O Mar na Literatura Portuguesa«O mar enrola na areia ninguém sabe o que ele diz bate na areia e desmaia porque se sente fe...
O Mar…   Tema que percorre a pintura, a fotografia, a música,                                                 a literatura…
O Mar na Literatura Portuguesa               O tema do mar faz parte da          literatura portuguesa desde sempre;      ...
«O Mar: obsessão temática na literatura portuguesa»                                                             (Loução)  ...
“O mar é nostalgia, intensa saudade,a divina loucura de encontrar uma glória com sabor a céu.”
“O português é sensível por natureza;  o mar entra-lhe pelo coração dentro, aquece-lhea alma e transporta-o para o mundo d...
Desde o início da Idade Média (sécs. XII a XIV), no lirismodas Cantigas de Amigo - e mais especificamentecom as Barcarolas...
O sujeito poético é sempre uma donzela apaixonada que faz do mar confidente;da margem, vê o barco com o seu amado deslizar...
É ainda um mar que se contempla do lado de fora, é um mar costeiro e contemplativo, que preenche              a paisagem e...
Ondas do mar de Vigo,       se vistes meu amigo? E ay Deus, se verrá cedo!       Ondas do mar levado     se vistes o meu a...
Como vimos anteriormente, o mar foi inspiração poética de trovadores que oconjugaram com o amor e que nunca mais deixou de...
A partir do séc. XVI, o mar desdobra-se sob vários aspetos e surge entrelaçado        com outros temas já caros ao nosso i...
Por exemplo, o escritor Fernão Mendes Pinto,                                               que permaneceu 21 anos no Orien...
Ele torna-se soldado, marinheiro, embaixador, náufrago, é vendidocomo escravo, torna-se padre, conhece São Francisco Xavie...
Dessas memórias, fazem parte as histórias de       piratas e corsários (os “cães do mar”).• Pirata / Corsário:   Os pirata...
O marinheiro inglês Sir Francis Drake é armado cavaleiro                       pela rainha Isabel I em 1581. Tinha acabado...
Sir Francis Drake
James Lancaster (diretor da Companhia das Índias), Martin Tromp,Duguay-Trouin (almirante e comandante na Ordem de S. Luís)...
Igualmente, Fernão Mendes Pinto refere, na sua Peregrinação, que em inícios do séc. XVI, era um perigo permanente navegar ...
A História Trágico –Marítima é uma outra obra que relata trágicas viagens marítimas. Conta, entre outras terríveis aventur...
Muitos foram morrendo: de exaustão, por se perderem, comidos pelas feras… Um dos desaparecidos foi um dos filhos de   Sepú...
Passados dois dias, aparecem os Cafres (infiéis, nativos de África),    que lhes batem com violência e os despem completam...
D. Leonor S., envergonhada, fez uma cova na areia, enfiou-se nela e cobriu-se com                    os cabelos. Acabou po...
Depois, levantou-se,           não disse uma palavra e          meteu-se pelos matagais       dentro.         Nunca mais n...
Considerada uma das maiores obras da literatura portuguesa,   Os Lusíadas (1572), narrativa épica de Luís de Camões, faz a...
«(…) Já no largo Oceano navegavam,As inquietas ondas apartando …Quando os deuses no Olimpo luminoso …Se ajuntam em consíli...
(…) O padre Baco ali não consentiaNo que Júpiter disse…Sustentava contra ele Vénus bela,Afeiçoada à gente Lusitana,…(…) O ...
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Pré-romantismo
Romantismo vs pré-romantismo
«Amo o vento e o mar»                     (Alexandre Herculano), in Eurico, o Presbítero             «Eu amo o sopro do ve...
Lenda recolhida por Almeida Garrett, a qual contaa viagem da nau portuguesa que, em 1565, transportavaJorge de Albuquerque...
Lá vem a nau CatrinetaQue tem muito que contar!Ouvide, agora, senhores,Uma história de pasmar.                            ...
