dos exames químicos e balísticos
de explosivos, munições e artifícios
MATERIAL 1ª FASE DEMAIS EXAMES OBS
Cargas de projeção
de munições
cinco anos após
fabricadas
de dois em dois anos I
Cargas de projeção
de Rj e Mrt
um ano após fabricadas cinco anos após 1º exame;
após, anualmente
II
Dinamites trimestralmente desaconselhável a
estocagem por mais de 2
anos
-
Altos explosivos cinco anos após
fabricados
de dois em dois anos III
Detonadores, reforça-
dores, cápsulas, acio-
nadores, e espoletas
dez anos após
fabricados
de cinco em cinco anos IV
Artifícios Piro, Lac e
Fumígenos
cinco anos após
fabricados
de dois em dois anos IV
Epim Hidrl, algodão
pólvora e nitrocelulo-
se
após dois anos de
fabricados semestralmente -
Simulacro de
granadas
dois anos após
fabricação
anualmente V
Projetis de Artilharia e
canhões, petardos, Gr
Mrt e Gr M com trotil
após 5 anos de fabricado,
por inspeção direta para
ver se há exudação; caso
positivo, info UU à RM
de dois em dois anos. Se
houver exudação informar
UU à RM
-
OBSERVAÇÕES:
I - Incluem-se nestes itens as cargas de projeção das seguintes munições: Car 7,62, Car 9mm,
Car .50, Tiro 105, Tiro 155, Tiro 75, Car 5,56, Car .22, Car .30, car .38, Car 12 VELOX PB,
Tiro 40, Tiro 57, Tiro 60, Tiro 75 SALVA, Tiro 90,Tiro 106.
II - Incluem-se neste itens:
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Car 60 CG "O", SPLMT 60, Car 81 CG "O", SPLMT 81, CAR IGN 4.2, CG PRJC 4.2, Car
120 CG "O", CG PRJC 20, RJ 2.36, RJ 3.5.
III- Incluem-se neste item: cordel detonante, minas auto-explosivas, e outros elementos à base de
altos explosivos (granadas 105, 106, 90, 155, 81, 60).
IV - Os elementos deste item não terão exames químicos, mas apenas exames de emprego
prático (balístico) no Campo de Prova de Marambaia.
V - Os simulacros serão submetidos a exames práticos no Dep Reg de acordo com o Of nº 149
S/1 - Circ DAM, de 11 Ago 84.
ANEXO G da Portaria 061
TABELA DE TAMANHO DE AMOSTRAS E MATERIAL
AUXILIAR PARA EXAME BALÍSTICO
T I P O QTDE
P/
AMOST
RA
(1)
QME
MATERIAL AUXILIAR
E OBSERVAÇÕES
1. Mun p/ arma portátil 20 700
2. Car .50 e .30 30 200 sendo 11 de cada tipo
3. Mun p/ Can até 178mm 5 10
4. Mun p/ obus e morteiros 12 24 sendo 6/cg min e 6 p/ cg max
5. Estopilha 12 24 12 tiros completos, s/ etphl
6. Detonador 12 24 12 tiros completos, s/ det
7. Granada 12 24 12 tiros completos, s/ gr
8. EOP 12 24 12 tiros completos, s/ EOP
9. EODE 12 24 12 tiros completos, s/ EODE
10. Gr M s/ EOT 12 24 12 EOT
11. Gr M c/ EOT 12 24
12. EOT 12 24 12 Gr M
13. Gr BC s/ Car Lçmt 12 24 12 Car Lçmt
14. Gr BC c/ Car Lçmt 12 24
15 Car Lçmt 11 200 11 Gr s/ Car Lçmt
16. Mina 6 12
17. Petardo 12 50 12 Eplt Cm e 4m Epim, ou 12
Eplt Eltr (s/ Epim)
18. Artifícios 12 100 de cada tipo ou cor
19. Cordel detonante 12m 500 Em Epim, 3 Pet AE 100g e 3
Eplt Cm nº 8
20. Estopim 10m 500 8 Eplt Cm nº 8 e 100g Plv N"A"
21. Acionadores 12 24 12 Eplt Cm nº 8
22. Acionador de retardo 12 24 4 Pet AE 100g ou 50g e 1m Crd Det
23. Acendedor de Pavio 12 24 Em Epim
24. Espoleta Elétrica 12 24 4 Pet AE 100g ou 50g e 1m
Crd Det
25. Espoleta Comum 12 24 8m Epim, 4 Pet AE 100g ou 50g 1m Crd
Det e 12 Acnd Frç
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(1) QME - Quantidade mínima de estoque na OM para ser viável a remessa da amostra para a
Prova Balística.
ANEXO F da Portaria 061
TABELA DE QUANTIDADE DE MUNIÇÃO E SUA PERIODICIDADE
PARA EXAME DE ESTABILIDADE QUÍMICA
NOMENCLATURA PERIODICIDADE QUANT
P/
QUANT MIN
PADRÃO DA
TABELA
1º
EXAME
2º EXAME EXAME ESTOQUE
(1)
CAR .22 LONGO 5 anos de 2 em 2 anos 300 2500
CAR .22 CURTO 5 anos de 2 em 2 anos 525 4700
CAR 7,62 COMUM 5 anos de 2 em 2 anos 035 300
CAR 7,62 PERF 5 anos de 2 em 2 anos 035 200
CAR 7,62 TR 5 anos de 2 em 2 anos 035 200
CAR 7,62 FT 5 anos de 2 em 2 anos 060 400
CAR 7,62 LCMT 5 anos de 2 em 2 anos 035 300
CAR .32
COMPETIÇÃO
5 anos de 2 em 2 anos 250 900
CAR 9mm COMUM 5 anos de 2 em 2 anos 200 700
CAR .38 LONGO 5 anos de 2 em 2 anos 150 600
CAR .38
COMPETIÇÃO
5 anos de 2 em 2 anos 200 1200
CAR CAL 16 P/ CAÇA 5 anos de 2 em 2 anos 025 300
CAR CAL 20 P/ CAÇA 5 anos de 2 em 2 anos 025 300
CAR CAL 12 (CGD) 5 anos de 2 em 2 anos 055 300
CAR .50 COMUM 5 anos de 2 em 2 anos 010 200
CAR .50 TR 5 anos de 2 em 2 anos 010 200
CAR .50 PERF 5 anos de 2 em 2 anos 010 200
CAR .50 FT 5 anos de 2 em 2 anos 010 200
CAR .50 FUZIL
APONTADOR
5 anos de 2 em 2 anos 010 200
TIR 40 ET AP/AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 40 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 40 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 40 C/ 60 AE TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 40 C/ 60 LST TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 40 C/ 70 PF AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 40 C/ 70 EXC TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 57 SR AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 57 SR AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 57 SR FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 57 SR EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 10
TIR 60 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -148-
TIR 60 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
CAR 24 SUB CAL MRT
60
5 anos de 2 em 2 anos 020 200
TIR 60 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 60 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
CAR 60 CG "O" 1 ano 5 anos após 1º
exame, após
anualmente
020 100
SPLMT 60 1 ano 5 anos após 1º
exame, após
anualmente
020 300
TIR 75 AE M2 C/ ETJ
M3
5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 75 LST M2 C/ ETJ
M3
5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 75 SLV C/ ETJ M3 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 75 AE M2 C/ ETJ
M6
5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 75 LST M2 C/ ETJ
M6
5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 75 SLV C/ ETJ M6 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 81 AE (CP N) 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 81 AE (G CP) 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 81 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
CAR 24 SUB CAL MRT
81
5 anos de 2 em 2 anos 020 200
TIR 81 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 81 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
CAR 81 CG "O" 1 ano 5 anos após 1º
exame, após
anualmente
010 100
SPLMT 81 1 ano 5 anos após 1º
exame, após
anualmente
010 100
TIR 90 OCC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 90 AE AC TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 90 OE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 90 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 90 OSCC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 90 SLV 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 90 AE TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 90 EXC AE AC TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 90 FUM TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 105 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
GR 105 AE (C/ CG
PRJC)
5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 105 FUM WP 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 105 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -149-
TIR 105 SLV (C/ ETJ
M3)
5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 105 SLV (C/ ETJ
M1)
(OTO MELARA)
5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 106 SR AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
CAR 24 SUB CAL MRT
4.2
5 anos de 2 em 2 anos 020 200
TIR 4.2 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 4.2 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 4.2 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
CAR 24 SUB CAL MRT
120
5 anos de 2 em 2 anos 020 200
TIR 120 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 155 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
GR 155 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 155 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
TIR 155 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
CG PRJC 155 1 ano 5 anos após 1º
exame, após
anualmente
005 10
GR BC AE AP 5 anos
Insp Dir
de 2 em 2 anos 003 10
GR BC AE AC 5 anos
Insp Dir
de 2 em 2 anos 003 20
GR BC INC 5 anos
Insp Dir
de 2 em 2 anos 003 10
GR M DEF M4 (C/ EOT
M 14)
5 anos
Insp Dir
de 2 em 2 anos 003 10
GR M DEF/OFS M3 (S/
EPLT)
5 anos
Insp Dir
de 2 em 2 anos 003 10
GR M OFS 5 anos
Insp Dir
de 2 em 2 anos 003 10
SIMULACRO DE
GRANADA
2 anos/
Insp Dir
Anualmente 005 10
RJ 2.36 AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
RJ 2.36 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
RJ 2.36 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
RJ 3.5 AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
RJ 3.5 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
RJ 3.5 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 02
RJ 3.5 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 02
MIN AE AP 5 anos de 2 em 2 anos 005 20
MIN AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 005 10
ART 303 ESTLA (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
ART 304 ESTLA (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -150-
ART 305 (COLC) (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
ART 305 FACHO (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
ART 313 BLM (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
ART 314 (COLC) (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
ART 314 ESTLA (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
ART 314 FUM (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
ART 314 SIN PQD (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
LAMA EXPLOSIVA Trimestral Trimestral 200 Gr 1000gr
EXPLOSIVO
PLÁSTICO
5 anos de 2 em 2 anos 200 Gr 1000gr
COMPOSTO C-3 5 anos de 2 em 2 anos 200 Gr 1000gr
COMPOSTO C-4 5 anos de 2 em 2 anos 200 Gr 1000gr
POLVORA DE MINA 5 anos de 2 em 2 anos 200 Gr 1000gr
ESTOPIM COMUM 5 anos de 2 em 2 anos 100 m 500 m
ESTOPIM HIDRL 2 anos Semestral 100 m 500 m
EPLT CM NR 8 (2) 10 anos De 5 em 5 anos 005 10
ACIONADOR DE 10 anos de 5 em 5 anos 005 10
PET 50 g 5 anos /
Insp Dir
de 2 em 2 anos 004 40
PET 100 g 5 anos/
Insp Dir
de 2 em 2 anos 002 40
PET 250 g 5 anos /
Insp Dir
de 2 em 2 anos 001 25
PET 500 g 5 anos/
Insp Dir
de 2 em 2 anos 001 25
PET 1000 g 5 anos /
Insp Dir
de 2 em 2 anos 001 15
PET 5000 g 5 anos /
Insp Dir
de 2 em 2 anos 001 10
PET 10000 g 5 anos /
Insp Dir
de 2 em 2 anos 001 05
PET 20000 g 5 anos /
Insp Dir
de 2 em 2 anos 001 05
DET M1A1 (2) 10 anos de 5 em 5 anos 005 10
DET M2A1 (2) 10 anos de 5 em 5 anos 005 10
Cordel Detonante 5 anos de 2 em 2 anos 100 500
OBSERVAÇÃO:
(1) A amostra será remetida ao Laboratório Químico Regional, se a quantidade de munição
existente na OM for maior ou igual a quantidade mínima de estoque (QME).
(2) Realizam apenas exames de emprego prático (balistica) no C Pr M
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -151-
ANEXO I da Portaria 061
TABELA DE TIRO TÉCNICO
ARMAMENTO MUNIÇÃO CLASSI
FICAÇ
ÃO
TIRO P/
ARMA
Fz 7,62 M964/FAL- Car 7,62mm M1 3 7
Fz 7,62
M964/PARAFAL -Fz
7,62 M964/FAP
Mtr 7,62 MADSEN 1 30
Mtr 7,62 MAG (02
canos)
Mq 7,62 2 5
Fz 5,56mm Car 5,56mm - Comum 2 5
Mrt M9 M972
BERETTA
Car 9mm M1 3 7
Pst 9mm 2 5
Mrt 50 (02 canos) Car 50 M2 3 7
Fz Ap 50 Car 50 Tr - M48 A2 - USA (Car. 50 Fz Apnt) 4 10
Can 57 SR AC/ Can
84AC
57mm - TIR TP M306 (c/EOP M503 A1) -
Inerte
preferencialmente ou Tir 57 SR HEAT
M307 A1/
Tir 84 HE 441-B (Tir 84 AE)
2
5
Can 106 SR 106mm - Tir 106 SR Exc M1 - USA - Inerte
Preferencialmente ou Tir 106 AAE AC
2 5
Obus 105mm AR Tir 105AE 2 5
Obus 155mm Tir 155AE 2 5
Obus 105 M 118 Light
Gun
Tir 105 AE - Light Gun 2 5
Mrt 60mm Tir 60 Exc 2 5
Mrt 81mm Tir 81 Exc 2 5
Mrt 81mm L16 A2 Tir 81 L16 A2 Exc 2 5
Mrt 4.2mm Tir 4.2 AE 2 5
Mrt 120mm- Mrt
120mm (Brasil)
Tir 120 AE 2 5
Can 40mm Au AAe Tir 40 C/ 60 Exc Tr M1 ou Tir 40 C/60 Lst
Tr ou
Tir 40 Exc ou Tir 40 C/60 AE
3 7
Can 35 AAe Tir 35 Exc Tr ou Tir 35 AE 1 30
FAC 4.5 4.5mm -, Chumbinho 4.5 2 5
Can 90 CC Tir 90 Exc AC Tr 2 5
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -152-
CLASSIFICAÇÃO
ARMAMENTO LEVE AQUECIMENT
O
PROVA TOTAL
1. Armas que fazem apenas o tiro
automático
1 rajada (5 tiros
por cano)
2 rajadas (5 tiros
por cano)
30 tiros
2. Armas que fazem apenas o tiro de
repetição
2 tiros 3 tiros 5 tiros
3. Armas que fazem ambos os tipos de
tiro
2 tiros 2 tiros de repetição
1 rajada de 3 tiros
7 tiros
por
arma
4. Requer 10 (dez) tiros, usados para o tiro técnico com o Fz Apontador e para ajustar o
tiro do Can SR.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -153-
NOTA DE AULA
CAPÍTULO I
GENERALIDADES SOBRE MÍSSEIS
1. IMPORTÂNCIA:
A guerra moderna tem solicitado do homem uma gama de conhecimentos técnicos até
então nunca exigidos; longe de nós está o tempo em que os chefes militares procuravam o
combate para nele mostrar, pessoalmente, quem era o mais forte. A medida que a humanidade
foi evoluindo, os meios de combater também o foram; assim, vimos o aparecimento das
primeiras armas de fogo em substituição às armas brancas até então usadas. Não paramos aí
entretanto, e outros passos, ora lentos ora mais rápidos, foram sendo dados até que surgiram os
mísseis.
Os mísseis desempenham um papel importantíssimo no mundo moderno, tanto no campo
da ciência como no campo militar. Na ciência, são eles que possibilitam a colocação em órbitas
dos satélites artificiais que por ai circulam, ajudando os cientistas a realizarem suas pesquisas
fora da atmosfera terrestre e permitindo ao homem empreender a sua tão sonhada conquista do
espaço. No campo militar, os mísseis são empregados como arma de guerra, poderosíssima,
capaz de levar a destruição as mais longínquas partes do mundo e no menor tempo possível. Para
a artilharia antiaérea, particularmente, representa o próprio futuro pois, com as velocidades e
alturas atingidas pelo avião, já não é mais possível enfrentar-se a ameaça apenas com canhões,
tornando-se assim forçoso o emprego dos mísseis.
2. HISTÓRICO:
2.1- Primórdios:
Embora o princípio do jato já seja conhecido há mais de 2000 anos, somente nas últimas
três décadas os estudos em bases científicas deste assunto vem se desenvolvendo. Ao longo da
história encontramos época em que é dada ênfase a estes estudos e logo após caem no
esquecimento para serem revividos anos após em locais diferentes.
A primeira informação da utilização do princípio da reação é imprecisa e vaga. Trata-se
do pássaro de Archytas, cerca de 360 AC. Era um pássaro de madeira, preso em um cordel que
voava utilizando jatos de vapor ou ar comprimido. Outra informação, esta mais completa, sobre a
pré-história do uso da reação, é o engenho denominado Aeolípilo.
Cerca de 53 AC, Heron, filósofo de Alexandria, projetou e construiu um equipamento,
que aproveitando-se do vapor produzia movimento. Constitui-se de um recipiente fechado,
apoiado sobre um tripé, no qual era colocado água; da tampa saíam dois tubos ocos que ligavam
também a uma esfera oca. Nesta esfera duas hastes ocas, com ângulos de 90 graus e
diametralmente opostas, permitiam o escapamento do vapor, quando a água do recipiente é
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -154-
aquecida, produzindo um movimento de rotação. Este invento não teve maior repercussão, pois
na ocasião o trabalho escravo era abundante.
A primeira informação da utilização da reação em armas de guerra data de 1232 DC, na
luta entre chineses e Tártaros, na batalha de Ru-pier.
O relato conta que os chineses defenderam a cidade com flechas de fogo voadoras. Eram
flechas comuns às quais eram atados foguetes.
Os árabes, entre 1250 e 1280, encarregam-se de levar do Oriente para o Ocidente a
invenção dos chineses. No século seguinte, os foguetes eram empregados não só para levar as
tropas como para atear fogo em construções, como aconteceu em 1379 em MESTRE e
CHIAZZA, na Itália.
Em um relato militar alemão de 1405, diversos tipos de foguetes são mencionados.
Provavelmente o mais imaginativo e prático utilizado na época foi inventado pelo italiano
chamado JOANE DE FONTANA por volta de 1405. Era um carro foguete que deve ter sido
utilizado como arma de efeito psicológico, para assustar o inimigo e não há nem mesmo
indicação de que ele tenha sido empregado.
Na França o uso de foguetes voadores para incendiar as cidades sitiadas, teve ênfase no
fim do século XV. O Conde Dunois utilizou-os no sitio de Pont Audemer, em 1449. O grande
mestre da artilharia, Bureal, empregou-o no sitio de Bordêus em 1459, e o Duque de Borgonha,
contra a cidade de Grand em 1453.
A partir deste período a utilização de foguetes como armas de guerra entrou em declínio
não só pelo desenvolvimento cada vez maior do canhão o das armas portáteis, como também
pela falta de resistência dos materiais disponíveis na época, que não permitiam a construção de
um invólucro suficientemente resistente , que suportasse um maior carregamento de pólvora
negra, fato que originava arrebentamentos prematuros, quando se pretendia obter maiores
alcances aumentado a quantidade de pólvora.
O estudo da reação voltou a ter desenvolvimento somente no século XVII quando se
obteve melhor compreensão dos seus princípios, em bases científicas. Sir Isac Newton (1642 –
1727) estabeleceu a relação entre a força e o movimento nas suas 3 famosas “leis”.
2.2. O século XIX:
Durante a ultima metade do século XVIII, a Índia desenvolveu foguetes para fins
militares e possuía, na organização do seu exército um Corpo de Foguetes. Estas armas foram tão
bem empregadas pelo príncipe Hyler Ali em várias batalhas entre 1780 e 1799, que estimulou o
General Deoguliers a fazer numerosas experiências procurando desenvolver um foguete militar.
O sucesso só foi obtido no entanto em 1801 por outro inglês, Willion Congreve, que apoiou suas
experiências do Dosoguliers.
O foguete tipo Congreve, possuía as versões de 8, 12, 32 e 42 libras e com vários
orifícios de ejeção, em torno de uma vareta de estabilização axial. Tais foguetes cujos alcances
atigem 2.500m, foram empregados em 1804 contra Copenhague, onde um bombardeio de 40.000
foguetes destruiu a cidade e obrigou a frota dinamarquesa a capitular. Este tipo de foguete foi
também utilizados pelos ingleses na guerra da independência dos Estados Unidos e na guerra de
1812. Na França os estudos dos foguetes militares foi retomado em 1810 pela comissão
vincomon e foguetes de duas libras foram lançados durante a expedição à Argélia. Os estudos e
experiências prosseguiram o já em 1855 no sítio de sabestopol os franceses lançaram foguetes
cujo o alcance era de 7000, superando aos das bocas do fogo sem raiamento da época.
Até então o processo empregado para estabilizar o foguete durante a trajetória hora uma
haste colocada na sua parte posterior. Em 1846, Wiian Hale, um americano, conseguiu obter
estabilização colocando atrás dos foguetes 3 defletores que eram batidos pelos gases ejetados e
davam aos engenhos uma certa estabilidade pelo efeito giroscópico (rotação).
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -155-
“Durante a guerra do Paraguai”, as “cocheteras Paraguayas” foram notavelmente
eficazes, especialmente contra a cavalaria. Na captura de yatayticora (1866) e no assalto a
curupaity, em Setembro do mesmo ano, os foguetes foram largamente empregados” ( Ten Cel
Welt Durães Ribeiro).
2.3. O século XX:
Durante a primeira Guerra Mundial ( 1914-1918) os alemães usaram-nos para destruir
redes de arames farpados francesas, e estes, laçaram-se contra aviões e contra balões cativos
alemães. HUTCHINGS GODARD, notável americano, ex-professor de física da CLARK
UNIVERSITY, formulou a base da engenharia dos mísseis. GODARD estudou os propelentes
líquidos com o romeno HERMANN OBERTH (1924). Durante o ano de 1933 várias provas
foram realizadas pelo Doutor DORNBERGER e, em conseqüência, apareceram os
NEBELWRFER propulsados a pólvora, e o A-4 ou V-2 do Dr WERNER VON BRAUN, um
dos membros da SOCIEDADE DE FOGUETES DA ALEMANHA. Em 1936, resolveu a
Alemanha realizar um grande programa sobre mísseis dirigidos e gastou inicialmente 100.000
marcos no Projeto PEENEMUNDE.
Contrastando com o atual estupendo desenvolvimento dos antiaéreos, até o final da II
grande guerra mundial, só os mísseis superfície-superfície se desenvolveram. No período
compreendido entre 1942 e 1945 os alemães possuíam 77 tipos de foguetes e bombas
voadoras, tais como a V 1 , subsônica a V-2 ou V-4, subsônica, o WASSSERFALL, antiaéreo,
o RHEIBOTE, de múltiplos estágios e muitos outros, de um modo geral todos os mísseis
americanos, russos ou de qualquer outra nacionalidade, baseiam-se nos trabalhos alemães
realizados a partir de 1939. À decepcionou até certo ponto aos alemães, não obstante os
lançamentos feitos contra a capital da Inglaterra, em junho de 1944 atingiu a casa dos 9250 os
lançamentos feitos sobre Londres, e contra os outros alvos na Europa a casa dos 6550. Com a
captura do porto de Antuérpia pelo I exército Canadense, os alemães decidiram o emprego das
famosas bombas voadoras. Foram feitas 3 séries de ataques, em Outubro e Novembro de 1944,
sendo o último em Janeiro de 1945. Nada menos de 2394 impactos foram conseguidos, sendo de
90% a percentagem de acerto. O A-4, arma de desforra, ou V-2
VERGELTUNGSWAFFEZWEIS foi experimentado em Junho de 1942. Em Outubro já
assombra o mundo pela altitude alcançada e em Janeiro de 1945 atingiram uma velocidade
máxima de 4 MAÇH. As estatísticas dizem que foram conseguidos 517 impactos em Londres.
Na Inglaterra, as experiências sobre mísseis dirigidos iniciaram-se dois anos antes do
início da II Guerra Mundial e, nos Estados Unidos, só depois de começada. Aos russos devemos
atribuir o pioneirismo no campo dos foguetes anti-tanques lançados de avião ou empregados em
barragens preparatórias de um assalto. Os japoneses usaram esta arma em defesa de suas ilhas.
Terminada a guerra, um fato fora do comum aconteceu; aumentou a corrida
armamentista e os programas de desenvolvimento de mísseis tiveram primazia em todas as
nações ricas do mundo, não só como meio de autoconservação, como também por
compreenderem os homens que a tão sonhada conquista do espaço só seria possível pela
utilização dos engenhos movidos a reação.
3. DEFINIÇÕES:
Mísseis – Engenho auto propulsado e não tripulado que se desloca acima da superfície
terrestre.
Míssil Dirigido – Míssil cuja trajetória pode ser modificada, após seu lançamento, por um
mecanismo existente no interior do mesmo.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -156-
Míssil de Vôo Livre - Míssil cuja trajetória não pode ser modificada após o lançamento, pois
não tem sistema de direção ou parte deste em seu interior. Descreve uma trajetória balística.
Mach – É a relação entre a velocidade de um corpo deslocando-se num determinado meio e a
velocidade do som nesse meio.
Propulsão a Foguete – É aquela na qual o míssil carrega o combustível e o comburente e, o
que garante o funcionamento do motor, sem tomadas de ar.
Propulsão a Jato - É aquela na qual o míssil carrega apenas o combustível, dependendo do
atmosférico para completar a combustão do motor.
4. CLASSIFICAÇÃO:
4.1. Quanto ao emprego:
Várias são as maneiras de se classificar os mísseis bastando que se leva em consideração
qualquer um dos seguintes fatores, velocidade, emprego, alcance, sistema de propulsão, etc. Uma
das classificações mais importante é aquela em que se leva em conta o emprego tático e
estratégico. Segundo este fator, os mísseis são classificados do seguinte modo:
Superfície-Superfície (MSS)
Superfície-Ar (MAS)
Superfície-Submarino (MS SUB)
Ar-Ar (MAA )
Ar-Superfície (MAS)
Ar-Submarino (MA SUB)
Submarino-Superfície (M SUB S)
Submarino-Ar (M SUB A)
Dentre essas categorias, uma delas, Superfície-Ar, constitui a moderna AAAé, e podemos
dividi-la, de acordo com as suas possibilidades, em mísseis:
De baixa altura: - ( Teto de 3 Km)
De média altura: - ( Teto de 12 Km)
De grande altura: - ( Teto superior a 12 Km)
Anti-mísseis: - (Atuam contra outros mísseis)
4.2. Quanto à dirigibilidade:
Míssil balístico - Cuja trajetória, após o término do seu propelente, é acondicionada
principalmente pela velocidade restante no momento em que cessa a sua força de propulsão e
pela força de gravidade.
Míssil livre - É o míssil cuja trajetória não pode ser modificada após o lançamento, pois não
tem sistema de direção ou parte deste em seu interior.
Míssil dirigido – É aquele que quando em vôo, sua trajetória esta sujeita a correções ou
alterações.
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4.3. Quanto à trajetória:
Mergulhante – É a trajetória que se verifica dentro da estratosfera isto é, abaixo de 30
quilômetros de altitude, em que o míssil se mantém dentro da parte mais densa da atmosfera.
Emergente - É a trajetória que vai acima da estratosfera, ultrapassando portanto os 30
quilômetros de altitude.
4.4. Quanto ao alcance:
Curto alcance - Alcance inferior a 450 Km.
Médio alcance - Alcance entre 450 e 2300 Km.
Alcance intermediário - Alcance entre 2300 e 5.000 Km
Alcance intercontinental – Alcance entre 5.000 e 15.000 Km.
Alcance global - Alcance superior a 15.000 Km
4.5. Quanto à velocidade:
Subsônico - Velocidade inferior a 1 March
Transônico – Velocidade entre 0,8 e 1,2 March
Supersônico – Velocidade superior a 1 March
Ultrasônico – Velocidade entre 1 March e 5 March
Hipersônico - Velocidade superior a 5 March
5. CONCLUSÃO:
Há inúmeros outras classificações que podem ser dadas aos mísseis. As enumeradas
acima são no entanto suficientes para a compreensão dos capítulos seguintes.
São também classificações importantes aquelas que se referem a propulsão, lançamento,
ogiva e direção, porém deixam de aqui ser estudadas em virtudes destes assuntos serem
abordados, nos capítulos seguintes em maiores detalhes.
CAPÍTULO II
SISTEMAS COMPONENTES
1. GENERALIDADE
Apesar da imensa variedade de tipos de mísseis, de um modo geral, todos são
constituídos pelos seguintes elementos:
Estrutura
Ogiva
Sistema de direção
Sistema de estabilização
Sistema de propulsão
Sistema elétrico
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Todos os elementos citados acima estão presente no míssil, porém para que este possa ser
lançado há necessidade de um equipamento, que lhe forneça os elementos necessários, nos
momentos que precedem ao início do seu deslocamento e no princípio de sua trajetória. Estes
elementos são fornecidos pelo sistema de lançamento.
1.1 ESTRUTURA:
Estrutura é o invólucro do míssil e pode se apresentar com superfície aerodinâmica ou
não, dependendo apenas de se tratar de um míssil dirigido ou de vôo livre.
Fig 01
Na estrutura podemos distinguir as seguintes partes:
Cone – invólucro protetor situado na parte anterior do míssil, que reduz ao mínimo a
resistência ao avanço, e possibilita a reentrada na atmosfera.
Corpo - parte intermediária do míssil, geralmente de forma cilíndrica que pode abranger um
ou mais estágios e que pode alojar partes dos diferentes sistema que compõem o míssil.
Cauda – parte posterior do míssil, comumente de forma troncocônica , onde se fixam as
empenagens e que normalmente aloja o sistema de propulsão. No caso dos mísseis com asa
(avião sem piloto) a empenagem dispõe de superfícies externas de controle denominada
lemes.
Asas – Superfície aerodinâmicas estabilizadoras, fixadas ao corpo do míssil, que podem ou
não possuir superfícies externas de controle, as quais são denominadas “ailerons”.
1.2 OGIVA:
É a parte que fica situada na parte anterior do míssil, protegida pelo cone, e que, de
acordo com seu conteúdo, o caracteriza. Na ogiva encontram-se os seguintes elementos:
Carga – conteúdo da ogiva destinado a provocar danos ao inimigo, pelos seus efeitos. Pode
ser um dos seguintes tipos: alto explosivo, química, bacteriológica e nuclear.
Espoleta – dispositivo destinado a colocar em funcionamento a carga. Pode ser de um dos
seguintes tipos:
Percussão: Aquele que funciona por inércia conseqüente do impacto podendo ser
instantâneo ou de retardo.
Tempo: Aquela que funciona por meio de um mecanismo de relojoaria previamente
ajustado.
Influência: Aquela que funcionada quando acionada por alguma característica do alvo.
Pode ser eletromagnética, magnética, acústica, eletrostática, etc.
Ambiente: Aquela que funciona atuada por alguma característica de ambiente ao redor do
alvo. É o caso das barométricas.
Controlada: Aquela que funciona atuada por um sinal enviado por um comando a
distância. Pode ser controlada a rádio ou a radar.
Mista: Resultante da combinação de dois ou mais tipos citados anteriormente.
Mecanismo de armar e de segurança - destina-se a armar a espoleta no momento oportuno,
impedindo sua ação prematura sobre a carga. Normalmente, nos mísseis superfície-ar, existe
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um dispositivo que permite a autodestruição do engenho, quando este não encontra o alvo,
não permitindo assim que o mesmo venha cair sobre cidades ,instalações ou tropas amigas.
1.3. SITEMA DE ESTABILIZAÇÃO:
O sistema de estabilização é constituído por um conjunto de dispositivos, os quais
permitem ao míssil Ter um deslocamento estável na trajetória, pela redução das oscilações em
torno de seus eixos. Esta estabilização é conseguida por várias maneiras:
Pela rotação do míssil em torno do seu eixo longitudinal: por meio de jatos laterais ou de
outros dispositivos.
Pelo acréscimo de superfícies a cauda, ou sejam , aletas.
Pela manobra de superfícies aerodinâmicas: comandadas por dispositivos internos,
geralmente giroscópios.
1.4. SITEMA DE DIREÇÃO:
a. Generalidades:
Um míssil, durante o seu deslocamento na trajetória, fica sujeito a uma enorme variedade
de forças, as quais produzem efeitos capazes de tira-lo da trajetória correta. Dentre estes, são os
mais importantes:
Efeito de arfar – segundo o eixo de arfar, caracteriza pela tendência que tem o míssil em
abaixar e levantar o nariz ( movimento semelhante ao de um barco levantando e baixando a
proa com o movimento das ondas).
Efeito de rolar – segundo o eixo de rolar, caracteriza-se pela tendência do míssil em girar ao
longo do seu eixo longitudinal.
Efeito de guinar – segundo eixo de guinar, caracteriza-se pela tendência que tem o míssil em
desviar o cone lateralmente.
O sistema de direção é constituído por um conjunto de dispositivos destinados a controlar
a trajetória do míssil, bem como a sua altitude. Para tal fim, existem dois controles distintos:
Controle de rumo - exercido com a finalidade de manter o míssil sempre na direção
desejada e faze-lo chegar ao alcance que se desejar, percorrendo a trajetória numa
determinada altitude. Daí surgem os seguintes controles:
Controle de alcance
Controle de altitude
Controle lateral
Um sistema de controle de rumo é constituído, geralmente por um determinador de rotas,
que serve para acompanha a rota seguida com a desejada; um computador, que calcula o sinal
necessário e envia ao controlador, o Qual vai acionar as superfícies de controle, os jatos
auxiliares ou, produzir deflexões do empuxo, de modo a colocar o engenho no rumo certo.
Alguns mísseis ainda possuem altímetros, odômetros, acelerômetros, etc.
Controle de estabilidade – exercido com a finalidade de anular os efeitos de arfar, rolar e
guinar. Isto é conseguido com o emprego de pêndulos ou giroscópios , os quais medem os
desvios em relação aos eixos, transformando-os em sinais elétricos de erro, os quais servirão
para acionar os mecanismos servos que colocarão em funcionamento as superfícies
aerodinâmicas que por acaso existe no corpo do míssil. Este controle de estabilidade pode ser
conseguidos por processos distintos:
Processo de pêndulos – de pouco emprego pela sua imprecisão, principalmente quando as
acelerações não são constantes, como é freqüente acontecer.
Processo dos giroscópios – o mais utilizado por independer das variações de aceleração.
Este processo apresenta como desvantagem o peso do equipamento e o suprimento de
energia necessário em alguns casos para acionar a massa dos giros.
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b. Tipos de sistema de direção:
Vários são os tipos de SISTEMA DE DIREÇÃO empregados nos mísseis. Os mais
conhecidos são os seguintes:
Ajustagem prévia
Referência terrestre
Rádio-navegação
Navegação astronômica
Inercial
Direção comandada
Seguidor de facho
Atração ativa
Atração Semi-ativa
Atração passiva
Ajustagem Prévia:
Neste tipo de sistema de direção, a trajetória do míssil é determinada previamente, por
meio de elementos introduzidos na aparelhagem de controle, utilizando-se mecanismo de
relojoaria, odômetro, acelerômetros, altímetros, etc.
A V –1 alemã utilizou-se deste tipo de Direção empregando bússolas (para determinação
de direção), altímetros ou barômetros (para determinação de altitude) e odômetros (para
determinação do alcance).
Após o disparo, nenhum ajuste na trajetória poderá ser feito. Este tipo de sistema é
rústico, simples e de custo relativamente barato.
Vantagens – Funcionamento simples, pouco vulnerável às contra-medidas inimigas.
Desvantagens – Pouca precisão, somente pode ser empregado contra alvos fixos.
Referência Terrestre:
Neste tipo, o míssil se vale de alguns fenômenos relacionados com os campos
gravitacionais, elétricos e magnéticos da terra. Assim, as mudanças de pressão atmosférica são
usadas para determinar a altitude; os campos magnéticos existem em torno da terra ou os
acidentes geográficos mostrados numa tela de radar servem para determinar a direção.
O emprego de acidentes geográficos como guia para direção do míssil basea-se na
comparação entre dois filmes, um obtido pela filmagem direta( ou indireta, pelo panorama da
tela do radar) dos acidentes do terreno por o míssil deverá passar, o qual é colocado no interior
do míssil; outro, obtido pela filmagem por instrumentos colocados a bordo do míssil, durante o
seu deslocamento na trajetória. Depois de comparados(internamente no míssil), se houver
divergência entre os filmes, serão gerados sinais de erros que irão acionar os controles e
recolocar o míssil na trajetória correta.
Vantagens – Alcance operacional ilimitado, no que diz respeito a direção, precisão muito boa e
relativamente invulnerável às contramedidas eletrônica.
Desvantagens – É de aplicação limitada, pela dificuldade de obtenção dos dados de trajetória. e
ineficaz contra alvos móveis.
Rádio-Navegação:
Este sistema, também conhecido pelos nomes de NAVEGAÇÃO ELETRÔNICA ou
LINHA BASE, determina a posição do míssil, a bordo utilizando-se de sinais de rádio omitidos
por duas ou mais estações transmissoras, em terra situada ao longo da trajetória desejada.
A posição presente obtida pela comparação do tempo de retardo entre os sinais recebidos
pelo míssil de duas estações em terra. As estações são atividades, simultaneamente, pelo disparo
de um transmissor de bordo, enviando então seus sinais de resposta. Este tempo de retardo
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representa distância, pois, assim, o míssil conhece sua localidade em relação a dois pontos fixos
na sua trajetória e como ele também conhece a posição do alvo em relação a esses dois pontos
fixos, seu computador possui dados suficientes para determinar uma rota precisa, até o alvo.
Surgindo algum erro de posição, controles a bordo recolocarão o míssil na trajetória desejada.
Vantagens – Boa precisão, bom alcance(função do alcance das estações transmissoras de terra)
Desvantagens – ineficaz contra alvos móveis e requer equipamento dispendioso para operação.
Navegação Astronômica:
Para alcances muito grande, um sistema de telescópios, um cronômetro e tabelas ou
mapas estrelares podem ser usadas como sistema de direção. Tal sistema é semelhante ao
utilizado normalmente em aeronaves ou a bordos de navios, por navegadores humanos, contudo
é possível construir equipamentos automáticos para fazer o mesmo trabalho.
Em linhas gerais este sistema funciona determinando a posição aparente dos corpos
celestes, em relação a pontos da superfície terrestre, em um determinado instante, por meio de
um giro compasso obtendo informações de coordenadas destes corpos. O sistema pode medir a
posição presente do míssil e computar, um novo curso até o alvo, comparando seu curso com
dados conhecidos.
Os mísseis que empregam este tipo de sistema de direção são munidos de instrumentos
que referenciam o centro da terra, telescópio para acompanhamento automático de determinados
corpos celestes e medidas de ângulos e computadores que recebem os dados e os interpretam,
estabelecendo o curso do míssil em relação a superfície da terra e enviando correções para os
controles, que irão recolocar o engenho na trajetória desejada.
Inercial:
Neste tipo, o míssil pode corrigir automaticamente sua própria trajetória, depois do
lançamento, por meio de dispositivos especiais, existente no seu interior. O míssil utiliza
mudanças de aceleração em várias direções para computar e corrigir o seu curso.
O sistema é constituído por plataformas estabilizadoras , a base de giroscópios ultra-
sensíveis, que servem de referência durante o vôo, acelerômetro de dupla integração, que medem
os menores desvios sofridos pelo míssil em relação a trajetória desejada (detectam mudanças
nas acelerações dos eixos lateral, vertical e longitudinal do míssil) e corretores de direção, que
servem para eliminar os erros e fazer o míssil voltar automaticamente a trajetória correta.
Vantagens – Todos os componentes estão a bordo do míssil. Invulnerável as contramedidas
inimigas.
Desvantagens – Inconveniente para alvos móveis ou de pequenas dimensões. A precisão é
função do alcance e do tempo de vôo.
Direção Comandada:
Neste tipo, uma série de radares e computador, situados em terra, foram o equipamento
básico para guiar o míssil. Dados sobre as posições presentes do alvo e do míssil são
introduzidos no computador, que os utiliza para determinar um ponto de interceptação e dirigir
o míssil para este ponto. De um modo geral, tal sistema só pode resolver um problema de cada
vez, isto é, somente é capaz de engajar um alvo, até a sua destruição, para, então, poder engajar
outro qualquer.
Para o perfeito funcionamento deste sistema, são necessários os seguintes equipamentos:
Radar de Busca (RB)
Radar de Acompanhamento do Alvo (RAA)
Radar de Acompanhamento do Míssil (RAM)
Computador
O sistema de direção comandada funciona da seguinte forma:
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O alvo é inicialmente detectado pelo RB, que determina seu alcance, azimute e altura.
Estes dados são enviados ao computador que os remete para o RAA, orientando-o na apreensão
do alvo. Assim que o RAA apreende o objetivo, começa a enviar dados sobre a posição presente
do alvo, a cada instante, para o computador. O RAM já está orientado para um míssil a ser
disparado, enviando constantemente ao computador dados sobre a posição deste míssil. O
computador que possui os dados sobre a posição presente do alvo e do míssil passa então a
calcular um ponto de interceptação futuro. Quando este ponto de interceptação está dentro do
alcance do sistema, o computador envia o comando de disparo para o míssil, que passa a ser
automaticamente acompanhado em sua trajetória pelo RAM, enviando este ao computador,
constantemente, dados sobre a posição presente do míssil, a cada instante. O computador estará
por tanto recebendo , a cada instante, dados sobre a posição presente do alvo e do míssil e estará
continuamente calculando dados sobre o ponto de interceptação futuro, que se deslocará sempre
a frente da trajetória seguida pelo alvo. Ainda por intermédio do RAM, o computador envia
comandos que irão orientar o míssil para o ponto de interceptação. No momento apropriado o
computador envia o comando de arrebentamento para o míssil ainda por intermédio do RAM.
Este tipo de sistema é utilizado pelos mísseis da família “NIKE”.
Vantagens – O complexo equipamento de direção do míssil permanece no solo e, assim, pode ser
utilizado muitas e muitas vezes.
Desvantagens – Vulnerável as contramedidas eletrônicas inimigas. Só pode lançar e acompanhar
um míssil de cada vez contra um único alvo.
Seguidor de Facho:
Os mísseis que utilizam este tipo de sistema são lançados dentro de um feixe de radiações
emitidas por um radar localizado em uma estação de controle, em terra. O radar está
constantemente acompanhando o alvo. As antenas situadas no míssil detectam as diferenças
de intensidade, fazendo com que ele procure a zona que contém a maior quantidade de energia,
isto é, o míssil é dirigido ao longo do eixo do facho do radar, o qual se mantém continuamente
apontado para o alvo. Os lançadores são continuamente em elevação e azimute pelo radar
acompanhador do alvo, a cada instante, enquanto durar o acompanhamento, o que possibilita o
lançamento simultâneo de vários mísseis contra o mesmo alvo.
É adequado aos mísseis S-A usados pela marinha, em virtude do equipamento necessário
ser relativamente reduzido.
Sistema de Direção Tipo Seguidor de Facho:
Observa-se que, por construção, a trajetória seguida pelo míssil é instável. Um método de
superar esta trajetória deficiente é utilizar um segundo radar, para o míssil, e um computador,
para o calculo de ponto de interceptação futuro. O computador aponta o radar do míssil e os
lançadores para o ponto de interceptação futuro, enquanto o outro radar acompanha o alvo e
constantemente envia informações deste para o computador.
Esta variação do sistema seguidor de facho é chamado DUPLO SEGUIDOR DE FACHO
e serve para melhorar a precisão anterior.
Vantagens – Permite o lançamento simultâneo de vários mísseis contra um mesmo alvo. Após o
míssil haver entrado no feixe do radar, não necessita de qualquer outro comando.
Desvantagens – É difícil a colocação do míssil no feixe do radar. Exige que o míssil tenha muita
estabilidade na trajetória. A precisão diminui com o alcance. A curvatura da terra determina o
limite do emprego. É ineficaz para alvos a baixa altura.
Por Atração:
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Este tipo de sistema de direção é também conhecido pelo nome de BUSCA
AUTOMÁTICA, e os mísseis que o adotam procuram os alvos, atraídos por uma de suas
características físicas, como, por exemplo:
Emissão ou reflexão de luz
Emissão ou reflexão de calor
Irradiação infravermelhas
Emissão ou reflexão de feixe de radar
Capacitância
Magnetismo,etc
Este tipo de sistema apronta 3 variantes.
Atração Ativa:
Neste tipo, o míssil contém um equipamento que transmite energia, sinais de rádio, radar
calor, luz e ondas de som sobre o alvo, este equipamento é chamado ILUMINADOR, também
a bordo do míssil esta um receptor, que capta a energia refletida pelo alvo, a qual irá acionar os
sistemas de direção do próprio míssil, que se orientará, então para a zona de maior intensidade de
energia refletida pelo alvo, interceptando-o.
Vantagens – Bastante preciso nas proximidades do alvo.
Desvantagens – Sobrecarga do instrumento. Custo excessivo. Sujeito a interferência eletrônica
inimiga.
Atração Semi-Ativa:
Este sistema é semelhante ao anterior excetuando-se o fato de que o iluminador não está
idealizado no míssil, e sim em algum ponto fora dele, isto é no solo ou a bordo de aviões
maternos (para os mísseis Ar-Ar). Os sinais, refletindo-os nos alvos, serão capitados pelo
receptor a bordo do míssil e a orientação sobre o alvo.
É o tipo encontrado nos mísseis "FALCON" e "HAWK".
Vantagens - Ótima precisão.
Desvantagens - Requer instrumentos em terra ou a bordo de um avião. Pode sofrer interferência
eletrônica inimiga.
Atração Passiva:
A maioria dos alvos emite alguma forma de energia como o calor de uma turbina a jato;
portanto, se o receptor a bordo do míssil for bastante sensível esta energia pode ser aproveitada
para orientar o engenho sobre o alvo, isto é , o míssil é dirigido por emanações características do
próprio alvo, tais como som, calor descarga elétrica emanações infravermelho, etc.
Vantagens - Grande precisão, não sofre interferência do inimigo.
Desvantagens - Pequeno alcance, não se presta para utilização contra qualquer alvo.
c. Conclusão:
Nos sistema de direção básicos utilizados pelos mísseis S-S executando-se os AC,
observa-se que todos implicam em uma trajetória razoavelmente fixa e um alvo estacionário.
Para mísseis de defesa aérea, entretanto a natureza do alvo exige que estejamos aptos a atingir
objetivos que podem esta a altitudes elevadas ou extremamente baixas e com grande capacidade
de manobra.
Os mísseis dirigidos permitem levar maior destruição a maiores distâncias do que seria
possível obter com as convencionais.
