1
33 -- BBIIOOTTEERRMMOOLLOOGGIIAA
3.1 – introdução
De todas as partes da biofísica, talvez seja a
biotermologia. a mais aplicada em suas terapias no
cotidiano. A variação da temperatura é um fator
presente direta ou indiretamente em quase toda, senão
toda, intervenção fisioterápica. Diretamente podemos
citar termoterapias como o forno de Bier, parafina,
laser, ultra-som, microondas, ondas curtas, etc. Até
mesmo crioterapias como compressas com gelo,
aplicações de água fria ou spray são exemplos da
aplicação física da temperatura nos meios biológicos.
Indiretamente, a variação da temperatura está presente
em terapias como o aquecimento antes de uma
atividade física, alongamentos, massagens ou até
mesmo aplicações de correntes elétricas de baixa
intensidade. O conhecimento dos princípios tanto
físicos como biológicos dessas terapias é de suma
importância para o fisioterapeuta.
3.2 – Conceito
Biotermologia é a parte da biofísica que
estuda a temperatura e suas propriedades relacionadas
com os seres vivos. Em especial para a fisioterapia
estudaremos a influência da temperatura no corpo
humano e o princípio físico das terapias que envolvem
a variação de temperatura no corpo humano.
3.3 – Calor e Temperatura
Temperatura: chamamos de temperatura a
quantidade de vibração das moléculas de um corpo.
Todas as moléculas se encontram em vibração se a
temperatura estiver superior a - 273º C ou 0 kelvin.
t2 > t1
Escala de Temperatura:
Em cada país ou continente, é bastante comum
se observar unidades de grandezas físicas diferentes.
Com a temperatura, isso não é diferente. Basicamente
existem três unidades mundialmente conhecidas: o
grau Celsius, o grau Fahrenheit e o Kelvin. Como em
outras grandezas físicas é possível transformar uma
unidade em outra. No caso da temperatura a fórmula
para transformação de uma unidade em outra é:
5
273
9
32
5
−
=
−
=
kFC
Ex. 01 – Sabendo-se que a temperatura média do corpo
humano é de 36 ºC, qual seria essa temperatura em ºF e
K?
Variação da Temperatura:
A variação da taxa de vibração das moléculas de
um corpo é nada mais que a variação da temperatura.
Essa variação (∆θ = tfinal – tinicial) quase sempre se
processa devido à perda ou ao ganho de energia com
outro corpo. Dá-se o nome de calor a essa energia
mensurável em trânsito.
Calor:
Dizemos que um corpo perde ou ganha calor
quando sua temperatura diminui ou aumenta
respectivamente. Calor é a quantidade de energia que
um corpo perde ou ganha para variar sua temperatura.
Esse calor, terapeuticamente pode ser fornecido por
meio de equipamentos como ultra-som, laser, lâmpadas
infravermelhas, micro-ondas, etc.
Calorimetria: É a parte da física que estuda o calor,
ou seja, a energia térmica em transito. Logo, não se
pode dizer que um corpo tem uma determinada
quantidade de calor e sim que um corpo ganhou ou
perdeu uma determinada quantidade de calor, o que o
corpo adquire, ao final desse processo é a temperatura
final. A unidade de calor, comumente utilizada é a
caloria (cal) e o seu múltiplo Kcal. É comum a unidade
de calor também ser dada em Joules, uma unidade
usada para quantificar trabalho: 1,0 cal = 4,186 J. Isso
por que Trabalho pode ser definido como variação de
energia, e como calor é energia em trânsito...
Princípios da Calorimetria
Princípio da Transformação Inversa: “Se na
transformação sofrida por um sistema, de um estado (1)
para um estado (2), for necessário fornecer uma
quantidade Q de calor (energia térmica), na
transformação inversa, do estado (2) para o estado (1),
será necessário retirar a mesma quantidade de energia
Q”.
Princípio da Troca de Calor: “Quando dois ou mais
corpos, constituindo um sistema isolado, trocam entre
si apenas calor, a soma das quantidades de calor
cedidas por uns é igual à soma das quantidades de calor
recebidas pelos outros”.
