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Infraestrutura e Direito
Administrativo
Favorecido pelo crescimento da economia mundial e pela recuperação dos preços das
matérias-primas, o comércio exterior brasileiro terminou 2017 com o maior saldo positivo da história,
em valores absolutos —US$ 67 bilhões.
Superou-se a marca do ano anterior em US$ 22 bilhões. As exportações tiveram alta de 18,5% e
atingiram US$ 217,7 bilhões, após três anos seguidos de contração. As importações aumentaram 10%.
Mesmo com a melhora, contudo, a corrente de comércio do país — a soma das vendas e compras —
ainda está quase 25% abaixo da observada em 2011.
Do lado exportador, o destaque, como é usual, ficou com os produtos básicos. O agronegócio expandiu
os embarques em 11%, graças à safra recorde de grãos e ampliação dos negócios com carnes e outros
produtos.
As vendas de petróleo cresceram 66%, resultado do aumento da produção do pré-sal e, como
nos outros casos, da alta de preços.
Houve ainda elevação de 9,4% no segmento de produtos manufaturados. No setor de automóveis, a taxa
chegou a espantosos 44%, graças à resposta das montadoras à queda do consumo doméstico —reflexo,
claro, da devastadora recessão dos anos anteriores.
A recuperação econômica ainda caminha de modo lento, como mostra o recuo de 11% nas importações
de máquinas e equipamentos.
Para 2018 a expectativa é de avanço mais acentuado das compras externas, em decorrência da expansão
da renda nacional. Mesmo assim, o Banco Central projeta saldo comercial ainda respeitável, próximo a
US$ 50 bilhões.
Velhas fragilidades permanecem, contudo. O país segue muito dependente da exportação de
poucos produtos —soja e minério de ferro são as duas maiores fontes de divisas, com vendas
concentradas para a China.
Os custos exagerados dos tributos e da burocracia ainda oneram as empresas; o gargalo da infraestrutura
precária pode até se agravar com a derrocada das finanças e obras públicas.
Sem progressos nessas áreas, o mais provável será a repetição de um deletério padrão: o
enfraquecimento contínuo dos resultados comerciais à medida que a demanda doméstica retome vigor.
Fonte: Folha de São Paulo http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/01/1948160-recorde-
ocasional.shtml?loggedpaywall

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Infraestrutura e Direito Administrativo

  • 2. Favorecido pelo crescimento da economia mundial e pela recuperação dos preços das matérias-primas, o comércio exterior brasileiro terminou 2017 com o maior saldo positivo da história, em valores absolutos —US$ 67 bilhões. Superou-se a marca do ano anterior em US$ 22 bilhões. As exportações tiveram alta de 18,5% e atingiram US$ 217,7 bilhões, após três anos seguidos de contração. As importações aumentaram 10%. Mesmo com a melhora, contudo, a corrente de comércio do país — a soma das vendas e compras — ainda está quase 25% abaixo da observada em 2011. Do lado exportador, o destaque, como é usual, ficou com os produtos básicos. O agronegócio expandiu os embarques em 11%, graças à safra recorde de grãos e ampliação dos negócios com carnes e outros produtos.
  • 3. As vendas de petróleo cresceram 66%, resultado do aumento da produção do pré-sal e, como nos outros casos, da alta de preços. Houve ainda elevação de 9,4% no segmento de produtos manufaturados. No setor de automóveis, a taxa chegou a espantosos 44%, graças à resposta das montadoras à queda do consumo doméstico —reflexo, claro, da devastadora recessão dos anos anteriores. A recuperação econômica ainda caminha de modo lento, como mostra o recuo de 11% nas importações de máquinas e equipamentos. Para 2018 a expectativa é de avanço mais acentuado das compras externas, em decorrência da expansão da renda nacional. Mesmo assim, o Banco Central projeta saldo comercial ainda respeitável, próximo a US$ 50 bilhões.
  • 4. Velhas fragilidades permanecem, contudo. O país segue muito dependente da exportação de poucos produtos —soja e minério de ferro são as duas maiores fontes de divisas, com vendas concentradas para a China. Os custos exagerados dos tributos e da burocracia ainda oneram as empresas; o gargalo da infraestrutura precária pode até se agravar com a derrocada das finanças e obras públicas. Sem progressos nessas áreas, o mais provável será a repetição de um deletério padrão: o enfraquecimento contínuo dos resultados comerciais à medida que a demanda doméstica retome vigor. Fonte: Folha de São Paulo http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/01/1948160-recorde- ocasional.shtml?loggedpaywall