DIRECTOR    JORGE CASTILHO




| Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia |
Autorizado a circular em invólucro
de plástico fechado (DE53742006MPC)
                                                          Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA                 Telef.: 309 801 277


                  ANO III                   N.º 63 (II série)                     3 a 16 de Dezembro de 2008                                1 euro (iva incluído)


   NO RENOVADO CAMPO DE JOGOS DE SANTA CRUZ (COIMBRA)
                                                                                                       Sapos-parteiros
                                                                                                       vencem
                                                                                                       o mais                                             PÁG. 12 e 13



                                                                                                       importante
                                                                                                       dos desafios
                                                                                                       São uma espécie em vias de extinção. Uma colónia vive há
                                                                                                       décadas no Campo de Santa Cruz (Coimbra), onde a boa
   Um exemplar de sapo-parteiro, assim chamado porque o macho
                                                                                                       vontade de muitas pessoas se conjugou para que sobrevivessem
   (como se vê na imagem) carrega os ovos sobre as costas                                              durante e após as profundas obras que ali decorreram



         JOVEM MÉDICO
         E PRATICANTE DE TÉNIS DE MESA
         CONSIDERADO”
         “PERSONALIDADE DO ANO”                                                                                PÁG. 3


         Campeão de Coimbra
         só soube pelos jornais!...
       BISSAYA-BARRETO                                          ANIMAL                                MILITARES                           FUTURO DE COIMBRA


   Fundação                                                 Adopte                                    Indignação                          Júdice
   com 50 anos                                              um amigo                                  já começou                          defende
   tem honrado                                              no Canil                                  a extravasar                        novas
   o Patrono                                                Municipal                                 dos quartéis                        estratégias
                                                 PÁG. 2                              PÁG. 4 e 5                            PÁG. 11                              PÁG. 14
2      NACIONAL                                                                                                            3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008


SUBLINHOU JOSÉ SÓCRATES EM COIMBRA

Fundação Bissaya Barreto reflecte
amor à Pátria do fundador
   O primeiro-ministro José Sócrates              feriu José Sócrates, ao intervir na ses-      nossa volta”.                              de doença prolongada, no passado mês
afirmou em Coimbra, na passada sema-              são de encerramento das comemorações             José Sócrates sublinhou que a acção     de Julho).
na (dia 26) que a obra social desenvolvi-         do 50º aniversário da Fundação Bissaya        social de Bissaya Barreto, natural da         “Será um prémio a atribuir anualmen-
da pela Fundação Bissaya Barreto                  Barreto.                                      Castanheira de Pera, que foi maçon e       te e que visa distinguir o mérito daqueles
(FBB) nos últimos 50 anos tem a marca                O primeiro-ministro salientou que a        deputado da Assembleia Constituinte de     que nas diferentes áreas de actuação da
do “amor aos outros e à Pátria” do seu            obra de “amor aos outros” do professor        1911, tornando-se mais tarde amigo do      Fundação Bissaya Barreto – educação,
patrono.                                          de Medicina Bissaya Barreto, falecido         ditador Salazar, evidenciou o seu “amor    cultura saúde e solidariedade - se distin-
   “Essa obra, que não tem parado de              em 1974, reflectia o que pensava sobre        à educação e ao conhecimento”, além da     gam pela excelência”, disse.
crescer e se expandir nos últimos anos,           a sociedade do seu tempo: “não pode-          saúde.                                        Interveio também na sessão o antigo
releva do espírito do seu fundador”, re-          mos ser felizes com tanta gente infeliz à        “Isto não se faz sem amor à Pátria”,    presidente da Assembleia da República,
                                                                                                acentuou, questionando por que razão       António Almeida Santos, na qualidade de
                                                                                                essa dedicação à Pátria tem estado afas-   Presidente do Grande Conselho da FBB,
LIVRO DE PEDRO DIAS REÚNE                                                                       tada dos discursos políticos em geral.     que teve palavras de rasgado elogio para
                                                                                                   Considerando que a actividade social    a obra da Fundação, para Nuno Viegas
MELHORES OBRAS DE ARTE DE COIMBRA                                                               da FBB merece uma “justa homenagem         Nascimento e para a forma como Patrí-
                                                                                                nacional”, José Sócrates fez votos para    cia Viegas Nascimento tem sabido con-
   O Claustro da Manga, a Capela do Sa-           ção, tendo palavras de homenagem para         que “os próximos 50 anos estejam à altu-   tinuar a sua obra.
cramento da Sé Velha e a Biblioteca Jo-           o falecido Presidente Viegas Nascimen-        ra dos 50 que passaram”.                      A cerimónia de encerramento das co-
anina são algumas das mais importantes            to, e de elogio para a forma como os des-        A presidente da Fundação, Patrícia      memorações dos 50 anos da instituição,
obras de arte da cidade, na opinião de            tinos da Fundação continuam a ser diri-       Viegas Nascimento, anunciou que a ins-     que decorreu no auditório do Campus do
Pedro Dias, autor do livro “100 Obras             gidos pela actual Presidente.                 tituição decidiu criar o Prémio Nuno Vi-   Conhecimento e da Cidadania, incluiu a
de Arte de Coimbra”.                                 Quanto a Predo Dias, eespecialista em      egas Nascimento (seu marido e Presi-       apresentação da fotobiografia “Bissaya
   O luxuosos livro foi apresentado em            História de Arte, destaca “a modernida-       dente do Conselho de Administração da      Barreto - Um Homem de Causas” e a
sessão realizada no Salão Nobre da Câ-            de, do ponto de vista estético”, tendo em     Fundação durante mais de duas décadas,     abertura de uma exposição alusiva à efe-
mara Municipal de Coimbra, com a pre-             conta a época, e a “grande carga simbó-       até ao seu prematuro falecimento, vítima   méride.
sença de diversas entidades, entre as             lica e erudita” que os três monumentos
quais a Presidente da Fundação Bissaya            citados no início apresentam.
Barreto, Patrícia Viegas Nascimento, que             O livro, de 300 páginas, é uma “apre-
recordou ter sido aquela obra uma von-            ciação pessoal” das “extraordinárias
tade se seu marido, Nuno Viegas Nasci-            obras” que a cidade possui, disse.
mento (falecido no passado mês de Ju-                “Coimbra é uma cidade, ao contrário
lho), que entendeu ser essa uma forma             do que muita gente diz, com uma produ-
de legar à cidade uma obra de elevada             ção artística extraordinária, particular-
qualidade, ao mesmo tempo que enrique-            mente ao nível da arquitectura. É uma
cia o programa comemorativo dos 50                referência nacional e internacional pelas
anos da Fundação Bissaya Barreto e                obras que possui”, considerou.
prestava homenagem ao seu patrono,                   Pedro Dias colaborou em projectos de
atendendo a que Bissaya Barreto tinha             restauro de inúmeros monumentos, en-
rara sensibilidade artística e reuniu um          tre os quais o Mosteiro de Santa Cruz de
conjunto muito valioso de obras de arte.          Coimbra, o Palácio da Vila de Sintra e o
   O Prsidente da Câmara Municipal,               Mosteiro dos Jerónimos.
Carlos Encarnação, congratulou-se com                O primeiro monumento referenciado
a qualidade da obra e felicitou a Funda-          no livro é o Criptopórtico de Coimbra,
                                                  importante obra de engenharia romana
                                                  em Portugal. A mais recente obra pre-
                                                  sente no livro é a recente Ponte Pedonal
                                                  Pedro e Inês.
                                                     O Claustro da Manga (Jardim da Man-
 Director: Jorge Castilho                         ga) e a Capela do Sacramento da Sé Ve-
     (Carteira Profissional n.º 99)               lha, realçou, apresentam uma simbolo-
                                                  gia ligada à religião, associando-se a Fon-
 Propriedade: Audimprensa
    NIF: 501 863 109                              te da Manga (fonte da vida) à maneira
                                                  como o Cristianismo se espalhava no
 Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho
                                                  mundo e a Capela do Sacramento da Sé
 ISSN: 1647-0540                                  Velha à reforma da Igreja após o Concí-
                                                  lio de Trento.
 Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930
                                                     O livro, considerou Pedro Dias, é tam-
 Composição e montagem: Audimprensa               bém “uma espécie de agradecimento” à
 Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra
                                                  Cidade pela Medalha de Ouro que o au-
 Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913         tor recebeu este ano da autarquia. Mas
                                                  é ainda, sublinhou o historiador, o cum-
 e-mail:   centro.jornal@gmail.com
                                                  primento de um compromisso assumido
 Impressão: CIC - CORAZE                          com um grande amigo, Nuno Viegas Nas-
    Oliveira de Azeméis
                                                  cimento, e uma homenagem à obra por
 Depósito legal n.º 250930/06
                                                  este levada a cabo na Fundação Bissaya
 Tiragem: 10.000 exemplares                       Barreto.
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                             NACIONAL                3
Campeão de Coimbra soube pelo jornal
que fora considerado “Personalidade do Ano”
   Gonçalo Castanheira, jovem médico                                                                                                em 1990 (campeão nacional de inicia-
de Coimbra e um dos mais destacados                                                                                                 dos), ingressando em 1991 na Alta Com-
praticantes de ténis de mesa do País, foi                                                                                           petição e na Selecção Nacional.
distinguido como “Personalidade do Ano                                                                                                 Em 1999 iníciou funções Associativas
de 2008” naquela modalidade, e deveria                                                                                              – Presidente da Direcção da Associa-
ter ido receber este justo galardão na                                                                                              ção de Ténis de Mesa de Coimbra, que
cerimónia que decorreu no passado dia                                                                                               ainda hoje ocupa, sendo o responsável
20 de Novembro no Casino Estoril.                                                                                                   máximo pela modalidade no Distrito de
   E dizemos deveria porque Gonçalo                                                                                                 Coimbra.
Castanheira não esteve presente, uma                                                                                                   Actualmente é membro da Direcção
vez que só tomou conhecimento de que                                                                                                da ACM de Coimbra (presidida pelo
esta distinção lhe havia sido atribuída                                                                                             Prof. Norberto Canha), como Director
quando, no dia seguinte, leu os jornais!...                                                                                         do Departamento de Desporto. É tam-
   Ou seja, a Federação Portuguesa de                                                                                               bém Presidente da Direcção da Associa-
Ténis de Mesa indigitou-o como “Perso-                                                                                              ção da Juventude Acemista.
nalidade do Ano”, mas esqueceu-se de                                                                                                   Continua a ser jogador da 1ª Divisão
lhe comunicar o facto, pelo que foi pelos                                                                                           Nacional de Ténis de Mesa ao serviço
jornais publicados após a cerimónia que                                                                                             da ACM de Coimbra.
Gonçalo Castanheira teve a alegria de                                                                                                  De salientar que acumula as funções
saber-se distinguido, mas também a de-                                                                                              de jogador e dirigente por amor à moda-
cepção por não ter estado presente no                                                                                               lidade, uma vez que se licenciou em
Casino Estoril para receber o galardão.       na Associação Cristã da Mocidade            Secção de Ténis de Mesa da ACM,           Medicina, estando actualmente a finali-
   Nascido em Coimbra em Julho de             (ACM) de Coimbra em 1985, por inici-        ecom o acompanhamento do técnico          zar o internato médico para iniciar em
1977, Gonçalo Nuno Coimbra Casta-             ativa de seu pai, o advogado José Cas-      João Paulo Costa.                         Janeiro a especialidade de Medicina Le-
nheira iniciou a prática da modalidade:       tanheira, que é também Director da            Conquistou o primeiro título nacional   gal em Coimbra.


 ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS                                                                                                   AUDIMPRENSA
                                                                                                                                          Jornal “Centro”
 Ofereça uma assinatura do “Centro”                                                                                                      Rua da Sofia. 95 - 3.º
                                                                                                                                         3000–390 COIMBRA

 e ganhe valiosa obra de arte                                                                                                          Poderá também dirigir-nos o seu pe-
                                                                                                                                    dido de assinatura através de:
                                                                                                                                         telefone 309 801 277
     Temos uma excelente sugestão             ma tão original, está a desabrochar,        sua casa (ou no local que nos indicar),        fax 309 819 913
  para uma oferta a um Amigo, a um            simbolizando o crescente desenvolvi-        o jornal “Centro”, que o manterá               ou para o seguinte endereço
  Familiar ou mesmo para si próprio:          mento desta Região Centro de Portu-         sempre bem informado sobre o que de            de e-mail:
  uma assinatura anual do jornal              gal, tão rica de potencialidades, de His-   mais importante vai acontecendo nes-         centro.jornal@gmail.com
  “Centro”                                    tória, de Cultura, de património arqui-     ta Região, no País e no Mundo.
                                                                                                                                       Para além da obra de arte que des-
     Custa apenas 20 euros e ainda re-        tectónico, de deslumbrantes paisagens          Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo,
                                                                                                                                    de já lhe oferecemos, estamos a pre-
  cebe de imediato, completamente             (desde as praias magníficas até às ser-     por APENAS 20 EUROS!
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  grátis, uma valiosa obra de arte.           ras imponentes) e, ainda, de gente hos-        Não perca esta campanha promo-
                                                                                                                                    nossos assinantes, pelo que os 20 eu-
     Trata-se de um belíssimo trabalho        pitaleira e trabalhadora.                   cional e ASSINE JÁ o “Centro”.
                                                                                                                                    ros da assinatura serão um excelente
  da autoria de Zé Penicheiro, expres-           Não perca, pois, a oportunidade de          Para tanto, basta cortar e preen-
                                                                                                                                    investimento.
  samente concebido para o jornal             receber já, GRATUITAMENTE,                  cher o cupão que abaixo publicamos,
                                                                                                                                       O seu apoio é imprescindível para
  “Centro”, com o cunho bem carac-            esta magnífica obra de arte (cujas di-      e enviá-lo, acompanhado do valor de
                                                                                                                                    que o “Centro” cresça e se desen-
  terístico deste artista plástico – um       mensões são 50 cm x 34 cm).                 20 euros (de preferência em cheque
                                                                                                                                    volva, dando voz a esta Região.
  dos mais prestigiados pintores portu-          Para além desta oferta, o beneficiá-     passado em nome de AUDIMPREN-
  gueses, com reconhecimento mesmo            rio passará a receber directamente em       SA), para a seguinte morada:                CONTAMOS CONSIGO!
  a nível internacional, estando repre-
  sentado em colecções espalhadas por
  vários pontos do Mundo.
     Neste trabalho, Zé Penicheiro,                 Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO
  com o seu traço peculiar e a incon-
  fundível utilização de uma invulgar
  paleta de cores, criou uma obra que
  alia grande qualidade artística a um
  profundo simbolismo.
     De facto, o artista, para represen-
  tar a Região Centro, concebeu uma
  flor, composta pelos seis distritos que
  integram esta zona do País: Aveiro,
  Castelo Branco, Coimbra, Guarda,
  Leiria e Viseu.
     Cada um destes distritos é repre-
  sentado por um elemento (remeten-
  do para o respectivo património his-
  tórico, arquitectónico ou natural).
     A flor, assim composta desta for-
4        MUNDO ANIMAL                                                                                                     3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008



 CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO”

A troco de nada ganhe um grande amigo
   O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros-   muito triste e tremendamente injusto).         nas custam uns minutos na deslocação, para      aranimal@gmail.com
segue uma campanha intitulada “Adop-             Aproxima-se a época de Natal, e é sabi-     escolher um companheiro (ou companhei-          ou consultar o site
Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem           do como os tempos de crise que se atraves-     ra) para a vida, que será sempre fiel e de      www.cm-coimbra.pt/741.htm
um animal no Canil Municipal”.                sam tornam mais complicada a aquisição         uma enorme dedicação e em troca apenas          Os dias e horas especificamente desti-
   Trata-se de uma iniciativa muito meritó-   de prendas, sobretudo para a miudagem.         pede um pouco de atenção e de carinho.        nados às adopções são os seguintes:
ria, que permite que pessoas que gostam de       Ora a verdade é que um cão ou um gato          O Canil/Gatil Municipal fica no Campo        - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30;
animais ali possam ir buscar um fiel compa-   é sempre um presente bem recebido, desde       do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani-         - quintas-feiras, das 10 às 12 horas.
nheiro, sem nada pagarem por isso.            que a pessoa a quem ele se oferece goste       mais esperam, ansiosos, por uma nova casa
   São muitos os cães (e também alguns        de animais, não os encare como um brin-        e uma nova família.                              Na página seguinte publicamos imagens
gatos) que esperam que gente com bom          quedo ou um objecto e tenha condições mí-         Os interessados em obter mais informa-     de alguns dos bons aamigos de 4 patas que
coração os vá adoptar, tendo como recom-      nimas para deles tratar convenientemente.      ções podem ligar para o telemóvel 927 441     estão à espera de que alguém queira apro-
pensa conquistarem um amigo para toda a          Se for o caso, está encontrada uma ex-      888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl   veitar todo o carinho que têm para dar.
vida, já que estes animais rapidamente se     celente forma de dar prendas de Natal de       (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do       Se gosta de animais, não hesite! Faça feliz
adaptam aos seus novos donos (que, para       enomre valor (basta ver os preços nas lojas    telefone 239 493 200.                         um destes que esperam por si e não se ar-
além do mais, os estarão a poupar a um fim    de animais!...), mas que no Canil/Gatil ape-      Podem também enviar um e-mail para         rependerá!




                                                               Castração dos gatos
                      Salvador St.Aubyn
                      Mascarenhas
                      Médico Veterinário
                      salvadorvet@gmail.com
                                                               é fácil e recomendável
   Hoje vou falar sobre a castração dos       recupera a sua actividade normal nesse         recem e, durante a época de reprodu-          riscos de tumores mamários são gran-
gatos e a esterilização das gatas e da        mesmo dia.                                     ção, os machos lutam para ganharem            demente reduzidos se a esterilização
confusão que isto faz na cabeça de mui-          A esterilização das gatas consiste na       as fêmeas. Essas batalhas causam              ocorrer antes do primeiro cio e também
ta gente.                                     remoção cirúrgica do útero e dos ovários       dentadas e arranhões, principalmente          gatas esterilizadas nunca desenvolverão
   Penso que há uma grande desinfor-          do abdómen.Uma área da barriga é depi-         na cabeça e nas patas, que frequen-           infecções uterinas.
mação sobre isso. Algumas pessoas pen-        lada. Ambos os ovários e o útero são re-       temente se transformam em abcessos               Uma gata castrada é muito mais amo-
sam que castrar um animal não é bom           movidos por uma incisão muito pequena          e requerem uma visita ao veterinário.         rosa, porque a sua energia já não será
para ele, que é uma mutilação, um acto        que pode ser de 2 centímetros. A cirurgia é    Por vezes, há arranhões nos olhos que         constantemente direccionada para a pro-
irreversível que o vai tornar num felino      muito rápida. Normalmente a gata vai para      têm de ser tratados com urgência.             cura de um macho.
infeliz e de certo modo diminuído.            casa ao fim do dia ou no dia seguinte, e       Também contraem infecções virais                 Além de tudo isso, tanto a castra-
   Contudo, castrar ou esterilizar previ-     fica a agir normalmente em dois dias. Trá      sem cura e fatais como a leucose fe-          ção como a esterilização vão impedir
ne muito mais do que evitar crias inde-       de ser medicada com antibióticos e anal-       lina (que felizmente tem uma vacina)          que as gatas fiquem grávidas, por isso
sejadas. Ajuda também o seu felino a          gésicos por poucos dias.                       e a sida dos gatos (que não se trans-         esses animais nunca produzirão gati-
manter-se mais saudável e a viver mais           Usualmente recomendamos a castração         mite aos humanos), esta sem vacina            nhos indesejados que serão abandona-
tempo e com mais qualidade.                   ou esterilização aos seis meses, antes do      ainda. Já perdi a conta dos gatos que         dos ou mortos por afogamento como é
   De acordo com as estatísticas da As-       gato atingir a sua maturidade sexual,mas       vão à clínica e voltam várias vezes           usual.
sociação dos Hospitais Veterinários           nalguns países é incrivelmente comum cas-      todos os anos cheios de abcessos e               Alguns gatos ganham peso com a
Americanos, mais de 80 por cento dos          trar os gatos em idades muito precoces,        com os donos a resistirem à castra-           castração ou com a esterilização. Ani-
cães e gatos são castrados ou esteriliza-     por vezes às oito semanas.                     ção, até que um dia é tarde demais, e         mais não castrados normalmente têm
dos. O que é que eles sabem e que nós            Isso porque depois da puberdade,            não são poucos os casos. Tenho re-            um forte desejo para a cópula e po-
não sabemos?                                  aproximadamente aos 6-8 meses de ida-          parado que é muito mais fácil conven-         dem despender imensa energia na pro-
   Devo começar por dizer que a cas-          de, os gatos desenvolvem um sem nú-            cê-los a esterilizarem as fêmeas, mas         cura de um parceiro. Sem esse dese-
tração dos machos ou esterilização das        mero de características comportamen-           isso já seria assunto para o Dr.              jo o seu gato pode continuar a comer
fêmeas dos felinos é o mais simples pro-      tais indesejáveis. Tornam-se territoriais,     Freud...                                      a mesma quantidade de comida mas
cedimento cirúrgico da medicina veteri-       começam a marcar o território, muitas             As estatísticas indicam que os machos      não queima tantas calorias como an-
nária. A única preocupação do dono an-        vezes dentro de casa, esguichando uri-         castrados tendem a viver mais tempo que       teriormente, por isso pode engordar se
tes da cirurgia é que o gato faça jejum       na, que nessa altura, por acção das hor-       os machos não castrados.                      não reduzir a sua ingestão de calorias
durante a noite para que a anestesia seja     monas, tem um cheiro particularmente              A castração reduz enormemente as           através de uma dieta adequada ou es-
feita num animal com estômago vazio.          forte, que é difícil de eliminar. E também     possibilidades do gato marcar o territó-      timulando exercícios e brincadeiras
   A castração nos machos é a remoção         começam por alargar o seu território fa-       rio dentro de casa, arranhar e esguichar      onde gaste energia.
dos testículos, retirando assim a fonte de    zendo passeios cada vez maiores e mais         urina nos móveis e nos ângulos das pa-           Ninhadas indesejadas contribuem para
esperma e também da hormona sexual,           distantes da casa, particularmente à noi-      redes e logo reduz o stress que isso cau-     a existência de excesso populacional de
a testosterona, que é responsável pelo        te. Por esta razão, muitos dos gatos que       sa aos donos, aumentando a possibilida-       gatos. Isto é um problema porque os fe-
comportamento sexual do gato. Sob anes-       são atropelados são gatos não castrados.       de do gato ser amado e querido como           linos, se deixados à sua vontade, conse-
tesia geral, depila-se o escroto. Uma         Na época da reprodução ambos, gatos e          membro da família. Os gatos castrados         guem reproduzir-se em números assom-
(que é como eu faço) ou duas pequenas         gatas, fazem imenso barulho com os seus        continuam a ser territoriais mas em mui-      brosos num curto espaço. Para terem
incisões são feitas na pele do escroto e      vagidos (vocalizações aflitivas que ouvi-      to menor escala, reduzindo-se o territó-      uma ideia, basta uma ninhada de 4 ga-
ambos os testículos são removidos. Nor-       mos pelas madrugadas nos nossos telha-         rio normalmente ao jardim da casa.            tos, sendo dois machos e duas fêmeas,
malmente não se dão pontos, em virtude        dos). E se o seu gato estiver dentro de           A esterilização da gata, por seu lado,     ser deixada à vontade para que no prazo
do corte ser muito pequeno e fechar ra-       casa e cheirar a presença de uma gata          elimina por completo o cio, que normal-       de um ano dê origem a cerca de cem
pidamente em 3 dias. O dono só terá de        no cio (o que pode fazer a distância con-      mente ocorre várias vezes por ano, e o        gatos.
não deixar o gato sair para poder vigiá-      siderável) não conseguirá dormir enquan-       comportamento associado ao cio como              Termino dizendo que é dever de qual-
lo durante esses 3 dias, e aplicar Betadi-    to ele praticar a sua cantoria.                miados lancinantes, agitação, rebolar         quer proprietário responsável mandar
ne na zona da incisão. O gato vai para a         O gato inteiro protege o seu terri-         constante pelo chão, esguichar urina e        esterilizar ou castrar o seu felino – a não
casa logo que acordar da anestesia e          tório e ataca todos os gatos que apa-          lutas com outras gatas pelos machos. Os       ser, claro, que zqueria reproduzir gatos.
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                             MUNDO ANIMAL                       5




A Cookie é uma cadelinha com cerca de 1 ano, de porte
pequeno, muito meiga e calminha. Tem a particularidade
de ter um olho castanho e outro azul clarinho




                                                                                                                O SPEEDY é um podengo, estava abandonado
                                                                                                                e tem 8 meses.
                                                                                                                É muito brincalhão e muito atento
                                                                                                                a tudo o que se passa à sua volta



                                                         O BOB é um Dalmata adulto, com 8 anos, castrado, que
                                                         foi entregue no canil pelo dono. Como todos os cães
                                                         entregues no canil pelos donos é um pouco triste.
                                                         Mas que voltará a alegrar-se quando tiver novo dono




O Dominó é um cãozinho doce, de porte pequeno,
abandonado pelo dono no Canil, e que provavelmente
deve ter sido vítima de maus-tratos, pois está quase
sempre triste e escondido. No entanto, é super meigo,
e quando ganha confiança com as pessoas é muito
brincalhão. Precisa urgentemente de uma família que
tenha paciência com ele e que lhe dê muito carinho




                                                                                                                O TOMMY também foi abandonado
                                                                                                                é um cão muito engraçado, tem uns olhos
                                                                                                                muito bonitos e tem cerca de 1 ano de idade
                                                         O MURPHY tem cerca de 2 anos de idade
                                                         foi encontrado abandonado e é muito meigo




A Flay foi entregue no Canil pela dona. Tem dois bebes
muito bonitos e é uma excelente mãe. È também muito
meiga e tem um olhar muito doce. È calminha e deve
ser uma boa cadela para ter em apartamento




                                                                                                                Para quem prefere gatos, o Canil/Gatil Municipal
                                                                                                                tem vários destes felinos à espera de um dono ou uma
A Guapa é uma cadelinha muito, muito pequenina, que                                                             dona a quem retribuma mimos com um suave ronronar
teve bebés e que já foram adoptados. Ela ainda espera    O RALPH foi encontrado abandonado e estava muito       e muitas marradinhas.
que alguém a adopte! È uma ternura, muito meiga e        magro, condição que ainda mantêm embora já tenha       Esta bonita gata tricolor chama-se Tareca, e é um dos
adora saltar para o nosso colo! Cativa qualquer pessoa   melhorado. Tem cerca de 2 anos e é muito meigo         gatos que esperam por um amigo que os adopte
6      INTERNACIONAL                                                                                                          3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008




Obama quer acabar a guerra no Iraque
“de forma responsável” em 16 meses
   O Presidente eleito norte-america-                                                           tiu que vai ouvir o conselho dos mili-            Obama comprometeu-se ainda a fa-
no, Barack Obama, afirmou que de-                                                               tares.                                         zer com que as forças armadas nor-
seja retirar as tropas do Iraque em 16                                                             “Penso que 16 meses é um período            te-americanas continuem a ser “as
meses e que confiou ao futuro secre-                                                            acertado. Mas como já disse, muitas            mais fortes do Planeta”.
tário da Defesa, Robert Gates, a mis-                                                           vezes, escutarei as recomendações                 “Todos partilhamos da convicção de
são de acabar a guerra “de forma res-                                                           dos meus comandantes”, garantiu.               que é preciso continuarmos a ter as
ponsável”.                                                                                         “Poderá ser necessário manter uma           forças armadas mais fortes do Plane-
   “Como disse durante a minha cam-                                                             força residual para treinar (as forças         ta”, por isso, “continuaremos a fazer
panha, vou confiar ao secretário da                                                             de segurança iraquianas) e proteger            os investimentos necessários para re-
Defesa (Robert) Gates e às nossas                                                               o povo iraquiano”, disse.                      forçar as nossas forças armadas e
forças armadas uma nova missão, as-                                                                “Vamos garantir também que temos            aumentar as nossas forças terrestres”.
sim que assumir funções”, afirmou em                                                            os meios e a estratégia necessárias               “Estamos igualmente de acordo so-
conferência de imprensa realizada an-                                                           para vencer a Al-Qaida e os talibãs”           bre o facto de o poder das nossas for-
teontem, depois de anunciar que man-                                                            no Afeganistão, sublinhou o Presiden-          ças armadas dever estar aliado à sa-
tém no cargo o actual chefe do Pen-                                                             te eleito, comprometendo-se a enviar           bedoria e ao poder da diplomacia. E
tágono.                                                                                         reforços para a zona.                          comprometemo-nos a reconstruir e a
   Obama reafirmou que deseja reali-                                                               “O Afeganistão é o local onde co-           reforçar as alianças no mundo no in-
zar a retirada do Iraque de todas as                                                            meçou a guerra contra o terrorismo,            tuito de defender os interesses e a se-
brigadas de combate norte-america-                                                              e deve ser o sítio onde acaba”, de-            gurança dos Estados Unidos”, afir-
nas, no espaço de 16 meses, e garan-           Obama quer acabar a guerra no Iraque             fendeu.                                        mou.




                                                     O escudo inox de Ronald Reagan
                                               problema.                                                                                       mentos Ofensivos Estratégicos (SALT-1)
                    Fiodor Lukyanov *              Instalar os elementos da Defesa Antimís-                                                    termina em 2009.
                                               sil na Europa Central foi uma decisão unila-                                                       Hoje em dia, há nos EUA mais partidári-
                                               teral de Washington, tomada sem consultas                                                       os influentes de desarmamento nuclear. No
   «Meus caros compatriotas! Hoje avan-        prévias com os seus aliados. A Europa foi                                                       entanto, se, ao mesmo tempo, Washington
çamos uma iniciativa que promete alterar a     simplesmente informada de que os EUA lhe                                                        continuar a intensificar a criação do escudo
curso da História!». Foi deste modo que        fornecerão um escudo antimíssil. A aprova-                                                      antimíssil universal, a situação tornar-se-á
Ronald Reagan apresentou ao país, na Pri-      ção formal do projecto pelos países mem-                                                        mais contraditória. Ao conversar sobre a re-
mavera de 1983, a SDI (Stratigic Defense       bros da NATO ocorreu apenas na cimeira                                                          dução dos arsenais nucleares, Moscovo, na
Initiative – Iniciativa de Defesa Estratégi-   de Bucareste, realizada em Abril de 2008, e                                                     verdade, acabará por facilitar a tarefa dos
ca), mais conhecida como «a guerra das         sob uma fortíssima pressão da administra-                                                       EUA de criar este escudo: a possibilidade
estrelas».                                     ção norte-americana.                                                                            de intercepção de mísseis depende directa-
   Nos 25 anos desde então decorridos, a           Entretanto, a Defesa Antimíssil continua                                                    mente do seu número.
ideia de criar um escudo antimíssil univer-    a ser um problema de carácter global. Os                                                           Numa palavra, a discussão do problema
sal transformou-se do belo sonho num pro-      EUA não se cansam de repetir que «um                                                            da Defesa Antimíssil deve decorrer num for-
jecto geoestratégico, que não pára de en-      radar na República Checa e 10 mísseis in-                                                       mato internacional. Há uma chance de en-
venenar as relações entre Washington e         terceptores na Polónia em nada afectam a                                                        contrar um interlocutor interessado em Wa-
Moscovo.                                       eficácia do poderio nuclear russo». Há mui-         O sistema da Defesa Antimíssil pode ser     shington logo depois de 20 de Janeiro de
   Depois da eleição de Barack Obama           ta verdade nestas declarações. Mas, colo-        um instrumento de estabilidade mundial ape-    2009. Os democratas sempre eram menos
para a presidência, os representantes da       car assim a questão não passa de uma ma-         nas em caso de abranger todos os grandes       entusiastas «da guerra das estrelas». Além
futura administração norte-americana evi-      nha com objectivo de destrair a atenção geral    jogadores e formar um espaço comum de          disso, a nova administração ver-se-á obri-
tam opinar sobre a Defesa Antimíssil. No       apenas para um aspecto do problema.              segurança. Se um destes jogadores for ex-      gada a poupar os recursos. A Casa Branca
entanto, a resolução deste problema seria          A terceira região posicional da Defesa       cluído, por exemplo, a Rússia ou a China,      e o Congresso terão que precisar as suas
capaz de fornecer uma chave para a solu-       Antimíssil não é o fim, mas só o início da       surgirá uma fonte de atritos à escala estra-   prioridades.
ção de toda uma série das contradições es-     criação dum sistema antimíssil global. Se-       tégica. Os excluídos farão tudo ao seu al-        A situação geral no mundo está a evoluir
tratégicas existentes.                         guir-se-ão a quarta região, a quinta região, e   cance para abortar esta iniciativa.            contra a iniciativa da Defesa Antimíssil. A
   O tema da Defesa Antimíssil contém, ali-    assim por diante. Sem isso, o projecto não          A propósito, Ronald Reagan, ao assina-      Europa permite-se duvidar das razões apre-
ás, uma contradição conceptual: o proble-      tem qualquer sentido. Insistir resolutamente     lar o carácter defensivo da sua iniciativa,    sentadas pelos militares norte-americanos.
ma possui um carácter global e exige uma       neste projecto, politicamente provocador, só     admitia que esta «pode criar certos proble-    O Presidente Nicolas Sarkozy muda com
solução coordenada, mas desde o início os      tem sentido na perspectiva de algo grandio-      mas e mesmo uma interpretação dúbia. Se        frequência a opinião, dependendo do audi-
EUA preferem acções individuais.               so, capaz de mudar o curso da História. Isto     começar a desenvolver-se a par dos siste-      tório. Mas quer ele, quer alguns outros polí-
   Em 2001, os EUA saíram unilateralmen-       é, aquele mesmo escudo antimíssil univer-        mas ofensivos, pode ser visto como um es-      ticos europeus não são grandes adeptos da
te do Tratado de Defesa Antimíssil, assi-      sal que defenderá os EUA de todas as ame-        tímulo à política agressiva».                  iniciativa . Na República Checa cresce, de-
nado em 1972 e que restringia as acções        aças: as iranianas, as chinesas, as russas, as      Sem uma solução mutuamente aceitável        pois do recente êxito da oposição nas elei-
de Washington e Moscovo a duas regiões         paquistanesas, etc.                              do problema da Defesa Antimíssil, dificil-     ções, o número de adversários do radar. Na
posicionais. O Presidente George W. Bush           Ainda não se sabe se o projecto é real-      mente haverá conversações construtivas         Polónia, para muitos, a Defesa Antimíssil é
fundamentou esta decisão, afirmando que        mente viável. Mas, se assim for, a situação      sobre o controlo de armamentos. A Rússia       apenas um assunto secundário, decorrente
«para garantir a sua defesa, os EUA pre-       estratégica no mundo alterar-se-á radical-       por mais de uma vez apelava à administra-      do principlal – modernizar o exército com
cisavam de liberdade e flexibilidade de ac-    mente, pois desaparece o princípio base da       ção de George W. Bush no sentido de vol-       ajuda financeira dos EUA.
ção». Mas a posterior actuação de Wa-          estabilidade dos nossos dias – uma destrui-      tar à agenda de redução dos arsenais nu-
shington neste sentido apenas agravou o        ção recíproca garantida.                         cleares, já que o Tratado sobre os Arma-             * in revista A Rússia na Política Global
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                            NACIONAL                  7
Portugueses generosos para o “Banco Alimentar ”
   A campanha do Banco Alimentar Con-           tou Isabel Jonet, Presidente do BA.             treferiu Isabel Jonet.                              A campanha decorreu em estabele-
tra a Fome (BA) realizada no último fim-           A campanha realizada no sábado e no             A distribuição dos alimentos decorrerá        cimentos comerciais das zonas de Lis-
de-semana em Portugal bateu recordes com        domingo em 1.119 superfícies comerciais re-     atráves dos 14 bancos alimentares, tendo         boa, Porto, Coimbra, Évora, Beja, Avei-
a recolha de 1.905 toneladas de alimentos.      presentou um aumento de 19 por cento em         estes uma acção local.                           ro, Abrantes, São Miguel, Setúbal, Cova
   A campanha decorreu em estabelecimen-        relação à iniciativa de Dezembro de 2007.          “Todos os bens são distribuídos onde são      da Beira, Leiria, Fátima, Oeste, Algar-
tos comerciais de norte a sul do país e os         Segundo Isabel Jonet, tem havido maior       recolhidos. Isto permite aproximar quem dá       ve, Portalegre e Braga.
alimentos recolhidos vão ser distribuídos a     receptividade porque as pessoas receiam         de quem recebe e sobretudo permite um               Até ao próximo domingo, dia 7, continua-
partir de terça-feira, através de 1.618 inti-   que um dia também elas próprias possam          grande controlo sobre os produtos que são        rá a iniciativa “Ajuda Vale”, que permite que
tuições, com destino a 245 mil pessoas ca-      precisar de auxílio.                            distribuídos”, explicou a presidente do BA.      cada pessoa contribua para o Banco Ali-
renciadas.                                         “Não se pretende que estes alimentos            A campanha deste fim-de-semana con-           mentar através de cupões disponíveis em
   “Isto significa que cerca de 2,5 por cento   sejam um fim em si mesmo ou que queiram         tou com a colaboração de cerca de vinte          lojas, nos quais é identificado o produto doa-
da população portuguesa de alguma forma         criar dependências. Os alimentos são, con-      mil voluntários, o que representa, segundo       do e mencionado que se trata de uma en-
é ajudada pelos produtos entregues pelos        soante o caso e cada pessoa a quem é en-        Isabel Jonet, a maior acção de voluntariado      trega para os Bancos Alimentares Contra a
bancos alimentares contra a fome”, consta-      tregue, muitas vezes uma ajuda pontual” -       em Portugal.                                     Fome.


 ponto . por . ponto
                                                             A “Caixa de Pandora”
Por Sertório Pinho Martins
                                                as primeiras queixas de clientes à procura      pânico se instalar, pode ser um rastilho, por-   (fica bem a discrição distanciada, vestida
                                                dos seus fundos evaporados. Isto não está       que a classe política que temos já mostrou       da confiança que já foi) dizer a uma e a
    As notícias sobre a banca portuguesa que    para cardíacos! A procissão ainda vai no        que não sabe lidar com ‘serviços de urgên-       outro que saiam pelo seu pé, para não em-
vivia de milagres de alguns santos com pés      adro, e que o diga a responsável pela Ope-      cia’: esta crise veio dizer preto-no-branco      baraçar quem lhes cobre a retaguarda, e a
de barro, vieram para ficar. E ninguém pa-      ração Furacão, quando vem a público desa-       que os ministros da área económico-finan-        coisa pode ficar feia: os professores não
rece estar a salvo, com o que já se sabe,       bafar que a PJ foi afastada do processo por     ceira, depois de todas as gabarolices sobre      desarmam na rua, e a esquerda em ascen-
mais o que está por saber, e mais o que al-     razões anormais. Pudera!                        o défice, a recessão, as previsões da OCDE       são não vai deixar morrer solteira a derro-
gum poder instalado vai querer que não se          O novelo é tamanho, que agora são (para      e os balões vazios que atulham (e entulham)      cada do BPN. A passividade de S.Bento e
saiba. Miguel Cadilhe, ao apresentar queixa     já!) 18 importantes empresas públicas e         o Orçamento de 2009, andam desde o início        de Belém valerão o risco de uma perda da
dos atropelos de gestão no BPN, abriu uma       outras instituições do Estado (do Estado!),     a reboque dos acontecimentos, sem estra-         maioria absoluta e de espaço para um novo
‘caixa de pandora’ cuja dimensão está por       que desde 2004 foram ‘ajudadas’ pelo BPN/       tégia, sem sentido de antecipação e – o que      mandato presidencial? Só um cego é que
avaliar e ele próprio não teve a percepção      EFISA em operações que atingem 2,3 mil          é mais grave! – sem a noção do tempo exac-       não vê!
de quantas porcelanas iria partir com os seus   milhões de euros. Até engasga que se ande       to para mudar as pedras do xadrez que lhes          E a chicana vai continuar, porque o PS
pés elefantinos: podia ter ‘apenas’ alertado    por aí a falar com ligeireza em tantos milha-   travam o caminho para o xeque-mate elei-         encontrou farta matéria eleitoral no caso
o Ministro das Finanças (sairia igualmente      res de milhões, depois da guerra acesa que      toral a uma oposição que cresce pela es-         BPN. O poder judicial já compreendeu que
bem na fotografia) e deixava o custo do ter-    foi, tão só há alguns meses, o esbanjamento     querda do Governo e que nada garante que         o segredo é a alma do negócio (Cadilhe pre-
ramoto para quem o desencadeasse. Mos-          anunciado com o novo aeroporto de Alco-         não cresça pelo centro (basta Manuela Fer-       feriu o ‘concurso público’ e estendeu-se ao
trou nervosismo, inépcia, e disse alto e bom    chete e o TGV. Onde isso já vai, depois dos     reira Leite dar o palco a um samurai frio e      comprido); mas o partido do Governo, o PCP
som que não tinha a mínima noção daquilo        vinte mil milhões postos aos pés da banca       limpo de pecado). E, tal como Cadilhe, há        e o BE querem centrar a discussão na As-
em que estava a mexer, que não tem faro         falida? Ah, e com tanto aval a quem andou       mais elefantes a pastar na coutada nacio-        sembleia da República, onde mandam calar
político, e que numa situação de emergên-       a brincar aos offshores, ao desvio fraudu-      nal: e Vítor Constâncio é apenas um deles,       as minorias e onde a comadrice e as vin-
cia nacional não saberá segurar um país – o     lento de depósitos (e o que está por saber?!)   porventura o mais responsável!                   ganças políticas vão falar mais alto. E en-
que quer dizer também que a sua possibili-      e à especulação de pés de barro com o di-          Mas a coisa também não está de feição,        quanto Maria de Lurdes Rodrigues e Ma-
dade de ser candidato a primeiro-ministro,      nheiro dos outros, o mesmo Estado ainda         mas mesmo nada, para o lado do Governo           nuel Dias Loureiro continuarem dentro do
numa saída airosa de Manuela Ferreira Lei-      teima em manter na agenda as obras de           ou de figuras gradas da oposição. Dois exem-     barco, Belém e S. Bento dançarão ao sabor
te, já foi chão de uvas. E quem lhe voltará a   Alcochete e do comboio de alta velocida-        plos, entre muitos, que ainda vão fazer cor-     das marchas na avenida e do zurzir sem dó
confiar pântanos desta dimensão? Felizmen-      de??? Bem se vê que o dinheiro continua a       rer tinta grossa (a menos que se decidam         nem piedade no cavaquismo de cujo ventre
te que o homem se lembrou (gato escalda-        não ser do Estado, mas do eu-tu-ele-nós-        também pela porta dos fundos): Maria de          poderiam sair nomes para um governo de
do…) de impor ao BPN, antes de aceitar o        vós-eles a quem não é dado gritar “alto aí,     Lurdes Rodrigues e Manuel Dias Loureiro.         amanhã e de certeza a base eleitoral de
papel de messias, um PPR de dez milhões.        que isso é um assalto!”, e assiste inerme a     O que já fizeram e o que não se decidem a        Cavaco Silva em 2011. O tempo não vai de
Até dói!                                        decisões tomadas por uma vintena de go-         fazer para estancar danos colaterais, só tem     feição para falhas de marinhagem, e as ‘cai-
    E aí está também o BPP com os dias de       vernantes, mais centena e meia de deputa-       um nome: sobrevivência à custa n’importe         xas de pandora’ ameaçam multiplicar-se.
‘estado de graça’ contados, a saída discreta    dos a ver o seu ganha-pão ir à vida em quais-   quoi! Enquanto José Sócrates e Cavaco            Quem não se aviar em terra, afunda-se-á
de João Rendeiro pela porta dos fundos e        quer eleições antecipadas. E daqui até o        Silva não mandarem emissários impositivos        no primeiro golpe de mar.