Na defesa aérea, a possibilidade de dirigir um míssil em sua trajetória, junto com sua
tremenda velocidade, permitem atacar com sucesso qualquer novo tipo de aeronave ou mesmo
míssil inimigo.
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1.5. SISTEMA DE PROPULSÃO DOS MÍSSEIS:
a. Generalidades:
É um dos sistemas componentes do míssil, destina-se a fornecer a energia necessária ao
deslocamento do mesmo na sua trajetória.
Os modernos mísseis empregam motores e jato para sua propulsão. O principio da ação
do jato não é nova; como foi visto anteriormente, tendo já sido empregada pelo homem por
longos anos. Podemos definir a propulsão a jato como força de empuxo produzido pela ejeção
da matéria do interior do corpo propelido. Isto posto, para produzir o empuxo, deve-se utilizar
um método para ejetar a matéria. Isto pode ser por meios mecânicos, tais como bombas e
exaustores, ou por meios térmicos, tais como, reações químicas. Um exemplo comum do método
mecânico é o do deslocamento de um balão cheio de ar, quando este elemento é liberado.
Por que é produzido o empuxo? A resposta pode ser dada com o auxilio das leis de
movimento enunciadas por Newton principalmente a Segunda e terceira que dizem "Uma força
estando em um corpo irá produzir uma aceleração neste corpo, na direção da força" "A cada ação
correspondente uma reação igual e em sentido contrário". Estas leis são facilmente verificadas na
prática. Exemplo comumente citado é o coice que sentimos do fuzil, no ombro, quando
executamos o tiro com esta arma.
Fig 02
b. Estudo dos propelentes:
Propelente: é todo material capaz de desprender energia susceptível de ser aproveitada como
meio de propulsão de um míssil em sua trajetória.
c. Classificação dos propelentes:
De um modo geral os propelentes podem ser grupados em duas grandes categorias:
Combustíveis.
Comburente ou oxidantes.
Várias são as maneiras de classificá-los, sendo os mais comuns os que levam em
consideração o estado físico e o seu uso ou forma de obtenção. Assim temos:
Quanto ao estado físico:
Sólidos.......................Ex. pólvora negra.
Líquido...................... Ex. gasolina, querosene.
Gasoso...................... Ex. oxigênio.
Quanto ao uso:
Convencionais..........Ex. hidrocarbonetos, hidrogênio, gasolina, hidrazina, querosene,
pólvora.
Exóticos....................Ex. pentaborano, diborano, derivados de radicais livres.
Do futuro..................Ex. energia nuclear, propulsão fotônica.
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d. Características dos propelentes:
Sólidos:
Tem aspecto plástico, são de mais fácil manuseio e fabricação e produzem maiores
velocidades de ejeção, embora exigindo grandes pressões e temperatura. São bastante conhecidas
a baliste e a cordite, ambas a base do nitrocelulose e nitroglicerina.. São largamente empregas
nos BOOSTERS (unidades auxiliares de impulsão dos mísseis que se desprendem ou se
destroem no ar, depois de cessada sua finalidade).
Líquidos:
São de emprego generalizado. Os mais comuns para os mísseis são os hidrocarbonetos e
o oxigênio: são ainda empregados o hidrogênio, a hidrazina, o peróxido de hidrogênio, o álcool
etílico e o metílico, ácido nítrico, etc.
Convencionais:
São todos os propelentes a muito conhecidos e usados.
Exóticos:
São derivados do boro (pentaborano e diborano, por exemplo), de obtenção difícil e
manuseio perigoso. Também os conseqüentes de aproveitamento de radicais livres são incluídos
nesta categoria aproveitando-se o principio de que, quando se combinam radicais livres para
formar moléculas, há desprendimento de energia.
A utilização desta energia possibilita impulsos 6 vezes maiores que a dos combustíveis
convencionais.
Do futuro
São os propelentes que poderão vir a ser utilizados no futuro não muito distante,
encontrando-se em fase adiantada de estudos para aplicação prática. Estão incluídos nesta
categoria a energia atômica a propulsão fotônica (que permitiria aos mísseis quase alcançar a
velocidade da luz), a propulsão iônica e a energia solar.
e. Vantagens e desvantagens:
Propelentes sólidos:
Vantagens - Permite estocagem fácil, fácil manuseio, curta duração de queima, grande impulsão
e fabricação simples.
Desvantagens - refrigeração difícil, necessita grande pressão para combustão, sensíveis as
temperaturas externas e impossibilidade de controlar a combustão.
Propelentes líquidos:
Vantagens - facilidade de interromper o abastecimento do propelente, bom para grande alcance e
permitem a trajetória emergente.
Desvantagens - manuseio difícil, demora no lançamento e grande consumo de combustível.
f. Estudo dos reatores:
Reatores são motores a reação, utilizados nos mísseis.
Podem ser classificados segundo o quadro abaixo:
Foguetes Turbo-reator
Reatores Atmosférico Estato-reator
Nuclear Pulso-reator
Foguete:
É aquele que transporta consigo tanto o combustível como o comburente. Portanto,
independente da atmosfera terrestre. É empregado em pesquisas especiais, para a colocação de
satélites em órbita.
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As vezes também é chamado reator de auto-alimentação.
Há dois tipos básicos de reator tipo foguete, quando o propelente é liquido:
Motor foguete a pressão do ar
Motor foguete alimentado por bomba
O ar sobre pressão é armazenado no tanque de ar; quando o ar, a alta pressão é liberado
através das tubulações, o combustível e o comburente são forçados para o interior da câmara de
combustão são expelidos através da turbina, produzindo um empuxo. Para os mísseis que
necessitam um longo período de queima , tais como os mísseis balísticos intercontinentais, este
sistema é inadequado, em virtude de seu peso excessivo. Neste caso, o tanque do ar é substituído
por uma combinação de bomba e gerador de gás, constituindo-se então o motor foguete
alimentado por bombas.
Em virtude do relativo curto período de vida do propelente liquido, quando estocado, a
tendência é de que nos mísseis de emprego tático o motor foguete a propelente liquido seja
substituído pelo motor foguete a propelente sólido. Neste caso, tanto o combustível quanto o
comburente estão dispostos já na própria câmara de combustão.
Nuclear:
Caracteriza-se pela utilização da energia nuclear; independente do oxigênio do ar e com
possibilidade de funcionar por longos períodos de tempo, sem interrupção. Devido a isso a
ciência procurando aperfeiçoa-lo a cada dia e, para Ter uma idéia da quantidade de energia que
este tipo de reator é capaz de fornecer, basta que se saiba que apenas uma libra peso de urânio
235 libera a mesma quantidade de energia que a proveniente da queima de 900 toneladas de
gasolina. Será provavelmente, com engenhos dotados de reatores nucleares que o homem
conseguirá dominar o espaço, atingindo outros planetas.
Atmosférico:
É aquele cujo funcionamento depende do ar atmosférico, já que leva consigo apenas o
combustível. Sofre uma limitação muito grande, por necessitar de oxigênio da atmosfera e, por
isso, não pode ser empregado acima de 30 Km de altitude.
Existem três variedades deste tipo:
Pulso-reator - Está caído em desuso, devido a sua limitação e pequenas velocidades,
não sendo possível, com ele, atingir-se velocidade supersônica. É leve e de
construção simples, utilizando combustíveis comuns; apresenta a desvantagem de
necessitar um impulso inicial para o míssil alçar v6o e Ter pouco Ter pouco tempo de
duração, pois sua partes componentes são muito sensíveis. Consome grande
quantidade de combustível.
Os principais componentes do pulso jato são: a câmara de combustão, sistema de injeção
de combustível, uma vela, uma sede com válvulas borboletas e uma tubeira. Para dar partida ao
motor, é introduzido ar comprimido no interior da câmara, onde é misturado com o combustível
e feita a ignição pela vela. Quando a pressão na câmara de combustão excede a do ar
atmosférico, as válvulas borboletas são fechadas e os gases são forçados através das tubeiras.
Esta evacuação do gás, causa a queda da pressão na câmara de combustão que ficará menor do
que a pressão atmosférica, isto posto, as válvulas borboletas serão forçadas a abri pela pressão
externa, permitindo uma outra carga de ar entrar na câmara de combustão, onde o ciclo se
repetirá. Se o veículo é lançado por uma catapulta ou um booster (primeiro estágio), o pulso jato
se manterá por si próprio. Os alemães usavam esse motor nas V-1.
Turbo-reator:
Empregado pelos mísseis principalmente durante a fase de sustentação. Pertencente as
famílias dos motores de turbina a gás. É leve e econômico ( pequeno consumo de combustível),
convindos ás velocidades entre 0,5 e 1 Mach, e possui a impulsão constante numa larga faixa de
velocidade, para a mesma altitude. Apresenta como desvantagem o fato de ser muito caro e
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complexo, além de Ter o impulso decrescente com o aumento da altitude, o que limita o seu teto
máximo.
Emprega um compressor para obter a pressão de ar necessário para a combustão, um
sistema de injeção de combustível, uma câmara ou câmaras de combustão, uma turbina e uma
tubeira. Para a partida o compressor deve ser girado por algum meio externo, isto é um motor
de partida. A rotação do compressor força a entrada do ar e o mantém sobre pressão na câmara
de combustão, onde ele é misturado com o combustível e se dá a ignição. Os gases aquecidos
fluem para a retaguarda através das lâminas da turbina forçando a turbina girar. Como a turbina
e o compressor estão montados no mesmo eixo, a expulsão dos gases faz funcionar o
compressor. Após o fluxo através das lâminas os gases são expelidos pela tubeira, produzindo o
empuxo. Os tubos reatores estão limitados ao uso na atmosfera sensível, isto é, dependem do
oxigênio da atmosfera para produzir a combustão. Assim sendo os tubos reatores tem uma
limitação em altitude. Também exige equipamentos adicionais, tais como um compressor e uma
turbina. Este tipo de reator e usado em aeronaves comerciais e militares e no míssil RegulusII, da
marinha dos EE UU.
Existe também o turbo reator centrífugo, no qual a pressão do ar é obtida por meio da
força centrífuga.
Estato-reator:
Este motor, apesar de ser o mais simples dos 3 tipos de reator atmosférico, é o que pode
alcançar as maiores velocidades. Pelo fato não dispor de peças móveis, é barato e de fácil
construção. O funcionamento também é simples: quando o motor se movimenta com rapidez, o
ar nele introduzido através do difusor é fortemente comprimido e aquecido em virtude do
fenômeno da formação de uma onda de choque quando em fluxo supersônico é amortecido até
a velocidades supersônicas. O ar aquecido mistura-se ao combustível e produz-se a combustão,
cujos produtos são expelidos através da tubeira, produzindo o empuxo necessário à manutenção
do movimento. Seu consumo nas velocidades médias é elevado, mas passa a ser menor de todos
quando ultrapassa a velocidade de 700 m/s (mais de 2 mach). Especialmente adaptável aos
mísseis, o estado reator pode Ter as dimensões que melhor se ajustem as necessidades
aerodinâmicas. Para entrar em funcionamento, necessita de motores auxiliares de partida,
catapultagem ou de outro veículo que lhe possa imprimir a velocidade necessária a estabelecer
a compressão mínima do ar que permita a estabilização do ciclo.
Como exemplo de míssil que utiliza este tipo de motor, citamos o Bonrk da USAF.
1.6. SISTEMA ELÉTRICO:
É o que fornece a energia elétrica necessária ao funcionamento dos demais sistemas
componentes dos mísseis, já estudados anteriormente. Para este fornecimento de energia duas
fontes podem ser empregadas:
Baterias..................usadas nos pequenos mísseis.
Geradores.............. usadas nos grandes mísseis.
1.7. SISTEMA DE LANÇAMENTO:
a. Generalidades:
Como já foi visto no n. 1 deste capitulo, o sistema de lançamento, não se encontra no
míssil. Sua finalidade é sustentá-lo na ocasião de ser lançado, e em alguns casos, dar-lhe uma
orientação inicial.
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CAPÍTULO III
SISTEMA DE MÍSSEIS ANTIAÉREOS PORTÁTEIS
9 K 38 IGLA
1. GENERALIDADE:
O sistema de míssil antiaéreo portátil 9 k 38 Igla(agulha) destina-se a engajar aviões e
helicópteros voando a baixa altura, bem como mísseis e vant (veículos aéreos não tripulados),
inclusive em ambiente de contramedidas com fonte de calor (flares).
O IGLA é um míssil antiaéreo seguidor de calor, tipo lança e esqueça. Tem
características tecnológicas que o posiciona na faixa de emprego do norte-americano STINGER,
do francês MISTRAL e do JAVELIN britânico.
2. COMPOSIÇÃO:
O sistema 9 k 38 compõe-se de sistema de armas, dispositivo de manutenção e
dispositivo de treinamento.
2.1. Sistema de Armas:
O sistema de armas compreende:
Míssil em seu tubo de lançamento
Fonte de alimentação
Mecanismo de lançamento
2.2. Dispositivo de Manutenção:
O material para a manutenção de primeiro e segundo escalão, realizadas pelas próprias
OM detentoras, acompanha o sistema de armas e centros de treinamentos, inclusive com algumas
peças de reposição.
2.3. Dispositivo de Treinamento:
Composto por:
Simulador
Conjunto igla inerte, para instrução de manejo.
Conjunto igla seccionado, para o estudo do funcionamento.
Manuais técnicos e de operações
3. CARACTERÍSTICAS:
As principais características do sistema são:
Calibre 72,2mm
Comprimento do míssil 1,68m
Peso do míssil 10,6kg
Peso do conjunto em posição de combate 16,7kg
Altura máxima de interceptação 3.500m
Altura mínima de interceptação 10m
Alcance máximo 5.000m
Alcance mínimo 500m
Velocidade máxima do alvo 360m/s
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -169-
Velocidade média de cruzeiro do míssil 570m/s
Tempo de passagem da posição de marcha
para a posição de tiro(máx) 13seg
Tempo de ativação para o lançamento 5 a 6seg
Tipo de guiamento atração passiva por
infravermelho
Tipo de espoleta de impacto
4. ENGAJAMENTO DE ALVOS PELO SISTEMA:
A seqüência de engajamento compreende todas as ações desenvolvidas desde o momento
em que se assuma uma determinada condição de aprestamento, até a efetiva atuação sobre o
vetor hostil. É composta de Fases(F), que tem seu início e término balizadas por Eventos(E).
ESPERA(F) →ALERTA(E)
BUSCA(F) →DETECÇÃO(E)
ACOMPANHAMENTO PELO ATIRADOR →DESIGNAÇÃO(E)
AQUISIÇÃO(F) →APREENSÃO(E)
ACOMPANHAMENTO PELO MÍSSIL →DISPARO(E)
5. A MUNIÇÃO IGLA
Fig 03
O míssil Igla apresenta-se acondicionado em um tubo de lançamento, ao qual já vem
conectada uma fonte de alimentação, e consiste das seguintes partes principais:
5.1. CABEÇA DE GUIAMENTO:
Fig 04
Destina-se a apreender e automaticamente acompanhar um alvo usando sua irradiação
térmica. Consiste de um coordenador e um bloco eletrônico e um nariz aerodinâmico que
destina-se a reduzir a resistência do ar durante o vôo.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -170-
A cabeça de guiamento possui um circuito coordenador de acompanhamento(CCA) e um
circuito de autopilotagem(CA). O CCA é composto de um giroscópio que por sua vez é
composto por, um sistema de lentes, espelho, dois fotodetetores e dois preamplificadores
acompanhando continuamente o alvo, ao mesmo tempo em que envia um sinal de controle para o
CA.
5.2. CONJUNTO DE PILOTAGEM:
Fig 05
Abriga o equipamento de controle de vôo do míssil: atuador com duas superfícies de
controle, fonte de alimentação interna, sensor de velocidade angular , amplificador, gerador de
gás, motor de controle, receptáculo e aletas compensadoras.
Atuador destina-se ao controle aerodinâmico do míssil em vôo.
Fonte de Alimentação Interna é responsável por fornecer energia para os diversos
componentes do míssil durante o vôo. Consiste de um gerador e um retificador de corrente.
Motor de Controle destina-se a controlar o míssil no estágio inicial da trajetória, quando a
velocidade ainda não é suficiente para permitir o controle aerodinâmico realizado pelo
atuador.
Receptáculo permite o acoplamento elétrico do míssil ao tubo de lançamento.
5.3. CARGA DE ARREBENTAMENTO:
Fig 06
Compõe-se de: carga explosiva, espoleta de impacto e detonador. É a parte do míssil
destinada a destruir o alvo, no míssil Igla os efeitos da carga explosiva são acrescidos da
explosão do combustível restante no conjunto propulsor.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -171-
5.4. CONJUNTO PROPULSOR:
Fig 07
É dividido em, propulsor de lançamento e propulsor de sustentação:
Propulsor de lançamento responsável em retirar o míssil do interior do tubo.
Propulsor de sustentação responsável em levar o míssil até a velocidade de cruzeiro e
mantê-lo nesta velocidade.
5.5. EMPENAGENS ESTABILIZADORAS
Destina-se a prover a estabilização aerodinâmica do míssil em vôo, além de manter seu
movimento de rotação.
5.6. TUBO DE LANÇAMENTO:
Fig 08
Permite o disparo preciso e seguro do míssil e seu guiamento durante o lançamento, além
de reter o propulsor de lançamento. Serve ainda como container para a munição.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -172-
Consiste de um tubo de fibra reutilizável, que pode ser recarregado até 5 vezes pelo
fabricante. Possui uma unidade transmissora, aparelho de pontaria, conjunto de ligação, conector
e receptáculo, além de duas braçadeiras e bandoleira para transporte.
5.7. FONTE DE ALIMENTAÇÃO:
Fig 09 Fig 10
A fonte de alimentação é projetada para um único uso, e destina-se a suprir o agente
refrigerante para a cabeça de guiamento e prover energia elétrica para o sistema durante a
preparação do míssil para o lançamento. Consiste de uma garrafa de pressão e uma bateria com
eletrólito sólido.
A bateria consiste de componentes eletroquímicos conectados num circuito misto série-
paralelo. Entre os componentes eletroquímicos situa-se um conjunto de aquecedores
pirotécnicos.
A fonte de alimentação acopla-se ao tubo de lançamento através do seu tubo de conexão,
que se adapta a seu bocal de encaixe no conjunto de ligação. Quando o mecanismo de perfuração
do conjunto de ligação é acionado, um percursor no interior do tubo de conexão perfura a
membrana da garrafa de pressão, e o gás flui em direção ao míssil, através dos dutos do
conjunto de ligação, até a cabeça de guiamento. Nesse processo a própria força do gás impele um
outro percursor, que aciona a cápsula de ignição dos aquecedores pirotécnicos. A queima destes
derrete o eletrólito da bateria, deixando-a em condições de operação.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -173-
NOTA DE AULA
TRANSFORMAÇÃO DE MUNIÇÕES E DESTRUIÇÃO
CAPÍTULO I
TRANSFORMAÇÃO DE MUNIÇÕES
1) PRESCRIÇÕES GERAIS
Uma determinada munição pode sofrer transformações que se enquadrem em uma
das quatro modalidades: Conservação, modificação, desmancho e destruição.
Tais transformações serão feitas em estabelecimentos especializados, em
conformidade com o que vai exposto no item seguinte.
2) MODALIDADES DE TRABALHO
A) Conservação
Destina-se a manter a munição em condições de pronto emprego.
Operações
Limpeza e proteção das superfícies externas.
Recondicionamento => Remoção da ferrugem, pintura, remarcação e
reembalagem.
Responsabilidade
Depósitos de unidades.
B) Modificação
Destina-se a introduzir aperfeiçoamentos técnicos nos elementos de munição.
Responsabilidade
Estabelecimentos fabris.
C) Desmancho:
Destina-se a desmontar a munição ou seus elementos com a finalidade de lhes
retirar elementos componentes.
Execução
Pessoal especializado.
Responsabilidade
Depósitos centrais ou regionais e estabelecimentos fabris.
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D) Destruição:
Destina-se a queimar, lançar ao mar ou detonar as munições ou elementos que não
possam ser desmontados, recuperados ou que não apresente segurança para o manuseio.
Execução
Pessoal habilitado dos depósitos de unidades, observando prescrições do C 5 -
25.
CAPÍTULO II
DESTRUIÇÃO
1) DESTRUIÇÃO DE EXPLOSIVOS, MUNIÇÕES E ELEMENTOS
COMPONENTES
A) PRESCRIÇÕES GERAIS
A1) Generalidades
Deverão ser destruídas:
Munições proibidas (Cat E), falhadas ou deterioradas.
Munições que não possam ser recuperadas.
Munições para as quais não haja vantagem ou possibilidade de aproveitamento
de qualquer de seus elementos componentes.
Para que o inimigo não se aposse ( Guerra ).
Munições na categoria E:
OBS - Destruir apenas o elemento que estiver nesta categoria. Elementos restantes e
matéria prima aproveitável serão recolhidos ao órgão competente, conforme instruções especiais.
Não deverá ser levado em consideração a parte econômica quando for necessária a
destruição, pois em caso de acidentes, serão maiores os prejuízos materiais, pessoais e morais.
A2) Pessoal
Habilitado e restrito ao menor número possível.
Não será permitido o emprego de uma única pessoa inexperiente ou sem
instrução.
A3) Local
Não deve possuir piso de concreto.
Afastado de vegetação no mínimo a 60m de distância.
Afastado de estradas e habitação, no mínimo a 750m de distância.
A4) Segurança
Emprego de guardas, sinais de segurança e avisos.
Pessoas não autorizadas fora das áreas consideradas perigosas.
A5) Autorização para a destruição
Elementos falhados deteriorados ou perigosos => Detentor do material.
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Exame laboratorial na categoria “E” => Destruição imediata, após, Termo de
Destruição (3 vias).
Munições de armas em desuso => Somente com ordem do escalão superior.
A6) Métodos de destruição
As destruições poderão ser executadas nos seguintes métodos:
• Detonação;
• Queima ou combustão; e
• Imersão no mar.
OBS - É absolutamente proibido o enterramento, lançamento em fosso, pântano, córrego
ou terreno abandonado.
A6.1) Destruição por detonação
Usados petardos (TNT).
Preferencialmente o processo pirotécnico.
Espoletas militares.
A6.2) Destruição por queima ou combustão
Deve-se utilizar rastilho de material inflamável, de pólvora ou estopim.
Deve-se aguardar, no mínimo 24 h para a repetição de uma queima no mesmo
local.
Os explosivos devem ser retirados de suas embalagens.
Remoção de capim seco e outros materiais inflamáveis em um raio de
60 m.
Material de combate a incêndios nas proximidades.
O local deverá ser molhado ao final de cada operação.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -176-
A6.3) Destruição por imersão no mar
Autoridades navais consultadas.
Local escolhido: 16 Km do litoral e o mais profundo das circunvizinhanças
(mínimo 1200 m para munições químicas e 900 m para as demais).
Materiais suficientemente pesados.
Proibida imersão em bacias ou vias navegáveis.
Materiais retirados das embalagens.
B) MEDIDAS DE SEGURANÇA
B1) Generalidades
Previstas no manual C 5 - 25. Entretanto, além das medidas já citadas para cada
tipo de destruição, deve atentar também, para as prescrições do próximo item.
B2) Escolha do local de destruições
Afastado de armazéns, construções, estradas rodoviárias e ferroviárias, paióis etc,
observadas as distâncias mínimas de segurança.
No processo por detonação:
Distância mínima de 750 m, caso não seja possível, um fosso limitará o alcance dos
estilhaços.
Fosso: 1,5 m de profundidade e com crista de terra ao redor.
Pessoal abrigado e com capacete de aço.
No processo por queima ou combustão:
Levar em consideração a direção do vento.
Pessoal, havendo possibilidade, deverão vestir roupas especiais à prova de fogo.
C) DESTRUIÇÃO DE EXPLOSIVOS A GRANEL
PÓLVORA NEGRA
Método mais seguro => Imersão, caso contrário queima.
Para a abertura dos cunhetes, é proibido o uso de ferramentas que produzam faíscas.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -177-
Somente a pólvora de um cunhete por vez e em quantidade que não seja superior a
25 Kg.
Faixa de 5 cm de largura e afastada de outra, pelo menos 3 m.
Rastilho de pelo menos 7 m
D) DESTRUIÇÃO DE MUNIÇÕES E ELEMENTOS COMPONENTES
D1) CARGA DE PROJEÇÃO DAS MUNIÇÕES SEM ESTOJO
Cápsula da escorva retirada antes da combustão.
Tomar medidas de proteção contra possíveis partículas explosivas.
Não podem ser empilhadas, deverá ser colocadas em um fosso, intercaladas, e
quantidade máxima de 300 Kg.
D2) GRANADAS DE ARTILHARIA, DE MORTEIRO, DE BOCAL, DE MÃO E
CABEÇAS DE ROJÕES DESMONTADOS
Fosso ou trincheira de 1,2 m de profundidade.
Deve-se obedecer a “Tabela de explosivos necessários a destruição por
detonação”.
Caso haja necessidade de mais que um fosso a distância mínima de cada um será
de 100 m.
TABELA DE EXPLOSIVOS NECESSÁRIOS A DESTRUIÇÃO DE GR POR
DETONAÇÃO
MATERIAL A SER DESTRUÍDO
QTD DE EXPLOSIVO
POR TIRO (TNT)
NÚMERO MÁX DE
GRANADAS A
DESTRUIR JUNTAS
Gr M, Gr Bc, Rj e Gr até 57 mm 250 g 20
Gr de 58 a 90 mm e Gr de Mrt 500 g 10
Gr de 91 a 177 mm e 6” 750 a 1000 g 05
Gr de 178 a 280 mm e 8” 1250 g 02
Acima de 280 mm 1500 g 02
D3) ROJÕES
Separar a cabeça do tubo motor.
Retirar do tubo motor o propulsor e o ignitor e destruí-los, separadamente, por
queima.
Caso não seja possível a separação do propulsor do ignitor, colocar o motor na
vertical fixando-o ou enterrando-o parcialmente, e então queima-se o propulsor.
Caso não seja possível a separação da cabeça do tubo motor, o tiro completo poderá
ser destruído por detonação, mas tendo-se o cuidado para que a operação seja segura e
completa.
D4) MUNIÇÕES COM CARGA DIRIGIDA:
Especial atenção será dada a direção dos jatos produzidos por este tipo de munição.
D5) MUNIÇÕES DO ARMAMENTO LEVE
Fosso com: 0,6 m de altura, 1 m de largura e 1,2 m de profundidade.
Quantidade máxima a destruir por vez: 1000 cartuchos.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -178-
E) CAMPOS DE INSTRUÇÃO
E1) GENERALIDADES
As munições que não tiverem funcionado depois do tiro são denominadas
“falhadas”.
Logo após o encerramento de um exercício de tiro o campo será vasculhado e os
engenhos falhados serão destruídos.
E2) REGRAS DE SEGURANÇA:
Cuidados especiais deverão ser tomados para que pessoas estranhas não transitem
pelo campo e não apanhem munições falhadas.
Em complemento as medidas gerais de segurança, deve-se assinalar com
bandeirolas vermelhas, avisos, marcas ou cercas as zonas perigosas, ressaltando a proibição de
apanhar munições e transitar pela linha de tiro, sob a pena de aplicação de sanções.
A colocação de sinais é necessária para a segurança pública e não deverá ser
negligenciada.
E3) DESTRUIÇÃO DE MUNIÇÕES FALHADAS
A responsabilidade pela segurança e o policiamento dos campos de tiro cabe,
exclusivamente , ao oficial comandante da tropa que executar o tiro.
Campos de tiro de pequeno alcance (Gr Bc, Gr M, Rj), serão limpos após o
término de cada exercício de tiro; campos de longo alcance (Gr Mrt, Gr Can, Gr Ob), serão
limpos periodicamente.
Munições falhadas e/ou seus componentes são muito sensíveis, e como tal não
deverão ser tocados.
Nos raros casos de remoção de munição falhada, a fim de destruição , todas
as operações para este procedimento, serão executadas sob a supervisão, direção ou execução
de elementos capacitados.
Nenhuma tentativa deverá ser feita para desmontar um tiro de munição falhada.
Munições falhadas serão destruídas no próprio local, por petardos de TNT junto as
suas paredes circundadas por sacos de areia, para limitar o alcance dos estilhaços.
Distâncias de segurança: 1000 m para superfície sem proteção; 100 m para
posições abrigadas.
Destruição com mais que 50 Kg de explosivos, deverá ser respeitada a distância
prevista na “Tabela para edifícios habitados”.
As instruções gerais para a destruição de munições falhadas são semelhantes a
destruição de munições por detonação, e as regras gerais de segurança, também serão as mesmas.
Munições químicas: Procedimentos iguais aos demais projéteis, porém os fossos
ou trincheiras serão tapados e/ou descontaminados; fazendo-se o uso de máscaras e
equipamentos de proteção e ainda levando em conta a direção do vento.
Após a destruição das munições falhadas o oficial encarregado do trabalho,
pessoalmente , percorrerá a área para assegurar-se que nenhum elemento foi esquecido.
2) PROCESSOS DE LANÇAMENTO DE FOGO ÀS CARGAS
A) GENERALIDADES
Finalidade: Sob o ponto de vista militar é destruir ou inutilizar para emprego
posterior, pontes, campos de aviação, rodovias, ferrovias ou partes importantes de equipamentos
abandonados a destruir ou abrir brechas nos obstáculos inimigos.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -179-
As destruições podem ser realizadas por meios mecânicos, fogo, água, tiros,
bombardeios e explosivos instalados no local.
A instalação de explosivos é a mais rápida, positiva , segura e econômica maneira
de destruir.
B) PROCESSOS DE LANÇAMENTO DE FOGO
B1)Processo pirotécnico de lançamento de fogo.
B2)Processo elétrico de lançamento de fogo.
B3)Processo de lançamento de fogo empregando o cordel detonante.
B4)Processo duplo de lançamento de fogo :
B4.1)Duplo pirotécnico.
B4.2)Duplo elétrico.
B4.3)Misto.
B 1)PROCESSO PIROTÉCNICO DE LANÇAMENTO DE FOGO
B1.1) MATERIAL EMPREGADO
•ACENDEDORES
Facilita o ato de acender o estopim mesmo quando há muito vento.
Acendedor M 1 de fricção
Acendedor M 2 à prova d’água
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• ESTOPINS
Meio de propagação lenta e segura do fogo de 93 a 113 s/m [a espoleta comum nº
8].
Estopim comum
Estopim hidráulico
ESPOLETA COMUM Nº 8
Elemento iniciador de uma carga explosiva.
•ADAPTADOR DE ESCORVA
Simplifica e dá segurança ao escorvamento.
ALICATE DE ESTRIAR
Permite a fixação segura e eficiente do estopim à espoleta comum nº 8.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -181-
B1.2) VANTAGENS
Exige pouco material.
Execução rápida.
B1.3) DESVANTAGENS
A umidade pode afetar a espoleta comum e / ou o estopim.
B1.4) CADEIA DE ACIONAMENTO:
Chama => estopim => espoleta comum nº 8 =>alto explosivo.
B1.5) ESCORVAMENTO PIROTÉCNICO
Operação de adaptar uma espoleta comum nº 8 com estopim (estriada) ao
explosivo.
B1.6) FALHAS NO PROCESSO PIROTÉCNICO DE LANÇAMENTO DE
FOGO
CAUSAS DAS FALHAS
Estopim em mau estado.
Explosivo deteriorado.
Instalação incorreta das escorvas.
Não verificação no acendimento do estopim.
COMO EVITAR FALHAS
Preparação correta da escorva.
Dispor cuidadosamente o explosivo.
Colocação acertada da escorva.
Cuidado (se for o caso) na preparação do enchimento.
Usar corretamente a técnica de acionamento.
B1.7) MEDIDAS DE SEGURANÇA RELATIVAS A ESPOLETA COMUM
Nº 8
Não expor a radiação direta do sol.
Não transportar nos bolsos.
Não retirar fazendo uso de objetos pontiagudos.
Não bater ou experimentar de outra forma.
Não estriar com dentes ou facas.
Proteger contra o choque e calor elevado.
Não permitir pressões.
Não armazenar com outros explosivos.
Transportar na mesma viatura que os explosivos somente em caso de
emergência.
B1.8) CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS PARA A UTILIZAÇÃO DO
ESTOPIM
As extremidades do estopim expostas ao ar livre por 24 horas, absorvem
umidade.
Para evitar falhas deve-se cortar de 5 a 7 cm da extremidade e lançar fora.
Para conhecer a velocidade de queima de um estopim basta cortar um
pedaço (10 cm) e cronometrar o tempo de queima.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -182-
B1.9) ESCORVAMENTO
1 - Cortar o estopim segundo sua seção reta.
2 - Retirar uma espoleta comum nº 8 da caixa.
3 - Segurar a espoleta comum nº 8 com a abertura voltada para baixo e sacudi-la
levemente.
4 - Segurar a espoleta comum nº 8 verticalmente e faze-la descer suavemente até que a
extremidade do estopim esteja totalmente introduzida e em contato com o explosivo da
espoleta comum nº 8.
5 - Segurar o estopim com os dedos polegar e anelar e pressionar levemente a espoleta
comum nº 8 com o indicador.
6 - Tocar o rebordo da espoleta comum nº 8 com o dedo médio, afim de auxiliar o
caminho para o alicate de estriar e adquirir reflexo par a estriar mesmo que seja sem
visibilidade.
7 - Com auxílio do alicate de estriar, estriar a espoleta comum nº 8 próximo a sua
extremidade aberta.
8 - Caso a ligação acima vá permanecer por um período maior que 24 horas, protegê-la
com a composição para a vedação de espoletas ou sabão.
B2) PROCESSO ELÉTRICO PARA ACIONAMENTO DAS CARGAS
B2.1) MATERIAL EMPREGADO
•EXPLOSOR
Pequeno gerador de corrente elétrica para o acionamento de espoleta elétrica.
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•CABO CONDUTOR E BOBINAS
Faz a ligação entre o explosor e a espoleta elétrica.
• ESPOLETA ELÉTRICA
Elemento iniciador de uma carga explosiva.
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•GALVANÔMETRO
Instrumento utilizado para verificar se há interrupção no circuito de acionamento.
• ADAPTADOR DE ESCORVA (UTILIZAÇÃO)
Simplifica e dá segurança ao escorvamento.
B2.2) VANTAGEM
Segurança.
B2.3) DESVANTAGENS
Equipamento mais completo e pesado.
B2.4) CADEIA DE ACIONAMENTO
Corrente elétrica => cabo condutor => espoleta elétrica => alto
explosivo.
B2.5) ESCORVAMENTO ELÉTRICO
Operação de adaptar uma espoleta elétrica ao explosivo.
B2.6) CIRCUITOS
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• CIRCUITO EM SÉRIE:
Para o acionamento com o explosor.
Ligar um dos condutores da 1ª espoleta elétrica a um dos
condutores da 2ª espoleta elétrica, ligar um dos condutores da 2ª espoleta elétrica a um dos
condutores da 3ª espoleta elétrica, assim por diante até só restar livre um condutor da 1ª carga e
outro da última. Estes dois finalmente, ligados aos condutores principais.
• SALTO DE RÃ
Para uma linha de carga muito extensa.
Em distâncias maiores que 3,6 m (comprimento dos
condutores da espoleta elétrica). Faz-se a ligação dos condutores principais entre os fios da
espoleta elétrica em cargas alternadas, sendo que o cabo condutor livre da última carga emenda-
se com o da penúltima.
• CIRCUITO EM PARALELO
Somente no caso de uma forte corrente elétrica.
Os fios da espoleta elétrica são ligados diretamente ao
condutor principal.
• CIRCUITO SÉRIE PARALELO
Também em caso de uma forte corrente elétrica.
Conjunto de circuitos em série e paralelo num mesmo
circuito.
• LOCALIZAÇÃO DE DEFEITOS NO CIRCUITO
A bobina deverá ser inspecionada antes de ser empregada.
• CURTO-CIRCUITO
Separa-se os fios das extremidades e faz-se o uso do
galvanômetro, que não deverá produzir deflexão no seu mostrador, caso contrário, é uma
indicação da presença de um curto-circuito.
• RUPTURA
Enrola-se as pontas em uma das extremidades e na outra
faz-se o uso do galvanômetro, que neste caso, deverá produzir deflexão no seu mostrador, caso
contrário, é uma indicação de ruptura.
B2.7) FALHAS NO PROCESSO ELÉTRICO DE LANÇAMENTO DE
FOGO
CAUSAS DAS FALHAS
Explosor fraco.
Operação incorreta do explosor.
Espoleta elétrica fraca para a sensibilidade do explosivo.
Ligações mal feitas causando curtos-circuitos, circuitos abertos ou
grande resistência.
Circuito elétrico danificado.
Escola de Material Bélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -186-
Emprego de espoletas elétricas diferentes (fabricantes ou potência)
num mesmo circuito.
Demasiado número de espoletas elétricas num mesmo circuito.
COMO EVITAR FALHAS
Além pontos salientados no processo pirotécnico de lançamento de
fogo:
Verificar se todas as espoletas elétricas estão incluídas no circuito
de fogo.
Verificar se todas as ligações estão bem feitas.
Evitar os curtos-circuitos.
Evitar o “terra”.
Certificar se o número de espoletas elétricas de cada circuito não
exceda a capacidade do explosor.
B2.8) MEDIDAS DE SEGURANÇA RELATIVAS A ESPOLETA
ELÉTRICA Nº 8
Não expor a radiação direta do sol.
Não transportar nos bolsos.
Não bater ou experimentar de outra forma.
Não separar os condutores, até o momento do uso.
Proteger contra o choque e calor elevado.
Não permitir pressões.
Não armazenar com outros explosivos.
Transportar na mesma viatura que os explosivos somente em caso de
emergência.
B3) LANÇAMENTO DE FOGO COM CORDEL DETONANTE
B3.1) MATERIAL EMPREGADO
O cordel detonante serve apenas como uma escorva para um dos processos
de lançamento de fogo às cargas pré determinado (pirotécnico ou elétrico).
• Cordel detonante
• Clipe e / ou
Material pirotécnico:
Acendedores
Estopins
Espoleta comum nº 8
Adaptador de escorva
Alicate de estriar
Material elétrico:
Explosor
Cabo condutor e bobinas
Espoleta elétrica
Adaptador de escorva
Galvanômetro
B3.2) VANTAGEM
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Acionamento de várias carga com apenas uma espoleta (comum ou
elétrica).
B3.3) DESVANTAGENS
É afetado pela umidade.
Equipamento mais completo e pesado.
B3.4) CADEIA DE ACIONAMENTO
Chama => estopim => espoleta comum nº 8 => cordel detonante => alto
explosivo, ou Corrente elétrica => cabo condutor => espoleta elétrica => cordel detonante =>
alto explosivo.
B3.5) ESCORVAMENTO COM O CORDEL DETONANTE
Operação de escorvar com o cordel detonante o explosivo, tendo-se o
cuidado de deixar um chicote superior a 15 cm da escorva.
B3.6) FALHAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO DE FOGO
EMPREGANDO O CORDEL DETONANTE
CAUSAS DAS FALHAS
Com exceção a umidade ou rompimento do cordel detonante, as demais
falhas terão caráter diretamente ligado ao processo de lançamento de fogo às cargas.
COMO EVITAR FALHAS
Verificar os pontos salientados nos processos pirotécnico e elétrico de
lançamento de fogo.
B4) PROCESSO DUPLO DE LANÇAMENTO DE FOGO ÀS
CARGAS
B4.1) MATERIAL EMPREGADO
Dependente diretamente do duplo circuito a ser escolhido.
B4.2) VANTAGEM
Evitar as possíveis falhas.
B4.3) DESVANTAGENS
Equipamento muito mais completo e pesado.
•PROCESSO PIROTÉCNICO DE DUPLO LANÇAMENTO DE
FOGO:
Consiste em dois dispositivos pirotécnicos de lançamento de fogo,
independentes para o acionamento de uma só carga ou conjunto de cargas.
•PROCESSO ELÉTRICO DE DUPLO LANÇAMENTO DE FOGO:
Consiste em dois dispositivos elétricos de lançamento de fogo,
independentes para o acionamento de uma só carga ou conjunto de cargas.
•PROCESSO MISTO DE DUPLO LANÇAMENTO DE FOGO:
Consiste da combinação de um circuito pirotécnico e um circuito elétrico
num mesmo conjunto.

Amt Munições

  • 1.
    ÍNDICE DAS APOSTILAS APOSTILAPÁGINA EXPLOSIVOS MUNIÇÃO DE AMAMENTO LEVE MUNIÇÃO DE ARMAMENTO PESADO CONSERVAÇÃO E TRANSPORTE DE MUNIÇÕES MÍSSEIS DESTRUIÇÃO
  • 2.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -2- NDICE DOS ASSUNTOS Capítulo 01 – Explosivos ............................................................................................... 03 1. Definição .................................................................................................................... 03 2. Velocidade de transformação ..................................................................................... 03 3. Excitação .................................................................................................................... 04 4. Onda explosiva ........................................................................................................... 04 5. Composição ................................................................................................................ 05 6. Classificação .............................................................................................................. 06 7. Propriedades principais dos explosivos ..................................................................... 08 8. Requisitos de um explosivo ....................................................................................... 08 9. Principais explosivos militares .................................................................................. 09 Capítulo 02 – Baixo Explosivos .................................................................................... 11 1. Pólvora negra ............................................................................................................. 11 2. Pólvora coloidal ......................................................................................................... 13 Capítulo 03- Alto Explosivos ......................................................................................... 16 1. Explosivos iniciadores ............................................................................................... 16 2. Explosivos reforçadores ............................................................................................ 17 3. Explosivos de ruptura ................................................................................................ 18 Capítulo 04 – Munições ................................................................................................. 22 1. Introdução .................................................................................................................. 22 2. Classificação .............................................................................................................. 23 3. Encadeamento explosivo ........................................................................................... 24 4. Classificação dos explosivos dentro da cadeia .......................................................... 24 5. Munições químicas ou não letais ............................................................................... 24 Capítulo 05 – Artifícios ................................................................................................. 32 1. Definição .................................................................................................................... 32 2. Classificação .............................................................................................................. 32 3. Artifícios Iniciadores ................................................................................................. 32 4. Artifícios Pirotécnicos ............................................................................................... 37
  • 3.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -3- CAPÍTULO I EXPLOSIVOS 1. DEFINIÇÃO São substâncias que sob a ação de um excitante, se transformam em grande volume de gases, sob grande pressão, em um curto espaço de tempo e com grande produção de calor. 1.1. Análise da Definição a) Necessidade do excitante: por menor ou mais variado que seja a excitação, sempre será necessário um elemento extrínseco para iniciar a transformação. Um caso raríssimo de explosão espontânea (sem excitação) é o da pólvora de nitro-celulose seca. b) Grande volume de gases: todo explosivo transforma-se em uma quantidade muito maior de gases que expandem-se na atmosfera. Ex: 1 litro de pólvora negra (PN) transforma-se em 300 litros de gases. 1 litro de nitroglicerina (NG) transforma-se em 700 litros de gases. c) Grande pressão: atuação de uma força sobre uma área determinada e que quando confinada no interior de um cano ou tubo impulsiona o projetil em direção ao alvo. d) Curto espaço de tempo: embora a percepção humana ache instantânea, a velocidade de transformação é variável. e) Calor desprendido: toda transformação produz calor. Ex:1 Kg de PN gera 2600º C. 2. VELOCIDADE DE TRANSFORMAÇÃO A transformação de um explosivo nunca é instantânea como parece aos nossos sentidos. Dentre os fatores para a variação da velocidade de transformação estão a: • quantidade de explosivo; • tipo de explosivo; • condições e forma de emprego; e • pureza e estado de conservação. Um mesmo explosivo pode queimar, deflagrar ou explodir influenciado pelas causas do item acima (quantidade, condições, etc).
  • 4.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -4- Concebendo-se vários explosivos em forma de um fio, sem nenhuma compressão e excitados ao ar livre, observamos que a velocidade de transformação dos mesmos é variável; uns se transformam mais rapidamente e outros mais lentamente. Os fenômenos observados são os seguintes: • queima(inflamação) ................até 1000 m / s. • deflagração ..............................de 1000 a 2000 m / s. • explosão ..................................de 2000 a 3000 m / s. • detonação ................................acima de 4000 m / s. 3. EXCITAÇÃO Normalmente, salvo em casos raríssimos, é necessária uma excitação para iniciar a transformação de um explosivo. Mesmo uma excitação involuntária ou imprevista (um choque, calor de sol, etc) se faz necessária. a) tipos de excitação: • mecânica: dispositivo de percussão das armas, choque, atrito, etc. • física: corrente elétrica, chama, centelha, aumento de temperatura, etc. • química: explosão por simpatia através da explosão de outro explosivo, geralmente um explosivo iniciador (espoleta), etc. 4. ONDA EXPLOSIVA Representa a influência de determinada explosão, direcionada ou não. Um alto explosivo gera durante a sua transformação uma onda de choque que propaga-se em todas as direções a partir do local da explosão (esfera). Se a velocidade de. transformação for muito rápida, após a transformação de toda a massa explosiva, os gases ainda não terão tido tempo de expandirem-se e formarão um pequeno volume com considerável pressão. A descompressão dos gases será, então, muito mais violenta. Caso esta onda de choque encontre um outro explosivo que tenha sensibilidade ao choque o mesmo poderá detonar, caracterizando desta forma a explosão por simpatia, influência ou indução.
  • 5.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -5- Em linhas gerais a onda de choque será amplificada no sentido da direção do primeiro explosivo para o segundo formando o chamado encadeamento explosivo. 5. COMPOSIÇÃO Os explosivos contém: 5.1. Indispensavelmente • comburente : corpo capaz de ocasionar a combustão de outro corpo, misturando-se com ele. Ex: nitratos, cloratos, ar líquido, etc. (à base de oxigênio). • combustível : combinado com o comburente, é o que se inflama. Ex: carvão vegetal, amidos, celulose, óleos, etc. (à base de hidrogênio, carbono, enxofre, alumínio, etc). 5.2. Facultativamente a) elemento suporte: elemento que liga o comburente ao combustível. b) elementos auxiliares: não alteram o valor dos explosivos, mas fornecem-lhes determinadas características necessárias. São os seguintes: • dissolventes – empregados para dissolver o explosivo com a finalidade de fazer com que tenha maior homogeneidade. Ex: álcool, éter , acetona, etc. • gelatinizantes – empregados para dissolver o explosivo além de fazer com que adquira uma consistência gelatinosa. Ex: glicerina, etil, centralite, etc. • estabilizantes – empregados para fazer com que o explosivo adquira uma maior estabilidade, tornando-o mais resistente ao calor e à umidade. Ex: cânfora, parafina, vaselina, resina, goma-laca, pixe, etc. • absorventes – empregado para fazer com que determinado material absorva um explosivo, facilitando o emprego. Ex: farinha de “Kielseguhr” absorve a nitroglicerina, formando a dinamite. • refrigerantes – empregados para diminuir as altas temperaturas geradas na transformação. Ex: guanidina e polivinila.
