Apostila de-logistica canal de distribuição

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Apostila de-logistica canal de distribuição

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÁO CARLOS-UFSCar CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA-CCET DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL-DECiv LOGÍSTICAARCHIMEDES AZEVEDO RAIA JUNIOR Notas de Aula SÃO CARLOS 2007
  2. 2. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.Conteúdo1 LOGÍSTICA: UMA FUNÇÃO ESSENCIAL .......................................................... 3 1.1 ORIGENS ...................................................................................................... 3 1.2 DEFINIÇÕES................................................................................................. 3 1.3 RELAÇÃO LOGÍSTICA E COMPETITIVIDADE ............................................ 6 1.4 APLICAÇÕES LOGÍSTICAS ......................................................................... 8 1.5 ESTRATÉGIA LOGÍSTICA ............................................................................ 92 RELAÇÕES ENTRE LOGÍSTICA E COMÉRCIO .............................................. 11 2.1 FORMAS DE COMÉRCIO........................................................................... 11 2.2 O PAPEL DA LOGÍSTICA ........................................................................... 15 2.3 DEFINIÇÕES E CONCEITOS ..................................................................... 163 GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ..................................... 24 3.1 A CADEIA DE SUPRIMENTOS E SUA GESTÃO ....................................... 284 ARMAZENAGEM DE PRODUTOS EM DEPÓSITOS E ARMAZENS ............... 33 4.1 FUNÇÕES DE DEPÓSITOS E ARMAZÉNS ............................................... 33 4.1.1 Operação de Recebimento ................................................................... 35 4.1.2 Operação de Carregamento e Descarregamento ................................. 35 4.1.3 Movimentação ....................................................................................... 37 4.1.4 Armazenagem....................................................................................... 39 4.1.5 Preparo de pedidos ............................................................................... 40 4.1.6 Circulação externa e estacionamento ................................................... 415 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ............................................................................. 42 5.1 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ....................................................................... 43 5.1.1 Características dos canais de distribuição ............................................ 44 5.2 DEFINIÇÃO DOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO .......................................... 45 5.2.1 Etapa 1 – Definir os segmentos homogêneos de clientes .................... 45 5.2.2 Etapa 2 – Identificar e priorizar funções ................................................ 45 5.2.3 Etapa 3 – Realizar benchmarking preliminar ........................................ 46 5.2.4 Etapa 4 - Revisar o projeto ................................................................... 47 5.2.5 Etapa 5 – Analisar custos e benefícios ................................................. 47 5.2.6 Etapa 6 – Integrar com atividades da organização ............................... 476 DISTRIBUIÇÃO FÍSICA .................................................................................... 52 6.1 COMPONENTES DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ..................... 52 6.2 TIPOS BÁSICOS DE DISTRIBUIÇÃO ........................................................ 53 6.2.1 Sistema de distribuição UM PARA UM ..................................................... 53 6.2.2 Sistema de distribuição UM PARA MUITOS .............................................. 567 O TRANSPORTE NA DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ................................................. 60
  3. 3. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. 7.1 ROTEIRIZAÇÃO.......................................................................................... 60 7.2 PROBLEMAS DE ROTEIRIZAÇÃO ............................................................ 61 7.2.1 Problemas de roteirização pura de veículos ......................................... 61 7.2.2 Problemas de programação de veículos e tripulações ......................... 63 7.2.3 Problemas combinados de roteirização e programação ....................... 64 7.2.4 Tendências tecnológicas da roteirização .............................................. 65 7.2.5 Roteirização no SIG TransCAD ............................................................ 66 7.2.6 Encontrando um menor caminho .......................................................... 67 7.3 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE SIG EM LOGÍSTICA .............................. 67 7.3.1 Menor caminho ou Caminho mais Rápido ............................................ 67 7.3.2 Problema do Caixeiro Viajante.............................................................. 68 7.3.3 Particionamento de rede ....................................................................... 70 7.3.4 Resolvendo um problema de roteamento de veículo com Janela de Tempo .............................................................................................................. 71 7.3.5 Resolvendo um problema de roteamento de arco ................................ 71 7.3.6 Resolvendo um problema de localização duplamente ponderado ........ 72 7.3.7 Resolvendo um problema de particionamento regional ........................ 73 7.3.8 Resolvendo um problema de localização da facilidade ........................ 73REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 75
  4. 4. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.1 LOGÍSTICA: UMA FUNÇÃO ESSENCIALOuve-se, hoje em dia, muitas informações, conceitos, termos, denominações arespeito da logística. Atribui-se à logística a responsabilidade pelo sucesso oufracasso das diversas empresas. Percebe-se, no entanto, que no mercado, pouco sesabe sobre as atividades logísticas e como as mesmas devem ser definidas nasempresas. Mas de onde vem o termo logística?1.1 ORIGENSConsiderando o aspecto etimológico, a palavra logística é derivada do radical gregologos, que tem o significado de razão. Pode-se depreender disso que a logísticasignifica "a arte de calcular" ou "a manipulação dos detalhes de uma operação".Inicialmente, a logística foi desenvolvida na área militar para designar atividades desuprimentos, estocagem, movimentação e transporte de bens tais como: remédios,equipamentos, armamentos, uniformes e tropas. A logística se desenvolveu muitoapós a Segunda Guerra Mundial, encontrando novas aplicações, expandindo seuescopo para a indústria, comércio e serviços em geral.A decisão de expansão das tropas segundo uma determinada estratégia militar, oscomandantes militares necessitavam ter sob seu comando, um grupo dedisponibilizasse o deslocamento, no momento certo, de armamentos e munições,alimentos, equipamentos e material de atendimento médico no campo de guerra.Como este era um serviço de apoio, sem o status da estratégia belicista e deresultados vitoriosos da batalhas, as equipes militares que eram responsáveis pelosaspectos logísticos ficavam sempre em um plano inferior, no momento doreconhecimento. Este fato se repetiu, posteriormente, nas empresas por um espaçode tempo considerável. Porém, a logística muito se desenvolveu nas últimasdécadas, encontrando novas aplicações, expandindo seu escopo para a indústria,comércio e serviços, em geral.1.2 DEFINIÇÕESO termo logística tem feito muito sucesso, no momento, e virou moda. É preciso quese evite que situações de modismo acabem por influenciar o uso equivocado dapalavra, seu significado e, o que é mais grave, de suas técnicas e atividades. Qual asua importância? Qual o seu significado? Qual é a definição de logística?Um aspecto básico do processo produtivo é a distância espacial existente entre: i) osítio da indústria e os mercados consumidores; e ii) fábricas e os locais de origem dematérias-primas e componentes necessários para o fabrico de produtos. Estes,quando saem das fábricas já possuem valores intrínsecos agregados a eles. Paraque os clientes finais possam realmente fazer uso destes produtos, é necessário queeles sejam colocados nos pontos desejados pelos clientes. Para que um conjunto desala de visita tenha pleno valor para o cliente é preciso que ele esteja colocado nasua residência. Assim, um sistema logístico pode agregar valor de lugar aoconjunto de sala de visita. Este valor de lugar depende do transporte do produtodesde a planta industrial ao depósito, deste à loja e, da loja à residência do cliente.Foi por este motivo, segundo Novaes (2001), que as atividades logísticas foram pormuito tempo confundidas com as atividades de transportes e armazenagem. Oconceito elementar de transporte, no entanto, é simplesmente deslocar materiais e
  5. 5. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.mercadorias de um ponto a outro no espaço. Com a evolução do sistema produtivo edo setor comercial, o elemento transporte, mesmo sendo de grande importância,passou a não satisfazer de maneira isolada às necessidades das organizações eclientes finais.Um outro elemento muito importante que passou a fazer parte da cadeia produtiva éo valor de tempo. Isto se torna significativo porque o valor monetário dos produtosvem se elevando gradativamente, produzindo custo financeiro igualmente alto,obrigando ao cumprimento de prazos estabelecidos de forma muito mais severa.Na hipótese que o produto seja disponibilizado adequadamente desde a origem atéo destino, no prazo estabelecido, ainda assim as funções logísticas não estariamexercidas de forma plena. Faltaria ainda um outro aspecto, muito importante, que é ovalor qualidade.Nos últimos anos, algumas empresas logísticas classe mundial vêm incorporandoum fator adicional, ou seja, o valor informação. As informações permitem ao clienterastrear a localização de uma determinada mercadoria, se já foi despachada, se estáem trânsito, em que depósito ela se encontra, etc. Várias empresas, em nívelnacional, têm incorporado o valor informação ao seu sistema logístico. Pode-se citara Livraria Cultura, de São Paulo, que desde quando recebe o pedido de um livro viaInternet, o cliente pode acompanhar se ele já foi faturado, se já foi despachado, etc.Outro exemplo é o serviço Sedex dos Correios. Os clientes podem acompanhar aposição espacial de sua encomenda desde a sua saída da agência de postagem atéo destino.Pode-se, portanto, constatar que a tradicional logística empresarial passou porgrande evolução, passando a incorporar estes novos valores (tempo, qualidade,informação) à cadeia produtiva. Paralelamente, a moderna logística procura eliminar,do processo produtivo, tudo que não agregue valor aos clientes. Surgem, então, osconceitos de ECR-Efficient Customer Response e QR-Quick Response, com o intuitode eliminar “gordurinhas” do processo logístico, com benefícios diretos aos clientes.Logística é definida como sendo a união de quatro atividades básicas, consideradasbásicas: aquisição, movimentação, armazenagem e entrega de produtos. Para queessas atividades produzam o efeito desejado, é fundamental que as atividades deplanejamento logístico, sejam elas de materiais ou de processos, estejamintimamente relacionadas com as funções de manufatura e marketing.O conceito de logística, em sua origem, estava associado a aspectos militares. Otermo logística origina-se da língua francesa, significando como a parte da artebélica que trata do planejamento e da realização de projeto e desenvolvimento,obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção eevacuação de material, tanto para fins administrativos ou operacionais.Segundo o Council of Logistics Management, norte-americano, “logística é oprocesso de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e aarmazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados,cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo deatender aos requisitos do consumidor”. A figura 1.1 apresenta o quadro contendo osprincipais elementos da logística.
