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LIPMAN, Matthew. O pensar na Educação. Petrópolis: Vozes,1995.______________. A Filosofia vai à escola. São Paulo: Summus,...
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Práticas performáticas nas relações educativas

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Práticas performáticas nas relações educativas

  1. 1. A Filosofia na escola: uma visão e uma proposta Filosofia na escola é tema recorrente na educação. Sabe-se da importânciado pensamento filosófico e o quanto a disciplina colabora na elucidação do saber.Contudo, é notório o quanto se negligencia a qualidade desse conhecimento. Nessesentido, o presente texto tem por objetivo expor a visão de Yves de La Taille sobrefilosofia na construção da moral e da ética e uma proposta metodológica por parte donorte-americano Matthew Lipman do uso da disciplina na sala de aula através dodiálogo investigativo.A visão de Yves de La Taille Yves de La Taille, francês radicado no Brasil, professor do Instituto dePsicologia da Universidade de São Paulo, especialista em Psicologia Moral, em seulivro Formação Ética: do tédio ao respeito de si, reflete sobre os desdobramentos dapalavra ética no cotidiano levando em consideração os frágeis sentidos da vida quea sociedade vive na atualidade. Em contraposição, propõe uma educação quepossibilite a construção de uma “cultura do sentido” através das reflexões sobremoral e ética. Sua principal contribuição revela-se na discussão da moral e da ética. Aidentificação do SER e, a partir dessa constituição de caráter individual, aconscientização deste SER a partir de questionamentos pertinentes sobre afelicidade e como alcançá-la permeiam a definição dos termos moral e ética na suaobra. O autor coloca a moral atrelada à ação dos indivíduos uma vez que esta serealiza no cumprimento dos deveres em respeito à dignidade humana. Tal embateentre a vontade e as regras determina a conduta dos indivíduos que, de fato, éimprescindível nas relações humanas. No tocante à ética, expressa a reflexão sobrea felicidade, ou seja, de que maneira alcançá-la de forma a tornar a “vida boa” esignificativa. Decorre de suas incursões na temática a preocupação com o locus dodesenvolvimento do juízo moral: a escola. Esta não deve, somente, viabilizar osconteúdos formais. Neste ínterim, deve valorizar os conteúdos da moral de modo adesenvolver o que para o autor se denomina sensibilidade moral. Ora, mas de quemaneira? No dia-a-dia, na identificação – no corpo político-pedagógico do projetoeducacional – dos valores e princípios norteadores do funcionamento da instituição.
  2. 2. Um ponto importante destacado pelo autor é a sua proposta de aulas deFilosofia. Constata inicialmente que poucas escolas têm esta disciplina no currículoescolar1 e que já foi considerada uma disciplina nobre que, aos poucos, foiabandonada pelos elaboradores dos currículos. É considerada perda de tempo porum mundo que demanda velocidade e praticidade, afinal, a modernidade presentificaos indivíduos. Ora, para que pensar se as coisas já estão dadas? Invariavelmente, omundo assiste a um mal estar ético e moral por conta da superficialidade dasrelações. O desenvolvimento do juízo moral está comprometido. Justamente nesteponto que La Taylle revela sua preocupação com a educação moral dos indivíduosna escola tomando o cuidado de propor aulas de Filosofia na escola sem reduzi-las àtarefa da Educação Moral. Tanto que adverte e propõe: “não estou propondo que as aulas de Filosofia equivalham a aulas de educação moral (...). Estou apenas propondo duas coisas. A primeira: que aulas de Filosofia estejam presentes no currículo (a partir do Ensino Médio). A segunda: que, entre outros temas, os professores dêem destaque para a ética e a moral, tanto e tão bem trabalhadas ao longo dos séculos. Assim, ao apresentarem a seus alunos essa ampla área do conhecimento, os professores certamente ajudarão na formação do juízo moral desses jovens” (LA TAYLE, 2009: 244). Faz-se perceber, a partir da citação, a preocupação do autor, que não bastatrabalhar conteúdos de disciplinas corriqueiras. Por outro lado, a apresentação dopensamento humano sobre o assunto através dos séculos pode ajudar os indivíduosa pensar sobre a felicidade e sua busca. Portanto, a escola - enquanto instituição apta a educar para a cidadaniaresponsável – deve ser o local da promoção de uma educação, não somente para alógica formal das Ciências Exatas, das constatações da Natureza ou das verificaçõeshistóricas e espaciais. Deve contemplar, também, o pensamento e a reflexão sobre oSER, a felicidade, a conduta virtuosa, das obrigatoriedades inerentes à cidadania,enfim, da construção do juízo e sensibilidade moral. Apesar da coerência e pertinência demonstrada por Yves de La Tayle,gostaríamos de apresentar uma proposta concreta de Filosofia na escola idealizadapor Matthew Lipman. O contraponto se dará, em primeiro lugar, pela metodologiaproposta e abrangência, ora denominada Filosofia para Crianças e pelo formatodidático-pedagógico calcado na dialogia.1 Apesar que, atualmente, muitas escolas utilizem programas de Filosofia, como a proposta deLipman e sua Filosofia para crianças e da obrigatoriedade do ensino de Filosofia no Ensino Médio porforça da lei Federal nº 11.684/08, sancionada pelo vice-presidente da República, José Alencar.
