Tecnologias e educação – o paradigma neoliberal na educação a distância:  algumas implicações desse  modelo mecanicista   Elizabete Terezinha Gomes Mestranda - UNISUL/SC  [email_address] Curitiba, 7 de novembro de 2007
Tecnologias e educação – o paradigma neoliberal na educação a distância:  algumas implicações desse  modelo mecanicista Objetivo Questões Considerações Concepções
Objetivo Apresentar uma reflexão sobre o contexto das mudanças educacionais no Brasil, sob o enfoque das demandas tecnológicas e da interdependência global com a internacionalização da economia e a supervalorização da comunicação e informação – e os efeitos das políticas neoliberais.
Questões Por que o pensamento neoliberal contesta a tradição universalista que concebe a educação como direito de todos os cidadãos, garantido, fundamentalmente, pelo Estado? Até que ponto os paradigmas neoliberais de governos afetam a educação a distância? Será esta uma modalidade mais vulnerável a esse modelo?
    A explosão tecnológica se instalou com a revolução industrial – início do século XIX –  surge a máquina a vapor A força física dos homens é substituída pelas máquinas – segunda revolução –  a microeletrônica Explode a revolução da Informação – a Sociedade da Informação – a sociedade industrial é substituída por uma sociedade baseada em serviços –  chamada pós-industrial, informacional, serviçal Concepções
Mas que lugar ocupa esse terceiro setor na economia? Visualiza-se uma economia globalizada advinda desse processo histórico vinculado à expansão desse sistema econômico -  a globalização Uma globalização que tem como foco a expansão de mercados
Neoliberalismo Cresce no Brasil e em outros países da América Latina, vinculada à cultura política – predominantemente conservadora. Torna-se ideologia dominante numa época em os EUA detêm a hegemonia exclusiva do planeta Parte do pressuposto de que a economia internacional é auto-regulável, capaz de vencer as crises e, progressivamente, distribuir benefícios pela aldeia global – sem a necessidade  de intervenção do Estado. Concepções
    Concepções Neoliberalismo É uma ideologia que procura responder à crise do estado nacional ocasionada pela interligação crescente das economias das nações industrializadas, por meio do comércio e das novas tecnologias.   É uma ideologia neoconservadora social e politicamente, que se estabelece muito bem nas sociedades administradas pelos países avançados, em que o cidadão foi reduzido a mero consumidor.
Mas entender a globalização apenas como a integração de mercados é perder de vista suas dimensões sociais, as mais profundas, as quais se escamoteiam em antinomias democráticas
Considerações   E a Educação, o que tem a ver com tudo isso?  “ [...] há uma forte pressão sobreadaptativa que pretende adequar o ensino e a pesquisa às demandas econômicas, técnicas e administrativas do momento, aos últimos métodos, às últimas imposições dos mercados”.  Morin (2005, p. 17),
Considerações Que idéias são provindas dessa política globalizada para a educação?
As palavras de ordem do discurso neoliberal para a educação: Qualidade total Modernização da escola Adequação do ensino à competitividade do mercado internacional Incorporação das técnicas e linguagens da informática e da comunicação Abertura da universidade aos financiamentos empresariais Pesquisas práticas, utilitárias e produtividade
E por que isso não é bom para a educação? Desencadeia perspectivas que fazem crescer as desigualdades Diminui a responsabilidade democrática Sufoca o pensamento crítico A educação deixa de ser parte do campo social e político para ingressar no mercado e funcionar a sua semelhança
Para o Banco mundial o capital destinado à educação tem duas funções: Ampliar o mercado consumidor, apostando na educação como geradora de trabalho, consumo e cidadania (incluir mais pessoas como consumidoras) Gerar estabilidade política nos países com a subordinação dos processos educativos aos interesses da reprodução das relações sociais capitalistas (garantir governabilidade)
Gadotti (2003) Para a globalização capitalista a noção de ‘governo’ (aparatos administrativos) é separada da noção de ‘Estado’ “ O Estado não apenas financia a educação, mas também constrói valores, sentido”
Gadotti (2003) Para o ‘globalismo’ o cidadão é reconhecido como cliente – como consumidor “ Esse cidadão não precisa ser emancipado. Precisa apenas saber escolher”
O discurso neoliberal A retórica neoliberal, configurada por um estrato ideológico camuflado determina para a educação três objetivos:
Atrelar a educação escolar à preparação para o trabalho e a pesquisa acadêmica ao imperativo do mercado ou às necessidades da livre iniciativa;  Tornar a escola um meio de transmissão dos seus princípios doutrinários; Fazer da escola um mercado para os produtos da indústria cultural e da informática.
