SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 36
Baixar para ler offline
Texto: Efigênia Alves
Ilustrações: Rafael Limaverde
Fortaleza ● Ceará ● 2018
Texto: Efigênia Alves
Ilustrações: Rafael Limaverde
Copyright © 2018 Efigênia Alves
Copyright © 2018 Rafael Limaverde
SEDUC - Secretaria da Educação do Estado do Ceará
Av. Gen. Afonso Albuquerque Lima, s/n - Cambeba - Fortaleza - Ceará | CEP: 60.822-325
(Todos os Direitos Reservados)
Coordenação Editorial,
Preparação de Originais e Revisão
Raymundo Netto
Projeto e Coordenação Gráfica
Daniel Dias
Revisão Final
Marta Maria Braide Lima
Conselho Editorial
Maria Fabiana Skeff de Paula Miranda
Sammya Santos Araújo
Antônio Élder Monteiro de Sales
Sandra Maria Silva Leite
Antônia Varele da Silva Gama
Catalogação e Normalização
Gabriela Alves Gomes
Governador
Camilo Sobreira de Santana
Vice-Governadora
Maria Izolda Cela de Arruda Coelho
Secretário da Educação
Rogers Vasconcelos Mendes
Secretária-Executiva da Educação
Rita de Cássia Tavares Colares
Coordenador de Cooperação
com os Municípios (COPEM)
Márcio Pereira de Brito
Orientadora da Célula de Apoio à Gestão Municipal
Gilgleane Silva do Carmo
Orientador da Célula
de Fortalecimento da Aprendizagem
Idelson de Almeida Paiva Júnior
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
A474t 	 Alves, Efigênia.
O tempo que o tempo tem/ Efigênia Alves; ilustrações de Rafael Limaverde.
- Fortaleza: SEDUC, 2018.
32p.; il.
ISBN 978-85-8171-202-4
1. Literatura infanto-juvenil. I. Limaverde, Rafael. II. Título.
CDU 028.5
Aos meus filhos: Jônatas e Sara Beatriz,
por trazerem o meu tempo de infância
entre doçuras, risos e quintais.
4
A curiosidade morava no coração da menina.
Ela cutucava as dúvidas, que saltavam em
perguntas. E a dúvida maior era sobre o que é o
tempo, tão falado entre os adultos:
— O tempo hoje tá quente!
5
– No meu tempo, as coisas eram diferentes.
– Gostei dele por muito tempo...
– Nossa, me perdi no tempo!
E a menina ficava pensando: “Quando uma pessoa
se perde no tempo, para se achar, é preciso sair fora
dele? O tempo é um ser, um lugar ou um espaço? O que
é tempo perdido? Então ele pode ser achado?”
Cada um falava do tempo de um jeito diferente:
– O tempo tem os seus mistérios...
– O tempo ainda vai te dizer.
– O meu tempo está chegando.
6
7
E as dúvidas sobre o tempo cresciam dentro da
menina: “E quando o tempo chega, como sabemos?
Se o tempo fala, como é a sua voz? Onde o tempo
guarda os seus mistérios?”
8
Em cada fala, o tempo ganhava um sentido
diferente. Às vezes era a solução; outras vezes,
o culpado.
9
Tudo era muito confuso...
— Deixa que o tempo cura todas as feridas.
— Qual é o seu tempo?
— Faz tempo que te espero.
— Tudo tem seu tempo.
— O tempo é o melhor remédio!
— O tempo de ser feliz é agora.
“Então, a felicidade devia morar dentro de todos os
tempos”, a menina desejava.
Um dia, disseram para ela:
— Você tem todo o tempo do mundo!
10
A menina, então, se perguntava: “Ter todo o
tempo do mundo significa ser a dona do tempo? E
sendo a dona do tempo, posso mudá-lo de frente para
trás, misturar o depois com o agora, trocar o hoje pelo
ontem, revirar o amanhã e trazer o futuro para perto de
mim? Como mexer no tempo?”
11
Fazia tempo que a menina tentava entender
o que era o tempo. Aquele tempo que os adultos
falavam o tempo todo. Então, pegou a sua agenda
e resolveu perguntar às pessoas:
— O que você sabe sobre o tempo?
O rapaz de óculos, que andava apressado,
estranhando, respondeu:
— O que sei é bem pouco, porque o tempo
é muito comprido e não dá para alcançar o seu
tamanho. Mas é certo que ninguém se esconde do
tempo. Ele enxerga as lonjuras e até o que ainda
virá. E descobre todos os segredos!
12
13
O senhor que estava no banco da praça explicou
para a menina:
— O tempo vai desgastando tudo, distanciando
coisas e encurtando distâncias. Desbota
cores, entorta caminhos,
derruba as folhas
das árvores, seca as
correntezas e transborda
riachos. O tempo parece
menino traquino, não
dá ouvidos a ninguém.
14
A menina continuou a pesquisa e anotou cada
resposta:
— Tempo, menina, é aquela velhinha que vai
passando, com cabelo de nuvem em dia de sol
quente, bochechas amaracujadas e olhar sábio,
desses de quem já viu muita coisa na vida. Disse
o vendedor de algodão-doce.
15
— Ora, ora... o tempo é aquela montanha ao longe,
que abriga gerações de bichos e plantas e permanece,
lá, sem descer das alturas — falou uma moça bonita,
dessas que o sorriso vive enfeitando o rosto.
16
— Tempo é um ser invisível, montado num cavalo
de vento, que vive arrepanhando as coisas, levando
tudo para bem distante, como fez com tantas coisas
que eu amava. De tão longe, não dá mais para alcançá-
las — respondeu um rapaz que se dizia poeta, quase
derramando uma lágrima de tempo.
17
A menina também perguntou o que era o tempo
ao seu Antônio da farmácia, que tinha fama de
filósofo, que é uma pessoa que gosta de pensar
sobre todas as coisas:
— O tempo é a prova do existir. Para ele não há
intervalos. Quem fatiou o tempo em minutos, horas,
dias, meses, anos e séculos foi o homem. Mas tudo
em vão, porque o tempo não obedece a ninguém,
não se rende a nada, ele segue e pronto. Cada um
que acompanhe a sua marcha... se puder.
18
— Qual o início e fim do tempo? — perguntou
a menina.
— O tempo é como um fio sem ponta,
ninguém sabe o seu começo nem o seu fim.
Ninguém nunca viu o início nem presenciará
o seu final. Mas o tempo acompanha todos os
princípios e assiste todos os derradeiros.
19
Seu Antônio filósofo olhou ao longe, e
prosseguiu, com voz sossegada:
— O tempo sempre nos promete o amanhã.
E minha mente ficava ocupada com o futuro,
tramando as promessas do depois. Ainda fico nessa
espera. É verdade que o amanhã, até aqui, nunca
faltou, mas talvez um dia ele não chegue...
20
— O tempo escuta as pessoas, seu Antônio?
— Se escuta, finge que não. O certo é que ele
não liga para as dores ou alegrias de ninguém. O
