SlideShare uma empresa Scribd logo
Profª. Ma.: Helen Lemes
Aula 4: Polissemia; estudo do léxico:
sinonímia, antonímia,
hiperonímia/hiponímia, meronímia;
associação semântica; homonímia e
homofonia.
Estudo das palavras: o
sentido na Linguagem
Jurídica
POLISSEMIA
 Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de
apresentar mais de um significado nos múltiplos contextos em que
aparece.
 Exemplo o sentido da palavra processo:
1. Ação continuada, realização contínua e prolongada de alguma
atividade, seguimento, curso, decurso.
2. Modo de fazer alguma coisa; método, maneira, procedimento.
3. Conjunto de papéis e documentos referentes a um litígio; autos.
 Agora, vejamos os sentidos da palavra ação:
1. Evidência de uma força, de um agente etc; o seu efeito.
2. Capacidade, possibilidade de executar alguma coisa.
3. Disposição para agir; atividade, energia, movimento.
4. Faculdade de invocar o poder jurisdicional do Estado para fazer
valer um direito que se julga ter; meio processual pelo qual se pode
reclamar à justiça o reconhecimento, a declaração, a atribuição ou
efetivação de um direito, ou a punição de um infrator das leis
penais.
POLISSEMIA
 Chama-se, portanto, polissemia a propriedade do signo linguístico de
ter vários sentidos.
 O fato de haver uma só forma (significante) com mais de um
significado unitário pertencente a campos semânticos diferentes
caracteriza, portanto, a polissemia. Polissemia é, então, um conjunto
de significados, cada um unitário, relacionados com uma mesma
forma.
SALTO
SONHO
POLISSEMIA
 Em uma língua qualquer, é muito comum ocorrer que um
plano de expressão (um significante) seja suporte para
mais de um plano de conteúdo (significado), ou seja, que
um mesmo termo tenha vários significados.
 Exemplo a palavra canto: cantar, canção e ângulo.
 No Direito, são comuns palavras técnicas retiradas do
vocabulário geral, como lide, vítima, pena, parecer, taxa,
imposto, medida, suplicante, titular, espólio.
ESTUDO DO LÉXICO: SINONÍMIA
 A sinonímia é uma relação de equivalência de sentido, ou quase
equivalência entre duas ou mais palavras. Não há propriamente
sinônimo perfeito, porque é possível verificar diferenças, ainda que
muito pequenas, entre duas palavras.
 Criamos, uma relação de equivalência. E é essa maleabilidade de
sentido que nos permite produzir metonímia, metáforas, comparações.
Ex: parlamentares não são mercadorias, mas o contexto do discurso
do Ministro Joaquim Barbosa permitiu que ele aproximasse essas
duas palavras:
 O que houve foi a compra de parlamentares para consolidar a base
aliada do novo governo. Parlamentares que funcionaram como
verdadeira mercadoria (Veja, ano 45, nº39, 26 set.2012, p.68).
 A palavra pequeno não é sinônimo de criança, mas em determinados
contextos pode funcionar como equivalente de criança.
ESTUDO DO LÉXICO: SINONÍMIA
 Se prestarmos bem atenção, uma palavra se encaixa
melhor em determinados contextos, enquanto outra
funciona melhor em outros cenários. Assim, podemos
afirmar que os sentidos de duas palavras não são
exatamente iguais:
 O professor considerou que a questão era inocente.
 O juiz sentenciou que o réu era inocente.
 O professor considerou que a questão era ingênua.
 O juiz sentenciou que o réu era ingênuo.
 Como podemos ver, embora a palavra inocente signifique
ingênuo, ela não funciona muito bem quando o contexto é
o da magistratura. Um réu pode ser inocente (sem culpa)
sem ser ingênuo (sem malícia)
ESTUDO DO LÉXICO: SINONÍMIA
 Precisamos aprender não a dizer que o sinônimo de uma
palavra é X, mas verificar em que contextos ela funciona
melhor. Se um professor pede um sinônimo de réu, alguém
pode dizer acusado. Isoladamente as duas palavras têm
sentido quase igual, mas não funcionam bem em
determinados cenários:
 Depois de ter sido acusado de destruir as provas do
crime, procurou um advogado.
 Depois de ter sido réu de destruir as provas do crime,
procurou um advogado.
ESTUDO DO LÉXICO: ANTONÍMIA
 É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que
apresentam significados diferentes, contrários - ANTÔNIMOS.
 Na antonímia procedemos a uma operação que leva em conta a
característica dos referentes. Não se trata de relação dos sentidos das
palavras. Referentes são as coisas que as palavras representam, ou
