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A SERPENTE (JARARACA) LULA E O FUTURO DO BRASIL
Fernando Alcoforado*
Após ser ouvido de forma coercitiva pela Polícia Federal no dia de ontem (04/03/2016)
no aeroporto de Congonhas, o ex-presidente Lula, em discurso, se comparou a uma
serpente jararaca quando afirmou que quiseram matar a jararaca, mas não fizeram
direito, pois não bateram na cabeça. Segundo Lula, “bateram no rabo porque a jararaca
está viva”. Esta identidade de Lula com a serpente jararaca faz lembrar o filme “Ovo da
Serpente” (1977), de Ingmar Bergman que é a melhor reprodução cinematográfica do
surgimento do nazismo na Alemanha. Neste filme, Ingmar Bergman retrata a sociedade
alemã à beira do caos econômico e político. Muitas vezes o ovo da serpente foi utilizado
como metáfora para exprimir a constatação de um mal em processo de incubação. Nele,
no ovo da serpente, no seu desenvolvimento, pode-se acompanhar a lenta e inexorável
evolução do monstro que estava se criando na Alemanha na década de 1930, o nazismo.
No filme, o nazismo estava ainda em incubação no ovo. Mais tarde, a serpente se
materializou no nazismo sob a direção de Hitler cujas maléficas consequências são
conhecidas por todos que conhecem a história da humanidade no século XX. No caso
do Brasil contemporâneo, o ovo da serpente pode ser identificado com a serpente Lula,
jararaca que está viva, e no monstro dela derivada, o lulopetismo. O ovo da serpente no
Brasil gestou a serpente do lulopetismo, o próprio Lula, que, no seu pronunciamento de
ontem, ameaçou incendiar o País. As violentas manifestações em várias cidades do
Brasil no dia de ontem (04/03/2016) e do dia 17/02/2016 no Fórum da Barra Funda em
São Paulo onde se confrontaram partidários do lulopetismo e seus oponentes são uma
mostra da situação que vivenciaremos no Brasil com o incremento da violência política
entre os partidários do PT e seus oponentes, especialmente, se ocorrerem a destituição
de Dilma Rousseff da presidência da República e a prisão de Lula por corrupção.
A possibilidade de violência oriunda dos adeptos do lulopetismo resulta do desespero
que toma conta do PT e seus aliados diante da possibilidade de serem apeados do poder
com a destituição de Dilma Rousseff da Presidência da República e a inviabilização da
candidatura de Lula a este cargo em 2018 com sua provável prisão devido à corrupção a
ser comprovada pela Operação Lava Jato. Os ambientes econômico, social e político em
desintegração no Brasil propiciam o avanço da violência política. Os sinais de
desintegração são evidentes em todas as partes do País. O modelo econômico neoliberal
faliu. Além disso, todo o sistema político e administrativo do País está contaminado
pela corrupção e a Presidência da República se caracteriza pela incompetência e a
incapacidade de Dilma Rousseff e de seus ministros de promoverem a retomada do
crescimento econômico do Brasil.
A incapacidade do governo brasileiro e das instituições políticas em geral de oferecerem
respostas eficazes para superação da crise econômica em que se debate a nação
brasileira e debelar a corrupção desenfreada em todos os poderes da República na
atualidade contribui para aumentar a violência política no Brasil. Sem a solução rápida
desses problemas, o País poderá ficar desorganizado e convulsionado como aconteceu
em 1930 quando houve o golpe de estado que levou à derrubada do governo
Washington Luís e da República Velha e, em 1964, quando houve a derrubada do
governo João Goulart e a implantação da ditadura militar de 1964 a 1985. A solução dos
problemas econômicos e político-institucionais do País não podem ser adiados para
2018, como pretendem os detentores do poder e seus aliados. Quanto maior for a
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demora na solução desses problemas maior será a chance da violência política se tornar
mais virulenta.
A estagnação da economia brasileira em que ela se encontra faz com que, além da
falência generalizada de empresas e o desemprego em massa, ocorra também queda da
arrecadação do governo em todos os níveis o que implica em não haver recursos
públicos para investimento em quantidade suficiente para investir na infraestrutura
econômica e social, bem como para atender suas necessidades mais elementares como
já vêm ocorrendo em todos os quadrantes do País. Tudo isto contribui para que seja
ampliado o fosso entre o Estado brasileiro e a Sociedade Civil e para que, em 2016, o
Brasil seja convulsionado politicamente com o confronto entre os partidários e os
oponentes do atual governo. A continuidade da situação vivida atualmente pelo Brasil é,
portanto, insustentável abrindo caminho para um tempo de catástrofe no País.
