Portfólio final edilãndia rios

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Portfólio final edilãndia rios

  1. 1. Universidade do Estado da Bahia –UNEB Campus II –Alagoinhas Departamento de Ciências Exatas e da Terra –DCETPortfólio apresentado como um dos requisitos deavaliação e reflexão da prática pedagógica nocomponente curricular Estágio Supervisionado II, sob aorientação da Professora Cláudia Regina Teixeira deSouza.
  2. 2. Sumário1- Prefácio: O Portifólio Pág. 62- Capítulo 1 : Começo de tudo Pág. 73- Capítulo 2 : A escola Pág. 94- Capítulo 3 : A professora Pág. 145- Capítulo 4 : Os alunos Pág. 176- Capítulo 5 : Caminhando melhor Pág. 227- Capítulo 6 : O Estágio Pág. 258 - Capítulo 7 : Recursos didáticos Pág. 339 - Capítulo 8: Voltando no tempo Pág. 4410 - Mensagem ao leitor Pág. 5711 - Mensagem ao professor Pág. 5812 - Recordações Pág. 5913 – Agradecimentos Pág. 6014- Referências Pág. 61
  3. 3. Prefácio O Portfólio O Portfólio compreende um instrumento de coleção de todos ostrabalhos realizados pelos estudantes durante um curso ou disciplina. Destemodo, o portfólio, pode incluir resumos de textos, relatórios ou projetos depesquisa, reflexões, anotações, ou qualquer tarefa que permita ao aluno discorrerde como uma experiência significou pra sua vida, seus hábitos de estudo e seuscomportamentos. Assim o objetivo do portfólio é ajudar o aluno a desenvolver ahabilidade de avaliar seu próprio trabalho, orientando-o enquanto ser construtivoque é. Segundo Villas Boas (2004) o portfólio é um procedimento de avaliaçãoque permite aos alunos participar da formulação dos objetivos de suaaprendizagem e avaliar seu progresso. Nesse sentido, a obra escrita por Edilândia Rios de Oliveira, aluna doCurso de Ciências Biológicas pela Universidade do Estado da Bahia, surge comouma história real, imbuída de sensações experimentadas, na busca de trazer aoleitor o olhar de um ângulo divergente, não considerando apenas os problemasque permeiam um lado da história, mas um olhar que perceba o quanto serProfessor pode ser bonito. Pág. 06
  4. 4. Capítulo I Começo de tudo Os raios de luz de outubro que penetravam o quarto diziam...era um dia de sol... Ainda cochilando vi que o relógio do celular marcava07:00h da manhã de uma quinta-feira, era preciso levantar, o corpo pediaque eu permanecesse ali. Meio de súbito, lembrei, “É hoje!! O primeiro diade Estágio”, aquela lembrança veio à tona e despertou-me muito mais queo barulho de que qualquer despertador. Em ligeiro instante, ainda deitada,imaginei um mundo de coisas que poderiam acontecer ao entrar na sala deaula, ao assumir uma turma; coisas boas, coisas ruins... Como reagir a cadauma delas? Rodeada por uma atmosfera de sentimentos mistos; um coquetelcompleto de sensações desconhecidas; senti uma vontade enorme de queesse momento já tivesse passado, vontade de me livrar, me livrar sim! Aquilotudo parecia um fardo e no momento pesava, mais do que eu queria, maisdo que eu podia imaginar. Pág. 07
  5. 5. Ao levantar, relutei, “hoje definitivamente, não era omelhor dia pra começar”. Não estava bem comigo mesmo, não sabiao porquê, apenas sentia que não estava. A manhã passou depressa, mal tinha acordado, nem tinhame livrado daquela sensação de medo que me acompanhou duranteas poucas horas do dia, já era a hora de ir, eu tinha que ir... Emboraaquela experiência não fosse a primeira vez, pra mim, era como sefosse. Então saí de casa, disposta a encarar o traiçoeiro medo,descobrir ou incentivar o meu “eu professor’’. Pág. 08
  6. 6. Capítulo 2A escola Pra viver essa experiência, escolhi o Colégio Polivalente deAlagoinhas, situado no Bairro Silva Jardim desta cidade.Estruturalmente uma escola como todas as outras, com salas de aula,secretaria, biblioteca, cantina, campo para futebol. Composta deprofessores e de alunos, a alma daquele lugar! Sem eles todos oscômodos não passariam de um espaço vazio, sem história, semrecordações, sem aprendizado, nem ensino... E sem sua alma aquilotudo, nada seria... Não demorou muito, aos poucos, pude me sentir membro dainstituição. Como estagiária; fui tratada como efetiva, comoprofessora; um membro da casa... Lá aprendi a não me sentir menor,tão pouco maior, apenas igual. Pág. 09
  7. 7. Nos dias que chegava cedo na escola, enquanto descansavanuma poltrona de napa amarela que repousava ao lado dasecretaria, observava tudo. Numa viagem rápida de pensamento,formulava previamente conceitos; imaginava coisas, achava graça deoutras e me perdia no tempo. Não era uma espera cansada pela aulaque logo começaria, era um momento meu. Nessa hora, lembrava dequando estudava, do espaço, do lanche, sobretudo da paz que eraestar com os amigos! Ah! Os amigos da escola, quanta falta me faz... O olhar distante focava aquele grupo de meninas sorrindo,os rapazes flertando ao lado... Tudo isso não me era estranho; erapossível voltar no tempo... Eu, com cara de boba, inconsciente sorria. O toque do sinal alertava... Levantava como se nada tivessepassado pela cabeça e seguia aquele percurso tantas vezes feito...Aquele caminho que no início foi tão difícil trilhar... Rumo à minhasala. Pág. 10
  8. 8. A escola surgiu nas civilizações do Egito e da Mesopotâmia edesde a sua gênesis, ela foi um estabelecimento restrito as elites. Nãoobstante, esse quadro sofreu alterações no século XVIII, devidocorrentes de pensamento que defendia escolaridade para todos. De lápara cá, muita coisa mudou... A escola hoje, assume diversos papéis nasociedade. Tem, ou pelo menos deveria ter, o objetivo de buscar umponto comum entre comunidade, família, alunos, gestores, professorese funcionários, de modo que cada indivíduo sinta-se parte responsáveltransformador da educação; deve sobretudo, estabelecer relaçõesdemocráticas, inserindo o aluno ao contexto escolar e social. Nesse contexto, a escola deve construir um currículo capaz defavorecer um aprendizado social, baseado no diálogo e na interação emconstante processo de recriação e reinterpretação de conceitos,transformando a escola num espaço em que o aluno terá condições deanalisar a natureza em um contexto entrelaçado de práticas sociais(JACCOBI, 2003). Pág. 11