∆∆∆∆Qcedida = ∆∆∆∆Qrecebida
Temperatura
t
Temperatura
t
E. Mecânica
E. Térmica
E. Química
E Elét.
2
1o
Principio da Termodinâmica: “Se um sistema
recebe energia, esta deve ser armazenada pelo sistema,
fornecida ao ambiente sob forma de Trabalho ou, como
na maioria das vezes, ambos devem acontecer”.
Se um sistema recebe 1.000 J, toda essa
energia deve ir para algum lugar. Suponha que o
sistema realize um Trabalho (aumento do
metabolismo) que consuma 600 J, resta saber para
onde foram os demais 400 J. Só podem ter sido
armazenados pelo sistema. Lembre-se que o sistema
biológico não pode armazenar energia indefinidamente
e que, para devolvê-la ao meio ambiente, terá que
utilizar os recursos da circulação, transpiração, etc. Se
estes mecanismos falharem, as células poderão sofrer
sérios danos.
2o
Principio da Termodinâmica: “O calor passa
espontaneamente dos corpos de maior temperatura para
os de menor temperatura”. Portanto, só é possível
transformar calor em trabalho quando se dispõe de
duas fontes de calor em temperaturas diferentes.
Sabemos que Calorimetria é a parte da Física
que estuda o calor e suas manifestações. Como foi
visto anteriormente, calor está intimamente ligado com
a variação da temperatura. A quantidade de calor
trocada Q, durante a variação da temperatura ∆θ de um
corpo depende de sua massa m, da própria variação da
temperatura ∆θ e do material que é constituído,
conforme a equação a seguir. A constante c abaixo é
conhecida como calor específico e varia de um
material para outro, geralmente sua unidade é cal.g-
1
.ºC-1
.
Q = m.c. ∆θ∆θ∆θ∆θ
Onde:
“m” é a massa do corpo geralmente dada em gramas
“c” é o calor específico
“∆θ ” variação da temperatura (tf – ti )
O calor específico “c” é uma grandeza física
que basicamente descreve a quantidade de energia que
um grama de determinado material necessita para
variar sua temperatura de 1º C. Quanto maior o calor
específico maior a quantidade de energia que ele
necessita para variar sua temperatura. A Tabela 01 a
seguir mostra alguns índices de calor específico de
alguns materiais não biológicos em cal/go
C, já na
Tabela 02 pode-se ver alguns índices de calor
específico de alguns materiais biológicos em J/kg.K.
Tabela 01 – Intensidade de calor específico de alguns
materiais não biológicos.
Material C (cal.g-1
.ºC-1
)
Água 1,000
Ferro 0,113
Alumínio 0,217
Vidro 0,199
Tabela 02: Densidade e Calor específico de alguns tecidos
humano. [kg/m ] e calor específico [J/(kg.K)].
Tecido
[kg/m ] [J/(kg.K)]
1 osso 1810 1.256
2 gordura 920 2.973
3 pele 1010 3.662
4 olho 1170 3.664
5 músculo 1040 3.639
6 Sangue 1060 3.894
Ex. 1 – 100 calorias são irradiadas em 10 g de água,
ferro e alumínio respectivamente. Sabendo que todos
esses elementos encontram-se à temperatura ambiente
de 25ºC. Qual a temperatura final de cada um desses
elementos? Qual deles deve esquentar mais? Por quê?
Ex. 2 – Utilizando o Ultra-som terapêutico um
fisioterapeuta incide em 1 Kg de pele, gordura,
músculo e osso, todos a 36ºC uma quantidade de 1000
J. Qual a temperatura final em o
C em cada um desses
tecidos.
Dilatação Térmica
Um fenômeno bastante comum e importante
que deve ser levando em conta durante os tratamentos
com termoterapias é a dilatação térmica. Didaticamente
ela pode ser classificada em três tipos:
A) Dilatação Linear: que ocorre em fios, linhas, cabos
ou corda e está mais interessada em medir a dilatação
em uma dimensão apenas (1 D). Ela pode ser dada pela
fórmula:
θα ∆=∆ .. 0LL
Onde ∆L é a dilatação linear, α é o coeficiente de
dilatação térmica linear e ∆T a variação da
temperatura.
