DIRECTOR    JORGE CASTILHO




| Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia |
Autorizado a circular em invólucro
de plástico fechado (DE53742006MPC)
                                                           Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA            Telef.: 309 801 277


                 ANO III                    N.º 64 (II série)                     17 a 30 de Dezembro de 2008                            1 euro (iva incluído)



       O “novo” Mosteiro de Santa Clara-a-Velha




   Reabre hoje ao público o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, um dos mais importantes monumentos de Coimbra,                    PÁG. 3
   inundado pelo Mondego durante séculos, o que o viria a preservar de forma notável, como poderá ser apreciado pelos visitantes

       JÓIA DE COIMBRA                                          PRENDA DE NATAL                        NA SEXTA-FEIRA                 PGR INVESTIGA


   Museu                                                        Adopte                                 Entrega                        Venda
   Machado                                                      um amigo                               do “Prémio                     de prédio
   de Castro                                                    no Canil                               Robalo                         dos CTT
   vai reabrir                                                  Municipal                              Cordeiro”                      de Coimbra
                                                  PÁG. 5                                  PÁG. 4                       PÁG. 17                              PÁG. 11
2       NACIONAL                                                                                                         17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008




Rotary Club de Coimbra/Olivais
recebeu visita do Governador
   O Rotary Club de Coimbra/Olivais re-            imbra, agradecendo a recepção caloro-
cebeu anteontem (segunda-feira), a visi-           sa que lhe fora feita.
ta do Governador do Distrito Rotário a                Recordou depois os objectivos do
que pertence, Henrique Maria Alves.                movimento rotário internacional, cujo
   Durante a visita foram tratadas diver-          lema manda que se pense primeiro no
sas questões relacionadas com o movi-              seu semelhante, e aludiu à obra que tem
mento rotário e, especificamente, com as           sido levada a cabo em todo o Mundo,
acções de solidariedade que têm vindo a            nomeadamente nos campos da saúde, do
ser desenvolvidas, e outras que estão pla-         combate à fome, na defesa dos direitos
neadas, pelo Rotary Club de Coimbra/Oli-           da criança. Destacou, como exemplo, o
vais, presidido por Maria Helena Goulão.           combate à poliomielite, referindo, como
   A encerrar a visita, efectuou-se o jan-         curiosidade, que a comunidade muçulma-
tar de confraternização alusivo ao Na-             na, ao contrário do que antes sucedia, já
tal, em que participou também o Gover-             está a aceitar vacinas provenientes dos
nador e elementos de outros clubes ro-             Estados Unidos da América.
tários.                                               Henrique Maria Alves congratulou-se
   Depois do ritual de saudação às ban-            depois com a intensa actividade solidá-
deiras (Nacional, de Coimbra e do Clu-             ria que o Rotary Club de Coimbra/Oli-
be anfitrião), a Presidente Maria Helena           vais tem em curso, citando, como exem-
Goulão saudou os presentes, com desta-             plo, os casos do apoio à Casa dos Po-
que para o Governador e sua Mulher,                bres, à Escola da Pedrulha, ao Centro
referindo a acção de solidariedade que             de Apoio à Terceira Idade de S. Marti-
esta última tem em curso, destinada a              nho do Bispo.
angariar fundos para apoiar obras meri-               Sublinhou, por último, que os membros
tórias em países africanos.                        do movimento rotário devem fazer o im-
   O Governador Henrique Maria Alves               possível para realizar os sonhos do seu     Maria Helena Goulão, Presidente do Rotary Club de Coimbra/Olivais, José Ribeiro
                                                                                               Ferreira, do Rotary Club de Coimbra, Henrique Maria Alves, do Rotary Clube das
usou depois da palavra para manifestar             semelhante, para assim concretizarem os
                                                                                               Antas-Porto e Governador do Distrito Rotário 1970, e Albertino Sousa, do Rotary
o seu regozijo por se encontrar em Co-             seus próprios sonhos.                       Club de Coimbra/Olivais, na cerimónia de saudação às bandeiras



Governo concede
tolerância de ponto
a 24 de Dezembro
   O Governo deliberou conceder tole-              pacho do primeiro-ministro, José Sócra-
rância de ponto a 24 de Dezembro e, em             tes, ontem divulgado.
alternativa, a 26 de Dezembro e 2 de                  No despacho, o chefe do Governo
Janeiro, aos funcionários e agentes do             justifica que “é tradicional a deslocação
Estado, dos institutos públicos e dos ser-         de muitas pessoas para fora dos seus
viços desconcentrados da Administração             locais de residência no período natalí-
Central.                                           cio, tendo em vista a realização de reu-
   A tolerância de ponto consta num des-           niões familiares”.
                                                      “É concedida tolerância de ponto no
                                                   próximo dia 24 de Dezembro e, em al-
                                                   ternativa, nos dias 26 de Dezembro ou
                                                   02 de Janeiro, aos funcionários e agen-
  Director: Jorge Castilho                         tes do Estado, dos institutos públicos e
      (Carteira Profissional n.º 99)               dos serviços desconcentrados da admi-
                                                   nistração central”, refere o despacho do
  Propriedade: Audimprensa
     NIF: 501 863 109
                                                   primeiro-ministro.
                                                      Ficam excluídos da tolerância de pon-
  Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho          to “os serviços e organismos que, por
  ISSN: 1647-0540                                  razões de interesse público, devam man-
                                                   ter-se em funcionamento naquele perío-
  Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930
                                                   do em termos a definir pelo membro do
  Composição e montagem: Audimprensa               Governo competente”.
  Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra
                                                      No entanto, os funcionários que terão
  Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913         de estar a trabalhar nos dias de tolerân-
                                                   cia de ponto poderão beneficiar posteri-
  e-mail:   centro.jornal@gmail.com                ormente de uma “equivalente dispensa
  Impressão: CORAZE                                do dever de assiduidade (...) em dia ou
     Oliveira de Azeméis
                                                   dias a fixar oportunamente” pelos res-
  Depósito legal n.º 250930/06                     pectivos “dirigentes máximos dos servi-
  Tiragem: 10.000 exemplares                       ços e organismos”.
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                NACIONAL                3
UM IMPONENTE MONUMENTO QUE O RIO MONDEGO SACRIFICOU

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha reabre hoje
   Esquecido durante séculos, em ruínas    desta altura já será possível uma visita à   riquíssimo associado a Isabel de Ara-        ológica do espaço se mantém intacta.
devido à invasão das águas do Monde-       ruína e assistir à projecção do filme “Me-   gão e a Inês de Castro”, sublinhou o            A nível paisagístico, com o enquadra-
go, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha,     morial à Água”, ocorrendo a abertura         arqueólogo.                                  mento do Polis, a intervenção “foi trans-
em Coimbra, agora requalificado, vai ser   oficial em data a anunciar mais tarde.          Contar a história do mosteiro e das       versal”, proporcionando sempre um olhar
hoje (quarta-feira) devolvido à cidade,       Proporcionando uma viagem ao pas-         freiras que nele viveram, numa perspec-      sobre o mosteiro.
recriando o universo das monjas que o      sado, ao universo das monjas que lá vi-      tiva que não será apenas religiosa, é pos-      Pensado para público e investiga-
habitaram ao longo da história.            veram, o Mosteiro, agora devolvido à ci-     sível graças aos imensos materiais reco-     dores, o centro interpretativo consis-
   Iniciado no final do Século XIII para   dade no âmbito do projecto da Direcção-      lhidos das escavações arqueológicas,         te num edifício de mil metros quadra-
acolher as freiras clarissas, o convento   Regional de Cultura do Centro, vai cons-     num trabalho que envolveu especialistas      dos, com funções museológicas, do-
feminino fundado pela Rainha Isabel de     tituir mais um importante pólo de anima-     das áreas da antropologia, arqueologia,      tado de um auditório, salas de exposi-
Aragão, que o escolheu para passar o       ção cultural e atracção turística.           história de arte, biologia, engenharia e     ções, uma loja e uma cafetaria volta-
resto da vida, travou ao longo dos sécu-      Face à importância da ruína e dos “es-    geologia, entre outras.                      da para o monumento (que será ex-
los uma batalha inglória com o alagamen-   pólios riquíssimos” nela colectados por         Mas os espólios recolhidos permitem       plorada pelo Hotel Quinta das Lágri-
to provocado pelas cheias do Rio Mon-      uma vasta equipa de especialistas de di-     reproduzir também a origem das freiras,      mas), num espaço onde o elemento
dego, que o arruinaram e levaram ao seu    versas áreas e resolvido o problema do       oriundas da nobreza, através, nomeada-       água está sempre presente.
abandono.                                  alagamento com a construção de uma           mente, das campainhas de serviçais en-          “O centro pretende acolher as pesso-
   Objecto, desde 1991, de um ambicio-     cortina periférica (uma estrutura enter-     contradas, entre vários objectos, numa       as numa perspectiva de acolhimento di-
so projecto de recuperação e valoriza-     rada que permite proteger todo o recinto     viagem à vida mundana da época.              ferente, conjugando o passado e o pre-
ção da ordem dos 7,5 milhões de euros,     e a área de reserva arqueológica), foi          “Este projecto faz parte de um per-       sente numa harmonia sumptuosa. Ten-
o Mosteiro abre hoje parcialmente ao       decidido edificar um centro interpretati-    curso de persistência, exigência e muita     tou-se personificar os actores deste uni-
público, dotado com um moderno centro      vo que vai acolher a “história do sítio” –   paixão. Foi alterado constantemente face     verso monástico, saber o que comiam, o
interpretativo – como revelou hoje à       explicou Artur Côrte-Real.                   às especificidades do sítio. O objectivo     que bebiam, dando a vivência da comu-
agência Lusa o coordenador da interven-       “Para além do olhar sobre a beleza        foi não danificar a ruína, minimizar os      nidade e não centrando toda a história
ção, Artur Côrte-Real.                     plástica do monumento, queremos que          efeitos da empreitada”, disse Artur Côr-     na figura da Rainha Santa Isabel”, disse
   Segundo este responsável, a partir      os visitantes conheçam este universo         te-Real, ao realçar que a potência arque-    ainda Artur Côrte-Real.


 ORIGINAL PRENDA DE NATAL POR APENAS 20 EUROS                                                                                             AUDIMPRENSA
                                                                                                                                           Jornal “Centro”
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                                                                                                                                          3000–390 COIMBRA

 e ganhe valiosa obra de arte                                                                                                           Poderá também dirigir-nos o seu pe-
                                                                                                                                     dido de assinatura através de:
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                                                                                                                                     investimento.
 samente concebido para o jornal           receber já, GRATUITAMENTE,                   cher o cupão que abaixo publicamos,
                                                                                                                                        O seu apoio é imprescindível para
 “Centro”, com o cunho bem carac-          esta magnífica obra de arte (cujas di-       e enviá-lo, acompanhado do valor de
                                                                                                                                     que o “Centro” cresça e se desen-
 terístico deste artista plástico – um     mensões são 50 cm x 34 cm).                  20 euros (de preferência em cheque
                                                                                                                                     volva, dando voz a esta Região.
 dos mais prestigiados pintores portu-        Para além desta oferta, o beneficiá-      passado em nome de AUDIMPREN-
 gueses, com reconhecimento mesmo          rio passará a receber directamente em        SA), para a seguinte morada:                   CONTAMOS CONSIGO!
 a nível internacional, estando repre-
 sentado em colecções espalhadas por
 vários pontos do Mundo.
    Neste trabalho, Zé Penicheiro,               Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO
 com o seu traço peculiar e a incon-
 fundível utilização de uma invulgar
 paleta de cores, criou uma obra que
 alia grande qualidade artística a um
 profundo simbolismo.
    De facto, o artista, para represen-
 tar a Região Centro, concebeu uma
 flor, composta pelos seis distritos que
 integram esta zona do País: Aveiro,
 Castelo Branco, Coimbra, Guarda,
 Leiria e Viseu.
    Cada um destes distritos é repre-
 sentado por um elemento (remeten-
 do para o respectivo património his-
 tórico, arquitectónico ou natural).
    A flor, assim composta desta for-
4        MUNDO ANIMAL                                                                                                    17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008



CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO”

Um grande amigo como prenda de Natal
   O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros-   muito triste e tremendamente injusto).         nas custam uns minutos na deslocação, para       aranimal@gmail.com
segue uma campanha intitulada “Adop-             Aproxima-se a época de Natal, e é sabi-     escolher um companheiro (ou companhei-           ou consultar o site
Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem           do como os tempos de crise que se atraves-     ra) para a vida, que será sempre fiel e de       www.cm-coimbra.pt/741.htm
um animal no Canil Municipal”.                sam tornam mais complicada a aquisição         uma enorme dedicação e em troca apenas           Os dias e horas especificamente desti-
   Trata-se de uma iniciativa muito meritó-   de prendas, sobretudo para a miudagem.         pede um pouco de atenção e de carinho.        nados às adopções são os seguintes:
ria, que permite que pessoas que gostam de       Ora a verdade é que um cão ou um gato          O Canil/Gatil Municipal fica no Campo         - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30;
animais ali possam ir buscar um fiel compa-   é sempre um presente bem recebido, desde       do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani-          - quintas-feiras, das 10 às 12 horas.
nheiro, sem nada pagarem por isso.            que a pessoa a quem ele se oferece goste       mais esperam, ansiosos, por uma nova casa        Excepcionalmente, também este
   São muitos os cães (e também alguns        de animais, não os encare como um brin-        e uma nova família.                           sábado, das 14 às 18 horas.
gatos) que esperam que gente com bom          quedo ou um objecto e tenha condições mí-         Os interessados em obter mais informa-        Abaixo vêem-se alguns dos bons aami-
coração os vá adoptar, tendo como recom-      nimas para deles tratar convenientemente.      ções podem ligar para o telemóvel 927 441     gos de 4 patas que estão à espera de que
pensa conquistarem um amigo para toda a          Se for o caso, está encontrada uma ex-      888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl   alguém queira aproveitar todo o carinho que
vida, já que estes animais rapidamente se     celente forma de dar prendas de Natal de       (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do    têm para dar.
adaptam aos seus novos donos (que, para       enorme valor (basta ver os preços nas lojas    telefone 239 493 200.                            Se gosta de animais, não hesite! Faça feliz
além do mais, os estarão a poupar a um fim    de animais!...), mas que no Canil/Gatil ape-      Podem também enviar um e-mail para         um destes que esperam por si.




                                              A Flay foi entregue no Canil pela dona.
                                              Tem dois bebes muito bonitos e é uma           O BOB é um Dalmata adulto, com 8 anos,
A Cookie é uma cadelinha com cerca de         excelente mãe. È também muito meiga e          castrado, que foi entregue no canil pelo
1 ano, de porte pequeno, muito meiga e        tem um olhar muito doce. È calminha e          dono. Como todos os cães entregues no         O TOMMY também foi abandonado
calminha. Tem a particularidade de ter        deve ser uma boa cadela para ter em            canil pelos donos é um pouco triste.          é um cão muito engraçado, tem uns
um olho castanho e outro azul clarinho        apartamento                                    Mas que voltará a alegrar-se quando           olhos
                                                                                             tiver novo dono                               muito bonitos e tem cerca de 1 ano de
                                                                                                                                           idade




                                                                                             O MURPHY tem cerca de 2 anos de idade
                                                                                             foi encontrado abandonado e é muito
                                                                                             meigo
                                                                                                                                           O Dominó é um cãozinho doce, de porte
                                                                                                                                           pequeno, abandonado pelo dono no
                                                                                                                                           Canil, e que provavelmente deve ter sido
                                                                                                                                           vítima de maus-tratos, pois está quase
                                                                                                                                           sempre triste e escondido. No entanto, é
                                                                                                                                           super meigo, e quando ganha confiança
                                                                                                                                           com as pessoas é muito brincalhão.
                                                                                                                                           Precisa urgentemente de uma família
                                                                                                                                           que tenha paciência com ele e que lhe
                                                                                                                                           dê muito carinho
                                                                                             O RALPH foi encontrado abandonado e
                                                                                             estava muito magro, condição que ainda
                                                                                             mantêm embora já tenha melhorado.
                                                                                             Tem cerca de 2 anos e é muito meigo




                                                                                             A Guapa é uma cadelinha muito, muito
                                                                                             pequenina, que teve bebés e que já            O SPEEDY é um podengo, estava
                                                                                             foram adoptados. Ela ainda espera que         abandonado
                                                                                             alguém a adopte! È uma ternura, muito         e tem 8 meses.
                                                                                             meiga e adora saltar para o nosso colo!       É muito brincalhão e muito atento
                                                                                             Cativa qualquer pessoa                        a tudo o que se passa à sua volta
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                 COIMBRA                  5
VAI REABRIR EM JANEIRO

Escavações no Museu Machado de Castro
trazem nova luz sobre período romano
   Escavações no Museu Nacional de                                                                                                     lógicos, e aprofundar o conhecimento do
Machado de Castro desvendaram novos                                                                                                    Fórum claudiano e malha urbana envol-
dados sobre a Coimbra romana, de há                                                                                                    vente.
2.000 anos atrás, que em Janeiro próxi-                                                                                                   O projecto de arquitectura, da autoria
mo serão mostrados ao público.                                                                                                         de Gonçalo Byrne, além de procurar uma
   As pessoas vão poder passear pelas                                                                                                  coerência entre o edifício do museu com
extensas galerias dos dois pisos do crip-                                                                                              as novas construções, procurou articu-
topórtico romano, que há dois milénios                                                                                                 lar entre si um conjunto de preexistênci-
os cidadãos da Aeminium também utili-                                                                                                  as arquitectónicas, desde o criptopórtico
zariam, para aproveitar da sua frescura                                                                                                romano até ao paço episcopal, passando
em dias muito calor.                                                                                                                   pelos vestígios românicos da igreja de São
   Escavações realizadas no âmbito das                                                                                                 João de Almedina e do seu claustro.
obras de requalificação e ampliação do                                                                                                    O novo espaço edificado, que dupli-
museu, ao longo dos últimos dois anos,                                                                                                 cará a área do museu, albergará galeri-
permitem agora reconstituir virtualmen-                                                                                                as de exposições, as reservas, uma ca-
te – e pela primeira vez – o que foi o                                                                                                 fetaria-restaurante panorâmica, com
antigo fórum da época de Claudio, e re-                                                                                                acesso independente, e os serviços ad-
velar a sua monumentalidade.                                                                                                           ministrativos, estes ligados por uma pas-
   “Finalmente o criptopórtico vai ter a                                                                                               sagem sob uma rua.
projecção que merece, porque é um edi-                                                                                                    Um dos espaços emblemáticos do
fício notável. Esta é sem dúvida uma         Aspecto parcial do magnífico criptopórtico romano                                         “novo” museu, além do criptopórtico ro-
das mais notáveis obras da arquitectu-      versidade de Coimbra.                                                                      mano, será a Capela do Tesoureiro, da
ra romana em Portugal que subsis-                                                       malha urbana da “Alta” da cidade.              autoria de João de Ruão (século XVI),
                                               Segundo o especialista, trata-se da         Uma zona escavada revelou a parte
tem”, declarou à agência Lusa o ar-         obra de um arquitecto, presumivelmente                                                     que foi trasladada nos anos 60 da antiga
queólogo Pedro Carvalho, coordenador                                                    externa do Fórum e permitiu aprofundar         igreja de S. Domingos, na Rua da Sofia,
                                            de Caius Sevius Lupus, muito engenho-       o conhecimento as redes de água e de
das escavações.                             so, na forma de conceber o espaço. As                                                      onde hoje existe um centro comercial.
   De grande monumentalidade, com                                                       esgotos romanas, com um condutor de               Segundo a Directora do museu, Ana
                                            duas galerias sobrepostas foram implan-     grandes dimensões, “muito bem conser-
dois pisos e uma área de implantação de     tadas no terreno submetendo-se a um de-                                                    Alcoforado, a nave da capela será exibi-
cerca de 2.800 metros quadrados, o crip-                                                vada e articulada”, no qual uma pessoa         da como uma peça de exposição, e como
                                            senho geométrico, com medidas muito         pode circular no seu interior, e para o qual
topórtico serviu para superar o declive     certas, articulando formas e volumes,                                                      espaço onde serão mostrados os retábu-
da zona onde foi implantado o Fórum de                                                  ainda vazavam algumas habitações das           los da renascença. A capela será envol-
                                            “aliando as principais características da   imediações do criptopórtico.
Aeminium, em meados do século I A.          arquitectura romana, de edifícios muito                                                    vida pela escultura em pedra pré-româ-
C., assumindo-se como o centro social,                                                     A conduta de água iria entroncar no         nica, românica e gótica.
                                            robustos, muito funcionais, e ao mesmo      antigo aqueduto romano, junto ao Jardim
político e cultural da civitas romana.                                                                                                    Quando reabrir, o público poderá ain-
                                                                                                  Botânico, que o rei D. Sebasti-      da aceder a um conjunto de recursos
                                                                                                  ão mandou reconstruir e hoje é       baseados em novas tecnologias, para
                                                                                                  popularmente conhecido como          uma compreensão global do espólio do
                                                                                                  “Arcos do Jardim”.                   museu, e para fomentar a interacção com
                                                                                                     Foi ainda descoberta uma          escolas.
                                                                                                  fonte monumental que estaria            Haverá audio-guias, para orientar os
                                                                                                  implantada na fachada do Fó-         visitantes nos percursos pelas exposi-
                                                                                                  rum, e seria ladeada por uma         ções, a possibilidade de visita virtual e
                                                                                                  praça. Este e outros achados do      um conjunto de informação em folhetos
                                                                                                  período claudiano, em resulta-       e publicações para mostrar a dimensão
                                                                                                  do do projecto de requalificação     do espólio, que a directora considera ser
                                                                                                  do museu, vão estar visíveis a       o segundo a nível nacional.
                                                                                                  quem circular na rua.                   Após a reabertura parcial em Janeiro,
                                                                                                     Com a abertura do cripto-         ao longo de 2009 será executado o pro-
                                                                                                  pórtico romano, em Janeiro,          jecto museológico, com vista à reabertu-
                                                                                                  será também inaugurada a ex-         ra da totalidade dos espaços expositivos.
                                                                                                  posição “De Fórum a Museu.           Em 2010 deverá ficar concluído o audi-
                                                                                                  Permanências”, que se man-           tório do museu, na Igreja de S. João de
                                                                                                  terá visitável até à reabertura      Almedina.
                                                                                                  total do museu, a dar conta dos         Para 2011 já está a ser preparada uma
                                                                                                  trabalhos arqueológicos reali-       programação especial evocativa do cen-
                                                                                                  zados e a explicar as obras de       tenário da fundação do Museu Nacional
Ana Alcoforado num dos locais do Museu onde decorrem as obras                                     requalificação e ampliação aí        de Machado de Castro.
                                                                                                  realizadas.                             Ana Alcoforado quer que o “novo”
   “Foi possível encontrar mais estru-                                                     A requalificação do Museu Nacional          museu seja “um espaço público de cida-
                                            tempo muito belos”.                         de Machado de Castro, iniciada em Ou-
turas do criptopórtico e do Fórum de           Os trabalhos arqueológicos aí realiza-                                                  dania, arte e cultura”, recriando as fun-
Aeminium, que nos permitem agora,                                                       tubro de 2006, englobou novas edifica-         ções de fórum da Aeminium, de há 2000
                                            dos no âmbito do projecto de requalifi-     ções em zonas anexas, onde antigamen-
pela primeira vez, propor uma imagem        cação e ampliação do arquitecto Gonça-                                                     anos atrás.
virtual do que seria o edifício romano                                                  te existiam casas de habitação, que ao
                                            lo Byrne, possibilitaram um melhor co-      longo dos anos foram sendo expropria-
há dois mil anos atrás”, revelou o ar-      nhecimento do edifício e das suas muta-                                                                Texto de Francisco Fontes
queólogo, igualmente docente da Uni-                                                    das para desenvolver trabalhos arqueo-                e fotos de Paulo Novais (Lusa)
                                            ções ao longo do século, bem como da
6       INTERNACIONAL                                                                                                        17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008




                                                  A Casa Europeia 40 anos depois
                                                veitada amiúde pela parte que se conside-                                                       tante politização da economia, reflectindo
                                                ra vencedora da «guerra fria». Era impos-                                                       um baixo nível de confiança geral.
                     Fiodor Lukyanov *          sível alterar formalmente as regras do jogo,                                                       Em terceiro lugar, a defesa da demo-
                                                e o fosso entre a letra e o espírito continu-                                                   cracia e dos direitos do homem é uma gran-
   Em 10 de Dezembro o Prémio Nobel             ava a aumentar.                                                                                 de conquista do processo europeu. Para a
de Paz foi entregue a Martti Ahtisaari. O                                                                                                       maioria dos países membros da OSCE, in-
ex-primeiro-ministro finlandês recebeu em       HELSÍNQUIA-2                                                                                    cluindo a Rússia, seria útil reafirmar o seu
Oslo este maior galardão político pelo seu                                                                                                      apego a estes princípios. Mas a ideia de-
empenho na solução de conflitos locais em           Moscovo encontra-se numa situação                                                           mocrática deve ser protegida não apenas
vários recantos do planeta. Mas, a opinião      complexa. Depois da queda da URSS, a                                                            de atentados autoritários, mas também da
pública mundial entendeu o acto como um         Rússia defendia o status quo, pois queria                                                       sua instrumentalização em nome de objec-
prémio especial pelo contributo do finlan-      reter algo do património geopolítico. Via de                                                    tivos geopolíticos, o que acontece nomea-
dês para o caso do Kosovo.                      regra, os mais activos defensores do direi-                                                     damente sob a capa de «avanço da demo-
   O Prémio Nobel de Paz é sempre um            to internacional são os países que não po-                                                      cracia».
indicador da pulsação do sistema interna-       dem alcançar os seus objectivos por meio                                                           Do ponto de vista do bem-estar geral, a
cional. A escolha deste ano é um sintoma        de força, e vice-versa.                                                                         iniciativa de Moscovo mereceria ser apoi-
muito característico: foi distinguido o plano       Nos últmos dois anos, a Rússia, como                                                        ada. Mas surge a pergunta: será vantajoso
de solução que nunca chegou a ser aceite,       se vê, evoluiu para o revisionismo: come-                                                       para a Rússia iniciar o processo Helsín-
ou seja, falhou, contribuindo para acções       çou a alterar as regras vigentes. Moscovo                                                       quia-2? Aliás, o processo que levou para a
violadoras do direito internacional. Também     critica duramente a OSCE, anunciou uma                                                          Acta Final da Conferência sobre Seguran-
criou um precedente prenhe de graves            moratória sobre a participação no Tratado                                                       ça e Cooperação na Europa, assinada em
                                                                                                Martti Ahtisaari
consequências. O ano de 2008 decorreu           sobre as Forças Convencionais na Euro-                                                          1975, foi longo e atormentado.
sob o signo de reconhecimentos de inde-         pa, recusou-se a ratificar o acordo para a
pendência ilegais: primeiro do Kosovo, e        Carta Energética e reconheceu unilateral-       uma confirmação abalizada dos acordos           O OCIDENTE NÃO ESTÁ
depois da Abcásia e da Ossétia do Sul. Isto     mente a independência de duas repúblicas        conseguidos há quase 40 anos.                   PRONTO A DIALOGAR
é, foi violada a integridade territorial res-   caucasianas. Moscovo insiste em alterar
pectivamente da Sérvia e da Geórgia.            as regras do jogo e renovar a arquitectura      A VELHA NOVA AGENDA                                A Rússia de hoje tem muito menos ins-
                                                da segurança europeia.                                                                          trumentos políticos que a ex-URSS. Mos-
ENTRE A LETRA                                       No entanto, uma análise atenta da polí-        Em primeiro lugar, trata-se do equilíbrio    covo tem falta de aliados e a sua depen-
E O ESPÍRITO                                    tica russa leva-nos a uma conclusão paro-       e da confiança na esfera da segurança.          dência dos factores externos é grande. A
                                                doxal. Apesar dos gestos bruscos, Mosco-        No ano passado fracassou a tentativa da         eficácia do aparelho de gestão estatal e a
   Um traço distintivo dos últimos anos tem     vo continua a ser (a Abcásia e a Ossétia        Rússia de promover um debate, no quadro         rectaguarda socioeconómica deixam mui-
sido a crescente contradição entre as re-       do Sul são apenas uma excepção) fiel            da OSCE, sobre o problema do Tratado            to a desejar.
gras internacionais, à primeira vista não       adepto do status quo, mas daquele que já        sobre as Forças Convencionais na Euro-             Vale a pena, nesta situação, lutar por uma
contestadas, e os novos princípios usados       não existe. Na verdade, a Rússia tenta          pa. Os parceiros recusaram-se a fazê-lo         revisão cardinal das regras do jogo, cor-
por alguns países nas suas acções reais.        voltar aos princípios revistos de facto após    pois a OSCE perdeu, faz muito, este as-         rendo um risco de piorar, em vez de me-
Depois da «guerra fria», as instituições –      a «guerra fria».                                pecto da sua actividade. Desde os anos          lhorar, o status quo?
as organizações internacionais e as normas          Pode-se afirmar que as ideias do Presi-     90, as grandes potências da Europa e os            Que o planeta precisa de «uma nova
legais – quase não sofreram mudanças.           dente Medvedev, avançadas este Verão em         EUA afirmam que a NATO é a melhor               ordem mundial», nunca surgida após a
Mas, estando formalmente em vigor, en-          Berlim, são, de facto, uma repetição do         garante da segurança do Velho Mundo.            guerra fria, não há dúvidas. Mas existem
contram-se deformadas. Diluíram-se con-         conteúdo da Acta Final da Conferência de           Um outro problema são as fronteiras.         dúvidas de que as grandes potências, no-
ceitos básicos tais como a soberania, a in-     Helsínquia de1975. É verdade, porém, que        De novo é precisa a sua confirmação,pois        meadamente as ocidentais, têm a consci-
tegridade territorial, os critérios de uso de   devido às divergências entre a base legal e     o mapa europeu mudou por mais de uma            ência disso e estarão prontas a encetar um
força.                                          política real, estes princípios precisam de     vez desde a Acta de Helsínquia. Entre os        sério diálogo. Sem esta consciência é difí-
   Apareceram, embora não consagrados           uma nova legitimação. Nos anos decorri-         países no espaço pós-soviético não há ne-       cil, ou quase impossível, perspectivar ob-
pelo direito nternacional, novos conceitos      dos desde então, o Velho Mundo mudou            nhum (a Rússia inclusive) que possa afir-       jectivos a longo prazo. Embora isto não deva
– intervenção humanitária, força suave          irreconhecivelmente, sendo necessário res-      mar que as suas fronteiras «são garanti-        servir de obstáculo para fazer pequenas
(soft force) – que passaram a ser usados        tituir inteiramente o famoso espírito de Hel-   das, naturais e historicamente justificadas».   obras no sistema ainda existente, a fim de
pelos grandes países. A maioria dos Esta-       sínquia. Ou seja, encher com conteúdo os           Em segundo lugar, a atmosfera político-      evitar o seu desmoronamento descontro-
dos continuava a contestar a revisão da         três cestos – o político-militar, o económi-    económica na Grande Europa constitui um         lado.
prática das relações internacionais, apro-      co e o humanitário. A Europa precisa de         fenómeno complexo: assiste-se a uma cons-
                                                                                                                                                      * in revista A Rússia na Política Global
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                 NACIONAL                 7
 ponto . por . ponto
                                                                   Pão com manteiga
Por Sertório Pinho Martins
                                            dito como para manter em 2009 dê por        para cardíacos!                               pois. Porque uma vez acesos os rasti-
   A cada parangona de mau-olhado so-       onde der, pode passar a 3% no breve            A coisa vai ficar feia no ano que aí       lhos (professores, polícias, juízes, milita-
bre a nossa desgraça colectiva, que as      espaço de uma entrevista de Teixeira dos    vem e no que depois dele virá! Todas as       res, estudantes, desempregados já sem
pitonisas e cartomantes da política dão à   Santos – e lá vai para o cesto dos papéis   instâncias responsáveis além-fronteiras       nada a perder), o incêndio só vai parar
luz nos pasquins do costume e nas tele-     um Orçamento que há 15 dias era into-       o afirmam sem rebuço e com a cábula           nas escadas da Assembleia da Repúbli-
visões de maus costumes, tremo só de        cável e foi aprovado com gritos de júbilo   bem decorada. Mas no nosso quintal            ca ou no largo fronteiro ao palácio de
pensar em quatro tipos de leitores ou       pela maioria parlamentar. O apoio às        doméstico mora a ilusão fugaz, e as gran-     Belém. E o saber lidar com uma situa-
ouvintes basbaques: os distraídos por       empresas agora decidido em conselho de      des decisões começam a ser feitas com         ção que em 2009 vai piorar ainda mais,
natureza, os incrédulos por hábito, os      ministros de afogadilho, é desmentido na    os empurrões do poder que caiu na rua,        não é tarefa fácil, muito menos para in-
desconfiados por sistema e os desenten-     imprensa do dia seguinte com o título       da pressão retesada das corporações           continentes verbais e oportunistas da
didos do que lhes é metido pelos olhos      bombástico de que esse apoio está reti-     profissionais deixadas de fora do bodo        política: faltam profissionais a sério, e
dentro. E todos juntos perfazem a maio-     do às ordens de quem o tem à sua guar-      oferecido à banca falida, e do ‘salve-se      sobram amadores de opereta. E do lado
ria das vítimas inocentes da crise que      da – mas no minuto seguinte decerto vai     quem puder’ enquanto há avales dispo-         das oposições o fala-baratismo é igual,
aterrou sobre todos nós, ainda por cima                                                                                               com um CDS à espera de boleia num
vítimas sem hipótese de escapar à praga                                                                                               governo onde o PS precise de novos
vinda de nenhures. Porque bem vistas                                                                                                  “queijos limianos”, e o PSD se tornou
                                              ... a falta de confiança no sistema financeiro, os off-shores                           numa casa-sem-mão-onde-todos-ra-
as coisas, a falta de confiança no siste-     montados e usados subterraneamente, as irresponsáveis
ma financeiro, os off-shores montados                                                                                                 lham-e-nenhum-põe-travão. E, pasme-se,
                                              aventuras bolsistas de particulares e públicos (públicos                                ninguém manda ninguém para casa, para
e usados subterraneamente, as irrespon-
                                              impunes), os investimentos milionários em empresas                                      não perder a face! E esta, hein? Um país
sáveis aventuras bolsistas de particula-
res e públicos (públicos impunes), os in-
                                              falidas ou inexistentes, a cavalgada dos combustíveis                                   já vale menos que um par de faces fora-
vestimentos milionários em empresas           e respectiva cartelização dos preços (politicamente                                     de-catálogo, ou mesmo que uma qual-
falidas ou inexistentes, a cavalgada dos      consentida), as falências fraudulentas, o salvar                                        quer cara de parvo que se preze e exiba
combustíveis e respectiva cartelização        do afogamento (com o dinheiro dos contribuintes!) alguns                                emblema na lapela!
dos preços (politicamente consentida), as     bancos afundados pelos próprios timoneiros, os projectos                                   Muito provavelmente vão ter que es-
falências fraudulentas, o salvar do afo-      megalómanos, as habilidades orçamentais para travestir                                  perar por dias melhores as grandes bo-
gamento (com o dinheiro dos contribuin-                                                                                               das do TGV, do novo aeroporto e de ou-
                                              uma tragédia com cores de esperança
tes!) alguns bancos afundados pelos pró-                                                                                              tras aventuras que jamais estariam em
                                              em que ninguém já acredita...                                                           dúvida na agenda de ilusões de cada boca
prios timoneiros, os projectos megalóma-
nos, as habilidades orçamentais para tra-                                                                                             que se abre-e-fecha ao sabor da viração
vestir uma tragédia com cores de espe-                                                                                                – porque saber esperar também tem de
rança em que ninguém já acredita, os        aparecer um desmentido de fonte ´pró-       níveis e luz verde para fartar-vilanagem.     caber no léxico político dos mais capa-
braços-de-ferro apenas para salvar fa-      xima’ ou ‘autorizada’ a denunciar a ca-     Ninguém “avalia” banqueiros e empre-          zes e dos menos apressados. Mas essa
ces retalhadas pela teimosia fora-da-re-    bala. O ministro da Agricultura afirma a    sários mal-sucedidos (nem pede contas         mudança de prioridades também irá com
alidade, o preço a pagar pela suprema-      pés juntos que este ano pagará até ao       a supervisores que não supervisam coi-        certeza (e por fatalidade nossa) ser dita
cia de vaidades políticas sobre a triste    fim do ano os subsídios de 2008 (os mes-    sa-nenhuma), empunhando a mesma bi-           à ralé com o mesmo ar compungido de
nudez do nosso quotidiano atolado em        mos que no anterior só viram a luz do dia   tola vesga e de freio apertado que os         quem mudou o aeroporto da Ota para
becos sem saída, e tanto, tanto mar-chão    seis meses depois), e os agricultores ge-   professores vão ser obrigados a morder        Alcochete com um simples estalar de
iludido de oceano sem fundo – todo este     lados até aos ossos estão numa de ver-      até ao aço frio da rendição. Como disse-      falangetas. Ou talvez mesmo nem o seja,
ror de desgraças é obra (e que obra!) de    para-crer o que vai suceder por exem-       mos uma vez nesta coluna, o Estado anda       e bastará tão só deixar cair o assunto no
meia dúzia de protegidos do sistema que     plo com o RPU de 2008, quando reco-         por maus pisos e nós vamos ter de andar       esquecimento. Se no parlapié político há
se riem da impunidade que têm por se-       meçarem as desculpas de que primeiro        por pisos em mau estado durante pelo          tanta coisa que morre sem sequer che-
gura. Porque a tempestade só há-de de-      há verificações a fazer no terreno (à úl-   menos dois anos.                              gar a viver, mais uma menos uma não
sabar sobre os distraídos, os incrédulos,   tima hora, claro!). E a José Sócrates não      A casa portuguesa não é farta que          deve trazer melhoras ao défice das pro-
os desconfiados e os desentendidos!         basta esfolar-se a tapar os rombos do       baste para se dar ao luxo de ficar sem o      messas esquecidas. Porque se assim não
   A verdade de hoje, é mentira amanhã.     barco, a correr o convés da popa à proa,    pão de cada dia, porque a cairmos nessa       fosse, que sentido tinha a nossa vida
A esperança de agora, é desencanto mais     porque a marinhagem que tem à sua volta     ravina, o passo seguinte é o inevitável       monocórdica de pobres distraídos, incré-
logo. As balelas dos políticos, são o ca-   enjoa com as ondas e já viaja amarrada      casa-sem-pão-todos-ralham-e-ninguém-          dulos, desconfiados e desentendidos do
dafalso das ilusões dos pobres de espíri-   aos mastros. E como Cavaco não deixa-       tem-razão. E daí à revolta de rua vai outro   que está mesmo diante dos nossos olhos?
to que vêem luz em cada porta que se        rá ir o bote ao fundo, e Manuel Alegre já   passo – e a Grécia aqui tão perto a di-       Que vai doer, lá isso vai! E há-de ser
abre-e-fecha no lapso de todas as ver-      avisou que pode ir a votos por uma ‘nova    zer-nos de que migalha insignificante se      doloroso para aqueles a quem o pão cai
dades desmentidas. O défice de 2,2%,        esquerda’, está na cara que 2009 não é      faz outro Maio-de-68 quarenta anos de-        sempre com a manteiga para baixo!




