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A TEORIA GERAL DE SISTEMASE A
METÁFORA DE ORGANIZAÇÃO COMO SISTEMA POLÍTICO DE MORGAN
Carolina de Rezende Alvares1
Resumo:Evidenciar a associação entre a Teoria Geral de Sistemas e a metáfora da organização
vista como sistema político proposto por Morgan. O objetivo desse trabalho é ratificar que a
teoria administrativa da década de 1950— base do entendimento dos sistemas abertos e ainda
hoje fundamento para muitos desdobramentos na gestão administrativa — está na origem da
imagem da organização como um sistema de atividade política. A metodologia consistiu na
revisão de literatura em teoria administrativa, imagens da organização e política, seguida de
análise de conteúdo. Os resultados alcançados estão alinhados com a expectativa de que a
associação seria possível, verificado a partir de tabelas comparativas e figuras explicativas.
Com esses resultados, pode-se concluir que a pesquisa realizada pode ser a base de outros
estudos associativos entre as teorias das organizações e sua relação com as teorias
administrativas.
Palavras-chave: Teoria Geral dos Sistemas. Organizações. Sistemas políticos. Gareth Morgan.
Política. Ludwig Von Bertallanfy.
Abstract: To show the association between the General Theory of Systems and the
organizational metaphor seen as Morgan's political system. The aim of this paper is to confirm
that the 1937 administrative theory - the basis of the understanding of open systems and still
the basis for many developments in administrative management - is at the basis of the image
of the organization as a system of political activity. The methodology consisted of the literature
review in administrative theory, organization and policy images, followed by content analysis.
The results obtained are in line with the expectation that the association would be possible,
verified from comparative tables and explanatory figures. With these results, it can be
concluded that the research carried out may be the basis of other associative studies between
the theories of organizations and their relationship with administrative theories.
Keywords: General Theory of Systems. Organizations.Political systems.Gareth
Morgan.Policy.Ludwig Von Bertallanfy.
1
Aluna do segundosemestre do Curso de Administração da Universidade de Brasília. Trabalho
apresentado na disciplina “Introdução as Teorias Organizacionais”, no segundo semestre de 2017.
Introdução
A Teoria Geral de Sistemas, proposta em 1937, e só publicada na década de
1950, é uma teoria administrativa que surgiu com base nos conhecimentos do biólogo
Ludwig Von Bertalanffy, cujo objetivo é ver a organização como um sistema aberto e
sua interação com o ambiente que a circunda. A metáfora política de Gareth Morgan,
por sua vez, inclui outras sete metáforas e o objetivo é entender a organização em
várias lentes diferentes e possíveis, de modo deenxergar a organização em várias
perspectivas.
O problema dessa pesquisa é saber se é possível evidenciar a associação entre a
Teoria Geral de Sistema e as organizações vistas como sistemas políticos. Para isso, o
objetivo do trabalho é buscar pontos de convergência entre a Teoria Geral de Sistemas
e a Metáfora de Morgan como Sistema Político, a fim de evidenciar sua associação.
A justificativa para realizar esse estudo é a verificação da possibilidade de
associar ou não os temas em tela, podendo ser a base para estudos associativos
futuros entre as teorias das organizações e sua relação com as teorias administrativas.
Além disso, cabe destacar a possibilidade de demonstrarque os sistemas políticos
estão incluídos no conceito de sistemas de Bertalanffy.
O trabalho abrange um tópico não muito discutido nas organizações, que é a
organização vista como sistema político sobre a ótica da Teoria Geral de Sistemas.
Outro aspecto relevante é o fato da política estar associadoà organizações, uma vez
que geralmente está associado ao governo de uma nação. Essa visão limitada de
política, não associadaa outros segmentos, como o campo organizacional, aqui é
alargada e explorada fortemente.
1. Referencial Teórico
1.1 Teoria Geral de Sistemas
O conceito de sistema nasceu nos aspectos filosóficos da matemática com
objetivo de esclarecer que ao avaliar um todo, deve-se considerar que as partes
derivam umas das outras. Sinteticamente, pode ser apresentado como a evolução do
pensamento de Gottfried Leibniz (1646-1716) e de Immanuel Kant (1724-1804), entre
outros.
Ao primeiro, filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário, deve-se
o entendimento de sistema como um “repertório de conhecimentos que não se
limitasse a ser um simples inventário, mas que contivesse suas razões ou provas e
descrevesse o ideal sistemático” (ABBAGNANO, 2007, pg. 908).
Depois dele, Kant define que há dois objetos distintos no conceito de sistema, o
arquitetônico, o qual se refere à visão estrutural, global ou macroscópica e o tabular, o
qual refere-se à visão taxonômica, subsistemas ou microscópica2
.Além do mais, “os
sistema tabulares são subsistemas contidos em sistemas maiores, isto é, os sistemas
arquitetônicos (ou macrossistemas); inversamente, os sistemas arquitetônicos contêm
ou são formados pelos sistemas tabulares (ou microssistemas)3
” e o define como
“unidade de múltiplos conhecimentos, reunidos sob uma única ideia.4
”
No século XX, Ludwig vonBertalanffy (1901-1972), biólogo,critica a visão de que
o mundo é dividido em diferentes áreas, e que é, de fato, um todo integrado, isso é,
não se analisa apenas as partes e sim o todo, portanto quando há alguma mudança,
ela impactará em todas as partes do mesmo. Com essapercepção, surge a definição de
Sistema, tal como é entendida hoje, “um conjunto de elementos inter-relacionados
com um objetivo comum” ou “conjunto de elementos interdependentes que
interagem com objetivos comuns formando um todo, e onde cada um dos elementos
componentes comporta-se, por sua vez, como um sistema cujo resultado é maior do
que o resultado que as unidades poderiam ter se funcionassem
independentemente5
”.
