Jornal do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Publicas Estaduais - RJ
Ano II - Nº 9 - Junho de 2007
Governo do Estado não cumpre o que promete
Em Janeiro, quando o governador
Sergio Cabral recebeu o colar de
chanceler da Uerj, prometeu dar
prioridade à universidade. Dentre
outras coisas disse que negociaria
com os trabalhadores o reajuste
salarial. Em abril, Cabral disse que
até final de junho, após reunião
com os secretários de Planeja-
mento, Sérgio Ruy e Ciência e
Tecnologia, Alexandre Cardoso
receberia as entidades.
Por várias vezes o Sindicato cobrou
reuniões do governo. Já estava certa
uma reunião para o dia 24/5. Mas
dois dias antes, o governo cancelou
o encontro. Por isso, na assembléia
geraldo 23/5, indicouquenodia30/5,
os servidores deveriam pressionar a
secretaria de Ciência e Tecnologia
para cobrar uma negociação. Isso
foi feito. Mas o secretário, Alexan-
Marquises e rampas
Outra promessa não cumprida
pelo governador é a solução
para as marquises e rampas do
prédio João Lyra Filho. Elas
estão escoradas faz quase
um ano e meio. Em janeiro,
Cabral disse que em 30 dias
resolveria o problema. O im-
proviso continua, colocando
em risco a comunidade uni-
versitária que circula diari-
amente pelo campus.
Trinta e oito instituições federais estão em greve
Os técnico-administrativos de 38
universidades federais interrom-
peram suas atividades por tempo
indeterminado, de acordo com le-
vantamento da direção nacional da
Fasubra (Federação de Associações
e Sindicatos de Trabalhadores das
Universidades Brasileiras). A greve
é nacional. A UFRJ, que concentra
o maior número de funcionários,
também entrou em greve no dia 30.
Niko Junior
Trabalhadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro aprovam greve
dre Cardoso não estava. A reunião
de negociação ficou marcada então
para o dia 14/6, às 10h.
do governo do Estado que até agora
não cumpriu o que prometeu. Os
servidores da Uerj estão há seis
anos sem reajuste. As perdas salari-
ais chegam perto de 60%. Somente
a nossa mobilização será capaz de
garantir o sucesso da nossa luta.
CAP completa 50 anos
página 4
no momento para os funcionários é
a luta pela retirada do PLP 01 (pro-
jeto de lei que integra o Programa
de Aceleração do Crescimento que
tramita no Congresso Nacional)
que limita o pagamento de pessoal
à inflação do período – IPCA mais
1,5% até 2016.
pelo país e ampliam o debate
da assistência estudantil e o su-
cateamento da educação pública.
Os grupos têm pautas específicas,
mas todos pedem a revogação dos
decretos editados por José Serra
(PSDB), melhorias salariais e na
moradia estudantil.
é ainda pior. Desde o início do ano
até hoje o secretário de Ciência e
Tecnologia não recebeu a Aduenf,
DCE e Sintuperj para sequer rece-
ber a pauta.
Não dá mais para esperar a decisão
Uenf
O caso das reivindicações da Uenf
Audiência Pública
na Uenf
Página 5
Uerj e a ameaça
das fundações
página 7
Mestre em enfermagem
página 8
Reivindicações
O movimento dos servidores luta
por melhores salários; a fixação
do piso em três salários mínimos;
aprimoramento da Carreira; recur-
sos para o Plano de Saúde Suple-
mentar e a não transformação dos
hospitais universitários em funda-
ção estatal (o que significa sua
privatização).
Em sua pauta geral o grande desafio
São Paulo
Em São Paulo, os alunos da USP
continuam acampados na reitoria. A
ocupação dura mais de 30 dias. Os
funcionários e docentes das três uni-
versidades paulistas (USP, Unicamp
e Unesp) também estão greve.
Os protestos contra os decretos do
governador José Serra (PSDB),
que acabam com a autonomia uni-
versitária, seguem sem resolução,
somados a outras demandas de in-
fra-estrutura e reajuste salarial.
Ocupações e greves pipocam
2
JORNAL DO SINTUPERJ - Coordenação de Imprensa: Rosalina Barros - Conselho Editorial: Caio Freire, João Sylvestre dos Reis, Jorge Augusto de Almeida, José
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O medo disputa o Pan-americano
Gastos com segurança é superior aos investimentos feitos em educação e saúde
Remoções
Investir no social
O Rio de Janeiro, entre os dias 13
e 29 de julho, será sede de uma das
maiores competições esportivas
do mundo. Estima-se que para os
Jogos Pan-Americanos do Rio já
foram direcionados cerca de R$ 3,5
bilhões. Entre os “investidores”
encontram-se os governos Federal,
Estadual e Municipal. Diversas
empresas privadas também se inter-
essaram em participar do negócio,
etre elas Samsung, Kodak, John-
son-Johnson. Trata-se do maior
evento internacional na cidade
desde a ECO-92.
Para alguns, os jogos Pan-Ameri-
canos no Rio estão sendo sinônimo
de alegria, diversão e demonstração
da capacidade da cidade em realizar
um evento desse porte. Para uma
grande parte da população, o evento
está sendo usado como objeto de
desculpas para geração de mais vio-
lência e desrespeito.
maior número de pessoas ameaçadas
de remoção é na Zona Sul, Barra da
Tijuca e Jacarepaguá. Para os inves-
tidores, a presença de comunidades
pobres nessas regiões é um obstá-
culo aos empreendimentos do Pan.
Nos últimos meses, moradores de
rua, guardadores de carro e vende-
dores ambulantes têm sofrido per-
seguições constantes. Eles sofrem
com as ações da polícia, da guarda
municipal e outros representantes
do governo. A justificativa utilizada
é a necessidade de se organizar um
aparato de segurança a altura de um
evento desse porte.
O governo federal, oficialmente, in-
vestiu R$ 262 milhões somente na
segurança do Pan.
Parte desse valor é destinado para
a compra de helicópteros, aviões e
automóveis. A Secretaria Nacional
de Segurança revela que gastou R$
161 milhões em tecnologia da in-
formação. O valor inclui a compra,
sem licitação, de 600 câmeras.
Os gastos dos governos estadual e
municipal não têm sido divulgados
com tantos detalhes. Os valores,
em 2005 tinham sido estimados em
cerca de 131,5 milhões de reais. A
verba da educação é de R$ 283 mil-
hões. Para a segurança do Pan é de
R$ 562 milhões.
Se a quantia destinada, hoje, à área
de segurança tivesse sido investida
em moradia, saúde e educação, tan-
tos gastos com segurança não seriam
necessários às vésperas dos jogos.
O Brasil é um dos países onde mais
morre pessoas em confrontos arma-
dos. Somente no primeiro trimestre
desse ano, e sem o aparato de guerra
que será utilizado no Pan, houve
318 pessoas mortas em confrontos
armados na cidade, segundo dados
do Instituto de Segurança Pública.
Após o Pan todo o aparato de guer-
ra utilizado ficará na cidade para
uso das forças de segurança local.
As conseqüências sobre a popula-
ção pobre do Rio perdurarão muito
além do Pan. Ela é a mais atingida
pela política do medo imposta a
cada dia.
A organização da população é
uma das alternativas para que essa
política de exclusão e opressão
seja banida da sociedade. A união
dos diversos movimentos socias,
sindicatos e as camadas populares
seria uma forma para que a segu-
rança, a liberdade e a solidariedade
ganhassem espaço na cidade e esta
voltasse a receber o título de “Ci-
dade Maravilhosa”.
Milhares de famílias pobres têm sido
removidas de áreas que habi-tavam
há anos. As regiões onde existe um
Reforma política é urgente para inibir a corrupção
A descoberta de uma rede de
corrupção envolvendo a constru-
tora Gautama revela que o sistema
político brasileiro precisa passar
por reforma urgente.
Esse modelo de “infidelidade” par-
tidária e de financiamento de cam-
panhas é um chamariz para acordos
ilícitos. Um deputado se elege por
um partido e, logo depois que as-
sume, muda de agremiação para
fazer acordo com os governistas em
troca de benefícios. As propostas
política de campanha são facil-
mente abandonadas.
Mas a descoberta pela Polícia Fed-
eral do esquema de corrupção atinge
também servidores públicos. Todo
servidor público deve zelar pelo
patrimônio e pelo orçamento público
construídos com o dinheiro dos tribu-
tos. O envolvimento de alguns ser-
vidores acaba manchando a imagem
da grande maioria de trabalhadores
honestos e comprometidos com a boa
prestação de serviços à população.
A descoberta de uma rede de
corrupção envolvendo a constru-
tora Gautama revela que o sistema
político brasileiro precisa passar
por reforma urgente.
Esse modelo “infidelidade” partidária
e de financiamento de campanhas é
um chamariz para acordos ilícitos.
Um deputado se elege por um partido
e, logo depois que assume, muda de
agremiação para fazer acordo com os
governistas em troca de benefícios.
As propostas política de campanha
são facilmente abandonadas.
Os governos deveriam investir na
melhoria dos salários em em planos
de carreira decentes para garantir um
funcionalismo de excelência.
3
Brasil tem menos servidores que Europa
O Brasil tem cerca de um servidor
público para cada 20 habitantes,
muito abaixo de outros países. Na
França são menos de 9 habitantes
para cada servidor público enquanto
na Inglaterra são 16 habitantes para
cada servidor.