B) Dilatação Superficial: que ocorre em chapas,
placas ou superfícies. Ela medi a variação superficial
Fonte de Energia
(1.000 J)
Trabalho
Realizado
(600 J)
Energia
Armazenada
(400 J)
Sistema Biológico
3
de uma placa pro exemplo quando esta mesma é
submetida a uma variação da temperatura. A dilatação
superficial é dada pela fórmula:
θβ ∆=∆ .. 0SS
Onde ∆S é a dilatação superficial, β é o coeficiente de
dilatação térmica superficial e ∆T a variação da
temperatura.
C) Dilatação Volumétrica: na verdade é a dilatação
que ocorre naturalmente nas três dimensões. Ela é dada
por:
θδ ∆=∆ .. 0VV
Onde ∆V é a dilatação volumétrica, α é o coeficiente
de dilatação térmica volumétrico e ∆T a variação da
temperatura. A relação entre os coeficiente de dilatação
térmica é a seguinte;
321
δβα
==
Transmissão de Calor
As modalidades segundo as quais o calor pode ser
transmitido são: Condução, Convecção e Conversão.
Condução: Neste, o processo de transmissão do calor
se dá de molécula para molécula, do corpo com maior
temperatura para o de menor temperatura até que
ambos atinjam o equilíbrio térmico.
Considerando-se uma parede com Area A e espessura
l, separando dois meios (1) e (2), com temperaturas
diferentes, t1 maior que t2, o calor passará atraves da
parede no sentido de 1 para 2. Podemos definir como
fluxo de calor ou fluxo térmico como a quantidade de
energia que atravessa um meio intermediário entre dois
corpos de temperatura diferente por unidade de tempo.
O fluxo de calor pode ser expresso matematicamente
por:
l
AK
Fluxo
θ∆
=
..
Onde K é a constante de condutividade térmica
específica de cada material, A é a superfície de contato
e ∆θ a variação da temperatura entre os dois meios.
Material K (cal.s-1
.cm-1
.ºC-1
)
Prata e Cobre 0,99
Alumínio 0,50
Ferro 0,19
Gelo 0,004
Água 0,00014
Terapias por condução:
Compressas quente ou frias
Banhos quentes
Banhos de parafina
Cataplasmas (subst. pastosas)
Bolsas de água (térmica) quentes ou frias
Aplicações de gelo
B) Convecção: neste caso, a transmissão do calor
ocorre devido ao movimento de fluidos (gás ou
líquido) causado pela diferença de densidade entre os
dois meios de temperaturas diferentes. Ex. ar
condicionado, saunas, turbilhão, hidroterapia e banhos
a vapor, forno de Bier.
Turbilhão Forno de BierMeio 1
Temperatura t1
Meio 2
Temperatura t2
Fluxo
l
A
Corrente de
Convecção:
livre ou
forçada
calo
r
Ar
condici
onado
+ denso
- denso
calo
r
4
C) Conversão: Dá-se o nome de conversão à
transformação de um tipo de energia qualquer em
energia térmica. Um bom exemplo são as ondas-
curtas, onde temos a transformação de ondas
eletromagnéticas em calor. O ultra-som e o micro-
ondas também são exemplos.
Obs. Comumente a Irradiação é tratada como uma
forma de transmissão de calor à parte. Entretanto, aqui
ela será ministrada como um tipo de transmissão de
calor especial que faz parte da conversão. Observando
bem a Irradiação é uma forma de transmissão de calor
que se processa pela absorção de ondas
eletromagnética (mais precisamente os raios
infravermelhos) e transformado em energia térmica.
Então, a Irradiação não passa de um tipo especial de
conversão.
Por se tratar de ondas eletromagnéticas de luz
infravermelha as terapias por irradiação são aquelas
que utilizam esse tipo de luz. As lâmpadas de luz
infravermelha, o laser de HeNe (Helio / Neônio) e o
laser de ArGa (Arseneto de Gálio). O princípio
biofísico dessa forma de transmissão de calor será
melhor tratado em Bióptica.
