.:: Saiba mais ::.
                                                                  Seridó, Terra Nossa de Cada Dia
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SERIDÓ , TERRA                            © Museu do Seridó
                                        NOSSA DE CADA DIA
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DIRETOR:
Prof. Dr. Muirakytan K. de Macêdo Depto. de História e Geografia / UFRN

VICE-DIRETORA:
Iracema Nogueira Batista
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Arte sacra e santeiros do Seridó
                           Sumário
                                                   Na ...
Irmandades dos Negros do Rosário                                   De Senado da Câmara à Museu do Seridó

   A primeira co...
Pré-história do Seridó                                                     Chouriço: doce sangue
   A presença do Homem no...
Algodão, o ouro branco                                                       Seridó em armas

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Vestindo os couros                                                    Engenho de rapadura

   Entre cavaleiro e cavalo, a ...
Casa de farinha                                                      Casa morada e vivenda
    A farinha de mandioca era, ...
Bordados: a pele tatuada da região                                                 Seridó das caatingas
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  1. 1. .:: Saiba mais ::. Seridó, Terra Nossa de Cada Dia .:: Museu do Seridó ::. www.cerescaico.ufrn.br/museu .:: Caicó: uma viagem pela memória seridoense ::. (Site dedicado à história de Caicó através do patrimônio arquitetônico da cidade) www.cerescaico.ufrn.br/historiadecaico .:: Mneme - Revista de Humanidades ::. (Site da Revista Mneme. Periódico sobre história e cultura) www.cerescaico.ufrn.br/mneme .:: História do Rio Grande do Norte ::. (Site sobre a História do Rio Grande do Norte produzido pelos alunos do Curso de História do Campus de Caicó) www.cerescaico.ufrn.br/historiadornnaweb .:: Acauã Revista da graduação do curso de História ::. (UFRN/CERES) www.cerescaico.ufrn.br/acaua MUSEU DO SERIDÓ Edições Cadeia Velha
  2. 2. SERIDÓ , TERRA © Museu do Seridó NOSSA DE CADA DIA Apoio: REALIZAÇÃO : Projetos de melhoria do ensino da graduação · Práticas da Memória: o Museu do Seridó como sala de aula · Cenários da pegogia: o pedagogo no museu Projeto de Monitoria · Faces e recortes da História: a pesquisa e a docência Base de Pesquisa História e Educação IMAGE M DA CAPA: Logo do Proj. Inventário das Ref. Culturais do Seridó Custódio Jacinto IMAGEM DA FOLHA DE ROSTO : Grupo RPG&A de Caicó Logo do Museu Jair Diniz Miguel PROJETO GRÁFICO: Laboratório Digital de Computação Científica (LABORDIC) TEXTOS: Antônio de Pádua dos Santos ; Eugênia Maria Dantas; Iracema Nogueira Batista; Israel Maria dos Santos Segundo; Jucicléa Medeiros de Azevedo; Julie Antoinette Cavignac; Márcia Severina Vasques; Maria Isabel Dantas ; Muirakytan K. de Macêdo; Sebastião Genicarlos dos Santos; Tâmara Tássia Dias; Tânia Cristina Meira Garcia; Tayza Gabriella; Thaís Fernanda Salves de Brito. PARCERIA: Projeto Inventário das Referências Culturais do Seridó Seridó, terra nossa de cada dia referências culturais do Seridó/ Muirakytan K. de Macêdo; TâniaCristina Meira Garcia (Organizadores). Caicó: Edições Cadeia Velha, 2008. Museu do Seridó Rua Amaro Cavalcanti, 123 - Centro Caicó, Rio Grande do Norte, Brasil Tel.: (84) 3421-4872 www.cerescaico.ufrn.br/museu E-mail: museudoserido@yahoo.com.br
  3. 3. DIRETOR: Prof. Dr. Muirakytan K. de Macêdo Depto. de História e Geografia / UFRN VICE-DIRETORA: Iracema Nogueira Batista RESERVA TÉCNICA Iracema Nogueira Batista (Coord.); Carlos Luciano Almeida da Silva; Maria Dolores de Araújo Vicente; Maricélia dos Santos; Paulinho Brito da Siva PROGRAMAS EDUCACIONAIS Profa Dra Tânia Cristina Meira Garcia (Coord.); Profa. Débora Suzane de A. Faria; Jeany Andreia de Araújo; Muirakytan K. de Macedo; Adriana Cardoso; Israel Maria dos Santos Segundo; Tâmara Tássia Dias; Maria Quitéria Azevedo Silva; Elisnara Monalisa do Monte Silva; Leandro dos Santos Araújo e Maria José de Medeiros Nascimento. MUSEOGRAFIA Prof. Dr. Jair Diniz Miguel (Coor.); Mírya Lopes de Melo; Danillo Pablo de Sales FUNCIONÁRIOS: Maria Barros Capuxu Auxiliar de serviços gerais Luciana Aloise Souza - Laboratorista Seridó, terra nossa de cada dia referências culturais do Seridó Edições Cadeia Velha UFRN CERES 2008
