SlideShare uma empresa Scribd logo
 
Bernardino Luís Machado Guimarães era em tudo (menos no ideário republicano) o oposto de Teófilo Braga: bonito, aprumado, rico, pai de família, vaidoso, cavalheiro, ambicioso. Tratava os seus piores inimigos por "meu queridíssimo amigo".               Nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Março de 1851, filho de pai português António Luís Machado Guimarães e de mãe brasileira, Praxedes de Sousa Ribeiro Guimarães. A família regressou a Portugal em 1860 e vai viver para uma povoação do concelho de Vila Nova de Famalicão chamada Joanes. O pai receberá o título de 1º Barão de Joanes. Bernardino Machado tinha uma figura aprumada, sempre com o farto bigode e barba bem aparada, que no fim da vida, já muito velhinho, deixava crescer como uma "trepadeira selvagem." 
Ao atingir a maioridade, em 1872, Bernardino Machado optou pela nacionalidade portuguesa. Casou, em 1882, com Elzira Dantas, filha do Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, e teve dela 18 filhos. A mulher de Bernardino Machado viria a ser uma grande colaboradora em tudo e também na sua vida de estadista. Passou com ele as agruras de dois exílios e, durante a 1ª Grande Guerra, foi presidente da Cruzada da Mulheres Portuguesas, que apoiou activamente o Corpo Expedicionário Português em França. Duas filhas suas também participaram. Ela viria a escrever para os netos, em 1934, um livro de Contos. 
Bernardino Machado foi sempre um lutador, sem deixar de ser galante,   tirava o chapéu a toda a gente que o cumprimentava. Há inúmeras caricaturas sobre este curioso hábito do 3º Presidente da 1ª República, portuguesa como da sua numerosa prole, que inspirou inúmeros desenhos a Rafael Bordalo Pinheiro e a Francisco Valença, entre outros.  Em 1866 Bernardino Machado matriculou-se na faculdade de Matemática, em Coimbra, e no ano seguinte em Filosofia, tendo-se doutorado com apenas vinte e oito anos nessas duas especialidades. Foi, pois, um aluno brilhante e depois professor. 
  Deputado do Partido Regenerador entre 1882 e 1886 e Par do Reino em 1890, Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, desde Fevereiro a Dezembro de 1893, teve uma acção muito positiva na reformulação do ensino profissional e inovou os sectores da agricultura, comércio e indústria (escreveu mesmo "A Agricultura", em 1899). Desiludido com a Monarquia aderiu ao Partido Republicano Português, em 1903. É a partir desta fase que no seu Partido luta para que este "seja um partido republicano profundamente socialista". No ano seguinte chega ao Directório.               Implantada a República, na qual não participa directamente, será no Governo Provisório Ministro dos Negócios Estrangeiros, por sugestão de Afonso Costa, onde teve uma acção importante no reconhecimento da nova república por parte dos países estrangeiros. Renovou a aliança com a Inglaterra e organizou o primeiro Congresso de Turismo. Amigo do Presidente do Brasil levou a cabo acordos e elevou as Legações no Rio de Janeiro e Lisboa à categoria de Embaixadas, tendo sido o primeiro embaixador de Portugal no Brasil, em 1de Novembro de 1913.               Bernardino Machado, que aderira à Maçonaria, era já Grão-mestre em Julho de 1895. Primeiro Ministro em 1913, num período de lutas partidárias, vem a ser eleito Presidente da República em 6 de Agosto de 1915. 
