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Bernardino de Matos: É hora de partir
Marco Fontolan: A voz de um rio
Marco Fontolan: A poesia
Marco Fontolan: Haicais
Luis Filipe: Retalhos de uma aldeia
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É HORA DE PARTIR!
     Bernardino Matos


Uns partindo, outros chegando,
   é a vida em movimento,
mas quando chega o momento,
   de a mala ir arrumando.
   a gente fica escutando,
  a canção de um lamento,
  que açoita o sentimento,
  encabresta aquele afeto,
  que aqueceu nosso teto,
  e deixa a alma chorando.

A gente arruma as lembranças,
 deixa o adeus num cantinho,
   cuida pra que o carinho,
 tão presente nas andanças,
   eivadas de esperanças,
não se amasse com a tristeza,
   não amarrote a leveza,
 de um amor outrora infindo,,
 que aos poucos foi sumindo,
   no trotear das nuanças..

  A gente deixa um espaço,
  onde se guarda a ternura,
   bem longe da amargura,
 que deixa aquele mormaço,
que, o tempo, passo a passo,
     com sua sabedoria,
 com o dom de sua magia,,
    o amor vai restaurar,
    um amanhã vai raiar,
  longe desse embaraço.

   E depois de tudo pronto,
   resta somente a partida,
     uma triste despedida,
  onde não vale o confronto,
dá-se à saudade um desconto,
   que se supunha sem fim,
  que não terminasse assim,
 mas se não há mais carinho,
 resta somente um caminho,
    sair sem bater o ponto.

   Se o amor é verdadeiro,
  há uma nesga de ternura,
 não há nódoa de amargura,
e a chama de um candeeiro,
  qual a vela de um veleiro,
traz um clima de aconchego,
   e a réstia de um apego,
 mantém-se frágil e serena,
  o que torna mais amena,
     o acorde do violeiro.


     Fortaleza, 19/05/11




                               Título
A voz de um rio
      Marco Fontolan*


    Eu nasci numa fonte
Escondida embaixo de árvores
   Frondosas e sombrias
     Ao pé de um morro
 Dentro de uma mata densa
        Escura e fria

   Sou este rio que corre
  Sou este rio que desce
  Sou este rio que avança
    Este rio que passa...
     Este rio que canta.

   Este rio que se alarga
 como parte de um mundo
    falo a voz do tempo
   não penso, não ouço
 Não tenho respostas a dar
   ou perguntas a fazer

     Sou um rio, apenas
      um rio que corre
     um rio que desce.;..
           Um rio,
que some entre a espessa
                                   Mata virgem
                                e depois reaparece!




*Marco Antonio Benassi Fontolan é formado em Direito na USP, pós-graduação em Literatura
Brasileira na PUC e Mackensie. Nasceu na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, SP.
Tem participado de várias antologias, inclusive foi premiado numa antologia de contos, editada
pela Fundação Cassiano Ricardo, de São José Campos.

Obras publicadas: Viajante do Tempo (poemas) e Pedaços de verão e outras histórias (contos).




                                                                                                 Título
A poesia

      Marco Fontolan

   A poesia está em tudo
    Nos instantes do dia
     Na chuva que cai
        Na ventania.
   Em jardins inacessíveis
   Em brejos lamacentos
     Em toda as coisas

     A poesia está no ar
    A poesia está no mar
   E mesmo que um dia.,
Nem venha a ser mais escrita
Ainda assim, sempre existirá.

