SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 31
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
Prof. MSC. Eder Gama
AS RAZÕES PARA O PRESENTE ESTUDO
O homem é um ser histórico por natureza;
 Tanto a história quanto a história da educação são
construções que tomam como objeto de estudo a
práxis humana, ou seja a ação do homem é
condicionada pelo tempo e pelo espaço.
 Uma das razões fundamentais para o estudo da
história da educação está em produzir uma
compreensão histórica – crítica (dialética, portanto)
do devir do fenômeno educativo, mesmo nas
sociedades de classes.



“De início, nas sociedade tribais a cultura global é
transmitida de maneira informal pelos adultos, atingindo
todos
os
indivíduos.
Nas
sociedades
mais
complexas, porém, com o passar do tempo, a educação
formal assume um caráter intelectualista da vez mais
distanciado da atividade concreta, destinando-se
apenas à elite. As demais classes têm preterida a sua
formação, considerada desnecessária porque a elas é
destinado o trabalho braçal. Portanto, a dicotomia
trabalho intelectual versus trabalho manual ora exclui os
filhos dos trabalhadores manuais, ora cria uma escola
dualista, com objetivos diferentes: para elite, uma
escola de formação que pode se estender até os graus
superiores, enquanto para os trabalhadores restam os
rudimentos do ler e escrever e o encaminhamento para
profissionalização” (ARANHA, p. 15).
O que é história?
 Agnes Heller (1989, p.2) afirma que a “a história é a
substância da sociedade. A sociedade não dispõe
de nenhuma substância além do homem, pois os
homens
são
portadores
da
objetividade
social, cabendo-lhes exclusivamente a construção e
transmissão de cada estrutura social”.
 A “a história não é do passado, é do presente”. Toda
via, o que se percebe no imaginário social do
povo, aqui no Brasil, é a ideia de um presente sem
história, um presente opressivo, sem devir, que
desconhece o passado, que oculta a presença deste
no presente e impede a irrupção do futuro
verdadeiramente novo.

O QUE É EDUCAÇÃO ?







Não há uma resposta precisa e nem satisfatória sobre
o que é educação.
Aristóteles afirma que o ser pode ser dito de vários
modos;
A educação é uma prática social. É uma prática
humana, constitutiva dos ser social do homem, desde a
aldeia até a civilização do mais avançado
desenvolvimento tecno – científico.
A educação existe e se materializa numa pluralidade de
práticas, todas condicionadas pela história e pela
geografia, pelo tempo e espaço. Os diferentes níveis e
modelos da prática educativa não podem ser abstraídos
das determinações (econômicas, políticas, ideológicas)
das forças produtivas sociais.
“Quando a vida se degrada e a esperança foge do
coração dos homens, só a revolução” (Oscar
Niemyer). E se há uma revolução a ser feita nesse
país é a revolução da educação . É o pressuposto
de todas as revoluções.
 Esta é a esperança que se pode ter na educação.
Desesperar da ilusão de que todos os seus avanços
e
melhorias
dependem
apenas
de
seu
desenvolvimento tecnológico. Acreditar que o ato
humano de educar existe tanto no trabalho
pedagógico que ensina na escola quanto no ato
político que luta na rua por um outro tipo de escola,
para um outro tipo de mundo (BRANDÃO, op. Cit.,
p. 110)

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: DESAFIOS E
PERSPECTIVAS.
A prática histórica da educação é também a prática
filosófica da educação.
 “Quero dizer que uma filosofia da educação
enquanto reflexão sobre a educação só é
estimulante e útil na medida em que ela conduza a
uma prática, como a prática conduziu à reflexão.
Portanto, uma filosofia da educação que se
contenta em falar sobre a educação é uma filosofia
ideológica” (GADOTTI, 1978, p.10).
 A matéria história da educação só pode chegar ao
pensamento do historiador pela via teórica das
mediações metodológicas.



A história da educação não é apenas constatar ou
negar o devir do fenômeno educativo. É antes
compreendê-lo movido pelo discernimento da
inteligência e pela operosidade da vontade, pois “o
conhecimento e a compreensão históricos não
determinam em negação, mas em ação. A história
não existe para contemplar, mas para agir. Ela não é
Maria, é Marta” (RODRIGUES, 1981, p.40).
A EDUCAÇÃO NAS COMUNIDADES PRIMITIVAS.
A educação que se realiza nas comunidades
primitivas ou sociedades tribais é caracterizada por
uma natureza difusa, não sistemática em que o ato
educativo é, sobretudo , um ato comunitário e
perpassa todas as esferas da coletividade.
 Características do fenômeno educativo no interior
das comunidades primitivas:
 O caráter coletivo e difuso da educação nas
comunidades primitivas decorre da estrutura
homogênea de suas relações sociais, sem
denominação de um sobre o outro;
 A produção e o usufruto dos bens necessários à
existência são de caráter coletivo.

