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Thays Mara Almeida do CarmoA gravura no Ensino Fundamental em Sena Madureira-AC     Modificando a visão em arte e abrindo ...
Dedico este trabalho às pessoais mais importantes de minha vida, minha mãeFrancisca, meu esposo Paulo, à minha irmã Cristi...
AGRADECIMENTOS      Agradeço a Deus, meu Pai e Criador que ilumina meu caminho em todos osmomentos me fazendo superar barr...
O trabalho começa quando a gente descobre uma razão para ele.                                                 Rubem Grilo
RESUMO       Este trabalho apresenta uma proposta de atividade com estampa e gravuranas séries finais do ensino fundamenta...
LISTA DE FIGURASFigura 1: Alunos de 5ª série em sala de aula ............................................................ ...
SUMÁRIO1.	   ENSINO DE ARTE NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL............ 12	    1.1.	   Experiência e atribuição de...
INTRODUÇÃO      As atividades artísticas das escolas públicas necessitam despertar o interessedos estudantes, estimulando-...
periféricos e um conjunto residencial com um perfil socioeconômico diversificado.Grande parte dos estudantes da referida e...
1. ENSINO DE ARTE NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL      De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte ...
Ferraz e Fusari (1999) acreditam na formação escolar envolta com asvivências, com a descoberta de habilidades, os saberes ...
1.2. As Artes Visuais no Ensino Fundamental       De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte (PCN - Arte) ...
do autoconhecimento. Fatores indispensáveis para a condução das atividades nessafase reveladora de potencialidades dos est...
2. METODOLOGIA DO ENSINO DA ARTE      As práticas artísticas vivenciadas tanto no meio social quanto educacionalrefletem o...
metodologia a ser adotada, o envolvimento da turma com a disciplina e a definiçãodos procedimentos nas atividades que serã...
atividades festivas como o dia das mães, festa junina e projetos escolaresapresentados pelos alunos e o PSE (Programa Saúd...
3. CONTRIBUIÇÕES DA GRAVURA COMO EXPRESSÃO ARTÍSTICA NASSÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL      Observando-se o ensino de...
gravura. As mais comuns são a monotipia, que se caracteriza como técnica deestampa, visto que não há gravação antes da mat...
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Figura 1: Alunos de 5ª série em sala de aulaFonte: Arquivo pessoal, 2011.       Na disciplina de artes ministrada na escol...
Para as turmas de 5ª séries, como mostra a Figura 2, foi realizada atividadecom monotipia. Primeiro houve a apresentação t...
suas produções individualmente e alegaram ser mais fácil criar dessa maneira.Criaram, colaram e envernizaram suas matrizes...
desenvolvimento das atividades teóricas e práticas foram de quatro semanas, sendoexecutadas nos horários das aulas de arte...
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O processo de seleção da técnica a ser trabalhada na prática, em cada turma,foi realizado de acordo com a idade dos alunos...
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Foram poucos os conflitos que surgiram no decorrer das atividades. Um delesfoi a divergência de ideias e as característica...
CONCLUSÃO       Envolver as experiências cotidianas dos estudantes por meio de atividadespráticas articuladas com conceito...
fazer uma integração de teoria e prática com a demonstração dos materiais e iníciodas práticas, seguindo as instruções do ...
criatividade, em possibilidades que busquem em suas experiências cotidianasrecursos para embasarem seus estudos, desenvolv...
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASARSLAN, Luciana Mourão; IAVELBERG, Rosa. Ensino de arte. São Paulo:Thompson Learning, 2006 (Cole...
ANEXO A – PLANO DE AULA(Com adaptações para cada série de acordo com a técnica a ser desenvolvida)                   Conhe...
•   Realizar a prática, ressaltando que insiram a experiência cotidiana em suas       produções;   •   Fazer a exposição n...
uma folha de papel sulfite A4, fazendo a marcação das laterais da chapa na folha depapel para que as outras cópias tenham ...
Materiais:•   Pedaços de papelão                        •   Verniz•   Barbante                                  •   Pincéi...
•     Propor um registro escrito da prática realizada, no qual citarão os        conhecimentos adquiridos, as atitudes des...
com a lima. E logo faça o esboço em uma folha de sulfite o que vai ser riscado nachapa de alumínio.       Com a ponta seca...
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A Gravura no Ensino Fundamental em Sena Madureira-AC Modificando a visão em arte e abrindo novos leques

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A Gravura no Ensino Fundamental em Sena Madureira-AC Modificando a visão em arte e abrindo novos leques

  1. 1. UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE ARTES DEPARTAMENTO DE ARTES VISUAIS THAYS MARA ALMEIDA DO CARMOA Gravura no Ensino Fundamental em Sena Madureira-AC Modificando a visão em arte e abrindo novos leques Sena Madureira-AC 2011
  2. 2. Thays Mara Almeida do CarmoA gravura no Ensino Fundamental em Sena Madureira-AC Modificando a visão em arte e abrindo novos leques Trabalho de conclusão do curso Artes Visuais habilitação em Licenciatura, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Orientadora Profª Msª: Ludmila de Araújo Correia Sena Madureira – AC 2011
  3. 3. Dedico este trabalho às pessoais mais importantes de minha vida, minha mãeFrancisca, meu esposo Paulo, à minha irmã Cristina, minha avó Francisca e à razão do meu viver, minha filha Thalyn Paula.
  4. 4. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, meu Pai e Criador que ilumina meu caminho em todos osmomentos me fazendo superar barreiras e conquistar o impossível através da fé. À Profª Msª Ludmila de Araújo Correia que, com toda sua inteligência,paciência e solidariedade soube orientar fazendo com que o desenvolvimento demeu trabalho fosse o melhor possível. Sou grata aos colegas de curso que compartilharam comigo seusconhecimentos, suas dúvidas, preocupações e vitórias, em especial à Núcia Sabóiae à Maria Socorro Pinheiro. Agradeço ainda a meus colegas de trabalho que foram incentivadores desdeo início, tanto no meio profissional quanto pessoal. À Equipe gestora da Escola Municipal de Ensino Fundamental RaimundoHermínio de Melo, que me oportunizou a realização da pesquisa. A todos os professores e tutores, à distância e presenciais, do curso de ArtesVisuais, que compartilharam seu conhecimento comigo, tornando possível arealização dos quatro anos de estudo. E à minha família, que acompanha todos os momentos de minha vida, emespecial minha mãe que sempre batalhou para a concretização desse sonho, minhafilha e meu esposo que me deram forças nos momentos mais difíceis ecompreenderam as minhas ausências pela dedicação ao estudo. Agradeço à minhaquerida avó que cuidou de mim em vários momentos de minha vida e minha irmãque me amparou cuidando de minha filha nos momentos necessários. Meus irmãosem fé que me deram força e oraram por mim. Enfim, é um carinho a todos os queestiveram me dando forças para seguir e me ajudaram sempre que precisei.
  5. 5. O trabalho começa quando a gente descobre uma razão para ele. Rubem Grilo
  6. 6. RESUMO Este trabalho apresenta uma proposta de atividade com estampa e gravuranas séries finais do ensino fundamental da Escola Municipal de Ensino FundamentalRaimundo Hermínio de Melo, desenvolvida através de observação de aulas de arteem algumas turmas da escola citada. Através da observação foi detectada anecessidade de envolver os estudantes em atividades práticas, exposição de ideiase experiências cotidianas. A partir daí pode ser apresentada uma proposta que visaà introdução de atividades práticas de gravura e estampa despertando, verificando eincentivando algumas habilidades artísticas dos estudantes. A metodologia utilizadaconsiderou a valorização das experiências como fonte para o desenvolvimento dasatividades artísticas, com apresentações teóricas seguidas de práticas, influenciandono despertar de habilidades artísticas e reflexão de atitudes individuais e coletivas.Considerou-se as proposições de Ferraz e Fusari (1999) com os encaminhamentosmetodológicos em Arte, Marzari (2006) com reflexões sobre o desenvolvimento atualdas atividades artísticas no ambiente escolar, Costella (2006) com parte da históriada gravura e das impressões gráficas, formas de produção e explicações detalhadassobre os procedimentos nas técnicas e Pillar (2008), que faz a diferenciação doolhar e o ver para a compreensão de produções artísticas, além de outros autoresque apresentam conceitos e procedimentos nas técnicas de estampa e gravura. Osquestionamentos que surgiram do desenvolvimento da proposta evidenciam como agravura pode ser uma possibilidade interessante, no ambiente escolar, de se fazercom que os estudantes representem e se comuniquem através da arte,evidenciando suas experiências cotidianas.Palavras-chave: Ensino de artes visuais, Ensino fundamental, Gravura, Expressãoartística.
