Aula de literatura 2º bimestre
Português – Prof. Domênico
Gêneros literários
Padrões de composição literária utilizados para
dar forma à imaginação
Gênero épico
Padrão de composição literária caracterizado por
uma narrativa longa em versos e em estilo solene
protagoniza...
Partes de uma epopeia
 Proposição (tema / herói)
 Invocação (musa inspiradora)
 Narração
 Conclusão
Século XVIII
Epopeia  Romance
Herói épico  Herói moderno (anti-herói)
Herói épico Herói moderno
Representa um grupo. É apenas um indivíduo que representa
a si mesmo.
Recebe ajuda do alto. Muit...
Gênero lírico
Padrão de composição literária em que um eu
lírico, poético ou poemático manifesta seu mundo
interior.
Elementos do poema
 Ritmo
 Metro
 Estrofe
 Som (rima)
Ritmo
Sucessão alternada
de sílabas tônicas e átonas
Metro
Medida do verso
Número de sílabas Nome do verso
1 Monossílabo
2 Dissílabo
3 Trissílabo
4 Tetrassílabo
5 Pentassílabo (redondilha menor)
6 ...
VERSOS MONOSSILÁBICOS
Vo
gar
Ro
lar
O
ar
do
lar
na
flor
há
por
A
mor
(Martins Fontes, “Soneto monossilábico”)
VERSOS DISSILÁBICOS
Estrelas
Singelas
Luzeiros
Fagueiros
(Fagundes Varela, in “Cantos religiosos”)
VERSOS TRISSILÁBICOS
Vem a aurora
Pressurosa
Cor de rosa,
Que se cora
De carmim;
A seus raios
As estrelas,
Que eram belas,
Têm desmaios,
Já por...
VERSOS TETRASSILÁBICOS
O inverno brada
Forçando as portas...
Oh! que revoada
De folhas mortas
O vento espalha
(Alphonsus de Guimaraens)
VERSOS PENTASSILÁBICOS
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
(Gonçalves Dias)
VERSOS HEXASSILÁBICOS
Ó sono! ó noivo pálido
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
(Castro Alves)
VERSOS HEPTASSILÁBICOS
Pedir beijo é uma tolice
Que não merece perdão.
É como pedir a fruta
Que caia na nossa mão.
(Soares da Cunha)
Ubiquidade
Estás em tudo que penso,
Estás em quanto imagino;
Estás no horizonte imenso,
Estás no grão pequenino.
Estás na ...
VERSOS OCTOSSILÁBICOS
Lembra-te bem! Azul-celeste
Era essa alcova em que te amei.
O último beijo que me deste
Foi nessa alcova que o tomei!
(Ola...
VERSOS ENCASSILÁBICOS
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a g...
VERSOS DECASSILÁBICOS
Camões
Os lusíadas
Canto primeiro (Proposição)
(1)
As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por ...
Camões
Os lusíadas
Canto primeiro (Proposição)
(2)
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, ...
Camões
Os lusíadas
Canto primeiro (Invocação)
(4)
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente...
Camões
Os lusíadas
Canto primeiro (Invocação)
(5)
Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta rud...
Escrava
Ó meu Deus, ó meu dono, ó meu Senhor,
Eu te saúdo, olhar do meu olhar,
Fala da minha boca a palpitar,
Gesto das mi...
VERSOS HENDECASSILÁBICOS
Alvas pétalas do lírio de tua alma...
(Hermes Fontes)
VERSOS DODECASSILÁBICOS
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São mu...
Gonçalves Dias
“A tempestade”
Um raio
Fulgura
No espaço
Esparso,
De luz;
E trêmulo
E puro
Se aviva,
S’esquiva,
Rutila
Sedu...
Vem a aurora
Pressurosa
Cor de rosa,
Que se cora
De carmim;
A seus raios
As estrelas,
Que eram belas,
Têm desmaios,
Já por...
O sol desponta
Lá no horizonte,
Doirando a fonte,
E o prado e o monte
E o céu e o mar;
E um manto belo
De vivas cores
Ador...
