O que diz a imprensa
“Mulher mantida refém em ônibus pelo ex
reata casamento” – Último Segundo –
02.07.07

“Casal do ônibus 499 se reconcilia” – O Globo
– 1°. 07.07.

“‘Perdoei por amor’, diz mulher do ônibus
499” – G1 - Portal de notícias da Globo –
1°.07.07
  A percepção da realidade é
  totalmente influenciada pelo poder dos
    meios de comunicação de massa.
 Propaganda Ideológica – As manchetes

   revelam em si a intenção de levar as
 pessoas a já tomar partido em relação ao
 assunto em questão. A mulher fraca, age
  pela emoção, não é capaz de manter a
   decisão de separar mesmo diante da
       situação a que foi submetida
        anteriormente pelo marido.
Antonio Rayol no site Vox Libre sobre o caso André e
Cristina e a informação sobre mulheres que sofrem de
                     maus tratos:

  “Cristina tem o direito de pedir à Justiça que
     perdoe André, mas ela deveria ao mesmo
 tempo renunciar ao direito de encher o saco da
 polícia caso André resolva surra-la novamente!”
  a intenção de influenciar as pessoas e seus
  comportamentos(propaganda ideológica),
  utiliza linguagem coloquial, mostra-se ofendido
      (emoção), como brasileiro pela atitude de
                      Cristina.
 Ao falar em nome da polícia, ele age como se
    tivesse falando pela sociedade(unificação).
    Por outro lado existe uma necessidade de desqualificar
         o movimento de mulheres que há décadas vem
    derrubando tabus. É a luta pela supremacia do homem
      (uso explícito da força, mas frequentemente
     acompanhado ou baseado no desenvolvimento
                           de idéias) .
     Afirmações como a matéria acima que circulam nos
      meios de comunicação de massa ignoram (negação
     das mudanças ) todos os avanços ao longo dos anos
     em relação à emancipação da mulher e a sua luta pela
              conquista e garantia de seus direitos.
  autor do texto simplifica o caso,
  reafirmando nas entrelinhas que mulher
   gosta é de apanhar mesmo e que pelo
     fato de não terem firmeza em suas
   decisões, não devem ter seus direitos
                  garantidos!
 Manchetes e textos tem o sério propósito
 de reforçar idéias através da ênfase
   e massificação de interpretações
  tendenciosas sobre assuntos que
         tem pouca ou nenhuma
               profundidade .
Quando a mulher deixa de ser vítima? Quando
deixa de ser culpabilizada? É possível se tornar
 agente como defende a professora Janira no
  mundo midiático da propaganda ideológica?

 “ Muita gente diz que ele vai fazer de novo”.

 A responsabilidade é toda minha. Quando falei que
pretendia aceitá-lo de volta, ouvi de algumas pessoas o
alerta de que ele voltaria a fazer tudo de novo.” – Jornal
                         O Globo.
   É tão arraigada no imaginário popular a cultura machista
      e a universalização de seus princípios, que a própria
       Cristina sente-se no dever de se desculpar com as
        pessoas por ter tomado a decisão de perdoá-lo!


A entrevistada está tão absorta da sua condição de algoz,
     ou da condição que lhe foi imposta que não tem
consciência dos seus direitos como ser humano: direito de
  ser livre para agir dessa ou daquela maneira, de tomar
 essa ou aquela decisão. Por que pedir desculpas? O fato
   da Polícia e do Poder Judiciário terem se envolvido,
                 independe da vontade dela.
  O jornalista responde aos princípios básicos do
      jornalismo. Todos os aspectos da notícia foram
 contemplados! Na busca da resposta fácil e na validação
  da ordem social (de fato, a mulher está demonstrando
 que é frágil, tem o coração mole, perdoa e, portanto, não
  tem condições de decidir por si mesma, de ser agente
      de sua história) a notícia enquanto propaganda
               ideológica cumpriu o seu papel.
 Cristina por sua vez, está inserida nesta sociedade, é
  fruto dela. Por mais que tenha relampejos de lutar por
 sua autonomia, ao pedir desculpas, reforça valores , e
   dá demonstração de sua impotência frente à verdade
                       que está posta.
   Quando a propaganda ideológica do
    mundo dos homens começa a perder
    espaço para uma outra propaganda
               ideológica...
As mulheres multiplicaram. Literalmente. Somos hoje
mais de 50% da população brasileira. Aquelas que
antes não tinham voz, nem vez, hoje já têm órgãos que
pensam políticas públicas em seu favor.
   A verdade é que a desigualdade entre mulheres
        e homens provoca danos e prejuízos que
      comprometem significamente os índices de
      crescimento de qualquer país, não deixando
     dúvida que se faz necessário uma política que
    possa incluir e diminuir a desigualdade existente
               entre mulheres e homens.
    Mas o que isso tem a ver com propaganda ideológica do estado?
      Não corre o risco das políticas públicas em favor das mulheres
     serem tratadas como um mal necessário e virem embrulhadas em
    embalagens lindamente paternalista, que é outro aspecto do mundo
                                machista?
                           É essa a lógica?