tempo deve ser um andarilho, sem pai nem mãe,
sem moradia e não se apega a ninguém. Vive
vagando e carregando as coisas, numa caminhada
sem fim. Dizem que ele é muito curioso, descobre os
escondidos e sai contando baixinho por aí.
21
— Mais! Me conte mais sobre o tempo.
A menina se entusiasmou.
— É ele que cria a ilusão de passado, presente
e futuro. Há muito tempo, Santo Agostinho
escreveu: “o presente das coisas passadas é a
memória, o presente das coisas presentes é o
olhar e o presente das coisas futuras é a espera.”
Não devemos nos preocupar em entender os
tempos do tempo. Vamos deixá-lo, assim como
as suas “acontecências”, pois não adianta,
ninguém muda o seu curso.
22
E seu Antônio continuou:
— O relógio fatia o tempo, e nessas fatias tudo
se organiza. Sem essas porções, as pessoas viveriam
perdidas na imensidão do tempo. E o tempo,
minha pequena, não volta, mas deixa seu rastro na
memória. O tempo tem a cor do invisível.
23
A menina disse que achava o tempo algo muito
confuso, cada um falava dele de um jeito diferente:
passado, presente, hora, dia, ano, mês, cedo, tarde,
amanhã, ontem, antigamente, novo, minuto, noite.
24
Seu Antônio achou engraçado o comentário
da menina e explicou esses marcadores. Sugeriu
que ela escrevesse, na agenda, a sua própria
experiência com o tempo. A menina não entendeu
muito sobre a passagem do tempo, suas andanças,
mas sabia que ele passava, às vezes rápido ou
devagar demais. E resolveu escrever:
CEDO da manhã, eu acordo. Eu e os
passarinhos. A mamãe disse que eu tenho
obrigação de ir para a escola. Acho que passarinho
não tem relógio, porque tem desobrigação. Eu toco
flauta para os passarinhos.
25
Ganhei a flauta do meu avô. Ele disse que ela
era VELHA. O pai dele foi quem lhe deu aquele
instrumento. Acho que as coisas envelhecem,
porque o tempo se esfrega nelas. O tempo, às
vezes, passa rápido, mas às vezes caminha muito
devagarinho, assim todo tartarugando. Tudo parece
que cabe dentro do tempo.
26
Um MINUTO é muito tempo, esperando a
mamãe vir me pegar na escola. Uma HORA é pouco
tempo para brincar de esconde-esconde, boneca ou
pega-pega.
27
Um DIA é pouco tempo na casa da vovó.
Casa de avó é lugar onde o tempo passa rápido.
O relógio grande da sala não sossega. O ponteiro
fica, o tempo todo, pinotando. E, quando menos se
espera, já é hora de voltar para casa.
28
Gente adulta tem muitos medidores de tempo,
mas ninguém consegue dominá-lo. Se conseguisse,
eu parava o tempo, por aqui, porque queria ser
sempre menina. Parece que todos se preocupam com
a passagem do tempo, estão sempre consultando
relógios e calendários. Apressados.
29
O tempo passa e a gente cresce. Todo ANO faz
aniversário e vai ficando grande. O MÊS do meu
aniversário é o mais bonito. Acho que abril é um
mês de portas e janelas. E, do outro lado das portas
e janelas, tem sempre uma boniteza. HOJE eu sou
criança, mas sei que num AMANHÃ bem comprido
talvez seja uma avó, dessas que o tempo ri para ela.
E eu vou brincar, antes que o tempo passe rápido
e eu vire gente grande.
Porque ninguém sabe o tempo que o tempo tem.
30
31
Efigênia Alves
Olá, meninos e meninas!
Sou Efigênia Alves e moro em Jaguaribe, Ceará. Gosto muitão de ler,
escrever e contar histórias. Histórias de outros tempos e dos tempos
de agora. Gosto tanto que ando espalhando histórias por aí, seja pela
palavra oral ou pela palavra escrita. O tempo sempre me inquietou,
porque não o vemos, mas ele passa e nos transforma. Dia desses eu
era do tamanho de vocês, mas o tempo foi passando e me fez desse
tamanho e desse jeito. Quando eu era pequena, as pessoas grandes me
enchiam de dúvidas, elas sempre falavam do tempo de modos bem
diversos. Eu cresci e continuo com dúvidas, porque ninguém nunca me
explicou direito sobre o tempo. E você, o que sabe sobre ele?
Rafael Limaverde
Sou meio menino, meio gente grande, “comedozim” de rapadura e
açaí, que gosta de Poesia, de banho de chuva, de pintar pelas paredes,
de pipa, de abraço e beijo, de passarinho cantando livre e tantas outras
coisas... Mas tem uma coisa que gosto de verdade. Ler! Deitar na
minha redinha velha e ler até o sono chegar. De ver o mundo através
do olhar do escritor, de viajar em seu mundo, dividir suas aventuras,
medos e alegrias. Gosto de ver como, aos poucos, as palavras dos
livros vão ficando amigas das minhas palavras e ai ganho um montão
delas. E ter montão de palavras é ter também conhecimento, emoções
e ternura. E aí, como meu barato, desde miúdo, é desenho, na medida
em que vou lendo já vou desenhando tudo na cabeça! As palavras
então ganham forma, cores, detalhes, texturas, altura, largura... Então
é só juntar um montão de tinta e colocar tudo no papel. E fico muito,
muito feliz por ter tido, desde sempre, muito livro e papel pertinho
de mim. Quisera eu que todas as crianças do mundo (e de todas as
galáxias!) tivessem o direito simples e precioso de poder ler um livro
e pintar suas histórias. E é assim que quero pintar o mundo! Com
infância, cores, poesia e alegria. Um abraço apertado
a todas as crianças (grandes e pequenas). facebook.com/ilustrasrafael
Realização
Apoio
O Governo do Estado do Ceará desenvolve, com os seus 184 municípios, o
Programa de Aprendizagem na Idade Certa - MAIS PAIC, com o compro-
misso de garantir e elevar a qualidade e os resultados da educação de suas
crianças e seus jovens.
Publicada pela Secretaria da Educação do Estado, através do MAIS PAIC, a
Coleção Paic, Prosa e Poesia, rica em identidade cultural, reúne narrativas
de autores do Ceará que tiveram seus textos selecionados por meio de se-
leção pública. Esse acervo constitui um estímulo a mais para se ler e contar
histórias em sala de aula, garantindo, assim, um letramento competente.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Conto de carnaval animais da-floresta
Conto de carnaval animais da-florestaConto de carnaval animais da-floresta
Conto de carnaval animais da-floresta
Filipe Reis
 