-Todas três são minhas filhas,Oh! quem mas dera abraçar!       "Não quero a nau CatrinetaA mais formosa de todas          ...
O poema “A Nau Catrineta” tem inspirado vários escritores e músicos. Além daversão com final feliz interpretada por Fausto...
Espuma          Mais leve que a pluma           que no ar balança,           pela praia dança           a ligeira espuma. ...
Ainda no século XIX, outro grande escritor trata o tema do mar e da vida marítima:  Raúl Brandão. Filho e neto de homens d...
«Se fecho os olhos, sinto logo esta mão áspera e enorme que me leva na noitehúmida e cerrada. Não vejo o mar, mas envolve-...
Já no século XX………       …
…são vários os escritores - como o poeta FernandoPessoa (1888-1935) e os seus heterónimos - que usama temática do mar.
Mar PortuguêsÓ mar salgado, quanto do teu salSão lágrimas de Portugal!Por te cruzarmos, quantas mães choraram,Quantos filh...
«Ó mar salgado, quanto do teu salSão lágrimas de Portugal! (….)»
E no seguinte poema de Sophia de Mello Breyner Andresen(1919-2004), as sereias fazem tremer os corpos dos presumíveisnáufr...
“Que futuro para os náufragos, para além da morte?”
Sopia de Mello Breyner Andresen é uma escritora/poetisa que, nos seus textos,(e devido às vivências que teve desde a infân...
«Os troncos das árvores doem-me como se fossem os meus ombros           Doem-me as ondas do mar como gargantas de cristal ...
Sophia aborda insistentemente a temática do                       mar na sua obra literária… …. poética:•Mar•Dia do Mar•Co...
Fundo do mar               No fundo do mar há brancos pavores,                      Onde as plantas são animais           ...
O Mar e a Praia     Citando Carlos Ceia, «a praia é sempre o começo do mar e um depósito permanente para armazenar as memó...
«A luz me liga ao mar como a meu rostoNem a linha das águas me dividemergulho até meu coração de gruta» .
Entre muitas obras cujos títulos demonstram a primazia da                     Água, observa-se aquela que refere          ...
Mas muitos outros escritores do séc. XX e XXI trataram otema do mar: como um bem ou um mal, algo atraente ou temeroso,apai...
Vitorino Nemésio (1901-1978)Adolfo Casais Monteiro (1908-1972)     Alves Redol (1911-1969)      Luísa Dacosta (1927 -)    ...
A terminar, um texto de prosa poética de Alexandre Honrado:
O Mar na Literatura Portuguesa                  Semana da Leitura 2013Biblioteca do Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Bar...
Identifica as figuras relacionadas com a vida marinha e as obras do cinema, da BD e da literatura que elas representam.
1. Capitão Haddock – “As Aventuras de Tintin”   2. Nemo – “À Procura de Nemo”3. Capitão Gancho – “Peter Pan”              ...
O mar na literatura port.
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  1. 1. O Mar na Literatura Portuguesa«O mar enrola na areia ninguém sabe o que ele diz bate na areia e desmaia porque se sente feliz.» Assim começam os primeiros versos da canção da nossa infância. O mar, sempre presente na vida de quem dele vive ou de quem dele gosta!
  2. 2. O Mar… Tema que percorre a pintura, a fotografia, a música, a literatura…
  3. 3. O Mar na Literatura Portuguesa O tema do mar faz parte da literatura portuguesa desde sempre; é, sem dúvida, um elemento preponderante ao nível histórico e cultural, que se projeta em toda a literatura portuguesa, nomeadamente, na literatura infanto-juvenil.
  4. 4. «O Mar: obsessão temática na literatura portuguesa» (Loução) “O mar tem um efeito hipnótico;chama-nos para o longínquo, para o mistério, para o desconhecido; desperta o nosso espírito de aventura.”
  5. 5. “O mar é nostalgia, intensa saudade,a divina loucura de encontrar uma glória com sabor a céu.”