     A poesia é invisível




                                Título

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  • 1. Bernardino de Matos: É hora de partir Marco Fontolan: A voz de um rio Marco Fontolan: A poesia Marco Fontolan: Haicais Luis Filipe: Retalhos de uma aldeia Luis Filipe: Mais uma esquina de rua Luis Filipe: Teu jeito Luis Filipe: Naturalidades José Geraldo Martinez: Você é linda José Geraldo Martinez: Ilusão José Geraldo Martinez: Dê-me Senhor Mercília Rodrigues: Amante Mercília Rodrigues: Ainda o sonho Márcia Possar - Arritmia Vera Mussi – Ontem, tanta felicidade Carmo Vasconcelos – Pudesse eu ser... Gui Oliva – Responde coração Carmo Vasconcelos – O último grito Vera Mussi – O toque de Deus Carmo Vasconcelos – Fogo preso José Geraldo Martinez - Sábio José Geraldo Martinez – Minha bandeirante Alceu Sebastião Costa – O poeta, a ética e o fingimento Gui Oliva – Sou o mar Vera Mussi – Nas mãos de Deus Lêda Mello – O toque das mãos (Prece de uma Reikiana) Vera Mussi – Coisas da vida, onde a morte jamais alcança Rose Mori - Procura
  • 2. É HORA DE PARTIR! Bernardino Matos Uns partindo, outros chegando, é a vida em movimento, mas quando chega o momento, de a mala ir arrumando. a gente fica escutando, a canção de um lamento, que açoita o sentimento, encabresta aquele afeto, que aqueceu nosso teto, e deixa a alma chorando. A gente arruma as lembranças, deixa o adeus num cantinho, cuida pra que o carinho, tão presente nas andanças, eivadas de esperanças, não se amasse com a tristeza, não amarrote a leveza, de um amor outrora infindo,, que aos poucos foi sumindo, no trotear das nuanças.. A gente deixa um espaço, onde se guarda a ternura, bem longe da amargura, que deixa aquele mormaço,
  • 3. que, o tempo, passo a passo, com sua sabedoria, com o dom de sua magia,, o amor vai restaurar, um amanhã vai raiar, longe desse embaraço. E depois de tudo pronto, resta somente a partida, uma triste despedida, onde não vale o confronto, dá-se à saudade um desconto, que se supunha sem fim, que não terminasse assim, mas se não há mais carinho, resta somente um caminho, sair sem bater o ponto. Se o amor é verdadeiro, há uma nesga de ternura, não há nódoa de amargura, e a chama de um candeeiro, qual a vela de um veleiro, traz um clima de aconchego, e a réstia de um apego, mantém-se frágil e serena, o que torna mais amena, o acorde do violeiro. Fortaleza, 19/05/11 Título
  • 4. A voz de um rio Marco Fontolan* Eu nasci numa fonte Escondida embaixo de árvores Frondosas e sombrias Ao pé de um morro Dentro de uma mata densa Escura e fria Sou este rio que corre Sou este rio que desce Sou este rio que avança Este rio que passa... Este rio que canta. Este rio que se alarga como parte de um mundo falo a voz do tempo não penso, não ouço Não tenho respostas a dar ou perguntas a fazer Sou um rio, apenas um rio que corre um rio que desce.;.. Um rio,
  • 5. que some entre a espessa Mata virgem e depois reaparece! *Marco Antonio Benassi Fontolan é formado em Direito na USP, pós-graduação em Literatura Brasileira na PUC e Mackensie. Nasceu na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, SP. Tem participado de várias antologias, inclusive foi premiado numa antologia de contos, editada pela Fundação Cassiano Ricardo, de São José Campos. Obras publicadas: Viajante do Tempo (poemas) e Pedaços de verão e outras histórias (contos). Título
  • 6. A poesia Marco Fontolan A poesia está em tudo Nos instantes do dia Na chuva que cai Na ventania. Em jardins inacessíveis Em brejos lamacentos Em toda as coisas A poesia está no ar A poesia está no mar E mesmo que um dia., Nem venha a ser mais escrita Ainda assim, sempre existirá. A poesia é invisível Título
  • 7. Haicais Marco Fontolan Luzes na neblina da estrada que cruza a serra num dia de maio Colheita de frutos de um cajueiro em flor... - imagem tropical Dezembro chegando dias contagiantes, alegres - festas e presentes Dezembro chegando chuvas de verão, intensas - Natal se aproxima Cesta com várias frutas sobre a mesa da família - no final do ano Tempo de colheita de certas frutas tropicais, - caminho entre os pés Mangas caem pelo chão num dezembro radiante - muitas festas virão