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8 OPINIÃO                                                                                                                  3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008


                                              pela ressurreição, no seio da Trindade? -          Arriscava-se não apenas a favorecer          Factos como Guantánamo não podem
                                              , em boa parte a má vontade contra a            sem critério famílias em situação desafo-    manter-se, nem repetir-se. Os EUA fo-
                                              Igreja radicar na sua relação com o sexo.       gada como até a dar azo à prática de per-    ram indispensáveis em duas guerras mun-
                                              Como admitir, por exemplo, mesmo quan-          niciosos jogos de computador durante o       diais, para dominarem os demónios interi-
                                              do a saúde e a própria vida ficam amea-         horário escolar, agora que tantos profes-    ores dos europeus: continuam a ser indis-
                                              çadas, a proibição do preservativo?             sores ameaçam com tantos e tão omino-        pensáveis para redefinir a governança
                                                 O que envenenou a relação da Igreja          sos tresmalhamentos do serviço. (...)        mundial, desta vez ajudando a dominar os
                                              com a sexualidade foi o choque entre o                                                       demónios interiores do globalismo. (...)
                                              poder e o prazer, porque o prazer pode                             Vasco Graça Moura
                                              abalar o poder.                                                    DN 26/Novembro/08                              Adriano Moreira
                                                 Concretamente, há a doutrina do pe-                                                                          DN 25/Novembro/08
                                              cado original, entendido não como o pri-        OBAMA (I)
                                              meiro de todos os pecados - todos pe-                                                        OBAMA (II)
                                              cam -, mas como um pecado herdado de               (...) É evidente que responder ao con-
                                              Adão e transmitido por geração, portan-         junto de problemas em que se destacam           A magia e o simbolismo da eleição do
EDUCAÇÃO                                      to, no acto sexual.                             o Iraque e o Afeganistão, mas que inclu-     Presidente Obama varreram o mundo
                                                 Depois, com a reforma gregoriana,            em por exemplo o Paquistão em crise,         como um cometa. O clarão da esperan-
   A educação é um dos mais interes-          século XI, foram-se erguendo as três            ou o Irão em crescimento de ambição          ça, da vitória contra o racismo, da opor-
santes laboratórios da democracia con-        colunas sobre as quais assenta, segundo         internacional, não é questão para resol-     tunidade da paz foi tão intenso que, por
temporânea, tanto das suas melhores           Hans Küng, o paradigma católico-roma-           ver em velocidade de cruzeiro. Não po-       momentos, o mundo pareceu reconcilia-
ambições como dos seus mais persisten-        no: papismo (poder centrado no Papa),           dem esperar-se milagres, por muito ca-       do consigo mesmo. Foram momentos
tes impasses. É por isso necessário e útil,   celibatismo (celibato obrigatório por lei       paz, eficiente e credível que seja o grupo   breves, mas deram para imaginar a uto-
para compreender a actual crise do sec-       para os padres), marianismo (devoção a          de talentos chamados a apoiar a Presi-       pia de uma sociedade mais democrática,
tor, ter presente alguns parâmetros que       Nossa Senhora como compensação).                dência.                                      sem preconceitos raciais, centrada na
definem o cerne dos seus problemas.              Como se determinou que tudo o que se            O discurso da mudança conseguiu           busca da paz e da justiça social. Como
Parâmetros que qualquer política da edu-      refere ao sexo é por princípio matéria gra-     convencer o eleitorado doméstico, e          todas as luzes muito fortes, o clarão ce-
cação tem de, reflectida e estrategica-       ve e como, por outro lado, não há ninguém       muitos governos inevitavelmente envol-       gou-nos para a realidade que estava sen-
mente, incorporar nas suas propostas e        que não tenha pelo menos pensamentos re-
nas suas decisões.                            lacionados com o sexo e só o sacerdote ou
   O primeiro é o das relações entre a        o bispo podem perdoar os pecados, a con-
família e a escola. A tradicional cumpli-     fissão acabou por tornar-se não um espa-
cidade entre a família e a escola esbo-       ço de reconciliação e paz, mas tantas ve-
roou-se nas últimas décadas, com a pri-       zes de opressão, e raramente uma institui-
meira a transferir para a segunda as suas     ção acabou por deter tanto poder sobre as
funções de socialização das crianças e        consciências, criando infindos complexos
dos jovens. E com esta transformação          de culpabilização. Quando se lê os manu-
aumentou também a contestação das             ais dos confessores e todos aqueles inter-
funções mais tradicionais da escola, so-      rogatórios inquisitoriais, quase reduzidos ao
bretudo em nome dos valores afectivos         campo sexual, percebe-se que muitos te-
de uma infância e de uma adolescência         nham começado a abandonar a Igreja por
fortemente idealizadas. Idealização que       causa da confissão, considerada ofensiva
cresceu em paralelo com a ignorância          dos direitos humanos. (...)
das efectivas condições de vida infantil
e juvenil, marcadas pelo empobrecimen-                               Anselmo Borges
to da sua experiência e do seu ambiente               (padre e professor universitário)
simbólico. Criou-se assim uma situação                           DN 29/Novembro/08
complexa, em que as expectativas das
famílias e as finalidades da escola ten-      “MAGALHÃES”
dem a divergir profundamente. (...)
   Um último ponto, de que se fala me-           (...) O esquema é simples. Pega-se
nos do que dos anteriores mas que é igual-    no Magalhães, entrega-se, filma-se para
mente decisivo, é o da formação cultu-        a televisão, recolhe-se e leva-se para
ral, no sentido lato do termo, dos profes-    outro lado. Faz-se uma negaça à oposi-
sores. Aqui, é preciso olhar para o esta-     ção, poupa-se na aquisição de novas uni-
do do nosso ensino universitário, que em      dades, reforça-se a capacidade de ex-
geral não propicia como devia aos futu-       portação para a Venezuela, e assegura-
ros professores a solidez do conhecimen-      se, numa implícita concessão às vozes
to, a autonomia intelectual, o sentido pe-    críticas, que os meninos e as meninas fi-
dagógico e a abertura ao mundo.               carão a aprender muito melhor sem o
                                              aparelho.
               Manuel Maria Carrilho             O efeito multiplicador da propaganda
                 DN 29/Novembro/08            é notoriamente acrescido. Na propagan-          vidos pelos efeitos directos ou colaterais   tada ao lado da imaginação em pose tão
                                              da do Governo é que não se pode falar           das decisões americanas: à confiança na      sedutora. No preciso momento em que
IGREJA E SEXUALIDADE                          em estagnação e também já não é preci-          autenticidade dos propósitos tem de cor-     o mundo assistia comovido ao discurso
                                              so concentrar a informação no desem-            responder a paciência de quem não pode       de aceitação de Obama, na noite de 4 de
   No lançamento do livro A Sexualida-        prego nos Açores. Chama-se a isto fa-           ser dispensado da cooperação e da es-        Novembro, uma festa de casamento, no
de, a Igreja e a Bioética. 40 anos de         zer mais com menos. E reconheçamos              pera. O que significa que a restaura-        Norte do Afeganistão, era destruída pe-
Humanae Vitae, de Miguel Oliveira da          que, independentemente de se tratar de          ção do crédito moral da Administração        los bombardeiros não tripulados dos
Silva, procurei reflectir sobre o parado-     uma questão de bateria ou de uma qual-          americana parece a plataforma a par-         EUA, deixando no solo de sangue e rou-
xo de, sendo o cristianismo uma religião      quer exigência burocrática, seria com-          tir da qual a combinação da esperança        pa de festa 40 cadáveres. Foi o sexto
do corpo - não diz a Bíblia que Deus criou    pletamente estúpido e sobretudo desca-          e da paciência deverá assegurar a re-        casamento destruído assim, desde a in-
os seres humanos em corpo e viu que           bido em termos de economia nacional e           cuperação dos aliados, convencidos de        vasão do Iraque. (...)
era muito bom e não confessa a fé cristã      de opinião pública que o primeiro-minis-        que as invocadas ideias do fim da his-
que Deus assumiu em Jesus a corporei-         tro andasse por aí a entregar-se à dissi-       tória não são o corolário de uma su-                     Boaventura Sousa Santos
dade humana e que ela está presente,          pação e à liberalidade.                         premacia militar.                                                          Visão
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                                    OPINIÃO               9
A CRISE                                        Sempre achei que a indignação é um pe-             olhares, gestos, o som de um sorriso. (...)       cia num ápice. Depois da prisão da ban-
                                               dregulho atravessado no caminho da inteli-                                                           queira dos pobres, chegou a hora do ban-
   A crise alastra-se e aprofunda-se em        gência. Mas o facto é que ela foi arvorada                            António Lobo Antunes           queiro dos ricos.
toda a parte sem ninguém saber, ao certo,      em direito e eu sou pró: se a criação de um                                          Visão              Embora não se saiba a extensão dos da-
onde nos leva e quando será possível ven-      direito não vier prejudicar outros mais im-                                                          nos causados pela gestão do BPN, a verda-
cê-la. Em todo o caso varia e tem contor-      portantes, sou sempre a favor. Mas uma             CAVACO E A HISTÓRIA                               de é que os ricos não saíram à rua em ma-
nos diferentes de país para país. Relati-      coisa é tê-lo e outra usá-lo. O direito à indig-                                                     nifestações de pesar e de protesto. Cala-
vamente ao Ocidente há grandes diferen-        nação deve ser usado com grande e sábia               (...) O dr. Cavaco é responsável por muito     ram-se. E o Governo com pena dos ricos
ças entre os Estados Unidos, epicentro da      parcimónia, senão só atrapalha quem o exer-        de mau e de mal que incutiu no País. Acaso        nacionalizou o BPN e agora vamos nós pa-
crise, e a União Europeia. Enquanto os         ce. Eu gostaria até de reservá-lo para os          por incompetência política e fundas lacunas       gar as dezenas de milhares de euros das
Estados Unidos se tornaram, após a vitó-       seis meses sem democracia. (...)                   culturais. Podemos acusá-lo de uma série          moedas do euro, das colecções de pintura,
ria de Barack Obama e do Partido De-                            Nuno Brederode Santos             de amolgadelas na democracia; porém, de           das negociatas do banco insular. Mas o
mocrático, “a terra onde tudo pode voltar                             DN 23/Novembro/08           desonestidade, creio que nunca.                   Governo tem razão, os nossos ricos metem
a acontecer”, a Europa continua parali-                                                              Há uma coisa assustadora que se exige          dó. A maioria deles foi forjada nos mean-
sada e sem rumo à vista, não podendo           BANCO PORTUGUÊS                                    de nós: conhecermo-nos; por isso, fazemos         dros mais escuros da política, cresceu à custa
abstrair-se da ameaça de alguma dege-          DE NÚPCIAS                                         por esquecê-la. Conhecermo-nos, e manter          de um subsídio e do financiamento público,
neração. Situação perigosíssima.                                                                  essa memória, pode ser mau ou bom, mas é          sem nunca ter produzido um cêntimo para a
   A um mês do fim da presidência fran-           É impressão minha ou o caso BPN fica            sempre perigoso. Sei do que falo. A atonia        riqueza do País. E agora que o banqueiro
cesa, que não será exagerado dizer que         mais enternecedor a cada dia que passa?
teve muita parra e pouca uva, e em vés-        Tem sido comovente desde o início, mas
peras da passagem da presidência para          estes últimos episódios foram mais emoci-
a República Checa, cheia de preconcei-         onantes que o fim de Casablanca. À se-
tos e dúvidas quanto ao futuro da União,       melhança do que costuma acontecer nas
não parece provável que o Tratado de           histórias tristes, esta também tem um in-
Lisboa seja ratificado pelos 27 Estados        válido, como o Tiny Tim, do Dickens. O
membros, como se previa há meses. Aliás,       caso BPN tem, aliás, vários inválidos, e cu-
o Tratado perdeu importância e signifi-        riosamente são todos ceguinhos: o Banco
cado, devido ao desastre do neoliberalis-      de Portugal não viu que havia falcatruas,
mo e à perspectiva de se entrar num novo       os administradores do banco não repara-
ciclo político-económico. Tudo está a          ram que o presidente praticava um tipo de
mudar aceleradamente. Ora as soluções          gestão que a lei, ao que parece, proíbe…
para a grande crise passam, obviamen-             E agora estamos no ponto em que entra
te, por novos caminhos... (...)                em cena a injustiça: Oliveira e Costa foi
                                               acusado de burla agravada, falsificação de
                         Mário Soares          documentos, fraude fiscal e branqueamento
                    DN 25/Novembro/08          de capitais. Quem o acusa de enriqueci-
                                               mento ilícito só pode desconhecer o seu
ELEIÇÕES                                       desarmante altruísmo. Segundo o Correio
                                               da Manhã, em Março deste ano, Oliveira
   Vivemos o período mais longo sem            e Costa divorciou-se da mulher com quem
eleições nacionais da democracia. Pas-         era casado havia 42 anos, e passou os bens
saram mais de mil dias desde as presi-         para o nome da senhora. Muito embora o
denciais de 22 de Janeiro de 2006, aci-        divórcio se tenha realizado por mútuo con-
ma do máximo anterior de 916 dias en-          sentimento, não deixa de ser admirável que
tre as legislativas de 10 de Junho de 1991     um homem premeie a mulher de forma tão
e autárquicas de 12 de Dezembro de             generosa na hora da separação. Trata-se
1993. Em maioria absoluta, está na altu-       do rigoroso oposto do «golpe do baú»: o
ra de balanço desta inaudita estabilida-       objectivo não é casar para ficar rico, é di-       da sociedade portuguesa, o explícito conú-        dos ricos foi preso, ficam quietos, escondi-
de. O sr. primeiro-ministro declarou há        vorciar-se para enriquecer o cônjuge. Que          bio entre zonas seculares, antagónicas por        dos, à espera da piedade do Estado.
pouco não pensar nas consequências             um homem tão desprendido dos bens ma-              essência, resultou na irremediável fatalida-
eleitorais da sua política (Rádio Renas-       teriais seja acusado daqueles crimes é sim-        de de os dirigentes não estarem à altura das                    Francisco Moita Flores
cença, dia 14, às 13.12), sinal de que não     plesmente revoltante. (...)                        nossas urgências e necessidades. Repug-              Correio da Manhã 23/Novembro/08
pensa noutra coisa e a campanha já co-                                                            nam-me os dez anos “cavaquistas”, duran-
meçou. (...)                                                    Ricardo Araújo Pereira            te os quais tudo parecia moldado à seme-          A ÉTICA DOS JUÍZES
                  João César das Neves                                          Visão             lhança do maioral. O que ocorreu nas re-
                     DN 24/Novembro/08                                                            dacções dos jornais, das rádios e das televi-        O ‘Compromisso Ético’ que a Asso-
                                               SOFRIMENTO                                         sões, com a imposição de uma nova ordem           ciação Sindical dos Juízes fez aprovar no
DEMOCRACIA                                                                                        que principiava pela substituição das chefi-      recente congresso é inepto e insano. Não
                                                  (...) As pessoas que me lêem como-              as e a remoção de jornalistas qualificados,       tem qualquer validade jurídico-constitu-
   “Eu não acredito em reformas, quando        vem-me: fiz um livro diferente para cada           mas desafectos ou mesmo dissentes - é uma         cional ou força para vincular os juízes
se está em democracia”: eis a frase que        uma delas, com palavras diferentes, do             história sórdida, e esquecida por muitos. (...)   associados e, por maioria de razão, mui-
antecedeu e contextualizou o verdadeiro        mesmo jeito que um alfaiate trabalha por                                                             to menos os não associados. A ASJP pro-
detonador da escandaleira. E este foi: “Até    medida, porque a vida de cada um é úni-                                    Baptista-Bastos           duziu um documento para o museu le-
não sei se a certa altura não é bom haver      ca, nunca existiu ninguém antes. As ex-                                 DN 26/Novembro/08            gislativo dos seus arquivos. É um enun-
seis meses sem democracia, mete-se tudo        periências podem ser parecidas, a ma-                                                                ciado de princípios gerais, de vacuida-
na ordem e depois então venha a democra-       neira de vivê-las diversa: somos mundos            A PRISÃO DE BANQUEIROS                            des e pretensioso nos seus propósitos.
cia.” Manuela Ferreira Leite falou estes dez   sem fim. Guardo olhos, sorrisos, vozes,                                                              Nem como instrumento de auto-regula-
segundos e, durante três dias, a balbúrdia     dedos que apertaram os meus, uma co-                  Diziam os jornais este fim-de-semana que       ção pode valer, porque os juízes, consti-
das indignações chutou para canto os re-       munhão indizível. São eu e eu sou elas,            fora preso o primeiro banqueiro em Portu-         tucionalmente, não se podem auto-regu-
mansos da razão. Indignaram-se à esquer-       falando para elas, por elas. Tanto sofri-          gal. Não é verdade. É o segundo. A primei-        lar em matérias que têm que ver com a
da com o apelo à suspensão da democra-         mento também, algumas alegrias, um                 ra foi a banqueira do povo, a D. Branca,          forma como exercem a profissão. (...)
cia. Aproveitou o CDS para também se in-       imenso, impartilhável silêncio que dese-           que lançou na rua manifestações de milha-
dignar um bocadinho. Indignaram-se o se-       ja, com toda a força da alma, ser escuta-          res de pessoas, atónicas, sem perceberem                                   Rui Rangel
cretário-geral e o líder parlamentar do PSD    do. Durante os autógrafos oiço muito               como um sistema financeiro tão rentável,                          (juiz-desembargador)
com a indignação de todos os indignados.       mais do que digo, escuto expressões,               tão feito ao jeito dos pobrezinhos, desapare-        Correio da Manhã 26/Novembro/08
10            CRÓNICA                                                                               arte em café
                                                                                                                              3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008



                           A OUTRA FACE
                            DO ESPELHO                                                        Ortografias…
                          José Henrique Dias*
                            jhrdias@gmail.com

    Começa a fazer-se tarde. Quero eu dizer que anoitece
tão cedo que não chego a prover bem os meus dias da luz
que necessito. Já não bastava o que a natureza administra,
na sucessão dos dias e das noites, ainda mexem nos relógi-
os e tudo fica adulterado. Não posso nem consigo gover-
nar-me neste interim do levantar-me e deitar-me, descom-
passado daquilo que acho ser chamado de ritmo biológico.
Será? Ontem, claro que há sempre um ontem em relação
ao dia seguinte, este em que estou… será mesmo que há?
Às vezes penso que há uma enorme confusão entre tempo
e duração. O Pessoa, pela inteligência de Álvaro de Cam-
pos, diz isto de uma maneira curiosa, creio ser assim, Hoje
não faço anos. Duro. Não tenho o poema à mão, mas
todo o Pessoa anda sempre por dentro da minha cabeça. E
verdadeiramente, interessa-me agora confundi-lo na minha
ideia de não-tempo em favor da ideia de duração.
    Quando uso a lupa para tentar ler, amplio quatro vezes a
escrita mas confronto-me com a distorção das palavras.
Em absoluto. As palavras ondeiam e simplificam-se em le-
tras tortuosas que me levam a pensar outras palavras.
    Quando era pequeno, minha Mãe, às vezes, sentava-se
perto de mim na soleira da porta e apontava-me as letras e
dizia os nomes. Sempre achei as letras coisas esquisitas.
Aqueles desenhos falavam. Sonorizavam a minha cabeça.           Largo da Feira antes da destruição da Alta de Coimbra
Quando aprendi a palavra Mãe tinha um i. Mãi. E pai tinha
um e, Pae. E funcionava tudo na mesma. Havia as duas            e Egídio, Políbio Gomes dos Santos, Mário Sacramento,         pouso no Gerês. Pois sim, irei, terá dito. Depois o pátio da
formas para os dois casos, só que minha Mãe nasceu no           Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Álvaro Feijó, ou-      casa de S. Miguel de Ceide quando se ouviu o estalido seco
século dezanove, e era assim que vinha no velho Morais ou       tros mais, aquela casa e aquela rua, Coimbra no sufoco da     à espera dos gritos de Ana Plácido.
no velho Faria. Experimentem percorrer estes velhos dicio-      ditadura mas na respiração dos jovens transgressores. É          Quando minha Mãe chamava Carlitos, o i prolongado
nários. Uma delícia. Sabem ao tempo dos que antes de nós        preciso voltar a eles. Perceber melhor algumas coisas. Sem    para o nome durar, brincava por ali perto uma outra Ana.
foram construindo o que somos com palavras exactas. Têm         preconceitos.                                                 Tinha um bibe de riscado cinzento e dois lacinhos brancos
o gosto dos velhos jornais das bibliotecas, das hemerotecas,       O que me fascinava, ia dizer, na cena daquela rua, era     nas trancitas negras. Dava ares de ciganita. Sempre que
ensinava-me o meu professor do tempo em que se ensina-          Guilherme Lira, aquele estudante que varreu a varapau o       jogava a malha e ficava perto, olhava para ela à espera de
vam coisas, gazetas em que podemos ver a intensidade das        pérfido D. Alexandre de Aguilar e o Airão, criado e mata-     um sorriso. Perdemo-nos. Perdemo-nos sempre das coisas
grandes ideias que mudaram o mundo e hoje achamos pe-           dor contratado para acabarem com o bom do Casimiro de         belas que descobrimos, do que amamos, porque a idade
quenas coisas, nem sequer pensamos nelas.                       Bettancourt, suposto plebeu, preferido pela doce Cristina     gasta-nos, os dias tornam-se cada vez mais pequenos, a luz
    Senhor Carlos, são horas de se deitar. Sempre aí nessa      de Nelas, parente do fidalgo rejeitado, fugitivos e casados   escoa-se nos olhos, Carlitos, anda lanchar.
lida com os seus papéis. Ai, ai, o médico já disse que o quer   na auspiciosa resolução de amores em O Bem e o Mal               Agora já não posso, Mãe, mudou a ortografia nos meus
sossegado, não pode…                                            onde embrenhei as verduras de meus anos.                      olhos, com um e ou com um i, tanto faz, se não posso ler
    Estou farto de ouvir isto. Senhor Carlos já é tarde, se-       Ficam-nos sempre memórias dos lugares e das leituras,      para que quero eu lanchar?
nhor Carlos toca a levantar, senhor Carlos temos de fazer o     mas o Camilo deve ter sido para aqui chamado por causa           A cadeira de balanço. Estamos a dançar. Olhos nos olhos.
penso, senhor Carlos vamos para a mesa, senhor Carlos           daquele dia em que o sábio Gama Pinto lhe disse que não       Foi há tanto tempo. O rosto moreno e o lume no olhar. Sem
tem de ter cuidado quando come, senhor Carlos sujou a           havia nada a fazer. Houve ainda aquela visita de Edmundo      muros. Sem estarmos emparedados. Como eu agora. Nes-
roupa toda, senhor Carlos não faça, não queira, não pode,       Machado, oftalmologista de Aveiro, que lhe aconselhou re-     te desconforto de julgarem que me dão tudo. Tão indizivel-
não vai…                                                                                                                      mente só. Tanta gente. Tanta gente a querer cuidar de mim.
    Eu acho que não me chamo Carlos, porque lhes deu por                                                                      Nunca saberão nada. Como se um adeus.
me chamarem assim? Eu sempre fui Carlitos. Minha Mãe,                                                                            Porque andam aqui estas bruxas à minha volta, senhor
com e ou com i, mas infinitamente minha Mãe, sempre                                                                           Carlos isto, senhor Carlos aquilo, se começa a fazer-se tar-
chamava quando eu andava a brincar no Largo da Feira:                                                                         de, ia eu a dizer, quando comecei a falar mas sempre me
Carliiiitos! Anda lanchar.                                                                                                    perco? Sempre no espaço labiríntico da duração.
    Contrariado largava a malha, media os palmos, fazia uma                                                                      “Sabe-se a tortura contínua em que vivia por causa dos
marca, estou à frente, dá cá, não dou, quem dá e torna a                                                                      seus padecimentos. Hoje, pelas seis horas da tarde, num
tirar ao inferno vai parar, aprazava com os companheiros a                                                                    momento de desespero…”. Telegrama publicado pelo Sé-
continuação para daí a um bocado, corria para o tempo de                                                                      culo, em 1 de Junho de 1890.
uma caneca de café com leite e uma rodela de pão com                                                                             Carliiiitos!
manteiga, agora tens de fazer os deveres, ó Mãe só mais                                                                          Já estou a ir, Mãe. Queria brincar só mais um
um bocadinho, é só acabar o jogo, também é só uma cópia,                                                                      bocadinho…
faço num instante…                                                                                                                                             * Professor universitário
    Quando pensei que começava a fazer-se tarde, quando
estava a pensar no tempo, lembrei-me muito do Camilo.                                                                             Não costume preocupar-me com as “gralhas” que pos-
                                                                                                                              sam debicar os meus textos. Conto com a inteligência dos
Desse mesmo. Do Camilo Castelo Branco. Sempre tive
                                                                                                                              leitores. Mas algumas são especialmente divertidas. Na mi-
um grande fascínio por uma cena ali para a rua da minha                                                                       nha última crónica, o couro cabeludo virou coro cabelu-
escola primária, a Rua do Loureiro, quase lá para o pé da-                                                                    do. O que pode dar para que pensemos naqueles rapazes de
quele arco e da casa onde viveu a família Cochofel. O João                                                                    Liverpool, que viraram a música e os hábitos capilares mas-
José Cochofel. Aquela gente do Novo Cancioneiro pas-                                                                          culinos. Que de resto apareceram, mais coisa menos coisa,
sava toda por lá. O Namora, os irmãos Namorado, Joaquim                                                                       pelo tempo diegético daquela minha estória.
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008
                                                                                                                                                       NACIONAL                  11
ATÉ AO PRÓXIMO SÁBADO

Junta de Freguesia dos Olivais
mostra-se no “Dolce Vita Coimbra”
   Desde ontem (terça-feira) e até ao próximo sá-                                                                               guesia) e a projecção de um filme sobre a Fregue-
bado (dia 6), a Junta de Freguesia dos Olivais e o                                                                              sia e a Vida de Santo António.
“Dolce Vita Coimbra” associam-se para divulgar                                                                                     O programa para hoje é o seguinte:
junto do público uma mostra das múltiplas activi-                                                                                  16h00 - Aula de Yoga (seniores da Freguesia)
dades desenvolvidas, em diversas áreas, pela refe-                                                                                 17h - Aula de Chi Kung (seniores da Freguesia)
rida Junta de Freguesia.                                                                                                           18h - Aula de Dança de Salão
   O programa completo será divulgado hoje, em                                                                                     19h - Ilusionismo- Mágico Telmo
conferência de imprensa em que participam o Pre-                                                                                   20h30 - Actuação do Coro de Professores de Coimbra
sidente da Junta de Freguesia dos Olivais, Francis-                                                                                Amanhã (quinta-feira, 4 de Dezembro)
co Andrade, e a Directora do “Dolce Vita Coim-                                                                                     19h30- Actuação do Coro Coral da Casa de Pes-
bra”, Solange Rocha.                                                                                                            soal dos Hospitais da Universidade de Coimbra
   De qualquer forma, o “Centro” pode já adiantar                                                                                  Sexta-feira, 5 de Dezembro
alguns aspectos do referido programa (que vão des-                                                                                 20h30- Actuação do Coro “Carlos Seixas” da Câ-
de as aulas para seniores até aos coros e espectá-                                                                              mara Municipal de Coimbra
culos de ilusionismo), e que permitem mostrar aos                                                                                  Sábado, 6 de Dezembro
milhares de visitantes do centro comercial “Dolce                                                                                  15h- Exibição das pequenas ginastas do Centro
Vita”, o dinamismo e o espírito de serviço da Junta                                                                             Norton de Matos
de Freguesia dos Olivais (a maior de Coimbra e                                                                                     18h- Danças de Salão da Casa do Pessoal dos
uma das maiores do País).                                                                                                       Hospitais da Universidade de Coimbra.
   Assim, ontem já houve aula de Chi Kung e de                                                                                     Enfim, mais uma meritória iniciativa da Junta de Fre-
                                                                 Francisco Andrade
Tai Chi (com muitos praticantes seniores da Fre-                                                                                guesia dos Olivais, que decerto surpreenderá.



                                               A indignação dos militares
                    Monteiro Valente
                                               - RELAÇÃO POLÍTICO-MILITAR EM CRISE?
               (Major-General na reforma)      conhecer estar informado por aqueles so-          blicamente transformadas em grandes re-        modo interiorizada que chega a ser vivida
                                               bre os problemas socioprofissionais dos           formas. “Todos os políticos, eleitos ou no-    como realidade, e cultivando um isolamento
   Há alguns dias atrás, os cidadãos me-       militares, acrescentando estarem os mes-          meados, têm legitimidade própria, mas a        da sociedade institucionalmente e politica-
nos atentos às questões militares foram sur-   mos em vias de resolução. Curiosamente, o         um elevado número falta cultura de Esta-       mente alimentado, os militares dos quadros
preendidos e sobressaltados com um arti-       actual ministro da Defesa Nacional é a            do e do sistema internacional ou tem inten-    permanentes começaram, entretanto, a to-
go publicado em o “Público” pelo general       mesma pessoa que em 2004 afirmou que a            ções escondidas, evitando assumir respon-      mar consciência da degradação do estatuto
Loureiro dos Santos, alertando para os “si-    relação civil-militar “foi um dos problemas       sabilidades claras e, quando o fazem, em       da condição militar e das consequências
nais preocupantes com origem nos milita-       mais bem resolvidos do actual regime”!            muitos casos, não as cumprem. Este com-        para o seu futuro da transformação ope-
res”, de “profunda indignação”, “desde os         As reacções dos vários governos peran-         portamento é inaceitável para os militares.    rada com a profissionalização das For-
mais baixos aos mais elevados graus da         te os problemas das Forças Armadas têm            Se há algo que o bom militar não aceita é a    ças Armadas – um novo modelo que ten-
hierarquia”, que, “poderá conduzir a actos                                                                                                      derá a dispensar bastantes graduados so-
de desespero, capazes de gerar consequên-        As reacções dos vários governos perante os problemas                                           bretudo nos escalões superiores, frus-
cias de gravidade”, e prevenindo os mais         das Forças Armadas têm sido sistematicamente as mesmas,                                        trando naturais expectativas de progres-
altos responsáveis políticos a lerem “com        arrastando indefinidamente as situações, procurando iludir                                     são nas carreiras de muitos deles e exa-
atenção os sinais que saem da instituição        a realidade com empolgantes discursos de circunstância                                         cerbando tensões internas.
militar” e a não insistirem em “pensar que       e sucessivos anúncios de profundas reorganizações,                                                 “Os militares passaram a desconfiar
«acontecimentos (funestos) do passado            continuamente adiadas, refugiando-se, habitualmente,                                           dos políticos e a ficar de pé atrás face
não voltam a acontecer»”.                        nos argumentos da autoridade do Estado e da condição militar                                   aos chefes”, escrevia o general Loureiro
   A reacção do Governo não tardou, re-          quando as tensões internas extravasam as paredes dos quartéis                                  dos Santos no “Público”, em 3 Maio de
correndo às habituais técnicas da deslegi-                                                                                                      2004, posição então corroborada por
timação, da transferência de responsabili-     sido sistematicamente as mesmas, arrastan-        mentira sistemática” – escreveria alguns       António José Telo, historiador e profes-
dades e do silêncio, negando ao autor qua-     do indefinidamente as situações, procuran-        dias depois no Expresso o general Garcia       sor civil da Academia Militar, dando con-
lidade para representar as Forças Arma-        do iludir a realidade com empolgantes dis-        Leandro.                                       ta de “um acumular de críticas e mal-
das, alegando desconhecer o mal-estar          cursos de circunstância e sucessivos anún-           Mas, ao longo dos anos, os chefes milita-   entendidos entre militares e o poder po-
entre os militares e lembrando a estes as      cios de profundas reorganizações, continu-        res, na sua maioria, também pouco contri-      lítico, numa tendência para aumentar”.
regras da hierarquia e da disciplina a que     amente adiadas, refugiando-se, habitualmen-       buíram para reverter a situação, com o imo-    Ora, sendo as críticas dos militares em
estão obrigados. Porém, confrontado com        te, nos argumentos da autoridade do Estado        bilismo corporativo em que, por regra, se      relação ao poder político uma constante
a realidade e amplitude do descontentamen-     e da condição militar quando as tensões in-       fecharam, o irrealismo de vários projectos     na nossa história contemporânea, facil-
to de que o artigo fazia eco – do qual as      ternas extravasam as paredes dos quartéis.        de reorganização e reequipamento, a inde-      mente absorvidas numa situação de es-
sucessivas manifestações promovidas pe-        Nesta matéria, as posições políticas têm al-      finição ou incoerência de objectivos de pla-   tabilidade, com alguma frequência aca-
las associações profissionais também não       ternado entre o discurso laudatório, mais ca-     neamento e da acção de comando, as ilusó-      baram por desembocar em rupturas de
deixavam já quaisquer dúvidas –, com as        racterístico dos governos de direita, e a ati-    rias expectativas que alimentaram junto dos    regime quando à agitação nos quartéis
consequências negativas do enfraqueci-         tude displicente que tem marcado sobretu-         subordinados e a relação difícil que manti-    se associou uma crise nacional grave. E
mento da autoridade dos chefes dos esta-       do a postura dos socialistas, num e noutro        veram com o poder político, tendo sido ra-     nem sempre as rupturas foram no mes-
dos-maiores e com o reconhecido prestí-        caso à mistura com muito desconhecimen-           ros os que não terminaram o mandato em         mo sentido que em 25 de Abril de 1974!
gio do general Loureiro dos Santos, o mi-      to e muita falta de visão estratégica, limitan-   situação de conflito com o mesmo. Absor-       Continuará, no futuro, a União Europeia
nistro da Defesa Nacional acabaria por re-     do-se, por regra, a mudanças mínimas, pu-         vidos numa aparência profissional de tal       a ser o «guarda-chuva da democracia»?
12          REPORTAGEM                                                                                            3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008



UM CASO EXEMPLAR EM QUE VÁRIAS ENTIDADES CONJUGARAM ESFORÇ

Sapos-parteiros vencem des
no renovado Campo de Sant
                                                                                                                                  existem várias populações dos sapos-
 Ao cabo de alguns anos, as obras no velho Campo de Santa Cruz terminaram no Verão passado,                                       parteiro. Mas se já em 1997 a tendência
 tendo surgido um novo campo, com vistosa relva e modernas infra-estruturas, inaugurado
                                                                                                                                  era de regressão acentuada, a situação
 com pompa e circunstância. Longe ficaram os tempos do terreno “pelado” em que se viveram
 alguns momentos históricos da Académica, onde treinaram muitos dos “craques” que na Briosa jogaram
                                                                                                                                  agora será bastante pior: em alguns paí-
 ao longo dos anos, mas que serviu também como local de lazer para largos milhares de jovens de sucessivas                        ses estão praticamente extintos. Esta
 gerações, que ali iam divertir-se com a prática do futebol e de outros desportos.                                                questão do declínio a que estamos a as-
 O que a maior parte das pessoas desconhecerá é que um dos mais complexos problemas desta obra                                    sistir acaba por só poder ser travada,
 foi a preservação de uma preciosa colónia de sapos-parteiros, uma espécie em vias de extinção,                                   apesar de ser um problema global, com
 que sobreviveu graças a um trabalho de cooperação de uma equipa multidisciplinar e ao exemplar cuidado de                        actos locais, como nós tentámos fazer
 todos quantos estiveram envolvidos nas obras, desde os técnicos aos operários da construtora Ramos Catarino,                     aqui no Campo de Santa Cruz. Nós em
 passando por biólogos muito empenhados no estudo e preservação desta e de outras espécies.                                       Portugal temos condições muito especi-
 O “Centro” foi ouvir dois elementos dessa equipa, os biólogos Maria José Castro e José Miguel Oliveira,                          ais, se comparadas com as da Alema-
 que nos desvendam alguns aspectos curiosos dessa bem sucedida operação que permitiu salvar os sapos-parteiros
                                                                                                                                  nha ou com outros países da Europa
                                                                                                                                  Central. Nnão é porque nos preocupe-
  Começámos por tentar satisfazer a         que até ao início do séc. XIX esta zona                                               mos mais com o ambiente, é porque não
curiosidade da maioria das pessoas:                                                    po de futebol, por ser a única zona que
                                            tinha muita vegetação. Mas a partir des-                                              assistimos a um tão acelerado desenvol-
  Como é que os sapos-parteiros                                                        manteve água à superfície.
                                            sa altura, com a urbanização, o Parqude                                               vimento económico do país, pois aqui a
surgiram no Campo de Santa Cruz?                                                         Registe-se que houve observações de
                                            de Santa Cruz acabou por ser uma “ilha                                                industrialização foi mais lenta. Mas ago-
Eis a resposta dos biólogos:                                                           sapos-parteiros noutro local de Coimbra,
                                            verde” entre as casas. Assim, provavel-                                               ra, em Portugal anada a fazer-se a cons-
  “A pergunta deve ser colocada ao                                                     na Av. Elísio de Moura, porque lá tam-
                                            mente, os sapos que existiam na cidade                                                trução de estradas, a drenagem, a entu-
contrário: como é que o campo de Santa                                                 bém passava água. Mas com o avanço
                                            foram desaparecendo, ficando esta pe-                                                 bar as linhas de água, portanto qualquer




    Aspecto do Campo de Santa Cruz antes e depois das obras
                                                                                                                                  sítio onde se construa uma urbanização,
Cruz surgiu no habitat dos sapos? Eles                                                 da urbanização desapareceram”.
                                            quena população isolada neste Parque.                                                 uma linha de água, em vez de se fazer a
já deveriam existir no Jardim da Sereia e   Depois, dentro do próprio Parque de San-                                              valorização dessa linha de água – que é
um pouco por toda esta zona da Alta de      ta Cruz, esta população acabou por ficar   NO PORTO                                   um sítio onde muitos anfíbios de repro-
Coimbra, antes da urbanização. Sabemos      isolada, curiosamente, na área do cam-     JÁ SE EXTINGUIRAM                          duzem, onde as aves vão buscar água
                                                                                       TAL COMO EM OUTROS                         ou alimento –, a tendência é fazer ater-
                                                                                       LOCAIS DO MUNDO                            ros, e a linha de água desaparece com-
                                                                                                                                  pletamente de um dia para o outro. Ou
                                                                                          Mas existem noutras zonas de            então as famosas manilhas, para facili-
                                                                                       Portugal e em outros países?               tar as passagem das pessoas, muitas
                                                                                          “No Porto havia uma população de        vezes sem qualquer necessidade de fa-
                                                                                       sapos-parteiros no parque urbano, mas      zer isso, pois podia perfeitamente cons-
                                                                                       que acabou por se extinguir. É um pouco    truir-se uma ponte ou ter-se o cuidado
                                                                                       o que se está a passar em todos os lo-     de manter a ribeira, pois estamos a falar
                                                                                       cais onde ainda existem – e isso é preo-   de um recurso muito importante que é a
                                                                                       cupante. Os sítios onde os sapos-partei-   água. E não é só para os anfíbios! Mas o
                                                                                       ros vivem requerem algumas condições       facto de estes estarem a desaparecer
                                                                                       particulares de humidade e de boa quali-   indica que nós estamos a fazer algo que
                                                                                       dade da água. Ora essas condições têm      é errado! O seu desaparecimento é um
                                                                                       vindo a desaparecer por vários factores,   sinal, é um indicador de que as coisas
                                                                                       como a destruição do habitat, as altera-   estão a correr muito mal. E é isso que
                                                                                       ções da humidade, a drenagem da água       estamos a assistir a nível mundial, ao
                                                                                       – e este é o problema principal. A ten-    chamado declínio global dos anfíbios.
                                                                                       dência desta espécie, mesmo em outros      Isso prova que não estamos a saber li-
  O Presidente da AAC, André Oliveira, o Secretário de Estado Laurentino Dias,
  o Governador Civil de Coimbra, Henrique Fernandes, e o Reitor da Universidade        países, é a extinção. Em Espanha, Fran-    dar com os recursos dos habitats. Ora,
  de Coimbra, Seabra Santos, na cerimónia de inauguração do renovado Campo             ça, em alguns países da Europa Central,    na maioria dos casos seria possível com-
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                                                                                                                                           REPORTAGEM 13