Um ponto aparece,
Que o dia entristece,
O céu, onde cresce,
De negro a tingir;
Oh! vede a procela
Infrene, mas bela,
No ar...
Não solta a voz canora
No bosque o vate alado,
Que um canto d’inspirado
Tem sempre a cada aurora;
É mudo quanto habita
Da ...
Fogem do vento que ruge
As nuvens aurinevadas,
Como ovelhas assustadas
Dum fero lobo cerval;
Estilham-se como as velas
Que...
Bem como serpentes que o frio
Em nós emaranha – salgadas
As ondas s’estanham, pesadas
Batendo no frouxo areal.
Disseras qu...
E no túrgido ocaso se avista
Entre a cinza que o céu apolvilha,
Um clarão momentâneo que brilha,
Sem das nuvens o seio ras...
Um som longínquo cavernoso e oco
rouqueja e n’amplidão do espaço morre;
Eis outro ainda mais perto, inda mais rouco,
Que a...
No últimos cimos dos montes erguidos
Já silva, já ruge do vento o pegão;
Estorcem-se os leques dos verdes palmares,
Voltei...
Da nuvem densa, que no espaço ondeia,
Rasga-se o negro bojo carregado,
E enquanto a luz do raio o sol roxeia,
Onde parece ...
Inda ronca o trovão retumbante,
Inda o raio fuzila no espaço,
E o corisco num rápido instante
Brilha, fulge, rutila e fugi...
Deixando a palhoça singela,
Humilde labor de pobreza,
Nivela os fastígios sem dó;
E os templos e as grimpas soberbas,
Palá...
Cresce a chuva, os rios crescem
Pobres regatos s’empolam,
E nas turbas ondas rolam
Grossos troncos a boiar!
O córrego qu’i...
Mas ai do desditoso,
Que viu crescer a enchente
E desce descuidoso
Ao vale, quando sente
Crescer dum lado e d’outro
O mar ...
Porém no ocidente
S’ergue de repente
O arco luzente,
De Deus o farol:
Sucedem-se as cores,
Qu’imitam as flores,
Que lembra...
Nas águas pousa;
E a base viva
De luz esquiva,
E a curva altiva
Sublima ao céu;
Inda outro arqueia,
Mais desbotado,
Quase ...
Tal a chuva
Transparece,
Quando desce
E ainda vê-se
O sol luzir;
Como a virgem,
Que numa hora
Ri-se e cora,
Depois chora
E...
A folha
Luzente
Do orvalho
Nitente
A gota
Retrai:
Vacila,
Palpita;
Mais grossa,
Hesita,
E treme
E cai.
Estrofe
Linha (verso) ou agrupamento de linhas (versos)
Número de versos Nome da estrofe
1 Monóstico
2 Dístico ou parelha
3 Terceto
4 Quarteto ou quadra
5 Quinteto ou quintilha
6...
DÍSTICO OU PARELHA
Embora seja céu de estio,
As estrelas morrem de frio.
(Alphonsus de Guimaraens, in “Barcarola”)
Os miseráveis, os rotos
São as flores dos esgotos.
São espectros implacáveis
Os rotos, os miseráveis.
São prantos negros d...
TERCETO
Negrinho do Pastoreio,
venho acender a velinha
que palpita em teu louvor.
(Augusto Meyer, in “Oração ao negrinho do pastor...
QUADRA OU QUARTETO
Trigueirinha, – foge, foge,
– Vê que eu não sou trovador,
Eu sou filósofo, – ouviste?
Eu não entendo de amor.
(Junqueira F...
QUINTILHA
Numa colina azul brilha um lugar calado.
Belo! E arrimada ao cabo da sombrinha,
Com teu chapéu de palha, desabado,
Tu cont...
SEXTILHA
Amigo! O campo é o ninho do poeta...
Deus fala, quando a turba está quieta,
Às campinas em flor.
– Noivo – Ele espera que ...
SÉTIMA, SETENA OU SETILHA
– Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da fes...