que as palavras constroem. A operação em que se opõem
propriedades só tem sentido em determinada cultura ou contexto.
 Assim dizer que uma coisa é contrário de outra tem sentido somente
enquanto se apoia em conceitos gerais do que é bom e do que é
ruim/mau.
ESTUDO DO LÉXICO: HIPERONÍMIA/HIPONÍMIA
ESTUDO DO LÉXICO: MERONÍMIA
 Meronímia é a relação que se estabelece entre duas ou
mais palavras que apresentam entre si relação de
parte/todo. Exemplo: olhos, orelhas, nariz, boca fazem
parte da cabeça; a cabeça, o tronco, os membros fazem
parte do corpo; livros fazem parte de bibliotecas;
maçaneta faz parte da fechadura, porta faz parte da casa.
 Essas relações evidenciam a relação entre conhecimento
de mundo e conhecimento lexical, conhecimento de como
as coisas se organizam e se esquematizam em nossas
experiências.
ASSOCIAÇÃO SEMÂNTICA
 A associação semântica deriva da proximidade de sentido
que há entre as palavras. Assim, uma palavra puxa outra.
 Tudo ao nosso redor está em contiguidade. E, por isso, as
palavras com que expressamos nosso conhecimento e
emoções também estão associadas, estabelecendo
proximidades mais ou menos evidentes.
 Sinônimos, hiperônimos, hipônimos, palavras meronímias
funcionam em um texto como elos de uma cadeia.
ASSOCIAÇÃO SEMÂNTICA
 1. Pressuposições e inferências
 Os implícitos fazem parte da nossa vida cotidiana. Se
digo “está calor” e estou em um ambiente fechado, isto
pode significar: “ligar o ventilador”, “ligar o ar-
condicionado”, “abrir as janelas”, ou, simplesmente,
“afaste-se um pouco”.
 2.Efeitos de sentido
 Para conseguir determinados efeitos, o enunciador tem à
sua disposição os seguintes recursos: metáforas,
metonímias, antíteses, hipérboles e outras figuras de
linguagem.
 Eufemismos, ex: “Pablo faltou com a verdade”. “Valter não
está na melhor de sua forma física”.
 Ambiguidade, ex: peças publicitárias, piadas, textos
literários.
ASSOCIAÇÃO SEMÂNTICA
 3. Estratégias referenciais
 As vezes, convém uma expressão abstrata, não
específica, vaga. Os hiperônimos são, por exemplo,
expressões genéricas: coisa, negócio, recurso, dispositivo.
 4. Expressões cristalizadas
 Elas podem ser usadas com propósito de aproximação do
leitor. Nesse item, não se podem esquecer os provérbios
que emprestam ao texto um sabor de “língua que usamos”;
ausência de formalidade.
 A escolha das palavras está subordinada às condições da
atividade discursiva, do ambiente e do objeto de que se vai
falar.
 Gêneros de discurso: uma procuração tem um tema
específico, que lhe é própria, diferente de um e-mail ou
carta comercial.
HOMONÍMIA
 Chamamos de homonímia o fenômeno das palavras que
apresentam a mesma estrutura fonológica, os mesmos
fonemas, a mesma acentuação e ainda assim apresentam
significados completamente divergentes!
 A situação de uso, ou o contexto comunicacional, será
responsável pela construção de sentidos na ocorrência da
homonímia, portanto, não haverá nenhum prejuízo ao
entendimento da mensagem.
 Vão= substantivo (O vão entre uma cama e outra é grande);
 Vão= adjetivo ( Isso tudo é vão, não vai resolver nosso
problema);
 Vão= verbo ir (Eles vão ao campo ver a partida do Vila
Nova).
HOMOFONIA
 Homofonia é quando dois vocábulos possuem uma
igualdade fonética, porém uma grafia diferente. Igualdade
fonética significa que tem o mesmo som, e grafia diferente
significa que se escreve de maneira diferente. Ou seja,
palavras homofônicas são palavras que nós escrevemos
de formas diferentes, mas que têm o mesmo som.
 Coser= costurar, cozer= cozinhar
 Cela= quarto para enclausuramento, sela= peça para arriar
cavalo.
ATIVIDADES
Nº1) Assinale a alternativa na qual o antônimo está indicado
corretamente.
a) ( ) único, especial – genérico.
b) ( ) desestimular, desanimar – ampliar.
c) ( ) diminuir, reduzir – incentivar.
d) ( ) calmo, tranquilo – merecimento.
e) ( ) incapacidade, incompetência – irritado.
Nº2) Os sinônimos de exilado, sustentar e banimento são,
respectivamente:
a) ( ) degradado - sustar - prescrição.
b) ( ) degredado - sustar - proscrição.
c) ( ) degredado - suster - proscrição.
d) ( ) degradado - suster - prescrição.
e) ( ) degradado - sustar - proscrição.
Nº3) Faça uma lista de dez palavras tiradas do vocabulário geral que
ganharam sentido técnico no Direito.
RESPOSTAS
 1. A
 2. C