Tanto as mulheres quanto as crianças estão em pé
de igualdade com os homens: as crianças, em seu
aprendizado, não são submetidas a castigo;
 A concepção de mundo, sem qualquer formulação
expressa, estrutura-se sob a forma de explicações
míticas, transmitidas de geração para geração
através da tradição oral;
 Como
inexistem graus ou hierarquias nas
comunidades primitivas, os homens imaginam que
a natureza também assim o seja, de tal modo que a
sua consciência religiosa é a de uma religião de
deuses,
caracterizada por forças difusas
(animismo) e espíritos malfazejos e benfazejos.

A EDUCAÇÃO NAS SOCIEDADES ANTIGAS DO
ORIENTE
A importância das civilizações fluviais para
formação da civilização ocidental cristã:
 O desenvolvimento de novas técnicas de produção;
 A domesticação dos animais e seus emprego na
agricultura;
 A divisão social do trabalho entre administradores
e executores;
 A produção e a apropriação privada do excedente;
 A utilização do trabalho escravo.
 O aparecimento destes elementos vai propiciar o
aparecimento da sociedade de classe e do Estado.

As primeiras civilizações vão surgir no norte da
África e na Ásia (oriente Próximo, Oriente Médio e
Extremo Oriente);
 As civilizações fluviais que se formam as margens
dos grandes rios:
 O berço da civilização é o antigo Egito que se
forma a partir do quarto milênio a. C. e Perdura por
quase 3.000 anos;
 Mesopotâmia (significa entre rios, nos vales dos
rios Tigre e Eufrades;
 Índia as margens dos rios Indo e Ganges;
 China ao longo dos Rios Huang Ho ( Rio Amarelo)
e a Yang Tsé.

AS CARACTERÍSTICAS EDUCACIONAIS DAS
SOCIEDADES ANTIGAS










A natureza tradicionalista da sociedade e o domínio de
governos despóticos de caráter teocrático em que reina
a
crença
de
que
o
poder
absoluto
de
reis, imperadores, sacerdotes, faraós tem origem divina;
A invenção da escrita, assume um caráter sagrado e é
tido como privilégio de poucos;
A educação submetida a um rígido sistema religioso e
moral, no qual os valores se impõem de modo
dogmático e conservador;
A dicotomia entre o trabalho manual e o trabalho
intelectual, entre o saber prático e o saber teórico;
O caráter centralizador
e burocrático do
Estado, controlado por uma minoria de privilegiados;




A rígida divisão social em classes ou castas, nas
quais se estabelece extrema discriminação;
A natureza discriminatória da educação.
A TRADIÇÃO ORIENTAL E A EDUCAÇÃO COMO
CUIDADO








A crise que afeta a educação é aquela que deriva de
um modelo de civilizacional engendrada pela razão
instrumental capitalista;
Há um confronto entre a razão ocidental e a razão
oriental.
A razão oriental passa a pensar o outro e a educação
sob o aspecto da razão sapiencial, razão ética, a razão
poética, a razão estética, religiosa, a razão
contemplativa;
Trata-se em ultima instancia de superar o utilitarismo
das relações do homem consigo mesmo, com outros e
com todas as comunidades de vida.
A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE GRECO – ROMANA
O IDEAL DA PAIDÉIA
O caráter tradicional e dogmático da educação que
se ocupa com a transmissão do saber do
passado, o que a torna rígida e estática é advinda
da tradição religiosa recebidas dos ancestrais;
 Por exemplo: os escribas entre os judeus era o
individuo que lia e interpretava as leis, o
profissional que copiava manuscritos ou escrevia
testos ditados, o sacerdote, o mago, depositários e
guardiães de valores por elas estabelecidos;
 Na Grécia Clássica as explicações de cunho
religioso já começaram a ser substituído pelo uso
da
razão
distinta,
de
uma
inteligência
questionadora capaz de distinguir lei humana da
divina.

Surge a figura do cidadão como o guardião da
cultura da cidade;
 No século V a. C. , aproximadamente é criada a
palavra paidéia, que significava apenas criação dos
meninos (pais, paidós, criança).
 Para Werner Jaeger (1994),
“não se pode evitar
o emprego de expressões
modernas
como
civilização, cultura, tradição, literatura ou educação;
nenhuma delas porém, coincide realmente com o
que os gregos entendiam por paidéia. Cada um
daqueles conceito global e, para abranger o campo
total do conceito grego, teríamos de empregá-los
todo de uma só vez”.