  7. 7. LISTA DE FIGURASFigura 1: Alunos de 5ª série em sala de aula ............................................................ 18  Figura 2: Prática de monotipia na 5ª série ................................................................ 18  Figura 3: Prática de colagraf na 6ª série ................................................................... 19  Figura 4: Exposição de colagraf na 6ª série .............................................................. 20  Figura 5: Turma da 6ª série ....................................................................................... 22  Figura 6: Minha casa ................................................................................................. 22  Figura 7: Tranquilidade.............................................................................................. 23  
  8. 8. SUMÁRIO1.   ENSINO DE ARTE NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL............ 12   1.1.   Experiência e atribuição de significados no ensino de artes visuais .............. 12   1.2.   As Artes Visuais no Ensino Fundamental ....................................................... 10  2.   METODOLOGIA DO ENSINO DA ARTE .............................................................. 12   2.1.   Observação e registro escrito nas aulas de arte como estratégias de ensino 13  3.   CONTRIBUIÇÕES DA GRAVURA COMO EXPRESSÃO ARTÍSTICA NASSÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL ........................................................ 15   3.1.   Conhecendo a gravura ................................................................................... 15   3.2.   Trabalhando a gravura nas séries finais do ensino fundamental ................... 17   3.3.   Proposta de plano de aula .............................................................................. 23  
  9. 9. INTRODUÇÃO As atividades artísticas das escolas públicas necessitam despertar o interessedos estudantes, estimulando-lhes a liberdade de pensamento, a reflexão e oenvolvimento pessoal com o que produz. Em determinados contextos socioculturais,ao despertar o interesse do aluno pelas atividades artísticas podemos contribuir parao desenvolvimento intelectual dos mesmos, expandindo seu campo deconhecimento e intercalando-o com as experiências de seu cotidiano. Por meio de observação parcial realizada na Escola Raimundo Hermínio deMelo, em Sena Madureira, foi detectado o reflexo dos problemas familiares e sociaisno comportamento dos estudantes em sala de aula e, também, a falta de atividadesnas quais esses alunos possam concentrar suas energias. Acredita-se que uma proposta de trabalho que explore as experiênciascotidianas dos alunos, dentro do ambiente escolar, possa servir de base paradiscussão e reflexão sobre suas atitudes pessoais antes, durante e depois dosprocedimentos práticos. Conforme afirmação de Arslan e Iavelberg (2006) sobre o ensino de artes,“projetos motivam os alunos, seus interesses e curiosidades têm espaço na sala deaula” (ARSLAN e IAVELBERG, 2006, p.105). Nesse sentido, o envolvimento comprojetos que trabalhem as linguagens artísticas como, por exemplo, a gravura, podeauxiliar na redução de conflitos pessoais e interpessoais, viabilizando aos alunosoportunidades de se expressem e trabalharem o respeito às individualidades, àslimitações e às experiências dos estudantes. A apresentação da gravura como expressão artística pode envolver tanto asexperiências quanto a curiosidade dos alunos ou apontar um caminho diferente dasatividades artísticas normalmente desenvolvidas em sala de aula. No ensino fundamental os estudantes necessitam ter seus conhecimentosprévios ativados para a formação de conceitos, atitudes e valores pessoais combase na própria experiência. E nas séries finais é interessante haver umencaminhamento dos trabalhos educativos no sentido de valorizarem a arte comoparte de seu cotidiano. A opção pela Escola Municipal de Ensino Fundamental Raimundo Hermíniode Melo se deu devido à localização, visto que esta se encontra entre bairros 10
  10. 10. periféricos e um conjunto residencial com um perfil socioeconômico diversificado.Grande parte dos estudantes da referida escola vivenciam diariamente problemassociais como violência doméstica, drogas, trabalho infantil e outros que,possivelmente, podem ser percebidos em suas atitudes individuais, coletivas e sãoexpressos nas produções em sala de aula. Foram realizadas práticas com os alunos da referida escola, iniciando-se comobservação do ambiente escolar. Em seguida, verificou-se os conhecimentosprévios e realizou-se apresentação teórica aos alunos, para formulação dosconceitos e contatos com trabalhos produzidos pelos alunos de Artes Visuais daUAB/UnB. Para as práticas nas turmas, foi proposta a ordem: monotipia nas 5ª séries,colagraf nas 6ª séries e ponta seca nas 7ª e 8ª séries do ensino fundamental. Mas,em todas as turmas serão expostas as produções dos alunos e a será realizada asocialização do percurso e dos conhecimentos adquiridos, para verificar como serãoinseridas as características pessoais dos estudantes. Nos capítulos que compõem o desenvolvimento desse trabalho serãoabordados: 1) a importância do ensino da arte nas séries finais do ensinofundamental; 2) as relações entre as experiências cotidianas dos estudantes e asatividades práticas; 3) algumas técnicas de gravura; e 4) uma proposta para inseriressa linguagem nas atividades desenvolvidas em sala de aula.Objetivo Geral: • Contribuir com proposta que envolva a gravura nas séries finais do ensino fundamental, visando demonstrar sua potencialidade enquanto forma de expressão e linguagem artística.Objetivos Específicos: • Demonstrar como a gravura pode ser inserida no ambiente escolar enquanto forma de expressão e linguagem artística; • Verificar as habilidades artísticas necessárias para o trabalho com gravura; • Analisar como a linguagem da gravura é recebida pelos estudantes e o envolvimento dos mesmos com suas produções; • Apresentar proposta envolvendo gravura, a ser executada nas séries finais do ensino fundamental da Escola Raimundo Hermínio de Melo. 11
  11. 11. 1. ENSINO DE ARTE NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte (1998), se faznecessário o trabalho em sala de aula com as diversas linguagens artísticas. Aatribuição de significados instiga a utilização das experiências cotidianas erepresenta um recurso a ser explorado pelas artes visuais em atividades práticas naformação do estudante. Depois de muitas discussões, acertos e debate entre educadores no intuito decomprovar a necessidade da disciplina no currículo escolar, a Arte ocupa uma cargahorária de 40 horas anuais nas séries finais do ensino fundamental das escolaspúblicas, conforme apresenta os Cadernos de Orientação Curricular, 2008. Acreditamos que o contato com a arte e especialmente com a gravura podeestimular o desenvolvimento da expressão, favorecendo ao homem criar um diálogode seu interior com o exterior. Esta questão é importante nos anos finais do ensinofundamental por estarem os estudantes em um momento relevante de seu odesenvolvimento estético, criativo, pessoal e emocional.1.1. Experiência e atribuição de significados no ensino de artes visuais O aluno não é um ser isolado, que chega vazio e deve ser preenchido. Suasexperiências nos contatos anteriores com obras de arte e participação em atividadescom imagens não devem ficar esquecidas em ações educativas envolvam artesvisuais. Ao se observar o campo educacional atual é notório que há poucas relaçõesentre a experiência prévia dos estudantes e o conhecimento que lhe é trazido emsala de aula, ocorrendo muitas atividades de reprodução de obras já existentes.Deixa-se, assim, lacunas no processo de ensino/aprendizagem em arte. Pillar (2008) defende que o “domínio da imaginação, da percepção, é umadas funções da Arte na escola” (p.71). Tal fato ocorre quando se valoriza aimaginação por meio de situações que instiguem certo desprendimento da teoria e autilização da prática nas atividades em sala de aula. A ideia de Marzari (2006)relacionada com a autora supracitada, no sentido de deixar fluir a imaginação pormeio do conhecimento, da reflexão e da prática. No âmbito educacional, trabalhar com a arte possibilita aos estudantesilustrarem seu cotidiano, transformando-o em produção ao contextualizar seustrabalhos e desenvolver o processo criativo e participativo. 12
