UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
     CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS
          DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA




   O ENSINO DE CÁLCULO NA
     PERSPECTIVA LÓGICO-
HISTÓRICA: delineamentos de uma metodologia
   de ensino, a partir do estudo das dificuldades dos
                         alunos




DISCIPLINA: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
DOCENTE RESPONSÁVEL: PROFA. DRA. MARGARETE TEREZA ZANON
BAPTISTINI
ORIENTADORA: PROFA. DRA. MARIA DO CARMO DE SOUSA –
PROFESSORA ADJUNTA – DME
ALUNO: AILTON BARCELOS DA COSTA
2
                      SÃO CARLOS/ SP
                           2009
               AILTON BARCELOS DA COSTA


         PROFA. DRA. MARIA DO CARMO DE SOUSA
                     ORIENTADORA




    O ENSINO DE CÁLCULO NA
     PERSPECTIVA LÓGICO-
HISTÓRICA: Delineamentos de uma metodologia
   de ensino, a partir do estudo das dificuldades dos
                         alunos




DISCIPLINA: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
DOCENTE RESPONSÁVEL: PROFA. DRA. MARGARETE TEREZA ZANON
BAPTISTINI
3
                         SÃO CARLOS/ SP
                              2009
                          SUMÁRIO
1.     INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA
1.1    MAPA CONCEITUAL DAS PRINCIPAIS IDÉIAS DA PESQUISA
1.2    QUESTÃO DE INVESTIUGAÇÃO
1.3    OBJETIVOS
2.     METODOLOGIA DA PESQUISA
3.     TAXAS DE REPROVAÇÕES NAS DISCIPLINAS DE CÁLCULO EM
ALGUMAS UNIVERSIDADES
4.     CONCEPÇÕES SOBRE DEFICIENCIAS EM CÁLCULO SEGUNDO
PROFESSORES
5.     DICULDADES NO APRENDIZADO DOS CONCEITOS DE CÁLCULO A
PARTIR DA TEORIA
5.1 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE FUNÇÕES
5.2 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE LIMITES
5.3 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE DERIVADAS
5.4 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE INTEGRAIS


6. HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO DIFERENCIAL E
INTEGRAL
6.1 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE FUNÇÕES
6.1.1 CONCEITO DE FUNÇÕES NA ANTIGUIDADE
6.1.2 CONCEITO DE FUNÇÕES NA IDADE MÉDIA
6.1.3 CONCEITO DE FUNÇÕES NA IDADE MODERNA
6.2 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE LIMITES
6.3 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE DERIVADAS
6.4 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE INTEGRAIS
7. O DISCRETO E O CONTÍNUO NO DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO
8.     O CÁLCULO NO ENSINO MÉDIO: DA DÉCADA DE 60 ATÉ OS DIAS DE
HOJE
8.1 FUNÇÕES
(i) DECADA DE 1960.
4
(ii) DECADA DE 1970
(iii) DECADA DE 1980
(iv) DECADA DE 1990
(V) DECADA DE 2000


8.2 CÁLCULO
8.2.1 FUNÇÃO
(i) DECADA DE 1960.
(ii) DECADA DE 1970
(iii) DECADA DE 1980
(iv) DECADA DE 1990
(v) DECADA DE 2000


8.2.2 LIMITE
(i) DECADA DE 1960.
(ii) DECADA DE 1970
(iii) DECADA DE 1980
(iv) DECADA DE 1990
(v) DECADA DE 2000


8.2.3 DERIVADA
(i) DECADA DE 1960.
(ii) DECADA DE 1970
(iii) DECADA DE 1980
(iv) DECADA DE 1990
(v) DECADA DE 2000


8.2.4 INTEGRAL
(i) DECADA DE 1960.
(ii) DECADA DE 1970
(iii) DECADA DE 1980
(iv) DECADA DE 1990
5
(v) DECADA DE 2000
9.      ANÁLISE DE LIVROS USADOS NAS DISCIPLINAS INICIAIS DE
CÁLCULO
9.1 ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS
(i)                 T. M. APOSTOL: Calculus – Vol. 1
(ii)                G. S. S. ÁVILA: CÁLCULO DIFERECIAL E INTEGRAL 1
(iii)               R. COURANT: CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL – VOL.
1
(iv)                H. L GUIDORIZZI: UM CURSO DE CÁLCULO – VOL. 1
(v)                 N. PISKUNOV: CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL - VOL.
1
(vi)                E.    W.   SWOKOWSKI:       CÁLCULO   COM   GEOMETRIA
ANALÍTICA - VOL. 1


10.     A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA NOS CURSOS DE
CÁLCULO
10.1 Metodologias
(i) Seguir os passos da "invenção" do conhecimento.
(ii) Principio Genético
(iii) Método Experimental
(iv) A Perspectiva lógico-histórica no ensino
10.2 Livros de Cálculo usando a história


11.     UMA PROPOSTA METODOLÓGICA NO ENSINO DE CÁLCULO
12.     DELINEAMENTOS DE UMA PROPOSTA DE ENSINO PARA AS
DISCIPLINAS INICIAIS DE CÁLCULO COM HISTÓRIA DA MATEMÁTICA
13.     CONCLUSÕES
14.     BIBLIOGRAFIA
15.     DATA – LOCAL – ASSINATURA
6
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: MAPA CONCEITUAL DAS PRINCIPAIS IDÉIAS DA PESQUISA
FIGURA 2: ÁREAS SOBREADAS DOS GRÁFICOS.
FIGURA 3: REPRESENTAÇÃO DO TEOREMA DO VALOR MÉDIO.
FIGURA 4: REPRESENTAÇÃO DO PRIMEIRO PARADOXO DE ZENÃO.
FIGURA 5:REPRESENTAÇÃO DA APROXIMAÇÃO PARA A ÁREA DO
CÍRCULO.
FIGURA 6: PÁGINA DO LIVRO “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL
JAIRO BEZERRA.
FIGURA 7: MAPA CONCEITUAL SOBRE SEQUENCIA TEMÁTICA DE
APOSTOL (1967)
FIGURA 8: MAPA CONCEITUAL SOBRE SEQUENCIA TEMÁTICA DE ÁVILA
(2001)


   LISTA DE GRÁFICOS
GRAFICO 1: TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL E
INTEGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E 2008,
POR SEMESTRE
GRAFICO 2: TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO 1 - POR SEMESTRE, SEM
DESISTENCIAS, DE 2005 A 2008.
GRAFICO 3: Taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem desistências, de
1999 a 2008.
GRAFICO 4: Taxas de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2008.
GRÁFICO 5: FUNÇÃO QUE REGE UMA CORDA ELÁSTICA.


   LISTA DE TABELAS
TABELA 1: DADOS DA TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL
E INTERGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E 2008.
TABELA 2: Dados sobre taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem
desistências, de 1999 a 2008.
TABELA 3: Dados da taxa de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2000.
7
TABELA 4: RESUMO DAS PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES PARA FUNÇÕES.

                                    RESUMO
       A motivação inicial para nosso trabalho foi o grande número reprovações nas
disciplinas iniciais de Cálculo na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), nos
últimos dez anos, bem como a análise de dados de algumas universidades brasileiras,
sobre o chamado fracasso do ensino de Cálculo. Também partimos de nossa experiência
em trabalhar com a temática lógico-histórica, visto que a Iniciação Científica, o que nos
levou à questão de investigação, onde perguntamos de forma a perspectiva lógico-
histórica poderia se configurar como metodologia de ensino de Cálculo.
       Dessa forma, adotamos uma pesquisa de cunho histórico-bibliográfica, onde esta
se faz preferencialmente sobre documentação escrita, o qual segundo FIORENTINI &
LORENZATO (2006) a coleta de informações é feita a partir de fichamento das leituras.
       Já quanto aos instrumentos de coleta de informações, usamos as entrevistas, que
permitem uma obtenção mais direta e imediata dos dados, na qual classificamos por
semi-estruturadas.
       Nesse sentido, inicialmente, entrevistamos professores que ministram aulas de
Cálculo. Em seguida, transcrevemos e analisamos tópicos destas entrevistas para
levantamento das dificuldades de aprendizado dos alunos, o qual nos ajudou a
compreender as dificuldades de aprendizado.
       Fizemos um estudo do sobre os conceitos de discreto e contínuo no Cálculo, no
qual foi abordado o desenvolvimento da Matemática Discreta e da Matemática
Contínua, desde os gregos com a Escola Platônica, passando pela visão discreta de
Leibniz e a visão contínua de Newton, até chegarmos à análise não-standard.
       A história e o desenvolvimento dos conceitos do Cálculo Diferencial e Integral
vêm em seguida, de forma a compreendermos os nexos conceituais do Cálculo,
historicamente construídos.
       Ao compreendermos estes nexos, buscamos os currículos e livros didáticos para
analisarmos como foi estruturado o ensino do Cálculo nas escolas de nível médio, desde
a década de sessenta, até os dias atuais, enfatizando como era feito o ensino de tal
disciplina e sua mudança com o surgimento do Movimento da Matemática Moderna.
Assim, nos fundamentamos para discutir a importância da História da Matemática nos
8
cursos de Cálculo e buscamos analisar algumas sugestões metodológicas que têm como
foco, História do Cálculo.
       Por fim, indicamos os delineamentos, de uma possível proposta metodológica
para o ensino do Cálculo, o qual segue a delimitação de uma proposta de ensino, da qual
concluímos que pelas nossas pesquisas, concordamos que uma boa alternativa é o
estudo da disciplina via história da matemática, assentada em problemas de cunho
histórico, com uma visão que priorize o desenvolvimento e a evolução dos conteúdos,
em vez do enfoque metodológico tradicional.
9
   1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA
       Ao elaborar este projeto, levamos em consideração a nossa experiência em
trabalhar com a temática lógico-histórica, visto que a Iniciação Científica foi feita sob
esta ótica, enfatizando o ensino de seqüências e progressões no Ensino Médio.
       Outro ponto considerado importante para a elaboração desse projeto foi o grande
número reprovações nas disciplinas de Cálculo Diferencial e Integral que observamos
na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), no período compreendido entre 1999
e 2008, semestralmente, cujos dados seguem logo abaixo, no capítulo 3.
       Conforme observa BROLEZZI (2008), no caso particular do Cálculo, que é
considerada porta de entrada para a Matemática superior, há quase uma unanimidade
entre os professores que se interessam por problemas do ensino superior em entender
que seria preciso seguir mais a ordem histórica da construção do Cálculo, que é inversa
da ordem geralmente adotada nos livros, ou seja, de acordo com REZENDE (2003),
possibilitar que o Cálculo exerça no ensino básico de Matemática o mesmo papel
epistemológico que ele realizou no processo de construção do conhecimento
matemático no âmbito científico.
       Dessa forma, propomos estudar uma Metodologia que se fundamenta na História
da Matemática para o ensino das disciplinas de Cálculo, onde é proposto que o aluno
participe do processo de pensar sobre os conceitos matemáticos.
       De acordo com estudos realizados anteriormente, durante no nosso projeto
Iniciação Científica, vimos que a análise sobre o uso da História da Matemática,
pedagogicamente, deva ser feita e escrita sob o ponto de vista do educador matemático.
Tal análise, decorrente do processo de investigação, deve enfatizar a reconstituição, não
apenas dos resultados matemáticos, mas principalmente dos contextos epistemológicos,
psicológicos, sócio-político e culturais presentes na sala de aula. Sendo assim, o
educador matemático, ao fazer a análise sobre o papel da História da Matemática no
ensino, tem condições de verificar onde e como esses resultados foram produzidos,
contribuindo para a explicitação das relações que a Matemática consegue estabelecer
com a realidade.
       Assim, há de se considerar ainda, outros aspectos que também deveriam ser
visados pela História da Matemática, quando esta é pedagogicamente orientada, tais
10
    como, as várias dificuldades de interpretação, a construção de teorias e outros
    problemas que surgem durante o processo.
           Então, o distanciamento propiciado pela História é, assim, imprescindível para
    se obter uma visão de conjunto do edifício matemático que se almeja construir no
    ensino elementar (BROLEZZI, 1991).

           Portanto, estamos propondo uma Metodologia que leve o aluno a participar da
    construção do conhecimento escolar de forma ativa e crítica tendo como uma das
    exigências a relação com a necessidade histórica e social, relacionados ao surgimento
    do Cálculo. A este processo, estamos denominando de perspectiva lógico-histórica, o
    qual é estudado principalmente pelos seguintes autores: SOUSA, M. C., LANNER DE
    MOURA, A. R. e MOISÉS, R. P.
           Passemos agora aos objetivos de cada capitulo do corpo do trabalho, antes de
    seguirmos ao mapa conceitual das principais idéias da pesquisa.
•          TAXAS DE REPROVAÇÕES NAS DISCIPLINAS DE CÁLCULO EM
    ALGUMAS UNIVERSIDADES: O objetivo deste capítulo é mostrar as taxas de
    reprovações de algumas universidades brasileiras, inclusive a UFSCar.


•          CONCEPÇÕES SOBRE DEFICIENCIAS EM CÁLCULO SEGUNDO
    PROFESSORES: O objetivo deste capítulo é fazer com que através de entrevistas a
    professores possamos observar algumas concepções de ensino-aprendizagem destes,
    bem como algumas concepções sobre como corrigir o grande número de reprovações,
    conforme mostrado no capitulo anterior.


       •   DICULDADES NO APRENDIZADO DOS CONCEITOS DE CÁLCULO A
           PARTIR DA TEORIA: O objetivo deste capítulo é analisar conceitos de Cálculo
           à luz da literatura especializada, bem como retomando sugestões de professores
           entrevistados sobre tais dificuldades.


       •   O DISCRETO E O CONTÍNUO NO DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO:
           O objetivo deste capitulo é mostrar o problema do discreto e do continuo no
           desenvolvimento do Cálculo.
11


•          HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO DIFERENCIAL E
    INTEGRAL: O objetivo deste capitulo é trazer um pouco de como se desenvolveram os
    conceitos de Cálculo, como funções, limites, derivadas e integrais.


       •   O CÁLCULO NO ENSINO MÉDIO: DA DÉCADA DE 60 ATÉ OS DIAS DE
           HOJE: O objetivo deste capitulo é mostrar como o Cálculo foi inserido no
           ensino médio, a partir do currículo e de livros didáticos, desde a década de 60
           até os dias de hoje.


    1.1 MAPA CONCEITUAL DAS PRINCIPAIS IDÉIAS DA PESQUISA
       FIGURA 1: MAPA CONCEITUAL DAS PRINCIPAIS IDÉIAS DA PESQUISA

                                                                     Taxas de reprovações
       Introd. e                   Metodologia
                                                                     em Cálculo
       Justificativa




      Entrevista com                    Análise: dificuldades                     Historia e
      professores                       no aprendizado de                         Desenv.
                                        cálculo                                   do Cálculo




                                          A Importância da                  Cálculo no
      Discreto e                          História da                       Ensino Médio:
      Continuo do                         Matemática no                     de 1960 à
      Cálculo                             Cálculo                           2000




      Análise: Livros                     Proposta
      Usando em                           Metod.                           Delimitação
      Cálculo                             No Ensino                        de Propostas
                                          de Cálculo                       de Ensino
12
1.2 QUESTÃO DE INVESTIGAÇÃO
   “De que forma a perspectiva lógico-histórica pode se configurar como metodologia
de ensino de Cálculo?”


1.3 OBJETIVOS
       Estudar a história da matemática enquanto metodologia de ensino na disciplina
de Cálculo.
       Pesquisar atividades de ensino de Cálculo na perspectiva lógico-histórica.


2. METODOLOGIA DA PESQUISA
       A pesquisa é teórica ou de cunho histórico-bibliográfica, onde, se faz
preferencialmente sobre documentação escrita, ou seja, segundo FIORENTINI &
LORENZATO (2006), neste tipo de pesquisa a coleta de informações é feita a partir de
fichamento das leituras. Outra característica desse tipo de pesquisa, para o mesmo autor
é que os documentos para estudo se apresentam de forma estáveis no tempo e ricos
como fonte de informação, pois como no nosso caso, incluem livros, propostas
curriculares, dissertações ou teses acadêmicas e artigos de revistas científicas.
       Aqui, entre as descrições de FIORENTINI & LORENZATO (2006) sobre os
vários tipos de estudos bibliográficos desçamos a que mais se encaixa nos nossos
estudos, que é a metanálise, que é uma revisão sistemática de outras pesquisas, visando
realizar uma avaliação crítica das mesmas e/ou produzirem novos resultados ou sínteses
a partir do confronto desses estudos, transcedendo aqueles anteriormente obtidos.
       Já quanto aos instrumentos de coleta de informações, usamos as entrevistas, que
de acordo com FIORENTINI & LORENZATO (2006) permite uma obtenção mais
direta e imediata dos dados, servindo para aprofundar o estudo. Já quanto á
classificação, nossas entrevistas são semi-estruturadas, pois aqui, quando o pesquisador
pretendendo aprofundar-se sobre um fenômeno ou questão específica, organiza um
roteiro de pontos a serem contemplados durante a entrevista, podendo, de acordo com o
desenvolvimento da entrevista, alterar a ordem dos mesmos e, inclusive formular
questões não previstas inicialmente.
       Ainda quanto às entrevistas, FIORENTINI & LORENZATO (2006, p. 122)
destacam uma série de recomendações aos entrevistadores, às quais pretendemos seguir:
13
                                 •   Antes de iniciar o processo de entrevista, o
                                     entrevistador deve explicar o objetivo e a natureza
                                     do trabalho, esclarecendo porque ele foi escolhido
                                     para entrevista.
                                 •   Assegurar o anonimato do entrevistado e o sigilo
                                     do depoimento, garantindo que os mesmos serão
                                     utilizados   somente     para    a     finalidade   de
                                     investigação.
                                 •   O entrevistador deve solicitar a autorização para
                                     gravar a entrevista, assegurando, depois, que a
                                     transcrição será lida, revisada e autorizada pelo
                                     entrevistado.
                                 •   Escolher, para entrevista, um lugar apropriado e
                                     tranqüilo que favoreça um diálogo profundo,
                                     esclarecendo que o entrevistado tem o direito de
                                     não responder a todas as perguntas, podendo,
                                     inclusive, interromper a entrevista.
                                 •   O entrevistado não deve discutir sua opinião ou
                                     seus pontos de vista, nem mostrar surpresa ou
                                     desaprovação       e,    mesmo       ainda,    avaliar
                                     negativamente.
                                 •   Recomenda-se que o entrevistador não interrompa
                                     o curso do pensamento do entrevistado.


Assim, entrevistamos quatro professores, através de um questionário semi-estruturado,
os quais tinham as seguintes questões, em forma de roteiro:
1.     OS ALUNOS APRESENTAM DEFICIENCIAS EM RELAÇÃO AO ENSINO
MÉDIO? QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS?
•      Objetivo: Investigar as principais deficiências dos alunos do ensino médio ao
começar o curso de Cálculo.
14


2.     OS ALUNOS SÃO QUESTIONADORES OU PASSIVOS? INFLUENCIA NA
AULA TAIS ATITUDES?
•      Objetivo: Investigar a postura dos alunos durante as aulas.
3.     OS   ALUNOS       TÊM     DIFICULDADES         NA    INTERPRETAÇÃO            DOS
ENUNCIADOS DOS EXERCICIOS OU PROBLEMAS?
•      Objetivo: Investigar deficiências de interpretação de textos durante as aulas de
Cálculo, em especial na resolução de exercícios ou problemas.


4.     QUAIS AS PRINCIPAIS DIFICULDADES DELES NO ESTUDO DE
LIMITES? TEM DIFICULDADES COM O CONCEITO DE INFINITO?
•      Objetivo: Investigar as principais dificuldades na aprendizagem de limites.


5.     EXISTEM DIFICULDADES NAS DEMONSTRAÇÕES POR PARTE DOS
ALUNOS? POR QUÊ?
•      Objetivo: Investigar dificuldades nas demonstrações de Cálculo.


6.     OS ALUNOS ESTUDAM O CONTEÚDO EM CASA, DE FORMA
CONTINUA OU SÓ NA VESPERA DA PROVA?
•      Objetivo: Investigar o comportamento dos alunos em relação aos estudos
contínuos do conteúdo.


7.     QUAIS      AS     DIFICULDADES         QUE      ELES      APRESENTAM          NO
APRENDIZADO DE DERIVADAS? E EM RELAÇÃO ÀS INTEGRAIS?
•      Objetivo: Investigar as principais dificuldades na aprendizagem de derivadas.


8.     QUE METODOLOGIA VOCE SEGUE COMO UM TODO NO ENSINO DE
CÁLCULO? COMO É A SUA PREPARAÇÃO PARA DA AULA?
•      Objetivo: Investigar o tipo de metodologia utilizada pelo docente.
15
9.     VOCE         ACREDITA     QUE     A    MUDANÇA         DE    METODOLOGIA
INFLUENCIARIA O APRENDIZADO DOS ALUNOS?
•      Objetivo: Investigar concepções do docente em relação à mudanças
metodológicas.


10.    QUAL O PAPEL DA HISTÓRIA E DO DESENVOLVIMENTO DO
CALCULO NAS SUAS AULAS?
•      Objetivo: Investigar a concepção do docente em relação ao papel da história da
matemática como metodologia nas aulas de Cálculo.


11.    O QUE VOCE MUDARIA NA DISCIPLINA DE CALCULO 1?
•      Objetivo: Investigar se o docente está satisfeito com o modelo de ensino de
Cálculo, bem que prováveis mudanças na disciplina poderiam ser feitas.


       Dessa forma, pretendemos estudar os conceitos de Cálculo a partir da
perspectiva lógico-histórica, onde podemos caracterizar a pesquisa por investigação
histórica, como procedimento de ensino, na qual deva ser orientada ou regida pela idéia
de que o conhecimento da evolução de um conceito matemático possibilita ao aluno
a sua compreensão.
       De acordo com estudos realizados anteriormente, durante no nosso projeto
Iniciação Científica, podemos dizer que ao pesquisador oportuniza a formação de uma
visão dinâmica e processual da Matemática e estabelecer uma identidade entre
processos de produção e aprendizagem de seus conhecimentos, deixando de
reduzir as questões metodológicas do ensino a uma simples reprodução mecânica.
       Aqui também podemos trazer os principais instrumentos de nossa pesquisa, que
são:
       -   Livros didáticos;
       -   Propostas curriculares;
       -   Entrevistas;
       -   Artigos;
       -   Dissertações;
       -   Teses.
16
       -   Banco de Dados SCIELO.
       -   Páginas de busca na internet.
       -   Página do DM – UFSCar na internet.



   3. TAXAS DE REPROVAÇÕES NAS DISCIPLINAS DE CÁLCULO EM
   ALGUMAS UNIVERSIDADES
       O objetivo deste capítulo é mostrar as taxas de reprovações de algumas
universidades brasileiras, inclusive a UFSCar.
       Tal capítulo também tem a finalidade de desmistificar a concepção de que
apenas na UFSCar existem altos índices de reprovações, pois de acordo com RESENDE
(2003), tal problema do fracasso em Cálculo é não cultural, e que não se justifica pela
condição sócio-econômica da sociedade brasileira, pois sabemos que a situação do
ensino de Cálculo nos países “desenvolvidos” não é muito diferente, visto que trabalhos
sobre esse tema têm sido publicados e recebidos merecido destaque por parte da
literatura especializada internacional.
       Dessa forma, levantamos alguns dados sobre reprovações das disciplinas iniciais
de Cálculo, em algumas universidades brasileiras, como segue:
   UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF);
   UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC);
   UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP);
   UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCar);


       Então, tomando DA SILVA & BORGES NETO (s/d, p 2), temos que em 1990,
o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino - SAEB/ INEP – MEC, realizou uma
pesquisa em 4.790 escolas públicas de vinte e cinco Unidades da Federação, envolvendo
108.982 alunos de 1ª, 3ª, 5ª e 7ª séries, através de testes semi-objetivos e objetivos,
através da qual se constatou que o desempenho qualitativo dos alunos em matemática é
extremamente baixo.
       Dessa forma, de acordo com DA SILVA & BORGES NETO (s/d, p 2), temos:
                                      Estes dados revelados pelo SAEB vêm confirmar a
                                      triste realidade por que passa o ensino de
                                      matemática e que nas últimas décadas tem
17
                          afetado, sobremaneira, o desempenho dos alunos
                          que ingressam na universidade, principalmente
                          aqueles que são dirigidos a cursar a disciplina
                          Cálculo Diferencial e Integral I. Os efeitos dessas
                          deficiências podem ser observados na própria
                          estatística de aprovação nessa disciplina, na
                          Universidade Federal do Ceará, que não chega a
                          ultrapassar 33% dos alunos matriculados em cada
                          semestre.


Em RESENDE (2003, p. 1) temos os seguintes dados:
                          BARUFI (1999), em sua tese de doutorado, nos
                          revela alguns dados alarmantes dessa crise: o
                          índice de não-aprovação em cursos de Cálculo
                          Diferencial e Integral oferecidos, por exemplo, aos
                          alunos da Escola Politécnica da USP, no período
                          de 1990 a 1995, varia de 20% a 75%, enquanto
                          que no universo dos alunos do Instituto de
                          Matemática e Estatística o menor índice não é
                          inferior a 45% - isto é, não se aprova mais do que
                          55% em uma turma de Cálculo.
                          No que diz respeito à UFF, instituição onde
                          leciono, os índices de não-aprovação são bem
                          mais catastróficos do que os levantados por
                          Barufi, na USP.


      Assim, de acordo com REESENDE (2003, p. 2), temos:
                          Na UFF, a variação do índice de não-aprovação
                          se encontra na faixa de 45% a 95%, sendo que,
                          para o Curso de Matemática, este não é inferior a
                          65%.
18
       Agora, tomando a UFSCar, de acordo a página do Departamento de Matemática
da mesma, podemos mostrar dados sobre reprovações nas seguintes disciplinas:
       Cálculo 1;
       Cálculo Diferencial e integral 1
       Cálculo A;
       Cálculo B;


              TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL E
INTERGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E
2008, POR SEMESTRE:




TABELA      1:      DADOS    DA    TAXA   DE    REPROVAÇÃO         DE    CALCULO
DIFERENCIAL E INTERGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS,
ENTRE 1999 E 2008.
19
ANO      REPROV. (%)
1999/1            27,0
1999/2            28,0
2000/1            31,0
2000/2            34,0
2001/1            23,0
2001/2            35,0
2002/1            25,0
2002/2            43,0
2003/1            20,0
2003/2            19,0
2004/1            29,0
2004/2            46,0
2005/1            36,0
2005/2            23,0
2006/1            59,0
2006/2            27,0
2007/1            60,0
2007/2            57,0
2008/1            59,0
2008/2            34,0
20

                                                                                        Coluna C
                                       REPROV. CDI 1
70.0

60.0

50.0

40.0

30.0

20.0

10.0

 0.0
   1999/2
   2000/1

   2001/1
   2001/2

   2002/2
   2003/1

   2004/1
   2004/2

   2005/2


   2007/1


   2008/2
   1999/1


   2000/2


   2002/1


   2003/2


   2005/1

   2006/1
   2006/2

   2007/2
   2008/1
GRAFICO 1: TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL E
INTERGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E 2008,
POR SEMESTRE


       Dessa forma, vemos que a taxa de reprovação dessa disciplina varia entre 27% e
  60%, com uma taxa semestral média de 35,75%.


  TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO 1 - POR SEMESTRE, SEM
  DESISTENCIAS, DE 2005 A 2008.
21
                                           ANO    REPROV. (%)
                                            REPROV. CALCULO 1
                                           2005/1          29,0
                                                                           Coluna C

60.0                                       2005/2          28,0
                                           2006/1          46,0
50.0                                       2006/2          25,0
                                           2007/1          27,0
40.0                                       2007/2          43,0
                                           2008/1          31,0
30.0                                       2008/2          48,0

20.0

10.0

 0.0
   2005/1


                   2005/2


                                  2006/1


                                                2006/2


                                                         2007/1


                                                                  2007/2


                                                                           2008/1


                                                                                           2008/2
            GRAFICO 2: TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO 1 - POR SEMESTRE,
            SEM DESISTENCIAS, DE 2005 A 2008.


            Aqui vemos que a taxa de reprovação varia entre 29% e 48%, com taxa média
            semestral de 34,6%.
               Agora, vamos tomar a taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem
            desistências, de 1999 a 2008.
22
       TABELA 2: Dados sobre taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem
 desistências, de 1999 a 2008.



                                     REPROV. CALC. A
70.0                                                                           Coluna C


60.0

50.0

40.0

30.0

20.0

10.0

 0.0
  1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008


       GRAFICO 3: Taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem desistências,
 de 1999 a 2008.


       Aqui vemos a taxa de reprovação variar entre 15% e 63%, com taxa média anual
 de 38,3%.
       Agora, finalmente, vamos tomar as taxas de reprovação de Calculo B, de 1999 a
 2008:


       TABELA 3: Dados da taxa de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2000.
23

                                    ANO     REPROV. (%)
                                       1999          28,0
                                       2000          37,0
                                       2001          20,0
                                       2002          43,0
                                       2003          44,0
                                       2004          38,0
                                       2005          22,0
                                       2006          43,0
                                       2007          25,0
                                       2008          38,0




                                          REPROV. CALC. B
    50.0                                                                           Coluna C

    45.0
    40.0
    35.0
    30.0
    25.0
    20.0
    15.0
    10.0
     5.0
     0.0
      1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008

       GRAFICO 4: Taxas de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2008


       Aqui vemos que a taxa de reprovação varia entre 20% e 44%, com uma taxa
anual média de 33,8%.
       Então, agora podemos fazer uma análise das taxas sobre as taxas de reprovações
nas disciplinas iniciais de Cálculo na UFSCar.
       Então, revisando, se tomarmos a UFSCar, podemos mostrar dados sobre
reprovações nas seguintes disciplinas inicias de Cálculo:
24
         Cálculo 1: A taxa de reprovação varia entre 27% e 60%, com taxa média de
35,75%.
         Cálculo Diferencial e integral 1: A taxa de reprovação varia entre 29% e 48%,
com taxa média de 34,6%.
         Cálculo A: A taxa de reprovação variar entre 15% e 63%, com taxa de 38,3%.
         Cálculo B: A taxa de reprovação varia entre 20% e 44%, com taxa média de
33,8%.
         Antes de entramos nas taxas reprovações, vamos ver algumas observações sobre
o caráter de cada disciplina, observando o objetivo geral de cada uma delas:


CALCULO 1 (4 CRÉDITOS TEÓRICOS):
      Propiciar o aprendizado dos conceitos de limite, derivada e integral de funções
reais de uma variável real.
      Propiciar a compreensão e o domínio dos conceitos e das técnicas de cálculo
diferencial e integral dessas funções.
      Desenvolver a habilidade de implementação desses conceitos e técnicas em
problemas nos quais eles se constituem os modelos mais adequados.
      Desenvolver a linguagem matemática como forma universal de expressão da
ciência.


CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 1 (5 CRÉDITOS TEÓRICOS + 1
PRÁTICO):
      Propiciar o aprendizado dos conceitos de limite, derivada e integral de funções de
uma variável real.
      Propiciar a compreensão e o domínio dos conceitos e das técnicas de cálculo
diferencial e integral 1.
      Desenvolver a habilidade de implementação desses conceitos e técnicas em
problemas nos quais eles se constituem os modelos mais adequados.
      Desenvolver a linguagem matemática como forma universal de expressão da
ciência.
      Desenvolver a habilidade computacional colocando o aluno em contato com os
laboratórios computacionais reenge/ligs desde o seu ingresso na ufscar.
25
 CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL A (4 CRÉTIDOS TEÓRICOS):
       Familiarizar o aluno com a linguagem matemática básica dos problemas de
 continuidade, diferenciação e integração, que são conceitos imprescindíveis no estudo
 da física moderna e das ciências em geral.
       Apresentar ao aluno as primeiras aplicações do cálculo diferencial e integral nas
 ciências físicas e aplicadas.
       Utilizar programas computacionais para cálculos algébricos e aproximados,
 visualizações gráficas e experimentos computacionais, ligados à teoria do cálculo
 diferencial de funções reais de uma variável.


 CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL B (4 CRÉDITOS TEÓRICOS):
       Desenvolver os conceitos e técnicas ligadas ao cálculo integral.
       Introduzir o aluno no universo das equações diferenciais ordinárias.
       Fornecer ao estudante técnicas para a resolução de equações diferenciais
ordinárias de 1ª e 2ª ordens.
       Utilizar programas computacionais para o cálculo algébrico e aproximado,
 visualizações gráficas e experimentos computacionais, ligados à teoria da integração e
 às equações diferenciais ordinárias.
       Dessa forma, a média de reprovações nas quatro disciplinas iniciais de Cálculo
 oferecidas pela UFSCar, está entre 33,3% e 38,3%, o que é inferior às taxas aqui citadas
 da UFC, UFF e USP, mas ainda são consideradas altas.
         Dessa forma, podemos tirar a conclusão de que as taxas de reprovações nas
 disciplinas iniciais de Cálculo na UFSCar são inferiores às taxas das respectivas
 universidades citadas acima, que é o oposto da nossa concepção antes do trabalho, e
 também bem como do que é propalado entre os estudantes de nossa universidade.
         Assim, observando os objetivos gerais de Calculo 1 e de Cálculo Diferencial e
 Integral 1, vemos os objetivos são os mesmos, a menos de no segundo existir um crédito
 para aplicações computacionais. Também observamos que o segundo tem um crédito
 teórico a mais que o primeiro.
         Já Calculo A e B, existem mais conceitos teóricos, e menos aplicados que as
 outras disciplinas iniciais de Calculo, além de Cálculo A ser oferecido no segundo
 período, após o oferecimento da disciplina de Fundamentos 1, de nível mais elementar.
26
          Dessa forma, o grande numero de reprovações em Calculo A pode acontecer
devido à dificuldade em linguagem matemática básica de funções, o que incluem-se
demonstrações, uma deficiência tida como fundamental dos alunos que chegam à
universidade, já que tal estudo raramente é feito no ensino médio, segundo ÁVILA
(1991).
          Agora, segue abaixo entrevistas com professores, de onde podemos observar
algumas concepções destes sobre ensino-aprendizagem de Cálculo.



4. CONCEPÇÕES SOBRE DEFICIENCIAS EM CÁLCULO SEGUNDO
   PROFESSORES
          O objetivo deste capítulo é fazer com que através de entrevistas a professores
possamos observar algumas concepções de ensino-aprendizagem destes, bem como
algumas concepções sobre como corrigir o grande número de reprovações, conforme
mostrado no capitulo anterior.
          Dessa forma, pretendemos tirar a partir das concepções sobre ensino-
aprendizagem algumas dificuldades dos alunos e possíveis soluções apontadas por esses
professores, para que no próximo capitulo possamos fazer uma análise detalhada de tais
dificuldades, mediante a literatura disponível.
          Assim, passamos às transcrições dos principais episódios de tais entrevistas.


   (i) PRINCIPAIS DEFICIÊNCIAS DE ENSINO MÉDIO DOS ALUNOS DE
          CÁLCULO:
          PROFESSOR 1: Não aponta.
          PROFESSOR 2: Deficiências: conceitual e de conteúdo, tanto algébrica quanto
               geométrica.
          PROFESSOR 3: Varia de curso para curso, pois cursos mais concorridos têm
               poucas deficiências, enquanto os menos concorridos, muitas deficiências.
          PROFESSOR 4: A primeira dificuldade está em álgebra.


          ANÁLISE DO TÓPICO: Aqui podemos notar que três professores apontam
          que os alunos têm deficiências, mas somente dois as enumera, onde são descritos
27
   por dois como de ordem algébrica e por por um deles de ordem geométrica, o
   que podemos dizer há um problema na estruturação do pensamento algébrico por
   parte desses alunos.




(ii) LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS:
   PROFESSOR 1: Dificuldade em ler o livro, em interpretação
   PROFESSOR 2: Tem dificuldade de interpretação e de expressão.
   PROFESSOR 3: Poucas dificuldades, e não atrapalha.
   PROFESSOR 4: Acredito que exista uma componente cultural, pois não sabem
         se expressar, e nem conseguir interpretar os textos, pois lêem pouco.


ANÁLISE DO TÓPICO: Aqui há um consenso sobre dificuldades de
interpretação de texto, onde um professor chega a citar como uma dificuldade de
origem cultural, devido à pouca leitura que os alunos fazem fora das obrigatórias
para a faculdade. Tal dificuldade de interpretação também é citada por BARUFI
(1999), cita (Machado, 1990, p. 10), onde retiramos o seguinte comentário a respeito
da colaboração entre a Matemática e a Língua Materna:
                                Entre a Matemática e a Língua Materna existe
                                uma     relação   de     impregnação     mútua.   Ao
                                considerarem-se       estes   dois   temas   enquanto
                                componentes curriculares, tal impregnação se
                                revela através de um paralelismo nas funções que
                                desempenham, uma complementaridade nas metas
                                que perseguem, uma imbricação nas questões
                                básicas   relativas    ao ensino de          ambas. É
                                necessário reconhecer a essencialidade dessa
                                impregnação e tê-la como fundamento para a
                                proposição de ações que visem à superação das
                                dificuldades com o ensino da Matemática.
       Dessa forma, vemos que os alunos, segundo os professores entrevistados,
não percebem a importância e nem a relação entre Língua Materna e Matemática, o
28
que está explicito na falta de leitura extracurricular. Assim, alunos chegam no curso
superior com dificuldades de interpretação de texto, o que se reflete, por exemplo,
no não entendimento de enunciados de exercícios e problemas.


(iii) QUANTO AOS ALUNOS FAZEREM PERGUNTAS EM SALA DE
      AULA:
      PROFESSOR 1: Não perguntam.
      PROFESSOR 2: Menos de 20%.
      PROFESSOR 3: Menos de 10%.
      PROFESSOR 4: Não perguntam.


ANÁLISE DO TÓPICO: Neste tópico enfatizamos a passividade, ou de outra
forma, se os alunos perguntam em sala de aula. As respostas são estarrecedoras, já a
taxa de alunos que participam ativamente da aula é de uma taxa muito baixa. Aqui,
surgiu outro fato, sobre a causa dessa passividade, o que não sabem identificar de
uma forma geral, mas tal fato por ter origem no ensino médio, e na forma que tais
alunos sempre se comportam em sala de aula.


(iv) A PASSIVIDADE DOS ALUNOS INFLUENCIA OU NÃO O
      APRENDIZADO:
      PROFESSOR 1: Influencia.
      PROFESSOR 2: Influencia.
      PROFESSOR 3: Influencia.
      PROFESSOR 4: Influencia.


ANÁLISE DO TÓPICO: Aqui surge outra unanimidade, onde os professores
declaram que a passividade dos alunos influencia o aprendizado, ao não expressar
aos professores onde pode estar o problema da aula, das dificuldades sentidas ou da
própria metodologia do professor.


(v)     QUANTO       À     PERCEPÇÃO          QUE       O    ALUNO        ESTUDA
      CONTINUAMENTE OU NÃO:
29
       PROFESSOR 1: Os alunos não estudam continuamente.
       PROFESSOR 2: Os alunos não estudam continuamente.
       PROFESSOR 3: Os alunos não estudam continuamente.
       PROFESSOR 4: Os alunos não estudam continuamente.


   (vi) QUANTO À PROCURA NO ATENDIMENTO:
       PROFESSOR 1: Só aparece na véspera da prova, poucos procuram sempre.
       PROFESSOR 2: Só aparece na véspera da prova, poucos procuram sempre.
       PROFESSOR 3: Só aparece na véspera da prova, poucos procuram sempre.
       PROFESSOR 4: Só aparece na véspera da prova, poucos procuram sempre.


   (vii) ANÁLISE DO TÓPICO: Neste tópico há unanimidade novamente, quando os
   professores identificam que os alunos não estudam continuamente, de uma forma
   geral, pois tanto nas monitorias quanto nos atendimentos, há pouca procura durante
   todo o período, e se concentrando na véspera da prova tal procura por tirar as
   dúvidas na disciplina. Entre os professores há um consenso que se alunos estivessem
   estudando continuamente, haveria mais procura dos alunos nos atendimentos, e uma
   possível identificação mais fácil por parte dos professores dos pontos de mais
   dificuldades por parte dos alunos.


   (viii) QUANTO À DIFICULDADE EM LIMITES:
        PROFESSOR 1: A dificuldade é no conceito em si, na abstração.
        PROFESSOR 2: É um conceito complicado, de depende muito do professor.
        PROFESSOR 3: Limites têm dificuldades na definição, e na idéia geométrica.
        PROFESSOR 4: Usa o mínimo de linguagem matemática avançada, e
minimiza as dificuldades usando a idéia geométrica.


   (ix) QUANTO AO CONCEITO CHAVE EM CÁLCULO:
       PROFESSOR 1: Limites.
       PROFESSOR 2: Limites.
       PROFESSOR 3: Limites.
       PROFESSOR 4: Limites.
30


  ANÁLISE DO TÓPICO: Uma unanimidade que surge aqui é a citação do conceito
  de limite como chave nos cursos de Cálculo, ou seja, RESENDE (2003, p. 9), nos
  traz seguinte, fazendo a mesma referência:
                                   (…) O conceito de função, introduzido no núcleo
                                   semântico do Cálculo por Euler e Lagrange, vai
                                   constituir, junto com a noção de limite, a urdidura
                                   da nova estrutura do Cálculo.


             Dessa forma, podemos dizer que podemos definir derivadas como um
  limite, e da mesma uma integral, como o limite das somas de Riemann, ou seja,
  colocando limite como um conceito de fato fundamental nos cursos iniciais de
  Cálculo.


  (x) QUANTO ÀS DIFICULDADES EM DERIVADAS:
      PROFESSOR 1: Dificuldade em limites.
      PROFESSOR 2: Dificuldade em limites.
      PROFESSOR 3: Dificuldade em limites.
      PROFESSOR 4: Dificuldade em limites.


  ANÁLISE DO TÓPICO: Podemos que derivada é definida como um limite, ou
  seja, se aluno teve dificuldades em limites, e não tem esse conceito bem assentado,
  vai ter dificuldades em derivadas.


(xi) QUANTO ÀS DIFICULDADES EM INTEGRAIS:
      PROFESSOR 1: Dificuldade em limites.
      PROFESSOR 2: Dificuldade em limites.
      PROFESSOR 3: Dificuldade nas técnicas, como de substituição trigonométrica.
      PROFESSOR 4: Dificuldades e continuidade e em aplicações.


  ANÁLISE DO EPISÓDIO: Aqui dois professores relatam que os alunos tem
  dificuldades em limites, pois de fato, podemos tomar a integral como o limite das
31
somas de Riemann. Outras dificuldades relatadas são nas técnicas de integração, na
parte algébrica em si.


(xii) QUANTO À METODOLOGIA USADA NA SALA DE AULA:
    PROFESSOR 1: Não sabe o que é metodologia.
    PROFESSOR 2: Tradicional.
    PROFESSOR 3: Tradicional.
    PROFESSOR 4: Tradicional.
ANÁLISE DO EPISÓDIO: Quando perguntado sobre que tipo de metodologia o
professor usava em sala de aula, encontramos que três deles só usavam a tradicional,
enquanto outro não sabia o que era metodologia.


(xiii) QUANTO AO USO DE METODOLOGIA DE HISTORIA DA
    MATEMÁTICA OU MUDUNDAÇA NA METODOLOGIA:
    PROFESSOR 1: Não sabe.
    PROFESSOR 2: Não perguntado.
    PROFESSOR 3: Não resolve.
    PROFESSOR 4: Não resolve. Historia da Matemática só serve para motivação.


ANÁLISE DO EPISÓDIO: Aqui tratamos de indagar se o uso de história da
matemática enquanto metodologia ajudaria alguma coisa no aprendizado dos alunos.
O resultado é que um deles não sabe se ajuda ou não, enquanto outros dois afirmam
que não resolvem, pois na visão deles, a história só serviria como motivação aos
alunos. Aqui destacamos que estes professores têm uma formação técnica em
matemática pura, e na sua maneira de ver o ensino, apenas reproduziriam o que teria
visto em suas vidas acadêmicas.


(xiv) O QUE FAZER PARA DIMINUIR AS REPROVAÇÕES:
    PROFESSOR 1:
O que diminuiria o numero de reprovações, é se talvez você desse mais tempo. A
pergunta é para que você quer isso? Aprendizado? Ótimo, não deu nesse semestre,
tente de novo. A comparação que eu faço é que se a gente pedisse para a mesmo
32
   numero de alunos que faz calculo fosse aprender musica, talvez você teria índices de
   reprovações mais altos.


   PROFESSOR 2: O aluno tem que ter consciência do que ele ta fazendo aqui.
   Depois, a herança cultural que trouxe. Tem que ter boa vontade, motivação, de
   natureza interna. De 40 a 45 anos de magistério, vejo que o aluno tem que ter
   disposição em aprender.


   PROFESSOR 3: Precisa conscientizar os alunos a estudar e de maneira certa.
   Estuda errado.


   PROFESSOR 4: Qual o índice de reprovações no ITA? Não sei, mas deve ser
   baixo. Acredito que lá devo ser próximo de zero. Eles tem vestibular forte, e entra
   quem tem capacidade e competência. Aqui talvez não fazemos isso, os alunos não
   têm base, o vestibular é fraco.


   ANÁLISE DO EPISÓDIO: Aqui foi abordado o tema reprovações, o que poderia
   ser feito para diminuí-las. O professor 1 diz que poderia dar mais tempo para o
   aluno fazer cálculo, e de certa forma, reprovações aqui não inevitáveis. O professor
   2 vem dizer que o problema está no aluno, na falta de motivação e de consciência do
   que ele está fazendo na universidade, e que tem haver muito com a herança cultural
   de cada aluno. Já o professor 3 vem dizer que o problema está no aluno, e ele não
   sabe estudar. Finalmente o professor diz que o problema está na base do aluno, e
   que o vestibular é fraco e que não os seleciona direito.


5. DIFICULDADES NO APRENDIZADO DOS CONCEITOS DE CÁLCULO A
PARTIR DA TEORIA
       O objetivo deste capítulo é analisar conceitos de Cálculo à luz da literatura
especializada, bem como retomando sugestões de professores entrevistados sobre tais
dificuldades.
33
       Retomando o capitulo anterior, onde dissemos que, de acordo com RESENDE
(2003), um dos grandes desafios no ensino superior de matemática ainda é, sem dúvida,
o tão propalado “fracasso no ensino de Cálculo”.
       Dessa forma, continua a nos falar RESENDE (2003), que tal problema do
fracasso em Cálculo é não cultural, e que não se justifica pela condição sócio-
econômica da sociedade brasileira, pois sabemos que a situação do ensino de Cálculo
nos países “desenvolvidos” não é muito diferente, visto que trabalhos sobre esse tema
têm sido publicados e recebidos merecido destaque por parte da literatura especializada
internacional. DAVID TALL (1976), por exemplo, continua RESENDE (2003), tem
sido um dos principais articuladores da área de pesquisa “pensamento matemático
avançado”, cujas questões giram em torno das dificuldades encontradas nas
aprendizagens dos conceitos básicos do Cálculo, tendo a psicologia cognitiva como
pano de fundo para as suas análises epistemológicas.
       Dessa forma, podemos apresentar algumas questões, levantadas por RESENDE
(2003, p. 4), tais como:
a)     Qual é a razão de tantas reprovações?
b)     Onde reside a dificuldade?
c)     No processo de aprendizagem?
d)     No aluno, isto é, na “falta de base” do aluno?
e)     Ou estaria esta dificuldade no próprio professor, ou na metodologia de ensino,
ou ainda, na estrutura curricular do ensino de matemática que não dá o suporte que
esta disciplina mereceria?


       São muitas as respostas e encaminhamentos por pesquisadores da área, ou seja,
de acordo com RESENDE (2003), uns preferem justificar o problema no âmbito da
psicologia cognitiva, pois acreditam que o problema é de natureza psicológica, isto é,
os alunos não aprendem por que não possuem estruturas cognitivas apropriadas que
permitam assimilar a complexidade dos conceitos do Cálculo; já para outros o problema
é de natureza mais simples, ou seja, as dificuldades de aprendizagem são decorrentes do
processo didático, isto é, a solução reside em se encontrar uma forma apropriada para se
ensinar a disciplina de Cálculo.
34
       Dessa forma, tentaremos resumir as algumas dificuldades no aprendizado dos
tópicos apresentados nas disciplinas iniciais de Cálculo.


5.2 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE FUNÇÕES
       De acordo com OLIMPIO JUNIOR (2006), entre os conceitos matemáticos
referidos às funções é, seguramente, o único apresentado e discutido na maioria absoluta
dos cenários de Ensino Médio brasileiro.
       Dessa forma, ao longo do desenvolvimento histórico do conceito de função,
foram surgindo algumas dificuldades, e sendo superadas, na medida do possível.
       Então, podemos começar pelo conceito de variável independente, que segundo
COTRET (1986/7), citado em OLIVEIRA (1997), é importante saber que tal noção
aparece no conceito de função a partir do conjunto de estudos qualitativos e
quantitativos do movimento, e isto, por intermédio das representações gráficas, pois até
fim da idade média, não se considerava que certos valores se integravam dentro do
conceito de grandeza variável. Tal separação era devida aos obstáculos das proporções,
da homogeneidade e da incomensurabilidade. Vejamos então estes obstáculos
epistemológicos:


•      Proporção
      OLIVEIRA (1997) vem nos dizer que entre os gregos, e até a Idade Média, as
relações entre grandezas ou entre quantidades eram expressas por meio de proporções,
pois deste fato devem-se sempre considerar 4 elementos aleatórios. Continua
OLIVEIRA (1997), que esta forma de proceder dissimulava a relação de funcionalidade
que podia existir entre as 2 variáveis em jogo, ou seja, por exemplo, para exprimir a
relação que existe entre a área e o diâmetro de um círculo, procedia-se assim: A1/ A2 =
(d1)2 / (d2)2. Dessa forma, este elemento de funcionalidade não podia ser expresso
pela proporção.


•      Homogeneidade
       Segundo OLIVEIRA (1997), o princípio de homogeneidade estipulava que só se
poderia comparar elementos da mesma natureza, as áreas ou os segmentos ou ainda os
volumes.
35
       Pode-se dizer, segundo OLIVEIRA (1997), que a homogeneidade reforçou a
utilização das proporções, isto é, por exemplo do obstáculo da homogeneidade, pode-se
sublinhar o fato que antes da extinção deste obstáculo, era impossível dar-se uma
definição métrica da velocidade, quer dizer, não se podia definir a velocidade como uma
função da distância e do tempo, isto é, v = d/t, pois estes elementos são de naturezas
diferentes, ou seja, utilizava-se então sempre as proporções, por exemplo: v1 / v2 = t1 /
t2.
       Assim, concluindo, OLIVEIRA (1997) nos diz que na realidade, o que se perdia
não eram os próprios elementos, mas as relações desses elementos, e essas relações
podiam ser quantitativas, mas também, simplesmente, as relações de grandezas que não
poderiam ser expressas numericamente.


•      Incomensurabilidade
       Segundo OLIVIVEIRA (1997), não podemos dizer que o conhecimento da
incomensurabilidade seja um obstáculo como tal ao desenvolvimento de função, mas
teve considerável influência sobre a utilização das proporções, pois além de provocar
um retrocesso, ela criou um mal entendido a tudo que toca o infinito. Assim,
OLIVEIRA (1997), nos diz que este problema é de grande importância, pois relaciona
com tudo que tem a ver com os conceitos de variações.


       5.3 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE LIMITES
       Segundo VIEIRA (1999), as dificuldades relativas ao ensino e à aprendizagem
do conceito de limite são há muito conhecidas.
       Assim, ao tomarmos ENGLER at al (2007), citamos ARTIGUE (1995) que vem
nos dizer que as dificuldades de acesso ao cálculo são diversificadas e complexas. Por
isso, segundo ENGLER at al (2007), é possível agrupá-las em categorias amplas,
associadas com:
       a) A complexidade matemática dos objetos básicos do cálculo;
       b) A conceitualização e formalização da noção de limite no núcleo de seu
           conteúdo e ao seu tratamento sobre o ensino;
       c) Na ruptura álgebra/ cálculo, há uma brecha entre o pensamento analítico e
           algébrico.
36


       Continuamos seguindo ENGLER at all (2007), onde ele se refere aos trabalhos
de CORNU (1991) e SIERPINSKA (1985), onde estes manifestam que a enorme
dificuldade de ensino e aprendizagem do conceito de limite se deve a sua complexidade,
tanto nos aspectos cognitivos implicados, não se podem gerar a partir da definição
matemática.
       Já ARTIGUE (1998), vêm nos dizer que as investigações didáticas a respeito das
dificuldades persistentes na aprendizagem de limites têm diversas origens, e formam
uma rede complexa. Dessa forma, continua ARTIGUE (1998), foram agrupadas tais
dificuldades em categorias, dependentes umas das outras, que são as seguintes:
       •       As dificuldades ligadas a complexitude matemática dos objetos básicos
do campo conceitual: números reais, funções e sucessões.
       ARTIGUE (1998), nos diz que em relação aos números reais, diversos estudos
mostram que os alunos não se apropriam de tais conceitos de forma adequada para a
aprendizagem da análise, conforme ROBINET (1986).
       Seguindo ARTIGUE (1998), os estudantes têm a concepção de número real
através de calculadora principalmente, e quando chega ao cálculo, os números reais são
tratados como objetos algébricos.
       Já quanto à dificuldade no conceito de função, já foi tratado acima.
       •       As dificuldades ligadas a conceitualização da noção de limite, que é a
noção central do seu domínio técnico.


       ARTIGUE (1998) nos diz que muitas das dificuldades estão associadas à
conceitualização da noção de limite, ou seja, aqui é necessário mencionar a noção de
obstáculo epistemiológico introduzido por Bachelard. Para ele, segundo ARTIGUE
(1998), o conhecimento científico não se desenvolve num processo continuo, uma vez
que resulta das formas prévias do conhecimento que se constituem em obstáculos
epistemiológicos. Aqui também temos a hipótese de que tais obstáculos se encontram
no desenvolvimento histórico do conceito e na aprendizagem atual, a pesar das
diferenças cognitivas e culturais evidentes, como se fossem constituídos da gênese do
conceito, isto é, ampliando a utilização da análise histórica.
       Então de acordo com ARTIGUE (1998, p. 4), temos:
37
                                    Podemos falar aqui dos obstáculos que se
                                    encontram também no desenvolvimento histórico
                                    do conceito, a pesar das diferentes concepções
                                    cognitivas e culturais envolvidas.
                                    Também podemos mencionar que o conceito de
                                    limite como o de função tem duas dimensões: uma
                                    de processo e uma de objeto, a possibilidade de
                                    manejar com eficácia estas duas dimensões requer
                                    processos cognitivos.
                                    Por fim, outra categoria importante de dificuldade
                                    vem das características da definição formal do
                                    conceito de limite: sua complexidade lógica e a
                                    necessidade de inverter a direção do processo que
                                    vai da variável x ao valor da função f(x). Assim,
                                    aliada a estas características formais, temos um
                                    ponto       essencial.   Porém,      além   destas
                                    características formais, há um ponto essencial:
                                    entre uma concepção intuitiva dos limites e uma
                                    concepção formal, há um salto qualitativo
                                    fundamental, também atestado pela história do
                                    conceito.
                                    Assim, podemos dizer que o conceito formal de
                                    limite é um conceito rompe com as concepções
                                    prévias de tal noção.


       •      As dificuldades ligadas à uma necessária ruptura com os modos de
pensamento do funcionamento algébrico.
       Segundo ARTIGUE (1998), as atividades de Cálculo se apóiam em
competências algébricas, e ao mesmo tempo no chamado pensamento analítico, onde é
necessária certa distância em relação ao pensamento algébrico. Assim, segue ARTIGUE
(1998), a ruptura entre o pensamento algébrico e o analítico se organiza em várias
dimensões, onde as principais são as seguintes:
38
       •        É necessário enriquecer sua visão da noção de igualdade e desenvolver
novos métodos para provar as igualdades, isto é, podemos notar que uma reconstrução
similar da noção de igualdade foi posta em evidencia pela investigação didática, na
transição do pensamento numérico para o pensamento algébrico.
       Dessa forma, tomar consciência de todas as mudanças e do crescimento da
dificuldade técnica do trabalho matemático, nos ajudam a compreender melhor a
distância que separa a capacidade de formular a definição formal da noção de limite,
ilustrada por exemplos e contra-exemplos, representada graficamente, e por outra parte,
de dominar tecnicamente esta definição, é decidir ser capaz de utilizá-la como um
instrumento operativo na resolução de problemas.
       Assim, podemos mencionar outra dimensão da ruptura Álgebra/ Cálculo. A
entrada no mundo do cálculo obriga também aos estudantes a reconstruir objetos
matemáticos.


5.4 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE DERIVADAS
       Segundo SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), ARTIGUE (1995), nos diz
que podemos ensinar os alunos a realizar de maneira mais ou menos mecânica alguns
alunos de cálculo a resolver alguns problemas, mas teremos dificuldades para que tais
jovens atinjam uma compreensão satisfatória dos conceitos e métodos de pensamento
do centro da análise matemática, ou seja, SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007) vem
dizer que no fundo a raiz da questão é que alunos não constroem um significado
adequado do conceito de derivada, pois esta construção parcial do significado nos
cursos iniciais podem gerar dificuldades no seu desempenho futuro.
       SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007) continuam dizendo que as perspectivas
teóricas das investigações nos permitem compreender melhor como dar significado à
maneira que os alunos resolvem os problemas, indicando as características de
aprendizagem.
       Dessa forma, SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007, p. 269), nos diz o
seguinte:
       Entre as diversas perspectivas teóricas que tem adotado os investigadores, se
encontram as aproximações centradas nos elementos de cognição, como:
39
                                    - Esquema conceitual (Azcárate, 1990), derivada
                                    da idéia de imagem do conceito (Tall, 1989).
                                    -   Idéias   procedentes   de uma       aproximação
                                    piagetiana       do      conhecimento      e       seu
                                    desenvolvimento, da teoria APOE (Asiala, Cottrill,
                                    Dubinsky,    &    Schwingendorf,    1997)      e   do
                                    desenvolvimento dos esquemas (Clark et al., 1997)
                                    e Baker et al., 2000);
                                    - Idéias precedentes do papel das representações e
                                    atividades com o desenvolvimento dos significados
                                    (Font, 2000a; 2000b; Habre & Abboud, 2006);
                                    - A teoria da reificação, que centra-se nos vínculos
                                    processo-objeto (Zandieh, 2000).

       No entanto, segundo SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), durante os
últimos anos se desenvolveu uma linha de investigação no México que se ocupa da
aproximação da teoria conhecida como sócio-epistemiológica, a qual estuda os
fenômenos de produção e difusão do conhecimento através de uma perspectiva múltipla,
de acordo com Cantoral & Farfán (2003).
       Assim, com base em tais pressupostos, foi organizada a informação atendendo
aos seguintes aspectos:
Erros e dificuldades da compreensão da derivada, ou seja, a noção de taxa de variação –
relação entre taxa e razão de uma mudança progressiva.
       SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007) nos diz que podemos em resumo dizer
que a sócio-epistemiologia considera o conceito de derivada como um complexo de
práticas de natureza social que lhe dão sentido e significado. Além, os trabalhos nesta
linha de investigação abandonam a abordagem para a derivada “a partir da definição de
limite do quociente incremental e da explicação da secante que lhe é tangente”, pois
defendem a idéia de que até não se vê a noção de derivada como uma organização das
variações sucessivas não será compreendida.
        Os sistemas de representação como ferramentas para pensar sobre as derivadas.
40
         SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007) nos mostra que a descrição sobre os
erros e dificuldades que os estudantes têm com respeito às derivadas foi o objetivo das
primeiras investigações realizadas sobre este tema, ou seja, ORTON (1983), segundo
SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), identificou três tipos de erros que cometiam
os alunos nos exercícios de diferenciação e suas aplicações:
Estruturais, relacionados com os conceitos implicados.
Arbitrários, quando o aluno se comporta arbitrariamente sem tomar em conta os dados
do problema.
Manipulação: embora os conceitos envolvidos possam ser entendidos.


        De acordo com SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), se consideramos que a
derivada em um ponto nos indica a velocidade de mudança, a compreensão de tal idéia
se apóia no saber prévio da razão entre o incremento de x em relação a y.
        Dessa forma, em resumo, SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007):
        Orton indica que as dificuldades com a idéia de razão de mudança e sua
vinculação ao tipo de função linear ou quadrática podiam ter sua origem na difícil
compreensão sobre o conceito de função. As informações destas investigações
destacam-se pela importância da razão de mudança e do quociente incremental na
compreensão da derivada, entendida como uma qualificação da mudança.
O local e o global, ou seja, a relação entre a derivada de um ponto f ′(a) e a função
derivada f ′(x).
        Outro aspecto importante na compreensão da derivada, segundo SÁNCHEZ-
MATAMOROS at al (2007), é a relação entre o aspecto local e o global num ponto
dado f ′(a) e a idéia de função derivada f ′(x), que permite passar de uma perspectiva
pontual a uma global. Dessa forma, os estudos de BADILLO (2003), segundo
SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), diz que a existência de diferentes significados
da idéia de derivada num ponto e da função derivada, isto é, a compressão gráfica de f
(x), f '(a) y f '(x) mostra ser difícil, já que se identificaram algumas inconsistências como
as seguintes:
        A confusão entre a derivada num ponto x = a, f ′(a) e a função derivada, f ′(x).
        A redução da expressão simbólica de f ′(x) à equação da reta tangente, e gráfica de
        f ′(x) à da reta tangente.
41
       A falta de justificativas sobre o uso das técnicas de derivação direta e indireta.


       SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007, p. 284) nos diz que:
                                      A complexidade do conceito de derivada leva a
                                      investigado a reparar na compreensão do esquema
                                      de derivada em relação ao local (derivada num
                                      ponto) e o global (função derivada). Dessa forma,
                                      tal vínculo não tem sido amplamente estudado
                                      nestes momentos, levanta questões sobre a forma
                                      como as diferentes abordagens que podem ser
                                      enfatizadas na educação pode determinar a
                                      compreensão dessas relações, bem como o papel
                                      dos diferentes modos de representação para
                                      promover a compreensão da relação entre local e
                                      global no desenvolvimento de uma compreensão
                                      do esquema derivados.