Como está situada a EaD nesse contexto? Impulsionada por conceitos ambíguos, impostos pela modernidade que propõe um formato idealizado para um mercado totalmente tecnológico e mecanicista Apresenta-se sob a opacidade de um discurso impregnado por formações ideológicas –   educação do futuro, futuro da educação, flexibilidade, qualidade total
Não há nenhuma negociação entre as corporações e os profissionais da educação e esse aparato lingüístico é incorporado ao fazer pedagógico sem que suas implicações fenomenológicas e praxiológicas sejam discutidas, em sua dimensão político-pedagógica .
A EaD adquire um formato  top de linha  sob a concepção discursiva  tecnologias/educacionais/modernidade,  perfazendo-se numa pseudo-solução para o problema social da educação As tecnologias passam a idéia que abrandam desigualdades educacionais na esfera global; Políticas educacionais autodenominadas inclusivas desencadeiam uma verdadeira corrida a programas de educação a distância;
A ideologia neoliberal transforma a EaD num imenso filão comercial; As instituições dispersam-se em ações deformadas em suas metas, motivações, padrões de excelência e padrões de liberdade para salvaguardarem-se de paradigmas obsoletos e ancorarem-se nas vias do progresso.
A EaD propaga-se através de teorias prolíficas O conhecimento e as redes de comunicação substituem as relações de produção – atribuem valor simbólico à educação; No valor simbólico estabelece a sua âncora de sustentação – nas teorias do capital humano; Sob esse escudo, passa a ser supervalorizada, pois nada mais promissor que o investimento no capital humano que outorga  status  de valor simbólico à educação – conseqüentemente – passa a fomentar o mercado educacional.
Considerações finais A   estratégia liberal coloca a educação como prioridade, apresentando-a como alternativa de “ascensão social” e de “democratização das oportunidades” São reflexos diretos, esperados pelo grande capital, a partir de sua intervenção nas políticas educacionais dos países pobres :
garantir governabilidade e segurança nos países “perdedores”; quebrar a inércia que mantém o atraso nos países do chamado “Terceiro mundo” construir um caráter internacionalista das políticas com a ação direta e o controle dos Estados unidos; estabelecer um corte significativo na produção do conhecimento nesses países; incentivar a exclusão de disciplinas científicas, priorizando o ensino elementar e profissionalizante.
Considerações finais A interferência de posições locais ao projeto neoliberal na educação é o que de mais decisivo se possui na atual conjuntura em termos de resistência; Se a crítica for consistente, este será um passo significativo em direção à construção de um outro caminho; A escola, seja ela virtual ou presencial, ainda continua sendo um espaço com grande potencial de reflexão crítica da realidade
Considerações finais A escola (EaD) deverá lutar para que o aluno não se transforme em consumidor do ensino – o professor em funcionário treinado e competente em preparar seus alunos para o mercado de trabalho -, alimentando o discurso neoliberal, que propõe para a educação um tecnicismo reformado.
Considerações finais A EaD suscita novas posturas: É preciso escapar de controles corporativos e da posição de vanguarda que ocupa no cenário educacional, sob pena  de tornar-se uma modalidade de ensino vulnerável a esse modelo neoliberal, transformando-se na tábua de salvação – promovendo  a democratização do ensino  ou, na vilã – aparelhando-se de programas de  servidão escravocrata .

Tecnologias e educação

  • 1.
    Tecnologias e educação– o paradigma neoliberal na educação a distância: algumas implicações desse modelo mecanicista Elizabete Terezinha Gomes Mestranda - UNISUL/SC [email_address] Curitiba, 7 de novembro de 2007
  • 2.
