Mo juba Akoda
Mo juba Aseda
Atiwo ojo
Atiwo oorun
Okanlerugba irunmole
B´ekolo BA juba ile
Ile a lanu fún
Olojo oni
Iba re...
comissão Paulista de Pontos de Cultura, na capital. Após a reunião, tivemos um
bate-papo com a Baby Amorim, que é membro d...
colocamos no caminho do Orisa. A casa está localizada no Jardim Jacira, no final
da periferia, onde presenciamos uma reali...
de Itapecerica, nos recepcionou muito bem e nos mostrou o espaço e seu
funcionamento.
              O próximo Ponto foi a ...
valores afro-descendentes que lutam pelo direito de fazer parte da memória e da
cultura nacionais em condições de igualdad...
Precisamos estabelecer urgentemente um diálogo com o governo
sobre as políticas públicas para a cultura negra. O MINC não ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Relato ofo onam

579 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
579
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
6
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
12
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Relato ofo onam

  1. 1. Mo juba Akoda Mo juba Aseda Atiwo ojo Atiwo oorun Okanlerugba irunmole B´ekolo BA juba ile Ile a lanu fún Olojo oni Iba re o Eu saúdo os primórdios da existência Saúdo o criador Saúdo o sol nascente Saúdo o sol poente Saúdo as duzentas e uma divindades Quando a minhoca saúda a terra A terra se abre para que ela entre Oh! Senhor do hoje Eu te saúdo COLUNA OFO ONAN No dia 31 de julho de 2010 (sábado), eu e o Carlos Eduardo do Ponto de Cultura Massa coletiva, iniciamos a “Coluna Ofo Onan”, e saímos em visita aos Pontos de Cultura de Matriz Africana do Estado de São Paulo. “Ofo Onan” é uma expressão Yorubá que pode ser traduzida por “encantamento pelos caminhos”, literalmente o que procuramos fazer durante esta VIAGEM, participando de uma rica troca de fazeres e saberes. Começamos por Ribeirão Preto, participando da I Mostra Artística dos Pontos de Cultura da cidade, na qual o Ilé Edé Dùdú (Casa de Cultura Negra) participou juntamente com os novos Pontos de Cultura, que mostraram um pouco do trabalho que desenvolvem. No domingo, dia 01, participamos da reunião da
  2. 2. comissão Paulista de Pontos de Cultura, na capital. Após a reunião, tivemos um bate-papo com a Baby Amorim, que é membro do GT de Matriz Africana do MINC. Soubemos mais sobre o Ilu Oba De Min, e sobre o site Aruanda Mundi, criado e coordenado por ela. Fomos em busca do Pontão Circuito Caipira, coordenado pelo Mestre Lumumba, em São Luís de Paraitinga. Depois da cidade, seguindo por uma estrada de chão, perguntando aqui e acolá, chegamos por volta das 22h. Omode, cujo nome significa “Filho do Caçador”, nos recepcionou e nos acomodou, pois as demais pessoas da comunidade já haviam se recolhido. Na segunda-feira de manhã, à luz do sol, pudemos perceber onde estávamos. Fazendo jus ao provérbio Yorùbá “kosi ewé kosi orisa”, que significa “sem folhas não há orixá”, percebemos que o mestre Lumumba está instalado em plena mata atlântica, local preservado pela própria comunidade e ideal para a prática ritual e também das suas atividades culturais, que inclui esculturas em argila e produção de tambores. O mestre Lumumba nos informou que esteve presente em uma reunião com representante do MINC e da 29ª Bienal, na qual ficou decidida a participação dos Pontos de Cultura de Matriz Africana no evento. Devido às limitações de comunicação próprias da área rural, nos encarregou de fazer os contatos para obter as informações sobre as condições concretas desta participação (número de participantes, critérios, estrutura para tal, etc). Na volta, contatamos os organizadores do evento por telefone, falamos com a senhora Helena Kavaliunas e com o senhor Pedro Franca, que nos informaram que está questão está sendo decidida entre a curadoria da Bienal e o Secretário TT Catalão. Na oportunidade enfatizamos a necessidade do envolvimento de representantes dos Pontos de Cultura de Matriz Africana também na discussão, organização e definição das condições em que esta participação se dará. Após um almoço tipicamente afro, com akara e ewá, nos despedimos e seguimos para Itapecirica da Serra. A primeira parada na cidade foi no Ile Axe Ajagunan Ode Labure, que é dirigido por Alessandra D' Ogun, nossa prima carnal, que há quase 40 anos atrás