  9. 9. Veiga (2001), afirma que a qualidade da educação não depende apenas de uma gestão democrática, mas de um planejamento participativo e de um projeto pedagógico eficiente e contextualizado com a realidade da escola. Segundo Libâneo (2004): “A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes, procedimentos, atitudes e valores por parte dos alunos, pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. A principal função social e pedagógica da escolas é a de assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas, operativas, sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo, no desenvolvimento dos processos de pensar, na formação da cidadania participativa a na formação ética. ” A escola, deve portanto, preparar e instigar o aluno, a sercrítico e participativo, no contexto o qual esta inserido, contribuindopara a formação integral do indivíduo. Pág. 12
  10. 10. Colégio Polivalente de Alagoinhas Pág. 13
  11. 11. Capítulo 3A professora Era mês de setembro, ainda insegura quanto a que escolaescolher, que série trabalhar, saí de casa acreditando encontrar alguémque pudesse me acolher. Poderia ter sido uma decisão precipitada,mas no mesmo instante, sem procurar outra instituição, pensei, “Vaiser aqui”. O motivo que me fez escolher a escola, foi também o que mefez ter vontade de permanecer. Meu primeiro contato com a professoraregente da turma, embora tímido, foi certeiro, gostei e pronto! Nesse dia ao chegar na escola, os alunos já haviam sidoliberados, então, seguindo orientação da diretora, resolvi aguardar aprofessora que estava no laboratório. Após alguns minutos de espera ecom receio que ela saísse sem que eu a encontrasse, fui à sua procura. Enquanto eu do lado de fora observava; ela envolta de algunsalunos que permaneceram na sala, ela gesticulava, tirava dúvidas... Tãopequena, tão simpática, tão querida pelos que ali estavam. Pág. 14
  12. 12. Dona de um sorriso lindo e de uma educação grandiosa,naquela hora me ganhou e foi ali que eu quis ficar. Confesso que a princípio, não foi pela escola, não foi pelosalunos, pois não houve contato anterior, foi por ela, pela professora,por sua gentileza, pela dedicação que teve a mim. Todas as outrascoisas, vieram depois ... Ah! O nome dela ... verdade , quase esqueço de mencionar.Professora Celúcia Acácia, uma flor, com nome de flor... Graduada em Cências Biológicas pela Universidade doEstado da Bahia, leciona na casa há muitos anos, tanto a disciplina deBiologia, como também Ciências... querida pelos funcionários e pelosalunos, em qualquer turma que se responsabilizar a assumir. Comoregente, esteve presente todo tempo no colégio, disposta a tirarqualquer dúvida que pudesse surgir da minha parte. É envolvida nosprojetos da escola, participa de grupos de dança, organiza Feirasculturais, é o típico profissional que ama o que faz... Pra mim, foi oque deixou transparecer. Pág. 15
  13. 13. Nos difíceis primeiros dias, quando a procurei pra me orientarquanto ao comportamento da turma, aconselhou-me como amiga. Disse“É só no começo Edi, eles acostumam, você vai ver...” Acreditei. De acordo com Queiroz (2001) “o papel do professor é fazer queos alunos adquiriram certos saberes, presentes, em geral, nas matériasescolares, participando, além disso, da educação no sentido mais amplo,preparando-o para a vida em sociedade.” Pimenta e Lima (2004) afirmam que “o professor é umprofissional que ajuda o desenvolvimento pessoal e intersubjetivo doaluno, sendo um facilitador de seu acesso ao conhecimento.” Deste modo,o papel do professor é ser mediador do processo ensino-aprendizagem,entendendo os instrumentos de avaliação, os alunos, a escola, como partede um processo contínuo. Sou grata, a professora Celúcia, por ter me incentivado(também sou aluna!), pela chance que me deu. Ser professor, ao meu ver,também é isso. É se colocar no lugar do outro e ajudá-lo a seguir. Pág. 16
  14. 14. Capítulo 4Os alunos A chamada 90V6, um 1º ano, turma grande e difícil...Naqueles dias era engraçado observá-los, enquanto realizavam asatividades, grupais ou não, sempre havia tempo de acompanhar umpouquinho de cada um deles. Eu poderia tentar definir “um por um”,talvez de forma errada, equivocada, mas era o que ainda cedo davapra perceber. Poderia detalhar o comportamento de cada um,também do conjunto de todos eles. Havia os que indubitavelmente atraía maior atenção, masdisso, falarei nas próximas páginas... Costumavam sentar em grupo. A sala era diversificada,grupos de meninos, meninas, mistos, grupo dos irmãos, grupo dossem grupo... Eles acreditavam que aquela arrumação era uma fila!Meu Deus que fila mais tosca!! Pág. 17
  15. 15. Eu não ia mudar, não poderia chegar impondo nada, seaquilo não foi modificado pela professora regente, foi por que sempredeu certo... achar que ela não conseguiu mudar, que foi obrigada aaceitar, não posso, tenho certeza que não foi esse o motivo. Então coube a mim, achar a saída, para atrair maioratenção deles a mim, que com tom de voz baixo, encontrou nissouma das maiores dificuldades do estágio. Decidi depois de algumas aulas frustradas, me libertar detudo, da metódica escrita no quadro, e a pedido deles, libertei-me daprisão dos slides... Usava apenas pra mostrar imagens, ou caso fosseextremamente necessário. E observando, aceitando as opiniões dospróprios alunos, pra minha surpresa, deu certo, era isso!! Assimsegui minhas aulas... Escrito, o plano era meu único guia, o mais,era estudar, jogar a timidez, o medo pro lado e me deixar levar, umpouco por mim, outro tanto por eles. Pág. 18
