ATENAS: O EXEMPLO
Atenastransformou-se na mais rica e prospera cidade do mundo grego para o qual
contribuíram:
• Situação geográfica, perto do mar Egeu que permitiu aos atenienses dedicarem-se,
predominantemente, ao comércio marítimo;
4.
• O comércioflorescente e o uso da
prata na cunhagem de moeda –
dracma – que passou a ser aceite,
no comércio realizado em todo o
Mediterrâneo;
• O assumir a liderança da Liga de
Delos, aliança defensiva, contra as
invasões dos persa.
5.
A PÓLIS GREGA
Orelevo montanhoso dificultava o contacto entre as cidades, pelo que as populações
começaram a desenvolver-se isoladamente, formando pólis, cidades com governo, leis e
exército próprios. Era fundamental a existência do território, das leis (Nomos) e do corpo
cívico para que a pólis existisse em pleno. A pólis deveria bastar-se a si própria (ideal de
autarcia).
Proteção à DemocraciaAteniense
Era o dom da palavra (oratória) que permitia o sucesso na política. Todavia, o perigo de
manipulação existia, pelo que se decidiram a proteger a democracia:
• Introdução da graphê paranomom;
• Necessidade de prestar contas no fim dos mandatos;
• O ostracismo.
12.
Princípios Inovadores
• Participaçãodireta dos cidadãos nas assembleias;
• Concentração da autoridade nas assembleias;
• Rotatividade dos cargos políticos;
• Decisões colegiais;
• Escolha para o cargo através de eleição ou sorteio;
• Criação de juízes populares (todos os cidadãos eram obrigados a conhecer a lei).
13.
Limites da democraciaateniense
• Limitação à liberdade de expressão: condenação ao
ostracismo;
• Só os cidadãos podiam participar no governo da cidade;
• Segregação de sexos;
• Participação na política vedada aos metecos e mulheres;
• Existência de escravos;
• Imperialismo exercido por Atenas através da Liga de
Delos.
Educação para opoder
• Ao chegar aos 20 anos, o jovem tinha que estar pronto para
participar no governo da Polis.
• Até aos sete anos, rapazes e raparigas permaneciam no
Gineceu, a parte da casa onde a mãe ensinava às crianças as
regras de comportamento e os rudimentos (princípios) da
religião e das tradições culturais.
• A partir dos sete anos, os rapazes e as raparigas separavam-
-se, para cada um deles se preparar para o futuro que os
esperava: as mulheres a casa e os homens a vida cívica.
16.
A cultura, elode ligação
A civilização grega foi também importante pelo legado científico, literário e artísitco que nos
deixou:
• Na Filosofia: Sócrates, Platão e Aristóteles.
• Na Matemática: Pitágoras.
• Na História: Heródoto e Tucídides.
• Na Medicina: Hipócrates.
• Na arte: Calícrates, Fídeas, Ictinos, Policleto.
17.
Manifestações cívico-religiosas
Características dareligião grega:
• de toda a sociedade, com raízes nos
Poemas Homéricos.
• Politeísta.
• Antropomorfismo dos deuses.
• Diferentes tipos de culto.
Locais sagrados:
• Oráculos (de consulta, como o de Delfos);
• Santuários (como o de Olímpia).
As panateneias
• Festividadesem honra de Atena, deusa
protetora de Atenas, realizavam-se no mês
de Julho.
• Estas celebrações festejavam ainda o
sentimento de orgulho e união dos
atenienses.
• De quatro em quatro anos, realizavam-se as
Grandes Panateneias.
20.
O teatro
O teatroteve suas origens ligadas a Dionísio, divindade da vegetação, da fertilidade e da
vinha, cujos rituais tinham um caráter orgiástico. Por volta do séc. VI Pisístrato transfere o
antigo festival dionisíaco dos frutos, para o coração de Atenas.
No tempo de Péricles, a grande Dionisíaca era uma festividade de sete dias de duração. A
partir do terceiro dia, surgiam as competições de comédias e tragédias.
21.
O teatro: Comédia
•A comédia, parodiando os homens, troça dos
seus costumes e da época. Tem o seu principal
representante em Aristófanes.
• Os atores são sempre homens que fazem, quer
o papel masculino, como o feminino.
• Usavam máscaras que pretendiam exprimir o
carácter da personagem.
22.
O teatro: Tragédia
•Forma de drama, que se caracteriza pela seriedade e dignidade, frequentemente
envolvendo um conflito entre um personagem e algum poder de instância maior, como a
lei, os deuses, o destino ou a sociedade
• Os seus principais autores foram: Sófocles, Ésquilo
e Eurípedes, que viveram no séc. V a.C.
23.
