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Prefácio
Caro Professor
É com imenso prazer que colocamos nas suas mãos os Programas do Ensino Secundário Geral.
Com a introdução do Novo Currículo do Ensino Básico, iniciada em 2004, houve necessidade de se
reformular o currículo do Ensino Secundário Geral para que a integração do aluno se faça sem
sobressaltos e para que as competências gerais, tão importantes para a vida continuem a ser
desenvolvidas e consolidadas neste novo ciclo de estudos.
As competências que os novos programas do Ensino Secundário Geral procuram desenvolver,
compreendem um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários para a
vida que permitam ao graduado do Ensino Secundário Geral enfrentar o mundo de trabalho numa
economia cada vez mais moderna e competitiva.
Estes programas resultam de um processo de consulta à sociedade. O produto que hoje tem em
mãos é resultado do trabalho abnegado de técnicos pedagógicos do INDE e da DINEG, de
professores das várias instituições de ensino e formação, quadros de diversas instituições públicas,
empresas e organizações, que colocaram a sua sabedoria ao serviço da transformação curricular e
a quem aproveitamos desde já, agradecer.
Aos professores, de que depende em grande medida a implementação destes programas, apelamos
ao estudo permanente das sugestões que eles contêm e que convoquem a vossa e criatividade e
empenho para levar a cabo a gratificante tarefa de formar hoje os jovens que amanhã contribuirão
para o combate à pobreza.
Aires Bonifácio Baptista Ali.
Ministro da Educação e Cultura
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1. Introdução
A Transformação Curricular do Ensino Secundário Geral (TCESG) é um processo que se enquadra
no Programa Quinquenal do Governo e no Plano Estratégico da Educação e Cultura e tem como
objectivos:
 Contribuir para a melhoria da qualidade de ensino, proporcionando aos alunos
aprendizagens relevantes e apropriadas ao contexto socioeconómico do país.
 Corresponder aos desafios da actualidade através de um currículo diversificado, flexível e
profissionalizante.
 Alargar o universo de escolhas, formando os jovens tanto para a continuação dos estudos
como para o mercado de trabalho e auto emprego.
 Contribuir para a construção de uma nação de paz e justiça social.
Constituem principais documentos curriculares:
 O Plano Curricular do Ensino Secundário (PCESG) – documento orientador que contém os
objectivos, a política, a estrutura curricular, o plano de estudos e as estratégias de
implementação;
 Os programas de ensino de cada uma das disciplinas do plano de estudos;
 O regulamento de avaliação do Ensino Secundário Geral (ESG);
 Outros materiais de apoio.
1.1. Linhas Orientadoras do Currículo do ESG
O Currículo do ESG, a ser introduzido em 2008, assenta nas grandes linhas orientadoras que
visam a formação integral dos jovens, fornecendo-lhes instrumentos relevantes para que
continuem a aprender ao longo de toda a sua vida.
O novo currículo procura por um lado, dar uma formação teórica sólida que integre uma
componente profissionalizante e, por outro, permitir aos jovens a aquisição de competências
relevantes para uma integração plena na vida política, social e económica do país.
As consultas efectuadas apontam para a necessidade de a escola responder às exigências do
mercado cada vez mais moderno que apela às habilidades comunicativas, ao domínio das
Tecnologias de Informação e Comunicação, à resolução rápida e eficaz de problemas, entre outros
desafios.
Assim, o novo programa do ESG deverá responder aos desafios da educação, assegurando uma
formação integral do indivíduo que assenta em quatros pilares, assim descritos:
Saber Ser que é preparar o Homem moçambicano no sentido espiritual, crítico e estético,
de modo que possa ser capaz de elaborar pensamentos autónomos, críticos e formular os
seus próprios juízos de valor que estarão na base das decisões individuais que tiver de
tomar em diversas circunstâncias da sua vida;
Saber Conhecer que é a educação para a aprendizagem permanente de conhecimentos
científicos sólidos e a aquisição de instrumentos necessários para a compreensão, a
interpretação e a avaliação crítica dos fenómenos sociais, económicos, políticos e naturais;
Saber Fazer que proporciona uma formação e qualificação profissional sólida, um espírito
empreendedor no aluno/formando para que ele se adapte não só ao meio produtivo actual,
mas também às tendências de transformação no mercado;
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Saber viver juntos e com os outros que traduz a dimensão ética do Homem, isto é,
saber comunicar-se com os outros, respeitar-se a si, à sua família e aos outros homens de
diversas culturas, religiões, raças, entre outros.
Agenda 2025:129
Estes saberes interligam-se ao longo da vida do indivíduo e implicam que a educação se organize
em torno deles de modo a proporcionar aos jovens instrumentos para compreender o mundo, agir
sobre ele, cooperar com os outros, viver, participar e comportar-se de forma responsável.
Neste quadro, o desafio da escola é, pois, fornecer as ferramentas teóricas e práticas relevantes
para que os jovens e os adolescentes sejam bem sucedidos como indivíduos, e como cidadãos
responsáveis e úteis na família, na comunidade e na sociedade, em geral.
1.2. Os desafios da Escola
A escola confronta-se com o desafio de preparar os jovens para a vida. Isto significa que o papel
da escola transcende os actos de ensinar a ler, a escrever, a contar ou de transmitir grandes
quantidades de conhecimentos de história, geografia, biologia ou química, entre outros. Torna-se,
assim, cada vez mais importante preparar o aluno para aprender a aprender e para aplicar os seus
conhecimentos ao longo da vida.
Perante este desafio, que competências são importantes para uma integração plena na vida?
As competências importantes para a vida referem-se ao conjunto de recursos, isto é,
conhecimentos, habilidades atitudes, valores e comportamentos que o indivíduo mobiliza para
enfrentar com sucesso exigências complexas ou realizar uma tarefa, na vida quotidiana. Isto
significa que para resolver um determinado problema, tomar decisões informadas, pensar critica e
criativamente ou relacionar-se com os outros um indivíduo necessita de combinar um conjunto de
conhecimentos, práticas e valores.
Naturalmente que o desenvolvimento das competências não cabe apenas à escola, mas também à
sociedade, a quem cabe definir quais deverão ser consideradas importantes, tendo em conta a
realidade do país.
Neste contexto, reserva-se à escola o papel de desenvolver, através do currículo, não só as
competências viradas para o desenvolvimento das habilidades de comunicação, leitura e escrita,
matemática e cálculo, mas também, as competências gerais, actualmente reconhecidas como
cruciais para o desenvolvimento do indivíduo e necessárias para o seu bem estar, nomeadamente:
a) Comunicação nas línguas moçambicana, portuguesa, inglesa e francesa;
b) Desenvolvimento da autonomia pessoal e a auto-estima; de estratégias de aprendizagem e
busca metódica de informação em diferentes meios e uso de tecnologia;
c) Desenvolvimento de juízo crítico, rigor, persistência e qualidade na realização e
apresentação dos trabalhos;
d) Resolução de problemas que reflectem situações quotidianas da vida económica social do
país e do mundo;
e) Desenvolvimento do espírito de tolerância e cooperação e habilidade para se relacionar bem
com os outros;
f) Uso de leis, gestão e resolução de conflitos;
g) Desenvolvimento do civismo e cidadania responsáveis;
h) Adopção de comportamentos responsáveis com relação à sua saúde e da comunidade bem
como em relação ao alcoolismo, tabagismo e outras drogas;
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i) Aplicação da formação profissionalizante na redução da pobreza;
j) Capacidade de lidar com a complexidade, diversidade e mudança;
k) Desenvolvimento de projectos estratégias de implementação individualmente ou em grupo;
l) Adopção de atitudes positivas em relação aos portadores de deficiências, idosos e crianças.
Importa destacar que estas competências encerram valores a serem desenvolvidos na prática
educativa no contexto escolar e extra-escolar, numa perspectiva de aprender a fazer fazendo.
(...) o aluno aprenderá a respeitar o próximo se tiver a oportunidade de experimentar
situações em que este valor é visível. O aluno só aprenderá a viver num ambiente limpo se a
escola estiver limpa e promover o asseio em todos os espaços escolares. O aluno cumprirá as
regras de comportamento se elas forem exigidas e cumpridas por todos os membros da
comunidade escolar de forma coerente e sistemática.
PCESG:27
Neste contexto, o desenvolvimento de valores como a igualdade, liberdade, justiça, solidariedade,
humildade, honestidade, tolerância, responsabilidade, perseverança, o amor à pátria, o amor
próprio, o amor à verdade, o amor ao trabalho, o respeito pelo próximo e pelo bem comum, deverá
estar ancorado à prática educativa e estar presente em todos os momentos da vida da escola.
As competências acima indicadas são relevantes para que o jovem, ao concluir o ESG esteja
preparado para produzir o seu sustento e o da sua família e prosseguir os estudos nos níveis
subsequentes.
Perspectiva-se que o jovem seja capaz de lidar com economias em mudança, isto é, adaptar-se a
uma economia baseada no conhecimento, em altas tecnologias e que exigem cada vez mais novas
habilidades relacionadas com adaptabilidade, adopção de perspectivas múltiplas na resolução de
problemas, competitividade, motivação, empreendedorismo e a flexibilidade de modo a ter várias
ocupações ao longo da vida.
1.3. A Abordagem Transversal
A transversalidade apresenta-se no currículo do ESG como uma estratégia didáctica com vista um
desenvolvimento integral e harmonioso do indivíduo. Com efeito, toda a comunidade escolar é
chamada a contribuir na formação dos alunos, envolvendo-os na resolução de situações-problema
parecidas com as que se vão confrontar na vida.
No currículo do ESG prevê-se uma abordagem transversal das competências gerais e dos temas
transversais. De referir que, embora os valores se encontrem impregnados nas competências e nos
temas já definidos no PCESG, é importante que as acções levadas a cabo na escola e as atitudes
dos seus intervenientes sobretudo dos professores constituam um modelo do saber ser, conviver
com os outros e bem fazer.
Neste contexto, toda a prática educativa gravita em torno das competências acima definidas de tal
forma que as oportunidades de aprendizagem criadas no ambiente escolar e fora dele contribuam
para o seu desenvolvimento. Assim, espera-se que as actividades curriculares e co-curriculares
sejam suficientemente desafiantes e estimulem os alunos a mobilizar conhecimentos, habilidades,
atitudes e valores.
O currículo do ESG prevê ainda a abordagem de temas transversais, de forma explícita, ao longo
do ano lectivo. Considerando as especificidades de cada disciplina, são dadas indicações para a sua
abordagem no plano temático, nas sugestões metodológicas e no texto de apoio sobre os temas
transversais.
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O desenvolvimento de projectos comuns constitui-se também com uma estratégias que permite
estabelecer ligações interdisciplinares, mobilizar as competências treinadas em várias áreas de
conhecimento para resolver problemas concretos. Assim, espera-se que as actividades a realizar no
âmbito da planificação e implementação de projectos, envolvam professores, alunos e até a
comunidade e constituam em momentos de ensino-aprendizagem significativos.
1.4 As Línguas no ESG
A comunicação constitui uma das competências considerada chave num mundo globalizado. No
currículo do ESG, são usados a língua oficial (Português), línguas Moçambicanas, línguas
estrangeiras (Inglês e Francês).
As habilidades comunicativas desenvolvem-se através de um envolvimento conjugado de todas as
disciplinas e não se reserva apenas às disciplinas específicas de línguas. Todos os professores
deverão assegurar que alunos se expressem com clareza e que saibam adequar o seu discurso às
diferentes situações de comunicação. A correcção linguística deverá ser uma exigência constante
nas produções dos alunos em todas as disciplinas.
O desafio da escola é criar espaços para a prática das línguas tais como a promoção da leitura
(concursos literários, sessões de poesia), debates sobre temas de interesse dos alunos, sessões
para a apresentação e discussão de temas ou trabalhos de pesquisa, exposições, actividades
culturais em datas festivas e comemorativas, entre outros momentos de prática da língua numa
situação concreta. Os alunos deverão ser encorajados a ler obras diversas e a fazer comentários
sobre elas e seus autores, a escrever sobre temas variados, a dar opiniões sobre factos ouvidos ou
lidos nos órgãos de comunicação social, a expressar ideias contrárias ou criticar de forma
apropriada, a buscar informações e a sistematizá-la.
Particular destaque deverá ser dado à literatura representativa de cada uma das línguas e, no caso
da língua oficial e das línguas moçambicanas, o estudo de obras de autores moçambicanos
constitui um pilar para o desenvolvimento do espiríto patriótico e exaltação da moçambicanidade.
1.5. O Papel do Professor
O papel da escola é preparar os jovens de modo a torná-los cidadãos activos e responsáveis na
família, no meio em que vivem (cidade, aldeia, bairro, comunidade) ou no trabalho.
Para conseguir este feito, o professor deverá colocar desafios aos seus alunos, envolvendo-os em
actividades ou projectos, colocando problemas concretos e complexos. A preparação do aluno para
a vida passa por uma formação em que o ensino e as matérias leccionadas tenham significado para
a vida do jovem e possam ser aplicados a situações reais.
O ensino - aprendizagem das diferentes disciplinas que constituem o currículo fará mais sentido se
estiver ancorado aos quatro saberes acima descritos interligando os conteúdos inerentes à
disciplina, às componentes transversais e às situações reais.
Tendo presente que a tarefa do professor é facilitar a aprendizagem, é importante que este
consiga:
 organizar tarefas ou projectos que induzam os alunos a mobilizar os seus conhecimentos,
habilidades e valores para encontrar ou propor alternativas de soluções;
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 encontrar pontos de interligação entre as disciplinas que propiciem o desenvolvimento de
competências. Por exemplo, envolver os alunos numa actividade, projecto ou dar um
problema que os obriga a recorrer a conhecimentos, procedimentos e experiências de
outras áreas do saber;
 acompanhar as diferentes etapas do trabalho para poder observar os alunos, motivá-los e
corrigi-los durante o processo de trabalho;
 criar, nos alunos, o gosto pelo saber como uma ferramenta para compreender o mundo e
transformá-lo;
 avaliar os alunos no quadro das competências que estão a ser desenvolvidas, numa
perspectiva formativa.
Este empreendimento exige do professor uma mudança de atitude em relação ao saber, à
profissão, aos alunos e colegas de outras disciplinas. Com efeito, o sucesso deste programa passa
pelo trabalho colaborativo e harmonizado entre os professores de todas as disciplinas. Neste
sentido, não se pode falar em desenvolvimento de competências para vida, de interdisciplinaridade
se os professores não dialogam, não desenvolvem projectos comuns ou se fecham nas suas
próprias disciplinas. Um projecto de recolha de contos tradicionais ou da história local poderá
envolver diferentes disciplinas. Por exemplo:
- Português colaboraria na elaboração do guião de recolha, estrutura, redacção e
correcção dos textos;
- História ocupar-se-ia dos aspectos técnicos da recolha deste tipo de fontes;
- Geografia integraria aspectos geográficos, físicos e socio-económicos da região;
- Educação Visual ficaria responsável pelas ilustrações e cartazes.
Com estes projectos treinam-se habilidades, desenvolvem-se atitudes de trabalhar em equipa, de
análise, de pesquisa, de resolver problemas e a auto-estima, contribuindo assim para o
desenvolvimento das competências mais gerais definidas no PCESG.
As metodologias activas e participativas propostas, centradas no aluno e viradas para o
desenvolvimento de competências para a vida pretendem significar que, o professor não é mais um
centro transmissor de informações e conhecimentos, expondo a matéria para reprodução e
memorização pelos alunos. O aluno não é um receptáculo de informações e conhecimentos. O
aluno deve ser um sujeito activo na construção do conhecimento e pesquisa de informação,
reflectindo criticamente sobre a sociedade.
