A CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO E
DEFICIÊNCIANA PERSPECTIVAHISTÓRICO CULTURAL
EM ÉPOCA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Débora ...
Sobre o modo de conceber o desenvolvimento
humano na perspectiva histórico-cultural
- Interface da condição de “normalidad...
• Leis gerais para explicar o desenvolvimento em
diferentes condições orgânicas: história individual
entretecida à históri...
- Relações sociais vividas se transformam em funções
psicológicas humanas;
- Mediação e Significação;
- Emergência de nova...
Conceito de Compensação
Primeiros Escritos (1924): versão mística (dom divino,
sensibilidade especial) e biológica/sensori...
Argumento: Função da educação é a criação de novas
formas de desenvolvimento que garanta a efetiva
participação da criança...
Diálogo entre Vigotski e A. Adler sobre a compensação
Pontos em Comum:
- Compensação orienta um modo positivo de se conceb...
História de elaboração conceitual da compensação na
obra de Vigotski:
- Leis gerais de desenvolvimento humano – amplia o m...
• Formas e meios de mediação (pelo signo, pela palavra,
pelos instrumentos, pelo outro) tornam-se condição de
desenvolvime...
- Ensino da pessoa com deficiência como parte do trabalho
educativo comum;
- Educação é fonte de desenvolvimento da crianç...
• Integração escolar: prioriza a deficiência - reduz o potencial
de desenvolvimento. Proposta de um ensino especial a fim ...
• Correção para normalizar e atingir a perfeição ou modos
de constituição?
• Corrigir/reabilitar ou significar/ensinar de ...
O caso de um aluno.
- 11 anos; aluno do 5º. Ano, 28 alunos; Deficiência múltipla por
sequela de Síndrome de Angelman.
- De...
O que esse aluno faz em um 5º. ano e o que fazer com
ele? Ele pode compreender e interagir ou não? A dúvida e
a tensão.
- ...
O que a escola tem feito com ele?
- Recomendação de trabalho com esse aluno: profissionais
da educação e da saúde da insti...
Modos de interpretação da mãe e das formas de
participação do aluno no contexto familiar
“Todo dia à noite a gente coloca ...
- Perspectiva H-C - trazer para dentro da escola o olhar da
mãe/família;
- Modo de olhar da mãe: POSSIBILIDADE DE RESPOSTA...
Modos de interpretação da professora e das formas de
participação do aluno com deficiência múltipla no contexto
escolar
• ...
Considerações
Refinamento teórico-conceitual da compensação pensado nas
condições históricas e culturais de desenvolviment...
Algumas Referências:
DAINEZ, D. A inclusão escolar de crianças com deficiência mental: focalizando a noção
de compensação ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Apresentação débora dainez

169 visualizações

Publicada em

0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
169
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Apresentação débora dainez