        A aplicação do conceito de derivada: o desenvolvimento da compreensão de
regra da cadeia.
       De acordo com SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), os livros de cálculo
introduzem o conceito de derivada, como o capítulo cinco de Análise Matemática do
Apostol, começando com a definição de derivada, segue com as relações entre
continuidade e derivada, e termina com a álgebra de derivada e uma aplicação
importante deste conceito:
       Assim, de acordo SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007, p. 289), temos:
                                      A regra da cadeia: algumas investigações, como
                                      de CLARK et al (1997), centraram-se nas
                                      aplicações de derivada, com fundamentação do
                                      marco teórico. Assim, tais investigações levaram a
                                      cabo a decomposição genética inicial do conceito
                                      da regra da cadeia, a qual consideram como
                                      descrição   de    uma    trajetória   hipotética      de
42
                                   aprendizagem pela qual pode-se transitar um
                                   estudante na aprendizagem do conceito.
                                   A compreensão da derivada       associada à sua
                                   utilização em diversas aplicações, incluindo a
                                   regra da cadeia.


   Dessa forma, conclui SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), dizendo que, como
se pode inferir a partir de trabalhos de Clark e sua equipe, a construção que um
estudante faz destas aplicações podem seguir algumas orientações. A decomposição
genética
oferece uma contribuição, que é necessário para cumprir as decisões instrucionais
tomadas pelos professores.


   5.5 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE INTEGRAIS
       De acordo com LLORENS & SANTONJA (1997), entre os professores de
Cálculo é quase consenso que os problemas de aprendizagem do conceito de integral é
facilmente detectável. Dessa forma, de acordo com LLORENS & SANTONJA (1997),
os estudos de MUNDY (1984), ORTON (1983) e TURÉGANO (1993) nos trazem um
resumo destas deficiências, como segue:
   a) Geralmente os estudantes identificam integral com primitiva. Para estes
   estudantes, a integral não comporta nenhum processo de convergência ou tão pouco
   nenhum processo geométrico, e sim é um algo puramente algébrico, mais ou menos
   complicado, a tal ponto que podem conhecem vários processos de integração, saber
   aplicá-los, e ao mesmo tempo não ser capaz de aplicá-los ao calculo de uma área ou
   ignorar o que são as somas de Riemann.


   b) As integrais “definidas” se identificam com a regra de Barrow, incluindo
   quando esta regra pode aplicar-se. É dizer que o símbolo:
43
representa somente o cálculo de primitivas, a aplicação da regra de Barrow. Como
exemplo, podemos citar o comportamento relatado por MUNDY (1984), tanto como
por LLORENS & SANTONJA (1997). Foi feita a seguinte pergunta:
Por que a integral abaixo está errada?




   LLORENS & SANTONJA (1997) dizem que somente 23% sabiam que a
integração estava errada, enquanto MUNDY (1984) fala que pouquíssimos alunos
souberam identificar o erro.
   Antes de seguir, podemos dizer que aconteceu exatamente a mesma coisa
quando era entrevistado um professor do DM – UFSCar. Na ocasião, ao ser
perguntado sobre as principais dificuldades dos alunos em integrais, ele resolveu
exemplificar, pedindo para um orientando dele, e já formado em bacharelado em
matemática pela mesma universidade, fazer a tal integral acima. O aluno caiu no
mesmo erro, e disse que tal erro era muito comum. Também afirmou que alunos da
USP, formados caem no mesmo erro. Dessa forma, podemos dizer, por uma análise
superficial, que tal dificuldade ocorre tanto nas universidades americanas, nas
universidades espanholas, quanto na UFSCar, como na USP, parecendo ser um
problema generalizado dos estudantes de cálculo e todo o mundo.
   Dessa forma, LLORENS & SANTONJA (1997, p. 63) afirmam:
                                 Observamos que esse tipo de resposta não se
                                 explica somente porque esses estudantes não
                                 conhecem a regra de Barrow, e aparece como
                                 representativas de uma desconexão mais profunda
                                 entre o conceito de integral e sua particular
                                 imagem desse conceito. Outros dados permitem
                                 afirmar que, de modo mais enfático, que nem se
                                 quer quando se diz expressamente “integral
                                 definida”, não evoca no estudante nenhuma
                                 relação desse conceito com o problema da
                                 convergência, já conhecidos previamente por ele
44
                                no tema de sucessões, derivadas, continuidade,
                                etc., quando está estudando integrais. Assim, é
                                fácil comprovar que quando os estudantes estão
                                estudando integrais impróprias, a maioria dos
                                estudantes se parece muito surpreendente que uma
                                integral pode ser divergente. Não há integração
                                entre o conceito de área com o de integral.


   De acordo com LORENS & SANTONJA (1997), os estudantes tem ouvido que
existe uma relação entre as integrais (definidas) e a área, mas não se verifica uma
união entre ambas, de modo que persiste uma interpretação puramente algébrica da
integral. Dessa forma, continua LLORENS & SANTONJA (1997), as respostas
equivocadas dos exemplos anteriores indicam não somente que a função é
descontínua em x = 0, mas também que claramente não tem uma imagem visual do
problema: nem da função (sempre positiva) nem da própria integral entendida como
área. Dessa forma, segue LLORENS & SANTONJA (1997), é muito freqüente que
essa interpretação da integral como área somente se utiliza quando expressamente se
pedem exercícios que tipicamente dão o enunciado “Calcular a área fechada do
gráfico de … “, porém quase nunca espontaneamente.
        Ainda por LLORENS & SANTONJA (1997), essa falta de integração se
manifesta em sentido contrário também, ou seja, LLORENS & SANTONJA (1997)
proporão um exercício para se obter o valor da área sombreada em cada um das
figuras abaixo:




FIGURA 2: ÁREAS SOBREADAS DOS GRÁFICOS.
45
           Dessa forma, LLORENS & SANTONJA (1997), a maioria das respostas iniciais

        foram             e        , respectivamente. No primeiro caso, pela dificuldade
        que significa a presença do módulo, muito frenquêntemente podemos encontrar
        solução incompletas ou absurdas, coerente com o trabalho de MUNDY (1984), no
        qual menos de 95% dos estudantes contestaram incorretamente a pergunta:




        de modo que nos reafirmamos no diagnóstico assinalado, já que o aluno está
        preferindo o contexto algébrico-formal ao visual-geométrico, porque não tem
        integrado. Também, ao mesmo tempo, LLORENS & SANTONJA (1997) concluem
        que estes estudantes consideram trivial pedir para calcular a área de um quadrado
        cujo lado mede 1 metro ou de um triângulo retângulo como os que aparecem nos
        gráficos anteriores.


6.       HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO                                DO      CÁLCULO
     DIFERENCIAL E INTEGRAL
            O objetivo deste capitulo é trazer um pouco de como se desenvolveram os
     conceitos de Cálculo, como funções, limites, derivadas e integrais.

           De acordo com ÁVILA (1985, p. 14),
                                       Muita gente tem a impressão de que matemática é
                                       estática; de que os conceitos, uma vez formulados,
                                       se cristalizam como coisas completas e acabadas,
                                       que permanecem imutáveis; de que os resultados,
                                       uma vez obtidos, se somam uns aos outros na
                                       acumulação de um corpo de conhecimento que não
                                       tem outra dinâmica interna que a do crescimento
                                       de unidades novas.
46
           Dessa forma, os conceitos do Cálculo Diferencial e Integral exemplificam bem
    isto, relacionados à: funções, limites, derivadas e integrais, ou seja, através de nexos
    conceituais relacionais aos conceitos de Cálculo, como a fluência, a interdependência e
    o movimento, mostram a Matemática com não estática.
           Assim, ao passarmos por 4.000 anos de evolução da história de destes conceitos,
    vemos claramente a constante mudança e transformação da Matemática como um todo,
    bem como dos conceitos de Cálculo, ou seja, desta forma da Babilônia, em 2.000 a.C.
    até ao final do século XX, num constante mudar e transformação destes conceitos, ao
    logo da história.
           Dessa foram, podemos começar nosso trabalho fazendo uma pergunta que foi
    feita pelos professores WAGNER e CARNEIRO (2004), na RPM Nº 60, que os alunos
    a fazem constantemente, que foi:
•          Vale a pena estudar Cálculo?

           A resposta parece fácil, mas não é bem assim, pois de acordo com ÁVILA
    (2006), desde que se comece com uma apresentação bem simples e modesta do que seja
    derivada, pode-se mostrar como isso ocorre num contexto do estudo de funções.
           Ainda, de acordo com ÁVILA (2006), é importante que esses conceitos de
    funções, limites e derivadas, bem como o de integral, sejam integrados, e não separados
    em blocos estanques.
           Dessa forma, nosso primeiro passo é mostrar o desenvolvimento histórico dos
    conceitos de função, limite, derivada e integral.
           Assim, com esta seqüência de tópicos, podemos começar levantando a gênese do
    desenvolvimento histórico dos conceitos de funções, limites, derivadas e integrais, para
    que posteriormente possamos identificar os nexos conceituais respectivos.
           Assim, passemos a tal levantamento histórico.


    6.1 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE FUNÇÕES

           De acordo com AVILA (1985), os matemáticos só chegaram ao conceito de
    função tal como conhecermos hoje, depois de um período de evolução do Cálculo, por
    mais de cento e cinqüenta anos.
47
       Porém, antes      de chegarmos       a este período, vamos             ver que para
YOUSCHKEVITCHI (1981), citado por OLIVEIRA (1997), existem três etapas
principais do desenvolvimento de funções, a saber:
       •   Antiguidade: Etapa no curso no qual o estudo de diferentes casos de
           dependência entre duas quantidades ainda não isolou as noções de gerais de
           quantidades variáveis e de funções.

       •   Idade Média: Nesta etapa, as noções, são pela primeira vez, e de maneira
           precisa, expressas sob uma forma geométrica e mecânica, mas durante a
           qual, como na antiguidade, cada caso concreto de dependência entre duas
           quantidades, são definidas por uma descrição verbal, ou por um gráfico, de
           preferência fórmula.

       •   Período Moderno: No curso, da qual, no fim do século XVI, e durante o
           século XVII, as expressões analíticas de funções começam a prevalecer; a
           classe de funções analíticas geralmente é expressa por meio de soma de
           séries infinitas, tornando-se logo a principal classe utilizada.




6.2.1 CONCEITO DE FUNÇÕES NA ANTIGUIDADE
       Segundo OLIVEIRA (1997), a antiguidade foi a época da concepção de função,
pois a idéia de funcionalidade de uma certa maneira, segundo SÁ at all (2003), não é
recente na mente humana. Por exemplo, quando o homem levado pela necessidade,
passou a associar uma pedra a cada animal visando ao controle de seu rebanho,
poderíamos encarar essa relação de dependência entre as pedras e os animais como uma
relação funcional.
       Levando em consideração esse raciocínio, podemos citar os babilônicos que
construíram tabelas em argila, e para cada valor na primeira coluna existia um número
na segunda, que era o resultado da multiplicação do número da primeira por uma
constante, segundo SÁ at all (2003). Já OLIVEIRA (1997), ressalta que os Babilônios,
em 2.000 a. C., fizeram tabelas sexagesimais de quadrados e de raízes quadráticas, de
cubos e raízes cúbicas, e outras, revelando o “instinto funcional”.
48
       É importante destacar que, para os Babilônios, cada problema exigia uma nova
análise, pois eles não desenvolveram procedimentos ou regras gerais para resolverem
problemas semelhantes (SÁ at all, 2003).
        Semelhante aos babilônicos, os egípcios construíram também tabelas, na
maioria das vezes em papiros, que segundo BOYER (1974) apresentavam o resultado
de investigações empíricas, ou na melhor das hipóteses, generalizações que eram o
resultado da indução incompleta de casos mais simples para casos mais complicados.
       Dentre os gregos, poderíamos citar a contribuição de Ptolomeu. Em sua obra
Almagesto, desenvolveu idéias funcionais.
       Segundo MENDES (1994, p.12), AABOE (1984, p.20) cita que ele trabalhou na
área da astronomia, e que, desenvolveu ferramentas matemáticas, entre elas a
trigonometria. Ele utilizou tabelas envolvendo a função da corda do arco x, ou crd x,
mas sem fazer referência a palavra função. E ainda entre as idéias funcionais gregas
temos os symptons, que eram a condição necessária para que um ponto pertencesse a
uma curva. Apolônio e Arquimedes chegaram a utilizar os symptons.
       Já OLIVEIRA (1997) fala que entre os Pitagóricos aparece a idéia de função no
estudo da interdependência quantitativa diferentes em quantidades físicas, como por
exemplo, o comprimento e a altura da nota emitida por cordas da mesma espécie,
pinçadas com tensões iguais, o que revelou uma interdependência inesperada entre
número, espaço e harmonia.
       Assim, apesar de tantos exemplos que indicam a presença das dependências
funcionais, “não havia nenhuma idéia geral de funcionalidade na Antiguidade”,
YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 13), o que mostra que o pensamento matemático na
Antiguidade não criou nenhuma noção geral nem de quantidade variável nem de função.


6.2.2 CONCEITO DE FUNÇÕES NA IDADE MÉDIA
       Segundo OLIVEIRA (1997), a primeira vez que a noção de função aparece
numa forma “mais genérica” é no século XII, nas escolas de filosofia natural em Oxford
e Paris, onde cada problema era tratado de maneira isolada.
       Foi nesta época, a Idade Média, que o Bispo parisiense de Lisieux Nicole
Oresme (1323 – 1382), que segundo BOYER (1974), em um trabalho intitulado de
Tractatus de Latitudinibus Formarum, feito por um discípulo ou até por ele mesmo,
49
seria o resumo de uma obra maior do próprio Oresme, Tractatus de Potentiarum et os
problemas utilizando métodos mais gerais.
         Um dos objetivos visados por Oresme, segundo OLIVEIRA (1997), com seu
método era permitir às pessoas a compreensão mais rápida e fácil da natureza das
mudanças, onde suas representações se mostram à frente, em direção ao conceito de
função ou variável dependente.
         Dessa forma, não podemos dizer que ele utilizasse de funções, pois ele não se
interessava pela forma na qual uma qualidade varia por razão do objeto que está
dependendo. Assim, suas representações eram imaginárias e qualitativas. (OLIVEIRA,
1997).


6.2.3 CONCEITO DE FUNÇÕES NA IDADE MODERNA
         Segundo SÁ et all (2003), é com Galileu Galilei (1564-1642) que surge o
interesse em debater quantitativamente os axiomas, mensuráveis e que, portanto
poderiam ser relacionados por fórmulas. MENDES (1994) cita que o principal interesse
de Galileu era entender como os fenômenos ocorriam, com o intuito de descrever as
mudanças da natureza. Segundo KLINE (1972), citado por MENDES (1994), foi o
estudo do movimento que originou o
                                         conceito de uma função ou de uma relação entre
                                         variáveis.   Porém    Galileu      não   formalizou
                                         explicitamente a palavra função.


         É com o estudo de Galileu sobre movimento, e conseqüentemente a velocidade,
a aceleração e a distância percorrida.
         OLIVEIRA (1997) ressalta que sua insistência em querer estudar os movimentos
da forma quantitativa, por intermédio da experimentação, contribuiu para a evolução da
noção de função, ao lidar de forma funcional com as causas e efeitos, trazendo a
necessidade essencial da concepção de variável dependente.
         No século XVI ainda não havia surgido à idéia de estudar a equação geral de
uma classe inteira de equações, o que só surgiu com Viète.
         Segundo YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 23), citado por OLIVEIRA (1997),
50
                                    A importância desta notação que, pela primeira
                                    vez, tomou possível a colocação por escrito sob
                                    uma forma simbólica das equações algébricas e de
                                    expressões contendo quantidades desconhecidas e
                                    coeficientes arbitrários (um trabalho que também
                                    nascem com Viète) poderia ser subestimada.
                                    Entretanto, o criado da nova Álgebra não utiliza
                                    sua notável descoberta para “fazer avançar” o
                                    conceito de função: pensar em termos de função
                                    não foi característica de seu espírita.


       René Descartes (1596-1650), e Pierre de Fermat (1601-1665), magistrado em
Toulouse, desenvolveram separadamente as bases teóricas da geometria analítica.
       Fermat, citado por OLIVEIRA (1997), diz que “tão logo duas quantidades
desconhecidas aparecem em uma igualdade, há u lugar geométrico e o ponto terminal
de uma das duas quantidades descreve uma reta ou curva”.
       BAUMGART (1992, p. 83), citado por SÁ at all (2003), afirma que Descartes
chegou a definir função como qualquer potência de x, como x², x³, ...
       De fato, segundo OLIVEIRA (1997, p. 18),
                                    Aparece em “La Geométrie” a noção de função de
                                    forma mais detalhada, e completamente clara,
                                    sustentada pela idéia de que a equação em x e u é
                                    um meio de introduzir uma dependência entre
                                    quantidades variáveis de modo a permitir o
                                    cálculo dos valores de uma delas correspondendo
                                    aos valores dados da outra. Tal método de
                                    representação foi estendido a outros ramos da
                                    matemática, em especial ao cálculo infinitesimal.


       Vem o século XVIII e com ele destacam-se Isaac Newton (1642-1727) e
Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716).
51
       Newton, segundo SÁ at all (2003), direcionou suas pesquisas dentro da Física,
especificamente no campo da Mecânica, e como frutos para a matemática desenvolveu
os métodos infinitesimais. Assim, KLEINE (1989, p.289), citado por MENDES (1994,
p. 26), acredita que a maior contribuição de Newton dentro do conceito de função foram
suas descobertas a respeito de séries de potências, e é ele quem introduz o termo
“variável independente”.
       Já foi Leibniz quem introduz a palavra “função”, que apareceu no trabalho
intitulado “Methodus tangentium inversa, seu de fonctionibus”, no qual ganha o
seguinte sentido: o de um termo geral para diferentes segmentos ligados a uma curva
dada. Já, segundo OLIVEIRA (1997), o conceito de função aparece num sentido mais
amplo na geometria diferencial em artigos publicado em 1692 e 1694 onde ele chama de
segmentos de retas obtidas por construção de retas correspondendo a um ponto fixo e a
pontos de uma curva dada.
       Já a primeira definição explicita como expressão analítica aparece com Jean
Bernoulli (1694 – 1698). De acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 35), temos:
                                    “Chamamos função de uma grandeza variável
                                    uma quantidade composta de qualquer maneira
                                    que seja desta grandeza variável e constante.”


       Segundo OLIVEIRA (1997), na sua definição, Bernoulli não dá indicação sobre
o modo de construir função a partir da variável independente.
       Leonhard Euler (1707-1783) nascido em Bâle na Suiça, foi aluno de Jean
Bernoulli, foi figura essencial no desenvolvimento do conceito de função, onde segundo
o qual uma função não necessitava unicamente de uma expressão analítica e ele também
introduziu o símbolo f(x). Segundo SÁ at all (2003), no segundo volume de
Introduction in Analysin Infinitorum, Euler diferenciou as funções contínuas e
descontínuas, levando em consideração a lei de formação de cada função. Aquelas que
fossem definidas por apenas uma expressão analítica seria classificada como contínua e
caso essa lei mudasse em qualquer intervalo do domínio automaticamente se
classificaria como descontínua ou mista.
       É no século XVIII, segundo SÁ at all (2003), que o Problema da Corda Vibrante
mexe com o raciocínio dos matemáticos da época e que vai influenciar na reformulação
52
do conceito de função. O questionamento seria determinar a função que iria reger o
formato de uma corda elástica, com os pontos iniciais e final fixos, num determinado
tempo t.




        GRÁFICO 5: FUNÇÃO QUE REGE UMA CORDA ELÁSTICA.


        Foi D’Alembert (1717-1783) que publicou um trabalho sobre as cordas
vibrantes, onde resolveu a uma equação diferencial e a chamou de equação da onda em
que y representaria o deslocamento transversal do ponto x da corda no tempo t. Vale
lembrar que Daniel Bernoulli também publica um trabalho sobre o tema.
        Foi oferecido em 1787, que um prêmio foi oferecido pela Academia de São
Petesburgo, para quem melhor explicasse como eram as funções arbitrárias que
poderiam ser obtidas nas soluções de equações diferenciais parciais. O ganhador foi
Louis Arbogast (1759-1803), que segundo MENDES (1994, p. 36) citando EDWARDS
(1979, p. 303), argumentou que tais funções não poderiam ser contínuas, mas para isso
ele conceituou continuidade:
        A lei de continuidade consiste em que uma quantidade não pode passar de um
estado para o outro sem passar através de todos os estágios intermediários que são
sujeitos à mesma lei. Esta continuidade pode ser destruída de duas formas: A função
pode mudar sua forma, quer dizer, a lei pela qual a função depende das variáveis pode
mudar repentinamente. Uma curva formada pela reunião de muitas porções de curvas
diferentes é deste tipo...

        Não é nem necessário que a função y seja expressa por uma equação para um
certo intervalo da variável; ela pode mudar continuamente sua forma, e alinha que a
representa, ao invés de ser uma reunião de curvas regulares, pode ser tal que em cada
um destes pontos ela se torne uma curva diferente; quer dizer ela pode ser inteiramente
irregular e não seguir qualquer lei para qualquer intervalo mesmo pequeno.
53
       De acordo com SÁ at all (2003), Jean Baptiste Joseph Fourier (1768- 1830),
secretário do Instituto do Egito, destaca-se na virada do século XVIII para o século
XIX, com seus estudos sobre a propagação do calor. Em 1822 publica La Théorie
Analytique de la Chaleur onde afirmou que qualquer função poderia ser expressa por
uma série trigonométrica.

       ÁVILA (1985, p. 20) afirma que apesar de Daniel Bernoulli em 1753 já tivesse
discutido tal questão de maneira mais restrita, foi com Fourier que ela se tornou
realmente presente no mundo matemático.
       Perto do fim do século XVIII, ainda de acordo com SÁ at all (2003), quando
muitos absurdos e contradições tinham surgido na matemática, sentiu-se que era
essencial examinar as bases da análise para dar-lhes uma fundamentação, foi uma
reação ao emprego descontrolado da intuição e do formalismo do século anterior.
Assim, a própria idéia de função teve que ser esclarecida e noções como a de limite,
continuidade, diferenciabilidade e integrabilidade tiveram de ser cuidadosa e claramente
definidas.
       Bolzano (1781-1848), segundo BOYER (1974), foi considerado pioneiro nessa
formalização, pois em 1817, publica Functionlehre onde conceitua continuidade muito
próxima do conceito atual. Ele também demonstrou o teorema do valor médio, hoje
muito utilizado em cursos regulares de cálculos, mas que segundo LEITÃO (2009) no
seu contexto original, este resultado não se referia apenas ao movimento local, isto é, a
grandeza que se encontra a variar, não era necessariamente a velocidade.




       FIGURA 3: REPRESENTAÇÃO DO TEOREMA DO VALOR MÉDIO.
54
       Segundo MENDES (1994), já no século XIX iniciou-se um processo de
fundamentação rigorosa da Análise, que foi conhecido como Aritmetização da Análise.
Neste período, se inspiraram nos trabalhos de Euler os matemáticos: Condorcet (1778),
Cauchy (1789) Lacroix (1797), Fourier (1821) e Lobatchevsky (1837).
       Já em meados do século XIX, segundo OLIVEIRA (1997) e SÁ at all (2003), as
funções já não precisavam ter a forma “bem comportada” com que os matemáticos
estavam acostumados. De acordo com BOYER (1974), em 1837, Dirichlet sugeriu uma
definição muito ampla de função:
                             “Se uma variável y está relacionada com uma variável x
                             de tal modo que, sempre que é dado um valor numérico a
                             x, existe uma regra segundo a qual um valor único de y
                             fica determinado, então diz-se que y é uma função da
                             variável independente x.”
       Ou seja, temos:




       Com a ≠ b, a e b constantes.
       Segundo OLIVEIRA (1997), a definição geral de função dada nos cursos de
análise matemática no fim do século XIX e no começo do século XX era a de Hankel,
que diz ter se baseado em Dirichlet, é a seguinte, de acordo com YOUSCHKEVITCHI
(1981, p. 61):
                             Diz-se que y é uma função de x se a cada valor de x de um
                             certo intervalo, corresponde um valor bem definido de y
                             sem que isto exija, entretanto que y seja bem definido
                             sobre todo intervalo pela mesma lei em função de x, nem
                             mesmo que y seja definido por uma expressão matemática
                             explicita de x.”
55
        O alemão Georg Friedrich Bernhard Riemann, também deixou sua marca no
século XIX. ÁVILA (1985, p. 29) acredita que os estudos de Riemann foram
influenciados por Dirichlet, daí seu interesse pelas séries trigonométricas. E como essas
séries trigonométricas apresentavam integrais como coeficiente, Riemann preocupou-se
com o esclarecimento dos critérios de integrabilidade, surgindo aí o conceito de
“integral de Riemann.”
        De acordo com SÁ at all (2003), Karl Theodor Weierstrass (1815 - 1897)
nascido em Ostenfeld na Alemanha, foi professor de matemática em Deutsche –Croner,
desvinculou continuidade de diferenciabilidade em 1872, quando sugere uma função
contínua e não diferenciável.
        Segundo BOYER (1989, p. 142), Weierstrass definiu função como uma série de
potência juntamente com todas as que podem ser obtidas dela por prolongamento
analítico.
        Já OLIVEIRA (1997) afirma que, a matemática moderna teve dificuldades em
estabelecer a definição universal de função que não é algorítmica.
        De acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 64), em 1972, Weyl sustenta
que:
                                              “Ninguém jamais soube explicar o que é
                                              função. Mas uma função f é definida se pó
                                              um meio qualquer podemos associar a um
                                              número a, um numero b... Dizemos então
                                              que b é um valor da função f para o valor a
                                              do argumento.”


        Em meados do século XX, a filosofia formalista predominou nos textos
matemáticos. Então, assim, de acordo com SÁ at all (2003), o nome Nicolas Bourbaki
se destaca no século XX, que foi um nome grego de um suposto autor francês, nascido
em Nancy, assinou várias obras. Porém acredita-se que seria um grupo de matemáticos
que resolveram ter em Nicolas Bourbaki um pseudônimo.
        Em Théorie des Ensembles, conceituou função de duas maneiras:
                                “Sejam E e F dois conjuntos, distintos ou não. Uma
                                relação entre uma variável x de E é uma variável y de F é
56
                            dita uma relação funcional em y, ou relação funcional de
                            E em F, se qualquer que seja x ª E, existe um e somente
                            um elemento y ª F que estejam associados a x na relação
                            considerada. Dá-se o nome de função à operação que
                            desta forma associa a todo o elemento x ª E o elemento y ª
                            F que se encontra ligado a x na relação dada; diz-se que
                            y é o valor da função para o elemento x, e que a função
                            está determinada pela relação funcional considerada.
                            Duas relações funcionais equivalentes determinam a
                            mesma função.” MENDES(1994, p. 53).


       De acordo com SÁ at all (2003, p. 14 – 17), segue abaixo um quadro resumo da
evolução dos conceitos de funções:




TABELA 4: RESUMO DAS PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES PARA FUNÇÕES.
57
58
59
60




       6.2.4 NEXOS CONCEITUAIS DE FUNÇÕES
       Quando começamos a analisar os nexos conceituais de funções, podemos
recorrer a CARAÇA (1951), e ele sugere que comecemos por trabalharmos a
regularidade de um fenômeno, ou seja, a lei qualitativa. Aqui CARAÇA (1951, p. 127)
afirma que:
                                  quando queremos estudar leis qualitativas, temos
                                  que criar um instrumento matemático cuja
                                  essência seja a correspondência de dois conjuntos.
61
       Hora, se relembrarmos o item 2.2.1 deste trabalho, podemos citar SÁ at all
(2003) que afirma que os babilônios construíram tabelas em argila, onde na primeira
coluna existia um número na segunda, que era o resultado da multiplicação do número
da primeira por uma constante, em 2.000 a. C., que revelaria seu “instinto funcional”.
       Dessa forma, temos a construção de tabelas já pelos babilônicos, ou seja, em
essência é a correspondência entre conjuntos, mas a busca por leis qualitativas veio
somente mais tarde com Galileu Galilei.
       Já OLIVEIRA (1997) ressalta que o estudo dos movimentos da forma
quantitativa, por intermédio da experimentação, contribuiu para a evolução da noção de
função. Porém, é exatamente aqui que queríamos chegar, pois com Galileu Galilei,
segundo KLINE (1972), o estudo da natureza e do movimento, originou o conceito de
uma função ou de uma relação entre variáveis.
       Vimos em 2.2.3 que foi Descartes que chegou a definir função como qualquer
potência de x, como x², x³, .... De fato, segundo OLIVEIRA (1997, p. 18),
                                     aparece em “La Geométrie” a noção de função de
                                     forma mais detalhada, e completamente clara,
                                     sustentada pela idéia de que a equação em x e u é
                                     um meio de introduzir uma dependência entre
                                     quantidades variáveis de modo a permitir o
                                     cálculo dos valores de uma delas correspondendo
                                     aos valores dados da outra. Tal método de
                                     representação foi estendido a outros ramos da
                                     matemática, em especial ao cálculo infinitesimal.


       Assim, surgia o problema de se trabalhar com o conceito de variável x, mas
afinal, segundo CARAÇA (1951), quem é x, sem coincidir individualmente com
nenhuma dos números do intervalo, é suscetível de representar todos?
       Ora, CARAÇA (1951) vem ainda dizer que a variável é e não é cada um dos
elementos do conjunto, ou que faz com que vemos como uma primeira de suas
características a fluência, que nada mais é que a representação da natureza, que tudo
flue, tudo se transforma.
62
       Sabemos também que Newton e Liebnitz deram contribuições para o conceito de
função, mas a primeira expressão analítica aparece com Jean Bernoulli (1694 – 1698).
De acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 35), temos:
                                       “Chamamos função de uma grandeza variável
                                       uma quantidade composta de qualquer maneira
                                       que seja desta grandeza variável e constante.”


       Neste ponto, CARAÇA (1951) nos diz que:
                                       Sejam x e y duas variáveis representativas de
                                       conjuntos de números; diz-se que y é função de x e
                                       escreve-se:
                                       y = f(x)              (1)
                                       se   entre    as   duas     variáveis   existe   uma
                                       correspondência unívoca no sentido x →y. A x
                                       chama-se variável independente, a y variável
                                       dependente.


       Dessa forma, podemos ver que após estabelecer qual a variável dependente e a
independente, CARAÇA (1951), passa a questionar, de que forma podemos fazer a
correspondência entre estas duas variáveis. Então, foi dessa forma que no final do
século XVII e inicio do século XVIII, os matemáticos passaram a fazer tais
questionamentos, chegando à primeira definição analítica por Jean Bernoulli. Já Euler
vem depois e estabelece uma definição mais clara de função, e traz sua representação.
       Por outro lado, CARAÇA (1951), vem dizer que definição este modo de
definição consiste em dar um conjunto de modo tal que, por meio delas, se possa fazer
corresponder a cada valor a de x um valor b de y.
       CARAÇA (1951) afirma que no final do século XIX, pela insuficiência da
definição de funções, surgiu a moderna definição dada por Riemann-Dirichilet,
ganhando generalidade ao estabelecer a correspondência das variáveis, mas isso a fez se
afastar das condições em que surgiu.
63
       Já de acordo com BOYER (1974), Dirichlet em 1837, sugeriu uma definição
muito ampla de função, a qual CARAÇA (1951) chama de definição de Riemann-
Dirichilet:
                                     “Se uma variável y está relacionada com uma
                                     variável x de tal modo que, sempre que é dado um
                                     valor numérico a x, existe uma regra segundo a
                                     qual um valor único de y fica determinado, então
                                     diz-se   que   y   é   uma    função    da   variável
                                     independente x.”


6.3 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE LIMITES

       Sabemos que, de acordo com THOMAS (2002), entre todos os conceitos
principais do cálculo - derivada, continuidade, integral, convergência/divergência, são
definidos em termos de limites, e assim é considerado o conceito básico do Cálculo.
Logo, em termos do desenvolvimento histórico e lógico do cálculo, os limites deveriam
vir primeiro, mas vendo o desenvolvimento histórico do Cálculo, observamos o
contrário, já que por vários séculos, ainda segundo THOMAS (2002), as noções de
limite eram confusas, com idéias vagas e algumas vezes filosóficas sobre o infinito
(números infinitamente grandes e infinitamente pequenos e outras entidades
matemáticas) e com intuição geométrica subjetiva e indefinida. O termo limite em nosso
sentido moderno, de acordo com BOYER (1989), é um produto do iluminismo, levando
a saber que nossa definição moderna tem menos de 150 anos de idade.

       A primeira vez em que a idéia de limite apareceu, segundo DINIZ (2006), foi
por volta de 450 a.C., na discussão dos quatro paradoxos de Zenão. Por exemplo, no
primeiro paradoxo - a Dicotomia - Zenão discute o movimento de um objeto que se
move entre dois pontos fixos, A e B, situados a uma distância finita, considerando uma
seqüência infinita de intervalos de tempo - T 0, T1, T2,..., Tn,... - cada um deles sendo o
tempo gasto para percorrer a metade da distância percorrida no movimento anterior.

       Veja a figura abaixo:
64




       FIGURA 4: REPRESENTAÇÃO DO PRIMEIRO PARADOXO DE ZENÃO.
       Analisando o problema, Zenão concluiu que dessa maneira o móvel nunca
chegaria em B. Aristóteles (384 - 322 a.C.), refletiu sobre os paradoxos de Zeno com
argumentos filosóficos. Para provas rigorosas das fórmulas de determinadas áreas e
volumes, Arquimedes encontrou diversas somas que contêm um número infinito de
termos. Na ausência do conceito de limite, Arquimedes utilizava argumentos
denominados dupla reductio ad absurdum.
       Segundo BOYER (2006), para suas demonstrações rigorosas das fórmulas para
certas áreas e volumes, Arquimedes (287--212 a.C.) encontrou várias séries infinitas –
somas que contêm um número infinito de termos. Não possuindo o conceito de limite
propriamente dito, Arquimedes inventou argumentos muito engenhosos chamados de
redução ao absurdo duplo, que, na verdade, incorporam alguns detalhes técnicos do que
agora chamamos de limites.
       Cálculo é também algumas vezes descrito como o estudo de curvas, superfícies e
sólidos. O desenvolvimento da geometria destes objetos floresceu seguindo a invenção
da geometria analítica por Pierre Fermat (1601--1665) e René Descartes (1596--1650).
A geometria analítica é, essencialmente, o casamento da geometria com a álgebra, e
cada uma melhora a outra.
       Fermat, segundo THOMAS (2002), desenvolveu um método algébrico para
encontrar os pontos mais altos e mais baixos sobre certas curvas. Descrevendo a curva
em questão por uma equação, Fermat chamou um número pequeno de E, e então fez
alguns cálculos algébricos legítimos, e finalmente assumiu E = 0 de tal maneira que
todos os termos restantes nos quais E estava presente desapareceriam. Essencialmente,
Fermat colocou de lado o limite com o argumento que E é "infinitamente pequeno".
65
Geometricamente, Fermat estava tentando mostrar que, exatamente nos pontos mais
altos e mais baixos ao longo da curva, as retas tangentes à curva são horizontais, isto é,
têm inclinação zero.
          Encontrar retas tangentes às curvas é um dos dois problemas mais fundamentais
do cálculo. Problemas envolvendo tangentes são uma parte do que chamamos agora de
estudo das derivadas. Durante o século XVII, segundo BOYER (1989), vários
geômetras desenvolveram esquemas algébricos complicados para encontrar retas
tangentes a certas curvas. Descartes tinha um processo que usava raízes duplas de uma
equação auxiliar, e essa técnica foi melhorada pelo matemático Johan Hudde (1628--
1704), que era também o prefeito de Amsterdã. René de Sluse (1622--1685) inventou
um método ainda mais complicado para obter tangentes a curvas. Em cada um desses
cálculos, o limite deveria ter sido usado em alguma etapa crítica, mas não foi. Nenhum
destes geômetras percebeu a necessidade da idéia de limite, e assim cada um encontrou
uma maneira inteligente para alcançar seus resultados, os quais estavam corretos, mas
com meios que, agora reconhecemos, faltam fundamentos rigorosos.
          De acordo com THOMAS (2002), em quase todos os seus trabalhos que agora
são considerados como cálculo, Isaac Newton (1642 – 1727), também não reconheceu o
papel fundamental do limite. Para séries infinitas, Newton raciocinou meramente por
analogia: se fosse possível executar operações algébricas em polinômios, então seria
possível fazer o mesmo com o número infinito de termos de uma série infinita. Newton
calculou o que ele chamou de flúxions a curvas, não exatamente derivadas, mas muito
próximo. O processo que ele usou para esses cálculos era muito próximo do método de
Fermat. Neste e na maioria dos outros trabalhos comparáveis, Newton negligenciou o
limite.
          Por outro lado, em seu Principia Mathematica (1687), segundo EVES (1996),
talvez o maior trabalho em matemática e ciência, Newton foi o primeiro a reconhecer
que o limite deve ser o ponto de partida para problemas de tangência, quadratura e afins.
No início do Livro I do Principia, Newton tentou dar uma formulação precisa do
conceito de limite.
          Já THOMAS (2002), afirma que o cálculo se desenvolveu rapidamente pelos
seus vários sucessos no século XVIII, e pouca atenção foi dada aos seus fundamentos,
muito menos ao limite e seus detalhes. Colin Maclaurin (1698 -1746) defendeu o
66
tratamento dos fluxions de Newton do ataque de George Berkeley. Mas Maclaurin
reverteu a argumentos do século XVII similares aos de Fermat e apenas ocasionalmente
usou a redução ao absurdo dupla de Arquimedes. Apesar de suas boas intenções,
Maclaurin passou por oportunidades de seguir a sugestão de Newton sobre limites. Jean
Le Rond d'Alembert (1717--1783) foi o único cientista daquele tempo que reconheceu
explicitamente a importância central do limite no cálculo.
       Na famosa Encyclopédie (1751--1776), d'Alembert afirmou que a definição
apropriada da derivada necessitava um entendimento do limite primeiro e então, deu a
definição explícita: Uma quantidade é o limite de uma outra quantidade quando a
segunda puder se aproximar da primeira dentro de qualquer precisão dada, não importa
quão pequena, apesar da segunda quantidade nunca exceder a quantidade que ela
aproxima.
       A preocupação sobre a falta de fundamento rigoroso para o cálculo, segundo
BOYER (1989), cresceu durante os últimos anos do século XVIII. Em 1784, a
Academia de Ciências de Berlim ofereceu um prêmio para um ensaio que explicasse
com sucesso uma teoria do infinitamente pequeno e do infinitamente grande em
matemática e que poderia, por sua vez, ser usada para colocar uma base sólida para o
cálculo. Embora este prêmio tenha sido dado, o trabalho vencedor "longo e tedioso" de
Simon L'Huilier (1750 -1840) não foi considerado uma solução viável para os
problemas colocados. Lazare N. M. Carnot (1753--1823) produziu uma tentativa
popular de explicar o papel do limite no cálculo como "a compensação de erros" - mas
ele não explicou como estes erros se cancelariam mutuamente perfeitamente.
       No final do século XVIII, segundo THOMAS (2002), o grande matemático da
época, Joseph-Louis Lagrange (1736 –1813), conseguiu reformular toda a mecânica em
termos de cálculo. Nos anos que seguiram a Revolução Francesa, Lagrange concentrou
sua atenção nos problemas da fundamentação do cálculo. Sua solução, Funções
Analíticas (1797), desligou o cálculo de "qualquer consideração do infinitamente
pequeno ou quantidades imperceptíveis, de limites ou de flúxions." Renomado por suas
outras contribuições ao cálculo, Lagrange fez um esforço heróico (como sabemos agora,
com uma falha fatal) para tornar o cálculo puramente algébrico eliminando limites
inteiramente.
67
       Ao longo do século XVIII, segundo BOYER (1989), havia pouca preocupação
com convergência ou divergência de seqüências e séries infinitas; hoje, entendemos que
tais problemas requerem o uso de limites. Em 1812, Carl Friedrich Gauss (1777--1855)
produziu o primeiro tratamento estritamente rigoroso da convergência de seqüências e
séries, embora ele não tenha usado a terminologia de limites. Na sua famosa Teoria
Analítica do Calor, Jean Baptiste Joseph Fourier (1768--1830) tentou definir a
convergência de uma série infinita, novamente sem usar limites, mas então ele afirmou
que qualquer função poderia ser escrita como uma de suas séries, e não mencionou a
convergência ou divergência desta série.
       No primeiro estudo cuidadoso e rigoroso das diferenças entre curvas contínuas e
descontínuas e funções, Bernhard Bolzano (1781-1848) olhou além da noção intuitiva
da ausência de buracos e quebras e encontrou os conceitos mais fundamentais os quais
expressamos hoje em termos de limites.
       No começo do século XVIII, de acordo com THOMAS (2002), as idéias sobre
limites eram com certeza, confusas. Enquanto Augustin Louis Cauchy (1789 -1857)
estava procurando por uma exposição clara e rigorosamente correta do cálculo para
apresentar aos seus estudantes de engenharia na École Polytechnique em Paris, ele
encontrou erros no programa estabelecido por Lagrange. Então, Cauchy começou o seu
curso de cálculo do nada; ele começou com uma definição moderna de limite.
Começando em 1821, ele escreveu as suas próprias notas de aula, essencialmente seus
próprios livros, o primeiro chamado de Cours d’analyse (Curso de Análise). Nas suas
classes e nestes livros-texto clássicos, Cauchy usou o princípio de limite como a base
para introduções precisas à continuidade e convergência, a derivada, a integral, e o resto
do cálculo. Assim, perdeu alguns dos detalhes técnicos, especialmente na aplicação da
sua definição de limite a funções contínuas e à convergência de certas séries infinitas.
       Nas décadas de 1840 e 1850, afirma BOYER (1898), enquanto era um professor
do ensino médio, Karl Weierstrass (1815 – 1897) determinou que a primeira etapa
necessária para corrigir estes erros era restabelecer a definição original de Cauchy do
limite em termos estritamente aritméticos, usando apenas valores absolutos e
desigualdades. A exposição de Weierstrass é exatamente aquela que encontramos no
livro de Cálculo de Thomas. Weierstrass prosseguiu em uma carreira brilhante como
68
professor de matemática na Universidade de Berlim. Lá ele desenvolveu um programa
para trazer rigor aritmético para todo o cálculo e à análise matemática.
       Aqui, passemos a uma breve análise dos nexos conceituais de limites, com
respeito à História da Matemática, como segue.
       Então, o primeiro desafio que aparece aqui é o chamado problema do
movimento, que surge a partir um paradoxo de Zenão, da impossibilidade de Aquiles
alcançar a tartaruga.
       Dessa forma, CARAÇA (1951) nos diz que aqui temos a impossibilidade de
trabalhar só com números, e dessa foram, precisamos de um novo conceito, ou seja, a
primeira coisa a fazer é introduzir a noção variável, que pode representar qualquer
número.
       Nessa primeira etapa, CARAÇA (1951) nos diz que é necessário trabalharmos
com pontos muito próximos, o que vai dar origem ao conceito de infinitésimos.
       Assim, por CARAÇA (1951, p. 219), temos:
                                     Definição: Dá se o nome de infinitésimo a toda a
                                     variável representativa de um conjunto de pontos
                                     pertencentes à vizinhança da origem quando nessa
                                     variável considerarmos sucessivamente valores x1,
                                     x2, ..., xn, ... tais que |xn| < δ para todos os valores
                                     de n > n1 e todo δ > 0.


       6.4 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE DERIVADAS

       Segundo DALL’ANESE (2000), atribui-se a “invenção” do Cálculo Diferencial
e Integral a Newton e Leibnitz, na segunda metade do século XVII, através da
sistematização de métodos quer tornaram possível à solução de problemas referentes à
construção de tangentes, cálculo de áreas, volumes, etc.
       Porém, vamos começar pela sua origem nos problemas geométricos clássicos de
tangência, por exemplo, para determinar uma reta que intersecta uma dada curva em
apenas um ponto dado.
       Segundo THOMAS (2002), Euclides (cerca de 300 a.C.) provou o familiar
teorema que diz que a reta tangente a um círculo em qualquer ponto P é perpendicular
69
ao raio em P; e depois Arquimedes (287--212 a.C.) tinha um procedimento para
encontrar a tangente à sua espiral e Apolônio (cerca de 262--190 a.C.) descreveu
métodos, todos um tanto quanto diferentes, para determinar tangentes a parábolas,
elipses e hipérboles. Mas, ainda segundo Thomas (2002), estes eram apenas problemas
geométricos que foram estudados apenas por seus interesses particulares limitados; os
gregos não perceberam nenhuma linha em comum ou qualquer valor nestes teoremas.
       Na realidade, após os Gregos, segundo BOYER (1989), o interesse por tangentes
a curvas reapareceu no século XVII, como parte do desenvolvimento da geometria
analítica. Uma vez que equações eram então usadas para descrever curvas, o número e
variedade de curvas aumentaram tremendamente naqueles estudos em épocas clássicas.
       Por exemplo, Pierre Fermat (1601--1665) foi o primeiro a considerar a idéia de
uma família inteira de curvas de uma só vez. Aqui BOYER (1974), diz que é possível
que Fermat desde 1629 estivesse de posse de sua geometria analítica, pois por essa
época ele fez duas descobertas significativas que se relacionam de perto com seu
trabalho sobre lugares. Ele as chamou de parábolas superiores, curvas da forma y = kxª,
onde k é constante e a = 2, 3, 4, … Esta família de curvas, de acordo com Boyer (1974),
foi estuda num tratado não publicado durante sua vida chamado método para achar
Máximos e Mínimos. Estas curvas citadas acima são freqüentemente chamadas de
“parábolas de Fermat” se a é posivo, ou “hipérboles de Fermat”, se a é negativo.
       De acordo com BOYER (1974, p. 255), temos que:
                             “Para curvas polinomiais da forma y = f(x) ele (Fermat)
                             notou um modo muito engenhoso para achar pontos em
                             que a função assume um máximo ou um mínimo. Ele
                             comparouo valor de f(x) num ponto com a valor f(x + E)
                             num ponto vizinho. Em geral esses valoresserao bem
                             direferentes, mas num alto ou num baixo de uma curva
                             lisa a variação será quase imperceptivel. Portanto para
                             achar os pontos de máximos e minimos Fermat iguala f(x)
                             e f(x + E), percebendo que os valores, embora não
                             exatamente iguais, são quase iguais. Quanto menor o
                             intervalo E entre dois pontos mais perto chega a pseudo-
                             equação de ser uma verdadeira equação; por isso Fermat,
70
                             depois de dividir tudo por E fazia E = 0. Os resultados
                             lhes davam as abcissas dos pontos de máximo e mínimos
                             do polinômio. Aqui em essência tem-se o processo hoje
                             chamado diferenciação, pois o método de Fermat
                             equivale a achar:
                                                                   f ( x + E ) − f ( x)
                                                    Lim E -- > 0
                                                                            E
                             e igualar isso a zero. Portanto, é razoavel acompanhar
                             Lapalce ao saudar Feramt como o descobridor do
                             Cálculo diferencial, bem como co-descobridor da
                             geometria analítica. Evidentemente Fermat não tinha o
                             conceito de limite, mas por outro lado seu método para
                             máximos e mínimos se assemelha ao uado no Cálculo
                             hoje, só que agora se usa em geral o simbolo h ou Δx em
                             lugar do E de Fermat. O processo de mudar ligeiramente
                             a variável e considerar valores vizinhos é a essencia da
                             análise infinitesimal.”


       Assim, de acordo com THOMAS (2002), a introdução de símbolos algébricos
para   estudar   a   geometria   de   curvas   contribuiu    significativamente           para   o
desenvolvimento da derivada, da integral e do cálculo. Por outro lado, como conclusões
e resultados geométricos poderiam ser obtidos mais facilmente usando raciocínio
algébrico que geométrico, os padrões de rigor lógico que tinham sido iniciados pelos
gregos antigos foram relaxados em muitos problemas de cálculo, e isto (entre outros
fatores) levou a controvérsias espirituosas e até amarguradas.
       Foi René Descartes (1596--1650) teve o discernimento de prever a importância
da tangente, e foi ele quem inventou um procedimento de dupla raiz para encontrar a
normal e então a tangente a uma curva. Como resultado da tradução da Geometria de
Descartes para o latim, os princípios e benefícios da geometria analítica tornaram-se
mais amplamente conhecidos. Após, foi Hudde quem simplificou a técnica da dupla raiz
de Descartes para determinar pontos máximos e mínimos sobre uma curva; o
procedimento da dupla raiz foi redescoberto por Christiaan Huygens (1629 - 1695).
71
       Foi René François de Sluse (1622--1685) quem desenvolveu uma técnica
algébrica que levou à inclinação da tangente a uma curva, mas foi para Gilles Personne
de Roberval (1602--1675), que uma curva era o caminho de um ponto se movendo, e ele
desenvolveu um método mecânico para encontrar a tangente para muitas curvas,
incluindo a ciclóide. No entanto, o método de Roberval não podia ser generalizado para
incluir mais curvas.
       Segundo DALL’ANESE (2000), Newton desenvolveu o “Método das Fluxões”
no sei “De methodis Serierum et Fluxionum”, publicado em 1736. Neste, sua intenção
parece ter sido determinar a relação entre variação y e da quantidade x, de uma função y
= f(x), quando x sofre um acréscimo infinitesimal, considerando as quantidades
matemáticas “como se fossem geradas por um aumento contínuo do espaço no qual um
objeto se move descrevendo uma trajetória”.
       Já para THOMAS, Newton estendeu esta técnica como um método para
encontrar a curvatura de uma curva, uma característica que agora sabemos ser uma
aplicação da derivada segunda. Em 1666, 1669 e 1671, Newton resumiu e revisou seu
trabalho de cálculo e estes manuscritos circularam entre um grande número de seus
colegas e amigos. Ainda assim, embora tenha continuado a retornar a problemas de
cálculo em épocas diferentes de sua vida científica, os trabalhos de Newton sobre
cálculo não foram publicados até 1736 e 1745.
       Dessa foram, de acordo com DALL’ANESE (2000), Newton desenvolveu o
“Método das Fluxões” no seu “De Methodis Serierum et Fluxionum”, publicado em
1736, no qual sua intenção parecia ter sido determinar a relação entre a variação da
quantidade y e da quantidade x, de uma função y – f(x), quando x sofre um acréscimo
infinitesimal, considerando as quantidades matemáticas “como se fosse geradas por um
aumento continuo do espaço no qual um objeto se move descrevendo uma trajetória”.
Então, Newton define suas noções de fluentes e fluxões assim:
                                    “Eu chamarei de Quantidades Fluentes, ou
                                    simplesmente Fluentes estas quantidades que eu
                                    considero como aumentadas gradualmente e
                                    indefinidamente , eu as representei pelas ultimas
                                    letras do alfabeto v, x, y e z para distinguir das
                                    outras quantidades que, nas equações, são
72
                                      consideradas como conhecidas e determinadas que
                                      nós representaremos pelas letras iniciais a, b, c,
                                      etc;   eu   representarei    pelas     mesmas    letrs
                                      sobrepostas de um ponto v., x., y., z. as velocidadees
                                      cujas fluentes são aumentadas pelo movimento que
                                      as produz e, por consequencia nós poderemos
                                      chamar Fluxões.”


       Ainda segundo DALL’ANESE (2000), a diferença entre Newton e seus
predecessores, é que ele formulou regras para cobrir soluções gerais da maioria dos
problemas relativos ao cálculo infinitesimal, conhecidos no seu tempo. Também é
citado por DALL’ANESE (2000) que Newton estabeleceu muito tarde a notação padrão
como ponto para representar a diferenciação.
       A notação para derivadas, segundo BOYER (1989), deve-se a Gottfried Wilhelm
Leibniz (1646--1716):
                            dy
                        (      )
                            dx


       Para ele, uma curva era um polígono com um número infinito de lados. Leibniz
(1686) fez y representar uma ordenada da curva e dx a distância infinitesimal de uma
abscissa para a próxima, isto é, a diferença entre abscissas "sucessivas".
       Segundo BOYER (1989), Leibnitz por volta de 1676 tinha chegado à mesma
conclusão que Newton chegara vários anos antes, ou seja, que uma função fosse
racional ou irracional, algébrica ou transcedentes, suas operações de achar somas e
diferenças podiam sempre ser aplicadas. Dessa forma, continua BOYER (1989), a
primeira exposição do cálculo diferencial foi publicada por Leibnitz em 1684, onde ele
deu a as fórmulas dxy = xdy + ydx, d(x/y) = (ydx – xdy)y 2 e dxn = nxn dx, para
produtos, quocientes e potencias (ou raízes), juntamente com as explicações
geométricas.
       Assim, pelo exposto sobre Newton e Leibniz, podemos perceber que foi através
deles que se reconheceu a relação inversa entre problemas de quadratura e de tangentes.
73
       De acordo com DALL’ANESE (2000, p. 34), Augustin Louis Cauchy (1789--
1857) estabeleceu a ligação entre a derivada e os diferenciais, da seguinte forma:


                             “Seja y = f(x) novamente uma função de variável
                             independente x. Seja i uma quantidade infinitamente
                             pequena e h uma quantidade finita. Se dissermos que i
                             =αh, α será, novamente, uma quantidade infinitamente
                             pequena, e teremos a identidade:
                                       f ( x + i ) − f ( x ) f ( x + α h)
                                                            =
                                                 i                αh
                                                                                               (1)
                                              f ( x + α h) − f ( x ) f ( x + i ) − f ( x )
                                      onde,                         =                      h
                                                       α                       i
                             O limite para o qual converge o lado esquerda da
                             equação (1) à medida que α se aproxima indefinidamente
                             de zero e h permanece constante é chamado “diferencial”
                             da função y = f(x). A diferença é indicada por dy ou df(x).
                             Seu valor pode ser facilmente determinado se soubermos
                             o valor da função derivada y’ ou f’(x). De fato, se
                             tomarmos os limites de ambos os lados da equação (1)
                             acharemos um resultado geral:
                                     df(x) = hf’(x)      (2)
                             No caso especial quando f(x) = x, a equação 92) reduz-se
                             a dx = h. Assim, a diferencial da variável independente x
                             é precisamente h. Dado isto, a equação (2) torna-se df(x)
                             = f’(x)dx, ou equivalentemente,
                                     dy = y’dx
                             Essas últimas equações mostram que a derivada y’ = f’(x)

                                                                                                 dy
                             de qualquer função y=f(x) é precisamente igual a (                     ),
                                                                                                 dx
                             isto é, à razão entre a diferencial da função e a
                             diferencial da variável ou, se quisermos, ao coeficiente
74
                           pelo qual devemos multiplicar a segunda diferencial a fim
                           de obtermos a primeira. É por isso que a derivada é
                           chamada às vezes de “coeficiente diferencial”.


6.5 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE INTEGRAIS

         De acordo com THOMAS (2002), o cálculo integral se originou com
  problemas de quadratura e cubatura, ou seja, resolver um problema de quadratura
  significa encontrar o valor exato da área de uma região bidimensional cuja fronteira
  consiste de uma ou mais curvas, ou de uma superfície tridimensional, cuja fronteira
  também consiste de pelo menos uma curva. Para um problema de cubatura,
  queremos determinar o volume exato de um sólido tridimensional limitado, pelo
  menos em parte, por superfícies curvas.
         Recorrendo à história, vemos que quando os antigos geômetras começaram a
  estudar as áreas de figuras planas, eles as relacionavam com a área do quadrado, por
  ser essa a figura plana mais simples. Assim, buscavam encontrar um quadrado que
  tivesse área igual à da figura em questão. Vale aqui lembrar que, de acordo com
  BOYER (1989), a palavra quadratura é um termo antigo que se tornou sinônimo
  do processo de determinar áreas.
         Hoje, sabemos que foi Hipócrates de Chios (cerca de 440 A.C.) executou as
  primeiras quadraturas quando encontrou a área de certas lunas, regiões que se
  parecem com a lua próxima do seu quarto crescente.
         Antiphon (cerca de 430 A.C.) alegou que poderia "quadrar o círculo" com
  uma seqüência infinita de polígonos regulares inscritos: primeiro um quadrado;
  segundo um octógono, a seguir um hexadecaedro, etc. Porém, faltava-lhe o conceito
  de limites para terminar com rigor matemático. Entretanto só depois que Eudoxo
  (cerca de 370 A.C.) fez o desenvolvimento do método de exaustão: uma técnica de
  aproximação da área de uma região com um número crescente de polígonos, com
  aproximações melhorando a cada etapa e a área exata sendo obtida depois de um
  número infinito destas etapas.
         Dessa forma, exemplificando, uma primeira aproximação para a área do
  círculo é dada pela área do quadrado inscrito no círculo. Com o acréscimo de quatro
75
   triângulos isósceles convenientes, obtemos o octógono regular inscrito no círculo,
   cuja área fornece uma aproximação melhor à área do círculo. Ou seja:




       FIGURA 5: REPRESENTAÇÃO DA APROXIMAÇÃO PARA A ÁREA DO
CÍRCULO.


       Continuando com o processo de acrescentar novos triângulos, tomamos um
polígono regular de 16 lados. Do ponto de vista geométrico, é possível observar que já
se tem a impressão de termos exaurido o círculo, embora saibamos que existem algumas
áreas que não foram cobertas.
       De acordo com THOMAS (2002):
                            Para o círculo, Arquimedes primeiro mostrou que a área
                            depende da circunferência; isto é muito fácil de se
                            verificar hoje em dia, uma vez que ambas as fórmulas
                            dependem de p. Então Arquimedes aproximou a área do
                            círculo de raio unitário usando polígonos regulares de 96
                            lados inscritos e circunscritos! Seu famoso resultado foi 3
                            10/71 < p < 3 1/7; mas como estas eram apenas
                            aproximações, no sentido estrito, não eram quadraturas.
                            Esta técnica refinou o método de exaustão, assim quando
                            existe um número infinito de aproximações poligonais,
                            chamamos de método da compressão. O processo de
                            Arquimedes para encontrar a área de um segmento de
                            uma espiral era comprimir esta região entre setores de
                            círculos inscritos e circunscritos: seu método de
                            determinar o volume de um conóide (um sólido formado
                            pela rotação de uma parábola ao redor de seu eixo) era
                            comprimir este sólido entre cilindros inscritos e
76
                         circunscritos. Em cada caso, a etapa final que estabelecia
                         rigorosamente o resultado era o argumento da redução
                         ao absurdo dupla.


       Assim, podemos dizer que a idéia básica do conceito de integral já estava
embutida no método da exaustão atribuído a Eudoxo, desenvolvido e aperfeiçoado
por Arquimedes.
       Já no Império Árabe, segundo BOYER (1989), um dos mais notáveis de
todos matemáticos árabes, Thabit ibn Qurrah (826 – 901) desenvolveu sua própria
cubatura, um tanto complicada, deste sólido; e então o cientista persa Abu Sahl al-
Kuhi (século 10) simplificou consideravelmente o processo de Thabit. Ibn al-
Haytham (965 -1039), usou o método de compressão para encontrar o volume do
sólido formado pela rotação da parábola ao redor de uma reta perpendicular ao eixo
da curva.
       Seguindo a história, chegamos a Johannes Kepler (1571 – 1630) aproximou
os volumes de vários sólidos tridimensionais, cada qual era formado girando uma
região bidimensional ao redor de um eixo.
       Seguindo THOMAS (2002), as próximas grandes contribuições foram de:
   •   Bonaventura Cavalieri (1598--1647), que desenvolveu uma teoria de
       indivisíveis.
   •   Pierre Fermat (1601 – 1665) desenvolveu uma técnica para encontrar as
       áreas sob cada uma das "parábolas de ordem superior" (y = kxn , onde k > 0
       é constante e n = 2, 3, 4, …) usando retângulos estreitos inscritos e
       circunscritos para levar ao método de compressão. Então empregou uma
       série geométrica para fazer o mesmo para cada uma das curvas y = kxn, para
       n = -2, -3, -4, …. Mas, para sua decepção, nunca foi capaz de estender estes
       processos para "hipérboles de ordem superior", ym = kxn.
   •   Por volta da década de 1640, a fórmula geral para a integral de parábolas de
       ordem superior era conhecida de Fermat, Blaise Pascal (1623-1662), Gilles
       Personne de Roberval (1602--1675), René Descartes (1596--1650),
       Torricelli, Marin Mersenne (1588--1648) e provavelmente outros.
77
       •   Roberval e Pascal foram os primeiros a plotar as funções seno e co-seno e a
           encontrar as quadraturas destas curvas (para o primeiro quadrante). Pascal
           aproximou integrais duplas e triplas usando somas triangulares e piramidais.


       Ainda por THOMAS (2002), O Cálculo na forma geométrica, grande parte do
cálculo se desenvolveu nos primeiros dois terços do século XVII com Isaac Barrow
(1630--1677). Após, foi James Gregory (1638--1675) ao pensar na área da região entre
uma curva e o eixo horizontal como uma variável; o extremo esquerdo era fixo, mas o
extremo direito podia variar, permitindo estender algumas fórmulas de quadratura de
Wallis e o levou ao Teorema Fundamental do Cálculo. Já Newton escreveu seu ensaio,
"On the Quadrature of Curves" (Sobre Quadratura de Curvas), escrito entre 1691 e 1693
e publicado como um apêndice na edição de 1704 do seu Opticks. Neste, ele montou
uma tabela extensa de integrais de funções algébricas um tanto complicadas, e para
curvas as quais não podia desenvolver fórmulas de integração, inventou técnicas
geométricas de quadratura. Usando o Teorema Fundamental do Cálculo, Newton
desenvolveu as técnicas básicas para avaliar integrais usadas hoje em dia, incluindo os
métodos de substituição e integração por partes.
       Segundo BOS e BARON (1974), entre as principais contribuições de Newton ao
Cálculo estão:
       •   Formula regras e procedimentos sistemáticos para cobrir as soluções gerais
           da maioria dos problemas relativos ao Cálculo Infinitesimal que eram
           conhecidos no seu tempo;
       •   Estabelece uma estrutura unificada e um quadro dentro do qual todos os
           problemas podiam ser formulados;
       •   Usa séries infinitas como ferramenta importante ao estender-se à classe das
           curvas “quadráveis”, isto é, curvas cuja quadratura podia ser determinada;
       •   Estabelece a idéia de que a diferenciação e a integração são operações
           inversas.


