Programa de Educação
Continuada a Distância
Curso de
Recuperação de Áreas
Degradadas
Aluno:
EAD - Educação a Distância
Par...
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  1. 1. Programa de Educação Continuada a Distância Curso de Recuperação de Áreas Degradadas Aluno: EAD - Educação a Distância Parceria entre Portal Educação e Sites Associados
  2. 2. 2 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores Curso de Recuperação de Áreas Degradadas MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.
  3. 3. 3 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores SUMÁRIO MÓDULO I 1 NOÇÕES BÁSICAS ESSENCIAIS SOBRE ÁREAS DEGRADADAS 2 CONCEITOS 2.1 ÁREAS DEGRADADAS 2.2 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS 2.3 RECURSOS NATURAIS 2.4 SOLO 2.5 ÁREAS ÁRIDAS, SEMIÁRIDAS E SUBÚMIDAS 2.6 DESERTIFICAÇÃO 2.7 MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 2.8 IMPACTOS AMBIENTAIS, PASSIVOS AMBIENTAIS E POLUIÇÃO AMBIENTAL 2.8.1 Impactos Ambientais e Poluição Ambiental 2.8.2 Áreas de Influências: Direta e Indireta 2.8.3 Passivo Ambiental 2.8.4 Degradação Ambiental 3 CAUSAS DA DEGRADAÇÃO DOS SOLOS 3.1 OS FATORES CAUSADORES 3.2 DESMATAMENTO E SUPEREXPLORAÇÃO DA VEGETAÇÃO 4 TIPOLOGIA 4.1 EROSÃO 4.2 DETERIORAÇÃO QUÍMICA 4.3 DETERIORAÇÃO FÍSICA 4.4 EXTENSÃO E IMPACTO DA DEGRADAÇÃO
  4. 4. 4 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores MÓDULO II 5 LEVANTAMENTO HISTÓRICO 5.1 LEVANTAMENTO HISTÓRICO GERAL 5.2 LEVANTAMENTO HISTÓRICO ESPECÍFICO DO CASO 5.3 DADOS HIDROLÓGICOS 5.4 DADOS METEOROLÓGICOS 6 LEVANTAMENTOS EM CAMPO 6.1 MÉTODOS E TÉCNICAS APLICÁVEIS 6.2 AMOSTRAGEM 6.3 QUANTIDADE DOS PONTOS AMOSTRADOS 6.4 PROFUNDIDADE DOS PONTOS AMOSTRADOS 6.5 QUANTIDADE DE AMOSTRAS 7 TESTES EM LABORATÓRIO 7.1 ANÁLISE QUÍMICA 7.2 ANÁLISE FÍSICA 8 AVALIAÇÃO DA PERICULOSIDADE MÓDULO III 9 OBJETIVOS E PLANEJAMENTO DA RECUPERAÇÃO 9.1 PLANEJAMENTO DA RECUPERAÇÃO E PRAD 10 TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO 10.1 CLASSIFICAÇÃO 10.1.1 Processo In-site 10.1.2 Processo On-site 10.1.3 Processo Off-site 10.2 BIOENGENHARIA 10.2.1 Método de Estacas Vivas 10.2.2 Método de Caniçadas Vivas 10.2.3 Camadas de Ramos ou Vassouras (Brushlayering)
  5. 5. 5 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 10.2.4 Critérios para Escolha dos Métodos de Bioengenharia 10.3 ESCOLHA DA TÉCNICA DE RECUPERAÇÃO 11 MEDIDAS DE SEGURANÇA 11.1 REMANEJAMENTO 11.2 SISTEMA DE BARREIRAS 11.3 IMOBILIZAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS NOCIVAS 12 AÇÕES DE RECUPERAÇÃO 12.1 PROCESSOS BIOLÓGICOS (BIORREMEDIAÇÃO) 12.1.1 Método Landfarming 12.1.2 Método Leiras de Regeneração 12.2 PROCESSOS TÉRMICOS 12.2.1 Processos de Alta Temperatura 12.2.2 Processos de Baixa Temperatura 12.3 PROCESSOS DE LAVAGEM DO SOLO 12.4 PROCESSOS DE SUCÇÃO DE AR DO SOLO MÓDULO IV 13 ESTUDO DE CASO: BIOENGENHARIA 13.1 HISTÓRIA DA BIOENGENHARIA 13.2 VANTAGENS DOS MÉTODOS BIOTÉCNICOS 13.3 CONCEITOS BÁSICOS DA BIOENGENHARIA 13.4 REVEGETAÇÃO 13.5 ESTUDO DE CASO: EROSÃO E BIOENGENHARIA 14 BIORREMEDIAÇÃO 14.1 ESTUDO DE CASO: BIORREMEDIAÇÃO 15 VOCABULÁRIO ÚTIL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  6. 6. 6 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores MÓDULO I 1 NOÇÕES BÁSICAS ESSENCIAIS SOBRE ÁREAS DEGRADADAS O objetivo maior deste curso é contribuir com a difusão do conhecimento, das técnicas e do manejo para a recuperação de áreas degradadas no contexto brasileiro. Nos diversos módulos procura-se mostrar os procedimentos de como recuperar áreas degradadas e a importância dessa recuperação pelos impactos positivos propiciados, não só para o meio ambiente, mas também para a sociedade como um todo. Antes de aprofundar o conteúdo é necessário introduzir alguns conceitos e explicar o porquê da importância crescente da adoção de técnicas de controle ambiental no mundo globalizado. Afinal, a gestão ambiental, o desenvolvimento sustentável e seus imperativos visam, acima de tudo, prevenir a degradação ambiental, minimizando a necessidade de recuperação de áreas degradadas. O público-alvo do curso são os estudantes, empresários, profissionais autônomos, associações e organizações que trabalham com a área ambiental ou não, e desejam conhecer mais sobre este tema. 2 CONCEITOS Para uma boa compreensão das práticas e técnicas ensinadas durante este curso é de grande importância que se tenha conhecimento sobre alguns conceitos básicos que serão constantemente abordados daqui em diante. Como o tema deste curso é a Recuperação de Áreas Degradadas, logo, o primeiro conceito que veremos será áreas degradadas.