  16. 16. Como falei anteriormente, alguns alunos chamavam maioratenção, não querendo ser injusta com os demais, queria citar alunoscomo Geovane, acredito que tenha idade aproximada de 17 anos,conversava o tempo todo, amigo de todos na turma, dono de umapersonalidade comediante, não conseguiu arrancar de mim, sequerum dia de chateação, e olha que eu o reclamava; Nossa! perdi a contade quantas vezes repeti a frase “ Geovane, não tem graça, ou você calaa boca, ou sai da sala, preciso continuar a aula ”, sem hesitar elerespondia “Desculpa minha pró linda, desculpa, juro que vou ficarquieto, é que tô com dor no coração, ajuda eu pró?” Seu silêncio erano máximo de um minuto. O que eu podia fazer? Inexperiente! Porfora, um sorriso de canto pra disfarçar, por dentro um sorrisoenorme por achar mesmo, graça em tudo que dizia, foi assimdurante todo estágio, não consegui colocá-lo fora da sala, emnenhum momento. Pág. 19
  17. 17. Em frente a mesa do professor, sentava Marília, Milena,Leandro e Ediná, os três primeiros, irmãos, a última, aluna da escolatransferida de outra escola na terceira unidade. Eram esforçados,educados, tiravam dúvidas, pegavam no meu pé, reclamavam daquantidade do assunto, mas não saiam dali... Outros, como Diego, Gabriel e Abner, chamava - meatenção. Sempre entendiam, sempre me surpreendiam comperguntas inteligentes e inesperadas... A diversificada sala, contava com Mozir, aluno tambémrecém transferido de outra escola, não tirava o fone do ouvido, nemna hora de prova, só abria a boca pra dizer “presente” na hora dachamada; olhava fixo, calado. E a sua presença distante também meacostumei. Nesta série, matriculado, estava Hebert, só matriculado...ele não assistiu uma aula, nem minha, nem de qualquer outroprofessor. Pág. 20
  18. 18. Sentava do lado de fora da sala, não respondeu a umachamada, apenas me recebia com um boa tarde dizia que o assuntode Biologia era ruim, “decoreba”. Não apenas ele, muitos tambémpensavam assim. Havia tantos outros alunos, cada um com sua graça, comseu brilho, cada um era o que podiam ser. Procurei não julgar nemcomparar bons ou maus comportamentos, entendia, que fora dali,existia outra história, o contexto de um mundo pessoal que eu nãoconhecia.Assim era... Pág. 21
  19. 19. Capítulo 5Caminhando melhor O início foi mesmo difícil, cheguei a pensar em desistir. Osalunos estavam arredios, pareciam completamente insatisfeitos.Com o passar dos dias, já acostumada àquela rotina, o medo erasempre menor a cada nova aula... Procurei me adaptar a eles, pediaopiniões quanto às aulas, dava broncas caso houvesse necessidade. Houve um dia, acho que nosso segundo encontro, na ânsiade fazer diferente, de ganhar a confiança deles, preparei aulaprática. Íamos observar ao microscópio lâminas com células daepiderme da cebola e com raspas da mucosa bucal, preparadas poreles, naquela mesma aula. Foi um dia duro, talvez o pior dia de aulapra mim. Pág. 22
  20. 20. Já frustrada com os olhares da aula anterior, estavaarrasada cheguei a pensar que seria rejeitada pela turma, nesse dia meaborreci. Do pequeno tom de voz, a um sermão, fui ao extremo... Nãoera justo, fiz tudo com carinho, preparei uma aula interessante, slidesilustrativos, ninguém queria ouvir, não prestavam atenção, olhavamcom ar ameaçador de indiferença. Soltei o verbo ... literalmente, li o bêa bá... Desde então, tudo mudou, percebi que faltava autonomia, euera a professora e era assim que tinha que me portar!!! Assim foi,melhor, assim tentei ser, diversas vezes escapei disso! E não era difícilfugir à essa regra, aluno tem cada uma! Com o tempo, me adaptei a eles, eles a mim. Nas primeirasaulas, usava slides. Não demorou a entender; não era aquilo que elesqueriam, pra minha surpresa... Então mudei. Levava o assunto apenasem mente, falava andando pela sala, perguntando, procurandoinstigá-los a responder. Pág. 23
  21. 21. Alguns se incomodavam diziam “Pró, porque você nãosenta, nenhum professor dá aula assim, vai ficar tonta.” Eu, apenasachava graça... Assim como os dias chatos, houve dias engraçados, dias commúsicas, paródias, jogos, exercícios, provas, dia com sol, dias dechuva... Dia de Feira de cultura, com aula sobre Moda, contando coma ilustre presença do melhor atual estilista “Victor Valentin”,interpretado por quem? Geovane, tinha que ser ele. Era oPersonagem... Ele arrasou!! Os passos seguintes foram sempre melhores, embora nãotenha sido o melhor de mim, sei que também não o deles, o curtoperíodo letivo de uma Quarta Unidade, nos limitou a apenas isso, acorrer, correr contra o tempo, a mostrar muitos pouco do que sou, vermenos ainda do que eles eram... Pág. 24
  22. 22. Capítulo 6O Estágio O período de Estágio propriamente dito, teve início no dia 14 de Outubro de 2010, com término no dia 06 de Dezembro do mesmo ano. As atividades desenvolvidas durante o processo serão detalhadas num capítulo à parte. Aqui, a finalidade é esclarecer para o leitor, a importância do Estágio Supervisionado, no processo de desenvolvimento profissional do futuro professor. De acordo com a Lei 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional o Estágio de Licenciatura, é necessário à formação profissional a fim de adequar essa formação às expectativas do mercado de trabalho onde o licenciado irá atuar. No exercício da profissão temos a oportunidade de consolidar o aprendizado; a prática nos possibilita construir e configurar o processo de aprender a ensinar. Pág. 25
  23. 23. A construção ocorre gradualmente, à medida que o professorarticula e efetiva sua prática docente no contexto escolar a partir dosconhecimentos teóricos/acadêmicos. Para Francisco e Pereira (2004) “o estágio surge como umprocesso fundamental na formação do aluno estagiário, pois é a formade fazer a transição de aluno para professor ‘aluno de tantos anosdescobre-se no lugar de professor’.” Este é um momento da formaçãoem que o graduando pode vivenciar experiências, conhecendo melhorsua área de atuação. Corroborando com isso, Kenski (1994), citadoposteriormente por Lombardi em 2005, dizem que este possibilita aograduando desenvolver a postura de pesquisador, despertar aobservação, ter uma boa reflexão crítica, facilidade de reorganizar asações para poder reorientar a prática quando necessário. Segundo Guerra (1995), o Estágio Supervisionado consisteem teoria e prática tendo em vista uma busca constante da realidadepara uma elaboração conjunta do programa de trabalho na formaçãodo educador. Pág. 26