O professor deve assumir-se como criador de situações de aprendizagem, regulando os recursos e
aplicando uma pedagogia construtivista. O seu papel na liderança de uma comunidade escolar
implica ainda que seja um mediador e defensor intercultural, organizador democrático e gestor da
heterogeneidade vivencial dos alunos.
As metodologias de ensino devem desenvolver no aluno: a capacidade progressiva de conceber e
utilizar conceitos; maior capacidade de trabalho individual e em grupo; entusiasmo, espírito
competitivo, aptidões e gostos pessoais; o gosto pelo raciocínio e debate de ideias; o interesse pela
integração social e vocação profissional.
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O ensino e aprendizagem de História
Este Programa de Ensino foi concebido e estruturado com base no Plano Curricular do Ensino
Secundário Geral, (PCESG), tendo em conta o processo de revisão curricular realizado no Ensino
Básico.
Neste programa foram introduzidas alterações que consistiram na redução parcial dos conteúdos
referentes à história universal tendo-se mantido o essencial; foram igualmente introduzidos conteúdos
referentes a processos históricos de África e de Moçambique e indicadas vias de abordagem que se
aproximam da estratégia definida para o Ensino Básico.
Mais do que o referido no parágrafo anterior, a mudança reside na metodologia de abordagem do
programa e dos conteúdos nele prescritos, bem como das sugestões de actividades a realizar em cada
unidade temática, e da filosofia que sustentou a elaboração deste Programa de ensino.
Este programa assim como todos os outros devem ter em conta os temas transversais que deverão ser
integrados ao longo da planificação das unidades temáticas. Para complementar a abordagem dos temas
transversais poder-se-ão realizar através de actividades extracurriculares. O ensino desta disciplina
contribue para o desenvolvimento de atitudes de respeito pelos direitos e crenças dos outros, de
solidariedade, de tolerância, consciência patriótica e vontade de participar activamente na construção de
uma sociedade moçambicana democrática.
O Programa da 12ª Classe é constituído por cinco unidades, nomeadamente:
1. Periodização da História de Moçambique;
2. Moçambique - Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração;
3. Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira;
4. O período da dominação colonial em Moçambique;
5. Moçambique pós-independência: 1975-2004.
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Competências a Desenvolver no 2º Ciclo do Ensino Secundário Geral
 Usa e aprofunda a terminologia da disciplina de História para descrever acontecimentos sócio-
históricos;
 Usa as línguas (portuguesa, inglesa, local e outras) para a recolha e sistematização de
informação de interesse sócio-histórico, cultural e patrimonial;
 Busca permanentemente estratégias independentes de aprendizagem e de informação em
diferentes meios para aprofundar seu conhecimento sobre matérias de História Universal, de
África e de Moçambique
 Relativiza os factos e revela o sentido crítico perante o fluxo de informações que lhe chegam
através de vários meios de comunicação;
 Usa os conhecimentos que possui sobre o mundo, adquiridos quer através das ciências naturais,
quer através das ciências sociais, para analisar e compreender as relações e os laços que unem
homens e mulheres ao seu meio ambiente.
 Participa nos esforços da comunidade e do país na luta contra a pobreza através do seu
envolvimento consciente em acções de produção em seu benefício e da comunidade.
 Tem consciência de ser e pertencer a uma nação a fim de dispor de referências que lhe permitem
situar-se no mundo e respeitar as outras culturas.
 Promove acções visando a defesa dos direitos humanos, de cidadania, da democracia e tolerância
pelas diferenças.
 Promove o espírito de cooperação inter-pessoal, entre as comunidades e povos;
 Age em conformidade com a lei na gestão e resolução de conflitos sociais;
 Respeita as leis nacionais, internacionais e de cada país.
 Discute a importância de resolução pacífica dos conflitos
 Participa na organização dos processos político-sociais do país.
 Aplica os conhecimentos no desenvolvimento de projectos que beneficiem a sua comunidade e o
país.
Objectivos Gerais do Ciclo
O objectivo central deste Programa de Ensino pode assim resumir-se no seguinte:
 Analisar criticamente e problematizar os dados sociais;
 Dominar os conceitos e outros instrumentos operatórios da História,
 Adquirir hábitos de exigência e de rigor, ensaiando metodologias de investigação
 Reconhecer a relatividade e a constante reconstrução do saber histórico.
 Perceber que a História de África (da África negra, em particular) é parte integrante da História
Universal;
 Reconhecer a existência de factores externos que condicionaram o desenvolvimento do
continente, designadamente a intromissão colonial;
 Reconhecer a existência de uma teoria científica sempre em evolução e não fazer da História
apenas uma simples colecção de factos;
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 Reflectir criticamente sobre os dados sociais a um domínio de conceitos cada vez mais sólido e a
uma cada vez maior relacionação de acontecimentos, designadamente os acontecimentos de
alcance mundial e os surgidos em África ou com ela relacionados.
 Descobrir na História as referências e o papel das suas comunidades no contexto do património
histórico nacional;
 Estabelecer analogias, semelhanças e diferenças entre o seu eu e o (s) outro (s) de diversos tempos e
lugares, como a procurarem o sentido das permanências e mudanças culminando com a
compreensão da realidade presente.
 Analisar conteúdos numa base global nacional, como forma de contribuir para a fortificação da
unidade nacional em vez de uma visão regionalizada. sempre enquadrar qualquer
 Incitar os alunos a estabelecerem nexos entre os conhecimentos teóricos da aula e a experiência
prática, devendo a pesquisa dos alunos ter como ponto de partida o levantamento de problemas reais
e actuais.
 Fortificar a unidade nacional através dos conteúdos da História do país
 Compreender a dinâmica da História do país nos níveis sócio-politico e económico
Visão Geral dos Conteúdos do Ensino Secundário Geral
8ª Classe 9ª Classe 10ª Classe 11ª Classe 12ª Classe
1- A História
como Ciência
1- Formação do
Sistema Capitalista
do Século XV-
XVII
1 - As Contradições
Imperialistas, dos
finais do século
XIX até ao final da
Iª Guerra Mundial
1- Introdução à
História
1- Sobre a
periodização da
História de
Moçambique
2- Origem e
Evolução do
Homem
2 - O Capitalismo
Industrial e o
Movimento
Operário nos
séculos XVIII-XIX
2- O Mundo entre
a 1ª e 2ª guerra
mundiais (1918-
1939)
2- Invasão,
Partilha e
ocupação efectiva
de África,
2. : Moçambique-
Da comunidade
Primitiva ao
surgimento das
sociedades de
exploração
3- As
diferenciações
sociais e a
Formação de
Estados
3 - Do Capitalismo
Industrial (século
XVIII-XIX) ao
Imperialismo fim
do século XIX e
início do século XX
A II guerra Mundial
1939-1945
3- África no
período colonial
3- Os Estados de
Moçambique e a
penetração
mercantil
estrangeira
4. As relações
sociopolíticas
na Europa e na
África entre
século V-XV
O Mundo entre a
confrontação e o
desanuviamento
4- Movimento de
Libertação
Nacional e as
independências
1880- 1980
4: O período da
dominação colonial
em Moçambique
5- Problemas
Africanos de Hoje
1960 – 2002
5: Moçambique
pós-independência:
1975-2004
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3. Objectivos da aprendizagem da História na 12ª Classe
 Abordar as fontes, cronologia e periodização da História de Moçambique;
 Descrever as primeiras comunidades em Moçambique - origem actividades, organização social
e os sistemas políticos;
 Explicar as formações políticas (Estados) em Moçambique e a penetração mercantil estrangeira
- as fases de ouro, de marfim e de escravos;
 Compreender os períodos da dominação colonial portuguesa em Moçambique:
 Perceber o Movimento de Libertação Nacional, a Independência Nacional e o período pós -
independência;
 Interpretar criticamente e saber fundamentar os acontecimentos do mundo actual, através da
compreensão do funcionamento estrutural e da dinâmica evolutiva das sociedades nos "Estados
de Moçambique" e não só;
 Questionar cientificamente as realidades sociais do passado e do presente fazendo uso de
atitudes e competências metodológicas;
 Estimular, produzir e consumir bens culturais pelo enriquecimento da capacidade de reflexão,
da sensibilidade e do juízo crítico, no contacto com a diversidade de manifestações históricas da
cultura;
 Afirmar uma autonomia pessoal e clarificar um sistema de valores próprio nas áreas sócio-
política e cultural;
 Desenvolver a consciência da cidadania na sua dimensão nacional e universal de modo a
incentivar uma intervenção responsável na vida social e política;
 Fazer uso fluente dos vocábulos inerentes às matérias leccionadas em exposições orais ou
trabalhos escritos;
 Elaborar independentemente monografias sobre assuntos tratados nas aulas ou com eles
relacionados.
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Visão Geral dos Conteúdos da Disciplina de História da 12ª classe
Unidades Temáticas Conteúdos C. Horária
1:Sobre a periodização da
História de Moçambique
1.1. Periodização da História de Moçambique:
 Os conceitos de periodização e Cronologia.
 Proposta de periodização da História de Moçambique.
1.2. As fontes da História de Moçambique
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2: Moçambique da
comunidade Primitiva ao
surgimento das
sociedades de exploração
2.1. A comunidade de caçadores e recolectores
2.2. Os povos de origem Bantu:
2.2.2. As sociedades moçambicanas
2.2.3. O início da diferenciação etnolinguística em Moçambique
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3: Os Estados de
Moçambique e a
penetração mercantil
estrangeira
3.1. Abordagem teórica sobre a origem do Estado.
3.2. Os estados moçambicanos e a penetração mercantil estrangeira
3.2.2. O Grande Zimbabwe:
3.2.3.O Estado dos Mwenemutapas:
3.2.3. O Estado Marave
3.3. A penetração árabe-persa:
3.3.1 A penetração mercantil europeia
3.3.1.13 A presença portuguesa e o Estado Marave (1693-1750)
3.3.1.2. O comércio do marfim e a expansão colonial:
3.4.1 . Os Estados esclavagistas em Moçambique
3.4.1.1. Os Estados Ajaua
3.4.1.2. Os Estados afro-islâmicos da costa
3.4.1.3 O Estado de Gaza
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4: O período da dominação
colonial em Moçambique
4.1 Questões sobre colonização e teorias de resistência
4.2. O colonialismo português em Moçambique, de 1890-1930
4.2.1 A II Corrida à África (revisão)
4.2.2. O papel específico de Portugal na penetração imperialista
4.2.2.2. as resistências no norte, centro e sul de Moçambique
4.2.2.3. a montagem do Estado colonial
4.2.3. A Economia colonial
4.2.3.7. As primeiras formulações nacionalistas
- 4.3.O período do colonialismo português a partir de 1930
4.3.1. A Conjuntura política e económica e os marcos de viragem
4.4. Alterações na política colonial
4.5. O nacionalismo moçambicano
4.6.1 A fusão dos 3 movimentos e criação da Frente de Libertação de Moçambique
4.62.. O desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional.
4.6.3 A crise do Colonialismo português.
4.7. A Independência Nacional: a República Popular de Moçambique e o regime
mono partidário.
42
5:Moçambique pós-
independência: 1975-2004
5.1 . A independência nacional e a RPM:
5.1.1 O não alinhamento,
5.1.2 A linha da frente
5.2.1. As estratégias política, económica e Social, (interna e internacional):
5.3 Guerra dos 16 anos-1977-1992
5.3.1 A conjuntura nacional externa favorável à guerra
5.3.2 As consequências sociais, políticas e económicas da guerra
5.4. Da República popular de Moçambique à República de Moçambique.
5.4.1 A Constituição de 1990 e a adopção do multipartidarismo
5.4.1.1 O Acordo de Paz e a Reconciliação Nacional
5.4.1.2 O processo eleitoral em Moçambique
5.4.1.2 Legislativas e presidenciais
12
12
Carga Horária Por Trimestre
Trimestre Unidade Temática Carga
Horária
1º
Trimestre
Unidade 1 Sobre a periodização da História de Moçambique 3
Unidade2 Moçambique- Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de
exploração
9
Unidade 3 Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira
3.1. Os reinos Afro- islâmicos da costa
12
Avaliação 6
2º
Trimestre
Unidade 3 Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira
3.2.6 Estado de Gaza
3
Unidade 4 O período da dominação colonial em Moçambique
4.2.3.7 As primeiras formulações nacionalistas
27
Avaliação 6
3º
Trimestre
Unidade 4: O período da dominação colonial em Moçambique
4.3.O período do colonialismo português a partir de 1930 17
Unidade 5: Moçambique pós-independência: 1975-2004 10
Avaliação 6
13
Plano Temático
Unidade 1.: Sobre a periodização da História de Moçambique
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
- Definir os conceitos de
periodização e cronologia
- Identificar os períodos da
História de Moçambique
- Explicar limitações das
fontes da História de
Moçambique.
- Explicar a importância da
tradição oral na
reconstituição da História de
Moçambique
1.1. Periodização da História de Moçambique
1.1.1. Os conceitos de periodização e Cronologia.
1.1.2. Proposta de periodização da História de
Moçambique.
1.1.3. As fontes da História de Moçambique:
1.2. Os tipos de fontes
1.2.1. As suas limitações
Sistematização
Elabora gráficos de tempo sobre a
periodização da História de
Moçambique
Critica os diferentes tipos de fontes
existentes sobre a História de
Moçambique
Avalia a importância das fontes
orais na reconstituição da História
de Moçambique
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Sugestões metodológicas
Para esta unidade sugere-se que se explore os conhecimentos que os alunos adquiriram nas
classes anteriores.
No que respeita à periodização, sugere-se que o professor trabalhe com os seus alunos na
elaboração de gráficos de tempo e quadro - resumos, indicando as principais
características de cada período.
Importa também referir sobre o carácter relativo e subjectivo da periodização que depende
do historiador das fontes utilizadas e dos critérios de periodização. Deverá discutir com seus
alunos a proposta de periodização que colocamos abaixo.
Em relação as fontes da História de Moçambique poderão conduzir os seus alunos a
compreenderem os problemas que se colocam na reconstituição da História de Moçambique
no que se refere a disponibilidade, credibilidade, acesso e distribuição das fontes.
Sugere – se que trabalhe com os seguintes conceitos: cronologia; periodização, fontes
históricas
Indicadores de desempenho
Definir período histórico, periodização e cronologia
Explicar a importância da categoria “tempo” em História
Fazer a cronologia Periodizar e da História de Moçambique
Bibliografia
SERRA, Carlos (ed) História de Moçambique – Parte I – Primeiras sociedades
sedentárias e impacto dos mercadores, 200/300 – 1885, Vol 1, Maputo, Universidade
Edurado Mondlane, 2000, pp. 1-7
JOSÉ. A. e MENEZES. Paula M.G. Moçambique 16 anos de Historiografia: Focos,
Problemas, Metodologia, Desafios para a Década de 90. Vol . Maputo: 1991. pp. 17-27
9
QUADRO RESUMO SOBRE PERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE - Por Selimane e M. Pedro
PERÍODO
SUB-PERÍODO CARACTERÍSTICAS
I
COMUNIDADE
DE CAÇADORES E
RECOLECTORES
(Até ao século III/IV)
 Predomínio da técnica lítica
 Economia recolectora (recolecção e caça). Imediatismo na produção/consumo
 Organização social baseada em bandos, sem classes sociais e, consequentemente, sem
Estado
 Prática da primeira arte rupestre (pinturas rupestres)
II COMUNIDADE
DE
AGRICULTORES E
PASTORES (Séc. IV –
Séc. IX)
 Fixação Bantu em Moçambique
 Introdução e desenvolvimento da agricultura, metalúrgia e pecuária  Transição da
economia recolectora para a economia produtora
 Surgimento das comunidades sendentárias semi-permanentes
 Organização das comunidades em linhagens ou surgimento de linhagens, cujo poder dos
chefes era mais de ordem moral e não política.
