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Dedico este trabalho ao desfile das escolas de samba,por sua contribuição na cultura brasileira e a mim pelasuperação aos ...
AGRADECIMENTOS      Agradeço a execução deste trabalho, primeiramente a Deus, por ser a luz queme ilumina e conduz o meu c...
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INTRODUÇÃO      A arte pode ser observada de diferentes formas, pois nem sempre ela seapresenta no cotidiano como obra de ...
possibilitando ao aluno reconhecer em si e valorizar no outro a capacidade                      artística de manifestar-se...
CAPÍTULO 1 – AS ALEGORIAS CARNAVALESCAS DAS ESCOLAS DE SAMBADO RIO DE JANEIRO.      O carnaval carioca é conhecido mundial...
O sentido de centralidade visual atribuído às alegorias, refere-se à idéia queela torna-se arte, com elementos que colabor...
1.1 - O Carnaval no Rio de Janeiro: aspectos sócio- culturais e estéticos       As pessoas e as sociedades mudam. Como tam...
O que temos, entretanto é o Apartheid cultural. Para o povo, o candomblé, o                     carnaval, o bumba meu boi ...
é de autoria do carnavalesco e, muito frequentemente, o carnavalesco provém desetores sociais distintos daqueles dos sambi...
Seguindo essa linha de pensamento, vale ressaltar o que afirma Cavalcanti:“Um carnaval começa discutido por alguns e se es...
1.1 - O processo de criação das alegorias carnavalescas      O enredo indicado transforma-se na linguagem plástica e visua...
Isso confere a importância do carnavalesco na criação de imagensdiretamente ligadas ao enredo de maneira criativa.      No...
1.2 – Processos Produtivos (Etapas de construção das alegorias)                     Glória a quem trabalha o ano inteiro. ...
tudo bem pregado para garantir a segurança dos integrantes (destaques) quedesfilarão acima.          Magalhães (1997, p.85...
Depois de pronta, a escultura precisa ser lixada, e o instrumento maisutilizado para esse processo e considerado incomum p...
O processo de bater fibra de vidro consiste em: abrir o molde de gesso jáseco e espalhar rapidamente no interior do gesso ...
Enriquecendo o visual, tecidos, lantejoulas, plumas, espelhos e outros,completam o luxo dos carros e assim que terminam a ...
CAPÍTULO 2 – CARNAVAL E ESCOLA                     “O intercruzamento de padrões estéticos e o discernimento de valores de...
2.2 – O Carnaval e a escola: formação e desenvolvimento dos valores culturaisdos alunos do ensino fundamental II      A fo...
No contexto escolar, tem se descoberto o carnaval como ferramentapedagógica de grande contribuição na formação dos valores...
2.3 - Uma proposta pedagógica de como trabalhar os processos criativoscarnavalescos das escolas de samba do Rio de Janeiro...
Nesta pátria-mãe queridaO império decadente, muito rico, incoerenteEra fidalguia e por isso que surgemSurgem os tamborins,...
precisamente com alunos do sétimo ano, e para bom aproveitamento das atividades,estimamos um tempo de, aproximadamente, ci...
rítmicas, cantando os dois sambas enredo e batendo com a mão na carteira(pulsação), observando que a velocidade do samba e...
quem são eles, o período das suas ações, e a devida importância na História doBrasil. Os alunos pesquisarão outros sambas-...
CONCLUSÃO      Com base no trabalho exposto, podemos reconhecer o valor cultural docarnaval e sua contribuição na promulga...
BIBLIOGRAFIAANTROPOLOGIA CULTURAL-Como opera a cultura. A PSICOLOGIA, ODESENVOLVIEMENTO HUMANO E O ENSINO-APRENDIZAGEM DE ...
VILA, Martinho. Pra tudo se acabar na Quarta-Feira. GRES Unidos de Vila Isabel,1994. Colocações. LIESA-Liga Independente d...
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  1. 1. UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE ARTES DEPARTAMENTO DE ARTES VISUAIS Selma Cristina Daniel Alegorias carnavalescas: uma abordagem significativa sobre aformação dos valores culturais em alunos do Ensino Fundamental II. Barretos Novembro de 2011
  2. 2. Selma Cristina Daniel Contribuições das alegorias carnavalescas como elemento deformação e desenvolvimento dos valores culturais dos alunos do Ensino Fundamental II. Trabalho de Conclusão do curso de Licenciatura, habilitação em Artes Visuais, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Orientadores: Christus Menezes Nóbrega . Barretos Novembro de 2011
  3. 3. Dedico este trabalho ao desfile das escolas de samba,por sua contribuição na cultura brasileira e a mim pelasuperação aos percalços emocionais acometidos aolongo desta trajetória.
  4. 4. AGRADECIMENTOS Agradeço a execução deste trabalho, primeiramente a Deus, por ser a luz queme ilumina e conduz o meu caminho. Os meus amigos e familiares pelo constante incentivo e compreensão pelasminhas faltas para com eles. A todos os tutores, professores e autores das disciplinas cursadas, pela totalmotivação e por acreditarem na minha capacidade, não esqueço de nenhum deles enem de suas palavras. A nossa ex-tutora presencial Ana Cláudia Neif Sanches por toda paciênciapara comigo no inicio deste curso. Ao “anjo” que nos foi enviado, a tutora presencial Ângela, pois com suadoçura sempre procurou me dizer algo para que eu acreditasse mais em mim. Em fim, agradeço o companheirismo de todos os colegas dessa jornada.
