A civilização árabe
•Civilização fortemente urbana.
• Após o estabelecimento definitivo dos mouros na Península Ibérica, a
população bárbara conhece duas vertentes distintas:
• uma maioria submeteu-se aos novos poderes, mantendo (contudo) a sua
religião mediante um tributo. São os moçárabes;
• uma minoria refugia-se na zona das Astúrias de onde lançará o
movimento da Reconquista.
5.
A ocupação muçulmanae a resistência cristã
711 – início da ocupação muçulmana com a invasão da Península Ibérica
pelas tropas lideradas por Tarik.
Batalha de Guadalete – ganha pelos muçulmanos, marca a conquista dos
Visigodos.
6.
722 – Batalhade Covadonga – um grupo de cristãos refugiados na região das
Astúrias e liderado por Pelágio, vence as tropas muçulmanas. Inicia-se a
Reconquista Cristã (movimento militar cristão, desenvolvido de Norte para Sul,
de recuperação dos territórios conquistados pelos muçulmanos).
7.
Batalha de Poitiers– os muçulmanos são derrotados pelo exército de
Carlos Martel (rei dos Francos). Os muçulmanos desistem da sua
progressão pela Europa e fixam-se na Península.
CONTRASTES CIVILIZACIONAIS ERELACIONAMENTO
1- Cristãos que viviam em território
muçulmano, mas que permaneciam fiéis
às suas crenças.
2 – Antigos cristãos que abandonaram as
suas crenças e aderiram ao Islamismo.
Momentos de guerra Momentos de convivência
REINO DE LEÃO
(D.Afonso VI pede ajuda aos Francos para combater os
Almorávidas)
CONDADO DA GALIZA
(D. Urraca, filha legítima do
rei, casa com D. Raimundo)
A FORMAÇÃO DO CONDADO PORTUCALENSE
14.
D. Afonso VI,rei de Leão, deu a D. Henrique a
sua filha, D. Teresa, em casamento (...) e fez-lhe
doação de todo o Condado Portucalense, com a
condição de que o Conde o servisse sempre e
participasse nas suas Cortes e respondesse ao seu
chamamento. Por fim, incentivou-o a que
conquistasse e acrescentasse ao seu Condado
outras terras pertencentes aos mouros.
da Crónica dos Cinco Reis
A doação do Condado era
um Feudo.
D. Henrique tornou-se
assim Vassalo do rei de
Leão, jurando-lhe:
• fidelidade e lealdade,
• ajuda e conselho,
• assistência na cúria.
15.
Morte de D.Afonso VI
O filho de D. Urraca, D.
Afonso, torna-se rei de Leão e
Castela, com o titulo de
AFONSO VII
O Conde D. Henrique desliga-
se dos vínculos feudais.
Após a morte de D. Henrique, D. Teresa assume o governo do
Condado, mas é obrigada a acatar o chamamento da irmã e
prestar-lhe homenagem (1121) e ao sobrinho, que entretanto
se torna rei de Leão e Castela.
16.
Após a mortedo pai, D. Afonso
Henriques, enfrenta e vence a
mãe na Batalha de S. Mamede
em 1128.
Afonso Henriques procura
alargar o seu território,
continuando a lutar contra
os mouros:
* Batalha de Ourique (1139);
* a fronteira desce até Alcácer.
17.
D. Afonso Henriquesgoverna o
Condado Portucalense.
D. Afonso Henriques mantém a luta
pela independência do Condado:
- rebelião contra D. Afonso VII e
Tratado de Tui;
- Batalhas de Cerneja (1137) e Arcos
de Valdevez (1140);
- Conferência de Zamora (1143) e
reconhecimento do reino de Portugal
por D. Afonso VII.
18.
A FORMAÇÃO DOREINO DE PORTUGAL
Reconhecimento papal do reino
de Portugal em 1179, através da
Bula Manifestis Probatum.
Bula Manifestis Probatum.
O CARÁTER POLÍTICOE RELIGIOSO DA RECONQUISTA
• Politicamente: conduziu à afirmação e engrandecimento dos reinos ibéricos,
bem como dos seus monarcas.
