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Uma Seleção das
Sagradas Escrituras e Escritos Bahá’ís

Compilado por
ROLF VON CZÉKUS

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Editora B...
A ETERNIDADE DA VIDA
1ª edição, Abril de 1997
Seleção de textos de livros bahá’ís
publicados em inglês e português.
Compil...
Apresentação
Um fato inevitável da realidade da vida é que todos os
seres humanos um dia, fatalmente, terão de deixar este...
A Eternidade da Vida

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Tratam de vários temas ligados à vida e à morte, à
passagem da pessoa humana por este plano de vi...
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pelos que deixaram este plano
da vida.
Glória a Ti, ó Senhor, meu Deus! Não rebaixes a criatura que exaltaste através do poder da Tua soberania eterna
nem remova...
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A Eternidade da Vida

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Ó FILHO DO MUNDANISMO!
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“Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh”*

A alma do homem e
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A Eternidade da Vida

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A Eternidade da Vida

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A Eternidade da Vida

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A Eternidade da Vida

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farsakhs* por hora; em sono, num abrir ...
A Eternidade da Vida

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a América, percebe o que está ali, examina e pode decidir
determinados assuntos. Fosse o espírit...
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A Eternidade da Vida

As enfermidades do corpo não o atingem; ainda que o corpo se
torne débil, perca mãos, pés e líng...
A Eternidade da Vida

35

porque o homem, sendo a culminância de tudo o que veio antes
e, assim, superior a todas as evolu...
36

A Eternidade da Vida

Deus, estimula o progresso espiritual da raça humana, pois se
transforma numa lâmpada para lhe i...
A Eternidade da Vida

37

o animal, não pensam senão no próprio bem-estar físico. É
verdade que essas necessidades devem s...
38

A Eternidade da Vida

O espírito animal é o poder de todos os sentidos;

depende da composição e associação dos elemen...
A Eternidade da Vida

39

A existência da alma racional após a
morte do corpo físico
PERGUNTA: Quando o corpo for abandona...
40

A Eternidade da Vida

da alma racional, entretanto, podem fortalecer-se neste mundo.
A alma poderá progredir, atingind...
A Eternidade da Vida

41

espírito vê terra e céus como uma só coisa, fazendo em ambos
as suas descobertas. O corpo, por o...
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A Eternidade da Vida

espelho. O sol não está dentro do espelho, mas tem com ele
alguma relação.
Assim também, o mundo...
A Eternidade da Vida

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De modo semelhante, as almas privadas de Deus, se bem
que existam neste mundo e no vindouro, em ...
Índice