  5. 5. SUMÁRIOINTRODUÇÃOCAPÍTULO 1 - AS ALEGORIAS CARNAVALESCAS DAS ESCOLAS DE SAMBADO RIO DE JANEIRO1.1 – O carnaval: aspectos sócio-culturais e estéticos1.2 - O processo de criação das alegorias carnavalescas1.2 - Processos ProdutivosCAPÍTULO 2 – CARNAVAL E ESCOLA2.2 – O Carnaval e a escola: formação e desenvolvimento dos valores culturaisdos alunos do ensino fundamental II2.3 - Uma proposta pedagógica de como trabalhar os processos criativoscarnavalescos das escolas de samba do Rio de Janeiro com alunos do ensinofundamental IICONCLUSÃOREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  6. 6. INTRODUÇÃO A arte pode ser observada de diferentes formas, pois nem sempre ela seapresenta no cotidiano como obra de arte (PCNs/artes,p.37). Uma das formas maiscomuns de apreciação artística encontra-se nas alegorias de carnaval. Estastransformaram o desfile das escolas de samba num grande espetáculo visual. As alegorias funcionam como verdadeiros cenários ambulantes e na suamaioria apresentam-se belas, suntuosas, trazendo consigo uma história. No contexto social, o carnaval sempre fez parte da minha vida. Naadolescência, minha presença no desfile era como passista na escola de samba,atualmente, trabalho na confecção de fantasias. O tema referente às alegorias carnavalescas se torna muito interessante eimportante, pois, a partir da pesquisa compreenderemos melhor seu valor nocontexto do carnaval do Rio de janeiro, o desfile. A pesquisa teórica investiga a criação das alegorias de carnaval das escolasde samba do Rio de Janeiro e justifica-se o tema pela sua contribuição nodesenvolvimento da criatividade dos alunos. Além de auxiliar no processo dedesenvolvimento da criatividade, fará com que eles observem a produção narepresentação de uma história e no contexto cultural. Como também, os levarão aoreconhecimento, a observação e a experimentação das formas visuais. E, se “Toda forma é forma de comunicação ao mesmo tempo que forma de realização, assim : Ela corresponde ainda, a aspectos expressivos de um desenvolvimento interior na pessoa, refletindo processos de crescimento e de maturação cujos níveis integrativos consideramos indispensáveis para a realização das potencialidades criativas”.(OSTROWER, 2006 ,p. 5 e 6). Dada à relevância do tema, o trabalho contribuirá para que o aluno perceba odesenvolvimento da produção na prática de trabalho colaborativo, coletivo ecomunitário. E, mais, a partir das investigações, os alunos poderão reconhecer evalorizar as festas populares do país, como também a nossa cultura popular. “O incentivo à curiosidade pela manifestação artística de diferentes culturas, [...] pode despertar no aluno o interesse por valores diferentes dos seus, promovendo o respeito e o reconhecimento dessas distinções; [...]
  7. 7. possibilitando ao aluno reconhecer em si e valorizar no outro a capacidade artística de manifestar-se na diversidade”. (PCNs/arte, 1997,p.37) Assim, o proposto trabalho visa estimular o desenvolvimento dapotencialidade criativa de cada aluno, sempre respeitando seu ritmo, pois cada umtem seu ritmo de trabalho e de apreensão. Além da motivação, nós educadoresdevemos propiciar que cada aluno se desenvolva como pessoa critica e criativa.(Pulino, 2009)
  8. 8. CAPÍTULO 1 – AS ALEGORIAS CARNAVALESCAS DAS ESCOLAS DE SAMBADO RIO DE JANEIRO. O carnaval carioca é conhecido mundialmente. A televisão brasileira transmiteo desfile de carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro para toda parte domundo, mas quem tem oportunidade de apreciá-lo pessoalmente, certamente,sentiram outra emoção. Os criadores e organizadores dessa festa de visual espetacular, a cada anonos surpreendem mais com novidades, conseguindo atrair milhares de espectadoresdeslumbrados, por tanta beleza. As escolas adentram a passarela contando uma história conduzida pela letrado samba-enredo. O tema, ou seja, o enredo é a base de orientação para odesenrolar dessa história, e depois, transforma-la em linguagem plástica. De acordo com Cavalcanti (2006), os carros são alegorias do enredoidealizado a partir de tópicos que orientam a narrativa. As alegorias falam em geralpor sua própria natureza de muito mais coisas que o samba. Estamos dentro daprimazia do visual. As alegorias devem adequar-se ao enredo e transmitir com clareza a suaproposta dentro dele, mas algumas delas surgem tão carregadas de símbolos e deelementos visuais exagerados, extrapolando seu significado, o que as tornaextremamente complexas para sua fruição. Mesmo previstas num projeto, afirma Cavalcanti (2006), as alegoriasterminam por falar mais, muito mais do que seu enunciado verbal poderia supor. Oconjunto de seus elementos visuais remete simultaneamente a tantos outrossentidos possíveis que, vê-las em desfile é extasiar-se, encher os olhos e acolher aperplexidade diante da impossibilidade de decifrá-las totalmente. Esse é o seupoderoso encanto. Cavalcanti diz que, as alegorias primam pelo seu visual e toda a relaçãodesse visual está relacionada intimamente com o espetáculo, pois separa o “ator” do“espectador”, transmitindo uma série de emoções e ainda retratando parte doenredo.
  9. 9. O sentido de centralidade visual atribuído às alegorias, refere-se à idéia queela torna-se arte, com elementos que colaboram na transmissão de sensibilidadeque permeia a relação, alegoria e os seus espectadores. Ostrower diz: Ainda que em diferentes graus, ou totalmente em áreas sensíveis diferentes, todo ser humano, que nasce, nasce com um potencial de sensibilidade. (OSTROWER, 2008, p. 12) Diferente do espectador, os jurados ao julgarem um carro alegórico, não sepreocupam apenas com o visual, ou com o grau de emoção que ela provoca nopúblico, mas sim com a representatividade dentro do enredo. Para conquistar asmaiores notas os jurados analisam a capacidade das escolas de criar alegorias queexplorem as potencialidades do enredo, pois de nada adianta um carro alegórico serfantástico, belo, suntuoso e não ter representatividade. Toda a comunidade carnavalesca é envolvida, num espírito de coletividade,união e superação. A produção dessas alegorias é guardada meticulosamente, paranão ser revelado nenhum dos segredos da visualidade, mantendo uma magiacontagiante, na hora da entrada na avenida. São, aproximadamente, oitocentos mil metros de comprimento e treze delargura disponíveis para sua apresentação, confirma Magalhães (1997) lá seencontra milhares de pessoas ansiosas, a sua espera. Mesmo diante de toda essaexpectativa que a cerca, continua Cavalcanti (2006), como se fossem inacabáveis,as alegorias aprontam-se apenas instantes antes de sua entrada em desfile. Destemodo, quando a primeira entra, a última ainda está se aprontando. Além dos retoques finais, na concentração, são colocados os destaques,pessoas que as incorporam como elementos de composição do enredo. Admiráveis, no desfile, elas passam deslumbrantes, majestosas, belas, sendoinsistentemente aclamadas pelo público, deixando-os completamente perplexos. Diante disso, Cavalcanti complementa: “É inútil querer detê-las, elas se sucedem impiedosamente. Se tivéssemos aliberdade de movimento para acompanhar apenas uma delas, perderíamos todas asdemais e o conjunto do desfile” (CAVALCANTI-2006, p.178). Assim, a autora conclui: “Uma vez prontas para serem apreciadas, pareceminesgotáveis e, no entanto, logo acabam” (CAVALCANTI, 2006, p.181)