• Religiosamente: a reconquista foi integrada na “guerra santa” contra os
mouros. Desse modo, os reis ibéricos receberam diversas bulas papais que
os exortavam à expulsão dos muçulmanos em troca de perdão para os que
participassem.
O Senhorialismo EmPortugal
Com a apropriação de direitos reais pelos senhores, o rei passa a constituir
um nobre igual entre os nobres. Todavia, em Portugal, o rei distingue-se como
o maior senhor do país:
• possui vastos domínios;
• detém o monopólio dos meios de produção;
• é o chefe militar supremo;
• é o juiz supremo (a quem todos os homens podem apelar);
• é o único com direito de cunhagem da moeda;
• é o senhor de todos os senhores – detém a homenagem lígia.
23.
O povoamento
OBJETIVOS
1. Promovero desenvolvimento económico das regiões
conquistadas.
2. Impedir a reocupação das zonas conquistadas.
3. Organizar a defesa permanente do território.
AGENTES
ORGANIZA-
DORES
1. Os reis (sobretudo a partir de S. Sancho I).
2. As Ordens Religiosas (cistercienses, clunicences…).
3. As Ordens de Cavalaria.
4. Os nobres que ficaram possuidores de terras.
PROCESSOS
DE
POVOAMENTO
No Norte:
1. Concessão de terras à Nobreza (honras).
2. Fundação de concelhos (rurais e urbanos).
No Centro:
3. Construção grandes domínios eclesiásticos das Ordens.
4. Fundação de concelhos.
No Sul:
5. Grandes domínios entregues às Ordens de Cavalaria.
24.
O exercício dopoder senhorial
• O senhor possuía alguns privilégios de poder político tais como:
• posse de armas, comando militar e exercício da justiça nas suas terras;
• cobrança de impostos aos que habitavam nas suas terras;
• direito à imunidade.
• Existia também um privilégio exclusivo da igreja, que era o direito à dízima
(a cobrança de 10% de toda a produção e rendimentos).
25.
A Nobreza eo Poder Senhorial
• A partir dos finais do séc. XI, a nobreza é identificada com os infanções
(nobreza de linhagem, dependente da nobreza condal por laços de
vassalagem).
• Com o aumentar das doações reais, os infanções passam a deter
capacidade financeira para organizar e manter um exército privado, sendo
então designados por ricos-homens.
• A partir do séc. XIII este termo passa a significar homem pertencente à alta
nobreza.
• Alguns infanções não chegam a ascender à alta nobreza, constituindo a
baixa nobreza. É simultaneamente no séc. XII que o termo fidalgo (filho de
algo) tende a substituir o termo infanção.
26.
A dependência dascomunidades rurais
Dependentes Prestações
Herdadores – homens livres, que
detém a posse dos alódios
(propriedade livre, posse de homens
que não pertenciam nem à nobreza,
nem ao clero). Estes, até ao séc. XIII,
só devem prestações ao rei, devido à
sua condição de homens livres.
• a voz e coima (multa criminal),
• o fossado (serviço militar
obrigatório),
• a lutuosa, a colheita ou jantar,
• a anua (serviços de reparação das
muralhas do castelo).
Colonos – homens livres, mas sem
terra, que exploram as terras de
outrem. De acordo com a natureza do
contrato estabelecido, estes podiam
ser rendeiros ou enfiteutas ou foreiros.
• a dízima (tributo eclesiástico),
• a jeira (equivalente à corveia),
• a jugada (imposto pago ao rei),
• a eirádiga (tributo de cereais, linho
e vinho que pagavam ao senhor da
terra).
Servos – além dos colonos, trabalhavam nos domínios senhoriais, trabalhadores
servis, descendentes de antigos escravos (que eram habitualmente cativos
muçulmanos, que realizavam as tarefas mais complexas). Existiam ainda os
Assalariados – viviam do aluguer da sua força de trabalho.
A expansão doespaço urbano
• Com o ressurgimento do comércio, a população das cidades aumentou
consideravelmente.