Os heróis eos jogos
• Os gregos praticavam o culto dos heróis: seres
mitológicos: Teseu, Perseu, Belerofonte e Hércules;
• Diversos jogos periódicos eram promovidos pelos
gregos em homenagem aos deuses, como os Jogos
Olímpicos, dedicados a Zeus, na cidade Olímpia.
Durante estes jogos, paravam-se as guerras e
respeitavam-se como pessoas sagradas, os seus
participantes.
A arte gregaé feita à medida do homem. A sua
arquitetura e escultura não têm qualquer
semelhança com a das civilizações anteriores. As
obras de arte são feitas à escala humana. A sua
execução atinge uma perfeição, proporção,
equilíbrio e harmonia que servirá de modelo a
outras civilizações, ao longo dos tempos.
27.
É uma arteantropocêntrica, pois os
artistas preocupavam-se com o realismo
e procuravam exaltar a beleza humana,
destacando a perfeição das suas formas.
É racionalista, pois reflete nas obras
as observações concretas dos elementos
que envolvem o Homem.
28.
A arte gregada época clássica resulta de um conjunto de inspirações das civilizações que a
precederam:
• A cultura minoica (Cnossos);
• A cultura micénica (e as influências orientais);
• Os povos invasores como os Dórios…
29.
A arquitetura
• Inicialmente,a arquitetura grega usou materiais como a madeira, depois substituída pela
pedra calcária (sobretudo o mármore) a partir de finais do séc. VII a.C.;
• Períodos evolutivos:
• período arcaico (séc. VIII a inícios do séc. V a.C.);
• período clássico (segunda metade do séc. V ao séc. IV a.C.);
• período helenístico (séc. III a.C. ao início da era cristã).
• A arquitetura grega possui desde sempre uma forte ligação à matemática e à geometria,
o que conduz às primeiras noções de medida, proporção e ritmo. Estabelece-se o
“número de ouro”.
30.
Criaram normas eregras construtivas, cânones (conjuntos de regras de proporção
métrica) para a realização artística, valores estéticos e modelos, em quais todos os
detalhes, pormenores e aspetos decorativos eram sujeitos ao ritmo do conjunto.
Criaram ainda maquetas, em madeira ou terracota, posteriormente submetidas a
aprovação final, para depois executar a obra.
31.
A arquitetura
• Racionalismo(concordância entre a estrutura e a forma);
• Atenção aos pormenores;
• Harmonia e proporção;
• Simplicidade e elegância;
• Aliança da escultura à arquitetura;
• Obediência a uma das três ordens arquitetónicas.
Os templos
Otemplo foi a expressão máxima da arquitetura grega;
Morada e abrigo do Deus, local onde se colocava a sua imagem, à qual os fiéis
não tinham acesso, pois os rituais eram realizados ao ar livre, ao redor do templo
(Os fiéis apenas subiam ao templo para entregarem oferendas e realizarem
sacrifícios).
Destinados a ser admirados de fora, havia uma maior preocupação com a
decoração exterior do que com a interior;
Embora dedicados aos deuses, refletem a mentalidade antropocêntrica e racional
do homem.
43.
A sua formae estruturas básicas evoluíram a
partir do mégaron micénico, o palácio do rei:
formado por uma sala quadrangular, um
vestíbulo ou pórtico suportado por duas colunas
e com telhado de duas águas.
44.
Exteriormente, otemplo era decorado com majestosas esculturas e pintado com
azuis, vermelhos e dourados;
- Utilizava o sistema de construção trilítico definido por pilares verticais unidos por
lintéis (arquitrave) horizontais.
45.
Possui umaaximetria axial, criando fachadas simétricas, duas a duas;
A planta do templo compreendia três espaços: a pronaos (espécie de pórtico);
a naos ou cella (local onde se encontrava a estátua da divindade) e o opistódomos
(câmara do tesouro onde eram guardados os bens preciosos da cidade, assim com as
oferendas ao Deus).
Esta estrutura tripartida era rodeada por um peristilo, uma espécie de corredor
coberto e circundante, por onde circulavam os fiéis.
As colunas e o entablamento eram construídos segundo os diferentes estilos ou
ordens arquitetónicas.
Correções óticas
Verificam-se emtemplos dóricos determinadas deformações óticas corrigidas
matematicamente.
• os elementos horizontais do templo são
ligeiramente encurvados para cima e
para fora;
• os elementos verticais, inclinados para
dentro e para cima; toda a colunata é
construída ligeiramente inclinada para
dentro do templo.
50.
• a distânciaentre as colunas, que aparecem ligeiramente distorcidas ao olho humano;
• o fuste das colunas era ligeiramente engrossado no primeiro terço da sua altura
(êntase) e o intercolúnio era maior entre as colunas das pontas do que nas do meio.
51.