  4. 4. Arte sacra e santeiros do Seridó Sumário Na sala da casa ficava o oratório, pequeno altar de madeira, sendo a mais valiosa a de cedro, que reunia uma pequena variedade de 1. .. De Senado da Câmara à Museu do Seridó 3 santos chamados de imagens ou vultos . A presença do oratório 2. .. Pré-História do Seridó 4 era uma compensação para os raros altares das igrejas e capelas, com 3. .. Seridó em armas 5 a vantagem de seu proprietário reunir um elenco de santos segundo a sua devoção e promessas. 4. .. Vestindo os couros 6 Grande parte dos vultos de santos encontrados nos oratórios 5. .. Casa de morada e vivenda 7 seridoenses entre os séculos XVIII e XIX vinham de Portugal e do próprio Brasil, especialmente Bahia, Pernambuco e Paraíba. A 6. .. Bordados: a pele tatuada da região 8 produção brasileira de imagens pode ser identificada pelos traços 7. .. Seridó das caatingas 9 muitas vezes mestiços da fisionomia dos santos: corpo atarracado e 8. .. Casa de Farinha 10 rosto arredondado. Antes do século XX existiriam santeiros no Seridó? Não sabemos 9. .. Engenho de rapadura 11 ainda. Pelo menos no século XX encontraremos uma linhagem de 10. Algodão, o ouro branco 12 santeiros seridoenses. E se considerarmos que a aprendizagem 11. Chouriço: doce sangue 13 passava-se entre avós, pais, netos, filhos, filhas e parentes, é muito provável que em Acari e Caicó tivemos algum tipo de oficina 12. Irmandades dos Negros do Rosário 14 doméstica. São acarienses Teodora, Luzia Dantas, Ana Dantas, Chico 13. Arte sacra e santeiros do Seridó 15 Santeiro e Ambrósio Córdula. São caicoenses Manoel Felício, os Aquino e Zé Quinino. João do Gado de Currais Novos e Júlio Cassiano de Jardim do Seridó. São José de botas | 15 |
  5. 5. Irmandades dos Negros do Rosário De Senado da Câmara à Museu do Seridó A primeira confraria do Rosário formada no Seridó foi a de Caicó. O Museu do Seridó com ato de doação feito pelo Patrimônio Iniciativa de um grupo de negros escravos e livres que, reunido no Municipal, através da Lei no 486 de 13 de janeiro de 1973, por ano de 1771, formou a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. O iniciativa do então Prefeito Municipal de Caicó, Francisco de Assis objetivo era que, agrupados assim, pudessem se ajudar e freqüentar a Medeiros teve sua sede transferida para o prédio do antigo Senado da Igreja Católica. Câmara e Cadeia Pública da Vila do Príncipe, construção finalizada Outra Irmandade do Rosário é a de Jardim do Seridó. Foi criada em 1812. O prédio apresenta planta retangular. Compõe-se de dois em 1863 e teve como fundador Joaquim Antonio do Nascimento. pavimentos: o superior destinava-se às reuniões da municipalidade; o Desde a sua fundação até a abolição da escravidão no Brasil, essa inferior servia de cárcere. Uma típica construção para fins da confraria foi composta pelos negros escravos e livres de Jardim do administração das vilas coloniais. Seridó e da comunidade Boa Vista, localizada em Parelhas. Todo acervo do museu, de significativo valor para a história A Festa do Rosário de Caicó ocorre em outubro e a de Jardim do regional, foi obtido através de doações feitas pelas famílias Seridó na passagem do ano. Durante a Festa do Rosário a irmandade seridoenses à Diocese de Caicó, responsável até então pela dança para seu rei e rainha. Portando lanças (espontão) e seguindo o administração do Museu e conservação de suas peças ritmo dos tambores e pífaros os dançarinos bailam pelas ruas da Com a criação do Centro Regional de Ensino Superior do Seridó e cidade. o funcionamento do Curso de História, a Diocese de Caicó transferiu a posse e a administração do acervo à UFRN, em 22 de maio de 1981. Negros do Rosário Desenho de André Vicente Fachada do Museu do Seridó | 14 | |3|