  • 6.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -6- 6.CLASSIFICAÇÃO 6.1. Quanto à velocidade de transformação • baixos explosivos: (pólvoras) => empregados para cargas de projeção, artifícios pirotécnicos e eventualmente, ruptura. Queimam ou deflagram. • altos explosivos (brisantes ou de ruptura) => utilizados para arrebentamento, fragmentação, destruição e iniciação. Explodem ou detonam. 6.2. Quanto ao estado físico • sólido; • líquido; • gasoso; 6.3. Quanto à forma • pulverizados ou pulverulentos: em pó (fulminato de mercúrio, PN, etc); • granulados: grãos de diversa formas e tamanhos (pólvoras); • em palhetas: escamas (trotil em palhetas); • bastonetes: cilindros não perfurados, mono ou heptaperfurados e pólvoras; • massas fundidas: dentro ou fora dos recipientes empregados (petardos e granadas de artilharia, etc); • massas plásticas: blocos moldáveis ou qualquer meio de fácil emprego (compostos C2, C3, etc); • líquidos finos: ar líquidos, etc; • líquidos espessos: lama explosiva; • gelatinosos: dinamite e etc; 6.4. Quanto à associação dos elementos a) físicos ou mecânicos: •Por trituração - triturar e misturar para o máximo de homogeneidade. •Por revestimento - revestir com substância inerte para proteção contra umidade calor e atrito. b) químicos: combinação de várias substâncias por processos químicos. ( trotil que é o tolueno 3 vezes nitrado).
  • 7.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -7- c) mistos: •Mistura de explosivo, com explosivo que forma um novo elemento (nitrol + glicerina + nitrocelulose = dinamite goma). •Mistura de explosivo com substancia inerte formando um explosivo com novas características (nitroglicerina + farinha inerte de Kielseguhr = dinamite). 6.5. Quanto à Aplicação •Pólvora balística: utilizados nas cargas de projeção das munições; •Explosivos brisantes: produzir ruptura, arrebentamento ou fragmentação (carga das granadas); •Explosivos detonadores de escorvamento: inicia a cadeia explosiva (nas espoletas, cápsulas, etc); •Misturas pirotécnicas: para produzir efeitos visuais, ou auditivos nos artifícios pirotécnicos (fumaças coloridas, foguetes, etc). 6.6. Quanto à Fabricação •Primário: constituídos de um único explosivo.( trotil, tetril, etc); •Derivado: mistura ou combinação de dois ou mais explosivos (amatol, RDX, etc); 7. PROPRIEDADES PRINCIPAIS DOS EXPLOSIVOS a)brisância: é a capacidade que tem o explosivo de despedaçar o seu recipiente; b)poder explosivo: é a capacidade que tem o explosivo de deslocar o meio circundante; c) ponto de fusão: é a temperatura mínima em que o explosivo se torna líquido a fim de se proceder o carregamento de granadas; d)sensibilidade: é a maior ou menor aptidão que tem o explosivo para entrar em combustão devido a uma circunstancia qualquer imprevista; e)estabilidade: é a maior ou menor capacidade que tem o explosivo de não se deteriorar em um determinado tempo; f)higrospicidade: é a maior ou menor tendência do explosivo de absorver a umidade do ar;
  • 8.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -8- 8. REQUISITOS DE UM EXPLOSIVO 8.1. Gerais • Potencial elevado; • Insensibilidade ao calor, choque, atrito e excitamentos acidentais; • Detonação completa sob a influencia da escorva; e • Não deixar resíduos sólidos capazes de ocasionar acidentes. 8.2. Especiais 8.2.1. De projeção • velocidade de transformação lenta e facilmente regulável; • nenhum desprendimento de produtos corrosivos; e • temperatura de transformação pouco elevada. 8.2.2. De carregamento: • vivacidade de brisância variável; • produzir fumaça abundante; e • produzir gases deletérios ou tóxicos. 8.3. Militares •empregar matéria prima nacional ou de fácil aquisição; •baixo custo e facilidade de fabricação em grande escala; •não ser higroscópio; •não reagir com metais nem ser abrasivo; •insensibilidade ao choque, atrito permitindo uma maior segurança; •grande brisância e potência; e •conveniência. 9. PRINCIPAIS EXPLOSIVOS MILITARES 9.1. Baixos Explosivos ou Propelentes Pólvoras utilizadas para propulsão ou projeção, sua estabilidade é afetada pela umidade e pela temperatura: a)pólvora negra ou mecânica; e b)pólvora coloidal ou química.
  • 9.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -9- •de base simples. •de base dupla. •de base tripla. 9.2. Altos Explosivos a) Explosivos Iniciadores: empregados em mistos para iniciação ou excitação de cargas explosivas. São muito sensíveis ao atrito, calor e choque. Quando sob efeito do fogo, transformam-se sem incendiar. Os principais são (entre outros): •azida de chumbo; •estifinato de chumbo; e •fulminato de mercúrio. b) Explosivos Reforçadores: servem como intermediários entre o iniciador e a carga explosiva propriamente dita. Podem ser iniciados pelo calor , atrito ou choque. Quando sob o fogo e em grande quantidade, podem transformar-se sem incendiar. Os principais são (entre outros): •nitropenta; •tetril; e •ciclonita. c) Explosivos de Ruptura: constituem os alto explosivos propriamente ditos. São quase todos tóxicos. Os principais são (entre outros): •trotil; •pentolite; •tetritol; •haleita; e •amatol. 9.3. Principais diferenças entre os dois grupos CARACTERÍSTICAS BAIXO EXPLOSIVO ALTO EXPLOSIVO MODO DE INICIAÇÃO Chama ou centelha Percussão ou choque REGIME DE REAÇÃO Combustão lenta Combustão rápida RESULTADO DA REAÇÃO Deslocamento ou projeção Ruptura ou brisância
  • 10.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -10- A comparação acima feita, contudo não é absoluta, a azida de chumbo e o fulminato de mercúrio, por exemplo, sendo alto explosivos, são iniciados em alguns casos, por meio de uma centelha e por outro lado já vimos que as pólvoras podem queimar, deflagrar e explodir. CAPÍTULO II BAIXOS EXPLOSIVOS 1. PÓLVORA NEGRA (PN) 1.1. Fabricação A fabricação de pólvora negra (pólvora mecânica) não é tecnicamente difícil visto ser uma simples mistura dos elementos que a compõe, no entanto, devido à sua grande sensibilidade, à inflamação, tornam-se necessárias precauções especiais 1.2. Composição Os elementos componentes da pólvora negra são o salitre (KNO3) a 74%, o enxofre a 10,4 % e o carvão vegetal a 15,6 %. 1.3. Emprego A pólvora negra como baixo explosivo que é, esta compreendida entre os explosivos cuja velocidade de transformação se classifica como DEFLAGRAÇÃO. Em regimes mais lentos de transformação a sua combustão não passa de uma simples inflamação ou queima. As deflagrações caracterizam as pólvoras e podem ser muito mais rápidas que uma simples queima ou inflamação, indo ate a mais dê 1000 m/seg. A própria deflagração em condições especiais de excitação ou pressão, poderá se transformar em explosão de 2.000 a 3.000 m/seg, porém, nunca em detonação. Os explosivos que deflagram são usados na propulsão dos projeteis porque possuem enorme força explosiva. Esta transformação não se processando tão rapidamente como a dos altos explosivos brisantes ou detonantes, pode atuar no projétil ao longo de toda alma, aumentando consideravelmente a impulsividade dada ao projétil sem forçar os tubos das armas. Na época presente é usada para confecção de petardos, escorvas, rastilhos, dispositivos de segurança das espoletas, etc. Atualmente as pólvoras negras só são empregadas como propelentes em casos raríssimos; nesse mister foram substituídas pelas pólvoras coloidais.
  • 11.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -11- Seu emprego se restringe presentemente: •ao shrapnel: como carga propulsora dos ballins; •às espoletas: servindo com pequenas escorvas, ou ainda como elemento de retardo na transmissão das combustões; •aos artifícios pirotécnicos de fogo lento (fogos, etc); •aos trabalhos de minas; •a armas de caça; e •nas cargas de projeção de alguns canhões muito antigos (de grande calibre). 1.4. Inconvenientes como propelentes Apresenta entre outros, os seguintes: •chama e fumaças muito grandes (denunciando a posição da peça tanto de dia como de noite); •calor intenso e pressão violenta desenvolvidas durante à combustão, produzem erosão excessiva nos tubos das armas; •os resíduos sólidos que deixam nas câmaras depois da combustão, apresentam perigo para os carregamentos posteriores, particularmente no caso das munições desencartuchadas; •a velocidade de queima dificulta o controle; a uniformidade da queima ê indispensável para os efeitos balísticos; •instabilidade quando em depósito sendo muito higroscópica, a umidade atua como adulterante e baixa velocidade de queima; •seu manuseio é perigoso, visto entrar em combustão com grande facilidade. 1.5. Velocidade de decomposição A velocidade de decomposição varia segundo as circunstancias sob as quais se produz; daí, temos que a pólvora negra é suscetível de deflagração ou de explosão. Quaisquer que sejam, porém, as condições de combustão, jamais detonarão. No caso de deflagração a velocidade de decomposição (ao ar livre) e de cerca de um metro em 90 segundos. 2. PÓLVORA COLOIDAL
  • 12.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -12- 2.1. Tipos As pólvoras sem fumaça (PSF), ou coloidais, também conhecidas como pólvoras químicas, são de três espécies: •pólvoras de base simples - (BS) - Nitrocelulose •pólvoras de base dupla - (BD) – Nitrocelulose + nitroglicerina •pólvoras de base tripla - (BT) Nitrocelulose + nitroglicerina + nitroguanidina Não foi preocupação obter uma pólvora que não produzisse fumaça, e que principalmente deu origem à adoção das pólvoras modernas, muito embora, essa propriedade seja. de grande importância e necessidade, tanto que pareça por si só caracterizá-las. A origem dessas pólvoras pode ser encontrada na carência de conseguir "uma pólvora que sob menor carga contivesse maior .potencial balístico”. 2.2. Finalidade As pólvoras sem fumaça surgiram para substituir a pólvora negra em determinados empregos. Atualmente são empregadas militarmente como propelente. As pólvoras de base duplas têm potencial mais elevado que as de base simples e são de combustão mais viva. 2.3. Composição . . Normalmente, na composição das pólvoras sem fumaça, tornam-se: •corpo combustível (celulose) (60 a 80%); •corpo comburente (ácido nítrico, nitroglicerina) (20 a 40%); •dissolvente (éter, álcool, acetona); e •estabilizante (diaferíil-amina, anilina, cânfora). 2.4. Formato As pólvoras sem fumaça são dadas em consumo aos grãos de vários formatos: pequenas lâminas, fios, grãos esféricos, grãos cilíndricos, perfurados. O tipo cilíndrico perfurado é muito usado nas pólvoras de empregos militares em geral, as pólvoras para as armas de pequenos calibres possuem uma só perfuração, enquanto que as pólvoras para as armas de grande calibre possuem ate 7 perfurações. 2.5. Propriedades As pólvoras coloidais possuem as seguintes propriedades, essenciais ao seu emprego nas bocas de fogo:
  • 13.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -13- •sua combustão é completa e não dá lugar a resíduos sólidos; •produz uma quantidade mínima de fumaça e suja pouco a alma do material; •seus efeitos são regulares e fáceis de serem previstos (previsão e velocidade inicial); •a força viva comunicada ao projétil, quando em condições iguais de peso, e a de duas a três vezes mais considerável que a pólvora negra, sem que as pressões, desenvolvidas sejam exageradas; •manipulação, relativamente fácil e pouco perigosa; ao ar livre, queimam lentamente sem perigo de detonação; •sua deflagração só se produz sob pressão bastante forte (a obtida nas bocas de fogo é provocada pela carga de pólvora negra da escorva ou da estopilha). É fundamental para emprego das pólvoras o conhecimento dos seus efeitos balísticos (pressão e Vo). O conhecimento da pressão máxima medida com o auxilio de CRUSCHER (pequeno cilindro de cobre) permite: •determinar quais as resistências que deverão apresentar as diversas partes da boca de fogo; •determinar as resistências das paredes dos projéteis; e •conhecer a aceleração do projétil pois cada tipo de espoleta exige para se armar na partida do tiro, que o projétil possua uma certa aceleração. 2.6. Estabilidade As pólvoras sem fumaça se decompõem pouco a pouco, com emissão de vapores nitrosos. Esta decomposição, ocasionada por uma desnitrificação de algodão-pólvora, é lenta a temperatura ordinária e se acelera com a elevação de temperatura ou sob a ação de umidade. 2.7. Sensibilidade A deflagração das pólvoras coloidais só se produz sob pressão bastante forte, como a obtida nas bocas de fogo, provocadas pelas cargas de pólvora negra das escorvas ou das estopilhas.
  • 14.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -14- Sem pressão, a pólvora queima mais lentamente em chama; para que uma carga de projeção deflagre no interior da câmara e necessário que no início de sua combustão, encontre resistência no ambiente esta resistência inicial a ela oposta é conseguida graças ao FORÇAMENTO (diferença entre diâmetro de cinta e o da arma nas raias) daí, resultando sua necessidade. Com o aumento da pressão, a um valor X, esta resistência é vencida e o projétil inicia seu movimento na alma. CAPÍTULO III ALTOS EXPLOSIVOS 1. EXPLOSIVOS INICIADORES a) Azida de chumbo: pó cristalino de cor variando de branco a camurça, sensível ao choque. Explode a 340°C. Destrutível pelo acetato dê amônio ou nitrato de cério. Forma um explosivo supersensível em contato com o cobre. Úmida ataca o cobre e zinco daí ser carregada em alumínio. Empregada em detonadores, espoletas, mistos iniciadores e rebites explosivos. b)Estifinato de chumbo ou trinitrorresorcinato de chumbo: cristais amarelo-alaranjados. Explode a 282°C. Sensível ao choque e a descarga de eletricidade estática. Empregado em mistos detonantes, espoletas comerciais e detonadores. Destrutível pelo hidróxido de sódio a 20 %. c) Fulminato de mercúrio: apresenta-se sob a forma de pó branco-amarelado ou cinza- claro. Explode a 210°C. Muito sensível à chama, choque e atrito, quando seco. Deteriora-se quando conservado em climas quentes. Úmido, torna-se inerte, mas ataca o alumínio, cobre, latão, magnésio, zinco e bronze, exceto o níquel. Prensado acima de 30.000 psi torna-se inerte ao choque e só queima com chama. Usado em mistos iniciadores, espoletas e detonadores. Destrutível pelos álcalis. d) Tetraceno: cristais incolores ou amarelo-pálidos. Explode a 154 C. Usa do com azida de chumbo, em iniciadores. Destrutível por água fervente.
  • 15.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -15- EXPLOSIVOS INICIADORES Nomen- clatura Azida de chumbo, plumbazida ou nitreto de chumbo. trinitroressoscinat o de chumbo Fulminato de mercúrio. Tetraceno Compo- sição N e Pb C:15,4%, N: 9,0%, Pb: 44, 2%, H: 0,6% e O: 30,8%. C: 8,4%, O: 11,2%, N: 9,8% e Hg: 70,6%. C:12,8%, N: 74,4%, H: 4,3% e O: 8,5%. Solubi- lidade quase insolúvel em água, éter, acetona e álcool. solúvel em soluções diluídas de hidróxidos de amônia e cianeto de potássio e em piridina. solúvel em solução forte de ácido hidroclórico. Higros- copicidad e A 36º C, 90º UR.- 0,03% 30º C, 90%UR - 0,02%. a 36º C, 90% UR- 0,02% a 30º C, 90%UR - 0,77% Corrosão seca, não ataca metais de uso corrente, úmida corrói o zinco e cobre ( com o cobre forma um explosivo extremamente sensível e perigoso a "Azida de cobre"). não é corrosivo sob forma nenhuma, motivo pelo qual é usado como cobertura de outros iniciadores para proteção de invólucros metálicos. seco, não ataca metais de uso corrente, úmido ataca levemente o alumínio e o magnésio. seco não ataca os metais em uso corrente. Toxidez própria do chumbo, respiração do seu pó provoca dor de cabeça e distensão dos vasos sangüíneos. Aconselha-se o uso de filtro para quem a manuseia. própria do chumbo. Venenoso, libera Hg, ataca a pele e a respiração do pó provoca intoxicação. Sensibi- lidade sensível ao choque, atrito e tiro de fuzil. muito sensível a chama e a centelha. muito sensível ao choque, calor e atrito. calor e a chama. Estabi- lidade quando pura é excepcional. quando pura é excepcional. fraca, começa a se decompor a 50º C. relativamente estável a temperatura inferiores a 75º C.
  • 16.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -16- Tempe- ratura de detonação 340º C. 282º C. 210º C. 160º C. Produtos de detonação calor: 367 cal/g - Gases: 308 cc/g. Calor = 457 cal/g - Gases = 368cc/g. calor: 658 cal/g - gases 1.190 cc/g. Especi- ficação cristais de forma alongadas (cor branca). amarelo ou alaranjada com forma de cristais cúbicos. Velocidad e detonação densidade: 2,9 - velocidade : 5.200 m/s. Densidade = 4,17 - velocidade = 5.400 m/s. não aferida Ponto de fusão entre 260º C e 310º C. explode entre 140º C - 160º C. 2. Explosivos Reforçadores a) Ciclonita (RDX) - Apresenta-se como um sólido de cor branca, que funde a 204°C e explode a 260°C. É comumente empregada em mistura com outros explosivos, óleos ou graxas. Com trotil é usada no carregamento de bombas, como carga de ruptura. É raramente usada sozinha. Destrutível pela soda cáustica a fervura. b) Nitropenta (PETN) - Pó branco, podendo tomar uma ligeira cor acinzentada, devido a. impurezas. Explode a 225°C. Sensível ao choque. Seca, não ataca o cobre, latão, alumínio, níquel e zinco. Empregada na composição de detonadores e em reforçadores, bem como em mistura com trotil no carregamento de granadas e projeteis. Destrutível por fervura com solução aquosa de sulfato ferroso. c) Tetril - Apresenta-se como um pó de cor clara, tornando-se amarelo pela ação da luz. Sensível ao choque. Explode a 257°C. Não ataca os metais quando seco, mas úmido ataca o aço e zinco, porém não o cobre, níquel e alumínio. Empregado em reforçadores, espoletas e detonadores. Misturado como trotil é usado em cargas de ruptura. Destrutível por fervura com 12 vezes seu peso de sulfito de sódio a 25%. EXPLOSIVOS REFORÇADORES Nomen- clatura Nitropenta,PETN, NP, pentrita, pentaeritretol ou tetranitrato de pentaeritrita. Tetril, tetralite, pironite ou CE. Compo- sição C: 19,0%, N: 17,7%, H 2,5% e O2: 60,8%. C: 29,3%, N: 24,4%, H: 17% e O: 14,6%. Emprego reforçador e ruptura. reforçador (ruptura)
  • 17.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -17- Solubi- lidade solução aquosa de cloreto ferroso fervente. acetona, benzeno e TNT líquido. Higros- copicidad e 30º C, 90%UR - 0,0%. a 30º C. 90%UR -0,04%. Corrosão seca não corrói o cobre, latão, aço inoxidável, cádmio e zinco. com baixo teor de umidade ataca levemente aço e zinco. Toxidez pequena doses: abaixa a pressão arterial; elevadas doses provoca dispnéia e convulsões. coloração amarela na pele humana; aspiração da poeira causa efeitos tóxicos: quando maior de 1,5mg/m que é a concentração máxima permitida, nos locais de trabalho o uso de mascara com filtro passa ser obrigatório. Sensibi- lidade choque, atrito e tiro de fuzil. choque, atrito e tiro de fuzil. Estabi- lidade altamente estável devido a sua estrutura simétrica. pouco menos que o TNT e o RDX; mantém sua estabilidade por 100 horas a 100º C, por 6 (seis) meses a 75º C, por um ano a 65º C e em temperatura baixa até 20 anos. Tempe- ratura de detonação 225º C. 257º C. Produtos de detonação calor: 1.385cal/g e Gases: 790 ml/g. 1.120 cal/g – calor -760ml/gases. Especi- ficação cristais na cor branca. Velocidad e detonação densidade 1,70 - velocidade : 8.300cc/g. densidade: 1,71 - velocidade : 7.850 m/s. Ponto de fusão 141º C. 130º C. 3. EXPLOSIVOS DE RUPTURA a) Ácido pícrico - Sólido, solúvel em água. Úmido, ataca o ferro, níquel, zinco, cobre e chumbo, dando picratos perigosamente sensíveis ao choque. Produz mancha amarela persistente sobre a pele. Suas poeiras não devem ser inaladas. Carregado por fusão. Explode a 322°C. Funde a 123°C. Destrutível por solução em 25 vezes seu peso de hidróxido de sódio-sulfeto de sódio- água. b) Amatol - É uma mistura higroscópica de trotil e nitrato de amônio em várias percentagens. É empregado como carga de bombas de alto-explosivo, sendo carregado por fusão. Explode a 265°C.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -18- c) Composição à base de RDX - São as composições A,. A-2, À-3, B, B-2, C, C-2 e C-4, sendo constituídas de ciclonite (RDX) com outros, ingredientes explosivos, como TNT, tetril, etc. Usadas em reforçadores, granadas perfurantes, bombas, blocos de demolição e espoletas elétricas. Destrutível como o ciclotol. d) Pentolite - É uma mistura de 50% de nitropenta a 50% de. trotil, de cor variando de branco à camurça. É empregada em cargas de ruptura de pequenos calibres, rojões e cargas demolidoras. As munições carregadas com pentolite devem ser manuseadas com cuidado. Funde a cerca de 78°C. Explode a 222°C. e) Picrato de amônio (Explosivo D) - Apresenta-se sob a forma de grânulos amarelo- avermelhados. Absorve umidade reagindo lentamente com os metais, particularmente com o cobre e chumbo, dando picratos sensíveis e perigosos. É empregado como reforçador do ácido pícrico e do trotil em granadas perfurantes. É destruído dissolvendo-se com 30 vezes seu peso de solução de sulfeto de sódio. Funde a 265°C e explode a 318°C. f) Picratol - É uma mistura de TNT e picrato de amônio. Possui as mesmas características gerais do trotil. Funde a cerca de 85°C e explode á 285°C. g) Tetritol - É uma mistura de tetril e trotil, podendo ter até 70% de tetril. É intermediário entre o trotil e tetril quanto à sensibilidade ao choque. Usado em reforçadores de carga de ruptura e demolição. Pode exsudar no armazenamento. Funde a 68°C e explode a 320°C. h) Torpex - É uma mistura de 41% de RDX, 41% de trotil e 18% de alumínio em pó, misturados com cera de abelha ou similar. A umidade aumenta sua sensibilidade ao choque. Sob a água seu poder de destruição é 50% maior que o trotil, e no ar, 30%. Usado como carga de ruptura em minas, torpedos e cargas de profundidades. Explode a 260°C. ' ' ' i) Tritonal - É uma mistura de trotil (80%) com alumínio (20%). Exsuda a temperaturas elevadas. Usado em bombas. Explode a 470°C. j) Trotil - Apresenta-se com a cor amarelada. Funde a cerca de 81º C explode a 475°C. Arde sem detonar, quando em pequenas quantidades; mas em grandes quantidades o calor gerado pela inflamação pode alcançar a temperatura de detonação. Absorvido pela pele ou por inalação, pode causar sérios males. Com os álcalis, forma compostos instáveis e perigosos. Não é alterado pela umidade. Destrutível com 30 vezes seu peso de sulfeto de sódio juntado lentamente. Pode detonar quando comprimido entre superfícies metálicas, tais como roscas de parafusos etc. Empregado largamente em cargas de ruptura tanto só, como em misturas com outros explosivos usado, também, em mistos iniciadores, cordéis detonantes, reforçadores,
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -19- detonadores, dinamites, explosivos de segurança e ainda como componente de pólvoras sem fumaça. k) Haleita - Cristais incolores que fundem a 177°C e explodem a 190° C. Usada em cargas de ruptura e na fabricação do ednatol, com trotil. l) Ednatol - Composto por cerca de 55% de haleita e 45% de trotil. Sólido amarelado que funde a cerca de 85°C. Carregado em granadas, bombas e elementos de munições especiais. Explode a 190°C. EXPLOSIVOS DE RUPTURA Nomen- clatura pentolite. Trotil, T3, tolite, tritolo, trinitrotolueno, trinitrometil Benzeno ou TNT. Composto B - Hexolite dessensibilizada ou ciclotol dessensibilizado. Compo- sição PETN: 50% OU 10% e TNT: 50% OU 90% C: 37%, N: 11,8%, H 2,2% e O: 42,5%. Solubi- lidade solúvel em acetona, álcool, éter, benzeno, etc. levemente solúvel em acetona e ácido nítrico. Higros- copicidad e 30ºC. 90%UR – nenhuma. a 30º C., 90%UR - 0,03%. 30º C, 90% UR – 0,02%. Corrosão seca ataca os metais de uso corrente na indústria com exceção do aço inoxidável, úmido ataca levemente cobre, latão, magnésio, etc. não ataca metais em uso corrente na indústria, leve corrosão no chumbo. seco, ataca ligeiramente o cobre, aço doce cobreado e cadmiado, úmido ataca levemente o cobre, latão, aço doce, etc. Toxidez própria do TNT. pequena, porém os vapores provenientes da fusão, podem causar dor de cabeça e gosto amargo na boca. própria do TNT. Sensibi- lidade choque e tiro de fuzil. insensível ao choque, calor, atrito ou tiro de fuzil, quando sólido e em bom estado, sensível e aumenta sua detonação por simpatia quando no estado liquido. Poeira fina de TNT: extremamente sensível. choque, atrito e tiro de fuzil. Estabi- lidade menor que a da nitropenta, tendência a exsudação quando armazenado a + de 50ºC. bastante estável quando perfeitamente empaiolado segundo T9- 1903 menor que a do TNT, armazenados em período de mais de 5 meses e a 65ºC, causa leve exudação
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -20- Tempe- ratura de detonação 220ºC. 475º C. 278ºC. Produtos de detonação 1.300 cal/g - Gases 908 ml/g. 1,240 cal/g. Especi- ficação cor branca. cor branca. Velocidad e detonação densidade: 1,65 - velocidade: 7.450 m/s. densidade: 1,56 (TNT fundido) - velocidade 6.900 m/s. densidade: 1,66 - velocidade 7.800 m/s. Ponto de fusão quando 90% por 10% - 76ºC. 81º C. 78º C. a 80º C. CAPÍTULO IV MUNIÇÕES 1. INTRODUÇÃO 1.1. Conceituação Munições são corpos carregados com explosivos e agentes químicos destinados a produzir, isolada ou combinadamente, baixas e danos ou incapacidades físicas ou psicológicas temporárias através de efeitos explosivos, tóxicos, fumígenos, incendiários, iluminativos, sonoros, dispersivos e neutralizantes e que sejam lançados de uma arma, com exceção das granadas de mão e das minas. Com exceção, também entende-se como munições os tiros de exercício. 2. CLASSIFICAÇÃO 2.1. Quanto à organização dos seus elementos a) encartuchada: quando utiliza estojo para reunir o projétil aos elementos de projeção ( carga de projeção, estopilha ou espoleta). A munição encartuchada pode ser: •Engastada: é aquela que utiliza o estojo preso, rigidamente, ao projétil. Ex: Car 7’62mm, .50”, Tir 57mm, Tir 90mm. •Desengastada: é a que utiliza o estojo separado do projétil, permitindo variar a carga de projeção. Ex: Tir 105mm.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -21- b) desencartuchada : é a que não utiliza estojo. Os elementos (projétil, carga de projeção e estopilha) são carregados separadamente da arma. Ex: Tir 155mm. 2.2. Quanto ao emprego a) munições para armamento leve: são utilizadas em revólveres, pistolas, fuzis, carabinas, mosquetões, metralhadoras e fuzis-metralhadoras. Serão estudadas detalhadamente durante o ensino de munições de armamento leve. b) munições para armamento pesado: compreendem os rojões, as granadas de morteiro e todos os tipos de granadas utilizadas em canhões e obuseiros. Serão estudadas detalhadamente durante o ensino de munições de armamento pesado. c) munições de arremesso: granadas de mão e de bocal. Serão estudadas detalhadamente durante o ensino de munições de arremesso. d) minas terrestres: anticarro e antipessoal. 2.3 Quanto à finalidade a) munição de guerra: é todo e qualquer munição que tenha a finalidade de produzir baixas. b) munição química ou não-letal: é todo e qualquer munição que não tenha a finalidade de causar baixas. 3. ENCADEAMENTO EXPLOSIVO Em qualquer munição de armamento leve ou pesado, temos, basicamente: a) um iniciador ( cápsula, estopilha etc ); b) um propelente; e c) um projétil ou granada. Além desses elementos, há os intermediários (escorvas, etc) e há os elementos da cadeia explosiva do projétil, se for o caso ( retardo, reforçador, detonador etc ). Nas munições de arremesso de lançamento ã mão: não existe propelente. A projeção é feita pelo próprio esforço do homem que lança a granada.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -22- 4. CLASSIFICAÇÃO DOS EXPLOSIVOS DENTRO DA CADEIA 4.1. Iniciadores Produzem o jato inicial de chama; geralmente a estopilha ou cápsula. 4.2. Auxiliares São as escorvas para as cargas de projeção e os detonadores-reforçadores das granadas e espoletas, que aumentam a chama dos iniciadores. 4.3. Propelentes São cargas explosivas que impulsionam os projeteis devido à pressão dos gases sobre o culote dos mesmos. 4.4. Cargas de Arrebentamento Produzem, por sua detonação, o arrebentamento do projétil. 4.5. Retardos (Rastilhos) Geralmente de pólvora negra, colocados entre o iniciador e o reforçador-detonador, retardam a explosão da carga principal. NOTA: o traçante não é um elemento explosivo; serve para balizar a trajetória e são colocados no culote do projétil. 5. MUNIÇÕES QUÍMICAS OU NÃO-LETAIS a) Munição tóxica: é toda munição química que por sua ação tóxica é empregada como antipessoal; b) Munição fumígena: é toda munição química destinada a produzir fumaça ou neblina; c) Munição incendiária: é toda munição química que contém agentes destinados a produzir incêndios. d) Munição iluminativa: é toda munição química destinada a produzir luz durante o tempo de queima de substância inflamável. 5.1 Munições não-letais de calibre leve 5.1.1. Sinalizadoras a) Cartucho sinalizador 40 mm com luz vermelha
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -23- Sinalização para salvamento, orientação para o deslocamento de tropas e para operações militares. b) Cartucho sinalizador 40 mm com duas estrelas vermelhas O Cartucho 40 mm com duas estrelas vermelhas foi desenvolvido para operações de sinalização em salvamento e em manobras militares. 5.1.2. Lacrimogêneas a) Projétil cal. 38.1 mm de médio e longo alcance com carga lacrimogênea O projétil de médio alcance com carga lacrimogênea (CS) cal. 38.1mm, foi desenvolvido para emprego em operações de controle de distúrbios e combate à criminalidade. Destina-se a ser lançado a 90 m (média) e 120 m (longa) de distância, antes ou por sobre obstáculos tais como: muros e barricadas, com objetivo de desalojar pessoas e dissolver grupos de infratores pelo efeito do agente lacrimogêneo. A arma deve ser posicionada a um ângulo de 45°, que corresponde, aproximadamente, ao melhor desempenho no alcance do tiro. Em situações extremas de graves distúrbios e combate à criminalidade, pode ser usado para penetrar em ambientes fechados, atirando-se através de aberturas ou janelas. b) Cartucho Cal. 37/38, 38.1 e 40mm. com carga múltipla de emissão lacrimogênea
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -24- O cartucho com carga múltipla de emissão lacrimogênea CS - GL-230L foi desenvolvido para emprego em operações de controle de distúrbios e combate à criminalidade. Destina-se a ser lançado através de projetores e armas especiais a distâncias entre 70 e 90 metros antes ou após obstáculos tais como muros e barricadas, com o objetivo de desalojar pessoas e dissolver grupos de infratores pelo efeito do agente lacrimogêneo CS. 5.1.3. Impacto controlado a) Cartucho plástico cal. 12 com um ou três projéteis de borracha A munição AM 403 foi projetada para ser utilizada por tropas Policiais e Militares em operações de controle de graves distúrbios e combate à criminalidade. Consiste em um ou três projéteis cilíndricos de borracha macia que podem ser disparado contra uma ou mais pessoas, com a finalidade de deter ou dispersar os infratores, em alternativa ao uso de munições convencionais. b) Cartucho cal. 38.1 mm com 3 ou 12 projéteis de borracha O cartucho calibre 38.1 mm com 3 ou 12 projéteis de borracha foi projetado com a mesma finalidade do cartucho plástico cal. 12 com projétil de borracha. 5.2 Munições não-letais de arremesso
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -25- 5.2.1. Explosivas para ambientes abertos Foram projetadas para ser utilizada por tropas Policiais e Militares em operações de controle de distúrbios graves e combate à criminalidade. Possuem grande efeito atordoante provocado pela detonação da carga explosiva. No controle de distúrbios a granada deve ser lançadas para explodirem a uma distância mínima de 10 metros dos infratores. A distâncias menores existe a possibilidade de projeção de partículas irregulares, oriundas da fragmentação do corpo plástico da granada, as quais podem produzir pequenos ferimentos. Em situações extremas, de graves distúrbios e de combate à criminalidade, os efeitos sonoro, explosivo e de emissão de partículas, devem ser avaliados pelo Comandante da operação, que deverá decidir sobre a conveniência ou não do lançamento próximo aos infratores e/ou em recinto fechado. Granada explosiva de efeito moral - poder explosivo associado a uma nuvem de um pó branco, sem agressividade química. Granada explosiva lacrimogênea – poder explosivo associado ao efeito lacrimogêneo. Granada explosiva identificadora - Poder explosivo associado ao efeito da emissão de partículas de gel na cor vermelha e não tóxico, cujo objetivo é marcar os infratores para posterior identificação. Granada explosiva de luz e som – Poder explosivo associado à luminosidade intensa que ofusca a visão dos agressores por alguns segundos, permitindo uma eficiente ação policial.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -26- 5.2.1. Explosivas para ambientes fechados (indoor) Possuem as mesmas finalidades das granadas para uso aberto porém foram desenvolvidas para a utilização em ambientes fechados. Possuem um tempo de detonação mais curto para evitar a reação dos agressores e um efeito explosivo reduzido mas com excelentes resultados em ambientes fechados. Granada indoor explosiva de efeito moral A) Granada indoor explosiva lacrimogênea - CS B) Granada indoor explosiva identificadora C) Granada indoor explosiva de luz e som 5.2.2. Exercício a) Simulacro de granada reutilizável A granada AM-500 foi projetada para emprego em treinamento de tropas Policiais e Militares para operações de controle de distúrbios. Produz alto estampido, acompanhado de uma nuvem de fumaça, análogos a uma granada de emprego real, capazes de identificar o local da explosão. Esses efeitos são alcançados sem a produção de estilhaços, o que permite um treinamento seguro.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -27- 5.2.3. Fumígenas a) Granada 80 fumígena M1 ou M2 para carro de combate A granada fumígena para carro de combate foi desenvolvida para produzir densa cortina de fumaça de cor cinza, com a finalidade de ocultar viaturas ou guarnições, quer em missões de ataque ou em retiradas onde haja a necessidade da proteção visual contra o inimigo. b) Granada fumígena manual – HC A granada MB-502, foi projetada para emprego em operações militares e policiais, com o objetivo de produzir uma densa cortina de fumaça, que serve para mascarar a retirada ou a movimentação de tropas de infantaria em relação ao agressor. Pode ser utilizada em controle de distúrbios desorientando e dispersando infratores, pela ação da densa fumaça. Serve ainda como artefato sinalizador. Em situações extremas de graves distúrbios e combate à criminalidade, pode ser usada para forçar a saída dos infratores de ambientes fechados, atirando a granada através de aberturas ou janelas. c) Granada de fumaça colorida
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -28- Sinalização diurna colorida para salvamento de tropas, início e término de operações, na selva e áreas rural e urbana, com a utilização do código de cores. Este produto não é indicado para o uso no mar, pois não flutua. 5.2.4. Lacrimogêneas Foram projetadas para serem utilizadas por tropas Policiais e Militares em operações de controle de graves distúrbios e combate à criminalidade. Atua por saturação de ambientes através da geração de intensa nuvem de fumaça contendo agente lacrimogêneo (CS). CAPÍTULO V A R T I F Í C I O S 1. DEFINIÇÃO Artifícios são engenhos destinados a produzir efeitos visuais ou auditivos, ou ainda provocar a inflamação ou detonação dos explosivos. 2. CLASSIFICAÇÃO a) artifícios iniciadores: destinados a inflamação ou detonação. Iniciam uma destruição. b) artifícios pirotécnicos: são os que produzem efeitos luminosos, fumígenos e incendiários. 3. ARTIFÍCIOS INICIADORES 3.1. Estopim Comum / Hidráulico
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -29- O estopim hidráulico é um acessório de alta segurança, utilizado para iniciar espoletas comuns e cargas explosivas sensíveis à chama. É flexível, resistente e, por sua impermeabilidade, tem desempenho inalterado em trabalhos com presença de água, desde que suas características originais sejam preservadas. •constituição: núcleo de PN (cor preta) , envolvidos por fios de juntas de algodão revestido por película plástica (geralmente cor branca); •velocidade de queima: 1 metro / 150 s. Variando de lote para lote e de fabricante para fabricante. PARÂMETROS Massa do núcleo por metro linear (6,5 + - 1,0) g/m Tempo de queima à céu aberto (150 + - 7) seg/m Tempo de queima submerso 20% para menos em relação a céu aberto Impermeabilidade 16 h/1 atm Comprimento da chispa > 30 mm Encordoamento Fios de Algodão Revestimento Resina Termoplástica Branca 3.2. Cordel Detonante
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -30- O cordel detonante é um explosivo extremamente útil devido às suas características de elevada capacidade de transmissão de energia, fácil manuseio, maleabilidade, resistência, impermeabilidade e segurança, cuja finalidade é a detonação de petardos e cargas explosivas. •constituição: núcleo contendo o explosivo reforçador nitropenta (cor branca) envolvidos por fios de algodão revestido externamente por uma camada de plásticos ( à prova d’água e de cor variável, dependendo do fabricante); •iniciação: com espoleta comum ou espoleta elétrica . PARÂMETROS TIPOS NP5 NP10 Cargas do Núcleo (pentolite) 5 g / m 10 g / m Encordoamento Fios Sintéticos Resistência à Tração 1960 N Impermeabilidade 72 h à 2 atm Revestimento Resina Termoplástica amarela Diâmetro Externo 4,5 mm 5,0 mm Velocidade Média de Detonação 6600 m / s 7000 m / s OBS: face à dificuldade de identificação do estopim e do cordel detonante pela apresentação externa, os mesmos deverão ser identificados pelas cores internas, isto é, através das cores de seus explosivos. 3.3. Espoleta Comum N.º 08 Acessório de detonação iniciado por estopim, utilizado para acionamento de cordel detonante ou diretamente nos explosivos.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -31- •constituição: estojo de alumínio ( 45 mm comprimento e 6mm diâmetro ), carga detonadora de nitropenta (muito sensível a chama - Trinitroresorcinato de chumbo + Azida de chumbo); •funcionamento: é presa ao estopim (comum ou hidráulico) através de sua extremidade aberta, este transmite a chama que irá através da carga iniciadora detonar a nitropenta (carga detonadora). PARÂMETROS Diâmetro Externo 44,95 + - 0,25 mm Diâmetro Externo 6,55 mm máximo Diâmetro Interno 5,86 mínimo Altura Livre 25 + - 2 mm Carga Explosiva 3 mg iniciadores / 5 mg alto explosivo Brizância (Ensaio de Esopo) 8 mm 3.4. Espoleta Elétrica N.º 08 •finalidade: idêntica a da espoleta comum; •constituição: estojo cor de alumínio com dois fios condutores elétricos ligados em sua extremidade estriada; •carga detonadora: semelhante a espoleta comum; •carga iniciadora: sensível a corrente elétrica; e •funcionamento: o misto de iniciação é inflamado com dois fios condutores ligados a sua extremidade estriada. 3.5. Acendedor de Fricção
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -32- O acendedor de fricção é um acessório usado para acendimento do estopim comum/ hidráulico. PARÂMETROS Comprimento + - 115 mm Diâmetro 9,5 + - 2 mm Temperatura de Funcionamento de – 10º C à + 52º C (+/- 2º C) Comprimento do Estopim Mínimo de 10 cm Esforço de Tração de 50g Estopim não deve soltar da garra •constituição: corpo cilíndrico e com puxador, uma cápsula com misto de iniciação e arame com misto de atrito; •funcionamento: tracionado com energia o puxador arrasta o arame de atrito que atravessa a cápsula com misto de iniciação, produzindo chama que irá queimar o estopim (comum ou hidráulico). 3.6. Acendedor à Prova D’água •finalidade: acender o estopim sob água; •constituição: tubo de alumínio com puxador e argola; •funcionamento: empunha-se o acendedor; •retira-se o pino de retenção; •percussor é lançado contra a cápsula; e •produção da chama. 3.7. Acionador de Retardo •Finalidade: detonação de cargas explosivas. •Tipos: cilíndrico cor vermelha e puxador "T" - 8 segundos e cilíndrico cor amarela e puxador "anel"- 15 segundos. •Constituição: conjunto cilíndrico de 15cm de altura e 1,6cm de diâmetro, contendo corpo e protetor. Corpo ( acendedor retardo detonador). h. Simulacro de Granada
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -33- O simulacro de granada é usado no treinamento de tropas, substituindo as granadas de mão reais nos combates simulados. Possui baixo poder explosivo e não produz estilhaços. PARÂMETROS Comprimento do Corpo Entre 99 e 102 mm Diâmetro Externo Entre 28 e 30 mm Comprimento Visível do Estopim Maior que 42 mm Tempo de Retardo para funcionamento Maior que 10 s Distância de Lançamento de Estilhaços Menor que 20 m •Funcionamento: acende-se a ponta do estopim e lança-se o simulacro num prazo de, aproximadamente 10 segundos o estopim se queima, inicia o misto explosivo que faz detonar o explosivo. •Precaução: pode produzir ferimentos se detonado junto ao corpo do indivíduo. A distância de segurança para arremesso é de 10 metros do local da explosão nos artefatos até 1973 e de 20 metros para os fabricados após aquela data. 4. ARTIFÍCIOS PIROTÉCNICOS 4.1. Definição Os artifícios pirotécnicos são artefatos fundamentais na atividade de socorro e salvamento de náufragos e outros acidentados, através da sinalização visual de fumaça durante o dia e luz durante a noite em áreas de difícil acesso e comunicação. Produzem efeitos luminosos e fumígenos.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -34- 4.2. Tipos a) Sinalizador manual estrela (vermelho, branco e verde) Sinalização de salvamento e orientação para o deslocamento de tropas, início e término de operações, na selva, no mar e em áreas rural e urbana, com a utilização do código das cores. Desenvolvido para ser visto a longas distâncias. Luminosidade de 20.000 candelas. Operação : remova a tampa de segurança, segure firmemente o sinalizador na posição vertical, puxe a argola e o acionamento será imediato. Tempo de queima de 6 segundos e altura máxima de 80 metros. b) Facho manual luz vermelha Sinalização noturna para salvamento marítimo e orientação para o deslocamento de tropas. Desenvolvido para curtas e médias distâncias. Luminosidade de 15.000 candelas. Operação : remova a tampa de segurança, segure firmemente o sinalizador na posição vertical, puxe a argola e o acionamento será imediato. Tempo de queima do facho é de 60 seg. c) Sinal de perigo diurno/noturno
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -35- O sinal de perigo diurno/noturno foi desenvolvido para a utilização em terra ou no mar, nas operações de salvamento, no balizamento e no auxílio à tropas durante os deslocamentos. O sinal diurno emite fumaça na cor laranja (20 segundos queima) e o noturno emite facho de luz vermelha intensa (20.000 candelas por 20 segundos) . Sinal de perigo diurno/noturno menor e com tempo de emissão reduzido d) Foguete de sinalização com pára-quedas Sinalização, salvamento, orientação e iluminação para operações militares. Com o acionamento, o foguete é impulsionado até uma altura de 300 metros, fazendo liberar o pára quedas com a carga iluminativa (30.000 candelas) que queima, emitindo forte luz vermelha, durante 40 segundos. e) Foguete de sinalização 5 estrelas Sinalização, salvamento, orientação e iluminação para operações militares. Com o acionamento, o foguete é impulsionado até uma altura de 300 metros, liberando os cinco sinais de estrela colorida. f) Conjunto de Sinais 9 estrelas
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -36- Utilizado em operações de salvamento e em aeronaves, navios em qualquer situação de perigo que exija o uso de pirotécnicos para sinalização. Consiste de um invólucro plástico, contendo 9 cápsulas de alumínio com carga sinalizadora e caneta ejetora. Fabricado em duas versões: Colorida (3 vermelhas, 3 verdes e 3 brancas) e Vermelha (9 estrelas vermelhas). Tempo de queima de 6 segundos e alcance de 80 metros. Luminosidade em torno de 15.000 candelas.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -37- ÍNDICE Capítulo I – Generalidades da Munição de Armamento Leve............................ 03 1. Apresentação .................................................................................................. 03 2. Terminologia ................................................................................................. 03 3. Finalidade ....................................................................................................... 03 4. Componentes ................................................................................................. 04 5. Estudo dos componentes ............................................................................... 04 5.1. Estojo .......................................................................................................... 05 5.2. Cápsula ....................................................................................................... 07 5.3. Carga de Projeção ....................................................................................... 08 5.4. Projétil ......................................................................................................... 09 6. Funcionamento ............................................................................................... 13 Capítulo II – Munição de Arremesso.................................................................. 14 1. Granadas de Mão ............................................................................................ 14 1.1. Definição ..................................................................................................... 14 1.2. Classificação ............................................................................................... 14 1.3. Constituição ............................................................................................... 15 1.4. Tipos ............................................................................................................ 15 1.5. Granada de mão M3 c/EOT M9 .................................................................. 19 Capítulo III – Munição de Lançamento ............................................................. 25 1. Granadas de Bocal ......................................................................................... 25 1.1. Definição ..................................................................................................... 25 1.2. Classificação ............................................................................................... 25 1.3. Conceituação ............................................................................................... 26 1.4. Tipos ............................................................................................................ 27 1.5. Funcionamento ............................................................................................ 28 1.6. Segurança .................................................................................................... 29 2. Munição do Lança Granadas 40 mm M79 ..................................................... 30 2.1. Apresentação ............................................................................................... 30 2.2. Terminologia ............................................................................................... 31 2.3. Composição ................................................................................................. 31 2.4. Classificação ............................................................................................... 32 2.5. Estudo dos Elementos ................................................................................. 32 2.6. Funcionamento ............................................................................................ 35
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -38- CAPÍTULO I GENERALIDADES DA MUNIÇÃO DE ARMAMENTO LEVE 1. APRESENTAÇÃO São aquelas de calibre igual ou menor que .60” =15,24 mm. São utilizadas em : revólveres, pistolas, metralhadoras de mão, carabinas, fuzis, fuzis metralhadoras, metralhadoras leves, metralhadoras pesadas e etc. 2. TERMINOLOGIA Cartucho: munição encartuchada engastada. Efeitos balísticos: conjunto de forças que atuam em um corpo durante sua trajetória. Durante o deslocamento do projétil no interior do cano são gerados um conjunto de forças que atribuem aos projéteis movimentos rotatórios. Estes têm a finalidade de minimizar os efeitos balísticos. 3. FINALIDADE OU EMPREGO Está diretamente associada ao tipo de projétil que está sendo utilizado. a) Munição de guerra Possuem por objetivo causar danos ou baixas. •comum : contra pessoal e alvos não blindados. •perfurante : utilizados contra aviões, veículos de blindagem leve e abrigos de concreto. •incendiária : tem por finalidade causar um efeito incendiário. •traçante : tem por finalidade realizar-se a observação do tiro. •perfurante – incendiária : visa combinar dois efeitos desejados. •perfurante - incendiária - traçante : visa combinar três efeitos desejados. b) Munição de emprego especial Visa um efeito específico e que não seja necessariamente causar baixas. • festim: tiro simulado e salvas;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -39- • manejo: inerte, treina o manuseio do armamento; • pressão majorada: testa o armamento; • sub – calibre: utilizada nos tubos redutores; e • lançamento: lançamento de granada de bocal com fuzil, mosquetão ou carabina, com bocal adaptado. 4. COMPONENTES • estojo; • cápsula ou espoleta; • carga de projeção ou propelente; • projétil ou projetil; 5. ESTUDO DOS COMPONENTES 5.1. Estojo Estojos de .50 pol., 7,62 mm e 9 mm 5.1.1 Finalidades • reunir os demais elementos componentes da munição; • proteger a carga de projeção; • fazer a obturação da câmara.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -40- 5.1.2 Nomenclatura 1. Estojo - Elemento por completo. 2. Culote – parte inferior do estojo onde localizam-se as inscrições de identificação, (Fábrica, lote, tipo de munição,...). 3. Corpo - Seu formato (cilíndrico, tronco cônico ou tronco cônico com gargalo cilíndrico) está totalmente ligado ao sistema de funcionamento da arma. 4. Ombro - Faz a redução câmara / cano. 5. Gargalo - Fixa o projétil. 6. Boca - Recebe o projétil. 7. Alojamento da cápsula - Recebe a cápsula. Pode possuir bigorna ou não. 8. Gola - Aloja a garra do extrator. 9. Evento(s) - Permite que a chama da cápsula atinja a carga de projeção. 10. Câmara - Aloja a carga de projeção. 11. Parede - Pela dilatação realiza a obturação dos gases. 12. Bigorna - (Somente nos estojos tipo Berdan), com auxílio do percussor, permite o esmagamento do alto explosivo iniciador existente na cápsula. 13. Virola - Permite a extração. 5.1.3. Fabricação São produzidos em aço, alumínio ou latão. São confeccionados pelo processo de estiramento sucessivo, devido a isso, torna-se o componente de maior custo de fabricação. 5.1.4. Classificação
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -41- a) Quanto ao tipo • Fogo circular • Fogo central b) Quanto ao perfil Cilíndrico (Usado em pistolas) Tronco-cônico (Usado em carabinas) Tronco-cônico c/ gargalo cilíndrico (Fuzis e Mtrs) c) Quanto ao formato da virola Escavada Semi-saliente Saliente 5.2. Cápsula
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -42- Cápsula Boxer Atualmente costuma ser chamada de espoleta por empresas e por usuários civis. Porém de acordo com o T 9-200 (Nomenclatura-Padrão Geral de Armamento e Munição)- 1ªEdição- 1975, sua nomenclatura no âmbito do Exército Brasileiro permanece como cápsula. 5.2.1. Finalidade Iniciar, depois da excitação externa , a queima da carga de projeção. 5.2.2. Nomenclatura 1 - Corpo ou copo: recebe os demais elementos. 2 - Mistura iniciadora: alto explosivo iniciador. 3 - Disco de papel: mantém a mistura no seu local. 4 – Bigorna: existente somente nas cápsulas do tipo Boxer. Com auxílio do percussor, permite o esmagamento do alto explosivo iniciador. 5.2.3. Constituição Seu corpo e sua bigorna são compostas de cobre ou latão e o misto iniciador, que é um alto explosivo, geralmente é composto de fulminato de mercúrio ou azida de chumbo ou estifinato de chumbo ou tetraceno. 5.2.4. Tipos Boxer: A cápsula possui bigorna e é acondicionada num estojo com evento único (central).