O urbanismo grego
•Inicialmente, as cidades gregas cresceram desordenadas. Todavia, com o
desenvolvimento da Democracia , no período clássico, surgem em torno da ágora, para
além dos templos e das stoa (pórticos), edifícios dedicados às novas funções: o
ecclesiasterion; o bouleuterion ou o pritaneion (sala de reuniões).
• Surgem ainda edifícios ligados ao lazer, como os teatros e os estádios.
• O espaço urbano dividia-se em três grandes zonas: a zona privada; a zona pública e a
área sagrada.
52.
Zona Privada
Áreadas casas de habitação: todas elas do mesmo tipo;
Distribuíam-se por ruas labirínticas e não pavimentadas;
Não existiam bairros para ricos e pobres.
A casa grega era construída virada para dentro, em redor de um pátio interno e
constituída por duas zonas distintas:
O androceu (espaço público masculino);
O gineceu (espaço privado feminino).
53.
Zona Pública
Espaçopara:
As reuniões políticas;
As manifestações de
desporto;
O comércio;
O teatro e lazer.
O teatro
• Oedifício era construído em espaços
abertos, aproveitando as montanhas, para aí
se escavar a bancada.
• É composto por: Orquestra, uma área
circular em torno da qual se organiza o
teatro; Cena, plataforma onde estavam os
atores. Existiam ainda as bancadas e os
párodos (acessos laterais).
57.
A escultura
• Belezaideal;
• Racionalismo;
• Harmonia e proporção;
• Simplicidade e elegância;
• Aliança à arquitetura.
58.
Tal comona arquitetura, também existem grandes períodos na evolução da
escultura da Grécia Antiga:
Arcaico (séc. VIII a VI a.C.);
Período de transição (Severo);
Clássico (séc. V a.C.);
Helenístico (séc. III a.C.).
59.
A esculturaabarca duas características distintas, mas ambas importantes:
As peças em vulto redondo (a estatuária, propriamente dita);
Os relevos. Estes enquadravam-se na arquitetura: na ordem dórica, nas
métopas e tímpanos dos frontões; na Jónica, nos frisos contínuos. Os mais
antigos eram de terracota e pintados com cores vibrantes. Estilisticamente, no
entanto, aproximam-se da rigidez da estatuária.
62.
C - clássica- da segunda metade do séc. V e séc. IV a.C. Caracteriza-se:
• pela representação de uma beleza idealizada e perfeita. É a perfeição dos deuses
humanizados. As vestes são suaves, delicadas e transparentes, dando a ideia de
movimento, vida e volume por debaixo delas;
63.
• a anatomiado corpo é atentamente estudada de
modo a ser representada de forma realista. Durante
o século IV, as figuras tornam-se mais delicadas e
graciosas. O artista consegue fazer do material
aquilo que quer, criando obras de uma graça natural
e coesão perfeita.
Discóbolo de Miron 450/440 a.C
D - helenística- dos fins do séc. IV ao séc. II a.C.
Tem como características, a expressividade, a
emoção, ação, sentimento, dor, angústia, alegria...
Por outro lado, movimento, teatralidade, realismo,
são o comum deste período. O séc. III é um século
racionalista, onde os deuses olímpicos já não têm
razão de existir. Criou-se uma arte à medida do
homem e virada para a realidade da vida. Agora, os
temas são o homem e a vida na terra, desde o seu
nascimento à sua morte, retratando o sofrimento e a
alegria.
Gal moribundo (cópia romana)
69.
Proporção ideal deLisipo: o corpo mede 8
vezes a cabeça e a linha é sinuosa, mais do
que em contraposto.
71.
Os cânones gregosfundamentaram o ideal clássico
de beleza, que influenciou o Renascimento (com artistas
como Leonardo da Vinci retomando estudos de
proporção, ex.: Homem Vitruviano ou David, de
Michelangelo). Permaneceram como referência em
períodos académicos da arte ocidental, servindo como
modelo de equilíbrio e perfeição e ao mesmo tempo, a
comparação entre Policleto e Lisipo mostra que os
cânones não eram estáticos, mas acompanhavam
mudanças culturais e conceções de corpo e beleza.
72.
A pintura
Da pinturagrega só já nos restam os desenhos que decoram
as peças cerâmicas. Estas peças eram decoradas com temas
inspirados na mitologia e no quotidiano. Até ao séc. VI a.C., o fundo
dos vasos era pintado a vermelho e as figuras a negro. A partir do
séc. V a.C., esta tendência inverteu-se. Agora, as figuras
apresentam-se a vermelho sobre um fundo negro.
73.
A cerâmica
A palavracerâmica vem do termo grego kéramos, que significa "argila".