  3. 3. A proposta de Matthew Lipman. Um pensador norte-americano imaginou um dia que crianças e jovensdeveriam aproveitar parte do tempo escolar cultivando a arte de pensar. Propôs,então, um trabalho com Filosofia entendendo que esta seria a ferramenta ideal parasuprir essa lacuna educacional tão importante. Justifica apoiando-se num modelo deeducação para o futuro onde a práxis é destaque. Defende, para tanto, a idéiaheurística (investigação, pesquisa) porque acredita que a pura e simples discussãocom palavras não leva à raiz das coisas. Estamos esboçando, aqui, o início dasidéias de um autor. Mas quem é Matthew Lipman? Matthew Lipman, criador do Programa de Filosofia para Crianças, nasceu nosEstados Unidos. Educador e Filósofo, na década de 60 lançou as bases teóricas doseu programa preocupado com o baixo rendimento intelectual dos seus alunos.Juntamente com Ann Margareth Sharp, pedagoga, fundou o Institute for theAdvancement of Philosophy for Children (IAPC) vinculado à Universidade deMonclair, New Jersey (1974). Demonstrando ser uma prática promissora,disseminou-se pelo mundo chegando, inclusive, ao Brasil trazida, em1984, CatherineYoung Silva. Em A Filosofia vai à escola (Lipman, 1990: 61) ele diz: O fazer Filosofia exige conversação, diálogo e comunidade, que não são compatíveis com o que se requer na sala de aula tradicional. A Filosofia impõe que a classe se converta numa comunidade de investigação, onde estudantes e professores possam conversar como pessoas e como membros de uma mesma comunidade; onde possam ler juntos, apossar-se das idéias conjuntamente, construir sobre as idéias dos outros; onde possam pensar independentemente, procurar razões para seus pontos de vista, explorar suas pressuposições; que possam trazer para suas vidas uma nova percepção do que é descobrir, inventar, interpretar e criticar. Filosofia e Pensamento andam juntos. Afinal de contas, pensamento éarticulação das idéias para produção do conhecimento e Filosofia, cultivo dasabedoria, ou a arte do bem pensar. O pensamento busca os signos e oconhecimento a verdade. Segundo Arendt o pensamento pode e deve serempregado na busca do conhecimento (ARENDT, 2000: 48). Marilena Chauí, no seu livro Convite à Filosofia, relata que o pensamento éuma atividade pela qual a consciência ou a inteligência coloca algo diante de si paraatentamente considerar, avaliar, pesar, equilibrar, reunir, compreender, escolher e lerpor dentro (Chauí, 1994: 153). John Dewey, um dos grandes referenciais daeducação e um dos pais da Filosofia pragmática americana, propõe o pensamento
  4. 4. reflexivo como ideal porque, necessariamente, ele nos remete ao esforço intencionalpara a descoberta de relações entre as coisas. Logo, se dá na relação do indivíduocom o meio. Lipman, aproveitando a teoria desenvolvida por Dewey, percebeu quepoderia transportar várias idéias para seu programa de Filosofia para crianças. Doisaspectos, nesse ínterim, chamou a atenção:  Ampliação do leque de pensamentos para além do reflexivo (quetambém é constitutivo de um bem pensar): crítico, radical, abrangente, autônomo,criativo e rigoroso;  A investigação filosófica proporcionaria uma reflexão crítica sobre opróprio pensar (metacognição) e sobre como pensar melhor. Portanto, acreditava que, educando crianças e jovens a partir da indumentáriafilosófica, em especial Teoria do Conhecimento e Lógica, seria possível desenvolveruma forma de pensamento mais crítico, criativo e cuidadoso. Desses conceitos é quenasce o Programa de Filosofia para Crianças segundo a proposta de Educação parao Pensar. Mas a que “pensar” estamos nos referindo? É um pensar qualquer?Lipman responde a partir de algumas características