  6. 6. “O português é sensível por natureza; o mar entra-lhe pelo coração dentro, aquece-lhea alma e transporta-o para o mundo dos sonhos.” (Loução)
  7. 7. Desde o início da Idade Média (sécs. XII a XIV), no lirismodas Cantigas de Amigo - e mais especificamentecom as Barcarolas ou Marinhas - que fazemparte da designada «Poesia Trovadoresca»,encontramos o primeiro suporte escritode temática marítima.
  8. 8. O sujeito poético é sempre uma donzela apaixonada que faz do mar confidente;da margem, vê o barco com o seu amado deslizar pelas águas e lamenta-se; ou,durante a ausência do apaixonado, pede às ondas notícias dele ou, ainda, ansiosa,vai esperar os navios que chegam para o tornar a ver:
  9. 9. É ainda um mar que se contempla do lado de fora, é um mar costeiro e contemplativo, que preenche a paisagem e inspira o trovador nas suas confissões amorosas.
  10. 10. Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo? E ay Deus, se verrá cedo! Ondas do mar levado se vistes o meu amado? E ay Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro? E ay Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amado,Por que ay grande coydado? E ay Deus ,se verrá cedo! (Martin Codax)
  11. 11. Como vimos anteriormente, o mar foi inspiração poética de trovadores que oconjugaram com o amor e que nunca mais deixou de ser cantado. Porém, é com o alvorecer do séc. XVI, quando a literatura portuguesa se enriquece com novastemáticas, que o mar passa a ser cenário e tema principal de muitas composições literárias.
  12. 12. A partir do séc. XVI, o mar desdobra-se sob vários aspetos e surge entrelaçado com outros temas já caros ao nosso imaginário: saudade, cântico heroico, mística religiosa, simbologia, imagem do infinito… O Mar torna-se então uma constante literária.
  13. 13. Por exemplo, o escritor Fernão Mendes Pinto, que permaneceu 21 anos no Oriente, escreveu a obra Peregrinação, onde conta as suas aventuras.Embarcara num navio rumo ao Oriente, em1537 e, a partir daí, a sua peregrinação tem início,passando por praticamente todos os entrepostos portugueses, à época, naquela partedo mundo, fazendo de tudo um pouco como um legítimo aventureiro:
  14. 14. Ele torna-se soldado, marinheiro, embaixador, náufrago, é vendidocomo escravo, torna-se padre, conhece São Francisco Xavier noJapão, torna-se rico ao participar no lucrativo comércio português naárea, sendo dono de escravos, presenciando ao mesmo tempo odesenrolar de muito da história de vários territórios asiáticos. Fernão Mendes Pinto passou os dias da velhice a escrever as suas memórias.
  15. 15. Dessas memórias, fazem parte as histórias de piratas e corsários (os “cães do mar”).• Pirata / Corsário: Os piratas atacavam por conta própria. Já os corsáriosatuavam em nome de um rei, atacando navios de países inimigos,usando a bandeira de seu país, e dividiam o saque com omonarca, que ficava com a maior parte.
  16. 16. O marinheiro inglês Sir Francis Drake é armado cavaleiro pela rainha Isabel I em 1581. Tinha acabado de chegar de uma viagem na qual havia pilhado colónias e navios espanhóis. O seu saque pode ter chegado às 500 000 libras – cerca de 70milhões de libras atualmente. Para os ingleses, Drake era um herói... Para os espanhóis, umpirata. Muitos países imperiais encorajaram os seus marinheiros a atacarnavios de outros países.
  17. 17. Sir Francis Drake
  18. 18. James Lancaster (diretor da Companhia das Índias), Martin Tromp,Duguay-Trouin (almirante e comandante na Ordem de S. Luís) -corsários; Edward Teach, o “Barba Negra”, e Anne Bonny –piratas. Estes são alguns nomes,entre muitos outros…
  19. 19. Igualmente, Fernão Mendes Pinto refere, na sua Peregrinação, que em inícios do séc. XVI, era um perigo permanente navegar pelosmares da Indochina. Na verdade, havia turcos piratas que assaltavam com frequência os navios, assassinavam, incendiavam e roubavam quanta riqueza ia a bordo. Por aquela altura, o grande terror dos mares do Oriente, ogrande inimigo, era o corsário Coja Acém, que acabou por ser morto, por desforra, numa batalha sangrenta em Tinlau (na costa chinesa).