Bertalanffyfundou a Teoria Geral de Sistemas (TGS) em 1937 e introduziu o
conceito de que organismos vivos tal como pessoas ou instituições, são sistemas
abertos, que exercem trocas com o meio ambiente, sujeitos àrealimentação, que por
sua vez, podem ser negativas ou positivas, gerando conhecimento e,
consequentemente, evoluindo. São também adaptativos, tendo como foco a
sobrevivência.A TGS difundiu a ideia de que o organismo é um todo maior que a soma
de suas partes, evidenciando se que deve estudar os sistemas globalmente, de forma a
envolver todas as suas interdependências.
Cabe destacar que a TGS surgiu quando a Teoria das Relações Humanas estava
vigentee inicialmente foi aplicada na Administração, com o propósito de integrar as
demais teorias até então conhecidas: Teoria da Administração Científica (1903), Teoria
da Burocracia (1909), Teoria Clássica da Administração (1916) e Teoria das Relações
Humanas (1932).
1.2 Política
Entre muitas definições, o Dicionário Aurélio Online2
define Política como a
ciência do governo das nações ou como a arte de regular as relações de um Estado
3
Conceitos e ideias disponível em:
<http://www.sociedadekant.org/studiakantiana/index.php/sk/article/download/208/187>
45
Conceitos e ideias disponível em:
<https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0a
hUKEwjR4ebvg93XAhUlkeAKHcVRAxAQFggnMAA&url=http%3A%2F%2Flillian.alvarestech.com%2FPlanej
amento%2FModulo1%2FAula11TGS.pdf&usg=AOvVaw1zLARgCTr1OqxsZY4JTWiL>
com os outros Estados. Sua versão impressa (2007) a define como um conjunto de
fenômenos e de práticas relativas ao estado ou a uma sociedade ou como a arte e
ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos. Segue com a definição de
que é a habilidade no trato das relações humanas ou o modo acertado de conduzir
uma negociação; estratégia.
Com mais detalhamento, a partir do Dicionário Informal Online3
, surgem as
definições de Política como:
 Arte de centralizar, comandar e gerenciar as massas, fazendo uso de
vários recursos para fazer e criar o seu domínio sobre o destino das
nações ou países (manipulação com uso metodologias próprias).
 Denominamos política o conjunto de normas de condutas contraídas
pelo indivíduo ao compor uma organização, de forma tácita ou não, em
todo o tipo de relacionamento humano, determinando previamente seu
comportamento, que define assim ações e reações a incontável miríade
da complexa rede social humana, abrangendo todas as diretrizes das
relações do homem como ser social.
 A razão, a moral, a prudência, a experiência, o sabor de administrar os
diversos interesses e necessidades sociais, a favor da coletividade.
 Política é a ciência da governação de um Estado ou Nação e também
uma arte de negociação para compatibilizar interesses. O significado
de política é muito abrangente e está, em geral, relacionado com aquilo
que diz respeito ao espaço público.
 Conjunto de princípios sobre o modo de administrar,organizar e
governar uma nação,um estado, um município etc. Exercício
profissional da aplicação desses princípios.
 Política denomina arte ou ciência da organização, direção e
administração de nações ou Estados; aplicação desta ciência aos
assuntos internos da nação (política interna) ou aos assuntos externos
(política externa). Nos regimes democráticos, a ciência política é a
atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu
voto ou com sua militância.
 Termo usado para se referir a ciência da governança de um estado ou
nação, é também uma arte.
 Arte do diálogo e da persuasão que objetiva o estabelecimento de uma
relação mutuamente consentida e respeitosa; arte do convívio com o
mínimo de conflito;busca permanente da harmonia e do equilíbrio na
vida em sociedade
Considerando tantos conceitos no que refere- se à “política” é errado associá-la
há apenas um significado ou a uma instituição, como era realizado no passado.
Normalmente as pessoas a ligam com o governo de certa nação, porém a política se
expandiu e hodiernamente está presente em todos os ambientes, até mesmo nas
organizações.
3
Disponível em <http://www.dicionarioinformal.com.br/pol%C3%ADtica/>.Acesso em 11 de Nov. 2017
1.3 Organizações Vista como Sistemas Políticos
Morgan (1996)utilizou-se de oito metáforas para entender a organização e
categorizar visões sobre a mesma, sendo a quinta, a metáfora política para
desmistificar a visão racionalista das organizações e tentar olhar os diferentes
conjuntos de interesses, conflitos, jogos de poder e políticos que estão contidos nas
atividades das organizações o qual pode se gerar diversas análises, devido ao fato do
estudo das organizações ser bastante abrangente no campo da Administração, pois
tudo pode ser analisado sob a ótica organizacional: poder, tecnologia, relações de
trabalho, cultura organizacional, estrutura, imaginário, conflito, simbolismo,
comportamento, análise, crítica organizacional e assim relacionar com variáveis.