  12. 12. Ferraz e Fusari (1999) acreditam na formação escolar envolta com asvivências, com a descoberta de habilidades, os saberes básicos e a busca designificação dos elementos artísticos. Para tanto, se faz necessária umareformulação curricular que atenda à visão contemporânea do ensino de artesvisuais. Marzari ressalta que a “arte desempenha um papel relevante na educação doindivíduo. Ela constitui um processo complexo que envolve diversos elementos daexperiência do aluno” (Marzari, 2006, p.168). Essa afirmação faz referência aosaspectos teórico-práticos do processo artístico, nos quais o estudante deve serenvolvido em atividades que possam corresponder às suas necessidades interiores. Dessa forma “o universo da arte exige muito mais de cada um de nós, exigemais do que a leitura de seus elementos formais, pois a gramática das artes visuaisrepresenta uma das muitas possibilidades de leitura de imagem.” (AZEVEDO, 2008,p. 340). Esta ideia contrapõe-se ao que ocorre usualmente, quando se propõeobservar uma obra e tentar adivinhar o pensamento do autor. O professor pode,entretanto, apresentar situações de desafio à imaginação dos estudantes, abrindoespaço a seus modos de pensar, além de introduzir suas vivências cotidianas comorecurso de aprendizagem. As diferenças entre “olhar” e “ver”, ressaltada por Pillar (2008), demonstram anecessidade de deixar a limitação do simples olhar e mergulhar no universo do ver,buscando-se analisar, refletir e interpretar a arte. Com isso, leva-se tanto o artistaquanto o observador a terem diferentes percepções de uma mesma obra, atribuindo-lhe significados distintos. Por exemplo, ao analisar uma gravura, o olhar e a formade ver dependem da história de vida e dos saberes daquele que se depara com aobra, ou seja, o espectador. Já do ponto de vista do artista, a objetividade da prática,os procedimentos e a técnica utilizada, assim a subjetividade dos sentimentosexpostos na produção demonstra os traços pessoais presentes nas obras, mesmose produzidas com a mesma técnica e procedimentos que outros artistas. Assim, a compreensão da arte, o olhar e o ver e a leitura de imagensremetem a uma diversidade de significados dependentes das vivências de cada um,bem como das relações criadas entre o figurativo, o concreto e o verbal, ao buscar-se uma definição ou explicitação para uma determinada imagem. 13
  13. 13. 1.2. As Artes Visuais no Ensino Fundamental De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte (PCN - Arte) osestudantes das séries finais do ensino fundamental possuem autonomia pararealizar suas atividades individuais e coletivas relacionando teoria e prática,desenvolvendo argumentações pertinentes aos assuntos abordados e tendo umavisão ampliada do universo no qual se encontram inseridos. Os estudantes das séries finais do ensino fundamental podem articular suasexperiências pessoais em outros campos do conhecimento, como, por exemplo, asquestões sociais, políticas e interdisciplinares em arte. Segundo os PCN, nesseperíodo de estudo os alunos encontram na disciplina de arte: [...] entendimento sobre os conteúdos, materiais e técnicas com os quais se esteja trabalhando, assim como a compreensão destes em diversos momentos da história da arte, inclusive a arte contemporânea. Para tanto, a escola, especialmente nos cursos de Arte, deve colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de experiências de aprender e criar, articulando percepção, imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e grupal (BRASIL, 1998, pág. 63). As Artes Visuais devem, portanto, ser inseridas no meio educacional comoforma de envolver os estudantes com atividades, nas quais trabalhem suasexperiências pessoais e se expressem por meio de linguagens, oportunizando-se ocontato com técnicas que auxiliem em sua formação e desenvolvimento intelectual,estético e afetivo. Para Marzari (2006), a arte nos contextos escolares não é valorizada e nãopossui papel de destaque frente às outras disciplinas consideradas com maior graude importância. Esse aspecto necessita ser mudado e depende da forma que oprofessor e o próprio aluno são envolvidos pela arte e como a percebem. Emconsonância como pensamento da autora, ressalta-se que a arte deve servalorizada e melhor aproveitada enquanto disciplina, dentro e fora da escola. Expressar seu pensamento por meio de técnicas artísticas, conhecimentosteóricos e atribuição de significados à obra fazem com que os sujeitos estejamenvolvidos com os objetos e possam identificar-se melhor com a disciplina de artes.Principalmente devido os estudantes de 5ª a 8ª série do ensino fundamental estaremem uma faixa etária repleta de peculiaridades, particularidades, dúvidas enecessitarem participar de atividades que auxiliem em sua relação com o mundo ena possibilidade da escola oportunizar escolhas através da interação, da reflexão e 10
  14. 14. do autoconhecimento. Fatores indispensáveis para a condução das atividades nessafase reveladora de potencialidades dos estudantes, a adolescência. 11
  15. 15. 2. METODOLOGIA DO ENSINO DA ARTE As práticas artísticas vivenciadas tanto no meio social quanto educacionalrefletem o conhecimento que se possui sobre a arte, sua história e as influênciasculturais que interferem diretamente em sua visão de mundo. Ferraz e Fusari (1999) relatam como a metodologia da arte na escola deveser qualitativa, pois o professor precisa definir os encaminhamentos das propostascontidas no planejamento das atividades, de forma que estejam presentes nacondução das atividades e oportunizem os mesmos compreenderem, interpretareme se manifestarem através da Arte. Os sujeitos envoltos precisam estar em formaçãocontinuada em arte, no intuito de desenvolver novas habilidades, encontrar métodosmais eficazes na trajetória de trabalhos em produções artísticas. O encaminhamento das atividades de arte necessita levar os estudantes adesenvolverem atitudes frente a questões estéticas e culturais, além de valorizar ascriações individuais e coletivas, Assim, “[...] esses encaminhamentos metodológicosconstituem-se em um conjunto de ideias e teorias educativas em arte transformadasem opções e atos que são concretizados em projetos ou no próprio desenvolvimentodas aulas de Arte” (FERRAZ e FUSARI, 1999, p. 98). Selecionar a melhor forma de condução do ensino da arte é uma tarefaatribuída ao professor, que algumas vezes está desprovido de informações,embasamento teórico ou até mesmo de envolvimento com a disciplina,especialmente quando não está atuando em sua área de formação. O conhecimento dos fazeres artístico e estético dos alunos deve serobservado pelo professor desde o planejamento de suas atividades e no primeirocontato do aluno com a arte. O conhecimento teórico e a experimentação passam,assim, a serem vivenciados pelos estudantes por meio das atividades teóricas epráticas muito mais significativas. A Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa (2008), que se firma no fazerartístico, análise de obras e história da arte apresenta uma sequência metodológicaque pode ser discutida, analisada e colocada em prática. Com isso, o diálogo entreas experiências do aluno e o universo que o cerca cria relações que o permitemmodificar ou não a realidade na qual está inserido. A observação do ambiente selecionado para realização das prática contribuicom a definição de questões como conhecer a turma, envolver o ambiente com a 12