  • 8. No final do ano frutas, frutas... muitas frutas trabalho, colheita em uma esquina grande ipê, deslumbrante - embeleza tudo... Na mata fechada uma embaúba surge... - folhas prateadas... a lua caminha sobre uma rodovia - onde tudo corre no jardim, um jasmim perfuma a noite no verão - intenso aroma... Maracujá em flor lá no meio do quintal - aroma e sabor Num canto do quintal mangas despencam do pé - sobre o gramado canta o sabiá entre as árvores do quintal como antigamente. Título
  • 9. RETALHOS DE UMA ALDEIA Luis da Mota Filipe* Aqui… Onde o bom dia baila de boca em boca numa dança natural, as manhãs brindam-nos com a pureza das gotas de orvalho. Há cheiro a campos viçosos e a perfumes que vivem nos estendais de roupa sempre que se encontram povoados. Os beirais acolhem sinfonias, anunciando a estação dos amores. O toque do sino na torre é o orientador fiel para os que andam mimando as suas fazendas. Diariamente, em cada morada, fumegam iguarias saloias compondo buchas, merendas e ceias. Postigos gastos são enfeitados com a brancura da arte rendilhada. O rossio, o mirante, a sociedade, o chafariz, o rio e o poço, são os padrinhos briosos de algumas ruas e largos. Enquanto os pátios namoram com as travessas e os becos cobiçam as ladeiras, bancos improvisados, aquecidos pelo sol, servem de palco aos temas da vida alheia. Agosto é mês de branquear casas e muros, para que possam combinar com a pureza dos jardins de fé que se carregam aos ombros.
  • 10. Neste canto saboreia-se a tranquilidade, respirando-se das marcas seculares. Nesta terra que beija o céu, os dias morrem mais depressa e as noites nascem mais cedo. Na aldeia, todos são primos e primas. Os sorrisos e as lágrimas são comunitários, partilham-se dores e alegrias. Não se fantasiam sentimentos. Tudo é mais autêntico e a vida brota… ao sabor dos versos apinhados de rimas de verdades. * (Anços – Montelavar – Sintra - Portugal) In:geoGRAFIA do Silêncio, Edium Editores, 2010. Título
  • 11. MAIS UMA ESQUINA DE RUA Luis da Mota Filipe* No palco turvado das madrugadas enganosas, o cenário é avesso à cor da esperança. Naquela esquina de rua, passos de provocação abafam o medo. As bonecas trajam vestes enaltecendo os seus contornos, há movimentos ensaiados que adivinham a acção relâmpago. Os pássaros surgem agrestes num cântico de devaneio, pousando impacientes seus venenos poluidores. Há vestígios que o líquido mais puro não branqueia nem apaga. Quando as manhãs surgem sombrias nos corpos exaustos, lacrimosos rios fluem pelo deserto. A sede de amar é maior que a vergonha. Só este desejo, vai suavizando o seu divórcio da felicidade. *(Anços – Montelavar – Sintra – Portugal) In “geoGRAFIA do Silêncio”, Ed.Edium Editores, 2010. Título
  • 12. TEU JEITO Teu falar cativante, Teu cheiro agradável, Teu olhar ternurento, Teu toque delicado, Teu abraço envolvente, Teu beijo doce, Teu amar encantador, Teu ser maravilhoso, Tua presença… desejada ambicionada amada Luis da Mota Filipe (Anços – Montelavar – Sintra – Portugal) Título
  • 13. NATURALIDADES Meus versos são os gritos de esperança Percorrendo um mundo de magia Frases que se embalam numa dança Lembrando o valor da ecologia Rimas são natureza em alvorada Cores da vida mais bela e sã Gotas de um orvalho à chegada Dum dia que começa na manhã Tantas palavras que eu invento São as inspirações do momento Com as quais me apetece brincar Histórias mil, feitas ao vento Entre alegria e o lamento Onde o ambiente eu vou amar Luis da Mota Filipe Título
  • 14. VOCÊ É LINDA! José Geraldo Martinez Tu és tão linda senhora... Não consegues enxergar? A doçura que tens quando sorris, a meiguice que transborda em teu olhar... Tu és incrivelmente linda! Ainda que sem te arrumares... E nem te percebes, senhora, quando no espelho a te contemplares? Traços que mostram uma vida marcada de lutas vencidas? Os sonhos que eu te entrego no colo, que me foram de eterna guarida... Quando te vestes... Arrancas-me ainda arrepio! E teu cheiro de absinto... Apura-me o instinto esta loba no cio! Tuas mãos quando me tocam... Meus pecados invocam, amada minha! E, ao teu gozo, entrego-te ao céu, mulher que amo... Com minha alma inteirinha!