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                         (Rua Pinheiro Chagas,
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                                                 co de uma nota de 50 escudos, talvez, mas        gueses dos demais sectores, da banca aos       PERGUNTAS SOBRE A CRISE
                                                 o facto era inquestionável: as prostitutas ti-   carros, das minas aos têxteis, mendigam
                                                 nham deixado de existir. Como prova, havia       milhões ao Estado e exibem a suprema pu-           1. Onde é que se traça a divisória entre
                                                 o tal decreto. (...)                             jança deste. O Estado está falido? Eis uma     empresas a salvar pelo tesouro público, para
                                                                       Ferreira Fernandes         oportunidade para os contribuintes portugue-   protecção “da imagem do Estado” (antes
                                                                       DN 14/Dezembro/08          ses que não integram grupos de pressão apli-   dizia-se “a bem da Nação”), e aquelas que,
                                                                                                  carem devidamente as poupanças realiza-        tristemente, morrerão sozinhas, sufocadas
                                                 DIREITOS HUMANOS                                 das com a descida dos combustíveis. (...)      por credores impacientes e trabalhadores
                                                                                                                                                 desesperados?
                                                    O Mundo celebrou o 60.° aniversário da                   Alberto Gonçalves (sociólogo)           2. Que critérios fundamentam essa sal-
                                                 Declaração Universal dos Direitos Huma-                               DN 7/Dezembro/08          vação ou perda? O número de assalaria-
                                                 nos, um dos textos internacionais, segura-                                                      dos? A antiguidade da instituição? O impac-
                                                 mente, mais importantes do século XX. Foi        A IMAGEM DE CAVACO                             te social da sua existência, para indivíduos,
                                                 votado, com a abstenção dos países comu-                                                        famílias, regiões? A facturação? Os resul-
A “COMPONENTE HUMANA”                            nistas, em 10 de Dezembro de 1948, depois           (...) Ao aceitar que lhe vedassem o         tados de exploração? A importância fiscal?
                                                 da Mensagem ao Congresso, enviada por            acesso à Assembleia Legislativa da Ma-             3. Quando falamos das perdas e prejuí-
   A ideia de Guilherme Silva, do PSD, para      Franklin Delano Roosevelt, em 6 de Janeiro       deira – ainda por cima com explicações         zos, há ou não que distinguir entre quantida-
resolver o problema das faltas dos deputa-       de 1941, no auge da II Guerra Mundial –          públicas de Jardim que resultavam num          de e qualidade, ou, se quisermos, entre valo-
dos que, às sextas-feiras, assinam o ponto e     intitulada Quatro Liberdades (liberdade de       insulto soez a toda a oposição regional –      res financeiros e circunstâncias? É que há
vão de fim-de-semana prolongado, estan-          expressão do pensamento, liberdade de re-        e ao vergar-se a convidar para um jan-         um abismo entre a má gestão e a força
do-se nas tintas para a AR e para o que ali      ligião, liberdade contra a miséria e liberdade   tar de consolação os partidos preteridos,      maior. Ou entre a infidelidade administrati-
se discute e decide, é de apoiar: passaria a     contra o medo) – e da Carta das Nações,          Cavaco Silva não representou os portu-         va (art.º 244 do Código Penal), que se tra-
haver plenários só às terças, quartas ou quin-   assinada em 6 de Junho de 1945, na cidade        gueses, mas apenas o chefe local, os seus      duz em prejuízo sério e violação grave e
tas (pois que as segundas ainda são fim-de-      de S. Francisco.
semana).                                            A Declaração Universal dos Direitos
   A explicação de Guilherme Silva é que         Humanos tem apenas 30 artigos mas é um
os deputados têm família, pelo que há no         texto de uma concisão e clareza de concei-
caso “uma componente humana (…) res-             tos extraordinárias, que marcou a cultura
peitável”. O PSD é um partido respeitador        política da segunda metade do século XX e
não só da família como das tradições. Os         que, no dizer de Robert Badinter, ex-presi-
deputados pirarem-se às sextas-feiras é uma      dente do Tribunal Constitucional francês,
tradição parlamentar, e o PSD não poderia        senador e membro do Comité de Apoio aos
ter no caso posição diferente da que teve        Human Rights Watch, de Paris, exprime «a
em relação a Barrancos. O problema é que,        dimensão moral do nosso tempo».
sabendo-se o que a casa gasta, o mais certo         Houve, no entanto, desde início, dois pon-
é que os deputados comecem, depois, a bal-       tos críticos relativamente à Declaração: o
dar-se às quintas, e quando deixar de haver      primeiro, o facto de não ser vinculativa
plenários também às quintas, às quartas, e       (como é hoje a Carta de Direitos insita no
depois às terças, e acabem ficando a sema-       Tratado de Lisboa, se chegar a ser ratifica-
na inteira em casa com a família, coisa com      do); o segundo, a prioridade dada pelo en-
uma “componente humana” inteiramente             tão Bloco Soviético aos Direitos Económi-
respeitável, até porque a maior parte deles      cos e Sociais, enquanto os americanos pri-
não faz falta nenhuma na AR e em casa            vilegiaram sempre os Direitos Cívicos e
decerto faz.                                     Políticos, o Direito à Propriedade e ao Livre
                     Manuel António Pina         Mercado...
                        JN 12/Dezembro/08                                      Mário Soares
                                                                                          Visão
CÓLERA E PROSTITUIÇÃO
                                                 SITUAÇÃO MARAVILHOSA                                                                            consciente de deveres de disposição, admi-
   Robert Mugabe disse esta semana: “Es-                                                          incondicionais e a sua própria fraque-         nistração e fiscalização de coisa alheia, e a
tou feliz por ter acabado com a cólera.” Ao         (...) No Verão, o primeiro-ministro acha-     za. Ao proferir, neste mesmo contex-           mera consequência financeira de circuns-
mesmo tempo, a ONU fez outro balanço: a          va a subida do preço dos combustíveis um         to, um ditirambo incontido sobre as ex-        tâncias externas alteradas. Ou ainda entre
cólera continua, já fez quase 800 mortos e       “incentivo” ao uso dos transportes públicos.     celências da governação local, reinci-         erros administrativos, deficiências contabi-
16 mil pessoas estão na lista de espera. As      Agora, acha que a descida representa uma         diu, já não por encobrimento, mas por          lísticas, imputáveis à impreparação, e deli-
duas declarações são produto de duas con-        melhoria nos rendimentos dos portugueses,        cumplicidade. Ao omitir qualquer de-           tos, derivados do dolo em acção.
cepções filosóficas diferentes. Há os ho-        que elegeram o eng. Sócrates e se vêem           claração sobre esse carnaval da de-                4. Por outras palavras, nem todas as
mens de pouca fé, demasiado agarrados à          governados pelo Pangloss de Voltaire, esse       mocracia que foi a suspensão dos ple-          empresas falidas possuem o crime como
ditadura dos factos – infelizmente a mais        incurável optimista para quem tudo o que         nários parlamentares da Madeira e a            origem do desastre. Não deve, assim, exis-
alta instância internacional está cheia des-     acontece é, por definição, benéfico. O exem-     interdição física, levada a cabo por se-       tir um saco único para colocar todos os ca-
ses cínicos. E, depois, há os visionários que    plo do petróleo é apenas um indício da ma-       guranças privados, do acesso de um             sos de degenerescência. (...)
acreditam que o fim da cólera é quando o         ravilhosa situação em que nos encontramos        deputado eleito, sob a alegação de que
homem quiser. Mugabe é um desses.                e da ainda mais maravilhosa situação a que       estas coisas se resolvem melhor no si-                                    Nuno Rogeiro
   A direcção de um país dá a certos políti-     nos arriscamos em breve. A economia eu-          lêncio das chancelarias, ele entrou em                                 JN 5/Dezembro/08
cos o exercício de um poder que os aparen-       ropeia entrou oficialmente em recessão?          contradição insanável com as ruidosas
ta a deuses: o decreto. Nos anos 60, Salazar     Óptimo, pois mostra que os portugueses são       mensagens ao país sobre as questões            LIÇÃO INDIANA
aboliu a prostituição. Os homens de pouca        tão europeus quanto os restantes. O euro         do estatuto açoriano. Depois de tudo
fé de então também sorriram, a pretexto da       cai face ao dólar? É bom para as exporta-        isso, o Presidente já não está a defen-           (...) Neste caso tudo leva a crer que a
suposta ineficácia da medida. Mas, na ver-       ções nacionais. As exportações não saem          der o regime, mas a sua própria ima-           dezena de terroristas que perpetrou os aten-
dade, Salazar acabou com a prostituição:         da cepa torta? Excelente: os portugueses         gem pública. Ora o regime é que é o            tados de Bombaim eram originários do Pun-
tendo decretado que as prostitutas acaba-        podem prosperar através do investimento          nosso problema. A defesa da imagem,            jab paquistanês e visavam desestabilizar a
ram, elas acabaram. Talvez tenha continua-       público. As obras públicas são sinónimo de       sendo embora um direito, é com quem            sociedade indiana a poucos meses de um
do a haver mulheres nas esquinas do Mar-         “derrapagem” e prejuízo calado? Não im-          julga precisar dela. (...)                     importante acto eleitoral naquele país.
tim Moniz, que subiam aos quartos das pen-       porta, visto que estimulam a economia. O                                                           O que é inovador nestes atentados é o
sões manhosas com homens desconheci-             estímulo restringe-se, quando muito, à cons-                    Nuno Brederode Santos           facto de eles se terem prolongado por mais
dos, talvez tivessem relações sexuais a tro-     trução civil? Perfeito, já que assim os portu-                      DN 7/Dezembro/08            de dois dias, assim contrastando com a na-
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                          OPINIÃO               9
tureza instantânea da generalidade dos aten-     1962 (vencimento mensal: 800$00), nunca           De um Pai, que se chama Estado (...)       jovem, blá-blá, adolescentes coitados, blá-
tados terroristas suicidários. Os seus agen-     o vi, por exemplo, nas reuniões em casa de     Pode ou não este Pai ter preferências         blá. Os desempregados que assaltam lojas
tes não parecem ter sido uma célula agre-        João Abel Manta, onde se discutia (Cardo-      pelos seus filhos, tratando uns como fi-      em países africanos ‘progressistas’ ou em
gada ocasionalmente, mas antes um grupo          so Pires, Sttau Monteiro, Abelaira, Cutilei-   lhos e outros como enteados? Pode ou          Timor, esses, são ‘desordeiros’. Há um gla-
bem treinado, que se dedicou ao seu plane-       ro) o tema da revista seguinte. Aliás, nos     não este Estado-Pai tratar de forma de-       mour do protesto consoante os desordeiros
amento durante bastante tempo, que con-          últimos 40 anos, apenas por quatro ou cinco    sigual os seus filhos, ajudando uns com       usam lencinho palestiniano ou exibem ma-
duziu as operações complexas (ataques qua-       vezes enxerguei a cara desagradável do         garantias, que, se correrem mal, são pagas    les pouco fotogénicos. No primeiro caso,
se simultâneos em sete pontos distintos de       cavalheiro – que parece suscitar um temor      por todos os enteados e não pelo consór-      podem apedrejar os carros da polícia en-
Bombaim) com uma disciplina e uma preci-         reverencial, para mim inexplicável, porque     cio bancário? Ou seja por todos os cida-      quanto bebem umas cervejas; no segundo,
são militares.                                   o não receio, em nenhuma circunstância ou      dãos que morrem lentamente asfixiados         são apenas instrumentalizados pela miséria,
   No mais a matriz destes atentados re-         situação. Desejo, ainda, referir que Augusto   com a carga brutal de impostos que pa-        o que é pouco cool para as novas gerações.
produz algumas das consignas do terroris-        Abelaira possuía grande coragem moral e        gam e por empresas que este Pai não aju-      A televisão gosta de promover o turismo do
mo global conotado com a Al-Qaeda: tenta-        física, o que o levou a enfrentar a PIDE,      dou e que estão em situação de falência.      desacato. (...)
tiva de provocar o maior número possível         com rara valentia. Do que nem todos se            Aos enteados (reformados, pensionistas
de vítimas (falava-se de que almejavam cinco     podem ufanar. Ponto final. Mas voltarei ao     e funcionários públicos) pede-se sacrifício                   Francisco José Viegas
mil vítimas), destruição de símbolos da soci-    assunto, acaso seja chamado à colação.         e que apertem o cinto. Aos filhos banquei-        Correio da Manhã 10/Dezembro/08
edade atacada (estação de caminhos-de-                                                          ros dá-se prémios pela gestão danosa.
ferrro, hotéis, hospitais, um centro judaico),                           Baptista-Bastos           Embora a situação destes filhos endia-     OS PATRIOTAS DO PSD
escolha de alvos plurinacionais (dos 200                               DN 4/Dezembro/08         brados seja diferente, o caso do BPP, ban-
mortos há 30 estrangeiros de 13 nacionali-                                                      co privado, sem expressão na economia            (...) Há no PSD um núcleo de patrio-
dades distintas) e o maior impacto mediáti-      CONTO DE NATAL                                 real do País, que se limitava a especular e   tas indefectíveis disposto a fazer tudo
co possível. (...)                                                                              a gerir fortunas, é escandaloso.              para impedir que o partido leve a me-
                                                    O eng.º Sócrates resolveu antecipar-           Se querem ajudar ajudem mas falem          lhor nas eleições. Basta ouvi-los na te-
                          António Vitorino       se ao Pai Natal e presentear-nos com           a verdade e não inventem a desculpa do        levisão ou na rádio durante alguns se-
                        DN 5/Dezembro/08         um anúncio: afinal, 2009 vai ser um ano        risco sistémico. Qualquer pessoa de bem       gundos, ou lê-los nos jornais ao longo
                                                 próspero e afortunado para todos nós.          e com a Instrução Primária sabe que a         de escassas linhas. É uma gente com
ELEIÇÃO DOS DEPUTADOS                            Diz ele, que as famílias portuguesas vão       falência do BPP não comporta risco sis-       alma de criada de servir que só sabe
                                                 ter melhores condições de vida. Como           témico de contaminação do restante sec-       dizer mal da patroa nas lojas da vizi-
    Por entre o ruído provocado pelas faltas     lhe diria o humorista Jô Soares, “só con-      tor financeiro.                               nhança. Aposta muito mais venenosa-
dos deputados à sessão parlamentar de sex-                                                                                                    mente na desagregação da imagem de
ta-feira passada, quase passou despercebi-                                                                                                    Manuela Ferreira Leite e do PSD do que
do o colóquio promovido pelo grupo parla-                                                                                                     o próprio PS. Está desesperada e dis-
mentar do PS em torno de um estudo aca-                                                                                                       posta a tudo. Todas as semanas se ma-
démico sobre possíveis alterações a intro-                                                                                                    nifesta, sob os pretextos mais idiotas e
duzir na lei eleitoral para a Assembleia da                                                                                                   nas formulações mais ranhosas e rastei-
República.                                                                                                                                    ras. E todas as semanas dispõe de larga
    (...) Pelo tom do debate naquele colóquio,                                                                                                cobertura de uma comunicação social tão
a fazer fé nos parcos relatos vindos na im-                                                                                                   prazenteira a anunciar as suas leituras,
prensa, ainda não será nesta Legislatura que                                                                                                  quanto superficial e leviana a passar à
tal objectivo será atingido.                                                                                                                  margem do que é realmente importante
    (...) Continuo a pensar que a melhor for-                                                                                                 ou a analisar o fundo das questões. (...)
ma de personalização do voto passa pela
criação de círculos uninominais de candida-                                                                                                                        Vasco Graça Moura
tura, compatibilizando-os com círculos pro-                                                                                                                        DN 10/Dezembro/08
porcionais de apuramento, com base nos
quais se faria a distribuição dos mandatos                                                                                                    A CRISE
pelos partidos, desta forma reconhecendo a
prevalência do princípio da representação                                                                                                        (...) A verdade é que, tirando aque-
proporcional como determina a Constitui-                                                                                                      les seis meses da década de 90 em que
ção. Reconheço, contudo, que o desenho                                                                                                        chegaram uns milhões valentes vindos
de um tal modelo não seria isento de algu-       taram p’ra você!”                                O que fica contaminado é a honra,           da União Europeia, eu não me lembro
ma complexidade e que tal exigiria um es-           A acreditar no primeiro-ministro, dir-se-   a ética e a honestidade dos homens.           de Portugal não estar em crise. Por
forço de explicação do novo sistema aos          ia que vai sair a Lotaria de Natal às famí-      Então os gestores e accionistas do          isso, acredito que a crise do ano que
eleitores que poderia tornar mais imprevisí-     lias portuguesas, que, e cito, “podem es-      BPP não têm direito a fugir com os            vem seja violenta. Mas creio que, se
vel o seu resultado final. (...)                 perar, em 2009, ganhar poder de compra”.       seus dividendos e a continuar a morar         uma crise quiser mesmo impressionar
                                                 Isto porque “podem esperar um melhor           na quinta do patinho ‘feio’?                  os portugueses, vai ter de trabalhar a
                         António Vitorino        rendimento disponível em 2009 que advi-          Claro que sim, esta gente merece            sério. Um crescimento zero, para nós,
                      DN 12/Dezembro/08          rá da baixa da Euribor” e “ver as suas         que o Estado proteja as suas fortunas         é amendoins. Pequenas recessões co-
                                                 despesas reduzidas com a gasolina, fruto       privadas.                                     mem os portugueses ao pequeno-almo-
TEXTO INDIGNO                                    da baixa do preço do petróleo”.                  O povo ‘invejoso e ingrato’ é que           ço. 2009 só assusta esses maricas da
                                                    Atendendo à quadra, gostaria de pe-         assim não pensa. Só com escárnio se           Europa que têm andado a crescer aci-
   A propósito do falecimento do grande          dir ao eng.º Sócrates o obséquio de não        entende este golpe de mestre.                 ma dos 7 por cento. Quem nunca foi
editor Joaquim Figueiredo de Magalhães, o        tratar “as famílias portuguesas” como in-                                                    além dos 2%, não está preocupado.
apenas concebível Vasco Pulido Valente           capazes e de começar a falar-lhes com                              Rui Rangel (juiz)            É tempo de reconhecer o mérito e
escreveu, no Público, um texto mais indig-       seriedade. (...)                                   Correio da Manhã 10/Dezembro/08           agradecer a governos atrás de gover-
no do que lhe é habitual. Entre omissões,                                                                                                     nos que fizeram tudo o que era possível
mentiras e pequenas velhacarias, insulta a                             Teresa Caeiro            DUPLICIDADE                                   para não habituar mal os portugueses.
memória de Augusto Abelaira, intelectual              Correio da Manhã 9/Dezembro/08                                                          A todos os executivos que mantiveram
respeitado e admirado, de quem diz ter tido                                                        Há uma enorme duplicidade das televi-      Portugal em crise desde 1143 até hoje,
a alcunha de “A Velha”. O Vasco PV de-           FILHOS DA NAÇÃO                                sões quando exibem imagens de tumultos:       muito obrigado. Agora, somos o povo
veria examinar a gravação das suas inter-                                                       há guerrilhas boas e guerrilhas más. Depen-   da Europa que está mais bem prepara-
venções, na TVI, medonha encarnação do             Do que venho hoje falar é de justiça         de. Para a generalidade da Imprensa, os       do para fazer face às dificuldades.
apodo que atribui ao grande romancista de        social e de igualdade, é de justiça de um      meninos que andam a destruir Atenas são
A Cidade das Flores. Quanto à revista Al-        Pai, que distribui de forma desigual e ina-    jovens e anarquistas em protesto.                              Ricardo Araújo Pereira
manaque, de que fui redactor a partir de         dequada a sua bênção aos filhos.                  Lá vem a ladainha habitual: desemprego                                      Visão
10            CRÓNICA                                                                                arte em café
                                                                                                                                17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008



                           A OUTRA FACE
                            DO ESPELHO                                     Secam rosas no olhar…
                          José Henrique Dias*
                            jhrdias@gmail.com

   O senhor tenha a bondade de me dar uma ajuda. Não
tenho ar de precisar? Isso diz o senhor. Olhe bem. Não sou
um caso de pobreza envergonhada, bem vê, está até algo
exposta, é mesmo extrema necessidade. Ouça-me, por fa-
vor. Como? Desculpe, pedi-lhe ajuda, o favor de me ouvir,
não lhe pedi opiniões sobre a minha aparência. Apresenta-
mo-nos como podemos. Como queremos, no meu caso.
Para que hei-de fazer a barba e cortar o cabelo? Não, não
sou desleixado. Se quer saber, fui até bem elegante, diziam.
Caprichava no vestir. Como caprichava no meu piano. Se
não tenho casa? Claro que tenho casa. Até muito confortá-
vel. Mas pense bem, meu senhor, se não for abusar da sua
paciência: acha mesmo que isto de estar na rua e pedir para     que aprendeu a dizer isso com Agostinho da Silva. Vivemos        pena, já não está aí, lhe disse que sou um sem-abrigo. Quem
ser ouvido, é despautério? Não, não se espante com as           belos momentos. Um encantamento sinfónico revertido lou-         perde o amor, e o amor acontece apenas uma vez quando
palavras. Tenho algumas fragilidades e este aspecto, esta-      cura nos encontros nocturnos. Sabe o que resta de mim,           acontece, fica desabrigado. Podemos arranjar imitações.
rei algo perturbado, mas sempre trabalhei com um vocabu-        meu senhor? Ainda aí está? Já foi embora. De mim resta           Se formos simples, podemos viver mesmo com alguma
lário vasto e diversificado. Sei pensar e conheço as pala-      uma rosa seca dentro de um livro e talvez uma florita silves-    harmonia. Mas não é, não pode ser aquilo que agora me
vras. Conheço-as por dentro. Despi muitas. Enrosquei-me         tre que um dia apanhei para lhe dar e não havia mais nada        está a queimar as palavras, me deixa a boca colada como
em outras tantas. Deixe-me dizer assim, se não ferir os         na natureza que valesse o gesto da dádiva. Suspeito que as       uma mordaça.
seus ouvidos: fiz amor com elas. Não gosto da expressão         guardou.                                                            O senhor já foi embora mas eu preciso de continuar a
fazer amor. Gostava de poder dizer de outra maneira. Mais          Tem graça, primeiro a língua fugiu para dávida. Cá estou      falar, senão rebento, ou então mato, sim, eu agora já percebi
forte. As palavras foram sempre minhas companheiras.            eu a torcer o pescoço às palavras. Se estivesse a escrever       muito desvario de que as pessoas depois se arrependem.
Minhas amantes. Como o meu piano. Mas o piano, coitado,         saía dávida pela certa. Depois emendava para o que se tem        Há um tigre dentro de todos nós. Matar é fácil. Difícil é
teve um triste fim. Lancei-o ao mar. Onde ela gostava de        por correcto. Se estivesse com ela começava o jogo das           sobreviver à ideia de que alguém toca no que é o ar que
prender o olhar. Fez-se barco e viagem. Diluiu-se como os       palavras na construção do poema. Dádiva-dá-vida-vidra-           respiramos e ficamos sem ar. Digam-me senhores, todos
vincos dos seus pés na areia da praia. Nem o senhor imagi-      da-irada-virada-iridiada-íris-adiada-ondeada-vida-irisada-       os que estão agora a passar diante dos meus olhos, nesta
na como conheço as palavras e como tocava piano. O so-          -enraizada-em-risada. Brincávamos. As palavras servem            rua infinitamente branca como têm sido as minhas noites,
nho da minha vida, depois que a conheci, foi compor uma         para pensarmos. Também para doerem. Às vezes rir. Ou             digam se sabem responder…
obra para quatro mãos. As nossas. Com ela, naturalmente.        morrer. Os esquizofrénicos inventam palavras. Ângelo de             Então, não pode estar a fazer esse barulho. Vamos lá
Conseguimos. Uma bela peça. Celebrada por quem a ou-            Lima um dia escreveu dorte. Onde há dor e morte. Era             embora daqui. Tem família, homenzinho?
via. Chamava-lhe, quando a sentia a meu lado, com os de-        poeta. Dizem que louco. Coisas dos médicos. Coletes de              Homenzinho?! Homem. Escrevi livros, sou pianista, a
dos na carícia do cabelo, a minha jói… ó que disparate, ela     forças nas palavras com neuroléticos na sintaxe. Assim se        minha casa é um palácio que todos invejam, tenho uma
é que me chamava jóia rara. Durante algum tempo. Essas          adormece a criatividade Assim se atormenta a poesia. Em          biblioteca com mais de trinta mil volumes, falo quatro lín-
coisas passam. São como o sarampo, em criança. Esque-           paredes sujas de hospícios e auspícios.                          guas e sei latim e grego, fiz conferências em universidades
cem. Só que sou mesmo um sem-abrigo. Tornei-me sem                 Ia falar dela. Pensei-a como a mais brilhante das mulhe-      do mundo, concertos em todos os palcos, tenho uma co-
dar por isso um sem-abrigo. Durmo em pedaços de cartão          res. A mais bela era com certeza, a meus olhos, é evidente.      menda pela exemplaridade do meu exercício cívico e o se-
da memória nas arcadas do tempo que passa. Como uma             Mas… moldar com jeito todas as potencialidades que a sua         nhor, só porque tenho estas barbas e falo sozinho, acha que
trova. Sem que o esperasse, perdi a essência de sentir-me       inteligência abria, elevá-la ao plano da criação, ensinar-lhe    me pode chamar homenzinho? Não há homenzinhos, nesse
vivo. Amava. Não se ria. Percebe-se quando falei no piano.      todos os mistérios das palavras, das mãos sobre o teclado, o     tom, senhor guarda: há pessoas. Está a ouvir? Pessoas! Eu
Já observou bem um piano? Não, não: por dentro. As cor-         soltar dos sons como se ouve o mar, o longe, os voos das         apenas fiquei sem-abrigo porque escolhi que fosse assim.
das tensas. À espera de serem percutidas. Com leveza ou         gaivotas, as canções do vento, os mistérios dos búzios, os       Perdi de repente todo o jeito para viver.
intensidade. Soarem música. Até ao grito. Até à raiz do         passos lentos na praia, o soltar das túnicas, como se ouve a        Vamos lá acabar com a conversa e saia daqui.
nome. Miriam! A minha discípula judia.                          nudez e o deslumbramento…                                           Coitado, é maluquinho. Se calhar ficou assim por causa
   Acho que não percebeu a metáfora e está a pensar que            Pois é, imagine que foi exactamente pelas palavras que        de algum desgosto.
estou a ser ridículo. O senhor é mais ou menos jovem e          acabei por perdê-la. Pela música das palavras que foi ab-           Fala de mim? Não, minha senhora, fiquei assim por cau-
pensa que na minha idade não se ama. Como se engana.            sorvendo. Pelas palavras da minha música. Alguém as viu          sa de uma rosa seca dentro de um livro. Primeiro secam as
Ainda amo. Talvez fosse, talvez seja um tanto possessivo.       ou as ouviu, aproximou-se e a verdade é que eu já não era        flores, olham para elas e choram de emoção. Depois se-
Era. Quem ama de verdade é assim. Absorve tudo Amar é           preciso. Estava gasto. Tudo já mais ou menos feito. E eu         cam-nos a nós, olham, não nos vêem e voltam ao riso das
ter alguém dentro de nós. Arde. Ninguém apaga esse lume.        não podia. O médico disse-me que era pouco o tempo, ou           novas descobertas. De mão dada.
A faca não corta o fogo. Claro que leio Herberto Helder.        todo o que teria estava infiltrado de sofrimento. Passei por        Até o tempo inexorável de soltar as mãos e voltar tudo
Está a perceber porque sou um sem-abrigo? Não é por             tudo o que era máquinas. Injectaram-me substâncias radio-        ao princípio.
causa de não ter casa, expliquei-lhe, é o que estou a sentir.   activas e mandaram-me para dentro de espécies de batís-
É um outro tecto que me falta. É a abóbada daquele sorriso.     cafos individuais. Nuclear não, obrigado. Cantigas. Can-
As pessoas passam, vêem-me com este aspecto e, claro,           tigas, não positrões. Ficava queimado. Por dentro. De mim
não me dão nada. Também não tenho pedido. Acha que se           saía um odor verde. Quando o médico me chamou, procu-
pode dizer a alguém, tragam de volta a vida?                    rou ser amável, mas tinha um ar severo. Notei a prega do
   O senhor é a primeira pessoa a quem peço. Apenas             franzir da testa e algum embaraço. Depois falou com algu-
porque pensei juntar a minha solidão à possível solidarieda-    ma pressa como para se livrar da derrota. Do turbilhão das
de que deambula. Não é como no Deus Lhe Pague do                palavras retive metástases nos ossos. Já tinha lido o sufi-
Joracy Camargo. Ser rico de noite e mendigo de dia. Eu          ciente para perceber o que estava a dizer-me. Foi nesse dia
não tenho absolutamente nada. Deixei tudo. Perdi tudo. A        que pensei nela de uma outra maneira. Não podia condená-
minha alma esvaziou-se. Nem lágrimas tenho. Secaram.            la a viver a minha tragédia. Não tive coragem para lhe
Estou condenado a estar vivo mais algum tempo e estou           fazer mal, cheguei a pensar em fazer com que me odiasse,
aqui também para vê-la passar sem que me reconheça.             mas não fui capaz. Pequenas patifarias apenas. Que ela foi
   Quando tudo era belo e havia a obra a quatro mãos,           gerindo por amor. Mas na verdade eu já não tinha lugar.
chamava-me meu poeta. Dizia meu poeta à solta. Creio            Quem vai ao mar perde o lugar. Por isso, meu senhor, que                                              * Professor universitário
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008
                                                                                                                                                     NACIONAL                  11
PRÉDIO DOS CTT DE COIMBRA
É UM DOS CASOS EM ANÁLISE                                                                           Municípios prescindem
PGR diz que continua                                                                                de 555 milhões de euros
                                                                                                     Os municípios portugueses vão prescindir no próximo ano de 555 milhões de
a investigação                                                                                    euros de receitas de impostos para minimizar os efeitos da crise financeira mun-
                                                                                                  dial, foi ontem (terça-feira) anunciado.
                                                                                                     Em conferência de imprensa, o Presidente da Associação Nacional de Municí-
   A Procuradoria-Geral da República             este processo CTT prende-se com sus-
                                                                                                  pios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, adiantou que a este valor acrescem
(PGR) informou ontem (terça-feira) que só        peitas da prática de crimes de adminis-
                                                                                                  “uns milhões largos de euros de respostas autónomas que cada município dá”.
foi aberto um processo em relação aos CTT-       tração danosa, infidelidade e corrupção
                                                                                                     Aqueles montantes advêm da diminuição do IMI - Imposto Municipal sobre
Correios de Portugal e que continua em in-       passiva.
                                                                                                  Imóveis (150 milhões de euros), IMT - Imposto Municipal sobre a Transmissão
vestigação.                                         Um dos casos em investigação prende-
                                                                                                  Onerosa de Imóveis (160 milhões), da Derrama e do IRS (ambos em montantes
   “O processo relativo aos CTT continua         se com a venda de um edifício dos CTT em
                                                                                                  de 15 milhões).
em investigação, havendo um único proces-        Coimbra, a 20 de Março de 2003, por 14,8
                                                                                                     A estas verbas acrescem 200 milhões de euros de perda de receitas de taxas
so. Estão a ser investigadas, entre outras,      milhões de euros, a uma empresa, que o
                                                                                                  e licenças devido ao adiamento da entrada em vigor da nova Lei das Taxas
as situações que foram descritas nas audi-       revendeu no mesmo dia por 20 milhões.
                                                                                                  Municipais, solicitada pelos municípios ao Governo, e do contributo de 15 mi-
torias realizadas”, refere a PGR numa in-           As suspeitas em causa incidem sobre a
                                                                                                  lhões de euros para o não aumento das tarifas de electricidade, explicou Fernan-
formação transmitida à Agência Lusa, sem         administração dos CTT quando era presidi-
                                                                                                  do Ruas, no final de uma reunião do Conselho Directivo da Associação.
adiantar mais detalhes.                          da por Carlos Horta e Costa, que já rejeitou
   De acordo com notícias publicadas,            qualquer acusação de má gestão.


