A PROSA MODERNISTA DE 22 A FASE DE RUPTURA
A PROSA MODERNISTA DE 22O modernismo de 22 enfatizou muito mais a produção poética, os manifestos e os movimentos primitivistas.
A produção romanesca foi resumida, destacando-se Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Antônio Alcântara Machado.
Mário de Andrade produziu dois romances exemplares: Macunaíma e Amar, verbo intransitivo, além da narrativa curta: Contos novos e Contos de Belazarte.
Oswald de Andrade destacou-se com os romances Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande.
Antônio Alcântara Machado produziu um livros de contos com o título de Brás, Bexiga e Barra funda. MACUNAÍMAÉ uma obra classificada não propriamente como um romance, mas como uma rapsódia, já que a narrativa é uma mistura de lendas, mitos e folclore.
Narrada em terceira pessoa, a obra procura sintetizar os elementos da cultura brasileira, apoiando-se, portanto, no índio, negro, mestiço e no branco.
Perpassa por toda a narrativa um tom de paródia, principalmente, no tocante ao índio, à cultura acadêmica e à visão idealizada da formação cultural e racial brasileira.
É uma narrativa mágica, sobrenatural, em que o narrador enfatiza o caráter primitivo e mítico da cultura indígena e negra.
O protagonista, Macunaíma, sintetiza o homem latino-americano ou brasileiro, já que seu caráter é multifacetado, e, por isso, é chamado de herói sem nenhum caráter.  AMAR, VERBO INTRANSITIVORomance narrado em terceira pessoa, narrador onisciente e intruso e com intensa quebra da linearidade.
Percebe-se que a intenção de Mário foi refletir sarcasticamente sobre a cultura brasileira europeizada e sobre os valores culturais e sociais burgueses.
A trama gira em torno de uma relação afetivo-amorosa entre um rapaz de classe burguesa e uma governanta ariana, chamada Elza, denominada de Fraulein.
O romance coloca em choque elementos da cultura nacional e da cultura europeia, desmistificando o conceito de superioridade que se tem da cultura estrangeira.
Através da ironia e do humor, Mário reafirma, como já fez em Macunaíma, os valores da cultura e da sociabilidade brasileira.
Do ponto de vista estrutural, o romance apresenta um estilo moderno, sem enredo tradicional, e com constantes intromissões do narrador através de comentários e explicações.  MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMARO principal romance de Oswald de Andrade apresenta um estilo transgressor, sendo denominado de antirromance.
A obra foge completamente ao padrão tradicional de narrativa, não tendo propriamente um enredo, sendo formado de uma mistura de gêneros.
O enredo é centrado nas digressões do protagonista, João Miramar, um intelectual burguês que morou em Paris e no retorno ao Brasil procurar refletir sobre vários aspectos da cultura brasileira e europeia.
As digressões aparecem em formas diversas de linguagem não configurando, portanto, uma narrativa tradicional.
A obra é permeada de um tom irônico, humorístico, satírico e parodístico, em que o alvo é a cultura burguesa e acadêmica.
O romance ou antirromance vale muito mais pelo caráter de invenção, de paródia e de experimentação de linguagem do que pela história, pelo enredo.BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDAÉ a principal obra de Antônio Alcântara Machado, escritor descendente de italianos.
Os contos que compõem a obra tematizam a vida do imigrante italiano na cidade de São Paulo.
São narrativas que destacam as relações sociais e culturais nos bairros Brás, Bexiga e Barra funda, envolvendo normalmente personagens italianos e brasileiros.
Os contos revelam como os italianos vão se adaptando à cultura brasileira e as influências da cultura italiana no Brasil.
Antônio Alcântara Machado é considerado autor de um “português macarrônico” porque em suas narrativas tematiza a mistura linguística entre italiano e português em função do encontro das culturas europeia e brasileira.
As narrativas também revelam a formação da consciência proletária brasileira proporcionada pelos operários italianos e a penetração dos chamados “carcomanos” no universo aristocrático brasileiro, sempre com uma boa dose de ironia. O ROMANCE DE TRINTAUMA REFLEXÃO SOBRE O SUBDESENVOVIMENTO BRASILEIRO
O NEORREALISMO DE TRINTAA mais substancial literatura brasileira surge na década de trinta, principalmente, no Nordeste brasileiro.
De feição neorrealista, o romance de trinta aborda as questões sociais , econômicas e políticas que fazem do Brasil um país subdesenvolvido.