Nesta metáfora, Morgan a evidencia dentro do campo organizacional,
ressaltando aspectos que geralmente não são tão levados em conta no geral e que
também ajudam a explicar problemas que ocorrem na mesma, como por exemplo, o
“modo de governo” na organização, como o autoritarismo, a democracia (direta e
representativa), co-gestão, a burocracia e a tecnocracia, não sendo restrito á apenas
uma forma de governar dentro do ambiente organizacional; as relações entre as
pessoas tendo em vista a politicagem, mais comumente conhecidas como arranjos;
relações de conflito, poder e interesse;4
Evidenciando se a relação de interesses de acordo com Morgan, há os de tarefa
(associado com o cargo), de carreira (associado com o futuro) e pessoais (exterior á
organização), focando se em um interesse, acaba prejudicando os outros mesmo
sabendo que pode haver uma interação entre eles, por exemplo, quando se concentra
muito em um trabalho (interesse de tarefa) acaba deixando de lado o que é externo a
organização (interesse pessoal). Dentro do âmbito de relação de interesses, a
politicagem pode vir a estar presente, pois pessoas dentro de uma organização podem
vir a trocar favores em benefício próprio. Quando há um choque de interesses,
originará um conflito, sendo o mesmo estando incluindo em muitas variáveis como a
origem e o tipo (interpessoal, entre grupos...)dehostilidade.5
Dentro da política, há também formas de exercer poder, e segundo Morgan,
essa é a via de resolução de conflitos.Alguma de suas fontes são a autoridade formal
(carismática, tradicional e burocrática), controle dos recursos escassos (quem exerce
controle sobre, por exemplo, dinheiro, tempo, materiais e mão de obra), controle do
processo decisório (acesso a quem participa do mesmo), controle do conhecimento e
da informação (as vezes ligada com a estrutura organizacional; dependendo da
maneira o qual é utilizado, poderá aumentar o poder) e o controle dos
limites/fronteiras.6
456
Ideias e conceitos foram extraídos de<https://mktadm.files.wordpress.com/2012/08/imagens-da-
organizac3a7c3a3o.pdf>. Acesso em 11 de Nov. 2017
Relacionando o que foi dito sobre os significados de política e a mesma no
ambiente organizacional, é possível evidenciar que a metáfora referenciada nesse
artigo, pode ser identificada com muito dos significados citados, como:
“Denominamos política o conjunto de normas de condutas contraídas pelo
indivíduo ao compor uma organização, de forma tácita ou não, em todo o
tipo de relacionamento humano, determinando previamente seu
comportamento, que define assim ações e reações a incontável miríade da
complexa rede social humana, abrangendo todas as diretrizes das relações
do homem como ser social.”
Os demais significados, os termos iguais ou parecidos a “estado” são
substituídos por organização, pessoas.
2. Resultados e Discussão
Com base no capítulo 1, é possível indagar se as organizações vistas como
sistemas políticos realmente cumprem o conceito do ideal de sistema proposto por
Ludwig e vigente, o qual é:
conjunto de elementos interdependentes que interagem com objetivos
comuns formando um todo, e onde cada um dos elementos componentes
comporta-se, por sua vez, como um sistema cujo resultado é maior do que o
resultado que as unidades poderiam ter se funcionassem
independentemente
Para isso, a análise se iniciará pela associação dos elementos do sistema político da
organização de Morgan com os princípios da Teoria Geral de Sistemas.
ORGANIZAÇÃO COMO SISTEMA POLÍTICO TEORIA GERAL DE SISTEMAS
1 Modo de Governo
Autoritarismo
Democracia
Co-gestão
Burocracia
Tecnocracia
Função Básica de entrada,
processamento e saída
Realimentação
Entropia Negativa
2
Formas de Exercer
Poder
Autoridade formal
Controle dos recursos
escassos
Controle do processo
decisório
Controle do conhecimento e
da informação
Controle dos
limites/fronteiras.
Equifinalidade
3 Relações Entre as Arranjos Interface
Pessoas Relações de Conflito
Poder
Interesse
Cooperativismo
Subsistemas
4
Relação de
Interesses
De Tarefa (associado com o
cargo)
De Carreira (associado com o
futuro)
Pessoais (exterior á
organização)
Objetivo
5
Dentro do âmbito de
relação de interesses
Troca de favores em benefício
próprio
Mudança da composição
O item 1, Modo de Governo, está diretamente associado à função básica do
sistema, que é converter insumos em produtos mediados pela realimentação. Como
exemplo, considere a figura 1 a seguir, onde a entrada é representada pelas
necessidades organizacionais, o processamento é representado pela forma
democrática de governo e a saída são as decisões. Em seguida, acrescente-se o
processo de realimentação, transformando o cenário abaixo em um sistema dinâmico
em permanente interação com os atores deste processo.
Figura 1 – Realimentação em modo de governo
De fato, outro conceito pode ser incorporado ao sistema descrito acima que é
de entropia, ou uma medida associada ao grau de desordem de um sistema. Isso é, a
tendência dos sistemas de perderem sua energia, sua vitalidade e dissolver-se ao longo
do tempo, caso nenhuma outra energia venha para aportar organização ao sistema.
Como exemplo, veja a figura 2 a seguir.
Necessidades
Organizacionais
Democracia
Tomada de
Decisão
Realimentação
Figura 2 – Entropia em modo de governo
Nesse caso, as definições de autoritarismo afirmam que os controles de
realimentação não são efetivamente observados e, portanto, pode-se inferir que a
ausência de entropia negativa para garantir a sobrevivência do sistema em longo
prazo, pode comprometer essa forma de governo.
Ao item 2, Formas de Exercer Poder, pode-se associar o entendimento de
Política como a arte de comandar as massas. Nesse caso, o princípio da TGS que mais
se aproxima, mas não é o único, é o de equifinalidadeque afirma que os objetivos
podem ser conseguidos por uma grande variedade de insumos e de diferentes
formas.Portanto, as formas de exercer o poderchegará certamente a diferentes
resultados a partir das diferentes formas com que foi exercido, nesse caso, pela
autoridade formal, ou pelo controle dos recursos ou pelo acesso ao processo decisório
ou ainda pelo controle do conhecimento e da informação.
O item 3, Relações Entre as Pessoas, está diretamente associado ao princípio da
Interface, que é a maneira pelo qual o sistema se relaciona. A Figura 3 a seguir mostra
os meios de relacionamento, de acordo com a visão de Morgan. Outro princípio parte
dessa visão são as pessoas vistas como subsistemas de um sistema maior, trazendo o
princípio de que todo sistema é subsistema de um sistema maior e vice-versa.
