Trabalho elaborado por Luís Cavaco a partir da obra
“TORRES NOVAS NOS FINAIS DO SÉC XIX – subsídios históricos”
de ANTÓNIO MÁRIO LOPES DOS SANTOS
A Imprensa
Regional no
Concelho de
Torres Novas
1853 - 1926
Vinte e sete jornais em quase século e meio, demonstram uma dinâmica
sócio-cultural que, desde meados do século XIX, dava à então vila de
Torres Novas e ao Concelho uma vitalidade e um espírito de constante
mudança, pouco comum na maioria das suas congéneres portuguesas.
A maioria do povo é analfabeto, mas o Jornal lê-se alto nos cafés, nas
tabernas, na roda dos amigos, nos clubes burgueses, nas associações de
classe.
1º Período – 1853 a 1890
2º Período – 1890 a 1910
3º Período – 1910 a 1926
4º Período – 1926 a 1934
IMPRENSA REGIONAL
CONCELHIA
1º Período – 1853 a 1890
Caracterizado nos cabeçalhos dos órgãos
de informação por Semanários de
Instrução e Recreio, enraizados no
liberalismo setembrista e cartista, reflexo
da difusão do Romantismo Português,
onde o artigo de entretenimento, o
conto moral, a poesia, as memórias de
viagem, o folhetim, consubstanciam a
grande maioria dos temas divulgados.
IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
dirigido por José António da Silva
Júnior
publicados sete números, de dimensão
variável, de 27 de Fevereiro de 1853 a
10 de Abril do mesmo ano
o periódico, apostando na
reconciliação da sociedade burguesa
da vila, intenta ser um paladino
defensor dos ideais de liberdade,
justiça social, dos valores da educação,
do papel da mulher e da cultura
romântica
não se conhecem as razões de tão
efémera existência, mas nem lhe
devem ser alheios o esforço do
trabalho manuscrito que cada número
representava
A 12 de Janeiro de 1868, surge o
"Ecco Torrejano", o primeiro jornal
impresso publicado em Torres
Novas, na Tipografia Torrejana, de
José Guilherme de Faria e Silva.
António Xavier Rodrigues Cordeiro
escrevia, no seu primeiro número:
“…o nosso fim, é proporcionar aos
nossos leitores alguns momentos de
distracção útil e agradável, incitando
o povo à prática d'acções
cavalheirosas, à instrução, ao amor
da religião e da pátria, ao estímulo
pelo trabalho, à amizade da família,
e ao progresso da terra natal.”
A 9 de Outubro de 1884 sai o primeiro
número deste periódico. Publicava-o
José Guilherme de Faria, com tipografia
na Rua da Levada.
o seu último número, o 1.569, sairá a
16 de Maio de 1915 (30 anos)
a introdução de novas técnicas
tipográficas, a impressão a quatro
páginas e estas a três colunas, a
introdução dos folhetins, integrando-se
no que José Tengarrinha classificou
da terceira época jornalística
A 24 de Novembro de 1899 surge
"O Imparcial" que, no fim do
primeiro ano editorial, muda o
nome para "O Realista",
precisamente a 25-11-1900,
mantendo, contudo, a mesma
estrutura e redacção.
Tendo como redactor principal
Manuel da Silva Bruschy,
secretariado por João Amado de
Meio, propriedade de Salies Velez
e editado por Manuel Gaspar
Lopes, era composto na Minerva
Comercial, na Rua da Levada, do já
referido proprietário do
semanário.
publicaram 91 números, o último a
14 de julho de 1901.
O Realista", a 25-11-1900,
Tendo como redactor principal
Manuel da Silva Bruschy,
secretariado por João Amado de
Meio, propriedade de Salies Velez e
editado por Manuel Gaspar Lopes,
era composto na Minerva Comercial,
na Rua da Levada
IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
2º Período – 1890 a 1910
1ª Fase – 1890 a 1906
Primeiro choque entre ideias monárquicas
e socialistas e republicanos
2ª Fase – 1907 a 1910
Agudiza-se a luta política, demarcando-se
a influência republicana e o antijesuitismo
Sai o seu primeiro número a 9 de
Fevereiro de 1890, impresso na
Tipografia Serpa Pinto, sediada na Rua
da Esperança. Era seu redactor
principal e proprietário o professor
Joseph Brandão e administrador o
director do Correio, Alfredo Duque
Mata.