ÇOS PARA PRESERVAR ESPÉCIE EM VIAS DE EXTINÇÃO

safio da sobrevivência
ta Cruz
                                               da reprodução eles têm a tendência de         tar um projecto de arquitectura qque fora    exemplo, a obra do metro de superfície
                                               voltar ao sítio onde nasceram. Não mu-        elaborado antes de se detectar a exis-       que está anunciada. A qualidade da água
                                               dámos a população toda até porque,            tência, naquele local, da importante po-     também não pode ser afectada. Deve
                                               como salvaguarda, fomos aconselhados          pulação dos sapos-parteiros. Assim, foi      dizer-se que a Associação Académica de
                                               por outros investigadores a não o fazer       necessário trabalhar com uma equipa de       Coimbra tem agora um campo de fute-
                                               porque o local artificial podia não ser bom   arquitectos paisagistas para se fazer a      bol idêntico ao que tinha antes, mas em
                                               para eles”.                                   ligação com os arquitectos responsáveis      termos de manutenção, a limpeza das
                                                                                             do projecto para pormenores como, por        valas é fundamental. Se não houver lim-
                                               EXEMPLAR COLABORAÇÃO                          exemplo, a manutenção de valas, a pre-       peza das valas o campo vai inundar e
                                               DE TODOS OS ENVOLVIDOS                        servação de uma mina de água. Essa           isso é também prejudicial para os ani-
                                               NAS OBRAS DO CAMPO                            cooperação foi essencial”.                   mais. Deve fazer-se uma manutenção
                                                   Os biólogos sublinham depois um                                                        semelhante à que existia com o Sr Frei-
                                               facto exemplar – e, infelizmente, raro        ESTRUTURAS ARTIFICIAIS                       xo, o antigo responsável do campo, que
                                               na maior parte das obras:                     CRIADAS PARA ACOLHER                         desempenhou, ao longo de muitos anos,
                                                  “A colaboração e a sensibilidade da        OS SAPOS                                     um notável trabalho que muitas vezes é
                                               direcção da obra foram cruciais na pre-                                                    esquecido”.
   Os biólogos Maria José Castro                                                                Que tipo de estruturas foram cri-            Não é possível criar novas colóni-
   e José Miguel Oliveira                                                                    adas, no âmbito das obras, para pro-         as desta espécie de sapos noutros
   patibilizar as habitações das pessoas, ou                                                 tecção da colónia dos sapos?                 locais da Região onde possam estar
   outro tipo de infra-estruturas, e manter                                                     “Criou-se uma mina artificial, o perfil   mais protegidos?
   as linhas de água em bom estado. Mas                                                      da vala também foi estudado, a sua incli-       “Para isso teria de se saber em que lo-
   não, resolve-se tudo a colocar manilhas,                                                  nação e a ligação entre a vala e o pró-      cais eles existiram e por que é que daí desa-
   em vez de deixar a água correr a céu                                                      prio campo. Para evitar que os animais       pareceram. Teria de se fazer um estudo e
   aberto”.                                                                                  fossem para a área do campo, coloca-         depois decidir-se uma reintrodução, feita
                                                                                             ram-se lajes, também para os sapos não       com os devidos cuidados. Isso implicaria um
   COIMBRA VOLTOU A SER                                                                      se afogarem e se defenderem dos pre-         estudo ao longo de vários anos, que acaba
   UMA LIÇÃO EXEMPLAR                                                                        dadores. Tivemos de garantir que os ani-     também por estar dependente do financia-
      Que medidas foram tomadas aqui                                                         mais se pudessem movimentar por todo         mento, que é essencial. Não é possível sim-
   em Coimbra para preservar a coló-                                                         o lado, estávamos sempre a ver se exis-      plesmente pegar nas espécies e colocá-las
   nia dos sapos enquanto decorriam as                                                       tiam obstáculos ou armadilhas, como          noutro sítio, até porque estas estão potegi-
   obras do Campo de Sanra Cruz?                                                             buracos onde eles caíssem e não conse-       das por lei. Este tipo de trabalhos carece
      “É uma história muito longa. Antes das                                                 guissem sair. Mas o maior desafio foi
   obras começarem, durante um ano e tal,                                                    manter a linha de água e isso devemos
                                                Alytes obstetricans é a designação
   fizemos um estudo bastante pormenori-        científica do sapo-parteiro
                                                                                             principalmente ao director de obra, que
   zado da população dos sapos-parteiros,                                                    fez um esforço excepcional, e também
   para perceber onde viviam, qual a sua       servação destes animais. Muitas vezes         ao engenheiro geólogo.”
   actividade, onde é que se reproduziam,      eram os próprios trabalhadores que se
   quais eram as condições básicas essen-      preocupavam com os animais, isto é,           “COLÓNIA” DE SANTA CRUZ
                                               quando necessitavam de intervir na linha      COM CERCA DE 1.500 SAPOS
                                               de água, eles criavam outra linha de água
                                               e chegaram a mudar eles próprios os              Quantos sapos existiam no Cam-
                                               animais. As linhas de água estavam si-        po de Sanra Cruz antes das obras e
                                               nalizadas, sendo que não podiam passar        quantos ali vivem agora?                      O sapo-parteiro carregando os ovos,
                                               máquinas em determinados locais. Fo-             “No início e no fim das obras foi feito    numa curiosa prática que justifica
                                               ram sendo criadas linhas de água e lo-        um recenseamento. Antes das obras con-        o nome dado a esta espécie
                                               cais de refúgio no próprio campo, para        tabilizámos uma população de cerca de
                                               que os sapos pudessem utilizar esses sí-      1.500 sapos-parteiros. Houve um decrés-      sempre de uma licença por parte das enti-
                                               tios. Andámos constantemente com os           cimo da colónia durante as obras, mas        dades competentes, neste caso o ICN (Ins-
                                               trabalhadores da obra, com o empreitei-       depois recuperado. O número que regis-       tituto de Conservação da Natureza), e está
    Um dos girinos nascidos no Campo
    de Santa Cruz que asseguram                ro, com o director de obra, a transportar     támos após as obras foi de cerca de          dependente de financiamentos. Mas os cus-
    a sobrevivência da espécie                 os animais de um lado para o outro e isso     1.200, mas a tendência é para que a po-      tos são muito elevados, como sucede tam-
   ciais para eles se manterem no local.       foi essencial para que os sapos não fos-      pulação volte aos níveis anteriores”.        bém, por exmplo, com o lince-ibérico, que
   Ainda antes do início das obras, tivemos    sem muito afectados. A equipa multidis-                                                    está em cativeiro e está a ser reintroduzido.
   de os tirar, em 2003, do campo de Santa     ciplinar envolvida no processo foi igual-     ESFORÇO                                      O mais fácil é evitar que as populações de-
                                               mente fundamental, pois durante as obras                                                   sapareçam. É mais barato manter e preser-
   Cruz. A nossa preocupação foi transfe-                                                    PARA PRESERVAÇÃO
   rir aquela colónia de sapos para outro      era importante que não houvesse um                                                         var do que reintroduzir, até porque em ter-
                                                                                             TEM DE PROSSEGUIR                            mos de sucesso também é mais fácil man-
   sítio, colocando-os fora do campo de jo-    grande impacto sobre os sapos adultos e
   gos, mas ali perto, no Parque de Santa      sobre os girinos. Daí a preocupação de                                                     ter os animais onde eles existem.”
                                                                                                Quais os riscos que podem correr              Um comentário bem avisado, que
   Cruz. Mas foi uma tarefa muito compli-      se andar sempre a criar linhas de água e
                                                                                             os sapos no seu novo habitat?                se espera encontre eco junto de to-
   cada, porque tivemos de criar uma linha     refúgios para aqueles que estavam lá vi-
                                                                                                “O desaparecimento da água, se for        dos quantos podem contribuir para
   de água artificial, com locais para refú-   vos. Foi um trabalho complexo, pois os
                                                                                             feita alguma intervenção que impeça que      a preservação das espécies.
   gio, numa zona vedada, porque na altura     responsáveis da obra tinham de execu-
                                                                                             a água venha para o campo – como, por
14           COIMBRA                                                                                                3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008



“COIMBRA VISTA DE FORA” POR INICIATIVA DO “CONSELHO DA CIDADE”

José Miguel Júdice fez algumas críticas
e deixou muitas sugestões e optimismo
   José Miguel Júdice esteve em Coim-                                                                                               há capitalidade sem massa crítica”, su-
bra na passada semana, para abrir uma                                                                                               blinhou); criar a Marca Coimbra; articu-
iniciativa do “Conselho da Cidade” inti-                                                                                            lar com capitais sub-regionais (Aveiro,
tulada “Coimbra Vista de Fora”.                                                                                                     Águeda/Mealhada, Viseu, Guarda, Pom-
   A sessão decorreu na ACIC, tendo o                                                                                               bal, Leiria, Tomar) com base numa es-
Presidente do Conselho da Cidade, José                                                                                              tratégia a médio prazo e estruturada de
Dias, saudado o convidado e explicado                                                                                               forma profissional, como missão das for-
em que consiste esta realização, que visa                                                                                           ças sociais conimbricenses.
que personalidades que vivem fora de
Coimbra possam ter uma visão mais                                                                                                   FUSÃO DE UNIVERSIDADES
abrangente e mais objectiva sobre o de-                                                                                             FOI “UMA PROVOCAÇÃO”
clínio da cidade, trazendo propostas e
                                                                                                                                       De seguida, José Miguel Júdice vol-
sugestões para inverter essa tendência.
                                                                                                                                    tou a falar da Universidade, defendendo
   José Miguel Júdice sublinhou, a dado
                                                                                                                                    que Coimbra tem de “investir numa Uni-
passo, que no “no Mundo moderno as
                                                                                                                                    versidade de excelência como alavanca
Cidades são como as empresas: preci-
                                                                                                                                    essencial da relação interactiva entre
sam de ter uma estratégia, um plano de
                                                                                                                                    village et chateau”, e que seria desejá-
negócios, recursos e métodos”. E justifi-
                                                                                                                                    vel transformar esta região (nomeada-
cou:
                                                                                                                                    mente Coimbra e Aveiro) “na capital do
   “Coimbra tem um problema estratégi-
                                                                                                                                    ensino universitário tecnológico, cultural,
co. Como acontece com os impérios de-
                                                                                                                                    turístico, ambiental e das energias”.
pois da descolonização, com os Estados
                                                                                                                                       Acrescentou, sublinhando que o fazia
depois das privatizações, com as Famíli-
                                                                                                                                    como “uma provocação”, que até se po-
as depois da saída dos filhos de casa.
                                                                                                                                    deria encarar uma eventual fusão entre as
Novos caminhos e novos modelos de or-
                                                                                                                                    duas Universidades. Mais adiante, no de-
ganização têm de ser encontrados”.
                                                                                                                                    bate, especificou que com isso pretendia
   Referiu depois que seria totalmente
                                                                                                                                    dizer que deveria haver o aproveitamento
errado continuar a mesma estratégia que
                                                                                                                                    de sinergias entre as duas Universidades,
seguiu até aqui, depois da realidade se
                                                                                                                                    e até outras, de molde a concretizar, por
ter alterado. E explicitou alguns aspec-
                                                                                                                                    exemplo, doutoramentos conjuntos.
tos:
                                                                                                                                       Defendeu ainda a necessidade de “re-
   “Coimbra era a Cidade Universitária,     centração de matéria cinzenta, grande        mal valorizada”, para sublinhar:
                                                                                                                                    forçar a investigação científica aplicada,
a incubadora das elites, o centro do nos-   qualidade de prestadores de serviços de         “Coimbra é a Cidade portuguesa com
                                                                                                                                    a incubação de empresas e a transfe-
so (pequeno) universo, a “Lusa Atenas”.     nível universitário, estruturas de descen-   maior potencial (para além de Lisboa e
                                                                                                                                    rência de tecnologias da Universidade
Era essa a estratégia. Resultou durante     tralização estatal, centralidade em Por-     Porto) para ser um activo centro de tu-
                                                                                                                                    para o tecido empresarial” e de “dar ao
séculos. Com algum prejuízo para Portu-     tugal, tradições, monumentos, paisagens      rismo cultural e de eventos. O Turismo
                                                                                                                                    Turismo a característica de segunda pri-
gal (monopólios são sempre a prazo ne-      e realidades ambientais favoráveis.          estará no futuro de Coimbra, como a
                                                                                                                                    oridade no modelo de negócio, após a
gativos). Ora a verdade é que há déca-         Nenhuma outra Cidade, entre Lisboa        Universidade esteve no seu passado.
                                                                                                                                    Universidade virada para a Cidade”.
das que – sem prejuízo da excelência de     e Porto, pode aspirar a competir com         Para isso é necessário que entre a Uni-
                                                                                                                                    Reforçou também a necessidade de Co-
alguma universidade – deixou de ser tudo    Coimbra... se esta lutar, não tiver refle-   versidade e o Turismo haja uma fusão
                                                                                                                                    imbra “criar infra-estruturas turísticas
isso. A proliferação das Universidades, a   xos de velha fidalguia arruinada, se não     de interesses. Coimbra tem de ter um
                                                                                                                                    (Centro de Congressos) e eventos cul-
desvalorização social do saber, entre ou-   for arrogante”.                              rendimento superior ao seu produto.
                                                                                                                                    turais potenciadores da geração de pú-
tros factores, criou uma situação de ris-      E acrescentou:                            Deve ser um magneto para consumo. A
                                                                                                                                    blicos e de turistas motivados que aqui
co: Coimbra pode tornar-se numa Cida-          “Coimbra tem tudo a ganhar com a          aposta no turismo é essencial para tal
                                                                                                                                    afluam em épocas especiais (festivais de
de de segunda linha com uma Universi-       descentralização política. Deve liderar o    efeito. A Universidade deve continuar a
                                                                                                                                    música clássica, cinema, jazz, fado, tea-
dade regional”.                             movimento pela regionalização, pela cri-     ser uma aposta decisiva. Aproveitando
                                                                                                                                    tro, artes plásticas, fotografia) em Co-
   E continuou:                             ação de uma Região Centro, pela cen-         Bolonha para manter o (agora) inevitá-
                                                                                                                                    imbra e sua Área Metropolitana, bem
   “Uma forma de reagir a isso seria ten-   tralidade regional, A regionalização é o     vel ensino de massas e potenciar o ensi-
                                                                                                                                    como criar grupos artísticos profissionais
tar que Coimbra mantivesse o paradig-       futuro de Coimbra. Para isso tem de li-      no de elites”. E apontou como exemplo,
                                                                                                                                    e dar-lhe apoio por objectivos. Defen-
ma de uma cidade universitária apenas.      derar a Região Centro”.                      que o modelo de Coimbra deveria ser a
                                                                                                                                    deu ainda que se deveria “potenciar os
Tentarmos que fosse a Oxford de Portu-         José Miguel Júdice (que nasceu e es-      Universidade de Boston, com áreas de
                                                                                                                                    espaços museológicos em Coimbra e
gal. Mas o “modelo de negócio” da sua       tudou em Coimbra, onde chegou a dar          excelência.
                                                                                                                                    arredores (Universidade, Machado de
Universidade destruiu essa possibilidade,   aulas na Faculdade de Direito), reconhe-
                                                                                                                                    Castro, Santa Clara-Velha, Santa Clara-
em que aliás eu não acredito muito. Pros-   ceu depois que “o maior activo de Coim-      DEFESA
                                                                                                                                    Nova, Quinta das Lágrimas, Igrejas,
seguir por essa via viabiliza uma cidade    bra é a sua Universidade, mas tem de         DA REGIONALIZAÇÃO                          etc)” bem como apostar no turismo cul-
de província, com alguma qualidade de       ser um activo produtivo”.
                                                                                                                                    tural, no turismo religioso, ambiental e de
vida, mas que perde influência e poder,        Assim, considerou que “tem um po-            Prosseguindo a sua intervenção, Júdi-   natureza, mas também no turismo des-
que não gera elites e que não fixa talen-   tencial grande para gerar indústrias do      ce aludiu ao que classificou como “o       portivo e no gastronómico, no turismo de
to. Já é tarde para esta opção”.            Século XXI ligadas às tecnologias da in-     modelo de negócio de Coimbra”, e           saúde e no turismo jovem, bem como
   O advogado e empresário passou en-       formação, ao ambiente, às energias lim-      que assentaria nas seguintes bases:        articular a acção, em termos de política
tão a aludir ao que considera ser “Uma      pas (agua, sol e vento), à cultura e ao      criar um consenso político interno favo-   turística, com as cidades vizinhas”.
estratégia para Coimbra”, dizendo:          turismo”.                                    rável à criação da Região Centro; lide-       Seguiu-se animado debate, tendo José
   “Coimbra tem algumas vantagens e            José Miguel Júdice centrou-se neste       rar o movimento da regionalização a ní-    Miguel Júdice afirmado, na intervenção
factores diferenciadores: uma Universi-     sector do turismo, que classificou como      vel nacional; criar uma forte Área Me-     final, que saía muito mais optimista rela-
dade com excelência, uma elevada con-       “uma indústria mal vista, mal amada e        tropolitana, com políticas activas (“não   tivamente ao futuro de Coimbra.
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008
                                                                                                                                   EDUCAÇÃO/ENSINO   15
Ministra satisfeita
com apoio do Governo e da JS
   A Ministra da Educação admitiu no pas-      afirmando que “nunca lhe faltou apoio das        lista, à margem da reunião que teve com a
sado domingo (dia 30) ser “muito impor-        estruturas do Partido Socialista.                Ministra da Educação.
tante” o apoio que recebeu na véspera             No final do encontro, Maria de Lurdes             “Houve problemas de informação” e “há
(sábado) do Governo de Sócrates e nes-         Rodrigues disse aos jornalistas que foi feita    muita desinformação”, admitiu Duarte Cor-
se mesmo dia da Juventude Socialista           uma “clarificação” sobre o Estatuto do Alu-      deiro, mas a partir desta semana a JS vai às
(JS), em Faro, e revelou estar “tranquila”     no e acrescentou que o passo seguinte é          escolas e vai ajudar os estudantes a perce-
sobre a greve dos professores agendada         informar e divulgar sobre a política e as        ber quais são os seus direitos.
para hoje (quarta-feira).                      medidas tomadas pelo Governo sobre esse              “Vamos distribuir um flyer onde diz tu
   “É muito importante. É muito importan-      assunto.                                         estás em primeiro lugar e explica de uma
te”, insistiu Maria de Lurdes Rodrigues, ao       “Sem prejudicar a autonomia das esco-         ponta à outra o Estatuto do Aluno”, nomea-
início da tarde de domingo, em Faro, à saída   las na aplicação e na transposição para os       damente sobre a prova de recuperação e
de uma reunião da Comissão Nacional da         regulamentos internos, é necessário ter al-      as consequências, mencionou.
Juventude Socialista, onde cerca de 100 ele-   guma vigilância e alguma intervenção no              Sobre a questão da suspensão da
mentos da JS debateram o tema da Política      sentido de que aquilo que é o espírito da lei    avaliação dos professores, a JS apoia
Educativa, com especial enfoque para o         se cumpra. Porque o objectivo não é pena-        a Ministra.
Estatuto do Aluno.                             lizar os alunos quando as faltas não sejam           “Parar a avaliação não é uma alternati-
   Maria de Lurdes Rodrigues escusou-se        da sua responsabilidade”, disse a ministra       va. Houve um passo da parte do Ministério,
comentar a hipótese de ainda haver acordo      da Educação.                                     que apresentou uma proposta inicial de ne-
com os sindicatos antes da greve nacional         A clarificação e a divulgação do Estatuto     gociação aos professores, mas da parte dos
marcada para hoje (quarta-feira), mas dis-     do Aluno vai ser feita em forma de desdo-        professores não houve ainda uma resposta
se estar tranquila.                            brável, distribuído já na próxima semana às      em relação a isto”, lamentou Duarte Cor-
   “Estou sempre tranquila. Uma coisa que      escolas, garantiu, por seu turno, Duarte Cor-    deiro, referindo que ouviu uma Ministra dis-
me caracteriza é a tranquilidade”, referiu,    deiro, secretário-geral da Juventude Socia-      ponível para simplificar.



                                                 Coitados de nós
                                               osmose com José Sócrates.                            Na democracia de José Sócrates, os tra-
                                                   Penso mesmo que ambos acham de               balhadores são perigosos e o fundamental é
                                               muito mau tom esta coisa da democra-             dividi-los: uns contra os outros, chefias con-
                          Isabel Dias *        cia; pressinto uma comum tendência               tra chefias, classes profissionais contra a
                                               bcbg no ideário de MFL, nos fatos Bi-            população em geral. Na democracia de José
    Há duas personalidades públicas de         jan de José Sócrates e nalguns dos seus          Sócrates, divide-se para melhor governar e
quem tenho particular pena: o treinador do     esgares agastados.                               coisas tão simples como direitos iguais para
Sporting e Manuela Ferreira Leite (MFL).           Há algum tempo, um senhor, de seu nome       funções iguais não existem. A liberdade, a
    A razão desse sentimento é, paradoxal-     Salazar, permitia a crítica controlada de leis   igualdade e a fraternidade são-lhe estranhos
mente, semelhante. No caso de Paulo Ben-       e políticas, se tal servisse para preparar a     – também já cá andavam desde 1789 e co-
to, o sentimento advém do ar perdido a cada    opinião pública para as reformas. Defendia       meçam a ser ideais incompatíveis com ou-
nova derrota, que me leva a desejar, embo-     a liberdade, mas considerava que a liberda-      tras revoluções...
ra não goste de futebol, que o Sporting ga-    de de pensamento deveria ser regulada e              O único anseio passadista é o de que a
nhe; quanto a MFL, é fácil, de cada vez que    que a censura impediria a perversão da opi-      democracia se realize apenas em salões
a vejo sinto a empatia que nos invade quan-    nião pública, defendendo-a dos factores que      aristocráticos, no conforto da alta burguesia
do vemos alguém incumbido de uma mis-          a desorientassem contra a verdade, a justi-      e da fina-flor social, uma democracia sem
são que, para além de ingrata, é impossível.   ça, a moral, a boa administração e o bem         este cheiro a povo, uma democracia sem
Coitada, pedem-lhe oposição, mas como          comum. O mesmo senhor determinava o              gritos nas ruas a recusar o absurdo.
opor-se a algo que apoia? Pedem-lhe críti-     que era justo, o que era moral, o que era boa        MFL teve uma ideia brilhante, os seus
cas às políticas governamentais, mas como,     administração e o que era bem comum, sob         apoiantes e os de José Sócrates é que ain-
se correspondem aos seus mais secretos an-     pretexto de que só ele tudo via à luz do inte-   da não perceberam: acaba-se de vez com
seios? Pedem-lhe alternativa. Mas a quem       resse de todos.                                  a democracia e pronto! Depois, como já
e a quê, se a identificação é perfeita?            Não duvido de que José Sócrates acha         não há democracia, deixa de fazer senti-
    Conheço até alguns simpatizantes do        muita graça a esta filosofia política e de que   do haver um partido social democrata –
PSD que também me enchem de compai-            estes princípios lhe são úteis para justificar   PSD – e passa a haver apenas um parti-
xão, coitados. Têm a sensação de que não       muitos dos seus tiques autoritários; para        do social – PS –, igual ao outro, o tal que
têm líder, de que nada sobrou da diferença     impedir a polícia de fornecer números, quan-     era socialista. Dois PS num só represen-
com o PS e, pior que tudo, recusam, estoi-     do os mesmos lhe resultam insuportáveis;         tam uma poupança fenomenal em cam-
camente, assumir que as duas proposições       para apresentar as manifestações como            panhas eleitorais e em serviços de saúde
são verdadeiras: nem têm líder, nem são di-    chantagem; para justificar uma propaganda        – sim, que conheço muitos simpatizantes
ferentes do PS, porque os líderes do PS e      comparável à das ditaduras; para criar aper-     do PSD e do PS que já só se livram das
do PSD são almas gémeas.                       tadíssimos sistemas de controlo e estreitas      angústias recorrendo ao sistema nacional
    Desconfio mesmo que estas afinidades       interdependências.                               de saúde...
electivas vão mais longe e que o famoso            Os trabalhadores estão no mesmo pla-             Por outro lado, para mim, é óptimo. Dei-
exercício que MFL fez ao supor como tudo       no? Hierarquize-se! Os presidentes são elei-     xo de ir ao médico tratar a insónia que a
seria mais fácil se não houvesse democra-      tos pelos seus pares profissionais? Externa-     missão impossível de MFL me causa, passo
cia durante uns meses (como é difícil fazer    lize-se! Não obedecem porque lhes é im-          a só ter pena de Paulo Bento, durmo me-
reformas a sério em pouco tempo, uns ani-      possível implementar certas políticas? Os        lhor, pago menos impostos – que baixam
tos é que davam um jeitão) e ao defender       directores que avaliem! Os directores não        graças à tal poupança – e, com esse dinhei-
que não deveriam ser os jornalistas a esco-    concordam com a tutela? Naaa... não vale         rito extra, filio-me no Sporting.
lher as notícias, resulta de uma estranha      a pena perder tempo com utopias!                               * Professora e dirigente do SPRC
16          SAÚDE                                                                                                         3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008




Investigadores de Coimbra criam “robô dentista”
para tornar implantes mais baratos e resistentes
   Uma equipa de investigadores de Co-       versidade de Coimbra (IBILI-FMUC).                Em fase de utilização experimental,        total de simulação de geometrias” que
imbra está a desenvolver um “robô den-          O objectivo, acrescentou o docente          no Departamento de Engenharia Me-             pode revelar-se numa “boa indicação
tista”, com o objectivo de tornar os im-     da FCTUC, não é um robô que substi-            cânica da Universidade de Coimbra, o          para os médicos-dentistas”.
plantes dentários mais baratos, mais re-     tua o dentista, mas “tornar os implan-         “robô” realizou testes em peças anató-           Norberto Pires afirma que é a primei-
sistentes e com maior conforto para os       tes dentários mais acessíveis” à popu-         micas (de cadáveres) e num modelo de          ra vez que se realiza em Portugal um
pacientes.                                   lação em geral e “reduzir o desconfor-         uma mandíbula em material equivalen-          estudo sistemático de colocação de im-
   “Os implantes dentários são muito         to no paciente”.                               te ao osso, criado a partir de um TAC a       plantes dentários.
caros - dois dentes podem chegar aos            Os investigadores acreditam que, ao         peças reais.                                     “O que os médicos-dentistas fazem
dez mil euros -, e morosos, e a pós-         optimizarem o processo de colocação dos           O “robô dentista” está dotado de sen-      é testar com os pacientes, não arris-
instalação é muito longa e dolorosa, o       implantes dentários, os custos possam ser      sores de força e utiliza um mecanismo         cando muito, e, dessa forma, vão ven-
paciente pode demorar mais de um             reduzidos para metade.                         óptico (foto-elastómetro) que regista os      do o que corre mal, partilhando depois
ano a ‘largar’ o dentista”, disse à Lusa        O sistema robótico simula e monitori-       movimentos e esforços utilizados na           as ideias técnicas em congressos”, re-
Norberto Pires, um dos investigado-          za todo o processo, ao imitar os procedi-      mastigação, antecipando o desconforto         feriu o investigador da FCTUC.
res envolvidos.                              mentos do médico-dentista, de forma a          nos pacientes, as tensões provocadas no          Os cientistas esperam concluir a in-
   O projecto encontra-se em fase de         encontrar a optimização dos modelos.           material, a vida útil do implante e os da-    vestigação em Maio do próximo ano,
conclusão e foi trabalhado durante três         “Ganha-se em custos, em tempo e, se         nos originados.                               com a elaboração de um Guia de Boas
anos por cientistas da Faculdade de Ci-      tivermos de fazer quatro furos em vez             “Não há intervenção humana nenhu-          Práticas para a Aplicação de Implan-
ências e Tecnologia da Universidade de       de seis, a recuperação é também menos          ma, são seleccionadas as melhores geo-        tes Dentários.
Coimbra (FCTUC) e do Instituto Biomé-        dolorosa”, considerou Maria Filomena           metrias, colocam-se os dentes e simula-          A investigação conta com o apoio
dico de Investigação da Luz e da Ima-        Botelho, do IBILI-FMUC, outra das in-          se a mastigação”, disse Norberto Pires,       de dois médicos-dentistas, alunos de
gem - Faculdade de Medicina da Uni-          vestigadoras envolvidas no projecto.           sublinhando tratar-se de “um processo         mestrado.


SUSTENTA ESTUDO FEITO EM ESTOCOLMO

“Fast food” é factor de risco potencial
para doença de Alzheimer
   Ratos submetidos a uma dieta rica em      tem entre as suas funções o transporte do      entífica AlphaGalileo.                        contributivo para o desenvolvimento de
gordura, açúcar e colesterol durante nove    colesterol.                                       A alteração consiste num aumento de        Alzheimer”, afirma Susanne Akterin.
meses desenvolveram uma fase prelimi-           A variante deste gene, chamada apoE4,       grupos fosfatados ligados ao tau, uma subs-      Investigações anteriores deram conta
nar das alterações que se formam no cé-      existe em 15 a 20 por cento da população.      tância que forma o emaranhado neurofi-        que um fenómeno conhecido como stress
rebro dos pacientes com Alzheimer, indica       Neste estudo, que constituiu a sua tese     brilar observado nos doentes de Alzheimer.    oxidativo no cérebro e uma relativamente
um novo estudo.                              de doutoramento, a investigadora Susanne          Esses emaranhados impedem as célu-         baixa ingestão de antioxidantes podem tam-
   As conclusões desta investigação, pu-     Akterin estudou ratos geneticamente mo-        las de funcionar normalmente, o que even-     bém aumentar o risco de Alzheimer.
blicadas pelo Instituto Karolinska, de Es-   dificados para reproduzirem os efeitos da      tualmente conduz à sua morte.                    Agora, Susanne Akterin demonstra na
tocolmo, fornecem pistas sobre como um       apoE4 e que foram alimentados durante             A investigadora também observou que        sua tese que dois antioxidantes são disfun-
dia se poderá prevenir esta doença ainda     nove meses com uma dieta rica em gordu-        o colesterol nos alimentos reduz os níveis    cionais no cérebro dos doentes de Alzhei-
sem cura.                                    ra, açúcar e colesterol, o conteúdo nutrici-   de outra substância presente no cérebro, a    mer, o que pode levar à morte da célula
   A doença de Alzheimer, a forma mais       onal da maioria da “fast food”.                Arc, uma proteína envolvida no armaze-        nervosa.
comum de demência, afecta mais de 70            “Ao examinarmos os cérebros desses          namento de memória.                              “No fundo, os resultados dão algumas
mil pacientes em Portugal. Embora as suas    ratos encontrámos uma alteração química           “Suspeitamos que uma elevada inges-        indicações sobre como se poderá prevenir
causas sejam ainda misteriosas, são co-      indistinta da que se observa no cérebro de     tão de gordura e colesterol em combina-       a doença de Alzheimer, mas há ainda mui-
nhecidos vários factores de risco, um dos    doentes com Alzheimer”, explica a inves-       ção com factores genéticos, como a apoE4,     ta investigação a fazer nesta via antes de
quais é uma variante de um gene que re-      tigadora num comunicado do Instituto Ka-       pode afectar adversamente várias substân-     se poder dar um conselho adequado ao
gula a produção da apolipoproteina E e que   rolinska citado pelo site de informação ci-    cias cerebrais, o que pode ser um factor      público em geral”, afirmou.




Portugueses procuram na internet
sobretudo informações sobre Saúde
   Os portugueses que acedem à In-           tat, revela que no primeiro trimestre          tugueses procuram informações sobre           onde esta é a segunda actividade mais
ternet a nível particular fazem-no so-       de 2008 quase metade dos lares em              saúde, sendo o segundo tópico de mai-         comum entre os utilizadores de Inter-
bretudo em busca de informação so-           Portugal tinha acesso à Internet (46           or interesse a consulta de edições “on        net com fins privados (32 por cento).O
bre saúde, sendo dos europeus que            por cento, contra 40 por cento em 2007         line” de jornais e revistas (20 por cen-      estudo revela que os portugueses tam-
menos utilizam os serviços bancários         e 35 por cento em 2006), um valor ain-         to), seguindo-se contactos com admi-          bém não são particularmente adeptos
em linha, revela um estudo divulgado         da assim aquém da média comunitá-              nistrações públicas (18 por cento).           do recurso à Internet para marcar vi-
ontem (terça-feira) pela Comissão            ria, de 60 por cento.                             Apenas 14 por cento dos “internau-         agens e alojamento, sendo a percen-
Europeia.                                       A análise das actividades efectuadas        tas” portugueses recorrem à “net”             tagem de portugueses que o fazem (12
   O estudo do gabinete oficial de es-       na Internet com fins privados demons-          para realizar operações bancárias “on-        por cento) das mais baixas da UE a
tatísticas da União Europeia, Euros-         tra que 22 por cento dos utilizadores por-     line”, contrariando a tendência na UE,        27, onde a média é de 32 por cento.
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                 SAÚDE             17

                                                        “Até um dia destes!”
                    Massano                                                                                                       mas sombras. Convidado para beber
                    Cardoso                                                                                                       uma água, enquanto aguardava o trans-
                                                                                                                                  fer para o aeroporto, subitamente subs-
   O que é uma metáfora? A “metáfo-
                                                                                                                                  tituí o pedido por uma cerveja. E, como
ra”, escreveu Aristóteles, “consiste em
                                                                                                                                  que por magia, senti transportar-me uns
dar a uma coisa um nome que perten-
                                                                                                                                  anos atrás em que na companhia de um
ce a outra coisa”.
                                                                                                                                  amigo, entretanto falecido com cancro,
   Susan Sontag, uma escritora que mui-
                                                                                                                                  conversávamos pachorrentamente. Mais
to admiro, e que sofreu três doenças
                                                                                                                                  novo, colega de campanhas eleitorais e
malignas, no seu ensaio sobre a “Sida e
                                                                                                                                  no Parlamento, tinha um enorme apego
as suas metáforas”, afirmou que “di-
                                                                                                                                  à vida e à família. Defendia-a com den-
zer que uma coisa é ou semelha uma-
                                                                                                                                  tes e garras. Indignava-se facilmente
coisa-que-não-é traduz-se numa ope-
                                                                                                                                  com as injustiças ou quaisquer ameaças
ração mental tão antiga como a filo-
                                                                                                                                  e, logo de seguida, querendo mostrar que
sofia, a poesia e o terreno gerador da
                                                                                                                                  também era capaz de ser violento, usa-
maior parte dos modos de expressão
                                                                                                                                  va, metaforicamente, as suas armas –
e de pensamento”.
                                                                                                                                  era um caçador –, para matar tudo e to-
   Se olharmos para as diferentes for-
                                           mas de arte podemos verificar que são,      vessem subido às arvores. Nunca con-       dos! Nesses momentos, o seu timbre
                                           indiscutivelmente, metafóricas. O que       seguiríamos desenvolver o nosso senti-     agudizava-se e subia mais uns tons, como
                                           leva alguém a “ouvir cores” ou a “ver       do artístico! Deu uma grande ajuda para    a querer demonstrar a sua agressivida-
                                           fragrâncias”? Os comportamentos “si-        fugir aos tigres dentes de sabre e, ao     de. Era a altura – mais do que esperada
                                           nestésicos” podem ser meras mentiras,       mesmo tempo, propiciar o sentido da arte   –, em que me enchia de risos interiores,
                                           ser frutos de drogas alucinatórias, reve-   e da representação. Nos dias actuais já    ao ponto de lhe sugerir que usasse a da
                                           lar anomalias do funcionamento mental       não subimos às arvores, até porque é       caça grossa que tinha mira e tudo. As-
                                           ou traduzir verdadeiros curto-circuitos     perigoso, mas muitos sobem a árvores       sim não falharia o alvo. Indiferente à
                                           cerebrais.                                  imaginárias através do álcool, do café,    minha suposta ironia, lá ia desfiando as
                                              Alguns neurocientistas explicam que      de drogas, da contemplação, do silêncio    suas soluções “mortíferas”.
                                           este fenómeno, sinestesia, teve vanta-      absoluto, de forma a encontrar a magia         Falava dos filhos e da mulher com uma
                                           gens selectivas ao contribuir para subir    de uma metáfora que simplifique rela-      ternura impossível de transmitir, a não ser
                                           às arvores! Para subir às arvores é pre-    ções complexas. E ouvem cores, vêem        através de metáforas. Não encontro ne-
                                           ciso uma boa visão, desenhar previamen-     aromas e cheiram sentimentos! E delici-    nhuma à sua altura. Sei que fui desperta-
                                           te um mapa mental dos ramos e ter in-       am-nos com as suas construções. Mas,       do deste pensamento quando me disse-
                                           formação da posição dos nossos mem-         às vezes, não é preciso usar estes meios   ram que o carro estava à espera. Bebi o
                                           bros e depois correlacioná-los! Logo, a     para metaforizar. Basta, por exemplo,      último golo da cerveja, já amornada, a
                                           metáfora seria apenas uma abreviação        sentar, novamente, numa esplanada ao       mesma que tinha bebido anos antes com
                                           conveniente para a ligação dos fenóme-      fim de alguns anos, na mesma mesa, na      o meu amigo, e, numa estranha sensação
                                           nos cognitivos não relacionados! Imagi-     mesma cadeira de ferro, ver a mesma        “sinestésica”, ao dar-lhe uma palmada nas
                                           nem se os nossos antepassados não ti-       brisa, tocar o mesmo sol e ouvir as mes-   costas, saiu-me: “Até um dia destes”!