  6. 6. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. Figura 1.1 – Principais elementos da logísticaMuitos são os tipos de organização do setor público ou privado que fazem uso dosserviços logísticos. Pode-se citar como exemplos: empresas manufatureiras, detransporte de cargas, alimentícias, serviços postais, distribuição de petróleo ecombustíveis, distribuição de bebidas transporte público, etc.Logística é a chave de muitos negócios por diversos motivos e dentre eles pode-secitar os elevados custos de operação das cadeias de abastecimento. Verifica-se quea tendência das organizações é o processo de horizontalidade. Neste processo,muitos produtos até então produzidos por determinada empresa do fim da cadeia defornecimento passam a ser produzidos por outras empresas, ampliando o número defontes de suprimento e dificultando a administração desse exército de fornecedores.Diante deste panorama, uma questão pode ser colocada: se os custos são tão altos,por que então horizontalizar e criar demandas para as atividades logísticas? Aresposta para esta pergunta pode ser sintetizada em duas palavras, ou seja, aglobalização do mercado.À medida que as organizações investem em novos parceiros comerciais, ampliam-seos gastos com o planejamento de toda a cadeia logística. Ao se analisar essasituação de forma holística, constata-se que há, na verdade, uma redução de custos.Mais significativa do que tal redução, a atividade logística passa a agregar valor aosprodutos, melhorando os níveis de satisfação dos usuários. Um alerta precisa serfeito: se a mudança na atividade logística não for acompanhada pelas diversasorganizações, poderá ocorrer falência daquelas que não se enquadrarem neste novoparadigma.Mas, ainda pode ficar uma questão a ser esclarecida: como se dá essa propaladadiminuição nos custos? Essa redução, quando devidamente acompanhada deestudos logísticos, é explicada pela especialização das empresas fornecedoras, umavez que elas acabam por investir em tecnologia de ponta para os desenvolvimentosdos materiais, até então produzidos pela empresa que está no fim da cadeia, e queagora passarão a ser produzidos pela mais nova empresa horizontalizada. A partirdesse momento, a tendência é que exista uma redução de custos, proporcionadapelo ganho de escala na produção e pelo desenvolvimento tecnológico, focadoagora em uma determinada linha de produto.
  7. 7. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.Pode-se perceber que essas atividades logísticas estão inseridas nos maisdiferentes setores das organizações e suas corretas aplicações se fazemnecessárias para que as atividades sejam desenvolvidas de forma adequada.1.3 RELAÇÃO LOGÍSTICA E COMPETITIVIDADEA competição entre as organizações é uma realidade que não se pode mais serignorada. Muitas organizações buscam um diferencial em relação aos seusconcorrentes para conquistar e manter os clientes. O sucesso desta empreitada, noentanto, está se tornando cada vez mais difícil.A ampliação do cenário de competição, retratado pelas possibilidades de consumo eprodução globalizadas, a necessidade de lançamentos mais freqüentes de novosprodutos, os quais, em geral, terão ciclos de vida curtos, e a mudança no perfil dosclientes, cada vez mais bem informados e exigentes, forçam as organizações aserem criativas, ágeis e flexíveis. Além disso, elas precisam também aumentar a suaqualidade e confiabilidade. Sem dúvida, essas são tarefas que estão desafiando osexecutivos em todo o mundo e exigindo maiores esforços.Existem diversas teorias sobre a obtenção de vantagens competitivas. Para estasteorias, essas vantagens deveriam ser as mais duradouras possíveis e devemtornar-se bem perceptíveis aos olhos dos clientes, colocando a organização numpatamar de supremacia diante de seus concorrentes.Existe, no entanto, algo em comum entre todas essas abordagens. Alguns aspectossão comuns a todas elas: produzir a um custo menor, agregar mais valor, e poderatender de maneira mais efetiva às necessidades de um determinado nicho demercado. Numa situação ideal, o objetivo seria atingir esses alvos simultaneamente,o que pode soar conflitante.Recentes pesquisas mostram que os produtos, de modo geral, estão se tornandocada vez mais parecidos na percepção dos clientes. A atualização tecnológica, aaplicação de processos produtivos mais competentes e enxutos e o acesso a fontesde suprimento capazes de garantir matérias-primas de qualidade são realidades queestão permitindo o nivelamento dos fabricantes de um mesmo produto. Além disso,percebe-se que as marcas estão perdendo o seu poder de sedução e,conseqüentemente, os fabricantes estão caindo em uma vala comum,transformando os produtos em commodities1.Esses fatos têm evidenciado que a diferenciação pode ser obtida pela prestação deum maior e mais completo pacote de serviços. Isto representa um desafio, pois aoferta dessas commodities deve vir acompanhada da manutenção ou, até mesmo,da redução dos preços praticados. E, ao se criarem maiores expectativas para osclientes, também a qualidade das operações passa a ser um atributo-chave. Se asorganizações não forem capazes suficientemente de cumprir as suas promessas, osclientes poderão ficar profundamente frustrados.Numa situação como essas, surge a implementação da logística para a obtenção devantagem competitiva. As metas da logística são as de disponibilizar o produto certo,na quantidade certa, no local certo, no momento certo, nas condições adequadaspara o cliente certo ao preço justo. Assim, fica evidente a intenção de se atingir,simultaneamente, a eficiência e a eficácia nesse processo.1 O termo é muitas vezes utilizado para descrever coisas que podem ser graduadas, tais como o café, algodão, açúcar, etc. e que são compradas e vendidas numa Bolsa de Mercadorias, inclusive para entrega futura.
  8. 8. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.A almejada redução de custos ocorrerá pela suavização e correta execução do fluxode materiais, que passará a ser feito de forma sincronizada com o fluxo deinformações, possibilitando uma redução dos inventários, uma maior utilização dosativos envolvidos, e eliminação dos desperdícios, além de otimização dos sistemasde transporte e armazenagem. Haverá, portanto, o emprego racional e a otimizaçãode todos os fatores usados. Isto significa dizer que serão trocadas incertezas porinformações que permitirão, através de um processo bem coordenado, minimizar osrecursos necessários para a realização das atividades, sem perda de qualidade noatendimento ao cliente final.A agregação de valor poderá surgir da oferta de entregas mais confiáveis efreqüentes, em menores quantidades, da oferta de maior variedade de produtos,melhores serviços de pós-venda, maiores facilidades de se fazer negócio e suasingularização na organização. Todas essas facilidades poderão ser transformadasem um diferencial aos olhos do cliente, que pode estar disposto a pagar um valormais alto por melhores serviços, que representem benefícios. Pode-se citar comoexemplo, entregas mais rápidas, em menores quantidades, e confiáveis permitemque o cliente trabalhe com estoques menores, possibilitando diminuir os seusinvestimentos.A atividade logística está diretamente voltada para a resolução de uma questãocrucial: como agregar mais valor e, ao mesmo tempo, reduzir os custos, garantindo oaumento da lucratividade?Ao adotar o conceito de Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento, a organizaçãoamplia sua visão e pode se tornar muito mais ágil e mais flexível do que seusconcorrentes, o que seria extremamente desejável. O projeto e o desenvolvimentoconjunto de produtos permitem que uma cadeia lance novos produtos, com maisrapidez, podendo ser dotados de melhor funcionalidade e ser produzidos a custostotais mais baixos. Como existe parceria, o planejamento estratégico serácompartilhado e os riscos serão divididos. Conceitos mais modernos comoOutsourcing e o Global Sourcing passam a ser utilizados, e dá-se uma mudança nofoco do relacionamento, que passa a ser um esforço cooperativo na procura peloaumento da lucratividade. Neste ambiente, novos arranjos produtivos podem serdesenvolvidos, empregando o conceito de co-localização. É o que se pode observar,por exemplo, nos condomínios industriais, ou no consórcio modular empregado nafábrica de caminhões da Volkswagen, em Resende (RJ), onde se percebe que asmontadoras de automóveis, na recente instalação de suas modernas plantasprodutivas no Brasil, lançaram mão de tais arranjos.Para que um sistema logístico seja corretamente implantado e atinja os objetivosplanejados, alguns pontos precisam ser observados (Ferraes Neto & Kuehne Jr,2002): a) o sistema deve ser planejado para atender as necessidades dos clientes; b) o pessoal envolvido deve ser treinado e estar capacitado; c) devem ser definidos os níveis de serviços a serem oferecidos; d) a segmentação dos serviços deve dar-se de acordo com os requisitos de serviço dos clientes e com a lucratividade de cada segmento; e) faz-se necessária a utilização de tecnologia de informação para integrar as operações;
  9. 9. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. f) há que haver consistentes previsões de demanda e a percepção do seu comportamento; g) necessita-se da adoção de indicadores de desempenho que permitam garantir que os objetivos sejam alcançados.A logística poderá, portanto, ser o caminho para a diferenciação de uma empresaaos olhos de seus clientes, para a redução dos custos e para agregação de valor, oque irá ser refletido num aumento da lucratividade. Uma empresa mais lucrativa ecom menores custos estará, sem dúvida, em uma posição de superioridade emrelação aos seus concorrentes. Porém, a logística por si só não alcançará essesresultados, sendo necessário que esteja inserida no processo de planejamento denegócio da organização e alinhada com os demais esforços para atingir sucesso noseu segmento de atuação.Não está se propondo que a logística seja a “tábua de salvação” de um negócio malorganizado e mal gerenciado, mas sim, que ela seja vista como uma opção real quejá foi adotada por muitas empresas e, até mesmo, países para o aumento de suacompetitividade.1.4 APLICAÇÕES LOGÍSTICASA função logística, para ser bem executada, deve responder a algumas questõesbásicas, diluídas ao longo da cadeia de suprimento, tema que já foi abordado noitem 1.2. Para facilitar a explanação, será demonstrada esquematicamente umacadeia de suprimentos, na figura 1.2. Analisando a cadeia da figura 2, pode-sedividi-la em 4 grandes grupos: fornecedor, manufatura, distribuição e consumidor. Oprimeiro, como sendo o grupo dos fornecedores; o segundo, o grupo de empresasmanufatureiras, que transformam as diversas matérias-primas em produtosacabados; o terceiro grande grupo, são os centros de distribuição, responsáveis emreceber, acondicionar e entregar os produtos ao quarto grande grupo, que são osconsumidores finais. Figura 1.2 – Cadeia de suprimentosAs atividades logísticas deverão, em cada um dos quatro grandes grupos, encontrarrespostas para algumas questões, quais sejam as aplicações em análise: a) Fornecedores - de quem se adquirem materiais e componentes. Aqui, pode- se perceber a importância da atividade logística no desenvolvimento dos fornecedores, uma atividade de fundamental importância, a exemplo do que estão fazendo as montadoras de automóveis, colocando os seus principais fornecedores dentro do seu parque fabril. b) Manufatureiras - onde se vai produzir, ou seja, onde se vai instalar a fábrica; quanto e quando produzir determinado produto. Aqui fica clara a atividade de