Apresentação ....................................................................................
Orações pelos qu...
A ETERNIDADE DA VIDA
REFERÊNCIAS: Os textos selecionados para este livro encontram-se
publicados em livros maiores da Edit...
Eternidade da vida, a
Eternidade da vida, a
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  1. 1. ! "#$%&'()($ () *'()
  2. 2. ! "#$%&'()($ () *'() Uma Seleção das Sagradas Escrituras e Escritos Bahá’ís Compilado por ROLF VON CZÉKUS 1997 Editora Bahá’í
  3. 3. A ETERNIDADE DA VIDA 1ª edição, Abril de 1997 Seleção de textos de livros bahá’ís publicados em inglês e português. Compilação e tradução: Rolf von Czekus ISBN 85.320.0026.6 Editor responsável: EDITORA BAHÁ’Í BRASIL C. Postal 198 13800-000 - Mogi-Mirim, SP Fone/Fax: 019-862.2507 Impressão: Abaeté Copiadora e Gráfica Ltda. Rua Taguá, 190/212 01508-010 - S. Paulo, SP Fone/Fax: (011) 277-6360 / 277-3557
  4. 4. Apresentação Um fato inevitável da realidade da vida é que todos os seres humanos um dia, fatalmente, terão de deixar este plano de vida, quando a morte, inexorável, tirar o alento de seu corpo físico. Todos aceitam esse fato, mas quando o ente que partiu era pessoa querida de nossas relações, pai, mãe, filho, filha, o esposo, a esposa ou outros parentes, e mesmo um amigo ou pessoa que a gente admirava — o fato passa a ser muito doloroso, muitas vezes julgado até injusto da parte de Deus. E incompreensível. Para uma hora dessa, de tristeza, pesar e luto; para que se encontre uma explicação da razão desse passamento tão prematuro, ou aparentemente injustificável; ou ainda para que, por amor à Verdade, se conheça a realidade da vida — foi que a Editora Bahá’í do Brasil preparou esta compilação, que intitulou de: A ETERNIDADE DA VIDA. São textos de Bahá’u’lláh, o fundador da Fé Bahá’í, mensageiro de Deus para os nossos dias e guia infalível da vida humana. E textos de ‘Abdu’l-Bahá, o Mestre, filho de Bahá’u’lláh, por ele designado como Centro de seu Convênio e intérprete autorizado de seus ensinamentos.
  5. 5. A Eternidade da Vida 5 Tratam de vários temas ligados à vida e à morte, à passagem da pessoa humana por este plano de vida. A ETERNIDADE DA VIDA significa que a vida da pessoa, de seu ser real, é eterna. A passagem por este plano físico é transitória, tem um objetivo definido que é preciso conhecer para melhor nos prepararmos para a continuação da jornada... nos infinitos mundos do além. Editora Bahá’í do Brasil
  6. 6. +%),-$. pelos que deixaram este plano da vida.
  7. 7. Glória a Ti, ó Senhor, meu Deus! Não rebaixes a criatura que exaltaste através do poder da Tua soberania eterna nem removas para longe de Ti aquele que fizeste entrar no tabernáculo da Tua eternidade. Queres Tu expulsar, ó meu Deus, o ser que amparaste com Tua proteção, e consentes em afastar de Ti, ó meu Desejo, aquele para o qual foste um refúgio? Podes Tu humilhar a quem elevaste, ou esquecer aquele a quem deste o poder de se lembrar de Ti? Glorificado, imensamente glorificado és Tu! És Aquele que sempre foi o Rei da criação inteira e seu Primeiro Impulsor, e haverás de permanecer para sempre o Senhor de todas as coisas criadas, O que as rege. Glorificado és, ó meu Deus! Se Tu deixares de ser misericordioso para com Teus servos, quem, então, haverá de lhes mostrar misericórdia? E se Tu recusares socorrer Teus bem-amados, quem poderá socorrê-los? Glorificado, imensuravelmente glorificado és Tu! És adorado em Tua verdade, e a Ti nós todos, veramente, adoramos; e estás manifesto em Tua justiça, e a Ti nós todos veramente damos testemunho. És, em verdade, amado em Tua graça. Não há outro Deus além de Ti, o Amparo no Perigo, O que Subsiste por Si Próprio. Bahá’u’lláh
  8. 8. 8 A Eternidade da Vida ...Suplico-Te, ó Tu que és a Luz do mundo e o Senhor das nações, neste momento exato, quando com as mãos da esperança me seguro à orla das vestes de Tua mercê e bondade — perdoa Teus servos que se elevaram à região da Tua proximidade, dirigindo suas faces aos esplendores da luz do Teu Semblante, volvendo-se para o horizonte da Tua aprovação e aproximando-se do oceano da Tua misericórdia e que, durante toda a sua vida, Te expressaram louvor e arderam com o fogo do seu amor por Ti. Ordena-lhes, ó Senhor meu Deus, tanto depois como antes de sua morte, o que seja próprio de Tua suma bondade e excelsa misericórdia. Possam os seres que a Ti ascenderam — eu Te peço, ó meu Senhor — recorrer àquele que é o mais sublime Companheiro, e abrigar-se à sombra do Tabernáculo da Tua majestade e do Santuário da Tua Glória. Do oceano do Teu perdão, esparge sobre eles, ó meu Senhor, o que os torne dignos de permanecerem, por toda a duração da Tua própria soberania, dentro de Teu mais excelso Reino e Teu Domínio supremo. Potente és Tu para fazer o que Te apraz. Bahá’u’lláh Ó meu Deus! Ó Tu que perdoas os pecados! Tu que concedes dádivas e afastas aflições! Suplico-Te, verdadeiramente, que perdoes os pecados dos que abandonaram as vestes físicas e ascenderam ao mundo espiritual.
  9. 9. A Eternidade da Vida 9 Ó meu Senhor! Purifica-os das transgressões; as tristezas, desvanece-lhes e transforma sua escuridão em luz. Permite que entrem no jardim da felicidade, purifiquem-se com a água mais límpida e, no mais sublime monte, contemplem Teus esplendores. ‘Abdu’l-Bahá Ó meu Deus! Ó meu Deus! Verdadeiramente, este teu servo, humilde ante a majestade de Tua divina supremacia e submisso à porta de Tua unicidade, creu em Ti e em Teus versículos e testificou Tua palavra, tendo sido aceso com o fogo de Teu amor, imerso nas profundezas do oceano de Teu conhecimento, e atraído por Tuas brisas. Ele confiou em Ti, volveu a face a Ti, ofereceu a Ti suas súplicas e recebeu a certeza de Teu perdão e indulgência. Ele abandonou esta vida mortal e levantou vôo para o reino da imortalidade, anelando pela graça de atingir Tua Presença. Ó Senhor! Exalta-lhe a posição; abriga-o à sombra do pavilhão de Tua mercê suprema; faze-o adentrar teu glorioso paraíso e perpetua-lhe a existência em Teu sublime jardim de rosas, a fim de que ele venha a se imergir no oceano da luz, no mundo dos mistérios. Tu, em verdade, és o Generoso, o Poderoso, O que sempre perdoa, o Dispensador de Graças. ‘Abdu’l-Bahá
  10. 10. 10 A Eternidade da Vida Ó Senhor! Nesta, a Maior Revelação, Tu aceitas a intercessão dos filhos pelos pais. É esta uma das graças especiais, infinitas, desta Revelação. Aceita, pois, ó Tu, Senhor Bondoso, o pedido deste Teu servo no limiar de Tua unicidade e submerge seu pai no oceano de Tua graça, porque esse filho se levantou para te prestar serviço e, em todos os tempos, se esforça no caminho de Teu amor. Verdadeiramente, és Quem dá, o Perdoador e o Bondoso! ‘Abdu’l-Bahá
  11. 11. "/0$%#1.2 (1. ".0%'#1. ( $ 3)456768854
  12. 12. Excertos das “Palavras Ocultas” de Bahá’u’lláh* Ó FILHO DO HOMEM! Tu és Meu domínio, e Meu domínio não perece; por que temes perecer? És Minha luz, e Minha luz jamais se extinguirá; por que receias extinção? És Minha glória, e Minha glória não se esvaece; és Minha vestimenta, e Minha vestimenta jamais se desgastará. Permanece firme, pois, em teu amor por Mim, a fim de Me encontrares no Reino da Glória. Ó FILHO DO SER! Examina-te a ti mesmo, cada dia, antes de seres instado a prestar contas, porque a morte, sem prenúncio haverá de te sobrevir e serás chamado a responder por teus atos. Ó FILHO DO SUPREMO! Fiz da morte a mensageira de teu júbilo. Por que lamentas? A luz, Eu a fiz derramar sobre ti o seu esplendor. Por que te ocultas diante deste esplendor? Ó FILHO DO ESPÍRITO! Com as jubilosas novas da luz, Eu te saúdo; exulta! À corte da santidade, Eu te chamo; ali permanece, a fim de poderes viver em paz para todo o sempre. Ó FILHO DO ESPÍRITO! O espírito da santidade traz as boas novas da reunião; por que lamentas? O espírito do poder te confirma em Sua Causa; por que te ocultas? A luz de Seu Semblante te guia; como te podes desviar?