  6. 6. Pré-história do Seridó Chouriço: doce sangue A presença do Homem no Rio Grande do Norte é relativamente Em diversas regiões do Brasil o sangue é associado ao sal, à recente, por volta de 9.500 anos. As ocupações mais antigas são gordura e a outros temperos apimentados para preparação de aquelas da região do Seridó. O sítio Mirador, em Parelhas, apresenta lingüiças de sangue, morcelas ou chouriços. No sertão nordestino, uma datação de 9.410 anos e na Pedra do Alexandre, também encontramos uma variante: o sangue do porco servindo para conhecida como Pedra do Chapéu, em Carnaúba dos Dantas, as elaboração de um doce. datações mais antigas chegam a 9.400 anos. São várias as hipóteses Doce pastoso de cor preta, o chouriço tem como base o mel da para a chegada destes primeiros habitantes à região. Calcula-se que rapadura, especiarias, farinha, leite de coco e é normalmente estes teriam vindo do Piauí, por causa da semelhança técnica e apresentado com cobertura de castanhas de caju assadas, em metades, temática entre as pinturas rupestres de ambas as regiões. como enfeite. O sabor lembra o Bolo Preto, o Pé-de-Moleque típico do No Rio Grande do Norte é atestada a presença de grupos de Nordeste. caçadores-pescadores que se deslocavam ao longo dos rios, na região Realizada durante um dia inteiro, a chouriçada é um momento de Açu. Estes grupos possuíam uma indústria lítica (confecção de único durante o qual se trabalha e diverte-se muito. A festa revela ferramentas de pedra) simples, pois as pedras quase não apresentam laços de solidariedade tradicionais que existem numa sociedade retoques. Por outro lado, no Seridó, na bacia do Açu-Piranhas e em organizada em torno da agropecuária. Apodi encontramos pontas de projétil bifaciais de lança ou flechas finamente retocadas talhadas em sílex, calcedônia, cristal de rocha, O QUE É NECESSÁRIO PARA FAZER O CHOURIÇO quartzo hialino ou arenito silicificado. Tudo indica que eram Porco instrumentos pertencentes a grupos de caçadores altamente · Sangue de porco - 2 litros ou o sangue de um porco de 100 kg · Banha de porco derretida/líquida - 1 ½ litro especializados. Especiarias Outros objetos como almofarizes, mãos de pilão e batedores indicam que tinha algum conhecimento de técnicas agrícolas. · Cravo - 400 g · Canela - 400 g Almofarizes e mãos de pilão eram objetos de pedra polida usados na · Gengibre - 250 g moagem de grãos. Já os batedores eram artefatos usados para quebrar · Erva-doce - 400 g · Pimenta do reino - 150 g (opcional) frutos e esmagar sementes e ossos para aproveitar o tutano. Outros objetos polidos são os machados. Muito comuns são os semilunares, Outros ingredientes em formato de âncora . · Rapadura (garapa ou mel) - 50 rapaduras de 500 g · Castanha de caju assada e moída - 3 kg · Leite de coco - 5 litros (12 cocos) · Farinha de mandioca fina e peneirada - 50 xícaras de chá (6 kg) · Castanhas para enfeitar as latas com chouriço - 500 g |4| | 13 | Machados de pedra
  7. 7. Algodão, o ouro branco Seridó em armas Após a seca de 1845, com a dizimação dos rebanhos, sobressaiu-se Espadas e espadins eram armas de oficiais das Milícias e o cultivo do algodão e principalmente uma variedade típica do Ordenanças (regimentos do Brasil colonial) e Guarda Nacional (no Seridó, o algodão Mocó ou Seridó. Entre a década de 1880 e 1905, o Brasil império). A espada era a arma símbolo dessas forças militares algodão ultrapassaria em importância as exportações de açúcar na das quais faziam parte os grandes proprietários de terras. economia do Rio Grande do Norte. O algodão servia à fabricação de tecidos rústicos e redes. Tecê-lo era um ofício que nem todos tinham acesso, seja pela relativa complexidade da técnica, seja pelo valor dos teares manuais. O engenho manual de descaroçar algodão consistia em uma banqueta sob a qual assentava-se uma moenda com dois cilindros de madeira. Eles eram girados, através de manivelas, por duas pessoas. Uma delas inseria os capuchos brutos e a outra colhia as plumas descaroçadas. Com