  20. 20. A História Trágico –Marítima é uma outra obra que relata trágicas viagens marítimas. Conta, entre outras terríveis aventuras, a da famíliaSepúlveda (Manuel de Sousa S., a mulher e os seus filhos), juntamente com outros náufragos, que foram dar a uma ilha habitada por selvagens.
  21. 21. Muitos foram morrendo: de exaustão, por se perderem, comidos pelas feras… Um dos desaparecidos foi um dos filhos de Sepúlveda, este, comandante do navio que, da Índia, se dirigia para Lisboa.
  22. 22. Passados dois dias, aparecem os Cafres (infiéis, nativos de África), que lhes batem com violência e os despem completamente.
  23. 23. D. Leonor S., envergonhada, fez uma cova na areia, enfiou-se nela e cobriu-se com os cabelos. Acabou por morrer de fome, bem como os restantes filhos.Manuel de Sousa S. sentou-se ao seu lado, com o rosto apoiado numa das mãos, e ali permaneceu, por duas horas, com os olhos postos nela.
  24. 24. Depois, levantou-se, não disse uma palavra e meteu-se pelos matagais dentro. Nunca mais ninguém o viu. Esta triste história é, igualmente, narradan’ «Os Lusíadas», de Camões,no episódio do Adamastor.
  25. 25. Considerada uma das maiores obras da literatura portuguesa, Os Lusíadas (1572), narrativa épica de Luís de Camões, faz a glorificação do povo português, cujo espírito aventureiro e corajosoimpulsionou viagens e contactos civilizacionais que marcaram a nossa identidade e a nossa presença no domínio dos mares.
  26. 26. «(…) Já no largo Oceano navegavam,As inquietas ondas apartando …Quando os deuses no Olimpo luminoso …Se ajuntam em consílio glorioso,Sobre as cousas futuras do Oriente. (…)Quando Júpiter …começa…:“Eternos moradores do Luzente…Se do grande valor da forte genteDe Luso [portugueses] não perdeis o pensamento,…Que sejam, determino, agasalhados nesta costa africana como amigos,E, tendo guarnecida a lassa frota,Tornarão a seguir sua longa rota.”
  27. 27. (…) O padre Baco ali não consentiaNo que Júpiter disse…Sustentava contra ele Vénus bela,Afeiçoada à gente Lusitana,…(…) O Padre poderoso, …… consentiu…Enquanto isso, se passa na fermosaCasa etérea do Olimpo omnipotente,Cortava o mar a gente belicosa…Tão brandamente os ventos os levavamComo quem o céu tinha por amigo….Quando o mar, descobrindo, lhe mostravaNovas ilhas, que em torno cerca e lava. (…) In «Os Lusíadas», de Luís V. de Camões
  28. 28. Na área do teatro, é de referir o autor Gil Vicente, cujas obras satirizam os vícios da sociedade do seu tempo. Sobretudo O Auto da Índia critica a ambição dos navegadores e os naufrágios que, por vezes, aconteciam.
  29. 29. Como já referido, o Mar torna-se, no séc. XVI, uma constante literária e se, por umlado, perde importância no séc. das Luzes (XVIII) - em que os temas didáticosocupam lugar de destaque na literatura - ganha de novo importância no séc. XIX,com Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Gonçalves Crespo, Afonso Lopes Vieira, entre outros.
  30. 30. Pré-romantismo
  31. 31. Romantismo vs pré-romantismo
  32. 32. «Amo o vento e o mar» (Alexandre Herculano), in Eurico, o Presbítero «Eu amo o sopro do vento, como o rugido do mar.Porque o vento e o oceano são as duas únicas expressões sublimes do verbo de Deus, escritas na face da terra quando ainda ela se chamava o caos. Depois é que surgiu o homem e a podridão, a árvore e o verme, a bonina e o emurchecer.»