  7. 7. 7 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 2.1 ÁREAS DEGRADADAS O conceito de áreas degradadas é multidisciplinar, isto é, ele é utilizado em várias frentes do conhecimento. Por conta disso, é amplamente interpretado, variando entre utilizado para representar a depredação de uma mata até a exploração de uma área de tal forma que ela perca suas características de solo e vegetação, podendo culminar até mesmo em uma modificação de relevo. “Entretanto, para este curso, consideraremos como área degradada toda área que por ação natural ou antrópica* teve suas características originais alteradas além do limite de recuperação natural dos solos, exigindo, assim, a intervenção do homem para sua recuperação.” (NOFFS, 2000). *ação antrópica: ação do homem sobre o ambiente. O Decreto Federal 97.632/89 define o conceito de degradação ambiental como sendo “processos resultantes de danos ao meio ambiente, pelos quais se perdem ou se reduzem algumas de suas propriedades, tais como a qualidade produtiva dos recursos naturais.” Agora que já sabemos o que são áreas degradadas passaremos para outro conceito, a Recuperação de Áreas Degradadas. 2.2 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS A legislação brasileira diz que o objetivo da recuperação é o “retorno do sítio degradado* a uma forma de utilização, de acordo com um plano** preestabelecido
  8. 8. 8 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores para o uso do solo, visando à obtenção de uma estabilidade do meio ambiente” (Decreto Federal 97.632/89). *sítio degradado: ** local degradado. PRAD: Plano de Recuperação de Áreas Degradadas Analisando esse conceito percebemos que a recuperação de áreas degradadas visa à recuperação de uma determinada área, que antes da degradação foi fértil e abrigava a vida, mas que por ações naturais ou antrópicas perdeu essa capacidade. Essa recuperação visa sempre o retorno das condições naturais o mais próximo dos que eram encontrados antes da degradação. No entanto, muitas vezes esse retorno se torna impossível, devido ao grau da degradação sofrido pelo solo, ou seja, pela área. Sabendo que o solo é um recurso natural, a seguir definiremos o conceito de recursos naturais. 2.3 RECURSOS NATURAIS Os recursos naturais são fundamentais para a sobrevivência da humanidade, pois além de propiciarem o desenvolvimento tecnológico, eles são responsáveis pela manutenção da vida na Terra, pois estão diretamente ligados aos processos energéticos e aos ciclos biogeoquímicos, como o ciclo hidrológico, o ciclo do carbono, do fósforo e etc. Em sua definição, recursos naturais são elementos da natureza com utilidade para o homem, com o objetivo de desenvolvimento da civilização, sobrevivência e conforto da sociedade em geral. Podem ser renováveis, ou seja, após certo tempo serão naturalmente repostos, como a energia do Sol e do vento, e não renováveis, como o petróleo, o gás natural e minérios em geral, recursos estes com estoques limitados.
  9. 9. 9 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores FIGURA 1 - CICLOS NATURAIS DE RECICLAGEM DOS RECURSOS NATURAIS EVIDENCIAM QUE NA NATUREZA NÃO EXISTEM RESÍDUOS Na natureza não existe lixo, pois o resíduo de um processo natural é matéria-prima de outro, estabelecendo uma contínua reciclagem de matéria e energia, o que garante a renovação dos recursos naturais (observe a Figura 1), exemplo: animais comem as plantas, animais morrem, bactérias decompositoras decompõem o corpo do animal em nutrientes e minerais que nutrem o solo, plantas precisam de nutrientes do solo para crescer, animais precisam das plantas para se alimentar e crescer, fechando assim o ciclo (Figura 2).
  10. 10. 10 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores FIGURA 2 - CICLO NATURAL DA VIDA 2.4 SOLO Um dos recursos mais importantes para o homem é o solo (terra), pois o mesmo possui múltiplas funções no ciclo de nutrientes, no ciclo das águas e também é muito importante na sustentabilidade (capacidade de se manter sustentável) dos sistemas naturais, como florestas primárias e campos, sendo um fator de muita relevância para os mesmos. Dentro das mais variadas áreas do conhecimento (geologia, agronomia, engenharia, ecologia, botânica, e outros), dependendo da especialidade, a definição de solo assume conceitos variados. Pelo Dicionário Aurélio, “solo é a porção da superfície da terra, terreno, chão, parte inconsolidada do manto de intemperismo e que contém matéria orgânica e vida bacteriana, que possibilitam o desenvolvimento
  11. 11. 11 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores das plantas.” (FERREIRA, 1999). Já pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): “Solo é a matéria natural que compõe a parte superficial do planeta Terra, constituído por horizontes (camadas) de compostos minerais e/ou orgânicos e resultante da alteração e evolução de um material original (rocha ou mesmo outro solo), diferindo deste por características físicas, químicas, morfológicas, mineralógicas e biológicas”. (ABNT, 1989). Assim, tem-se que o solo é um corpo tridimensional que forma a camada superior da crosta terrestre e que apresenta propriedades diferentes da camada de rocha inferior, ou dos materiais que lhe deram origem, como resultados das interações entre o clima, o material original, os organismos vivos e o homem. Dentro do enfoque ambiental temos que “o solo é o principal suporte para a vida e o bem- estar, constituindo-se em um recurso natural vital e limitado, embora facilmente destrutível.” (CASTRO NETO et al., 2000). A formação do solo se dá por meio da fragmentação e alterações químicas das rochas. Com essa fragmentação, os micro-organismos se estabelecem e começam a liberar os nutrientes necessários para sua sobrevivência e com isso possibilitando o crescimento de pequenos vegetais. Quando morrem, os restos desses micro-organismos vão sendo decompostos e passam a formar o húmus (camada fértil do solo). Ao passar dos anos, os sais minerais vão sendo transportados por ação da água que infiltra, e lentamente começa a se formar o solo, organizado em camadas (Figura 3).
  12. 12. 12 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores FIGURA 3 - REPRESENTAÇÃO DAS ETAPAS DE FORMAÇÃO DO SOLO FONTE: Disponível em: <http://educar.sc.usp.br/>. Acesso em: 26/02/2010. FIGURA 4 - REPRESENTAÇÃO DOS HORIZONTES DO SOLO FONTE: Disponível em: <www.dct.uminho.pt>. Acesso em: 26/02/2010.
  13. 13. 13 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores Quando o solo atinge a maturidade, apresenta camadas distintas que se distinguem por horizontes. O solo pode apresentar um perfil mais ou menos constante com cinco horizontes, O, A, B, C, D, sendo que esses horizontes têm espessura variada (Figura 4). Horizonte O É a camada mais superficial do solo, geralmente de cor escura por apresentar muita matéria orgânica e, por esse motivo, é rico em nutrientes. Horizonte A Faixa formada pela mistura de húmus com material mineral (cálcio, potássio, sílica, sódio, ferro e alumínio), também de cor escura e com bastante nutrientes. Esses dois primeiros horizontes são cheios de vida: bactérias, fungos, insetos, roedores, vegetais, entre outros. Horizonte B Nesse horizonte já é encontrado muito pouco da matéria orgânica, porém é rico em sais minerais solúveis em água, essenciais para o crescimento das plantas. Horizonte C O horizonte C é marcado pela ausência de matéria orgânica. Nele é encontrado material mineral decorrente da decomposição da rocha mãe. Horizonte D Esse horizonte corresponde à rocha mãe, que está em processo de decomposição. Os grãos que compõem o solo estão reunidos de tal forma que se tocam entre si, deixando espaços vazios que são preenchidos com ar e/ou água. Denomina-se textura o tamanho relativo dos grãos no solo. Chama-se granulometria a medida da textura. Estrutura do solo é a disposição relativa dos grãos em relação aos poros (CASTRO NETO et al., 2000).