PÚBLICA FRACÇÃO


                     Francisco Amaral
                     franciscoamaral@gmail.com



TELENOVELAS
BRASILEIRAS EM QUEDA

  Renata Pallottini, professora de Dra-
maturgia, da Escola de Comunicação e
Artes, da Universidade de São Paulo, que          Sónia Braga em “Gabriela, Cravo e Canela”


                                                 nova queda de audiências é anunciada,          necessário reconhecer que as fórmulas         Intervinha muito e com persistência no
                                                 sobretudo no último ano.                       envelheceram e que é necessário uma           seu papel de sindicalista? Não é, até ver,
                                                    Renata defende que “as novelas bra-         outra televisão.                              nenhum crime. Incómoda? Talvez. Mas
                                                 sileiras insistem numa fórmula de suces-                                                     ter opiniões diferentes não pode consti-
                                                 so dos anos 70, 80 e 90, não se aperce-                                                      tuir um factor de estigmatização.
                                                                                                RTP-VISEU
                                                 bendo que os padrões de ética da socie-                                                         A Direcção de Informação da RTP
                                                 dade mudaram. Os textos são fracos e           SEM TER QUE FAZER                             tem destacado sistematicamente equipas
                                                 os bons actores envelheceram, não sen-                                                       da delegação de Coimbra, “mantendo a
                                                 do substituídos.”                                 A jornalista Maria João Barros, tra-       jornalista desocupada, o que representa
                                                    Em Portugal esta queda de audiências        balhadora da RTP na delegação de Vi-          uma humilhação inaceitável e uma afron-
                                                 das telenovelas brasileiras já se nota des-    seu, desde finais de Agosto que não tem       ta ao seu profissionalismo.”
                                                 de o início da década. Como consequên-         quaisquer tarefas profissionais atribuídas.      O Sindicato dos Jornalistas refere ain-
                                                 cia mais evidente, a queda de audiências          Segundo o Sindicato dos Jornalistas, o     da: “A forma como a DI e o próprio Con-
                                                 da SIC. Queda que parece não dar sinais        comportamento da delegação de Viseu           selho de Administração da Empresa têm
                                                 de inversão. Nem agora, com o regresso         da RTP indicia a tentativa de levar a jor-    tratado este assunto indicia uma inten-
                                                 de Nuno Santos, a “estação de Carnaxi-         nalista a “romper a sua relação de tra-       ção de beneficiar o infractor e de afec-
                                                 de” mostra capacidade para recuperar.          balho” com a empresa, e alimenta legíti-      tar a dignidade da jornalista e de lhe cri-
                                                 Está tudo na mesma. Quero dizer que a          mas suspeitas de que “a jornalista Maria      ar um ambiente humilhante e desestabi-
 Renata Pallottini                               SIC parece não ter sabido libertar-se dos      João Barros está a ser alvo de retalia-       lizador que a levem a romper a sua rela-
                                                 modelos que criou e no campo dos quais         ção por parte da empresa pelo facto de        ção de trabalho com a RTP.”
esteve em Coimbra, na ESEC, ainda há             foi ultrapassada. Criar uma alternativa à      ser dirigente sindical”.                         Que se esclareça esta situação é o
poucos meses, afirmou num artigo publi-          TVI na área da televisão “popular” é uma          Maria João Barros foi jornalista na        mínimo que se pode esperar. O que se
cado na última edição da revista Veja,           missão complicada.                             RTP em Coimbra há largos anos. Quem           passa faz lembrar algumas situações que
que nos últimos dez anos, a cada novela             Talvez, comparando com o que se             a conheceu sabe que tem “nervo” e é           se viveram já em Democracia, mas que
lançada, sobretudo pela TV Globo, uma            passa com as telenovelas brasileiras, seja     das que preferem quebrar do que torcer.       parece terem deixado sementes.
12           NATAL                                                                                                  17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008


   Dando continuidade a uma tradição
natalícia já com muitos anos, Fernando
Simões Ribeiro e a sua Medalhística
Lusatenas, de Coimbra (a mais concei-
                                               Tradições de Natal assinaladas
tuada editora portuguesa de medalhas,
com prestígio internacional), acaba de
editar a sua Medalha Comemorativa do
Natal de 2008.
   Trata-de de um belo trabalho de auto-
ria do escultor Jorge Coelho, numa me-
dalha cunhada em bronze (com o diâ-
metro de 90 mm).
   Ou seja, uma excelente oferta de Na-
tal, que certamente agradará a quantos
com ela forem distinguidos, e que perdu-
rará pelos anos fora como inesquecível
e palpável recordação.
   A Medalha deste ano vem acompanha-
da (como também é habitual) por um belo
texto da autoria do padre A. Jesus Ramos,
Professor de História da Igreja no Instituto
Superior de Teologia de Coimbra.
   É esse texto que a seguir se transcre-
ve, com a devida vénia:

COMO O POVO                                    mais comum é o canto natalício.                                                      saborosas como esta:
CANTA O NATAL                                     Do Minho ao Algarve, da Madeira aos        Olhei para o céu,
                                               Açores, não há vila nem aldeia onde,          Estava estrelado;                        Ó meu Menino Jesus,
   O nascimento de Jesus é um dos acon-        nesta noite santa, o povo não faça ouvir      Vi o Deus Menino                         Vinde ao meio da Igreja,
tecimentos que marca mais profunda-            os seus cânticos tradicionais, muitos de-     Em palhas deitado.                       Que eu vos quero adorar
mente a cultura popular portuguesa. Não        les com origem desconhecida e a per-          Em palhas deitado,                       Onde toda a gente veja.
esquecendo os grandes presépios que se         der-se na bruma do nosso passado co-          Em palhas estendido,
erguem em quase todas as igrejas, feitos       lectivo. De tantos que se cantam, nem         Filho de uma rosa,                       Um pouco por todo o lado, em Trás-
pelas mãos do povo, como fruto da sua          sabemos qual é o mais popular, nem qual       Dum cravo nascido!                     -os-Montes, nas Beiras e na Estrema-
imaginária e da sua devoção, ou os au-         é o mais antigo. Na Beira Baixa e no                                                 dura, os grupos de crianças e de jovens,
tos de Natal, que se representam nos           Alto Alentejo, por exemplo, não há quem       Também na Beira, todos, dos mais       nas escolas e nas lições de catequese,
templos e nas praças, a forma cultural         desconheça este refrão:                     velhos aos mais jovens, cantam quadras   entoam:
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008
                                                                                           NATAL 13

em medalha
  Alegrem-se os céus e a terra,               Bateram a muitas portas,
  Cantemos com alegria,                       Mas ninguém lhes acudia,
  Já nasceu o Deus Menino,                    Foram dar a uma choupana
  Filho da Virgem Maria.                      Onde o boi bento dormia.
                                               Como estas, muitas são as canções com
   Mais a sul, no Algarve, é costume con-
                                            que o povo celebra o Natal, afirmando as-
tar-se a história do nascimento de Jesus
                                            sim a sua fé, no mistérioa da vinda do Filho
com quadras cantadas ao gosto popular:
                                            de Deus, que vem habitar no meio de nós.
                                            A cultura e a fé andam aqui, como quase
  Linda noite de Natal,
                                            em tudo, de mãos juntas. É, de resto, em
  Noite de grande alegria,
                                            sintonia com a fé e a cultura do nosso povo,
  Caminhava S. José
                                            que a Medalhística Lusatenas edita esta
  Mai-la sagrada Maria.
                                            artística medalha de Natal.
14            RETRATO                                                                                                17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008


GEORGINA FIGUEIREDO

“Do sonho, nasce… mais sonho”
Filipa Gameiro do Carmo *
                                              ali, a dois anos de completar o Liceu.      um outro sonho que vinha criando raízes     gócio na área da restauração. Nos res-
   Há muitos anos que, para Georgina             Outros sonhos, então, ganharam for-      na mente de ambos: abrir um restaurante.    taurantes sente-se a crise das mais di-
Figueiredo, o dia começa às seis e meia       ma. Os filhos que desejava e os desafios    E hoje já são três. Vinte anos volvidos e   versas formas, desde a quebra no nú-
da manhã. O que tem veio com dificul-         profissionais na cidade, Coimbra. Pena-     muita dedicação depois, Gina contempla a    mero de refeições servidas, passando
dade, do trabalho e do próprio suor. “Não     cova ficava para trás, uma doce lem-        obra e sorri. “Foram vinte e um anos de     pela redução dos gastos por parte dos
herdámos e não temos pais ricos”. Do          brança dos anos felizes passados com a      trabalho, tantos quanto de casamento”.      clientes. “Antigamente os pais que vi-
pai herdou o lema de que é preciso arre-      mãe e o irmão. À sua frente, um mundo          O trabalho deu frutos e o casamento      nham com os filhos almoçar no dia da
gaçar as mangas para saber o que custa                                                                                                Bênção das Pastas, traziam quase toda
a vida.                                                                                                                               a família e pediam de tudo, desde entra-
   A infância de Gina foi feliz, passada                                                                                              das até às sobremesas e aos digestivos.
sozinha com a mãe na pequena aldeia em                                                                                                Isso não acontece actualmente. Bebe-
que viviam, perto de Penacova. Toda a                                                                                                 se o vinho da casa e dividem-se as do-
atenção e os mimos dos progenitores iam                                                                                               ses. A crise existe mas não acredito em
para a pequena Gina, menina tímida e                                                                                                  metade das coisas que oiço nas notícias.
pouco dada a travessuras, uma perfeita                                                                                                Penso que alguém está a exagerar e a
mulherzinha. Aos sete anos, para seu de-                                                                                              lucrar com esta crise”.
leite, nasce o irmão. As atenções passam                                                                                                 Por Coimbra, a crise vai sendo disfar-
a ser divididas, mas o amor chega para os                                                                                             çada, pelo menos em tempo de festa
dois. Eram unha com carne e ainda hoje                                                                                                académica, com os restaurantes a serem
o são. A aldeia onde Gina vivia com a mãe                                                                                             reservados a meses do evento. “Apesar
e o irmão só tinha Escola Primária; quem                                                                                              de alguns episódios menos felizes envol-
aspirasse à escolaridade obrigatória ou,                                                                                              vendo estudantes, eles continuam a ser
quem sabe, um pouco mais, tinha que ir                                                                                                um dos principais motores da cidade. Os
estudar para a vila, Penacova. A dureza                                                                                               jantares e almoços académicos são sem-
dos três quilómetros percorridos todos os                                                                                             pre bem-vindos”. Com os três restauran-
dias, por vezes debaixo de sol, outras tan-                                                                                           tes que possui, o mal sempre pode ser
tas à chuva, era amaciada pela certeza                                                                                                distribuído pelas aldeias, apesar de “O
do banho quente à espera e do jantar pron-                                                                                            Serenata” ser o predilecto da comunida-
to na mesa. A mãe era assim, extremosa.                                                                                               de estudantil por ser o mais informal,
Sem rancor, Gina assume: “Não posso                                                                                                   dedicado à cozinha típica Portuguesa. O
falar em pais porque foi mais mãe”. O                                                                                                 “D. Espeto” é o local ideal para quem
pai estava emigrado.                                                                                                                  não resiste a uma espetada, das mais tra-
   Corria o ano de 1986. Nem só o bom
filho a casa torna, também o bom pai o
faz. Após trinta anos em França e ou-                                                                                                  Nome: Georgina Figueiredo
tros tantos dias de trabalho árduo, era                                                                                                Idade: 40
hora de regressar. As visitas no Natal,                                                                                                Área: Restauração
Páscoa e o costumeiro mês de Agosto                                                                                                    Prato: Sardinha Assada
com a família, momentos preciosos sa-          Georgina Figueiredo                                                                     Bebida: Vinho Tinto
boreados avidamente por milhares de                                                                                                    ou Caipirinha
emigrantes, eram coisa do passado. A          para descobrir e explorar. A nova aven-     também. Inês, dezasseis anos, e Gonça-       País: Brasil
família Oliveira estava, novamente, reu-      tura começou no café “Montanha” no          lo, quatro, com quem tenta passar o má-      Vício: Fumar
nida. O pai sempre foi um homem seve-         largo da Portagem. Com o marido ainda       ximo de tempo possível. Por vezes não é      Um dia quis ser: Advogada
ro e autoritário, mas foi do marido que       a concluir o serviço militar, Gina viu-se   fácil, tantas são as exigências de uma
recebeu o maior ultimato da sua vida:         forçada a abandonar, definitivamente, a     vida dedicada à restauração. Com qua-
“Chegou ao pé de mim e disse: Ou aca-         pele de adolescente e a vestir uma nova:    tro estabelecimentos para gerir e outras    dicionais a algumas combinações auda-
bamos o namoro, ou casamos. Não es-           a de empresária. “Eu nunca tinha feito      tantas dezenas de famílias dependentes      ciosas. O mais recente desafio, “Praça
tou para aturar o teu pai!”. Aos dezoito      nada, fui atirada às feras. Não estava      dessa gestão, sobra pouco mais que o        do Marisco”, aposta nos produtos fres-
anos, o coração falou mais alto e Gina        habituada à vida”, confessa. Contudo,       tempo suficiente para lhes incutir os va-   cos do mar, bem como no cabrito con-
disse que sim. O casamento, à boa tradi-      depressa se habituou. Como ela própria      lores que considera fundamentais: hones-    feccionado de forma tradicional. A estes
ção da aldeia, foi de mesa farta e copo       assume, sempre foi uma mulher de ar-        tidade, sinceridade e humildade. Estes      três estabelecimentos, junta-se o café
cheio. E muitos envelopes recheados com       mas, pronta para a guerra. Após alguns      são, para a empresária, os pilares de uma   “Cristal”, com horário alargado a fim de
os ilustres Antero de Quental e António       anos surgiu a oportunidade de explora-      boa educação. Isso e amor, claro está.      saciar apetites tardios. Com maior ou
Sérgio. Foi o início de uma nova vida para    rem um estabelecimento próprio. O nome         Gina não tem pudor em assumir-se         menor sofisticação nos menus, não deixa
ambos e o fim dos estudos para ela, bem       era auspicioso, escolhido quiçá em jeito    uma “fanática das limpezas”. Talvez por     de ser interessante descobrir que o prato
como das conversas e beijinhos ao por-        de mote; Dreams, sonhos, assim se cha-      isso, espelha nas casas que gere essa       favorito de Gina é… sardinha assada. A
tão debaixo do olhar atento do pai. O         mava. O primeiro negócio do casal, o        faceta. Já teve inúmeras visitas da Au-     acompanhar: um bom vinho tinto.
sonho de ser um dia advogada ficava por       primeiro passo para a concretização de      toridade para a Segurança Alimentar e          Após tantas conquistas, continua a so-
                                                                                          Económica e nenhuma delas resultou eu       nhar. Gostaria de abrir um Hotel de Char-
                                                                                          auto. Cumpre as normas à risca e, ape-      me em Coimbra e, um desejo que lhe vem
                                                                                          sar de achar a actuação da ASAE um          desde os vinte anos, tirar um curso de De-
                                                                                          pouco inconsistente, considera a entida-    coração numa prestigiada escola em Lon-
                                                                                          de indispensável. “Às vezes são muito       dres. Como diria um dos maiores vultos da
                                                                                          rigorosos numas casas e nem tanto nou-      Literatura Francesa, Victor Hugo, não há
                                                                                          tras… Há casas por esta cidade que são      nada como o sonho para criar o futuro.
                                                                                          uma vergonha!”. Se juntarmos à fiscali-     “Utopia hoje, carne e osso amanhã”.
                                                                                          zação apertada a crise que se vive actu-                 * Aluna finalista da Licenciatura
                                                                                          almente, é fácil perceber que este não é                           em Comunicação Social
                                                                                          um bom momento para começar um ne-                     do Instituto Superior Miguel Torga
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008
                                                                                                                                    EDUCAÇÃO/ENSINO   15
DIFERENDO ENTRE SINDICATOS E GOVERNO

Cavaco deseja que negociações
sejam bem sucedidas
   O Presidente da República, Cavaco             sores, que reúne os 11 sindicatos do             nuem a lutar, nas escolas, pela sus-
Silva, manifestou-se na passada sema-            sector, reuniram quinta-feira com a              pensão do processo de avaliação,
na esperançado em que “o novo espa-              ministra da Educação, Maria de Lur-              subscrevendo um manifesto que será
ço negocial” aberto entre sindicatos             des Rodrigues, para lhe apresentarem             entregue ao ME no próximo dia 22 e
dos professores e Ministério da Edu-             uma proposta alternativa ao actual               que virá a ser “o maior abaixo-assina-
cação tenha “resultados positivos”.              modelo de avaliação.                             do alguma vez realizado” no sector.
   “Quero crer que esse novo espaço                 O encontro terminou, porém, sem                 A greve nacional agendada para 19
conduzirá a resultados positivos”, dis-          acordo, pelo que Governo anunciou que            de Janeiro vai igualmente manter-se,
se Cavaco Silva durante uma visita a             avançará com a avaliação de desem-               não estando excluída a possibilidade
Coimbra.                                         penho dos professores já este ano lec-           de serem ainda retomadas, no segun-
   Na sua opinião, “as negociações es-           tivo, embora de forma simplificada.              do período de aulas, as paralisações
tão a decorrer nAo fórum adequado”.                 Quanto aos sindicatos, reforçaram             regionais que a plataforma suspendeu
   A Plataforma Sindical dos Profes-             o apelo aos docentes para que conti-             na semana passada.



Modernização de mais 100 escolas
custará 500 milhões de euros
   As 7 medidas de incentivo ao investi-         las, que vai além das “26 já previstas” para     eficiência energética dos edifícios públi-
mento custarão 800 milhões de euros, onde        este ano, segundo disse o primeiro-minis-        cos (hospitais, universidades, tribunais, re-
se destaca a modernização de mais uma            tro, e que custará 500 milhões de euros,         partições públicas, etc).
centena de escolas já no próximo ano, cujo       está ainda previsto um reforço do investi-          O investimento em redes de teleconta-
investimento global chega aos 500 milhões.       mento em energia sustentável e na mo-            gem de energia está também contempla-
   As contas constam do documento en-            dernização das infra-estruturas tecnoló-         do no plano de combate à crise. As medi-
tregue aos jornalistas na conferência de         gicas das redes de banda larga de nova           das na área da energia vão custar 250
imprensa que se seguiu ao Conselho de            geração.                                         milhões de euros, segundo contas apre-
Ministros, que aprovou o plano de com-              No caso da energia, o Governo decidiu         sentadas pelo Governo.
bate à crise e que prevê um total de 29          dar um “apoio extraordinário à instalação,          Na área da modernização da infra-es-
medidas para incentivar o investimento e         durante o ano de 2009, de painéis solares        trutura tecnológica, o Governo avança
o emprego.                                       e de unidades de microgeração, designa-          com o apoio na realização de investimen-
   Do total de investimento no valor de          damente mini-eólicas”.                           tos nas redes de banda larga de nova ge-
800 milhões de euros, 600 milhões serão             Está prevista ainda a “antecipação de         ração e a promoção da utilização domés-
financiados pelo Orçamento do Estado e           investimento em infra-estrutura de trans-        tica e institucional das redes. Medidas cuja
o restante virá dos fundos comunitários.         porte de energia”, adiantou o ministro da        despesa fiscal ascenderá a 50 milhões de
   Além da modernização de 100 esco-             Economia, Manuel Pinho, e a melhoria da          euros.




                                                           Boa-fé versus Má-fé
                      Maria Isabel
                      Lemos *                    tre os representantes dos professores e a        que caberia… numa folha A4”. Primei-
                                                 ministra, para, dizia ela, se negociar, se en-   ro não foi “finalmente” que tomou co-
   Quando eu era menina e depois moça,           contrar possibilidades de entendimento, de-      nhecimento das propostas; já lhe haviam
quando os pais falavam com os filhos e           corriam ao mesmo tempo reuniões com os           sido entregues. Segundo, tratava-se de
não descansavam só na escola, seja pú-           responsáveis das escolas, pressionando-os        um modelo transitório para este ano lec-
blica ou privada, as aprendizagens, o de-        a continuar e a realizar os procedimentos        tivo, até se chegar ao modelo desejável
senvolvimento de competências, o reco-           de avaliação. Mais, quando se encontrou a        para o futuro. Terceiro, constituía um
nhecimento de atitudes e valores, sempre         possibilidade de realizar uma reunião de         ponto de partida, que poderia e deveria
que eu chegava a casa, inquieta e revol-         “agenda aberta”, em que tudo poderia estar       ser negociado, melhorado, de acordo com
tada, por ter sido vítima, real ou imagina-      em discussão, quando a Plataforma Sindi-         os acordos que fossem surgindo. Mas
da, de qualquer picardia ou perversidade         cal, usando de boa-fé, aceitou, alguns mo-       isso, se houvesse boa-fé.
de amigas ou colegas e eu vociferava             mentos depois já estava o Secretário de Es-         Para finalizar, aquilo que mais me cho-
contra elas, a minha mãe, com sábia tran-        tado a afirmar que “tudo” não incluía a sus-     cou, me deixou perplexa, foi a Srª Minis-
quilidade, dizia-me mais ou menos isto:          pensão do modelo de avaliação.                   tra, com um ar irónico (pelo menos eu
“Quem não se julga bem, não é bem jul-              Que me perdoe a minha mãe, mas                senti ironia e quase desprezo…), falar
gado”. Entendia ela e ensinou-me então           começo a achar que não posso continu-            da extensão da proposta. Ah! Já perce-
a não julgar mal os outros, a ter boa-fé.        ar a ter boa-fé, pelo menos para com esta        bi: para a Srª Ministra, tudo tem que ser
   Vem tudo isto a propósito das últimas pseu-   equipa ministerial. Estou definitivamen-         complexo, longo, difícil, obscuro.
do-negociações entre o Ministério da Edu-        te zangada.                                         E aqui está como, de pessoa de boa-
cação e a Plataforma Sindical. É importan-          A minha zanga aumenta ao ouvir o ar           fé, passei a nunca mais acreditar, sobre-
te denunciar a má-fé de Maria de Lurdes          displicente da Srª Ministra a falar da pro-      tudo naqueles que me habituaram à sua
Rodrigues e da sua equipa. Por duas vezes,       posta levada pelos sindicatos para a reu-        má-fé.
e quando estavam aprazadas reuniões en-          nião de 11 de Dezembro: “uma proposta                         * Professora e dirigente do SPRC
16         SAÚDE                                                                                                     17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008




                                                  “Costumes Portugueses”
                    Massano                Lisboa encerram um grande número de            las e alimentos de todos os tipos a fim de   aquele que perdoa, aquele que tem o po-
                    Cardoso                detidos. As razões têm a ver com a len-        os alimentar com o mínimo de dignida-        der, e que tem o desejo de o aplicar, po-
                                           tidão do procedimento criminal, o não          de. O orçamento para este fim era mui-       dem-no procurar, mas nunca o encontram”.
                                           respeito pelas leis, à compaixão e talvez      to reduzido nesse tempo. Depois conti-          Ponho-me a pensar o que diria hoje
   Um amigo, das bandas de Alenquer,       também à negligência dos magistrados;          nua a descrever as iniciativas de carác-     Évêque se pudesse retratar-nos nova-
mimoseou-me com uma obra muito inte-       numa palavra, a uma espécie de laisser-        ter misericordioso para minimizar a es-      mente. Para já, não falaria da “sopa dos
ressante e que desconhecia: “Portugue-     aller que é a marca de todos os sectores       tadia nos presídios.                         prisioneiros”, mas da sopa que alguns pri-
se Costumes” de Henry                                                                                                                             sioneiros nos dão. Continuaria
L’Évêque. O livro, publicado em                                                                                                                   a ficar espantado por não ha-
Londres, em 1814, descreve de                                                                                                                     ver portugueses na prisão por
uma forma sublime os costumes                                                                                                                     dívidas, que a justiça continua
portugueses da época. As descri-                                                                                                                  no mesmo ritmo, lenta, no mí-
ções, em inglês e em francês, são                                                                                                                 nimo, que o laisser-aller é a de
muito sugestivas e enriquecidas                                                                                                                   facto a marca nacional, não
por cinquenta magníficas gravu-                                                                                                                   obstante todas as reformas,
ras a cores. Trata-se, quase que                                                                                                                  enfim, que em Lisboa, e tam-
diria de um “elo perdido” que per-                                                                                                                bém no resto do país, os dela-
mite conhecer-nos um pouco me-                                                                                                                    tores continuam a fazer das
lhor, até porque o que está relata-                                                                                                               suas, muitas vezes com o ob-
do não está tão longe de nós como                                                                                                                 jectivo de denegrir a imagem
isso, apenas duzentos anos.                                                                                                                       dos cidadãos. De facto a ca-
   Comecei a ler e não consegui                                                                                                                   lúnia tornou-se numa das ar-
parar. Após a primeira descrição,                                                                                                                 mas mais perigosas capaz de
“A audiência do Príncipe” em que                                                                                                                  destruir em muito pouco tem-
são relatadas as formas como                                                                                                                      po toda uma existência. E,
abordar e como fazer as petições,                                                                                                                 mesmo que se venha a provar
junto do mais alto representante                                                                                                                  a inocência do acusado, per-
de então, surge a “Sopa dos Pri-                                                                                                                  manecem sempre alguns efei-
sioneiros”. Neste texto chama a                                                                                                                   tos devastadores da imagem do
atenção alguns parágrafos. “Em                                                                                                                    cidadão. João Chagas, na sua
Portugal não se prende ninguém por dí-     da administração pública”.                        Na parte final, após o elogio à “cle-     interessante obra, “Posta-restante (car-
vidas; e como se praticam proporcional-       Évêque descreve em seguida que os           mência hereditária” da casa de Bragan-       tas a toda a gente)”, escreveu a seguin-
mente muito menos crimes que na maior      prisioneiros são raramente maltratados,        ça, o autor cita o seguinte: “Encontram      te frase a propósito das iniciativas e ar-
parte dos estados europeus, como é o       devido às máximas de uma religião cari-        sempre em Lisboa, e hoje mais do que         dor do apostolado de um cidadão: “Ca-
caso da Inglaterra, por exemplo, sería-    dosa e à doçura do carácter nacional. O        nunca, delatores prontos a denunciar, um     tequise, catequise. Da catequese, como
mos tentados a crer que as prisões estão   pior é sustentar os prisioneiros, o que leva   intendente-geral da polícia para deter os    da calúnia, sempre fica alguma coisa”.
praticamente vazias. Entretanto as de      algumas ordens religiosas a obter esmo-        acusados, tribunais para os julgar. Mas         Pois fica!




Bem dormir para bem conduzir
   Neste mês de Dezembro, as festas        tratar, aquilo que os americanos chamam,       des terapêuticas com indicação precisa          As necessidades de sono são iguais
de Natal e de Fim-de-Ano levam a que       o drowsy driving – a condução sob o            para a insónia, surge no mercado portu-      para a grande maioria dos adultos, em-
muitos milhares de pessoas se desloquem    efeito do sono. O drowsy driving pode          guês um medicamento – melatonina de          bora haja quem pense que precisa de
de automóvel. Aos condutores recomen-      ser devido a não ter dormido ou dormido        libertação prolongada – que ajudará a        poucas horas de sono para ter qualidade
da-se, sobretudo, que não consumam         muito menos do que devia para repou-           resolver o distúrbio de sono mais comum      de vida no dia seguinte. A verdade é que
álcool, o que é bem avisado. E também      sar, mas também pode acontecer em              a muitos doentes.                            a insónia afecta cerca de 30 a 45 por
que não ingiram substâncias tóxicas, nem   pessoas que dormem as horas normais,               “Há muito tempo que não havia novi-      cento da população mundial. Em Portu-
medicamentos que provoquem sonolên-        mas cujo sono não foi reparador”, expli-       dades terapêuticas para as insónias. Por     gal os distúrbios do sono afectam 30 por
cia. Mas importa ter em atenção, igual-    ca António Atalaia, neurologista e mem-        isso este novo medicamento é uma boa         cento da população, sendo, de uma ma-
mente, que um condutor muito cansado       bro da Associação Portuguesa do Sono.          notícia para os que diariamente tratam       neira geral, mais afectadas as mulheres
ou ensonado é um perigo na estrada, para   O especialista sublinha que é fundamen-        estes casos”, diz, sublinhando que este      e os idosos.
ele próprio e quem o acompanha, mas        tal que as pessoas estejam alertadas para      medicamento tem a vantagem de ter in-           Segundo a psiquiatra, “o tratamento
também para as outras pessoas que cir-     reconhecer os sintomas do sono e não           dicação específica para determinadas         das insónias pode até passar pela sim-
culam nas estradas.                        terem demasiada confiança na sua ca-           insónias e ajudará muitas outras.            ples aprendizagem de técnicas de rela-
   “Em Portugal, tal como se faz há        pacidade de o controlar.                          Dormir pouco ou mal afecta a saúde        xamento, embora a maioria dos casos
muitos anos EUA, é preciso começar a          Após 10 anos de ausência de novida-         física e psicológica. O stress e os pro-     implique uma terapêutica com medica-
                                                                                          blemas no trabalho são os principais cul-    mentos”. Segundo os especialistas, a in-
                                                                                          pados pelas noites mal passadas dos por-     sónia é tratável ou controlável em 95 por
                                                                                          tugueses, resultando “num excesso de         cento dos casos. Os sedativos, indutores
                                                                                          sonolência, em depressões, dificuldade de    do sono e os tranquilizantes são os medi-
                                                                                          concentração, fraco desempenho nas           camentos mais utilizados para tratar a
                                                                                          tarefas quotidianas e pequenos lapsos de     insónia, ainda que não tenham essa pri-
                                                                                          memória”. Resumindo, “a dificuldade de       meira indicação.
                                                                                          aguentar a pressão diária que se traduz         De qualquer modo, se tiver sono, não
                                                                                          numa baixa qualidade de vida”, explica       conduza!
                                                                                          Lucília Bravo, psiquiatra.
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                      SAÚDE            17
EM CERIMÓNIA NA BIBLIOTECA JOANINA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

“Prémio Robalo Cordeiro - AER/GSK”
vai ser entregue na sexta-feira
                                                                             Decorre depois de amanhã (sexta-feira, dia 19), pelas 11 horas, na Bibliote-
                                                                          ca Joanina da Universidade de Coimbra, a cerimónia solene da entrega do
                                                                          “Prémio Robalo Cordeiro - AER/GSK”.
                                                                             A sessão, promovida pela Associação Portuguesa de Estudos Respiratórios
                                                                          (AER) e pela Glako SmithKline (GSK), contará com a presença de destaca-
                                                                          das individualidades, entre as quais o antigo Presidente da Assembleia da Re-
                                                                          pública, Almeida Santos, e o próprio António José Robalo Cordeiro, em home-
                                                                          nagem a quem foi criado este prémio com o seu nome.
                                                                             Recorde-se que o Prof. António José Robalo Cordeiro foi um dos mais pres-
                                                                          tigiados Catedráticos da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
                                                                          e um dos mais destacados especialistas em Pneumologia, não só em termos
                                                                          nacionais, mas mesmo além-fronteiras.
                                                                             Apesar de se ter jubilado há alguns anos, o Prof. Robalo Cordeiro continua
                                                                          a ser uma referência na área da Pneumologia, a ele se devendo a importância
                                                                          que esta especialidade veio a ter nos Hospitais da Universidade de Coimbra,
                                                                          em serviço por ele dirigido ao longo de muitos anos.
                                                                             Este “Prémio Robalo Cordeiro - AER/GSK” é atribuído de dois em dois
                                                                          anos, destinando-se a galardoar trabalhos de investigação científica, originais
                                                                          e inéditos, efectuados no âmbito do tema “Pulmão Profundo – Do Ambiente à
                                                                          Genética”.
                                                                             Trata-se de um prémio que para além do seu significativo valor pecuniário
                                                                          (25 mil euros), assume um grande valor simbólico, pois muito prestigia os que
                                                                          com ele são distinguidos.

