O Românico: enquadramentohistórico
• A partir do início do séc. XI, a Europa cobriu-se de Igrejas.
• Nos lugares de peregrinação e ao longo das suas rotas, em cidades ou
aldeias, edificaram-se enormes construções de pedra.
• Além das influências bizantinas ou muçulmanas, estas construções são
claramente inspiradas na tradição das grandes construções romanas: o
granito aparelhado, os arcos redondos, as abóbadas e os grandes
volumes.
• Por isso a sua designação de Arte Românica. Esta arte é característica
da fundamentalmente da Arquitetura, uma vez que a escultura e a
pintura lhe estão subordinadas.
5.
• As igrejasromânicas são o reflexo da época em que foram construídas:
• a fragmentação política contribuiu para a diversidade do estilo que,
apesar da sua unidade, apresenta variações regionais;
• o clima de guerras fez com que a igreja se tornasse um lugar de
defesa: as construções românicas são autênticas fortalezas de
grossas paredes e janelas em forma de seteiras;
• a obscuridade interior do templo adequava-se ao ideal de
espiritualidade medieval;
• o analfabetismo das populações era compensado com a abundante
ornamentação didática e simbólica nas fachadas e no interior da
igreja: a Bíblia estava “explicada” nas figuras de pedra.
6.
• Este estiloadota soluções
arquitetónicas e elementos decorativos
próprios como sendo:
• os edifícios em cruz latina (com
naves cortadas por um transepto);
• coberturas em abóbodas de berço
pleno ou quebrado;
• paredes grossas e uso de
contrafortes exteriores;
• Uso de tímpanos, arquivoltas,
colunelos e capitéis decorados com
motivos figurados ou geométricos)…
Elementos construtivos/ características
7.
•
• Uso dosarcos redondos;
• Janelas estreitas, em
forma de seteira;
• Decoração muito simples:
rosáceas e algumas
esculturas;
• Os materiais eram os que
cada região possuía.
8.
Em Portugal
• Sãoclaros os traços de individualidade: o Românico português é sóbrio
e severo.
• Os monumentos mais originais são as pequenas igrejas rurais que se
espalham pelo Norte do país como S. Pedro de Rates ou S. Cristóvão de
Rio Mau.
9.
O Gótico: enquadramentohistórico
• A produção agrícola melhora, a mortalidade
diminui e, consequentemente, a população
aumenta. Há uma grande estabilidade climática,
associada à paz em geral, uma vez que fora
retirado o cerco à Europa. As cidades ressurgem
e com elas a Burguesia afirma o seu poder. As
igrejas tornam-se espaços alegres, onde a
população se reúne para conviver.
• Contrastando com a fase negra que se vivera na Europa românica, a
arte gótica desenvolve-se num período de reabertura das rotas
comerciais e de triunfo do movimento das cruzadas.
10.
• Em Parisdescobre-se a abóbada sobre cruzamento de ogivas e o
arcobotante.
• A primeira era fundamental, pois agora o peso já não incidia sobre as
paredes, mas sim sobre os quatro pilares em que se apoiam os arcos.
• Os arcobotantes, por seu turno, consolidam a resistência dos pilares,
uma vez que são levantados no exterior. São formados pelos arcos
e pelo estribo (espécie de contraforte).
• Estas suas inovações permitiram elevar as construções
e rasgar amplas aberturas, sem risco de desmoronamento.
Elementos construtivos/ características
11.
• Os arcosem ogiva substituem os
arcos de volta perfeita,
contribuindo para o acentuar das
linhas verticais.
• Totalmente revestidos por
janelas, os edifícios inundam-se
de uma luminosidade no
interior, que parece elevar os
fiéis para Deus.
• As igrejas têm agora paredes
mais finas;
• As igrejas são construções em
altura e realizadas em cruz
latina, por vezes com cinco naves
12.
A catedral
• Paredesrasgadas em
janelas e rosáceas
decoradas com vitrais;
• Verticalidade das linhas a
terminar num pináculo;
• Mantém-se os contrafortes
das construções românicas.
13.
• As construçõesgóticas possuem uma grande riqueza decorativa. Tanto
por dentro como por fora, uma verdadeira renda em pedra ornamenta
os arcos, as molduras das janelas e portais…
• Os edifícios góticos enriquecem-se ainda com altos-relevos e estátuas
de figuras bíblicas. O uso de vitrais nas janelas e nas enormes rosáceas
das fachadas filtram a luz, que penetra colorida no interior do templo.
A escultura
14.