  14. 14. 14 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores O tipo de solo irá depender muito da rocha de origem, das ações exercidas pelo clima e pelos micro-organismos sobre este material (intemperismo), e dos mecanismos de transporte. Sendo assim, o solo pode constituir-se de areias, siltes ou argila. Dentre os variados tipos de solos destacam-se os arenosos, argilosos, calcários e orgânicos. Solos Arenosos São solos com granulometria grossa, apresentando forma de grãos relativamente grandes, ricos em areia. Esse tipo de solo não consegue reter água por muito tempo. A água se infiltra pelos espaços existentes entre os grãos, indo se acumular nas camadas mais profundas. Com isso sua superfície seca muito rapidamente, dificultando assim o surgimento de plantas. Esse tipo de solo é muito comum na região nordeste do Brasil. Solos Argilosos Os solos argilosos contêm muitos materiais de granulometria pequena, como a argila, isso faz com que suas partículas fiquem muito juntas umas das outras, fazendo com que a água não consiga infiltrar como deveria, tornando esse tipo de solo constantemente encharcado na presença de água e por isso também dificulta o crescimento de plantas. Porém, quando a quantidade de partículas finas não é muito elevada ou as partículas não são finíssimas, esse solo se torna muito produtivo, sendo amplamente explorado pela agricultura. Esse tipo de solo argiloso é conhecido como terra roxa e é encontrado principalmente nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Solos Calcários
  15. 15. 15 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores Esse tipo de solo, formado por partículas de rochas, é um solo muito seco que tem grande tendência a esquentar quando exposto aos raios solares, tornando a vida nele praticamente nula. É muito comum em regiões desérticas. Solos Orgânicos São solos presentes em lugares com grande presença de matéria orgânica em decomposição (húmus), ricos em nutrientes, principalmente o nitrogênio, e de cor escura. O húmus age como um cimento e liga os minerais do solo, modificando sua porosidade e, portanto, aumentando sua capacidade de retenção de água. Os solos orgânicos apresentam alta fertilidade e excelentes condições de crescimento para as plantas, tornando-se muito utilizado para a prática de agricultura. Assim como encontramos diferenciação entre as características de cada solo, cada ambiente também tem suas próprias peculiares e, de acordo com elas, um determinado tipo de solo. A seguir veremos os principais aspectos de diferentes ambientes encontrados no nosso planeta. 2.5 ÁREAS ÁRIDAS, SEMIÁRIDAS E SUBÚMIDAS O solo, assim como a água, é um recurso natural muito importante para a manutenção da vida da humanidade, mas frequentemente esse recurso é mal gerenciado. Somente 11% da área total do planeta não apresentam restrições para o uso agrícola; em 28% o clima é muito seco, em 10% é muito úmido; em 23% o solo é quimicamente desequilibrado e em 22% é muito raso; e o restante, cerca de 6%, está sempre congelado (FAO, 1980). De acordo com a tipologia do solo e a característica climática de cada região, podemos ter diferentes definições quanto à presença de água. Quanto mais seco for o solo mais árido ele é. Segundo o Minidicionário Ruth Rocha, árido é
  16. 16. 16 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores definido como “seco, estéril, áspero, sem amenidade”. Portanto, quanto menos umidade tem um solo, maior é a aridez da região. As regiões são definidas em áridas, semiáridas ou subúmidas quanto ao seu aspecto de aridez por meio da combinação de duas variáveis climáticas: regime hidrológico (chuvas e evaporação) e de temperatura. Porém, essa classificação só dá uma ideia da aridez ou umidade do clima e não leva em relação o potencial agrícola e de pastoreio da região, que depende mais do tamanho no ano em que a precipitação e armazenamento de água no solo seja suficiente para o crescimento de culturas ou da vegetação. 2.6 DESERTIFICAÇÃO Em alguns casos a aridez é tão grande que o ambiente inteiro passa por um processo de transformação: o solo começa a perder nutrientes e passa a ficar arenoso, tornando o nível de umidade ainda menor e por fim se transformando em um deserto. Desertificação é definida como “A degradação de terras em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores, incluindo variação climática e atividades humanas.” (Capítulo 12 da Agenda 21 da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1992). Agora que conhecemos os principais aspectos e características dos solos, falaremos sobre a relação entre meio ambiente e desenvolvimento econômico e sobre a capacidade de suporte dos recursos naturais. 2.7 MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO É necessário entender o conceito de capacidade de suporte do meio, que é o nível de utilização dos recursos naturais que um sistema ambiental ou um ecossistema pode suportar, garantindo-se a sustentabilidade e a conservação de
  17. 17. 17 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores tais recursos e o respeito aos padrões de qualidade ambiental (Vide figura 5). Não importa se o recurso é renovável ou não renovável, o meio ambiente sempre tem uma capacidade máxima de suporte relacionada ao tempo que aquele recurso leva para se regenerar naturalmente (exemplo: fixação de nitrogênio pelos micro- organismos no solo). FIGURA 5 - POPULAÇÃO MÁXIMA SUSTENTÁVEL PELO BRASIL CONSIDERANDO O IMPACTO AMBIENTAL DE CADA HABITANTE FONTE: Revista Veja, edição 2071, de 30 de julho de 2008. Podemos dizer que a capacidade de suporte de utilização de um recurso natural foi ultrapassada a partir do momento em que ele começa a ser consumido mais rapidamente do que sua capacidade de reposição. Todos os problemas ambientais atuais são resultantes de um padrão de desenvolvimento econômico que não buscava mitigar os impactos ambientais de sua produção e desenvolvimento tecnológico, ou seja, não adotava posturas ambientalmente corretas ou trabalhava dentro da capacidade de suporte do meio ambiente. A Figura 6, a seguir, ilustra a relação entre meio ambiente e desenvolvimento econômico: o meio ambiente fornece os insumos e energia necessária, ou seja, toda a matéria-prima que entra nas diversas fases de uma cadeia produtiva: desde a extração do recurso natural até o uso e consumo final do produto, e em todas as fases são gerados resíduos que são dispostos no meio
  18. 18. 18 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores ambiente, muitas vezes sem o tratamento adequado ou acima da capacidade de suporte do meio. Foi esta interação insustentável entre o homem e o ambiente que gerou os problemas ambientais atuais, que causam consequências adversas principalmente à saúde humana e para a economia mundial. FIGURA 6 - EFEITOS DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SOBRE O MEIO AMBIENTE A maneira de gerir a utilização dos recursos naturais é o fator que determina o grau de impacto das ações antrópicas sobre o ambiente natural. O grau de impacto é função de três variáveis: 1. A diversidade dos recursos extraídos do ambiente;