A Grécia clássica pode ser considerada o berço da
pedagogia:
 A palavra paidagogos significa literalmente aquele
que conduz a criança (agogôs, “que conduz”).
 No caso em questão o escravo que conduz a
criança a escola (sholé, “o lugar do ócio”).
 Com o tempo o sentido amplia para designar toda
teoria sobre a educação.
 Portanto, os gregos que ao discutir os fins da
paidéia, esboçam as primeira linhas conscientes da
ação pedagógica e dessa forma influenciam por
séculos a cultura ocidental;
 Neste sentido, o que é melhor ensinar? Como é
melhor ensinar? Para quê ensina? Enriquecem as
reflexões dos filósofos e marcam, daí em diante as
tendências que viriam a surgir.

A nova concepção de cultura e do lugar ocupado
pelo cidadão na sociedade repercute no ensino e
nas teorias educacionais;
 A educação Grega de modo geral está centrada na
formação integral – corpo e alma- mesmo que de
fato, a ênfase de tal educação se deslocasse ora
para o preparo esportivo, ora para o debate
intelectual, conforme a época e o lugar;
 Conforme as epopeia de Homero, a educação visa
à formação cortês do nobre. A palavra virtude
tem, nessa época, um sentido de força e
coragem, atributos do “guerreiro belo e bom”, aos
quais se acrescentam a prudência, a lealdade, a
hospitalidade, bem como a honra, a glória e o
desafio a morte.

São este os valores de uma sociedade aristocrática,
que justificam os privilégios de uma linhagem nobre,
de origem divina;
 Fase de aprendizado da criança:
 A criança nobre permanece em casa até os sete
anos, quando é enviada aos palácios de outros
nobre, a fim de aprender, como escudeiro, o ideal
cavalheiresco;
 Também são contratados preceptores , que dão
uma formação integral baseada no afeto por
exemplo.
 Ilustram essa educação as figuras clássicas de
Fênix, preceptor de Aquiles, e Mentor, mestre de
Telêmaco. Contrapondo Ulisses, “mestre da
palavra”, a Ájax, homem de ação;

Fênix recorda ao jovem Aquiles para qual foi
educado:
 “Para ambas coisas: proferir palavras e realizar
ações.
 As epopeias são os que relatam as ações dos
deuses e transmitem os costumes, a língua, os
valores éticos do e estéticos;
 Os seus textos citados ainda oferecem os temas
básicos de toda a educação.

SOFISTAS, SÓCRATES E ISÓCRATES
Os Sofistas: os sofistas são novos mestres . São
sábios itinerantes de todas as partes do mundo
grego e que agora se concentram em Atenas;
 Os mais famosos Protágoras de Abdera (485-410
a. C.), Górgias de Leôncio (485-380 a.C.), Híppias
de
Élis,
e
outros,
como
Trasímaco, Critias, Pródico, Antífon, Hipódamos.
 A palavra sofista, etimologicamente, vende de
sophos, que significa sábio, ou professor de
sabedoria. Pejorativamente passou a signifcar
homem que emprega sofismas, isto é, alguém que
usa de raciocínio capcioso, de má fé, com intenção
de enganar.







Os primeiros filósofos
pré-socráticos ocupam-se
sobretudo, com a natureza (physis), os sofistas procedem à
passagem
para
reflexão
propriamente
antropológica, voltando-se para a questão moral e
política, são os responsáveis por elaborar teoricamente e
legitimar o ideal democrático da classe em ascensão a dos
comerciantes enriquecidos.
Na nova ordem política da cidade, as virtudes louvadas não
mais as do aristocrata bem – nascido, “de origem divina”
que se destacava pela coragem na guerra.
Diferentemente, a virtude do cidadão da pólis é cívica e está
na sua capacidade de discutir e deliberar nas assembleias.
Por isso, os sofistas fascinam a juventude com o
brilhantismo da sua retórica e se propõem a ensinar a arte
da persuasão, do convencimento, do discurso, que serão
bem aproveitados na praça pública, sede da assembleia
democrática .
Os Sofistas são os criadores da educação da
educação intelectual, que vai se tornar independente
da educação física e musical, até então
predominantes nos ginásios.
 Ampliam a noção de paidéia: a simples educação da
criança
passa
a
ter
significado
mais
abrangente, estendendo-se à contínua formação do
adulto, capaz então de repensar por si mesmo a
cultura de seu tempo.
 À revelia das críticas de Sócrates, os sofistas
valorizam a figura do professor e, ao exigirem
remuneração, dão destaque ao aspecto profissional
dessa função.
 Coube
aos Sofistas a sistematização do
ensino, pois formaram um currículo de estudos
composto por gramática – da qual foram
iniciadores, retórica e dialética.

