A principal hipótese diagnóstica é pneumonia bacteriana. Exames solicitados incluem raio-x de tórax e hemocultura. A conduta terapêutica mais adequada é antibióticos de amplo espectro, suporte ventilatório não invasivo e reposição volêmica.
Caso clinico
• JPS,56 anos, diabético, hipertenso, chega ao pronto socorro
trazido por seus familiares com queixa de tosse produtiva há
04 dias, febre, fraqueza e “urina pouca”.
• Ao exame físico: Glasgow: 12 ( AO: 3 RV: 4 RM: 5),
hipocorado(+1/+4), acianótico, anictérico, FR: 25 irpm, ACR:
RCI, 2T, BNF, SS, murmúrio vesicular presente bilateralmente
com estertores creptantes em terço inferior de hemitórax
esquerdo, extremidades: frias, hipoperfundidas, FC: 100 bpm,
PAS: 90 mmHg, PAD: 60 mmHg, TAX: 34°C.
2.
• Diante doquadro qual sua principal hipótese
diagnóstica?
• Quais exames de imagem e laboratoriais você
solicitaria?
• Qual a conduta terapêutica mais adequada
para este paciente?
Critérios de SIRS
Temperatura> 38oC ou < 36oC
Frequência cardíaca > 90 bpm
Frequência respiratória > 20 ipm ou PaCO2<32mmHg
Leucócitos > 12.000 ou < 4.000 ou bastonetes > 10%
The ACCP SCCM Consensus Conference Chest 101:1644, 1992
Alterações agudas na ausência de causas conhecidas
Presença de dois entre os quatro critérios
Sepse – conceitos
Sepse grave
Presençade sinais de hipoperfusão ou disfunção orgânica
Hipotensão (PAS< 90mmHg ou > 40mmHg)
Alteração do nível de consciência
Acidose lática
Oligúria
Queda da relação pO2/FiO2
Trombocitopenia
Sepse – conceitos
Síndrome da disfunçãoorgânica múltipla
Incapacidade de manter homeostase
Primária ou secundária
Sepse – conceitos
9.
DISFUNÇÃO DE MÚLTIPLOSORGÃOS
SIRS/SEPSE GRAVE
CHOQUE
SIRS SEPSE
The ACCP SCCM Consensus Conference Chest 101:1644, 1992
10.
Declaração de Barcelona
(Setembro,2002)
Fase I
Diretrizes para o tratamento da sepse
grave e choque séptico (2004)
Fase II
Implementação das diretrizes na prática
clínica: pacotes (2005)
Fase III
Surviving Sepsis Campaign
11.
The Third InternationalConsensus
Definitions for Sepsis and Septic Shock
(Sepsis-3)
February 23, 2016
Mervyn Singer, MD, FRCP1; Clifford S. Deutschman, MD,
MS2; Christopher Warren Seymour, MD, MSc3; et al
JAMA - Journal of the American Medical
Association
12.
DEFINIÇÕES
Sepse: disfunção orgânicapotencialmente
fatal causada por uma resposta imune
desregulada a uma infecção.
Choque Séptico: sepse acompanhada por
profundas anormalidades circulatórias e
celulares/metabólicas capazes aumentar a
mortalidade substancialmente.
CRITÉRIOS CLÍNICOS
Sepse: suspeitaou certeza de infecção e
um aumento agudo de ≥ 2 pontos no SOFA
em resposta a uma infecção
(representando disfunção orgânica) (2).
Choque Séptico: sepse + necessidade
de vasopressor para elevar a pressão
arterial média acima de 65 mmHg e lactato
> 2 mmol/L (18 mg/dL) após reanimação
volêmica adequada (3).
• qSOFA:
• Beirado leito
• Suspeita/documentação de infecção que estão sob maior risco
de desfechos adversos
• Critérios:
• PA sistólica menor que 100 mmHg
• Frequência respiratória maior que 22/min
• Alteração do estado mental (GCS < 15).
• 0 a 3
• pontuação igual ou maior a 2 indica maior risco de mortalidade ou
permanência prolongada na UTI.
SIRS
` Citocinas pró-inflamatórias:TNF-, IL-1, IL-6, IL-12 e IFN-
Citocinas anti-inflamatórias: IL-10, receptor solúvel de TNF-
, IL-1ra, IL-4, TGF-
Inabilidade de restabelecer a homeostase = disfunção orgânica
Tempestade inflamatória ou imunossupressão?
Hotchkiss & Karl, NEJM 348:138, 2003
22.