  24. 24. O parecer 292/62 é quem define pela primeira vez aPrática de Ensino com um componente curricular obrigatório doscursos de Licenciatura e Pedagogia, na forma de EstágioSupervisionado. Este parecer orienta que o estágio deva ocorrer nasescolas da comunidade. Define ainda, que o estágio deve ter umperíodo de duração de um semestre letivo. Esse período de realização pré-profissional é fundamentalna carreira de qualquer professor. A prática de estagiar, permite aoaluno, experimentar situações diversas, quebrar medos, mudaropiniões... Não é difícil ouvir pessoas dizerem, “faço Licenciatura,mas sala de aula não está nos planos!!” Imaginam o Estágio comoum “bicho de sete cabeças” e ao passar por ele, percebe-se dizendocontrariamente ao pensamento inicial: “ É, não é, não foi tão ruim”. Me senti assim. Pág. 27
  25. 25. Mas há alunos que pensam fazer da escola, espaço para seufuturo profissional, e no entanto, frustram-se ao sentir de perto arealidade da educação brasileira. E ainda há, aquele aluno que entra na faculdade sabendo o que quer, a sala de aula é o seu prazer. Para este, “ensinar” o torna feliz! Para ser professor, é como qualquer outra profissão, nãobasta querer ser, é preciso ter o dom, gostar do que faz e fazer bem. Obom professor sabe lapidar o seu prazer, sabe o que faz, sabe lutarpelo que quer e o faz com gosto, mesmo que a realidade dos diasatuais, não seja favorável como deveria ser. É desse professor, que a educação precisa... Contrariando anecessidade, é o tipo que falta. O bom profissional consegue instigare influenciar positivamente o aluno estagiário que esta começando atrilhar este caminho. Pág. 28
  26. 26. Oliveira (s.d), diz que: “É necessário que o estagiário aprenda a observar e identificar os problemas, estar sempre aprendendo e buscando informações, questionar o que encontrou além de buscar trocar informações com professores mais experientes.” Assim chegamos na importância do professor experiente naformação do professor estagiário. Se o professor regente for ruim, ou o estagiário se espelha equer fazer tudo diferente, ou passa a acreditar que ser professor érealmente o que se está vendo. Aí, a educação não muda mesmo! No meu caso, ainda bem, a imagem foi favorável. Algumas dúvidas de principiante foram esclarecidas, muitosmedos deixaram de existir. Tive a certeza de que o saldo do que foibom, foi muito maior do que o que foi ruim... Pág. 29
  27. 27. Não sei se meu “eu professor” foi descoberto ali, mas sei, quequalquer que seja a experiência, no final de tudo vale a pena. E valeu!Foi dessa forma que encarei os dias que vieram depois. Então, já estranhando cada dia menos aquele espaço, quetinha se tornado um pouquinho meu, chegou o dia a ser observada,aquele dia que todo mundo teme, sabe?! Somos colocados à prova,meu Deus!! Que sensação... Estava aparentemente “segura”, confessoque me assustei comigo mesma. Eu, um poço de medos, de receios, eu,que nunca consigo disfarçar, agi “calmamente”. Fiquei sem graça,claro! Mas disfarcei direitinho, acho... Até o nome dos alunos, quesempre trocava, não aconteceu... Acredito que a obrigação de ir bem,falou mais alto que a insegurança que o medo tentava impor sobremim. Que bom! Lembro-me bem da aula. Naquele dia, não iria falar nada, osalunos apresentariam um trabalho... Mas é preferível sempre umsegundo plano não é isso? Pág. 30
  28. 28. Aprendemos também no estágio... Nunca prepare umaaula, sem ter uma carta na manga, pode ser que o dia não sejafavorável e dê tudo errado. Ouvi isso do meu querido colega decurso, Paulo, sabia que ele estava certo, não hesitei. A professora Cláudia já me esperava na secretaria, meiahora antes da aula começar. Seguimos para à sala, eu, ela, Camila(Colega de curso e monitora de Estágio) e a professora Celúcia,regente da turma. Preciso dizer que a aula que preparei não aconteceu comoseria? Claro que não, eu nem ia dar aula expositiva, isso fazia partedo plano; iria prestigiar os alunos, ouvi-los. Mas adivinhem! Sem misericórdia, Cláudia diz: “Mas antesdos alunos começarem, quero ouvir você falar um pouquinho, querover você se expressar”. Pois é. Tive que “rebolar”! Aquela cartinhaescondida... (improviso de uma revisão) e foi... Não foi o melhor queeu podia dar de mim no momento, mas o que consegui, não senti omedo, embora ele estivesse ali. Pág. 31
  29. 29. A orientação da professora Cláudia, durante todo osemestre, sem dúvida me permitiu maior confiança e dedicação.Professora da disciplina Estágio supervisionado II, era exigente,acompanhava tudo, plano por plano, via detalhes... Carismática,com jeitinho, queria de todos as alunos, sempre mais um pouco. Agente reclamava, retrucava: “Mais trabalho professora?”, masfazíamos, querendo sempre fazer bem. Hoje percebemos aimportância de tudo. Agora que já passou... Como muitas coisas na vida, a gentepensa: “bons tempos!” Achamos a graça que o cansaço desses diasnão permitia perceber. Pág. 32
  30. 30. Capítulo 7Recursos didáticos Em meio a um semestre louco, com tarefas externas a faculdade, procurei preparar as aulas tomando como base o livro didático da turma. Era um Volume único, da Editora Saraiva, de autoria Sônia Lopes e Sergio Rosso. Os assuntos trabalhados correspondente a Quarta Unidade eram Introdução à Citologia, seguido por capítulos voltados detalhadamente para cada parte da Célula. Bem ilustrado, o livro contava com vocabulário de fácil compreensão, era usado durante as atividades em sala juntamente a outros livros, como Amabis, Volume 2, Edit. Moderna; César e Sezar, Volume 2, Edit. Saraiva encontrados na biblioteca da escola. Os mesmo livros, usei, durante o preparo de aulas. Ainda como suporte, retirava questões de alguns livros de Biologia de 2º grau, como: Biologia Hoje de Sérgio Linhares e Fernando Gewandsznajder, Volume 1 , Edit. Ática e o livro Bio de Sônia Lopes, Volume 3, Edit. Saraiva. Pág. 33
