AT E N Ç Ã O À S A Ú D E D E P E S S O A S C O M S O B R E P E S O E O B E S I D A D E
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
| SILVIA OZCARIZ |
| SILVIA OZCARIZ |
| SILVIA OZCARIZ |
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| CAROLINE BANDEIRA |
| CAROLINE BANDEIRA |
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| ROXANA KNOBEL |
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UFSC 2019
AT E N Ç Ã O À S A Ú D E D E P E S S O A S C O M S O B R E P E S O E O B E S I D A D E
UFSC 2019
FLORIANÓPOLIS SC
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
| SILVIA OZCARIZ |
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CRÉDITOS | FICHA TÉCNICA
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GOVERNO FEDERAL
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS)
Departamento de Promoção da Saúde (DEPROS)
Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Reitor: Ubaldo Cesar Balthazar
Vice-Reitora: Alacoque Lorenzini Erdmann
Pró-Reitor de Pós-Graduação: Cristiane Derani
Pró-Reitor de Pesquisa: Sebastião Roberto Soares
Pró-Reitor de Extensão: Rogério Cid Bastos
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
Diretor: Celso Spada
Vice-Diretor: Fabrício de Souza Neves
DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA
Chefe do Departamento: Fabrício Augusto Menegon
Subchefe do Departamento: Lúcio José Botelho
EQUIPE TÉCNICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição
Gestora geral do Projeto Sheila Rubia Lindner
Coordenação de Produção de Material Elza Berger Salema Coelho
CRÉDITOS | FICHA TÉCNICA
4
Autores Silvia Giselle Ibarra Ozcariz
Caroline Bandeira
Roxana Knobel
Revisores Flávia Henrique
Margarete Maria de Lima
Equipe Editorial Carolina Carvalho Bolsoni
Thays Berger Conceição
Deise Warmling
Dalvan Antonio de Campos
Assessoria Pedagógica Márcia Regina Luz
Assessoria de Mídias Marcelo Nogueira Capillé
Equipe Executiva Patricia Dia de Castro
Gabriel Donadio Costa
Eurizon de Oliveira Neto
Design Instrucional/Elaboração Soraya Falqueiro
das questões avaliativas
FICHA CATALOGRÁFICA
5
Identidade Visual/Projeto gráfico Pedro Paulo Delpino Bernardes
Diagramação/Esquemáticos/ Laura Martins Rodrigues
Infográficos/Finalização
Desenvolvedor Web Rodrigo Rodrigues Pires de Mello
Fonte para Imagem e Esquemáticos Adobe Stock
O99p Ozcariz, Silvia Giselle Ibarra.
Promoção do ganho de peso adequado na gestação [recurso eletrônico] / Silvia Giselle
Ibarra Ozcariz, Caroline Bandeira, Roxana Knobel -- 1. ed. -- Florianópolis : Universidade Federal
de Santa Catarina, 2019.
72 p. : il.; color.
Modo de acesso: www.unasus.ufsc.br
Conteúdo do módulo: Unidade 1: Gestação: importância do estado nutricional, alimentação
e nutrição. – Unidade 2: Avaliação do estado nutricional e recomendações para gestantes em
nível individual. - Unidade 3: Ações coletivas para o ganho de peso adequado na gestação.
ISBN 978-85-8267-153-5
1. Nutrição. 2. Atenção primária em saúde. 3. Sobrepeso. I. UFSC. II. Obesidade: atenção à
saúde de pessoas com sobrepeso e obesidade. III. Bandeira, Franciele. IV. Knobel, Roxana.
VI. Título.
CDU: 613.24
6
APRESENTAÇÃO 8
1 GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO 10
1.1 PAPEL DO ESTADO NUTRICIONAL PRÉ-GESTACIONAL 10
1.2 IMPORTÂNCIA DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO 12
1.3 IMPACTO DO ESTADO NUTRICIONAL
DA GESTANTE E O PÓS-PARTO 17
1.4 ALIMENTAÇÃO DA GESTANTE NA
PREVENÇÃO DO SOBREPESO E OBESIDADE 18
ENCERRAMENTO DA UNIDADE 21
2 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES
PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL 23
2.1 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL NA GESTAÇÃO 23
2.2 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
PRÉ-GESTACIONAL 26
2.3 MONITORAMENTO E ACONSELHAMENTO
DO GANHO DE PESO GESTACIONAL 27
2.4 RECOMENDAÇÕES PARA UMA ALIMENTAÇÃO
SAUDÁVEL E SUA IMPORTÂNCIA NA GESTAÇÃO 31
2.5 MICRONUTRIENTES NA GESTAÇÃO 41
2.6 ALIMENTOS QUE DEVEM SER EVITADOS OU
CONSUMIDOS MODERADAMENTE DURANTE
A GESTAÇÃO 43
2.7 ESTRATÉGIAS PARA INCLUSÃO DAS
RECOMENDAÇÕES ALIMENTARES NA ROTINA
DE PRÉ-NATAL DA UBS 45
ENCERRAMENTO DA UNIDADE 48
3 AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO 50
3.1 ACOLHIMENTO, AÇÕES EDUCATIVAS E TROCA DE
EXPERIÊNCIAS PARA GESTANTES 50
3.2 AÇÕES E PRÁTICAS COLETIVAS DE EDUCAÇÃO
NUTRICIONAL PARA UMA ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA E SAUDÁVEL NA GESTAÇÃO 51
3.3 ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM SINTOMAS
COMUNS NA GESTAÇÃO 59
3.4 PLANEJAMENTO EM FAMÍLIA PARA PREVENÇÃO
DE SOBREPESO E OBESIDADE 60
ENCERRAMENTO DA UNIDADE 64
ENCERRAMENTO DO CURSO 65
REFERÊNCIAS 66
MINICURRÍCULO DOS AUTORES 71
SUMÁRIO
7
Olá,
seja bem-vindo ao curso Promoção do ganho de peso adequado
na gestação. Este curso foi elaborado especialmente para você,
pensando nas dificuldades encontradas no seu cotidiano de trabalho
no que diz respeito ao acompanhamento adequado e à orientação
nutricional da gestante para a prevenção e controle do sobrepeso e
da obesidade
Neste material, você conhecerá a importância da manutenção
de um ganho de peso gestacional adequado na saúde da mulher
tanto em curto quanto em longo prazo, assim como estratégias im-
portantes na avaliação nutricional e orientação de uma alimentação
adequada e saudável na garantia de uma gestação saudável, além
da prevenção de sobrepeso e obesidade.
Esperamos que você
tenha um bom estudo!
Silvia Ozcariz
Caroline Bandeira
Roxana Knobel
APRESENTAÇÃO
8
CARGA HORÁRIA DE ESTUDO
RECOMENDADA
Para estudar e apreender todas as
informações e conceitos abordados, bem
como trilhar todo o processo ativo de
aprendizagem, estabelecemos uma carga
horária de 30 horas para este curso.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Ao final deste módulo, você deverá ser
capaz de:
• Compreender a importância da
promoção da alimentação adequada e
saudável na gestação.
• Reconhecer a estrutura de parâmetros
e ferramentas para subsidiar o
desenvolvimento de ações individuais
e em nível coletivo para a prevenção e
controle do sobrepeso e da obesidade
durante a gestação.
• Estabelecer uma organização de
estratégias de avaliação nutricional,
orientação para uma alimentação
adequada e saudável, monitoramento
do ganho de peso gestacional e
acolhimento tanto em nível individual
como coletivo de gestantes, visando
a prevenção do sobrepeso e da
obesidade nesse período.
APRESENTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
10
1 GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
Nesta unidade, abordaremos o papel
do estado nutricional pré-gestacional e
gestacional na prevenção do sobrepeso
e da obesidade, tanto em curto quanto
em longo prazo. Outro ponto abordado
será a importância de uma alimentação
adequada e saudável ao longo da gestação
para garantia da manutenção de um
ganho de peso adequado. Também vamos
acompanhar aspectos importantes do papel
do profissional da saúde, da gestante e de
sua família na garantia de um pré-natal que
contemple os cuidados necessários para
o período gestacional. Ao final da leitura
dessa unidade, você será capaz de entender
e orientar sobre a importância desses
fatores na saúde da gestante. Desejamos
uma ótima leitura!
1.1 PAPEL DO ESTADO NUTRICIONAL
PRÉ-GESTACIONAL
A garantia de saúde das mães e dos seus
filhos é um tema prioritário para a saúde
pública no Brasil e no mundo. As evidências
indicam que quando conseguimos manter
um estado nutricional adequado na gestante,
é possível trazer vantagens de saúde para a
mulhereparaofilho,nãoapenasnagestação,
mas ao longo da sua vida (RASMUSSEN et
al., 2009; GILMORE; REDMAN 2014). As taxas de
excesso de peso nas mulheres em idade
fértil vêm aumentando com o passar dos
anos. A Pesquisa Vigitel, realizada em 2018,
avaliou os fatores de risco para doenças
crônicas em todo o Brasil (BRASIL, 2018) e
indicou que mais da metade das mulheres
brasileiras (53,9%) estavam com excesso
de peso, sendo que 20,7% das mulheres
eram obesas, ou seja, mais da metade da
população feminina chegará à gestação com
algum nível de excesso de peso.
Atualmente, entre as mulheres, há um
aumento progressivo da prevalência de
obesidade em faixas de idade reprodutiva,
confira as taxas na Figura 1.
Esses dados nos trazem o alerta sobre
a importância de um bom aconselhamento
voltado à alimentação adequada e saudável
e ao cuidado no acompanhamento e
monitoramento do estado nutricional da
gestante, não apenas durante a gravidez,
11
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
O cálculo desse indicador deve ser reali-
zado em todas as gestantes, já que o estado
nutricional pré-gestacional é um forte deter-
minante do ganho de peso na gravidez e tem
influência direta nos desfechos obstétricos
e na probabilidade de retenção de peso pós-
parto (DREHMER et al., 2010; ZHANGBIN YU, et al.,
2013). Veja a seguir algumas complicações e
sua relação com o estado nutricional:
1. mulheres com baixo peso pré-
gestacional têm quase o dobro de
chance de ter bebês pequenos e 1,5
vezes mais chance de ter bebês com
baixo peso ao nascer;
2. mulheres que tinham excesso de peso
ou eram obesas antes da gravidez são
mais propensas a ter diabetes mellitus
e pré-eclâmpsia, durante a gravidez,
macrossomia (bebês grandes para
a idade gestacional), parto induzido,
parto cesáreo, morte fetal tardia,
baixos índices de Apgar.
Como profissional da Atenção Primária à
Saúde (APS), você deve saber que a gestação
e o período pós-parto são considerados
momentos na vida da mulher que exigem
atenção e cuidados específicos, por haver
maior exposição a fatores que podem levar
nutricional inicial da gestante e entender
quais parâmetros são considerados como
baixo peso, eutrofia, sobrepeso e obesidade,
como pode ser observado no quadro a seguir.
Quadro 1 – Tabela de diagnóstico do estado
nutricional pré-gestacional
Referência IMC pré-gestacional
Baixo peso < 18,5 kg/m²
Eutrofia 18,5 a 24,9 kg/m²
Sobrepeso 25 a 29,9 kg/m²
Obesidade ≥ 30 kg/m²
Fonte: WHO (2000).
8,1%
18 a 24 anos
Aumento da prevalência de obesidade em idade reprodutiva
17,9%
25 a 34 anos
21,1%
35 a 44 anos
mas no processo de planejamento dessa
gestação e em mulheres em idade fértil.
Você deverá avaliar o estado nutricional
pré-gestacional através do cálculo do Índice
de Massa Corporal, que é calculado dividindo
o peso (em kg) pela altura (em metros) ao
quadrado, como você pode conferir abaixo:
Índice de Massa Corporal (IMC):
Peso (kg)
Estatura² (m)
Com o IMC pré-gestacional calculado,
você será capaz de realizar o diagnóstico
Figura 1 – Aumento da prevalência de obesidade em idade reprodutiva. Fonte: BRASIL (2018).
12
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
necessidades do feto (BRASIL, 2012a). Os com-
ponentes fisiológicos do ganho de peso na
gestação podem ser observados no quadro 2.
Quadro 2 – Componentes fisiológicos
associados ao ganho de peso corporal ao longo
da gestação, por trimestre
Componentes
fisiológicos
Ganho
1º trimestre
Ganho
2º trimestre
Ganho
3º trimestre
Feto Desprezível 1,0 2,4
Placenta Desprezível 0,3 0,6
Líquido
amniótico
Desprezível 0,4 1,0
Subtotal
ovular
Desprezível 1,7 4,0
Útero 0,3 0,8 1,0
Mamas 0,1 0,3 0,5
Volume
sanguíneo
0,3 1,3 1,5
Subtotal
materno
0,7 2,4 3,0
Total 0,7 4,1 7,0
ou obesidade podem ser utilizadas para
abordar os efeitos que a obesidade pode ter
na fertilidade, assim como relatar os riscos
associados com sobrepeso e obesidade no
período gestacional e puerperal. Tanto a
mulher e sua família quanto os profissionais
desaúdedevemconsiderarqueumaperdade
peso saudável e gradativa antes da gestação
será mais benéfica e diminuirá riscos para a
mulher e seu bebê. Dessa forma, se evitará
complicações futuras ao longo do pré-natal.
Lembre-se de que devemos encorajar a
perda de peso saudável, realizada através
de modificações de hábitos de vida,
alimentação adequada e exercícios físicos.
Um cuidado empático e sem preconceitos é
essencial nesse processo.
1.2 IMPORTÂNCIA DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
O aumento de peso na gravidez é um
processo único e biologicamente complexo
que suporta as funções de crescimento e
desenvolvimento do feto. Esse ganho de
peso na gestação é influenciado não só por
mudanças na fisiologia e no metabolismo
da gestante, mas também da placenta e das
à obesidade. As gestantes constituem o foco
do processo de pré-natal; porém, não se pode
deixar de atuar, também, entre companheiros
e familiares na conscientização do cuidado
da gestante para prevenção de complicações
futuras. A posição do homem na sociedade
estámudandotantoquantoospapéistradicio-
nalmente atribuídos às mulheres. Portanto, os
serviços devem promover o envolvimento dos
homens (adultos e adolescentes), discutindo
a sua participação responsável nas questões
da saúde sexual e reprodutiva – eles poderão
incentivar e participar ativamente do cuidado
da gestante em relação à alimentação e prá-
ticas saudáveis na prevenção do sobrepeso e
da obesidade (BRASIL, 2012a).
Sabendo dos efeitos negativos de
iniciar uma gestação com IMC ina-
dequado, recomenda-se que sejam
realizadas ações de conscientiza-
ção do cuidado e da manutenção de
um peso adequado e saudável para
prevenção de sobrepeso e obesida-
de ao planejar uma futura gestação.
As consultas de rotina de mulheres em
idade fértil que apresentam sobrepeso
13
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
Observe no quadro 3, a partir do IMC pré-
gestacional, as recomendações de ganho de
peso no primeiro trimestre gestacional, de
ganho de peso total, e as recomendações de
ganho de peso por semana, considerando o
segundo e terceiro trimestres gestacionais.
Lembre-se de registrar as informações
no prontuário, na caderneta da gestante,
e informe a mesma sobre o seu estado
nutricional atual. Esse procedimento deve
ser realizado em todas as consultas.
No entanto, este aumento de peso varia
consideravelmente entre as mulheres e,
quando não controlado adequadamente,
pode mesmo representar um risco potencial
para o desenvolvimento de excesso de peso,
seja devido a fatores biológicos (como
idade e história familiar de obesidade),
comportamentais (alimentação, prática de
atividade física, tabagismo e consumo de
álcool) ou sociais (nível de escolaridade,
renda familiar, acesso a alimentação
saudável, dentre outros) (DREHMER et al., 2010).
O ganho de peso pode ser dividido em
três categorias, considerando-se o estado
nutricional pré-gestacional ou do primeiro
trimestre gestacional, confira ao lado!
Quando o peso adquirido ao longo
da gestação está dentro dos
parâmetros recomendados
Adequado
Quando a gestante ganha peso
abaixo das recomendações
Inadequado
Quando o ganho de peso excede
as recomedações
Excessivo
Quando a gestante ganha peso
Quadro 3 – IMC pré-gestacional e ganho de peso gestacional para adultos e adolescentes
IMC pré-gestacional (kg/m²) Ganho de peso (kg) até a 13ª semana
Ganho de peso (kg) semanal no 2º e
3º trimestres (a partir da 14ª semana)
Ganho de peso total (kg)
Baixo peso (< 18,5) 2,0 0,51 (0,44 – 0,58) 12,5 – 18,0
Eutrofia (18,5-24,9) 1,5 0,42 (0,35 – 0,50) 11,5 – 16,0
Sobrepeso (25-29,9) 1,0 0,28 (0,23 – 0,33) 7,0 – 11,5
Obesidade (≥30) 0,5 0,22 (0,17 – 0,27) 5,0 – 9,0
Fonte: Khanolkar et al. (2017); Institute of medicine (1990); WHO (1995b).
14
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
• Gestante gemelar: requer maior ganho
de peso, que é de 18 kg – 23,4 kg ou
680g/semana durante o segundo e
terceiro trimestre.
O ganho de peso materno abaixo dos
níveis recomendados está associado ao
baixo peso ao nascer, prematuridade, maior
tempo de internação e, consequentemente,
maiores custos relacionados à saúde. O
ganho de peso excessivo, por outro lado,
está associado a uma maior incidência de
macrossomia, cirurgia cesariana, obesidade
materna e infantil. Os impactos da obesidade
materna na gestação, no parto, na saúde
da mulher e no bebê tendem a ser maiores
quanto maior for a obesidade (CATALANO;
SHANKAR, 2017).
A saúde das gestantes e de seus bebês
depende de uma nutrição adequada.
Portanto, a literatura é consensual ao
reconhecer que o estado nutricional materno
éindicadordesaúdeequalidadedevidatanto
para a mulher quanto para o crescimento do
seu filho, sobretudo no peso ao nascer, uma
vez que a única fonte de nutrientes do bebê
é constituída pelas reservas nutricionais
e ingestão alimentar materna (CATALANO;
SHANKAR, 2017).
As gestações gemelares apresentam demandas nutricionais e fisiológicas aumentadas
quando comparadas a gestações únicas (BRASIL, 2012a). Veja no quadro 4 as recomendações
de ganho de peso em gestantes gemelares.
Quadro 4 – IMC pré-gestacional e ganho de peso gestacional gemelar
Estado
Nutricional
(kg/m²)
Ganho de Peso (kg) semanal
Ganho de peso
total (kg)
0-20 semanas 20-28 semanas
28 semanas ao
parto
Baixo Peso
(< 18,5)
0,560 – 0,790 0,680 – 0,790 0,560 22,5 – 27,9
Adequado
(18,5 a 24,4)
0,450 – 0,680 0,560 – 0,790 0,450 18 – 24,3
Sobrepeso
(25 a 29,9)
0,450 – 0,560 0,450 – 0,680 0,450 17,1 – 21,2
Obesidade
(≥ 30)
0,340 – 0,450 0,340 – 0,560 0,340 13 – 17,1
Fonte: Luke (2005).
Em resumo, a recomendação de ganho de
peso gestacional ocorre por trimestre em que:
• Primeiro trimestre (1 a 12 semanas
gestacionais): são situações previstas
que não comprometem a saúde mãe/
filho. Permite-se perda de peso de até
3 kg, ou a manutenção do peso pré-
gestacional ou um ganho de peso de
até 2 kg.
• Segundo e terceiro trimestre (13 a
40 semanas gestacionais): o ganho
de peso adequado vai depender do
estado nutricional da gestante. De
maneira simplificada, recomenda-se
que gestantes com baixo peso ganhem
em torno de 15 kg, as eutróficas, entre
11,5 – 16 kg; e aquelas com sobrepeso
entre 7 e 11,5 kg e obesas 5 a 9 kg,
durante todo o período gestacional.
15
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
O ganho de peso gestacional excessivo
pode ainda aumentar o risco de (LISONKOVA,
2017; SILVA et al., 2014):
• perda gestacional precoce e mais de
um aborto;
• diabetes gestacional e diabetes prévio
diagnosticado na gestação;
• quadros hipertensivos relacionados
com a gestação;
• tromboembolismo;
• parto prematuro (espontâneo e por
indicação médica);
• gestação pós-termo;
• gemelaridade dizigótica;
• apneia obstrutiva;
• síndrome do túnel do carpo;
• dor pélvica no final da gestação.
Riscos no processo de trabalho de parto,
parto e cirurgia cesariana
Embora o atendimento ao trabalho de
parto e parto ou cirurgia cesariana não faça
parte do cotidiano dos profissionais da APS,
é importante que você conheça algumas
complicações que as mulheres com
sobrepeso e obesidade podem enfrentar
nessa parte do processo para informá-las
e providenciar encaminhamento para o
Impactos da obesidade e do ganho de
peso gestacional excessivo na gestação
e no parto
O pior desfecho na gestação é a morte
materna. O risco composto pela morte
materna e morbidade materna grave
aumenta conforme aumenta o grau de
obesidade. Dentre as morbidades maternas
graves associadas ao ganho de peso
excessivo na gestação podemos citar a
necessidade de transfusão sanguínea
por hemorragia, complicações cardíacas,
respiratórias, cerebrais ou hematológicas
graves, sepse, choque, falência renal ou
hepática, complicações anestésicas e rotura
uterina (LISONKOVA, 2017).
Segundo pesquisas, o risco de morbidade
materna grave corresponde aos valores a
seguir.
Sem excesso de peso 143/10.000
Com sobrepeso 160/10.000
Com obesidade grau I 168/10.000
Com obesidade grau II 178/10.000
Com obesidade grau III 203/10.000
Figura 2 – A nutrição adequada é importante
tanto para a mãe quanto para o bebê. Fonte:
lordn/Adobe Stock
O seu papel, como profissional de saúde, é
entender que a avaliação do estado nutricio-
nal, antes e durante a gestação, serve como
mecanismo de prevenção do ganho de peso
excessivo, que levará em conta fatores como
o peso pré-gestacional, hábitos alimentares
da mãe e prática de atividade física regular.
É muito importante que o processo de
monitoramento e aconselhamento quanto
ao estado nutricional e ganho de peso seja
realizado com empatia e acolhimento. Expli-
que para as gestantes que elas devem ficar
tranquilas, pois ganhar peso é esperado e é
possível fazê-lo de maneira saudável, para
que tudo volte ao normal no tempo certo e
seu bebê se desenvolva adequadamente.
16
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
Há muitos impulsionadores do
crescimento durante essa fase complexa
da vida, entre eles os que estão expostos a
seguir, confira!
Alguns impulsionadores do crescimento
nos primeiros 1.000 dias
Nutrição
Regulação hormonal
Fatores genéticos
e epigenéticos
O desafio envolve, portanto, maximizar
o potencial de crescimento normal sem
aumentar o risco de distúrbios associados.
Nota-se que o alto índice de massa corporal
pré-gestacional, o ganho de peso gestacional
excessivo, diabetes gestacional e exposição
ao tabaco proporcionam um aumento no
risco de obesidade infantil.
complicações durante o parto, como
a distócia de ombros e também têm
uma predisposição maior a serem
obesos na idade adulta;
• obesidade na infância e na vida adulta;
• asma;
• outras patologias na idade adulta
(cardíacas, metabólicas).
Você já ouviu falar nos primeiros
1.000 dias de vida e sobre o impacto
positivo de se manter uma alimen-
tação saudável e adequada na ges-
tação na prevenção de sobrepeso e
obesidade no bebê para o resto da
sua vida?
O desajuste alimentar intra-útero pode
levar a disfunções tanto ao nascimento
quanto na fase adulta, como a maior
tendência à obesidade, hipertensão,
diabetes, etc.
Os primeiros 1.000 dias de vida começam
com a gravidez da mulher e seguem até os
dois anos de vida do bebê, representando
o melhor momento para a prevenção da
obesidade e suas consequências adversas
(PIETROBELLI; AGOSTI, 2017).
serviço de referência, quando necessário.
Acompanhe:
• tendem a ter um trabalho de parto
mais longo independente do peso do
bebê;
• quando é necessário realizar
uma indução de parto (provocar
modificações no colo do útero
e/ou contrações uterinas de
maneira artificial, geralmente com
medicamentos) esta indução tem
mais chance de funcionar quando a
mulher tem estado nutricional e ganho
de peso gestacional adequado;
• apresentam mais probabilidade de
seremsubmetidasàcirurgiacesariana.
Riscos do ganho de peso excessivo
para o bebê
Os filhos de mães obesas têm risco
aumentado para (RAMSEY; SHENKEN, 2019;
O´REILLY; REYNOLDS, 2012; ZAMBRANO et al., 2016):
• anomalias congênitas;
• asfixia perinatal e óbito fetal;
• prematuridade;
• feto grande para a idade gestacional –
fetos grandes para a idade gestacional
aumentam o risco de cesariana, de
17
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
infecciosos no pós-parto. Independente da
via de parto e apesar do uso de antibióticos
profiláticos na cesariana.
Depressão pós-parto
As desordens psíquicas não são raras
nessa fase da vida, para todas as mulheres.
Para adultos em geral, a obesidade está
associada com distúrbios mentais como
depressão, transtornos alimentares e
transtorno bipolar. Uma revisão sistemática
de 2014 encontrou uma possibilidade maior
de distúrbios depressivos na gestação e no
pós-parto entre mulheres com obesidade
(MOLYNEAUX et al., 2014).
É necessário um olhar humanizado
na prática do profissional de saúde.
O conhecimento dos riscos em saú-
de aumentados para mulheres com
sobrepeso e obesidade deve orientar
os profissionais de saúde para esta-
rem mais atentos a esses problemas
e patologias. Lembre-se de que é
necessário um cuidado empático e
centrado na pessoa.
O objetivo não deve ser focado na perda
de peso durante a gestação para diminuir
pós-parto, que, por sua vez, pode perpetuar
um quadro de obesidade e de comorbidades
associadas para o resto da vida da mulher.
Esses dados reforçam a importância da
atuação no monitoramento e na orientação à
gestante quanto ao ganho de peso adequado
e saudável ao longo da gravidez.
Tromboembolismo venoso
A obesidade em si e o período puerperal
sãofatoresderiscoparaotromboembolismo
venoso. Se o nascimento ocorreu por
cesariana, soma-se mais um fator de risco.
As chances de ter um evento trom-
boembólico no pós-parto são maiores
quanto maior for a magnitude do excesso
de peso. Aumentando 2,5, 2,9 e 4,6 vezes
para mulheres com obesidade classe I, II e
III respectivamente em comparação com
as mulheres sem obesidade. O ganho de
peso excessivo durante a gestação (mais
de 22 quilos) também aumenta o risco para
eventos tromboembólicos em 1,5 vezes (LI-
SONKOVA et al., 2017).
Infecção
As mulheres com obesidade têm um
risco aumentado de apresentarem quadros
1.3 IMPACTO DO ESTADO NUTRICIONAL
DA GESTANTE E O PÓS-PARTO
O acompanhamento contínuo do estado
nutricional, durante a gestação, contribui para
o ganho de peso ideal durante esse período,
evitando o excesso e a retenção de peso no
pós-parto,quesãodeterminantesimportantes
do excesso de peso para a mulher. O pós-
parto de mulheres obesas apresenta alguns
riscos clínicos para os quais as equipes de
saúde da APS devem estar atentas.
Retenção de peso pós-parto
O número de mulheres que iniciam a
gestação com excesso de peso ou que
ganham peso excessivo durante a gravidez
é cada vez mais expressivo. Um estudo
realizado em seis capitais brasileiras, com
5.564 gestantes, encontrou uma prevalência
de 19,2% de sobrepeso e de 5,5% de obesi-
dade entre as gestantes (NUCCI et al., 2001). A
retenção do peso ganho se mostrou um fator
determinante da obesidade em mulheres, e
seu desenvolvimento. Sabe-se que o efeito
do ganho de peso gestacional elevado assim
como do estado nutricional pré-gestacional
inadequado, no aumento da retenção de peso
18
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
atividades coletivas realizados na Unidade
Básica de Saúde.
A adoção de uma alimentação saudável
diz respeito à ingestão de alimentos que
possuem sua composição nutricional
balanceada; mas, é importante lembrar
que a combinação dos alimentos entre si e
como são preparados diz também respeito
a características do modo de comer e às
dimensões culturais e sociais das práticas
alimentares, contribuindo de maneira
essencial para a boa saúde da gestante.
A alimentação saudável proporciona
o sentimento de pertencimento social
das pessoas, favorece a autonomia nas
escolhas alimentares, na redescoberta de
novas formas de colocar à mesa alimentos
saudáveis, de preparar sua própria refeição,
com o prazer propiciado pela alimentação
e, consequentemente, com o seu estado
de bem-estar. Mas essa autonomia só
pode ser adquirida por meio de informação
de qualidade, que deve ser repassada por
você, profissional da rede, nas consultas e
esses fatores de risco. A perda de peso não
é alcançada pela maioria das mulheres e
não há conhecimento na literatura suficiente
para afirmar se a perda de peso durante a
gestação modifica ou não esses fatores de
risco. Essa população precisa de atenção
redobrada para o diagnóstico e tratamento
de possíveis complicações como diabetes,
hipertensão e tromboembolismo.
1.4 ALIMENTAÇÃO DA GESTANTE NA
PREVENÇÃO DO SOBREPESO E
OBESIDADE
Antes de abordarmos os aspectos
voltados à alimentação na gestação,
precisamos definir o que é uma alimentação
adequada e saudável, e qual é a nossa
função enquanto profissionais da saúde na
sua promoção dentro da APS.
No Brasil, a alimentação adequada e
saudável “é um direito humano básico que
envolve a garantia ao acesso permanente e
regular, de forma socialmente justa, a uma
prática alimentar adequada aos aspectos
biológicos e sociais do indivíduo” (BRASIL,
2013a).
Figura 3 – A alimentação adequada e saudável é um direito humano básico em todas as fases da vida.
Fonte: Rawpixel/Adobe Stock
19
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
ainda maior nas orientações voltadas a
uma alimentação saudável e redução do
consumo de alimentos ultraprocessados
entre gestantes adolescentes.
O estilo de vida atual favorece um maior
número de refeições realizadas fora do
domicílio. O padrão de alimentação entre
pessoas que fazem refeições fora do domi-
cílio, na maioria dos casos, está constituído
por alimentos industrializados e ultrapro-
cessados como refrigerantes, sanduíches,
salgados e salgadinhos industrializados,
imprimindo um padrão de alimentação que,
muitas vezes, é repetido no domicílio.
uma combinação de uma dieta “tradicional”
(baseada no arroz com feijão) em conjunto
com alimentos classificados como
ultraprocessados, com altos teores de
gorduras, sódio e açúcar e com baixo teor de
micronutrientes e alto conteúdo calórico. O
consumo médio de frutas e hortaliças ainda
é metade do valor recomendado pelo Guia
Alimentar paraaPopulaçãoBrasileira (BRASIL,
2014) e manteve-se estável na última década,
enquanto alimentos ultraprocessados, como
doces e refrigerantes, têm o seu consumo
aumentado a cada ano.
Percebe-se que o padrão de consumo
também varia de acordo com a idade.
Entre as pessoas mais jovens, é maior o
consumo de alimentos ultraprocessados,
o que tende a diminuir com o aumento
da idade, acontecendo o inverso, ou seja,
pessoas com mais idade tendem a consumir
mais frutas e hortaliças. Adolescentes são
o grupo com pior perfil da dieta, com as
menores frequências de consumo de feijão,
saladas e verduras em geral, apontando para
um prognóstico de aumento do excesso
de peso e doenças crônicas (BRASIL, 2013b).
Essas informações devem ser levadas
em consideração, dando um enfoque
A alimentação adequada e saudável ao
longo do período gestacional exerce um
papel ainda mais importante, pois é capaz
de determinar os desfechos relacionados à
mãe e ao bebê (CHEN et al., 2016).
Contribui para prevenção de uma
série de ocorrências negativas
Assegura reservas
biológicas necessárias ao
parto e pós-parto
Garante o substrato para o
período da lactação
Favorece o ganho de peso
adequado de acordo com o
estado nutricional pré-gestacional
Alimentação adequada e saudável
Com uma alimentação equilibrada, a mãe
pode diminuir os riscos de complicações na
gravidez, além de modular a presença de
outros desconfortos típicos desse período
(enjoos, constipação intestinal, etc.).
A dieta habitual dos brasileiros é
composta por diversas influências e na
atualidade é fortemente caracterizada por
Alimentos ultraprocessados
São alimentos produzidos com a adição
de muitos ingredientes como sal, açúcar,
óleos, gorduras, proteínas de soja, do lei-
te, extratos de carne, além de substâncias
sintetizadas em laboratório a partir de ali-
mentos e de outras fontes orgânicas como
petróleo e carvão. Assim, tais alimentos
têm prazo de validade maior, alteração de
cor, sabor, aroma e textura. São exemplos
de ultraprocessados: biscoitos recheados,
salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e
macarrão “instantâneo”.
20
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
a contribuir no processo de prevenção de
sobrepeso e obesidade nessa fase da vida,
e consequentemente, de diversas Doenças
Crônicas Não Transmissíveis (DCNT).
O encorajamento ao consumo de frutas
e vegetais na alimentação da gestante deve
ser uma prática constante, pois são ótimas
fontes de vitaminas, minerais e fibras e, no
caso das gestantes, são essenciais para
a formação saudável do feto e a proteção
da saúde materna (BRASIL, 2012). Associa-
se o consumo diário de frutas e vegetais
na gestação com uma redução do risco
de diabetes gestacional e uma melhor
adequação do ganho de peso ao longo da
gestação (SCHOENAKER et al., 2016). Em relação
aos sucos de fruta, apesar de naturais, existe
uma controversa entre a sua relação com o
ganho de peso gestacional, fato pelo qual
devemos incentivar a priorizar o consumo da
fruta in natura ao invés dos sucos.
A gestante não deve nem precisa
“comer por dois”, as recomendações
alimentares devem seguir os princí-
pios da população brasileira.
Por isso, o consumo desses alimentos pela
gestante deve ser desencorajado.
A gravidez é um dos melhores momentos
para se pensar em alimentação saudável,
pois não só a mãe se beneficiará, como,
também, o bebê. Uma mãe bem nutrida
é capaz de fornecer todos os nutrientes
necessários e pode proporcionar as
condições ideais para o desenvolvimento
de seu filho. A alimentação adequada e
saudável durante a gestação conseguirá
garantir os nutrientes necessários para um
estado nutricional adequado da mulher nas
semanas iniciais de puerpério e na garantia
das reservas nutricionais da mesma.
A orientação da gestante quanto à
adoção de uma alimentação adequada e
saudável, que supra suas necessidades
nutricionais e garanta o ganho de peso
adequado e saudável, são os principais
objetivos dos cuidados dos profissionais da
APS. Dessa forma, é importante que você e
sua equipe utilizem estratégias de educação
alimentar e nutricional e de promoção da
alimentação saudável para valorizar as
referências presentes na cultura alimentar
da gestante e/ou de sua família, de modo
Figura 4 – Convide a gestante a refletir sobre
seus padrões alimentares e buscar uma
alimentação saudável. Fonte: J-Mel/Adobe Stock
Nota-se uma relação entre o consumo de
alimentos ultraprocessados com maiores
riscos de diabetes, hipertensão, obesidade,
câncer, dentre outras doenças crônicas não
transmissíveis. Em gestantes, o consumo
excessivo de alimentos ultraprocessados
está associado a um maior ganho de peso
gestacional e com um percentual de gordura
corporal elevado no neonato, o que serve de
alerta para orientarmos as gestantes quanto
aos possíveis perigos desses alimentos na
sua rotina alimentar (ROHATGI et al., 2017).
21
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA
DO ESTADO NUTRICIONAL,
ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
Nesta unidade, aprendemos sobre a
importância da garantia de um estado
nutricional adequado, tanto na fase pré-
gestacional como ao longo da gestação para
a prevenção de sobrepeso e obesidade ao
longo da vida da mulher.