       De acordo com Max Weber, “poder é a capacidade de um
          ator em impor sua vontade em uma relação social,
        apesar da resistência do outro”. Quando a mulher procura
         reivindicar seus direitos, na verdade o que ela busca é de fato
                     impor sua vontade no seu meio social?

         Por outro lado, o avanço e as conquistas das mulheres,
    representaram diminuição do espaço de poder do homem? Ou será
     mais uma estratégia da propaganda ideológica para dar resposta a
    uma demanda crescente por mais Justiça Social e ratificar a ordem
      social de que o homem é o senhor absoluto do espaço público,
                      apesar dos avanços femininos?
Sensacionalismo e propaganda ideológica

    A cobertura dada ao seqüestro do ônibus com a imagem
      do marido violento apontando uma arma para a cabeça
       da mulher foi decisiva para o desenrolar de todas as
        outras seqüências da mesma novela, ou melhor, da
       notícia. Quem não se lembra das imagens, “flashes”
         transmitidos ao vivo durante a programação das
      emissoras, inclusive com aquela música que quando a
      gente ouve, faz a gente pensar assim: “ ihh quem será
                               que morreu?”.
     O impasse criado, a dramaticidade da cena, despertaram nas
       pessoas o ódio e a revolta imediata(fala direto a emoção ) .
   A notícia ficou restrita ao episódio do seqüestro e meses depois ao
     episódio do perdão, estabelecendo naturalmente o que é inerente
      ao mundo capitalista e consumista. Deixamos de exercitar nossa
        capacidade de raciocinar e julgar os fatos de forma
    racional . Agimos pela emoção daquilo que em nós foi despertado
    pela imagem, para daqui a algumas horas, quando o fato deixar de
                   ser notícia ser esquecido e descartado.
   Problemas como de Cristina e André nunca são vistos
     como parte de um problema estrutural, que envolve a
      falta de investimentos em políticas públicas. A culpa
    nunca é vinculada a incompetência de quem controla o
      Poder, mas neste caso específico, ao homem que é
     machista, a mulher que é sem vergonha e assim por
                      diante(bode expiatório).

        A banalização da violência e sua espetacularização
        servem na verdade para mistificar o poder do Estado .

   As notícias e programas como são divulgadas prestam
    um serviço a ineficiência do Estado , escondem um
     mal muito maior, a falta de condições básica de vida
                    digna do povo brasileiro.
Dessa forma sem censura prévia, sem controle
     explícito a imprensa certa da sua função
   enquanto “quarto poder!” chega ao ponto de
 questionar e cobrar de uma mulher uma atitude
 mais “racional”, “mais inteligente” e ainda exige
 que ela abdique de seus direitos de cidadã caso
       ela venha a sofrer novas agressões!
 Tal atitude não é só machista, ela cumpre um
  papel importante na continuação do poder
     hegemônico do Estado , faz parte da
        propaganda ideológica do Estado.
A eficiência da propaganda ideológica na
        simplificação da mensagem
   Por trás de um grande homem, existe sempre uma
                      grande mulher!
      O homem é a cabeça, a mulher é o coração.
 No campo das letras de músicas, um talentoso poeta e
    ator, Mario Lago, eternizou o estereótipo da mulher
   perfeita e submissa, no clássico da música brasileira
                         Amélia.
   Mais recentemente o movimento funk adequou o
  preconceito e o machismo nas mensagens que fazem
 referência a mulher objeto: cachorra, popozuda, eguinha
    pocotó. As músicas sertanejas estão recheadas de
  mensagens que reforçam a condição de submissão da
                          mulher.
   Na televisão as mensagens reforçam a idéia da mulher
    objeto em propagandas de carro, bebidas e em outros
                         produtos.