Os seus objectivos estão contidos no
editorial do primeiro, não sabemos se
único número. O título, vão buscá-lo à
figura do explorador português e não
lhe é estranha, igualmente, a
deliberação camarária de 23 de Janeiro,
de dar o nome de Serpa Pinto à Rua de
Entre Praças .
Como não é, em simultâneo,
indiferente o seu aparecimento como
resposta ao Ultimato Inglês, que criou
na localidade uma "indiscritível
indignação".
Publicaram-se 40 números deste
semanário, impresso na Tipografia
Industrial, de 20 de Julho de 1893 a
29 de Abril de 1894. Jornal de perfil
regenerador liberal, tinha como
redactor principal o alfaiate João
Maria Lúcio Serra, sendo ainda
colaboradores Pedro Maria Dantas
Pereira, o notário Luiz Mendes
Franco, o Dr. António Pinto de
Magalhães e Almeida e o futuro
engenheiro civil Artur Henriques de
Sousa Bual.
continua a ser imprimido na Rua
da Levada, n.°5 47 e 48, sede da
Tipografia Torrejana da viúva Faria
tem como seu editor o sapateiro
Domingos José Lucas, e
administrador e proprietário
Fernandes de Vasconcelos, dono
da referida tipografia
entre inúmera colaboração,
observa-se uma vertente socialista,
onde se vão distinguir os
professores do ensino primário
Maria Rosa de Oliveira, de Argea, e
José Maria Rodrigues Valente
surgem, igualmente, as ideias
republicanas e antijesuitas
saído a 15 de Novembro de 1907,
sexta-feira, é o primeiro periódico a
aparecer à venda, avulso, ao preço de
20 réis
a sua existência prolonga-se até 3 de
Março de 1909, com a saída do 46º
Número
era seu director e proprietário o
comerciante e industrial José Manuel
Ferreira, a redacção e administração
situava-se na Rua Direita, em Torres
Novas
a sua impressão era feita em Lisboa
defendia, como objectivo fundamental,
os interesses económicos do concelho
Jornal regenerador,
publicado em 1904, teve
como director Salles Vellez,
proprietário e administrador
do jornal, composto na
Minerva Comercial
Do jornal pouco se sabe, só
existindo um exemplar do 2º
ano de vida, o nº 64, de 8 de
Outubro de 1905
O desenvolvimento industrial da
freguesia de Alcanena conduz ao
aparecimento, na sua sede, a 22 de Abril
de 1906, dum semanário rotulado de
imparcial, mas na prática defensor dos
princípios liberais e democráticos,
essencialmente republicanos e
prenunciando já as tendências
separatistas que levarão à formação do
novo concelho, poucos anos após a
implantação da República
publicou-se a sua primeira série até 13
de Fevereiro de 1908, altura em que foi
suspenso pelas autoridades
era seu director o Dr. Joaquim da Silveira,
administrador José Estêvão Queirós,
proprietário João dos Santos Lindim e
editor responsável Manuel Marques
Moreno
publicava-se aos domingos.
informa Artur Gonçalves que
este semanário publicou o seu
número um a 6 de Fevereiro de
1907, sendo o seu director e
proprietário o regenerador
liberal Luís Mendes Franco,
tendo terminado em Abril de
1908
publicaram-se deste quinzenário 48
números, de 1/1/1908 a 16/12/1909
era seu director Manuel Simões
Serôdio
a redacção ficava no Largo da Igreja,
em Riachos, sendo composto na
Imprensa Lucas, à Rua do Diário de
Notícias, em Lisboa
os seus redactores destacam-se TelIes
da Silva e Vasco Ferreira
periódico bairrista, tem como vector
fundamental a criação da futura
freguesia de Riachos
semanário retintamente republicano
sai o primeiro número a 5 de Abril de 1908
publicam-se 17 números, saindo o último
a 17 de Outubro do mesmo ano
era seu director Arnaldo de Carvalho e
proprietário e administrador José Vassalo
jornal extremamente combativo, expressa
nas suas páginas todo o ideário da
mentalidade republicana
o desaparecimento da "Era Nova" vai
permitir a republicanização de "O Jornal
Torrejano", para onde se muda Arnaldo de
Carvalho, o seu propagandista mais
influente nesta época
publicaram-se trinta números, de 27
de Janeiro de 1910 a 25 de
Setembro do mesmo ano
foi seu proprietário e director o Dr.