  13. 13. A Eternidade da Vida 13 Ó FILHO DO MUNDANISMO! Aprazível é o reino da existência, fosses tu atingi-lo; glorioso o domínio da eternidade, fosses tu passar além do mundo mortal; doce é o santo êxtase, se sorvesses do cálice místico oferecido pelas mãos do Jovem celestial. Pudesses tu alcançar esta condição, livrar-te-ias da destruição e da morte, da fadiga e do pecado. Ó FILHO DO HOMEM! Pondera e reflete. Será teu desejo morrer sobre teu leito, ou derramar teu sangue vital sobre o pó, como Mártir em Meu caminho, tornando-te assim a manifestação de Meu mandamento e o revelador de Minha luz no mais alto paraíso? Julga bem, ó servo! Ó FILHO DO ESPÍRITO! Rompe tua gaiola e, assim como o fênix do amor, alça vôo para o firmamento da santidade. Renuncia a ti mesmo e, prenhe do espírito da misericórdia, habita no reino da santidade celestial. Ó DESCENDENTE DO PÓ! Não te contentes com o ócio de um dia passageiro, privando-te do repouso eterno. Não troques o jardim de infindável deleite pelo monte de pó que é o mundo mortal. De tua prisão ascende aos gloriosos prados do além e, de tua gaiola mortal, alça teu vôo até o paraíso do Infinito. * Livro publicado em português, completo, pela Editora Bahá’í do Brasil.
  14. 14. “Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh”* A alma do homem e sua sobrevivência após a morte E agora a respeito de tua pergunta sobre a alma do homem e sua sobrevivência após a morte. Sabe tu que, em verdade, a alma após sua separação do corpo continuará a progredir até que atinja a presença de Deus, em uma condição e um estado que nem a revolução dos séculos e eras, nem os acasos e as vicissitudes deste mundo, poderão alterar. Durará enquanto durar o Reino de Deus — Sua soberania, Seu domínio e Seu poder. Haverá de manifestar os sinais de Deus e Seus atributos e revelar Sua benevolência e generosidade. O movimento de Minha Pena aquieta-se quando tenta descrever, de um modo digno, a sublimidade e a glória de tão excelsa condição. Tamanha é a honra da qual a Mão da Misericórdia investirá a alma, que nenhuma língua pode revelá-la adequadamente, nem qualquer outro instrumento terreno decrevê-la. Bem-aventurada a alma que, na hora de sua separação do corpo, estiver santificada das vãs imaginações dos povos do mundo. Essa alma vive e atua segundo a Vontade de Seu Criador e entra no Paraíso supremo. As Donzelas do Céu, habitantes das mais elevadas mansões,
  15. 15. A Eternidade da Vida 15 circundá-la-ão e os Profetas de Deus e Seus eleitos procurarão sua companhia. Com eles essa alma conversará livremente, relatando-lhes o que teve de sofrer no caminho de Deus, o Senhor de todos os mundos. Se a alguém se disser o que é destinado a essa alma nos mundos de Deus, Senhor do trono nas alturas e do reino terrestre, todo o seu ser arderá instantaneamente em seu anseio por atingir essa condição excelsa, santificada e resplandecente... A natureza da alma após a morte não pode jamais ser descrita, nem é apropriado ou permissível revelar seu caráter plenamente aos olhos dos Homens. Os profetas e Mensageiros de Deus têm sido enviados com o fim único de guiar a humanidade ao Caminho Reto da Verdade. É o intuito fundamental de Sua Revelação educar todos os homens para que possam, na hora de sua morte, ascender ao trono do Altíssimo no grau máximo de pureza e santidade e com desprendimento absoluto. Da luz irradiada por essas almas, dependem o progresso do mundo e o adiantamento de seus povos. Elas são como fermento que leveda o mundo existente; constituem a força animadora que faz manifestarem-se as artes e maravilhas do mundo. Por seu intermédio, as nuvens dispensam suas graças aos homens e a terra produz seus frutos. É mister que todas as coisas tenham uma causa, uma força motriz, um princípio animador. Essas almas, símbolos do desprendimento, têm provido e continuarão a prover o impulso supremo que move o mundo dos seres. O mundo do além é tão diferente deste mundo como este o é do mundo da criança, ainda no ventre materno. Quando a alma atinge a presença de Deus, assumirá a forma que melhor convier à sua imortalidade e for digna de sua morada celestial.
  16. 16. 16 A Eternidade da Vida Tal existência é uma existência contingente e não absoluta, desde que aquela é precedida por uma causa, enquanto esta última é independente disso. A existência absoluta confina-se estritamente a Deus, enaltecida seja Sua glória. Felizes aqueles que apreendem essa verdade. Fosses tu ponderar em teu coração a conduta dos Profetas de Deus, testificarias segura e prontamente que deve haver outros mundos, forçosamente, além deste mundo. A maioria dos verdadeiramente sábios e eruditos, através dos tempos, assim como foi anotado pela Pena da Glória na Epístola da Sabedoria, tem atestado a verdade daquilo que a sagrada Escritura de Deus revelou. Até os materialistas, em seus escritos, têm dado testemunho da sabedoria desses Mensageiros divinamente designados e têm considerado as referências que os Profetas fizeram ao Paraíso, ao fogo do inferno, às futuras recompensas e punições, como sendo motivadas por um desejo de educar e elevar as almas dos homens. Considera tu, pois, como a humanidade em geral, quaisquer que sejam suas crenças ou teorias, tem reconhecido a excelência desses Profetas de Deus e Lhes admitido a superioridade. Essas Jóias do Desprendimento são aclamadas por alguns como as personificações da sabedoria, enquanto outros crêem que sejam o PortaVoz do próprio Deus. Como poderiam essas Almas ter consentido em se render aos inimigos, se acreditassem serem todos os mundos de Deus reduzidos a esta vida terrena? Teriam Eles sofrido voluntariamente tais aflições e tormentos como nenhum homem jamais experimentou ou testemunhou? Bahá’u’lláh * Livro publicado pela Editora Bahá’í do Brasil.
  17. 17. A Eternidade da Vida 17 A natureza da alma Tu Me perguntaste sobre a natureza da alma. Sabe tu, em verdade, que a alma é um sinal de Deus, uma jóia celestial cuja realidade os mais eruditos dos homens não conseguiram apreender e cujo mistério mente alguma, por aguçada que seja, pode esperar jamais desvendar. Entre todas as coisas criadas, é a primeira a declarar a excelência de seu Criador, a primeira a Lhe reconhecer a glória, a aderir à Sua verdade e a primeira a curvar-se em adoração diante d’Ele. Se for fiel a Deus, refletirá a Sua Luz e a Ele, afinal regressará. Se, porém, falhar em lealdade ao seu Criador, tornar-se-á vítima do eu e da paixão, em cujas profundidades, finalmente, mergulhará. Quem quer que, neste Dia, tenha recusado permitir que as dúvidas e fantasias dos homens o desviem d’Aquele que é a Verdade Eterna - não tendo deixado o tumulto provocado pelas autoridades eclesiásticas e seculares impedí-lo de reconhecer Sua Mensagem - será considerado por Deus, Senhor de todos os homens, como um de Seus poderosos sinais, e será contado entre aqueles cujos nomes foram inscritos pela Pena do Altíssimo em Seu Livro. Bem-aventurado quem tiver reconhecido a verdadeira estatura dessa alma, que lhe tiver admitido o grau e descoberto as virtudes. Muito foi escrito nos livros da antigüidade sobre as várias etapas no desenvolvimento da alma, tais como concupiscência, irascibilidade, inspiração, benevolência, contentamento, beneplácito Divino e coisas semelhantes; a Pena do Altíssimo, todavia, não se inclina a estender-se sobre elas. Cada
