36
Regência nominal e verbal
Um erro bastante comum dos candidatos e, que pode penalizá-los na
competência 1, é o desconhecimento da complementação correta entre os termos
da oração. Essa complementação é o que relaciona uma palavra a outra e é
chamada de regência.
A chamada regência nominal diz respeito a nomes e os termos regidos por
ele, sendo sempre intermediada por uma preposição. Para futura consulta, teremos
uma tabela contendo substantivos, adjetivos e advérbios terminados em -mente
(originados por adjetivos).
Substantivos
Acesso a, de, para Alusão a, de
Amor a, por Analogia com, entre
Ânsia de, por Antipatia a, por
Atenção com, para com Aversão a, por, para
Capacidade de, para Certeza de, em
Devoção a, para com, por Dúvida acerca de, em, sobre
Horror a Medo a, de
Obediência a Ojeriza a, por
Opinião a respeito de, sobre Oportunidade de, para
Orgulho de Respeito a, com, para com
Temor a, de União a, com, de, entre
Adjetivos
Acessível a Acostumado a, com
Afável com, para com Aflito com, por
Agradável a Alheio a, de
Análogo a Ansioso de, para, por
Apto a, para Ávido de
Benéfico a Capaz de, para
37
Certo de Compatível com
Compreensível a Comum a, de
Constante em Contemporâneo a, de
Contíguo a Contrário a
Cuidadoso com Curioso de, por
Desatento a Descontente com
Desejoso de Desfavorável a
Devoto a, de Diferente de
Difícil de Digno de
Entendido em Equivalente a
Erudito em Escasso de
Essencial para Estranho a
Fácil de Fanático por
Favorável a Fiel a
Firme em Generoso com
Grato a Hábil em
Habituado a Hostil a
Idêntico a Igual a, para
Impossível de Impróprio para
Imune a Incompatível com
Inconsequente com Indeciso em
Independente de, em Indiferente a
Indigno de Inerente a
Insensível a Leal a
Lento em Liberal com
Natural de Necessário a
Negligente em Nocivo a
Paralelo a Parco em, de
Passível de Perito em
Perpendicular a Pertencente a
Possível de Possuído de, por
Posterior a Preferível a
Prejudicial a Prestes a, para
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Propício a Próximo a, de
Relacionado com Responsável por
Rico de, em Satisfeito com, de, em, por
Seguro de, em Semelhante a
Sensível a Sito em
Suspeito de Útil a, para
Vazio de Vizinho a, de
Os advérbios terminados em -mente seguem a regência dos adjetivos de que
se originaram
Agradavelmente a Analogamente a
Compativelmente com Constantemente em
Contrariamente a Diferentemente de
Essencialmente para Facilmente de
Favoravelmente a Identicamente a
Impropriamente para Independentemente de, em
Indiferentemente de, em Necessariamente a
Paralelamente a Perpendicularmente a
Possivelmente de Posteriormente a
Quanto à regência verbal, trata-se da relação entre verbos e termos que os
complementam. Também para fins de consulta, temos a seguinte tabela.
Agradar
No sentido de “acariciar”, “fazer carinho”, “afagar”, exige complemento sem
preposição:
Deitou-se na rede e pôs-se a agradar o gato.
No sentido de “contentar”, “satisfazer”, é mais usado com complemento regido
pela preposição a:
O desempenho do artista agradou a todos.
39
Agradecer
Geralmente constrói-se com dois complementos: um sem preposição (referente
a coisa); outro com a preposição a (referente a pessoa):
Agradeceu ao colega o favor recebido.
Pode ser usado com apenas um dos complementos: apenas o objeto direto
(sempre referente a coisa) ou apenas o objeto indireto (sempre referente a
pessoa):
Agradeceu o presente.
Agradeceu ao pai.
Aspirar
No sentido de “inspirar”, “sorver”, exige complemento sem preposição:
Ele aspirou o aroma das flores.
Naquele lugar, todos aspiravam um ar poluído.
No sentido de “almejar”, “pretender”, exige complemento com a preposição a:
A funcionária aspirava ao cargo de chefia.
O candidato aspirava a uma posição de destaque.