III
1. Fase afro-asiáticca
(Séc. IX – Séc. XVI)
 Primeira exploração de recursos de forma intensiva, fundamentalmente no planalto do
Zimbabwe.
 Delimitação dos grupos etno-linguístico em “Moçambique”
 Intercâmbio comercial entre “Moçambique” (Sofala) e o mundo extra-africano
 Edificação das primeiras sociedades de classes e dos primeiros estados Zimbabwe
(Manyekeni), Muenemutapa e Marave
 Estabelecimento dos primeiros núcleos islamizados na costa nortenha de Moçambique.
M
E
R
C (Sé. IX – Séc. XIX)
A ou
N (800 – 1886)
T
I
L
2. Fase Europeia
(Séc. XVI – Séc. XIX ou
1505 – 1886)
 Fixação portuguesa em Sofala (1505) e Ilha de Moçambique (1507) e início do conflito
entre mercadores árabes e portugueses.
 Ciclo de ouro, formação de Prazos e desagregação dos Muenemutapas
 Ciclo de marfim: desenvolvimento e desagregação dos Marave
 Ciclo de escravos e a emergência dos Estados: Militares, Ajaua, Reinos Afro-islâmicos da
Costa
 Conferência de Berlim (1884/85)
 Obs. Neste período (Mercantil: 800 – 1886), a aquisição das riquezas de Moçambique fazia-se sem que os mercadores
interviessem directamente na produção ou investissem em sectores produtivos. A troca desigual era o método com o
qual os mercadores estrangeiros acumulavam lucros.
10
IV –
C
O (1886
L
O
N
I 
A
L
I
S 1975)
M
O
3 Dominação do capital
estrangeiro não português
(1886 – 1926/30)
 Ocupação efectiva e montagem do aparelho político-administrativo
 Atrelamento de Moçambique ao capital estrangeiro não português.
 Surgimento de Companhias Majestáticas e arrendatárias (de Moçambique, Niassa e da
Zambézia, respectivamente)
 O Sul de Moçambique e o Trabalho Migratório (Transporte, minas e plantações)
3.1 Nacionalismo
Económico de Salazar
(1926/30 – 1962/64)
 Introdução do Nacionalismo económico de Salazar
 Extinção das Companhias Majestáticas e arrendatárias
 Introdução de culturas obrigatórias
 Colonatos e introdução dos Planos e Fomento
 Ministração de uma educação diferenciada para os brancos/assimilados e para os indígenas
 Contestação à situação interna
 Transformação das colónias em Províncias Ultramarinas
 Formação de movimentos nacionalistas
Obs. Nesta fase, Portugal pretendia fortalecer a burguesia nacional, a partir de uma exploração intensiva da força braçal
indígena. Para isso, instituiu medidas tendentes a controlar a mesma força, quer a partir de recenseamentos, com da
ministração de uma educação que sujeitasse o indígena. Entretanto, tudo indica que esse objectivo não surtiu efeitos
satisfatórios, facto que daria origem à crise da fase seguinte.
4.3. Crise e Restruturação do
Colonialismo Português
(1962/64 – 1975)
 Abolição formal do indigenato e das culturas obrigatórias e introdução das propriedades
dos colonos
 Formação de um movimento unitário de libertação nacional e início da luta de libertação
Nacional
 Política de “Portas abertas” e a construção da Barragem de Cabora Bassa
 Surgimento das “Zonas Libertadas”
 Governo de Transição
V
MOÇAMBIQUE PÓS-
INDEPENDÊNCIA
(1975 aos nossos dias)
Fase monopartidária
(1975 – 1990/94
 Instituicionalização de um Estado de orientação Socialista
 Desenvolvimento de uma economia dirigida
 Planos económicos: PEC, PPI, PRE, PRES
 Guerra civil
 Constituição de 1990
 Acordo de Paz
Fase Mutipartidária
(1990/94 aos nossos dias
 Eleições legislativas multipartidárias
 Introdução de um democracia parlamentar
 Economia de Mercado
11
Unidade 2: Moçambique: Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
-Caracterizar a vida das
comunidades de caçadores e
recolectores;
-Relacionar a expansão Bantu com
a difusão da tecnologia do ferro;
- Analisar as diversas teorias sobre
a expansão Bantu;
-Diferenciar as comunidades
primitivas das sedentárias;
-Explicar a importância da
tecnologia do ferro para as
sociedades moçambicanas
- Explicar o papel da ideologia nas
sociedades moçambicanas
- Diferenciar a linhagem
matrilinear da patrilinear
- localizar no mapa os grupos
etnolinguísticos de Moçambique
2.1. As comunidades de caçadores e recolectores:
2.1.1os Khoisan
2.2. Os povos de origem Bantu:
2.2.1. A expansão e fixação Bantu;
2.2.1.1. as causas da expansão
2.2.1.2 as diversas teorias sobre a expansão bantu
segundo Martin Hall
2.2.2. As sociedades moçambicanas após a
expansão Bantu
2.2.2.1 as actividades económicas;
2.2.2.3 a organização social e política;
2.2.2.4 a ideologia
2.2.3. O início da diferenciação etnolinguística em
Moçambique
2.2.3.1 As linhagens matrilinear e patrilinear:
características gerais
2.2.3.2 localização dos grupos etnolinguísticos de
Moçambique
 Elabora mapas sobre: a
expansão bantu, a difusão da
tecnologia do ferro e os grupos
etno-linguísticos de
Moçambique;
 Usa correctamente o
vocabulário histórico para
expressar as suas ideais
 Pesquisa, selecciona e organiza
informação para transformar em
conhecimento mobilizável
 Utiliza elementos de
antropologia para explicar a
origem da diferenciação
etnolinguística de Moçambique
12
Sugestões metodológicas
Para esta unidade sugere-se que se explore os conhecimentos que os alunos adquiriram nas
classes anteriores.
No que respeita à periodização, sugere-se que o professor trabalhe com os seus alunos na
elaboração de gráficos de tempo e quadro - resumos, indicando as principais
características de cada período.
Importa também referir sobre o carácter relativo e subjectivo da periodização que depende
do historiador das fontes utilizadas e dos critérios de periodização. Deverá discutir com seus
alunos a proposta de periodização que colocamos abaixo.
Em relação as fontes da História de Moçambique poderão conduzir os seus alunos a
compreenderem os problemas que se colocam na reconstituição da História de Moçambique
no que se refere a disponibilidade, credibilidade, acesso e distribuição das fontes.
Sugere – se que trabalhe com os seguintes conceitos: cronologia; periodização, fontes
históricas
Indicadores de desempenho
Definir período histórico, periodização e cronologia
Explicar a importância da categoria “tempo” em História
Fazer a cronologia Periodizar e da História de Moçambique
Bibliografia
SERRA, Carlos (ed) História de Moçambique – Parte I – Primeiras sociedades
sedentárias e impacto dos mercadores, 200/300 – 1885, Vol 1, Maputo, Universidade
Edurado Mondlane, 2000, pp. 1-7
JOSÉ. A. e MENEZES. Paula M.G. Moçambique 16 anos de Historiografia: Focos,
Problemas, Metodologia, Desafios para a Década de 90. Vol . Maputo: 1991. pp. 17-27
13
Unidade 2: Moçambique: Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
-Caracterizar a vida das
comunidades de caçadores e
recolectores;
-Relacionar a expansão Bantu com
a difusão da tecnologia do ferro;
- Analisar as diversas teorias sobre
a expansão Bantu;
-Diferenciar as comunidades
primitivas das sedentárias;
-Explicar a importância da
tecnologia do ferro para as
sociedades moçambicanas
- Explicar o papel da ideologia nas
sociedades moçambicanas
- Diferenciar a linhagem
matrilinear da patrilinear
- localizar no mapa os grupos
etnolinguísticos de Moçambique
2.1. As comunidades de caçadores e recolectores:
2.1.1os Khoisan
2.2. Os povos de origem Bantu:
2.2.1. A expansão e fixação Bantu;
2.2.1.1. as causas da expansão
2.2.1.2 as diversas teorias sobre a expansão bantu
segundo Martin Hall
2.2.2. As sociedades moçambicanas após a
expansão Bantu
2.2.2.1 as actividades económicas;
2.2.2.3 a organização social e política;
2.2.2.4 a ideologia
2.2.3. O início da diferenciação etnolinguística em
Moçambique
2.2.3.1 As linhagens matrilinear e patrilinear:
características gerais
2.2.3.2 localização dos grupos etnolinguísticos de
Moçambique
 Elabora mapas sobre: a
expansão bantu, a difusão da
tecnologia do ferro e os grupos
etno-linguísticos de
Moçambique;
 Usa correctamente o
vocabulário histórico para
expressar as suas ideais
 Pesquisa, selecciona e organiza
informação para transformar em
conhecimento mobilizável
 Utiliza elementos de
antropologia para explicar a
origem da diferenciação
etnolinguística de Moçambique
14
Sugestões metodológicas
Nesta unidade sugere-se exploração dos pré-requisitos que os alunos possuem de classes anteriores sobretudo as principais
características das sociedades primitivas e sedentárias.
Em relação as diversas teorias sobre a expansão Bantu, deve basear-se fundamentalmente em Martin Hall que resumiu em três
aspectos fundamentais as grandes discussões que linguistas, arqueólogos e historiadores têm realizado sobre a expansão bantu i) a
teoria rácica ; ii) a teoria linguística e iii) a teoria da domesticação das plantas e animais e da expansão da metalurgia do ferro. Deve
destacar que a teoria linguística é a que melhor explica as razões da expansão bantu. Para consolidar, sugere-se que os alunos
elaborem mapas sobre a expansão bantu e a tecnologia do ferro.
No que respeita as sociedades moçambicanas após a fixação bantu, sugere-se que se enfatize as principais transformações ocorridas no
aspecto económico, político social e ideológico, destacando os locais de interesse histórico que provam a presença bantu em
Moçambique nomedamente: as estações arqueológicas na Matola, em Xai-Xai, Vilanculos, Marrape, Hola-Hola, Mavita, Chongoene,
Bilene, Zitundo, Serra Maúa, Monte Mitukué, entre outros locais.
A elaboração do mapa sobre os grupos etnolinguísticos de Moçambique, ajudará a compreender melhor as diferenças entre o norte e o
sul de Moçambique bem como a diversidade multi-cultural das sociedades moçambicanas, ajudando a forjar o sentimento de pertença
a uma nação.
O professor deverá trabalhar os seguintes conceitos: bando, clã, família alargada, linhagem e, sociedades de exploração
15
Indicadores de desempenho
 Compara a sociedade moçambicana antes e depois da expansão Bantu;
 Diferencia a linhagem matrilinear da patrilinear
 Localiza os deferentes grupos etnolinguísticos de Moçambique
Bibliografia básica:
SERRA, Carlos (ed). História de Moçambique, Vol.1, Maputo, Livraria Universitária,2000.
SOUTO, Amélia Neves de. Guia Bibliográfico para o estudante de História de Moçambique, Maputo, UEM/CEA,1996
16
Unidade 3: Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
- Explicar o processo do surgimento
do Estado
- discutir algumas teorias sobre a
origem do Estado
- Explicar o processo de formação
dos Estados Moçambicanos;
- Explicar o papel da ideologia nos
Estados Moçambicanos
- Caracterizar forma de actuação do
capital mercantil em Moçambique
- Relacionar o processo de
desenvolvimento dos Estados
Moçambicanos com a actuação do
3.1. Abordagem teórica sobre a origem do Estado.
3.1.1. O surgimento da diferenciação social
3.1.2. Algumas teorias sobre a origem do Estado:
 A concepção marxista;
 A concepção liberal;
 A concepção totalitária
3.2. Os estados moçambicanos e a penetração mercantil estrangeira
3.2.1 O Estado do Zimbabwe:
 origem;
 Actividades económicas;
 A organização político-social
 A decadência
3.2.2.O Estado dos Mwenemutapas:
 Origem
 Actividades económicas
 A organização político-administrativa
 A estrutura sócio-económica
 A ideologia
3.2.3. O Estado Marave
 Origem
 Actividades económicas
 A organização político-administrativa
 A estrutura sócio-económica
 A ideologia
3.3. A penetração árabe-persa:
3.3.1. os factores da penetração: geográficos, técnicos e económicos
3.3.2 Os contactos ao longo da costa e suas repercussões
3.3.3 As marcas da presença árabe nos nossos dias
Diferencia as diferentes
concepções de origem do
estado
Elabora resumos sobre a
penetração mercantil
estrangeira em Moçambique
17
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
capital mercantil
- Explicar a importância do capital
mercantil para o reforço da classe
dominante
- Explicar a importância do capital
mercantil para a desestruturação dos
estados moçambicanos
- Caracterizar as diversas etapas da
penetração mercantil em
Moçambique
- Diferenciar a actuação do capital
mercantil árabo -persa da europeia
- Explicar o surgimento das novas
unidades políticas em Moçambique
- Considerar a escravatura como um
3.4. A penetração mercantil europeia
3.4.1 Factores económicos, sociais e religiosos da penetração europeia
3.4.2 A presença portuguesa e o Estado dos Mwenemutapa (1505/1693):
 Os lutas entre portugueses e árabes;
 Os acordos de 1607 e 1629: suas repercussões
3.5 Os Prazos da Coroa em Moçambique:
 Formação
 localização
 base económica
 estrutura social e aparato ideológico
3.6 A decadência do Estado dos Mwenemutapas:
 os conflitos inter-dinásticos na sociedade shona;
 o papel do capital mercantil no Mwenemutapa
 a revolta de Changamire Dombo (1693)
 As consequências do Ciclo do Ouro
3.7 A presença portuguesa e o Estado Marave (1693-1750)
 - o papel do capital mercantil nos Estados Marave
 - a decadência dos Estados Marave
3.8 O comércio do marfim e a expansão colonial:
 as principais zonas do comércio do marfim
 os principais intervenientes
 a Companhia dos Mazanes: seu papel
 a separação de Moçambique de Goa (1752): sua importância
 a makuana
3. 9. O Ciclo dos Escravos (1750/60- 1836/ século XX) - Aspectos gerais
 o início do tráfico de escravos em Moçambique
 Locais de recrutamento
 Destino dos escravos
Pesquisa, selecciona e
organiza informação para
transformar em
conhecimento mobilizável
Analisa o papel do capital
mercantil estrangeiro em
Moçambique, tomando um
posicionamento crítico.
Elabora mapas mostrando a
localização espacial dos
estados
18
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
crime contra a Humanidade
- Analisar o impacto da penetração
mercantil Europeia (portuguesa) para
os Estados Africanos
Explicar a importância do capital
mercantil para o reforço da
aristocracia dominante
 Impacto do tráfico de escravos para as sociedades
moçambicanas
3.10. Os Estados de Moçambique no século XIX
3.10.1. Os Estados Militares do Vale do Zambeze
 Formação
 Base económica
 Estrutura social e aparato ideológico
 Decadência
3.10. 2. Os Estados Ajaua
 Formação
 Base económica
 Estrutura social e aparato ideológico
 Decadência
3.10.3. Os Estados afro-islâmicos da costa
 Formação
 Base económica
 Estrutura social e aparato ideológico
 Decadência
3.10.4. O Estado de Gaza
 O Mfecane e o estado de Gaza
 Formação
 Base económica
 Estrutura social e aparato ideológico
 Decadência
Analisa a vida política
económica e social das
sociedades de Moçambique
nas vésperas da partilha
europeia de África.