O manifesto regionalista do Recife, elaborado por intelectuais nordestinos, como Gilberto Freire e José Lins do Rego, foi o responsável pela solidificação uma literatura nordestina.
A literatura de trinta não foi somente do Nordeste, pois apareceram escritores no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. O ROMANCE DE TRINTA NO BRASILÉrico Veríssimo será o principal escritor deste período no Rio Grande do Sul, fazendo uma obra em que aparecem duas tendências: um romance histórico, de feições sociais e políticas, com destaque para a trilogia O Tempo e O  Vento e Incidente em Antares; um romance urbano de tendência psicossocial, em que se destacam Clarissa e Olhai os lírios do campo.
No Rio de Janeiro, Marques Rebelo é o destaque, principalmente, com o seu A estrela sobe, em que traça um painel crítico das questões sociais e culturais de um Rio de Janeiro que está se tornando uma metrópole capitalista. O ROMANCE DE TRINTA NO BRASILEm Goiás, o grande destaque é Bernardo Élis com o seu romance épico, O Tronco, em que tematiza a saga dos coronéis latifundiários em confronto com o novo governo.
Avultam, Nordeste, entretanto, os escritores mais importantes deste período: do Ceará à Bahia aparecem obras que deixarão para sempre uma visão de mundo marcada pela reflexão crítica sobre o subdesenvolvimento da região.
O grande destaque de trinta, indubitavelmente, está relacionado com Raquel de Queiroz, no Ceará; José Américo de Almeida e José Lins do Rego na Paraíba. O ROMANCE DE TRINTA NO BRASILEm Pernambuco, Gilberto Freire vai influenciar a geração de trinta ao fazer Casa Grande e Senzala, um misto de sociologia e literatura, em que discute a formação da sociedade patriarcal nordestina.
Em Alagoas, o destaque fica por conta de Graciliano Ramos, escritor clássico, universal, mas dono de uma obra humanista sem precedentes, principalmente, pela abordagem que faz da relação entre o homem e o meio opressor.
Vidas secas, São Bernardo, Angústia e o autobiográfico Memórias do cárcere estão entre as melhores obras do período.  O ROMANCE DE TRINTA NO BRASILEm Sergipe, aparece Amando Fontes, inserindo o estado na Literatura de trinta com dois romances de formação proletária: Os Corumbas e Rua do Siriri.
Jorge Amado será o responsável pela obra mais extensa e mais comprometida politicamente produzida no país a partir deste período.
Basicamente sua produção literária possui duas fases: a primeira, de 30 a 56, apresenta uma coloração política ideológica bem nítida, o que levou seus críticos a chamarem de panfletária.
A segunda, a partir de Gabriela, cravo e canela se volta para questões de ordem social e cultural em que aborda questões como preconceito, racismo e liberdade.  O MUNDO DO ENGENHO EM A BAGACEIRA
MODERNISMO DE TRINTAA Bagaceira, em 1928, é o primeiro romance de feições neorrealistas  a ser publicado pelo chamado grupo nordestino.
O romance de José Américo de Almeida aborda questões econômicas, sociais, culturais e políticas do Nordeste brasileiro, denunciando o subdesenvolvimento da região.
Basicamente a temática de A Bagaceira gira em torno das transformações que ocorrem no interior do mundo do engenho de cana de açúcar.
Avultam também questões relativas aos códigos morais, culturais e éticos do mundo patriarcal nordestino.
Observa-se o fenômeno do cangaço que aparece como elemento de resistência à exploração e à opressão do senhor de engenho.JOSÉ LINS DO REGO
O ENGENHO DE JOSÉ LINS DO REGO
O CICLO DA CANA DE AÇÚCARA obra de José Lins do Rego tematiza o mundo do engenho no interior do Nordeste brasileiro, revelando principalmente o processo de decadência do mundo rural.
Nos romances inseridos no ciclo da cana de açúcar ocorre um resgate das relações sociais, econômicas e políticas através de um tom saudosista do autor.
A maior parte dos romances de José Lins do Rego possui um cunho memorialista e com fortes traços autobiográficos, já que o autor é oriundo da região.