  18. 18. 18 A Eternidade da Vida alma que, neste Dia, anda humildemente com seu Deus e n’Ele se apoia, se encontrará investida da honra e glória de todos os bons nomes e graus. Quando o homem está adormecido, não se pode dizer que sua alma tenha sido, de modo algum afetada inerentemente por qualquer objeto externo. Não é suscetível a alteração alguma em seu estado ou caráter original. Qualquer variação em suas funções deve ser atribuída a causas externas. É a essas influências externas que quaisquer variações em seu ambiente, sua compreensão e percepção devem ser atribuídas. Consideremos os olhos humanos. Embora possuam a faculdade de perceber todas as coisas criadas, o mais leve impedimento, no entanto, pode a tal ponto lhes obstruir a visão que os priva do poder de discernir qualquer objeto. Glorificado seja o nome d’Aquele que criou essas causas e lhes é a Causa, Quem ordenou que delas dependessem cada modificação e variação no mundo dos seres. Toda coisa criada no universo inteiro é apenas uma porta que conduz a Seu conhecimento, um sinal de Sua soberania, uma revelação de Seus nomes, um símbolo de Sua majestade, um indício de Seu poder, um meio de acesso a Seu Caminho reto... Em verdade, digo, a alma humana é, em sua essência, um dos sinais de Deus, um mistério entre Seus mistérios. É um dos poderosos sinais do Onipotente, o precursor que proclama a realidade de todos os mundos de Deus. Dentro dela jaz oculto aquilo que o mundo atual é completamente incapaz de apreender. Pondera tu em teu coração a revelação da Alma de Deus que se insinua em todas as Suas Leis, e vê como contrasta com aquela natureza vil e apetitiva que se rebelou
  19. 19. A Eternidade da Vida 19 contra Ele, que proíbe os homens de se volverem ao Senhor dos Nomes e os impele a seguir seus desejos lascivos e maléficos. Essa alma, em verdade, andou longe no caminho do erro... Tu me perguntaste, além disso, a respeito do estado da alma após sua separação do corpo. Sabe tu, em verdade, que a alma do homem, se tiver seguido os caminhos de Deus, voltará, seguramente, e se associará à glória do bem-amado. Pela retidão de Deus! haverá de atingir um grau que nenhuma pena nem língua pode descrever. A alma que tiver permanecido fiel à Causa de Deus e se mantido inabalavelmente firme em Seu Caminho, haverá de possuir, após sua ascensão, tal poder que todos os mundos que o Onipotente criou podem ser beneficiados por seu intermédio. Esta alma, a mando do Rei Ideal e do Educador Divino, provê o levedo puro para fermentar o mundo dos seres, e fornece o poder através do qual as artes e maravilhas do mundo se tornam manifestas. Considera como a farinha necessita de levedo para ser fermentada. Aquelas almas que são os símbolos do desprendimento são o fermento do mundo. Medita sobre isto e sê tu dos agradecidos. Em várias de Nossas Epístolas, referimo-nos a este tema, expondo as diversas etapas no desenvolvimento da alma. Em verdade, digo, a alma humana está elevada acima de toda saída e todo regresso. É imóvel e, no entanto, voa; move-se, porém está quieta. É, em si, um testemunho que prova a existência de um mundo que é contingente, bem como a realidade de um mundo que não tem princípio nem fim. Vê como
  20. 20. 20 A Eternidade da Vida o sonho que tiveste pode, após um intervalo de muitos anos, reapresentar-se diante de teus olhos. Considera como é estranho o mistério do mundo que te aparece em teu sonho. Pondera em teu coração a inescrutável sabedoria de Deus e medita sobre suas múltiplas revelações... Bahá’u’lláh A individualidade, personalidade, consciência e compreensão do homem após a morte física Tu Me perguntaste se o homem — sem ser os Profetas de Deus e Seus eleitos — há de reter, após a morte física exatamente a mesma individualidade, personalidade, consciência e compreensão que lhe caracterizam a vida neste mundo. Se for o caso — tu observaste — visto que uma ligeira lesão às faculdades mentais, causada, por exemplo, por um desmaio ou uma doença grave, priva o homem de sua compreensão e consciência, como é que a morte, a qual deve envolver a desintegração de seu corpo e a dissolução dos elementos componentes, é incapaz de lhe destruir essa compreensão e extinguir essa consciência? Como pode alguém imaginar que a consciência e a personalidade do homem possam ser mantidas quando os próprios instrumentos necessários à sua existência e ao seu funcionamento já foram completamente decompostos? Sabe tu que a alma do homem está elevada acima de todas as enfermidades do corpo ou da mente e independente delas.
  21. 21. A Eternidade da Vida 21 O fato de uma pessoa enferma mostrar sinais de fraqueza é devido aos empecilhos que se interpõem entre sua alma e seu corpo, pois a própria alma fica isenta de qualquer mal do corpo. Considera a luz da lâmpada. Embora um objeto externo possa interferir com sua irradiação, a própria luz continua a brilhar sem diminuição de intensidade. Semelhantemente, cada enfermidade que aflige o corpo do homem é um obstáculo que impede a alma de manifestar seu poder e força inerentes. Ao deixar o corpo, entretanto, ela mostrará tal ascendência e revelará tamanha influência, que força alguma na terra pode igualar. Cada alma pura, evoluída e santa será dotada de tremendo poder e com júbilo extremo se regozijará. Consideremos a lâmpada que se oculta debaixo de um alqueire. Embora sua luz resplandeça, sua irradiação, no entanto, se esconde dos homens. Do mesmo modo, consideremos o sol que está obscurecido pelas nuvens. Observemos como seu esplendor parece haver diminuído, quando, na realidade, a fonte dessa luz permanece inalterada. A alma do homem deve ser comparada a esse sol, e todas as coisas na terra a seu corpo. Enquanto nenhum obstáculo exterior se interpõe entre eles, o corpo continuará a refletir a luz da alma em sua plenitude e a ser sustentado pelo seu poder. Logo que um véu se interpõe entre eles, porém, o brilho dessa luz parece diminuir. Consideremos outra vez o sol quando está completamente escondido atrás das nuvens. Embora a terra esteja ainda iluminada com sua luz, a medida de luz que ela recebe é, não obstante, bem reduzida. Enquanto as nuvens não se tiverem dispersado, o sol não irradiará outra vez na plenitude de sua glória.
  22. 22. 22 A Eternidade da Vida Nem a presença da nuvem, nem a sua ausência, pode afetar de modo algum o inerente esplendor do sol. A alma do homem é o sol pelo qual seu corpo é iluminado e do qual deriva seu sustento. Assim deve ela ser considerada. Vejamos, além disso, como o fruto, antes de se formar, jaz potencialmente dentro da árvore. Fosse a árvore despedaçada, nenhum sinal ou parte do fruto, por menor que fosse, poderia ser percebido. Ao aparecer, porém, como já observaste, manifesta-se em sua admirável beleza e gloriosa perfeição. Certas frutas, de fato, atingem seu mais pleno desenvolvimento só depois de serem tiradas da árvore. Bahá’u’lláh A taça que é a vida Sabe tu que todo ouvido que ouve, se for conservado puro e sem corrupção, deve, em todos os tempos e de todas as direções, escutar a voz que pronuncia estas palavras sagradas: “Verdadeiramente, somos de Deus e a Ele haveremos de regressar.” Os mistérios da morte física do homem e de seu regresso não foram divulgados e ainda permanecem sem serem lidos. Pela retidão de Deus! Se fossem revelados, causariam tamanho medo e tristeza que alguns pereceriam, enquanto outros se regozijariam a ponto de desejarem a morte e suplicarem com incessante ânsia, ao Deus Uno e Verdadeiro — exaltada seja Sua glória — que lhes apressasse o fim.