    Tecnologias e educação– o paradigma neoliberal na educação a distância: algumas implicações desse modelo mecanicista Objetivo Questões Considerações Concepções
  • 3.
    Objetivo Apresentar umareflexão sobre o contexto das mudanças educacionais no Brasil, sob o enfoque das demandas tecnológicas e da interdependência global com a internacionalização da economia e a supervalorização da comunicação e informação – e os efeitos das políticas neoliberais.
  • 4.
    Questões Por queo pensamento neoliberal contesta a tradição universalista que concebe a educação como direito de todos os cidadãos, garantido, fundamentalmente, pelo Estado? Até que ponto os paradigmas neoliberais de governos afetam a educação a distância? Será esta uma modalidade mais vulnerável a esse modelo?
  • 5.
    A explosão tecnológica se instalou com a revolução industrial – início do século XIX – surge a máquina a vapor A força física dos homens é substituída pelas máquinas – segunda revolução – a microeletrônica Explode a revolução da Informação – a Sociedade da Informação – a sociedade industrial é substituída por uma sociedade baseada em serviços – chamada pós-industrial, informacional, serviçal Concepções
  • 6.
    Mas que lugarocupa esse terceiro setor na economia? Visualiza-se uma economia globalizada advinda desse processo histórico vinculado à expansão desse sistema econômico - a globalização Uma globalização que tem como foco a expansão de mercados
  • 7.
    Neoliberalismo Cresce noBrasil e em outros países da América Latina, vinculada à cultura política – predominantemente conservadora. Torna-se ideologia dominante numa época em os EUA detêm a hegemonia exclusiva do planeta Parte do pressuposto de que a economia internacional é auto-regulável, capaz de vencer as crises e, progressivamente, distribuir benefícios pela aldeia global – sem a necessidade de intervenção do Estado. Concepções
  • 8.
    Concepções Neoliberalismo É uma ideologia que procura responder à crise do estado nacional ocasionada pela interligação crescente das economias das nações industrializadas, por meio do comércio e das novas tecnologias. É uma ideologia neoconservadora social e politicamente, que se estabelece muito bem nas sociedades administradas pelos países avançados, em que o cidadão foi reduzido a mero consumidor.
  • 9.
    Mas entender aglobalização apenas como a integração de mercados é perder de vista suas dimensões sociais, as mais profundas, as quais se escamoteiam em antinomias democráticas
  • 10.
    Considerações E a Educação, o que tem a ver com tudo isso? “ [...] há uma forte pressão sobreadaptativa que pretende adequar o ensino e a pesquisa às demandas econômicas, técnicas e administrativas do momento, aos últimos métodos, às últimas imposições dos mercados”. Morin (2005, p. 17),
  • 11.
    Considerações Que idéiassão provindas dessa política globalizada para a educação?
  • 12.
    As palavras deordem do discurso neoliberal para a educação: Qualidade total Modernização da escola Adequação do ensino à competitividade do mercado internacional Incorporação das técnicas e linguagens da informática e da comunicação Abertura da universidade aos financiamentos empresariais Pesquisas práticas, utilitárias e produtividade
  • 13.
    E por queisso não é bom para a educação? Desencadeia perspectivas que fazem crescer as desigualdades Diminui a responsabilidade democrática Sufoca o pensamento crítico A educação deixa de ser parte do campo social e político para ingressar no mercado e funcionar a sua semelhança
  • 14.
    Para o Bancomundial o capital destinado à educação tem duas funções: Ampliar o mercado consumidor, apostando na educação como geradora de trabalho, consumo e cidadania (incluir mais pessoas como consumidoras) Gerar estabilidade política nos países com a subordinação dos processos educativos aos interesses da reprodução das relações sociais capitalistas (garantir governabilidade)
  • 15.
    Gadotti (2003) Paraa globalização capitalista a noção de ‘governo’ (aparatos administrativos) é separada da noção de ‘Estado’ “ O Estado não apenas financia a educação, mas também constrói valores, sentido”
  • 16.
    Gadotti (2003) Parao ‘globalismo’ o cidadão é reconhecido como cliente – como consumidor “ Esse cidadão não precisa ser emancipado. Precisa apenas saber escolher”
  • 17.
