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Universidade Estadual de Goiás
Câmpus de São Luís de Montes Belos
Discentes: Priscila Hilária de Souza
Sara Souza Nunes Silvestre
Docente: Giselia Rodrigues Dias
Disciplina: Literatura inglesa I
Letras – 4° ano
Percy Bysshe Shelley
Ode ao vento d’Oeste
I
Selvagem vento oeste, tu, respiração de Outubro,
Presença invisível, donde as folhas mortas
Se afastam, como espíritos repelidos por qualquer encanto,
amarelecidas, negras ou pálidas, rubras
de febre, multidão tocada pela pestilência: tu
que vens conduzir a um sombrio leito de Inverno
as sementes aladas, onde ficaram adormecidas
como se estivessem num túmulo, até que
a tua irmã azul da Primavera venha entoar
o seu cântico sobre os sonhos da terra (ao florescerem
os botões como rebanhos que se alimentam no ar)
e fiquem cheios os montes e planícies de cores ou perfumes:
selvagem Espírito, cujo brilho ocupa todo o espaço;
destruidor e salvador, escuta-me, oh, escuta-me!
II
Tu, sobre cujas correntes no alto céu tempestuoso
as nuvens passam – moribundas, caídas folhas da terra
arrancadas aos ramos enlaçados do Céu e do Oceano,
anjos da chuva ou dos relâmpagos - ; e na superfície azul
da tua ondulação aérea, vêem-se derramados
como as madeixas douradas erguidas na cabeça
duma feroz Ménade, desde o obscuro limite
do horizonte até à altura do zénite,
os cabelos da tempestade que se aproxima. Tu, fúnebre
hino do ano que morre, para quem a vinda desta noite
será a cúpula dum vasto sepulcro
Envolvido pelo congregado poderio
dos teus vapores, de ontem uma espessa atmosfera
há-de lançar a negra chuva, o fogo, a neve: oh, escuta-me!
III
Tu que acordaste dos seus sonhos de Verão
o azul Mediterrâneo, levemente embalado
pelos remoinhos das cristalinas correntes,
junto duma ilha porosa e leve na baía de Baias,
vendo, no seu sono, antigas torres e palácios
e tremeluzirem no dia mas luminoso das ondas,
todos atapetados de musgo azulado e flores
tão suaves que mal os podemos imaginar! Tu,
por quem as poderosas plataformas do Atlântico
se cavam ainda mais, enquanto nas profundidades
as flores marítimas e os ramos limosos, que se vestem
da folhagem sem seiva do oceano, reconhecem
a tua voz, subitamente empalidecem de temor
e estremecem, ao desfolharem-se: oh, escuta-me!
IV
Se eu fosse como uma folha morta que arrastasses,
uma rápida nuvem que contigo fugisse,
ou qualquer onda a estremecer sob a tua força,
capaz de vir compartilhar esse impulso, apenas
menos leve do que tu, ó indomável!
Se eu pudesse ser como na minha infância
o companheiro dessas viagens ao longo do céu
ou como no tempo em que ultrapassar o teu largo voo
me parecia uma ilusão – nunca teria assim lutado
contigo, suplicante, no meu amargo infortúnio.
Oh! vem, leva-me como uma vaga, folha ou nuvem
- os espinhos da vida dilaceram-me, e eu sangro!
Um pesado fardo de horas aprisionou e venceu
um ser semelhante a ti, indócil, violento, e orgulhoso.
V
Como à floresta, faze de mim a tua lira:
importa que também as minhas folhas caiam?
O tumulto das tuas poderosas harmonias
virá arrancar-nos um som profundo do Outono,
suave apesar da sua tristeza. Sê, espírito cruel,
o meu espírito! Transforma-te no que sou, vento impetuoso!
Sobre o universo, arrasta os meus pensamentos
como as folhas mortas onde a vida renasce
e, com o encantamento destes versos,
dispersa – faúlhas e cinzas dum fogo
inextinguível – estas minhas palavras entre os homens.
Sê através dos meus lábios, para a terra adormecida,
o apelo poderoso duma profecia! – O vento,
se chega o Inverno, poderá estar longe a Primavera?