OITAVA
Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma reli...
NONA
Quando eu nasci, raiava
O claro mês das garças forasteiras;
Abril, sorrindo em flor pelos outeiros,
Nadando em luz na osci...
DÉCIMA
Também eu ergo às vezes
Imprecações, clamores e blasfêmias
Contra essa mão desconhecida e vaga
Que traçou o meu destino......
Rimas finais
Identidade ou semelhança de sons no final dos
versos
Rimas paralelas
(emparelhadas ou geminadas)
AABB
Pode em redor de ti, tudo se aniquilar:
– Tudo renascerá cantando ao teu ...
Rimas intercaladas
(interpoladas, opostas ou contrapostas)
A - - A
Eu me lembro! eu me lembro! – Era pequeno
E brincava na...
Rimas alternadas
(cruzadas, entrecruzadas ou entrelaçadas)
ABAB
Filhos do Novo Mundo! ergamos nós um grito
Que abafe dos c...
Rimas pobres
Entre as ruinas de um convento,
De uma coluna quebrada
Sobre os destroços, ao vento
Vive uma flor isolada
(Al...
Rimas ricas
O coração que bate neste peito
E que bate por ti unicamente,
O coração, outrora independente,
Hoje humilde, ca...
Rimas consoantes
Casos de amor! tenho os ouvidos cheios
De ouvi-los relatar em prosa e em versos:
Juras, ingratidões, ciúm...
Rimas toantes
Em cima daquele morro
passa boi, passa boiada;
também passa uma menina
de cabelo encacheado.
Rimas toantes
“Na encruzilhada da vida
Muitas vidas vi passar...”
Disse-me o poeta, naquela
Noite clara, ao pé do mar.
E n...
Rimas toantes
O cristal do Tejo Anarda
Em ditosa barca sulca;
Qual perla, Anarda se alinda,
Qual concha, a barca se encurv...
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Revisão 2o bimestre 2012 primeiros anos

  1. 1. Aula de literatura 2º bimestre Português – Prof. Domênico
  2. 2. Gêneros literários Padrões de composição literária utilizados para dar forma à imaginação
  3. 3. Gênero épico Padrão de composição literária caracterizado por uma narrativa longa em versos e em estilo solene protagonizada por um herói
  4. 4. Partes de uma epopeia  Proposição (tema / herói)  Invocação (musa inspiradora)  Narração  Conclusão
  5. 5. Século XVIII Epopeia  Romance Herói épico  Herói moderno (anti-herói)
  6. 6. Herói épico Herói moderno Representa um grupo. É apenas um indivíduo que representa a si mesmo. Recebe ajuda do alto. Muitas vezes, desvincula-se de um plano sobrenatural. Tem origem nobre. É um cidadão comum. Possui características extraordinárias. Tem características ordinárias. Enfrenta obstáculos incomuns. Enfrenta problemas do dia a dia.
  7. 7. Gênero lírico Padrão de composição literária em que um eu lírico, poético ou poemático manifesta seu mundo interior.