Ondas Curtas Lâmpada de Luz IV
Calor e o Corpo Humano
Para compreender melhor o funcionamento da resposta
do corpo humano às variações de temperatura é
necessário, primeiro, fazer uma breve revisão dos
sistemas que interagem com esse fenômeno. A pele, o
sistema circulatório e o metabolismo.
PELE
SISTEMA CIRCULATÓRIO
Atividade
Custo energético
(Cal/m 2
hr)
Dormindo 35
Sentado 50
Trabalhando sentado 60
Em pé 85
Banhando e vestindo 100
Andando (3 mph) 140
Andando de bicicleta 250
Nadando 350
Correndo 600
Mecânica
Química
Elétrica
Eletromagnética
Nuclear
Térmica
5
Condições normais
26o
C – Fluxo Sangüíneo Cutâneo 5%
36o
C – Fluxo Sanguíneo Cutâneo 20%
METABOLISMO
Regulação da Temperatura (Calor)
Regulação da Temperatura (Frio)
Temperatura ( o
C) Sintomas
28 Falência muscular
30 Perda do controle da temp corp.
33 Perda da consciência
37 Normal
42 Parada do SNC
44 Morte *
Mecanismos Termolíticos
São mecanismos criados para aumentar a perda de calor do
corpo humano
1. Aumento do fluxo sangüíneo periférico
2. Vasodilatação
3. Aumento da Freq. Respiratória
4. Evapotranspiração
Sudorese Umidade Relativa do Ar
5. Aumento da Irradiação
6. Micção e Defecação
Mecanismos Termolíticos Alternativos
1. Banhos Frios
2. Banho de álcool
3. Resfriamento da temp. ambiente
4. Bebidas geladas
5. Roupas leves
36o
C
26o
C
20o
C
15o
C
05o
C
Mecanismos Termogênicos
São mecanismos criados pelo corpo que geram
calor ou evitam a perda do mesmo.
1. Físicos
a)Calafrios = aumento das contrações
espasmódicas dos músculos esqueléticos.
b)Aumento da perda por Irradiação
2. Químicos:
a)Aumento do metabolismo
b)Queima da gordura marrom
3. Evitam a perda
a) Eriçamento dos pêlos
b) vasoconstrição
Mecanismos Termogênicos Alternativos
a) Aquecedores
b) Banhos quentes
c) Roupas de frio
d) Bebidas quentes
36o
C
26o
C
30o
C
35o
C
45o
C
6

3 biotermol 1

  • 1.
    1 33 -- BBIIOOTTEERRMMOOLLOOGGIIAA 3.1– introdução De todas as partes da biofísica, talvez seja a biotermologia. a mais aplicada em suas terapias no cotidiano. A variação da temperatura é um fator presente direta ou indiretamente em quase toda, senão toda, intervenção fisioterápica. Diretamente podemos citar termoterapias como o forno de Bier, parafina, laser, ultra-som, microondas, ondas curtas, etc. Até mesmo crioterapias como compressas com gelo, aplicações de água fria ou spray são exemplos da aplicação física da temperatura nos meios biológicos. Indiretamente, a variação da temperatura está presente em terapias como o aquecimento antes de uma atividade física, alongamentos, massagens ou até mesmo aplicações de correntes elétricas de baixa intensidade. O conhecimento dos princípios tanto físicos como biológicos dessas terapias é de suma importância para o fisioterapeuta. 3.2 – Conceito Biotermologia é a parte da biofísica que estuda a temperatura e suas propriedades relacionadas com os seres vivos. Em especial para a fisioterapia estudaremos a influência da temperatura no corpo humano e o princípio físico das terapias que envolvem a variação de temperatura no corpo humano. 3.3 – Calor e Temperatura Temperatura: chamamos de temperatura a quantidade de vibração das moléculas de um corpo. Todas as moléculas se encontram em vibração se a temperatura estiver superior a - 273º C ou 0 kelvin. t2 > t1 Escala de Temperatura: Em cada país ou continente, é bastante comum se observar unidades de grandezas físicas diferentes. Com a temperatura, isso não é diferente. Basicamente existem três unidades mundialmente conhecidas: o grau Celsius, o grau Fahrenheit e o Kelvin. Como em outras grandezas físicas é possível transformar uma unidade em outra. No caso da temperatura a fórmula para transformação de uma unidade em outra é: 5 273 9 32 5 − = − = kFC Ex. 01 – Sabendo-se que a temperatura média do corpo humano é de 36 ºC, qual seria essa temperatura em ºF e K? Variação da Temperatura: A variação da taxa de vibração das