                                                                           Na imagem ao lado o Prof. Dr. António José Robalo Cordeiro, cujo nome foi atribuído
                                                                           a este prestigiado galardão como forma de homenagear a sua notável obra
                                                                           no campo da Pneumologia




Carlos Robalo Cordeiro distinguido                                                                            Fundação Portuguesa
                                                                                                              de Cardiologia
com o prestigiado                                                                                             visita
Prémio SPP/Fundação AstraZeneca                                                                               a Casa dos Pobres
   Carlos Robalo Cordeiro, Professor da Faculdade de Me-
                                                                                                              (Coimbra)
dicina da Universidade de Coimbra, acaba de ser distin-
guido, durante o Congresso Anual da Sociedade Portugue-                                                           A Delegação Centro da Fundação Por-
sa de Pneumologia (SPP), que decorreu no Porto no início                                                       tuguesa de Cardiologia (FPC) vai visitar,
do corrente mês de Dezembro, com o prestigiado Prémio                                                          no próximo dia 22, a Casa dos Pobres de
SPP/Fundação AstraZeneca.                                                                                      Coimbra
   A distinção agora concedida a Carlos Robalo Cordeiro,                                                          Esta visita será iniciada com um ras-
que é também Chefe de Serviço de Pneumologia dos Hos-                                                          treio feito aos Residentes, para apurar o
pitais da Universidade de Coimbra, destina-se a premiar o                                                      seu estado de saúde no que respeita a ris-
melhor trabalho nacional de investigação na área respira-                                                      cos cardio-vasculares.
tória publicado em revista indexada, no ano de 2007.                                                              Segue-se um almoço de confraternização.
   Carlos Robalo Cordeiro conquistou o referido Prémio                                                            Nesta acção, a FPC conta com a cola-
com a publicação “Bronchoalveolar Lavage in Occupatio-                                                         boração do Lions Clube de Coimbra e de
nal Lung Diseases”, nos Seminars in Respiratory and Cri-                                                       enfermeiros voluntários.
                                                            Carlos Robalo Cordeiro
tical Care Medicine.
18         OPINIÃO                                                                                           17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008




                                                 “Repúblicas” de Coimbra
                 Varela Pècurto                                                                                               murais satíricas.
                                                                                                                                 Um belo cinzeiro de pé alto que
                                                                                                                              existiu na “Hilda” (estabelecimento de
   Embora se comecem a verificar re-
                                                                                                                              fotografia no Largo da Portagem) e
trocessos na proliferação de universi-
                                                                                                                              desapareceu “misteriosamente”, pela
dades do País, a existência das que
                                                                                                                              altura que tinha, só podia ter sido le-
continuam em actividade sempre tiram
                                                                                                                              vado a coberto de uma capa...
estudantes a Coimbra.
                                                                                                                                 Também se aconselha aos visitan-
   Já lá vai o tempo em que os candi-
                                                                                                                              tes das “repúblicas” que leiam a lista
datos abdicavam da universidade que
                                                                                                                              das calinadas registadas durante as
lhes ficava mais perto para rumarem
                                                                                                                              conversas, principalmente às refei-
a esta cidade, no centro de Portugal.
                                                                                                                              ções. Ficam apontadas ad vitam ae-
   Grande mas sossegada e com uma
                                                                                                                              ternam. Pouco há a dizer da arqui-
Universidade a ter um belo historial,
                                                                                                                              tectura dos edifícios ocupados por “re-
os motivos eram suficientes para atra-
                                                                                                                              públicas”, salvo o que acolhe a “Pra-
ir os jovens. E não têm conta os que
                                                                                                                              Kys-Tão”, nome que está pintado
por ela têm passado desde então e se
                                                                                                                              numa tabuleta pendurada na fachada,
notabilizaram depois nos mais varia-
                                                                                                                              como é hábito de todas.
dos quadrantes do mundo do Traba-
                                                                                                                                 O edifício é referido nos livros de-
lho. As tradições académicas também
                                                                                                                              dicados à Coimbra monumental. Situ-
cativam, com a Queima das Fitas à
                                                                                                                              ado na Rua do Correio ou Joaquim An-
cabeça. Mas viver numa “República”
                                                                                                                              tónio de Aguiar, onde forma um ângu-
é ambição de muitos caloiros.
                                                                                                                              lo com a Rua das Esteirinhas, é o mais
   Não vou desenvolver este tema,
                                                                                                                              típico da cidade, da época do primei-
apesar de quem nunca passou pelo
                                                                                                                              ro renascimento.
ambiente que nelas se vive tenha difi-
                                                                                                                                 Quem o olha, vindo da Sé Velha, logo
culdade em compreender a preferên-
                                                                                                                              dá conta da semelhança que tem com
cia de tantos estudantes em se insta-
                                                                                                                              um navio ou nau, daí lhe vindo o nome:
larem nas “Repúblicas” da cidade. E
                                                                                                                              casa do navio ou da nau. Existem jane-
as que vão desaparecendo logo são
                                                                                                                              las de arco e relevos. Sobressai o va-
substituídas, agora com a novidade de
                                                                                                                              randim triangular com colunelo no topo.
serem mistas.
                                                                                                                              O sub-beiral tem interesse, sendo mui-
   No distante Janeiro de 1920 surgiu
                                                                                                                              to decorativo, com modilhões que su-
a primeira residência feminina univer-
                                                                                                                              portam a cornija onde se cravam gár-
sitária que se pode considerar uma “re-
                                                                                                                              gulas. Do lado poente a fachada tem
pública”, fundada por Virgínia Abreu
                                                                                                                              janelas com colunelos e balaústres.
Pestana, nos Palácios Confusos. As
                                                                                                                                 Mantém-se o hábito de enfeitar as
actividades extra-escolares eram pou-
                                                                                                                              fachadas das “repúblicas” com as
cas, nem participando nas actividades
                                                                                                                              mais desencontradas velharias e ob-
da Associação Académica de Coim-
                                                                                                                              jectos insólitos durante festas acadé-
bra em cuja sede não entravam. Não
                                                                                                                              micas, aniversários etc. Nos tempos
usavam capa, embora pudessem usar
                                                                                                                              em que houve Legião Portuguesa o
fitas, vendo o cortejo de longe. Para
                                                                                                                              seu quartel situava-se em frente da
se ter uma ideia como era primitiva a
                                                                                                                              fachada poente da “Pra-Kys-Tão”.
situação da mulher na Academia, bas-
                                            Das normas rígidas que estas pionei-   do o diário que escreviam, tal proibição   Os legionários colocaram sobre o arco
ta lembrar que a primeira só entrou na
                                          ras estabeleceram para uso interno       foi quebrada duas vezes: por um irmão      de acesso à escadaria, no átrio, uma
Universidade depois do Reitor, que
                                          constava a proibição de entrada de ho-   da fundadora e por um estrangeiro que      faixa onde se lia “Aqui não reside o
estava indeciso, ter consultado o Mi-
                                          mens na residência. No entanto, segun-   fazia parte duma tuna espanhola.           temor”. De imediato os estudantes
nistro da Educação.
                                                                                      O tempo sempre chegou para estu-        desta “república” colocaram uma
                                                                                   dar e para grandes farras e noitadas       comprida tira de pano na fachada vi-
                                                                                   em que participam convidados impor-        rada para o quartel, na qual pintaram
                                                                                   tantes.                                    a frase “Aqui também não”.
                                                                                      A simplici-
                                                                                   dade das insta-
                                                                                   lações      não
                                                                                   afectam os uti-
                                                                                   lizadores. Os
                                                                                   quartos guar-
                                                                                   dam muitas re-
                                                                                   cordações de
                                                                                   quem por ali
                                                                                   passa ou toma-
                                                                                   das em “mis-
                                                                                   sões secretas”
                                                                                   um pouco por
                                                                                   toda a cidade.
                                                                                   São frequentes
                                                                                   as pinturas
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                            MÚSICA               19
                                                                                                                                   (Fred Falke Remix)” de The Whitest Boy
Distorções                                                                                                                         Alive, “So Haunted (Knightlife Remix)”
                                                                                                                                   dos Cut Copy, “Big Weekend (Delorean
                                                                                                                                   Remix)” dos Lemonade, “Shadows (Kni-
                                                                                                                                   ghtlife Remix)” dos Midnight Juggernauts
                                                                                                                                   foram alguns dos temas que por ali “des-
                                                                                                                                   filaram”. Gostei imenso e espero rever
                                                                                                                                   em breve, porque de facto este é o meu
                                                                                                                                   programa preferido da rádio portuguesa,
                  José Miguel Nora                                                                                                 sobretudo porque alia o enorme talento
                  josemiguelnora@gmail.com
                                                                                       The Whitest Boy Alive                       de Miguel Quintão, enquanto divulgador
                                                                                                                                   musical, ao excelente comunicador que
   No passado fim                                                                      Gift – que, aliás, estava a actuar quando   é Álvaro Costa, sempre atento ao que
de semana, tive a                                                                      cheguei. Mas, de facto, foram os Rapa-      se escreve na imprensa especializada,
oportunidade de ir                                                                     zes que cativaram a minha atenção com       não esquecendo as séries e os filmes que
ver o primeiro “dj                            Midnight Juggernauts                     um “set” de duas horas, mas bastante        vão dando que falar do outro lado do
set” dos “Bons Ra-                                                                     directo e a cativar todos os que ali se     Atlântico. Se já ouviram é só não perde-
pazes” – um pro-                             “um talkshow de música com conversa       encontravam, nunca esquecendo que a         rem pitada, se não o fizeram ainda, é tem-
grama da autoria de                          pelo meio” – integrado num evento de-     essa animação só estavam aliados temas      po de o fazerem quanto antes.
Álvaro Costa e Mi-                           nominado “Discopólis” que teve lugar      que tivessem passado pelo programa.
guel Quintão, que vai para o ar na Ante-     num dos pisos do parque de estaciona-     Facto que, como ouvinte assíduo, posso      PARA SABER MAIS:
na 3, de segunda a quinta-feira, das 20      mento do Cinema City. O mesmo inte-       comprovar. Temas como: “Kelly (Lifeli-
às 22 horas, definido pelos próprios como    grava, também, Nuno Gonçalves dos The     ke Remix)”dos Van She, “Golden Cage         http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/bonsrapazes


PARA ASSINALAR DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


Governo Civil de Coimbra promoveu
concerto inédito
   Por iniciativa do Governo Civil de                                                                                              seus limites físicos, dando o exemplo
Coimbra, realizou-se no Pavilhão Cen-                                                                                              para as pessoas que são portadoras
tro de Portugal, em Coimbra, um con-                                                                                               de deficiência, mas também mostran-
certo alusivo ao Dia Internacional das                                                                                             do a todos como vencer os desafios
Pessoas com Deficiência (3 de Dezem-                                                                                               que a vida nos coloca.
bro), em que participaram a Orquestra                                                                                                 De tarde, igualmente no Pavilhão
Clássica do Centro (OCC) e os grupos                                                                                               Centro de Portugal, foi inaugurada
5.ª Punkada (da APPC) e Cãoboys (da                                                                                                uma exposição de trabalhos realiza-
APPACDM).                                                                                                                          dos pelos utentes da APPC e da
   Os grupos musicais da APPC e da                                                                                                 APPACDM.
APPACDM mostraram o trabalho que                                                                                                      Recorde-se que na sequência da
desenvolvem ao longo do ano, com as                                                                                                Resolução da ONU de 1998, 3 de De-
respectivas actuações muito aplaudidas.                                                                                            zembro passou a ser o Dia Internacio-
Seguiu-se o concerto pela Orquestra                                                                                                nal das Pessoas com Deficiência. Este
Clássica do Centro que, sob a direcção                                                                                             dia é celebrado por todas as organiza-
do Maestro Virgílio Caseiro, apresentou                                                                                            ções internacionais e nacionais sob um
no final dois temas em conjunto com o                                                                                              lema definido anualmente. Este ano, a
grupo 5.ª Punkada, calorosamente aplau-                                                                                            União Europeia definiu como tema
didos.                                                                                                                             “Agir Localmente para uma Socieda-
   Ponto alto da noite foi a homenagem                                                                                             de para todos” e as Nações Unidas
prestada pelo Governo Civil de Coimbra           Henrique Fernandes prestando homenagem a António Marques
                                                                                                                                   “Dignidade e Justiça para Todas as
ao atleta paralímpico António Marques,       obteve este ano, nos Jogos Paralímpicos                                               pessoas”. A nível nacional, as come-
                                                                                         Henrique Fernandes realçou o su-
natural do Concelho de Penacova, que,        de Pequim, o 2.º lugar em Individual e                                                morações deste ano decorreram sob o
                                                                                       cesso atingido por este atleta, que con-
entre muitos prémios antes alcançados,       Equipas na modalidade de Boccia.                                                      slogan “Não Discrimines, Integra!”.
                                                                                       seguiu superar, da melhor forma, os




 Aspecto da inauguração da exposição                                                     O maestro Virgílio Caseiro dirigindo a OCC e o grupo 5.ª Punkada
20         CRÓNICA                                                                                              17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008



AO CORRER DA PENA...


                                                      Sinto tanto a tua falta!...
                                            nosso amor.                               agora. Queria-te ainda mais. Fazes-        zidas pelo teu olhar. Esse olhar escu-
                    Maria Pinto*               Mãos nas mãos. Cabelos soltos ao       me falta no tom de voz. A serenata         ro e profundo que me envolvia. As
                   mainha.pinto@gmail.com   vento. Final de tarde de Inverno. Tar-    que me fizeste, recordas-te? Emocio-       horas passadas assim, em silêncio,
                                            de de Natal.                              naste-me pela surpresa. Sorrimos de        ouvindo apenas o crepitar da foguei-
                                               – Tens rosto de macaca chinesa,        cumplicidade mais tarde. Dormia eu         ra. Enlaçados. Pensativos. Inspirados.
   Agora que é quase Natal, o teu ros-      querida!”                                 placidamente no sofá em sonho rosa
to e o teu corpo avolumam-se. A voz...         – És a minha jóia, amor. A minha       e tu irrompeste pelo telefone entoan-         Não consigo conformar-me. Conti-
a tua voz... a rosa que me trazias sem-     jóia rara.                                do a “Canção de Embalar” do Zeca.          nuo a ouvir-te, amor. Continuo a ver-
pre nesse dia, no dia de Natal e a for-        Depois corríamos, lembras-te?          Pareceu-me estar numa outra dimen-         te, a ler-te, a perceber as tuas entreli-
ma como a despetalavas e comemo-            Fala, amor, lembras-te? Corríamos já      são. Senti que vivia um sonho. Um so-      nhas, a tentar interpretar-te. A mágoa
ravas em mim. Robustos como árvo-           não na praia mas pelos montes fora        nho real. De embalar. Faz-me falta         persiste, permanece a revolta. Tenho
res. Como árvores de Natal. Sinto tan-                                                esse amar que não sei se sonhei, que       dificuldade em concentrar-me Mas
                                                                                      não sei se alguma vez encontrei.           percebo o porquê do teu afastamen-
                                                                                         Porquê? Por que razão foste em-         to. Tu és romance! Onde quer que es-
                                                                                      bora assim tão bruscamente? O que          tejas neste momento – agora e sem-
                                                                                      te ensinei, afinal? O que ficou de mim     pre – tu és poesia, és uma forma de
                                                                                      em ti?                                     altar simbólico do culto da amizade e
                                                                                         Um pouco antes de “partires”, dizi-     do amor. Percebi-te melhor há pou-
                                                                                      as-me: “tens uma grande força, mi-         cos dias, quando sorvi o soberbo fil-
                                                                                      nha querida. Tens poder. És ao mes-        me francês “Deux Jours à Touer” e
                                                                                      mo tempo mulher e personagem de            te senti o protagonista.
                                                                                      tragédia. Estarei sempre ligado a ti.         Estejas onde estiveres – onde es-
                                                                                      São estes momentos de eternidade que       tás? – continuarás ligado à vida e às
                                                                                      ficarão... são estes momentos de uma       pessoas que deixaste. Sei que estás
                                                                                      história bela – tão bela, meu Deus! –      aqui, bem perto de mim. Sinto a melo-
                                                                                      mas tão trágica”...                        dia do teu respirar. Virás neste Na-
                                                                                                                                 tal? Traz a rosa vermelha, sim?
                                                                                        Sabíamo-nos de cor. Estávamos               Fazes-me tanta falta, meu amor!
                                                                                      misturados um no outro, quase que dis-     Não me deixes sem cor, sem perfu-
                                                                                      solvidos. A certa altura já não sabía-     me, sem rosa... sem nada.
                                                                                      mos onde cada um de nós se iniciava




to a tua falta!...                          como dois potros selvagens... como
   Eras o meu sopro de vida. Lembras-       dois cabritos monteses. O rebolar por
te quando dizias que eu era a nature-       entre a areia, por entre os pequenos
za da tua alma? Momentos antes de           declives campestres... o rebolar feito
quereres “morrer”, choravas... “já não      de palavras doces, de palavras soltas
tenho alma! Acho que vais desapare-         que iam e vinham com o vento em tur-
cer! Contigo vai o canteiro onde re-        bilhões de imaginação e criatividade...
gava as minhas flores, o livro onde         ao som das melodias de Chopin, em
escrevia os meus poemas, o livro onde       ritmo de dança... de valsa.
te escrevia. Onde te esculpia”...
                                               Vem-me à memória, agora que me
   Sinto-me tão só! Também eu me            sinto tão de dentro, tão sem-abrigo, o
vejo sem alma, porque ela se desfez         momento em que planeámos e fize-
em pedaços espalhados pelas recor-          mos a nossa filha: “com açúcar, com
dações de ti. Pelas lembranças de um        afecto, fiz meu doce predilecto”, en-
amor sem tempo. De um querer para           toava-te. A nossa filha, meu amor.
além do tempo.                              Margarida. Nome de flor. Prenhe de
   Será que pensaste em mim quando          palavras. Das palavras doces com que
decidiste “desaparecer”? Enquanto te        a fomos envolvendo ao longo da sua
foste afastando... desvanecendo... es-      gestação. Enchia-la da tua inteligên-
fumando?                                    cia rara. Colocavas as tuas mãos so-
   Olho para o céu das gaivotas e en-       bre o meu ventre e embalavas Mar-         e terminava. Trocávamos poesia, ini-          Nota: com este pequeno texto, por
contro o teu voo. O teu rasto. O teu        garida, que cresceu bonita até nascer     bições, fortalezas. Percebíamos os         certo triste, quis homenagear todos
rasgo. Revejo o mar e revejo-te. “Só        em tempo de Primavera, em mês de          nossos pavores... depois ríamos deles      aqueles que de algum modo tiveram
o teu riso dura. Mostrei-te o mar. Mos-     revolução. Margarida. Flor linda. Flor    e prendíamoA-nos nos braços. Nos           de partir, mas que continuam bem ace-
trei-to antes e depois de morreres”.        lida. Linda flor. Flor em forma de co-    teus braços. Nos meus. Com sabor a         sos dentro de nós. Em particular nes-
Fazes-me tanta falta! Os passeios à         ração: Margarida tal livro aberto em      felicidade. Com saber de finitude. Mo-     ta época em que se diz ser Natal, ape-
beira-mar naqueles pores-do-sol infin-      busca de sonhos, de ideias. De vida.      mentos de intemporalidade...               sar de profundamente desvirtuada pe-
dáveis, as nossas pegadas bem vin-                                                                                               los devaneios consumistas...
cadas, traçadas para a eternidade do          Fazes-me falta no olhar. É Natal          Faz-me falta o silêncio. As falas tra-
                                                                                                                                               * Docente do ensino superior
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                       OPINIÃO              21
                                                          Entre a guerra e o bom senso
                                               pública, provoca crescente animosidade no      que, na AR, não será apenas a bancada           governo.
                                               seio dos cidadãos.                             socialista que está contra os professores.          A nossa luta deverá ser a da excelên-
                     Renato Ávila                 Com efeito, desde que esta executivo           Contrariamente ao que afirma o Sr. Se-       cia contra a mediocridade, da dignidade
                                               tomou posse, tem sido sistemática, osten-      cretário de Estado Pedreira, a guerra foi       contra a mesquinhez, da competência con-
                                               siva, e obsessiva a campanha no sentido        estrondosamente declarada pelo governo          tra a ignorância, do rigor e exigência con-
   Estão abertas as trincheiras.               de voltar a opinião pública contra aquilo a    logo que entrou em funções. Vieram de-          tra a balda das pseudo avaliações, dos
   Como em todas guerras, as justificações     que o PM entende por “corporações” e           pois as batalhas do ECD, dos Concursos,         pseudo sucessos, da oca e capciosa ari-
proclamadas raramente coincidem com as         criar o ambiente para o processo que ele       dos Horários e, agora, a da Avaliação.          dez dos esquemas e das estatísticas.
razões essenciais.                             classificou de “reformas” mas que, na             Quem ler nas linhas e entrelinhas de al-         O folclore, o soez da linguagem, a in-
   Será por isso que sabemos quando prin-      metodologia, mais não é do que uma espé-       guma imprensa, nas palavras e meias pa-         sensatez das atitudes, em nada nos dig-
cipiam e desconhecemos como e quando           cie de ajuste de contas, o claro aviltamento   lavras de alguns espíritos tidos por ilumina-   nifica, nos ajuda. É entrar no jogo, no re-
acabam.                                        da dignidade própria de quem exerce um         dos; quem se der ao cuidado de, na NET,         gisto do opositor, nas coordenadas da sua
   Ao lançar o grito de guerra, é mister que   múnus especial e específico na comunida-       visitar certos blogues ou analisar os comen-    actuação.
o contendor tenha bem presente não só o        de: educar, julgar, defender… missões com      tários aduzidos a algumas notícias ligadas          As centenas de milhar em Lisboa, no
número de espingardas de cada lado mas         entranhada e respeitosa consideração na        à escola e aos professores, constatará que      calor da sua generosidade e da sua revol-
também a correspondente capacidade de          sociedade e credoras de seculares prerro-      a campanha atingiu os seus objectivos em        ta, deram azo a interpretações abusivas dos
resistência.                                   gativas socialmente aceites e consuetudi-      largos estratos da sociedade portuguesa.        nossos naturais comportamentos. Quem
   Foi assim que vencemos em Aljubarro-        nariamente consagradas.                           O malandro, o incompetente, o privile-       está ressabiado, malevolamente motivado,
ta. Foi assim que nos perdemos em Alcá-           A recente votação na AR dum projecto        giado, o pobre diabo, o “manga de alpa-         é incapaz de estar de boa fé.
cer Quibir.                                    de lei apresentado por partido da oposição,    ca”… estão lá, assim como as diatribes              Nesta crucial fase da luta, o grito de
   Dum lado estarão uns cento e cinquen-       no sentido de suspender o vigente e uni-       contra os sindicalistas, especialmente os       guerra não nos ilustra, mas sim a persona-
ta mil professores feridos na sua dignida-     versalmente contestado processo de avali-      mais mediáticos.                                lidade, a firmeza, o bom senso, o espírito
de, curvados ao peso ciclópico duma buro-      ação docente, foi bem a imagem daquilo            Se era isso que o Governo pretendia          de “construção”.
cracia inconsequente e impiedosa e duma        que é a nossa classe política, da qualidade    para a classe que há-de formar os portu-            Personalidade bem fundamentada nas
política sem sólidos princípios de coerên-     e da seriedade dos eleitos do povo. Uma        gueses de hoje e do futuro, tê-lo-á, de cer-    verdadeiras razões da nossa luta; firmeza
cia pedagógica; do outro, a máquina do         comprometida maioria, enfeudada à insóli-      to modo, conseguido. Serão, por assim di-       para as defender; bom senso e clareza nas
estado controlada por uma maioria arro-        ta teimosia dum governo, a votar contra;       zer, as sombras mais negras da radiografia      negociações e nas mensagens para a opi-
gante e autista, de corporativos interesses    uma oposição contestante, todavia, ausen-      do seu burocrático e deseducativo projec-       nião pública, nas atitudes em relação à hie-
e obscuras motivações a qual, pressionan-      te; meia dúzia de professores da bancada       to de educação e de escola para Portugal.       rarquia e à comunidade escolar; realismo
do significativa parcela da comunicação        socialista que, com desassombro e assu-           Esta guerra de trincheiras não vai a lado    e espírito construtivo no sentido de não ir
social, age negativamente sobre a opinião      mindo-se como tal, teve a solidariedade, a     algum. Sejamos realistas!                       além do razoável mas à frente do positivo.
pública no sentido de a virar contra aque-     honra, a coragem de ignorar a disciplina          Está, todavia, na mão dos professores            Ao puxar pela corda, saibamos encon-
les. O fulcro de toda uma estratégia que       partidária e votar a favor do projecto com     querer vencê-la. É decisiva essa vitória.       trar o equilíbrio entre os nossos interes-
visa nivelar por baixo e controlar adminis-    a correspondente e a amarga decepção der       Não propriamente por uma questão de             ses e os da escola, entre a força das nos-
trativamente todos os grupos profissionais     o ver rejeitado.                               honra mas, sobretudo, pela defesa da dig-       sas razões e a razão da força dum estado
que, pela sua função cívica e social, pos-        Ninguém nos pode proibir de pensar em       nidade da escola e da educação. Pelas           sem razão.
sam pôr em causa e em perigo a abusiva         conluios não só “interpares” mas também        nossas crianças. Pelos nossos jovens.               O nosso campo de batalha é a escola e
ascendência que os políticos exercem so-       “extrapares” para alguns deputados salva-         O problema de fundo nem será propri-         temos de defendê-la como lugar de paz,
bre os cidadãos. Esse receio é tanto maior     rem a face. É que as posições de certa         amente a avaliação nem mesmo a exis-            de sabedoria e de dignidade.
quando a política partidária, reflectindo-se   oposição contra o modelo de avaliação se-      tência de duas categorias de professores.           O nosso inimigo é a ignara arrogância
nos órgãos do Estado, e exibindo-se tão        riam tão somente cavalgada na onda. Puro       O problema é de postura, de política, de        de quem teima em desconhecer a sua pró-
negativamente no Parlamento e na praça         aproveitamento político. De concluir, pois,    incapacidade pedagógica, de miopia do           pria ignorância.


FILATELICAMENTE
                                                1935 – Tudo pela Nação                                                                         POIS...

                     João Paulo
                     Simões
                                                                                                                                                                      José
                         Era um País                                                                                                                                  d’Encarnação
        Para onde se ia adormecendo
          E se caminhava no repouso                                                                                                                Vítor, desta feita, saboreou mais
            Como um adeus invertido                                                                                                             demoradamente o café. «É o último
              Ou uma folha enrolada                                                                                                             café que tomas», anunciara-lhe a
              No seu próprio silêncio                                                                                                           Teresa. «Fechamos amanhã. Um
                                                                                                                                                chinês comprou-nos isto».
                      António Ramos Rosa       de que surge (diferenciação linguística,       nhada por Almada Negreiros, simbolizan-              Sabor amargo.
                                               étnica, religiosa, geográfica, política) e     do os valores e forças da Nação unidos               Dizem que, no momento da mor-
  Segundo a Enciclopédia Verbo Luso-           que ficam a marcar o seu carácter. (...)”      num movimento único – a Pátria. Junta-            te, a vida inteirinha passa diante de
Brasileira de Cultura, Edição Século XXI          No nosso país, em 1935, vivía-se em         mente com os selos, emitiram-se também            nós num ápice. Assim para o Vítor.
vol. 20, página 997, Nação, é uma “co-         plena ditadura Salazarista. Foi a mais lon-    postais iguais à emissão. A gravura dos           As cavaqueiras, o dominó, as cos-
munidade histórica de cultura. Funda-se        ga da Europa Ocidental.                        selos é de Arnaldo Fragoso e entraram             cuvilhices, a vizinhança, a comuni-
numa história comum, em afinidade de              Nessa data, surgem os primeiros selos       em circulação a 26 de Agosto, 20 de No-           dade, o copito de medronho…
espírito e instituições (mentalidade, edu-     ligados ao Estado Novo: Tudo pela Na-          vembro, 26 de Dezembrode 1941, tendo                 Em seu lugar, depressa se insta-
cação, estilo de vida e relações sociais,      ção – frase usada muita vez por Salazar        saído de circulação a 1 de Outubro de             lariam cores, loiças, plásticos, bugi-
valores éticos, maneira de estar no mun-       “tudo pela Nação, nada contra a Nação”,        1945. O papel é liso e denteado 12 ½.             gangas, plásticos… de todos os con-
do, inserção na natureza). (...) Cada na-      frase de que se aproveitou a primeira parte       Foram impressos na Imprensa Nacio-             tinentes!
ção distingue-se ainda pelas condições         para colocar na emissão de 1935, dese-         nal Casa da Moeda.
22          OPINIÃO                                                                                                     17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008



                                                                                                              ponte europa
        cinema                                 “Amália”
                                               e “O dia
                                               em que a Terra parou”
                                                                                                                                          Carlos
                          Pedro Nora                                        Estreou esta última semana                                    Esperança
                                                                         “O Dia Em Que a Terra Parou”,                   aesperanca@mail.telepac.pt
                                                                         o aguardado remake do homó-                  www.ponteeuropa.blogspot.com/
                                                         “Ray”      e    nimo clássico de ficção científi-
                                                         Marion Co-
                                                         tillard em
                                                                         ca de 1951. Se bem que a tra-
                                                                         ma do filme merecia há já mui-
                                                                                                                  Os deputados
                                                         “La Vie en
                                                         Rose”. Ou-
                                                                         to tempo um recontar passado
                                                                         num ambiente mais moderno (e,
                                                                         em tal aspecto, o filme é triun-
                                                                                                                  e a última
                                                         tro ponto
                                                         positivo é o
                                                         filme não
                                                                         fante), considero a versão clás-
                                                                         sica superior, pois este remake
                                                                                                                  carruagem
                                                         cair muito      cai um pouco no erro de ser um          É difícil dizer se a ausência     tar não se esgota aí, mas afigu-
                                                         para o mun-     épico forçoso (à semelhança de       dos deputados que faltaram à         ra-se infeliz a proposta de os
                                                         do político     filmes como “O Dia da Indepen-       votação sobre a avaliação dos        realizar às terças, quartas e
                                                         (embora tal     dência”), com personagens e          professores, que transformou a       quintas-feiras, na sequência de
   Um dos maiores aconteci-          não seja ignorado). Embora pe-      elementos desnecessários. Des-       possível derrota do PS em es-        um escândalo e da inaceitável
mentos do cinema nacional de         que um pouco devido a alguns        taque-se, porém, o trabalho de       cândalo do PSD, se deveu à           desculpa. Não gostei de ver Al-
2008, o filme “Amália”, já um        exageros (claramente inspirados     Keanu Reeves no papel de             harmonia com intuitos do Gover-      meida Santos, o mais brilhante
sucesso (50 mil espectadores na      em outros filmes biográficos de     Klaatu, que lhe assenta perfei-      no ou às saudades dos «deputa-       parlamentar e legislador da se-
sua primeira semana de exibi-        figuras musi-                                                            dos que [deslocados de casa]         gunda República, a corroborar
ção), retrata a vida da famosa       cais) e ao                                                               regressam às suas famílias mais      a posição do assessor jurídico da
cantora de fado Amália Rodri-        facto de, em                                                             cedo», como alegou o deputado        Região Autónoma da Madeira,
gues, desde a sua juventude até      certas (mas                                                              Guilherme Silva.                     bem remunerado em funções
meados dos anos 80. Com a re-        poucas) ce-                                                                 Não há democracia sem Par-        que um deputado não devia acei-
alização a cargo de Carlos Co-       nas, os de-                                                              lamento e muitas críticas fazem      tar por pudor republicano.
elho da Silva (que melhorou          sempenhos                                                                parte da herança salazarista,           É a vida, mas essa de retirar
muito desde “O Crime do Pa-          serem de ní-                                                             mas é chocante alegar sauda-         a sexta-feira à semana de tra-
dre Amaro”), é um filme que          vel fraco,                                                               des da família quando muitos         balho, por saudades da família,
vale muito pelos seus valores de     “Amália” é                                                               portugueses trabalham longe de       lembra a decisão de um admi-
produção e pelo trabalho da ac-      um filme só-                                                             casa para ganharem o sustento        nistrador da CP que, face a um
triz Sandra Barata Belo, que         lido e reco-                                                             e não pensam no regresso à           relatório que referia ser a últi-
consegue transpor fielmente a        mendável,                                                                quinta-feira.                        ma carruagem a mais afectada
figura da cantora para o grande      uma carta de amor cinemato-         tamente. Apesar de não ser uma          Pode haver razões plausíveis      pelos sinistros, mandou que a
ecrã, num esforço a par com os       gráfica dirigida à cantora, ao      obra-prima como o original, é        para reduzir os plenários a três     todos os comboios fosse retira-
desempenhos de Jamie Foxx em         fado e, sobretudo, a Portugal.      um filme recomendável.               dias, pois o trabalho parlamen-      da… a última carruagem.