  8. 8. Elementos do poema  Ritmo  Metro  Estrofe  Som (rima)
  9. 9. Ritmo Sucessão alternada de sílabas tônicas e átonas
  10. 10. Metro Medida do verso
  11. 11. Número de sílabas Nome do verso 1 Monossílabo 2 Dissílabo 3 Trissílabo 4 Tetrassílabo 5 Pentassílabo (redondilha menor) 6 Hexassílabo 7 Heptassílabo (redondilha maior) 8 Octossílabo 9 Eneassílabo 10 Decassílabo (medida nova) 11 Hendecassílabo 12 Dodecassílabo (alexandrino)
  12. 12. VERSOS MONOSSILÁBICOS
  13. 13. Vo gar Ro lar O ar do lar na flor há por A mor (Martins Fontes, “Soneto monossilábico”)
  14. 14. VERSOS DISSILÁBICOS
  15. 15. Estrelas Singelas Luzeiros Fagueiros (Fagundes Varela, in “Cantos religiosos”)
  16. 16. VERSOS TRISSILÁBICOS
  17. 17. Vem a aurora Pressurosa Cor de rosa, Que se cora De carmim; A seus raios As estrelas, Que eram belas, Têm desmaios, Já por fim. (Gonçalves Dias, in “A tempestade”)
  18. 18. VERSOS TETRASSILÁBICOS
  19. 19. O inverno brada Forçando as portas... Oh! que revoada De folhas mortas O vento espalha (Alphonsus de Guimaraens)
  20. 20. VERSOS PENTASSILÁBICOS
  21. 21. Não chores, que a vida É luta renhida: Viver é lutar. (Gonçalves Dias)
  22. 22. VERSOS HEXASSILÁBICOS
  23. 23. Ó sono! ó noivo pálido Das noites perfumosas, Que um chão de nebulosas Trilhas pela amplidão! (Castro Alves)
  24. 24. VERSOS HEPTASSILÁBICOS
  25. 25. Pedir beijo é uma tolice Que não merece perdão. É como pedir a fruta Que caia na nossa mão. (Soares da Cunha)
  26. 26. Ubiquidade Estás em tudo que penso, Estás em quanto imagino; Estás no horizonte imenso, Estás no grão pequenino. Estás na ovelha que pasce, Estás no rio que corre: Estás em tudo que nasce, Estás em tudo que morre. Em tudo estás, nem repousas, Ó ser tão mesmo e diverso! (Eras no início das coisas, Serás no fim do universo). Estás na alma e nos sentidos Estás no espírito, estás Na letra, e, os tempos cumpridos, No céu, no céu estarás. (Manuel Bandeira)
  27. 27. VERSOS OCTOSSILÁBICOS
  28. 28. Lembra-te bem! Azul-celeste Era essa alcova em que te amei. O último beijo que me deste Foi nessa alcova que o tomei! (Olavo Bilac)
  29. 29. VERSOS ENCASSILÁBICOS
  30. 30. Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. (Manuel Bandeira)
  31. 31. VERSOS DECASSILÁBICOS
  32. 32. Camões Os lusíadas Canto primeiro (Proposição) (1) As armas e os barões assinalados Que, da ocidental praia lusitana, Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo reino, que tanto sublimaram;
  33. 33. Camões Os lusíadas Canto primeiro (Proposição) (2) E também as memórias gloriosas Daqueles Reis que foram dilatando A Fé, o Império, e as terras viciosas De África e de Ásia andaram devastando, E aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da morte libertando: Cantando espalharei por toda a parte, Se a tanto me ajudar o engenho e a arte.
  34. 34. Camões Os lusíadas Canto primeiro (Invocação) (4) E vós, Tágides minhas, pois criado Tendes em mim um novo engenho ardente, Se sempre em verso humilde celebrado Foi de mim vosso rio alegremente, Dai-me agora um som alto e sublimado, Um estilo grandíloquo e corrente, Por que de vossas águas Febo ordene Que não tenham inveja às de Hipocrene.
  35. 35. Camões Os lusíadas Canto primeiro (Invocação) (5) Dai-me uma fúria grande e sonorosa, E não de agreste avena ou frauta ruda, Mas de tuba canora e belicosa, Que o peito acende e a cor ao gesto muda; Dai-me igual canto aos feitos da famosa Gente vossa, que a Marte tanto ajuda: Que se espalhe e se cante no universo, Se tão sublime preço cabe em verso.
