Hércules
Hoje, venho falar sobre Hércules, “Quem foi Hércules?” e qual a sua
importância a nível literário, inclusive, no mundo das artes.
Hércules é o nome, em latim, dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia
grega Héracles, filho de Zeus e da mortal Alcmena.
O mito de Hércules para além de ter incorporado muito da iconografia e da
própria mitologia da personagem grega, tem também um número de características e
lendas que eram essencialmente romanas.
O nome latino Hércules é uma modificação do nome etrusco Hercle, derivado
por sua vez, do grego. Um juramento invocando Hércules era uma interjeição comum
no latim clássico. Essa interjeição era “Hercle!” ou “Mehercle!”.
Apesar de ser um campeão e um grande guerreiro, Hércules também utilizava
trapaças e truques sujos a seu favor. No entanto, tornou-se conhecido por ter destruído
diversos monstros perigosos.
Com muito sacrifício, Hércules, foi promovido aos reinos do Monte Olimpo,
onde recebeu as boas vindas dos deuses.
Alguns imperadores assumiram os atributos de Hércules (como Trajano, que,
enquanto imperadores de períodos posteriores, em especial Cômodo e Maximiano,
foram além e frequentemente identificavam-se ou comparavam-se com Hércules,
patrocinando o seu culto. Maximiano chamava-se “Herculius” (pequeno Hércules). O
culto de Hércules espalhou-se pelo mundo romano. No Egito romano descobriu-se, no
Oásis de Bahariya, o que se acredita serem as ruínas de um templo de Hércules.
Os romanos adotaram as histórias gregas sobre Hérades, acrescentando detalhes
anedóticos próprios, alguns dos quais ligavam Hércules à geografia do Mediterrânio
ocidental.
Dentro dos famosos doze trabalhos de Hércules destacaram-se dois: “O touro de
Creta” e o “Cão Cérbero”.
Na Eneida, Virgílio narra um mito sobre Hércules derrotando o monstruoso
caco, que vivia numa caverna sob o Palatino (uma das sete colinas de Roma).
Na Península Ibérica existiu um forte culto de Hércules uma vez que o seu nome
esteve ligado ao Estreito de Gibraltar, que durante toda a antiguidade era identificado
Rui Francisco Carvalheira
Varandas
1
Hércules
pelo nome “Colunas de Hércules”. A sua associação a muitos monumentos em terras
portuguesas e espanholas, é criticada por Gaspar Barreiros. A propósito do que é hoje
conhecido como Arco de Trajano em Mérida, e que antes era associado a Hércules.
Ainda hoje resiste uma identificação à Torre de Hércules na Corunha (também
associada a Trajano), mas muitas outras desapareceram. Por exemplo, Pedro de Mariz
ainda falava da “Torre de Hércules” em Coimbra. A torre pentagonal de Coimbra teria a
inscrição em latim: “Quinaria turris Herculea fundata manu”. Esta torre, bem como a
maior parte do castelo de Coimbra foi depois demolida num projeto do Marquês de
Pombal de aí a fazer um observatório. Em Cádis existiram também duas torres, por
vezes associadas às colunas de Hércules.
Desde o Renascimento, poucas vezes se fez a distinção entre Hércules e
Héracles. A figura romana acabou assumindo o lugar da grega. Interpretações
posteriores da lenda de Hércules retrataram-no como um homem justo, naturalmente
altruísta e defensor de fracos e oprimidos. Entretanto, é válido ressaltar que quanto mito
grego, Hércules era muito mais retratado como um meio termo entre deus e um homem,
essencialmente bruto, insociável, bêbado e sedutor, quase irracional.
Hércules foi o motivo de diversas moedas e medalhas comemorativas, tendo a
mais recente delas sido a celebre moeda austríaca de prata “Barroca”, de vinte euros,
lançada a 11 de setembro de 2002.
Dou assim por terminada a minha apresentação!