Da mesma forma que a destituição de Dilma Rousseff da presidência da República e a
prisão de Lula por corrupção podem incrementar a violência política no Brasil, o mesmo
pode acontecer com a permanência de Dilma Rousseff no poder. Em outras palavras,
seja com a destituição ou a permanência de Dilma Rousseff no poder, o Brasil poderá
ser convulsionado por uma luta política de consequências imprevisíveis. Para evitar que
o Brasil seja levado à convulsão social, seria preciso a constituição de um governo
provisório composto por respeitáveis figuras públicas descomprometidas das forças
políticas em confronto que teria a incumbência de convocar uma nova Assembleia
Constituinte para reordenar a vida nacional, buscar o consenso do País na solução da
crise econômica e social, evitar a escalada da violência no Brasil e realizar novas
eleições gerais no País. Este seria o caminho para evitar uma luta fratricida ou uma
guerra civil no Brasil.
Se não for constituído um governo provisório composto por respeitáveis figuras
públicas descomprometidas das forças políticas em confronto capaz de ordenar a vida
nacional, só haverá um desfecho para o impasse institucional em que vive a nação
brasileira que é a intervenção das Forças Armadas visando a manutenção da ordem
constitucional. Nessas circunstâncias, as Forças Armadas poderiam exercer também o
papel de governo provisório que teria a incumbência de convocar uma nova Assembleia
Constituinte para reordenar a vida nacional, buscar o consenso do País na solução da
crise econômica e social, evitar a escalada da violência no Brasil e realizar novas
eleições gerais no País. Mas, poderia também se eternizar no poder como aconteceu em
1964. Este é o risco que a sociedade e a democracia brasileira sofreriam. Portanto, um
governo provisório sob o comando das Forças Armadas seria o cenário mais provável
para o futuro do Brasil.
Tudo leva a crer que será inevitável a intervenção das Forças Armadas na cena política
brasileira diante da flagrante desmoralização das instituições políticas do País cujos
principais dirigentes do Congresso Nacional e grande número de parlamentares
respondem a processos de corrupção e da ausência de partidos e lideranças respeitáveis
no Brasil capazes de se colocar acima das forças políticas em confronto e reordenar a
vida nacional.
* Fernando Alcoforado, 76, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em
Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor
universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento
regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São
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Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo,
1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do
desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,
http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel,
São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era
Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social
Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG,
Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora,
Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global
(Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do
Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012) e Energia no Mundo e no Brasil-
Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015).

A serpente jararaca lula e o futuro do brasil

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    1 A SERPENTE (JARARACA)LULA E O FUTURO DO BRASIL Fernando Alcoforado* Após ser ouvido de forma coercitiva pela Polícia Federal no dia de ontem (04/03/2016) no aeroporto de Congonhas, o ex-presidente Lula, em discurso, se comparou a uma serpente jararaca quando afirmou que quiseram matar a jararaca, mas não fizeram direito, pois não bateram na cabeça. Segundo Lula, “bateram no rabo porque a jararaca está viva”. Esta identidade de Lula com a serpente jararaca faz lembrar o filme “Ovo da Serpente” (1977), de Ingmar Bergman que é a melhor reprodução cinematográfica do surgimento do nazismo na Alemanha. Neste filme, Ingmar Bergman retrata a sociedade alemã à beira do caos econômico e político. Muitas vezes o ovo da serpente foi utilizado como metáfora para exprimir a constatação de um mal em processo de incubação. Nele, no ovo da serpente, no seu desenvolvimento, pode-se acompanhar a lenta e inexorável evolução do monstro que estava se criando na Alemanha na década de 1930, o nazismo. No filme, o nazismo estava ainda em incubação no ovo. Mais tarde, a serpente se materializou no nazismo sob a direção de Hitler cujas maléficas consequências são conhecidas por todos que conhecem a história da humanidade no século XX. No caso do Brasil contemporâneo, o ovo da serpente pode ser identificado com a serpente Lula, jararaca que está viva, e no monstro dela derivada, o lulopetismo. O ovo da serpente no Brasil gestou a serpente do lulopetismo, o próprio Lula, que, no seu pronunciamento de ontem, ameaçou incendiar o País. As violentas manifestações em várias cidades do Brasil no dia de ontem (04/03/2016) e do dia 17/02/2016 no Fórum da Barra Funda em São Paulo onde se confrontaram partidários do lulopetismo e seus oponentes são uma mostra da situação que vivenciaremos no Brasil com o incremento da violência política entre os partidários do PT e seus oponentes, especialmente, se