  19. 19. 19 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 2. A velocidade de extração destes recursos (se permite ou não a sua reposição, isto é, se está dentro da sua capacidade de suporte); 3. E a forma de disposição e tratamento dos seus resíduos e efluentes. Agora que já falamos sobre recursos naturais e capacidade de suporte, vamos relembrar o conceito de área degradada, que é toda área que por ação natural ou antrópica* teve suas características originais alteradas além do limite de recuperação natural dos solos, exigindo, assim, a intervenção do homem para sua recuperação (NOFFS, 2000). Uma análise da United Nations Environment Programme (UNEP) ou Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente sobre os grandes problemas mundiais da atualidade levantou 12 grandes itens que preocupam pesquisadores, administradores e gerentes da área ambiental, são eles: 1. Crescimento demográfico rápido (vide tabela 1): Mesmo considerando que a taxa de fecundidade das mulheres está diminuindo nos países desenvolvidos, o crescimento demográfico aliado ao desenvolvimento tecnológico acelera a pressão sobre os sistemas e recursos naturais, e em geral traz como consequência mais impactos ambientais, devido ao aumento na produção industrial e nos padrões de consumo. 2. Urbanização acelerada: além do rápido crescimento demográfico, a aglomeração de população em áreas urbanas está gerando grandes centros com 15 milhões de habitantes ou mais. Esses centros de alta densidade populacional demandam maiores recursos, energia e infraestrutura, além de criarem problemas complexos de caráter ambiental, econômicos e principalmente sociais. 3. Desmatamento: a taxa anual de desmatamento das florestas, especialmente das tropicais, ocasiona diversos problemas como erosão,
  20. 20. 20 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores diminuição da produtividade dos solos, perda de biodiversidade, assoreamento de corpos hídricos, etc. 4. Poluição marinha: a poluição marinha está se agravando cada vez mais devido a: descargas de esgotos domésticos e industriais por meio de emissários submarinos, desastres ecológicos de grandes proporções, como naufrágio de petroleiros, acúmulo de metais pesados no sedimento marinho nas regiões costeiras e estuários, perda de biodiversidade (exemplo: espécies frágeis de corais), poluição térmica de efluentes de usinas nucleares e etc. TABELA 1 - VARIAÇÃO DO CRESCIMENTO POPULACIONAL ESTIMADO EM 1992, PARA O PERÍODO DE 1965 A 2025 FONTE: Sebrae, 2004 5. Poluição do ar e do solo: ocasionada principalmente pelas indústrias, agroindústria e automóveis, por meio de emissões atmosféricas das indústrias, disposição inadequada de resíduos sólidos (exemplo: lixões) e de resíduos industriais que causam poluição do solo, acúmulo de aerossóis na atmosfera proveniente da poluição veicular e industrial, contaminação do solo por pesticidas e herbicidas, etc.
  21. 21. 21 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 6. Poluição e eutrofização de águas interiores – rios, lagos e represas: a poluição orgânica proveniente dos centros urbanos e atividades agropecuárias gera uma variedade de efeitos sobre os recursos hídricos continentais, os quais são fundamentais para o abastecimento público das populações. Essa pressão resulta na deterioração da qualidade da água, causada pelo fenômeno da eutrofização, acúmulo de metais pesados no sedimento, alterações no estoque pesqueiro e geralmente inviabiliza alguns dos usos múltiplos dos recursos hídricos. 7. Perda da diversidade genética: o desmatamento e outros problemas ambientais acarretam perda de biodiversidade, ou seja, extinção de espécies e perda da variabilidade da flora e da fauna. A biodiversidade e seus recursos genéticos são fundamentais para futuros desenvolvimentos tecnológicos. 8. Efeitos de grandes obras civis: a construção de obras civis de grande porte, como represas de usinas hidrelétricas, portos e canais, gera impactos consideráveis e difíceis de mensurar sobre sistemas aquáticos e terrestres. 9. Alteração global do clima: o aumento da concentração dos gases estufa na troposfera terrestre (primeira camada da atmosfera) e de partículas de poluentes está causando um fenômeno conhecido como aquecimento global, que é o aumento da temperatura do planeta, devido à maior retenção da radiação infravermelha térmica na atmosfera. Cada grau Celsius de aumento da temperatura terrestre irá trazer consequências diferentes, e estas são acumulativas, segundo o 2º relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) apenas 1º C a mais já é suficiente para derreter as geleiras de topos de montanha do mundo todo, comprometendo os abastecimentos locais de água, e se o aumento chegar a 4º C estima-se que até 3,2 bilhões de pessoas poderão sofrer com a falta d’água e que a subida do nível do mar irá ameaçar a existência de cidades costeiras em todo o mundo. As previsões de aquecimento para
  22. 22. 22 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores o fim deste século estimam entre 1,8º C e 4º C a mais na média da temperatura mundial. 10. Aumento progressivo das necessidades energéticas e suas consequências ambientais: o aumento da demanda energética devido ao crescimento populacional, urbanização e crescente desenvolvimento tecnológico geram a necessidade da construção de novas usinas hidrelétricas e termelétricas, grandes e pequenas usinas nucleares, etc. E quanto maior a utilização de combustíveis fósseis (termelétricas, carvão mineral) mais gases de efeito estufa são lançados na atmosfera. Outros tipos de matrizes energéticas como hidrelétricas e usinas nucleares possuem impactos ambientais associados a sua construção e operação (exemplo: falta de tratamento para os resíduos nucleares). 11. Produção de alimentos e agricultura: A agricultura de alta produção é uma grande consumidora de energia, de pesticidas e de fertilizantes. A expansão das fronteiras agrícolas aumenta as taxas de desmatamento e perda de biodiversidade. 12. Falta de saneamento básico: principalmente nos países subdesenvolvidos, a falta de saneamento básico é um problema crucial devido às inter-relações entre doenças de veiculação hídrica, distribuição de vetores e expectativa de vida adulta e taxa de mortalidade infantil. E também pela poluição orgânica gerada pelo aporte de esgotos domésticos e drenagem pluvial em corpos d’água devido à falta de infraestrutura adequada e a lançamentos irregulares. Dentre os problemas ambientais que afetam o Brasil, podemos listar como os mais críticos: 1. Desmatamento, que acarreta perda de Biodiversidade; 2. Erosão devido a desmatamento e manejo inadequado do solo na agricultura e pecuária;
  23. 23. 23 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 3. Poluição das águas e solos devido à falta de saneamento básico nas áreas urbanas e rurais; 4. Falta de políticas de gerenciamento de resíduos sólidos nas áreas urbanas, gerando “lixões”; 5. Poluição industrial. No entanto, a partir da década de 70 a humanidade começou a tomar consciência dos seus impactos sobre a natureza, devido principalmente às consequências econômicas que as reações da natureza a esses impactos geravam, como mais gastos com saúde pública. Isso levou ao surgimento de uma nova abordagem de desenvolvimento econômico conciliatório com a preservação ambiental. Nasceu assim o conceito de desenvolvimento sustentável, que pode ser definido como o desenvolvimento que atende às necessidades das presentes gerações sem prejudicar o atendimento das necessidades das gerações futuras e que deve ser ao mesmo tempo ecologicamente equilibrado, economicamente viável e socialmente justo. Porém, para que possamos entender bem esse conceito de desenvolvimento sustentável é necessária a compreensão de outros conceitos básicos como impactos, passivos ambientais e poluição ambiental. 2.8 IMPACTOS AMBIENTAIS, PASSIVOS AMBIENTAIS E POLUIÇÃO AMBIENTAL A definição de conceitos é fundamental nesta área do conhecimento, pois uma recuperação de área degradada bem feita depende, acima de tudo, da capacidade do técnico ou da equipe técnica responsável.