Em Portugal
• APortugal chega muito tardiamente (séc. XIII). O gótico aparece no Sul
ligado à arquitetura monástica. No séc. XIV o novo estilo foi-se
generalizando, embora os primeiros grandes monumentos do gótico
português (O Convento do Carmo e o Mosteiro da Batalha) só tenham
sido construídos nos começos do séc. XV.
15.
Em Portugal
• Oestilo gótico expandiu-se no nosso país em resultado das
encomendas feitas pela Igreja, reis e senhores. À semelhança do que
aconteceu nos outros países, podemos distinguir entre nós diversas
etapas do gótico: o cisterciense (de que é testemunho o Mosteiro de
Alcobaça), o mendicante (como o das igrejas de S. Francisco de
Santarém e de Estremoz) e o gótico clássico (de que é exemplo o
Mosteiro da Batalha).
16.
• A partirde inícios do século XV, os tempos de paz que se viviam em
Portugal permitiram a construção de grandes e belos edifícios, como as
sés de Vila Real, Guarda e Silves, os castelos de Vila da Feira e de Porto
de Mós, o solar dos Condes de Barcelos e o Paço dos Duques de
Bragança, em Guimarães.
17.
• Os testemunhosmais interessantes da estatuária gótica nacional
encontram-se na escultura tumular: os túmulos de D. Pedro e D. Inês de
Castro (em Alcobaça) e o de D. João I e D. Filipa de Lencastre (na
Batalha).
• Para além da arquitetura e da escultura, a arte gótica portuguesa está
também representada na pintura, na tapeçaria (realce para as
tapeçarias de Pastrana que comemoram a tomada de Arzila por D.
Afonso V), na ourivesaria (cálices, cofres, relicários) e na iluminura.
18.
Em resumo:
Românico
• Predominantementerural,
• Planta de três naves,
• Trifório nas laterais, transepto,
abside, deambulatório e absidíolos,
• Aspeto forte e atarracado,
• Uso moderado de vitrais,
• Arcos de volta perfeita e abóbada de
berço,
• Torres e contrafortes grossos,
• Estatuária pesada e monolítica,
• Poucas entradas de luz,
• Decoração didática e simbólica.
Gótico
• Predominantemente urbano,
• Planta de três naves, com a central
mais elevada,
• Trifório nas laterais, transepto,
abside, deambulatório e absidíolos,
• Grande uso de vitrais,
• Arcos em ogiva apoiados em colunas,
• Torres altas (verticalidade),
• Estatuária liberta de simbolismo e
rigidez,
• Grandiosas entradas de luz,
• Decoração simbólica e que reflete o
quotidiano.
Novas solidariedades
• Noséculo XIII, a cidade é um lugar de prosperidade.
• Surgem novas estruturas de apoio e redes de solidariedade: as ordens
mendicantes e as confrarias.
• As ordens mendicantes eram movimentos de renovação surgidos
dentro da Igreja Católica, enquanto que as confrarias eram associações
de entreajuda que agrupavam os homens por ofícios assegurando-lhes
apoio financeiro e moral em todas as dificuldades.
• Tinham como imposição a pobreza individual.
• Era-lhes permitido o direito de mendigar nos
locais públicos, daí o seu nome.
21.
Dominicanos
• Ordem criadapor Domingos de Gusmão, (Espanha, séculos XII-XIII)
aproxima-se de S. Francisco nos ideais de pobreza e caridade que
renovaram a Igreja Cristã.
• S. Domingos fundou uma ordem religiosa confirmada pelo Papa
Inocêncio III.
• Os dominicanos eram também chamados “frades
pregadores” pela importância que atribuíam à
pregação, estritamente ligada, por seu turno, ao
estudo da Teologia.
• Lutavam contra a heresia e procuravam expandir
o evangelho.
• Instalaram-se nas cidades onde fundaram grandes
colégios e se dedicaram ao ensino.
22.
Franciscanos
• Ordem criadapor Francisco de Assis (Itália,
séculos XII-XIII).
• Este tornou-se um exemplo de humildade e um
santo da igreja católica ao renegar o seu
passado de luxo, passando a viver entre os
mendigos e os leprosos.
• Fundou a ordem dos frades menores que
mendigavam ou trabalhavam para comer.
• Apesar de a sua atitude contrastar radicalmente
com o clero da época, nunca se demarcou da
hierarquia católica, pelo que se distingue das
heresias medievais.
• Os franciscanos instalaram-se rapidamente em Portugal,
nomeadamente nos conventos de Alenquer, Lisboa, Coimbra e Leiria.
23.
Confrarias e associações
•Confrarias eram associações de
socorros mútuos de carácter religioso,
organizadas sob um santo protector.