RESPOSTA INFLAMATÓRIA
Produção deradicais livres
Produção de óxido nítrico
Produção de proteínas de fase aguda
Produção de hormônios de stress
Hipoxemia citopática
Ativação de macrófagos
Ativação de linfócitos T e células NK
Ativação de células endoteliais
Ativação de plaquetas
Ativação de neutrófilos
Ativação de complemento
Ativação da coagulação
Produção de citocinas inflamatórias
Produção de citocinas antinflamatórias
AGRESSÃO
ALTERAÇÕES NA MICROCIRCULAÇÃO
Aumentoda permeabilidade vascular
Alterações do fluxo e resistência vascular
Diminuição da deformidade das hemáceas
Formação de edema
Shunt arteriovenoso
Trombose
Sepse – fisiopatogenia
25.
ALTERAÇÕES HEMODINÂMICAS
Diminuição daresistência periférica
Diminuição das pressões de enchimento
Redução heterogênea do fluxo sanguíneo
Depressão miocárdica
Sepse – fisiopatogenia
26.
Martin, GS etal. NEJM 348: 1246, 2003
Sepse – epidemiologia
27.
Martin, GS etal. NEJM 348: 1246, 2003
Sepse – epidemiologia
28.
Quartin et al.JAMA 277:1058 ,1997
Sepse – doença crônica?
Mortalidade a longo prazo dos
pacientes com sepse
29.
Angus et al.CCM 29:1303,2001
Número de disfunções
orgânicas
Mortalidade (%)
Ocorrência (%)
1 73,6 21,2
4 1,0 76,2
2 20,7 44,3
3 4,7 64,5
Sepse – epidemiologia
Epidemiologia
BASES
Brazilian Sepsis EpidemiologicalStudy
E Silva et al. Crit Care 2004;8:R251
Sepse Brasil
Sales JR JA et al. RBTI 2006;18:9
1383 pacientes (5 UTIs) 3128 pacientes (75 UTIs)
Idade (mediana) – 65 anos Idade (média) – 62 anos
17% sepse grave 14% sepse grave
Mortalidade
Sepse Grave
Choque Séptico
47,3%
52,0%
34,4%
65,0%
Mortalidade
Sepse Grave
Choque Séptico
BRASIL
32.
Hospitais privados vs.públicos
0
5
10
15
20
25
30
Privados Públicos
Taxa de mortalidade (%)
APACHE II score
Brazilian Sepsis Epidemiological Study
BASES
BRASIL
p<0,05
P>0,05
0
2
4
6
8
10
SOFA
Privados
Públicos
Pacientes com
choque séptico
P>0,05
33.
COsts of SepsisTreatment Study
COSTS
%
Mortalidade
0
20
40
60
80
PRIVADO PÚBLICOS
0
5
10
15
20
25
30
APACHE SOFA
Hospitais privados
Hospitais públicos
n=5504
Sepse grave= 619
21 centros
Sogayar et al CC 9:S42, 2005
BRASIL
p<0,05
P>0,05
- Custo da sepse/dia: R$ 1.874,26 (504,40-11.370,50)
- Custo da sepse/total: R$ 19.165,50 (751,70-146.335,00)
34.
ESPECÍFICAS DO ÓRGÃOATINGIDO
INESPECÍFICAS
Febre ou hipotermia
Taquicardia
Taquipnéia
QUADRO CLÍNICO E LABORATORIAL
Depressão miocárdica Inotrópicos
Reduçãoda resistência
vascular periférica
Diminuição das
pressões de enchimento
Presença do agente
agressor
Vasoconstritores
Volume
Antimicrobianos
Disfunção orgânica Suporte intensivo
45.
RESSUSCITAÇÃO VOLÊMICA INICIAL
DIAGNÓSTICO
ANTIBIÓTICOS
CONTROLEDO FOCO
REPOSIÇÃO VOLÊMICA
INOTRÓPICOS
ESTERÓIDES
PROTEÍNA C ATIVADA
DERIVADOS DE SANGUE
VENTILAÇÃO MECÂNICA
SEDAÇÃO / ANALGESIA / BLOQUEIO
CONTROLE GLICÊMICO
RIM E BICARBONATO
TROMBOSE VENOSA
ÚLCERA DE STRESS
LIMITES NO TRATAMENTO
Tratamento
Pacote
24 horas
Pacote
6 horas
Dellinger et al, CCM 30:536, 2004
46.
“PACOTES”
6 horas 24horas
Diagnóstico
Coleta de lactato
Hemocultura
ATB em 1 hora
Reposição volêmica
Vasopressor (65 mmHg)
Cateter central
PVC
ScO2
Corticóides
Proteína C ativada
Controle da glicemia
Pressão platô < 30 cmH2O
47.