  3. 3. colocamos no caminho do Orisa. A casa está localizada no Jardim Jacira, no final da periferia, onde presenciamos uma realidade dramática, marcada pelo abandono, pela ausência de políticas públicas e pelo círculo vicioso do crack, do tráfico e da violência policial. Pernoitamos aí, após uma longa conversa sobre a realidade concreta daquela comunidade e também sobre a gravidade do crescimento da perseguição e intolerância religiosa dos neo-pentecostais. Na manhã da terça-feira, ainda em Itapecerica, saímos acompanhados da Alessandra à procura de mais um guerreiro da periferia, o Denis do Ponto de Cultura Mais Gente, onde também encontramos a Bete, responsável legal pelo Ponto. Após visitar o local onde o projeto de hip hop será desenvolvido, a Bete nos recebeu em sua residência, onde tivemos a oportunidade de discutir diversas questões, que acabaram por opor duas posições muito explícitas no debate sobre a questão racial no país: de um lado ativistas do Movimento Negro denunciando o racismo e suas práticas; do outro lado, uma ativista de esquerda negando a existência do racismo e acreditando na possibilidade de transformar a sociedade ignorando esta questão. O encontro não programado entre o Ponto de Cultura Mais Gente e o Ponto de Cultura Ilê Axé Ajagunan Ode Labure, “não conveniado” é verdade, mas Ponto de Cultura mesmo assim pelo que é e pelo que faz, resultou numa parceria para o desenvolvimento de um trabalho conjunto com a juventude do Jardim Jacira. Um último apontamento foi a disposição do Ponto de Cultura Mais Gente organizar um EntrePontos na cidade de Itapecerica da Serra, envolvendo as entidades que já participam do evento e demais interessadas. A data, ainda a ser decidida, deverá ser em outubro ou dezembro, já que em novembro já está fechada a realização do encontro em Ribeirão Preto, por ocasião do já tradicional Ojo Aiku (dia da imortalidade), realizado em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra. Na quarta-feira chegamos a Campinas. Visitamos o Jongo Dito Ribeiro, localizado na Fazenda Roseiras, que também trabalha com a preservação e produção de ervas medicinais. A Alessandra, não a mesma
  4. 4. de Itapecerica, nos recepcionou muito bem e nos mostrou o espaço e seu funcionamento. O próximo Ponto foi a já tradicional Casa de Cultura Tainã. Infelizmente não tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente o TC, liderança maior da casa, pois estava em Brasília. Mas conhecemos os famosos tambores de aço, as atividades desenvolvidas, as mudas de baobá, o estúdio de gravação... Passamos no Iba O. A responsável pela casa, Alessandra Gama (mais uma Alessandra sim, senhores e senhoras!), estava fora, participando do Encontro Nacional do GT de Matriz Africana na Chapada dos Veadeiros. A Tatiana nos recepcionou e mostrou as dependências da Casa. Seguimos para o Urucungos, Puitas E quijenges. O Alceu, proprietário da casa, nos conduziu por uma turnê pela comunidade, devidamente regada por muito samba e alegria. Nossos agradecimentos à família do Alceu, esposa e filhas, pela acolhida calorosa e generosa. (Salve Alceu, o Orùnmilá te aguarda em Ribeirão Preto!) Quinta-feira. Já a caminho de casa, visitamos o Ponto de Cultura Caminhos, em Hortolândia. Fomos