  10. 10. 1.1 - O Carnaval no Rio de Janeiro: aspectos sócio- culturais e estéticos As pessoas e as sociedades mudam. Como também, mudam as formas demanifestação dessas culturas. O carnaval carioca é uma festa de característicaspopular e cultural. De acordo com Cavalcanti (2006) o aparecimento das escolas de samba norio de Janeiro ocorreu por volta de 1920. A partir daí, elas se desenvolveram emvários aspectos. Dito isto, Cavalcanti (2006) descreve o processo de expansão dos desfiles decarnaval, do passado, até a aparição da primeira escola de samba.No século XIX, a grande elite desfilava com enredos de crítica social e política e aosom de árias de ópera, apresentavam-se com luxuosas fantasias e carrosalegóricos, bem organizados pela camada mais rica da sociedade. No final doséculo XIX surgiram os ranchos – organizados pela pequena burguesia urbana -desfilavam com enredo, fantasias e carros alegóricos, só que ao som de sua marchacaracterística. Os blocos, de modo bem menos estruturado, abrigavam grupos cujasbases situavam nas áreas de morada das camadas mais pobres da população, nosmorros e subúrbios cariocas. Após o surgimento das escolas de samba, essadistinção social se desfez. No bairro carioca, Estácio de Sá, no fim da década de1920, surgiu a primeira escola de samba, a “Deixa Eu Falar” (CAVALCANTI, 2006). Daí em diante as escolas de samba do Rio de Janeiro obtiveram,considerável ascensão, visual, social e cultural. Já para a carnavalesca Rosa Magalhães (1997), a escola é um modelo sociale, não possui padrões sociais hierárquicos. As pessoas, simplesmente, sedistinguem apenas por ter mais ou menos habilidades: cantar, dançar ou tocarinstrumentos. Pessoas de culturas e escolaridade distintas encontram comempresários, artistas plásticos, escultores, médicos e tantos outros. O tipo brasileiro, de um modo geral, não define uma classe social ou étnicaespecífica, do mesmo modo, o freqüentador de uma escola de samba não pode serdiferenciado. Contudo, esse grupo contempla a mais perfeita integração entre ascamadas sociais da população, buscando conquistar o titulo de campeã, afirmaMagalhães (1997). Diante disto, Barbosa diz que:
  11. 11. O que temos, entretanto é o Apartheid cultural. Para o povo, o candomblé, o carnaval, o bumba meu boi e a sonegação de códigos eruditos de arte que presidem o gosto de classe dominante que, por ser dominante tem possibilidade de ser mais abrangente e também domina os códigos da cultura popular. Basta ver o número de teses que se escrevem na universidade sobre cultura e arte popular, e ainda a elite econômica e cultural desfilando nas escolas de samba no Carnaval. As massas têm direito a sua própria cultura e também a cultura da elite, da mesma maneira que a elite já se apropriou da cultura de massa, [...] (Barbosa, 2007, p. 33). Cavalcanti (2006, p.68) também concorda com a carnavalesca RosaMagalhães (1997) quando diz que “o surgimento das escolas de samba no cenáriocarnavalesco, possibilitou uma vasta interação entre grupos e camadas sociais, numprocesso que trouxe para as escolas de samba não só uma grande vitalidade, comotambém, talvez por isso mesmo, uma forte tensão na divisão de alas”. Há um constante trânsito entre as diferenças socioculturais, e isso acontecedurante o desfile, permeado de diversos níveis simbólicos e sociais. Um exemplodisto são os destaques que vem como elementos do desfile, em cima dos carrosalegóricos e o da rainha de bateria. Os destaques alegóricos, geralmente, são pessoas conhecidas, artistas deconstante aparição na mídia televisiva, jornais e revistas. A maior parte é constituídapor mulheres belíssimas, celebridades que primam pelo visual, portanto, aspirampelos lugares mais destacados, como os carros alegóricos. Além disso, a televisãomostra suas imagens repetidamente e lentamente, focando no corpo quase nu, nascurvas e nos movimentos bem sensuais. Outro exemplo díspar no conjunto do desfile é a ala das Baianas. A maioriadelas são mulheres idosas, que um dia brilharam como passistas da escola desamba, e hoje, por encontrarem com suas formas mais arredondadas integram aala. Extremamente respeitadas e valorizadas, as baianas ocupam um lugar de sumaimportância no contexto geral do desfile. ”A ala alude às origens afro-brasileiras dosamba”, pois suas fantasias consistem em saias bem rodadas, com anágua,armação e um pano jogado nas costas, na cabeça turbante e chinelas nos pés.Quanto aos acessórios, muitos colares e pulseiras. Apesar de não serem julgadasno conjunto do desfile, a sua evolução e seu canto são um diferencial na hora dodesfile. Mais uma tensão também pode ser citada, segundo Cavalcanti, a relação,carnavalesco - compositor é radicalmente distinta: o enredo a ser cantado em samba
  12. 12. é de autoria do carnavalesco e, muito frequentemente, o carnavalesco provém desetores sociais distintos daqueles dos sambistas, de um meio cultural diverso. Laraia diz: Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura. Nenhuma pessoa é capaz de participar de todos os elementos de sua cultura, não importando se essa pessoa vive numa sociedade complexa com alto grau de especialização ou na mais simples das sociedades (BURGOS-FRAGOSO APUD LARAIA 2006). Assim, mesmo entre conflitos, as diferentes classes, todos os atores dodesfile se empenham, ao máximo, para a obtenção do título, ser campeão. Numinstante de magia e poesia, ali, na “passarela do samba”, todas as divergências sãosuperadas. De acordo com Rosa Magalhães (1997), a escola possui dois lugaresdistintos: a quadra (sede) e o barracão. Na quadra acontecem às disputas para aescolha do samba-enredo; e os ensaios. O barracão é o lugar onde se prepara odesfile de carnaval. Com isso, compreendemos que a produção do desfile, transitapor estes dois setores principais, mas, não podemos esquecer das alas espalhadaspelos diferentes bairros da cidade. Para Cavalcanti (2006), quadra, barracão e alas organizam redes sociais eprocessos culturais específicos que se articulam na confecção de um desfile. Aquadra sintetiza a relação da escola com o mundo do samba, o barracão com o“visual”; entre esses dois pólos, espalham-se as alas, com redes múltiplas desociabilidades particulares. Depois de um ano de intenso fazer artístico, a realização desse trabalhotransforma-se num evento de grandes proporções : o desfile das escolas de sambado Rio de Janeiro - onde a qualidade estética do Sambódromo agrega os detalhes eelementos visuais. Nele, as escolas passam sucessivamente, com o objetivo único,o titulo de campeã. Nessa disputa, comumente, surgem divergências de múltiplossentidos e, mesmo diante do embate, da rivalidade, ainda prevalece o respeito àsregras de sociabilidade pré-estabelecidas no campo da competitividade. Maria Laura Cavalcanti diz que: Ao permitir a combinação entre proximidade e hostilidade, entre as escolas de samba e o interior de cada uma delas, o desfile permite a troca, a comunicação e de forma notável, a articulação e o confronto dos diferentes valores que atravessam as também tão diferentes camadas sociais de uma grande cidade (CAVALCANTI, 2006, p. 34).