Aniversário do sr. alfabeto
Aniversário do sr. alfabetoAniversário do sr. alfabeto
Aniversário do sr. alfabeto
Célia Reis
 
A família do Marcelo- Literatura infantil
A família do Marcelo- Literatura infantil A família do Marcelo- Literatura infantil
A família do Marcelo- Literatura infantil
Paula Naranjo
 
A flor vai ver o mar
A flor vai ver o marA flor vai ver o mar
A flor vai ver o mar
12_A
 

Mais procurados (20)

Conto de carnaval animais da-floresta
Conto de carnaval animais da-florestaConto de carnaval animais da-floresta
Conto de carnaval animais da-floresta
 
FOLCLORICES DE BRINCAR
FOLCLORICES DE BRINCARFOLCLORICES DE BRINCAR
FOLCLORICES DE BRINCAR
 
O livro da família
O livro da famíliaO livro da família
O livro da família
 
A caixa maluca
A caixa maluca A caixa maluca
A caixa maluca
 
A descoberta da joaninha
A descoberta da joaninhaA descoberta da joaninha
A descoberta da joaninha
 
As flores-da-primavera-pdf
As flores-da-primavera-pdfAs flores-da-primavera-pdf
As flores-da-primavera-pdf
 
Como fosse dinheiro
Como fosse dinheiroComo fosse dinheiro
Como fosse dinheiro
 
Meninos de todas as cores
Meninos de todas as coresMeninos de todas as cores
Meninos de todas as cores
 
Eva furnari - Não confunda
Eva furnari  - Não confundaEva furnari  - Não confunda
Eva furnari - Não confunda
 
Era uma vez um gato xadrez
Era uma vez um gato xadrezEra uma vez um gato xadrez
Era uma vez um gato xadrez
 
Aniversário do sr. alfabeto
Aniversário do sr. alfabetoAniversário do sr. alfabeto
Aniversário do sr. alfabeto
 