  16. 16. metodologia a ser adotada, o envolvimento da turma com a disciplina e a definiçãodos procedimentos nas atividades que serão desenvolvidas.2.1. Observação e registro escrito nas aulas de arte como estratégias deensino Antes do desenvolvimento de qualquer atividade artística é preciso que oprofessor conheça o público-alvo e o espaço no qual atuará. O período deobservação é uma forma de verificar como esse ambiente oportuniza o contato entreos envolvidos. Também favorece a percepção de algumas atitudes individuais ecoletivas, algumas características da relação que os estudantes possuem com oambiente escolar, quais seus interesses e, se possível, como estimulá-los. Para tanto, é necessário seguir um roteiro pré-elaborado para que consigaarticular a teoria, adquirida pelo professor em sua formação, e sua prática em salade aula. O registro das observações se apresenta, previamente, como um recursonorteador no qual expressa informação sobre a atuação dos alunos durante a aula, acondução das práticas e a receptividade ou não por parte dos alunos de cada umadas atividades artísticas. Além disso, oportuniza ao professor conhecer aindividualidade de seus alunos e perceber traços que originam suas dificuldades,para transformar as experiências em arte através da prática. A busca por conhecer-se o contexto socioeconômico e cultural dos alunosapresenta-se especialmente relevante quando se trata de situações devulnerabilidade social, como observado nas periferias de muitas cidades brasileiras.Este é o caso observado na Escola Municipal Raimundo Hermínio de Melo, em SenaMadureira – AC, na qual são vivenciados cotidianamente problemas sociais como aviolência doméstica, o tráfico de entorpecentes e o alcoolismo, que refletem nasatitudes dos alunos em sala de aula. Algumas dessas atitudes percebidas são a faltade envolvimento com as atividades apresentadas em sala de aula, agressividadeexcessiva entre os alunos, impaciência e carência de afeto. Segundo as observações e conversa com a direção da escola, a comunidadeparticipa das reuniões bimestrais, os pais ou responsáveis comparecem quandosolicitados para solucionar problemas de indisciplina dos estudantes, uns poucosfrequentemente visitam a escola sem necessitar de convite. Participam também de 13
  17. 17. atividades festivas como o dia das mães, festa junina e projetos escolaresapresentados pelos alunos e o PSE (Programa Saúde na Escola) em parceria com aSecretaria de Saúde. Marzari (2006) destaca que o processo de desenvolvimento de atividadescoletivas em artes visuais, antes de partir-se para atividades individuais, auxilia noenvolvimento de todos por possibilitar a troca de informações na construção doconhecimento. O ensino de artes visuais deve incitar o estudante a inserir suas experiênciasnas relações que constrói com a aprendizagem teórica ou prática, em umcomportamento mais criativo que integre à arte questões subjetivas e objetivas desua vivência pessoal ou em sociedade. Introduzir atividades práticas em sala de aula é um desafio constante,especialmente se tratando da disciplina de arte. Quando se observa a realidade dasatividades desenvolvidas em alguns ambientes escolares de Sena Madureira,observa-se falta de incentivo à imaginação, por parte do professor, que nãoapresenta desafio e não desperta atenção de seus alunos. Acreditamos, assim que atividades práticas inseridas no ambiente da EscolaRaimundo Hermínio de Melo, podem envolver os participantes em uma rede de trocade ideias, discussões e conhecimentos que podem ser retratados nas produções. Durante a realização das práticas artísticas, as questões sociais enfrentadaspelos sujeitos diariamente, poderão fazer parte das representações e interpretaçõesque farão das obras de arte. 14
  18. 18. 3. CONTRIBUIÇÕES DA GRAVURA COMO EXPRESSÃO ARTÍSTICA NASSÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Observando-se o ensino de arte em grande parte das escolas públicas deSena Madureira-AC, identificou-se uma constante reprodução de desenhos eatividades que não despertam curiosidade e atenção dos estudantes. Asobservações realizadas durante os períodos de estágio e de construção da propostaaqui apresentada embasam essa afirmação. Acreditamos, assim, que a introdução da gravura nas aulas de artes podeorientar algumas mudanças nas relações estabelecidas nas aulas de artes, por meiode uma proposta criativa que oportunize a imaginação, a investigação e evidencie aanálise do papel de cada sujeito na sociedade. A exposição de seus sentimentospermite que o aluno dialogue consigo mesmo e interaja com suas experiências.Acredita-se, ainda, que assim seja possível de alguma forma modificar a realidade emelhorar o desenvolvimento educacional e pessoal dos alunos. A gravura é um recurso que pode ser trabalhado de forma dinamizada nasatividades práticas de artes visuais, visto que produção é, conforme apresentaCostella (2006), única e repleta de caracteres pessoais. O artista (nesse caso, oestudante) mesmo fazendo uso de técnicas consideradas antigas, introduz um novomodo de representação da gravura que caracteriza seu universo. O conhecimento de algumas técnicas de gravura pode despertar no estudanteo interesse em participar das atividades que serão propostas. O desenvolvimento deatividades teóricas e práticas nas turmas da Escola Municipal Raimundo Hermíniode Melo, definidas na proposta e no plano de aula aqui apresentados, compõem oeixo norteador para a execução da pesquisa.3.1. Conhecendo a gravura Os primeiros trabalhos com gravura foram produzidos em pedra e emmadeira, e com o passar do tempo os artistas descobriram outras formas comotecido e papel. De acordo com Fajardo, Sussekind e Vale (1999), tem-seconhecimento da gravura desde a Antiguidade em muitas culturas. A gravura pode ser definida como o resultado expresso em cópia impressa, apartir de uma matriz construída por entalhe, incisão, abertura de cunhos, corrosãoou marcação. Essas matrizes podem ser criadas por meio de diversas técnicas de 15
  19. 19. gravura. As mais comuns são a monotipia, que se caracteriza como técnica deestampa, visto que não há gravação antes da matriz ser entintada; xilogravura, coma utilização de goivas e formões para criar sobre pedaços de madeira;linoleogravura, com matrizes lavradas em linóleo e utilização de goivas ouferramentas específicas para trabalhar com linóleo, criando uma gravura em relevo;litografia, desenho em pedra com tinta gordurosa; serigrafia, uma tela esticada emum bastidor ou chassi de madeira para ser desenhado com verniz, cola, tintatipográfica ou recortes de desenho em material que possa ser aplicado na tela;ponta seca, onde é utilizado um instrumento denominado ponta seca, ou umaadaptação capaz de riscar uma chapa de metal para criar a matriz. Há, também, acolagraf, técnica de estampa na qual a matriz é criada com a colagem de objetossobre um pedaço de papelão. A reprodutibilidade oportunizada pela gravura torna a linguagem diferente dasdemais, devido ao artista trabalhar na produção de uma matriz para, em seguida,fazer a tiragem de cópias que são o produto final. Em outras linguagens como apintura, por exemplo, o mesmo trabalha diretamente no produto final. Destacamos, entre as técnicas de gravura, a monotipia, colagraf e pontaseca, as quais facilitam o desenvolvimento de trabalho coletivo e individual. Alémdisso, é possível a utilização de material alternativo, como a substituição da pontaseca por pregos com a ponta afinada, a tinta óleo em vez de tinta gráfica e o rolo demadeira no lugar da prensa. Ressalta-se que a estampa não se caracteriza efetivamente como gravura pornão ser originada através da gravação na construção das matrizes, mas sim doprocesso de desenho, criação de formas e transferência de imagens na criação dasmatrizes para seguir com o processo de entintagem e tiragem das cópias. Namonotipia o artista trabalha diretamente sobre a chapa para criar sua matriz,enquanto que na colagraf o artista cola objetos que desejar na composição de suasmatrizes. Existem também outras formas de utilização da estampa como silk-screen,produzida em tela de nylon e o transfer, que é obtido por meio da transferência daimagem no papel para o tecido por uma prancha aquecida. A monotipia é uma técnica de impressão muito simples. Com esta técnicaconsegue-se a reprodução de um desenho ou mancha de cor numa prova única, daío nome “monotipia”. A prova obtida, monotipia, não é um duplicado fiel do desenho 16