Referências
Imagem encontrada em <http://exhibitions.nypl.org/biblion/outsiders/shelleys-ghost >
acesso em 01/05/2016
Análise em <http://www.oilproject.org/lezione/ode-to-the-west-wing-shelley-traduzione-
analisi-romanticismo-inglese-12013.html> acesso em 01/05/2016

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Ode ao vento d'Oeste de Percy Bysshe Shelley

  • 1. Universidade Estadual de Goiás Câmpus de São Luís de Montes Belos Discentes: Priscila Hilária de Souza Sara Souza Nunes Silvestre Docente: Giselia Rodrigues Dias Disciplina: Literatura inglesa I Letras – 4° ano
  • 3. Ode ao vento d’Oeste I Selvagem vento oeste, tu, respiração de Outubro, Presença invisível, donde as folhas mortas Se afastam, como espíritos repelidos por qualquer encanto, amarelecidas, negras ou pálidas, rubras de febre, multidão tocada pela pestilência: tu que vens conduzir a um sombrio leito de Inverno
  • 4. as sementes aladas, onde ficaram adormecidas como se estivessem num túmulo, até que a tua irmã azul da Primavera venha entoar o seu cântico sobre os sonhos da terra (ao florescerem os botões como rebanhos que se alimentam no ar) e fiquem cheios os montes e planícies de cores ou perfumes: selvagem Espírito, cujo brilho ocupa todo o espaço; destruidor e salvador, escuta-me, oh, escuta-me!
  • 5. II Tu, sobre cujas correntes no alto céu tempestuoso as nuvens passam – moribundas, caídas folhas da terra arrancadas aos ramos enlaçados do Céu e do Oceano, anjos da chuva ou dos relâmpagos - ; e na superfície azul da tua ondulação aérea, vêem-se derramados como as madeixas douradas erguidas na cabeça duma feroz Ménade, desde o obscuro limite do horizonte até à altura do zénite, os cabelos da tempestade que se aproxima. Tu, fúnebre
  • 6. hino do ano que morre, para quem a vinda desta noite será a cúpula dum vasto sepulcro Envolvido pelo congregado poderio dos teus vapores, de ontem uma espessa atmosfera há-de lançar a negra chuva, o fogo, a neve: oh, escuta-me!
  • 7. III Tu que acordaste dos seus sonhos de Verão o azul Mediterrâneo, levemente embalado pelos remoinhos das cristalinas correntes, junto duma ilha porosa e leve na baía de Baias, vendo, no seu sono, antigas torres e palácios e tremeluzirem no dia mas luminoso das ondas, todos atapetados de musgo azulado e flores tão suaves que mal os podemos imaginar! Tu, por quem as poderosas plataformas do Atlântico
  • 8. se cavam ainda mais, enquanto nas profundidades as flores marítimas e os ramos limosos, que se vestem da folhagem sem seiva do oceano, reconhecem a tua voz, subitamente empalidecem de temor e estremecem, ao desfolharem-se: oh, escuta-me!
  • 9. IV Se eu fosse como uma folha morta que arrastasses, uma rápida nuvem que contigo fugisse, ou qualquer onda a estremecer sob a tua força, capaz de vir compartilhar esse impulso, apenas menos leve do que tu, ó indomável! Se eu pudesse ser como na minha infância o companheiro dessas viagens ao longo do céu ou como no tempo em que ultrapassar o teu largo voo me parecia uma ilusão – nunca teria assim lutado
  • 10. contigo, suplicante, no meu amargo infortúnio. Oh! vem, leva-me como uma vaga, folha ou nuvem - os espinhos da vida dilaceram-me, e eu sangro! Um pesado fardo de horas aprisionou e venceu um ser semelhante a ti, indócil, violento, e orgulhoso.
  • 11. V Como à floresta, faze de mim a tua lira: importa que também as minhas folhas caiam? O tumulto das tuas poderosas harmonias virá arrancar-nos um som profundo do Outono, suave apesar da sua tristeza. Sê, espírito cruel, o meu espírito! Transforma-te no que sou, vento impetuoso! Sobre o universo, arrasta os meus pensamentos como as folhas mortas onde a vida renasce e, com o encantamento destes versos,
  • 12. dispersa – faúlhas e cinzas dum fogo inextinguível – estas minhas palavras entre os homens. Sê através dos meus lábios, para a terra adormecida, o apelo poderoso duma profecia! – O vento, se chega o Inverno, poderá estar longe a Primavera?
  • 13. Referências Imagem encontrada em <http://exhibitions.nypl.org/biblion/outsiders/shelleys-ghost > acesso em 01/05/2016 Análise em <http://www.oilproject.org/lezione/ode-to-the-west-wing-shelley-traduzione- analisi-romanticismo-inglese-12013.html> acesso em 01/05/2016