De hora em hora de "Ruth Rocha"
De hora em hora de "Ruth Rocha"De hora em hora de "Ruth Rocha"
De hora em hora de "Ruth Rocha"
 
Coração de Mãe
Coração de MãeCoração de Mãe
Coração de Mãe
 
Livro - Carona na vassoura
Livro - Carona na vassouraLivro - Carona na vassoura
Livro - Carona na vassoura
 
O TUPI QUE VOCÊ FALA
O TUPI QUE VOCÊ FALAO TUPI QUE VOCÊ FALA
O TUPI QUE VOCÊ FALA
 
A família do Marcelo- Literatura infantil
A família do Marcelo- Literatura infantil A família do Marcelo- Literatura infantil
A família do Marcelo- Literatura infantil
 
Livro - Uma história de páscoa - Ana Maria Machado
Livro - Uma história de páscoa - Ana Maria MachadoLivro - Uma história de páscoa - Ana Maria Machado
Livro - Uma história de páscoa - Ana Maria Machado
 
A flor vai ver o mar
A flor vai ver o marA flor vai ver o mar
A flor vai ver o mar
 
Pedro e tina
Pedro e tinaPedro e tina
Pedro e tina
 
Maria vai-com-as-outras
Maria vai-com-as-outrasMaria vai-com-as-outras
Maria vai-com-as-outras
 

Semelhante a O tempo que o tempo tem

Augusta Barros (FT1)
Augusta Barros (FT1)Augusta Barros (FT1)
Augusta Barros (FT1)
efaesan
 
Bicho Carpinteiro
Bicho CarpinteiroBicho Carpinteiro
Bicho Carpinteiro
Autonoma
 
Parte i homenagem anesg as mães geapeanas
Parte i   homenagem anesg as mães geapeanasParte i   homenagem anesg as mães geapeanas
Parte i homenagem anesg as mães geapeanas
GSArt Web Solutions
 
A importância de contar histórias
A importância de contar históriasA importância de contar histórias
A importância de contar histórias
Margarete Tesch
 

Semelhante a O tempo que o tempo tem (20)

O passeio de mariana
O passeio de marianaO passeio de mariana
O passeio de mariana
 
OLP e TAL
OLP e TALOLP e TAL
OLP e TAL
 
OLP e TAL
OLP e TALOLP e TAL
OLP e TAL
 
Meu museu
Meu museuMeu museu
Meu museu
 
A princesa diferente-livro
A princesa diferente-livroA princesa diferente-livro
A princesa diferente-livro
 
Uma princesa diferente mini min
Uma princesa diferente mini minUma princesa diferente mini min
Uma princesa diferente mini min
 
Augusta Barros (FT1)
Augusta Barros (FT1)Augusta Barros (FT1)
Augusta Barros (FT1)
 
Reuniao de pais do pre-escolar e creche
Reuniao de pais do pre-escolar e crecheReuniao de pais do pre-escolar e creche
Reuniao de pais do pre-escolar e creche
 
Bicho carpinteiro - TDHA
Bicho carpinteiro - TDHABicho carpinteiro - TDHA
Bicho carpinteiro - TDHA
 
Bicho
BichoBicho
Bicho
 
Bicho Carpinteiro
Bicho CarpinteiroBicho Carpinteiro
Bicho Carpinteiro
 
Mauro e o dinossauro
Mauro e o dinossauro  Mauro e o dinossauro
Mauro e o dinossauro
 
Mauro e o dinossauro
Mauro e o dinossauroMauro e o dinossauro
Mauro e o dinossauro
 
Parte i homenagem anesg as mães geapeanas
Parte i   homenagem anesg as mães geapeanasParte i   homenagem anesg as mães geapeanas
Parte i homenagem anesg as mães geapeanas
 
Bicho - Apostila TDAH para crianças
Bicho - Apostila TDAH para criançasBicho - Apostila TDAH para crianças
Bicho - Apostila TDAH para crianças
 
Bicho carpinteiro de cláudia cotes (livro infantil)
Bicho carpinteiro de cláudia cotes (livro infantil)Bicho carpinteiro de cláudia cotes (livro infantil)
Bicho carpinteiro de cláudia cotes (livro infantil)
 
203926151 bicho-carpinteiro-tdah
203926151 bicho-carpinteiro-tdah203926151 bicho-carpinteiro-tdah
203926151 bicho-carpinteiro-tdah
 
A importância de contar histórias
A importância de contar históriasA importância de contar histórias
A importância de contar histórias
 
Bicho carpinteiro
Bicho carpinteiroBicho carpinteiro
Bicho carpinteiro
 
Txt refelxiv
Txt refelxivTxt refelxiv
Txt refelxiv
 

Mais de PamellaSilveira3

Mais de PamellaSilveira3 (20)

A joaninha que perdeu as pintinhas
A joaninha que perdeu as pintinhasA joaninha que perdeu as pintinhas
A joaninha que perdeu as pintinhas
 
Carlota barbosa a bruxa medrosa
Carlota barbosa a bruxa medrosaCarlota barbosa a bruxa medrosa
Carlota barbosa a bruxa medrosa
 
O sapato que miava
O sapato que miavaO sapato que miava
O sapato que miava
 
A escola de Marcelo - Ruth Rocha
A escola de Marcelo - Ruth RochaA escola de Marcelo - Ruth Rocha
A escola de Marcelo - Ruth Rocha
 