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -43- Berdan: A cápsula não possui bigorna, esta faz parte do estojo que possui dois ou mais eventos. 5.3. Carga de projeção 5.3.1. Definição São baixos explosivos (pólvoras) que transformam-se em gases através de uma queima de grande velocidade gerando pressão. Através desta pressão é que os projéteis são impulsionados em direção ao alvo. 5.3.2. Classificação a) quanto ao tipo • pólvora negra • pólvora química ou coloidal b) quanto à composição • base simples - Nitrocelulose (NC) • base dupla - NC + Nitroglicerina (NG) • base tripla - NC + NG + Nitoguanidina (NGu) c) quanto a forma • grãos • lâminas • fios • cilindros (não, mono ou heptaperfurados).
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -44- 5.4. Projétil Projétil de .50 pol 5.4.1. Finalidade Causar danos, é o próprio emprego da munição. 5.4.2. Nomenclatura 1 - Projétil ou projetil: elemento por completo. 2 - Base ou culote: favorece as propriedades balísticas, no que concede ao arrasto com o ar. Recebe a pressão oriunda da queima da carga de projeção e nas munições traçantes, torna-se a saída do misto traçante durante a sua trajetória. 3 – Corpo: área que se engraza ao raiamento fazendo com que o projétil adquira propriedades balísticas. 4 - Ogiva ou ponta: favorece as propriedades balísticas, no que concede a resistência do ar.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -45- 5 – Camisa: somente nos projéteis tipo encamisados, uso militar obrigatório pois a camisa evita o desgaste exagerado do cano da arma. 6 – Núcleo: é a finalidade do projétil. 7 - Cinta de lubrificação ou cinta de engastamento ou canelura: mantém a camisa firmemente presa ao núcleo, permite que o gargalo (no estojo) engaste o projétil na montagem do cartucho. 5.4.3. Classificação a) Quanto ao tipo Chumbo - Endurecidos com estanho e / ou antimônio. Encamisado - Núcleo de chumbo [aço ( Car .50 Cm)], e revestido com uma camisa com percentuais de cobre, zinco e níquel. Vantagens: • Não provocam chumbeamento no interior do cano. • Permitem maiores velocidades iniciais. • Não são danificados pelo carregamento. b) Quanto a forma Ponta arredondada. Ponta ogival.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -46- 5.4.4. Projéteis Encamisados São projéteis constituídos por uma capa metálica externa, fabricada em metal não ferroso (ligas de cobre/níquel com alto teor de cobre são as mais comumente utilizadas), metal ferroso(nesse caso com recobrimento eletrostático por um metal não ferroso) e de núcleo, quase sempre de chumbo, destinado a dar aos mesmos o peso necessário para que possam desenvolver energia adequada. Embora as formas construtivas dos projéteis encamisados possam variar bastante de fabricante para fabricante, para efeito prático podemos dividi-los em dois subgrupos: a) aqueles que possuem a “camisa” fechada na ponta e aberta na base para introdução do núcleo. Estes projéteis são conhecidos como encamisados totais (FMJ- Full Metal Jacket ou FMC- Full Metal Case); b) aqueles que possuem a “camisa” fechada na base e aberta na ponta para também permitir a colocação do núcleo. Nesses casos, quando a camisa se estende até a ponta do projétil ele é identificado como encamisado e quando não se extende, como semi-encamisado. Em função do posicionamento máximo da camisa, o núcleo poderá ser bastante, ou pouco visível. Após a colocação do núcleo, a extremidade da camisa pela qual ele foi introduzido sofrerá sempre uma ou mais operações de acabamento. Todos os projéteis com o núcleo exposto nas pontas são genericamente conhecidos por expansivos pois, ao impacto com o corpo, apresentam maior ou menor deformação (formação de “cogumelo”) a qual ajuda a “freiar” sua trajetória no alvo aumentando a transferência de energia ( “Stopping-Power” ) e evita que o projétil atravesse com energia suficiente para causar danos letais a outros corpos. Os projéteis semi ou totalmente encamisados, possuem as seguintes vantagens: a) podem ser impelidos a velocidades bem maiores do que os de chumbo, não apresentando problemas de chumbeamento dos canos e possibilitando o aumento da energia e do alcance útil; b) permitem maior criatividade aos projetistas; c) apresentam menor possibilidade de “engasgar” em armas semi ou totalmente automáticas. E as seguintes desvantagens: a) alto custo;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -47- b) desgaste prematuro dos canos das armas, reduzindo sua vida útil de precisão. 1- ETOG – encamisado total ogival; 2- SEPC – semi-encamisado ponta de chumbo; 3- EPO – encamisado ponta-oca; 4- SEPC – semi-encamisado ponta de chumbo; 5- SEPC – semi-encamisado ponta de chumbo, fabricação Remington; 6- EPO – encamisado, ponta oca, fabricação Remington; 7- SEPC – semi-encamisado ponta de chumbo; 8- EPO – encamisado ponta-oca; 9- ETPT-encamisado total, pontiagudo; 10- (ETPT/BT) – encamisado total, pontiagudo 6. FUNCIONAMENTO Partindo dos conceitos aprendidos, a munição de armamento leve funciona de da forma abaixo discriminada. Levando-se em consideração a arma carregada, dá-se a percussão. A partir daí existe o choque do percussor com a cápsula. O alto explosivo iniciador presente na cápsula sofre um esmagamento, por um lado feito pelo percussor e pelo outro pela bigorna. Este explosivo sensível ao choque detona e propaga sua chama pelo evento do alojamento da cápsula que chega até à carga de projeção (baixo explosivo - pólvora base simples ou dupla). Quando a carga de projeção começa a queimar, inicia-se a transformação da pólvora em gases e a partir daí, quanto maior a pressão dos gases, maior a velocidade de queima no interior do estojo. Logo em seguida, o estojo começa a dilatar-se, fazendo a vedação com a câmara. O projétil desengasta-se da boca do estojo e adquire rapidamente alta velocidade devido à alta pressão agora já existente no interior do estojo. O projétil é impulsionado durante todo o seu deslocamento no interior do cano e adquire neste trajeto suas propriedades balísticas caso o cano da arma seja de alma raiada. Caso o projétil seja traçante ou fumígeno, o misto que encontra-se no seu interior é liberado pelo
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -48- culote do projétil durante sua trajetória. Caso seja incendiário, o misto entrará em contato com o alvo quando do impacto do projétil. CAPÍTULO II MUNIÇÃO DE ARREMESSO 1. GRANADAS DE MÃO 1.1 Definição É um engenho de forma cilindro-ogival ou oval, munido de espoleta e carregado com uma carga interna explosiva ou química. Lançadas a mão, destinam-se a reforçar o fogo das armas leves no combate aproximado, produzir cortinas de fumaça ou produzir efeitos especiais. Na concepção atual da guerra, são fatores indispensáveis para artefatos bélicos de infantaria: •baixo peso e volume reduzido, não só para facilitar o transporte, como para permitir maior poder de fogo individual e coletivo; •finalidade múltipla, sempre que possível, para que haja adaptação à situação tática (ofensiva e defensiva) •sem riscos para o usuário; •estilhaços em grande quantidade e de baixo peso, com o objetivo de produzir morte apenas nas proximidades do local da explosão, ferindo o inimigo mais afastado, pois com isso acarretará a mobilização de padioleiros, médicos e ambulâncias, evacuação para a
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -49- retaguarda etc; provocando no inimigo maiores complicações logísticas, além de traumas psicológicos sobre a tropa. 1.2 Classificação Conforme a natureza da carga •letais (explosivas - defensivas ou ofensivas ); •não-letais; •de exercício (simulacro); e •lastradas. 1.3 Constituição Basicamente as granadas de mão constituem-se de três partes: • Corpo; • Carga; e • Espoleta. 1.4 Tipos 1.4.1. Granadas de mão letais São carregadas com um alto explosivo, o TNT ( ou Composição “B” ) A granada explosiva foi projetada para ser utilizada por tropas militares em operações táticas e de contra ataque. Possui grande efeito atordoante provocado pela detonação da carga explosiva. Esta granada não pode ser utilizada em operações de controle de tumulto. Possuem dupla finalidade, dependendo ou não da utilização da luva de estilhaçamento: • defensivas: agem pelo estilhaçamento do seu invólucro; e • ofensivas: agem pelo efeito da onda explosiva resultante da detonação de sua carga de arrebentamento.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -50- 1.4.2 Granadas de mão não-letais a) Explosivas para ambientes abertos Foram projetadas para ser utilizada por tropas Policiais e Militares em operações de controle de distúrbios graves e combate à criminalidade. Possuem grande efeito atordoante provocado pela detonação da carga explosiva. No controle de distúrbios a granada deve ser lançadas para explodirem a uma distância mínima de 10 metros dos infratores. A distâncias menores existe a possibilidade de projeção de partículas irregulares, oriundas da fragmentação do corpo plástico da granada, as quais podem produzir pequenos ferimentos. Em situações extremas, de graves distúrbios e de combate à criminalidade, os efeitos sonoro, explosivo e de emissão de partículas, devem ser avaliados pelo Comandante da operação, que deverá decidir sobre a conveniência ou não do lançamento próximo aos infratores e/ou em recinto fechado. Granada explosiva de efeito moral - poder explosivo associado a uma nuvem de um pó branco, sem agressividade química. Granada explosiva lacrimogênea – poder explosivo associado ao efeito lacrimogêneo. Granada explosiva identificadora - Poder explosivo associado ao efeito da emissão de partículas de gel na cor vermelha e não tóxico, cujo objetivo é marcar os infratores para posterior identificação. Granada explosiva de luz e som – Poder explosivo associado à luminosidade intensa que ofusca a visão dos agressores por alguns segundos, permitindo uma eficiente ação policial.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -51- b) Explosivas para ambientes fechados (indoor) Possuem as mesmas finalidades das granadas para uso aberto porém foram desenvolvidas para a utilização em ambientes fechados. Possuem um tempo de detonação mais curto para evitar a reação dos agressores e um efeito explosivo reduzido mas com excelentes resultados em ambientes fechados. Granada indoor explosiva de efeito moral Granada indoor explosiva lacrimogênea - CS Granada indoor explosiva identificadora Granada indoor explosiva de luz e som 1.4.3. Granadas de mão de exercício a) Simulacro de granada reutilizável A granada AM-500 foi projetada para emprego em treinamento de tropas Policiais e Militares para operações de controle de distúrbios. Produz alto estampido, acompanhado de uma nuvem de fumaça, análogos a uma granada de emprego real, capazes de identificar o local da explosão. Esses efeitos são alcançados sem a produção de estilhaços, o que permite um treinamento seguro. 1.4.4. Granadas de mão fumígenas d) Granada fumígena manual – HC
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -52- A granada MB-502, foi projetada para emprego em operações militares e policiais, com o objetivo de produzir uma densa cortina de fumaça, que serve para mascarar a retirada ou a movimentação de tropas de infantaria em relação ao agressor. Pode ser utilizada em controle de distúrbios desorientando e dispersando infratores, pela ação da densa fumaça. Serve ainda como artefato sinalizador. Em situações extremas de graves distúrbios e combate à criminalidade, pode ser usada para forçar a saída dos infratores de ambientes fechados, atirando a granada através de aberturas ou janelas. e) Granada de fumaça colorida Sinalização diurna colorida para salvamento de tropas, início e término de operações, na selva e áreas rural e urbana, com a utilização do código de cores. Este produto não é indicado para o uso no mar, pois não flutua. 1.4.5. Granadas de mão lacrimogêneas
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -53- Foram projetadas para serem utilizadas por tropas Policiais e Militares em operações de controle de graves distúrbios e combate à criminalidade. Atua por saturação de ambientes através da geração de intensa nuvem de fumaça contendo agente lacrimogêneo (CS). 1.4.6 Granada de mão lastrada São completamentes inertes e destinam-se a instrução da tropa. 1.5 Granada de mão M3 c/EOT M9 Granada utilizada por muito tempo pelo Exército Brasileiro, produzida pela CEV (Companhia de Explosivos Valparaíba). Possui as seguintes vantagens: • utilização da mesma granada como ofensiva e defensiva, dependendo da situação tática, apenas com a retirada ou permanência da luva de estilhaçamento no corpo plástico da granada; • utilização contra pessoal em distâncias curtas, especialmente guarnições de armas ou grupos, normalmente abrigados e desenfiados ao tiro tenso das armas portáteis; • estilhaços em forma e quantidade determinadas pelo pré-ranhuramento da luva de estilhaçamento; • peso reduzido do artefato, podendo ser lançado com maior precisão e maiores distâncias; • utilização como carga dirigida para rompimento de chapas de aço, trilhos e outro trabalhos de sapadores; • utilização como carga de demolição e rutura. 1.5.1. Descrição e nomenclatura A granada de mão M3 ( Defensiva-Ofensiva ) com espoleta de ogiva de tempo M9, compõe-se, basicamente, de 2 subconjuntos, com os componentes a seguir: a) Granada propriamente dita •corpo ( plástico ); •carga explosiva; e •luva de estilhaçamento. b) Espoleta •capacete;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -54- •grampo de segurança; •corpo; •dispositivo de percussão; e •retardo-detonador. 1.5.2. Espoletamento • retirar o tampão de vedação da granada; • introduzir o retardo-detonador, no corpo da granada; • segurar a espoleta com uma das mãos e rosquear o corpo da granada na espoleta com a outra mão. Nesta operação, como medida de segurança, a espoleta deve funcionar como peça fixa e a granada como peça móvel. 1.5.3 Emprego a) Como granada de mão defensiva A granada é fornecida com a luva de estilhaçamento ajustada ao corpo plástico. Para empregá-la, é suficiente espoletar a granada e seguir as instruções de lançamento regulamentares. b) Como granada de mão ofensiva A transformação da granada em ofensiva é efetuada retirando - se a luva de estilhaçamento, restando apenas o corpo plástico e a espoleta. Para retirar a luva, segurar a granada pela luva com uma das mãos, e com o polegar da outra mão, empurrar o corpo plástico pelo fundo cônico. c) Como carga dirigida Para segurança do operador, retirar a luva de estilhaçamento, cuja ausência, praticamente não influi no rendimento da perfuração. Fixar firmemente a granada com o fundo cônico apoiado sobre a parte a ser perfurada Retirar o tampão de vedação. Introduzir uma espoleta elétrica n.º 8 ou espoleta comum n.º 8 com estopim, até encostar no fundo, procurando fixá-la. Estender os fios até uma posição de segurança onde o operador procederá ao contato elétrico ( pilha, bateria, explosor etc ) para a detonação.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -55- Se for usada espoleta comum n.º 8, com estopim, cortá-lo com comprimento suficiente para se abrigar. d) Como carga de demolição e rutura Para segurança do operador, retirar das granadas a serem utilizadas, as luvas de estilhaçamento, cuja ausência praticamente não influi no rendimento da perfuração. De acordo com os manuais de demolição regulamentares, calcular o posicionamento e a quantidade de explosivo necessária para obtenção dos efeitos previstos. Fixar firmemente as granadas entre si e no local desejado. Introduzir as espoletas elétricas n.º 8 ou espoletas comuns n.º 8 com estopim até encostar no fundo, procurando fixá-las. Estender os fios até uma posição de segurança onde o operador procederá aos contatos elétricos ( pilha, bateria, explosor etc ), para a detonação, levando em conta a resistência elétrica total. Se for usada a espoleta comum n.º 8 com estopim, cortá-lo com comprimento suficiente para se abrigar. 1.5.4. Funcionamento
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -56- 1- Anel do grampo de segurança 6- Capacete 2- Percussor 7- Corpo plástico 3- Cápsula 8- Carga explosiva 4- Corpo 9- Luva de estilhaçamento 5- Retardo-detonador 10- Garra do capacete Após a retirada do grampo de segurança pelo combatente e lançada a granada, desenvolvem-se as seguintes operações: •fica liberada a mola do percussor; •a distensão da mola imprime ao percursor um movimento rotativo que ejeta o capacete e, em continuação, vai ferir a cápsula;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -57- •esta, por sua vez, faz funcionar um misto químico que queima durante 4 e 5 segundos; e •o final desta queima provoca a explosão do detonador e, consequentemente, da granada. 1.5.5. Seguranças a) De manuseio •grampo de segurança, quando em seu alojamento no corpo, impede o deslocamento do capacete e, portanto, o movimento do percussor citado no segundo item do funcionamento; •ainda que retirado o grampo de segurança, enquanto a granada permanecer empunhada – com o capacete firmemente apoiado contra a palma da mão – fica impedido, da mesma forma, o funcionamento do dispositivo de percussão; •após a retirada do grampo de segurança, se por qualquer motivo a granada não for lançada, é possível a recolocação do grampo em sua posição primitiva bastando, para isso, serem executados, cuidadosamente, os movimentos inversos ao da retirada. É, entretanto um procedimento perigoso que, sempre que possível, deve ser evitado. b) De transporte É caracterizada, complementarmente, pelo fornecimento, em separado, dos cunhetes de granadas e de espoletas e pelo acondicionamento das peças em compartimentos isolados de contato, dentro dos cunhetes. 1.5.6. Cuidados especiais Além do conhecimento que devem ser portadores aqueles que manuseiam munições, podemos lembrar, dentre outros: a) nenhum homem deverá executar lançamentos de granadas reais sem antes haver mostrado eficiência e cuidado nos treinamentos; b) as espoletas com detonadores devem ser manejadas com o máximo cuidado. Contendo carga explosiva sensível, evitar calor, choque ou atrito, como a seguir exemplificaremos: • calor – não devem ser excessivamente submetidas a altas temperaturas (acima de 35.) estejam ou não expostas aos raios solares;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -58- • choque – não conduzi-las de maneira que possam bater uma contra as outras; não se deve deixa-las cair; não se deve abrir os cunhetes empregando martelo ou qualquer instrumento pesado; e • atrito - não deve existir maior que o provocado pelo uso normal das mãos sem ferramentas. c) grampo de segurança somente deve ser retirado quando o atirador estiver pronto para lançar; d) as granadas não devem ser espoletadas: • em depósitos ou ambientes fechados; • em ponto de carga ou descarga de munições; e • a menos de 100 metros de construções. CAPÍTULO III MUNIÇÃO DE LANÇAMENTO 1. GRANADAS DE BOCAL Granada de Bocal Antipessoal 1.1 Definição São projéteis explosivos ou químicos dotados de uma carga interna e de um dispositivo de acionamento. A granada de bocal, alto explosivo, é um engenho que visa dar aos combatentes de infantaria recursos que lhe permitam realizar o tiro curvo sobre a tropa amiga e objetivos dispersos, sempre que os projéteis de pequeno calibre e de tiro tenso não consigam os desejados resultados. Produzindo efeito explosivo e de estilhaçamento, torna-se eficaz contra objetivos ainda que desenfiados. A granada de bocal, é um artefato que, lançado pelo fuzil 7,62 M964, possui o efeito secundário de perfuração em concreto ou chapas de aço (couraças), de até 3`` (7,62 mm) de espessura no caso das antipessoais e de até 4” (10,2 mm) ) de espessura no caso das anticarro.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -59- Assim sendo, poderá realizar com eficiência as missões normalmente atribuídas aos morteiros leves e lança-rojões de pequeno calibre, pois não apresenta os inconvenientes deste ( ruído, chama, poeira). 1.2. Classificação Conforme a natureza da carga: • antipessoal; • anticarro; e • exercício ( lastradas ou com carga de pólvora negra ). 1.3. Constituição Basicamente: cabeça explosiva, espoleta e empenagem.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -60- a) cabeça explosiva :ogiva, pelo cone, corpo e carga principal; b) espoleta: grampo de segurança, pino de armar, luva guia do percussor, mola de segurança, percussor, detonador-reforçador; c) empenagem: tubo estabilizador e aletas; d) cartucho de lançamento: vem preso a um tarugo de borracha colocado no fundo da empenagem; e e) mira individual: alça graduada, que serve para a pontaria. 1.4. Tipos 1.4.1. Gr Bc Antipessoal São carregadas com pentolite, sendo de fabricação nacional e agindo pela ação de estilhaçamento, podendo agir em algumas situações pela ação de perfuração, pois é de carga “carga oca”, perfurando blindagens de até 7 mm de espessura. A explosão da granada produz mais de 100 estilhaços eficazes sobre um homem em pé num raio de 20 metros do ponto de detonação e com efeitos secundários até 60 metros. CARACTERÍSTICAS BÁSICAS Peso total 550 g Peso do explosivo 90 g Comprimento 323 mm Diâmetro do corpo 40 mm Velocidade inicial (Car Lçmt 7,62 CEV) 70 m/s Alcance máximo ângulo de 42 graus 400 m Alcance de alça (utilização) 150 m Alcance normal dos estilhaços 30m Tiro tenso contra pessoal e Vtr Bld até 150m 1.4.2. Gr Bc Anticarro São também carregadas com pentolite e agem pelo princípio da “carga oca”. Permitem furar couraças com espessuras superiores a 4’’ (10,2 mm). Todas as suas características são semelhantes às pessoais.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -61- 1.5. Funcionamento 1- Corpo da Carga 6- Grampo de segurança 2- Carga explosiva 7- Pino de armar 3- Detonador-reforçador 8- Luva-guia do percussor 4- Corpo da espoleta 9- Percussor 5- Mola de segurança 10- Tubo-Motor a) Posição inicial: •cartucho de lançamento na câmara; •uma granada no bocal; •granada sem o grampo de segurança; e •dá-se a percussão no cartucho de lançamento. b) Funcionamento propriamente dito: 1ª ETAPA: Percussão do cartucho de lançamento e trajetória da granada de bocal 1ª FASE: Recuo da luva-guia do percussor: • Retirado o grampo de segurança, o pino de armar permanece em seu lugar; • Após a percussão, por ação da inércia, a luva-guia tende a permanecer no seu lugar (recua em relação à granada), enquanto a granada é lançada, indo liberar a cabeça do pino de armar, que é ejetado por ação de sua mola;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -62- • Com o recuo da luva-guia do percussor, a mola de segurança, que se encontra à frente do percussor, começa a se distender (abrir) para permitir a passagem do percussor, que é mantido à retaguarda por inércia. 2ª FASE: Armação da espoleta: • Após o máximo de distensão possível da mola de segurança, o percussor estará livre para ir à frente, só não o fazendo por ação da inércia; • Em virtude de suas características técnicas de fabricação a espoleta não funcionará antes de haver percorrido 02 metros de sua trajetória, a partir da boca da arma, mesmo que encontre um obstáculo; • Isto é assegurado pelo tempo que leva a mola de segurança para se distender, após a liberação de sua posição original, liberando o percussor. 2ª ETAPA: Granada no momento do impacto - Ao atingir o alvo, a granada bate com a ogiva. Neste momento, por ação da inércia, o êmbolo onde está preso o percussor avança percutindo a o detonador-reforçador e consequentemente a granada. 1.6. Seguranças a) De manuseio O grampo de segurança, quando em seu lugar, impede a ejeção do pino de armar e, consequentemente, o funcionamento do dispositivo de percussão, até mesmo por efeito de queda. Devido ao seu sistema de segurança, ainda que retirado o grampo de segurança, a granada poderá sofrer queda de até 3 metros sem qualquer problema, pois não haverá inércia provocada pela força do impacto resultante da velocidade de lançamento. Em caso de queda da granada sem o grampo de segurança, e não tendo sido ejetado o pino de armar, a mesma poderá ser recolocada no bocal de lançamento sem que isso implique na segurança do manuseio do artefato; caso contrário, isto é, o pino de armar tendo sido ejetado (o que dificilmente acontecerá), a granada não deverá ser tocada pois todo o sistema de segurança foi acionado no sentido da liberação do percussor. A granada deverá, então, ser destruída no local.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -63- Após a retirada do grampo de segurança, se por qualquer motivo a granada não for lançada, é possível a recolocação do grampo em sua posição primitiva, bastando, para isso, serem executados, cuidadosamente, os movimentos inversos ao da retirada. b) De boca Em virtude de suas características técnicas de fabricação, a espoleta não funcionará antes de haver percorrido 02 (dois) metros de sua trajetória, a partir da boca da arma, mesmo que encontre um obstáculo. Isto é assegurado pelo tempo que leva a mola de segurança colocada à frente do percussor para se distender, após a liberação de sua posição original. c) De transporte Para o transporte, o percussor fica impedido de se movimentar pela ação: •de dois pinos de aço, sendo um solidário ao grampo de segurança e outro (pino de armar) que só é ejetado automaticamente pelo tiro de lançamento (desde que se retire o grampo de segurança); • da mola de segurança posicionada à frente do percussor. 2. MUNIÇÃO DO LANÇA GRANADAS 40 MM M79 2.1. Apresentação Calibre 40mm. São utilizadas no Lançador de granadas M-79 ou M-203. VISTA EM CORTE 2.2. Terminologia Granada ou Cartucho 40 x 46mm ou Cartucho 40 de baixa velocidade.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -64- OBS: As características abaixo exemplificadas referem-se ao Car 40X46 M406HE. 2.3. Composição A munição é composta de estojo, estopilha, carga de projeção, projétil e espoleta. Estojo Munição Estopilha Carga de projeção ou propelente Projétil ou granada Espoleta 2.4. Classificação a) quanto a colocação dos elementos ENCARTUCHADA: Estojo reúne os demais elementos. ENGASTADA - Projétil fixo ao estojo, não permite a variação da carga de projeção. b) quanto ao uso: único; c) quanto a estabilização: rotação; d) quanto ao emprego: 2.5. Estudo dos elementos a) estojo Contém a carga de projeção e fazer a obturação da câmara. É de alumínio e fabricado pelo processo de estiramento sucessivo. Possui traçado cilíndrico. nomenclatura aplicada
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -65- 1. GOLA - Recebe o projétil; 2. GARGALO - Fixa o projétil por punções; 3. CORPO – Inscrições: Lote. 4. VIROLA – Permite a extração: Escavada; 5. CULOTE – Inscrições: Lote; 6. CÂMARA – Nesta munição, é subdivida em 2 [câmaras de alta (aloja a carga de projeção) e de baixa pressão]; 7. ALOJAMENTO DA ESTOPILHA - Recebe a estopilha e a carga de projeção; b) estopilha Quando excitada, produz a chama que inicia a queima da carga de projeção. Do tipo estampada. Atua por percussor. Possui perfil curto e carga de encadeamento explosivo através de misto fulminante -> cápsula e explosivo iniciador; nomenclatura aplicada 1. CORPO - Recebe os demais elementos; 2. BIGORNA – Em conjunto com o percussor da arma, realiza o esmagamento do alto-explosivo iniciador; 3. CÁPSULA – Aloja o alto-explosivo iniciador; 4. MISTO FULMINANTE – Alto-explosivo iniciador (Tetraceno).
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -66- c) carga de projeção Projeta a granada. É encartuchada de uso único e composta de pólvora coloidal. TIPO: BASE DUPLA - BD: Nitrocelulose (NC) + Nitroglicerina (NG). EMPREGO: Propelente. FORMA: Esférica (2,84mm) CARREGAMENTO: Solta d) projétil ou granada Conduz a carga química ou explosiva. É composta de aço e alumínio - fundido / forjado e torneado com traçado biogival. nomenclatura aplicada 1. OUVIDO ROSCADO - Recebe a espoleta; 2. OGIVA - Favorece as propriedades balísticas concernentes a resistência do ar; TIPO: Curta (baixa Vo) e falsa; 3. CORPO - É o projetil propriamente dito, de espessura e material variável com a finalidade da granada. Neste caso, a granada encontra-se alojada em um falso corpo de alumínio, formando um só corpo; 4. CINTA DE FORÇAMENTO - Cinta ligeiramente maior que o calibre da arma, que engraza-se nas raias, proporcionando a rotação da granada e obturando os gases a frente; TIPO: Simples; PERFIL: Escavado - O sulco recebe o excesso de metal do forçamento;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -67- 5. CULOTE - Favorece as propriedades balísticas concernentes ao arrasto; 6. CARGA DO PROJÉTIL - É feito através de enchimento – fundido com carga explosiva de composto B (45g); e) espoleta Inicia a cadeia explosiva no momento e nas condições desejadas. Colocação na ogiva, com ação percutente instantânea (funciona no momento do impacto). Princípio de armar através da força centrífuga, com encadeamento explosivo partindo da cápsula => reforçador - detonador => carga de arrebentamento. nomenclatura aplicada 1. DISPOSITIVO DE ARMAR E SEGURANÇA – Pelo desalinhamento de seus elementos, oferece segurança ao operador; 2. PLACA DE PRESSÃO – Aciona o percussor; 3. CONJUNTO DE PERCUSSÃO – Composto de cápsula e percussor, é o elemento iniciador da cadeia explosiva; 4. CONJUNTO REFORÇADOR - DETONADOR – Reforça a transformação da cápsula e transmite à carga principal. 2.6. Funcionamento O princípio de funcionamento foi originado de uma idéia alemã da 2º Guerra Mundial, chamado de sistema de redução de pressão. Neste sistema, uma carga de projeção é confinada dentro de uma pequena câmara na base do estojo do cartucho. Esta câmara é provida com orifícios cuidadosamente calculados. Quando a cápsula é atingida, a carga explosiva transforma-se dentro de sua câmara e desenvolve uma
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -68- elevadíssima pressão – em torno de 2500 Kg por cm². Esta pressão, sem controle, poderia expelir a granada a uma altíssima velocidade e causar uma extrema pressão na culatra. Ao invés disso, esta alta pressão é confinada na câmara especial existente no cartucho e através dos seus orifícios esta pressão é gradualmente liberada para o espaço vazio entre a câmara e a granada. Neste espaço o gás se expande e atinge a pressão de 200 Kg por cm², pressão esta suficiente para arremessar a granada a uma velocidade de 76 m/s e a uma distância de 350 a 400m, sem resultar em um excessivo recuo no corpo da arma. Este sistema permitiu que a arma fosse leve, de pequenas dimensões e segura. As granadas são estabilizadas durante o vôo pelo giro imprimido pelo raiamento da arma. A granada atinge a velocidade de 76 m/s (comparados a uma velocidade aproximada de 800 m/ s de um 7,62 mm) e um granadeiro treinado pode lança-la dentro de uma janela a uma distância de 150 m. A força centrífuga oriunda da rotação da granada (3700 rpm) faz com que o dispositivo de armar e segurança arme a granada a uma distância mínima de 14 m do atirador. Após isso a granada irá detonar com o impacto. Desta forma a cabeça explosiva não pode ser detonada por causa de uma queda ou se for atingida por um tiro. Esta distância mínima preserva o atirador de não ser atingido pelo raio de fragmentação da granada.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -69- As granadas M 406 40 mm HE atiradas do Lançador M79 fragmenta seu recipiente metálico em mais de 300 fragmentos que são lançados a uma velocidade de 1.524 m/s com um raio letal de 5 m. Existem uma grande variedade de cartuchos de 40 mm que podem ser atirados do Lançador de Granadas M79. Todos estes cartuchos são engastados ou seja, o projétil já vem fixo ao estojo.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -70- Munições para o Lançador de Granadas M79 Coloração Modelo Ação Estojo Projétil Ogiva M397 M397A1 Fragmentação Verde Verde Dourada M433 Duplo efeito Verde Verde Dourada M381 M386 M406 M441 Alto explosivo Verde Verde Dourada M576 Multiprojétil Verde e Preto - - M651 Química Lacrimogênea CS Verde Vermelho Prateada M781 Exercício Verde Azul - M407 M382 Exercício Verde Verde Azul Prateada Azul
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -71- ÍNDICE Capítulo I – Generalidades da Munição de Armamento Pesado ............................ 03 1. Apresentação ...................................................................................................... 03 2. Classificação ....................................................................................................... 04 3. Componentes....................................................................................................... 04 4. Estudo dos Componentes .................................................................................... 05 4.1. Estojo ............................................................................................................... 05 4.2. Estopilha .......................................................................................................... 07 4.3. Carga de Projeção ............................................................................................ 07 4.4. Projéteis ou Granadas ...................................................................................... 09 4.5. Espoleta ........................................................................................................... 13 5. Funcionamento .................................................................................................... 15 Capítulo II – Munição dos Carros de Combate ...................................................... 16 1. Munição 90 MM do EC–90 (Cascavel) e M32 Br2 (M 41) .............................. 16 2. Munição 105 MM CAN L7 A3 (Leopard) ......................................................... 18 3. Munição 105 MM CAN M68 (VBC M-60) ....................................................... 26 Capítulo III – Munição dos Obuseiros .................................................................... 33 1. Munição 105 MM L 118 Light-Gun ................................................................... 36 2. Munição 155 MM M114 AR ............................................................................. 41 Capítulo IV – Munição dos Canhões Sem Recuo ................................................... 45 1. Munição do canhão 106 SR ................................................................................ 45 2. Munição do Canhão 84 Carl Gustav ................................................................... 46 Capítulo V – Munição de Morteiro ........................................................................ 54 1. Generalidades ...................................................................................................... 54 2. Elementos componentes de um tiro completo de morteiro ................................ 54 3. Função de cada elemento .................................................................................... 54 4. Tipos de granada ................................................................................................. 55 5. Estudo dos componentes ..................................................................................... 56 6. Propulsão dos projéteis dos morteiros ................................................................ 57
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -72- CAPÍTULO I GENERALIDADES 1. APRESENTAÇÃO São aquelas de calibre maior que .60” = 15,24 mm e utilizadas em morteiros, canhões e obuseiros. ARMAS CARACTERÍSTICAS MORTEIROS OBUSEIROS CANHÕES TUBO EM RELAÇÃO AO CALIBRE MUITO CURTO CURTO LONGO VELOCIDADE INICIAL PEQUENA MÉDIA GRANDE ÂNGULO DE TIRO GRANDE PEQUENO TRAJETÓRIA MUITO CURVA CURVA TENSA TIRO INDIRETO DIRETO OU INDIRETO DIRETO CARREGAMENTO BOCA CULATRA ALCANCE PEQUENO MÉDIO GRANDE CARGA DE PROJEÇÃO VARIADA ÚNICA OU VARIADA 2. CLASSIFICAÇÃO 2.1. Quanto a colocação dos elementos a) Encartuchada O estojo reúne os demais elementos. Classificam-se ainda como: • Engastada: projétil fixo ao estojo, não permite a variação da carga de projeção. Ex: Tir 40mm. • Desengastada: projétil separa-se do estojo, permitindo a variação da carga de projeção. Ex: Tir 105mm. b) Desencartuchada Não utiliza estojo. Ex: Tir 155mm. 2.2. Quanto a estabilização
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -73- ROTAÇÃO EMPENAGEM ou ALETAS PROCESSOS COMBINADOS ROTAÇÃO – As propriedades balísticas relativas ao vôo do projétil, da arma ao alvo, são conseguidas através do movimento giratório do projétil em torno de seu próprio eixo. EMPENAGEM ou ALETAS – As propriedades balísticas relativas ao vôo do projétil, da arma ao alvo, são conseguidas através de superfícies aerodinâmicas. PROCESSOS COMBINADOS – Aliam as duas características acima citadas. 2.3. Quanto ao emprego a) guerra • explosiva; • perfurante; • perfurante - explosiva; • de balins; • química; e • incendiária b) especial • exercício; • manejo; • salva; • iluminativa; e • fumígena. 3. COMPONENTES • estojo; • estopilha; • carga de projeção ou propelente; • granada; • espoleta; e • detonador/ reforçador.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -74- 4. ESTUDO DOS COMPONENTES 4.1. Estojo a) finalidades •reunir os demais elementos componentes da munição; e •fazer a obturação da câmara. b) fabricação É composto de aço, latão ou alumínio, fabricado pelo processo de estiramento sucessivo e protegido por uma camada de verniz. É o componente mais caro da munição. c) traçado • cilíndrico; e • tronco-cônico. c) vantagens • rapidez no tiro; e • obturação pelo estojo. d) desvantagens •requer aparelho extrator; •alto custo de fabricação; e •acúmulo de material durante o tiro. e) nomenclatura aplicada:
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -75- 1- gola - recebe o projetil; 2- gargalo - fixa o projetil; 3- ombro - reduz o tamanho câmara/tubo; 4- corpo - perfurado nos Tir S/R. 5- virola - permite a extração: escavada - Tir 35mm, saliente - Tir 40mm L 70, traçado especial Tir 40mm L60; escavada saliente traçado especial 6- culote - inscrições ou gravações - fábrica, ano, lote, calibre, modelo, emprego; Fábrica – [FJF] Fábrica de Juiz de Fora Ano – [79] 1979 Lote – Lt 795 Calibre – 57 mm Modelo – M 3 Emprego – Canhão 57 mm 7- câmara- aloja a carga de projeção; e 8- alojamento da estopilha - recebe a estopilha. Pode ser com rosca ou sem rosca. Com rosca, nos tiros nacionais e europeus. Sem rosca, nos tiros norte-americanos. 4.2. Estopilha
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -76- a) finalidade Possui misto iniciador que quando excitado, produz a chama que inicia a queima da carga de projeção. b) tipos segundo colocação dos elementos Segundo a colocação dos elementos Para Mun Encartuchada Para Mun Desencartuchada Tipo cartucho de caça Atarraxada Estampada c) processos utilizados • percussão: com percussor ou sem percussor; e • elétrico. d) perfil Curta Longa Longa e perfurada e) cargas •misto fulminante - cápsula - explosivo iniciador; e •pólvoras: solta e comprimida para escorvar a carga de projeção. 4.3. Carga de Projeção a) finalidade Projetar a granada ou produzir o estampido para as salvas. b) classificação quanto à colocação •encartuchada (carga de projeção colocada no estojo); e
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -77- •desencartuchada (carga de projeção colocada diretamente na câmara). c) classificação quanto ao uso •única (carga de projeção não variável); e •variável (carga de projeção variável). d) constituição • propelente - com descobreante, para evitar efeito abrasivo sobre o estojo com anti-clarão, para evitar o clarão. • escorva - vem na estopilha, em saquitel separado ou amarrado ao saquitel carga “0”. e) tipos de pólvoras Eram utilizadas inicialmente a pólvora negra na forma de grãos mas devido à fumaça e chama excessivas, ao efeito abrasivo, à instabilidade e por ser higroscópica, deixou de ser utilizada sendo usada somente nos tiros de salva. Atualmente a pólvora utilizada é a pólvora coloidal no formato de grãos ou cilindros não, mono ou heptaperfurados. Existe na composição de base simples- BS: Nitrocelulose (NC) , base dupla- BD: NC + Nitroglicerina (NG), e base tripla- BT: NC + NG + Nitroguanidina (NGU). Nas munições desengastadas encontram-se em sacos de linho, cambraia ou algodão unidos por cadarços. f) Carregamento MUN ENCARTUCHADA ENGASTADA: Solta ou em sacos - plástico, seda, tela de amianto, cambraia, linho, algodão... MUN ENCARTUCHADA DESENGASTADA: Em sacos de linho, cambraia ou algodão... (saquitel Cg "1" PN é preso ao fundo do estojo) MUN DESENCARTUCHADA: Saquitéis de tecido unidos por cadarços. (Cg "1" = escorva PN); g) Embalagens MUN ENCARTUCHADA DESENGASTADA: No estojo protegidas com opérculo de papelão; MUN DESENCARTUCHADA: Porta cargas de metal ou papelão; INSCRIÇÕES: (em cada saquitel): BR- espécie e n° da pólvora, lote, sub-lote e ano de fabricação, n° da carga, arma; EUA- tipo, n° da carga, lote e fábrica, arma, peso;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -78- 4.4. Projéteis ou granadas a) Finalidade •causar dano pelo impacto violento ou penetração; e •conduzir carga química ou explosiva. b) Fabricação Geralmente em aço - fundido / forjado e torneado. c) Traçado TRAÇADO Cilindro ogival Ogiva alongada Culote tronco cônico Biogival d) Nomenclatura aplicada 1- Ouvido roscado - espaço na granada onde posiciona-se a espoleta - na ogiva ou no culote. Pode ser protegido ou tracionado por tarugos (madeira, zinco, plástico, aço...); 2- Ogiva - favorece as propriedades balísticas. Podem ser curtas, longas e falsas; 3- Cinta de turgência - cinta polida, geralmente sem pintura, com o calibre aproximado ao da arma, que evita os efeitos de turgência como o vento (diferença entre calibre da arma e o calibre da cinta) e o batimento (trepidação da granada no interior do tubo devido ao excesso de vento) .Podem ser simples, múltiplas e escavadas; 4- Corpo - é a granada propriamente dita, de espessura e material variável de acordo com a sua finalidade;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -79- 5- Cinta de forçamento - cinta ligeiramente maior que o calibre da arma, que engraza-se nas raias, proporcionando a rotação da granada, e obturando os gases a frente. Os sulcos existentes na cinta são para receber o excesso de metal devido ao forçamento; 6- Culote - espessura variável com emprego. Podem possuir ouvido roscado para espoleta ou misto traçante. Recebem empenagens ou aletas (se for o caso). e) Carga dos projéteis É a finalidade da granada. Cargas explosivas: • TNT (mais freqüente), Amatol, picrato de amônio - Gr AE; • pentolite - Gr AAe. e AC; e • composto B - Gr AAe e AC; Cargas químicas e especiais: • fósforo branco "WP"- fumígena de fragmentação; • hexacloretana "HC"- fumígena de ejeção pelo culote; • trioxido de enxofre "S"- fumígena de fragmentação; • mostarda "M"- causador de baixa; • levisita "L"- causador de baixa; • fosfogênio "CG"- causador de baixa; • cloroaceto "CNB","CNS"- inquietante; • termita "TH"- incendiária; • mistos iluminativos - Gr iluminativa; • mistos traçantes - no culote das Gr AC, AAe e Ex. f) Tipos de projéteis •explosivo - arrebentamento e contra pessoal; A quantidade e qualidade dos estilhaços são previsíveis e controladas.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -80- •perfurante-explosivo - carga dirigida contra blindagens; •perfurante - maciços ou reforçados: sem coifa, com coifa e falsa ogiva; HEAT (High Explosive Anti-Tank) – Alto explosivo anticarro APDS (Armour Piercing, Discarding Sabot) – Perfurante com o corpo destacável APFSDS (Armour-Piercing, Fin Stabilized, Discarding Sabot) - Perfurante com o corpo destacável estabilizado por aletas •exercício - possui espoleta; •inerte - exercício sem espoleta; •manejo - treina a guarnição. Pode ser com espoleta inerte, com falsa espoleta, ou sem espoleta; •químico- fumígenos, causadores de baixa, inquietantes, incendiário; •iluminativo - ejeção pelo culote. A expulsa pára-quedas e misto iluminativo;
  • 81.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -81- Iluminativo • balins LANTERNETA - Defesa aproximada. Esferas de ferro com resina e breu; SCHRAPNELL - Contra pessoal - Gr de aço com paredes delgadas, carga de PN e a ejeção das esferas (aço, breu e celofônio) se efetua pela ogiva; Lanterneta Saída de lanterneta da boca da arma Ação antipessoal de uma lanterneta Schrapnell Ação antipessoal de um schrapnell
  • 82.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -82- 4.5. Espoleta a) Finalidade Iniciar a cadeia explosiva no momento e nas condições desejadas. b) Classificação quanto à colocação •ogiva; •culote; e •culote com iniciação na ogiva. c) Classificação quanto à ação e princípio de funcionamento Percutente - funcionam no momento do impacto e agem por compressão ou inércia. • super instantânea - < 0,001 seg; • instantânea - 0,001 seg; • com retardo - 0,15 seg; e • reguláveis - com retardo ou instantânea; Aproximação Super instantânea Instantânea Com retardo De tempo - Inicia o funcionamento na partida do projetil. •fixo - utiliza-se de um rastilho com tempo de queima pré definido e que possui comunicação com a cápsula; •variável - dispositivos mecânicos semelhantes aos de um mecanismo de relógio; •duplo efeito - possui os dois princípios de funcionamento acima descritos, caso um deles falhe o outro realizará o acionamento; e •proximidade – são eletrônicas e funcionam a certas distâncias por princípio do radar (alterações no campo eletromagnético).