  23. 23. A Eternidade da Vida 23 A morte oferece a todo crente confiante a taça que é a vida, em verdade. Confere júbilo e é portadora de contentamento. Concede a dádiva da vida eterna. Para aqueles que têm saboreado o fruto da existência terrena do homem, o qual é o reconhecimento do Deus Uno e Verdadeiro — exaltada seja Sua glória — a vida no além é tal como não podemos descrever. Conhecê-la cabe, tão somente, a Deus, o Senhor de todos os mundos. Bahá’u’lláh Os mundos de Deus Quanto à tua pergunta a respeito dos mundos de Deus. Sabe tu, em verdade — os mundos de Deus são incontáveis, e infinitos em seu âmbito. Ninguém os pode calcular ou compreender, salvo Deus, o Onisciente, a Suma Sabedoria. Considera teu estado enquanto dormes. Verdadeiramente, digo, este fenômeno é o mais misterioso dos sinais de Deus entre os homens — fossem eles sobre isto ponderar em seus corações. Vê tu como a coisa que presenciaste em teu sonho se realiza plenamente depois de passar algum tempo. Se o mundo no qual te encontraste em teu sonho tivesse sido idêntico ao mundo em que vives, aquilo que sucedeu nesse sonho teria necessariamente acontecido neste mundo no mesmo momento de sua ocorrência. Fosse assim, tu mesmo haverias disso dado testemunho. Assim, não sendo, porém, deve-se deduzir forçosamente que o mundo em que vives é diferente e separado
  24. 24. 24 A Eternidade da Vida daquele que conheceste em teu sonho. Este não tem começo nem fim. Seria verdade se tu sustentasses estar esse mesmo mundo — segundo decretou o Deus Todo-Poderoso e Onipotente — dentro de teu próprio ser, envolvido dentro de ti. Igualmente seria verdade afirmar que, havendo teu espírito transcendido as limitações do sono e se despojado de todo laço terreno, foi levado pelo ato de Deus, a atravessar um reino que jaz oculto na mais íntima realidade deste mundo. Verdadeiramente, digo, a criação de Deus abrange mundos além deste mundo, e criaturas distintas destas criaturas. Em cada um desses mundos tem Ele ordenado coisas nas quais ninguém pode penetrar, salvo Ele, O que em tudo penetra, que possui toda sabedoria. Deves meditar sobre aquilo que te temos revelado, a fim de poderes descobrir o desígnio de Deus, teu Senhor e o Senhor de todos os mundos. Nestas palavras se têm entesourado os mistérios da Sabedoria Divina... Bahá’u’lláh O paraíso Quanto ao Paraíso: É uma realidade e disso, nenhuma dúvida pode haver, e realiza-se agora, neste mundo, através do amor por Mim e Meu beneplácito. Quem a isso atingir, Deus ajudará neste mundo inferior e, após a morte, Ele o capacitará a obter acesso ao Paraíso, cuja vastidão é como a dos céus e da terra.
  25. 25. A Eternidade da Vida 25 Ali as Donzelas de glória e santidade lhe atenderão, durante o dia e nas horas da noite, enquanto o Sol da infindável beleza de seu Senhor sobre ele irradiará em todos os tempos, e ele reluzirá com tão intenso brilho, que fitá-lo ninguém suportará. Tal é a dispensação da Providência, mas o povo, no entanto, se exclui por um véu lastimável. De igual modo, apreende tu a natureza do fogo do inferno e sê dos que realmente crêem. Para cada ato realizado, há de haver uma recompensa, segundo a avaliação de Deus, e disso dão amplo testemunho os próprios preceitos e as proibições que o Todo-Poderoso prescreveu. Pois, certamente, se os atos não fossem recompensados, se nenhum fruto dessem, então a Causa de Deus - excelso é Ele - se provaria fútil. Imensuravelmente enaltecido é Ele, acima de tais blasfêmias! Para aqueles, porém, desprendidos de todos os laços, um ato é, na realidade, sua própria recompensa. Fôssemos nos estender sobre este tema, numerosas Epístolas teriam que ser escritas. Bahá’u’lláh
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  27. 27. “O encanto mortal há de desvanescer-se; as rosas hão de dar lugar a espinhos, e a beleza e a mocidade viverão seus dias e não mais serão. O que perdura eternamente, porém, é a Beleza do Verdadeiro, porquanto seu esplendor não perece e sua glória perenemente subsiste; seu encanto é onipotente e seu fascínio, infinito. Bem-aventurado, pois, o semblante que reflete o esplendor da Luz do Bem-Amado; Graças ao Senhor, tu foste iluminado por essa Luz, adquiriste a pérola do verdadeiro conhecimento e proferiste a Palavra da Verdade.” ‘Abdu’l-Bahá A imortalidade do espírito (I) Os Livros Sagrados falam da imortalidade do espírito: é a base fundamental das religiões divinas. Dizem haver duas espécies de recompensas e punições, as desta vida, e as do outro mundo. Em todos os mundos de Deus, seja neste, ou nos mundos celestiais, espirituais, há paraíso e há inferno. Ganhar as recompensas é ganhar a vida eterna.
  28. 28. 28 A Eternidade da Vida Por isso Cristo disse que se deveria pelos atos merecer atingir a vida eterna, e, nascendo da água e do espírito, entrar no Reino do Céu. As recompensas desta vida são as virtudes e perfeições que adornam o homem. Por exemplo, ele está submerso em trevas e torna-se luminoso; tem pouco conhecimento, e adquire sabedoria; é descuidado, e torna-se vigilante; adormecido, e desperta; morto, e ressuscita; é cego, e adquire a visão; surdo, e ganha o poder de ouvir; de homem terreno, transforma-se em homem celestial; de materialista, em homem de espiritualidade. Em virtude de tais recompensas, alcança o nascimento espiritual; faz-se nova criatura. É-lhe aplicável, pois, o versículo do Evangelho que diz, com referência aos discípulos: “Não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”. Equivale a dizer: libertaram-se das qualidades animais que caracterizam a natureza humana, e adquiriram as divinas, as graças de Deus. É isso que significa o segundo nascimento. Para essas almas, não há maior tortura que a de serem excluídas de Deus, nem existe punição mais severa do que a de serem dominadas pelos vícios sensuais e desejos da carne, e estigmatizadas por baixezas e indignidades. Quando, graças à luz da fé, elas se libertam da escuridão de tais vícios, sendo iluminadas pelo esplendor do Sol da Realidade e enobrecidas por todas as virtudes, nisso vêem sua maior recompensa - nisso reconhecem o verdadeiro paraíso. Da mesma maneira, elas consideram a punição espiritual, isto é, a tortura ou o castigo da existência, como equivalente a estar sujeito ao mundo da natureza, a ser privado de Deus, a ser brutal e ignorante, dominado pela luxúria, absorvido pela fraqueza animal, caracterizado por más tendências, tais como a tirania, a crueldade, a mentira, o apego às coisas
  29. 29. A Eternidade da Vida 29 deste mundo e a sujeição a idéias satânicas. Para essas almas, tudo isso constitui a maior tortura, a mais severa punição. De modo semelhante, as recompensas do outro mundo são a vida eterna mencionada claramente em todos os Livros Sagrados, as perfeições e as graças divinas, e a eterna felicidade; são perfeições e a paz alcançadas no domínio espiritual, após se haver deixado este mundo, assim como as recompensas desta vida são as verdadeiras perfeições luminosas obtidas neste mundo e causadoras da vida eterna, pois nelas consiste o próprio progresso da existência. Tal como sucede quando o homem passa do estado embrionário para o da maturidade e assim se torna a manifestação destas palavras: “Abençoado seja Deus, o melhor dos criadores”. As recompensas do outro mundo são, pois, a paz, as graças espirituais, as várias dádivas espirituais no Reino de Deus, a realização dos desejos da alma e do coração, e o encontro com Deus no mundo da eternidade; justamente como, por outro lado, as punições ou torturas do outro mundo consistem em achar-se destituído das especiais bênçãos divinas e graças absolutas, e em degradar-se aos graus inferiores da existência. Quem se priva destes favores divinos, embora continue a existir após sua partida deste mundo, é, no entanto, considerado pelo povo da verdade como sendo um morto. Uma prova lógica da imortalidade do espírito é esta: uma coisa inexistente não pode dar sinal de existência; é impossível que sinais apareçam da inexistência absoluta, porque sinais são um resultado, o que depende de uma causa. De um sol inexistente não se irradiará luz alguma, bem como, de um mar inexistente, nenhuma onda surgirá; jamais cairão chuvas de uma