Rui Francisco Carvalheira
Varandas
2

Hércules

  • 1.
    Hércules Hoje, venho falarsobre Hércules, “Quem foi Hércules?” e qual a sua importância a nível literário, inclusive, no mundo das artes. Hércules é o nome, em latim, dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles, filho de Zeus e da mortal Alcmena. O mito de Hércules para além de ter incorporado muito da iconografia e da própria mitologia da personagem grega, tem também um número de características e lendas que eram essencialmente romanas. O nome latino Hércules é uma modificação do nome etrusco Hercle, derivado por sua vez, do grego. Um juramento invocando Hércules era uma interjeição comum no latim clássico. Essa interjeição era “Hercle!” ou “Mehercle!”. Apesar de ser um campeão e um grande guerreiro, Hércules também utilizava trapaças e truques sujos a seu favor. No entanto, tornou-se conhecido por ter destruído diversos monstros perigosos. Com muito sacrifício, Hércules, foi promovido aos reinos do Monte Olimpo, onde recebeu as boas vindas dos deuses. Alguns imperadores assumiram os atributos de Hércules (como Trajano, que, enquanto imperadores de períodos posteriores, em especial Cômodo e Maximiano, foram além e frequentemente identificavam-se ou comparavam-se com Hércules, patrocinando o seu culto. Maximiano chamava-se “Herculius” (pequeno Hércules). O culto de Hércules espalhou-se pelo mundo romano. No Egito romano descobriu-se, no Oásis de Bahariya, o que se acredita serem as ruínas de um templo de Hércules. Os romanos adotaram as histórias gregas sobre Hérades, acrescentando detalhes anedóticos próprios, alguns dos quais ligavam Hércules à geografia do Mediterrânio ocidental. Dentro dos famosos doze trabalhos de Hércules destacaram-se dois: “O touro de Creta” e o “Cão Cérbero”. Na Eneida, Virgílio narra um mito sobre Hércules derrotando o monstruoso caco, que vivia numa caverna sob o Palatino (uma das sete colinas de Roma). Na Península Ibérica existiu um forte culto de Hércules uma vez que o seu nome esteve ligado ao Estreito de Gibraltar, que durante toda a antiguidade era identificado Rui Francisco Carvalheira Varandas 1
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    Hércules pelo nome “Colunasde Hércules”. A sua associação a muitos monumentos em terras portuguesas e espanholas, é criticada por Gaspar Barreiros. A propósito do que é hoje conhecido como Arco de Trajano em Mérida, e que antes era associado a Hércules. Ainda hoje resiste uma identificação à Torre de Hércules na Corunha (também associada a Trajano), mas muitas outras desapareceram. Por exemplo, Pedro de Mariz ainda falava da “Torre de Hércules” em Coimbra. A torre pentagonal de Coimbra teria a inscrição em latim: “Quinaria turris Herculea fundata manu”. Esta torre, bem como a maior parte do castelo de Coimbra foi depois demolida num projeto do Marquês de Pombal de aí a fazer um observatório. Em Cádis existiram também duas torres, por vezes associadas às colunas de Hércules. Desde o Renascimento, poucas vezes se fez a distinção entre Hércules e Héracles. A figura romana acabou assumindo o lugar da grega. Interpretações posteriores da lenda de Hércules retrataram-no como um homem justo, naturalmente altruísta e defensor de fracos e oprimidos. Entretanto, é válido ressaltar que quanto mito grego, Hércules era muito mais retratado como um meio termo entre deus e um homem, essencialmente bruto, insociável, bêbado e sedutor, quase irracional. Hércules foi o motivo de diversas moedas e medalhas comemorativas, tendo a mais recente delas sido a celebre moeda austríaca de prata “Barroca”, de vinte euros, lançada a 11 de setembro de 2002. Dou assim por terminada a minha apresentação! Rui Francisco Carvalheira Varandas 2