ANUNCIA A MINISTRA DA SAÚDE

Testes de sida vão ser gratuitos
para todos os utentes do SNS
   A ministra da Saúde, Ana Jorge, anun-   Mundial da Sida, durante uma sessão pro-    por outro lado, que os bancos de leite     acrescentou Ana Jorge.
ciou anteontem (segunda-feira) na Ama-     movida pela Associação de Jovens Pro-       a criar nos hospitais públicos assegu-        O pacote revelado pela titular da
dora que os testes da Sida (VIH1 e         motores da Amadora Saudável, que desen-     rem o leite de forma gratuita às mães      pasta da Saúde inclui a abertura de
VIH2) vão passar a ser gratuitos para      volve há 10 anos o projecto “Viver com o    portadoras da infecção pelo VIH.           um concurso específico para projec-
todos os utentes do Serviço Nacional de    VIH”, actualmente financiado pelo progra-      “O fornecimento contínuo da fór-        tos de investigação em infecção VIH/
Saúde (SNS).                               ma ADIS/SIDA, do Ministério da Saúde.       mula láctea deverá ser também asse-        Sida, com um orçamento de um mi-
   Em Portugal realizam-se já cerca de        Na sua intervenção, a ministra           gurado gratuitamente, no mínimo por        lhão de euros.
um milhão de testes por ano.               anunciou igualmente que os cheques-         12 meses, pelas farmácias hospitala-          Desde 1983, a infecção atingiu já
   Ana Jorge anunciou também o refor-      dentista do SNS, no âmbito do Pro-          res, através de prescrição médica”,        mais de 33 mil portugueses.
ço da capacidade de diagnóstico preco-     grama Nacional de Promoção da Saú-
ce do vírus, particularmente junto dos     de Oral, vão alargar-se aos doentes
grupos mais vulneráveis.                   infectados pelo VIH.
   Para tal, revelou a ministra, vão ser      Outra medida revelada por Ana Jor-
disponibilizadas cinco unidades móveis     ge prende-se com o lançamento de cen-
– uma por cada administração regio-        tros de terapêutica combinada, abran-
nal de saúde –, que pretendem asse-        gendo os diferentes programas para in-
gurar um acesso universal ao diagnós-      fectados com o vírus que, em simultâ-
tico da infecção, além de proporcio-       neo, são utilizadores de drogas em subs-
narem informação e aconselhamento.         tituição opiácea.
   Ana Jorge fez estas revelações no Dia      O Ministério da Saúde perspectiva,
www.apaginadomario.blogspot.com
18           A PÁGINA DO MÁRIO                                 apaginadomario@gmail.com                                3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008


                                                 que o Ministerio de Industria, Turismo y
                                                 Comercio divulga na internet os preços pra-
                                                 ticados em toda a Espanha.                                         SERVIÇO PÚBLICO
                                                                    (publicado em 26/11)
                                                 A CRISE
                                                    «Há uma crise recente que é financeira,                     NO PAÍS DO “SIMPLEX”
                         Mário Martins           mas há uma crise crónica instalada em Por-
                                                 tugal há dez anos. É a crise dos valores, a
                                                 corrupção no sentido mais entranhado na
                                                                                                    CARTÃO DO CONTRIBUINTE
REELEIÇÃO
    A Ana Filipa Janine foi reeleita directora
                                                 estrutura do regime, a promiscuidade dos
                                                 interesses do Bloco Central, a vida dupla de
                                                                                                      10 MESES DE ESPERA!
do Gabinete de Relações Internacionais da        muitas figuras públicas que dão a cara para       O cidadão que pediu o Cartão do Contribuinte em Fevereiro ainda conti-
JSD, durante o congresso da organização          ganhar votos e manter poleiros, e a outra       nua à espera que as Finanças lho enviem.
que hoje terminou em Penafiel.                   que é a dos negócios, do poder do dinheiro.
    Integrou a lista de Pedro Rodrigues, ree-       O que hoje se dá a ver é que, afinal, a
leito presidente com 308 votos. A lista opo-     crise financeira está a destapar o lençol a
sitora, liderada por Bruno Ventura, obteve       muitas figuras que estiveram a fingir de ca-
245 votos.
    A Ana Filipa Janine foi ainda a relatora
                                                 dáveres políticos, mas que continuavam a
                                                 trabalhar pela calada nas maiores obscuri-
                                                                                                  O PREÇO DA GASOLINA
do grupo de trabalho que apresentou ao con-      dades.
gresso a moção “Portugal no mundo”, apro-           E se o BPN foi a Dona Branca dos nos-          Para que não se perca a tradição, aqui se divulga o preço
vada por unanimidade.                            sos colarinhos brancos, ainda vamos saber         dos combustíveis, ontem, 2 de Dezembro, em Portugal e Espanha.
    Parabéns, filha!                             mais, muito mais.»
                      (publicado em 30/11)                Luiz Carvalho, no “Instante fatal”.                 GASOLINA 95 SEM CHUMBO
                                                                      (publicado em 21/11)           1,159 (COIMBRA) E 0,861 (FUENTES DE OÑORO)
ISTO ESTÁ LINDO...
    Não passa um dia sem um novo es-             O RECUO DA MINISTRA                                                        GASÓLEO
cândalo.                                         (E DO GOVERNO)                                      1,089 (COIMBRA) E 0,929 (FUENTES DE OÑORO)
    Portugal parece ser, cada vez mais, um          Estou a acompanhar “on-line”, na SIC
sítio mal frequentado.                           Notícias, a declaração da ministra da Edu-
                    (publicado em 24/11)         cação, após a reunião extraordinária do
                                                 Governo, esta tarde.                                            IMAGEM DA QUINZENA
A VERDADE                                           (...)
SOBRE O PREÇO                                       É estranho que só agora o Ministério
DA GASOLINA                                      da Educação tome conhecimento do ex-              MANIFESTAÇÃO DAS GALINHAS
   As petrolíferas portuguesas continuam a       cesso de burocracia, da possibilidade de
seguir a política de baixar “às pinguinhas” o    um professor ser avaliado por um cole-
preço dos combustíveis. Hoje, uma; ama-          ga de outra área de conhecimento, da
nhã, outra. E o “Zé” convence-se que o pre-      excessiva carga horária que o processo
ço está sempre a baixar...                       exige aos professores e da avaliação do
   Entretanto, em Espanha os preços conti-       professor depender do sucesso dos alu-
nuam a baixar em ritmo acelerado, estando        nos, entre outros aspectos.
já abaixo de 1 euro.                                (Por falar em sucesso dos alunos: o que
   E com uma característica que deveria          aconteceria se este critério fosse aplicado
merecer explicação dos responsáveis por-         aos professores universitários, sobretudo aos
tugueses: a gasolina é mais barata do que o      que leccionam “cadeiras” nas quais as ta-
gasóleo.                                         xas de insucesso chegam aos 70%-80%?...)
   (Não são esses mesmos responsáveis               Parece-me tratar-se apenas de remen-
que, volta e meia, falam do «mercado ibé-        dos, provando que a avaliação em curso não
rico de combustíveis»? Ainda não ouvi/li         foi pensada (programada) com o rigor ne-
qualquer referência a esta evidente dis-         cessário - condição-base de qualquer pro-
paridade.)                                       cesso de avaliação.
   Por outro lado, o Governo português, do          Também não me parece que os profes-
Simplex e do Magalhães, continua a mos-          sores alterem, agora, as posições que vêm
trar-se incapaz de publicitar os preços que      defendendo.
se praticam no país. Aqui ao lado, há anos                           (publicado em 20/11)
                                                                                                                          (recebida por e-mail; publicada em 1/12/2008)

VITÓRIA NA FIGUEIRA DA FOZ
   A minha equipa (os juniores do Vigor, na foto) venceu no sábado a
Naval, por 2-1, na Figueira da Foz, no primeiro jogo da 2.ª volta do
campeonato.
   Depois do triunfo em Alverca, também por 2-1, a minha equipa foi
agora vencer a casa de outro candidato à subida de divisão. E já soma
já quatro vitórias em terrenos alheios, em sete deslocações.
   O desafio de sábado foi disputado num recinto em péssimas condi-
ções. A Naval, o único clube - desta Série C do campeonato de juniores
- que em seniores disputa a 1.ª divisão nacional, é também o único que
apresenta um campo em terra batida! Todos os outros clubes jogam
em campos relvados. Triste ironia.
   A minha equipa ocupa o 5.º lugar na tabela classificativa (12 equi-
pas), a par do Fátima, com 20 pontos conquistados na dúzia de jornadas
já disputadas.
   No próximo sábado, a minha equipa recebe em Fala, às 15h00, o
Odivelas, líder do campeonato.
                                                 (publicado em 30/11)
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                   MÚSICA              19
                                                                                          no dia, a Casa da Música rebentava pe-
Distorções                                                                                las costuras e nem um bilhete disponí-
                                                                                          vel.
                                                                                             A actuação dos Cut Copy foi, como
                                                                                          se esperava, verdadeiramente arrebata-
                                                                                          dora e irrepreensível, sobretudo se tiver-
                                                                                          mos em conta que estes rapazes de
                                                                                          Melbourne estão fora de casa desde Ja-
                                                                                          neiro e nem uma mostra de cansaço.
                  José Miguel Nora            Boys Noize                                  Para o fim da noite estava reservado um
                  josemiguelnora@gmail.com                                                “dj set” de Boys Noize.
                                             que não só o portuense. Como nesse dia
                                             1 de Junho de 2007 e até aí, os artistas e
       No passado dia 14 de Novembro         as bandas que por ali passavam eram
voltei ao “Clubbing” da Casa da Músi-        menos conhecidas do público, nomeada-                                                       nais, “Chinese Democracy”, que já es-
ca, um evento que não pára de crescer        mente Jay Jay Johansson. Aparecendo,                                                        tava a ser preparado há mais de 14 anos,
de edição para edição, sobretudo desde       nessa edição, os Klaxons, por força de                                                      o que faz dele o disco mais aguardado
                                             uma parceria celebrada com o “Festival                                                      de sempre da história do rock. Desde a
                                             Primavera Sound” de Barcelona. E daí                                                        edição de “Spaghetti Incident” em 1993,
                                             para cá, sobretudo desde o início de 2008,                                                  apenas resta Axl Rose, mas, apesar dis-
                                             que o cartaz do “Clubbing” tem estado                                                       so, o novo álbum mostra que a banda ain-
                                                                                           Guns N´Roses                                  da tem algo a mostrar. Prova disso mes-
                                                                                             Mas as mudanças não ficam por aqui,         mo é o facto de terem atingido os pri-
                                                                                          há ainda a salientar que na altura em que      meiros lugares do top de vendas em todo
                                                                                          lá tinha estado antes, o acesso às salas,      o mundo, incluindo em Portugal, e ainda
                                                                                          que não a Sala 2 (como a Cibermúsica           o facto de na véspera de o disco chegar
                                                                                          ou a zona do Bar, que também tem actu-         aos escaparates poder ser ouvido inte-
                                                                                          ações de djs) era inteiramente gratuito,       gralmente no MySpace da banda, o que
                                                                                          o que agora não acontece, havendo sim          levou a um novo record mundial de utili-
                                                                                          uma redução no preço do bilhete.               zadores desta plataforma.
                                                                                             Por fim, gostava de destacar uma úl-           Para o fim e já que falamos de Guns
                                              Álvaro Costa
                                                                                          tima novidade do “Clubbing”, que acon-         N´Roses, sugiro a autobiografia do ex-
                                             ao “rubro”, com nomes fortes da música       tece na Sala Roxa, onde o radialista Ál-       guitarrista desta banda, Slash, com o tí-
                                             actual e a esgotar quase sempre e com        varo Costa comenta uma série de fil-           tulo homónimo.
                                             alguma antecedência. Einsturzende Neu-       mes, concertos, entrevistas, etc. de um
Cut Copy                                     baten, The Whip, Vitalic, The Kills, fo-     determinado músico. Desta vez, o eleito        PARA SABER MAIS:
                                             ram alguns dos nomes que por lá passa-       era Bob Dylan e o tema “When Bob
a última vez que lá fui, mais propriamen-    ram nos últimos meses. Mas, desta vez,       Dylan Speeks”. Foi a inovação que mais         www.casadamusica.pt
te a 1 de Junho de 2007. E quando afir-      consegui mesmo ir, sobretudo porque mal      elogiei e que mais me entreteve, enquanto      www.gunsnroses.com
mo que não pára de crescer, digo-o, so-      vi que os cabeças de cartaz eram uma         não chegavam os Cut Copy.                      Guns N´Roses “Chinese Democracy”
bretudo, porque em 2007 ainda não ha-        das minhas bandas preferidas, Cut Copy,         Mas o fenómeno que tomou conta de           (Universal)
via o apoio da Optimus, o que, claramente,   apressei-me a arranjar os bilhetes, o que    todos os “media” foi o regresso dos Guns       Slash e Anthony Bozza “Slash”
catapultou o evento para outros públicos     se veio a revelar uma boa opção porque,      N´Roses, com mais um disco de origi-           (Quinta Essência)

NO DIA 16, COM ENTRADA GRATUITA                                                           HOJE À NOITE; PARA ASSINALAR
                                                                                          DIA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Orquestra Filarmónica
de Londres em concerto                                                                    Governo Civil de Coimbra
na Figueira da Foz                                                                        promove
   A famosa London Philharmonic
Orchestra poderá ser ouvida no próxi-
                                             te de concertos nos Estados Unidos,
                                             Europa e Países de Leste, figurando          Concerto inédito
mo dia 16, no CAE (Centro de Artes e         como cabeça de cartaz em grandes                No contexto do Dia Internacional das        ção subordinada ao tema celebrado mun-
Espectáculos) da Figueira da Foz, em         festivais. Como contraponto às suas          Pessoas com Deficiência, o Governo Civil       dialmente neste dia, e que estará paten-
concerto com entrada gratuita.               viagens, a orquestra tem incluído nas        do Distrito de Coimbra promove hoje (quar-     te ao público até ao próximo sábado (6
   Este concerto contará, ainda, com a       suas fileiras músicos de enorme talen-       ta-feira, dia 3) um Concerto alusivo, em que   de Dezembro).
presença do conceituado pianista norte-      to de diversas nacionalidades desde o        participam, para além da Orquestra Clássi-        Na sequência da Resolução da ONU
-americano Nicholas Angelich.                Brasil até à Hungria.                        ca do Centro, od grupos 5.ª Punkada (da        de 1998, o dia 3 de Dezembro passou a
   Trata-se do Concerto de Natal da             Outra das suas actividades mais           Associação Portuguesa de Paralisia Cere-       assinalar a comemoração do Dia Inter-
Caixa Geral de Depósitos, e o ingresso       marcantes tem sido a gravação de dis-        bral - APPC) e Cãoboys (da Associação          nacional das Pessoas com Deficiência.
gratuito está condicionado a dois bilhe-     cos, incluindo a de bandas sonoras           Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão         Este dia é celebrado por todas as orga-
tes por pessoa, a levantar nas bilheteiras   para filmes de grande sucesso como           Deficiente Mental - APPACDM).                  nizações internacionais e nacionais sob
do CAE.                                      a trilogia de “O Senhor dos Anéis”              O concerto efectua-se no Pavilhão Cen-      um lema definido anualmente. Este ano,
   Registe-se que a London Philhar-          (pela qual recebeu o Óscar de Me-            tro de Portugal, em Coimbra, com início        a União Europeia definiu como tema “
monic Orchestra celebra o seu 75º            lhor Banda Sonora). Tem participado,         às21,30 horas.                                 Agir Localmente para uma Sociedade
aniversário na época 2007/08, tendo          igualmente, em inúmeros programas               A Orquestra Clássica do Centro, sob a       para todos” e as Nações Unidas “Digni-
como seu principal maestro Vladimir          de rádio e televisão, e conta com um         direcção do Maestro Virgílio Caseiro, irá      dade e Justiça para Todas as pessoas”.
Jurowski.                                    extensivo programa educacional, di-          apresentar também, com o grupo 5.ª Punka-         A nível nacional, as comemorações
   Actualmente considerada como uma          reccionado quer para a comunidade,           da , os temas : Blues e Reis.                  deste ano terão uma forte componente
das melhores orquestras do mundo, as         quer para o público escolar que inclui          Antes, pelas 18 horas, e também no mes-     de sensibilização, mantendo-se o slogan
tournées são parte significativa da sua      os aclamados ensembles Renga e a             mo espaço (Paviçhão Centro de Portugal,        do ano passado: “Não Discrimines, In-
actividade, com uma agenda constan-          Open Ear Orchestra.                          em Coimbra), será inaugurada uma exposi-       tegra!”
20           CRÓNICA                                                                                                            3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008



AO CORRER DA PENA...
                                                  Que nunca caiam as pontes entre nós...
                                                delicadas e ténues da poesia, e esta ser o       odor vindo das ondas, escutando o grito das     cado por formas cada vez mais patológicas
                                                que de mais íntimo, sensível e humano nos        gaivotas. Peguei num pequeno pau que se         de capitalismo selvagem. É ainda mais per-
                                                caracteriza.                                     encontrava à deriva e desenhei um sol na        turbador apreciar o drama dos países po-
                       Maria Pinto*                “Não há longe nem distância” trans-           areia. “Numa folha qualquer eu desenho          bres, parcamente industrializados, onde a
                      mainha.pinto@gmail.com    porta-me para um tempo sem tempo. Por-           um sol amarelo/ e com cinco ou seis rec-        fome é uma constante e os níveis de ilitera-
                                                                                                                                                 cia são absolutamente gritantes. Nestas re-
   – Está tudo bem consigo, Drª!                                                                                                                 giões, a palavra “infância” continua a não
   E numa expressão risonha: “Lamento                                                                                                            fazer grande sentido. Aqui, a criança é um
ainda não poder passar-lhe a declaração de                                                                                                       adulto-jovem, a quem não sobra espaço nem
baixa antecipada... vamos só perceber se                                                                                                         tempo para brincar e para se recrear. Para
ouve bem?”                                                                                                                                       deixar cair “um pinguinho de tinta num
   Sorri pela boa disposição daquele médi-                                                                                                       pedacinho azul de um papel”... e de num
co experiente, que sabia entender os seus                                                                                                        instante “imaginar uma linda gaivota a
pacientes para além do olhar.                                                                                                                    voar no céu”. E de viajar com ela “con-
   – Como se chama?                                                                                                                              tornando a imensa curva norte e sul...
   Recordei-lhe o meu nome.                                                                                                                      tanto céu e mar num beijo azul”...
   – É do Porto ou do Benfica?                                                                                                                      Voltando à realidade. A minha gaivota
   Confidenciei ser da Académica... ques-                                                                                                        leva-me a certos países da Ásia, onde con-
tões de afinidade familiar...                                                                                                                    tacto com crianças outras, extenuadas.
   – É feliz ou infeliz?                                                                                                                         Aquelas que fabricam os brinquedos que
   Fiquei suspensa. Não porque não tivesse      que os sentimentos vogam muito para além         tas é fácil fazer um castelo (...).O lápis (o   nunca serão seus e que irão ser desfrutados
escutado a pergunta. Mas porque não tinha       das horas, dos dias e das idades. É para mim     pau), a folha branca (a areia), o pincel e a    e logo depois abandonados por meninos e
resposta. “Não sei, Dr., penso que não so-      uma leitura de liberdade e da possibilidade      tela. Objectos simples, de todos os dias e      meninas cujos direitos são, na prática, asse-
mos felizes... existem bons momentos. Mo-       que temos de estar sempre no interior de         tão ali. À mão. Do poeta, do músico ou do       gurados. Estas crianças já não são o meni-
mentos do para sempre... apenas.                quem gostamos. Mesmo que longe. Ainda            pintor. De todos nós. À espera de um dese-      no nosso avô, mas sim o menino nosso ir-
   – Muito bem, Drª, como lhe disse, está       que à distância.                                 nho animado, dirigido para norte ou para sul,   mão, que continua a sofrer na pele o resul-
tudo bem. Mas há uma névoa nesse olhar.                                                          para a esquerda ou para a direita, num voo      tado das enormes disparidades existentes na
Pense nisto: tente conseguir tempo para si.        Deste voo por entre as palavras de Ri-        criativo, sem fim... Quem conduz? A imagi-      nossa “aldeia global” Sofre na pele o longe
Tempo de qualidade. Irá gostar-se cada vez      chard Bach – tenho mesmo de readquirir o         nação, a loucura e o sonho.                     e a distância... que não deveriam de todo
mais. Comece por ir ver as montras. Vai         livro! – e por entre as indefinições dos céus,       “Aquarela!” Poema maravilhoso de            existir. Em África, meninos esqueléticos, de
ver que se sente bem.                           desci gradualmente e planei na areia daquela     Toquinho. Cantado por ele próprio e por         rostos apáticos e olhar vago. Eles sabem o
                                                praia. Na areia que fiz deslizar por entre os    Vinicius – vou ouvi-lo logo que regressar a     que é a FOME. Não conhecem o lazer. Um
   Ao entrar no carro, sorri de novo. Tem-      dedos. Foi assim que dei comigo a pensar         casa, pensei na altura. Uma pérola. Um coral
po. Tempo de qualidade. Quando teria sido       na pouca firmeza da realidade em que vive-       de que me recordei ao rabiscar à toa um sol
a última vez?...                                mos. E também na sua dureza. No mundo            na praia. Naquela praia então quase deser-
   Fiz deslizar mecanicamente o automóvel       que criámos, baseado na competição, no           ta. Apenas dois vultos ainda ao longe. Tal-
até junto do mar. Desta vez com o propósito     afastamento das emoções, num avolumar            vez de um pai e de um filho ainda pequeno.
de ir atrás do tempo. Sem tempo. Olhando-       de tensões. No lugar onde o homem se foi         Talvez.
-me para dentro. Durante o percurso senti       transformando progressivamente numa en-              Dizia eu, “Aquarela”! Uma metáfora
                                                grenagem e num ser cada vez mais solitário       sobre a vida e sobre a forma mais colorida
                                                e ansioso. A ideia de sucesso fácil e rápido     e aprazível de a percorrer... até descolorir.
                                                enraizou-se de forma profunda e foi até às       A partir desta bolinha bonita e frágil que se
                                                entranhas do ser humano, o que provocou          chama Terra, subindo ao azul do céu, e pro-     brinquedo. Manuseiam uma arma com a pe-
                                                uma enorme quebra dos tradicionais laços         curando mais além o mistério desconheci-        rícia de um adulto, estes pequenos-meninos
                                                de solidariedade.                                do, num beijo eterno de todas as cores. No      da guerra. Deveriam “com um simples
                                                   O próprio processo de globalização tem        vídeo desta deliciosa canção, somos condu-      compasso” fazer girar o mundo e girar nele
                                                testemunhado a enorme carência da alteri-        zidos por uma criança. Ao largo, navega um      como se de carrossel se tratasse.
                                                dade e dos afectos. A “aldeia” em que vive-      barquinho à vela branco, à deriva ou com
                                                mos é quase exclusivamente direccionada          rumo certo, e lá no alto, um lindo avião rosa      Foi bom não ir ver as montras. Foi me-
                                                para os mecanismos económicos e de po-           e grená sulca as nuvens, piscando as asas       lhor estar ao pé do mar. Questões de op-
                                                der. O longe e a distância acentuaram-se         luminosas da liberdade e do desejo. Mais        ção. Todos sabemos que podemos optar. A
                                                neste mundo que se diz global.                   uma vez me senti fora do tempo. Tecendo         questão está na diferença entre uma boa ou
                                                   “Construímos muros demais e pontes            com Vinicius e Toquinho e também com o          uma má opção. Tirar um pouco do nosso
                                                de menos”. Sábia, esta frase de Isaac            menino uma realidade que não existe para        tempo para podermos pensar nos outros
                                                Newton! De facto, o mundo e a correria           tantos meninos. Ali estava aquele, agora bem    parece-me ser um caminhar para a cons-
                                                desenfreada (não se sabe bem com que             próximo. E o adulto? Seria mesmo o pai?...      trução de pontes cada vez maiores e mais
                                                destino), fecha-nos completamente em nós         O menino caiu... uma onda um pouco mai-         abrangentes. Para o derrube dos muros que
                                                próprios. Enconcha-nos. Tolda-nos a visão        or estatelara-o na areia. Um adulto – seria     sempre separaram os seres humanos.
                                                do outro. Torna-nos quase autistas em rela-      mesmo o pai?! – que lhe ralhou. Que lhe            De facto, como diz Toquinho, a “aquare-
                                                ção ao que nos circunda. Impedindo-nos de        bateu...                                        la” um dia descolorirá. Não deixemos con-
                                                olhar e de sentir a beleza. De olhar e de                                                        tudo cair o borrão do desespero e do alhea-
a falta do maravilhoso livro de Richard Bach,   sentir a pobreza. De ajudar. De perceber            Esta imagem de “uma bola colorida en-        mento nesta linda “aquarela”. Juntemo-nos
“Não há longe nem distância”, que re-           que o mundo oferece tantas possibilidades!...    tre as mãos de uma criança” continua a ser      e agarremos todas as cores separadas para
centemente perdi. Livro a que recorro em           Apeteceu-me fugir. Nestes momentos,           uma utopia. A prática mostra-nos a viola-       reconstruir o branco. O branco apazigua-
momentos de introspecção e de análise do        apetece-me fugir e afundar-me e proteger-        ção contínua dos seus direitos. E o mais pre-   dor. O branco do sorriso. O branco do amor.
mundo e dos sentimentos. Um pequeno li-         me no abraço carinhoso e envolvente da           ocupante é que esta situação, ainda que com     Apesar dos escolhos, a viagem nunca ter-
vro pleno de emoção. Quando o folheio e         Natureza. Do mar que me acalma e revigo-         algumas nuances, abrange países desen-          minará... em especial se percebermos que
leio, acontece-me sempre um doce soluço.        ra e me dá força para lutar e agir.              volvidos e países em vias de desenvolvimen-     “para estar junto não é preciso estar per-
Talvez por certas escritas tocarem ao de           Foi em direcção ao mar que caminhei e         to. Milhares de crianças são exploradas di-     to e sim... do lado de dentro” (Leonardo
leve, ou melhor, acariciarem as fronteiras      fui prosseguindo sem destino, saboreando o       ariamente, vítimas da fome de lucro provo-      da Vinci).
                                                                                                                                                                * Docente do ensino superior
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                          OPINIÃO               21

                                                                        “Avestrução”
                                                factual, do circunstancial, do conjuntural,                                                      ça política pela qual habitualmente alinha-
                      Renato Ávila              terreno demasiado escorregadio para avan-                                                        mos. Todavia, entendemos que, como mai-
                                                çar opiniões com sensatez e consistência,                                                        or partido da oposição, concita a esperança
   A eleição da Drª Manuela Ferreira Leite      especialmente quando os media estão mais                                                         de centenas de milhar de cidadãos numa
para a presidência do Partido Social Demo-      balanceados para as mensagens situacionis-                                                       solução diferente para o país, susceptível de
crata trouxe consigo a esperança duma al-       tas e governamentais.                                                                            ultrapassar os bloqueios que a arrogante in-
ternativa fiável e consistente ao monolitis-       Todas as palavras da líder social demo-                                                       sensibilidade duma hermética maioria foi
mo autista da maioria dominante.                crata são avaliadas, capciosamente escal-                                                        criando na sociedade portuguesa.
   A sua seriedade e experiência políticas      pelizadas pela situação e pela oposição, pela                                                        Será que esses cidadãos não merecem
constituíam confiável garantia duma lideran-    esquerda e pela direita, por gente de boa e                                                      algo mais que esta triqueira mesquinhice e
ça respeitável, granjeadora dos consensos       de má fé, alguma dela de dentro do seu pró-                                                      essa execranda autofagia partidária prota-
necessários à constituição duma equipa forte,   prio partido.                                                                                    gonizada por notáveis (pelas melhores e
enformadora dum projecto novo, pragmáti-           Sempre de cutelo na mão, espreitam um                                                         pelas piores razões) figuras sociais demo-
co e credível de resposta às imensas dificul-   deslize de discurso, um lapso de memória,                                                        cratas?
dades que o país enfrenta.                      uma falha de substância ou de rigor, os si-                                                          Será que essa gente não se sente capaz
   Não têm sido fáceis, todavia, estes pri-     lêncios e as palavras a mais ou a menos         cia e por um confrangedor alheamento dos         de subordinar os seus interesses à disciplina
meiros meses do seu mandato. Tal como           para atacarem, para denegrirem a sua ima-       grandes problemas do país, nomeadamen-           democrática e colaborar com esforço e se-
aconteceu aos seus antecessores mais re-        gem, a fim de abrirem caminho para a pros-      te na segurança e defesa, na justiça e na        riedade num projecto protagonizado pela lí-
centes, vem encontrando um partido mina-        secução dos seus projectos pessoais e de        educação.                                        der do seu partido?
do por quezílias e ácidos ressentimentos,       grupo.                                             Se o voto dos cidadãos pouca eficácia             A leveza das palavras que vamos ouvin-
povoado de figuras despeitadas, carentes de        Há como que um “complot” germinando          teve na qualidade da prestação parlamen-         do, as manobras pouco escorreitas que va-
senso político, ávidas de palco e de poder e    dentro do próprio Partido mas que encontra      tar, é mister que o debate que precede os        mos perscrutando de uns tantos emproados
que fazem da demagogia a estratégia para        eco positivo em todos aqueles que, instala-     actos eleitorais seja aberto, pluralista e es-   que falam sem nexo e se movimentam sem
se imporem e as quais, estultamente, vão        dos nas esferas do poder, não estão nada        clarecedor e isso só se consegue pelo con-       rebuço por obscuras teias conspirativas, dão-
corroendo a boa-fé das bases do partido e       interessados em que se fortaleça uma alter-     fronto de projectos diferentes em que o valor    nos a medida da mesquinhez da sua estatu-
da grande maioria dos cidadãos.                 nativa susceptível de atravancar o seu pre-     das soluções em apreço e dos seus defen-         ra, a radiografia paupérrima do seu projecto
   Por outro lado, o seu perfil comunicacio-    sumido sucesso eleitoral a meados de 2009.      sores permite ao cidadão fazer, em consci-       e a desoladora prova do seu patriotismo, da
nal, chão e directo, torna-se estranho num         No nosso modesto entender de cidadão         ência, as suas escolhas.                         sua vontade de servir o povo.
universo cada vez mais subtil e enigmático      comum, livre e independente, não é disso           Não havendo alternativa forte e credí-            Apetece-nos aplicar um neologismo – a
onde as mensagens predominam no feérico         que os portugueses precisam.                    vel, ficam comprometidos o debate sério e        avestrução.
e nos silêncios, nas meias palavras e nas          O abúlico funcionamento da Assembleia        pedagógico e a presença duma segunda ou              A oposição dos que, só pensando em si,
entrelinhas.                                    da República tem facilitado de sobrema-         terceira solução em confronto. Ter-se-á,         obstruem, enfiando a cabeça na areia para
   Acresce ainda o facto de Ferreira Leite,     neira os desígnios do executivo e da maio-      quando muito, o habitual monólogo do auto        não se sentirem responsáveis pela gritante
qual jogador de cartas, optar por esconder      ria que o apoia quer na proposição e feitu-     panegírico e arriscamo-nos a carregar com        realidade dos factos.
os trunfos das grandes coordenadas do seu       ra das leis quer na fiscalização dos actos      mais do mesmo na próxima legislatura.                É mister que também a esses se venha
projecto político e por intervir ao nível do    do governo e, além disso, primado pela inér-       O Partido Social Democrata não é a for-       a pedir contas.


FILATELICAMENTE
                                                      Templo de Diana                                                                              POIS...

                     João Paulo
                     Simões

                                                                                                                                                                         José
   O Templo de Diana, está localizado                     Os três selos que constituem a Emissão
na cidade de Évora, em Portugal. Faz                                                                                                                                     d’Encarnação
parte do centro histórico da cidade, e foi
classificado como Património Mundial            ruínas são os únicos vestígios do fórum
                                                                                                    OS SELOS                                           Massano Cardoso manifestou
pela UNESCO. É um dos mais famosos              romano na cidade.                                                                                   ‘desconforto’ (Centro nº 62, 19-
marcos da cidade, e um símbolo da pre-             As ruínas do templo foram incorpora-                                                             11-2008, p. 14), ao saber que o
sença romana em território português.           das a uma torre do Castelo de Évora
                                                                                                   Aproveitando os desenhos aprovados               funeral de Badaró contara «com
   Embora o templo romano de Évora              durante a Idade Média. A sua base, co-
                                                                                                para a emissão, cujo projecto foi aban-             a presença do único filho, de ami-
seja frequentemente chamado de Tem-             lunas e arquitraves continuaram incrus-
                                                                                                donado em 1934, e do qual já se tinha               gos e vizinhos e de só quatro ar-
plo de Diana, sabe-se que a associação          tadas nas paredes do prédio medieval, e
                                                                                                aproveitado a efígie do Chefe de Esta-              tistas, incrédulos com a falta de
com a deusa romana da caça teve ori-            o templo (transformado em torre) foi
                                                                                                do, emitiu-se uma série de três selos, re-          solidariedade da classe».
gem numa lenda criada no século XVII.           usado como um matadouro do século XIV
                                                                                                presentando o Templo de Diana. O de-                   Fiquei perplexo, como Massa-
Na realidade, o templo provavelmente foi        até 1836. Esta utilização da estrutura do
                                                                                                senho e a gravura são do artista Guilher-           no Cardoso.
construído em homenagem ao impera-              templo ajudou a preservar seus restos de
                                                                                                me Augusto Santos, impressos na Casa                   Mas compreende-se. O humor
dor Augusto, que era venerado como um           uma maior destruição. Finalmente, de-
                                                                                                da Moeda sobre papel liso em folhas de              nem sempre é de palmadinhas nas
deus durante e após o seu reinado. O            pois de 1871, as adições medievais fo-
                                                                                                100 selos com denteado 11,5 x 12.                   costas, tem o seu quê de bem sa-
templo foi construído no século I d.C. na       ram removidas, e o trabalho de restau-
                                                                                                   Os três selos tinham os valores de 4             lutar corrosivo: «Você só compi-
praça principal (fórum) de Évora – en-          ração foi coordenado pelo arquitecto ita-
                                                                                                centavos pretos, 5 centavos azul e 8 cen-           lica!»…
tão chamada de Liberatias Iulia – e             liano Giuseppe Cinatti.
                                                                                                tavos chocolate.                                       E Badaró, além do mais, tivera
modificado nos séculos II e III. Évora
                                                                                                   Entraram em circulação em 22 de Ju-              uma atitude exemplar, digna de um
foi invadida pelos povos germânicos no            Bibliografia:
                                                                                                nho de 1935 e foram retirados em 1 de               verdadeiro ser humano: legou o
século V, e foi nesta época em que o tem-                    http://pt.wikipedia.org/wiki/
                                                                                                Outubro de 1945.                                    seu corpo para estudo.
plo foi destruído; hoje em dia, as suas             Templo_romano_de_%C3%89vora
22          OPINIÃO                                                                                                3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008




 OPINIÃO
               J.A. Alves Ambrósio
                                                          Angola em Saragoça (IV)
                                             e corrupção há dinheiro para estádios                                                 para a cidade do planalto. Precisa-
   Outra verdadeira admiração no pa-         de futebol às moscas, mas não há para                                                 mente o melhor aluno e primeiro pa-
vilhão de Angola foi a qualidade (a          manter – como deve ser – o museu e                                                    dre africano de então foi o padre Luís
arte, o alcance...) da sua filatelia.        o jardim da dita Faculdade?                                                           Barros da Silva, que recebeu ordens
Estou à vontade para dizê-lo, porque            A nível mundial, a potência com o                                                  em 1895. Tendo-se juntado aos espi-
a filatelia portuguesa é de estupenda        mais cabal sistema de informações é...                                                ritanos e trabalhado como genuíno pas-
qualidade (lembre-se, v. g., a recente       a Igreja Católica Romana. Angola                                                      tor no seminário, no orfanato e nas al-
emissão de a Procissão em Veneza             avantaja-se de tal forma, no conspec-                                                 deias cristãs em volta, em 1931, quan-
do demiurgo Nadir Afonso para o cor-         to católico, a nível regional, continen-                                              do faleceu, o povo chorou-o como se
reio intra-europeu) e porque guardarei       tal e mundial, que Bento XVI já anun-                                                 de um santo se tratasse. Às centenas
para sempre o melhor que me surge            ciou que a visitará. Chamo apenas a                                                   de padres católicos que, em 1955,
quando viajo pela Europa, aqui desta-        atenção para a profunda diferença idi-                                                exerciam o seu múnus em Angola, jun-
cando o selo que me foi gentilmente ofe-     ossincrásica entre o actual papa e o                                                  taram-se, em 1957, os capuchinhos ita-
recido há vários anos, em Bayreuth,          seu “populista” antecessor.                                                           lianos; e o aumento das conversões
para assinalar os 250 anos do teatro da         O insigne Pedro Dias, a propósito                                                  era tal que a quantidade de fiéis era
ópera na cidade. A filatelia angolana que    da publicação da sua colecção de His-                                                 cada vez mais desproporcionada re-
vi foi produzida pela AFINSA.                tória da Arte a ser editada pelo Pú-                                                  lativamente ao número de padres. E,
   Além de ser a emanação da alma            blico, dizia há dias que «a publicação                                                em 1970, surge o primeiro bispo ne-
de um país, a filatelia, repito, é arte. E   da colecção é uma gratidão por ter                                                    gro, monsenhor Eduardo Muaca. Pre-
a alma de um país retrata-se no quo-         nascido português» (cito de cor). Es-      nismo ensina esta coisa excelsa: o         cisamente nesse ano surge o primeiro
tidiano com os seus altos e baixos, na       tás cheio de razão, meu caro Pedro,        perdão. E o perdão é a antítese do res-    manifesto da Igreja contra o colonia-
Natureza com as suas maravilhas, no          cuja grandeza sempre recordo – e re-       sentimento, a única, absoluta, garan-      lismo e, em 1975, os bispos portugue-
anelo do espiritual e na sua intangível      cordarei – desde o momento em que,         tia de progresso (recorde-se Obama         ses resignam e são substituídos por bis-
preeminência...                              não tendo dinheiro para levar uma mala     mais uma vez). É o Amor, absoluto,         pos angolanos.
   Devastada por uma guerra fratrici-        grande de táxi até à Estação Velha,        irrestrito.                                   Dentro do novo espírito também a
da, Angola fez muito bem em mostrar          me levaste tu na tua Peugeot-204 a            Se o mundo em que vivemos não           diocese egitaniense está presente:
que há um corpo de bombeiros estru-          gasóleo. Sim, por mil razões é emoci-      fosse dominado por uma tão avassa-         muito recentemente a Liga dos Ser-
turado e que aos “soldados da paz”           onante ser português.                      ladora idiotia, se os políticos não fos-   vos de Jesus, fundada por D. João de
se deve toda a gratidão, homenagem;             Quando às criancinhas se ensina         sem os ignorantes e embusteiros que        Oliveira Matos, estabeleceu-se na
que há uma maravilha única no mun-           que, para D. Henrique, toda a empre-       são, a estas questões era dada maior       Gabela (diocese do Sumbe, anterior-
do cujo habitat é o deserto de Moçâ-         sa das Descobertas fazia parte das         atenção. Assim...                          mente Novo Redondo).
medes; e que tem suficiente catego-          cruzadas contra os muçulmanos e que           As fronteiras de Angola são uma            A longevidade do Cristianismo tor-
ria espiritual, para assim me exprimir,      os portugueses expandiam a Fé e o          criação portuguesa. Os angolanos são       nou-o elemento integrante da identi-
para ser visitada por alguém como o          Império – que Camões assinalaria e         os nossos irmãos e estes laços afir-       dade nacional angolana, mormente na
Papa (João Paulo II).                        ainda recentemente o jovem e ilustre       mar-se-ão em perenidade. É nosso           sua versão católica. Os graves erros
   A maravilha do deserto de Moçâ-           egitaniense Marcos Farias Ferreira o       dever, é nosso imperativo. O padre         do marxismo superar-se-ão pela con-
medes é a Welwitschia mirabilis,             disse, do cimo do seu saber, em dis-       Charles Duparquet, insigne espiritano,     versão de José Eduardo dos Santos;
essa singular planta que é já uma emo-       sertação de doutoramento (Cristãos         fundou em Lisboa (1866) um seminá-         e a unidade nacional angolana é um
ção em fotografia. Qualquer iniciado         & Pimenta, Almedina) –, quando às          rio de padres do Espírito Santo; e, a      corolário da idiossincrasia portugue-
em Alemão intui que a primeira de-           criancinhas se ensina... que o fixem       partir deste, originou-se a província      sa (o império espanhol esfrangalhou-
signação é germânica – e não se en-          para todo o sempre.                        portuguesa dos Espiritanos. Dupar-         se na América do Sul e do Norte, mas
gana. Foi Frederico Welwitsch, botâ-            Claro que a missão teve o hedion-       quet estabeleceu as fundações de dois      o Brasil sempre foi e será uno).
nico austríaco que veio para Lisboa          do entrave do comércio de escravos;        centros míssionários no Cubango e             Seja-me consentido dizer aqui que
em 1839, quem, ao fazer demoradas            que os portugueses não têm o exclu-        Cunene. À Huila (Sá da Bandeira            espero ver a visita de Bento XVI
explorações em Angola, a encontrou.          sivo desta hediondez; que o primeiro       para melhor situar quem precisar), em      igualmente consagrada na filatelia.
Já agora: as suas colecções no mu-           presente enviado por D. Afonso, rei        1882, chegou o primeiro padre portu-       Deus abençoe Angola que, por aqui,
seu da Faculdade de Ciências de Lis-         do Congo, ao “rei seu primo” de Por-       guês, José Antunes, ao qual o bispo        também está salva.
boa estão devidamente salvaguarda-           tugal era, precisamente, constituído       de Luanda, imediatamente, confia o
das? Ou nesta república de sofismas          por alguns escravos. Mas o Cristia-        seminário da diocese, transferindo-o                          Guarda, 9 - XI - 08




                                                        Um tempo novo vai nascer?
                                                A eleição de Obama com tudo aquilo      observadores atentos e activos interve-       São sinais, mas não serão só sinais.
                         Vasco Paiva         que ela representa ou não… não apenas      nientes do continente americano já to-        Há profundas perturbações e altera-
                                             a pessoa, mas sobretudo o que está em      maram a dianteira e perceberam que         ções no mundo e ninguém sabe o que irá
    O colapso financeiro. A especula-        mudança na sociedade americana!            algo será diferente, que é uma oportuni-   nascer.
ção bancária que bateu (terá batido?)           E agora Iraque, Guantánamo, Afega-      dade que se abre e convém aproveitar          São tempos propícios à mudança. Que
no fundo. O esboroar do mito do mer-         nistão?...                                 para a melhoria da situação política e     mudanças? Que alternativas?
cado como regulador. O escândalo                À direita irão tentar minimizar a im-   económica não só no continente ameri-         Aprender com os erros do passado…
das economias de casino. As miséri-          portância dos resultados eleitorais ame-   cano como no mundo.                           As forças progressistas estão debili-
as do capitalismo.                           ricanos e da eleição de Obama. A direita                                              tadas, dispersas… Mas não é assim em
    O Estado, mais Estado ou menos           sabe muito bem minimizar os estragos.         A energia, as mudanças climáticas, o    todo o mundo. A reflexão e a interven-
Estado, conforme convém aos senho-              À esquerda haverá quem desconfie,       ambiente… há 30 anos quem se preocu-       ção são necessárias.
res do poder, do poder económico, po-        diz-se que “quando a esmola é grande, o    pava com o ambiente? Havia alguns, sem        Democracia, paz, justiça social, soci-
lítico, militar…                             pobre desconfia”. Que vai tudo ficar na    dúvida, mas não era assunto que pesas-     alismo. São ideais, valores, objectivos,
    Agora fala-se em refundar o capi-        mesma.                                     se muito nas preocupações mundanas e       pelos quais vale a pena lutar.
talismo…                                        Fidel Castro, Chavez, Evo Morales,      mundiais.                                     Como os construir? É a questão!
3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                      INTERNET               23
                                                                     move a partilha de boas práticas.                          sas fazer e qual o papel do consumidor.
IDEIAS DIGITAIS                                                      OPENECO.ORG                                                LISTA VERMELHA DE BOLSO

                                                                     endereço: https://www.openeco.org/                         endereço: http://www.greenpeace.org/portugal/parti-
                                                                     categoria: ambiente                                        cipa/lista-vermelha-de-bolso
                                                                                                                                categoria: ambiente

                        Inês Amaral                                    TRAVELMUSE
                        Docente do Instituto Superior Miguel Torga
                                                                                                                                  APEFI


