Prova de redação
UFMG 2000
Manoel Neves
INSTRUÇÃO
Redação, UFMG-2000
Leia	o	trecho,	re,rado	da	Carta	de	Pero	Vaz	de	Caminha.
TEXTO
Redação, UFMG-2000
Carta	de	Pero	Vaz	de	Caminha	(Adaptação	de	Jaime	Cortesão)	
Parece-me	 gente	 de	 tal	 inocência	 que,	 se	 homem	 os	 entendesse	 e	 eles	 a	 nós,	 seriam	 logo	
cristãos,	porque	eles,	segundo	parece,	não	têm	nem	entendem	em	nenhuma	crença.		
E	 portanto,	 se	 os	 degredados	 que	 aqui	 hão-de	 ficar,	 aprenderem	 bem	 a	 sua	 fala	 e	 os	
entenderem,	não	duvido	que	eles,	segundo	a	santa	intenção	de	Vossa	Alteza,	se	hão-de	fazer	
cristãos	e	crer	em	nossa	santa	fé,	à	qual	praza	a	Nosso	Senhor	que	os	traga,	porque,	certo,	essa	
gente	é	boa	e	de	boa	simplicidade.	E	imprimir-se-á	ligeiramente	neles	qualquer	cunho,	que	se	
lhes	quiserem	dar.	E	pois	Nosso	Senhor	que	lhes	deu	bons	corpos	e	bons	rostos,	como	a	bons	
homens,	por	aqui	nos	trouxe,	creio	que	não	foi	sem	causa.
INSTRUÇÃO
Redação, UFMG-2000
Leia,	agora,	o	trecho	escrito,	494	anos	depois	da	Carta	de	Pero	Vaz	de	Caminha,	por	Marcos	
Terena,	indígena	brasileiro,	Presidente	Intertribal	e	Ar,culador	dos	Direitos	Indígenas	na	ONU.
TEXTO
Redação, UFMG-2000
Folha	de	S.	Paulo,	ago.1994.	Caderno	1,	p.3.	
No	 começo,	 quando	 havia	 nessas	 terras	 somente	 os	 povos	 indígenas,	 nossos	 antepassados	
receberam	portugueses,	ingleses,	holandeses	e	africanos,	acreditando	no	amor	ao	próximo	e	na	
formação	 de	 um	 grande	 país	 mul,rracial.	 Ao	 longo	 do	 tempo,	 no	 entanto,	 fomos	 traídos,	
perseguidos	e	mortos,	quase	que	exterminados	depois	que	algum	“expert”	propagou	sua	tese	
de	que	éramos	seres	sem	alma.		[...]	
Não	admi,mos	olhar	para	o	Brasil,	terra	de	nossos	antepassados,	como	uma	nação	subjugada	
por	um	“desenvolvimento”	que	enriquece	uns	poucos	e	empobrece	a	grande	maioria.		
Nós,	 os	 índios,	 queremos	 falar,	 mas	 queremos	 ser	 escutados	 na	 nossa	 língua,	 nos	 nossos	
costumes.	E	também	quando	formos	às	escolas,	porque	é	preciso	aprender	a	ler,	a	escrever.	
Não	para	que	deixemos	de	ser	índios,	mas	para	que	tenhamos	igualdade	de	condições	na	defesa	
dos	nossos	direitos	e	da	nossa	vida.
Com	base	na	leitura	desses	dois	trechos,	REDIJA	um	texto	disserta,vo,	respondendo	à	seguinte	
questão:	
No	seu	entender,	a	a,tude	do	homem	branco	em	relação	ao	indígena	brasileiro	mudou	ao	longo	
dos	séculos?	
QUESTÃO 01
Redação, UFMG-2000
Seja	qual	for	a	sua	resposta,	fundamente-a	em	argumentos	convincentes.
trata-se	de	uma	dissertação	tradicional	
a)	o	indígena	ainda	é	ví,ma	da	prá,ca	predatória	do	homem	branco;	
b)	o	indígena	já	conquistou	autonomia	nas	relações	com	a	cultura	dominante;	
c)	o	indígena	teve	alguns	ganhos	durante	os	séculos,	mas	ainda	existe	muito	a	ser	feito.	
SOLUÇÃO COMENTADA
Redação, UFMG-2000
o gênero
perspectivas a serem adotadas
A DISSERTAÇÃO TRADICIONAL
estrutura do gênero
introdução tema	+	tese	 o	locutor	já	se	posiciona	 [em	um	§apenas]	
desenvolvimento exposição-ampliação	 discute-se	o	problema	
conclusão retomada	resumida	 peroração	[faculta,va]	 [em	apenas	um	§]	
[dois	ou	mais	§§]	
locutor de terceira pessoa, objetivo e distanciado
[o que interessa é a capacidade de discutir o assunto e se posicionar sobre ele]
alguns tipos de introdução: frase tópico, citação, interrogação, subdivisão
tipos de desenvolvimento: causa e consequência, confronto, subdivisão
tipos de conclusão: advertência, questionamento, sugestão
[explicite articuladores; não copie trechos da coletânea; procure usar a terceira pessoa]
título resumo	do	texto	 curto,	sinté,co	 não	é	frase!