Durante a 1ª Grande Guerra defende a participação de Portugal no conflito. A Alemanha declarou guerra a Portugal em 9 de Março de 1916. Bernardino Machado tentou um acordo de tréguas (uma "União Sagrada") entre os três partidos perante o tão grave período da Guerra, mas sem total sucesso. Foi o general Norton de Matos quem organizou o Corpo Expedicionário cujos contingentes embarcaram para França em Janeiro de 1917.               O período em que Bernardino Machado foi Presidente da República foi de grande agitação social. Desde o início da Guerra, em 1914, que começaram a escassear produtos de primeira necessidade. Quase não havia farinha, nem carvão. Lisboa ficou sem eléctricos, sem luz e sem polícia nas ruas depois da 11 horas da noite. 
O chefe do Governo era Afonso Costa. E é contra este político que se vão avolumando críticas e ódios. Na sua ausência (de Bernardino Machado), em Londres, um movimento revolucionário liderado por Sidónio Pais, acampou literalmente na Rotunda (hoje Rotunda do Marquês de Pombal) em 5 de Dezembro de 1917 para derrubar o Governo. A população esfomeada aproveitou para assaltar as lojas. Sidónio toma então conta do poder. Demite o Presidente e, quando Afonso Costa regressa do estrangeiro, é preso no Porto. Em Lisboa, a casa de Afonso Costa é saqueada e os móveis lançados à rua. Afonso Costa parte, com familiares, para um exílio de onde nunca mais voltou. 
Sidónio Pais faz-se eleger Presidente da República, por sufrágio universal, em Abril de 1918 e à revelia da Constituição de 1911. Bernardino Machado recusou resignar à Presidência, mas foi detido no Palácio de Belém durante uns dias. Depois é-lhe imposto o exílio. Parte para França no Natal de 1917, acompanhado de parte da família, onde irá perder uma filha e onde não desiste de lutar pelo retorno à legitimidade da vida política Portuguesa. Regressará em 1919.
As eleições de Novembro de 1925 dão a vitória aos democratas. O Congresso elege , agora sim, Bernardino Machado.               Sobre a sua vida já muito se disse na primeira parte deste artigo. Joel Serrão retratou-o assim no "Dicionário da História de Portugal" (p. 867): "Político dos mais notáveis da 1ª República Portuguesa, Bernardino Machado foi um cidadão exemplar no rigoroso cumprimento dos seus deveres e na defesa intransigente dos seus direitos".  Depois de um primeiro mandato na presidência, de 6 de Agosto de 1915 a 5 de Dezembro de 1917, Bernardino Machado experimentou um longo e forçado exílio, durante o qual recusou transmitir os poderes presidenciais aos vencedores da revolução sidonista de 5 de Dezembro de 1917. 
Este seu segundo mandato foi curto. Apenas de 11 de Dezembro de 1925 ao eclodir do movimento do 28 de Maio de 1926. A situação financeira do País era bastante melhor do que durante o seu primeiro mandato, mas o clima político não era nada calmo. Houve neste período um problema com os tabacos, passando para o controlo do Estado. A 28 de Maio, em Braga, o general Gomes da Costa revolta-se "contra as quadrilhas partidárias" e em Lisboa foi organizada uma junta revolucionária chefiada por Mendes Cabeçadas, a quem Bernardino Machado acaba por entregar o poder, como explica em 1926: 
  "Quando transmiti os poderes presidenciais, fi-lo a um chefe de governo, de coração republicano, que eu sabia bem que se propunha restaurar o mais breve possível a ordem constitucional. Aos seus sucessores eu não os transmitiria". Bernardino Machado teve plena consciência de que a República estava em perigo. Mas era tarde de mais.               Jaime Cortesão elogia-o deste modo: "Ele não foi um manipanço vago e solene, de capacete amarrado na cabeça. A sua legendária chapelada, que se diria ir do palácio de Belém até ao fundo dos campos de Portugal, ficou como exemplo democrático do respeito do homem pelo homem".
 