Dos romances do ciclo, Menino de engenho é o que apresenta uma visão mais lírica do mundo do engenho, enquanto que Fogo Morto é o seu romance mais crítico em relação ao processo de decadência do engenho.CASA GRANDE X SENZALAA visão lírica, saudosista, da maior parte dos romances do ciclo, em Fogo Morto, é substituída por uma crítica contundente ás relações sociais.
O Senhor de engenho aparece com elemento opressor, explorador das classes marginalizadas, no romance, simbolizadas pelo mestre José Amaro.
Surge então como elemento de resistência o cangaceiro que representa os pobres e oprimidos, respondendo com violência a opressão dos senhores de engenho.
Em Fogo Morto, a figura do personagem quixotesco, capitão Vitorino, simbolicamente representa a justiça num mundo em que a lei é a do mais forte. O ENGENHO, UM MUNDO EM DESTRUIÇÃOEm Menino de engenho, o menino Carlos Melo representa o alter-ego de José Lins do Rego, neto de senhor de engenho e criado em sua infância entre os moleques da bagaceira.
O romance, entretanto, não é apenas saudosista, porque à medida que o menino Carlos Melo vai relembrando o auge do engenho e seu declínio emana uma visão crítica de um mundo em derrocada.
De Menino de Engenho a Usina, José Lins do Rego nos dá painel das relações sociais, políticas e econômicas no interior do engenho, desde seu apogeu à sua decadência, na primeira metade do século XX, com a chegada da Usina e consequentemente do Capitalismo.   GRACILIANO RAMOS
A LITERATURA HUMANISTAIndubitavelmente a literatura mais importante de trinta é a de Graciliano Ramos, visto que o escritor alagoano extrapolou as questões regionais, para se fixar em dramas humanos e universais.
Vidas Secas, por exemplo, não aborda apenas a seca e o latifúndio como elementos de opressão ao sertanejo no Nordeste brasileiro, mas a relação direta do homem com uma sociedade ditatorial, adversa, que coisifica e reifica o ser humano.
Em São Bernardo, Graciliano reflete como o processo capitalista reduz o homem a um mero joguete das forças produtivas, tornando-o desumano, bruto, alienado ao sistema.  VIDAS SECAS
VIDAS SECASÚnico romance de Graciliano Ramos narrado em terceira pessoa, mas com uma temática acentuadamente psicológica.
O narrador em discurso indireto e indireto livre perscruta a  vida interior do vaqueiro Fabiano  e de sua família num verdadeiro estudo da alma humana.
O romance, entretanto, não se resume à interrogação psicológica, mas a uma reflexão profunda sobre o embrutecimento do homem em sua relação com o meio social e o ambiente hostil.
O tema do romance gira em torno do processo de coisificação a que são submetidos os personagens em sua relação com a estrutura social e o embrutecimento a que são reduzidos em contato com a natureza adversa. VIDAS SECASA disposição dos personagens no romance ocorre dentro de uma estrutura de poder: de um lado, a classe dominante formada pelo fazendeiro, pelo cobrador de impostos e pelo soldado amarelo; do outro, a classe dominada composta por Fabiano, o vaqueiro, sua mulher, Sinhá Vitória, o menino mais velho e o menino mais novo.
A cachorra baleia e um papagaio fazem parte da estrutura familiar em sua luta pela sobrevivência.
Aparecem ainda no romance Seu Tomaz da Bolandeira, o guarda livros da fazenda, e Sinhá Terta, a costureira.
O personagem protagonista Fabiano é explorado brutalmente pelos três personagens da classe dominante, representando a estrutura social, política e fundiária do Nordeste brasileiro.   VIDAS SECAS
VIDAS SECASNão bastasse a exploração a que é submetido pela estrutura social, Fabiano e sua família também é oprimido pela seca.
O romance possui uma estrutura cíclica, ou seja, inicia-se com os personagens fugindo de uma seca e termina com outra fuga, revelando, pois, uma situação que não apresenta saída.

A prosa modernista

  • 1.
    A PROSA MODERNISTADE 22 A FASE DE RUPTURA
  • 2.
    A PROSA MODERNISTADE 22O modernismo de 22 enfatizou muito mais a produção poética, os manifestos e os movimentos primitivistas.
  • 3.
    A produção romanescafoi resumida, destacando-se Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Antônio Alcântara Machado.
  • 4.
    Mário de Andradeproduziu dois romances exemplares: Macunaíma e Amar, verbo intransitivo, além da narrativa curta: Contos novos e Contos de Belazarte.
  • 5.