  20. 20. ou da mancha original. Na passagem para o papel (impressão), as tintas misturam-se fazendo surgir efeitos imprevisíveis. A colagraf é uma técnica artística que consiste na criação de uma matriz, naqual são colados os objetos escolhidos pelo artista, para que seja entintada eimpressa em papel, usando prensa ou de forma alternativa. Ponta seca, por sua vez, é a gravação de uma imagem sobre uma chapa demetal ou cobre. Os meios de obter essa imagem são muitos, visto que cada artistatem seu procedimento pessoal para desenvolver a prática. A gravação na chapa demetal é feita através de ponta seca, instrumento de metal semelhante a uma grandeagulha usado para riscar a chapa, na superfície previamente polida que forma microconcavidades para reter a tinta a ser transferida para o papel por meio de prensa oude forma alternativa, pressões com o rolo de madeira. Essas três técnicas podem ser trabalhadas de forma criativa em sala de aula,de forma a proporcionar a criação de imagens que demonstrem seus desejos,objetivos e experiências que oportunize a reflexão sobre a influência dessesaspectos em sua formação estética e pessoal, além de desenvolver sua criatividadepelo incentivo à imaginação.3.2. Trabalhando a gravura nas séries finais do ensino fundamental A Escola Municipal de Ensino Fundamental Raimundo Hermínio de Melo, emSena Madureira foi escolhida para o desenvolvimento da experiência com gravurapor ter sido observada a necessidade de uma atividade diferente das existentesatualmente em seu cotidiano escolar, já que os estudantes ainda não haviamrealizado trabalhos com gravura. A escola possui quatro turmas de 5ª série, três 6ª série, três 7ª série e duas 8ªsérie no período vespertino, com total aproximado de 366 alunos, carga horáriasemanal de 1h e anual de 40h. Possui uma professora de arte que atende todas asturmas e tem formação em Letras/Espanhol. 17
  21. 21. Figura 1: Alunos de 5ª série em sala de aulaFonte: Arquivo pessoal, 2011. Na disciplina de artes ministrada na escola, são trabalhados o desenho, adança e a música. Nas atividades teóricas, em geral apresenta-se a história de cadauma dessas linguagens, e nas atividades práticas cada estudante escolhe o quedeseja trabalhar. Não há prévia mediação ou contextualização do que se desejaalcançar com a atividade. Para identificar a viabilidade e o interesse por parte dos alunos na introduçãode atividades com gravura na escola, realizamos atividades teóricas e práticas comas técnicas monotipia e colagraf – a ponta seca prevista inicialmente não foi viávelpela falta de material. Porém, assim que adquirirmos será realizada a prática.Figura 2: Prática de monotipia na 5ª sérieFonte: Arquivo pessoal, 2011. 18
  22. 22. Para as turmas de 5ª séries, como mostra a Figura 2, foi realizada atividadecom monotipia. Primeiro houve a apresentação teórica dos conceitos da técnica, ostipos (aditivo e positivo) e algumas imagens produzidas com a técnica pelos alunosdo curso de licenciatura em Artes Visuais da UAB/UnB. Também foramapresentados os materiais utilizados para as produções. Depois de um momento dediscussão sobre o que a técnica poderia trazer de conhecimento para os estudantese como poderiam inserir características de sua realidade cotidiana e dasexperiências adquiridas no meio social ou educacional, teve início a prática na qualos alunos tiveram a oportunidade de fazer suas criações, utilizando um dos métodosdesejados ou ambos. A exposição do resultado das produções na sala de aulacaracterizou um momento de contemplação, pois um aluno tenta decifrar opensamento do outro de acordo com o que este expressou em sua obra.Figura 3: Prática de colagraf na 6ª sérieFonte: Arquivo pessoal, 2011. Nas turmas de 6ª série foi oportunizado o contato com a colagraf, seguindoalguns dos procedimentos anteriores, como o estudo teórico do conceito de colagrafe apresentação de matrizes e impressões feitas pelos alunos do curso de ArtesVisuais. Foram apresentados, também, alguns materiais comuns para a criação dasmatrizes como o papelão, a tinta óleo e o verniz e citados os materiais utilizados nasmatrizes dos alunos de Artes Visuais. No segundo momento, teve início a produção das matrizes, visto que, osalunos já haviam selecionado os materiais para utilizar em suas matrizes. Algunsoptaram trabalhar em conjunto, em uma produção coletiva e outros preferiram fazer 19
  23. 23. suas produções individualmente e alegaram ser mais fácil criar dessa maneira.Criaram, colaram e envernizaram suas matrizes e depois entintaram e retiraram ascópias, expondo na sala de aula em seguida. Com isso, puderam observar everificar as características de cada trabalho, com opiniões positivas e negativas,relacionando com sua própria produção. Nas turmas de 7ª e 8ª séries foi selecionada a técnica ponta seca levando emconta os alunos possuírem uma idade mais elevada para o trabalho com materiaiscortantes. Foi apresentado o conceito da técnica, os procedimentos e os materiaisque podem ser utilizados para as produções. Mas como não foi possível adquirir achapa de metal, a chapa de alumínio e o papel canson, a atividade prática ainda nãofoi realizada. Mesmo assim, os alunos demonstraram interesse em realizar a práticapela possibilidade de expor suas ideias e descobrir habilidades que não foramexperimentadas anteriormente. Uma alternativa para a realização da prática com aponta seca pode ser a solução para o problema: a matriz utilizando-se capa de CD,que substitui o alumínio (metal selecionado para a prática) sem muitas alterações noresultado final. Além disso, não é tão perigoso e pode ser disponibilizado tambémpara os estudantes de menor faixa etária.Figura 4: Exposição de colagraf na 6ª sérieFonte: Arquivo pessoal, 2011. Em todas as turmas foi realizada a apresentação de gravura e de todas astécnicas selecionadas para as atividades na escola. Os períodos de 20
  24. 24. desenvolvimento das atividades teóricas e práticas foram de quatro semanas, sendoexecutadas nos horários das aulas de artes. Durante a exposição das produções dos alunos em sala de aula, foi notório oreflexo das ideias apresentadas por cada aluno/artista. Ao se colocar comoobservador houve questionamento, discussão e atribuição de situações ao trabalhodo outro. Um aspecto interessante, se levar em consideração que o ambiente socialdos mesmos não é aberto ao diálogo e a convivência devido à frequente violênciagerada por divergência de ideias. Esse momento da exposição das obras produzidasse caracterizou como reflexão, no qual se notou algumas semelhanças no cotidianodos alunos e abriu espaço a possíveis mudanças de atitude, além da oportunidadede surgirem ideias que podem melhorar a convivência e o diálogo entre os alunos. No contato com uma linguagem artística diferente das utilizadas nas aulas dearte, os estudantes demonstraram interesse em conhecer e participar dodesenvolvimento das práticas com gravura. O envolvimento de alguns se deu deforma integral e articulada com os conhecimentos teóricos disponibilizadospreviamente. Porém, outros estiveram com receio de participar de uma atividadediferente, na qual pudesse explorar suas habilidades. Os primeiros contatos com atécnica monotipia se deram em grupos, na tentativa de fazê-los se sentirem mais àvontade para participar. Os materiais utilizados na abordagem teórica e nas práticas foramdisponibilizados livremente aos estudantes. Dado o contexto da escola e dos alunos,e as condições materiais oferecidas pelo comércio local, foi necessário adaptar-sealguns materiais utilizados nas técnicas. Assim a tinta gráfica foi substituída pelatinta óleo, a prensa foi substituída pelo rolo de madeira e os rolos de borracha foramsubstituídos por rolos de espuma. A experiência de realizar atividades práticas de gravura na escola nosreafirmou a compreensão da necessidade do envolvimento pessoal com a produçãoda atribuição de significados reais na obra. Com isso, observou-se que o contato com teoria seguido de atividade prática,na disciplina de arte, se torna um recurso educacional positivo por facilitar aparticipação do aluno e envolvê-lo concretamente na produção. As situaçõescotidianas representadas em algumas obras abrem espaço à discussão de como oambiente externo influencia na formação pessoal do aluno e se reflete no ambienteescolar como um refúgio dos problemas enfrentados cotidianamente, criando uma 21