  36. 36. Escrava Ó meu Deus, ó meu dono, ó meu Senhor, Eu te saúdo, olhar do meu olhar, Fala da minha boca a palpitar, Gesto das minhas mãos tontas de amor! Que te seja propício o astro e a flor, Que a teus pés se incline a Terra e o Mar, P’los séculos dos séculos sem par, Ó meu Deus, ó meu dono, ó meu Senhor! Eu, doce e humilde escrava, te saúdo, E, de mãos postas, em sentida prece, Canto teus olhos de oiro e de veludo. Ah! esse verso imenso de ansiedade, Esse verso de amor que te fizesse Ser eterno por toda a Eternidade!... (Florbela Espanca)
  37. 37. VERSOS HENDECASSILÁBICOS
  38. 38. Alvas pétalas do lírio de tua alma... (Hermes Fontes)
  39. 39. VERSOS DODECASSILÁBICOS
  40. 40. No meio das tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos – cobertos de flores, Alteiam-se os tetos d’altiva nação; São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, Temíveis na guerra, que em densas coortes Assombram das matas a imensa extensão São rudos, severos, sedentos de glória, Já prélios incitam, já cantam vitória, Já meigos atendem à voz do cantor: São todos Timbiras, guerreiros valentes! Seu nome lá voa na boca das gentes, Condão de prodígios, de glória e terror! (Gonçalves Dias, in “I-Juca Pirama”)
  41. 41. Gonçalves Dias “A tempestade” Um raio Fulgura No espaço Esparso, De luz; E trêmulo E puro Se aviva, S’esquiva, Rutila Seduz!
  42. 42. Vem a aurora Pressurosa Cor de rosa, Que se cora De carmim; A seus raios As estrelas, Que eram belas, Têm desmaios, Já por fim.
  43. 43. O sol desponta Lá no horizonte, Doirando a fonte, E o prado e o monte E o céu e o mar; E um manto belo De vivas cores Adorna as flores Que entre verdores Se vê brilhar.
  44. 44. Um ponto aparece, Que o dia entristece, O céu, onde cresce, De negro a tingir; Oh! vede a procela Infrene, mas bela, No ar s’encapela Já pronta a rugir!
  45. 45. Não solta a voz canora No bosque o vate alado, Que um canto d’inspirado Tem sempre a cada aurora; É mudo quanto habita Da terra n’amplidão. A coma então luzente Se agita do arvoredo E o vate um canto a medo Desfere lentamente, Sentindo opresso o peito De tanta inspiração.
  46. 46. Fogem do vento que ruge As nuvens aurinevadas, Como ovelhas assustadas Dum fero lobo cerval; Estilham-se como as velas Que no alto mar apanha, Ardendo na usada sanha, Subitâneo vendaval.
  47. 47. Bem como serpentes que o frio Em nós emaranha – salgadas As ondas s’estanham, pesadas Batendo no frouxo areal. Disseras que viras vagando Nas furnas do céu entreabertas Que mudas fuzilam, – incertas Fantasmas do gênio do mal!
  48. 48. E no túrgido ocaso se avista Entre a cinza que o céu apolvilha, Um clarão momentâneo que brilha, Sem das nuvens o seio rasgar; Logo um raio cintila e mais outro, Ainda outro veloz, fascinante, Qual centelha que em rápido instante Se converte d’incêndios em mar.
  49. 49. Um som longínquo cavernoso e oco rouqueja e n’amplidão do espaço morre; Eis outro ainda mais perto, inda mais rouco, Que alpestres cimos mais veloz percorre, Troveja, estoura, atroa; e dentro em pouco Do Norte ao Sul – dum ponto a outro corre: Devorador incêndio alastra os ares, Enquanto a noite pesa sobre os mares.
  50. 50. No últimos cimos dos montes erguidos Já silva, já ruge do vento o pegão; Estorcem-se os leques dos verdes palmares, Volteiam, rebramam, doudejam nos ares, Até que lascados baqueiam no chão. Remexe-se a copa dos troncos altivos, Transtorna-se, tolda, baqueia também; E o vento, que as rochas abala no cerro, Os troncos enlaça nas asas de ferro, E atira-os raivoso dos montes além.
  51. 51. Da nuvem densa, que no espaço ondeia, Rasga-se o negro bojo carregado, E enquanto a luz do raio o sol roxeia, Onde parece à terra estar colado, Da chuva, que os sentidos nos enleia, O forte peso em turbilhão mudado, Das ruinas completa o grande estrago, Parecendo mudar a terra em lago.