  1. 1. A CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO E DEFICIÊNCIANA PERSPECTIVAHISTÓRICO CULTURAL EM ÉPOCA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA Débora Dainez ddainez@yahoo.com.br GPPL/Psicologia Educacional/FE/UNICAMP
  2. 2. Sobre o modo de conceber o desenvolvimento humano na perspectiva histórico-cultural - Interface da condição de “normalidade” e de “lesão orgânica”; - Contrapõe a teorias psicológicas que buscam estabelecer estágios de desenvolvimento a partir daquilo que se apresentava como recorrente, típico – UNIVERSAL; - Compreender o específico do humano, a emergência e o funcionamento das funções psicológicas;
  3. 3. • Leis gerais para explicar o desenvolvimento em diferentes condições orgânicas: história individual entretecida à história humana de produção (Vigotski, 1995); • Como a dimensão cultural afeta o biológico? • Como a história de produção e relação dos homens torna-se condição de vida e de funcionamento mental? – SOCIAL É CONDIÇÃO DE REALIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO.
  4. 4. - Relações sociais vividas se transformam em funções psicológicas humanas; - Mediação e Significação; - Emergência de novas formações > viabiliza a regulação da conduta, gera novas formas de atividade mental; - Produção e uso de signos se dá nas relações com o outro, nas práticas sociais;
  5. 5. Conceito de Compensação Primeiros Escritos (1924): versão mística (dom divino, sensibilidade especial) e biológica/sensorial (pré-disposição orgânica). - Prescrição de um caráter religioso, médico e terapêutico à educação: desenvolvimento de sentidos imunes. Empenho: deslocar formas reducionistas com foco no limite e na falta inferida na condição de lesão orgânica.
  6. 6. Argumento: Função da educação é a criação de novas formas de desenvolvimento que garanta a efetiva participação da criança no processo de construção sócio-histórica. - Contemplar a criança na sua integralidade e nas condições de vida e educação recebidas - CONDIÇÕES DE DESENVOLVIMENTO.
  7. 7. Diálogo entre Vigotski e A. Adler sobre a compensação Pontos em Comum: - Compensação orienta um modo positivo de se conceber a deficiência; - Condição de lesão orgânica como lugar da produção de novas possibilidades (dialética defeito-superação). Divergências: - Compensação em Adler: Forças subjetivas (cabe ao indivíduo tomar consciência de sua limitação e reagir de modo a lutar contra sua desvantagem). - Compensação em Vigotski: complexidade da constituição do indivíduo nas relações e condições de vida; os modos de participação nas práticas sociais e às possibilidades de significação.
  8. 8. História de elaboração conceitual da compensação na obra de Vigotski: - Leis gerais de desenvolvimento humano – amplia o modo de conceber o desenvolvimento da pessoa com deficiência; - Educação - processo de humanização - POSSIBILIDADES DE HUMANIZAÇÃO EM QUALQUER CONDIÇÃO ORGÂNICA. - Mobiliza o princípio da sociogênese, mediação, significação, plasticidade cerebral, interconexões das funções psíquicas – Formação Social da Mente.
  9. 9. • Formas e meios de mediação (pelo signo, pela palavra, pelos instrumentos, pelo outro) tornam-se condição de desenvolvimento humano; “El problema del atraso mental” (Vigotski, 1997): - Analisa as novas formas de particip(ação) da criança com deficiência intelectual (produzidas) nas relações sociais; - Unidade afeto - cognição - atividade volitiva; - Possibilidades de novas conexões interfuncionais; - Não menciona o termo compensação. • Práticas de ensino orientadas para o prospectivo do desenvolvimento e para a multiplicidade das formas de ensinar.
  10. 10. - Ensino da pessoa com deficiência como parte do trabalho educativo comum; - Educação é fonte de desenvolvimento da criança (com deficiência) e deve ser assumida como responsabilidade do meio social. - Esse modo de conceber o desenvolvimento, a deficiência, a educação, traz como pressuposto a força de um trabalho social, o compromisso da sociedade para com a educação e o desenvolvimento da pessoa Princípios e argumentos como lócus de reflexão sobre as políticas pública de educação.
  11. 11. • Integração escolar: prioriza a deficiência - reduz o potencial de desenvolvimento. Proposta de um ensino especial a fim de corrigir o defeito e ajustar a criança à sociedade; • Inclusão escolar: o conceito de deficiência baseado na ideia de diferença, desloca a condição orgânica, dilui as especificidades. Enfoque no trabalho de socialização e no aprender a conviver com a diferença. • Perspectiva histórico-cultural: Concepção de desenvolvimento integral e heterogêneo - condição de deficiência não é impeditiva da ação educacional; criação de novos caminhos e processos de desenvolvimento; Princípio da educação: promover possibilidades e formas mais amplas de participação da criança com deficiência na cultura.
  12. 12. • Correção para normalizar e atingir a perfeição ou modos de constituição? • Corrigir/reabilitar ou significar/ensinar de diferentes formas com uso de variados recursos e instrumentais? • Como a dimensão da significação e da mediação afeta o sistema funcional complexo, possibilita novas relações interfuncionais e abre caminhos para novas formas de desenvolvimento?