  • 83.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -83- d) Princípio de armar • inércia; • força centrífuga; e • processos combinados. Seqüência do princípio de armar por inércia Seqüência do princípio de armar por força centrífuga Seqüência do princípio de armar por processos combinados (inércia e força centrífuga)
  • 84.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -84- e) Detonador / Reforçador Tem por finalidade, reforçar a onda explosiva vinda da cápsula da espoleta. Na espoleta encontra-se um explosivo mais sensível, semelhante à estopilha e em pequena quantidade. Para que se tenha certeza da explosão da granada, após a queima da cápsula da espoleta, existe o detonador ou reforçador. É um explosivo menos sensível que o da cápsula e mais sensível que o da granada, cuja função gerar uma queima e uma onda explosiva maior do que a gerada na cápsula, assegurando a detonação da granada. Em algumas espoletas serve como regulador da velocidade de detonação. Encadeamento explosivo: Cápsula => Reforçador => Detonador => Carga de arrebentamento. 5. FUNCIONAMENTO O funcionamento da munição da armamento pesado funciona da seguinte forma: Após a colocação dos componentes da munição no tubo dá-se a percussão que pode ser elétrica ou mecânica dependendo do funcionamento da arma. A cápsula da estopilha possui um explosivo sensível a este impulso e ao receber o impulso ela inicia a sua queima. Esta queima é transferida para a estopilha, que possui uma pólvora um pouco menos sensível e que funciona como uma escorva dentro da carga de projeção, sendo portanto responsável por amplificar a chama para que a mesma seja suficiente para queimar a pólvora da carga de projeção, a qual já possui uma sensibilidade menor. A queima da carga de projeção possui velocidade variável dependendo da quantidade de furos, tamanho, quantidade e etc. Esta queima gera uma altíssima pressão no interior do tubo transmitindo movimento à granada. Durante o deslocamento a granada adquire suas propriedades balísticas e a espoleta arma-se por inércia ou por rotação. No ponto programado na espoleta para a explosão ocorre o acionamento da espoleta e consequentemente a explosão. CAPÍTULO II MUNIÇÃO DOS CARROS DE COMBATE 1. MUNIÇÃO DO CANHÃO EC–90– ENGESA (CASCAVEL) E DO CANHÃO 90 M32 BR2 (M 41 REPOTENCIALIZADO)
  • 85.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -85- 1.1. Generalidades A munição do canhão 90 do Cascavel e do M41 Repotencializado são intercambiáveis, somente algumas munições francesas, antigamente adquiridas pelo EB possuem o culote do estojo de maior espessura, sendo necessário ajustes na garra do extrator para serem utilizadas. a) Classificação quanto a reunião de seus elementos Encartuchada engastada com carga de projeção única b) Estabilização dos projéteis ( granadas ) Processo combinado: Rotação e empenagem 1.2 Características Técnicas dos Principais Tiros a) Tir HEAT - T - ( High Explosive Anti Tank - Tracer - Alto explosivo anticarro com traçante) Utilizado contra objetivos blindados. b) Tiro HE - T( High Explosive – Tracer - Alto explosivo - traçante ) Utilizado contra alvos materiais e pessoais, produzindo efeito de sopro e penetração. c) Tiro HESH - T ( High Explosive Smashed Head – Tracer - Alto explosivo com cabeça esmagável traçante ) Utilizado contra objetivos blindados e casamatas. d) Tiro SMOKE WP - T ( Smoke White Phosphorus - Tracer Fumígeno fósforo branco - traçante )
  • 86.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -86- Utilizado para a formação de cortina de fumaça e eventualmente incendiário. e) Tir HEAT - TP - T ( High Explosive Anti Tank – - Alto explosivo anticarro - traçante exercício ) Utilizado para adestramento da tripulação do veículo de combate. Características HEAT - T HE- T HESH - T SMOKE WP - T HEAT TP - T Carga de arrebentamento Composto B RDX/TNT TNT Composição A3 - - peso do tiro completo 7,65 Kg 8,56 Kg 7,51 Kg 8,76 Kg 7,65 Kg peso do projétil 4,19 Kg 5,15 Kg 4,25 Kg 5,33 Kg 4,19 Kg peso da carga de projeção 1,35 Kg 1,25 Kg 1,10 Kg 1,27 Kg 1,35 Kg V0 890 m/s 700 m/s 800 m/s 690 m/s 890 m/s alcance útil 2000 m 1600 m 1200 m 1600 m 1600 m tempo de queima do traçante 3,5 Seg 3,5 seg 3,5 seg 3,5 Seg 3,5 Seg 2. MUNIÇÃO 105 MM CAN L7 A3 (VBC LEOPARD) 2.1. Composição Um tiro completo 105 mm da VBC LEOPARD é composto de: • um projétil destinado a destruir ou neutralizar o objetivo; • um estojo que contém o alojamento da estopilha elétrica; • uma carga de projeção que desenvolve uma pressão de gás suficiente para que o projétil possa ser projetado até o alvo; • um estopilha elétrica para iniciar a queima da carga de projeção; • em algumas munições, um corpo destacável que contem o projétil até a saída do tubo.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -87- Sendo dado que a configuração genérica do conjunto, estojo, carga de projeção e estopilha são praticamente o mesmo para todos os tipos de munições 105 mm, os parágrafos seguintes conterão somente a descrição do projétil. APDS-T HEP-T 2.2. MUNIÇÕES ANTI CARRO 2.2.1. APFSDS-T (Armor Piercing Fin Stabilished Discarding Sabot-Tracer - Perfurante Estabilizado por Aletas com Corpo Destacável e Traçante) a) Tipos Atualmente 2 tipos de APFSDS-T são previstos dentro da cadeia logística (belga): •primeiro tipo leva a denominação técnica de DM 23 A1. •segundo tipo leva a denominação técnica de DM 33. b) Descrição do projétil O tiro completo compreende: - um estojo com culote um alojamento para estopilha elétrica; e - um projétil subcalibrado com corpo destacável que compreende:
  • 88.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -88- • projétil subcalibrado propriamente dito, estabilizado por aletas com: > um perfurador longo (núcleo) em liga de tungstênio, roscado nas duas extremidades; > uma empenagem (aletas), em aço cádmio, visível sob o núcleo e contendo o traçante. O perfil das aletas é assimétrico; > uma ogiva visível sobre o núcleo, contendo penetradores livres em liga de tungstênio. • corpo destacável, com: > setores articuláveis em duralumínio; > dois aros de pré-fragmentados, um na frente (pequeno), o outro na traseira (grande); > um anel em polipropileno sobre o qual é montada a cinta de forçamento em fibra de nylon. O projétil subcalibrado e o corpo destacável são montados seguindo uma parte ranhurada. Uma junta no tiro assegura a estanqueidade deste conjunto. O tiro DM 33 difere exteriormente do DM 23 por seu comprimento (mais longo 11 cm). O projétil DM 33 também é mais fino.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -89- c) Observação Sendo determinado que alguns pedaços metálicos são projetados fora da trajetória na partida do tiro, este projétil não pode ser atirado sobre tropas amigas NÃO prevenidas e abrigadas. ZONA DE SEGURANÇA DO APFSDS-T E O APDS-T 2.2.2. APDS-T (Armor Piercing Discarding Sabot-Tracer - Perfurante com Corpo Destacável com Traçante) a) Descrição do projétil O projétil, é composto de: •um núcleo sub-calibrado de liga dura de carboneto de tungstênio; •um culote oco em aço com o traçante; •uma ogiva em alumínio; •duas coifas de penetração que impedem que o projétil ricocheteie no objetivo. O projétil é envolvido por uma fina camada composta de: •um culote de corpo destacável que serve apoio para o corpo destacável do projétil. Um anel de obturação que é fixado ao culote de corpo destacável; •um corpo destacável que contém o projétil. A parte anterior pode fragmentar-se em três pétalas que são mantidas unidas por uma fixação leve e por uma cinta de turgência em plástico. O corpo destacável é atarraxado no culote de corpo destacável. A parte posterior leva uma cinta de forçamento de nylon.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -90- 2.2.3. HEAT-T (High Explosive Anti-Tank-Tracer - Alto Explosivo Anti-Carro com Traçante) Denominação técnica: Tiro 105 milímetros, HEAT-T, Comp. B M456A1, com espoleta, PIBD, M509A1. c) Descrição do projétil O projétil é composto de: • uma haste tendo na parte anterior a iniciação da espoleta de culote através de um elemento piézoelétrico; e • um corpo cilíndrico que contém um cone de cobre ao redor do qual é colocado a carga explosiva (CARGA OCA) O corpo apresenta: • uma cinta de turgência;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -91- • uma cinta de forçamento em fibra que não é fixada ao corpo do projétil para não transmitir nenhuma rotação; •uma empenagem com pequenas asas para estabilizar o projétil na trajetória; •um traçante ;e •uma espoleta de culote, elétrica, ligada ao iniciador que se encontra na parte anterior da haste. 2.3. MUNIÇÃO ANTI-MATERIAL / ANTI-PESSOAL 2.3.1. HEP-T (High Explosive Plastic-Tracer - Alto Explosivo Plástico com Traçante) Denominação técnica: Tiro 105 milímetros, HEP-T M393 A2, com espoleta, BD, M578 02M578 Bg. O projétil é composto de: •um corpo de aço tendo na parte anterior uma cabeça esmagável e na parte posterior a carga explosiva; •uma cinta de forçamento; •uma espoleta de culote; e
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -92- •a trajetória do HEP-T é relativamente curva, por esta razão não se utiliza escala de combate com o HEP-T; •efeito contra pessoal, trincheiras, edificações e as viaturas levemente ou não blindadas é realizado pela onda de choque e a projeção de estilhaços. A projeção de estilhaços a partir do alvo cria uma área perigosa de + 40 m de largura e de + 8 m de profundidade, centrada sobre o ponto de impacto. Os efeitos do HEP-T contra blindagem são os seguintes: •uma blindagem leve (até 50 mm) é perfurada; e •sobre blindagens mais espessas, um disco metálico é arrancado da parte interna, este disco torna-se um projétil no interior do carro de combate. Pode ser que este disco cisalhe-se em vários e pequenos pedaços (estilhaços) ferindo ou matando a guarnição e danificando certos equipamentos. Este efeito não ocorre sobre blindagens mais espessas ou se o projétil explodir antecipadamente sobre uma blindagem de sacrifício ou em um acessório de pouca importância colocado sobre o carro de combate. Como a velocidade inicial do HEP-T é muito baixa, esta munição é muito sensível as influências externas (por exemplo o vento). 2.4. MUNIÇÃO FUMÍGENA E INCENDIÁRIA 2.4.1. SMK WP-T [SMOKE White Phosphorus-Tracer (Fumígeno de Fósforo Branco com Traçante)]
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -93- Denominação técnica: Tiro 105 milímetros, SMOKE, WP-T, M 416, estojo de aço, com espoleta, BD 534 A1. a) Descrição do projétil: O projétil é composto de: •um corpo de aço contendo uma carga de fósforo branco; •um estojo de arrebentamento contendo a carga de arrebentamento; •uma espoleta de culote; •uma cinta de forçamento ;e •um traçante. e) Características •fósforo branco inflama espontaneamente no contato com o ar. Esta munição tem por conseguinte grande poder incendiário sobre todos os tipos de objetivos, aumentado ainda mais pelo fato que o fósforo adere facilmente a todas as superfícies, mesmo as superfícies lisas. •uma outra propriedade é a espessa fumaça branca que se forma pela combustão do fósforo, e que se eleva por causa do forte calor. Esta munição não forma o que possa se chamar de cobertura fumígena. •se o fósforo branco for armazenado ou transportado a uma temperatura superior a 40° C, o tiro deve ser colocado invertido (no paiol de 1 ª intervenção da VBC Leopard). Caso
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -94- contrário, a carga de fósforo branco do fundo se desloca. Isto cria uma borra que afeta a estabilidade do projétil na sua trajetória. f) Emprego Nas ordens de tiro, o WP-T é chamado "FÓSFORO". O WP-T é empregado para: •impedir a observação inimiga; •designar um objetivo pela fumaça; vale a pena lembra que o objetivo será subtraído a própria observação; e •incendiar um objetivo. O tiro "FÓSFORO" pode ser empregado para inflamar edificações, fortificações, posições na floresta. g) A localização da dotação embarcada da VBC Leopard é composta de: •11 em prateleiras da torre (distribuição segundo ordens do chefe tático) •na torre, à direita do rádio * •debaixo do canhão somente APDS-T * •verticalmente, à frente do paiol do cesto * •39 presos no paiol do cesto * Somente APDS-T Resumo das características: Mun APFSDS-T APDS-T HEAT-T HEP – T SMK WP – T Tipos DM 23 A1 e DM 33 Peso 18,7 Kg e 18,5 Kg 18,3 Kg 21 Kg 21 Kg 21,6 Kg Cor Preto com letras brancas Preto com letras brancas Preto com letras amarelas VO com letras amarelas Cinza Claro com letras amarelas V0 1450 m/s 1428 m/s 1173 m/s 731 m/s 731 m/s Efeit o 0,19 m p/ direita e 0,84m de elevação 0,19 m p/ direita e 0,84m de elevação 0,46 m p/ direita e 0,04 m de elevação 0,11 m p/ esquerda e 0,45 m de derivação 0,11 m p/ esquerda e 0,45 m de derivação Usura 0,3 CME 1 CME (padrão) 0,2 CME 0,1 CME 0,1 CME
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -95- Trajet ória Muito Tensa Muito Tensa Tensa Curva Curva Uso Anti-Carro Anti-Carro Anti-Carro Anti – Pessoal/ Material Anti-Pessoal / Material 3. MUNIÇÃO CAN M68 (VBC M-60) 3.1. Generalidades A munição(1) para o Can 105 mm M68 é fornecida na forma de cartuchos engastados, que possuem todos os componentes necessários ao disparo do tiro. Cada cartucho é composto por uma estopilha elétrica(2), pela carga propulsora(3) contida num estojo(4) e um projétil(5). Dependendo do tipo de granada, pode haver uma espoleta(6) na ponta do projétil. 3.2. Identificação a) Generalidades A munição e seus componentes são completamente identificados pela pintura ou inscrições nos componentes e em toda as embalagens originais. b) Número do lote O número do lote é necessário para registro, incluindo informações das condições, funcionamento ou incidentes em que a munição pode ser submetida. Os cartuchos completos de carga propulsora fixa de qualquer lote são fabricados com propriedades idênticas. Para obter a maior precisão durante o tiro, sucessivos disparos devem ser realizados com o mesmo número de lote, quando for possível. c) Pintura Os projéteis são para evitar a corrosão e facilitar a identificação. A pintura é opaca para facilitar a camuflagem. d) Exemplos de inscrições gravadas no projétil.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -96- (1) calibre e tipo do Can:105G; (2) tipo de carga: COMP B; (3) tipo de projetil HEAT-T; (4) modelo de projetil: M456; (5) quando o projetil contem traçante, ele é marcado com T ou TTT. A inscrição TTT é vermelho claro. e) Inscrições gravadas na base do estojo •calibre e modelo; e •número do lote do estojo, incluindo iniciais ou símbolos do fabricante. 3.3. Tipos 3.3.1. Munições de energia cinética (Flecha) A munição de energia cinética, também conhecida como "flecha", é o principal tipo de munição, e o mais preciso, utilizado pelo Can M68 mm, sendo empregada para penetrar blindagens de carros de combate e viaturas blindadas pesadas. A energia cinética é a combinação de massa e velocidade do projetil, sem a presença de explosivos para a penetração do alvo. A penetração da munição de energia cinética normalmente causa diversos danos ao alvo, contudo, depende efetivamente da densidade da superfície do alvo. Deve-se selecionar a munição mais apropriada para destruir a blindagem do alvo considerado. Por exemplo: utilizar uma munição de energia cinética para destruir uma viatura levemente blindada é um desperdício.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -97- OBSERVAÇÃO: As munições APDS-T, APFSDS-T e TPDS-T não devem ser disparadas sobre tropa amiga desabrigada, pois ela pode ser atingida pelos seus componentes descartáveis que se despendem após a saída do projetil da boca do tubo do Can. A área de perigo estende-se em 1000 m a frente do Can e 70 m para os lados da trajetória do tiro. 3.3.2. Munição Alto-Explosiva Anticarro Traçante (HEAT-T) A munição de energia química é uma munição secundária, usada principalmente contra fortificações, pessoal e viaturas levemente blindadas. Contém uma carga de alto-explosivo, que penetra a blindagem. Quando a ponta da munição bate no alvo, ela explode, causando a detonação da base da carga moldada, formando uma onda de choque. Ao mesmo tempo um jato contínuo penetra a blindagem e no interior do alvo a destruição é causada pelas lascas (despedaçadas da parede interior) pelo impacto direto do jato remanescente e pela onda de choque. OBSERVAÇÃO: A munição HEAT-T não deve ser disparada sobre tropas amigas desabrigadas, pois seus componentes descartáveis podem atingi-los. A área de perigo estende-se em 1000 metros a frente do Can e 70 metros aos lados da trajetória do tiro. Alguns tipos de espoletas antigas podem causar uma detonação no ar devido a peculiaridades do material.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -98- 3.3.3. Alto-Explosiva Plástica Traçante (HEP-T) É uma munição anti-material usada, prioritariamente, contra área e pontos a grandes distâncias (acima de 2000 m). É relativamente fácil para observar este tiro, devido a sua alta trajetória e baixa velocidade inicial. Tem maior explosão, choque e fragmentação que a APDS-T e HEAT-T. A munição HEPT pode ser usada contra veículos blindados, após ter se esgotada a munição anticarro existente nos alojamentos do CC. Quando a HEP-T detona contra uma superfície dura, dependendo do tipo e densidade da sua blindagem, o lado oposto quebrará em pequenos pedaços (estilhaços). Estes podem matar ou ferir a guarnição e provocar danos aos instrumentos de tiro e outros componentes menores. O mesmo efeito é obtido contra superfícies de concreto, no qual a munição HEP-T 105 mm pode destruir concreto reforçado com espessura de 1,8 a 2,4 m. 3.3.4. Antipessoal Traçante (APERS-T) É uma munição antipessoal usada, prioritariamente, contra tropas em campo aberto. O interior da granada é composto por inúmeros subprojetis (flechetes), que, após a detonação, se dispersam sobre a área do alvo. Ela possui um espoleta mecânica de tempo que pode ser regulada para explodir no momento do impacto ou a uma distância entre 200 a 4400 m (o mecanismo se arma a 100 m). A escala de distância na cabeça da espoleta é marcada a cada 100m e numerada a cada 200 m. Para aplicar a distância selecionada, o Aux At pressiona o botão ao lado da espoleta e gira a escala no sentido horário, até a marca índice estar alinhada com a distância anunciada no comando de tiro. A espoleta funciona 75 a 100 m antes da distância marcada, a fim de possibilitar a melhor dispersão dos flechetes, antes de alcançar o alvo. Um sopro de fumaça amarela permite à guarnição observar quando a espoleta entra em funcionamento em relação ao
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -99- alvo, possibilitando a realização dos ajustes subseqüentes. Se após marcada a distância desejada, a munição não for disparada, retorne a espoleta para posição inicial pelo girando-a no sentido horário. ATENÇÃO: O tiro com a munição APERS-T não pode ser realizado sobre tropa amiga desabrigada. 3.3.5. Munições com empregos especiais - Nesta categoria, estão incluídas as granadas usadas na instrução da guarnição e aquelas que podem ser empregadas no tiro em substituição às munições de guerra. São conhecidas como munições de exercício, tais como a HEAT-TP-T M490 e a TPDS-T M724. Também incluem munições de guerra, cuja finalidade de emprego não é a destruição do alvo pelo tiro direto. a) WP-T - Fósforo branco - Seu emprego principal é marcar ou enquadrar um alvo. Pode ser usada, ainda, para ignição de material combustível e efeito psicológico. Com o impacto, a espoleta na base do projetil detona a carga de rompimento, que, por sua vez, rompe o projetil e dispersa o fósforo branco. Ao explodir no ar, o fósforo branco queima, produzindo uma espessa fumaça branca. Ao entrar em contato com material combustível ou com a pele, o fósforo branco adere e queima. Para causar o máximo de danos a estruturas passíveis de serem incendiadas, o tiro deve ser disparado para dentro de um ambiente fechado, tal como uma casamata ou edificação. Contudo, ela não possui a capacidade de destruição que as granadas explosivas anti- materiais. A explosão de uma granada de fósforo branco, produz grandes efeitos psicológicos em tropas inimigas e é especialmente eficaz quando empregada em conjunto com outros tipos de munição do Can. Dois pontos importantes devem ser observados no manuseio e estocagem da WP-T: o fósforo branco é sensível ao calor e torna-se líquido à temperatura de 43,8º C (111º F). A munição que for exposta a esta temperatura não pode mais ser utilizada. b) TP-T - Munição de exercício - É uma munição com projetil inerte, utilizado na instrução do At em substituição às munições de guerra. Possui características balísticas iguais às
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -100- de guerra, porém seu alcance e precisão diminuem. No comando de tiro é anunciada como FLECHA ou HEAT. Seu código de cores é azul claro com letras brancas. c) Munição de manejo - Usada na instrução do Atirador e na prática do manuseio e carregamento pelo Aux At. É encontrada nas cores preto, bronze, azul claro ou ainda nas cores da munição de guerra com letras brancas. Geralmente é confeccionada aproveitando-se um cartucho deflagrado, no qual é colocado um simulacro de projetil feito de madeira. APFSDS-T APDS-T HEAT- T HEP - T APERS-T WP - T Tipo Flecha Flecha Auto- explosiva Auto- explosiva Auto- explosiva Incendiária e fumígena V0 1501,14 m/s 1426,5 m/s 1173,48 m/s 731,5 m/s 822,96 m/s 731,5 m/s Espoleta Não possui Não possui Ignitor frontal com iniciação pela base De base detonante De ajuste mecânico de tempo (M 571) De base detonante Composição projétil Urânio empobreci- do Tungstênio- carbono, níquel e cobre Emprego Vtr Blindadas ou CC Vtr Blindadas ou CC Vrt Blind, CC e áreas fortificadas Contra tropas Contra tropas e Vtr não - blindadas Marcação de alvos e incendiária Cores Preto c/ letras brancas Preto c/ listras brancas Preto c/ listras amarelas VO com faixas pretas e amarelas VO com faixa amarela e letras brancas Verde-claro com anel amarelo e letras vermelhas CAPÍTULO III MUNIÇÃO DOS OBUSEIROS 1. MUNIÇÃO DOS OBUSEIROS 105 M101 AR, 105 M56 OTOMELARA E 105 M108 AP. 1.1. Generalidades a) Classificação quanto a reunião dos elementos Encartuchada, desengastada, de carga de projeção variável. b) Diferença da munição nacional e americana
  • 101.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -101- A munição americana já vem pronta para ser utilizada, com todos os elementos reunidos, enquanto a munição nacional vem acondicionada com seus elementos separados só se fazendo seu preparo por ocasião do tiro. 1.2. Estudo da munição nacional 1.2.1. Munição de alto explosivo Tiro 105 AE M2 ou 105 AE M2 A1 A diferença entre as duas munições é que a 105 AE M2 utiliza a espoleta M1 e a munição 105 AE M2 A1 utiliza a espoleta M4 Detonador - utilizam detonador M2 A1, constituído de reforçador e detonador propriamente dito. Estojo - Utilizam estojo M3 Estopilha - utilizam estopilhas M1 atarraxada no estojo. Carga de projeção Carga V0 1 198 m/s 2 216 m/s 3 238 m/s 4 267 m/s 5 311 m/s 6 376 m/s 7 472 m/s 1.2.2. Munição de Exercício a) Granada 105 M2A1 C3 EOP M4 b) Munição de salva Tiro 105 Sv (sem projétil). 1.3. Funcionamento da espoleta de percussão M4 A espoleta pode ser regulada para funcionamento: • instantâneo – 0,001 seg.
  • 102.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -102- • sem retardo – 0,01 seg • com retardo – 0,01 a 0,15 seg a) Funcionamento instantâneo Para o funcionamento instantâneo, retira-se o eliminador e faz-se a coincidência da fenda do regulador com a letra “I”. Na partida da granada a inércia de translação, faz com que o percussor vá de encontro a capsula de fulminato, no que é impedido pelos calços de segurança. Quando a granada atinge a determinada velocidade de rotação (3000 rotações por segundo) , a força centrífuga afasta os calços, mantendo-se porém, o percussor em sua posição inicial, graças ao esforço da mola de segurança. Ainda pela ação da força centrífuga o êmbolo vence a ação de sua mola e, a palheta centrífuga é lançada para fora, alojando-se nos entalhes do regulador. Quando a granada encontra o solo a haste de recalque comprime o percussor de encontro a capsula ao mesmo tempo que o porta-cápsula é lançado a frente em virtude do choque da granada com o solo. Esta dupla reação permite o funcionamento da capsula de fulminato instantaneamente, isto é, com uma duração de 0,001 s. O jato de fogo produzido pela capsula de fulminato, atravessa o canal central do corpo da espoleta, do porta-retardo e do porta-misto, penetra no interior da granada provocando o funcionamento do detonador reforçador. b) Funcionamento sem retardo Para o funcionamento sem retardo, conserva-se o eliminador e faz-se a coincidência com a letra “I” O funcionamento sem retardo é semelhante ao funcionamento ao funcionamento instantâneo; a diferença reside na presença do eliminador, que retarda o recalque do percussor, permitindo o funcionamento somente pela inércia da translação do porta-cápsula. A duração deste funcionamento é da ordem de 0,01 s. c) Funcionamento com retardo
  • 103.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -103- Para o funcionamento com retardo, conserva-se o eliminador e faz-se a coincidência da fenda do regulador com a letra “R”. Neste caso, o canal central do porta-retardo permanece fechado pela palheta; a espoleta funciona como no caso do funcionamento sem retardo, porém, o jato de fogo produzido pela capsula de fulminato, passando pelo canal excêntrico do corpo da espoleta, se comunica ao retardo, cuja duração de queima é de 0,15 s. Daí o fogo é transmito ao misto, passando em seguida para o interior da granada, atingindo o detonador reforçador . 1.4. Estudo da munição americana Características principais dos principais tiros: Características Antipessoal com traçante AE M 67 AE AC AE AC - T Fumígena fósforo Branco M314 A2 E1 Iluminativo peso da munição 17,33 Kg 19,03Kg 16,79 Kg 19,85Kg 21,03 Kg comprimento da munição 86,74 cm 78,92 cm 178,87 cm 78,92 cm 82 cm V0 549 m/s 471 m/s 380m/s 471 m/s 432 m/s alcance máximo 12.000 m 11.270 m 7.851 m 11.270 m 9.088 m estojo série M14 série M14 M14 M14B1 M14 M14 estopilha M90 M28B2,M1A 2,M1B1A2 M28A2, M28B2 M28B2, M28A2 M28A2, M28B2 corpo da granada Alumínio aço carregamento da granada 8.000 dardos de aço, de 8 gramas. TNT ou composição B composição B ou pentolite 1,81 Kg e fósforo Branco + 0,89 Kg 450.000 velas 60 segundos espoleta De tempo De proximidade espoleta de culote Tiro 105mm M67 de exercício com traçante Semelhante, externa e balisticamente, aos AE AC e AE AC-T. Granada é inerte – pode ter ou não traçante. 2 - MUNIÇÃO DO OBUSEIRO L 118 LIGHT-GUN 2.1. Generalidades
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -104- A munição para a boca de fogo do obuseiro L 118 Light-Gun é classificada como desengastada, pois a granada não é fixada ao gargalo do estojo. Um tiro compreende todos os elementos necessários a um disparo da arma. Os elementos são os seguintes: (1) Projétil; (2) Espoletas; (3) Estojo metálico com carga de projeção; (4) Estopilha elétrica ; (5) Indicador de impacto ( para granadas de exercício ). 2.2. Granadas 2.2.1. Granada 105mm Alto-Explosiva L31A3. a) Corpo A granada apresenta-se na cor verde-escuro e é a munição padrão para a confecção das tabelas de tiro. O corpo da granada é constituído de paredes finas, é feito de um aço com alto teor de elasticidade, dando um grande poder de fragmentação. a base da granada é reforçada por uma placa-base de aço, segura por uma junção soldada. Uma única cinta de forçamento é colocada em uma nervura formada em torno do corpo da granada. o ouvido roscado para a espoleta, situa-se na parte superior do corpo da granada e é rosqueada para espoletas de 2 polegadas ou tampões para armazenamento e transporte. b) Carga da granada A granada HE L31A3 é preenchida com um composto de RDX/TNT, tipo “A”. O ouvido roscado para a espoleta é revestido com um tubo de papel fechado em seu fundo. A composição RD1284A é usada para fechar a junta entre o tubo e o corpo de papel. Um detonador, composto de RDX/WX8 em forma de bilhas e dentro de uma lata de alumínio revestida por um tubo de papel, é inserido na granada. 2.2.2. Granada 105mm Fumígena de cobertura L45A2. a) Corpo A granada apresenta-se na cor verde-claro e é do tipo ejeção pela base, devendo ser utilizada, portanto, com espoleta de tempo. Produz uma densa cortina de fumaça durante 60seg e não forma colunas. A granada é montada em duas seções uma seção do corpo de aço e uma
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -105- seção da ogiva, em alumínio. Existe um rosqueado em seu fundo para receber uma placa base e um anel de trancamento. Uma única cinta de forçamento é colocada em uma nervura formada em torno do corpo da granada. Há um encaixe e uma rosca interna na parte superior para receber a seção da ogiva. Esta seção é reduzida em diâmetros e rosqueada para entrar na seção do corpo. O diâmetro interno é reduzido na parte superior para promover uma cavidade de queima. A cavidade é conectada por um canal de fogo até o alojamento da espoleta. O ouvido roscado está pronto para receber uma espoleta padrão de 2 polegadas ou tampões de armazenamento e transporte. Um disco de papel é preso na base do alojamento da espoleta por verniz. b) Carga da granada Uma carga de ignição é colocada na cavidade de queima. Uma cinta de aço e uma arruela são inseridos, seguidos de três recipientes de carga fumígena. Discos de vedação são colocados antes da placa base e, após isso, são colocados anéis de fechamento. A junta da placa- base e o corpo são vedados por um anel de borracha. 2.2.3. Granada 105mm Fumígena de sinalização L37 ou L38 a) Corpo A granada apresenta-se na cor branca e ao se fragmentar, produz uma pequena porção de fumaça colorida ( vermelha ou laranja ). Deve ser utilizada como espoleta percutente. As demais características do corpo da granada são semelhantes a da granada alto-explosiva. b) Carga da granada A granada é dotada de uma pequena carga explosiva ( detonador ) e, de uma carga fumígena colorida, nas cores vermelho ou laranja, que é liberada após a fragmentação da granada pela ação da carga explosiva. 2.2.4. Granada 105mm Iluminativa L43A2 a) Corpo A granada apresenta-se na cor branca. É do tipo de ejeção pela base e produz um milhão de candolas com o tempo de queima de 30 seg. Ilumina uma área de 350 metros quadrados com uma altura de arrebentamento de 400m. A cavidade do corpo tem paredes paralelas, se extendendo a dois terços do comprimento da granada. Na sua base, o diâmetro é aumentado para receber a placa-base. A parte de baixo da placa-base tem um encaixe inclinado em forma de meia lua, que gira a placa para se livrar do dispositivo de pára-quedas quando da ejeção. Uma única cinta de forçamento é colocada em uma nervura formada em torno do corpo da granada. Na parte
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -106- superior há um ouvido roscado para receber a espoleta. Este ouvido é diferente do padrão de 2 pol. e só recebe a espoleta de tempo L81 , a qual não deve ser removida em hipótese alguma. A granada iluminativa não comporta o tampão de armazenamento e transporte. b) Carga da granada Dispositivo de iluminação- Consiste de uma caixa de liga de alumínio contendo o composto iluminativo. Aparte da frente da caixa é reduzida em seu diâmetro para acomodar quatro estabilizadores. A carga de ejeção, dentro de seu receptáculo, é fixada na base da caixa de alumínio. O dispositivo de iluminação é inserido no corpo da granada em uma posição invertida para apresentar a carga de ejeção ao canal de fogo. Dispositivo pára-quedas- O velame do pára-quedas é feito de um único pedaço de nylon de 864mm de diâmetro. Oito cordas de nylon de 1,34m de comprimento ligam o velame a uma corda central que se liga ao pino giratório da unidade de iluminação. O dispositivo do pára- quedas é empacotado em uma bolsa que é colocada em dois meios- tubos de alumínio. Acionamento Depois do tiro, a espoleta funciona quando é atingido o tempo correspondente a regulagem do evento. A chama produzida pela espoleta inicia a queima da carga de separação com 1,7seg de atraso. A pressão produzida pela carga de separação ejeta a placa-base e expele os dispositivos do pára-quedas e iluminação. O tubo de liga de alumínio e a bolsa são expulsos e o velame se infla. A rotação do pára-quedas cessa, devido a ação dos estabilizadores. 2.2.5. Granada 105mm de Exercício R038-05 A granada apresenta-se na cor azul. Esta granada é feita de aço e é construída com as mesmas características da granada alto-explosiva L31A3. A granada não possui carga explosiva e a largura das paredes do corpo permite seu equilíbrio, em função da perda da carga explosiva. Um tampão simbolizando a espoleta é colocado na granada e um única cinta de forçamento é colocada em uma nervura formada em torno do corpo da granada. a base da granada é preparada para receber o indicador pirotécnico de impacto B118A1. 2.2.6. Granada 105mm Anti-carro L42 Destina-se a realização de tiro direto contra carros de combate ou viaturas blindadas, utilizando para isto a carga 4 1/2, em conformidade com especificação da luneta de cotovelo. 2.3. Espoletas a) Espoleta de percussão L106A2
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -107- A espoleta L106A2 é acionada por um impacto direto ou leve contato com a superfície, e pode ser regulada para ação instantânea ou retardo ( SUPERQUICK ou DELAY ), agindo na fenda do regulador. b) Espoleta de tempo L92A2 Esta espoleta tem um mecanismo de ignição tipo tempo para o uso em granadas de ejeção pela base. Ela possui um mecanismo de ajuste de tempo para 80seg. c) Espoleta de tempo L81A2 Esta espoleta tem um sistema de acionamento tipo tempo e foi feita para utilização em granadas com o ouvido roscado de 52mm. A espoleta L81A2 é utilizada na granada iluminativa. A espoleta tem uma escala principal e um vernier. A escala principal é graduada de 0 a 60seg e numerada a cada 10seg. O vernier tem 10 graduações e é numerado em 0,2,4,6,8,10. A espoleta é ajustada utilizando-se uma chave L3A1 e é usada no sentido anti-horário. 2.4. Estojo As cargas de projeção do Obuseiro L118 Light Gun são constituídas com pólvoras de base tripla o que proporciona grande velocidade de queima. São sempre montadas dentro de estojos metálicos RW297, os quais dispõem de um canal de fogo. a) Estojo 105mm L35A2 com carga de projeção normal: O estojo é montado de cinco implementos diferentes e alojados em sacos de pano. Implemento Propelente Cor 1 N0 17 Vermelha 2 N0 17 Branca 3 N0 17 azul 4 NS 123/043 Laranja 5 NS 123/043 Verde A preparação das cargas para o tiro é feita da seguinte forma: Carga 1 - Somente o saquitel vermelho. Carga 2 - Saquitéis vermelho e branco. Carga 3 - Saquitéis vermelho, branco e azul. Carga 4 - Saquitéis vermelho, branco, azul e laranja. Carga 4 ½ - Saquitéis vermelho, branco, laranja e verde. Carga 5 - saquitéis vermelho, branco, azul, laranja e verde. OBS - O estojo L35A2 não suporta carga super.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -108- b) Estojo 105mm L36 com carga de projeção super. A carga super já vem totalmente pronta em um fardo, o qual é devidamente amarrado por uma corda e fixado ao estojo metálico. c)Estojo 105mm L45 com carga de treinamento. A carga de treinamento é constituída pelas cargas de projeção dos implementos 1, 2 e 3. 2.2.4. Estopilha Elétrica A estopilha elétrica L10A1 é constituída de duas partes principais: Uma base e uma câmara, ambas feitas de metal. a estopilha é atarrachada na base do estojo RW297. Para sua proteção contra acionamento acidental, por atrito, há uma cinta que só deve ser removida antes da introdução do estojo no tubo do obuseiro. 2.2.5. Indicador pirotécnico de impacto B118A1 O indicador de impacto é constituído de três partes principais: o corpo, a unidade de retardo e câmara e a carga pirotécnica. O indicador de impacto é atarrachado na base da granada de exercício, utilizando-se uma chave específica. Ele produz uma fumaça branca capaz de ser vista a uma distância de 4km. 3. MUNIÇÃO DO OBUSEIRO 155 M114 AR 3.1. Generalidades O obuseiro médio 155M114AR de origem americana é empregado em artilharia de campanha. Quanto a reunião de seus elementos a munição é classificada como desencartuchada, porque os seus componentes individuais (granada, estopilha, carga de projeção e espoleta) são manuseados e carregados separadamente no armamento. 3.2. Características das munições 155mm 3.2.1. Identificação Tanto a munição nacional como a de origem americana são identificadas através do código de cores e marcações contidas respectivamente no TM 9-1300-203 – 1ª parte /edição 1977. Também são facilmente diferenciadas das demais munições pela presença de um tarugo de transporte rosqueado à cavidade da espoleta. 3.2.2. Tipos de granada
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -109- a) De origem nacional ♦ alto-explosiva (AE) ♦ lastrada (Lst) b) De origem americana ♦ alto-explosiva (AE) ♦ gás ♦ fumígena (FUM WP) e de ejeção pelo culote (EC) – cores: branco e colorido ♦ química (CS) ♦ iluminativa ♦ manejo 3.2.3. Estopilha a) De origem americana A estopilha de percussão Mk2A4 . Consiste de uma carga iniciadora de 19 grãos de PN acondicionada a um tubo de estopilha, vedado em uma de suas extremidades por um disco espesso de cortiça e na outra extremidade por um selo de goma-laca. A estopilha possui também, em seu culote, uma válvula cônica para evitar o retrocesso do gás, uma bigorna e uma capsula contendo composição iniciadora. b) De origem nacional Utiliza-se a estopilha de percussão M10A2. 3.2.4. Carga de projeção a) Origem nacional Tanto para o tiro alto-explosivo (AE) e como para o lastrado (Lst) é utilizada a carga de projeção 155M2 é a mesma e a sua composição é a seguinte:
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -110- CARGA PROPELENTE PESO (GR) VO (m/s) Escorva Carga I Carga II Carga III Carga IV Carga V Carga VI Carga VII BS BD BD BD BD BD BD BD 100 780 - *1310 +- 5 1370 680 1000 1170 - 207 - 268+- 5 307 375 464 560 (*) Soma das cargas I a III. OBS Importante: A carga de projeção 155M2 encontra-se com seu uso suspenso. b) De origem americana •Carga de projeção – as cargas de projeção de guerra M3A1, M3 , M4A2, M4A1 e M4 e a carga de manejo M2 são utilizados com esta munição. Para melhor identificação, as cargas de guerra são carregadas em saquitéis brancos para as cargas máxima e mínima. •Precaução: - Não misturar o conteúdo do saquitel verde e branco para fazer a mistura completa. Os elementos individuais nesses dois tipos de cargas contém diferentes tipos e quantidades de propelentes e não são intermutáveis. •Advertência: - Os elementos em saquitel branco M4A2 e M4A1 deveram ter um desempenho dentro dos limites especificados nas cargas de 5 a 7. Entretanto, tiros de pequeno alcance e / ou fora das previsões podem resultar quando estes elementos são usados com carga 3 e 4. Se as cargas de saquitel verde não forem disponíveis, as cargas de saquitel branco podem ser utilizadas, tendo-se no entanto, conhecimento de que pode haver desvios em alcance. 3.2.5. Espoleta As espoletas autorizadas para o uso com este tipo de munições são descritas no TM9 – 1300 – 203 / 1977 1ª parte e na LP 5/DAM. 3.3. Precauções para o disparo Antes de carregar a arma, inspecionar o percussor para se assegurar de que a estopilha utilizada no tiro anterior foi removida.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -111- O carregamento do tiro completo na arma exige três operações distintas: ♦ carregamento do projetil; ♦ carregamento da carga de projeção; ♦ carregamento da estopilha. CAPÍTULO IV MUNIÇÃO DOS CANHÕES SEM RECUO 1. MUNIÇÃO DO CANHÃO 106 S/R 1.1. Introdução O canhão 106mm S/R, de origem americana é uma arma refrigerada a ar, de carregamento pela culatra, empregada contra carros de combate, casamatas, barricadas e, eventualmente, contra pessoal. As munições utilizadas nesse canhão são de origem americana. 1.2. Generalidades a) Granada ♦ construídas de aço e / ou alumínio; ♦ estabilização na trajetória é obtida através de cintas de forçamento ( estabilização por rotação ) ou de empenagem/aletas ( estabilização aerodinâmica ) . b) Cintas de forçamento ♦ pré raiadas; ♦ de aço ou tombac. c) Estojos Aço ou alumínio. Apresentam perfurações circulares nas paredes laterais, cuja finalidade é permitir o escapamento de gases pela extremidade posterior da arma, contrapondo-se ao recuo. d) Carga de projeção Propelente multiperfurado de base dupla. Quantidade varia de tiro para tiro. e) Estopilha De percussão – tubo de aço perfurado contendo carga iniciadora de pólvora negra e cabeça de latão.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -112- 1.3. Classificação quanto a reunião de seus elementos Encartuchada, engastada com carga de projeção única. 1.4. Tipos de granadas •Antipessoal com traçante; •Alto explosiva com traçante; e •Alto explosiva anticarro. 2. MUNIÇÃO CAN 84 MM CARL GUSTAF 2.1. Generalidades O poder de fogo do CSR 84 mm AC é muito grande e diversificado, tendo em vista a quantidade e a variedade de munição que lhe é disponível. Existem oito tipos de munição e um redutor de calibre 2.2. Identificação da munição Para facilitar o manuseio e evitar erros, os diversos tipos de munição são codificados com cores e especialmente marcados. As marcações e colorações da munição estão listados no quadro abaixo. Conhecer a codificação e o significado das marcações irá ajudar na seleção do projétil requerido, quando se for atirar. 2.3. Especificação da munição
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -113- As distâncias para engatilhar e as informações especiais sobre as diversas granadas são informações vitais para a obtenção do desempenho máximo do sistema. A tabela a seguir fornece informação especial relativa à munição específica usada com o canhão. 2.4. Principais Tipos de Munição a) Granada 84 mm HEAT 551 Esta munição é empregada na destruição de blindagem de 90% dos modernos tipos de CC blindados da atualidade; por essa característica recebe o nome de anti-tanque alto explosiva. Também é eficaz contra abrigos de concreto, embarcações de desembarque, alvos sólidos similares e pista de pouso de aviação. Além de sua grande potência de penetração, os fragmentos do corpo de sua granada tem um efeito letal anti-pessoal nas proximidades do alvo. A granada possui um motor foguete que é iniciado tão logo a granada sai do tubo do canhão. Isto proporciona não só uma trajetória tensa, como também um curto tempo de vôo até o alvo. A granada é estabilizada por aletas e gira vagarosamente em vôo. A granada é do tipo de carga oca e dotada de um sistema de espoleta piezoelétrica, que é capaz de detonar a carga, mesmo em alto ângulo de impacto. Ainda possui um dispositivo de segurança que permite o tiro da granada através arbusto e mato ralo sem que aja a iniciação da granada.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -114- Para a prática de tiro contra alvos de instrução é disponível o tiro TP 552, que balisticamente equivale ao tiro HEAT 551, porém é dotado de carga inerte. b) Granada HEDP - 502 de 84 mm (Alto Explosiva Duplo Emprego) A granada HEDP 502 permite emprego duplo, HE (alto explosiva) e HEAT (alto explosiva anti-tanque) otimizados para combater em áreas urbanas. É altamente eficaz contra veículos blindados leves, paredes de concreto, fortificações e também contra tropa. Na função HEAT a carga explosiva tem efeito devastador atrás da blindagem. É empregada em situações que se necessite de tiros de rápida resposta em unidades da linha de frente, contra variedades de alvos. A granada é estabilizada por aletas. A espoleta possui dois modos de função, impacto e ação retardadora e são selecionadas conforme o alvo. Dados Numéricos Peso completo do tiro 3,3 kg Peso da granada 2,5 kg Velocidade inicial 230 m/s Distância para ativação 15 - 40 m Penetração na blindagem maior que 1,5 cm Alcance eficaz - alvos móveis 300 m Casamatas 500 m
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -115- c) Granada HE 441B de 84 mm Uma característica especial desta granada é a capacidade que ela tem para ser empregada tanto para detonação por impacto direto, como detonação no ar sobre tropas desabrigadas ou posicionadas atrás de elevações, veículos não blindados e tipos similares de alvos. Esta granada contém cerca de 800 esferas de aço que por ocasião da detonação, são lançados com altíssima energia cinética sob uma forma de nuvens letal. Ela se estabiliza apenas por rotação e é dotada de espoleta que funciona por impacto e tempo mecânico com uma unidade mecânica SAI (unidade de segurança e impacto), que pode ser detonada à distância desejada. distância para ativação ...................................... 20 - 70 m penetração na blindagem ...................... maior que 1,5 cm alcance eficaz ........................................................1100 m d) Granada SMOKE (fumígena) 469B de 84 mm Pode ser utilizada para impedir a visibilidade do inimigo sobre a tropa que confronta, sendo que o tiro é realizado diretamente sobre esse inimigo-alvo.