19
Sugestões metodológicas
Nesta unidade sugere-se que se explore os conhecimentos possuem de classes anteriores
sobre o processo do surgimento do Estado, destacando o papel do excedente, que, ao ser
apropriado pelas classes dirigentes, contribui para o surgimento da diferenciação social.
Em relação aos primeiros Estados Moçambicanos sugere-se que se elabore tabelas -
resumos, destacando os seguintes aspectos: i) Estado; ii) Ano de fundação; iii)
Organização político-administrativa; iv) Classes Sociais; v) Formas de exploração
económica; vi) Fontes económicas do poder dos chefes; vii) Decadência.
Ao caracterizar a forma de actuação do capital mercantil estrangeiro em Moçambique,
sugere-se que se diferencie a actuação do capital árabe - persa do europeu, pois enquanto
que o primeiro se preocupava fundamentalmente com a actividade comercial, mantendo
boas relações com os Estados Moçambicanos, o segundo preocupava-se em controlar
tudo, penetrando até na esfera ideológica, impondo a sus presença.
Ao destacar os ciclo do ouro, do marfim e dos escravos, deve chamar a atenção que o
ciclo do ouro que começa com a chegada dos árabes – persas e prolonga-se com a
chegada dos europeus.
Sugere-se que se explore o papel da religião africana nos estados moçambicanos, pois a
legitimidade do chefe só é reconhecida se passar por cerimónias mágico - religiosas.
Ainda sobre o capital mercantil, deverá debater com seus alunos o papel do mesmo na no
reforço do poder da classe dominante e na desestruturação das sociedades moçambicanas.
Ao abordar os estados de Moçambique no século XIX é importante destacar o
envolvimento dos estados militares do vale do Zambeze, Ajaua e Afro-Isâmicos no
tráfico de escravos, fazendo referência ao impacto deste facto tanto no florescimento
como na decadência dos mesmos.
Sobre o comercio de escravos, poderá enfatizar que o mesmo é considerado actualmente
um crime contra a Humanidade, procurando com seus alunos exemplos de escravatura
dos tempos modernos, contribuindo assim para desenvolver uma atitude de repulsa contra
todas as formas de escravatura.
No que respeita ao Estado de Gaza, sugere-se que se destaque o papel do M’fecane na
formação do mesmo. Ao terminar a unidade, sugere-se que recomende aos seus alunos a
elaboração de um resumo sobre o impacto da penetração mercantil estrangeira,
destacando as fases do ouro, marfim e escravos.
Sugere-se que se trabalhe os seguintes conceitos: Excedente; Estado; Classes Sociais;
Capital mercantil; Ideologia.
20
Indicadores de desempenho
Localiza no mapa os estados de Moçambique entre os séculos XV e XIX
Explica o processo de formação e declínio dos diferentes estados
Explica a importância do comércio de ouro e de marfim no desenvolvimento dos estados
de Moçambique
Caracteriza as relações entre os europeus e os povos de Moçambique no âmbito da
penetração mercantil estrangeira
Analisa o impacto dos escravos nas formações políticas moçambicanas
Bibliografia básica:
SERRA, Carlos (ed). História de Moçambique, Vol.1, Maputo, Livraria
Universitária,2000.
SOUTO, Amélia Neves de. Guia Bibliográfico para o estudante de História de
Moçambique, Maputo, UEM/CEA,1996
21
Unidade 4: O período da dominação colonial em Moçambique e o Movimento de Libertação nacional
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
Explicar as teorias da resistência
africana.
Explicar o papel desempenhado pela
economia de tráfico até se chegar à
fase imperialista;
Explicar o papel específico de
Portugal na penetração imperialista
em Moçambique;
Explicar o processo de delimitação
das fronteiras moçambicanas
Analisar a natureza do duplo poder
Estado Colonial/Companhias até
1930;
Explicar as formas de dependência
de Moçambique em relação ao
capital estrangeiro não português
Caracterizar a economia colonial em
Moçambique;
Caracterizar a actuação do
colonialismo português em
Moçambique, no âmbito económico,
político e social
4.1 Colonização e teorias de resistência
4.1.1. Teorias de resistência segundo Terence O. Ranger
4.1.2. A importância e consequências das resistências
4.2. O colonialismo português em Moçambique, de 1890-1930
4.2.1 A II Corrida à África (revisão)
 - as viagens de exploração
 -a Conferência de Berlim
4.2.2. O papel específico de Portugal na penetração imperialista em
Moçambique
4.2.2.1. A corrida imperialista e a delimitação das fronteiras de
Moçambique
 As campanhas de pacificação e a ocupação de Moçambique
 A delimitação das fronteiras moçambicanas
4.2.2.2. as resistências no norte, centro e sul de Moçambique
4.2.2.3. a montagem do Estado colonial
4.2.3. A Economia colonial
4.2.3.1. Características gerais
4.2.3.2. O Norte e a Companhia do Niassa
 A periodização da história da Companhia do Niassa e principais
acontecimentos;
 O papel dos grupos financeiros;
 As formas de exploração deses grupos financeiros
 O declínio da Companhia
4.2.3.3. Os prazos e a Companhia da Zambézia
 A acção do estado colonial e a transformação dos prazos em
plantações
 O surgimento da Companhia.
 O impacto do mussoco e do trabalho nas plantações, para a
população camponesa
Analisa o colonialismo como um
mal contra os direitos humanos
- Analisa o papel específico de
Portugal na penetração
imperialista
22
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
Explicar o papel das companhias no
contexto da Economia Colonial
Caracterizar as formas de exploração
de força de trabalho moçambicana
nas plantações e minas da África do
Sul
Caracterizar as primeiras
manifestações nacionalistas
Fazer a caracterização geral do
nacionalismo económico de Salazar.
Caracterizar a sociedade colonial;
4.2.3.4. O Centro e a Companhia de Moçambique
 A origem da Companhia de Moçambique
 O sistema tributário: o mussoco e o imposto de palhota;
 A política concessionária;
 A política labora
4.2.3.5. O sul e o trabalho migratório
 A situação política e económica do sul do Save em 1880
 Os acordos sobre o trabalho: 1867; 1897,1901, 1909 e 1928
 a entrada do sul do Save a economia -mundo
 as vias de comunicação
4.2.3.6. A política social
 a estrutura social;
 a emergência do proletariado urbano
 a luta do proletariado urbano
 I Guerra Mundial e a crise económica e social da década de 20
4.2.3.7. As primeiras formulações nacionalistas
 diferença entre o nacionalismo europeu e africano
 o papel das associações: o Grémio Africano; a Liga Africana; a
Associação Africana de Moçambique
 o papel da imprensa
 as manifestações literárias e artísticas
4.3.O período do colonialismo português a partir de 1930
4.3.1. A Conjuntura política e económica e os marcos de viragem
 o nacionalismo económico de Salazar: características gerais
 o Acto Colonial e a Carta Orgânica do Império colonial Português
 a Crise de 1929 e suas repercussões em Moçambique
 o capital comercial no quadro da agricultura forçada: o caso do
algodão, arroz e chá
 a continuação da exportação mão-de-obra e da dependência em
relação ao capital estrangeiro
4.3.2. A política social: a crescente importância da colonização mental
 o papel das missões católicas
Analisa a dependência de
Moçambique ao capital
estrangeiro não português
- Usa correctamente o
vocabulário histórico
para expressar as suas ideais
23
Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga
Horária
Caracterizar o ensino colonial;
Caracterizar a resistência anti-
colonial;
Explicar o surgimento dos
movimentos nacionalistas.
Destacar o papel de Eduardo
Mondlane na a fusão das três
formações políticas e fundação da
Frelimo,
Descrever o desenrolar da Luta
Armada de Libertação Nacional
Caracterizar a crise do colonialismo
Independência Nacional
 a natureza do ensino
4.4. Alterações na política colonial
 o crescimento da população colona
 os colonatos
 os planos de fomento: primeiro plano (1953-1958); segundo plano
(1959-1964),
4.5. O nacionalismo moçambicano
4.5.1. Os factores do nacionalismo moçambicano
4.5.2. O papel das Associações e movimentos estudantis:
 a Associação dos Naturais de Moçambique
 o Movimento do Jovens Democratas Moçambicanos (MJDM);
 o Núcleo dos Estudantes Secundários de Moçambique (NESAM)
 o papel da Casa dos Estudantes do Império e o Centro de Estudos
Africanos
4.5.3. A luta anti-colonial
 a resistência no campo;
 a formação das primeiras organizações nacionalistas: Convenção
do Povo de Moçambique; União Democrática Nacional de
Moçambique (UDENAMO), União Nacional Africana de
Moçambique Independente (UNAMI); União Africana Nacional
de Moçambique (MANU).
4.5.4 A fusão dos três movimentos e a criação da Frente de Libertação de
Moçambique
4.5.5. O desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional.
4.5.6. A crise do Colonialismo português.
4.5.7. A Independência Nacional: a República Popular de Moçambique e o
regime mono partidário.
- Diferencia o nacionalismo
moçambicano do europeu
Identifica as diferentes fases da
luta pela independência
24
Sugestões metodológicas
Ao abordar-se esta unidade, sugere-se que se faça uma ligação com os conteúdos
abordados na 11ª Classe sobre os sistemas coloniais em África. Ao tratar as teorias sobre
as resistência em África destacar os três postulados defendidos por T.O. Ranger, a saber:
i) em primeiro lugar, afirmou-se que a resistência africana era importante, já que provava
que os africanos nunca se haviam resignado à pacificação europeia; ii) em segundo lugar,
sugeriu-se que longe, longe de ser desesperada ou ilógica, essa resistência era muitas
vezes movida por ideologias racionais e inovadoras; iii) em terceiro lugar, argumentou-se
que os movimentos de resistência não eram insignificantes; pelo contrário, tiveram
consequências importantes, em seu tempo, e tem ainda hoje, notável ressonância.
Ao tratar a partilha e a ocupação de África sugere-se que se elabore mapas de África
antes e depois da partilha para uma melhor compreensão da ocupação efectiva deste
continente. No que se refere a Moçambique, deverá conduzir seus alunos a explicarem o
processo de delimitação das fronteiras moçambicanas, destacando o papel específico de
Portugal na penetração imperialista. É importante referir que perante a ocupação do seu
território os moçambicanos resistiram, destacando o papel dos principais resistentes. A
elaboração de tabelas sobre as resistências no norte, centro e sul de Moçambique,
contribuirá a sistematizar a matéria e a levantar o orgulho de pertença a uma nação.
Os dois períodos do colonialismo português (1890-1930; 1930-1962) devem ser bem
destacados, mencionando os principais aspectos característicos, enfatizando que com a
subida de Salazar, as colónias passam efectivamente a servirem os interesses da
burguesia metropolitana portuguesa. O estudo de documentos como o Acto Colonial, o
Acordo Missionário, a Concordata, entre outros ajudarão a compreender melhor a
actuação do colonial - fascismo e em particular, o Nacionalismo económico de Salazar.
Sugere-se também que trabalhe com seus alunos, as várias etapas do nacionalismo
moçambicano, desde as primeiras formulações nacionalistas até ao surgimento das
primeiras organizações nacionalista.
Para o estudo do processo que conduziu à formação da Frente de Libertação de
Moçambique (FRELIMO) será útil partir do conhecimento que os alunos trazem das classes
anteriores para dirigir aulas activas baseadas na elaboração e discussão de trabalhos
independentes, individuais ou em grupos. Procedimento idêntico recomenda-se em relação
às organizações políticas e económicas regionais. Para a elaboração desses trabalhos é
importante que o professor defina claramente os aspectos que pretende ver reflectidos
(causas, objectivos, realizações, etc.)
Deverá trabalhar os seguintes conceitos: colonialismo, imperialismo, economia colonial,
mussoco, proletariado, nacionalismo, nacionalismo económico.
25
Indicadores de desempenho
- Elabora mapas sobre as campanhas de pacificação e companhias monopolistas
-Avalia a actuação do colonialismo português no aspecto económico, político e social
-Recolhe e sistematiza informação junto dos seus pais e encarregados de educação, autoridades locais e
outras sobre a importância do mussoco e do imposto de palhota
Bibliografia básica:
BOHAEN, A. Adu (ed). História Geral da África- A África sob dominação
colonial,1880-1935,Vol. VII, Paris, UNESCO/Ática, 1991
MONDLANE, Eduardo Chivambo. Lutar por Moçambique. Maputo, Minerva
Central,1995.
SERRA, Carlos (ed). História de Moçambique, Vol.1, Maputo, Livraria
Universitária,2000.
SOUTO, Amélia Neves de. Guia Bibliográfico para o estudante de História de
Moçambique, Maputo, UEM/CEA,1996
26
Unidade 5: Moçambique pós-independência: 1975-2004
Objectivos específicos Conteúdos Competências Básicas
O aluno:
Carga
Horária
-Caracterizar a política interna e
externa de Moçambique após a
Independência;
-Descrever os passos rumo à
Reconciliação Nacional.
-Discutir a importância da
resolução não violenta de
conflitos;
-Analisar a Constituição da
República de Moçambique
5.1. . A independência nacional e a RPM:
5.1.1O não alinhamento,
5.1.2A linha da frente
5.2.1. As estratégias política, económica e Sociais, (interna e internacional):
 PPI
 PEC
 PRE e PRES
 SADCC e SADC
5.3 Guerra dos 16 anos: 1977-1992
5.3.1 A conjuntura nacional e internacional favorável à guerra
5.3.2 As consequências politicas, sociais e económicas da guerra
5.3.3 Da República popular de Moçambique à República de Moçambique
 A Constituição de 1990 e a adopção do multipartidarismo
 O Acordo Geral de Paz, e a Reconciliação Nacional
 O processo eleitoral em Moçambique
 Legislativas, presidenciais e autárquicas
Analisa a orientação
politica de Moçambique
após -independência
Analisa os esforços de
Moçambique na
estabilidade politica,
económica e social
27
Sugestões metodológicas
Com esta Unidade pretende-se dotar os alunos de conhecimentos sobre a História recente do
país, particularmente os ligados ao processo de independência e ao pós-independência.
Assim, mais do que o processo de ensino-aprendizagem na sala de aulas recomenda-se o
recurso a exposições/palestras de convidados (preferencialmente protagonistas da História) e
visitas a museus, bibliotecas e outros locais e centros de interesse histórico.
O professor poderá orientar os alunos para a leitura e elaboração de resumo da Constituição
da República. Este trabalho poderá ser apresentado e debatido em sala de aula. Este é um
momento importante para se trabalhar a necessidade de se aceitar a respeitar as diferenças de
filiações politicas ou outras.
Em relação as eleições gerais, presidenciais e autárquicas o professor devera fazer um
resumo do processo que conduziu o país a adoptar este processo tendo em conta o Acordo
Geral de Paz assinado em 4 de Outubro de 1992. Pois este acordo previa à realização de
eleições periódicas (de cinco em cinco anos) .
O professor deve ter em conta que as primeiras eleições legislativas e presidenciais
realizaram-se em 1994; enquanto que as autárquicas realizaram-se em 1998.