José Luís dos Santos Moita e
administrador o Dr. José Maria
Dantas de Sousa Baracho Júnior,
respectivamente presidente e
secretário da Comissão Municipal
Republicana
a redacção e administração do
semanário ficava no Centro
Republicano, então na Travessa do
Cotrim
a sua composição e impressão
realizavam-se na Minerva Comercial,
sita na Rua da Levada
IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
3º Período – 1910 a 1926
1ª Fase
inicia-se com o novo regime e decorre até à eclosão da
Primeira Guerra Mundial
2ª Fase
A Segunda Fase do Período Republicano perdurará até
à ditadura de Sidónio Pais, em Dezembro de 1917
3ª Fase
A Terceira Fase do Terceiro Período da Imprensa
Regional Concelhia inicia-se a 24 de Novembro
de 1918
IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
3º Período – 1910 a 1926
1ª Fase
caracteriza-se pela visão da luta partidária, entre os
democráticos, evolucionistas e camachistas, nas
tentativas monárquicas e católicas, da cisão entre o
operariado e a República, do antijesuitismo e
anticleriacalismo furibundos
é, até ao seu último número, publicado
a 16 de Maio de 1915, com o n.° 1.569,
o grande jornal de Torres Novas,
permitindo analisar-lhe, semana a
semana, a vida latente e tumultuosa
desses primeiros anos revolucionários,
conturbados pelas paixãos e lutas de
classe. Interessante verificar-se, como
este jornal, da implantação da
República até à sua morte, foi
republicano e socialista, socialista
revolucionário e, na sua última fase,
monárquico e católico. Daí as razões da
sua destruição, por elementos da
«formiga branca», que após a derrota
de Pimeríta de Castro, cujo governo
tomba a 15 de Maio por um golpe
revolucionário, assaltam a tipografia e
lançam os prelos ao Rio Almonda.
composto e impresso na Minerva
Comercial, sai a lume o primeiro jornal
de características operárias. Sendo o seu
director o estudante universitário Rui de
Bivar Pinto Lopes, editor Eduardo
Marfins e administrador o alfaiate José S.
dos Reis Oliveira
a sua duração é curta, seis número
apenas, o primeiro saído em Março de
1911, o último publicado a 21 de Maio
do mesmo ano
surge, a 5 de Janeiro de 1912, "O
Futuro d'Alcanena", jornal
republicano independente
«folha noticiosa, literária,
científica
e vulgarizadora de conhecimentos
úteis», que se publicaria nos dias
5, 15 e 25 de cada mês
era seu redactor principal
Leopoldo Mera, secretário de
redacção e editor, José Ferreira
Goucha
Com a constituição da empresa
Sales Velez, Rodrigues e C.', o
cinema Virgínia, sito no Largo do
Paço, sofre adaptações, sendo
inaugurado a 6 de Março de 1913,
como cinematógrafo
com o objectivo de divulgação dessa
actividade cinematográfica, surge "O
Fóco", do qual se publicarão 104
números, de 13 de Outubro de 1913
a 11 de Dezembro de 1915
propriedade da empresa Sales Velês,
Rodrigues e C.ª, era composto e
impresso na Tipografia Nunes e
Rodrigues, sendo a sua redacção e
administração no Largo do Paço. Era
seu director José Baptista de Sales
Velês e editor António Gonçalves
Rodrigues.
semanário ilustrado e noticioso, que se
publicava às quintas-feiras
impresso na Minerva Comercial, e do
qual se publicaram 13 números, com
início a 2 de Abril de 1914, concluindo a
sua existência a 30 de Junho do mesmo
Ano
era seu director António Bernardo dos
Santos, editor o fotógrafo João Silva e
proprietário Salustiano S. Gomes
tornam-se interessantes neste jornal a
publicação de fotografias sobre Torres
Novas
IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
3º Período – 1910 a 1926
2ª Fase do Período Republicano
A Segunda Fase do Período Republicano perdurará até
à ditadura de Sidónio Pais, em Dezembro de 1917
Com o seu aparecimento, a 26 de
Dezembro de 1915, "O Torrejano" vai
transformar-se no único órgão de
informação concelhio durante mais de
dois anos, até à sua suspensão, ao n.°
104, de 10 de Fevereiro de 1918, por
ordem do Governador Civil de Santarém.