  33. 33. Lenda recolhida por Almeida Garrett, a qual contaa viagem da nau portuguesa que, em 1565, transportavaJorge de Albuquerque Coelho para Lisboa.Há quem diga que esta história foi verídica e eracontada pelo próprio Jorge A. Coelho, quando, jáidoso, se sentava frente ao mar rodeado de amigos.
  34. 34. Lá vem a nau CatrinetaQue tem muito que contar!Ouvide, agora, senhores,Uma história de pasmar. Sobe, sobe, marujinho, Àquele mastro real,Passava mais de ano e dia Vê se vês terras de Espanha,Que iam na volta do mar As praias de Portugal.Já não tinham que comer,Já não tinham que manjar. (…) "Alvíssaras, capitão,Deitaram sola de molho Meu capitão general!Para o outro dia jantar; Já vejo terra de Espanha,Mas a sola era tão rija Areias de Portugal.Que a não puderam tragar. Mais enxergo três meninasDeitaram sorte à ventura Debaixo de um laranjal: Uma sentada a coser,Qual se havia de matar; Outra na roca a fiar,Logo foi cair a sorte A mais formosa de todasNo capitão general. Está no meio a chorar".
  35. 35. -Todas três são minhas filhas,Oh! quem mas dera abraçar! "Não quero a nau CatrinetaA mais formosa de todas Que a não sei governar".Contigo a hei-de casar. Que queres tu, meu gajeiro, "A vossa filha não quero, Que alvíssaras te hei-de dar?Que vos custou a criar". "Capitão, quero a tua alma - Dar-te-ei tanto dinheiro, Para comigo a levar".Que o não possas contar. Renego de ti, demónio,"Não quero o vosso dinheiro, Que me estavas a atentar!pois vos custou a ganhar! A minha alma é só de Deus, O corpo dou eu ao mar. - Dou-te o meu cavalo branco,Que nunca houve outro igual. Tomou-o um anjo nos braços, Não o deixou afogar."Guardai o vosso cavalo, Deu um estouro o demónio,Que vos custou a ensinar". Acalmaram vento e mar; E à noite a nau Catrineta -Dar-te-ei a nau Catrineta Estava em terra a varar. Para nela navegar.
  36. 36. O poema “A Nau Catrineta” tem inspirado vários escritores e músicos. Além daversão com final feliz interpretada por Fausto, temos ainda uma versão mais terrível,real, com detalhes macabros, interpretada por Rui Veloso: “O País de Gelo”,extraída do álbum “Auto da Pimenta”.
  37. 37. Espuma Mais leve que a pluma que no ar balança, pela praia dança a ligeira espuma. Dançando se afaga no alado bailar!Pétalas de vaga, poeiras do mar... E na dança etérea, que imparável ronda! Bafo de matéria, penugem da onda. Afonso Lopes Vieira
  38. 38. Ainda no século XIX, outro grande escritor trata o tema do mar e da vida marítima: Raúl Brandão. Filho e neto de homens do mar, o oceano e, precisamente, os homens do mar foram um tema recorrente na sua obra.Em «Os Pescadores», retrata o difícil modo de vida dos pescadores portugueses, desde o Minho até ao Algarve.
  39. 39. «Se fecho os olhos, sinto logo esta mão áspera e enorme que me leva na noitehúmida e cerrada. Não vejo o mar, mas envolve-me e penetra-me o hálito salgado e ouço-lhe ao longe o clamor.» (in Os Pescadores)
  40. 40. Já no século XX……… …
  41. 41. …são vários os escritores - como o poeta FernandoPessoa (1888-1935) e os seus heterónimos - que usama temática do mar.