recebidos pela Iyalorixa Eleonora, responsável pela casa, um espaço muito dinâmico, voltado também para a economia solidária. *Oya oriri o, Oya efufu lele, ni jigi jigi (Oya a charmosa, o grande vendaval, aquela que corta a copa das árvores com seu vento forte). De volta a Ribeirão Preto, começamos a refletir sobre tudo o que vimos, ouvimos e sentimos ao longo da Coluna Ofo Onan, após aproximadamente 1600 km rodados. Percebemos a imensa responsabilidade das comunidades de matriz africana reconhecidas e inseridas pelo Programa Cultura Viva na rede de Pontos, pois, mesmo sendo ainda poucas, precisam garantir o diálogo positivo e respeitoso entre os valores euro-descendentes, hoje absolutamente hegemônicos, e os
  5. 5. valores afro-descendentes que lutam pelo direito de fazer parte da memória e da cultura nacionais em condições de igualdade. “Meus antepassados dormem na minha língua, formam minhas palavras, pensamentos que não pensei me acompanham e me sustentam, é a minha cultura.” Sentimos a necessidade do aprofundamento da articulação desses Pontos, considerando que apenas muito recentemente o Estado brasileiro começou a reconhecer a dimensão do racismo no país e a estabelecer políticas públicas específicas para a sua reversão. Temos que lembrar sempre que uma das bases principais sobre a qual o racismo se sustenta é o desconhecimento absoluto sobre a história e cultura africana e afro-brasileira. Na época da escravidão, quando os europeus procuraram justificar para si próprios o direito de escravizar outros seres humanos, desenvolveram a teoria de estarem escravizando “seres inferiores”, destituídos de cultura e valores. Essa idéia ainda permeia o imaginário nacional, hierarquizando as culturas que estão na base da formação do país. Nessa hierarquia, a cultura negra continua sendo negada e / ou demonizada, ou ainda, “incluída” de maneira torpe, na condição de folclore ou do exótico, em suas manifestações artísticas aparentes, despidas dos seus valores e princípios filosóficos africanos. Por isso, para nós, cultura é antes de tudo condição e fator de humanidade. Torna-se necessário a existência de editais específicos para o fomento da cultura negra; e a inclusão de pessoas que conheçam cultura negra, e saibam da sua importância para a implementação da Lei 10.639/03 e para o combate ao racismo e à intolerância religiosa, participando das bancas que selecionam os projetos inscritos nos Editais do MINC. Mais ainda, devem ser pessoas que tenham passado pelo aprendizado que apenas a vivência e o fazer propiciam, e não apenas aquelas originárias da academia. Só assim garantiremos a aprovação de propostas que possibilitem o fortalecimento da cultura negra, não limitadas a eventos plasticamente belos e interessantes, mas destituídos da sua raiz. A própria Fundação Palmares muitas vezes se deixa prender nesta armadilha. Um exemplo disso seria o Edital 22 Anos da Palmares, que premiará 6 “espetáculos”, para uma federação composta por 27 Estados.
  6. 6. Precisamos estabelecer urgentemente um diálogo com o governo sobre as políticas públicas para a cultura negra. O MINC não pode continuar se isentando desta responsabilidade, sob a alegação de que existem órgãos específicos no governo para a interlocução e a promoção da cultura negra, que seriam a Fundação Palmares e a SEPPIR, o que na prática não ocorre, e as demandas de quem faz cultura negra acabam caindo no vazio. Orunmila nos diz que: Nós nos ajoelhamos os pés de Ajala para escolhermos nosso destino, Ao chegarmos a terra nós ficamos apressados, Aquele que é sábio foi feito sábio pelo seu próprio destino, Aquele que não é sábio foi feito mais tolo que um pedaço de inhame pelo seu próprio destino, Nós escolhemos nosso destino no mesmo lugar, apenas eles diferem.

×