  31. 31. Para Stray (1993), “o livro didático pode ser definido comoum produto cultural, composto, híbrido, que se encontra no‘cruzamento da cultura, da pedagogia, da produção editorial eda sociedade’.” Desta forma, pode permitir ao aluno, maior suporteteórico no processo de aprendizagem. Sua origem está na cultura escolar, mesmo antes dainvenção da imprensa no final do século XV. Na época em que oslivros eram raros, os próprios estudantes universitários europeusproduziam seus cadernos de textos. Com a imprensa, os livrostornaram-se os primeiros produtos feitos em série e, ao longo dotempo a concepção do livro como “fiel depositário das verdadescientíficas universais” foi se solidificando (GATTI JÚNIOR, 2004). Ainda bem que os tempos mudaram! Ou seriamosarcaicos até hoje! Pág. 34
  32. 32. Ainda falando do livro didático, Coutinho e Freire(2006), advogam que: “por muito tempo, o texto escrito, o conteúdo, foi o mais importante e valorizado na hora de se produzir um livro, e as imagens desempenhavam um papel secundário ou simplesmente decorativo. Contudo hoje, a imagem passou a ser valorizada e seu papel é visto como menos decorativo e mais ilustrativo, no sentido de apoiar e complementar o conteúdo textual. Pude ver isso de perto, quando pedia aos alunos, que lessem em casa o assunto trabalhado no dia da aula, para fixar o conteúdo; eles respondiam insatisfeitos “Ah não pró!! Ninguém merece”; já me perguntaram se ao invés disso, não podia desenhar uma célula, ou fazer outra coisa, mas ler, definitivamente, não fariam com tanto gosto. Pág. 35
  33. 33. Pensando nisso, e sabendo que os alunos não eram amantesde recursos como data show, procurava alternativas pra que asaulas não fossem sempre iguais, tentei diversificar o máximo, epara isso, usei métodos que estavam a minha disposição. Paracada aula, o preparo de um novo plano, a escolha de um novo jeitode ir ao encontro deles, não podia apenas falar, falar e falar, ao fimdo estágio, provavelmente os alunos estariam cansados da minhavoz. Desta forma, houve aulas com jogos, aulas com paródias,com música, caixas de som. Eram sempre mais proveitosas. Aofugir de regras como ler livros, alunos sentiam-se imersos numoutro mundo, com chances de aprender sem obrigação. Porque defato, pra muitos deles, é triste dizer, mas a escola não passa deuma obrigação, distração, meio de fuga. Pág. 36
  34. 34. Dessa forma, os instrumentos usados durante o processode ensino-aprendizagem são de extrema importância na construçãocrítica do indivíduo, para que haja formação cidadã efetivamenteparticipativa e estimulada no contexto escolar e fora dele.Para D´AMBRÓSIO (2001), “é preciso substituir os processos de ensino que priorizam a exposição, que levam a um receber passivo do conteúdo, através de processos que não estimulem os alunos à participação. É preciso que eles deixem de ver a ‘ciência’ como um produto acabado, cuja transmissão de conteúdos é vista como um conjunto estático de conhecimentos e técnicas.” Concordando com o autor, vale dizer, que se o alunovivencia ativamente o material trabalhado na sala, é mais fácil, nopróximo passo, este mesmo aluno, saber sozinho caminhar. Vi isso,diversas vezes... Pág. 37
  35. 35. Lembro bem da aula, era nosso quinto encontro, haviapreparado um jogo para os alunos. Ao chegar, fiz um breve resumodo assunto. Tinha confeccionado um baralho referente àsorganelas, composto de imagens e perguntas. Comprei um saco depirulitos, organizei a sala, separando-a em grupos: Meninos XMeninas e deixei a aula acontecer. Foi uma tarde sensacional! Trabalhar desta forma pode ser instigante e produtivo; osalunos acompanham na prática os resultados da própriainvestigação. Analisando a contribuição de novas tecnologias noprocesso ensino-aprendizagem, o PCN (1988, pág. 44), diz que asmesmas possibilitam “o desenvolvimento nos alunos, de umcrescente interesse pela realização de projetos e atividades deinvestigação e exploração como parte fundamental de suaaprendizagem.” Pág. 38
  36. 36. Considerando questões como essas, Pedrozo (2009), falandosobre Jogos didáticos no ensino de biologia, afirma que: “os jogos e brincadeiras são elementos valiosos no processo de apropriação do conhecimento, pois permitem o desenvolvimento de competências no âmbito da comunicação, das relações interpessoais, da liderança e do trabalho em equipe, utilizando a relação entre cooperação e competição em um contexto formativo. O jogo oferece o estímulo e o ambiente propícios que favorecem o desenvolvimento espontâneo e criativo dos alunos e permite ao professor ampliar seu conhecimento de técnicas ativas de ensino, assim como desenvolverem capacidades pessoais e profissionais para estimular a comunicação e expressão dos alunos, mostrando- lhes uma nova maneira prazerosa e participativa de relacionar-se com o conteúdo escolar, levando a uma maior apropriação dos conhecimentos envolvidos.” Pág. 39
  37. 37. Na tentativa de sempre fazer diferente, trazia para sala,imagens relacionadas ao tema a ser tratado naquele dia. Passava emdata show ou Tv pen drive, desejando facilitar a visualização einstigar a curiosidade dos alunos. Técnicas inovadoras, como o uso de sons e imagens podemdar suporte necessário para diversos conteúdos. Os recursos audiovisuais, podem ser considerados,materiais que buscam “prender a atenção”. A riqueza de detalhes, afacilidade de visualização, torna a aula mais avançada e interativa,aproximando o aluno e inserindo - o sobretudo no mundo atual. Pág. 40