Indicadores de desempenho
Analisa o esforço de Moçambique no combate a pobreza absoluta
Defende a importância da resolução pacífica dos conflitos
Nesta Unidade recomenda-se a leitura das seguintes obras:
 História de Moçambique Vol. II
 Coelho, João Paulo Borges: as fontes coloniais escritas no estudo da Luta
Armada de Libertação Nacional: Sobre uma experiência de investigação no
Arquivo Histórico. in: Arquivo Maputo ( Moçambique) 1(1) : 53 – 39, Abril de
1987.
 Mondlane, Eduardo Chivambo – Movimento de Libertação de Moçambique, in:
Arquivo: Maputo ( Moçambique), 5 : 5 – 13, Abril de 1989.
 Andrade, Mário Pinto de –Porto – nacionalismo em Moçambique. Um estudo do
caso: Kamba – Simango ( C.1890 – 1967) in: Arquivo Maputo (Moçambique) 6
: 127 – 148, Outubro de 1989.
 Adam, Yussuf – Mueda, 1971 – 1990: resistência, colonialismo, libertação e
desenvolvimento. in: Arquivo. Maputo (Moçambique), 14:3 – 7, Outubro de
19993.

Programa de História 12 Classe.pdf

  • 1.
    1 Prefácio Caro Professor É comimenso prazer que colocamos nas suas mãos os Programas do Ensino Secundário Geral. Com a introdução do Novo Currículo do Ensino Básico, iniciada em 2004, houve necessidade de se reformular o currículo do Ensino Secundário Geral para que a integração do aluno se faça sem sobressaltos e para que as competências gerais, tão importantes para a vida continuem a ser desenvolvidas e consolidadas neste novo ciclo de estudos. As competências que os novos programas do Ensino Secundário Geral procuram desenvolver, compreendem um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários para a vida que permitam ao graduado do Ensino Secundário Geral enfrentar o mundo de trabalho numa economia cada vez mais moderna e competitiva. Estes programas resultam de um processo de consulta à sociedade. O produto que hoje tem em mãos é resultado do trabalho abnegado de técnicos pedagógicos do INDE e da DINEG, de professores das várias instituições de ensino e formação, quadros de diversas instituições públicas, empresas e organizações, que colocaram a sua sabedoria ao serviço da transformação curricular e a quem aproveitamos desde já, agradecer. Aos professores, de que depende em grande medida a implementação destes programas, apelamos ao estudo permanente das sugestões que eles contêm e que convoquem a vossa e criatividade e empenho para levar a cabo a gratificante tarefa de formar hoje os jovens que amanhã contribuirão para o combate à pobreza. Aires Bonifácio Baptista Ali. Ministro da Educação e Cultura
  • 2.
    2 1. Introdução A TransformaçãoCurricular do Ensino Secundário Geral (TCESG) é um processo que se enquadra no Programa Quinquenal do Governo e no Plano Estratégico da Educação e Cultura e tem como objectivos:  Contribuir para a melhoria da qualidade de ensino, proporcionando aos alunos aprendizagens relevantes e apropriadas ao contexto socioeconómico do país.  Corresponder aos desafios da actualidade através de um currículo diversificado, flexível e profissionalizante.  Alargar o universo de escolhas, formando os jovens tanto para a continuação dos estudos como para o mercado de trabalho e auto emprego.  Contribuir para a construção de uma nação de paz e justiça social. Constituem principais documentos curriculares:  O Plano Curricular do Ensino Secundário (PCESG) – documento orientador que contém os objectivos, a política, a estrutura curricular, o plano de estudos e as estratégias de implementação;  Os programas de ensino de cada uma das disciplinas do plano de estudos;  O regulamento de avaliação do Ensino Secundário Geral (ESG);  Outros materiais de apoio. 1.1. Linhas Orientadoras do Currículo do ESG O Currículo do ESG, a ser introduzido em 2008, assenta nas grandes linhas orientadoras que visam a formação integral dos jovens, fornecendo-lhes instrumentos relevantes para que continuem a aprender ao longo de toda a sua vida. O novo currículo procura por um lado, dar uma formação teórica sólida que integre uma componente profissionalizante e, por outro, permitir aos jovens a aquisição de competências relevantes para uma integração plena na vida política, social e económica do país. As consultas efectuadas apontam para a necessidade de a escola responder às exigências do mercado cada vez mais moderno que apela às habilidades comunicativas, ao domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação, à resolução rápida e eficaz de problemas, entre outros desafios. Assim, o novo programa do ESG deverá responder aos desafios da educação, assegurando uma formação integral do indivíduo que assenta em quatros pilares, assim descritos: Saber Ser que é preparar o Homem moçambicano no sentido espiritual, crítico e estético, de modo que possa ser capaz de elaborar pensamentos autónomos, críticos e formular os seus próprios juízos de valor que estarão na base das decisões individuais que tiver de tomar em diversas circunstâncias da sua vida; Saber Conhecer que é a educação para a aprendizagem permanente de conhecimentos científicos sólidos e a aquisição de instrumentos necessários para a compreensão, a interpretação e a avaliação crítica dos fenómenos sociais, económicos, políticos e naturais; Saber Fazer que proporciona uma formação e qualificação profissional sólida, um espírito empreendedor no aluno/formando para que ele se adapte não só ao meio produtivo actual, mas também às tendências de transformação no mercado;
  • 3.
    3 Saber viver juntose com os outros que traduz a dimensão ética do Homem, isto é, saber comunicar-se com os outros, respeitar-se a si, à sua família e aos outros homens de diversas culturas, religiões, raças, entre outros. Agenda 2025:129 Estes saberes interligam-se ao longo da vida do indivíduo e implicam que a educação se organize em torno deles de modo a proporcionar aos jovens instrumentos para compreender o mundo, agir sobre ele, cooperar com os outros, viver, participar e comportar-se de forma responsável. Neste quadro, o desafio da escola é, pois, fornecer as ferramentas teóricas e práticas relevantes para que os jovens e os adolescentes sejam bem sucedidos como indivíduos, e como cidadãos responsáveis e úteis na família, na comunidade e na sociedade, em geral. 1.2. Os desafios da Escola A escola confronta-se com o desafio de preparar os jovens para a vida. Isto significa que o papel da escola transcende os actos de ensinar a ler, a escrever, a contar ou de transmitir grandes quantidades de conhecimentos de história, geografia, biologia ou química, entre outros. Torna-se, assim, cada vez mais importante preparar o aluno para aprender a aprender e para aplicar os seus conhecimentos ao longo da vida. Perante este desafio, que competências são importantes para uma integração plena na vida? As competências importantes para a vida referem-se ao conjunto de recursos, isto é, conhecimentos, habilidades atitudes, valores e comportamentos que o indivíduo mobiliza para enfrentar com sucesso exigências complexas ou realizar uma tarefa, na vida quotidiana. Isto significa que para resolver um determinado problema, tomar decisões informadas, pensar critica e criativamente ou relacionar-se com os outros um indivíduo necessita de combinar um conjunto de conhecimentos, práticas e valores. Naturalmente que o desenvolvimento das competências não cabe apenas à escola, mas também à sociedade, a quem cabe definir quais deverão ser consideradas importantes, tendo em conta a realidade do país. Neste contexto, reserva-se à escola o papel de desenvolver, através do currículo, não só as competências viradas para o desenvolvimento das habilidades de comunicação, leitura e escrita, matemática e cálculo, mas também, as competências gerais, actualmente reconhecidas como cruciais para o desenvolvimento do indivíduo e necessárias para o seu bem estar, nomeadamente: a) Comunicação nas línguas moçambicana, portuguesa, inglesa e francesa; b) Desenvolvimento da autonomia pessoal e a auto-estima; de estratégias de aprendizagem e busca metódica de informação em diferentes meios e uso de tecnologia; c) Desenvolvimento de juízo crítico, rigor, persistência e qualidade na realização e apresentação dos trabalhos; d) Resolução de problemas que reflectem situações quotidianas da vida económica social do país e do mundo; e) Desenvolvimento do espírito de tolerância e cooperação e habilidade para se relacionar bem com os outros; f) Uso de leis, gestão e resolução de conflitos; g) Desenvolvimento do civismo e cidadania responsáveis; h) Adopção de comportamentos responsáveis com relação à sua saúde e da comunidade bem como em relação ao alcoolismo, tabagismo e outras drogas;
  • 4.
    4 i) Aplicação daformação profissionalizante na redução da pobreza; j) Capacidade de lidar com a complexidade, diversidade e mudança; k) Desenvolvimento de projectos estratégias de implementação individualmente ou em grupo; l) Adopção de atitudes positivas em relação aos portadores de deficiências, idosos e crianças. Importa destacar que estas competências encerram valores a serem desenvolvidos na prática educativa no contexto escolar e extra-escolar, numa perspectiva de aprender a fazer fazendo. (...) o aluno aprenderá a respeitar o próximo se tiver a oportunidade de experimentar situações em que este valor é visível. O aluno só aprenderá a viver num ambiente limpo se a escola estiver limpa e promover o asseio em todos os espaços escolares. O aluno cumprirá as regras de comportamento se elas forem exigidas e cumpridas por todos os membros da comunidade escolar de forma coerente e sistemática. PCESG:27 Neste contexto, o desenvolvimento de valores como a igualdade, liberdade, justiça, solidariedade, humildade, honestidade, tolerância, responsabilidade, perseverança, o amor à pátria, o amor próprio, o amor à verdade, o amor ao trabalho, o respeito pelo próximo e pelo bem comum, deverá estar ancorado à prática educativa e estar presente em todos os momentos da vida da escola. As competências acima indicadas são relevantes para que o jovem, ao concluir o ESG esteja preparado para produzir o seu sustento e o da sua família e prosseguir os estudos nos níveis subsequentes. Perspectiva-se que o jovem seja capaz de lidar com economias em mudança, isto é, adaptar-se a uma economia baseada no conhecimento, em altas tecnologias e que exigem cada vez mais novas habilidades relacionadas com adaptabilidade, adopção de perspectivas múltiplas na resolução de problemas, competitividade, motivação, empreendedorismo e a flexibilidade de modo a ter várias ocupações ao longo da vida. 1.3. A Abordagem Transversal A transversalidade apresenta-se no currículo do ESG como uma estratégia didáctica com vista um desenvolvimento integral e harmonioso do indivíduo. Com efeito, toda a comunidade escolar é chamada a contribuir na formação dos alunos, envolvendo-os na resolução de situações-problema parecidas com as que se vão confrontar na vida. No currículo do ESG prevê-se uma abordagem transversal das competências gerais e dos temas transversais. De referir que, embora os valores se encontrem impregnados nas competências e nos temas já definidos no PCESG, é importante que as acções levadas a cabo na escola e as atitudes dos seus intervenientes sobretudo dos professores constituam um modelo do saber ser, conviver com os outros e bem fazer. Neste contexto, toda a prática educativa gravita em torno das competências acima definidas de tal forma que as oportunidades de aprendizagem criadas no ambiente escolar e fora dele contribuam para o seu desenvolvimento. Assim, espera-se que as actividades curriculares e co-curriculares sejam suficientemente desafiantes e estimulem os alunos a mobilizar conhecimentos, habilidades, atitudes e valores. O currículo do ESG prevê ainda a abordagem de temas transversais, de forma explícita, ao longo do ano lectivo. Considerando as especificidades de cada disciplina, são dadas indicações para a sua abordagem no plano temático, nas sugestões metodológicas e no texto de apoio sobre os temas transversais.
  • 5.
    5 O desenvolvimento deprojectos comuns constitui-se também com uma estratégias que permite estabelecer ligações interdisciplinares, mobilizar as competências treinadas em várias áreas de conhecimento para resolver problemas concretos. Assim, espera-se que as actividades a realizar no âmbito da planificação e implementação de projectos, envolvam professores, alunos e até a comunidade e constituam em momentos de ensino-aprendizagem significativos. 1.4 As Línguas no ESG A comunicação constitui uma das competências considerada chave num mundo globalizado. No currículo do ESG, são usados a língua oficial (Português), línguas Moçambicanas, línguas estrangeiras (Inglês e Francês). As habilidades comunicativas desenvolvem-se através de um envolvimento conjugado de todas as disciplinas e não se reserva apenas às disciplinas específicas de línguas. Todos os professores deverão assegurar que alunos se expressem com clareza e que saibam adequar o seu discurso às diferentes situações de comunicação. A correcção linguística deverá ser uma exigência constante nas produções dos alunos em todas as disciplinas. O desafio da escola é criar espaços para a prática das línguas tais como a promoção da leitura (concursos literários, sessões de poesia), debates sobre temas de interesse dos alunos, sessões para a apresentação e discussão de temas ou trabalhos de pesquisa, exposições, actividades culturais em datas festivas e comemorativas, entre outros momentos de prática da língua numa situação concreta. Os alunos deverão ser encorajados a ler obras diversas e a fazer comentários sobre elas e seus autores, a escrever sobre temas variados, a dar opiniões sobre factos ouvidos ou lidos nos órgãos de comunicação social, a expressar ideias contrárias ou criticar de forma apropriada, a buscar informações e a sistematizá-la. Particular destaque deverá ser dado à literatura representativa de cada uma das línguas e, no caso da língua oficial e das línguas moçambicanas, o estudo de obras de autores moçambicanos constitui um pilar para o desenvolvimento do espiríto patriótico e exaltação da moçambicanidade. 1.5. O Papel do Professor O papel da escola é preparar os jovens de modo a torná-los cidadãos activos e responsáveis na família, no meio em que vivem (cidade, aldeia, bairro, comunidade) ou no trabalho. Para conseguir este feito, o professor deverá colocar desafios aos seus alunos, envolvendo-os em actividades ou projectos, colocando problemas concretos e complexos. A preparação do aluno para a vida passa por uma formação em que o ensino e as matérias leccionadas tenham significado para a vida do jovem e possam ser aplicados a situações reais. O ensino - aprendizagem das diferentes disciplinas que constituem o currículo fará mais sentido se estiver ancorado aos quatro saberes acima descritos interligando os conteúdos inerentes à disciplina, às componentes transversais e às situações reais. Tendo presente que a tarefa do professor é facilitar a aprendizagem, é importante que este consiga:  organizar tarefas ou projectos que induzam os alunos a mobilizar os seus conhecimentos, habilidades e valores para encontrar ou propor alternativas de soluções;
  • 6.