 OPINIÃO
               J.A. Alves Ambrósio
                                                          Angola em Saragoça (V)
                                              apenas quatro exemplos. Há década e           também uma incúria. Paro sempre aqui           vido, dizia, o máximo de deferência.
   Que a visita ao pavilhão de Angola foi     meia, quando frequentava o Mestrado,          para lavar a auto-vivenda e, com a “pão-          Deferência pelo espírito que nos une:
um encanto para mim, é algo que não           costumava atestar na posição de Nelas,        de-fôrma”, comprava aqui sempre emba-          o espírito do sangue que, diuturnamente,
carece de reiteração.                         cujo horário de abertura estava indicado      lagens de óleo, porque o mesmo produto         se cruzou entre nós e os angolanos das
   Hoje, todavia, vamos descer à terra –      às 7. De facto a abertura era às 8, como      a 1000 quilómetros de distância do lugar       mais diversas regiões e condições; o es-
bem à terra – em contraste, digamos, com      mo declarou, dentre mais, o empregado.        de fabrico, era mais barato três, quatro       pírito do tempo multi-secular! – há que
a espiritualidade que enformou o último       Foi um transtorno tremendo para mim.          ou cinco vezes (já não me lembro bem,          contactamos; o espírito do perdão pelas
artigo. Já agora é conveniente dizer que,     Mas, ao queixar-me aos Serviços Cen-          mas era uma diferença abissal). Ao ter         violências e extorsões do colonialismo; o
até no facto de não ter recebido nenhu-       trais por escrito, não obtive qualquer res-   explicado isso ao revendedor amigo, a          espírito do afecto tão inerente ao nosso
ma herança islâmica, Angola transborda        posta – e a placa a indicar o horário, anos   quem antes o adquiria, ele respondeu-me        comum idioma; o espírito de gratidão pela
de sorte. Essa religião (?) arábica que,      depois, ainda não tinha sido mudada. Dou-     que o inspector da Galp o informava, após      riqueza que Angola continua a represen-
na sua génese, tem pastores e guerrei-        tra vez decidi atestar em Coimbra, à Casa     ter-lhe apresentado o facto, disto: «O topo    tar, bem patente no facto de que, neste
ros, mostra hodiernamente, no quotidia-       do Sal. Precisava urgentemente de uma         não nos liga importância nenhuma».             momento, está na moda, digamos, os lu-
no, digamos, de que é capaz. E – sem          casa de banho – mas o posto de abasteci-         Sem me alongar, e repetindo descul-         sos emigrarem para lá e ser ocioso falar
mais detenças – baste lembrar o caso          mento não tinha. Foi tremendo para mim        pas, tanto a Angola como aos leitores, por     dos investimentos das empresas portu-
da Nigéria.                                   ter que aguentar até c. Penacova.             mencionar estes factos, a minha intenção       guesas.
   …Vamos descer à terra. Opulenta               Em Espanha, em Chaharrero (Ávila),         é muito simples: faço os mais ardentes            Tendo como timoneiro, digamos, um
pelos seus recursos petrolíferos e dia-       há muitos anos, a casa de banho era tão       votos para que a Galp tenha em Angola          homem que se converteu ao Catolicis-
mantíferos, Angola afirmava-o. Arrola-        repugnante por imunda, que – sem qual-        uma postura nos antípodas dos exemplos         mo – nunca é demais lembrá-lo – Ango-
va o conjunto de companhias petrolífe-        quer exagero – me fez lembrar uma la-         que dei – que não foram exaustivos. A          la apagará, por sua vez, todo o ressenti-
ras a actuar no seu território, de entre as   trina de guerra (o pessoal, diga-se, é de     Galp tem que considerar que a Angola é         mento para com Portugal. Aí está a sua
quais mencionava a Galp e a Petrogal.         um tocante acolhimento). E em Sant            devido, da parte dos portugueses e de          sólida – única – garantia de futuro.
   Angola e o leitor vão desculpar-me a       Carles de Ia Rapita (à entrada da Cata-       Portugal – e, de algum modo, a petrolífe-
crueza, mas a Galp mete-me nojo. Dou          lunha ido do Sul) as casas de banho são       ra é, também, uma embaixadora –, é de-                             Guarda, 7-XII-2008
17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008                                                                                                 INTERNET             23
                                                                    Google e podem guardar as alterações feitas para        qual os conteúdos estão disponíveis para downlo-
IDEIAS DIGITAIS                                                     mais tarde as recuperarem. A vertente comunitária
                                                                    também está presente, sendo que os utilizadores
                                                                                                                            ad. E como os outros serviços deste género, é uma
                                                                                                                            plataforma gratuita.
                                                                    podem consultar as alterações e comentários dos
                                                                    restantes membros, desde que adicionados à sua          ARKIVA
                                                                    conta.
                                                                                                                            endereço: http://www.arkiva.com
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                       Inês Amaral
                       Docente do Instituto Superior Miguel Torga   endereço: http://googleblog.blogspot.com/2008/11/se-
                                                                    archwiki-make-search-your-own.html
                                                                    categoria: pesquisa                                       O PORTUGA DE A A Z

  APRENDA E JOGUE COM A EA
                                                                      PODE FICAR COM




   A Electronic Arts lançou um site no contexto da                     Promover a solidariedade social e o respeito pelo       Conhecer o português de A a Z é a proposta de
sua estratégia de responsabilidade corporativa. As-                 Ambiente são os objectivos que dão o mote ao por-       quatro estudantes da Universidade do Porto. É uma
sumindo uma componente predominantemente pe-                        tal Pode Ficar Com. Trata-se de uma espécie de          espécie de enciclopédia do cidadão português có-
dagógica, o site Aprenda e Jogue com a EA aju-                      Freecycle, permitindo que as pessoas ofereçam bens      mica. À entrada há um aviso: «o conteúdo deste
da pais, filhos e educadores a utilizarem os jogos                  a outros utilizadores.                                  documento não é aconselhável a pessoas mais
da empresa e fornece informações variadas.                             «A filosofia do portal é a seguinte: imagine         sensíveis».
   Estão disponíveis informações sobre o modo de                    que comprou um frigorífico novo e não sabe o               Uma aplicação multimédia divertida, sem grande
classificação dos jogos, tempos e idades aconse-                    que fazer com o anterior ainda funcional. Visita        ciência, mas com muito humor. Para aliviar o stress
lhados, tipo de plataforma e formas de jogar. Há                    o portal e insere um anúncio dele com respecti-         ou para descansar numa pausa do trabalho.
ainda informação sobre cada um dos jogos da em-                     vas fotos e aguarda interessados. Com ajuda do
presa e uma secção “consulte o especialista”, onde                  Google Maps, o comprador pode saber no pró-             O PORTUGA DE A A Z
o utilizador pode contactar directamente uma equi-                  prio anúncio qual a localização da oferta, faci-
pa especializada.                                                   litando o seu levantamento. Desta forma o elec-         endereço: http://eos.fe.up.pt/exlibris/dtl/d3_1/
                                                                    trodoméstico não vai parar ao lixo, o tempo de          apache_media/web/7640/index.html
APRENDA E JOGUE COM EA                                              vida vê-se prolongado e o Ambiente agradece»,           categoria: curiosidades
                                                                    referiu um dos criadores do site ao Cibéria. Á pri-
endereço: http://www.aprendaejoguecomaea.com                        meira vista parece um site de classificados mas
categoria: jogos                                                    depois de se explorar as potencialidades do Pode           MEET MY CV
                                                                    Ficar Com são evidentes.

                                                                    PODE FICAR COM
  SEARCHWIKI
                                                                    endereço: http://podeficar.com
                                                                    categoria: comunidade



                                                                      ARKIVA




                                                                                                                               Já são conhecidos os vencedores do concurso
                                                                                                                            de fotografia lançado pela Nikon e intitulado Small
                                                                                                                            World. A iniciativa existe desde 1974 e este ano
                                                                                                                            recebeu cerca de duas mil candidaturas.
                                                                                                                               Os trabalhos premiados estão online e é obriga-
   O Google lançou uma nova ferramenta que per-                                                                             tória uma visita. O vencedor deste ano fotografou
mite aos seus utilizadores participar na forma como                                                                         uma alga marinha e ampliou-a 200 vezes, criando
os resultados das pesquisas são apresentados. Uma                                                                           um efeito extraordinário. Para além da edição des-
ideia muito Web 2.0 e diferente, integrando o utili-                   Mais um serviço de armazenamento gratuito onde       te ano, estão disponíveis todas as fotografias ven-
zador num processo antes autónomo.                                  se podem alojar ficheiros de variados formatos, se-     cedoras desde 1974.
   O SearchWiki permite que se reclassifique, adi-                  jam de áudio ou vídeo, fotografias ou texto. O uplo-
cione, comente ou apgue os resultados das pesqui-                   ad necessita de registo e cada utilizador tem dispo-    SMALL WORLD
sas. O utilizador pode colocar um site nos primei-                  nível 1 GB.
ros resultados orgânicos (primeira página de resul-                    É possível partilhar os arquivos com outros utili-   endereço: http://www.nikonsmallworld.com/
tados) ou adicionar um link que não aparecia. Para                  zadores através de uma página inicial que assume        gallery.php
tal, os utilizadores têm de fazer login na sua conta                uma estrutura muito próxima das redes sociais e na      categoria: fotografia
24   PUBLICIDADE   17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008