    O discurso neoliberalA retórica neoliberal, configurada por um estrato ideológico camuflado determina para a educação três objetivos:
  • 18.
    Atrelar a educaçãoescolar à preparação para o trabalho e a pesquisa acadêmica ao imperativo do mercado ou às necessidades da livre iniciativa; Tornar a escola um meio de transmissão dos seus princípios doutrinários; Fazer da escola um mercado para os produtos da indústria cultural e da informática.
  • 19.
    Como está situadaa EaD nesse contexto? Impulsionada por conceitos ambíguos, impostos pela modernidade que propõe um formato idealizado para um mercado totalmente tecnológico e mecanicista Apresenta-se sob a opacidade de um discurso impregnado por formações ideológicas – educação do futuro, futuro da educação, flexibilidade, qualidade total
  • 20.
    Não há nenhumanegociação entre as corporações e os profissionais da educação e esse aparato lingüístico é incorporado ao fazer pedagógico sem que suas implicações fenomenológicas e praxiológicas sejam discutidas, em sua dimensão político-pedagógica .
  • 21.
    A EaD adquireum formato top de linha sob a concepção discursiva tecnologias/educacionais/modernidade, perfazendo-se numa pseudo-solução para o problema social da educação As tecnologias passam a idéia que abrandam desigualdades educacionais na esfera global; Políticas educacionais autodenominadas inclusivas desencadeiam uma verdadeira corrida a programas de educação a distância;
  • 22.
    A ideologia neoliberaltransforma a EaD num imenso filão comercial; As instituições dispersam-se em ações deformadas em suas metas, motivações, padrões de excelência e padrões de liberdade para salvaguardarem-se de paradigmas obsoletos e ancorarem-se nas vias do progresso.
  • 23.
    A EaD propaga-seatravés de teorias prolíficas O conhecimento e as redes de comunicação substituem as relações de produção – atribuem valor simbólico à educação; No valor simbólico estabelece a sua âncora de sustentação – nas teorias do capital humano; Sob esse escudo, passa a ser supervalorizada, pois nada mais promissor que o investimento no capital humano que outorga status de valor simbólico à educação – conseqüentemente – passa a fomentar o mercado educacional.
  • 24.
    Considerações finais A estratégia liberal coloca a educação como prioridade, apresentando-a como alternativa de “ascensão social” e de “democratização das oportunidades” São reflexos diretos, esperados pelo grande capital, a partir de sua intervenção nas políticas educacionais dos países pobres :
  • 25.
    garantir governabilidade esegurança nos países “perdedores”; quebrar a inércia que mantém o atraso nos países do chamado “Terceiro mundo” construir um caráter internacionalista das políticas com a ação direta e o controle dos Estados unidos; estabelecer um corte significativo na produção do conhecimento nesses países; incentivar a exclusão de disciplinas científicas, priorizando o ensino elementar e profissionalizante.
  • 26.
    Considerações finais Ainterferência de posições locais ao projeto neoliberal na educação é o que de mais decisivo se possui na atual conjuntura em termos de resistência; Se a crítica for consistente, este será um passo significativo em direção à construção de um outro caminho; A escola, seja ela virtual ou presencial, ainda continua sendo um espaço com grande potencial de reflexão crítica da realidade
  • 27.
    Considerações finais Aescola (EaD) deverá lutar para que o aluno não se transforme em consumidor do ensino – o professor em funcionário treinado e competente em preparar seus alunos para o mercado de trabalho -, alimentando o discurso neoliberal, que propõe para a educação um tecnicismo reformado.
  • 28.
    Considerações finais AEaD suscita novas posturas: É preciso escapar de controles corporativos e da posição de vanguarda que ocupa no cenário educacional, sob pena de tornar-se uma modalidade de ensino vulnerável a esse modelo neoliberal, transformando-se na tábua de salvação – promovendo a democratização do ensino ou, na vilã – aparelhando-se de programas de servidão escravocrata .

Notas do Editor

  • #2 Falar sobre os textos......
  • #3 Falar sobre os textos......