Esse reduzido no número de servi-
dores públicos fica ainda mais evi-
dente quando considerada a quan-
tidade de servidores em relação à
população ocupada. Enquanto o Bra-
sil possui 1 servidor público a cada
10 ocupados, os Estados Unidos e
Inglaterra possuem 1 servidor a cada
6 ocupados e países como a França e
a Itália a relação é de 1 para 4.
Conforme dados do Boletim Es-
tatístico de Pessoal do Ministério
do Planejamento, de 1988 a 2006
houve uma redução de 177.424 ser-
vidores públicos federais na ativa.
No primeiro mandato do governo
Lula (2003-2006), iniciou-se uma
recuperação do quadro de servi-
dores, com a contratação de 71.144
novos servidores, ainda muito
aquém das necessidades para um
bom serviço público.
Os dados demonstram que o dis-
curso neoliberal de que é preciso di-
minuir o número de servidores não
é verdadeiro. Até mesmo nos EUA,
onde esse discurso é mais forte, há
mais servidores por habitantes do
que em nosso país.
Acervo Sintuperj
Sessão do Conselho Universitário
Conselho universitário discute eleições na Uerj
Calouros podem votar,
aposentados não
Foi uma vitória para a democracia
na universidade a aprovação no
Conselho Universitário o direito do
calouro participar da escolha de reitor
e diretores de unidade. Após muita
discussão e até mesmo desencontros,
o Conselho Universitário aprovou a
medida no dia 25/5. Dessa forma, os
estudantes que ingressarem na Uerj
no semestre letivo da realização deste
processo eleitoral poderão votar.
Foi aprovado também o voto para
a escolha de reitor aos funcionários
que ingressarem na universidade
no semestre letivo da realização do
processo eleitoral. Foi estendido o
direito a voto aos alunos do 9º ano
(antiga 8ª série), assim como para os
residentes de todas as unidades.
Mas a vitória não foi completa porque
o Consun recusou a proposta da par-
ticipação dos servidores aposentados
no processo de escolha de reitor. Dez
conselheiros votaram a favor, mais 33
votaram contra, além de uma absten-
ção. A luta pela maior participação
dos servidores aposentados nas de-
cisões da universidade não pára.
prossegue as discussões. Há uma
falha no estatuto da Uerj que ainda
não incorporou a eleição direta para
reitoria, estabelecida na Constitui-
ção do Estado.
Todo ano de eleição é a mesma
coisa. O conselho traz para a pauta
as regras das eleições, o que tem
trazido debates calorosos, como a
participação ou não de aposenta-
dos. Outra questão é a necessidade
de 2/3 do Consun para aprovar
tais medidas. O Consun aprovou o
texto base das regras eleitorais na
universidade, com apenas 21 votos,
quando o estatuto diz que seriam
necessários ao menos 40 votos.
Alguns pontos polêmicos que estão
sendo debatidos pelos servidores téc-
nicos-administrativos, pelos alunos e
pelo Sindicato dos Trabalhadores das
Universidades Públicas do Estado
(Sintuperj) é a elegibilidade dos téc-
nicos-administrativos para cargos ele-
tivos internos - atualmente, somente
professores podem se candidatar . O
voto universal é uma outra discussão
que está sendo debatida, como tam-
bém a possibilidade de reeleição dos
dirigentes da Uerj.
Muitas das polêmicas atualmente
colocadas, poderiam ter sido evi-
tadas e discutidas mais profunda-
mente se a universidade já tivesse
passado por um processo de refor-
mulação de seu estatuto. Esta é uma
demanda que deverá está em pauta
para os futuros dirigentes da UERJ,
e para os segmentos universitários.
A comunidade universitária deve
participar ativamente desse pro-
cesso. Afinal de contas, com as
eleições para reitor estão em dis-
putas os projetos de universidade
que queremos.
Debate
O debate sobre os processos eleito-
rais da UERJ esquenta na univer-
sidade. O Conselho Universitário
4
CAP completa 50 anos
Este ano, o Colégio de Aplicação da
Uerj completa 50 anos de atividades.
Seu nome completo é Instituto de
Aplicação Fernando Rodrigues da
Silveira. Inaugurado em 1º de abril
de 1957, nasceu da necessidade de
experimentação metodológica nos
cursos voltados à Educação e Licen-
ciatura da antiga Universidade do
Estado da Guanabara.
Atualmente o CAP tem 1022 alunos
matriculados, desde o primeiro ano
do ensino fundamental até o terceiro
ano do ensino médio. Para ingressar
em um dos mais respeitados colé-
gios públicos do Brasil, os alunos
passam por um concorrido processo
de seleção.
Os alunos, por sorteio, ingressam no
primeiro ano do colégio. Os alunos
que almejam entrar no sexto ano
(antiga quinta série) passam por uma
prova que testa os conhecimentos de
português, matemática, além de uma
redação. Este ano a disputa foi de
4400 candidatos para 30 vagas.
O reconhecimento da sociedade foi
alcançado em todo processo de en-
sino-aprendizagem é fruto da dedica-
ção de servidores técnico-administra-
tivos, de professores, de pais atuantes
e dos próprios alunos.
Marinete do Nascimento de Freitas,
que trabalha há 29 anos no colégio
é um exemplo de dedicação ao CAP.
“Este foi meu primeiro e único em-
prego. Comecei como inspetora de
andar, tomando conta dos alunos.
Hoje trabalho no setor de estágio”.
Como em todo lugar, o CAP constan-
temente busca aperfeiçoamento e tem
ampliado a participação de alunos e
pais nas questões relacionadas ao en-
sino. Uma experiência bem sucedida
que completou 25 anos é o Clube de
Leitura Paula Saldanha, que tenta
mostrar de uma maneira diferente
como é possível ler a vida. Além
dos livros, o clube da leitura realiza
passeios com os alunos por lugares
históricos do município. “É uma for-
ma de os alunos compreenderem que
há outras formas de leitura”, explica
a coordenadora do programa profes-
mais investimentos. Os trabalha-
dores e pais de alunos continuarão
fazendo sua parte para garantir um
ensino de qualidade para os jovens
Marinete: 29 anos de dedicação ao CAP
Acervo Sintuperj
AcervoSintuperj
sora Leila Medeiros.
Desafios
O CAP tem ainda desafios impor-
tantes a conquistar. O espaço físico
do colégio é inadequado para tantos
alunos. As bibliotecas são pequenas
e não apresentam boas condições
para a manutenção do acervo e para
o incentivo à pesquisa. Como reco-
nhecimento pelos serviços prestados
à sociedade, o CAP merece da Uerj
5
Trabalhadores da Uenf sofrem
com más condições de trabalho
Diretores do Sindicato estiveram
na Uenf (Universidade Estadual
do Norte Fluminense) e consta-
taram o descaso da reitoria com
as condições de trabalho. Eles
visitaram as áreas da Empresa de
Pesquisa Agropecuária do Estado
do Rio de Janeiro (Pesagro) e da
Escola Agrícola, que cedem es-
paço para as pesquisas da Uenf.
Vários ambientes são insalubres e a
reitoria nem paga a insalubridade,
nem melhora as condições dos lo-
cais. As atividades desenvolvidas
pelos servidores são de risco, como
o contato com defensivos agrícolas
prejudiciais à saúde.
Uma das conquistas dos trabalha-
dores foi o protetor solar no início
deste ano. Mas a reitoria comprou
apenas um frasco do produto para
cada trabalhador. O protetor aca-
bou faz tempo e não foi reposto.
Os servidores compram prote-
tor com o próprio salário. Não
há local adequado para almoço.
Trabalhadores só têm um jogo
de uniformes, por isso trabalham
com a própria roupa. Faltam equi-
pamentos de proteção individual,
como botinas.
Audiência Pública discute condições da Uenf
No dia 28/5, o Sintuperj participou
da audiência pública na Uenf, com
a presença de deputados estaduais,
reitoria, trabalhadores, estudantes e
docentes. Essa audiência havia sido
solicitada pelo Sindicato em março.
A mesa foi composta pelos Deputa-
dos Comte Bittencourt (PPS), Mar-
celo Freixo (PSOL), André do PV,
Wilson Cabral (PSB), Reitor Rai-
mundo Braz e o futuro reitor Almy
Cordeiro. Também compuseram a
mesa Marcos Barbosa do Espírito
Santo (Sintuperj), Fernando (DCE),
Andréa Arnholdt (Aduenf).
Trabalhadores e estudantes puderam
ouvir por mais de duas horas as avalia-
ções e apresentações das condições da
universidade. Temas como orçamento
universitário, condições de trabalho,
restaurante universitário, plano de
cargos e vencimentos, democracia na
universidade e a pauta específica de
reivindicações foram apresentados.
O deputado André do PV, líder do
governo, sugeriu uma emenda par-
lamentar para destinar verba para a
construção do restaurante universi-
tário. Marcelo Freixo (PSOL) disse
que não concordava com a proposta,
pois a verba deveria ser destinada
pelo governo do Estado.
não têm representação.
O Sintuperj apresentou a pauta de
reivindicação dos trabalhadores e
cobrou uma reunião das entidades
Não há nenhum setor na universi-
dade que trate da saúde do trabalha-
dor. Se um trabalhador se acidenta
não há serviço de emergência. Nem
mesmo água potável é encontrada
em muitos locais.