Alegria
AlegriaAlegria
Alegria
 
A menina das estrelas
A menina das estrelasA menina das estrelas
A menina das estrelas
 
Cheirar - Ruth rocha
Cheirar - Ruth rocha   Cheirar - Ruth rocha
Cheirar - Ruth rocha
 
O reizinho mandao ruth rocha
O reizinho mandao  ruth rochaO reizinho mandao  ruth rocha
O reizinho mandao ruth rocha
 
O tamanho da gente - Murilo Cisalpino
O tamanho da gente - Murilo Cisalpino O tamanho da gente - Murilo Cisalpino
O tamanho da gente - Murilo Cisalpino
 
Anna llenas o monstro das cores
Anna llenas   o monstro das coresAnna llenas   o monstro das cores
Anna llenas o monstro das cores
 
Stephen michael king - O homem que amava caixas
Stephen michael king - O homem que amava caixasStephen michael king - O homem que amava caixas
Stephen michael king - O homem que amava caixas
 
A borboleta rosa
A borboleta rosaA borboleta rosa
A borboleta rosa
 
Que bicho este
Que bicho  este Que bicho  este
Que bicho este
 
A gargalhada de alegria da Dona Ecologia
A gargalhada de alegria da Dona EcologiaA gargalhada de alegria da Dona Ecologia
A gargalhada de alegria da Dona Ecologia
 
O menino que escrevia com os pes interativo
O menino que escrevia com os pes interativoO menino que escrevia com os pes interativo
O menino que escrevia com os pes interativo
 
O melgor amigo da bengala interativo
O melgor amigo da bengala interativoO melgor amigo da bengala interativo
O melgor amigo da bengala interativo
 
O ratinho roi roi
O ratinho roi roiO ratinho roi roi
O ratinho roi roi
 
Lobo mau arrependido
Lobo mau arrependido Lobo mau arrependido
Lobo mau arrependido
 
Histria de lobisomem
Histria de lobisomemHistria de lobisomem
Histria de lobisomem
 
A casa dos animais
A casa dos animais A casa dos animais
A casa dos animais
 

Último

APOSTILA- COMPLETA De FILOSOFIA-DA-EDUCAÇÃO.pdf
APOSTILA- COMPLETA  De FILOSOFIA-DA-EDUCAÇÃO.pdfAPOSTILA- COMPLETA  De FILOSOFIA-DA-EDUCAÇÃO.pdf
APOSTILA- COMPLETA De FILOSOFIA-DA-EDUCAÇÃO.pdf
lbgsouza
 
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
aulasgege
 
Historia-em-cartaz-Lucas-o-menino-que-aprendeu-a-comer-saudavel- (1).pdf
Historia-em-cartaz-Lucas-o-menino-que-aprendeu-a-comer-saudavel- (1).pdfHistoria-em-cartaz-Lucas-o-menino-que-aprendeu-a-comer-saudavel- (1).pdf
Historia-em-cartaz-Lucas-o-menino-que-aprendeu-a-comer-saudavel- (1).pdf
andreaLisboa7
 
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
LindinhaSilva1
 

Último (20)

O que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de InfânciaO que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de Infância
 
Produção de poemas - Reciclar é preciso
Produção  de  poemas  -  Reciclar é precisoProdução  de  poemas  -  Reciclar é preciso
Produção de poemas - Reciclar é preciso
 
Multiplicação - Caça-número
Multiplicação - Caça-número Multiplicação - Caça-número
Multiplicação - Caça-número
 
o-homem-que-calculava-malba-tahan-1_123516.pdf
o-homem-que-calculava-malba-tahan-1_123516.pdfo-homem-que-calculava-malba-tahan-1_123516.pdf
o-homem-que-calculava-malba-tahan-1_123516.pdf
 
APOSTILA- COMPLETA De FILOSOFIA-DA-EDUCAÇÃO.pdf
APOSTILA- COMPLETA  De FILOSOFIA-DA-EDUCAÇÃO.pdfAPOSTILA- COMPLETA  De FILOSOFIA-DA-EDUCAÇÃO.pdf
APOSTILA- COMPLETA De FILOSOFIA-DA-EDUCAÇÃO.pdf
 
As Mil Palavras Mais Usadas No Inglês (Robert de Aquino) (Z-Library).pdf
As Mil Palavras Mais Usadas No Inglês (Robert de Aquino) (Z-Library).pdfAs Mil Palavras Mais Usadas No Inglês (Robert de Aquino) (Z-Library).pdf
As Mil Palavras Mais Usadas No Inglês (Robert de Aquino) (Z-Library).pdf
 
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
 
"Nós Propomos! Mobilidade sustentável na Sertã"
"Nós Propomos! Mobilidade sustentável na Sertã""Nós Propomos! Mobilidade sustentável na Sertã"
"Nós Propomos! Mobilidade sustentável na Sertã"
 
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
 
Enunciado_da_Avaliacao_1__Direito_e_Legislacao_Social_(IL60174).pdf
Enunciado_da_Avaliacao_1__Direito_e_Legislacao_Social_(IL60174).pdfEnunciado_da_Avaliacao_1__Direito_e_Legislacao_Social_(IL60174).pdf
Enunciado_da_Avaliacao_1__Direito_e_Legislacao_Social_(IL60174).pdf
 