       Sobre o Teorema Fundamental do Cálculo, ÁVILA (1985), afirma que este
relaciona integral com derivada, sendo um resultado decisivo para que os métodos
78
infinitesimais que então surgiram pudessem se organizar e disciplinas autônoma, - o
Cálculo Diferencial e Integral.
       Numa das versões, AVILA (1985), mostra que:
                                        x
                              F ( x ) = ∫ f (t ) dt
                                        a


                              É uma primitiva de f, isto é, F’(x) = f(x). Outra versão
                              equivalente desse teorema afirma que se G é uma
                              primitiva qualquer da função f, então:
                                                         b
                                      G (b) − G ( a ) = ∫ f (t ) dt ;
                                                         a


                              Ou ainda, como f ( x) = G ' ( x),
                                                         b
                                      G (b) − G ( a ) = ∫ G ' (t ) dt.
                                                         a


                              Evidentemente, tudo isso é válido no pressuposto de que
                              f(x) e G’(x) sejam funções contínuas no intervalo [a, b}.
                              Porém, no século XVII, quando o Cálculo ainda se
                              encontrava em estágio embrionário, não havia uma
                              preocupação explicita com a noção de continuidade,
                              mesmo porque o conceito de função era também muito
                              restrito. Por função se entendia uma correspondência
                              entre variáveis, sempre dada por fórmulas ou expressões
                              analíticas, como:
                                      y=3x²-7x+1, y= x       x ² + , etc.
                                                                  1

                              E a noção de continuidade só começaria a aparecer no
                              século XVIII.


       De acordo com THOMAS (2002), para Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 –
1716), uma curva era um polígono com um número infinito de lados, onde ele fez y
representar uma ordenada da curva e dx a distância infinitesimal de uma abscissa para a
próxima, isto é, a diferença entre abscissas "sucessivas". Então disse que representaria a
área de uma figura pela soma de todos os retângulos [infinitesimais] limitados pelas
79
ordenadas e diferenças das abscissas, e assim representaria em seu cálculo a área da
figura por ò y dx.
        Leibniz tomou o "S" alongado para a integral do latim summa e d do latim
differentia, e estas têm permanecido nossas notações de cálculo mais básicas desde
então, segundo BOYER (1989).
        Segundo BOS e BARON (1974, p. 52), algumas idéias importantes que
fundamentaram a invenção do cálculo por Leibniz, foram:
        •   O interesse de Leibniz pelo simbolismo e pela notação vinculando à sua
            idéia de uma linguagem simbólica geral;
        •   O reconhecimento de que somar sequências e tomar as suas diferenças são
            operações inversas e que, semelhantemente, a determinação de áreas e a de
            tangentes são operações inversas.


        No inicio do século XVIII, segundo ÁVILA (1985), Leonhard Euler (1707 –
1783), publicou livros que estabeleceram padrões definitivos ao Cálculo e exerceram
influencia por um século. Então, segundo volume de uma dessas obras – “Introduction
in Analysin Infinitorum”, de 1848, ele distingue funções continuas de descontínuas.
Assim, por contínua, ele entende uma função dada por uma única expressão analítica,
como:
               y = sen x,     y = x2 + 1 ou y = log x.


        É descontínua uma função dada por várias expressões analíticas, porém cujo
gráfico é uma curva única, sem interrupções, o que difere do que hoje entendemos por
descontinuidade.
        Já THOMAS (2002), nos diz que a idéia moderna de uma função contínua,
independente de qualquer fórmula, foi iniciada em 1791 por Louis-François Arbogast
(1759 – 1803): "A lei de continuidade consiste em que uma quantidade não pode passar
de um estado [valor] para outro [valor] sem passar por todos os estados
intermediários [valores] ...". Esta idéia tornou-se rigorosa em um panfleto de 1817 por
Bernhard Bolzano (1781 - 1848) e é conhecida agora como o Teorema do Valor
Intermediário. Dessa forma, as funções descontínuas no sentido moderno só foram
80
introduzidas na comunidade matemática e científica por Joseph Fourier (1768 – 1830)
no seu famoso Analytical Theory of Heat (Teoria Analítica do Calor, 1822).
       Segundo THOMAS (2002), Augustin Louis Cauchy (1789 – 1857) assumiu a
reforma total do cálculo para seus alunos de engenharia na École Polytechnique na
década de 1820, a integral era uma de suas pedras Fundamentais.
       Já BOS e BARON (1974), diz que a concepção de integração como o inverso da
diferenciação, de Newton e de Bernoulli, era geralmente aceita no século XVII. Então,
Cauchy apresentou outro enfoque para a integração, considerando-a como soma. Ele
definiu a integral como um somatório que tende a um limite.
       Seguindo BOS e BARON (1974), é dito que:
                             Uma vez que a integração não é mais definida como o
                             inverso da diferenciação, o Teorema Fundamental do
                             Cálculo não um corolário da definição da integração,
                             mas deve ser provado. O teorema fundamental afirma que
                             a integração e a diferenciação são operações inversas.
                             Para sermos mais precisos, ele afirma que se f é uma
                             função continua e considerarmos a função F definida por:
                                              b
                                     F ( x ) = ∫ f ( x ) dx, entãoF ' = f .
                                              a




       Segundo THOMAS (2002, p. 11), Cauchy definiu a integral de qualquer função
contínua no intervalo [a, b] sendo o limite da soma das áreas de retângulos finos. Dessa
forma sua primeira obrigação era provar que este limite existia para todas as funções
contínuas sobre o intervalo dado. Infelizmente, embora Cauchy tenha usado o Teorema
do Valor Intermediário, não conseguiu seu objetivo porque não observou dois fatos
teóricos sutis, mas cruciais. Ele não tinha noção das falhas lógicas no seu argumento e
prosseguiu para justificar o Teorema do Valor Médio para Integrais e para provar o
Teorema Fundamental do Cálculo para funções contínuas.
       Já TUMELERO e MUSIAL (2003, p. 7), dizem que no século XVIII, a ênfase
era posta na idéia de função dada por uma expressão analítica. Também é dito que os
conceitos de derivada e integral, como os de funções e continuidade, eram insuficientes
para lidar com os novos problemas que surgiam no final do século. Então, Cauchy foi o
81
primeiro a introduzir a integral analiticamente. Em seu “Résumée” de 1823 ele define
integral como o limite de somas do tipo:




        Ou seja, de acordo com TUMELERO e MUSIAL (2003), quebrou o domínio da

integração em subintervalos de tamanho arbitrário por uma divisória                     e
calculou a área como o limite de:

                                                                                 ,
então quando n aumenta, esta soma se aproxima da área do trapezóide definido sob o
gráfico de f, estabelecendo assim sua existência para toda a função contínua.
        Portanto, TUMELERO e MUSIAL (2003), concluem a respeito da integral
segundo Cauchy que a integral assim definida dispensa com a restrita concepção de que
f tenha uma função analítica. Basta que a função f seja contínua para que exista F tal
que F’(x) = f(x); F é a integral definida de f num intervalo [a; b].
        Ainda no século, apareceu Georg Friedrich Bernhard Riemann (1826-1866), que
seguiu os trabalhos de Dirichilet, de tal forma que segundo TUMELERO e MUSIAL
(2003, p. 8), o ponto de partida de Riemann é a questão não resolvida por Dirichlet em
1829:
                               O que significa dizer que uma função é integrável? Ao
                               contrário de Cauchy, que se restringiu, em suas
                               considerações, as funções que são contínuas, ou, no
                               máximo, seccionalmente contínuas, Riemann não faz
                               outra hipótese sobre a função a ser integrada, além da
                               exigência de que suas “somas de Riemann”, convirjam. E
                               estabelece, a partir daí, critérios para a integrabilidade
                               que caracterizam completamente a classe das funções
                               integráveis.
82
       De acordo com TUMELERO e MUSIAL (2003, p. 10-11), segue a definição
exata, na íntegra da integral de Riemann:




       Terminando a análise de TUMELERO e MUSIAL (2003), é dito que as
demonstrações dadas por Riemann em seu trabalho tinham várias lacunas, das quais só
podem ser justificadas à luz de resultados sobre continuidades e convergência
uniformes, os quais época de Riemann esses conceitos ainda não tinham sido
definitivamente identificados e incorporados à matemática.
       Após a contribuição de Riemann, TUMELERO e MUSIAL (2003) destacam o
trabalho Henri-Léon Lebesgue (1875 – 1941).
83
       Aqui vale destacar que nos cursos de Cálculo Diferencial e Integral 1, é estudado
ao conceito de integral de Riemann. Entretanto, como a história da matemática não pára
e continua dinâmica, vamos apenas dar uma breve pincelada em tal contribuição.
       Assim, TUMELERO e MUSIAL (2003), dizem que em 1901, Lebesgue
publicou uma nota na qual propunha um novo conceito de integral contendo como caso
particular a de Riemann, conseqüentemente a de Cauchy, eliminando várias deficiências
dessas integrais, e em particular, dando uma resposta mais geral sobre a validade da
fórmula de Newton- Leibniz. Este novo conceito vai permitir, por exemplo, estender a
classe das funções integráveis: Um exemplo simples de função ƒ: [0, 1] → R integrável
à Lebesgue e não integrável à Riemann é:




       Em resumo, podemos falar sobe o desenvolvimento dos conceitos de Cálculo,
subdividindo-os em 4 grupos, a saber:
•      Funções:
       Como vimos anteriormente, de acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981), citado
por OLIVEIRA (1997), existem três etapas principais do desenvolvimento de funções,
que podem ser resumidos da seguinte forma:
       •   Antiguidade: Etapa no curso no qual o estudo de diferentes casos de
           dependência entre duas quantidades ainda não isolou as noções de gerais de
           quantidades variáveis e de funções.

       •   Idade Média: Nesta etapa, as noções, são pela primeira vez, e de maneira
           precisa, expressas sob uma forma geométrica e mecânica, mas durante a
           qual, como na antiguidade, cada caso concreto de dependência entre duas
           quantidades, são definidas por uma descrição verbal, ou por um gráfico, de
           preferência fórmula.

       •   Período Moderno: No curso, da qual, no fim do século XVI, e durante o
           século XVII, as expressões analíticas de funções começam a prevalecer; a
84
           classe de funções analíticas geralmente é expressa por meio de soma de
           séries infinitas, tornando-se logo a principal classe utilizada.



•      Limites:
       Vimos que entre todos os conceitos de Cálculo, limites é considerado o mais
básico de todos, e de fundamental importância para a compreensão dos demais.
       Dessa forma, tem seu desenvolvimento histórico começado a partir dos
paradoxos de Zenão, do qual ele tira a impossibilidade do movimento. Ainda na Grécia
       Antiga, vimos que Arquimides não tem o conceito de infinito trabalhou com o
argumento denominado dupla reductio ad absurdum.
       Já no século XVII, Fermat essencialmente trabalhou com limite com o
argumento que algo é "infinitamente pequeno". Geometricamente, Fermat estava
tentando mostrar que, exatamente nos pontos mais altos e mais baixos ao longo da
curva, as retas tangentes à curva são horizontais, isto é, têm inclinação zero.
       Depois, temos Descartes, que tinha um processo que usava raízes duplas de uma
equação auxiliar, o qual teve sua técnica melhorada pelo matemático Johan Hudde
(1628--1704). Em cada um desses cálculos, o limite deveria ter sido usado em alguma
etapa crítica, mas não foi. Nenhum destes geômetras percebeu a necessidade da idéia de
limite, e assim cada um encontrou uma maneira inteligente para alcançar seus
resultados, os quais estavam corretos, mas com meios que, agora reconhecemos, faltam
fundamentos rigorosos
       Em quase todos os trabalhos de Isaac Newton (1642 – 1727), também não
reconheceu o papel fundamental do limite.
       Mas, dentre estes precursores do cálculo, temos Jean Le Rond d'Alembert
(1717--1783), que foi o único cientista daquele tempo que reconheceu explicitamente a
importância central do limite no cálculo.
       Já no inicio do século XVIII, nas suas classes e nos livros-texto clássicos,
Cauchy usou o princípio de limite como a base para introduções precisas à continuidade
e convergência, a derivada, a integral, e o resto do cálculo.
       Em fim, foi Karl Weierstrass (1815 – 1897) quem determinou que a primeira
etapa necessária para corrigir os erros da definição original de Cauchy do limite em
85
termos estritamente aritméticos, usando apenas valores absolutos e desigualdades, a
qual é usada até hoje.


•      Derivadas:
       Segundo THOMAS (2002), podemos começar o desenvolvimento do Cálculo
por Euclides (cerca de 300 a.C.), que provou o teorema que diz que a reta tangente a um
círculo em qualquer ponto P é perpendicular ao raio em P; e depois Arquimedes (287
-212 a.C.) tinha um procedimento para encontrar a tangente à sua espiral e Apolônio
(cerca de 262 - 190 a.C.) descreveu métodos, todos um tanto quanto diferentes, para
determinar tangentes a parábolas, elipses e hipérboles.
       Na realidade, podemos dizer que após os Gregos o interesse por tangentes a
curvas reapareceu no século XVII, como parte do desenvolvimento da geometria
analítica. Ou seja, foi René Descartes (1596 – 1650) que teve o discernimento de prever
a importância da tangente, e foi ele quem inventou um procedimento de dupla raiz para
encontrar a normal e então a tangente a uma curva.
       Já Newton, teve a intenção de determinar a relação entre variação y e da
quantidade x, de uma função y = f(x), quando x sofre um acréscimo infinitesimal,
considerando as quantidades matemáticas “como se fossem geradas por um aumento
contínuo do espaço no qual um objeto se move descrevendo uma trajetória”.
       Também foi Newton que estabeleceu muito tarde a notação padrão como ponto
para representar a diferenciação.
       Assim, pelo exposto sobre Newton e Leibniz, podemos perceber que foi através
deles que se reconheceu a relação inversa entre problemas de quadratura e de tangentes.


•      Integrais:
       De acordo com THOMAS (2002), o cálculo integral se originou com problemas
de quadratura e cubatura, na Grécia Antiga, como Hipócrates de Chios, Antiphon,
Eudoxo e Arquimedes.
       Já no Império Árabe, segundo BOYER (1989), um dos mais notáveis de todos
matemáticos árabes, Thabit ibn Qurrah (826 – 901) desenvolveu sua própria cubatura.
       Seguindo THOMAS (2002), as próximas grandes contribuições foram de:
86
          •   Bonaventura Cavalieri (1598--1647), que desenvolveu uma teoria de
              indivisíveis.
•         Pierre Fermat (1601 – 1665) desenvolveu uma técnica para encontrar as áreas
sob cada uma das "parábolas de ordem superior" usando retângulos estreitos inscritos e
circunscritos para levar ao método de compressão.
          •   Por volta da década de 1640, a fórmula geral para a integral de parábolas de
              ordem superior era conhecida de Fermat, Blaise Pascal (1623-1662), Gilles
              Personne de Roberval (1602--1675), René Descartes (1596--1650),
              Torricelli, Marin Mersenne (1588--1648) e provavelmente outros.


          Já Newton escreveu seu ensaio entre 1691 e 1693, onde ele montou uma tabela
extensa de integrais de funções algébricas um tanto complicadas, e para curvas as quais
não podia desenvolver fórmulas de integração, inventou técnicas geométricas de
quadratura. Usando o Teorema Fundamental do Cálculo, Newton desenvolveu as
técnicas básicas para avaliar integrais usadas hoje em dia, incluindo os métodos de
substituição e integração por partes.
          De acordo com THOMAS (2002), para Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 –
1716), uma curva era um polígono com um número infinito de lados, onde ele fez y
representar uma ordenada da curva e dx a distância infinitesimal de uma abscissa para a
próxima, isto é, a diferença entre abscissas "sucessivas". Então disse que representaria a
área de uma figura pela soma de todos os retângulos [infinitesimais] limitados pelas
ordenadas e diferenças das abscissas, e assim representaria em seu cálculo a área da
figura.
          Já Augustin Louis Cauchy (1789 – 1857) assumiu a reforma total do cálculo
para seus alunos de engenharia na École Polytechnique na década de 1820, onde a
integral era uma de suas pedras Fundamentais.
          Ainda no século, apareceu Georg Friedrich Bernhard Riemann (1826-1866), que
seguiu os trabalhos de Dirichilet, de tal forma que o ponto de partida de Riemann é a
questão não resolvida por Dirichlet em 1829, dando uma grande contribuição ao estudo
das integrais.
          Após a contribuição de Riemann, destacamos o trabalho Henri-Léon Lebesgue
(1875 – 1941).
87




    7. O DISCRETO E O CONTÍNUO NO DESENVOLVIMENTO DO
        CÁLCULO
       O objetivo deste capitulo é mostrar o problema do discreto e do continuo no
desenvolvimento do Cálculo.
       O Cálculo, segundo BOYER (1989), teve sua origem nas dificuldades
encontradas pelos antigos matemáticos gregos na sua tentativa de expressar suas idéias
intuitivas sobre as razões ou proporções de segmentos de retas, que vagamente
reconheciam como contínuas, em termos de números, que consideravam discretos.
       Já para COBIANCHI (2001), o problema de continuidade e do infinito foram
sentidos desde a antiguidade, nas tentativas de medição de segmentos, retificação de
curvas, quadraturas de figuras planas e cálculo de volumes de sólidos; podendo ter uma
de suas primeiras aparições na Escola Pitagórica, a partir do século VI antes de Cristo.
       Assim, antes de tudo, vamos definir discreto e continuo.
       De modo geral, segundo CUNHA (1996) citado por BROLEZZI (1996), discreto
é aquilo que exprime objetos distintos, que se revela por sinais separados, que se põe à
parte. Vem do latim discretus, particípio passado do verbo discernere (discernir), que
significa discriminar, separar, distinguir, ver claro.
       Já contínuo, segundo MAGNE (1959), vem de con-tenere (ter junto, manter
unido, segurar). Contínuo é o que está imediatamente unido a outra coisa.
       Então, começaremos nossa análise pela Escola Platônica. GRAGNER (1974, p.
37), afirma que:
                               A dificuldade de medida que constituiu a existência de
                               grandezas incomensuráveis foi trazida à tona, depois dos
                               Pitagóricos, pelos geômetras do circulo de Platão. Esse
                               problema dos incomensuráveis causou um verdadeiro
                               escândalo lógico, pois pareceu arruinar teoremas
                               envolvendo proporções; e um exemplo desse problema,
88
                              refere-se a duas quantidades, como a diagonal e o lado do
                              quadrado, que são incomensuráveis quando sua razão
                              não resulta algum número (inteiro) para outro inteiro.


       Dessa forma, podemos dizer que, de acordo com COBIANCHI (2001) que a
incomensurabilidade nunca poderia ser descoberta a partir de observações o medições
experimentais, as quais estão sempre submetidas a uma maior ou menor aproximação,
pois a Matemática é um produto do puro pensamento discursivo, e suas verdades são
estabelecidas pelo raciocínio dedutivo, que são suas demonstrações, e não pela
verificação experimental.
       Podemos dizer que a raiz do pensamento de Platão, de acordo com COBIANCHI
(2001), está em que a realidade não se localiza nas coisas sensíveis, e sim nas formas.
Desse modo, ainda segundo COBIANCHI (2001), a filosofia de Platão e a ciência grega
impuseram-se duas limitações, que muito influiu na construção da Matemática, a saber:
   1. A rejeição do devir como base de uma explicação racional do mundo;
   2. A rejeição do manual e do mecânico para fora do domínio da cultura.
       Em conseqüência disso, houve a esse abandono do aspecto quantitativo, restando
somente um estudo qualitativo.
       Assim,    seguindo    o   caminho     percorrido    pela   continuidade,   segundo
COBIANCHI (2001), cabe ressaltar que Matemática trata com dois tipos diferentes de
atividades, com vínculos estreitos em relação à continuidade, a saber:
   3. Envolvendo contagem de elementos discretos, separados e indivisíveis;
   4. Envolvendo medida de quantidades que são continuas e, na imaginação,
       infinitamente divisíveis, isto é, divisíveis sem fim.


       KLINE (1972, p. 35), citado por COBIANCHI (2001), nos diz que foi Zenão
quem deu relevância ao problema da relação entre discreto e contínuo.
       Já BROLEZZI (1996), vem nos dizer que após a crise dos incomensuráveis, que
pode ser situada no seio da nascente escola pitagórica, irá surgir outra grande polêmica
muito fértil entre os filósofos pré-socráticos, ou seja, ao que tudo indica o problema da
incomensurabilidade entre magnitudes gerou algumas concepções polêmicas acerca da
89
natureza do mundo físico, como a doutrina atomística, defendida por Demócrito, que
propunha a existência do infinitamente pequeno compondo o ser das coisas.
       Segundo BOYER (1959), Demócrito foi, aparentemente, o primeiro a falar de
infinitesimais, e a considerar a possibilidade de trabalhar com o infinitamente pequeno a
fim de recompor o todo, como no caso de utilizar lâminas circulares infinitamente finas
para calcular o volume de cilindros e cones, antecipando-se assim ao teorema de
Cavalieri, nesses casos.
       Tal teoria foi combatida duramente pela escola filosófica de Parmênides, no
entanto segundo BROLEZZI (1996), foi um aluno de Parmênides, Zeno de Eléa, ou
Zenão, que entrou para História com seus famosos dons dialéticos, ou seja, através da
manipulação de argumentos lógicos, pretendia demolir as idéias dos adversários. Zenão,
continua BROLEZZI (1996), dizia que a idéia de infinitésimos é totalmente absurda,
pois se possuem algum comprimento, então uma quantidade infinita deles irá compor
uma reta de comprimento infinito; e se não têm nenhum comprimento, então uma
quantidade infinita deles tampouco terá comprimento algum. Além disso, dirá também:
aquilo que acrescentado a outro não o faz maior, e subtraído de outro não o faz menor, é
simplesmente nada.
       Quando Zenão fez seus paradoxos deixaram descobertas as dificuldades de se
imaginar ou intuir os fenômenos associados à continuidade, isto é, a questão toda,
segundo BROLEZZI (1996), está em se considerar tempo contínuo e espaço discreto,
ou vice versa, trazendo essa sensação de certo desamparo intuitivo, relatando uma
situação de perplexidade comum frente à continuidade e ao infinito.
       Como exemplo, o Paradoxo de Aquiles e a Tartaruga, BROLEZZI (1996, p. 22),
afirma que:
                                     O paradoxo mais conhecido é sem dúvida o de
                                     Aquiles e a Tartaruga, embora seja similar ao da
                                     Dicotomia. Agora temos o atleta Aquiles, com toda
                                     sua força física, sendo derrotado numa corrida
                                     por uma lenta tartaruga. Basta para isso que deixe
                                     a tartaruga sair com uma vantagem de distância,
                                     mesmo pequena, à frente dele. Pois assim que
                                     Aquiles alcançar a posição inicial da tartaruga,
90
                                     ela já se deslocou dali, mesmo que seja pouca
                                     coisa. Quando Aquiles chegar ao local onde a
                                     tartaruga devia se encontrar agora, esta já
                                     adiantou-se outro pequeno espaço, e assim por
                                     diante, de modo que a tartaruga sempre está à
                                     frente de Aquiles, até cruzar vitoriosa a reta de
                                     chegada.


        Segundo BOYER (1989, p. 87), a Matemática adquiriu outra configuração após
Zeno:
                                     As grandezas não são associadas a números ou
                                     pedras, mas a segmentos de reta. Em 'Os
                                     Elementos' os próprios inteiros são representados
                                     por segmentos. O reino dos números continuava a
                                     ser discreto, mas o mundo das grandezas
                                     contínuas (e esse continha a maior parte da
                                     Matemática pré-helênica e pitagórica) era algo à
                                     parte dos números e devia ser tratado por métodos
                                     geométricos.


        Já COBIANCHI (2001), vem dizer que a concepção corpuscular da Escola
Pitagórica estava batida, onde os argumentos de Zenão tornaram palpável a
incompatibilidade dessa concepção com a estrutura da reta.
        Sobre a obra de Euclides, BROLEZZI (1996) fala que representa o início da
busca que resultará no Cálculo Diferencial e Integral. Euclides reúne toda a elaboração
grega dos séculos anteriores, e registra o momento em que os pesquisadores começam a
se voltar para a possibilidade da exploração da continuidade e da geometria em termos
de análise algébrica, interessando-se mais por métodos de redução como o método de
exaustão de Eudoxo. Não é por acaso que Arquimedes, bem como todos os criadores do
Cálculo no século dezessete, irão se voltar para Euclides e tentar buscar aí as idéias do
Cálculo.
91
       Aqui a principal dificuldade para os gregos desenvolverem o Cálculo era o uso
freqüente da idéia de razão. Esse fundamento da Matemática grega irá dificultar que se
enxerguem as idéias fundamentais do Cálculo.
       Como diz BOYER, (1974, p. 301),
                                     Os próprios conceitos que deram nascimento ao
                                     Cálculo - aqueles de variação e continuidade, do
                                     infinito e do infinitesimal - foram banidos da
                                     matemática grega por esta razão, sendo o trabalho
                                     de Euclides um monumento a esta exclusão.


             Dessa forma, continua BROLEZZI (1996), no mundo grego se estabelece a
grande divisão entre as noções de discreto e contínuo, em termos de concepção
filosófica, marcando profundamente a evolução da Matemática. É Euclides quem
melhor registra essa dicotomia que caracterizava a mentalidade grega, dividindo em
livros diferentes aquilo que se referia à geometria daquilo que se referia aos números. A
Geometria seria o “reino da continuidade”, enquanto a Aritmética seria o “reino do
discreto”.
       BOYER (1974) vem nos dizer que os Elementos baseiam-se em "intuição
refinada" e não deixavam espaço livre para a "intuição ingênua”, o que viria a tornar-se
especialmente ativa na gênese do Cálculo no século dezessete.
       A diferença entre estes dois tipos de intuição, segundo BROLEZZI (1996), fica
mais patente nos trabalhos que marcam a evolução pós-Euclides, principalmente nas
obras de Arquimedes. Para verificarmos de que forma os gregos estavam próximos do
Cálculo, é preciso explicar antes o Método de Exaustão de Eudoxo e a utilização que
dele fez Arquimedes.
       BROLEZZI (1996, p. 23), nos diz que:
                                     O   conceito   de   proporção    dos   pitagóricos,
                                     associando a razão entre dois segmentos de reta à
                                     razão entre números inteiros, não podia ser
                                     aplicada no caso das grandezas incomensuráveis.
                                     Eudoxo, aluno de Platão, propôs então uma outra
                                     definição de proporção, de caráter mais geral,
92
                                    permitindo que os quatro termos da proporção
                                    fossem todos grandezas geométricas, evitando por
                                    completo qualquer extensão à idéia pitagórica de
                                    número. Desse modo, Eudoxo constrói um
                                    instrumento útil que podia ser manuseado sem
                                    haver misturas entre números e grandezas
                                    geométricas, isto é, sem ferir o modo de pensar
                                    grego.


         Dessa forma, Eudoxo desenvolveu o seu Método da Exaustão, que se baseava
num princípio que acabará por ficar conhecido como Postulado de Arquimedes, embora
o mesmo o atribua a Eudoxo, segundo BROLEZZI (1996).
         O enunciado desse axioma é dado por Euclides X, 1, dizendo que, dadas duas
grandezas diferentes (ambas não nulas),
                                    Se da maior subtrairmos uma grandeza maior que
                                    a sua metade, e do que restou subtrairmos uma
                                    grandeza maior que a sua metade, repetindo esse
                                    processo continuamente, restará uma grandeza
                                    que será menor que a menor grandeza dada.


           O que há de fantástico nesta definição, segundo BROLEZZI (1996), é que
exclui o infinitesimal de todas as demonstrações geométricas dos gregos, permitindo
raciocinar sem ultrapassar a compreensão intuitiva clara, pois Eudoxo não propõe ir até
o infinito para de fato atingir o limite, mas apenas afirma que se pode chegar a uma
grandeza tão pequena quanto qualquer outra dada.
              A diferença entre o método de exaustão e o limite do Cálculo Diferencial
e Integral, segundo BROLEZZI (1996), reside apenas no fato de os gregos não
realizarem essa passagem ao infinito, pois não tinham noção de um continuum
aritmético. Mas o tipo de argumentação é o mesmo, tanto no caso do atual limite quanto
no método de exaustão geométrico.
         Para avaliar até que ponto chegaram os gregos, BOYER (1959), nos diz que
basta verificar o que Arquimedes (287 – 212 aC) realizou o Cálculo da área sob a
93
parábola antecipando-se, assim, em mais de dezessete séculos aos resultados do Cálculo
Integral.
       Segundo EDWARDS (1979), faltava a Arquimedes a noção de passagem ao
limite, pois ele partilhava com os gregos do chamado horror ao infinito.
       Ao mesmo tempo, BROLEZZI (1996) afirma que, o estudo da Matemática grega
mostra como as idéias originais do Cálculo têm início em considerações que envolvem
tanto noções de grandezas discretas quanto de grandezas contínuas, servindo ambas para
se chegar aos resultados do Cálculo.
       Assim, continua BROLEZZI (1996), será também por estes dois caminhos -
ambos igualmente úteis – que surgirá o reconhecimento da relação inversa entre
problemas de área e de tangente a uma curva, que é o cerne do Teorema Fundamental
do Cálculo. Mas isso somente irá aparecer de maneira explícita nos trabalhos de Newton
e Leibniz, na segunda metade do século XVII.
       Dessa forma, BROLEZZI (1996), nos diz que Newton (1642-1727) e Leibniz
(1646-1716) chegaram ao Cálculo através de caminhos diferentes, tanto em linguagem
com que ambos expressaram as idéias fundamentais do Cálculo, mas também em
termos de concepção pode-se verificar uma diferença grande entre os trabalhos destes
homens. Tanto Newton quanto Leibniz podem ser considerados como os primeiros a
expressar a idéia da reciprocidade entre a diferencial e a integral, que constitui o
Teorema Fundamental do Cálculo. Mas a maneira de ver o Cálculo era distinta.
       De acordo com ROBINSON (1974, p. 260), que foi o criador da análise não-
standard, nos diz que quando analisamos os fundamentos da teoria do Cálculo, é
possível identificar dois modos distintos de trabalhar as idéias básicas:
                                       No que se refere aos fundamentos do novo assunto,
                                       Newton vacilava, referindo-se às vezes aos
                                       infinitesimais, às vezes aos limites, e às vezes a
                                       uma intuição física básica, e seus sucessores
                                       imediatos deram preferência a essa última
                                       abordagem. Por outro lado, Leibniz e seus
                                       seguidores basearam o desenvolvimento da teoria
                                       sobre os diferenciais infinitamente pequenos, de
                                       primeira e segunda ordem.
94


       Já BOYER (1989, p. 260), nos diz que:
                                     Newton, o cientista, encontrou na noção de
                                     velocidade    a   base   que   para      ele   parecia
                                     satisfatória; Leibniz, o filósofo, que era também
                                     tanto teólogo quanto cientista, preferia encontrar
                                     a base na diferencial, a contrapartida em
                                     pensamento da mônada, que deveria desempenhar
                                     um papel tão grande no seu sistema metafísico.


       Dessa forma, poderíamos dizer assim que Newton teria chegado ao Cálculo pela
via do contínuo, e Leibniz pela via do discreto, conforme já visto acima, pois ambas as
maneiras de abordar o problema mostraram-se igualmente úteis, já que não estava
estabelecida a noção de limites, as idéias de movimento contínuo e de infinitésimos
discretos surgiram como tentativas de esquematizar as impressões sensíveis a respeito
da variação.
       Quando nos referimos à percepção da relação inversa entre a derivada e a
integral, e a formulação de regras de para se obter derivadas e integrais, podem ser
tomados como a essência da criação do Cálculo, isto é, para chegar a esses conceitos,
Newton segue o caminho constituído pela manipulação da noção contínua de velocidade
e movimento.
       Já Leibniz, segundo BARON & BOS (1985, p.70), tem outra maneira de encarar
as coisas. Para Leibniz, a visualização do Cálculo se dá de forma estática:
                                     Leibniz considerava as variáveis como
                                     percorrendo seqüências de valores infinitamente
                                     próximos. No seu Cálculo há pouco uso de
                                     conceitos de movimento.

       A visão discreta de Leibniz e a visão contínua de Newton, segundo BROLEZZI
(1996), foram ambas igualmente úteis para compor o cenário para o Cálculo que estava
nascendo. As preocupações metafísicas de Newton e Leibniz levaram ambos a tentar
esclarecer a natureza do "ser" das variáveis e dos fenômenos relacionados a elas. Essas
explicações iniciais serviram para dar sustentação a esse período inicial do Cálculo, até
95
que a matemática evoluísse mais para poder ultrapassar a visão dicotômica entre o
discreto e o contínuo. Assim, afirma BOYER (1974, p. 216):
                                    Somente após o desenvolvimento do conceito geral
                                    abstrato de número real o caminho estava claro
                                    para interpretar ambos os cálculos fluxionário e
                                    diferencial em termos de limite de uma seqüência
                                    infinita   de   razões   ou   números;   mas   essa
                                    interpretação não tornou-se aceita ainda por mais
                                    um século.


       Hoje, de acordo com BARON & BOS (1985, p.73), podemos dizer que o
Cálculo moderno é, em essência, o mesmo que eles criaram, mas com uma linguagem e
uma abordagem conceitual bem distinta de ambos:
                                    No Cálculo moderno a operação de diferenciação
                                    associa uma função a uma derivada. Para Leibniz,
                                    a   diferenciação    associava    uma    diferencial
                                    infinitamente pequena a uma variável. Para
                                    Newton, tomar fluxões significava associar uma
                                    velocidade finita a uma variável. Portanto, a
                                    concepção da operação fundamental nos cálculos
                                    de Newton e Leibniz era totalmente diferente do
                                    conceito de diferenciação que está em uso no
                                    Cálculo moderno.

       Em 1826, segundo BROLEZZI (1996), Cauchy estabelece a noção de limites,
em certa medida elaborando em linguagem matemática uma estrutura flexível dentro da
qual as noções de discreto e contínuo pudessem ser trabalhadas. Já Weierstrass, com a
ferramenta da noção de limite, formaliza o Cálculo, introduzindo a linguagem dos
Épsilons e Deltas.
       Os dois caminhos percorridos por Newton e Leibniz, segundo BROLEZZI
(1996), se encontraram em um mesmo ponto, o Cálculo. Conseqüentemente, o Cálculo é
o “reino” onde interagem de modo especial o discreto e o contínuo. Para chegar a uma
melhor definição do Cálculo, foi necessário elaborar a teoria sobre o contínuo, e tentar
96
compreender a natureza da reta real. O Cálculo irá se apoiar assim sobre os números
reais, e sobre a idéia de limite.
        Já foi Georg Cantor, segundo BROLEZZI (1996), foi quem chamou a atenção
para a continuidade da reta real, ainda não suficientemente explicada. Cantor propôs a
construção de um conjunto especial de pontos, chamado de Conjunto de Cantor ou
Poeira de Cantor. Esse conjunto tem grande importância histórica, e pode ser
considerado o mais simples dos fractais. Segundo YOUNG (1992, p. 321), citado por
BROLEZZI (1996):
                                       Cantor foi levado ao conjunto que agora leva seu
                                       nome em seus esforços para esclarecer as
                                       características    essenciais   de    um     contínuo
                                       matemático e, portanto cobrir a distinção entre um
                                       conjunto de pontos contínuo e discreto


        Atualmente, de acordo com BROLEZZI (1996), afirma que mesmo bem
definido matematicamente, o contínuo continua a desafiar a mente com um problema de
ordem epistemológica, colocado por Caveing do seguinte modo: O contínuo é um dado
primitivo e intuitivo, ou uma construção matemática?
        DA COSTA & DORIA (1991/2) sugere algumas linhas de pesquisa que
permitam obter estruturas contínuas antes de estruturas discretas, a fim de estabelecer,
dentro da Matemática, uma relação entre parceiros iguais. Essas indagações sobre a
interação entre discreto e contínuo traduzem-se em um problema de base do Cálculo.
PETITOT (1985, p. 209), comenta essa dificuldade da base da análise:
                                Ora, se se remonta do seu formalismo de base - a saber, o
                                formalismo diferencial - até ao seu conceito primitivo - a
                                saber, o de infinitesimal -, depara-se com uma
                                contradição. Com efeito, dada a estrutura arquimediana
                                da   reta   real,   uma     quantidade      infinitesimal   é
                                necessariamente nula; sendo o contínuo divisível sem
                                resto até ao infinito, não poderiam aí existir nem
                                "átomos" indivisíveis fazendo parar o processo de divisão,
                                nem infinitamente pequenos que o excedam.
97
         Em 1960, segundo BROLEZZI (1996), Abraham Robinson provou que os
infinitésimos podem ser definidos de modo a fornecer uma estrutura rigorosa para o
Cálculo, onde a análise não-standard tem a mesma consistência interna que o Cálculo
baseado em números reais e limites. Comenta YOUNG (1992) sobre a análise não-
standard de Robinson:
                              Apesar de o tema estar ainda na sua infância e seu futuro
                              estar longe de ser claro, ainda assim constitui-se em um
                              esforço para construir uma ponte cobrindo o espaço
                              existente entre o contínuo e o discreto.


         A análise não-standard, ainda por BROLEZZI (1996), faz parte portanto dessa
tentativa de construir um fundamento sólido, ligando o discreto ao contínuo, para as
idéias do Cálculo Diferencial e Integral. Ao comentar sua própria criação, Robinson
chama a atenção para o fato de que a teoria do Cálculo somente veio a ser bem
fundamentada muito tempo depois de suas bases estarem lançadas:
                              Penso que nos séculos futuros será considerado algo
                              muito estranho na história da matemática que a primeira
                              teoria exata dos infinitesimais foi desenvolvida 300 anos
                              após a invenção do Cálculo diferencial.


         Desse modo, conclui BROLEZZI (1996), a análise não-standard faz parte, dessa
tentativa de construir um fundamento sólido, ligando o discreto ao contínuo, para as
idéias do Cálculo Diferencial e Integral.


8. O CÁLCULO NO ENSINO MÉDIO: DA DÉCADA DE 60 ATÉ OS DIAS DE
HOJE
         O objetivo deste capitulo é mostrar como o Cálculo foi inserido no ensino
 médio, a partir do currículo e de livros didáticos, desde a década de 60 até os dias de
 hoje.
         Podemos começar este tópico perguntando por que ele foi inserido? Qual a
 importância dessa discussão?
98
      Pois bem, comecemos com ÁVILA (1991), quando ele questiona porque do
Cálculo não ser ensinado no 2.o grau (atual ensino médio)? Será que é muito difícil
para tal nível de ensino?
      Pois, é por isso que começaremos seguindo ÁVILA (1991), quando ele afirma
que no final da década de 50 e inicio dos anos 60, com o inicio do Movimento da
Matemática Moderna, que pregavam a modernização do ensino, cuja tônica foi à
ênfase excessiva no formalismo e no rigor das apresentações, foi retirado do antigo
segundo grau (atual ensino médio) programas tais como o Cálculo. Na ocasião o
conteúdo de Cálculo fazia parte do programa da 3.a série do chamado curso cientifico,
segundo ÁVILA (1991).
      De fato, quando pegamos o livro “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL
JAIRO BEZERRA, temos neste conteúdo de Cálculo, o qual analisaremos mais tarde.
O que chama a atenção logo de inicio é a seguinte mensagem na contra-capa do livro:
“De acordo com os programas em vigor, conforme portarias n.os 966, de 02/10/1951
e 1.054 de 14/12/1951”. (BEZERRA, 1962, s/p)
Mas afinal, que programas curriculares em vigor em 1962 são esses?
      Antes de falarmos sobre tais portarias, ÁVILA (1991) nos diz que desde 1943
quando foi instituída a reforma do ensino secundário, conhecida por reforma
Capanema, e bem como antes de tal reforma, o Cálculo já fazia parte do programa de
dois anos do pré-universitário, das escolas de engenharia.
      Agora, quando pegamos SILVA (2008), ele nos diz que a portaria de 1951,
lançada pelo então Ministro da Educação e Saúde Simões filho, foi denominada
programa mínimo e procurava estabelecer um limite mínimo na qual todas as
instituições escolares estariam sujeitas. Dessa forma, o programa mínimo para o
colégio estabelecia na 3ª série, de acordo com SILVA (2008, p. 137), temos:
                            Desenvolvimento dos Programas Mínimos de Ensino
                            Secundário e respectivas instruções metodológicas.
                            I – Conceito de função; representação cartesiana; reta e
                            círculo; noção intuitiva de limite e de continuidade.
                            (vii)                                       Conceito
                            elementar de variável e de função. Variável progressiva e
                            variável contínua; intervalos; noção intuitiva de limite de
99
 uma       sucessão;     exemplos         clássicos       elementares;
 convergência.
 2)                                                      Funções
 elementares; classificação. Representação cartesiana de
 uma função e equação de uma curva. Curvas geométricas
 e curvas empíricas; noção intuitiva de continuidade.
      Representação gráfica de funções usuais; função
 exponencial,          função         logarítmica         e        funções
 trigonométricas diretas. Acréscimo de uma função num
 ponto; funções crescentes e funções decrescentes.
 Tangente; inclinação da tangente.
 3. Limite de variáveis e de funções; limites infinitos.
 Propriedades fundamentais. Exemplos elementares de
 descontinuidade        de      uma     função      em        um    ponto.
 Descontinuidade das funções racionais fracionárias.
 4. A função linear e a linha reta em coordenadas
 cartesianas. Parâmetros angulares e
     parâmetro linear. Formas diversas de equação da linha
 reta. Representação paramétrica; ares de um triângulo
 em função das coordenadas dos vértices. Os problemas
 clássicos     de   inclinação,        intersecção,       passagem       e
 distância, relativos à linha reta.
 5. A equação geral do 2° grau com duas variáveis e a
 circunferência de círculo em coordenadas cartesianas.
 Formas diversas da equação da circunferência de círculo.
 Intersecção de retas e circunferências.


 II – Noções sobre derivadas e primitivas; interpretações;
 aplicações.
1.                                           Definição                 da
derivada em um ponto; notações; derivada infinita.
Interpretação geométrica e cinemática da derivada.
100
                          Diferença e diferencial; interpretação geométrica. Funções
                          derivadas. Derivação sucessiva.
                          2.                                    Regras de derivação;
                          derivada de um constante; de um função de função; de
                          funções inversas; da soma, do produto e do quociente de
                          funções. Aplicação à derivação de funções elementares.
                           3.                                        Aplicação         da
                           teoria das derivadas ao estudo da variação de uma
                           função. Funções crescentes e funções decrescentes;
                           máximos e mínimos relativos; interpretação
                            geométrica.
                          4.                                    Funções       primitivas;
                          integral indefinida; constante de integração. Primitivas
                          imediatas; regras simples de integração.
                          5.                                    Integral         definida.
                          Aplicação ao cálculo de áreas e de volumes; exemplos
                          elementares.


               Agora, podemos falar da Reforma da Matemática Moderna, cujas
características principais, segundo ÁVILA (1993), foram a ênfase acentuada na
utilização da linguagem de conjuntos e numa apresentação excessivamente formal das
diferentes partes da Matemática.
               ÁVILA (1993, p. 2) faz a seguinte análise sobre tal período:
                                   O ensino da Matemática como era feito antes da
                                   reforma da Matemática        dos anos sessenta
                                   realmente continham muitas deficiências. Não
                                   levava   em   conta    aspectos     importantes     da
                                   psicologia do aprendizado que, felizmente, vem
                                   recebendo, hoje em dia, mais atenção. Mas a
                                   reforma trouxe inovações desastrosas, algumas
                                   das quais persistem, não obstantes as mudanças
                                   salutares dos últimos anos. Assim é que os livros
101
                                     do 1º e 2º graus continuam carregados de
                                     simbolismo e linguagem de conjuntos que mais
                                     atrapalham do que ajudam o aluno em seu esforço
                                     de aprendizagem.


                 Já com a reforma da Matemática Moderna, as sugestões de 1965,
 segundo SILVA (2008), referente a Analise Matemática, temos:
       -    Introdução ao Calculo Infinitesimal:
       -    Noção de limite e continuidade de funções reais de variável real;
       -    Derivada de funções racionais e trigonométricas;
       -    Propriedades das derivadas e aplicação no estudo da variação das funções.


8.2 FUNÇÕES
 (i) DECADA DE 1960.
                 Começaremos nossa análise por funções, pois se trata de um dos
 fundamentos do Cálculo, e pelo qual toda a disciplina se assenta. Além de sua
 importância no ensino médio, tal assunto hoje em dia é revisto no inicio dos cursos de
 Cálculo.
                 Bem, quanto à análise propriamente dita, começaremos por um dos
 livros da década 60, que é um grande clássico dos livros didáticos, que é o “CURSO
 DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO BEZERRA, e mostra bem a característica
 da matemática antes do advento da chamada “Matemática Moderna”.
       Resumindo, pretendemos colocar em evidência as semelhanças e diferenças dos
conteúdos programáticos para o programa de Cálculo com o passar de cada década,
observando as variações que aparecem tanto no conteúdo, como na forma de ser
“transmitida”. Para tanto, deixaremos expostos o que cada um dos livros das décadas de
60, 70, 80 e 90 traz para o professor aplicar em cada um dos ciclos, sempre vertendo
para o assunto que interessa, e também levando em consideração o livro Matemática
Moderna Para o Ensino Secundário, que em 1965 foi o marco da transição do conteúdo
clássico para o moderno.
102
                 Então, podemos iniciar com a portaria ministerial de 1951 e analisar tal
livro, bem como tendo em vista o programa de Cálculo atual da UFSCar e os PCN do
ensino médio.
                 De acordo com COSTA at all (2007), temos em sua 8ª edição, em
1962, o livro de Jairo Bezerra traz os seguintes temas para o terceiro ano:
                 Além de Geometria Analítica, o aluno era ser apresentado aos Limites,
Derivadas e Primitivas, conteúdos hoje vistos apenas na graduação de cursos da área
de ciências exatas e tecnológicas.
                 Segue abaixo a análise de cada um dos capítulos.
                 Funções
                 Conceito elementar de função;
                 O capitulo começa com o conceito elementar de função, que na
verdade é semelhante à definição de Dirichlet, que em 1837 sugeriu uma definição
muito ampla de função, a qual CARAÇA (1951) chama de definição de Riemann-
Dirichilet, a saber:
                                     “Se uma variável y está relacionada com uma
                                     variável x de tal modo que, sempre que é dado um
                                     valor numérico a x, existe uma regra segundo a
                                     qual um valor único de y fica determinado, então
                                     diz-se   que   y   é   uma   função      da   variável
                                     independente x.”


                 Já BEZERRA (1962) vem inclusive definir variável dependente e
independente.
                 Funções unívocas e plurívocas;
                 Aqui a novidade em relação aos livros atuais para ensino médio é a
definição de função plurívoca ou multiforme, termos as quais não são mais vistos pelos
alunos atuais.
                 Campo de existência da função;
                 É definido por BEZERRA (1962), como campo de existência da
função, o domínio da variável independente.
                 Tal termo não é mais visto no ensino médio.
103
                 Aqui temos que uma mudança de linguagem e de metodologia em
tratar tal assunto.
                 Tópicos expostos da mesma maneira atualmente:
                 Valor numérico de uma função;
                 Zeros de uma função;
                 Tópicos expostos de maneira análoga à atualmente, mas com grande
rigorismo e linguagem muito rígida sob o ponto de vista dos livros de hoje:
                 Intervalos;
                 Exercícios resolvidos;
                 Solução detalhada e rigorosa de exercícios mecânicos, para fixação.
                 Exercícios para resolver
                 Em sua maioria são exercícios mecânicos, com poucos exercícios de
demonstrações.
                 Classificação de funções
                 Funções explícitas e implícitas: São apresentadas funções implícitas
quando aparece sob a forma f(x, y) = 0, e não são adotadas nos livros atuais, e nem
visto no ensino médio funções de duas variáveis.
                 Funções algébricas e transcedentes: trabalha com funções de duas
variáveis.
                 Funções racionais e irracionais: trabalha com funções polinomiais,
onde y é a razão de duas funções de x.
                 Funções inversas: trabalhadas da maneira tradicional, como feita hoje.
                 Resumo da classificação das funções:
                         Funções algébricas (são implícitas ou explicitas, que são
                          irracionais ou racionais, eu pode ser também inteiras e
                          fracionárias), transcedentes (são implícitas ou explicitas, que são
                          exponenciais, logarítmicas, trigonométricas e ciclómétricas).
                         Representação gráfica de funções usuais
                         A representação gráfica é feita de forma análoga ao de hoje, mas
                          de forma mais concisa.
                         Funções crescentes e decrescentes;
104
                       O conteúdo é apresentado de forma análoga ao que é feito no
                        ensino superior de hoje, de forma rigorosa, matematicamente, co
                        poucos exemplos e aplicações.
                       Representação gráfica da função exponencial.


       Se tomarmos BRASIL (1952), citado por SILVA (2008), o Desenvolvimento
dos Programas Mínimos de Ensino Secundário, e respectivas instruções metodológicas,
em relação a Funções, temos o seguinte conteúdo:
         Conceito elementar de variável e de função. Variável progressiva e variável
contínua; intervalos.
         Funções elementares; classificação. Representação cartesiana de uma função e
equação de uma curva. Curvas geométricas e curvas empíricas; noção intuitiva de
continuidade. Representação gráfica de funções usuais; função exponencial; função
logarítmica e funções trigonométricas diretas. Acréscimo de uma função num ponto;
funções crescentes e funções decrescentes.
         Exemplos elementares de descontinuidade de uma função em um ponto.
Descontinuidade das funções racionais fracionárias.
       Também podemos observar que o tópico relativo a trigonometria era visto no 2º
 ano, enquanto funções em geral ficava par ao 3º ano.
       Por outro lado, de acordo com SILVA (2008), as sugestões de 1965 trouxeram
 como novidade para o Ensino Colegial o estudo das Funções como ponto de partida já
 no primeiro ano, ressaltando a representação gráfica e unindo a Álgebra à Geometria.
 Já pela portaria de 1951, funções eram vistas somente no terceiro ano.
       Já segundo SÃO PAULO (1965), são mostradas Sugestões para um roteiro de
Programa para a cadeira de matemática, de acordo com a Matemática Moderna. Em
relação a FUNÇÕES, antes era dado no 3º ano, e passa ao 1º Colegial, temos:
       Funções:
   a) Noções gerais;
   b) Função linear, representação gráfica, estudo da reta;
   c) Função trinômio do 2º grau, variação, representação gráfica, inequações do 2º
       grau;
   d) Função exponencial e logarítmica, uso das taboas.
105


            Aqui, trigonometria é tratada no primeiro colegial, juntamente com funções.
            Agora, tomando GEEM (1965), citado por SILVA (2008), nos mostra a lista de
Assuntos Mínimos para o colégio, orientações e sugestões para o seu desenvolvimento.
Quando tomamos o tópico 1, relativo a funções, temos os seguintes assuntos mínimos::
            Função de 2º grau. Estudo completo do trinômio do 2º grau e aplicações.


            Dessa forma, GEEM (1965) nós dão as seguintes sugestões:
-           No estudo do trinômio, ressalta-se o aspecto gráfico e nas aplicações, as
inequações do 2º grau.
            Nota-se uma mudança significativa no conteúdo de funções entre a portaria de
    1951 e a da Matemática Moderna de 1965, com mudança de ênfase significativa.


(ii)        DECADA DE 1970
            Aqui, tomamos BOULOS & WATANABE (1979), onde através do prefácio
    feito por OSVALDO SANGIORGI, um dos fundadores do movimento da Matemática
    Moderna no Brasil, já temos um indicio do caminho a ser percorrido pelo livro, ou
    seja:
                                         A    Matemática,      considerada,        com   muita
                                         propriedade eixo metodológico de todos os ramos
                                         conhecimento humano, conseguiu, por parte dos
                                         autores um tratamento correto e simples, capaz de
                                         atrair jovens estudantes do segundo grau, mesmo
                                         aqueles que não se destinam especificamente ao
                                         ensino    universitário.   Nada      de    tratamento
                                         exageradamente rigoroso, com a intenção de
                                         agradar tão somente os matemáticos profissionais,
                                         e sim, dentro de uma linguagem clara e certa, a
                                         preocupação de atender às reais necessidades de
                                         conhecimento cientifico exigidas pelos alunos
                                         atuais.
106
        No começo a definição de funções é baseada em conjuntos com representações
 gráficas e tabelas, bem como diagramas, dessa forma, explorando a noção intuitiva de
 funções. Na mesma linha segue funções afim e quadrática, bem como funções
 exponenciais e logarítmicas.
        O livro ainda consta bastante exercícios de fixação, repetitivos, bem como
 exercícios resolvidos.


(iii)   DECADA DE 1980
        Nesta década, pegamos LAPA & CAVALLANTE (1984), segue a mesma linha
 do livro citado para a década de 1970, com bastante regras para memorização,
 exercícios resolvidos e exercícios de fixação. A novidade aqui são os gráficos
 coloridos, para melhor visualização.
        Já em relação à função logarítmica e exponencial, é explorada bastante a ênfase
 algébrica.
        Em síntese, continua seguindo a reforma da Matemática Moderna.


(iv)    DECADA DE 1990
        Aqui tomamos PACCOLA & BIANCHINI (1995), onde na apresentação temos
a tendência da obra, ou seja:
(…) acompanhamento a moderna tendência do ensino de estreitar a relação
aprendizado/ cotidiano, procuramos trabalhar os conceitos de forma criativa e
motivadora, privilegiando sua aplicação em problemas que estimulem o interesse do
aluno. Também nos exemplos resolvidos e nos “exercícios propostos”, sempre que
possível, procuramos trabalhar com situações retiradas da realidade do estudante.
        Em relação à definição de funções, o livro começa com problemas do cotidiano,
para depois chegar à formalização. Porém, o livro continua assentado bastante em
conjuntos, e na visualização gráfica. À primeira vista, o livro não consegue fazer ligação
entre aprendizagem/ cotidiano, conforme citada na apresentação, mas fica na introdução
apenas de alguns conceitos. Já a parte histórica é uma novidade, mas aparece como
mera curiosidade.
        São apresentados exercícios como fixação e repetitivos, sem situações
problemas.
107
          No fim, acaba repetindo o conteúdo das décadas anteriores, de forma
repaginada, mas ainda seguindo a Matemática Moderna.


(v)       DECADA DE 2000
                   Tomamos o livro MATEMÁTICA, vol. 1, de Luiz Roberto Dante, de
 2004.
                   DANTE (2006), no mostra os seguintes tópicos relativos a funções:
      -    Funções: noção intuitiva de funções, gráfico, função injetiva, função
           sobrejetiva e bijetiva. Função inversa e composta;
      -    Função afim: gráfico, propriedades, aplicações, inequações do 1ºgrau;
      -    Função quadrática: gráfico, forma canônica da função quadrática, estudo de
           sinais, problemas com funções quadráticas;
      -    Função Modular: distância entre dois pontos na reta real, função modular,
           equações modulares, inequações modulares.


          A característica deste livro é o grande numero de exemplos, gráficos, aplicações,
exemplos e aplicações. Toda introdução e formalização de função são feitas em cima de
conjuntos, uma herança da Matemática Moderna.
          Já em relação a função afim, modular e quadrática, a característica básica é a
introdução e formalização dos conceitos em cima de diversos gráficos, e exemplos.
          DANTE (2006) também procura mostrar muitas relações com o cotidiano do
aluno, algo que não ocorria nas décadas anteriores.




8.2 CÁLCULO
 8.2.1 INTRODUÇÃO
                   De acordo comandados SILVA (2008, p. 71), temos:
                                       Na Análise Matemática os conteúdos quase que se
                                       igualam nas apresentações, mas as abordagens
                                       são distintas. Na Portaria de 1951 é apresentada a
                                       definição, a notação da derivada e as regras de
                                       derivação das funções elementares. Nas Sugestões
108
                                       de 1965 o assunto é tratado como uma introdução
                                       ao cálculo infinitesimal e notações e regras de
                                       derivação, traz as funções reais de variável real e
                                       as     derivadas   de    funções    racionais    e
                                       trigonométricas, além de trazer as definições.
                                       Apresenta também, como orientação para esse
                                       estudo, o fato de ater-se às propriedades que
                                       seriam utilizadas nas aplicações às outras
                                       Ciências.


                   Já quando tomamos ÁVILA (1991), ele vem nos dizer que no final dos
 anos 50 e começo dos anos 60, houve uma mudança significativa no ensino da
 Matemática no Brasil. O nome do movimento era Matemática Moderna, pois, como
 propalavam seus defensores, era preciso modernizar esse ensino. ÁVILA (1991), ainda
 nos diz que a tônica dessa modernização foi uma ênfase excessiva no rigor e no
 formalismo das apresentações, à custa de retirar antigos programas importantes do
 ensino, como o de Cálculo.
                   Desse modo, a análise dos conteúdos de Cálculo no ensino médio nas
 últimas décadas passa necessariamente pela discussão do Movimento da Matemática
 Moderna, com suas repercussões no ensino de Cálculo no antigo 2° grau.


 8.2.2 LIMITES
(i)       DECADA DE 1960
                   Vamos pegar o livro “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL
 JAIRO BEZERRA, e mostra bem a característica da matemática antes do advento da
 chamada “Matemática Moderna”.
          De acordo com BRASIL (1952), o Desenvolvimento dos Programas Mínimos de
Ensino Secundário, e respectivas instruções metodológicas, em relação à Limites
recomenda o seguinte conteúdo:
      •   Limite de variáveis e de funções;
      •   Limites infinitos.
      •   Propriedades fundamentais.
109
   •   Exemplos elementares de descontinuidade de uma função em um ponto.
   •   Descontinuidade das funções racionais fracionárias.


       Dessa forma, como BEZERRA (1962) está de acordo com a Portaria Ministerial
de 1951, o conteúdo referente a Limites é:
   Limite de uma variável;
   Limites infinitos;
   Limite de uma função;
   Cálculo de limites com auxílio da definição;
   Propriedades fundamentais dos limites;
   Operações fundamentais sobre limites;
   Limite da função algébrica racional inteira;
   Limite de uma função racional;
   Limites fundamentais;
   Limites laterais;
   Função continua;
   Descontinuidade das funções racionais fracionárias;


       Então, vemos que o livro segue tal Portaria de conteúdos mínimos.
       Agora, olhando os conteúdos de BEZERRA (1962), vemos que a definição de
limites usava-se a idéia de épilons e deltas, sem exprimi-los claramente, e de forma a
usar a notação de módulo para abertos e fechados.
       Nota-se que não eram pedidas demonstrações em geral.
       Quanto às propriedades e operações fundamentais são apenas mostras sem
qualquer demonstração, como regras a serem memorizadas.
       Já os exemplos caracterizam-se de aplicações simples das regras e definições
       Por fim, existe uma grande carga de exercícios de fixação.
       Já segundo SÃO PAULO (1965), são mostradas sugestões para um roteiro de
Programa para a cadeira de matemática, de acordo com a Matemática Moderna. Em
relação a limites, no Terceiro Colegial temos:
- Noção de limite e continuidade de funções reais de variável real.
110
       Como já dito acima, mudança no programa de limites, são decorrentes do
Movimento da Matemática Moderna.
       De acordo com GEEM (1965), citado por SILVA (2008), nos mostra a lista de
Assuntos Mínimos para o colégio, orientações e sugestões para o seu desenvolvimento.
Quando tomamos o tópico 18, temos:
       Noção de limite, continuidade e derivada. Elementos de calculo integral;
aplicações ao calculo de áreas e volumes.
       Segue a recomendação:
       Dar noções intuitivas, que permitam deduzir as principais propriedades, que
serão utilizadas nas aplicações a outras ciências.


       (ii) DÉCADA DE 1970
       Tomamos para análise o livro: MATEMÁTICA, vol. 3, coleção curso colegial
moderno, de Luiz Mauro Rocha e Ruy Madsen Barbosa, de 1971.
       Já na apresentação os autores dizem que serão estudadas elementarmente as
noções de Cálculo Infinitesimal. Assim, tais autores vêm seguir desde já as sugestões do
GEMM (1965), da reforma da Matemática Moderna.
       Antes de propriamente entrar nos conceitos de limites ROCHA & BARBOSA
 (1971) vem dizer que o ensino de cálculo nos cursos secundários, e justifica dizendo
 que os conceitos de forma correta são de difícil assimilação pelos alunos. No entanto,
 continua ROCHA & BARBOSA (1971), à guisa de motivação para os cursos
 subseqüentes, serão apresentadas, de forma intuitiva algumas técnicas simples de
 cálculos.
       Sobre o estudo de limites em si, os autores começam pela noção prática de
 continuidade, onde é mostrada a continuidade de forma intuitiva, ou seja, ROCHA &
 BARBOSA (1971, p. 216), diz que:
                                      Está claro que a curva é continua e posso traçá-la
                                      sem interrupções.


       Na mesma linha segue definindo vizinhança e limites, sem nenhuma
 demonstração, e com muitos exemplos, seguindo de fato as recomendações do GEEM
 (1965).
111


           (iii)    DÉCADA DE 1980
       Pegamos o livro MATEMÁTICA, de Nilton Lapa e Sidney Luiz Cavallante,
Vol. 3ª, de 1983.
       LAPA & CAVALLANTE (1983, p. 208), nos diz que:
                                     Nesta   parte    veremos    conceitos    de    grande
                                     importância     para   a    Matemática        superior,
                                     lecionada nas faculdades. Aqui, as noções de
                                     limites e derivadas serão vistas de modo bastante
                                     intuitivo, sendo a seguir utilizadas no estudo da
                                     variação de uma função. Nesta abordagem – que
                                     mantém a característica de iniciação ao tema -,
                                     serão feitos gráficos de inúmeras funções, tendo-se
                                     especial atenção ao estudo de seus pontos de
                                     máximo ou de mínimo relativos. Esta parte
                                     finaliza-se com as aplicações de máximos e
                                     mínimos à resolução de problemas.


               Assim, pelas palavras dos autores, fica evidente o perfil do livro, no qual
 se encaixa as recomendações do GEEM (1965). Verificando o conteúdo, em especial
 de limites, ao primeiro tópico chama-se “O conceito informal de limite”, onde se inicia
 com a grande numero de gráficos, e é evitado ao uso dos termos matemáticos formais.
 As propriedades são dadas como regras, sem qualquer demonstração.
       Outro tópico é “Cálculo de limites”, com varias regras, exemplos numéricos e
 gráficos. Por fim, segue a mesma linha quando fala de limites infinitos.