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

1ª República em Portugal
1ª República em Portugal1ª República em Portugal
1ª República em Portugal
Maria Manuela Torres Paredes
 
Revolucoes3
Revolucoes3Revolucoes3
Revolucoes3
queirosiana
 
A implantação da república- 5 de Outubro
A implantação da república- 5 de OutubroA implantação da república- 5 de Outubro
A implantação da república- 5 de Outubro
André Santos
 
1ª República em Guimarães
1ª República em Guimarães1ª República em Guimarães
1ª República em Guimarães
Maria Manuela Torres Paredes
 
Slide periodo entre guerras e segunda guerra
Slide periodo entre guerras e segunda guerraSlide periodo entre guerras e segunda guerra
Slide periodo entre guerras e segunda guerra
Isabel Aguiar
 
Machadode assis
Machadode assisMachadode assis
Machadode assis
marlidf
 
Almeida Garrett e o Cerco do Porto
Almeida Garrett e o Cerco do PortoAlmeida Garrett e o Cerco do Porto
Almeida Garrett e o Cerco do Porto
ManuelAyresPereira
 
Biografia Manuel T Gomes Ana Rita Pedro 6 B
Biografia Manuel T Gomes Ana Rita Pedro 6 BBiografia Manuel T Gomes Ana Rita Pedro 6 B
Biografia Manuel T Gomes Ana Rita Pedro 6 B
ricardocostacruz
 
Sumidouro ou Padre Viegas parte 2
Sumidouro ou Padre Viegas parte 2Sumidouro ou Padre Viegas parte 2
Sumidouro ou Padre Viegas parte 2
Cnsrpv
 
Roteiros republicanos do concelho de oeiras ii
Roteiros republicanos do concelho de oeiras iiRoteiros republicanos do concelho de oeiras ii
Roteiros republicanos do concelho de oeiras ii
Escola Secundaria luis de freitas Branco
 
Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n...
Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n...Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n...
Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n...
Laboratório de História
 
Totalitarismos
TotalitarismosTotalitarismos
A crise dos anos 20
A crise dos anos 20A crise dos anos 20
A crise dos anos 20
Murilo Cisalpino
 
Millôr fernandes
Millôr fernandesMillôr fernandes
Millôr fernandes
Maria das Dores Justo
 
Nas linhas de o conciliador
Nas linhas de o conciliadorNas linhas de o conciliador
Nas linhas de o conciliador
Pichuluco
 
Matusalem
MatusalemMatusalem
Matusalem
Armin Caldas
 
Matusalem
MatusalemMatusalem
Matusalem
smdsm
 
As Tentativas Da Frente Popular
As Tentativas Da Frente PopularAs Tentativas Da Frente Popular
As Tentativas Da Frente Popular
CPH
 
HISTÓRIA DO BRASIL
HISTÓRIA DO BRASILHISTÓRIA DO BRASIL
HISTÓRIA DO BRASIL
jorge2013elite
 

Mais procurados (19)

1ª República em Portugal
1ª República em Portugal1ª República em Portugal
1ª República em Portugal
 
Revolucoes3
Revolucoes3Revolucoes3
Revolucoes3
 
A implantação da república- 5 de Outubro
A implantação da república- 5 de OutubroA implantação da república- 5 de Outubro
A implantação da república- 5 de Outubro
 
1ª República em Guimarães
1ª República em Guimarães1ª República em Guimarães
1ª República em Guimarães
 
Slide periodo entre guerras e segunda guerra
Slide periodo entre guerras e segunda guerraSlide periodo entre guerras e segunda guerra
Slide periodo entre guerras e segunda guerra
 
Machadode assis
Machadode assisMachadode assis
Machadode assis
 
Almeida Garrett e o Cerco do Porto
Almeida Garrett e o Cerco do PortoAlmeida Garrett e o Cerco do Porto
Almeida Garrett e o Cerco do Porto
 
Biografia Manuel T Gomes Ana Rita Pedro 6 B
Biografia Manuel T Gomes Ana Rita Pedro 6 BBiografia Manuel T Gomes Ana Rita Pedro 6 B
Biografia Manuel T Gomes Ana Rita Pedro 6 B
 
Sumidouro ou Padre Viegas parte 2
Sumidouro ou Padre Viegas parte 2Sumidouro ou Padre Viegas parte 2
Sumidouro ou Padre Viegas parte 2
 
Roteiros republicanos do concelho de oeiras ii
Roteiros republicanos do concelho de oeiras iiRoteiros republicanos do concelho de oeiras ii
Roteiros republicanos do concelho de oeiras ii
 
Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n...
Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n...Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n...
Caderno Diário A Primeira Guerra Mundial e as transformações do pós-guerra n...
 
Totalitarismos
TotalitarismosTotalitarismos
Totalitarismos
 
A crise dos anos 20
A crise dos anos 20A crise dos anos 20
A crise dos anos 20
 
Millôr fernandes
Millôr fernandesMillôr fernandes
Millôr fernandes
 
Nas linhas de o conciliador
Nas linhas de o conciliadorNas linhas de o conciliador
Nas linhas de o conciliador
 
Matusalem
MatusalemMatusalem
Matusalem
 
Matusalem
MatusalemMatusalem
Matusalem
 
As Tentativas Da Frente Popular
As Tentativas Da Frente PopularAs Tentativas Da Frente Popular
As Tentativas Da Frente Popular
 