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptxSlides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
 
EB1 Cumeada Co(n)Vida à Leitura - Livros à Solta_Serta.pptx
EB1 Cumeada Co(n)Vida à Leitura - Livros à Solta_Serta.pptxEB1 Cumeada Co(n)Vida à Leitura - Livros à Solta_Serta.pptx
EB1 Cumeada Co(n)Vida à Leitura - Livros à Solta_Serta.pptx
 
Historia-em-cartaz-Lucas-o-menino-que-aprendeu-a-comer-saudavel- (1).pdf
Historia-em-cartaz-Lucas-o-menino-que-aprendeu-a-comer-saudavel- (1).pdfHistoria-em-cartaz-Lucas-o-menino-que-aprendeu-a-comer-saudavel- (1).pdf
Historia-em-cartaz-Lucas-o-menino-que-aprendeu-a-comer-saudavel- (1).pdf
 
Slides Lição 7, Betel, Ordenança para uma vida de fidelidade e lealdade, 2Tr2...
Slides Lição 7, Betel, Ordenança para uma vida de fidelidade e lealdade, 2Tr2...Slides Lição 7, Betel, Ordenança para uma vida de fidelidade e lealdade, 2Tr2...
Slides Lição 7, Betel, Ordenança para uma vida de fidelidade e lealdade, 2Tr2...
 
662938.pdf aula digital de educação básica
662938.pdf aula digital de educação básica662938.pdf aula digital de educação básica
662938.pdf aula digital de educação básica
 
Abuso Sexual da Criança e do adolescente
Abuso Sexual da Criança e do adolescenteAbuso Sexual da Criança e do adolescente
Abuso Sexual da Criança e do adolescente
 
Apostila-Letramento-e-alfabetização-2.pdf
Apostila-Letramento-e-alfabetização-2.pdfApostila-Letramento-e-alfabetização-2.pdf
Apostila-Letramento-e-alfabetização-2.pdf
 
Descrever e planear atividades imersivas estruturadamente
Descrever e planear atividades imersivas estruturadamenteDescrever e planear atividades imersivas estruturadamente
Descrever e planear atividades imersivas estruturadamente
 
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...
UFCD_9184_Saúde, nutrição, higiene, segurança, repouso e conforto da criança ...
 