  24. 24. 24 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 2.8.1 Impactos Ambientais e Poluição Ambiental A resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA no 1, de 1986, em seu Artigo 1º, considera impacto ambiental como sendo: Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I. A saúde, a segurança e o bem-estar da população; II. As atividades sociais e econômicas; III. A biota; IV. As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V. A qualidade dos recursos ambientais. Todo impacto ambiental tem uma ou mais causas e constitui-se no resultado das ações humanas sobre os aspectos ambientais (Vide Figura 7). FIGURA 7 – RELAÇÃO ENTRE AÇÕES HUMANAS, ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS FONTE: Sánchez, 2006. A causa do impacto ambiental, muitas vezes, tem relação direta e indireta com a poluição ambiental. A definição de poluição ambiental é muito semelhante à
  25. 25. 25 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores definição de impacto ambiental, no entanto, um impacto ambiental pode ser negativo ou positivo, ou seja, ele pode tanto trazer prejuízos como benefícios. Podemos dizer também que um impacto ambiental é significativo quando este é importante em relação a outros impactos, que poderiam ser julgados mais como efeitos, ou seja, como simples consequências de uma modificação induzida pelo homem, sem um valor econômico. A lei nº 6.938, de 1981, que trata da Política Nacional de Meio Ambiente, traz duas definições fundamentais: degradação da qualidade ambiental e poluição; são elas: II - degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente; III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. É muito importante interpretar o item e) da definição acima: a poluição pode ser causada por empreendimentos que disponham no meio ambiente efluentes, emissões, resíduos ou energia acima dos padrões ambientais, isto é, valores limites estabelecidos. O estabelecimento de padrões ambientais está relacionado ao conceito de capacidade de suporte do meio, que, como vimos anteriormente, é o nível de utilização dos recursos naturais que um sistema ambiental ou um ecossistema pode suportar, garantindo-se a conservação de tais recursos. Assim, o estabelecimento de padrões ambientais visa manter a exploração dos recursos naturais dentro da capacidade de suporte do meio, impedindo a degradação ambiental, e consequentemente eliminando a necessidade futura de recuperação de áreas degradadas. A Figura 8 abaixo exemplifica o processo de geração de um impacto ambiental. É preciso lembrar sempre que é a maneira de gerenciar a utilização dos recursos naturais que determina os impactos ambientais das ações antrópicas que serão gerados sobre o meio ambiente.
  26. 26. 26 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores FIGURA 8 – EXEMPLIFICAÇÃO DO PROCESSO DE GERAÇÃO DE UM IMPACTO AMBIENTAL FONTE: Sánchez, 2006. Juntamente com o aumento exponencial da população mundial e o seu processo de urbanização, o avanço do consumo de energia e a intensificação do processo de industrialização têm colaborado intensamente com a geração de poluição e impactos ambientais por meio das emissões de poluentes e resíduos gerados pela utilização de diferentes recursos naturais. Em geral, empresas do ramo industrial possuem os mais altos impactos ambientais justamente porque os seus processos produtivos geram inúmeros poluentes, o que explica também porque as indústrias oferecem mais riscos ocupacionais para aos seus trabalhadores e para o meio ambiente. A grande conclusão é que a geração de impactos ambientais está relacionada aos aspectos ambientais das atividades humanas, conforme exemplifica a Figura 9 abaixo.
  27. 27. 27 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores FIGURA 9 – EXEMPLOS DE RELAÇÕES ATIVIDADE-ASPECTO-IMPACTO AMBIENTAL FONTE: Sánchez, 2006. 2.8.2 Áreas de Influências: Direta e Indireta As áreas de influência são as áreas em que podem ser observados os efeitos do impacto ambiental. Como vimos anteriormente, a avaliação de impacto ambiental é um processo de exame dos impactos ambientes que podem ser gerados futuramente a partir de uma ação proposta. Assim, em geral, é no âmbito do estudo de impacto ambiental que são determinadas as futuras áreas de influência direta e indireta do empreendimento. A área de influência indireta compreende a faixa em que os efeitos são sentidos de modo diluído ou indireto. Geralmente estes impactos estão relacionados com os conflitos potenciais resultantes da instalação da atividade no espaço rural ou urbano, ou com a perturbação de usos consolidados da área. Já a área de influência direta na maioria das vezes envolve a área em que o empreendimento será instalado e que será afetada diretamente, por exemplo, desmatamento e terraplanagem para a execução da obra, o rio que será o corpo receptor do efluente da atividade, etc.