AcervoSintuperj
Acervo Sintuperj
Sindicato coversa com trabalhadores
Diretor do Sintuperj fala durante a audiência
representativas dos segmentos uni-
versitários com o Secretario de Ciên-
cia e Tecnologia, Alexandre Cardoso
sobre a Uenf.
Democracia
Durante a audiência, o Sintuperj
cobrou ampliação da democracia
nos espaços de decisão da Uenf.
Atualmente, os votos de alunos e
servidores técnico-administrativos
representam apenas 30% na escolha
de reitor. Na Uerj, o voto é paritário.
Há casos em que a representação de
funcionários e alunos em órgãos
colegiados não respeita os limites
mínimos estabelecidos pela LDB
– Lei de Diretrizes e Bases da Edu-
cação. Há ainda órgãos colegiados
da Uenf em que servidores e alunos
Risco de acidentes
Acervo Sintuperj
Almoço em local inadequado
Cobrança
O Sintuperj vai cobrar da reitoria
da Uenf as soluções para os pro-
blemas, principalmente a necessi-
dade da criação de uma divisão de
saúde e segurança do trabalhador,
de equipamentos de primeiros so-
corros, além de locais adequados
para a alimentação. Para prestar
bons serviços, os trabalhadores
têm que ter salários dignos e
condições de sergurança.
AcervoSintuperj
6
Sindicato cobra melhorias para
a Faculdade de Odontologia
O Sintuperj recebeu um abaixo-
assinado denunciado as más
condições da Faculdade, que sofre
com infiltrações, goteiras em cima
das mesas, acúmulo de água no
teto, que pode ceder a qualquer
momento. Com a falta do muro
de contenção na área do estacio-
namento, um carro acabou caindo
e atingiu o pavilhão Mário Franco
Barroso e danificou laboratórios
de pesquisas.
Recentemente houve um caso em
que o segurança tentava explicar
para um cidadão que ele não pode-
ria deixar o carro ali e acabou agre-
dido. Isso aconteceu porque não há
Muito diferente, a reitoria divulgou
no boletim Uerj em Dia que a fa-
culdade inaugurou a Clínica de
Odontologia Prof. Hilton Souchois
de Albuquerque Mello. Diz que o
espaço foi montado com o que há
de mais moderno em equipamen-
tos. Esse tratamento deveria ser
estendido para todos os setores
da faculdade. Não é isso o que se
vê. Desde 2005, a Faculdade vem
cobrando a reitoria uma solução
para os problemas, mas há um ver-
Ausência de muro ocasiona queda de carro no Pavilhão Mário Franco Barroso
Divulgação
guarita, nem cancela na entrada do
estacionamento.
e à prefeitura dos campi cobrando
uma solução para o caso.
dadeiro descaso da universidade.
O Sindicato enviou ofício à reitoria
Clínica
Reuniões Setoriais
O Sintuperj está realizando reu-
niões nos setores para conversar
com os trabalhadores sobre seus
direitos, suas reivindicações,
condições de trabalho e sobre
a campanha salarial deste ano.
Ligue para o Sindicato e agende
uma reunião no seu setor pelo tele-
fone 2587-7126, 2234-1342 e pelo
e-mail: sintuperj@sintuperj.org.br
Jurídico
O atendimento jurídico aos as-
sociados do Sintuperj é feito da
seguinte forma.
Segunda-feira, das 13h30 às 17h,
para tratar de causas cíveis em geral.
Terça-feira, das 14h às 18h, para
tratar de causas administrativas indi-
viduais e causas trabalhistas.
Quinta-feira, das 09h às 12h30, para
tratar de causas de família.
Sexta-feira, das 10h às 13h30, o
plantão trata de causas trabalhistas
coletivas e causas cíveis em geral.
O associado deve sempre fazer o
agendamento antecipado, preen-
chendo ficha de atendimento na
secretaria do Sindicato. Nos casos de
competência dos Juizados Especiais,
o sindicalizado receberá orientação
e será encaminhado para o primeiro
atendimento dos Juizados onde rece-
berá assistência jurídica.
Gratificações
A bancada dos representantes
técnico-administrativos no Con-
sun conseguiu uma importante
vitória. O valor da contribuição
do Rio Previdência que incidia
sobre as gratificações não pode
mais ser cobrado, já na folha de
pagamento de maio, paga em
junho.
Torneio de Futebol
Em Julho, o Sintuperj realiza seu
I Torneio de Inverno de Futebol.
As inscrições das equipes podem
ser feitas na Sede do Sindicato
até o dia 21 de junho. No dia 25
será realizada reunião com repre-
sentantes das equipes para definir
as chaves do torneio. Os jogos
estão marcados para o dia 7 de
julho.representantes das equipes
para definir as chaves do torneio.
Os jogos estão marcados para o
dia 7 de julho.
Eleições Asduerj
A Assembléia Docente realizada
no dia 23/05 definiu as datas do
processo eleitoral para a diretoria
da Asduerj biênio 2007/2009. A
inscrição de chapas ocorrerá entre
os dias 30 de julho e 03 de agosto
e os docentes poderão votar nos
dias 18, 19 e 20 de setembro.
Vida de Helenira Resende vira
livro
A editora Expressão Popular lan-
çou novos títulos da sua coleção
Viva o povo brasileiro. Entre as
obras recém-lançadas se encontra
a biografia da guerrilheira comu-
nista Helenira Resende. Ela era
vice-presidente da UNE, presa
em Ibiúna, enfrentou cara a cara
o temido delegado Fleury. Após
o AI-5 se deslocou para a região
do Araguaia. Foi assassinada por
tropas do Exército em setembro
de 1972 e seu nome batizou um
dos destacamentos da guerrilha.
O autor da biografia é o jovem
jornalista Bruno Ribeiro, ex-diri-
gente da UJS.
O objetivo do projeto da editora
é divulgar a vida e o pensamento
daqueles homens e mulheres que
lutaram por um Brasil mais justo
e igualitário para o seu povo. For-
mato de livro de bolso, de fácil
leitura e com preços bastante
populares a coleção é destinada
aos estudantes e trabalhadores.
5º Congresso do MST
Entre os dias 11 e 15 de junho
acontecerá o 5º congresso do
MST. Sob o lema “Reforma
Agrária: por Justiça Social e So-
berania popular”, mais de 17 mil
delegados de assentamentos e
acampamentos de 24 estados se
reúnem em Brasília.
Os trabalhadores rurais ficarão
acampados durante cinco dias em
torno do ginásio Nilson Nelson
onde acontecerão os debates sobre
o atual estágio da questão agrária,
o papel do Estado, sobre o go-
verno Lula e a conjuntura política
internacional.
Violência urbana em cena na
UERJ
A violência urbana chegou aos
palcos da UERJ. Calma, não se
trata de nenhum conflito estudan-
til. É a peça Teatro do Medo – O
Protesto em cartaz no Teatro Noel
Rosa, de 1º a 28 de junho. O espe-
táculo aborda a violência em to-
das as suas formas, seja através do
racismo e das drogas, ou praticada
contra crianças, adolescentes, jo-
vens, idosos e mulheres.
Com duração de 1h e 10 minu-
tos, a peça é encenada por sete
atores que procuram interagir
com o público, a partir do re-
lato de situações de violências
vivenciadas no cotidiano das
grandes cidades, lares, escolas
e trabalho. O espetáculo utiliza
uma linguagem que aproxima
mais as pessoas do tema
7
Hospital dos Servidores do Estado
sofre com má administração
Governador Sérgio Cabral não cumpre promessas e Iaserj tem setores desativados
O Instituto de Assistência dos Ser-
vidores do Estado do Rio de Janeiro
(Iaserj) já foi considerado um hos-
pital de referência latino americano.
Ele foi construído com recursos dos
servidores públicos estaduais. Hoje,
a sociedade corre o risco de perder
esse patrimônio. O Instituto, há
vários anos, está sofrendo com a má
administração do patrimônio pú-
blico. Recentemente, o Iaserj teve
vários setores desativados.
No dia 17 de maio, o Governador do
Estado fez uma declaração confir-
mando a intenção de ceder parte do
instituto ao Inca. Servidores temem
ainda a possibilidade do instituto
ser transformado em fundação de
direito privado.
“Desde janeiro, estamos sendo
surpreendidos com os pronun-
ciamentos do governador. Nós
acreditamos e confiamos que ele
estaria de fato reerguendo o ins-
tituto. Essa foi uma promessa
de campanha”, protesta Mariléa
Ormond, presidente da Associa-
ção dos funcionários do Iaserj
(Afiaserj).
De fato, os compromissos de cam-
panha de Sérgio Cabral não estão
sendo cumpridos. Maternidade, pe-
diatria e centro cirúrgico foram fecha-
dos logo no início da atual gestão.
Uma outra deficiência do instituto
é a falta de profissionais. Há vários
anos não é feito concurso. Grande
parte da mão-de-obra é terceirizada.
Não existe número suficiente de
profissionais para o perfeito funcio-
namento do hospital.
federações, confederações e clubes
de servidores públicos são realiza-
das no Iaserj. O objetivo é traçar
uma linha de negociação com o
governador. Aposentados, médi-
cos e outros funcionários estão
se reunindo e se mobilizando. No
último dia 16 vários sindicatos
foram recebidos pelo presidente da
Alerj, o deputado Jorge Picciani.