    Oswald de Andradedestacou-se com os romances Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande.
  • 6.
    Antônio Alcântara Machadoproduziu um livros de contos com o título de Brás, Bexiga e Barra funda. MACUNAÍMAÉ uma obra classificada não propriamente como um romance, mas como uma rapsódia, já que a narrativa é uma mistura de lendas, mitos e folclore.
  • 7.
    Narrada em terceirapessoa, a obra procura sintetizar os elementos da cultura brasileira, apoiando-se, portanto, no índio, negro, mestiço e no branco.
  • 8.
    Perpassa por todaa narrativa um tom de paródia, principalmente, no tocante ao índio, à cultura acadêmica e à visão idealizada da formação cultural e racial brasileira.
  • 9.
    É uma narrativamágica, sobrenatural, em que o narrador enfatiza o caráter primitivo e mítico da cultura indígena e negra.
  • 10.
    O protagonista, Macunaíma,sintetiza o homem latino-americano ou brasileiro, já que seu caráter é multifacetado, e, por isso, é chamado de herói sem nenhum caráter. AMAR, VERBO INTRANSITIVORomance narrado em terceira pessoa, narrador onisciente e intruso e com intensa quebra da linearidade.
  • 11.
    Percebe-se que aintenção de Mário foi refletir sarcasticamente sobre a cultura brasileira europeizada e sobre os valores culturais e sociais burgueses.
  • 12.
    A trama giraem torno de uma relação afetivo-amorosa entre um rapaz de classe burguesa e uma governanta ariana, chamada Elza, denominada de Fraulein.
  • 13.
    O romance colocaem choque elementos da cultura nacional e da cultura europeia, desmistificando o conceito de superioridade que se tem da cultura estrangeira.
  • 14.
    Através da ironiae do humor, Mário reafirma, como já fez em Macunaíma, os valores da cultura e da sociabilidade brasileira.
  • 15.
    Do ponto devista estrutural, o romance apresenta um estilo moderno, sem enredo tradicional, e com constantes intromissões do narrador através de comentários e explicações. MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMARO principal romance de Oswald de Andrade apresenta um estilo transgressor, sendo denominado de antirromance.
  • 16.
    A obra fogecompletamente ao padrão tradicional de narrativa, não tendo propriamente um enredo, sendo formado de uma mistura de gêneros.
  • 17.
    O enredo écentrado nas digressões do protagonista, João Miramar, um intelectual burguês que morou em Paris e no retorno ao Brasil procurar refletir sobre vários aspectos da cultura brasileira e europeia.
  • 18.
    As digressões aparecemem formas diversas de linguagem não configurando, portanto, uma narrativa tradicional.
  • 19.
    A obra épermeada de um tom irônico, humorístico, satírico e parodístico, em que o alvo é a cultura burguesa e acadêmica.
  • 20.
    O romance ouantirromance vale muito mais pelo caráter de invenção, de paródia e de experimentação de linguagem do que pela história, pelo enredo.BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDAÉ a principal obra de Antônio Alcântara Machado, escritor descendente de italianos.
  • 21.
    Os contos quecompõem a obra tematizam a vida do imigrante italiano na cidade de São Paulo.
  • 22.
    São narrativas quedestacam as relações sociais e culturais nos bairros Brás, Bexiga e Barra funda, envolvendo normalmente personagens italianos e brasileiros.
  • 23.
    Os contos revelamcomo os italianos vão se adaptando à cultura brasileira e as influências da cultura italiana no Brasil.
  • 24.
    Antônio Alcântara Machadoé considerado autor de um “português macarrônico” porque em suas narrativas tematiza a mistura linguística entre italiano e português em função do encontro das culturas europeia e brasileira.
  • 25.
    As narrativas tambémrevelam a formação da consciência proletária brasileira proporcionada pelos operários italianos e a penetração dos chamados “carcomanos” no universo aristocrático brasileiro, sempre com uma boa dose de ironia. O ROMANCE DE TRINTAUMA REFLEXÃO SOBRE O SUBDESENVOVIMENTO BRASILEIRO
  • 26.
    O NEORREALISMO DETRINTAA mais substancial literatura brasileira surge na década de trinta, principalmente, no Nordeste brasileiro.
  • 27.
    De feição neorrealista,o romance de trinta aborda as questões sociais , econômicas e políticas que fazem do Brasil um país subdesenvolvido.