           (iv)     DÉCADA DE 1990
       Tomamos GENTIL at all (1997), e vemos que limites são apresentados de
 maneira intuitiva, com bastante exemplos numéricos e gráficos, e sem demonstrações,
 ainda refletindo a reforma da Matemática Moderna. Na prática, tal livro parece reeditar
 o material das décadas anteriores, só mudando os exemplos.
112
            (v)    DÉCADA DE 2000
                  Tomamos o livro MATEMÁTICA, vol. 3, de Luiz Roberto Dante, de
 2006.
                  Notamos que os conceitos de cálculo não aparecem mais no ensino
 médio.


 8.2.3 DERIVADAS
 (i) DECADA DE 1960
                  Tomando o livro “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL
 JAIRO BEZERRA, que mostra bem a característica da matemática antes do advento da
 chamada “Matemática Moderna”.
         Assim,   como   feito   anteriormente,   pegamos     de   BRASIL     (1952),    o
Desenvolvimento dos Programas Mínimos de Ensino Secundário, e respectivas
instruções metodológicas, em relação a Derivadas recomenda o seguinte conteúdo:
 - Definição da derivada em um ponto; notações; derivada infinita. Interpretação
 geométrica e cinemática da derivada. Diferença e diferencial; interpretação geométrica.
 Funções derivadas. Derivação sucessiva.
 - Regras de derivação; derivada de um constante; de função de função; de funções
 inversas; da soma, do produto e do quociente de funções. Aplicação à derivação de
 funções elementares.
 - Aplicação da teoria de derivadas ao estudo da variação de uma função. Funções
 crescentes e funções decrescentes; máximos e mínimos relativos; interpretação
 geométrica.
         Assim, se compararmos as duas propostas, a de 1951, a qual BEZERRA (1962)
se encaixa, e a de 1965, que já traz a reforma da Matemática Moderna, vemos uma
sensível diferença e diminuição em relação ao conteúdo de BEZERRA (1962).
         Por outro lado, SILVA (2008), nos diz que na portaria de 1951 é apresentada a
definição das funções elementares; já na de 1965 o assunto é tratado como uma
introdução ao Cálculo Infinitesimal e notações e regras de derivação, traz as funções
reais de variável real e as derivadas de funções racionais e trigonométricas, além de
trazer as definições. Também diz que, como orientação para esse estudo, o fato de ater-
se às outras propriedades que seriam utilizadas nas aplicações às outras ciências.
113
       De acordo com GEEM (1965), citado por SILVA (2008), nos mostra a lista de
Assuntos Mínimos para o colégio, orientações e sugestões para o seu desenvolvimento.
Quando tomamos o tópico 18, temos:
       Noção de limite, continuidade e derivada. Elementos de calculo integral;
aplicações ao calculo de áreas e volumes.
       Segue a recomendação:
       Dar noções intuitivas, que permitam deduzir as principais propriedades, que
serão utilizadas nas aplicações a outras ciências.
       Já quando tomamos BEZERRA (1962), observamos que são apresentadas
derivadas sem muitas deduções e demonstrações, na forma de regras de memorização.
Além disso, o autor apresenta poucos exemplos e muitos exercícios de fixação, sem
nenhuma demonstração.
                 Abaixo segue uma página de BEZERRA (1962), como exemplo:
114




     FIGURA 6: PÁGINA DO LIVRO “CURSO DE MATEMÁTICA”, de
MANUEL JAIRO BEZERRA.


     Assim, podemos fazer a análise de que poucas demonstrações no livro supra
citado, é decorrente da grande mudança com o Movimento da Matemática Moderna, e
sua exigência de rigorismo excessivo, de acordo com ÁVILA (1991).
115


(ii)    DECADA DE 1970
        Tomamos para análise o livro: MATEMÁTICA, vol. 3, coleção curso colegial
moderno, de Luiz Mauro Rocha e Ruy Madsen Barbosa, de 1971.
        Já na apresentação os autores dizem que serão estudadas elementarmente as
noções de Cálculo Infinitesimal. Assim, tais autores vêm seguir desde já as sugestões do
GEMM (1965), da reforma da Matemática Moderna.
        Os autores ROCHA & BARBOSA (1971) denominam o capitulo de “Noções
sobre Derivadas”.
        Assim, propriamente dito, os autores, antes de definir derivadas por limite,
começa definindo h = ∆x = X – X0, o qual denomina de acréscimo da variável
independente x, a partir do ponto X0.
        O livro segue com apresentação de regras simples, sem demonstração, e com
muitos exemplos numéricos e gráficos.


(iii)   DÉCADA DE 1980
        Pegamos o livro MATEMÁTICA, de Nilton Lapa e Sidney Luiz Cavallante,
Vol. 3ª, de 1983.
        LAPA & CAVALLANTE (1983), como já citado acima, fica evidente o perfil
do livro, no qual se encaixa as recomendações do GEEM (1965).
        Seguindo o conteúdo, LAPA & CAVALLANTE (1983), começa com vários
exemplos gráficos de tangentes a uma curva em um ponto, e segue ate a definição de
por limites, usando coeficiente angular. No tópico seguinte, relativo a regras de
derivação, tais regras são vistas sem a demonstração, com exceção da derivada da
função potencia de expoente n e função logarítmica de base e, cujas derivadas são feitas
via dedução por limites, algo não visto nos livros das décadas anteriores.
        O capitulo termina com um tópico referente a comportamento de uma função e a
função derivada, o qual é afeita mediante vários exemplos gráficos, para que se
introduza a determinação de máximos e mínimos.


(iv)    DÉCADA DE 1990
116
          Tomamos GENTIL at all (1997), e vemos que derivadas são apresentadas de
 maneira intuitiva, através de taxa de variação, com bastante exemplos numéricos e
 gráficos, e sem demonstrações, ainda refletindo a reforma da Matemática Moderna. Na
 prática, tal livro parece reeditar o material das décadas anteriores, só mudando os
 exemplos.


          (v) DECADA DE 2000
           Tomamos o livro MATEMÁTICA, vol. 3, de Luiz Roberto Dante, de 2006.
           Notamos que os conceitos de cálculo não aparecem mais no ensino médio.


8.2.5 INTEGRAIS
 (i) DÉCADA DE 1960
           Tomando o livro “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO
 BEZERRA, que mostra bem a característica da matemática antes do advento da
 chamada “Matemática Moderna”.
          Assim,   como   feito   anteriormente,   pegamos   de   BRASIL   (1952),    o
Desenvolvimento dos Programas Mínimos de Ensino Secundário, e respectivas
instruções metodológicas, em relação ao conteúdo de Integral, recomenda o seguinte
conteúdo:
          Funções primitivas; integral indefinida; constante de integração. Primitivas
 imediatas; regras simples de integração.
          Integral definida. Aplicação ao cálculo de áreas e de volumes; exemplos
 elementares.
          Tomando agora SÃO PAULO (1965), são mostradas Sugestões para um roteiro
de Programa para a cadeira de matemática, de acordo com a Matemática Moderna. Em
relação a Integrais, no Terceiro Colegial não temos nenhum conteúdo do referido
tópico.
          Assim, se compararmos as duas propostas, a de 1951, a qual BEZERRA (1962)
se encaixa, e a de 1965, que já traz a reforma da Matemática Moderna, vemos a
extinção do tópico ‘Integral’.
          (ii) DÉCADA DE 1970
117
             Tomamos para análise o livro: MATEMÁTICA, vol. 3, coleção curso colegial
  moderno, de Luiz Mauro Rocha e Ruy Madsen Barbosa, de 1971.
             Já na apresentação os autores dizem que serão estudadas elementarmente as
  noções de Cálculo Infinitesimal. Assim, tais autores vêm seguir desde já as sugestões do
  GEMM (1965), da reforma da Matemática Moderna.
             Dessa forma, ao consultarmos o conteúdo do livro, notamos que não existe o
  conteúdo de integrais, indo na mesma linha de sugestões do GEEM.


       (iii) DECADA DE 1980
             Consultamos LAPA & CAVALLANTE (1983) e TROTTA, IMENES &
       JAKUBOVIC (1980), que não trazem nada a respeito de integrais.


(iv)         DECADA DE 1990
             Tomamos GENTIL at all (1997), e vemos que as integrais são apresentadas
       como operação inversa das derivadas, com bastante exemplos numéricos e gráficos, e
       sem demonstrações, ainda refletindo a reforma da Matemática Moderna. Aqui vemos
       grande numero de tabelas e regras para o aluno decorar. Na prática, tal livro parece
       reeditar o material das décadas anteriores, só mudando os exemplos.


       (v) DECADA DE 2000
             Tomamos o livro MATEMÁTICA, vol. 3, de Luiz Roberto Dante, de 2006.
             Notamos que os conceitos de cálculo não aparecem mais no ensino médio.


  9. ANÁLISE DE LIVROS USADOS NAS DISCIPLINAS INICIAIS DE
  CÁLCULO
             Antes de entrarmos no desenvolvimento dos cursos de cálculo e suas
  problemáticas nos cursos superiores, vamos fazer a análise de diversos livros didáticos
  indicados para os alunos de Cálculo 1 e Cálculo Diferencial e Integral 1, já que vimos
  até agora como o calculo era dado no ensino médio, segundo alguns livros.
             Podemos dizer o que o objetivo deste capitulo é fazer a analise de diversos livros
  didáticos indicados para os alunos de Cálculo.
118
       Dessa forma, passamos aos livros que de fato são usados nos cursos iniciais de
Cálculo..
       Consultando os planos de ensino no “NEXOS”, na página da UFSCar. No item
referente à bibliografia de todas as turmas oferecidas em 01/2009, observamos um total
de 17 livros indicados. São eles:
   1) Guidorizzi, H.L., Um Curso de Cálculo, Vol.1 e 2, 5ª. Edição, LTC, Rio de
       Janeiro, 2001.
   2) Thomas, G. B. et al, Cálculo, Vol 1, Addison-Wesley (Pierson Education do
       Brasil), São Paulo, 2002.
   3) Bartle, R. G.; Tulcea, C. I., Calculus, Scott, Glenview, 1968.
   4) Apostol, T. M., Calculus. 2 ed., John Wiley & Sons, New York, 1967.
   5) Stewart, J., Cálculo, Vol. 1, Pioneira, São Paulo, 2001.
   6) Ávila, G. S. S., Cálculo: diferencial e integral. V. 1, 3ª ed. Rio de Janeiro: Livros
       Tecnicos e Cientificos, 1978.
   7) COURANT, R., Cálculo diferencial e integral. Alberto Nunes Serrao (Trad.).
       Porto Alegre: Globo, 1970. v.1.
   8) Spivak, M., Calculus, Addison-Wesley, 1973.
   9) Zorich, V. A., Mathematical Analysis I, Springer Verlag, 2002.
   10) Anton, H., Cálculo - Um novo horizonte, Vol. 1, 6ª.Edição, Bookman, Porto
       Alegre, 2000.
   11) Leithold, L., Cálculo com Geometria Analítica, Vol. 1, Harper & Row do Brasil
       Ltda., São Paulo, 1977.
   12) SIMMONS, George F., 1925-. Calculo com geometria analitica. V. 1, Seiji
       Hariki (Trad.). Sao Paulo: McGraw-Hill, 1987.
   13) Flemming, M., Gonçalves, M. B. - Cálculo A - 5a. edição Makron Books, São
       Paulo, (1992).
   14) Piskunov, N. - Cálculo Diferencial e Integral, Vol. 1 - Publishers, Moscou,
       (1968).
   15) Priestley, W. M. - Calculus: An Historical Approach - Springer-Verlag, N. Y.,
       (1979).
   16) Swokowski, E. W. - Cálculo com Geometria Analítica, Vol. 1 - Makron Books,
       São Paulo, (1995).
119
   17) SAMPAIO, J. C. V. Fascículos de Cálculo 1, 2005.


       Desta lista de livros, selecionaremos alguns destes, que segundo BARUFI
(1999), apresentam uma proposta original e alternativa, fundamentada em objetivos
claros do autor, que demonstram uma preocupação com a aprendizagem significativa
por parte dos estudantes.


   9.1 ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS
           (i)    T. M. APOSTOL: Calculus – Vol. 1
       Segundo BARUFI (1999), APOSTOL (1967) começa o livro dizendo que não
existia uma concordância geral em que consistiria um primeiro curso de cálculo, pois
alguns sugerem o desenvolvimento passo a passo, de maneira lógica e rigorosa, e já
outros enfatizam que como o cálculo é uma ferramenta, deveria priorizar aplicações.
Assim, termina APOSTOL (1967), dizendo que ambas as idéias fazem sentido, já que
muito da beleza do cálculo deriva da beleza das aplicações físicas.
       Dessa forma, BARUFI (1999) começa enfatizando que a seqüência de temas do
livro difere da maioria dos outros textos, pois o autor começa com o Calculo Integral, e
depois o Calculo Diferencial. Sendo assim, a opção inicial é exposição do método de
exaustão de Arquimedes, o que segundo APOSTOL (1967) acabou sendo transformado
no Cálculo Integral.
       BARUFI (1999, p. 67) analisa que:
                                     A escolha de Apostol parece ser adequada para
                                     estabelecer uma ponte com o conhecimento dos
                                     alunos iniciantes, para os quais o problema de
                                     calcular áreas e volumes de figuras mais gerais
                                     parece estar muito próximo dos problemas de
                                     calcular áreas e volumes de figuras simples que foi
                                     desenvolvido na escola média.


       BARUFI (1999) afirma que há uma grande quantidade de figuras sugestivas e
criativas, pois, por exemplo, no tópico sobre derivadas, observa-se grande quantidade de
ilustrações relacionando uma função com sua derivada.
120
       Por fim, BARUFI (1999), diz que o autor constrói os conceitos de através de
processos aproximados, procurando fazer com que o leitor, ao alcançar a formalização
definitiva dos conceitos, tenha passado por varias etapas sucessivas.
       A seqüência temática do APOSTOL (1967), segundo BARUFI (1999), é a
seguinte:
       FIGURA 7: MAPA CONCEITUAL SOBRE SEQUENCIA TEMÁTICA DE
       APOSTOL (1967)                                Logaritmo,              Introdução a
                                                     exponencial, e          eq.
      Cálculo                 Cálculo                as inversas das         diferenciais
      integral                diferencial            funções
                                                     trigonométricas




                                                                               Aplicações
      Álgebra vetorial                 Curvas e              Teor, do
                                                                               do teor. Do
      com aplicações à                 superfícies           valor
                                                                               valor
      geometria analítica                                    médio e
                                                                               médio
                                                             generaliza
                                                             -ções




                                                                          Seq. Series
                                                                          infinitas e
                                                                          integrais
                                                                          imprópias



            (ii)      G. S. S. ÁVILA: CÁLCULO DIFERECIAL E INTEGRAL 1
                   Segundo BARUFI (1999), ÁVILA (2001) começa o livro dizendo que o
       Cálculo com seus fundamentos profundos e sutis, só podem ser adquirido
       gradualmente e de forma intuitiva, e por isso sugere que tais conceitos devem ser
       dados com o mínimo de formalismo.
                   Continuando, AVILA (2001, p. x) afirma que:
                                       (...) a idéia de que o aluno de Matemática se deva
                                       ministrar, desde o inicio, um ensino rigoroso e
                                       isolado das outras ciências encerra um grave erro,
121
                               sob dois aspectos: de um lado, priva-se o
                               estudante da correta apreciação da Matemática,
                               cujo valor mais autêntico reside na idéias, na
                               criatividade e não apenas no rigor e no
                               encadeamento lógico das demonstrações. (...) De
                               outro lado, esse ensino isolado n ao corresponde à
                               realidade histórica; de fato, as exigências de
                               desenvolvimento de teorias e métodos matemáticos
                               em Física, Astronomia e nas demais ciências tem
                               se constituído nas fontes mais estimuladoras da
                               criação matemática.


         Segundo BARUFI (1999), a preocupação inicial de ÁVILA (2001) é na
  revisão de temas do ensino médio, e só após que começa a explorar as idéias do
  Cálculo, através de colocações provisórias para só depois chegar ao conceito em
  sua forma definitiva. Outra coisa que BARUFI (1999) nota é que ao final do
  livro, é colocado um texto para mostrar que aquele conceito não foi descoberto e
  sim construído.
         Encerrando, BARUFI (199) afirma que a seqüência temática é bastante
  tradicional, mas a exposição não o é.




         FIGURA 8: MAPA CONCEITUAL SOBRE SEQUENCIA TEMÁTICA
  DE ÁVILA (2001)


 Nos reais                                             Funções,
                           Eq. e gráficos                                Funções
                                                       limites,          Elemen-
                                                       derivadas         tares



Aplicações da           Regras de           Integral           Comportamento
Integral                integração                             de funções
122


(iii)   R. COURANT: CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL –
        VOL. 1
        Segundo BARUFI (1999), COURANT (1970) começa a revisão de
alguns conceitos do ensino médio, onde examina o conceito de limite de
forma intuitiva, para só depois dar uma definição formal de limites, usando
seqüência de números reais e por ultimo coloca a definição de limite quando
a variável é continua. Já sobre a continuidade BARUFI (1999) nos diz que a
continuidade é explora de forma intuitiva por exemplos, até o conceito
formal aparecer.
        No capitulo 2, BARUFI (1999) diz que o autor começa explorando as
idéias do Cálculo através de áreas, e só depois passa para o limite do
quociente de diferenças. Já sobre integração, COURANT (1970) começa um
tópico especifico para explorar a interpretação gráfica, com ilustrações
usando a integração e a relação com o coeficiente angular da reta tangente.
        BARUFI (1999, p. 87) termina a análise dizendo:
                         Ao longo de todo o texto observamos a utilização
                         da linguagem corrente, para esclarecer aquilo que
                         foi feito formalmente. Dessa forma, o autor
                         consegue propor um curso com um bom nível de
                         profundidade e na qual as idéias não ficaram
                         escondidas atrás de uma máscara lógico-formal. A
                         obra atinge um alto nível de generalização,
                         constituindo um texto de Cálculo extremamente
                         completo.


(iv)    H. L GUIDORIZZI: UM CURSO DE CÁLCULO – VOL. 1
        Segundo BARUFI (1999), o autor parece fazer um revelação do
Cálculo sistematizado, buscando idéias internalistas, sem recorrer aos
problemas que motivaram seu surgimento. BARUFI (1999) continua
afirmando que os problemas servem para ilustrar os resultados e os exemplos
para motivação.
123
       Outra análise, segundo BARUFI (1999), é sobre a preocupação com a
formalização e a generalização sempre presentes.
       BARUFI (1999) encerra dizendo que o autor não faz referencia à
gênese do calculo, e a seqüência temática apresenta o Calculo sistematizado
e logicamente estruturado, onde tal seqüência temática é:
       NUMEROS REAIS – FUNÇÕES – LIMITES E CONTINUIDADE –
EXTENSOES DO CONCEITO DE LIMITE – TEOREMAS DO
ANULAMENTO, DO VALOR INTERMEDIÁRIO E DE WEIERSTRASS
– FUNÇÃOEXPONENCIAL E LOGARITMICA – DERIVADAS –
FUNÇÕES INVERSAS – ESTUDO DA VARIAÇÃO DE FUNÇÕES –
PRIMITIVAS – INTEGRAL DE RIEMANN                       – TECNICAS        DE
INTEGRAÇÃO – EQ. DIF. DE 1ª ORDEM, DE VAR. SEPARÁVEIS E
LINEARES – TEOR. DE ROLLE, DO VALOR MÉDIO E DE CAUCHY,
REGRAS DE L´HOSPITAL – FORMULA DE TAYLOR – APENDICE 1
A 5 – FUNÇÕE INTERAVEIS – FUNÇÃO DADA POR INTEGRAL –
MAIS ALGUMAS APLICAÇÕES DA INTEGRAL, COORDENADAS
POLARES – EXTENSOES DO CONCEITO DE INTEGRAL – EQ. DIF.
DE 1ª E 2ª ORDEM, COM COEF. CONSTANTES.


(v)    N. PISKUNOV: CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL -
       VOL. 1
       Segundo BARUFI (1999), as idéias fundamentais não são
apresentadas como solucionadoras de problemas importantes, e nem
colocação de problemas para motivar a introdução dos conceitos, embora
coloque diversas aplicações posteriores. Seguindo BARUFI (1999), diz que
na parte de integrais, é observado o desenvolvimento da operação de
primitivação, como inversa da derivação, antes de falar em área sob o gráfico
de uma curva.
       Encerrando a análise, BARUFI (1999), p. 112) afirma que:
                         O autor cuida da generalização e da formalização,
                         demonstrando, normalmente, todas as proposições
                         ou teoremas.
124


                         A seqüência de conteúdos é a seguinte:
               NUMERO, VARIÁVEL, FUNÇÕES – LIMITE E CONTINUIDADE
               DE    FUNÇÕES           –    DERIVADA       E    DIFERENCIAL       –   TEOR.
               RELATIVOS          ÀS       FUNÇÕES      DERIVÁVEIS        –   ESTUDO     DA
               VARIAÇÃO DAS FUNÇÕES – CURVATURA DE UM CURVA –
               NUMEROS           COMPLEXOS,           POLINOMICOS       –     FUNÇÕES    DE
               VARIAS           VARIÁVEIS         –    APLICAÇÕES           DO    CALCULO
               DIFERENCIAL À GEOMETRIA DO ESPAÇO – INTEGRAL
               INDEFINIDA – INTEGRAL DEFINIDA – APLICAÇÕES GEOM. E
               MECANICAS           DA         INTEGRAL         DEFINIDA       –   FUNÇÕES
               DIFERENCIAVEIS.


           (vi)     E.    W.    SWOKOWSKI:            CÁLCULO        COM      GEOMETRIA
                    ANALÍTICA - VOL. 1
       BARUFI (1999) nos diz logo nas primeiras páginas, o autor apresenta um
formulário, onde inclui uma grande quantidade de fórmulas referentes às derivadas e às
integrais e inclusive a diversos outros assuntos normalmente constantes do conteúdo
desenvolvido no ensino médio, o que leva a crer que o autor queira garantir o que seja
possível encontrar aquilo que normalmente os estudantes imaginam ser o fundamental
num curso de Cálculo.
       No Prefácio, segundo BARUFI (1999), encontramos que a presente edição,
revisão da original, ou seja:
                                           (...) foi empreendida com três objetivos em mente.
                                           O primeiro é tornar o livro mais voltado para o
                                           estudante, ampliando discussões e proporcionando
                                           maior número de exemplos e ilustrações para
                                           melhor esclarecer os conceitos. Para auxiliar
                                           ainda mais o leitor, foram acrescentadas, em
                                           muitas seções do texto, sugestões para a resolução
                                           de problemas. O segundo objetivo é enfatizar a
                                           utilidade do Cálculo por meio de aplicações
125
                            atualizadas de derivadas e integrais. O terceiro
                            objetivo - tornar o livro tão livre de erros quanto
                            possível - foi alcançado por meio de um exame
                            cuidadoso do texto ...(Swokowski, 1994, p. xix)


       O autor inicia seu texto, segundo BARUFI (1999), com uma Revisão
Pré-Cálculo, na qual retoma diversos    assuntos     que   considera essenciais
para o desenvolvimento subseqüente, logo desenvolve o conceito de limite de
uma função que é uma das idéias fundamentais que distinguem o cálculo da
álgebra e da trigonometria. Pode-se, observar, segundo BARUFI (1999), que o
autor busca convencer tanto através de cálculos, como de figuras ou da
linguagem. O uso da intuição é também bastante explorado.
       No Capítulo sobre Derivadas, BARUFI (1999), observa-se que há três
exemplos, desenvolvidos com detalhes, que são: reta tangente ao gráfico de uma
função num ponto, velocidade instantânea e taxa instantânea de variação, nos
quais sempre obtém a expressão usual que, em seguida, vai colocar como sendo
aquela que define a derivada de uma função em um ponto. Já parte sobre
integração, BARUFI (1999) analisa que primeiro o autor trabalha a integração
indefinida, como operação inversa da derivação, e só depois coloca a questão do
cálculo de áreas.
       Encerrando a análise, BARUFI (1999, p 120), nos diz que:
                            Todo o texto é trabalhado no sentido de primeiro
                            apresentar exemplos trabalhados com detalhe,
                            antes da introdução do conceito. Os problemas
                            mais interessantes são propostos depois. O texto
                            busca o convencimento do leitor, e para isso
                            utiliza argumentos muitas vezes intuitivos, não
                            apenas     decorrentes    da   lógica   interna.    A
                            formalização e generalização são bem cuidadas.


       A seqüência de conteúdos é a seguinte:
126
       REVISAO PRÉ-CALCULO – LIMITES DE FUNÇÕES – A DERIVADA –
       APLICAÇÕES DA DERIVADA – INTEGRAIS – APLICAÇÕES DA
       INTEGRAL DEFINIDA – FUNÇÕES LOGARITICAS E EXPONENCIAIS –
       FUNÇÕES       TRIGONOMÉTRICAS            INVERSAS       E     HIPERBOLICAS       –
       TECNICAS       DE     INTEGRAÇÃO       –   FORMA        INDETERMINADAS           E
       INTEGRAIS IMPROPRIAS – APENDICE.


10. A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA NOS CURSOS DE
CÁLCULO
       O objetivo deste capitulo é mostrar a importância da historia da matemática
parta o ensino de Cálculo.
       Segundo BARBOSA (2008), aparentemente existe um consenso entre autores
que um dos meios mais interessantes de obter conhecimento é através da história, e que
é possível compreender a origem das idéias que deram forma à nossa cultura e observar
também os aspectos humanos do seu desenvolvimento, ou seja, enxergando os homens
que criaram essas idéias e estudando as circunstâncias em que elas se desenvolveram.
       Nesse sentido, BARBOSA (2008, p.78), destaca a importância da história da
matemática escrevendo:
                             “A participação da história dos conteúdos matemáticos
                             como    recursos     didáticos    é     imprescindível.    O
                             desenvolvimento histórico não só serve como elemento de
                             motivação,   mas     também      como    fator   de   melhor
                             esclarecimento do sentido dos conceitos e das teorias
                             estudadas. Não se trata de fazer uma referência histórica
                             de duas linhas ao iniciar um capitulo, mas de realmente
                             usar a ordem histórica da construção matemática para
                             facilitar uma melhor assimilação durante a reconstrução
                             teórica. Isto é central. Os conceitos e noções da
                             matemática tiveram uma ordem de construção histórica.
                             Esse decurso concreto põe em evidência os obstáculos
                             que surgiram em sua edificação e compreensão. Ao
                             recriar teoricamente esse processo (obviamente adaptado
127
                             ao estado atual de conhecimento) é possível revelar seu
                             sentido e seus limites. A história deveria servir, então,
                             como o instrumento mais adequado para a estruturação
                             do delineamento mesmo da exposição dos conceitos. É
                             provável também que uma aproximação dessa natureza
                             seja possível satisfazer as exigências de um sentido
                             vetorial do concreto ao abstrato. Com isso não se quer
                             dizer que se deve reproduzir mecanicamente a ordem da
                             aparição histórica dos conceitos matemáticos; sem
                             dúvida, todas as ciências possuem certa lógica interna
                             que se dá a partir de sínteses teóricas importantes e que
                             se deve assimilar no sentido ensino-aprendizagem. Só se
                             coloca a necessidade buscar um equilíbrio, enfatizando a
                             importância do segundo”.


       No entanto, pelo que vimos acima, o autor supra citado considera a história da
matemática como uma importante ferramenta no ensino-aprendizagem da mesma. Mas,
através de diversos livros didáticos, vemos que muitos autores apenas usam a história
como mera curiosidade, e no máximo como elemento motivador.
       Já MENDES (2007), nos diz que, com relação ao uso da história como recurso
de ensino de matemática, há na literatura referente a esse tema, um estudo exaustivo,
realizado por MIGUEL (1993), onde ele caracteriza diversas fontes de utilização na
história da matemática, dentre as quais destacamos a de motivação da aprendizagem, a
de seleção de objetivos de ensino, a de recreação através de atividades lúdicas e
heurísticas, a de desmistificação, para mostrar a matemática acessível às atividades
educativas do homem; a de formalização de conceitos, a de dialética, a de unificação de
vários campos da matemática, a de conscientização epistemológica e de significação, a
de cultura e a de epistemologia.
       Nesse sentido, SEBASTIANI FERREIRA (1997, p.154), diz que:
                                    “A história em sala de aula tem um alcance muito
                                    maior que apenas uma simples motivação. Além de
                                    motivar o aluno, o faz passar por revoluções no
128
                                     método da matemática, que foram sem dúvida,
                                     marcos decisivos nesta ciência”. Além disso,
                                     continua o autor, “mostra como a matemática foi
                                     construída pelo homem através dos tempos e como
                                     suas dificuldades foram sendo superadas”.


          Dessa forma, conforme afirma BARBOSA (2008), conhecendo a história da
matemática percebemos que as teorias que hoje aparecem acabadas e elegantes
resultaram sempre de desafios que os matemáticos enfrentaram que foram
desenvolvidas com grande esforço e, quase sempre, numa ordem bem diferente daquela
em que são apresentadas após todo o processo de criação, conforme acontece no
Cálculo Diferencial e Integral.
          Então, pelo que vemos na História da Matemática, ela tem um papel importante
na organização do conteúdo que se quer ensinar, e até dando, por assim dizer, um modo
de raciocinar próprio de um conhecimento que se quer construir.
          Segundo BARBOSA (2008), o desafio que ainda não foi superado é encontrar
uma metodologia que contemple o desenvolvimento histórico da matemática como
mecanismo de ensino; qual deve ser o melhor caminho para inseri-la como ferramenta
no processo de ensino-aprendizagem.

          Desse modo BARBOSA (2008), traz um panorama de algumas metodologias,
como segue abaixo.


10.1 Metodologias
(i) Seguir os passos da "invenção" do conhecimento.
          De acordo com SEBASTIANI FERREIRA (1996, p.250) cita CLAIRAUT
(1892):
                                   “Afim de seguir nesta obra um caminho semelhante
                                   aos dos inventores faço com que os principiantes
                                   descubram antes de tudo as verdade que pode
                                   depender a simples medida dos terrenos e das
                                   distâncias acessíveis, etc. Passo daí a outras
                                   investigações, de tal modo análogas às primeira que
129
                                   a curiosidade natural de todos os homens os leva a
                                   nelas   se   deterem.    Justificando    depois   esta
                                   curiosidade por algumas aplicações úteis, chego a
                                   ensinar tudo o que de mais interessante a geometria
                                   elementar tem ... Por esse método, os principiantes,
                                   a cada passo que lhes fazemos dar, percebem a
                                   razão que move o inventor; e podem assim mais
                                   facilmente   adquirir   o   espírito    da   invenção”
                                   (CLAIRAUT, 1892, apud SEBASTIANI FERREIRA,
                                   1996, p.250).


(ii) Principio Genético
        Segundo BARBOSA (2008) este principio pode ser estabelecido da seguinte
forma: “a aprendizagem efetiva requer que cada aluno refaça os principais passos da
evolução histórica”, ou seja, lembramos a lei biogenética da Psicologia, que afirma que o
indivíduo, desde seu nascimento até sua maturidade, repete as principais etapas do
desenvolvimento humano.
        Assim, segundo EDWARDS (1977), citado por BARBOSA (2008), a História
da Matemática não se detém na descrição da teoria, a não ser o mínimo necessário para
o entendimento dos fatos, e o método genético não busca um estudo detalhado dos
eventos que não contribuem para o entendimento do assunto. Entre os autores que
defendem este principio, temos Hanri Poincaré, George Polya, Morris Kline e René
Thom.
        Segundo SEBASTIANI FERREIRA (1996, p.253), Antonio Miguel em sua tese
de doutorado, diz que é problemático o uso do “principio genético” para relacionar
história e ensino-aprendizagem, porque na concepção de produção do conhecimento no
plano psicogenético, a matemática passa a ser vista como um corpo cumulativo de
conhecimentos seqüenciais e ordenados hierarquicamente, e a adoção do recurso à
história baseada na ordem cronológica da constituição dos conteúdos a serem ensinados.


(iii) Método Experimental
130
       Segundo BARBOSA (2008), esse método é fundamentado no conceito de
experiência cientifica. Para realização de tal experiência devemos adquirir recursos
tanto materiais quanto teóricos. Para isso devemos nos preocupar em:
              a) Espaço para realização da pesquisa, que não precisa ser
              necessariamente a sala de aulas, mais sim um laboratório de computação,
              biblioteca, etc.;
              b) Encher o espaço com ferramentas semelhantes as quais dispunham os
              matemáticos e determinada época; segundo Ferreira, os materiais não
              precisam ser necessariamente objetos concretos, mas conceitos, técnicas
              e estratégias matemáticas que o autor dispunha.
              c) Perturbação do sistema. Essa etapa consiste em mudar os
              equipamentos (conceitos, técnicas e estratégias matemáticas) de acordo
              com a evolução do processo histórico. Nesse momento, utilizamos
              bibliografias para mostrar os principais momentos históricos até que
              chegamos ao computador por ser a ferramenta e/ou equipamento
              utilizado pelos matemáticos contemporâneos;
              d) Instigar os alunos para que eles expressem todo o processo
              experimental, podendo ser em forma oral, escritas, ou ambas.


       Ainda segundo BARBOSA (2008), a idéia é pegar um fato e “caminhar” com
ele através da história da matemática. Essa é a idéia defendida pelo professor Eduardo
Sebastiani.


(iv) A Perspectiva lógico-histórica no ensino
       Retomando o Projeto deste trabalho, bem como estudos realizados
anteriormente, durante no nosso projeto Iniciação Científica, vimos que a análise sobre
o uso da História da Matemática, pedagogicamente, deva ser feita e escrita sob o ponto
de vista do educador matemático. Tal análise, decorrente do processo de investigação,
deve enfatizar a reconstituição, não apenas dos resultados matemáticos, mas
principalmente dos contextos epistemológicos, psicológicos, sócio-político e culturais
presentes na sala de aula. Sendo assim, o educador matemático, ao fazer a análise sobre
o papel da História da Matemática no ensino, tem condições de verificar onde e como
131
esses resultados foram produzidos, contribuindo para a explicitação das relações que a
Matemática consegue estabelecer com a realidade.
       Portanto, essa Metodologia leva o aluno a participar da construção do
conhecimento escolar de forma ativa e crítica tendo como uma das exigências a relação
com a necessidade histórica e social, relacionados ao surgimento do Cálculo. A este
processo, estamos denominando de perspectiva lógico-histórica.
       Agora vamos destacar alguns livros que propõe o ensino do Cálculo usando a
História.


10.2 Livros de Cálculo usando a história

              (i) “Curso de História da Matemática” de M. E. Baron e H. J. M. Bos.
              De acordo com BARBOSA (2008, p.83),
                            A coleção de livros da UNB é dividia em cinco volumes e
                            expõe todos os conceitos de um primeiro curso de cálculo
                            contando os principais fatos históricos e instigando o
                            leitor a fazer avaliação dos acontecimentos propondo
                            questões avaliativas relacionado ao assunto tratado. Em
                            alguns casos, pede-se que façamos comentários críticos e,
                            em outros, propõe que se façam resumos de partes dos
                            textos. Nestes textos encontramos traduzidos os relatos,
                            publicações, cartas, etc. como são encontrados nos
                            trabalhos originais dos autores. Logo após cada
                            exposição desses trabalhos, são feitos apontamentos sobre
                            o assunto.


              (ii) The Calculus: a Genetic Approach, Toeplitz.
              De acordo com BARBOSA (2008, p.83),
                            O livro segue a inspiração histórica para apresentar os
                            conceitos do Cálculo ao estudante. Inicia com uma
                            discussão sobre as especulações dos antigos matemáticos
                            gregos sobre os processos infinitos, a teoria das
                            proporções, o método da exaustão, a medida da
132
                   circunferência de Arquimedes, o conceito de número,
                   limites de seqüências e séries numéricas. O estudo da
                   integral definida se inicia com a quadratura da parábola
                   por Arquimedes, e a retomada deste problema 18 séculos
                   após com Cavalieri. A derivação é apresentada com o
                   estudo do problema de se encontrar a tangente a uma
                   curva em um ponto, com problemas de máximos e
                   mínimos e o conceito de velocidade de Galileu. O estudo
                   dos logaritmos lança uma luz sobre a relação entre
                   derivada e integral. O livro termina com aplicações a
                   problemas de movimento, como o pêndulo, oscilações, leis
                   de Kepler e de Newton. Toeplitz deixou o livro inacabado,
                   tendo falecido em 1940 em Jerusalém, após deixar a
                   Alemanha em 1939.


      (iii) The historical development of the calculus, EDWARDS.
De acordo com BARBOSA (2008, p.83-4),
                   Segundo Edwards, a história do desenvolvimento do
                   cálculo tem um especial interesse para quem aprecia o
                   valor histórico na perspectiva de ensino e aprendizagem,
                   desfrutando dela e de suas aplicações. Seu livro começa
                   discutindo os problemas da antiguidade até chegar à
                   análise do século vinte. Após tratar dos principais
                   assuntos da matemática grega, o autor conta fatos
                   históricos e as contribuições dos principais personagens
                   precussores do cálculo, que de uma forma ou de outra,
                   colaboraram no seu desenvolvimento até chegarmos à
                   Newton e Leibniz que auferiram o direito de ter, cada um
                   deles, um capítulo inteiro no livro por serem eles
                   inevitavelmente considerados a peça central da história
                   do cálculo. A principal característica deste livro é a
                   inclusão entremeada de exercícios ao longo do texto como
133
                             uma parte integrante da exposição. A história da
                             matemática, como matemática própria, não se aprende
                             com uma leitura passiva, mas com uma caneta na mão.
                             No entanto, a solução de problemas típicos e particulares
                             de um determinado período histórico, utilizando as
                             ferramentas daquele tempo permite ao leitor compartilhar
                             o entusiasmo da primeira descoberta. O autor indaga que
                             o melhor caminho de penetrar no pensamento de
                             Arquimedes e Newton, por exemplo, é resolver alguns
                             problemas utilizando seus próprios métodos.


       11. UMA PROPOSTA METODOLÓGICA NO ENSINO DE CÁLCULO
       O objetivo deste capitulo é discutir a história da matemática como metodologia
de ensino em Cálculo.
       Podemos começar a dizer sobre uma proposta metodológica tomando SPINA
(2002), que vem mostrar que na escola, o antigo paradigma deveria ter sido substituído,
o que significaria o fim dos "planejamentos de arquivo", das aulas preparadas e nunca
mudadas, da passividade-receptividade dos alunos, numa palavra, o abandono das
certezas, dos objetivos de longo prazo, o que na prática não acontece, ou seja, ainda
persistem os antigos métodos de ensino, à revelia das mudanças que estão a exigir uma
nova mentalidade.
       Dessa forma, ASSMANN (1996, p.55) afirma:
                             “Confesso a minha perplexidade, não apenas diante de
                             muitos aspectos da atual evolução da humanidade, mas
                             também diante dos que persistem em não evoluir. Há
                             muita literatura sobre a educação na qual não se registra
                             nada acerca dos terremotos epistemológicos do século
                             XX.”


       Assim, MORAES (1997, p. 51), citado por SPINA (2002), diagnostica o estado
de calamidade do sistema escolar brasileiro:
134
                             Na área educacional, as influências do pensamento
                             cartesiano-newtoniano     parecem    ainda   mais    graves
                             considerando o seu significado para a formação de novas
                             gerações, com sérias implicações para o futuro da
                             humanidade. (...) Em vez de produzir as transformações
                             necessárias para o desenvolvimento harmonioso do ser
                             humano, a educação atual continua gerando padrões de
                             comportamento preestabelecidos, com base em um
                             sistema de referência que nos ensina a não questionar, a
                             não expressar o pensamento divergente, a aceitar
                             passivamente a autoridade, a ter certeza das coisas (...)


       Dessa forma, ainda de acordo com SPINA (2002), o ensino da Matemática não
foge à regra. As transformações por que passa o mundo, o ritmo alucinante da evolução
solicita outra didática, mentalidade, metodologia.
       Como diz ZUÑIGA (1991), citado por SPINA (2002):
                             O reflexo disso se faz sentir na Matemática (...) a natureza
                             da Matemática está mudando: há muitos indícios disso.
                             Cada dia mais pessoas questionam o modelo matemático
                             infalível, absoluto, longe da intuição empírica e da
                             realidade terrena, que dominou até agora... Cada vez se
                             percebe melhor a íntima relação entre as matemáticas e a
                             sociedade. Cada vez tem-se mais espaço para um novo
                             paradigma sobre a natureza das matemáticas, um
                             paradigma empírico e construtivista, um paradigma que
                             recorre à intuição sensorial, um paradigma que integre
                             no seu seio as influências sociais e culturais, que recorre
                             à História das Matemáticas e das Ciências como
                             inspiração, não só para anedotas, senão para estabelecer
                             a lógica que sustenta a prática educativa de uma forma
                             mais acertada.
135
       Assim, quando pretendemos abordar a História da Matemática como
procedimento de ensino, esta é pedagogicamente orientada, tal como, as várias
dificuldades de interpretação, a construção de teorias e outros problemas que surgem
durante o processo.
       Então, de acordo com estudos realizados anteriormente, durante na nossa
Iniciação Científica, temos que se vista de forma dinâmica, a História da Matemática se
insere no conteúdo que está sendo abordado. De certa forma, segundo os estudos de
Lanner de Moura (1995), Sousa (2004), guardadas as devidas proporções, o aluno
reconstrói os passos que foram dados para a organização daquele conhecimento, além
de mostrar a dimensão didática e humana do conhecimento entre professor e aluno. O
aluno deve participar da construção do conhecimento escolar de forma ativa e crítica
tendo como uma das exigências a relação com a necessidade histórica e social que
sustentaram o surgimento e o desenvolvimento dos conceitos matemáticos. A este
processo estamos denominando de perspectiva lógico-histórica.
     Assim, segundo SOUSA (2007), ao acenarmos para um ensino que se fundamente
no par lógico-histórico, estamos defendendo que a relação lógico-histórica na prática
pedagógica do professor.
       Também, nesta mesma linha, de acordo com estudos anteriores, feitos durante o
Relatório de Iniciação Científica, podemos dizer que ao assumirmos o lógico-histórico
enquanto forma de pensamento, necessariamente, assim como os estudos que se
fundamentam na perspectiva da Educação Conceitual (Lanner de Moura, 2003),
consideramos a flexibilidade, a relatividade, a interdependência, a fluência, o processo e
o movimento do próprio pensamento que ocorre na totalidade do pensamento, enquanto
define para si mesmo o que vem a ser a verdade elaborada pela praxis humana enquanto
o homem tenta se humanizar pelo conhecimento.
       Já RIBNIKOV (1987, p. 12), nos diz que:
                              Conhecer a história do desenvolvimento da matemática
                              nos   permite    conhecer     seu   objeto,   bem     como
                              “compreender o lugar dessa ciência na atividade
                              produtiva e social dos homens”
136
       Dessa forma, de acordo com SOUSA (2004), professores e estudantes devem
partir do princípio de que aprender um conceito matemático envolve apropriação de
significações que são produzidas durante o desenvolvimento histórico da humanidade.
Tais apropriações são elaboradas enquanto procuram atender as necessidades sociais e
cognitivas.


12. DELINEAMENTOS DE UMA PROPOSTA DE ENSINO PARA AS
DISCIPLINAS INICIAIS DE CÁLCULO COM HISTÓRIA DA MATEMÁTICA
       Este capítulo possui a intenção de mostrar os delineamentos de propostas de
ensino pesquisadas a partir de um enfoque histórico, onde a idéia seria a de
proporcionar que o estudante possa fazer reflexões sobre conceitos que estuda.
       Outro ponto a ser abordado aqui é a opção entre seguir os nexos conceituais
presentes no desenvolvimento do Cálculo, ou seguir a ordem adotada nos livros
didáticos.
       Mais especificamente, para BARUFI (1999), existem dois modelos principais a
serem abordados, a saber:
                             (...) Constitui na apresentação do Cálculo sistematizado,
                             formal e logicamente organizado, como resultado do
                             trabalho de pensadores, filósofos e matemáticos, durante
                             vinte séculos. (...) Nesse caso, a seqüência temática,
                             basicamente      é:    Números    Reais,   funções,   Limites,
                             Derivadas e Integrais, e o tratamento metodológico
                             obedece, em muitos casos, à idéia de fornecer uma
                             revelação do Cálculo. (BARUFI, 1999, p. 52)


                             (...) Este modelo diverge do anterior por apresentar uma
                             seqüência temática que não obedece necessariamente à
                             estrutura lógica, mas muito mais ao desenvolvimento do
                             Cálculo, ou à sua contemporaneidade. Isto se deve ao fato
                             de   basear-se        numa   metodologia   problematizadora,
                             segundo a qual aquilo que deflagra o processo de
                             construção do conhecimento, por parte dos alunos, é a
137
                             existência de problemas importantes e motivadores.
                             (BARUFI, 1999, p. 53)


       Dessa forma, a abordagem lógico-histórica, que aqui adotamos, condiz com o
segundo modelo apresentado por BARUFI (1999).
       Nesse sentido, em nossas pesquisas, constatamos que praticamente não existem
atividades de ensino com a abordagem histórica na literatura em português e em
espanhol, cujas pesquisas realizamos através da base de dados SCIELO. Outra fonte de
pesquisa da literatura brasileira, em específico, foi através do banco de dados das
principais universidades brasileiras, onde não foi encontrada nada de relevante. Em
português foi encontrada a coleção “Curso de História da Matemática” de M. E. Baron
e H. J. M. Bos, de 5 volumes.
       Já na literatura internacional, encontramos três livros em específico, de autores
americanos, que são: TOEPLITZ (1996), PRIESTLEY (1974) e EDWARDS (1974).
       Dessa forma, em vez de copiarmos alguns exercícios de tais livros, vamos
apenas relembrar suas principais características, já analisadas acima, de acordo com
BARBOSA (2008).
       Seguem as principais características desses livros:
              (i) “Curso de História da Matemática” de M. E. Baron e H. J. M. Bos.
              De acordo com BARBOSA (2008, p.83),
                             A coleção de livros da UNB é dividia em cinco volumes e
                             expõe todos os conceitos de um primeiro curso de cálculo
                             contando os principais fatos históricos e instigando o
                             leitor a fazer avaliação dos acontecimentos propondo
                             questões avaliativas relacionado ao assunto tratado. Logo
                             após cada exposição desses trabalhos, são feitos
                             apontamentos sobre o assunto.


              Verificamos que os exercícios são mais de cunho histórico do que sobre
cálculo especificamente.


              (ii) The Calculus: a Genetic Approach, Toeplitz.
138
      De acordo com BARBOSA (2008, p.83),
                    O livro segue a inspiração histórica para apresentar os
                    conceitos do Cálculo ao estudante. Inicia com uma
                    discussão sobre as especulações dos antigos matemáticos
                    gregos sobre os processos infinitos, a teoria das
                    proporções, o método da exaustão, a medida da
                    circunferência de Arquimedes, o conceito de número,
                    limites de seqüências e séries numéricas. O estudo da
                    integral definida se inicia com a quadratura da parábola
                    por Arquimedes, e a retomada deste problema 18 séculos
                    após com Cavalieri. A derivação é apresentada com o
                    estudo do problema de se encontrar a tangente a uma
                    curva em um ponto, com problemas de máximos e
                    mínimos e o conceito de velocidade de Galileu. O estudo
                    dos logaritmos lança uma luz sobre a relação entre
                    derivada e integral. O livro termina com aplicações a
                    problemas de movimento, como o pêndulo, oscilações, leis
                    de Kepler e de Newton. Toeplitz deixou o livro inacabado,
                    tendo falecido em 1940 em Jerusalém, após deixar a
                    Alemanha em 1939.


             Assim, verificamos que são exercícios voltados mais para física,
      do que problemas de cunho histórico.


      (iii) The historical development of the calculus, EDWARDS.
De acordo com BARBOSA (2008, p.83-4),
                    Segundo Edwards, a história do desenvolvimento do
                    cálculo tem um especial interesse para quem aprecia o
                    valor histórico na perspectiva de ensino e aprendizagem,
                    desfrutando dela e de suas aplicações. Seu livro começa
                    discutindo os problemas da antiguidade até chegar à
                    análise do século vinte. Após tratar dos principais
139
                            assuntos da matemática grega, o autor conta fatos
                            históricos e as contribuições dos principais personagens
                            precursores do cálculo, que de uma forma ou de outra,
                            colaboraram no seu desenvolvimento até chegarmos à
                            Newton e Leibniz que auferiram o direito de ter, cada um
                            deles, um capítulo inteiro no livro por serem eles
                            inevitavelmente considerados a peça central da história
                            do cálculo. A principal característica deste livro é a
                            inclusão entremeada de exercícios ao longo do texto como
                            uma parte integrante da exposição. A história da
                            matemática, como matemática própria, não se aprende
                            com uma leitura passiva, mas com uma caneta na mão.
                            No entanto, a solução de problemas típicos e particulares
                            de um determinado período histórico, utilizando as
                            ferramentas daquele tempo permite ao leitor compartilhar
                            o entusiasmo da primeira descoberta. O autor indaga que
                            o melhor caminho de penetrar no pensamento de
                            Arquimedes e Newton, por exemplo, é resolver alguns
                            problemas utilizando seus próprios métodos.


       Ao verificar o livro, vimos que é o que mais se aproxima de um livro didático de
cálculo usando a história da matemática. Também vimos muitos exercícios durante o
livro, adequados com a abordagem histórica.
       Entretanto a critica que fazemos aqui é pela maioria das atividades se reduzirem
à simples exercícios, alguns de fixação da teoria ou onde são pedidas demonstrações de
resultados apresentados durante o capítulo, com poucos problemas a serem resolvidos.


12.    CONCLUSÕES
       Podemos concluir de nossa pesquisa que cumprimos nosso objetivo de estudar a
história da matemática enquanto metodologia de ensino nas disciplinas iniciais de
Cálculo, já que fizemos um levantamento das taxas de reprovações em tais cursos, e
140
também a partir de entrevistas de professores, levantamos as principais dificuldades no
ensino-aprendizagem, e aprofundamos seu estudo.
       Assim, durante a nossa pesquisa, podemos observar tanto através das entrevistas
com professores como no estudo da bibliografia citada, que um dos principais conceitos
envolvidos no estudo do Cálculo é o de limite, sendo fundamental para o aprendizado
de derivadas e integrais.
       Dessa forma, destacamos em nossa pesquisa a chamada ruptura entre o
pensamento algébrico e o analítico, como problema de ensino-aprendizagem do
Cálculo, que segundo ARTIGUE (1998) ocorre quando o aluno é obrigado a reconstruir
objetos matemáticos, ou seja, tomar consciência de todas as mudanças e do crescimento
da dificuldade técnica do trabalho matemático nos ajuda a compreender melhor à
distância que separa a capacidade de formular a definição formal da noção de limite,
ilustrada por exemplos e contra-exemplos, representada graficamente, e por outra parte,
de dominar tecnicamente esta definição, é decidir ser capaz de utilizá-la como um
instrumento operativo na resolução de problemas.
       Logo, ao falarmos sobre nossa aprendizagem sobre ao conteúdo de Cálculo,
principalmente ao estudarmos as dificuldades de ensino-aprendizagem, um pouco sobre
o conceito formal de limites, sobre como eram tratadas as tangentes, deste problema dos
tempos de Euclides. Porém destaca-se aqui o conceito de integrais, principalmente na
integração de funções em intervalos descontínuos, onde não basta a aplicação pura e
simples das regras, e sim fazer antes um estudo do gráfico e das possíveis
descontinuidades, para ai sim efetuarmos a operação.
       Na seqüência estudamos a importância do uso da história da matemática no
ensino de cálculo, onde aprofundamos com o estudo de diversas metodologias que usam
tal abordagem, culminando com o lógico-histórico. Dessa forma, podemos dizer que
aprendemos um pouco sobre a história dos conceitos de Cálculo, sendo destaque para
função, onde apareceu para nós todo o seu desenvolvimento lento e gradual. Também
destacamos o aprendizado sobre o surgimento histórico primeiro de integrais em
detrimento dos demais conceitos. Já sobre nosso aprendizado sobre as metodologias de
ensino de Cálculo, podemos dizer que passamos a ter algum conhecimento sobre os
diversos enfoques da história da matemática como metodologia.
141
       Antes de concluirmos, por tudo que estudamos, aprendemos um pouco com as
entrevistas dos professores, das queixas deles em relação aos alunos e comparando com
as taxas de reprovações, vimos que realmente tem algo errado, e em geral com o
comportamento dos alunos em relação aos estudos. Porém, o radicalismo de alguns
professores em não tentar enxergar outras metodologias de ensino é um fator há ser
estudado. Assim, vemos que é mais fácil notarmos o que não deve ser feito em sala de
aula, com exemplos negativos, do que propormos um modo correto de procedimento.
Porém, pelas nossas pesquisas, concordamos que uma boa alternativa é o estudo da
disciplina via história da matemática, assentada em problemas de cunho histórico, com
uma visão que priorize o desenvolvimento e a evolução dos conteúdos, em vez do
enfoque metodológico tradicional.
     Dessa forma, concluímos que o que melhor se adéqua de um livro didático de
cálculo usando a história da matemática é o livro de EDWARS (1977). Também vimos
muitos exercícios durante o livro, adequados com tal abordagem, porém, em vez de
copiarmos alguns exercícios de tais livros, apenas relembramos suas principais
características, vantagens e desvantagens.
    Para encerrarmos, propomos a seguinte questão de investigação:
    “De que forma a perspectiva lógico-histórica pode se configurar como metodologia
de ensino de Cálculo?”
    Assim, podemos dizer que tal perspectiva deve enfatizar a reconstituição, não
apenas dos resultados matemáticos, mas principalmente dos contextos epistemológicos,
psicológicos, sócio-político e culturais presentes na sala de aula, levando o aluno a
participar da construção do conhecimento escolar de forma ativa e crítica, tendo como
uma das exigências a relação com a necessidade histórica e social, relacionados ao
surgimento do Cálculo.