Verificamos que o impacto da má
alimentação da gestante pode ser decisivo
em relação aos desfechos no parto, na
maior retenção de peso no pós-parto, e na
manutenção do sobrepeso e da obesidade
ao longo da vida, trazendo consigo um
aumento no risco de Doenças Crônicas Não
Transmissíveis (DCNT), tanto para a mãe
quanto para o bebê.
Esperamos que as informações aqui
encontradas tenham sido relevantes
para atualizá-lo e sensibilizá-lo quanto à
importância do seu papel na orientação
e no cuidado da gestante ao longo do
acompanhamento de pré-natal para
prevenção do sobrepeso e da obesidade e
garantia de uma alimentação adequada e
saudável.
É importante, também, entender a
diferença entre restrição alimentar e
alimentação adequada e saudável durante
a gestação. Ao longo da gestação, a sua
atuação deve centrar-se na orientação de
uma alimentação adequada e saudável,
com base em alimentos in natura ou
minimamente processados, preparações
culinárias realizadas no âmbito familiar, com
predomínio de frutas, verduras, vegetais,
tubérculos, leguminosas, carnes, ovos, leite e
derivados, evitando o consumo de alimentos
ultraprocessados. No entanto, não devemos
restringir a alimentação nem o consumo de
calorias visando uma perda de peso nesse
período, já que o objetivo principal é o ganho
de peso adequado.
Já sabemos que, durante a gravidez, uma
alimentação saudável é essencial para asse-
gurar as necessidades nutricionais da mãe
e do bebê. No entanto, a mãe não deve ser
encorajada a “comer por dois” e, sim, a manter
uma alimentação equilibrada e sem excessos.
Desta forma, recomenda-se adoção de
um estilo de vida saudável, que deve iniciar-
se mesmo antes da gravidez, para otimizar a
saúde da mãe e reduzir o risco de sobrepeso
e obesidade, de complicações durante a
gravidez e de algumas doenças no bebê.
As recomendações alimentares, de
maneira geral, seguem as recomendações
alimentares para toda a população e o
profissional de saúde deve basear-se nas
diretrizes e nos princípios do Guia Alimentar
para a População Brasileira (BRASIL, 2014).
As recomendações alimentares e
nutricionais devem adaptar-se a
cada mulher, considerando-se:
 as diferenças individuais
 os padrões alimentares
 a cultura alimentar
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES
PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
23
2 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA
GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL
Nesta unidade, conheceremos os instru-
mentos de avaliação nutricional, as formas
de monitoramento e acompanhamento do
ganho de peso gestacional, assim como as
principais recomendações alimentares vol-
tadas para as gestantes. Ao final da leitura
dessa unidade, você será capaz de conhecer
e aplicar as recomendações de avaliação e
monitoramento do estado nutricional gesta-
cional, além de orientar à gestante quanto
aos cuidados na alimentação e nutrição no
contexto da APS para prevenção do sobrepe-
so e da obesidade.
2.1 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
NA GESTAÇÃO
Mediante as consultas de pré-natal,
conseguiremos acolher a mulher desde o
início da gravidez, assegurando o acompa-
nhamento contínuo do estado nutricional
e contribuindo para o ganho de peso ideal
durante a gestação. Assim, conseguiremos
dar uma melhor qualidade de vida à gestante
e evitar a retenção de peso no pós-parto, que
é um dos fatores determinantes do excesso
de peso para a mulher em curto e longo prazo.
A avaliação do estado nutricional
da gestante tem por objetivo acom-
panhar o aumento de peso durante
toda a gestação, assim como iden-
tificar e providenciar intervenções
adequadas nesta fase.
Antes de conseguirmos avaliar e
definir as recomendações de ganho de
peso gestacional para cada gestante é
preciso que identifiquemos as gestantes
em risco nutricional no início da gestação,
considerando as categorias: baixo peso,
sobrepeso ou obesidade pré-gestacional.
A avaliação nutricional é realizada em
duas etapas:
a. Diagnóstico nutricional, que inclui a
avaliação do estado nutricional pré-
gestacional e gestacional por meio do
cálculo do Índice de Massa Corporal
(IMC).
b. Estimativa do ganho de peso de
acordo com o estado nutricional pré-
gestacional e/ou gestacional.
24
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
a data de início dos movimentos fetais, que
habitualmente ocorrem entre 16 e 20 sema-
nas. idade gestacional pode ser calculada,
também, por um ultrassom ou ecografia.
Ultrassom
O ideal, para esse fim, é que a ecografia
seja feita antes das 24 semanas. Após essa
idade gestacional, é mais provável que o
estado nutricional do feto influencie nas
medidas do bebê e, por isso, no cálculo da
idade gestacional.
Ao saber a idade gestacional pelo
ultrassom, basta contar o número de dias
desde o exame até a consulta e dividir por
sete. Depois é só somar o resultado da idade
gestacional dada pelo exame.
Exemplo:
• Uma mulher fez um ultrassom há 23
dias que mostrou uma gestação de 20
semanas e 4 dias.
• 23 dias desde o exame até a consulta
= 3 semanas + 2 dias.
• Então: 3 semanas e 2 dias + 20
semanas e 4 dias = 23 semanas e 6
dias (idade gestacional no momento
da consulta).
os dias 5, 15 e 25, respectivamente. Proceda,
então, à utilização do calendário ou do
gestograma.
Existem situações em que a data e o
período da última menstruação são desco-
nhecidos pela gestante. Quando a data e o
período do mês não forem conhecidos, a
idade gestacional e a data provável do parto
serão, inicialmente, determinadas por apro-
ximação, basicamente pela medida da altura
do fundo do útero, além da informação sobre
O primeiro passo para avaliar o estado
nutricional da gestante é realizar o cálculo
da idade gestacional. Para estimar a idade
gestacional você precisa saber a data da
última menstruação (DUM) da mãe. A DUM
corresponde ao primeiro dia de sangramento
do último ciclo menstrual referido pela
mulher. É o método de escolha para se
calcular a idade gestacional em mulheres
com ciclos menstruais regulares e que não
fazem uso de métodos anticoncepcionais
hormonais.
Você pode calcular a DUM:
• Usando um calendário: some o número
de dias do intervalo entre a DUM e a
data da consulta, dividindo o total por
sete, e terá o resultado em semanas;
• Usando o disco (gestograma):
coloque a seta sobre o dia e o mês
correspondentes ao primeiro dia e mês
do último ciclo menstrual e observe o
número de semanas indicado no dia e
mês da consulta atual.
Quando a gestante desconhece a data
da última menstruação, mas se conhece o
período do mês em que ela ocorreu, pergunte
seoperíodofoinoinício,meiooufimdomêse
considere como data da última menstruação
Figura 5 – Gestograma. Fonte: calcuworld
25
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Peso: Estatura:
• antes de cada pesagem, a balança deve ser
destravada, zerada e calibrada;
• a gestante, descalça e vestida apenas
com avental ou roupas leves, deve subir na
plataforma e ficar em pé, de costas para o
medidor, com os braços estendidos ao longo
do corpo e sem qualquer outro apoio;
• se estiver utilizando a balança mecânica,
mova o marcador maior (kg) do zero da esca-
la até o ponto em que o braço da balança se
incline para baixo; volte-o, então, para o nível
imediatamente anterior (o braço da balança
inclina-se para cima);
• mova o marcador menor (g) do zero da
escala até o ponto em que haja equilíbrio
entre o peso da escala e o peso da gestante
(o braço da balança fica em linha reta, e o
cursor aponta para o ponto médio da escala);
• leia o peso em quilogramas na escala maior
e em gramas na escala menor. No caso de
valores intermediários (entre os traços da
escala), considere o menor valor. Por exem-
plo: se o cursor estiver entre 200g e 300g,
considere 200g;
• anote o peso encontrado no prontuário e no
Cartão da Gestante.
• a gestante deve estar em pé e descalça,
no centro da plataforma da balança, com
os braços estendidos ao longo do corpo.
Quando disponível, poderá ser utilizado o
antropômetro vertical;
• calcanhares, nádegas e espáduas devem se
aproximar da haste vertical da balança;
• a cabeça deve estar erguida de maneira que a
borda inferior da órbita fique no mesmo plano
horizontal que o meato do ouvido externo;
• o encarregado de realizar a medida
deverá baixar lentamente a haste vertical,
pressionando suavemente os cabelos da
gestante até que a haste encoste-se ao
couro cabeludo;
• faça a leitura da escala da haste. No caso
de valores intermediários (entre os traços
da escala), considere o menor valor. Anote o
resultado no prontuário.
DUM
Sempre considerar a idade gestacional
pela Data da Última Mestruação (DUM) se for
conhecida e confiável ou pela ecografia mais
precoce (com menor idade gestacional).
Em cada consulta gestacional, o peso
deve ser aferido, e a altura deve ser medida
na primeira consulta. Recomenda-se a
utilização de uma balança eletrônica ou
mecânica, certificando-se de que essas
se encontram calibradas e em bom
funcionamento, a fim de garantir a qualidade
das medidas coletadas. Ao aferir o peso e
a estatura, considere os procedimento do
SISVAN (BRASIL, 2008), conforme quadro
ao lado. Realizados esses procedimentos,
você terá as informações necessárias para
avaliação do estado nutricional da gestante.
26
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
De acordo com o estado nutricional
inicial da gestante (baixo peso, adequado,
sobrepeso ou obesidade) há uma faixa de
ganho de peso recomendada por trimestre.
É importante que na primeira consulta a
gestante seja informada sobre o peso que
deve ganhar.
Figura 6 – Informe a gestante desde a primeira
consulta sobre o peso. Fonte: Ministério da
Saúde
uma curva de referência brasileira de valores
de IMC por idade gestacional.
Mas, como calcular Índice de massa
corporal (IMC)? Acompanhe, a seguir,
algumas recomendações.
Primeiro você precisa coletar os dados de
peso corporal pré-gestacional e de altura da
gestante. O peso pré-gestacional pode ser
obtido de diversas formas.
A mais recomendada é utilizar o peso e
altura contidos no registro médico no
período de até dois meses anteriores à
gestação ou realizar a aferição da mulher
logo após a concepção.
Caso nenhuma destas opções tenha sido
possível,realizeaaferiçãodepesoealtura
durante o primeiro trimestre gestacional.
Entretanto, caso isso não seja possível,
como terceira opção você pode obter as
informações do estado nutricional pré-gesta-
cional através do relato da gestante com
relação ao seu peso e altura até dois meses
antes da gestação (lembrando que a informa-
ção está sujeita à memória da gestante).
Primeiro você precisa coletar os dados de
peso corporal pré-gestacional e de altura da
gestante. O peso pré-gestacional pode ser
obtido de diversas formas.
A mais recomendada é utilizar o peso e
altura contidos no registro médico no
período de até dois meses anteriores à
gestação ou realizar a aferição da mulher
logo após a concepção.
Entretanto, caso isso não seja possível,
como terceira opção você pode obter as
informações do estado nutricional pré-gesta
cional através do relato da gestante com
relação ao seu peso e altura até dois meses
antes da gestação (lembrando que a informa
ção está sujeita à memória da gestante).
2.2 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
PRÉ-GESTACIONAL
Ao avaliar o estado nutricional pré-
gestacional você será capaz de conhecer
qual era o estado nutricional da gestante
antesdagravidez.Comessainformaçãovocê
poderá ajudá-la a programar o ganho de peso
adequado durante a evolução da gestação. O
estado nutricional pré-gestacional é avaliado
através do Índice de massa corporal (IMC).
O IMC pré-gestacional deve ser calculado na
primeira consulta de pré-natal.
O peso pré-gestacional influenciará dire-
tamente no tamanho do bebê ao nascimento,
assim como no estado nutricional da mãe no
pós-parto. O ideal é que o IMC considerado
no diagnóstico inicial da gestante seja o IMC
pré-gestacional referido, ou o IMC calculado
a partir de medição realizada até a 13ª
semana gestacional (calculada por meio da
data da última menstruação – DUM).
Caso isso não seja possível, inicie a
avaliação da gestante com os dados da
primeira consulta de pré-natal, mesmo que
essa ocorra após a 13ª semana gestacional.
Uma das limitações para a utilização do IMC
durante a gestação é que não existe ainda
27
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Você deverá calcular o IMC em cada
consulta de pré-natal e ir registrando no
gráfico de acompanhamento do estado
nutricionaldagestante,conformeoquadro5.
Confira.
• nas colunas seguintes, encontram-se
os diagnósticos de estado nutricional
para cada semana gestacional, levando
em consideração as faixas de IMC.
2.3 MONITORAMENTO E
ACONSELHAMENTO DO GANHO DE
PESO GESTACIONAL
Após obtido o valor do IMC, será a hora de
realizar o diagnóstico do estado nutricional.
Lembre também que a recomendação do
ganho de peso durante a gestação deve ser
diferenciada de acordo com a classificação
do IMC pré-gestacional, o estágio de vida
da gestante (adulta ou adolescente) e se a
gestação é única ou gemelar.
Devemos realizar o acompanhamento
e monitoramento do estado nutricional
ao longo de todas as consultas de pré-
natal. Para realização do registro do IMC
gestacional e acompanhamento da evolução
do ganho de peso a cada consulta, são
utilizadas duas ferramentas: o quadro com
os dados necessários para avaliação do
estado nutricional da gestante segundo o
IMC e o gráfico de acompanhamento do
estado nutricional encontrado na caderneta
da gestante, expostos a seguir, acompanhe.
No quadro, você pode observar:
• na primeira coluna, a idade gestacional
da mulher,
Quadro 5 – Avaliação do estado nutricional da gestante segundo o índice de massa corporal
por semana gestacional
Semana
gestacional
Baixo peso
IMC menor do que
Adequado
IMC entre
Sobrepeso
IMC entre
Obesidade
IMC maior que
6 19,9 20,0 — 24,9 25,0 — 30,0 30,1
7 20,0 20,1 — 25,0 25,1 — 30,1 30,2
8 20,1 20,2 — 25,0 25,1 — 30,1 30,2
9 20,2 20,3 — 25,2 25,3 — 30,2 30,3
10 20,2 20,3 — 25,2 25,3 — 30,2 30,3
11 20,3 20,4 — 25,3 25,4 — 30,3 30,4
12 20,4 20,5 — 25,4 25,5 — 30,3 30,4
13 20,6 20,7 — 25,6 25,7 — 30,4 30,5
14 20,7 20,8 — 25,7 25,8 — 30,5 30,6
15 20,8 20,9 — 25,8 25,9 — 30,6 30,7
16 21,0 21,1 — 25,9 26,0 — 30,7 30,8
17 21,1 21,2 — 26,0 26,1 — 30,8 30,9
18 21,2 21,3 — 26,1 26,2 — 30,9 31,0
19 21,4 21,5 — 26,2 26,3 — 30,9 31,0
20 21,5 21,6 — 26,3 26,4 — 31,0 31,1
28
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Semana
gestacional
Baixo peso
IMC menor do que
Adequado
IMC entre
Sobrepeso
IMC entre
Obesidade
IMC maior que
21 21,7 21,8 — 26,4 26,5 — 31,1 31,2
22 21,8 21,9 — 26,6 26,7 — 31,2 31,3
23 22,0 22,1 — 26,8 26,9 — 31,3 31,4
24 22,2 22,3 — 26,9 27,0 — 31,5 31,6
25 22,4 22,5 — 27,0 27,1 — 31,6 31,7
26 22,6 22,7 — 27,2 27,3 — 31,7 31,8
27 22,7 22,8 — 27,3 27,4 — 31,8 31,9
28 22,9 23,0 — 27,5 27,6 — 31,9 32,0
29 23,1 23,2 — 27,6 27,7 — 32,0 32,1
30 23,3 23,4 — 27,8 27,9 — 32,1 32,2
3 23,4 23,5 — 27,9 28,0 — 32,2 32,3
32 23,6 23,7 — 28,0 28,1 — 32,3 32,4
33 23,8 23,9 — 28,1 28,2 — 32,4 32,5
34 23,9 24,0 — 28,3 28,4 — 32,5 32,6
35 24,1 24,2 — 28,4 28,5 — 32,6 32,7
36 24,2 24,3 — 28,5 28,6 — 32,7 32,8
37 24,4 24,5 — 28,7 28,8 — 32,8 32,9
38 24,5 24,6 — 28,8 28,9 — 32,9 33,0
39 24,7 24,8 — 28,9 29,0 — 33,0 33,1
40 24,9 25,0 — 29,1 29,2 — 33,1 33,2
41 25,0 25,1 — 29,2 29,3 — 33,2 33,3
42 25,0 25,1 — 29,2 29,3 — 33,2 33,3
Fonte: BRASIL, 2013, p. 75-76
É de extrema importância que você
realize o registro do estado nutricional
tanto no prontuário quanto no Cartão
da Gestante, marcando a informação no
gráfico de acompanhamento nutricional,
conforme a figura 7, para poder realizar
as intervenções necessárias no tempo
certo, visando prevenir o ganho de peso
excessivo ao longo da gestação. Contudo,
vale ressaltar a importância da realização
de outros procedimentos que possam
complementar o diagnóstico nutricional ou
alterar a interpretação deste, conforme a
necessidade de cada gestante.
É necessário atentar-se à possibilidade
de diagnóstico de diabetes gestacional,
observar se há presença de edemas que
podem acarretar o aumento do peso sem
indicar um ganho de peso excessivo e
verificaropadrãodealimentaçãodagestante,
questionando o consumo de alimentos como
refrigerantes, doces, frituras, achocolatados
e doces industrializados, frequência de
consumo de água, frutas e vegetais. Todos
esses fatores precisam ser avaliados em
conjunto para a tomada de decisão quanto
às orientações que serão realizadas.
29
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
história alimentar. Pergunte se a gestante
vem sofrendo náuseas ou vômitos, qual o nú-
mero de refeições realizadas, quantas horas
de sono tem dormido por noite, se prepara as
refeições ou alimenta-se fora de casa. Com
base nas respostas, será possível viabilizar
o encaminhamento necessário para adequar
o ganho de peso dela ao longo da gestação.
A gestante que inicia as consultas de
pré-natal com IMC adequado para a idade
gestacional deve mesmo assim ter o estado
nutricional avaliado em cada consulta. É
importante que esse monitoramento seja
realizado a fim de evitar um ganho de peso
excessivo ao longo da gestação.
Em situações em que a mulher inicia a
gestação com sobrepeso ou obesidade,
os cuidados devem ser redobrados. Outra
situação à qual devemos estar atentos são os
casos em que a gestante iniciou a gestação
com peso adequado, mas passou a ganhar
pesoexcessivoaolongodasconsultas.Essas
situações aumentam o risco de retenção de
peso no pós-parto, diabetes gestacional, pré-
eclâmpsia e complicações no parto.
Confira as recomendações para gestan-
tes segundo estado nutricional a seguir.
Nos casos em que o manejo exigir
cuidado especializado, deve-se contar com
o apoio do nutricionista do Núcleo Ampliado
de Saúde da Família e Atenção Básica
(NASF-AB) ou, em caso de ausência desse
profissional na equipe, utilizar a Rede de
Atenção à Saúde (RAS).
Veja um exemplo: se a gestante chega à
consulta da semana 8 com 59kg e medindo
1,59m de altura, você calculará o IMC da
seguinte forma: 59/(1,59)² = 23,3 kg/m2
. Com
esse resultado, você verificará que a gestante
se encontra com peso adequado para a idade
gestacional.Logoemseguida,registraráessa
informação no gráfico de acompanhamento
do estado nutricional da gestante.
Agora que sabemos como fazer esses
procedimentos e registros, vamos conhecer
sua operacionalização em cada estado
nutricional pré-gestacional.
2.3.1 Monitoramento e acompanhamento
da gestante segundo estado
nutricional pré-gestacional
Ao monitorar o estado nutricional da
gestante que iniciou a gravidez com baixo
IMC, é necessário que você investigue a sua
Semana de Gestação
Baixo peso
Adequado
Sobrepeso
Obesidade
Figura 7 – Gráfico de acompanhamento
nutricional pelo Índice de Massa Corporal (IMC)
da gestante segundo a semana gestacional
Fonte: BRASIL, 2011.
30
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
• Sempre registre o IMC no gráfico de
acompanhamento e mostre para a
gestante a sua evolução.
Recomendações para gestante com
peso elevado ou ganho excessivo
• Adicionalmente, avalie a presença de
edema, polidrâmnio, macrossomia,
gravidez múltipla e doenças associa-
das (diabetes, pré-eclâmpsia, etc.).
Nesses casos, é importante o envol-
vimento da equipe multidisciplinar da
ESF e NASF-AB para acompanhamento
do caso.
• Em todas as situações, ofereça apoio
e escuta.
• Avalie os hábitos alimentares da
gestante; verifique se o consumo de ali-
mentos ultraprocessados é frequente.
Você pode perguntar se a gestante faz
consumofrequentedepães,embutidos,
bolachas, doces e refrigerantes. Oriente
a gestante a realizar caminhadas leves,
hidratar-se adequadamente, e realizar
consumo rotineiro de frutas e vegetais.
• Remarqueasconsultasemintervalome-
nor que o fixado no calendário habitual
para monitoramento do ganho de peso.
• Lembre-se de que o acolhimento e a
informação são muito importantes.
Evitemos o julgamento e apenas dar
ordens para a gestante. É muito impor-
tante conhecer o contexto em que essa
mãe vive e, em caso de incapacidade
financeira, verifique a possibilidade de
encaminhá-la para a assistência social.
• Caso sinta necessidade de um
acompanhamento individualizado para
a gestante, você pode solicitar apoio
ao nutricionista da equipe NASF-AB
ou, ainda, encaminhar para atenção
especializada.
Recomendações para gestante
com peso adequado
• Siga o calendário habitual de pré-
natal, avaliando o peso e IMC a cada
consulta.
• Explique à gestante que seu peso está
adequado para a idade gestacional, e
encoraje-a a manter uma alimentação
equilibrada e saudável, conforme
recomendações já estudadas, visando
à manutenção do peso adequado e
à promoção de hábitos alimentares
saudáveis.
Recomendações para gestante
com baixo peso
• Verifique a existência de hiperêmese
gravídica, infecções, parasitoses,
anemias e doenças debilitantes. Em
caso positivo, direcione a gestante
para o profissional de saúde indicado.
Em casos de hiperêmese oriente-a a
comer de maneira mais fracionada e
em pequenas quantidades, evitando
alimentos gordurosos.
• Forneça orientação nutricional,
visando à promoção do peso adequado
e de hábitos alimentares saudáveis.
• Remarque a consulta em um intervalo
menor que o calendário habitual para
monitoramento.
• Converse com a gestante sobre a
importância de ganhar peso adequada-
mente, explique que o ganho de peso
deve ocorrer para garantir o desenvol-
vimento do bebê, formação de placenta
e manutenção do líquido amniótico, e
que com uma alimentação adequada
esse peso será naturalmente eliminado
nos primeiros meses pós-parto. Muitas
mães têm medo de ganhar peso e não
voltar à antiga forma física.
31
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
e açúcares estão associados ao aumento
do ganho de peso gestacional excessivo e
a uma maior adiposidade durante a primeira
infância da criança. Portanto, é importante
garantir uma boa qualidade da dieta na
gestação. Os alimentos ultraprocessados,
além de apresentarem altas concentrações
de gordura, açúcar e sal, têm uma alta densi-
dade energética, baixa densidade nutricional
e escassez de fibras, tornando o padrão de
alimentação favorável ao ganho de peso
excessivo e prejudicial à saúde da gestante
e do seu bebê (ROHATGI, 2017).
Mas, o que é alta densidade energética
e densidade nutricional? Acompanhe as
definições a seguir!
O que importa na orientação nutricional
da gestante não é o consumo de calorias,
já que as necessidades aumentam em
apenas 300 calorias a partir do segundo
trimestre gestacional. Para exemplificar,
alguns alimentos que possuem cerca de
300 calorias são: uma porção pequena de
castanha + 1 fruta, ou 1 iogurte + 1 fruta ou
1 sanduíche natural. Nas consultas, foque
em orientar sobre a qualidade das escolhas
alimentares, que devem priorizar o consumo
de frutas, vegetais, leguminosas, tubérculos,
cereaisecarnesmagras,evitandoaomáximo
o consumo de alimentos ultraprocessados.
Maiores frequências de consumo de ali-
mentos como gorduras hidrogenadas (trans)
• Ofereça orientação nutricional, visan-
do à promoção do peso adequado e de
hábitos alimentares saudáveis, ressal-
tando que, no período gestacional, não
se deve perder peso, mas que o ganho
de peso até o final da gestação não
deve ultrapassar os 7 kg em situações
de obesidade pré-gestacional ou os
11,5 kg em casos de sobrepeso pré-
-gestacional.
2.4 RECOMENDAÇÕES PARA UMA
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E SUA
IMPORTÂNCIA NA GESTAÇÃO
A gestação é uma fase muito importante
na vida da mulher e requer alguns cuidados
especiais na alimentação. Os níveis de
nutrientes nos tecidos e líquidos disponíveis
para sua manutenção estão modificados por
alterações fisiológicas (expansão do volume
sanguíneo, alterações cardiovasculares,
distúrbios gastrintestinais e variação da
função renal) e por alterações químicas. Por
tais motivos é necessário que realizemos
uma adequação na alimentação da gestante,
visto que seu estado nutricional pode afetar
o resultado da gravidez, parto e pós-parto.
A densidade nutricional significa que quanto
maior for a densidade nutricional do alimento,
maior será a variedade de nutrientes benéficos
para a saúde. Frutas e vegetais têm uma alta
densidade nutricional e uma baixa densidade
energética, o que os torna alimentos perfeitos
para a nossa saúde e que devem ser indicados na
alimentação da gestante diariamente.
Densidade energética
Alimentos com alta densidade energética
são aqueles que em uma pequena
quantidade de alimento têm uma elevada
concentração de calorias, aumentando o
risco de obesidade. Normalmente os
alimentos ultraprocessados apresentam
alta densidade energética e, por isso, o seu
consumo deve ser desencorajado.
Densidade nutricional
32
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
2. Explique para a gestante e sua família
sobre a importância de comer em
companhia: segundo o nosso guia
alimentar, seres humanos são seres
sociaiseohábitodecomeremcompanhia
está impregnado em nossa história, assim
como a divisão da responsabilidade por
encontrar ou adquirir, preparar e cozinhar
alimentos.
Converse com a gestante e sua família
sobre a importância de compartilhar o
comer e as atividades envolvidas neste
ato, explique que esse é um modo simples
e profundo de criar e desenvolver relações
entre as pessoas e que, ao comer em
companhia, ela será capaz de se alimentar
com mais tranquilidade e menos pressa.
Refeições compartilhadas demandam
mesas e utensílios apropriados e
compartilhar com outra pessoa o prazer
que sentimos quando apreciamos uma
receita favorita redobra esse prazer.
3. Oriente à gestante e sua família sobre
a importância de manter os telefones
celulares e aparelhos de televisão des-
ligados na hora das refeições: já que
esses dificultam a percepção dos sinais
quilo ou com pratos feitos sem alimentos
ultraprocessados. Oriente a gestante a
evitar frequentar locais com fast-foods
e lanches, já que estes não suprem as
necessidades nutricionais e aumentam
o risco de ganho de peso excessivo. Ao
comer fora de casa, lugares como bufês
ou aqueles onde se oferecem segundas
ou terceiras porções sem custo devem
ser limitados a ocasiões especiais.
Também é importante orientar a ges-
tante a evitar comer na mesa de trabalho,
comer em pé ou andando ou comer dentro
do carro ou de transportes públicos,
embora, infelizmente, essas práticas
possam ser comuns nos dias de hoje.
Figura 8 – Oriente que as refeições sejam
compartilhadas quando possível. Fonte: pixs4u/
Adobe Stock
2.4.1 Hábitos relacionados a alimentação
na gestação
Normalmente, as pessoas esquecem
que a forma e o local em que se alimentam
pode fazer toda a diferença nas suas
escolhas alimentares. O consumo em locais
inadequados, com a presença de televisão
ligada ou o uso de outros aparelhos
eletrônicos, como celulares e tablets, estão
associados com um consumo alimentar
inadequado e que favorece a incidência de
sobrepeso e obesidade (BRASIL, 2014).
Como profissionais da saúde, devemos
orientar as gestantes quanto ao modo de se
alimentar. Agora, vamos abordar brevemente
alguns pontos que podem ser orientados ao
longo das consultas de pré-natal:
1. Dar preferência para locais tranquilos,
limpos e agradáveis: o guia alimentar
para a população brasileira reforça
a importância de a gestante e sua
família se alimentarem em casa ou em
ambientes limpos e agradáveis, caso a
refeição seja realizada fora do domicílio.
É importante, também, que quando não
for possível realizar as refeições em
casa, a gestante escolha restaurantes a
33
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
o resto do dia também teriam maior chance
de ser mais saudáveis.
As orientações para as gestantes
devem focar na qualidade dos ali-
mentos, já que normalmente uma
alimentação saudável e variada será
capaz de suprir todas as necessida-
des nutricionais.
A seguir, estão as orientações que você
deve problematizar com a gestante nas
consultas de pré-natal em relação às suas
escolhas alimentares, acompanhe.
Figura 9 – Oriente a gestante a fazer dos
alimentos in natura e preparações caseiras a
base de ingredientes naturais ou minimamente
processados a base de sua alimentação. Fonte:
Anatta_Tan/Adobe Stock
2.4.2 Escolhas alimentares na gestação
As escolhas alimentares são
fundamentais para a saúde da gestante, fase
da vida em que as demandas nutricionais, ou
seja, do consumo de nutrientes e não tanto
do consumo de calorias, são essenciais, já
que é preciso garantir um adequado estado
nutricional para a gestante e para o bebê.
É importante que você oriente as
gestantes quanto à realização de escolhas
alimentares baseadas em uma classificação
que considera o nível de processamento
industrial dos alimentos, já que as escolhas
alimentares não são feitas pelas pessoas
com base nos nutrientes (pois é difícil de
quantificar no momento de escolher o que
será consumido).
Pense em quando você vai a um
restaurante ou ao supermercado. Quando
você escolhe uma pizza congelada para
o seu jantar, provavelmente irá comprar
um refrigerante ou suco de caixinha para
acompanhar a sua escolha, isso conforma
um padrão de alimentação não saudável e
baseado em alimentos industrializados. No
entanto, se você comprasse um pedaço de
frango, feijão, arroz e vegetais para assar no
forno, provavelmente as suas escolhas para
de saciedade pelo corpo. Explique que
ao ter esse tipo de distrações dividimos
a atenção do nosso cérebro entre o que
comemos e o que estamos assistindo
nas telinhas, comendo mais do que
deveríamos, propiciando o ganho de peso
excessivo.
4. Estimule a mulher a ter consciência em
relação às quantidades colocadas no
prato: as pessoas tendem a comer mais
que o necessário quando estão diante
de grandes quantidades de alimentos ou
quando há oferta de grandes porções.
Nesses casos as escolhas são feitas
sem pensar muito. Oriente a gestante a
pensar em cada alimento que colocará no
prato e na quantidade que será colocada.
Lembre-a de que não é preciso nem
recomendado “comer por dois”. Oriente a
servir-se apenas uma vez ou, pelo menos,
aguardar algum tempo para se servir uma
segunda vez. Frequentemente, a segunda
porção excede às nossas necessidades.
34
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
• cravo, canela, especiarias em geral e
ervas frescas ou secas;
• farinhas de mandioca, de milho ou de
trigo e macarrão ou massas frescas ou
secas feitas com essas farinhas e água;
• carnes de gado, de porco e de aves
e pescados frescos, resfriados ou
congelados;
• leite pasteurizado, ultrapasteurizado
(“longa vida”) ou em pó, iogurte (sem
adição de açúcar);
• ovos;
• água potável.
No momento de orientar a gestante
quanto à escolha dos alimentos, lembre que
nas refeições principais o prato deve conter:
alimentos de origem animal como
carnes, peixes e ovos (em pequenas
proporções);
alimentos de origem vegetal como
leguminosas (essenciais no prato da
gestante), tubérculos e cereais (que
serão a principal fonte de energia,
dando preferência para os cereais inte-
grais e tubérculos como mandioca, ba-
tata doce, batata salsa, dentre outros);
Alimentos in natura ou minimamente
processados fornecerão toda a qualidade
nutricional que a gestante necessita para
a manutenção de um estado nutricional
adequado tanto do bebê quanto da mulher.
Oriente a gestante a escolher frutas,
vegetais, tubérculos e leguminosas da
época, já que serão mais saborosos,
acessíveis economicamente e conterão
menos agrotóxicos.
Veja alguns exemplos de alimentos in
natura ou minimamente processados:
• legumes, verduras, frutas, batata,
mandioca e outras raízes e tubérculos
in natura ou embalados, fracionados,
refrigerados ou congelados.
• arroz branco, integral ou parboilizado,
a granel ou embalado;
• milho em grão ou na espiga, grãos de
trigo e de outros cereais;
• feijão de todas as cores, lentilhas, grão
de bico e outras leguminosas;
• frutas secas, sucos de frutas e sucos
de frutas pasteurizados e sem adição
de açúcar ou outras substâncias;
• castanhas, nozes, amendoim e outras
oleaginosas sem sal ou açúcar;
Segundo o Guia Alimentar para População
Brasileira (BRASIL, 2017), os alimentos in
natura ou minimamente processados são a
base para uma alimentação nutricionalmente
balanceada, saborosa, culturalmente
apropriada e promotora de um sistema
alimentar socialmente e ambientalmente
sustentável.
Alimentos in natura
São obtidos diretamente de
plantas ou de animais e não
sofrem qualquer alteração após
deixar a natureza.
Alimentos minimamente
processados
Correspondem a alimentos in
natura que foram submetidos a
processos de limpeza, remoção de
partes não comestíveis ou indese-
jáveis, fracionamento, moagem,
secagem, fermentação, pasteuriza-
ção, refrigeração, congelamento e
processos similares que não envol-
vam agregação de sal, açúcar
óleos, gorduras ou outras substân-
cias ao alimento original.
35
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
à massa de farinha de trigo e água usada
no preparo culinário de tortas e pães
caseiros. Uma forma interessante de
reduzir o consumo de sal é adicionar ervas
aromáticas desidratadas como orégano,
sálvia, cebolinha, cúrcuma e salsinha ao
sal de mesa – ervas aromáticas possuem
propriedades anti-inflamatórias e trazem um
sabor adicional às preparações.
Óleos, gorduras, sal e açúcar não
substituem alimentos in natura ou
minimamente processados. Esses
são produtos alimentícios com alto
teor de calorias, gorduras saturadas
(presentes em óleos e gorduras, em
particular nessas últimas), sódio
(componente básico do sal de cozi-
nha) e açúcar livre (presente no açú-
car de mesa).
O consumo excessivo de sódio e de
gorduras saturadas aumenta o risco de
doenças do coração, enquanto o consumo
excessivo de açúcar aumenta o risco de
cárie dental, de obesidade e de várias outras
doenças crônicas.
Óleos e gorduras têm seis vezes mais
calorias por grama do que grãos cozidos e
Desde que utilizados com moderação
em preparações culinárias com base
em alimentos in natura ou minimamente
processados, os óleos, as gorduras, o sal e o
açúcar contribuem para diversificar e tornar
mais saborosa a alimentação sem que fique
nutricionalmente desbalanceada.
Você pode explicar para a gestante
que óleos ou gorduras, por exemplo,
serão utilizados para cozinhar arroz
e feijão, para refogar legumes, verdu-
ras e carnes, para fritar ovos e tubér-
culos e no preparo de caldos e so-
pas. Óleos são também adicionados
em saladas de verduras e legumes
como forma de tempero. Mas orien-
te-as a utilizá-los com moderação.