A mobilização já surtiu algum
resultado. O quarto andar foi hi-
gienizado, o centro obstétrico está
passando por limpeza e no Raio X,
quatro aparelhos já estão funcio-
nando. As internações voltaram a
acontecer. Mas no dia em que o
Sintuperj esteve no instituto os ele-
vadores estavam parados. Pessoas
tinham que subir até oito andares
por escadas.
Apesar de todos os problemas, a
presidente da Afiaserj diz que con-
Palestra no auditório Ney Palmeiro
Divulgação
Com fundações, governo não se
responsabilizará pela saúde
Há dois ataques sendo preparados
contra a saúde pública. Um vem
do governo federal, com a proposta
de criação de fundações de direito
privado para os hospitais univer-
sitários. Outra, parecida com a
primeira, vem do governo do Rio de
Janeiro e cria fundações para a área
da saúde como um todo. As duas
apontam para a privatização no
atendimento e fim da estabilidade
no serviço público. Um desastre.
No dia 15/5, o Sintuperj promoveu
palestra no auditório Ney Palmeiro
para tratar desse assunto. Foram
convidadas Maria Inês Souza Bravo,
professora da Uerj e Vera Lúcia da
Silva Miranda, da coordenação das
universidades estaduais da Fasubra.
Nesse encontro, os servidores da
Uerj puderam tirar suas dúvidas so-
bre o tema, que ainda merece muita
divulgação. Alguns princípios dão
sustentação para a proposta de Lula
e de Cabral. Princípios que desres-
peitam a constituição e o Sistema
Único de Saúde (SUS).
Há alguns modelos de fundação. Um
deles defende a criação da chamada
Organização Social, que cria uma
instituição pública não-estatal,
com ampla autonomia administra-
tiva. Outro modelo são as fundações
privadas de apoio, que nascem com o
objetivo de captar recursos, também
com autonomia no gerenciamento.
Outra proposta é a terceirização
da gerência de hospitais públicos.
Com isso, o Estado deixa sua fun-
ção de prestador e administrador,
acreditando na superioridade da
gerência privada.
Há quem defenda também a tercei-
rização de serviços especializados
em hospitais públicos. Novamente,
o governo não se responsabiliza por
esses serviços e a população terá de
pagar por eles.
Contratação
Todas as propostas consideram os
trabalhadores contratados pela CLT,
sem estabilidade no emprego. Como
forma de ganhar a opinião dos tra-
Servidores se mobilizam
Todas as quartas-feiras uma as-
sembléia composta por várias
entidades sindicais, associações,
tinua tendo esperanças com relação
ao governo de Sérgio Cabral. “Nós
vamos vigiá-lo 24 horas” completa
Mariléa Ormond.
Iaserj: mais verbas
balhadores são oferecidos incentivos
financeiros aos profissionais. Em
troca de uma remuneração suposta-
mente melhor está a cobrança por
produtividade. Além disso, a apo-
sentadoria seguirá as regras do INSS.
Não haverá ainda o Plano de Carreira
conquistado com muita luta.
Acervo Sintuperj
O Sintuperj defende o Sistema
Único de Saúde (SUS) que garante
atendimento universal. Todos têm
direito à saúde pública e gratuita.
Outro direito conquistado é o re-
gime estatutário que dá mais segu-
rança ao trabalhador e para a popu-
lação que precisa de seus serviços.
8
“O que o paciente quer do enfermeiro
é um atendimento humanizado”
Entre os dias 12 e 20 de Maio foi
celebrada a Semana da Enferma-
gem. Para falar sobre essa profissão
tão importante para a sociedade
fomos conversar com Maurílio
Pereira Nunes, que há 25 anos trab-
alha no Hupe. Esta conversa revela
um enfermeiro extremamente dedi-
cado à profissão a humanização no
tratamento. Lucidez e sensibilidade
são qualidades deste servidor que
defende o concurso público e se
mostra contrário às fundações.
Qual foi o seu primeiro emprego
como enfermeiro?
Me formei na Uerj em 1973 e fui
trabalhar no hospital do Andaraí.
Cuidava de queimados. Estudei
muito sobre queimados. Fui até a
Argentina, estudando a situação.
Passei 40 dias no Hospital Munici-
pal de Buenos Aires. Fui a Fortale-
za, Goiás, São Paulo. Onde existia
centro de queimados eu estudei.
Como o senhor veio trabalhar no
Hospital Pedro Ernesto?
Fiz o concurso para o hospital Pe-
dro Ernesto, em 1981. Sempre tive
o sonho de trabalhar no Hupe. De-
pois que eu entrei no hospital, trab-
alhei um ano no Centro Cirúrgico e
depois na clínica médica. Descobri
que os pacientes de clínica médica
são aqueles que mais precisam de
cuidados. Precisam de medica-
mento, banho, higiene, condições
humanizadas, dignidade. Eu desco-
bri isso na clínica médica.
O senhor gostou de trabalhar na
clínica médica?
Quando passei para o Pedro Er-
nesto, que me colocaram na clínica
médica, cheguei e vi
que cada paciente
tinha um diagnóstico.
Fiquei assustado. Mas
isso me motivou. Foi
um desafio para mim.
Estudei muito sobre
enfermagem em clínica
médica. Estudei muito.
O senhor estudou de que maneira?
Depois de uma certa idade resolvi
fazer mestrado na área de clínica
médica. Queria saber qual conforto
o enfermeiro podia gerar ao cuidar
do paciente. O que paciente via nisso.
Tenho uma ligação muito profunda
com a clínica médica. Achei que,
como enfermeiro, poderia estimular
a administração a investir nessa
área. Porque ela tem uma importân-
cia muito grande para a pesquisa. A
residência de todas as especialidades
tem seu conhecimento formado na
clínica médica. É onde os futuros
médicos estudam as doenças; onde
eles dão o diagnóstico.
E o senhor concluiu o mestrado?
Fiz o mestrado pela UFRJ. Terminei
em 2000. As respostas à minha per-
gunta saíram exatamente como eu
não esperava. Focalizei no curativo.
O que passa um enfermeiro quando
faz um curativo? Pensei que os en-
trevistados diriam que seria a po-
mada, a atadura. Mas disseram que
tratamento é quando o enfermeiro
cumprimenta, quando diz a ele como
está o curativo, como toca nele. O
que o paciente quer do
enfermeiro é um aten-
dimento humanizado;
o escute. Descobri que
a recuperação se dá
quando acontecem duas
coisas importantes: o
alívio e o equilíbrio. Se
o doente estiver inqui-
eto, a recuperação é
dificultada. Se estiver sentindo dor
não há uma cura plena.
Você tem alguma história interes-
sante com seus pacientes?
Durante a pesquisa, fui entrevistar
uma paciente que se recusou a falar
comigo. Várias vezes eu fui tentar fa-
lar com ela, mas ela não queria. Eu ia
exatamente depois do banho quando
ela estava em uma cadeira. Um dia
alguém cismou de colocá-la na cama.
E ela começou a falar
comigo. Fiquei descon-
fiado e fui me sentar na
cadeira, a cadeira era
horrível. Descobri que
quando a gente for fazer
as coisas para o doente
tem que perguntar se
está bem ali. A melhor
pessoa para dizer como
está é o próprio doente.
Então isso mudou sua
conduta?
Ah, eu fiz uma série de coisas. Permiti
na enfermaria que as mulheres pin-
tassem o cabelo. Consegui uma pes-
soa para fazer as unhas dos doentes.
Comecei a fazer reuniões com eles
para conversar sobre comida, e outras
coisas. Comecei a despertar neles
muitas coisas para que não fixassem
na doença. O paciente quer mais
alegria, quer mais informação, quer
carinho. Nós, enfermeiros, estamos
ali substituindo a família.
O senhor é reconhecido pelo seu
trabalho? O trabalho na enferma-
gem é reconhecido pela sociedade?
Não na mídia. Mas ela tem uma
importância muito grande para a
sociedade. O que eu faço com o
paciente não pode ir para a mídia.
Não posso dar carinho ao doente e
colocar na mídia.E nem nós temos
como mostrar. Pois no dia em que
mostramos como estamos fazendo
vamos ao nosso paciente.
Comparando o hospital Pedro
Ernesto de 25 anos com o hospi-
tal de hoje, ele continua dando as
mesmas condições?
Não. Ele avançou tecnologicamente.
Mas na humanização diminuiu. A
humanização começa na porta do
hospital. E não depende só de um
profissional. Depende de um con-
texto todo. Precisa de conscientiza-
ção do diretor ao servente. E nunca
houve um trabalho sobre isso.
Como o senhor avalia essas pro-
postas de criação de fundações
nas universidades? Propostas que
põem fim à estabilidade?
Esses contratos são um retrocesso
para a assistência. Para ser um bom
profissional, para dar boa assistên-
cia ao usuário, o servidor precisa ter
estabilidade. Há tam-
bém uma discriminação
muito grande no sa-
lário. Enquanto um está
ganhando R$1500,00
outro está ganhando R$
500,00 fazendo a mesma
carga horária. Dando o
mesmo cuidado. Não
posso ir a um hospital
e quem me atende dizer
que talvez amanhã não
esteja ali. O governo faz
um grande mal à saúde quando cria
esse tipo de instrumento.