Nesse sentido, o verbo aspirar não admite a forma oblíqua lhe. Não se diz:
Esse cargo? Aspiro-lhe. (E sim: Aspiro a ele.)
Assistir
No sentido de “dar assistência”, “dar ajuda”, é utilizado de preferência com
complemento sem preposição:
Uma junta médica assistiu o paciente.
A nova política agrária procurará assistir o trabalho rural.
Nesse sentido, admitem-se as construções “assistir ao paciente”, “assistir ao
trabalhador”.
No sentido de “ver”, “presenciar”, exige complemento com a preposição a:
40
Assistimos a um filme.
Assisti a uma partida de tênis.
Nesse sentido, o verbo assistir não admite a forma oblíqua lhe. Assim, não
se diz:
Esse filme? Assisti-lhe. (E sim: Assisti a ele.)
Observação: Atualmente, há uma grande tendência em se usar o verbo assistir no
sentido de “ver”, “presenciar” como transitivo direto:
Uma multidão assistiu o show daquela banda.
Heloísa não assiste novelas.
No sentido de “caber”, “pertencer”, exige complemento com a preposição a:
É um direito que assiste ao trabalhador.
Tal direito assiste ao aluno.
Nesse sentido, o verbo assistir admite a forma oblíqua lhe. Assim, é correto
dizer:
É um direito que lhe assiste.
No sentido de “morar”, “residir” é usado com adjunto adverbial de lugar
introduzido pela preposição em:
O Presidente assiste em Brasília.
O Papa assiste no Vaticano.
Atender
No sentido de “acolher”, “dar atenção a”, é empregado com complemento
sem preposição:
O vendedor atendeu o cliente.
No sentido de “responder”, “tomar em consideração”, deve ser empregado,
preferencialmente, com complemento regido pela preposição a:
O artista atendeu ao pedido do público.
O médico atendeu a um chamado urgente.
Chamar
41
No sentido de “convocar”, “mandar vir”, exige complemento sem preposição:
O técnico chamou os jogadores.
Chame os jogadores.
Nesse caso, admite-se a construção preposicionada:
O técnico chamou pelos jogadores.
Chamou por seus protetores.
No sentido de “cognominar”, “dar nome”, exige indiferentemente
complemento com ou sem a preposição a e predicativo com ou sem a preposição
de. Consequentemente admite quatro construções diferentes:
Chamei Pedro de tolo.
Chamei a Pedro de tolo.
Chamei Pedro tolo.
Chamei a Pedro tolo.
Ou, ainda, substituindo-se o substantivo pelo pronome pessoal oblíquo:
Chamei-o de tolo.
Chamei-lhe de tolo.
Chamei-o tolo.
Chamei-lhe tolo.
No sentido de “invocar”, o complemento aparece introduzido pela proposição
por:
Chamaram, desesperadamente, por ajuda.
Chegar
Pede a preposição a, que indica movimento:
Chegamos a Salvador.
Custar
No sentido de “ser custoso”, “ser difícil”, pede complemento com a
preposição a, seguido de oração infinitiva, que funciona como sujeito de custar:
Custou ao aluno aceitar o fato.
Custa a mim saber que ela vai voltar.
42
Na linguagem culta, não são aceitas construções do tipo:
O aluno custou para aceitar o fato.
Eu custo a crer que ela ainda volte.
Esquecer/lembrar
Quando não são pronominais, os verbos esquecer e lembrar exigem
complemento sem preposição:
Ele esqueceu o caderno.
Nós lembramos tudo o que aconteceu.
Quando são pronominais, exigem complemento com a preposição de:
Ele se esqueceu do caderno.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
Há uma construção com esses verbos em que a coisa esquecida ou
lembrada passa a funcionar como sujeito de esquecer ou lembrar. Nesse caso,
ocorre leve alteração no sentido dos verbos:
Esqueceu-me o ocorrido. (= O ocorrido me caiu no esquecimento.)
Lembrou-me o assunto. (= O assunto me veio à lembrança.)
Implicar
No sentido de “acarretar”, exige complemento sem preposição:
Sua atitude implicará demissão.
Tal procedimento implicará anulação da prova.