moléculas de um corpo é nada mais que a variação da temperatura. Essa variação (∆θ = tfinal – tinicial) quase sempre se processa devido à perda ou ao ganho de energia com outro corpo. Dá-se o nome de calor a essa energia mensurável em trânsito. Calor: Dizemos que um corpo perde ou ganha calor quando sua temperatura diminui ou aumenta respectivamente. Calor é a quantidade de energia que um corpo perde ou ganha para variar sua temperatura. Esse calor, terapeuticamente pode ser fornecido por meio de equipamentos como ultra-som, laser, lâmpadas infravermelhas, micro-ondas, etc. Calorimetria: É a parte da física que estuda o calor, ou seja, a energia térmica em transito. Logo, não se pode dizer que um corpo tem uma determinada quantidade de calor e sim que um corpo ganhou ou perdeu uma determinada quantidade de calor, o que o corpo adquire, ao final desse processo é a temperatura final. A unidade de calor, comumente utilizada é a caloria (cal) e o seu múltiplo Kcal. É comum a unidade de calor também ser dada em Joules, uma unidade usada para quantificar trabalho: 1,0 cal = 4,186 J. Isso por que Trabalho pode ser definido como variação de energia, e como calor é energia em trânsito... Princípios da Calorimetria Princípio da Transformação Inversa: “Se na transformação sofrida por um sistema, de um estado (1) para um estado (2), for necessário fornecer uma quantidade Q de calor (energia térmica), na transformação inversa, do estado (2) para o estado (1), será necessário retirar a mesma quantidade de energia Q”. Princípio da Troca de Calor: “Quando dois ou mais corpos, constituindo um sistema isolado, trocam entre si apenas calor, a soma das quantidades de calor cedidas por uns é igual à soma das quantidades de calor recebidas pelos outros”. ∆∆∆∆Qcedida = ∆∆∆∆Qrecebida Temperatura t Temperatura t E. Mecânica E. Térmica E. Química E Elét.
  • 2.
    2 1o Principio da Termodinâmica:“Se um sistema recebe energia, esta deve ser armazenada pelo sistema, fornecida ao ambiente sob forma de Trabalho ou, como na maioria das vezes, ambos devem acontecer”. Se um sistema recebe 1.000 J, toda essa energia deve ir para algum lugar. Suponha que o sistema realize um Trabalho (aumento do metabolismo) que consuma 600 J, resta saber para onde foram os demais 400 J. Só podem ter sido armazenados pelo sistema. Lembre-se que o sistema biológico não pode armazenar energia indefinidamente e que, para devolvê-la ao meio ambiente, terá que utilizar os recursos da circulação, transpiração, etc. Se estes mecanismos falharem, as células poderão sofrer sérios danos. 2o Principio da Termodinâmica: “O calor passa espontaneamente dos corpos de maior temperatura para os de menor temperatura”. Portanto, só é possível transformar calor em trabalho quando se dispõe de duas fontes de calor em temperaturas diferentes. Sabemos que Calorimetria é a parte da Física que estuda o calor e suas manifestações. Como foi visto anteriormente, calor está intimamente ligado com a variação da temperatura. A quantidade de calor trocada Q, durante a variação da temperatura ∆θ de um corpo depende de sua massa m, da própria variação da temperatura ∆θ e do material que é constituído, conforme a equação a seguir. A constante c abaixo é conhecida como calor específico e varia de um material para outro, geralmente sua unidade é cal.g- 1 .ºC-1 . Q = m.c. ∆θ∆θ∆θ∆θ Onde: “m” é a massa do corpo geralmente dada em gramas “c” é o calor específico “∆θ ” variação da temperatura (tf – ti ) O calor específico “c” é uma grandeza física que basicamente descreve a quantidade de energia que um grama de determinado material necessita para variar sua temperatura de 1º C. Quanto maior o calor específico maior a quantidade de energia que ele necessita para variar sua temperatura. A Tabela 01 a seguir mostra alguns índices de calor específico de alguns materiais não biológicos em cal/go C, já na Tabela 02 pode-se ver alguns índices de calor específico de alguns materiais biológicos em J/kg.K. Tabela 01 – Intensidade de calor específico de alguns materiais não biológicos. Material C (cal.g-1 .