  • 15. Não percebes a tua sensualidade? O poder que ainda tens nas mãos? Quando me vês, ainda submisso a teus encantos, resignado e tal qual um cão? Não confias em ti? Na leveza que carregas no coração. Teu corpo, nem me lembro, esqueci... Vejo além da carne que me entregas com paixão! Mulher, tu és linda! Tanto, tanto, tanto... A mim seja sempre bem-vinda, que o tempo ainda não conseguiu roubar teu encanto! 09/05/2011 Título
  • 16. ILUSÃO.... José Geraldo Martinez Espera-me que não demoro! Sou uma ilusão qualquer... Destas que não buscam um rosto ou colo, de quem na verdade as quiser! Desde que não me percam, um dia chego... Com vestes de sua imaginação! Por favor, não me cobrem realidade, sou apenas ilusão! Deixarei meu rosto vocês esculpirem... E até meus lábios beijarem! Terei a cor dos olhos como quiserem, os cabelos como gostarem... Serei alto, baixo, mediano, não importa! Gordo, magro, careca... Um tipo que as agradam com certeza e suas fantasias emprestam! Serei poeta, bombeiro, policial, um super herói... Um personagem casual que, no virtual, seu libido constrói!
  • 17. Levarei-as nos braços gentilmente... E dançaremos o quanto desejarem! Cantaremos noite a dentro alegremente, melodias com lindos luares... Faremos amor a bel prazer, onde nossas mentes nos levarem! No carro, no mar, no rio, no banheiro... Em todos os lugares! Sou a fantasia amiga do(as) sonhadores... Não me cobrem a realidade! Sou pueril, efêmera... Tenho o corpo da irrealidade! Sou de alguns as lágrimas e de outros a saudade... Vento nas mãos que me apertam, daqueles que buscam a verdade! 12/5/2011 Sou nada, sou tudo ao mesmo tempo... Sem mim? Morreriam os sonhos! ( Martinez) martinez.ata@terra.com.br Título
  • 18. DÊ-ME, SENHOR... José Geraldo Martinez Dê-me, Senhor, uma mulher cuja fé consiga transformar-me inteiramente! E que me faça levantar dos tombos e, com meus próprios pés, no aprendizado seguir em frente. Uma mulher de Deus... Com resignação e sentimentos puros! Que eu farei com ela levantarem os ateus, incrédulos, ao Pai, tão obscuros... Dê-me, Senhor, uma mulher bendita! Eu gritarei ao mundo teus ensinamentos e de minha fé, também contrita... Levantarei os pecadores num só momento! Dê-me, Senhor, uma mulher de verdade, que as bainhas não terão mais espadas! Os conflitos estarão terminados, na força viva desta mulher amada... Dê-me, Senhor, uma mulher à Tua imagem e deste espelho serei cópia fiel! Quando nesta terra em pueril passagem possa nos receber ao teu lado, com glória ao céu... Dê-me, Senhor, uma mulher companheira, uma profeta poderosa! Serei capaz de enfrentar os canhões, tombar os soldados com buquês de rosas... Hei de edificar os teus santuários destruídos, o nosso mundo perdido! Dê-me, Senhor, uma mulher que eu ame o suficiente,
  • 19. para me deixar mais perto de Ti. 19/5/2011 "Inspirado no belíssimo texto de Oswald Chambers. " Leia o texto a seguir que o Poeta citou e se inspirou... é belo demais.... (colaboração da poeta Vera Mussi) "Dê-me um homem de Deus - um homem, Cuja fé seja mestre de sua mente, E eu removerei todas as transgressões E abençoarei toda a humanidade. Dê-me um homem de Deus - um homem, Cuja língua seja tocada com fogo do céu, E eu incendiarei os corações mais impuros, Com grande determinação e desejos puros. Dê-me um homem de Deus - um homem, Um profeta poderoso do Senhor, E eu lhe darei paz na Terra, Conquistada com oração e não com espada. Dê-me um homem de Deus - um homem, fiel à visão recebida, E eu edificarei seus santuários quebrados, E conduzirei as nações aos seus joelhos." (Oswald Chambers) Título