  25. 25. caracterização de sua própria vida. É claro que não são todos os estudantes que seencaixam nessas abordagens, porém, encontrou-se essas características em umaquantidade expressiva de produções entre os alunos que realizaram as práticas.Figura 5: Turma da 6ª sérieFonte: Arquivo pessoal, 2011. A Figura 6, “Minha casa”, apresenta a partir do título o sentimento envolto aseu criador, pois o mesmo relatou durante a produção seu desejo de possuir a casaprópria e poder viver com tranquilidade, visto que mora com mais seis pessoas emcasa emprestada por parentes e sua família não ter condições de adquirir umamoradia.Figura 6: Minha casaFonte: Arquivo pessoal, 2011. 22
  26. 26. Na Figura 7 a autora descreveu a vontade de haver compreensão e menosbrigas entre seus pais, algo que acontece todos os dias em sua casa.Figura 7: TranquilidadeFonte: Arquivo pessoal, 2011. Percebe-se, assim, que os alunos demonstram suas necessidades pessoais ebuscam, no ambiente escolar, expor sua realidade e encontrar métodos pararesolver os problemas, mesmo que às vezes essa exposição seja feita de formanegativa e tenha como consequência problemas em seu cotidiano escolar. Asatividades artísticas práticas podem servir como meio de explorar algumas dessasexperiências citadas pelos alunos.3.3. Proposta de plano de aula A partir do referencial teórico e da experiência com gravura na escolaRaimundo Hermínio de Melo, elaboramos uma proposta que parte do planejamentoprévio das etapas de execução. As proposições aqui apresentadas estão de acordocom o envolvimento e as questões levantadas pelos estudantes da escola nocontato com as técnicas de gravura. Buscou-se a mediação entre a prática e a teoriada gravura, para levar os alunos a explorarem suas experiências por meio dasobras, como apresentado no plano de aula em anexo. 23
  27. 27. O processo de seleção da técnica a ser trabalhada na prática, em cada turma,foi realizado de acordo com a idade dos alunos, os materiais a ser utilizados e osprocedimentos para cada prática. Assim, propõe-se inicialmente determinar um período para observação dasatividades artísticas das turmas que serão envolvidas no projeto e registrar o que seconsidera importante para o planejamento das atividades. Poderão serquestionados: as técnicas que os estudantes conhecem; o que sabem sobregravura;, se já ouviram algo sobre monotipia, colagraf e ponta seca. Em seguida, sugere-se o registro dos apontamentos dos alunos no quadro e aapresentação das técnicas monotipia, colagraf e ponta seca através de datashow,com imagens que representem cada uma, instigando-se a discussão sobre asprimeiras ideias dos estudantes relacionadas às técnicas apresentadas. Propõe-se distribuir textos impressos sobre os conceitos relacionados àstécnicas, as formas e procedimento detalhados, com a apresentação dos materiaisque serão utilizados nas práticas. Com as turmas de 5ª série onde será realizadaatividade com a monotipia, a turma poderá ser dividida em grupos para os primeiroscontatos com a prática e, em seguida, sugerir que façam as atividadesindividualmente para que possam expressar suas habilidades e relacionar com asexperiências cotidianas. Depois, colocar os trabalhos para secar em um varal,recolher e guardar; discutir quais os conhecimentos adquiridos com a execução daprática e solicitar que o estudante relate se houve envolvimento pessoal e quaisforam suas experiências incentivadoras da criação. Nas turmas de 6ª série, após a leitura do texto, sugere-se pedir que osestudantes tragam materiais a serem usados na criação das matrizes. Em seguida,preparar o ambiente para a realização da prática e pedir aos alunos para formaremgrupos, se desejarem, ou organizem seu material para trabalhar individualmente.Realizar a preparação da matriz de colagraf e envernizar. Deixar que a matriz seque,entintar e prosseguir com a tiragem de cópias, depois deixar secar e guardá-las.Realizar uma socialização oral de como os estudantes se sentiram na realização demais uma atividade prática e como se pode fazer uma comparação com algunselementos presentes em seu cotidiano. Para as turmas de 7ª e 8ª séries que realizarão a prática ponta seca,organizar de forma individual ou coletiva, de acordo com a disponibilidade de tempoe de acordo com o perfil da turma. Iniciar o processo de preparação da chapa de 24
  28. 28. alumínio (ou outro metal) lixando as superfícies e depois com a ponta seca, ouprego, iniciar a gravação na chapa. Entintar as matrizes e imprimir algumas cópias.Após as impressões, deixar os trabalhos secando para serem guardados junto comos demais. Mediar uma socialização oral, na qual os estudantes poderão expressar comose sentiram na realização das práticas, destacando aquela com a qual mais seidentificaram, quais as contribuições acrescentadas no seu conhecimento em arte ecomo suas experiências cotidianas puderam ser expressas nas produções; Realizaruma exposição, no ambiente escolar, dos trabalhos realizados e mostrar fotos emslide das práticas realizadas. A proposta evidencia a prática partindo de apresentações teóricas, com odirecionamento dos procedimentos, sem restringir a imaginação do aluno, comodescrito no plano de aula em anexo. Também proporciona o desafio de participar deuma atividade diferente das realizadas em outros momentos, nas aulas de arte. Amanipulação de material concreto para uma produção artística que envolva suasexperiências cotidianas cria um diálogo entre o aluno e sua produção e ascaracterísticas que se observam nos trabalhos mostram como o aprendizado podeampliar valores e relações interpessoais. O trabalho de produção coletiva é um recurso para romper com o receio departicipar de uma atividade diferente das realizadas durante as aulas de arte, abreespaço à troca de experiências e à construção colaborativa de conhecimentos, poisas limitações e as dificuldades são superadas pela interferência dos próprioscolegas participantes do grupo. Já o trabalho individual apresenta duas situaçõesinteressantes, a primeira é a dificuldade de interagir e aceitar a ideia do outro e asegunda é a capacidade de desenvolver habilidades com mais facilidade. Ambassão situações que, para o professor, podem servir de base para a distribuição dosalunos nos grupos e de superação de dificuldades. A apresentação dos conceitos edos materiais que serão usados nas práticas são um método de levar aosestudantes o conhecimento prévio do que irão realizar. A reprodutibilidade vivenciada na gravura é um recurso interessante para seexplorar em sala de aula, devido o estudante fazer cópias de sua própria produção.Não se trata de reconstruir ideias existentes, mas de reproduzir e difundir suasideias, seus interesses e as habilidades que possui através de uma produçãoartística. 25
  29. 29. Foram poucos os conflitos que surgiram no decorrer das atividades. Um delesfoi a divergência de ideias e as características pessoais dos alunos que optaram portrabalhar em grupo. Para resolver a situação foi proposta a adaptação das ideias demodo que cada aluno pudesse evidenciar seu ponto de vista e respeitar o do colega.Interessante essa situação, pois como os estudantes não são iguais, um necessitaaprender a respeitar as dificuldades, as limitações e o ponto de vista dos demais. 26
