Histórias da Dona Fiota

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Projeto: Afro Brasileiro: (Re) Criando Nossas Raízes

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Histórias da Dona Fiota

  1. 1. APRESENTAÇÃO Trabalhar com o tema africanidade no Brasil de hoje está cada vez melhor, mas está longe do ideal. Todavia, acreditamos que as ações devam ter continuidade e acontecer cada vez mais, com o objetivo de que essa participação no mundo da pluralidade cultural e educacional aconteça com efetividade. (Re) Criando Nossas Raízes é um projeto Afro-Brasileiro integrante do Programa de Valorização da Cultura Negra da Fundação Guimarães Rosa (FGR). Consiste no resgate da história oral africana e afro-brasileira da Língua da Tabatinga em Bom Despacho/MG, dialeto africano de origem ascendente banto: “a expressão da Costa, presente na denominação da língua dos negros da Tabatinga, costuma ser associada à Costa dos Escravos, região africana que corresponde ao Benin e à Nigéria atuais.” (Queiroz, p. 30, 1998) Essa língua é falada na atualidade pela Senhora Maria Joaquina da Silva, mais conhecida como Dona Fiota, e está em processo de desaparecimento. Nós, pesquisadores da FGR, iniciamos o processo de registro etnográfico desse material com o objetivo de preservar o patrimônio imaterial de Bom Despacho. Em agosto de 2000, foi sancionado pelo Ministério da Cultura o Decreto nº 3.551, que instituiu o registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem o patrimônio cultural brasileiro, criando o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial. Diversas questões foram aprimoradas e estudadas sob novas abordagens. Novos conceitos surgiram. A percepção de “obra de arte” e “patrimônio” se modificou, com a inclusão de manifestações folclóricas, festas religiosas, dança, música, ou seja, a recentemente nomeada “cultura imaterial”. Essas mudanças recentes vieram justamente fortalecer e aumentar a viabilidade do projeto da Fundação Guimarães Rosa. Certamente que a cidade de Bom Despacho não possui patrimônio histórico ou material comparável ao das cidades históricas mineiras, todavia possui um importante e bastante raro patrimônio imaterial: preservou-se uma língua de origem africana, fenômeno que ocorreu com raridade, mesmo nas comunidades quilombolas detectadas Brasil afora, com vistas a proteger e revitalizar de forma lúdica e criativa essa riqueza. As cartilhas didático-pedagógicas denominadas “Contando Saberes - Histórias da Dona Fiota” representam parte dos trabalhos da FGR, e essa pesquisa em Bom Despacho se insere no contexto da Lei Federal de Educação nº 10.639/2003 na “introdução da história e cultura africana e afro-brasileira nas redes de ensino públicas e privadas”. Enquanto pesquisadores afro-brasileiros temos orgulho em apresentar o primeiro volume de um total de 12 cartilhas que se destinam aos alunos do 1º ao 5º ciclo. Estão sendo abordados os seguintes temas, de forma lúdica e prazerosa: Introdução - Histórias da Dona Fiota; História de África; História do Afro-Brasil; Vocabulário; Conceito de Família; Pluralidade e Diversidade; Ancestralidade e Religião; Música; Preconceito Racial; Medicina Homeopática; Culinária e Cultura . Kelly Cardozo
  2. 2. INTRODUÇÃO O Projeto “Afro Brasileiro: (Re) Criando Nossas Raízes” é uma aspiração da FGR para colaborar com o resgate da língua africana e também com a formação cidadã de crianças, adolescentes e idosos em situação de risco pessoal e social no cumprimento da Lei Federal de Educação nº 10.639/2003. O presente trabalho tem como objetivo pesquisar a chamada “Língua da Tabatinga”, bairro onde reside Maria Joaquina da Silva (78 anos), ou melhor, Dona Fiota, conhecedora de tal língua de origem predominantemente banto, que funciona como uma espécie de código secreto para preservação e troca de informações na comunidade local. Sua idealizadora principal foi a própria Dona Fiota que, com intuito de preservar essa cultura, compõe a equipe do projeto. A iniciativa conta também com suporte teórico-metodológico oral na investigação, resgate, mapeamento, valorização e divulgação do material distribuído em 12 cartilhas com abordagens lúdicas, destinadas ao publico infantil. Conta as histórias da Dona Fiota, do bairro da Tabatinga, da cidade de Bom Despacho, do contexto histórico da África, do Brasil e de Minas Gerais, numa seqüência cronológica a partir do século XVIII. Nossa história começa no período colonial do século XVIII. O primeiro volume conta a história de uma época em que Bom Despacho servia somente de passagem entre Pitangui e Divinópolis: Introdução - Histórias da Dona Fiota. Já no volume 2 serão abordados a História da África e o processo de expansão marítima até chegar ao Brasil, especificamente Minas Gerais. No volume 3, serão descritas algumas histórias do nosso Afro-Brasil com ênfase em terras das Gerais e da querida Bom Despacho. O volume 4 será dedicado exclusivamente ao “Vocabulário da Tabatinga - Bê-á-bá da D. Fiota”. No volume 5, uma abordagem sobre o conceito de Família Africana e Afro-brasileira. No volume 6 serão trabalhados os conceitos de Pluralidade e Diversidade. No volume 7 teremos noções de Ancestralidade e Religião. No volume 8, os grandes estilos de Música Afro. No volume 9 mostraremos o conceito de Preconceito Racial. Não poderíamos deixar a Medicina Homeopática de fora e será retratada no volume 10. A grande influência da Culinária será trabalhada no volume 11 e, por fim, no volume 12 um estudo da Cultura Africana e Afro-brasileira. Essas cartilhas têm em seu contexto aspectos fundamentais de conscientização e preservação do afro- local em Bom Despacho, além de atender ao Sistema de Educação e Cultura na produção de materiais didático-pedagógicos, refletindo e inserindo a temática afro nos conteúdos escolares. Kelly Cardozo