Existem pessoas que têm o costume
de adicionar óleo no arroz e macar-
rão após o seu preparo, ultrapassan-
do as necessidades nutricionais e
favorecendo o ganho de peso exces-
sivo. Por isso, desencoraje esse tipo
de prática.
O sal pode ser usado como tempero em
todas essas preparações. Ele também é
usado no preparo culinário de conservas
de legumes feitas em casa e é adicionado
vegetais e folhosos (como alface, es-
pinafre, couve, tomate, abóbora, ce-
noura, beterraba, dentre outros);
frutas, que podem ser consumidas nas
saladas ou como sobremesa, preferin-
do sempre as que estão na safra.
Dessa forma, a gestante será capaz de
atingir todos os nutrientes necessários de
maneira saborosa, acessível e completa
no seu dia a dia. Lembre-se de respeitar e
considerar o padrão cultural da região no
momento de orientar a gestante quanto
ao consumo alimentar. A preservação e
o respeito da cultura alimentar é um dos
princípios do guia alimentar (BRASIL, 2017).
Os ingredientes culinários como óleos,
sal e açúcar devem ser utilizados com
moderação no preparo dos alimentos.
Consideramos como ingredientes culinários
todos os ingredientes utilizados para
o preparo de uma refeição: você pode
orientar a gestante e sua família a utilizar
óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas
quantidades ao temperar e cozinhar
alimentos e criar preparações culinárias
como bolos caseiros, pães e biscoitos.
36
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Na consulta de pré-natal, você pode
explicar para a gestante que alimentos
processados, como no caso do queijo,
podem ser usados com moderação,
adicionado ao macarrão ou salada, por
exemplo. Outro alimento comum são as
carnes salgadas adicionadas ao feijão. Em
outras vezes, como no caso de pães e peixes
enlatados, alimentos processados podem
compor refeições baseadas em alimentos
in natura ou minimamente processados.
Mas, deixe bem claro para a gestante, que
sozinhos ou em combinação com outros
alimentos processados ou ultraprocessados,
eles podem ser prejudiciais à saúde, pelo
seu elevado conteúdo de sal, açúcar e/ou
gordura, não sendo recomendados, segundo
o guia alimentar (BRASIL, 2017).
Estimule a gestante e sua família a
evitarem os alimentos ultraproces-
sados na rotina alimentar. Explique a
eles os seus malefícios para a saúde
da gestante.
Nas consultas de pré-natal avalie
sempre a frequência de consumo de bis-
coitos recheados, cream cracker, chips e
usados como ingredientes de preparações
culinárias ou como parte de refeições basea-
das em alimentos in natura ou minimamente
processados, já que embora o alimento pro-
cessado mantenha a identidade básica e a
maioria dos nutrientes do alimento do qual
deriva, os ingredientes e os métodos de pro-
cessamento alteram de modo desfavorável
a sua composição nutricional. Em função
do seu elevado conteúdo de sal ou açúcar,
geralmente muito superior ao utilizado em
preparações culinárias, o seu consumo
excessivo está associado a doenças cardía-
cas, obesidade ou outras doenças crônicas.
Figura 10 – Alimentos processados podem ser
usados com moderação quando adicionados à
salada. Fonte: FomaA/Adobe Stock
20 vezes mais do que legumes e verduras
após cozimento. O açúcar tem cinco a dez
vezes mais calorias por grama do que a
maioria das frutas. Entretanto, seu impacto
sobre a qualidade nutricional da alimentação
dependerá essencialmente da quantidade
utilizada nas preparações culinárias.
Por isso, oriente o uso desses produtos
com moderação e equilíbrio! Alimentos
processados devem ser consumidos pela
gestante com moderação e combinados a
preparações caseiras.
Sabe aquele pepino ou vegetal em
conserva, o pêssego em calda, o queijo
feito de leite e sal ou aquele pãozinho feito
de forma tradicional (a base de farinha de
trigo, água, sal e leveduras usadas para
fermentar a farinha)? Esses são os alimentos
processados, os quais são produtos
relativamente simples e antigos, fabricados
essencialmente com a adição de sal ou
açúcar (ou outra substância de uso culinário,
como óleo ou vinagre) a um alimento in
natura ou minimamente processado.
O consumo de alimentos processados
na gestação (assim como em outras fases
da vida) deve ser limitado, consumindo-os
em pequenas quantidades. Eles podem ser
37
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Como reconhecer alimentos
ultraprocessados?
• Eles têm um número elevado de
ingredientes (frequentemente cinco
ou mais);
• apresentam ingredientes com
nomes pouco familiares e não
usados em preparações culinárias,
ingredientes que provavelmente você
não teria na prateleira de sua casa
(gordura vegetal hidrogenada, óleos
interesterificados, xarope de frutose,
isolados proteicos, agentes de massa,
espessantes, emulsificantes, corantes,
aromatizantes, realçadores de sabor e
vários outros tipos de aditivos);
• diferentemente dos alimentos
processados, a imensa maioria dos
ultraprocessados é consumida, ao
longo do dia, substituindo alimentos
como frutas, leite e água ou, nas
refeições principais, no lugar de
preparações culinárias;
• alimentos ultraprocessados costu-
mam vir em embalagens coloridas,
com marketing bastante intenso e pro-
pagandas na televisão e redes sociais.
bebidas adoçadas com açúcar ou adoçantes
artificiais, pós para refrescos, embutidos e
outros produtos derivados de carne e gor-
dura animal, produtos congelados prontos
para aquecer, produtos desidratados (como
misturas para bolo, sopas em pó, “macarrão”
instantâneo e “tempero“ pronto), e uma
infinidade de novos produtos que chegam
ao mercado todos os anos, incluindo vários
tipos de salgadinhos “de pacote”, cereais
matinais, barras de cereal, bebidas energéti-
cas, entre muitos outros.
Pães e produtos panificados tornam-se
alimentos ultraprocessados quando, além
da farinha de trigo, leveduras, água e sal,
seus ingredientes incluem substâncias
como gordura vegetal hidrogenada, açúcar,
amido, soro de leite, emulsificantes e outros
aditivos.
Uma forma prática para ajudar a gestante
a distinguir alimentos ultraprocessados de
alimentos processados é ensinando-as a
consultar a lista de ingredientes que, por
lei, deve constar dos rótulos de alimentos
embalados que possuem mais de um
ingrediente.
outros salgadinhos, macarrão instantâneo,
refrigerantes, dentre outros alimentos ultra-
processados. Devido a seus ingredientes
(gorduras trans, açúcar de adição, sal,
aditivos químicos e corantes), são nutricio-
nalmente desbalanceados e prejudiciais à
saúde da gestante e do bebê. Por conta de
sua formulação e apresentação, tendem a
ser consumidos em excesso e a substituir
alimentos in natura ou minimamente proces-
sados. Lembre, por exemplo, que:
O problema principal com alimen-
tos ultraprocessados reformulados
é o risco de serem vistos como
produtos saudáveis, cujo consumo
não precisaria mais ser limitado. A
publicidade desses produtos explo-
ra suas alegadas vantagens diante
dos produtos regulares (‘menos ca-
lorias’, ‘adicionado de vitaminas e
minerais’), aumentando as chances
de que sejam vistos como saudáveis
pelas pessoas. (BRASIL, 2014)
Classificamos como alimentos ultra-
processados vários tipos de guloseimas,
38
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
rias em pequenas quantidades do produto,
são hiperpalatáveis, encontram-se em todo
lugar e apresentam custo baixo, induzindo
o consumo excessivo de calorias pelas ges-
tantes. Fique atento e oriente quanto aos
malefícios desse tipo de bebida na rotina
alimentar. Estimule o consumo adequado de
água na gestação. A hidratação adequada
é fundamental durante a gestação, veja a
seguir alguns benefícios.
Estabiliza a pressão arterial
Elimina as toxinas
Melhora a circulação
sanguínea
Necessária para garantir a
circulação fetal e o volume
adequado de líquido
amniótico
Previne a infecção urinária
na mulher
Melhora o funcionamento
intestinal e hidratação do corpo
Ingestão de água na gravidez
Fonte: MCKENZIE AL, et al. (2017)
doquenecessitam;ecaloriasingeridas
e não gastas inevitavelmente acabam
estocadas no corpo na forma de
gordura, trazendo junto a obesidade.
5. Pelo seu elevado teor de sódio
e açúcar de adição, alimentos
ultraprocessados devem ser evitados
completamente em casos de diabetes
gestacional e pré-eclâmpsia. Ainda
não existem estudos especificamente
realizados em gestantes, mas os
realizados em adultos comprovam a
relação entre o consumo de alimentos
ultraprocessados e o risco aumentado
de hipertensão arterial e de outras
doenças crônicas não-transmissíveis.
Atente-se com as calorias líquidas!
Refrigerantes, refrescos e muitos
outros produtos prontos para beber
aumentam expressivamente o risco
de obesidade e ganho de peso ges-
tacional excessivo.
O organismo humano apresenta me-
nor capacidade para “registrar” calorias
provenientes de bebidas adoçadas. Bebidas
açucaradas possuem alto volume de calo-
Ao conversar com a gestante nas
consultas de pré-natal, você pode enumerar
os motivos pelos quais os alimentos
ultraprocessados devem ser evitados na sua
alimentação:
1. Eles são frequentemente fabricados
com gorduras que resistem à oxidação,
mas que tendem a obstruir as artérias
que conduzem o sangue dentro do
nosso corpo.
2. Alimentos ultraprocessados tendem
a ser muito pobres em fibras, que
são essenciais para a prevenção de
doenças do coração, diabetes e vários
tipos de câncer.
3. Elessãopobresemvitaminas,minerais
e outras substâncias com atividade
biológica, aumentando a necessidade
de uso de suplementos nutricionais de
difícil acesso financeiro.
4. Quanto maior o consumo de alimentos
ultraprocessados na rotina alimentar,
maiorseráoganhodepesogestacional,
que poderá trazer complicações no
parto e retenção de peso pós-parto.
Quando as pessoas consomem
alimentos ultraprocessados, tendem,
sem perceber, a ingerir mais calorias
39
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Alimentos
in natura
Ultraprocessados
Embora legumes, verduras e frutas pos-
samterpreçosuperioraodealgunsalimentos
ultraprocessados, o custo total de uma
alimentação baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados ainda é menor
no Brasil do que o custo de uma alimentação
baseada em alimentos ultraprocessados.
Pesquisa realizada no Brasil com dados
da POF mostrou que, efetivamente, comer
uma preparação caseira custa mais barato
que uma refeição baseada em alimentos
ultraprocessados.
70% de água. Um prato de feijão com arroz é
constituído de dois terços de água.
Quando a alimentação é baseada nesses
alimentos e preparações, é usual que eles
forneçam cerca de metade da água que
precisamos ingerir. Já no caso de alimentos
ultraprocessados, ocorre o contrário, já que
a concentração de água nesses alimentos é
pequena e assim necessita maior ingestão
de água.
2.4.3 Planejamento de refeições
saudáveis na gestação
É comum a impressão de que a
alimentação saudável é necessariamente
muito cara e, ainda mais importante,
muito mais cara do que a alimentação não
saudável. Mas engana-se quem pensa assim:
cálculos realizados com base nas Pesquisas
de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE
mostram que, no Brasil, a alimentação
baseada em alimentos in natura ou mini-
mamente processados e em preparações
culinárias feitas com esses alimentos não é
apenas mais saudável do que a alimentação
baseada em alimentos ultraprocessados,
mas também mais barata, quando pensamos
no gasto total diário com alimentação.
O total de água existente no corpo dos
sereshumanoscorrespondea75%dopesona
infância e a mais da metade na idade adulta.
É essencial que a água bebida seja potável
para o consumo humano. A água fornecida
pela rede pública de abastecimento deve
atender a esses critérios, mas, na dúvida,
filtrá-la e fervê-la antes do consumo garante
sua qualidade.
Reforceparaagestantecomoéimportante
prestar atenção aos primeiros sinais de sede
e satisfazer de prontidão a necessidade
de água sinalizada pelo seu organismo. A
água ingerida deve vir predominantemente
do consumo de água como tal e da água
contida nos alimentos e preparações
culinárias. Oriente a gestante a ingerir, no
mínimo, 2 litros de água ao dia, que equivale
a aproximadamente 8 copos diários.
A maioria dos alimentos in natura
ou minimamente processados e das
preparações desses alimentos têm alto
conteúdo de água. O leite e a maior parte
das frutas contêm entre 80% e 90% de água.
Verduras e legumes cozidos ou na forma
de saladas costumam ter mais do que 90%
do seu peso em água. Após o cozimento,
macarrão, batata ou mandioca têm cerca de
40
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
preço reduzido. Se na sua região de atuação
tiver esse tipo de opção, recomende para
a gestante e sua família. Lembre-a de que
levar comida feita em casa para o local de
trabalho ou estudo é outra boa opção.
Outra dica importante: oriente a
gestante a cozinhar os alimentos
sempre em uma quantidade um
pouco maior da que será consumida
no dia, assim ela poderá congelar as
comidas em potes porcionados para
dias posteriores.
A família pode preparar dois tipos de
leguminosas como feijão branco e feijão
preto para toda a semana e porcionar para os
sete dias de consumo. A carne pode render
um molho bolonhesa, uma carne refogada
com legumes e almôndegas, e tudo pode ser
preparado no mesmo dia e congelado para a
semana; outra fonte de proteína pode ser o
ovo frito ou cozido na hora e o frango pode ser
porcionado, rendendo sobrecoxas ensopadas,
coxas assadas, peito de frango que pode virar
hambúrguer, frango grelhado ou à milanesa.
Como fonte de carboidrato o mesmo arroz
integral, preparado em um dia só, pode virar
referir que acha o custo dos alimentos in
natura e minimamente processados pouco
acessíveis, você pode ajuda-la, dando
algumas dicas:
• Oriente a gestante a consumir frutas
e vegetais, aliados a alimentos com
menor preço como arroz, feijão, batata,
mandioca, entre tantos outros que
fazem parte das tradições culinárias
brasileiras.
• Nem todas as variedades de legumes,
verduras e frutas são caras: oriente a
gestante a comprar frutas e verduras
na época de safra e em locais onde se
comercializam grandes quantidades
de alimentos, em feiras ou mesmo
diretamente dos produtores.
• Para reduzir o custo de refeições
feitas fora de casa, sem abrir mão de
alimentos in natura ou minimamente
processados, novamente são boas
opções levar comida de casa para o
trabalho ou comer em restaurantes
que oferecem comida a quilo.
Em muitos lugares do Brasil, existem
também restaurantes populares e cozinhas
comunitárias, que são espaços públicos que
oferecem refeições variadas e saudáveis a
• Opreçomédioresultantedaassociação
dos alimentos in natura e minima-
mente processados aos ingredientes
culinários, condição necessária para o
preparo dos alimentos, foi de R$ 1,56,
enquanto a média do preço verificada
para os alimentos processados e ultra-
processados foi R$ 2,40.
• Essa diferença sugere uma vantagem
econômica no preparo de refeições no
lar em comparação a sua substituição
por refeições prontas e produtos
alimentícios industrializados.
Quando a gestante chegar à con-
sulta você pode conversar com ela
sobre as suas escolhas alimentares.
Pergunte o que ela costuma comer
no café da manhã, no almoço, lan-
che da tarde e jantar, para ter uma
ideia da frequência de consumo de
preparações caseiras e de alimentos
ultraprocessados.
Quando a gestante referir consumir
muitos alimentos ultraprocessados na rotina
alimentarvocêpodeexplicarosmalefíciosde
uma alimentação baseada nesses produtos,
tanto para ela quanto para o bebê, e se ela
41
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Você deve, concomitantemente, reco-
mendar o aumento na ingestão de ferro na
dieta juntamente com alimentos ricos em
vitamina C.
Conheça alguns alimentos ricos em ferro
que você pode orientar para sua paciente:
Alimento Quantidade de ferro
Açaí, 4 colheres de sopa
(100g)
13,8 mg
Bife de fígado (100 g) 5,8 mg
Bife bovino (100 g) 3,0 mg
Coração de frango (100 g) 6,5 mg
Ervilha seca (2 colheres
de sopa = 30 g)
2,2 mg
Fígado de frango (100 g) 9,5 mg
Folhas verdes escuras
(3 pegadores = 30 g)
1 mg
Feijão preto cozido
(1 concha = 100 g)
4,3 mg
Melado (4 colheres de
sopa = 100 g)
5,4 mg
Ovo cozido (1 gema) 0,8 mg
Ácido Fólico e Vitamina D para mulheres
durante a gestação.
Ferro: suplementação e fontes
alimentares
A gestação a termo confere quantidades
suficientes de ferro para o feto, mesmo em
situações de anemia ou desnutrição da
mãe, pois a eritropoiese fetal é assegurada,
utilizando-se as reservas maternas, mesmo
que limitadas. Para garantir as reservas
maternas de ferro, recomenda-se a ingestão
de 27 mg/dia de ferro no segundo e terceiro
trimestre da gestação, sendo a suplementa-
ção medicamentosa uma medida profilática
recomendada pela OMS (OMS, 2013).
O Programa Nacional de Suplementação
de Ferro consiste na suplementação
profilática de ferro para todas as gestantes
ao iniciarem o pré-natal, independentemente
da idade gestacional até o terceiro mês pós-
parto, e na suplementação de gestantes
com ácido fólico. A suplementação deve
ser recomendada pela equipe da atenção
primária à saúde como parte do cuidado no
pré-natal para reduzir o risco de baixo peso
ao nascer da criança, anemia e deficiência
de ferro na gestante (PNSF, 2013).
arroz com brócolis, arroz com lentilha, arroz
colorido (refogado com cenoura, tomate, ce-
bola e pimentão) e, de forma bem rápida, pode
sair uma polenta ou macarrão para acompa-
nhar as comidas em outros dias. Grande parte
desses alimentos podem ser congelados e
armazenados para serem consumidos na
semana ou quinzena. Basta ter planejamento.
Confira outras informações sobre
como orientar esse planejamento
para as gestantes assistindo aos
vídeos que foram elaborados espe-
cialmente pela equipe do Núcleo de
pesquisa em Nutrição e Saúde Pú-
blica da Universidade de São Paulo
em conjunto com a apresentadora
Rita Lobo, através do link: <https://
www.youtube.com/watch?v=Ltt-
6si2U39I&list=PLx-RfqJiTFaqc8_ei-
1-eHVBNB32hyP9aQ>
2.5 MICRONUTRIENTES NA GESTAÇÃO
O período gestacional, devido suas
mudançasbiológicas,trazalgumasdemandas
de micronutrientes específicas. Deste modo,
apresentaremos as recomendações de Ferro,
42
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Brasil, alimentos que devem fazer parte
do esquema alimentar para fornecer boa
quantidade de ácido fólico.
Veja um esquema de combinação de
alimentosquepodematingirasnecessidades
em um dia comum:
1 unidade média de
mamão papaia
84,74 µg
+ 1 bife pequeno de
fígado de boi
169,31 µg
+ 2 colheres de servir
de grão-de-bico
154,8 µg
+ 1 concha média de
feijão
174 µg
582,82 µg de ácido fólico
Conheça alguns alimentos ricos em
ácido fólico que você pode orientar para sua
paciente:
Oriente a gestante a consumir uma fruta
cítrica (ou suco), ou a temperar a salada com
limão.
Frutas cítricas ou ricas em vitamina C
laranja
abacaxi
acerola
tangerina
limão
kiwi
Ácido fólico: suplementação e fontes
alimentares
As gestantes devem consumir 400
microgramas/dia de ácido fólico. No Brasil,
em 2002, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) instituiu a adição de 100
mg de ácido fólico para cada 100 gramas de
farinha de trigo e milho, além de produtos
derivados do milho comercializados no
Veja um esquema de alimentos que
podem ser consumidos em um dia para
suprir parte das necessidades de ferro:
1 filé de 100 g de
fígado bovino
6,0 mg
+ omelete de 3 ovos ± 3 mg
+ 2 conchas de feijão
cozido
8,6 mg
+ salada de acelga,
agrião e beterraba
± 2 g
= 19,6 mg de ferro
Apesar de apresentar um consumo
adequado de alimentos ricos em ferro, ainda
se torna necessária a suplementação de
ferro fornecida pelo Programa Nacional de
Suplementação de Ferro.
43
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
cafeína não se associa a efeitos adversos.
A cafeína pode ser encontrada no café e em
bebidas à base de café, chá-preto, chocolate,
chimarrão, refrigerante a base de cola e em
bebidas energéticas.
Figura 11 – Cafés podem ser consumidos com
moderação. Fonte: Bits And Splits/ Adobe Stock
A dose diária segura de cafeína para a
gestante sem riscos para o bebê segue es-
sas recomendações: até 3 xícaras (200 ml)
de café coado, ou até 2 xícaras pequenas (50
ml) de café expresso, ou até 2 xícaras (200
ml) de café instantâneo. Vale salientar que
o chocolate, seja sólido ou em pó, também
possui cafeína: dois tabletes pequenos equi-
valem, em média, a 1 xícara de café coado.
Veja, a seguir, a concentração média de
cafeína em alguns alimentos.
de 15 a 20 minutos por dia, com o rosto,
braços e colo expostos e sem o uso de filtro
solar, sendo os melhores horários até as 10
horas e após as 16 horas.
A vitamina D é um hormônio fundamental
para um bom funcionamento do organismo,
e em mulheres grávidas é ainda mais impor-
tante. Isso porque, além de ajudar a diminuir
o risco de aborto espontâneo, a vitamina D
também promove o crescimento saudável da
placentaepodereduzirriscodepré-eclâmpsia
e de diabetes gestacional. Ela ajuda a regular
a absorção de cálcio e fósforo, além de atuar
na formação óssea, na liberação de insulina
e no funcionamento do sistema imunológico
(DOVNIK; MUJEZINOVIC, 2018; DE-REGIL, et al. 2016).
2.6 ALIMENTOS QUE DEVEM SER
EVITADOS OU CONSUMIDOS
MODERADAMENTE DURANTE A
GESTAÇÃO
Chás e café
O consumo de altas doses de cafeína na
gestação pode estar associado ao aumento
do risco de recém-nascido com baixo peso
e de aborto (CHEN LW, et al. 2016). Sugere-
se que o consumo inferior a 300 mg de
Alimento
Quantidade de
ácido fólico
Feijão preto cozido
(1 concha média = 114 g)
174 µg
Lentilha cozida
(1 concha média = 130 g)
235,04 µg
Grão-de-bico cozido
(2 colheres grandes = 40 g)
154,8 µg
Brócolis
(3 ramos médios = 100 g)
50 µg
Couve cozida (4 colheres
de sopa = 100 g)
60 µg
Espinafre (4 colheres de
sopa = 100 g)
107,5 µg
Laranja com bagaço
(1 unidade média = 159 g)
47,7 µg
Abacate (5 colheres de
sopa = 100 g)
61,9 µg
A importância da exposição ao sol para
garantia dos níveis séricos de vitamina D
A recomendação para gestantes não
difere daquela recomendada pra mulheres
não grávidas, que é de 5 mg/dia de vitamina
D. Mulheres grávidas ou não, a exposição ao
sol deve ser realizada diariamente, em torno
44
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
gestacional ou diabetes tipo 1. Apesar de pa-
recerem seguros para a saúde da gestante e
do bebê, ainda não existe evidência suficien-
te para que o seu consumo seja liberado na
gestação. Adicionalmente, o consumo de ali-
mentos adoçados com adoçantes artificiais
traz um paladar excessivamente adocicado
e que parece estimular o consumo excessivo
de calorias e de alimentos ultraprocessados,
além de reduzir a palatabilidade de frutas e
vegetais, aumentando consequentemente, o
risco de ganho de peso excessivo na gesta-
ção (MALIK et al., 2013).
da literatura indicam efeitos abortivos ou
relacionadosaum maiorriscodenascimento
prematuro relacionados ao consumo de chás
de camomila e de erva doce na gestação. Por
esse motivo, desencoraje o consumo desses
chás ao longo da gestação (FACCHINETTI et al.,
2012; TRABACE et al., 2015).
Adoçantes artificiais
O uso de adoçantes artificiais deve ser
desencorajado na gestação e só deve ser
utilizado com moderação e avaliando o seu
custo-benefício, por gestantes com diabetes
Quadro 6 – Concentração de cafeína
Alimento Quantidade
Teor médio
de cafeína
Café tradicional 200 ml 80 – 100 mg
Café solúvel
1 colher
de chá
57 mg
Café expresso 30 ml 40 – 75 mg
Café
descafeinado
150 ml 2 – 4 mg
Chás gelados
industrializados
1 lata 30 - 60 mg
Chá preto 200 ml 30 – 60 mg
Chá verde 200 ml 30 – 60 mg
Chá mate 200 ml 20 – 30 mg
Bebidas
energéticas
250 ml 80 mg
Refrigerantes
de cola
1 lata 35 mg
Chocolate 40 g 10 – 20 mg
Fonte: MARIANO (2018).
Em relação aos chás e os riscos do seu
consumo na gestação, ainda não há um
consenso quanto ao seu uso por gestantes,
mas devem ser evitados por não saber o
possível efeito na saúde da gestante e no
feto. Alguns estudos de revisão sistemática
Quadro 7 – Uso de adoçantes na gestação
Edulcorantes Descrição
Aspartame
Para atingir os níveis séricos de fenilalanina (600µmol/L) seria necessário
consumir uma lata de refrigerante dietético a cada 8 minutos.
Sacarina Placenta é permeável a sacarina, que pode permanecer nos tecidos fetais.
Acessulfamo-k A American Diabetes Association (ADA) considera seu uso é seguro.
Sucralose
A Food and Drugs Administration (FDA) considera que o uso não
confere riscos carcinogênicos, reprodutivos ou neurológicos.
Esteviosídeo Pode ser usado em conjunto com outros adoçantes, devido o seu sabor amargo.
 utilizar com cautela  restrigir
Fonte: TORLONI et al. (2007).
45
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Veja alguns pontos importantes que
devem ser abordados:
• O consumo de refeições baseadas em
alimentos in natura ou minimamente
processados pressupõe a seleção e
aquisiçãodosalimentos,opré-preparo,
o tempero e cozimento e apresentação
dos pratos, além da limpeza de
utensílios e da cozinha após o término
das refeições. Isso evidentemente
requer tempo da própria pessoa ou
de quem, na sua casa, é responsável
pela preparação das refeições. Por
isso, estimule a participação de todos
os membros da casa para a divisão de
tarefas e planejamento das refeições.
• Lembre-se de guiar a gestante e sua
família a terem horários regulares e
comerem em locais apropriados.
• É importante conversar com a família
que na hora de comer não devem
estar envolvidos em outra atividade, a
desfrutar os alimentos, e a comer em
companhia, de preferência.
• Dê exemplos práticos, mostrando que
a diferença entre o preparo de uma re-
feição saudável pode não ser tão gran-
de. Por exemplo, preparando um prato
3 meses. Ofereça apoio no processo de
construção de estratégias de prevenção/
redução/eliminação do uso e, caso
necessário, compartilhe o cuidado com os
serviços da Rede de Atenção Psicossocial
do território. (BRASIL, 2012).
2.7 ESTRATÉGIAS PARA INCLUSÃO DAS
RECOMENDAÇÕES ALIMENTARES NA
ROTINA DE PRÉ-NATAL DA UBS
Agora, vamos abordar algumas reco-
mendações, baseadas no Guia Alimentar
para a População Brasileira, que podem ser
realizadas nas consultas de pré-natal para
garantir uma melhor e maior adesão a uma
alimentação variada e baseada em prepara-
ções caseiras, com predomínio de alimentos
in natura ou minimamente processados.
As recomendações quanto a uma
alimentação saudável e sobre os cuidados
em relação ao ganho de peso devem ser
abordadas ao longo das consultas de pré-
natal, levando em consideração a situação
da gestante, sua evolução ao longo dos
trimestres e as dúvidas trazidas pela mulher
e sua família.
Em relação aos adoçantes que podem ser
recomendados para gestantes diabéticas,
alguns adoçantes como a sucralose, o
acessulfame-k, o aspartame e a estévia
parecem ser seguros, mas ainda não
existem estudos controlados em humanos
suficientes para realizar tal afirmação. O uso
do sorbitol deve ser moderado, pois aumenta
a excreção de minerais essenciais, como o
cálcio. As gestantes devem restringir o uso
de sacarina e ciclamato.
Bebidas alcóolicas
Oálcool,quandoconsumidopelagestante,
atravessa a barreira placentária, expondo
o feto às mesmas concentrações de álcool
que o sangue materno é submetido. Porém, o
efeitonofetoémaior, devidoaometabolismo
e à eliminação serem mais lentos, fazendo
com que o líquido amniótico permaneça
impregnado de álcool. Por isso, não existe
uma dose segura recomendada para as
gestantes. Adote a perspectiva de redução
de danos e evite posições ameaçadoras ou
julgamentos, que podem afastar a mulher do
cuidado pré-natal. Oriente-a sobre os riscos
do consumo de bebidas alcoólicas durante
a gestação, principalmente nos primeiros
46
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
Confira o link de acesso a informa-
ções sobre a safra dos alimentos no
Brasil: <http://ftp.medicina.ufmg.br/
omenu/safra_26_09_2014.pdf>
No café da manhã/lanches:
Com relação aos alimentos do café da
manhã, a variedade é grande, incluindo o
consumo de preparações à base de cereais
(como cuscuz, pão integral ou francês, aveia,
tapioca, ou até mesmo um bolinho feito em
casa) ou de tubérculos (como mandioca/
aipim, batata salsa/mandioquinha ou batata
doce). O ovo é uma ótima fonte de proteína
para o café da manhã ou para regiões onde
o queijo branco é acessível, também pode
ser uma escolha. A fruta não deve faltar no
café da manhã da gestante, é ela que trará
• No dia a dia, para gestantes impossibi-
litadas de cozinhar, peça para procurar
locais que servem refeições feitas na
hora e a preço justo. Restaurantes
de comida a quilo podem ser boas
opções, assim como refeitórios que
servem comida caseira em escolas ou
no local de trabalho.
Quanto às orientações gerais sobre a
escolha dos alimentos, segundo o Guia
Alimentar, pequenas mudanças no consumo
dos brasileiros que baseiam sua alimentação
em alimentos in natura ou minimamente
processados, incluindo o aumento na
ingestão de legumes e verduras e a redução
no consumo de carnes vermelhas, tornariam
o perfil nutricional de sua alimentação
praticamente ideal.
Oriente a gestante a variar as frutas
consumidas dentre as opções disponíveis na
safra. As variações em torno dos alimentos
de um mesmo grupo agradam também
aos sentidos na medida em que permitem
diversificar sabores, aromas, cores e
texturas da alimentação. Esta é uma forma
de garantir as necessidades nutricionais de
forma prática e fácil.
de macarrão com molho de tomate e
temperos naturais o tempo é de apenas
cinco minutos a mais do que a gestante
gastaria para dissolver em água quente
um pacote de “macarrão instantâneo”
carregado de gordura, sal e aditivos.
• Peça para a família fazer compras de
alimentos em mercados, feiras livres e
feiras de produtores e em outros locais
que comercializam variedades de
alimentos in natura ou minimamente
processados, dando preferência a
alimentos orgânicos da agricultura
familiar.
• Lembre a gestante da importância de
colocar frutas e vegetais no prato. As
leguminosas como feijão, grão de bico,
lentilhaeervilhatambémsãodeextrema
importância e podem ser cozinhadas,
fracionadas e congeladas para serem
consumidas ao longo das semanas.
• Aconselhe a família sobre o plane-
jamento das compras de alimentos,
organização da despensa doméstica
e definição com antecedência do car-
dápio da semana. Tudo pode ser feito
com alimentos simples e com preço
acessível.
47
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
e no período de safra, quando a produção é
máxima, apresentam menor preço, além de
maior qualidade e mais sabor.
Explique à gestante que os legumes e
verduras podem ser consumidos de diversas
maneiras:
• saladas,
• sopas,
• recheados,
• em forma de purê,
• preparações quentes (cozidos, refoga-
dos, assados, gratinados, empanados,
ensopados).
A escolha da forma de preparo pode variar
bastante de acordo com o tipo de legume ou
verdura.
Legumes e verduras são alimentos
muito saudáveis. São excelentes fon-
tes de várias vitaminas e minerais e,
portanto, muito importantes para a
prevenção de deficiências de micro-
nutrientes. Além de serem fontes de
fibras, fornecem, de modo geral, mui-
tos nutrientes em uma quantidade
relativamente pequena de calorias,
características que os tornam ideais
para a prevenção do consumo exces-
sivo de calorias e do excesso de peso.
sença de preparações como tutu à mineira,
grão-de-bico em salada, feijão tropeiro, sopa
de feijão, de ervilha ou de lentilha, acarajé,
entre muitas outras possibilidades. Ervilhas,
lentilhas e grão-de-bico cozidos são consu-
midos também em saladas, por exemplo.
O arroz pode ser substituído por outros
cereais ou tubérculos da região como
mandioca, farinha de mandioca, polenta,
farinha e milho, macarrão, inhame, batata
doce ou batata inglesa e aveia ou cevada.
Carnes vermelhas (de gado ou de porco)
devem ser restritas a um terço das refeições
apresentadas, priorizando-se cortes ma-
gros e preparações grelhadas ou assadas.
Visando apresentar opções de alimentos
para substituir carnes vermelhas, podemos
selecionar preparações grelhadas, assadas
ou ensopadas de frango ou peixe, ovos (ome-
lete) ou legumes (abóbora com quiabo, por
exemplo). Quando a gestante não estiver em
condições de comprar uma fonte de proteína
animal, você pode orientá-la a aumentar a
quantidade de leguminosa servida no prato.
Boa parte dos legumes e verduras é
comercializada em quase todos os meses
em todas as regiões do país. No entanto,
tipos e variedades produzidos localmente
as vitaminas necessárias para o dia a dia.
A variedade da alimentação deve refletir as
preferências regionais.
Almoço e jantar:
O almoço da gestante e de sua família
deve incluir 1 porção de proteína animal
ou vegetal, leguminosas (fonte de proteína
vegetal), cereais ou tubérculos e vegetais/
folhosos. Todos esses são alimentos in
natura ou minimamente processados.
A mistura de feijão com arroz é básica
no Brasil e traz um aporte importante de fer-
ro, carboidratos e proteína vegetal. O feijão
pode ser o preto, vermelho, carioca ou fradi-
nho, por exemplo. Nessa categoria também
estão as leguminosas: ervilha, lentilha, grão
de bico. Além do feijão cozido da forma tradi-
cional, você pode lembrar a gestante da pre-
48
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL
E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES
EM NÍVEL INDIVIDUAL
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
Nesta unidade, abordamos os passos
necessários para que você consiga avaliar
adequadamente o estado nutricional da
gestante. Lembre-se de que o primeiro passo
sempre será calcular a idade gestacional
da mulher, e o segundo será a avaliação
do estado nutricional pré-gestacional, que
servirá de base para a definição do estado
nutricional inicial e definição do ganho de
peso ao longo da gestação.
Também foram discutidos os principais
pontos que devem ser abordados nas
recomendações alimentares na gestação,
alimentos que devem ser evitados e
alimentos que devem fazer parte da base
da alimentação. Abordamos a importância
do consumo de água, os comportamentos
alimentares e a sua influência na quantidade
e qualidade da alimentação da gestante e
a importância da suplementação de ferro e
ácido fólico conforme a Política Nacional de
Suplementação.
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
50
3 AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
Nesta unidade, apresentaremos pro-
postas de ações coletivas de educação
nutricional na gestação para prevenção do
sobrepeso e da obesidade com enfoque na
APS, espaço preferencial para o desenvolvi-
mento desse tipo de ações.
Dada a importância da alimentação
adequada e saudável para a promoção da
saúde, a prevenção e o controle da obesidade
nesse período, esta unidade foi criada
com o objetivo de apoiar o planejamento
e o desenvolvimento de ações coletivas
de promoção da alimentação adequada e
saudável.
