A incompreensão dos homens

205 visualizações

Publicada em

Mensagem espírita

Publicada em: Espiritual
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
205
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A incompreensão dos homens

  1. 1. Quando o primeiro pastor de almas se elevou da Terra, no carro da morte, o Senhor esperou-o no Trono de Justiça e Misericórdia, de modo a ouvir-lhe o relatório alusivo às ovelhas do mundo. Nos céus, aves felizes entoavam cânticos à paz, enquanto serafins tangiam harmoniosas citaras ao longe. Tudo era esperança e júbilo no paraíso; no entanto, o pastor, que fora também no Plano Terrestre o primeiro homem bom, trazia consigo dolorosa expressão de amargura. Os cabelos brancos caíam-lhe em desalinho, seus pés e mãos tinham marcas sangrentas e de seus olhos fluíam lágrimas abundantes.
  2. 2. O Todo-poderoso recebeu-o, surpreendido. O ancião inclinou-se, reverente; saudou-o, respeitoso, e manteve-se em profundo silêncio. As interrogações paternais, todavia, explodiram afetuosas. Como seguia o rebanho da Terra? Observa-se o regulamento da Natureza? Atendia-se ao caminho traçado? Havia suficiente respeito na vida de todos? Bastante compreensão no serviço individual? Conforme o desdobramento dos negócios terrestres, abriria novos horizontes ao progresso dos homens. O dever bem vivido conferiria mais extenso direito às criaturas.
  3. 3. O velhinho, contudo, ouvia e chorava. Mais austeramente inquirido, respondeu, soluçando: - Ai de mim, Senhor! As ovelhas que me confiastes, segundo me parece, trazem corações de animais cruéis. A maioria tem gestos de lobos, algumas revelam a dureza do tigre e outras a peçonha de víboras ingratas. De fisionomia severa, embora serena, o Senhor perguntou: - Não tem as ovelhas a dádiva do corpo para o sublime aprendizado na escola terrestre? – Sim, suspirou o ancião, mas desprezam-no e insultam-no, todos os dias, através do relaxamento e da viciação.
  4. 4. Não possuem a casa, o ninho doce que lhes dei? – Mas fazem do campo doméstico verdadeiro reduto de hostilidades cordiais, no qual se combatem mutuamente, a distância do entendimento e do perdão. (...) Todavia, continuou o Misericordioso, e a Natureza que os cerca? Porventura, não lhes falam ao coração a claridade do sol, a bênção do ar, a bondade da água, a carícia do vento, a cooperação dos animais, a proteção do arvoredo, o perfume das flores, a sabedoria da semente e a dádiva dos frutos? Infelizmente, esclareceu o ancião, vagueiam como cegos e surdos, ante o concerto harmônico de vossas graças, e oprimem a Natureza simbolizando gênios do mal, destruidores despóticos. (...)
  5. 5. Foi então que, desde esse dia, o monstro cego e surdo da guerra acompanha os pastores do bem, a fim de exterminar, em tormentas de suor e lágrimas, tudo o que, na Terra, constitua obra de vaidade e orgulho, egoísmo e tirania dos homens, contrários aos sublimes desígnios de Deus. REFLEXÃO: O homem recebeu de Deus a dádiva da vida. Na Natureza, encontra ele a demonstração da força da Criação, que supre a Humanidade de tudo aquilo que ela precisa. O alimento, o ar, a água, enfim, os recursos de toda ordem para a construção de um mundo melhor.
  6. 6. Também recebeu de Deus a lei de amor e caridade, para que desenvolvesse a capacidade de amar, harmonizando o ambiente em que vive. Cabe, portanto, ao homem, desenvolver a capacidade de se adaptar ao ambiente terrestre, preservando tudo aquilo que mantém o equilíbrio da vida. Portanto, ele é responsável pela preservação e manutenção da Natureza: rios, mares, terra, animais, vegetais, que representam as forças equilibradoras da Criação. Permitir a destruição dessa Criação é caminhar para a autodestruição. Apesar de ser animal social, precisando uns dos outros, o homem costuma se enclausurar no egoísmo, no orgulho e na vaidade, que ilude e destrói.