Necessidades
Organizacionais
Autoritarismo
Tomada de
Decisão
Subsistema
Pessoa A
Subsistema
Pessoa C
Subsistema
Pessoa E
Subsistema
Pessoa G
Sistema D
Sistema C
Sistema B
Sistema A
Figura 3
Subsistema
Pessoa A
Interface:
Arranjo
Subsistema
Pessoa B
Subsistema
Pessoa C
Interface:
Interesse
Subsistema
Pessoa D
Interface:
Cooperativismo
Subsistema
Pessoa F
Subsistema
Pessoa G
Interface:
Conflito
Subsistema
Pessoa H
Sistema
Figura 3 – Interface de sistemas
Subsistema
Pessoa B
Subsistema
Pessoa D
Subsistema
Pessoa F
Subsistema
Pessoa H
Sistema 1
O item 4, Relação de Interesses, trata diretamente do princípio de que os
sistemas para serem viáveis a longo prazo devem perseguir com clareza seus objetivos.
Nesse caso, necessário se faz conhecer quais os interesses que unem as partes do
sistema em torno de um objetivo: a tarefa a ser desempenhada, unindo em um
sistema os membros de uma equipe, por exemplo. Ou a visão de futuro da trajetória
profissional, unindo em objetivo comum as equipes responsáveis pelo desempenho
organizacional e a gestão de recursos humanos. Ou ainda, os objetivos pessoais,
externos à organização, que uniriam aqueles que estão vinculados a uma mesma área
de atuação, dentro e fora da empresa.
No que se diz respeito ao item 5, no âmbito de relação de interesses, a
associação é realizada pelo princípio do conjunto. No exemplo da Figura 3, há
determinado orçamento para cada área e caso algo dessa composição seja alterado,
então o todo (que é mais que a soma das partes) logo será.
Figura 4 – Plano definido para que alcance o objetivo
Figura5 –Plano desordenado para o alcance do objetivo
Como pode se perceber na figura acima, as quantias de dinheiro foram
alteradas, de um orçamento planejado e definido para alcançar o esperado. Esta
alteração desordenou todo sistema. Portanto os interesses que levaram à mudança
seriam, nesse caso, aspectos negativos nessa atividade, comprometendo o todo da
organização.
Recursos
humanos
R$
2000
Pessoas de
fora
R$ 1500
R$
1000
Marketing Projeto
Recursos
humanos
R$
1500
Pessoas de
fora
R$
1000
R$
2000
Marketing ?
+ =
+
=
+ +
Finalmente, analisando todos os aspectos da organização como sistema político
de Morgan, pode-se afirmar,que se as organizações pensam no todo, se há
interdependência entre as partes, se é possível perceber que as ações focam no todo e
em todas as partes
Função Básica de entrada, processamento e saída
Realimentação
Entropia Negativa
Equifinalidade
Interface
Subsistemas
Objetivo
Mudança da composição
Então elas, de fato, estão indissociavelmente relacionadas à Teoria Geral de
Sistemas.
Em relação à atenção à apena uma daspartes, o intuito é de beneficiarapenas
uma delas e não o todo, sendo perceptível quando há um pensamento individualista e
inconsequente, pois as pessoas acabam pondo seus interesses em cima dos da
organização e não visualizam no que tal atitude pode impactar. Quando o foco é no
todo, há uma visão de como seus atos irão afetar as partes do sistema. Como por
exemplo, quando alguém usa do controle do conhecimento para beneficiar o que está
relacionado com uma parte da organização, porém causando um impacto em todas as
partes.
O modo de como se usa o sistema em organizações no qual a metáfora da
política é aplicável, também pode ser a explicação da origem dos problemas
vivenciados, quando as pessoas da organização acabam se pondo em primeiro lugar,
em detrimento do todo. Como por exemplo, os modos de governo usados causam um
impacto na mesma, seja na motivação dos colaboradores, desempenho, satisfação,
valorização e respeito dos mesmos. Caso esteja havendo um modo autocrático e não
estar ocorrendo nenhum controle para modificá-lo, então, os impactos dessa atitude
são vistos em todos os âmbitos organizacionais, como por exemplo, a qualidade do
serviço, dos produtos, do atendimento e a produtividade das pessoas.
3. Considerações Finais
A partir dessa pesquisa, foi possível notar que o termo “sistema” é usado desde
a antiguidade e que muitas de suas definições o situam para o desenvolvimento da
ciência. No rastro de sua evolução,surgiu em 1937a TGSde Bertalanffy, ainda atual no
século XXI e que podeser algo para melhorar os resultados de alguma organização.
Sobre a política, é possível notarque esse termo abrange vários significados
correlatos com a metáfora de Morgan e que a política na organização está presente
em muitas características, como as relações, o poder, o governo dentro da mesma, o
controle de recursos e a relação de interesses.
Quando se trata em agrupar as duas variáveis estudadas, é perceptível que em
alguns momentos, as organizaçõespossam agir como o conceito ideal de sistema, pois
elas pensam no todo ou agem com o foco no individualismo, gerando assim benefícios
apenas para uma parte.
Esse trabalho contribui para difundir que política não está só no âmbito de
governo, pois aqui ela se apresenta também no campo organizacional. Tendo como
base essa perspectiva, ele é maisuma forma de análise ou um ponto de partida para
enxergaras organizações.
No trabalho realizado e nas características pesquisadas, foi possível perceber
quea metáfora política aplicada às organizações e a Teoria Geral de Sistemassão
convergentes, concluindo que ambas são indissociáveis. Levando em conta que o
objetivo desse estudo era de fazer uma associação entre a TGS e a metáfora política de
Morgan (organizações como sistemas políticos), achando pontos em comum no quais
ambasconvergiam ou divergiam e assim foi feito. Foi possível encontrar várias
associações entre as duas variáveis estudadas (as organizações como sistemas políticos
e a TGS).
Em continuidade a essa pesquisa, nota-se a possibilidade de ampliar o estudo
por meio da aproximação da TGS e demais metáforas de Morgan, para que a
metodologia utilizada poderia ser a mesma.
Referências
ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
MORGAN, G. Imagens da organização. 1.ed. São Paulo: Atlas, 1996.