Recomendamos que ideias apresentadas
sejam implementadas em grupos de
gestantes já existentes dentro da sua
Unidade Básica de Saúde (UBS), visando
trazer informações por meio de oficinas,
rodas de conversa e folders que podem ser
distribuídos nos grupos ou afixados na UBS.
3.1 ACOLHIMENTO, AÇÕES EDUCATIVAS
E TROCA DE EXPERIÊNCIAS PARA
GESTANTES
As intervenções pautadas no incentivo à
alimentaçãoadequadaesaudávelapresentam
resultados satisfatórios, especialmente sobre
o consumo alimentar e o perfil antropométri-
co dos indivíduos, dentre eles, as gestantes.
As ações coletivas são a melhor escolha para
atividades de educação nutricional, sobre-
tudo por promover uma maior participação
do usuário no processo educativo, no envol-
vimento da equipe com o participante e na
otimização do trabalho (BRASIL, 2012).
Por ser um local acessível para
a população, a Unidade Básica
de Saúde destaca-se como lócus
prioritário para o desenvolvimento
dessas ações.
Na UBS, abre-se a possibilidade de inter-
câmbio de experiências e conhecimentos
relacionados a alimentação e nutrição, emo-
ções e outros fatores ligados à gestação,
favorecendo a compreensão do processo.
51
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
3.2 AÇÕES E PRÁTICAS COLETIVAS DE
EDUCAÇÃO NUTRICIONAL PARA
UMA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E
SAUDÁVEL NA GESTAÇÃO
Um dos aspectos fundamentais a ser
considerado no planejamento e na execução
das ações coletivas de Educação Alimentar
e Nutricional é a comunicação, devido à sua
influência decisiva nos resultados das ações.
Para o sucesso das ações, a comunicação
deve ultrapassar os limites da transmissão
de informações e a forma verbal, compreen-
dendoumconjuntodeprocessosmediadores
da Educação Alimentar e Nutricional.
Dessa maneira, recomenda-se que a
comunicação seja pautada nos seguintes
aspectos (BRASIL, 2016):
• Escuta ativa e próxima: a gestante e sua
família devem ter a oportunidade de se
colocar dentro do grupo, tirando dúvidas
e sugerindo temas que poderão ser
abordados ao longo das oficinas.
• Construção partilhada de saberes,
práticas e soluções.
• Valorização do conhecimento, da
cultura e do patrimônio alimentar: na
realização das atividades educativas, as
formas de realização do trabalho educativo,
destacam-se as discussões em grupo, as
dramatizações e outras dinâmicas que
facilitam a fala e a troca de experiências
entre os componentes do grupo.
Aproveite as intervenções coletivas como
um espaço cooperativo para troca de conhe-
cimentos entre as gestantes, seus parceiros
e os profissionais, para o fortalecimento da
sociabilidade, reflexão sobre a realidade
vivenciada e criação de vínculo entre as famí-
lias assim como entre você, profissional de
saúde e as gestantes. Ao atuar como facilita-
dor do grupo ou oficina realizada, tente evitar
o estilo “palestra”, que é pouco produtivo e
ofusca questões subjacentes que podem ser
mais relevantes para as pessoas presentes
do que um roteiro preestabelecido.
Confira mais informações sobre a
importância das ações educativas e
ferramentas de educação nutricional
acessando o “Instrutivo: metodologia
de trabalho em grupos para ações de
alimentação e nutrição na atenção
básica”,nolink:<http://bvsms.saude.
gov.br/bvs/publicacoes/instrutivo_
metodologia_trabalho_alimentacao_
nutricao_atencao_basica.pdf>
A criação de espaços de educação em
saúde sobre a alimentação adequada e
saudável no pré-natal é de suma importância;
afinal, nesses espaços, as gestantes podem
ouvirefalarsobresuasvivênciaseconsolidar
informações importantes sobre o tema junto
com outros assuntos que envolvem a saúde
da criança, da mulher e da família dentro dos
grupos de gestantes já existentes na UBS
(BRASIL, 2012).
Figura 12 – Convide as gestantes a participar
de grupos e atividades na UBS. Fonte: Monkey
Business/Adobe Stock
Além da realização de atividades nos
grupos específicos para gestantes, algumas
ações simples podem ser realizadas em
salas de espera, com cartazes afixados
nos murais da UBS. Entre as diferentes
52
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
alimentação e nutrição na atenção básica”
do Ministério da Saúde, as ações podem
ser realizadas em formato de oficinas, de
painéis e fixação de cartazes ou distribuição
de folders informativos na rede de saúde.
Conheça mais a fundo os formatos de
atividades de educação nutricional que
podemserinseridosnosgruposdegestantes
em relação à prevenção de sobrepeso e
obesidade no quadro a seguir.
à região, situação social e cultural das
gestantes acompanhadas.
• Relações horizontais: a troca de saberes
e a interação no grupo são horizontais e
não devem apresentar nenhum tipo de
hierarquia.
• Monitoramento permanente dos
resultados.
Segundo o “Instrutivo - metodologia
de trabalho em grupos para ações de
práticas alimentares regionais e culturas
alimentares devem ser respeitadas e
levadas em consideração.
• Atenção às necessidades dos indivíduos
e grupos: é importante realizar um levan-
tamento das características de idade,
status socioeconômico e condições de
saúde das pessoas que irão participar
do grupo. Isto ajudará a planificar de
forma mais acolhedora as ações a serem
realizadas.
• Busca da formação de vínculo entre os
diferentes sujeitos que integram o proces-
so: como um grupo que irá se encontrar
em várias ocasiões e que faz parte do
território da UBS, é importante que seja
criado um vínculo tanto entre as pessoas
que participam do grupo como entre os
profissionais atuantes e as gestantes.
Isso ajuda a trazer uma maior confiança
e sensação de acolhimento em relação
ao aconselhamento realizado ao longo da
gestação, além de proporcionar uma rede
de apoio entre as gestantes do grupo.
• Busca de soluções contextualizadas: a
apresentação das soluções apresentadas
aos problemas e situações levantadas
no grupo, devem estar contextualizadas
Oficina
Tem por objetivo promover a constru-
ção de conhecimento por meio da
reflexão sobre um tema central, inserido
no contexto social do grupo, trazendo
as experiências e vivências dos partici-
pantes. Na elaboração de uma oficina,
você deve envolver as pessoas integral-
mente, bem como suas formas de
pensar, sentir e agir (BRASIL, 2016). Na
oficina, o número de encontros pode ser
variável, e o grupo propõe-se a desen-
volver uma determinada tarefa.
Painel
É uma estratégia para promover a reflexão, informar
os usuários, comunicar durante os intervalos das
oficinas e das ações no ambiente, além de explorar
as estratégicas coletivas empregadas, que consta
de estrutura física fixada no espaço do serviço.
Para realizar um painel, a partir de um
modelo base fixado no espaço do serviço,
serão expostas diferentes atividades
desenvolvidas durante os encontros, como
imagens do grupo nas atividades, textos
informativos sobre alimentação e nutrição,
53
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
3. Sistematização e avaliação – Após
a realização da oficina, é momento
de visualizar a produção do grupo,
acompanhar o desenvolvimento da
reflexão, do crescimento da autonomia
e conhecimento dos participantes
em relação ao tema abordado. Os
participantes do grupo devem participar
da tomada de decisões sobre os próximos
encontros, ou seja, o produto da oficina
deve ser construído coletivamente.
Lembre que o trabalho em grupo não deve
ser pensado somente como forma de atender
à demanda, mas sim como um espaço que
propicia socialização, integração, apoio
psíquico, trocas de experiências e de saberes
e construção de projetos coletivos.
Cada grupo de gestantes e seus
parceiros trará prioridades e características
próprias, e essas devem ser consideradas e
contempladas levando em consideração as
recomendações citadas acima, a região e
as características da cultura alimentar local,
assim como as angústias e questionamentos
trazidos pelas gestantes.
utilização de atividades, brincadeiras,
conversas, apresentação dos participan-
tes do grupo e descrição de principais
características de cada um, etc. Podem
perguntar a idade gestacional, nome do
bebê, com quem acham que o bebê irá
se parecer, dentre outras dinâmicas para
quebrar o gelo e depois apresentar os
objetivos do grupo, abrindo sempre um
espaço para sugestão pelas participantes
e acompanhantes.
2. Intermediário – Depois, é realizado o
desenvolvimento das atividades. Essas
devem facilitar a reflexão e a elaboração
do tema. Este momento pode ser
subdividido em quatro pontos:
a. Utilização de técnicas lúdicas,
sensibilização, motivação, reflexão e
comunicação.
b. Conversa e reflexão sobre os
sentimentos e ideias do grupo sobre
as situações vivenciadas.
c. Expansão das vivências, relacionando-
as com situações do cotidiano.
d. Exposição e análise das informações
sobre o tema comparadas às
experiências dos participantes para
esclarecimentos.
reflexões sobre como construir modos mais
saudáveis na rotina de vida, entre outros.
O painel ficará exposto no serviço e/ou no
espaço para a apreciação dos usuários,
sendo incentivada a participação em sua
construção, bem como a sua exploração.
Já o desenvolvimento da oficina pode
ser estruturado em três momentos (AFONSO,
2006):
Inicial, quando ocorre a
preparação das atividades
Intermediário, quando são
realizadas as atividades
Sistematização e avaliação,
quando são mensurados os
resultados
1
resultados
3
2
Agora, vamos conhecer melhor cada uma
das etapas:
1. Inicial – Você e outros membros da
unidade envolvidos no grupo realizarão
a preparação dos participantes com
apresentação dos objetivos e das ativida-
des. Pode ser realizada por técnicas de
“relaxamento” e/ou “aquecimento”, com
54
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
3.2.1 Trabalhando crenças sobre a
alimentação na gestação
Existem diversas crenças culturais
que não apresentam nenhuma evidência
científica em relação à alimentação na
gestação e ao ganho de peso nessa fase.
Dentre tantas, podemos citar algumas, tais
como: grávida deve “comer por dois”, chás
devem ser tomados livremente na gestação,
as frutas podem engordar ou se comer muita
fruta o bebê cresce demais. Pensando nisso,
elaboramos uma proposta de atividade que
você pode realizar no seu grupo de gestantes
para desmistificar esse tipo de crenças,
baseando-se em evidências científicas. A
seguir explicamos o passo a passo de uma
atividade, com as respostas corretas que
devem ser repassadas nos grupos, levando
como base evidências científicas.
Antes de começar a atividade, tente
conhecer um pouco sobre cada gestante e
seu parceiro, identificando aquelas que já
têm outros filhos e podem compartilhar as
suas experiências anteriores, enriquecendo
o diálogo entre o grupo.
Objetivo da atividade
• Desmistificar as crenças relacionadas
à alimentação, nutrição e ganho de
peso da gestante mediante uma
atividade lúdica e descontraída.
• Sensibilizar as gestantes e seus
parceiros sobre a real importância da
alimentação saudável e equilibrada
sem restrições ou medos.
Atividades
• Promover a integração do grupo
mediante a atividade em turma e com
a participação do casal.
• Realizar a atividade de educação de
forma participativa, onde as gestantes
e seus parceiros terão 2 plaquinhas
montadas pela equipe de saúde, uma
escrita “CRENÇA” e outra escrita
“VERDADE” que serão levantadas
toda vez que o facilitador do grupo
levantar uma questão relacionada à
alimentação na gestação.
Material necessário para a atividade
• Cartolinas brancas ou folhas brancas
• Canetinha preta ou de outra cor
Como aplicar a atividade
Antes da realização do grupo: você e a
equipe da unidade devem montar duplas
de plaquinhas, com uma dizendo “CRENÇA”
e outra dizendo “VERDADE”. Monte o
número de plaquinhas, considerando que
cada pessoa deverá receber uma plaquinha
“CRENÇA” e uma plaquinha “VERDADE”.
Além das placas, você deverá ter, em
uma folha, as crenças mais comuns que são
ditas em relação à alimentação e nutrição
na gestação, juntamente com a resposta
correta, informações que forneceremos a
seguir. Se possível, convide a nutricionista
do NASF-AB para participar dessa atividade
junto com você. No dia da oficina no grupo
de gestantes:
• Monte uma roda com as cadeiras para
que todos os participantes possam se
enxergar.
• Entregue, a cada participante, uma
plaquinha de cartolina dizendo
“CRENÇA” e outra dizendo “VERDADE”.
• Explique aos participantes do grupo,
que você irá falar sobre algum
assunto relacionado à alimentação
na gestação e que gostaria que
55
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
cada participante levantasse uma
plaquinha, dizendo se acredita que o
dizer é verdade ou crença.
• Após falar sobre o assunto, aguarde
que todos os participantes do
grupo levantem as suas plaquinhas,
contabilize as respostas e anote em
um quadro (se tiver disponível) ou
caderno.
• Logo depois, você pode perguntar
para um ou dos participantes, o
motivo pelo qual eles acham que a
frase falada é crença ou verdade,
trazendo assim a participação e voz
dos membros do grupo.
• E aí você pode levantar a plaquinha
com a resposta certa, esclarecendo
brevemente a questão. Você pode
levantar entre 4 e 6 assuntos dife-
rentes. Mas, sinta qual está sendo a
reação do grupo, se perceber que eles
já estão cansados, pode encerrar a
atividade com no mínimo 4 questões
abordadas.
Crenças e verdades que podem ser
abordadas:
1. Gestante pode e deve “comer por dois”
 CRENÇA!
Por muito tempo ouvimos falar que
a gestação é o momento de se permitir
e comer tudo o que quisermos, já que
temos um bebê dentro da gente e por isso
devemos “comer por dois”. Mas isso não é
mais do que uma crença! A gestante deve
comer a mesma quantidade de calorias que
comia antes de engravidar, e a partir das 14
semanas de gestação só se acrescentam
300 calorias, que são facilmente supridas
com um lanchinho adicional composto por
uma vitamina de frutas + uma fatia de pão
integral com manteiga, por exemplo, ou um
punhado de castanhas e uma fruta, ou uma
tapioca com um copo de suco de laranja
(BRASIL, 2012a).
2. Gestante deve consumir café, chimarrão
e chocolates com moderação. Já o
refrigerante deve ser evitado sempre que
possível  VERDADE!
Café, chimarrão, refrigerantes e choco-
lates são alimentos ricos em cafeína, e o
consumo elevado de cafeína pode estar
associado ao aumento do risco de recém-
-nascido com baixo peso e de aborto. Mas,
calma, que eles podem ser consumidos, des-
de que com moderação. Recomenda-se que
as gestantes tomem até 3 xícaras de café
coado ao dia (preferencialmente com ao
menos um pouquinho de leite) ou 2 xícaras
de café instantâneo (BRASIL, 2012a).
Ah! E dois tabletes pequenos de choco-
late equivalem a 1 xicara de café coado! Já
o refrigerante deve ser evitado por conter
muitos aditivos químicos como corantes e
saborizantes, além de um elevado nível de
açúcar, que pode ser prejudicial e aumentar
o ganho de peso excessivo na gestação.
56
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
Recomenda-se a prática de exercícios
moderados por 30 minutos, diariamente
(BRASIL, 2012a).
No final da atividade, abra espaço
para que as gestantes e seus parceiros
façam questionamentos adicionais. Se
o nutricionista ou obstetra estiverem
presentes na oficina, eles poderão responder
às questões adicionais. Caso eles não
estejam presentes, você pode anotar os
questionamentos e trazer as respostas no
próximo encontro do grupo de gestantes.
3.2.2 Reconhecendo os grupos de
alimentos segundo nível de
processamento industrial
Uma forma de trazer conhecimento sobre
os grupos de alimentos segundo nível de
processamento industrial e a importância
das escolhas adequadas ao longo da vida é
mediante a afixação de cartazes e entrega
de folders aos usuários da UBS, incluindo
gestantes e suas famílias. Confira, a seguir,
alguns modelos.
peso direitinho, pode utilizar o açúcar em
preparações como bolos ou para adoçar o
seu cafezinho, desde que com moderação!
5. A gestante deve limitar seu consumo de
frutas para não ganhar peso excessivo
 CRENÇA!
Frutas podem e devem ser consumidas
todos os dias na alimentação da gestante.
Elas são fontes de fibra e vitaminas
importantes para o desenvolvimento do bebê
e para a manutenção da saúde da gestante
e auxiliam na prevenção da constipação da
mãe assim como na prevenção do ganho de
peso excessivo (BRASIL, 2012a).
6. Praticar atividade física leve é
recomendado na gravidez e não traz
nenhum risco para o bebê  VERDADE!
As atividades físicas recreativas, como
caminhadas leves, são seguras durante a
gravidez. No entanto, devem ser evitados
exercícios que coloquem as gestantes em
risco de quedas ou trauma abdominal (como
esportes de contato ou de alto impacto).
3. Comer comida feita em casa junto
com frutas e vegetais é mais caro que
comer alimentos ultraprocessados como
salsichas com macarrão instantâneo ou
produtos congelados  CRENÇA!
No Brasil, comer uma refeição feita em
casa e que inclua frutas e/ou vegetais, tem
um custo menor do que comer alimentos
ultraprocessados! Em média, um prato
feito em casa com alimentos saudáveis
custa R$1,54 contra R$ 2,40 de alimentos
ultraprocessados.
4. É melhor utilizar adoçantes artificiais do
que adoçar as preparações com açúcar
na gestação  CRENÇA!
O adoçante deve ser utilizado apenas
por gestantes com diabetes ou diabetes
gestacional, quando houver indicação.
Mesmo assim o adoçante escolhido deve
ser utilizado em quantidades e frequência
reduzida. A gestante deve evitar o uso de
ciclamato e sacarina e preferir o aspartame
ou estévia. E você que é gestante e está
saudável e controlando o seu ganho de
57
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
Recomendações
Faça de alimentos in natura ou minimamente processados a base de
sua alimentação
Alimentos in natura ou minimamente processados, em grande variedade
epredominantementedeorigemvegetal,sãoabasedeumaalimentação
nutricionalmente equilibrada, saborosa, culturalmente apropriada e
promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente
sustentável.
Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao tem-
perar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias
Desde que utilizados com moderação em preparações culinárias com
base em alimentos in natura ou minimamente processados, óleos, gor-
duras, sal e açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa
a alimentação sem torná-la nutricionalmente desbalanceada.
Limite o uso de alimentos processados, consumindo-os, em pequenas
quantidades, como ingredientes de preparações culinárias ou como
parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente
processados
Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos proces-
sados – como conservas de legumes, compotas de frutas, queijos e
pães – alteram de modo desfavorável a composição nutricional dos
alimentos dos quais derivam.
Evite alimentos ultraprocessados
Devido a seus ingredientes, alimentos ultraprocessados – como bis-
coitos recheados, “salgadinhos de pacote”, refrigerantes e “macarrão
instantâneo” – são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua
formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a
substituir alimentos in natura ou minimamente processados. Suas for-
mas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de
modo desfavorável a cultura, a vida social e o meio ambiente.
A regra de ouro. Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente
processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados
Opte por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e
biscoitos recheados; não troque a “comida feita na hora” (caldos, sopas,
saladas, molhos, arroz e feijão, macarronada, refogados de legumes e
verduras, farofas, tortas) por produtos que dispensam preparação culi-
nária (“sopas de pacote”, “macarrão instantâneo”, pratos congelados
prontos para aquecer, sanduíches, frios e embutidos, maioneses e mo-
lhos industrializados, misturas prontas para tortas) e fique com sobre-
mesas caseiras, dispensando as industrializadas.
Fonte: BRASIL (2016).
Quadro 8 – Modelo com quatro recomendações e uma “regra de ouro”
propostas pelo Guia Alimentar para a população brasileira para afixar nos
corredores da UBS ou para distribuição em folders
58
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
Quadro 9 – Tipos de alimentos segundo grau de processamento industrial,
benefícios e/ou malefícios à saúde
Alimentos in natura e minimamente processados
Exemplos: legumes, verduras e frutas in natura ou embalados, porciona-
dos, refrigerados ou congelados; arroz branco, integral ou parboilizado;
outros cereais; feijão e outras leguminosas; raízes e tubérculos; cogu-
melos; frutas secas e sucos de frutas sem adição de açúcar ou outras
substâncias; castanhas e nozes sem sal ou açúcar; especiarias e ervas
frescas ou secas; farinhas (mandioca, milho ou trigo); massas frescas
ou secas feitas com essas farinhas e água; carnes, aves e peixes fres-
cos, resfriados ou congelados; leite fresco ou pasteurizado; iogurte
(sem adição de açúcar); ovos; chás; cafés; infusões de ervas e água.
Benefícios de seu consumo
• Alimentos in natura ou minimamente processados variam muito em
relação ao seu conteúdo nutricional
• O consumo regular de frutas, verduras e legumes está associado à
sensação de bem-estar, de corpo saudável e forte, além de auxiliar na
prevenção de doenças como diabetes, doenças do coração e alguns
tipos de câncer, além de aumentar a resistência contra infecções.
Estes alimentos contêm fibras, que auxiliam o intestino a funcionar
bem, evitando a constipação intestinal, como também auxiliam na
redução dos níveis de colesterol sanguíneo e promovem a sensação
de saciedade, o que ajuda a manter o peso estável.
Alimentos processados
Exemplos: conservas de alimentos, frutas em calda, alimentos preser-
vados em salmoura ou óleo, carnes salgadas e/ou defumadas, queijos
e pães simples.
Por que seu consumo deve ser limitado?
O processamento utilizado na fabricação desses produtos os torna de-
sequilibrados nutricionalmente, visto que o sal e o açúcar (e a gordura,
quando utilizada) aderem aos alimentos.
Alimentos ultraprocessados
Exemplos: salsichas, biscoitos, sorvetes, produtos diversos de confeita-
ria, sopas e macarrão instantâneo, salgadinhos, refrigerantes, produtos
congelados prontos para consumo.
Por que seu consumo deve ser limitado?
• São nutricionalmente desequilibrados. Geralmente consistem em
produtos ricos em gorduras e/ou açúcar e sódio, devido o acréscimo
de sal para o aumento de sua durabilidade, intensificação do sabor
ou até mesmo para disfarçar o sabor indesejável decorrente do pro-
cessamento excessivo.
• Em sua maioria, apresentam elevada densidade calórica e são po-
bres em fibras, vitaminas e minerais, sobretudo em função da au-
sência de alimentos inteiros. Dessa forma, podem favorecer a ocor-
rência de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e diversos
tipos de câncer, além de elevar o risco de deficiências nutricionais.
• São hiperpalatáveis, o que pode contribuir para o consumo excessivo
e para a indução de hábito ou até mesmo a dependência.
• Por serem formulados com o intuito de serem consumidos sem o
uso de mesas, pratos ou talheres, estes alimentos podem prejudicar
o controle da saciedade.
Fonte: Brasil (2014).
59
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
Náuseas, vómitos e azia
Por volta de 70% das gestantes
apresentam pelo menos um desses
sintomas. Náuseas, vômitos e azia ocorrem
geralmente nos primeiros meses de gravidez
como resultado das alterações hormonais
comuns na gestação. Tranquilize a gestante
informando que esses sintomas são normais
e que existem algumas estratégias para
aliviá-los. Em folders e cartazes você pode
referir a importância de:
• fazer pequenas refeições em ambiente
arejado, com intervalos de 2 horas;
• restringir os alimentos com odores
fortes e consumi-los em pequenas
quantidades;
• optar por cereais bem cozidos, pães e
torradas caseiras com geleia, batatas
bem cozidas, ovos cozidos e carne
magra;
• evitar os alimentos irritantes (exemplo:
o café, o chá preto/verde, o chocolate
e comida muito condimentada);
• ingerir, de acordo com a tolerância
individual, líquidos frios, cerca de 1 a 2
horas, antes e após as refeições.
de pré-natal, auxiliando-as na manutenção
de um ganho de peso adequado e saudável,
que levará em conta as especificidades de
cada mulher.
3.3 ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM
SINTOMAS COMUNS NA GESTAÇÃO
Existem diversos sintomas que são co-
muns na gestação, variando de gestante para
a gestante na sua frequência, intensidade e
aparição. Sintomas como náuseas, vômitos,
excesso de apetite, dentre outros podem
interferir na qualidade da alimentação da
gestante aumentando o risco de ganho de
peso insuficiente ou excessivo na gestação.
A forma de lidar com esses sinto-
mas deve ser discutida nos grupos
de gestantes, assim como por meio
de distribuição de folders na sala de
espera das consultas de pré-natal.
A seguir, listamos os sinais e sintomas
mais comuns na gestação que devem ser
incluídos nos materiais de divulgação a
serem distribuídos na UBS e discutidos nos
grupos de gestantes, acompanhe.
3.2.3 Orientação humanizada sobre a
importância do ganho de peso
gestacional adequado na garantia da
saúde da mãe e do feto
No mesmo dia em que será realizada
a oficina sobre crenças e verdades da
gestação,vocêpodereservarumespaçopara
conversar com as gestantes e seus parceiros
sobre os medos, dúvidas e preocupações em
relação ao ganho de peso na gestação.
Converse com o grupo, explicando
que é normal e necessário que a gestante
ganhe peso durante a gestação, e que um
inadequado ganho de peso pode aumentar o
risco de atraso de crescimento intrauterino e
mortalidade perinatal.
Ao longo da conversa, pare e ouça os
questionamentos dos membros do grupo,
e reforce a importância de mães e pais
participarem das consultas de pré-natal
para acompanhamento do ganho de peso
a cada consulta. Explique que, nessas
consultas, também serão abordadas as
estratégias alimentares que poderão auxiliar
na realização de escolhas adequadas para a
gestante e sua família.
ReforcetambémqueaUBSseráumespaço
de acolhimento ao longo de todo o período
60
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
3.4 PLANEJAMENTO EM FAMÍLIA PARA
PREVENÇÃO DE SOBREPESO E
OBESIDADE
É imprescindível que as gestantes e
seus acompanhantes – sejam eles os(as)
companheiros(as) ou membros da família
ou seus amigos – tenham contato com
atividades de educação, pois muitas vezes
este é o espaço onde se compartilham
dúvidas e experiências que normalmente não
são discutidas em consultas formais, dentro
dos consultórios dos médicos, enfermeiros
ou dentistas (BRASIL, 2016).
Segundo o Guia Alimentar para a Popula-
ção Brasileira (BRASIL, 2014), o planejamento
familiar é uma das ferramentas essenciais
para a garantia de uma alimentação adequa-
da e saudável, e o compartilhamento das
tarefas tem papel fundamental na garantia
do bem-estar da mulher na gestação e
pós-parto imediato. Reduzindo situações de
sobrecarga física e emocional da gestante,
reduzimos o estresse e a ansiedade, que são
considerados dois gatilhos importantes para
o comer não-saudável na gestação e para a
redução dos níveis de ocitocina e prolactina
Nesses casos, as refeições principais
devem ser completas e os lanchinhos
servidos em pequenas porções. Esses
aspectos podem ser realizados em formato
de oficina, solicitando para as gestantes
reproduzirem, em uma cartolina, os horários
e alimentos que colocam no prato nas
diversas refeições. Questione quantas
delas sofrem de apetite em excesso e
ansiedade. Depois, apresente, em slides
ou em cartolina, um esquema do número
de refeições recomendado e a importância
de se alimentar em pequenas quantidades
várias vezes ao dia.
Também é importante que você lembre às
gestantes sobre a importância do consumo
adequado de água, já que, muitas vezes,
situações de desidratação inicial podem ser
confundidas com fome.
Reforce a importância de apreciar cada
refeição, comer devagar, mastigar bem e de
maneira que evite qualquer tipo de distração
ou estresse na hora da alimentação. Ter um
bom relacionamento com a comida ajudará a
evitar o consumo excessivo, e a mastigação
adequada auxiliará na digestão e ativação
dos sinais de saciedade.
Constipação
Aproximadamente 35% a 40% das
mulheres grávidas passam por crises de
constipação na gestação. Para prevenir ou
aliviar esse sintoma, a gestante pode:
• beber bastantes líquidos, nomeada-
mente água (2 litros por dia);
• aumentar a ingestão de alimentos
ricos em fibra (pão integral, arroz
integral, cereais integrais, legumes e
frutas frescas e secas, especialmente
ameixas e figos, quando acessíveis).
Apetite em excesso/ansiedade
Muitas mulheres referem sentir mais
apetite que o normal depois que engravidam
e sentem-se mal quando não ingerem
alimentos ou bebidas em um curto espaço
de tempo. Nessas situações, oriente a
realização de pequenas refeições com
intervalos menores de tempo.
Você pode sugerir que as gestantes
façam o desjejum, dois pequenos lanches
matinais (compostos por fruta/castanhas,
em regiões de fácil acesso), almoço com
fruta de sobremesa, dois pequenos lanches
vespertinos, jantar e ceia.
61
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
Objetivo da atividade:
• De forma descontraída e divertida,
mostrar a necessidade da participação
de todos os membros da casa na
divisão de tarefas culinárias.
• Apresentar um diário de bordo como
estratégia de participação de toda a
família no preparo dos alimentos.
Atividades
1. Roda de participação nas atividades
culinárias
2. Montagem de um diário de bordo
com sugestão de divisão de tarefas
culinárias da família
Material necessário para a atividade
• Folhas impressas com a tabelinha do
diário de bordo
• Caneta
Como aplicar a atividade
Imprima o diário de bordo/tabelinha de
divisão de tarefas a seguir:
3.4.1 Orientações básicas para inclusão
e incentivo à participação dos
parceiros nas consultas de pré-natal
e na divisão de tarefas culinárias
Considerando a importância do
compartilhamento de tarefas culinárias para
a garantia de uma alimentação saudável
e adequada durante toda a gestação, nas
consultas individuais e nas salas de espera,
converse com os casais ou gestantes e
acompanhantes sobre a importância da
participaçãodoacompanhantenosgruposde
gestantes e durante as atividades realizadas,
e reforce a importância da participação do
parceiro em todos os acompanhamentos de
pré-natal.
Para incentivar a participação de toda a
família na divisão de tarefas relacionadas
ao preparo das refeições, sugerimos uma
atividade que funciona como um diário de
bordo em que cada integrante da família
definirá a sua função em cada dia da semana
com o intuito de facilitar a rotina familiar. A
seguir descrevemos a atividade em detalhes.
no pós-parto, o que dificulta a descida e
ejeção do leite materno.
É recomendado que, nos grupos de gestantes,
os profissionais de saúde envolvidos
encorajem o planejamento de fatores como:
Quem irá cozinhar
no pós-parto?
Quem cuidará da limpeza e
manutenção da casa para
que a mulher possa se dedicar
à amamentação?
Reforce que a amamentação é essencial,
pois além de nutrir o bebê, trazer proteção
imunológica, prevenindo infecções
gastrointestinais e respiratórias, assim
como doenças crônicas não transmissíveis
em longo prazo, dentre outros fatores,
também traz benefícios importantes para
a mulher, dentre eles, uma maior facilidade
de recuperação do estado nutricional pré-
gestacional, maior rapidez na descida do
útero, prevenção de anemia, câncer de útero
e de mamas.
62
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
Exemplo de diário de bordo preenchido:
Dia da semana Atividade
Pessoa(s)
responsável(is)
segunda-feira
Picar os ingredientes
básicos da semana
Filhos
Cozinhar almoço Mãe
Cozinhar o jantar Parceiro/a
Lavar e secar a louça
Mãe lava e
parceiro/a seca
Colocar a mesa Filhos
Diário de bordo para planejamento semanal de preparo das
refeições para impressão (imprima o número adequado para os
participantes do grupo).
Dia da semana Atividade
Pessoa(s)
responsável(is)
segunda-feira
terça-feira
quarta-feira
quinta-feira
sexta-feira
sábado
domingo
63
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
liá-los no planejamento da divisão de tarefas
culinárias, montamos essa tabelinha, que
funciona como um diário de bordo para que
nas suas casas, com todos os integrantes
da família, montem um plano de ação para
a semana, onde cada um colocará qual
atividade irá realizar na divisão das tarefas.
Dessa forma, todos se alimentarão de ma-
neira deliciosa, saudável, prazerosa e sem
sobrecarregar ninguém em casa. Não é legal?!
Nessa tabela, na primeira coluna temos
os dias da semana, a seguir vocês podem co-
locar as atividades relacionadas ao preparo
dos alimentos e montagem da mesa, como
está no exemplo. E finalmente há a coluna
onde vocês definirão quem é ou são as
pessoas responsáveis por cada atividade. No
próximo dia do grupo nos contem como foi!
• Dê mais um passo à frente quem
participa do pré-preparo das refeições
• Dê mais um passo à frente quem
monta a mesa antes de comer
• Um passo à frente quem retira os
pratos da mesa da refeição
• Umpassoafrentequemvaiàscompras
dos ingredientes para a comida
Depois de finalizada a brincadeira, peça
para todos voltarem aos seus assentos
e pergunte qual foi a impressão do jogo.
Alguém se percebeu sobrecarregado nas
atividades? Como cada um se sentiu? Quem
está precisando participar um pouco mais
da divisão de tarefas e como isso seria
possível?
Atividade 2
Diário de bordo para planejamento
semanal e divisão de tarefas
Após a dinâmica, com todos os
participantes sensibilizados e ouvidos, você
pode propor a montagem de um plano de
ação. No dia do grupo, você pode orientar as
famílias dizendo:
Queridos participantes, queridas famílias,
gostaram do primeiro exercício?! Para auxi-
Agora,confiraasaçõesaseremrealizadas
no dia da oficina no grupo de gestantes.
Acompanhe!
Atividade 1
Dinâmica com os participantes
É fundamental que nesta atividade a
gestante esteja acompanhada pela pessoa
que divide a casa com ela, sejam os pais,
parceiro(a) e/ou filhos.
Peça para todos os participantes se
colocarem em uma grande roda, e diga:
Agora, vamos fazer uma brincadeira. Eu
vou falar algumas atividades cotidianas
realizadas para o preparo das refeições
diárias e quero que aquela pessoa da casa
responsável pela tarefa ou que divide a
atividade na casa, dê um passo a frente.
Aquele que não participa dessa tarefa, fica
onde está.
Depois da instrução, leia cada atividade e
espere que as pessoas se movimentem.
Atividades que podem ser citadas:
• Dê um passo à frente quem tem
costume de lavar a louça
• Dê mais um passo à frente quem tem
costume de secar a louça
64
PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO
ADEQUADO NA GESTAÇÃO
AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO
DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
ENCERRAMENTO DA UNIDADE
Nesta unidade estudamos os aspectos
relevantes e didáticos trabalhados no
coletivo. A intenção de aproveitar o espaço
e a oportunidade de compartilhamentos
de experiências e conhecimentos por meio
da realização de atividades de educação
alimentar e nutricional em grupos para
gestantes já existentes nas UBS traz uma
oportunidade tanto para os profissionais
da APS quanto para as gestantes e seus
acompanhantes, complementando e
reforçando temas discutidos nas consultas
individuais e trazendo as vivências do grupo
à tona para tomada de decisões assertivas.
Também discutimos aspectos relevantes
para a conscientização da necessidade de
um ganho de peso adequado e saudável
para prevenção de sobrepeso e obesidade,
além de outras complicações relacionadas
ao parto e ao bebê. Temos certeza que,
ao aplicar as estratégias sugeridas,
possibilitaremos o acolhimento, informação
e adesão a hábitos de vida saudáveis pela
gestante e sua família.
ENCERRAMENTO DO CURSO
65
ENCERRAMENTO DO CURSO
Chegamos ao final do curso! Esperamos
que o conteúdo tenha sido proveitoso e
que você tenha sucesso na aplicação das
orientações no seu cotidiano de trabalho. Ao
longo do conteúdo estudado, apresentamos
orientações atualizadas e relevantes para
a sua prática na prevenção e controle do
sobrepeso e da obesidade, visando uma
atuação com acolhimento e respeito e
embasamentocientífico,respeitandosempre
a cultura alimentar da sua região.