15. BIBLIOGRAFIA
•              AABOE, Asger. Episódios da História Antiga da Matemática. Trad. de
João Pitombeira de Carvalho. Rio de Janeiro, Sociedade Brasileira de Matemática,
1984. 170 p.
142
•       ASIALA, M.; Cottrill, J.; Dubinsky, E. & Schwingendorf, K. The development
of student’s graphical understanding of the derivate. Journal of Mathematical Behavior,
1997.
•       ÁVILA, Geraldo. Evolução dos Conceitos de Função e Integral. Revista
Matemática Universitária, Nº 1, SBM. RIO DE JANEIRO, 1985.
•       _______________.       As      Coisas   que   Ensinamos.   Revista   Matemática
Universitária, Nº 18, SBM. RIO DE JANEIRO, 1991.
•       APOSTOL, T. M., Calculus. 2 ed., John Wiley & Sons, New York, 1967.
•       ARTIGUE, M. La enseñanza de los principios del               calculo: problemas
epistemológicos, congnitivos e didáticos. Ingenieria didática em educación matemática.
P Ed. P. Gomez. Grupo Editorial Iberoamericano. México, 1995.
•       ARTIGUE, M. Enseñanza y aprendizaje dela análisis Elemental: ¿qué se puede
aprender de las investgaciones didáticas y los câmbios curriculares? Relime, vol. 1, nº 1,
Grupo Editorial Iberoamericano. México, 1998.
•       ASMANN, H. Metáforas Novas para Reencantar a Educação. Piracicaba:
UNIMEP, 1996.
•       AZCÁRATE, C. La velocidad: introducción al concepto de derivada. Tesis de
doctorado, Universitat Autònoma de Barcelona, Barcelona, 1990.
•       ÁVILA, G. S. S., Cálculo: diferencial e integral. V. 1, 3ª ed. Rio de Janeiro:
Livros Tecnicos e Cientificos, 1978.
•       BADILLO, E. La derivada como objeto matemático y como objeto de
enseñanza y aprendizaje en profesores de matemáticas de Colombia. Tesis de doctorado
no publicada, Universitat Autònoma de Barcelona., Barcelona, 2003.
•       BAKER, B.; Cooley, L. & Trigueros, M. A calculus graphing schema. The
Journal for Research in Mathematics Education, 2000.
•       BARBOSA, Evaldo F. M. A REGRA DE L’HÔPITAL: Analise Historica da
regra de L’Hôpital. A importância da História da Matemática na disciplina de Cálculo.
CAMPINAS: UNICAMP, 2008. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO.
•       BARUFI, Maria Cristina Bonomi. A construção/negociação de significados no
curso universitário inicial de Cálculo Diferencial e Integral. SÃO PAULO: USP, 1999.
TESE DE DOUTORADO.
143
•       BAUMGART, John K. Tópicos de história da matemática para o uso em sala
de aula: Álgebra. Tradução Hygino H. Domingues. São Paulo: Atual, 1992.
•       BEZERRA, Manuel Jairo. Curso de Matemática. Companhia das Letras, 8ª
edição, São Paulo, 1962.
•       BIAHCHINI, E.; PACCOLA, H. MATEMÁTICA. Vol. 1: versão alfa. Ed.
Moderna, 2.a edição. São Paulo, 1995.
•       BOGDAN, R. C; BIKLEN, S. K. Investigação qualitativa em educação. Porto
Editora, Porto, 1994.
•       BOS, M.; BARON, M. Curso de História da Matemática: Origens e
Desenvolvimento do Cálculo: Newton e Leibniz. Vol. 3. Trad. Rudolf Maier. Editora
Universidade de Brasília, Brasília, 1974.
•       BOULOS, P.; WATANABE, R. MATEMÁTICA: 2.o GRAU, vol. 1. Ed.
Nacional. São Paulo, 1979.
•       BOYER, Carl Benjamin. História da Matemática. Trad. de Elza F. Gomide.
São Paulo, Edgard Blücher, 1974.
•       ____________________. História da Matemática. Trad. de Elza F. Gomide.
São Paulo, Edgard Blücher, 1989.
•       _____________________. The History of Calculus and its Conceptual
Development. New York, Dover, 1959.
•       BRASIL. Portaria nº 966, de 02 de outubro de 1951 a. Programa do Ensino
Secundário. Revista Atualidades Pedagógicas, São Paulo, 1952. Suplemento nº 1.
•       BROLEZZI, A.C. A Arte de Contar: uma Introdução ao Estudo do Valor
Didático da História da Matemática. Dissertação de Mestrado. São Paulo: FEUSP,
1991. Disponível em:
< http://www.ime.usp.br/~brolezzi/teseedissertacao.html>
•       ______________. A Tensão entre o Discreto e o Contínuo na História da
Matemática e no Ensino de Matemática . Tese de Doutorado. São Paulo: FEUSP, 1996.
•       ________________. Epistemologia e História: anotações para uma História da
Matemática às Avessas. Disponível em:
<http://www.educarede.org.br/educa/img_conteudo/File/CV_132/texto_Brolezzi_semin
_rio_Nilson_versao_3.doc>. Consultado em: 01/04/2009.
144
•       CARAÇA, B. J. Conceitos Fundamentais da Matemática. Tipografia
Matemática. Lisboa, 1951.
•       CLAIRAUT, A. Elementos de geometria. São Paulo: Livraria Teixeira &
Irmão, 1892.
•       Clark, J. M.; Cordero, F.; Cottrill, J.; Czarnocha, B.; DeVries, D. J.; St. John,
D.; Tolias, G. & Vidakovic, D. Constructing a schema: the case of the chain rule.
Journal of Mathematical Behavior 14 , 1997.
•       COBIANCHI, A. S. Estudos de continuidade e números reais: matemática,
descobertas e justificativas de professores. RIO CLARO/SP, 2001.
•       CORNU, B. Advanced Mathematical Thinking. Kluwer Academic Press, 1991
•       COURANT, R., Cálculo diferencial e integral. Vol. 1. Alberto Nunes Serrao
(Trad.). Porto Alegre: Globo, 1970.
•       CUNHA, Antônio Geraldo. Dicionário Etimológico. Nova Fronteira de Língua
Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
•       DA COSTA, Newton C. A. & DORIA, F. A. Continuous & Discrete: A
Research Program. IN: Bol Soc. Paran. Mat. (2ª Série), v. 12/13, n. 1/2. Curitiba: Ed. da
UFPR, 1991/2.
•       DA SILVA, J. F.; BORGES NETO, H. QUESTÕES BÁSICAS DO ENSINO
DO CÁLCULO. Disponível em:
www.multimeios.ufc.br/arquivos/pc/artigos/artigo-questoes-basicas-do-ensino-de-
calculo.pdf Consultado em: 14/05/2009.
•       DANTE, Luiz R. MATEMÁTICA. Vol. 1. Ediora Ática, 1ª ed. São Paulo,
2006.
•       ______________. MATEMÁTICA. Vol. 3. Ediora Ática, 1ª ed. São Paulo,
2006.
•       DINIZ,     Geral    L.    História    do    Limite.   2006.    Publicado     em:
http://www.ufmt.br/icet/matematica/geraldo/histlimite.htm Consultado em: 18/04/2009.
•       EDWARDS, H. M. Fermat's Last Theorem: A Genetic Introducion to
Algebraic Number. New York: Springer Verlag, 1974.
•       EDWARDS, C. H. Jr. The historical development of the calculus. New York:
Springer-Verlag, 1977.
145
•       ENGLEL, A.; VRANCKEN, S.; MÜLLER, D.; GREGORINI, M. I. Análisis
de uma propuesta dedática para La enseñanza de limite finito de variable finita. Revista
Iberoamericaca de Educacion Matemática. Nº 11, p. 113 – 132. ARGENTINA, 1997.
•       FIOTENTINI, D.; LORENZATO, S. Investigação em Educação Matemática:
Percursos Teóricos e Metodológicos. Autores Associados, Campinas/SP, 2006.
•       Font, V. Procediments per obtenir expressions simbòliques a partir de
gràfiques. Aplicacions a la derivada. Tesis de doctorado no publicada, Universitat de
Barcelona, Barcelona, 2000a.
•       Font, V. Representaciones ostensivas que pueden ser activadas en el cálculo de
f’(x). El caso de la función seno. Uno. Revista de Didáctica de las Matemáticas, 2000b.
•       GEEM. Matemática Moderna para o Ensin1o Secundário. Série Professor nº 1,
2ª ed. São Paulo, 1965.
•       GENTIL, N.; SANTOS, C. A. M.; GRECO, A. C.; GRECO, S. E.
MATEMÁTICA PARA O SEGUNDO GRAU. Vol. 3. Ed. Átoca, 6.a edição. São
Paulo, 1997.
•       GRAGNER, G. Filosofia do Estilo. Ed. Perspectiva. São Paulo, 1974.
•       GUIDORIZZI, H. L. Um Curso De Cálculo. Vol. I, Rio de Janeiro, LTC
Editora, 1997.
•       Habre, S. & Abboud, M. Student’s conceptual understanding of a function and
its derivative in an experimental calculus course. Journal of Mathematical Behavior,
2006.
•       KLINE, Morris. Mathematical thought from ancient to modern times. New
York: Oxford University Press, 1990.
•       _____________. Mathematical thought from ancient to modern times. New
York: Oxford University Press, 1972.
•       LANNER DE MOURA, A.R. - A medida e a criança pré-escolar. Faculdade de
Educação. Tese de Doutorado. UNICAMP, 1995.
•       LAPA, N.; CAVALLANTE, S. L. MATEMÁTICA. Vol. 1. Ed. Moderna. São
Paulo, 1984.
•       __________________________________________. Vol. 3. Ed. Moderna. São
Paulo, 1984b.
146
•       LEITÃO, Henrique. Imagens. Disponível em:
<http://www.scientia.artenumerica.org/imagens.html>. Consultado em: 09/04/2009.
•       LLORENS, J. L.; SANTONJA, F. J. Uma interpretación de las dificultades em
el aprendizaje de concepto de integral. Divulgaciones Matemáticas, v. 5, No, ½, p. 61 –
76. Valencia, 1997.
•       MAGNE, Augusto. Dicionário Etimológico da Língua Latina: Famílias de
Palavras e Derivações Vernáculas. Rio de Janeiro: MEC, 1953.
•       MIGUEL, A. Três Estudos sobre História e Educação Matemática. UNICAMP:
Campinas, 1993. Tese de Doutorado.
•       MENDES, Iran de Abreu. Histórica no ensino da Matemática: O caso da
Trigonometria. Site:
http://membros.aveiro-digital.net/matematica/acompanhamento/Iran2.pdf.
Consultado em: 31/10/2007.
•       MENDES, Maria Helena Monteiro. O conceito função: aspectos históricos e
dificuldades apresentadas por alunos na transição do segundo para o terceiro grau.
Dissertação de Mestrado - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 1994.
•       MORAES, M. C. O Paradigma Educacional Emergente. Campinas, Papirus,
1997.
•       MUNDY, J., Analysis of Errors of First Year Calculus Students, en Theory,
Research and Practice in Mathematics Education, Bell, A., Low, B. And Kilpatrick, J.
(Eds.), Proceedings ICME-5, 1984, 170–172.
•       OLIVEIRA, N. Conceito de Função: uma Abordagem do Processo Ensino-
Aprendizagem. Dissertação de Mestrado. PUC: SÃO PAULO, 1997.
•       ORTON, A. Student’s understanding of differentiation. Educational Studies in
Mathematics, 1983.
•       PETITOT,       Jean.   Infinitesimal.   IN:   Enciclopedia   Einaudi,   Vol.    4
(Local/Global). Trad. João Sàágua. Porto: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1985.
•       Piskunov, N. - Cálculo Diferencial e Integral, Vol. 1 - Publishers, Moscou,
1968.
•       PRIESTLEY, W. M. Calculus: Na Historical Approach. Springer-Verlag, New
147
York, 1979.
•       REZENDE, Wanderley Moura O ensino de Cálculo: Dificuldades de Natureza
Epistemológica. Anais do II SIPEM – Seminário Internacional de Pesquisa em
Educação Matemática, Santos/SP, 2003.
•       ROBINET, J. Les réels: quels modèles en ont les élèves. Cahier de Didactique
des mathématiques, nº 21, IREM. PARIS, 1986.
•       ROBINSON, Abraham. Non-standard Analysis. Amsterdam: North-Holland,
1974.
•       ROCHA, L. M.; BARBOSA, R. M. Matemática: Curso Colegial Moderno..
Vol. 3. IBEP, SÃO PAULO, 1971.
•       SÁ, P. F.; SOUZA; G. S.; SILVA, I. D. B. A construção do conceito de função:
Alguns dados históricos. Traços, Vol. 6, Nº 11, p. 81 – 94. Belém, 2003.
•       SÃO PAULO (Estado). Sugestões para um Roteiro de Programa para a cadeira
de Matemática. Diário Oficial do Estado de São Paulo, p. 42-43, São Paulo, 1965,
•       SEBASTIANI FERREIRA, E. O uso da História da Matemática nas aulas de
cálculo. Encontro Luso-Brasileiro de História da Matemática e Seminário Nacional de
História da Matemática. Anais. Águas de São Pedro - SP: Sergio Nobre, 1997.
•       SIERPINSKA, A. Obstacles épistémologiques relatifs à La notion de limit.
Rechercher em Didactique des Mathématiques. Vol. 6.1, Montreal, 1985.
•       SILVA, Givanildo F. A Reorganização da Matemática Escolar do Colégio em
Tempos do Movimento da Matemática Moderna. PUC: São Paulo, 2008. Dissertação de
Mestrado.
•       SOUSA, MARIA DO Carmo de. O ENSINO DE ÁLGEBRA NUMA
PERSPECTIVA LÓGICO-HISTÓRICA: Um estudo das elaborações correlatas de
professores do Ensino Fundamental. Tese de Doutorado. UNICAMP, 2004.
•       SOUSA, Maria do Carmo de. Quando a História da Matemática passa a ser
Metodologia de Ensino. ANAIS DO 16o. CONGRESSO DE LEITURA DO BRASIL.
CAMPINAS/SP, 2007.
•       SPINA, Catharina de Oliveira Corcoll. MODELAGEM MATEMÁTICA NO
PROCESSO       ENSINOAPRENDIZAGEM             DO     CÁLCULO       DIFERENCIAL      E
INTEGRAL PARA O ENSINO MÉDIO. Dissertação de Mestrado. RIO CLARO-SP,
148
2002.
•       SWOKOWSKI, E. W. Cálculo Com Geometria Analítica. Vol. I, Trad. Alfredo
Alves de Faria, São Paulo, Makron Books, 1994.
•       Tall, D. Concept image, generic organizers, computers and curriculum change.
For the Learning of Mathematics. 1989.
•       THOMAS, G. B.; FINNEY, R. L.; WEIR, M. D.; GIORDANO, F. R.
CÁLCULO: Material Complementar para Professores. Vol. 1, 10ª edição. São Paulo:
Addison Wesley, 2002.
•       TOEPLITZ, O. The Calculus, a Genetic Approach. Chicago: The University
Press, 1966.
•       TROTA, F.; IMENES, L. M. P.; JAKUBOVIC, J. MATEMÁTICA
APLICADA. Ed. Moderna. São Paulo, 1980.
•       TUMELERO, Gilson; MUSIAL, Marieli. Histórico da Integral. BOLETIM
ELETRÔNICO DA MATEMÁTICA, Vol. 1, No. 01. PATO BRANCO/ PR, 2003.
•       TURÉGANO, P., Los Conceptos en torno a la Medida y el Aprendizaje del
Cálculo Infinitesimal, Tesis Doctoral, Universidad de Valencia, 1993.
•       VIEIRA, J. C. D. Ensino Aprendizagem do Conceito de Limite. Millenium on
line. Nº 16, outubro de 1999. Disponível em: http://www.ipv.pt/millenium/16_ect3.htm
Consultado em: 28/05/2009.
•       YOUSCHKEVITCH. “Le concept de fonction jusqu’au milieu Du XIX siècie”,
Fragments d’historie dês Mathematiques, Brochure APMEP, Nº 41, p. 7 – 67, 1981.
•       YOUNG, Robert M. Excursions in Calculus: an Interplay of the Continuous
and the Discrete. Dolciani Mathematical Expositions, Nº 13. New York: The
Mathematical Association of America, 1992.
•       ZANDIETH, M. A theoretical framework for analyzing student understanding
of the concept of derivate. In E. Dubinsky, A. Shoenfeld & J. Kaput (Eds.), Research in
Collegiate Mathematics Education. IV CBMS Issues in Mathematics Education (volume
8, pp. 103-127). American Mathematical Society. Providence, USA, 2000.
•       ZUÑIGA, A.R. Las Matemáticas Modernas em las Américas: filosofia de una
reforma. In VIII CIAEM, Miami, USA, 1991.
149




16. DATA – LOCAL – ASSINATURA
  SÃO CARLOS, 22 DE JUNHO DE 2009.


            _____________________________________________
              PROFA. DRA. MARIA DO CARMO DE SOUSA
                          ORIENTADORA