Semanário republicano, defensor dos
interesses da região, tinha como seu
director e proprietário Artur Gonçalves, e
editor, seu filho, Artur Virgílio Arez de
Vasconcelos.
“O Torrejano" será um jornal republicano,
sem política acentuadamente
partidarista, destinado à defesa dos
interesses da República e da Pátria
Portuguesa em geral e especificamente
do concelho de Torres Novas
"O Torrejano" termina suspenso, a 10 de
Fevereiro de 1918
IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
3º Período – 1910 a 1926
3ª Fase
A Terceira Fase do Terceiro Período da
Imprensa Regional Concelhia inicia-se a 24 de
Novembro de 1918, com a publicação do
semanário noticioso e literário "O Almonda"
Com redacção e administração na Rua
Queiroz e composição e impressão na Praça
5 de Outubro, apresentava no seu primeiro
número os seguintes elementos directivos:
Redactor principal, Pedro Augusto Martins;
Director, António da Cunha Ferreira;
Administrador, José Antunes da Silva
Júnior; Editor, Alexandre Queiroz Alva;
Secretário de direcção, Joaquim Vassalo
Mendes
semanário noticioso e literário "O
Almonda", (24 de Novembro de 1918)
propriedade da empresa do mesmo nome
nos últimos anos da Primeira República,
Torres Novas possui um semanário.
Contudo, também pela primeira vez, esse
semanário não irá demonstrar grande
afeição à República Portuguesa
O Resgate, mensário defensor
dos oprimi-dos e da
propaganda libertária, surge em
Tor-res Novas, em Março de
1926. No seu número um ficase
a saber que é propriedade
do Grupo Editor de O Resgate,
tendo como redactor principal
Faustino Bretes e editor
Francisco da Silva Nuno.
A redacção e administração
sediavam-no em Torres Novas,
ainda que fosse composto e
impresso na Casa do Povo,
Covilhã.
Foram publicados 20 números,
saindo o último a 16 de
Fevereiro de 1927m, tendo sido
suspenso pelas autoridades
militares.
IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
4º Período – 1926 a 1934
Do Golpe Militar de 28 de Maio de 1926 até ao
Estado Novo
A 19 de Fevereiro de 1928 sai a
público, na vila de Torres Novas, o
quinzenário Alma Torrejana.
Aparece como seu director, editor e
proprietário, Faustino Bretes.
A redacção e a administração
encontrava-se em Torres Novas
O jornal era composto e impresso
na Tipografia Silva & Capeleiro,
Lda., em Albergaria-a-Velha.
Publicaram-se apenas dois
números, o último a 5 de Março do
mesmo ano, sendo proibido pelo
governo da ditadura
tem como seu director Ernesto Arruda
e editor José dos Santos Ruivo, a
partir do nº 7, de 4 de Agosto,
substituído este último por António
Borga.
A redacção e administração situava-se
na então rua Mousinho de
Albuquerque, actualmente General
Vasconcelos Correia. Passou, depois,
para a Avenida Carlos Reis, actual Rua
Gil Pais.
Era propriedade da empresa «A
Renascença». Publicação semanal.
Inicialmente, impressa na Impressora
Libânio da Silva, na travessa do Fala-
Só, em Lisboa; a partir do nº18, na
tipografia Silva, de Albergaria-a -
Velha.
Publicaram-se 63 números, de 23 de
Junho de 1929 a 15 de Maio de 1932
Surgido a 9 de Março de 1930, A
Mocidade pretende ser a voz dos
jovens republicanos, que tencionam
intervir na vida política do seu tempo,
mas com as suas próprias regras e não
com as que vieram dum passado
bastante problemático e intranquilo.
Aparece como semanário da Liga da
Mocidade Portuguesa, sendo seu
director José Marques, advogado e
editor António Júlio Vassalo.
A redacção e administração situa-se
no Largo do Centro 5 de Outubro.
É composto e impresso na Tipografia
Moderna, de Tomar.
Dele se publicam 16 números, entre 9
de Março e 22 de Junho.
Trabalho elaborado por Luís Cavaco a partir da obra
“TORRES NOVAS NOS FINAIS DO SÉC XIX –
subsídios históricos”
de ANTÓNIO MÁRIO LOPES DOS SANTOS
A Imprensa
Regional no
Concelho de
Torres Novas
1853 - 1926

Imprensa Regional - Torres Novas

  • 1.