  • 20. AMANTE Mercília Rodrigues Cubro meu pudor com teu abraço, em noite de sensatez tão pouca! Encontro ainda calor no teu abraço... Sinto teus beijos atrevidos em minha boca. Meu corpo responde a teu carinho, no aconchego sedutor de teus cabelos. Deixo fluir a chama de mansinho, evoluindo no ardor de teus apelos! Loucos! Loucos de paixão em desatino! Param as horas... Silencia o mundo . Dois corpos enlaçados no carinho inebriados de prazer profundo. Somos um no vivido desvario. Abandono, então todo pudor. Entrego-me completa, corpo em cio meu ser que responde ao teu calor! Arranca de mim esta entrega! Nada sei, pois a paixão me cega. Toma-me o corpo que te quer... Neste momento sou amante, sou mulher!
  • 21. Owner: Eme Paiva Moderadoras: Anna Peralva, Marilda Ternura, Eliana (Shir) Midi: Aranjuez Mon Amour Tube: Nikita e Site Laumidia Arte e formatação Marilda Ternura Mercília Rodrigues nasceu no mês de junho em Monte Alto (São Paulo). Sendo a pequenina de uma família de cinco filhos cresceu na vila, no campo. Rodeada pela simplicidade das pessoas e o carinho dos seus. Sonhadora, conheceu José casou e com ele teve um casal de filhos. A menina ficou nas lembranças do passado... Nascia uma nova mulher, ave mãe protegendo e educando as crias num ninho de amor e ternura. Atualmente reside em Araçatuba. Licenciada em Português exerceu o magistério por aproximadamente trinta anos. Hoje se dedica à poesia almejando a ampliação cultural e troca de conhecimento entre amigos. Seus poetas preferidos: Drummond, Fernando Pessoa, Cecília Meirelles e Ferreira Gullar. Mercília é a essência pura da poesia, tem o dom de fazer com a gente embarque em seus versos e voe ao encontro dos seus sonhos... Tal encontro só é possível pelo lirismo poético, pela sensibilidade exposta em seu estilo singular de poetar. Ela conhece profundamente as variações e movimentos de cada palavra, pois escreve com a alma! Anna Peralva Título
  • 22. AINDA O SONHO Mercília Rodrigues Fujo de conflito e inutilidades. Teimosa sou com a vida e acredito no hoje pleno de possibilidades, num amanhã abrindo portas, bendito! Abraço o tempo sem qualquer tristeza e arrumo em sonhos a mala de viagem. Olho pra o futuro com a certeza de levar esperança na bagagem. Se me veem como maluca? Beleza! Quero olhar até o universo com coragem e ter gratidão pela sua grandeza! Sei que, no final de sonhos em viagem, haveremos de ver, com sutileza, os que puseram sonhos na bagagem! mercilia.rodrigues@terra.com.br Título
  • 23. Arritmia Márcia Possar* E foi assim, com um pé na estrela. Foi querendo sê-la que entreguei-me à sua parecença. Deixei-me cintilar de seu brilho trepidante, para, quem sabe, ou até que pudesse, me ver volível desse acaso, que foi dos meus acasos o maior e mais excedível. Quis-me pauta para conter-te em dó maior. Quis-me versos e odes. Quis-me leve, solta, para que, ainda que em prelúdio, pudesses ouvir-me dos teus acordes. Fiz-me brilho e calor, fiz-me música e fiz-me musa para ouvir-te em declaração de amor! E ouvi teu canto... Meu encanto... Recanto de insensatez em noite de lua, onde me quiseste nua e eu... Quis-me tua!
  • 24. Rua escura cheia de madrugadas, cheia de loucura, para sempre e inteira das tuas baladas. Chamadas... Foram as marcas da falta de ritmo daquela minha estrela louca. Centelha falta de mim, que me fazia cismar. Que me fazia pouca, para tanto desvairar, como se o que de anuência em mim, não me fosse bastar. E foi assim que eu parti. Foi nessa trama, que o meu drama virou poesia. Foi nessa arritmia que chamei e ainda chamo por ti... ***************************** *Nasceu em Santo André (Grande ABC Paulista) - SP no dia 30 de setembro de 1957, atualmente mora na Cidade de Uberaba - MG. Título
  • 25. Ontem, tanta felicidade Vera Mussi Tudo muda em função do passado, tão recente ! O inesperado, a cada dia, alavanca nossas escolhas do presente Repleto de magia... O ontem não nos pertence É a presença da "vontade ausente" É nuvem passageira... transformando o momento em pensamento "sem eira nem beira..." O sentimento ignora ( joga fora) as lembranças de outrora... Agora, a emoção é estrangeira! Da razão, é simples a consequência Fala-se de um Amor - ominisciente!! Na cor azul da transparência... O coração continua reluzente As escolhas entre o Eu e o Tu, imanentes repelem o "Nós"- em contradição... Uma "vontade ausente" é o fruto do adeus consciente, à voz da ilusão amante.