  10. 10. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. planejamento de materiais, pois é a partir das decisões acima que poderá ser definida toda a política de estoques da organização em questão. c) Centros de distribuição - onde se devem armazenar produtos acabados? Onde se devem armazenar peças de reposição? Quanto se deve armazenar de peças e de produtos acabados? Aqui fica clara a preocupação com o nível de serviço a ser repassado ao consumidor. Muitos produtos em estoque, sejam peças de reposição ou produtos acabados, e diversos locais de armazenagem melhoram, sem sombra de dúvida, o nível de serviço para o consumidor, porém com uma conseqüente elevação dos custos, o que, em ultima análise, diminuirá as vendas devido ao incremento nos preços de venda. d) Consumidores - este quarto e último grande grupo dentro da cadeia de suprimentos é o ponto central onde desembocam todos os outros grupos. Entretanto, não se deve supor de antemão que a organização será perfeita e atenderá a todos os mercados com a mesma presteza. Nesse sentido, a atividade logística estará preocupada em definir para que mercado será fornecido o produto e com que nível de serviço. É sempre bom lembrar também que a definição do nível de serviço implica um incremento de custos: quanto maior o nível, tanto mais caro.Não fossem suficientes as respostas a todas as questões acima, não se podeesquecer ainda que essas definições logísticas envolvem algumas característicasfundamentais das organizações, em nível estratégico, como o impacto em múltiplasfunções dentro das organizações, a troca ou tradeoffs entre objetivos conflitantes,como aumentar vendas, diminuindo custos e barateando os produtos, ou aumentar onível de serviço, com um acréscimo, em curto prazo, nos custos. Some-se a taisdúvidas a dificuldade de se precisar o custo que sistemas logísticos irão gerar;nesse sentido, análises quantitativas são essenciais para a tomada de decisõesinteligentes e científicas, não calcadas no “achismo” e em sensações estranhas.1.5 ESTRATÉGIA LOGÍSTICANão se pode deixar de tratar, mesmo que sumariamente, da importância de se traçaruma correta estratégia e como ela pode ser efetivada. Uma definição estratégicainclui necessidades do negócio, decisões disponíveis e possíveis, tática e visão dodesenho e da operação do sistema logístico, além dos critérios de avaliação dedesempenho de todo o sistema, indispensáveis para a verificação do rumo que aorganização está tomando e dos resultados que as mudanças estão trazendo.Historicamente, os produtos tinham de ser empurrados pela cadeia de suprimentos,sendo que as necessidades quantitativas desses produtos eram baseadas emplanejamentos de compras ou planejamentos de demandas futuras, o que nemsempre ocorria. Como a chance de erro ainda é bastante grande, muitas empresascomeçaram a utilizar altos estoques para se resguardarem de eventuais quebras deestoque, seja de matéria-prima ou de produtos acabados.O que ocorre na situação descrita acima é que, com o objetivo de garantir asatisfação das solicitações dos clientes e não faltar material - o que levaria aoemperramento de toda a cadeia de suprimentos, deixando-a lenta e inflexível àsrápidas mudanças exigidas pelo mercado -, o custo dos inventários acaba subindodemasiadamente.
  11. 11. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.Dessa maneira, a preocupação em manter altos níveis de estoque para elevar onível de atendimento acaba, no médio prazo (e, em alguns casos, no curto prazo),por diminuir o nível de atendimento, com o atravancamento de todas as atividadeslogísticas. Mas o que fazer para melhorar esse cenário?Volta-se ao que foi exposto anteriormente, nas questões a serem respondidas paraos quatro grandes grupos logísticos. Basicamente, as organizações têm de sepreocupar com a constante redução dos níveis de inventário e a conseqüenteredução nos custos de armazenagem desse material, comprando mais vezes e emquantidades menores. O que se está procurando demonstrar é a importância daaplicação da filosofia JIT (Just-in-time) nas redes logísticas.Poucos itens em estoque, compras freqüentes, qualidade assegurada com um bomdesenvolvimento de fornecedores, dentre outras, são atividades que aprimorarãotoda a cadeia de abastecimento e, melhor, com redução de custos. Para que isso seconsolide, a integração dos diversos membros de toda a cadeia é essencial. Porém,não é suficiente a mera integração filosófica; é preciso que a informação flua livre erapidamente por toda a rede de suprimentos.Fica claro que a integração de membros e o fluxo de informações são atividadesinter-relacionadas em uma cadeia de suprimentos. A correta e rápida transmissão deinformações é um diferencial estratégico que coloca as organizações que investemem tais recursos em vantagem competitiva junto às demais.Não se está defendendo a idéia de que isso é fácil de ser feito, mas sim de que é, ouserá brevemente, necessário ser feito. Isso tudo explica o motivo do termo logísticaestar tão em moda ultimamente. Mas, é preciso cuidado na forma dasimplementações. Não existem pacotes fechados ou “receitas de bolo” para aimplementação de plataformas logísticas. Somente com criteriosas análises é que asorganizações sairão vencedoras nas implementações logísticas.
  12. 12. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.2 RELAÇÕES ENTRE LOGÍSTICA E COMÉRCIOO comércio, de modo geral, nada mais é do que uma operação de troca demercadorias (ou serviços) por dinheiro. Há, no entanto, uma forma um poucodiferente de comércio. Algumas transações são realizadas sem o uso do dinheiro, ouseja, algumas mercadorias (ou serviços) são trocadas por alguma coisa que nãoseja dinheiro. Qualquer que seja o modo de comércio, ou seja, ao longo de toda acadeia produtiva, o foco supremo e final é o cliente.De maneira mais comum, o cliente é abastecido pelo setor de varejo, que representaa operação final em um canal de comercialização de mercadorias. Este canal liga osetor manufatureiro e o setor de fornecedores, atacadistas e varejistas, e varejistas eclientes.As indústrias adquirem suas matérias-primas e componentes de um grupo defornecedores, e os vende ao setor atacadista ou mesmo direto às lojas de varejo,conforme o caso. Caso haja a presença de atacadistas, estes vendem os produtosaos varejistas. Os varejistas, por sua vez, compram os produtos diretamente dasindústrias ou de atacadistas, revendendo-os aos clientes finais. Na atualidade, como forte desenvolvimento do chamado comércio eletrônico, estas relações têm sealterado substancialmente.2.1 FORMAS DE COMÉRCIONa fase embrionária do desenvolvimento do comércio moderno, os produtos (ouserviços) eram comercializados em postos de realização de trocas, em um períodoonde as moedas dos países não tinham grandes credibilidades financeiras para quefossem aceitas em contexto mundial. Essa era a fase do escambo2, onde o ouroserviu de moeda em muitas transações. Estas permutas, no entanto, ficavam maisrestritas às regiões onde havia a presença do metal precioso. Esta história docomércio moderno pode ser resumida em algumas fases. Em seguida, serãoapresentadas algumas das principais formas de comércio, bem como um históricoda sua evolução, e suas relações com a logística. Fase dos Armazéns GeraisNo período colonial americano, os pioneiros colonizadores que desbravavam aregião oeste dos EUA precisavam de uma grande quantidade de mercadorias paraconcretizar a sua missão. Foi neste tempo que surgiram os chamados armazénsgerais3 que trabalhavam segundo determinadas condições, das quais Novaes(2001) aponta as principais:  O comércio era realizado com dinheiro, preferencialmente;  A oferta de produtos era muito diversificada (calçados, vestimentas, ferramentas, produtos alimentícios não-perecíveis, etc.)  O lojista fazia o pedido de produtos, hipoteticamente, interessantes aos seus clientes. Eles ficavam disponíveis nas prateleiras até a consumação de sua venda. Era praticamente impossível a devolução de mercadorias encalhadas aos fornecedores e não era comum a promoção de campanhas de liquidação de estoques.2 Troca, permuta, câmbio.3 Conhecidos como general stores, na língua inglesa.
  13. 13. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.  Havia pouca variedade de mercadorias, considerando os diversos níveis de qualidade, tamanho, marcas, etc.A localização destes armazéns gerais se dava em pontos estratégicos da malha detransportes, tais como terminais ferroviários, pontos por onde circulavam asprincipais caravanas. Com o passar do tempo, eles passaram a se localizar nosnovos povoados que iam surgindo, posteriormente, nas cidades.Como se pode esperar, a logística da época era precária para essa faseconsiderada primitiva do setor de varejo. As encomendas dos comerciantes eramfeitas aos representantes comerciais da época, os caixeiros-viajantes, quevisitavam uma grande quantidade de clientes-varejistas, num período que podiamlevar até semanas. Ato seguinte, esses caixeiros-viajantes, após a consolidação eorganização dos pedidos, encaminhava-os aos fornecedores que, posteriormente,providenciavam as remessas aos comerciantes varejistas.Os pedidos eram acondicionados em caixas ou caixotes, que eram despachadospelo transporte ferroviário. Para uma situação onde prevalecia uma escassez deoferta de produtos, em termos de número de instalações, variedade e tipos demercadorias, esse sistema logístico disponível na época até que podia serconsiderado aceitável.Um cenário onde existia uma grande quantidade de mercadorias encalhadas, oexcessivo intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do caixeiro-viajante, o extenso ciclo do pedido, bem como a grande variabilidade entre ostempos de distribuição de mercadorias faziam com que houvesse elevação noscustos de comercialização. No entanto, o pioneirismo e a ausência decompetitividade desse tempo permitiam que estes custos fossem absorvidos pelosclientes finais. Fase da Comercialização por Catálogos e Remessa pelos CorreiosCom o tempo, o esquema de operação dos armazéns gerais, ainda que atendesserazoavelmente aos clientes rurais do oeste americano, teve seu modelo exaurido,pois os clientes aumentaram as suas exigências. Queriam, agora, maior variedadede produtos e estilos com mais sofisticação para mercadorias dos tipos: calçados,vestuários, decoração de casas, produtos de beleza, etc.Neste cenário, surge, então, através de novas tecnologias, o sistema postalamericano que trouxe novos impulsos ao comércio. O correio tinha na época umatendimento que atendia às necessidades das regiões mais interiores e, aliado aisso, o governo criou incentivos especiais às zonas não-urbanas, através de tarifassubsidiadas, com o intuito de fixar o homem ao campo. Sob essas condições, surgeuma nova forma de comercialização de mercadorias através de catálogos eencomendas via correio.As primeiras empresas que comercializavam produtos via catálogo foram aMontgomery Ward, em 1872, e a Richard Sears, em 1886. Isto representou umgrande avanço em termos logísticos nas operações comerciais. Houve acentralização de estoques em alguns locais que trazia algumas vantagens (Novaes,2001):  Distribuição de mercadorias aos clientes finais com maior rapidez;  Disponibilização de maior variedade de marcas, tipos, tamanhos, cores, etc.