  30. 30. 30 A Eternidade da Vida nuvem que não existe, nem aparecerão frutos numa árvore inexistente; tampouco poderá um homem inexistente manifestar ou produzir coisa alguma. Enquanto, pois, aparecerem sinais de existência, estes serão prova de uma existência. Consideremos: o Reino de Cristo ainda hoje existe; de um rei inexistente, seria possível manifestar-se um reino tão grandioso? Seria possível terem ondas tão altas surgido de um mar que não existia, ou tão deleitável fragrância ter emanado de um jardim inexistente? Reflitamos: não resta efeito, vestígio ou influência alguma de qualquer outro ser após a dispersão das partes que o compunham, uma vez desintegrados seus elementos — sejam estes de mineral, vegetal, ou animal. Somente o homem, o espírito humano, persiste, continua a agir e exercer poder ainda depois da desintegração do corpo e da dispersão das partículas que o compunham. Este é um ponto extremamente sutil: considerai-o com atenção. Apresentamos uma prova racional, para que os sensatos a possam pesar na balança da razão e da justiça. Se, porém, o espírito humano enlevar-se, se for atraído ao Reino de Deus, se adquirir a visão interior e fortalecer o ouvido espiritual, a tal ponto que os sentimentos espirituais predominem, então verá a imortalidade do espírito tão claramente como vê o sol, e perceberá a boa nova e os sinais de Deus por todos os lados. Amanhã daremos outras provas. ‘Abdu’l-Bahá
  31. 31. A Eternidade da Vida 31 (II) Ontem tratamos da imortalidade do espírito. Observamos que tanto o poder de entendimento como a capacidade de ação do espírito humano são de duas categorias, isto é, o espírito percebe e age de duas maneiras diferentes: uma, por meio de instrumentos ou órgãos, como, por exemplo, vê com os olhos, ouve com os ouvidos, fala com a língua. Tal é a percepção do homem — do espírito humano, e tal é seu modo de agir, por meio de órgãos. É o espírito que vê, sendo os olhos o instrumento; o espírito que ouve, por meio dos ouvidos; o espírito que fala, por intermédio da língua. A outra maneira pela qual o espírito manifesta seus poderes de perceber e agir não depende dos órgãos. Por exemplo, durante o sono, vê sem precisar de olhos, ouve sem usar os ouvidos, fala sem língua e move-se sem pés. Estas ações não dependem de instrumentos e órgãos. Quantas vezes acontece, durante o sono, o espírito perceber um sonho, cujo significado se torna claro uns dois anos depois, ao sucederem os fatos correspondentes. Assim também, quantas vezes acontece que um problema insolúvel no estado de vigília é resolvido no mundo dos sonhos. Acordado, o homem enxerga com os olhos apenas uma pequena distância, ao passo que, em sonho, pode do oriente ver o ocidente. Acordado, vê o presente, enquanto dormindo, vê o futuro.
  32. 32. 32 A Eternidade da Vida Acordado, o homem viaja, por meios rápidos, apenas vinte farsakhs* por hora; em sono, num abrir e fechar de olhos, atravessa o mundo, de leste a oeste. O espírito, pois, viaja de dois modos: sem meios, sendo esta uma viagem espiritual, e com meios, no caso de uma viagem material, assim como um pássaro pode voar ou ser transportado. Enquanto adormecido, o corpo parece morto: não vê, nem ouve; não sente, não tem consciência ou percepção; seus poderes estão inativos. O espírito, entretanto, vive, subsiste; ainda mais, sua penetração é aumentada, seu vôo é de maior alcance, sua inteligência é superior. Imaginar que o espírito pereça ao morrer o corpo, é como imaginar que o pássaro morra ao quebrarse-lhe a gaiola. Nada tem o pássaro que recear, porém, com a destruição da gaiola. Nosso corpo é apenas a gaiola, enquanto o espírito é o pássaro. Vemos que esse pássaro voa no domínio do sono, sem a gaiola; portanto, se esta for quebrada, ele continuará a existir, e seus sentimentos serão até mais poderosos, suas percepções mais agudas, e sua felicidade maior. Na verdade, deixará um inferno para entrar num paraíso de delícias, pois para os pássaros gratos, não há paraíso maior que se libertar da gaiola. É por isso que os mártires se precipitam na arena do sacrifício com perfeito contentamento e alegria. Quando o espírito humano age por intermédio do corpo, seu poder é limitado pela capacidade corporal. Assim, com os olhos, o homem vê até uma certa distância, equivalente a uma hora, mas com a vista interior, com os olhos mentais, vê * Um farsakh é equivalente a 4 milhas, aproximadamente.
  33. 33. A Eternidade da Vida 33 a América, percebe o que está ali, examina e pode decidir determinados assuntos. Fosse o espírito idêntico ao corpo, o poder da vista interior estaria na mesma proporção. Torna-se claro, pois, que o espírito é diferente do corpo — que o pássaro é diferente da gaiola — e que seu poder aumenta, e sua penetração é mais aguda, quando age independentemente do corpo. Ao abandonar um instrumento, o possuidor continua a agir. Um escritor pode quebrar a pena e permanecer vivo e presente. Uma casa pode ser destruída, sem que o dono deixe de viver. Aqui temos uma das evidências lógicas da imortalidade da alma. Há outra: o corpo pode aumentar ou diminuir de peso, adoecer ou recuperar a saúde, fatigar-se ou descansar, perder às vezes uma mão ou uma perna, ou sofrer outra mutilação, ficar cego, ou surdo, ou mudo, ou paralítico — numa palavra, está sujeito a todas as imperfeições. O espírito, entretanto, conserva seu estado original, sua própria percepção; é eterno, não pode ser mutilado, nem se tornar defeituoso. Quando o corpo, porém, é completamente dominado por alguma doença ou outra aflição, pode ficar privado das graças do espírito, tal como o espelho, quando se quebra ou se cobre de poeira, e assim não reflete os raios do sol, nem revela suas graças. Já explicamos que o espírito do homem não existe no corpo, por ser santificado e não sujeito a entradas nem saídas — coisas que são puras condições físicas. A relação entre espírito e corpo é semelhante à do sol com o espelho. O espírito mantém-se numa só condição, não sendo afetado pelas moléstias do corpo, nem pela sua saúde; não adoece, nem enfraquece; não diminui em peso ou em tamanho; não se torna pobre, nem infeliz.
  34. 34. 34 A Eternidade da Vida As enfermidades do corpo não o atingem; ainda que o corpo se torne débil, perca mãos, pés e língua, ou seja privado dos sentidos, audição ou vista, nada disso terá efeito algum sobre o espírito. É claro, pois, é indiscutível, que o espírito difere do corpo, e sua duração é independente da duração deste. Na verdade, o espírito exerce supremo domínio sobre o corpo; sua força e sua influência tornam-se visíveis nele, semelhantes às graças do sol refletidas no espelho. O espelho, porém, ao cobrir-se de pó, ou quebrar-se, deixa de refletir os raios do sol. ‘Abdu’l-Bahá A respeito do corpo, da alma e do espírito Há no mundo da humanidade três graus: os do corpo, da alma e do espírito. O corpo é o estágio físico ou animal do homem. Do ponto de vista do corpo, o homem é participante do reino animal. Os corpos dos homens e dos animais são compostos de elementos ligados pela lei da atração. Como o animal, o homem possui as faculdades dos sentidos, está sujeito ao calor, ao frio, à fome, à sede, etc.; diferentemente do animal, o homem tem alma racional, a inteligência humana. Essa inteligência humana é o intermediário entre seu corpo e seu espírito. Quando o homem permite ao espírito, através da alma, iluminar seu entendimento, então ele contém toda a Criação;