O Centro - n.º 64 – 17.12.2008

  • 1.
    DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 64 (II série) 17 a 30 de Dezembro de 2008 1 euro (iva incluído) O “novo” Mosteiro de Santa Clara-a-Velha Reabre hoje ao público o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, um dos mais importantes monumentos de Coimbra, PÁG. 3 inundado pelo Mondego durante séculos, o que o viria a preservar de forma notável, como poderá ser apreciado pelos visitantes JÓIA DE COIMBRA PRENDA DE NATAL NA SEXTA-FEIRA PGR INVESTIGA Museu Adopte Entrega Venda Machado um amigo do “Prémio de prédio de Castro no Canil Robalo dos CTT vai reabrir Municipal Cordeiro” de Coimbra PÁG. 5 PÁG. 4 PÁG. 17 PÁG. 11
  • 2.
    2 NACIONAL 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 Rotary Club de Coimbra/Olivais recebeu visita do Governador O Rotary Club de Coimbra/Olivais re- imbra, agradecendo a recepção caloro- cebeu anteontem (segunda-feira), a visi- sa que lhe fora feita. ta do Governador do Distrito Rotário a Recordou depois os objectivos do que pertence, Henrique Maria Alves. movimento rotário internacional, cujo Durante a visita foram tratadas diver- lema manda que se pense primeiro no sas questões relacionadas com o movi- seu semelhante, e aludiu à obra que tem mento rotário e, especificamente, com as sido levada a cabo em todo o Mundo, acções de solidariedade que têm vindo a nomeadamente nos campos da saúde, do ser desenvolvidas, e outras que estão pla- combate à fome, na defesa dos direitos neadas, pelo Rotary Club de Coimbra/Oli- da criança. Destacou, como exemplo, o vais, presidido por Maria Helena Goulão. combate à poliomielite, referindo, como A encerrar a visita, efectuou-se o jan- curiosidade, que a comunidade muçulma- tar de confraternização alusivo ao Na- na, ao contrário do que antes sucedia, já tal, em que participou também o Gover- está a aceitar vacinas provenientes dos nador e elementos de outros clubes ro- Estados Unidos da América. tários. Henrique Maria Alves congratulou-se Depois do ritual de saudação às ban- depois com a intensa actividade solidá- deiras (Nacional, de Coimbra e do Clu- ria que o Rotary Club de Coimbra/Oli- be anfitrião), a Presidente Maria Helena vais tem em curso, citando, como exem- Goulão saudou os presentes, com desta- plo, os casos do apoio à Casa dos Po- que para o Governador e sua Mulher, bres, à Escola da Pedrulha, ao Centro referindo a acção de solidariedade que de Apoio à Terceira Idade de S. Marti- esta última tem em curso, destinada a nho do Bispo. angariar fundos para apoiar obras meri- Sublinhou, por último, que os membros tórias em países africanos. do movimento rotário devem fazer o im- O Governador Henrique Maria Alves possível para realizar os sonhos do seu Maria Helena Goulão, Presidente do Rotary Club de Coimbra/Olivais, José Ribeiro Ferreira, do Rotary Club de Coimbra, Henrique Maria Alves, do Rotary Clube das usou depois da palavra para manifestar semelhante, para assim concretizarem os Antas-Porto e Governador do Distrito Rotário 1970, e Albertino Sousa, do Rotary o seu regozijo por se encontrar em Co- seus próprios sonhos. Club de Coimbra/Olivais, na cerimónia de saudação às bandeiras Governo concede tolerância de ponto a 24 de Dezembro O Governo deliberou conceder tole- pacho do primeiro-ministro, José Sócra- rância de ponto a 24 de Dezembro e, em tes, ontem divulgado. alternativa, a 26 de Dezembro e 2 de No despacho, o chefe do Governo Janeiro, aos funcionários e agentes do justifica que “é tradicional a deslocação Estado, dos institutos públicos e dos ser- de muitas pessoas para fora dos seus viços desconcentrados da Administração locais de residência no período natalí- Central. cio, tendo em vista a realização de reu- A tolerância de ponto consta num des- niões familiares”. “É concedida tolerância de ponto no próximo dia 24 de Dezembro e, em al- ternativa, nos dias 26 de Dezembro ou 02 de Janeiro, aos funcionários e agen- Director: Jorge Castilho tes do Estado, dos institutos públicos e (Carteira Profissional n.º 99) dos serviços desconcentrados da admi- nistração central”, refere o despacho do Propriedade: Audimprensa NIF: 501 863 109 primeiro-ministro. Ficam excluídos da tolerância de pon- Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho to “os serviços e organismos que, por ISSN: 1647-0540 razões de interesse público, devam man- ter-se em funcionamento naquele perío- Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 do em termos a definir pelo membro do Composição e montagem: Audimprensa Governo competente”. Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra No entanto, os funcionários que terão Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 de estar a trabalhar nos dias de tolerân- cia de ponto poderão beneficiar posteri- e-mail: centro.jornal@gmail.com ormente de uma “equivalente dispensa Impressão: CORAZE do dever de assiduidade (...) em dia ou Oliveira de Azeméis dias a fixar oportunamente” pelos res- Depósito legal n.º 250930/06 pectivos “dirigentes máximos dos servi- Tiragem: 10.000 exemplares ços e organismos”.
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 3 UM IMPONENTE MONUMENTO QUE O RIO MONDEGO SACRIFICOU Mosteiro de Santa Clara-a-Velha reabre hoje Esquecido durante séculos, em ruínas desta altura já será possível uma visita à riquíssimo associado a Isabel de Ara- ológica do espaço se mantém intacta. devido à invasão das águas do Monde- ruína e assistir à projecção do filme “Me- gão e a Inês de Castro”, sublinhou o A nível paisagístico, com o enquadra- go, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, morial à Água”, ocorrendo a abertura arqueólogo. mento do Polis, a intervenção “foi trans- em Coimbra, agora requalificado, vai ser oficial em data a anunciar mais tarde. Contar a história do mosteiro e das versal”, proporcionando sempre um olhar hoje (quarta-feira) devolvido à cidade, Proporcionando uma viagem ao pas- freiras que nele viveram, numa perspec- sobre o mosteiro. recriando o universo das monjas que o sado, ao universo das monjas que lá vi- tiva que não será apenas religiosa, é pos- Pensado para público e investiga- habitaram ao longo da história. veram, o Mosteiro, agora devolvido à ci- sível graças aos imensos materiais reco- dores, o centro interpretativo consis- Iniciado no final do Século XIII para dade no âmbito do projecto da Direcção- lhidos das escavações arqueológicas, te num edifício de mil metros quadra- acolher as freiras clarissas, o convento Regional de Cultura do Centro, vai cons- num trabalho que envolveu especialistas dos, com funções museológicas, do- feminino fundado pela Rainha Isabel de tituir mais um importante pólo de anima- das áreas da antropologia, arqueologia, tado de um auditório, salas de exposi- Aragão, que o escolheu para passar o ção cultural e atracção turística. história de arte, biologia, engenharia e ções, uma loja e uma cafetaria volta- resto da vida, travou ao longo dos sécu- Face à importância da ruína e dos “es- geologia, entre outras. da para o monumento (que será ex- los uma batalha inglória com o alagamen- pólios riquíssimos” nela colectados por Mas os espólios recolhidos permitem plorada pelo Hotel Quinta das Lágri- to provocado pelas cheias do Rio Mon- uma vasta equipa de especialistas de di- reproduzir também a origem das freiras, mas), num espaço onde o elemento dego, que o arruinaram e levaram ao seu versas áreas e resolvido o problema do oriundas da nobreza, através, nomeada- água está sempre presente. abandono. alagamento com a construção de uma mente, das campainhas de serviçais en- “O centro pretende acolher as pesso- Objecto, desde 1991, de um ambicio- cortina periférica (uma estrutura enter- contradas, entre vários objectos, numa as numa perspectiva de acolhimento di- so projecto de recuperação e valoriza- rada que permite proteger todo o recinto viagem à vida mundana da época. ferente, conjugando o passado e o pre- ção da ordem dos 7,5 milhões de euros, e a área de reserva arqueológica), foi “Este projecto faz parte de um per- sente numa harmonia sumptuosa. Ten- o Mosteiro abre hoje parcialmente ao decidido edificar um centro interpretati- curso de persistência, exigência e muita tou-se personificar os actores deste uni- público, dotado com um moderno centro vo que vai acolher a “história do sítio” – paixão. Foi alterado constantemente face verso monástico, saber o que comiam, o interpretativo – como revelou hoje à explicou Artur Côrte-Real. às especificidades do sítio. O objectivo que bebiam, dando a vivência da comu- agência Lusa o coordenador da interven- “Para além do olhar sobre a beleza foi não danificar a ruína, minimizar os nidade e não centrando toda a história ção, Artur Côrte-Real. plástica do monumento, queremos que efeitos da empreitada”, disse Artur Côr- na figura da Rainha Santa Isabel”, disse Segundo este responsável, a partir os visitantes conheçam este universo te-Real, ao realçar que a potência arque- ainda Artur Côrte-Real. ORIGINAL PRENDA DE NATAL POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta de Natal a um Ami- simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço go, a um Familiar ou mesmo para si mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: próprio: uma assinatura anual do gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com jornal “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-
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    4 MUNDO ANIMAL 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO” Um grande amigo como prenda de Natal O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros- muito triste e tremendamente injusto). nas custam uns minutos na deslocação, para aranimal@gmail.com segue uma campanha intitulada “Adop- Aproxima-se a época de Natal, e é sabi- escolher um companheiro (ou companhei- ou consultar o site Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem do como os tempos de crise que se atraves- ra) para a vida, que será sempre fiel e de www.cm-coimbra.pt/741.htm um animal no Canil Municipal”. sam tornam mais complicada a aquisição uma enorme dedicação e em troca apenas Os dias e horas especificamente desti- Trata-se de uma iniciativa muito meritó- de prendas, sobretudo para a miudagem. pede um pouco de atenção e de carinho. nados às adopções são os seguintes: ria, que permite que pessoas que gostam de Ora a verdade é que um cão ou um gato O Canil/Gatil Municipal fica no Campo - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30; animais ali possam ir buscar um fiel compa- é sempre um presente bem recebido, desde do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani- - quintas-feiras, das 10 às 12 horas. nheiro, sem nada pagarem por isso. que a pessoa a quem ele se oferece goste mais esperam, ansiosos, por uma nova casa Excepcionalmente, também este São muitos os cães (e também alguns de animais, não os encare como um brin- e uma nova família. sábado, das 14 às 18 horas. gatos) que esperam que gente com bom quedo ou um objecto e tenha condições mí- Os interessados em obter mais informa- Abaixo vêem-se alguns dos bons aami- coração os vá adoptar, tendo como recom- nimas para deles tratar convenientemente. ções podem ligar para o telemóvel 927 441 gos de 4 patas que estão à espera de que pensa conquistarem um amigo para toda a Se for o caso, está encontrada uma ex- 888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl alguém queira aproveitar todo o carinho que vida, já que estes animais rapidamente se celente forma de dar prendas de Natal de (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do têm para dar. adaptam aos seus novos donos (que, para enorme valor (basta ver os preços nas lojas telefone 239 493 200. Se gosta de animais, não hesite! Faça feliz além do mais, os estarão a poupar a um fim de animais!...), mas que no Canil/Gatil ape- Podem também enviar um e-mail para um destes que esperam por si. A Flay foi entregue no Canil pela dona. Tem dois bebes muito bonitos e é uma O BOB é um Dalmata adulto, com 8 anos, A Cookie é uma cadelinha com cerca de excelente mãe. È também muito meiga e castrado, que foi entregue no canil pelo 1 ano, de porte pequeno, muito meiga e tem um olhar muito doce. È calminha e dono. Como todos os cães entregues no O TOMMY também foi abandonado calminha. Tem a particularidade de ter deve ser uma boa cadela para ter em canil pelos donos é um pouco triste. é um cão muito engraçado, tem uns um olho castanho e outro azul clarinho apartamento Mas que voltará a alegrar-se quando olhos tiver novo dono muito bonitos e tem cerca de 1 ano de idade O MURPHY tem cerca de 2 anos de idade foi encontrado abandonado e é muito meigo O Dominó é um cãozinho doce, de porte pequeno, abandonado pelo dono no Canil, e que provavelmente deve ter sido vítima de maus-tratos, pois está quase sempre triste e escondido. No entanto, é super meigo, e quando ganha confiança com as pessoas é muito brincalhão. Precisa urgentemente de uma família que tenha paciência com ele e que lhe dê muito carinho O RALPH foi encontrado abandonado e estava muito magro, condição que ainda mantêm embora já tenha melhorado. Tem cerca de 2 anos e é muito meigo A Guapa é uma cadelinha muito, muito pequenina, que teve bebés e que já O SPEEDY é um podengo, estava foram adoptados. Ela ainda espera que abandonado alguém a adopte! È uma ternura, muito e tem 8 meses. meiga e adora saltar para o nosso colo! É muito brincalhão e muito atento Cativa qualquer pessoa a tudo o que se passa à sua volta
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 COIMBRA 5 VAI REABRIR EM JANEIRO Escavações no Museu Machado de Castro trazem nova luz sobre período romano Escavações no Museu Nacional de lógicos, e aprofundar o conhecimento do Machado de Castro desvendaram novos Fórum claudiano e malha urbana envol- dados sobre a Coimbra romana, de há vente. 2.000 anos atrás, que em Janeiro próxi- O projecto de arquitectura, da autoria mo serão mostrados ao público. de Gonçalo Byrne, além de procurar uma As pessoas vão poder passear pelas coerência entre o edifício do museu com extensas galerias dos dois pisos do crip- as novas construções, procurou articu- topórtico romano, que há dois milénios lar entre si um conjunto de preexistênci- os cidadãos da Aeminium também utili- as arquitectónicas, desde o criptopórtico zariam, para aproveitar da sua frescura romano até ao paço episcopal, passando em dias muito calor. pelos vestígios românicos da igreja de São Escavações realizadas no âmbito das João de Almedina e do seu claustro. obras de requalificação e ampliação do O novo espaço edificado, que dupli- museu, ao longo dos últimos dois anos, cará a área do museu, albergará galeri- permitem agora reconstituir virtualmen- as de exposições, as reservas, uma ca- te – e pela primeira vez – o que foi o fetaria-restaurante panorâmica, com antigo fórum da época de Claudio, e re- acesso independente, e os serviços ad- velar a sua monumentalidade. ministrativos, estes ligados por uma pas- “Finalmente o criptopórtico vai ter a sagem sob uma rua. projecção que merece, porque é um edi- Um dos espaços emblemáticos do fício notável. Esta é sem dúvida uma Aspecto parcial do magnífico criptopórtico romano “novo” museu, além do criptopórtico ro- das mais notáveis obras da arquitectu- versidade de Coimbra. mano, será a Capela do Tesoureiro, da ra romana em Portugal que subsis- malha urbana da “Alta” da cidade. autoria de João de Ruão (século XVI), Segundo o especialista, trata-se da Uma zona escavada revelou a parte tem”, declarou à agência Lusa o ar- obra de um arquitecto, presumivelmente que foi trasladada nos anos 60 da antiga queólogo Pedro Carvalho, coordenador externa do Fórum e permitiu aprofundar igreja de S. Domingos, na Rua da Sofia, de Caius Sevius Lupus, muito engenho- o conhecimento as redes de água e de das escavações. so, na forma de conceber o espaço. As onde hoje existe um centro comercial. De grande monumentalidade, com esgotos romanas, com um condutor de Segundo a Directora do museu, Ana duas galerias sobrepostas foram implan- grandes dimensões, “muito bem conser- dois pisos e uma área de implantação de tadas no terreno submetendo-se a um de- Alcoforado, a nave da capela será exibi- cerca de 2.800 metros quadrados, o crip- vada e articulada”, no qual uma pessoa da como uma peça de exposição, e como senho geométrico, com medidas muito pode circular no seu interior, e para o qual topórtico serviu para superar o declive certas, articulando formas e volumes, espaço onde serão mostrados os retábu- da zona onde foi implantado o Fórum de ainda vazavam algumas habitações das los da renascença. A capela será envol- “aliando as principais características da imediações do criptopórtico. Aeminium, em meados do século I A. arquitectura romana, de edifícios muito vida pela escultura em pedra pré-româ- C., assumindo-se como o centro social, A conduta de água iria entroncar no nica, românica e gótica. robustos, muito funcionais, e ao mesmo antigo aqueduto romano, junto ao Jardim político e cultural da civitas romana. Quando reabrir, o público poderá ain- Botânico, que o rei D. Sebasti- da aceder a um conjunto de recursos ão mandou reconstruir e hoje é baseados em novas tecnologias, para popularmente conhecido como uma compreensão global do espólio do “Arcos do Jardim”. museu, e para fomentar a interacção com Foi ainda descoberta uma escolas. fonte monumental que estaria Haverá audio-guias, para orientar os implantada na fachada do Fó- visitantes nos percursos pelas exposi- rum, e seria ladeada por uma ções, a possibilidade de visita virtual e praça. Este e outros achados do um conjunto de informação em folhetos período claudiano, em resulta- e publicações para mostrar a dimensão do do projecto de requalificação do espólio, que a directora considera ser do museu, vão estar visíveis a o segundo a nível nacional. quem circular na rua. Após a reabertura parcial em Janeiro, Com a abertura do cripto- ao longo de 2009 será executado o pro- pórtico romano, em Janeiro, jecto museológico, com vista à reabertu- será também inaugurada a ex- ra da totalidade dos espaços expositivos. posição “De Fórum a Museu. Em 2010 deverá ficar concluído o audi- Permanências”, que se man- tório do museu, na Igreja de S. João de terá visitável até à reabertura Almedina. total do museu, a dar conta dos Para 2011 já está a ser preparada uma trabalhos arqueológicos reali- programação especial evocativa do cen- zados e a explicar as obras de tenário da fundação do Museu Nacional Ana Alcoforado num dos locais do Museu onde decorrem as obras requalificação e ampliação aí de Machado de Castro. realizadas. Ana Alcoforado quer que o “novo” “Foi possível encontrar mais estru- A requalificação do Museu Nacional museu seja “um espaço público de cida- tempo muito belos”. de Machado de Castro, iniciada em Ou- turas do criptopórtico e do Fórum de Os trabalhos arqueológicos aí realiza- dania, arte e cultura”, recriando as fun- Aeminium, que nos permitem agora, tubro de 2006, englobou novas edifica- ções de fórum da Aeminium, de há 2000 dos no âmbito do projecto de requalifi- ções em zonas anexas, onde antigamen- pela primeira vez, propor uma imagem cação e ampliação do arquitecto Gonça- anos atrás. virtual do que seria o edifício romano te existiam casas de habitação, que ao lo Byrne, possibilitaram um melhor co- longo dos anos foram sendo expropria- há dois mil anos atrás”, revelou o ar- nhecimento do edifício e das suas muta- Texto de Francisco Fontes queólogo, igualmente docente da Uni- das para desenvolver trabalhos arqueo- e fotos de Paulo Novais (Lusa) ções ao longo do século, bem como da
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    6 INTERNACIONAL 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 A Casa Europeia 40 anos depois veitada amiúde pela parte que se conside- tante politização da economia, reflectindo ra vencedora da «guerra fria». Era impos- um baixo nível de confiança geral. Fiodor Lukyanov * sível alterar formalmente as regras do jogo, Em terceiro lugar, a defesa da demo- e o fosso entre a letra e o espírito continu- cracia e dos direitos do homem é uma gran- Em 10 de Dezembro o Prémio Nobel ava a aumentar. de conquista do processo europeu. Para a de Paz foi entregue a Martti Ahtisaari. O maioria dos países membros da OSCE, in- ex-primeiro-ministro finlandês recebeu em HELSÍNQUIA-2 cluindo a Rússia, seria útil reafirmar o seu Oslo este maior galardão político pelo seu apego a estes princípios. Mas a ideia de- empenho na solução de conflitos locais em Moscovo encontra-se numa situação mocrática deve ser protegida não apenas vários recantos do planeta. Mas, a opinião complexa. Depois da queda da URSS, a de atentados autoritários, mas também da pública mundial entendeu o acto como um Rússia defendia o status quo, pois queria sua instrumentalização em nome de objec- prémio especial pelo contributo do finlan- reter algo do património geopolítico. Via de tivos geopolíticos, o que acontece nomea- dês para o caso do Kosovo. regra, os mais activos defensores do direi- damente sob a capa de «avanço da demo- O Prémio Nobel de Paz é sempre um to internacional são os países que não po- cracia». indicador da pulsação do sistema interna- dem alcançar os seus objectivos por meio Do ponto de vista do bem-estar geral, a cional. A escolha deste ano é um sintoma de força, e vice-versa. iniciativa de Moscovo mereceria ser apoi- muito característico: foi distinguido o plano Nos últmos dois anos, a Rússia, como ada. Mas surge a pergunta: será vantajoso de solução que nunca chegou a ser aceite, se vê, evoluiu para o revisionismo: come- para a Rússia iniciar o processo Helsín- ou seja, falhou, contribuindo para acções çou a alterar as regras vigentes. Moscovo quia-2? Aliás, o processo que levou para a violadoras do direito internacional. Também critica duramente a OSCE, anunciou uma Acta Final da Conferência sobre Seguran- criou um precedente prenhe de graves moratória sobre a participação no Tratado ça e Cooperação na Europa, assinada em Martti Ahtisaari consequências. O ano de 2008 decorreu sobre as Forças Convencionais na Euro- 1975, foi longo e atormentado. sob o signo de reconhecimentos de inde- pa, recusou-se a ratificar o acordo para a pendência ilegais: primeiro do Kosovo, e Carta Energética e reconheceu unilateral- uma confirmação abalizada dos acordos O OCIDENTE NÃO ESTÁ depois da Abcásia e da Ossétia do Sul. Isto mente a independência de duas repúblicas conseguidos há quase 40 anos. PRONTO A DIALOGAR é, foi violada a integridade territorial res- caucasianas. Moscovo insiste em alterar pectivamente da Sérvia e da Geórgia. as regras do jogo e renovar a arquitectura A VELHA NOVA AGENDA A Rússia de hoje tem muito menos ins- da segurança europeia. trumentos políticos que a ex-URSS. Mos- ENTRE A LETRA No entanto, uma análise atenta da polí- Em primeiro lugar, trata-se do equilíbrio covo tem falta de aliados e a sua depen- E O ESPÍRITO tica russa leva-nos a uma conclusão paro- e da confiança na esfera da segurança. dência dos factores externos é grande. A doxal. Apesar dos gestos bruscos, Mosco- No ano passado fracassou a tentativa da eficácia do aparelho de gestão estatal e a Um traço distintivo dos últimos anos tem vo continua a ser (a Abcásia e a Ossétia Rússia de promover um debate, no quadro rectaguarda socioeconómica deixam mui- sido a crescente contradição entre as re- do Sul são apenas uma excepção) fiel da OSCE, sobre o problema do Tratado to a desejar. gras internacionais, à primeira vista não adepto do status quo, mas daquele que já sobre as Forças Convencionais na Euro- Vale a pena, nesta situação, lutar por uma contestadas, e os novos princípios usados não existe. Na verdade, a Rússia tenta pa. Os parceiros recusaram-se a fazê-lo revisão cardinal das regras do jogo, cor- por alguns países nas suas acções reais. voltar aos princípios revistos de facto após pois a OSCE perdeu, faz muito, este as- rendo um risco de piorar, em vez de me- Depois da «guerra fria», as instituições – a «guerra fria». pecto da sua actividade. Desde os anos lhorar, o status quo? as organizações internacionais e as normas Pode-se afirmar que as ideias do Presi- 90, as grandes potências da Europa e os Que o planeta precisa de «uma nova legais – quase não sofreram mudanças. dente Medvedev, avançadas este Verão em EUA afirmam que a NATO é a melhor ordem mundial», nunca surgida após a Mas, estando formalmente em vigor, en- Berlim, são, de facto, uma repetição do garante da segurança do Velho Mundo. guerra fria, não há dúvidas. Mas existem contram-se deformadas. Diluíram-se con- conteúdo da Acta Final da Conferência de Um outro problema são as fronteiras. dúvidas de que as grandes potências, no- ceitos básicos tais como a soberania, a in- Helsínquia de1975. É verdade, porém, que De novo é precisa a sua confirmação,pois meadamente as ocidentais, têm a consci- tegridade territorial, os critérios de uso de devido às divergências entre a base legal e o mapa europeu mudou por mais de uma ência disso e estarão prontas a encetar um força. política real, estes princípios precisam de vez desde a Acta de Helsínquia. Entre os sério diálogo. Sem esta consciência é difí- Apareceram, embora não consagrados uma nova legitimação. Nos anos decorri- países no espaço pós-soviético não há ne- cil, ou quase impossível, perspectivar ob- pelo direito nternacional, novos conceitos dos desde então, o Velho Mundo mudou nhum (a Rússia inclusive) que possa afir- jectivos a longo prazo. Embora isto não deva – intervenção humanitária, força suave irreconhecivelmente, sendo necessário res- mar que as suas fronteiras «são garanti- servir de obstáculo para fazer pequenas (soft force) – que passaram a ser usados tituir inteiramente o famoso espírito de Hel- das, naturais e historicamente justificadas». obras no sistema ainda existente, a fim de pelos grandes países. A maioria dos Esta- sínquia. Ou seja, encher com conteúdo os Em segundo lugar, a atmosfera político- evitar o seu desmoronamento descontro- dos continuava a contestar a revisão da três cestos – o político-militar, o económi- económica na Grande Europa constitui um lado. prática das relações internacionais, apro- co e o humanitário. A Europa precisa de fenómeno complexo: assiste-se a uma cons- * in revista A Rússia na Política Global
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 7 ponto . por . ponto Pão com manteiga Por Sertório Pinho Martins dito como para manter em 2009 dê por para cardíacos! pois. Porque uma vez acesos os rasti- A cada parangona de mau-olhado so- onde der, pode passar a 3% no breve A coisa vai ficar feia no ano que aí lhos (professores, polícias, juízes, milita- bre a nossa desgraça colectiva, que as espaço de uma entrevista de Teixeira dos vem e no que depois dele virá! Todas as res, estudantes, desempregados já sem pitonisas e cartomantes da política dão à Santos – e lá vai para o cesto dos papéis instâncias responsáveis além-fronteiras nada a perder), o incêndio só vai parar luz nos pasquins do costume e nas tele- um Orçamento que há 15 dias era into- o afirmam sem rebuço e com a cábula nas escadas da Assembleia da Repúbli- visões de maus costumes, tremo só de cável e foi aprovado com gritos de júbilo bem decorada. Mas no nosso quintal ca ou no largo fronteiro ao palácio de pensar em quatro tipos de leitores ou pela maioria parlamentar. O apoio às doméstico mora a ilusão fugaz, e as gran- Belém. E o saber lidar com uma situa- ouvintes basbaques: os distraídos por empresas agora decidido em conselho de des decisões começam a ser feitas com ção que em 2009 vai piorar ainda mais, natureza, os incrédulos por hábito, os ministros de afogadilho, é desmentido na os empurrões do poder que caiu na rua, não é tarefa fácil, muito menos para in- desconfiados por sistema e os desenten- imprensa do dia seguinte com o título da pressão retesada das corporações continentes verbais e oportunistas da didos do que lhes é metido pelos olhos bombástico de que esse apoio está reti- profissionais deixadas de fora do bodo política: faltam profissionais a sério, e dentro. E todos juntos perfazem a maio- do às ordens de quem o tem à sua guar- oferecido à banca falida, e do ‘salve-se sobram amadores de opereta. E do lado ria das vítimas inocentes da crise que da – mas no minuto seguinte decerto vai quem puder’ enquanto há avales dispo- das oposições o fala-baratismo é igual, aterrou sobre todos nós, ainda por cima com um CDS à espera de boleia num vítimas sem hipótese de escapar à praga governo onde o PS precise de novos vinda de nenhures. Porque bem vistas “queijos limianos”, e o PSD se tornou ... a falta de confiança no sistema financeiro, os off-shores numa casa-sem-mão-onde-todos-ra- as coisas, a falta de confiança no siste- montados e usados subterraneamente, as irresponsáveis ma financeiro, os off-shores montados lham-e-nenhum-põe-travão. E, pasme-se, aventuras bolsistas de particulares e públicos (públicos ninguém manda ninguém para casa, para e usados subterraneamente, as irrespon- impunes), os investimentos milionários em empresas não perder a face! E esta, hein? Um país sáveis aventuras bolsistas de particula- res e públicos (públicos impunes), os in- falidas ou inexistentes, a cavalgada dos combustíveis já vale menos que um par de faces fora- vestimentos milionários em empresas e respectiva cartelização dos preços (politicamente de-catálogo, ou mesmo que uma qual- falidas ou inexistentes, a cavalgada dos consentida), as falências fraudulentas, o salvar quer cara de parvo que se preze e exiba combustíveis e respectiva cartelização do afogamento (com o dinheiro dos contribuintes!) alguns emblema na lapela! dos preços (politicamente consentida), as bancos afundados pelos próprios timoneiros, os projectos Muito provavelmente vão ter que es- falências fraudulentas, o salvar do afo- megalómanos, as habilidades orçamentais para travestir perar por dias melhores as grandes bo- gamento (com o dinheiro dos contribuin- das do TGV, do novo aeroporto e de ou- uma tragédia com cores de esperança tes!) alguns bancos afundados pelos pró- tras aventuras que jamais estariam em em que ninguém já acredita... dúvida na agenda de ilusões de cada boca prios timoneiros, os projectos megalóma- nos, as habilidades orçamentais para tra- que se abre-e-fecha ao sabor da viração vestir uma tragédia com cores de espe- – porque saber esperar também tem de rança em que ninguém já acredita, os aparecer um desmentido de fonte ´pró- níveis e luz verde para fartar-vilanagem. caber no léxico político dos mais capa- braços-de-ferro apenas para salvar fa- xima’ ou ‘autorizada’ a denunciar a ca- Ninguém “avalia” banqueiros e empre- zes e dos menos apressados. Mas essa ces retalhadas pela teimosia fora-da-re- bala. O ministro da Agricultura afirma a sários mal-sucedidos (nem pede contas mudança de prioridades também irá com alidade, o preço a pagar pela suprema- pés juntos que este ano pagará até ao a supervisores que não supervisam coi- certeza (e por fatalidade nossa) ser dita cia de vaidades políticas sobre a triste fim do ano os subsídios de 2008 (os mes- sa-nenhuma), empunhando a mesma bi- à ralé com o mesmo ar compungido de nudez do nosso quotidiano atolado em mos que no anterior só viram a luz do dia tola vesga e de freio apertado que os quem mudou o aeroporto da Ota para becos sem saída, e tanto, tanto mar-chão seis meses depois), e os agricultores ge- professores vão ser obrigados a morder Alcochete com um simples estalar de iludido de oceano sem fundo – todo este lados até aos ossos estão numa de ver- até ao aço frio da rendição. Como disse- falangetas. Ou talvez mesmo nem o seja, ror de desgraças é obra (e que obra!) de para-crer o que vai suceder por exem- mos uma vez nesta coluna, o Estado anda e bastará tão só deixar cair o assunto no meia dúzia de protegidos do sistema que plo com o RPU de 2008, quando reco- por maus pisos e nós vamos ter de andar esquecimento. Se no parlapié político há se riem da impunidade que têm por se- meçarem as desculpas de que primeiro por pisos em mau estado durante pelo tanta coisa que morre sem sequer che- gura. Porque a tempestade só há-de de- há verificações a fazer no terreno (à úl- menos dois anos. gar a viver, mais uma menos uma não sabar sobre os distraídos, os incrédulos, tima hora, claro!). E a José Sócrates não A casa portuguesa não é farta que deve trazer melhoras ao défice das pro- os desconfiados e os desentendidos! basta esfolar-se a tapar os rombos do baste para se dar ao luxo de ficar sem o messas esquecidas. Porque se assim não A verdade de hoje, é mentira amanhã. barco, a correr o convés da popa à proa, pão de cada dia, porque a cairmos nessa fosse, que sentido tinha a nossa vida A esperança de agora, é desencanto mais porque a marinhagem que tem à sua volta ravina, o passo seguinte é o inevitável monocórdica de pobres distraídos, incré- logo. As balelas dos políticos, são o ca- enjoa com as ondas e já viaja amarrada casa-sem-pão-todos-ralham-e-ninguém- dulos, desconfiados e desentendidos do dafalso das ilusões dos pobres de espíri- aos mastros. E como Cavaco não deixa- tem-razão. E daí à revolta de rua vai outro que está mesmo diante dos nossos olhos? to que vêem luz em cada porta que se rá ir o bote ao fundo, e Manuel Alegre já passo – e a Grécia aqui tão perto a di- Que vai doer, lá isso vai! E há-de ser abre-e-fecha no lapso de todas as ver- avisou que pode ir a votos por uma ‘nova zer-nos de que migalha insignificante se doloroso para aqueles a quem o pão cai dades desmentidas. O défice de 2,2%, esquerda’, está na cara que 2009 não é faz outro Maio-de-68 quarenta anos de- sempre com a manteiga para baixo! VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780
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    8 OPINIÃO 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 co de uma nota de 50 escudos, talvez, mas gueses dos demais sectores, da banca aos PERGUNTAS SOBRE A CRISE o facto era inquestionável: as prostitutas ti- carros, das minas aos têxteis, mendigam nham deixado de existir. Como prova, havia milhões ao Estado e exibem a suprema pu- 1. Onde é que se traça a divisória entre o tal decreto. (...) jança deste. O Estado está falido? Eis uma empresas a salvar pelo tesouro público, para Ferreira Fernandes oportunidade para os contribuintes portugue- protecção “da imagem do Estado” (antes DN 14/Dezembro/08 ses que não integram grupos de pressão apli- dizia-se “a bem da Nação”), e aquelas que, carem devidamente as poupanças realiza- tristemente, morrerão sozinhas, sufocadas DIREITOS HUMANOS das com a descida dos combustíveis. (...) por credores impacientes e trabalhadores desesperados? O Mundo celebrou o 60.° aniversário da Alberto Gonçalves (sociólogo) 2. Que critérios fundamentam essa sal- Declaração Universal dos Direitos Huma- DN 7/Dezembro/08 vação ou perda? O número de assalaria- nos, um dos textos internacionais, segura- dos? A antiguidade da instituição? O impac- mente, mais importantes do século XX. Foi A IMAGEM DE CAVACO te social da sua existência, para indivíduos, votado, com a abstenção dos países comu- famílias, regiões? A facturação? Os resul- A “COMPONENTE HUMANA” nistas, em 10 de Dezembro de 1948, depois (...) Ao aceitar que lhe vedassem o tados de exploração? A importância fiscal? da Mensagem ao Congresso, enviada por acesso à Assembleia Legislativa da Ma- 3. Quando falamos das perdas e prejuí- A ideia de Guilherme Silva, do PSD, para Franklin Delano Roosevelt, em 6 de Janeiro deira – ainda por cima com explicações zos, há ou não que distinguir entre quantida- resolver o problema das faltas dos deputa- de 1941, no auge da II Guerra Mundial – públicas de Jardim que resultavam num de e qualidade, ou, se quisermos, entre valo- dos que, às sextas-feiras, assinam o ponto e intitulada Quatro Liberdades (liberdade de insulto soez a toda a oposição regional – res financeiros e circunstâncias? É que há vão de fim-de-semana prolongado, estan- expressão do pensamento, liberdade de re- e ao vergar-se a convidar para um jan- um abismo entre a má gestão e a força do-se nas tintas para a AR e para o que ali ligião, liberdade contra a miséria e liberdade tar de consolação os partidos preteridos, maior. Ou entre a infidelidade administrati- se discute e decide, é de apoiar: passaria a contra o medo) – e da Carta das Nações, Cavaco Silva não representou os portu- va (art.º 244 do Código Penal), que se tra- haver plenários só às terças, quartas ou quin- assinada em 6 de Junho de 1945, na cidade gueses, mas apenas o chefe local, os seus duz em prejuízo sério e violação grave e tas (pois que as segundas ainda são fim-de- de S. Francisco. semana). A Declaração Universal dos Direitos A explicação de Guilherme Silva é que Humanos tem apenas 30 artigos mas é um os deputados têm família, pelo que há no texto de uma concisão e clareza de concei- caso “uma componente humana (…) res- tos extraordinárias, que marcou a cultura peitável”. O PSD é um partido respeitador política da segunda metade do século XX e não só da família como das tradições. Os que, no dizer de Robert Badinter, ex-presi- deputados pirarem-se às sextas-feiras é uma dente do Tribunal Constitucional francês, tradição parlamentar, e o PSD não poderia senador e membro do Comité de Apoio aos ter no caso posição diferente da que teve Human Rights Watch, de Paris, exprime «a em relação a Barrancos. O problema é que, dimensão moral do nosso tempo». sabendo-se o que a casa gasta, o mais certo Houve, no entanto, desde início, dois pon- é que os deputados comecem, depois, a bal- tos críticos relativamente à Declaração: o dar-se às quintas, e quando deixar de haver primeiro, o facto de não ser vinculativa plenários também às quintas, às quartas, e (como é hoje a Carta de Direitos insita no depois às terças, e acabem ficando a sema- Tratado de Lisboa, se chegar a ser ratifica- na inteira em casa com a família, coisa com do); o segundo, a prioridade dada pelo en- uma “componente humana” inteiramente tão Bloco Soviético aos Direitos Económi- respeitável, até porque a maior parte deles cos e Sociais, enquanto os americanos pri- não faz falta nenhuma na AR e em casa vilegiaram sempre os Direitos Cívicos e decerto faz. Políticos, o Direito à Propriedade e ao Livre Manuel António Pina Mercado... JN 12/Dezembro/08 Mário Soares Visão CÓLERA E PROSTITUIÇÃO SITUAÇÃO MARAVILHOSA consciente de deveres de disposição, admi- Robert Mugabe disse esta semana: “Es- incondicionais e a sua própria fraque- nistração e fiscalização de coisa alheia, e a tou feliz por ter acabado com a cólera.” Ao (...) No Verão, o primeiro-ministro acha- za. Ao proferir, neste mesmo contex- mera consequência financeira de circuns- mesmo tempo, a ONU fez outro balanço: a va a subida do preço dos combustíveis um to, um ditirambo incontido sobre as ex- tâncias externas alteradas. Ou ainda entre cólera continua, já fez quase 800 mortos e “incentivo” ao uso dos transportes públicos. celências da governação local, reinci- erros administrativos, deficiências contabi- 16 mil pessoas estão na lista de espera. As Agora, acha que a descida representa uma diu, já não por encobrimento, mas por lísticas, imputáveis à impreparação, e deli- duas declarações são produto de duas con- melhoria nos rendimentos dos portugueses, cumplicidade. Ao omitir qualquer de- tos, derivados do dolo em acção. cepções filosóficas diferentes. Há os ho- que elegeram o eng. Sócrates e se vêem claração sobre esse carnaval da de- 4. Por outras palavras, nem todas as mens de pouca fé, demasiado agarrados à governados pelo Pangloss de Voltaire, esse mocracia que foi a suspensão dos ple- empresas falidas possuem o crime como ditadura dos factos – infelizmente a mais incurável optimista para quem tudo o que nários parlamentares da Madeira e a origem do desastre. Não deve, assim, exis- alta instância internacional está cheia des- acontece é, por definição, benéfico. O exem- interdição física, levada a cabo por se- tir um saco único para colocar todos os ca- ses cínicos. E, depois, há os visionários que plo do petróleo é apenas um indício da ma- guranças privados, do acesso de um sos de degenerescência. (...) acreditam que o fim da cólera é quando o ravilhosa situação em que nos encontramos deputado eleito, sob a alegação de que homem quiser. Mugabe é um desses. e da ainda mais maravilhosa situação a que estas coisas se resolvem melhor no si- Nuno Rogeiro A direcção de um país dá a certos políti- nos arriscamos em breve. A economia eu- lêncio das chancelarias, ele entrou em JN 5/Dezembro/08 cos o exercício de um poder que os aparen- ropeia entrou oficialmente em recessão? contradição insanável com as ruidosas ta a deuses: o decreto. Nos anos 60, Salazar Óptimo, pois mostra que os portugueses são mensagens ao país sobre as questões LIÇÃO INDIANA aboliu a prostituição. Os homens de pouca tão europeus quanto os restantes. O euro do estatuto açoriano. Depois de tudo fé de então também sorriram, a pretexto da cai face ao dólar? É bom para as exporta- isso, o Presidente já não está a defen- (...) Neste caso tudo leva a crer que a suposta ineficácia da medida. Mas, na ver- ções nacionais. As exportações não saem der o regime, mas a sua própria ima- dezena de terroristas que perpetrou os aten- dade, Salazar acabou com a prostituição: da cepa torta? Excelente: os portugueses gem pública. Ora o regime é que é o tados de Bombaim eram originários do Pun- tendo decretado que as prostitutas acaba- podem prosperar através do investimento nosso problema. A defesa da imagem, jab paquistanês e visavam desestabilizar a ram, elas acabaram. Talvez tenha continua- público. As obras públicas são sinónimo de sendo embora um direito, é com quem sociedade indiana a poucos meses de um do a haver mulheres nas esquinas do Mar- “derrapagem” e prejuízo calado? Não im- julga precisar dela. (...) importante acto eleitoral naquele país. tim Moniz, que subiam aos quartos das pen- porta, visto que estimulam a economia. O O que é inovador nestes atentados é o sões manhosas com homens desconheci- estímulo restringe-se, quando muito, à cons- Nuno Brederode Santos facto de eles se terem prolongado por mais dos, talvez tivessem relações sexuais a tro- trução civil? Perfeito, já que assim os portu- DN 7/Dezembro/08 de dois dias, assim contrastando com a na-