Dedicavam-se à caridade como meio de
reduzir a pobreza urbana. Cada
confraria tinha os seus estatutos, que os
membros eram obrigavam a cumprir.
Existiam ainda as Irmandades, que
eram associações religiosas de leigos,
que se reuniam para promover o culto a
um santo normalmente se encontravam
associadas às confrarias religiosas.
24.
Corporações
• Associação decariz socioprofissional
que reunia, nas cidade, os
trabalhadores de um mesmo ofício ou
mester.
• São marcadas pela hierarquia (mestres,
oficiais e aprendizes).
• Mais conhecidas por artes ou guildas
ou, em Portugal, mesteirais, as
corporações possuíam estatutos
próprios que regulamentavam os
preços, os salários e a qualidade da
produção.
• Geralmente, a cada corporação
associava-se uma confraria religiosa
25.
Centros de sociabilidade
•O bairro, as ruas, em que os vizinhos se conheciam e auxiliavam.
• A igreja: dominou o ensino e contribuiu para a mudança de
comportamentos com a instituição das suas festividades e procissões.
• A taberna, o albergue, a estalagem…
• As cortes dos nobres (espaço fechado e particular).
• As salas de reunião burguesas e de acordo com a atividade exercida.
• A praça pública, lugar da cultura popular, onde se realizavam as festas,
as feiras, os teatros…
As primeiras escolas
•No quadro da cidade romana, cada comunidade cristã organiza-se
tendo à sua cabeça um bispo eleito pelos fiéis. Foi nestas cidades que
surgiram as Escolas Paroquiais. As primeiras remontam ao século II.
• O ensino reduz-se aos salmos, às lições das Escrituras, seguindo uma
educação estritamente cristã.
28.
Escolas Monásticas
• Énos mosteiros espalhados pela Europa, longe do rebuliço das novas
cidades emergentes na Europa, que surgem as Escolas Monásticas, em
regime de internato e, inicialmente, para a formação de futuros
monges.
• Mais tarde abrem-se as escolas externas com o propósito da formação
de leigos cultos.
• Com o tempo, vai-se enriquecendo o estudo de forma a incluir o ensino
do latim, gramática, retórica e dialéctica.
29.
Escolas Urbanas
• Nascidades, começam a surgir escolas
que funcionam numa dependência da
habitação do bispo.
• Estas visavam, em especial, a formação
do clero secular e também de leigos
instruídos que eram preparados para
defender a doutrina da Igreja na vida
civil.
• As Escolas Catedrais (escolas urbanas), saídas das antigas escolas
episcopais, tornaram-se mais prestigiadas que as escolas dos mosteiros.
• Instituídas no século XI por determinação do Concilio de Roma (1079),
passam, a partir do século XII (Concilio de Latrão, 1179), a ser mantidas
através da criação de benefícios para a remuneração dos mestres.
30.
Estudos Gerais
• Provavelmente,a primeira
universidade europeia terá
surgido na cidade italiana de
Salerno, cujo centro de
estudos remonta ao século XI.
• Originalmente, estas instituições eram chamadas de studium generale,
(Estudos gerais) juntando mestres e discípulos dedicados ao ensino
superior. Porém, com a agitação cultural e urbana da Baixa Idade
Média, logo se passou a fazer referência ao estudo universal do saber,
ao conjunto das ciências, sendo o nome studium generale substituído
por universitas.
31.
Universidades
• As universidadesagregavam várias
faculdades e organizavam-se numa
estrutura mais rígida e complexa.
• Ao longo dos séculos XIII e XIV,
expandiram-se pela Europa
Ocidental, especializando-se em
diferentes saberes: Teologia, Direito,
Medicina.
• As universidades de Bolonha e de
Paris estão entre as mais antigas.
Outros exemplos são a Universidade
de Oxford e a de Montpellier.
32.
• Mais tarde,é a vez da constituição de universidades por iniciativa
papal ou real. Exemplo desta última é a Universidade de Coimbra,
fundada em 1290.
• No século XIII, a universidade é o centro de formação dos quadros do
funcionalismo público, necessários à centralização do poder pelos
monarcas.
33.
• Em consequênciada presença da universidades, a cidade tornou-se o
local por excelência da liberdade de ação, pois os estatutos das
universidades protegiam os seus alunos, concedendo-lhes alguma
autonomia nos regulamentos e defendendo-os, por exemplo, da prisão
por dívidas.
O ideal decavalaria
• Nas cortes do rei e dos grandes senhores a cultura erudita (acessível
apenas aos estratos dominantes da sociedade) desenvolveu-se sob o
espírito cavalheiresco, segundo o qual o cavaleiro, sempre de estirpe
nobre, almejava tornar-se perfeito.