                  ________________________________
                   AILTON BARCELOS DA COSTA
                                ALUNO

Tcc final ailton

  • 1.
    UNIVERSIDADE FEDERAL DESÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA O ENSINO DE CÁLCULO NA PERSPECTIVA LÓGICO- HISTÓRICA: delineamentos de uma metodologia de ensino, a partir do estudo das dificuldades dos alunos DISCIPLINA: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DOCENTE RESPONSÁVEL: PROFA. DRA. MARGARETE TEREZA ZANON BAPTISTINI ORIENTADORA: PROFA. DRA. MARIA DO CARMO DE SOUSA – PROFESSORA ADJUNTA – DME ALUNO: AILTON BARCELOS DA COSTA
  • 2.
    2 SÃO CARLOS/ SP 2009 AILTON BARCELOS DA COSTA PROFA. DRA. MARIA DO CARMO DE SOUSA ORIENTADORA O ENSINO DE CÁLCULO NA PERSPECTIVA LÓGICO- HISTÓRICA: Delineamentos de uma metodologia de ensino, a partir do estudo das dificuldades dos alunos DISCIPLINA: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DOCENTE RESPONSÁVEL: PROFA. DRA. MARGARETE TEREZA ZANON BAPTISTINI
  • 3.
    3 SÃO CARLOS/ SP 2009 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA 1.1 MAPA CONCEITUAL DAS PRINCIPAIS IDÉIAS DA PESQUISA 1.2 QUESTÃO DE INVESTIUGAÇÃO 1.3 OBJETIVOS 2. METODOLOGIA DA PESQUISA 3. TAXAS DE REPROVAÇÕES NAS DISCIPLINAS DE CÁLCULO EM ALGUMAS UNIVERSIDADES 4. CONCEPÇÕES SOBRE DEFICIENCIAS EM CÁLCULO SEGUNDO PROFESSORES 5. DICULDADES NO APRENDIZADO DOS CONCEITOS DE CÁLCULO A PARTIR DA TEORIA 5.1 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE FUNÇÕES 5.2 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE LIMITES 5.3 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE DERIVADAS 5.4 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE INTEGRAIS 6. HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 6.1 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE FUNÇÕES 6.1.1 CONCEITO DE FUNÇÕES NA ANTIGUIDADE 6.1.2 CONCEITO DE FUNÇÕES NA IDADE MÉDIA 6.1.3 CONCEITO DE FUNÇÕES NA IDADE MODERNA 6.2 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE LIMITES 6.3 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE DERIVADAS 6.4 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE INTEGRAIS 7. O DISCRETO E O CONTÍNUO NO DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO 8. O CÁLCULO NO ENSINO MÉDIO: DA DÉCADA DE 60 ATÉ OS DIAS DE HOJE 8.1 FUNÇÕES (i) DECADA DE 1960.
  • 4.
    4 (ii) DECADA DE1970 (iii) DECADA DE 1980 (iv) DECADA DE 1990 (V) DECADA DE 2000 8.2 CÁLCULO 8.2.1 FUNÇÃO (i) DECADA DE 1960. (ii) DECADA DE 1970 (iii) DECADA DE 1980 (iv) DECADA DE 1990 (v) DECADA DE 2000 8.2.2 LIMITE (i) DECADA DE 1960. (ii) DECADA DE 1970 (iii) DECADA DE 1980 (iv) DECADA DE 1990 (v) DECADA DE 2000 8.2.3 DERIVADA (i) DECADA DE 1960. (ii) DECADA DE 1970 (iii) DECADA DE 1980 (iv) DECADA DE 1990 (v) DECADA DE 2000 8.2.4 INTEGRAL (i) DECADA DE 1960. (ii) DECADA DE 1970 (iii) DECADA DE 1980 (iv) DECADA DE 1990
  • 5.
    5 (v) DECADA DE2000 9. ANÁLISE DE LIVROS USADOS NAS DISCIPLINAS INICIAIS DE CÁLCULO 9.1 ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS (i) T. M. APOSTOL: Calculus – Vol. 1 (ii) G. S. S. ÁVILA: CÁLCULO DIFERECIAL E INTEGRAL 1 (iii) R. COURANT: CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL – VOL. 1 (iv) H. L GUIDORIZZI: UM CURSO DE CÁLCULO – VOL. 1 (v) N. PISKUNOV: CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL - VOL. 1 (vi) E. W. SWOKOWSKI: CÁLCULO COM GEOMETRIA ANALÍTICA - VOL. 1 10. A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA NOS CURSOS DE CÁLCULO 10.1 Metodologias (i) Seguir os passos da "invenção" do conhecimento. (ii) Principio Genético (iii) Método Experimental (iv) A Perspectiva lógico-histórica no ensino 10.2 Livros de Cálculo usando a história 11. UMA PROPOSTA METODOLÓGICA NO ENSINO DE CÁLCULO 12. DELINEAMENTOS DE UMA PROPOSTA DE ENSINO PARA AS DISCIPLINAS INICIAIS DE CÁLCULO COM HISTÓRIA DA MATEMÁTICA 13. CONCLUSÕES 14. BIBLIOGRAFIA 15. DATA – LOCAL – ASSINATURA
  • 6.
    6 LISTA DE FIGURAS FIGURA1: MAPA CONCEITUAL DAS PRINCIPAIS IDÉIAS DA PESQUISA FIGURA 2: ÁREAS SOBREADAS DOS GRÁFICOS. FIGURA 3: REPRESENTAÇÃO DO TEOREMA DO VALOR MÉDIO. FIGURA 4: REPRESENTAÇÃO DO PRIMEIRO PARADOXO DE ZENÃO. FIGURA 5:REPRESENTAÇÃO DA APROXIMAÇÃO PARA A ÁREA DO CÍRCULO. FIGURA 6: PÁGINA DO LIVRO “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO BEZERRA. FIGURA 7: MAPA CONCEITUAL SOBRE SEQUENCIA TEMÁTICA DE APOSTOL (1967) FIGURA 8: MAPA CONCEITUAL SOBRE SEQUENCIA TEMÁTICA DE ÁVILA (2001) LISTA DE GRÁFICOS GRAFICO 1: TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E 2008, POR SEMESTRE GRAFICO 2: TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO 1 - POR SEMESTRE, SEM DESISTENCIAS, DE 2005 A 2008. GRAFICO 3: Taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem desistências, de 1999 a 2008. GRAFICO 4: Taxas de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2008. GRÁFICO 5: FUNÇÃO QUE REGE UMA CORDA ELÁSTICA. LISTA DE TABELAS TABELA 1: DADOS DA TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTERGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E 2008. TABELA 2: Dados sobre taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem desistências, de 1999 a 2008. TABELA 3: Dados da taxa de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2000.
  • 7.
    7 TABELA 4: RESUMODAS PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES PARA FUNÇÕES. RESUMO A motivação inicial para nosso trabalho foi o grande número reprovações nas disciplinas iniciais de Cálculo na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), nos últimos dez anos, bem como a análise de dados de algumas universidades brasileiras, sobre o chamado fracasso do ensino de Cálculo. Também partimos de nossa experiência em trabalhar com a temática lógico-histórica, visto que a Iniciação Científica, o que nos levou à questão de investigação, onde perguntamos de forma a perspectiva lógico- histórica poderia se configurar como metodologia de ensino de Cálculo. Dessa forma, adotamos uma pesquisa de cunho histórico-bibliográfica, onde esta se faz preferencialmente sobre documentação escrita, o qual segundo FIORENTINI & LORENZATO (2006) a coleta de informações é feita a partir de fichamento das leituras. Já quanto aos instrumentos de coleta de informações, usamos as entrevistas, que permitem uma obtenção mais direta e imediata dos dados, na qual classificamos por semi-estruturadas. Nesse sentido, inicialmente, entrevistamos professores que ministram aulas de Cálculo. Em seguida, transcrevemos e analisamos tópicos destas entrevistas para levantamento das dificuldades de aprendizado dos alunos, o qual nos ajudou a compreender as dificuldades de aprendizado. Fizemos um estudo do sobre os conceitos de discreto e contínuo no Cálculo, no qual foi abordado o desenvolvimento da Matemática Discreta e da Matemática Contínua, desde os gregos com a Escola Platônica, passando pela visão discreta de Leibniz e a visão contínua de Newton, até chegarmos à análise não-standard. A história e o desenvolvimento dos conceitos do Cálculo Diferencial e Integral vêm em seguida, de forma a compreendermos os nexos conceituais do Cálculo, historicamente construídos. Ao compreendermos estes nexos, buscamos os currículos e livros didáticos para analisarmos como foi estruturado o ensino do Cálculo nas escolas de nível médio, desde a década de sessenta, até os dias atuais, enfatizando como era feito o ensino de tal disciplina e sua mudança com o surgimento do Movimento da Matemática Moderna. Assim, nos fundamentamos para discutir a importância da História da Matemática nos
  • 8.
    8 cursos de Cálculoe buscamos analisar algumas sugestões metodológicas que têm como foco, História do Cálculo. Por fim, indicamos os delineamentos, de uma possível proposta metodológica para o ensino do Cálculo, o qual segue a delimitação de uma proposta de ensino, da qual concluímos que pelas nossas pesquisas, concordamos que uma boa alternativa é o estudo da disciplina via história da matemática, assentada em problemas de cunho histórico, com uma visão que priorize o desenvolvimento e a evolução dos conteúdos, em vez do enfoque metodológico tradicional.
  • 9.
    9 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA Ao elaborar este projeto, levamos em consideração a nossa experiência em trabalhar com a temática lógico-histórica, visto que a Iniciação Científica foi feita sob esta ótica, enfatizando o ensino de seqüências e progressões no Ensino Médio. Outro ponto considerado importante para a elaboração desse projeto foi o grande número reprovações nas disciplinas de Cálculo Diferencial e Integral que observamos na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), no período compreendido entre 1999 e 2008, semestralmente, cujos dados seguem logo abaixo, no capítulo 3. Conforme observa BROLEZZI (2008), no caso particular do Cálculo, que é considerada porta de entrada para a Matemática superior, há quase uma unanimidade entre os professores que se interessam por problemas do ensino superior em entender que seria preciso seguir mais a ordem histórica da construção do Cálculo, que é inversa da ordem geralmente adotada nos livros, ou seja, de acordo com REZENDE (2003), possibilitar que o Cálculo exerça no ensino básico de Matemática o mesmo papel epistemológico que ele realizou no processo de construção do conhecimento matemático no âmbito científico. Dessa forma, propomos estudar uma Metodologia que se fundamenta na História da Matemática para o ensino das disciplinas de Cálculo, onde é proposto que o aluno participe do processo de pensar sobre os conceitos matemáticos. De acordo com estudos realizados anteriormente, durante no nosso projeto Iniciação Científica, vimos que a análise sobre o uso da História da Matemática, pedagogicamente, deva ser feita e escrita sob o ponto de vista do educador matemático. Tal análise, decorrente do processo de investigação, deve enfatizar a reconstituição, não apenas dos resultados matemáticos, mas principalmente dos contextos epistemológicos, psicológicos, sócio-político e culturais presentes na sala de aula. Sendo assim, o educador matemático, ao fazer a análise sobre o papel da História da Matemática no ensino, tem condições de verificar onde e como esses resultados foram produzidos, contribuindo para a explicitação das relações que a Matemática consegue estabelecer com a realidade. Assim, há de se considerar ainda, outros aspectos que também deveriam ser visados pela História da Matemática, quando esta é pedagogicamente orientada, tais
  • 10.
    10 como, as várias dificuldades de interpretação, a construção de teorias e outros problemas que surgem durante o processo. Então, o distanciamento propiciado pela História é, assim, imprescindível para se obter uma visão de conjunto do edifício matemático que se almeja construir no ensino elementar (BROLEZZI, 1991). Portanto, estamos propondo uma Metodologia que leve o aluno a participar da construção do conhecimento escolar de forma ativa e crítica tendo como uma das exigências a relação com a necessidade histórica e social, relacionados ao surgimento do Cálculo. A este processo, estamos denominando de perspectiva lógico-histórica, o qual é estudado principalmente pelos seguintes autores: SOUSA, M. C., LANNER DE MOURA, A. R. e MOISÉS, R. P. Passemos agora aos objetivos de cada capitulo do corpo do trabalho, antes de seguirmos ao mapa conceitual das principais idéias da pesquisa. • TAXAS DE REPROVAÇÕES NAS DISCIPLINAS DE CÁLCULO EM ALGUMAS UNIVERSIDADES: O objetivo deste capítulo é mostrar as taxas de reprovações de algumas universidades brasileiras, inclusive a UFSCar. • CONCEPÇÕES SOBRE DEFICIENCIAS EM CÁLCULO SEGUNDO PROFESSORES: O objetivo deste capítulo é fazer com que através de entrevistas a professores possamos observar algumas concepções de ensino-aprendizagem destes, bem como algumas concepções sobre como corrigir o grande número de reprovações, conforme mostrado no capitulo anterior. • DICULDADES NO APRENDIZADO DOS CONCEITOS DE CÁLCULO A PARTIR DA TEORIA: O objetivo deste capítulo é analisar conceitos de Cálculo à luz da literatura especializada, bem como retomando sugestões de professores entrevistados sobre tais dificuldades. • O DISCRETO E O CONTÍNUO NO DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO: O objetivo deste capitulo é mostrar o problema do discreto e do continuo no desenvolvimento do Cálculo.
  • 11.
    11 • HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL: O objetivo deste capitulo é trazer um pouco de como se desenvolveram os conceitos de Cálculo, como funções, limites, derivadas e integrais. • O CÁLCULO NO ENSINO MÉDIO: DA DÉCADA DE 60 ATÉ OS DIAS DE HOJE: O objetivo deste capitulo é mostrar como o Cálculo foi inserido no ensino médio, a partir do currículo e de livros didáticos, desde a década de 60 até os dias de hoje. 1.1 MAPA CONCEITUAL DAS PRINCIPAIS IDÉIAS DA PESQUISA FIGURA 1: MAPA CONCEITUAL DAS PRINCIPAIS IDÉIAS DA PESQUISA Taxas de reprovações Introd. e Metodologia em Cálculo Justificativa Entrevista com Análise: dificuldades Historia e professores no aprendizado de Desenv. cálculo do Cálculo A Importância da Cálculo no Discreto e História da Ensino Médio: Continuo do Matemática no de 1960 à Cálculo Cálculo 2000 Análise: Livros Proposta Usando em Metod. Delimitação Cálculo No Ensino de Propostas de Cálculo de Ensino
  • 12.
    12 1.2 QUESTÃO DEINVESTIGAÇÃO “De que forma a perspectiva lógico-histórica pode se configurar como metodologia de ensino de Cálculo?” 1.3 OBJETIVOS Estudar a história da matemática enquanto metodologia de ensino na disciplina de Cálculo. Pesquisar atividades de ensino de Cálculo na perspectiva lógico-histórica. 2. METODOLOGIA DA PESQUISA A pesquisa é teórica ou de cunho histórico-bibliográfica, onde, se faz preferencialmente sobre documentação escrita, ou seja, segundo FIORENTINI & LORENZATO (2006), neste tipo de pesquisa a coleta de informações é feita a partir de fichamento das leituras. Outra característica desse tipo de pesquisa, para o mesmo autor é que os documentos para estudo se apresentam de forma estáveis no tempo e ricos como fonte de informação, pois como no nosso caso, incluem livros, propostas curriculares, dissertações ou teses acadêmicas e artigos de revistas científicas. Aqui, entre as descrições de FIORENTINI & LORENZATO (2006) sobre os vários tipos de estudos bibliográficos desçamos a que mais se encaixa nos nossos estudos, que é a metanálise, que é uma revisão sistemática de outras pesquisas, visando realizar uma avaliação crítica das mesmas e/ou produzirem novos resultados ou sínteses a partir do confronto desses estudos, transcedendo aqueles anteriormente obtidos. Já quanto aos instrumentos de coleta de informações, usamos as entrevistas, que de acordo com FIORENTINI & LORENZATO (2006) permite uma obtenção mais direta e imediata dos dados, servindo para aprofundar o estudo. Já quanto á classificação, nossas entrevistas são semi-estruturadas, pois aqui, quando o pesquisador pretendendo aprofundar-se sobre um fenômeno ou questão específica, organiza um roteiro de pontos a serem contemplados durante a entrevista, podendo, de acordo com o desenvolvimento da entrevista, alterar a ordem dos mesmos e, inclusive formular questões não previstas inicialmente. Ainda quanto às entrevistas, FIORENTINI & LORENZATO (2006, p. 122) destacam uma série de recomendações aos entrevistadores, às quais pretendemos seguir:
  • 13.
    13 • Antes de iniciar o processo de entrevista, o entrevistador deve explicar o objetivo e a natureza do trabalho, esclarecendo porque ele foi escolhido para entrevista. • Assegurar o anonimato do entrevistado e o sigilo do depoimento, garantindo que os mesmos serão utilizados somente para a finalidade de investigação. • O entrevistador deve solicitar a autorização para gravar a entrevista, assegurando, depois, que a transcrição será lida, revisada e autorizada pelo entrevistado. • Escolher, para entrevista, um lugar apropriado e tranqüilo que favoreça um diálogo profundo, esclarecendo que o entrevistado tem o direito de não responder a todas as perguntas, podendo, inclusive, interromper a entrevista. • O entrevistado não deve discutir sua opinião ou seus pontos de vista, nem mostrar surpresa ou desaprovação e, mesmo ainda, avaliar negativamente. • Recomenda-se que o entrevistador não interrompa o curso do pensamento do entrevistado. Assim, entrevistamos quatro professores, através de um questionário semi-estruturado, os quais tinham as seguintes questões, em forma de roteiro: 1. OS ALUNOS APRESENTAM DEFICIENCIAS EM RELAÇÃO AO ENSINO MÉDIO? QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS? • Objetivo: Investigar as principais deficiências dos alunos do ensino médio ao começar o curso de Cálculo.
  • 14.
    14 2. OS ALUNOS SÃO QUESTIONADORES OU PASSIVOS? INFLUENCIA NA AULA TAIS ATITUDES? • Objetivo: Investigar a postura dos alunos durante as aulas. 3. OS ALUNOS TÊM DIFICULDADES NA INTERPRETAÇÃO DOS ENUNCIADOS DOS EXERCICIOS OU PROBLEMAS? • Objetivo: Investigar deficiências de interpretação de textos durante as aulas de Cálculo, em especial na resolução de exercícios ou problemas. 4. QUAIS AS PRINCIPAIS DIFICULDADES DELES NO ESTUDO DE LIMITES? TEM DIFICULDADES COM O CONCEITO DE INFINITO? • Objetivo: Investigar as principais dificuldades na aprendizagem de limites. 5. EXISTEM DIFICULDADES NAS DEMONSTRAÇÕES POR PARTE DOS ALUNOS? POR QUÊ? • Objetivo: Investigar dificuldades nas demonstrações de Cálculo. 6. OS ALUNOS ESTUDAM O CONTEÚDO EM CASA, DE FORMA CONTINUA OU SÓ NA VESPERA DA PROVA? • Objetivo: Investigar o comportamento dos alunos em relação aos estudos contínuos do conteúdo. 7. QUAIS AS DIFICULDADES QUE ELES APRESENTAM NO APRENDIZADO DE DERIVADAS? E EM RELAÇÃO ÀS INTEGRAIS? • Objetivo: Investigar as principais dificuldades na aprendizagem de derivadas. 8. QUE METODOLOGIA VOCE SEGUE COMO UM TODO NO ENSINO DE CÁLCULO? COMO É A SUA PREPARAÇÃO PARA DA AULA? • Objetivo: Investigar o tipo de metodologia utilizada pelo docente.
  • 15.
    15 9. VOCE ACREDITA QUE A MUDANÇA DE METODOLOGIA INFLUENCIARIA O APRENDIZADO DOS ALUNOS? • Objetivo: Investigar concepções do docente em relação à mudanças metodológicas. 10. QUAL O PAPEL DA HISTÓRIA E DO DESENVOLVIMENTO DO CALCULO NAS SUAS AULAS? • Objetivo: Investigar a concepção do docente em relação ao papel da história da matemática como metodologia nas aulas de Cálculo. 11. O QUE VOCE MUDARIA NA DISCIPLINA DE CALCULO 1? • Objetivo: Investigar se o docente está satisfeito com o modelo de ensino de Cálculo, bem que prováveis mudanças na disciplina poderiam ser feitas. Dessa forma, pretendemos estudar os conceitos de Cálculo a partir da perspectiva lógico-histórica, onde podemos caracterizar a pesquisa por investigação histórica, como procedimento de ensino, na qual deva ser orientada ou regida pela idéia de que o conhecimento da evolução de um conceito matemático possibilita ao aluno a sua compreensão. De acordo com estudos realizados anteriormente, durante no nosso projeto Iniciação Científica, podemos dizer que ao pesquisador oportuniza a formação de uma visão dinâmica e processual da Matemática e estabelecer uma identidade entre processos de produção e aprendizagem de seus conhecimentos, deixando de reduzir as questões metodológicas do ensino a uma simples reprodução mecânica. Aqui também podemos trazer os principais instrumentos de nossa pesquisa, que são: - Livros didáticos; - Propostas curriculares; - Entrevistas; - Artigos; - Dissertações; - Teses.
  • 16.
    16 - Banco de Dados SCIELO. - Páginas de busca na internet. - Página do DM – UFSCar na internet. 3. TAXAS DE REPROVAÇÕES NAS DISCIPLINAS DE CÁLCULO EM ALGUMAS UNIVERSIDADES O objetivo deste capítulo é mostrar as taxas de reprovações de algumas universidades brasileiras, inclusive a UFSCar. Tal capítulo também tem a finalidade de desmistificar a concepção de que apenas na UFSCar existem altos índices de reprovações, pois de acordo com RESENDE (2003), tal problema do fracasso em Cálculo é não cultural, e que não se justifica pela condição sócio-econômica da sociedade brasileira, pois sabemos que a situação do ensino de Cálculo nos países “desenvolvidos” não é muito diferente, visto que trabalhos sobre esse tema têm sido publicados e recebidos merecido destaque por parte da literatura especializada internacional. Dessa forma, levantamos alguns dados sobre reprovações das disciplinas iniciais de Cálculo, em algumas universidades brasileiras, como segue: UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF); UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC); UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP); UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCar); Então, tomando DA SILVA & BORGES NETO (s/d, p 2), temos que em 1990, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino - SAEB/ INEP – MEC, realizou uma pesquisa em 4.790 escolas públicas de vinte e cinco Unidades da Federação, envolvendo 108.982 alunos de 1ª, 3ª, 5ª e 7ª séries, através de testes semi-objetivos e objetivos, através da qual se constatou que o desempenho qualitativo dos alunos em matemática é extremamente baixo. Dessa forma, de acordo com DA SILVA & BORGES NETO (s/d, p 2), temos: Estes dados revelados pelo SAEB vêm confirmar a triste realidade por que passa o ensino de matemática e que nas últimas décadas tem
  • 17.
    17 afetado, sobremaneira, o desempenho dos alunos que ingressam na universidade, principalmente aqueles que são dirigidos a cursar a disciplina Cálculo Diferencial e Integral I. Os efeitos dessas deficiências podem ser observados na própria estatística de aprovação nessa disciplina, na Universidade Federal do Ceará, que não chega a ultrapassar 33% dos alunos matriculados em cada semestre. Em RESENDE (2003, p. 1) temos os seguintes dados: BARUFI (1999), em sua tese de doutorado, nos revela alguns dados alarmantes dessa crise: o índice de não-aprovação em cursos de Cálculo Diferencial e Integral oferecidos, por exemplo, aos alunos da Escola Politécnica da USP, no período de 1990 a 1995, varia de 20% a 75%, enquanto que no universo dos alunos do Instituto de Matemática e Estatística o menor índice não é inferior a 45% - isto é, não se aprova mais do que 55% em uma turma de Cálculo. No que diz respeito à UFF, instituição onde leciono, os índices de não-aprovação são bem mais catastróficos do que os levantados por Barufi, na USP. Assim, de acordo com REESENDE (2003, p. 2), temos: Na UFF, a variação do índice de não-aprovação se encontra na faixa de 45% a 95%, sendo que, para o Curso de Matemática, este não é inferior a 65%.
  • 18.
    18 Agora, tomando a UFSCar, de acordo a página do Departamento de Matemática da mesma, podemos mostrar dados sobre reprovações nas seguintes disciplinas: Cálculo 1; Cálculo Diferencial e integral 1 Cálculo A; Cálculo B; TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTERGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E 2008, POR SEMESTRE: TABELA 1: DADOS DA TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTERGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E 2008.
  • 19.
    19 ANO REPROV. (%) 1999/1 27,0 1999/2 28,0 2000/1 31,0 2000/2 34,0 2001/1 23,0 2001/2 35,0 2002/1 25,0 2002/2 43,0 2003/1 20,0 2003/2 19,0 2004/1 29,0 2004/2 46,0 2005/1 36,0 2005/2 23,0 2006/1 59,0 2006/2 27,0 2007/1 60,0 2007/2 57,0 2008/1 59,0 2008/2 34,0
  • 20.
    20 Coluna C REPROV. CDI 1 70.0 60.0 50.0 40.0 30.0 20.0 10.0 0.0 1999/2 2000/1 2001/1 2001/2 2002/2 2003/1 2004/1 2004/2 2005/2 2007/1 2008/2 1999/1 2000/2 2002/1 2003/2 2005/1 2006/1 2006/2 2007/2 2008/1 GRAFICO 1: TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTERGRAL 1 - POR SEMESTRE – SEM DESISTENCIAS, ENTRE 1999 E 2008, POR SEMESTRE Dessa forma, vemos que a taxa de reprovação dessa disciplina varia entre 27% e 60%, com uma taxa semestral média de 35,75%. TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO 1 - POR SEMESTRE, SEM DESISTENCIAS, DE 2005 A 2008.
  • 21.
    21 ANO REPROV. (%) REPROV. CALCULO 1 2005/1 29,0 Coluna C 60.0 2005/2 28,0 2006/1 46,0 50.0 2006/2 25,0 2007/1 27,0 40.0 2007/2 43,0 2008/1 31,0 30.0 2008/2 48,0 20.0 10.0 0.0 2005/1 2005/2 2006/1 2006/2 2007/1 2007/2 2008/1 2008/2 GRAFICO 2: TAXA DE REPROVAÇÃO DE CALCULO 1 - POR SEMESTRE, SEM DESISTENCIAS, DE 2005 A 2008. Aqui vemos que a taxa de reprovação varia entre 29% e 48%, com taxa média semestral de 34,6%. Agora, vamos tomar a taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem desistências, de 1999 a 2008.
  • 22.
    22 TABELA 2: Dados sobre taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem desistências, de 1999 a 2008. REPROV. CALC. A 70.0 Coluna C 60.0 50.0 40.0 30.0 20.0 10.0 0.0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 GRAFICO 3: Taxa de reprovação da disciplina CALCULO A, sem desistências, de 1999 a 2008. Aqui vemos a taxa de reprovação variar entre 15% e 63%, com taxa média anual de 38,3%. Agora, finalmente, vamos tomar as taxas de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2008: TABELA 3: Dados da taxa de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2000.
  • 23.
    23 ANO REPROV. (%) 1999 28,0 2000 37,0 2001 20,0 2002 43,0 2003 44,0 2004 38,0 2005 22,0 2006 43,0 2007 25,0 2008 38,0 REPROV. CALC. B 50.0 Coluna C 45.0 40.0 35.0 30.0 25.0 20.0 15.0 10.0 5.0 0.0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 GRAFICO 4: Taxas de reprovação de Calculo B, de 1999 a 2008 Aqui vemos que a taxa de reprovação varia entre 20% e 44%, com uma taxa anual média de 33,8%. Então, agora podemos fazer uma análise das taxas sobre as taxas de reprovações nas disciplinas iniciais de Cálculo na UFSCar. Então, revisando, se tomarmos a UFSCar, podemos mostrar dados sobre reprovações nas seguintes disciplinas inicias de Cálculo:
  • 24.
    24 Cálculo 1: A taxa de reprovação varia entre 27% e 60%, com taxa média de 35,75%. Cálculo Diferencial e integral 1: A taxa de reprovação varia entre 29% e 48%, com taxa média de 34,6%. Cálculo A: A taxa de reprovação variar entre 15% e 63%, com taxa de 38,3%. Cálculo B: A taxa de reprovação varia entre 20% e 44%, com taxa média de 33,8%. Antes de entramos nas taxas reprovações, vamos ver algumas observações sobre o caráter de cada disciplina, observando o objetivo geral de cada uma delas: CALCULO 1 (4 CRÉDITOS TEÓRICOS): Propiciar o aprendizado dos conceitos de limite, derivada e integral de funções reais de uma variável real. Propiciar a compreensão e o domínio dos conceitos e das técnicas de cálculo diferencial e integral dessas funções. Desenvolver a habilidade de implementação desses conceitos e técnicas em problemas nos quais eles se constituem os modelos mais adequados. Desenvolver a linguagem matemática como forma universal de expressão da ciência. CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL 1 (5 CRÉDITOS TEÓRICOS + 1 PRÁTICO): Propiciar o aprendizado dos conceitos de limite, derivada e integral de funções de uma variável real. Propiciar a compreensão e o domínio dos conceitos e das técnicas de cálculo diferencial e integral 1. Desenvolver a habilidade de implementação desses conceitos e técnicas em problemas nos quais eles se constituem os modelos mais adequados. Desenvolver a linguagem matemática como forma universal de expressão da ciência. Desenvolver a habilidade computacional colocando o aluno em contato com os laboratórios computacionais reenge/ligs desde o seu ingresso na ufscar.
  • 25.
    25 CALCULO DIFERENCIALE INTEGRAL A (4 CRÉTIDOS TEÓRICOS): Familiarizar o aluno com a linguagem matemática básica dos problemas de continuidade, diferenciação e integração, que são conceitos imprescindíveis no estudo da física moderna e das ciências em geral. Apresentar ao aluno as primeiras aplicações do cálculo diferencial e integral nas ciências físicas e aplicadas. Utilizar programas computacionais para cálculos algébricos e aproximados, visualizações gráficas e experimentos computacionais, ligados à teoria do cálculo diferencial de funções reais de uma variável. CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL B (4 CRÉDITOS TEÓRICOS): Desenvolver os conceitos e técnicas ligadas ao cálculo integral. Introduzir o aluno no universo das equações diferenciais ordinárias. Fornecer ao estudante técnicas para a resolução de equações diferenciais ordinárias de 1ª e 2ª ordens. Utilizar programas computacionais para o cálculo algébrico e aproximado, visualizações gráficas e experimentos computacionais, ligados à teoria da integração e às equações diferenciais ordinárias. Dessa forma, a média de reprovações nas quatro disciplinas iniciais de Cálculo oferecidas pela UFSCar, está entre 33,3% e 38,3%, o que é inferior às taxas aqui citadas da UFC, UFF e USP, mas ainda são consideradas altas. Dessa forma, podemos tirar a conclusão de que as taxas de reprovações nas disciplinas iniciais de Cálculo na UFSCar são inferiores às taxas das respectivas universidades citadas acima, que é o oposto da nossa concepção antes do trabalho, e também bem como do que é propalado entre os estudantes de nossa universidade. Assim, observando os objetivos gerais de Calculo 1 e de Cálculo Diferencial e Integral 1, vemos os objetivos são os mesmos, a menos de no segundo existir um crédito para aplicações computacionais. Também observamos que o segundo tem um crédito teórico a mais que o primeiro. Já Calculo A e B, existem mais conceitos teóricos, e menos aplicados que as outras disciplinas iniciais de Calculo, além de Cálculo A ser oferecido no segundo período, após o oferecimento da disciplina de Fundamentos 1, de nível mais elementar.
  • 26.
    26 Dessa forma, o grande numero de reprovações em Calculo A pode acontecer devido à dificuldade em linguagem matemática básica de funções, o que incluem-se demonstrações, uma deficiência tida como fundamental dos alunos que chegam à universidade, já que tal estudo raramente é feito no ensino médio, segundo ÁVILA (1991). Agora, segue abaixo entrevistas com professores, de onde podemos observar algumas concepções destes sobre ensino-aprendizagem de Cálculo. 4. CONCEPÇÕES SOBRE DEFICIENCIAS EM CÁLCULO SEGUNDO PROFESSORES O objetivo deste capítulo é fazer com que através de entrevistas a professores possamos observar algumas concepções de ensino-aprendizagem destes, bem como algumas concepções sobre como corrigir o grande número de reprovações, conforme mostrado no capitulo anterior. Dessa forma, pretendemos tirar a partir das concepções sobre ensino- aprendizagem algumas dificuldades dos alunos e possíveis soluções apontadas por esses professores, para que no próximo capitulo possamos fazer uma análise detalhada de tais dificuldades, mediante a literatura disponível. Assim, passamos às transcrições dos principais episódios de tais entrevistas. (i) PRINCIPAIS DEFICIÊNCIAS DE ENSINO MÉDIO DOS ALUNOS DE CÁLCULO: PROFESSOR 1: Não aponta. PROFESSOR 2: Deficiências: conceitual e de conteúdo, tanto algébrica quanto geométrica. PROFESSOR 3: Varia de curso para curso, pois cursos mais concorridos têm poucas deficiências, enquanto os menos concorridos, muitas deficiências. PROFESSOR 4: A primeira dificuldade está em álgebra. ANÁLISE DO TÓPICO: Aqui podemos notar que três professores apontam que os alunos têm deficiências, mas somente dois as enumera, onde são descritos
  • 27.
    27 por dois como de ordem algébrica e por por um deles de ordem geométrica, o que podemos dizer há um problema na estruturação do pensamento algébrico por parte desses alunos. (ii) LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS: PROFESSOR 1: Dificuldade em ler o livro, em interpretação PROFESSOR 2: Tem dificuldade de interpretação e de expressão. PROFESSOR 3: Poucas dificuldades, e não atrapalha. PROFESSOR 4: Acredito que exista uma componente cultural, pois não sabem se expressar, e nem conseguir interpretar os textos, pois lêem pouco. ANÁLISE DO TÓPICO: Aqui há um consenso sobre dificuldades de interpretação de texto, onde um professor chega a citar como uma dificuldade de origem cultural, devido à pouca leitura que os alunos fazem fora das obrigatórias para a faculdade. Tal dificuldade de interpretação também é citada por BARUFI (1999), cita (Machado, 1990, p. 10), onde retiramos o seguinte comentário a respeito da colaboração entre a Matemática e a Língua Materna: Entre a Matemática e a Língua Materna existe uma relação de impregnação mútua. Ao considerarem-se estes dois temas enquanto componentes curriculares, tal impregnação se revela através de um paralelismo nas funções que desempenham, uma complementaridade nas metas que perseguem, uma imbricação nas questões básicas relativas ao ensino de ambas. É necessário reconhecer a essencialidade dessa impregnação e tê-la como fundamento para a proposição de ações que visem à superação das dificuldades com o ensino da Matemática. Dessa forma, vemos que os alunos, segundo os professores entrevistados, não percebem a importância e nem a relação entre Língua Materna e Matemática, o
  • 28.
    28 que está explicitona falta de leitura extracurricular. Assim, alunos chegam no curso superior com dificuldades de interpretação de texto, o que se reflete, por exemplo, no não entendimento de enunciados de exercícios e problemas. (iii) QUANTO AOS ALUNOS FAZEREM PERGUNTAS EM SALA DE AULA: PROFESSOR 1: Não perguntam. PROFESSOR 2: Menos de 20%. PROFESSOR 3: Menos de 10%. PROFESSOR 4: Não perguntam. ANÁLISE DO TÓPICO: Neste tópico enfatizamos a passividade, ou de outra forma, se os alunos perguntam em sala de aula. As respostas são estarrecedoras, já a taxa de alunos que participam ativamente da aula é de uma taxa muito baixa. Aqui, surgiu outro fato, sobre a causa dessa passividade, o que não sabem identificar de uma forma geral, mas tal fato por ter origem no ensino médio, e na forma que tais alunos sempre se comportam em sala de aula. (iv) A PASSIVIDADE DOS ALUNOS INFLUENCIA OU NÃO O APRENDIZADO: PROFESSOR 1: Influencia. PROFESSOR 2: Influencia. PROFESSOR 3: Influencia. PROFESSOR 4: Influencia. ANÁLISE DO TÓPICO: Aqui surge outra unanimidade, onde os professores declaram que a passividade dos alunos influencia o aprendizado, ao não expressar aos professores onde pode estar o problema da aula, das dificuldades sentidas ou da própria metodologia do professor. (v) QUANTO À PERCEPÇÃO QUE O ALUNO ESTUDA CONTINUAMENTE OU NÃO:
  • 29.
    29 PROFESSOR 1: Os alunos não estudam continuamente. PROFESSOR 2: Os alunos não estudam continuamente. PROFESSOR 3: Os alunos não estudam continuamente. PROFESSOR 4: Os alunos não estudam continuamente. (vi) QUANTO À PROCURA NO ATENDIMENTO: PROFESSOR 1: Só aparece na véspera da prova, poucos procuram sempre. PROFESSOR 2: Só aparece na véspera da prova, poucos procuram sempre. PROFESSOR 3: Só aparece na véspera da prova, poucos procuram sempre. PROFESSOR 4: Só aparece na véspera da prova, poucos procuram sempre. (vii) ANÁLISE DO TÓPICO: Neste tópico há unanimidade novamente, quando os professores identificam que os alunos não estudam continuamente, de uma forma geral, pois tanto nas monitorias quanto nos atendimentos, há pouca procura durante todo o período, e se concentrando na véspera da prova tal procura por tirar as dúvidas na disciplina. Entre os professores há um consenso que se alunos estivessem estudando continuamente, haveria mais procura dos alunos nos atendimentos, e uma possível identificação mais fácil por parte dos professores dos pontos de mais dificuldades por parte dos alunos. (viii) QUANTO À DIFICULDADE EM LIMITES: PROFESSOR 1: A dificuldade é no conceito em si, na abstração. PROFESSOR 2: É um conceito complicado, de depende muito do professor. PROFESSOR 3: Limites têm dificuldades na definição, e na idéia geométrica. PROFESSOR 4: Usa o mínimo de linguagem matemática avançada, e minimiza as dificuldades usando a idéia geométrica. (ix) QUANTO AO CONCEITO CHAVE EM CÁLCULO: PROFESSOR 1: Limites. PROFESSOR 2: Limites. PROFESSOR 3: Limites. PROFESSOR 4: Limites.
  • 30.
    30 ANÁLISEDO TÓPICO: Uma unanimidade que surge aqui é a citação do conceito de limite como chave nos cursos de Cálculo, ou seja, RESENDE (2003, p. 9), nos traz seguinte, fazendo a mesma referência: (…) O conceito de função, introduzido no núcleo semântico do Cálculo por Euler e Lagrange, vai constituir, junto com a noção de limite, a urdidura da nova estrutura do Cálculo. Dessa forma, podemos dizer que podemos definir derivadas como um limite, e da mesma uma integral, como o limite das somas de Riemann, ou seja, colocando limite como um conceito de fato fundamental nos cursos iniciais de Cálculo. (x) QUANTO ÀS DIFICULDADES EM DERIVADAS: PROFESSOR 1: Dificuldade em limites. PROFESSOR 2: Dificuldade em limites. PROFESSOR 3: Dificuldade em limites. PROFESSOR 4: Dificuldade em limites. ANÁLISE DO TÓPICO: Podemos que derivada é definida como um limite, ou seja, se aluno teve dificuldades em limites, e não tem esse conceito bem assentado, vai ter dificuldades em derivadas. (xi) QUANTO ÀS DIFICULDADES EM INTEGRAIS: PROFESSOR 1: Dificuldade em limites. PROFESSOR 2: Dificuldade em limites. PROFESSOR 3: Dificuldade nas técnicas, como de substituição trigonométrica. PROFESSOR 4: Dificuldades e continuidade e em aplicações. ANÁLISE DO EPISÓDIO: Aqui dois professores relatam que os alunos tem dificuldades em limites, pois de fato, podemos tomar a integral como o limite das
  • 31.
    31 somas de Riemann.Outras dificuldades relatadas são nas técnicas de integração, na parte algébrica em si. (xii) QUANTO À METODOLOGIA USADA NA SALA DE AULA: PROFESSOR 1: Não sabe o que é metodologia. PROFESSOR 2: Tradicional. PROFESSOR 3: Tradicional. PROFESSOR 4: Tradicional. ANÁLISE DO EPISÓDIO: Quando perguntado sobre que tipo de metodologia o professor usava em sala de aula, encontramos que três deles só usavam a tradicional, enquanto outro não sabia o que era metodologia. (xiii) QUANTO AO USO DE METODOLOGIA DE HISTORIA DA MATEMÁTICA OU MUDUNDAÇA NA METODOLOGIA: PROFESSOR 1: Não sabe. PROFESSOR 2: Não perguntado. PROFESSOR 3: Não resolve. PROFESSOR 4: Não resolve. Historia da Matemática só serve para motivação. ANÁLISE DO EPISÓDIO: Aqui tratamos de indagar se o uso de história da matemática enquanto metodologia ajudaria alguma coisa no aprendizado dos alunos. O resultado é que um deles não sabe se ajuda ou não, enquanto outros dois afirmam que não resolvem, pois na visão deles, a história só serviria como motivação aos alunos. Aqui destacamos que estes professores têm uma formação técnica em matemática pura, e na sua maneira de ver o ensino, apenas reproduziriam o que teria visto em suas vidas acadêmicas. (xiv) O QUE FAZER PARA DIMINUIR AS REPROVAÇÕES: PROFESSOR 1: O que diminuiria o numero de reprovações, é se talvez você desse mais tempo. A pergunta é para que você quer isso? Aprendizado? Ótimo, não deu nesse semestre, tente de novo. A comparação que eu faço é que se a gente pedisse para a mesmo
  • 32.
    32 numero de alunos que faz calculo fosse aprender musica, talvez você teria índices de reprovações mais altos. PROFESSOR 2: O aluno tem que ter consciência do que ele ta fazendo aqui. Depois, a herança cultural que trouxe. Tem que ter boa vontade, motivação, de natureza interna. De 40 a 45 anos de magistério, vejo que o aluno tem que ter disposição em aprender. PROFESSOR 3: Precisa conscientizar os alunos a estudar e de maneira certa. Estuda errado. PROFESSOR 4: Qual o índice de reprovações no ITA? Não sei, mas deve ser baixo. Acredito que lá devo ser próximo de zero. Eles tem vestibular forte, e entra quem tem capacidade e competência. Aqui talvez não fazemos isso, os alunos não têm base, o vestibular é fraco. ANÁLISE DO EPISÓDIO: Aqui foi abordado o tema reprovações, o que poderia ser feito para diminuí-las. O professor 1 diz que poderia dar mais tempo para o aluno fazer cálculo, e de certa forma, reprovações aqui não inevitáveis. O professor 2 vem dizer que o problema está no aluno, na falta de motivação e de consciência do que ele está fazendo na universidade, e que tem haver muito com a herança cultural de cada aluno. Já o professor 3 vem dizer que o problema está no aluno, e ele não sabe estudar. Finalmente o professor diz que o problema está na base do aluno, e que o vestibular é fraco e que não os seleciona direito. 5. DIFICULDADES NO APRENDIZADO DOS CONCEITOS DE CÁLCULO A PARTIR DA TEORIA O objetivo deste capítulo é analisar conceitos de Cálculo à luz da literatura especializada, bem como retomando sugestões de professores entrevistados sobre tais dificuldades.
  • 33.
    33 Retomando o capitulo anterior, onde dissemos que, de acordo com RESENDE (2003), um dos grandes desafios no ensino superior de matemática ainda é, sem dúvida, o tão propalado “fracasso no ensino de Cálculo”. Dessa forma, continua a nos falar RESENDE (2003), que tal problema do fracasso em Cálculo é não cultural, e que não se justifica pela condição sócio- econômica da sociedade brasileira, pois sabemos que a situação do ensino de Cálculo nos países “desenvolvidos” não é muito diferente, visto que trabalhos sobre esse tema têm sido publicados e recebidos merecido destaque por parte da literatura especializada internacional. DAVID TALL (1976), por exemplo, continua RESENDE (2003), tem sido um dos principais articuladores da área de pesquisa “pensamento matemático avançado”, cujas questões giram em torno das dificuldades encontradas nas aprendizagens dos conceitos básicos do Cálculo, tendo a psicologia cognitiva como pano de fundo para as suas análises epistemológicas. Dessa forma, podemos apresentar algumas questões, levantadas por RESENDE (2003, p. 4), tais como: a) Qual é a razão de tantas reprovações? b) Onde reside a dificuldade? c) No processo de aprendizagem? d) No aluno, isto é, na “falta de base” do aluno? e) Ou estaria esta dificuldade no próprio professor, ou na metodologia de ensino, ou ainda, na estrutura curricular do ensino de matemática que não dá o suporte que esta disciplina mereceria? São muitas as respostas e encaminhamentos por pesquisadores da área, ou seja, de acordo com RESENDE (2003), uns preferem justificar o problema no âmbito da psicologia cognitiva, pois acreditam que o problema é de natureza psicológica, isto é, os alunos não aprendem por que não possuem estruturas cognitivas apropriadas que permitam assimilar a complexidade dos conceitos do Cálculo; já para outros o problema é de natureza mais simples, ou seja, as dificuldades de aprendizagem são decorrentes do processo didático, isto é, a solução reside em se encontrar uma forma apropriada para se ensinar a disciplina de Cálculo.
  • 34.
    34 Dessa forma, tentaremos resumir as algumas dificuldades no aprendizado dos tópicos apresentados nas disciplinas iniciais de Cálculo. 5.2 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE FUNÇÕES De acordo com OLIMPIO JUNIOR (2006), entre os conceitos matemáticos referidos às funções é, seguramente, o único apresentado e discutido na maioria absoluta dos cenários de Ensino Médio brasileiro. Dessa forma, ao longo do desenvolvimento histórico do conceito de função, foram surgindo algumas dificuldades, e sendo superadas, na medida do possível. Então, podemos começar pelo conceito de variável independente, que segundo COTRET (1986/7), citado em OLIVEIRA (1997), é importante saber que tal noção aparece no conceito de função a partir do conjunto de estudos qualitativos e quantitativos do movimento, e isto, por intermédio das representações gráficas, pois até fim da idade média, não se considerava que certos valores se integravam dentro do conceito de grandeza variável. Tal separação era devida aos obstáculos das proporções, da homogeneidade e da incomensurabilidade. Vejamos então estes obstáculos epistemológicos: • Proporção OLIVEIRA (1997) vem nos dizer que entre os gregos, e até a Idade Média, as relações entre grandezas ou entre quantidades eram expressas por meio de proporções, pois deste fato devem-se sempre considerar 4 elementos aleatórios. Continua OLIVEIRA (1997), que esta forma de proceder dissimulava a relação de funcionalidade que podia existir entre as 2 variáveis em jogo, ou seja, por exemplo, para exprimir a relação que existe entre a área e o diâmetro de um círculo, procedia-se assim: A1/ A2 = (d1)2 / (d2)2. Dessa forma, este elemento de funcionalidade não podia ser expresso pela proporção. • Homogeneidade Segundo OLIVEIRA (1997), o princípio de homogeneidade estipulava que só se poderia comparar elementos da mesma natureza, as áreas ou os segmentos ou ainda os volumes.
  • 35.
    35 Pode-se dizer, segundo OLIVEIRA (1997), que a homogeneidade reforçou a utilização das proporções, isto é, por exemplo do obstáculo da homogeneidade, pode-se sublinhar o fato que antes da extinção deste obstáculo, era impossível dar-se uma definição métrica da velocidade, quer dizer, não se podia definir a velocidade como uma função da distância e do tempo, isto é, v = d/t, pois estes elementos são de naturezas diferentes, ou seja, utilizava-se então sempre as proporções, por exemplo: v1 / v2 = t1 / t2. Assim, concluindo, OLIVEIRA (1997) nos diz que na realidade, o que se perdia não eram os próprios elementos, mas as relações desses elementos, e essas relações podiam ser quantitativas, mas também, simplesmente, as relações de grandezas que não poderiam ser expressas numericamente. • Incomensurabilidade Segundo OLIVIVEIRA (1997), não podemos dizer que o conhecimento da incomensurabilidade seja um obstáculo como tal ao desenvolvimento de função, mas teve considerável influência sobre a utilização das proporções, pois além de provocar um retrocesso, ela criou um mal entendido a tudo que toca o infinito. Assim, OLIVEIRA (1997), nos diz que este problema é de grande importância, pois relaciona com tudo que tem a ver com os conceitos de variações. 5.3 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE LIMITES Segundo VIEIRA (1999), as dificuldades relativas ao ensino e à aprendizagem do conceito de limite são há muito conhecidas. Assim, ao tomarmos ENGLER at al (2007), citamos ARTIGUE (1995) que vem nos dizer que as dificuldades de acesso ao cálculo são diversificadas e complexas. Por isso, segundo ENGLER at al (2007), é possível agrupá-las em categorias amplas, associadas com: a) A complexidade matemática dos objetos básicos do cálculo; b) A conceitualização e formalização da noção de limite no núcleo de seu conteúdo e ao seu tratamento sobre o ensino; c) Na ruptura álgebra/ cálculo, há uma brecha entre o pensamento analítico e algébrico.
  • 36.
    36 Continuamos seguindo ENGLER at all (2007), onde ele se refere aos trabalhos de CORNU (1991) e SIERPINSKA (1985), onde estes manifestam que a enorme dificuldade de ensino e aprendizagem do conceito de limite se deve a sua complexidade, tanto nos aspectos cognitivos implicados, não se podem gerar a partir da definição matemática. Já ARTIGUE (1998), vêm nos dizer que as investigações didáticas a respeito das dificuldades persistentes na aprendizagem de limites têm diversas origens, e formam uma rede complexa. Dessa forma, continua ARTIGUE (1998), foram agrupadas tais dificuldades em categorias, dependentes umas das outras, que são as seguintes: • As dificuldades ligadas a complexitude matemática dos objetos básicos do campo conceitual: números reais, funções e sucessões. ARTIGUE (1998), nos diz que em relação aos números reais, diversos estudos mostram que os alunos não se apropriam de tais conceitos de forma adequada para a aprendizagem da análise, conforme ROBINET (1986). Seguindo ARTIGUE (1998), os estudantes têm a concepção de número real através de calculadora principalmente, e quando chega ao cálculo, os números reais são tratados como objetos algébricos. Já quanto à dificuldade no conceito de função, já foi tratado acima. • As dificuldades ligadas a conceitualização da noção de limite, que é a noção central do seu domínio técnico. ARTIGUE (1998) nos diz que muitas das dificuldades estão associadas à conceitualização da noção de limite, ou seja, aqui é necessário mencionar a noção de obstáculo epistemiológico introduzido por Bachelard. Para ele, segundo ARTIGUE (1998), o conhecimento científico não se desenvolve num processo continuo, uma vez que resulta das formas prévias do conhecimento que se constituem em obstáculos epistemiológicos. Aqui também temos a hipótese de que tais obstáculos se encontram no desenvolvimento histórico do conceito e na aprendizagem atual, a pesar das diferenças cognitivas e culturais evidentes, como se fossem constituídos da gênese do conceito, isto é, ampliando a utilização da análise histórica. Então de acordo com ARTIGUE (1998, p. 4), temos:
  • 37.
    37 Podemos falar aqui dos obstáculos que se encontram também no desenvolvimento histórico do conceito, a pesar das diferentes concepções cognitivas e culturais envolvidas. Também podemos mencionar que o conceito de limite como o de função tem duas dimensões: uma de processo e uma de objeto, a possibilidade de manejar com eficácia estas duas dimensões requer processos cognitivos. Por fim, outra categoria importante de dificuldade vem das características da definição formal do conceito de limite: sua complexidade lógica e a necessidade de inverter a direção do processo que vai da variável x ao valor da função f(x). Assim, aliada a estas características formais, temos um ponto essencial. Porém, além destas características formais, há um ponto essencial: entre uma concepção intuitiva dos limites e uma concepção formal, há um salto qualitativo fundamental, também atestado pela história do conceito. Assim, podemos dizer que o conceito formal de limite é um conceito rompe com as concepções prévias de tal noção. • As dificuldades ligadas à uma necessária ruptura com os modos de pensamento do funcionamento algébrico. Segundo ARTIGUE (1998), as atividades de Cálculo se apóiam em competências algébricas, e ao mesmo tempo no chamado pensamento analítico, onde é necessária certa distância em relação ao pensamento algébrico. Assim, segue ARTIGUE (1998), a ruptura entre o pensamento algébrico e o analítico se organiza em várias dimensões, onde as principais são as seguintes:
  • 38.
    38 • É necessário enriquecer sua visão da noção de igualdade e desenvolver novos métodos para provar as igualdades, isto é, podemos notar que uma reconstrução similar da noção de igualdade foi posta em evidencia pela investigação didática, na transição do pensamento numérico para o pensamento algébrico. Dessa forma, tomar consciência de todas as mudanças e do crescimento da dificuldade técnica do trabalho matemático, nos ajudam a compreender melhor a distância que separa a capacidade de formular a definição formal da noção de limite, ilustrada por exemplos e contra-exemplos, representada graficamente, e por outra parte, de dominar tecnicamente esta definição, é decidir ser capaz de utilizá-la como um instrumento operativo na resolução de problemas. Assim, podemos mencionar outra dimensão da ruptura Álgebra/ Cálculo. A entrada no mundo do cálculo obriga também aos estudantes a reconstruir objetos matemáticos. 5.4 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE DERIVADAS Segundo SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), ARTIGUE (1995), nos diz que podemos ensinar os alunos a realizar de maneira mais ou menos mecânica alguns alunos de cálculo a resolver alguns problemas, mas teremos dificuldades para que tais jovens atinjam uma compreensão satisfatória dos conceitos e métodos de pensamento do centro da análise matemática, ou seja, SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007) vem dizer que no fundo a raiz da questão é que alunos não constroem um significado adequado do conceito de derivada, pois esta construção parcial do significado nos cursos iniciais podem gerar dificuldades no seu desempenho futuro. SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007) continuam dizendo que as perspectivas teóricas das investigações nos permitem compreender melhor como dar significado à maneira que os alunos resolvem os problemas, indicando as características de aprendizagem. Dessa forma, SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007, p. 269), nos diz o seguinte: Entre as diversas perspectivas teóricas que tem adotado os investigadores, se encontram as aproximações centradas nos elementos de cognição, como:
  • 39.
    39 - Esquema conceitual (Azcárate, 1990), derivada da idéia de imagem do conceito (Tall, 1989). - Idéias procedentes de uma aproximação piagetiana do conhecimento e seu desenvolvimento, da teoria APOE (Asiala, Cottrill, Dubinsky, & Schwingendorf, 1997) e do desenvolvimento dos esquemas (Clark et al., 1997) e Baker et al., 2000); - Idéias precedentes do papel das representações e atividades com o desenvolvimento dos significados (Font, 2000a; 2000b; Habre & Abboud, 2006); - A teoria da reificação, que centra-se nos vínculos processo-objeto (Zandieh, 2000). No entanto, segundo SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), durante os últimos anos se desenvolveu uma linha de investigação no México que se ocupa da aproximação da teoria conhecida como sócio-epistemiológica, a qual estuda os fenômenos de produção e difusão do conhecimento através de uma perspectiva múltipla, de acordo com Cantoral & Farfán (2003). Assim, com base em tais pressupostos, foi organizada a informação atendendo aos seguintes aspectos: Erros e dificuldades da compreensão da derivada, ou seja, a noção de taxa de variação – relação entre taxa e razão de uma mudança progressiva. SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007) nos diz que podemos em resumo dizer que a sócio-epistemiologia considera o conceito de derivada como um complexo de práticas de natureza social que lhe dão sentido e significado. Além, os trabalhos nesta linha de investigação abandonam a abordagem para a derivada “a partir da definição de limite do quociente incremental e da explicação da secante que lhe é tangente”, pois defendem a idéia de que até não se vê a noção de derivada como uma organização das variações sucessivas não será compreendida. Os sistemas de representação como ferramentas para pensar sobre as derivadas.
  • 40.
    40 SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007) nos mostra que a descrição sobre os erros e dificuldades que os estudantes têm com respeito às derivadas foi o objetivo das primeiras investigações realizadas sobre este tema, ou seja, ORTON (1983), segundo SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), identificou três tipos de erros que cometiam os alunos nos exercícios de diferenciação e suas aplicações: Estruturais, relacionados com os conceitos implicados. Arbitrários, quando o aluno se comporta arbitrariamente sem tomar em conta os dados do problema. Manipulação: embora os conceitos envolvidos possam ser entendidos. De acordo com SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), se consideramos que a derivada em um ponto nos indica a velocidade de mudança, a compreensão de tal idéia se apóia no saber prévio da razão entre o incremento de x em relação a y. Dessa forma, em resumo, SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007): Orton indica que as dificuldades com a idéia de razão de mudança e sua vinculação ao tipo de função linear ou quadrática podiam ter sua origem na difícil compreensão sobre o conceito de função. As informações destas investigações destacam-se pela importância da razão de mudança e do quociente incremental na compreensão da derivada, entendida como uma qualificação da mudança. O local e o global, ou seja, a relação entre a derivada de um ponto f ′(a) e a função derivada f ′(x). Outro aspecto importante na compreensão da derivada, segundo SÁNCHEZ- MATAMOROS at al (2007), é a relação entre o aspecto local e o global num ponto dado f ′(a) e a idéia de função derivada f ′(x), que permite passar de uma perspectiva pontual a uma global. Dessa forma, os estudos de BADILLO (2003), segundo SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), diz que a existência de diferentes significados da idéia de derivada num ponto e da função derivada, isto é, a compressão gráfica de f (x), f '(a) y f '(x) mostra ser difícil, já que se identificaram algumas inconsistências como as seguintes: A confusão entre a derivada num ponto x = a, f ′(a) e a função derivada, f ′(x). A redução da expressão simbólica de f ′(x) à equação da reta tangente, e gráfica de f ′(x) à da reta tangente.
  • 41.
    41 A falta de justificativas sobre o uso das técnicas de derivação direta e indireta. SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007, p. 284) nos diz que: A complexidade do conceito de derivada leva a investigado a reparar na compreensão do esquema de derivada em relação ao local (derivada num ponto) e o global (função derivada). Dessa forma, tal vínculo não tem sido amplamente estudado nestes momentos, levanta questões sobre a forma como as diferentes abordagens que podem ser enfatizadas na educação pode determinar a compreensão dessas relações, bem como o papel dos diferentes modos de representação para promover a compreensão da relação entre local e global no desenvolvimento de uma compreensão do esquema derivados. A aplicação do conceito de derivada: o desenvolvimento da compreensão de regra da cadeia. De acordo com SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), os livros de cálculo introduzem o conceito de derivada, como o capítulo cinco de Análise Matemática do Apostol, começando com a definição de derivada, segue com as relações entre continuidade e derivada, e termina com a álgebra de derivada e uma aplicação importante deste conceito: Assim, de acordo SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007, p. 289), temos: A regra da cadeia: algumas investigações, como de CLARK et al (1997), centraram-se nas aplicações de derivada, com fundamentação do marco teórico. Assim, tais investigações levaram a cabo a decomposição genética inicial do conceito da regra da cadeia, a qual consideram como descrição de uma trajetória hipotética de
  • 42.
    42 aprendizagem pela qual pode-se transitar um estudante na aprendizagem do conceito. A compreensão da derivada associada à sua utilização em diversas aplicações, incluindo a regra da cadeia. Dessa forma, conclui SÁNCHEZ-MATAMOROS at al (2007), dizendo que, como se pode inferir a partir de trabalhos de Clark e sua equipe, a construção que um estudante faz destas aplicações podem seguir algumas orientações. A decomposição genética oferece uma contribuição, que é necessário para cumprir as decisões instrucionais tomadas pelos professores. 5.5 DIFICULDADES NO APRENDIZADO DE INTEGRAIS De acordo com LLORENS & SANTONJA (1997), entre os professores de Cálculo é quase consenso que os problemas de aprendizagem do conceito de integral é facilmente detectável. Dessa forma, de acordo com LLORENS & SANTONJA (1997), os estudos de MUNDY (1984), ORTON (1983) e TURÉGANO (1993) nos trazem um resumo destas deficiências, como segue: a) Geralmente os estudantes identificam integral com primitiva. Para estes estudantes, a integral não comporta nenhum processo de convergência ou tão pouco nenhum processo geométrico, e sim é um algo puramente algébrico, mais ou menos complicado, a tal ponto que podem conhecem vários processos de integração, saber aplicá-los, e ao mesmo tempo não ser capaz de aplicá-los ao calculo de uma área ou ignorar o que são as somas de Riemann. b) As integrais “definidas” se identificam com a regra de Barrow, incluindo quando esta regra pode aplicar-se. É dizer que o símbolo:
  • 43.
    43 representa somente ocálculo de primitivas, a aplicação da regra de Barrow. Como exemplo, podemos citar o comportamento relatado por MUNDY (1984), tanto como por LLORENS & SANTONJA (1997). Foi feita a seguinte pergunta: Por que a integral abaixo está errada? LLORENS & SANTONJA (1997) dizem que somente 23% sabiam que a integração estava errada, enquanto MUNDY (1984) fala que pouquíssimos alunos souberam identificar o erro. Antes de seguir, podemos dizer que aconteceu exatamente a mesma coisa quando era entrevistado um professor do DM – UFSCar. Na ocasião, ao ser perguntado sobre as principais dificuldades dos alunos em integrais, ele resolveu exemplificar, pedindo para um orientando dele, e já formado em bacharelado em matemática pela mesma universidade, fazer a tal integral acima. O aluno caiu no mesmo erro, e disse que tal erro era muito comum. Também afirmou que alunos da USP, formados caem no mesmo erro. Dessa forma, podemos dizer, por uma análise superficial, que tal dificuldade ocorre tanto nas universidades americanas, nas universidades espanholas, quanto na UFSCar, como na USP, parecendo ser um problema generalizado dos estudantes de cálculo e todo o mundo. Dessa forma, LLORENS & SANTONJA (1997, p. 63) afirmam: Observamos que esse tipo de resposta não se explica somente porque esses estudantes não conhecem a regra de Barrow, e aparece como representativas de uma desconexão mais profunda entre o conceito de integral e sua particular imagem desse conceito. Outros dados permitem afirmar que, de modo mais enfático, que nem se quer quando se diz expressamente “integral definida”, não evoca no estudante nenhuma relação desse conceito com o problema da convergência, já conhecidos previamente por ele
  • 44.
    44 no tema de sucessões, derivadas, continuidade, etc., quando está estudando integrais. Assim, é fácil comprovar que quando os estudantes estão estudando integrais impróprias, a maioria dos estudantes se parece muito surpreendente que uma integral pode ser divergente. Não há integração entre o conceito de área com o de integral. De acordo com LORENS & SANTONJA (1997), os estudantes tem ouvido que existe uma relação entre as integrais (definidas) e a área, mas não se verifica uma união entre ambas, de modo que persiste uma interpretação puramente algébrica da integral. Dessa forma, continua LLORENS & SANTONJA (1997), as respostas equivocadas dos exemplos anteriores indicam não somente que a função é descontínua em x = 0, mas também que claramente não tem uma imagem visual do problema: nem da função (sempre positiva) nem da própria integral entendida como área. Dessa forma, segue LLORENS & SANTONJA (1997), é muito freqüente que essa interpretação da integral como área somente se utiliza quando expressamente se pedem exercícios que tipicamente dão o enunciado “Calcular a área fechada do gráfico de … “, porém quase nunca espontaneamente. Ainda por LLORENS & SANTONJA (1997), essa falta de integração se manifesta em sentido contrário também, ou seja, LLORENS & SANTONJA (1997) proporão um exercício para se obter o valor da área sombreada em cada um das figuras abaixo: FIGURA 2: ÁREAS SOBREADAS DOS GRÁFICOS.
  • 45.
    45 Dessa forma, LLORENS & SANTONJA (1997), a maioria das respostas iniciais foram e , respectivamente. No primeiro caso, pela dificuldade que significa a presença do módulo, muito frenquêntemente podemos encontrar solução incompletas ou absurdas, coerente com o trabalho de MUNDY (1984), no qual menos de 95% dos estudantes contestaram incorretamente a pergunta: de modo que nos reafirmamos no diagnóstico assinalado, já que o aluno está preferindo o contexto algébrico-formal ao visual-geométrico, porque não tem integrado. Também, ao mesmo tempo, LLORENS & SANTONJA (1997) concluem que estes estudantes consideram trivial pedir para calcular a área de um quadrado cujo lado mede 1 metro ou de um triângulo retângulo como os que aparecem nos gráficos anteriores. 6. HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL O objetivo deste capitulo é trazer um pouco de como se desenvolveram os conceitos de Cálculo, como funções, limites, derivadas e integrais. De acordo com ÁVILA (1985, p. 14), Muita gente tem a impressão de que matemática é estática; de que os conceitos, uma vez formulados, se cristalizam como coisas completas e acabadas, que permanecem imutáveis; de que os resultados, uma vez obtidos, se somam uns aos outros na acumulação de um corpo de conhecimento que não tem outra dinâmica interna que a do crescimento de unidades novas.
  • 46.
    46 Dessa forma, os conceitos do Cálculo Diferencial e Integral exemplificam bem isto, relacionados à: funções, limites, derivadas e integrais, ou seja, através de nexos conceituais relacionais aos conceitos de Cálculo, como a fluência, a interdependência e o movimento, mostram a Matemática com não estática. Assim, ao passarmos por 4.000 anos de evolução da história de destes conceitos, vemos claramente a constante mudança e transformação da Matemática como um todo, bem como dos conceitos de Cálculo, ou seja, desta forma da Babilônia, em 2.000 a.C. até ao final do século XX, num constante mudar e transformação destes conceitos, ao logo da história. Dessa foram, podemos começar nosso trabalho fazendo uma pergunta que foi feita pelos professores WAGNER e CARNEIRO (2004), na RPM Nº 60, que os alunos a fazem constantemente, que foi: • Vale a pena estudar Cálculo? A resposta parece fácil, mas não é bem assim, pois de acordo com ÁVILA (2006), desde que se comece com uma apresentação bem simples e modesta do que seja derivada, pode-se mostrar como isso ocorre num contexto do estudo de funções. Ainda, de acordo com ÁVILA (2006), é importante que esses conceitos de funções, limites e derivadas, bem como o de integral, sejam integrados, e não separados em blocos estanques. Dessa forma, nosso primeiro passo é mostrar o desenvolvimento histórico dos conceitos de função, limite, derivada e integral. Assim, com esta seqüência de tópicos, podemos começar levantando a gênese do desenvolvimento histórico dos conceitos de funções, limites, derivadas e integrais, para que posteriormente possamos identificar os nexos conceituais respectivos. Assim, passemos a tal levantamento histórico. 6.1 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE FUNÇÕES De acordo com AVILA (1985), os matemáticos só chegaram ao conceito de função tal como conhecermos hoje, depois de um período de evolução do Cálculo, por mais de cento e cinqüenta anos.
  • 47.
    47 Porém, antes de chegarmos a este período, vamos ver que para YOUSCHKEVITCHI (1981), citado por OLIVEIRA (1997), existem três etapas principais do desenvolvimento de funções, a saber: • Antiguidade: Etapa no curso no qual o estudo de diferentes casos de dependência entre duas quantidades ainda não isolou as noções de gerais de quantidades variáveis e de funções. • Idade Média: Nesta etapa, as noções, são pela primeira vez, e de maneira precisa, expressas sob uma forma geométrica e mecânica, mas durante a qual, como na antiguidade, cada caso concreto de dependência entre duas quantidades, são definidas por uma descrição verbal, ou por um gráfico, de preferência fórmula. • Período Moderno: No curso, da qual, no fim do século XVI, e durante o século XVII, as expressões analíticas de funções começam a prevalecer; a classe de funções analíticas geralmente é expressa por meio de soma de séries infinitas, tornando-se logo a principal classe utilizada. 6.2.1 CONCEITO DE FUNÇÕES NA ANTIGUIDADE Segundo OLIVEIRA (1997), a antiguidade foi a época da concepção de função, pois a idéia de funcionalidade de uma certa maneira, segundo SÁ at all (2003), não é recente na mente humana. Por exemplo, quando o homem levado pela necessidade, passou a associar uma pedra a cada animal visando ao controle de seu rebanho, poderíamos encarar essa relação de dependência entre as pedras e os animais como uma relação funcional. Levando em consideração esse raciocínio, podemos citar os babilônicos que construíram tabelas em argila, e para cada valor na primeira coluna existia um número na segunda, que era o resultado da multiplicação do número da primeira por uma constante, segundo SÁ at all (2003). Já OLIVEIRA (1997), ressalta que os Babilônios, em 2.000 a. C., fizeram tabelas sexagesimais de quadrados e de raízes quadráticas, de cubos e raízes cúbicas, e outras, revelando o “instinto funcional”.
  • 48.
    48 É importante destacar que, para os Babilônios, cada problema exigia uma nova análise, pois eles não desenvolveram procedimentos ou regras gerais para resolverem problemas semelhantes (SÁ at all, 2003). Semelhante aos babilônicos, os egípcios construíram também tabelas, na maioria das vezes em papiros, que segundo BOYER (1974) apresentavam o resultado de investigações empíricas, ou na melhor das hipóteses, generalizações que eram o resultado da indução incompleta de casos mais simples para casos mais complicados. Dentre os gregos, poderíamos citar a contribuição de Ptolomeu. Em sua obra Almagesto, desenvolveu idéias funcionais. Segundo MENDES (1994, p.12), AABOE (1984, p.20) cita que ele trabalhou na área da astronomia, e que, desenvolveu ferramentas matemáticas, entre elas a trigonometria. Ele utilizou tabelas envolvendo a função da corda do arco x, ou crd x, mas sem fazer referência a palavra função. E ainda entre as idéias funcionais gregas temos os symptons, que eram a condição necessária para que um ponto pertencesse a uma curva. Apolônio e Arquimedes chegaram a utilizar os symptons. Já OLIVEIRA (1997) fala que entre os Pitagóricos aparece a idéia de função no estudo da interdependência quantitativa diferentes em quantidades físicas, como por exemplo, o comprimento e a altura da nota emitida por cordas da mesma espécie, pinçadas com tensões iguais, o que revelou uma interdependência inesperada entre número, espaço e harmonia. Assim, apesar de tantos exemplos que indicam a presença das dependências funcionais, “não havia nenhuma idéia geral de funcionalidade na Antiguidade”, YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 13), o que mostra que o pensamento matemático na Antiguidade não criou nenhuma noção geral nem de quantidade variável nem de função. 6.2.2 CONCEITO DE FUNÇÕES NA IDADE MÉDIA Segundo OLIVEIRA (1997), a primeira vez que a noção de função aparece numa forma “mais genérica” é no século XII, nas escolas de filosofia natural em Oxford e Paris, onde cada problema era tratado de maneira isolada. Foi nesta época, a Idade Média, que o Bispo parisiense de Lisieux Nicole Oresme (1323 – 1382), que segundo BOYER (1974), em um trabalho intitulado de Tractatus de Latitudinibus Formarum, feito por um discípulo ou até por ele mesmo,
  • 49.
    49 seria o resumode uma obra maior do próprio Oresme, Tractatus de Potentiarum et os problemas utilizando métodos mais gerais. Um dos objetivos visados por Oresme, segundo OLIVEIRA (1997), com seu método era permitir às pessoas a compreensão mais rápida e fácil da natureza das mudanças, onde suas representações se mostram à frente, em direção ao conceito de função ou variável dependente. Dessa forma, não podemos dizer que ele utilizasse de funções, pois ele não se interessava pela forma na qual uma qualidade varia por razão do objeto que está dependendo. Assim, suas representações eram imaginárias e qualitativas. (OLIVEIRA, 1997). 6.2.3 CONCEITO DE FUNÇÕES NA IDADE MODERNA Segundo SÁ et all (2003), é com Galileu Galilei (1564-1642) que surge o interesse em debater quantitativamente os axiomas, mensuráveis e que, portanto poderiam ser relacionados por fórmulas. MENDES (1994) cita que o principal interesse de Galileu era entender como os fenômenos ocorriam, com o intuito de descrever as mudanças da natureza. Segundo KLINE (1972), citado por MENDES (1994), foi o estudo do movimento que originou o conceito de uma função ou de uma relação entre variáveis. Porém Galileu não formalizou explicitamente a palavra função. É com o estudo de Galileu sobre movimento, e conseqüentemente a velocidade, a aceleração e a distância percorrida. OLIVEIRA (1997) ressalta que sua insistência em querer estudar os movimentos da forma quantitativa, por intermédio da experimentação, contribuiu para a evolução da noção de função, ao lidar de forma funcional com as causas e efeitos, trazendo a necessidade essencial da concepção de variável dependente. No século XVI ainda não havia surgido à idéia de estudar a equação geral de uma classe inteira de equações, o que só surgiu com Viète. Segundo YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 23), citado por OLIVEIRA (1997),
  • 50.
    50 A importância desta notação que, pela primeira vez, tomou possível a colocação por escrito sob uma forma simbólica das equações algébricas e de expressões contendo quantidades desconhecidas e coeficientes arbitrários (um trabalho que também nascem com Viète) poderia ser subestimada. Entretanto, o criado da nova Álgebra não utiliza sua notável descoberta para “fazer avançar” o conceito de função: pensar em termos de função não foi característica de seu espírita. René Descartes (1596-1650), e Pierre de Fermat (1601-1665), magistrado em Toulouse, desenvolveram separadamente as bases teóricas da geometria analítica. Fermat, citado por OLIVEIRA (1997), diz que “tão logo duas quantidades desconhecidas aparecem em uma igualdade, há u lugar geométrico e o ponto terminal de uma das duas quantidades descreve uma reta ou curva”. BAUMGART (1992, p. 83), citado por SÁ at all (2003), afirma que Descartes chegou a definir função como qualquer potência de x, como x², x³, ... De fato, segundo OLIVEIRA (1997, p. 18), Aparece em “La Geométrie” a noção de função de forma mais detalhada, e completamente clara, sustentada pela idéia de que a equação em x e u é um meio de introduzir uma dependência entre quantidades variáveis de modo a permitir o cálculo dos valores de uma delas correspondendo aos valores dados da outra. Tal método de representação foi estendido a outros ramos da matemática, em especial ao cálculo infinitesimal. Vem o século XVIII e com ele destacam-se Isaac Newton (1642-1727) e Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716).
  • 51.
    51 Newton, segundo SÁ at all (2003), direcionou suas pesquisas dentro da Física, especificamente no campo da Mecânica, e como frutos para a matemática desenvolveu os métodos infinitesimais. Assim, KLEINE (1989, p.289), citado por MENDES (1994, p. 26), acredita que a maior contribuição de Newton dentro do conceito de função foram suas descobertas a respeito de séries de potências, e é ele quem introduz o termo “variável independente”. Já foi Leibniz quem introduz a palavra “função”, que apareceu no trabalho intitulado “Methodus tangentium inversa, seu de fonctionibus”, no qual ganha o seguinte sentido: o de um termo geral para diferentes segmentos ligados a uma curva dada. Já, segundo OLIVEIRA (1997), o conceito de função aparece num sentido mais amplo na geometria diferencial em artigos publicado em 1692 e 1694 onde ele chama de segmentos de retas obtidas por construção de retas correspondendo a um ponto fixo e a pontos de uma curva dada. Já a primeira definição explicita como expressão analítica aparece com Jean Bernoulli (1694 – 1698). De acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 35), temos: “Chamamos função de uma grandeza variável uma quantidade composta de qualquer maneira que seja desta grandeza variável e constante.” Segundo OLIVEIRA (1997), na sua definição, Bernoulli não dá indicação sobre o modo de construir função a partir da variável independente. Leonhard Euler (1707-1783) nascido em Bâle na Suiça, foi aluno de Jean Bernoulli, foi figura essencial no desenvolvimento do conceito de função, onde segundo o qual uma função não necessitava unicamente de uma expressão analítica e ele também introduziu o símbolo f(x). Segundo SÁ at all (2003), no segundo volume de Introduction in Analysin Infinitorum, Euler diferenciou as funções contínuas e descontínuas, levando em consideração a lei de formação de cada função. Aquelas que fossem definidas por apenas uma expressão analítica seria classificada como contínua e caso essa lei mudasse em qualquer intervalo do domínio automaticamente se classificaria como descontínua ou mista. É no século XVIII, segundo SÁ at all (2003), que o Problema da Corda Vibrante mexe com o raciocínio dos matemáticos da época e que vai influenciar na reformulação
  • 52.
    52 do conceito defunção. O questionamento seria determinar a função que iria reger o formato de uma corda elástica, com os pontos iniciais e final fixos, num determinado tempo t. GRÁFICO 5: FUNÇÃO QUE REGE UMA CORDA ELÁSTICA. Foi D’Alembert (1717-1783) que publicou um trabalho sobre as cordas vibrantes, onde resolveu a uma equação diferencial e a chamou de equação da onda em que y representaria o deslocamento transversal do ponto x da corda no tempo t. Vale lembrar que Daniel Bernoulli também publica um trabalho sobre o tema. Foi oferecido em 1787, que um prêmio foi oferecido pela Academia de São Petesburgo, para quem melhor explicasse como eram as funções arbitrárias que poderiam ser obtidas nas soluções de equações diferenciais parciais. O ganhador foi Louis Arbogast (1759-1803), que segundo MENDES (1994, p. 36) citando EDWARDS (1979, p. 303), argumentou que tais funções não poderiam ser contínuas, mas para isso ele conceituou continuidade: A lei de continuidade consiste em que uma quantidade não pode passar de um estado para o outro sem passar através de todos os estágios intermediários que são sujeitos à mesma lei. Esta continuidade pode ser destruída de duas formas: A função pode mudar sua forma, quer dizer, a lei pela qual a função depende das variáveis pode mudar repentinamente. Uma curva formada pela reunião de muitas porções de curvas diferentes é deste tipo... Não é nem necessário que a função y seja expressa por uma equação para um certo intervalo da variável; ela pode mudar continuamente sua forma, e alinha que a representa, ao invés de ser uma reunião de curvas regulares, pode ser tal que em cada um destes pontos ela se torne uma curva diferente; quer dizer ela pode ser inteiramente irregular e não seguir qualquer lei para qualquer intervalo mesmo pequeno.
  • 53.
    53 De acordo com SÁ at all (2003), Jean Baptiste Joseph Fourier (1768- 1830), secretário do Instituto do Egito, destaca-se na virada do século XVIII para o século XIX, com seus estudos sobre a propagação do calor. Em 1822 publica La Théorie Analytique de la Chaleur onde afirmou que qualquer função poderia ser expressa por uma série trigonométrica. ÁVILA (1985, p. 20) afirma que apesar de Daniel Bernoulli em 1753 já tivesse discutido tal questão de maneira mais restrita, foi com Fourier que ela se tornou realmente presente no mundo matemático. Perto do fim do século XVIII, ainda de acordo com SÁ at all (2003), quando muitos absurdos e contradições tinham surgido na matemática, sentiu-se que era essencial examinar as bases da análise para dar-lhes uma fundamentação, foi uma reação ao emprego descontrolado da intuição e do formalismo do século anterior. Assim, a própria idéia de função teve que ser esclarecida e noções como a de limite, continuidade, diferenciabilidade e integrabilidade tiveram de ser cuidadosa e claramente definidas. Bolzano (1781-1848), segundo BOYER (1974), foi considerado pioneiro nessa formalização, pois em 1817, publica Functionlehre onde conceitua continuidade muito próxima do conceito atual. Ele também demonstrou o teorema do valor médio, hoje muito utilizado em cursos regulares de cálculos, mas que segundo LEITÃO (2009) no seu contexto original, este resultado não se referia apenas ao movimento local, isto é, a grandeza que se encontra a variar, não era necessariamente a velocidade. FIGURA 3: REPRESENTAÇÃO DO TEOREMA DO VALOR MÉDIO.
  • 54.