• Os mercadores e artífices fixam-se nos arredores, constituindo aí burgos
novos, onde instalam as suas lojas e oficinas.
• Esta população de mercadores e artífices
que vivem no burgo passam a ser designadas
por BURGUESIA.
29.
• Os burguesesvivem à margem do sistema feudal, pois não possuem terras
e não trabalham nos domínios senhoriais.
• O dinheiro era o verdadeiro instrumento da sua atividade. Surge assim uma
forte oposição entre a mentalidade urbana e feudal.
30.
• O desenvolvimentodas cidades e vilas portuguesas deveu-se a uma
confluência de fatores:
• O avanço da reconquista;
• A tradição romana e muçulmana, civilizações urbanas;
• O facto do território português se situar na rota de peregrinação a
Santiago de Compostela;
• As sedes dos bispados onde os bispos exerciam a sua função
resultavam num espaço urbano;
• O ressurgimento comercial do século XII;
• A criação de concelhos para o povoamento…
31.
Organização das cidadesMouras
O espaço citadino mouro era dominante nas zonas a sul do Tejo, como
resultado do movimento de reconquista. Este estava dividido em duas
grandes zonas:
• A Alcáçova, zona reservada aos dirigentes da cidade e que correspondia à
parte mais alta da cidade. Nesta zona fortificada ficava o alcácer, com
funções exclusivamente militares, e uma zona residencial, onde se
situavam os paços do alcaide (o chefe), as dependências da corte e as
residências, entre outros, militares e funcionários ligados ao palácio.
33.
Organização das cidadesMouras
• A almedina, a área reservada aos populares. Esta zona era rodeada por
uma muralha ou cerca, que a separava dos arrabaldes.
• Da cidade dependiam os campos e hortas circundantes, que abasteciam
os seus mercados, e ainda algumas povoações rurais – as alcarias.
34.
Organização das cidadesCristãs
O espaço citadino continha:
• A cintura de muralhas que delimitava o espaço urbano, protegia e transmitia
segurança à cidade e à população.
• O centro, zona “nobre” da cidade, dos edifícios do poder e das elites locais.
35.
• Dentro doespaço muralhado estavam
ainda as minorias étnico-religiosas, judeus
e mouros que ainda permaneciam no
território.
• O arrabalde era a zona para lá da
muralha, onde se localizavam os ofícios
mais poluentes. Era uma zona de
exclusão mas muito dinâmica;
• O termo era o espaço circundante da
cidade, ainda para lá do arrabalde, onde
ficavam as vinhas, searas e as aldeias.
Era a fonte de sobrevivência da cidade,
mas dependente desta nos domínios
jurídico, fiscal e militar.
Os concelhos
• Osconcelhos predominam no centro e no sul e a sua formação
acompanhou a Reconquista.
• Os reis mostraram desde cedo interesse por estas instituições, concedendo
forais com diversas finalidades:
• Travar a expansão dos senhorios pela usurpação das terras e direitos
senhoriais,
• Organizar a administração do reino,
• Recrutar soldados para a guerra,
• Povoar as terras e assegurar a sua defesa,
• Impedir a expansão dos direitos senhoriais…
38.
Os concelhos podiamser rurais ou urbanos.
Estes últimos eram mais densamente povoados que os rurais, gozando de
grande autonomia e dispondo de uma administração complexa e eficaz.
39.
Os concelhos eramlegalizados através das cartas de foral. Era deste
modo que se garantia a liberdade e autonomia das populações que, em
troca, pagavam impostos ao rei e contribuíam com os seus homens para o
serviço militar de acordo com o estipulado no foral.
Um concelho era uma instituição
organizada. Os seus membros pertenciam à
Comunidade de vizinhos (homens livres e
maiores de idade). Era esta que era
encarregue de administrar o concelho, a partir
da designação de um corpo de funcionários
próprio.
40.
Os seus símbolosde liberdade eram a Domus Municipalis (local onde se
reunia a assembleia), os pelourinhos (que representavam a justiça local), o
selo local e, por vezes, a bandeira.