inerentes ao pensamento quedeve ser trabalhado na escola: o pensar crítico, criativo e cuidadoso. O pensar crítico, criativo e cuidadoso implica num pensar mais complexo.Quando uma pessoa reúne essas características ela pensa melhor. Isso significapensar governado por critérios de forma crítica, razoável, sensível ao contexto edisposta à autocorreção. Em Educação para o Pensar, Lorieri arremata a idéia dascaracterísticas de um bom pensar afirmando que a Educação para o pensar é uma proposta que tem como fio condutor o trabalho investigativo (em suma, dialógico) com temáticas próprias da Filosofia e também uma maneira própria de trabalhar essas temáticas, que é o método reflexivo, crítico, criativo e cuidadoso (Lorieri, 2002: 14). Vejamos, sinteticamente, as características de cada um desses tipos:  Pensamento crítico: é aquele cujo objetivo é produzir boas razõespara a produção de bons juízos e está disposto a ser autocorretivo. Razoabilidade,sensibilidade ao contexto e criteriosidade são suas principais características;  Pensamento criativo: é aquele que procura, a partir das idéias,estabelecer novas relações. Necessariamente é inventivo, aberto às novaspossibilidades e não fica em si mesmo;  Pensamento cuidadoso: por prezar a Ética, preocupa-se com asconseqüências, com os outros e com as coisas.
  5. 5. Completando o quadro até aqui exposto, destacamos o pensamento rigoroso,radical e abrangente como integrantes do pensar complexo. Enfim, reflexão e autonomia de pensamento perfazem a tônica da proposta deLipman. Só que, para a consecução de tais, habilidades básicas devem serdesenvolvidas para o desenvolvimento da competência do pensar competente. Conclusões: É importante ressaltar que Yves de La Taille esboça uma idéia do papel que aescola deve exercer na sociedade, uma vez que esta sofre com o que ele denomina“cultura da vaidade” que menospreza os valores básicos de convivência socialpotencializando o cosmos da competição, desrespeito e frivolidade. Sua idéia detrabalhar a Filosofia na escola de modo a contemplar os pensamentos que já foramproduzidos pela humanidade e cultivar a intelectualidade encontra eco na atualconjuntura nacional. Entretanto, sua restrição à implementação da disciplina apenasno Ensino Médio – porque julga os indivíduos nesta faixa etária maduros para acompreensão da complexidade dos pensamentos dos mais diversos filósofos –restringe um público que, também, pode ter aulas de Filosofia: o EnsinoFundamental. Para embasar esse argumento é que apresentamos os estudos etrabalhos desenvolvidos por Lipman (citação) e sua proposta de Filosofia baseada nodiálogo investigativo. A máxima kantiana de que não se ensina Filosofia e sim afilosofar atesta a proposta lipmaniana colocando os alunos como atores principais dofilosofar. Neste sentido, Filosofia na escola constitui, mais do que maturidadeintelectual: implica em ação dialógica na busca de aprofundamento de conceitos.Com efeito, acreditamos que, mediante a proposta de Lipman, a construção do saberfilosófico e do juízo moral através da dialogia pode auxiliar na construção daautonomia moral.Bibliografia:ARENDT, Hannah. A vida do Espírito: o pensar, o querer, o julgar. Rio de Janeiro:Ed. Relume-Dumará, 2000.CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.DEWEY, John. Democracia e Educação. 3. ed. São Paulo: Nacional, 1959.LA TAILLE, Yves. Formação Ética: Do tédio ao respeito de si. Porto Alegre: Artmed,2009.
  6. 6. LIPMAN, Matthew. O pensar na Educação. Petrópolis: Vozes,1995.______________. A Filosofia vai à escola. São Paulo: Summus,1990.LORIERI, M. A. Educação para o pensar. São Paulo. Thomsom, 2002.

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