HISTÓRIA DO BRASIL
HISTÓRIA DO BRASILHISTÓRIA DO BRASIL
HISTÓRIA DO BRASIL
 

Semelhante a Tiago - Bernadino Machado

Trabalhos Alunos Grupo A
Trabalhos Alunos Grupo ATrabalhos Alunos Grupo A
Trabalhos Alunos Grupo A
mariasrt4
 
Presidentes da república
Presidentes da repúblicaPresidentes da república
Presidentes da república
eb23ja
 
Presidentes da república
Presidentes da repúblicaPresidentes da república
Presidentes da república
eb23ja
 
Presidentes da república
Presidentes da repúblicaPresidentes da república
Presidentes da república
eb23ja
 
Roteiros republicanos do concelho de oeiras i
Roteiros republicanos do concelho de oeiras iRoteiros republicanos do concelho de oeiras i
Roteiros republicanos do concelho de oeiras i
Escola Secundaria luis de freitas Branco
 
Presidentes da republica portuguesa
Presidentes da republica portuguesaPresidentes da republica portuguesa
Presidentes da republica portuguesa
eb23ja
 
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºBBiografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
ricardocostacruz
 
Biografia Personalidades RepúBlica
Biografia Personalidades RepúBlicaBiografia Personalidades RepúBlica
Biografia Personalidades RepúBlica
ricardocostacruz
 
F:\Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
F:\Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºBF:\Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
F:\Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Escola ribamar
 
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºBBiografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
ricardocostacruz
 
Presidentes Da 1ª Republica[1]
Presidentes Da 1ª Republica[1]Presidentes Da 1ª Republica[1]
Presidentes Da 1ª Republica[1]
eb23cv
 
Biografia Personalidades RepúBlica NéLia Machado 6 A
Biografia Personalidades RepúBlica NéLia Machado 6 ABiografia Personalidades RepúBlica NéLia Machado 6 A
Biografia Personalidades RepúBlica NéLia Machado 6 A
ricardocostacruz
 
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Iconografia Da RepúBlica   HugoIconografia Da RepúBlica   Hugo
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Escola Secundaria luis de freitas Branco
 
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Iconografia Da RepúBlica   HugoIconografia Da RepúBlica   Hugo
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Escola Luis Freitas Branco
 
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Iconografia Da RepúBlica   HugoIconografia Da RepúBlica   Hugo
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Escola Secundaria luis de freitas Branco
 
Presidentes da República
Presidentes da RepúblicaPresidentes da República
Presidentes da República
alimentacao
 
O regicdioeo fimdamonarquia
O regicdioeo fimdamonarquiaO regicdioeo fimdamonarquia
O regicdioeo fimdamonarquia
Claudia Cravo
 
Membros da Revolução do 5 de Outubro
Membros da Revolução do 5 de OutubroMembros da Revolução do 5 de Outubro
Membros da Revolução do 5 de Outubro
anapaulaoliveira
 
Dom Pedro I Trab 3º Ano
Dom Pedro I Trab 3º AnoDom Pedro I Trab 3º Ano
Dom Pedro I Trab 3º Ano
valdeniDinamizador
 
Poetas e Escritores Republicanos
Poetas e Escritores RepublicanosPoetas e Escritores Republicanos
Poetas e Escritores Republicanos
Michele Pó
 

Semelhante a Tiago - Bernadino Machado (20)

Trabalhos Alunos Grupo A
Trabalhos Alunos Grupo ATrabalhos Alunos Grupo A
Trabalhos Alunos Grupo A
 
Presidentes da república
Presidentes da repúblicaPresidentes da república
Presidentes da república
 
Presidentes da república
Presidentes da repúblicaPresidentes da república
Presidentes da república
 
Presidentes da república
Presidentes da repúblicaPresidentes da república
Presidentes da república
 
Roteiros republicanos do concelho de oeiras i
Roteiros republicanos do concelho de oeiras iRoteiros republicanos do concelho de oeiras i
Roteiros republicanos do concelho de oeiras i
 
Presidentes da republica portuguesa
Presidentes da republica portuguesaPresidentes da republica portuguesa
Presidentes da republica portuguesa
 
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºBBiografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
 
Biografia Personalidades RepúBlica
Biografia Personalidades RepúBlicaBiografia Personalidades RepúBlica
Biografia Personalidades RepúBlica
 
F:\Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
F:\Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºBF:\Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
F:\Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
 