O senhor quer deixar um recado?
Sonho muito que a Uerj melhore seu
relacionamento com o governo. Que
tenha uma ligação estreita com o
governador, que ele passe as verbas
como estão nos documentos. Que não
haja nenhum desperdício das verbas,
e que as instituições sejam valoriza-
das. Que o hospital, que é um dos
esteios da Uerj, receba investimen-
tos. Quero muito que acabem com
esses contratos. Um auxiliar deveria
ganhar R$ 1700,00 está ganhando
R$ 600,00. Isso é uma tristeza. Não
tem direito a 13º, não tem direito a
férias, à nada. Isso não faz mal para
mim que sou funcionário, mas faz mal
para o doente.
Maurílio Nunes Pereira
Acervo Sintuperj
“Tratamento é
quando o en-
fermeiro cum-
primenta, quan-
do diz a ele como
está o curativo,
como toca nele”.
“Descobri que
quando a gente
for fazer as cois-
as para o doente
tem que pergun-
tar se está bem
ali. A melhor pes-
soa para dizer
como está é o
próprio doente”.

Jornal do sintuperj nº 09

  • 1.
    Jornal do Sindicatodos Trabalhadores das Universidades Publicas Estaduais - RJ Ano II - Nº 9 - Junho de 2007 Governo do Estado não cumpre o que promete Em Janeiro, quando o governador Sergio Cabral recebeu o colar de chanceler da Uerj, prometeu dar prioridade à universidade. Dentre outras coisas disse que negociaria com os trabalhadores o reajuste salarial. Em abril, Cabral disse que até final de junho, após reunião com os secretários de Planeja- mento, Sérgio Ruy e Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso receberia as entidades. Por várias vezes o Sindicato cobrou reuniões do governo. Já estava certa uma reunião para o dia 24/5. Mas dois dias antes, o governo cancelou o encontro. Por isso, na assembléia geraldo 23/5, indicouquenodia30/5, os servidores deveriam pressionar a secretaria de Ciência e Tecnologia para cobrar uma negociação. Isso foi feito. Mas o secretário, Alexan- Marquises e rampas Outra promessa não cumprida pelo governador é a solução para as marquises e rampas do prédio João Lyra Filho. Elas estão escoradas faz quase um ano e meio. Em janeiro, Cabral disse que em 30 dias resolveria o problema. O im- proviso continua, colocando em risco a comunidade uni- versitária que circula diari- amente pelo campus. Trinta e oito instituições federais estão em greve Os técnico-administrativos de 38 universidades federais interrom- peram suas atividades por tempo indeterminado, de acordo com le- vantamento da direção nacional da Fasubra (Federação de Associações e Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras). A greve é nacional. A UFRJ, que concentra o maior número de funcionários, também entrou em greve no dia 30. Niko Junior Trabalhadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro aprovam greve dre Cardoso não estava. A reunião de negociação ficou marcada então para o dia 14/6, às 10h. do governo do Estado que até agora não cumpriu o que prometeu. Os servidores da Uerj estão há seis anos sem reajuste. As perdas salari- ais chegam perto de 60%. Somente a nossa mobilização será capaz de garantir o sucesso da nossa luta. CAP completa 50 anos página 4 no momento para os funcionários é a luta pela retirada do PLP 01 (pro- jeto de lei que integra o Programa de Aceleração do Crescimento que tramita no Congresso Nacional) que limita o pagamento de pessoal à inflação do período – IPCA mais 1,5% até 2016. pelo país e ampliam o debate da assistência estudantil e o su- cateamento da educação pública. Os grupos têm pautas específicas, mas todos pedem a revogação dos decretos editados por José Serra (PSDB), melhorias salariais e na moradia estudantil. é ainda pior. Desde o início do ano até hoje o secretário de Ciência e Tecnologia não recebeu a Aduenf, DCE e Sintuperj para sequer rece- ber a pauta. Não dá mais para esperar a decisão Uenf O caso das reivindicações da Uenf Audiência Pública na Uenf Página 5 Uerj e a ameaça das fundações página 7 Mestre em enfermagem página 8 Reivindicações O movimento dos servidores luta por melhores salários; a fixação do piso em três salários mínimos; aprimoramento da Carreira; recur- sos para o Plano de Saúde Suple- mentar e a não transformação dos hospitais universitários em funda- ção estatal (o que significa sua privatização). Em sua pauta geral o grande desafio São Paulo Em São Paulo, os alunos da USP continuam acampados na reitoria. A ocupação dura mais de 30 dias. Os funcionários e docentes das três uni- versidades paulistas (USP, Unicamp e Unesp) também estão greve. Os protestos contra os decretos do governador José Serra (PSDB), que acabam com a autonomia uni- versitária, seguem sem resolução, somados a outras demandas de in- fra-estrutura e reajuste salarial. Ocupações e greves pipocam
  • 2.
    2 JORNAL DO SINTUPERJ- Coordenação de Imprensa: Rosalina Barros - Conselho Editorial: Caio Freire, João Sylvestre dos Reis, Jorge Augusto de Almeida, José Arnaldo Gama da Silva, Mirian de Oliveira Pires, Paulo César Paes Fernandes, Sandro Hilário - Jornalista: Mário Camargo (MTb 024120) - Estagiária: Marcela Figueiredo Programação Visual: Assys - Tiragem: 4.000 exemplares - Fechamento: 04/06/2007 - Endereço: Rua São Francisco Xavier, 524, sala 1020 D, Maracanã, Rio de Janeiro/RJ CEP: 20.550-013 - Telefone: (21) 2587-7126 / 2234-0945 - internet: www.sintuperj.org.br - Endereço eletrônico: sintuperj@sintuperj.org.br e imprensa@sintuperj.org.br O medo disputa o Pan-americano Gastos com segurança é superior aos investimentos feitos em educação e saúde Remoções Investir no social O Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 29 de julho, será sede de uma das maiores competições esportivas do mundo. Estima-se que para os Jogos Pan-Americanos do Rio já foram direcionados cerca de R$ 3,5 bilhões. Entre os “investidores” encontram-se os governos Federal, Estadual e Municipal. Diversas empresas privadas também se inter- essaram em participar do negócio, etre elas Samsung, Kodak, John- son-Johnson. Trata-se do maior evento internacional na cidade desde a ECO-92. Para alguns, os jogos Pan-Ameri- canos no Rio estão sendo sinônimo de alegria, diversão e demonstração da capacidade da cidade em realizar um evento desse porte. Para uma grande parte da população, o evento está sendo usado como objeto de desculpas para geração de mais vio- lência e desrespeito. maior número de pessoas ameaçadas de remoção é na Zona Sul, Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Para os inves- tidores, a presença de comunidades pobres nessas regiões é um obstá- culo aos empreendimentos do Pan. Nos últimos meses, moradores de rua, guardadores de carro e vende- dores ambulantes têm sofrido per- seguições constantes. Eles sofrem com as ações da polícia, da guarda municipal e outros representantes do governo. A justificativa utilizada é a necessidade de se organizar um aparato de segurança a altura de um evento desse porte. O governo federal, oficialmente, in- vestiu R$ 262 milhões somente na segurança do Pan. Parte desse valor é destinado para a compra de helicópteros, aviões e automóveis. A Secretaria Nacional de Segurança revela que gastou R$ 161 milhões em tecnologia da in- formação. O valor inclui a compra, sem licitação, de 600 câmeras. Os gastos dos governos estadual e municipal não têm sido divulgados com tantos detalhes. Os valores, em 2005 tinham sido estimados em cerca de 131,5 milhões de reais. A verba da educação é de R$ 283 mil- hões. Para a segurança do Pan é de R$ 562 milhões. Se a quantia destinada, hoje, à área de segurança tivesse sido investida em moradia, saúde e educação, tan- tos gastos com segurança não seriam necessários às vésperas dos jogos. O Brasil é um dos países onde mais morre pessoas em confrontos arma- dos. Somente no primeiro trimestre desse ano, e sem o aparato de guerra que será utilizado no Pan, houve 318 pessoas mortas em confrontos armados na cidade, segundo dados do Instituto de Segurança Pública. Após o Pan todo o aparato de guer- ra utilizado ficará na cidade para uso das forças de segurança local. As conseqüências sobre a popula- ção pobre do Rio perdurarão muito além do Pan. Ela é a mais atingida pela política do medo imposta a cada dia. A organização da população é uma das alternativas para que essa política de exclusão e opressão seja banida da sociedade. A união dos diversos movimentos socias, sindicatos e as camadas populares seria uma forma para que a segu- rança, a liberdade e a solidariedade ganhassem espaço na cidade e esta voltasse a receber o título de “Ci- dade Maravilhosa”. Milhares de famílias pobres têm sido removidas de áreas que habi-tavam há anos. As regiões onde existe um Reforma política é urgente para inibir a corrupção A descoberta de uma rede de corrupção envolvendo a constru- tora Gautama revela que o sistema político brasileiro precisa passar por reforma urgente. Esse modelo de “infidelidade” par- tidária e de financiamento de cam- panhas é um chamariz para acordos ilícitos. Um deputado se elege por um partido e, logo depois que as- sume, muda de agremiação para fazer acordo com os governistas em troca de benefícios. As propostas política de campanha são facil- mente abandonadas. Mas a descoberta pela Polícia Fed- eral do esquema de corrupção atinge também servidores públicos. Todo servidor público deve zelar pelo patrimônio e pelo orçamento público construídos com o dinheiro dos tribu- tos. O envolvimento de alguns ser- vidores acaba manchando a imagem da grande maioria de trabalhadores honestos e comprometidos com a boa prestação de serviços à população. A descoberta de uma rede de corrupção envolvendo a constru- tora Gautama revela que o sistema político brasileiro precisa passar por reforma urgente. Esse modelo “infidelidade” partidária e de financiamento de campanhas é um chamariz para acordos ilícitos. Um deputado se elege por um partido e, logo depois que assume, muda de agremiação para fazer acordo com os governistas em troca de benefícios. As propostas política de campanha são facilmente abandonadas. Os governos deveriam investir na melhoria dos salários em em planos de carreira decentes para garantir um funcionalismo de excelência.