  38. 38. Para Buoro (2002), “As imagens impõem presenças que não podem persistir ignoradas ou subestimadas em sua potencialidade comunicativa por editores e educadores, mas que, ao contrário, devem ser devidamente exploradas e lidas, o que implicaria ganho evidente para o processo educacional. A presença da imagem nos livros escolares e o contato diário da criança e de nossos alunos em geral com imagens de qualquer ordem devem ser levados em conta, tanto quanto a observar essa presença como algo que atua sobre a sensibilidade e os afetos dos leitores.” Isso reforça o que diz Moran no ano de 1995 em um artigosobre o vídeo na sala de aula: “O vídeo ajuda a um bom professor, atrai os alunos, mas não modifica substancialmente a relação pedagógica. Aproxima a sala de aula do cotidiano, das linguagens de aprendizagem e comunicação da sociedade urbana, mas também introduz novas questões no processo educacional.” Pág. 41
  39. 39. Sobre isso, parafraseando Lima (1998), o uso desses recursos,convida para uma linguagem inovadora, atrai a atenção tanto doaluno como do professor, colocando-os igualmente a um papel detelespectadores. A atividade audiovisual além de complementodidático, sobretudo nas aulas de Ciências e Biologia, em determinadosmomentos serve como recurso de capacitação, tão logo, podeminstigar, desvendar ou esclarecer no aluno, dúvidas que muitas vezesnão constam na estrutura ou no momento da leitura de um textoescrito. A escolha dos recursos usados para uma aula, é portanto, deextrema relevância no circuito educativo da escola. Gil (2007), fala que “o processo de ensino-aprendizagem ébastante complexo e pode ser influenciado por diversos fatores, taiscomo: diferenças individuais, motivação, concentração, recursos deensino e reações estimuladas a partir de situações de ensinopreparadas pelo professor.” Pág. 42
  40. 40. Tratando-se do ensino de Biologia, o professor deve contudorelacionar os conteúdos científicos ao cotidiano, sem que para isso, adisciplina seja vista como “decoreba”, ou rotulada como “matéria denomes difíceis”; deve ajudar o aluno a conceituar as concepções daprópria vida. Esses conhecimentos devem contribuir para que os sereshumanos em geral sejam capazes de usar o que aprenderam ao tomardecisões de interesse individual e coletivo, diante de um quadro ético deresponsabilidade e respeito considerando seus papéis na biosfera(KRASILCHIK, 2008). Pág. 43
  41. 41. Capítulo 8Voltando no tempo Finalizando o trabalho, quero apenas registrar nesseCapítulo, as observações feitas durante o Estágio. Muitos dias já foramcitados, outros, não menos importantes, também merecem páginasnessa história. A primeira aula foi no dia 14 de Outubro do ano de 2010.Não me sentia bem, ainda sem almoçar, recebi uma ligação daprofessora Celúcia, pedindo pra ir mais cedo, havia faltado umprofessor, teria que adiantar a aula. Saí de casa o mais rápido quepude, quase não chego a tempo de encontrá-los. Na verdade, elesesperavam que eu não aparecesse. Cinco minutos de atraso, teriaperdido minha primeira aula. Tinha preparado slides, usaria o datashow. O assunto era “meio complicado”, com imagens seria mais fáciltrabalhar. Ilusão. Pág. 44
  42. 42. A turma estava dispersa, alguns alunos (as meninasprincipalmente) olhavam como se quisessem me expulsar dali.Enquanto tentava explicar o assunto, a maioria conversava, poucosfaziam questão de me ouvir. Fiquei arrasada. Os slides dinâmicos nada significavam,pelo menos pra maioria... O pedido de silêncio, durava no máximo dois minutos. Meapavorei, diversas vezes. Como não bastasse o barulho dentro da sala, melhor, dolaboratório (preferi o local, por ser maior, mais ventilado e adequadopara o uso de mais recursos didáticos) o barulho externamente eraquase insuportável, nunca tinha visto tanta falta de educação, tãopouco respeito. Isso também me assustou. Pág. 45
  43. 43. Tentei trabalhar um exercício sobre Organização Celular(Capítulo do livro didático) na aula, mas como a metade do tempo,perdi pedindo silêncio, não deu tempo. Levaram para casa, trariamna próxima aula. Saí de lá quase chorando, mas acreditava que a próximaaula fosse melhor... Chegou dia 21, minha segunda aula, “hoje vai ser diferente”pensei. Queria inovar! Vamos fazer uma aula prática, corrigir oexercício da aula anterior... Talvez eu mude a impressão que passei ea que tive da turma. Sobre aulas práticas, Lunetta 1991, diz que, “Além de ajudar no desenvolvimento de conhecimentoscientíficos, as aulas práticas permitem que os estudantes aprendamcomo abordar objetivamente o seu mundo e como desenvolversoluções para problemas complexos.” Pág. 46
  44. 44. Acredito nisso, mas o alunos, acreditam também? Segundo Lakatos (2001), “as atividades práticasproporcionam grandes espaços para que o aluno seja atuante,tornando-se agente do seu próprio aprendizado, descobrindo assim,que aprender é mais do que mero conhecimento de fatos,interagindo comas suas próprias dúvidas, chegando a conclusões e àaplicação dos conhecimentos por eles obtidos.” Respondo com conhecimento de causa. Lamentavelmentenão. Pelo menos para essa turma, isso pouco importava naquelemomento, futuramente, já não sei... Turminha difícil a minha! Mais uma vez a aula havia começado um horário antes,pelo mesmo motivo anterior. A maioria dos alunos estavamagoniados pra sair, não teriam mais aula e isso comprometeusobretudo a aula prática, que acabou não sendo proveitosa comopoderia ser. Pág. 47
  45. 45. Conversavam o tempo todo, reclamavam de tudo, pedi porsilêncio, uma, duas, três vezes, nada feito! Se fui grosseira, se tiveautonomia, nem sei, tinha que mudar aquela situação. Então falei,falei e falei, o que esperavam e o que não esperavam ouvir de mim.Só havia essa alternativa? Também não sei. Ao sair da sala, procurei a professora regente, achei queseria rejeitada pela turma. Conversar com ela me acalmou. Levanteia cabeça e encarei de frente. “Próxima aula, não serei a mesma”,pensei comigo. Terceira aula, 28 de Outubro, abordando detalhadamenteO Citoplasma, levei imagens para passar na Tv pen drive, já que osslides não teria feito nenhum efeito positivo, na verdade, nemgostaram da idéia. Tinha que pensar em outra coisa. Pág. 48