  13. 13. Seguindo essa linha de pensamento, vale ressaltar o que afirma Cavalcanti:“Um carnaval começa discutido por alguns e se espraia em círculos concêntricos,agregando em torno de si um número cada vez maior de pessoas até o momentoem que essa imensa rede aparece em desfile para toda a cidade. Cada pequenopasso desse processo corresponde a uma mediação entre agentes heterogêneos”.(CAVALCANTI, 2006, p. 87) Rosa Magalhães (1997) diz que acompanhou a evolução do carnaval cariocapor mais de vinte anos, por isso, afirma que as mudanças ocorridas foram somentede ordem administrativa e estética, preservando sua essência. Na ânsia de consagrar sua escola campeã do carnaval, os integrantes, naexatidão de suas apresentações, cada um cumpre seu papel no desfile, o de contarda melhor forma possível - o enredo da escola na avenida.
  14. 14. 1.1 - O processo de criação das alegorias carnavalescas O enredo indicado transforma-se na linguagem plástica e visual das fantasias,adereços e alegorias. Os carnavalescos desenvolvem a concepção do carnaval:além da elaboração do samba-enredo, desenham os figurinos das fantasias e osprojetos dos carros alegóricos (CAVALCANTI, 2006). Idealizar um tema-enredo para uma escola de samba é tarefa docarnavalesco, pode ser também indicado por outra pessoa, de dentro daagremiação, ou por integrantes da comissão de carnaval, até mesmo poradmiradores anônimos do carnaval. Elaborada a sinopse, esta é apresentada aos compositores para odesenvolvimento do samba-enredo. A partir daí, o carnavalesco dá “asas a suaimaginação”. O processo de criação do carnavalesco inicia-se, na imaginação, na idéia, “nacabeça”. Existem duas partes que envolvem o processo de confecção do carnaval. Aprimeira acontece na mente do carnavalesco, quando ele concebe a idéia, asegunda quando essa idéia se configura, toma forma. Nesse caso, explica Cavalcanti (2006): Se, a concepção das alegorias éatributo do carnavalesco, então podemos dizer que é ele quem concebe o carnaval. Conceber, segundo Cavalcanti (2006.p, 174) “é uma função primordial dacabeça, é vista como tendo primazia sobre o executar, uma função de todo o corpo”.Portanto, a criação das alegorias, primeiramente, se forma no campo da intuição ede acordo com Ostrower(2006), os processos intuitivos se tornam conscientes namedida em que os expressamos, que lhe damos forma. Podemos citar como exemplo, o carnavalesco Paulo Barros conhecido comoo Homem Criativo do carnaval carioca, atuando na escola de samba Unidos daTijuca. Barros em entrevista a uma revista, diz que o seu processo de criação se dá“no levantar da cadeira”. Quando alguma coisa o incita a sua imaginação,automaticamente, levanta-se da cadeira. ”Quando vejo alguma coisa e desloco dacadeira é porque aquilo me incomodou. Se me incomodou, é bom” (Revista-Tijuca,2011, p. 10). Segundo Briso(2011), o processo de criação de Paulo Barros é solitário esecreto, ele jamais compartilha uma ideia antes de concretizá-la em um projetocoletivo.Também se recusa a detalhar, explicar o que já fez. (Briso-2011).
  15. 15. Isso confere a importância do carnavalesco na criação de imagensdiretamente ligadas ao enredo de maneira criativa. No processo de criação de fantasias, adereços e alegorias, a primeira coisaque acontece com a cabeça do carnavalesco é imaginar, querer descobrir odesconhecido, é deixar fluir as idéias para depois configurá-las. O ato criador,estrutura e organiza o mundo, respondendo aos desafios que dele emanam, numconstante processo de transformação do homem e da realidade circundante(OSTROWER, 2006). O produto da ação criadora, a inovação, é resultante doacréscimo de novos elementos estruturais ou da modificação de outros. Regido pelanecessidade básica de ordenação, o espírito humano cria, continuamente, suaconsciência de existir por meio de manifestações diversas (PCNs /arte, 1997,p.21). Após as ordenações ideológicas, o carnavalesco, as configura, passa aformá-las, entrando nessa etapa, o desenho. E, caso não possua habilidades para odesenho, recorre ao trabalho de um desenhista. Ostrower diz que: O homem elabora seu potencial criador através do trabalho[...]. A criação se desdobra no trabalho porquanto este traz em si a necessidade que gera as possíveis soluções criativas.Nem na arte existiria criatividade se não pudéssemos encarar o fazer artístico como trabalho, como um fazer intencional produtivo e necessário que amplia em nós a capacidade de viver (OSTROWER,2008, p.31). Na criação das alegorias, primeiramente, é feita uma planta baixa, ou seja ,um desenho, conforme nos explica Magalhães (1977,p.78) “Uma planta baixa e umavista frontal, em escala, são suficientes para sua execução básica”. Já o desenhodas fantasias têm forma bidimensional e a partir deles é que são feitos os protótipospara serem distribuidos entre as alas. O protótipo visa garantir o efeito visual dasfantasias, confirma Cavalcanti (2006,p.191). É nesse mundo interior, como diz Fayga (2008) onde a emoção permeia ospensamentos e o criar, tido como um processo existencial, parece afluirinstantaneamente, e a intuição para a criação, adentra a mente criativa doscarnavalescos.