Agrupamos as principais recomendações
para a prevenção e controle do sobrepeso e
obesidade no período gestacional para uso
na APS. Deste modo, buscamos favorecer a
sua atuação profissional nos atendimentos
e realização de atividades coletivas na
Unidade Básica de Saúde.
Como estratégia para o combate e pre-
venção do sobrepeso e obesidade em todo o
ciclo da vida, o Ministério da Saúde elaborou
materiais ricos em conteúdo atualizado
para a realidade brasileira e que serão fun-
damentais para a sua atuação profissional e
embasamento nos atendimentos dentro da
Unidade Básica de Saúde.
Recomendamos fortemente a leitura dos
materiais sugeridos nos itens “Saiba mais”
distribuídos ao longo das unidades, assim
como a apreciação dos materiais utilizados
como referência bibliográfica na montagem
deste curso. É o nosso dever estudarmos e
nos atualizarmos já que diariamente lidamos
com a saúde da população brasileira.
Agradecemos sua participação e dedicação
na realização desse curso.
66
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71
MINICURRÍCULO DOS AUTORES
Roxana Knobel
Possui graduação em Medicina (1993) e resi-
dência médica em Ginecologia e Obstetrícia
(1996) pela Universidade Estadual de Cam-
pinas, especialização em medicina chinesa
e acupuntura pela Escola Paulista de Medi-
cina (1996); mestrado (1997) e doutorado
(2002) em Ciências Médicas pela Universi-
dade Estadual de Campinas, pós-doutorado
em enfermagem pela Universidade Federal
de Santa Catarina (2005) e especialização
em educação para as profissões da saúde
pela Universidade Federal do Ceará (2014).
Atualmente é professora adjunta do curso de
medicina da Universidade Federal de Santa
Catarina e na residência médica de ginecolo-
gia e obstetrícia no Hospital Universitário de
Florianópolis, SC. Tem experiência na área
de Medicina, com ênfase em Ginecologia
e Obstetrícia, atuando principalmente nos
seguintes temas: parto, parto humanizado,
evidências em obstetrícia, morte materna,
saúde pública e educação médica. É mãe de
dois filhos, nascidos em 1998 e 2001.
Endereço do currículo na plataforma lattes:
http://lattes.cnpq.br/7407477056113028
Caroline Bandeira
Nutricionista materno-infantil. Docente da
Estácio de Sá – SC, Especialista em Nutrição
Materno Infantil pela FATEC - PR, Pós –
graduada em Nutracêutica pela Universidade
Lusófona de Lisboa – Portugal, Mestre e
Doutoranda em Saúde Coletiva pela UFSC
e Membro do CORAMAS – Comitê Regional
de Aleitamento Materno e Alimentação
Saudável da Grande Florianópolis. Founder
da empresa PApáDUbeBÊ e Sócia do
espaço Em Família Nutrição Afetiva.
Tem experiência na área de Alimentação
e Nutrição, atuando principalmente nos
seguintes temas: Nutrição Clínica, Nutrição
Materno-Infantil, Comportamento Alimentar,
Educação Nutricional, Consumo alimentar e
Nutracêucticos.
Endereço do currículo na plataforma lattes:
http://lattes.cnpq.br/3227046558041924
MINICURRÍCULO DOS AUTORES
Silvia Giselle Ibarra Ozcariz
Nutricionista materno-infantil, formada pela
Universidade Federal de Pelotas (UFPEL),
mestre em Epidemiologia pela Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),
doutora em Saúde Coletiva da Universi-
dade Federal de Santa Catarina (UFSC) e
Pós-doutora em Nutrição pelo Programa de
Pós-graduação em Nutrição da Universidade
Federal de Santa Catarina. Trabalha como
pesquisadora do Projeto de Prevenção da
Obesidade do Ministério da Saúde, do Estudo
EpiFloripa – Condições de Saúde de Adultos
de Florianópolis, do Estudo EpiFloripa Idoso
e da pesquisa MOV+, atuando em todas as
fases da pesquisa. Participou nos estudos
ECCAGe, estudo multicêntrico ELSA Brasil.
Tem experiência na área de Epidemiologia
Nutricional, atuando principalmente nos
seguintes temas: Epidemiologia Nutricional,
Avaliação do Consumo Alimentar, Produtos
Ultra-processados, Educação Nutricional,
Nutrição Materno-Infantil e Saúde do Adulto.
Endereço do currículo na plataforma lattes:
http://lattes.cnpq.br/2266424295747552
Obesidade-

Obesidade-

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    AT E NÇ Ã O À S A Ú D E D E P E S S O A S C O M S O B R E P E S O E O B E S I D A D E PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | UFSC 2019
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    AT E NÇ Ã O À S A Ú D E D E P E S S O A S C O M S O B R E P E S O E O B E S I D A D E UFSC 2019 FLORIANÓPOLIS SC PROMOÇÃO DO GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | SILVIA OZCARIZ | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | CAROLINE BANDEIRA | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL | | ROXANA KNOBEL |
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    CRÉDITOS | FICHATÉCNICA 3 GOVERNO FEDERAL MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) Departamento de Promoção da Saúde (DEPROS) Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Reitor: Ubaldo Cesar Balthazar Vice-Reitora: Alacoque Lorenzini Erdmann Pró-Reitor de Pós-Graduação: Cristiane Derani Pró-Reitor de Pesquisa: Sebastião Roberto Soares Pró-Reitor de Extensão: Rogério Cid Bastos CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE Diretor: Celso Spada Vice-Diretor: Fabrício de Souza Neves DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA Chefe do Departamento: Fabrício Augusto Menegon Subchefe do Departamento: Lúcio José Botelho EQUIPE TÉCNICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição Gestora geral do Projeto Sheila Rubia Lindner Coordenação de Produção de Material Elza Berger Salema Coelho
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    CRÉDITOS | FICHATÉCNICA 4 Autores Silvia Giselle Ibarra Ozcariz Caroline Bandeira Roxana Knobel Revisores Flávia Henrique Margarete Maria de Lima Equipe Editorial Carolina Carvalho Bolsoni Thays Berger Conceição Deise Warmling Dalvan Antonio de Campos Assessoria Pedagógica Márcia Regina Luz Assessoria de Mídias Marcelo Nogueira Capillé Equipe Executiva Patricia Dia de Castro Gabriel Donadio Costa Eurizon de Oliveira Neto Design Instrucional/Elaboração Soraya Falqueiro das questões avaliativas
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    FICHA CATALOGRÁFICA 5 Identidade Visual/Projetográfico Pedro Paulo Delpino Bernardes Diagramação/Esquemáticos/ Laura Martins Rodrigues Infográficos/Finalização Desenvolvedor Web Rodrigo Rodrigues Pires de Mello Fonte para Imagem e Esquemáticos Adobe Stock O99p Ozcariz, Silvia Giselle Ibarra. Promoção do ganho de peso adequado na gestação [recurso eletrônico] / Silvia Giselle Ibarra Ozcariz, Caroline Bandeira, Roxana Knobel -- 1. ed. -- Florianópolis : Universidade Federal de Santa Catarina, 2019. 72 p. : il.; color. Modo de acesso: www.unasus.ufsc.br Conteúdo do módulo: Unidade 1: Gestação: importância do estado nutricional, alimentação e nutrição. – Unidade 2: Avaliação do estado nutricional e recomendações para gestantes em nível individual. - Unidade 3: Ações coletivas para o ganho de peso adequado na gestação. ISBN 978-85-8267-153-5 1. Nutrição. 2. Atenção primária em saúde. 3. Sobrepeso. I. UFSC. II. Obesidade: atenção à saúde de pessoas com sobrepeso e obesidade. III. Bandeira, Franciele. IV. Knobel, Roxana. VI. Título. CDU: 613.24
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    6 APRESENTAÇÃO 8 1 GESTAÇÃO:IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO 10 1.1 PAPEL DO ESTADO NUTRICIONAL PRÉ-GESTACIONAL 10 1.2 IMPORTÂNCIA DO GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO 12 1.3 IMPACTO DO ESTADO NUTRICIONAL DA GESTANTE E O PÓS-PARTO 17 1.4 ALIMENTAÇÃO DA GESTANTE NA PREVENÇÃO DO SOBREPESO E OBESIDADE 18 ENCERRAMENTO DA UNIDADE 21 2 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL 23 2.1 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL NA GESTAÇÃO 23 2.2 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL PRÉ-GESTACIONAL 26 2.3 MONITORAMENTO E ACONSELHAMENTO DO GANHO DE PESO GESTACIONAL 27 2.4 RECOMENDAÇÕES PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E SUA IMPORTÂNCIA NA GESTAÇÃO 31 2.5 MICRONUTRIENTES NA GESTAÇÃO 41 2.6 ALIMENTOS QUE DEVEM SER EVITADOS OU CONSUMIDOS MODERADAMENTE DURANTE A GESTAÇÃO 43 2.7 ESTRATÉGIAS PARA INCLUSÃO DAS RECOMENDAÇÕES ALIMENTARES NA ROTINA DE PRÉ-NATAL DA UBS 45 ENCERRAMENTO DA UNIDADE 48 3 AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO 50 3.1 ACOLHIMENTO, AÇÕES EDUCATIVAS E TROCA DE EXPERIÊNCIAS PARA GESTANTES 50 3.2 AÇÕES E PRÁTICAS COLETIVAS DE EDUCAÇÃO NUTRICIONAL PARA UMA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL NA GESTAÇÃO 51 3.3 ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM SINTOMAS COMUNS NA GESTAÇÃO 59 3.4 PLANEJAMENTO EM FAMÍLIA PARA PREVENÇÃO DE SOBREPESO E OBESIDADE 60 ENCERRAMENTO DA UNIDADE 64 ENCERRAMENTO DO CURSO 65 REFERÊNCIAS 66 MINICURRÍCULO DOS AUTORES 71 SUMÁRIO
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    7 Olá, seja bem-vindo aocurso Promoção do ganho de peso adequado na gestação. Este curso foi elaborado especialmente para você, pensando nas dificuldades encontradas no seu cotidiano de trabalho no que diz respeito ao acompanhamento adequado e à orientação nutricional da gestante para a prevenção e controle do sobrepeso e da obesidade Neste material, você conhecerá a importância da manutenção de um ganho de peso gestacional adequado na saúde da mulher tanto em curto quanto em longo prazo, assim como estratégias im- portantes na avaliação nutricional e orientação de uma alimentação adequada e saudável na garantia de uma gestação saudável, além da prevenção de sobrepeso e obesidade. Esperamos que você tenha um bom estudo! Silvia Ozcariz Caroline Bandeira Roxana Knobel APRESENTAÇÃO
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    8 CARGA HORÁRIA DEESTUDO RECOMENDADA Para estudar e apreender todas as informações e conceitos abordados, bem como trilhar todo o processo ativo de aprendizagem, estabelecemos uma carga horária de 30 horas para este curso. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de: • Compreender a importância da promoção da alimentação adequada e saudável na gestação. • Reconhecer a estrutura de parâmetros e ferramentas para subsidiar o desenvolvimento de ações individuais e em nível coletivo para a prevenção e controle do sobrepeso e da obesidade durante a gestação. • Estabelecer uma organização de estratégias de avaliação nutricional, orientação para uma alimentação adequada e saudável, monitoramento do ganho de peso gestacional e acolhimento tanto em nível individual como coletivo de gestantes, visando a prevenção do sobrepeso e da obesidade nesse período. APRESENTAÇÃO
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    GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DOESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
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    PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO 10 1 GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Nesta unidade, abordaremos o papel do estado nutricional pré-gestacional e gestacional na prevenção do sobrepeso e da obesidade, tanto em curto quanto em longo prazo. Outro ponto abordado será a importância de uma alimentação adequada e saudável ao longo da gestação para garantia da manutenção de um ganho de peso adequado. Também vamos acompanhar aspectos importantes do papel do profissional da saúde, da gestante e de sua família na garantia de um pré-natal que contemple os cuidados necessários para o período gestacional. Ao final da leitura dessa unidade, você será capaz de entender e orientar sobre a importância desses fatores na saúde da gestante. Desejamos uma ótima leitura! 1.1 PAPEL DO ESTADO NUTRICIONAL PRÉ-GESTACIONAL A garantia de saúde das mães e dos seus filhos é um tema prioritário para a saúde pública no Brasil e no mundo. As evidências indicam que quando conseguimos manter um estado nutricional adequado na gestante, é possível trazer vantagens de saúde para a mulhereparaofilho,nãoapenasnagestação, mas ao longo da sua vida (RASMUSSEN et al., 2009; GILMORE; REDMAN 2014). As taxas de excesso de peso nas mulheres em idade fértil vêm aumentando com o passar dos anos. A Pesquisa Vigitel, realizada em 2018, avaliou os fatores de risco para doenças crônicas em todo o Brasil (BRASIL, 2018) e indicou que mais da metade das mulheres brasileiras (53,9%) estavam com excesso de peso, sendo que 20,7% das mulheres eram obesas, ou seja, mais da metade da população feminina chegará à gestação com algum nível de excesso de peso. Atualmente, entre as mulheres, há um aumento progressivo da prevalência de obesidade em faixas de idade reprodutiva, confira as taxas na Figura 1. Esses dados nos trazem o alerta sobre a importância de um bom aconselhamento voltado à alimentação adequada e saudável e ao cuidado no acompanhamento e monitoramento do estado nutricional da gestante, não apenas durante a gravidez,
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    11 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO O cálculo desse indicador deve ser reali- zado em todas as gestantes, já que o estado nutricional pré-gestacional é um forte deter- minante do ganho de peso na gravidez e tem influência direta nos desfechos obstétricos e na probabilidade de retenção de peso pós- parto (DREHMER et al., 2010; ZHANGBIN YU, et al., 2013). Veja a seguir algumas complicações e sua relação com o estado nutricional: 1. mulheres com baixo peso pré- gestacional têm quase o dobro de chance de ter bebês pequenos e 1,5 vezes mais chance de ter bebês com baixo peso ao nascer; 2. mulheres que tinham excesso de peso ou eram obesas antes da gravidez são mais propensas a ter diabetes mellitus e pré-eclâmpsia, durante a gravidez, macrossomia (bebês grandes para a idade gestacional), parto induzido, parto cesáreo, morte fetal tardia, baixos índices de Apgar. Como profissional da Atenção Primária à Saúde (APS), você deve saber que a gestação e o período pós-parto são considerados momentos na vida da mulher que exigem atenção e cuidados específicos, por haver maior exposição a fatores que podem levar nutricional inicial da gestante e entender quais parâmetros são considerados como baixo peso, eutrofia, sobrepeso e obesidade, como pode ser observado no quadro a seguir. Quadro 1 – Tabela de diagnóstico do estado nutricional pré-gestacional Referência IMC pré-gestacional Baixo peso < 18,5 kg/m² Eutrofia 18,5 a 24,9 kg/m² Sobrepeso 25 a 29,9 kg/m² Obesidade ≥ 30 kg/m² Fonte: WHO (2000). 8,1% 18 a 24 anos Aumento da prevalência de obesidade em idade reprodutiva 17,9% 25 a 34 anos 21,1% 35 a 44 anos mas no processo de planejamento dessa gestação e em mulheres em idade fértil. Você deverá avaliar o estado nutricional pré-gestacional através do cálculo do Índice de Massa Corporal, que é calculado dividindo o peso (em kg) pela altura (em metros) ao quadrado, como você pode conferir abaixo: Índice de Massa Corporal (IMC): Peso (kg) Estatura² (m) Com o IMC pré-gestacional calculado, você será capaz de realizar o diagnóstico Figura 1 – Aumento da prevalência de obesidade em idade reprodutiva. Fonte: BRASIL (2018).
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    12 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO necessidades do feto (BRASIL, 2012a). Os com- ponentes fisiológicos do ganho de peso na gestação podem ser observados no quadro 2. Quadro 2 – Componentes fisiológicos associados ao ganho de peso corporal ao longo da gestação, por trimestre Componentes fisiológicos Ganho 1º trimestre Ganho 2º trimestre Ganho 3º trimestre Feto Desprezível 1,0 2,4 Placenta Desprezível 0,3 0,6 Líquido amniótico Desprezível 0,4 1,0 Subtotal ovular Desprezível 1,7 4,0 Útero 0,3 0,8 1,0 Mamas 0,1 0,3 0,5 Volume sanguíneo 0,3 1,3 1,5 Subtotal materno 0,7 2,4 3,0 Total 0,7 4,1 7,0 ou obesidade podem ser utilizadas para abordar os efeitos que a obesidade pode ter na fertilidade, assim como relatar os riscos associados com sobrepeso e obesidade no período gestacional e puerperal. Tanto a mulher e sua família quanto os profissionais desaúdedevemconsiderarqueumaperdade peso saudável e gradativa antes da gestação será mais benéfica e diminuirá riscos para a mulher e seu bebê. Dessa forma, se evitará complicações futuras ao longo do pré-natal. Lembre-se de que devemos encorajar a perda de peso saudável, realizada através de modificações de hábitos de vida, alimentação adequada e exercícios físicos. Um cuidado empático e sem preconceitos é essencial nesse processo. 1.2 IMPORTÂNCIA DO GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO O aumento de peso na gravidez é um processo único e biologicamente complexo que suporta as funções de crescimento e desenvolvimento do feto. Esse ganho de peso na gestação é influenciado não só por mudanças na fisiologia e no metabolismo da gestante, mas também da placenta e das à obesidade. As gestantes constituem o foco do processo de pré-natal; porém, não se pode deixar de atuar, também, entre companheiros e familiares na conscientização do cuidado da gestante para prevenção de complicações futuras. A posição do homem na sociedade estámudandotantoquantoospapéistradicio- nalmente atribuídos às mulheres. Portanto, os serviços devem promover o envolvimento dos homens (adultos e adolescentes), discutindo a sua participação responsável nas questões da saúde sexual e reprodutiva – eles poderão incentivar e participar ativamente do cuidado da gestante em relação à alimentação e prá- ticas saudáveis na prevenção do sobrepeso e da obesidade (BRASIL, 2012a). Sabendo dos efeitos negativos de iniciar uma gestação com IMC ina- dequado, recomenda-se que sejam realizadas ações de conscientiza- ção do cuidado e da manutenção de um peso adequado e saudável para prevenção de sobrepeso e obesida- de ao planejar uma futura gestação. As consultas de rotina de mulheres em idade fértil que apresentam sobrepeso
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    13 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Observe no quadro 3, a partir do IMC pré- gestacional, as recomendações de ganho de peso no primeiro trimestre gestacional, de ganho de peso total, e as recomendações de ganho de peso por semana, considerando o segundo e terceiro trimestres gestacionais. Lembre-se de registrar as informações no prontuário, na caderneta da gestante, e informe a mesma sobre o seu estado nutricional atual. Esse procedimento deve ser realizado em todas as consultas. No entanto, este aumento de peso varia consideravelmente entre as mulheres e, quando não controlado adequadamente, pode mesmo representar um risco potencial para o desenvolvimento de excesso de peso, seja devido a fatores biológicos (como idade e história familiar de obesidade), comportamentais (alimentação, prática de atividade física, tabagismo e consumo de álcool) ou sociais (nível de escolaridade, renda familiar, acesso a alimentação saudável, dentre outros) (DREHMER et al., 2010). O ganho de peso pode ser dividido em três categorias, considerando-se o estado nutricional pré-gestacional ou do primeiro trimestre gestacional, confira ao lado! Quando o peso adquirido ao longo da gestação está dentro dos parâmetros recomendados Adequado Quando a gestante ganha peso abaixo das recomendações Inadequado Quando o ganho de peso excede as recomedações Excessivo Quando a gestante ganha peso Quadro 3 – IMC pré-gestacional e ganho de peso gestacional para adultos e adolescentes IMC pré-gestacional (kg/m²) Ganho de peso (kg) até a 13ª semana Ganho de peso (kg) semanal no 2º e 3º trimestres (a partir da 14ª semana) Ganho de peso total (kg) Baixo peso (< 18,5) 2,0 0,51 (0,44 – 0,58) 12,5 – 18,0 Eutrofia (18,5-24,9) 1,5 0,42 (0,35 – 0,50) 11,5 – 16,0 Sobrepeso (25-29,9) 1,0 0,28 (0,23 – 0,33) 7,0 – 11,5 Obesidade (≥30) 0,5 0,22 (0,17 – 0,27) 5,0 – 9,0 Fonte: Khanolkar et al. (2017); Institute of medicine (1990); WHO (1995b).
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    14 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO • Gestante gemelar: requer maior ganho de peso, que é de 18 kg – 23,4 kg ou 680g/semana durante o segundo e terceiro trimestre. O ganho de peso materno abaixo dos níveis recomendados está associado ao baixo peso ao nascer, prematuridade, maior tempo de internação e, consequentemente, maiores custos relacionados à saúde. O ganho de peso excessivo, por outro lado, está associado a uma maior incidência de macrossomia, cirurgia cesariana, obesidade materna e infantil. Os impactos da obesidade materna na gestação, no parto, na saúde da mulher e no bebê tendem a ser maiores quanto maior for a obesidade (CATALANO; SHANKAR, 2017). A saúde das gestantes e de seus bebês depende de uma nutrição adequada. Portanto, a literatura é consensual ao reconhecer que o estado nutricional materno éindicadordesaúdeequalidadedevidatanto para a mulher quanto para o crescimento do seu filho, sobretudo no peso ao nascer, uma vez que a única fonte de nutrientes do bebê é constituída pelas reservas nutricionais e ingestão alimentar materna (CATALANO; SHANKAR, 2017). As gestações gemelares apresentam demandas nutricionais e fisiológicas aumentadas quando comparadas a gestações únicas (BRASIL, 2012a). Veja no quadro 4 as recomendações de ganho de peso em gestantes gemelares. Quadro 4 – IMC pré-gestacional e ganho de peso gestacional gemelar Estado Nutricional (kg/m²) Ganho de Peso (kg) semanal Ganho de peso total (kg) 0-20 semanas 20-28 semanas 28 semanas ao parto Baixo Peso (< 18,5) 0,560 – 0,790 0,680 – 0,790 0,560 22,5 – 27,9 Adequado (18,5 a 24,4) 0,450 – 0,680 0,560 – 0,790 0,450 18 – 24,3 Sobrepeso (25 a 29,9) 0,450 – 0,560 0,450 – 0,680 0,450 17,1 – 21,2 Obesidade (≥ 30) 0,340 – 0,450 0,340 – 0,560 0,340 13 – 17,1 Fonte: Luke (2005). Em resumo, a recomendação de ganho de peso gestacional ocorre por trimestre em que: • Primeiro trimestre (1 a 12 semanas gestacionais): são situações previstas que não comprometem a saúde mãe/ filho. Permite-se perda de peso de até 3 kg, ou a manutenção do peso pré- gestacional ou um ganho de peso de até 2 kg. • Segundo e terceiro trimestre (13 a 40 semanas gestacionais): o ganho de peso adequado vai depender do estado nutricional da gestante. De maneira simplificada, recomenda-se que gestantes com baixo peso ganhem em torno de 15 kg, as eutróficas, entre 11,5 – 16 kg; e aquelas com sobrepeso entre 7 e 11,5 kg e obesas 5 a 9 kg, durante todo o período gestacional.
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    15 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO O ganho de peso gestacional excessivo pode ainda aumentar o risco de (LISONKOVA, 2017; SILVA et al., 2014): • perda gestacional precoce e mais de um aborto; • diabetes gestacional e diabetes prévio diagnosticado na gestação; • quadros hipertensivos relacionados com a gestação; • tromboembolismo; • parto prematuro (espontâneo e por indicação médica); • gestação pós-termo; • gemelaridade dizigótica; • apneia obstrutiva; • síndrome do túnel do carpo; • dor pélvica no final da gestação. Riscos no processo de trabalho de parto, parto e cirurgia cesariana Embora o atendimento ao trabalho de parto e parto ou cirurgia cesariana não faça parte do cotidiano dos profissionais da APS, é importante que você conheça algumas complicações que as mulheres com sobrepeso e obesidade podem enfrentar nessa parte do processo para informá-las e providenciar encaminhamento para o Impactos da obesidade e do ganho de peso gestacional excessivo na gestação e no parto O pior desfecho na gestação é a morte materna. O risco composto pela morte materna e morbidade materna grave aumenta conforme aumenta o grau de obesidade. Dentre as morbidades maternas graves associadas ao ganho de peso excessivo na gestação podemos citar a necessidade de transfusão sanguínea por hemorragia, complicações cardíacas, respiratórias, cerebrais ou hematológicas graves, sepse, choque, falência renal ou hepática, complicações anestésicas e rotura uterina (LISONKOVA, 2017). Segundo pesquisas, o risco de morbidade materna grave corresponde aos valores a seguir. Sem excesso de peso 143/10.000 Com sobrepeso 160/10.000 Com obesidade grau I 168/10.000 Com obesidade grau II 178/10.000 Com obesidade grau III 203/10.000 Figura 2 – A nutrição adequada é importante tanto para a mãe quanto para o bebê. Fonte: lordn/Adobe Stock O seu papel, como profissional de saúde, é entender que a avaliação do estado nutricio- nal, antes e durante a gestação, serve como mecanismo de prevenção do ganho de peso excessivo, que levará em conta fatores como o peso pré-gestacional, hábitos alimentares da mãe e prática de atividade física regular. É muito importante que o processo de monitoramento e aconselhamento quanto ao estado nutricional e ganho de peso seja realizado com empatia e acolhimento. Expli- que para as gestantes que elas devem ficar tranquilas, pois ganhar peso é esperado e é possível fazê-lo de maneira saudável, para que tudo volte ao normal no tempo certo e seu bebê se desenvolva adequadamente.
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    16 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Há muitos impulsionadores do crescimento durante essa fase complexa da vida, entre eles os que estão expostos a seguir, confira! Alguns impulsionadores do crescimento nos primeiros 1.000 dias Nutrição Regulação hormonal Fatores genéticos e epigenéticos O desafio envolve, portanto, maximizar o potencial de crescimento normal sem aumentar o risco de distúrbios associados. Nota-se que o alto índice de massa corporal pré-gestacional, o ganho de peso gestacional excessivo, diabetes gestacional e exposição ao tabaco proporcionam um aumento no risco de obesidade infantil. complicações durante o parto, como a distócia de ombros e também têm uma predisposição maior a serem obesos na idade adulta; • obesidade na infância e na vida adulta; • asma; • outras patologias na idade adulta (cardíacas, metabólicas). Você já ouviu falar nos primeiros 1.000 dias de vida e sobre o impacto positivo de se manter uma alimen- tação saudável e adequada na ges- tação na prevenção de sobrepeso e obesidade no bebê para o resto da sua vida? O desajuste alimentar intra-útero pode levar a disfunções tanto ao nascimento quanto na fase adulta, como a maior tendência à obesidade, hipertensão, diabetes, etc. Os primeiros 1.000 dias de vida começam com a gravidez da mulher e seguem até os dois anos de vida do bebê, representando o melhor momento para a prevenção da obesidade e suas consequências adversas (PIETROBELLI; AGOSTI, 2017). serviço de referência, quando necessário. Acompanhe: • tendem a ter um trabalho de parto mais longo independente do peso do bebê; • quando é necessário realizar uma indução de parto (provocar modificações no colo do útero e/ou contrações uterinas de maneira artificial, geralmente com medicamentos) esta indução tem mais chance de funcionar quando a mulher tem estado nutricional e ganho de peso gestacional adequado; • apresentam mais probabilidade de seremsubmetidasàcirurgiacesariana. Riscos do ganho de peso excessivo para o bebê Os filhos de mães obesas têm risco aumentado para (RAMSEY; SHENKEN, 2019; O´REILLY; REYNOLDS, 2012; ZAMBRANO et al., 2016): • anomalias congênitas; • asfixia perinatal e óbito fetal; • prematuridade; • feto grande para a idade gestacional – fetos grandes para a idade gestacional aumentam o risco de cesariana, de
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    17 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO infecciosos no pós-parto. Independente da via de parto e apesar do uso de antibióticos profiláticos na cesariana. Depressão pós-parto As desordens psíquicas não são raras nessa fase da vida, para todas as mulheres. Para adultos em geral, a obesidade está associada com distúrbios mentais como depressão, transtornos alimentares e transtorno bipolar. Uma revisão sistemática de 2014 encontrou uma possibilidade maior de distúrbios depressivos na gestação e no pós-parto entre mulheres com obesidade (MOLYNEAUX et al., 2014). É necessário um olhar humanizado na prática do profissional de saúde. O conhecimento dos riscos em saú- de aumentados para mulheres com sobrepeso e obesidade deve orientar os profissionais de saúde para esta- rem mais atentos a esses problemas e patologias. Lembre-se de que é necessário um cuidado empático e centrado na pessoa. O objetivo não deve ser focado na perda de peso durante a gestação para diminuir pós-parto, que, por sua vez, pode perpetuar um quadro de obesidade e de comorbidades associadas para o resto da vida da mulher. Esses dados reforçam a importância da atuação no monitoramento e na orientação à gestante quanto ao ganho de peso adequado e saudável ao longo da gravidez. Tromboembolismo venoso A obesidade em si e o período puerperal sãofatoresderiscoparaotromboembolismo venoso. Se o nascimento ocorreu por cesariana, soma-se mais um fator de risco. As chances de ter um evento trom- boembólico no pós-parto são maiores quanto maior for a magnitude do excesso de peso. Aumentando 2,5, 2,9 e 4,6 vezes para mulheres com obesidade classe I, II e III respectivamente em comparação com as mulheres sem obesidade. O ganho de peso excessivo durante a gestação (mais de 22 quilos) também aumenta o risco para eventos tromboembólicos em 1,5 vezes (LI- SONKOVA et al., 2017). Infecção As mulheres com obesidade têm um risco aumentado de apresentarem quadros 1.3 IMPACTO DO ESTADO NUTRICIONAL DA GESTANTE E O PÓS-PARTO O acompanhamento contínuo do estado nutricional, durante a gestação, contribui para o ganho de peso ideal durante esse período, evitando o excesso e a retenção de peso no pós-parto,quesãodeterminantesimportantes do excesso de peso para a mulher. O pós- parto de mulheres obesas apresenta alguns riscos clínicos para os quais as equipes de saúde da APS devem estar atentas. Retenção de peso pós-parto O número de mulheres que iniciam a gestação com excesso de peso ou que ganham peso excessivo durante a gravidez é cada vez mais expressivo. Um estudo realizado em seis capitais brasileiras, com 5.564 gestantes, encontrou uma prevalência de 19,2% de sobrepeso e de 5,5% de obesi- dade entre as gestantes (NUCCI et al., 2001). A retenção do peso ganho se mostrou um fator determinante da obesidade em mulheres, e seu desenvolvimento. Sabe-se que o efeito do ganho de peso gestacional elevado assim como do estado nutricional pré-gestacional inadequado, no aumento da retenção de peso
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    18 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO atividades coletivas realizados na Unidade Básica de Saúde. A adoção de uma alimentação saudável diz respeito à ingestão de alimentos que possuem sua composição nutricional balanceada; mas, é importante lembrar que a combinação dos alimentos entre si e como são preparados diz também respeito a características do modo de comer e às dimensões culturais e sociais das práticas alimentares, contribuindo de maneira essencial para a boa saúde da gestante. A alimentação saudável proporciona o sentimento de pertencimento social das pessoas, favorece a autonomia nas escolhas alimentares, na redescoberta de novas formas de colocar à mesa alimentos saudáveis, de preparar sua própria refeição, com o prazer propiciado pela alimentação e, consequentemente, com o seu estado de bem-estar. Mas essa autonomia só pode ser adquirida por meio de informação de qualidade, que deve ser repassada por você, profissional da rede, nas consultas e esses fatores de risco. A perda de peso não é alcançada pela maioria das mulheres e não há conhecimento na literatura suficiente para afirmar se a perda de peso durante a gestação modifica ou não esses fatores de risco. Essa população precisa de atenção redobrada para o diagnóstico e tratamento de possíveis complicações como diabetes, hipertensão e tromboembolismo. 1.4 ALIMENTAÇÃO DA GESTANTE NA PREVENÇÃO DO SOBREPESO E OBESIDADE Antes de abordarmos os aspectos voltados à alimentação na gestação, precisamos definir o que é uma alimentação adequada e saudável, e qual é a nossa função enquanto profissionais da saúde na sua promoção dentro da APS. No Brasil, a alimentação adequada e saudável “é um direito humano básico que envolve a garantia ao acesso permanente e regular, de forma socialmente justa, a uma prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais do indivíduo” (BRASIL, 2013a). Figura 3 – A alimentação adequada e saudável é um direito humano básico em todas as fases da vida. Fonte: Rawpixel/Adobe Stock
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    19 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO ainda maior nas orientações voltadas a uma alimentação saudável e redução do consumo de alimentos ultraprocessados entre gestantes adolescentes. O estilo de vida atual favorece um maior número de refeições realizadas fora do domicílio. O padrão de alimentação entre pessoas que fazem refeições fora do domi- cílio, na maioria dos casos, está constituído por alimentos industrializados e ultrapro- cessados como refrigerantes, sanduíches, salgados e salgadinhos industrializados, imprimindo um padrão de alimentação que, muitas vezes, é repetido no domicílio. uma combinação de uma dieta “tradicional” (baseada no arroz com feijão) em conjunto com alimentos classificados como ultraprocessados, com altos teores de gorduras, sódio e açúcar e com baixo teor de micronutrientes e alto conteúdo calórico. O consumo médio de frutas e hortaliças ainda é metade do valor recomendado pelo Guia Alimentar paraaPopulaçãoBrasileira (BRASIL, 2014) e manteve-se estável na última década, enquanto alimentos ultraprocessados, como doces e refrigerantes, têm o seu consumo aumentado a cada ano. Percebe-se que o padrão de consumo também varia de acordo com a idade. Entre as pessoas mais jovens, é maior o consumo de alimentos ultraprocessados, o que tende a diminuir com o aumento da idade, acontecendo o inverso, ou seja, pessoas com mais idade tendem a consumir mais frutas e hortaliças. Adolescentes são o grupo com pior perfil da dieta, com as menores frequências de consumo de feijão, saladas e verduras em geral, apontando para um prognóstico de aumento do excesso de peso e doenças crônicas (BRASIL, 2013b). Essas informações devem ser levadas em consideração, dando um enfoque A alimentação adequada e saudável ao longo do período gestacional exerce um papel ainda mais importante, pois é capaz de determinar os desfechos relacionados à mãe e ao bebê (CHEN et al., 2016). Contribui para prevenção de uma série de ocorrências negativas Assegura reservas biológicas necessárias ao parto e pós-parto Garante o substrato para o período da lactação Favorece o ganho de peso adequado de acordo com o estado nutricional pré-gestacional Alimentação adequada e saudável Com uma alimentação equilibrada, a mãe pode diminuir os riscos de complicações na gravidez, além de modular a presença de outros desconfortos típicos desse período (enjoos, constipação intestinal, etc.). A dieta habitual dos brasileiros é composta por diversas influências e na atualidade é fortemente caracterizada por Alimentos ultraprocessados São alimentos produzidos com a adição de muitos ingredientes como sal, açúcar, óleos, gorduras, proteínas de soja, do lei- te, extratos de carne, além de substâncias sintetizadas em laboratório a partir de ali- mentos e de outras fontes orgânicas como petróleo e carvão. Assim, tais alimentos têm prazo de validade maior, alteração de cor, sabor, aroma e textura. São exemplos de ultraprocessados: biscoitos recheados, salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e macarrão “instantâneo”.