  52. 52. Inda ronca o trovão retumbante, Inda o raio fuzila no espaço, E o corisco num rápido instante Brilha, fulge, rutila e fugiu. Mas se à terra desceu, mirra o tronco, Cega o triste que iroso ameaça, E o penedo, que as nuvens devassa, Como tronco sem viço partiu.
  53. 53. Deixando a palhoça singela, Humilde labor de pobreza, Nivela os fastígios sem dó; E os templos e as grimpas soberbas, Palácio ou mesquita preclara, Que a foice do tempo poupara, Em breves momentos é pó.
  54. 54. Cresce a chuva, os rios crescem Pobres regatos s’empolam, E nas turbas ondas rolam Grossos troncos a boiar! O córrego qu’inda há pouco No torrado leito ardia, É já torrente bravia Que da praia arreda o mar.
  55. 55. Mas ai do desditoso, Que viu crescer a enchente E desce descuidoso Ao vale, quando sente Crescer dum lado e d’outro O mar da aluvião! Os troncos arrancados Sem rumo vão boiantes; E os tetos arrasados, Inteiros, flutuantes, Dão antes crua morte, Que asilo e proteção!
  56. 56. Porém no ocidente S’ergue de repente O arco luzente, De Deus o farol: Sucedem-se as cores, Qu’imitam as flores, Que lembram primores Dum novo arrebol.
  57. 57. Nas águas pousa; E a base viva De luz esquiva, E a curva altiva Sublima ao céu; Inda outro arqueia, Mais desbotado, Quase apagado, Como embotado De tênue véu.
  58. 58. Tal a chuva Transparece, Quando desce E ainda vê-se O sol luzir; Como a virgem, Que numa hora Ri-se e cora, Depois chora E torna a rir.
  59. 59. A folha Luzente Do orvalho Nitente A gota Retrai: Vacila, Palpita; Mais grossa, Hesita, E treme E cai.
  60. 60. Estrofe Linha (verso) ou agrupamento de linhas (versos)
  61. 61. Número de versos Nome da estrofe 1 Monóstico 2 Dístico ou parelha 3 Terceto 4 Quarteto ou quadra 5 Quinteto ou quintilha 6 Sexteto ou sextilha 7 Sétima, septena ou septilha 8 Oitava 9 Novena ou nona 10 Décima
  62. 62. DÍSTICO OU PARELHA
  63. 63. Embora seja céu de estio, As estrelas morrem de frio. (Alphonsus de Guimaraens, in “Barcarola”)
  64. 64. Os miseráveis, os rotos São as flores dos esgotos. São espectros implacáveis Os rotos, os miseráveis. São prantos negros de furnas Caladas, mudas, soturnas. (Cruz e Sousa, in “Litania dos pobres”)
  65. 65. TERCETO
  66. 66. Negrinho do Pastoreio, venho acender a velinha que palpita em teu louvor. (Augusto Meyer, in “Oração ao negrinho do pastoreio)
  67. 67. QUADRA OU QUARTETO
  68. 68. Trigueirinha, – foge, foge, – Vê que eu não sou trovador, Eu sou filósofo, – ouviste? Eu não entendo de amor. (Junqueira Freire, in “A trigueirinha”)
  69. 69. QUINTILHA
  70. 70. Numa colina azul brilha um lugar calado. Belo! E arrimada ao cabo da sombrinha, Com teu chapéu de palha, desabado, Tu continuas na azinhaga: ao lado Verdeja, vicejante, a nossa vinha. (Cesário Verde, in “De verão”)
  71. 71. SEXTILHA
  72. 72. Amigo! O campo é o ninho do poeta... Deus fala, quando a turba está quieta, Às campinas em flor. – Noivo – Ele espera que os convivas saiam... E n’alcova, onde lâmpadas desmaiam, Então murmura – amor – (Castro Alves, in “Sub tegmine fagi”)
  73. 73. SÉTIMA, SETENA OU SETILHA
  74. 74. – Estavam todos dormindo Estavam todos deitados Dormindo Profundamente Quando eu tinha seis anos Não pude ver o fim da festa de São João Porque adormeci (Manuel Bandeira, in “Profundamente”)