WECKOWICZ, T.E. Ludwig von Bertalanffy (1901-1972): A Pioneer of General Systems
Theory. CSR WorkingPaper No. 89-2. Disponível em
<http://www.univie.ac.at/aoc/rj/bert1.pdf>. Acesso em 15 de nov. 2017
ALVARES, LILLIAN. Teoria Geral dos Sistemas. Disponível em:
<https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja
&uact=8&ved=0ahUKEwjR4ebvg93XAhUlkeAKHcVRAxAQFggnMAA&url=http%3A%2F%
2Flillian.alvarestech.com%2FPlanejamento%2FModulo1%2FAula11TGS.pdf&usg=AOvV
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  • 1. A TEORIA GERAL DE SISTEMASE A METÁFORA DE ORGANIZAÇÃO COMO SISTEMA POLÍTICO DE MORGAN Carolina de Rezende Alvares1 Resumo:Evidenciar a associação entre a Teoria Geral de Sistemas e a metáfora da organização vista como sistema político proposto por Morgan. O objetivo desse trabalho é ratificar que a teoria administrativa da década de 1950— base do entendimento dos sistemas abertos e ainda hoje fundamento para muitos desdobramentos na gestão administrativa — está na origem da imagem da organização como um sistema de atividade política. A metodologia consistiu na revisão de literatura em teoria administrativa, imagens da organização e política, seguida de análise de conteúdo. Os resultados alcançados estão alinhados com a expectativa de que a associação seria possível, verificado a partir de tabelas comparativas e figuras explicativas. Com esses resultados, pode-se concluir que a pesquisa realizada pode ser a base de outros estudos associativos entre as teorias das organizações e sua relação com as teorias administrativas. Palavras-chave: Teoria Geral dos Sistemas. Organizações. Sistemas políticos. Gareth Morgan. Política. Ludwig Von Bertallanfy. Abstract: To show the association between the General Theory of Systems and the organizational metaphor seen as Morgan's political system. The aim of this paper is to confirm that the 1937 administrative theory - the basis of the understanding of open systems and still the basis for many developments in administrative management - is at the basis of the image of the organization as a system of political activity. The methodology consisted of the literature review in administrative theory, organization and policy images, followed by content analysis. The results obtained are in line with the expectation that the association would be possible, verified from comparative tables and explanatory figures. With these results, it can be concluded that the research carried out may be the basis of other associative studies between the theories of organizations and their relationship with administrative theories. Keywords: General Theory of Systems. Organizations.Political systems.Gareth Morgan.Policy.Ludwig Von Bertallanfy. 1 Aluna do segundosemestre do Curso de Administração da Universidade de Brasília. Trabalho apresentado na disciplina “Introdução as Teorias Organizacionais”, no segundo semestre de 2017.
  • 2. Introdução A Teoria Geral de Sistemas, proposta em 1937, e só publicada na década de 1950, é uma teoria administrativa que surgiu com base nos conhecimentos do biólogo Ludwig Von Bertalanffy, cujo objetivo é ver a organização como um sistema aberto e sua interação com o ambiente que a circunda. A metáfora política de Gareth Morgan, por sua vez, inclui outras sete metáforas e o objetivo é entender a organização em várias lentes diferentes e possíveis, de modo deenxergar a organização em várias perspectivas. O problema dessa pesquisa é saber se é possível evidenciar a associação entre a Teoria Geral de Sistema e as organizações vistas como sistemas políticos. Para isso, o objetivo do trabalho é buscar pontos de convergência entre a Teoria Geral de Sistemas e a Metáfora de Morgan como Sistema Político, a fim de evidenciar sua associação. A justificativa para realizar esse estudo é a verificação da possibilidade de associar ou não os temas em tela, podendo ser a base para estudos associativos futuros entre as teorias das organizações e sua relação com as teorias administrativas. Além disso, cabe destacar a possibilidade de demonstrarque os sistemas políticos estão incluídos no conceito de sistemas de Bertalanffy. O trabalho abrange um tópico não muito discutido nas organizações, que é a organização vista como sistema político sobre a ótica da Teoria Geral de Sistemas. Outro aspecto relevante é o fato da política estar associadoà organizações, uma vez que geralmente está associado ao governo de uma nação. Essa visão limitada de política, não associadaa outros segmentos, como o campo organizacional, aqui é alargada e explorada fortemente. 1. Referencial Teórico 1.1 Teoria Geral de Sistemas O conceito de sistema nasceu nos aspectos filosóficos da matemática com objetivo de esclarecer que ao avaliar um todo, deve-se considerar que as partes derivam umas das outras. Sinteticamente, pode ser apresentado como a evolução do pensamento de Gottfried Leibniz (1646-1716) e de Immanuel Kant (1724-1804), entre outros. Ao primeiro, filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário, deve-se o entendimento de sistema como um “repertório de conhecimentos que não se limitasse a ser um simples inventário, mas que contivesse suas razões ou provas e descrevesse o ideal sistemático” (ABBAGNANO, 2007, pg. 908). Depois dele, Kant define que há dois objetos distintos no conceito de sistema, o arquitetônico, o qual se refere à visão estrutural, global ou macroscópica e o tabular, o