INSTRUÇÃO
Redação, UFMG-2000
Leia	os	três	trechos,	observando	com	atenção	as	palavras	destacadas	no	Trecho	2
TRECHO 01
Redação, UFMG-2000
Veja,	Rio	de	Janeiro,	3	mar.1999,	p.126.	(	Texto	adaptado)	
O	ser	humano	já	não	exibe	o	mesmo	talento	na	arte	de	apelidar	os	objetos	e	fenômenos	à	sua	
volta.	A	capacidade	de	dar	nome	às	coisas	revela-se	em	crise.	
À	mais	apavorante	das	doenças	surgidas	nos	úl,mos	anos	deu-se	o	nome	de	Aids,	uma	mera	
sigla.	Aids,	além	de	ser	sigla,	leva	outra	caracterís,ca	de	nosso	tempo,	o	cien,ficismo,	com	sua	
referência	 à	 imunodeficiência	 adquirida.	 No	 caso	 brasileiro,	 há	 a	 agravante	 de,	 incuráveis	
americanófilos,	 termos	 adotado	 a	 sigla	 em	 inglês.	 Ao	 contrário,	 franceses	 e	 espanhóis	
conformaram-na	 à	 ordem	 das	 palavras	 em	 seus	 idiomas	 (síndrome	 da	 imunodeficiência	
adquirida)	 e	 ob,veram	 resultado	 muito	 mais	 afeito	 à	 índole	 la,na	 -	 Sida.	 Também	 os	
portugueses	falam	Sida	e	não	Aids.
TRECHO 02
Redação, UFMG-2000
Veja,	Rio	de	Janeiro,	9	de	abr.	1997.	p.	124,	
João	da	Silva	teve	um	dia	estressante.	Enfrentou	um	rush	danado	e	chegou	atrasado	ao	mee,ng	
com	 o	 sales	 manager	 da	 empresa	 onde	 trabalha.	 Antes	 do	 workshop	 com	 o	 expert	 em	 top	
marke,ng	foi	servido	um	brunch,	mas	a	comida	era	muito	light	para	a	sua	fome.	À	tarde	plugou-
se	na	rede	e	conseguiu	dar	um	donwload	em	alguns	sopwares	que	precisava	para	preparar	seu	
paper	do	dia	seguinte.	Deletou	uns	tantos	arquivos,	pegou	sua	pick-up	e	seguiu	para	o	point	
onde	estava	marcada	uma	happy	hour.	Mais	tarde	no	flat,	ligou	para	o	delivery	e	traçou	um	
milkshake	e	um	hambúrguer,	enquanto	assis,a	ao	Non	Stop	na	MTV.	À	noite,	pôs	sua	camisa	
mais	fashion,	comprada	num	sale	do	shopping,	e	foi	assis,r	ao	Shine	no	cinema.	Voltou	para	o	
apart-hotel	a	tempo	de	ver	um	pedaço	de	seu	talk-show	preferido	na	TV.
TRECHO 03
Redação, UFMG-2000
Veja,	Rio	de	Janeiro,	9	abr.1997,	p.126.		
A	aprendizagem	de	uma	língua	estrangeira	é	uma	garan,a	de	acesso	às	culturas	de	pressgio,	
permi,ndo	o	domínio	ciensfico,	tecnológico,	arss,co,	etc.		
Por	outro	lado,	afirma	o	Prof.	Erik	Sabison	que,	no	Brasil,	“usa-se	a	língua	estrangeira	para	criar	
jogos	de	inferioridade”.	E,	ainda,	segundo	o	Prof.	Dino	Pret,	“adotam-se	termos	em	inglês	para	
passar	a	ideia	de	que	o	produto	é	sofis,cado.”
A	 par,r	 dessa	 leitura,	 REDIJA	 um	 texto	 disserta,vo,	 posicionando-se	 quanto	 à	 presença	 do	
inglês	no	uso	co,diano	da	língua	portuguesa.		
Para	 tanto:	 a)	 apoie-se	 em	 uma	 das	 posições	 presentes	 no	 Trecho	 3;	 e	 b)	 apresente	
considerações	sobre	as	palavras	aportuguesadas	em	destaque	no	Trecho	2.	
QUESTÃO 02
Redação, UFMG-2000
SOLUÇÃO COMENTADA
Redação, UFMG-2000
analisando os textos
O	primeiro	texto	aborda	o	problema	da	colonização	linguís,ca	que	tem	como	efeito	nocivo,	na	
visão	do	autor,	promover	a	adoção	de	termos	ingleses	em	detrimento	da	criação	de	palavras	no	
português.	
O	 segundo	 exemplifica,	 de	 forma	 parodís,ca,	 a	 colonização	 linguís,ca	 que	 se	 dissemina	 no	
Brasil,	 ultrapassando	 o	 âmbito	 da	 terminologia	 ciensfica	 e	 invadindo	 todos	 os	 espaços	
linguís,cos	da	vida	co,diana.	