  16. 16. 1.2 – Processos Produtivos (Etapas de construção das alegorias) Glória a quem trabalha o ano inteiro. Em mutirão São escultores, são pintores, bordadeiras São carpinteiros, vidraceiros, costureiras Figurinista, desenhista e artesão Gente empenhada em construir a ilusão...(Pra tudo se acabar na Quarta-Feira, Martinho da Vila – GRES Unidos de Vila Isabel, 1984) O olhar do idealizador é observador, sensível, curioso, pois o que concebeucomeça a tomar forma. É com o olhar atento a todos os detalhes que o criador docarnaval, acompanha o processo coletivo de produção das alegorias. No que serefere aos aspectos artísticos das alegorias, diz Cavalcanti (2006), o carnavalesco éautoridade máxima do barracão. A criatividade, estabelecida na produtividade coletiva das alegorias, segueterminantemente, todas as etapas de sua produção. Em qualquer escola de samba do Rio de janeiro, as etapas sãorigorosamente, cumpridas, afinal, o processo de sua produção é minucioso. Antes de iniciarem a produção das alegorias, um grupo de pessoascontratadas, desmonta aquelas do desfile do carnaval passado. Separam tudo quepuder ser reaproveitado para atual produção, caso contrário, o restante é descartadoe doado para escolas menores ou para a reciclagem. Geralmente, são estasmesmas pessoas se encarregam da organização do barracão para o inicio da novaprodução. Apesar dos conflitos, há interatividade entre o pessoal na construção coletivadas alegorias no interior do barracão, as quais examinaremos aqui: Com a planta em mãos começa o trabalho da ferragem. A ferragem émontada sobre o chassi de um caminhão, um suporte, ou seja, uma base desustentação. Os ferros são moldados de acordo com o desenho, em seguida, oferreiro vai soldando-os e aos poucos começa a tomar forma, o processo édemorado, precisa ser bem feito para poder sustentar tudo que será acrescentadoem cima dele. Isso requer dos ferreiros certa força, pois o ferro é um materialpesado, é preciso também ter muito cuidado para não se queimarem com a solda.Em seguida, os carpinteiros, “dão forma ao carro”, serram a madeira e revestem aestrutura de ferro, munidos dos projetos gráficos desenhados pelo carnavalesco,aonde vem especificadas as dimensões dos carros (CAVALCANTI-2006). Deve ser
  17. 17. tudo bem pregado para garantir a segurança dos integrantes (destaques) quedesfilarão acima. Magalhães (1997, p.85) diz que “Os carpinteiros também fornecem as peçasde decoração dos carros [...] portas, colunas, tetos especiais, mobiliário, que depoisserão levados para a pintura e acabamento. Outro recurso para agilizar a confecçãodos carros, aponta Magalhães (1997, p.85), é o desenhista ampliar o desenho numaescala de 1.1 e traduzir para a madeira o encaixe do que foi definido no projeto”. Finalizadas as etapas de ferragem e carpintaria, o mecânico posiciona asrodas e o volante do carro, o correto mesmo, seria fazer o trabalho de mecanismo,antes do revestimento, para não correr o risco de danificar a madeira. Outra pessoase encarrega de colocar os pneus. No barracão de uma escola de samba, a escultura recebe a denominação dearte, correspondendo, assim, ao núcleo expressivo do carro alegórico, contaCavalcanti (2006). Elas dão uma vida toda especial aos carros, completa Magalhães(1997). 1 Antigamente, as esculturas eram em tabatinga .O trabalho era muito delicado, sujeito a rachadura, necessitando de uma estrutura interna para segurar o molde de barro, que depois era reproduzido em gesso para só então ser feito de papier mâché2. Assim eram feitas as esculturas desse universo mágico até o advento do isopor, o que não invalidou as técnicas antigas. (MAGALHÃES, 1997, p. 59). Há algum tempo as escolas de samba, aderiram ao isopor, um material maisleve, consistente e bem macio para ser esculpido. A modelagem das esculturasdepende muito do trabalho da moldagem, realizado anteriormente, pois se a formanão for precisa pode dificultar e muito o trabalho do escultor (CAVALCANTI, 2006).Uma das qualidades esperadas do escultor nesse processo é a paciência, nos contaCavalcanti (2006). Os blocos de isopor são riscados e aos poucos vão sendo desbastada, contaMagalhães (1997), a modelagem é feita por partes e com muito cuidado para nãofazer cortes no isopor. Nesse processo, Magalhães (1997) observou o uso deinstrumentos como os facões e Cavalcanti, (2006) o serrote.1 tabatinga: argila de coloração variada.2 papier mâché: massa composta por uma mistura de cola com papel, água, uma pitada de formol ouvinagre para sua conservação, e farinha de trigo. Essa massa é utilizada para modelar.
  18. 18. Depois de pronta, a escultura precisa ser lixada, e o instrumento maisutilizado para esse processo e considerado incomum para quem não conhece otrabalho no interior de um barracão, é o ralo de lata de sardinha, artesanalmente,feito com furos de pregos, obtendo, assim, melhor acabamento e resultado(CAVALCANTI, 2006; MAGALHÃES, 1997). No barracão, surgem outros instrumentos artesanalmente adaptados namodelagem do isopor, como: serras retorcidas, facas afiadíssimas, giletes, estiletes,arames em formato de ganchos, espetinhos para churrasco, copinho descartávelpara misturar cola, varetas de tamanho e espessura variadas. As peças esculpidassão coladas com cola a base de poliuretano, que ao entrar em contato com o ar seexpande, não é inflamável, ao contrário das colas comuns (CAVALCANTI, 2006). Continuando, conta Magalhães (1997) coladas essas partes, o molde deisopor é revestido por uma camada de papel mâché, chamada de “empastelação”, énecessário ficar bem lisa para receber a moldagem de uma mistura de gesso comsisal que seca em vinte e quatro horas. Daí, então, retira-se o molde de isopor que,frequentemente estraga, a salvo poucas partes são reaproveitadas. Cavalcanti nos atenta para uma curiosidade observada na escultura emisopor: Seu caráter oculto e efêmero. As formas esculturais em isopor são raramente vistas. O escultor que trabalha com isopor é como que um artista escondido: excetuando o caso de peças únicas, as peças em isopor não fazem parte da composição do carro alegórico. Na maior parte das vezes são simplesmente moldes. (CAVALCANTI, 2006, p.163) No barracão, a escultura em isopor é criação, afirma Cavalcanti (2006), porisso a ideia que ela passa de “arte”, sua forma é idealizada pelo carnavalesco eindicada no desenho. E, seu escultor um artista, pois, “ao transpor o desenho para aforma e dar a peça seus limites e muitas vezes, até sua expressão, o escultor éapreciado como artista”. O processo de “bater fibra de vidro”, na opinião dos profissionais dessa áreano barracão, é um trabalho árduo e perigoso. Primeiro, porque a fibra de vidro é ummaterial químico, a base de resina, catalisador e cobalto. Nos dias mais quentes,essa mistura tem que ser mais fraca, se não endurece antes de lhe dar a forma.Segundo, porque é inflamável, e é apagada com talco, conta Cavalcanti (2006).