  3. 3. 4. Esse é um lugar comum...
  4. 4. 5. Aqui tem casas, pessoas e histórias...
  5. 5. 6. Vamos contar várias histórias muito antigas que começaram lá nos tempos da escravidão, bem antes da fundação de Bom Despacho e do aparecimento da Língua da Tabatinga.
  6. 6. 7. Em 1765, do lado de cá da margem do Rio Lambari, entre riachos e uma natureza prodigiosa, surgiram quilombos aqui e ali. E do lado de lá da margem, a cidade de Pitangui, um lugar agradável entre montanhas.
  7. 7. 8. Esse é o ponto de partida da nossa história da cidade.
  8. 8. 9. Vindo no encalço dos escravos e no ponto mais alto da cidade, denominado mais tarde de Cruz do Monte, os soldados da “Milícia de Pitangui” tinham uma visão privilegiada da região e capturavam os negros fujões para devolvê-los aos seus donos. Como pagamento recebiam terras. Daí surge o embrião que deu origem à cidade de Bom Despacho.
  9. 9. 10. Fundada em 1917, a cidade pequena e promissora passou a despontar no cenário de Minas por causa de sua gente corajosa e trabalhadora. Surge, então, a Tabatinga. Lugar de habitações simples e de muitas histórias para contar.
  10. 10. 11. Lá nasceu nossa personagem principal: Maria Joaquina da Silva (a Dona Fiota), que será chamada de Dona Fiotinha.
  11. 11. 12. Dona Fiotinha contará para nós suas histórias e estórias sobre a cidade onde vive. Ela mesma nos contará suas histórias e outras estórias. Entre elas, o dialeto africano conhecido como Língua da Tabatinga, que foi ensinado por seu pai, Sr. João Baiano, e sua mãe, Dona Maria da Silva.
  12. 12. 13. Ela é uma senhora muito querida e vive rodeada de netos, vizinhos e amigos...
  13. 13. 14. Está sempre ajudando alguém com sua sabedoria e bondade. Ela é uma pessoa especial, temos muito que aprender com Dona Fiota.
  14. 14. 15. Olá, pessoal! A Dona Fiotinha sou eu. A partir de agora, vamos nos encontrar sempre... Vou contar um pouquinho da história de nossos ancestrais.
  15. 15. 16. A vinda deles do continente africano para o Brasil... Como eles chegaram a Minas Gerais... O nosso bê-á-bá da Tabatinga – vocabulário... Conceito de família africana e afro-brasileira... O respeito à pluralidade e às diferenças – preconceito racial... O aprendizado com os mais velhos e os ancestrais... A devoção religiosa do nosso povo... Uhmmm, a nossa comidinha deliciosa...
  16. 16. 17. A música animada, alegre e encantadora... O uso da medicina alternativa, muito respeitada por nossos ancestrais... E, é claro, nossa belíssima cultura.
  17. 17. 18. Terá tudo isso e muito mais. Por isso, não percam as nossas próximas histórias. Tchau, pessoal.
  18. 18. 19. FICHA TÉCNICA Publicado pela Fundação Guimarães Rosa Projeto “Afro-Brasileiro: (Re) Criando Nossas Raízes” Superintendente-Geral Apoio Álvaro Antônio Nicolau Escola Estadual Martinho Fidélis Superintendente Operacional Autores Pedro Seixas da Silva Kelly Alcilene Cardozo Rosângela Melo Gontijo Superintendente Participação Ilustre de Administração e Finanças Maria Joaquina da Silva - Dona Fiota José Antônio Gonçalves Ilustração Departamento Social Guilherme Gustavo Rocha - Fudi Helvécio Gomes Edição e Diagramação Jota Campelo Comunicação Setor de Programas e Projetos Fabiana Cristina Antunes Revisão Stefania Cavedoni Equipe Responsável pela Pesquisa Kelly Alcilene Cardozo - Historiadora e Especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Rosângela Melo Gontijo - Pesquisadora Tiragem Impressão Data 1000 exemplares TCS Soluções Gráficas Junho/2007 – 1ª Edição Fundação Guimarães Rosa - FGR CARDOZO. Kelly A., GONTIJO. Rosângela M. Contando Saberes - Histórias de Dona Fiota. Belo Horizonte: Gráfica Halt, 2007. 20p. Referência Bibliográfica BRASIL, Decreto nº 3.551, de 4 de agosto de 2000. Institui o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem patrimônio cultural brasileiro, cria o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial e dá outras providências. BRASIL, Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional, para incluir no Currículo Oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. DELGADO, Lucilia de Almeida N. História Oral: Memória, Tempo, Identidades. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. QUEIROZ, Sônia. Pé Preto no Barro Branco. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.

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