  • 3.
    3 Brasil tem menosservidores que Europa O Brasil tem cerca de um servidor público para cada 20 habitantes, muito abaixo de outros países. Na França são menos de 9 habitantes para cada servidor público enquanto na Inglaterra são 16 habitantes para cada servidor. Esse reduzido no número de servi- dores públicos fica ainda mais evi- dente quando considerada a quan- tidade de servidores em relação à população ocupada. Enquanto o Bra- sil possui 1 servidor público a cada 10 ocupados, os Estados Unidos e Inglaterra possuem 1 servidor a cada 6 ocupados e países como a França e a Itália a relação é de 1 para 4. Conforme dados do Boletim Es- tatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, de 1988 a 2006 houve uma redução de 177.424 ser- vidores públicos federais na ativa. No primeiro mandato do governo Lula (2003-2006), iniciou-se uma recuperação do quadro de servi- dores, com a contratação de 71.144 novos servidores, ainda muito aquém das necessidades para um bom serviço público. Os dados demonstram que o dis- curso neoliberal de que é preciso di- minuir o número de servidores não é verdadeiro. Até mesmo nos EUA, onde esse discurso é mais forte, há mais servidores por habitantes do que em nosso país. Acervo Sintuperj Sessão do Conselho Universitário Conselho universitário discute eleições na Uerj Calouros podem votar, aposentados não Foi uma vitória para a democracia na universidade a aprovação no Conselho Universitário o direito do calouro participar da escolha de reitor e diretores de unidade. Após muita discussão e até mesmo desencontros, o Conselho Universitário aprovou a medida no dia 25/5. Dessa forma, os estudantes que ingressarem na Uerj no semestre letivo da realização deste processo eleitoral poderão votar. Foi aprovado também o voto para a escolha de reitor aos funcionários que ingressarem na universidade no semestre letivo da realização do processo eleitoral. Foi estendido o direito a voto aos alunos do 9º ano (antiga 8ª série), assim como para os residentes de todas as unidades. Mas a vitória não foi completa porque o Consun recusou a proposta da par- ticipação dos servidores aposentados no processo de escolha de reitor. Dez conselheiros votaram a favor, mais 33 votaram contra, além de uma absten- ção. A luta pela maior participação dos servidores aposentados nas de- cisões da universidade não pára. prossegue as discussões. Há uma falha no estatuto da Uerj que ainda não incorporou a eleição direta para reitoria, estabelecida na Constitui- ção do Estado. Todo ano de eleição é a mesma coisa. O conselho traz para a pauta as regras das eleições, o que tem trazido debates calorosos, como a participação ou não de aposenta- dos. Outra questão é a necessidade de 2/3 do Consun para aprovar tais medidas. O Consun aprovou o texto base das regras eleitorais na universidade, com apenas 21 votos, quando o estatuto diz que seriam necessários ao menos 40 votos. Alguns pontos polêmicos que estão sendo debatidos pelos servidores téc- nicos-administrativos, pelos alunos e pelo Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas do Estado (Sintuperj) é a elegibilidade dos téc- nicos-administrativos para cargos ele- tivos internos - atualmente, somente professores podem se candidatar . O voto universal é uma outra discussão que está sendo debatida, como tam- bém a possibilidade de reeleição dos dirigentes da Uerj. Muitas das polêmicas atualmente colocadas, poderiam ter sido evi- tadas e discutidas mais profunda- mente se a universidade já tivesse passado por um processo de refor- mulação de seu estatuto. Esta é uma demanda que deverá está em pauta para os futuros dirigentes da UERJ, e para os segmentos universitários. A comunidade universitária deve participar ativamente desse pro- cesso. Afinal de contas, com as eleições para reitor estão em dis- putas os projetos de universidade que queremos. Debate O debate sobre os processos eleito- rais da UERJ esquenta na univer- sidade. O Conselho Universitário
  • 4.
    4 CAP completa 50anos Este ano, o Colégio de Aplicação da Uerj completa 50 anos de atividades. Seu nome completo é Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira. Inaugurado em 1º de abril de 1957, nasceu da necessidade de experimentação metodológica nos cursos voltados à Educação e Licen- ciatura da antiga Universidade do Estado da Guanabara. Atualmente o CAP tem 1022 alunos matriculados, desde o primeiro ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio. Para ingressar em um dos mais respeitados colé- gios públicos do Brasil, os alunos passam por um concorrido processo de seleção. Os alunos, por sorteio, ingressam no primeiro ano do colégio. Os alunos que almejam entrar no sexto ano (antiga quinta série) passam por uma prova que testa os conhecimentos de português, matemática, além de uma redação. Este ano a disputa foi de 4400 candidatos para 30 vagas. O reconhecimento da sociedade foi alcançado em todo processo de en- sino-aprendizagem é fruto da dedica- ção de servidores técnico-administra- tivos, de professores, de pais atuantes e dos próprios alunos. Marinete do Nascimento de Freitas, que trabalha há 29 anos no colégio é um exemplo de dedicação ao CAP. “Este foi meu primeiro e único em- prego. Comecei como inspetora de andar, tomando conta dos alunos. Hoje trabalho no setor de estágio”. Como em todo lugar, o CAP constan- temente busca aperfeiçoamento e tem ampliado a participação de alunos e pais nas questões relacionadas ao en- sino. Uma experiência bem sucedida que completou 25 anos é o Clube de Leitura Paula Saldanha, que tenta mostrar de uma maneira diferente como é possível ler a vida. Além dos livros, o clube da leitura realiza passeios com os alunos por lugares históricos do município. “É uma for- ma de os alunos compreenderem que há outras formas de leitura”, explica a coordenadora do programa profes- mais investimentos. Os trabalha- dores e pais de alunos continuarão fazendo sua parte para garantir um ensino de qualidade para os jovens Marinete: 29 anos de dedicação ao CAP Acervo Sintuperj AcervoSintuperj sora Leila Medeiros. Desafios O CAP tem ainda desafios impor- tantes a conquistar. O espaço físico do colégio é inadequado para tantos alunos. As bibliotecas são pequenas e não apresentam boas condições para a manutenção do acervo e para o incentivo à pesquisa. Como reco- nhecimento pelos serviços prestados à sociedade, o CAP merece da Uerj
  • 5.
    5 Trabalhadores da Uenfsofrem com más condições de trabalho Diretores do Sindicato estiveram na Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense) e consta- taram o descaso da reitoria com as condições de trabalho. Eles visitaram as áreas da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro) e da Escola Agrícola, que cedem es- paço para as pesquisas da Uenf. Vários ambientes são insalubres e a reitoria nem paga a insalubridade, nem melhora as condições dos lo- cais. As atividades desenvolvidas pelos servidores são de risco, como o contato com defensivos agrícolas prejudiciais à saúde. Uma das conquistas dos trabalha- dores foi o protetor solar no início deste ano. Mas a reitoria comprou apenas um frasco do produto para cada trabalhador. O protetor aca- bou faz tempo e não foi reposto. Os servidores compram prote- tor com o próprio salário. Não há local adequado para almoço. Trabalhadores só têm um jogo de uniformes, por isso trabalham com a própria roupa. Faltam equi- pamentos de proteção individual, como botinas. Audiência Pública discute condições da Uenf No dia 28/5, o Sintuperj participou da audiência pública na Uenf, com a presença de deputados estaduais, reitoria, trabalhadores, estudantes e docentes. Essa audiência havia sido solicitada pelo Sindicato em março. A mesa foi composta pelos Deputa- dos Comte Bittencourt (PPS), Mar- celo Freixo (PSOL), André do PV, Wilson Cabral (PSB), Reitor Rai- mundo Braz e o futuro reitor Almy Cordeiro. Também compuseram a mesa Marcos Barbosa do Espírito Santo (Sintuperj), Fernando (DCE), Andréa Arnholdt (Aduenf). Trabalhadores e estudantes puderam ouvir por mais de duas horas as avalia- ções e apresentações das condições da universidade. Temas como orçamento universitário, condições de trabalho, restaurante universitário, plano de cargos e vencimentos, democracia na universidade e a pauta específica de reivindicações foram apresentados. O deputado André do PV, líder do governo, sugeriu uma emenda par- lamentar para destinar verba para a construção do restaurante universi- tário. Marcelo Freixo (PSOL) disse que não concordava com a proposta, pois a verba deveria ser destinada pelo governo do Estado. não têm representação. O Sintuperj apresentou a pauta de reivindicação dos trabalhadores e cobrou uma reunião das entidades Não há nenhum setor na universi- dade que trate da saúde do trabalha- dor. Se um trabalhador se acidenta não há serviço de emergência. Nem mesmo água potável é encontrada em muitos locais. AcervoSintuperj Acervo Sintuperj Sindicato coversa com trabalhadores Diretor do Sintuperj fala durante a audiência representativas dos segmentos uni- versitários com o Secretario de Ciên- cia e Tecnologia, Alexandre Cardoso sobre a Uenf. Democracia Durante a audiência, o Sintuperj cobrou ampliação da democracia nos espaços de decisão da Uenf. Atualmente, os votos de alunos e servidores técnico-administrativos representam apenas 30% na escolha de reitor. Na Uerj, o voto é paritário. Há casos em que a representação de funcionários e alunos em órgãos colegiados não respeita os limites mínimos estabelecidos pela LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Edu- cação. Há ainda órgãos colegiados da Uenf em que servidores e alunos Risco de acidentes Acervo Sintuperj Almoço em local inadequado Cobrança O Sintuperj vai cobrar da reitoria da Uenf as soluções para os pro- blemas, principalmente a necessi- dade da criação de uma divisão de saúde e segurança do trabalhador, de equipamentos de primeiros so- corros, além de locais adequados para a alimentação. Para prestar bons serviços, os trabalhadores têm que ter salários dignos e condições de sergurança. AcervoSintuperj
  • 6.