  28. 28. 28 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores É nessa área que aparecem os principais impactos ambientais decorrentes da instalação e operação da atividade. Os impactos ambientais significativos geralmente ocorrem na área de influência direta do empreendimento. Algumas vezes esse impacto é tamanho que provoca alterações profundas na região, mudando completamente a paisagem. 2.8.3 Passivo Ambiental Segundo Sánchez (2001), o passivo ambiental representa o acúmulo de danos ambientais que devem ser reparados a fim de que seja mantida a qualidade ambiental de um determinado local. Assim, o passivo ambiental representa uma obrigação, a obrigação de promover investimentos em ações para a extinção ou amenização da degradação ambiental causada por uma determinada atividade ao meio ambiente. O passivo ambiental também pode ser entendido como o valor econômico de um impacto ambiental que não foi mitigado, isto é, o valor econômico da recuperação de uma área degradada. Após o término da obra, o custo necessário para a recuperação das áreas degradadas, ou seja, dos impactos ambientais não mitigados, é o passivo ambiental. “A essência do passivo ambiental está no controle e reversão dos impactos das atividades econômicas sobre o meio natural, envolvendo, portanto, todos os custos das atividades que sejam desenvolvidas nesse sentido, podendo os danos ambientais serem relativos a recursos hídricos, à atmosfera, ao solo e ao subsolo, perda da biodiversidade, danos à saúde e à qualidade de vida, impactos na atividade econômica e, por fim, impactos sociais e culturais”. (MALAFAIA, 2004).
  29. 29. 29 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores Analisando a Figura 10 abaixo percebemos que a avaliação de impacto ambiental está relacionada aos danos futuros, enquanto a avaliação de dano ambiental está ligada a danos que aconteceram no passado e que, portanto, precisam ser recuperados, constituindo-se assim no passivo ambiental da atividade em questão. FIGURA 10- DIFERENÇA ENTRE PASSIVO E IMPACTO AMBIENTAL FONTE: Sánchez, 2006. Para acabar com um passivo ambiental é necessário um investimento financeiro que muitas vezes não trará nenhum outro benefício a não ser o ambiental, assim, ocorre frequentemente de ninguém querer assumir a responsabilidade de um passivo ambiental. No entanto, os agentes degradadores deviam assumir sua responsabilidade social, pois ainda que os investimentos na área ambiental e, portanto, o reconhecimento de seus passivos ambientais e recuperação de áreas degradadas possam gerar custos diretos, com certeza em períodos futuros eles trarão alguns benefícios, já que evitarão multas e todas as demais formas de penalidades, contribuirão para a redução de custos e para a melhoria da imagem da empresa perante a sociedade. A Figura 11 abaixo traz um exemplo de área degradada que se tornou um passivo ambiental: uma voçoroca (tipo de erosão em estágio avançado) causada por desvio de drenagem pluvial em Campo Grande (MS).
  30. 30. 30 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores FIGURA 11 – EXEMPLO DE PASSIVO AMBIENTAL: VOÇOROCA (TIPO DE EROSÃO EM ESTÁGIO AVANÇADO) CAUSADA POR DESVIO DE DRENAGEM PLUVIAL EM CAMPO GRANDE – MS FONTE: Arquivo Pessoal 2.8.4 Degradação Ambiental A degradação ambiental é o processo pela qual se tem uma redução dos potenciais recursos renováveis provocada por uma combinação de agentes agindo sobre o ambiente em questão. A desertificação é uma forma de degradação ambiental. Qualquer processo que diminua a capacidade de um determinado ambiente em sustentar a vida é chamado de degradação ambiental. Essa redução, que leva ao abandono do ambiente, pode ser causada por processos naturais, como, por exemplo, ressecamento do clima atmosférico, processos de formação dos solos ou de erosão e até mesmo uma invasão natural de
  31. 31. 31 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores animais ou plantas nocivas. Pode ocorrer também, direta ou indiretamente, por ações antrópicas, ou seja, aquelas causadas pelo homem. Veremos agora algumas definições importantes relacionadas a áreas degradadas e à sua recuperação: − Degradação: De acordo com o Decreto Federal 97.632/89, é definido como o aglomerado de “processos resultantes de danos ao meio ambiente, pelos quais se perdem ou se reduzem algumas de suas propriedades, tais como, a qualidade ou capacidade produtiva dos recursos ambientais”. − Degradação dos Solos: “Refere-se à deterioração ou perda total da capacidade dos solos para uso presente e futuro.” (FAO, 1980). − Restauração: “Restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada o mais próximo possível da sua condição original.” (Lei n° 9.985/2000, SNUC). − Recuperação: Retornar o local degradado a condições ambientais próximas às que eram vistas antes da degradação. − PRAD – Plano de Recuperação de Áreas Degradadas: Documento que contém o planejamento e os procedimentos para a recuperação da área degradada. − Recuperação do solo: Processo de manejo do solo no qual são criadas condições para que uma área perturbada ou mesmo natural, seja adequada a novos usos (ABNT, 1989). − Reabilitação: Tornar a área reocupada, ou seja, depois de remediada a área é utilizada para nova atividade. − Reabilitação do solo: Forma de recuperação do solo em que uma área perturbada é adequada a um uso determinado e novo ou àquele de antes da perturbação, segundo um projeto prévio (ABNT, 1989).
  32. 32. 32 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Remediação: Tecnologia e ações que visam a neutralizar, eliminar ou transformar substâncias que estão contaminando o ambiente (terra e água). 3 CAUSAS DA DEGRADAÇÃO DOS SOLOS A degradação dos solos pode ser considerada um dos maiores problemas ambientais dos dias atuais, isso porque ela afeta não só as terras agrícolas, mas também as áreas de vegetação natural. E o Brasil não está livre desse desastre, inúmeras fontes de literatura e estudos de casos têm destacado uma grande área do nosso território como sendo de solo bastante degradado. A degradação do solo está intimamente ligada à agricultura. Atualmente, o grande problema da degradação dos solos no Brasil resulta da combinação entre o clima implacável, um rápido desenvolvimento econômico e solos extremamente frágeis. 3.1 OS FATORES CAUSADORES São inúmeros os fatores causadores da degradação dos solos, podendo ser diretos ou simplesmente facilitadores para que ocorra a degradação, também chamado de fatores aceleradores. Por exemplo, a salinização do solo pode ter como fatores causadores diretos uma combinação do uso excessivo de irrigação e uma drenagem insuficiente, enquanto que o fator acelerador seria a aridez. Em outro caso, a ação do vento e da água sobre o solo causando a erosão é um fator direto enquanto que um fator facilitador a essa ação pode ser antrópico (desmatamento), ou natural (declividade). Conforme demonstra a Tabela 2 (abaixo), podemos separar os fatores diretos e fatores facilitadores em ações antrópicas e condições naturais.