  13. 13. O caso de um aluno. - 11 anos; aluno do 5º. Ano, 28 alunos; Deficiência múltipla por sequela de Síndrome de Angelman. - Desconcerto do não saber o que fazer frente à complexidade do caso; - Indignação com relação às condições escolares: - 5º. ano, 28 alunos, 1 professora; - Impossibilidade de um trabalho em parceria entre a professora da turma e a professora de E.E. da escola; - Ausência de um cuidador e de um assistente pedagógico; - Ausência de equipamentos de Tecnologia Assistiva; - Ausência de um mobiliário adequado.
  14. 14. O que esse aluno faz em um 5º. ano e o que fazer com ele? Ele pode compreender e interagir ou não? A dúvida e a tensão. - Conhecimento sobre a síndrome (distúrbio genético- neurológico): Deficiência intelectual severa, acompanhada por incapacidade de falar, andar ataxico com desiquilíbrio ou incapacidade de andar, movimentos desconexos (espasmos), distúrbio no sono (dorme muito), convulsões, gargalhadas frequentes e descontextualizadas – HAPPY PUPPET SYNDROME. Ponto de vista médico: trágico do caso, definição de características elementares e a impossibilidade marcada;
  15. 15. O que a escola tem feito com ele? - Recomendação de trabalho com esse aluno: profissionais da educação e da saúde da instituição especializada. - Indicação: trabalho de estimulação sensório-motora. - Atividades de estimulação vigoraram e foram se estabilizando como práticas pedagógicas.
  16. 16. Modos de interpretação da mãe e das formas de participação do aluno no contexto familiar “Todo dia à noite a gente coloca o colchão na sala e assiste a novela ‘Ana Raia e Zé Trovão’. Ele adora, ele nem pisca de tanto que gosta, porque passa o cavalo e ele fica empolgado, se mexe todo, resmunga, chega até a gritar; ele lembra do cavalo dele da Equoterapia, o Tór”. “Cada vez mais ele está entendendo. Ele tem muita memória. Eu ensinei a ele levantar o bumbum da cama, é um exercício que a fisio passou. Na terceira vez, ele já fez sozinho, só de eu perguntar se ele lembrava e pedir pra ele fazer”. “Eu comunico com ele de várias formas”. “A gente brinca com ele”. “Ele adorava a professora do ano passado e aprendeu a gostar dessa também. Você já viu o jeito que ele olha pra ela quando falamos tchau? Parece que ele não quer ir embora”.
  17. 17. - Perspectiva H-C - trazer para dentro da escola o olhar da mãe/família; - Modo de olhar da mãe: POSSIBILIDADE DE RESPOSTA - Significa de modo a ancorar possibilidades de interação e comunicação. - ESPECIALISTAS marcam a impossibilidade X MÃE enxerga as condições de realidade e projeta possibilidades; - Dissonância entre o que a escola faz e o que a mãe faz (modos de inserção e participação nas práticas); Na heterogeneidade práticas escolares e familiares são constitutivas.
  18. 18. Modos de interpretação da professora e das formas de participação do aluno com deficiência múltipla no contexto escolar • Discurso da professora: reiteração das práticas de cuidado e estimulação X suspeita/não certeza do trabalho realizado – “O que passaram é pra mim cuidar dele, fazer massagens e trocas sensitivas. (...). Mas eu não sei se é assim que devo fazer”. • Supõe possibilidades de interação com o aluno e sente-se provocado com relação ao olhar dele – interpreta/canal possível de resposta – “Quando fala o nome dele ele já olha”. • Levanta hipóteses acerca da possibilidade de compreensão discorrendo sobre a preservação da audição e visão – “O ouvido e a visão dele são preservados. Será que ele pode ter entendido”. • Infere possibilidades de controle corporal de acordo com a vontade – “Ele faz bastante esforço, mas quando ele quer, ele consegue [erguer a cabeça]”.
  19. 19. Considerações Refinamento teórico-conceitual da compensação pensado nas condições históricas e culturais de desenvolvimento humano: - Destacar os gestos mínimos na atividade de ensinar e significar, evidenciando as possibilidades humanas e a necessidade de transformação das condições de ensino, de desenvolvimento. - Importância de alargar o acesso aos bens históricos e culturais produzidos, de forma a considerar os diversos modos de participação; - Possibilidades da criança com deficiência que residem na construção, disponibilização e apropriação de instrumentos técnicos e semióticos.
  20. 20. Algumas Referências: DAINEZ, D. A inclusão escolar de crianças com deficiência mental: focalizando a noção de compensação na abordagem histórico-cultural. Dissertação (Mestrado em Educação), Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Metodista de Piracicaba, 2009, 148 fls. DAINEZ, D. Constituição humana, deficiência e educação: problematizando o conceito de compensação na perspectiva histórico-cultural. Tese (Doutorado em Educação), Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2014, 137 fls. DAINEZ, D.; SMOLKA, A.L.B. (2014). O conceito de compensação no diálogo de Vigotski com Adler: desenvolvimento humano, educação e deficiência. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, 40, 4, 1093-1108. VIGOTSKI, L.S. Manuscrito de 1929. Educação & Sociedade, Campinas: Cedes, ano XXI, n.71, p.21- 44, 2000. VYGOTSKI, L. S. Problemas del desarrollo de la psique - Obras Escogidas, v. III. Madrid: Visor Distribuiciones, S.A., 1995. VYGOTSKI, L.S. Psicología infantil (incluye Paidología del adolescente, problemas de la psicología infantil). Obras Escogidas, v.IV, Madrid: Visor Distribuiciones, S.A., 1996. VYGOTSKI, L.S. Fundamentos de Defectologia - Obras Escogidas, v.V. Madrid: Visor Distribuiciones, S.A., 1997.

×