   Ao introduzir através das músicas, comerciais, novelas,
         produtos de entretenimento as mensagens, os
        responsáveis pela perpetuação do ‘status quo’,
         procuram facilitar a compreensão e difusão da
                           mensagem.

O caso do onibus 499

  • 3.
    O que diza imprensa “Mulher mantida refém em ônibus pelo ex reata casamento” – Último Segundo – 02.07.07 “Casal do ônibus 499 se reconcilia” – O Globo – 1°. 07.07. “‘Perdoei por amor’, diz mulher do ônibus 499” – G1 - Portal de notícias da Globo – 1°.07.07
  • 4.
     Apercepção da realidade é totalmente influenciada pelo poder dos meios de comunicação de massa.  Propaganda Ideológica – As manchetes revelam em si a intenção de levar as pessoas a já tomar partido em relação ao assunto em questão. A mulher fraca, age pela emoção, não é capaz de manter a decisão de separar mesmo diante da situação a que foi submetida anteriormente pelo marido.
  • 5.
    Antonio Rayol nosite Vox Libre sobre o caso André e Cristina e a informação sobre mulheres que sofrem de maus tratos:  “Cristina tem o direito de pedir à Justiça que perdoe André, mas ela deveria ao mesmo tempo renunciar ao direito de encher o saco da polícia caso André resolva surra-la novamente!”  a intenção de influenciar as pessoas e seus comportamentos(propaganda ideológica), utiliza linguagem coloquial, mostra-se ofendido (emoção), como brasileiro pela atitude de Cristina.  Ao falar em nome da polícia, ele age como se tivesse falando pela sociedade(unificação).
  • 6.
    Por outro lado existe uma necessidade de desqualificar o movimento de mulheres que há décadas vem derrubando tabus. É a luta pela supremacia do homem (uso explícito da força, mas frequentemente acompanhado ou baseado no desenvolvimento de idéias) .  Afirmações como a matéria acima que circulam nos meios de comunicação de massa ignoram (negação das mudanças ) todos os avanços ao longo dos anos em relação à emancipação da mulher e a sua luta pela conquista e garantia de seus direitos.
  • 7.
     autordo texto simplifica o caso, reafirmando nas entrelinhas que mulher gosta é de apanhar mesmo e que pelo fato de não terem firmeza em suas decisões, não devem ter seus direitos garantidos!  Manchetes e textos tem o sério propósito de reforçar idéias através da ênfase e massificação de interpretações tendenciosas sobre assuntos que tem pouca ou nenhuma profundidade .
  • 8.
    Quando a mulherdeixa de ser vítima? Quando deixa de ser culpabilizada? É possível se tornar agente como defende a professora Janira no mundo midiático da propaganda ideológica? “ Muita gente diz que ele vai fazer de novo”. A responsabilidade é toda minha. Quando falei que pretendia aceitá-lo de volta, ouvi de algumas pessoas o alerta de que ele voltaria a fazer tudo de novo.” – Jornal O Globo.
  • 9.
    É tão arraigada no imaginário popular a cultura machista e a universalização de seus princípios, que a própria Cristina sente-se no dever de se desculpar com as pessoas por ter tomado a decisão de perdoá-lo! A entrevistada está tão absorta da sua condição de algoz, ou da condição que lhe foi imposta que não tem consciência dos seus direitos como ser humano: direito de ser livre para agir dessa ou daquela maneira, de tomar essa ou aquela decisão. Por que pedir desculpas? O fato da Polícia e do Poder Judiciário terem se envolvido, independe da vontade dela.
  • 10.
     Ojornalista responde aos princípios básicos do jornalismo. Todos os aspectos da notícia foram contemplados! Na busca da resposta fácil e na validação da ordem social (de fato, a mulher está demonstrando que é frágil, tem o coração mole, perdoa e, portanto, não tem condições de decidir por si mesma, de ser agente de sua história) a notícia enquanto propaganda ideológica cumpriu o seu papel.  Cristina por sua vez, está inserida nesta sociedade, é fruto dela. Por mais que tenha relampejos de lutar por sua autonomia, ao pedir desculpas, reforça valores , e dá demonstração de sua impotência frente à verdade que está posta.
  • 11.
    Quando a propaganda ideológica do mundo dos homens começa a perder espaço para uma outra propaganda ideológica... As mulheres multiplicaram. Literalmente. Somos hoje mais de 50% da população brasileira. Aquelas que antes não tinham voz, nem vez, hoje já têm órgãos que pensam políticas públicas em seu favor.