  • 3. qual refere-se à visão taxonômica, subsistemas ou microscópica2 .Além do mais, “os sistema tabulares são subsistemas contidos em sistemas maiores, isto é, os sistemas arquitetônicos (ou macrossistemas); inversamente, os sistemas arquitetônicos contêm ou são formados pelos sistemas tabulares (ou microssistemas)3 ” e o define como “unidade de múltiplos conhecimentos, reunidos sob uma única ideia.4 ” No século XX, Ludwig vonBertalanffy (1901-1972), biólogo,critica a visão de que o mundo é dividido em diferentes áreas, e que é, de fato, um todo integrado, isso é, não se analisa apenas as partes e sim o todo, portanto quando há alguma mudança, ela impactará em todas as partes do mesmo. Com essapercepção, surge a definição de Sistema, tal como é entendida hoje, “um conjunto de elementos inter-relacionados com um objetivo comum” ou “conjunto de elementos interdependentes que interagem com objetivos comuns formando um todo, e onde cada um dos elementos componentes comporta-se, por sua vez, como um sistema cujo resultado é maior do que o resultado que as unidades poderiam ter se funcionassem independentemente5 ”. Bertalanffyfundou a Teoria Geral de Sistemas (TGS) em 1937 e introduziu o conceito de que organismos vivos tal como pessoas ou instituições, são sistemas abertos, que exercem trocas com o meio ambiente, sujeitos àrealimentação, que por sua vez, podem ser negativas ou positivas, gerando conhecimento e, consequentemente, evoluindo. São também adaptativos, tendo como foco a sobrevivência.A TGS difundiu a ideia de que o organismo é um todo maior que a soma de suas partes, evidenciando se que deve estudar os sistemas globalmente, de forma a envolver todas as suas interdependências. Cabe destacar que a TGS surgiu quando a Teoria das Relações Humanas estava vigentee inicialmente foi aplicada na Administração, com o propósito de integrar as demais teorias até então conhecidas: Teoria da Administração Científica (1903), Teoria da Burocracia (1909), Teoria Clássica da Administração (1916) e Teoria das Relações Humanas (1932). 1.2 Política Entre muitas definições, o Dicionário Aurélio Online2 define Política como a ciência do governo das nações ou como a arte de regular as relações de um Estado 3 Conceitos e ideias disponível em: <http://www.sociedadekant.org/studiakantiana/index.php/sk/article/download/208/187> 45 Conceitos e ideias disponível em: <https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0a hUKEwjR4ebvg93XAhUlkeAKHcVRAxAQFggnMAA&url=http%3A%2F%2Flillian.alvarestech.com%2FPlanej amento%2FModulo1%2FAula11TGS.pdf&usg=AOvVaw1zLARgCTr1OqxsZY4JTWiL>
  • 4. com os outros Estados. Sua versão impressa (2007) a define como um conjunto de fenômenos e de práticas relativas ao estado ou a uma sociedade ou como a arte e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos. Segue com a definição de que é a habilidade no trato das relações humanas ou o modo acertado de conduzir uma negociação; estratégia. Com mais detalhamento, a partir do Dicionário Informal Online3 , surgem as definições de Política como:  Arte de centralizar, comandar e gerenciar as massas, fazendo uso de vários recursos para fazer e criar o seu domínio sobre o destino das nações ou países (manipulação com uso metodologias próprias).  Denominamos política o conjunto de normas de condutas contraídas pelo indivíduo ao compor uma organização, de forma tácita ou não, em todo o tipo de relacionamento humano, determinando previamente seu comportamento, que define assim ações e reações a incontável miríade da complexa rede social humana, abrangendo todas as diretrizes das relações do homem como ser social.  A razão, a moral, a prudência, a experiência, o sabor de administrar os diversos interesses e necessidades sociais, a favor da coletividade.  Política é a ciência da governação de um Estado ou Nação e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses. O significado de política é muito abrangente e está, em geral, relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público.  Conjunto de princípios sobre o modo de administrar,organizar e governar uma nação,um estado, um município etc. Exercício profissional da aplicação desses princípios.  Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta ciência aos assuntos internos da nação (política interna) ou aos assuntos externos (política externa). Nos regimes democráticos, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.  Termo usado para se referir a ciência da governança de um estado ou nação, é também uma arte.  Arte do diálogo e da persuasão que objetiva o estabelecimento de uma relação mutuamente consentida e respeitosa; arte do convívio com o mínimo de conflito;busca permanente da harmonia e do equilíbrio na vida em sociedade Considerando tantos conceitos no que refere- se à “política” é errado associá-la há apenas um significado ou a uma instituição, como era realizado no passado. Normalmente as pessoas a ligam com o governo de certa nação, porém a política se expandiu e hodiernamente está presente em todos os ambientes, até mesmo nas organizações. 3 Disponível em <http://www.dicionarioinformal.com.br/pol%C3%ADtica/>.Acesso em 11 de Nov. 2017
  • 5. 1.3 Organizações Vista como Sistemas Políticos Morgan (1996)utilizou-se de oito metáforas para entender a organização e categorizar visões sobre a mesma, sendo a quinta, a metáfora política para desmistificar a visão racionalista das organizações e tentar olhar os diferentes conjuntos de interesses, conflitos, jogos de poder e políticos que estão contidos nas atividades das organizações o qual pode se gerar diversas análises, devido ao fato do estudo das organizações ser bastante abrangente no campo da Administração, pois tudo pode ser analisado sob a ótica organizacional: poder, tecnologia, relações de trabalho, cultura organizacional, estrutura, imaginário, conflito, simbolismo, comportamento, análise, crítica organizacional e assim relacionar com variáveis. Nesta metáfora, Morgan a evidencia dentro do campo organizacional, ressaltando aspectos que geralmente não são tão levados em conta no geral e que também ajudam a explicar problemas que ocorrem na mesma, como por exemplo, o “modo de governo” na organização, como o autoritarismo, a democracia (direta e representativa), co-gestão, a burocracia e a tecnocracia, não sendo restrito á apenas uma forma de governar dentro do ambiente organizacional; as relações entre as pessoas tendo em vista a politicagem, mais comumente conhecidas como arranjos; relações de conflito, poder e interesse;4 Evidenciando se a relação de interesses de acordo com Morgan, há os de tarefa (associado com o cargo), de carreira (associado com o futuro) e pessoais (exterior á organização), focando se em um interesse, acaba prejudicando os outros mesmo sabendo que pode