  • 28.
    O manifesto regionalistado Recife, elaborado por intelectuais nordestinos, como Gilberto Freire e José Lins do Rego, foi o responsável pela solidificação uma literatura nordestina.
  • 29.
    A literatura detrinta não foi somente do Nordeste, pois apareceram escritores no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. O ROMANCE DE TRINTA NO BRASILÉrico Veríssimo será o principal escritor deste período no Rio Grande do Sul, fazendo uma obra em que aparecem duas tendências: um romance histórico, de feições sociais e políticas, com destaque para a trilogia O Tempo e O Vento e Incidente em Antares; um romance urbano de tendência psicossocial, em que se destacam Clarissa e Olhai os lírios do campo.
  • 30.
    No Rio deJaneiro, Marques Rebelo é o destaque, principalmente, com o seu A estrela sobe, em que traça um painel crítico das questões sociais e culturais de um Rio de Janeiro que está se tornando uma metrópole capitalista. O ROMANCE DE TRINTA NO BRASILEm Goiás, o grande destaque é Bernardo Élis com o seu romance épico, O Tronco, em que tematiza a saga dos coronéis latifundiários em confronto com o novo governo.
  • 31.
    Avultam, Nordeste, entretanto,os escritores mais importantes deste período: do Ceará à Bahia aparecem obras que deixarão para sempre uma visão de mundo marcada pela reflexão crítica sobre o subdesenvolvimento da região.
  • 32.
    O grande destaquede trinta, indubitavelmente, está relacionado com Raquel de Queiroz, no Ceará; José Américo de Almeida e José Lins do Rego na Paraíba. O ROMANCE DE TRINTA NO BRASILEm Pernambuco, Gilberto Freire vai influenciar a geração de trinta ao fazer Casa Grande e Senzala, um misto de sociologia e literatura, em que discute a formação da sociedade patriarcal nordestina.
  • 33.
    Em Alagoas, odestaque fica por conta de Graciliano Ramos, escritor clássico, universal, mas dono de uma obra humanista sem precedentes, principalmente, pela abordagem que faz da relação entre o homem e o meio opressor.
  • 34.
    Vidas secas, SãoBernardo, Angústia e o autobiográfico Memórias do cárcere estão entre as melhores obras do período. O ROMANCE DE TRINTA NO BRASILEm Sergipe, aparece Amando Fontes, inserindo o estado na Literatura de trinta com dois romances de formação proletária: Os Corumbas e Rua do Siriri.
  • 35.
    Jorge Amado seráo responsável pela obra mais extensa e mais comprometida politicamente produzida no país a partir deste período.
  • 36.
    Basicamente sua produçãoliterária possui duas fases: a primeira, de 30 a 56, apresenta uma coloração política ideológica bem nítida, o que levou seus críticos a chamarem de panfletária.
  • 37.
    A segunda, apartir de Gabriela, cravo e canela se volta para questões de ordem social e cultural em que aborda questões como preconceito, racismo e liberdade. O MUNDO DO ENGENHO EM A BAGACEIRA
  • 38.
    MODERNISMO DE TRINTAABagaceira, em 1928, é o primeiro romance de feições neorrealistas a ser publicado pelo chamado grupo nordestino.
  • 39.
    O romance deJosé Américo de Almeida aborda questões econômicas, sociais, culturais e políticas do Nordeste brasileiro, denunciando o subdesenvolvimento da região.
  • 40.
    Basicamente a temáticade A Bagaceira gira em torno das transformações que ocorrem no interior do mundo do engenho de cana de açúcar.
  • 41.
    Avultam também questõesrelativas aos códigos morais, culturais e éticos do mundo patriarcal nordestino.
  • 42.
    Observa-se o fenômenodo cangaço que aparece como elemento de resistência à exploração e à opressão do senhor de engenho.JOSÉ LINS DO REGO
  • 43.
    O ENGENHO DEJOSÉ LINS DO REGO
  • 44.
    O CICLO DACANA DE AÇÚCARA obra de José Lins do Rego tematiza o mundo do engenho no interior do Nordeste brasileiro, revelando principalmente o processo de decadência do mundo rural.
  • 45.
    Nos romances inseridosno ciclo da cana de açúcar ocorre um resgate das relações sociais, econômicas e políticas através de um tom saudosista do autor.
  • 46.