  • 12.
    A verdade é que a desigualdade entre mulheres e homens provoca danos e prejuízos que comprometem significamente os índices de crescimento de qualquer país, não deixando dúvida que se faz necessário uma política que possa incluir e diminuir a desigualdade existente entre mulheres e homens.
  • 13.
    Mas o que isso tem a ver com propaganda ideológica do estado? Não corre o risco das políticas públicas em favor das mulheres serem tratadas como um mal necessário e virem embrulhadas em embalagens lindamente paternalista, que é outro aspecto do mundo machista?  É essa a lógica?  De acordo com Max Weber, “poder é a capacidade de um ator em impor sua vontade em uma relação social, apesar da resistência do outro”. Quando a mulher procura reivindicar seus direitos, na verdade o que ela busca é de fato impor sua vontade no seu meio social? Por outro lado, o avanço e as conquistas das mulheres, representaram diminuição do espaço de poder do homem? Ou será mais uma estratégia da propaganda ideológica para dar resposta a uma demanda crescente por mais Justiça Social e ratificar a ordem social de que o homem é o senhor absoluto do espaço público, apesar dos avanços femininos?
  • 14.
    Sensacionalismo e propagandaideológica  A cobertura dada ao seqüestro do ônibus com a imagem do marido violento apontando uma arma para a cabeça da mulher foi decisiva para o desenrolar de todas as outras seqüências da mesma novela, ou melhor, da notícia. Quem não se lembra das imagens, “flashes” transmitidos ao vivo durante a programação das emissoras, inclusive com aquela música que quando a gente ouve, faz a gente pensar assim: “ ihh quem será que morreu?”.  O impasse criado, a dramaticidade da cena, despertaram nas pessoas o ódio e a revolta imediata(fala direto a emoção ) .  A notícia ficou restrita ao episódio do seqüestro e meses depois ao episódio do perdão, estabelecendo naturalmente o que é inerente ao mundo capitalista e consumista. Deixamos de exercitar nossa capacidade de raciocinar e julgar os fatos de forma racional . Agimos pela emoção daquilo que em nós foi despertado pela imagem, para daqui a algumas horas, quando o fato deixar de ser notícia ser esquecido e descartado.
  • 15.
    Problemas como de Cristina e André nunca são vistos como parte de um problema estrutural, que envolve a falta de investimentos em políticas públicas. A culpa nunca é vinculada a incompetência de quem controla o Poder, mas neste caso específico, ao homem que é machista, a mulher que é sem vergonha e assim por diante(bode expiatório).  A banalização da violência e sua espetacularização servem na verdade para mistificar o poder do Estado .  As notícias e programas como são divulgadas prestam um serviço a ineficiência do Estado , escondem um mal muito maior, a falta de condições básica de vida digna do povo brasileiro.
  • 16.
    Dessa forma semcensura prévia, sem controle explícito a imprensa certa da sua função enquanto “quarto poder!” chega ao ponto de questionar e cobrar de uma mulher uma atitude mais “racional”, “mais inteligente” e ainda exige que ela abdique de seus direitos de cidadã caso ela venha a sofrer novas agressões!  Tal atitude não é só machista, ela cumpre um papel importante na continuação do poder hegemônico do Estado , faz parte da propaganda ideológica do Estado.
  • 17.
    A eficiência dapropaganda ideológica na simplificação da mensagem  Por trás de um grande homem, existe sempre uma grande mulher!  O homem é a cabeça, a mulher é o coração.  No campo das letras de músicas, um talentoso poeta e ator, Mario Lago, eternizou o estereótipo da mulher perfeita e submissa, no clássico da música brasileira Amélia.  Mais recentemente o movimento funk adequou o preconceito e o machismo nas mensagens que fazem referência a mulher objeto: cachorra, popozuda, eguinha pocotó. As músicas sertanejas estão recheadas de mensagens que reforçam a condição de submissão da mulher.
  • 18.
    Na televisão as mensagens reforçam a idéia da mulher objeto em propagandas de carro, bebidas e em outros produtos.  Ao introduzir através das músicas, comerciais, novelas, produtos de entretenimento as mensagens, os responsáveis pela perpetuação do ‘status quo’, procuram facilitar a compreensão e difusão da mensagem.