  GOOGLE WEBMASTER




                                                                                                                                   As épocas de crise são propícias a iniciativas de
                                                                        As férias de Natal estão à porta, mas a crise tam-      apoio. E é esse precisamente o propósito da Associa-
                                                                     bém dita que as férias do resto do ano sejam planeadas     ção Para o Posicionamento Estratégico e Financeiro
                                                                     com grande antecedência. O TravelMuse disponibili-         (APEFI). É uma associação sem fins lucrativos que
                                                                     za várias ferramentas que lhe permitem fazer uma pla-      aconselha pessoas em situação de endividamento fi-
                                                                     nificação detalhada.                                       nanceiro.
   O termo “webmaster” foi desaparecendo aos pou-                       Estão disponíveis vários conteúdos como interessan-        A julgar pelos números que os media nos trazem com
cos, ao longos dos últimos anos. Muito culpa das apli-               tes guias de cidade e listagem de destinos por activida-   regularidade, a APEFI pode ser uma importante ajuda
cações e serviços da Web 2.0, a nova geração de In-                  des e temas. É também possível fazer um detalhado          para muitas famílias portuguesas. Para além de aconse-
ternet. Mas o Google normalmente não anda alinhado                   plano de viagem, desde que se esteja registado. O site     lhamento, a associação promove análises económicas
e não segue modas. Exemplo disso é o título do interes-              também permite fazer reservas de avião e hóteis, entre     de forma a prevenir e actuar em situações futuras. «Viva
sante serviço que disponibiliza a que produz e gere pá-              outras.                                                    uma vida livre de dívidas» é a proposta da APEFI e do
ginas na web: o Google Webmasters.                                                                                              seu Portal da Poupança.
   As funcionalidades disponíveis permitem melhorar a                TRAVELMUSE
indexação dos sites (à pesquisa no Google), gerir tráfe-                                                                        APEFI
go, colocar publicidade e inclui gadgets como um MP3                 endereço: http://www.travelmuse.com
player, jogos, tradutor, metereologia, data e hora, ma-              categoria: lazer                                           endereço: http://www.apefipt.org/
pas e um dispositivo que permite criar listas “to do”.                                                                          categoria: economia

GOOGLE WEBMASTER                                                       LISTA VERMELHA DE BOLSO                                     MEET MY CV
endereço: http://www.google.com/webmasters
categoria: Internet


  OPEN ECO.ORG




                                                                                                                                   Enviar currículos assertivos é hoje uma exigência do
                                                                                                                                mercado de trabalho. A proposta da Meet My CV é
                                                                                                                                uma abordagem diferente, criativa e eficaz: criar currí-
                                                                                                                                culos em formato de vídeo e disponibilizá-los numa pla-
                                                                                                                                taforma digital.
                                                                                                                                   A ideia é única em Portugal e estão disponíveis exem-
                                                                        Sabia que há 16 espécies de peixes que são consu-       plos de vídeos que comprovam a versatilidade e origi-
                                                                     midas em Portugal e que correm risco de extinção?          nalidade da Meet My CV. Por enquanto ainda não é
                                                                     Consulte o site da Greenpeace e leia a Lista Verme-        possível fazer upload, mas estão já disponíveis recur-
                                                                     lha de Bolso. Descarregue o ficheiro para o seu com-       sos que ajudam a criar o CV em formato de vídeo.
                                                                     putador, imprima e leve-o consigo sempre que for às        Está também previsto que seja incluída uma Bolsa de
   O OpenEco.org é uma iniciativa da Sun e tem                       compras. É a sugestão da organização.                      Emprego (base de dados de candidatos) e uma Bolsa
como objectivo criar uma comunidade online, à esca-                     Salmão, atum, peixes vermelhos, peixe espada bran-      de Negócios (um directório de serviços e produtos).
la global, para promover práticas mais sustentáveis.                 co e tamboris são algumas das espécies que «correm
   A necessidade de racionalizar os gastos energé-                   sérios riscos de serem provenientes de pescas ou de        MEET MY CV
ticos é a preocupação central e por isso todos de-                   viveiros insustentáveis». No panfleto há ainda informa-
vem contribuir. O OpenEco.org propõe medir,                          ção sobre a situação dos oceanos, a conivência de al-      endereço: http://www.meetmycv.com
acompanhar e comparar gastos energéticos. E pro-                     guns supermercados, o que podem as grandes empre-          categoria: produtividade
24          TELEVISÃO                                                                                                 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008


                                              MANUELA MOURA GUEDES                           Aceito que ela acredite que a sua ima-      A reposição é feita agora no horário
PÚBLICA FRACÇÃO                               ÀS SEXTAS-FEIRAS                            gem passe pelo exagero dos lábios. Não      após o almoço. E lá vieram as preocu-
                                                                                          faço ideia se foram ou não “intervencio-    pações com a ditas “cenas”. As justifi-
                                                 Algo de improvável, para mim, claro,     nados”, nem me interessa. Quando se         cações são as do costume: “público sen-
                                              está a acontecer às sextas-feiras à hora    cala, fica com ar de amuada e isso é        sível” para aquele horário. Se já se sabia
                                              do jantar. Procuro ver o “Jornal Nacio-     desagradável em televisão, particular-      isto, qual o motivo que fez avançar a re-
                  Francisco Amaral                                                        mente em pivô de telejornal. Mas Mou-       posição para aquela hora?
                  franciscoamaral@gmail.com
                                                                                          ra Guedes passou a conduzir o Jornal           A RTP, quando anunciou que “Paixões
                                                                                          Nacional de uma forma mais tranquila.       Proibidas” iria ocupar aquele horário, deu
RTP LAVA MAIS BRANCO                                                                      Não parece muito preocupada com to-         a informação de que “teve o cuidado de
                                                                                          das as estratégias que parecem correr       retirar pontualmente algumas cenas que
   A certa altura sentimo-nos confusos:                                                   por trás de um momento importantíssi-       pudessem causar constrangimento”.
será que os critérios que levaram a RTP                                                   mo para as audiências de um canal              Agora, a estação sublinha que as ce-
a “ouvir”, em cima da hora, a ministra                                                    (como é notório nas noticias da SIC).       nas retiradas sem aviso prévio foram
da Educação, o conselheiro de Estado,                                                     Ainda bem. Ganhou com isso. Apenas          “poucas”, tendo-se criado um mito mui-
Dias Loureiro ou o Governador do Ban-                                                     tem que dar um pouco mais de tempo a        to grande sobre estas imagens.
co de Portugal, foram critérios jorna-                                                    Pulido Valente. Na expressão oral ele não      Para mim, o retirar “sem aviso pré-
lísticos ou foram momentos de bran-                                                       é tão hábil como na escrita e precisa de    vio” significa censura, e esta não devia
queamento?                                                                                tempo para concluir os raciocínios. E,      ser uma questão menor. Se num canal
   Manuel António Pina, em artigo de                                                      pelo menos eu, quero ouvi-lo.               televisivo de um regime não-democráti-
opinião no JN, dizia tudo no intróito: “A                                                                                             co se corta isto ou aquilo, isso é o que se
RTP é a lavandaria do regime. Não                                                         REGRESSAM OS CORTES                         espera nesse contexto. Agora, como diz
há vítima de cabala que não lave a                                                                                                    F.R.Cádima “neste sistema de gover-
consciência naquela espécie de San-                                                          Diz-se, “não acredito”, mas as coisas    no democrático, quando um director
ta Casa da Misericórdia dos aflitos.”                                                     acontecem. Depois já nos habituamos e       de programas manda retalhar uma
   Se a entrevista de Judite de Sousa                                                     nada de especial parece mesmo aconte-       ‘série histórica’, ainda é capaz de re-
                                              nal” da TVI. Comecei pela curiosidade       cer. No entanto,
                                              em ouvir os comentários de Vasco Puli-      baixar os olhos
                                              do Valente, talvez porque me senti pró-     perante certas
                                              ximo da sua habitual dose de distancia-     circunstâncias é
                                              mento e descrença em relação ao País.       grave.
                                              No entanto, nunca na derrota: “Uma             A RTP resol-
                                              pessoa abre o jornal, ou liga a televi-     veu repor (aqui
                                              são e revê, pasmado, a velha propa-         está mais uma
                                              ganda antidemocrática de 1930.              forma de poupar
                                              Umas vezes subtil; outras vezes, mui-       dinheiro) a nove-
                                              to taxativa e franca. Umas vezes me-        la “Paixões Proi-
                                              lancólica, outras vezes, quase triun-       bidas”, que co-
                                              fante. A miséria geral e perspectiva        produziu com a
                                              de uma miséria maior, a fraqueza do         brasileira TV
                                              regime e uma irritação crescente            Bandeirantes.
                                              anunciam o caos (...)»                      Em 2007 a nove-
                                                 Só que Pulido Valente, na televisão, é   la não conseguiu
                                              muito menos cáustico do que na escrita.     a adesão do pú-
                                              Tem um comportamento, digamos, frá-         blico, como aliás aconteceu no Brasil. No   ceber um louvor por estar a contri-
ao Governador do Banco de Portugal,           gil. Com a voz cada vez mais sumida e       entanto, a sua carreira ficou marcada por   buir para as boas práticas do reino.
Vítor Constâncio, pareceu preparada           as suas habituais indecisões na articula-   uma alteração de horário. Foi deslocada     O que era censura antes, agora é
e deu espaço para a pergunta/respos-          ção do discurso, ainda tem momentos de      para as 23 horas porque continha cenas      mera ESTATÍSTICA. No pasa
ta, nas outras duas isso quase não            ironia que valem uma atenção mais cui-      mais ousadas.                               nada...”.
aconteceu. Com Maria de Lurdes Ro-            dadosa ao comentário que encerra o
drigues, Judite fez apenas as honras da
casa. A ministra tinha um discurso a                                                        Faça
debitar, e fê-lo. A certa altura pareceu
notório que Judite de Sousa desistiu de
tentar obter respostas da ministra, en-
                                                                                            uma
quanto esta se foi distanciando cada
vez mais do modelo de uma entrevista,
                                                                                            assinatura
parecendo apenas preocupada em
aproveitar o “tempo de antena”.                                                             do
   Com Manuel Dias Loureiro, que veio
ao estúdio a uma sexta-feira para uma                                                       “Centro”
“Grande Entrevista” especial, fora do dia
habitual em que é transmitida, a sensa-
ção que ficou foi a de que não era agra-
                                              “Jornal Nacional” das sextas-feiras, na
                                              TVI.
                                                                                            e ganhe
dável questionar o conselheiro de Esta-
do quando ele se mostrava simplesmen-
                                                 Manuela Moura Guedes, a interlocu-
                                              tora, tem dias. Ou antes, semanas.            valiosa
te espantado com tudo o que se tinha          Como só regressa aos ecrãs naquela dia
passado à sua volta.                          da semana, parece ter-se concentrado          obra
   Claro que estas “entrevistas” tinham       muito mais na sua postura. Curiosamen-
a actualidade como base. As coisas es-
tavam a acontecer e era bom esclarecê-
                                              te, desvaneceu-se lentamente o ar ex-
                                              cessivo e inquisitório, para dar lugar a
                                                                                            de arte
                                                                                                                           Esta é a reprodução da valiosa obra original
las. Mas… assim? Fiquei com a sensa-          um estilo que mantém a possibilidade de                                      de Zé Penicheiro, alusiva aos 6 distritos da Região
ção de estar perante a recuperação de         um pequeno “à parte” em jeito de roda-       APENAS                          Centro (Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda,
um velho slogan publicitário “OMO (rtp)       pé final, mas sem os ares intempestivos      20 euros POR ANO                Leiria e Viseu) que receberá, gratuitamente,
lava mais branco”.                            de outros tempos.                            - LEIA NA PÁG. 3                quando fizer a assinatura do jornal CENTRO