  14. 14. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.  Eliminação de intermediários na comercialização como os casos de caixeiros- viajantes e lojistas;  Redução de preços, proporcionando a ampliação das fatias de mercado. Fase da Especialização do Setor VarejistaApesar do sucesso na comercialização através de catálogos, os clientes aindamantinham expectativas da compra feita na loja, pois podiam ver e tocar os produtosde interesse, e não simplesmente visualizar as mercadorias por meio de desenhosou fotos, principalmente calçados e vestimentas. A Sears já tentava contornar esteproblema, na época, através da possibilidade do cliente devolver a mercadoria casonão ficasse satisfeito. O seu slogan era “satisfação garantida ou seu dinheiro devolta”. Para que esta estratégia desse certo, a Sears precisava de um sistemalogístico confiável, pois se o cliente recebesse um produto quebrado, amassado oucom a embalagem violada, a empresa poderia perder o crédito com a população.Também, seria preciso estabelecer um canal de devolução que fosse confiável eprático, sem burocracia. Uma nova logística precisou ser implantada para o sucessodesse tipo de comércio.Surgindo paralelamente ao comércio via catálogo, como resposta ao crescimento eaumento da sofisticação da demanda, estão as lojas que passaram a atuar com umalinha particular de produtos, ou seja, as lojas especializadas4. São exemplosdessas lojas os açougues, as farmácias, de calçados, vestuário masculino oufeminino, etc., que passaram a ser comandas por profissionais afetos às respectivasáreas, portanto, com certa especialização no produto.Com a diversificação e o crescimento da demanda, de outra forma, surgiu anecessidade de soluções que contemplassem mais de um tipo de produto. Exemploclássico são as drugstores, que incorporaram os trabalhos tradicionais dosfarmacêuticos manipuladores, com produtos de beleza, maquiagem, filmesfotográficos, chocolates, etc., aproveitando os conhecimentos da área química queeles possuíam.Já, no início do século XX, surgiram com grande sucesso, no território americano, aslojas de departamentos5, reunindo em um único local, produtos comoeletrodomésticos, brinquedos, vestuário, calçados, móveis, etc., distribuídos emdepartamentos especializados. A idéia para essas grandes lojas era aliar asvantagens da especialização, com os grandes volumes de negócios proporcionadospor estes tipos de investimentos. Este modelo foi um grande sucesso, o que motivoua Sears, uma grande empresa de comercialização via catálogos, a optar por atuartambém neste novo nicho de mercado. Mesmo oferecendo um rol diversificado deprodutos, as primeiras lojas de departamento em nada poderiam ser comparadascom os armazéns rurais, pois seus produtos eram oferecidos aos clientes em aresfisicamente separadas, com boa organização.As diferenças também eram grandes quando se fala em termos logísticos. Uma vezque as lojas de departamentos operam com um grande número de produtos, oserviço de entrega das compras aos clientes precisou ser reestruturado, exigindopessoal mais qualificado, depósitos especializados, veículos adequados, oferecendo4 Conhecidos como limited line stores, na língua inglesa.5 Conhecidos como departament stores, na língua inglesa.
  15. 15. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.um serviço de melhor qualidade ao cliente final. Com um volume de vendas elevado,essas empresas de departamentos passaram a dispor de um poder de compra muitomaior, resultando em melhores condições na aquisição de mercadorias, nos prazosde pagamento e também em campanhas publicitárias. Fase dos SupermercadosCom o advento do surgimento e grande expansão da indústria automobilística, e oconseqüente aumento da taxa de motorização da população, aliado ao francocrescimento do uso de geladeiras e freezers nos ambientes domiciliares, condiçõesestavam propiciadas para o surgimento dos supermercados. Este tipo deestabelecimento surgiu na década de 1930, nos Estados Unidos e na década de1950, no Brasil.O novo modelo de comércio que surge está embasado no conceito do auto-serviço,eliminando o trabalho anteriormente feito pelo varejista do armazém, que dialogavacom o cliente e o ajudava na definição de marcas, modelos, tamanhos etc. Nossupermercados, o cliente sozinho faz a compra, escolhe dentre os produtosofertados aqueles que lhe interessam e os paga na saída do estabelecimento.Este tipo de operação comercial teve um crescimento significativo, devido àsvantagens logísticas oriundas desse modelo. Menores preços passaram atrair,inicialmente, uma grande quantidade de clientes, possibilitando condições maisfavoráveis de suprimento ao comerciante, que passou a ter mais força na hora dacompra junto aos fornecedores. De outra parte, ao invés de buscar margens maissignificativas nos lucros, os supermercadistas reduziram suas margens, apostandoganhar no grande giro de estoque proporcionado. Outra vantagem estava naoperação do estabelecimento com uma quantidade relativamente baixa defuncionários, permitindo aumentar a oferta de produtos sem o proporcional aumentode custo de mão-de-obra.O advento dos supermercados trouxe uma inovação nos conceitos comerciais elogísticos, passando a atrair outros empresários, e por conseguinte, uma maiorcompetição no ramo. Com o decorrer do tempo, essas lojas aumentaram o leque deprodutos ofertados, tais como: utensílios domésticos, comida pronta, padaria,lanchonetes, restaurantes, etc. Surgem, então, os hipermercados.Os primeiros supermercados surgiram nas áreas urbanas centrais; posteriormente,com a alta motorização, eles passaram a ter como sítio os bairros e as regiõesperiféricas das cidades. Com a expansão dos negócios, altamente lucrativos, emgeral, ocorreram com a abertura de novas lojas na cidade sede ou mesmo em outrascidades do estado e fora dele. Surgem, portanto, as novas cadeias varejistas, nãosó de supermercados, como também de lojas de departamentos, perfumarias,drugstores, lanchonetes, etc. Uma nova modalidade de cadeias varejistas seconsolida, na atualidade, através do conceito de franquias, onde o franqueadortransfere ao franqueado todo o conhecimento do negócio. O franqueado paga umacerta quantia ao franqueador, porém mantém a propriedade do comércio, além defazer os investimentos necessários. Fase dos Shopping CentersAinda, na fase de migração das lojas do centro comercial tradicional para bairros eperiferias, surgem os shopping centers, que passam a oferecer lojasespecializadas em vestuário, diversão, calçados, produtos fonográficos, decomputação, alimentação, etc. para um público exigente. Diferentemente de lojas
  16. 16. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.especializadas localizadas no centro comercial, o shopping center oferece vagas deestacionamento, ambiente coberto e seguro, ar condicionado, além de poder-seevitar os irritantes congestionamentos das áreas centrais. Paralelamente, osshopping centers oferecem serviços adicionais, como: cinemas, supermercados,lanchonetes, academias, pet shops, etc. Fase do varejo sem loja e varejo por máquinasCom o desenvolvimento dos sistemas de comunicação e Internet, houve um grandeimpulso no chamado varejo sem loja. Inicialmente, este modelo se resumia àsvendas por catálogo, posteriormente via telefone e fax e, na atualidade, setransformou em vendas pela Internet. Esta modalidade de comércio necessita deuma estrutura logística diferenciada. No caso do varejo sem loja (correio, telefone,fax e Internet), uma dificuldade existente é a ausência de contato entre o cliente finale o produto a ser adquirido.A modalidade de vendas denominada de varejo por máquinas6, normalmentecomercializa produtos tais como refrigerantes, jornais, cigarros, passagens de metrôe ônibus, etc. e é ainda pouco difundida no Brasil. Em outros países da Europa, eJapão e EUA, são muito utilizadas. Algumas vantagens: fácil de operar, nãonecessita de funcionários, pode operar com moedas e dinheiro em papel, permite acomercialização de número limitado de produtos, dificultando a competitividade;como desvantagens: requer nível alto de segurança, em países com moeda volátil, édifícil a operação, pois o dinheiro perde o valor rapidamente.2.2 O PAPEL DA LOGÍSTICAA logística cumpre um papel de relevância no comércio moderno de produtos eserviços, principalmente com a velocidade com que as mercadorias sofremmodificações com qualidade, tamanho, sabor, embalagem, etc. As principais serãobrevemente descritas a seguir: Informação – a logística tem atuação significante no processo de disseminação da informação, podendo ocorrer de forma positiva se bem implementada ou negativa, se realizada de maneira equivocada, prejudicando os esforços mercadológicos. Na organização, a logística é o setor que proporciona o embasamento para a execução das metas a serem cumpridas pelo setor de marketing. Com uma logística deficiente essas metas ficam extremamente comprometidas. Produto – também aqui a logística tem uma função ímpar. Conforme o modelo varejista hoje prevalecente, o processo logístico em sua totalidade, que se inicia com a matéria-prima e termina com o cliente final, deve ser entendido de forma sistêmica, onde cada uma das partes depende das demais. O processo de fabricação e as funções logísticas da organização devem ser abraçadas de forma integrada e pensados conjuntamente. Momento desejado – a logística tem a função de garantir que o produto esteja com o cliente final no momento desejado. O cliente, quando da compra, por ex., de produtos considerados duráveis, recebe do comerciante uma promessa de data de entrega. Se esta data não for cumprida, por qualquer motivo, seja ele resultante falha(s) no sistema de informação, ou falha na operação do depósito,6 Conhecido como vending machines, na língua inglesa