No sentido de “impacientar-se”, “demonstrar antipatia”, exige complemento
com a preposição com:
Vivia implicando com o irmão mais novo.
Informar
O verbo informar pede dois complementos, um sem e outro com
preposição. Admite duas construções:
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Informei a nota ao aluno.
Informei o aluno da nota.
Pelos exemplos, observamos que, quando o objeto direto se referir a coisa,
a pessoa será objeto indireto regido pela preposição a; quando o objeto direto se
referir a pessoa, a coisa será objeto indireto regido da preposição de.
Observação: Por analogia ao verbo falar (“falar sobre, acerca de, a respeito de”),
admite-se essa construção:
Informei o aluno sobre (acerca de, a respeito de) a nota.
Nesse caso, o termo introduzido pela preposição sobre ou pelas locuções
prepositivas acerca de, a respeito de é adjunto adverbial de assunto e não
objeto indireto.
A regência do verbo informar se aplica também aos verbos avisar,
certificar, cientificar, notificar e prevenir.
Morar
Pede a preposição em, que indica localização:
Moro em Aracaju.
Obedecer/desobedecer
Estes verbos exigem complemento com a preposição a:
O filho obedece ao pai.
Ele obedecia a leis antigas.
Sempre desobedecia a uma ordem recebida.
Observação: Embora transitivos indiretos, tais verbos admitem voz passiva:
O pai é obedecido pelo filho.
As leis antigas eram obedecidas por ele.
O policial foi desobedecido pelo infrator.
Pagar/perdoar
44
O verbo pagar pede objeto direto (aquilo que é pago) e objeto indireto com
a preposição a, que representa a pessoa ou a instituição a quem se faz
pagamento:
Paguei o livro ao vendedor.
Paguei o empréstimo ao banco.
O verbo perdoar também pede objeto direto e objeto indireto:
Perdoei o pecado ao pecador.
Tais verbos podem ser usados com apenas um dos complementos: apenas
o objeto direto (sempre referente a coisa) ou apenas o objeto indireto (sempre
referente a pessoa ou instituição):
Paguei o livro. Paguei ao vendedor.
Perdoei o pecado. Perdoei ao pecador.
Paguei o empréstimo. Paguei ao banco.
Pedir
O verbo pedir pode ser usado como transitivo direto ou como transitivo
direto e indireto. Nesse caso, o objeto direto é representado por uma coisa e o
indireto por uma pessoa:
Marcos pediu licença e saiu.
Marcos pediu que todos saíssem.
Marcos pediu dinheiro ao pai.
Marcos pediu ao pai que lhe emprestasse o dinheiro.
Só se deve utilizar o verbo pedir seguido da preposição para quando se
pode subentender a palavra licença ou permissão depois dele, uma vez que
esse verbo sempre pede objeto direto:
Pediu (licença) para sair.
Pediu (permissão) para entrar.
Preferir
Na linguagem culta, exige dois complementos, um sem preposição e outro
45
com a preposição a:
Prefiro estudar a trabalhar.
Prefiro cinema a teatro.
Na linguagem culta, o verbo preferir não admite termo intensivo (mais,
muito mais, mil vezes, etc.) nem a palavra antes. Assim, não são aceitas
construções como:
Prefiro mais estudar a trabalhar.
Prefiro antes cinema a teatro.
Observação: Na linguagem coloquial há uma tendência em se usar esse verbo
com a preposição de no lugar da proposição a. Tal uso se explica por analogia ao
que ocorre com o verbo gostar em comparações:
Prefiro mais cinema do que teatro. (=Gosto mais de cinema do de que
de teatro.)
Proceder
No sentido de “ter fundamento”, não exige complemento. Trata-se, pois, de
um verbo intransitivo:
Aqueles boatos não procediam.
Se sua reclamação proceder, farei a revisão da prova.
No sentido de “executar”, “fazer”, exige complemento com a preposição a:
Procederemos a um inquérito.
Tão logo a votação se encerre, procederemos às apurações.
No sentido de “originar-se”, “vir”, pede complemento com a preposição de:
Várias palavras da língua portuguesa procedem do árabe.