O Centro - n.º 63 – 03.12.2008

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    DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 63 (II série) 3 a 16 de Dezembro de 2008 1 euro (iva incluído) NO RENOVADO CAMPO DE JOGOS DE SANTA CRUZ (COIMBRA) Sapos-parteiros vencem o mais PÁG. 12 e 13 importante dos desafios São uma espécie em vias de extinção. Uma colónia vive há décadas no Campo de Santa Cruz (Coimbra), onde a boa Um exemplar de sapo-parteiro, assim chamado porque o macho vontade de muitas pessoas se conjugou para que sobrevivessem (como se vê na imagem) carrega os ovos sobre as costas durante e após as profundas obras que ali decorreram JOVEM MÉDICO E PRATICANTE DE TÉNIS DE MESA CONSIDERADO” “PERSONALIDADE DO ANO” PÁG. 3 Campeão de Coimbra só soube pelos jornais!... BISSAYA-BARRETO ANIMAL MILITARES FUTURO DE COIMBRA Fundação Adopte Indignação Júdice com 50 anos um amigo já começou defende tem honrado no Canil a extravasar novas o Patrono Municipal dos quartéis estratégias PÁG. 2 PÁG. 4 e 5 PÁG. 11 PÁG. 14
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    2 NACIONAL 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 SUBLINHOU JOSÉ SÓCRATES EM COIMBRA Fundação Bissaya Barreto reflecte amor à Pátria do fundador O primeiro-ministro José Sócrates feriu José Sócrates, ao intervir na ses- nossa volta”. de doença prolongada, no passado mês afirmou em Coimbra, na passada sema- são de encerramento das comemorações José Sócrates sublinhou que a acção de Julho). na (dia 26) que a obra social desenvolvi- do 50º aniversário da Fundação Bissaya social de Bissaya Barreto, natural da “Será um prémio a atribuir anualmen- da pela Fundação Bissaya Barreto Barreto. Castanheira de Pera, que foi maçon e te e que visa distinguir o mérito daqueles (FBB) nos últimos 50 anos tem a marca O primeiro-ministro salientou que a deputado da Assembleia Constituinte de que nas diferentes áreas de actuação da do “amor aos outros e à Pátria” do seu obra de “amor aos outros” do professor 1911, tornando-se mais tarde amigo do Fundação Bissaya Barreto – educação, patrono. de Medicina Bissaya Barreto, falecido ditador Salazar, evidenciou o seu “amor cultura saúde e solidariedade - se distin- “Essa obra, que não tem parado de em 1974, reflectia o que pensava sobre à educação e ao conhecimento”, além da gam pela excelência”, disse. crescer e se expandir nos últimos anos, a sociedade do seu tempo: “não pode- saúde. Interveio também na sessão o antigo releva do espírito do seu fundador”, re- mos ser felizes com tanta gente infeliz à “Isto não se faz sem amor à Pátria”, presidente da Assembleia da República, acentuou, questionando por que razão António Almeida Santos, na qualidade de essa dedicação à Pátria tem estado afas- Presidente do Grande Conselho da FBB, LIVRO DE PEDRO DIAS REÚNE tada dos discursos políticos em geral. que teve palavras de rasgado elogio para Considerando que a actividade social a obra da Fundação, para Nuno Viegas MELHORES OBRAS DE ARTE DE COIMBRA da FBB merece uma “justa homenagem Nascimento e para a forma como Patrí- nacional”, José Sócrates fez votos para cia Viegas Nascimento tem sabido con- O Claustro da Manga, a Capela do Sa- ção, tendo palavras de homenagem para que “os próximos 50 anos estejam à altu- tinuar a sua obra. cramento da Sé Velha e a Biblioteca Jo- o falecido Presidente Viegas Nascimen- ra dos 50 que passaram”. A cerimónia de encerramento das co- anina são algumas das mais importantes to, e de elogio para a forma como os des- A presidente da Fundação, Patrícia memorações dos 50 anos da instituição, obras de arte da cidade, na opinião de tinos da Fundação continuam a ser diri- Viegas Nascimento, anunciou que a ins- que decorreu no auditório do Campus do Pedro Dias, autor do livro “100 Obras gidos pela actual Presidente. tituição decidiu criar o Prémio Nuno Vi- Conhecimento e da Cidadania, incluiu a de Arte de Coimbra”. Quanto a Predo Dias, eespecialista em egas Nascimento (seu marido e Presi- apresentação da fotobiografia “Bissaya O luxuosos livro foi apresentado em História de Arte, destaca “a modernida- dente do Conselho de Administração da Barreto - Um Homem de Causas” e a sessão realizada no Salão Nobre da Câ- de, do ponto de vista estético”, tendo em Fundação durante mais de duas décadas, abertura de uma exposição alusiva à efe- mara Municipal de Coimbra, com a pre- conta a época, e a “grande carga simbó- até ao seu prematuro falecimento, vítima méride. sença de diversas entidades, entre as lica e erudita” que os três monumentos quais a Presidente da Fundação Bissaya citados no início apresentam. Barreto, Patrícia Viegas Nascimento, que O livro, de 300 páginas, é uma “apre- recordou ter sido aquela obra uma von- ciação pessoal” das “extraordinárias tade se seu marido, Nuno Viegas Nasci- obras” que a cidade possui, disse. mento (falecido no passado mês de Ju- “Coimbra é uma cidade, ao contrário lho), que entendeu ser essa uma forma do que muita gente diz, com uma produ- de legar à cidade uma obra de elevada ção artística extraordinária, particular- qualidade, ao mesmo tempo que enrique- mente ao nível da arquitectura. É uma cia o programa comemorativo dos 50 referência nacional e internacional pelas anos da Fundação Bissaya Barreto e obras que possui”, considerou. prestava homenagem ao seu patrono, Pedro Dias colaborou em projectos de atendendo a que Bissaya Barreto tinha restauro de inúmeros monumentos, en- rara sensibilidade artística e reuniu um tre os quais o Mosteiro de Santa Cruz de conjunto muito valioso de obras de arte. Coimbra, o Palácio da Vila de Sintra e o O Prsidente da Câmara Municipal, Mosteiro dos Jerónimos. Carlos Encarnação, congratulou-se com O primeiro monumento referenciado a qualidade da obra e felicitou a Funda- no livro é o Criptopórtico de Coimbra, importante obra de engenharia romana em Portugal. A mais recente obra pre- sente no livro é a recente Ponte Pedonal Pedro e Inês. O Claustro da Manga (Jardim da Man- Director: Jorge Castilho ga) e a Capela do Sacramento da Sé Ve- (Carteira Profissional n.º 99) lha, realçou, apresentam uma simbolo- gia ligada à religião, associando-se a Fon- Propriedade: Audimprensa NIF: 501 863 109 te da Manga (fonte da vida) à maneira como o Cristianismo se espalhava no Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho mundo e a Capela do Sacramento da Sé ISSN: 1647-0540 Velha à reforma da Igreja após o Concí- lio de Trento. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 O livro, considerou Pedro Dias, é tam- Composição e montagem: Audimprensa bém “uma espécie de agradecimento” à Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra Cidade pela Medalha de Ouro que o au- Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 tor recebeu este ano da autarquia. Mas é ainda, sublinhou o historiador, o cum- e-mail: centro.jornal@gmail.com primento de um compromisso assumido Impressão: CIC - CORAZE com um grande amigo, Nuno Viegas Nas- Oliveira de Azeméis cimento, e uma homenagem à obra por Depósito legal n.º 250930/06 este levada a cabo na Fundação Bissaya Tiragem: 10.000 exemplares Barreto.
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 3 Campeão de Coimbra soube pelo jornal que fora considerado “Personalidade do Ano” Gonçalo Castanheira, jovem médico em 1990 (campeão nacional de inicia- de Coimbra e um dos mais destacados dos), ingressando em 1991 na Alta Com- praticantes de ténis de mesa do País, foi petição e na Selecção Nacional. distinguido como “Personalidade do Ano Em 1999 iníciou funções Associativas de 2008” naquela modalidade, e deveria – Presidente da Direcção da Associa- ter ido receber este justo galardão na ção de Ténis de Mesa de Coimbra, que cerimónia que decorreu no passado dia ainda hoje ocupa, sendo o responsável 20 de Novembro no Casino Estoril. máximo pela modalidade no Distrito de E dizemos deveria porque Gonçalo Coimbra. Castanheira não esteve presente, uma Actualmente é membro da Direcção vez que só tomou conhecimento de que da ACM de Coimbra (presidida pelo esta distinção lhe havia sido atribuída Prof. Norberto Canha), como Director quando, no dia seguinte, leu os jornais!... do Departamento de Desporto. É tam- Ou seja, a Federação Portuguesa de bém Presidente da Direcção da Associa- Ténis de Mesa indigitou-o como “Perso- ção da Juventude Acemista. nalidade do Ano”, mas esqueceu-se de Continua a ser jogador da 1ª Divisão lhe comunicar o facto, pelo que foi pelos Nacional de Ténis de Mesa ao serviço jornais publicados após a cerimónia que da ACM de Coimbra. Gonçalo Castanheira teve a alegria de De salientar que acumula as funções saber-se distinguido, mas também a de- de jogador e dirigente por amor à moda- cepção por não ter estado presente no lidade, uma vez que se licenciou em Casino Estoril para receber o galardão. na Associação Cristã da Mocidade Secção de Ténis de Mesa da ACM, Medicina, estando actualmente a finali- Nascido em Coimbra em Julho de (ACM) de Coimbra em 1985, por inici- ecom o acompanhamento do técnico zar o internato médico para iniciar em 1977, Gonçalo Nuno Coimbra Casta- ativa de seu pai, o advogado José Cas- João Paulo Costa. Janeiro a especialidade de Medicina Le- nheira iniciou a prática da modalidade: tanheira, que é também Director da Conquistou o primeiro título nacional gal em Coimbra. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
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    4 MUNDO ANIMAL 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO” A troco de nada ganhe um grande amigo O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros- muito triste e tremendamente injusto). nas custam uns minutos na deslocação, para aranimal@gmail.com segue uma campanha intitulada “Adop- Aproxima-se a época de Natal, e é sabi- escolher um companheiro (ou companhei- ou consultar o site Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem do como os tempos de crise que se atraves- ra) para a vida, que será sempre fiel e de www.cm-coimbra.pt/741.htm um animal no Canil Municipal”. sam tornam mais complicada a aquisição uma enorme dedicação e em troca apenas Os dias e horas especificamente desti- Trata-se de uma iniciativa muito meritó- de prendas, sobretudo para a miudagem. pede um pouco de atenção e de carinho. nados às adopções são os seguintes: ria, que permite que pessoas que gostam de Ora a verdade é que um cão ou um gato O Canil/Gatil Municipal fica no Campo - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30; animais ali possam ir buscar um fiel compa- é sempre um presente bem recebido, desde do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani- - quintas-feiras, das 10 às 12 horas. nheiro, sem nada pagarem por isso. que a pessoa a quem ele se oferece goste mais esperam, ansiosos, por uma nova casa São muitos os cães (e também alguns de animais, não os encare como um brin- e uma nova família. Na página seguinte publicamos imagens gatos) que esperam que gente com bom quedo ou um objecto e tenha condições mí- Os interessados em obter mais informa- de alguns dos bons aamigos de 4 patas que coração os vá adoptar, tendo como recom- nimas para deles tratar convenientemente. ções podem ligar para o telemóvel 927 441 estão à espera de que alguém queira apro- pensa conquistarem um amigo para toda a Se for o caso, está encontrada uma ex- 888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl veitar todo o carinho que têm para dar. vida, já que estes animais rapidamente se celente forma de dar prendas de Natal de (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do Se gosta de animais, não hesite! Faça feliz adaptam aos seus novos donos (que, para enomre valor (basta ver os preços nas lojas telefone 239 493 200. um destes que esperam por si e não se ar- além do mais, os estarão a poupar a um fim de animais!...), mas que no Canil/Gatil ape- Podem também enviar um e-mail para rependerá! Castração dos gatos Salvador St.Aubyn Mascarenhas Médico Veterinário salvadorvet@gmail.com é fácil e recomendável Hoje vou falar sobre a castração dos recupera a sua actividade normal nesse recem e, durante a época de reprodu- riscos de tumores mamários são gran- gatos e a esterilização das gatas e da mesmo dia. ção, os machos lutam para ganharem demente reduzidos se a esterilização confusão que isto faz na cabeça de mui- A esterilização das gatas consiste na as fêmeas. Essas batalhas causam ocorrer antes do primeiro cio e também ta gente. remoção cirúrgica do útero e dos ovários dentadas e arranhões, principalmente gatas esterilizadas nunca desenvolverão Penso que há uma grande desinfor- do abdómen.Uma área da barriga é depi- na cabeça e nas patas, que frequen- infecções uterinas. mação sobre isso. Algumas pessoas pen- lada. Ambos os ovários e o útero são re- temente se transformam em abcessos Uma gata castrada é muito mais amo- sam que castrar um animal não é bom movidos por uma incisão muito pequena e requerem uma visita ao veterinário. rosa, porque a sua energia já não será para ele, que é uma mutilação, um acto que pode ser de 2 centímetros. A cirurgia é Por vezes, há arranhões nos olhos que constantemente direccionada para a pro- irreversível que o vai tornar num felino muito rápida. Normalmente a gata vai para têm de ser tratados com urgência. cura de um macho. infeliz e de certo modo diminuído. casa ao fim do dia ou no dia seguinte, e Também contraem infecções virais Além de tudo isso, tanto a castra- Contudo, castrar ou esterilizar previ- fica a agir normalmente em dois dias. Trá sem cura e fatais como a leucose fe- ção como a esterilização vão impedir ne muito mais do que evitar crias inde- de ser medicada com antibióticos e anal- lina (que felizmente tem uma vacina) que as gatas fiquem grávidas, por isso sejadas. Ajuda também o seu felino a gésicos por poucos dias. e a sida dos gatos (que não se trans- esses animais nunca produzirão gati- manter-se mais saudável e a viver mais Usualmente recomendamos a castração mite aos humanos), esta sem vacina nhos indesejados que serão abandona- tempo e com mais qualidade. ou esterilização aos seis meses, antes do ainda. Já perdi a conta dos gatos que dos ou mortos por afogamento como é De acordo com as estatísticas da As- gato atingir a sua maturidade sexual,mas vão à clínica e voltam várias vezes usual. sociação dos Hospitais Veterinários nalguns países é incrivelmente comum cas- todos os anos cheios de abcessos e Alguns gatos ganham peso com a Americanos, mais de 80 por cento dos trar os gatos em idades muito precoces, com os donos a resistirem à castra- castração ou com a esterilização. Ani- cães e gatos são castrados ou esteriliza- por vezes às oito semanas. ção, até que um dia é tarde demais, e mais não castrados normalmente têm dos. O que é que eles sabem e que nós Isso porque depois da puberdade, não são poucos os casos. Tenho re- um forte desejo para a cópula e po- não sabemos? aproximadamente aos 6-8 meses de ida- parado que é muito mais fácil conven- dem despender imensa energia na pro- Devo começar por dizer que a cas- de, os gatos desenvolvem um sem nú- cê-los a esterilizarem as fêmeas, mas cura de um parceiro. Sem esse dese- tração dos machos ou esterilização das mero de características comportamen- isso já seria assunto para o Dr. jo o seu gato pode continuar a comer fêmeas dos felinos é o mais simples pro- tais indesejáveis. Tornam-se territoriais, Freud... a mesma quantidade de comida mas cedimento cirúrgico da medicina veteri- começam a marcar o território, muitas As estatísticas indicam que os machos não queima tantas calorias como an- nária. A única preocupação do dono an- vezes dentro de casa, esguichando uri- castrados tendem a viver mais tempo que teriormente, por isso pode engordar se tes da cirurgia é que o gato faça jejum na, que nessa altura, por acção das hor- os machos não castrados. não reduzir a sua ingestão de calorias durante a noite para que a anestesia seja monas, tem um cheiro particularmente A castração reduz enormemente as através de uma dieta adequada ou es- feita num animal com estômago vazio. forte, que é difícil de eliminar. E também possibilidades do gato marcar o territó- timulando exercícios e brincadeiras A castração nos machos é a remoção começam por alargar o seu território fa- rio dentro de casa, arranhar e esguichar onde gaste energia. dos testículos, retirando assim a fonte de zendo passeios cada vez maiores e mais urina nos móveis e nos ângulos das pa- Ninhadas indesejadas contribuem para esperma e também da hormona sexual, distantes da casa, particularmente à noi- redes e logo reduz o stress que isso cau- a existência de excesso populacional de a testosterona, que é responsável pelo te. Por esta razão, muitos dos gatos que sa aos donos, aumentando a possibilida- gatos. Isto é um problema porque os fe- comportamento sexual do gato. Sob anes- são atropelados são gatos não castrados. de do gato ser amado e querido como linos, se deixados à sua vontade, conse- tesia geral, depila-se o escroto. Uma Na época da reprodução ambos, gatos e membro da família. Os gatos castrados guem reproduzir-se em números assom- (que é como eu faço) ou duas pequenas gatas, fazem imenso barulho com os seus continuam a ser territoriais mas em mui- brosos num curto espaço. Para terem incisões são feitas na pele do escroto e vagidos (vocalizações aflitivas que ouvi- to menor escala, reduzindo-se o territó- uma ideia, basta uma ninhada de 4 ga- ambos os testículos são removidos. Nor- mos pelas madrugadas nos nossos telha- rio normalmente ao jardim da casa. tos, sendo dois machos e duas fêmeas, malmente não se dão pontos, em virtude dos). E se o seu gato estiver dentro de A esterilização da gata, por seu lado, ser deixada à vontade para que no prazo do corte ser muito pequeno e fechar ra- casa e cheirar a presença de uma gata elimina por completo o cio, que normal- de um ano dê origem a cerca de cem pidamente em 3 dias. O dono só terá de no cio (o que pode fazer a distância con- mente ocorre várias vezes por ano, e o gatos. não deixar o gato sair para poder vigiá- siderável) não conseguirá dormir enquan- comportamento associado ao cio como Termino dizendo que é dever de qual- lo durante esses 3 dias, e aplicar Betadi- to ele praticar a sua cantoria. miados lancinantes, agitação, rebolar quer proprietário responsável mandar ne na zona da incisão. O gato vai para a O gato inteiro protege o seu terri- constante pelo chão, esguichar urina e esterilizar ou castrar o seu felino – a não casa logo que acordar da anestesia e tório e ataca todos os gatos que apa- lutas com outras gatas pelos machos. Os ser, claro, que zqueria reproduzir gatos.
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 MUNDO ANIMAL 5 A Cookie é uma cadelinha com cerca de 1 ano, de porte pequeno, muito meiga e calminha. Tem a particularidade de ter um olho castanho e outro azul clarinho O SPEEDY é um podengo, estava abandonado e tem 8 meses. É muito brincalhão e muito atento a tudo o que se passa à sua volta O BOB é um Dalmata adulto, com 8 anos, castrado, que foi entregue no canil pelo dono. Como todos os cães entregues no canil pelos donos é um pouco triste. Mas que voltará a alegrar-se quando tiver novo dono O Dominó é um cãozinho doce, de porte pequeno, abandonado pelo dono no Canil, e que provavelmente deve ter sido vítima de maus-tratos, pois está quase sempre triste e escondido. No entanto, é super meigo, e quando ganha confiança com as pessoas é muito brincalhão. Precisa urgentemente de uma família que tenha paciência com ele e que lhe dê muito carinho O TOMMY também foi abandonado é um cão muito engraçado, tem uns olhos muito bonitos e tem cerca de 1 ano de idade O MURPHY tem cerca de 2 anos de idade foi encontrado abandonado e é muito meigo A Flay foi entregue no Canil pela dona. Tem dois bebes muito bonitos e é uma excelente mãe. È também muito meiga e tem um olhar muito doce. È calminha e deve ser uma boa cadela para ter em apartamento Para quem prefere gatos, o Canil/Gatil Municipal tem vários destes felinos à espera de um dono ou uma A Guapa é uma cadelinha muito, muito pequenina, que dona a quem retribuma mimos com um suave ronronar teve bebés e que já foram adoptados. Ela ainda espera O RALPH foi encontrado abandonado e estava muito e muitas marradinhas. que alguém a adopte! È uma ternura, muito meiga e magro, condição que ainda mantêm embora já tenha Esta bonita gata tricolor chama-se Tareca, e é um dos adora saltar para o nosso colo! Cativa qualquer pessoa melhorado. Tem cerca de 2 anos e é muito meigo gatos que esperam por um amigo que os adopte
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    6 INTERNACIONAL 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 Obama quer acabar a guerra no Iraque “de forma responsável” em 16 meses O Presidente eleito norte-america- tiu que vai ouvir o conselho dos mili- Obama comprometeu-se ainda a fa- no, Barack Obama, afirmou que de- tares. zer com que as forças armadas nor- seja retirar as tropas do Iraque em 16 “Penso que 16 meses é um período te-americanas continuem a ser “as meses e que confiou ao futuro secre- acertado. Mas como já disse, muitas mais fortes do Planeta”. tário da Defesa, Robert Gates, a mis- vezes, escutarei as recomendações “Todos partilhamos da convicção de são de acabar a guerra “de forma res- dos meus comandantes”, garantiu. que é preciso continuarmos a ter as ponsável”. “Poderá ser necessário manter uma forças armadas mais fortes do Plane- “Como disse durante a minha cam- força residual para treinar (as forças ta”, por isso, “continuaremos a fazer panha, vou confiar ao secretário da de segurança iraquianas) e proteger os investimentos necessários para re- Defesa (Robert) Gates e às nossas o povo iraquiano”, disse. forçar as nossas forças armadas e forças armadas uma nova missão, as- “Vamos garantir também que temos aumentar as nossas forças terrestres”. sim que assumir funções”, afirmou em os meios e a estratégia necessárias “Estamos igualmente de acordo so- conferência de imprensa realizada an- para vencer a Al-Qaida e os talibãs” bre o facto de o poder das nossas for- teontem, depois de anunciar que man- no Afeganistão, sublinhou o Presiden- ças armadas dever estar aliado à sa- tém no cargo o actual chefe do Pen- te eleito, comprometendo-se a enviar bedoria e ao poder da diplomacia. E tágono. reforços para a zona. comprometemo-nos a reconstruir e a Obama reafirmou que deseja reali- “O Afeganistão é o local onde co- reforçar as alianças no mundo no in- zar a retirada do Iraque de todas as meçou a guerra contra o terrorismo, tuito de defender os interesses e a se- brigadas de combate norte-america- e deve ser o sítio onde acaba”, de- gurança dos Estados Unidos”, afir- nas, no espaço de 16 meses, e garan- Obama quer acabar a guerra no Iraque fendeu. mou. O escudo inox de Ronald Reagan problema. mentos Ofensivos Estratégicos (SALT-1) Fiodor Lukyanov * Instalar os elementos da Defesa Antimís- termina em 2009. sil na Europa Central foi uma decisão unila- Hoje em dia, há nos EUA mais partidári- teral de Washington, tomada sem consultas os influentes de desarmamento nuclear. No «Meus caros compatriotas! Hoje avan- prévias com os seus aliados. A Europa foi entanto, se, ao mesmo tempo, Washington çamos uma iniciativa que promete alterar a simplesmente informada de que os EUA lhe continuar a intensificar a criação do escudo curso da História!». Foi deste modo que fornecerão um escudo antimíssil. A aprova- antimíssil universal, a situação tornar-se-á Ronald Reagan apresentou ao país, na Pri- ção formal do projecto pelos países mem- mais contraditória. Ao conversar sobre a re- mavera de 1983, a SDI (Stratigic Defense bros da NATO ocorreu apenas na cimeira dução dos arsenais nucleares, Moscovo, na Initiative – Iniciativa de Defesa Estratégi- de Bucareste, realizada em Abril de 2008, e verdade, acabará por facilitar a tarefa dos ca), mais conhecida como «a guerra das sob uma fortíssima pressão da administra- EUA de criar este escudo: a possibilidade estrelas». ção norte-americana. de intercepção de mísseis depende directa- Nos 25 anos desde então decorridos, a Entretanto, a Defesa Antimíssil continua mente do seu número. ideia de criar um escudo antimíssil univer- a ser um problema de carácter global. Os Numa palavra, a discussão do problema sal transformou-se do belo sonho num pro- EUA não se cansam de repetir que «um da Defesa Antimíssil deve decorrer num for- jecto geoestratégico, que não pára de en- radar na República Checa e 10 mísseis in- mato internacional. Há uma chance de en- venenar as relações entre Washington e terceptores na Polónia em nada afectam a contrar um interlocutor interessado em Wa- Moscovo. eficácia do poderio nuclear russo». Há mui- O sistema da Defesa Antimíssil pode ser shington logo depois de 20 de Janeiro de Depois da eleição de Barack Obama ta verdade nestas declarações. Mas, colo- um instrumento de estabilidade mundial ape- 2009. Os democratas sempre eram menos para a presidência, os representantes da car assim a questão não passa de uma ma- nas em caso de abranger todos os grandes entusiastas «da guerra das estrelas». Além futura administração norte-americana evi- nha com objectivo de destrair a atenção geral jogadores e formar um espaço comum de disso, a nova administração ver-se-á obri- tam opinar sobre a Defesa Antimíssil. No apenas para um aspecto do problema. segurança. Se um destes jogadores for ex- gada a poupar os recursos. A Casa Branca entanto, a resolução deste problema seria A terceira região posicional da Defesa cluído, por exemplo, a Rússia ou a China, e o Congresso terão que precisar as suas capaz de fornecer uma chave para a solu- Antimíssil não é o fim, mas só o início da surgirá uma fonte de atritos à escala estra- prioridades. ção de toda uma série das contradições es- criação dum sistema antimíssil global. Se- tégica. Os excluídos farão tudo ao seu al- A situação geral no mundo está a evoluir tratégicas existentes. guir-se-ão a quarta região, a quinta região, e cance para abortar esta iniciativa. contra a iniciativa da Defesa Antimíssil. A O tema da Defesa Antimíssil contém, ali- assim por diante. Sem isso, o projecto não A propósito, Ronald Reagan, ao assina- Europa permite-se duvidar das razões apre- ás, uma contradição conceptual: o proble- tem qualquer sentido. Insistir resolutamente lar o carácter defensivo da sua iniciativa, sentadas pelos militares norte-americanos. ma possui um carácter global e exige uma neste projecto, politicamente provocador, só admitia que esta «pode criar certos proble- O Presidente Nicolas Sarkozy muda com solução coordenada, mas desde o início os tem sentido na perspectiva de algo grandio- mas e mesmo uma interpretação dúbia. Se frequência a opinião, dependendo do audi- EUA preferem acções individuais. so, capaz de mudar o curso da História. Isto começar a desenvolver-se a par dos siste- tório. Mas quer ele, quer alguns outros polí- Em 2001, os EUA saíram unilateralmen- é, aquele mesmo escudo antimíssil univer- mas ofensivos, pode ser visto como um es- ticos europeus não são grandes adeptos da te do Tratado de Defesa Antimíssil, assi- sal que defenderá os EUA de todas as ame- tímulo à política agressiva». iniciativa . Na República Checa cresce, de- nado em 1972 e que restringia as acções aças: as iranianas, as chinesas, as russas, as Sem uma solução mutuamente aceitável pois do recente êxito da oposição nas elei- de Washington e Moscovo a duas regiões paquistanesas, etc. do problema da Defesa Antimíssil, dificil- ções, o número de adversários do radar. Na posicionais. O Presidente George W. Bush Ainda não se sabe se o projecto é real- mente haverá conversações construtivas Polónia, para muitos, a Defesa Antimíssil é fundamentou esta decisão, afirmando que mente viável. Mas, se assim for, a situação sobre o controlo de armamentos. A Rússia apenas um assunto secundário, decorrente «para garantir a sua defesa, os EUA pre- estratégica no mundo alterar-se-á radical- por mais de uma vez apelava à administra- do principlal – modernizar o exército com cisavam de liberdade e flexibilidade de ac- mente, pois desaparece o princípio base da ção de George W. Bush no sentido de vol- ajuda financeira dos EUA. ção». Mas a posterior actuação de Wa- estabilidade dos nossos dias – uma destrui- tar à agenda de redução dos arsenais nu- shington neste sentido apenas agravou o ção recíproca garantida. cleares, já que o Tratado sobre os Arma- * in revista A Rússia na Política Global
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 7 Portugueses generosos para o “Banco Alimentar ” A campanha do Banco Alimentar Con- tou Isabel Jonet, Presidente do BA. treferiu Isabel Jonet. A campanha decorreu em estabele- tra a Fome (BA) realizada no último fim- A campanha realizada no sábado e no A distribuição dos alimentos decorrerá cimentos comerciais das zonas de Lis- de-semana em Portugal bateu recordes com domingo em 1.119 superfícies comerciais re- atráves dos 14 bancos alimentares, tendo boa, Porto, Coimbra, Évora, Beja, Avei- a recolha de 1.905 toneladas de alimentos. presentou um aumento de 19 por cento em estes uma acção local. ro, Abrantes, São Miguel, Setúbal, Cova A campanha decorreu em estabelecimen- relação à iniciativa de Dezembro de 2007. “Todos os bens são distribuídos onde são da Beira, Leiria, Fátima, Oeste, Algar- tos comerciais de norte a sul do país e os Segundo Isabel Jonet, tem havido maior recolhidos. Isto permite aproximar quem dá ve, Portalegre e Braga. alimentos recolhidos vão ser distribuídos a receptividade porque as pessoas receiam de quem recebe e sobretudo permite um Até ao próximo domingo, dia 7, continua- partir de terça-feira, através de 1.618 inti- que um dia também elas próprias possam grande controlo sobre os produtos que são rá a iniciativa “Ajuda Vale”, que permite que tuições, com destino a 245 mil pessoas ca- precisar de auxílio. distribuídos”, explicou a presidente do BA. cada pessoa contribua para o Banco Ali- renciadas. “Não se pretende que estes alimentos A campanha deste fim-de-semana con- mentar através de cupões disponíveis em “Isto significa que cerca de 2,5 por cento sejam um fim em si mesmo ou que queiram tou com a colaboração de cerca de vinte lojas, nos quais é identificado o produto doa- da população portuguesa de alguma forma criar dependências. Os alimentos são, con- mil voluntários, o que representa, segundo do e mencionado que se trata de uma en- é ajudada pelos produtos entregues pelos soante o caso e cada pessoa a quem é en- Isabel Jonet, a maior acção de voluntariado trega para os Bancos Alimentares Contra a bancos alimentares contra a fome”, consta- tregue, muitas vezes uma ajuda pontual” - em Portugal. Fome. ponto . por . ponto A “Caixa de Pandora” Por Sertório Pinho Martins as primeiras queixas de clientes à procura pânico se instalar, pode ser um rastilho, por- (fica bem a discrição distanciada, vestida dos seus fundos evaporados. Isto não está que a classe política que temos já mostrou da confiança que já foi) dizer a uma e a As notícias sobre a banca portuguesa que para cardíacos! A procissão ainda vai no que não sabe lidar com ‘serviços de urgên- outro que saiam pelo seu pé, para não em- vivia de milagres de alguns santos com pés adro, e que o diga a responsável pela Ope- cia’: esta crise veio dizer preto-no-branco baraçar quem lhes cobre a retaguarda, e a de barro, vieram para ficar. E ninguém pa- ração Furacão, quando vem a público desa- que os ministros da área económico-finan- coisa pode ficar feia: os professores não rece estar a salvo, com o que já se sabe, bafar que a PJ foi afastada do processo por ceira, depois de todas as gabarolices sobre desarmam na rua, e a esquerda em ascen- mais o que está por saber, e mais o que al- razões anormais. Pudera! o défice, a recessão, as previsões da OCDE são não vai deixar morrer solteira a derro- gum poder instalado vai querer que não se O novelo é tamanho, que agora são (para e os balões vazios que atulham (e entulham) cada do BPN. A passividade de S.Bento e saiba. Miguel Cadilhe, ao apresentar queixa já!) 18 importantes empresas públicas e o Orçamento de 2009, andam desde o início de Belém valerão o risco de uma perda da dos atropelos de gestão no BPN, abriu uma outras instituições do Estado (do Estado!), a reboque dos acontecimentos, sem estra- maioria absoluta e de espaço para um novo ‘caixa de pandora’ cuja dimensão está por que desde 2004 foram ‘ajudadas’ pelo BPN/ tégia, sem sentido de antecipação e – o que mandato presidencial? Só um cego é que avaliar e ele próprio não teve a percepção EFISA em operações que atingem 2,3 mil é mais grave! – sem a noção do tempo exac- não vê! de quantas porcelanas iria partir com os seus milhões de euros. Até engasga que se ande to para mudar as pedras do xadrez que lhes E a chicana vai continuar, porque o PS pés elefantinos: podia ter ‘apenas’ alertado por aí a falar com ligeireza em tantos milha- travam o caminho para o xeque-mate elei- encontrou farta matéria eleitoral no caso o Ministro das Finanças (sairia igualmente res de milhões, depois da guerra acesa que toral a uma oposição que cresce pela es- BPN. O poder judicial já compreendeu que bem na fotografia) e deixava o custo do ter- foi, tão só há alguns meses, o esbanjamento querda do Governo e que nada garante que o segredo é a alma do negócio (Cadilhe pre- ramoto para quem o desencadeasse. Mos- anunciado com o novo aeroporto de Alco- não cresça pelo centro (basta Manuela Fer- feriu o ‘concurso público’ e estendeu-se ao trou nervosismo, inépcia, e disse alto e bom chete e o TGV. Onde isso já vai, depois dos reira Leite dar o palco a um samurai frio e comprido); mas o partido do Governo, o PCP som que não tinha a mínima noção daquilo vinte mil milhões postos aos pés da banca limpo de pecado). E, tal como Cadilhe, há e o BE querem centrar a discussão na As- em que estava a mexer, que não tem faro falida? Ah, e com tanto aval a quem andou mais elefantes a pastar na coutada nacio- sembleia da República, onde mandam calar político, e que numa situação de emergên- a brincar aos offshores, ao desvio fraudu- nal: e Vítor Constâncio é apenas um deles, as minorias e onde a comadrice e as vin- cia nacional não saberá segurar um país – o lento de depósitos (e o que está por saber?!) porventura o mais responsável! ganças políticas vão falar mais alto. E en- que quer dizer também que a sua possibili- e à especulação de pés de barro com o di- Mas a coisa também não está de feição, quanto Maria de Lurdes Rodrigues e Ma- dade de ser candidato a primeiro-ministro, nheiro dos outros, o mesmo Estado ainda mas mesmo nada, para o lado do Governo nuel Dias Loureiro continuarem dentro do numa saída airosa de Manuela Ferreira Lei- teima em manter na agenda as obras de ou de figuras gradas da oposição. Dois exem- barco, Belém e S. Bento dançarão ao sabor te, já foi chão de uvas. E quem lhe voltará a Alcochete e do comboio de alta velocida- plos, entre muitos, que ainda vão fazer cor- das marchas na avenida e do zurzir sem dó confiar pântanos desta dimensão? Felizmen- de??? Bem se vê que o dinheiro continua a rer tinta grossa (a menos que se decidam nem piedade no cavaquismo de cujo ventre te que o homem se lembrou (gato escalda- não ser do Estado, mas do eu-tu-ele-nós- também pela porta dos fundos): Maria de poderiam sair nomes para um governo de do…) de impor ao BPN, antes de aceitar o vós-eles a quem não é dado gritar “alto aí, Lurdes Rodrigues e Manuel Dias Loureiro. amanhã e de certeza a base eleitoral de papel de messias, um PPR de dez milhões. que isso é um assalto!”, e assiste inerme a O que já fizeram e o que não se decidem a Cavaco Silva em 2011. O tempo não vai de Até dói! decisões tomadas por uma vintena de go- fazer para estancar danos colaterais, só tem feição para falhas de marinhagem, e as ‘cai- E aí está também o BPP com os dias de vernantes, mais centena e meia de deputa- um nome: sobrevivência à custa n’importe xas de pandora’ ameaçam multiplicar-se. ‘estado de graça’ contados, a saída discreta dos a ver o seu ganha-pão ir à vida em quais- quoi! Enquanto José Sócrates e Cavaco Quem não se aviar em terra, afunda-se-á de João Rendeiro pela porta dos fundos e quer eleições antecipadas. E daqui até o Silva não mandarem emissários impositivos no primeiro golpe de mar. VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
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    8 OPINIÃO 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 pela ressurreição, no seio da Trindade? - Arriscava-se não apenas a favorecer Factos como Guantánamo não podem , em boa parte a má vontade contra a sem critério famílias em situação desafo- manter-se, nem repetir-se. Os EUA fo- Igreja radicar na sua relação com o sexo. gada como até a dar azo à prática de per- ram indispensáveis em duas guerras mun- Como admitir, por exemplo, mesmo quan- niciosos jogos de computador durante o diais, para dominarem os demónios interi- do a saúde e a própria vida ficam amea- horário escolar, agora que tantos profes- ores dos europeus: continuam a ser indis- çadas, a proibição do preservativo? sores ameaçam com tantos e tão omino- pensáveis para redefinir a governança O que envenenou a relação da Igreja sos tresmalhamentos do serviço. (...) mundial, desta vez ajudando a dominar os com a sexualidade foi o choque entre o demónios interiores do globalismo. (...) poder e o prazer, porque o prazer pode Vasco Graça Moura abalar o poder. DN 26/Novembro/08 Adriano Moreira Concretamente, há a doutrina do pe- DN 25/Novembro/08 cado original, entendido não como o pri- OBAMA (I) meiro de todos os pecados - todos pe- OBAMA (II) cam -, mas como um pecado herdado de (...) É evidente que responder ao con- Adão e transmitido por geração, portan- junto de problemas em que se destacam A magia e o simbolismo da eleição do EDUCAÇÃO to, no acto sexual. o Iraque e o Afeganistão, mas que inclu- Presidente Obama varreram o mundo Depois, com a reforma gregoriana, em por exemplo o Paquistão em crise, como um cometa. O clarão da esperan- A educação é um dos mais interes- século XI, foram-se erguendo as três ou o Irão em crescimento de ambição ça, da vitória contra o racismo, da opor- santes laboratórios da democracia con- colunas sobre as quais assenta, segundo internacional, não é questão para resol- tunidade da paz foi tão intenso que, por temporânea, tanto das suas melhores Hans Küng, o paradigma católico-roma- ver em velocidade de cruzeiro. Não po- momentos, o mundo pareceu reconcilia- ambições como dos seus mais persisten- no: papismo (poder centrado no Papa), dem esperar-se milagres, por muito ca- do consigo mesmo. Foram momentos tes impasses. É por isso necessário e útil, celibatismo (celibato obrigatório por lei paz, eficiente e credível que seja o grupo breves, mas deram para imaginar a uto- para compreender a actual crise do sec- para os padres), marianismo (devoção a de talentos chamados a apoiar a Presi- pia de uma sociedade mais democrática, tor, ter presente alguns parâmetros que Nossa Senhora como compensação). dência. sem preconceitos raciais, centrada na definem o cerne dos seus problemas. Como se determinou que tudo o que se O discurso da mudança conseguiu busca da paz e da justiça social. Como Parâmetros que qualquer política da edu- refere ao sexo é por princípio matéria gra- convencer o eleitorado doméstico, e todas as luzes muito fortes, o clarão ce- cação tem de, reflectida e estrategica- ve e como, por outro lado, não há ninguém muitos governos inevitavelmente envol- gou-nos para a realidade que estava sen- mente, incorporar nas suas propostas e que não tenha pelo menos pensamentos re- nas suas decisões. lacionados com o sexo e só o sacerdote ou O primeiro é o das relações entre a o bispo podem perdoar os pecados, a con- família e a escola. A tradicional cumpli- fissão acabou por tornar-se não um espa- cidade entre a família e a escola esbo- ço de reconciliação e paz, mas tantas ve- roou-se nas últimas décadas, com a pri- zes de opressão, e raramente uma institui- meira a transferir para a segunda as suas ção acabou por deter tanto poder sobre as funções de socialização das crianças e consciências, criando infindos complexos dos jovens. E com esta transformação de culpabilização. Quando se lê os manu- aumentou também a contestação das ais dos confessores e todos aqueles inter- funções mais tradicionais da escola, so- rogatórios inquisitoriais, quase reduzidos ao bretudo em nome dos valores afectivos campo sexual, percebe-se que muitos te- de uma infância e de uma adolescência nham começado a abandonar a Igreja por fortemente idealizadas. Idealização que causa da confissão, considerada ofensiva cresceu em paralelo com a ignorância dos direitos humanos. (...) das efectivas condições de vida infantil e juvenil, marcadas pelo empobrecimen- Anselmo Borges to da sua experiência e do seu ambiente (padre e professor universitário) simbólico. Criou-se assim uma situação DN 29/Novembro/08 complexa, em que as expectativas das famílias e as finalidades da escola ten- “MAGALHÃES” dem a divergir profundamente. (...) Um último ponto, de que se fala me- (...) O esquema é simples. Pega-se nos do que dos anteriores mas que é igual- no Magalhães, entrega-se, filma-se para mente decisivo, é o da formação cultu- a televisão, recolhe-se e leva-se para ral, no sentido lato do termo, dos profes- outro lado. Faz-se uma negaça à oposi- sores. Aqui, é preciso olhar para o esta- ção, poupa-se na aquisição de novas uni- do do nosso ensino universitário, que em dades, reforça-se a capacidade de ex- geral não propicia como devia aos futu- portação para a Venezuela, e assegura- ros professores a solidez do conhecimen- se, numa implícita concessão às vozes to, a autonomia intelectual, o sentido pe- críticas, que os meninos e as meninas fi- dagógico e a abertura ao mundo. carão a aprender muito melhor sem o aparelho. Manuel Maria Carrilho O efeito multiplicador da propaganda DN 29/Novembro/08 é notoriamente acrescido. Na propagan- vidos pelos efeitos directos ou colaterais tada ao lado da imaginação em pose tão da do Governo é que não se pode falar das decisões americanas: à confiança na sedutora. No preciso momento em que IGREJA E SEXUALIDADE em estagnação e também já não é preci- autenticidade dos propósitos tem de cor- o mundo assistia comovido ao discurso so concentrar a informação no desem- responder a paciência de quem não pode de aceitação de Obama, na noite de 4 de No lançamento do livro A Sexualida- prego nos Açores. Chama-se a isto fa- ser dispensado da cooperação e da es- Novembro, uma festa de casamento, no de, a Igreja e a Bioética. 40 anos de zer mais com menos. E reconheçamos pera. O que significa que a restaura- Norte do Afeganistão, era destruída pe- Humanae Vitae, de Miguel Oliveira da que, independentemente de se tratar de ção do crédito moral da Administração los bombardeiros não tripulados dos Silva, procurei reflectir sobre o parado- uma questão de bateria ou de uma qual- americana parece a plataforma a par- EUA, deixando no solo de sangue e rou- xo de, sendo o cristianismo uma religião quer exigência burocrática, seria com- tir da qual a combinação da esperança pa de festa 40 cadáveres. Foi o sexto do corpo - não diz a Bíblia que Deus criou pletamente estúpido e sobretudo desca- e da paciência deverá assegurar a re- casamento destruído assim, desde a in- os seres humanos em corpo e viu que bido em termos de economia nacional e cuperação dos aliados, convencidos de vasão do Iraque. (...) era muito bom e não confessa a fé cristã de opinião pública que o primeiro-minis- que as invocadas ideias do fim da his- que Deus assumiu em Jesus a corporei- tro andasse por aí a entregar-se à dissi- tória não são o corolário de uma su- Boaventura Sousa Santos dade humana e que ela está presente, pação e à liberalidade. premacia militar. Visão
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 OPINIÃO 9 A CRISE Sempre achei que a indignação é um pe- olhares, gestos, o som de um sorriso. (...) cia num ápice. Depois da prisão da ban- dregulho atravessado no caminho da inteli- queira dos pobres, chegou a hora do ban- A crise alastra-se e aprofunda-se em gência. Mas o facto é que ela foi arvorada António Lobo Antunes queiro dos ricos. toda a parte sem ninguém saber, ao certo, em direito e eu sou pró: se a criação de um Visão Embora não se saiba a extensão dos da- onde nos leva e quando será possível ven- direito não vier prejudicar outros mais im- nos causados pela gestão do BPN, a verda- cê-la. Em todo o caso varia e tem contor- portantes, sou sempre a favor. Mas uma CAVACO E A HISTÓRIA de é que os ricos não saíram à rua em ma- nos diferentes de país para país. Relati- coisa é tê-lo e outra usá-lo. O direito à indig- nifestações de pesar e de protesto. Cala- vamente ao Ocidente há grandes diferen- nação deve ser usado com grande e sábia (...) O dr. Cavaco é responsável por muito ram-se. E o Governo com pena dos ricos ças entre os Estados Unidos, epicentro da parcimónia, senão só atrapalha quem o exer- de mau e de mal que incutiu no País. Acaso nacionalizou o BPN e agora vamos nós pa- crise, e a União Europeia. Enquanto os ce. Eu gostaria até de reservá-lo para os por incompetência política e fundas lacunas gar as dezenas de milhares de euros das Estados Unidos se tornaram, após a vitó- seis meses sem democracia. (...) culturais. Podemos acusá-lo de uma série moedas do euro, das colecções de pintura, ria de Barack Obama e do Partido De- Nuno Brederode Santos de amolgadelas na democracia; porém, de das negociatas do banco insular. Mas o mocrático, “a terra onde tudo pode voltar DN 23/Novembro/08 desonestidade, creio que nunca. Governo tem razão, os nossos ricos metem a acontecer”, a Europa continua parali- Há uma coisa assustadora que se exige dó. A maioria deles foi forjada nos mean- sada e sem rumo à vista, não podendo BANCO PORTUGUÊS de nós: conhecermo-nos; por isso, fazemos dros mais escuros da política, cresceu à custa abstrair-se da ameaça de alguma dege- DE NÚPCIAS por esquecê-la. Conhecermo-nos, e manter de um subsídio e do financiamento público, neração. Situação perigosíssima. essa memória, pode ser mau ou bom, mas é sem nunca ter produzido um cêntimo para a A um mês do fim da presidência fran- É impressão minha ou o caso BPN fica sempre perigoso. Sei do que falo. A atonia riqueza do País. E agora que o banqueiro cesa, que não será exagerado dizer que mais enternecedor a cada dia que passa? teve muita parra e pouca uva, e em vés- Tem sido comovente desde o início, mas peras da passagem da presidência para estes últimos episódios foram mais emoci- a República Checa, cheia de preconcei- onantes que o fim de Casablanca. À se- tos e dúvidas quanto ao futuro da União, melhança do que costuma acontecer nas não parece provável que o Tratado de histórias tristes, esta também tem um in- Lisboa seja ratificado pelos 27 Estados válido, como o Tiny Tim, do Dickens. O membros, como se previa há meses. Aliás, caso BPN tem, aliás, vários inválidos, e cu- o Tratado perdeu importância e signifi- riosamente são todos ceguinhos: o Banco cado, devido ao desastre do neoliberalis- de Portugal não viu que havia falcatruas, mo e à perspectiva de se entrar num novo os administradores do banco não repara- ciclo político-económico. Tudo está a ram que o presidente praticava um tipo de mudar aceleradamente. Ora as soluções gestão que a lei, ao que parece, proíbe… para a grande crise passam, obviamen- E agora estamos no ponto em que entra te, por novos caminhos... (...) em cena a injustiça: Oliveira e Costa foi acusado de burla agravada, falsificação de Mário Soares documentos, fraude fiscal e branqueamento DN 25/Novembro/08 de capitais. Quem o acusa de enriqueci- mento ilícito só pode desconhecer o seu ELEIÇÕES desarmante altruísmo. Segundo o Correio da Manhã, em Março deste ano, Oliveira Vivemos o período mais longo sem e Costa divorciou-se da mulher com quem eleições nacionais da democracia. Pas- era casado havia 42 anos, e passou os bens saram mais de mil dias desde as presi- para o nome da senhora. Muito embora o denciais de 22 de Janeiro de 2006, aci- divórcio se tenha realizado por mútuo con- ma do máximo anterior de 916 dias en- sentimento, não deixa de ser admirável que tre as legislativas de 10 de Junho de 1991 um homem premeie a mulher de forma tão e autárquicas de 12 de Dezembro de generosa na hora da separação. Trata-se 1993. Em maioria absoluta, está na altu- do rigoroso oposto do «golpe do baú»: o ra de balanço desta inaudita estabilida- objectivo não é casar para ficar rico, é di- da sociedade portuguesa, o explícito conú- dos ricos foi preso, ficam quietos, escondi- de. O sr. primeiro-ministro declarou há vorciar-se para enriquecer o cônjuge. Que bio entre zonas seculares, antagónicas por dos, à espera da piedade do Estado. pouco não pensar nas consequências um homem tão desprendido dos bens ma- essência, resultou na irremediável fatalida- eleitorais da sua política (Rádio Renas- teriais seja acusado daqueles crimes é sim- de de os dirigentes não estarem à altura das Francisco Moita Flores cença, dia 14, às 13.12), sinal de que não plesmente revoltante. (...) nossas urgências e necessidades. Repug- Correio da Manhã 23/Novembro/08 pensa noutra coisa e a campanha já co- nam-me os dez anos “cavaquistas”, duran- meçou. (...) Ricardo Araújo Pereira te os quais tudo parecia moldado à seme- A ÉTICA DOS JUÍZES João César das Neves Visão lhança do maioral. O que ocorreu nas re- DN 24/Novembro/08 dacções dos jornais, das rádios e das televi- O ‘Compromisso Ético’ que a Asso- SOFRIMENTO sões, com a imposição de uma nova ordem ciação Sindical dos Juízes fez aprovar no DEMOCRACIA que principiava pela substituição das chefi- recente congresso é inepto e insano. Não (...) As pessoas que me lêem como- as e a remoção de jornalistas qualificados, tem qualquer validade jurídico-constitu- “Eu não acredito em reformas, quando vem-me: fiz um livro diferente para cada mas desafectos ou mesmo dissentes - é uma cional ou força para vincular os juízes se está em democracia”: eis a frase que uma delas, com palavras diferentes, do história sórdida, e esquecida por muitos. (...) associados e, por maioria de razão, mui- antecedeu e contextualizou o verdadeiro mesmo jeito que um alfaiate trabalha por to menos os não associados. A ASJP pro- detonador da escandaleira. E este foi: “Até medida, porque a vida de cada um é úni- Baptista-Bastos duziu um documento para o museu le- não sei se a certa altura não é bom haver ca, nunca existiu ninguém antes. As ex- DN 26/Novembro/08 gislativo dos seus arquivos. É um enun- seis meses sem democracia, mete-se tudo periências podem ser parecidas, a ma- ciado de princípios gerais, de vacuida- na ordem e depois então venha a democra- neira de vivê-las diversa: somos mundos A PRISÃO DE BANQUEIROS des e pretensioso nos seus propósitos. cia.” Manuela Ferreira Leite falou estes dez sem fim. Guardo olhos, sorrisos, vozes, Nem como instrumento de auto-regula- segundos e, durante três dias, a balbúrdia dedos que apertaram os meus, uma co- Diziam os jornais este fim-de-semana que ção pode valer, porque os juízes, consti- das indignações chutou para canto os re- munhão indizível. São eu e eu sou elas, fora preso o primeiro banqueiro em Portu- tucionalmente, não se podem auto-regu- mansos da razão. Indignaram-se à esquer- falando para elas, por elas. Tanto sofri- gal. Não é verdade. É o segundo. A primei- lar em matérias que têm que ver com a da com o apelo à suspensão da democra- mento também, algumas alegrias, um ra foi a banqueira do povo, a D. Branca, forma como exercem a profissão. (...) cia. Aproveitou o CDS para também se in- imenso, impartilhável silêncio que dese- que lançou na rua manifestações de milha- dignar um bocadinho. Indignaram-se o se- ja, com toda a força da alma, ser escuta- res de pessoas, atónicas, sem perceberem Rui Rangel cretário-geral e o líder parlamentar do PSD do. Durante os autógrafos oiço muito como um sistema financeiro tão rentável, (juiz-desembargador) com a indignação de todos os indignados. mais do que digo, escuto expressões, tão feito ao jeito dos pobrezinhos, desapare- Correio da Manhã 26/Novembro/08