  • 116.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -116- O tiro pode também ser realizado a uma distância intermediária entre o inimigo e a tropa, constituindo-se numa cortina de fumaça intermediária. Também pode ser utilizada para a designação de alvos inimigos para melhor mostrar e identificar para a artilharia ou para a aviação de ataque e apoio ao solo, alvos inimigos a serem detectados. A cortina de fumaça provocada é instantânea após a detonação por impacto. Esta fumaça entretanto, não apresenta risco à saúde, uma vez que a composição química da carga não é tóxica, tendo por princípio ativo o tetra cloreto de titânio, podendo por isso ser utilizada sem restrições em manobras ou treinamentos. alcance prático ....................................... maior que 1,5 m largura da cortina de fumaça ............................ 10 a 15 m alcance eficaz ........................................................1300 m e) Granada ILLUM (iluminativa) 545 de 84 mm Esta granada é capaz de iluminar rapidamente áreas-alvo, auxiliando forças terrestres, principalmente em missões noturnas. A unidade pode assim se tornar auto-suficiente em suas necessidades de iluminação.
  • 117.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -117- A espoleta é equipada com um anel de ajuste graduado, variando de 200 a 2300 m e subdividido em divisões de 50 m. Três alcances pré selecionados podem ser facilmente registrados pelo tato sob condições de escuridão total. A altura de detonação é de aproximadamente 200 m e com intensidade de 650 000 velas, com duração média de 30 segundos, cobrindo uma área de cerca de 400 a 500 m de diâmetro. Uma ranhura luminosa na luneta telescópica permite se obter o ângulo adequado da arma. alcance prático mínimo .......................................... 300 m área de iluminação ........................................ 400 - 500 m tempo de iluminação .............................................. 30 seg f) Granada HEAT (Anti-carro) 751 de 84 mm Esta granada possui uma granada extra e uma capacidade de penetração de 5 cm, que é mais que suficiente para perfurar as blindagens de todos os CC existentes, mesmo quando equipados com blindagem explosiva reativa. A granada com o efeito combinado de penetração na forma de explosivo e carga oca, bate e penetra a blindagem explosiva reativa sem detoná-la onde sua carga principal consegue atravessar a blindagem de proteção causando danos internos.
  • 118.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -118- As aletas de estabilidade são equipadas com fusível piezoelétrico para todos os ângulos de ataque e um motor foguete que lhe permite alcançar uma trajetória tensa e um curto tempo de vôo para o alvo. Dados Numéricos peso completo do tiro 3,8 kg peso da granada 2,2 kg velocidade inicial 210 m/s velocidade máxima 340 m/s penetração em blindagem maior que 5 cm alcance eficaz 600 m g) Granada TP 552 de 84 mm A granada TP 552 é destinada para ser usada como munição de treinamento para a granada HEAT 551. Ela tem um sistema de espoleta, reforço ou carga principal. Para se ter as mesmas características balísticas e de peso da granada HEAT 551, o material foi feito mais grosso e usada uma base mais sólida de projétil. O projeto motor do foguete é idêntico ao da granada HEAT 551, e ela é estabilizada pelas aletas e por seu giro suave durante o vôo.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -119- CAPÍTULO IV MUNIÇÃO DE MORTEIROS 1. GENERALIDADES A munição de morteiro possui a carga de projeção constituída de suplementos de pólvora que permitem variar à vontade o alcance do tiro. As granadas americanas são fornecidas com as granadas espoletadas, já os morteiros de fabricação nacional os elementos vêm separados da granada, exceção da empena, sendo necessário reuni-los para compor um determinado tiro. A forma característica resultante do uso de uma empena para se obter a desejada estabilidade na trajetória, ao invés do emprego da velocidade de rotação, serve para distinguir a munição dos morteiros 60 mm, 81 mm e 120 mm dos outros tipos de munição. 2. ELEMENTOS COMPONENTES DE UM TIRO COMPLETO DE MORTEIRO • espoleta (de ogiva); • reforçador; • detonador; • granada; • cartucho de projeção; • suplemento; • estopilha. 3. FUNÇÃO DE CADA ELEMENTO a) Espoleta Elemento iniciador do encadeamento explosivo da granada. b) Reforçador Tem como finalidade aumentar a chama e onda explosiva proveniente da espoleta. c) Detonador Amplia a chama e onda explosiva proveniente do reforçador, provocando a transformação da carga de arrebentamento. Na munição nacional o detonador e o reforçador vem montado em um único elemento. d) Granada
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -120- É o engenho ofensivo arremessado pelo tubo. É constituído por um corpo de forma ogivo-cilíndrico-cônica, com uma cinta em na parte mais espessa, que serve para guiá-lo dentro do tubo no seu percurso para o lançamento e uma empenagem para estabilizá-lo no ar. e)Estopilha Elemento iniciador do encadeamento explosivo da carga de projeção.( Mun 120 mm) f) Estojo de projeção Elemento propelente da granada (constitui a carga zero). g) Suplementos Ampliam o volume de gases, aumentando assim o alcance da granada. 4. TIPOS DE GRANADAS a) Auto-explosivas Podem ser de capacidade normal ou grande capacidade, ambas com carga de trotil ou explosivo similar. Produz efeitos de fragmentação e demolição de acordo com o desenho da granada ou ação da espoleta. b) fumígenas São carregadas com fósforo branco ou trióxido de enxofre. A carga do detonador está contida em um tubo que mergulha na carga fumígena , contendo pequena quantidade de tetril. c) iluminativas Contém carga de pólvora negra para expulsão do elemento iluminativo e do pára-quedas que se sustentará no ar. A granada iluminativa de 60 mm funciona 15 segundos após Ter sido atirada , a composição iluminativa queima durante 25 segundos, fornecendo luz com intensidade de 145.000 velas e cai com a velocidade média de 3 metros por segundo. Essas granadas são empregadas em missão à noite, que requeiram iluminação para fins de observação ou então para sinalização. d) exercício São carregadas com uma carga de pólvora negra que produz uma nuvem de fumaça no impacto, para observação do tiro. Podem possuir também carga inerte. 5. ESTUDO DOS COMPONENTES
  • 121.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -121- 5.1. Projétil a) Ogiva É a parte acima da cinta de turgência e cuja forma facilita o movimento do projétil no ar. b) Cinta de turgência É a parte que fica logo abaixo da ogiva, composta de várias cintas de resistência responsáveis pela vedação dos gases e por guiar o projétil durante o seu movimento no interior do tubo. A granada iluminativa só possui uma cinta de resistência. c) Corpo Parte do projétil compreendida entre a turgência e a cauda. O corpo é parte integrante do projétil e sua finalidade é balística. d) Cauda com empenagem É a parte posterior do projétil atarraxada ao corpo. É constituída por um tubo com vários orifícios, aberto na sua parte inferior, e que serve de alojamento para o cartucho de projeção. A ela são fixadas as empenagens com três asas e seis pás furadas, munidas de rebordos na munição nacional para a fixação dos suplementos. e) Ouvido roscado Recebe a espoleta ou tarugo de proteção. A dimensão do ouvido roscado também é em função do tipo de espoleta empregada, segundo o seu fabricante. Assim sendo, uma granada nacional tem o ouvido roscado com diâmetro menor que uma de fabricação americana. f) Alojamento da carga É a parte oca do projétil, destinada à carga de arrebentamento. 5.2. Espoletas Podem ser de percussão, de tempo e de duplo efeito. a) Percussão Funcionam ao se chocarem com um objeto resistente. Podem ser de percussão instantânea, com retardo e reguláveis. b) Tempo
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -122- Destinam-se a funcionar automaticamente durante o trajeto no ar, sem a necessidade de se chocarem com um objeto resistente. Podem ser de tempo fixo(rastilho) ou de tempo variável (mecanismo de relógio). Espoletas deste tipo são americanas. c) De Duplo Efeito Associam as duas finalidades, podendo detonar por tempo ou por impacto. 5.3. Carga de projeção Os projéteis de morteiro são lançados no espaço por meio dos seguintes elementos: • estopilha ( no Mrt 120 mm); • cartucho de projeção; • suplementos. Os cartuchos de projeção são exteriormente semelhantes aos cartuchos de caça e são colocados no interior da cauda dos projéteis, constituindo carga zero. A carga um compõe-se do cartucho mais um suplemento, a carga dois do cartucho e mais dois suplementos e assim sucessivamente. Os suplementos têm por finalidade reforçar a carga de projeção do cartucho, quando há necessidade de maiores alcances. Estas cargas são colocadas nas empenas das caudas, na quantidade correspondente à indicação dada pela tabela de tiro, para o alcance considerado. A fabricação norte-americana adotou a estopilha do cartucho de projeção separada do cartucho de projeção, constituindo juntos a carga de inflamação, a fim de facilitar a substituição da estopilha, ao invés de formar um só conjunto, uma vez que, nessas condições, inutilizava o tiro da granada em caso de nega. O cartucho de projeção é introduzido no tubo da empenagem; a estopilha é aparafusada na empenagem após a colocação do cartucho. Na munição nacional, o cartucho é conjugado com a estopilha, porém, há facilidade de substituí-lo, com emprego de um saca-cartucho especial, que existe para esse fim. Os suplementos nacionais vêm acondicionados num invólucro de celofane e são colocados presos nos ressaltos para isso dispostos nas asas da empenagem (com a parte convexa para dentro, nos projéteis de capacidade normal e para foras nos de grande capacidade). 6. PROPULSÃO DOS PROJÉTEIS DOS MORTEIROS O projétil munido de cartucho de projeção e, se for o caso, de um ou vários suplementos é introduzido na boca do tubo com a empenagem para baixo. Escorregando por efeito do próprio peso, até o fundo do tubo, e batendo com a cápsula da estopilha na ponta do percutor, que faz
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -123- saliência no seu interior, faz deflagrar a carga de projeção nele contida; esta por sua vez inflama a carga dos suplementos, graças aos orifícios praticados na cauda da empenagem; a força da expansão dos gases provenientes da deflagração da carga total, expulsa o projétil que leva consigo o cartucho vazio, deixando o tubo em condições de receber a nova granada. As granadas dos morteiros tem o seu calibre um pouco inferior ao da peça que utiliza. O fator fundamental que impede o escape de gases e a conseqüente perda da velocidade do projétil é o formato da cinta de turgência que propcia a vedação perfeita através do turbilhonamento dos gases. Quando se dá a deflagração da carga de projeção, a grande massa de gases impele o projétil. Esses gases encontram a turgência, procurando impedir o seu escape para a frente; como há uma diferença de calibre entre a turgência e a alma do tubo, eles passam, encontrando, porém um vazio, que provoca uma onda evolutiva nos gases em sentido contrário ao seu deslocamento, fazendo, assim, uma barreira em seu caminho. Enquanto isso acontece, o projétil vai saindo do tubo da arma. A formação desse primeiro turbilhonamento impediu a velocidade de escape para a frente; mais à frente os gases encontrarão um novo espaço que provoca um novo turbilhonamento, dificultando ainda mais o seu escape e, mais à frente ainda outro espaço vazio. Aí o turbilhonamento quase já não existe, pois nessa altura o projétil já está fora do tubo da peça, em sua trajetória; e, assim, não houve escape de gases para a frente. Por conseguinte, houve por intermédio desses vazios, a vedação perfeita dos gases à frente.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -124- PRINCÍPIOS FUDAMENTAIS DE SEGURANÇA Importante: esta é uma nota de aula que possui a finalidade de auxiliar o aluno no aprendizado da matéria. Qualquer atividade com o uso de explosivos deve ser consultado e realizado o previsto nos Manuais Técnicos T 9 –1903 e C 5 – 25. a) Qualquer operação que envolva o manuseio de munições, explosivos e artifícios requer o emprego, durante o menor tempo possível, do pessoal estritamente necessário. As quantidades de material perigoso a ser manuseado devem ser reduzidas ao mínimo, conciliando-se sempre a segurança do pessoal com a eficiência das atividades. b) A segurança do material repousa, sobretudo, na rigorosa observância das normas e regras estabelecida para seu armazenamento, conservação, transporte e destruição. c) A segurança das instalações depende dos cuidados dispensados aos materiais estocados ou manipulados e das medidas que visem a reduzir a ação de fatores intrínsecos e extrínsecos, a saber: • fatores intrínsecos - os explosivos, especialmente as pólvoras químicas, estão sujeitos a um processo de decomposição que se inicia logo após a sua fabricação. Esta degradação química tem caráter autocatalítico, chegando até a determinar a sua inservibilidade e provocar a sua combustão instantânea; • fatores extrínsecos - os explosivos são sensíveis a ação de agentes exteriores, tais como o calor, a umidade, os fenômenos sísmicos, as faíscas, o fogo, o choque e os atritos, bem como a imperícia e negligência no manuseio do material d) A segurança dos depósitos repousa sobre três princípios básicos: • controle de estabilidade do material estocado, efetuado por meio da execução periódica de provas e exames; • dispersão dos paióis e armazéns respeitadas as distância de segurança e a compatibilidade dos agentes explosivos para o armazenamento em comum; • limitação da explosão assegurada pela técnica de construção dos depósitos de munição.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -125- CAPÍTULO I DEPÓSITOS, PAIÓIS E ARMAZÉNS DE MUNIÇÕES 1. DEFINIÇÕES 1.1. Depósito de Munições •Designação dada ao conjunto de instalações dotadas de meios destinados a receber munições, mantê-las estocadas em condições satisfatórias de conservação e segurança dentro de seus paióis e distribuí-las segundo as necessidades dos órgãos ligados a sua cadeia de suprimento. Podem ser de unidade, de guarnição, regional e central. 1.2. Paiol de munições Construção especial destinada a estocagem prolongada de munições em ótimas condições de conservação e segurança. Os paióis podem ser: a) Cobertos por terra - têm estrutura, paredes e teto de concreto armado ou de material que ofereça as mesmas condições de resistência e são cobertos por uma camada de terra com espessura mínima de 60cm que, não só serve como proteção contra fragmentos oriundos de explosões externas, mas também é capaz de conservar a temperatura interior mais uniforme. Poderão ter ou não trincheiras frente a sua entrada. b) Não Coberto de terras - a uniformidade da temperatura interna é conseguida através de paredes e coberturas projetadas especialmente para este fim. Poderão ter ou não trincheiras a sua volta; nos paióis não coberto de terra do tipo chamado CONVENCIONAL, as paredes são duplas, de alvenaria, e os espaços entre elas e o telhado e o forro são ventilados. 1.3. Armazém de munições Construção comum que se destina a guarda de munição quando a previsão de estocagem não excede a um ano. Dada as características não especializadas da sua construção, não oferece proteção muito eficiente contra as variações de temperatura e umidade e por isso, deve-se ter atenção redobrada na inspeção dos materiais nele estocados. 2. PRINCÍPIOS PARA ESCOLHA DO LOCAL PARA A CONSTRUÇÃO DOS PAIÓIS A área destinada a construção de depósitos de munições deverá satisfazer aos seguintes princípios:
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -126- • Terreno - ser localizada em terreno firme, seco, a salvo de inundações e não sujeitos a mudanças freqüentes de temperaturas ou ventos fortes. O terreno não deverá ser constituído de extrato de rocha continua por causa da possível transmissão, a grandes distâncias, da onda de choque resultante de uma eventual explosão. • Segurança – ficar afastado de centros povoados, rodovias, ferrovias, obras de artes importantes, habitações isoladas, oleodutos, linhas-tronco de distribuição de energia elétrica, de água e de gás. • Acesso – ser de fácil acesso, através de vias de transportes que, em princípio, serão de uso privativo. • Vegetação – não ser coberta por vegetações que permitam rápida combustão. • Distância – nas distribuições dos paióis dentro da área, serão obedecidas as distâncias mínimas, prevista nas tabelas de quantidade e distâncias, afim de assegurar, em casos de acidentes, menores danos materiais e pessoais. • Segurança Periférica - a distância entre o limite da área e cada um dos paióis será sempre calculada com base nas tabelas de quantidade e distância. Desse modo ficará constituída , entre o limite da área de depósito e a linha dos paióis mais próximos, a chamada “faixa de segurança periférica”, na qual não poderá existir qualquer edificação. 3. DISTÂNCIAS PARA A CONSTRUÇÃO DE PAIÓIS a) As munições, segundo o risco que oferecem, distribuídos em 12 classes. b) A cada classe corresponde a uma tabela de distância de segurança. c) Quando munições de classes diferentes tiverem de ser estocadas em conjunto, prevalecerá a maior distância de segurança. d) A distribuição em classes visa, apenas, ao calculo das distâncias mínimas permitidas entre os paióis ou entre estes edificações, rodovias e ferrovias. e) A distribuição em classe não significa que os elementos de uma classe possam ser estocados em conjunto. Os empaiolamentos obedecerão, rigorosamente, ao que preceitua o Art III do Cap 4 do T9-1903. f) As quantidades, em quilo, do material a ser empaiolado são computados na maneira seguinte: g) Para pólvora química e explosivos encunhetados: peso liquido.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -127- h) Para artifícios pirotécnicos: peso bruto das respectivas caixas. i) Para as munições engastadas e desengastadas: peso liquido das cargas em ruptura. As cargas de projeção, neste caso, não são computadas por serem menos perigosas do que as de ruptura, relativamente aos estilhaços. j) As distancias previstas nas tabelas não só decorrem da quantidade total de material empaiolado, como também do alcance dos estilhaços. k) Para paióis coberto de terra, as distâncias previstas nas tabelas podem ser reduzidas a metade, exceto quando se tratar de materiais das classes VI e VII . Quando os paióis forem entrincheirados as distâncias poderão ser reduzidas apenas para os materiais das classes VIII , IX e X. l) As classes em que são distribuídas as munições, explosivos e artifícios com as respectivas tabelas de quantidade e distâncias encontram-se publicada no T9-1903. 3.1. CÁLCULO DAS DISTÂNCIAS MÍNIMAS PARA A CONSTRUÇÃO DE PAIÓIS 1º - Classificar a munição nas classes I a X. 2º - Dividir a munição dentro dos paióis observando o Art III do Cap 4 do T9 1903. 3º - Calcular o peso do explosivo baseado na letra g) do item acima. 4º - Observar dentro da cada paiol a munição da classe que exige a maior distância mínima. Esta distância será a distância mínima do paiol para as outras edificações. 4. PRINCÍPIOS PARA A CONSTRUÇÃO DE PAIÓIS a) Materiais Empregados – devem ser, tanto quanto possível, de difícil combustão, impermeável e maus condutores de calor e de eletricidade. As peças metálicas usadas no interior, tais como trincos, roldanas, tarjetas, dobradiças etc, deverão ser de bronze ou latão. b) Dimensões – Além de outras imposições de ordem técnica, as dimensões de paióis e armazéns serão determinadas em função do material a estocar, observadas para cada material, as quantidades máximas previstas nas respectivas tabelas e as condições de arrumação estabelecidas nas prescrições gerais sobre empaiolamento e armazenamento. c) Paredes – Deverão garantir o bom isolamento térmico do paiol. Em paióis entrincheirados, as paredes deverão oferecer a explosão uma resistência menor que a oferecida pela cobertura, para que o principal efeito da onda explosiva se faça para os lados (contra as trincheiras) e não para cima. Em paióis não entrincheirados deverá acontecer o contrário. Nas
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -128- paredes internas deverão ser construídos nichos para os aparelhos de controle do ambiente dos paióis. d) Cobertura - Será dimensionada de acordo com as paredes para que se obtenham os efeitos mencionados na letra C. Deverá, também, garantir bom isolamento térmico dos paióis. e) Piso – Será impermeabilizado com material próprio e terá acabamento liso para evitar centelhamento por atrito e para facilitar a limpeza. f) Portas – Serão de correr ou abrir para fora devendo fechar hermeticamente, mantendo isolamento térmico obtido com as paredes e o teto, e impedindo a entrada de fagulhas, poeira, ar etc. Deverão ser protegidas dos raios solares mediante conveniente orientação da edificação. Seu número e destruição dependerá das dimensões dos armazém ou do paiol. g) Soleiras – As soleiras das portas de paióis e armazéns servidos por via férrea, terão altura igual a dos pisos dos vagões. h) Iluminação – Deverá ser elétrica e localizada na parte externa do paiol ou armazém. No interior deste, só poderão utilizadas lanternas portáteis, de pilhas secas. A rede elétrica não poderá passar por cima do paiol ou armazém. As estradas do sistema de circulação interna dos depósitos de munição devem ser dotadas de rede de iluminação. i) Pára-raios – A área do depósito de munição deverá ser protegida por um sistema de pára-raios. j) Eletricidade Estática – Deverão ser previstos meios de proteção contra descarga de eletricidade estática. k) Rede D’água - Serão prevista redes d’água divididas em seções e com hidratantes colocados próximos aos paióis e armazéns. Deverá ser possível alimentar um mesmo hidratante por dois caminhos diferentes. As redes d’água não poderão passar sob os paióis e armazéns. Deverão ser construídos reservatórios para abastecer a rede do sistema de proteção contra incêndio. l) Motores – No interior dos paióis e armazéns de munição é proibida a utilização ou instalação de motores de qualquer natureza. m) Cercas - Além do cercamento normal de delimitação do terreno do Depósito de Munições, devem ser prevista cercas de arame farpado ou tela que, de acordo com as condições locais, dificultem o acesso de elementos estranhos aos paióis e armazéns, facilitando o controle da respectiva área.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -129- n) Entrincheiramento – Os paióis e armazéns de munições poderão ser protegidos com entrincheiramento afim de atenuar os efeitos de possíveis explosões. Mesmo quando não houver trincheiras, a segurança deverá ser obtida através das distâncias determinadas nas tabelas de quantidade e distância. •as trincheiras, que poderão ser naturais ou artificiais, deverão ficar afastada de 1,20 a 12,00 metros do armazém ou paiol a que se refere e terão uma espessura mínima de 1 metro na sua parte superior; •para proteção de uma edificação qualquer a altura da trincheira deverá ser tal que esta seja cortada pela reta que una o topo do paiol ou armazém a qualquer ponto de edificação; •para proteção de ferrovia e rodovias, a reta que una o topo do paiol ou armazém do topo da trincheira deverá passar acima de 3,70 metros de seus respectivos pisos; •as trincheiras serão dispostas de tal modo que permitam o desenfiamento completo dos paióis e armazéns. Se for o caso, os paióis não cobertos de terra terão trincheira em toda a volta; os cobertos de terra apenas em frente a sua entrada; •os paióis de munições cobertos de terra com a porta entrincheirada são considerados entrincheirados em todas as direções; sem entrincheiramento na porta eles são considerados entrincheirados em todas as direções, menos nas compreendidas num setor de 60 graus, cujo vértice é o centro da porta e cujo eixo de simetria é normal a ela; CAPÍTULO II MEDIDAS DE SEGURANÇA A maioria dos acidentes com munições é causada por circunstâncias perfeitamente evitáveis como: 1. Inobservância dos princípios básicos de segurança relativos aos locais onde são manuseados e estocados esses materiais. 2. Desrespeitos as instruções relativas ao manuseio e estocagem, motivado pelo excesso de confiança ou pelo desconhecimento das normas preconizadas nesta NA. 3. Inobservância dos períodos de inspeção e exames de estabilidade. 4. Emprego de pessoal não habilitado.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -130- 5. Inobservância as medidas de prevenção contra incêndio. 6. A obediência aos três princípios básicos de segurança ( letra E, n.2, do Cap 1) e o respeito as regras de manuseio e trato do material explosivo não só reduzirão as probabilidades de ocorrência de acidentes como também limitarão seus efeitos. 7. É de sua importância, portanto que o pessoal que trabalha com munições seja convenientemente instruído. 8. Uma atitude calma e consciente é fator importante que completa as regras de segurança. Indivíduos extremamente nervosos não são indicados para lidar com explosivos sensíveis. 9. Choques bruscos, descuidos, utilização de equipamento deficiente ou inadequado podem provocar os mais diversos tipos de acidente no manuseio de munições. 10. Os explosivos além do perigo natural que oferecem, ainda podem apresentar de intoxicação quando inalados, ingeridos ou absorvidos pela pele. 11. Os efeitos causados pelo contato de explosivo com a pele variam desde de uma simples descoloração da epiderme até uma dermatite e de uma simples dor de cabeça até o envenenamento. 12. Por isso, e também por serem inflamáveis as misturas de poeiras de explosivos com o ar, os explosivos devem ser manuseados em locais ventilados. 13. Ao manusear explosivos, as mãos devem estar bem secas, porque a umidade facilita a absorção através da pele. Ao término do trabalho, as mãos devem ser lavadas com um solvente apropriado, como seja, uma solução aquosa de sulfito de sódio a cerca de 2% e, depois, com água e sabão. 14. Quanto mais sensível for o explosivo, tanto menor deverá ser a quantidade manipulada de cada vez e maiores as precauções a tomar, afim de reduzir a um mínimo os danos em caso de explosão acidental. Deve se ter em mente que a sensibilidade é uma característica que acarreta a iniciação por qualquer fonte de energia aplicada, seja por atrito, compressão, choque, calor, meios mecânicos diversos, meios químicos ou elétricos. 15. As munições e os artifícios podem explodir espontaneamente, devido a decomposição das pólvoras ou dos explosivos com que são carregados. 16. As munições devem ser manuseadas sob a supervisão direta de pessoa competente.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -131- 17. Todo aquele que trabalha com munições deve ter sempre em mente que a sua própria segurança, bem como a dos outros dependem dos cuidados no trato desses materiais. 18. Estado físico e mental do pessoal que manuseia materiais explosivos, deve constituir preocupação constante por parte dos responsáveis pelos depósitos de munições. 19. Pessoal empregado no manuseio da munição não deve mexer em seus componentes, nem fazer experiência com os mesmos sem que esteja devidamente autorizado. 20. O manuseio das munições deve ser sempre conduzido de forma a limitar ao menor número possível o pessoal exposto. 21. É proibido fumar, acender fósforos ou isqueiros nas áreas em que se operem com munições. 22. As munições devem ser manuseadas cuidadosamente. Os cunhetes não podem ser empurrados, rolados, arrastados ou lançados uns sobre os outros. 23. Ferramentas ou equipamentos cujas partes de metal sejam capazes de produzir faíscas não podem ser utilizadas no manuseio dos explosivos. CAPÍTULO III CONSERVAÇÃO 1. CONTROLE DA TEMPERATURA Grande atenção deve ser dispensada ao controle da temperatura do paiol. O principal fator da deterioração precoce do explosivo é a variação extrema da temperatura. Os paióis e armazéns de munição deverão ser equipados com termômetros de máxima e mínima e sempre que for observado, nas inspeções diárias, que a temperatura do momento é superior aos limites previstos, serão tomadas providências relativas ao arejamento ou a irrigação. Na fixação das condições ótimas de ambiente no interior dos paióis de munição, dois fatores primordiais serão levados em consideração: temperatura e umidade. Serão consideradas temperaturas máximas as seguintes: •+ de 27 C para nitrocelulose, nitroamido e pólvoras químicas de base dupla; •+ de 30 C para pólvoras químicas de base simples e ácido pícrico; •+ de 35 C para projéteis carregados e pólvoras mecânicas;
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -132- •+ de 40 C para trotil, picrato de amônio e outros explosivos não especificados. TERMÔMETRO DE MÁXIMA E MÍNIMA TEMPERATURA a) Descrição É um tubo em "U" com mercúrio na parte inferior; um ramo termina pelo reservatório A que contém álcool; a ampola A não se encontra completamente cheia de líquido; é destinada a receber todo produto de dilatação do termômetro. O outro ramo é também, curvo em forma de "U" virado e termina pelo reservatório B completamente cheio de álcool. Dois pequenos marcadores de ferro (ou de esmalte atravessado por fios de ferro) estão no álcool; como escorregam com atrito leve contra as paredes do tubo, podem manter-se a uma altura qualquer. b) Funcionamento Quando a temperatura se eleva, a dilatação do álcool e do mercúrio se produz da esquerda para a direita; o álcool passa em torno do marcador do termômetro de mínima, sem arrasta-lo, enquanto o mercúrio levanta o marcador do termômetro de máxima até a temperatura maior registrada. Quando a temperatura diminui, o marcador do termômetro de máxima fica suspenso e o marcador do termômetro de mínima fica imóvel até o momento em que a coluna ascendente do mercúrio no termômetro de mínima entra em contato novamente com ele, quando então é arrastado pelo mercúrio para cima. Portanto, a extremidade inferior do marcador do termômetro de máxima indica a temperatura máxima e a extremidade inferior do marcador do termômetro de mínima, a temperatura mínima. Pode-se observar que a temperatura do momento, é dado ao mesmo tempo pelos dois níveis do mercúrio no tubo. c) Medição 1º - Observar que existem dois termômetros, um de máxima e outro de mínima temperatura. Cada um deles com um alfinete em seu interior. 2º - Observar o termômetro de mínima e verificar onde a cabeça do alfinete (parte inferior do alfinete) está posicionada. Esta é a temperatura mínima registrada desde que o termômetro foi zerado pela última vez. Observar a graduação do termômetro e não esquecer que na maioria dos casos, no termômetro de mínima, a temperatura diminui conforme a coluna de mercúrio sobe. 3º - Observar o termômetro de máxima e verificar onde a cabeça do alfinete (parte inferior do alfinete) está posicionada. Esta é a temperatura máxima mínima registrada desde que o termômetro foi zerado pela última vez. Observar a graduação do termômetro e não esquecer
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -133- que na maioria dos casos, no termômetro de máxima, a temperatura aumenta conforme a coluna de mercúrio sobe. 4º - Após a medição diária, deve-se zerar o termômetro com um ímã, posicionando a cabeça dos alfinetes novamente em contato com a coluna de mercúrio. 2. AREJAMENTO O arejamento dos paióis e armazéns de munição será feito abrindo-se portas .obrigatoriamente de 3 em 3 meses ou em qualquer época quando a temperatura ultrapassar os limites previstos. 3. IRRIGAÇÃO A irrigação dos paióis e armazéns de munição será feita com aparelhagem própria ou, na falta desta, com a de incêndio. Nos dias de grande calor, as paredes externas e as imediações dos paióis e armazéns de munição serão irrigados, tendo-se o cuidado de evitar que a água penetre nos mesmos. 4. CONTROLE DA UMIDADE O estado hidrométrico do ambiente dos paióis e armazéns de munição será anotado diariamente e na mesma hora. Para a aferição do termômetro úmido do pisicrômetro, deve-se cobrir completamente o bulbo, e estar mergulhado na água, de preferência destilada. A temperatura do termômetro úmido deverá ser sempre inferior a do seco; caso contrário, o pisicômetro está defeituoso. Para reduzir a umidade ambiente nos paióis e armazéns de munição, poderá ser colocada no interior dos mesmos, substâncias higroscópicas, tais como cloreto de cálcio, silica-gel ou cal- virgem, as quais deverão ser renovadas sempre que necessário. PSICRÔMETRO a) Generalidades Os psicômetros usados nos paióis são do tipo úmido e seco; não sendo permissível o emprego de psicômetro de cabelo. Destinam-se a nos oferecer o estado higrométrico do ambiente do paiol. O termo "UMIDADE" é usado para descrever o vapor d ` água existente no ar atmosférico. Ordinariamente, não é visível, porém, sob certas condições de temperatura e saturação, o vapor de água se condensa sob a forma de neblina, serração ou nevoeiro na
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -134- superfície da terra e sob a forma de nuvens no ar. Os termos de medidas usados são: UMIDADE RELATIVA em percentagem, quando descreve a condição de saturação e UMIDADE ABSOLUTA em peso de unidade de volume, quando descreve a atual quantidade do vapor d ` água presente. Entende-se por unidade relativa a quantidade de um vapor de água existente num espaço tomado como unidade de volume, comparada com a quantidade total que poderia ter neste mesmo espaço sob as mesmas condições de pressão atmosférica e temperatura. É expressa em percentagem. A umidade relativa varia, normalmente, entre os limites de 10% a 80% da seguinte maneira: • de 10% a 30% é considerado seco; • de 30% a 60% é considerado normal: • de 60% a 80% é considerado úmido. As autoridades no assunto afirmam que, a umidade relativa ideal para condições de vida humana deve variar entre 40 e 50% a uma temperatura de 20 grau a 21 grau. b) Descrição O piscrômetro foi inventado por Gay-Lussac e August deu-lhe a forma atual. Consiste em dois acurados termômetros paralelos, denominados respectivamente de termômetro seco e de termômetro úmido. O bulbo do termômetro úmido é envolvido por uma gaze que absorve a água, por ação de capilaridade, de um reservatório líquido. Embora não seja necessário, é conveniente se empregar água destilada neste reservatório, pois as partículas sólidas existente na água permanecerão na mecha após a evaporação daquele, o que irá interferir na capilaridade e na evaporação. Na falta de água destilada pode-se empregar a água de chuva. c) Funcionamento A água existente em torno do bulbo evapora-se com uma velocidade proporcional ao estado de umidade do ar ambiente resultando disso uma temperatura no termômetro úmido inferior a do termômetro seco. Conhecendo-se as temperaturas acusadas pelos dois termômetros, a úmida e relativa poderá ser facilmente determinada por intermédio de tabela que acompanha cada instrumento. Caso o ambiente se encontre completamente saturado, os dois termômetros acusaram a mesma temperatura, em virtude de não ser possível ocorrer evaporação da água no termômetro úmido. Neste caso a umidade relativa será de 100%.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -135- Antes de fazer-mos uma leitura, devemos abanar rigorosamente o aparelho para se obter maior precisão, a menos que o psicômetro se encontre exposto ao um vento com velocidade de cerca de 183 metros / minuto. Esta agitação é necessária afim de dispersar qualquer acúmulo de umidade em torno dos bulbos, ocasionado pela evaporação do termômetro úmido. Deve-se proceder assim até que a coluna do termômetro úmido atinja seu ponto mais baixo. d) Medição 1º - Identificar no psicrômetro um termômetro seco, um termômetro úmido, a tabela de umidade entre os dois termômetros, um cursor móvel sobre a tabela de umidade, um depósito de água e uma mecha de pano ligando o termômetro úmido ao depósito de água. 2º - Verificar se o depósito de água encontra-se cheio e se a mecha de pano encontra-se conduzindo umidade para o termômetro úmido, se não, recompletar a água. 3º - Após isso, inicia-se a medição deslocando o cursor móvel até que a seta sobre o termômetro úmido, posicionada no cursor móvel, coincida com a leitura do termômetro úmido. 4º - Com o cursor parado, fazer a leitura do termômetro seco e seguir, a partir desta marcação, a seta em arco de círculo até o visor no cursor móvel. Neste visor, seguindo a seta oriunda da marcação do termômetro seco será a umidade relativa do ar naquele momento. Exemplo: A marcação do termômetro úmido é de 30º e no termômetro seco é de 35º, a umidade relativa do ar será de 68 %. 5. PROVAS E EXAMES 5.1 FINALIDADE As provas e exames têm por finalidade determinar o estado de conservação das munições, explosivos e artifícios permitindo, em qualquer época retirá-los de uso antes que suas condições anormais ofereçam graves perigos no armazenamento ou no emprego. Há necessidade de provas e exames periódicos, para verificar-se o estado atual das pólvoras e explosivos, e caracterizar a estabilidade dos mesmos. As provas serão feitas nos próprios depósitos, e os exames, em laboratórios regionais especializados ou outros devidamente autorizados pelo órgão competente. Sempre que forem observadas anormalidades no armazenamento ou no emprego, deverão ser realizados exames eventuais no material. 5.2 PERIODICIDADE DOS EXAMES São realizados em datas específicas dependendo do tipo de munição. São realizados também sempre que houver indícios de decomposição. O encarregado dos paióis ou
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -136- armazéns de munição tomará as providências para retirar uma amostra do lote correspondente e enviá-la para exame de laboratório. O elemento onde se constatou a alteração será isolado dos demais até que o resultado das provas permita providências definitivas. 5.3 EXAMES Os exames são de duas espécies : eventuais e periódicos. Eventuais- serão feitos sempre que: • as provas de observação revelarem anormalidade no material; • houver incêndio sem destruição total do material; • houver suspeita de que a causa de acidentes ou anormalidades verificadas durante o emprego de munições, explosivos ou artifícios forem a eles atribuídos. • a média mensal das temperaturas máximas no interior do paiol ou do armazém atingir ou ultrapassar os limites abaixo: + 30ºc: para pólvoras químicas e ácido pícrico; + 35ºc: para projéteis carregados e pólvoras mecânicas; + 40ºc: para trotil, picrato de amônio e outros explosivos. Periódicos - serão feitos em épocas determinadas com intervalos que variam de acordo com o material estocado. Atualmente a periodicidade para exame das munições está prevista na portaria 061. 5.4 TOMADA DE AMOSTRA Deverão ser obedecidas as regras contidas na Portaria 061 para as tomadas de amostras, pois dessa operação dependerá a precisão nas conclusões dos exames. 5.5 CLASSIFICAÇÃO DAS PÓLVORAS QUÍMICAS QUANTO À ESTABILIDADE QUÍMICA De acordo com os resultados obtidos nas provas de estabilidade química e balística, as pólvoras são classificadas em cinco categorias: 1) Categoria A – são incluídas nessa categoria as pólvoras com menos de 10 anos de fabricação e que apresentem bons resultados nas provas de estabilidade química. Para as pólvoras nestas condições, são dispensados os exames balísticos, e seu emprego será feito nos serviços ordinários.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -137- 2) Categoria B –São incluídas nessa categoria as pólvoras de 10 a 15 anos de fabricação e que apresentem bons resultados nas provas de estabilidade química. As pólvoras nessas condições não necessitam de exames balísticos, e seu emprego será feito nos serviços ordinários. 3) Categoria C – Nessa categoria serão incluída tanto as pólvoras que tiverem mais de 15 anos e apresentarem boa estabilidade como aquelas que com qualquer tempo de fabricação apresentarem resultados regulares nas provas de estabilidade química. A conclusão nessa categoria, é sempre dependente de um exame de valor balístico, obrigatório, cujo o resultado deverá ser satisfatório para que ela permaneça nessa categoria. As munições cujo as pólvoras se encontram nessa categoria terão seu uso com emprego preferencial. As pólvoras a granel que atingirem essa categoria não poderão mais ser usadas como propelente no carregamento de munições, e são automaticamente incluídas na categoria D. 4) Categoria D - de acordo com o que propõe a comissão de estudo da estabilidade das pólvoras de base dupla em seu relatório final, deve ter a seguinte redação: são incluídas nesta categoria tanto as pólvoras em condições de estabilidade química regulares como as boas com mais de 15 anos de fabricação, e que não satisfaçam as exigências das provas balísticas. Estas pólvoras são consideradas imprestáveis para fins militares. As pólvoras e munições desta categoria serão recolhidas para aproveitamento de matéria-prima ou recuperação. 5) Categoria E - São incluídas nessa categoria as pólvoras que apresentam maus resultados nas provas de estabilidade química. Essas pólvoras são perigosas; seu transporte é proibido, devendo ser destruídas pelo órgão competente, imediatamente após cientificado das condições das mesmas. Apenas o elemento considerado perigoso será destruído, devendo os elementos restantes serem recolhidos para recuperação ou aproveitamento da matéria-prima. TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DAS PÓLVORAS TEMPO DE FABRICAÇÃO ESTAB QUÍMICA VALOR BALÍSTICO CAT EMPREGO T < 10 BOA DESNECESSÁRIO A ORDINÁRIO 10 < T < 15 BOA DESNECESSÁRIO B ORDINÁRIO T > 15 BOA SATISFATÓRIO C PREFERENCIAL QUALQUER REG SATISFATÓRIO C PREFERENCIAL QUALQUER BOA NÃO SATISFATÓRIO D IMPRESTÁVEL QUALQUER REG NÃO SATISFATÓRIO D IMPRESTÁVEL QUALQUER MÁ DESNECESSÁRIO E PROIBIDO
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -138- Desta tabela convém ressaltar que o primeiro exame balístico periódico, de caráter obrigatório, em princípio, só deve ser realizado após quinze anos de fabricação do lote da munição. CAPÍTULO IV EMPAIOLAMENTO D) 1. PRESCRIÇÕES GERAIS Para a boa ordem e segurança dos paióis e armazéns de munição, deverá ser observado o seguinte: 1) Quando houver necessidade de empaiolar dois ou mais materiais de espécies diferentes, deverá ser consultado o Quadro de Empaiolamento, (Art 33 do T9-1903) que mostrará quais os materiais que podem ser empaiolados num mesmo paiol de munição. 2) Os explosivos e munições deverão agrupados por lotes e sublotes, em pilhas firmes e em disposição metódica, observando-se intervalos entre elas, afim de facilitar o serviço de inspeção. 3) Nas pilhas serão fixas nas quais contem: a espécie do material, o lote, sublote, a quantidade, o ano de fabricação, o fabricante, e a categoria de estabilidade do material. 4) Os intervalos entre as pilhas de um mesmo lote serão de 25cm e de 50cm entre as pilhas de lotes diferentes. 5) Os lotes deverão ser dispostos nos paióis e armazéns de munição de tal modo que possibilite a retirada dos mais antigos, para emprego. 6) O material deverá ser empilhado sobre suportes, afim de protege-lo da umidade eventual do piso, e permitir a ventilação. Quando necessário, também para facilitar o arejamento, deverão ser previsto suporte entre volumes da mesma pilha. 7) A altura da pilha deverá permitir que fique um espaço, pelo menos, de 70 cm entre elas e o teto. 8) As estantes existente nos paióis ou armazéns deverão ser fixas e dispostas paralelamente, e as marcações bem visíveis. 9) As distâncias das paredes as estantes ou pilhas serão de 70 cm no mínimo. 10) Nos pisos dos paióis de munições deverão ser pintadas faixas brancas reservadas a circulação e delimitado espaços livres juntos às portas.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -139- 11) Todo material suspeito, quanto a seu estado de conservação, deverá ser recolhido a paióis de munições especiais, isolado, até que a autoridade superior determine quanto ao seu destino. 12) Os volumes de materiais não identificados deverão ser marcados com os dizeres “conteúdo desconhecido“, e recolhido a paióis de munição especial. 13) Quando as embalagens, tais como cunhetes, caixas, tambores, etc, estiverem em mau estado de conservação, deverão retiradas dos paióis de munição e substituídas ou reparadas, conservando-se entretanto, os dizeres da marcação anterior. 14) Nos paióis de munição não deverão ser empaiolados juntos materiais que sejam os previsto no Quadro de Empaiolamento, ressalvado o exposto no artigo 33 do T9-1903. 15) Os paióis de munição deverão ter, à entrada, um quadro no qual conste a espécie e quantidade de materiais neles contidos. 16) Para efeito de empaiolamento, os explosivos e munição são grupados por compatibilidade em relação aos seguintes fatores: • efeito da explosão do elemento; • facilidade de deterioração; • sensibilidade à iniciação; • sensibilidade ao fogo; • tipo de embalagem; • quantidade de explosivo por elemento. 17) Os grupamentos de contabilidade de estocagem não devem ser confundidos com a classificação de risco, estabelecido para as exigências de quantidade-distância. 2. EMPAIOLAMENTO 2.1 De Munições a) Cartuchos, projéteis de pequenos calibres, estojos vazios ou carregados e carga de projeção acondicionadas em saquitéis ou outros invólucros deverão ser empaiolados em sua própria embalagem. b) Os volumes desses materiais são calçados por suportes nas pilhas ou estantes.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -140- c) No empaiolamento de estojos e cartuchos, que não estiverem nas embalagens próprias, deverão ser tomadas cautelas, afim de que não sejam deformados. d) Os projéteis de grande calibre deverão ser colocados sobre calços adequados, para proteção das cintas de forçamento e turgência. e) As pilhas não deverão ter altura que não dificulte o serviço. 2.2 De Espoleta, Estopilhas, Reforçadores e Detonadores: a) As espoletas, estopilhas, reforçadores e detonadores serão empaiolados em cunhetes estanques ou embalagens próprias. b) Os reforçadores e detonadores poderão, excepcionalmente, ser conservados nos projéteis. c) Os cunhetes incompletos deverão ser conservados perfeitamente fechados. d) As espoletas deverão ser armazenadas em paióis ou armazéns pequenos, a fim de limitar a perda deste material, em caso de sinistro. 2.3. De Artifícios Pirotécnicos a) Os artifícios pirotécnicos, quando úmidos, não deverão ser empaiolados, pois oferecem grande perigo, exigindo, portanto, grande proteção contra umidade. b) 2) Quando as embalagens de artifícios pirotécnicos apresentarem sinais de umidade, deverão ser estes volumes removidos e abertos; se o conteúdo estiver úmido, deverão ser destruído. c) Certos artifícios pirotécnicos decompõem-se com o tempo, mesmo empaiolados em ótimas condições; portanto devem constar nas respectivas fichas a vida de cada lote, a fim de ser empregado dentro do prazo previsto. 2.4. De Munição Química a) A munição química deverá ser armazenada, isoladamente devido ao perigo e dificuldades que se apresentam ao combater incêndio que envolva agentes químicos. b) No empaiolamento da munição química Ter-se-á cuidado de prever fácil acesso, para inspeções e remoção do material. c) A munição química deverá ser inspecionada, nos paióis e armazéns, pelo menos uma vez por mês.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -141- d) O encarregado do paiol deverá estar familiarizado com os agentes químicos, a fim de identificar pelo qualquer vazamento. CAPÍTULO V TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS 1. PRESCRIÇÕES GERAIS •Material deverá estar em bom estado, e em embalagem regulamentar. •Por ocasião de embarque e desembarque conferir-se-á o material com a guia. •Embarque ou desembarque deverá ser assistido por um oficial. •Sinais de perigo devem ser afixados nos transportes. •Material deverá ser arrumado e fixado, de maneira que facilite a inspeção e segurança. •Os explosivos, munições e artifícios serão transportados separadamente. •No transporte, proteger-se-á o material contra a umidade e a incidência de raios solares. •É proibido derrubar, bater, arrastar, rolar ou jogar recipientes que contenham explosivos ou munições. •Examinar o local de armazenagem antes de descarregar. •É proibida a utilização de luzes não protegidas, fósforos, isqueiros e ferramentas capazes de produzir chamas ou centelhas nos locais de embarque, desembarque e durante os transportes. •É proibido remeter pelo correio explosivos ou munições sob qualquer pretexto. •Os serviços de carga e descarga deverão ser feitos durante o dia e com o tempo bom. •Se houver necessidade de carregar ou descarregar à noite, somente serão usadas lanternas e holofotes elétricos. •Deverão ser prevista paradas para inspeções e determinadas as velocidades máxima e mínima. 2. TRANSPORTE FERROVIÁRIO • Explosivos, munições e artifícios normalmente serão transportados em trens especiais. • Os vagões que transportam explosivos ou munições deverão ficar separados da locomotiva e/ou dos vagões de passageiros no mínimo de três outros carros. • As composições militares especiais para transporte de explosivos e munições deverão ser escoltadas. • Os vagões serão limpos e inspecionados antes e depois do transporte de material. • Os vagões devem ser travados e calçados durante a carga e descarga do material.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -142- • Para retenção de fagulhas, as chaminés das locomotivas deverão ser guarnecidas com telas metálicas. • Somente poderão ser utilizados vagões em perfeitas condições, não podendo ser executada qualquer reparação após o início do carregamento. • Os vagões carregados com explosivos não poderão permanecer na área dos paióis. • As portas dos vagões carregados deverão ser lacradas e, nelas, colocadas tabuletas com os dizeres “CUIDADO - EXPLOSIVO”. • As portas dos paióis de munição serão conservadas fechadas ao aproximar-se a composição. • As manobras para engatar e desengatar os vagões deverão ser feitas sem choque. • Quando, durante a carga ou descarga, for derramado qualquer explosivo, o trabalho será interrompido e só recomeçado depois de completamente limpo o local. • A composição especial não poderá parar em plataforma de estações. • Tanto quanto possível, as composições especiais serão constituídas de vagões especializados. 3. TRANSPORTE RODOVIÁRIO • Em princípio, o transporte em viaturas comuns e do tipo militar será restrito às munições de armamento leve. • transporte em viatura civil deverá estar acompanhado de uma guia de trânsito com indicação de material transportado, peso da carga, origem, destino e itinerário. • É proibido o transporte de explosivos ou munições em viaturas movidas a gasogênio. • As viaturas destinadas ao transporte, serão vistoriadas para exame de seus circuitos elétricos, freios, tanques de combustível estado da carroceria e do extintores de incêndio, assim como verificação da existência de quebra-chamas no cano de descarga e ligação por corrente metálica da carroceria com a terra. • Os motoristas deverão ser instruídos quanto aos cuidados a serem observados, bem como sobre o manejo dos extintores de incêndio. • A carga explosiva deverá ser fixada firmemente à viatura e ser coberta com encerado impermeável, não podendo ultrapassar a altura da carroceria. • É proibida a presença de estranhos nas viaturas que transportem explosivos ou munições. • Durante a carga ou descarga, as viaturas deverão conservar-se freadas, calçadas e com os motores desligados. • Quando em comboios, as viaturas manterão entre si uma distância aproximada de 80m. • A velocidade de uma viatura que transporta explosivos e/ou munições não poderá ultrapassar de 40 Km / h. • As cargas e as viaturas deverão ser inspecionadas nos altos horários (locais afastados de habitações).