este processo produzia-se até quatro arroubas de Espadas algodão em pluma, numa jornada de oito a dez horas de trabalho. O descaroçamento dos capuchos de algodão para consumo As armas brancas (facas e punhais) resolviam questões de honra. familiar também poderia ser feito manualmente pelas mulheres e Coisa que as armas de fogo não poderiam garantir, pois eram usadas crianças, que fiavam a pluma em pequenas rocas ou fusos manuais. nas tocaias. Punhais longilíneos foram confeccionados nos sertões quase como jóias da coragem. Armas do corpo-a-corpo. Punhais de duelistas. Eram chamadas de facas-de-ponta . Algumas ornamentadas com cabo de prata e contas de osso. Descaroçador de algodão Facas-de- ponta | 12 | |5|
  8. 8. Vestindo os couros Engenho de rapadura Entre cavaleiro e cavalo, a sela. Objeto de montar que fazia muita A fabricação da rapadura teve início no século XVI, nas Canárias, diferença nas longas jornadas no vaquejamento e nas viagens, a sela, ilhas espanholas no Atlântico. Com a colonização o produto migrou junto com o arreamento dos cavalos, era sinal da riqueza ou pobreza para as Américas no século XVII, época de grande expansão de seu dono. Um ditado popular nos sertões relacionava preconceito açucareira. social e o assento do vaqueiro em sua montaria: Quem nasce para Este doce foi criado a partir do depósito de açúcar que ser formava cangalha, nunca chega a ser sela . A sela bastarda não é mais nas laterais dos tachos. Raspavam-se estas crostas de açúcar que encontrada no Seridó. O modelo que mais se aproxima dela é a sela derretidas eram colocadas em formas quadriculares de madeira No suzana usada hoje. Um homem abonado ponha sobre seu cavalo Brasil os primeiros registros de sua fabricação são de 1633, no Cariri uma sela bastarda cujo preço não era acessível a todos os vaqueiros. cearense. A sela ginete e o selim eram utilizadas nas lides comuns do A rapadura está presente na mesa do sertanejo. É o adoçante do vaqueiro. Como não era de bom tom as mulheres montarem leite, da coalhada. É consumida com farinha, mungunzá, carne de sol, escanchadas nas selas, locomoviam-se em andarilhas , ou paçoca, cuscuz, milho cozido. Sem preconceitos de misturar-se ao cadeirinhas , que possibilitavam cavalgarem voltadas para o lado, doce ou salgado, ao cereal, carne ou leite a rapadura segue seu apoiando os pés em uma travessa. Os silhões , também montados de caminho longevo. lado, eram selas de um só estribo. Na parte dianteira uma haste No caso do Seridó ainda encontramos ativas unidades artesanais elevada servia de apoio à perna direita da amazona. no trecho entre Serra Negra do Norte e Timbaúba dos Batistas, além Sapatos eram usados, principalmente, para atividades sociais mais de vales próximos à Serra de Santana. solenes. Todavia, não deixavam de ser uma peça muito desconfortável para quem passava a maior parte do tempo de chinelas. A roupa de couro, ou de vaqueiro, era constituída principalmente de chapéu, gibão, peitoral e calças. Com esta armadura de couro o vaqueiro poderia derrubar o gado bravio e desafiar a mata de espinhos e galhos secos. Enformando a rapadura Desenho de Hugo Silhão | 11 | |6|
  9. 9. Casa de farinha Casa morada e vivenda A farinha de mandioca era, e ainda é, alimento largamente usado Casas de morada e casas de vivenda eram os nomes das em todo o Brasil em razão de ser nutritivo, fácil de transportar e residências coloniais seridoenses. Isto porque as habitações eram agradavelmente associado tanto a doces e salgados. Originalmente locais de moradia, abrigo, como também espaços destinados à era comida indígena, mas logo foi aceito pelos portugueses e produção de subsistência, garantia de víveres, vivenda . As casas africanos. erguidas com a técnica da taipa eram mais comuns. Esta espécie de Na Casa da Farinha os trabalhadores, após a colheita de mandioca, morada, coberta com telhas ou folhas de carnaúba, não era exclusiva reúnem-se para o preparo da farinha - é a farinhada . dos mais carentes, já que os registros documentais apontam casos de Acontecimento misto de trabalho e