    54 Segundo MENDES (1994), já no século XIX iniciou-se um processo de fundamentação rigorosa da Análise, que foi conhecido como Aritmetização da Análise. Neste período, se inspiraram nos trabalhos de Euler os matemáticos: Condorcet (1778), Cauchy (1789) Lacroix (1797), Fourier (1821) e Lobatchevsky (1837). Já em meados do século XIX, segundo OLIVEIRA (1997) e SÁ at all (2003), as funções já não precisavam ter a forma “bem comportada” com que os matemáticos estavam acostumados. De acordo com BOYER (1974), em 1837, Dirichlet sugeriu uma definição muito ampla de função: “Se uma variável y está relacionada com uma variável x de tal modo que, sempre que é dado um valor numérico a x, existe uma regra segundo a qual um valor único de y fica determinado, então diz-se que y é uma função da variável independente x.” Ou seja, temos: Com a ≠ b, a e b constantes. Segundo OLIVEIRA (1997), a definição geral de função dada nos cursos de análise matemática no fim do século XIX e no começo do século XX era a de Hankel, que diz ter se baseado em Dirichlet, é a seguinte, de acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 61): Diz-se que y é uma função de x se a cada valor de x de um certo intervalo, corresponde um valor bem definido de y sem que isto exija, entretanto que y seja bem definido sobre todo intervalo pela mesma lei em função de x, nem mesmo que y seja definido por uma expressão matemática explicita de x.”
  • 55.
    55 O alemão Georg Friedrich Bernhard Riemann, também deixou sua marca no século XIX. ÁVILA (1985, p. 29) acredita que os estudos de Riemann foram influenciados por Dirichlet, daí seu interesse pelas séries trigonométricas. E como essas séries trigonométricas apresentavam integrais como coeficiente, Riemann preocupou-se com o esclarecimento dos critérios de integrabilidade, surgindo aí o conceito de “integral de Riemann.” De acordo com SÁ at all (2003), Karl Theodor Weierstrass (1815 - 1897) nascido em Ostenfeld na Alemanha, foi professor de matemática em Deutsche –Croner, desvinculou continuidade de diferenciabilidade em 1872, quando sugere uma função contínua e não diferenciável. Segundo BOYER (1989, p. 142), Weierstrass definiu função como uma série de potência juntamente com todas as que podem ser obtidas dela por prolongamento analítico. Já OLIVEIRA (1997) afirma que, a matemática moderna teve dificuldades em estabelecer a definição universal de função que não é algorítmica. De acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 64), em 1972, Weyl sustenta que: “Ninguém jamais soube explicar o que é função. Mas uma função f é definida se pó um meio qualquer podemos associar a um número a, um numero b... Dizemos então que b é um valor da função f para o valor a do argumento.” Em meados do século XX, a filosofia formalista predominou nos textos matemáticos. Então, assim, de acordo com SÁ at all (2003), o nome Nicolas Bourbaki se destaca no século XX, que foi um nome grego de um suposto autor francês, nascido em Nancy, assinou várias obras. Porém acredita-se que seria um grupo de matemáticos que resolveram ter em Nicolas Bourbaki um pseudônimo. Em Théorie des Ensembles, conceituou função de duas maneiras: “Sejam E e F dois conjuntos, distintos ou não. Uma relação entre uma variável x de E é uma variável y de F é
  • 56.
    56 dita uma relação funcional em y, ou relação funcional de E em F, se qualquer que seja x ª E, existe um e somente um elemento y ª F que estejam associados a x na relação considerada. Dá-se o nome de função à operação que desta forma associa a todo o elemento x ª E o elemento y ª F que se encontra ligado a x na relação dada; diz-se que y é o valor da função para o elemento x, e que a função está determinada pela relação funcional considerada. Duas relações funcionais equivalentes determinam a mesma função.” MENDES(1994, p. 53). De acordo com SÁ at all (2003, p. 14 – 17), segue abaixo um quadro resumo da evolução dos conceitos de funções: TABELA 4: RESUMO DAS PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES PARA FUNÇÕES.
  • 57.
  • 58.
  • 59.
  • 60.
    60 6.2.4 NEXOS CONCEITUAIS DE FUNÇÕES Quando começamos a analisar os nexos conceituais de funções, podemos recorrer a CARAÇA (1951), e ele sugere que comecemos por trabalharmos a regularidade de um fenômeno, ou seja, a lei qualitativa. Aqui CARAÇA (1951, p. 127) afirma que: quando queremos estudar leis qualitativas, temos que criar um instrumento matemático cuja essência seja a correspondência de dois conjuntos.
  • 61.
    61 Hora, se relembrarmos o item 2.2.1 deste trabalho, podemos citar SÁ at all (2003) que afirma que os babilônios construíram tabelas em argila, onde na primeira coluna existia um número na segunda, que era o resultado da multiplicação do número da primeira por uma constante, em 2.000 a. C., que revelaria seu “instinto funcional”. Dessa forma, temos a construção de tabelas já pelos babilônicos, ou seja, em essência é a correspondência entre conjuntos, mas a busca por leis qualitativas veio somente mais tarde com Galileu Galilei. Já OLIVEIRA (1997) ressalta que o estudo dos movimentos da forma quantitativa, por intermédio da experimentação, contribuiu para a evolução da noção de função. Porém, é exatamente aqui que queríamos chegar, pois com Galileu Galilei, segundo KLINE (1972), o estudo da natureza e do movimento, originou o conceito de uma função ou de uma relação entre variáveis. Vimos em 2.2.3 que foi Descartes que chegou a definir função como qualquer potência de x, como x², x³, .... De fato, segundo OLIVEIRA (1997, p. 18), aparece em “La Geométrie” a noção de função de forma mais detalhada, e completamente clara, sustentada pela idéia de que a equação em x e u é um meio de introduzir uma dependência entre quantidades variáveis de modo a permitir o cálculo dos valores de uma delas correspondendo aos valores dados da outra. Tal método de representação foi estendido a outros ramos da matemática, em especial ao cálculo infinitesimal. Assim, surgia o problema de se trabalhar com o conceito de variável x, mas afinal, segundo CARAÇA (1951), quem é x, sem coincidir individualmente com nenhuma dos números do intervalo, é suscetível de representar todos? Ora, CARAÇA (1951) vem ainda dizer que a variável é e não é cada um dos elementos do conjunto, ou que faz com que vemos como uma primeira de suas características a fluência, que nada mais é que a representação da natureza, que tudo flue, tudo se transforma.
  • 62.
    62 Sabemos também que Newton e Liebnitz deram contribuições para o conceito de função, mas a primeira expressão analítica aparece com Jean Bernoulli (1694 – 1698). De acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981, p. 35), temos: “Chamamos função de uma grandeza variável uma quantidade composta de qualquer maneira que seja desta grandeza variável e constante.” Neste ponto, CARAÇA (1951) nos diz que: Sejam x e y duas variáveis representativas de conjuntos de números; diz-se que y é função de x e escreve-se: y = f(x) (1) se entre as duas variáveis existe uma correspondência unívoca no sentido x →y. A x chama-se variável independente, a y variável dependente. Dessa forma, podemos ver que após estabelecer qual a variável dependente e a independente, CARAÇA (1951), passa a questionar, de que forma podemos fazer a correspondência entre estas duas variáveis. Então, foi dessa forma que no final do século XVII e inicio do século XVIII, os matemáticos passaram a fazer tais questionamentos, chegando à primeira definição analítica por Jean Bernoulli. Já Euler vem depois e estabelece uma definição mais clara de função, e traz sua representação. Por outro lado, CARAÇA (1951), vem dizer que definição este modo de definição consiste em dar um conjunto de modo tal que, por meio delas, se possa fazer corresponder a cada valor a de x um valor b de y. CARAÇA (1951) afirma que no final do século XIX, pela insuficiência da definição de funções, surgiu a moderna definição dada por Riemann-Dirichilet, ganhando generalidade ao estabelecer a correspondência das variáveis, mas isso a fez se afastar das condições em que surgiu.
  • 63.
    63 Já de acordo com BOYER (1974), Dirichlet em 1837, sugeriu uma definição muito ampla de função, a qual CARAÇA (1951) chama de definição de Riemann- Dirichilet: “Se uma variável y está relacionada com uma variável x de tal modo que, sempre que é dado um valor numérico a x, existe uma regra segundo a qual um valor único de y fica determinado, então diz-se que y é uma função da variável independente x.” 6.3 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE LIMITES Sabemos que, de acordo com THOMAS (2002), entre todos os conceitos principais do cálculo - derivada, continuidade, integral, convergência/divergência, são definidos em termos de limites, e assim é considerado o conceito básico do Cálculo. Logo, em termos do desenvolvimento histórico e lógico do cálculo, os limites deveriam vir primeiro, mas vendo o desenvolvimento histórico do Cálculo, observamos o contrário, já que por vários séculos, ainda segundo THOMAS (2002), as noções de limite eram confusas, com idéias vagas e algumas vezes filosóficas sobre o infinito (números infinitamente grandes e infinitamente pequenos e outras entidades matemáticas) e com intuição geométrica subjetiva e indefinida. O termo limite em nosso sentido moderno, de acordo com BOYER (1989), é um produto do iluminismo, levando a saber que nossa definição moderna tem menos de 150 anos de idade. A primeira vez em que a idéia de limite apareceu, segundo DINIZ (2006), foi por volta de 450 a.C., na discussão dos quatro paradoxos de Zenão. Por exemplo, no primeiro paradoxo - a Dicotomia - Zenão discute o movimento de um objeto que se move entre dois pontos fixos, A e B, situados a uma distância finita, considerando uma seqüência infinita de intervalos de tempo - T 0, T1, T2,..., Tn,... - cada um deles sendo o tempo gasto para percorrer a metade da distância percorrida no movimento anterior. Veja a figura abaixo:
  • 64.
    64 FIGURA 4: REPRESENTAÇÃO DO PRIMEIRO PARADOXO DE ZENÃO. Analisando o problema, Zenão concluiu que dessa maneira o móvel nunca chegaria em B. Aristóteles (384 - 322 a.C.), refletiu sobre os paradoxos de Zeno com argumentos filosóficos. Para provas rigorosas das fórmulas de determinadas áreas e volumes, Arquimedes encontrou diversas somas que contêm um número infinito de termos. Na ausência do conceito de limite, Arquimedes utilizava argumentos denominados dupla reductio ad absurdum. Segundo BOYER (2006), para suas demonstrações rigorosas das fórmulas para certas áreas e volumes, Arquimedes (287--212 a.C.) encontrou várias séries infinitas – somas que contêm um número infinito de termos. Não possuindo o conceito de limite propriamente dito, Arquimedes inventou argumentos muito engenhosos chamados de redução ao absurdo duplo, que, na verdade, incorporam alguns detalhes técnicos do que agora chamamos de limites. Cálculo é também algumas vezes descrito como o estudo de curvas, superfícies e sólidos. O desenvolvimento da geometria destes objetos floresceu seguindo a invenção da geometria analítica por Pierre Fermat (1601--1665) e René Descartes (1596--1650). A geometria analítica é, essencialmente, o casamento da geometria com a álgebra, e cada uma melhora a outra. Fermat, segundo THOMAS (2002), desenvolveu um método algébrico para encontrar os pontos mais altos e mais baixos sobre certas curvas. Descrevendo a curva em questão por uma equação, Fermat chamou um número pequeno de E, e então fez alguns cálculos algébricos legítimos, e finalmente assumiu E = 0 de tal maneira que todos os termos restantes nos quais E estava presente desapareceriam. Essencialmente, Fermat colocou de lado o limite com o argumento que E é "infinitamente pequeno".
  • 65.
    65 Geometricamente, Fermat estavatentando mostrar que, exatamente nos pontos mais altos e mais baixos ao longo da curva, as retas tangentes à curva são horizontais, isto é, têm inclinação zero. Encontrar retas tangentes às curvas é um dos dois problemas mais fundamentais do cálculo. Problemas envolvendo tangentes são uma parte do que chamamos agora de estudo das derivadas. Durante o século XVII, segundo BOYER (1989), vários geômetras desenvolveram esquemas algébricos complicados para encontrar retas tangentes a certas curvas. Descartes tinha um processo que usava raízes duplas de uma equação auxiliar, e essa técnica foi melhorada pelo matemático Johan Hudde (1628-- 1704), que era também o prefeito de Amsterdã. René de Sluse (1622--1685) inventou um método ainda mais complicado para obter tangentes a curvas. Em cada um desses cálculos, o limite deveria ter sido usado em alguma etapa crítica, mas não foi. Nenhum destes geômetras percebeu a necessidade da idéia de limite, e assim cada um encontrou uma maneira inteligente para alcançar seus resultados, os quais estavam corretos, mas com meios que, agora reconhecemos, faltam fundamentos rigorosos. De acordo com THOMAS (2002), em quase todos os seus trabalhos que agora são considerados como cálculo, Isaac Newton (1642 – 1727), também não reconheceu o papel fundamental do limite. Para séries infinitas, Newton raciocinou meramente por analogia: se fosse possível executar operações algébricas em polinômios, então seria possível fazer o mesmo com o número infinito de termos de uma série infinita. Newton calculou o que ele chamou de flúxions a curvas, não exatamente derivadas, mas muito próximo. O processo que ele usou para esses cálculos era muito próximo do método de Fermat. Neste e na maioria dos outros trabalhos comparáveis, Newton negligenciou o limite. Por outro lado, em seu Principia Mathematica (1687), segundo EVES (1996), talvez o maior trabalho em matemática e ciência, Newton foi o primeiro a reconhecer que o limite deve ser o ponto de partida para problemas de tangência, quadratura e afins. No início do Livro I do Principia, Newton tentou dar uma formulação precisa do conceito de limite. Já THOMAS (2002), afirma que o cálculo se desenvolveu rapidamente pelos seus vários sucessos no século XVIII, e pouca atenção foi dada aos seus fundamentos, muito menos ao limite e seus detalhes. Colin Maclaurin (1698 -1746) defendeu o
  • 66.
    66 tratamento dos fluxionsde Newton do ataque de George Berkeley. Mas Maclaurin reverteu a argumentos do século XVII similares aos de Fermat e apenas ocasionalmente usou a redução ao absurdo dupla de Arquimedes. Apesar de suas boas intenções, Maclaurin passou por oportunidades de seguir a sugestão de Newton sobre limites. Jean Le Rond d'Alembert (1717--1783) foi o único cientista daquele tempo que reconheceu explicitamente a importância central do limite no cálculo. Na famosa Encyclopédie (1751--1776), d'Alembert afirmou que a definição apropriada da derivada necessitava um entendimento do limite primeiro e então, deu a definição explícita: Uma quantidade é o limite de uma outra quantidade quando a segunda puder se aproximar da primeira dentro de qualquer precisão dada, não importa quão pequena, apesar da segunda quantidade nunca exceder a quantidade que ela aproxima. A preocupação sobre a falta de fundamento rigoroso para o cálculo, segundo BOYER (1989), cresceu durante os últimos anos do século XVIII. Em 1784, a Academia de Ciências de Berlim ofereceu um prêmio para um ensaio que explicasse com sucesso uma teoria do infinitamente pequeno e do infinitamente grande em matemática e que poderia, por sua vez, ser usada para colocar uma base sólida para o cálculo. Embora este prêmio tenha sido dado, o trabalho vencedor "longo e tedioso" de Simon L'Huilier (1750 -1840) não foi considerado uma solução viável para os problemas colocados. Lazare N. M. Carnot (1753--1823) produziu uma tentativa popular de explicar o papel do limite no cálculo como "a compensação de erros" - mas ele não explicou como estes erros se cancelariam mutuamente perfeitamente. No final do século XVIII, segundo THOMAS (2002), o grande matemático da época, Joseph-Louis Lagrange (1736 –1813), conseguiu reformular toda a mecânica em termos de cálculo. Nos anos que seguiram a Revolução Francesa, Lagrange concentrou sua atenção nos problemas da fundamentação do cálculo. Sua solução, Funções Analíticas (1797), desligou o cálculo de "qualquer consideração do infinitamente pequeno ou quantidades imperceptíveis, de limites ou de flúxions." Renomado por suas outras contribuições ao cálculo, Lagrange fez um esforço heróico (como sabemos agora, com uma falha fatal) para tornar o cálculo puramente algébrico eliminando limites inteiramente.
  • 67.
    67 Ao longo do século XVIII, segundo BOYER (1989), havia pouca preocupação com convergência ou divergência de seqüências e séries infinitas; hoje, entendemos que tais problemas requerem o uso de limites. Em 1812, Carl Friedrich Gauss (1777--1855) produziu o primeiro tratamento estritamente rigoroso da convergência de seqüências e séries, embora ele não tenha usado a terminologia de limites. Na sua famosa Teoria Analítica do Calor, Jean Baptiste Joseph Fourier (1768--1830) tentou definir a convergência de uma série infinita, novamente sem usar limites, mas então ele afirmou que qualquer função poderia ser escrita como uma de suas séries, e não mencionou a convergência ou divergência desta série. No primeiro estudo cuidadoso e rigoroso das diferenças entre curvas contínuas e descontínuas e funções, Bernhard Bolzano (1781-1848) olhou além da noção intuitiva da ausência de buracos e quebras e encontrou os conceitos mais fundamentais os quais expressamos hoje em termos de limites. No começo do século XVIII, de acordo com THOMAS (2002), as idéias sobre limites eram com certeza, confusas. Enquanto Augustin Louis Cauchy (1789 -1857) estava procurando por uma exposição clara e rigorosamente correta do cálculo para apresentar aos seus estudantes de engenharia na École Polytechnique em Paris, ele encontrou erros no programa estabelecido por Lagrange. Então, Cauchy começou o seu curso de cálculo do nada; ele começou com uma definição moderna de limite. Começando em 1821, ele escreveu as suas próprias notas de aula, essencialmente seus próprios livros, o primeiro chamado de Cours d’analyse (Curso de Análise). Nas suas classes e nestes livros-texto clássicos, Cauchy usou o princípio de limite como a base para introduções precisas à continuidade e convergência, a derivada, a integral, e o resto do cálculo. Assim, perdeu alguns dos detalhes técnicos, especialmente na aplicação da sua definição de limite a funções contínuas e à convergência de certas séries infinitas. Nas décadas de 1840 e 1850, afirma BOYER (1898), enquanto era um professor do ensino médio, Karl Weierstrass (1815 – 1897) determinou que a primeira etapa necessária para corrigir estes erros era restabelecer a definição original de Cauchy do limite em termos estritamente aritméticos, usando apenas valores absolutos e desigualdades. A exposição de Weierstrass é exatamente aquela que encontramos no livro de Cálculo de Thomas. Weierstrass prosseguiu em uma carreira brilhante como
  • 68.
    68 professor de matemáticana Universidade de Berlim. Lá ele desenvolveu um programa para trazer rigor aritmético para todo o cálculo e à análise matemática. Aqui, passemos a uma breve análise dos nexos conceituais de limites, com respeito à História da Matemática, como segue. Então, o primeiro desafio que aparece aqui é o chamado problema do movimento, que surge a partir um paradoxo de Zenão, da impossibilidade de Aquiles alcançar a tartaruga. Dessa forma, CARAÇA (1951) nos diz que aqui temos a impossibilidade de trabalhar só com números, e dessa foram, precisamos de um novo conceito, ou seja, a primeira coisa a fazer é introduzir a noção variável, que pode representar qualquer número. Nessa primeira etapa, CARAÇA (1951) nos diz que é necessário trabalharmos com pontos muito próximos, o que vai dar origem ao conceito de infinitésimos. Assim, por CARAÇA (1951, p. 219), temos: Definição: Dá se o nome de infinitésimo a toda a variável representativa de um conjunto de pontos pertencentes à vizinhança da origem quando nessa variável considerarmos sucessivamente valores x1, x2, ..., xn, ... tais que |xn| < δ para todos os valores de n > n1 e todo δ > 0. 6.4 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE DERIVADAS Segundo DALL’ANESE (2000), atribui-se a “invenção” do Cálculo Diferencial e Integral a Newton e Leibnitz, na segunda metade do século XVII, através da sistematização de métodos quer tornaram possível à solução de problemas referentes à construção de tangentes, cálculo de áreas, volumes, etc. Porém, vamos começar pela sua origem nos problemas geométricos clássicos de tangência, por exemplo, para determinar uma reta que intersecta uma dada curva em apenas um ponto dado. Segundo THOMAS (2002), Euclides (cerca de 300 a.C.) provou o familiar teorema que diz que a reta tangente a um círculo em qualquer ponto P é perpendicular
  • 69.
    69 ao raio emP; e depois Arquimedes (287--212 a.C.) tinha um procedimento para encontrar a tangente à sua espiral e Apolônio (cerca de 262--190 a.C.) descreveu métodos, todos um tanto quanto diferentes, para determinar tangentes a parábolas, elipses e hipérboles. Mas, ainda segundo Thomas (2002), estes eram apenas problemas geométricos que foram estudados apenas por seus interesses particulares limitados; os gregos não perceberam nenhuma linha em comum ou qualquer valor nestes teoremas. Na realidade, após os Gregos, segundo BOYER (1989), o interesse por tangentes a curvas reapareceu no século XVII, como parte do desenvolvimento da geometria analítica. Uma vez que equações eram então usadas para descrever curvas, o número e variedade de curvas aumentaram tremendamente naqueles estudos em épocas clássicas. Por exemplo, Pierre Fermat (1601--1665) foi o primeiro a considerar a idéia de uma família inteira de curvas de uma só vez. Aqui BOYER (1974), diz que é possível que Fermat desde 1629 estivesse de posse de sua geometria analítica, pois por essa época ele fez duas descobertas significativas que se relacionam de perto com seu trabalho sobre lugares. Ele as chamou de parábolas superiores, curvas da forma y = kxª, onde k é constante e a = 2, 3, 4, … Esta família de curvas, de acordo com Boyer (1974), foi estuda num tratado não publicado durante sua vida chamado método para achar Máximos e Mínimos. Estas curvas citadas acima são freqüentemente chamadas de “parábolas de Fermat” se a é posivo, ou “hipérboles de Fermat”, se a é negativo. De acordo com BOYER (1974, p. 255), temos que: “Para curvas polinomiais da forma y = f(x) ele (Fermat) notou um modo muito engenhoso para achar pontos em que a função assume um máximo ou um mínimo. Ele comparouo valor de f(x) num ponto com a valor f(x + E) num ponto vizinho. Em geral esses valoresserao bem direferentes, mas num alto ou num baixo de uma curva lisa a variação será quase imperceptivel. Portanto para achar os pontos de máximos e minimos Fermat iguala f(x) e f(x + E), percebendo que os valores, embora não exatamente iguais, são quase iguais. Quanto menor o intervalo E entre dois pontos mais perto chega a pseudo- equação de ser uma verdadeira equação; por isso Fermat,
  • 70.
    70 depois de dividir tudo por E fazia E = 0. Os resultados lhes davam as abcissas dos pontos de máximo e mínimos do polinômio. Aqui em essência tem-se o processo hoje chamado diferenciação, pois o método de Fermat equivale a achar: f ( x + E ) − f ( x) Lim E -- > 0 E e igualar isso a zero. Portanto, é razoavel acompanhar Lapalce ao saudar Feramt como o descobridor do Cálculo diferencial, bem como co-descobridor da geometria analítica. Evidentemente Fermat não tinha o conceito de limite, mas por outro lado seu método para máximos e mínimos se assemelha ao uado no Cálculo hoje, só que agora se usa em geral o simbolo h ou Δx em lugar do E de Fermat. O processo de mudar ligeiramente a variável e considerar valores vizinhos é a essencia da análise infinitesimal.” Assim, de acordo com THOMAS (2002), a introdução de símbolos algébricos para estudar a geometria de curvas contribuiu significativamente para o desenvolvimento da derivada, da integral e do cálculo. Por outro lado, como conclusões e resultados geométricos poderiam ser obtidos mais facilmente usando raciocínio algébrico que geométrico, os padrões de rigor lógico que tinham sido iniciados pelos gregos antigos foram relaxados em muitos problemas de cálculo, e isto (entre outros fatores) levou a controvérsias espirituosas e até amarguradas. Foi René Descartes (1596--1650) teve o discernimento de prever a importância da tangente, e foi ele quem inventou um procedimento de dupla raiz para encontrar a normal e então a tangente a uma curva. Como resultado da tradução da Geometria de Descartes para o latim, os princípios e benefícios da geometria analítica tornaram-se mais amplamente conhecidos. Após, foi Hudde quem simplificou a técnica da dupla raiz de Descartes para determinar pontos máximos e mínimos sobre uma curva; o procedimento da dupla raiz foi redescoberto por Christiaan Huygens (1629 - 1695).
  • 71.
    71 Foi René François de Sluse (1622--1685) quem desenvolveu uma técnica algébrica que levou à inclinação da tangente a uma curva, mas foi para Gilles Personne de Roberval (1602--1675), que uma curva era o caminho de um ponto se movendo, e ele desenvolveu um método mecânico para encontrar a tangente para muitas curvas, incluindo a ciclóide. No entanto, o método de Roberval não podia ser generalizado para incluir mais curvas. Segundo DALL’ANESE (2000), Newton desenvolveu o “Método das Fluxões” no sei “De methodis Serierum et Fluxionum”, publicado em 1736. Neste, sua intenção parece ter sido determinar a relação entre variação y e da quantidade x, de uma função y = f(x), quando x sofre um acréscimo infinitesimal, considerando as quantidades matemáticas “como se fossem geradas por um aumento contínuo do espaço no qual um objeto se move descrevendo uma trajetória”. Já para THOMAS, Newton estendeu esta técnica como um método para encontrar a curvatura de uma curva, uma característica que agora sabemos ser uma aplicação da derivada segunda. Em 1666, 1669 e 1671, Newton resumiu e revisou seu trabalho de cálculo e estes manuscritos circularam entre um grande número de seus colegas e amigos. Ainda assim, embora tenha continuado a retornar a problemas de cálculo em épocas diferentes de sua vida científica, os trabalhos de Newton sobre cálculo não foram publicados até 1736 e 1745. Dessa foram, de acordo com DALL’ANESE (2000), Newton desenvolveu o “Método das Fluxões” no seu “De Methodis Serierum et Fluxionum”, publicado em 1736, no qual sua intenção parecia ter sido determinar a relação entre a variação da quantidade y e da quantidade x, de uma função y – f(x), quando x sofre um acréscimo infinitesimal, considerando as quantidades matemáticas “como se fosse geradas por um aumento continuo do espaço no qual um objeto se move descrevendo uma trajetória”. Então, Newton define suas noções de fluentes e fluxões assim: “Eu chamarei de Quantidades Fluentes, ou simplesmente Fluentes estas quantidades que eu considero como aumentadas gradualmente e indefinidamente , eu as representei pelas ultimas letras do alfabeto v, x, y e z para distinguir das outras quantidades que, nas equações, são
  • 72.
    72 consideradas como conhecidas e determinadas que nós representaremos pelas letras iniciais a, b, c, etc; eu representarei pelas mesmas letrs sobrepostas de um ponto v., x., y., z. as velocidadees cujas fluentes são aumentadas pelo movimento que as produz e, por consequencia nós poderemos chamar Fluxões.” Ainda segundo DALL’ANESE (2000), a diferença entre Newton e seus predecessores, é que ele formulou regras para cobrir soluções gerais da maioria dos problemas relativos ao cálculo infinitesimal, conhecidos no seu tempo. Também é citado por DALL’ANESE (2000) que Newton estabeleceu muito tarde a notação padrão como ponto para representar a diferenciação. A notação para derivadas, segundo BOYER (1989), deve-se a Gottfried Wilhelm Leibniz (1646--1716): dy ( ) dx Para ele, uma curva era um polígono com um número infinito de lados. Leibniz (1686) fez y representar uma ordenada da curva e dx a distância infinitesimal de uma abscissa para a próxima, isto é, a diferença entre abscissas "sucessivas". Segundo BOYER (1989), Leibnitz por volta de 1676 tinha chegado à mesma conclusão que Newton chegara vários anos antes, ou seja, que uma função fosse racional ou irracional, algébrica ou transcedentes, suas operações de achar somas e diferenças podiam sempre ser aplicadas. Dessa forma, continua BOYER (1989), a primeira exposição do cálculo diferencial foi publicada por Leibnitz em 1684, onde ele deu a as fórmulas dxy = xdy + ydx, d(x/y) = (ydx – xdy)y 2 e dxn = nxn dx, para produtos, quocientes e potencias (ou raízes), juntamente com as explicações geométricas. Assim, pelo exposto sobre Newton e Leibniz, podemos perceber que foi através deles que se reconheceu a relação inversa entre problemas de quadratura e de tangentes.
  • 73.
    73 De acordo com DALL’ANESE (2000, p. 34), Augustin Louis Cauchy (1789-- 1857) estabeleceu a ligação entre a derivada e os diferenciais, da seguinte forma: “Seja y = f(x) novamente uma função de variável independente x. Seja i uma quantidade infinitamente pequena e h uma quantidade finita. Se dissermos que i =αh, α será, novamente, uma quantidade infinitamente pequena, e teremos a identidade: f ( x + i ) − f ( x ) f ( x + α h) = i αh (1) f ( x + α h) − f ( x ) f ( x + i ) − f ( x ) onde, = h α i O limite para o qual converge o lado esquerda da equação (1) à medida que α se aproxima indefinidamente de zero e h permanece constante é chamado “diferencial” da função y = f(x). A diferença é indicada por dy ou df(x). Seu valor pode ser facilmente determinado se soubermos o valor da função derivada y’ ou f’(x). De fato, se tomarmos os limites de ambos os lados da equação (1) acharemos um resultado geral: df(x) = hf’(x) (2) No caso especial quando f(x) = x, a equação 92) reduz-se a dx = h. Assim, a diferencial da variável independente x é precisamente h. Dado isto, a equação (2) torna-se df(x) = f’(x)dx, ou equivalentemente, dy = y’dx Essas últimas equações mostram que a derivada y’ = f’(x) dy de qualquer função y=f(x) é precisamente igual a ( ), dx isto é, à razão entre a diferencial da função e a diferencial da variável ou, se quisermos, ao coeficiente
  • 74.
    74 pelo qual devemos multiplicar a segunda diferencial a fim de obtermos a primeira. É por isso que a derivada é chamada às vezes de “coeficiente diferencial”. 6.5 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE INTEGRAIS De acordo com THOMAS (2002), o cálculo integral se originou com problemas de quadratura e cubatura, ou seja, resolver um problema de quadratura significa encontrar o valor exato da área de uma região bidimensional cuja fronteira consiste de uma ou mais curvas, ou de uma superfície tridimensional, cuja fronteira também consiste de pelo menos uma curva. Para um problema de cubatura, queremos determinar o volume exato de um sólido tridimensional limitado, pelo menos em parte, por superfícies curvas. Recorrendo à história, vemos que quando os antigos geômetras começaram a estudar as áreas de figuras planas, eles as relacionavam com a área do quadrado, por ser essa a figura plana mais simples. Assim, buscavam encontrar um quadrado que tivesse área igual à da figura em questão. Vale aqui lembrar que, de acordo com BOYER (1989), a palavra quadratura é um termo antigo que se tornou sinônimo do processo de determinar áreas. Hoje, sabemos que foi Hipócrates de Chios (cerca de 440 A.C.) executou as primeiras quadraturas quando encontrou a área de certas lunas, regiões que se parecem com a lua próxima do seu quarto crescente. Antiphon (cerca de 430 A.C.) alegou que poderia "quadrar o círculo" com uma seqüência infinita de polígonos regulares inscritos: primeiro um quadrado; segundo um octógono, a seguir um hexadecaedro, etc. Porém, faltava-lhe o conceito de limites para terminar com rigor matemático. Entretanto só depois que Eudoxo (cerca de 370 A.C.) fez o desenvolvimento do método de exaustão: uma técnica de aproximação da área de uma região com um número crescente de polígonos, com aproximações melhorando a cada etapa e a área exata sendo obtida depois de um número infinito destas etapas. Dessa forma, exemplificando, uma primeira aproximação para a área do círculo é dada pela área do quadrado inscrito no círculo. Com o acréscimo de quatro
  • 75.
    75 triângulos isósceles convenientes, obtemos o octógono regular inscrito no círculo, cuja área fornece uma aproximação melhor à área do círculo. Ou seja: FIGURA 5: REPRESENTAÇÃO DA APROXIMAÇÃO PARA A ÁREA DO CÍRCULO. Continuando com o processo de acrescentar novos triângulos, tomamos um polígono regular de 16 lados. Do ponto de vista geométrico, é possível observar que já se tem a impressão de termos exaurido o círculo, embora saibamos que existem algumas áreas que não foram cobertas. De acordo com THOMAS (2002): Para o círculo, Arquimedes primeiro mostrou que a área depende da circunferência; isto é muito fácil de se verificar hoje em dia, uma vez que ambas as fórmulas dependem de p. Então Arquimedes aproximou a área do círculo de raio unitário usando polígonos regulares de 96 lados inscritos e circunscritos! Seu famoso resultado foi 3 10/71 < p < 3 1/7; mas como estas eram apenas aproximações, no sentido estrito, não eram quadraturas. Esta técnica refinou o método de exaustão, assim quando existe um número infinito de aproximações poligonais, chamamos de método da compressão. O processo de Arquimedes para encontrar a área de um segmento de uma espiral era comprimir esta região entre setores de círculos inscritos e circunscritos: seu método de determinar o volume de um conóide (um sólido formado pela rotação de uma parábola ao redor de seu eixo) era comprimir este sólido entre cilindros inscritos e
  • 76.
    76 circunscritos. Em cada caso, a etapa final que estabelecia rigorosamente o resultado era o argumento da redução ao absurdo dupla. Assim, podemos dizer que a idéia básica do conceito de integral já estava embutida no método da exaustão atribuído a Eudoxo, desenvolvido e aperfeiçoado por Arquimedes. Já no Império Árabe, segundo BOYER (1989), um dos mais notáveis de todos matemáticos árabes, Thabit ibn Qurrah (826 – 901) desenvolveu sua própria cubatura, um tanto complicada, deste sólido; e então o cientista persa Abu Sahl al- Kuhi (século 10) simplificou consideravelmente o processo de Thabit. Ibn al- Haytham (965 -1039), usou o método de compressão para encontrar o volume do sólido formado pela rotação da parábola ao redor de uma reta perpendicular ao eixo da curva. Seguindo a história, chegamos a Johannes Kepler (1571 – 1630) aproximou os volumes de vários sólidos tridimensionais, cada qual era formado girando uma região bidimensional ao redor de um eixo. Seguindo THOMAS (2002), as próximas grandes contribuições foram de: • Bonaventura Cavalieri (1598--1647), que desenvolveu uma teoria de indivisíveis. • Pierre Fermat (1601 – 1665) desenvolveu uma técnica para encontrar as áreas sob cada uma das "parábolas de ordem superior" (y = kxn , onde k > 0 é constante e n = 2, 3, 4, …) usando retângulos estreitos inscritos e circunscritos para levar ao método de compressão. Então empregou uma série geométrica para fazer o mesmo para cada uma das curvas y = kxn, para n = -2, -3, -4, …. Mas, para sua decepção, nunca foi capaz de estender estes processos para "hipérboles de ordem superior", ym = kxn. • Por volta da década de 1640, a fórmula geral para a integral de parábolas de ordem superior era conhecida de Fermat, Blaise Pascal (1623-1662), Gilles Personne de Roberval (1602--1675), René Descartes (1596--1650), Torricelli, Marin Mersenne (1588--1648) e provavelmente outros.
  • 77.
    77 • Roberval e Pascal foram os primeiros a plotar as funções seno e co-seno e a encontrar as quadraturas destas curvas (para o primeiro quadrante). Pascal aproximou integrais duplas e triplas usando somas triangulares e piramidais. Ainda por THOMAS (2002), O Cálculo na forma geométrica, grande parte do cálculo se desenvolveu nos primeiros dois terços do século XVII com Isaac Barrow (1630--1677). Após, foi James Gregory (1638--1675) ao pensar na área da região entre uma curva e o eixo horizontal como uma variável; o extremo esquerdo era fixo, mas o extremo direito podia variar, permitindo estender algumas fórmulas de quadratura de Wallis e o levou ao Teorema Fundamental do Cálculo. Já Newton escreveu seu ensaio, "On the Quadrature of Curves" (Sobre Quadratura de Curvas), escrito entre 1691 e 1693 e publicado como um apêndice na edição de 1704 do seu Opticks. Neste, ele montou uma tabela extensa de integrais de funções algébricas um tanto complicadas, e para curvas as quais não podia desenvolver fórmulas de integração, inventou técnicas geométricas de quadratura. Usando o Teorema Fundamental do Cálculo, Newton desenvolveu as técnicas básicas para avaliar integrais usadas hoje em dia, incluindo os métodos de substituição e integração por partes. Segundo BOS e BARON (1974), entre as principais contribuições de Newton ao Cálculo estão: • Formula regras e procedimentos sistemáticos para cobrir as soluções gerais da maioria dos problemas relativos ao Cálculo Infinitesimal que eram conhecidos no seu tempo; • Estabelece uma estrutura unificada e um quadro dentro do qual todos os problemas podiam ser formulados; • Usa séries infinitas como ferramenta importante ao estender-se à classe das curvas “quadráveis”, isto é, curvas cuja quadratura podia ser determinada; • Estabelece a idéia de que a diferenciação e a integração são operações inversas. Sobre o Teorema Fundamental do Cálculo, ÁVILA (1985), afirma que este relaciona integral com derivada, sendo um resultado decisivo para que os métodos
  • 78.
    78 infinitesimais que entãosurgiram pudessem se organizar e disciplinas autônoma, - o Cálculo Diferencial e Integral. Numa das versões, AVILA (1985), mostra que: x F ( x ) = ∫ f (t ) dt a É uma primitiva de f, isto é, F’(x) = f(x). Outra versão equivalente desse teorema afirma que se G é uma primitiva qualquer da função f, então: b G (b) − G ( a ) = ∫ f (t ) dt ; a Ou ainda, como f ( x) = G ' ( x), b G (b) − G ( a ) = ∫ G ' (t ) dt. a Evidentemente, tudo isso é válido no pressuposto de que f(x) e G’(x) sejam funções contínuas no intervalo [a, b}. Porém, no século XVII, quando o Cálculo ainda se encontrava em estágio embrionário, não havia uma preocupação explicita com a noção de continuidade, mesmo porque o conceito de função era também muito restrito. Por função se entendia uma correspondência entre variáveis, sempre dada por fórmulas ou expressões analíticas, como: y=3x²-7x+1, y= x x ² + , etc. 1 E a noção de continuidade só começaria a aparecer no século XVIII. De acordo com THOMAS (2002), para Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716), uma curva era um polígono com um número infinito de lados, onde ele fez y representar uma ordenada da curva e dx a distância infinitesimal de uma abscissa para a próxima, isto é, a diferença entre abscissas "sucessivas". Então disse que representaria a área de uma figura pela soma de todos os retângulos [infinitesimais] limitados pelas
  • 79.
    79 ordenadas e diferençasdas abscissas, e assim representaria em seu cálculo a área da figura por ò y dx. Leibniz tomou o "S" alongado para a integral do latim summa e d do latim differentia, e estas têm permanecido nossas notações de cálculo mais básicas desde então, segundo BOYER (1989). Segundo BOS e BARON (1974, p. 52), algumas idéias importantes que fundamentaram a invenção do cálculo por Leibniz, foram: • O interesse de Leibniz pelo simbolismo e pela notação vinculando à sua idéia de uma linguagem simbólica geral; • O reconhecimento de que somar sequências e tomar as suas diferenças são operações inversas e que, semelhantemente, a determinação de áreas e a de tangentes são operações inversas. No inicio do século XVIII, segundo ÁVILA (1985), Leonhard Euler (1707 – 1783), publicou livros que estabeleceram padrões definitivos ao Cálculo e exerceram influencia por um século. Então, segundo volume de uma dessas obras – “Introduction in Analysin Infinitorum”, de 1848, ele distingue funções continuas de descontínuas. Assim, por contínua, ele entende uma função dada por uma única expressão analítica, como: y = sen x, y = x2 + 1 ou y = log x. É descontínua uma função dada por várias expressões analíticas, porém cujo gráfico é uma curva única, sem interrupções, o que difere do que hoje entendemos por descontinuidade. Já THOMAS (2002), nos diz que a idéia moderna de uma função contínua, independente de qualquer fórmula, foi iniciada em 1791 por Louis-François Arbogast (1759 – 1803): "A lei de continuidade consiste em que uma quantidade não pode passar de um estado [valor] para outro [valor] sem passar por todos os estados intermediários [valores] ...". Esta idéia tornou-se rigorosa em um panfleto de 1817 por Bernhard Bolzano (1781 - 1848) e é conhecida agora como o Teorema do Valor Intermediário. Dessa forma, as funções descontínuas no sentido moderno só foram
  • 80.
    80 introduzidas na comunidadematemática e científica por Joseph Fourier (1768 – 1830) no seu famoso Analytical Theory of Heat (Teoria Analítica do Calor, 1822). Segundo THOMAS (2002), Augustin Louis Cauchy (1789 – 1857) assumiu a reforma total do cálculo para seus alunos de engenharia na École Polytechnique na década de 1820, a integral era uma de suas pedras Fundamentais. Já BOS e BARON (1974), diz que a concepção de integração como o inverso da diferenciação, de Newton e de Bernoulli, era geralmente aceita no século XVII. Então, Cauchy apresentou outro enfoque para a integração, considerando-a como soma. Ele definiu a integral como um somatório que tende a um limite. Seguindo BOS e BARON (1974), é dito que: Uma vez que a integração não é mais definida como o inverso da diferenciação, o Teorema Fundamental do Cálculo não um corolário da definição da integração, mas deve ser provado. O teorema fundamental afirma que a integração e a diferenciação são operações inversas. Para sermos mais precisos, ele afirma que se f é uma função continua e considerarmos a função F definida por: b F ( x ) = ∫ f ( x ) dx, entãoF ' = f . a Segundo THOMAS (2002, p. 11), Cauchy definiu a integral de qualquer função contínua no intervalo [a, b] sendo o limite da soma das áreas de retângulos finos. Dessa forma sua primeira obrigação era provar que este limite existia para todas as funções contínuas sobre o intervalo dado. Infelizmente, embora Cauchy tenha usado o Teorema do Valor Intermediário, não conseguiu seu objetivo porque não observou dois fatos teóricos sutis, mas cruciais. Ele não tinha noção das falhas lógicas no seu argumento e prosseguiu para justificar o Teorema do Valor Médio para Integrais e para provar o Teorema Fundamental do Cálculo para funções contínuas. Já TUMELERO e MUSIAL (2003, p. 7), dizem que no século XVIII, a ênfase era posta na idéia de função dada por uma expressão analítica. Também é dito que os conceitos de derivada e integral, como os de funções e continuidade, eram insuficientes para lidar com os novos problemas que surgiam no final do século. Então, Cauchy foi o
  • 81.
    81 primeiro a introduzira integral analiticamente. Em seu “Résumée” de 1823 ele define integral como o limite de somas do tipo: Ou seja, de acordo com TUMELERO e MUSIAL (2003), quebrou o domínio da integração em subintervalos de tamanho arbitrário por uma divisória e calculou a área como o limite de: , então quando n aumenta, esta soma se aproxima da área do trapezóide definido sob o gráfico de f, estabelecendo assim sua existência para toda a função contínua. Portanto, TUMELERO e MUSIAL (2003), concluem a respeito da integral segundo Cauchy que a integral assim definida dispensa com a restrita concepção de que f tenha uma função analítica. Basta que a função f seja contínua para que exista F tal que F’(x) = f(x); F é a integral definida de f num intervalo [a; b]. Ainda no século, apareceu Georg Friedrich Bernhard Riemann (1826-1866), que seguiu os trabalhos de Dirichilet, de tal forma que segundo TUMELERO e MUSIAL (2003, p. 8), o ponto de partida de Riemann é a questão não resolvida por Dirichlet em 1829: O que significa dizer que uma função é integrável? Ao contrário de Cauchy, que se restringiu, em suas considerações, as funções que são contínuas, ou, no máximo, seccionalmente contínuas, Riemann não faz outra hipótese sobre a função a ser integrada, além da exigência de que suas “somas de Riemann”, convirjam. E estabelece, a partir daí, critérios para a integrabilidade que caracterizam completamente a classe das funções integráveis.
  • 82.
    82 De acordo com TUMELERO e MUSIAL (2003, p. 10-11), segue a definição exata, na íntegra da integral de Riemann: Terminando a análise de TUMELERO e MUSIAL (2003), é dito que as demonstrações dadas por Riemann em seu trabalho tinham várias lacunas, das quais só podem ser justificadas à luz de resultados sobre continuidades e convergência uniformes, os quais época de Riemann esses conceitos ainda não tinham sido definitivamente identificados e incorporados à matemática. Após a contribuição de Riemann, TUMELERO e MUSIAL (2003) destacam o trabalho Henri-Léon Lebesgue (1875 – 1941).
  • 83.
    83 Aqui vale destacar que nos cursos de Cálculo Diferencial e Integral 1, é estudado ao conceito de integral de Riemann. Entretanto, como a história da matemática não pára e continua dinâmica, vamos apenas dar uma breve pincelada em tal contribuição. Assim, TUMELERO e MUSIAL (2003), dizem que em 1901, Lebesgue publicou uma nota na qual propunha um novo conceito de integral contendo como caso particular a de Riemann, conseqüentemente a de Cauchy, eliminando várias deficiências dessas integrais, e em particular, dando uma resposta mais geral sobre a validade da fórmula de Newton- Leibniz. Este novo conceito vai permitir, por exemplo, estender a classe das funções integráveis: Um exemplo simples de função ƒ: [0, 1] → R integrável à Lebesgue e não integrável à Riemann é: Em resumo, podemos falar sobe o desenvolvimento dos conceitos de Cálculo, subdividindo-os em 4 grupos, a saber: • Funções: Como vimos anteriormente, de acordo com YOUSCHKEVITCHI (1981), citado por OLIVEIRA (1997), existem três etapas principais do desenvolvimento de funções, que podem ser resumidos da seguinte forma: • Antiguidade: Etapa no curso no qual o estudo de diferentes casos de dependência entre duas quantidades ainda não isolou as noções de gerais de quantidades variáveis e de funções. • Idade Média: Nesta etapa, as noções, são pela primeira vez, e de maneira precisa, expressas sob uma forma geométrica e mecânica, mas durante a qual, como na antiguidade, cada caso concreto de dependência entre duas quantidades, são definidas por uma descrição verbal, ou por um gráfico, de preferência fórmula. • Período Moderno: No curso, da qual, no fim do século XVI, e durante o século XVII, as expressões analíticas de funções começam a prevalecer; a
  • 84.
    84 classe de funções analíticas geralmente é expressa por meio de soma de séries infinitas, tornando-se logo a principal classe utilizada. • Limites: Vimos que entre todos os conceitos de Cálculo, limites é considerado o mais básico de todos, e de fundamental importância para a compreensão dos demais. Dessa forma, tem seu desenvolvimento histórico começado a partir dos paradoxos de Zenão, do qual ele tira a impossibilidade do movimento. Ainda na Grécia Antiga, vimos que Arquimides não tem o conceito de infinito trabalhou com o argumento denominado dupla reductio ad absurdum. Já no século XVII, Fermat essencialmente trabalhou com limite com o argumento que algo é "infinitamente pequeno". Geometricamente, Fermat estava tentando mostrar que, exatamente nos pontos mais altos e mais baixos ao longo da curva, as retas tangentes à curva são horizontais, isto é, têm inclinação zero. Depois, temos Descartes, que tinha um processo que usava raízes duplas de uma equação auxiliar, o qual teve sua técnica melhorada pelo matemático Johan Hudde (1628--1704). Em cada um desses cálculos, o limite deveria ter sido usado em alguma etapa crítica, mas não foi. Nenhum destes geômetras percebeu a necessidade da idéia de limite, e assim cada um encontrou uma maneira inteligente para alcançar seus resultados, os quais estavam corretos, mas com meios que, agora reconhecemos, faltam fundamentos rigorosos Em quase todos os trabalhos de Isaac Newton (1642 – 1727), também não reconheceu o papel fundamental do limite. Mas, dentre estes precursores do cálculo, temos Jean Le Rond d'Alembert (1717--1783), que foi o único cientista daquele tempo que reconheceu explicitamente a importância central do limite no cálculo. Já no inicio do século XVIII, nas suas classes e nos livros-texto clássicos, Cauchy usou o princípio de limite como a base para introduções precisas à continuidade e convergência, a derivada, a integral, e o resto do cálculo. Em fim, foi Karl Weierstrass (1815 – 1897) quem determinou que a primeira etapa necessária para corrigir os erros da definição original de Cauchy do limite em
  • 85.
    85 termos estritamente aritméticos,usando apenas valores absolutos e desigualdades, a qual é usada até hoje. • Derivadas: Segundo THOMAS (2002), podemos começar o desenvolvimento do Cálculo por Euclides (cerca de 300 a.C.), que provou o teorema que diz que a reta tangente a um círculo em qualquer ponto P é perpendicular ao raio em P; e depois Arquimedes (287 -212 a.C.) tinha um procedimento para encontrar a tangente à sua espiral e Apolônio (cerca de 262 - 190 a.C.) descreveu métodos, todos um tanto quanto diferentes, para determinar tangentes a parábolas, elipses e hipérboles. Na realidade, podemos dizer que após os Gregos o interesse por tangentes a curvas reapareceu no século XVII, como parte do desenvolvimento da geometria analítica. Ou seja, foi René Descartes (1596 – 1650) que teve o discernimento de prever a importância da tangente, e foi ele quem inventou um procedimento de dupla raiz para encontrar a normal e então a tangente a uma curva. Já Newton, teve a intenção de determinar a relação entre variação y e da quantidade x, de uma função y = f(x), quando x sofre um acréscimo infinitesimal, considerando as quantidades matemáticas “como se fossem geradas por um aumento contínuo do espaço no qual um objeto se move descrevendo uma trajetória”. Também foi Newton que estabeleceu muito tarde a notação padrão como ponto para representar a diferenciação. Assim, pelo exposto sobre Newton e Leibniz, podemos perceber que foi através deles que se reconheceu a relação inversa entre problemas de quadratura e de tangentes. • Integrais: De acordo com THOMAS (2002), o cálculo integral se originou com problemas de quadratura e cubatura, na Grécia Antiga, como Hipócrates de Chios, Antiphon, Eudoxo e Arquimedes. Já no Império Árabe, segundo BOYER (1989), um dos mais notáveis de todos matemáticos árabes, Thabit ibn Qurrah (826 – 901) desenvolveu sua própria cubatura. Seguindo THOMAS (2002), as próximas grandes contribuições foram de:
  • 86.
    86 • Bonaventura Cavalieri (1598--1647), que desenvolveu uma teoria de indivisíveis. • Pierre Fermat (1601 – 1665) desenvolveu uma técnica para encontrar as áreas sob cada uma das "parábolas de ordem superior" usando retângulos estreitos inscritos e circunscritos para levar ao método de compressão. • Por volta da década de 1640, a fórmula geral para a integral de parábolas de ordem superior era conhecida de Fermat, Blaise Pascal (1623-1662), Gilles Personne de Roberval (1602--1675), René Descartes (1596--1650), Torricelli, Marin Mersenne (1588--1648) e provavelmente outros. Já Newton escreveu seu ensaio entre 1691 e 1693, onde ele montou uma tabela extensa de integrais de funções algébricas um tanto complicadas, e para curvas as quais não podia desenvolver fórmulas de integração, inventou técnicas geométricas de quadratura. Usando o Teorema Fundamental do Cálculo, Newton desenvolveu as técnicas básicas para avaliar integrais usadas hoje em dia, incluindo os métodos de substituição e integração por partes. De acordo com THOMAS (2002), para Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716), uma curva era um polígono com um número infinito de lados, onde ele fez y representar uma ordenada da curva e dx a distância infinitesimal de uma abscissa para a próxima, isto é, a diferença entre abscissas "sucessivas". Então disse que representaria a área de uma figura pela soma de todos os retângulos [infinitesimais] limitados pelas ordenadas e diferenças das abscissas, e assim representaria em seu cálculo a área da figura. Já Augustin Louis Cauchy (1789 – 1857) assumiu a reforma total do cálculo para seus alunos de engenharia na École Polytechnique na década de 1820, onde a integral era uma de suas pedras Fundamentais. Ainda no século, apareceu Georg Friedrich Bernhard Riemann (1826-1866), que seguiu os trabalhos de Dirichilet, de tal forma que o ponto de partida de Riemann é a questão não resolvida por Dirichlet em 1829, dando uma grande contribuição ao estudo das integrais. Após a contribuição de Riemann, destacamos o trabalho Henri-Léon Lebesgue (1875 – 1941).
  • 87.
    87 7. O DISCRETO E O CONTÍNUO NO DESENVOLVIMENTO DO CÁLCULO O objetivo deste capitulo é mostrar o problema do discreto e do continuo no desenvolvimento do Cálculo. O Cálculo, segundo BOYER (1989), teve sua origem nas dificuldades encontradas pelos antigos matemáticos gregos na sua tentativa de expressar suas idéias intuitivas sobre as razões ou proporções de segmentos de retas, que vagamente reconheciam como contínuas, em termos de números, que consideravam discretos. Já para COBIANCHI (2001), o problema de continuidade e do infinito foram sentidos desde a antiguidade, nas tentativas de medição de segmentos, retificação de curvas, quadraturas de figuras planas e cálculo de volumes de sólidos; podendo ter uma de suas primeiras aparições na Escola Pitagórica, a partir do século VI antes de Cristo. Assim, antes de tudo, vamos definir discreto e continuo. De modo geral, segundo CUNHA (1996) citado por BROLEZZI (1996), discreto é aquilo que exprime objetos distintos, que se revela por sinais separados, que se põe à parte. Vem do latim discretus, particípio passado do verbo discernere (discernir), que significa discriminar, separar, distinguir, ver claro. Já contínuo, segundo MAGNE (1959), vem de con-tenere (ter junto, manter unido, segurar). Contínuo é o que está imediatamente unido a outra coisa. Então, começaremos nossa análise pela Escola Platônica. GRAGNER (1974, p. 37), afirma que: A dificuldade de medida que constituiu a existência de grandezas incomensuráveis foi trazida à tona, depois dos Pitagóricos, pelos geômetras do circulo de Platão. Esse problema dos incomensuráveis causou um verdadeiro escândalo lógico, pois pareceu arruinar teoremas envolvendo proporções; e um exemplo desse problema,
  • 88.
    88 refere-se a duas quantidades, como a diagonal e o lado do quadrado, que são incomensuráveis quando sua razão não resulta algum número (inteiro) para outro inteiro. Dessa forma, podemos dizer que, de acordo com COBIANCHI (2001) que a incomensurabilidade nunca poderia ser descoberta a partir de observações o medições experimentais, as quais estão sempre submetidas a uma maior ou menor aproximação, pois a Matemática é um produto do puro pensamento discursivo, e suas verdades são estabelecidas pelo raciocínio dedutivo, que são suas demonstrações, e não pela verificação experimental. Podemos dizer que a raiz do pensamento de Platão, de acordo com COBIANCHI (2001), está em que a realidade não se localiza nas coisas sensíveis, e sim nas formas. Desse modo, ainda segundo COBIANCHI (2001), a filosofia de Platão e a ciência grega impuseram-se duas limitações, que muito influiu na construção da Matemática, a saber: 1. A rejeição do devir como base de uma explicação racional do mundo; 2. A rejeição do manual e do mecânico para fora do domínio da cultura. Em conseqüência disso, houve a esse abandono do aspecto quantitativo, restando somente um estudo qualitativo. Assim, seguindo o caminho percorrido pela continuidade, segundo COBIANCHI (2001), cabe ressaltar que Matemática trata com dois tipos diferentes de atividades, com vínculos estreitos em relação à continuidade, a saber: 3. Envolvendo contagem de elementos discretos, separados e indivisíveis; 4. Envolvendo medida de quantidades que são continuas e, na imaginação, infinitamente divisíveis, isto é, divisíveis sem fim. KLINE (1972, p. 35), citado por COBIANCHI (2001), nos diz que foi Zenão quem deu relevância ao problema da relação entre discreto e contínuo. Já BROLEZZI (1996), vem nos dizer que após a crise dos incomensuráveis, que pode ser situada no seio da nascente escola pitagórica, irá surgir outra grande polêmica muito fértil entre os filósofos pré-socráticos, ou seja, ao que tudo indica o problema da incomensurabilidade entre magnitudes gerou algumas concepções polêmicas acerca da
  • 89.
    89 natureza do mundofísico, como a doutrina atomística, defendida por Demócrito, que propunha a existência do infinitamente pequeno compondo o ser das coisas. Segundo BOYER (1959), Demócrito foi, aparentemente, o primeiro a falar de infinitesimais, e a considerar a possibilidade de trabalhar com o infinitamente pequeno a fim de recompor o todo, como no caso de utilizar lâminas circulares infinitamente finas para calcular o volume de cilindros e cones, antecipando-se assim ao teorema de Cavalieri, nesses casos. Tal teoria foi combatida duramente pela escola filosófica de Parmênides, no entanto segundo BROLEZZI (1996), foi um aluno de Parmênides, Zeno de Eléa, ou Zenão, que entrou para História com seus famosos dons dialéticos, ou seja, através da manipulação de argumentos lógicos, pretendia demolir as idéias dos adversários. Zenão, continua BROLEZZI (1996), dizia que a idéia de infinitésimos é totalmente absurda, pois se possuem algum comprimento, então uma quantidade infinita deles irá compor uma reta de comprimento infinito; e se não têm nenhum comprimento, então uma quantidade infinita deles tampouco terá comprimento algum. Além disso, dirá também: aquilo que acrescentado a outro não o faz maior, e subtraído de outro não o faz menor, é simplesmente nada. Quando Zenão fez seus paradoxos deixaram descobertas as dificuldades de se imaginar ou intuir os fenômenos associados à continuidade, isto é, a questão toda, segundo BROLEZZI (1996), está em se considerar tempo contínuo e espaço discreto, ou vice versa, trazendo essa sensação de certo desamparo intuitivo, relatando uma situação de perplexidade comum frente à continuidade e ao infinito. Como exemplo, o Paradoxo de Aquiles e a Tartaruga, BROLEZZI (1996, p. 22), afirma que: O paradoxo mais conhecido é sem dúvida o de Aquiles e a Tartaruga, embora seja similar ao da Dicotomia. Agora temos o atleta Aquiles, com toda sua força física, sendo derrotado numa corrida por uma lenta tartaruga. Basta para isso que deixe a tartaruga sair com uma vantagem de distância, mesmo pequena, à frente dele. Pois assim que Aquiles alcançar a posição inicial da tartaruga,
  • 90.
    90 ela já se deslocou dali, mesmo que seja pouca coisa. Quando Aquiles chegar ao local onde a tartaruga devia se encontrar agora, esta já adiantou-se outro pequeno espaço, e assim por diante, de modo que a tartaruga sempre está à frente de Aquiles, até cruzar vitoriosa a reta de chegada. Segundo BOYER (1989, p. 87), a Matemática adquiriu outra configuração após Zeno: As grandezas não são associadas a números ou pedras, mas a segmentos de reta. Em 'Os Elementos' os próprios inteiros são representados por segmentos. O reino dos números continuava a ser discreto, mas o mundo das grandezas contínuas (e esse continha a maior parte da Matemática pré-helênica e pitagórica) era algo à parte dos números e devia ser tratado por métodos geométricos. Já COBIANCHI (2001), vem dizer que a concepção corpuscular da Escola Pitagórica estava batida, onde os argumentos de Zenão tornaram palpável a incompatibilidade dessa concepção com a estrutura da reta. Sobre a obra de Euclides, BROLEZZI (1996) fala que representa o início da busca que resultará no Cálculo Diferencial e Integral. Euclides reúne toda a elaboração grega dos séculos anteriores, e registra o momento em que os pesquisadores começam a se voltar para a possibilidade da exploração da continuidade e da geometria em termos de análise algébrica, interessando-se mais por métodos de redução como o método de exaustão de Eudoxo. Não é por acaso que Arquimedes, bem como todos os criadores do Cálculo no século dezessete, irão se voltar para Euclides e tentar buscar aí as idéias do Cálculo.
  • 91.
    91 Aqui a principal dificuldade para os gregos desenvolverem o Cálculo era o uso freqüente da idéia de razão. Esse fundamento da Matemática grega irá dificultar que se enxerguem as idéias fundamentais do Cálculo. Como diz BOYER, (1974, p. 301), Os próprios conceitos que deram nascimento ao Cálculo - aqueles de variação e continuidade, do infinito e do infinitesimal - foram banidos da matemática grega por esta razão, sendo o trabalho de Euclides um monumento a esta exclusão. Dessa forma, continua BROLEZZI (1996), no mundo grego se estabelece a grande divisão entre as noções de discreto e contínuo, em termos de concepção filosófica, marcando profundamente a evolução da Matemática. É Euclides quem melhor registra essa dicotomia que caracterizava a mentalidade grega, dividindo em livros diferentes aquilo que se referia à geometria daquilo que se referia aos números. A Geometria seria o “reino da continuidade”, enquanto a Aritmética seria o “reino do discreto”. BOYER (1974) vem nos dizer que os Elementos baseiam-se em "intuição refinada" e não deixavam espaço livre para a "intuição ingênua”, o que viria a tornar-se especialmente ativa na gênese do Cálculo no século dezessete. A diferença entre estes dois tipos de intuição, segundo BROLEZZI (1996), fica mais patente nos trabalhos que marcam a evolução pós-Euclides, principalmente nas obras de Arquimedes. Para verificarmos de que forma os gregos estavam próximos do Cálculo, é preciso explicar antes o Método de Exaustão de Eudoxo e a utilização que dele fez Arquimedes. BROLEZZI (1996, p. 23), nos diz que: O conceito de proporção dos pitagóricos, associando a razão entre dois segmentos de reta à razão entre números inteiros, não podia ser aplicada no caso das grandezas incomensuráveis. Eudoxo, aluno de Platão, propôs então uma outra definição de proporção, de caráter mais geral,
  • 92.
    92 permitindo que os quatro termos da proporção fossem todos grandezas geométricas, evitando por completo qualquer extensão à idéia pitagórica de número. Desse modo, Eudoxo constrói um instrumento útil que podia ser manuseado sem haver misturas entre números e grandezas geométricas, isto é, sem ferir o modo de pensar grego. Dessa forma, Eudoxo desenvolveu o seu Método da Exaustão, que se baseava num princípio que acabará por ficar conhecido como Postulado de Arquimedes, embora o mesmo o atribua a Eudoxo, segundo BROLEZZI (1996). O enunciado desse axioma é dado por Euclides X, 1, dizendo que, dadas duas grandezas diferentes (ambas não nulas), Se da maior subtrairmos uma grandeza maior que a sua metade, e do que restou subtrairmos uma grandeza maior que a sua metade, repetindo esse processo continuamente, restará uma grandeza que será menor que a menor grandeza dada. O que há de fantástico nesta definição, segundo BROLEZZI (1996), é que exclui o infinitesimal de todas as demonstrações geométricas dos gregos, permitindo raciocinar sem ultrapassar a compreensão intuitiva clara, pois Eudoxo não propõe ir até o infinito para de fato atingir o limite, mas apenas afirma que se pode chegar a uma grandeza tão pequena quanto qualquer outra dada. A diferença entre o método de exaustão e o limite do Cálculo Diferencial e Integral, segundo BROLEZZI (1996), reside apenas no fato de os gregos não realizarem essa passagem ao infinito, pois não tinham noção de um continuum aritmético. Mas o tipo de argumentação é o mesmo, tanto no caso do atual limite quanto no método de exaustão geométrico. Para avaliar até que ponto chegaram os gregos, BOYER (1959), nos diz que basta verificar o que Arquimedes (287 – 212 aC) realizou o Cálculo da área sob a
  • 93.
    93 parábola antecipando-se, assim,em mais de dezessete séculos aos resultados do Cálculo Integral. Segundo EDWARDS (1979), faltava a Arquimedes a noção de passagem ao limite, pois ele partilhava com os gregos do chamado horror ao infinito. Ao mesmo tempo, BROLEZZI (1996) afirma que, o estudo da Matemática grega mostra como as idéias originais do Cálculo têm início em considerações que envolvem tanto noções de grandezas discretas quanto de grandezas contínuas, servindo ambas para se chegar aos resultados do Cálculo. Assim, continua BROLEZZI (1996), será também por estes dois caminhos - ambos igualmente úteis – que surgirá o reconhecimento da relação inversa entre problemas de área e de tangente a uma curva, que é o cerne do Teorema Fundamental do Cálculo. Mas isso somente irá aparecer de maneira explícita nos trabalhos de Newton e Leibniz, na segunda metade do século XVII. Dessa forma, BROLEZZI (1996), nos diz que Newton (1642-1727) e Leibniz (1646-1716) chegaram ao Cálculo através de caminhos diferentes, tanto em linguagem com que ambos expressaram as idéias fundamentais do Cálculo, mas também em termos de concepção pode-se verificar uma diferença grande entre os trabalhos destes homens. Tanto Newton quanto Leibniz podem ser considerados como os primeiros a expressar a idéia da reciprocidade entre a diferencial e a integral, que constitui o Teorema Fundamental do Cálculo. Mas a maneira de ver o Cálculo era distinta. De acordo com ROBINSON (1974, p. 260), que foi o criador da análise não- standard, nos diz que quando analisamos os fundamentos da teoria do Cálculo, é possível identificar dois modos distintos de trabalhar as idéias básicas: No que se refere aos fundamentos do novo assunto, Newton vacilava, referindo-se às vezes aos infinitesimais, às vezes aos limites, e às vezes a uma intuição física básica, e seus sucessores imediatos deram preferência a essa última abordagem. Por outro lado, Leibniz e seus seguidores basearam o desenvolvimento da teoria sobre os diferenciais infinitamente pequenos, de primeira e segunda ordem.
  • 94.
    94 Já BOYER (1989, p. 260), nos diz que: Newton, o cientista, encontrou na noção de velocidade a base que para ele parecia satisfatória; Leibniz, o filósofo, que era também tanto teólogo quanto cientista, preferia encontrar a base na diferencial, a contrapartida em pensamento da mônada, que deveria desempenhar um papel tão grande no seu sistema metafísico. Dessa forma, poderíamos dizer assim que Newton teria chegado ao Cálculo pela via do contínuo, e Leibniz pela via do discreto, conforme já visto acima, pois ambas as maneiras de abordar o problema mostraram-se igualmente úteis, já que não estava estabelecida a noção de limites, as idéias de movimento contínuo e de infinitésimos discretos surgiram como tentativas de esquematizar as impressões sensíveis a respeito da variação. Quando nos referimos à percepção da relação inversa entre a derivada e a integral, e a formulação de regras de para se obter derivadas e integrais, podem ser tomados como a essência da criação do Cálculo, isto é, para chegar a esses conceitos, Newton segue o caminho constituído pela manipulação da noção contínua de velocidade e movimento. Já Leibniz, segundo BARON & BOS (1985, p.70), tem outra maneira de encarar as coisas. Para Leibniz, a visualização do Cálculo se dá de forma estática: Leibniz considerava as variáveis como percorrendo seqüências de valores infinitamente próximos. No seu Cálculo há pouco uso de conceitos de movimento. A visão discreta de Leibniz e a visão contínua de Newton, segundo BROLEZZI (1996), foram ambas igualmente úteis para compor o cenário para o Cálculo que estava nascendo. As preocupações metafísicas de Newton e Leibniz levaram ambos a tentar esclarecer a natureza do "ser" das variáveis e dos fenômenos relacionados a elas. Essas explicações iniciais serviram para dar sustentação a esse período inicial do Cálculo, até
  • 95.
    95 que a matemáticaevoluísse mais para poder ultrapassar a visão dicotômica entre o discreto e o contínuo. Assim, afirma BOYER (1974, p. 216): Somente após o desenvolvimento do conceito geral abstrato de número real o caminho estava claro para interpretar ambos os cálculos fluxionário e diferencial em termos de limite de uma seqüência infinita de razões ou números; mas essa interpretação não tornou-se aceita ainda por mais um século. Hoje, de acordo com BARON & BOS (1985, p.73), podemos dizer que o Cálculo moderno é, em essência, o mesmo que eles criaram, mas com uma linguagem e uma abordagem conceitual bem distinta de ambos: No Cálculo moderno a operação de diferenciação associa uma função a uma derivada. Para Leibniz, a diferenciação associava uma diferencial infinitamente pequena a uma variável. Para Newton, tomar fluxões significava associar uma velocidade finita a uma variável. Portanto, a concepção da operação fundamental nos cálculos de Newton e Leibniz era totalmente diferente do conceito de diferenciação que está em uso no Cálculo moderno. Em 1826, segundo BROLEZZI (1996), Cauchy estabelece a noção de limites, em certa medida elaborando em linguagem matemática uma estrutura flexível dentro da qual as noções de discreto e contínuo pudessem ser trabalhadas. Já Weierstrass, com a ferramenta da noção de limite, formaliza o Cálculo, introduzindo a linguagem dos Épsilons e Deltas. Os dois caminhos percorridos por Newton e Leibniz, segundo BROLEZZI (1996), se encontraram em um mesmo ponto, o Cálculo. Conseqüentemente, o Cálculo é o “reino” onde interagem de modo especial o discreto e o contínuo. Para chegar a uma melhor definição do Cálculo, foi necessário elaborar a teoria sobre o contínuo, e tentar
  • 96.
    96 compreender a naturezada reta real. O Cálculo irá se apoiar assim sobre os números reais, e sobre a idéia de limite. Já foi Georg Cantor, segundo BROLEZZI (1996), foi quem chamou a atenção para a continuidade da reta real, ainda não suficientemente explicada. Cantor propôs a construção de um conjunto especial de pontos, chamado de Conjunto de Cantor ou Poeira de Cantor. Esse conjunto tem grande importância histórica, e pode ser considerado o mais simples dos fractais. Segundo YOUNG (1992, p. 321), citado por BROLEZZI (1996): Cantor foi levado ao conjunto que agora leva seu nome em seus esforços para esclarecer as características essenciais de um contínuo matemático e, portanto cobrir a distinção entre um conjunto de pontos contínuo e discreto Atualmente, de acordo com BROLEZZI (1996), afirma que mesmo bem definido matematicamente, o contínuo continua a desafiar a mente com um problema de ordem epistemológica, colocado por Caveing do seguinte modo: O contínuo é um dado primitivo e intuitivo, ou uma construção matemática? DA COSTA & DORIA (1991/2) sugere algumas linhas de pesquisa que permitam obter estruturas contínuas antes de estruturas discretas, a fim de estabelecer, dentro da Matemática, uma relação entre parceiros iguais. Essas indagações sobre a interação entre discreto e contínuo traduzem-se em um problema de base do Cálculo. PETITOT (1985, p. 209), comenta essa dificuldade da base da análise: Ora, se se remonta do seu formalismo de base - a saber, o formalismo diferencial - até ao seu conceito primitivo - a saber, o de infinitesimal -, depara-se com uma contradição. Com efeito, dada a estrutura arquimediana da reta real, uma quantidade infinitesimal é necessariamente nula; sendo o contínuo divisível sem resto até ao infinito, não poderiam aí existir nem "átomos" indivisíveis fazendo parar o processo de divisão, nem infinitamente pequenos que o excedam.
  • 97.
    97 Em 1960, segundo BROLEZZI (1996), Abraham Robinson provou que os infinitésimos podem ser definidos de modo a fornecer uma estrutura rigorosa para o Cálculo, onde a análise não-standard tem a mesma consistência interna que o Cálculo baseado em números reais e limites. Comenta YOUNG (1992) sobre a análise não- standard de Robinson: Apesar de o tema estar ainda na sua infância e seu futuro estar longe de ser claro, ainda assim constitui-se em um esforço para construir uma ponte cobrindo o espaço existente entre o contínuo e o discreto. A análise não-standard, ainda por BROLEZZI (1996), faz parte portanto dessa tentativa de construir um fundamento sólido, ligando o discreto ao contínuo, para as idéias do Cálculo Diferencial e Integral. Ao comentar sua própria criação, Robinson chama a atenção para o fato de que a teoria do Cálculo somente veio a ser bem fundamentada muito tempo depois de suas bases estarem lançadas: Penso que nos séculos futuros será considerado algo muito estranho na história da matemática que a primeira teoria exata dos infinitesimais foi desenvolvida 300 anos após a invenção do Cálculo diferencial. Desse modo, conclui BROLEZZI (1996), a análise não-standard faz parte, dessa tentativa de construir um fundamento sólido, ligando o discreto ao contínuo, para as idéias do Cálculo Diferencial e Integral. 8. O CÁLCULO NO ENSINO MÉDIO: DA DÉCADA DE 60 ATÉ OS DIAS DE HOJE O objetivo deste capitulo é mostrar como o Cálculo foi inserido no ensino médio, a partir do currículo e de livros didáticos, desde a década de 60 até os dias de hoje. Podemos começar este tópico perguntando por que ele foi inserido? Qual a importância dessa discussão?
  • 98.
    98 Pois bem, comecemos com ÁVILA (1991), quando ele questiona porque do Cálculo não ser ensinado no 2.o grau (atual ensino médio)? Será que é muito difícil para tal nível de ensino? Pois, é por isso que começaremos seguindo ÁVILA (1991), quando ele afirma que no final da década de 50 e inicio dos anos 60, com o inicio do Movimento da Matemática Moderna, que pregavam a modernização do ensino, cuja tônica foi à ênfase excessiva no formalismo e no rigor das apresentações, foi retirado do antigo segundo grau (atual ensino médio) programas tais como o Cálculo. Na ocasião o conteúdo de Cálculo fazia parte do programa da 3.a série do chamado curso cientifico, segundo ÁVILA (1991). De fato, quando pegamos o livro “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO BEZERRA, temos neste conteúdo de Cálculo, o qual analisaremos mais tarde. O que chama a atenção logo de inicio é a seguinte mensagem na contra-capa do livro: “De acordo com os programas em vigor, conforme portarias n.os 966, de 02/10/1951 e 1.054 de 14/12/1951”. (BEZERRA, 1962, s/p) Mas afinal, que programas curriculares em vigor em 1962 são esses? Antes de falarmos sobre tais portarias, ÁVILA (1991) nos diz que desde 1943 quando foi instituída a reforma do ensino secundário, conhecida por reforma Capanema, e bem como antes de tal reforma, o Cálculo já fazia parte do programa de dois anos do pré-universitário, das escolas de engenharia. Agora, quando pegamos SILVA (2008), ele nos diz que a portaria de 1951, lançada pelo então Ministro da Educação e Saúde Simões filho, foi denominada programa mínimo e procurava estabelecer um limite mínimo na qual todas as instituições escolares estariam sujeitas. Dessa forma, o programa mínimo para o colégio estabelecia na 3ª série, de acordo com SILVA (2008, p. 137), temos: Desenvolvimento dos Programas Mínimos de Ensino Secundário e respectivas instruções metodológicas. I – Conceito de função; representação cartesiana; reta e círculo; noção intuitiva de limite e de continuidade. (vii) Conceito elementar de variável e de função. Variável progressiva e variável contínua; intervalos; noção intuitiva de limite de
  • 99.
    99 uma sucessão; exemplos clássicos elementares; convergência. 2) Funções elementares; classificação. Representação cartesiana de uma função e equação de uma curva. Curvas geométricas e curvas empíricas; noção intuitiva de continuidade. Representação gráfica de funções usuais; função exponencial, função logarítmica e funções trigonométricas diretas. Acréscimo de uma função num ponto; funções crescentes e funções decrescentes. Tangente; inclinação da tangente. 3. Limite de variáveis e de funções; limites infinitos. Propriedades fundamentais. Exemplos elementares de descontinuidade de uma função em um ponto. Descontinuidade das funções racionais fracionárias. 4. A função linear e a linha reta em coordenadas cartesianas. Parâmetros angulares e parâmetro linear. Formas diversas de equação da linha reta. Representação paramétrica; ares de um triângulo em função das coordenadas dos vértices. Os problemas clássicos de inclinação, intersecção, passagem e distância, relativos à linha reta. 5. A equação geral do 2° grau com duas variáveis e a circunferência de círculo em coordenadas cartesianas. Formas diversas da equação da circunferência de círculo. Intersecção de retas e circunferências. II – Noções sobre derivadas e primitivas; interpretações; aplicações. 1. Definição da derivada em um ponto; notações; derivada infinita. Interpretação geométrica e cinemática da derivada.
  • 100.
    100 Diferença e diferencial; interpretação geométrica. Funções derivadas. Derivação sucessiva. 2. Regras de derivação; derivada de um constante; de um função de função; de funções inversas; da soma, do produto e do quociente de funções. Aplicação à derivação de funções elementares. 3. Aplicação da teoria das derivadas ao estudo da variação de uma função. Funções crescentes e funções decrescentes; máximos e mínimos relativos; interpretação geométrica. 4. Funções primitivas; integral indefinida; constante de integração. Primitivas imediatas; regras simples de integração. 5. Integral definida. Aplicação ao cálculo de áreas e de volumes; exemplos elementares. Agora, podemos falar da Reforma da Matemática Moderna, cujas características principais, segundo ÁVILA (1993), foram a ênfase acentuada na utilização da linguagem de conjuntos e numa apresentação excessivamente formal das diferentes partes da Matemática. ÁVILA (1993, p. 2) faz a seguinte análise sobre tal período: O ensino da Matemática como era feito antes da reforma da Matemática dos anos sessenta realmente continham muitas deficiências. Não levava em conta aspectos importantes da psicologia do aprendizado que, felizmente, vem recebendo, hoje em dia, mais atenção. Mas a reforma trouxe inovações desastrosas, algumas das quais persistem, não obstantes as mudanças salutares dos últimos anos. Assim é que os livros
  • 101.
    101 do 1º e 2º graus continuam carregados de simbolismo e linguagem de conjuntos que mais atrapalham do que ajudam o aluno em seu esforço de aprendizagem. Já com a reforma da Matemática Moderna, as sugestões de 1965, segundo SILVA (2008), referente a Analise Matemática, temos: - Introdução ao Calculo Infinitesimal: - Noção de limite e continuidade de funções reais de variável real; - Derivada de funções racionais e trigonométricas; - Propriedades das derivadas e aplicação no estudo da variação das funções. 8.2 FUNÇÕES (i) DECADA DE 1960. Começaremos nossa análise por funções, pois se trata de um dos fundamentos do Cálculo, e pelo qual toda a disciplina se assenta. Além de sua importância no ensino médio, tal assunto hoje em dia é revisto no inicio dos cursos de Cálculo. Bem, quanto à análise propriamente dita, começaremos por um dos livros da década 60, que é um grande clássico dos livros didáticos, que é o “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO BEZERRA, e mostra bem a característica da matemática antes do advento da chamada “Matemática Moderna”. Resumindo, pretendemos colocar em evidência as semelhanças e diferenças dos conteúdos programáticos para o programa de Cálculo com o passar de cada década, observando as variações que aparecem tanto no conteúdo, como na forma de ser “transmitida”. Para tanto, deixaremos expostos o que cada um dos livros das décadas de 60, 70, 80 e 90 traz para o professor aplicar em cada um dos ciclos, sempre vertendo para o assunto que interessa, e também levando em consideração o livro Matemática Moderna Para o Ensino Secundário, que em 1965 foi o marco da transição do conteúdo clássico para o moderno.