  17. 17. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. ou mesmo do sistema de transporte, pode resultar em prejuízos na imagem da empresa. O Correio brasileiro aposta em sua eficiência logística ao garantir ao cliente que sua encomenda/correspondência será entregue até as 10 horas do dia seguinte, através do serviço Sedex 10. Satisfação – a satisfação que o cliente sentirá no momento do consumo ou utilização de um determinado produto também está intimamente relacionada com a logística. Esta relação poderá ser mais forte ou mesmo subjacente. Deficiências do tipo prazo de validade vencido, para produtos de consumo rápido, ou bens duráveis entregues com especificação errada (cor, voltagem, modelo) ao adquirido, ou com componentes faltando, poderão arranhar substancialmente a imagem do comerciante. Confiança mútua – a confiança mútua entre o comerciante e o cliente mesmo que seja de derivada de aspectos como atenção pessoal, honestidade e profissionalismo do vendedor, é fortemente dependente do desempenho logístico da cadeia de suprimentos em seu todo. Na medida que o cliente vai conhecendo melhor o comerciante, vai constando a veracidade de suas afirmações e promessas, vê suas reclamações e sugestões atendidas, sua confiança nele aumenta, que também se espalha por toda cadeia varejista. Quando o contrário ocorre, em qualquer elemento cadeia, a imagem negativa tende a se estender, também, para toda a cadeia. Continuidade – este aspecto é considerado ainda como um grande problema para o setor de bens duráveis no Brasil. A continuidade na relação cliente- comerciante na fase pós-venda é sempre difícil. Mesmo que problemas na relação comercial ocorram e sejam eles de responsabilidade do fabricante (falta de peças, problemas com assistência técnica, preços inadequados dos serviços), o varejista é o elemento da cadeia mais próximo do cliente. É ele que acaba recebendo as reclamações dos clientes. Para equacionais estes problemas, várias organizações criaram a figura do ombudsman, que passa a atender diretamente as reclamações dos clientes, sem precisar passar pelo varejista.2.3 DEFINIÇÕES E CONCEITOSMuitos são os tipos de organização do setor público ou privado que fazem uso dosserviços logísticos. Pode-se citar como exemplos: empresas manufatureiras, detransporte de cargas, alimentícias, serviços postais, distribuição de petróleo ecombustíveis, distribuição de bebidas transporte público, etc.Logística é a chave de muitos negócios por diversos motivos e dentre eles pode-secitar os elevados custos de operação das cadeias de abastecimento. Verifica-se quea tendência das organizações é o processo de horizontalidade. Neste processo,muitos produtos até então produzidos por determinada empresa do fim da cadeia defornecimento passam a ser produzidos por outras empresas, ampliando o número defontes de suprimento e dificultando a administração desse exército de fornecedores.Diante deste panorama, uma questão pode ser colocada: se os custos são tão altos,por que então horizontalizar e criar demandas para as atividades logísticas? Aresposta para esta pergunta pode ser sintetizada em duas palavras, ou seja, aglobalização do mercado.À medida que as organizações investem em novos parceiros comerciais, ampliam-seos gastos com o planejamento de toda a cadeia logística. Ao se analisar essa
  18. 18. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.situação de forma holística, constata-se que há, na verdade, uma redução de custos.Mais significativa do que tal redução, a atividade logística passa a agregar valor aosprodutos, melhorando os níveis de satisfação dos usuários. Um alerta precisa serfeito: se a mudança na atividade logística não for acompanhada pelas diversasorganizações, poderá ocorrer falência daquelas que não se enquadrarem neste novoparadigma.Mas, ainda pode ficar uma questão a ser esclarecida: como se dá essa propaladadiminuição nos custos? Essa redução, quando devidamente acompanhada deestudos logísticos, é explicada pela especialização das empresas fornecedoras, umavez que elas acabam por investir em tecnologia de ponta para os desenvolvimentosdos materiais, até então produzidos pela empresa que está no fim da cadeia, e queagora passarão a ser produzidos pela mais nova empresa horizontalizada. A partirdesse momento, a tendência é que exista uma redução de custos, proporcionadapelo ganho de escala na produção e pelo desenvolvimento tecnológico, focadoagora em uma determinada linha de produto.Pode-se perceber que essas atividades logísticas estão inseridas nos maisdiferentes setores das organizações e suas corretas aplicações se fazemnecessárias para que as atividades sejam desenvolvidas de forma adequada.Mas, afinal, qual é a definição de logística?O conceito de logística, em sua origem, estava associado a aspectos militares.Diferentes autores atribuem diversas origens à palavra logística. Alguns afirmam queela vem do verbo francês loger (acomodar, alojar); outros, dizem que ela é derivadada palavra grega logos (razão) e que significa a “arte de calcular” ou a “manipulaçãodos detalhes de uma operação” (Wood Jr. & Zuffo, 1998). De outro lado, o termologística, para outros autores, origina-se da língua francesa, significando como aparte da arte bélica que trata do planejamento e da realização de projeto edesenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação,manutenção e evacuação de material, tanto para fins administrativos ouoperacionais.Logística é definida como sendo a união de quatro atividades básicas, consideradasbásicas: aquisição, movimentação, armazenagem e entrega de produtos. Para queessas atividades produzam o efeito desejado, é fundamental que as atividades deplanejamento logístico, sejam elas de materiais ou de processos, estejamintimamente relacionadas com as funções de manufatura e marketing.Segundo o Council of Logistics Management, norte-americano, “logística é oprocesso de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e aarmazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados,cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo deatender aos requisitos do consumidor”. A figura 2.1 apresenta o quadro contendo osprincipais elementos da logística.A logística se inicia pelo estudo e o planejamento do projeto ou do processo a serimplementado. Após a fase de planejamento e a sua devida aprovação, segue asfases de implementação e operação. Diversas organizações entendem que oprocesso termina aqui. No entanto, defende Novaes (2001), que devido à grandecomplexidade dos problemas logísticos e às suas características de sua naturezadinâmica, todo o sistema logístico precisar ser periodicamente avaliado, monitoradoe controlado. Defende, ainda, o autor que seja utilizado um certo tipo de
  19. 19. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.especialização, denominada auditoria logística, que realiza de maneira sistemática eperiódica as atividades de avaliação, monitoramento e controle. Processo de planejar, operar e controlar Fluxo e armazenagem Matéria prima A partir do ponto de Produtos em processo Até o ponto de origem Produtos acabados consumo Informações Recursos financeiros De maneira econômica, Atendendo aos efetiva e eficiente requisitos e preferências dos clientes Figura 2.1 – Principais elementos da logísticaOs fluxos relacionados com a logística e que envolvem a armazenagem de matéria-prima, de materiais em processamento e de produtora acabados, percorrem todo oprocesso, começando pelos fornecedores, passando pela manufatura, depois avarejista e, finalmente, chegando ao cliente final. Este, deve ficar claro, é sempre ofoco principal de toda a cadeia de suprimentos. Além do fluxo de materiais (insumosou produtos), existe paralelamente, em sentido contrário, o fluxo financeiro (dinheiro)e, além deste, há o fluxo (nos dois sentidos) de informações que está presente emtodo o processo (ver figura 2.2). FLUXO DE MATERIAIS CLIENTE FINAL FORNECEDOR FABRICAÇÃO DISITRUIÇÃO VAREJO FLUXO DE INFORMAÇÃO FLUXO FINANCEIRO Figura 2.2 – Fluxos logísticos
  20. 20. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.É de relevância observar que, ao mesmo tempo em que a função logística éenriquecida em atividades, ela igualmente deixa de ter uma característica puramentetécnica e operacional, passando a ter também o enfoque estratégico. Esta afirmaçãopode ser constatada no Quadro 2.1, quando a função logística passou a englobarprocessos de negócios fundamentais para a competitividade organizacional. Aestrutura integrada de logística passa, nesta fase, a articular toda a cadeia desuprimentos, desde a entrada de matérias-primas até a entrega do produto final.Porém, o conteúdo estratégico só fica marcante na terceira e quarta fases, nas quaisa participação da função logística nas mais importantes decisões empresariais éressaltada. É o caso das alianças estratégicas, das parcerias e dos consórcioslogísticos.A definição apresentada pelo Council of Logistics Management pode serconsiderada como uma boa declaração de intenções, uma vez que cita a integraçãode todas as funções, ressalta o foco no cliente e, de maneira subjacente, aponta avisão sistêmica. Além disso, a tendência histórica direciona para a valorização dafunção logística (Wood Jr. & Zuffo, 1998).A logística, segundo Wood Jr. & Zuffo (1998), possui dez funções essenciais, quedevem ser integradas à estratégia empresarial e orientadas para o atendimento àsnecessidades do cliente. As atividades da função logística integrada podem serdecompostas em três grandes grupos, ou seja:  Atividades estratégicas – atividades relacionadas às decisões e à gestão estratégica da própria empresa. A função logística deve participar de decisões sobre serviços, produtos, mercados, alianças, investimentos, alocação de recursos, etc.;  Atividades táticas – relacionam-se com o desdobramento das metas estratégicas e ao planejamento do sistema logístico. Envolvem decisões sobre fornecedores, sistemas de controle da produção, rede de distribuição, terceirização de serviços, etc.; e  Atividades operacionais – relacionam-se à gestão do cotidiano da rede logística e envolvem a manutenção e melhoria do sistema, solução de problemas, etc.
  21. 21. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. Quadro 2.1 – Evolução do conceito de logística Fonte: Razzoni (2001)Por fim, pode-se dizer que a logística moderna procura incorporar, segundo Novaes(2001), os seguintes aspectos:  Prazos previamente combinados e cumpridos integralmente, no decorrer do toda a cadeia de suprimentos;  Integração efetiva e sistêmica entre todos os setores da organização;  Integração efetiva e estreita, ou seja parcerias, entre fornecedores e clientes;  Procura pela otimização total, considerando a racionalização dos processos e a redução de custos em toda a cadeia de suprimentos;  Satisfação total do cliente, mantendo o nível de serviço (NS) previamente estabelecido e adequado.