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
 

O tempo que o tempo tem

  • 2.
  • 3. Fortaleza ● Ceará ● 2018 Texto: Efigênia Alves Ilustrações: Rafael Limaverde
  • 4. Copyright © 2018 Efigênia Alves Copyright © 2018 Rafael Limaverde SEDUC - Secretaria da Educação do Estado do Ceará Av. Gen. Afonso Albuquerque Lima, s/n - Cambeba - Fortaleza - Ceará | CEP: 60.822-325 (Todos os Direitos Reservados) Coordenação Editorial, Preparação de Originais e Revisão Raymundo Netto Projeto e Coordenação Gráfica Daniel Dias Revisão Final Marta Maria Braide Lima Conselho Editorial Maria Fabiana Skeff de Paula Miranda Sammya Santos Araújo Antônio Élder Monteiro de Sales Sandra Maria Silva Leite Antônia Varele da Silva Gama Catalogação e Normalização Gabriela Alves Gomes Governador Camilo Sobreira de Santana Vice-Governadora Maria Izolda Cela de Arruda Coelho Secretário da Educação Rogers Vasconcelos Mendes Secretária-Executiva da Educação Rita de Cássia Tavares Colares Coordenador de Cooperação com os Municípios (COPEM) Márcio Pereira de Brito Orientadora da Célula de Apoio à Gestão Municipal Gilgleane Silva do Carmo Orientador da Célula de Fortalecimento da Aprendizagem Idelson de Almeida Paiva Júnior Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) A474t Alves, Efigênia. O tempo que o tempo tem/ Efigênia Alves; ilustrações de Rafael Limaverde. - Fortaleza: SEDUC, 2018. 32p.; il. ISBN 978-85-8171-202-4 1. Literatura infanto-juvenil. I. Limaverde, Rafael. II. Título. CDU 028.5
  • 5. Aos meus filhos: Jônatas e Sara Beatriz, por trazerem o meu tempo de infância entre doçuras, risos e quintais.
  • 6. 4
  • 7. A curiosidade morava no coração da menina. Ela cutucava as dúvidas, que saltavam em perguntas. E a dúvida maior era sobre o que é o tempo, tão falado entre os adultos: — O tempo hoje tá quente! 5
  • 8. – No meu tempo, as coisas eram diferentes. – Gostei dele por muito tempo... – Nossa, me perdi no tempo! E a menina ficava pensando: “Quando uma pessoa se perde no tempo, para se achar, é preciso sair fora dele? O tempo é um ser, um lugar ou um espaço? O que é tempo perdido? Então ele pode ser achado?” Cada um falava do tempo de um jeito diferente: – O tempo tem os seus mistérios... – O tempo ainda vai te dizer. – O meu tempo está chegando. 6
  • 9. 7
  • 10. E as dúvidas sobre o tempo cresciam dentro da menina: “E quando o tempo chega, como sabemos? Se o tempo fala, como é a sua voz? Onde o tempo guarda os seus mistérios?” 8
  • 11. Em cada fala, o tempo ganhava um sentido diferente. Às vezes era a solução; outras vezes, o culpado. 9
  • 12. Tudo era muito confuso... — Deixa que o tempo cura todas as feridas. — Qual é o seu tempo? — Faz tempo que te espero. — Tudo tem seu tempo. — O tempo é o melhor remédio! — O tempo de ser feliz é agora. “Então, a felicidade devia morar dentro de todos os tempos”, a menina desejava. Um dia, disseram para ela: — Você tem todo o tempo do mundo! 10
  • 13. A menina, então, se perguntava: “Ter todo o tempo do mundo significa ser a dona do tempo? E sendo a dona do tempo, posso mudá-lo de frente para trás, misturar o depois com o agora, trocar o hoje pelo ontem, revirar o amanhã e trazer o futuro para perto de mim? Como mexer no tempo?” 11
  • 14. Fazia tempo que a menina tentava entender o que era o tempo. Aquele tempo que os adultos falavam o tempo todo. Então, pegou a sua agenda e resolveu perguntar às pessoas: — O que você sabe sobre o tempo? O rapaz de óculos, que andava apressado, estranhando, respondeu: — O que sei é bem pouco, porque o tempo é muito comprido e não dá para alcançar o seu tamanho. Mas é certo que ninguém se esconde do tempo. Ele enxerga as lonjuras e até o que ainda virá. E descobre todos os segredos! 12
  • 15. 13
  • 16. O senhor que estava no banco da praça explicou para a menina: — O tempo vai desgastando tudo, distanciando coisas e encurtando distâncias. Desbota cores, entorta caminhos, derruba as folhas das árvores, seca as correntezas e transborda riachos. O tempo parece menino traquino, não dá ouvidos a ninguém. 14
  • 17. A menina continuou a pesquisa e anotou cada resposta: — Tempo, menina, é aquela velhinha que vai passando, com cabelo de nuvem em dia de sol quente, bochechas amaracujadas e olhar sábio, desses de quem já viu muita coisa na vida. Disse o vendedor de algodão-doce. 15
  • 18. — Ora, ora... o tempo é aquela montanha ao longe, que abriga gerações de bichos e plantas e permanece, lá, sem descer das alturas — falou uma moça bonita, dessas que o sorriso vive enfeitando o rosto. 16
  • 19. — Tempo é um ser invisível, montado num cavalo de vento, que vive arrepanhando as coisas, levando tudo para bem distante, como fez com tantas coisas que eu amava. De tão longe, não dá mais para alcançá- las — respondeu um rapaz que se dizia poeta, quase derramando uma lágrima de tempo. 17
  • 20. A menina também perguntou o que era o tempo ao seu Antônio da farmácia, que tinha fama de filósofo, que é uma pessoa que gosta de pensar sobre todas as coisas: — O tempo é a prova do existir. Para ele não há intervalos. Quem fatiou o tempo em minutos, horas, dias, meses, anos e séculos foi o homem. Mas tudo em vão, porque o tempo não obedece a ninguém, não se rende a nada, ele segue e pronto. Cada um que acompanhe a sua marcha... se puder. 18
  • 21. — Qual o início e fim do tempo? — perguntou a menina. — O tempo é como um fio sem ponta, ninguém sabe o seu começo nem o seu fim. Ninguém nunca viu o início nem presenciará o seu final. Mas o tempo acompanha todos os princípios e assiste todos os derradeiros. 19
  • 22. Seu Antônio filósofo olhou ao longe, e prosseguiu, com voz sossegada: — O tempo sempre nos promete o amanhã. E minha mente ficava ocupada com o futuro, tramando as promessas do depois. Ainda fico nessa espera. É verdade que o amanhã, até aqui, nunca faltou, mas talvez um dia ele não chegue... 20