ºC-1 ) Água 1,000 Ferro 0,113 Alumínio 0,217 Vidro 0,199 Tabela 02: Densidade e Calor específico de alguns tecidos humano. [kg/m ] e calor específico [J/(kg.K)]. Tecido [kg/m ] [J/(kg.K)] 1 osso 1810 1.256 2 gordura 920 2.973 3 pele 1010 3.662 4 olho 1170 3.664 5 músculo 1040 3.639 6 Sangue 1060 3.894 Ex. 1 – 100 calorias são irradiadas em 10 g de água, ferro e alumínio respectivamente. Sabendo que todos esses elementos encontram-se à temperatura ambiente de 25ºC. Qual a temperatura final de cada um desses elementos? Qual deles deve esquentar mais? Por quê? Ex. 2 – Utilizando o Ultra-som terapêutico um fisioterapeuta incide em 1 Kg de pele, gordura, músculo e osso, todos a 36ºC uma quantidade de 1000 J. Qual a temperatura final em o C em cada um desses tecidos. Dilatação Térmica Um fenômeno bastante comum e importante que deve ser levando em conta durante os tratamentos com termoterapias é a dilatação térmica. Didaticamente ela pode ser classificada em três tipos: A) Dilatação Linear: que ocorre em fios, linhas, cabos ou corda e está mais interessada em medir a dilatação em uma dimensão apenas (1 D). Ela pode ser dada pela fórmula: θα ∆=∆ .. 0LL Onde ∆L é a dilatação linear, α é o coeficiente de dilatação térmica linear e ∆T a variação da temperatura. B) Dilatação Superficial: que ocorre em chapas, placas ou superfícies. Ela medi a variação superficial Fonte de Energia (1.000 J) Trabalho Realizado (600 J) Energia Armazenada (400 J) Sistema Biológico
  • 3.
    3 de uma placapro exemplo quando esta mesma é submetida a uma variação da temperatura. A dilatação superficial é dada pela fórmula: θβ ∆=∆ .. 0SS Onde ∆S é a dilatação superficial, β é o coeficiente de dilatação térmica superficial e ∆T a variação da temperatura. C) Dilatação Volumétrica: na verdade é a dilatação que ocorre naturalmente nas três dimensões. Ela é dada por: θδ ∆=∆ .. 0VV Onde ∆V é a dilatação volumétrica, α é o coeficiente de dilatação térmica volumétrico e ∆T a variação da temperatura. A relação entre os coeficiente de dilatação térmica é a seguinte; 321 δβα == Transmissão de Calor As modalidades segundo as quais o calor pode ser transmitido são: Condução, Convecção e Conversão. Condução: Neste, o processo de transmissão do calor se dá de molécula para molécula, do corpo com maior temperatura para o de menor temperatura até que ambos atinjam o equilíbrio térmico. Considerando-se uma parede com Area A e espessura l, separando dois meios (1) e (2), com temperaturas diferentes, t1 maior que t2, o calor passará atraves da parede no sentido de 1 para 2. Podemos definir como fluxo de calor ou fluxo térmico como a quantidade de energia que atravessa um meio intermediário entre dois corpos de temperatura diferente por unidade de tempo. O fluxo de calor pode ser expresso matematicamente por: l AK Fluxo θ∆ = .. Onde K é a constante de condutividade térmica específica de cada material, A é a superfície de contato e ∆θ a variação da temperatura entre os dois meios. Material K (cal.s-1 .cm-1 .ºC-1 ) Prata e Cobre 0,99 Alumínio 0,50 Ferro 0,19 Gelo 0,004 Água 0,00014 Terapias por condução: Compressas quente ou frias Banhos quentes Banhos de parafina Cataplasmas (subst. pastosas) Bolsas de água (térmica) quentes ou frias Aplicações de gelo B) Convecção: neste caso, a transmissão do calor ocorre devido ao movimento de fluidos (gás ou líquido) causado pela diferença de densidade entre os dois meios de temperaturas diferentes. Ex. ar condicionado, saunas, turbilhão, hidroterapia e banhos a vapor, forno de Bier. Turbilhão Forno de BierMeio 1 Temperatura t1 Meio 2 Temperatura t2 Fluxo l A Corrente de Convecção: livre ou forçada calo r Ar condici onado + denso - denso calo r
  • 4.