    6 Sindicato cobra melhoriaspara a Faculdade de Odontologia O Sintuperj recebeu um abaixo- assinado denunciado as más condições da Faculdade, que sofre com infiltrações, goteiras em cima das mesas, acúmulo de água no teto, que pode ceder a qualquer momento. Com a falta do muro de contenção na área do estacio- namento, um carro acabou caindo e atingiu o pavilhão Mário Franco Barroso e danificou laboratórios de pesquisas. Recentemente houve um caso em que o segurança tentava explicar para um cidadão que ele não pode- ria deixar o carro ali e acabou agre- dido. Isso aconteceu porque não há Muito diferente, a reitoria divulgou no boletim Uerj em Dia que a fa- culdade inaugurou a Clínica de Odontologia Prof. Hilton Souchois de Albuquerque Mello. Diz que o espaço foi montado com o que há de mais moderno em equipamen- tos. Esse tratamento deveria ser estendido para todos os setores da faculdade. Não é isso o que se vê. Desde 2005, a Faculdade vem cobrando a reitoria uma solução para os problemas, mas há um ver- Ausência de muro ocasiona queda de carro no Pavilhão Mário Franco Barroso Divulgação guarita, nem cancela na entrada do estacionamento. e à prefeitura dos campi cobrando uma solução para o caso. dadeiro descaso da universidade. O Sindicato enviou ofício à reitoria Clínica Reuniões Setoriais O Sintuperj está realizando reu- niões nos setores para conversar com os trabalhadores sobre seus direitos, suas reivindicações, condições de trabalho e sobre a campanha salarial deste ano. Ligue para o Sindicato e agende uma reunião no seu setor pelo tele- fone 2587-7126, 2234-1342 e pelo e-mail: sintuperj@sintuperj.org.br Jurídico O atendimento jurídico aos as- sociados do Sintuperj é feito da seguinte forma. Segunda-feira, das 13h30 às 17h, para tratar de causas cíveis em geral. Terça-feira, das 14h às 18h, para tratar de causas administrativas indi- viduais e causas trabalhistas. Quinta-feira, das 09h às 12h30, para tratar de causas de família. Sexta-feira, das 10h às 13h30, o plantão trata de causas trabalhistas coletivas e causas cíveis em geral. O associado deve sempre fazer o agendamento antecipado, preen- chendo ficha de atendimento na secretaria do Sindicato. Nos casos de competência dos Juizados Especiais, o sindicalizado receberá orientação e será encaminhado para o primeiro atendimento dos Juizados onde rece- berá assistência jurídica. Gratificações A bancada dos representantes técnico-administrativos no Con- sun conseguiu uma importante vitória. O valor da contribuição do Rio Previdência que incidia sobre as gratificações não pode mais ser cobrado, já na folha de pagamento de maio, paga em junho. Torneio de Futebol Em Julho, o Sintuperj realiza seu I Torneio de Inverno de Futebol. As inscrições das equipes podem ser feitas na Sede do Sindicato até o dia 21 de junho. No dia 25 será realizada reunião com repre- sentantes das equipes para definir as chaves do torneio. Os jogos estão marcados para o dia 7 de julho.representantes das equipes para definir as chaves do torneio. Os jogos estão marcados para o dia 7 de julho. Eleições Asduerj A Assembléia Docente realizada no dia 23/05 definiu as datas do processo eleitoral para a diretoria da Asduerj biênio 2007/2009. A inscrição de chapas ocorrerá entre os dias 30 de julho e 03 de agosto e os docentes poderão votar nos dias 18, 19 e 20 de setembro. Vida de Helenira Resende vira livro A editora Expressão Popular lan- çou novos títulos da sua coleção Viva o povo brasileiro. Entre as obras recém-lançadas se encontra a biografia da guerrilheira comu- nista Helenira Resende. Ela era vice-presidente da UNE, presa em Ibiúna, enfrentou cara a cara o temido delegado Fleury. Após o AI-5 se deslocou para a região do Araguaia. Foi assassinada por tropas do Exército em setembro de 1972 e seu nome batizou um dos destacamentos da guerrilha. O autor da biografia é o jovem jornalista Bruno Ribeiro, ex-diri- gente da UJS. O objetivo do projeto da editora é divulgar a vida e o pensamento daqueles homens e mulheres que lutaram por um Brasil mais justo e igualitário para o seu povo. For- mato de livro de bolso, de fácil leitura e com preços bastante populares a coleção é destinada aos estudantes e trabalhadores. 5º Congresso do MST Entre os dias 11 e 15 de junho acontecerá o 5º congresso do MST. Sob o lema “Reforma Agrária: por Justiça Social e So- berania popular”, mais de 17 mil delegados de assentamentos e acampamentos de 24 estados se reúnem em Brasília. Os trabalhadores rurais ficarão acampados durante cinco dias em torno do ginásio Nilson Nelson onde acontecerão os debates sobre o atual estágio da questão agrária, o papel do Estado, sobre o go- verno Lula e a conjuntura política internacional. Violência urbana em cena na UERJ A violência urbana chegou aos palcos da UERJ. Calma, não se trata de nenhum conflito estudan- til. É a peça Teatro do Medo – O Protesto em cartaz no Teatro Noel Rosa, de 1º a 28 de junho. O espe- táculo aborda a violência em to- das as suas formas, seja através do racismo e das drogas, ou praticada contra crianças, adolescentes, jo- vens, idosos e mulheres. Com duração de 1h e 10 minu- tos, a peça é encenada por sete atores que procuram interagir com o público, a partir do re- lato de situações de violências vivenciadas no cotidiano das grandes cidades, lares, escolas e trabalho. O espetáculo utiliza uma linguagem que aproxima mais as pessoas do tema
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    7 Hospital dos Servidoresdo Estado sofre com má administração Governador Sérgio Cabral não cumpre promessas e Iaserj tem setores desativados O Instituto de Assistência dos Ser- vidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj) já foi considerado um hos- pital de referência latino americano. Ele foi construído com recursos dos servidores públicos estaduais. Hoje, a sociedade corre o risco de perder esse patrimônio. O Instituto, há vários anos, está sofrendo com a má administração do patrimônio pú- blico. Recentemente, o Iaserj teve vários setores desativados. No dia 17 de maio, o Governador do Estado fez uma declaração confir- mando a intenção de ceder parte do instituto ao Inca. Servidores temem ainda a possibilidade do instituto ser transformado em fundação de direito privado. “Desde janeiro, estamos sendo surpreendidos com os pronun- ciamentos do governador. Nós acreditamos e confiamos que ele estaria de fato reerguendo o ins- tituto. Essa foi uma promessa de campanha”, protesta Mariléa Ormond, presidente da Associa- ção dos funcionários do Iaserj (Afiaserj). De fato, os compromissos de cam- panha de Sérgio Cabral não estão sendo cumpridos. Maternidade, pe- diatria e centro cirúrgico foram fecha- dos logo no início da atual gestão. Uma outra deficiência do instituto é a falta de profissionais. Há vários anos não é feito concurso. Grande parte da mão-de-obra é terceirizada. Não existe número suficiente de profissionais para o perfeito funcio- namento do hospital. federações, confederações e clubes de servidores públicos são realiza- das no Iaserj. O objetivo é traçar uma linha de negociação com o governador. Aposentados, médi- cos e outros funcionários estão se reunindo e se mobilizando. No último dia 16 vários sindicatos foram recebidos pelo presidente da Alerj, o deputado Jorge Picciani. A mobilização já surtiu algum resultado. O quarto andar foi hi- gienizado, o centro obstétrico está passando por limpeza e no Raio X, quatro aparelhos já estão funcio- nando. As internações voltaram a acontecer. Mas no dia em que o Sintuperj esteve no instituto os ele- vadores estavam parados. Pessoas tinham que subir até oito andares por escadas. Apesar de todos os problemas, a presidente da Afiaserj diz que con- Palestra no auditório Ney Palmeiro Divulgação Com fundações, governo não se responsabilizará pela saúde Há dois ataques sendo preparados contra a saúde pública. Um vem do governo federal, com a proposta de criação de fundações de direito privado para os hospitais univer- sitários. Outra, parecida com a primeira, vem do governo do Rio de Janeiro e cria fundações para a área da saúde como um todo. As duas apontam para a privatização no atendimento e fim da estabilidade no serviço público. Um desastre. No dia 15/5, o Sintuperj promoveu palestra no auditório Ney Palmeiro para tratar desse assunto. Foram