  33. 33. 33 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores TABELA 2 - CLASSIFICAÇÃO DOS FATORES DE DEGRADAÇÃO DAS TERRAS EM AÇÕES ANTRÓPICAS E CONDIÇÕES NATURAIS Ações Antrópicas Condições Naturais Fatores Facilitadores ou Fatores Aceleradores - desmatamento - topografia - permissão do superpastoreio - textura do solo - uso excessivo da vegetação - composição do solo - taludes de corte - cobertura vegetal - remoção da cobertura - regimes hidrográficos vegetal para o cultivo Fatores Causadores Diretos - uso de máquinas - chuvas fortes - condução do gado - encurtamento do pousio - entrada excessiva de água/drenagem insuficiente - alagamentos - excesso de fertilização ácida - uso excessivo de produtos químicos/estrume - ventos fortes - disposição de resíduos domésticos/industriais FONTE: FAO (1980). Os processos erosivos causados pela água e pelo vento são encontrados em todo o território mundial e acontecem naturalmente, devido a fatores causadores diretos. Assim, embora a erosão possa ocorrer sem a intervenção humana, geralmente ela é iniciada e/ou acelerada pela atividade antrópica, que causa o desaparecimento da cobertura vegetal natural, o que se constitui então em um fator acelerador.
  34. 34. 34 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores Um estudo chamado de projeto GLASOD (Global Assessment of human- induced soil degradation ou Avaliação Global da Degradação do Solo Induzida pelo Homem quantificou todas as atividades prejudiciais feitas pelo homem e classificou em cinco grandes categorias (ISRIC/UNEP, 1991) (Tabela 3): (i) Desmatamento para a agricultura ou pastagem, florestas comerciais de grande escala, construção de estradas, desenvolvimento urbano, etc.; (ii) Superpastoreio (destrói a cobertura do solo, causa compactação e acelera a invasão de espécies arbustivas indesejáveis); (iii) Atividades agrícolas. O manejo inadequado da terra inclui o cultivo de solo frágil, pousio reduzido, uso indiscriminado do fogo, práticas que resultam na exportação de nutrientes do solo, transposição de rios para fins de irrigação ou irrigação inadequada de solos (FAO, 1993); (iv) Superexploração da vegetação para uso doméstico (uso da vegetação como combustível, cercas etc., em que a vegetação remanescente não fornece mais proteção suficiente contra a erosão do solo); (v) Atividades industriais que causem poluição. TABELA 3 - INCIDÊNCIA DOS CINCO FATORES CAUSADORES DA DEGRADAÇÃO POR REGIÃO (POR PORCENTAGEM DE ÁREA DEGRADADA) Desmatamento (%) Superpastoreio (%) Atividades agrícolas (%) Superexploração da vegetação (%) Industriais (%) África 14 49 24 13 0 América do Norte e Central 11 24 57 7 0 América do Sul 41 28 26 5 0 Ásia 40 26 27 6 0 Oceania 12 80 8 0 0 Europa 38 23 29 0 9 MUNDO 29 35 28 7 1 FONTE: ISRIC/UNEP (1991).
  35. 35. 35 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 3.2 DESMATAMENTO E SUPEREXPLORAÇÃO DA VEGETAÇÃO Não é de hoje que se têm notícias de que as florestas estão sendo derrubadas para dar lugar à agricultura. Em 1983 foi descrita a expansão do cultivo como sendo: O corte de árvores, arbustos e herbáceas, a queima da serapilheira, o plantio de culturas por dois a cinco anos nas clareiras abertas, e só então se permite o retorno da cobertura natural para regeneração do solo, podendo o período de pousio durar cinco a quinze anos, dependendo do solo e do tipo de vegetação. (FAO, 1983). Com o vertiginoso crescimento populacional, a busca por alimento e, por consequência, a procura por novas áreas agricultáveis vem se tornando um problema para a humanidade. Cada vez mais as florestas estão sendo derrubadas para dar lugar para o plantio e pecuária, tanto por agricultura de comércio como para de subsistência. A prática de queimar campos com vegetação para abrir grandes áreas de pastagem para criação de animais vem sendo cada vez mais crescente no Brasil. As florestas estão dando lugar para grandes lavouras e gigantescas pastagens, que são utilizados ao esgotamento pelos proprietários que depois abandonam essas áreas e partem em busca de uma nova área fértil. Nos dias atuais, a agricultura é forçada a encurtar o tempo de repouso do solo para que se possa retirar mais produtos e abastecer o mercado em curto prazo. Com isso um conjunto de diferentes práticas impróprias está sendo relacionado a esse tipo de manejo: redução do repouso da terra (pousio), fertilização insuficiente ou excessiva e várias formas de gestão inadequadas das áreas irrigadas. Outra forma de desmatamento, que também é responsável por grande parte da derrubada de florestas no Brasil, é o corte de árvores para a obtenção de lenha. O problema dessa prática está no fato de que geralmente a capacidade de regeneração da natureza é ultrapassada com a utilização pela população, com isso as áreas com vegetação são destruídas gradualmente dando espaço para terrenos descampados, acelerando assim o processo de degradação do solo.
  36. 36. 36 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 4 TIPOLOGIA Como vimos anteriormente, as degradações de terras são causadas por práticas inadequadas ou empregadas de maneiras erradas. Vimos também que o conceito de degradação dos solos é descrito como sendo a perda da capacidade de uso dos solos. Agora veremos que tais perdas ocorrem principalmente em decorrência das principais formas de erosão (pelo vento e pela água), e das deteriorações químicas e físicas. 4.1 EROSÃO As erosões são encontradas pelo mundo todo causando grandes estragos em algumas regiões. A erosão é um processo natural e muito importante na formação dos relevos da terra, mas práticas antrópicas aceleram este processo, tornando-o um problema, e um dos principais causadores da degradação do solo. As erosões acontecem pela ação dos ventos e/ou da água sobre o solo descoberto, por isso a grande importância da vegetação como fator de prevenção à degradação do solo. A água ou o vento, ao se chocar com a superfície de um solo desmatado, desprende e carrega as partículas superficiais para uma parte mais baixa do relevo, causando pequenas ravinas, que são sulcos formados no solo (Figura 12(a)). Com o passar do tempo essas ravinas vão evoluindo e se tornando maiores, até chegarem a uma voçoroca, que são grandes fendas e geralmente difíceis de serem controladas (Figura 12(b)). Todo esse processo torna o solo pobre e ainda mais difícil o controle de seu avanço.
  37. 37. 37 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores FIGURA 12 – REPRESENTAÇÃO DE PROCESSOS EROSIVOS: (A) RAVINAS, (B) VOÇOROCAS FONTE: ARQUIVO PESSOAL.
