Este documento apresenta nove exemplos de textos e descreve as possíveis funções da linguagem presentes em cada um deles: referencial, expressiva, conativa, poética, metalinguística, fática e descritiva.
Função da linguagem
1.FUNÇÃO REFERENCIAL OU DENOTATIVA: Ocorre quando o referente
é posto em destaque, ou seja, intenção do produtor da mensagem é apenas
informar o receptor. A ênfase é dada ao conteúdo, às informações veiculadas
pela mensagem. Os textos desta linguagem são dotados de objetividade, uma vez
que procuram retratar a realidade, por isso empregam, preferencialmente, a 3ª
pessoa. É a linguagem das notícias de jornal, dos textos científicos, cartas
comerciais, textos técnicos, manuais de instruções, bulas de remédios, relatórios,
etc.
Características: linguagem objetiva, direta e clara, emprego da 3ª pessoa do
singular, neutralidade do emissor.
Show em Berlim Ocidental causa pancadaria em Berlim Oriental
O entusiasmo de uma plateia inesperada, formada por cerca de 3 mil
jovens que se reuniram em Berlim Oriental para ouvir - se ver - um show de rock
do outro lado do muro que divide a cidade, provocou violentos choques com a
polícia no final do espetáculo. Quando o show acabou, cerca de mil, dos 3 mil
“ouvintes” em Berlim Oriental, romperam o cordão de isolamento e enfrentaram
os policiais que os vigiavam, os quais reagiram a golpes de cassetete. Trinta
pessoas foram presas.
Folha de S. Paulo. Fragmento.
2. FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA: Ocorre quando o emissor é posto
em destaque, ou seja, a mensagem está centrada na expressão sentimentos do
emissor, pois a intenção do produtor do texto é expressar sua emoção,
sentimento e opinião em relação ao tema que está abordando. É a linguagem dos
livros autobiográficos, de memórias, de poesias líricas, de bilhetes e cartas de
amor.
Características: texto pessoal e subjetivo, verbos e pronomes na 1º pessoa,
interjeições, emprego de adjetivos valorativos e alguns sinais de pontuação,
como as reticências e os pontos de exclamação.
“Fui devidamente matriculado no ginásio episcopal por minha mãe, que
pagou a matrícula com o seu dinheiro.
Andei macambúzio naqueles meses de princípios de 1920. Doía-me a
idéia de ter de passar nove meses inteiros longe de minha gente e de minha
casa. Um novo capítulo na minha vida estava por começar.
Nunca minha terra natal me pareceu mais suave e bela que naquele verão
do primeiro ano da década dos 20. Eu saía em passeios de despedida pelas ruas
da cidade, em casa olhava com uma ternura particular para a ameixeira-do-
japão, que tanta coisa parecia dizer-me em seu silêncio.
O meu “drama” era consideravelmente agravado por um fato
sentimental da maior relevância. Eu estava então seriamente enamorado
duma menina pouco mais moça que eu e que correspondia ao meu afeto. Chama-
se Vânia, tinha nas veias sangue italiano, um rosto redondo e corado e uma
vivacidade que freqüentemente embaraçava o Tibicuera de D. Bega.
Chegou o dia da partida. Despedi-me de Vânia na véspera, com um
simples aperto de mão. Combinamos a melhor maneira de manter uma
correspondência secreta durante minha ausência. Juramo-nos amor eterno.”
Veríssimo, Érico. Solo de clarineta. l5ª ed. Porto Alegre, Globo, 1974. p. 122-3
3. FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA: Ocorre quando o receptor é posto
em destaque, ou seja, a linguagem organiza-se no sentido de convencer o
receptor, pois a intenção do produtor do texto é envolver, persuadir e influenciar o
comportamento do destinatário da mensagem. O emissor da mensagem procura
influir no comportamento do receptor por meio de uma ordem, chamamento,
apelo ou súplica. A função conativa está presente, principalmente, nos textos
publicitários, nos discursos políticos e nas propagandas.
Características: verbos no imperativo, emprego de vocativo e pronomes de 2ª
pessoa (tu/vós/você/vocês).
Vexames
Muita gente não sabe usar um celular. Veja o que você NÃO deve fazer com
ele.
* Não ande com o celular pendurado na calça. Fica feio. Guarde-o na mochila. Dá
para escutá-lo do mesmo jeito.
* Desligue o celular durante as aulas - ou em lugares públicos, como o cinema.
Depois você acessa a caixa postal e pega a mensagem.
* Nunca telefone durante a aula. Não adianta se abaixar, nem cobrir o celular com
cabelo. As pessoas vão perceber que você está no telefone.
* Quando estiver com apenas uma amiga, não fique horas falando no celular.
* Não fique oferecendo o seu telefone só para ser simpática. Lembre-se da conta
que vai chegar.
Capricho, 21 nov. 1999
4. FUNÇÃO POÉTICA OU ESTÉTICA: Ocorre quando a intenção do
produtor do texto está voltada para a própria mensagem, para uma especial
arrumação das palavras, quer na escolha do vocabulário, quer na combinação
delas, quer na organização sintática da frase, ou seja, seu objetivo maior é
chamar a atenção para o modo como a mensagem foi organizada. É a linguagem
figurada presente em obras literárias, principalmente nos textos poéticos, em
2.
letras de música,em algumas propagandas, anúncios publicitários, slogans,
ditados e provérbios e na fala fantasiosa de crianças.
Características: jogo de palavras, ritmo, sonoridade, estrutura, grafismo,
espacialidade, figuras de linguagem.
Balada das duas mocinhas de Botafogo
Eram duas menininhas
Filhas de boa família:
Uma chamada Marina
A outra chamada Marília.
Os dezoito da primeira
Eram brejeiros e finos
Os vinte da irmã cabiam
Numa mulher pequenina.