  • 26. A divergência entre o segredo e os fatos É gritante! Vence o enredo dos boatos... Impertinentes! Foram sonhos inadimplentes Verdades incoerentes. Ontem, tanta felicidade! Hoje, nos caminhos distantes, morre a saudade de antes... "Bem que eu quis te ofertar meu destino, meu sonho, minha vida, e até mesmo esta efêmera glória que desperdiço a cantar nos versos que componho... Nada quiseste...E assim, os sonhos que viviam, se ontem, puderam ser um começo de história, hoje, são dois caminhos que se distanciam..." J.G.de Araujo Jorge Título
  • 27. PUDESSE EU SER... Carmo Vasconcelos Pudesse eu ser... A concha onde abrigas pérolas de palavras inúteis O cofre onde ocultas jóias de pensamentos calados A ânfora onde derramas cristais de lágrimas antigas Pudesse eu ser... Faísca e fogo na lenha húmida dos teus olhos Sol e Lua na sombra difusa do teu corpo Verde e água na aridez do teu deserto Pudesse eu dizer... Pertenço-te! *** (In "Geometrias Intemporais" - publicado em Maio/2000) Publicado no Recanto das Letras em 08/04/2005 Código do texto: T10392 Título
  • 28. RESPONDE CORAÇÃO Gui Oliva Diga coração...responde neste curto espaço, explique para mim, nesse entrelaço do amor o que significa e o que se sente num abraço? mas não o disfarce em calor de amizade, por favor. É bem verdade que, para bater, o amor tem de ser um grande amigo, mas ele às vezes pulsa um sofrer tão dolorido, e nem sempre um amigo é um amor antigo então, diga coração sem mais demora, um abraço é como um amasso prévio da massa? é verdade que no seu descanso não cumpre hora, pois é requisitado a embalar beijos, enquanto abraça? Confirme coração, se o amor continua a privilegiar entre os corpos, o enredo desse fio que não dá nó, quando os amantes sob os lençóis vão se amar e braços, pernas e sexos se realizam sendo um só. Conte para mim coração se os gemidos bradados quando explodem chegam solitários ou de um retesado abraço vêm acompanhados? Finalmente coração me segrede agora, no cansaço, após o gozo final quando o silêncio ronda os olhares, o até breve ou o adeus se faz, cada um vai embora ou permanecem por instantes, que parecem séculos, quentes e unidos em um novo e renovado abraço? concluo coração...tanta indagação só causa embaraço! março/2007 www.vidaemcaminho.com.br Título
  • 29. O último Grito! Carmo Vasconcelos Hoje apetece-me gritar! O tempo já se vai fazendo curto para soltar os meus ecos Limitado para esvaziar tantos gestos recalcados Exíguo para extravasar tanto amor Urgente para toda me entregar Não tentem sufocar-me, senhores! Não mais calarei os meus ardores Direi "amo-te" a quem amo, direi "quero-te" a quem quero Beijarei a boca que me chama Enlaçarei o corpo que me inflama Preguem-me os letreiros que quiserem Apelidem-me de tonta, idiota, ridícula se preferirem Estou-me nas tintas! Recuso-me a vestir essa farpela Não condiz com a genética da minha pele Já abortei muitos abraços, embalsamei o corpo Deixei morrer à fome filhos-beijos Congelei cios e desejos E matei à nascença inocentes palavras de amor Basta! Mais assassinatos, não! Pouco me importam os epítetos! Tenho as costas largas, um peito imenso Dilatado de tantas emoções contidas Não posso protelar tudo para outra encarnação A minha alma está em fim de gestação Placenta a rebentar de nados-mortos. Sonhos que calei
  • 30. Passos que não dei, amores que não vivi Corre-me nas veias um rio de desafectos Não me enjeitem os beijos, não me amarrem as mãos Não me devolvam carícias Não aceito devoluções! Deitem no lixo se vos forem de sobra Haverá sempre os subalimentados que catarão delícias Nos contentores dos rejeitados Não me impeçam de gritar o amor Enquanto a matéria vibre e tenha sangue e tenha voz Porque o amanhã pode não passar de hoje E ser chegado o tempo de me levar de vós *** Janeiro/2007 ninita.casa@netcabo.pt Título