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 OPINIÃO 9 tureza instantânea da generalidade dos aten- 1962 (vencimento mensal: 800$00), nunca De um Pai, que se chama Estado (...) jovem, blá-blá, adolescentes coitados, blá- tados terroristas suicidários. Os seus agen- o vi, por exemplo, nas reuniões em casa de Pode ou não este Pai ter preferências blá. Os desempregados que assaltam lojas tes não parecem ter sido uma célula agre- João Abel Manta, onde se discutia (Cardo- pelos seus filhos, tratando uns como fi- em países africanos ‘progressistas’ ou em gada ocasionalmente, mas antes um grupo so Pires, Sttau Monteiro, Abelaira, Cutilei- lhos e outros como enteados? Pode ou Timor, esses, são ‘desordeiros’. Há um gla- bem treinado, que se dedicou ao seu plane- ro) o tema da revista seguinte. Aliás, nos não este Estado-Pai tratar de forma de- mour do protesto consoante os desordeiros amento durante bastante tempo, que con- últimos 40 anos, apenas por quatro ou cinco sigual os seus filhos, ajudando uns com usam lencinho palestiniano ou exibem ma- duziu as operações complexas (ataques qua- vezes enxerguei a cara desagradável do garantias, que, se correrem mal, são pagas les pouco fotogénicos. No primeiro caso, se simultâneos em sete pontos distintos de cavalheiro – que parece suscitar um temor por todos os enteados e não pelo consór- podem apedrejar os carros da polícia en- Bombaim) com uma disciplina e uma preci- reverencial, para mim inexplicável, porque cio bancário? Ou seja por todos os cida- quanto bebem umas cervejas; no segundo, são militares. o não receio, em nenhuma circunstância ou dãos que morrem lentamente asfixiados são apenas instrumentalizados pela miséria, No mais a matriz destes atentados re- situação. Desejo, ainda, referir que Augusto com a carga brutal de impostos que pa- o que é pouco cool para as novas gerações. produz algumas das consignas do terroris- Abelaira possuía grande coragem moral e gam e por empresas que este Pai não aju- A televisão gosta de promover o turismo do mo global conotado com a Al-Qaeda: tenta- física, o que o levou a enfrentar a PIDE, dou e que estão em situação de falência. desacato. (...) tiva de provocar o maior número possível com rara valentia. Do que nem todos se Aos enteados (reformados, pensionistas de vítimas (falava-se de que almejavam cinco podem ufanar. Ponto final. Mas voltarei ao e funcionários públicos) pede-se sacrifício Francisco José Viegas mil vítimas), destruição de símbolos da soci- assunto, acaso seja chamado à colação. e que apertem o cinto. Aos filhos banquei- Correio da Manhã 10/Dezembro/08 edade atacada (estação de caminhos-de- ros dá-se prémios pela gestão danosa. ferrro, hotéis, hospitais, um centro judaico), Baptista-Bastos Embora a situação destes filhos endia- OS PATRIOTAS DO PSD escolha de alvos plurinacionais (dos 200 DN 4/Dezembro/08 brados seja diferente, o caso do BPP, ban- mortos há 30 estrangeiros de 13 nacionali- co privado, sem expressão na economia (...) Há no PSD um núcleo de patrio- dades distintas) e o maior impacto mediáti- CONTO DE NATAL real do País, que se limitava a especular e tas indefectíveis disposto a fazer tudo co possível. (...) a gerir fortunas, é escandaloso. para impedir que o partido leve a me- O eng.º Sócrates resolveu antecipar- Se querem ajudar ajudem mas falem lhor nas eleições. Basta ouvi-los na te- António Vitorino se ao Pai Natal e presentear-nos com a verdade e não inventem a desculpa do levisão ou na rádio durante alguns se- DN 5/Dezembro/08 um anúncio: afinal, 2009 vai ser um ano risco sistémico. Qualquer pessoa de bem gundos, ou lê-los nos jornais ao longo próspero e afortunado para todos nós. e com a Instrução Primária sabe que a de escassas linhas. É uma gente com ELEIÇÃO DOS DEPUTADOS Diz ele, que as famílias portuguesas vão falência do BPP não comporta risco sis- alma de criada de servir que só sabe ter melhores condições de vida. Como témico de contaminação do restante sec- dizer mal da patroa nas lojas da vizi- Por entre o ruído provocado pelas faltas lhe diria o humorista Jô Soares, “só con- tor financeiro. nhança. Aposta muito mais venenosa- dos deputados à sessão parlamentar de sex- mente na desagregação da imagem de ta-feira passada, quase passou despercebi- Manuela Ferreira Leite e do PSD do que do o colóquio promovido pelo grupo parla- o próprio PS. Está desesperada e dis- mentar do PS em torno de um estudo aca- posta a tudo. Todas as semanas se ma- démico sobre possíveis alterações a intro- nifesta, sob os pretextos mais idiotas e duzir na lei eleitoral para a Assembleia da nas formulações mais ranhosas e rastei- República. ras. E todas as semanas dispõe de larga (...) Pelo tom do debate naquele colóquio, cobertura de uma comunicação social tão a fazer fé nos parcos relatos vindos na im- prazenteira a anunciar as suas leituras, prensa, ainda não será nesta Legislatura que quanto superficial e leviana a passar à tal objectivo será atingido. margem do que é realmente importante (...) Continuo a pensar que a melhor for- ou a analisar o fundo das questões. (...) ma de personalização do voto passa pela criação de círculos uninominais de candida- Vasco Graça Moura tura, compatibilizando-os com círculos pro- DN 10/Dezembro/08 porcionais de apuramento, com base nos quais se faria a distribuição dos mandatos A CRISE pelos partidos, desta forma reconhecendo a prevalência do princípio da representação (...) A verdade é que, tirando aque- proporcional como determina a Constitui- les seis meses da década de 90 em que ção. Reconheço, contudo, que o desenho chegaram uns milhões valentes vindos de um tal modelo não seria isento de algu- taram p’ra você!” O que fica contaminado é a honra, da União Europeia, eu não me lembro ma complexidade e que tal exigiria um es- A acreditar no primeiro-ministro, dir-se- a ética e a honestidade dos homens. de Portugal não estar em crise. Por forço de explicação do novo sistema aos ia que vai sair a Lotaria de Natal às famí- Então os gestores e accionistas do isso, acredito que a crise do ano que eleitores que poderia tornar mais imprevisí- lias portuguesas, que, e cito, “podem es- BPP não têm direito a fugir com os vem seja violenta. Mas creio que, se vel o seu resultado final. (...) perar, em 2009, ganhar poder de compra”. seus dividendos e a continuar a morar uma crise quiser mesmo impressionar Isto porque “podem esperar um melhor na quinta do patinho ‘feio’? os portugueses, vai ter de trabalhar a António Vitorino rendimento disponível em 2009 que advi- Claro que sim, esta gente merece sério. Um crescimento zero, para nós, DN 12/Dezembro/08 rá da baixa da Euribor” e “ver as suas que o Estado proteja as suas fortunas é amendoins. Pequenas recessões co- despesas reduzidas com a gasolina, fruto privadas. mem os portugueses ao pequeno-almo- TEXTO INDIGNO da baixa do preço do petróleo”. O povo ‘invejoso e ingrato’ é que ço. 2009 só assusta esses maricas da Atendendo à quadra, gostaria de pe- assim não pensa. Só com escárnio se Europa que têm andado a crescer aci- A propósito do falecimento do grande dir ao eng.º Sócrates o obséquio de não entende este golpe de mestre. ma dos 7 por cento. Quem nunca foi editor Joaquim Figueiredo de Magalhães, o tratar “as famílias portuguesas” como in- além dos 2%, não está preocupado. apenas concebível Vasco Pulido Valente capazes e de começar a falar-lhes com Rui Rangel (juiz) É tempo de reconhecer o mérito e escreveu, no Público, um texto mais indig- seriedade. (...) Correio da Manhã 10/Dezembro/08 agradecer a governos atrás de gover- no do que lhe é habitual. Entre omissões, nos que fizeram tudo o que era possível mentiras e pequenas velhacarias, insulta a Teresa Caeiro DUPLICIDADE para não habituar mal os portugueses. memória de Augusto Abelaira, intelectual Correio da Manhã 9/Dezembro/08 A todos os executivos que mantiveram respeitado e admirado, de quem diz ter tido Há uma enorme duplicidade das televi- Portugal em crise desde 1143 até hoje, a alcunha de “A Velha”. O Vasco PV de- FILHOS DA NAÇÃO sões quando exibem imagens de tumultos: muito obrigado. Agora, somos o povo veria examinar a gravação das suas inter- há guerrilhas boas e guerrilhas más. Depen- da Europa que está mais bem prepara- venções, na TVI, medonha encarnação do Do que venho hoje falar é de justiça de. Para a generalidade da Imprensa, os do para fazer face às dificuldades. apodo que atribui ao grande romancista de social e de igualdade, é de justiça de um meninos que andam a destruir Atenas são A Cidade das Flores. Quanto à revista Al- Pai, que distribui de forma desigual e ina- jovens e anarquistas em protesto. Ricardo Araújo Pereira manaque, de que fui redactor a partir de dequada a sua bênção aos filhos. Lá vem a ladainha habitual: desemprego Visão
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    10 CRÓNICA arte em café 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 A OUTRA FACE DO ESPELHO Secam rosas no olhar… José Henrique Dias* jhrdias@gmail.com O senhor tenha a bondade de me dar uma ajuda. Não tenho ar de precisar? Isso diz o senhor. Olhe bem. Não sou um caso de pobreza envergonhada, bem vê, está até algo exposta, é mesmo extrema necessidade. Ouça-me, por fa- vor. Como? Desculpe, pedi-lhe ajuda, o favor de me ouvir, não lhe pedi opiniões sobre a minha aparência. Apresenta- mo-nos como podemos. Como queremos, no meu caso. Para que hei-de fazer a barba e cortar o cabelo? Não, não sou desleixado. Se quer saber, fui até bem elegante, diziam. Caprichava no vestir. Como caprichava no meu piano. Se não tenho casa? Claro que tenho casa. Até muito confortá- vel. Mas pense bem, meu senhor, se não for abusar da sua paciência: acha mesmo que isto de estar na rua e pedir para que aprendeu a dizer isso com Agostinho da Silva. Vivemos pena, já não está aí, lhe disse que sou um sem-abrigo. Quem ser ouvido, é despautério? Não, não se espante com as belos momentos. Um encantamento sinfónico revertido lou- perde o amor, e o amor acontece apenas uma vez quando palavras. Tenho algumas fragilidades e este aspecto, esta- cura nos encontros nocturnos. Sabe o que resta de mim, acontece, fica desabrigado. Podemos arranjar imitações. rei algo perturbado, mas sempre trabalhei com um vocabu- meu senhor? Ainda aí está? Já foi embora. De mim resta Se formos simples, podemos viver mesmo com alguma lário vasto e diversificado. Sei pensar e conheço as pala- uma rosa seca dentro de um livro e talvez uma florita silves- harmonia. Mas não é, não pode ser aquilo que agora me vras. Conheço-as por dentro. Despi muitas. Enrosquei-me tre que um dia apanhei para lhe dar e não havia mais nada está a queimar as palavras, me deixa a boca colada como em outras tantas. Deixe-me dizer assim, se não ferir os na natureza que valesse o gesto da dádiva. Suspeito que as uma mordaça. seus ouvidos: fiz amor com elas. Não gosto da expressão guardou. O senhor já foi embora mas eu preciso de continuar a fazer amor. Gostava de poder dizer de outra maneira. Mais Tem graça, primeiro a língua fugiu para dávida. Cá estou falar, senão rebento, ou então mato, sim, eu agora já percebi forte. As palavras foram sempre minhas companheiras. eu a torcer o pescoço às palavras. Se estivesse a escrever muito desvario de que as pessoas depois se arrependem. Minhas amantes. Como o meu piano. Mas o piano, coitado, saía dávida pela certa. Depois emendava para o que se tem Há um tigre dentro de todos nós. Matar é fácil. Difícil é teve um triste fim. Lancei-o ao mar. Onde ela gostava de por correcto. Se estivesse com ela começava o jogo das sobreviver à ideia de que alguém toca no que é o ar que prender o olhar. Fez-se barco e viagem. Diluiu-se como os palavras na construção do poema. Dádiva-dá-vida-vidra- respiramos e ficamos sem ar. Digam-me senhores, todos vincos dos seus pés na areia da praia. Nem o senhor imagi- da-irada-virada-iridiada-íris-adiada-ondeada-vida-irisada- os que estão agora a passar diante dos meus olhos, nesta na como conheço as palavras e como tocava piano. O so- -enraizada-em-risada. Brincávamos. As palavras servem rua infinitamente branca como têm sido as minhas noites, nho da minha vida, depois que a conheci, foi compor uma para pensarmos. Também para doerem. Às vezes rir. Ou digam se sabem responder… obra para quatro mãos. As nossas. Com ela, naturalmente. morrer. Os esquizofrénicos inventam palavras. Ângelo de Então, não pode estar a fazer esse barulho. Vamos lá Conseguimos. Uma bela peça. Celebrada por quem a ou- Lima um dia escreveu dorte. Onde há dor e morte. Era embora daqui. Tem família, homenzinho? via. Chamava-lhe, quando a sentia a meu lado, com os de- poeta. Dizem que louco. Coisas dos médicos. Coletes de Homenzinho?! Homem. Escrevi livros, sou pianista, a dos na carícia do cabelo, a minha jói… ó que disparate, ela forças nas palavras com neuroléticos na sintaxe. Assim se minha casa é um palácio que todos invejam, tenho uma é que me chamava jóia rara. Durante algum tempo. Essas adormece a criatividade Assim se atormenta a poesia. Em biblioteca com mais de trinta mil volumes, falo quatro lín- coisas passam. São como o sarampo, em criança. Esque- paredes sujas de hospícios e auspícios. guas e sei latim e grego, fiz conferências em universidades cem. Só que sou mesmo um sem-abrigo. Tornei-me sem Ia falar dela. Pensei-a como a mais brilhante das mulhe- do mundo, concertos em todos os palcos, tenho uma co- dar por isso um sem-abrigo. Durmo em pedaços de cartão res. A mais bela era com certeza, a meus olhos, é evidente. menda pela exemplaridade do meu exercício cívico e o se- da memória nas arcadas do tempo que passa. Como uma Mas… moldar com jeito todas as potencialidades que a sua nhor, só porque tenho estas barbas e falo sozinho, acha que trova. Sem que o esperasse, perdi a essência de sentir-me inteligência abria, elevá-la ao plano da criação, ensinar-lhe me pode chamar homenzinho? Não há homenzinhos, nesse vivo. Amava. Não se ria. Percebe-se quando falei no piano. todos os mistérios das palavras, das mãos sobre o teclado, o tom, senhor guarda: há pessoas. Está a ouvir? Pessoas! Eu Já observou bem um piano? Não, não: por dentro. As cor- soltar dos sons como se ouve o mar, o longe, os voos das apenas fiquei sem-abrigo porque escolhi que fosse assim. das tensas. À espera de serem percutidas. Com leveza ou gaivotas, as canções do vento, os mistérios dos búzios, os Perdi de repente todo o jeito para viver. intensidade. Soarem música. Até ao grito. Até à raiz do passos lentos na praia, o soltar das túnicas, como se ouve a Vamos lá acabar com a conversa e saia daqui. nome. Miriam! A minha discípula judia. nudez e o deslumbramento… Coitado, é maluquinho. Se calhar ficou assim por causa Acho que não percebeu a metáfora e está a pensar que Pois é, imagine que foi exactamente pelas palavras que de algum desgosto. estou a ser ridículo. O senhor é mais ou menos jovem e acabei por perdê-la. Pela música das palavras que foi ab- Fala de mim? Não, minha senhora, fiquei assim por cau- pensa que na minha idade não se ama. Como se engana. sorvendo. Pelas palavras da minha música. Alguém as viu sa de uma rosa seca dentro de um livro. Primeiro secam as Ainda amo. Talvez fosse, talvez seja um tanto possessivo. ou as ouviu, aproximou-se e a verdade é que eu já não era flores, olham para elas e choram de emoção. Depois se- Era. Quem ama de verdade é assim. Absorve tudo Amar é preciso. Estava gasto. Tudo já mais ou menos feito. E eu cam-nos a nós, olham, não nos vêem e voltam ao riso das ter alguém dentro de nós. Arde. Ninguém apaga esse lume. não podia. O médico disse-me que era pouco o tempo, ou novas descobertas. De mão dada. A faca não corta o fogo. Claro que leio Herberto Helder. todo o que teria estava infiltrado de sofrimento. Passei por Até o tempo inexorável de soltar as mãos e voltar tudo Está a perceber porque sou um sem-abrigo? Não é por tudo o que era máquinas. Injectaram-me substâncias radio- ao princípio. causa de não ter casa, expliquei-lhe, é o que estou a sentir. activas e mandaram-me para dentro de espécies de batís- É um outro tecto que me falta. É a abóbada daquele sorriso. cafos individuais. Nuclear não, obrigado. Cantigas. Can- As pessoas passam, vêem-me com este aspecto e, claro, tigas, não positrões. Ficava queimado. Por dentro. De mim não me dão nada. Também não tenho pedido. Acha que se saía um odor verde. Quando o médico me chamou, procu- pode dizer a alguém, tragam de volta a vida? rou ser amável, mas tinha um ar severo. Notei a prega do O senhor é a primeira pessoa a quem peço. Apenas franzir da testa e algum embaraço. Depois falou com algu- porque pensei juntar a minha solidão à possível solidarieda- ma pressa como para se livrar da derrota. Do turbilhão das de que deambula. Não é como no Deus Lhe Pague do palavras retive metástases nos ossos. Já tinha lido o sufi- Joracy Camargo. Ser rico de noite e mendigo de dia. Eu ciente para perceber o que estava a dizer-me. Foi nesse dia não tenho absolutamente nada. Deixei tudo. Perdi tudo. A que pensei nela de uma outra maneira. Não podia condená- minha alma esvaziou-se. Nem lágrimas tenho. Secaram. la a viver a minha tragédia. Não tive coragem para lhe Estou condenado a estar vivo mais algum tempo e estou fazer mal, cheguei a pensar em fazer com que me odiasse, aqui também para vê-la passar sem que me reconheça. mas não fui capaz. Pequenas patifarias apenas. Que ela foi Quando tudo era belo e havia a obra a quatro mãos, gerindo por amor. Mas na verdade eu já não tinha lugar. chamava-me meu poeta. Dizia meu poeta à solta. Creio Quem vai ao mar perde o lugar. Por isso, meu senhor, que * Professor universitário
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 NACIONAL 11 PRÉDIO DOS CTT DE COIMBRA É UM DOS CASOS EM ANÁLISE Municípios prescindem PGR diz que continua de 555 milhões de euros Os municípios portugueses vão prescindir no próximo ano de 555 milhões de a investigação euros de receitas de impostos para minimizar os efeitos da crise financeira mun- dial, foi ontem (terça-feira) anunciado. Em conferência de imprensa, o Presidente da Associação Nacional de Municí- A Procuradoria-Geral da República este processo CTT prende-se com sus- pios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, adiantou que a este valor acrescem (PGR) informou ontem (terça-feira) que só peitas da prática de crimes de adminis- “uns milhões largos de euros de respostas autónomas que cada município dá”. foi aberto um processo em relação aos CTT- tração danosa, infidelidade e corrupção Aqueles montantes advêm da diminuição do IMI - Imposto Municipal sobre Correios de Portugal e que continua em in- passiva. Imóveis (150 milhões de euros), IMT - Imposto Municipal sobre a Transmissão vestigação. Um dos casos em investigação prende- Onerosa de Imóveis (160 milhões), da Derrama e do IRS (ambos em montantes “O processo relativo aos CTT continua se com a venda de um edifício dos CTT em de 15 milhões). em investigação, havendo um único proces- Coimbra, a 20 de Março de 2003, por 14,8 A estas verbas acrescem 200 milhões de euros de perda de receitas de taxas so. Estão a ser investigadas, entre outras, milhões de euros, a uma empresa, que o e licenças devido ao adiamento da entrada em vigor da nova Lei das Taxas as situações que foram descritas nas audi- revendeu no mesmo dia por 20 milhões. Municipais, solicitada pelos municípios ao Governo, e do contributo de 15 mi- torias realizadas”, refere a PGR numa in- As suspeitas em causa incidem sobre a lhões de euros para o não aumento das tarifas de electricidade, explicou Fernan- formação transmitida à Agência Lusa, sem administração dos CTT quando era presidi- do Ruas, no final de uma reunião do Conselho Directivo da Associação. adiantar mais detalhes. da por Carlos Horta e Costa, que já rejeitou De acordo com notícias publicadas, qualquer acusação de má gestão. PÚBLICA FRACÇÃO Francisco Amaral franciscoamaral@gmail.com TELENOVELAS BRASILEIRAS EM QUEDA Renata Pallottini, professora de Dra- maturgia, da Escola de Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo, que Sónia Braga em “Gabriela, Cravo e Canela” nova queda de audiências é anunciada, necessário reconhecer que as fórmulas Intervinha muito e com persistência no sobretudo no último ano. envelheceram e que é necessário uma seu papel de sindicalista? Não é, até ver, Renata defende que “as novelas bra- outra televisão. nenhum crime. Incómoda? Talvez. Mas sileiras insistem numa fórmula de suces- ter opiniões diferentes não pode consti- so dos anos 70, 80 e 90, não se aperce- tuir um factor de estigmatização. RTP-VISEU bendo que os padrões de ética da socie- A Direcção de Informação da RTP dade mudaram. Os textos são fracos e SEM TER QUE FAZER tem destacado sistematicamente equipas os bons actores envelheceram, não sen- da delegação de Coimbra, “mantendo a do substituídos.” A jornalista Maria João Barros, tra- jornalista desocupada, o que representa Em Portugal esta queda de audiências balhadora da RTP na delegação de Vi- uma humilhação inaceitável e uma afron- das telenovelas brasileiras já se nota des- seu, desde finais de Agosto que não tem ta ao seu profissionalismo.” de o início da década. Como consequên- quaisquer tarefas profissionais atribuídas. O Sindicato dos Jornalistas refere ain- cia mais evidente, a queda de audiências Segundo o Sindicato dos Jornalistas, o da: “A forma como a DI e o próprio Con- da SIC. Queda que parece não dar sinais comportamento da delegação de Viseu selho de Administração da Empresa têm de inversão. Nem agora, com o regresso da RTP indicia a tentativa de levar a jor- tratado este assunto indicia uma inten- de Nuno Santos, a “estação de Carnaxi- nalista a “romper a sua relação de tra- ção de beneficiar o infractor e de afec- de” mostra capacidade para recuperar. balho” com a empresa, e alimenta legíti- tar a dignidade da jornalista e de lhe cri- Está tudo na mesma. Quero dizer que a mas suspeitas de que “a jornalista Maria ar um ambiente humilhante e desestabi- Renata Pallottini SIC parece não ter sabido libertar-se dos João Barros está a ser alvo de retalia- lizador que a levem a romper a sua rela- modelos que criou e no campo dos quais ção por parte da empresa pelo facto de ção de trabalho com a RTP.” esteve em Coimbra, na ESEC, ainda há foi ultrapassada. Criar uma alternativa à ser dirigente sindical”. Que se esclareça esta situação é o poucos meses, afirmou num artigo publi- TVI na área da televisão “popular” é uma Maria João Barros foi jornalista na mínimo que se pode esperar. O que se cado na última edição da revista Veja, missão complicada. RTP em Coimbra há largos anos. Quem passa faz lembrar algumas situações que que nos últimos dez anos, a cada novela Talvez, comparando com o que se a conheceu sabe que tem “nervo” e é se viveram já em Democracia, mas que lançada, sobretudo pela TV Globo, uma passa com as telenovelas brasileiras, seja das que preferem quebrar do que torcer. parece terem deixado sementes.
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    12 NATAL 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 Dando continuidade a uma tradição natalícia já com muitos anos, Fernando Simões Ribeiro e a sua Medalhística Lusatenas, de Coimbra (a mais concei- Tradições de Natal assinaladas tuada editora portuguesa de medalhas, com prestígio internacional), acaba de editar a sua Medalha Comemorativa do Natal de 2008. Trata-de de um belo trabalho de auto- ria do escultor Jorge Coelho, numa me- dalha cunhada em bronze (com o diâ- metro de 90 mm). Ou seja, uma excelente oferta de Na- tal, que certamente agradará a quantos com ela forem distinguidos, e que perdu- rará pelos anos fora como inesquecível e palpável recordação. A Medalha deste ano vem acompanha- da (como também é habitual) por um belo texto da autoria do padre A. Jesus Ramos, Professor de História da Igreja no Instituto Superior de Teologia de Coimbra. É esse texto que a seguir se transcre- ve, com a devida vénia: COMO O POVO mais comum é o canto natalício. saborosas como esta: CANTA O NATAL Do Minho ao Algarve, da Madeira aos Olhei para o céu, Açores, não há vila nem aldeia onde, Estava estrelado; Ó meu Menino Jesus, O nascimento de Jesus é um dos acon- nesta noite santa, o povo não faça ouvir Vi o Deus Menino Vinde ao meio da Igreja, tecimentos que marca mais profunda- os seus cânticos tradicionais, muitos de- Em palhas deitado. Que eu vos quero adorar mente a cultura popular portuguesa. Não les com origem desconhecida e a per- Em palhas deitado, Onde toda a gente veja. esquecendo os grandes presépios que se der-se na bruma do nosso passado co- Em palhas estendido, erguem em quase todas as igrejas, feitos lectivo. De tantos que se cantam, nem Filho de uma rosa, Um pouco por todo o lado, em Trás- pelas mãos do povo, como fruto da sua sabemos qual é o mais popular, nem qual Dum cravo nascido! -os-Montes, nas Beiras e na Estrema- imaginária e da sua devoção, ou os au- é o mais antigo. Na Beira Baixa e no dura, os grupos de crianças e de jovens, tos de Natal, que se representam nos Alto Alentejo, por exemplo, não há quem Também na Beira, todos, dos mais nas escolas e nas lições de catequese, templos e nas praças, a forma cultural desconheça este refrão: velhos aos mais jovens, cantam quadras entoam:
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 NATAL 13 em medalha Alegrem-se os céus e a terra, Bateram a muitas portas, Cantemos com alegria, Mas ninguém lhes acudia, Já nasceu o Deus Menino, Foram dar a uma choupana Filho da Virgem Maria. Onde o boi bento dormia. Como estas, muitas são as canções com Mais a sul, no Algarve, é costume con- que o povo celebra o Natal, afirmando as- tar-se a história do nascimento de Jesus sim a sua fé, no mistérioa da vinda do Filho com quadras cantadas ao gosto popular: de Deus, que vem habitar no meio de nós. A cultura e a fé andam aqui, como quase Linda noite de Natal, em tudo, de mãos juntas. É, de resto, em Noite de grande alegria, sintonia com a fé e a cultura do nosso povo, Caminhava S. José que a Medalhística Lusatenas edita esta Mai-la sagrada Maria. artística medalha de Natal.
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    14 RETRATO 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 GEORGINA FIGUEIREDO “Do sonho, nasce… mais sonho” Filipa Gameiro do Carmo * ali, a dois anos de completar o Liceu. um outro sonho que vinha criando raízes gócio na área da restauração. Nos res- Há muitos anos que, para Georgina Outros sonhos, então, ganharam for- na mente de ambos: abrir um restaurante. taurantes sente-se a crise das mais di- Figueiredo, o dia começa às seis e meia ma. Os filhos que desejava e os desafios E hoje já são três. Vinte anos volvidos e versas formas, desde a quebra no nú- da manhã. O que tem veio com dificul- profissionais na cidade, Coimbra. Pena- muita dedicação depois, Gina contempla a mero de refeições servidas, passando dade, do trabalho e do próprio suor. “Não cova ficava para trás, uma doce lem- obra e sorri. “Foram vinte e um anos de pela redução dos gastos por parte dos herdámos e não temos pais ricos”. Do brança dos anos felizes passados com a trabalho, tantos quanto de casamento”. clientes. “Antigamente os pais que vi- pai herdou o lema de que é preciso arre- mãe e o irmão. À sua frente, um mundo O trabalho deu frutos e o casamento nham com os filhos almoçar no dia da gaçar as mangas para saber o que custa Bênção das Pastas, traziam quase toda a vida. a família e pediam de tudo, desde entra- A infância de Gina foi feliz, passada das até às sobremesas e aos digestivos. sozinha com a mãe na pequena aldeia em Isso não acontece actualmente. Bebe- que viviam, perto de Penacova. Toda a se o vinho da casa e dividem-se as do- atenção e os mimos dos progenitores iam ses. A crise existe mas não acredito em para a pequena Gina, menina tímida e metade das coisas que oiço nas notícias. pouco dada a travessuras, uma perfeita Penso que alguém está a exagerar e a mulherzinha. Aos sete anos, para seu de- lucrar com esta crise”. leite, nasce o irmão. As atenções passam Por Coimbra, a crise vai sendo disfar- a ser divididas, mas o amor chega para os çada, pelo menos em tempo de festa dois. Eram unha com carne e ainda hoje académica, com os restaurantes a serem o são. A aldeia onde Gina vivia com a mãe reservados a meses do evento. “Apesar e o irmão só tinha Escola Primária; quem de alguns episódios menos felizes envol- aspirasse à escolaridade obrigatória ou, vendo estudantes, eles continuam a ser quem sabe, um pouco mais, tinha que ir um dos principais motores da cidade. Os estudar para a vila, Penacova. A dureza jantares e almoços académicos são sem- dos três quilómetros percorridos todos os pre bem-vindos”. Com os três restauran- dias, por vezes debaixo de sol, outras tan- tes que possui, o mal sempre pode ser tas à chuva, era amaciada pela certeza distribuído pelas aldeias, apesar de “O do banho quente à espera e do jantar pron- Serenata” ser o predilecto da comunida- to na mesa. A mãe era assim, extremosa. de estudantil por ser o mais informal, Sem rancor, Gina assume: “Não posso dedicado à cozinha típica Portuguesa. O falar em pais porque foi mais mãe”. O “D. Espeto” é o local ideal para quem pai estava emigrado. não resiste a uma espetada, das mais tra- Corria o ano de 1986. Nem só o bom filho a casa torna, também o bom pai o faz. Após trinta anos em França e ou- Nome: Georgina Figueiredo tros tantos dias de trabalho árduo, era Idade: 40 hora de regressar. As visitas no Natal, Área: Restauração Páscoa e o costumeiro mês de Agosto Prato: Sardinha Assada com a família, momentos preciosos sa- Georgina Figueiredo Bebida: Vinho Tinto boreados avidamente por milhares de ou Caipirinha emigrantes, eram coisa do passado. A para descobrir e explorar. A nova aven- também. Inês, dezasseis anos, e Gonça- País: Brasil família Oliveira estava, novamente, reu- tura começou no café “Montanha” no lo, quatro, com quem tenta passar o má- Vício: Fumar nida. O pai sempre foi um homem seve- largo da Portagem. Com o marido ainda ximo de tempo possível. Por vezes não é Um dia quis ser: Advogada ro e autoritário, mas foi do marido que a concluir o serviço militar, Gina viu-se fácil, tantas são as exigências de uma recebeu o maior ultimato da sua vida: forçada a abandonar, definitivamente, a vida dedicada à restauração. Com qua- “Chegou ao pé de mim e disse: Ou aca- pele de adolescente e a vestir uma nova: tro estabelecimentos para gerir e outras dicionais a algumas combinações auda- bamos o namoro, ou casamos. Não es- a de empresária. “Eu nunca tinha feito tantas dezenas de famílias dependentes ciosas. O mais recente desafio, “Praça tou para aturar o teu pai!”. Aos dezoito nada, fui atirada às feras. Não estava dessa gestão, sobra pouco mais que o do Marisco”, aposta nos produtos fres- anos, o coração falou mais alto e Gina habituada à vida”, confessa. Contudo, tempo suficiente para lhes incutir os va- cos do mar, bem como no cabrito con- disse que sim. O casamento, à boa tradi- depressa se habituou. Como ela própria lores que considera fundamentais: hones- feccionado de forma tradicional. A estes ção da aldeia, foi de mesa farta e copo assume, sempre foi uma mulher de ar- tidade, sinceridade e humildade. Estes três estabelecimentos, junta-se o café cheio. E muitos envelopes recheados com mas, pronta para a guerra. Após alguns são, para a empresária, os pilares de uma “Cristal”, com horário alargado a fim de os ilustres Antero de Quental e António anos surgiu a oportunidade de explora- boa educação. Isso e amor, claro está. saciar apetites tardios. Com maior ou Sérgio. Foi o início de uma nova vida para rem um estabelecimento próprio. O nome Gina não tem pudor em assumir-se menor sofisticação nos menus, não deixa ambos e o fim dos estudos para ela, bem era auspicioso, escolhido quiçá em jeito uma “fanática das limpezas”. Talvez por de ser interessante descobrir que o prato como das conversas e beijinhos ao por- de mote; Dreams, sonhos, assim se cha- isso, espelha nas casas que gere essa favorito de Gina é… sardinha assada. A tão debaixo do olhar atento do pai. O mava. O primeiro negócio do casal, o faceta. Já teve inúmeras visitas da Au- acompanhar: um bom vinho tinto. sonho de ser um dia advogada ficava por primeiro passo para a concretização de toridade para a Segurança Alimentar e Após tantas conquistas, continua a so- Económica e nenhuma delas resultou eu nhar. Gostaria de abrir um Hotel de Char- auto. Cumpre as normas à risca e, ape- me em Coimbra e, um desejo que lhe vem sar de achar a actuação da ASAE um desde os vinte anos, tirar um curso de De- pouco inconsistente, considera a entida- coração numa prestigiada escola em Lon- de indispensável. “Às vezes são muito dres. Como diria um dos maiores vultos da rigorosos numas casas e nem tanto nou- Literatura Francesa, Victor Hugo, não há tras… Há casas por esta cidade que são nada como o sonho para criar o futuro. uma vergonha!”. Se juntarmos à fiscali- “Utopia hoje, carne e osso amanhã”. zação apertada a crise que se vive actu- * Aluna finalista da Licenciatura almente, é fácil perceber que este não é em Comunicação Social um bom momento para começar um ne- do Instituto Superior Miguel Torga
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 EDUCAÇÃO/ENSINO 15 DIFERENDO ENTRE SINDICATOS E GOVERNO Cavaco deseja que negociações sejam bem sucedidas O Presidente da República, Cavaco sores, que reúne os 11 sindicatos do nuem a lutar, nas escolas, pela sus- Silva, manifestou-se na passada sema- sector, reuniram quinta-feira com a pensão do processo de avaliação, na esperançado em que “o novo espa- ministra da Educação, Maria de Lur- subscrevendo um manifesto que será ço negocial” aberto entre sindicatos des Rodrigues, para lhe apresentarem entregue ao ME no próximo dia 22 e dos professores e Ministério da Edu- uma proposta alternativa ao actual que virá a ser “o maior abaixo-assina- cação tenha “resultados positivos”. modelo de avaliação. do alguma vez realizado” no sector. “Quero crer que esse novo espaço O encontro terminou, porém, sem A greve nacional agendada para 19 conduzirá a resultados positivos”, dis- acordo, pelo que Governo anunciou que de Janeiro vai igualmente manter-se, se Cavaco Silva durante uma visita a avançará com a avaliação de desem- não estando excluída a possibilidade Coimbra. penho dos professores já este ano lec- de serem ainda retomadas, no segun- Na sua opinião, “as negociações es- tivo, embora de forma simplificada. do período de aulas, as paralisações tão a decorrer nAo fórum adequado”. Quanto aos sindicatos, reforçaram regionais que a plataforma suspendeu A Plataforma Sindical dos Profes- o apelo aos docentes para que conti- na semana passada. Modernização de mais 100 escolas custará 500 milhões de euros As 7 medidas de incentivo ao investi- las, que vai além das “26 já previstas” para eficiência energética dos edifícios públi- mento custarão 800 milhões de euros, onde este ano, segundo disse o primeiro-minis- cos (hospitais, universidades, tribunais, re- se destaca a modernização de mais uma tro, e que custará 500 milhões de euros, partições públicas, etc). centena de escolas já no próximo ano, cujo está ainda previsto um reforço do investi- O investimento em redes de teleconta- investimento global chega aos 500 milhões. mento em energia sustentável e na mo- gem de energia está também contempla- As contas constam do documento en- dernização das infra-estruturas tecnoló- do no plano de combate à crise. As medi- tregue aos jornalistas na conferência de gicas das redes de banda larga de nova das na área da energia vão custar 250 imprensa que se seguiu ao Conselho de geração. milhões de euros, segundo contas apre- Ministros, que aprovou o plano de com- No caso da energia, o Governo decidiu sentadas pelo Governo. bate à crise e que prevê um total de 29 dar um “apoio extraordinário à instalação, Na área da modernização da infra-es- medidas para incentivar o investimento e durante o ano de 2009, de painéis solares trutura tecnológica, o Governo avança o emprego. e de unidades de microgeração, designa- com o apoio na realização de investimen- Do total de investimento no valor de damente mini-eólicas”. tos nas redes de banda larga de nova ge- 800 milhões de euros, 600 milhões serão Está prevista ainda a “antecipação de ração e a promoção da utilização domés- financiados pelo Orçamento do Estado e investimento em infra-estrutura de trans- tica e institucional das redes. Medidas cuja o restante virá dos fundos comunitários. porte de energia”, adiantou o ministro da despesa fiscal ascenderá a 50 milhões de Além da modernização de 100 esco- Economia, Manuel Pinho, e a melhoria da euros. Boa-fé versus Má-fé Maria Isabel Lemos * tre os representantes dos professores e a que caberia… numa folha A4”. Primei- ministra, para, dizia ela, se negociar, se en- ro não foi “finalmente” que tomou co- Quando eu era menina e depois moça, contrar possibilidades de entendimento, de- nhecimento das propostas; já lhe haviam quando os pais falavam com os filhos e corriam ao mesmo tempo reuniões com os sido entregues. Segundo, tratava-se de não descansavam só na escola, seja pú- responsáveis das escolas, pressionando-os um modelo transitório para este ano lec- blica ou privada, as aprendizagens, o de- a continuar e a realizar os procedimentos tivo, até se chegar ao modelo desejável senvolvimento de competências, o reco- de avaliação. Mais, quando se encontrou a para o futuro. Terceiro, constituía um nhecimento de atitudes e valores, sempre possibilidade de realizar uma reunião de ponto de partida, que poderia e deveria que eu chegava a casa, inquieta e revol- “agenda aberta”, em que tudo poderia estar ser negociado, melhorado, de acordo com tada, por ter sido vítima, real ou imagina- em discussão, quando a Plataforma Sindi- os acordos que fossem surgindo. Mas da, de qualquer picardia ou perversidade cal, usando de boa-fé, aceitou, alguns mo- isso, se houvesse boa-fé. de amigas ou colegas e eu vociferava mentos depois já estava o Secretário de Es- Para finalizar, aquilo que mais me cho- contra elas, a minha mãe, com sábia tran- tado a afirmar que “tudo” não incluía a sus- cou, me deixou perplexa, foi a Srª Minis- quilidade, dizia-me mais ou menos isto: pensão do modelo de avaliação. tra, com um ar irónico (pelo menos eu “Quem não se julga bem, não é bem jul- Que me perdoe a minha mãe, mas senti ironia e quase desprezo…), falar gado”. Entendia ela e ensinou-me então começo a achar que não posso continu- da extensão da proposta. Ah! Já perce- a não julgar mal os outros, a ter boa-fé. ar a ter boa-fé, pelo menos para com esta bi: para a Srª Ministra, tudo tem que ser Vem tudo isto a propósito das últimas pseu- equipa ministerial. Estou definitivamen- complexo, longo, difícil, obscuro. do-negociações entre o Ministério da Edu- te zangada. E aqui está como, de pessoa de boa- cação e a Plataforma Sindical. É importan- A minha zanga aumenta ao ouvir o ar fé, passei a nunca mais acreditar, sobre- te denunciar a má-fé de Maria de Lurdes displicente da Srª Ministra a falar da pro- tudo naqueles que me habituaram à sua Rodrigues e da sua equipa. Por duas vezes, posta levada pelos sindicatos para a reu- má-fé. e quando estavam aprazadas reuniões en- nião de 11 de Dezembro: “uma proposta * Professora e dirigente do SPRC