  38. 38. 38 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 4.2 DETERIORAÇÃO QUÍMICA A deterioração química dos solos pode ser dividida em perda de nutrientes do solo, salinização, acidificação e poluição de diversas origens.  A perda de nutrientes do solo é um problema causado, na maioria das vezes, pela chuva em terrenos desmatados (sem vegetação), isso porque quando o solo se encontra saturado com a água das chuvas aparecem poças na superfície dos solos e tem início o escoamento superficial. É justamente o escoamento superficial que leva embora os nutrientes (principalmente nitrogênio, fósforo e potássio), ou a parte mais fértil do solo (matéria orgânica). Perda de Nutrientes do Solo: Em 1983, a FAO descreveu que “nos trópicos úmidos, muitos nutrientes são levados durante as tempestades intensas, especialmente em terras não protegidas”. Entretanto, essa não é a única maneira de esgotar os nutrientes do solo, podendo ser “esgotados pela própria cultura, particularmente se esta for cultivada na mesma terra ano após ano” (FAO, 1983).  A salinização é o processo que pela qual o solo fica com níveis de sais tão elevados que se torna tóxico para as plantas, chegando a ser tão salino que se torna impossível ou inviável economicamente a sua recuperação. A salinização pode ocorrer pela má utilização da irrigação, sendo pela falta de atenção com a drenagem ou pelo uso de água com alto índice de salinidade. Salinização: Pode ser causada, também, pela invasão da água do mar ou pela invasão de águas subterrâneas salinas em reservas de águas de boa qualidade. Um último caso de ocorrência de salinização é quando atividades humanas que elevam a
  39. 39. 39 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores evaporação em solos com materiais salinos ou com lenços freático salino são realizadas sem controle.  A acidificação dos solos acontece quando seu pH fica abaixo de 7,0. A principal causa da acidificação é o uso excessivo de fertilizantes ácidos ou pela drenagem em determinados tipos de solo. Acidificação:  A degradação do solo por poluição pode ocorrer por meio do acúmulo de lixo, por derramamento de óleo ou outros combustíveis, pelo uso discriminado de agrotóxicos e/ou fertilizantes ou qualquer outro acúmulo ou despejo que prejudique a capacidade do solo de sustentar a vida. Poluição de diversas origens: 4.3 DETERIORAÇÃO FÍSICA Assim como na deterioração química, encontramos três diferentes tipos de deterioração física: a compactação dos solos, a elevação do lençol freático e a subsidência. A compactação dos solos é frequentemente decorrente do uso de máquinas pesadas em solos instáveis, mas pode ser verificada também em locais onde há pisoteio de animais, como o gado, por exemplo, ou então o selamento ou encrostamento do solo, que é causado pelo impacto das gotas de chuvas em solos descobertos. A compactação dos solos causa problemas como o aumento do custo de preparo da terra. Causa também uma maior dificuldade de infiltração da água que, por consequência, ocasiona maior escoamento superficial, aumentando a probabilidade de ocorrerem erosões hídricas (erosões causadas pela água). Outra degradação física é o aumento do lençol freático, podendo chegar até a zona radicular das plantas (camada do solo onde estão as raízes das plantas), que pode
  40. 40. 40 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores ser causada por manejo inadequado da irrigação ou por enchentes. Essa elevação do lençol freático pode ocasionar também a salinização dos solos. Já a última forma de degradação física é a subsidência, ou seja, o rebaixamento da superfície de terra, onde os solos orgânicos, pelo processo de escoamento superficial ou pela oxidação do próprio solo, perdem seu horizonte (primeira camada do solo, a camada orgânica). FIGURA 13 - PRINCIPAIS TIPOS DE DEGRADAÇÃO DO SOLO FONTE: GACGC, 1994 apud PNUMA, 2004. 4.4 EXTENSÃO E IMPACTO DA DEGRADAÇÃO As degradações ambientais atingem o planeta como um todo, mesmo em áreas intocadas pelo homem. A grande diferença está na rapidez em que ela ocorre. O GLASOD, um estudo que cobriu quase toda superfície terrestre, mostra que 15% das terras estavam degradadas por atividades humanas (ISRIC/UNEP, 1991). A Figura 14 mostra a extensão e o grau da degradação das terras nos diferentes continentes. Não se tem um dado concreto com relação à taxa de expansão de
  41. 41. 41 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores áreas degradadas, porém estimativas variam entre 5 a 12 milhões de hectares de solos perdidos anualmente. Se for comparado esse dado ao total de área com solo cultivável e de pastagem, que é de 4,8 bilhões de hectares no mundo todo, fica claro que a extensão dessa ameaça é considerável. A FAO (1992) estima que aproximadamente 25 bilhões de toneladas de solo (17 toneladas por hectare cultivado), são erodidos a cada ano. FIGURA 14 - EXTENSÃO E GRAU DA DEGRADAÇÃO DAS TERRAS NOS CONTINENTES FONTE: PNUMA, 2004. Para a comunidade rural, o maior efeito da degradação ambiental é a perda da capacidade produtiva dos solos, o que leva a uma necessidade crescente por uso de fertilizantes para que se mantenha a mesma produtividade, aumentando os custos de produção. A Figura 15 mostra a abrangência das principais formas de degradação no mundo. Mas o problema não para por aí. A adição de fertilizantes não é suficiente para recuperar os nutrientes perdidos pelo solo quando sua camada superior erode (FAO, 1983). Nos locais onde a degradação é séria, as terras vão sendo abandonadas e dando lugar a outras práticas menos “nobres”, que continuam com a
  42. 42. 42 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores degradação, por exemplo: solo degradado pela prática da agricultura passa a dar lugar a uma pastagem e solos degradados pela prática da pecuária são abandonados. FIGURA 15 - DISTRIBUIÇÃO E OCORRÊNCIA DAS PRINCIPAIS FORMAS DE DEGRADAÇÃO DO SOLO NO GLOBO FONTE: ISRIC/UNEP, 1991 LEGENDA DA FIGURA 15 Soil degradation types: Formas de degradação do solo Water erosion: erosão causada pela água Wind erosion: erosão causada pelo vento Chemical deterioration: degradação química Physical deterioration: degradação física Severe degradation: degradação severa Stable terrain: terreno estável Non-used wasteland: áreas inadequadas para uso (inóspitas) Water bodies: corpos hídricos
  43. 43. 43 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores Embora haja uma melhoria nas técnicas de manejo do solo visando a prevenção à degradação e à conservação, mesmo os melhores solos de países em desenvolvimento estão sendo degradados pela prática insustentável da agricultura. Muitas áreas são pressionadas a produzirem de maneira esgotante para suprir o aumento vertiginoso e urgente do consumo pela população, deixando o solo dessas regiões cada vez mais pobres. Segundo o Sfeir-Younis (1986), o cultivo de alimentos proveniente de áreas não irrigadas pode decair de 19% a 28% durante o período de 1985 a 2010. Em casos mais raros, a degradação ambiental força o deslocamento da população. A cada ano, centenas de milhares de hectares são abandonados por estarem degradados demais para o cultivo ou até mesmo para pastagens, limitando cada vez mais as áreas de cultivo para a população mundial. --------------------------FIM DO MÓDULO I----------------------

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