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºBBiografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
Biografia JoãO Canto E Castro Ricardo Cruz 6ºB
 
Presidentes Da 1ª Republica[1]
Presidentes Da 1ª Republica[1]Presidentes Da 1ª Republica[1]
Presidentes Da 1ª Republica[1]
 
Biografia Personalidades RepúBlica NéLia Machado 6 A
Biografia Personalidades RepúBlica NéLia Machado 6 ABiografia Personalidades RepúBlica NéLia Machado 6 A
Biografia Personalidades RepúBlica NéLia Machado 6 A
 
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Iconografia Da RepúBlica   HugoIconografia Da RepúBlica   Hugo
Iconografia Da RepúBlica Hugo
 
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Iconografia Da RepúBlica   HugoIconografia Da RepúBlica   Hugo
Iconografia Da RepúBlica Hugo
 
Iconografia Da RepúBlica Hugo
Iconografia Da RepúBlica   HugoIconografia Da RepúBlica   Hugo
Iconografia Da RepúBlica Hugo
 
Presidentes da República
Presidentes da RepúblicaPresidentes da República
Presidentes da República
 
O regicdioeo fimdamonarquia
O regicdioeo fimdamonarquiaO regicdioeo fimdamonarquia
O regicdioeo fimdamonarquia
 
Membros da Revolução do 5 de Outubro
Membros da Revolução do 5 de OutubroMembros da Revolução do 5 de Outubro
Membros da Revolução do 5 de Outubro
 
Dom Pedro I Trab 3º Ano
Dom Pedro I Trab 3º AnoDom Pedro I Trab 3º Ano
Dom Pedro I Trab 3º Ano
 
Poetas e Escritores Republicanos
Poetas e Escritores RepublicanosPoetas e Escritores Republicanos
Poetas e Escritores Republicanos
 

Mais de Diabinho Mata

Vitor Maia - Redes e Tecnologias
Vitor Maia - Redes e TecnologiasVitor Maia - Redes e Tecnologias
Vitor Maia - Redes e Tecnologias
Diabinho Mata
 
Susana Santos - Novas Intidades
Susana Santos - Novas IntidadesSusana Santos - Novas Intidades
Susana Santos - Novas Intidades
Diabinho Mata
 
Manuel Mata - Mobilidade Locais e Globais
Manuel Mata - Mobilidade Locais e GlobaisManuel Mata - Mobilidade Locais e Globais
Manuel Mata - Mobilidade Locais e Globais
Diabinho Mata
 
Joaquim Santos - Despedimento
Joaquim Santos - DespedimentoJoaquim Santos - Despedimento
Joaquim Santos - Despedimento
Diabinho Mata
 
Irene Reis - Gu Lihong
Irene Reis - Gu LihongIrene Reis - Gu Lihong
Irene Reis - Gu Lihong
Diabinho Mata
 
Irene Reis - A Escola de Bauhaus
Irene Reis - A Escola de BauhausIrene Reis - A Escola de Bauhaus
Irene Reis - A Escola de Bauhaus
Diabinho Mata
 
Bianca Ferreira - Urbanismo e Mobilidade
Bianca Ferreira - Urbanismo e MobilidadeBianca Ferreira - Urbanismo e Mobilidade
Bianca Ferreira - Urbanismo e Mobilidade
Diabinho Mata
 
António Ferreira - Telemóvel
António Ferreira - TelemóvelAntónio Ferreira - Telemóvel
António Ferreira - Telemóvel
Diabinho Mata
 
António Ferreira - Insegurança na Internet
António Ferreira - Insegurança na InternetAntónio Ferreira - Insegurança na Internet
António Ferreira - Insegurança na Internet
Diabinho Mata
 

Mais de Diabinho Mata (9)

Vitor Maia - Redes e Tecnologias
Vitor Maia - Redes e TecnologiasVitor Maia - Redes e Tecnologias
Vitor Maia - Redes e Tecnologias
 
Susana Santos - Novas Intidades
Susana Santos - Novas IntidadesSusana Santos - Novas Intidades
Susana Santos - Novas Intidades
 
Manuel Mata - Mobilidade Locais e Globais
Manuel Mata - Mobilidade Locais e GlobaisManuel Mata - Mobilidade Locais e Globais
Manuel Mata - Mobilidade Locais e Globais
 