festa, pois em mutirão pessoas da elite habitantes destas construções. trabalhadores de todas as famílias da região acorrem para o local e em À frente da morada ou vivenda havia uma espécie de varanda ao ambiente produtivo, trabalham, brincam, namoram e festejam. nível do solo. Denominava-se copiar ou cupiar. Era um lugar de As casas de farinha reuniam máquinas simples de ralar, prensar e homens recepcionando outros homens, conversando, fechando um forno para torrar a farinha. Desde o século XVIII já aparecem na acordos. Nele impera o banco de madeira, podendo-se encontrar, documentação do Seridó. embora fossem menos comuns, assentos individuais, os tamboretes. Na sala-da-frente, o oratório, símbolo da devoção sertaneja, e sua variedade de santos chamados imagens ou vultos . Em frente a estes, diariamente, ao fim da tarde, os indivíduos da família e dependentes se reuniam para a reza do terço. Geralmente eram dois os quartos em casas menores: a alcova do casal, que por vezes servia também de despensa, como meio seguro de guardar objetos ou alimentos, e a camarinha onde dormiam os filhos da família. Eram compartimentos sem janelas e iluminados, à noite, por candeias. Camas, geralmente com estrado de couro, eram patrimônio das famílias mais abastadas. Aos pobres ficava a esteira no chão ou a rede. O vestuário, os papéis, jóias e outros artefatos eram acondicionados em caixas, malas, baús e canastras. O alpendre localizado na parte posterior da casa era chamado tacaniça. Neste cômodo sem paredes funcionou a princípio a cozinha, disposto de forma quase rente ao chão, coberta por palha ou Xilogravura de Severino Borges telhas. Este ambiente foi, aos poucos, sendo internalizado, quando da difusão das casas de tijolos. | 10 | |7|
  10. 10. Bordados: a pele tatuada da região Seridó das caatingas A arte do bordado chegou até a região ao Seridó com a O clima da região nem sempre foi o semi-árido que temos colonização (Séc. XVII e XVIII). Atividade advinda, possivelmente, atualmente. O processo de diminuição das chuvas se iniciou por volta da Ilha da Madeira, a partir do bordado realizado à mão. Tais indícios de 9.000 anos atrás, quando a floresta tropical úmida deu lugar à podem ser comprovados pelas estampas atuais, folhas e pistilos, que vegetação típica da caatinga. Esta mudança marcou a transição entre remetem a padrões próprios à Ilha da Madeira, em Portugal. o Pleistoceno e o Holoceno (era geológica na qual vivemos). A Serra da Capivara, no Piauí, pela sua constituição física, ainda preserva alguns vestígios da vegetação antiga. Caatinga, denominação derivada do tupi que significa mata branca . Considerado um dos oito biomas brasileiros, abrange cerca de 700 mil Km² da região Nordeste do Brasil. O Seridó norte-rio- grandense está inserido neste bioma, apresentando paisagens que Bordado da Madeira atraem, encantam e desafiam aqueles que percorrem as suas veredas de galhos retorcidos, flores de cactos, espinhos de xique-xiques. Borda-se com cores e matizes utilizando-se tecidos e linhas. Os O bioma caatinga revela-se em uma composição heterogênea, com pontos utilizados são: cheio, matiz, turco, richilieu, granito (variação espécies diversificadas, que se distribuem obedecendo às ponto doido), ponto reverso (também conhecido como haste ou atrás), características do clima semi-árido, quente e seco, com período crivo, bainha, aberto, pesponto (variação do ponto arroz ou contado, chuvoso bem definido durante o ano, e do solo raso e pedregoso. quando feito à mão). Desta feita, é possível verificar-se mutações na paisagem regidas pelas variações do tempo, cujas temperaturas ficam em torno de 27º a 35º e pluviosidade que se distribui entre os meses de janeiro a maio, com índices que atingem uma média de 400 a 700 mm anuais. Bordado do Seridó Na década de 1940, o bordado passa também a ser feito na máquina Singer, fazendo com que os pontos à mão fossem adaptados ao estilo de bordar a máquina.São famosos os bordados produzidos em Caicó e Timbaúba dos Batistas. Pereiro |8| |9|

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