Os recipientes de cerâmica mais antigos eram cobertos a negro ou tons muito escuros,
evoluindo depois para cores mais claras. Algum tempo depois, na Tessália, começaram a
aparecer as primeiras pinturas a vermelho com decoração linear (já com espirais e
encurvamentos). São estas cenas tão elaboradas que distinguem a decoração dos vasos
gregos em relação aos vasos produzidos pelas demais civilizações antigas.
74.
Podem considerar-se cincofases distintas na cerâmica grega:
• Proto Geométrico,
• Geométrico,
• Arcaico (figuras negras sob fundo vermelho),
• Clássico (figuras vermelhas sob fundo preto / branco),
• Helenístico (até ao inicio da era cristã).
Todavia, neste módulo apenas iremos considerar as três mais características.
Estilo geométrico
Tinha comoprincipal característica o uso de motivos
geométricos numa decoração simples e sóbria. Os motivos eram
dispostos à volta do corpo dos vasos, compondo bandas ou frisos. A
decoração era feita com motivos organizados em combinações e
variações criativas tais como meandros, gregas, triângulos, losangos,
linhas quebradas ou contínuas, axadrezados, entre outros, que eram
realçados a preto sobre o fundo de cor natural do vaso.
77.
Estilo geométrico
No séc.VIII, introduzem-se elementos figurativos (animais e/ou figuras humanas) na
decoração, que compunham cenas descritivas e narrativas, como batalhas ou cerimónias
fúnebre e que eram apresentandos como meras silhuetas a negro, muito esquematizadas e
estilizadas.
78.
Estilo arcaico
Subdividiu-se em:
-Fase orientalizante (até aproximadamente 650 a.C.),
que é profundamente marcada por influências orientais.
Os temas caracterizam-se pelo regresso ao figurativo
(necessidade de narrar e representar) e pelo
aparecimento das cenas de carácter mitológico.
79.
Estilo arcaico
- Fasearcaica (finais do séc. VII até cerca de 480 a.C.) - marcada pelo aparecimento da
cerâmica decorada com a técnica das figuras pintadas a negro. Sobre o fundo vermelho do
barro destacam-se os elementos figurativos, representados como silhuetas estilizadas. Para
além dos relatos mitológicos passam a ser representadas cenas da vida familiar e do
quotidiano.
80.
Estilo clássico
Corresponde aoperíodo do apogeu técnico, estético e conceptual do povo grego. O
desenho e a pintura tiveram um enorme desenvolvimento através da descoberta e aplicação
de inovações técnicas e formais como a criação dos cânones escultóricos ou a posição em
escorço. É desenvolvida a técnica das figuras vermelhas sobre o fundo negro, que
confere um maior realismo e expressividade. Nesta técnica, toda a superfície do vaso era
coberta de verniz negro, à excepção das figuras, que mantinham a cor avermelhada natural;
os pormenores anatómicos e outros eram acrescentados com um pincel mergulhado em
tinta preta.
82.
Nesta fase verifica-seuma grande liberdade criativa: alguns autores misturaram figuras
vermelhas e negras com fundos amarelados ou brancos, figuras negras com brancas… Por
exemplo, nas oficinas da Ática desenvolveu-se uma cerâmica funerária com fundo branco,
cujas figuras se definiam exclusivamente pela linha de contorno, traçada com precisão.
83.
Tipologia dos vasos
•A ânfora era um jarro de armazenagem de
tamanho médio, com alças dos dois lados.
• A hídria tinha três alças e servia para carregar
água; uma das alças, a vertical, ajudava a verter
o líquido.
• A cratera caracterizava-se pela boca muito larga
e corpo fundo. Servia para misturar o vinho e a
água.
• O cálice possuía boca larga e servia como copo.
84.
• O lutróforo,de forma semelhante a uma ânfora de pescoço
fino e alongado, servia para levar a água utilizada no
banho ritual das noivas.
• O lécito era alongado, com pé, alças e gargalo estreito.
Serviam para guardar perfumes e essências, sendo usado
por mulheres. O lécito de fundo branco, era usado para
guardar o óleo oferecido aos mortos.
• A enócoa era uma espécie de jarra e servia para beber
vinho.
• O skýphos era uma taça um tanto funda, semelhante a uma
caneca com duas alças, e era também usado para beber.
85.
• O alabastroera alongado, de fundo ovalado e sem alças. Servia para guardar perfumes
e essências. Era usado pelas mulheres.
• O aríbalo, pequeno e redondo, era utilizado pelos homens para carregar o óleo usado
para a limpeza após exercícios.
86.
Funções da cerâmica
•deposição das cinzas dos defuntos;
• armazenamento de produtos alimentares;
• transporte comercial de produtos;
• conservação e armazenamento de óleos, de perfumes e de cosméticos;
• utilização em rituais religiosos;
• utilização como recipiente para beber.