    Trabalho elaborado porLuís Cavaco a partir da obra “TORRES NOVAS NOS FINAIS DO SÉC XIX – subsídios históricos” de ANTÓNIO MÁRIO LOPES DOS SANTOS A Imprensa Regional no Concelho de Torres Novas 1853 - 1926
  • 2.
    Vinte e setejornais em quase século e meio, demonstram uma dinâmica sócio-cultural que, desde meados do século XIX, dava à então vila de Torres Novas e ao Concelho uma vitalidade e um espírito de constante mudança, pouco comum na maioria das suas congéneres portuguesas.
  • 3.
    A maioria dopovo é analfabeto, mas o Jornal lê-se alto nos cafés, nas tabernas, na roda dos amigos, nos clubes burgueses, nas associações de classe.
  • 4.
    1º Período –1853 a 1890 2º Período – 1890 a 1910 3º Período – 1910 a 1926 4º Período – 1926 a 1934 IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
  • 5.
    1º Período –1853 a 1890 Caracterizado nos cabeçalhos dos órgãos de informação por Semanários de Instrução e Recreio, enraizados no liberalismo setembrista e cartista, reflexo da difusão do Romantismo Português, onde o artigo de entretenimento, o conto moral, a poesia, as memórias de viagem, o folhetim, consubstanciam a grande maioria dos temas divulgados. IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA
  • 6.
    dirigido por JoséAntónio da Silva Júnior publicados sete números, de dimensão variável, de 27 de Fevereiro de 1853 a 10 de Abril do mesmo ano o periódico, apostando na reconciliação da sociedade burguesa da vila, intenta ser um paladino defensor dos ideais de liberdade, justiça social, dos valores da educação, do papel da mulher e da cultura romântica não se conhecem as razões de tão efémera existência, mas nem lhe devem ser alheios o esforço do trabalho manuscrito que cada número representava
  • 7.
    A 12 deJaneiro de 1868, surge o "Ecco Torrejano", o primeiro jornal impresso publicado em Torres Novas, na Tipografia Torrejana, de José Guilherme de Faria e Silva. António Xavier Rodrigues Cordeiro escrevia, no seu primeiro número: “…o nosso fim, é proporcionar aos nossos leitores alguns momentos de distracção útil e agradável, incitando o povo à prática d'acções cavalheirosas, à instrução, ao amor da religião e da pátria, ao estímulo pelo trabalho, à amizade da família, e ao progresso da terra natal.”
  • 8.
    A 9 deOutubro de 1884 sai o primeiro número deste periódico. Publicava-o José Guilherme de Faria, com tipografia na Rua da Levada. o seu último número, o 1.569, sairá a 16 de Maio de 1915 (30 anos) a introdução de novas técnicas tipográficas, a impressão a quatro páginas e estas a três colunas, a introdução dos folhetins, integrando-se no que José Tengarrinha classificou da terceira época jornalística
  • 9.
    A 24 deNovembro de 1899 surge "O Imparcial" que, no fim do primeiro ano editorial, muda o nome para "O Realista", precisamente a 25-11-1900, mantendo, contudo, a mesma estrutura e redacção. Tendo como redactor principal Manuel da Silva Bruschy, secretariado por João Amado de Meio, propriedade de Salies Velez e editado por Manuel Gaspar Lopes, era composto na Minerva Comercial, na Rua da Levada, do já referido proprietário do semanário. publicaram 91 números, o último a 14 de julho de 1901.
  • 10.
    O Realista", a25-11-1900, Tendo como redactor principal Manuel da Silva Bruschy, secretariado por João Amado de Meio, propriedade de Salies Velez e editado por Manuel Gaspar Lopes, era composto na Minerva Comercial, na Rua da Levada
  • 11.
    IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA 2ºPeríodo – 1890 a 1910 1ª Fase – 1890 a 1906 Primeiro choque entre ideias monárquicas e socialistas e republicanos 2ª Fase – 1907 a 1910 Agudiza-se a luta política, demarcando-se a influência republicana e o antijesuitismo
  • 12.