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    16 SAÚDE 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 “Costumes Portugueses” Massano Lisboa encerram um grande número de las e alimentos de todos os tipos a fim de aquele que perdoa, aquele que tem o po- Cardoso detidos. As razões têm a ver com a len- os alimentar com o mínimo de dignida- der, e que tem o desejo de o aplicar, po- tidão do procedimento criminal, o não de. O orçamento para este fim era mui- dem-no procurar, mas nunca o encontram”. respeito pelas leis, à compaixão e talvez to reduzido nesse tempo. Depois conti- Ponho-me a pensar o que diria hoje Um amigo, das bandas de Alenquer, também à negligência dos magistrados; nua a descrever as iniciativas de carác- Évêque se pudesse retratar-nos nova- mimoseou-me com uma obra muito inte- numa palavra, a uma espécie de laisser- ter misericordioso para minimizar a es- mente. Para já, não falaria da “sopa dos ressante e que desconhecia: “Portugue- aller que é a marca de todos os sectores tadia nos presídios. prisioneiros”, mas da sopa que alguns pri- se Costumes” de Henry sioneiros nos dão. Continuaria L’Évêque. O livro, publicado em a ficar espantado por não ha- Londres, em 1814, descreve de ver portugueses na prisão por uma forma sublime os costumes dívidas, que a justiça continua portugueses da época. As descri- no mesmo ritmo, lenta, no mí- ções, em inglês e em francês, são nimo, que o laisser-aller é a de muito sugestivas e enriquecidas facto a marca nacional, não por cinquenta magníficas gravu- obstante todas as reformas, ras a cores. Trata-se, quase que enfim, que em Lisboa, e tam- diria de um “elo perdido” que per- bém no resto do país, os dela- mite conhecer-nos um pouco me- tores continuam a fazer das lhor, até porque o que está relata- suas, muitas vezes com o ob- do não está tão longe de nós como jectivo de denegrir a imagem isso, apenas duzentos anos. dos cidadãos. De facto a ca- Comecei a ler e não consegui lúnia tornou-se numa das ar- parar. Após a primeira descrição, mas mais perigosas capaz de “A audiência do Príncipe” em que destruir em muito pouco tem- são relatadas as formas como po toda uma existência. E, abordar e como fazer as petições, mesmo que se venha a provar junto do mais alto representante a inocência do acusado, per- de então, surge a “Sopa dos Pri- manecem sempre alguns efei- sioneiros”. Neste texto chama a tos devastadores da imagem do atenção alguns parágrafos. “Em cidadão. João Chagas, na sua Portugal não se prende ninguém por dí- da administração pública”. Na parte final, após o elogio à “cle- interessante obra, “Posta-restante (car- vidas; e como se praticam proporcional- Évêque descreve em seguida que os mência hereditária” da casa de Bragan- tas a toda a gente)”, escreveu a seguin- mente muito menos crimes que na maior prisioneiros são raramente maltratados, ça, o autor cita o seguinte: “Encontram te frase a propósito das iniciativas e ar- parte dos estados europeus, como é o devido às máximas de uma religião cari- sempre em Lisboa, e hoje mais do que dor do apostolado de um cidadão: “Ca- caso da Inglaterra, por exemplo, sería- dosa e à doçura do carácter nacional. O nunca, delatores prontos a denunciar, um tequise, catequise. Da catequese, como mos tentados a crer que as prisões estão pior é sustentar os prisioneiros, o que leva intendente-geral da polícia para deter os da calúnia, sempre fica alguma coisa”. praticamente vazias. Entretanto as de algumas ordens religiosas a obter esmo- acusados, tribunais para os julgar. Mas Pois fica! Bem dormir para bem conduzir Neste mês de Dezembro, as festas tratar, aquilo que os americanos chamam, des terapêuticas com indicação precisa As necessidades de sono são iguais de Natal e de Fim-de-Ano levam a que o drowsy driving – a condução sob o para a insónia, surge no mercado portu- para a grande maioria dos adultos, em- muitos milhares de pessoas se desloquem efeito do sono. O drowsy driving pode guês um medicamento – melatonina de bora haja quem pense que precisa de de automóvel. Aos condutores recomen- ser devido a não ter dormido ou dormido libertação prolongada – que ajudará a poucas horas de sono para ter qualidade da-se, sobretudo, que não consumam muito menos do que devia para repou- resolver o distúrbio de sono mais comum de vida no dia seguinte. A verdade é que álcool, o que é bem avisado. E também sar, mas também pode acontecer em a muitos doentes. a insónia afecta cerca de 30 a 45 por que não ingiram substâncias tóxicas, nem pessoas que dormem as horas normais, “Há muito tempo que não havia novi- cento da população mundial. Em Portu- medicamentos que provoquem sonolên- mas cujo sono não foi reparador”, expli- dades terapêuticas para as insónias. Por gal os distúrbios do sono afectam 30 por cia. Mas importa ter em atenção, igual- ca António Atalaia, neurologista e mem- isso este novo medicamento é uma boa cento da população, sendo, de uma ma- mente, que um condutor muito cansado bro da Associação Portuguesa do Sono. notícia para os que diariamente tratam neira geral, mais afectadas as mulheres ou ensonado é um perigo na estrada, para O especialista sublinha que é fundamen- estes casos”, diz, sublinhando que este e os idosos. ele próprio e quem o acompanha, mas tal que as pessoas estejam alertadas para medicamento tem a vantagem de ter in- Segundo a psiquiatra, “o tratamento também para as outras pessoas que cir- reconhecer os sintomas do sono e não dicação específica para determinadas das insónias pode até passar pela sim- culam nas estradas. terem demasiada confiança na sua ca- insónias e ajudará muitas outras. ples aprendizagem de técnicas de rela- “Em Portugal, tal como se faz há pacidade de o controlar. Dormir pouco ou mal afecta a saúde xamento, embora a maioria dos casos muitos anos EUA, é preciso começar a Após 10 anos de ausência de novida- física e psicológica. O stress e os pro- implique uma terapêutica com medica- blemas no trabalho são os principais cul- mentos”. Segundo os especialistas, a in- pados pelas noites mal passadas dos por- sónia é tratável ou controlável em 95 por tugueses, resultando “num excesso de cento dos casos. Os sedativos, indutores sonolência, em depressões, dificuldade de do sono e os tranquilizantes são os medi- concentração, fraco desempenho nas camentos mais utilizados para tratar a tarefas quotidianas e pequenos lapsos de insónia, ainda que não tenham essa pri- memória”. Resumindo, “a dificuldade de meira indicação. aguentar a pressão diária que se traduz De qualquer modo, se tiver sono, não numa baixa qualidade de vida”, explica conduza! Lucília Bravo, psiquiatra.
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 SAÚDE 17 EM CERIMÓNIA NA BIBLIOTECA JOANINA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA “Prémio Robalo Cordeiro - AER/GSK” vai ser entregue na sexta-feira Decorre depois de amanhã (sexta-feira, dia 19), pelas 11 horas, na Bibliote- ca Joanina da Universidade de Coimbra, a cerimónia solene da entrega do “Prémio Robalo Cordeiro - AER/GSK”. A sessão, promovida pela Associação Portuguesa de Estudos Respiratórios (AER) e pela Glako SmithKline (GSK), contará com a presença de destaca- das individualidades, entre as quais o antigo Presidente da Assembleia da Re- pública, Almeida Santos, e o próprio António José Robalo Cordeiro, em home- nagem a quem foi criado este prémio com o seu nome. Recorde-se que o Prof. António José Robalo Cordeiro foi um dos mais pres- tigiados Catedráticos da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e um dos mais destacados especialistas em Pneumologia, não só em termos nacionais, mas mesmo além-fronteiras. Apesar de se ter jubilado há alguns anos, o Prof. Robalo Cordeiro continua a ser uma referência na área da Pneumologia, a ele se devendo a importância que esta especialidade veio a ter nos Hospitais da Universidade de Coimbra, em serviço por ele dirigido ao longo de muitos anos. Este “Prémio Robalo Cordeiro - AER/GSK” é atribuído de dois em dois anos, destinando-se a galardoar trabalhos de investigação científica, originais e inéditos, efectuados no âmbito do tema “Pulmão Profundo – Do Ambiente à Genética”. Trata-se de um prémio que para além do seu significativo valor pecuniário (25 mil euros), assume um grande valor simbólico, pois muito prestigia os que com ele são distinguidos. Na imagem ao lado o Prof. Dr. António José Robalo Cordeiro, cujo nome foi atribuído a este prestigiado galardão como forma de homenagear a sua notável obra no campo da Pneumologia Carlos Robalo Cordeiro distinguido Fundação Portuguesa de Cardiologia com o prestigiado visita Prémio SPP/Fundação AstraZeneca a Casa dos Pobres Carlos Robalo Cordeiro, Professor da Faculdade de Me- (Coimbra) dicina da Universidade de Coimbra, acaba de ser distin- guido, durante o Congresso Anual da Sociedade Portugue- A Delegação Centro da Fundação Por- sa de Pneumologia (SPP), que decorreu no Porto no início tuguesa de Cardiologia (FPC) vai visitar, do corrente mês de Dezembro, com o prestigiado Prémio no próximo dia 22, a Casa dos Pobres de SPP/Fundação AstraZeneca. Coimbra A distinção agora concedida a Carlos Robalo Cordeiro, Esta visita será iniciada com um ras- que é também Chefe de Serviço de Pneumologia dos Hos- treio feito aos Residentes, para apurar o pitais da Universidade de Coimbra, destina-se a premiar o seu estado de saúde no que respeita a ris- melhor trabalho nacional de investigação na área respira- cos cardio-vasculares. tória publicado em revista indexada, no ano de 2007. Segue-se um almoço de confraternização. Carlos Robalo Cordeiro conquistou o referido Prémio Nesta acção, a FPC conta com a cola- com a publicação “Bronchoalveolar Lavage in Occupatio- boração do Lions Clube de Coimbra e de nal Lung Diseases”, nos Seminars in Respiratory and Cri- enfermeiros voluntários. Carlos Robalo Cordeiro tical Care Medicine.
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    18 OPINIÃO 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 “Repúblicas” de Coimbra Varela Pècurto murais satíricas. Um belo cinzeiro de pé alto que existiu na “Hilda” (estabelecimento de Embora se comecem a verificar re- fotografia no Largo da Portagem) e trocessos na proliferação de universi- desapareceu “misteriosamente”, pela dades do País, a existência das que altura que tinha, só podia ter sido le- continuam em actividade sempre tiram vado a coberto de uma capa... estudantes a Coimbra. Também se aconselha aos visitan- Já lá vai o tempo em que os candi- tes das “repúblicas” que leiam a lista datos abdicavam da universidade que das calinadas registadas durante as lhes ficava mais perto para rumarem conversas, principalmente às refei- a esta cidade, no centro de Portugal. ções. Ficam apontadas ad vitam ae- Grande mas sossegada e com uma ternam. Pouco há a dizer da arqui- Universidade a ter um belo historial, tectura dos edifícios ocupados por “re- os motivos eram suficientes para atra- públicas”, salvo o que acolhe a “Pra- ir os jovens. E não têm conta os que Kys-Tão”, nome que está pintado por ela têm passado desde então e se numa tabuleta pendurada na fachada, notabilizaram depois nos mais varia- como é hábito de todas. dos quadrantes do mundo do Traba- O edifício é referido nos livros de- lho. As tradições académicas também dicados à Coimbra monumental. Situ- cativam, com a Queima das Fitas à ado na Rua do Correio ou Joaquim An- cabeça. Mas viver numa “República” tónio de Aguiar, onde forma um ângu- é ambição de muitos caloiros. lo com a Rua das Esteirinhas, é o mais Não vou desenvolver este tema, típico da cidade, da época do primei- apesar de quem nunca passou pelo ro renascimento. ambiente que nelas se vive tenha difi- Quem o olha, vindo da Sé Velha, logo culdade em compreender a preferên- dá conta da semelhança que tem com cia de tantos estudantes em se insta- um navio ou nau, daí lhe vindo o nome: larem nas “Repúblicas” da cidade. E casa do navio ou da nau. Existem jane- as que vão desaparecendo logo são las de arco e relevos. Sobressai o va- substituídas, agora com a novidade de randim triangular com colunelo no topo. serem mistas. O sub-beiral tem interesse, sendo mui- No distante Janeiro de 1920 surgiu to decorativo, com modilhões que su- a primeira residência feminina univer- portam a cornija onde se cravam gár- sitária que se pode considerar uma “re- gulas. Do lado poente a fachada tem pública”, fundada por Virgínia Abreu janelas com colunelos e balaústres. Pestana, nos Palácios Confusos. As Mantém-se o hábito de enfeitar as actividades extra-escolares eram pou- fachadas das “repúblicas” com as cas, nem participando nas actividades mais desencontradas velharias e ob- da Associação Académica de Coim- jectos insólitos durante festas acadé- bra em cuja sede não entravam. Não micas, aniversários etc. Nos tempos usavam capa, embora pudessem usar em que houve Legião Portuguesa o fitas, vendo o cortejo de longe. Para seu quartel situava-se em frente da se ter uma ideia como era primitiva a fachada poente da “Pra-Kys-Tão”. situação da mulher na Academia, bas- Das normas rígidas que estas pionei- do o diário que escreviam, tal proibição Os legionários colocaram sobre o arco ta lembrar que a primeira só entrou na ras estabeleceram para uso interno foi quebrada duas vezes: por um irmão de acesso à escadaria, no átrio, uma Universidade depois do Reitor, que constava a proibição de entrada de ho- da fundadora e por um estrangeiro que faixa onde se lia “Aqui não reside o estava indeciso, ter consultado o Mi- mens na residência. No entanto, segun- fazia parte duma tuna espanhola. temor”. De imediato os estudantes nistro da Educação. O tempo sempre chegou para estu- desta “república” colocaram uma dar e para grandes farras e noitadas comprida tira de pano na fachada vi- em que participam convidados impor- rada para o quartel, na qual pintaram tantes. a frase “Aqui também não”. A simplici- dade das insta- lações não afectam os uti- lizadores. Os quartos guar- dam muitas re- cordações de quem por ali passa ou toma- das em “mis- sões secretas” um pouco por toda a cidade. São frequentes as pinturas
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 MÚSICA 19 (Fred Falke Remix)” de The Whitest Boy Distorções Alive, “So Haunted (Knightlife Remix)” dos Cut Copy, “Big Weekend (Delorean Remix)” dos Lemonade, “Shadows (Kni- ghtlife Remix)” dos Midnight Juggernauts foram alguns dos temas que por ali “des- filaram”. Gostei imenso e espero rever em breve, porque de facto este é o meu programa preferido da rádio portuguesa, José Miguel Nora sobretudo porque alia o enorme talento josemiguelnora@gmail.com The Whitest Boy Alive de Miguel Quintão, enquanto divulgador musical, ao excelente comunicador que No passado fim Gift – que, aliás, estava a actuar quando é Álvaro Costa, sempre atento ao que de semana, tive a cheguei. Mas, de facto, foram os Rapa- se escreve na imprensa especializada, oportunidade de ir zes que cativaram a minha atenção com não esquecendo as séries e os filmes que ver o primeiro “dj Midnight Juggernauts um “set” de duas horas, mas bastante vão dando que falar do outro lado do set” dos “Bons Ra- directo e a cativar todos os que ali se Atlântico. Se já ouviram é só não perde- pazes” – um pro- “um talkshow de música com conversa encontravam, nunca esquecendo que a rem pitada, se não o fizeram ainda, é tem- grama da autoria de pelo meio” – integrado num evento de- essa animação só estavam aliados temas po de o fazerem quanto antes. Álvaro Costa e Mi- nominado “Discopólis” que teve lugar que tivessem passado pelo programa. guel Quintão, que vai para o ar na Ante- num dos pisos do parque de estaciona- Facto que, como ouvinte assíduo, posso PARA SABER MAIS: na 3, de segunda a quinta-feira, das 20 mento do Cinema City. O mesmo inte- comprovar. Temas como: “Kelly (Lifeli- às 22 horas, definido pelos próprios como grava, também, Nuno Gonçalves dos The ke Remix)”dos Van She, “Golden Cage http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/bonsrapazes PARA ASSINALAR DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Governo Civil de Coimbra promoveu concerto inédito Por iniciativa do Governo Civil de seus limites físicos, dando o exemplo Coimbra, realizou-se no Pavilhão Cen- para as pessoas que são portadoras tro de Portugal, em Coimbra, um con- de deficiência, mas também mostran- certo alusivo ao Dia Internacional das do a todos como vencer os desafios Pessoas com Deficiência (3 de Dezem- que a vida nos coloca. bro), em que participaram a Orquestra De tarde, igualmente no Pavilhão Clássica do Centro (OCC) e os grupos Centro de Portugal, foi inaugurada 5.ª Punkada (da APPC) e Cãoboys (da uma exposição de trabalhos realiza- APPACDM). dos pelos utentes da APPC e da Os grupos musicais da APPC e da APPACDM. APPACDM mostraram o trabalho que Recorde-se que na sequência da desenvolvem ao longo do ano, com as Resolução da ONU de 1998, 3 de De- respectivas actuações muito aplaudidas. zembro passou a ser o Dia Internacio- Seguiu-se o concerto pela Orquestra nal das Pessoas com Deficiência. Este Clássica do Centro que, sob a direcção dia é celebrado por todas as organiza- do Maestro Virgílio Caseiro, apresentou ções internacionais e nacionais sob um no final dois temas em conjunto com o lema definido anualmente. Este ano, a grupo 5.ª Punkada, calorosamente aplau- União Europeia definiu como tema didos. “Agir Localmente para uma Socieda- Ponto alto da noite foi a homenagem de para todos” e as Nações Unidas prestada pelo Governo Civil de Coimbra Henrique Fernandes prestando homenagem a António Marques “Dignidade e Justiça para Todas as ao atleta paralímpico António Marques, obteve este ano, nos Jogos Paralímpicos pessoas”. A nível nacional, as come- Henrique Fernandes realçou o su- natural do Concelho de Penacova, que, de Pequim, o 2.º lugar em Individual e morações deste ano decorreram sob o cesso atingido por este atleta, que con- entre muitos prémios antes alcançados, Equipas na modalidade de Boccia. slogan “Não Discrimines, Integra!”. seguiu superar, da melhor forma, os Aspecto da inauguração da exposição O maestro Virgílio Caseiro dirigindo a OCC e o grupo 5.ª Punkada
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    20 CRÓNICA 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 AO CORRER DA PENA... Sinto tanto a tua falta!... nosso amor. agora. Queria-te ainda mais. Fazes- zidas pelo teu olhar. Esse olhar escu- Maria Pinto* Mãos nas mãos. Cabelos soltos ao me falta no tom de voz. A serenata ro e profundo que me envolvia. As mainha.pinto@gmail.com vento. Final de tarde de Inverno. Tar- que me fizeste, recordas-te? Emocio- horas passadas assim, em silêncio, de de Natal. naste-me pela surpresa. Sorrimos de ouvindo apenas o crepitar da foguei- – Tens rosto de macaca chinesa, cumplicidade mais tarde. Dormia eu ra. Enlaçados. Pensativos. Inspirados. Agora que é quase Natal, o teu ros- querida!” placidamente no sofá em sonho rosa to e o teu corpo avolumam-se. A voz... – És a minha jóia, amor. A minha e tu irrompeste pelo telefone entoan- Não consigo conformar-me. Conti- a tua voz... a rosa que me trazias sem- jóia rara. do a “Canção de Embalar” do Zeca. nuo a ouvir-te, amor. Continuo a ver- pre nesse dia, no dia de Natal e a for- Depois corríamos, lembras-te? Pareceu-me estar numa outra dimen- te, a ler-te, a perceber as tuas entreli- ma como a despetalavas e comemo- Fala, amor, lembras-te? Corríamos já são. Senti que vivia um sonho. Um so- nhas, a tentar interpretar-te. A mágoa ravas em mim. Robustos como árvo- não na praia mas pelos montes fora nho real. De embalar. Faz-me falta persiste, permanece a revolta. Tenho res. Como árvores de Natal. Sinto tan- esse amar que não sei se sonhei, que dificuldade em concentrar-me Mas não sei se alguma vez encontrei. percebo o porquê do teu afastamen- Porquê? Por que razão foste em- to. Tu és romance! Onde quer que es- bora assim tão bruscamente? O que tejas neste momento – agora e sem- te ensinei, afinal? O que ficou de mim pre – tu és poesia, és uma forma de em ti? altar simbólico do culto da amizade e Um pouco antes de “partires”, dizi- do amor. Percebi-te melhor há pou- as-me: “tens uma grande força, mi- cos dias, quando sorvi o soberbo fil- nha querida. Tens poder. És ao mes- me francês “Deux Jours à Touer” e mo tempo mulher e personagem de te senti o protagonista. tragédia. Estarei sempre ligado a ti. Estejas onde estiveres – onde es- São estes momentos de eternidade que tás? – continuarás ligado à vida e às ficarão... são estes momentos de uma pessoas que deixaste. Sei que estás história bela – tão bela, meu Deus! – aqui, bem perto de mim. Sinto a melo- mas tão trágica”... dia do teu respirar. Virás neste Na- tal? Traz a rosa vermelha, sim? Sabíamo-nos de cor. Estávamos Fazes-me tanta falta, meu amor! misturados um no outro, quase que dis- Não me deixes sem cor, sem perfu- solvidos. A certa altura já não sabía- me, sem rosa... sem nada. mos onde cada um de nós se iniciava to a tua falta!... como dois potros selvagens... como Eras o meu sopro de vida. Lembras- dois cabritos monteses. O rebolar por te quando dizias que eu era a nature- entre a areia, por entre os pequenos za da tua alma? Momentos antes de declives campestres... o rebolar feito quereres “morrer”, choravas... “já não de palavras doces, de palavras soltas tenho alma! Acho que vais desapare- que iam e vinham com o vento em tur- cer! Contigo vai o canteiro onde re- bilhões de imaginação e criatividade... gava as minhas flores, o livro onde ao som das melodias de Chopin, em escrevia os meus poemas, o livro onde ritmo de dança... de valsa. te escrevia. Onde te esculpia”... Vem-me à memória, agora que me Sinto-me tão só! Também eu me sinto tão de dentro, tão sem-abrigo, o vejo sem alma, porque ela se desfez momento em que planeámos e fize- em pedaços espalhados pelas recor- mos a nossa filha: “com açúcar, com dações de ti. Pelas lembranças de um afecto, fiz meu doce predilecto”, en- amor sem tempo. De um querer para toava-te. A nossa filha, meu amor. além do tempo. Margarida. Nome de flor. Prenhe de Será que pensaste em mim quando palavras. Das palavras doces com que decidiste “desaparecer”? Enquanto te a fomos envolvendo ao longo da sua foste afastando... desvanecendo... es- gestação. Enchia-la da tua inteligên- fumando? cia rara. Colocavas as tuas mãos so- Olho para o céu das gaivotas e en- bre o meu ventre e embalavas Mar- e terminava. Trocávamos poesia, ini- Nota: com este pequeno texto, por contro o teu voo. O teu rasto. O teu garida, que cresceu bonita até nascer bições, fortalezas. Percebíamos os certo triste, quis homenagear todos rasgo. Revejo o mar e revejo-te. “Só em tempo de Primavera, em mês de nossos pavores... depois ríamos deles aqueles que de algum modo tiveram o teu riso dura. Mostrei-te o mar. Mos- revolução. Margarida. Flor linda. Flor e prendíamoA-nos nos braços. Nos de partir, mas que continuam bem ace- trei-to antes e depois de morreres”. lida. Linda flor. Flor em forma de co- teus braços. Nos meus. Com sabor a sos dentro de nós. Em particular nes- Fazes-me tanta falta! Os passeios à ração: Margarida tal livro aberto em felicidade. Com saber de finitude. Mo- ta época em que se diz ser Natal, ape- beira-mar naqueles pores-do-sol infin- busca de sonhos, de ideias. De vida. mentos de intemporalidade... sar de profundamente desvirtuada pe- dáveis, as nossas pegadas bem vin- los devaneios consumistas... cadas, traçadas para a eternidade do Fazes-me falta no olhar. É Natal Faz-me falta o silêncio. As falas tra- * Docente do ensino superior
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 OPINIÃO 21 Entre a guerra e o bom senso pública, provoca crescente animosidade no que, na AR, não será apenas a bancada governo. seio dos cidadãos. socialista que está contra os professores. A nossa luta deverá ser a da excelên- Renato Ávila Com efeito, desde que esta executivo Contrariamente ao que afirma o Sr. Se- cia contra a mediocridade, da dignidade tomou posse, tem sido sistemática, osten- cretário de Estado Pedreira, a guerra foi contra a mesquinhez, da competência con- siva, e obsessiva a campanha no sentido estrondosamente declarada pelo governo tra a ignorância, do rigor e exigência con- Estão abertas as trincheiras. de voltar a opinião pública contra aquilo a logo que entrou em funções. Vieram de- tra a balda das pseudo avaliações, dos Como em todas guerras, as justificações que o PM entende por “corporações” e pois as batalhas do ECD, dos Concursos, pseudo sucessos, da oca e capciosa ari- proclamadas raramente coincidem com as criar o ambiente para o processo que ele dos Horários e, agora, a da Avaliação. dez dos esquemas e das estatísticas. razões essenciais. classificou de “reformas” mas que, na Quem ler nas linhas e entrelinhas de al- O folclore, o soez da linguagem, a in- Será por isso que sabemos quando prin- metodologia, mais não é do que uma espé- guma imprensa, nas palavras e meias pa- sensatez das atitudes, em nada nos dig- cipiam e desconhecemos como e quando cie de ajuste de contas, o claro aviltamento lavras de alguns espíritos tidos por ilumina- nifica, nos ajuda. É entrar no jogo, no re- acabam. da dignidade própria de quem exerce um dos; quem se der ao cuidado de, na NET, gisto do opositor, nas coordenadas da sua Ao lançar o grito de guerra, é mister que múnus especial e específico na comunida- visitar certos blogues ou analisar os comen- actuação. o contendor tenha bem presente não só o de: educar, julgar, defender… missões com tários aduzidos a algumas notícias ligadas As centenas de milhar em Lisboa, no número de espingardas de cada lado mas entranhada e respeitosa consideração na à escola e aos professores, constatará que calor da sua generosidade e da sua revol- também a correspondente capacidade de sociedade e credoras de seculares prerro- a campanha atingiu os seus objectivos em ta, deram azo a interpretações abusivas dos resistência. gativas socialmente aceites e consuetudi- largos estratos da sociedade portuguesa. nossos naturais comportamentos. Quem Foi assim que vencemos em Aljubarro- nariamente consagradas. O malandro, o incompetente, o privile- está ressabiado, malevolamente motivado, ta. Foi assim que nos perdemos em Alcá- A recente votação na AR dum projecto giado, o pobre diabo, o “manga de alpa- é incapaz de estar de boa fé. cer Quibir. de lei apresentado por partido da oposição, ca”… estão lá, assim como as diatribes Nesta crucial fase da luta, o grito de Dum lado estarão uns cento e cinquen- no sentido de suspender o vigente e uni- contra os sindicalistas, especialmente os guerra não nos ilustra, mas sim a persona- ta mil professores feridos na sua dignida- versalmente contestado processo de avali- mais mediáticos. lidade, a firmeza, o bom senso, o espírito de, curvados ao peso ciclópico duma buro- ação docente, foi bem a imagem daquilo Se era isso que o Governo pretendia de “construção”. cracia inconsequente e impiedosa e duma que é a nossa classe política, da qualidade para a classe que há-de formar os portu- Personalidade bem fundamentada nas política sem sólidos princípios de coerên- e da seriedade dos eleitos do povo. Uma gueses de hoje e do futuro, tê-lo-á, de cer- verdadeiras razões da nossa luta; firmeza cia pedagógica; do outro, a máquina do comprometida maioria, enfeudada à insóli- to modo, conseguido. Serão, por assim di- para as defender; bom senso e clareza nas estado controlada por uma maioria arro- ta teimosia dum governo, a votar contra; zer, as sombras mais negras da radiografia negociações e nas mensagens para a opi- gante e autista, de corporativos interesses uma oposição contestante, todavia, ausen- do seu burocrático e deseducativo projec- nião pública, nas atitudes em relação à hie- e obscuras motivações a qual, pressionan- te; meia dúzia de professores da bancada to de educação e de escola para Portugal. rarquia e à comunidade escolar; realismo do significativa parcela da comunicação socialista que, com desassombro e assu- Esta guerra de trincheiras não vai a lado e espírito construtivo no sentido de não ir social, age negativamente sobre a opinião mindo-se como tal, teve a solidariedade, a algum. Sejamos realistas! além do razoável mas à frente do positivo. pública no sentido de a virar contra aque- honra, a coragem de ignorar a disciplina Está, todavia, na mão dos professores Ao puxar pela corda, saibamos encon- les. O fulcro de toda uma estratégia que partidária e votar a favor do projecto com querer vencê-la. É decisiva essa vitória. trar o equilíbrio entre os nossos interes- visa nivelar por baixo e controlar adminis- a correspondente e a amarga decepção der Não propriamente por uma questão de ses e os da escola, entre a força das nos- trativamente todos os grupos profissionais o ver rejeitado. honra mas, sobretudo, pela defesa da dig- sas razões e a razão da força dum estado que, pela sua função cívica e social, pos- Ninguém nos pode proibir de pensar em nidade da escola e da educação. Pelas sem razão. sam pôr em causa e em perigo a abusiva conluios não só “interpares” mas também nossas crianças. Pelos nossos jovens. O nosso campo de batalha é a escola e ascendência que os políticos exercem so- “extrapares” para alguns deputados salva- O problema de fundo nem será propri- temos de defendê-la como lugar de paz, bre os cidadãos. Esse receio é tanto maior rem a face. É que as posições de certa amente a avaliação nem mesmo a exis- de sabedoria e de dignidade. quando a política partidária, reflectindo-se oposição contra o modelo de avaliação se- tência de duas categorias de professores. O nosso inimigo é a ignara arrogância nos órgãos do Estado, e exibindo-se tão riam tão somente cavalgada na onda. Puro O problema é de postura, de política, de de quem teima em desconhecer a sua pró- negativamente no Parlamento e na praça aproveitamento político. De concluir, pois, incapacidade pedagógica, de miopia do pria ignorância. FILATELICAMENTE 1935 – Tudo pela Nação POIS... João Paulo Simões José Era um País d’Encarnação Para onde se ia adormecendo E se caminhava no repouso Vítor, desta feita, saboreou mais Como um adeus invertido demoradamente o café. «É o último Ou uma folha enrolada café que tomas», anunciara-lhe a No seu próprio silêncio Teresa. «Fechamos amanhã. Um chinês comprou-nos isto». António Ramos Rosa de que surge (diferenciação linguística, nhada por Almada Negreiros, simbolizan- Sabor amargo. étnica, religiosa, geográfica, política) e do os valores e forças da Nação unidos Dizem que, no momento da mor- Segundo a Enciclopédia Verbo Luso- que ficam a marcar o seu carácter. (...)” num movimento único – a Pátria. Junta- te, a vida inteirinha passa diante de Brasileira de Cultura, Edição Século XXI No nosso país, em 1935, vivía-se em mente com os selos, emitiram-se também nós num ápice. Assim para o Vítor. vol. 20, página 997, Nação, é uma “co- plena ditadura Salazarista. Foi a mais lon- postais iguais à emissão. A gravura dos As cavaqueiras, o dominó, as cos- munidade histórica de cultura. Funda-se ga da Europa Ocidental. selos é de Arnaldo Fragoso e entraram cuvilhices, a vizinhança, a comuni- numa história comum, em afinidade de Nessa data, surgem os primeiros selos em circulação a 26 de Agosto, 20 de No- dade, o copito de medronho… espírito e instituições (mentalidade, edu- ligados ao Estado Novo: Tudo pela Na- vembro, 26 de Dezembrode 1941, tendo Em seu lugar, depressa se insta- cação, estilo de vida e relações sociais, ção – frase usada muita vez por Salazar saído de circulação a 1 de Outubro de lariam cores, loiças, plásticos, bugi- valores éticos, maneira de estar no mun- “tudo pela Nação, nada contra a Nação”, 1945. O papel é liso e denteado 12 ½. gangas, plásticos… de todos os con- do, inserção na natureza). (...) Cada na- frase de que se aproveitou a primeira parte Foram impressos na Imprensa Nacio- tinentes! ção distingue-se ainda pelas condições para colocar na emissão de 1935, dese- nal Casa da Moeda.
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    22 OPINIÃO 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008 ponte europa cinema “Amália” e “O dia em que a Terra parou” Carlos Pedro Nora Estreou esta última semana Esperança “O Dia Em Que a Terra Parou”, aesperanca@mail.telepac.pt o aguardado remake do homó- www.ponteeuropa.blogspot.com/ “Ray” e nimo clássico de ficção científi- Marion Co- tillard em ca de 1951. Se bem que a tra- ma do filme merecia há já mui- Os deputados “La Vie en Rose”. Ou- to tempo um recontar passado num ambiente mais moderno (e, em tal aspecto, o filme é triun- e a última tro ponto positivo é o filme não fante), considero a versão clás- sica superior, pois este remake carruagem cair muito cai um pouco no erro de ser um É difícil dizer se a ausência tar não se esgota aí, mas afigu- para o mun- épico forçoso (à semelhança de dos deputados que faltaram à ra-se infeliz a proposta de os do político filmes como “O Dia da Indepen- votação sobre a avaliação dos realizar às terças, quartas e (embora tal dência”), com personagens e professores, que transformou a quintas-feiras, na sequência de Um dos maiores aconteci- não seja ignorado). Embora pe- elementos desnecessários. Des- possível derrota do PS em es- um escândalo e da inaceitável mentos do cinema nacional de que um pouco devido a alguns taque-se, porém, o trabalho de cândalo do PSD, se deveu à desculpa. Não gostei de ver Al- 2008, o filme “Amália”, já um exageros (claramente inspirados Keanu Reeves no papel de harmonia com intuitos do Gover- meida Santos, o mais brilhante sucesso (50 mil espectadores na em outros filmes biográficos de Klaatu, que lhe assenta perfei- no ou às saudades dos «deputa- parlamentar e legislador da se- sua primeira semana de exibi- figuras musi- dos que [deslocados de casa] gunda República, a corroborar ção), retrata a vida da famosa cais) e ao regressam às suas famílias mais a posição do assessor jurídico da cantora de fado Amália Rodri- facto de, em cedo», como alegou o deputado Região Autónoma da Madeira, gues, desde a sua juventude até certas (mas Guilherme Silva. bem remunerado em funções meados dos anos 80. Com a re- poucas) ce- Não há democracia sem Par- que um deputado não devia acei- alização a cargo de Carlos Co- nas, os de- lamento e muitas críticas fazem tar por pudor republicano. elho da Silva (que melhorou sempenhos parte da herança salazarista, É a vida, mas essa de retirar muito desde “O Crime do Pa- serem de ní- mas é chocante alegar sauda- a sexta-feira à semana de tra- dre Amaro”), é um filme que vel fraco, des da família quando muitos balho, por saudades da família, vale muito pelos seus valores de “Amália” é portugueses trabalham longe de lembra a decisão de um admi- produção e pelo trabalho da ac- um filme só- casa para ganharem o sustento nistrador da CP que, face a um triz Sandra Barata Belo, que lido e reco- e não pensam no regresso à relatório que referia ser a últi- consegue transpor fielmente a mendável, quinta-feira. ma carruagem a mais afectada figura da cantora para o grande uma carta de amor cinemato- tamente. Apesar de não ser uma Pode haver razões plausíveis pelos sinistros, mandou que a ecrã, num esforço a par com os gráfica dirigida à cantora, ao obra-prima como o original, é para reduzir os plenários a três todos os comboios fosse retira- desempenhos de Jamie Foxx em fado e, sobretudo, a Portugal. um filme recomendável. dias, pois o trabalho parlamen- da… a última carruagem. OPINIÃO J.A. Alves Ambrósio Angola em Saragoça (V) apenas quatro exemplos. Há década e também uma incúria. Paro sempre aqui vido, dizia, o máximo de deferência. Que a visita ao pavilhão de Angola foi meia, quando frequentava o Mestrado, para lavar a auto-vivenda e, com a “pão- Deferência pelo espírito que nos une: um encanto para mim, é algo que não costumava atestar na posição de Nelas, de-fôrma”, comprava aqui sempre emba- o espírito do sangue que, diuturnamente, carece de reiteração. cujo horário de abertura estava indicado lagens de óleo, porque o mesmo produto se cruzou entre nós e os angolanos das Hoje, todavia, vamos descer à terra – às 7. De facto a abertura era às 8, como a 1000 quilómetros de distância do lugar mais diversas regiões e condições; o es- bem à terra – em contraste, digamos, com mo declarou, dentre mais, o empregado. de fabrico, era mais barato três, quatro pírito do tempo multi-secular! – há que a espiritualidade que enformou o último Foi um transtorno tremendo para mim. ou cinco vezes (já não me lembro bem, contactamos; o espírito do perdão pelas artigo. Já agora é conveniente dizer que, Mas, ao queixar-me aos Serviços Cen- mas era uma diferença abissal). Ao ter violências e extorsões do colonialismo; o até no facto de não ter recebido nenhu- trais por escrito, não obtive qualquer res- explicado isso ao revendedor amigo, a espírito do afecto tão inerente ao nosso ma herança islâmica, Angola transborda posta – e a placa a indicar o horário, anos quem antes o adquiria, ele respondeu-me comum idioma; o espírito de gratidão pela de sorte. Essa religião (?) arábica que, depois, ainda não tinha sido mudada. Dou- que o inspector da Galp o informava, após riqueza que Angola continua a represen- na sua génese, tem pastores e guerrei- tra vez decidi atestar em Coimbra, à Casa ter-lhe apresentado o facto, disto: «O topo tar, bem patente no facto de que, neste ros, mostra hodiernamente, no quotidia- do Sal. Precisava urgentemente de uma não nos liga importância nenhuma». momento, está na moda, digamos, os lu- no, digamos, de que é capaz. E – sem casa de banho – mas o posto de abasteci- Sem me alongar, e repetindo descul- sos emigrarem para lá e ser ocioso falar mais detenças – baste lembrar o caso mento não tinha. Foi tremendo para mim pas, tanto a Angola como aos leitores, por dos investimentos das empresas portu- da Nigéria. ter que aguentar até c. Penacova. mencionar estes factos, a minha intenção guesas. …Vamos descer à terra. Opulenta Em Espanha, em Chaharrero (Ávila), é muito simples: faço os mais ardentes Tendo como timoneiro, digamos, um pelos seus recursos petrolíferos e dia- há muitos anos, a casa de banho era tão votos para que a Galp tenha em Angola homem que se converteu ao Catolicis- mantíferos, Angola afirmava-o. Arrola- repugnante por imunda, que – sem qual- uma postura nos antípodas dos exemplos mo – nunca é demais lembrá-lo – Ango- va o conjunto de companhias petrolífe- quer exagero – me fez lembrar uma la- que dei – que não foram exaustivos. A la apagará, por sua vez, todo o ressenti- ras a actuar no seu território, de entre as trina de guerra (o pessoal, diga-se, é de Galp tem que considerar que a Angola é mento para com Portugal. Aí está a sua quais mencionava a Galp e a Petrogal. um tocante acolhimento). E em Sant devido, da parte dos portugueses e de sólida – única – garantia de futuro. Angola e o leitor vão desculpar-me a Carles de Ia Rapita (à entrada da Cata- Portugal – e, de algum modo, a petrolífe- crueza, mas a Galp mete-me nojo. Dou lunha ido do Sul) as casas de banho são ra é, também, uma embaixadora –, é de- Guarda, 7-XII-2008
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    17 A 30DE DEZEMBRO DE 2008 INTERNET 23 Google e podem guardar as alterações feitas para qual os conteúdos estão disponíveis para downlo- IDEIAS DIGITAIS mais tarde as recuperarem. A vertente comunitária também está presente, sendo que os utilizadores ad. E como os outros serviços deste género, é uma plataforma gratuita. podem consultar as alterações e comentários dos restantes membros, desde que adicionados à sua ARKIVA conta. endereço: http://www.arkiva.com SEARCHWIKI categoria: tecnologia Inês Amaral Docente do Instituto Superior Miguel Torga endereço: http://googleblog.blogspot.com/2008/11/se- archwiki-make-search-your-own.html categoria: pesquisa O PORTUGA DE A A Z APRENDA E JOGUE COM A EA PODE FICAR COM A Electronic Arts lançou um site no contexto da Promover a solidariedade social e o respeito pelo Conhecer o português de A a Z é a proposta de sua estratégia de responsabilidade corporativa. As- Ambiente são os objectivos que dão o mote ao por- quatro estudantes da Universidade do Porto. É uma sumindo uma componente predominantemente pe- tal Pode Ficar Com. Trata-se de uma espécie de espécie de enciclopédia do cidadão português có- dagógica, o site Aprenda e Jogue com a EA aju- Freecycle, permitindo que as pessoas ofereçam bens mica. À entrada há um aviso: «o conteúdo deste da pais, filhos e educadores a utilizarem os jogos a outros utilizadores. documento não é aconselhável a pessoas mais da empresa e fornece informações variadas. «A filosofia do portal é a seguinte: imagine sensíveis». Estão disponíveis informações sobre o modo de que comprou um frigorífico novo e não sabe o Uma aplicação multimédia divertida, sem grande classificação dos jogos, tempos e idades aconse- que fazer com o anterior ainda funcional. Visita ciência, mas com muito humor. Para aliviar o stress lhados, tipo de plataforma e formas de jogar. Há o portal e insere um anúncio dele com respecti- ou para descansar numa pausa do trabalho. ainda informação sobre cada um dos jogos da em- vas fotos e aguarda interessados. Com ajuda do presa e uma secção “consulte o especialista”, onde Google Maps, o comprador pode saber no pró- O PORTUGA DE A A Z o utilizador pode contactar directamente uma equi- prio anúncio qual a localização da oferta, faci- pa especializada. litando o seu levantamento. Desta forma o elec- endereço: http://eos.fe.up.pt/exlibris/dtl/d3_1/ trodoméstico não vai parar ao lixo, o tempo de apache_media/web/7640/index.html APRENDA E JOGUE COM EA vida vê-se prolongado e o Ambiente agradece», categoria: curiosidades referiu um dos criadores do site ao Cibéria. Á pri- endereço: http://www.aprendaejoguecomaea.com meira vista parece um site de classificados mas categoria: jogos depois de se explorar as potencialidades do Pode MEET MY CV Ficar Com são evidentes. PODE FICAR COM SEARCHWIKI endereço: http://podeficar.com categoria: comunidade ARKIVA Já são conhecidos os vencedores do concurso de fotografia lançado pela Nikon e intitulado Small World. A iniciativa existe desde 1974 e este ano recebeu cerca de duas mil candidaturas. Os trabalhos premiados estão online e é obriga- O Google lançou uma nova ferramenta que per- tória uma visita. O vencedor deste ano fotografou mite aos seus utilizadores participar na forma como uma alga marinha e ampliou-a 200 vezes, criando os resultados das pesquisas são apresentados. Uma um efeito extraordinário. Para além da edição des- ideia muito Web 2.0 e diferente, integrando o utili- Mais um serviço de armazenamento gratuito onde te ano, estão disponíveis todas as fotografias ven- zador num processo antes autónomo. se podem alojar ficheiros de variados formatos, se- cedoras desde 1974. O SearchWiki permite que se reclassifique, adi- jam de áudio ou vídeo, fotografias ou texto. O uplo- cione, comente ou apgue os resultados das pesqui- ad necessita de registo e cada utilizador tem dispo- SMALL WORLD sas. O utilizador pode colocar um site nos primei- nível 1 GB. ros resultados orgânicos (primeira página de resul- É possível partilhar os arquivos com outros utili- endereço: http://www.nikonsmallworld.com/ tados) ou adicionar um link que não aparecia. Para zadores através de uma página inicial que assume gallery.php tal, os utilizadores têm de fazer login na sua conta uma estrutura muito próxima das redes sociais e na categoria: fotografia
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    24 PUBLICIDADE 17 A 30 DE DEZEMBRO DE 2008