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    20 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO a contribuir no processo de prevenção de sobrepeso e obesidade nessa fase da vida, e consequentemente, de diversas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). O encorajamento ao consumo de frutas e vegetais na alimentação da gestante deve ser uma prática constante, pois são ótimas fontes de vitaminas, minerais e fibras e, no caso das gestantes, são essenciais para a formação saudável do feto e a proteção da saúde materna (BRASIL, 2012). Associa- se o consumo diário de frutas e vegetais na gestação com uma redução do risco de diabetes gestacional e uma melhor adequação do ganho de peso ao longo da gestação (SCHOENAKER et al., 2016). Em relação aos sucos de fruta, apesar de naturais, existe uma controversa entre a sua relação com o ganho de peso gestacional, fato pelo qual devemos incentivar a priorizar o consumo da fruta in natura ao invés dos sucos. A gestante não deve nem precisa “comer por dois”, as recomendações alimentares devem seguir os princí- pios da população brasileira. Por isso, o consumo desses alimentos pela gestante deve ser desencorajado. A gravidez é um dos melhores momentos para se pensar em alimentação saudável, pois não só a mãe se beneficiará, como, também, o bebê. Uma mãe bem nutrida é capaz de fornecer todos os nutrientes necessários e pode proporcionar as condições ideais para o desenvolvimento de seu filho. A alimentação adequada e saudável durante a gestação conseguirá garantir os nutrientes necessários para um estado nutricional adequado da mulher nas semanas iniciais de puerpério e na garantia das reservas nutricionais da mesma. A orientação da gestante quanto à adoção de uma alimentação adequada e saudável, que supra suas necessidades nutricionais e garanta o ganho de peso adequado e saudável, são os principais objetivos dos cuidados dos profissionais da APS. Dessa forma, é importante que você e sua equipe utilizem estratégias de educação alimentar e nutricional e de promoção da alimentação saudável para valorizar as referências presentes na cultura alimentar da gestante e/ou de sua família, de modo Figura 4 – Convide a gestante a refletir sobre seus padrões alimentares e buscar uma alimentação saudável. Fonte: J-Mel/Adobe Stock Nota-se uma relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados com maiores riscos de diabetes, hipertensão, obesidade, câncer, dentre outras doenças crônicas não transmissíveis. Em gestantes, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados está associado a um maior ganho de peso gestacional e com um percentual de gordura corporal elevado no neonato, o que serve de alerta para orientarmos as gestantes quanto aos possíveis perigos desses alimentos na sua rotina alimentar (ROHATGI et al., 2017).
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    21 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO GESTAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL, ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO ENCERRAMENTO DA UNIDADE Nesta unidade, aprendemos sobre a importância da garantia de um estado nutricional adequado, tanto na fase pré- gestacional como ao longo da gestação para a prevenção de sobrepeso e obesidade ao longo da vida da mulher. Verificamos que o impacto da má alimentação da gestante pode ser decisivo em relação aos desfechos no parto, na maior retenção de peso no pós-parto, e na manutenção do sobrepeso e da obesidade ao longo da vida, trazendo consigo um aumento no risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), tanto para a mãe quanto para o bebê. Esperamos que as informações aqui encontradas tenham sido relevantes para atualizá-lo e sensibilizá-lo quanto à importância do seu papel na orientação e no cuidado da gestante ao longo do acompanhamento de pré-natal para prevenção do sobrepeso e da obesidade e garantia de uma alimentação adequada e saudável. É importante, também, entender a diferença entre restrição alimentar e alimentação adequada e saudável durante a gestação. Ao longo da gestação, a sua atuação deve centrar-se na orientação de uma alimentação adequada e saudável, com base em alimentos in natura ou minimamente processados, preparações culinárias realizadas no âmbito familiar, com predomínio de frutas, verduras, vegetais, tubérculos, leguminosas, carnes, ovos, leite e derivados, evitando o consumo de alimentos ultraprocessados. No entanto, não devemos restringir a alimentação nem o consumo de calorias visando uma perda de peso nesse período, já que o objetivo principal é o ganho de peso adequado. Já sabemos que, durante a gravidez, uma alimentação saudável é essencial para asse- gurar as necessidades nutricionais da mãe e do bebê. No entanto, a mãe não deve ser encorajada a “comer por dois” e, sim, a manter uma alimentação equilibrada e sem excessos. Desta forma, recomenda-se adoção de um estilo de vida saudável, que deve iniciar- se mesmo antes da gravidez, para otimizar a saúde da mãe e reduzir o risco de sobrepeso e obesidade, de complicações durante a gravidez e de algumas doenças no bebê. As recomendações alimentares, de maneira geral, seguem as recomendações alimentares para toda a população e o profissional de saúde deve basear-se nas diretrizes e nos princípios do Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2014). As recomendações alimentares e nutricionais devem adaptar-se a cada mulher, considerando-se:  as diferenças individuais  os padrões alimentares  a cultura alimentar
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    PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL 23 2 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Nesta unidade, conheceremos os instru- mentos de avaliação nutricional, as formas de monitoramento e acompanhamento do ganho de peso gestacional, assim como as principais recomendações alimentares vol- tadas para as gestantes. Ao final da leitura dessa unidade, você será capaz de conhecer e aplicar as recomendações de avaliação e monitoramento do estado nutricional gesta- cional, além de orientar à gestante quanto aos cuidados na alimentação e nutrição no contexto da APS para prevenção do sobrepe- so e da obesidade. 2.1 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL NA GESTAÇÃO Mediante as consultas de pré-natal, conseguiremos acolher a mulher desde o início da gravidez, assegurando o acompa- nhamento contínuo do estado nutricional e contribuindo para o ganho de peso ideal durante a gestação. Assim, conseguiremos dar uma melhor qualidade de vida à gestante e evitar a retenção de peso no pós-parto, que é um dos fatores determinantes do excesso de peso para a mulher em curto e longo prazo. A avaliação do estado nutricional da gestante tem por objetivo acom- panhar o aumento de peso durante toda a gestação, assim como iden- tificar e providenciar intervenções adequadas nesta fase. Antes de conseguirmos avaliar e definir as recomendações de ganho de peso gestacional para cada gestante é preciso que identifiquemos as gestantes em risco nutricional no início da gestação, considerando as categorias: baixo peso, sobrepeso ou obesidade pré-gestacional. A avaliação nutricional é realizada em duas etapas: a. Diagnóstico nutricional, que inclui a avaliação do estado nutricional pré- gestacional e gestacional por meio do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). b. Estimativa do ganho de peso de acordo com o estado nutricional pré- gestacional e/ou gestacional.
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    24 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL a data de início dos movimentos fetais, que habitualmente ocorrem entre 16 e 20 sema- nas. idade gestacional pode ser calculada, também, por um ultrassom ou ecografia. Ultrassom O ideal, para esse fim, é que a ecografia seja feita antes das 24 semanas. Após essa idade gestacional, é mais provável que o estado nutricional do feto influencie nas medidas do bebê e, por isso, no cálculo da idade gestacional. Ao saber a idade gestacional pelo ultrassom, basta contar o número de dias desde o exame até a consulta e dividir por sete. Depois é só somar o resultado da idade gestacional dada pelo exame. Exemplo: • Uma mulher fez um ultrassom há 23 dias que mostrou uma gestação de 20 semanas e 4 dias. • 23 dias desde o exame até a consulta = 3 semanas + 2 dias. • Então: 3 semanas e 2 dias + 20 semanas e 4 dias = 23 semanas e 6 dias (idade gestacional no momento da consulta). os dias 5, 15 e 25, respectivamente. Proceda, então, à utilização do calendário ou do gestograma. Existem situações em que a data e o período da última menstruação são desco- nhecidos pela gestante. Quando a data e o período do mês não forem conhecidos, a idade gestacional e a data provável do parto serão, inicialmente, determinadas por apro- ximação, basicamente pela medida da altura do fundo do útero, além da informação sobre O primeiro passo para avaliar o estado nutricional da gestante é realizar o cálculo da idade gestacional. Para estimar a idade gestacional você precisa saber a data da última menstruação (DUM) da mãe. A DUM corresponde ao primeiro dia de sangramento do último ciclo menstrual referido pela mulher. É o método de escolha para se calcular a idade gestacional em mulheres com ciclos menstruais regulares e que não fazem uso de métodos anticoncepcionais hormonais. Você pode calcular a DUM: • Usando um calendário: some o número de dias do intervalo entre a DUM e a data da consulta, dividindo o total por sete, e terá o resultado em semanas; • Usando o disco (gestograma): coloque a seta sobre o dia e o mês correspondentes ao primeiro dia e mês do último ciclo menstrual e observe o número de semanas indicado no dia e mês da consulta atual. Quando a gestante desconhece a data da última menstruação, mas se conhece o período do mês em que ela ocorreu, pergunte seoperíodofoinoinício,meiooufimdomêse considere como data da última menstruação Figura 5 – Gestograma. Fonte: calcuworld
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    25 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Peso: Estatura: • antes de cada pesagem, a balança deve ser destravada, zerada e calibrada; • a gestante, descalça e vestida apenas com avental ou roupas leves, deve subir na plataforma e ficar em pé, de costas para o medidor, com os braços estendidos ao longo do corpo e sem qualquer outro apoio; • se estiver utilizando a balança mecânica, mova o marcador maior (kg) do zero da esca- la até o ponto em que o braço da balança se incline para baixo; volte-o, então, para o nível imediatamente anterior (o braço da balança inclina-se para cima); • mova o marcador menor (g) do zero da escala até o ponto em que haja equilíbrio entre o peso da escala e o peso da gestante (o braço da balança fica em linha reta, e o cursor aponta para o ponto médio da escala); • leia o peso em quilogramas na escala maior e em gramas na escala menor. No caso de valores intermediários (entre os traços da escala), considere o menor valor. Por exem- plo: se o cursor estiver entre 200g e 300g, considere 200g; • anote o peso encontrado no prontuário e no Cartão da Gestante. • a gestante deve estar em pé e descalça, no centro da plataforma da balança, com os braços estendidos ao longo do corpo. Quando disponível, poderá ser utilizado o antropômetro vertical; • calcanhares, nádegas e espáduas devem se aproximar da haste vertical da balança; • a cabeça deve estar erguida de maneira que a borda inferior da órbita fique no mesmo plano horizontal que o meato do ouvido externo; • o encarregado de realizar a medida deverá baixar lentamente a haste vertical, pressionando suavemente os cabelos da gestante até que a haste encoste-se ao couro cabeludo; • faça a leitura da escala da haste. No caso de valores intermediários (entre os traços da escala), considere o menor valor. Anote o resultado no prontuário. DUM Sempre considerar a idade gestacional pela Data da Última Mestruação (DUM) se for conhecida e confiável ou pela ecografia mais precoce (com menor idade gestacional). Em cada consulta gestacional, o peso deve ser aferido, e a altura deve ser medida na primeira consulta. Recomenda-se a utilização de uma balança eletrônica ou mecânica, certificando-se de que essas se encontram calibradas e em bom funcionamento, a fim de garantir a qualidade das medidas coletadas. Ao aferir o peso e a estatura, considere os procedimento do SISVAN (BRASIL, 2008), conforme quadro ao lado. Realizados esses procedimentos, você terá as informações necessárias para avaliação do estado nutricional da gestante.
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    26 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL De acordo com o estado nutricional inicial da gestante (baixo peso, adequado, sobrepeso ou obesidade) há uma faixa de ganho de peso recomendada por trimestre. É importante que na primeira consulta a gestante seja informada sobre o peso que deve ganhar. Figura 6 – Informe a gestante desde a primeira consulta sobre o peso. Fonte: Ministério da Saúde uma curva de referência brasileira de valores de IMC por idade gestacional. Mas, como calcular Índice de massa corporal (IMC)? Acompanhe, a seguir, algumas recomendações. Primeiro você precisa coletar os dados de peso corporal pré-gestacional e de altura da gestante. O peso pré-gestacional pode ser obtido de diversas formas. A mais recomendada é utilizar o peso e altura contidos no registro médico no período de até dois meses anteriores à gestação ou realizar a aferição da mulher logo após a concepção. Caso nenhuma destas opções tenha sido possível,realizeaaferiçãodepesoealtura durante o primeiro trimestre gestacional. Entretanto, caso isso não seja possível, como terceira opção você pode obter as informações do estado nutricional pré-gesta- cional através do relato da gestante com relação ao seu peso e altura até dois meses antes da gestação (lembrando que a informa- ção está sujeita à memória da gestante). Primeiro você precisa coletar os dados de peso corporal pré-gestacional e de altura da gestante. O peso pré-gestacional pode ser obtido de diversas formas. A mais recomendada é utilizar o peso e altura contidos no registro médico no período de até dois meses anteriores à gestação ou realizar a aferição da mulher logo após a concepção. Entretanto, caso isso não seja possível, como terceira opção você pode obter as informações do estado nutricional pré-gesta cional através do relato da gestante com relação ao seu peso e altura até dois meses antes da gestação (lembrando que a informa ção está sujeita à memória da gestante). 2.2 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL PRÉ-GESTACIONAL Ao avaliar o estado nutricional pré- gestacional você será capaz de conhecer qual era o estado nutricional da gestante antesdagravidez.Comessainformaçãovocê poderá ajudá-la a programar o ganho de peso adequado durante a evolução da gestação. O estado nutricional pré-gestacional é avaliado através do Índice de massa corporal (IMC). O IMC pré-gestacional deve ser calculado na primeira consulta de pré-natal. O peso pré-gestacional influenciará dire- tamente no tamanho do bebê ao nascimento, assim como no estado nutricional da mãe no pós-parto. O ideal é que o IMC considerado no diagnóstico inicial da gestante seja o IMC pré-gestacional referido, ou o IMC calculado a partir de medição realizada até a 13ª semana gestacional (calculada por meio da data da última menstruação – DUM). Caso isso não seja possível, inicie a avaliação da gestante com os dados da primeira consulta de pré-natal, mesmo que essa ocorra após a 13ª semana gestacional. Uma das limitações para a utilização do IMC durante a gestação é que não existe ainda
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    27 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Você deverá calcular o IMC em cada consulta de pré-natal e ir registrando no gráfico de acompanhamento do estado nutricionaldagestante,conformeoquadro5. Confira. • nas colunas seguintes, encontram-se os diagnósticos de estado nutricional para cada semana gestacional, levando em consideração as faixas de IMC. 2.3 MONITORAMENTO E ACONSELHAMENTO DO GANHO DE PESO GESTACIONAL Após obtido o valor do IMC, será a hora de realizar o diagnóstico do estado nutricional. Lembre também que a recomendação do ganho de peso durante a gestação deve ser diferenciada de acordo com a classificação do IMC pré-gestacional, o estágio de vida da gestante (adulta ou adolescente) e se a gestação é única ou gemelar. Devemos realizar o acompanhamento e monitoramento do estado nutricional ao longo de todas as consultas de pré- natal. Para realização do registro do IMC gestacional e acompanhamento da evolução do ganho de peso a cada consulta, são utilizadas duas ferramentas: o quadro com os dados necessários para avaliação do estado nutricional da gestante segundo o IMC e o gráfico de acompanhamento do estado nutricional encontrado na caderneta da gestante, expostos a seguir, acompanhe. No quadro, você pode observar: • na primeira coluna, a idade gestacional da mulher, Quadro 5 – Avaliação do estado nutricional da gestante segundo o índice de massa corporal por semana gestacional Semana gestacional Baixo peso IMC menor do que Adequado IMC entre Sobrepeso IMC entre Obesidade IMC maior que 6 19,9 20,0 — 24,9 25,0 — 30,0 30,1 7 20,0 20,1 — 25,0 25,1 — 30,1 30,2 8 20,1 20,2 — 25,0 25,1 — 30,1 30,2 9 20,2 20,3 — 25,2 25,3 — 30,2 30,3 10 20,2 20,3 — 25,2 25,3 — 30,2 30,3 11 20,3 20,4 — 25,3 25,4 — 30,3 30,4 12 20,4 20,5 — 25,4 25,5 — 30,3 30,4 13 20,6 20,7 — 25,6 25,7 — 30,4 30,5 14 20,7 20,8 — 25,7 25,8 — 30,5 30,6 15 20,8 20,9 — 25,8 25,9 — 30,6 30,7 16 21,0 21,1 — 25,9 26,0 — 30,7 30,8 17 21,1 21,2 — 26,0 26,1 — 30,8 30,9 18 21,2 21,3 — 26,1 26,2 — 30,9 31,0 19 21,4 21,5 — 26,2 26,3 — 30,9 31,0 20 21,5 21,6 — 26,3 26,4 — 31,0 31,1
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    28 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Semana gestacional Baixo peso IMC menor do que Adequado IMC entre Sobrepeso IMC entre Obesidade IMC maior que 21 21,7 21,8 — 26,4 26,5 — 31,1 31,2 22 21,8 21,9 — 26,6 26,7 — 31,2 31,3 23 22,0 22,1 — 26,8 26,9 — 31,3 31,4 24 22,2 22,3 — 26,9 27,0 — 31,5 31,6 25 22,4 22,5 — 27,0 27,1 — 31,6 31,7 26 22,6 22,7 — 27,2 27,3 — 31,7 31,8 27 22,7 22,8 — 27,3 27,4 — 31,8 31,9 28 22,9 23,0 — 27,5 27,6 — 31,9 32,0 29 23,1 23,2 — 27,6 27,7 — 32,0 32,1 30 23,3 23,4 — 27,8 27,9 — 32,1 32,2 3 23,4 23,5 — 27,9 28,0 — 32,2 32,3 32 23,6 23,7 — 28,0 28,1 — 32,3 32,4 33 23,8 23,9 — 28,1 28,2 — 32,4 32,5 34 23,9 24,0 — 28,3 28,4 — 32,5 32,6 35 24,1 24,2 — 28,4 28,5 — 32,6 32,7 36 24,2 24,3 — 28,5 28,6 — 32,7 32,8 37 24,4 24,5 — 28,7 28,8 — 32,8 32,9 38 24,5 24,6 — 28,8 28,9 — 32,9 33,0 39 24,7 24,8 — 28,9 29,0 — 33,0 33,1 40 24,9 25,0 — 29,1 29,2 — 33,1 33,2 41 25,0 25,1 — 29,2 29,3 — 33,2 33,3 42 25,0 25,1 — 29,2 29,3 — 33,2 33,3 Fonte: BRASIL, 2013, p. 75-76 É de extrema importância que você realize o registro do estado nutricional tanto no prontuário quanto no Cartão da Gestante, marcando a informação no gráfico de acompanhamento nutricional, conforme a figura 7, para poder realizar as intervenções necessárias no tempo certo, visando prevenir o ganho de peso excessivo ao longo da gestação. Contudo, vale ressaltar a importância da realização de outros procedimentos que possam complementar o diagnóstico nutricional ou alterar a interpretação deste, conforme a necessidade de cada gestante. É necessário atentar-se à possibilidade de diagnóstico de diabetes gestacional, observar se há presença de edemas que podem acarretar o aumento do peso sem indicar um ganho de peso excessivo e verificaropadrãodealimentaçãodagestante, questionando o consumo de alimentos como refrigerantes, doces, frituras, achocolatados e doces industrializados, frequência de consumo de água, frutas e vegetais. Todos esses fatores precisam ser avaliados em conjunto para a tomada de decisão quanto às orientações que serão realizadas.
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    29 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL história alimentar. Pergunte se a gestante vem sofrendo náuseas ou vômitos, qual o nú- mero de refeições realizadas, quantas horas de sono tem dormido por noite, se prepara as refeições ou alimenta-se fora de casa. Com base nas respostas, será possível viabilizar o encaminhamento necessário para adequar o ganho de peso dela ao longo da gestação. A gestante que inicia as consultas de pré-natal com IMC adequado para a idade gestacional deve mesmo assim ter o estado nutricional avaliado em cada consulta. É importante que esse monitoramento seja realizado a fim de evitar um ganho de peso excessivo ao longo da gestação. Em situações em que a mulher inicia a gestação com sobrepeso ou obesidade, os cuidados devem ser redobrados. Outra situação à qual devemos estar atentos são os casos em que a gestante iniciou a gestação com peso adequado, mas passou a ganhar pesoexcessivoaolongodasconsultas.Essas situações aumentam o risco de retenção de peso no pós-parto, diabetes gestacional, pré- eclâmpsia e complicações no parto. Confira as recomendações para gestan- tes segundo estado nutricional a seguir. Nos casos em que o manejo exigir cuidado especializado, deve-se contar com o apoio do nutricionista do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) ou, em caso de ausência desse profissional na equipe, utilizar a Rede de Atenção à Saúde (RAS). Veja um exemplo: se a gestante chega à consulta da semana 8 com 59kg e medindo 1,59m de altura, você calculará o IMC da seguinte forma: 59/(1,59)² = 23,3 kg/m2 . Com esse resultado, você verificará que a gestante se encontra com peso adequado para a idade gestacional.Logoemseguida,registraráessa informação no gráfico de acompanhamento do estado nutricional da gestante. Agora que sabemos como fazer esses procedimentos e registros, vamos conhecer sua operacionalização em cada estado nutricional pré-gestacional. 2.3.1 Monitoramento e acompanhamento da gestante segundo estado nutricional pré-gestacional Ao monitorar o estado nutricional da gestante que iniciou a gravidez com baixo IMC, é necessário que você investigue a sua Semana de Gestação Baixo peso Adequado Sobrepeso Obesidade Figura 7 – Gráfico de acompanhamento nutricional pelo Índice de Massa Corporal (IMC) da gestante segundo a semana gestacional Fonte: BRASIL, 2011.
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    30 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL • Sempre registre o IMC no gráfico de acompanhamento e mostre para a gestante a sua evolução. Recomendações para gestante com peso elevado ou ganho excessivo • Adicionalmente, avalie a presença de edema, polidrâmnio, macrossomia, gravidez múltipla e doenças associa- das (diabetes, pré-eclâmpsia, etc.). Nesses casos, é importante o envol- vimento da equipe multidisciplinar da ESF e NASF-AB para acompanhamento do caso. • Em todas as situações, ofereça apoio e escuta. • Avalie os hábitos alimentares da gestante; verifique se o consumo de ali- mentos ultraprocessados é frequente. Você pode perguntar se a gestante faz consumofrequentedepães,embutidos, bolachas, doces e refrigerantes. Oriente a gestante a realizar caminhadas leves, hidratar-se adequadamente, e realizar consumo rotineiro de frutas e vegetais. • Remarqueasconsultasemintervalome- nor que o fixado no calendário habitual para monitoramento do ganho de peso. • Lembre-se de que o acolhimento e a informação são muito importantes. Evitemos o julgamento e apenas dar ordens para a gestante. É muito impor- tante conhecer o contexto em que essa mãe vive e, em caso de incapacidade financeira, verifique a possibilidade de encaminhá-la para a assistência social. • Caso sinta necessidade de um acompanhamento individualizado para a gestante, você pode solicitar apoio ao nutricionista da equipe NASF-AB ou, ainda, encaminhar para atenção especializada. Recomendações para gestante com peso adequado • Siga o calendário habitual de pré- natal, avaliando o peso e IMC a cada consulta. • Explique à gestante que seu peso está adequado para a idade gestacional, e encoraje-a a manter uma alimentação equilibrada e saudável, conforme recomendações já estudadas, visando à manutenção do peso adequado e à promoção de hábitos alimentares saudáveis. Recomendações para gestante com baixo peso • Verifique a existência de hiperêmese gravídica, infecções, parasitoses, anemias e doenças debilitantes. Em caso positivo, direcione a gestante para o profissional de saúde indicado. Em casos de hiperêmese oriente-a a comer de maneira mais fracionada e em pequenas quantidades, evitando alimentos gordurosos. • Forneça orientação nutricional, visando à promoção do peso adequado e de hábitos alimentares saudáveis. • Remarque a consulta em um intervalo menor que o calendário habitual para monitoramento. • Converse com a gestante sobre a importância de ganhar peso adequada- mente, explique que o ganho de peso deve ocorrer para garantir o desenvol- vimento do bebê, formação de placenta e manutenção do líquido amniótico, e que com uma alimentação adequada esse peso será naturalmente eliminado nos primeiros meses pós-parto. Muitas mães têm medo de ganhar peso e não voltar à antiga forma física.
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    31 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL e açúcares estão associados ao aumento do ganho de peso gestacional excessivo e a uma maior adiposidade durante a primeira infância da criança. Portanto, é importante garantir uma boa qualidade da dieta na gestação. Os alimentos ultraprocessados, além de apresentarem altas concentrações de gordura, açúcar e sal, têm uma alta densi- dade energética, baixa densidade nutricional e escassez de fibras, tornando o padrão de alimentação favorável ao ganho de peso excessivo e prejudicial à saúde da gestante e do seu bebê (ROHATGI, 2017). Mas, o que é alta densidade energética e densidade nutricional? Acompanhe as definições a seguir! O que importa na orientação nutricional da gestante não é o consumo de calorias, já que as necessidades aumentam em apenas 300 calorias a partir do segundo trimestre gestacional. Para exemplificar, alguns alimentos que possuem cerca de 300 calorias são: uma porção pequena de castanha + 1 fruta, ou 1 iogurte + 1 fruta ou 1 sanduíche natural. Nas consultas, foque em orientar sobre a qualidade das escolhas alimentares, que devem priorizar o consumo de frutas, vegetais, leguminosas, tubérculos, cereaisecarnesmagras,evitandoaomáximo o consumo de alimentos ultraprocessados. Maiores frequências de consumo de ali- mentos como gorduras hidrogenadas (trans) • Ofereça orientação nutricional, visan- do à promoção do peso adequado e de hábitos alimentares saudáveis, ressal- tando que, no período gestacional, não se deve perder peso, mas que o ganho de peso até o final da gestação não deve ultrapassar os 7 kg em situações de obesidade pré-gestacional ou os 11,5 kg em casos de sobrepeso pré- -gestacional. 2.4 RECOMENDAÇÕES PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E SUA IMPORTÂNCIA NA GESTAÇÃO A gestação é uma fase muito importante na vida da mulher e requer alguns cuidados especiais na alimentação. Os níveis de nutrientes nos tecidos e líquidos disponíveis para sua manutenção estão modificados por alterações fisiológicas (expansão do volume sanguíneo, alterações cardiovasculares, distúrbios gastrintestinais e variação da função renal) e por alterações químicas. Por tais motivos é necessário que realizemos uma adequação na alimentação da gestante, visto que seu estado nutricional pode afetar o resultado da gravidez, parto e pós-parto. A densidade nutricional significa que quanto maior for a densidade nutricional do alimento, maior será a variedade de nutrientes benéficos para a saúde. Frutas e vegetais têm uma alta densidade nutricional e uma baixa densidade energética, o que os torna alimentos perfeitos para a nossa saúde e que devem ser indicados na alimentação da gestante diariamente. Densidade energética Alimentos com alta densidade energética são aqueles que em uma pequena quantidade de alimento têm uma elevada concentração de calorias, aumentando o risco de obesidade. Normalmente os alimentos ultraprocessados apresentam alta densidade energética e, por isso, o seu consumo deve ser desencorajado. Densidade nutricional
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    32 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL 2. Explique para a gestante e sua família sobre a importância de comer em companhia: segundo o nosso guia alimentar, seres humanos são seres sociaiseohábitodecomeremcompanhia está impregnado em nossa história, assim como a divisão da responsabilidade por encontrar ou adquirir, preparar e cozinhar alimentos. Converse com a gestante e sua família sobre a importância de compartilhar o comer e as atividades envolvidas neste ato, explique que esse é um modo simples e profundo de criar e desenvolver relações entre as pessoas e que, ao comer em companhia, ela será capaz de se alimentar com mais tranquilidade e menos pressa. Refeições compartilhadas demandam mesas e utensílios apropriados e compartilhar com outra pessoa o prazer que sentimos quando apreciamos uma receita favorita redobra esse prazer. 3. Oriente à gestante e sua família sobre a importância de manter os telefones celulares e aparelhos de televisão des- ligados na hora das refeições: já que esses dificultam a percepção dos sinais quilo ou com pratos feitos sem alimentos ultraprocessados. Oriente a gestante a evitar frequentar locais com fast-foods e lanches, já que estes não suprem as necessidades nutricionais e aumentam o risco de ganho de peso excessivo. Ao comer fora de casa, lugares como bufês ou aqueles onde se oferecem segundas ou terceiras porções sem custo devem ser limitados a ocasiões especiais. Também é importante orientar a ges- tante a evitar comer na mesa de trabalho, comer em pé ou andando ou comer dentro do carro ou de transportes públicos, embora, infelizmente, essas práticas possam ser comuns nos dias de hoje. Figura 8 – Oriente que as refeições sejam compartilhadas quando possível. Fonte: pixs4u/ Adobe Stock 2.4.1 Hábitos relacionados a alimentação na gestação Normalmente, as pessoas esquecem que a forma e o local em que se alimentam pode fazer toda a diferença nas suas escolhas alimentares. O consumo em locais inadequados, com a presença de televisão ligada ou o uso de outros aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets, estão associados com um consumo alimentar inadequado e que favorece a incidência de sobrepeso e obesidade (BRASIL, 2014). Como profissionais da saúde, devemos orientar as gestantes quanto ao modo de se alimentar. Agora, vamos abordar brevemente alguns pontos que podem ser orientados ao longo das consultas de pré-natal: 1. Dar preferência para locais tranquilos, limpos e agradáveis: o guia alimentar para a população brasileira reforça a importância de a gestante e sua família se alimentarem em casa ou em ambientes limpos e agradáveis, caso a refeição seja realizada fora do domicílio. É importante, também, que quando não for possível realizar as refeições em casa, a gestante escolha restaurantes a
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    33 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL o resto do dia também teriam maior chance de ser mais saudáveis. As orientações para as gestantes devem focar na qualidade dos ali- mentos, já que normalmente uma alimentação saudável e variada será capaz de suprir todas as necessida- des nutricionais. A seguir, estão as orientações que você deve problematizar com a gestante nas consultas de pré-natal em relação às suas escolhas alimentares, acompanhe. Figura 9 – Oriente a gestante a fazer dos alimentos in natura e preparações caseiras a base de ingredientes naturais ou minimamente processados a base de sua alimentação. Fonte: Anatta_Tan/Adobe Stock 2.4.2 Escolhas alimentares na gestação As escolhas alimentares são fundamentais para a saúde da gestante, fase da vida em que as demandas nutricionais, ou seja, do consumo de nutrientes e não tanto do consumo de calorias, são essenciais, já que é preciso garantir um adequado estado nutricional para a gestante e para o bebê. É importante que você oriente as gestantes quanto à realização de escolhas alimentares baseadas em uma classificação que considera o nível de processamento industrial dos alimentos, já que as escolhas alimentares não são feitas pelas pessoas com base nos nutrientes (pois é difícil de quantificar no momento de escolher o que será consumido). Pense em quando você vai a um restaurante ou ao supermercado. Quando você escolhe uma pizza congelada para o seu jantar, provavelmente irá comprar um refrigerante ou suco de caixinha para acompanhar a sua escolha, isso conforma um padrão de alimentação não saudável e baseado em alimentos industrializados. No entanto, se você comprasse um pedaço de frango, feijão, arroz e vegetais para assar no forno, provavelmente as suas escolhas para de saciedade pelo corpo. Explique que ao ter esse tipo de distrações dividimos a atenção do nosso cérebro entre o que comemos e o que estamos assistindo nas telinhas, comendo mais do que deveríamos, propiciando o ganho de peso excessivo. 4. Estimule a mulher a ter consciência em relação às quantidades colocadas no prato: as pessoas tendem a comer mais que o necessário quando estão diante de grandes quantidades de alimentos ou quando há oferta de grandes porções. Nesses casos as escolhas são feitas sem pensar muito. Oriente a gestante a pensar em cada alimento que colocará no prato e na quantidade que será colocada. Lembre-a de que não é preciso nem recomendado “comer por dois”. Oriente a servir-se apenas uma vez ou, pelo menos, aguardar algum tempo para se servir uma segunda vez. Frequentemente, a segunda porção excede às nossas necessidades.
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    34 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL • cravo, canela, especiarias em geral e ervas frescas ou secas; • farinhas de mandioca, de milho ou de trigo e macarrão ou massas frescas ou secas feitas com essas farinhas e água; • carnes de gado, de porco e de aves e pescados frescos, resfriados ou congelados; • leite pasteurizado, ultrapasteurizado (“longa vida”) ou em pó, iogurte (sem adição de açúcar); • ovos; • água potável. No momento de orientar a gestante quanto à escolha dos alimentos, lembre que nas refeições principais o prato deve conter: alimentos de origem animal como carnes, peixes e ovos (em pequenas proporções); alimentos de origem vegetal como leguminosas (essenciais no prato da gestante), tubérculos e cereais (que serão a principal fonte de energia, dando preferência para os cereais inte- grais e tubérculos como mandioca, ba- tata doce, batata salsa, dentre outros); Alimentos in natura ou minimamente processados fornecerão toda a qualidade nutricional que a gestante necessita para a manutenção de um estado nutricional adequado tanto do bebê quanto da mulher. Oriente a gestante a escolher frutas, vegetais, tubérculos e leguminosas da época, já que serão mais saborosos, acessíveis economicamente e conterão menos agrotóxicos. Veja alguns exemplos de alimentos in natura ou minimamente processados: • legumes, verduras, frutas, batata, mandioca e outras raízes e tubérculos in natura ou embalados, fracionados, refrigerados ou congelados. • arroz branco, integral ou parboilizado, a granel ou embalado; • milho em grão ou na espiga, grãos de trigo e de outros cereais; • feijão de todas as cores, lentilhas, grão de bico e outras leguminosas; • frutas secas, sucos de frutas e sucos de frutas pasteurizados e sem adição de açúcar ou outras substâncias; • castanhas, nozes, amendoim e outras oleaginosas sem sal ou açúcar; Segundo o Guia Alimentar para População Brasileira (BRASIL, 2017), os alimentos in natura ou minimamente processados são a base para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável. Alimentos in natura São obtidos diretamente de plantas ou de animais e não sofrem qualquer alteração após deixar a natureza. Alimentos minimamente processados Correspondem a alimentos in natura que foram submetidos a processos de limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indese- jáveis, fracionamento, moagem, secagem, fermentação, pasteuriza- ção, refrigeração, congelamento e processos similares que não envol- vam agregação de sal, açúcar óleos, gorduras ou outras substân- cias ao alimento original.
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    35 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL à massa de farinha de trigo e água usada no preparo culinário de tortas e pães caseiros. Uma forma interessante de reduzir o consumo de sal é adicionar ervas aromáticas desidratadas como orégano, sálvia, cebolinha, cúrcuma e salsinha ao sal de mesa – ervas aromáticas possuem propriedades anti-inflamatórias e trazem um sabor adicional às preparações. Óleos, gorduras, sal e açúcar não substituem alimentos in natura ou minimamente processados. Esses são produtos alimentícios com alto teor de calorias, gorduras saturadas (presentes em óleos e gorduras, em particular nessas últimas), sódio (componente básico do sal de cozi- nha) e açúcar livre (presente no açú- car de mesa). O consumo excessivo de sódio e de gorduras saturadas aumenta o risco de doenças do coração, enquanto o consumo excessivo de açúcar aumenta o risco de cárie dental, de obesidade e de várias outras doenças crônicas. Óleos e gorduras têm seis vezes mais calorias por grama do que grãos cozidos e Desde que utilizados com moderação em preparações culinárias com base em alimentos in natura ou minimamente processados, os óleos, as gorduras, o sal e o açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação sem que fique nutricionalmente desbalanceada. Você pode explicar para a gestante que óleos ou gorduras, por exemplo, serão utilizados para cozinhar arroz e feijão, para refogar legumes, verdu- ras e carnes, para fritar ovos e tubér- culos e no preparo de caldos e so- pas. Óleos são também adicionados em saladas de verduras e legumes como forma de tempero. Mas orien- te-as a utilizá-los com moderação. Existem pessoas que têm o costume de adicionar óleo no arroz e macar- rão após o seu preparo, ultrapassan- do as necessidades nutricionais e favorecendo o ganho de peso exces- sivo. Por isso, desencoraje esse tipo de prática. O sal pode ser usado como tempero em todas essas preparações. Ele também é usado no preparo culinário de conservas de legumes feitas em casa e é adicionado vegetais e folhosos (como alface, es- pinafre, couve, tomate, abóbora, ce- noura, beterraba, dentre outros); frutas, que podem ser consumidas nas saladas ou como sobremesa, preferin- do sempre as que estão na safra. Dessa forma, a gestante será capaz de atingir todos os nutrientes necessários de maneira saborosa, acessível e completa no seu dia a dia. Lembre-se de respeitar e considerar o padrão cultural da região no momento de orientar a gestante quanto ao consumo alimentar. A preservação e o respeito da cultura alimentar é um dos princípios do guia alimentar (BRASIL, 2017). Os ingredientes culinários como óleos, sal e açúcar devem ser utilizados com moderação no preparo dos alimentos. Consideramos como ingredientes culinários todos os ingredientes utilizados para o preparo de uma refeição: você pode orientar a gestante e sua família a utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias como bolos caseiros, pães e biscoitos.