Por influência dos pitagóricos desenvolvem a
aritmética, geometria, astronomia e a música.
 Fica assim constituída a tradicional divisão das sete
artes liberais , assim chamadas por se destinarem
aos homens livres, desobrigados das tarefas
manuais. Esse currículo será melhor organizado no
período helenístico, persistindo até a Idade
Média, quando será conhecido por triviuam
(gramática, retórica e dialética) e quadrivium
(aritmética, geometria, astronomia e música).
 Eram mais interessados na arte da persuasão do
que na verdade da argumentação.
 Os Sofistas já prenunciam a luta pedagógica entre
filosofia e retórica.

História da educação
História da educação
História da educação
História da educação
História da educação
História da educação

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Financiamento da educação
Financiamento da educaçãoFinanciamento da educação
Financiamento da educação
Martha Liza
 
História da Educação: Conceito histórico
História da Educação: Conceito históricoHistória da Educação: Conceito histórico
História da Educação: Conceito histórico
Vadeilza Castilho
 
História da educação resumo
História da educação resumoHistória da educação resumo
História da educação resumo
zildamisseno
 
Fundamentos da História da Educação
Fundamentos da História da EducaçãoFundamentos da História da Educação
Fundamentos da História da Educação
Herbert Santana
 
HistóRia Da EducaçãO No Brasil Da Colonia Ao ImpéRio
HistóRia Da  EducaçãO No  Brasil  Da Colonia Ao ImpéRioHistóRia Da  EducaçãO No  Brasil  Da Colonia Ao ImpéRio
HistóRia Da EducaçãO No Brasil Da Colonia Ao ImpéRio
Nila Michele Bastos Santos
 

Mais procurados (20)

Evolução histórica educação brasileira...
Evolução histórica educação brasileira...Evolução histórica educação brasileira...
Evolução histórica educação brasileira...
 
Estrutura e funcionamento do ensino
Estrutura e funcionamento do ensino Estrutura e funcionamento do ensino
Estrutura e funcionamento do ensino
 
Linha do Tempo Educação no Brasil / LDB do Título I ao III
 Linha do Tempo Educação no Brasil / LDB do Título I ao III Linha do Tempo Educação no Brasil / LDB do Título I ao III
Linha do Tempo Educação no Brasil / LDB do Título I ao III
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃOHISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
 
Financiamento da educação
Financiamento da educaçãoFinanciamento da educação
Financiamento da educação
 
Organização do sistema de educação brasileiro
Organização do sistema de educação brasileiroOrganização do sistema de educação brasileiro
Organização do sistema de educação brasileiro
 
História da Educação: Conceito histórico
História da Educação: Conceito históricoHistória da Educação: Conceito histórico
História da Educação: Conceito histórico
 
4. Políticas educacionais e gestão escolar - Prof. Dr. Paulo Gomes Lima
4. Políticas educacionais e gestão escolar - Prof. Dr. Paulo Gomes Lima4. Políticas educacionais e gestão escolar - Prof. Dr. Paulo Gomes Lima
4. Políticas educacionais e gestão escolar - Prof. Dr. Paulo Gomes Lima
 
Política e Organização da Educação Brasileira
Política e Organização da Educação BrasileiraPolítica e Organização da Educação Brasileira
Política e Organização da Educação Brasileira
 
Políticas públicas educacionais aula 1
Políticas públicas educacionais   aula   1Políticas públicas educacionais   aula   1
Políticas públicas educacionais aula 1
 
Legislação Educacional Brasileira
Legislação Educacional BrasileiraLegislação Educacional Brasileira
Legislação Educacional Brasileira
 
Educação na república velha
Educação na república velhaEducação na república velha
Educação na república velha
 
História da educação resumo
História da educação resumoHistória da educação resumo
História da educação resumo
 
AULA 01 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO.ppt
AULA 01 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO.pptAULA 01 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO.ppt
AULA 01 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO.ppt
 
Slide história da pedagogia
Slide   história da pedagogiaSlide   história da pedagogia
Slide história da pedagogia
 
Teorias curriculo ESCOLAR
Teorias curriculo ESCOLARTeorias curriculo ESCOLAR
Teorias curriculo ESCOLAR
 
Fundamentos da História da Educação
Fundamentos da História da EducaçãoFundamentos da História da Educação
Fundamentos da História da Educação
 
HistóRia Da EducaçãO No Brasil Da Colonia Ao ImpéRio
HistóRia Da  EducaçãO No  Brasil  Da Colonia Ao ImpéRioHistóRia Da  EducaçãO No  Brasil  Da Colonia Ao ImpéRio
HistóRia Da EducaçãO No Brasil Da Colonia Ao ImpéRio
 
Currículo escolar
Currículo escolarCurrículo escolar
Currículo escolar
 
Políticas Educacionais
Políticas EducacionaisPolíticas Educacionais
Políticas Educacionais
 