  30. 30. CONCLUSÃO Envolver as experiências cotidianas dos estudantes por meio de atividadespráticas articuladas com conceitos ainda representa um desafio a ser superado noambiente escolar. Durante a elaboração das propostas de atividades em gravura e a busca porideias de autores que aprofundassem a necessidade de novos rumos no ensino daarte, ficou evidente que, como a disciplina de artes orienta na formação estética eartística na escola, a expressividade deve se apoiar na inter-relação do aluno com omundo e com o ambiente ao qual faz parte. No que foi possível verificar, osprimeiros passos foram dados nesse sentido, mas falta muito para tornar a situaçãoreal na escola escolhida como estudo de caso e, provavelmente, em outras domunicípio de Sena Madureira. Com a observação de algumas turmas das séries finais do ensinofundamental foi possível notar que alguns professores ainda não buscamexperimentar seu lado criativo e articular teoria e prática. Portanto, levar uma práticapara os discentes sem o contexto teórico e o conhecimento prévio do própriodocente revela como ainda se utiliza, em arte, o improviso no decorrer das aulas. A questão da experiência como fonte de conhecimento gera situações na quala interação entre o interior e o exterior depende do encaminhamento da atividade eda interpretação, por parte dos sujeitos, da situação problematizadora. Por outrolado, na condução das atividades surgiram dificuldades para a geração de umambiente propício à interação, e para superar os obstáculos foi importante a troca deexperiências, fazendo com que quem aprende rápido pudesse auxiliar os quecaminham mais devagar. Contudo, ao estar mais próximo dos estudantes, ocondutor da atividade proporciona-lhes mais segurança em desenvolver seupotencial artístico nas práticas. Na gravura e estampa se reconhecem linguagens artísticas que oportunizam,para a criação da obra, o contato com os materiais, a adaptação dos mesmosquando é preciso e a participação individual e coletiva dos estudantes nasproduções. Durante a apresentação teórica, a falta de interesse de algunsestudantes fez surgir dúvidas sobre um método de apresentar a teoria de formadinâmica e que despertasse a atenção dos envolvidos. Acredita-se que seja possível 27
  31. 31. fazer uma integração de teoria e prática com a demonstração dos materiais e iníciodas práticas, seguindo as instruções do texto. Alguns problemas dificultaram a realização da prática com a ponta seca. Pelofato de a disciplina de Arte nas escolas públicas de ensino fundamental ser de umaaula semanal, não foi possível realizar a prática. Mesmo assim, foi oportunizado oconhecimento sobre a aplicação da técnica e algumas matrizes produzidas porestudantes do curso de Artes Visuais. Após esse período de estudos algumasadaptações foram descobertas, como o uso de um material resistente e fácil de seradquirido para a produção das matrizes: capas de CD. É importante refletir sobre autilização de materiais acessíveis para seguir com todas as etapas planejadas. O envolvimento dos estudantes com as práticas oportunizou, além do contatocom práticas artísticas que não conheciam, uma investigação das habilidadesexistentes e a busca rápida por solução de alguns impasses, como para os queoptaram trabalhar em grupo o desafio de definir a criação, qual seria o melhorcaminho e como inserir tantas ideias. Verificou-se a espontaneidade que a práticaartística propicia, pois o aluno é o responsável pelo surgimento de sua obra, umagente direto no processo de construção de aprendizagem, de tal forma que muitosconseguiram mostrar a capacidade de agir em meio a discordâncias pelaperceptividade e condução dentro do grupo. As reflexões socializadas no ambiente escolar após as práticas confirmam arelevância, no processo de construção da aprendizagem, da introdução deexperiências cotidianas na produção como forma de perceber sua visão do ambienteao qual pertence e as diferenças de relações pessoais entre membros envoltos nomesmo ambiente. Por meio da pesquisa se averiguou como a estampa e a gravura,apresentadas no ambiente escolar, levam os estudantes a dialogarem com suaprodução e criarem um vínculo afetivo que atribui significado ao trabalhodesenvolvido. Um ponto positivo a ser explorado posteriormente, visto que osestudantes se caracterizam por residirem em um bairro periférico de SenaMadureira, a maioria ser de classe baixa e vivenciar diariamente problemas sociaiscomo as drogas, a violência familiar e a família desestruturada, fatores queinterferirem diretamente em suas atitudes. Nesse trabalho teórico-prático fica evidente que o estudante necessita estarenvolto a desafios e inovações que incentivem sua imaginação e despertem a 28
  32. 32. criatividade, em possibilidades que busquem em suas experiências cotidianasrecursos para embasarem seus estudos, desenvolverem suas habilidades eapontarem novos rumos dentro e, possivelmente, fora da escola. Conclui-se para que as aulas de arte envolvam os estudantes e contribuampara seu desenvolvimento pessoal e estético devem ser seguidos os caminhos queevidenciem o ser como criativo e participativo. Por isso, o presente trabalho ressaltaa importância de mudanças sobre um enfoque positivo, que lhes possibilitemcrescimento pessoal, abram espaço a práticas constantes no ambiente escolar e aospoucos também envolvam outros ambientes, facilitando o contato com materiais elinguagens que propiciem a construção da aprendizagem em arte. 29
  33. 33. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASARSLAN, Luciana Mourão; IAVELBERG, Rosa. Ensino de arte. São Paulo:Thompson Learning, 2006 (Coleção Ideias em Ação).AZEVEDO, Fernando Antônio Gonçalves. A arte possibilita ao ser humano repensarsuas certezas e reinventar seu cotidiano. In: BARBOSA, Ana Mae; COUTINHO,Rejane Galvão. Arte/Educação como mediação cultural. São Paulo: UNESP2008. Cap. 21.BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curricularesnacionais: arte/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC / SEF,1998.COSTELLA, Antonio F. Introdução à gravura e à sua história. Campos do Jordão,SP: Editora Mantiqueira, 2006.FAJARDO, E.; SUSSEKIND, F.; VALE, M. Oficinas: gravura SENAC, DN. Rio deJaneiro: Ed. SENAC Nacional, 1999.FERRAZ, Maria Heloísa C. de Toledo; FUSARI, Maria F. de Rezende e.Metodologia do Ensino de Arte. São Paulo: Cortez, 1999.Instituto Arte na Escola. Arte na Escola. Evandro Jardim: Cadernos de Gravura.Disponível em: <http://www.artenaescola.org.br/dvdteca/pdf/arq_pdf_36.pdf> Acessoem: 18 de setembro de 2011.MARZANI, Leda. O desenvolvimento da criatividade e a relação com ascompetências intelectuais da criança no ensino das Artes Visuais: uma proposta deação pedagógica. In: CORREA, Ayrton Dutra; NUNES, Ana Luiza Ruschel. OEnsino das Artes Visuais: uma Abordagem Simbólico-Cultural. Santa Maria:Editora da UFSM, 2006. Cap.6.O PAPEL DA ARTE. Uma breve história da gravura até o século 19. 2010. JulioReis. Disponível em: <http://www.opapeldaarte.com.br/historia-da-gravura-ate-o-seculo-19/> Acesso em 29 de novembro de 2011.PILLAR, Analice Dutra. A Educação do Olhar no Ensino da Arte. In: BARBOSA, AnaMae. Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte. São Paulo: Cortez, 2008. Cap.6.SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO ACRE e SECRETARIAMUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE RIO BRANCO. Caderno 1 – Orientações para oEnsino Fundamental de Arte. Rio Branco, 2008.   30