  • 23. — O tempo escuta as pessoas, seu Antônio? — Se escuta, finge que não. O certo é que ele não liga para as dores ou alegrias de ninguém. O tempo deve ser um andarilho, sem pai nem mãe, sem moradia e não se apega a ninguém. Vive vagando e carregando as coisas, numa caminhada sem fim. Dizem que ele é muito curioso, descobre os escondidos e sai contando baixinho por aí. 21
  • 24. — Mais! Me conte mais sobre o tempo. A menina se entusiasmou. — É ele que cria a ilusão de passado, presente e futuro. Há muito tempo, Santo Agostinho escreveu: “o presente das coisas passadas é a memória, o presente das coisas presentes é o olhar e o presente das coisas futuras é a espera.” Não devemos nos preocupar em entender os tempos do tempo. Vamos deixá-lo, assim como as suas “acontecências”, pois não adianta, ninguém muda o seu curso. 22
  • 25. E seu Antônio continuou: — O relógio fatia o tempo, e nessas fatias tudo se organiza. Sem essas porções, as pessoas viveriam perdidas na imensidão do tempo. E o tempo, minha pequena, não volta, mas deixa seu rastro na memória. O tempo tem a cor do invisível. 23
  • 26. A menina disse que achava o tempo algo muito confuso, cada um falava dele de um jeito diferente: passado, presente, hora, dia, ano, mês, cedo, tarde, amanhã, ontem, antigamente, novo, minuto, noite. 24
  • 27. Seu Antônio achou engraçado o comentário da menina e explicou esses marcadores. Sugeriu que ela escrevesse, na agenda, a sua própria experiência com o tempo. A menina não entendeu muito sobre a passagem do tempo, suas andanças, mas sabia que ele passava, às vezes rápido ou devagar demais. E resolveu escrever: CEDO da manhã, eu acordo. Eu e os passarinhos. A mamãe disse que eu tenho obrigação de ir para a escola. Acho que passarinho não tem relógio, porque tem desobrigação. Eu toco flauta para os passarinhos. 25
  • 28. Ganhei a flauta do meu avô. Ele disse que ela era VELHA. O pai dele foi quem lhe deu aquele instrumento. Acho que as coisas envelhecem, porque o tempo se esfrega nelas. O tempo, às vezes, passa rápido, mas às vezes caminha muito devagarinho, assim todo tartarugando. Tudo parece que cabe dentro do tempo. 26
  • 29. Um MINUTO é muito tempo, esperando a mamãe vir me pegar na escola. Uma HORA é pouco tempo para brincar de esconde-esconde, boneca ou pega-pega. 27
  • 30. Um DIA é pouco tempo na casa da vovó. Casa de avó é lugar onde o tempo passa rápido. O relógio grande da sala não sossega. O ponteiro fica, o tempo todo, pinotando. E, quando menos se espera, já é hora de voltar para casa. 28
  • 31. Gente adulta tem muitos medidores de tempo, mas ninguém consegue dominá-lo. Se conseguisse, eu parava o tempo, por aqui, porque queria ser sempre menina. Parece que todos se preocupam com a passagem do tempo, estão sempre consultando relógios e calendários. Apressados. 29
  • 32. O tempo passa e a gente cresce. Todo ANO faz aniversário e vai ficando grande. O MÊS do meu aniversário é o mais bonito. Acho que abril é um mês de portas e janelas. E, do outro lado das portas e janelas, tem sempre uma boniteza. HOJE eu sou criança, mas sei que num AMANHÃ bem comprido talvez seja uma avó, dessas que o tempo ri para ela. E eu vou brincar, antes que o tempo passe rápido e eu vire gente grande. Porque ninguém sabe o tempo que o tempo tem. 30
  • 33. 31
  • 34. Efigênia Alves Olá, meninos e meninas! Sou Efigênia Alves e moro em Jaguaribe, Ceará. Gosto muitão de ler, escrever e contar histórias. Histórias de outros tempos e dos tempos de agora. Gosto tanto que ando espalhando histórias por aí, seja pela palavra oral ou pela palavra escrita. O tempo sempre me inquietou, porque não o vemos, mas ele passa e nos transforma. Dia desses eu era do tamanho de vocês, mas o tempo foi passando e me fez desse tamanho e desse jeito. Quando eu era pequena, as pessoas grandes me enchiam de dúvidas, elas sempre falavam do tempo de modos bem diversos. Eu cresci e continuo com dúvidas, porque ninguém nunca me explicou direito sobre o tempo. E você, o que sabe sobre ele? Rafael Limaverde Sou meio menino, meio gente grande, “comedozim” de rapadura e açaí, que gosta de Poesia, de banho de chuva, de pintar pelas paredes, de pipa, de abraço e beijo, de passarinho cantando livre e tantas outras coisas... Mas tem uma coisa que gosto de verdade. Ler! Deitar na minha redinha velha e ler até o sono chegar. De ver o mundo através do olhar do escritor, de viajar em seu mundo, dividir suas aventuras, medos e alegrias. Gosto de ver como, aos poucos, as palavras dos livros vão ficando amigas das minhas palavras e ai ganho um montão delas. E ter montão de palavras é ter também conhecimento, emoções e ternura. E aí, como meu barato, desde miúdo, é desenho, na medida em que vou lendo já vou desenhando tudo na cabeça! As palavras então ganham forma, cores, detalhes, texturas, altura, largura... Então é só juntar um montão de tinta e colocar tudo no papel. E fico muito, muito feliz por ter tido, desde sempre, muito livro e papel pertinho de mim. Quisera eu que todas as crianças do mundo (e de todas as galáxias!) tivessem o direito simples e precioso de poder ler um livro e pintar suas histórias. E é assim que quero pintar o mundo! Com infância, cores, poesia e alegria. Um abraço apertado a todas as crianças (grandes e pequenas). facebook.com/ilustrasrafael
  • 35.
  • 36. Realização Apoio O Governo do Estado do Ceará desenvolve, com os seus 184 municípios, o Programa de Aprendizagem na Idade Certa - MAIS PAIC, com o compro- misso de garantir e elevar a qualidade e os resultados da educação de suas crianças e seus jovens. Publicada pela Secretaria da Educação do Estado, através do MAIS PAIC, a Coleção Paic, Prosa e Poesia, rica em identidade cultural, reúne narrativas de autores do Ceará que tiveram seus textos selecionados por meio de se- leção pública. Esse acervo constitui um estímulo a mais para se ler e contar histórias em sala de aula, garantindo, assim, um letramento competente.