Capítulo 1 de daniel

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Capítulo 1 de daniel

  1. 1. O livro de Daniel tem um ponto de partida e suas profecias, reveladas pelo anjoGabriel, começam em Babilônia, passando à Medo-Pérsia, Grécia, Roma, destruição doimpério romano, Igreja apóstata romana, o julgamento de Deus no Céu, o fim de todasas coisas e culminando com a volta de Cristo.Capítulo 1 de DanielO estudo verso a verso do livro de Daniel tem como objetivo revelar a história destejovem hebreu que, com 18 anos de idade, foi levado preso à Babilônia e se tornouoficial do governo do Império Babilônico comandado pelo Rei Nabucodonosor, sob abênção e direção de Deus.O livro também nos revela como Deus protegeu e abençoou a vida deste jovem que foisempre fiel aos princípios bíblicos. Foi usado pelo Senhor para revelar o significado demuitas profecias e nos dar grandes lições sobre o trato de Deus com os governantes enegócios deste mundo e Sua soberania na condução da História.O livro é dividido em duas partes: os capítulos de 1 a 6 revelam a parte histórica e oscapítulos de 7 a 12 a parte profética. Os primeiros seis capítulos apresentam o conflitosobrenatural entre as forças do bem e do mal. Os demais revelam a tentativa humana deestabelecer um domínio mundial, perseguindo-se inclusive o povo de Deus.Vale lembrar que este estudo é livre de qualquer opinião pessoal ou interpretaçõesreligiosas. Todos os significados de versos, datas e símbolos são retirados da própriaBíblia, confirmados pela história da humanidade.As palestras serão ministradas semanalmente pelo advogado Mauro Braga e os textosredigidos pela jornalista Graciela Érika Rodrigues.Quem foi Daniel?Daniel era um jovem hebreu a quem Nabucodonosor, rei do império babilônico, levoucomo escravo de Jerusalém para Babilônia, no ano 605 a.C. no início dos setenta anosde cativeiro do povo de Israel.Junto à corte do rei, Daniel e mais três amigos hebreus destacaram-se por seusconhecimentos gerais. Deus permitiu que Daniel e seus companheiros fossem levadospresos à Babilônia para que, vivendo em uma nação de idólatras, pudessem representaro Seu caráter.Nascido de uma família judaica de alto nível e exilado para a Babilônia no fim de suaadolescência, durante toda sua vida adulta Daniel desempenhou tarefas de estadista econsultor governamental.Os contatos diários com a política internacional fizeram com que seus escritosassumissem características de extraordinária praticidade. Foi, sem dúvida, marcante aforma como Deus conduziu as coisas, de tal modo que esse jovem prisioneiro viesse atornar-se o principal conselheiro do próprio rei que o levara para o cativeiro.Daniel 1:1 - No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor,
  2. 2. rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou.Nabucodonosor invadiu Jerusalém pela primeira vez no ano 605 a.C. Nos anos 597 e586 a.C. seus exércitos invadiram a palestina novamente, sendo que nesta últimaocasião, a cidade de Jerusalém foi destruída, inclusive o templo de Salomão. Daniel eseus companheiros estavam entre os presos da primeira invasão (605.a.C.).Daniel 1:2 - O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dosutensílios da Casa de Deus; a estes, levou-os para a terra de Sinar, para a casa do seudeus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus.Após décadas de advertências, o Senhor permitiu a escravidão de Israel a fim de queSeu povo pudesse experimentar a diferença entre servir o Deus verdadeiro e servir aopaganismo. Também como punição pelas constantes apostasias de Israel.Na época, o povo de Deus vivia em total desobediência (Deut. 28-30). Os moradores deJudá se achavam tragicamente cauterizados em seus pecados.Muitos foram os pecados de Israel. Estes são revelados pelo profeta Jeremias nosversos: 9:14; 17:19-27; 22:1-5; 28.Resumidamente foram: desonestidade, injustiça com os pobres, assassinato,transgressão do sábado, perseguição aos verdadeiros profetas, manifestação de favorespara com os profetas que prometiam prosperidade sem condenar simultaneamente opecado, e a adoração a Baal. A adoração a Baal envolvia uma série de “preferênciassexuais” – antes do casamento, fora do casamento, homossexual e bestial.Até mesmo depois de “entregar” os judeus a seus inimigos, Deus lhes concedeu umanova oportunidade. Prometeu que, depois de 70 anos de cativeiro, Ele tomariaprovidências para tornar possível o regresso deles à sua terra natal (Jeremias 25:11-12;29:1).Mesmo depois da haver “entregue” o reino de Judá como um todo, Deus permaneceu aolado de Daniel como indivíduo. Deus tinha em mente que seu povo se tornasse “luz dosgentios”. O Senhor almejava que eles testemunhassem perante outras nações acerca deSua bondade e da sabedoria de Suas leis.Foi o Senhor quem entregou Israel nas mãos de Nabucodonosor. O rei, porém, atribuiua seus deuses a vitória sobre Jerusalém; até colocou uma parte dos vasos sagrados dotemplo na casa do seu próprio deus, como reconhecimento da vitória obtida sobre oDeus de Israel. O principal deus da Babilônia era “Marduk”.O fato dos hebreus estarem cativos em Babilônia, e de os vasos da casa de Deus teremsido postos no templo dos deuses de Babilônia, era orgulhosamente citado pelosvencedores como evidência de que sua religião e costumes eram superiores à religião ecostumes dos hebreus.Daniel 1:3 - Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dosfilhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres,