  75. 75. OITAVA
  76. 76. Se eu morrer muito novo, oiçam isto: Nunca fui senão uma criança que brincava. Fui gentio como o sol e a água, De uma religião universal que só os homens não têm. Fui feliz porque não pedi coisa alguma, Nem procurei achar nada, Nem achei que houvesse mais explicação Que a palavra explicação não ter sentido nenhum. (Fernando Pessoa, in “Poemas inconjuntos”)
  77. 77. NONA
  78. 78. Quando eu nasci, raiava O claro mês das garças forasteiras; Abril, sorrindo em flor pelos outeiros, Nadando em luz na oscilação das ondas, Desenrolava a primavera de ouro: E as leves garças, como folhas soltas Num leve sopro de aura dispersadas, Vinham do azul do céu turbilhonando Pousar o voo à tona das espumas... (Vicente de Carvalho, in “Palavras ao mar”)
  79. 79. DÉCIMA
  80. 80. Também eu ergo às vezes Imprecações, clamores e blasfêmias Contra essa mão desconhecida e vaga Que traçou o meu destino... Crime absurdo O crime de nascer! Foi o meu crime. E eu expio-o vivendo, devorado Por esta angústia do meu sonho inútil. Maldita a vida que promete e falta, Que mostra o céu prendendo-nos à terra, E, dando as asas, não permite o voo! (Vicente de Carvalho, in “Palavras ao mar”)
  81. 81. Rimas finais Identidade ou semelhança de sons no final dos versos
  82. 82. Rimas paralelas (emparelhadas ou geminadas) AABB Pode em redor de ti, tudo se aniquilar: – Tudo renascerá cantando ao teu olhar, Tudo, mares e céus, árvores e montanhas, Porque a vida perpétua arde em tuas entranhas! (Olavo Bilac, in “A alvorada do amor”)
  83. 83. Rimas intercaladas (interpoladas, opostas ou contrapostas) A - - A Eu me lembro! eu me lembro! – Era pequeno E brincava na praia; o mar bramia E, erguendo o dorso altivo, sacudia A branca espuma para o céu sereno. (Casimiro de Abreu, in “Deus”)
  84. 84. Rimas alternadas (cruzadas, entrecruzadas ou entrelaçadas) ABAB Filhos do Novo Mundo! ergamos nós um grito Que abafe dos canhões o horríssono rugir, Em frente do oceano! em frente do infinito! Em nome do progresso! em nome do porvir. (Castro Alves, in “No meeting do comité du pain”)
  85. 85. Rimas pobres Entre as ruinas de um convento, De uma coluna quebrada Sobre os destroços, ao vento Vive uma flor isolada (Alberto de Oliveira, in “Flor santa”)
  86. 86. Rimas ricas O coração que bate neste peito E que bate por ti unicamente, O coração, outrora independente, Hoje humilde, cativo e satisfeito. (Luís Guimarães, Jr. in “O coração que bate...”)
  87. 87. Rimas consoantes Casos de amor! tenho os ouvidos cheios De ouvi-los relatar em prosa e em versos: Juras, ingratidões, ciúmes, anseios, Almas traidoras, corações perversos. (Bastos Tigre, in “Amores alheios”)
  88. 88. Rimas toantes Em cima daquele morro passa boi, passa boiada; também passa uma menina de cabelo encacheado.
  89. 89. Rimas toantes “Na encruzilhada da vida Muitas vidas vi passar...” Disse-me o poeta, naquela Noite clara, ao pé do mar. E nas mãos magras e longas Os dedos punha a contar: “Uma sombra, duas sombras... Mas passaram sem parar.” (Olegário Mariano, in “Romance ao pé do mar”)
  90. 90. Rimas toantes O cristal do Tejo Anarda Em ditosa barca sulca; Qual perla, Anarda se alinda, Qual concha, a barca se encurva. (Botelho de Oliveira, in “Romance I”)

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