41.
• Nos concelhosviviam homens livres,
embora por vezes também fossem
habitados por mouros e judeus.
• Os mais ricos e grandes proprietários eram
os cavaleiros-vilãos (combatiam a cavalo).
• Os restantes habitantes eram peões (iam à
guerra a pé pois não possuíam riqueza nem
terras).
• Os moradores dos concelhos gozavam de
privilégios especiais como a liberdade
pessoal, o direito de asilo e a inviolabilidade
das suas casas.
42.
Afirmação política daselites urbanas
Os cavaleiros-vilãos eram indivíduos
representantes do estrato superior do
povo, posição à qual se ascendia mediante
a posse de bens de montante estipulado,
com obrigatoriedade de possuir armas e
um cavalo para assim prestar serviço
militar sem qualquer remuneração pelas
funções. Tinham privilégios de ordem fiscal
(isenção do pagamento de tributos) e
gozavam de um foro especial (sem penas
corporais).
43.
Homens-Bons era adesignação vulgarizada na Idade Média aplicada aos
notáveis do concelho, com poder de intervenção na vida da sua comunidade,
monopolizando os cargos municipais e a representação nas cortes. Estes:
• tinham competência para aconselhamento em julgamentos e intervenção
em questões económicas e administrativas.
• A partir do século XII, passou a incluir os peões e os mesteirais,
dependendo da evolução das suas fontes de riqueza.
44.
Administração do concelho
Principaismagistrados concelhios e as suas funções
Juiz/Alvazis Administrava a justiça
Chanceler guarda a bandeira e o selo
Procurador delegado do concelho
Almotacé
Assegurava o abastecimento e a limpeza da vila ou cidade.
Fiscalizava os preços e as medidas utilizadas no comércio.
Mordomo Administrava os bens dos concelhos e cobrava rendas.
Alcaide
Representante do rei para o governo militar do território,
estabelecia a ligação entre este e o concelho.
Almoxarife
Funcionário do rei que cobrava rendas e impostos devidos à
coroa.
A centralização dopoder
• Alguns fatores facilitaram o movimento de centralização e recuperação
dos poderes reais:
• o modo de produção feudal não satisfazia as necessidades de
consumo,
• o poder político dos senhores feudais estava a decrescer,
• a burguesia apoia os reis como forma de libertar-se da opressão e dos
entraves ao comércio,
• as cruzadas e as guerras contribuíram para a desagregação das forças
da Nobreza e para a perda de autoridade face aos camponeses.
• Os reis aproveitam esta conjuntura para fortalecer a sua autoridade
esquivando-se progressivamente à submissão à Santa Sé e sobrepondo-
-se à Nobreza e ao Clero.
49.
Intervenção real naadministração local
O reforço da autoridade régia repercutiu-se igualmente na administração local:
Reguengos e
senhorios
Comarcas
(substituem as terras
administradas pelos
tenentes)
Julgados
Almoxarifados
Dirigidas por Meirinhos
cobrava as rendas e os
impostos devidos ao rei
Pág. 100
A afirmação dePortugal no quadro ibérico
• O auge da centralização do poder real foi
atingido no governo de D. Dinis: a
administração central mostrou-se forte e
rigorosa, os poderes dos senhores foram
energeticamente combatidos e as
fronteiras definitivamente fixadas.
• A produção aumentou, incrementaram-se
as feiras e o comércio externo.
Pág. 108
52.
A afirmação dePortugal no quadro ibérico
• Dignificaram-se as artes e as letras (D. Dinis, o trovador) e o português tornou-
se a língua oficial, em detrimento do latim.
• Institui-se a primeira universidade portuguesa e o rei é respeitado no exterior.
Pág. 108
53.
A afirmação dePortugal no quadro ibérico
• D. Afonso IV incrementa mais este prestígio com a vitória da Batalha do
Salado entre Cristãos e Muçulmanos (1340).
• Em 1383/85, a crise de sucessão dinástica é combatida e a independência de
Portugal assegurada.
Pág. 108