  35. 35. A Eternidade da Vida 35 porque o homem, sendo a culminância de tudo o que veio antes e, assim, superior a todas as evoluções precedentes, contém todo o mundo inferior dentro de si próprio. Iluminada pelo espírito através do veículo da alma, a inteligência radiante do homem transforma-o no ponto sublimado da Criação. Mas, por outro lado, quando o homem não abre a mente e o coração às bênçãos do espírito, e sim inclina a alma para o lado material, na direção da parte corporal de sua natureza, então ele desce de sua alta posição e torna-se inferior aos habitantes do mais baixo reino animal. Neste caso, o homem está numa triste situação! Pois, se as qualidades espirituais da alma, aberta ao sopro do Espírito Divino, nunca são usadas, tornam-se atrofiadas, debilitadas e, por fim, incapazes; enquanto que, exercitadas somente as qualidades materiais da alma, estas fazem-se terrivelmente poderosas — e o homem infeliz e desencaminhado torna-se mais selvagem, mais injusto, mais vil, mais cruel, mais malevolente do que os próprios animais inferiores. Fortalecidos todos os desejos e aspirações pelo lado inferior da natureza da alma, ele se embrutece cada vez mais, até todo o seu ser em nada superar os animais, que perecem. Homens assim, planejam fazer o mal, ferir e destruir; não têm absolutamente o espírito da compaixão Divina, pois a qualidade celestial da alma foi dominada pela qualidade material. Se, ao contrário, a natureza espiritual da alma é tão fortalecida que subjuga o lado material, então o homem aproxima-se do Divino; sua natureza humana vem a ser tão glorificada que as virtudes da Assembléia Celestial nele se manifestam; ele irradia a Misericórdia de
  36. 36. 36 A Eternidade da Vida Deus, estimula o progresso espiritual da raça humana, pois se transforma numa lâmpada para lhe iluminar o caminho. Percebeis como a alma é mediadora de corpo e espírito. De maneira semelhante, é esta árvore intermediária de semente e fruto. Quando o fruto da árvore aparece e fica maduro, então sabemos que ela é perfeita; se a árvore não produz fruto, terá simplesmente crescimento inútil, sem nenhum proveito. Quando a alma tem em si a vida do espírito, então ela produz bom fruto e se converte numa Árvore Divina. Desejo que tenteis compreender este exemplo. Espero que a inexprimível bondade de Deus vos fortaleça a tal ponto que a qualidade celestial de vossa alma, a qual a relaciona com o espírito, domine para sempre o lado material, governando os sentidos tão completamente que vossa alma se aproxime das perfeições do Reino Celestial. Que vossas faces, firmemente voltadas para a Luz Divina, se tornem tão luminosas que todos os vossos pensamentos, palavras e obras brilhem com a Radiância Espiritual de vossas almas, de tal modo que nas reuniões do mundo mostreis perfeição em vossa vida. Certas pessoas ocupam-se unicamente com as coisas deste mundo; suas mentes são tão limitadas por aparências e interesses tradicionais que ficam cegas a qualquer outro plano de existência, ao sentido espiritual de todas as coisas! Pensam e sonham em fama terrena, em progresso material. Prazeres sensuais e ambientes confortáveis circunscrevem seu horizonte, suas mais altas ambições concentram-se no sucesso das condições e circunstâncias mundanas! Não reprimem suas mais baixas inclinações; comem, bebem e dormem! Como
  37. 37. A Eternidade da Vida 37 o animal, não pensam senão no próprio bem-estar físico. É verdade que essas necessidades devem ser atendidas. A vida é um fardo que deve ser carregado enquanto estamos na terra, mas não devemos permitir que os cuidados com as coisas inferiores da vida monopolizem todos os nossos pensamentos e aspirações. As ambições do coração devem ascender a um objetivo mais glorioso, a atividade mental deve alçar-se a níveis mais altos! O homem deve manter na alma a visão da perfeição celestial e lá preparar uma morada para a inexaurível generosidade do Espírito Divino. Que vossa ambição seja a conquista da civilização Celestial sobre a terra! Peço para vós a bênção suprema, a fim de que sejais tão plenos da vitalidade do Espírito Celestial que vos torneis a causa de vida ao mundo. ‘Abdu’l-Bahá Alma, espírito e mente PERGUNTA: Qual a diferença entre a mente, o espírito e a alma ? RESPOSTA: Em outra ocasião explicamos que o espírito se divide universalmente em cinco categorias: o vegetal, o animal, o humano, o da fé e o Espírito Santo. O espírito vegetal é o poder do crescimento que atua na semente pela influência de outras existências.
  38. 38. 38 A Eternidade da Vida O espírito animal é o poder de todos os sentidos; depende da composição e associação dos elementos, perecendo quando estes se desintegram. Assemelha-se a esta lâmpada: ao se combinarem o querosene, o pavio e o fogo, resulta luz, mas uma vez dissolvida essa combinação, separando-se as partes associadas, a luz se extingue. O espírito humano, que distingue o homem do animal, é a alma racional. Estes dois termos, espírito humano e alma racional, designam a mesma coisa. Tal espírito, ou, segundo a terminologia dos filósofos, essa alma racional, abrange tudo e — dentro dos limites da capacidade humana — descobre a realidade das coisas, tornando-se conhecedor de suas peculiaridades e de seus efeitos, e das qualidades e propriedades dos seres. Os segredos divinos, porém, as realidades celestiais, escapam ao espírito humano, a menos que este seja reforçado pelo espírito da fé. É semelhante a um espelho, que, embora claro, polido e brilhante, ainda precisa da luz. Enquanto não receber um raio do sol, não descobrirá os segredos celestiais. A mente é o poder do espírito humano. O espírito é o foco; a mente é a luz que dele irradia. O espírito humano é a árvore e a mente o fruto. A mente é a perfeição do espírito, é sua qualidade essencial, assim como os raios solares são uma necessidade essencial do sol. Demos esta explicação em forma resumida, porém completa; refleti, pois, sobre isso, para que, através da graça Divina, possais compreendê-la mais a fundo. ‘Abdu’l-Bahá
  39. 39. A Eternidade da Vida 39 A existência da alma racional após a morte do corpo físico PERGUNTA: Quando o corpo for abandonado, e o espírito estiver livre, de que modo existirá a alma racional? Suponhamos que as almas amparadas pelas graças do Espírito Santo atinjam a verdadeira existência e a vida eterna, mas que será das almas racionais, ou espíritos velados? RESPOSTA: Há quem pense ser corpo a substância, existindo por si, e o espírito o acidente, dependendo da substância corpórea; mas, pelo contrário, a alma racional é a substância, da qual o corpo depende. Se o acidente — corpo — for destruído, a substância — espírito — permanecerá. Em segundo lugar, a alma racional, ou seja, o espírito humano, não desce para o corpo, nem entra nele, pois descida e entrada são características dos corpos, e a alma racional está isenta disso. Visto que o espírito jamais entrou neste corpo, não carecerá de morada, ao abandoná-lo. A relação entre o espírito e o corpo é semelhante à relação desta luz com este espelho. Quando o espelho está limpo, perfeito, a luz da lâmpada torna-se visível nele, mas quando se encobre de poeira, ou se quebra, a luz desaparece. Já que a alma racional, ou seja, o espírito humano, não entrou neste corpo, nem existiu por seu intermédio, por que imaginarmos que precisará de qualquer substância para continuar a existir após a decomposição do corpo? Ao contrário, a alma racional é a substância, e graças a ela o corpo existe. A personalidade da alma racional existe desde seu começo, não sendo devida à mediação do corpo. O estado e a personalidade