  22. 22. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. ESTRATÉGIA DA Quais as necessidades de ORGANIZAÇÃO Qual o melhor sistema de serviço para cada segmento? distribuição? Serviço Ao Cliente Nível estratégico Existem oportunidades de Como atingir a integração do otimização no sistema de canal? transportes? Projeto do canal Estratégia da rede Nível estrutural A gestão de estoques é Quais as melhores adequada à demanda de tecnologias / metodologias? serviços? Projeto / operação de Gestão de Gestão de armazéns transportes materiais Nível funcional Como definir e Como definir e implementar implementar mudanças? mudanças? Sistema de Políticas e Instalações e Gestão da organização informações procedimentos equipamentos e mudanças Como melhorar o A distribuição de recursos desempenho do sistema? está otimizada? Nível de implementação Figura 2.3 – Funções essenciais da logística Fonte: adaptado de Andersen Consulting (1997)
  23. 23. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. LOGÍSTICA NA SUBMARINOA Submarino é uma das maiores empresas brasileiras no ramo de comércio eletrônico (e-commerce),cujo negócio depende fundamentalmente da logística, e atua em todo o território nacional. Parapermitir a operacionalização do seu processo logístico, a empresa fez uma parceria com o GrupoIntecom, que por sua vez tem o controle acionário dividido entre dois grandes grupos, o Grupo JPMorgan e o Grupo Martins, maior atacadista distribuidor da América Latina, com bastante capilaridadeno território brasileiro.As principais características do processo logístico da Submarino são:  Usa um operador logístico – Intecom;  Usa intensivamente a tecnologia da informação: o Marbo Sat - posicionamento da carga e comunicação com o motorista; o Geo Marbo - rota geográfica em tempo real; o Trom - planejamento de rotas e cargas; o WIS-SIGMA – gestão de estoques e picking; o SCOF – gerenciamento da operação da frota.  Possibilita o cliente acompanhar, a qualquer momento, o posicionamento de sua encomenda no território (Tracking);  A Submarino realiza as operações de Picking e embalagem, sendo o restante do processo operacionalizado pela Intecom.A figura abaixo possibilita um melhor entendimento de todo o processo logístico da Submarino.
  24. 24. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. Processo Logístico da Submarino Fonte: Schimtt & Shionara (2001) apud Viana (2002)
  25. 25. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.3 GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOSNos dias atuais, as empresas são constantemente desafiadas a operar de maneirasempre mais eficiente e eficaz para garantir a continuidade de suas atividades,obrigando-as a desenvolver, permanentemente, vantagens em novas frentes deatuação. As demandas impostas pelo aumento da complexidade operacional e pelasexigências de níveis mais elevados de serviço e menores preços pelos clientes,servem de exemplo. Aqui parece surgir um paradoxo, ou seja, como agregar maisvalor aos produtos e, simultaneamente, reduzir os custos, assegurando aumento dalucratividade?A logística se apresenta como uma das mais freqüentes formas utilizadas parasuperar esses desafios. A explanação mais significativa pode estar na suacapacidade de evolução para fazer frente às necessidades surgidas de mudançasprofundas e constantes que as empresas se deparam. A maneira como a logísticavem sendo implantada e desenvolvida, no meio empresarial e acadêmico, evidenciaa evolução do seu conceito, a ampliação das atividades sob sua responsabilidade e,ultimamente, a assimilação de sua importância estratégica.Em seu estágio mais avançado, a logística vem sendo adotada para subsidiar oplanejamento de processos de negócios que integram, por um lado, as áreasfuncionais da empresa e, de outro, a coordenação e o alinhamento dos esforços dasempresas no anseio de se obter menores custos e maiores valores agregados aosprodutos visando o cliente final. A este processo se dá o nome de Gerenciamento daCadeia de Suprimentos-GCS7.A logística foi aplicada de forma fragmentada, em sua fase inicial, quando seprocurou a melhoria do desempenho de cada uma das atividades básicas de formaindividual. Neste período, inexistia uma abordagem sistêmica. A ênfase era funcionale a execução dava-se por departamentos especializados.Em um segundo momento, vários fatores apontaram fortemente no sentido de queas atividades funcionais devessem ser executadas de forma integrada eharmoniosa, visando à obtenção de um melhor desempenho da organização. Afacilitação dessa mudança de paradigma se deu pelo avanço na tecnologia dainformação e pela adoção de um gerenciamento voltado para os processos. A essanova fase deu-se o nome de logística integrada.Esta segunda fase denotou claramente que o processo logístico não se inicia e nemse extingue nos muros da própria organização, pois, o começo se dá na corretaescolha e no estabelecimento de parcerias com fornecedores, exigindo que o canalde distribuição esteja preparado para atender de maneira satisfatória àsnecessidades e expectativas do cliente final. Um exemplo pode ser dado quando secita um fabricante de refrigerantes. Ele conseguirá a sua realização se o cliente finalaprovar a qualidade de seu produto e do serviço ofertado no momento da compra.Este fato evidencia de forma cabal a idéia de que deva existir uma ligação forte entreesse fabricante e a empresa de varejo para que haja agregação de valor para ocliente final. Caso isto não ocorra, toda a cadeia terá falhado, podendo sersubstituída por outra mais considerada mais vantajosa.7 Conhecido como Supply Chain Management-SCM, na língua inglesa.
  26. 26. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.Esse fato evidencia que está havendo, na verdade, competitividade entre asdiversas cadeias. Assim, várias organizações vêm desenvolvendo significativosesforços na organização de uma rede integrada e na realização de forma eficiente eágil do fluxo de materiais. Este fluxo vai desde os fornecedores e atingindo osconsumidores finais, garantindo a sua sincronização com o fluxo de informações,que deve ocorrer no sentido inverso.As empresas que optaram por implantar o Gerenciamento da Cadeia deSuprimentos estão obtendo como resultado: significativas reduções de estoque,otimização dos transportes e eliminação das perdas, principalmente aquelas queacontecem nas interfaces entre as organizações e que são representadas pelasduplicidades de esforços.Como agregação de valor, essas empresas têm conseguido confiabilidade eflexibilidade mais elevadas, melhorando o desempenho de seus produtos e obtendoêxito no lançamento de novos produtos em intervalos menores de tempo.O Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, de maneira resumida, consiste noestabelecimento de relações de parcerias, em prazos dilatados, entre os diversosintegrantes de uma determinada cadeia produtiva que passarão a planejarestrategicamente suas atividades e partilhar informações de modo a desenvolveremas suas atividades logísticas de forma integrada, através e entre suas organizações.Estes procedimentos proporcionam melhorias no desempenho conjunto pela buscade novas oportunidades e redução de custos, visando agregar mais valor ao clientefinal.Mesmo que resultados expressivos tenham sido atingidos, constata-se ainda aexistência de muitas dificuldades na implementação do GCS. Esta implantaçãorequer uma análise profunda na cultura das organizações que farão parte de umadeterminada cadeia. A visão funcional deve ser abandonada, informações precisamser compartilhadas, inclusive aquelas relacionadas com os custos. Osrelacionamentos devem ser construídos com base em confiança mútua; o horizontede tempo desloca-se do curto para o longo prazo e um dos elos, chamado de eloforte, será responsável pela coordenação do sistema e seu desempenho neste papelserá fundamental para a obtenção dos objetivos estabelecidos.Um outro desafio é equacionar os diferentes tamanhos e objetivos doscomponentes, e como isso exige uma mudança de cultura, o estabelecimento dacadeia requer tempo e esforço. Dada a complexidade desse novo arranjo, que passaa ter dimensão interorganizacional, a medição de desempenho necessita deindicadores que permitam o controle da performance da cadeia como um todo.Não se pode esquecer que deve existir compatibilidade entre os sistemas deinformação dos elos, que muitas vezes utilizam plataformas diferentes. Por último, emuitas vezes esquecido, está o fato de que o elemento humano é de sumaimportância e, portanto, deverá ser treinado e estar preparado para esta novarealidade. Cabe registrar a escassez de profissionais nessa área, em especial,aqueles com visão sistêmica e conhecedores de todas as atividades logísticas.O conceito de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos ainda está em fase dedesenvolvimento, implicando na não existência de uma metodologia única para asua implementação. A sua adoção, no entanto, poderá ser uma fonte potencial deobtenção de vantagem competitiva para as organizações, pois se mostra como umcaminho a ser trilhado pelas demais organizações.