ocorrerem a destituição de Dilma Rousseff da presidência da República e a prisão de Lula por corrupção. A possibilidade de violência oriunda dos adeptos do lulopetismo resulta do desespero que toma conta do PT e seus aliados diante da possibilidade de serem apeados do poder com a destituição de Dilma Rousseff da Presidência da República e a inviabilização da candidatura de Lula a este cargo em 2018 com sua provável prisão devido à corrupção a ser comprovada pela Operação Lava Jato. Os ambientes econômico, social e político em desintegração no Brasil propiciam o avanço da violência política. Os sinais de desintegração são evidentes em todas as partes do País. O modelo econômico neoliberal faliu. Além disso, todo o sistema político e administrativo do País está contaminado pela corrupção e a Presidência da República se caracteriza pela incompetência e a incapacidade de Dilma Rousseff e de seus ministros de promoverem a retomada do crescimento econômico do Brasil. A incapacidade do governo brasileiro e das instituições políticas em geral de oferecerem respostas eficazes para superação da crise econômica em que se debate a nação brasileira e debelar a corrupção desenfreada em todos os poderes da República na atualidade contribui para aumentar a violência política no Brasil. Sem a solução rápida desses problemas, o País poderá ficar desorganizado e convulsionado como aconteceu em 1930 quando houve o golpe de estado que levou à derrubada do governo Washington Luís e da República Velha e, em 1964, quando houve a derrubada do governo João Goulart e a implantação da ditadura militar de 1964 a 1985. A solução dos problemas econômicos e político-institucionais do País não podem ser adiados para 2018, como pretendem os detentores do poder e seus aliados. Quanto maior for a
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    2 demora na soluçãodesses problemas maior será a chance da violência política se tornar mais virulenta. A estagnação da economia brasileira em que ela se encontra faz com que, além da falência generalizada de empresas e o desemprego em massa, ocorra também queda da arrecadação do governo em todos os níveis o que implica em não haver recursos públicos para investimento em quantidade suficiente para investir na infraestrutura econômica e social, bem como para atender suas necessidades mais elementares como já vêm ocorrendo em todos os quadrantes do País. Tudo isto contribui para que seja ampliado o fosso entre o Estado brasileiro e a Sociedade Civil e para que, em 2016, o Brasil seja convulsionado politicamente com o confronto entre os partidários e os oponentes do atual governo. A continuidade da situação vivida atualmente pelo Brasil é, portanto, insustentável abrindo caminho para um tempo de catástrofe no País. Da mesma forma que a destituição de Dilma Rousseff da presidência da República e a prisão de Lula por corrupção podem incrementar a violência política no Brasil, o mesmo pode acontecer com a permanência de Dilma Rousseff no poder. Em outras palavras, seja com a destituição ou a permanência de Dilma Rousseff no poder, o Brasil poderá ser convulsionado por uma luta política de consequências imprevisíveis. Para evitar que o Brasil seja levado à convulsão social, seria preciso a constituição de um governo provisório composto por respeitáveis figuras públicas descomprometidas das forças políticas em confronto que teria a incumbência de convocar uma nova Assembleia Constituinte para reordenar a vida nacional, buscar o consenso do País na solução da crise econômica e social, evitar a escalada da violência no Brasil e realizar novas eleições gerais no País. Este seria o caminho para evitar uma luta fratricida ou uma guerra civil no Brasil. Se não for constituído um governo provisório composto por respeitáveis figuras públicas descomprometidas das forças políticas em confronto capaz de ordenar a vida nacional, só haverá um desfecho para o impasse institucional em que vive a nação brasileira que é a intervenção das Forças Armadas visando a manutenção da ordem constitucional. Nessas circunstâncias, as Forças Armadas poderiam exercer também o papel de governo provisório que teria a incumbência de convocar uma nova Assembleia Constituinte para reordenar a vida nacional, buscar o consenso do País na solução da crise econômica e social, evitar a escalada da violência no Brasil e realizar novas eleições gerais no País. Mas, poderia também se eternizar no poder como aconteceu em 1964. Este é o risco que a sociedade e a democracia brasileira sofreriam. Portanto, um governo provisório sob o comando das Forças Armadas seria o cenário mais provável para o futuro do Brasil. Tudo leva a crer que será inevitável a intervenção das Forças Armadas na cena política brasileira diante da flagrante desmoralização das instituições políticas do País cujos principais dirigentes do Congresso Nacional e grande número de parlamentares respondem a processos de corrupção e da ausência de partidos e lideranças respeitáveis no Brasil capazes de se colocar acima das forças políticas em confronto e reordenar a vida nacional. * Fernando Alcoforado, 76, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São
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    3 Paulo, 1997), DeCollor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012) e Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015).