convidadas Maria Inês Souza Bravo, professora da Uerj e Vera Lúcia da Silva Miranda, da coordenação das universidades estaduais da Fasubra. Nesse encontro, os servidores da Uerj puderam tirar suas dúvidas so- bre o tema, que ainda merece muita divulgação. Alguns princípios dão sustentação para a proposta de Lula e de Cabral. Princípios que desres- peitam a constituição e o Sistema Único de Saúde (SUS). Há alguns modelos de fundação. Um deles defende a criação da chamada Organização Social, que cria uma instituição pública não-estatal, com ampla autonomia administra- tiva. Outro modelo são as fundações privadas de apoio, que nascem com o objetivo de captar recursos, também com autonomia no gerenciamento. Outra proposta é a terceirização da gerência de hospitais públicos. Com isso, o Estado deixa sua fun- ção de prestador e administrador, acreditando na superioridade da gerência privada. Há quem defenda também a tercei- rização de serviços especializados em hospitais públicos. Novamente, o governo não se responsabiliza por esses serviços e a população terá de pagar por eles. Contratação Todas as propostas consideram os trabalhadores contratados pela CLT, sem estabilidade no emprego. Como forma de ganhar a opinião dos tra- Servidores se mobilizam Todas as quartas-feiras uma as- sembléia composta por várias entidades sindicais, associações, tinua tendo esperanças com relação ao governo de Sérgio Cabral. “Nós vamos vigiá-lo 24 horas” completa Mariléa Ormond. Iaserj: mais verbas balhadores são oferecidos incentivos financeiros aos profissionais. Em troca de uma remuneração suposta- mente melhor está a cobrança por produtividade. Além disso, a apo- sentadoria seguirá as regras do INSS. Não haverá ainda o Plano de Carreira conquistado com muita luta. Acervo Sintuperj O Sintuperj defende o Sistema Único de Saúde (SUS) que garante atendimento universal. Todos têm direito à saúde pública e gratuita. Outro direito conquistado é o re- gime estatutário que dá mais segu- rança ao trabalhador e para a popu- lação que precisa de seus serviços.
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    8 “O que opaciente quer do enfermeiro é um atendimento humanizado” Entre os dias 12 e 20 de Maio foi celebrada a Semana da Enferma- gem. Para falar sobre essa profissão tão importante para a sociedade fomos conversar com Maurílio Pereira Nunes, que há 25 anos trab- alha no Hupe. Esta conversa revela um enfermeiro extremamente dedi- cado à profissão a humanização no tratamento. Lucidez e sensibilidade são qualidades deste servidor que defende o concurso público e se mostra contrário às fundações. Qual foi o seu primeiro emprego como enfermeiro? Me formei na Uerj em 1973 e fui trabalhar no hospital do Andaraí. Cuidava de queimados. Estudei muito sobre queimados. Fui até a Argentina, estudando a situação. Passei 40 dias no Hospital Munici- pal de Buenos Aires. Fui a Fortale- za, Goiás, São Paulo. Onde existia centro de queimados eu estudei. Como o senhor veio trabalhar no Hospital Pedro Ernesto? Fiz o concurso para o hospital Pe- dro Ernesto, em 1981. Sempre tive o sonho de trabalhar no Hupe. De- pois que eu entrei no hospital, trab- alhei um ano no Centro Cirúrgico e depois na clínica médica. Descobri que os pacientes de clínica médica são aqueles que mais precisam de cuidados. Precisam de medica- mento, banho, higiene, condições humanizadas, dignidade. Eu desco- bri isso na clínica médica. O senhor gostou de trabalhar na clínica médica? Quando passei para o Pedro Er- nesto, que me colocaram na clínica médica, cheguei e vi que cada paciente tinha um diagnóstico. Fiquei assustado. Mas isso me motivou. Foi um desafio para mim. Estudei muito sobre enfermagem em clínica médica. Estudei muito. O senhor estudou de que maneira? Depois de uma certa idade resolvi fazer mestrado na área de clínica médica. Queria saber qual conforto o enfermeiro podia gerar ao cuidar do paciente. O que paciente via nisso. Tenho uma ligação muito profunda com a clínica médica. Achei que, como enfermeiro, poderia estimular a administração a investir nessa área. Porque ela tem uma importân- cia muito grande para a pesquisa. A residência de todas as especialidades tem seu conhecimento formado na clínica médica. É onde os futuros médicos estudam as doenças; onde eles dão o diagnóstico. E o senhor concluiu o mestrado? Fiz o mestrado pela UFRJ. Terminei em 2000. As respostas à minha per- gunta saíram exatamente como eu não esperava. Focalizei no curativo. O que passa um enfermeiro quando faz um curativo? Pensei que os en- trevistados diriam que seria a po- mada, a atadura. Mas disseram que tratamento é quando o enfermeiro cumprimenta, quando diz a ele como está o curativo, como toca nele. O que o paciente quer do enfermeiro é um aten- dimento humanizado; o escute. Descobri que a recuperação se dá quando acontecem duas coisas importantes: o alívio e o equilíbrio. Se o doente estiver inqui- eto, a recuperação é dificultada. Se estiver sentindo dor não há uma cura plena. Você tem alguma história interes- sante com seus pacientes? Durante a pesquisa, fui entrevistar uma paciente que se recusou a falar comigo. Várias vezes eu fui tentar fa- lar com ela, mas ela não queria. Eu ia exatamente depois do banho quando ela estava em uma cadeira. Um dia alguém cismou de colocá-la na cama. E ela começou a falar comigo. Fiquei descon- fiado e fui me sentar na cadeira, a cadeira era horrível. Descobri que quando a gente for fazer as coisas para o doente tem que perguntar se está bem ali. A melhor pessoa para dizer como está é o próprio doente. Então isso mudou sua conduta? Ah, eu fiz uma série de coisas. Permiti na enfermaria que as mulheres pin- tassem o cabelo. Consegui uma pes- soa para fazer as unhas dos doentes. Comecei a fazer reuniões com eles para conversar sobre comida, e outras coisas. Comecei a despertar neles muitas coisas para que não fixassem na doença. O paciente quer mais alegria, quer mais informação, quer carinho. Nós, enfermeiros, estamos ali substituindo a família. O senhor é reconhecido pelo seu trabalho? O trabalho na enferma- gem é reconhecido pela sociedade? Não na mídia. Mas ela tem uma importância muito grande para a sociedade. O que eu faço com o paciente não pode ir para a mídia. Não posso dar carinho ao doente e colocar na mídia.E nem nós temos como mostrar. Pois no dia em que mostramos como estamos fazendo vamos ao nosso paciente. Comparando o hospital Pedro Ernesto de 25 anos com o hospi- tal de hoje, ele continua dando as mesmas condições? Não. Ele avançou tecnologicamente. Mas na humanização diminuiu. A humanização começa na porta do hospital. E não depende só de um profissional. Depende de um con- texto todo. Precisa de conscientiza- ção do diretor ao servente. E nunca houve um trabalho sobre isso. Como o senhor avalia essas pro- postas de criação de fundações nas universidades? Propostas que põem fim à estabilidade? Esses contratos são um retrocesso para a assistência. Para ser um bom profissional, para dar boa assistên- cia ao usuário, o servidor precisa ter estabilidade. Há tam- bém uma discriminação muito grande no sa- lário. Enquanto um está ganhando R$1500,00 outro está ganhando R$ 500,00 fazendo a mesma carga horária. Dando o mesmo cuidado. Não posso ir a um hospital e quem me atende dizer que talvez amanhã não esteja ali. O governo faz um grande mal à saúde quando cria esse tipo de instrumento. O senhor quer deixar um recado? Sonho muito que a Uerj melhore seu relacionamento com o governo. Que tenha uma ligação estreita com o governador, que ele passe as verbas como estão nos documentos. Que não haja nenhum desperdício das verbas, e que as instituições sejam valoriza- das. Que o hospital, que é um dos esteios da Uerj, receba investimen- tos. Quero muito que acabem com esses contratos. Um auxiliar deveria ganhar R$ 1700,00 está ganhando R$ 600,00. Isso é uma tristeza. Não tem direito a 13º, não tem direito a férias, à nada. Isso não faz mal para mim que sou funcionário, mas faz mal para o doente. Maurílio Nunes Pereira Acervo Sintuperj “Tratamento é quando o en- fermeiro cum- primenta, quan- do diz a ele como está o curativo, como toca nele”. “Descobri que quando a gente for fazer as cois- as para o doente tem que pergun- tar se está bem ali. A melhor pes- soa para dizer como está é o próprio doente”.