Valles et al.Chest 123:1615, 2003
Sobrevida de acordo com a presença de choque e
tratamento empírico adequado
n=339
BSI comunitária
p < 0.001)
Tratamento antimicrobiano
inadequado
Durante as seisprimeiras horas de ressuscitação, os
objetivos do tratamento da hipoperfusão induzida pela sepse
devem incluir todos os seguintes ítens:
PVC: 8-12 mmHg
PAM: ≥ 65 mmHg
Diurese > 0,5 ml/k/h
SVcO2 ≥ 70% ou SVO2 ≥ 65%
RECOMENDAÇÃO FORTE
Ressuscitação hemodinâmica
inicial
Percentual de respostascorretas:
Questão 1 SIRS 78.2%
Questão 2 Infecção 92.6%
Questão 3 Sepse 27.3%
Questão 4 Sepse grave 56.7%
Questão 5 Choque séptico 81.0%
Estudo SEPSES
Número de questionários
Número de centros
917
21
Assunção M. et al. XII CBMI 2006
52.
Percentual global deaderência as intervenções
Coleta de lactato
Hemocultura antes do Atb
Atb nas primeiras 3hs
73%
Brasil Mundo
Volume e vasopressor
PVC > 8 mmHg
SVO2 > 70%
6
horas
50%
43%
80%
70%
60%
30%
14%
09%
63%
29%
19%
Corticóides
Proteína C ativada
Controle glicêmico
Pressão platô
24
horas
36%
22%
43%
48%
47%
45%
57%
47%
53.
Percentual global deaderência as intervenções
Gerais
Brasil Mundo
Aderência pacote 6 horas
Aderência pacote 24 horas
MORTALIDADE
08%
05%
58%
13%
16%
32%
55.
Caso clinico
• JPS,56 anos, diabético, hipertenso, chega ao pronto socorro
trazido por seus familiares com queixa de tosse produtiva há
04 dias, febre, fraqueza e “urina pouca”.
• Ao exame físico: Glasgow: 12 ( AO: 3 RV: 4 RM: 5),
hipocorado(+1/+4), acianótico, anictérico, FR: 25 irpm, ACR:
RCI, 2T, BNF, SS, murmúrio vesicular presente bilateralmente
com estertores creptantes em terço inferior de hemitórax
esquerdo, extremidades: frias, hipoperfundidas, FC: 100 bpm,
PAS: 90 mmHg, PAD: 60 mmHg, TAX: 34°C.
56.
1) Diante doquadro qual sua principal hipótese
diagnóstica?
57.
• qSOFA:
• Beirado leito
• Suspeita/documentação de infecção que estão sob
maior risco de desfechos adversos
• Critérios:
• PA sistólica menor que 100 mmHg
• Frequência respiratória maior que 22/min
• Alteração do estado mental (GCS < 15).
• 0 a 3
• pontuação igual ou maior a 2 indica maior risco de
mortalidade ou permanência prolongada na UTI.
• HEMOGRAMA
• URÉIA
•CREATININA
• ELETRÓLITOS
• RADIOGRAFIA DE TÓRAX
• CULTURAS
• GASOMETRIA ARTERIAL COM LACTATO
• COAGULOGRAMA
60.
3) Qual aconduta terapêutica mais adequada
para este paciente?
61.
“PACOTES”
6 horas 24horas
Diagnóstico
Coleta de lactato
Hemocultura
ATB em 1 hora
Reposição volêmica
Vasopressor (65 mmHg)
Cateter central
PVC
ScO2
Corticóides
Proteína C ativada
Controle da glicemia
Pressão platô < 30 cmH2O
62.
RESSUSCITAÇÃO INICIAL
DIAGNÓSTICO
ANTIBIÓTICOS
CONTROLE DOFOCO
REPOSIÇÃO VOLÊMICA
INOTRÓPICOS
ESTERÓIDES
PROTEÍNA C ATIVADA
DERIVADOS DE SANGUE
VENTILAÇÃO MECÂNICA
SEDAÇÃO / ANALGESIA / BLOQUEIO
CONTROLE GLICÊMICO
RIM E BICARBONATO
TROMBOSE VENOSA
ÚLCERA DE STRESS
LIMITES NO TRATAMENTO
Tratamento
Pacote
24 horas
Pacote
6 horas
Dellinger et al, CCM 30:536, 2004
63.
• Referência Bibliográfica:
1.Goldman L, Ausiello D. Cecil: Tratado de Medicina Interna.
22ªEdição. Rio de Janeiro:ELSEVIER, 2005.
2. Kasper, DL. et al. Harrison Medicina Interna, v.2. 16ª. Edição.
Rio de Janeiro: McGrawHill, 2006.
3. Lopes AC, Amato Neto, V. TRATADO DE CLÍNICA MÉDICA 3
VOL. 1ª Edição. São Paulo: Roca, 2006.