  • 31. O Toque de Deus Vera Mussi Reflexão "Quando as cordas de minha vida se afinarem, a cada toque Seu soará a música do amor." Rabindranath Tagore, O Coração de Deus Caminhei pelas veredas de tantas verdades! Busquei Deus em todas as esquinas... Encantadas poesias, peregrinas, Foram escritas Na alegria do amor, sem rimas... Entre as ídas e vindas... Tantas portas abertas ao léu... Quantas graças recebidas Milagres do céu! Nas manhãs frias de abril A saudade febril Da felicidade espiritual! Meditei ... Meditei... Sobre as bençãos das dores Meditei...Presenciei... Um arco-íris de mil cores... Nas cordas deste coração...Soará A música do Amor divino
  • 32. Em sentimento...Ouvirá A voz do destino... O toque de Deus...Reinará Sem julgamento! No âmago da minh'alma Há de restaurar a calma E... Além ....Muito além... A Paz do Supremo Bem! Vera Mussi 1ºde Julho / 2011 http://www.veramussi.com.br/ Poesias Especiais Título
  • 33. FOGO-PRESO Carmo Vasconcelos Tenho um poema atado na garganta, Como uma espinha aguda atravessada, Cingido ao fogo-preso que o não canta, Hirta a língua, pla verve não largada. E a mágoa que bebi, por não ser pouca, Pela afronta, de fel envenenada, Traz ressaca de gelo à minha boca, Pela amarga revolta não gritada. Porém, se ao rubro a mágoa se agiganta, Deitada ao gelo, breve é desmanchada, E porque lisa… a pena já não espanta. E liquefeito o mote, então sustido, Corre a mágoa na verve deslaçada, Vai-se a espinha, e o poema é engolido! *** Lisboa/Portugal Setº/13/2010 *** http://carmovasconcelos.spaces.live.com http://carmovasconcelosf.spaces.live.com http://eisfluencias.ecosdapoesia.org/ Título
  • 34. SÁBIO! José Geraldo Martinez Hoje eu lhe entrego a minha alegria... Somente agora a descobri! Foram tantas buscas mundo afora, na ilusão inútil que nos devora e você esteve sempre aqui... Hoje eu lhe entrego meu sorriso livre... Tal qual dos homens aliviados! Um abraço que em minha busca eu nunca tive, que me deixasse feliz e confortado... Hoje, este que corre com você na chuva, é o menino que habita em todo homem... Feliz simplesmente! Ainda que a vida o tivesse reservado tantas surras! Nada a estranhar quando se passa dos cinquenta, tudo se reinventa... São poucas as coisas que nos parecem absurdas... Uma delas é amá-la só agora, quando o tempo é tão pequeno! É que o amor este fato ignora, quando sublime, o sabemos...
  • 35. Ah! Meu amor, se o mundo meu grito ouvisse: Feliz eu fui em minha juventude e lhe encontrando... Sábio eu fui em minha velhice! 01/6/2011 Título
  • 36. MINHA BANDEIRANTE! José Geraldo Martinez Hoje sou todo entrega... O melhor de mim está a tua frente! Com os braços abertos minha alma te espera... Entra! E te apossas de tudo que nela tem... Das infinitas noites estelares, onde abrigam os mansos luares, com praias intocadas e mares jamais visitados por alguém! É toda tua... Com céu azul nas alturas, onde voam os mandarins... Com manhãs completamente nuas, a mostrarem a dança dos jasmins! Entra! E te apossas de tudo: Deste amor sublime a te esperar, livre, solto e leve... Coberto de entrega somente a esta mulher que acabou de chegar!
  • 37. Tem frutos pendidos nos pés dos infinitos pomares esparramados... Com relva fresca a nos banhar os pés, por caminhos serpenteados! Hoje sou todo entrega... Faze de mim o teu banquete, o teu café matinal! Cobre-me com flores em ramalhetes, de meu corpo o teu quintal... Sou aquele que mais te amou sobre esta mísera terra! Onde a alma te entregou virgem, pura e bela... És minha bandeirante! Faze de minha alma teu recanto hospedeiro... Eterniza em ti este sublime instante, marcado por um amor d'antes, desbrava-me inteiro! 12/6/2011 "É dentro de cada um que todas as perguntas são respondidas e todos os sonhos se realizam... Existe aí uma luz que lhe mostra o caminho e que faz acontecer o melhor." (A.D) Título
  • 38. O POETA, A ÉTICA E O FINGIMENTO POETA ALCEU SEBASTIÃO COSTA São Paulo, 16 de janeiro de 2002 Finjo que sou fingidor, Como o falso poeta Se faz arauto do amor. Assim, até oculto a dor Do cotidiano, da vida, Qual máscara colorida. Fazer poesia fingida, Por mero fingimento frio, Me fere, me constrange, Pois, da ética, ao arrepio. Se me chamam poeta, Apenas fingindo louvor, É aval que me atesta Ser poeta e fingidor. Se, por conta do original, Eu já nasci em pecado E, do amor, fui perdoado, Por fingimento culposo, Como seria eu onerado? Fingir que sou fingidor, Confesso, não me afeta, Só quero manter “in albis” A minh`alma de poeta. Título