    A maior partedos romances de José Lins do Rego possui um cunho memorialista e com fortes traços autobiográficos, já que o autor é oriundo da região.
  • 47.
    Dos romances dociclo, Menino de engenho é o que apresenta uma visão mais lírica do mundo do engenho, enquanto que Fogo Morto é o seu romance mais crítico em relação ao processo de decadência do engenho.CASA GRANDE X SENZALAA visão lírica, saudosista, da maior parte dos romances do ciclo, em Fogo Morto, é substituída por uma crítica contundente ás relações sociais.
  • 48.
    O Senhor deengenho aparece com elemento opressor, explorador das classes marginalizadas, no romance, simbolizadas pelo mestre José Amaro.
  • 49.
    Surge então comoelemento de resistência o cangaceiro que representa os pobres e oprimidos, respondendo com violência a opressão dos senhores de engenho.
  • 50.
    Em Fogo Morto,a figura do personagem quixotesco, capitão Vitorino, simbolicamente representa a justiça num mundo em que a lei é a do mais forte. O ENGENHO, UM MUNDO EM DESTRUIÇÃOEm Menino de engenho, o menino Carlos Melo representa o alter-ego de José Lins do Rego, neto de senhor de engenho e criado em sua infância entre os moleques da bagaceira.
  • 51.
    O romance, entretanto,não é apenas saudosista, porque à medida que o menino Carlos Melo vai relembrando o auge do engenho e seu declínio emana uma visão crítica de um mundo em derrocada.
  • 52.
    De Menino deEngenho a Usina, José Lins do Rego nos dá painel das relações sociais, políticas e econômicas no interior do engenho, desde seu apogeu à sua decadência, na primeira metade do século XX, com a chegada da Usina e consequentemente do Capitalismo. GRACILIANO RAMOS
  • 53.
    A LITERATURA HUMANISTAIndubitavelmentea literatura mais importante de trinta é a de Graciliano Ramos, visto que o escritor alagoano extrapolou as questões regionais, para se fixar em dramas humanos e universais.
  • 54.
    Vidas Secas, porexemplo, não aborda apenas a seca e o latifúndio como elementos de opressão ao sertanejo no Nordeste brasileiro, mas a relação direta do homem com uma sociedade ditatorial, adversa, que coisifica e reifica o ser humano.
  • 55.
    Em São Bernardo,Graciliano reflete como o processo capitalista reduz o homem a um mero joguete das forças produtivas, tornando-o desumano, bruto, alienado ao sistema. VIDAS SECAS
  • 56.
    VIDAS SECASÚnico romancede Graciliano Ramos narrado em terceira pessoa, mas com uma temática acentuadamente psicológica.
  • 57.
    O narrador emdiscurso indireto e indireto livre perscruta a vida interior do vaqueiro Fabiano e de sua família num verdadeiro estudo da alma humana.
  • 58.
    O romance, entretanto,não se resume à interrogação psicológica, mas a uma reflexão profunda sobre o embrutecimento do homem em sua relação com o meio social e o ambiente hostil.
  • 59.
    O tema doromance gira em torno do processo de coisificação a que são submetidos os personagens em sua relação com a estrutura social e o embrutecimento a que são reduzidos em contato com a natureza adversa. VIDAS SECASA disposição dos personagens no romance ocorre dentro de uma estrutura de poder: de um lado, a classe dominante formada pelo fazendeiro, pelo cobrador de impostos e pelo soldado amarelo; do outro, a classe dominada composta por Fabiano, o vaqueiro, sua mulher, Sinhá Vitória, o menino mais velho e o menino mais novo.
  • 60.
    A cachorra baleiae um papagaio fazem parte da estrutura familiar em sua luta pela sobrevivência.
  • 61.
    Aparecem ainda noromance Seu Tomaz da Bolandeira, o guarda livros da fazenda, e Sinhá Terta, a costureira.
  • 62.
    O personagem protagonistaFabiano é explorado brutalmente pelos três personagens da classe dominante, representando a estrutura social, política e fundiária do Nordeste brasileiro. VIDAS SECAS
  • 63.
    VIDAS SECASNão bastassea exploração a que é submetido pela estrutura social, Fabiano e sua família também é oprimido pela seca.
  • 64.
    O romance possuiuma estrutura cíclica, ou seja, inicia-se com os personagens fugindo de uma seca e termina com outra fuga, revelando, pois, uma situação que não apresenta saída.