  46. 46. Pelo mesmo motivo de antes, a aula começaria mais cedo. Aprofessora regente da turma havia dito aos alunos que esperassem,mas em virtude da Feira da Pechincha (para arrecadação dedinheiro em prol da Feira da Cultura) que estava acontecendo naEscola, os alunos instigados a ver o movimento, não permaneceramem sala. Quando cheguei, encontrei apenas três alunos meaguardando. Mais uma vez procurei a professora regente pra saber queposição tomar. Muitos alunos já não estavam na escola, por isso,orientada por ela, a aula desse dia, teve que ser adiada para apróxima semana. Preocupada devido o curto tempo da Unidade e aquantidade de assunto ainda a trabalhar com eles, voltei para casa,guardei o plano, o material e o que tinha em mente, para a próximasemana. Pág. 49
  47. 47. Quarta aula, 04 de Novembro. Antes de começar aula,comentei sobre a atitude deles na aula anterior, de não teremesperado, ainda sabendo que teriam professor em sala. Em seguida,perguntei se sabiam o que era um Estudo Dirigido, pedi quesentassem em grupo, expliquei o objetivo do trabalho e solicitei querespondessem. Dentre os dias de aula, esse, acredito que foi um dos maisproveitosos. Os alunos mostraram bastante disposição, tiraramdúvidas relacionadas ao assunto, procuraram interagir e mesmosentados em grupo não houve muito barulho na sala; as duas aulasnão foram suficientes para o término da atividade, os grupos ficaramresponsáveis em entregar a atividade pronta na próxima aula. Sai delá, revitalizada. Deu certo! Pág. 50
  48. 48. Já quase metade do mês de Novembro, dia 11, quinta aula.Preparei aula expositiva dialógica no quadro, usando como suporte,a Tv pen drive para a visualização de imagens (organelas) tambémpara explicar mais claramente, como cada uma delas trabalhavam emconjunto com as demais. Os alunos participaram mais que nas aulas anteriores. Apósa aula dialógica expositiva, a turma foi convidada a dividir-se em doisgrupos, meninos e meninas, para responder perguntas relacionadas àfisiologia e morfologia das organelas. Para cada acerto, o gruporecebia um pirulito, a intenção era fazê-los pensar na resposta aopasso que garantia um número de pirulitos suficiente para o grupo. A aula foi divertida, contamos com a presença da professoraCelúcia. Os alunos participaram entusiasmados do jogo. O tempopassou que nem percebemos. Pág. 51
  49. 49. Mais uma semana, estávamos na metade do mês deNovembro, dia 18. Já!! As aulas não demorariam a acabar. Masantes que isso acontecesse, teria que ser observada. A essa altura, jánão preciso dizer que foi aquele dia não é mesmo? Esperava a visita da professora Cláudia a qualquermomento. Torcia pra que fosse naquele dia. “A professora vaichegar e quem vai estar dando aula, serão os alunos” Pensei comigomesma. Seguindo meu cronograma, os alunos apresentariam umseminário. Eu, não estaria na condição que outrora estive diversasvezes, ia avaliar, não seria avaliada. Seria assim... Caso, Cláudianão tivesse a brilhante idéia de querer-me ouvir! Depois de observar minha revisão com os alunos, aprofessora Cláudia assistiu a apresentação de um único grupo esaiu para observar outros colegas. Pág. 52
  50. 50. Digo único, porque somente este teve a responsabilidade defazer o trabalho. Os demais inventaram inúmeras desculpas. Conhecendo a turma, imaginei que isso pudesse acontecer.Deixá-los ir embora porque não havia mais nada pra fazer na aula?Não mesmo! Tinha sim um segundo plano. Ainda bem! Havia preparado alguns vídeos sobre célula. Alguns alunosensaiavam música, a pedido da professora Celúcia, cederam a caixade som e participaram da aula; o final da tarde foi muito agradável.Após o vídeo, aproveitamos o recurso, para soltar a voz, cantamosabsurdamente desafinados, uma paródia sobre as Organelas. Minha aula do dia 25 de Novembro não ocorreu. A escolahavia marcado a Feira da Cultura para a mesma data. Esse fatoaliado ao dia que os alunos foram embora antes que eu chegasse,justamente aproveitando um evento (Feira da Pechincha), que ocorriana escola pra arrecadar dinheiro em prol da Feira da Cultura, acabouprejudicando as aulas. Pág. 53
  51. 51. Foram 4 aulas a menos. Uma unidade pequena, com doisdias de aula comprometidos. A turma ficou sem ver dois capítulosnecessários à completa compreensão do tão importante tema que éCélula. A Feira da Cultura foi um sucesso! Foi impressionante adedicação dos alunos. Claro que a nota que tudo aquilo valia tinhaum peso significativo. Muitos precisavam daquela ajuda para passarde ano. E pra isso deixavam até as atividades propostas em sala deaula sem fazer, mas as da Feira, nunca. Alguns tinham aresponsabilidade para ambas as coisas, outros nem tanto. Não faziamnada!! Absolutamente. De maneira geral. A Feira foi um show . Um show decultura, de bom gosto e de dons colocados em prática. O Colégioestava mesmo uma feira cultural. Pág. 54
  52. 52. De música, teatro, moda, meios de comunicação, dança,brinquedos, cinema, carnaval... Tudo isso e mais um pouco! Um pouco de cada um quefizeram daquele momento, hora também de aprendizado. Porque,aluno, escola, aprendizado é isso... Não só de livro retiramos o saber.O livro pode até apontar caminhos, mas para saber andar... Ah! paratanto, não bastam palavras... A prática é o que ensina! Acho que éisso... Minhas duas últimas semanas de aula, foram no dia 02 e06 de Dezembro, com aplicação de provas. No dia 02, fiqueiresponsável por uma turma que não era minha, mas precisavacumprir a carga de hora/estágio. No dia 06 apliquei a prova de Biologia com a minha turma.Minha última aula. Tiramos algumas fotos de recordação e então, medespedi dos alunos... Pág. 55