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -143- • Para viagens longas, as viaturas terão dois motoristas. • Viaturas transportando explosivos ou munições não poderão ser rebocadas. • No desembarque, a carga não poderá ser empilhada nas proximidades dos canos de descarga das viaturas. • Durante o abastecimento de combustível, os circuitos elétricos deverão estar desligados. • Tabuletas visíveis serão afixadas nos lados e atrás da viatura com os dizeres “CUIDADO - EXPLOSIVO”, colocando-se, também, bandeirolas vermelhas na frente e na retaguarda da viatura. • As viaturas carregadas não poderão estacionar em garagens, postos de serviço, depósitos ou lugares onde haja probabilidade de propagação de chamas. • As viaturas depois de carregadas, não ficarão na área dos paióis. • Em casos de acidentes com a viatura, a primeira providência será a retirada da carga explosiva (distância mínima de 60 m da viatura ou de habitações. • Em caso de incêndio, o trânsito deverá ser impedido e o local isolado. 4. TRANSPORTE MARÍTIMO OU FLUVIAL •Em navio de passageiros somente será permitido o transporte de munição de armamento leve. •Os explosivos e munições, somente sob a vigilância de guarda especial capaz de removê-los em caso de urgência, poderão ser mantidos no cais. •Todas as embarcações que transportarem explosivos ou munições deverão manter içada uma bandeirola vermelha. •No caso de carregamentos mistos, os explosivos e as munições serão embarcados com última caga. •local da embarcação para explosivos e munições deverá ser forrado com tábuas de 2,5 cm de espessura. •As embarcações que rebocarem navios carregados com explosivos e/ou munições terão as chaminés protegidas com telas metálicas. •Os locais reservados aos explosivos estarão o mais afastado possível da casa de máquinas e caldeiras. •As embarcações, quando rebocadas, deverão guardar distância mínima de 50 m de outras embarcações e, quando ancoradas, 100 m no mínimo. 5. TRANSPORTE AÉREO •Somente munição de armamento leve poderão ser conduzidas. •É proibido o transporte de quaisquer explosivos, munições ou artifícios em aviões de passageiros.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -144- CAPÍTULO V ESCRITURAÇÃO DOS PAIÓIS 1. LIVROS DE REGISTRO A escrituração dos paióis e depósitos será feita, pelo encarregado dos mesmos, em três livros: a. Livro ou Ficha de Estoques Nele serão feito os lançamentos das entradas, saída e estoque existente nos paióis e depósitos. Normalmente, nos depósitos de Munições, utiliza-se o sistema de fichários. b. Livro de Ocorrência Nele serão registrados todas as ocorrências, tais como: abertura e fechamento dos paióis e depósitos com os respectivos dias e horas, medidas tomadas em caso de anormalidades e providências delas decorrentes. Neste livro a autoridade inspetora lançara de próprio punho, a crítica da visita de inspeção. c. Livro das Ocorrências Meteorológicas: Nele serão lançadas, diariamente, as temperaturas máximas e mínimas e taxa de umidade lidas. 2. MAPAS E DIAGRAMAS Deverão ser organizados os mapas de estoques e os diagramas de temperatura máxima e mínima de acordo com as normas e modelos específicos de cada Serviço Regional de Armamento e Munição (SRAM). a. Diagramas de Temperaturas e Umidade: 1) Modelo: • Os modelos atualmente em vigor são os previsto pelo T9-1903 ressaltando-se que a legenda para a temperatura máxima é em cor preta e a para a temperatura mínima é em cor vermelha. 2) Confecção:
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -145- • Inicia-se sua confecção pela a anotação diária e a mesma hora das temperaturas máxima e mínima ocorridas nas últimas 24 horas, bem como das temperaturas dos termômetros seco e úmido do psicrômetro. • No verso do diagrama de temperatura serão registradas as providências tomadas no caso de anormalidade e os resultados delas obtidos. ANEXO E da Portaria 061 Periodicidades dos exames químicos e balísticos de explosivos, munições e artifícios MATERIAL 1ª FASE DEMAIS EXAMES OBS Cargas de projeção de munições cinco anos após fabricadas de dois em dois anos I Cargas de projeção de Rj e Mrt um ano após fabricadas cinco anos após 1º exame; após, anualmente II Dinamites trimestralmente desaconselhável a estocagem por mais de 2 anos - Altos explosivos cinco anos após fabricados de dois em dois anos III Detonadores, reforça- dores, cápsulas, acio- nadores, e espoletas dez anos após fabricados de cinco em cinco anos IV Artifícios Piro, Lac e Fumígenos cinco anos após fabricados de dois em dois anos IV Epim Hidrl, algodão pólvora e nitrocelulo- se após dois anos de fabricados semestralmente - Simulacro de granadas dois anos após fabricação anualmente V Projetis de Artilharia e canhões, petardos, Gr Mrt e Gr M com trotil após 5 anos de fabricado, por inspeção direta para ver se há exudação; caso positivo, info UU à RM de dois em dois anos. Se houver exudação informar UU à RM - OBSERVAÇÕES: I - Incluem-se nestes itens as cargas de projeção das seguintes munições: Car 7,62, Car 9mm, Car .50, Tiro 105, Tiro 155, Tiro 75, Car 5,56, Car .22, Car .30, car .38, Car 12 VELOX PB, Tiro 40, Tiro 57, Tiro 60, Tiro 75 SALVA, Tiro 90,Tiro 106. II - Incluem-se neste itens:
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -146- Car 60 CG "O", SPLMT 60, Car 81 CG "O", SPLMT 81, CAR IGN 4.2, CG PRJC 4.2, Car 120 CG "O", CG PRJC 20, RJ 2.36, RJ 3.5. III- Incluem-se neste item: cordel detonante, minas auto-explosivas, e outros elementos à base de altos explosivos (granadas 105, 106, 90, 155, 81, 60). IV - Os elementos deste item não terão exames químicos, mas apenas exames de emprego prático (balístico) no Campo de Prova de Marambaia. V - Os simulacros serão submetidos a exames práticos no Dep Reg de acordo com o Of nº 149 S/1 - Circ DAM, de 11 Ago 84. ANEXO G da Portaria 061 TABELA DE TAMANHO DE AMOSTRAS E MATERIAL AUXILIAR PARA EXAME BALÍSTICO T I P O QTDE P/ AMOST RA (1) QME MATERIAL AUXILIAR E OBSERVAÇÕES 1. Mun p/ arma portátil 20 700 2. Car .50 e .30 30 200 sendo 11 de cada tipo 3. Mun p/ Can até 178mm 5 10 4. Mun p/ obus e morteiros 12 24 sendo 6/cg min e 6 p/ cg max 5. Estopilha 12 24 12 tiros completos, s/ etphl 6. Detonador 12 24 12 tiros completos, s/ det 7. Granada 12 24 12 tiros completos, s/ gr 8. EOP 12 24 12 tiros completos, s/ EOP 9. EODE 12 24 12 tiros completos, s/ EODE 10. Gr M s/ EOT 12 24 12 EOT 11. Gr M c/ EOT 12 24 12. EOT 12 24 12 Gr M 13. Gr BC s/ Car Lçmt 12 24 12 Car Lçmt 14. Gr BC c/ Car Lçmt 12 24 15 Car Lçmt 11 200 11 Gr s/ Car Lçmt 16. Mina 6 12 17. Petardo 12 50 12 Eplt Cm e 4m Epim, ou 12 Eplt Eltr (s/ Epim) 18. Artifícios 12 100 de cada tipo ou cor 19. Cordel detonante 12m 500 Em Epim, 3 Pet AE 100g e 3 Eplt Cm nº 8 20. Estopim 10m 500 8 Eplt Cm nº 8 e 100g Plv N"A" 21. Acionadores 12 24 12 Eplt Cm nº 8 22. Acionador de retardo 12 24 4 Pet AE 100g ou 50g e 1m Crd Det 23. Acendedor de Pavio 12 24 Em Epim 24. Espoleta Elétrica 12 24 4 Pet AE 100g ou 50g e 1m Crd Det 25. Espoleta Comum 12 24 8m Epim, 4 Pet AE 100g ou 50g 1m Crd Det e 12 Acnd Frç
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -147- (1) QME - Quantidade mínima de estoque na OM para ser viável a remessa da amostra para a Prova Balística. ANEXO F da Portaria 061 TABELA DE QUANTIDADE DE MUNIÇÃO E SUA PERIODICIDADE PARA EXAME DE ESTABILIDADE QUÍMICA NOMENCLATURA PERIODICIDADE QUANT P/ QUANT MIN PADRÃO DA TABELA 1º EXAME 2º EXAME EXAME ESTOQUE (1) CAR .22 LONGO 5 anos de 2 em 2 anos 300 2500 CAR .22 CURTO 5 anos de 2 em 2 anos 525 4700 CAR 7,62 COMUM 5 anos de 2 em 2 anos 035 300 CAR 7,62 PERF 5 anos de 2 em 2 anos 035 200 CAR 7,62 TR 5 anos de 2 em 2 anos 035 200 CAR 7,62 FT 5 anos de 2 em 2 anos 060 400 CAR 7,62 LCMT 5 anos de 2 em 2 anos 035 300 CAR .32 COMPETIÇÃO 5 anos de 2 em 2 anos 250 900 CAR 9mm COMUM 5 anos de 2 em 2 anos 200 700 CAR .38 LONGO 5 anos de 2 em 2 anos 150 600 CAR .38 COMPETIÇÃO 5 anos de 2 em 2 anos 200 1200 CAR CAL 16 P/ CAÇA 5 anos de 2 em 2 anos 025 300 CAR CAL 20 P/ CAÇA 5 anos de 2 em 2 anos 025 300 CAR CAL 12 (CGD) 5 anos de 2 em 2 anos 055 300 CAR .50 COMUM 5 anos de 2 em 2 anos 010 200 CAR .50 TR 5 anos de 2 em 2 anos 010 200 CAR .50 PERF 5 anos de 2 em 2 anos 010 200 CAR .50 FT 5 anos de 2 em 2 anos 010 200 CAR .50 FUZIL APONTADOR 5 anos de 2 em 2 anos 010 200 TIR 40 ET AP/AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 40 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 40 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 40 C/ 60 AE TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 40 C/ 60 LST TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 40 C/ 70 PF AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 40 C/ 70 EXC TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 57 SR AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 57 SR AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 57 SR FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 57 SR EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 10 TIR 60 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -148- TIR 60 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 CAR 24 SUB CAL MRT 60 5 anos de 2 em 2 anos 020 200 TIR 60 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 60 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 CAR 60 CG "O" 1 ano 5 anos após 1º exame, após anualmente 020 100 SPLMT 60 1 ano 5 anos após 1º exame, após anualmente 020 300 TIR 75 AE M2 C/ ETJ M3 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 75 LST M2 C/ ETJ M3 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 75 SLV C/ ETJ M3 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 75 AE M2 C/ ETJ M6 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 75 LST M2 C/ ETJ M6 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 75 SLV C/ ETJ M6 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 81 AE (CP N) 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 81 AE (G CP) 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 81 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 CAR 24 SUB CAL MRT 81 5 anos de 2 em 2 anos 020 200 TIR 81 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 81 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 CAR 81 CG "O" 1 ano 5 anos após 1º exame, após anualmente 010 100 SPLMT 81 1 ano 5 anos após 1º exame, após anualmente 010 100 TIR 90 OCC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 90 AE AC TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 90 OE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 90 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 90 OSCC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 90 SLV 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 90 AE TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 90 EXC AE AC TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 90 FUM TR 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 105 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 GR 105 AE (C/ CG PRJC) 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 105 FUM WP 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 105 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -149- TIR 105 SLV (C/ ETJ M3) 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 105 SLV (C/ ETJ M1) (OTO MELARA) 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 106 SR AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 CAR 24 SUB CAL MRT 4.2 5 anos de 2 em 2 anos 020 200 TIR 4.2 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 4.2 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 4.2 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 CAR 24 SUB CAL MRT 120 5 anos de 2 em 2 anos 020 200 TIR 120 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 155 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 GR 155 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 155 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 TIR 155 ILM 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 CG PRJC 155 1 ano 5 anos após 1º exame, após anualmente 005 10 GR BC AE AP 5 anos Insp Dir de 2 em 2 anos 003 10 GR BC AE AC 5 anos Insp Dir de 2 em 2 anos 003 20 GR BC INC 5 anos Insp Dir de 2 em 2 anos 003 10 GR M DEF M4 (C/ EOT M 14) 5 anos Insp Dir de 2 em 2 anos 003 10 GR M DEF/OFS M3 (S/ EPLT) 5 anos Insp Dir de 2 em 2 anos 003 10 GR M OFS 5 anos Insp Dir de 2 em 2 anos 003 10 SIMULACRO DE GRANADA 2 anos/ Insp Dir Anualmente 005 10 RJ 2.36 AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 RJ 2.36 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 RJ 2.36 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 RJ 3.5 AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 RJ 3.5 EXC 5 anos de 2 em 2 anos 001 05 RJ 3.5 FUM 5 anos de 2 em 2 anos 001 02 RJ 3.5 AE 5 anos de 2 em 2 anos 001 02 MIN AE AP 5 anos de 2 em 2 anos 005 20 MIN AE AC 5 anos de 2 em 2 anos 005 10 ART 303 ESTLA (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 ART 304 ESTLA (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -150- ART 305 (COLC) (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 ART 305 FACHO (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 ART 313 BLM (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 ART 314 (COLC) (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 ART 314 ESTLA (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 ART 314 FUM (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 ART 314 SIN PQD (2) 5 anos de 2 em 2 anos 001 03 LAMA EXPLOSIVA Trimestral Trimestral 200 Gr 1000gr EXPLOSIVO PLÁSTICO 5 anos de 2 em 2 anos 200 Gr 1000gr COMPOSTO C-3 5 anos de 2 em 2 anos 200 Gr 1000gr COMPOSTO C-4 5 anos de 2 em 2 anos 200 Gr 1000gr POLVORA DE MINA 5 anos de 2 em 2 anos 200 Gr 1000gr ESTOPIM COMUM 5 anos de 2 em 2 anos 100 m 500 m ESTOPIM HIDRL 2 anos Semestral 100 m 500 m EPLT CM NR 8 (2) 10 anos De 5 em 5 anos 005 10 ACIONADOR DE 10 anos de 5 em 5 anos 005 10 PET 50 g 5 anos / Insp Dir de 2 em 2 anos 004 40 PET 100 g 5 anos/ Insp Dir de 2 em 2 anos 002 40 PET 250 g 5 anos / Insp Dir de 2 em 2 anos 001 25 PET 500 g 5 anos/ Insp Dir de 2 em 2 anos 001 25 PET 1000 g 5 anos / Insp Dir de 2 em 2 anos 001 15 PET 5000 g 5 anos / Insp Dir de 2 em 2 anos 001 10 PET 10000 g 5 anos / Insp Dir de 2 em 2 anos 001 05 PET 20000 g 5 anos / Insp Dir de 2 em 2 anos 001 05 DET M1A1 (2) 10 anos de 5 em 5 anos 005 10 DET M2A1 (2) 10 anos de 5 em 5 anos 005 10 Cordel Detonante 5 anos de 2 em 2 anos 100 500 OBSERVAÇÃO: (1) A amostra será remetida ao Laboratório Químico Regional, se a quantidade de munição existente na OM for maior ou igual a quantidade mínima de estoque (QME). (2) Realizam apenas exames de emprego prático (balistica) no C Pr M
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -151- ANEXO I da Portaria 061 TABELA DE TIRO TÉCNICO ARMAMENTO MUNIÇÃO CLASSI FICAÇ ÃO TIRO P/ ARMA Fz 7,62 M964/FAL- Car 7,62mm M1 3 7 Fz 7,62 M964/PARAFAL -Fz 7,62 M964/FAP Mtr 7,62 MADSEN 1 30 Mtr 7,62 MAG (02 canos) Mq 7,62 2 5 Fz 5,56mm Car 5,56mm - Comum 2 5 Mrt M9 M972 BERETTA Car 9mm M1 3 7 Pst 9mm 2 5 Mrt 50 (02 canos) Car 50 M2 3 7 Fz Ap 50 Car 50 Tr - M48 A2 - USA (Car. 50 Fz Apnt) 4 10 Can 57 SR AC/ Can 84AC 57mm - TIR TP M306 (c/EOP M503 A1) - Inerte preferencialmente ou Tir 57 SR HEAT M307 A1/ Tir 84 HE 441-B (Tir 84 AE) 2 5 Can 106 SR 106mm - Tir 106 SR Exc M1 - USA - Inerte Preferencialmente ou Tir 106 AAE AC 2 5 Obus 105mm AR Tir 105AE 2 5 Obus 155mm Tir 155AE 2 5 Obus 105 M 118 Light Gun Tir 105 AE - Light Gun 2 5 Mrt 60mm Tir 60 Exc 2 5 Mrt 81mm Tir 81 Exc 2 5 Mrt 81mm L16 A2 Tir 81 L16 A2 Exc 2 5 Mrt 4.2mm Tir 4.2 AE 2 5 Mrt 120mm- Mrt 120mm (Brasil) Tir 120 AE 2 5 Can 40mm Au AAe Tir 40 C/ 60 Exc Tr M1 ou Tir 40 C/60 Lst Tr ou Tir 40 Exc ou Tir 40 C/60 AE 3 7 Can 35 AAe Tir 35 Exc Tr ou Tir 35 AE 1 30 FAC 4.5 4.5mm -, Chumbinho 4.5 2 5 Can 90 CC Tir 90 Exc AC Tr 2 5
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -152- CLASSIFICAÇÃO ARMAMENTO LEVE AQUECIMENT O PROVA TOTAL 1. Armas que fazem apenas o tiro automático 1 rajada (5 tiros por cano) 2 rajadas (5 tiros por cano) 30 tiros 2. Armas que fazem apenas o tiro de repetição 2 tiros 3 tiros 5 tiros 3. Armas que fazem ambos os tipos de tiro 2 tiros 2 tiros de repetição 1 rajada de 3 tiros 7 tiros por arma 4. Requer 10 (dez) tiros, usados para o tiro técnico com o Fz Apontador e para ajustar o tiro do Can SR.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -153- NOTA DE AULA CAPÍTULO I GENERALIDADES SOBRE MÍSSEIS 1. IMPORTÂNCIA: A guerra moderna tem solicitado do homem uma gama de conhecimentos técnicos até então nunca exigidos; longe de nós está o tempo em que os chefes militares procuravam o combate para nele mostrar, pessoalmente, quem era o mais forte. A medida que a humanidade foi evoluindo, os meios de combater também o foram; assim, vimos o aparecimento das primeiras armas de fogo em substituição às armas brancas até então usadas. Não paramos aí entretanto, e outros passos, ora lentos ora mais rápidos, foram sendo dados até que surgiram os mísseis. Os mísseis desempenham um papel importantíssimo no mundo moderno, tanto no campo da ciência como no campo militar. Na ciência, são eles que possibilitam a colocação em órbitas dos satélites artificiais que por ai circulam, ajudando os cientistas a realizarem suas pesquisas fora da atmosfera terrestre e permitindo ao homem empreender a sua tão sonhada conquista do espaço. No campo militar, os mísseis são empregados como arma de guerra, poderosíssima, capaz de levar a destruição as mais longínquas partes do mundo e no menor tempo possível. Para a artilharia antiaérea, particularmente, representa o próprio futuro pois, com as velocidades e alturas atingidas pelo avião, já não é mais possível enfrentar-se a ameaça apenas com canhões, tornando-se assim forçoso o emprego dos mísseis. 2. HISTÓRICO: 2.1- Primórdios: Embora o princípio do jato já seja conhecido há mais de 2000 anos, somente nas últimas três décadas os estudos em bases científicas deste assunto vem se desenvolvendo. Ao longo da história encontramos época em que é dada ênfase a estes estudos e logo após caem no esquecimento para serem revividos anos após em locais diferentes. A primeira informação da utilização do princípio da reação é imprecisa e vaga. Trata-se do pássaro de Archytas, cerca de 360 AC. Era um pássaro de madeira, preso em um cordel que voava utilizando jatos de vapor ou ar comprimido. Outra informação, esta mais completa, sobre a pré-história do uso da reação, é o engenho denominado Aeolípilo. Cerca de 53 AC, Heron, filósofo de Alexandria, projetou e construiu um equipamento, que aproveitando-se do vapor produzia movimento. Constitui-se de um recipiente fechado, apoiado sobre um tripé, no qual era colocado água; da tampa saíam dois tubos ocos que ligavam também a uma esfera oca. Nesta esfera duas hastes ocas, com ângulos de 90 graus e diametralmente opostas, permitiam o escapamento do vapor, quando a água do recipiente é
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -154- aquecida, produzindo um movimento de rotação. Este invento não teve maior repercussão, pois na ocasião o trabalho escravo era abundante. A primeira informação da utilização da reação em armas de guerra data de 1232 DC, na luta entre chineses e Tártaros, na batalha de Ru-pier. O relato conta que os chineses defenderam a cidade com flechas de fogo voadoras. Eram flechas comuns às quais eram atados foguetes. Os árabes, entre 1250 e 1280, encarregam-se de levar do Oriente para o Ocidente a invenção dos chineses. No século seguinte, os foguetes eram empregados não só para levar as tropas como para atear fogo em construções, como aconteceu em 1379 em MESTRE e CHIAZZA, na Itália. Em um relato militar alemão de 1405, diversos tipos de foguetes são mencionados. Provavelmente o mais imaginativo e prático utilizado na época foi inventado pelo italiano chamado JOANE DE FONTANA por volta de 1405. Era um carro foguete que deve ter sido utilizado como arma de efeito psicológico, para assustar o inimigo e não há nem mesmo indicação de que ele tenha sido empregado. Na França o uso de foguetes voadores para incendiar as cidades sitiadas, teve ênfase no fim do século XV. O Conde Dunois utilizou-os no sitio de Pont Audemer, em 1449. O grande mestre da artilharia, Bureal, empregou-o no sitio de Bordêus em 1459, e o Duque de Borgonha, contra a cidade de Grand em 1453. A partir deste período a utilização de foguetes como armas de guerra entrou em declínio não só pelo desenvolvimento cada vez maior do canhão o das armas portáteis, como também pela falta de resistência dos materiais disponíveis na época, que não permitiam a construção de um invólucro suficientemente resistente , que suportasse um maior carregamento de pólvora negra, fato que originava arrebentamentos prematuros, quando se pretendia obter maiores alcances aumentado a quantidade de pólvora. O estudo da reação voltou a ter desenvolvimento somente no século XVII quando se obteve melhor compreensão dos seus princípios, em bases científicas. Sir Isac Newton (1642 – 1727) estabeleceu a relação entre a força e o movimento nas suas 3 famosas “leis”. 2.2. O século XIX: Durante a ultima metade do século XVIII, a Índia desenvolveu foguetes para fins militares e possuía, na organização do seu exército um Corpo de Foguetes. Estas armas foram tão bem empregadas pelo príncipe Hyler Ali em várias batalhas entre 1780 e 1799, que estimulou o General Deoguliers a fazer numerosas experiências procurando desenvolver um foguete militar. O sucesso só foi obtido no entanto em 1801 por outro inglês, Willion Congreve, que apoiou suas experiências do Dosoguliers. O foguete tipo Congreve, possuía as versões de 8, 12, 32 e 42 libras e com vários orifícios de ejeção, em torno de uma vareta de estabilização axial. Tais foguetes cujos alcances atigem 2.500m, foram empregados em 1804 contra Copenhague, onde um bombardeio de 40.000 foguetes destruiu a cidade e obrigou a frota dinamarquesa a capitular. Este tipo de foguete foi também utilizados pelos ingleses na guerra da independência dos Estados Unidos e na guerra de 1812. Na França os estudos dos foguetes militares foi retomado em 1810 pela comissão vincomon e foguetes de duas libras foram lançados durante a expedição à Argélia. Os estudos e experiências prosseguiram o já em 1855 no sítio de sabestopol os franceses lançaram foguetes cujo o alcance era de 7000, superando aos das bocas do fogo sem raiamento da época. Até então o processo empregado para estabilizar o foguete durante a trajetória hora uma haste colocada na sua parte posterior. Em 1846, Wiian Hale, um americano, conseguiu obter estabilização colocando atrás dos foguetes 3 defletores que eram batidos pelos gases ejetados e davam aos engenhos uma certa estabilidade pelo efeito giroscópico (rotação).
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -155- “Durante a guerra do Paraguai”, as “cocheteras Paraguayas” foram notavelmente eficazes, especialmente contra a cavalaria. Na captura de yatayticora (1866) e no assalto a curupaity, em Setembro do mesmo ano, os foguetes foram largamente empregados” ( Ten Cel Welt Durães Ribeiro). 2.3. O século XX: Durante a primeira Guerra Mundial ( 1914-1918) os alemães usaram-nos para destruir redes de arames farpados francesas, e estes, laçaram-se contra aviões e contra balões cativos alemães. HUTCHINGS GODARD, notável americano, ex-professor de física da CLARK UNIVERSITY, formulou a base da engenharia dos mísseis. GODARD estudou os propelentes líquidos com o romeno HERMANN OBERTH (1924). Durante o ano de 1933 várias provas foram realizadas pelo Doutor DORNBERGER e, em conseqüência, apareceram os NEBELWRFER propulsados a pólvora, e o A-4 ou V-2 do Dr WERNER VON BRAUN, um dos membros da SOCIEDADE DE FOGUETES DA ALEMANHA. Em 1936, resolveu a Alemanha realizar um grande programa sobre mísseis dirigidos e gastou inicialmente 100.000 marcos no Projeto PEENEMUNDE. Contrastando com o atual estupendo desenvolvimento dos antiaéreos, até o final da II grande guerra mundial, só os mísseis superfície-superfície se desenvolveram. No período compreendido entre 1942 e 1945 os alemães possuíam 77 tipos de foguetes e bombas voadoras, tais como a V 1 , subsônica a V-2 ou V-4, subsônica, o WASSSERFALL, antiaéreo, o RHEIBOTE, de múltiplos estágios e muitos outros, de um modo geral todos os mísseis americanos, russos ou de qualquer outra nacionalidade, baseiam-se nos trabalhos alemães realizados a partir de 1939. À decepcionou até certo ponto aos alemães, não obstante os lançamentos feitos contra a capital da Inglaterra, em junho de 1944 atingiu a casa dos 9250 os lançamentos feitos sobre Londres, e contra os outros alvos na Europa a casa dos 6550. Com a captura do porto de Antuérpia pelo I exército Canadense, os alemães decidiram o emprego das famosas bombas voadoras. Foram feitas 3 séries de ataques, em Outubro e Novembro de 1944, sendo o último em Janeiro de 1945. Nada menos de 2394 impactos foram conseguidos, sendo de 90% a percentagem de acerto. O A-4, arma de desforra, ou V-2 VERGELTUNGSWAFFEZWEIS foi experimentado em Junho de 1942. Em Outubro já assombra o mundo pela altitude alcançada e em Janeiro de 1945 atingiram uma velocidade máxima de 4 MAÇH. As estatísticas dizem que foram conseguidos 517 impactos em Londres. Na Inglaterra, as experiências sobre mísseis dirigidos iniciaram-se dois anos antes do início da II Guerra Mundial e, nos Estados Unidos, só depois de começada. Aos russos devemos atribuir o pioneirismo no campo dos foguetes anti-tanques lançados de avião ou empregados em barragens preparatórias de um assalto. Os japoneses usaram esta arma em defesa de suas ilhas. Terminada a guerra, um fato fora do comum aconteceu; aumentou a corrida armamentista e os programas de desenvolvimento de mísseis tiveram primazia em todas as nações ricas do mundo, não só como meio de autoconservação, como também por compreenderem os homens que a tão sonhada conquista do espaço só seria possível pela utilização dos engenhos movidos a reação. 3. DEFINIÇÕES: Mísseis – Engenho auto propulsado e não tripulado que se desloca acima da superfície terrestre. Míssil Dirigido – Míssil cuja trajetória pode ser modificada, após seu lançamento, por um mecanismo existente no interior do mesmo.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -156- Míssil de Vôo Livre - Míssil cuja trajetória não pode ser modificada após o lançamento, pois não tem sistema de direção ou parte deste em seu interior. Descreve uma trajetória balística. Mach – É a relação entre a velocidade de um corpo deslocando-se num determinado meio e a velocidade do som nesse meio. Propulsão a Foguete – É aquela na qual o míssil carrega o combustível e o comburente e, o que garante o funcionamento do motor, sem tomadas de ar. Propulsão a Jato - É aquela na qual o míssil carrega apenas o combustível, dependendo do atmosférico para completar a combustão do motor. 4. CLASSIFICAÇÃO: 4.1. Quanto ao emprego: Várias são as maneiras de se classificar os mísseis bastando que se leva em consideração qualquer um dos seguintes fatores, velocidade, emprego, alcance, sistema de propulsão, etc. Uma das classificações mais importante é aquela em que se leva em conta o emprego tático e estratégico. Segundo este fator, os mísseis são classificados do seguinte modo: Superfície-Superfície (MSS) Superfície-Ar (MAS) Superfície-Submarino (MS SUB) Ar-Ar (MAA ) Ar-Superfície (MAS) Ar-Submarino (MA SUB) Submarino-Superfície (M SUB S) Submarino-Ar (M SUB A) Dentre essas categorias, uma delas, Superfície-Ar, constitui a moderna AAAé, e podemos dividi-la, de acordo com as suas possibilidades, em mísseis: De baixa altura: - ( Teto de 3 Km) De média altura: - ( Teto de 12 Km) De grande altura: - ( Teto superior a 12 Km) Anti-mísseis: - (Atuam contra outros mísseis) 4.2. Quanto à dirigibilidade: Míssil balístico - Cuja trajetória, após o término do seu propelente, é acondicionada principalmente pela velocidade restante no momento em que cessa a sua força de propulsão e pela força de gravidade. Míssil livre - É o míssil cuja trajetória não pode ser modificada após o lançamento, pois não tem sistema de direção ou parte deste em seu interior. Míssil dirigido – É aquele que quando em vôo, sua trajetória esta sujeita a correções ou alterações.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -157- 4.3. Quanto à trajetória: Mergulhante – É a trajetória que se verifica dentro da estratosfera isto é, abaixo de 30 quilômetros de altitude, em que o míssil se mantém dentro da parte mais densa da atmosfera. Emergente - É a trajetória que vai acima da estratosfera, ultrapassando portanto os 30 quilômetros de altitude. 4.4. Quanto ao alcance: Curto alcance - Alcance inferior a 450 Km. Médio alcance - Alcance entre 450 e 2300 Km. Alcance intermediário - Alcance entre 2300 e 5.000 Km Alcance intercontinental – Alcance entre 5.000 e 15.000 Km. Alcance global - Alcance superior a 15.000 Km 4.5. Quanto à velocidade: Subsônico - Velocidade inferior a 1 March Transônico – Velocidade entre 0,8 e 1,2 March Supersônico – Velocidade superior a 1 March Ultrasônico – Velocidade entre 1 March e 5 March Hipersônico - Velocidade superior a 5 March 5. CONCLUSÃO: Há inúmeros outras classificações que podem ser dadas aos mísseis. As enumeradas acima são no entanto suficientes para a compreensão dos capítulos seguintes. São também classificações importantes aquelas que se referem a propulsão, lançamento, ogiva e direção, porém deixam de aqui ser estudadas em virtudes destes assuntos serem abordados, nos capítulos seguintes em maiores detalhes. CAPÍTULO II SISTEMAS COMPONENTES 1. GENERALIDADE Apesar da imensa variedade de tipos de mísseis, de um modo geral, todos são constituídos pelos seguintes elementos: Estrutura Ogiva Sistema de direção Sistema de estabilização Sistema de propulsão Sistema elétrico
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -158- Todos os elementos citados acima estão presente no míssil, porém para que este possa ser lançado há necessidade de um equipamento, que lhe forneça os elementos necessários, nos momentos que precedem ao início do seu deslocamento e no princípio de sua trajetória. Estes elementos são fornecidos pelo sistema de lançamento. 1.1 ESTRUTURA: Estrutura é o invólucro do míssil e pode se apresentar com superfície aerodinâmica ou não, dependendo apenas de se tratar de um míssil dirigido ou de vôo livre. Fig 01 Na estrutura podemos distinguir as seguintes partes: Cone – invólucro protetor situado na parte anterior do míssil, que reduz ao mínimo a resistência ao avanço, e possibilita a reentrada na atmosfera. Corpo - parte intermediária do míssil, geralmente de forma cilíndrica que pode abranger um ou mais estágios e que pode alojar partes dos diferentes sistema que compõem o míssil. Cauda – parte posterior do míssil, comumente de forma troncocônica , onde se fixam as empenagens e que normalmente aloja o sistema de propulsão. No caso dos mísseis com asa (avião sem piloto) a empenagem dispõe de superfícies externas de controle denominada lemes. Asas – Superfície aerodinâmicas estabilizadoras, fixadas ao corpo do míssil, que podem ou não possuir superfícies externas de controle, as quais são denominadas “ailerons”. 1.2 OGIVA: É a parte que fica situada na parte anterior do míssil, protegida pelo cone, e que, de acordo com seu conteúdo, o caracteriza. Na ogiva encontram-se os seguintes elementos: Carga – conteúdo da ogiva destinado a provocar danos ao inimigo, pelos seus efeitos. Pode ser um dos seguintes tipos: alto explosivo, química, bacteriológica e nuclear. Espoleta – dispositivo destinado a colocar em funcionamento a carga. Pode ser de um dos seguintes tipos: Percussão: Aquele que funciona por inércia conseqüente do impacto podendo ser instantâneo ou de retardo. Tempo: Aquela que funciona por meio de um mecanismo de relojoaria previamente ajustado. Influência: Aquela que funcionada quando acionada por alguma característica do alvo. Pode ser eletromagnética, magnética, acústica, eletrostática, etc. Ambiente: Aquela que funciona atuada por alguma característica de ambiente ao redor do alvo. É o caso das barométricas. Controlada: Aquela que funciona atuada por um sinal enviado por um comando a distância. Pode ser controlada a rádio ou a radar. Mista: Resultante da combinação de dois ou mais tipos citados anteriormente. Mecanismo de armar e de segurança - destina-se a armar a espoleta no momento oportuno, impedindo sua ação prematura sobre a carga. Normalmente, nos mísseis superfície-ar, existe
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -159- um dispositivo que permite a autodestruição do engenho, quando este não encontra o alvo, não permitindo assim que o mesmo venha cair sobre cidades ,instalações ou tropas amigas. 1.3. SITEMA DE ESTABILIZAÇÃO: O sistema de estabilização é constituído por um conjunto de dispositivos, os quais permitem ao míssil Ter um deslocamento estável na trajetória, pela redução das oscilações em torno de seus eixos. Esta estabilização é conseguida por várias maneiras: Pela rotação do míssil em torno do seu eixo longitudinal: por meio de jatos laterais ou de outros dispositivos. Pelo acréscimo de superfícies a cauda, ou sejam , aletas. Pela manobra de superfícies aerodinâmicas: comandadas por dispositivos internos, geralmente giroscópios. 1.4. SITEMA DE DIREÇÃO: a. Generalidades: Um míssil, durante o seu deslocamento na trajetória, fica sujeito a uma enorme variedade de forças, as quais produzem efeitos capazes de tira-lo da trajetória correta. Dentre estes, são os mais importantes: Efeito de arfar – segundo o eixo de arfar, caracteriza pela tendência que tem o míssil em abaixar e levantar o nariz ( movimento semelhante ao de um barco levantando e baixando a proa com o movimento das ondas). Efeito de rolar – segundo o eixo de rolar, caracteriza-se pela tendência do míssil em girar ao longo do seu eixo longitudinal. Efeito de guinar – segundo eixo de guinar, caracteriza-se pela tendência que tem o míssil em desviar o cone lateralmente. O sistema de direção é constituído por um conjunto de dispositivos destinados a controlar a trajetória do míssil, bem como a sua altitude. Para tal fim, existem dois controles distintos: Controle de rumo - exercido com a finalidade de manter o míssil sempre na direção desejada e faze-lo chegar ao alcance que se desejar, percorrendo a trajetória numa determinada altitude. Daí surgem os seguintes controles: Controle de alcance Controle de altitude Controle lateral Um sistema de controle de rumo é constituído, geralmente por um determinador de rotas, que serve para acompanha a rota seguida com a desejada; um computador, que calcula o sinal necessário e envia ao controlador, o Qual vai acionar as superfícies de controle, os jatos auxiliares ou, produzir deflexões do empuxo, de modo a colocar o engenho no rumo certo. Alguns mísseis ainda possuem altímetros, odômetros, acelerômetros, etc. Controle de estabilidade – exercido com a finalidade de anular os efeitos de arfar, rolar e guinar. Isto é conseguido com o emprego de pêndulos ou giroscópios , os quais medem os desvios em relação aos eixos, transformando-os em sinais elétricos de erro, os quais servirão para acionar os mecanismos servos que colocarão em funcionamento as superfícies aerodinâmicas que por acaso existe no corpo do míssil. Este controle de estabilidade pode ser conseguidos por processos distintos: Processo de pêndulos – de pouco emprego pela sua imprecisão, principalmente quando as acelerações não são constantes, como é freqüente acontecer. Processo dos giroscópios – o mais utilizado por independer das variações de aceleração. Este processo apresenta como desvantagem o peso do equipamento e o suprimento de energia necessário em alguns casos para acionar a massa dos giros.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -160- b. Tipos de sistema de direção: Vários são os tipos de SISTEMA DE DIREÇÃO empregados nos mísseis. Os mais conhecidos são os seguintes: Ajustagem prévia Referência terrestre Rádio-navegação Navegação astronômica Inercial Direção comandada Seguidor de facho Atração ativa Atração Semi-ativa Atração passiva Ajustagem Prévia: Neste tipo de sistema de direção, a trajetória do míssil é determinada previamente, por meio de elementos introduzidos na aparelhagem de controle, utilizando-se mecanismo de relojoaria, odômetro, acelerômetros, altímetros, etc. A V –1 alemã utilizou-se deste tipo de Direção empregando bússolas (para determinação de direção), altímetros ou barômetros (para determinação de altitude) e odômetros (para determinação do alcance). Após o disparo, nenhum ajuste na trajetória poderá ser feito. Este tipo de sistema é rústico, simples e de custo relativamente barato. Vantagens – Funcionamento simples, pouco vulnerável às contra-medidas inimigas. Desvantagens – Pouca precisão, somente pode ser empregado contra alvos fixos. Referência Terrestre: Neste tipo, o míssil se vale de alguns fenômenos relacionados com os campos gravitacionais, elétricos e magnéticos da terra. Assim, as mudanças de pressão atmosférica são usadas para determinar a altitude; os campos magnéticos existem em torno da terra ou os acidentes geográficos mostrados numa tela de radar servem para determinar a direção. O emprego de acidentes geográficos como guia para direção do míssil basea-se na comparação entre dois filmes, um obtido pela filmagem direta( ou indireta, pelo panorama da tela do radar) dos acidentes do terreno por o míssil deverá passar, o qual é colocado no interior do míssil; outro, obtido pela filmagem por instrumentos colocados a bordo do míssil, durante o seu deslocamento na trajetória. Depois de comparados(internamente no míssil), se houver divergência entre os filmes, serão gerados sinais de erros que irão acionar os controles e recolocar o míssil na trajetória correta. Vantagens – Alcance operacional ilimitado, no que diz respeito a direção, precisão muito boa e relativamente invulnerável às contramedidas eletrônica. Desvantagens – É de aplicação limitada, pela dificuldade de obtenção dos dados de trajetória. e ineficaz contra alvos móveis. Rádio-Navegação: Este sistema, também conhecido pelos nomes de NAVEGAÇÃO ELETRÔNICA ou LINHA BASE, determina a posição do míssil, a bordo utilizando-se de sinais de rádio omitidos por duas ou mais estações transmissoras, em terra situada ao longo da trajetória desejada. A posição presente obtida pela comparação do tempo de retardo entre os sinais recebidos pelo míssil de duas estações em terra. As estações são atividades, simultaneamente, pelo disparo de um transmissor de bordo, enviando então seus sinais de resposta. Este tempo de retardo
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -161- representa distância, pois, assim, o míssil conhece sua localidade em relação a dois pontos fixos na sua trajetória e como ele também conhece a posição do alvo em relação a esses dois pontos fixos, seu computador possui dados suficientes para determinar uma rota precisa, até o alvo. Surgindo algum erro de posição, controles a bordo recolocarão o míssil na trajetória desejada. Vantagens – Boa precisão, bom alcance(função do alcance das estações transmissoras de terra) Desvantagens – ineficaz contra alvos móveis e requer equipamento dispendioso para operação. Navegação Astronômica: Para alcances muito grande, um sistema de telescópios, um cronômetro e tabelas ou mapas estrelares podem ser usadas como sistema de direção. Tal sistema é semelhante ao utilizado normalmente em aeronaves ou a bordos de navios, por navegadores humanos, contudo é possível construir equipamentos automáticos para fazer o mesmo trabalho. Em linhas gerais este sistema funciona determinando a posição aparente dos corpos celestes, em relação a pontos da superfície terrestre, em um determinado instante, por meio de um giro compasso obtendo informações de coordenadas destes corpos. O sistema pode medir a posição presente do míssil e computar, um novo curso até o alvo, comparando seu curso com dados conhecidos. Os mísseis que empregam este tipo de sistema de direção são munidos de instrumentos que referenciam o centro da terra, telescópio para acompanhamento automático de determinados corpos celestes e medidas de ângulos e computadores que recebem os dados e os interpretam, estabelecendo o curso do míssil em relação a superfície da terra e enviando correções para os controles, que irão recolocar o engenho na trajetória desejada. Inercial: Neste tipo, o míssil pode corrigir automaticamente sua própria trajetória, depois do lançamento, por meio de dispositivos especiais, existente no seu interior. O míssil utiliza mudanças de aceleração em várias direções para computar e corrigir o seu curso. O sistema é constituído por plataformas estabilizadoras , a base de giroscópios ultra- sensíveis, que servem de referência durante o vôo, acelerômetro de dupla integração, que medem os menores desvios sofridos pelo míssil em relação a trajetória desejada (detectam mudanças nas acelerações dos eixos lateral, vertical e longitudinal do míssil) e corretores de direção, que servem para eliminar os erros e fazer o míssil voltar automaticamente a trajetória correta. Vantagens – Todos os componentes estão a bordo do míssil. Invulnerável as contramedidas inimigas. Desvantagens – Inconveniente para alvos móveis ou de pequenas dimensões. A precisão é função do alcance e do tempo de vôo. Direção Comandada: Neste tipo, uma série de radares e computador, situados em terra, foram o equipamento básico para guiar o míssil. Dados sobre as posições presentes do alvo e do míssil são introduzidos no computador, que os utiliza para determinar um ponto de interceptação e dirigir o míssil para este ponto. De um modo geral, tal sistema só pode resolver um problema de cada vez, isto é, somente é capaz de engajar um alvo, até a sua destruição, para, então, poder engajar outro qualquer. Para o perfeito funcionamento deste sistema, são necessários os seguintes equipamentos: Radar de Busca (RB) Radar de Acompanhamento do Alvo (RAA) Radar de Acompanhamento do Míssil (RAM) Computador O sistema de direção comandada funciona da seguinte forma:
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -162- O alvo é inicialmente detectado pelo RB, que determina seu alcance, azimute e altura. Estes dados são enviados ao computador que os remete para o RAA, orientando-o na apreensão do alvo. Assim que o RAA apreende o objetivo, começa a enviar dados sobre a posição presente do alvo, a cada instante, para o computador. O RAM já está orientado para um míssil a ser disparado, enviando constantemente ao computador dados sobre a posição deste míssil. O computador que possui os dados sobre a posição presente do alvo e do míssil passa então a calcular um ponto de interceptação futuro. Quando este ponto de interceptação está dentro do alcance do sistema, o computador envia o comando de disparo para o míssil, que passa a ser automaticamente acompanhado em sua trajetória pelo RAM, enviando este ao computador, constantemente, dados sobre a posição presente do míssil, a cada instante. O computador estará por tanto recebendo , a cada instante, dados sobre a posição presente do alvo e do míssil e estará continuamente calculando dados sobre o ponto de interceptação futuro, que se deslocará sempre a frente da trajetória seguida pelo alvo. Ainda por intermédio do RAM, o computador envia comandos que irão orientar o míssil para o ponto de interceptação. No momento apropriado o computador envia o comando de arrebentamento para o míssil ainda por intermédio do RAM. Este tipo de sistema é utilizado pelos mísseis da família “NIKE”. Vantagens – O complexo equipamento de direção do míssil permanece no solo e, assim, pode ser utilizado muitas e muitas vezes. Desvantagens – Vulnerável as contramedidas eletrônicas inimigas. Só pode lançar e acompanhar um míssil de cada vez contra um único alvo. Seguidor de Facho: Os mísseis que utilizam este tipo de sistema são lançados dentro de um feixe de radiações emitidas por um radar localizado em uma estação de controle, em terra. O radar está constantemente acompanhando o alvo. As antenas situadas no míssil detectam as diferenças de intensidade, fazendo com que ele procure a zona que contém a maior quantidade de energia, isto é, o míssil é dirigido ao longo do eixo do facho do radar, o qual se mantém continuamente apontado para o alvo. Os lançadores são continuamente em elevação e azimute pelo radar acompanhador do alvo, a cada instante, enquanto durar o acompanhamento, o que possibilita o lançamento simultâneo de vários mísseis contra o mesmo alvo. É adequado aos mísseis S-A usados pela marinha, em virtude do equipamento necessário ser relativamente reduzido. Sistema de Direção Tipo Seguidor de Facho: Observa-se que, por construção, a trajetória seguida pelo míssil é instável. Um método de superar esta trajetória deficiente é utilizar um segundo radar, para o míssil, e um computador, para o calculo de ponto de interceptação futuro. O computador aponta o radar do míssil e os lançadores para o ponto de interceptação futuro, enquanto o outro radar acompanha o alvo e constantemente envia informações deste para o computador. Esta variação do sistema seguidor de facho é chamado DUPLO SEGUIDOR DE FACHO e serve para melhorar a precisão anterior. Vantagens – Permite o lançamento simultâneo de vários mísseis contra um mesmo alvo. Após o míssil haver entrado no feixe do radar, não necessita de qualquer outro comando. Desvantagens – É difícil a colocação do míssil no feixe do radar. Exige que o míssil tenha muita estabilidade na trajetória. A precisão diminui com o alcance. A curvatura da terra determina o limite do emprego. É ineficaz para alvos a baixa altura. Por Atração:
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -163- Este tipo de sistema de direção é também conhecido pelo nome de BUSCA AUTOMÁTICA, e os mísseis que o adotam procuram os alvos, atraídos por uma de suas características físicas, como, por exemplo: Emissão ou reflexão de luz Emissão ou reflexão de calor Irradiação infravermelhas Emissão ou reflexão de feixe de radar Capacitância Magnetismo,etc Este tipo de sistema apronta 3 variantes. Atração Ativa: Neste tipo, o míssil contém um equipamento que transmite energia, sinais de rádio, radar calor, luz e ondas de som sobre o alvo, este equipamento é chamado ILUMINADOR, também a bordo do míssil esta um receptor, que capta a energia refletida pelo alvo, a qual irá acionar os sistemas de direção do próprio míssil, que se orientará, então para a zona de maior intensidade de energia refletida pelo alvo, interceptando-o. Vantagens – Bastante preciso nas proximidades do alvo. Desvantagens – Sobrecarga do instrumento. Custo excessivo. Sujeito a interferência eletrônica inimiga. Atração Semi-Ativa: Este sistema é semelhante ao anterior excetuando-se o fato de que o iluminador não está idealizado no míssil, e sim em algum ponto fora dele, isto é no solo ou a bordo de aviões maternos (para os mísseis Ar-Ar). Os sinais, refletindo-os nos alvos, serão capitados pelo receptor a bordo do míssil e a orientação sobre o alvo. É o tipo encontrado nos mísseis "FALCON" e "HAWK". Vantagens - Ótima precisão. Desvantagens - Requer instrumentos em terra ou a bordo de um avião. Pode sofrer interferência eletrônica inimiga. Atração Passiva: A maioria dos alvos emite alguma forma de energia como o calor de uma turbina a jato; portanto, se o receptor a bordo do míssil for bastante sensível esta energia pode ser aproveitada para orientar o engenho sobre o alvo, isto é , o míssil é dirigido por emanações características do próprio alvo, tais como som, calor descarga elétrica emanações infravermelho, etc. Vantagens - Grande precisão, não sofre interferência do inimigo. Desvantagens - Pequeno alcance, não se presta para utilização contra qualquer alvo. c. Conclusão: Nos sistema de direção básicos utilizados pelos mísseis S-S executando-se os AC, observa-se que todos implicam em uma trajetória razoavelmente fixa e um alvo estacionário. Para mísseis de defesa aérea, entretanto a natureza do alvo exige que estejamos aptos a atingir objetivos que podem esta a altitudes elevadas ou extremamente baixas e com grande capacidade de manobra. Os mísseis dirigidos permitem levar maior destruição a maiores distâncias do que seria possível obter com as convencionais. Na defesa aérea, a possibilidade de dirigir um míssil em sua trajetória, junto com sua tremenda velocidade, permitem atacar com sucesso qualquer novo tipo de aeronave ou mesmo míssil inimigo.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -164- 1.5. SISTEMA DE PROPULSÃO DOS MÍSSEIS: a. Generalidades: É um dos sistemas componentes do míssil, destina-se a fornecer a energia necessária ao deslocamento do mesmo na sua trajetória. Os modernos mísseis empregam motores e jato para sua propulsão. O principio da ação do jato não é nova; como foi visto anteriormente, tendo já sido empregada pelo homem por longos anos. Podemos definir a propulsão a jato como força de empuxo produzido pela ejeção da matéria do interior do corpo propelido. Isto posto, para produzir o empuxo, deve-se utilizar um método para ejetar a matéria. Isto pode ser por meios mecânicos, tais como bombas e exaustores, ou por meios térmicos, tais como, reações químicas. Um exemplo comum do método mecânico é o do deslocamento de um balão cheio de ar, quando este elemento é liberado. Por que é produzido o empuxo? A resposta pode ser dada com o auxilio das leis de movimento enunciadas por Newton principalmente a Segunda e terceira que dizem "Uma força estando em um corpo irá produzir uma aceleração neste corpo, na direção da força" "A cada ação correspondente uma reação igual e em sentido contrário". Estas leis são facilmente verificadas na prática. Exemplo comumente citado é o coice que sentimos do fuzil, no ombro, quando executamos o tiro com esta arma. Fig 02 b. Estudo dos propelentes: Propelente: é todo material capaz de desprender energia susceptível de ser aproveitada como meio de propulsão de um míssil em sua trajetória. c. Classificação dos propelentes: De um modo geral os propelentes podem ser grupados em duas grandes categorias: Combustíveis. Comburente ou oxidantes. Várias são as maneiras de classificá-los, sendo os mais comuns os que levam em consideração o estado físico e o seu uso ou forma de obtenção. Assim temos: Quanto ao estado físico: Sólidos.......................Ex. pólvora negra. Líquido...................... Ex. gasolina, querosene. Gasoso...................... Ex. oxigênio. Quanto ao uso: Convencionais..........Ex. hidrocarbonetos, hidrogênio, gasolina, hidrazina, querosene, pólvora. Exóticos....................Ex. pentaborano, diborano, derivados de radicais livres. Do futuro..................Ex. energia nuclear, propulsão fotônica.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -165- d. Características dos propelentes: Sólidos: Tem aspecto plástico, são de mais fácil manuseio e fabricação e produzem maiores velocidades de ejeção, embora exigindo grandes pressões e temperatura. São bastante conhecidas a baliste e a cordite, ambas a base do nitrocelulose e nitroglicerina.. São largamente empregas nos BOOSTERS (unidades auxiliares de impulsão dos mísseis que se desprendem ou se destroem no ar, depois de cessada sua finalidade). Líquidos: São de emprego generalizado. Os mais comuns para os mísseis são os hidrocarbonetos e o oxigênio: são ainda empregados o hidrogênio, a hidrazina, o peróxido de hidrogênio, o álcool etílico e o metílico, ácido nítrico, etc. Convencionais: São todos os propelentes a muito conhecidos e usados. Exóticos: São derivados do boro (pentaborano e diborano, por exemplo), de obtenção difícil e manuseio perigoso. Também os conseqüentes de aproveitamento de radicais livres são incluídos nesta categoria aproveitando-se o principio de que, quando se combinam radicais livres para formar moléculas, há desprendimento de energia. A utilização desta energia possibilita impulsos 6 vezes maiores que a dos combustíveis convencionais. Do futuro São os propelentes que poderão vir a ser utilizados no futuro não muito distante, encontrando-se em fase adiantada de estudos para aplicação prática. Estão incluídos nesta categoria a energia atômica a propulsão fotônica (que permitiria aos mísseis quase alcançar a velocidade da luz), a propulsão iônica e a energia solar. e. Vantagens e desvantagens: Propelentes sólidos: Vantagens - Permite estocagem fácil, fácil manuseio, curta duração de queima, grande impulsão e fabricação simples. Desvantagens - refrigeração difícil, necessita grande pressão para combustão, sensíveis as temperaturas externas e impossibilidade de controlar a combustão. Propelentes líquidos: Vantagens - facilidade de interromper o abastecimento do propelente, bom para grande alcance e permitem a trajetória emergente. Desvantagens - manuseio difícil, demora no lançamento e grande consumo de combustível. f. Estudo dos reatores: Reatores são motores a reação, utilizados nos mísseis. Podem ser classificados segundo o quadro abaixo: Foguetes Turbo-reator Reatores Atmosférico Estato-reator Nuclear Pulso-reator Foguete: É aquele que transporta consigo tanto o combustível como o comburente. Portanto, independente da atmosfera terrestre. É empregado em pesquisas especiais, para a colocação de satélites em órbita.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -166- As vezes também é chamado reator de auto-alimentação. Há dois tipos básicos de reator tipo foguete, quando o propelente é liquido: Motor foguete a pressão do ar Motor foguete alimentado por bomba O ar sobre pressão é armazenado no tanque de ar; quando o ar, a alta pressão é liberado através das tubulações, o combustível e o comburente são forçados para o interior da câmara de combustão são expelidos através da turbina, produzindo um empuxo. Para os mísseis que necessitam um longo período de queima , tais como os mísseis balísticos intercontinentais, este sistema é inadequado, em virtude de seu peso excessivo. Neste caso, o tanque do ar é substituído por uma combinação de bomba e gerador de gás, constituindo-se então o motor foguete alimentado por bombas. Em virtude do relativo curto período de vida do propelente liquido, quando estocado, a tendência é de que nos mísseis de emprego tático o motor foguete a propelente liquido seja substituído pelo motor foguete a propelente sólido. Neste caso, tanto o combustível quanto o comburente estão dispostos já na própria câmara de combustão. Nuclear: Caracteriza-se pela utilização da energia nuclear; independente do oxigênio do ar e com possibilidade de funcionar por longos períodos de tempo, sem interrupção. Devido a isso a ciência procurando aperfeiçoa-lo a cada dia e, para Ter uma idéia da quantidade de energia que este tipo de reator é capaz de fornecer, basta que se saiba que apenas uma libra peso de urânio 235 libera a mesma quantidade de energia que a proveniente da queima de 900 toneladas de gasolina. Será provavelmente, com engenhos dotados de reatores nucleares que o homem conseguirá dominar o espaço, atingindo outros planetas. Atmosférico: É aquele cujo funcionamento depende do ar atmosférico, já que leva consigo apenas o combustível. Sofre uma limitação muito grande, por necessitar de oxigênio da atmosfera e, por isso, não pode ser empregado acima de 30 Km de altitude. Existem três variedades deste tipo: Pulso-reator - Está caído em desuso, devido a sua limitação e pequenas velocidades, não sendo possível, com ele, atingir-se velocidade supersônica. É leve e de construção simples, utilizando combustíveis comuns; apresenta a desvantagem de necessitar um impulso inicial para o míssil alçar v6o e Ter pouco Ter pouco tempo de duração, pois sua partes componentes são muito sensíveis. Consome grande quantidade de combustível. Os principais componentes do pulso jato são: a câmara de combustão, sistema de injeção de combustível, uma vela, uma sede com válvulas borboletas e uma tubeira. Para dar partida ao motor, é introduzido ar comprimido no interior da câmara, onde é misturado com o combustível e feita a ignição pela vela. Quando a pressão na câmara de combustão excede a do ar atmosférico, as válvulas borboletas são fechadas e os gases são forçados através das tubeiras. Esta evacuação do gás, causa a queda da pressão na câmara de combustão que ficará menor do que a pressão atmosférica, isto posto, as válvulas borboletas serão forçadas a abri pela pressão externa, permitindo uma outra carga de ar entrar na câmara de combustão, onde o ciclo se repetirá. Se o veículo é lançado por uma catapulta ou um booster (primeiro estágio), o pulso jato se manterá por si próprio. Os alemães usavam esse motor nas V-1. Turbo-reator: Empregado pelos mísseis principalmente durante a fase de sustentação. Pertencente as famílias dos motores de turbina a gás. É leve e econômico ( pequeno consumo de combustível), convindos ás velocidades entre 0,5 e 1 Mach, e possui a impulsão constante numa larga faixa de velocidade, para a mesma altitude. Apresenta como desvantagem o fato de ser muito caro e
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -167- complexo, além de Ter o impulso decrescente com o aumento da altitude, o que limita o seu teto máximo. Emprega um compressor para obter a pressão de ar necessário para a combustão, um sistema de injeção de combustível, uma câmara ou câmaras de combustão, uma turbina e uma tubeira. Para a partida o compressor deve ser girado por algum meio externo, isto é um motor de partida. A rotação do compressor força a entrada do ar e o mantém sobre pressão na câmara de combustão, onde ele é misturado com o combustível e se dá a ignição. Os gases aquecidos fluem para a retaguarda através das lâminas da turbina forçando a turbina girar. Como a turbina e o compressor estão montados no mesmo eixo, a expulsão dos gases faz funcionar o compressor. Após o fluxo através das lâminas os gases são expelidos pela tubeira, produzindo o empuxo. Os tubos reatores estão limitados ao uso na atmosfera sensível, isto é, dependem do oxigênio da atmosfera para produzir a combustão. Assim sendo os tubos reatores tem uma limitação em altitude. Também exige equipamentos adicionais, tais como um compressor e uma turbina. Este tipo de reator e usado em aeronaves comerciais e militares e no míssil RegulusII, da marinha dos EE UU. Existe também o turbo reator centrífugo, no qual a pressão do ar é obtida por meio da força centrífuga. Estato-reator: Este motor, apesar de ser o mais simples dos 3 tipos de reator atmosférico, é o que pode alcançar as maiores velocidades. Pelo fato não dispor de peças móveis, é barato e de fácil construção. O funcionamento também é simples: quando o motor se movimenta com rapidez, o ar nele introduzido através do difusor é fortemente comprimido e aquecido em virtude do fenômeno da formação de uma onda de choque quando em fluxo supersônico é amortecido até a velocidades supersônicas. O ar aquecido mistura-se ao combustível e produz-se a combustão, cujos produtos são expelidos através da tubeira, produzindo o empuxo necessário à manutenção do movimento. Seu consumo nas velocidades médias é elevado, mas passa a ser menor de todos quando ultrapassa a velocidade de 700 m/s (mais de 2 mach). Especialmente adaptável aos mísseis, o estado reator pode Ter as dimensões que melhor se ajustem as necessidades aerodinâmicas. Para entrar em funcionamento, necessita de motores auxiliares de partida, catapultagem ou de outro veículo que lhe possa imprimir a velocidade necessária a estabelecer a compressão mínima do ar que permita a estabilização do ciclo. Como exemplo de míssil que utiliza este tipo de motor, citamos o Bonrk da USAF. 1.6. SISTEMA ELÉTRICO: É o que fornece a energia elétrica necessária ao funcionamento dos demais sistemas componentes dos mísseis, já estudados anteriormente. Para este fornecimento de energia duas fontes podem ser empregadas: Baterias..................usadas nos pequenos mísseis. Geradores.............. usadas nos grandes mísseis. 1.7. SISTEMA DE LANÇAMENTO: a. Generalidades: Como já foi visto no n. 1 deste capitulo, o sistema de lançamento, não se encontra no míssil. Sua finalidade é sustentá-lo na ocasião de ser lançado, e em alguns casos, dar-lhe uma orientação inicial.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -168- CAPÍTULO III SISTEMA DE MÍSSEIS ANTIAÉREOS PORTÁTEIS 9 K 38 IGLA 1. GENERALIDADE: O sistema de míssil antiaéreo portátil 9 k 38 Igla(agulha) destina-se a engajar aviões e helicópteros voando a baixa altura, bem como mísseis e vant (veículos aéreos não tripulados), inclusive em ambiente de contramedidas com fonte de calor (flares). O IGLA é um míssil antiaéreo seguidor de calor, tipo lança e esqueça. Tem características tecnológicas que o posiciona na faixa de emprego do norte-americano STINGER, do francês MISTRAL e do JAVELIN britânico. 2. COMPOSIÇÃO: O sistema 9 k 38 compõe-se de sistema de armas, dispositivo de manutenção e dispositivo de treinamento. 2.1. Sistema de Armas: O sistema de armas compreende: Míssil em seu tubo de lançamento Fonte de alimentação Mecanismo de lançamento 2.2. Dispositivo de Manutenção: O material para a manutenção de primeiro e segundo escalão, realizadas pelas próprias OM detentoras, acompanha o sistema de armas e centros de treinamentos, inclusive com algumas peças de reposição. 2.3. Dispositivo de Treinamento: Composto por: Simulador Conjunto igla inerte, para instrução de manejo. Conjunto igla seccionado, para o estudo do funcionamento. Manuais técnicos e de operações 3. CARACTERÍSTICAS: As principais características do sistema são: Calibre 72,2mm Comprimento do míssil 1,68m Peso do míssil 10,6kg Peso do conjunto em posição de combate 16,7kg Altura máxima de interceptação 3.500m Altura mínima de interceptação 10m Alcance máximo 5.000m Alcance mínimo 500m Velocidade máxima do alvo 360m/s
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -169- Velocidade média de cruzeiro do míssil 570m/s Tempo de passagem da posição de marcha para a posição de tiro(máx) 13seg Tempo de ativação para o lançamento 5 a 6seg Tipo de guiamento atração passiva por infravermelho Tipo de espoleta de impacto 4. ENGAJAMENTO DE ALVOS PELO SISTEMA: A seqüência de engajamento compreende todas as ações desenvolvidas desde o momento em que se assuma uma determinada condição de aprestamento, até a efetiva atuação sobre o vetor hostil. É composta de Fases(F), que tem seu início e término balizadas por Eventos(E). ESPERA(F) →ALERTA(E) BUSCA(F) →DETECÇÃO(E) ACOMPANHAMENTO PELO ATIRADOR →DESIGNAÇÃO(E) AQUISIÇÃO(F) →APREENSÃO(E) ACOMPANHAMENTO PELO MÍSSIL →DISPARO(E) 5. A MUNIÇÃO IGLA Fig 03 O míssil Igla apresenta-se acondicionado em um tubo de lançamento, ao qual já vem conectada uma fonte de alimentação, e consiste das seguintes partes principais: 5.1. CABEÇA DE GUIAMENTO: Fig 04 Destina-se a apreender e automaticamente acompanhar um alvo usando sua irradiação térmica. Consiste de um coordenador e um bloco eletrônico e um nariz aerodinâmico que destina-se a reduzir a resistência do ar durante o vôo.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -170- A cabeça de guiamento possui um circuito coordenador de acompanhamento(CCA) e um circuito de autopilotagem(CA). O CCA é composto de um giroscópio que por sua vez é composto por, um sistema de lentes, espelho, dois fotodetetores e dois preamplificadores acompanhando continuamente o alvo, ao mesmo tempo em que envia um sinal de controle para o CA. 5.2. CONJUNTO DE PILOTAGEM: Fig 05 Abriga o equipamento de controle de vôo do míssil: atuador com duas superfícies de controle, fonte de alimentação interna, sensor de velocidade angular , amplificador, gerador de gás, motor de controle, receptáculo e aletas compensadoras. Atuador destina-se ao controle aerodinâmico do míssil em vôo. Fonte de Alimentação Interna é responsável por fornecer energia para os diversos componentes do míssil durante o vôo. Consiste de um gerador e um retificador de corrente. Motor de Controle destina-se a controlar o míssil no estágio inicial da trajetória, quando a velocidade ainda não é suficiente para permitir o controle aerodinâmico realizado pelo atuador. Receptáculo permite o acoplamento elétrico do míssil ao tubo de lançamento. 5.3. CARGA DE ARREBENTAMENTO: Fig 06 Compõe-se de: carga explosiva, espoleta de impacto e detonador. É a parte do míssil destinada a destruir o alvo, no míssil Igla os efeitos da carga explosiva são acrescidos da explosão do combustível restante no conjunto propulsor.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -171- 5.4. CONJUNTO PROPULSOR: Fig 07 É dividido em, propulsor de lançamento e propulsor de sustentação: Propulsor de lançamento responsável em retirar o míssil do interior do tubo. Propulsor de sustentação responsável em levar o míssil até a velocidade de cruzeiro e mantê-lo nesta velocidade. 5.5. EMPENAGENS ESTABILIZADORAS Destina-se a prover a estabilização aerodinâmica do míssil em vôo, além de manter seu movimento de rotação. 5.6. TUBO DE LANÇAMENTO: Fig 08 Permite o disparo preciso e seguro do míssil e seu guiamento durante o lançamento, além de reter o propulsor de lançamento. Serve ainda como container para a munição.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -172- Consiste de um tubo de fibra reutilizável, que pode ser recarregado até 5 vezes pelo fabricante. Possui uma unidade transmissora, aparelho de pontaria, conjunto de ligação, conector e receptáculo, além de duas braçadeiras e bandoleira para transporte. 5.7. FONTE DE ALIMENTAÇÃO: Fig 09 Fig 10 A fonte de alimentação é projetada para um único uso, e destina-se a suprir o agente refrigerante para a cabeça de guiamento e prover energia elétrica para o sistema durante a preparação do míssil para o lançamento. Consiste de uma garrafa de pressão e uma bateria com eletrólito sólido. A bateria consiste de componentes eletroquímicos conectados num circuito misto série- paralelo. Entre os componentes eletroquímicos situa-se um conjunto de aquecedores pirotécnicos. A fonte de alimentação acopla-se ao tubo de lançamento através do seu tubo de conexão, que se adapta a seu bocal de encaixe no conjunto de ligação. Quando o mecanismo de perfuração do conjunto de ligação é acionado, um percursor no interior do tubo de conexão perfura a membrana da garrafa de pressão, e o gás flui em direção ao míssil, através dos dutos do conjunto de ligação, até a cabeça de guiamento. Nesse processo a própria força do gás impele um outro percursor, que aciona a cápsula de ignição dos aquecedores pirotécnicos. A queima destes derrete o eletrólito da bateria, deixando-a em condições de operação.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -173- NOTA DE AULA TRANSFORMAÇÃO DE MUNIÇÕES E DESTRUIÇÃO CAPÍTULO I TRANSFORMAÇÃO DE MUNIÇÕES 1) PRESCRIÇÕES GERAIS Uma determinada munição pode sofrer transformações que se enquadrem em uma das quatro modalidades: Conservação, modificação, desmancho e destruição. Tais transformações serão feitas em estabelecimentos especializados, em conformidade com o que vai exposto no item seguinte. 2) MODALIDADES DE TRABALHO A) Conservação Destina-se a manter a munição em condições de pronto emprego. Operações Limpeza e proteção das superfícies externas. Recondicionamento => Remoção da ferrugem, pintura, remarcação e reembalagem. Responsabilidade Depósitos de unidades. B) Modificação Destina-se a introduzir aperfeiçoamentos técnicos nos elementos de munição. Responsabilidade Estabelecimentos fabris. C) Desmancho: Destina-se a desmontar a munição ou seus elementos com a finalidade de lhes retirar elementos componentes. Execução Pessoal especializado. Responsabilidade Depósitos centrais ou regionais e estabelecimentos fabris.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -174- D) Destruição: Destina-se a queimar, lançar ao mar ou detonar as munições ou elementos que não possam ser desmontados, recuperados ou que não apresente segurança para o manuseio. Execução Pessoal habilitado dos depósitos de unidades, observando prescrições do C 5 - 25. CAPÍTULO II DESTRUIÇÃO 1) DESTRUIÇÃO DE EXPLOSIVOS, MUNIÇÕES E ELEMENTOS COMPONENTES A) PRESCRIÇÕES GERAIS A1) Generalidades Deverão ser destruídas: Munições proibidas (Cat E), falhadas ou deterioradas. Munições que não possam ser recuperadas. Munições para as quais não haja vantagem ou possibilidade de aproveitamento de qualquer de seus elementos componentes. Para que o inimigo não se aposse ( Guerra ). Munições na categoria E: OBS - Destruir apenas o elemento que estiver nesta categoria. Elementos restantes e matéria prima aproveitável serão recolhidos ao órgão competente, conforme instruções especiais. Não deverá ser levado em consideração a parte econômica quando for necessária a destruição, pois em caso de acidentes, serão maiores os prejuízos materiais, pessoais e morais. A2) Pessoal Habilitado e restrito ao menor número possível. Não será permitido o emprego de uma única pessoa inexperiente ou sem instrução. A3) Local Não deve possuir piso de concreto. Afastado de vegetação no mínimo a 60m de distância. Afastado de estradas e habitação, no mínimo a 750m de distância. A4) Segurança Emprego de guardas, sinais de segurança e avisos. Pessoas não autorizadas fora das áreas consideradas perigosas. A5) Autorização para a destruição Elementos falhados deteriorados ou perigosos => Detentor do material.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -175- Exame laboratorial na categoria “E” => Destruição imediata, após, Termo de Destruição (3 vias). Munições de armas em desuso => Somente com ordem do escalão superior. A6) Métodos de destruição As destruições poderão ser executadas nos seguintes métodos: • Detonação; • Queima ou combustão; e • Imersão no mar. OBS - É absolutamente proibido o enterramento, lançamento em fosso, pântano, córrego ou terreno abandonado. A6.1) Destruição por detonação Usados petardos (TNT). Preferencialmente o processo pirotécnico. Espoletas militares. A6.2) Destruição por queima ou combustão Deve-se utilizar rastilho de material inflamável, de pólvora ou estopim. Deve-se aguardar, no mínimo 24 h para a repetição de uma queima no mesmo local. Os explosivos devem ser retirados de suas embalagens. Remoção de capim seco e outros materiais inflamáveis em um raio de 60 m. Material de combate a incêndios nas proximidades. O local deverá ser molhado ao final de cada operação.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -176- A6.3) Destruição por imersão no mar Autoridades navais consultadas. Local escolhido: 16 Km do litoral e o mais profundo das circunvizinhanças (mínimo 1200 m para munições químicas e 900 m para as demais). Materiais suficientemente pesados. Proibida imersão em bacias ou vias navegáveis. Materiais retirados das embalagens. B) MEDIDAS DE SEGURANÇA B1) Generalidades Previstas no manual C 5 - 25. Entretanto, além das medidas já citadas para cada tipo de destruição, deve atentar também, para as prescrições do próximo item. B2) Escolha do local de destruições Afastado de armazéns, construções, estradas rodoviárias e ferroviárias, paióis etc, observadas as distâncias mínimas de segurança. No processo por detonação: Distância mínima de 750 m, caso não seja possível, um fosso limitará o alcance dos estilhaços. Fosso: 1,5 m de profundidade e com crista de terra ao redor. Pessoal abrigado e com capacete de aço. No processo por queima ou combustão: Levar em consideração a direção do vento. Pessoal, havendo possibilidade, deverão vestir roupas especiais à prova de fogo. C) DESTRUIÇÃO DE EXPLOSIVOS A GRANEL PÓLVORA NEGRA Método mais seguro => Imersão, caso contrário queima. Para a abertura dos cunhetes, é proibido o uso de ferramentas que produzam faíscas.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -177- Somente a pólvora de um cunhete por vez e em quantidade que não seja superior a 25 Kg. Faixa de 5 cm de largura e afastada de outra, pelo menos 3 m. Rastilho de pelo menos 7 m D) DESTRUIÇÃO DE MUNIÇÕES E ELEMENTOS COMPONENTES D1) CARGA DE PROJEÇÃO DAS MUNIÇÕES SEM ESTOJO Cápsula da escorva retirada antes da combustão. Tomar medidas de proteção contra possíveis partículas explosivas. Não podem ser empilhadas, deverá ser colocadas em um fosso, intercaladas, e quantidade máxima de 300 Kg. D2) GRANADAS DE ARTILHARIA, DE MORTEIRO, DE BOCAL, DE MÃO E CABEÇAS DE ROJÕES DESMONTADOS Fosso ou trincheira de 1,2 m de profundidade. Deve-se obedecer a “Tabela de explosivos necessários a destruição por detonação”. Caso haja necessidade de mais que um fosso a distância mínima de cada um será de 100 m. TABELA DE EXPLOSIVOS NECESSÁRIOS A DESTRUIÇÃO DE GR POR DETONAÇÃO MATERIAL A SER DESTRUÍDO QTD DE EXPLOSIVO POR TIRO (TNT) NÚMERO MÁX DE GRANADAS A DESTRUIR JUNTAS Gr M, Gr Bc, Rj e Gr até 57 mm 250 g 20 Gr de 58 a 90 mm e Gr de Mrt 500 g 10 Gr de 91 a 177 mm e 6” 750 a 1000 g 05 Gr de 178 a 280 mm e 8” 1250 g 02 Acima de 280 mm 1500 g 02 D3) ROJÕES Separar a cabeça do tubo motor. Retirar do tubo motor o propulsor e o ignitor e destruí-los, separadamente, por queima. Caso não seja possível a separação do propulsor do ignitor, colocar o motor na vertical fixando-o ou enterrando-o parcialmente, e então queima-se o propulsor. Caso não seja possível a separação da cabeça do tubo motor, o tiro completo poderá ser destruído por detonação, mas tendo-se o cuidado para que a operação seja segura e completa. D4) MUNIÇÕES COM CARGA DIRIGIDA: Especial atenção será dada a direção dos jatos produzidos por este tipo de munição. D5) MUNIÇÕES DO ARMAMENTO LEVE Fosso com: 0,6 m de altura, 1 m de largura e 1,2 m de profundidade. Quantidade máxima a destruir por vez: 1000 cartuchos.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -178- E) CAMPOS DE INSTRUÇÃO E1) GENERALIDADES As munições que não tiverem funcionado depois do tiro são denominadas “falhadas”. Logo após o encerramento de um exercício de tiro o campo será vasculhado e os engenhos falhados serão destruídos. E2) REGRAS DE SEGURANÇA: Cuidados especiais deverão ser tomados para que pessoas estranhas não transitem pelo campo e não apanhem munições falhadas. Em complemento as medidas gerais de segurança, deve-se assinalar com bandeirolas vermelhas, avisos, marcas ou cercas as zonas perigosas, ressaltando a proibição de apanhar munições e transitar pela linha de tiro, sob a pena de aplicação de sanções. A colocação de sinais é necessária para a segurança pública e não deverá ser negligenciada. E3) DESTRUIÇÃO DE MUNIÇÕES FALHADAS A responsabilidade pela segurança e o policiamento dos campos de tiro cabe, exclusivamente , ao oficial comandante da tropa que executar o tiro. Campos de tiro de pequeno alcance (Gr Bc, Gr M, Rj), serão limpos após o término de cada exercício de tiro; campos de longo alcance (Gr Mrt, Gr Can, Gr Ob), serão limpos periodicamente. Munições falhadas e/ou seus componentes são muito sensíveis, e como tal não deverão ser tocados. Nos raros casos de remoção de munição falhada, a fim de destruição , todas as operações para este procedimento, serão executadas sob a supervisão, direção ou execução de elementos capacitados. Nenhuma tentativa deverá ser feita para desmontar um tiro de munição falhada. Munições falhadas serão destruídas no próprio local, por petardos de TNT junto as suas paredes circundadas por sacos de areia, para limitar o alcance dos estilhaços. Distâncias de segurança: 1000 m para superfície sem proteção; 100 m para posições abrigadas. Destruição com mais que 50 Kg de explosivos, deverá ser respeitada a distância prevista na “Tabela para edifícios habitados”. As instruções gerais para a destruição de munições falhadas são semelhantes a destruição de munições por detonação, e as regras gerais de segurança, também serão as mesmas. Munições químicas: Procedimentos iguais aos demais projéteis, porém os fossos ou trincheiras serão tapados e/ou descontaminados; fazendo-se o uso de máscaras e equipamentos de proteção e ainda levando em conta a direção do vento. Após a destruição das munições falhadas o oficial encarregado do trabalho, pessoalmente , percorrerá a área para assegurar-se que nenhum elemento foi esquecido. 2) PROCESSOS DE LANÇAMENTO DE FOGO ÀS CARGAS A) GENERALIDADES Finalidade: Sob o ponto de vista militar é destruir ou inutilizar para emprego posterior, pontes, campos de aviação, rodovias, ferrovias ou partes importantes de equipamentos abandonados a destruir ou abrir brechas nos obstáculos inimigos.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -179- As destruições podem ser realizadas por meios mecânicos, fogo, água, tiros, bombardeios e explosivos instalados no local. A instalação de explosivos é a mais rápida, positiva , segura e econômica maneira de destruir. B) PROCESSOS DE LANÇAMENTO DE FOGO B1)Processo pirotécnico de lançamento de fogo. B2)Processo elétrico de lançamento de fogo. B3)Processo de lançamento de fogo empregando o cordel detonante. B4)Processo duplo de lançamento de fogo : B4.1)Duplo pirotécnico. B4.2)Duplo elétrico. B4.3)Misto. B 1)PROCESSO PIROTÉCNICO DE LANÇAMENTO DE FOGO B1.1) MATERIAL EMPREGADO •ACENDEDORES Facilita o ato de acender o estopim mesmo quando há muito vento. Acendedor M 1 de fricção Acendedor M 2 à prova d’água
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -180- • ESTOPINS Meio de propagação lenta e segura do fogo de 93 a 113 s/m [a espoleta comum nº 8]. Estopim comum Estopim hidráulico ESPOLETA COMUM Nº 8 Elemento iniciador de uma carga explosiva. •ADAPTADOR DE ESCORVA Simplifica e dá segurança ao escorvamento. ALICATE DE ESTRIAR Permite a fixação segura e eficiente do estopim à espoleta comum nº 8.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -181- B1.2) VANTAGENS Exige pouco material. Execução rápida. B1.3) DESVANTAGENS A umidade pode afetar a espoleta comum e / ou o estopim. B1.4) CADEIA DE ACIONAMENTO: Chama => estopim => espoleta comum nº 8 =>alto explosivo. B1.5) ESCORVAMENTO PIROTÉCNICO Operação de adaptar uma espoleta comum nº 8 com estopim (estriada) ao explosivo. B1.6) FALHAS NO PROCESSO PIROTÉCNICO DE LANÇAMENTO DE FOGO CAUSAS DAS FALHAS Estopim em mau estado. Explosivo deteriorado. Instalação incorreta das escorvas. Não verificação no acendimento do estopim. COMO EVITAR FALHAS Preparação correta da escorva. Dispor cuidadosamente o explosivo. Colocação acertada da escorva. Cuidado (se for o caso) na preparação do enchimento. Usar corretamente a técnica de acionamento. B1.7) MEDIDAS DE SEGURANÇA RELATIVAS A ESPOLETA COMUM Nº 8 Não expor a radiação direta do sol. Não transportar nos bolsos. Não retirar fazendo uso de objetos pontiagudos. Não bater ou experimentar de outra forma. Não estriar com dentes ou facas. Proteger contra o choque e calor elevado. Não permitir pressões. Não armazenar com outros explosivos. Transportar na mesma viatura que os explosivos somente em caso de emergência. B1.8) CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS PARA A UTILIZAÇÃO DO ESTOPIM As extremidades do estopim expostas ao ar livre por 24 horas, absorvem umidade. Para evitar falhas deve-se cortar de 5 a 7 cm da extremidade e lançar fora. Para conhecer a velocidade de queima de um estopim basta cortar um pedaço (10 cm) e cronometrar o tempo de queima.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -182- B1.9) ESCORVAMENTO 1 - Cortar o estopim segundo sua seção reta. 2 - Retirar uma espoleta comum nº 8 da caixa. 3 - Segurar a espoleta comum nº 8 com a abertura voltada para baixo e sacudi-la levemente. 4 - Segurar a espoleta comum nº 8 verticalmente e faze-la descer suavemente até que a extremidade do estopim esteja totalmente introduzida e em contato com o explosivo da espoleta comum nº 8. 5 - Segurar o estopim com os dedos polegar e anelar e pressionar levemente a espoleta comum nº 8 com o indicador. 6 - Tocar o rebordo da espoleta comum nº 8 com o dedo médio, afim de auxiliar o caminho para o alicate de estriar e adquirir reflexo par a estriar mesmo que seja sem visibilidade. 7 - Com auxílio do alicate de estriar, estriar a espoleta comum nº 8 próximo a sua extremidade aberta. 8 - Caso a ligação acima vá permanecer por um período maior que 24 horas, protegê-la com a composição para a vedação de espoletas ou sabão. B2) PROCESSO ELÉTRICO PARA ACIONAMENTO DAS CARGAS B2.1) MATERIAL EMPREGADO •EXPLOSOR Pequeno gerador de corrente elétrica para o acionamento de espoleta elétrica.
  • 183.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -183- •CABO CONDUTOR E BOBINAS Faz a ligação entre o explosor e a espoleta elétrica. • ESPOLETA ELÉTRICA Elemento iniciador de uma carga explosiva.
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -184- •GALVANÔMETRO Instrumento utilizado para verificar se há interrupção no circuito de acionamento. • ADAPTADOR DE ESCORVA (UTILIZAÇÃO) Simplifica e dá segurança ao escorvamento. B2.2) VANTAGEM Segurança. B2.3) DESVANTAGENS Equipamento mais completo e pesado. B2.4) CADEIA DE ACIONAMENTO Corrente elétrica => cabo condutor => espoleta elétrica => alto explosivo. B2.5) ESCORVAMENTO ELÉTRICO Operação de adaptar uma espoleta elétrica ao explosivo. B2.6) CIRCUITOS
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -185- • CIRCUITO EM SÉRIE: Para o acionamento com o explosor. Ligar um dos condutores da 1ª espoleta elétrica a um dos condutores da 2ª espoleta elétrica, ligar um dos condutores da 2ª espoleta elétrica a um dos condutores da 3ª espoleta elétrica, assim por diante até só restar livre um condutor da 1ª carga e outro da última. Estes dois finalmente, ligados aos condutores principais. • SALTO DE RÃ Para uma linha de carga muito extensa. Em distâncias maiores que 3,6 m (comprimento dos condutores da espoleta elétrica). Faz-se a ligação dos condutores principais entre os fios da espoleta elétrica em cargas alternadas, sendo que o cabo condutor livre da última carga emenda- se com o da penúltima. • CIRCUITO EM PARALELO Somente no caso de uma forte corrente elétrica. Os fios da espoleta elétrica são ligados diretamente ao condutor principal. • CIRCUITO SÉRIE PARALELO Também em caso de uma forte corrente elétrica. Conjunto de circuitos em série e paralelo num mesmo circuito. • LOCALIZAÇÃO DE DEFEITOS NO CIRCUITO A bobina deverá ser inspecionada antes de ser empregada. • CURTO-CIRCUITO Separa-se os fios das extremidades e faz-se o uso do galvanômetro, que não deverá produzir deflexão no seu mostrador, caso contrário, é uma indicação da presença de um curto-circuito. • RUPTURA Enrola-se as pontas em uma das extremidades e na outra faz-se o uso do galvanômetro, que neste caso, deverá produzir deflexão no seu mostrador, caso contrário, é uma indicação de ruptura. B2.7) FALHAS NO PROCESSO ELÉTRICO DE LANÇAMENTO DE FOGO CAUSAS DAS FALHAS Explosor fraco. Operação incorreta do explosor. Espoleta elétrica fraca para a sensibilidade do explosivo. Ligações mal feitas causando curtos-circuitos, circuitos abertos ou grande resistência. Circuito elétrico danificado.
  • 186.
    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -186- Emprego de espoletas elétricas diferentes (fabricantes ou potência) num mesmo circuito. Demasiado número de espoletas elétricas num mesmo circuito. COMO EVITAR FALHAS Além pontos salientados no processo pirotécnico de lançamento de fogo: Verificar se todas as espoletas elétricas estão incluídas no circuito de fogo. Verificar se todas as ligações estão bem feitas. Evitar os curtos-circuitos. Evitar o “terra”. Certificar se o número de espoletas elétricas de cada circuito não exceda a capacidade do explosor. B2.8) MEDIDAS DE SEGURANÇA RELATIVAS A ESPOLETA ELÉTRICA Nº 8 Não expor a radiação direta do sol. Não transportar nos bolsos. Não bater ou experimentar de outra forma. Não separar os condutores, até o momento do uso. Proteger contra o choque e calor elevado. Não permitir pressões. Não armazenar com outros explosivos. Transportar na mesma viatura que os explosivos somente em caso de emergência. B3) LANÇAMENTO DE FOGO COM CORDEL DETONANTE B3.1) MATERIAL EMPREGADO O cordel detonante serve apenas como uma escorva para um dos processos de lançamento de fogo às cargas pré determinado (pirotécnico ou elétrico). • Cordel detonante • Clipe e / ou Material pirotécnico: Acendedores Estopins Espoleta comum nº 8 Adaptador de escorva Alicate de estriar Material elétrico: Explosor Cabo condutor e bobinas Espoleta elétrica Adaptador de escorva Galvanômetro B3.2) VANTAGEM
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    Escola de MaterialBélico – S/S de Munições-Apostila de Munições -187- Acionamento de várias carga com apenas uma espoleta (comum ou elétrica). B3.3) DESVANTAGENS É afetado pela umidade. Equipamento mais completo e pesado. B3.4) CADEIA DE ACIONAMENTO Chama => estopim => espoleta comum nº 8 => cordel detonante => alto explosivo, ou Corrente elétrica => cabo condutor => espoleta elétrica => cordel detonante => alto explosivo. B3.5) ESCORVAMENTO COM O CORDEL DETONANTE Operação de escorvar com o cordel detonante o explosivo, tendo-se o cuidado de deixar um chicote superior a 15 cm da escorva. B3.6) FALHAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO DE FOGO EMPREGANDO O CORDEL DETONANTE CAUSAS DAS FALHAS Com exceção a umidade ou rompimento do cordel detonante, as demais falhas terão caráter diretamente ligado ao processo de lançamento de fogo às cargas. COMO EVITAR FALHAS Verificar os pontos salientados nos processos pirotécnico e elétrico de lançamento de fogo. B4) PROCESSO DUPLO DE LANÇAMENTO DE FOGO ÀS CARGAS B4.1) MATERIAL EMPREGADO Dependente diretamente do duplo circuito a ser escolhido. B4.2) VANTAGEM Evitar as possíveis falhas. B4.3) DESVANTAGENS Equipamento muito mais completo e pesado. •PROCESSO PIROTÉCNICO DE DUPLO LANÇAMENTO DE FOGO: Consiste em dois dispositivos pirotécnicos de lançamento de fogo, independentes para o acionamento de uma só carga ou conjunto de cargas. •PROCESSO ELÉTRICO DE DUPLO LANÇAMENTO DE FOGO: Consiste em dois dispositivos elétricos de lançamento de fogo, independentes para o acionamento de uma só carga ou conjunto de cargas. •PROCESSO MISTO DE DUPLO LANÇAMENTO DE FOGO: Consiste da combinação de um circuito pirotécnico e um circuito elétrico num mesmo conjunto.