Sem terem nada de feias
Não chegavam a ser bonitas
Mas eram meninas moças
De pele fresca e macia.
MORAES, Vinícius de. Balada das duas mocinhas de Botafogo (fragmento)
5. FUNÇÃO METALINGUÍSTICA: Ocorre quando a preocupação do emissor
está voltada para o próprio código utilizado, ou seja, o código é o tema da
mensagem ou é utilizado para explicar o próprio código. Temos metalinguagem
quando a linguagem fala dela própria, a poesia fala da poesia, da sua função e
do poeta, um texto comenta outro texto, a palavra explica a palavra. A função
metalinguística está presente nos textos explicativos e didáticos, nos dicionários,
nas gramáticas.
Características: Utiliza o código para explicar o próprio código, fornece
informações conceituais, definições e explicações.
“Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
Inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não que sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.”
(Carlos Drummond de Andrade)
Outro exemplo:
Adolescência. [Do latim adolescência.] S.f. O período da vida humana, que
sucede à infância, começa com a puberdade e se caracteriza por uma série de
mudanças corporais e psicológicas (entende-se aproximadamente dos 12 aos 20
anos).
FERREIRA, Aurélio Buarque de H. Novo Dicionário da língua portuguesa. 2ª. ed.
3.
6. FUNÇÃO FÁTICA:Ocorre quando o canal da mensagem é posto em
destaque, pois o emissor tem o objetivo de iniciar, manter ou encerrar o contato
entre emissor e receptor, ou seja, o objetivo é chamar a atenção do receptor e
assegurar que este não se distraia e haja comunicação. A função fática também
tem como objetivo testar a eficiência do canal, o que tem o mesmo valor de um
aceno com a mão, com a cabeça ou com os olhos. Exemplos típicos da função
fática são: "alô", "pronto", "oi", "tudo bem?" "Boa tarde", "sentem-se". É a
linguagem das falas telefônicas e dos prefixos radiofônicos.
Linguagem carregada de expressões como, alô , então, entende? aí então, está
me ouvindo? então tchau, aqui é a Rádio....Ex:
“Ser adolescente é ficar assim sem saber o que fazer, né? A gente não tem ideia
do que quer nem do que é, você tá entendendo? A gente tá meio suspenso, meio
que do lado, você concorda? Ser adolescente é isso aí, não acha? (Texto escrito
por um aluno). “
“- Alô!
- Alô ... pois não ..Quem fala?
- Desculpa .. a ligação tá ruim ...
- Alô! Alô ...tá cortando ...
- Melhorou? Tá me ouvindo agora? Alô...
- Com quem você quer falar?
- Por favor, aqui é a Cris. Quero falar com ...
- Quem? ...Desculpa ...Não consigo te ouvir ...
- Caiu! (Oh, por-ca-ri-a de celular)
Exercício
1.Leia os textos atentamente, em seguida, identifique as funções da linguagem,
justificando sua resposta.
I
Vamos juntar a fome com a vontade de comer
“O Brasil vive um momento ideal para que os planos se tornem ações e as
teorias partam para as práticas. [...] Cada brasileiro comprou para si a briga contra
a fome. E o Brasil conta com o apoio de sua empresa e de todos que fazem parte
dele nessa luta.
Esta é a hora de revelar a responsabilidade social de sua empresa até os
filhos de seus funcionários, [...]. Acabar com a fome não se trata de um
comprometimento com o governo, mas sim de um compromisso com o Brasil.[...]
Se você leu este anúncio até aqui é porque você realmente tem vontade de
fazer alguma para resolver o problema da fome. Mas talvez não saiba exatamente
o que fazer. Acesse o site, consulte o manual do Instituto Ethos e informe-se sobre
como sua empresa pode participar do combate à fome em nosso país. Alimentar o
Brasil é trabalho para um país inteiro. Mãos à obra.”
Instituto Ethos. O Estado de S. Paulo
II
A moda na era Viking
Minúsculas lâminas de ouro encontradas em sítios arqueológicos na
Escandinávia permitem que se saiba mais sobre a vestimenta, os cortes de cabelo e
as práticas religiosas dos vikings. As guldgbuggers, lâminas do tamanho de uma
unha, remontam do século VI; outras, mais recentes, foram achadas em áreas
vikings junto a sítios cerimoniais. Algumas trazem desenhos de animais, mas a
maioria exibe figuras humanas.”
National Geographic Brasil
III
Vozes veladas, veludadas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes,
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Cruz e Souza
IV
“-Beleza!
-Quanto tempo!
-Qual seu e-mail?
-Entre no site
-Com que nome?
-Com meu apelido de escola
-Te vejo na Internet
- Até logo!
- Até logar”
4.
V
Léxico
Vereador em SãoJosé da Lage, cidadezinha no norte de alagoas, Ramiro
Pereira iniciou uma discussão com um colega, em plenário.
Argumento vai, argumento vem, os ânimos se exaltaram, o nível caiu,,
conta Cleto Falcão.
Lá pelas tantas, Ramiro disparou:
- V. Excia. É um demagogo!
- E o que é demagogo? – quis saber o ofendido.
-Sei não. Mas deve ser um cabrinha safado assim da sua marca.
Folha de S. Paulo
VI
“Ah! Perdi a tramontana! Agarrei a garrafa que estava na minha frente e abri a
cabeça da santa criatura com uma pancada horrível! De nada mais me lembro.
Ouvi um berro, um clamor. Senti o pânico em redor de mim e corri para a rua
como um ébrio. Foi quando ...”
( monteiro lobato- “cidades mortas” – p. 91)
VII
Antes de escolher seu carro para 2006, vá a uma concessionária Ford.
VIII
Pneu carecou? Hm trocou.
A força do novo, a força do povo!
IX