Semelhante a História da educação

Sociologiadaeducao1 110325113112-phpapp02
Sociologiadaeducao1 110325113112-phpapp02Sociologiadaeducao1 110325113112-phpapp02
Sociologiadaeducao1 110325113112-phpapp02
Rosimay Monteiro
 
A ESCALADA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA (Parte 1)...
A ESCALADA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA (Parte 1)...A ESCALADA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA (Parte 1)...
A ESCALADA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA (Parte 1)...
Faga1939
 
INTRODUÇÃO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO
INTRODUÇÃO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃOINTRODUÇÃO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO
INTRODUÇÃO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO
unieubra
 
Sociologia da educaçáo 1
Sociologia da educaçáo 1Sociologia da educaçáo 1
Sociologia da educaçáo 1
greghouse48
 
Papel da educação no desenvolvimento sócio económico e na construção da cidad...
Papel da educação no desenvolvimento sócio económico e na construção da cidad...Papel da educação no desenvolvimento sócio económico e na construção da cidad...
Papel da educação no desenvolvimento sócio económico e na construção da cidad...
Alsone Jorge Guambe
 
Sacristan, jose g., a educacao que temos
Sacristan, jose g., a educacao que temosSacristan, jose g., a educacao que temos
Sacristan, jose g., a educacao que temos
marcaocampos
 
Cultura negra e educação
Cultura negra e educaçãoCultura negra e educação
Cultura negra e educação
Aline Vaz
 
Educação na sociedade informática
Educação na sociedade informáticaEducação na sociedade informática
Educação na sociedade informática
Mara Salvucci
 
Desfio 1 reconfihuração dopapel das instituições educativas...
Desfio 1   reconfihuração dopapel das instituições educativas...Desfio 1   reconfihuração dopapel das instituições educativas...
Desfio 1 reconfihuração dopapel das instituições educativas...
Marilene Dácio
 

Semelhante a História da educação (20)

A História da Ed. Física no Mundo - Aula 02.pdf
A História da Ed. Física no Mundo - Aula 02.pdfA História da Ed. Física no Mundo - Aula 02.pdf
A História da Ed. Física no Mundo - Aula 02.pdf
 
Slide modelos pedagógico ii
Slide   modelos pedagógico iiSlide   modelos pedagógico ii
Slide modelos pedagógico ii
 
Escola, cultura e sociedade
Escola, cultura e sociedadeEscola, cultura e sociedade
Escola, cultura e sociedade
 
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismoTÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
 
Apostila completa concurso professor (1) 1
Apostila completa concurso professor (1) 1Apostila completa concurso professor (1) 1
Apostila completa concurso professor (1) 1
 
Sociologiadaeducao1 110325113112-phpapp02
Sociologiadaeducao1 110325113112-phpapp02Sociologiadaeducao1 110325113112-phpapp02
Sociologiadaeducao1 110325113112-phpapp02
 
A ESCALADA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA (Parte 1)...
A ESCALADA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA (Parte 1)...A ESCALADA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA (Parte 1)...
A ESCALADA DA EDUCAÇÃO NO MUNDO DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA (Parte 1)...
 
Apresentacao humanas
Apresentacao humanasApresentacao humanas
Apresentacao humanas
 
INTRODUÇÃO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO
INTRODUÇÃO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃOINTRODUÇÃO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO
INTRODUÇÃO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO
 
Sociologia da educaçáo 1
Sociologia da educaçáo 1Sociologia da educaçáo 1
Sociologia da educaçáo 1
 
Hist educacao especial
Hist educacao especialHist educacao especial
Hist educacao especial
 
Papel da educação no desenvolvimento sócio económico e na construção da cidad...
Papel da educação no desenvolvimento sócio económico e na construção da cidad...Papel da educação no desenvolvimento sócio económico e na construção da cidad...
Papel da educação no desenvolvimento sócio económico e na construção da cidad...
 
1_carvalho.pdf
1_carvalho.pdf1_carvalho.pdf
1_carvalho.pdf
 
1 carvalho
1 carvalho1 carvalho
1 carvalho
 
Sacristan, jose g., a educacao que temos
Sacristan, jose g., a educacao que temosSacristan, jose g., a educacao que temos
Sacristan, jose g., a educacao que temos
 
Cultura negra e educação
Cultura negra e educaçãoCultura negra e educação
Cultura negra e educação
 
Aula 1: Fundamentos legais e princípios da educação
Aula 1: Fundamentos legais e princípios da educaçãoAula 1: Fundamentos legais e princípios da educação
Aula 1: Fundamentos legais e princípios da educação
 
Educação na sociedade informática
Educação na sociedade informáticaEducação na sociedade informática
Educação na sociedade informática
 
Desfio 1 reconfihuração dopapel das instituições educativas...
Desfio 1   reconfihuração dopapel das instituições educativas...Desfio 1   reconfihuração dopapel das instituições educativas...
Desfio 1 reconfihuração dopapel das instituições educativas...
 