• O cavaleiro ideal devia ter as seguintes qualidades:
-a honra;
-a coragem;
-a lealdade;
-a virtude;
-a piedade;
-o ideal de cuzada.
38.
O amor cortês
•Tal como existia um ideal de cavalaria,
também as relações entre nobres e
damas, nas cortes, obedeciam a um
ideal de amor, pautado pelo
refinamento e pela espiritualidade.
• Era um código de comportamento
amoroso em que os cavaleiros
demonstravam que o valor pessoal não
se fundamentava apenas no sangue ou
nas proezas militares, mas podia ser
identificado no comportamento social:
a cortesia.
• Para conquistar a sua amada, o cavaleiro nobre deveria ser virtuoso,
paciente, elegante no vestir, bem-humorado, respeitoso perante as
mulheres, enquanto a dama, bela e púdica, deveria alimentar o seu
amor com gestos comedidos.
39.
• Trovadores: ospoetas cultos que
compunham quer as letras, quer as
músicas das canções.
• Menestréis: músicos-poetas que viviam
na casa de um fidalgo, para quem
trabalhavam.
• Jograis: cantores ambulantes,
geralmente de origem popular.
• Segréis: trovadores profissionais,
muitas vezes nobres caídos em desgraça
e que iam de corte em corte na
companhia de um jogral animar as
festas.
OS ARTISTAS DA ÉPOCA MEDIEVAL
40.
Cantiga de amor
•As cantigas de amor desenvolviam o
tema do sofrimento pelo amor não
correspondido e eram divulgados de
forma oral.
• Neste tipo de cantiga, o trovador
destaca todas as qualidades da mulher
amada, colocando-se numa posição
inferior (de vassalo) a ela.
• As cantigas de amor reproduzem o
sistema hierárquico na época do
feudalismo, pois o trovador espera
receber um benefício em troca de seus
“serviços” (as trovas, o amor
dispensado, sofrimento pelo amor não
41.
• Este tipode cantiga teve as suas origens na
Península Ibérica.
• Nela, o eu-lírico é uma mulher, mas o autor
era masculino.
• A mulher canta o seu amor pelo amigo
(amigo = namorado), muitas vezes em
ambiente natural, e muitas vezes, também
em diálogo com a sua mãe ou as suas
amigas.
• O poeta serve-se assim deste artifício para
exprimir os seus sentimentos pela boca da
rapariga.
Cantiga de amigo
42.
• Tipo depoesia satírica.
• Nas cantigas de escárnio a crítica é
feita de forma encoberta, sem que o
objeto de crítica seja claramente
identificado. Nas cantigas de maldizer
a vítima da crítica é claramente
identificada.
• Estas cantigas permitem perceber
melhor a sociedade da época e aceder
a informações que outros documentos,
mais impessoais, não revelam.
Cantiga de escárnio e maldizer
43.
O culto damemória
• As famílias nobres relembravam e
evocavam mortos e antepassados das
suas ascendências para trazer ao
presente os feitos valorosos das suas
linhagens. Os senhores fizeram, então,
escrever as suas memórias.
• Nasceu uma literatura genealógica que
se difundiu largamente entre a nobreza
europeia dos séculos XIII e XIV.
• Em Portugal, este género literário foi
muito cultivado, dando origem aos livros
de linhagem ou nobiliários.
Viagens de negócios
•O renascimento do gosto pelas viagens dá-se nos séc. XIII e XIV
quando, sob o impulso do comércio, as velhas barreiras geográficas
começaram a ceder.
• O desenvolvimento do grande comércio criou laços entre os
mercadores e os governantes.
• Muitas viagens aliaram-se ao negócio e missões político-diplomáticas e
muitos comerciantes começaram a desempenhar o papel de
embaixadores das cortes da Europa.
• Os viajantes europeus nesta época
eram, fundamentalmente, os
mercadores, os diplomatas, os
missionários e pessoas sem terra e
sem raízes.
46.
Peregrinações
• As romariase as
peregrinações constituem
expressões típicas da
religiosidade medieval.
• As peregrinações eram
percursos de longa distância
a locais sagrados do
cristianismo, em especial
Jerusalém, Roma e Santiago
de Compostela.
• Tinham objetivos religiosos
de purificar a alma ou
cumprir promessas.
47.
Romarias
• As romariaseram celebrações em honra a um santo, numa época fixa
do ano.
• Implicavam deslocações de curta duração (um ou vários dias).
• A componente não-religiosa expressava-se, nomeadamente, em festas,
com cantos e bailados tradicionais.