Observação: quando o complemento indica lugar, o verbo proceder é classificado
como verbo intransitivo ou segundo alguns autores, como verbo transitivo
circunstancial. Veja:
O avião procede de Roma.
46
Querer
No sentido de “desejar”, “ter vontade de”, exige complemento sem
preposição:
“Eu quero uma casa no campo” (Tavito e Zé Rodrix)
“A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade.” (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer
e Sérgio Britto)
No sentido de “estimar”, “ter afeto”, exige complemento com a preposição
a:
Quero a meus pais.
Quero a meus colegas.
Responder
É transitivo direto quando tem por complemento à declaração dada como
resposta. É transitivo indireto com a preposição a quando se quer nomear a coisa
ou a pessoa a quem se dá resposta:
Luana responder que não tinha assistido àquele filme.
Questionado, Paulo respondeu que gostava de peixe.
O entrevistado respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas.
Embora o amigo lhe mandasse várias cartas, nunca respondeu a ele.
O verbo responder pode aparecer com os dois complementos. Nesse
caso, classifica-se como transitivo direto e indireto, e as funções de objeto direto e
indireto são preenchidas conforme as regras já citadas:
Respondeu ao professor que tinha lido o livro.
Respondeu sim a todos os itens da pesquisa.
Observação: O verbo responder também é empregado no sentido de
“responsabilizar-se”, “ser ou ficar responsável”. Nesse sentido, exige
complemento regido pela proposição por:
Todo cidadão responde por seus atos.
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Simpatizar
O verbo simpatizar exige complemento com a preposição com:
Simpatizei com aquela pessoa.
A diretoria não simpatizou com o novo funcionário.
O verbo simpatizar não é pronominal. Na linguagem culta não são aceitas
construções como:
Simpatizei-me com aquela pessoa.
A diretoria não se simpatizou com o novo funcionário.
Visar
No sentido de “mirar”, exige complemento sem preposição:
Ele visou o alvo.
O caçador visou a presa, disparou e errou.
No sentido de “dar visto”, exige complemento sem preposição:
O gerente visou o cheque.
O próprio cônsul visou meu passaporte.
No sentido de “ter em vista”, exige complemento com a preposição a:
Visamos a uma posição de destaque.
Ele agia sem visar a lucros.
Nesse sentido, visar não admite a forma oblíqua lhe. Não se diz:
Esse cargo? Viso-lhe. (E sim: Esse cargo? Viso a ele.)

Regência

  • 1.
    36 Regência nominal everbal Um erro bastante comum dos candidatos e, que pode penalizá-los na competência 1, é o desconhecimento da complementação correta entre os termos da oração. Essa complementação é o que relaciona uma palavra a outra e é chamada de regência. A chamada regência nominal diz respeito a nomes e os termos regidos por ele, sendo sempre intermediada por uma preposição. Para futura consulta, teremos uma tabela contendo substantivos, adjetivos e advérbios terminados em -mente (originados por adjetivos). Substantivos Acesso a, de, para Alusão a, de Amor a, por Analogia com, entre Ânsia de, por Antipatia a, por Atenção com, para com Aversão a, por, para Capacidade de, para Certeza de, em Devoção a, para com, por Dúvida acerca de, em, sobre Horror a Medo a, de Obediência a Ojeriza a, por Opinião a respeito de, sobre Oportunidade de, para Orgulho de Respeito a, com, para com Temor a, de União a, com, de, entre Adjetivos Acessível a Acostumado a, com Afável com, para com Aflito com, por Agradável a Alheio a, de Análogo a Ansioso de, para, por Apto a, para Ávido de Benéfico a Capaz de, para
  • 2.
    37 Certo de Compatívelcom Compreensível a Comum a, de Constante em Contemporâneo a, de Contíguo a Contrário a Cuidadoso com Curioso de, por Desatento a Descontente com Desejoso de Desfavorável a Devoto a, de Diferente de Difícil de Digno de Entendido em Equivalente a Erudito em Escasso de Essencial para Estranho a Fácil de Fanático por Favorável a Fiel a Firme em Generoso com Grato a Hábil em Habituado a Hostil a Idêntico a Igual a, para Impossível de Impróprio para Imune a Incompatível com Inconsequente com Indeciso em Independente de, em Indiferente a Indigno de Inerente a Insensível a Leal a Lento em Liberal com Natural de Necessário a Negligente em Nocivo a Paralelo a Parco em, de Passível de Perito em Perpendicular a Pertencente a Possível de Possuído de, por Posterior a Preferível a Prejudicial a Prestes a, para
  • 3.