  27. 27. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.No Brasil, grande parte das organizações ainda está aplicando a logística de formaembrionária, o que as coloca em desvantagem diante de concorrentes do exterior.São restritos os segmentos considerados mais evoluídos neste assunto; pode-secitar como exemplo o caso da indústria automobilística e do setor desupermercados. Esforços para mudar este cenário já estão sendo empreendidos, oque aponta para um cenário mais otimista na aplicação da logística noaproveitamento de seus benefícios para o país, melhorando assim suacompetitividade. EMPRESA XISPEXA Xispex (nome fictício) é uma importante empresa brasileira do setor de autopeças. Empresafamiliar, fundada na década de 1940, cresceu vigorosamente durantes os anos 1960 e 1970,acompanhando o boom da indústria automobilística. Sustentada por uma sólida competênciatecnológica e aproveitando as oportunidades emergentes, a Xispex passou a internacionalizar suasatividades a partir dos anos 1980. Os passos estratégicos seguiram o padrão usual: i) início dasatividades de exportação. ii) abertura de escritórios de representação no exterior, iii) montagem deuma estrutura de assistência técnica e de distribuição junto aos principais clientes no exterior, e iv)compra ou construção de fábricas nos principais mercados-alvo. A empresa hoje exporta paraAmérica do Norte, Ásia, Oceania e Europa, a partir de bases industriais no Cone sul, EuropaOcidental e Europa Ocidental.Para acompanhar a estratégia de internacionalização e fazer frente a mudanças no contexto deconcorrência interna, a Xispex implementou, a partir dos anos 1990, um amplo programa demudança organizacional. Este programa inclui profissionalização da empresa, criação de unidadesestratégicas de negócios e integração mundial das atividades técnicas e comerciais. Como parte doprograma de mudanças foi implantado, em 1995, o conceito de logística integrada, cujo objetivo foi aimplementação da gestão de toda a cadeia de valores a partir de uma visão sistêmica da empresa.Na prática, a criação de coordenadorias de logística para cada uma das unidades de negóciossignificou reunir, em cada uma destas áreas, todas as funções logísticas, desde a entrada dematérias primas e suprimentos, passando pelo planejamento e controle de produção, até o controlede distribuição de produtos acabados. Após a implantação da nova estrutura e do modelo de gestão,a etapa seguinte constou em rever os processos de trabalho. Foi dessa maneira que a Xispexchegou ao Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, uma metodologia embasada na visãosistêmica da organização e no conceito de cadeia de valores, que une a estas idéias o que há de
  28. 28. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.mais avançado em termos de ferramentas de racionalização e sincronização da produção.Quase dois anos após o início do projeto, os impactos já puderam ser observados: drástica reduçãode estoques, desativação de armazéns (que se tornaram desnecessários), mudanças naorganização do trabalho no chão de fábrica, unificação de atividades de apoio (manutenção,ferramentaria, etc.) e melhor nível de atendimento ao cliente. Tudo isto resultou em maior eficiência,mais eficácia e custos menores. O passo seguinte foi a expansão dos conceitos para as atividadesinternacionais do Grupo Xispex e o maior envolvimento de fornecedores e clientes.Casos, como o da Xispex, deverão, no futuro, se transformar em padrão para as organizaçõesbrasileiras. “Após alguns anos cuidando da casa de máquinas, reparando velas e encerando oconvés, muitos executivos finalmente se deram conta de que o barco estava apontado para adireção errada”. Faltava-lhes visão de conjunto e também um conjunto de conhecimentos quepermiti-se otimizar o todo. O conceito de logística integrada e a metodologia de Gerenciamento daCadeia de Suprimentos talvez possam dispor de respostas a estas questões. Fonte: Wood Jr. & Zuffo (1998)
  29. 29. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.3.1 A CADEIA DE SUPRIMENTOS E SUA GESTÃOQuando se adquire um determinado produto, o cliente não tem idéia da existência deum grande processo necessário para a conversão de matéria-prima, de recursoshumanos e de recursos energéticos em um produto que seja útil ou saboroso, porexemplo. Exemplos de produtos complexos, como o automóvel, necessitam umgrande número de matérias-primas, das mais diversas naturezas, tais como: metais,borracha, plástico, tecidos, papelão, tintas, etc. Outros, menos complexos, comouma bandeja de salgados, requer: a coxinha, por exemplo, mas também a bandejade isopor, o filme de polietileno, a etiqueta adesiva contendo informações sobre oproduto e código de barras. O caminho é longo e vai desde a obtenção da matéria-prima, passando pela fábrica de componentes, a manufatura do produto, osdistribuidores, o comércio varejista, chegando ao cliente final, e é chamado decadeia de suprimentos.Um modelo de cadeia de suprimentos está apresentado na figura 3.1. Fornecedoresde matéria-prima entregam insumos de natureza variada para a indústria/manufaturae também para os fabricantes de componentes, que participam da fabricação de ummesmo produto. A indústria fabrica o produto em referência, que é distribuído aocomércio varejista e, uma parte, ao comércio atacadista/distribuidores, uma vez quemuitos varejistas não comercializam um volume suficiente do produto que lhesproporcione a compara direta, a partir do fabricante. As lojas varejistas, devidamenteabastecidas diretamente pelo fabricante ou indiretamente pelo comércioatacadista/distribuidores, vendem o produto ao cliente final. Existem ainda outrosaspectos que não foram considerados na figura 3.1, tais como a logística reversa(será estudada adiante) e as operações pós-venda. Figura 3.1 – Modelo de cadeia de suprimentos (Fonte: Handy, 1997)
  30. 30. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.Novaes (2001) enfatiza que, quando se trata de cadeia de suprimentos, pensa-seimediatamente em fluxo de materiais, que é composto por insumos, componentes eprodutos acabados. Por esse motivo, que na figura 3.1 as setas são orientadas daesquerda para a direita (na parte superior da figura), porém este não é o tipo únicode fluxo de cadeia de suprimentos. Exemplo disso é o fluxo da figura 2.2 (Capítulo2).Acontece que, há muitos anos, grandes organizações produziam grande parte doscomponentes necessários à fabricação de seus produtos, pois eram capazes deproduzi-los com baixos custos, e não gostavam de ter dependências em relação afornecedores, por questões estratégicas e de poderio econômico. Era a chamadatendência de verticalização industrial. Na atualidade, os conceitos de vantagemcompetitiva e core competence8 estão presentes estão presentes no momento dadefinição do planejamento estratégico para as grandes organizações. Entende-seque seja mais adequada a concentração de atividades naquilo que a organizaçãoconsegue realizar com competência, diferenciando-a de maneira positiva em relaçãoaos concorrentes, além de adquirir externamente componentes e/ou serviçosassociados a tudo que não estiver dentro da sua competência central.Nessa maneira de gerenciar, não somente os componentes e matérias-primas sãoadquiridos em outras empresas, como também os serviços, os mais variados, taiscomo: distribuição, armazenagem e transportes de insumos e produtos, alimentaçãode empregados, estacionamento, segurança, manutenção, assessoria jurídica, etc.Esta realidade exige, evidentemente, um grau elevado de sintonia entre asorganizações que participam dessa cadeia, com confiança mútua significativa.A figura 3.1 apresenta três novos conceitos: logística de suprimentos, logística daprodução e logística de distribuição. Ao se considerar o setor de manufatura, ouseja, o setor de fabricação, como ponto referencial, pode-se identificar algumasespecializações inerentes à logística.A estrutura a cadeia logística integrada é composta em três grandes grupos,segundo Ching (1999):  Logística de suprimentos - gerencia as relações entre a empresa e seus fornecedores. Seus principais objetivos são desenvolver produtos e garantir a qualidade das matérias-primas, componentes e embalagens que atendam aos requisitos de fabricação, de forma a obter o menor custo total possível dentro da cadeia logística.  Logística de produção - objetiva sincronizar a produção com as demandas. Cabe à logística de produção transformar os materiais em produtos finais ou acabados, dentro de prazos pré-definidos.  Logística de distribuição - gerencia a relação empresa/consumidor. Responsável pela distribuição física dos produtos acabados, a logística de distribuição deve maximizar o atendimento ao cliente, proporcionando o nível de serviço adequado, sem incorrer em custos desnecessários.Ao se considerar as relações com o ambiente, no que tange à matéria-prima,verifica-se que há um subsistema, na cadeia de suprimentos, denominado logísticade suprimentos. Chama-se logística de suprimentos aquela que trabalha com osfluxos de materiais de fora para dentro da manufatura, incluindo-se, aí, a matéria-8 Competência central.
  31. 31. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.prima e outros insumos (peças, componentes, outros produtos acabados que vãointegrar o processo produtivo). A logística de suprimentos é também chamada delogística de materiais ou logística de abastecimento; em empresas pequenas, échamado de setor de compras (Novaes & Alvarenga, 2000). Seus componentes são:  Extração ou retirada da matéria-prima na sua origem e preparação da mesma para o transporte;  Transporte da matéria-prima desde a fonte de suprimentos até o local de manufatura;  Estocagem da matéria-prima na fábrica, até que os produtos sejam industrializados.A logística de produção, que cuida dos aspectos logísticos dentro da manufatora emsi, e por isso inserida dentro da Programação e Controle da Produção (PCP), éconsidera geralmente com o auxilia de metodologia própria, específica. Existemalgumas técnicas e procedimentos americanos e japoneses bastante eficazes, taiscomo: MRP II 9, Kanban10, Just-in-Time (JIT)11, dentro outros (Novaes & Alvarenga,2000).A logística de distribuição física atua de dentro para fora da manufatura e envolve astransferências de produtos entre a fábrica e os armazéns próprios ou de terceiros,seus estoques, os subsistemas de entrega urbana e interurbana de mercadorias, osarmazéns e depósitos do sistema (movimentação interna, embalagem, despacho,etc.) além de outros aspectos (Novaes & Alvarenga, 2000).O sucesso e a eficiência da cadeia logística e, mais especificamente, da cadeia dedistribuição, dependem de um alto grau de cooperação entre as empresasparticipantes. O fluxo constante e confiável de informações é fator determinante nogerenciamento da cadeia de distribuição e essencial para que bons resultados desatisfação das exigências dos clientes finais sejam atingidos (Silva, 2006).Neste trabalho, vai ser dado um enfoque mais evidente na logística de distribuição,que será mais bem estudada nos próximos capítulos. Embora a logística incorporeuma diversidade de fatores que vai muito além do domínio estrito da logística dedistribuição, abrangendo também aspectos associados à comercialização, estoques,marketing, tratamento de informação, a logística de distribuição é parcela das maisimportantes em virtude dos impactos produzidos nos custos, nível de serviço, alémde outras variáveis do problema logístico.9 Manufacturing Resources Planning ou Planejamento dos Recursos da Manufatura.10 Técnica japonesa, com cartões, que proporciona redução de estoque, otimização do fluxo de produção, redução das perdas e aumento da flexibilidade.11 Técnica que tem como filosofia atender ao cliente interno ou externo no momento exato de sua necessidade, com as quantidades necessárias para a operação/produção, evitando-se assim a manutenção de maiores estoques.
  32. 32. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO DA PETROBRÁS Fonte: ANP (2005) apud PUC-Rio (s.d.) CADEIA DE SUPRIMENTOS NA ÁREA FARMACÊUTICA A primeira figura representa a cadeia de suprimentos, que se estende desde os fornecedores de matérias-primas (fármacos) até o consumidor final, passando pelos fabricantes (laboratórios), que entregam medicamentos diretamente às redes ou, indiretamente, por meio de distribuidores. O segmento institucional (hospitais, centros de saúde, secretarias públicas estaduais e municipais de saúde), ao lado das farmácias, constitui importante mercado. As farmácias compram também produtos de higiene pessoal e cosméticos, em geral, diretamente dos fabricantes. Os fabricantes e distribuidores entregam os medicamentos ao depósito central da rede, que estoca os produtos e os aloca às lojas.