    Sai o seuprimeiro número a 9 de Fevereiro de 1890, impresso na Tipografia Serpa Pinto, sediada na Rua da Esperança. Era seu redactor principal e proprietário o professor Joseph Brandão e administrador o director do Correio, Alfredo Duque Mata. Os seus objectivos estão contidos no editorial do primeiro, não sabemos se único número. O título, vão buscá-lo à figura do explorador português e não lhe é estranha, igualmente, a deliberação camarária de 23 de Janeiro, de dar o nome de Serpa Pinto à Rua de Entre Praças . Como não é, em simultâneo, indiferente o seu aparecimento como resposta ao Ultimato Inglês, que criou na localidade uma "indiscritível indignação".
  • 13.
    Publicaram-se 40 númerosdeste semanário, impresso na Tipografia Industrial, de 20 de Julho de 1893 a 29 de Abril de 1894. Jornal de perfil regenerador liberal, tinha como redactor principal o alfaiate João Maria Lúcio Serra, sendo ainda colaboradores Pedro Maria Dantas Pereira, o notário Luiz Mendes Franco, o Dr. António Pinto de Magalhães e Almeida e o futuro engenheiro civil Artur Henriques de Sousa Bual.
  • 14.
    continua a serimprimido na Rua da Levada, n.°5 47 e 48, sede da Tipografia Torrejana da viúva Faria tem como seu editor o sapateiro Domingos José Lucas, e administrador e proprietário Fernandes de Vasconcelos, dono da referida tipografia entre inúmera colaboração, observa-se uma vertente socialista, onde se vão distinguir os professores do ensino primário Maria Rosa de Oliveira, de Argea, e José Maria Rodrigues Valente surgem, igualmente, as ideias republicanas e antijesuitas
  • 15.
    saído a 15de Novembro de 1907, sexta-feira, é o primeiro periódico a aparecer à venda, avulso, ao preço de 20 réis a sua existência prolonga-se até 3 de Março de 1909, com a saída do 46º Número era seu director e proprietário o comerciante e industrial José Manuel Ferreira, a redacção e administração situava-se na Rua Direita, em Torres Novas a sua impressão era feita em Lisboa defendia, como objectivo fundamental, os interesses económicos do concelho
  • 16.
    Jornal regenerador, publicado em1904, teve como director Salles Vellez, proprietário e administrador do jornal, composto na Minerva Comercial Do jornal pouco se sabe, só existindo um exemplar do 2º ano de vida, o nº 64, de 8 de Outubro de 1905
  • 17.
    O desenvolvimento industrialda freguesia de Alcanena conduz ao aparecimento, na sua sede, a 22 de Abril de 1906, dum semanário rotulado de imparcial, mas na prática defensor dos princípios liberais e democráticos, essencialmente republicanos e prenunciando já as tendências separatistas que levarão à formação do novo concelho, poucos anos após a implantação da República publicou-se a sua primeira série até 13 de Fevereiro de 1908, altura em que foi suspenso pelas autoridades era seu director o Dr. Joaquim da Silveira, administrador José Estêvão Queirós, proprietário João dos Santos Lindim e editor responsável Manuel Marques Moreno publicava-se aos domingos.
  • 18.
    informa Artur Gonçalvesque este semanário publicou o seu número um a 6 de Fevereiro de 1907, sendo o seu director e proprietário o regenerador liberal Luís Mendes Franco, tendo terminado em Abril de 1908
  • 19.
    publicaram-se deste quinzenário48 números, de 1/1/1908 a 16/12/1909 era seu director Manuel Simões Serôdio a redacção ficava no Largo da Igreja, em Riachos, sendo composto na Imprensa Lucas, à Rua do Diário de Notícias, em Lisboa os seus redactores destacam-se TelIes da Silva e Vasco Ferreira periódico bairrista, tem como vector fundamental a criação da futura freguesia de Riachos
  • 20.
    semanário retintamente republicano saio primeiro número a 5 de Abril de 1908 publicam-se 17 números, saindo o último a 17 de Outubro do mesmo ano era seu director Arnaldo de Carvalho e proprietário e administrador José Vassalo jornal extremamente combativo, expressa nas suas páginas todo o ideário da mentalidade republicana o desaparecimento da "Era Nova" vai permitir a republicanização de "O Jornal Torrejano", para onde se muda Arnaldo de Carvalho, o seu propagandista mais influente nesta época
  • 21.
    publicaram-se trinta números,de 27 de Janeiro de 1910 a 25 de Setembro do mesmo ano foi seu proprietário e director o Dr. José Luís dos Santos Moita e administrador o Dr. José Maria Dantas de Sousa Baracho Júnior, respectivamente presidente e secretário da Comissão Municipal Republicana a redacção e administração do semanário ficava no Centro Republicano, então na Travessa do Cotrim a sua composição e impressão realizavam-se na Minerva Comercial, sita na Rua da Levada
  • 22.
    IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA 3ºPeríodo – 1910 a 1926 1ª Fase inicia-se com o novo regime e decorre até à eclosão da Primeira Guerra Mundial 2ª Fase A Segunda Fase do Período Republicano perdurará até à ditadura de Sidónio Pais, em Dezembro de 1917 3ª Fase A Terceira Fase do Terceiro Período da Imprensa Regional Concelhia inicia-se a 24 de Novembro de 1918
  • 23.
    IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA 3ºPeríodo – 1910 a 1926 1ª Fase caracteriza-se pela visão da luta partidária, entre os democráticos, evolucionistas e camachistas, nas tentativas monárquicas e católicas, da cisão entre o operariado e a República, do antijesuitismo e anticleriacalismo furibundos
  • 24.
    é, até aoseu último número, publicado a 16 de Maio de 1915, com o n.° 1.569, o grande jornal de Torres Novas, permitindo analisar-lhe, semana a semana, a vida latente e tumultuosa desses primeiros anos revolucionários, conturbados pelas paixãos e lutas de classe. Interessante verificar-se, como este jornal, da implantação da República até à sua morte, foi republicano e socialista, socialista revolucionário e, na sua última fase, monárquico e católico. Daí as razões da sua destruição, por elementos da «formiga branca», que após a derrota de Pimeríta de Castro, cujo governo tomba a 15 de Maio por um golpe revolucionário, assaltam a tipografia e lançam os prelos ao Rio Almonda.
  • 25.
    composto e impressona Minerva Comercial, sai a lume o primeiro jornal de características operárias. Sendo o seu director o estudante universitário Rui de Bivar Pinto Lopes, editor Eduardo Marfins e administrador o alfaiate José S. dos Reis Oliveira a sua duração é curta, seis número apenas, o primeiro saído em Março de 1911, o último publicado a 21 de Maio do mesmo ano
  • 26.
    surge, a 5de Janeiro de 1912, "O Futuro d'Alcanena", jornal republicano independente «folha noticiosa, literária, científica e vulgarizadora de conhecimentos úteis», que se publicaria nos dias 5, 15 e 25 de cada mês era seu redactor principal Leopoldo Mera, secretário de redacção e editor, José Ferreira Goucha
  • 27.
    Com a constituiçãoda empresa Sales Velez, Rodrigues e C.', o cinema Virgínia, sito no Largo do Paço, sofre adaptações, sendo inaugurado a 6 de Março de 1913, como cinematógrafo com o objectivo de divulgação dessa actividade cinematográfica, surge "O Fóco", do qual se publicarão 104 números, de 13 de Outubro de 1913 a 11 de Dezembro de 1915 propriedade da empresa Sales Velês, Rodrigues e C.ª, era composto e impresso na Tipografia Nunes e Rodrigues, sendo a sua redacção e administração no Largo do Paço. Era seu director José Baptista de Sales Velês e editor António Gonçalves Rodrigues.
  • 28.
    semanário ilustrado enoticioso, que se publicava às quintas-feiras impresso na Minerva Comercial, e do qual se publicaram 13 números, com início a 2 de Abril de 1914, concluindo a sua existência a 30 de Junho do mesmo Ano era seu director António Bernardo dos Santos, editor o fotógrafo João Silva e proprietário Salustiano S. Gomes tornam-se interessantes neste jornal a publicação de fotografias sobre Torres Novas
  • 29.
    IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA 3ºPeríodo – 1910 a 1926 2ª Fase do Período Republicano A Segunda Fase do Período Republicano perdurará até à ditadura de Sidónio Pais, em Dezembro de 1917
  • 30.