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    10 CRÓNICA arte em café 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 A OUTRA FACE DO ESPELHO Ortografias… José Henrique Dias* jhrdias@gmail.com Começa a fazer-se tarde. Quero eu dizer que anoitece tão cedo que não chego a prover bem os meus dias da luz que necessito. Já não bastava o que a natureza administra, na sucessão dos dias e das noites, ainda mexem nos relógi- os e tudo fica adulterado. Não posso nem consigo gover- nar-me neste interim do levantar-me e deitar-me, descom- passado daquilo que acho ser chamado de ritmo biológico. Será? Ontem, claro que há sempre um ontem em relação ao dia seguinte, este em que estou… será mesmo que há? Às vezes penso que há uma enorme confusão entre tempo e duração. O Pessoa, pela inteligência de Álvaro de Cam- pos, diz isto de uma maneira curiosa, creio ser assim, Hoje não faço anos. Duro. Não tenho o poema à mão, mas todo o Pessoa anda sempre por dentro da minha cabeça. E verdadeiramente, interessa-me agora confundi-lo na minha ideia de não-tempo em favor da ideia de duração. Quando uso a lupa para tentar ler, amplio quatro vezes a escrita mas confronto-me com a distorção das palavras. Em absoluto. As palavras ondeiam e simplificam-se em le- tras tortuosas que me levam a pensar outras palavras. Quando era pequeno, minha Mãe, às vezes, sentava-se perto de mim na soleira da porta e apontava-me as letras e dizia os nomes. Sempre achei as letras coisas esquisitas. Aqueles desenhos falavam. Sonorizavam a minha cabeça. Largo da Feira antes da destruição da Alta de Coimbra Quando aprendi a palavra Mãe tinha um i. Mãi. E pai tinha um e, Pae. E funcionava tudo na mesma. Havia as duas e Egídio, Políbio Gomes dos Santos, Mário Sacramento, pouso no Gerês. Pois sim, irei, terá dito. Depois o pátio da formas para os dois casos, só que minha Mãe nasceu no Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Álvaro Feijó, ou- casa de S. Miguel de Ceide quando se ouviu o estalido seco século dezanove, e era assim que vinha no velho Morais ou tros mais, aquela casa e aquela rua, Coimbra no sufoco da à espera dos gritos de Ana Plácido. no velho Faria. Experimentem percorrer estes velhos dicio- ditadura mas na respiração dos jovens transgressores. É Quando minha Mãe chamava Carlitos, o i prolongado nários. Uma delícia. Sabem ao tempo dos que antes de nós preciso voltar a eles. Perceber melhor algumas coisas. Sem para o nome durar, brincava por ali perto uma outra Ana. foram construindo o que somos com palavras exactas. Têm preconceitos. Tinha um bibe de riscado cinzento e dois lacinhos brancos o gosto dos velhos jornais das bibliotecas, das hemerotecas, O que me fascinava, ia dizer, na cena daquela rua, era nas trancitas negras. Dava ares de ciganita. Sempre que ensinava-me o meu professor do tempo em que se ensina- Guilherme Lira, aquele estudante que varreu a varapau o jogava a malha e ficava perto, olhava para ela à espera de vam coisas, gazetas em que podemos ver a intensidade das pérfido D. Alexandre de Aguilar e o Airão, criado e mata- um sorriso. Perdemo-nos. Perdemo-nos sempre das coisas grandes ideias que mudaram o mundo e hoje achamos pe- dor contratado para acabarem com o bom do Casimiro de belas que descobrimos, do que amamos, porque a idade quenas coisas, nem sequer pensamos nelas. Bettancourt, suposto plebeu, preferido pela doce Cristina gasta-nos, os dias tornam-se cada vez mais pequenos, a luz Senhor Carlos, são horas de se deitar. Sempre aí nessa de Nelas, parente do fidalgo rejeitado, fugitivos e casados escoa-se nos olhos, Carlitos, anda lanchar. lida com os seus papéis. Ai, ai, o médico já disse que o quer na auspiciosa resolução de amores em O Bem e o Mal Agora já não posso, Mãe, mudou a ortografia nos meus sossegado, não pode… onde embrenhei as verduras de meus anos. olhos, com um e ou com um i, tanto faz, se não posso ler Estou farto de ouvir isto. Senhor Carlos já é tarde, se- Ficam-nos sempre memórias dos lugares e das leituras, para que quero eu lanchar? nhor Carlos toca a levantar, senhor Carlos temos de fazer o mas o Camilo deve ter sido para aqui chamado por causa A cadeira de balanço. Estamos a dançar. Olhos nos olhos. penso, senhor Carlos vamos para a mesa, senhor Carlos daquele dia em que o sábio Gama Pinto lhe disse que não Foi há tanto tempo. O rosto moreno e o lume no olhar. Sem tem de ter cuidado quando come, senhor Carlos sujou a havia nada a fazer. Houve ainda aquela visita de Edmundo muros. Sem estarmos emparedados. Como eu agora. Nes- roupa toda, senhor Carlos não faça, não queira, não pode, Machado, oftalmologista de Aveiro, que lhe aconselhou re- te desconforto de julgarem que me dão tudo. Tão indizivel- não vai… mente só. Tanta gente. Tanta gente a querer cuidar de mim. Eu acho que não me chamo Carlos, porque lhes deu por Nunca saberão nada. Como se um adeus. me chamarem assim? Eu sempre fui Carlitos. Minha Mãe, Porque andam aqui estas bruxas à minha volta, senhor com e ou com i, mas infinitamente minha Mãe, sempre Carlos isto, senhor Carlos aquilo, se começa a fazer-se tar- chamava quando eu andava a brincar no Largo da Feira: de, ia eu a dizer, quando comecei a falar mas sempre me Carliiiitos! Anda lanchar. perco? Sempre no espaço labiríntico da duração. Contrariado largava a malha, media os palmos, fazia uma “Sabe-se a tortura contínua em que vivia por causa dos marca, estou à frente, dá cá, não dou, quem dá e torna a seus padecimentos. Hoje, pelas seis horas da tarde, num tirar ao inferno vai parar, aprazava com os companheiros a momento de desespero…”. Telegrama publicado pelo Sé- continuação para daí a um bocado, corria para o tempo de culo, em 1 de Junho de 1890. uma caneca de café com leite e uma rodela de pão com Carliiiitos! manteiga, agora tens de fazer os deveres, ó Mãe só mais Já estou a ir, Mãe. Queria brincar só mais um um bocadinho, é só acabar o jogo, também é só uma cópia, bocadinho… faço num instante… * Professor universitário Quando pensei que começava a fazer-se tarde, quando estava a pensar no tempo, lembrei-me muito do Camilo. Não costume preocupar-me com as “gralhas” que pos- sam debicar os meus textos. Conto com a inteligência dos Desse mesmo. Do Camilo Castelo Branco. Sempre tive leitores. Mas algumas são especialmente divertidas. Na mi- um grande fascínio por uma cena ali para a rua da minha nha última crónica, o couro cabeludo virou coro cabelu- escola primária, a Rua do Loureiro, quase lá para o pé da- do. O que pode dar para que pensemos naqueles rapazes de quele arco e da casa onde viveu a família Cochofel. O João Liverpool, que viraram a música e os hábitos capilares mas- José Cochofel. Aquela gente do Novo Cancioneiro pas- culinos. Que de resto apareceram, mais coisa menos coisa, sava toda por lá. O Namora, os irmãos Namorado, Joaquim pelo tempo diegético daquela minha estória.
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 11 ATÉ AO PRÓXIMO SÁBADO Junta de Freguesia dos Olivais mostra-se no “Dolce Vita Coimbra” Desde ontem (terça-feira) e até ao próximo sá- guesia) e a projecção de um filme sobre a Fregue- bado (dia 6), a Junta de Freguesia dos Olivais e o sia e a Vida de Santo António. “Dolce Vita Coimbra” associam-se para divulgar O programa para hoje é o seguinte: junto do público uma mostra das múltiplas activi- 16h00 - Aula de Yoga (seniores da Freguesia) dades desenvolvidas, em diversas áreas, pela refe- 17h - Aula de Chi Kung (seniores da Freguesia) rida Junta de Freguesia. 18h - Aula de Dança de Salão O programa completo será divulgado hoje, em 19h - Ilusionismo- Mágico Telmo conferência de imprensa em que participam o Pre- 20h30 - Actuação do Coro de Professores de Coimbra sidente da Junta de Freguesia dos Olivais, Francis- Amanhã (quinta-feira, 4 de Dezembro) co Andrade, e a Directora do “Dolce Vita Coim- 19h30- Actuação do Coro Coral da Casa de Pes- bra”, Solange Rocha. soal dos Hospitais da Universidade de Coimbra De qualquer forma, o “Centro” pode já adiantar Sexta-feira, 5 de Dezembro alguns aspectos do referido programa (que vão des- 20h30- Actuação do Coro “Carlos Seixas” da Câ- de as aulas para seniores até aos coros e espectá- mara Municipal de Coimbra culos de ilusionismo), e que permitem mostrar aos Sábado, 6 de Dezembro milhares de visitantes do centro comercial “Dolce 15h- Exibição das pequenas ginastas do Centro Vita”, o dinamismo e o espírito de serviço da Junta Norton de Matos de Freguesia dos Olivais (a maior de Coimbra e 18h- Danças de Salão da Casa do Pessoal dos uma das maiores do País). Hospitais da Universidade de Coimbra. Assim, ontem já houve aula de Chi Kung e de Enfim, mais uma meritória iniciativa da Junta de Fre- Francisco Andrade Tai Chi (com muitos praticantes seniores da Fre- guesia dos Olivais, que decerto surpreenderá. A indignação dos militares Monteiro Valente - RELAÇÃO POLÍTICO-MILITAR EM CRISE? (Major-General na reforma) conhecer estar informado por aqueles so- blicamente transformadas em grandes re- modo interiorizada que chega a ser vivida bre os problemas socioprofissionais dos formas. “Todos os políticos, eleitos ou no- como realidade, e cultivando um isolamento Há alguns dias atrás, os cidadãos me- militares, acrescentando estarem os mes- meados, têm legitimidade própria, mas a da sociedade institucionalmente e politica- nos atentos às questões militares foram sur- mos em vias de resolução. Curiosamente, o um elevado número falta cultura de Esta- mente alimentado, os militares dos quadros preendidos e sobressaltados com um arti- actual ministro da Defesa Nacional é a do e do sistema internacional ou tem inten- permanentes começaram, entretanto, a to- go publicado em o “Público” pelo general mesma pessoa que em 2004 afirmou que a ções escondidas, evitando assumir respon- mar consciência da degradação do estatuto Loureiro dos Santos, alertando para os “si- relação civil-militar “foi um dos problemas sabilidades claras e, quando o fazem, em da condição militar e das consequências nais preocupantes com origem nos milita- mais bem resolvidos do actual regime”! muitos casos, não as cumprem. Este com- para o seu futuro da transformação ope- res”, de “profunda indignação”, “desde os As reacções dos vários governos peran- portamento é inaceitável para os militares. rada com a profissionalização das For- mais baixos aos mais elevados graus da te os problemas das Forças Armadas têm Se há algo que o bom militar não aceita é a ças Armadas – um novo modelo que ten- hierarquia”, que, “poderá conduzir a actos derá a dispensar bastantes graduados so- de desespero, capazes de gerar consequên- As reacções dos vários governos perante os problemas bretudo nos escalões superiores, frus- cias de gravidade”, e prevenindo os mais das Forças Armadas têm sido sistematicamente as mesmas, trando naturais expectativas de progres- altos responsáveis políticos a lerem “com arrastando indefinidamente as situações, procurando iludir são nas carreiras de muitos deles e exa- atenção os sinais que saem da instituição a realidade com empolgantes discursos de circunstância cerbando tensões internas. militar” e a não insistirem em “pensar que e sucessivos anúncios de profundas reorganizações, “Os militares passaram a desconfiar «acontecimentos (funestos) do passado continuamente adiadas, refugiando-se, habitualmente, dos políticos e a ficar de pé atrás face não voltam a acontecer»”. nos argumentos da autoridade do Estado e da condição militar aos chefes”, escrevia o general Loureiro A reacção do Governo não tardou, re- quando as tensões internas extravasam as paredes dos quartéis dos Santos no “Público”, em 3 Maio de correndo às habituais técnicas da deslegi- 2004, posição então corroborada por timação, da transferência de responsabili- sido sistematicamente as mesmas, arrastan- mentira sistemática” – escreveria alguns António José Telo, historiador e profes- dades e do silêncio, negando ao autor qua- do indefinidamente as situações, procuran- dias depois no Expresso o general Garcia sor civil da Academia Militar, dando con- lidade para representar as Forças Arma- do iludir a realidade com empolgantes dis- Leandro. ta de “um acumular de críticas e mal- das, alegando desconhecer o mal-estar cursos de circunstância e sucessivos anún- Mas, ao longo dos anos, os chefes milita- entendidos entre militares e o poder po- entre os militares e lembrando a estes as cios de profundas reorganizações, continu- res, na sua maioria, também pouco contri- lítico, numa tendência para aumentar”. regras da hierarquia e da disciplina a que amente adiadas, refugiando-se, habitualmen- buíram para reverter a situação, com o imo- Ora, sendo as críticas dos militares em estão obrigados. Porém, confrontado com te, nos argumentos da autoridade do Estado bilismo corporativo em que, por regra, se relação ao poder político uma constante a realidade e amplitude do descontentamen- e da condição militar quando as tensões in- fecharam, o irrealismo de vários projectos na nossa história contemporânea, facil- to de que o artigo fazia eco – do qual as ternas extravasam as paredes dos quartéis. de reorganização e reequipamento, a inde- mente absorvidas numa situação de es- sucessivas manifestações promovidas pe- Nesta matéria, as posições políticas têm al- finição ou incoerência de objectivos de pla- tabilidade, com alguma frequência aca- las associações profissionais também não ternado entre o discurso laudatório, mais ca- neamento e da acção de comando, as ilusó- baram por desembocar em rupturas de deixavam já quaisquer dúvidas –, com as racterístico dos governos de direita, e a ati- rias expectativas que alimentaram junto dos regime quando à agitação nos quartéis consequências negativas do enfraqueci- tude displicente que tem marcado sobretu- subordinados e a relação difícil que manti- se associou uma crise nacional grave. E mento da autoridade dos chefes dos esta- do a postura dos socialistas, num e noutro veram com o poder político, tendo sido ra- nem sempre as rupturas foram no mes- dos-maiores e com o reconhecido prestí- caso à mistura com muito desconhecimen- ros os que não terminaram o mandato em mo sentido que em 25 de Abril de 1974! gio do general Loureiro dos Santos, o mi- to e muita falta de visão estratégica, limitan- situação de conflito com o mesmo. Absor- Continuará, no futuro, a União Europeia nistro da Defesa Nacional acabaria por re- do-se, por regra, a mudanças mínimas, pu- vidos numa aparência profissional de tal a ser o «guarda-chuva da democracia»?
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    12 REPORTAGEM 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 UM CASO EXEMPLAR EM QUE VÁRIAS ENTIDADES CONJUGARAM ESFORÇ Sapos-parteiros vencem des no renovado Campo de Sant existem várias populações dos sapos- Ao cabo de alguns anos, as obras no velho Campo de Santa Cruz terminaram no Verão passado, parteiro. Mas se já em 1997 a tendência tendo surgido um novo campo, com vistosa relva e modernas infra-estruturas, inaugurado era de regressão acentuada, a situação com pompa e circunstância. Longe ficaram os tempos do terreno “pelado” em que se viveram alguns momentos históricos da Académica, onde treinaram muitos dos “craques” que na Briosa jogaram agora será bastante pior: em alguns paí- ao longo dos anos, mas que serviu também como local de lazer para largos milhares de jovens de sucessivas ses estão praticamente extintos. Esta gerações, que ali iam divertir-se com a prática do futebol e de outros desportos. questão do declínio a que estamos a as- O que a maior parte das pessoas desconhecerá é que um dos mais complexos problemas desta obra sistir acaba por só poder ser travada, foi a preservação de uma preciosa colónia de sapos-parteiros, uma espécie em vias de extinção, apesar de ser um problema global, com que sobreviveu graças a um trabalho de cooperação de uma equipa multidisciplinar e ao exemplar cuidado de actos locais, como nós tentámos fazer todos quantos estiveram envolvidos nas obras, desde os técnicos aos operários da construtora Ramos Catarino, aqui no Campo de Santa Cruz. Nós em passando por biólogos muito empenhados no estudo e preservação desta e de outras espécies. Portugal temos condições muito especi- O “Centro” foi ouvir dois elementos dessa equipa, os biólogos Maria José Castro e José Miguel Oliveira, ais, se comparadas com as da Alema- que nos desvendam alguns aspectos curiosos dessa bem sucedida operação que permitiu salvar os sapos-parteiros nha ou com outros países da Europa Central. Nnão é porque nos preocupe- Começámos por tentar satisfazer a que até ao início do séc. XIX esta zona mos mais com o ambiente, é porque não curiosidade da maioria das pessoas: po de futebol, por ser a única zona que tinha muita vegetação. Mas a partir des- assistimos a um tão acelerado desenvol- Como é que os sapos-parteiros manteve água à superfície. sa altura, com a urbanização, o Parqude vimento económico do país, pois aqui a surgiram no Campo de Santa Cruz? Registe-se que houve observações de de Santa Cruz acabou por ser uma “ilha industrialização foi mais lenta. Mas ago- Eis a resposta dos biólogos: sapos-parteiros noutro local de Coimbra, verde” entre as casas. Assim, provavel- ra, em Portugal anada a fazer-se a cons- “A pergunta deve ser colocada ao na Av. Elísio de Moura, porque lá tam- mente, os sapos que existiam na cidade trução de estradas, a drenagem, a entu- contrário: como é que o campo de Santa bém passava água. Mas com o avanço foram desaparecendo, ficando esta pe- bar as linhas de água, portanto qualquer Aspecto do Campo de Santa Cruz antes e depois das obras sítio onde se construa uma urbanização, Cruz surgiu no habitat dos sapos? Eles da urbanização desapareceram”. quena população isolada neste Parque. uma linha de água, em vez de se fazer a já deveriam existir no Jardim da Sereia e Depois, dentro do próprio Parque de San- valorização dessa linha de água – que é um pouco por toda esta zona da Alta de ta Cruz, esta população acabou por ficar NO PORTO um sítio onde muitos anfíbios de repro- Coimbra, antes da urbanização. Sabemos isolada, curiosamente, na área do cam- JÁ SE EXTINGUIRAM duzem, onde as aves vão buscar água TAL COMO EM OUTROS ou alimento –, a tendência é fazer ater- LOCAIS DO MUNDO ros, e a linha de água desaparece com- pletamente de um dia para o outro. Ou Mas existem noutras zonas de então as famosas manilhas, para facili- Portugal e em outros países? tar as passagem das pessoas, muitas “No Porto havia uma população de vezes sem qualquer necessidade de fa- sapos-parteiros no parque urbano, mas zer isso, pois podia perfeitamente cons- que acabou por se extinguir. É um pouco truir-se uma ponte ou ter-se o cuidado o que se está a passar em todos os lo- de manter a ribeira, pois estamos a falar cais onde ainda existem – e isso é preo- de um recurso muito importante que é a cupante. Os sítios onde os sapos-partei- água. E não é só para os anfíbios! Mas o ros vivem requerem algumas condições facto de estes estarem a desaparecer particulares de humidade e de boa quali- indica que nós estamos a fazer algo que dade da água. Ora essas condições têm é errado! O seu desaparecimento é um vindo a desaparecer por vários factores, sinal, é um indicador de que as coisas como a destruição do habitat, as altera- estão a correr muito mal. E é isso que ções da humidade, a drenagem da água estamos a assistir a nível mundial, ao – e este é o problema principal. A ten- chamado declínio global dos anfíbios. dência desta espécie, mesmo em outros Isso prova que não estamos a saber li- O Presidente da AAC, André Oliveira, o Secretário de Estado Laurentino Dias, o Governador Civil de Coimbra, Henrique Fernandes, e o Reitor da Universidade países, é a extinção. Em Espanha, Fran- dar com os recursos dos habitats. Ora, de Coimbra, Seabra Santos, na cerimónia de inauguração do renovado Campo ça, em alguns países da Europa Central, na maioria dos casos seria possível com-
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 REPORTAGEM 13 ÇOS PARA PRESERVAR ESPÉCIE EM VIAS DE EXTINÇÃO safio da sobrevivência ta Cruz da reprodução eles têm a tendência de tar um projecto de arquitectura qque fora exemplo, a obra do metro de superfície voltar ao sítio onde nasceram. Não mu- elaborado antes de se detectar a exis- que está anunciada. A qualidade da água dámos a população toda até porque, tência, naquele local, da importante po- também não pode ser afectada. Deve como salvaguarda, fomos aconselhados pulação dos sapos-parteiros. Assim, foi dizer-se que a Associação Académica de por outros investigadores a não o fazer necessário trabalhar com uma equipa de Coimbra tem agora um campo de fute- porque o local artificial podia não ser bom arquitectos paisagistas para se fazer a bol idêntico ao que tinha antes, mas em para eles”. ligação com os arquitectos responsáveis termos de manutenção, a limpeza das do projecto para pormenores como, por valas é fundamental. Se não houver lim- EXEMPLAR COLABORAÇÃO exemplo, a manutenção de valas, a pre- peza das valas o campo vai inundar e DE TODOS OS ENVOLVIDOS servação de uma mina de água. Essa isso é também prejudicial para os ani- NAS OBRAS DO CAMPO cooperação foi essencial”. mais. Deve fazer-se uma manutenção Os biólogos sublinham depois um semelhante à que existia com o Sr Frei- facto exemplar – e, infelizmente, raro ESTRUTURAS ARTIFICIAIS xo, o antigo responsável do campo, que na maior parte das obras: CRIADAS PARA ACOLHER desempenhou, ao longo de muitos anos, “A colaboração e a sensibilidade da OS SAPOS um notável trabalho que muitas vezes é direcção da obra foram cruciais na pre- esquecido”. Os biólogos Maria José Castro Que tipo de estruturas foram cri- Não é possível criar novas colóni- e José Miguel Oliveira adas, no âmbito das obras, para pro- as desta espécie de sapos noutros patibilizar as habitações das pessoas, ou tecção da colónia dos sapos? locais da Região onde possam estar outro tipo de infra-estruturas, e manter “Criou-se uma mina artificial, o perfil mais protegidos? as linhas de água em bom estado. Mas da vala também foi estudado, a sua incli- “Para isso teria de se saber em que lo- não, resolve-se tudo a colocar manilhas, nação e a ligação entre a vala e o pró- cais eles existiram e por que é que daí desa- em vez de deixar a água correr a céu prio campo. Para evitar que os animais pareceram. Teria de se fazer um estudo e aberto”. fossem para a área do campo, coloca- depois decidir-se uma reintrodução, feita ram-se lajes, também para os sapos não com os devidos cuidados. Isso implicaria um COIMBRA VOLTOU A SER se afogarem e se defenderem dos pre- estudo ao longo de vários anos, que acaba UMA LIÇÃO EXEMPLAR dadores. Tivemos de garantir que os ani- também por estar dependente do financia- Que medidas foram tomadas aqui mais se pudessem movimentar por todo mento, que é essencial. Não é possível sim- em Coimbra para preservar a coló- o lado, estávamos sempre a ver se exis- plesmente pegar nas espécies e colocá-las nia dos sapos enquanto decorriam as tiam obstáculos ou armadilhas, como noutro sítio, até porque estas estão potegi- obras do Campo de Sanra Cruz? buracos onde eles caíssem e não conse- das por lei. Este tipo de trabalhos carece “É uma história muito longa. Antes das guissem sair. Mas o maior desafio foi obras começarem, durante um ano e tal, manter a linha de água e isso devemos Alytes obstetricans é a designação fizemos um estudo bastante pormenori- científica do sapo-parteiro principalmente ao director de obra, que zado da população dos sapos-parteiros, fez um esforço excepcional, e também para perceber onde viviam, qual a sua servação destes animais. Muitas vezes ao engenheiro geólogo.” actividade, onde é que se reproduziam, eram os próprios trabalhadores que se quais eram as condições básicas essen- preocupavam com os animais, isto é, “COLÓNIA” DE SANTA CRUZ quando necessitavam de intervir na linha COM CERCA DE 1.500 SAPOS de água, eles criavam outra linha de água e chegaram a mudar eles próprios os Quantos sapos existiam no Cam- animais. As linhas de água estavam si- po de Sanra Cruz antes das obras e nalizadas, sendo que não podiam passar quantos ali vivem agora? O sapo-parteiro carregando os ovos, máquinas em determinados locais. Fo- “No início e no fim das obras foi feito numa curiosa prática que justifica ram sendo criadas linhas de água e lo- um recenseamento. Antes das obras con- o nome dado a esta espécie cais de refúgio no próprio campo, para tabilizámos uma população de cerca de que os sapos pudessem utilizar esses sí- 1.500 sapos-parteiros. Houve um decrés- sempre de uma licença por parte das enti- tios. Andámos constantemente com os cimo da colónia durante as obras, mas dades competentes, neste caso o ICN (Ins- trabalhadores da obra, com o empreitei- depois recuperado. O número que regis- tituto de Conservação da Natureza), e está Um dos girinos nascidos no Campo de Santa Cruz que asseguram ro, com o director de obra, a transportar támos após as obras foi de cerca de dependente de financiamentos. Mas os cus- a sobrevivência da espécie os animais de um lado para o outro e isso 1.200, mas a tendência é para que a po- tos são muito elevados, como sucede tam- ciais para eles se manterem no local. foi essencial para que os sapos não fos- pulação volte aos níveis anteriores”. bém, por exmplo, com o lince-ibérico, que Ainda antes do início das obras, tivemos sem muito afectados. A equipa multidis- está em cativeiro e está a ser reintroduzido. de os tirar, em 2003, do campo de Santa ciplinar envolvida no processo foi igual- ESFORÇO O mais fácil é evitar que as populações de- mente fundamental, pois durante as obras sapareçam. É mais barato manter e preser- Cruz. A nossa preocupação foi transfe- PARA PRESERVAÇÃO rir aquela colónia de sapos para outro era importante que não houvesse um var do que reintroduzir, até porque em ter- TEM DE PROSSEGUIR mos de sucesso também é mais fácil man- sítio, colocando-os fora do campo de jo- grande impacto sobre os sapos adultos e gos, mas ali perto, no Parque de Santa sobre os girinos. Daí a preocupação de ter os animais onde eles existem.” Quais os riscos que podem correr Um comentário bem avisado, que Cruz. Mas foi uma tarefa muito compli- se andar sempre a criar linhas de água e os sapos no seu novo habitat? se espera encontre eco junto de to- cada, porque tivemos de criar uma linha refúgios para aqueles que estavam lá vi- “O desaparecimento da água, se for dos quantos podem contribuir para de água artificial, com locais para refú- vos. Foi um trabalho complexo, pois os feita alguma intervenção que impeça que a preservação das espécies. gio, numa zona vedada, porque na altura responsáveis da obra tinham de execu- a água venha para o campo – como, por
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    14 COIMBRA 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 “COIMBRA VISTA DE FORA” POR INICIATIVA DO “CONSELHO DA CIDADE” José Miguel Júdice fez algumas críticas e deixou muitas sugestões e optimismo José Miguel Júdice esteve em Coim- há capitalidade sem massa crítica”, su- bra na passada semana, para abrir uma blinhou); criar a Marca Coimbra; articu- iniciativa do “Conselho da Cidade” inti- lar com capitais sub-regionais (Aveiro, tulada “Coimbra Vista de Fora”. Águeda/Mealhada, Viseu, Guarda, Pom- A sessão decorreu na ACIC, tendo o bal, Leiria, Tomar) com base numa es- Presidente do Conselho da Cidade, José tratégia a médio prazo e estruturada de Dias, saudado o convidado e explicado forma profissional, como missão das for- em que consiste esta realização, que visa ças sociais conimbricenses. que personalidades que vivem fora de Coimbra possam ter uma visão mais FUSÃO DE UNIVERSIDADES abrangente e mais objectiva sobre o de- FOI “UMA PROVOCAÇÃO” clínio da cidade, trazendo propostas e De seguida, José Miguel Júdice vol- sugestões para inverter essa tendência. tou a falar da Universidade, defendendo José Miguel Júdice sublinhou, a dado que Coimbra tem de “investir numa Uni- passo, que no “no Mundo moderno as versidade de excelência como alavanca Cidades são como as empresas: preci- essencial da relação interactiva entre sam de ter uma estratégia, um plano de village et chateau”, e que seria desejá- negócios, recursos e métodos”. E justifi- vel transformar esta região (nomeada- cou: mente Coimbra e Aveiro) “na capital do “Coimbra tem um problema estratégi- ensino universitário tecnológico, cultural, co. Como acontece com os impérios de- turístico, ambiental e das energias”. pois da descolonização, com os Estados Acrescentou, sublinhando que o fazia depois das privatizações, com as Famíli- como “uma provocação”, que até se po- as depois da saída dos filhos de casa. deria encarar uma eventual fusão entre as Novos caminhos e novos modelos de or- duas Universidades. Mais adiante, no de- ganização têm de ser encontrados”. bate, especificou que com isso pretendia Referiu depois que seria totalmente dizer que deveria haver o aproveitamento errado continuar a mesma estratégia que de sinergias entre as duas Universidades, seguiu até aqui, depois da realidade se e até outras, de molde a concretizar, por ter alterado. E explicitou alguns aspec- exemplo, doutoramentos conjuntos. tos: Defendeu ainda a necessidade de “re- “Coimbra era a Cidade Universitária, centração de matéria cinzenta, grande mal valorizada”, para sublinhar: forçar a investigação científica aplicada, a incubadora das elites, o centro do nos- qualidade de prestadores de serviços de “Coimbra é a Cidade portuguesa com a incubação de empresas e a transfe- so (pequeno) universo, a “Lusa Atenas”. nível universitário, estruturas de descen- maior potencial (para além de Lisboa e rência de tecnologias da Universidade Era essa a estratégia. Resultou durante tralização estatal, centralidade em Por- Porto) para ser um activo centro de tu- para o tecido empresarial” e de “dar ao séculos. Com algum prejuízo para Portu- tugal, tradições, monumentos, paisagens rismo cultural e de eventos. O Turismo Turismo a característica de segunda pri- gal (monopólios são sempre a prazo ne- e realidades ambientais favoráveis. estará no futuro de Coimbra, como a oridade no modelo de negócio, após a gativos). Ora a verdade é que há déca- Nenhuma outra Cidade, entre Lisboa Universidade esteve no seu passado. Universidade virada para a Cidade”. das que – sem prejuízo da excelência de e Porto, pode aspirar a competir com Para isso é necessário que entre a Uni- Reforçou também a necessidade de Co- alguma universidade – deixou de ser tudo Coimbra... se esta lutar, não tiver refle- versidade e o Turismo haja uma fusão imbra “criar infra-estruturas turísticas isso. A proliferação das Universidades, a xos de velha fidalguia arruinada, se não de interesses. Coimbra tem de ter um (Centro de Congressos) e eventos cul- desvalorização social do saber, entre ou- for arrogante”. rendimento superior ao seu produto. turais potenciadores da geração de pú- tros factores, criou uma situação de ris- E acrescentou: Deve ser um magneto para consumo. A blicos e de turistas motivados que aqui co: Coimbra pode tornar-se numa Cida- “Coimbra tem tudo a ganhar com a aposta no turismo é essencial para tal afluam em épocas especiais (festivais de de de segunda linha com uma Universi- descentralização política. Deve liderar o efeito. A Universidade deve continuar a música clássica, cinema, jazz, fado, tea- dade regional”. movimento pela regionalização, pela cri- ser uma aposta decisiva. Aproveitando tro, artes plásticas, fotografia) em Co- E continuou: ação de uma Região Centro, pela cen- Bolonha para manter o (agora) inevitá- imbra e sua Área Metropolitana, bem “Uma forma de reagir a isso seria ten- tralidade regional, A regionalização é o vel ensino de massas e potenciar o ensi- como criar grupos artísticos profissionais tar que Coimbra mantivesse o paradig- futuro de Coimbra. Para isso tem de li- no de elites”. E apontou como exemplo, e dar-lhe apoio por objectivos. Defen- ma de uma cidade universitária apenas. derar a Região Centro”. que o modelo de Coimbra deveria ser a deu ainda que se deveria “potenciar os Tentarmos que fosse a Oxford de Portu- José Miguel Júdice (que nasceu e es- Universidade de Boston, com áreas de espaços museológicos em Coimbra e gal. Mas o “modelo de negócio” da sua tudou em Coimbra, onde chegou a dar excelência. arredores (Universidade, Machado de Universidade destruiu essa possibilidade, aulas na Faculdade de Direito), reconhe- Castro, Santa Clara-Velha, Santa Clara- em que aliás eu não acredito muito. Pros- ceu depois que “o maior activo de Coim- DEFESA Nova, Quinta das Lágrimas, Igrejas, seguir por essa via viabiliza uma cidade bra é a sua Universidade, mas tem de DA REGIONALIZAÇÃO etc)” bem como apostar no turismo cul- de província, com alguma qualidade de ser um activo produtivo”. tural, no turismo religioso, ambiental e de vida, mas que perde influência e poder, Assim, considerou que “tem um po- Prosseguindo a sua intervenção, Júdi- natureza, mas também no turismo des- que não gera elites e que não fixa talen- tencial grande para gerar indústrias do ce aludiu ao que classificou como “o portivo e no gastronómico, no turismo de to. Já é tarde para esta opção”. Século XXI ligadas às tecnologias da in- modelo de negócio de Coimbra”, e saúde e no turismo jovem, bem como O advogado e empresário passou en- formação, ao ambiente, às energias lim- que assentaria nas seguintes bases: articular a acção, em termos de política tão a aludir ao que considera ser “Uma pas (agua, sol e vento), à cultura e ao criar um consenso político interno favo- turística, com as cidades vizinhas”. estratégia para Coimbra”, dizendo: turismo”. rável à criação da Região Centro; lide- Seguiu-se animado debate, tendo José “Coimbra tem algumas vantagens e José Miguel Júdice centrou-se neste rar o movimento da regionalização a ní- Miguel Júdice afirmado, na intervenção factores diferenciadores: uma Universi- sector do turismo, que classificou como vel nacional; criar uma forte Área Me- final, que saía muito mais optimista rela- dade com excelência, uma elevada con- “uma indústria mal vista, mal amada e tropolitana, com políticas activas (“não tivamente ao futuro de Coimbra.
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 EDUCAÇÃO/ENSINO 15 Ministra satisfeita com apoio do Governo e da JS A Ministra da Educação admitiu no pas- afirmando que “nunca lhe faltou apoio das lista, à margem da reunião que teve com a sado domingo (dia 30) ser “muito impor- estruturas do Partido Socialista. Ministra da Educação. tante” o apoio que recebeu na véspera No final do encontro, Maria de Lurdes “Houve problemas de informação” e “há (sábado) do Governo de Sócrates e nes- Rodrigues disse aos jornalistas que foi feita muita desinformação”, admitiu Duarte Cor- se mesmo dia da Juventude Socialista uma “clarificação” sobre o Estatuto do Alu- deiro, mas a partir desta semana a JS vai às (JS), em Faro, e revelou estar “tranquila” no e acrescentou que o passo seguinte é escolas e vai ajudar os estudantes a perce- sobre a greve dos professores agendada informar e divulgar sobre a política e as ber quais são os seus direitos. para hoje (quarta-feira). medidas tomadas pelo Governo sobre esse “Vamos distribuir um flyer onde diz tu “É muito importante. É muito importan- assunto. estás em primeiro lugar e explica de uma te”, insistiu Maria de Lurdes Rodrigues, ao “Sem prejudicar a autonomia das esco- ponta à outra o Estatuto do Aluno”, nomea- início da tarde de domingo, em Faro, à saída las na aplicação e na transposição para os damente sobre a prova de recuperação e de uma reunião da Comissão Nacional da regulamentos internos, é necessário ter al- as consequências, mencionou. Juventude Socialista, onde cerca de 100 ele- guma vigilância e alguma intervenção no Sobre a questão da suspensão da mentos da JS debateram o tema da Política sentido de que aquilo que é o espírito da lei avaliação dos professores, a JS apoia Educativa, com especial enfoque para o se cumpra. Porque o objectivo não é pena- a Ministra. Estatuto do Aluno. lizar os alunos quando as faltas não sejam “Parar a avaliação não é uma alternati- Maria de Lurdes Rodrigues escusou-se da sua responsabilidade”, disse a ministra va. Houve um passo da parte do Ministério, comentar a hipótese de ainda haver acordo da Educação. que apresentou uma proposta inicial de ne- com os sindicatos antes da greve nacional A clarificação e a divulgação do Estatuto gociação aos professores, mas da parte dos marcada para hoje (quarta-feira), mas dis- do Aluno vai ser feita em forma de desdo- professores não houve ainda uma resposta se estar tranquila. brável, distribuído já na próxima semana às em relação a isto”, lamentou Duarte Cor- “Estou sempre tranquila. Uma coisa que escolas, garantiu, por seu turno, Duarte Cor- deiro, referindo que ouviu uma Ministra dis- me caracteriza é a tranquilidade”, referiu, deiro, secretário-geral da Juventude Socia- ponível para simplificar. Coitados de nós osmose com José Sócrates. Na democracia de José Sócrates, os tra- Penso mesmo que ambos acham de balhadores são perigosos e o fundamental é muito mau tom esta coisa da democra- dividi-los: uns contra os outros, chefias con- Isabel Dias * cia; pressinto uma comum tendência tra chefias, classes profissionais contra a bcbg no ideário de MFL, nos fatos Bi- população em geral. Na democracia de José Há duas personalidades públicas de jan de José Sócrates e nalguns dos seus Sócrates, divide-se para melhor governar e quem tenho particular pena: o treinador do esgares agastados. coisas tão simples como direitos iguais para Sporting e Manuela Ferreira Leite (MFL). Há algum tempo, um senhor, de seu nome funções iguais não existem. A liberdade, a A razão desse sentimento é, paradoxal- Salazar, permitia a crítica controlada de leis igualdade e a fraternidade são-lhe estranhos mente, semelhante. No caso de Paulo Ben- e políticas, se tal servisse para preparar a – também já cá andavam desde 1789 e co- to, o sentimento advém do ar perdido a cada opinião pública para as reformas. Defendia meçam a ser ideais incompatíveis com ou- nova derrota, que me leva a desejar, embo- a liberdade, mas considerava que a liberda- tras revoluções... ra não goste de futebol, que o Sporting ga- de de pensamento deveria ser regulada e O único anseio passadista é o de que a nhe; quanto a MFL, é fácil, de cada vez que que a censura impediria a perversão da opi- democracia se realize apenas em salões a vejo sinto a empatia que nos invade quan- nião pública, defendendo-a dos factores que aristocráticos, no conforto da alta burguesia do vemos alguém incumbido de uma mis- a desorientassem contra a verdade, a justi- e da fina-flor social, uma democracia sem são que, para além de ingrata, é impossível. ça, a moral, a boa administração e o bem este cheiro a povo, uma democracia sem Coitada, pedem-lhe oposição, mas como comum. O mesmo senhor determinava o gritos nas ruas a recusar o absurdo. opor-se a algo que apoia? Pedem-lhe críti- que era justo, o que era moral, o que era boa MFL teve uma ideia brilhante, os seus cas às políticas governamentais, mas como, administração e o que era bem comum, sob apoiantes e os de José Sócrates é que ain- se correspondem aos seus mais secretos an- pretexto de que só ele tudo via à luz do inte- da não perceberam: acaba-se de vez com seios? Pedem-lhe alternativa. Mas a quem resse de todos. a democracia e pronto! Depois, como já e a quê, se a identificação é perfeita? Não duvido de que José Sócrates acha não há democracia, deixa de fazer senti- Conheço até alguns simpatizantes do muita graça a esta filosofia política e de que do haver um partido social democrata – PSD que também me enchem de compai- estes princípios lhe são úteis para justificar PSD – e passa a haver apenas um parti- xão, coitados. Têm a sensação de que não muitos dos seus tiques autoritários; para do social – PS –, igual ao outro, o tal que têm líder, de que nada sobrou da diferença impedir a polícia de fornecer números, quan- era socialista. Dois PS num só represen- com o PS e, pior que tudo, recusam, estoi- do os mesmos lhe resultam insuportáveis; tam uma poupança fenomenal em cam- camente, assumir que as duas proposições para apresentar as manifestações como panhas eleitorais e em serviços de saúde são verdadeiras: nem têm líder, nem são di- chantagem; para justificar uma propaganda – sim, que conheço muitos simpatizantes ferentes do PS, porque os líderes do PS e comparável à das ditaduras; para criar aper- do PSD e do PS que já só se livram das do PSD são almas gémeas. tadíssimos sistemas de controlo e estreitas angústias recorrendo ao sistema nacional Desconfio mesmo que estas afinidades interdependências. de saúde... electivas vão mais longe e que o famoso Os trabalhadores estão no mesmo pla- Por outro lado, para mim, é óptimo. Dei- exercício que MFL fez ao supor como tudo no? Hierarquize-se! Os presidentes são elei- xo de ir ao médico tratar a insónia que a seria mais fácil se não houvesse democra- tos pelos seus pares profissionais? Externa- missão impossível de MFL me causa, passo cia durante uns meses (como é difícil fazer lize-se! Não obedecem porque lhes é im- a só ter pena de Paulo Bento, durmo me- reformas a sério em pouco tempo, uns ani- possível implementar certas políticas? Os lhor, pago menos impostos – que baixam tos é que davam um jeitão) e ao defender directores que avaliem! Os directores não graças à tal poupança – e, com esse dinhei- que não deveriam ser os jornalistas a esco- concordam com a tutela? Naaa... não vale rito extra, filio-me no Sporting. lher as notícias, resulta de uma estranha a pena perder tempo com utopias! * Professora e dirigente do SPRC
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    16 SAÚDE 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 Investigadores de Coimbra criam “robô dentista” para tornar implantes mais baratos e resistentes Uma equipa de investigadores de Co- versidade de Coimbra (IBILI-FMUC). Em fase de utilização experimental, total de simulação de geometrias” que imbra está a desenvolver um “robô den- O objectivo, acrescentou o docente no Departamento de Engenharia Me- pode revelar-se numa “boa indicação tista”, com o objectivo de tornar os im- da FCTUC, não é um robô que substi- cânica da Universidade de Coimbra, o para os médicos-dentistas”. plantes dentários mais baratos, mais re- tua o dentista, mas “tornar os implan- “robô” realizou testes em peças anató- Norberto Pires afirma que é a primei- sistentes e com maior conforto para os tes dentários mais acessíveis” à popu- micas (de cadáveres) e num modelo de ra vez que se realiza em Portugal um pacientes. lação em geral e “reduzir o desconfor- uma mandíbula em material equivalen- estudo sistemático de colocação de im- “Os implantes dentários são muito to no paciente”. te ao osso, criado a partir de um TAC a plantes dentários. caros - dois dentes podem chegar aos Os investigadores acreditam que, ao peças reais. “O que os médicos-dentistas fazem dez mil euros -, e morosos, e a pós- optimizarem o processo de colocação dos O “robô dentista” está dotado de sen- é testar com os pacientes, não arris- instalação é muito longa e dolorosa, o implantes dentários, os custos possam ser sores de força e utiliza um mecanismo cando muito, e, dessa forma, vão ven- paciente pode demorar mais de um reduzidos para metade. óptico (foto-elastómetro) que regista os do o que corre mal, partilhando depois ano a ‘largar’ o dentista”, disse à Lusa O sistema robótico simula e monitori- movimentos e esforços utilizados na as ideias técnicas em congressos”, re- Norberto Pires, um dos investigado- za todo o processo, ao imitar os procedi- mastigação, antecipando o desconforto feriu o investigador da FCTUC. res envolvidos. mentos do médico-dentista, de forma a nos pacientes, as tensões provocadas no Os cientistas esperam concluir a in- O projecto encontra-se em fase de encontrar a optimização dos modelos. material, a vida útil do implante e os da- vestigação em Maio do próximo ano, conclusão e foi trabalhado durante três “Ganha-se em custos, em tempo e, se nos originados. com a elaboração de um Guia de Boas anos por cientistas da Faculdade de Ci- tivermos de fazer quatro furos em vez “Não há intervenção humana nenhu- Práticas para a Aplicação de Implan- ências e Tecnologia da Universidade de de seis, a recuperação é também menos ma, são seleccionadas as melhores geo- tes Dentários. Coimbra (FCTUC) e do Instituto Biomé- dolorosa”, considerou Maria Filomena metrias, colocam-se os dentes e simula- A investigação conta com o apoio dico de Investigação da Luz e da Ima- Botelho, do IBILI-FMUC, outra das in- se a mastigação”, disse Norberto Pires, de dois médicos-dentistas, alunos de gem - Faculdade de Medicina da Uni- vestigadoras envolvidas no projecto. sublinhando tratar-se de “um processo mestrado. SUSTENTA ESTUDO FEITO EM ESTOCOLMO “Fast food” é factor de risco potencial para doença de Alzheimer Ratos submetidos a uma dieta rica em tem entre as suas funções o transporte do entífica AlphaGalileo. contributivo para o desenvolvimento de gordura, açúcar e colesterol durante nove colesterol. A alteração consiste num aumento de Alzheimer”, afirma Susanne Akterin. meses desenvolveram uma fase prelimi- A variante deste gene, chamada apoE4, grupos fosfatados ligados ao tau, uma subs- Investigações anteriores deram conta nar das alterações que se formam no cé- existe em 15 a 20 por cento da população. tância que forma o emaranhado neurofi- que um fenómeno conhecido como stress rebro dos pacientes com Alzheimer, indica Neste estudo, que constituiu a sua tese brilar observado nos doentes de Alzheimer. oxidativo no cérebro e uma relativamente um novo estudo. de doutoramento, a investigadora Susanne Esses emaranhados impedem as célu- baixa ingestão de antioxidantes podem tam- As conclusões desta investigação, pu- Akterin estudou ratos geneticamente mo- las de funcionar normalmente, o que even- bém aumentar o risco de Alzheimer. blicadas pelo Instituto Karolinska, de Es- dificados para reproduzirem os efeitos da tualmente conduz à sua morte. Agora, Susanne Akterin demonstra na tocolmo, fornecem pistas sobre como um apoE4 e que foram alimentados durante A investigadora também observou que sua tese que dois antioxidantes são disfun- dia se poderá prevenir esta doença ainda nove meses com uma dieta rica em gordu- o colesterol nos alimentos reduz os níveis cionais no cérebro dos doentes de Alzhei- sem cura. ra, açúcar e colesterol, o conteúdo nutrici- de outra substância presente no cérebro, a mer, o que pode levar à morte da célula A doença de Alzheimer, a forma mais onal da maioria da “fast food”. Arc, uma proteína envolvida no armaze- nervosa. comum de demência, afecta mais de 70 “Ao examinarmos os cérebros desses namento de memória. “No fundo, os resultados dão algumas mil pacientes em Portugal. Embora as suas ratos encontrámos uma alteração química “Suspeitamos que uma elevada inges- indicações sobre como se poderá prevenir causas sejam ainda misteriosas, são co- indistinta da que se observa no cérebro de tão de gordura e colesterol em combina- a doença de Alzheimer, mas há ainda mui- nhecidos vários factores de risco, um dos doentes com Alzheimer”, explica a inves- ção com factores genéticos, como a apoE4, ta investigação a fazer nesta via antes de quais é uma variante de um gene que re- tigadora num comunicado do Instituto Ka- pode afectar adversamente várias substân- se poder dar um conselho adequado ao gula a produção da apolipoproteina E e que rolinska citado pelo site de informação ci- cias cerebrais, o que pode ser um factor público em geral”, afirmou. Portugueses procuram na internet sobretudo informações sobre Saúde Os portugueses que acedem à In- tat, revela que no primeiro trimestre tugueses procuram informações sobre onde esta é a segunda actividade mais ternet a nível particular fazem-no so- de 2008 quase metade dos lares em saúde, sendo o segundo tópico de mai- comum entre os utilizadores de Inter- bretudo em busca de informação so- Portugal tinha acesso à Internet (46 or interesse a consulta de edições “on net com fins privados (32 por cento).O bre saúde, sendo dos europeus que por cento, contra 40 por cento em 2007 line” de jornais e revistas (20 por cen- estudo revela que os portugueses tam- menos utilizam os serviços bancários e 35 por cento em 2006), um valor ain- to), seguindo-se contactos com admi- bém não são particularmente adeptos em linha, revela um estudo divulgado da assim aquém da média comunitá- nistrações públicas (18 por cento). do recurso à Internet para marcar vi- ontem (terça-feira) pela Comissão ria, de 60 por cento. Apenas 14 por cento dos “internau- agens e alojamento, sendo a percen- Europeia. A análise das actividades efectuadas tas” portugueses recorrem à “net” tagem de portugueses que o fazem (12 O estudo do gabinete oficial de es- na Internet com fins privados demons- para realizar operações bancárias “on- por cento) das mais baixas da UE a tatísticas da União Europeia, Euros- tra que 22 por cento dos utilizadores por- line”, contrariando a tendência na UE, 27, onde a média é de 32 por cento.