  34. 34. ANEXO A – PLANO DE AULA(Com adaptações para cada série de acordo com a técnica a ser desenvolvida) Conhecendo técnicas de estampa e gravuraObjetivos: • Incentivar o conhecimento de técnicas artísticas como base para desenvolver atividades práticas; • Identificar e diferenciar os tipos de gravura apresentados; • Compreender distinguir os tipos de elementos da linguagem visual; • Perceber como elementos do cotidiano e da experiência podem estar presentes em produções artísticas; • Praticar as formas artísticas de estampa monotipia e colagraf; • Refletir e socializar as experiências.Procedimentos: • Explanação do conteúdo a classe, citando os tipos de elementos da linguagem visual; • Verificação dos conhecimentos prévios; • Distribuição de textos com alguns conceitos sobre as técnicas monotipia, colagraf e ponta seca e os procedimentos em cada técnica; • Amostragem de imagens de obras produzidas com as técnicas estudadas; • Realização de atividades práticas; • Atribuição do conhecimento a ser adquirido com a realidade cotidiana.Metodologia com a técnica Monotipia a ser desenvolvido nas turmas de 5ªséries em aproximadamente duas aulas • Organizar a turma em círculo e fazer a explanação sobre a técnica monotipia; • Verificar os conhecimentos prévios; • Entregar texto com conceito da técnica monotipia e dos métodos aditivo e positivo e fazer a leitura em conjunto; • Expor imagens de produções com a técnica; • Apresentar os materiais e os procedimentos a ser seguidos; 31
  35. 35. • Realizar a prática, ressaltando que insiram a experiência cotidiana em suas produções; • Fazer a exposição na sala e depois guardar os trabalhos para ser expostos com os demais; • Propor um registro escrito da prática realizada, no qual citarão os conhecimentos adquiridos, as atitudes desenvolvidas e as experiências introduzidas nas produções. • Socializar a atividade.Texto: MonotipiaBreve definição: A monotipia é uma técnica de impressão muito simples. Com esta técnicaconsegue-se a reprodução de um desenho ou mancha de cor numa prova única, daío nome “monotipia”. A prova obtida, monotipia, não é um duplicado fiel do desenho ou manchaoriginal, na passagem para o papel (impressão), as tintas misturam-se fazendosurgir efeitos imprevisíveis.Materiais: • Tinta óleo • Papel sulfite • Rolo de espuma • Rolo de macarrão ou colher de madeira • Pedaços de chapa de raio-x • Placa de vidro ou azulejo • Canetas • Trapos • Cotonetes • Cabos de pincéisProcedimentos:Método Aditivo Primeiro, espalhe um pouco de tinta na placa de vidro ou azulejo e váabrindo a tinta com o rolo de espuma. Depois passe a tinta com o rolo na chapa deraio-x e faça desenhos com um cotonete ou cabo de pincel. Centralize a chapa em 32
  36. 36. uma folha de papel sulfite A4, fazendo a marcação das laterais da chapa na folha depapel para que as outras cópias tenham a mesma dimensão. Coloque uma folha depapel em cima da chapa com o desenho e passe a mão apenas para retirar falhas,passe o rolo de macarrão ou colher de madeira algumas vezes até a estampa ficarna folha. Retire a folha e coloque para secar.Método Positivo Siga as orientações anteriores até a entintagem da chapa, depois centralize achapa sobre a folha com as marcações, coloque uma folha de sulfite em branco ecom o cabo de um pincel ou caneta faça desenhos no verso da folha. Sempressionar, retire a folha e coloque para secar.Metodologia com a técnica Colagraf a ser desenvolvida em turmas de 6ª sériesem aproximadamente três aulas: • Fazer a explanação da técnica; • Verificar os conhecimentos prévios; • Entregar texto com conceito sobre a técnica e os procedimentos a ser seguidos para a prática; • Apresentar os materiais a ser utilizados na prática; • Fazer agrupamentos e iniciar a confecção das matrizes; • Entintar e imprimir as cópias; • Expor na sala de aula e depois guardá-los para a exposição em outros ambientes da escola; • Propor um registro escrito da prática realizada, no qual citarão os conhecimentos adquiridos, as atitudes desenvolvidas e as experiências introduzidas nas produções. • Socializar a atividade.Texto: ColagrafBreve definição: A colagraf é uma técnica artística que consiste na criação de uma matriz paraque seja entintada e impressa em papel usando prensa ou de forma alternativa. 33
  37. 37. Materiais:• Pedaços de papelão • Verniz• Barbante • Pincéis• Tinta óleo • Cola• Tesoura • Placa de vidro ou azulejo• Papel A4 • Folhas, pedaços de galho seco• Rolos de espuma • Rolo de madeira ou colher de madeiraProcedimentos: Recortar o papelão com dimensões menores que a folha de sulfite, depoisescolher os materiais que irão ser colados na matriz formando o desenho desejado.Em seguida a matriz deve ser envernizada, com o auxílio dos pincéis e colocadospara secar um pouco. O processo de impressão é semelhante ao anterior. Espalhe a tinta óleosobre a tampa de vidro ou azulejo e passe a tinta na matriz com o rolo de espuma.Depois centralize a matriz em uma folha de sulfite A4, colocando, com cuidado,outra folha sobre a matriz e passe o rolo de macarrão em direções opostas poralgumas vezes, retire o papel e coloque para secar.Metodologia com a técnica Ponta Seca a ser desenvolvida em turmas de 7ª e 8ªséries em aproximadamente quatro aulas: • Fazer a explanação da técnica; • Verificar os conhecimentos prévios; • Entregar texto com conceito sobre a técnica e os procedimentos a ser seguidos para a prática; • Apresentar os materiais a ser utilizados na prática; • Fazer agrupamentos e preparar as matrizes; • Prepara um esboço em papel sulfite; • Fazer as ranhuras formando a imagem planejada; • Entintar preenchendo cuidadosamente as formas criadas; • Preparar o papel e imprimir as cópias com o auxílio de um rolo de madeira; • Expor na sala de aula e depois guardá-los para a exposição em outros ambientes da escola; 34
  38. 38. • Propor um registro escrito da prática realizada, no qual citarão os conhecimentos adquiridos, as atitudes desenvolvidas e as experiências introduzidas nas produções. • Socializar a atividade.Texto: Ponta SecaBreve definição: Consiste na gravação de uma imagem sobre uma chapa de metal. Os meiosde obter a imagem sobre a chapa são muitos, pois cada artista desenvolve seuprocedimento pessoal no trato com o metal. De um modo geral, o artista faz odesenho por meio de uma ponta seca – instrumento de metal semelhante a umagrande agulha que serve de caneta ou lápis. A ponta seca risca a chapa, que tem asuperfície polida, e esses traços formam sulcos, micro concavidades, de modo areterem a tinta, que será transferida através de uma grande pressão, imprimindoassim, a imagem no papel.Materiais:• Chapa de alumínio • Bacia retangular• Lixa d’água • Papel canson• Lima • Lápis• Rolo de madeira ou colher de • Retalhos de tecido madeira • Tesoura• Toalha • Tinta óleo• Pregos adaptados em rolinhos de madeira• PincéisProcedimentos: Inicia-se com o processo de preparação da matriz, corte a chapa de alumíniocom as dimensões desejadas, desde que sejam melhores que o papel canson, e usea lima para acertar as bordas da matriz, para que não fiquem cortantes. Depois lixecom a lixa d’água respingando gotas de água quando necessário. Caso não tenha o ponta seca é possível improvisar com um prego preso a umpedaço de madeira em formato de rolinho, cortando a cabeça do mesmo e afinando 35
  39. 39. com a lima. E logo faça o esboço em uma folha de sulfite o que vai ser riscado nachapa de alumínio. Com a ponta seca comece a fazer ranhuras na chapa até formar o desenhoesboçado, a profundidade deve ser capaz de assimilar a tinta. Para entintar a matrizvocê pode pintar as ranhuras com um pincel 00 ou outro à sua escolha. Após,coloque uma folha de papel canson na bacia com água por 3 minutos e enquantoaguarda, centralizei a matriz sobre uma folha de sulfite. Passado o tempo retire opapel da água e enxuguei com uma toalha para que não apareçam respingos deágua no papel. Em seguida, passe o rolo de madeira ou colher de pau friccionandoem todos os ângulos para que a imagem fique homogênea e deixe secar.Finalização:Exposição das produções no ambiente escolar.Formas de avaliação/ reflexão/validação(Situações mais adequadas para avaliar) • Acompanhamento do desenvolvimento dos alunos nas produções coletivas e individuais; • Verificação dos relatos no registro escrito; • Capacidade de concentração e atenção; • Respeito às individualidades e limitações dos estudantes; • Envolvimento de suas experiências cotidianas com as produções. 36

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