    6  encontrar pontosde interligação entre as disciplinas que propiciem o desenvolvimento de competências. Por exemplo, envolver os alunos numa actividade, projecto ou dar um problema que os obriga a recorrer a conhecimentos, procedimentos e experiências de outras áreas do saber;  acompanhar as diferentes etapas do trabalho para poder observar os alunos, motivá-los e corrigi-los durante o processo de trabalho;  criar, nos alunos, o gosto pelo saber como uma ferramenta para compreender o mundo e transformá-lo;  avaliar os alunos no quadro das competências que estão a ser desenvolvidas, numa perspectiva formativa. Este empreendimento exige do professor uma mudança de atitude em relação ao saber, à profissão, aos alunos e colegas de outras disciplinas. Com efeito, o sucesso deste programa passa pelo trabalho colaborativo e harmonizado entre os professores de todas as disciplinas. Neste sentido, não se pode falar em desenvolvimento de competências para vida, de interdisciplinaridade se os professores não dialogam, não desenvolvem projectos comuns ou se fecham nas suas próprias disciplinas. Um projecto de recolha de contos tradicionais ou da história local poderá envolver diferentes disciplinas. Por exemplo: - Português colaboraria na elaboração do guião de recolha, estrutura, redacção e correcção dos textos; - História ocupar-se-ia dos aspectos técnicos da recolha deste tipo de fontes; - Geografia integraria aspectos geográficos, físicos e socio-económicos da região; - Educação Visual ficaria responsável pelas ilustrações e cartazes. Com estes projectos treinam-se habilidades, desenvolvem-se atitudes de trabalhar em equipa, de análise, de pesquisa, de resolver problemas e a auto-estima, contribuindo assim para o desenvolvimento das competências mais gerais definidas no PCESG. As metodologias activas e participativas propostas, centradas no aluno e viradas para o desenvolvimento de competências para a vida pretendem significar que, o professor não é mais um centro transmissor de informações e conhecimentos, expondo a matéria para reprodução e memorização pelos alunos. O aluno não é um receptáculo de informações e conhecimentos. O aluno deve ser um sujeito activo na construção do conhecimento e pesquisa de informação, reflectindo criticamente sobre a sociedade. O professor deve assumir-se como criador de situações de aprendizagem, regulando os recursos e aplicando uma pedagogia construtivista. O seu papel na liderança de uma comunidade escolar implica ainda que seja um mediador e defensor intercultural, organizador democrático e gestor da heterogeneidade vivencial dos alunos. As metodologias de ensino devem desenvolver no aluno: a capacidade progressiva de conceber e utilizar conceitos; maior capacidade de trabalho individual e em grupo; entusiasmo, espírito competitivo, aptidões e gostos pessoais; o gosto pelo raciocínio e debate de ideias; o interesse pela integração social e vocação profissional.
  • 7.
    7 O ensino eaprendizagem de História Este Programa de Ensino foi concebido e estruturado com base no Plano Curricular do Ensino Secundário Geral, (PCESG), tendo em conta o processo de revisão curricular realizado no Ensino Básico. Neste programa foram introduzidas alterações que consistiram na redução parcial dos conteúdos referentes à história universal tendo-se mantido o essencial; foram igualmente introduzidos conteúdos referentes a processos históricos de África e de Moçambique e indicadas vias de abordagem que se aproximam da estratégia definida para o Ensino Básico. Mais do que o referido no parágrafo anterior, a mudança reside na metodologia de abordagem do programa e dos conteúdos nele prescritos, bem como das sugestões de actividades a realizar em cada unidade temática, e da filosofia que sustentou a elaboração deste Programa de ensino. Este programa assim como todos os outros devem ter em conta os temas transversais que deverão ser integrados ao longo da planificação das unidades temáticas. Para complementar a abordagem dos temas transversais poder-se-ão realizar através de actividades extracurriculares. O ensino desta disciplina contribue para o desenvolvimento de atitudes de respeito pelos direitos e crenças dos outros, de solidariedade, de tolerância, consciência patriótica e vontade de participar activamente na construção de uma sociedade moçambicana democrática. O Programa da 12ª Classe é constituído por cinco unidades, nomeadamente: 1. Periodização da História de Moçambique; 2. Moçambique - Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração; 3. Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira; 4. O período da dominação colonial em Moçambique; 5. Moçambique pós-independência: 1975-2004.
  • 8.
    8 Competências a Desenvolverno 2º Ciclo do Ensino Secundário Geral  Usa e aprofunda a terminologia da disciplina de História para descrever acontecimentos sócio- históricos;  Usa as línguas (portuguesa, inglesa, local e outras) para a recolha e sistematização de informação de interesse sócio-histórico, cultural e patrimonial;  Busca permanentemente estratégias independentes de aprendizagem e de informação em diferentes meios para aprofundar seu conhecimento sobre matérias de História Universal, de África e de Moçambique  Relativiza os factos e revela o sentido crítico perante o fluxo de informações que lhe chegam através de vários meios de comunicação;  Usa os conhecimentos que possui sobre o mundo, adquiridos quer através das ciências naturais, quer através das ciências sociais, para analisar e compreender as relações e os laços que unem homens e mulheres ao seu meio ambiente.  Participa nos esforços da comunidade e do país na luta contra a pobreza através do seu envolvimento consciente em acções de produção em seu benefício e da comunidade.  Tem consciência de ser e pertencer a uma nação a fim de dispor de referências que lhe permitem situar-se no mundo e respeitar as outras culturas.  Promove acções visando a defesa dos direitos humanos, de cidadania, da democracia e tolerância pelas diferenças.  Promove o espírito de cooperação inter-pessoal, entre as comunidades e povos;  Age em conformidade com a lei na gestão e resolução de conflitos sociais;  Respeita as leis nacionais, internacionais e de cada país.  Discute a importância de resolução pacífica dos conflitos  Participa na organização dos processos político-sociais do país.  Aplica os conhecimentos no desenvolvimento de projectos que beneficiem a sua comunidade e o país. Objectivos Gerais do Ciclo O objectivo central deste Programa de Ensino pode assim resumir-se no seguinte:  Analisar criticamente e problematizar os dados sociais;  Dominar os conceitos e outros instrumentos operatórios da História,  Adquirir hábitos de exigência e de rigor, ensaiando metodologias de investigação  Reconhecer a relatividade e a constante reconstrução do saber histórico.  Perceber que a História de África (da África negra, em particular) é parte integrante da História Universal;  Reconhecer a existência de factores externos que condicionaram o desenvolvimento do continente, designadamente a intromissão colonial;  Reconhecer a existência de uma teoria científica sempre em evolução e não fazer da História apenas uma simples colecção de factos;
  • 9.
    9  Reflectir criticamentesobre os dados sociais a um domínio de conceitos cada vez mais sólido e a uma cada vez maior relacionação de acontecimentos, designadamente os acontecimentos de alcance mundial e os surgidos em África ou com ela relacionados.  Descobrir na História as referências e o papel das suas comunidades no contexto do património histórico nacional;  Estabelecer analogias, semelhanças e diferenças entre o seu eu e o (s) outro (s) de diversos tempos e lugares, como a procurarem o sentido das permanências e mudanças culminando com a compreensão da realidade presente.  Analisar conteúdos numa base global nacional, como forma de contribuir para a fortificação da unidade nacional em vez de uma visão regionalizada. sempre enquadrar qualquer  Incitar os alunos a estabelecerem nexos entre os conhecimentos teóricos da aula e a experiência prática, devendo a pesquisa dos alunos ter como ponto de partida o levantamento de problemas reais e actuais.  Fortificar a unidade nacional através dos conteúdos da História do país  Compreender a dinâmica da História do país nos níveis sócio-politico e económico Visão Geral dos Conteúdos do Ensino Secundário Geral 8ª Classe 9ª Classe 10ª Classe 11ª Classe 12ª Classe 1- A História como Ciência 1- Formação do Sistema Capitalista do Século XV- XVII 1 - As Contradições Imperialistas, dos finais do século XIX até ao final da Iª Guerra Mundial 1- Introdução à História 1- Sobre a periodização da História de Moçambique 2- Origem e Evolução do Homem 2 - O Capitalismo Industrial e o Movimento Operário nos séculos XVIII-XIX 2- O Mundo entre a 1ª e 2ª guerra mundiais (1918- 1939) 2- Invasão, Partilha e ocupação efectiva de África, 2. : Moçambique- Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração 3- As diferenciações sociais e a Formação de Estados 3 - Do Capitalismo Industrial (século XVIII-XIX) ao Imperialismo fim do século XIX e início do século XX A II guerra Mundial 1939-1945 3- África no período colonial 3- Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira 4. As relações sociopolíticas na Europa e na África entre século V-XV O Mundo entre a confrontação e o desanuviamento 4- Movimento de Libertação Nacional e as independências 1880- 1980 4: O período da dominação colonial em Moçambique 5- Problemas Africanos de Hoje 1960 – 2002 5: Moçambique pós-independência: 1975-2004
  • 10.
    10 3. Objectivos daaprendizagem da História na 12ª Classe  Abordar as fontes, cronologia e periodização da História de Moçambique;  Descrever as primeiras comunidades em Moçambique - origem actividades, organização social e os sistemas políticos;  Explicar as formações políticas (Estados) em Moçambique e a penetração mercantil estrangeira - as fases de ouro, de marfim e de escravos;  Compreender os períodos da dominação colonial portuguesa em Moçambique:  Perceber o Movimento de Libertação Nacional, a Independência Nacional e o período pós - independência;  Interpretar criticamente e saber fundamentar os acontecimentos do mundo actual, através da compreensão do funcionamento estrutural e da dinâmica evolutiva das sociedades nos "Estados de Moçambique" e não só;  Questionar cientificamente as realidades sociais do passado e do presente fazendo uso de atitudes e competências metodológicas;  Estimular, produzir e consumir bens culturais pelo enriquecimento da capacidade de reflexão, da sensibilidade e do juízo crítico, no contacto com a diversidade de manifestações históricas da cultura;  Afirmar uma autonomia pessoal e clarificar um sistema de valores próprio nas áreas sócio- política e cultural;  Desenvolver a consciência da cidadania na sua dimensão nacional e universal de modo a incentivar uma intervenção responsável na vida social e política;  Fazer uso fluente dos vocábulos inerentes às matérias leccionadas em exposições orais ou trabalhos escritos;  Elaborar independentemente monografias sobre assuntos tratados nas aulas ou com eles relacionados.
  • 11.
    11 Visão Geral dosConteúdos da Disciplina de História da 12ª classe Unidades Temáticas Conteúdos C. Horária 1:Sobre a periodização da História de Moçambique 1.1. Periodização da História de Moçambique:  Os conceitos de periodização e Cronologia.  Proposta de periodização da História de Moçambique. 1.2. As fontes da História de Moçambique 3 2: Moçambique da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração 2.1. A comunidade de caçadores e recolectores 2.2. Os povos de origem Bantu: 2.2.2. As sociedades moçambicanas 2.2.3. O início da diferenciação etnolinguística em Moçambique 9 3: Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira 3.1. Abordagem teórica sobre a origem do Estado. 3.2. Os estados moçambicanos e a penetração mercantil estrangeira 3.2.2. O Grande Zimbabwe: 3.2.3.O Estado dos Mwenemutapas: 3.2.3. O Estado Marave 3.3. A penetração árabe-persa: 3.3.1 A penetração mercantil europeia 3.3.1.13 A presença portuguesa e o Estado Marave (1693-1750) 3.3.1.2. O comércio do marfim e a expansão colonial: 3.4.1 . Os Estados esclavagistas em Moçambique 3.4.1.1. Os Estados Ajaua 3.4.1.2. Os Estados afro-islâmicos da costa 3.4.1.3 O Estado de Gaza 33 4: O período da dominação colonial em Moçambique 4.1 Questões sobre colonização e teorias de resistência 4.2. O colonialismo português em Moçambique, de 1890-1930 4.2.1 A II Corrida à África (revisão) 4.2.2. O papel específico de Portugal na penetração imperialista 4.2.2.2. as resistências no norte, centro e sul de Moçambique 4.2.2.3. a montagem do Estado colonial 4.2.3. A Economia colonial 4.2.3.7. As primeiras formulações nacionalistas - 4.3.O período do colonialismo português a partir de 1930 4.3.1. A Conjuntura política e económica e os marcos de viragem 4.4. Alterações na política colonial 4.5. O nacionalismo moçambicano 4.6.1 A fusão dos 3 movimentos e criação da Frente de Libertação de Moçambique 4.62.. O desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional. 4.6.3 A crise do Colonialismo português. 4.7. A Independência Nacional: a República Popular de Moçambique e o regime mono partidário. 42 5:Moçambique pós- independência: 1975-2004 5.1 . A independência nacional e a RPM: 5.1.1 O não alinhamento, 5.1.2 A linha da frente 5.2.1. As estratégias política, económica e Social, (interna e internacional): 5.3 Guerra dos 16 anos-1977-1992 5.3.1 A conjuntura nacional externa favorável à guerra 5.3.2 As consequências sociais, políticas e económicas da guerra 5.4. Da República popular de Moçambique à República de Moçambique. 5.4.1 A Constituição de 1990 e a adopção do multipartidarismo 5.4.1.1 O Acordo de Paz e a Reconciliação Nacional 5.4.1.2 O processo eleitoral em Moçambique 5.4.1.2 Legislativas e presidenciais 12
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    12 Carga Horária PorTrimestre Trimestre Unidade Temática Carga Horária 1º Trimestre Unidade 1 Sobre a periodização da História de Moçambique 3 Unidade2 Moçambique- Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração 9 Unidade 3 Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira 3.1. Os reinos Afro- islâmicos da costa 12 Avaliação 6 2º Trimestre Unidade 3 Os Estados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira 3.2.6 Estado de Gaza 3 Unidade 4 O período da dominação colonial em Moçambique 4.2.3.7 As primeiras formulações nacionalistas 27 Avaliação 6 3º Trimestre Unidade 4: O período da dominação colonial em Moçambique 4.3.O período do colonialismo português a partir de 1930 17 Unidade 5: Moçambique pós-independência: 1975-2004 10 Avaliação 6
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    13 Plano Temático Unidade 1.:Sobre a periodização da História de Moçambique Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga Horária - Definir os conceitos de periodização e cronologia - Identificar os períodos da História de Moçambique - Explicar limitações das fontes da História de Moçambique. - Explicar a importância da tradição oral na reconstituição da História de Moçambique 1.1. Periodização da História de Moçambique 1.1.1. Os conceitos de periodização e Cronologia. 1.1.2. Proposta de periodização da História de Moçambique. 1.1.3. As fontes da História de Moçambique: 1.2. Os tipos de fontes 1.2.1. As suas limitações Sistematização Elabora gráficos de tempo sobre a periodização da História de Moçambique Critica os diferentes tipos de fontes existentes sobre a História de Moçambique Avalia a importância das fontes orais na reconstituição da História de Moçambique
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    8 Sugestões metodológicas Para estaunidade sugere-se que se explore os conhecimentos que os alunos adquiriram nas classes anteriores. No que respeita à periodização, sugere-se que o professor trabalhe com os seus alunos na elaboração de gráficos de tempo e quadro - resumos, indicando as principais características de cada período. Importa também referir sobre o carácter relativo e subjectivo da periodização que depende do historiador das fontes utilizadas e dos critérios de periodização. Deverá discutir com seus alunos a proposta de periodização que colocamos abaixo. Em relação as fontes da História de Moçambique poderão conduzir os seus alunos a compreenderem os problemas que se colocam na reconstituição da História de Moçambique no que se refere a disponibilidade, credibilidade, acesso e distribuição das fontes. Sugere – se que trabalhe com os seguintes conceitos: cronologia; periodização, fontes históricas Indicadores de desempenho Definir período histórico, periodização e cronologia Explicar a importância da categoria “tempo” em História Fazer a cronologia Periodizar e da História de Moçambique Bibliografia SERRA, Carlos (ed) História de Moçambique – Parte I – Primeiras sociedades sedentárias e impacto dos mercadores, 200/300 – 1885, Vol 1, Maputo, Universidade Edurado Mondlane, 2000, pp. 1-7 JOSÉ. A. e MENEZES. Paula M.G. Moçambique 16 anos de Historiografia: Focos, Problemas, Metodologia, Desafios para a Década de 90. Vol . Maputo: 1991. pp. 17-27
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    9 QUADRO RESUMO SOBREPERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE - Por Selimane e M. Pedro PERÍODO SUB-PERÍODO CARACTERÍSTICAS I COMUNIDADE DE CAÇADORES E RECOLECTORES (Até ao século III/IV)  Predomínio da técnica lítica  Economia recolectora (recolecção e caça). Imediatismo na produção/consumo  Organização social baseada em bandos, sem classes sociais e, consequentemente, sem Estado  Prática da primeira arte rupestre (pinturas rupestres) II COMUNIDADE DE AGRICULTORES E PASTORES (Séc. IV – Séc. IX)  Fixação Bantu em Moçambique  Introdução e desenvolvimento da agricultura, metalúrgia e pecuária  Transição da economia recolectora para a economia produtora  Surgimento das comunidades sendentárias semi-permanentes  Organização das comunidades em linhagens ou surgimento de linhagens, cujo poder dos chefes era mais de ordem moral e não política. III 1. Fase afro-asiáticca (Séc. IX – Séc. XVI)  Primeira exploração de recursos de forma intensiva, fundamentalmente no planalto do Zimbabwe.  Delimitação dos grupos etno-linguístico em “Moçambique”  Intercâmbio comercial entre “Moçambique” (Sofala) e o mundo extra-africano  Edificação das primeiras sociedades de classes e dos primeiros estados Zimbabwe (Manyekeni), Muenemutapa e Marave  Estabelecimento dos primeiros núcleos islamizados na costa nortenha de Moçambique. M E R C (Sé. IX – Séc. XIX) A ou N (800 – 1886) T I L 2. Fase Europeia (Séc. XVI – Séc. XIX ou 1505 – 1886)  Fixação portuguesa em Sofala (1505) e Ilha de Moçambique (1507) e início do conflito entre mercadores árabes e portugueses.  Ciclo de ouro, formação de Prazos e desagregação dos Muenemutapas  Ciclo de marfim: desenvolvimento e desagregação dos Marave  Ciclo de escravos e a emergência dos Estados: Militares, Ajaua, Reinos Afro-islâmicos da Costa  Conferência de Berlim (1884/85)  Obs. Neste período (Mercantil: 800 – 1886), a aquisição das riquezas de Moçambique fazia-se sem que os mercadores interviessem directamente na produção ou investissem em sectores produtivos. A troca desigual era o método com o qual os mercadores estrangeiros acumulavam lucros.