    4 C) Conversão: Dá-seo nome de conversão à transformação de um tipo de energia qualquer em energia térmica. Um bom exemplo são as ondas- curtas, onde temos a transformação de ondas eletromagnéticas em calor. O ultra-som e o micro- ondas também são exemplos. Obs. Comumente a Irradiação é tratada como uma forma de transmissão de calor à parte. Entretanto, aqui ela será ministrada como um tipo de transmissão de calor especial que faz parte da conversão. Observando bem a Irradiação é uma forma de transmissão de calor que se processa pela absorção de ondas eletromagnética (mais precisamente os raios infravermelhos) e transformado em energia térmica. Então, a Irradiação não passa de um tipo especial de conversão. Por se tratar de ondas eletromagnéticas de luz infravermelha as terapias por irradiação são aquelas que utilizam esse tipo de luz. As lâmpadas de luz infravermelha, o laser de HeNe (Helio / Neônio) e o laser de ArGa (Arseneto de Gálio). O princípio biofísico dessa forma de transmissão de calor será melhor tratado em Bióptica. Ondas Curtas Lâmpada de Luz IV Calor e o Corpo Humano Para compreender melhor o funcionamento da resposta do corpo humano às variações de temperatura é necessário, primeiro, fazer uma breve revisão dos sistemas que interagem com esse fenômeno. A pele, o sistema circulatório e o metabolismo. PELE SISTEMA CIRCULATÓRIO Atividade Custo energético (Cal/m 2 hr) Dormindo 35 Sentado 50 Trabalhando sentado 60 Em pé 85 Banhando e vestindo 100 Andando (3 mph) 140 Andando de bicicleta 250 Nadando 350 Correndo 600 Mecânica Química Elétrica Eletromagnética Nuclear Térmica
  • 5.
    5 Condições normais 26o C –Fluxo Sangüíneo Cutâneo 5% 36o C – Fluxo Sanguíneo Cutâneo 20% METABOLISMO Regulação da Temperatura (Calor) Regulação da Temperatura (Frio) Temperatura ( o C) Sintomas 28 Falência muscular 30 Perda do controle da temp corp. 33 Perda da consciência 37 Normal 42 Parada do SNC 44 Morte * Mecanismos Termolíticos São mecanismos criados para aumentar a perda de calor do corpo humano 1. Aumento do fluxo sangüíneo periférico 2. Vasodilatação 3. Aumento da Freq. Respiratória 4. Evapotranspiração Sudorese Umidade Relativa do Ar 5. Aumento da Irradiação 6. Micção e Defecação Mecanismos Termolíticos Alternativos 1. Banhos Frios 2. Banho de álcool 3. Resfriamento da temp. ambiente 4. Bebidas geladas 5. Roupas leves 36o C 26o C 20o C 15o C 05o C Mecanismos Termogênicos São mecanismos criados pelo corpo que geram calor ou evitam a perda do mesmo. 1. Físicos a)Calafrios = aumento das contrações espasmódicas dos músculos esqueléticos. b)Aumento da perda por Irradiação 2. Químicos: a)Aumento do metabolismo b)Queima da gordura marrom 3. Evitam a perda a) Eriçamento dos pêlos b) vasoconstrição Mecanismos Termogênicos Alternativos a) Aquecedores b) Banhos quentes c) Roupas de frio d) Bebidas quentes 36o C 26o C 30o C 35o C 45o C
  • 6.