Joaquim Santos - Despedimento
Joaquim Santos - DespedimentoJoaquim Santos - Despedimento
Joaquim Santos - Despedimento
 
Irene Reis - Gu Lihong
Irene Reis - Gu LihongIrene Reis - Gu Lihong
Irene Reis - Gu Lihong
 
Irene Reis - A Escola de Bauhaus
Irene Reis - A Escola de BauhausIrene Reis - A Escola de Bauhaus
Irene Reis - A Escola de Bauhaus
 
Bianca Ferreira - Urbanismo e Mobilidade
Bianca Ferreira - Urbanismo e MobilidadeBianca Ferreira - Urbanismo e Mobilidade
Bianca Ferreira - Urbanismo e Mobilidade
 
António Ferreira - Telemóvel
António Ferreira - TelemóvelAntónio Ferreira - Telemóvel
António Ferreira - Telemóvel
 
António Ferreira - Insegurança na Internet
António Ferreira - Insegurança na InternetAntónio Ferreira - Insegurança na Internet
António Ferreira - Insegurança na Internet
 

Tiago - Bernadino Machado

  • 1.  
  • 2. Bernardino Luís Machado Guimarães era em tudo (menos no ideário republicano) o oposto de Teófilo Braga: bonito, aprumado, rico, pai de família, vaidoso, cavalheiro, ambicioso. Tratava os seus piores inimigos por "meu queridíssimo amigo".               Nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Março de 1851, filho de pai português António Luís Machado Guimarães e de mãe brasileira, Praxedes de Sousa Ribeiro Guimarães. A família regressou a Portugal em 1860 e vai viver para uma povoação do concelho de Vila Nova de Famalicão chamada Joanes. O pai receberá o título de 1º Barão de Joanes. Bernardino Machado tinha uma figura aprumada, sempre com o farto bigode e barba bem aparada, que no fim da vida, já muito velhinho, deixava crescer como uma "trepadeira selvagem." 
  • 3. Ao atingir a maioridade, em 1872, Bernardino Machado optou pela nacionalidade portuguesa. Casou, em 1882, com Elzira Dantas, filha do Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, e teve dela 18 filhos. A mulher de Bernardino Machado viria a ser uma grande colaboradora em tudo e também na sua vida de estadista. Passou com ele as agruras de dois exílios e, durante a 1ª Grande Guerra, foi presidente da Cruzada da Mulheres Portuguesas, que apoiou activamente o Corpo Expedicionário Português em França. Duas filhas suas também participaram. Ela viria a escrever para os netos, em 1934, um livro de Contos. 
  • 4. Bernardino Machado foi sempre um lutador, sem deixar de ser galante,  tirava o chapéu a toda a gente que o cumprimentava. Há inúmeras caricaturas sobre este curioso hábito do 3º Presidente da 1ª República, portuguesa como da sua numerosa prole, que inspirou inúmeros desenhos a Rafael Bordalo Pinheiro e a Francisco Valença, entre outros.  Em 1866 Bernardino Machado matriculou-se na faculdade de Matemática, em Coimbra, e no ano seguinte em Filosofia, tendo-se doutorado com apenas vinte e oito anos nessas duas especialidades. Foi, pois, um aluno brilhante e depois professor. 
  • 5.   Deputado do Partido Regenerador entre 1882 e 1886 e Par do Reino em 1890, Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, desde Fevereiro a Dezembro de 1893, teve uma acção muito positiva na reformulação do ensino profissional e inovou os sectores da agricultura, comércio e indústria (escreveu mesmo "A Agricultura", em 1899). Desiludido com a Monarquia aderiu ao Partido Republicano Português, em 1903. É a partir desta fase que no seu Partido luta para que este "seja um partido republicano profundamente socialista". No ano seguinte chega ao Directório.               Implantada a República, na qual não participa directamente, será no Governo Provisório Ministro dos Negócios Estrangeiros, por sugestão de Afonso Costa, onde teve uma acção importante no reconhecimento da nova república por parte dos países estrangeiros. Renovou a aliança com a Inglaterra e organizou o primeiro Congresso de Turismo. Amigo do Presidente do Brasil levou a cabo acordos e elevou as Legações no Rio de Janeiro e Lisboa à categoria de Embaixadas, tendo sido o primeiro embaixador de Portugal no Brasil, em 1de Novembro de 1913.               Bernardino Machado, que aderira à Maçonaria, era já Grão-mestre em Julho de 1895. Primeiro Ministro em 1913, num período de lutas partidárias, vem a ser eleito Presidente da República em 6 de Agosto de 1915. 