  3. 3. Daniel 1:4 - jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda asabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentespara assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus.Daniel 1:5 - Determinou-lhes o rei a ração diária, das finas iguarias da mesa real edo vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dosquais assistiriam diante do rei.Daniel 1:6 - Entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael eAzarias.Entre os presos foram escolhidos alguns “jovens sem nenhum defeito”, para que fossemeducados para ocupar importantes posições no governo de Nabucodonosor.Com objetivo de serem plenamente capacitados para a carreira, o rei deu ordens paraque aprendessem a cultura e a língua dos caldeus e que, por três anos, lhes fossemasseguradas as vantagens incomuns da educação fornecida aos príncipes do reino.Jerusalém ficava a aproximadamente 1.500 quilômetros de Babilônia. ProvavelmenteDaniel teve que andar a pé ao longo dessa estrada, acompanhando o exército, numamédia de 25 quilômetros por dia.Isso significa que a viagem deve ter durado aproximadamente dois meses. A primeiravisão que se tinha, ao longe, da cidade era exatamente a Torre de Babel.Daniel 1:7 - O chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel, o deBeltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o deAbede-Nego.Os nomes de Daniel e seus companheiros foram mudados para nomes querepresentavam divindades caldéias. Os hebreus tinham o costume de dar nomes aos seusfilhos com significados especiais, normalmente nomes que representavam traços decaráter.O nome Daniel significava “Deus é o meu juiz”; o de Ananias “Dom do Senhor”;Misael significava “Aquele que pertence a Deus” e Azarias quer dizer “Quem Jeováajuda”.O rei não compeliu os jovens hebreus a renunciarem a sua fé em favor da idolatria, masesperava alcançar isto gradualmente. Dando-lhes nomes significativos de idolatria,levando-os diariamente à íntima associação com costumes idólatras e sob a influênciade sedutores ritos do culto pagão, ele esperava induzi-los a renunciar à religião de suanação e unir-se ao culto dos babilônios.Tendo chegado ao colégio, os jovens descobriram que deveriam comer o alimento ebeber o vinho que se servia na mesa do rei. Nabucodonosor pensava estar fazendo omelhor possível pelo bem-estar deles. Mas ocorre que a maior parte daquela comida eraoferecida aos ídolos de Babilônia.O ato de comê-la constituía uma espécie de comunhão com os falsos deuses (Êxo.
  4. 4. 34:15; I Cor.8:7; 10:14-22). Ingerir aquela comida era como oferecer homenagens aosdeuses de Babilônia. Participar dos alimentos do rei, significava estar ao lado dopaganismo e desonrar os princípios da lei de Deus.Por outro lado, Daniel e seus amigos sabiam que suas faculdades físicas e mentaisseriam afetadas pelo uso do vinho (Lev.10:1-11).Daniel 1:8 - Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguariasdo rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhepermitisse não contaminar-se.Daniel poderia ter encontrado diversas desculpas plausíveis para violar osprincípios divinos, mas não hesitou. A aprovação de Deus é mais importante doque os favores do rei. Ele decidiu permanecer firme em sua integridade, apesar dasconseqüências.Daniel 1:9 - Ora, Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte dochefe dos eunucos.Daniel 1:10 - Disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei,que determinou a vossa comida e a vossa bebida; por que, pois, veria ele o vossorosto mais abatido do que o dos outros jovens da vossa idade? Assim, poríeis emperigo a minha cabeça para com o rei.Daniel 1:11 - Então, disse Daniel ao cozinheiro-chefe, a quem o chefe dos eunucoshavia encarregado de cuidar de Daniel, Hananias, Misael e Azarias:Daniel 1:12 - Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias; e que se nos dêemlegumes a comer e água a beber.Daniel 1:13 - Então, se veja diante de ti a nossa aparência e a dos jovens quecomem das finas iguarias do rei; e, segundo vires, age com os teus servos.Daniel 1:14 - Ele atendeu e os experimentou dez dias.Daniel 1:15 - No fim dos dez dias, a sua aparência era melhor; estavam eles maisrobustos do que todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei.Daniel 1:16 - Com isto, o cozinheiro-chefe tirou deles as finas iguarias e o vinhoque deviam beber e lhes dava legumes.Daniel mostrou que tinha integridade de caráter, mantendo-se fiel a Deus e aosprincípios aprendidos em sua infância, mesmo em terra estranha e sob a influência dosprincípios pagãos. Quantos transgridem os princípios de conduta para não serem malvistos pelos amigos ou pela sociedade!É importante observar que os jovens não permitiram que sua fidelidade nas convicçõesos tornasse arrogantes e descorteses. De modo muito polido, solicitaram ao chefe doseunucos que lhes concedesse uma simples dieta vegetariana durante 10 dias.