  33. 33. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. A segunda figura representa a cadeia logística que prevalece no setor farmacêutico. Fonte: Machline. & Amaral Jr. (1998)
  34. 34. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.4 ARMAZENAGEM DE PRODUTOS EM DEPÓSITOS E ARMAZENSDurante o fluxo logístico, surgem fluxos de mercadorias entre os diversos nós darede. As interfaces do processo logístico, ou seja, nos pontos de transição de umfluxo para outro, entre fabricação e transferência, entre transferência e distribuiçãofísica, surge a necessidade de armazenamento dos produtos por um espaçogeralmente curto de tempo. Este tempo é necessário somente para a realização datriagem da mercadoria que acabou de chegar e posterior reembarque; no entanto,dependendo do caso, este tempo pode ser maior.Nos pontos de transição da rede logística estão localizados os diversos tipos deinstalações para armazenagem (figura 4.1). Um tipo mais comum é o depósito comobjetivo de armazenamento e despacho de mercadorias de uma indústria, de umagrande loja, de uma empresa de varejo, dentre outras. Um outro tipo que é bastantecomum é o depósito destinado à armazenagem de insumos ou matérias primas(minério de ferro, carvão siderúrgico, sucata, etc., no caso de siderúrgicas). Figura 4.1 – Figura simplificada de um depósitoO problema de movimentação interna nos depósitos ou armazéns é tratado comouma especialidade aparte, não se constituindo em objetivo deste capítulo, que daráênfase aspectos mais proeminentes, com a aplicação do enfoque sistêmiconecessário à solução de problemas logísticos, em geral. Segundo Ballou (1995), aetapa de armazenagem e manuseio de mercadorias tem impacto significativo,estimando-se que seja de 12% a 40% dos custos logísticos em uma organização.4.1 FUNÇÕES DE DEPÓSITOS E ARMAZÉNSComo visto anteriormente, o período de permanência da mercadoria no depósito ouarmazenagem é derivado de objetivos gerais da organização. Em alguns casos, aestocagem de produtos está relacionada com a sazonalidade de consumo, como é ocaso de mercadorias para consumo, por exemplo, no natal (castanhas, nozes, etc.),ou sazonalidade da produção (caso da soja, por exemplo). Um outro caso é o efeitona variação de preços no mercado, que impõe que certas empresas façam oestoque de determinados produtos em certos períodos para aproveitarem níveis decomercialização mais altos em outros momentos. As figuras 4.2 a 4.4 mostramexemplos de demandas ao longo do tempo: i) demanda permanente (creme dental,sabão em pó, sal, cimento, leite, gasolina, etc.); ii) demanda sazonal (enfeites denatal, ovos e colombas de páscoa, panetone, bacalhau, etc.); iii) demanda irregular(cervejas, refrigerantes, protetor solar, etc.); iv) demanda em queda (máquina deescrever, disquete, long play (LP), fita de impressora, carburador, etc.).
  35. 35. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. Figura 4.2 – Exemplo de demanda relativamente invariável no tempo Figura 4.3 - Exemplo de demanda sazonal Figura 4.4 - Exemplo de demanda irregular Figura 4.5 - Exemplo de demanda em quedaPensando no aspecto da logística, a armazenagem de produtos assume as maisdiversas funções, variando conforme os objetivos gerais da organização e da funçãoexercida pela facilidade no sistema, seja ela armazém, depósito ou centro dedistribuição. As principais funções destas facilidades são (Alvarenga & Novaes,2000):  Armazenagem – estocagem de mercadorias por um período curto ou longo;  Consolidação – mercadorias chegam em pequenas quantidades, das mais diversas origens e clientes. Permanecem por um tempo determinado para formar uma carga “completa” para ser encaminhada a outro ponto da rede logística.
  36. 36. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.  Desconsolidação – função inversa à anterior, onde carregamentos maiores são desagregados em lotes menores e encaminhados a distintos destinos.O depósito e/ou armazém, sendo elementos importantes na rede logística, precisamser considerados como componentes do sistema logístico global. No entanto,analisando o depósito como um sistema em si mesmo, é preciso definir com clarezaseus objetivos, levando-se em consideração seu papel no sistema logístico global daempresa. Para isso, deve-se definir os seus principais componentes, feitos emseguida.4.1.1 Operação de RecebimentoOs objetivos do componente recebimento do armazém são: i) retirar a carga doveículo; ii) conferir a mercadoria; iii) efetuar a triagem da mercadoria, anotando azona e a região do destino. Esta última operação acontece nos depósitos quetrabalham com distribuição física de produtos em trânsito, tais como uma empresade transportes, um depósito de grande loja ou organização do ramo de varejo.4.1.2 Operação de Carregamento e DescarregamentoNo estudo desse componente ou subsistema, alguns aspectos devem serabordados: i) característica da carga a ser descarregada; ii) equipamento e pessoalnecessário pra realizar a descarga de um veículo do tipo padrão; iii) número, arranjoe dimensões das posições ou berços de acostamento dos caminhões da doca dedescarga.A doca para recebimento de mercadorias é constituída normalmente por umaplataforma elevada, com aproximadamente 1,20 metro do solo, onde os caminhõesacostam de ré, a 90º (figura 4.6) ou 45º. Figura 4.6 – Caminhão acostado em setor de descarregamento de um depósitoUm aspecto importante nas operações de carga e descarga está associado ao graue tipo de unitização. A unitização corresponde ao agrupamento e arrumação dacarga com volumes menores em unidades maiores, formando invólucros comdimensões mais aproximadas de um paralelepípedo, de forma a dar mais agilizaçãono processo de carga e descarga.Há que se fazer uma distinção entre os termos invólucro e embalagem. SegundoAlvarenga & Novaes (2001), o termo embalagem está mais próximo ao marketing,envolvendo aspectos mais subjetivos e estéticos que têm como objetivo atrair oconsumidor. O termo invólucro refere-se ao contexto puramente logístico e detransportes, visando melhorar o nível de serviço do sistema e sua redução de custo.Para cargas secas não granelizadas, incluindo-se os produtos manufaturados,sacarias, bebidas e outros, o transporte e a movimentação se faz normalmenteconforme três tipos mais usados de acondicionamento: i) invólucros diversificados,como caixas de madeira, papelão, metal e plástico, sacas e tambores (figura 4.7); ii)paletes ou estrados (figura 4.8) e iii) contêineres (figura 4.9).
  37. 37. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. (a) (b) (c) (d)(e) Figura 4.7 – Invólucros em caixa de papelão cintadas (a), em filme PVC (b), em sacos (c), em big bag (d) e em tambores (e) (Fonte: de “b” a “e”, BOSCH, s.d.) Figura 4.8 – Alguns modelos de paletes (Fonte: Incomade, 2007) Figura 4.9 – ContêineresNo final do processo, as mercadorias, após serem devidamente preparadas erotuladas para serem distribuídas ou transportadas, são encaminhadas a uma docapara o seu embarque no veículo de transporte. O processo de carregamento (figura4.10) e despacho do veículo constitui outro componente do sistema. Figura 4.10 – Caminhões acostados em setor de carregamento de depósitos
  38. 38. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr.4.1.3 MovimentaçãoDepois da operação de recebimento das mercadorias elas devem ser deslocadasaté o local onde devem ser armazenadas. Existe uma grande quantidade deequipamentos mecânicos para o manuseio de grande variedade de tamanhos,formas, volumes e pesos de mercadorias. Os tipos mais comuns são: i)empilhadeiras, empilhadeira manual e tratores (figura 4.11a, b e c); ii)transportadores e esteiras (figura 4.11d); iii) guinchos, pórticos e pontes rolantes(figura 4.12).Na maioria dos casos a movimentação é feita com auxílio de uma empilhadeira(figura 4.11a). Posteriormente, elas devem, novamente, ser deslocadas até o pontoonde se consolidam as cargas para o carregamento. (a) (b) (c) (d)Figura 4.11 – Equipamentos de movimentação: empilhadeira (a), empilhadeira manual (b) trator (c) e esteira (d) (a) (b) (c) Figura 4.12 – Equipamentos de movimentação: ponte rolante (a) e pórtico (b) e guincho (c)
  39. 39. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. MANUAL DE LOGÍSTICA – EMBALAGEMUm dos pontos mais determinantes para a realização de uma logística eficiente, com impacto diretoem praticamente toda a cadeia, diz respeito à padronização de embalagens. Tendo tal fato em vista,foram definidos vários tipos de embalagens padrão que serão detalhados a seguir.Os tipos e sistemas de embalagens foram definidos a partir de diferentes critérios: ecológicos,econômicos e quantitativos. As embalagens, de maneira geral, devem ser suficientemente robustaspara acomodar os itens, impedindo que sejam danificados durante o transporte e, ao mesmo tempo,que sejam capazes de ser levados diretamente às linhas de produção sem a necessidade demanuseio.Os seguintes princípios devem ser observados:  Evitar cargas soltas;  A embalagem não deve ser maior ou mais elaborada que o essencial para proteger os itens (superdimensionada);  Deve servir para acomodação das peças e proteção contra intempéries;  O uso de materiais para acomodação interna dos itens deve ser minimizado (Ex: isopor, papel, plástico-bolha, etc.);  Quando do uso de embalagens descartáveis ou recicláveis, esses materiais devem estar devidamente identificados de acordo com as normas e padrões dos serviços de reciclagem e retorno de embalagens;  Uso de materiais do mesmo tipo;  É mandatório o uso de embalagens retornáveis para os fornecedores nacionais.  Embalagens retornáveis (ex: paletes PBR, caixas tipo "KLT") passíveis de agrupamento/intercâmbio (passíveis de trocas universais entre os agentes de carga, fornecedores e clientes) devem ser preferidas;  As embalagens retornáveis devem possibilitar o seu completo esvaziamento/drenagem,
  40. 40. LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. assim como apresentar facilidade de limpeza;  A cor das embalagens retornáveis de propriedade do fornecedor deverá ser azul “RAL 5012”. Para facilitar a identificação da propriedade das embalagens, em geral, todas deverão possuir o nome e ou logotipo do fornecedor gravado em local de fácil visualização. Para os paletes, a gravação deverá estar na sua lateral;  Materiais a granel devem vir acondicionados sobre paletes e cintados de forma segura;  Quando as peças ou produtos apresentarem características ou superfícies críticas quanto à qualidade ou operação, deverão vir com proteçÀ

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