  19. 19. O processo de bater fibra de vidro consiste em: abrir o molde de gesso jáseco e espalhar rapidamente no interior do gesso pedaços do manto de fibra,pincelando por cima a mistura de cobalto, etileno e catalisador. Exemplificando, omolde de gesso é aberto em duas partes e forrado com pedaços de trama de fibrade vidro, pinceladas com duas camadas de resina, dissolvendo- a. A secagem érápida. Corta os excessos de material com tesoura, desprende a fibra do molde edeixa-a repousar para endurecer bem. Depois é só costurar suas partes, uma naoutra, explica Cavalcanti (2006). A pintura é uma das fases finais da confecção de um carro alegórico, RosaMagalhães (1997) refere-se à fase como “pintura de arte”. Relacionados aosaspectos específicos da decoração, Cavalcanti (2006) menciona a pintura, como oponto alto da decoração e destaca também a espelhação e o movimento dos carrosalegóricos. Na pintura, conta Magalhães (1997), normalmente, usam a tinta a base dePVA, ela seca rapidamente e por ser diluída em água, não é muito tóxica. Algumascores são compradas prontas, outras são preparadas no barracão, mas dependendoda tonalidade desejada recebem pigmentos industriais. Os pincéis por causa dassuperfícies diferentes sofrem um tremendo desgaste. As características básicas dopintor de alegorias exigem que ele seja, além da habilidade para a pintura, serobservador e paciente. Na finalização, Magalhães (1997, p.99) diz que, um dos lugares maisinteressantes no barracão de uma escola de samba é a parte de adereços. “Adereçoabrange forração, decoração e acabamento”. Lá, todo tipo de material pode seraproveitado e reutilizado, como também transformado, como: saltos de tamancos,rolhas de cortiça, coador de café e tantos outros mais. Certa vez tivemos que consumir refrigerantes de dois litros, cujas garrafas verdes transparentes iam sendo colecionadas, Quando já tínhamos uma boa quantidade, disseram que as verdes eram suficientes; precisavam, a partir dali, das de cor branca-[...] que acabaram se transformando em mangas de lustres do século XIX(MAGALHÃES, 1997,p.99).Diante da possibilidade de transformação de objetos insólitos, em materialdecorativo, observamos o quanto à criatividade é estimulada no barracão de umaescola de samba, assinalando assim as qualidades de um aderecista: habilidademanual e criatividade para transformar. (MAGALHÃES, 1997)
  20. 20. Enriquecendo o visual, tecidos, lantejoulas, plumas, espelhos e outros,completam o luxo dos carros e assim que terminam a decoração, a tecnologia entrapara dar os devidos movimentos às esculturas. Mesmo prontos, na concentração a equipe de decoração, ainda lhes dãoalguns retoques finais, antes de se apresentarem na passarela do samba.
  21. 21. CAPÍTULO 2 – CARNAVAL E ESCOLA “O intercruzamento de padrões estéticos e o discernimento de valores devia ser o princípio dialético a presidir os conteúdos dos currículos na escola, através da magia do fazer, da leitura deste fazer e dos fazeres de artistas populares e eruditos, e da contextualização destes artistas no seu tempo e no seu espaço.” (Barbosa-2007.p, 34). Nos aspectos gerais, o carnaval do Brasil é reconhecido como uma das festasmais populares da nossa cultura. E, essa manifestação da cultura popular brasileiraé comemorada de diferentes formas nas regiões do nosso país. No Rio de janeiro,essa festividade representa-se na forma de desfile das escolas de samba, o que atransformou numa grande atração, mundialmente conhecida. O carnaval e os desfiles das escolas de samba tornaram-se conteúdo deaprendizagem do currículo escolar, contribuindo para a construção e divulgação deimagens da nossa cultura. O conjunto do desfile traz elementos presentes nasexpressões artísticas, das artes visuais, dança, música e teatro. Segundo, Maciel e Pulino (2009, p.311), “ao se pensar sobre o ensino-aprendizagem de artes, deve-se considerar a relação entre pessoas, envolvidas noprocesso de conhecer, produzir e criar arte”. E, se “a escola é o lugar do encontroentre pessoas que entram em contato com a produção popular e cultural construídaao longo da história” (MACIEL-PULINO, 2009, p.311). Deste modo, ela deveoportunizar diversos momentos que potencializem o desenvolvimento daspotencialidades criativas, como também a formação dos valores culturais de seusalunos, e o carnaval, por ser uma manifestação cultural relevante em nosso país,cumpre com esse objetivo.
  22. 22. 2.2 – O Carnaval e a escola: formação e desenvolvimento dos valores culturaisdos alunos do ensino fundamental II A formação do indivíduo, da sua identidade, é um processo social, cultural ehistórico e se dá por meio das relações formais e informais na sociedade, pois namedida em que age no mundo e relaciona-se com os outros, constitui-se, participada construção da sociedade e da cultura (MACIEL-PULINO, 2009, p.313). Os alunos em questão, especificamente, os do ensino do ensino fundamentalII atravessam uma fase de criação da própria poética, é nesse momento da vida quepassam a se aproximar mais das questões do mundo dos adultos, compreendendo-as dentro das suas possibilidades (PCNs/artes,1997). Mudam também as formas deexpressão e o modo de representação, tornando-se mais analíticos e descritivos(OSTROWER, 2006). O interesse por valores diferentes dos seus aumenta, deacordo com as valorações da cultura em que vive. (OSTROWER, 2006). Ostrower (2006) fala que nessa fase o aluno fica exigente e muito crítico emrelação à própria produção, justamente porque nesse momento de seudesenvolvimento já pode compará-la, de modo mais sistemático, às do círculo deprodução social ao qual tem acesso. Dada, essas características, consideremos então, que nesse período acriança é menos espontânea e menos criativa nas atividades artísticas em relaçãoao período anterior à escolaridade (PCNs/artes, 1997). Um dos papeis da escola é acolher a diversidade do repertorio cultural que oaluno traz de casa e ensinar valores importantes para o convívio em sociedade.(PCNs/artes, 1997). Assim ele saberá reconhecer e trabalhar, os aspectos do desfilede carnaval, como “fenômeno artístico presente na mais distinta manifestação quecompõem os acervos da cultura popular” (PCN /artes, 1997, p.37). E, ainda,reconhecerão nas relações estabelecidas e nas possíveis ordenações dosfenômenos, nas opções, decisões, ações, que nos acompanham, nos conflitos quepossam causar ou nas alegrias, saberão que as coisas se definem para nós a partirde avaliações internas e, assim, os valores participam do nosso diálogo com a vida(OSTROWER, 2006, p.101).
  23. 23. No contexto escolar, tem se descoberto o carnaval como ferramentapedagógica de grande contribuição na formação dos valores culturais, nodesenvolvimento criativo e cultural dos alunos. No conjunto do desfile das escolas de samba, entram em cena todas asexpressões artísticas e suas formas de expressão, desde a elaboração do enredoaté a entrada da escola na avenida. Os sambas-enredo, por exemplo, geralmente,falam sobre a história do Brasil e estes, se associados ao conteúdo escolar comoproposta de atividades culturais, poderá manter a “qualidade da ação pedagógicaque considera tanto as competências relativas à percepção estética, quanto àquelasenvolvidas no fazer artístico e podem contribuir para o fortalecimento da consciênciacriadora do aluno” (PCNs/arte, 1997,p.36). Com suas valorações, o contexto cultural orienta os rumos da criação e essesvalores participam do nosso diálogo com a vida (OSTROWER, 2006, p.101).