  5. 5. Daniel 1:17 - Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligênciaem toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões esonhos.Daniel 1:18 - Vencido o tempo determinado pelo rei para que os trouxessem, ochefe dos eunucos os trouxe à presença de Nabucodonosor.Daniel 1:19 - Então, o rei falou com eles; e, entre todos, não foram achados outroscomo Daniel, Hananias, Misael e Azarias; por isso, passaram a assistir diante dorei.Daniel 1:20 - Em toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que o rei lhesfez perguntas os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos eencantadores que havia em todo o seu reino.Nos tempos bíblicos a palavra profeta não significava meramente uma pessoa capaz depredizer o futuro. Certamente os profetas bíblicos predisseram o futuro, e prediçõeseram a especialidade de Daniel; mas a palavra profeta significa basicamente “umapessoa que fala em nome de outra”.Os profetas da Bíblia falavam em nome de Deus. Eles tinham de comunicar a outrosqualquer mensagem que, através do Espírito Santo, Deus lhes enviasse.Por sua fidelidade, os quatros jovens foram altamente recompensados por Deus. O reihavia estipulado prazo para que os jovens aprendessem “a cultura e a língua doscaldeus”. Ao final do prazo, o rei em pessoa os submeteu a um teste geral.O resultado foi que eles alcançaram avaliação dez vezes melhor do que a dos demaissábios do reino. Em razão disso, imediatamente eles “passaram a assistir diante do rei”,ou seja, receberam posições de responsabilidade no governo. Esse conhecimento não foiobra do acaso. Foi o resultado de estudo sob a orientação divina.É bom lembrar que, entre os sábios da antiguidade, destacava-se Confúcio que até hojeé respeitado como um grande filósofo. Ele foi contemporâneo de Daniel (551-479 a.C.).Portanto, na corte de Babilônia estavam reunidos representantes de todas as terras,homens do mais alto talento e dotados da cultura mais vasta que o mundo poderiaoferecer; não obstante, entre todos eles, os jovens hebreus não tiveram competidor.Para obter a graça de Deus, precisamos desempenhar nossa parte. Sua graça é dada paraoperar em nós o querer e o efetuar, mas nunca como substituto de nosso esforço.Assim como Deus chamou Daniel para testemunhar por Ele em Babilônia, Ele noschama para sermos testemunhas Suas no mundo hoje. Tanto nos menores como nosmaiores negócios da vida, Ele deseja que revelemos aos homens os princípios do Seureino.
  6. 6. Muitos estão esperando que uma grande obra lhes seja levada, ao mesmo tempo queperdem diariamente oportunidades para revelar fidelidade a Deus nas pequenas coisas.Daniel foi fiel em tudo, e Deus o abençoou.Daniel 1:21 - Daniel continuou até ao primeiro ano do rei Ciro.Daniel viveu na Babilônia até 538 a.C., ou seja, aproximadamente a época em quese cumpriram os setenta anos da profecia de Jeremias 29:10.Uma das primeiras providências de Ciro, após a tomada de Babilônia, foi a emissão deum decreto que permitia a todos os exilados e descendentes o retorno a suas respectivaspátrias de origem, se assim o desejassem.Desse modo, não apenas aos judeus, como também aos demais povos que haviam sidoescravizados por Nabucodonosor, foi concedida a liberdade.Mais tarde Ciro permitiu também que retornassem aos seus países de origem todos osdeuses que haviam sido tomados por Nabucodonosor. No caso dos judeus, queevidentemente não possuíam uma imagem do Deus verdadeiro como objeto deadoração, este decreto significou o retorno de todos os utensílios sagrados do templo eaté mesmo a promessa de reconstruir o templo de Jerusalém às expensas do Império.Daniel viveu por muito mais tempo ainda. Sua última visão está datada com o terceiroano do reinado de Ciro (Dan.10:1), sendo que nessa ocasião o profeta deveria estar comaproximadamente 87 anos de idade. Nessa ocasião, o profeta Daniel já se encontravademasiadamente idoso para valer-se da oportunidade de retornar à Palestina.Este capítulo mostra Deus em ação. Deus “entrega” os judeus com o propósito de abrir-lhes os olhos para as conseqüências de sua rebelião. O objetivo era conduzi-los a ummelhor estilo de vida.Deus “concedeu” a Daniel o auxílio necessário para transformar um jovem exilado numcompetente administrador público e conselheiro.Por meio dos quatro jovens hebreus, Deus pôde cumprir Seu propósito. A vida deDaniel e seus companheiros é uma demonstração do que o Senhor fará pelos quebuscam de todo o coração realizar o Seu propósito.

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