    Com o seuaparecimento, a 26 de Dezembro de 1915, "O Torrejano" vai transformar-se no único órgão de informação concelhio durante mais de dois anos, até à sua suspensão, ao n.° 104, de 10 de Fevereiro de 1918, por ordem do Governador Civil de Santarém. Semanário republicano, defensor dos interesses da região, tinha como seu director e proprietário Artur Gonçalves, e editor, seu filho, Artur Virgílio Arez de Vasconcelos. “O Torrejano" será um jornal republicano, sem política acentuadamente partidarista, destinado à defesa dos interesses da República e da Pátria Portuguesa em geral e especificamente do concelho de Torres Novas "O Torrejano" termina suspenso, a 10 de Fevereiro de 1918
  • 31.
    IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA 3ºPeríodo – 1910 a 1926 3ª Fase A Terceira Fase do Terceiro Período da Imprensa Regional Concelhia inicia-se a 24 de Novembro de 1918, com a publicação do semanário noticioso e literário "O Almonda"
  • 32.
    Com redacção eadministração na Rua Queiroz e composição e impressão na Praça 5 de Outubro, apresentava no seu primeiro número os seguintes elementos directivos: Redactor principal, Pedro Augusto Martins; Director, António da Cunha Ferreira; Administrador, José Antunes da Silva Júnior; Editor, Alexandre Queiroz Alva; Secretário de direcção, Joaquim Vassalo Mendes semanário noticioso e literário "O Almonda", (24 de Novembro de 1918) propriedade da empresa do mesmo nome nos últimos anos da Primeira República, Torres Novas possui um semanário. Contudo, também pela primeira vez, esse semanário não irá demonstrar grande afeição à República Portuguesa
  • 33.
    O Resgate, mensáriodefensor dos oprimi-dos e da propaganda libertária, surge em Tor-res Novas, em Março de 1926. No seu número um ficase a saber que é propriedade do Grupo Editor de O Resgate, tendo como redactor principal Faustino Bretes e editor Francisco da Silva Nuno. A redacção e administração sediavam-no em Torres Novas, ainda que fosse composto e impresso na Casa do Povo, Covilhã. Foram publicados 20 números, saindo o último a 16 de Fevereiro de 1927m, tendo sido suspenso pelas autoridades militares.
  • 34.
    IMPRENSA REGIONAL CONCELHIA 4ºPeríodo – 1926 a 1934 Do Golpe Militar de 28 de Maio de 1926 até ao Estado Novo
  • 35.
    A 19 deFevereiro de 1928 sai a público, na vila de Torres Novas, o quinzenário Alma Torrejana. Aparece como seu director, editor e proprietário, Faustino Bretes. A redacção e a administração encontrava-se em Torres Novas O jornal era composto e impresso na Tipografia Silva & Capeleiro, Lda., em Albergaria-a-Velha. Publicaram-se apenas dois números, o último a 5 de Março do mesmo ano, sendo proibido pelo governo da ditadura
  • 36.
    tem como seudirector Ernesto Arruda e editor José dos Santos Ruivo, a partir do nº 7, de 4 de Agosto, substituído este último por António Borga. A redacção e administração situava-se na então rua Mousinho de Albuquerque, actualmente General Vasconcelos Correia. Passou, depois, para a Avenida Carlos Reis, actual Rua Gil Pais. Era propriedade da empresa «A Renascença». Publicação semanal. Inicialmente, impressa na Impressora Libânio da Silva, na travessa do Fala- Só, em Lisboa; a partir do nº18, na tipografia Silva, de Albergaria-a - Velha. Publicaram-se 63 números, de 23 de Junho de 1929 a 15 de Maio de 1932
  • 37.
    Surgido a 9de Março de 1930, A Mocidade pretende ser a voz dos jovens republicanos, que tencionam intervir na vida política do seu tempo, mas com as suas próprias regras e não com as que vieram dum passado bastante problemático e intranquilo. Aparece como semanário da Liga da Mocidade Portuguesa, sendo seu director José Marques, advogado e editor António Júlio Vassalo. A redacção e administração situa-se no Largo do Centro 5 de Outubro. É composto e impresso na Tipografia Moderna, de Tomar. Dele se publicam 16 números, entre 9 de Março e 22 de Junho.
  • 38.
    Trabalho elaborado porLuís Cavaco a partir da obra “TORRES NOVAS NOS FINAIS DO SÉC XIX – subsídios históricos” de ANTÓNIO MÁRIO LOPES DOS SANTOS A Imprensa Regional no Concelho de Torres Novas 1853 - 1926