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    10 IV – C O (1886 L O N I A L I S 1975) M O 3 Dominação do capital estrangeiro não português (1886 – 1926/30)  Ocupação efectiva e montagem do aparelho político-administrativo  Atrelamento de Moçambique ao capital estrangeiro não português.  Surgimento de Companhias Majestáticas e arrendatárias (de Moçambique, Niassa e da Zambézia, respectivamente)  O Sul de Moçambique e o Trabalho Migratório (Transporte, minas e plantações) 3.1 Nacionalismo Económico de Salazar (1926/30 – 1962/64)  Introdução do Nacionalismo económico de Salazar  Extinção das Companhias Majestáticas e arrendatárias  Introdução de culturas obrigatórias  Colonatos e introdução dos Planos e Fomento  Ministração de uma educação diferenciada para os brancos/assimilados e para os indígenas  Contestação à situação interna  Transformação das colónias em Províncias Ultramarinas  Formação de movimentos nacionalistas Obs. Nesta fase, Portugal pretendia fortalecer a burguesia nacional, a partir de uma exploração intensiva da força braçal indígena. Para isso, instituiu medidas tendentes a controlar a mesma força, quer a partir de recenseamentos, com da ministração de uma educação que sujeitasse o indígena. Entretanto, tudo indica que esse objectivo não surtiu efeitos satisfatórios, facto que daria origem à crise da fase seguinte. 4.3. Crise e Restruturação do Colonialismo Português (1962/64 – 1975)  Abolição formal do indigenato e das culturas obrigatórias e introdução das propriedades dos colonos  Formação de um movimento unitário de libertação nacional e início da luta de libertação Nacional  Política de “Portas abertas” e a construção da Barragem de Cabora Bassa  Surgimento das “Zonas Libertadas”  Governo de Transição V MOÇAMBIQUE PÓS- INDEPENDÊNCIA (1975 aos nossos dias) Fase monopartidária (1975 – 1990/94  Instituicionalização de um Estado de orientação Socialista  Desenvolvimento de uma economia dirigida  Planos económicos: PEC, PPI, PRE, PRES  Guerra civil  Constituição de 1990  Acordo de Paz Fase Mutipartidária (1990/94 aos nossos dias  Eleições legislativas multipartidárias  Introdução de um democracia parlamentar  Economia de Mercado
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    11 Unidade 2: Moçambique:Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga Horária -Caracterizar a vida das comunidades de caçadores e recolectores; -Relacionar a expansão Bantu com a difusão da tecnologia do ferro; - Analisar as diversas teorias sobre a expansão Bantu; -Diferenciar as comunidades primitivas das sedentárias; -Explicar a importância da tecnologia do ferro para as sociedades moçambicanas - Explicar o papel da ideologia nas sociedades moçambicanas - Diferenciar a linhagem matrilinear da patrilinear - localizar no mapa os grupos etnolinguísticos de Moçambique 2.1. As comunidades de caçadores e recolectores: 2.1.1os Khoisan 2.2. Os povos de origem Bantu: 2.2.1. A expansão e fixação Bantu; 2.2.1.1. as causas da expansão 2.2.1.2 as diversas teorias sobre a expansão bantu segundo Martin Hall 2.2.2. As sociedades moçambicanas após a expansão Bantu 2.2.2.1 as actividades económicas; 2.2.2.3 a organização social e política; 2.2.2.4 a ideologia 2.2.3. O início da diferenciação etnolinguística em Moçambique 2.2.3.1 As linhagens matrilinear e patrilinear: características gerais 2.2.3.2 localização dos grupos etnolinguísticos de Moçambique  Elabora mapas sobre: a expansão bantu, a difusão da tecnologia do ferro e os grupos etno-linguísticos de Moçambique;  Usa correctamente o vocabulário histórico para expressar as suas ideais  Pesquisa, selecciona e organiza informação para transformar em conhecimento mobilizável  Utiliza elementos de antropologia para explicar a origem da diferenciação etnolinguística de Moçambique
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    12 Sugestões metodológicas Para estaunidade sugere-se que se explore os conhecimentos que os alunos adquiriram nas classes anteriores. No que respeita à periodização, sugere-se que o professor trabalhe com os seus alunos na elaboração de gráficos de tempo e quadro - resumos, indicando as principais características de cada período. Importa também referir sobre o carácter relativo e subjectivo da periodização que depende do historiador das fontes utilizadas e dos critérios de periodização. Deverá discutir com seus alunos a proposta de periodização que colocamos abaixo. Em relação as fontes da História de Moçambique poderão conduzir os seus alunos a compreenderem os problemas que se colocam na reconstituição da História de Moçambique no que se refere a disponibilidade, credibilidade, acesso e distribuição das fontes. Sugere – se que trabalhe com os seguintes conceitos: cronologia; periodização, fontes históricas Indicadores de desempenho Definir período histórico, periodização e cronologia Explicar a importância da categoria “tempo” em História Fazer a cronologia Periodizar e da História de Moçambique Bibliografia SERRA, Carlos (ed) História de Moçambique – Parte I – Primeiras sociedades sedentárias e impacto dos mercadores, 200/300 – 1885, Vol 1, Maputo, Universidade Edurado Mondlane, 2000, pp. 1-7 JOSÉ. A. e MENEZES. Paula M.G. Moçambique 16 anos de Historiografia: Focos, Problemas, Metodologia, Desafios para a Década de 90. Vol . Maputo: 1991. pp. 17-27
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    13 Unidade 2: Moçambique:Da comunidade Primitiva ao surgimento das sociedades de exploração Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga Horária -Caracterizar a vida das comunidades de caçadores e recolectores; -Relacionar a expansão Bantu com a difusão da tecnologia do ferro; - Analisar as diversas teorias sobre a expansão Bantu; -Diferenciar as comunidades primitivas das sedentárias; -Explicar a importância da tecnologia do ferro para as sociedades moçambicanas - Explicar o papel da ideologia nas sociedades moçambicanas - Diferenciar a linhagem matrilinear da patrilinear - localizar no mapa os grupos etnolinguísticos de Moçambique 2.1. As comunidades de caçadores e recolectores: 2.1.1os Khoisan 2.2. Os povos de origem Bantu: 2.2.1. A expansão e fixação Bantu; 2.2.1.1. as causas da expansão 2.2.1.2 as diversas teorias sobre a expansão bantu segundo Martin Hall 2.2.2. As sociedades moçambicanas após a expansão Bantu 2.2.2.1 as actividades económicas; 2.2.2.3 a organização social e política; 2.2.2.4 a ideologia 2.2.3. O início da diferenciação etnolinguística em Moçambique 2.2.3.1 As linhagens matrilinear e patrilinear: características gerais 2.2.3.2 localização dos grupos etnolinguísticos de Moçambique  Elabora mapas sobre: a expansão bantu, a difusão da tecnologia do ferro e os grupos etno-linguísticos de Moçambique;  Usa correctamente o vocabulário histórico para expressar as suas ideais  Pesquisa, selecciona e organiza informação para transformar em conhecimento mobilizável  Utiliza elementos de antropologia para explicar a origem da diferenciação etnolinguística de Moçambique
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    14 Sugestões metodológicas Nesta unidadesugere-se exploração dos pré-requisitos que os alunos possuem de classes anteriores sobretudo as principais características das sociedades primitivas e sedentárias. Em relação as diversas teorias sobre a expansão Bantu, deve basear-se fundamentalmente em Martin Hall que resumiu em três aspectos fundamentais as grandes discussões que linguistas, arqueólogos e historiadores têm realizado sobre a expansão bantu i) a teoria rácica ; ii) a teoria linguística e iii) a teoria da domesticação das plantas e animais e da expansão da metalurgia do ferro. Deve destacar que a teoria linguística é a que melhor explica as razões da expansão bantu. Para consolidar, sugere-se que os alunos elaborem mapas sobre a expansão bantu e a tecnologia do ferro. No que respeita as sociedades moçambicanas após a fixação bantu, sugere-se que se enfatize as principais transformações ocorridas no aspecto económico, político social e ideológico, destacando os locais de interesse histórico que provam a presença bantu em Moçambique nomedamente: as estações arqueológicas na Matola, em Xai-Xai, Vilanculos, Marrape, Hola-Hola, Mavita, Chongoene, Bilene, Zitundo, Serra Maúa, Monte Mitukué, entre outros locais. A elaboração do mapa sobre os grupos etnolinguísticos de Moçambique, ajudará a compreender melhor as diferenças entre o norte e o sul de Moçambique bem como a diversidade multi-cultural das sociedades moçambicanas, ajudando a forjar o sentimento de pertença a uma nação. O professor deverá trabalhar os seguintes conceitos: bando, clã, família alargada, linhagem e, sociedades de exploração
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    15 Indicadores de desempenho Compara a sociedade moçambicana antes e depois da expansão Bantu;  Diferencia a linhagem matrilinear da patrilinear  Localiza os deferentes grupos etnolinguísticos de Moçambique Bibliografia básica: SERRA, Carlos (ed). História de Moçambique, Vol.1, Maputo, Livraria Universitária,2000. SOUTO, Amélia Neves de. Guia Bibliográfico para o estudante de História de Moçambique, Maputo, UEM/CEA,1996
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    16 Unidade 3: OsEstados de Moçambique e a penetração mercantil estrangeira Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga Horária - Explicar o processo do surgimento do Estado - discutir algumas teorias sobre a origem do Estado - Explicar o processo de formação dos Estados Moçambicanos; - Explicar o papel da ideologia nos Estados Moçambicanos - Caracterizar forma de actuação do capital mercantil em Moçambique - Relacionar o processo de desenvolvimento dos Estados Moçambicanos com a actuação do 3.1. Abordagem teórica sobre a origem do Estado. 3.1.1. O surgimento da diferenciação social 3.1.2. Algumas teorias sobre a origem do Estado:  A concepção marxista;  A concepção liberal;  A concepção totalitária 3.2. Os estados moçambicanos e a penetração mercantil estrangeira 3.2.1 O Estado do Zimbabwe:  origem;  Actividades económicas;  A organização político-social  A decadência 3.2.2.O Estado dos Mwenemutapas:  Origem  Actividades económicas  A organização político-administrativa  A estrutura sócio-económica  A ideologia 3.2.3. O Estado Marave  Origem  Actividades económicas  A organização político-administrativa  A estrutura sócio-económica  A ideologia 3.3. A penetração árabe-persa: 3.3.1. os factores da penetração: geográficos, técnicos e económicos 3.3.2 Os contactos ao longo da costa e suas repercussões 3.3.3 As marcas da presença árabe nos nossos dias Diferencia as diferentes concepções de origem do estado Elabora resumos sobre a penetração mercantil estrangeira em Moçambique
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    17 Objectivos específicos ConteúdoCompetências básicas Carga Horária capital mercantil - Explicar a importância do capital mercantil para o reforço da classe dominante - Explicar a importância do capital mercantil para a desestruturação dos estados moçambicanos - Caracterizar as diversas etapas da penetração mercantil em Moçambique - Diferenciar a actuação do capital mercantil árabo -persa da europeia - Explicar o surgimento das novas unidades políticas em Moçambique - Considerar a escravatura como um 3.4. A penetração mercantil europeia 3.4.1 Factores económicos, sociais e religiosos da penetração europeia 3.4.2 A presença portuguesa e o Estado dos Mwenemutapa (1505/1693):  Os lutas entre portugueses e árabes;  Os acordos de 1607 e 1629: suas repercussões 3.5 Os Prazos da Coroa em Moçambique:  Formação  localização  base económica  estrutura social e aparato ideológico 3.6 A decadência do Estado dos Mwenemutapas:  os conflitos inter-dinásticos na sociedade shona;  o papel do capital mercantil no Mwenemutapa  a revolta de Changamire Dombo (1693)  As consequências do Ciclo do Ouro 3.7 A presença portuguesa e o Estado Marave (1693-1750)  - o papel do capital mercantil nos Estados Marave  - a decadência dos Estados Marave 3.8 O comércio do marfim e a expansão colonial:  as principais zonas do comércio do marfim  os principais intervenientes  a Companhia dos Mazanes: seu papel  a separação de Moçambique de Goa (1752): sua importância  a makuana 3. 9. O Ciclo dos Escravos (1750/60- 1836/ século XX) - Aspectos gerais  o início do tráfico de escravos em Moçambique  Locais de recrutamento  Destino dos escravos Pesquisa, selecciona e organiza informação para transformar em conhecimento mobilizável Analisa o papel do capital mercantil estrangeiro em Moçambique, tomando um posicionamento crítico. Elabora mapas mostrando a localização espacial dos estados
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    18 Objectivos específicos ConteúdoCompetências básicas Carga Horária crime contra a Humanidade - Analisar o impacto da penetração mercantil Europeia (portuguesa) para os Estados Africanos Explicar a importância do capital mercantil para o reforço da aristocracia dominante  Impacto do tráfico de escravos para as sociedades moçambicanas 3.10. Os Estados de Moçambique no século XIX 3.10.1. Os Estados Militares do Vale do Zambeze  Formação  Base económica  Estrutura social e aparato ideológico  Decadência 3.10. 2. Os Estados Ajaua  Formação  Base económica  Estrutura social e aparato ideológico  Decadência 3.10.3. Os Estados afro-islâmicos da costa  Formação  Base económica  Estrutura social e aparato ideológico  Decadência 3.10.4. O Estado de Gaza  O Mfecane e o estado de Gaza  Formação  Base económica  Estrutura social e aparato ideológico  Decadência Analisa a vida política económica e social das sociedades de Moçambique nas vésperas da partilha europeia de África.