haver uma interação entre eles, por exemplo, quando se concentra muito em um trabalho (interesse de tarefa) acaba deixando de lado o que é externo a organização (interesse pessoal). Dentro do âmbito de relação de interesses, a politicagem pode vir a estar presente, pois pessoas dentro de uma organização podem vir a trocar favores em benefício próprio. Quando há um choque de interesses, originará um conflito, sendo o mesmo estando incluindo em muitas variáveis como a origem e o tipo (interpessoal, entre grupos...)dehostilidade.5 Dentro da política, há também formas de exercer poder, e segundo Morgan, essa é a via de resolução de conflitos.Alguma de suas fontes são a autoridade formal (carismática, tradicional e burocrática), controle dos recursos escassos (quem exerce controle sobre, por exemplo, dinheiro, tempo, materiais e mão de obra), controle do processo decisório (acesso a quem participa do mesmo), controle do conhecimento e da informação (as vezes ligada com a estrutura organizacional; dependendo da maneira o qual é utilizado, poderá aumentar o poder) e o controle dos limites/fronteiras.6 456 Ideias e conceitos foram extraídos de<https://mktadm.files.wordpress.com/2012/08/imagens-da- organizac3a7c3a3o.pdf>. Acesso em 11 de Nov. 2017
  • 6. Relacionando o que foi dito sobre os significados de política e a mesma no ambiente organizacional, é possível evidenciar que a metáfora referenciada nesse artigo, pode ser identificada com muito dos significados citados, como: “Denominamos política o conjunto de normas de condutas contraídas pelo indivíduo ao compor uma organização, de forma tácita ou não, em todo o tipo de relacionamento humano, determinando previamente seu comportamento, que define assim ações e reações a incontável miríade da complexa rede social humana, abrangendo todas as diretrizes das relações do homem como ser social.” Os demais significados, os termos iguais ou parecidos a “estado” são substituídos por organização, pessoas. 2. Resultados e Discussão Com base no capítulo 1, é possível indagar se as organizações vistas como sistemas políticos realmente cumprem o conceito do ideal de sistema proposto por Ludwig e vigente, o qual é: conjunto de elementos interdependentes que interagem com objetivos comuns formando um todo, e onde cada um dos elementos componentes comporta-se, por sua vez, como um sistema cujo resultado é maior do que o resultado que as unidades poderiam ter se funcionassem independentemente Para isso, a análise se iniciará pela associação dos elementos do sistema político da organização de Morgan com os princípios da Teoria Geral de Sistemas. ORGANIZAÇÃO COMO SISTEMA POLÍTICO TEORIA GERAL DE SISTEMAS 1 Modo de Governo Autoritarismo Democracia Co-gestão Burocracia Tecnocracia Função Básica de entrada, processamento e saída Realimentação Entropia Negativa 2 Formas de Exercer Poder Autoridade formal Controle dos recursos escassos Controle do processo decisório Controle do conhecimento e da informação Controle dos limites/fronteiras. Equifinalidade 3 Relações Entre as Arranjos Interface
  • 7. Pessoas Relações de Conflito Poder Interesse Cooperativismo Subsistemas 4 Relação de Interesses De Tarefa (associado com o cargo) De Carreira (associado com o futuro) Pessoais (exterior á organização) Objetivo 5 Dentro do âmbito de relação de interesses Troca de favores em benefício próprio Mudança da composição O item 1, Modo de Governo, está diretamente associado à função básica do sistema, que é converter insumos em produtos mediados pela realimentação. Como exemplo, considere a figura 1 a seguir, onde a entrada é representada pelas necessidades organizacionais, o processamento é representado pela forma democrática de governo e a saída são as decisões. Em seguida, acrescente-se o processo de realimentação, transformando o cenário abaixo em um sistema dinâmico em permanente interação com os atores deste processo. Figura 1 – Realimentação em modo de governo De fato, outro conceito pode ser incorporado ao sistema descrito acima que é de entropia, ou uma medida associada ao grau de desordem de um sistema. Isso é, a tendência dos sistemas de perderem sua energia, sua vitalidade e dissolver-se ao longo do tempo, caso nenhuma outra energia venha para aportar organização ao sistema. Como exemplo, veja a figura 2 a seguir. Necessidades Organizacionais Democracia Tomada de Decisão Realimentação
  • 8. Figura 2 – Entropia em modo de governo Nesse caso, as definições de autoritarismo afirmam que os controles de realimentação não são efetivamente observados e, portanto, pode-se inferir que a ausência de entropia negativa para garantir a sobrevivência do sistema em longo prazo, pode comprometer essa forma de governo. Ao item 2, Formas de Exercer Poder, pode-se associar o entendimento de Política como a arte de comandar as massas. Nesse caso, o princípio da TGS que mais se aproxima, mas não é o único, é o de equifinalidadeque afirma que os objetivos podem ser conseguidos por uma grande variedade de insumos e de diferentes formas.Portanto, as formas de exercer o poderchegará certamente a diferentes resultados a partir das diferentes formas com que foi exercido, nesse caso, pela autoridade formal, ou pelo controle dos recursos ou pelo acesso ao processo decisório ou ainda pelo controle do conhecimento e da informação. O item 3, Relações Entre as Pessoas, está diretamente associado ao princípio da Interface, que é a maneira pelo qual o sistema se relaciona. A Figura 3 a seguir mostra os meios de relacionamento, de acordo com a visão de Morgan. Outro princípio parte dessa visão são as pessoas vistas como subsistemas de um sistema maior, trazendo o princípio de que todo sistema é subsistema de um sistema maior e vice-versa. Necessidades Organizacionais Autoritarismo Tomada de Decisão
  • 9. Subsistema Pessoa A Subsistema Pessoa C Subsistema Pessoa E Subsistema Pessoa G Sistema D Sistema C Sistema B Sistema A Figura 3 Subsistema Pessoa A Interface: Arranjo Subsistema Pessoa B Subsistema Pessoa C Interface: Interesse Subsistema Pessoa D Interface: Cooperativismo Subsistema Pessoa F Subsistema Pessoa G Interface: Conflito Subsistema Pessoa H Sistema Figura 3 – Interface de sistemas Subsistema Pessoa B Subsistema Pessoa D Subsistema Pessoa F Subsistema Pessoa H Sistema 1