  40. 40. 40 A Eternidade da Vida da alma racional, entretanto, podem fortalecer-se neste mundo. A alma poderá progredir, atingindo vários graus de perfeição, como também poderá estacionar no mais fundo abismo da ignorância, privada dos sinais de Deus. ‘Abdu’l-Bahá A vida eterna e a entrada no reino de Deus Perguntastes sobre a vida eterna e a entrada no Reino. A expressão usada para indicar o Reino é céu, mas isso é apenas uma figura, ou modo de dizer, e não uma realidade ou fato. O Reino aqui não é um lugar material, pois transcende o tempo e o espaço. É um mundo espiritual, divino, o centro da soberania de Deus; é independente do corpo e daquilo que é corpóreo, e sua pureza e santidade pairam acima de toda a imaginação humana. Ser limitado pelo espaço é próprio dos corpos e não dos espíritos. Espaço e tempo envolvem o corpo, mas não a mente ou o espírito. Vemos o corpo do homem confinar-se a um pequeno espaço, ocupar uns dois palmos de terra, ao passo que seu espírito e sua mente viajam a todos os países e regiões, até mesmo através do ilimitado espaço dos céus, abrangendo tudo o que existe, fazendo descobertas nas mais elevadas esferas e mais infinitas distâncias. Isso é porque para o espírito não existe espaço, e circunscrevê-lo é impossível. O
  41. 41. A Eternidade da Vida 41 espírito vê terra e céus como uma só coisa, fazendo em ambos as suas descobertas. O corpo, por outro lado, está restrito a um espaço, e nada sabe daquilo que estiver além desse espaço. Há duas espécies de vida: a do corpo e a do espírito. A primeira é material, mas a segunda expressa a existência do Reino, depende do Espírito Divino e do sopro de vida que emana do Espírito Santo. A vida material, se bem que tenha existência, é, para os santos, pura inexistência; é morte absoluta. Assim, o homem existe, e esta pedra também existe, mas quão diferentes a existência do homem e a da pedra! A pedra existe, mas em relação ao homem, é inexistente. A vida eterna é uma graça concedida pelo Espírito Santo, assim como o ar e as brisas primaveris são as graças da estação recebidas pela flor. Consideremos: esta flor tinha, a princípio, uma vida comparável à do mineral; ao chegar a primavera, com as graças de suas nuvens e o calor do sol ardente, atingiu outra vida, adquiriu fragrância, delicadeza e frescura. A primeira vida da flor, em comparação com a segunda, é apenas morte. Queremos dizer com isso que a vida do Reino é a do espírito, a vida eterna, pura e independente de lugar, assim como o espírito humano, que é inespacial. Se examinardes o corpo humano, não encontrareis nenhum ponto ou local destinado ao espírito, porque, sendo imaterial, nunca se localizou. Associa-se ao corpo do mesmo modo que o sol, a este
  42. 42. 42 A Eternidade da Vida espelho. O sol não está dentro do espelho, mas tem com ele alguma relação. Assim também, o mundo do Reino é santificado acima de tudo o que é perceptível pela vista ou pelos outros sentidos audição, olfato, gosto ou tato. A mente do homem, cuja existência é reconhecida - em que parte do corpo está? Se com os olhos, ouvidos, ou outros sentidos examinardes o corpo, não a encontrareis; entretanto, a mente existe. É, pois, inespacial, mas se associa ao cérebro. O Reino Divino também é assim. O amor não tem sede, mas está ligado ao coração. Semelhantemente, o Reino não se limita a um certo lugar, mas tem uma relação com o homem. A entrada no Reino é através do amor a Deus e do desprendimento; depende de se ser santo e casto, sincero e puro; é pela constância, pela fidelidade, e pelo sacrifício da vida. Estas explicações mostram que o homem é imortal, que vive eternamente. Para os que acreditam em Deus, que Lhe têm amor e fé, a vida é excelente, é eterna, mas para aquelas almas privadas de Deus, embora tenham vida, sua vida é obscura - comparada com a vida dos que acreditam em Deus, é inexistência. Por exemplo, os olhos e as unhas têm vida, mas a das unhas em comparação com a dos olhos equivale à inexistência. Esta pedra e este homem ambos existem, mas a existência da pedra em comparação com a do homem é inexistência, pois quando o homem morre, seu corpo decompondo-se, torna-se igual à pedra ou à terra. É claro, pois, que o mineral, embora exista, é, em relação ao homem, inexistente.
  43. 43. A Eternidade da Vida 43 De modo semelhante, as almas privadas de Deus, se bem que existam neste mundo e no vindouro, em comparação com a santa existência dos filhos do Reino Divino, são inexistentes e afastadas de Deus. ‘Abdu’l-Bahá
  44. 44. Índice Apresentação .................................................................................... Orações pelos que deixaram este plano da vida ......................... Excertos dos Escritos de Bahá’u’l'lah .......................................... Do livro “AS PALAVRAS OCULTAS” .......................................... Do livro “Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh” ................ A alma do homem e sua sobrevivência após a morte . A natureza da alma .......................................................... A individualidade, personalidade, consciência e compreensão do homem após a morte física ....................... A taça que é a vida ......................................................... Os mundos de Deus ......................................................... O paraíso ........................................................................... Excertos dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá ........................................ A imortalidade do espírito (I) .............................................. A imortalidade do espírito (II) ............................................. A respeito do corpo, da alma e do espírito ....................... Alma, espírito e mente .......................................................... A existência da alma racional após a morte do corpo físico ........................................................................................ A vida eterna e a entrada no reino de Deus ...................... 5 7 13 15 17 17 20 23 25 26 27 29 31 35 38 41 43 44
  45. 45. A ETERNIDADE DA VIDA REFERÊNCIAS: Os textos selecionados para este livro encontram-se publicados em livros maiores da Editora Bahá’í do Brasil, a saber: ORAÇÕES: Livro “ORAÇÕES E MEDITAÇÕES”, edição 1996. pgs. 84/85/87/88. EXCERTOS DOS ESCRITOS DE BAHÁ’U’LLÁH: Excertos das Palavras Ocultas, de Bahá’u’lláh. Livro “AS PALAVRAS OCULTAS”, de Bahá’u’lláh, edição 1996. pgs. 25/30/31/78/34/64/65. Texto nº 1 – Livro: “Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh” edição 1977. pgs. 103/105 Texto nº 2 – Idem, pgs. 105/107 Texto nº 3 – Idem, pgs. 102/103 Texto nº 4 – Idem, pgs. 213/214 Texto nº 5 – Idem, pgs. 207/208 Texto nº 6 – Idem, pgs. 209/210 EXCERTOS DOS ESCRITOS DE ‘ABDU’L-BAHÁ: Texto de abertura: livro “Seleção dos Escritos de ‘Abdu’lBahá”, edição 1993. pg. 185, texto nº 175 Texto nº 1 – Livro “O Esplendor da Verdade”, edição 1979. pgs. 185/188 Texto nº 2 – Idem, pgs. 188/190 Texto nº 3 – Idem, pgs. 176/177 Texto nº 4 – Idem, pgs. 196/197 Texto nº 5 – Idem, pgs. 198/200 Texto nº 6 – Idem, pgs. 198/200

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