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    19 Sugestões metodológicas Nesta unidadesugere-se que se explore os conhecimentos possuem de classes anteriores sobre o processo do surgimento do Estado, destacando o papel do excedente, que, ao ser apropriado pelas classes dirigentes, contribui para o surgimento da diferenciação social. Em relação aos primeiros Estados Moçambicanos sugere-se que se elabore tabelas - resumos, destacando os seguintes aspectos: i) Estado; ii) Ano de fundação; iii) Organização político-administrativa; iv) Classes Sociais; v) Formas de exploração económica; vi) Fontes económicas do poder dos chefes; vii) Decadência. Ao caracterizar a forma de actuação do capital mercantil estrangeiro em Moçambique, sugere-se que se diferencie a actuação do capital árabe - persa do europeu, pois enquanto que o primeiro se preocupava fundamentalmente com a actividade comercial, mantendo boas relações com os Estados Moçambicanos, o segundo preocupava-se em controlar tudo, penetrando até na esfera ideológica, impondo a sus presença. Ao destacar os ciclo do ouro, do marfim e dos escravos, deve chamar a atenção que o ciclo do ouro que começa com a chegada dos árabes – persas e prolonga-se com a chegada dos europeus. Sugere-se que se explore o papel da religião africana nos estados moçambicanos, pois a legitimidade do chefe só é reconhecida se passar por cerimónias mágico - religiosas. Ainda sobre o capital mercantil, deverá debater com seus alunos o papel do mesmo na no reforço do poder da classe dominante e na desestruturação das sociedades moçambicanas. Ao abordar os estados de Moçambique no século XIX é importante destacar o envolvimento dos estados militares do vale do Zambeze, Ajaua e Afro-Isâmicos no tráfico de escravos, fazendo referência ao impacto deste facto tanto no florescimento como na decadência dos mesmos. Sobre o comercio de escravos, poderá enfatizar que o mesmo é considerado actualmente um crime contra a Humanidade, procurando com seus alunos exemplos de escravatura dos tempos modernos, contribuindo assim para desenvolver uma atitude de repulsa contra todas as formas de escravatura. No que respeita ao Estado de Gaza, sugere-se que se destaque o papel do M’fecane na formação do mesmo. Ao terminar a unidade, sugere-se que recomende aos seus alunos a elaboração de um resumo sobre o impacto da penetração mercantil estrangeira, destacando as fases do ouro, marfim e escravos. Sugere-se que se trabalhe os seguintes conceitos: Excedente; Estado; Classes Sociais; Capital mercantil; Ideologia.
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    20 Indicadores de desempenho Localizano mapa os estados de Moçambique entre os séculos XV e XIX Explica o processo de formação e declínio dos diferentes estados Explica a importância do comércio de ouro e de marfim no desenvolvimento dos estados de Moçambique Caracteriza as relações entre os europeus e os povos de Moçambique no âmbito da penetração mercantil estrangeira Analisa o impacto dos escravos nas formações políticas moçambicanas Bibliografia básica: SERRA, Carlos (ed). História de Moçambique, Vol.1, Maputo, Livraria Universitária,2000. SOUTO, Amélia Neves de. Guia Bibliográfico para o estudante de História de Moçambique, Maputo, UEM/CEA,1996
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    21 Unidade 4: Operíodo da dominação colonial em Moçambique e o Movimento de Libertação nacional Objectivos específicos Conteúdo Competências básicas Carga Horária Explicar as teorias da resistência africana. Explicar o papel desempenhado pela economia de tráfico até se chegar à fase imperialista; Explicar o papel específico de Portugal na penetração imperialista em Moçambique; Explicar o processo de delimitação das fronteiras moçambicanas Analisar a natureza do duplo poder Estado Colonial/Companhias até 1930; Explicar as formas de dependência de Moçambique em relação ao capital estrangeiro não português Caracterizar a economia colonial em Moçambique; Caracterizar a actuação do colonialismo português em Moçambique, no âmbito económico, político e social 4.1 Colonização e teorias de resistência 4.1.1. Teorias de resistência segundo Terence O. Ranger 4.1.2. A importância e consequências das resistências 4.2. O colonialismo português em Moçambique, de 1890-1930 4.2.1 A II Corrida à África (revisão)  - as viagens de exploração  -a Conferência de Berlim 4.2.2. O papel específico de Portugal na penetração imperialista em Moçambique 4.2.2.1. A corrida imperialista e a delimitação das fronteiras de Moçambique  As campanhas de pacificação e a ocupação de Moçambique  A delimitação das fronteiras moçambicanas 4.2.2.2. as resistências no norte, centro e sul de Moçambique 4.2.2.3. a montagem do Estado colonial 4.2.3. A Economia colonial 4.2.3.1. Características gerais 4.2.3.2. O Norte e a Companhia do Niassa  A periodização da história da Companhia do Niassa e principais acontecimentos;  O papel dos grupos financeiros;  As formas de exploração deses grupos financeiros  O declínio da Companhia 4.2.3.3. Os prazos e a Companhia da Zambézia  A acção do estado colonial e a transformação dos prazos em plantações  O surgimento da Companhia.  O impacto do mussoco e do trabalho nas plantações, para a população camponesa Analisa o colonialismo como um mal contra os direitos humanos - Analisa o papel específico de Portugal na penetração imperialista
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    22 Objectivos específicos ConteúdoCompetências básicas Carga Horária Explicar o papel das companhias no contexto da Economia Colonial Caracterizar as formas de exploração de força de trabalho moçambicana nas plantações e minas da África do Sul Caracterizar as primeiras manifestações nacionalistas Fazer a caracterização geral do nacionalismo económico de Salazar. Caracterizar a sociedade colonial; 4.2.3.4. O Centro e a Companhia de Moçambique  A origem da Companhia de Moçambique  O sistema tributário: o mussoco e o imposto de palhota;  A política concessionária;  A política labora 4.2.3.5. O sul e o trabalho migratório  A situação política e económica do sul do Save em 1880  Os acordos sobre o trabalho: 1867; 1897,1901, 1909 e 1928  a entrada do sul do Save a economia -mundo  as vias de comunicação 4.2.3.6. A política social  a estrutura social;  a emergência do proletariado urbano  a luta do proletariado urbano  I Guerra Mundial e a crise económica e social da década de 20 4.2.3.7. As primeiras formulações nacionalistas  diferença entre o nacionalismo europeu e africano  o papel das associações: o Grémio Africano; a Liga Africana; a Associação Africana de Moçambique  o papel da imprensa  as manifestações literárias e artísticas 4.3.O período do colonialismo português a partir de 1930 4.3.1. A Conjuntura política e económica e os marcos de viragem  o nacionalismo económico de Salazar: características gerais  o Acto Colonial e a Carta Orgânica do Império colonial Português  a Crise de 1929 e suas repercussões em Moçambique  o capital comercial no quadro da agricultura forçada: o caso do algodão, arroz e chá  a continuação da exportação mão-de-obra e da dependência em relação ao capital estrangeiro 4.3.2. A política social: a crescente importância da colonização mental  o papel das missões católicas Analisa a dependência de Moçambique ao capital estrangeiro não português - Usa correctamente o vocabulário histórico para expressar as suas ideais
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    23 Objectivos específicos ConteúdoCompetências básicas Carga Horária Caracterizar o ensino colonial; Caracterizar a resistência anti- colonial; Explicar o surgimento dos movimentos nacionalistas. Destacar o papel de Eduardo Mondlane na a fusão das três formações políticas e fundação da Frelimo, Descrever o desenrolar da Luta Armada de Libertação Nacional Caracterizar a crise do colonialismo Independência Nacional  a natureza do ensino 4.4. Alterações na política colonial  o crescimento da população colona  os colonatos  os planos de fomento: primeiro plano (1953-1958); segundo plano (1959-1964), 4.5. O nacionalismo moçambicano 4.5.1. Os factores do nacionalismo moçambicano 4.5.2. O papel das Associações e movimentos estudantis:  a Associação dos Naturais de Moçambique  o Movimento do Jovens Democratas Moçambicanos (MJDM);  o Núcleo dos Estudantes Secundários de Moçambique (NESAM)  o papel da Casa dos Estudantes do Império e o Centro de Estudos Africanos 4.5.3. A luta anti-colonial  a resistência no campo;  a formação das primeiras organizações nacionalistas: Convenção do Povo de Moçambique; União Democrática Nacional de Moçambique (UDENAMO), União Nacional Africana de Moçambique Independente (UNAMI); União Africana Nacional de Moçambique (MANU). 4.5.4 A fusão dos três movimentos e a criação da Frente de Libertação de Moçambique 4.5.5. O desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional. 4.5.6. A crise do Colonialismo português. 4.5.7. A Independência Nacional: a República Popular de Moçambique e o regime mono partidário. - Diferencia o nacionalismo moçambicano do europeu Identifica as diferentes fases da luta pela independência
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    24 Sugestões metodológicas Ao abordar-seesta unidade, sugere-se que se faça uma ligação com os conteúdos abordados na 11ª Classe sobre os sistemas coloniais em África. Ao tratar as teorias sobre as resistência em África destacar os três postulados defendidos por T.O. Ranger, a saber: i) em primeiro lugar, afirmou-se que a resistência africana era importante, já que provava que os africanos nunca se haviam resignado à pacificação europeia; ii) em segundo lugar, sugeriu-se que longe, longe de ser desesperada ou ilógica, essa resistência era muitas vezes movida por ideologias racionais e inovadoras; iii) em terceiro lugar, argumentou-se que os movimentos de resistência não eram insignificantes; pelo contrário, tiveram consequências importantes, em seu tempo, e tem ainda hoje, notável ressonância. Ao tratar a partilha e a ocupação de África sugere-se que se elabore mapas de África antes e depois da partilha para uma melhor compreensão da ocupação efectiva deste continente. No que se refere a Moçambique, deverá conduzir seus alunos a explicarem o processo de delimitação das fronteiras moçambicanas, destacando o papel específico de Portugal na penetração imperialista. É importante referir que perante a ocupação do seu território os moçambicanos resistiram, destacando o papel dos principais resistentes. A elaboração de tabelas sobre as resistências no norte, centro e sul de Moçambique, contribuirá a sistematizar a matéria e a levantar o orgulho de pertença a uma nação. Os dois períodos do colonialismo português (1890-1930; 1930-1962) devem ser bem destacados, mencionando os principais aspectos característicos, enfatizando que com a subida de Salazar, as colónias passam efectivamente a servirem os interesses da burguesia metropolitana portuguesa. O estudo de documentos como o Acto Colonial, o Acordo Missionário, a Concordata, entre outros ajudarão a compreender melhor a actuação do colonial - fascismo e em particular, o Nacionalismo económico de Salazar. Sugere-se também que trabalhe com seus alunos, as várias etapas do nacionalismo moçambicano, desde as primeiras formulações nacionalistas até ao surgimento das primeiras organizações nacionalista. Para o estudo do processo que conduziu à formação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) será útil partir do conhecimento que os alunos trazem das classes anteriores para dirigir aulas activas baseadas na elaboração e discussão de trabalhos independentes, individuais ou em grupos. Procedimento idêntico recomenda-se em relação às organizações políticas e económicas regionais. Para a elaboração desses trabalhos é importante que o professor defina claramente os aspectos que pretende ver reflectidos (causas, objectivos, realizações, etc.) Deverá trabalhar os seguintes conceitos: colonialismo, imperialismo, economia colonial, mussoco, proletariado, nacionalismo, nacionalismo económico.
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    25 Indicadores de desempenho -Elabora mapas sobre as campanhas de pacificação e companhias monopolistas -Avalia a actuação do colonialismo português no aspecto económico, político e social -Recolhe e sistematiza informação junto dos seus pais e encarregados de educação, autoridades locais e outras sobre a importância do mussoco e do imposto de palhota Bibliografia básica: BOHAEN, A. Adu (ed). História Geral da África- A África sob dominação colonial,1880-1935,Vol. VII, Paris, UNESCO/Ática, 1991 MONDLANE, Eduardo Chivambo. Lutar por Moçambique. Maputo, Minerva Central,1995. SERRA, Carlos (ed). História de Moçambique, Vol.1, Maputo, Livraria Universitária,2000. SOUTO, Amélia Neves de. Guia Bibliográfico para o estudante de História de Moçambique, Maputo, UEM/CEA,1996
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    26 Unidade 5: Moçambiquepós-independência: 1975-2004 Objectivos específicos Conteúdos Competências Básicas O aluno: Carga Horária -Caracterizar a política interna e externa de Moçambique após a Independência; -Descrever os passos rumo à Reconciliação Nacional. -Discutir a importância da resolução não violenta de conflitos; -Analisar a Constituição da República de Moçambique 5.1. . A independência nacional e a RPM: 5.1.1O não alinhamento, 5.1.2A linha da frente 5.2.1. As estratégias política, económica e Sociais, (interna e internacional):  PPI  PEC  PRE e PRES  SADCC e SADC 5.3 Guerra dos 16 anos: 1977-1992 5.3.1 A conjuntura nacional e internacional favorável à guerra 5.3.2 As consequências politicas, sociais e económicas da guerra 5.3.3 Da República popular de Moçambique à República de Moçambique  A Constituição de 1990 e a adopção do multipartidarismo  O Acordo Geral de Paz, e a Reconciliação Nacional  O processo eleitoral em Moçambique  Legislativas, presidenciais e autárquicas Analisa a orientação politica de Moçambique após -independência Analisa os esforços de Moçambique na estabilidade politica, económica e social
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    27 Sugestões metodológicas Com estaUnidade pretende-se dotar os alunos de conhecimentos sobre a História recente do país, particularmente os ligados ao processo de independência e ao pós-independência. Assim, mais do que o processo de ensino-aprendizagem na sala de aulas recomenda-se o recurso a exposições/palestras de convidados (preferencialmente protagonistas da História) e visitas a museus, bibliotecas e outros locais e centros de interesse histórico. O professor poderá orientar os alunos para a leitura e elaboração de resumo da Constituição da República. Este trabalho poderá ser apresentado e debatido em sala de aula. Este é um momento importante para se trabalhar a necessidade de se aceitar a respeitar as diferenças de filiações politicas ou outras. Em relação as eleições gerais, presidenciais e autárquicas o professor devera fazer um resumo do processo que conduziu o país a adoptar este processo tendo em conta o Acordo Geral de Paz assinado em 4 de Outubro de 1992. Pois este acordo previa à realização de eleições periódicas (de cinco em cinco anos) . O professor deve ter em conta que as primeiras eleições legislativas e presidenciais realizaram-se em 1994; enquanto que as autárquicas realizaram-se em 1998. Indicadores de desempenho Analisa o esforço de Moçambique no combate a pobreza absoluta Defende a importância da resolução pacífica dos conflitos Nesta Unidade recomenda-se a leitura das seguintes obras:  História de Moçambique Vol. II  Coelho, João Paulo Borges: as fontes coloniais escritas no estudo da Luta Armada de Libertação Nacional: Sobre uma experiência de investigação no Arquivo Histórico. in: Arquivo Maputo ( Moçambique) 1(1) : 53 – 39, Abril de 1987.  Mondlane, Eduardo Chivambo – Movimento de Libertação de Moçambique, in: Arquivo: Maputo ( Moçambique), 5 : 5 – 13, Abril de 1989.  Andrade, Mário Pinto de –Porto – nacionalismo em Moçambique. Um estudo do caso: Kamba – Simango ( C.1890 – 1967) in: Arquivo Maputo (Moçambique) 6 : 127 – 148, Outubro de 1989.  Adam, Yussuf – Mueda, 1971 – 1990: resistência, colonialismo, libertação e desenvolvimento. in: Arquivo. Maputo (Moçambique), 14:3 – 7, Outubro de 19993.