  24. 24. 2.3 - Uma proposta pedagógica de como trabalhar os processos criativoscarnavalescos das escolas de samba do Rio de Janeiro com alunos do ensinofundamental IITema do projeto: Contribuições do Samba-enredo para a interpretaçãohistórica da abolição da escravidão no Brasil.A letra de um samba-enredo, geralmente, está associada ao contexto histórico emque foi produzida, contudo ela poderá tornar – se uma ótima ferramenta pedagógicapara ser trabalhada interdisciplinarmente em projetos escolares. O samba-enredoescolhido tem conteúdo histórico, capaz de estabelecer relações existentes nahistória do Brasil e nas Artes Visuais, abrangendo o campo da cultura popularbrasileira. O samba-enredo pode ser visto como meio de expressão artística e formade conhecimento. Mais do que o ensino, a aplicação da pesquisa na escola conduz ao domínio das habilidades didáticas renovadoras pela discussão, pela leitura, pela observação, pela coleta de dados para comprovação de conjecturas sobre os fatos, pela análise criativa das deduções, conclusões e, sobretudo, pela reconstrução do conhecimento a partir daquilo que os alunos já sabem (NININ-APUD-MARTINS, 2001). O proposto projeto aborda um acontecimento histórico do Brasil, através daletra do Samba-enredo “Liberdade, Liberdade abre as asas sobre nós”. No contextogeral o projeto reúne, pesquisa, arte, história do Brasil, música, dança, fotografia eexposição. A proposta pedagógica de composição fotográfica sugere um visual decores e brilhos da história da nossa cultura popular.Letra do Samba-enredo da escola de samba Imperatriz LeopondinenseLiberdade, Liberdade abra as asas sobre nós -1989.Compositores: NiltinhoTristeza, Preto Jóia, Jurandir,VicentinhoIntérprete: Dominguinhos da Estácio.(Estrofes trabalhadas em negrito)Vem, vem reviver comigo amorO centenário em poesia
  25. 25. Nesta pátria-mãe queridaO império decadente, muito rico, incoerenteEra fidalguia e por isso que surgemSurgem os tamborins, vem emoçãoA bateria vem, no pique da cançãoE a nobreza enfeita o luxo do salãoVem viver o sonho que sonheiAo longe faz-se ouvirTem verde-e-branco por aíBrilhando na SapucaíDa guerra nunca maisEsqueceremos do patrono, o duque imortalA imigração floriu, de cultura o BrasilA música encanta, e o povo canta assimPra Isabel, a heroína, que assinou a lei divinaNegro dançou, comemorou, o fim da sinaNa noite quinze e reluzenteCom a bravura, finalmenteO marechal que proclamou foi presidenteLiberdade! liberdade!Abra as asas sobre nósE que a voz da igualdadeSeja sempre a nossa voz A proposta pedagógica, objetiva valorizar, incentivar e promover o contatocom as manifestações da nossa cultura. Como levar os alunos a reconhecer asinfluências africanas e a origem da cultura afro-brasileira nas linguagens artísticas.Promovendo atividades para o desenvolvimento das potencialidades dos estudantesnas linguagens artísticas, Artes Visuais, Dança, Música, Artes Cênicas. A fim de,ampliar e desenvolver o repertório da cultura popular através da pesquisa. Comotambém proporcionar atividades diferenciadas utilizando os elementos das ArtesVisuais como recurso de exploração da criatividade dos alunos. Tendo comoconteúdo específico a Interpretação e Composição fotográfica histórica. Essa proposta será trabalhada com alunos do Ensino Fundamental II, mais
  26. 26. precisamente com alunos do sétimo ano, e para bom aproveitamento das atividades,estimamos um tempo de, aproximadamente, cinco a seis horas/aulas. Alguns materiais serão necessários nas aulas, então, utilizaremos naspesquisas o livro “Fazendo carnaval” de Rosa Magalhães e o computador/Internet.Na TV e no aparelho de dvd, assistiremos ao vídeo da escola de samba referente aotema, já no aparelho de CD ouvirão os sambas da escola de samba e o Abre alas.Os alunos se encarregarão de trazer para escola, roupas que possam representar aépoca ou fantasias de carnaval que retratem o tema (as fantasias poderão serdisponibilizadas pelas escolas de samba da cidade) e alguns acessórios paracompor o visual da época. Usarão caderno e caneta para o registro das informaçõescolhidas. Munidos de câmera fotográfica, os alunos farão o registro da composição. No desenvolvimento das aulas, primeiramente o professor compartilhará oprojeto samba-enredo com os alunos, propondo um debate para saber o que osalunos sabem sobre o assunto, feito isto, explicará os alunos os procedimentos, ametodologia adotada. No segundo momento, irá propor que os alunos pesquisem via internet e nolivro sobre a formação cultural do samba com roteiro sugerido, o enredo e o contextohistórico em que foi produzido. Relacionar a origem do samba e comparar com osurgimento do samba trabalhando o contexto histórico cultural brasileiro, registrandono caderno. Os alunos farão analogias com os carnavais passados e os daatualidade. No terceiro momento, o professor mostrará o vídeo da Escola de SambaImperatriz Leopoldinense em homenagem ao centenário da Proclamação daRepública, cujo tema é “Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós”. Apósassistirem ao vídeo realizaremos um debate para discutirmos sobre as impressõesaudiovisuais: cores das escolas, seqüência dos carros alegóricos, fantasias, alas,registrando tudo no caderno. Na quarta aula, o professor apresentará a letra do samba-enredo, propondoque os alunos cantem junto com a gravação da escola de samba, farão também aaudição do primeiro samba–enredo: “Abre alas” de Chiquinha Gonzaga. Com isso,estabelecerão relações entre os diferentes samba-enredos: a velocidade e o ritmomudaram. Atualmente é mais rápido e antes era uma marcha. Questionando asdiferenças, por exemplo, antes não tinha o sambódromo, os carnavais eramcomemorados pelas ruas da cidade. Coletivamente, os alunos realizarão atividades