1ªaula história educ.brasil
1ªaula história educ.brasil1ªaula história educ.brasil
1ªaula história educ.brasil
 

História da educação

  • 2. AS RAZÕES PARA O PRESENTE ESTUDO O homem é um ser histórico por natureza;  Tanto a história quanto a história da educação são construções que tomam como objeto de estudo a práxis humana, ou seja a ação do homem é condicionada pelo tempo e pelo espaço.  Uma das razões fundamentais para o estudo da história da educação está em produzir uma compreensão histórica – crítica (dialética, portanto) do devir do fenômeno educativo, mesmo nas sociedades de classes. 
  • 3.  “De início, nas sociedade tribais a cultura global é transmitida de maneira informal pelos adultos, atingindo todos os indivíduos. Nas sociedades mais complexas, porém, com o passar do tempo, a educação formal assume um caráter intelectualista da vez mais distanciado da atividade concreta, destinando-se apenas à elite. As demais classes têm preterida a sua formação, considerada desnecessária porque a elas é destinado o trabalho braçal. Portanto, a dicotomia trabalho intelectual versus trabalho manual ora exclui os filhos dos trabalhadores manuais, ora cria uma escola dualista, com objetivos diferentes: para elite, uma escola de formação que pode se estender até os graus superiores, enquanto para os trabalhadores restam os rudimentos do ler e escrever e o encaminhamento para profissionalização” (ARANHA, p. 15).
  • 4. O que é história?  Agnes Heller (1989, p.2) afirma que a “a história é a substância da sociedade. A sociedade não dispõe de nenhuma substância além do homem, pois os homens são portadores da objetividade social, cabendo-lhes exclusivamente a construção e transmissão de cada estrutura social”.  A “a história não é do passado, é do presente”. Toda via, o que se percebe no imaginário social do povo, aqui no Brasil, é a ideia de um presente sem história, um presente opressivo, sem devir, que desconhece o passado, que oculta a presença deste no presente e impede a irrupção do futuro verdadeiramente novo. 
  • 5. O QUE É EDUCAÇÃO ?     Não há uma resposta precisa e nem satisfatória sobre o que é educação. Aristóteles afirma que o ser pode ser dito de vários modos; A educação é uma prática social. É uma prática humana, constitutiva dos ser social do homem, desde a aldeia até a civilização do mais avançado desenvolvimento tecno – científico. A educação existe e se materializa numa pluralidade de práticas, todas condicionadas pela história e pela geografia, pelo tempo e espaço. Os diferentes níveis e modelos da prática educativa não podem ser abstraídos das determinações (econômicas, políticas, ideológicas) das forças produtivas sociais.
  • 6. “Quando a vida se degrada e a esperança foge do coração dos homens, só a revolução” (Oscar Niemyer). E se há uma revolução a ser feita nesse país é a revolução da educação . É o pressuposto de todas as revoluções.  Esta é a esperança que se pode ter na educação. Desesperar da ilusão de que todos os seus avanços e melhorias dependem apenas de seu desenvolvimento tecnológico. Acreditar que o ato humano de educar existe tanto no trabalho pedagógico que ensina na escola quanto no ato político que luta na rua por um outro tipo de escola, para um outro tipo de mundo (BRANDÃO, op. Cit., p. 110) 
  • 7. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS. A prática histórica da educação é também a prática filosófica da educação.  “Quero dizer que uma filosofia da educação enquanto reflexão sobre a educação só é estimulante e útil na medida em que ela conduza a uma prática, como a prática conduziu à reflexão. Portanto, uma filosofia da educação que se contenta em falar sobre a educação é uma filosofia ideológica” (GADOTTI, 1978, p.10).  A matéria história da educação só pode chegar ao pensamento do historiador pela via teórica das mediações metodológicas. 
  • 8.  A história da educação não é apenas constatar ou negar o devir do fenômeno educativo. É antes compreendê-lo movido pelo discernimento da inteligência e pela operosidade da vontade, pois “o conhecimento e a compreensão históricos não determinam em negação, mas em ação. A história não existe para contemplar, mas para agir. Ela não é Maria, é Marta” (RODRIGUES, 1981, p.40).
  • 9. A EDUCAÇÃO NAS COMUNIDADES PRIMITIVAS. A educação que se realiza nas comunidades primitivas ou sociedades tribais é caracterizada por uma natureza difusa, não sistemática em que o ato educativo é, sobretudo , um ato comunitário e perpassa todas as esferas da coletividade.  Características do fenômeno educativo no interior das comunidades primitivas:  O caráter coletivo e difuso da educação nas comunidades primitivas decorre da estrutura homogênea de suas relações sociais, sem denominação de um sobre o outro;  A produção e o usufruto dos bens necessários à existência são de caráter coletivo. 
