A COERÊNCIA TEXTUAL

Dos trabalhos que desenvolvem os aspectos da coerência dos textos, o de Charolles (1978) é
freqüentemente citado em estudos descritivos e aplicados. Partindo da noção de textualidade
apresentada por Beaugrande e Dressier, Charolles também entende a coerência como uma
propriedade ideativa do texto e enumera as quatro meta-regras que um texto coerente deve
apresentar:

1. Repetição: Diz respeito à necessária retomada de elementos no decorrer do discurso. Um
texto coerente tem unidade, já que nele há a permanência de elementos constantes no seu
desenvolvimento. Um texto que trate a cada passo de assuntos diferentes sem um explícito
ponto comum não tem continuidade. Um texto coerente apresenta continuidade semântica na
retomada de conceitos, idéias. Isto fica evidente na utilização de recursos lingüísticos
específicos como pronomes, repetição de palavras, sinônimos, hipônimos, hiperônimos etc. Os
processos coesivos de continuidade só se podem dar com elementos expressos na superfície
textual; um elemento coesivo sem referente expresso, ou com mais de um referente possível,
torna o texto mal-formado.

2. Progressão: O texto deve retomar seus elementos conceituais e formais, mas não deve
limitar-se a isso. Deve, sim, apresentar novas informações a propósito dos elementos
mencionados. Os acréscimos semânticos fazem o sentido do texto progredir. No plano da
coerência, percebe-se a progressão pela soma das idéias novas às que são já tratadas. Há
muitos recursos capazes de conferir seqüenciação a um texto.

3. Não-contradição: um texto precisa respeitar princípios lógicos elementares. Não pode
afirmar A e o contrário de A . Suas ocorrências não podem se contradizer, devem ser
compatíveis entre si e com o mundo a que se referem, já que o mundo textual tem que ser
compatível com o mundo que representa. Esta não-contradição expressa-se nos elementos
lingüísticos, no uso do vocabulário, por exemplo. Em redações escolares, costuma-se encontrar
significantes que não condizem com os significados pretendidos. Isso resulta do
desconhecimento, por parte do emissor, do vocabulário a que recorreu.

4. Relação: um texto articulado coerentemente possui relações estabelecidas, firmemente,
entre suas informações, e essas têm a ver umas com as outras. A relação em um texto
refere-se à forma como seus conceitos se encadeiam, como se organizam, que papeis exercem
uns em relação aos outros. As relações entre os fatos têm que estar presentes e ser
pertinentes.

Disponível em: <http://www.filologia.org.br/revista/40suple/a_construcao_de_texto.pdf>

Acesso em: 01/05/2011.

A coerência textual

  • 1.
    A COERÊNCIA TEXTUAL Dostrabalhos que desenvolvem os aspectos da coerência dos textos, o de Charolles (1978) é freqüentemente citado em estudos descritivos e aplicados. Partindo da noção de textualidade apresentada por Beaugrande e Dressier, Charolles também entende a coerência como uma propriedade ideativa do texto e enumera as quatro meta-regras que um texto coerente deve apresentar: 1. Repetição: Diz respeito à necessária retomada de elementos no decorrer do discurso. Um texto coerente tem unidade, já que nele há a permanência de elementos constantes no seu desenvolvimento. Um texto que trate a cada passo de assuntos diferentes sem um explícito ponto comum não tem continuidade. Um texto coerente apresenta continuidade semântica na retomada de conceitos, idéias. Isto fica evidente na utilização de recursos lingüísticos específicos como pronomes, repetição de palavras, sinônimos, hipônimos, hiperônimos etc. Os processos coesivos de continuidade só se podem dar com elementos expressos na superfície textual; um elemento coesivo sem referente expresso, ou com mais de um referente possível, torna o texto mal-formado. 2. Progressão: O texto deve retomar seus elementos conceituais e formais, mas não deve limitar-se a isso. Deve, sim, apresentar novas informações a propósito dos elementos mencionados. Os acréscimos semânticos fazem o sentido do texto progredir. No plano da coerência, percebe-se a progressão pela soma das idéias novas às que são já tratadas. Há muitos recursos capazes de conferir seqüenciação a um texto. 3. Não-contradição: um texto precisa respeitar princípios lógicos elementares. Não pode afirmar A e o contrário de A . Suas ocorrências não podem se contradizer, devem ser compatíveis entre si e com o mundo a que se referem, já que o mundo textual tem que ser compatível com o mundo que representa. Esta não-contradição expressa-se nos elementos lingüísticos, no uso do vocabulário, por exemplo. Em redações escolares, costuma-se encontrar significantes que não condizem com os significados pretendidos. Isso resulta do desconhecimento, por parte do emissor, do vocabulário a que recorreu. 4. Relação: um texto articulado coerentemente possui relações estabelecidas, firmemente, entre suas informações, e essas têm a ver umas com as outras. A relação em um texto refere-se à forma como seus conceitos se encadeiam, como se organizam, que papeis exercem uns em relação aos outros. As relações entre os fatos têm que estar presentes e ser pertinentes. Disponível em: <http://www.filologia.org.br/revista/40suple/a_construcao_de_texto.pdf> Acesso em: 01/05/2011.