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    36 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Na consulta de pré-natal, você pode explicar para a gestante que alimentos processados, como no caso do queijo, podem ser usados com moderação, adicionado ao macarrão ou salada, por exemplo. Outro alimento comum são as carnes salgadas adicionadas ao feijão. Em outras vezes, como no caso de pães e peixes enlatados, alimentos processados podem compor refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados. Mas, deixe bem claro para a gestante, que sozinhos ou em combinação com outros alimentos processados ou ultraprocessados, eles podem ser prejudiciais à saúde, pelo seu elevado conteúdo de sal, açúcar e/ou gordura, não sendo recomendados, segundo o guia alimentar (BRASIL, 2017). Estimule a gestante e sua família a evitarem os alimentos ultraproces- sados na rotina alimentar. Explique a eles os seus malefícios para a saúde da gestante. Nas consultas de pré-natal avalie sempre a frequência de consumo de bis- coitos recheados, cream cracker, chips e usados como ingredientes de preparações culinárias ou como parte de refeições basea- das em alimentos in natura ou minimamente processados, já que embora o alimento pro- cessado mantenha a identidade básica e a maioria dos nutrientes do alimento do qual deriva, os ingredientes e os métodos de pro- cessamento alteram de modo desfavorável a sua composição nutricional. Em função do seu elevado conteúdo de sal ou açúcar, geralmente muito superior ao utilizado em preparações culinárias, o seu consumo excessivo está associado a doenças cardía- cas, obesidade ou outras doenças crônicas. Figura 10 – Alimentos processados podem ser usados com moderação quando adicionados à salada. Fonte: FomaA/Adobe Stock 20 vezes mais do que legumes e verduras após cozimento. O açúcar tem cinco a dez vezes mais calorias por grama do que a maioria das frutas. Entretanto, seu impacto sobre a qualidade nutricional da alimentação dependerá essencialmente da quantidade utilizada nas preparações culinárias. Por isso, oriente o uso desses produtos com moderação e equilíbrio! Alimentos processados devem ser consumidos pela gestante com moderação e combinados a preparações caseiras. Sabe aquele pepino ou vegetal em conserva, o pêssego em calda, o queijo feito de leite e sal ou aquele pãozinho feito de forma tradicional (a base de farinha de trigo, água, sal e leveduras usadas para fermentar a farinha)? Esses são os alimentos processados, os quais são produtos relativamente simples e antigos, fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar (ou outra substância de uso culinário, como óleo ou vinagre) a um alimento in natura ou minimamente processado. O consumo de alimentos processados na gestação (assim como em outras fases da vida) deve ser limitado, consumindo-os em pequenas quantidades. Eles podem ser
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    37 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Como reconhecer alimentos ultraprocessados? • Eles têm um número elevado de ingredientes (frequentemente cinco ou mais); • apresentam ingredientes com nomes pouco familiares e não usados em preparações culinárias, ingredientes que provavelmente você não teria na prateleira de sua casa (gordura vegetal hidrogenada, óleos interesterificados, xarope de frutose, isolados proteicos, agentes de massa, espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários outros tipos de aditivos); • diferentemente dos alimentos processados, a imensa maioria dos ultraprocessados é consumida, ao longo do dia, substituindo alimentos como frutas, leite e água ou, nas refeições principais, no lugar de preparações culinárias; • alimentos ultraprocessados costu- mam vir em embalagens coloridas, com marketing bastante intenso e pro- pagandas na televisão e redes sociais. bebidas adoçadas com açúcar ou adoçantes artificiais, pós para refrescos, embutidos e outros produtos derivados de carne e gor- dura animal, produtos congelados prontos para aquecer, produtos desidratados (como misturas para bolo, sopas em pó, “macarrão” instantâneo e “tempero“ pronto), e uma infinidade de novos produtos que chegam ao mercado todos os anos, incluindo vários tipos de salgadinhos “de pacote”, cereais matinais, barras de cereal, bebidas energéti- cas, entre muitos outros. Pães e produtos panificados tornam-se alimentos ultraprocessados quando, além da farinha de trigo, leveduras, água e sal, seus ingredientes incluem substâncias como gordura vegetal hidrogenada, açúcar, amido, soro de leite, emulsificantes e outros aditivos. Uma forma prática para ajudar a gestante a distinguir alimentos ultraprocessados de alimentos processados é ensinando-as a consultar a lista de ingredientes que, por lei, deve constar dos rótulos de alimentos embalados que possuem mais de um ingrediente. outros salgadinhos, macarrão instantâneo, refrigerantes, dentre outros alimentos ultra- processados. Devido a seus ingredientes (gorduras trans, açúcar de adição, sal, aditivos químicos e corantes), são nutricio- nalmente desbalanceados e prejudiciais à saúde da gestante e do bebê. Por conta de sua formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente proces- sados. Lembre, por exemplo, que: O problema principal com alimen- tos ultraprocessados reformulados é o risco de serem vistos como produtos saudáveis, cujo consumo não precisaria mais ser limitado. A publicidade desses produtos explo- ra suas alegadas vantagens diante dos produtos regulares (‘menos ca- lorias’, ‘adicionado de vitaminas e minerais’), aumentando as chances de que sejam vistos como saudáveis pelas pessoas. (BRASIL, 2014) Classificamos como alimentos ultra- processados vários tipos de guloseimas,
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    38 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL rias em pequenas quantidades do produto, são hiperpalatáveis, encontram-se em todo lugar e apresentam custo baixo, induzindo o consumo excessivo de calorias pelas ges- tantes. Fique atento e oriente quanto aos malefícios desse tipo de bebida na rotina alimentar. Estimule o consumo adequado de água na gestação. A hidratação adequada é fundamental durante a gestação, veja a seguir alguns benefícios. Estabiliza a pressão arterial Elimina as toxinas Melhora a circulação sanguínea Necessária para garantir a circulação fetal e o volume adequado de líquido amniótico Previne a infecção urinária na mulher Melhora o funcionamento intestinal e hidratação do corpo Ingestão de água na gravidez Fonte: MCKENZIE AL, et al. (2017) doquenecessitam;ecaloriasingeridas e não gastas inevitavelmente acabam estocadas no corpo na forma de gordura, trazendo junto a obesidade. 5. Pelo seu elevado teor de sódio e açúcar de adição, alimentos ultraprocessados devem ser evitados completamente em casos de diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. Ainda não existem estudos especificamente realizados em gestantes, mas os realizados em adultos comprovam a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o risco aumentado de hipertensão arterial e de outras doenças crônicas não-transmissíveis. Atente-se com as calorias líquidas! Refrigerantes, refrescos e muitos outros produtos prontos para beber aumentam expressivamente o risco de obesidade e ganho de peso ges- tacional excessivo. O organismo humano apresenta me- nor capacidade para “registrar” calorias provenientes de bebidas adoçadas. Bebidas açucaradas possuem alto volume de calo- Ao conversar com a gestante nas consultas de pré-natal, você pode enumerar os motivos pelos quais os alimentos ultraprocessados devem ser evitados na sua alimentação: 1. Eles são frequentemente fabricados com gorduras que resistem à oxidação, mas que tendem a obstruir as artérias que conduzem o sangue dentro do nosso corpo. 2. Alimentos ultraprocessados tendem a ser muito pobres em fibras, que são essenciais para a prevenção de doenças do coração, diabetes e vários tipos de câncer. 3. Elessãopobresemvitaminas,minerais e outras substâncias com atividade biológica, aumentando a necessidade de uso de suplementos nutricionais de difícil acesso financeiro. 4. Quanto maior o consumo de alimentos ultraprocessados na rotina alimentar, maiorseráoganhodepesogestacional, que poderá trazer complicações no parto e retenção de peso pós-parto. Quando as pessoas consomem alimentos ultraprocessados, tendem, sem perceber, a ingerir mais calorias
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    39 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Alimentos in natura Ultraprocessados Embora legumes, verduras e frutas pos- samterpreçosuperioraodealgunsalimentos ultraprocessados, o custo total de uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados ainda é menor no Brasil do que o custo de uma alimentação baseada em alimentos ultraprocessados. Pesquisa realizada no Brasil com dados da POF mostrou que, efetivamente, comer uma preparação caseira custa mais barato que uma refeição baseada em alimentos ultraprocessados. 70% de água. Um prato de feijão com arroz é constituído de dois terços de água. Quando a alimentação é baseada nesses alimentos e preparações, é usual que eles forneçam cerca de metade da água que precisamos ingerir. Já no caso de alimentos ultraprocessados, ocorre o contrário, já que a concentração de água nesses alimentos é pequena e assim necessita maior ingestão de água. 2.4.3 Planejamento de refeições saudáveis na gestação É comum a impressão de que a alimentação saudável é necessariamente muito cara e, ainda mais importante, muito mais cara do que a alimentação não saudável. Mas engana-se quem pensa assim: cálculos realizados com base nas Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE mostram que, no Brasil, a alimentação baseada em alimentos in natura ou mini- mamente processados e em preparações culinárias feitas com esses alimentos não é apenas mais saudável do que a alimentação baseada em alimentos ultraprocessados, mas também mais barata, quando pensamos no gasto total diário com alimentação. O total de água existente no corpo dos sereshumanoscorrespondea75%dopesona infância e a mais da metade na idade adulta. É essencial que a água bebida seja potável para o consumo humano. A água fornecida pela rede pública de abastecimento deve atender a esses critérios, mas, na dúvida, filtrá-la e fervê-la antes do consumo garante sua qualidade. Reforceparaagestantecomoéimportante prestar atenção aos primeiros sinais de sede e satisfazer de prontidão a necessidade de água sinalizada pelo seu organismo. A água ingerida deve vir predominantemente do consumo de água como tal e da água contida nos alimentos e preparações culinárias. Oriente a gestante a ingerir, no mínimo, 2 litros de água ao dia, que equivale a aproximadamente 8 copos diários. A maioria dos alimentos in natura ou minimamente processados e das preparações desses alimentos têm alto conteúdo de água. O leite e a maior parte das frutas contêm entre 80% e 90% de água. Verduras e legumes cozidos ou na forma de saladas costumam ter mais do que 90% do seu peso em água. Após o cozimento, macarrão, batata ou mandioca têm cerca de
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    40 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL preço reduzido. Se na sua região de atuação tiver esse tipo de opção, recomende para a gestante e sua família. Lembre-a de que levar comida feita em casa para o local de trabalho ou estudo é outra boa opção. Outra dica importante: oriente a gestante a cozinhar os alimentos sempre em uma quantidade um pouco maior da que será consumida no dia, assim ela poderá congelar as comidas em potes porcionados para dias posteriores. A família pode preparar dois tipos de leguminosas como feijão branco e feijão preto para toda a semana e porcionar para os sete dias de consumo. A carne pode render um molho bolonhesa, uma carne refogada com legumes e almôndegas, e tudo pode ser preparado no mesmo dia e congelado para a semana; outra fonte de proteína pode ser o ovo frito ou cozido na hora e o frango pode ser porcionado, rendendo sobrecoxas ensopadas, coxas assadas, peito de frango que pode virar hambúrguer, frango grelhado ou à milanesa. Como fonte de carboidrato o mesmo arroz integral, preparado em um dia só, pode virar referir que acha o custo dos alimentos in natura e minimamente processados pouco acessíveis, você pode ajuda-la, dando algumas dicas: • Oriente a gestante a consumir frutas e vegetais, aliados a alimentos com menor preço como arroz, feijão, batata, mandioca, entre tantos outros que fazem parte das tradições culinárias brasileiras. • Nem todas as variedades de legumes, verduras e frutas são caras: oriente a gestante a comprar frutas e verduras na época de safra e em locais onde se comercializam grandes quantidades de alimentos, em feiras ou mesmo diretamente dos produtores. • Para reduzir o custo de refeições feitas fora de casa, sem abrir mão de alimentos in natura ou minimamente processados, novamente são boas opções levar comida de casa para o trabalho ou comer em restaurantes que oferecem comida a quilo. Em muitos lugares do Brasil, existem também restaurantes populares e cozinhas comunitárias, que são espaços públicos que oferecem refeições variadas e saudáveis a • Opreçomédioresultantedaassociação dos alimentos in natura e minima- mente processados aos ingredientes culinários, condição necessária para o preparo dos alimentos, foi de R$ 1,56, enquanto a média do preço verificada para os alimentos processados e ultra- processados foi R$ 2,40. • Essa diferença sugere uma vantagem econômica no preparo de refeições no lar em comparação a sua substituição por refeições prontas e produtos alimentícios industrializados. Quando a gestante chegar à con- sulta você pode conversar com ela sobre as suas escolhas alimentares. Pergunte o que ela costuma comer no café da manhã, no almoço, lan- che da tarde e jantar, para ter uma ideia da frequência de consumo de preparações caseiras e de alimentos ultraprocessados. Quando a gestante referir consumir muitos alimentos ultraprocessados na rotina alimentarvocêpodeexplicarosmalefíciosde uma alimentação baseada nesses produtos, tanto para ela quanto para o bebê, e se ela
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    41 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Você deve, concomitantemente, reco- mendar o aumento na ingestão de ferro na dieta juntamente com alimentos ricos em vitamina C. Conheça alguns alimentos ricos em ferro que você pode orientar para sua paciente: Alimento Quantidade de ferro Açaí, 4 colheres de sopa (100g) 13,8 mg Bife de fígado (100 g) 5,8 mg Bife bovino (100 g) 3,0 mg Coração de frango (100 g) 6,5 mg Ervilha seca (2 colheres de sopa = 30 g) 2,2 mg Fígado de frango (100 g) 9,5 mg Folhas verdes escuras (3 pegadores = 30 g) 1 mg Feijão preto cozido (1 concha = 100 g) 4,3 mg Melado (4 colheres de sopa = 100 g) 5,4 mg Ovo cozido (1 gema) 0,8 mg Ácido Fólico e Vitamina D para mulheres durante a gestação. Ferro: suplementação e fontes alimentares A gestação a termo confere quantidades suficientes de ferro para o feto, mesmo em situações de anemia ou desnutrição da mãe, pois a eritropoiese fetal é assegurada, utilizando-se as reservas maternas, mesmo que limitadas. Para garantir as reservas maternas de ferro, recomenda-se a ingestão de 27 mg/dia de ferro no segundo e terceiro trimestre da gestação, sendo a suplementa- ção medicamentosa uma medida profilática recomendada pela OMS (OMS, 2013). O Programa Nacional de Suplementação de Ferro consiste na suplementação profilática de ferro para todas as gestantes ao iniciarem o pré-natal, independentemente da idade gestacional até o terceiro mês pós- parto, e na suplementação de gestantes com ácido fólico. A suplementação deve ser recomendada pela equipe da atenção primária à saúde como parte do cuidado no pré-natal para reduzir o risco de baixo peso ao nascer da criança, anemia e deficiência de ferro na gestante (PNSF, 2013). arroz com brócolis, arroz com lentilha, arroz colorido (refogado com cenoura, tomate, ce- bola e pimentão) e, de forma bem rápida, pode sair uma polenta ou macarrão para acompa- nhar as comidas em outros dias. Grande parte desses alimentos podem ser congelados e armazenados para serem consumidos na semana ou quinzena. Basta ter planejamento. Confira outras informações sobre como orientar esse planejamento para as gestantes assistindo aos vídeos que foram elaborados espe- cialmente pela equipe do Núcleo de pesquisa em Nutrição e Saúde Pú- blica da Universidade de São Paulo em conjunto com a apresentadora Rita Lobo, através do link: <https:// www.youtube.com/watch?v=Ltt- 6si2U39I&list=PLx-RfqJiTFaqc8_ei- 1-eHVBNB32hyP9aQ> 2.5 MICRONUTRIENTES NA GESTAÇÃO O período gestacional, devido suas mudançasbiológicas,trazalgumasdemandas de micronutrientes específicas. Deste modo, apresentaremos as recomendações de Ferro,
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    42 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Brasil, alimentos que devem fazer parte do esquema alimentar para fornecer boa quantidade de ácido fólico. Veja um esquema de combinação de alimentosquepodematingirasnecessidades em um dia comum: 1 unidade média de mamão papaia 84,74 µg + 1 bife pequeno de fígado de boi 169,31 µg + 2 colheres de servir de grão-de-bico 154,8 µg + 1 concha média de feijão 174 µg 582,82 µg de ácido fólico Conheça alguns alimentos ricos em ácido fólico que você pode orientar para sua paciente: Oriente a gestante a consumir uma fruta cítrica (ou suco), ou a temperar a salada com limão. Frutas cítricas ou ricas em vitamina C laranja abacaxi acerola tangerina limão kiwi Ácido fólico: suplementação e fontes alimentares As gestantes devem consumir 400 microgramas/dia de ácido fólico. No Brasil, em 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) instituiu a adição de 100 mg de ácido fólico para cada 100 gramas de farinha de trigo e milho, além de produtos derivados do milho comercializados no Veja um esquema de alimentos que podem ser consumidos em um dia para suprir parte das necessidades de ferro: 1 filé de 100 g de fígado bovino 6,0 mg + omelete de 3 ovos ± 3 mg + 2 conchas de feijão cozido 8,6 mg + salada de acelga, agrião e beterraba ± 2 g = 19,6 mg de ferro Apesar de apresentar um consumo adequado de alimentos ricos em ferro, ainda se torna necessária a suplementação de ferro fornecida pelo Programa Nacional de Suplementação de Ferro.
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    43 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL cafeína não se associa a efeitos adversos. A cafeína pode ser encontrada no café e em bebidas à base de café, chá-preto, chocolate, chimarrão, refrigerante a base de cola e em bebidas energéticas. Figura 11 – Cafés podem ser consumidos com moderação. Fonte: Bits And Splits/ Adobe Stock A dose diária segura de cafeína para a gestante sem riscos para o bebê segue es- sas recomendações: até 3 xícaras (200 ml) de café coado, ou até 2 xícaras pequenas (50 ml) de café expresso, ou até 2 xícaras (200 ml) de café instantâneo. Vale salientar que o chocolate, seja sólido ou em pó, também possui cafeína: dois tabletes pequenos equi- valem, em média, a 1 xícara de café coado. Veja, a seguir, a concentração média de cafeína em alguns alimentos. de 15 a 20 minutos por dia, com o rosto, braços e colo expostos e sem o uso de filtro solar, sendo os melhores horários até as 10 horas e após as 16 horas. A vitamina D é um hormônio fundamental para um bom funcionamento do organismo, e em mulheres grávidas é ainda mais impor- tante. Isso porque, além de ajudar a diminuir o risco de aborto espontâneo, a vitamina D também promove o crescimento saudável da placentaepodereduzirriscodepré-eclâmpsia e de diabetes gestacional. Ela ajuda a regular a absorção de cálcio e fósforo, além de atuar na formação óssea, na liberação de insulina e no funcionamento do sistema imunológico (DOVNIK; MUJEZINOVIC, 2018; DE-REGIL, et al. 2016). 2.6 ALIMENTOS QUE DEVEM SER EVITADOS OU CONSUMIDOS MODERADAMENTE DURANTE A GESTAÇÃO Chás e café O consumo de altas doses de cafeína na gestação pode estar associado ao aumento do risco de recém-nascido com baixo peso e de aborto (CHEN LW, et al. 2016). Sugere- se que o consumo inferior a 300 mg de Alimento Quantidade de ácido fólico Feijão preto cozido (1 concha média = 114 g) 174 µg Lentilha cozida (1 concha média = 130 g) 235,04 µg Grão-de-bico cozido (2 colheres grandes = 40 g) 154,8 µg Brócolis (3 ramos médios = 100 g) 50 µg Couve cozida (4 colheres de sopa = 100 g) 60 µg Espinafre (4 colheres de sopa = 100 g) 107,5 µg Laranja com bagaço (1 unidade média = 159 g) 47,7 µg Abacate (5 colheres de sopa = 100 g) 61,9 µg A importância da exposição ao sol para garantia dos níveis séricos de vitamina D A recomendação para gestantes não difere daquela recomendada pra mulheres não grávidas, que é de 5 mg/dia de vitamina D. Mulheres grávidas ou não, a exposição ao sol deve ser realizada diariamente, em torno
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    44 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL gestacional ou diabetes tipo 1. Apesar de pa- recerem seguros para a saúde da gestante e do bebê, ainda não existe evidência suficien- te para que o seu consumo seja liberado na gestação. Adicionalmente, o consumo de ali- mentos adoçados com adoçantes artificiais traz um paladar excessivamente adocicado e que parece estimular o consumo excessivo de calorias e de alimentos ultraprocessados, além de reduzir a palatabilidade de frutas e vegetais, aumentando consequentemente, o risco de ganho de peso excessivo na gesta- ção (MALIK et al., 2013). da literatura indicam efeitos abortivos ou relacionadosaum maiorriscodenascimento prematuro relacionados ao consumo de chás de camomila e de erva doce na gestação. Por esse motivo, desencoraje o consumo desses chás ao longo da gestação (FACCHINETTI et al., 2012; TRABACE et al., 2015). Adoçantes artificiais O uso de adoçantes artificiais deve ser desencorajado na gestação e só deve ser utilizado com moderação e avaliando o seu custo-benefício, por gestantes com diabetes Quadro 6 – Concentração de cafeína Alimento Quantidade Teor médio de cafeína Café tradicional 200 ml 80 – 100 mg Café solúvel 1 colher de chá 57 mg Café expresso 30 ml 40 – 75 mg Café descafeinado 150 ml 2 – 4 mg Chás gelados industrializados 1 lata 30 - 60 mg Chá preto 200 ml 30 – 60 mg Chá verde 200 ml 30 – 60 mg Chá mate 200 ml 20 – 30 mg Bebidas energéticas 250 ml 80 mg Refrigerantes de cola 1 lata 35 mg Chocolate 40 g 10 – 20 mg Fonte: MARIANO (2018). Em relação aos chás e os riscos do seu consumo na gestação, ainda não há um consenso quanto ao seu uso por gestantes, mas devem ser evitados por não saber o possível efeito na saúde da gestante e no feto. Alguns estudos de revisão sistemática Quadro 7 – Uso de adoçantes na gestação Edulcorantes Descrição Aspartame Para atingir os níveis séricos de fenilalanina (600µmol/L) seria necessário consumir uma lata de refrigerante dietético a cada 8 minutos. Sacarina Placenta é permeável a sacarina, que pode permanecer nos tecidos fetais. Acessulfamo-k A American Diabetes Association (ADA) considera seu uso é seguro. Sucralose A Food and Drugs Administration (FDA) considera que o uso não confere riscos carcinogênicos, reprodutivos ou neurológicos. Esteviosídeo Pode ser usado em conjunto com outros adoçantes, devido o seu sabor amargo.  utilizar com cautela  restrigir Fonte: TORLONI et al. (2007).
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    45 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Veja alguns pontos importantes que devem ser abordados: • O consumo de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados pressupõe a seleção e aquisiçãodosalimentos,opré-preparo, o tempero e cozimento e apresentação dos pratos, além da limpeza de utensílios e da cozinha após o término das refeições. Isso evidentemente requer tempo da própria pessoa ou de quem, na sua casa, é responsável pela preparação das refeições. Por isso, estimule a participação de todos os membros da casa para a divisão de tarefas e planejamento das refeições. • Lembre-se de guiar a gestante e sua família a terem horários regulares e comerem em locais apropriados. • É importante conversar com a família que na hora de comer não devem estar envolvidos em outra atividade, a desfrutar os alimentos, e a comer em companhia, de preferência. • Dê exemplos práticos, mostrando que a diferença entre o preparo de uma re- feição saudável pode não ser tão gran- de. Por exemplo, preparando um prato 3 meses. Ofereça apoio no processo de construção de estratégias de prevenção/ redução/eliminação do uso e, caso necessário, compartilhe o cuidado com os serviços da Rede de Atenção Psicossocial do território. (BRASIL, 2012). 2.7 ESTRATÉGIAS PARA INCLUSÃO DAS RECOMENDAÇÕES ALIMENTARES NA ROTINA DE PRÉ-NATAL DA UBS Agora, vamos abordar algumas reco- mendações, baseadas no Guia Alimentar para a População Brasileira, que podem ser realizadas nas consultas de pré-natal para garantir uma melhor e maior adesão a uma alimentação variada e baseada em prepara- ções caseiras, com predomínio de alimentos in natura ou minimamente processados. As recomendações quanto a uma alimentação saudável e sobre os cuidados em relação ao ganho de peso devem ser abordadas ao longo das consultas de pré- natal, levando em consideração a situação da gestante, sua evolução ao longo dos trimestres e as dúvidas trazidas pela mulher e sua família. Em relação aos adoçantes que podem ser recomendados para gestantes diabéticas, alguns adoçantes como a sucralose, o acessulfame-k, o aspartame e a estévia parecem ser seguros, mas ainda não existem estudos controlados em humanos suficientes para realizar tal afirmação. O uso do sorbitol deve ser moderado, pois aumenta a excreção de minerais essenciais, como o cálcio. As gestantes devem restringir o uso de sacarina e ciclamato. Bebidas alcóolicas Oálcool,quandoconsumidopelagestante, atravessa a barreira placentária, expondo o feto às mesmas concentrações de álcool que o sangue materno é submetido. Porém, o efeitonofetoémaior, devidoaometabolismo e à eliminação serem mais lentos, fazendo com que o líquido amniótico permaneça impregnado de álcool. Por isso, não existe uma dose segura recomendada para as gestantes. Adote a perspectiva de redução de danos e evite posições ameaçadoras ou julgamentos, que podem afastar a mulher do cuidado pré-natal. Oriente-a sobre os riscos do consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação, principalmente nos primeiros
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    46 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL Confira o link de acesso a informa- ções sobre a safra dos alimentos no Brasil: <http://ftp.medicina.ufmg.br/ omenu/safra_26_09_2014.pdf> No café da manhã/lanches: Com relação aos alimentos do café da manhã, a variedade é grande, incluindo o consumo de preparações à base de cereais (como cuscuz, pão integral ou francês, aveia, tapioca, ou até mesmo um bolinho feito em casa) ou de tubérculos (como mandioca/ aipim, batata salsa/mandioquinha ou batata doce). O ovo é uma ótima fonte de proteína para o café da manhã ou para regiões onde o queijo branco é acessível, também pode ser uma escolha. A fruta não deve faltar no café da manhã da gestante, é ela que trará • No dia a dia, para gestantes impossibi- litadas de cozinhar, peça para procurar locais que servem refeições feitas na hora e a preço justo. Restaurantes de comida a quilo podem ser boas opções, assim como refeitórios que servem comida caseira em escolas ou no local de trabalho. Quanto às orientações gerais sobre a escolha dos alimentos, segundo o Guia Alimentar, pequenas mudanças no consumo dos brasileiros que baseiam sua alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados, incluindo o aumento na ingestão de legumes e verduras e a redução no consumo de carnes vermelhas, tornariam o perfil nutricional de sua alimentação praticamente ideal. Oriente a gestante a variar as frutas consumidas dentre as opções disponíveis na safra. As variações em torno dos alimentos de um mesmo grupo agradam também aos sentidos na medida em que permitem diversificar sabores, aromas, cores e texturas da alimentação. Esta é uma forma de garantir as necessidades nutricionais de forma prática e fácil. de macarrão com molho de tomate e temperos naturais o tempo é de apenas cinco minutos a mais do que a gestante gastaria para dissolver em água quente um pacote de “macarrão instantâneo” carregado de gordura, sal e aditivos. • Peça para a família fazer compras de alimentos em mercados, feiras livres e feiras de produtores e em outros locais que comercializam variedades de alimentos in natura ou minimamente processados, dando preferência a alimentos orgânicos da agricultura familiar. • Lembre a gestante da importância de colocar frutas e vegetais no prato. As leguminosas como feijão, grão de bico, lentilhaeervilhatambémsãodeextrema importância e podem ser cozinhadas, fracionadas e congeladas para serem consumidas ao longo das semanas. • Aconselhe a família sobre o plane- jamento das compras de alimentos, organização da despensa doméstica e definição com antecedência do car- dápio da semana. Tudo pode ser feito com alimentos simples e com preço acessível.
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    47 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL e no período de safra, quando a produção é máxima, apresentam menor preço, além de maior qualidade e mais sabor. Explique à gestante que os legumes e verduras podem ser consumidos de diversas maneiras: • saladas, • sopas, • recheados, • em forma de purê, • preparações quentes (cozidos, refoga- dos, assados, gratinados, empanados, ensopados). A escolha da forma de preparo pode variar bastante de acordo com o tipo de legume ou verdura. Legumes e verduras são alimentos muito saudáveis. São excelentes fon- tes de várias vitaminas e minerais e, portanto, muito importantes para a prevenção de deficiências de micro- nutrientes. Além de serem fontes de fibras, fornecem, de modo geral, mui- tos nutrientes em uma quantidade relativamente pequena de calorias, características que os tornam ideais para a prevenção do consumo exces- sivo de calorias e do excesso de peso. sença de preparações como tutu à mineira, grão-de-bico em salada, feijão tropeiro, sopa de feijão, de ervilha ou de lentilha, acarajé, entre muitas outras possibilidades. Ervilhas, lentilhas e grão-de-bico cozidos são consu- midos também em saladas, por exemplo. O arroz pode ser substituído por outros cereais ou tubérculos da região como mandioca, farinha de mandioca, polenta, farinha e milho, macarrão, inhame, batata doce ou batata inglesa e aveia ou cevada. Carnes vermelhas (de gado ou de porco) devem ser restritas a um terço das refeições apresentadas, priorizando-se cortes ma- gros e preparações grelhadas ou assadas. Visando apresentar opções de alimentos para substituir carnes vermelhas, podemos selecionar preparações grelhadas, assadas ou ensopadas de frango ou peixe, ovos (ome- lete) ou legumes (abóbora com quiabo, por exemplo). Quando a gestante não estiver em condições de comprar uma fonte de proteína animal, você pode orientá-la a aumentar a quantidade de leguminosa servida no prato. Boa parte dos legumes e verduras é comercializada em quase todos os meses em todas as regiões do país. No entanto, tipos e variedades produzidos localmente as vitaminas necessárias para o dia a dia. A variedade da alimentação deve refletir as preferências regionais. Almoço e jantar: O almoço da gestante e de sua família deve incluir 1 porção de proteína animal ou vegetal, leguminosas (fonte de proteína vegetal), cereais ou tubérculos e vegetais/ folhosos. Todos esses são alimentos in natura ou minimamente processados. A mistura de feijão com arroz é básica no Brasil e traz um aporte importante de fer- ro, carboidratos e proteína vegetal. O feijão pode ser o preto, vermelho, carioca ou fradi- nho, por exemplo. Nessa categoria também estão as leguminosas: ervilha, lentilha, grão de bico. Além do feijão cozido da forma tradi- cional, você pode lembrar a gestante da pre-
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    48 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E RECOMENDAÇÕES PARA GESTANTES EM NÍVEL INDIVIDUAL ENCERRAMENTO DA UNIDADE Nesta unidade, abordamos os passos necessários para que você consiga avaliar adequadamente o estado nutricional da gestante. Lembre-se de que o primeiro passo sempre será calcular a idade gestacional da mulher, e o segundo será a avaliação do estado nutricional pré-gestacional, que servirá de base para a definição do estado nutricional inicial e definição do ganho de peso ao longo da gestação. Também foram discutidos os principais pontos que devem ser abordados nas recomendações alimentares na gestação, alimentos que devem ser evitados e alimentos que devem fazer parte da base da alimentação. Abordamos a importância do consumo de água, os comportamentos alimentares e a sua influência na quantidade e qualidade da alimentação da gestante e a importância da suplementação de ferro e ácido fólico conforme a Política Nacional de Suplementação.
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    AÇÕES COLETIVAS PARAO GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO
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    PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO 50 3 AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO Nesta unidade, apresentaremos pro- postas de ações coletivas de educação nutricional na gestação para prevenção do sobrepeso e da obesidade com enfoque na APS, espaço preferencial para o desenvolvi- mento desse tipo de ações. Dada a importância da alimentação adequada e saudável para a promoção da saúde, a prevenção e o controle da obesidade nesse período, esta unidade foi criada com o objetivo de apoiar o planejamento e o desenvolvimento de ações coletivas de promoção da alimentação adequada e saudável. Recomendamos que ideias apresentadas sejam implementadas em grupos de gestantes já existentes dentro da sua Unidade Básica de Saúde (UBS), visando trazer informações por meio de oficinas, rodas de conversa e folders que podem ser distribuídos nos grupos ou afixados na UBS. 3.1 ACOLHIMENTO, AÇÕES EDUCATIVAS E TROCA DE EXPERIÊNCIAS PARA GESTANTES As intervenções pautadas no incentivo à alimentaçãoadequadaesaudávelapresentam resultados satisfatórios, especialmente sobre o consumo alimentar e o perfil antropométri- co dos indivíduos, dentre eles, as gestantes. As ações coletivas são a melhor escolha para atividades de educação nutricional, sobre- tudo por promover uma maior participação do usuário no processo educativo, no envol- vimento da equipe com o participante e na otimização do trabalho (BRASIL, 2012). Por ser um local acessível para a população, a Unidade Básica de Saúde destaca-se como lócus prioritário para o desenvolvimento dessas ações. Na UBS, abre-se a possibilidade de inter- câmbio de experiências e conhecimentos relacionados a alimentação e nutrição, emo- ções e outros fatores ligados à gestação, favorecendo a compreensão do processo.