  • 10. Tanto as mulheres quanto as crianças estão em pé de igualdade com os homens: as crianças, em seu aprendizado, não são submetidas a castigo;  A concepção de mundo, sem qualquer formulação expressa, estrutura-se sob a forma de explicações míticas, transmitidas de geração para geração através da tradição oral;  Como inexistem graus ou hierarquias nas comunidades primitivas, os homens imaginam que a natureza também assim o seja, de tal modo que a sua consciência religiosa é a de uma religião de deuses, caracterizada por forças difusas (animismo) e espíritos malfazejos e benfazejos. 
  • 11. A EDUCAÇÃO NAS SOCIEDADES ANTIGAS DO ORIENTE A importância das civilizações fluviais para formação da civilização ocidental cristã:  O desenvolvimento de novas técnicas de produção;  A domesticação dos animais e seus emprego na agricultura;  A divisão social do trabalho entre administradores e executores;  A produção e a apropriação privada do excedente;  A utilização do trabalho escravo.  O aparecimento destes elementos vai propiciar o aparecimento da sociedade de classe e do Estado. 
  • 12. As primeiras civilizações vão surgir no norte da África e na Ásia (oriente Próximo, Oriente Médio e Extremo Oriente);  As civilizações fluviais que se formam as margens dos grandes rios:  O berço da civilização é o antigo Egito que se forma a partir do quarto milênio a. C. e Perdura por quase 3.000 anos;  Mesopotâmia (significa entre rios, nos vales dos rios Tigre e Eufrades;  Índia as margens dos rios Indo e Ganges;  China ao longo dos Rios Huang Ho ( Rio Amarelo) e a Yang Tsé. 
  • 13. AS CARACTERÍSTICAS EDUCACIONAIS DAS SOCIEDADES ANTIGAS      A natureza tradicionalista da sociedade e o domínio de governos despóticos de caráter teocrático em que reina a crença de que o poder absoluto de reis, imperadores, sacerdotes, faraós tem origem divina; A invenção da escrita, assume um caráter sagrado e é tido como privilégio de poucos; A educação submetida a um rígido sistema religioso e moral, no qual os valores se impõem de modo dogmático e conservador; A dicotomia entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, entre o saber prático e o saber teórico; O caráter centralizador e burocrático do Estado, controlado por uma minoria de privilegiados;
  • 14.   A rígida divisão social em classes ou castas, nas quais se estabelece extrema discriminação; A natureza discriminatória da educação.
  • 15. A TRADIÇÃO ORIENTAL E A EDUCAÇÃO COMO CUIDADO     A crise que afeta a educação é aquela que deriva de um modelo de civilizacional engendrada pela razão instrumental capitalista; Há um confronto entre a razão ocidental e a razão oriental. A razão oriental passa a pensar o outro e a educação sob o aspecto da razão sapiencial, razão ética, a razão poética, a razão estética, religiosa, a razão contemplativa; Trata-se em ultima instancia de superar o utilitarismo das relações do homem consigo mesmo, com outros e com todas as comunidades de vida.
  • 16. A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE GRECO – ROMANA O IDEAL DA PAIDÉIA O caráter tradicional e dogmático da educação que se ocupa com a transmissão do saber do passado, o que a torna rígida e estática é advinda da tradição religiosa recebidas dos ancestrais;  Por exemplo: os escribas entre os judeus era o individuo que lia e interpretava as leis, o profissional que copiava manuscritos ou escrevia testos ditados, o sacerdote, o mago, depositários e guardiães de valores por elas estabelecidos;  Na Grécia Clássica as explicações de cunho religioso já começaram a ser substituído pelo uso da razão distinta, de uma inteligência questionadora capaz de distinguir lei humana da divina. 
  • 17. Surge a figura do cidadão como o guardião da cultura da cidade;  No século V a. C. , aproximadamente é criada a palavra paidéia, que significava apenas criação dos meninos (pais, paidós, criança).  Para Werner Jaeger (1994), “não se pode evitar o emprego de expressões modernas como civilização, cultura, tradição, literatura ou educação; nenhuma delas porém, coincide realmente com o que os gregos entendiam por paidéia. Cada um daqueles conceito global e, para abranger o campo total do conceito grego, teríamos de empregá-los todo de uma só vez”. 