    38 Propício a Próximoa, de Relacionado com Responsável por Rico de, em Satisfeito com, de, em, por Seguro de, em Semelhante a Sensível a Sito em Suspeito de Útil a, para Vazio de Vizinho a, de Os advérbios terminados em -mente seguem a regência dos adjetivos de que se originaram Agradavelmente a Analogamente a Compativelmente com Constantemente em Contrariamente a Diferentemente de Essencialmente para Facilmente de Favoravelmente a Identicamente a Impropriamente para Independentemente de, em Indiferentemente de, em Necessariamente a Paralelamente a Perpendicularmente a Possivelmente de Posteriormente a Quanto à regência verbal, trata-se da relação entre verbos e termos que os complementam. Também para fins de consulta, temos a seguinte tabela. Agradar No sentido de “acariciar”, “fazer carinho”, “afagar”, exige complemento sem preposição: Deitou-se na rede e pôs-se a agradar o gato. No sentido de “contentar”, “satisfazer”, é mais usado com complemento regido pela preposição a: O desempenho do artista agradou a todos.
  • 4.
    39 Agradecer Geralmente constrói-se comdois complementos: um sem preposição (referente a coisa); outro com a preposição a (referente a pessoa): Agradeceu ao colega o favor recebido. Pode ser usado com apenas um dos complementos: apenas o objeto direto (sempre referente a coisa) ou apenas o objeto indireto (sempre referente a pessoa): Agradeceu o presente. Agradeceu ao pai. Aspirar No sentido de “inspirar”, “sorver”, exige complemento sem preposição: Ele aspirou o aroma das flores. Naquele lugar, todos aspiravam um ar poluído. No sentido de “almejar”, “pretender”, exige complemento com a preposição a: A funcionária aspirava ao cargo de chefia. O candidato aspirava a uma posição de destaque. Nesse sentido, o verbo aspirar não admite a forma oblíqua lhe. Não se diz: Esse cargo? Aspiro-lhe. (E sim: Aspiro a ele.) Assistir No sentido de “dar assistência”, “dar ajuda”, é utilizado de preferência com complemento sem preposição: Uma junta médica assistiu o paciente. A nova política agrária procurará assistir o trabalho rural. Nesse sentido, admitem-se as construções “assistir ao paciente”, “assistir ao trabalhador”. No sentido de “ver”, “presenciar”, exige complemento com a preposição a:
  • 5.
    40 Assistimos a umfilme. Assisti a uma partida de tênis. Nesse sentido, o verbo assistir não admite a forma oblíqua lhe. Assim, não se diz: Esse filme? Assisti-lhe. (E sim: Assisti a ele.) Observação: Atualmente, há uma grande tendência em se usar o verbo assistir no sentido de “ver”, “presenciar” como transitivo direto: Uma multidão assistiu o show daquela banda. Heloísa não assiste novelas. No sentido de “caber”, “pertencer”, exige complemento com a preposição a: É um direito que assiste ao trabalhador. Tal direito assiste ao aluno. Nesse sentido, o verbo assistir admite a forma oblíqua lhe. Assim, é correto dizer: É um direito que lhe assiste. No sentido de “morar”, “residir” é usado com adjunto adverbial de lugar introduzido pela preposição em: O Presidente assiste em Brasília. O Papa assiste no Vaticano. Atender No sentido de “acolher”, “dar atenção a”, é empregado com complemento sem preposição: O vendedor atendeu o cliente. No sentido de “responder”, “tomar em consideração”, deve ser empregado, preferencialmente, com complemento regido pela preposição a: O artista atendeu ao pedido do público. O médico atendeu a um chamado urgente. Chamar
  • 6.