  • 6. Durante a 1ª Grande Guerra defende a participação de Portugal no conflito. A Alemanha declarou guerra a Portugal em 9 de Março de 1916. Bernardino Machado tentou um acordo de tréguas (uma "União Sagrada") entre os três partidos perante o tão grave período da Guerra, mas sem total sucesso. Foi o general Norton de Matos quem organizou o Corpo Expedicionário cujos contingentes embarcaram para França em Janeiro de 1917.               O período em que Bernardino Machado foi Presidente da República foi de grande agitação social. Desde o início da Guerra, em 1914, que começaram a escassear produtos de primeira necessidade. Quase não havia farinha, nem carvão. Lisboa ficou sem eléctricos, sem luz e sem polícia nas ruas depois da 11 horas da noite. 
  • 7. O chefe do Governo era Afonso Costa. E é contra este político que se vão avolumando críticas e ódios. Na sua ausência (de Bernardino Machado), em Londres, um movimento revolucionário liderado por Sidónio Pais, acampou literalmente na Rotunda (hoje Rotunda do Marquês de Pombal) em 5 de Dezembro de 1917 para derrubar o Governo. A população esfomeada aproveitou para assaltar as lojas. Sidónio toma então conta do poder. Demite o Presidente e, quando Afonso Costa regressa do estrangeiro, é preso no Porto. Em Lisboa, a casa de Afonso Costa é saqueada e os móveis lançados à rua. Afonso Costa parte, com familiares, para um exílio de onde nunca mais voltou. 
  • 8. Sidónio Pais faz-se eleger Presidente da República, por sufrágio universal, em Abril de 1918 e à revelia da Constituição de 1911. Bernardino Machado recusou resignar à Presidência, mas foi detido no Palácio de Belém durante uns dias. Depois é-lhe imposto o exílio. Parte para França no Natal de 1917, acompanhado de parte da família, onde irá perder uma filha e onde não desiste de lutar pelo retorno à legitimidade da vida política Portuguesa. Regressará em 1919.
  • 9. As eleições de Novembro de 1925 dão a vitória aos democratas. O Congresso elege , agora sim, Bernardino Machado.               Sobre a sua vida já muito se disse na primeira parte deste artigo. Joel Serrão retratou-o assim no "Dicionário da História de Portugal" (p. 867): "Político dos mais notáveis da 1ª República Portuguesa, Bernardino Machado foi um cidadão exemplar no rigoroso cumprimento dos seus deveres e na defesa intransigente dos seus direitos".  Depois de um primeiro mandato na presidência, de 6 de Agosto de 1915 a 5 de Dezembro de 1917, Bernardino Machado experimentou um longo e forçado exílio, durante o qual recusou transmitir os poderes presidenciais aos vencedores da revolução sidonista de 5 de Dezembro de 1917. 
  • 10. Este seu segundo mandato foi curto. Apenas de 11 de Dezembro de 1925 ao eclodir do movimento do 28 de Maio de 1926. A situação financeira do País era bastante melhor do que durante o seu primeiro mandato, mas o clima político não era nada calmo. Houve neste período um problema com os tabacos, passando para o controlo do Estado. A 28 de Maio, em Braga, o general Gomes da Costa revolta-se "contra as quadrilhas partidárias" e em Lisboa foi organizada uma junta revolucionária chefiada por Mendes Cabeçadas, a quem Bernardino Machado acaba por entregar o poder, como explica em 1926: 
  • 11.   "Quando transmiti os poderes presidenciais, fi-lo a um chefe de governo, de coração republicano, que eu sabia bem que se propunha restaurar o mais breve possível a ordem constitucional. Aos seus sucessores eu não os transmitiria". Bernardino Machado teve plena consciência de que a República estava em perigo. Mas era tarde de mais.               Jaime Cortesão elogia-o deste modo: "Ele não foi um manipanço vago e solene, de capacete amarrado na cabeça. A sua legendária chapelada, que se diria ir do palácio de Belém até ao fundo dos campos de Portugal, ficou como exemplo democrático do respeito do homem pelo homem".
  • 12.