  53. 53. Depois disso, sala vazia, hora de pegar o material e ir pracasa não é mesmo? Agora nos resta aguardar o próximo passo desselongo caminho, que para alguns o começo, para outros, apenas atalhopara um caminho diferente seguir. Desse tempo, fica ainda, a sensação de mais uma tarefacumprida. Cheia de erros, sem dúvida! Mas para isso, nos foi dada aoportunidade, para isso, nos serviu o Estágio; para dar-nos chances deacertar, também de errar. Os erros e os acertos, nos permite mudar,sempre em busca do melhor. Sendo assim ... Mudamos sempre! E é por isso que estudamos Biologia!Porque só ela explica a Vida em sua criação, sua beleza, sua mutação!!Afinal somos “mutantes” ou será que não? Ao terminar de escrever esse “pequeno livro”, biologicamentefalando eu já mudei. Você não?É isso. Pág. 56
  54. 54. Ao leitor" A imortalidade de que se reveste a naturezahumana, faz o homem sempre presente. Presentepelas amizades que conquistou; presente peloexemplos que legou; sempre presente porque educou" (Michel Wolle) Pág. 57
  55. 55. Ao mestre ...“ Ensinar e, enquanto ensino, testemunhar aos alunos o quanto me éfundamental respeitá-los e respeitar-me são tarefas que jamaisdicotomizei. Nunca me foi possível separar em dois momentos o ensinodos conteúdos da formação ética dos educandos. A prática docente quenão há sem a discente é uma prática inteira. O ensino dos conteúdosimplica o testemunho ético do professor. A boniteza da prática docente secompõe do anseio vivo de competência do docente e dos discentes e de seusonho ético. Não há nesta boniteza lugar para a negação da decência,nem de forma grosseira nem farisaica. Não há lugar para puritanismo. Sóhá lugar para pureza. ”(Freire, 1996, p. 37). Com carinho. Pág. 58
  56. 56. Recordações ... Pág. 59
  57. 57. AgradecimentosA Deus, por estar sempre ao meu lado. E eu sei que está.Ao Colégio Polivalente, direção, professores , alunos e funcionários, por ter merecebido;A professora Celúcia Acácia pela oportunidade e pela atenção dedicada a mim;A professora Cláudia Regina, pela exigência de querer que tentemos ser cadadia melhor;As minhas amigas e companheiras de casa, Cris e Reja, por compartilhar osmomentos de estresse, risadas e loucuras do dia - a - dia sem deixar apagar obrilho;As minhas amigas Nívea e Nadja, pela presença constante em minha vida;Ao meu amigo Hipólito, por alegrar meus dias.A querida professora Valdeci dos Santos, pelo incentivo. Pág. 60
  58. 58. ReferênciasBUORO, Anamelia Bueno. Olhos que pintam: a leitura da imagem e o ensino da arte. São Paulo:Cortez, 2002.D’AMBRÓSIO, U. Educação Matemática: da Teoria à Pratica. Campinas: Papirus, 2001.FRANCISCO, C. M. e PEREIRA, A. S. Supervisão e Sucesso do desempenho do aluno no estágio,2004. [Disponível em:] <http://www.efdeportes.com/efd69/aluno.htm>. Acesso 10/Fev.2011..FREIRE, Paulo. (1996). Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. SãoPaulo, Paz e Terra.GATTI JÚNIOR, Décio. A escrita escolar da história: livro didático e ensino no Brasil. Bauru, SP:Edusc; Uberlândia, MG: Edufu, 2004.GIL. A. C. Metodologia do ensino superior. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2007. P. 57-66.GUERRA, Miriam Darlete Seade. Reflexões sobre um processo vivido em estágio supervisionado:Dos limites às possibilidades, 1995. [Disponível em:] <http://www.anped.org.br/23/textos/0839t.PDF>. Acesso em 18 Fev. 2011.KRASILCHIK, M. Prática de Ensino de Biologia. São Paulo, EDUSP, 4° edição. 2008. Pág. 61
  59. 59. JACCOBI, P. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, (SãoPaulo) n.118, mar. 2003, n. p.198. [Online]. Acesso em 18/Fev. 2011).LAKATOS, E. M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 2001.LIBÄNEO, José Carlos. Didática. 21ª. São Paulo: Cortez, 1994.LIMA, Rafaela; O vídeo na sala de aula: breve reflexão a partir das contribuições de MarioKaplún e Paulo Freire, (1998). [Disponível em:] <http://www.aic.org.br/metodologia/o_video_na_sala_de_aula.pdf >. Acesso em 18/Fev, 2011.LOMBARDI, Roseli Ferreira. Formação Inicial: Uma observação da prática docente pordiscurso de alunos estagiários do curso de Letra, 2005. [Disponível em:] <http://www.congresso/ed2005.puc.c/pdf/ferreira%20lombardi.pdf >. Acesso em 17/Fev. 2011.LUNETTA, V. N. Atividades práticas no ensino da ciência. Revista Portuguesa de Educação, v.2,n.1, p.81-90, 1991.MEC – Ministério da Educação; Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio; Brasília:MEC/Secretaria de Educação Básica, 2000; 71 p.OLIVEIRA, Raquel Gomes de. Formar-se professor de matemática: Uma experiência deaprendizagem cooperativa, s.d. . [Disponível em:] <http://www.anped.org.br/23/textos/0839t.PDF>. Acesso em 18 Fev. 2011. Pág. 62
  60. 60. PEDROZO, C.V. Jogos didáticos no ensino de biologia: uma proposta metodológica baseada emmodulo didático. Anais do IX Congresso Nacional de Educação. EDUCERE. II Encontro SulBrasileiro de Psicopedagogia. 26 - 29 de Outubro de 2009. PUCPR. p. 3183. [Online]. Acesso em16/Fev. 2011.PIMENTA, Selma Garrido e LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e Docência. 2. ed. São Paulo:Cortez, 2004.PIMENTA, Selma Garrido e LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e Docência. 2. ed. São Paulo:Cortez, 2004. [Disponível em:] <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010173302001000100007&lng=es&nrm=isso . Acesso em 20/Fev.2011..QUEIROZ, Glória Regina Pessoa Campello. Processo de Formação de Professores ArtistasReflexivos de Física. Revista Cedes. Campinas, v. 22, n.74, p. 97-119, Abril, 2001. [Disponívelem:] <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010173302001000100007&lng=es&nrm=isso . Acesso em 20/Fev.2011.STRAY, Chris. Quia Nominor Leo: Manual da sociologia histórica. In: CHOPPIN, Alain (org.)Histoire de léducation. n° 58 (numéro spécial). Manuels scolaires, États et sociétés. XIXe-XXesiècles, Ed. INRP, 1993.VEIGA, I. P.(org). Projeto político-pedagógico da escola:Uma construção possível.13.ed.Campinas: Papirus,2001 Pág. 63
  61. 61. •• Fim ...

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