    41 No sentido de“convocar”, “mandar vir”, exige complemento sem preposição: O técnico chamou os jogadores. Chame os jogadores. Nesse caso, admite-se a construção preposicionada: O técnico chamou pelos jogadores. Chamou por seus protetores. No sentido de “cognominar”, “dar nome”, exige indiferentemente complemento com ou sem a preposição a e predicativo com ou sem a preposição de. Consequentemente admite quatro construções diferentes: Chamei Pedro de tolo. Chamei a Pedro de tolo. Chamei Pedro tolo. Chamei a Pedro tolo. Ou, ainda, substituindo-se o substantivo pelo pronome pessoal oblíquo: Chamei-o de tolo. Chamei-lhe de tolo. Chamei-o tolo. Chamei-lhe tolo. No sentido de “invocar”, o complemento aparece introduzido pela proposição por: Chamaram, desesperadamente, por ajuda. Chegar Pede a preposição a, que indica movimento: Chegamos a Salvador. Custar No sentido de “ser custoso”, “ser difícil”, pede complemento com a preposição a, seguido de oração infinitiva, que funciona como sujeito de custar: Custou ao aluno aceitar o fato. Custa a mim saber que ela vai voltar.
  • 7.
    42 Na linguagem culta,não são aceitas construções do tipo: O aluno custou para aceitar o fato. Eu custo a crer que ela ainda volte. Esquecer/lembrar Quando não são pronominais, os verbos esquecer e lembrar exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o caderno. Nós lembramos tudo o que aconteceu. Quando são pronominais, exigem complemento com a preposição de: Ele se esqueceu do caderno. Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu. Há uma construção com esses verbos em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito de esquecer ou lembrar. Nesse caso, ocorre leve alteração no sentido dos verbos: Esqueceu-me o ocorrido. (= O ocorrido me caiu no esquecimento.) Lembrou-me o assunto. (= O assunto me veio à lembrança.) Implicar No sentido de “acarretar”, exige complemento sem preposição: Sua atitude implicará demissão. Tal procedimento implicará anulação da prova. No sentido de “impacientar-se”, “demonstrar antipatia”, exige complemento com a preposição com: Vivia implicando com o irmão mais novo. Informar O verbo informar pede dois complementos, um sem e outro com preposição. Admite duas construções:
  • 8.
    43 Informei a notaao aluno. Informei o aluno da nota. Pelos exemplos, observamos que, quando o objeto direto se referir a coisa, a pessoa será objeto indireto regido pela preposição a; quando o objeto direto se referir a pessoa, a coisa será objeto indireto regido da preposição de. Observação: Por analogia ao verbo falar (“falar sobre, acerca de, a respeito de”), admite-se essa construção: Informei o aluno sobre (acerca de, a respeito de) a nota. Nesse caso, o termo introduzido pela preposição sobre ou pelas locuções prepositivas acerca de, a respeito de é adjunto adverbial de assunto e não objeto indireto. A regência do verbo informar se aplica também aos verbos avisar, certificar, cientificar, notificar e prevenir. Morar Pede a preposição em, que indica localização: Moro em Aracaju. Obedecer/desobedecer Estes verbos exigem complemento com a preposição a: O filho obedece ao pai. Ele obedecia a leis antigas. Sempre desobedecia a uma ordem recebida. Observação: Embora transitivos indiretos, tais verbos admitem voz passiva: O pai é obedecido pelo filho. As leis antigas eram obedecidas por ele. O policial foi desobedecido pelo infrator. Pagar/perdoar
  • 9.
    44 O verbo pagarpede objeto direto (aquilo que é pago) e objeto indireto com a preposição a, que representa a pessoa ou a instituição a quem se faz pagamento: Paguei o livro ao vendedor. Paguei o empréstimo ao banco. O verbo perdoar também pede objeto direto e objeto indireto: Perdoei o pecado ao pecador. Tais verbos podem ser usados com apenas um dos complementos: apenas o objeto direto (sempre referente a coisa) ou apenas o objeto indireto (sempre referente a pessoa ou instituição): Paguei o livro. Paguei ao vendedor. Perdoei o pecado. Perdoei ao pecador. Paguei o empréstimo. Paguei ao banco. Pedir O verbo pedir pode ser usado como transitivo direto ou como transitivo direto e indireto. Nesse caso, o objeto direto é representado por uma coisa e o indireto por uma pessoa: Marcos pediu licença e saiu. Marcos pediu que todos saíssem. Marcos pediu dinheiro ao pai. Marcos pediu ao pai que lhe emprestasse o dinheiro. Só se deve utilizar o verbo pedir seguido da preposição para quando se pode subentender a palavra licença ou permissão depois dele, uma vez que esse verbo sempre pede objeto direto: Pediu (licença) para sair. Pediu (permissão) para entrar. Preferir Na linguagem culta, exige dois complementos, um sem preposição e outro
  • 10.