  27. 27. rítmicas, cantando os dois sambas enredo e batendo com a mão na carteira(pulsação), observando que a velocidade do samba enredo atual é mais rápido,contextualizando a história. Na finalização das atividades, os alunos separarão as roupas adequadas efarão a composição fotográfica, uns fotografando os outros. Depois de reveladas asfotos, os alunos selecionarão as fotos e as colocarão em mural no pátio da escolapara apreciação da comunidade escolar. Para que a avaliação tenha sentido e seja útil para os alunos, o ideal é que sefaça uma análise coletiva das produções. Em seguida abrir comentários para queeles mesmos possam observar o que está bom e o que poderia ser melhorado.Lembrando de estabelecer critérios objetivos, como a compreensão do conteúdotrabalhado no samba-enredo como fonte de informação cultural. Saber dos alunos oque acharam relevante na proposta do projeto e o que poderia ser feito paramelhorar, propondo soluções para os problemas encontrados, esclarecendo aspossíveis dúvidas dos alunos. Numa proposta interdisciplinar, juntamente com a disciplina História do Brasil,por exemplo, o professor de história, poderá trabalhar os conhecimentos relativos àorigem do samba, a passagem do enredo para samba-enredo, a escravidão noBrasil e a consolidação da abolição promulgada a partir da assinatura da Lei Áureaem 1888. Partindo da letra do samba de enredo proposto e, também outros sambasenredo das escolas de samba do Rio de janeiro, cujas letras levantem a mesmatemática, os alunos realizarão atividades, partindo para pesquisa sobre o surgimentodo samba no Brasil e o significado do enredo no contexto carnavalesco. Num outro momento, os alunos farão à interpretação das letras e o professorpromoverá um debate entre os alunos para certificar se eles descobriram quaisestrofes na letra dos sambas referenciam a abolição da escravatura. Feito oreconhecimento, eles apontarão se estas referências são alusivas ou diretas. Depoisdiscutirão com os colegas e o professor o que fora percebido. Tomando como base as referências, os alunos poderão fazer associações eresponder algumas questões no caderno, a fim de reconhecerem quem foi oresponsável pela abolição da escravatura no Brasil, justificando suas respostascitando uma estrofe da música. Descobrirão, mesmo que de forma alusiva, a letrados sambas exalta outros mitos, outros heróis e a partir daí, os alunos descreverão
  28. 28. quem são eles, o período das suas ações, e a devida importância na História doBrasil. Os alunos pesquisarão outros sambas-enredo que fazem interpretaçõeshistóricas sobre a abolição da escravidão e citarão dois ou três deles, respondendotambém, qual samba-enredo encontrado assemelha-se à História Oficial sobre aabolição, fundamentando suas respostas. Registradas e socializadas, iniciaremos um debate das respostas, sob aorientação do professor. Essas atividades poderão ter a duração de cincohoras/aulas. Através da pesquisa, os alunos poderão aprender como se deu aformação cultural do Brasil, a Abolição da Escravatura e os eventos da Proclamaçãoda República. Obterão conhecimentos sobre fatos sociais, culturais e históricos,marcantes da nossa história.
  29. 29. CONCLUSÃO Com base no trabalho exposto, podemos reconhecer o valor cultural docarnaval e sua contribuição na promulgação da cultura popular brasileira. Permeado por valores e contribuições, os desfiles de carnaval do Rio deJaneiro, nos aspectos gerais, nos mostra a capacidade de expressão e criatividadede um povo na produção artística, tanto que se tornou tema de muitas dissertaçõesacadêmicas. No contexto carnavalesco, os desfiles das escolas de samba do Rio deJaneiro são valiosas referências para divulgação da nossa cultura, assim como oselementos que compõem seu conjunto. Dos elementos dessa composição,investigamos as contribuições das alegorias carnavalescas como elemento deformação e desenvolvimento dos valores culturais dos alunos do EnsinoFundamental II, tendo como objetivo principal, o desenvolvimento de suaspotencialidades criativas. Os processos criativos e produtivos das alegorias carnavalescas contribuempara o desenvolvimento da criatividade dos alunos do Ensino Fundamental II peloestudo e reconhecimento dos elementos visuais que a compõem, como: linha, cor,luz, volume, textura e espaço. E a análise do processo de produção coletivo,corresponde ao desenvolvimento dos valores culturais dos alunos em questão. As alegorias para uma escola de samba são consideradas como arte popular,produzida pelo povo e apreciada por todos os povos. Sendo assim, é necessário reconhecer a importância dos elementos quecompõem os desfiles das escolas de samba para serem trabalhados no cotidianoescolar, como meio de valorização e promulgação da nossa cultura.
  30. 30. BIBLIOGRAFIAANTROPOLOGIA CULTURAL-Como opera a cultura. A PSICOLOGIA, ODESENVOLVIEMENTO HUMANO E O ENSINO-APRENDIZAGEM DE ARTES-Tornar-se ‘um de nós’: a identidade pessoal e social. O DESENVOLVIMENTOPSICOLÓGICO NA PSICOGÊNESE DA PESSOA, HENRI WALLON-O ritmo decada um. ARTES VISUAIS, MUSICA E TEATRO. / Thérèse Gofmam;FláviaMotoyama Narita;Ana Cristina Figueira Galvão(Organizadoras) – Brasília: UnB,2009.BARBOSA, Ana Mae Tavares. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novostempos. São Paulo: Perspectiva, 2008.CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. Carnaval Carioca: dos bastidoresao desfile. Rio de Janeiro: URFJ, 2006.BRISO, Caio Barretto -Revista- Istoé –Independente:Comportamento - N° Edição:2102 | 19. Fev.10 - 21:00 | Atualizado em 07.Nov.11 - 14:34. Disponível em:<http://www.istoe.com.br/reportagens/51822_O+NOVO+MAGO+DA+SAPUCAI>Acesso em 8 de novembro de 2001-10h: 45m.CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. Carnaval carioca: dos bastidores aodesfile. 3. ed.rev. ampl. Rio de Janeiro: EdUFRJ, 2006.MAGALHÃES, Rosa. Fazendo carnaval = The Making of Carnival. Rio de Janeiro:Nova Aguilar, 1997.NINIM, Maria Otilia Guimarães. Pesquisa na escola: que espaço é esse? O doconteúdo ou o do pensamento crítico?Educ.rev. no. 48. BeloHorizonte Dec. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-46982008000200002&script=sci_arttext>Acesso em 18 de setembro de2011.OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis: Vozes,2008.PARÂMETROS CURRICULARES NASCIONAIS: arte/Secretaria de EducaçãoFundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.130p.Revista Tijuca >CARNAVAL - 2011. O medo está no ar! A Sessão vai começar...Entrevista - Paulo Barros -O Ermitão Criativo, P.10.
  31. 31. VILA, Martinho. Pra tudo se acabar na Quarta-Feira. GRES Unidos de Vila Isabel,1994. Colocações. LIESA-Liga Independente das Escolas de Samba do Rio deJaneiro. Disponível em: <http://liesa.globo.com/>Acesso em 22 outubro de 20011.

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