  • 18. A Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia:  A palavra paidagogos significa literalmente aquele que conduz a criança (agogôs, “que conduz”).  No caso em questão o escravo que conduz a criança a escola (sholé, “o lugar do ócio”).  Com o tempo o sentido amplia para designar toda teoria sobre a educação.  Portanto, os gregos que ao discutir os fins da paidéia, esboçam as primeira linhas conscientes da ação pedagógica e dessa forma influenciam por séculos a cultura ocidental;  Neste sentido, o que é melhor ensinar? Como é melhor ensinar? Para quê ensina? Enriquecem as reflexões dos filósofos e marcam, daí em diante as tendências que viriam a surgir. 
  • 19. A nova concepção de cultura e do lugar ocupado pelo cidadão na sociedade repercute no ensino e nas teorias educacionais;  A educação Grega de modo geral está centrada na formação integral – corpo e alma- mesmo que de fato, a ênfase de tal educação se deslocasse ora para o preparo esportivo, ora para o debate intelectual, conforme a época e o lugar;  Conforme as epopeia de Homero, a educação visa à formação cortês do nobre. A palavra virtude tem, nessa época, um sentido de força e coragem, atributos do “guerreiro belo e bom”, aos quais se acrescentam a prudência, a lealdade, a hospitalidade, bem como a honra, a glória e o desafio a morte. 
  • 20. São este os valores de uma sociedade aristocrática, que justificam os privilégios de uma linhagem nobre, de origem divina;  Fase de aprendizado da criança:  A criança nobre permanece em casa até os sete anos, quando é enviada aos palácios de outros nobre, a fim de aprender, como escudeiro, o ideal cavalheiresco;  Também são contratados preceptores , que dão uma formação integral baseada no afeto por exemplo.  Ilustram essa educação as figuras clássicas de Fênix, preceptor de Aquiles, e Mentor, mestre de Telêmaco. Contrapondo Ulisses, “mestre da palavra”, a Ájax, homem de ação; 
  • 21. Fênix recorda ao jovem Aquiles para qual foi educado:  “Para ambas coisas: proferir palavras e realizar ações.  As epopeias são os que relatam as ações dos deuses e transmitem os costumes, a língua, os valores éticos do e estéticos;  Os seus textos citados ainda oferecem os temas básicos de toda a educação. 
  • 22. SOFISTAS, SÓCRATES E ISÓCRATES Os Sofistas: os sofistas são novos mestres . São sábios itinerantes de todas as partes do mundo grego e que agora se concentram em Atenas;  Os mais famosos Protágoras de Abdera (485-410 a. C.), Górgias de Leôncio (485-380 a.C.), Híppias de Élis, e outros, como Trasímaco, Critias, Pródico, Antífon, Hipódamos.  A palavra sofista, etimologicamente, vende de sophos, que significa sábio, ou professor de sabedoria. Pejorativamente passou a signifcar homem que emprega sofismas, isto é, alguém que usa de raciocínio capcioso, de má fé, com intenção de enganar. 
  • 23.    Os primeiros filósofos pré-socráticos ocupam-se sobretudo, com a natureza (physis), os sofistas procedem à passagem para reflexão propriamente antropológica, voltando-se para a questão moral e política, são os responsáveis por elaborar teoricamente e legitimar o ideal democrático da classe em ascensão a dos comerciantes enriquecidos. Na nova ordem política da cidade, as virtudes louvadas não mais as do aristocrata bem – nascido, “de origem divina” que se destacava pela coragem na guerra. Diferentemente, a virtude do cidadão da pólis é cívica e está na sua capacidade de discutir e deliberar nas assembleias. Por isso, os sofistas fascinam a juventude com o brilhantismo da sua retórica e se propõem a ensinar a arte da persuasão, do convencimento, do discurso, que serão bem aproveitados na praça pública, sede da assembleia democrática .
  • 24. Os Sofistas são os criadores da educação da educação intelectual, que vai se tornar independente da educação física e musical, até então predominantes nos ginásios.  Ampliam a noção de paidéia: a simples educação da criança passa a ter significado mais abrangente, estendendo-se à contínua formação do adulto, capaz então de repensar por si mesmo a cultura de seu tempo.  À revelia das críticas de Sócrates, os sofistas valorizam a figura do professor e, ao exigirem remuneração, dão destaque ao aspecto profissional dessa função.  Coube aos Sofistas a sistematização do ensino, pois formaram um currículo de estudos composto por gramática – da qual foram iniciadores, retórica e dialética. 
  • 25. Por influência dos pitagóricos desenvolvem a aritmética, geometria, astronomia e a música.  Fica assim constituída a tradicional divisão das sete artes liberais , assim chamadas por se destinarem aos homens livres, desobrigados das tarefas manuais. Esse currículo será melhor organizado no período helenístico, persistindo até a Idade Média, quando será conhecido por triviuam (gramática, retórica e dialética) e quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música).  Eram mais interessados na arte da persuasão do que na verdade da argumentação.  Os Sofistas já prenunciam a luta pedagógica entre filosofia e retórica. 