  • 39. SOU MAR Gui Oliva Sou como ele já cantado em poesia, selvagem, insubmisso,rebelde e calmo, brumas nesse vem e vai,voltas da vida e ondas que se desmancham em espumas. Sou seu mergulho fundo a recitar um salmo, à margem tento encontrar os pés descalços, com força bato nos costões e sigo no encalço das marés mansas,a encontrar quem beijo e salgo. Sou as águas espelho dos voejos de gaivotas, sou parte de um porto que espera ser seguro, e quero sempre ser um mar do amor que clamo, se insano lançar tempestade em minhas grotas, sou maré dos desenganos,no tempo escuro viro um oceano de perdas...um mar profano. Santos/SP 01/07/07 Versos revisados em 2010 http://www.guioliva.com.br Título
  • 40. Nas mãos de Deus Vera Mussi Reflexão Eu segurei muitas coisas em minhas mãos, e perdi tudo; mas, tudo que eu coloquei nas mãos de Deus, eu ainda possuo. Martin Luther King No passado conquistei afetos queridos Dividi anseios amadurecidos Sonhei sonhos, já esquecidos... Tantos amores rejuvenescidos foram mantidos por tanto tempo... Segurei em minhas mãos frágeis e pueris... Pensei ... Em horas inúteis... Pensava... Pensava ter conservado eternos os antigos valores... Grande aprendizado De todas as cores... Estavam todos em meu poder Eram todos passageiros, bem distantes do verdadeiro Ser! Em pleno viver terreno
  • 41. Eternamente sereno... Sem qualquer compromisso Por isso... Perdi tudo! Até o imenso "silêncio" fez parte desse "tudo" que eu não consegui colocar nas mãos de Deus... Não entendi o porquê! Mudei a rotina, mais uma vez! Aos poucos me convenci de que somente a essência purificada, colocada nas mãos de Deus, tornar-se-ia a joia preciosa, lapidada por Ele, cujo brilho incomparável haveria de iluminar a vida de todos aqueles que se envolveram em minha vida, de valor inestimável! Agora, tudo possuo! Nada mais desejo! Vera Mussi 03.08.2011 18:00 hs http://veramussi.com.br/ Título
  • 42. O TOQUE DAS MÃOS (Prece de uma Reikiana) Lêda Mello Pai, sou parte de um todo, mergulhada na imensidão cósmica, no lugar em que é preciso que eu esteja. Que eu permaneça ao Teu serviço, em comunhão com todas as criaturas. Ilumina a minha mente e o meu espírito, para que eu trilhe os caminhos da serenidade e do discernimento. Purifica o meu coração para que a energia que passe através dele, em direção às minhas mãos, continue repleta do Teu Amor. Pai, abençoa as minhas mãos para que elas sejam mensageiras da Tua Paz e do Teu Bem. Que elas sejam suaves e acolhedoras na distribuição dos Teus dons.
  • 43. Que elas levem a luz da Tua harmonia aos seres por elas tocados. Que elas conduzam até meus irmãos a Tua amorosa energia de cura. Que as minhas mãos sejam instrumentos da manifestação do Teu infinito Amor. Assim seja! Arapiraca (AL) - Brasil Título
  • 44. Coisas da Vida... Onde a Morte jamais alcança! Vera Mussi 21.08.2011 Em momentos de esperança musicada Entrego tudo nas mãos do destino... Faço das horas... A meditação predestinada Tudo o que foi outrora Se repete nesse momento divino! Um amor que não morre Renasce a cada instante... Nos espaços siderais... Sempre cantante! O sonho... Nunca fenece Desde o amanhecer... De outra forma, acontece... Deseja sobreviver! Coisas da Vida... Bem vivida Pensamentos...Espirituais Virtudes celestiais Sentimentos de esperança... Sublimando a Boa Sorte Onde a Morte... Jamais alcança! **** Título
  • 45. Procura Rose Mori Mergulhei fundo no passado à procura do meu eu mais profundo, numa tentativa de resgatar os sonhos e as ilusões que a vida arrebatou... Procurei inutilmente Por minha auto confiança, Por meu amor próprio Por minha fé perdida... Remexi lembranças no fundo da mente... vasculhei recordações no imenso emaranhado de minhas emoções e não encontrei nenhum vestígio do que sou hoje. A única sombra que me acompanhou nesta jornada interior, foi a nossa história que ainda hoje faz história na insensatez de meu coração. Título