O	 terceiro	 apresenta	 algumas	 reflexões	 sobre	 a	 relação	 língua/cultura,	 chamando	 a	 atenção	
para	 a	 possibilidade	 de	 uma	 relação	 de	 inferioridade	 e	 superioridade	 no	 uso	 da	 língua	
estrangeira.	
o gênero textual
O	obje,vo	da	questão	é	que	o	candidato,	a	par,r	da	leitura	e	análise	dos	textos	seja	capaz	de	se	
posicionar	 sobre	 o	 problema,	 redigindo	 um	 texto	 disserta,vo	 e	 argumentando,	 de	 forma	
consistente,	apoiando-se	em	uma	das	posições	presentes	no	trecho	3.
SOLUÇÃO COMENTADA
Redação, UFMG-2000
posicionamento contrário à língua inglesa
devemos	preservar	nossa	iden,dade	cultural	e	linguís,ca;	
devemos	valorizar	nossa	cultura	e	nossa	língua.	
posicionamento favorável à língua inglesa
a	língua	inglesa	possibilita	acesso	às	culturas	de	pressgio;	
a	língua	inglesa	é	garan,a	de	acesso	ao	conhecimento.	
acerca das palavras aportuguesadas
Em	 relação	 às	 palavras	 aportuguesadas,	 o	 candidato	 deverá	 revelar	 que	 entende	 o	
aportuguesamento	como	uma	aceitação	tácita	da	cultura	estrangeira,	mas,	ao	mesmo	tempo,	
como	uma	reelaboração	da	mesma.
INSTRUÇÃO
Redação, UFMG-2000
Leia	o	texto.
O CORVO E A RAPOSA
Redação, UFMG-2000
Carta	de	Pero	Vaz	de	Caminha	(Adaptação	de	Jaime	Cortesão)	
O	Corvo,	pousado	numa	árvore,	segurava	no	bico	um	queijo.	E	a	Raposa,	atraída	pelo	cheiro	que	
de	lá	vinha,	respondeu	rapidamente	à	força	desse	essmulo	e	se	pôs	a	jogar	uma	conversa	cheia	
de	agrados	e	ar,manhas	para	cima	do	Corvo.		
─	Olá,	Corvo!	Bom	dia!	Como	você	é	bonito!	Que	penas	lindas!	Falando	sério,	se	seu	canto	tem	
alguma	 semelhança	 com	 a	 sua	 plumagem,	 você	 é	 uma	 figura	 rara,	 sem	 igual,	 entre	 os	
moradores	destes	bosques.	
Ao	 som	 dessas	 palavras,	 o	 Corvo,	 quase	 que	 sufocado	 pela	 vaidade,	 não	 cabe	 em	 si	 de	 tão	
alegre.	E,	para	mostrar	sua	bela	voz,	abre	o	bico	até	atrás	e	deixa	cair	ao	chão	o	queijo	que	a	
Raposa,	ávida,	logo,	logo	dele	toma	posse.	
─	Oh,	Corvo!	Meu	jovem	corvo!	Fique	sabendo	que	todo	adulador	vive	à	custa	daquele	que	o	
escuta.	Não	há	dúvida	de	que	esta	lição	vale,	certamente,	um	queijo.	
A	 raposa	 se	 re,ra	 e	 deixa	 o	 Corvo	 lamentando-se	 da	 trapaça	 de	 que	 fora	 ví,ma.	 Depois	 de	
muito	pensar,	envergonhado,	ele	jurou,	mas	um	pouco	tarde,	que	noutra	arapuca	nunca	mais	o	
apanhariam.
QUESTÃO 03
Redação, UFMG-2000
Muito	 se	 tem	 discu,do,	 nos	 dias	 atuais,	 a	 questão	 da	 publicidade,	 das	 inúmeras	 "trapaças"	
publicitárias	de	que	as	pessoas	têm	sido	ví,mas	no	dia-a-dia.		
REDIJA	 um	 texto	 narra,vo,	 contando	 uma	 experiência	 pessoal	 em	 que,	 à	 maneira	 do	 Corvo,	
você	tenha	sido	seduzido	por	estratégias	publicitárias.	
Como	conclusão,	faça	considerações	sobre	a	vaidade	humana.
crônica,	preferencialmente,	c/	narrador	de	primeira	pessoa,	protagonista,	que	reflita	s/	a	vaidade	
SOLUÇÃO COMENTADA
Redação, UFMG-2000
o gênero
A CRÔNICA
estrutura do gênero
introdução ambienta	história	 elementos	da	narra,va	 apresenta	o	assunto	
desenvolvimento detonador	 obstáculo	a	ser	superado	
conclusão desenlace	 solução	do	conflito	 repouso	da	ação	
clímax	
locutor de primeira ou terceira pessoa
a crônica pode ser irônica, lírica, jornalística [esportiva, política, social] ou filosófica
o objetivo discursivo é fazer uma reflexão sobre um fato relevante
espera-se o uso de uma linguagem mais próxima da conotação [figuras e/ou lirismo]
título resumo	do	texto	 curto,	sinté,co	 pode	ter	verbo	conjugado

Prova de redação da UFMG-2000