  • 102.
    102 Então, podemos iniciar com a portaria ministerial de 1951 e analisar tal livro, bem como tendo em vista o programa de Cálculo atual da UFSCar e os PCN do ensino médio. De acordo com COSTA at all (2007), temos em sua 8ª edição, em 1962, o livro de Jairo Bezerra traz os seguintes temas para o terceiro ano: Além de Geometria Analítica, o aluno era ser apresentado aos Limites, Derivadas e Primitivas, conteúdos hoje vistos apenas na graduação de cursos da área de ciências exatas e tecnológicas. Segue abaixo a análise de cada um dos capítulos. Funções Conceito elementar de função; O capitulo começa com o conceito elementar de função, que na verdade é semelhante à definição de Dirichlet, que em 1837 sugeriu uma definição muito ampla de função, a qual CARAÇA (1951) chama de definição de Riemann- Dirichilet, a saber: “Se uma variável y está relacionada com uma variável x de tal modo que, sempre que é dado um valor numérico a x, existe uma regra segundo a qual um valor único de y fica determinado, então diz-se que y é uma função da variável independente x.” Já BEZERRA (1962) vem inclusive definir variável dependente e independente. Funções unívocas e plurívocas; Aqui a novidade em relação aos livros atuais para ensino médio é a definição de função plurívoca ou multiforme, termos as quais não são mais vistos pelos alunos atuais. Campo de existência da função; É definido por BEZERRA (1962), como campo de existência da função, o domínio da variável independente. Tal termo não é mais visto no ensino médio.
  • 103.
    103 Aqui temos que uma mudança de linguagem e de metodologia em tratar tal assunto. Tópicos expostos da mesma maneira atualmente: Valor numérico de uma função; Zeros de uma função; Tópicos expostos de maneira análoga à atualmente, mas com grande rigorismo e linguagem muito rígida sob o ponto de vista dos livros de hoje: Intervalos; Exercícios resolvidos; Solução detalhada e rigorosa de exercícios mecânicos, para fixação. Exercícios para resolver Em sua maioria são exercícios mecânicos, com poucos exercícios de demonstrações. Classificação de funções Funções explícitas e implícitas: São apresentadas funções implícitas quando aparece sob a forma f(x, y) = 0, e não são adotadas nos livros atuais, e nem visto no ensino médio funções de duas variáveis. Funções algébricas e transcedentes: trabalha com funções de duas variáveis. Funções racionais e irracionais: trabalha com funções polinomiais, onde y é a razão de duas funções de x. Funções inversas: trabalhadas da maneira tradicional, como feita hoje. Resumo da classificação das funções:  Funções algébricas (são implícitas ou explicitas, que são irracionais ou racionais, eu pode ser também inteiras e fracionárias), transcedentes (são implícitas ou explicitas, que são exponenciais, logarítmicas, trigonométricas e ciclómétricas).  Representação gráfica de funções usuais  A representação gráfica é feita de forma análoga ao de hoje, mas de forma mais concisa.  Funções crescentes e decrescentes;
  • 104.
    104  O conteúdo é apresentado de forma análoga ao que é feito no ensino superior de hoje, de forma rigorosa, matematicamente, co poucos exemplos e aplicações.  Representação gráfica da função exponencial. Se tomarmos BRASIL (1952), citado por SILVA (2008), o Desenvolvimento dos Programas Mínimos de Ensino Secundário, e respectivas instruções metodológicas, em relação a Funções, temos o seguinte conteúdo: Conceito elementar de variável e de função. Variável progressiva e variável contínua; intervalos. Funções elementares; classificação. Representação cartesiana de uma função e equação de uma curva. Curvas geométricas e curvas empíricas; noção intuitiva de continuidade. Representação gráfica de funções usuais; função exponencial; função logarítmica e funções trigonométricas diretas. Acréscimo de uma função num ponto; funções crescentes e funções decrescentes. Exemplos elementares de descontinuidade de uma função em um ponto. Descontinuidade das funções racionais fracionárias. Também podemos observar que o tópico relativo a trigonometria era visto no 2º ano, enquanto funções em geral ficava par ao 3º ano. Por outro lado, de acordo com SILVA (2008), as sugestões de 1965 trouxeram como novidade para o Ensino Colegial o estudo das Funções como ponto de partida já no primeiro ano, ressaltando a representação gráfica e unindo a Álgebra à Geometria. Já pela portaria de 1951, funções eram vistas somente no terceiro ano. Já segundo SÃO PAULO (1965), são mostradas Sugestões para um roteiro de Programa para a cadeira de matemática, de acordo com a Matemática Moderna. Em relação a FUNÇÕES, antes era dado no 3º ano, e passa ao 1º Colegial, temos: Funções: a) Noções gerais; b) Função linear, representação gráfica, estudo da reta; c) Função trinômio do 2º grau, variação, representação gráfica, inequações do 2º grau; d) Função exponencial e logarítmica, uso das taboas.
  • 105.
    105 Aqui, trigonometria é tratada no primeiro colegial, juntamente com funções. Agora, tomando GEEM (1965), citado por SILVA (2008), nos mostra a lista de Assuntos Mínimos para o colégio, orientações e sugestões para o seu desenvolvimento. Quando tomamos o tópico 1, relativo a funções, temos os seguintes assuntos mínimos:: Função de 2º grau. Estudo completo do trinômio do 2º grau e aplicações. Dessa forma, GEEM (1965) nós dão as seguintes sugestões: - No estudo do trinômio, ressalta-se o aspecto gráfico e nas aplicações, as inequações do 2º grau. Nota-se uma mudança significativa no conteúdo de funções entre a portaria de 1951 e a da Matemática Moderna de 1965, com mudança de ênfase significativa. (ii) DECADA DE 1970 Aqui, tomamos BOULOS & WATANABE (1979), onde através do prefácio feito por OSVALDO SANGIORGI, um dos fundadores do movimento da Matemática Moderna no Brasil, já temos um indicio do caminho a ser percorrido pelo livro, ou seja: A Matemática, considerada, com muita propriedade eixo metodológico de todos os ramos conhecimento humano, conseguiu, por parte dos autores um tratamento correto e simples, capaz de atrair jovens estudantes do segundo grau, mesmo aqueles que não se destinam especificamente ao ensino universitário. Nada de tratamento exageradamente rigoroso, com a intenção de agradar tão somente os matemáticos profissionais, e sim, dentro de uma linguagem clara e certa, a preocupação de atender às reais necessidades de conhecimento cientifico exigidas pelos alunos atuais.
  • 106.
    106 No começo a definição de funções é baseada em conjuntos com representações gráficas e tabelas, bem como diagramas, dessa forma, explorando a noção intuitiva de funções. Na mesma linha segue funções afim e quadrática, bem como funções exponenciais e logarítmicas. O livro ainda consta bastante exercícios de fixação, repetitivos, bem como exercícios resolvidos. (iii) DECADA DE 1980 Nesta década, pegamos LAPA & CAVALLANTE (1984), segue a mesma linha do livro citado para a década de 1970, com bastante regras para memorização, exercícios resolvidos e exercícios de fixação. A novidade aqui são os gráficos coloridos, para melhor visualização. Já em relação à função logarítmica e exponencial, é explorada bastante a ênfase algébrica. Em síntese, continua seguindo a reforma da Matemática Moderna. (iv) DECADA DE 1990 Aqui tomamos PACCOLA & BIANCHINI (1995), onde na apresentação temos a tendência da obra, ou seja: (…) acompanhamento a moderna tendência do ensino de estreitar a relação aprendizado/ cotidiano, procuramos trabalhar os conceitos de forma criativa e motivadora, privilegiando sua aplicação em problemas que estimulem o interesse do aluno. Também nos exemplos resolvidos e nos “exercícios propostos”, sempre que possível, procuramos trabalhar com situações retiradas da realidade do estudante. Em relação à definição de funções, o livro começa com problemas do cotidiano, para depois chegar à formalização. Porém, o livro continua assentado bastante em conjuntos, e na visualização gráfica. À primeira vista, o livro não consegue fazer ligação entre aprendizagem/ cotidiano, conforme citada na apresentação, mas fica na introdução apenas de alguns conceitos. Já a parte histórica é uma novidade, mas aparece como mera curiosidade. São apresentados exercícios como fixação e repetitivos, sem situações problemas.
  • 107.
    107 No fim, acaba repetindo o conteúdo das décadas anteriores, de forma repaginada, mas ainda seguindo a Matemática Moderna. (v) DECADA DE 2000 Tomamos o livro MATEMÁTICA, vol. 1, de Luiz Roberto Dante, de 2004. DANTE (2006), no mostra os seguintes tópicos relativos a funções: - Funções: noção intuitiva de funções, gráfico, função injetiva, função sobrejetiva e bijetiva. Função inversa e composta; - Função afim: gráfico, propriedades, aplicações, inequações do 1ºgrau; - Função quadrática: gráfico, forma canônica da função quadrática, estudo de sinais, problemas com funções quadráticas; - Função Modular: distância entre dois pontos na reta real, função modular, equações modulares, inequações modulares. A característica deste livro é o grande numero de exemplos, gráficos, aplicações, exemplos e aplicações. Toda introdução e formalização de função são feitas em cima de conjuntos, uma herança da Matemática Moderna. Já em relação a função afim, modular e quadrática, a característica básica é a introdução e formalização dos conceitos em cima de diversos gráficos, e exemplos. DANTE (2006) também procura mostrar muitas relações com o cotidiano do aluno, algo que não ocorria nas décadas anteriores. 8.2 CÁLCULO 8.2.1 INTRODUÇÃO De acordo comandados SILVA (2008, p. 71), temos: Na Análise Matemática os conteúdos quase que se igualam nas apresentações, mas as abordagens são distintas. Na Portaria de 1951 é apresentada a definição, a notação da derivada e as regras de derivação das funções elementares. Nas Sugestões
  • 108.
    108 de 1965 o assunto é tratado como uma introdução ao cálculo infinitesimal e notações e regras de derivação, traz as funções reais de variável real e as derivadas de funções racionais e trigonométricas, além de trazer as definições. Apresenta também, como orientação para esse estudo, o fato de ater-se às propriedades que seriam utilizadas nas aplicações às outras Ciências. Já quando tomamos ÁVILA (1991), ele vem nos dizer que no final dos anos 50 e começo dos anos 60, houve uma mudança significativa no ensino da Matemática no Brasil. O nome do movimento era Matemática Moderna, pois, como propalavam seus defensores, era preciso modernizar esse ensino. ÁVILA (1991), ainda nos diz que a tônica dessa modernização foi uma ênfase excessiva no rigor e no formalismo das apresentações, à custa de retirar antigos programas importantes do ensino, como o de Cálculo. Desse modo, a análise dos conteúdos de Cálculo no ensino médio nas últimas décadas passa necessariamente pela discussão do Movimento da Matemática Moderna, com suas repercussões no ensino de Cálculo no antigo 2° grau. 8.2.2 LIMITES (i) DECADA DE 1960 Vamos pegar o livro “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO BEZERRA, e mostra bem a característica da matemática antes do advento da chamada “Matemática Moderna”. De acordo com BRASIL (1952), o Desenvolvimento dos Programas Mínimos de Ensino Secundário, e respectivas instruções metodológicas, em relação à Limites recomenda o seguinte conteúdo: • Limite de variáveis e de funções; • Limites infinitos. • Propriedades fundamentais.
  • 109.
    109 • Exemplos elementares de descontinuidade de uma função em um ponto. • Descontinuidade das funções racionais fracionárias. Dessa forma, como BEZERRA (1962) está de acordo com a Portaria Ministerial de 1951, o conteúdo referente a Limites é: Limite de uma variável; Limites infinitos; Limite de uma função; Cálculo de limites com auxílio da definição; Propriedades fundamentais dos limites; Operações fundamentais sobre limites; Limite da função algébrica racional inteira; Limite de uma função racional; Limites fundamentais; Limites laterais; Função continua; Descontinuidade das funções racionais fracionárias; Então, vemos que o livro segue tal Portaria de conteúdos mínimos. Agora, olhando os conteúdos de BEZERRA (1962), vemos que a definição de limites usava-se a idéia de épilons e deltas, sem exprimi-los claramente, e de forma a usar a notação de módulo para abertos e fechados. Nota-se que não eram pedidas demonstrações em geral. Quanto às propriedades e operações fundamentais são apenas mostras sem qualquer demonstração, como regras a serem memorizadas. Já os exemplos caracterizam-se de aplicações simples das regras e definições Por fim, existe uma grande carga de exercícios de fixação. Já segundo SÃO PAULO (1965), são mostradas sugestões para um roteiro de Programa para a cadeira de matemática, de acordo com a Matemática Moderna. Em relação a limites, no Terceiro Colegial temos: - Noção de limite e continuidade de funções reais de variável real.
  • 110.
    110 Como já dito acima, mudança no programa de limites, são decorrentes do Movimento da Matemática Moderna. De acordo com GEEM (1965), citado por SILVA (2008), nos mostra a lista de Assuntos Mínimos para o colégio, orientações e sugestões para o seu desenvolvimento. Quando tomamos o tópico 18, temos: Noção de limite, continuidade e derivada. Elementos de calculo integral; aplicações ao calculo de áreas e volumes. Segue a recomendação: Dar noções intuitivas, que permitam deduzir as principais propriedades, que serão utilizadas nas aplicações a outras ciências. (ii) DÉCADA DE 1970 Tomamos para análise o livro: MATEMÁTICA, vol. 3, coleção curso colegial moderno, de Luiz Mauro Rocha e Ruy Madsen Barbosa, de 1971. Já na apresentação os autores dizem que serão estudadas elementarmente as noções de Cálculo Infinitesimal. Assim, tais autores vêm seguir desde já as sugestões do GEMM (1965), da reforma da Matemática Moderna. Antes de propriamente entrar nos conceitos de limites ROCHA & BARBOSA (1971) vem dizer que o ensino de cálculo nos cursos secundários, e justifica dizendo que os conceitos de forma correta são de difícil assimilação pelos alunos. No entanto, continua ROCHA & BARBOSA (1971), à guisa de motivação para os cursos subseqüentes, serão apresentadas, de forma intuitiva algumas técnicas simples de cálculos. Sobre o estudo de limites em si, os autores começam pela noção prática de continuidade, onde é mostrada a continuidade de forma intuitiva, ou seja, ROCHA & BARBOSA (1971, p. 216), diz que: Está claro que a curva é continua e posso traçá-la sem interrupções. Na mesma linha segue definindo vizinhança e limites, sem nenhuma demonstração, e com muitos exemplos, seguindo de fato as recomendações do GEEM (1965).
  • 111.
    111 (iii) DÉCADA DE 1980 Pegamos o livro MATEMÁTICA, de Nilton Lapa e Sidney Luiz Cavallante, Vol. 3ª, de 1983. LAPA & CAVALLANTE (1983, p. 208), nos diz que: Nesta parte veremos conceitos de grande importância para a Matemática superior, lecionada nas faculdades. Aqui, as noções de limites e derivadas serão vistas de modo bastante intuitivo, sendo a seguir utilizadas no estudo da variação de uma função. Nesta abordagem – que mantém a característica de iniciação ao tema -, serão feitos gráficos de inúmeras funções, tendo-se especial atenção ao estudo de seus pontos de máximo ou de mínimo relativos. Esta parte finaliza-se com as aplicações de máximos e mínimos à resolução de problemas. Assim, pelas palavras dos autores, fica evidente o perfil do livro, no qual se encaixa as recomendações do GEEM (1965). Verificando o conteúdo, em especial de limites, ao primeiro tópico chama-se “O conceito informal de limite”, onde se inicia com a grande numero de gráficos, e é evitado ao uso dos termos matemáticos formais. As propriedades são dadas como regras, sem qualquer demonstração. Outro tópico é “Cálculo de limites”, com varias regras, exemplos numéricos e gráficos. Por fim, segue a mesma linha quando fala de limites infinitos. (iv) DÉCADA DE 1990 Tomamos GENTIL at all (1997), e vemos que limites são apresentados de maneira intuitiva, com bastante exemplos numéricos e gráficos, e sem demonstrações, ainda refletindo a reforma da Matemática Moderna. Na prática, tal livro parece reeditar o material das décadas anteriores, só mudando os exemplos.
  • 112.
    112 (v) DÉCADA DE 2000 Tomamos o livro MATEMÁTICA, vol. 3, de Luiz Roberto Dante, de 2006. Notamos que os conceitos de cálculo não aparecem mais no ensino médio. 8.2.3 DERIVADAS (i) DECADA DE 1960 Tomando o livro “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO BEZERRA, que mostra bem a característica da matemática antes do advento da chamada “Matemática Moderna”. Assim, como feito anteriormente, pegamos de BRASIL (1952), o Desenvolvimento dos Programas Mínimos de Ensino Secundário, e respectivas instruções metodológicas, em relação a Derivadas recomenda o seguinte conteúdo: - Definição da derivada em um ponto; notações; derivada infinita. Interpretação geométrica e cinemática da derivada. Diferença e diferencial; interpretação geométrica. Funções derivadas. Derivação sucessiva. - Regras de derivação; derivada de um constante; de função de função; de funções inversas; da soma, do produto e do quociente de funções. Aplicação à derivação de funções elementares. - Aplicação da teoria de derivadas ao estudo da variação de uma função. Funções crescentes e funções decrescentes; máximos e mínimos relativos; interpretação geométrica. Assim, se compararmos as duas propostas, a de 1951, a qual BEZERRA (1962) se encaixa, e a de 1965, que já traz a reforma da Matemática Moderna, vemos uma sensível diferença e diminuição em relação ao conteúdo de BEZERRA (1962). Por outro lado, SILVA (2008), nos diz que na portaria de 1951 é apresentada a definição das funções elementares; já na de 1965 o assunto é tratado como uma introdução ao Cálculo Infinitesimal e notações e regras de derivação, traz as funções reais de variável real e as derivadas de funções racionais e trigonométricas, além de trazer as definições. Também diz que, como orientação para esse estudo, o fato de ater- se às outras propriedades que seriam utilizadas nas aplicações às outras ciências.
  • 113.
    113 De acordo com GEEM (1965), citado por SILVA (2008), nos mostra a lista de Assuntos Mínimos para o colégio, orientações e sugestões para o seu desenvolvimento. Quando tomamos o tópico 18, temos: Noção de limite, continuidade e derivada. Elementos de calculo integral; aplicações ao calculo de áreas e volumes. Segue a recomendação: Dar noções intuitivas, que permitam deduzir as principais propriedades, que serão utilizadas nas aplicações a outras ciências. Já quando tomamos BEZERRA (1962), observamos que são apresentadas derivadas sem muitas deduções e demonstrações, na forma de regras de memorização. Além disso, o autor apresenta poucos exemplos e muitos exercícios de fixação, sem nenhuma demonstração. Abaixo segue uma página de BEZERRA (1962), como exemplo:
  • 114.
    114 FIGURA 6: PÁGINA DO LIVRO “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO BEZERRA. Assim, podemos fazer a análise de que poucas demonstrações no livro supra citado, é decorrente da grande mudança com o Movimento da Matemática Moderna, e sua exigência de rigorismo excessivo, de acordo com ÁVILA (1991).
  • 115.
    115 (ii) DECADA DE 1970 Tomamos para análise o livro: MATEMÁTICA, vol. 3, coleção curso colegial moderno, de Luiz Mauro Rocha e Ruy Madsen Barbosa, de 1971. Já na apresentação os autores dizem que serão estudadas elementarmente as noções de Cálculo Infinitesimal. Assim, tais autores vêm seguir desde já as sugestões do GEMM (1965), da reforma da Matemática Moderna. Os autores ROCHA & BARBOSA (1971) denominam o capitulo de “Noções sobre Derivadas”. Assim, propriamente dito, os autores, antes de definir derivadas por limite, começa definindo h = ∆x = X – X0, o qual denomina de acréscimo da variável independente x, a partir do ponto X0. O livro segue com apresentação de regras simples, sem demonstração, e com muitos exemplos numéricos e gráficos. (iii) DÉCADA DE 1980 Pegamos o livro MATEMÁTICA, de Nilton Lapa e Sidney Luiz Cavallante, Vol. 3ª, de 1983. LAPA & CAVALLANTE (1983), como já citado acima, fica evidente o perfil do livro, no qual se encaixa as recomendações do GEEM (1965). Seguindo o conteúdo, LAPA & CAVALLANTE (1983), começa com vários exemplos gráficos de tangentes a uma curva em um ponto, e segue ate a definição de por limites, usando coeficiente angular. No tópico seguinte, relativo a regras de derivação, tais regras são vistas sem a demonstração, com exceção da derivada da função potencia de expoente n e função logarítmica de base e, cujas derivadas são feitas via dedução por limites, algo não visto nos livros das décadas anteriores. O capitulo termina com um tópico referente a comportamento de uma função e a função derivada, o qual é afeita mediante vários exemplos gráficos, para que se introduza a determinação de máximos e mínimos. (iv) DÉCADA DE 1990
  • 116.
    116 Tomamos GENTIL at all (1997), e vemos que derivadas são apresentadas de maneira intuitiva, através de taxa de variação, com bastante exemplos numéricos e gráficos, e sem demonstrações, ainda refletindo a reforma da Matemática Moderna. Na prática, tal livro parece reeditar o material das décadas anteriores, só mudando os exemplos. (v) DECADA DE 2000 Tomamos o livro MATEMÁTICA, vol. 3, de Luiz Roberto Dante, de 2006. Notamos que os conceitos de cálculo não aparecem mais no ensino médio. 8.2.5 INTEGRAIS (i) DÉCADA DE 1960 Tomando o livro “CURSO DE MATEMÁTICA”, de MANUEL JAIRO BEZERRA, que mostra bem a característica da matemática antes do advento da chamada “Matemática Moderna”. Assim, como feito anteriormente, pegamos de BRASIL (1952), o Desenvolvimento dos Programas Mínimos de Ensino Secundário, e respectivas instruções metodológicas, em relação ao conteúdo de Integral, recomenda o seguinte conteúdo: Funções primitivas; integral indefinida; constante de integração. Primitivas imediatas; regras simples de integração. Integral definida. Aplicação ao cálculo de áreas e de volumes; exemplos elementares. Tomando agora SÃO PAULO (1965), são mostradas Sugestões para um roteiro de Programa para a cadeira de matemática, de acordo com a Matemática Moderna. Em relação a Integrais, no Terceiro Colegial não temos nenhum conteúdo do referido tópico. Assim, se compararmos as duas propostas, a de 1951, a qual BEZERRA (1962) se encaixa, e a de 1965, que já traz a reforma da Matemática Moderna, vemos a extinção do tópico ‘Integral’. (ii) DÉCADA DE 1970
  • 117.
    117 Tomamos para análise o livro: MATEMÁTICA, vol. 3, coleção curso colegial moderno, de Luiz Mauro Rocha e Ruy Madsen Barbosa, de 1971. Já na apresentação os autores dizem que serão estudadas elementarmente as noções de Cálculo Infinitesimal. Assim, tais autores vêm seguir desde já as sugestões do GEMM (1965), da reforma da Matemática Moderna. Dessa forma, ao consultarmos o conteúdo do livro, notamos que não existe o conteúdo de integrais, indo na mesma linha de sugestões do GEEM. (iii) DECADA DE 1980 Consultamos LAPA & CAVALLANTE (1983) e TROTTA, IMENES & JAKUBOVIC (1980), que não trazem nada a respeito de integrais. (iv) DECADA DE 1990 Tomamos GENTIL at all (1997), e vemos que as integrais são apresentadas como operação inversa das derivadas, com bastante exemplos numéricos e gráficos, e sem demonstrações, ainda refletindo a reforma da Matemática Moderna. Aqui vemos grande numero de tabelas e regras para o aluno decorar. Na prática, tal livro parece reeditar o material das décadas anteriores, só mudando os exemplos. (v) DECADA DE 2000 Tomamos o livro MATEMÁTICA, vol. 3, de Luiz Roberto Dante, de 2006. Notamos que os conceitos de cálculo não aparecem mais no ensino médio. 9. ANÁLISE DE LIVROS USADOS NAS DISCIPLINAS INICIAIS DE CÁLCULO Antes de entrarmos no desenvolvimento dos cursos de cálculo e suas problemáticas nos cursos superiores, vamos fazer a análise de diversos livros didáticos indicados para os alunos de Cálculo 1 e Cálculo Diferencial e Integral 1, já que vimos até agora como o calculo era dado no ensino médio, segundo alguns livros. Podemos dizer o que o objetivo deste capitulo é fazer a analise de diversos livros didáticos indicados para os alunos de Cálculo.
  • 118.
    118 Dessa forma, passamos aos livros que de fato são usados nos cursos iniciais de Cálculo.. Consultando os planos de ensino no “NEXOS”, na página da UFSCar. No item referente à bibliografia de todas as turmas oferecidas em 01/2009, observamos um total de 17 livros indicados. São eles: 1) Guidorizzi, H.L., Um Curso de Cálculo, Vol.1 e 2, 5ª. Edição, LTC, Rio de Janeiro, 2001. 2) Thomas, G. B. et al, Cálculo, Vol 1, Addison-Wesley (Pierson Education do Brasil), São Paulo, 2002. 3) Bartle, R. G.; Tulcea, C. I., Calculus, Scott, Glenview, 1968. 4) Apostol, T. M., Calculus. 2 ed., John Wiley & Sons, New York, 1967. 5) Stewart, J., Cálculo, Vol. 1, Pioneira, São Paulo, 2001. 6) Ávila, G. S. S., Cálculo: diferencial e integral. V. 1, 3ª ed. Rio de Janeiro: Livros Tecnicos e Cientificos, 1978. 7) COURANT, R., Cálculo diferencial e integral. Alberto Nunes Serrao (Trad.). Porto Alegre: Globo, 1970. v.1. 8) Spivak, M., Calculus, Addison-Wesley, 1973. 9) Zorich, V. A., Mathematical Analysis I, Springer Verlag, 2002. 10) Anton, H., Cálculo - Um novo horizonte, Vol. 1, 6ª.Edição, Bookman, Porto Alegre, 2000. 11) Leithold, L., Cálculo com Geometria Analítica, Vol. 1, Harper & Row do Brasil Ltda., São Paulo, 1977. 12) SIMMONS, George F., 1925-. Calculo com geometria analitica. V. 1, Seiji Hariki (Trad.). Sao Paulo: McGraw-Hill, 1987. 13) Flemming, M., Gonçalves, M. B. - Cálculo A - 5a. edição Makron Books, São Paulo, (1992). 14) Piskunov, N. - Cálculo Diferencial e Integral, Vol. 1 - Publishers, Moscou, (1968). 15) Priestley, W. M. - Calculus: An Historical Approach - Springer-Verlag, N. Y., (1979). 16) Swokowski, E. W. - Cálculo com Geometria Analítica, Vol. 1 - Makron Books, São Paulo, (1995).
  • 119.
    119 17) SAMPAIO, J. C. V. Fascículos de Cálculo 1, 2005. Desta lista de livros, selecionaremos alguns destes, que segundo BARUFI (1999), apresentam uma proposta original e alternativa, fundamentada em objetivos claros do autor, que demonstram uma preocupação com a aprendizagem significativa por parte dos estudantes. 9.1 ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS (i) T. M. APOSTOL: Calculus – Vol. 1 Segundo BARUFI (1999), APOSTOL (1967) começa o livro dizendo que não existia uma concordância geral em que consistiria um primeiro curso de cálculo, pois alguns sugerem o desenvolvimento passo a passo, de maneira lógica e rigorosa, e já outros enfatizam que como o cálculo é uma ferramenta, deveria priorizar aplicações. Assim, termina APOSTOL (1967), dizendo que ambas as idéias fazem sentido, já que muito da beleza do cálculo deriva da beleza das aplicações físicas. Dessa forma, BARUFI (1999) começa enfatizando que a seqüência de temas do livro difere da maioria dos outros textos, pois o autor começa com o Calculo Integral, e depois o Calculo Diferencial. Sendo assim, a opção inicial é exposição do método de exaustão de Arquimedes, o que segundo APOSTOL (1967) acabou sendo transformado no Cálculo Integral. BARUFI (1999, p. 67) analisa que: A escolha de Apostol parece ser adequada para estabelecer uma ponte com o conhecimento dos alunos iniciantes, para os quais o problema de calcular áreas e volumes de figuras mais gerais parece estar muito próximo dos problemas de calcular áreas e volumes de figuras simples que foi desenvolvido na escola média. BARUFI (1999) afirma que há uma grande quantidade de figuras sugestivas e criativas, pois, por exemplo, no tópico sobre derivadas, observa-se grande quantidade de ilustrações relacionando uma função com sua derivada.
  • 120.
    120 Por fim, BARUFI (1999), diz que o autor constrói os conceitos de através de processos aproximados, procurando fazer com que o leitor, ao alcançar a formalização definitiva dos conceitos, tenha passado por varias etapas sucessivas. A seqüência temática do APOSTOL (1967), segundo BARUFI (1999), é a seguinte: FIGURA 7: MAPA CONCEITUAL SOBRE SEQUENCIA TEMÁTICA DE APOSTOL (1967) Logaritmo, Introdução a exponencial, e eq. Cálculo Cálculo as inversas das diferenciais integral diferencial funções trigonométricas Aplicações Álgebra vetorial Curvas e Teor, do do teor. Do com aplicações à superfícies valor valor geometria analítica médio e médio generaliza -ções Seq. Series infinitas e integrais imprópias (ii) G. S. S. ÁVILA: CÁLCULO DIFERECIAL E INTEGRAL 1 Segundo BARUFI (1999), ÁVILA (2001) começa o livro dizendo que o Cálculo com seus fundamentos profundos e sutis, só podem ser adquirido gradualmente e de forma intuitiva, e por isso sugere que tais conceitos devem ser dados com o mínimo de formalismo. Continuando, AVILA (2001, p. x) afirma que: (...) a idéia de que o aluno de Matemática se deva ministrar, desde o inicio, um ensino rigoroso e isolado das outras ciências encerra um grave erro,
  • 121.
    121 sob dois aspectos: de um lado, priva-se o estudante da correta apreciação da Matemática, cujo valor mais autêntico reside na idéias, na criatividade e não apenas no rigor e no encadeamento lógico das demonstrações. (...) De outro lado, esse ensino isolado n ao corresponde à realidade histórica; de fato, as exigências de desenvolvimento de teorias e métodos matemáticos em Física, Astronomia e nas demais ciências tem se constituído nas fontes mais estimuladoras da criação matemática. Segundo BARUFI (1999), a preocupação inicial de ÁVILA (2001) é na revisão de temas do ensino médio, e só após que começa a explorar as idéias do Cálculo, através de colocações provisórias para só depois chegar ao conceito em sua forma definitiva. Outra coisa que BARUFI (1999) nota é que ao final do livro, é colocado um texto para mostrar que aquele conceito não foi descoberto e sim construído. Encerrando, BARUFI (199) afirma que a seqüência temática é bastante tradicional, mas a exposição não o é. FIGURA 8: MAPA CONCEITUAL SOBRE SEQUENCIA TEMÁTICA DE ÁVILA (2001) Nos reais Funções, Eq. e gráficos Funções limites, Elemen- derivadas tares Aplicações da Regras de Integral Comportamento Integral integração de funções
  • 122.
    122 (iii) R. COURANT: CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL – VOL. 1 Segundo BARUFI (1999), COURANT (1970) começa a revisão de alguns conceitos do ensino médio, onde examina o conceito de limite de forma intuitiva, para só depois dar uma definição formal de limites, usando seqüência de números reais e por ultimo coloca a definição de limite quando a variável é continua. Já sobre a continuidade BARUFI (1999) nos diz que a continuidade é explora de forma intuitiva por exemplos, até o conceito formal aparecer. No capitulo 2, BARUFI (1999) diz que o autor começa explorando as idéias do Cálculo através de áreas, e só depois passa para o limite do quociente de diferenças. Já sobre integração, COURANT (1970) começa um tópico especifico para explorar a interpretação gráfica, com ilustrações usando a integração e a relação com o coeficiente angular da reta tangente. BARUFI (1999, p. 87) termina a análise dizendo: Ao longo de todo o texto observamos a utilização da linguagem corrente, para esclarecer aquilo que foi feito formalmente. Dessa forma, o autor consegue propor um curso com um bom nível de profundidade e na qual as idéias não ficaram escondidas atrás de uma máscara lógico-formal. A obra atinge um alto nível de generalização, constituindo um texto de Cálculo extremamente completo. (iv) H. L GUIDORIZZI: UM CURSO DE CÁLCULO – VOL. 1 Segundo BARUFI (1999), o autor parece fazer um revelação do Cálculo sistematizado, buscando idéias internalistas, sem recorrer aos problemas que motivaram seu surgimento. BARUFI (1999) continua afirmando que os problemas servem para ilustrar os resultados e os exemplos para motivação.
  • 123.
    123 Outra análise, segundo BARUFI (1999), é sobre a preocupação com a formalização e a generalização sempre presentes. BARUFI (1999) encerra dizendo que o autor não faz referencia à gênese do calculo, e a seqüência temática apresenta o Calculo sistematizado e logicamente estruturado, onde tal seqüência temática é: NUMEROS REAIS – FUNÇÕES – LIMITES E CONTINUIDADE – EXTENSOES DO CONCEITO DE LIMITE – TEOREMAS DO ANULAMENTO, DO VALOR INTERMEDIÁRIO E DE WEIERSTRASS – FUNÇÃOEXPONENCIAL E LOGARITMICA – DERIVADAS – FUNÇÕES INVERSAS – ESTUDO DA VARIAÇÃO DE FUNÇÕES – PRIMITIVAS – INTEGRAL DE RIEMANN – TECNICAS DE INTEGRAÇÃO – EQ. DIF. DE 1ª ORDEM, DE VAR. SEPARÁVEIS E LINEARES – TEOR. DE ROLLE, DO VALOR MÉDIO E DE CAUCHY, REGRAS DE L´HOSPITAL – FORMULA DE TAYLOR – APENDICE 1 A 5 – FUNÇÕE INTERAVEIS – FUNÇÃO DADA POR INTEGRAL – MAIS ALGUMAS APLICAÇÕES DA INTEGRAL, COORDENADAS POLARES – EXTENSOES DO CONCEITO DE INTEGRAL – EQ. DIF. DE 1ª E 2ª ORDEM, COM COEF. CONSTANTES. (v) N. PISKUNOV: CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL - VOL. 1 Segundo BARUFI (1999), as idéias fundamentais não são apresentadas como solucionadoras de problemas importantes, e nem colocação de problemas para motivar a introdução dos conceitos, embora coloque diversas aplicações posteriores. Seguindo BARUFI (1999), diz que na parte de integrais, é observado o desenvolvimento da operação de primitivação, como inversa da derivação, antes de falar em área sob o gráfico de uma curva. Encerrando a análise, BARUFI (1999), p. 112) afirma que: O autor cuida da generalização e da formalização, demonstrando, normalmente, todas as proposições ou teoremas.
  • 124.
    124 A seqüência de conteúdos é a seguinte: NUMERO, VARIÁVEL, FUNÇÕES – LIMITE E CONTINUIDADE DE FUNÇÕES – DERIVADA E DIFERENCIAL – TEOR. RELATIVOS ÀS FUNÇÕES DERIVÁVEIS – ESTUDO DA VARIAÇÃO DAS FUNÇÕES – CURVATURA DE UM CURVA – NUMEROS COMPLEXOS, POLINOMICOS – FUNÇÕES DE VARIAS VARIÁVEIS – APLICAÇÕES DO CALCULO DIFERENCIAL À GEOMETRIA DO ESPAÇO – INTEGRAL INDEFINIDA – INTEGRAL DEFINIDA – APLICAÇÕES GEOM. E MECANICAS DA INTEGRAL DEFINIDA – FUNÇÕES DIFERENCIAVEIS. (vi) E. W. SWOKOWSKI: CÁLCULO COM GEOMETRIA ANALÍTICA - VOL. 1 BARUFI (1999) nos diz logo nas primeiras páginas, o autor apresenta um formulário, onde inclui uma grande quantidade de fórmulas referentes às derivadas e às integrais e inclusive a diversos outros assuntos normalmente constantes do conteúdo desenvolvido no ensino médio, o que leva a crer que o autor queira garantir o que seja possível encontrar aquilo que normalmente os estudantes imaginam ser o fundamental num curso de Cálculo. No Prefácio, segundo BARUFI (1999), encontramos que a presente edição, revisão da original, ou seja: (...) foi empreendida com três objetivos em mente. O primeiro é tornar o livro mais voltado para o estudante, ampliando discussões e proporcionando maior número de exemplos e ilustrações para melhor esclarecer os conceitos. Para auxiliar ainda mais o leitor, foram acrescentadas, em muitas seções do texto, sugestões para a resolução de problemas. O segundo objetivo é enfatizar a utilidade do Cálculo por meio de aplicações
  • 125.
    125 atualizadas de derivadas e integrais. O terceiro objetivo - tornar o livro tão livre de erros quanto possível - foi alcançado por meio de um exame cuidadoso do texto ...(Swokowski, 1994, p. xix) O autor inicia seu texto, segundo BARUFI (1999), com uma Revisão Pré-Cálculo, na qual retoma diversos assuntos que considera essenciais para o desenvolvimento subseqüente, logo desenvolve o conceito de limite de uma função que é uma das idéias fundamentais que distinguem o cálculo da álgebra e da trigonometria. Pode-se, observar, segundo BARUFI (1999), que o autor busca convencer tanto através de cálculos, como de figuras ou da linguagem. O uso da intuição é também bastante explorado. No Capítulo sobre Derivadas, BARUFI (1999), observa-se que há três exemplos, desenvolvidos com detalhes, que são: reta tangente ao gráfico de uma função num ponto, velocidade instantânea e taxa instantânea de variação, nos quais sempre obtém a expressão usual que, em seguida, vai colocar como sendo aquela que define a derivada de uma função em um ponto. Já parte sobre integração, BARUFI (1999) analisa que primeiro o autor trabalha a integração indefinida, como operação inversa da derivação, e só depois coloca a questão do cálculo de áreas. Encerrando a análise, BARUFI (1999, p 120), nos diz que: Todo o texto é trabalhado no sentido de primeiro apresentar exemplos trabalhados com detalhe, antes da introdução do conceito. Os problemas mais interessantes são propostos depois. O texto busca o convencimento do leitor, e para isso utiliza argumentos muitas vezes intuitivos, não apenas decorrentes da lógica interna. A formalização e generalização são bem cuidadas. A seqüência de conteúdos é a seguinte:
  • 126.
    126 REVISAO PRÉ-CALCULO – LIMITES DE FUNÇÕES – A DERIVADA – APLICAÇÕES DA DERIVADA – INTEGRAIS – APLICAÇÕES DA INTEGRAL DEFINIDA – FUNÇÕES LOGARITICAS E EXPONENCIAIS – FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS INVERSAS E HIPERBOLICAS – TECNICAS DE INTEGRAÇÃO – FORMA INDETERMINADAS E INTEGRAIS IMPROPRIAS – APENDICE. 10. A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA NOS CURSOS DE CÁLCULO O objetivo deste capitulo é mostrar a importância da historia da matemática parta o ensino de Cálculo. Segundo BARBOSA (2008), aparentemente existe um consenso entre autores que um dos meios mais interessantes de obter conhecimento é através da história, e que é possível compreender a origem das idéias que deram forma à nossa cultura e observar também os aspectos humanos do seu desenvolvimento, ou seja, enxergando os homens que criaram essas idéias e estudando as circunstâncias em que elas se desenvolveram. Nesse sentido, BARBOSA (2008, p.78), destaca a importância da história da matemática escrevendo: “A participação da história dos conteúdos matemáticos como recursos didáticos é imprescindível. O desenvolvimento histórico não só serve como elemento de motivação, mas também como fator de melhor esclarecimento do sentido dos conceitos e das teorias estudadas. Não se trata de fazer uma referência histórica de duas linhas ao iniciar um capitulo, mas de realmente usar a ordem histórica da construção matemática para facilitar uma melhor assimilação durante a reconstrução teórica. Isto é central. Os conceitos e noções da matemática tiveram uma ordem de construção histórica. Esse decurso concreto põe em evidência os obstáculos que surgiram em sua edificação e compreensão. Ao recriar teoricamente esse processo (obviamente adaptado
  • 127.
    127 ao estado atual de conhecimento) é possível revelar seu sentido e seus limites. A história deveria servir, então, como o instrumento mais adequado para a estruturação do delineamento mesmo da exposição dos conceitos. É provável também que uma aproximação dessa natureza seja possível satisfazer as exigências de um sentido vetorial do concreto ao abstrato. Com isso não se quer dizer que se deve reproduzir mecanicamente a ordem da aparição histórica dos conceitos matemáticos; sem dúvida, todas as ciências possuem certa lógica interna que se dá a partir de sínteses teóricas importantes e que se deve assimilar no sentido ensino-aprendizagem. Só se coloca a necessidade buscar um equilíbrio, enfatizando a importância do segundo”. No entanto, pelo que vimos acima, o autor supra citado considera a história da matemática como uma importante ferramenta no ensino-aprendizagem da mesma. Mas, através de diversos livros didáticos, vemos que muitos autores apenas usam a história como mera curiosidade, e no máximo como elemento motivador. Já MENDES (2007), nos diz que, com relação ao uso da história como recurso de ensino de matemática, há na literatura referente a esse tema, um estudo exaustivo, realizado por MIGUEL (1993), onde ele caracteriza diversas fontes de utilização na história da matemática, dentre as quais destacamos a de motivação da aprendizagem, a de seleção de objetivos de ensino, a de recreação através de atividades lúdicas e heurísticas, a de desmistificação, para mostrar a matemática acessível às atividades educativas do homem; a de formalização de conceitos, a de dialética, a de unificação de vários campos da matemática, a de conscientização epistemológica e de significação, a de cultura e a de epistemologia. Nesse sentido, SEBASTIANI FERREIRA (1997, p.154), diz que: “A história em sala de aula tem um alcance muito maior que apenas uma simples motivação. Além de motivar o aluno, o faz passar por revoluções no
  • 128.
    128 método da matemática, que foram sem dúvida, marcos decisivos nesta ciência”. Além disso, continua o autor, “mostra como a matemática foi construída pelo homem através dos tempos e como suas dificuldades foram sendo superadas”. Dessa forma, conforme afirma BARBOSA (2008), conhecendo a história da matemática percebemos que as teorias que hoje aparecem acabadas e elegantes resultaram sempre de desafios que os matemáticos enfrentaram que foram desenvolvidas com grande esforço e, quase sempre, numa ordem bem diferente daquela em que são apresentadas após todo o processo de criação, conforme acontece no Cálculo Diferencial e Integral. Então, pelo que vemos na História da Matemática, ela tem um papel importante na organização do conteúdo que se quer ensinar, e até dando, por assim dizer, um modo de raciocinar próprio de um conhecimento que se quer construir. Segundo BARBOSA (2008), o desafio que ainda não foi superado é encontrar uma metodologia que contemple o desenvolvimento histórico da matemática como mecanismo de ensino; qual deve ser o melhor caminho para inseri-la como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem. Desse modo BARBOSA (2008), traz um panorama de algumas metodologias, como segue abaixo. 10.1 Metodologias (i) Seguir os passos da "invenção" do conhecimento. De acordo com SEBASTIANI FERREIRA (1996, p.250) cita CLAIRAUT (1892): “Afim de seguir nesta obra um caminho semelhante aos dos inventores faço com que os principiantes descubram antes de tudo as verdade que pode depender a simples medida dos terrenos e das distâncias acessíveis, etc. Passo daí a outras investigações, de tal modo análogas às primeira que
  • 129.
    129 a curiosidade natural de todos os homens os leva a nelas se deterem. Justificando depois esta curiosidade por algumas aplicações úteis, chego a ensinar tudo o que de mais interessante a geometria elementar tem ... Por esse método, os principiantes, a cada passo que lhes fazemos dar, percebem a razão que move o inventor; e podem assim mais facilmente adquirir o espírito da invenção” (CLAIRAUT, 1892, apud SEBASTIANI FERREIRA, 1996, p.250). (ii) Principio Genético Segundo BARBOSA (2008) este principio pode ser estabelecido da seguinte forma: “a aprendizagem efetiva requer que cada aluno refaça os principais passos da evolução histórica”, ou seja, lembramos a lei biogenética da Psicologia, que afirma que o indivíduo, desde seu nascimento até sua maturidade, repete as principais etapas do desenvolvimento humano. Assim, segundo EDWARDS (1977), citado por BARBOSA (2008), a História da Matemática não se detém na descrição da teoria, a não ser o mínimo necessário para o entendimento dos fatos, e o método genético não busca um estudo detalhado dos eventos que não contribuem para o entendimento do assunto. Entre os autores que defendem este principio, temos Hanri Poincaré, George Polya, Morris Kline e René Thom. Segundo SEBASTIANI FERREIRA (1996, p.253), Antonio Miguel em sua tese de doutorado, diz que é problemático o uso do “principio genético” para relacionar história e ensino-aprendizagem, porque na concepção de produção do conhecimento no plano psicogenético, a matemática passa a ser vista como um corpo cumulativo de conhecimentos seqüenciais e ordenados hierarquicamente, e a adoção do recurso à história baseada na ordem cronológica da constituição dos conteúdos a serem ensinados. (iii) Método Experimental
  • 130.
    130 Segundo BARBOSA (2008), esse método é fundamentado no conceito de experiência cientifica. Para realização de tal experiência devemos adquirir recursos tanto materiais quanto teóricos. Para isso devemos nos preocupar em: a) Espaço para realização da pesquisa, que não precisa ser necessariamente a sala de aulas, mais sim um laboratório de computação, biblioteca, etc.; b) Encher o espaço com ferramentas semelhantes as quais dispunham os matemáticos e determinada época; segundo Ferreira, os materiais não precisam ser necessariamente objetos concretos, mas conceitos, técnicas e estratégias matemáticas que o autor dispunha. c) Perturbação do sistema. Essa etapa consiste em mudar os equipamentos (conceitos, técnicas e estratégias matemáticas) de acordo com a evolução do processo histórico. Nesse momento, utilizamos bibliografias para mostrar os principais momentos históricos até que chegamos ao computador por ser a ferramenta e/ou equipamento utilizado pelos matemáticos contemporâneos; d) Instigar os alunos para que eles expressem todo o processo experimental, podendo ser em forma oral, escritas, ou ambas. Ainda segundo BARBOSA (2008), a idéia é pegar um fato e “caminhar” com ele através da história da matemática. Essa é a idéia defendida pelo professor Eduardo Sebastiani. (iv) A Perspectiva lógico-histórica no ensino Retomando o Projeto deste trabalho, bem como estudos realizados anteriormente, durante no nosso projeto Iniciação Científica, vimos que a análise sobre o uso da História da Matemática, pedagogicamente, deva ser feita e escrita sob o ponto de vista do educador matemático. Tal análise, decorrente do processo de investigação, deve enfatizar a reconstituição, não apenas dos resultados matemáticos, mas principalmente dos contextos epistemológicos, psicológicos, sócio-político e culturais presentes na sala de aula. Sendo assim, o educador matemático, ao fazer a análise sobre o papel da História da Matemática no ensino, tem condições de verificar onde e como
  • 131.
    131 esses resultados foramproduzidos, contribuindo para a explicitação das relações que a Matemática consegue estabelecer com a realidade. Portanto, essa Metodologia leva o aluno a participar da construção do conhecimento escolar de forma ativa e crítica tendo como uma das exigências a relação com a necessidade histórica e social, relacionados ao surgimento do Cálculo. A este processo, estamos denominando de perspectiva lógico-histórica. Agora vamos destacar alguns livros que propõe o ensino do Cálculo usando a História. 10.2 Livros de Cálculo usando a história (i) “Curso de História da Matemática” de M. E. Baron e H. J. M. Bos. De acordo com BARBOSA (2008, p.83), A coleção de livros da UNB é dividia em cinco volumes e expõe todos os conceitos de um primeiro curso de cálculo contando os principais fatos históricos e instigando o leitor a fazer avaliação dos acontecimentos propondo questões avaliativas relacionado ao assunto tratado. Em alguns casos, pede-se que façamos comentários críticos e, em outros, propõe que se façam resumos de partes dos textos. Nestes textos encontramos traduzidos os relatos, publicações, cartas, etc. como são encontrados nos trabalhos originais dos autores. Logo após cada exposição desses trabalhos, são feitos apontamentos sobre o assunto. (ii) The Calculus: a Genetic Approach, Toeplitz. De acordo com BARBOSA (2008, p.83), O livro segue a inspiração histórica para apresentar os conceitos do Cálculo ao estudante. Inicia com uma discussão sobre as especulações dos antigos matemáticos gregos sobre os processos infinitos, a teoria das proporções, o método da exaustão, a medida da
  • 132.
    132 circunferência de Arquimedes, o conceito de número, limites de seqüências e séries numéricas. O estudo da integral definida se inicia com a quadratura da parábola por Arquimedes, e a retomada deste problema 18 séculos após com Cavalieri. A derivação é apresentada com o estudo do problema de se encontrar a tangente a uma curva em um ponto, com problemas de máximos e mínimos e o conceito de velocidade de Galileu. O estudo dos logaritmos lança uma luz sobre a relação entre derivada e integral. O livro termina com aplicações a problemas de movimento, como o pêndulo, oscilações, leis de Kepler e de Newton. Toeplitz deixou o livro inacabado, tendo falecido em 1940 em Jerusalém, após deixar a Alemanha em 1939. (iii) The historical development of the calculus, EDWARDS. De acordo com BARBOSA (2008, p.83-4), Segundo Edwards, a história do desenvolvimento do cálculo tem um especial interesse para quem aprecia o valor histórico na perspectiva de ensino e aprendizagem, desfrutando dela e de suas aplicações. Seu livro começa discutindo os problemas da antiguidade até chegar à análise do século vinte. Após tratar dos principais assuntos da matemática grega, o autor conta fatos históricos e as contribuições dos principais personagens precussores do cálculo, que de uma forma ou de outra, colaboraram no seu desenvolvimento até chegarmos à Newton e Leibniz que auferiram o direito de ter, cada um deles, um capítulo inteiro no livro por serem eles inevitavelmente considerados a peça central da história do cálculo. A principal característica deste livro é a inclusão entremeada de exercícios ao longo do texto como
  • 133.
    133 uma parte integrante da exposição. A história da matemática, como matemática própria, não se aprende com uma leitura passiva, mas com uma caneta na mão. No entanto, a solução de problemas típicos e particulares de um determinado período histórico, utilizando as ferramentas daquele tempo permite ao leitor compartilhar o entusiasmo da primeira descoberta. O autor indaga que o melhor caminho de penetrar no pensamento de Arquimedes e Newton, por exemplo, é resolver alguns problemas utilizando seus próprios métodos. 11. UMA PROPOSTA METODOLÓGICA NO ENSINO DE CÁLCULO O objetivo deste capitulo é discutir a história da matemática como metodologia de ensino em Cálculo. Podemos começar a dizer sobre uma proposta metodológica tomando SPINA (2002), que vem mostrar que na escola, o antigo paradigma deveria ter sido substituído, o que significaria o fim dos "planejamentos de arquivo", das aulas preparadas e nunca mudadas, da passividade-receptividade dos alunos, numa palavra, o abandono das certezas, dos objetivos de longo prazo, o que na prática não acontece, ou seja, ainda persistem os antigos métodos de ensino, à revelia das mudanças que estão a exigir uma nova mentalidade. Dessa forma, ASSMANN (1996, p.55) afirma: “Confesso a minha perplexidade, não apenas diante de muitos aspectos da atual evolução da humanidade, mas também diante dos que persistem em não evoluir. Há muita literatura sobre a educação na qual não se registra nada acerca dos terremotos epistemológicos do século XX.” Assim, MORAES (1997, p. 51), citado por SPINA (2002), diagnostica o estado de calamidade do sistema escolar brasileiro:
  • 134.
    134 Na área educacional, as influências do pensamento cartesiano-newtoniano parecem ainda mais graves considerando o seu significado para a formação de novas gerações, com sérias implicações para o futuro da humanidade. (...) Em vez de produzir as transformações necessárias para o desenvolvimento harmonioso do ser humano, a educação atual continua gerando padrões de comportamento preestabelecidos, com base em um sistema de referência que nos ensina a não questionar, a não expressar o pensamento divergente, a aceitar passivamente a autoridade, a ter certeza das coisas (...) Dessa forma, ainda de acordo com SPINA (2002), o ensino da Matemática não foge à regra. As transformações por que passa o mundo, o ritmo alucinante da evolução solicita outra didática, mentalidade, metodologia. Como diz ZUÑIGA (1991), citado por SPINA (2002): O reflexo disso se faz sentir na Matemática (...) a natureza da Matemática está mudando: há muitos indícios disso. Cada dia mais pessoas questionam o modelo matemático infalível, absoluto, longe da intuição empírica e da realidade terrena, que dominou até agora... Cada vez se percebe melhor a íntima relação entre as matemáticas e a sociedade. Cada vez tem-se mais espaço para um novo paradigma sobre a natureza das matemáticas, um paradigma empírico e construtivista, um paradigma que recorre à intuição sensorial, um paradigma que integre no seu seio as influências sociais e culturais, que recorre à História das Matemáticas e das Ciências como inspiração, não só para anedotas, senão para estabelecer a lógica que sustenta a prática educativa de uma forma mais acertada.
  • 135.
    135 Assim, quando pretendemos abordar a História da Matemática como procedimento de ensino, esta é pedagogicamente orientada, tal como, as várias dificuldades de interpretação, a construção de teorias e outros problemas que surgem durante o processo. Então, de acordo com estudos realizados anteriormente, durante na nossa Iniciação Científica, temos que se vista de forma dinâmica, a História da Matemática se insere no conteúdo que está sendo abordado. De certa forma, segundo os estudos de Lanner de Moura (1995), Sousa (2004), guardadas as devidas proporções, o aluno reconstrói os passos que foram dados para a organização daquele conhecimento, além de mostrar a dimensão didática e humana do conhecimento entre professor e aluno. O aluno deve participar da construção do conhecimento escolar de forma ativa e crítica tendo como uma das exigências a relação com a necessidade histórica e social que sustentaram o surgimento e o desenvolvimento dos conceitos matemáticos. A este processo estamos denominando de perspectiva lógico-histórica. Assim, segundo SOUSA (2007), ao acenarmos para um ensino que se fundamente no par lógico-histórico, estamos defendendo que a relação lógico-histórica na prática pedagógica do professor. Também, nesta mesma linha, de acordo com estudos anteriores, feitos durante o Relatório de Iniciação Científica, podemos dizer que ao assumirmos o lógico-histórico enquanto forma de pensamento, necessariamente, assim como os estudos que se fundamentam na perspectiva da Educação Conceitual (Lanner de Moura, 2003), consideramos a flexibilidade, a relatividade, a interdependência, a fluência, o processo e o movimento do próprio pensamento que ocorre na totalidade do pensamento, enquanto define para si mesmo o que vem a ser a verdade elaborada pela praxis humana enquanto o homem tenta se humanizar pelo conhecimento. Já RIBNIKOV (1987, p. 12), nos diz que: Conhecer a história do desenvolvimento da matemática nos permite conhecer seu objeto, bem como “compreender o lugar dessa ciência na atividade produtiva e social dos homens”
  • 136.
    136 Dessa forma, de acordo com SOUSA (2004), professores e estudantes devem partir do princípio de que aprender um conceito matemático envolve apropriação de significações que são produzidas durante o desenvolvimento histórico da humanidade. Tais apropriações são elaboradas enquanto procuram atender as necessidades sociais e cognitivas. 12. DELINEAMENTOS DE UMA PROPOSTA DE ENSINO PARA AS DISCIPLINAS INICIAIS DE CÁLCULO COM HISTÓRIA DA MATEMÁTICA Este capítulo possui a intenção de mostrar os delineamentos de propostas de ensino pesquisadas a partir de um enfoque histórico, onde a idéia seria a de proporcionar que o estudante possa fazer reflexões sobre conceitos que estuda. Outro ponto a ser abordado aqui é a opção entre seguir os nexos conceituais presentes no desenvolvimento do Cálculo, ou seguir a ordem adotada nos livros didáticos. Mais especificamente, para BARUFI (1999), existem dois modelos principais a serem abordados, a saber: (...) Constitui na apresentação do Cálculo sistematizado, formal e logicamente organizado, como resultado do trabalho de pensadores, filósofos e matemáticos, durante vinte séculos. (...) Nesse caso, a seqüência temática, basicamente é: Números Reais, funções, Limites, Derivadas e Integrais, e o tratamento metodológico obedece, em muitos casos, à idéia de fornecer uma revelação do Cálculo. (BARUFI, 1999, p. 52) (...) Este modelo diverge do anterior por apresentar uma seqüência temática que não obedece necessariamente à estrutura lógica, mas muito mais ao desenvolvimento do Cálculo, ou à sua contemporaneidade. Isto se deve ao fato de basear-se numa metodologia problematizadora, segundo a qual aquilo que deflagra o processo de construção do conhecimento, por parte dos alunos, é a
  • 137.
    137 existência de problemas importantes e motivadores. (BARUFI, 1999, p. 53) Dessa forma, a abordagem lógico-histórica, que aqui adotamos, condiz com o segundo modelo apresentado por BARUFI (1999). Nesse sentido, em nossas pesquisas, constatamos que praticamente não existem atividades de ensino com a abordagem histórica na literatura em português e em espanhol, cujas pesquisas realizamos através da base de dados SCIELO. Outra fonte de pesquisa da literatura brasileira, em específico, foi através do banco de dados das principais universidades brasileiras, onde não foi encontrada nada de relevante. Em português foi encontrada a coleção “Curso de História da Matemática” de M. E. Baron e H. J. M. Bos, de 5 volumes. Já na literatura internacional, encontramos três livros em específico, de autores americanos, que são: TOEPLITZ (1996), PRIESTLEY (1974) e EDWARDS (1974). Dessa forma, em vez de copiarmos alguns exercícios de tais livros, vamos apenas relembrar suas principais características, já analisadas acima, de acordo com BARBOSA (2008). Seguem as principais características desses livros: (i) “Curso de História da Matemática” de M. E. Baron e H. J. M. Bos. De acordo com BARBOSA (2008, p.83), A coleção de livros da UNB é dividia em cinco volumes e expõe todos os conceitos de um primeiro curso de cálculo contando os principais fatos históricos e instigando o leitor a fazer avaliação dos acontecimentos propondo questões avaliativas relacionado ao assunto tratado. Logo após cada exposição desses trabalhos, são feitos apontamentos sobre o assunto. Verificamos que os exercícios são mais de cunho histórico do que sobre cálculo especificamente. (ii) The Calculus: a Genetic Approach, Toeplitz.
  • 138.
    138 De acordo com BARBOSA (2008, p.83), O livro segue a inspiração histórica para apresentar os conceitos do Cálculo ao estudante. Inicia com uma discussão sobre as especulações dos antigos matemáticos gregos sobre os processos infinitos, a teoria das proporções, o método da exaustão, a medida da circunferência de Arquimedes, o conceito de número, limites de seqüências e séries numéricas. O estudo da integral definida se inicia com a quadratura da parábola por Arquimedes, e a retomada deste problema 18 séculos após com Cavalieri. A derivação é apresentada com o estudo do problema de se encontrar a tangente a uma curva em um ponto, com problemas de máximos e mínimos e o conceito de velocidade de Galileu. O estudo dos logaritmos lança uma luz sobre a relação entre derivada e integral. O livro termina com aplicações a problemas de movimento, como o pêndulo, oscilações, leis de Kepler e de Newton. Toeplitz deixou o livro inacabado, tendo falecido em 1940 em Jerusalém, após deixar a Alemanha em 1939. Assim, verificamos que são exercícios voltados mais para física, do que problemas de cunho histórico. (iii) The historical development of the calculus, EDWARDS. De acordo com BARBOSA (2008, p.83-4), Segundo Edwards, a história do desenvolvimento do cálculo tem um especial interesse para quem aprecia o valor histórico na perspectiva de ensino e aprendizagem, desfrutando dela e de suas aplicações. Seu livro começa discutindo os problemas da antiguidade até chegar à análise do século vinte. Após tratar dos principais
  • 139.
    139 assuntos da matemática grega, o autor conta fatos históricos e as contribuições dos principais personagens precursores do cálculo, que de uma forma ou de outra, colaboraram no seu desenvolvimento até chegarmos à Newton e Leibniz que auferiram o direito de ter, cada um deles, um capítulo inteiro no livro por serem eles inevitavelmente considerados a peça central da história do cálculo. A principal característica deste livro é a inclusão entremeada de exercícios ao longo do texto como uma parte integrante da exposição. A história da matemática, como matemática própria, não se aprende com uma leitura passiva, mas com uma caneta na mão. No entanto, a solução de problemas típicos e particulares de um determinado período histórico, utilizando as ferramentas daquele tempo permite ao leitor compartilhar o entusiasmo da primeira descoberta. O autor indaga que o melhor caminho de penetrar no pensamento de Arquimedes e Newton, por exemplo, é resolver alguns problemas utilizando seus próprios métodos. Ao verificar o livro, vimos que é o que mais se aproxima de um livro didático de cálculo usando a história da matemática. Também vimos muitos exercícios durante o livro, adequados com a abordagem histórica. Entretanto a critica que fazemos aqui é pela maioria das atividades se reduzirem à simples exercícios, alguns de fixação da teoria ou onde são pedidas demonstrações de resultados apresentados durante o capítulo, com poucos problemas a serem resolvidos. 12. CONCLUSÕES Podemos concluir de nossa pesquisa que cumprimos nosso objetivo de estudar a história da matemática enquanto metodologia de ensino nas disciplinas iniciais de Cálculo, já que fizemos um levantamento das taxas de reprovações em tais cursos, e
  • 140.
    140 também a partirde entrevistas de professores, levantamos as principais dificuldades no ensino-aprendizagem, e aprofundamos seu estudo. Assim, durante a nossa pesquisa, podemos observar tanto através das entrevistas com professores como no estudo da bibliografia citada, que um dos principais conceitos envolvidos no estudo do Cálculo é o de limite, sendo fundamental para o aprendizado de derivadas e integrais. Dessa forma, destacamos em nossa pesquisa a chamada ruptura entre o pensamento algébrico e o analítico, como problema de ensino-aprendizagem do Cálculo, que segundo ARTIGUE (1998) ocorre quando o aluno é obrigado a reconstruir objetos matemáticos, ou seja, tomar consciência de todas as mudanças e do crescimento da dificuldade técnica do trabalho matemático nos ajuda a compreender melhor à distância que separa a capacidade de formular a definição formal da noção de limite, ilustrada por exemplos e contra-exemplos, representada graficamente, e por outra parte, de dominar tecnicamente esta definição, é decidir ser capaz de utilizá-la como um instrumento operativo na resolução de problemas. Logo, ao falarmos sobre nossa aprendizagem sobre ao conteúdo de Cálculo, principalmente ao estudarmos as dificuldades de ensino-aprendizagem, um pouco sobre o conceito formal de limites, sobre como eram tratadas as tangentes, deste problema dos tempos de Euclides. Porém destaca-se aqui o conceito de integrais, principalmente na integração de funções em intervalos descontínuos, onde não basta a aplicação pura e simples das regras, e sim fazer antes um estudo do gráfico e das possíveis descontinuidades, para ai sim efetuarmos a operação. Na seqüência estudamos a importância do uso da história da matemática no ensino de cálculo, onde aprofundamos com o estudo de diversas metodologias que usam tal abordagem, culminando com o lógico-histórico. Dessa forma, podemos dizer que aprendemos um pouco sobre a história dos conceitos de Cálculo, sendo destaque para função, onde apareceu para nós todo o seu desenvolvimento lento e gradual. Também destacamos o aprendizado sobre o surgimento histórico primeiro de integrais em detrimento dos demais conceitos. Já sobre nosso aprendizado sobre as metodologias de ensino de Cálculo, podemos dizer que passamos a ter algum conhecimento sobre os diversos enfoques da história da matemática como metodologia.
  • 141.
    141 Antes de concluirmos, por tudo que estudamos, aprendemos um pouco com as entrevistas dos professores, das queixas deles em relação aos alunos e comparando com as taxas de reprovações, vimos que realmente tem algo errado, e em geral com o comportamento dos alunos em relação aos estudos. Porém, o radicalismo de alguns professores em não tentar enxergar outras metodologias de ensino é um fator há ser estudado. Assim, vemos que é mais fácil notarmos o que não deve ser feito em sala de aula, com exemplos negativos, do que propormos um modo correto de procedimento. Porém, pelas nossas pesquisas, concordamos que uma boa alternativa é o estudo da disciplina via história da matemática, assentada em problemas de cunho histórico, com uma visão que priorize o desenvolvimento e a evolução dos conteúdos, em vez do enfoque metodológico tradicional. Dessa forma, concluímos que o que melhor se adéqua de um livro didático de cálculo usando a história da matemática é o livro de EDWARS (1977). Também vimos muitos exercícios durante o livro, adequados com tal abordagem, porém, em vez de copiarmos alguns exercícios de tais livros, apenas relembramos suas principais características, vantagens e desvantagens. Para encerrarmos, propomos a seguinte questão de investigação: “De que forma a perspectiva lógico-histórica pode se configurar como metodologia de ensino de Cálculo?” Assim, podemos dizer que tal perspectiva deve enfatizar a reconstituição, não apenas dos resultados matemáticos, mas principalmente dos contextos epistemológicos, psicológicos, sócio-político e culturais presentes na sala de aula, levando o aluno a participar da construção do conhecimento escolar de forma ativa e crítica, tendo como uma das exigências a relação com a necessidade histórica e social, relacionados ao surgimento do Cálculo. 15. BIBLIOGRAFIA • AABOE, Asger. Episódios da História Antiga da Matemática. Trad. de João Pitombeira de Carvalho. Rio de Janeiro, Sociedade Brasileira de Matemática, 1984. 170 p.
  • 142.
    142 • ASIALA, M.; Cottrill, J.; Dubinsky, E. & Schwingendorf, K. The development of student’s graphical understanding of the derivate. Journal of Mathematical Behavior, 1997. • ÁVILA, Geraldo. Evolução dos Conceitos de Função e Integral. Revista Matemática Universitária, Nº 1, SBM. RIO DE JANEIRO, 1985. • _______________. As Coisas que Ensinamos. Revista Matemática Universitária, Nº 18, SBM. RIO DE JANEIRO, 1991. • APOSTOL, T. M., Calculus. 2 ed., John Wiley & Sons, New York, 1967. • ARTIGUE, M. La enseñanza de los principios del calculo: problemas epistemológicos, congnitivos e didáticos. Ingenieria didática em educación matemática. P Ed. P. Gomez. Grupo Editorial Iberoamericano. México, 1995. • ARTIGUE, M. Enseñanza y aprendizaje dela análisis Elemental: ¿qué se puede aprender de las investgaciones didáticas y los câmbios curriculares? Relime, vol. 1, nº 1, Grupo Editorial Iberoamericano. México, 1998. • ASMANN, H. Metáforas Novas para Reencantar a Educação. Piracicaba: UNIMEP, 1996. • AZCÁRATE, C. La velocidad: introducción al concepto de derivada. Tesis de doctorado, Universitat Autònoma de Barcelona, Barcelona, 1990. • ÁVILA, G. S. S., Cálculo: diferencial e integral. V. 1, 3ª ed. Rio de Janeiro: Livros Tecnicos e Cientificos, 1978. • BADILLO, E. La derivada como objeto matemático y como objeto de enseñanza y aprendizaje en profesores de matemáticas de Colombia. Tesis de doctorado no publicada, Universitat Autònoma de Barcelona., Barcelona, 2003. • BAKER, B.; Cooley, L. & Trigueros, M. A calculus graphing schema. The Journal for Research in Mathematics Education, 2000. • BARBOSA, Evaldo F. M. A REGRA DE L’HÔPITAL: Analise Historica da regra de L’Hôpital. A importância da História da Matemática na disciplina de Cálculo. CAMPINAS: UNICAMP, 2008. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO. • BARUFI, Maria Cristina Bonomi. A construção/negociação de significados no curso universitário inicial de Cálculo Diferencial e Integral. SÃO PAULO: USP, 1999. TESE DE DOUTORADO.
  • 143.
    143 • BAUMGART, John K. Tópicos de história da matemática para o uso em sala de aula: Álgebra. Tradução Hygino H. Domingues. São Paulo: Atual, 1992. • BEZERRA, Manuel Jairo. Curso de Matemática. Companhia das Letras, 8ª edição, São Paulo, 1962. • BIAHCHINI, E.; PACCOLA, H. MATEMÁTICA. Vol. 1: versão alfa. Ed. Moderna, 2.a edição. São Paulo, 1995. • BOGDAN, R. C; BIKLEN, S. K. Investigação qualitativa em educação. Porto Editora, Porto, 1994. • BOS, M.; BARON, M. Curso de História da Matemática: Origens e Desenvolvimento do Cálculo: Newton e Leibniz. Vol. 3. Trad. Rudolf Maier. Editora Universidade de Brasília, Brasília, 1974. • BOULOS, P.; WATANABE, R. MATEMÁTICA: 2.o GRAU, vol. 1. Ed. Nacional. São Paulo, 1979. • BOYER, Carl Benjamin. História da Matemática. Trad. de Elza F. Gomide. São Paulo, Edgard Blücher, 1974. • ____________________. História da Matemática. Trad. de Elza F. Gomide. São Paulo, Edgard Blücher, 1989. • _____________________. The History of Calculus and its Conceptual Development. New York, Dover, 1959. • BRASIL. Portaria nº 966, de 02 de outubro de 1951 a. Programa do Ensino Secundário. Revista Atualidades Pedagógicas, São Paulo, 1952. Suplemento nº 1. • BROLEZZI, A.C. A Arte de Contar: uma Introdução ao Estudo do Valor Didático da História da Matemática. Dissertação de Mestrado. São Paulo: FEUSP, 1991. Disponível em: < http://www.ime.usp.br/~brolezzi/teseedissertacao.html> • ______________. A Tensão entre o Discreto e o Contínuo na História da Matemática e no Ensino de Matemática . Tese de Doutorado. São Paulo: FEUSP, 1996. • ________________. Epistemologia e História: anotações para uma História da Matemática às Avessas. Disponível em: <http://www.educarede.org.br/educa/img_conteudo/File/CV_132/texto_Brolezzi_semin _rio_Nilson_versao_3.doc>. Consultado em: 01/04/2009.
  • 144.
    144 • CARAÇA, B. J. Conceitos Fundamentais da Matemática. Tipografia Matemática. Lisboa, 1951. • CLAIRAUT, A. Elementos de geometria. São Paulo: Livraria Teixeira & Irmão, 1892. • Clark, J. M.; Cordero, F.; Cottrill, J.; Czarnocha, B.; DeVries, D. J.; St. John, D.; Tolias, G. & Vidakovic, D. Constructing a schema: the case of the chain rule. Journal of Mathematical Behavior 14 , 1997. • COBIANCHI, A. S. Estudos de continuidade e números reais: matemática, descobertas e justificativas de professores. RIO CLARO/SP, 2001. • CORNU, B. Advanced Mathematical Thinking. Kluwer Academic Press, 1991 • COURANT, R., Cálculo diferencial e integral. Vol. 1. Alberto Nunes Serrao (Trad.). Porto Alegre: Globo, 1970. • CUNHA, Antônio Geraldo. Dicionário Etimológico. Nova Fronteira de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996. • DA COSTA, Newton C. A. & DORIA, F. A. Continuous & Discrete: A Research Program. IN: Bol Soc. Paran. Mat. (2ª Série), v. 12/13, n. 1/2. Curitiba: Ed. da UFPR, 1991/2. • DA SILVA, J. F.; BORGES NETO, H. QUESTÕES BÁSICAS DO ENSINO DO CÁLCULO. Disponível em: www.multimeios.ufc.br/arquivos/pc/artigos/artigo-questoes-basicas-do-ensino-de- calculo.pdf Consultado em: 14/05/2009. • DANTE, Luiz R. MATEMÁTICA. Vol. 1. Ediora Ática, 1ª ed. São Paulo, 2006. • ______________. MATEMÁTICA. Vol. 3. Ediora Ática, 1ª ed. São Paulo, 2006. • DINIZ, Geral L. História do Limite. 2006. Publicado em: http://www.ufmt.br/icet/matematica/geraldo/histlimite.htm Consultado em: 18/04/2009. • EDWARDS, H. M. Fermat's Last Theorem: A Genetic Introducion to Algebraic Number. New York: Springer Verlag, 1974. • EDWARDS, C. H. Jr. The historical development of the calculus. New York: Springer-Verlag, 1977.
  • 145.
    145 • ENGLEL, A.; VRANCKEN, S.; MÜLLER, D.; GREGORINI, M. I. Análisis de uma propuesta dedática para La enseñanza de limite finito de variable finita. Revista Iberoamericaca de Educacion Matemática. Nº 11, p. 113 – 132. ARGENTINA, 1997. • FIOTENTINI, D.; LORENZATO, S. Investigação em Educação Matemática: Percursos Teóricos e Metodológicos. Autores Associados, Campinas/SP, 2006. • Font, V. Procediments per obtenir expressions simbòliques a partir de gràfiques. Aplicacions a la derivada. Tesis de doctorado no publicada, Universitat de Barcelona, Barcelona, 2000a. • Font, V. Representaciones ostensivas que pueden ser activadas en el cálculo de f’(x). El caso de la función seno. Uno. Revista de Didáctica de las Matemáticas, 2000b. • GEEM. Matemática Moderna para o Ensin1o Secundário. Série Professor nº 1, 2ª ed. São Paulo, 1965. • GENTIL, N.; SANTOS, C. A. M.; GRECO, A. C.; GRECO, S. E. MATEMÁTICA PARA O SEGUNDO GRAU. Vol. 3. Ed. Átoca, 6.a edição. São Paulo, 1997. • GRAGNER, G. Filosofia do Estilo. Ed. Perspectiva. São Paulo, 1974. • GUIDORIZZI, H. L. Um Curso De Cálculo. Vol. I, Rio de Janeiro, LTC Editora, 1997. • Habre, S. & Abboud, M. Student’s conceptual understanding of a function and its derivative in an experimental calculus course. Journal of Mathematical Behavior, 2006. • KLINE, Morris. Mathematical thought from ancient to modern times. New York: Oxford University Press, 1990. • _____________. Mathematical thought from ancient to modern times. New York: Oxford University Press, 1972. • LANNER DE MOURA, A.R. - A medida e a criança pré-escolar. Faculdade de Educação. Tese de Doutorado. UNICAMP, 1995. • LAPA, N.; CAVALLANTE, S. L. MATEMÁTICA. Vol. 1. Ed. Moderna. São Paulo, 1984. • __________________________________________. Vol. 3. Ed. Moderna. São Paulo, 1984b.
  • 146.
    146 • LEITÃO, Henrique. Imagens. Disponível em: <http://www.scientia.artenumerica.org/imagens.html>. Consultado em: 09/04/2009. • LLORENS, J. L.; SANTONJA, F. J. Uma interpretación de las dificultades em el aprendizaje de concepto de integral. Divulgaciones Matemáticas, v. 5, No, ½, p. 61 – 76. Valencia, 1997. • MAGNE, Augusto. Dicionário Etimológico da Língua Latina: Famílias de Palavras e Derivações Vernáculas. Rio de Janeiro: MEC, 1953. • MIGUEL, A. Três Estudos sobre História e Educação Matemática. UNICAMP: Campinas, 1993. Tese de Doutorado. • MENDES, Iran de Abreu. Histórica no ensino da Matemática: O caso da Trigonometria. Site: http://membros.aveiro-digital.net/matematica/acompanhamento/Iran2.pdf. Consultado em: 31/10/2007. • MENDES, Maria Helena Monteiro. O conceito função: aspectos históricos e dificuldades apresentadas por alunos na transição do segundo para o terceiro grau. Dissertação de Mestrado - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1994. • MORAES, M. C. O Paradigma Educacional Emergente. Campinas, Papirus, 1997. • MUNDY, J., Analysis of Errors of First Year Calculus Students, en Theory, Research and Practice in Mathematics Education, Bell, A., Low, B. And Kilpatrick, J. (Eds.), Proceedings ICME-5, 1984, 170–172. • OLIVEIRA, N. Conceito de Função: uma Abordagem do Processo Ensino- Aprendizagem. Dissertação de Mestrado. PUC: SÃO PAULO, 1997. • ORTON, A. Student’s understanding of differentiation. Educational Studies in Mathematics, 1983. • PETITOT, Jean. Infinitesimal. IN: Enciclopedia Einaudi, Vol. 4 (Local/Global). Trad. João Sàágua. Porto: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1985. • Piskunov, N. - Cálculo Diferencial e Integral, Vol. 1 - Publishers, Moscou, 1968. • PRIESTLEY, W. M. Calculus: Na Historical Approach. Springer-Verlag, New
  • 147.
    147 York, 1979. • REZENDE, Wanderley Moura O ensino de Cálculo: Dificuldades de Natureza Epistemológica. Anais do II SIPEM – Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, Santos/SP, 2003. • ROBINET, J. Les réels: quels modèles en ont les élèves. Cahier de Didactique des mathématiques, nº 21, IREM. PARIS, 1986. • ROBINSON, Abraham. Non-standard Analysis. Amsterdam: North-Holland, 1974. • ROCHA, L. M.; BARBOSA, R. M. Matemática: Curso Colegial Moderno.. Vol. 3. IBEP, SÃO PAULO, 1971. • SÁ, P. F.; SOUZA; G. S.; SILVA, I. D. B. A construção do conceito de função: Alguns dados históricos. Traços, Vol. 6, Nº 11, p. 81 – 94. Belém, 2003. • SÃO PAULO (Estado). Sugestões para um Roteiro de Programa para a cadeira de Matemática. Diário Oficial do Estado de São Paulo, p. 42-43, São Paulo, 1965, • SEBASTIANI FERREIRA, E. O uso da História da Matemática nas aulas de cálculo. Encontro Luso-Brasileiro de História da Matemática e Seminário Nacional de História da Matemática. Anais. Águas de São Pedro - SP: Sergio Nobre, 1997. • SIERPINSKA, A. Obstacles épistémologiques relatifs à La notion de limit. Rechercher em Didactique des Mathématiques. Vol. 6.1, Montreal, 1985. • SILVA, Givanildo F. A Reorganização da Matemática Escolar do Colégio em Tempos do Movimento da Matemática Moderna. PUC: São Paulo, 2008. Dissertação de Mestrado. • SOUSA, MARIA DO Carmo de. O ENSINO DE ÁLGEBRA NUMA PERSPECTIVA LÓGICO-HISTÓRICA: Um estudo das elaborações correlatas de professores do Ensino Fundamental. Tese de Doutorado. UNICAMP, 2004. • SOUSA, Maria do Carmo de. Quando a História da Matemática passa a ser Metodologia de Ensino. ANAIS DO 16o. CONGRESSO DE LEITURA DO BRASIL. CAMPINAS/SP, 2007. • SPINA, Catharina de Oliveira Corcoll. MODELAGEM MATEMÁTICA NO PROCESSO ENSINOAPRENDIZAGEM DO CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL PARA O ENSINO MÉDIO. Dissertação de Mestrado. RIO CLARO-SP,
  • 148.
    148 2002. • SWOKOWSKI, E. W. Cálculo Com Geometria Analítica. Vol. I, Trad. Alfredo Alves de Faria, São Paulo, Makron Books, 1994. • Tall, D. Concept image, generic organizers, computers and curriculum change. For the Learning of Mathematics. 1989. • THOMAS, G. B.; FINNEY, R. L.; WEIR, M. D.; GIORDANO, F. R. CÁLCULO: Material Complementar para Professores. Vol. 1, 10ª edição. São Paulo: Addison Wesley, 2002. • TOEPLITZ, O. The Calculus, a Genetic Approach. Chicago: The University Press, 1966. • TROTA, F.; IMENES, L. M. P.; JAKUBOVIC, J. MATEMÁTICA APLICADA. Ed. Moderna. São Paulo, 1980. • TUMELERO, Gilson; MUSIAL, Marieli. Histórico da Integral. BOLETIM ELETRÔNICO DA MATEMÁTICA, Vol. 1, No. 01. PATO BRANCO/ PR, 2003. • TURÉGANO, P., Los Conceptos en torno a la Medida y el Aprendizaje del Cálculo Infinitesimal, Tesis Doctoral, Universidad de Valencia, 1993. • VIEIRA, J. C. D. Ensino Aprendizagem do Conceito de Limite. Millenium on line. Nº 16, outubro de 1999. Disponível em: http://www.ipv.pt/millenium/16_ect3.htm Consultado em: 28/05/2009. • YOUSCHKEVITCH. “Le concept de fonction jusqu’au milieu Du XIX siècie”, Fragments d’historie dês Mathematiques, Brochure APMEP, Nº 41, p. 7 – 67, 1981. • YOUNG, Robert M. Excursions in Calculus: an Interplay of the Continuous and the Discrete. Dolciani Mathematical Expositions, Nº 13. New York: The Mathematical Association of America, 1992. • ZANDIETH, M. A theoretical framework for analyzing student understanding of the concept of derivate. In E. Dubinsky, A. Shoenfeld & J. Kaput (Eds.), Research in Collegiate Mathematics Education. IV CBMS Issues in Mathematics Education (volume 8, pp. 103-127). American Mathematical Society. Providence, USA, 2000. • ZUÑIGA, A.R. Las Matemáticas Modernas em las Américas: filosofia de una reforma. In VIII CIAEM, Miami, USA, 1991.
  • 149.
    149 16. DATA –LOCAL – ASSINATURA SÃO CARLOS, 22 DE JUNHO DE 2009. _____________________________________________ PROFA. DRA. MARIA DO CARMO DE SOUSA ORIENTADORA ________________________________ AILTON BARCELOS DA COSTA ALUNO