  42. 42. Mar PortuguêsÓ mar salgado, quanto do teu salSão lágrimas de Portugal!Por te cruzarmos, quantas mães choraram,Quantos filhos em vão rezaram!Quantas noivas ficaram por casarPara que fosses nosso, ó mar!Valeu a pena? Tudo vale a penaSe a alma nao é pequena.Quem quer passar além do BojadorTem que passar além da dor.Deus ao mar o perigo e o abismo deu,Mas nele é que espelhou o céu. Fernando Pessoa, in Mensagem
  43. 43. «Ó mar salgado, quanto do teu salSão lágrimas de Portugal! (….)»
  44. 44. E no seguinte poema de Sophia de Mello Breyner Andresen(1919-2004), as sereias fazem tremer os corpos dos presumíveisnáufragos, espalhados sobre as areias do fundo do mar.«(…)E os corpos espalhados nas areiasTremem à passagem das sereias,As sereias leves de cabelos roxosQue têm olhos vagos e ausentesE verdes como os olhos dos videntes.(…)»Para além da beleza subaquática presente neste poema,permanece o enigma:
  45. 45. “Que futuro para os náufragos, para além da morte?”
  46. 46. Sopia de Mello Breyner Andresen é uma escritora/poetisa que, nos seus textos,(e devido às vivências que teve desde a infância, muito em contacto com a natureza -o campo, a floresta, a praia e o mar…), se funde com todos os elementos cósmicos,como se fizessem parte do seu corpo:
  47. 47. «Os troncos das árvores doem-me como se fossem os meus ombros Doem-me as ondas do mar como gargantas de cristal Doem-me as ondas do luar – branco pano que se rasga»
  48. 48. Sophia aborda insistentemente a temática do mar na sua obra literária… …. poética:•Mar•Dia do Mar•Coral•Mar Novo•Navegações•Ilhas•(…)… narrativa:•Histórias da Terra e do Mar (contos)•A Menina do Mar•A Fada Oriana• (…)… teatral:•O Bojador (…)
  49. 49. Fundo do mar No fundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores. Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas. Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo-marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço. Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso.
  50. 50. O Mar e a Praia Citando Carlos Ceia, «a praia é sempre o começo do mar e um depósito permanente para armazenar as memórias de infância», pelo que Sophia se refere, com bastante significação, aos dois motivos relacionados com a Água. Para Sophia, recordar a praia significa estabelecer uma forte ligação comos momentos agradáveis vividos nesse espaço:«Eu estava só com a areia e com a espumaDo mar que cantava só pra mim» .Com este último verso, importa salientar nãosó as capacidades sobrenaturais do mar, comotambém a cumplicidade entre a poetisa e aquele.
  51. 51. «A luz me liga ao mar como a meu rostoNem a linha das águas me dividemergulho até meu coração de gruta» .
  52. 52. Entre muitas obras cujos títulos demonstram a primazia da Água, observa-se aquela que refere uma concha marinha, cujo som inspira terror. Trata-se d’ O Búzio de Cós e Outros Poemas.
  53. 53. Mas muitos outros escritores do séc. XX e XXI trataram otema do mar: como um bem ou um mal, algo atraente ou temeroso,apaixonante ou repulsivo… em prosa ou em verso:
  54. 54. Vitorino Nemésio (1901-1978)Adolfo Casais Monteiro (1908-1972) Alves Redol (1911-1969) Luísa Dacosta (1927 -) Eugénio Lisboa (1930 -) Ruy Belo (1933-1978) Valter Hugo Mãe (1971 -) entre muitos outros…
  55. 55. A terminar, um texto de prosa poética de Alexandre Honrado:
  56. 56. O Mar na Literatura Portuguesa Semana da Leitura 2013Biblioteca do Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto - Castanheira de Pera
  57. 57. Identifica as figuras relacionadas com a vida marinha e as obras do cinema, da BD e da literatura que elas representam.
  58. 58. 1. Capitão Haddock – “As Aventuras de Tintin” 2. Nemo – “À Procura de Nemo”3. Capitão Gancho – “Peter Pan” 4. Ariel – “A Pequena Sereia”5. Jack Sparrow – “Os Piratas das Caraíbas” 6. Willy – “Salvem o Willy”

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