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    51 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO 3.2 AÇÕES E PRÁTICAS COLETIVAS DE EDUCAÇÃO NUTRICIONAL PARA UMA ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL NA GESTAÇÃO Um dos aspectos fundamentais a ser considerado no planejamento e na execução das ações coletivas de Educação Alimentar e Nutricional é a comunicação, devido à sua influência decisiva nos resultados das ações. Para o sucesso das ações, a comunicação deve ultrapassar os limites da transmissão de informações e a forma verbal, compreen- dendoumconjuntodeprocessosmediadores da Educação Alimentar e Nutricional. Dessa maneira, recomenda-se que a comunicação seja pautada nos seguintes aspectos (BRASIL, 2016): • Escuta ativa e próxima: a gestante e sua família devem ter a oportunidade de se colocar dentro do grupo, tirando dúvidas e sugerindo temas que poderão ser abordados ao longo das oficinas. • Construção partilhada de saberes, práticas e soluções. • Valorização do conhecimento, da cultura e do patrimônio alimentar: na realização das atividades educativas, as formas de realização do trabalho educativo, destacam-se as discussões em grupo, as dramatizações e outras dinâmicas que facilitam a fala e a troca de experiências entre os componentes do grupo. Aproveite as intervenções coletivas como um espaço cooperativo para troca de conhe- cimentos entre as gestantes, seus parceiros e os profissionais, para o fortalecimento da sociabilidade, reflexão sobre a realidade vivenciada e criação de vínculo entre as famí- lias assim como entre você, profissional de saúde e as gestantes. Ao atuar como facilita- dor do grupo ou oficina realizada, tente evitar o estilo “palestra”, que é pouco produtivo e ofusca questões subjacentes que podem ser mais relevantes para as pessoas presentes do que um roteiro preestabelecido. Confira mais informações sobre a importância das ações educativas e ferramentas de educação nutricional acessando o “Instrutivo: metodologia de trabalho em grupos para ações de alimentação e nutrição na atenção básica”,nolink:<http://bvsms.saude. gov.br/bvs/publicacoes/instrutivo_ metodologia_trabalho_alimentacao_ nutricao_atencao_basica.pdf> A criação de espaços de educação em saúde sobre a alimentação adequada e saudável no pré-natal é de suma importância; afinal, nesses espaços, as gestantes podem ouvirefalarsobresuasvivênciaseconsolidar informações importantes sobre o tema junto com outros assuntos que envolvem a saúde da criança, da mulher e da família dentro dos grupos de gestantes já existentes na UBS (BRASIL, 2012). Figura 12 – Convide as gestantes a participar de grupos e atividades na UBS. Fonte: Monkey Business/Adobe Stock Além da realização de atividades nos grupos específicos para gestantes, algumas ações simples podem ser realizadas em salas de espera, com cartazes afixados nos murais da UBS. Entre as diferentes
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    52 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO alimentação e nutrição na atenção básica” do Ministério da Saúde, as ações podem ser realizadas em formato de oficinas, de painéis e fixação de cartazes ou distribuição de folders informativos na rede de saúde. Conheça mais a fundo os formatos de atividades de educação nutricional que podemserinseridosnosgruposdegestantes em relação à prevenção de sobrepeso e obesidade no quadro a seguir. à região, situação social e cultural das gestantes acompanhadas. • Relações horizontais: a troca de saberes e a interação no grupo são horizontais e não devem apresentar nenhum tipo de hierarquia. • Monitoramento permanente dos resultados. Segundo o “Instrutivo - metodologia de trabalho em grupos para ações de práticas alimentares regionais e culturas alimentares devem ser respeitadas e levadas em consideração. • Atenção às necessidades dos indivíduos e grupos: é importante realizar um levan- tamento das características de idade, status socioeconômico e condições de saúde das pessoas que irão participar do grupo. Isto ajudará a planificar de forma mais acolhedora as ações a serem realizadas. • Busca da formação de vínculo entre os diferentes sujeitos que integram o proces- so: como um grupo que irá se encontrar em várias ocasiões e que faz parte do território da UBS, é importante que seja criado um vínculo tanto entre as pessoas que participam do grupo como entre os profissionais atuantes e as gestantes. Isso ajuda a trazer uma maior confiança e sensação de acolhimento em relação ao aconselhamento realizado ao longo da gestação, além de proporcionar uma rede de apoio entre as gestantes do grupo. • Busca de soluções contextualizadas: a apresentação das soluções apresentadas aos problemas e situações levantadas no grupo, devem estar contextualizadas Oficina Tem por objetivo promover a constru- ção de conhecimento por meio da reflexão sobre um tema central, inserido no contexto social do grupo, trazendo as experiências e vivências dos partici- pantes. Na elaboração de uma oficina, você deve envolver as pessoas integral- mente, bem como suas formas de pensar, sentir e agir (BRASIL, 2016). Na oficina, o número de encontros pode ser variável, e o grupo propõe-se a desen- volver uma determinada tarefa. Painel É uma estratégia para promover a reflexão, informar os usuários, comunicar durante os intervalos das oficinas e das ações no ambiente, além de explorar as estratégicas coletivas empregadas, que consta de estrutura física fixada no espaço do serviço. Para realizar um painel, a partir de um modelo base fixado no espaço do serviço, serão expostas diferentes atividades desenvolvidas durante os encontros, como imagens do grupo nas atividades, textos informativos sobre alimentação e nutrição,
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    53 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO 3. Sistematização e avaliação – Após a realização da oficina, é momento de visualizar a produção do grupo, acompanhar o desenvolvimento da reflexão, do crescimento da autonomia e conhecimento dos participantes em relação ao tema abordado. Os participantes do grupo devem participar da tomada de decisões sobre os próximos encontros, ou seja, o produto da oficina deve ser construído coletivamente. Lembre que o trabalho em grupo não deve ser pensado somente como forma de atender à demanda, mas sim como um espaço que propicia socialização, integração, apoio psíquico, trocas de experiências e de saberes e construção de projetos coletivos. Cada grupo de gestantes e seus parceiros trará prioridades e características próprias, e essas devem ser consideradas e contempladas levando em consideração as recomendações citadas acima, a região e as características da cultura alimentar local, assim como as angústias e questionamentos trazidos pelas gestantes. utilização de atividades, brincadeiras, conversas, apresentação dos participan- tes do grupo e descrição de principais características de cada um, etc. Podem perguntar a idade gestacional, nome do bebê, com quem acham que o bebê irá se parecer, dentre outras dinâmicas para quebrar o gelo e depois apresentar os objetivos do grupo, abrindo sempre um espaço para sugestão pelas participantes e acompanhantes. 2. Intermediário – Depois, é realizado o desenvolvimento das atividades. Essas devem facilitar a reflexão e a elaboração do tema. Este momento pode ser subdividido em quatro pontos: a. Utilização de técnicas lúdicas, sensibilização, motivação, reflexão e comunicação. b. Conversa e reflexão sobre os sentimentos e ideias do grupo sobre as situações vivenciadas. c. Expansão das vivências, relacionando- as com situações do cotidiano. d. Exposição e análise das informações sobre o tema comparadas às experiências dos participantes para esclarecimentos. reflexões sobre como construir modos mais saudáveis na rotina de vida, entre outros. O painel ficará exposto no serviço e/ou no espaço para a apreciação dos usuários, sendo incentivada a participação em sua construção, bem como a sua exploração. Já o desenvolvimento da oficina pode ser estruturado em três momentos (AFONSO, 2006): Inicial, quando ocorre a preparação das atividades Intermediário, quando são realizadas as atividades Sistematização e avaliação, quando são mensurados os resultados 1 resultados 3 2 Agora, vamos conhecer melhor cada uma das etapas: 1. Inicial – Você e outros membros da unidade envolvidos no grupo realizarão a preparação dos participantes com apresentação dos objetivos e das ativida- des. Pode ser realizada por técnicas de “relaxamento” e/ou “aquecimento”, com
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    54 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO 3.2.1 Trabalhando crenças sobre a alimentação na gestação Existem diversas crenças culturais que não apresentam nenhuma evidência científica em relação à alimentação na gestação e ao ganho de peso nessa fase. Dentre tantas, podemos citar algumas, tais como: grávida deve “comer por dois”, chás devem ser tomados livremente na gestação, as frutas podem engordar ou se comer muita fruta o bebê cresce demais. Pensando nisso, elaboramos uma proposta de atividade que você pode realizar no seu grupo de gestantes para desmistificar esse tipo de crenças, baseando-se em evidências científicas. A seguir explicamos o passo a passo de uma atividade, com as respostas corretas que devem ser repassadas nos grupos, levando como base evidências científicas. Antes de começar a atividade, tente conhecer um pouco sobre cada gestante e seu parceiro, identificando aquelas que já têm outros filhos e podem compartilhar as suas experiências anteriores, enriquecendo o diálogo entre o grupo. Objetivo da atividade • Desmistificar as crenças relacionadas à alimentação, nutrição e ganho de peso da gestante mediante uma atividade lúdica e descontraída. • Sensibilizar as gestantes e seus parceiros sobre a real importância da alimentação saudável e equilibrada sem restrições ou medos. Atividades • Promover a integração do grupo mediante a atividade em turma e com a participação do casal. • Realizar a atividade de educação de forma participativa, onde as gestantes e seus parceiros terão 2 plaquinhas montadas pela equipe de saúde, uma escrita “CRENÇA” e outra escrita “VERDADE” que serão levantadas toda vez que o facilitador do grupo levantar uma questão relacionada à alimentação na gestação. Material necessário para a atividade • Cartolinas brancas ou folhas brancas • Canetinha preta ou de outra cor Como aplicar a atividade Antes da realização do grupo: você e a equipe da unidade devem montar duplas de plaquinhas, com uma dizendo “CRENÇA” e outra dizendo “VERDADE”. Monte o número de plaquinhas, considerando que cada pessoa deverá receber uma plaquinha “CRENÇA” e uma plaquinha “VERDADE”. Além das placas, você deverá ter, em uma folha, as crenças mais comuns que são ditas em relação à alimentação e nutrição na gestação, juntamente com a resposta correta, informações que forneceremos a seguir. Se possível, convide a nutricionista do NASF-AB para participar dessa atividade junto com você. No dia da oficina no grupo de gestantes: • Monte uma roda com as cadeiras para que todos os participantes possam se enxergar. • Entregue, a cada participante, uma plaquinha de cartolina dizendo “CRENÇA” e outra dizendo “VERDADE”. • Explique aos participantes do grupo, que você irá falar sobre algum assunto relacionado à alimentação na gestação e que gostaria que
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    55 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO cada participante levantasse uma plaquinha, dizendo se acredita que o dizer é verdade ou crença. • Após falar sobre o assunto, aguarde que todos os participantes do grupo levantem as suas plaquinhas, contabilize as respostas e anote em um quadro (se tiver disponível) ou caderno. • Logo depois, você pode perguntar para um ou dos participantes, o motivo pelo qual eles acham que a frase falada é crença ou verdade, trazendo assim a participação e voz dos membros do grupo. • E aí você pode levantar a plaquinha com a resposta certa, esclarecendo brevemente a questão. Você pode levantar entre 4 e 6 assuntos dife- rentes. Mas, sinta qual está sendo a reação do grupo, se perceber que eles já estão cansados, pode encerrar a atividade com no mínimo 4 questões abordadas. Crenças e verdades que podem ser abordadas: 1. Gestante pode e deve “comer por dois”  CRENÇA! Por muito tempo ouvimos falar que a gestação é o momento de se permitir e comer tudo o que quisermos, já que temos um bebê dentro da gente e por isso devemos “comer por dois”. Mas isso não é mais do que uma crença! A gestante deve comer a mesma quantidade de calorias que comia antes de engravidar, e a partir das 14 semanas de gestação só se acrescentam 300 calorias, que são facilmente supridas com um lanchinho adicional composto por uma vitamina de frutas + uma fatia de pão integral com manteiga, por exemplo, ou um punhado de castanhas e uma fruta, ou uma tapioca com um copo de suco de laranja (BRASIL, 2012a). 2. Gestante deve consumir café, chimarrão e chocolates com moderação. Já o refrigerante deve ser evitado sempre que possível  VERDADE! Café, chimarrão, refrigerantes e choco- lates são alimentos ricos em cafeína, e o consumo elevado de cafeína pode estar associado ao aumento do risco de recém- -nascido com baixo peso e de aborto. Mas, calma, que eles podem ser consumidos, des- de que com moderação. Recomenda-se que as gestantes tomem até 3 xícaras de café coado ao dia (preferencialmente com ao menos um pouquinho de leite) ou 2 xícaras de café instantâneo (BRASIL, 2012a). Ah! E dois tabletes pequenos de choco- late equivalem a 1 xicara de café coado! Já o refrigerante deve ser evitado por conter muitos aditivos químicos como corantes e saborizantes, além de um elevado nível de açúcar, que pode ser prejudicial e aumentar o ganho de peso excessivo na gestação.
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    56 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO Recomenda-se a prática de exercícios moderados por 30 minutos, diariamente (BRASIL, 2012a). No final da atividade, abra espaço para que as gestantes e seus parceiros façam questionamentos adicionais. Se o nutricionista ou obstetra estiverem presentes na oficina, eles poderão responder às questões adicionais. Caso eles não estejam presentes, você pode anotar os questionamentos e trazer as respostas no próximo encontro do grupo de gestantes. 3.2.2 Reconhecendo os grupos de alimentos segundo nível de processamento industrial Uma forma de trazer conhecimento sobre os grupos de alimentos segundo nível de processamento industrial e a importância das escolhas adequadas ao longo da vida é mediante a afixação de cartazes e entrega de folders aos usuários da UBS, incluindo gestantes e suas famílias. Confira, a seguir, alguns modelos. peso direitinho, pode utilizar o açúcar em preparações como bolos ou para adoçar o seu cafezinho, desde que com moderação! 5. A gestante deve limitar seu consumo de frutas para não ganhar peso excessivo  CRENÇA! Frutas podem e devem ser consumidas todos os dias na alimentação da gestante. Elas são fontes de fibra e vitaminas importantes para o desenvolvimento do bebê e para a manutenção da saúde da gestante e auxiliam na prevenção da constipação da mãe assim como na prevenção do ganho de peso excessivo (BRASIL, 2012a). 6. Praticar atividade física leve é recomendado na gravidez e não traz nenhum risco para o bebê  VERDADE! As atividades físicas recreativas, como caminhadas leves, são seguras durante a gravidez. No entanto, devem ser evitados exercícios que coloquem as gestantes em risco de quedas ou trauma abdominal (como esportes de contato ou de alto impacto). 3. Comer comida feita em casa junto com frutas e vegetais é mais caro que comer alimentos ultraprocessados como salsichas com macarrão instantâneo ou produtos congelados  CRENÇA! No Brasil, comer uma refeição feita em casa e que inclua frutas e/ou vegetais, tem um custo menor do que comer alimentos ultraprocessados! Em média, um prato feito em casa com alimentos saudáveis custa R$1,54 contra R$ 2,40 de alimentos ultraprocessados. 4. É melhor utilizar adoçantes artificiais do que adoçar as preparações com açúcar na gestação  CRENÇA! O adoçante deve ser utilizado apenas por gestantes com diabetes ou diabetes gestacional, quando houver indicação. Mesmo assim o adoçante escolhido deve ser utilizado em quantidades e frequência reduzida. A gestante deve evitar o uso de ciclamato e sacarina e preferir o aspartame ou estévia. E você que é gestante e está saudável e controlando o seu ganho de
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    57 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO Recomendações Faça de alimentos in natura ou minimamente processados a base de sua alimentação Alimentos in natura ou minimamente processados, em grande variedade epredominantementedeorigemvegetal,sãoabasedeumaalimentação nutricionalmente equilibrada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável. Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao tem- perar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias Desde que utilizados com moderação em preparações culinárias com base em alimentos in natura ou minimamente processados, óleos, gor- duras, sal e açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação sem torná-la nutricionalmente desbalanceada. Limite o uso de alimentos processados, consumindo-os, em pequenas quantidades, como ingredientes de preparações culinárias ou como parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos proces- sados – como conservas de legumes, compotas de frutas, queijos e pães – alteram de modo desfavorável a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam. Evite alimentos ultraprocessados Devido a seus ingredientes, alimentos ultraprocessados – como bis- coitos recheados, “salgadinhos de pacote”, refrigerantes e “macarrão instantâneo” – são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados. Suas for- mas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de modo desfavorável a cultura, a vida social e o meio ambiente. A regra de ouro. Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados Opte por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados; não troque a “comida feita na hora” (caldos, sopas, saladas, molhos, arroz e feijão, macarronada, refogados de legumes e verduras, farofas, tortas) por produtos que dispensam preparação culi- nária (“sopas de pacote”, “macarrão instantâneo”, pratos congelados prontos para aquecer, sanduíches, frios e embutidos, maioneses e mo- lhos industrializados, misturas prontas para tortas) e fique com sobre- mesas caseiras, dispensando as industrializadas. Fonte: BRASIL (2016). Quadro 8 – Modelo com quatro recomendações e uma “regra de ouro” propostas pelo Guia Alimentar para a população brasileira para afixar nos corredores da UBS ou para distribuição em folders
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    58 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO Quadro 9 – Tipos de alimentos segundo grau de processamento industrial, benefícios e/ou malefícios à saúde Alimentos in natura e minimamente processados Exemplos: legumes, verduras e frutas in natura ou embalados, porciona- dos, refrigerados ou congelados; arroz branco, integral ou parboilizado; outros cereais; feijão e outras leguminosas; raízes e tubérculos; cogu- melos; frutas secas e sucos de frutas sem adição de açúcar ou outras substâncias; castanhas e nozes sem sal ou açúcar; especiarias e ervas frescas ou secas; farinhas (mandioca, milho ou trigo); massas frescas ou secas feitas com essas farinhas e água; carnes, aves e peixes fres- cos, resfriados ou congelados; leite fresco ou pasteurizado; iogurte (sem adição de açúcar); ovos; chás; cafés; infusões de ervas e água. Benefícios de seu consumo • Alimentos in natura ou minimamente processados variam muito em relação ao seu conteúdo nutricional • O consumo regular de frutas, verduras e legumes está associado à sensação de bem-estar, de corpo saudável e forte, além de auxiliar na prevenção de doenças como diabetes, doenças do coração e alguns tipos de câncer, além de aumentar a resistência contra infecções. Estes alimentos contêm fibras, que auxiliam o intestino a funcionar bem, evitando a constipação intestinal, como também auxiliam na redução dos níveis de colesterol sanguíneo e promovem a sensação de saciedade, o que ajuda a manter o peso estável. Alimentos processados Exemplos: conservas de alimentos, frutas em calda, alimentos preser- vados em salmoura ou óleo, carnes salgadas e/ou defumadas, queijos e pães simples. Por que seu consumo deve ser limitado? O processamento utilizado na fabricação desses produtos os torna de- sequilibrados nutricionalmente, visto que o sal e o açúcar (e a gordura, quando utilizada) aderem aos alimentos. Alimentos ultraprocessados Exemplos: salsichas, biscoitos, sorvetes, produtos diversos de confeita- ria, sopas e macarrão instantâneo, salgadinhos, refrigerantes, produtos congelados prontos para consumo. Por que seu consumo deve ser limitado? • São nutricionalmente desequilibrados. Geralmente consistem em produtos ricos em gorduras e/ou açúcar e sódio, devido o acréscimo de sal para o aumento de sua durabilidade, intensificação do sabor ou até mesmo para disfarçar o sabor indesejável decorrente do pro- cessamento excessivo. • Em sua maioria, apresentam elevada densidade calórica e são po- bres em fibras, vitaminas e minerais, sobretudo em função da au- sência de alimentos inteiros. Dessa forma, podem favorecer a ocor- rência de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e diversos tipos de câncer, além de elevar o risco de deficiências nutricionais. • São hiperpalatáveis, o que pode contribuir para o consumo excessivo e para a indução de hábito ou até mesmo a dependência. • Por serem formulados com o intuito de serem consumidos sem o uso de mesas, pratos ou talheres, estes alimentos podem prejudicar o controle da saciedade. Fonte: Brasil (2014).
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    59 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO Náuseas, vómitos e azia Por volta de 70% das gestantes apresentam pelo menos um desses sintomas. Náuseas, vômitos e azia ocorrem geralmente nos primeiros meses de gravidez como resultado das alterações hormonais comuns na gestação. Tranquilize a gestante informando que esses sintomas são normais e que existem algumas estratégias para aliviá-los. Em folders e cartazes você pode referir a importância de: • fazer pequenas refeições em ambiente arejado, com intervalos de 2 horas; • restringir os alimentos com odores fortes e consumi-los em pequenas quantidades; • optar por cereais bem cozidos, pães e torradas caseiras com geleia, batatas bem cozidas, ovos cozidos e carne magra; • evitar os alimentos irritantes (exemplo: o café, o chá preto/verde, o chocolate e comida muito condimentada); • ingerir, de acordo com a tolerância individual, líquidos frios, cerca de 1 a 2 horas, antes e após as refeições. de pré-natal, auxiliando-as na manutenção de um ganho de peso adequado e saudável, que levará em conta as especificidades de cada mulher. 3.3 ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM SINTOMAS COMUNS NA GESTAÇÃO Existem diversos sintomas que são co- muns na gestação, variando de gestante para a gestante na sua frequência, intensidade e aparição. Sintomas como náuseas, vômitos, excesso de apetite, dentre outros podem interferir na qualidade da alimentação da gestante aumentando o risco de ganho de peso insuficiente ou excessivo na gestação. A forma de lidar com esses sinto- mas deve ser discutida nos grupos de gestantes, assim como por meio de distribuição de folders na sala de espera das consultas de pré-natal. A seguir, listamos os sinais e sintomas mais comuns na gestação que devem ser incluídos nos materiais de divulgação a serem distribuídos na UBS e discutidos nos grupos de gestantes, acompanhe. 3.2.3 Orientação humanizada sobre a importância do ganho de peso gestacional adequado na garantia da saúde da mãe e do feto No mesmo dia em que será realizada a oficina sobre crenças e verdades da gestação,vocêpodereservarumespaçopara conversar com as gestantes e seus parceiros sobre os medos, dúvidas e preocupações em relação ao ganho de peso na gestação. Converse com o grupo, explicando que é normal e necessário que a gestante ganhe peso durante a gestação, e que um inadequado ganho de peso pode aumentar o risco de atraso de crescimento intrauterino e mortalidade perinatal. Ao longo da conversa, pare e ouça os questionamentos dos membros do grupo, e reforce a importância de mães e pais participarem das consultas de pré-natal para acompanhamento do ganho de peso a cada consulta. Explique que, nessas consultas, também serão abordadas as estratégias alimentares que poderão auxiliar na realização de escolhas adequadas para a gestante e sua família. ReforcetambémqueaUBSseráumespaço de acolhimento ao longo de todo o período
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    60 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO 3.4 PLANEJAMENTO EM FAMÍLIA PARA PREVENÇÃO DE SOBREPESO E OBESIDADE É imprescindível que as gestantes e seus acompanhantes – sejam eles os(as) companheiros(as) ou membros da família ou seus amigos – tenham contato com atividades de educação, pois muitas vezes este é o espaço onde se compartilham dúvidas e experiências que normalmente não são discutidas em consultas formais, dentro dos consultórios dos médicos, enfermeiros ou dentistas (BRASIL, 2016). Segundo o Guia Alimentar para a Popula- ção Brasileira (BRASIL, 2014), o planejamento familiar é uma das ferramentas essenciais para a garantia de uma alimentação adequa- da e saudável, e o compartilhamento das tarefas tem papel fundamental na garantia do bem-estar da mulher na gestação e pós-parto imediato. Reduzindo situações de sobrecarga física e emocional da gestante, reduzimos o estresse e a ansiedade, que são considerados dois gatilhos importantes para o comer não-saudável na gestação e para a redução dos níveis de ocitocina e prolactina Nesses casos, as refeições principais devem ser completas e os lanchinhos servidos em pequenas porções. Esses aspectos podem ser realizados em formato de oficina, solicitando para as gestantes reproduzirem, em uma cartolina, os horários e alimentos que colocam no prato nas diversas refeições. Questione quantas delas sofrem de apetite em excesso e ansiedade. Depois, apresente, em slides ou em cartolina, um esquema do número de refeições recomendado e a importância de se alimentar em pequenas quantidades várias vezes ao dia. Também é importante que você lembre às gestantes sobre a importância do consumo adequado de água, já que, muitas vezes, situações de desidratação inicial podem ser confundidas com fome. Reforce a importância de apreciar cada refeição, comer devagar, mastigar bem e de maneira que evite qualquer tipo de distração ou estresse na hora da alimentação. Ter um bom relacionamento com a comida ajudará a evitar o consumo excessivo, e a mastigação adequada auxiliará na digestão e ativação dos sinais de saciedade. Constipação Aproximadamente 35% a 40% das mulheres grávidas passam por crises de constipação na gestação. Para prevenir ou aliviar esse sintoma, a gestante pode: • beber bastantes líquidos, nomeada- mente água (2 litros por dia); • aumentar a ingestão de alimentos ricos em fibra (pão integral, arroz integral, cereais integrais, legumes e frutas frescas e secas, especialmente ameixas e figos, quando acessíveis). Apetite em excesso/ansiedade Muitas mulheres referem sentir mais apetite que o normal depois que engravidam e sentem-se mal quando não ingerem alimentos ou bebidas em um curto espaço de tempo. Nessas situações, oriente a realização de pequenas refeições com intervalos menores de tempo. Você pode sugerir que as gestantes façam o desjejum, dois pequenos lanches matinais (compostos por fruta/castanhas, em regiões de fácil acesso), almoço com fruta de sobremesa, dois pequenos lanches vespertinos, jantar e ceia.
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    61 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO Objetivo da atividade: • De forma descontraída e divertida, mostrar a necessidade da participação de todos os membros da casa na divisão de tarefas culinárias. • Apresentar um diário de bordo como estratégia de participação de toda a família no preparo dos alimentos. Atividades 1. Roda de participação nas atividades culinárias 2. Montagem de um diário de bordo com sugestão de divisão de tarefas culinárias da família Material necessário para a atividade • Folhas impressas com a tabelinha do diário de bordo • Caneta Como aplicar a atividade Imprima o diário de bordo/tabelinha de divisão de tarefas a seguir: 3.4.1 Orientações básicas para inclusão e incentivo à participação dos parceiros nas consultas de pré-natal e na divisão de tarefas culinárias Considerando a importância do compartilhamento de tarefas culinárias para a garantia de uma alimentação saudável e adequada durante toda a gestação, nas consultas individuais e nas salas de espera, converse com os casais ou gestantes e acompanhantes sobre a importância da participaçãodoacompanhantenosgruposde gestantes e durante as atividades realizadas, e reforce a importância da participação do parceiro em todos os acompanhamentos de pré-natal. Para incentivar a participação de toda a família na divisão de tarefas relacionadas ao preparo das refeições, sugerimos uma atividade que funciona como um diário de bordo em que cada integrante da família definirá a sua função em cada dia da semana com o intuito de facilitar a rotina familiar. A seguir descrevemos a atividade em detalhes. no pós-parto, o que dificulta a descida e ejeção do leite materno. É recomendado que, nos grupos de gestantes, os profissionais de saúde envolvidos encorajem o planejamento de fatores como: Quem irá cozinhar no pós-parto? Quem cuidará da limpeza e manutenção da casa para que a mulher possa se dedicar à amamentação? Reforce que a amamentação é essencial, pois além de nutrir o bebê, trazer proteção imunológica, prevenindo infecções gastrointestinais e respiratórias, assim como doenças crônicas não transmissíveis em longo prazo, dentre outros fatores, também traz benefícios importantes para a mulher, dentre eles, uma maior facilidade de recuperação do estado nutricional pré- gestacional, maior rapidez na descida do útero, prevenção de anemia, câncer de útero e de mamas.
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    62 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO Exemplo de diário de bordo preenchido: Dia da semana Atividade Pessoa(s) responsável(is) segunda-feira Picar os ingredientes básicos da semana Filhos Cozinhar almoço Mãe Cozinhar o jantar Parceiro/a Lavar e secar a louça Mãe lava e parceiro/a seca Colocar a mesa Filhos Diário de bordo para planejamento semanal de preparo das refeições para impressão (imprima o número adequado para os participantes do grupo). Dia da semana Atividade Pessoa(s) responsável(is) segunda-feira terça-feira quarta-feira quinta-feira sexta-feira sábado domingo
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    63 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO liá-los no planejamento da divisão de tarefas culinárias, montamos essa tabelinha, que funciona como um diário de bordo para que nas suas casas, com todos os integrantes da família, montem um plano de ação para a semana, onde cada um colocará qual atividade irá realizar na divisão das tarefas. Dessa forma, todos se alimentarão de ma- neira deliciosa, saudável, prazerosa e sem sobrecarregar ninguém em casa. Não é legal?! Nessa tabela, na primeira coluna temos os dias da semana, a seguir vocês podem co- locar as atividades relacionadas ao preparo dos alimentos e montagem da mesa, como está no exemplo. E finalmente há a coluna onde vocês definirão quem é ou são as pessoas responsáveis por cada atividade. No próximo dia do grupo nos contem como foi! • Dê mais um passo à frente quem participa do pré-preparo das refeições • Dê mais um passo à frente quem monta a mesa antes de comer • Um passo à frente quem retira os pratos da mesa da refeição • Umpassoafrentequemvaiàscompras dos ingredientes para a comida Depois de finalizada a brincadeira, peça para todos voltarem aos seus assentos e pergunte qual foi a impressão do jogo. Alguém se percebeu sobrecarregado nas atividades? Como cada um se sentiu? Quem está precisando participar um pouco mais da divisão de tarefas e como isso seria possível? Atividade 2 Diário de bordo para planejamento semanal e divisão de tarefas Após a dinâmica, com todos os participantes sensibilizados e ouvidos, você pode propor a montagem de um plano de ação. No dia do grupo, você pode orientar as famílias dizendo: Queridos participantes, queridas famílias, gostaram do primeiro exercício?! Para auxi- Agora,confiraasaçõesaseremrealizadas no dia da oficina no grupo de gestantes. Acompanhe! Atividade 1 Dinâmica com os participantes É fundamental que nesta atividade a gestante esteja acompanhada pela pessoa que divide a casa com ela, sejam os pais, parceiro(a) e/ou filhos. Peça para todos os participantes se colocarem em uma grande roda, e diga: Agora, vamos fazer uma brincadeira. Eu vou falar algumas atividades cotidianas realizadas para o preparo das refeições diárias e quero que aquela pessoa da casa responsável pela tarefa ou que divide a atividade na casa, dê um passo a frente. Aquele que não participa dessa tarefa, fica onde está. Depois da instrução, leia cada atividade e espere que as pessoas se movimentem. Atividades que podem ser citadas: • Dê um passo à frente quem tem costume de lavar a louça • Dê mais um passo à frente quem tem costume de secar a louça
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    64 PROMOÇÃO DO GANHODE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO AÇÕES COLETIVAS PARA O GANHO DE PESO ADEQUADO NA GESTAÇÃO ENCERRAMENTO DA UNIDADE Nesta unidade estudamos os aspectos relevantes e didáticos trabalhados no coletivo. A intenção de aproveitar o espaço e a oportunidade de compartilhamentos de experiências e conhecimentos por meio da realização de atividades de educação alimentar e nutricional em grupos para gestantes já existentes nas UBS traz uma oportunidade tanto para os profissionais da APS quanto para as gestantes e seus acompanhantes, complementando e reforçando temas discutidos nas consultas individuais e trazendo as vivências do grupo à tona para tomada de decisões assertivas. Também discutimos aspectos relevantes para a conscientização da necessidade de um ganho de peso adequado e saudável para prevenção de sobrepeso e obesidade, além de outras complicações relacionadas ao parto e ao bebê. Temos certeza que, ao aplicar as estratégias sugeridas, possibilitaremos o acolhimento, informação e adesão a hábitos de vida saudáveis pela gestante e sua família.
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    ENCERRAMENTO DO CURSO 65 ENCERRAMENTODO CURSO Chegamos ao final do curso! Esperamos que o conteúdo tenha sido proveitoso e que você tenha sucesso na aplicação das orientações no seu cotidiano de trabalho. Ao longo do conteúdo estudado, apresentamos orientações atualizadas e relevantes para a sua prática na prevenção e controle do sobrepeso e da obesidade, visando uma atuação com acolhimento e respeito e embasamentocientífico,respeitandosempre a cultura alimentar da sua região. Agrupamos as principais recomendações para a prevenção e controle do sobrepeso e obesidade no período gestacional para uso na APS. Deste modo, buscamos favorecer a sua atuação profissional nos atendimentos e realização de atividades coletivas na Unidade Básica de Saúde. Como estratégia para o combate e pre- venção do sobrepeso e obesidade em todo o ciclo da vida, o Ministério da Saúde elaborou materiais ricos em conteúdo atualizado para a realidade brasileira e que serão fun- damentais para a sua atuação profissional e embasamento nos atendimentos dentro da Unidade Básica de Saúde. Recomendamos fortemente a leitura dos materiais sugeridos nos itens “Saiba mais” distribuídos ao longo das unidades, assim como a apreciação dos materiais utilizados como referência bibliográfica na montagem deste curso. É o nosso dever estudarmos e nos atualizarmos já que diariamente lidamos com a saúde da população brasileira. Agradecemos sua participação e dedicação na realização desse curso.
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    66 REFERÊNCIAS ______. Ministério doDesenvolvimento Social e Combate à Fome. Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas. Brasília, DF: MDS; Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, 2012b. Disponível em: <https://ideiasnamesa.unb. br/files/marco_EAN_visualizacao.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2019. ______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/ publicacoes/guia_alimentar_populacao_ brasileira.pdf>. Acesso em: 27 ago. 2019. ______. Ministério da Saúde. Universidade Federal de Minas Gerais. Instrutivo: metodologia de trabalho em grupos para ações de alimentação e nutrição na atenção básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. ______. Ministério da Saúde. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde; 2013a. ACOG. ACOG Committee Opinion No. 763. Obstetrics & Gynecology, [s.l.], v. 133, n. 1, p. 90-96, jan. 2019. AFONSO, L. Oficinas em dinâmica de grupo. In: AFONSO, L. Oficinas em dinâmica de grupo: um método de intervenção psicossocial. Belo Horizonte: Edições do Campo Social, 2006. 175 p. AUNE, Dagfinn et al. Maternal Body Mass Index and the Risk of Fetal Death, Stillbirth, and Infant Death. Jama, [s.l.], v. 311, n. 15, p. 1536-1546, 16 abr. 2014. BLONDON, M. et al. Pre-pregnancy BMI, delivery BMI, gestational weight gain and the risk of postpartum venous thrombosis. Thrombosis Research, [s.l.], v. 145, p. 151-156, set. 2016. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012a. 318 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n° 32)
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    71 MINICURRÍCULO DOS AUTORES RoxanaKnobel Possui graduação em Medicina (1993) e resi- dência médica em Ginecologia e Obstetrícia (1996) pela Universidade Estadual de Cam- pinas, especialização em medicina chinesa e acupuntura pela Escola Paulista de Medi- cina (1996); mestrado (1997) e doutorado (2002) em Ciências Médicas pela Universi- dade Estadual de Campinas, pós-doutorado em enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (2005) e especialização em educação para as profissões da saúde pela Universidade Federal do Ceará (2014). Atualmente é professora adjunta do curso de medicina da Universidade Federal de Santa Catarina e na residência médica de ginecolo- gia e obstetrícia no Hospital Universitário de Florianópolis, SC. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Ginecologia e Obstetrícia, atuando principalmente nos seguintes temas: parto, parto humanizado, evidências em obstetrícia, morte materna, saúde pública e educação médica. É mãe de dois filhos, nascidos em 1998 e 2001. Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/7407477056113028 Caroline Bandeira Nutricionista materno-infantil. Docente da Estácio de Sá – SC, Especialista em Nutrição Materno Infantil pela FATEC - PR, Pós – graduada em Nutracêutica pela Universidade Lusófona de Lisboa – Portugal, Mestre e Doutoranda em Saúde Coletiva pela UFSC e Membro do CORAMAS – Comitê Regional de Aleitamento Materno e Alimentação Saudável da Grande Florianópolis. Founder da empresa PApáDUbeBÊ e Sócia do espaço Em Família Nutrição Afetiva. Tem experiência na área de Alimentação e Nutrição, atuando principalmente nos seguintes temas: Nutrição Clínica, Nutrição Materno-Infantil, Comportamento Alimentar, Educação Nutricional, Consumo alimentar e Nutracêucticos. Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/3227046558041924 MINICURRÍCULO DOS AUTORES Silvia Giselle Ibarra Ozcariz Nutricionista materno-infantil, formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), mestre em Epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutora em Saúde Coletiva da Universi- dade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Pós-doutora em Nutrição pelo Programa de Pós-graduação em Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina. Trabalha como pesquisadora do Projeto de Prevenção da Obesidade do Ministério da Saúde, do Estudo EpiFloripa – Condições de Saúde de Adultos de Florianópolis, do Estudo EpiFloripa Idoso e da pesquisa MOV+, atuando em todas as fases da pesquisa. Participou nos estudos ECCAGe, estudo multicêntrico ELSA Brasil. Tem experiência na área de Epidemiologia Nutricional, atuando principalmente nos seguintes temas: Epidemiologia Nutricional, Avaliação do Consumo Alimentar, Produtos Ultra-processados, Educação Nutricional, Nutrição Materno-Infantil e Saúde do Adulto. Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/2266424295747552