    45 com a preposiçãoa: Prefiro estudar a trabalhar. Prefiro cinema a teatro. Na linguagem culta, o verbo preferir não admite termo intensivo (mais, muito mais, mil vezes, etc.) nem a palavra antes. Assim, não são aceitas construções como: Prefiro mais estudar a trabalhar. Prefiro antes cinema a teatro. Observação: Na linguagem coloquial há uma tendência em se usar esse verbo com a preposição de no lugar da proposição a. Tal uso se explica por analogia ao que ocorre com o verbo gostar em comparações: Prefiro mais cinema do que teatro. (=Gosto mais de cinema do de que de teatro.) Proceder No sentido de “ter fundamento”, não exige complemento. Trata-se, pois, de um verbo intransitivo: Aqueles boatos não procediam. Se sua reclamação proceder, farei a revisão da prova. No sentido de “executar”, “fazer”, exige complemento com a preposição a: Procederemos a um inquérito. Tão logo a votação se encerre, procederemos às apurações. No sentido de “originar-se”, “vir”, pede complemento com a preposição de: Várias palavras da língua portuguesa procedem do árabe. Observação: quando o complemento indica lugar, o verbo proceder é classificado como verbo intransitivo ou segundo alguns autores, como verbo transitivo circunstancial. Veja: O avião procede de Roma.
  • 11.
    46 Querer No sentido de“desejar”, “ter vontade de”, exige complemento sem preposição: “Eu quero uma casa no campo” (Tavito e Zé Rodrix) “A gente não quer só dinheiro, A gente quer dinheiro e felicidade.” (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto) No sentido de “estimar”, “ter afeto”, exige complemento com a preposição a: Quero a meus pais. Quero a meus colegas. Responder É transitivo direto quando tem por complemento à declaração dada como resposta. É transitivo indireto com a preposição a quando se quer nomear a coisa ou a pessoa a quem se dá resposta: Luana responder que não tinha assistido àquele filme. Questionado, Paulo respondeu que gostava de peixe. O entrevistado respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas. Embora o amigo lhe mandasse várias cartas, nunca respondeu a ele. O verbo responder pode aparecer com os dois complementos. Nesse caso, classifica-se como transitivo direto e indireto, e as funções de objeto direto e indireto são preenchidas conforme as regras já citadas: Respondeu ao professor que tinha lido o livro. Respondeu sim a todos os itens da pesquisa. Observação: O verbo responder também é empregado no sentido de “responsabilizar-se”, “ser ou ficar responsável”. Nesse sentido, exige complemento regido pela proposição por: Todo cidadão responde por seus atos.
  • 12.
    47 Simpatizar O verbo simpatizarexige complemento com a preposição com: Simpatizei com aquela pessoa. A diretoria não simpatizou com o novo funcionário. O verbo simpatizar não é pronominal. Na linguagem culta não são aceitas construções como: Simpatizei-me com aquela pessoa. A diretoria não se simpatizou com o novo funcionário. Visar No sentido de “mirar”, exige complemento sem preposição: Ele visou o alvo. O caçador visou a presa, disparou e errou. No sentido de “dar visto”, exige complemento sem preposição: O gerente visou o cheque. O próprio cônsul visou meu passaporte. No sentido de “ter em vista”, exige complemento com a preposição a: Visamos a uma posição de destaque. Ele agia sem visar a lucros. Nesse sentido, visar não admite a forma oblíqua lhe. Não se diz: Esse cargo? Viso-lhe. (E sim: Esse cargo? Viso a ele.)