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 SAÚDE 17 “Até um dia destes!” Massano mas sombras. Convidado para beber Cardoso uma água, enquanto aguardava o trans- fer para o aeroporto, subitamente subs- O que é uma metáfora? A “metáfo- tituí o pedido por uma cerveja. E, como ra”, escreveu Aristóteles, “consiste em que por magia, senti transportar-me uns dar a uma coisa um nome que perten- anos atrás em que na companhia de um ce a outra coisa”. amigo, entretanto falecido com cancro, Susan Sontag, uma escritora que mui- conversávamos pachorrentamente. Mais to admiro, e que sofreu três doenças novo, colega de campanhas eleitorais e malignas, no seu ensaio sobre a “Sida e no Parlamento, tinha um enorme apego as suas metáforas”, afirmou que “di- à vida e à família. Defendia-a com den- zer que uma coisa é ou semelha uma- tes e garras. Indignava-se facilmente coisa-que-não-é traduz-se numa ope- com as injustiças ou quaisquer ameaças ração mental tão antiga como a filo- e, logo de seguida, querendo mostrar que sofia, a poesia e o terreno gerador da também era capaz de ser violento, usa- maior parte dos modos de expressão va, metaforicamente, as suas armas – e de pensamento”. era um caçador –, para matar tudo e to- Se olharmos para as diferentes for- mas de arte podemos verificar que são, vessem subido às arvores. Nunca con- dos! Nesses momentos, o seu timbre indiscutivelmente, metafóricas. O que seguiríamos desenvolver o nosso senti- agudizava-se e subia mais uns tons, como leva alguém a “ouvir cores” ou a “ver do artístico! Deu uma grande ajuda para a querer demonstrar a sua agressivida- fragrâncias”? Os comportamentos “si- fugir aos tigres dentes de sabre e, ao de. Era a altura – mais do que esperada nestésicos” podem ser meras mentiras, mesmo tempo, propiciar o sentido da arte –, em que me enchia de risos interiores, ser frutos de drogas alucinatórias, reve- e da representação. Nos dias actuais já ao ponto de lhe sugerir que usasse a da lar anomalias do funcionamento mental não subimos às arvores, até porque é caça grossa que tinha mira e tudo. As- ou traduzir verdadeiros curto-circuitos perigoso, mas muitos sobem a árvores sim não falharia o alvo. Indiferente à cerebrais. imaginárias através do álcool, do café, minha suposta ironia, lá ia desfiando as Alguns neurocientistas explicam que de drogas, da contemplação, do silêncio suas soluções “mortíferas”. este fenómeno, sinestesia, teve vanta- absoluto, de forma a encontrar a magia Falava dos filhos e da mulher com uma gens selectivas ao contribuir para subir de uma metáfora que simplifique rela- ternura impossível de transmitir, a não ser às arvores! Para subir às arvores é pre- ções complexas. E ouvem cores, vêem através de metáforas. Não encontro ne- ciso uma boa visão, desenhar previamen- aromas e cheiram sentimentos! E delici- nhuma à sua altura. Sei que fui desperta- te um mapa mental dos ramos e ter in- am-nos com as suas construções. Mas, do deste pensamento quando me disse- formação da posição dos nossos mem- às vezes, não é preciso usar estes meios ram que o carro estava à espera. Bebi o bros e depois correlacioná-los! Logo, a para metaforizar. Basta, por exemplo, último golo da cerveja, já amornada, a metáfora seria apenas uma abreviação sentar, novamente, numa esplanada ao mesma que tinha bebido anos antes com conveniente para a ligação dos fenóme- fim de alguns anos, na mesma mesa, na o meu amigo, e, numa estranha sensação nos cognitivos não relacionados! Imagi- mesma cadeira de ferro, ver a mesma “sinestésica”, ao dar-lhe uma palmada nas nem se os nossos antepassados não ti- brisa, tocar o mesmo sol e ouvir as mes- costas, saiu-me: “Até um dia destes”! ANUNCIA A MINISTRA DA SAÚDE Testes de sida vão ser gratuitos para todos os utentes do SNS A ministra da Saúde, Ana Jorge, anun- Mundial da Sida, durante uma sessão pro- por outro lado, que os bancos de leite acrescentou Ana Jorge. ciou anteontem (segunda-feira) na Ama- movida pela Associação de Jovens Pro- a criar nos hospitais públicos assegu- O pacote revelado pela titular da dora que os testes da Sida (VIH1 e motores da Amadora Saudável, que desen- rem o leite de forma gratuita às mães pasta da Saúde inclui a abertura de VIH2) vão passar a ser gratuitos para volve há 10 anos o projecto “Viver com o portadoras da infecção pelo VIH. um concurso específico para projec- todos os utentes do Serviço Nacional de VIH”, actualmente financiado pelo progra- “O fornecimento contínuo da fór- tos de investigação em infecção VIH/ Saúde (SNS). ma ADIS/SIDA, do Ministério da Saúde. mula láctea deverá ser também asse- Sida, com um orçamento de um mi- Em Portugal realizam-se já cerca de Na sua intervenção, a ministra gurado gratuitamente, no mínimo por lhão de euros. um milhão de testes por ano. anunciou igualmente que os cheques- 12 meses, pelas farmácias hospitala- Desde 1983, a infecção atingiu já Ana Jorge anunciou também o refor- dentista do SNS, no âmbito do Pro- res, através de prescrição médica”, mais de 33 mil portugueses. ço da capacidade de diagnóstico preco- grama Nacional de Promoção da Saú- ce do vírus, particularmente junto dos de Oral, vão alargar-se aos doentes grupos mais vulneráveis. infectados pelo VIH. Para tal, revelou a ministra, vão ser Outra medida revelada por Ana Jor- disponibilizadas cinco unidades móveis ge prende-se com o lançamento de cen- – uma por cada administração regio- tros de terapêutica combinada, abran- nal de saúde –, que pretendem asse- gendo os diferentes programas para in- gurar um acesso universal ao diagnós- fectados com o vírus que, em simultâ- tico da infecção, além de proporcio- neo, são utilizadores de drogas em subs- narem informação e aconselhamento. tituição opiácea. Ana Jorge fez estas revelações no Dia O Ministério da Saúde perspectiva,
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    www.apaginadomario.blogspot.com 18 A PÁGINA DO MÁRIO apaginadomario@gmail.com 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 que o Ministerio de Industria, Turismo y Comercio divulga na internet os preços pra- ticados em toda a Espanha. SERVIÇO PÚBLICO (publicado em 26/11) A CRISE «Há uma crise recente que é financeira, NO PAÍS DO “SIMPLEX” Mário Martins mas há uma crise crónica instalada em Por- tugal há dez anos. É a crise dos valores, a corrupção no sentido mais entranhado na CARTÃO DO CONTRIBUINTE REELEIÇÃO A Ana Filipa Janine foi reeleita directora estrutura do regime, a promiscuidade dos interesses do Bloco Central, a vida dupla de 10 MESES DE ESPERA! do Gabinete de Relações Internacionais da muitas figuras públicas que dão a cara para O cidadão que pediu o Cartão do Contribuinte em Fevereiro ainda conti- JSD, durante o congresso da organização ganhar votos e manter poleiros, e a outra nua à espera que as Finanças lho enviem. que hoje terminou em Penafiel. que é a dos negócios, do poder do dinheiro. Integrou a lista de Pedro Rodrigues, ree- O que hoje se dá a ver é que, afinal, a leito presidente com 308 votos. A lista opo- crise financeira está a destapar o lençol a sitora, liderada por Bruno Ventura, obteve muitas figuras que estiveram a fingir de ca- 245 votos. A Ana Filipa Janine foi ainda a relatora dáveres políticos, mas que continuavam a trabalhar pela calada nas maiores obscuri- O PREÇO DA GASOLINA do grupo de trabalho que apresentou ao con- dades. gresso a moção “Portugal no mundo”, apro- E se o BPN foi a Dona Branca dos nos- Para que não se perca a tradição, aqui se divulga o preço vada por unanimidade. sos colarinhos brancos, ainda vamos saber dos combustíveis, ontem, 2 de Dezembro, em Portugal e Espanha. Parabéns, filha! mais, muito mais.» (publicado em 30/11) Luiz Carvalho, no “Instante fatal”. GASOLINA 95 SEM CHUMBO (publicado em 21/11) 1,159 (COIMBRA) E 0,861 (FUENTES DE OÑORO) ISTO ESTÁ LINDO... Não passa um dia sem um novo es- O RECUO DA MINISTRA GASÓLEO cândalo. (E DO GOVERNO) 1,089 (COIMBRA) E 0,929 (FUENTES DE OÑORO) Portugal parece ser, cada vez mais, um Estou a acompanhar “on-line”, na SIC sítio mal frequentado. Notícias, a declaração da ministra da Edu- (publicado em 24/11) cação, após a reunião extraordinária do Governo, esta tarde. IMAGEM DA QUINZENA A VERDADE (...) SOBRE O PREÇO É estranho que só agora o Ministério DA GASOLINA da Educação tome conhecimento do ex- MANIFESTAÇÃO DAS GALINHAS As petrolíferas portuguesas continuam a cesso de burocracia, da possibilidade de seguir a política de baixar “às pinguinhas” o um professor ser avaliado por um cole- preço dos combustíveis. Hoje, uma; ama- ga de outra área de conhecimento, da nhã, outra. E o “Zé” convence-se que o pre- excessiva carga horária que o processo ço está sempre a baixar... exige aos professores e da avaliação do Entretanto, em Espanha os preços conti- professor depender do sucesso dos alu- nuam a baixar em ritmo acelerado, estando nos, entre outros aspectos. já abaixo de 1 euro. (Por falar em sucesso dos alunos: o que E com uma característica que deveria aconteceria se este critério fosse aplicado merecer explicação dos responsáveis por- aos professores universitários, sobretudo aos tugueses: a gasolina é mais barata do que o que leccionam “cadeiras” nas quais as ta- gasóleo. xas de insucesso chegam aos 70%-80%?...) (Não são esses mesmos responsáveis Parece-me tratar-se apenas de remen- que, volta e meia, falam do «mercado ibé- dos, provando que a avaliação em curso não rico de combustíveis»? Ainda não ouvi/li foi pensada (programada) com o rigor ne- qualquer referência a esta evidente dis- cessário - condição-base de qualquer pro- paridade.) cesso de avaliação. Por outro lado, o Governo português, do Também não me parece que os profes- Simplex e do Magalhães, continua a mos- sores alterem, agora, as posições que vêm trar-se incapaz de publicitar os preços que defendendo. se praticam no país. Aqui ao lado, há anos (publicado em 20/11) (recebida por e-mail; publicada em 1/12/2008) VITÓRIA NA FIGUEIRA DA FOZ A minha equipa (os juniores do Vigor, na foto) venceu no sábado a Naval, por 2-1, na Figueira da Foz, no primeiro jogo da 2.ª volta do campeonato. Depois do triunfo em Alverca, também por 2-1, a minha equipa foi agora vencer a casa de outro candidato à subida de divisão. E já soma já quatro vitórias em terrenos alheios, em sete deslocações. O desafio de sábado foi disputado num recinto em péssimas condi- ções. A Naval, o único clube - desta Série C do campeonato de juniores - que em seniores disputa a 1.ª divisão nacional, é também o único que apresenta um campo em terra batida! Todos os outros clubes jogam em campos relvados. Triste ironia. A minha equipa ocupa o 5.º lugar na tabela classificativa (12 equi- pas), a par do Fátima, com 20 pontos conquistados na dúzia de jornadas já disputadas. No próximo sábado, a minha equipa recebe em Fala, às 15h00, o Odivelas, líder do campeonato. (publicado em 30/11)
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 MÚSICA 19 no dia, a Casa da Música rebentava pe- Distorções las costuras e nem um bilhete disponí- vel. A actuação dos Cut Copy foi, como se esperava, verdadeiramente arrebata- dora e irrepreensível, sobretudo se tiver- mos em conta que estes rapazes de Melbourne estão fora de casa desde Ja- neiro e nem uma mostra de cansaço. José Miguel Nora Boys Noize Para o fim da noite estava reservado um josemiguelnora@gmail.com “dj set” de Boys Noize. que não só o portuense. Como nesse dia 1 de Junho de 2007 e até aí, os artistas e No passado dia 14 de Novembro as bandas que por ali passavam eram voltei ao “Clubbing” da Casa da Músi- menos conhecidas do público, nomeada- nais, “Chinese Democracy”, que já es- ca, um evento que não pára de crescer mente Jay Jay Johansson. Aparecendo, tava a ser preparado há mais de 14 anos, de edição para edição, sobretudo desde nessa edição, os Klaxons, por força de o que faz dele o disco mais aguardado uma parceria celebrada com o “Festival de sempre da história do rock. Desde a Primavera Sound” de Barcelona. E daí edição de “Spaghetti Incident” em 1993, para cá, sobretudo desde o início de 2008, apenas resta Axl Rose, mas, apesar dis- que o cartaz do “Clubbing” tem estado so, o novo álbum mostra que a banda ain- Guns N´Roses da tem algo a mostrar. Prova disso mes- Mas as mudanças não ficam por aqui, mo é o facto de terem atingido os pri- há ainda a salientar que na altura em que meiros lugares do top de vendas em todo lá tinha estado antes, o acesso às salas, o mundo, incluindo em Portugal, e ainda que não a Sala 2 (como a Cibermúsica o facto de na véspera de o disco chegar ou a zona do Bar, que também tem actu- aos escaparates poder ser ouvido inte- ações de djs) era inteiramente gratuito, gralmente no MySpace da banda, o que o que agora não acontece, havendo sim levou a um novo record mundial de utili- uma redução no preço do bilhete. zadores desta plataforma. Por fim, gostava de destacar uma úl- Para o fim e já que falamos de Guns Álvaro Costa tima novidade do “Clubbing”, que acon- N´Roses, sugiro a autobiografia do ex- ao “rubro”, com nomes fortes da música tece na Sala Roxa, onde o radialista Ál- guitarrista desta banda, Slash, com o tí- actual e a esgotar quase sempre e com varo Costa comenta uma série de fil- tulo homónimo. alguma antecedência. Einsturzende Neu- mes, concertos, entrevistas, etc. de um Cut Copy baten, The Whip, Vitalic, The Kills, fo- determinado músico. Desta vez, o eleito PARA SABER MAIS: ram alguns dos nomes que por lá passa- era Bob Dylan e o tema “When Bob a última vez que lá fui, mais propriamen- ram nos últimos meses. Mas, desta vez, Dylan Speeks”. Foi a inovação que mais www.casadamusica.pt te a 1 de Junho de 2007. E quando afir- consegui mesmo ir, sobretudo porque mal elogiei e que mais me entreteve, enquanto www.gunsnroses.com mo que não pára de crescer, digo-o, so- vi que os cabeças de cartaz eram uma não chegavam os Cut Copy. Guns N´Roses “Chinese Democracy” bretudo, porque em 2007 ainda não ha- das minhas bandas preferidas, Cut Copy, Mas o fenómeno que tomou conta de (Universal) via o apoio da Optimus, o que, claramente, apressei-me a arranjar os bilhetes, o que todos os “media” foi o regresso dos Guns Slash e Anthony Bozza “Slash” catapultou o evento para outros públicos se veio a revelar uma boa opção porque, N´Roses, com mais um disco de origi- (Quinta Essência) NO DIA 16, COM ENTRADA GRATUITA HOJE À NOITE; PARA ASSINALAR DIA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Orquestra Filarmónica de Londres em concerto Governo Civil de Coimbra na Figueira da Foz promove A famosa London Philharmonic Orchestra poderá ser ouvida no próxi- te de concertos nos Estados Unidos, Europa e Países de Leste, figurando Concerto inédito mo dia 16, no CAE (Centro de Artes e como cabeça de cartaz em grandes No contexto do Dia Internacional das ção subordinada ao tema celebrado mun- Espectáculos) da Figueira da Foz, em festivais. Como contraponto às suas Pessoas com Deficiência, o Governo Civil dialmente neste dia, e que estará paten- concerto com entrada gratuita. viagens, a orquestra tem incluído nas do Distrito de Coimbra promove hoje (quar- te ao público até ao próximo sábado (6 Este concerto contará, ainda, com a suas fileiras músicos de enorme talen- ta-feira, dia 3) um Concerto alusivo, em que de Dezembro). presença do conceituado pianista norte- to de diversas nacionalidades desde o participam, para além da Orquestra Clássi- Na sequência da Resolução da ONU -americano Nicholas Angelich. Brasil até à Hungria. ca do Centro, od grupos 5.ª Punkada (da de 1998, o dia 3 de Dezembro passou a Trata-se do Concerto de Natal da Outra das suas actividades mais Associação Portuguesa de Paralisia Cere- assinalar a comemoração do Dia Inter- Caixa Geral de Depósitos, e o ingresso marcantes tem sido a gravação de dis- bral - APPC) e Cãoboys (da Associação nacional das Pessoas com Deficiência. gratuito está condicionado a dois bilhe- cos, incluindo a de bandas sonoras Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Este dia é celebrado por todas as orga- tes por pessoa, a levantar nas bilheteiras para filmes de grande sucesso como Deficiente Mental - APPACDM). nizações internacionais e nacionais sob do CAE. a trilogia de “O Senhor dos Anéis” O concerto efectua-se no Pavilhão Cen- um lema definido anualmente. Este ano, Registe-se que a London Philhar- (pela qual recebeu o Óscar de Me- tro de Portugal, em Coimbra, com início a União Europeia definiu como tema “ monic Orchestra celebra o seu 75º lhor Banda Sonora). Tem participado, às21,30 horas. Agir Localmente para uma Sociedade aniversário na época 2007/08, tendo igualmente, em inúmeros programas A Orquestra Clássica do Centro, sob a para todos” e as Nações Unidas “Digni- como seu principal maestro Vladimir de rádio e televisão, e conta com um direcção do Maestro Virgílio Caseiro, irá dade e Justiça para Todas as pessoas”. Jurowski. extensivo programa educacional, di- apresentar também, com o grupo 5.ª Punka- A nível nacional, as comemorações Actualmente considerada como uma reccionado quer para a comunidade, da , os temas : Blues e Reis. deste ano terão uma forte componente das melhores orquestras do mundo, as quer para o público escolar que inclui Antes, pelas 18 horas, e também no mes- de sensibilização, mantendo-se o slogan tournées são parte significativa da sua os aclamados ensembles Renga e a mo espaço (Paviçhão Centro de Portugal, do ano passado: “Não Discrimines, In- actividade, com uma agenda constan- Open Ear Orchestra. em Coimbra), será inaugurada uma exposi- tegra!”
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    20 CRÓNICA 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 AO CORRER DA PENA... Que nunca caiam as pontes entre nós... delicadas e ténues da poesia, e esta ser o odor vindo das ondas, escutando o grito das cado por formas cada vez mais patológicas que de mais íntimo, sensível e humano nos gaivotas. Peguei num pequeno pau que se de capitalismo selvagem. É ainda mais per- caracteriza. encontrava à deriva e desenhei um sol na turbador apreciar o drama dos países po- Maria Pinto* “Não há longe nem distância” trans- areia. “Numa folha qualquer eu desenho bres, parcamente industrializados, onde a mainha.pinto@gmail.com porta-me para um tempo sem tempo. Por- um sol amarelo/ e com cinco ou seis rec- fome é uma constante e os níveis de ilitera- cia são absolutamente gritantes. Nestas re- – Está tudo bem consigo, Drª! giões, a palavra “infância” continua a não E numa expressão risonha: “Lamento fazer grande sentido. Aqui, a criança é um ainda não poder passar-lhe a declaração de adulto-jovem, a quem não sobra espaço nem baixa antecipada... vamos só perceber se tempo para brincar e para se recrear. Para ouve bem?” deixar cair “um pinguinho de tinta num Sorri pela boa disposição daquele médi- pedacinho azul de um papel”... e de num co experiente, que sabia entender os seus instante “imaginar uma linda gaivota a pacientes para além do olhar. voar no céu”. E de viajar com ela “con- – Como se chama? tornando a imensa curva norte e sul... Recordei-lhe o meu nome. tanto céu e mar num beijo azul”... – É do Porto ou do Benfica? Voltando à realidade. A minha gaivota Confidenciei ser da Académica... ques- leva-me a certos países da Ásia, onde con- tões de afinidade familiar... tacto com crianças outras, extenuadas. – É feliz ou infeliz? Aquelas que fabricam os brinquedos que Fiquei suspensa. Não porque não tivesse que os sentimentos vogam muito para além tas é fácil fazer um castelo (...).O lápis (o nunca serão seus e que irão ser desfrutados escutado a pergunta. Mas porque não tinha das horas, dos dias e das idades. É para mim pau), a folha branca (a areia), o pincel e a e logo depois abandonados por meninos e resposta. “Não sei, Dr., penso que não so- uma leitura de liberdade e da possibilidade tela. Objectos simples, de todos os dias e meninas cujos direitos são, na prática, asse- mos felizes... existem bons momentos. Mo- que temos de estar sempre no interior de tão ali. À mão. Do poeta, do músico ou do gurados. Estas crianças já não são o meni- mentos do para sempre... apenas. quem gostamos. Mesmo que longe. Ainda pintor. De todos nós. À espera de um dese- no nosso avô, mas sim o menino nosso ir- – Muito bem, Drª, como lhe disse, está que à distância. nho animado, dirigido para norte ou para sul, mão, que continua a sofrer na pele o resul- tudo bem. Mas há uma névoa nesse olhar. para a esquerda ou para a direita, num voo tado das enormes disparidades existentes na Pense nisto: tente conseguir tempo para si. Deste voo por entre as palavras de Ri- criativo, sem fim... Quem conduz? A imagi- nossa “aldeia global” Sofre na pele o longe Tempo de qualidade. Irá gostar-se cada vez chard Bach – tenho mesmo de readquirir o nação, a loucura e o sonho. e a distância... que não deveriam de todo mais. Comece por ir ver as montras. Vai livro! – e por entre as indefinições dos céus, “Aquarela!” Poema maravilhoso de existir. Em África, meninos esqueléticos, de ver que se sente bem. desci gradualmente e planei na areia daquela Toquinho. Cantado por ele próprio e por rostos apáticos e olhar vago. Eles sabem o praia. Na areia que fiz deslizar por entre os Vinicius – vou ouvi-lo logo que regressar a que é a FOME. Não conhecem o lazer. Um Ao entrar no carro, sorri de novo. Tem- dedos. Foi assim que dei comigo a pensar casa, pensei na altura. Uma pérola. Um coral po. Tempo de qualidade. Quando teria sido na pouca firmeza da realidade em que vive- de que me recordei ao rabiscar à toa um sol a última vez?... mos. E também na sua dureza. No mundo na praia. Naquela praia então quase deser- Fiz deslizar mecanicamente o automóvel que criámos, baseado na competição, no ta. Apenas dois vultos ainda ao longe. Tal- até junto do mar. Desta vez com o propósito afastamento das emoções, num avolumar vez de um pai e de um filho ainda pequeno. de ir atrás do tempo. Sem tempo. Olhando- de tensões. No lugar onde o homem se foi Talvez. -me para dentro. Durante o percurso senti transformando progressivamente numa en- Dizia eu, “Aquarela”! Uma metáfora grenagem e num ser cada vez mais solitário sobre a vida e sobre a forma mais colorida e ansioso. A ideia de sucesso fácil e rápido e aprazível de a percorrer... até descolorir. enraizou-se de forma profunda e foi até às A partir desta bolinha bonita e frágil que se entranhas do ser humano, o que provocou chama Terra, subindo ao azul do céu, e pro- brinquedo. Manuseiam uma arma com a pe- uma enorme quebra dos tradicionais laços curando mais além o mistério desconheci- rícia de um adulto, estes pequenos-meninos de solidariedade. do, num beijo eterno de todas as cores. No da guerra. Deveriam “com um simples O próprio processo de globalização tem vídeo desta deliciosa canção, somos condu- compasso” fazer girar o mundo e girar nele testemunhado a enorme carência da alteri- zidos por uma criança. Ao largo, navega um como se de carrossel se tratasse. dade e dos afectos. A “aldeia” em que vive- barquinho à vela branco, à deriva ou com mos é quase exclusivamente direccionada rumo certo, e lá no alto, um lindo avião rosa Foi bom não ir ver as montras. Foi me- para os mecanismos económicos e de po- e grená sulca as nuvens, piscando as asas lhor estar ao pé do mar. Questões de op- der. O longe e a distância acentuaram-se luminosas da liberdade e do desejo. Mais ção. Todos sabemos que podemos optar. A neste mundo que se diz global. uma vez me senti fora do tempo. Tecendo questão está na diferença entre uma boa ou “Construímos muros demais e pontes com Vinicius e Toquinho e também com o uma má opção. Tirar um pouco do nosso de menos”. Sábia, esta frase de Isaac menino uma realidade que não existe para tempo para podermos pensar nos outros Newton! De facto, o mundo e a correria tantos meninos. Ali estava aquele, agora bem parece-me ser um caminhar para a cons- desenfreada (não se sabe bem com que próximo. E o adulto? Seria mesmo o pai?... trução de pontes cada vez maiores e mais destino), fecha-nos completamente em nós O menino caiu... uma onda um pouco mai- abrangentes. Para o derrube dos muros que próprios. Enconcha-nos. Tolda-nos a visão or estatelara-o na areia. Um adulto – seria sempre separaram os seres humanos. do outro. Torna-nos quase autistas em rela- mesmo o pai?! – que lhe ralhou. Que lhe De facto, como diz Toquinho, a “aquare- ção ao que nos circunda. Impedindo-nos de bateu... la” um dia descolorirá. Não deixemos con- olhar e de sentir a beleza. De olhar e de tudo cair o borrão do desespero e do alhea- a falta do maravilhoso livro de Richard Bach, sentir a pobreza. De ajudar. De perceber Esta imagem de “uma bola colorida en- mento nesta linda “aquarela”. Juntemo-nos “Não há longe nem distância”, que re- que o mundo oferece tantas possibilidades!... tre as mãos de uma criança” continua a ser e agarremos todas as cores separadas para centemente perdi. Livro a que recorro em Apeteceu-me fugir. Nestes momentos, uma utopia. A prática mostra-nos a viola- reconstruir o branco. O branco apazigua- momentos de introspecção e de análise do apetece-me fugir e afundar-me e proteger- ção contínua dos seus direitos. E o mais pre- dor. O branco do sorriso. O branco do amor. mundo e dos sentimentos. Um pequeno li- me no abraço carinhoso e envolvente da ocupante é que esta situação, ainda que com Apesar dos escolhos, a viagem nunca ter- vro pleno de emoção. Quando o folheio e Natureza. Do mar que me acalma e revigo- algumas nuances, abrange países desen- minará... em especial se percebermos que leio, acontece-me sempre um doce soluço. ra e me dá força para lutar e agir. volvidos e países em vias de desenvolvimen- “para estar junto não é preciso estar per- Talvez por certas escritas tocarem ao de Foi em direcção ao mar que caminhei e to. Milhares de crianças são exploradas di- to e sim... do lado de dentro” (Leonardo leve, ou melhor, acariciarem as fronteiras fui prosseguindo sem destino, saboreando o ariamente, vítimas da fome de lucro provo- da Vinci). * Docente do ensino superior
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 OPINIÃO 21 “Avestrução” factual, do circunstancial, do conjuntural, ça política pela qual habitualmente alinha- Renato Ávila terreno demasiado escorregadio para avan- mos. Todavia, entendemos que, como mai- çar opiniões com sensatez e consistência, or partido da oposição, concita a esperança A eleição da Drª Manuela Ferreira Leite especialmente quando os media estão mais de centenas de milhar de cidadãos numa para a presidência do Partido Social Demo- balanceados para as mensagens situacionis- solução diferente para o país, susceptível de crata trouxe consigo a esperança duma al- tas e governamentais. ultrapassar os bloqueios que a arrogante in- ternativa fiável e consistente ao monolitis- Todas as palavras da líder social demo- sensibilidade duma hermética maioria foi mo autista da maioria dominante. crata são avaliadas, capciosamente escal- criando na sociedade portuguesa. A sua seriedade e experiência políticas pelizadas pela situação e pela oposição, pela Será que esses cidadãos não merecem constituíam confiável garantia duma lideran- esquerda e pela direita, por gente de boa e algo mais que esta triqueira mesquinhice e ça respeitável, granjeadora dos consensos de má fé, alguma dela de dentro do seu pró- essa execranda autofagia partidária prota- necessários à constituição duma equipa forte, prio partido. gonizada por notáveis (pelas melhores e enformadora dum projecto novo, pragmáti- Sempre de cutelo na mão, espreitam um pelas piores razões) figuras sociais demo- co e credível de resposta às imensas dificul- deslize de discurso, um lapso de memória, cratas? dades que o país enfrenta. uma falha de substância ou de rigor, os si- Será que essa gente não se sente capaz Não têm sido fáceis, todavia, estes pri- lêncios e as palavras a mais ou a menos cia e por um confrangedor alheamento dos de subordinar os seus interesses à disciplina meiros meses do seu mandato. Tal como para atacarem, para denegrirem a sua ima- grandes problemas do país, nomeadamen- democrática e colaborar com esforço e se- aconteceu aos seus antecessores mais re- gem, a fim de abrirem caminho para a pros- te na segurança e defesa, na justiça e na riedade num projecto protagonizado pela lí- centes, vem encontrando um partido mina- secução dos seus projectos pessoais e de educação. der do seu partido? do por quezílias e ácidos ressentimentos, grupo. Se o voto dos cidadãos pouca eficácia A leveza das palavras que vamos ouvin- povoado de figuras despeitadas, carentes de Há como que um “complot” germinando teve na qualidade da prestação parlamen- do, as manobras pouco escorreitas que va- senso político, ávidas de palco e de poder e dentro do próprio Partido mas que encontra tar, é mister que o debate que precede os mos perscrutando de uns tantos emproados que fazem da demagogia a estratégia para eco positivo em todos aqueles que, instala- actos eleitorais seja aberto, pluralista e es- que falam sem nexo e se movimentam sem se imporem e as quais, estultamente, vão dos nas esferas do poder, não estão nada clarecedor e isso só se consegue pelo con- rebuço por obscuras teias conspirativas, dão- corroendo a boa-fé das bases do partido e interessados em que se fortaleça uma alter- fronto de projectos diferentes em que o valor nos a medida da mesquinhez da sua estatu- da grande maioria dos cidadãos. nativa susceptível de atravancar o seu pre- das soluções em apreço e dos seus defen- ra, a radiografia paupérrima do seu projecto Por outro lado, o seu perfil comunicacio- sumido sucesso eleitoral a meados de 2009. sores permite ao cidadão fazer, em consci- e a desoladora prova do seu patriotismo, da nal, chão e directo, torna-se estranho num No nosso modesto entender de cidadão ência, as suas escolhas. sua vontade de servir o povo. universo cada vez mais subtil e enigmático comum, livre e independente, não é disso Não havendo alternativa forte e credí- Apetece-nos aplicar um neologismo – a onde as mensagens predominam no feérico que os portugueses precisam. vel, ficam comprometidos o debate sério e avestrução. e nos silêncios, nas meias palavras e nas O abúlico funcionamento da Assembleia pedagógico e a presença duma segunda ou A oposição dos que, só pensando em si, entrelinhas. da República tem facilitado de sobrema- terceira solução em confronto. Ter-se-á, obstruem, enfiando a cabeça na areia para Acresce ainda o facto de Ferreira Leite, neira os desígnios do executivo e da maio- quando muito, o habitual monólogo do auto não se sentirem responsáveis pela gritante qual jogador de cartas, optar por esconder ria que o apoia quer na proposição e feitu- panegírico e arriscamo-nos a carregar com realidade dos factos. os trunfos das grandes coordenadas do seu ra das leis quer na fiscalização dos actos mais do mesmo na próxima legislatura. É mister que também a esses se venha projecto político e por intervir ao nível do do governo e, além disso, primado pela inér- O Partido Social Democrata não é a for- a pedir contas. FILATELICAMENTE Templo de Diana POIS... João Paulo Simões José O Templo de Diana, está localizado Os três selos que constituem a Emissão na cidade de Évora, em Portugal. Faz d’Encarnação parte do centro histórico da cidade, e foi classificado como Património Mundial ruínas são os únicos vestígios do fórum OS SELOS Massano Cardoso manifestou pela UNESCO. É um dos mais famosos romano na cidade. ‘desconforto’ (Centro nº 62, 19- marcos da cidade, e um símbolo da pre- As ruínas do templo foram incorpora- 11-2008, p. 14), ao saber que o sença romana em território português. das a uma torre do Castelo de Évora Aproveitando os desenhos aprovados funeral de Badaró contara «com Embora o templo romano de Évora durante a Idade Média. A sua base, co- para a emissão, cujo projecto foi aban- a presença do único filho, de ami- seja frequentemente chamado de Tem- lunas e arquitraves continuaram incrus- donado em 1934, e do qual já se tinha gos e vizinhos e de só quatro ar- plo de Diana, sabe-se que a associação tadas nas paredes do prédio medieval, e aproveitado a efígie do Chefe de Esta- tistas, incrédulos com a falta de com a deusa romana da caça teve ori- o templo (transformado em torre) foi do, emitiu-se uma série de três selos, re- solidariedade da classe». gem numa lenda criada no século XVII. usado como um matadouro do século XIV presentando o Templo de Diana. O de- Fiquei perplexo, como Massa- Na realidade, o templo provavelmente foi até 1836. Esta utilização da estrutura do senho e a gravura são do artista Guilher- no Cardoso. construído em homenagem ao impera- templo ajudou a preservar seus restos de me Augusto Santos, impressos na Casa Mas compreende-se. O humor dor Augusto, que era venerado como um uma maior destruição. Finalmente, de- da Moeda sobre papel liso em folhas de nem sempre é de palmadinhas nas deus durante e após o seu reinado. O pois de 1871, as adições medievais fo- 100 selos com denteado 11,5 x 12. costas, tem o seu quê de bem sa- templo foi construído no século I d.C. na ram removidas, e o trabalho de restau- Os três selos tinham os valores de 4 lutar corrosivo: «Você só compi- praça principal (fórum) de Évora – en- ração foi coordenado pelo arquitecto ita- centavos pretos, 5 centavos azul e 8 cen- lica!»… tão chamada de Liberatias Iulia – e liano Giuseppe Cinatti. tavos chocolate. E Badaró, além do mais, tivera modificado nos séculos II e III. Évora Entraram em circulação em 22 de Ju- uma atitude exemplar, digna de um foi invadida pelos povos germânicos no Bibliografia: nho de 1935 e foram retirados em 1 de verdadeiro ser humano: legou o século V, e foi nesta época em que o tem- http://pt.wikipedia.org/wiki/ Outubro de 1945. seu corpo para estudo. plo foi destruído; hoje em dia, as suas Templo_romano_de_%C3%89vora
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    22 OPINIÃO 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 OPINIÃO J.A. Alves Ambrósio Angola em Saragoça (IV) e corrupção há dinheiro para estádios para a cidade do planalto. Precisa- Outra verdadeira admiração no pa- de futebol às moscas, mas não há para mente o melhor aluno e primeiro pa- vilhão de Angola foi a qualidade (a manter – como deve ser – o museu e dre africano de então foi o padre Luís arte, o alcance...) da sua filatelia. o jardim da dita Faculdade? Barros da Silva, que recebeu ordens Estou à vontade para dizê-lo, porque A nível mundial, a potência com o em 1895. Tendo-se juntado aos espi- a filatelia portuguesa é de estupenda mais cabal sistema de informações é... ritanos e trabalhado como genuíno pas- qualidade (lembre-se, v. g., a recente a Igreja Católica Romana. Angola tor no seminário, no orfanato e nas al- emissão de a Procissão em Veneza avantaja-se de tal forma, no conspec- deias cristãs em volta, em 1931, quan- do demiurgo Nadir Afonso para o cor- to católico, a nível regional, continen- do faleceu, o povo chorou-o como se reio intra-europeu) e porque guardarei tal e mundial, que Bento XVI já anun- de um santo se tratasse. Às centenas para sempre o melhor que me surge ciou que a visitará. Chamo apenas a de padres católicos que, em 1955, quando viajo pela Europa, aqui desta- atenção para a profunda diferença idi- exerciam o seu múnus em Angola, jun- cando o selo que me foi gentilmente ofe- ossincrásica entre o actual papa e o taram-se, em 1957, os capuchinhos ita- recido há vários anos, em Bayreuth, seu “populista” antecessor. lianos; e o aumento das conversões para assinalar os 250 anos do teatro da O insigne Pedro Dias, a propósito era tal que a quantidade de fiéis era ópera na cidade. A filatelia angolana que da publicação da sua colecção de His- cada vez mais desproporcionada re- vi foi produzida pela AFINSA. tória da Arte a ser editada pelo Pú- lativamente ao número de padres. E, Além de ser a emanação da alma blico, dizia há dias que «a publicação em 1970, surge o primeiro bispo ne- de um país, a filatelia, repito, é arte. E da colecção é uma gratidão por ter gro, monsenhor Eduardo Muaca. Pre- a alma de um país retrata-se no quo- nascido português» (cito de cor). Es- nismo ensina esta coisa excelsa: o cisamente nesse ano surge o primeiro tidiano com os seus altos e baixos, na tás cheio de razão, meu caro Pedro, perdão. E o perdão é a antítese do res- manifesto da Igreja contra o colonia- Natureza com as suas maravilhas, no cuja grandeza sempre recordo – e re- sentimento, a única, absoluta, garan- lismo e, em 1975, os bispos portugue- anelo do espiritual e na sua intangível cordarei – desde o momento em que, tia de progresso (recorde-se Obama ses resignam e são substituídos por bis- preeminência... não tendo dinheiro para levar uma mala mais uma vez). É o Amor, absoluto, pos angolanos. Devastada por uma guerra fratrici- grande de táxi até à Estação Velha, irrestrito. Dentro do novo espírito também a da, Angola fez muito bem em mostrar me levaste tu na tua Peugeot-204 a Se o mundo em que vivemos não diocese egitaniense está presente: que há um corpo de bombeiros estru- gasóleo. Sim, por mil razões é emoci- fosse dominado por uma tão avassa- muito recentemente a Liga dos Ser- turado e que aos “soldados da paz” onante ser português. ladora idiotia, se os políticos não fos- vos de Jesus, fundada por D. João de se deve toda a gratidão, homenagem; Quando às criancinhas se ensina sem os ignorantes e embusteiros que Oliveira Matos, estabeleceu-se na que há uma maravilha única no mun- que, para D. Henrique, toda a empre- são, a estas questões era dada maior Gabela (diocese do Sumbe, anterior- do cujo habitat é o deserto de Moçâ- sa das Descobertas fazia parte das atenção. Assim... mente Novo Redondo). medes; e que tem suficiente catego- cruzadas contra os muçulmanos e que As fronteiras de Angola são uma A longevidade do Cristianismo tor- ria espiritual, para assim me exprimir, os portugueses expandiam a Fé e o criação portuguesa. Os angolanos são nou-o elemento integrante da identi- para ser visitada por alguém como o Império – que Camões assinalaria e os nossos irmãos e estes laços afir- dade nacional angolana, mormente na Papa (João Paulo II). ainda recentemente o jovem e ilustre mar-se-ão em perenidade. É nosso sua versão católica. Os graves erros A maravilha do deserto de Moçâ- egitaniense Marcos Farias Ferreira o dever, é nosso imperativo. O padre do marxismo superar-se-ão pela con- medes é a Welwitschia mirabilis, disse, do cimo do seu saber, em dis- Charles Duparquet, insigne espiritano, versão de José Eduardo dos Santos; essa singular planta que é já uma emo- sertação de doutoramento (Cristãos fundou em Lisboa (1866) um seminá- e a unidade nacional angolana é um ção em fotografia. Qualquer iniciado & Pimenta, Almedina) –, quando às rio de padres do Espírito Santo; e, a corolário da idiossincrasia portugue- em Alemão intui que a primeira de- criancinhas se ensina... que o fixem partir deste, originou-se a província sa (o império espanhol esfrangalhou- signação é germânica – e não se en- para todo o sempre. portuguesa dos Espiritanos. Dupar- se na América do Sul e do Norte, mas gana. Foi Frederico Welwitsch, botâ- Claro que a missão teve o hedion- quet estabeleceu as fundações de dois o Brasil sempre foi e será uno). nico austríaco que veio para Lisboa do entrave do comércio de escravos; centros míssionários no Cubango e Seja-me consentido dizer aqui que em 1839, quem, ao fazer demoradas que os portugueses não têm o exclu- Cunene. À Huila (Sá da Bandeira espero ver a visita de Bento XVI explorações em Angola, a encontrou. sivo desta hediondez; que o primeiro para melhor situar quem precisar), em igualmente consagrada na filatelia. Já agora: as suas colecções no mu- presente enviado por D. Afonso, rei 1882, chegou o primeiro padre portu- Deus abençoe Angola que, por aqui, seu da Faculdade de Ciências de Lis- do Congo, ao “rei seu primo” de Por- guês, José Antunes, ao qual o bispo também está salva. boa estão devidamente salvaguarda- tugal era, precisamente, constituído de Luanda, imediatamente, confia o das? Ou nesta república de sofismas por alguns escravos. Mas o Cristia- seminário da diocese, transferindo-o Guarda, 9 - XI - 08 Um tempo novo vai nascer? A eleição de Obama com tudo aquilo observadores atentos e activos interve- São sinais, mas não serão só sinais. Vasco Paiva que ela representa ou não… não apenas nientes do continente americano já to- Há profundas perturbações e altera- a pessoa, mas sobretudo o que está em maram a dianteira e perceberam que ções no mundo e ninguém sabe o que irá O colapso financeiro. A especula- mudança na sociedade americana! algo será diferente, que é uma oportuni- nascer. ção bancária que bateu (terá batido?) E agora Iraque, Guantánamo, Afega- dade que se abre e convém aproveitar São tempos propícios à mudança. Que no fundo. O esboroar do mito do mer- nistão?... para a melhoria da situação política e mudanças? Que alternativas? cado como regulador. O escândalo À direita irão tentar minimizar a im- económica não só no continente ameri- Aprender com os erros do passado… das economias de casino. As miséri- portância dos resultados eleitorais ame- cano como no mundo. As forças progressistas estão debili- as do capitalismo. ricanos e da eleição de Obama. A direita tadas, dispersas… Mas não é assim em O Estado, mais Estado ou menos sabe muito bem minimizar os estragos. A energia, as mudanças climáticas, o todo o mundo. A reflexão e a interven- Estado, conforme convém aos senho- À esquerda haverá quem desconfie, ambiente… há 30 anos quem se preocu- ção são necessárias. res do poder, do poder económico, po- diz-se que “quando a esmola é grande, o pava com o ambiente? Havia alguns, sem Democracia, paz, justiça social, soci- lítico, militar… pobre desconfia”. Que vai tudo ficar na dúvida, mas não era assunto que pesas- alismo. São ideais, valores, objectivos, Agora fala-se em refundar o capi- mesma. se muito nas preocupações mundanas e pelos quais vale a pena lutar. talismo… Fidel Castro, Chavez, Evo Morales, mundiais. Como os construir? É a questão!
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    3 A 16DE DEZEMBRO DE 2008 INTERNET 23 move a partilha de boas práticas. sas fazer e qual o papel do consumidor. IDEIAS DIGITAIS OPENECO.ORG LISTA VERMELHA DE BOLSO endereço: https://www.openeco.org/ endereço: http://www.greenpeace.org/portugal/parti- categoria: ambiente cipa/lista-vermelha-de-bolso categoria: ambiente Inês Amaral TRAVELMUSE Docente do Instituto Superior Miguel Torga APEFI GOOGLE WEBMASTER As épocas de crise são propícias a iniciativas de As férias de Natal estão à porta, mas a crise tam- apoio. E é esse precisamente o propósito da Associa- bém dita que as férias do resto do ano sejam planeadas ção Para o Posicionamento Estratégico e Financeiro com grande antecedência. O TravelMuse disponibili- (APEFI). É uma associação sem fins lucrativos que za várias ferramentas que lhe permitem fazer uma pla- aconselha pessoas em situação de endividamento fi- nificação detalhada. nanceiro. O termo “webmaster” foi desaparecendo aos pou- Estão disponíveis vários conteúdos como interessan- A julgar pelos números que os media nos trazem com cos, ao longos dos últimos anos. Muito culpa das apli- tes guias de cidade e listagem de destinos por activida- regularidade, a APEFI pode ser uma importante ajuda cações e serviços da Web 2.0, a nova geração de In- des e temas. É também possível fazer um detalhado para muitas famílias portuguesas. Para além de aconse- ternet. Mas o Google normalmente não anda alinhado plano de viagem, desde que se esteja registado. O site lhamento, a associação promove análises económicas e não segue modas. Exemplo disso é o título do interes- também permite fazer reservas de avião e hóteis, entre de forma a prevenir e actuar em situações futuras. «Viva sante serviço que disponibiliza a que produz e gere pá- outras. uma vida livre de dívidas» é a proposta da APEFI e do ginas na web: o Google Webmasters. seu Portal da Poupança. As funcionalidades disponíveis permitem melhorar a TRAVELMUSE indexação dos sites (à pesquisa no Google), gerir tráfe- APEFI go, colocar publicidade e inclui gadgets como um MP3 endereço: http://www.travelmuse.com player, jogos, tradutor, metereologia, data e hora, ma- categoria: lazer endereço: http://www.apefipt.org/ pas e um dispositivo que permite criar listas “to do”. categoria: economia GOOGLE WEBMASTER LISTA VERMELHA DE BOLSO MEET MY CV endereço: http://www.google.com/webmasters categoria: Internet OPEN ECO.ORG Enviar currículos assertivos é hoje uma exigência do mercado de trabalho. A proposta da Meet My CV é uma abordagem diferente, criativa e eficaz: criar currí- culos em formato de vídeo e disponibilizá-los numa pla- taforma digital. A ideia é única em Portugal e estão disponíveis exem- Sabia que há 16 espécies de peixes que são consu- plos de vídeos que comprovam a versatilidade e origi- midas em Portugal e que correm risco de extinção? nalidade da Meet My CV. Por enquanto ainda não é Consulte o site da Greenpeace e leia a Lista Verme- possível fazer upload, mas estão já disponíveis recur- lha de Bolso. Descarregue o ficheiro para o seu com- sos que ajudam a criar o CV em formato de vídeo. putador, imprima e leve-o consigo sempre que for às Está também previsto que seja incluída uma Bolsa de O OpenEco.org é uma iniciativa da Sun e tem compras. É a sugestão da organização. Emprego (base de dados de candidatos) e uma Bolsa como objectivo criar uma comunidade online, à esca- Salmão, atum, peixes vermelhos, peixe espada bran- de Negócios (um directório de serviços e produtos). la global, para promover práticas mais sustentáveis. co e tamboris são algumas das espécies que «correm A necessidade de racionalizar os gastos energé- sérios riscos de serem provenientes de pescas ou de MEET MY CV ticos é a preocupação central e por isso todos de- viveiros insustentáveis». No panfleto há ainda informa- vem contribuir. O OpenEco.org propõe medir, ção sobre a situação dos oceanos, a conivência de al- endereço: http://www.meetmycv.com acompanhar e comparar gastos energéticos. E pro- guns supermercados, o que podem as grandes empre- categoria: produtividade
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    24 TELEVISÃO 3 A 16 DE DEZEMBRO DE 2008 MANUELA MOURA GUEDES Aceito que ela acredite que a sua ima- A reposição é feita agora no horário PÚBLICA FRACÇÃO ÀS SEXTAS-FEIRAS gem passe pelo exagero dos lábios. Não após o almoço. E lá vieram as preocu- faço ideia se foram ou não “intervencio- pações com a ditas “cenas”. As justifi- Algo de improvável, para mim, claro, nados”, nem me interessa. Quando se cações são as do costume: “público sen- está a acontecer às sextas-feiras à hora cala, fica com ar de amuada e isso é sível” para aquele horário. Se já se sabia do jantar. Procuro ver o “Jornal Nacio- desagradável em televisão, particular- isto, qual o motivo que fez avançar a re- Francisco Amaral mente em pivô de telejornal. Mas Mou- posição para aquela hora? franciscoamaral@gmail.com ra Guedes passou a conduzir o Jornal A RTP, quando anunciou que “Paixões Nacional de uma forma mais tranquila. Proibidas” iria ocupar aquele horário, deu RTP LAVA MAIS BRANCO Não parece muito preocupada com to- a informação de que “teve o cuidado de das as estratégias que parecem correr retirar pontualmente algumas cenas que A certa altura sentimo-nos confusos: por trás de um momento importantíssi- pudessem causar constrangimento”. será que os critérios que levaram a RTP mo para as audiências de um canal Agora, a estação sublinha que as ce- a “ouvir”, em cima da hora, a ministra (como é notório nas noticias da SIC). nas retiradas sem aviso prévio foram da Educação, o conselheiro de Estado, Ainda bem. Ganhou com isso. Apenas “poucas”, tendo-se criado um mito mui- Dias Loureiro ou o Governador do Ban- tem que dar um pouco mais de tempo a to grande sobre estas imagens. co de Portugal, foram critérios jorna- Pulido Valente. Na expressão oral ele não Para mim, o retirar “sem aviso pré- lísticos ou foram momentos de bran- é tão hábil como na escrita e precisa de vio” significa censura, e esta não devia queamento? tempo para concluir os raciocínios. E, ser uma questão menor. Se num canal Manuel António Pina, em artigo de pelo menos eu, quero ouvi-lo. televisivo de um regime não-democráti- opinião no JN, dizia tudo no intróito: “A co se corta isto ou aquilo, isso é o que se RTP é a lavandaria do regime. Não REGRESSAM OS CORTES espera nesse contexto. Agora, como diz há vítima de cabala que não lave a F.R.Cádima “neste sistema de gover- consciência naquela espécie de San- Diz-se, “não acredito”, mas as coisas no democrático, quando um director ta Casa da Misericórdia dos aflitos.” acontecem. Depois já nos habituamos e de programas manda retalhar uma Se a entrevista de Judite de Sousa nada de especial parece mesmo aconte- ‘série histórica’, ainda é capaz de re- nal” da TVI. Comecei pela curiosidade cer. No entanto, em ouvir os comentários de Vasco Puli- baixar os olhos do Valente, talvez porque me senti pró- perante certas ximo da sua habitual dose de distancia- circunstâncias é mento e descrença em relação ao País. grave. No entanto, nunca na derrota: “Uma A RTP resol- pessoa abre o jornal, ou liga a televi- veu repor (aqui são e revê, pasmado, a velha propa- está mais uma ganda antidemocrática de 1930. forma de poupar Umas vezes subtil; outras vezes, mui- dinheiro) a nove- to taxativa e franca. Umas vezes me- la “Paixões Proi- lancólica, outras vezes, quase triun- bidas”, que co- fante. A miséria geral e perspectiva produziu com a de uma miséria maior, a fraqueza do brasileira TV regime e uma irritação crescente Bandeirantes. anunciam o caos (...)» Em 2007 a nove- Só que Pulido Valente, na televisão, é la não conseguiu muito menos cáustico do que na escrita. a adesão do pú- Tem um comportamento, digamos, frá- blico, como aliás aconteceu no Brasil. No ceber um louvor por estar a contri- ao Governador do Banco de Portugal, gil. Com a voz cada vez mais sumida e entanto, a sua carreira ficou marcada por buir para as boas práticas do reino. Vítor Constâncio, pareceu preparada as suas habituais indecisões na articula- uma alteração de horário. Foi deslocada O que era censura antes, agora é e deu espaço para a pergunta/respos- ção do discurso, ainda tem momentos de para as 23 horas porque continha cenas mera ESTATÍSTICA. No pasa ta, nas outras duas isso quase não ironia que valem uma atenção mais cui- mais ousadas. nada...”. aconteceu. Com Maria de Lurdes Ro- dadosa ao comentário que encerra o drigues, Judite fez apenas as honras da casa. A ministra tinha um discurso a Faça debitar, e fê-lo. A certa altura pareceu notório que Judite de Sousa desistiu de tentar obter respostas da ministra, en- uma quanto esta se foi distanciando cada vez mais do modelo de uma entrevista, assinatura parecendo apenas preocupada em aproveitar o “tempo de antena”. do Com Manuel Dias Loureiro, que veio ao estúdio a uma sexta-feira para uma “Centro” “Grande Entrevista” especial, fora do dia habitual em que é transmitida, a sensa- ção que ficou foi a de que não era agra- “Jornal Nacional” das sextas-feiras, na TVI. e ganhe dável questionar o conselheiro de Esta- do quando ele se mostrava simplesmen- Manuela Moura Guedes, a interlocu- tora, tem dias. Ou antes, semanas. valiosa te espantado com tudo o que se tinha Como só regressa aos ecrãs naquela dia passado à sua volta. da semana, parece ter-se concentrado obra Claro que estas “entrevistas” tinham muito mais na sua postura. Curiosamen- a actualidade como base. As coisas es- tavam a acontecer e era bom esclarecê- te, desvaneceu-se lentamente o ar ex- cessivo e inquisitório, para dar lugar a de arte Esta é a reprodução da valiosa obra original las. Mas… assim? Fiquei com a sensa- um estilo que mantém a possibilidade de de Zé Penicheiro, alusiva aos 6 distritos da Região ção de estar perante a recuperação de um pequeno “à parte” em jeito de roda- APENAS Centro (Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, um velho slogan publicitário “OMO (rtp) pé final, mas sem os ares intempestivos 20 euros POR ANO Leiria e Viseu) que receberá, gratuitamente, lava mais branco”. de outros tempos. - LEIA NA PÁG. 3 quando fizer a assinatura do jornal CENTRO