  • 10. O item 4, Relação de Interesses, trata diretamente do princípio de que os sistemas para serem viáveis a longo prazo devem perseguir com clareza seus objetivos. Nesse caso, necessário se faz conhecer quais os interesses que unem as partes do sistema em torno de um objetivo: a tarefa a ser desempenhada, unindo em um sistema os membros de uma equipe, por exemplo. Ou a visão de futuro da trajetória profissional, unindo em objetivo comum as equipes responsáveis pelo desempenho organizacional e a gestão de recursos humanos. Ou ainda, os objetivos pessoais, externos à organização, que uniriam aqueles que estão vinculados a uma mesma área de atuação, dentro e fora da empresa. No que se diz respeito ao item 5, no âmbito de relação de interesses, a associação é realizada pelo princípio do conjunto. No exemplo da Figura 3, há determinado orçamento para cada área e caso algo dessa composição seja alterado, então o todo (que é mais que a soma das partes) logo será. Figura 4 – Plano definido para que alcance o objetivo Figura5 –Plano desordenado para o alcance do objetivo Como pode se perceber na figura acima, as quantias de dinheiro foram alteradas, de um orçamento planejado e definido para alcançar o esperado. Esta alteração desordenou todo sistema. Portanto os interesses que levaram à mudança seriam, nesse caso, aspectos negativos nessa atividade, comprometendo o todo da organização. Recursos humanos R$ 2000 Pessoas de fora R$ 1500 R$ 1000 Marketing Projeto Recursos humanos R$ 1500 Pessoas de fora R$ 1000 R$ 2000 Marketing ? + = + = + +
  • 11. Finalmente, analisando todos os aspectos da organização como sistema político de Morgan, pode-se afirmar,que se as organizações pensam no todo, se há interdependência entre as partes, se é possível perceber que as ações focam no todo e em todas as partes Função Básica de entrada, processamento e saída Realimentação Entropia Negativa Equifinalidade Interface Subsistemas Objetivo Mudança da composição Então elas, de fato, estão indissociavelmente relacionadas à Teoria Geral de Sistemas. Em relação à atenção à apena uma daspartes, o intuito é de beneficiarapenas uma delas e não o todo, sendo perceptível quando há um pensamento individualista e inconsequente, pois as pessoas acabam pondo seus interesses em cima dos da organização e não visualizam no que tal atitude pode impactar. Quando o foco é no todo, há uma visão de como seus atos irão afetar as partes do sistema. Como por exemplo, quando alguém usa do controle do conhecimento para beneficiar o que está relacionado com uma parte da organização, porém causando um impacto em todas as partes. O modo de como se usa o sistema em organizações no qual a metáfora da política é aplicável, também pode ser a explicação da origem dos problemas vivenciados, quando as pessoas da organização acabam se pondo em primeiro lugar, em detrimento do todo. Como por exemplo, os modos de governo usados causam um impacto na mesma, seja na motivação dos colaboradores, desempenho, satisfação, valorização e respeito dos mesmos. Caso esteja havendo um modo autocrático e não estar ocorrendo nenhum controle para modificá-lo, então, os impactos dessa atitude são vistos em todos os âmbitos organizacionais, como por exemplo, a qualidade do serviço, dos produtos, do atendimento e a produtividade das pessoas.
  • 12. 3. Considerações Finais A partir dessa pesquisa, foi possível notar que o termo “sistema” é usado desde a antiguidade e que muitas de suas definições o situam para o desenvolvimento da ciência. No rastro de sua evolução,surgiu em 1937a TGSde Bertalanffy, ainda atual no século XXI e que podeser algo para melhorar os resultados de alguma organização. Sobre a política, é possível notarque esse termo abrange vários significados correlatos com a metáfora de Morgan e que a política na organização está presente em muitas características, como as relações, o poder, o governo dentro da mesma, o controle de recursos e a relação de interesses. Quando se trata em agrupar as duas variáveis estudadas, é perceptível que em alguns momentos, as organizaçõespossam agir como o conceito ideal de sistema, pois elas pensam no todo ou agem com o foco no individualismo, gerando assim benefícios apenas para uma parte. Esse trabalho contribui para difundir que política não está só no âmbito de governo, pois aqui ela se apresenta também no campo organizacional. Tendo como base essa perspectiva, ele é maisuma forma de análise ou um ponto de partida para enxergaras organizações. No trabalho realizado e nas características pesquisadas, foi possível perceber quea metáfora política aplicada às organizações e a Teoria Geral de Sistemassão convergentes, concluindo que ambas são indissociáveis. Levando em conta que o objetivo desse estudo era de fazer uma associação entre a TGS e a metáfora política de Morgan (organizações como sistemas políticos), achando pontos em comum no quais ambasconvergiam ou divergiam e assim foi feito. Foi possível encontrar várias associações entre as duas variáveis estudadas (as organizações como sistemas políticos e a TGS). Em continuidade a essa pesquisa, nota-se a possibilidade de ampliar o estudo por meio da aproximação da TGS e demais metáforas de Morgan, para que a metodologia utilizada poderia ser a mesma.
  • 13. Referências ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. MORGAN, G. Imagens da organização. 1.ed. São Paulo: Atlas, 1996. WECKOWICZ, T.E. Ludwig von Bertalanffy (1901-1972): A Pioneer of General Systems Theory. CSR WorkingPaper No. 89-2. Disponível em <http://www.univie.ac.at/aoc/rj/bert1.pdf>. Acesso em 15 de nov. 2017 ALVARES, LILLIAN. Teoria Geral dos Sistemas. Disponível em: <https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja &uact=8&ved=0ahUKEwjR4ebvg93XAhUlkeAKHcVRAxAQFggnMAA&url=http%3A%2F% 2Flillian.alvarestech.com%2FPlanejamento%2FModulo1%2FAula11TGS.pdf&usg=AOvV aw1zLARgCTr1OqxsZY4JTWiL>. Acesso em 15 de nov. 2017