  7. 7. O homem ama a si próprio mais do que aos outros. Exige respeito mas não costuma respeitar; vive sua própria verdade conforme seus próprios interesses e submete a todos aqueles que não pensam como ele, impondo suas próprias condições e percepções. O egoísmo individual transforma-se em egoísmo coletivo; grupos e facções surgem e se digladiam, em diversas arenas humanas, defendendo os seus próprios interesses. O egoísmo coletivo traz a disputa, e esta o conflito, a luta, a guerra. Na guerra o homem sofre e verifica toda a sua impotência em controlar a dor, que ali é gerada.
  8. 8. Ele se cansa de tanto sofrer e, volta e meia, pergunta si mesmo: Como Deus permite que a guerra exista, que a guerra ocorra, que a guerra aconteça? E essa lenda da guerra nos mostra porque a guerra é necessária aos homens. A guerra é aquele monstro cego e surdo, com muitas garras e muitas bocas que extermina os homens; que gera a dor nas famílias, para que se possa refletir e verificar a existência dos pastores do bem; aqueles que vêm trazer a mensagem da Criação, através da lei do amor, como caminho opcional para a felicidade do homem. Se a felicidade não é deste mundo, é porque o homem não é capaz de enxergá-la e construí-la pelo caminho mais fácil, o caminho da lei de Deus.
  9. 9. Deus nos deu todas as condições para suprirmos as nossas necessidades. Nos deu o livre-arbítrio, ensinando-nos através da família, através da sociedade a necessidade da vida em comum. Assim sendo, há a necessidade de respeito, de consideração uns pelos outros. Porém, existem aqueles que preferem se manter como lobos, aproveitando todas as oportunidades para atacar o seu semelhante. Endurecidos como tigre, incapaz de amar a quem quer que seja. E o que é mais grave, se envenenando como cobras e víboras, que destroem através da maledicência, da ingratidão, da mentira. Assim sendo, as falhas individuais vão se multiplicando e vão se tornando falhas coletivas.
  10. 10. Os grupos vão se formando e, de forma antagônica, começam a disputar não sei o quê. Muitas vezes, ao longo dessa disputa, percebem que o objetivo inicial já está totalmente deformado, e que eles não entendem bem por que estão lutando. Apenas querem lutar, guerrear. E a consequência natural dessas coisas é a dor; e, aí, o homem aprende através do sofrimento, porque as coisas não ocorrem como ele deseja. Como a guerra é surda e cega, ela é impiedosa em abater o ser na sua caminhada; e aqueles grupos, aquelas coletividades que se deixaram envolver pelas lutas e pelas disputas sofrem, se abatem, e diante do arrependimento e da dor, aprendem que o caminho mais fácil teria sido o caminho do amor.
  11. 11. Então, na lenda da guerra, aquele pastor dos homens, aquele primeiro homem bom que subiu aos céus diante de Deus, trazia a palavra do amor. Mas os homens trataram-no com sarcasmo, e preferiram aprender através do sofrimento. É fácil verificar que, desde que o homem existe, a guerra existe também; e depois de cada combate a disposição para o diálogo, para a compreensão aumenta. Isto porque, a dor que abateu o homem força-o a olhar para a lei do amor, como a melhor alternativa de caminho. E, aí, busca em coletividade se proteger, se respeitar; e o progresso advém de tudo isso.
  12. 12. Sendo assim, enquanto neste planeta de provas e expiações habitarem seres como nós, ainda imperfeitos, egoístas, orgulhosos e prepotentes, a guerra continuará a conviver entre nós, abatendo através da dor, e do reajuste, e ensinando o caminho do amor. Muita Paz! Meu Blog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br

×