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Fonologia 1º ano Ensino Médio
Fonologia 1º ano Ensino MédioFonologia 1º ano Ensino Médio
Fonologia 1º ano Ensino Médio
Prof Palmito Rocha
 
Introdução à sintaxe
Introdução à sintaxeIntrodução à sintaxe
Introdução à sintaxe
Edson Alves
 
Frase, oração e período
Frase, oração e períodoFrase, oração e período
Frase, oração e período
Mara Virginia
 
Tipos de sujeito
Tipos de sujeitoTipos de sujeito
Tipos de sujeito
IedaSantana
 
Frase, Oração e Periodo.
Frase, Oração e Periodo.Frase, Oração e Periodo.
Frase, Oração e Periodo.
Keu Oliveira
 
Variedades linguísticas
Variedades linguísticasVariedades linguísticas
Variedades linguísticas
Ricardo Leandro Flores Ricalde
 
O que é texto
O que é textoO que é texto
O que é texto
Patrícia Rabelo Goulart
 
Pronomes
PronomesPronomes
Pronomes
Rita Tramonte
 
Oficina de Língua Portuguesa
Oficina de Língua PortuguesaOficina de Língua Portuguesa
Oficina de Língua Portuguesa
Sadiasoares
 
Polissemia
PolissemiaPolissemia
Polissemia
whybells
 
Aula de imersão linguagem, língua e fala
Aula  de  imersão  linguagem, língua e falaAula  de  imersão  linguagem, língua e fala
Aula de imersão linguagem, língua e fala
Renato Oliveira
 
Hifen
HifenHifen
Linguagem Formal e Informal
Linguagem Formal e InformalLinguagem Formal e Informal
Linguagem Formal e Informal
Kelvin Illitch Santos
 
Gêneros Textuais
Gêneros TextuaisGêneros Textuais
Gêneros Textuais
Edna Brito
 
Conjunções
ConjunçõesConjunções
Conjunções
guest6e3949
 
Coerência e coesão textual
Coerência e coesão textualCoerência e coesão textual
Coerência e coesão textual
ISJ
 
Figuras de linguagem
Figuras de linguagem Figuras de linguagem
Figuras de linguagem
Denise
 
1.3 ortografia
1.3   ortografia1.3   ortografia
1.3 ortografia
Ivana Mayrink
 
Compreensão e interpretação de textos
Compreensão e interpretação de textosCompreensão e interpretação de textos
Compreensão e interpretação de textos
welton santos
 
Transitividade verbal
Transitividade verbalTransitividade verbal
Transitividade verbal
Diego Prezia
 

Mais procurados (20)

Fonologia 1º ano Ensino Médio
Fonologia 1º ano Ensino MédioFonologia 1º ano Ensino Médio
Fonologia 1º ano Ensino Médio
 
Introdução à sintaxe
Introdução à sintaxeIntrodução à sintaxe
Introdução à sintaxe
 
Frase, oração e período
Frase, oração e períodoFrase, oração e período
Frase, oração e período
 
Tipos de sujeito
Tipos de sujeitoTipos de sujeito
Tipos de sujeito
 
Frase, Oração e Periodo.
Frase, Oração e Periodo.Frase, Oração e Periodo.
Frase, Oração e Periodo.
 
Variedades linguísticas
Variedades linguísticasVariedades linguísticas
Variedades linguísticas
 
O que é texto
O que é textoO que é texto
O que é texto
 
Pronomes
PronomesPronomes
Pronomes
 
Oficina de Língua Portuguesa
Oficina de Língua PortuguesaOficina de Língua Portuguesa
Oficina de Língua Portuguesa
 
Polissemia
PolissemiaPolissemia
Polissemia
 
Aula de imersão linguagem, língua e fala
Aula  de  imersão  linguagem, língua e falaAula  de  imersão  linguagem, língua e fala
Aula de imersão linguagem, língua e fala
 
Hifen
HifenHifen
Hifen
 
Linguagem Formal e Informal
Linguagem Formal e InformalLinguagem Formal e Informal
Linguagem Formal e Informal
 
Gêneros Textuais
Gêneros TextuaisGêneros Textuais
Gêneros Textuais
 
Conjunções
ConjunçõesConjunções
Conjunções
 
Coerência e coesão textual
Coerência e coesão textualCoerência e coesão textual
Coerência e coesão textual
 
Figuras de linguagem
Figuras de linguagem Figuras de linguagem
Figuras de linguagem
 
1.3 ortografia
1.3   ortografia1.3   ortografia
1.3 ortografia
 
Compreensão e interpretação de textos
Compreensão e interpretação de textosCompreensão e interpretação de textos
Compreensão e interpretação de textos
 
Transitividade verbal
Transitividade verbalTransitividade verbal
Transitividade verbal
 

Semelhante a Estudo das palavras (aula 4)

Semântica pt 1
Semântica pt 1Semântica pt 1
Semântica pt 1
pointdotpoint
 
Hiperonimo
HiperonimoHiperonimo
Hiperonimo
Eliana Monteiro
 
Semântica lexical
Semântica lexicalSemântica lexical
Semântica lexical
Joubert Castro Perez
 
A sintaxe da gramatica normativa ii
A sintaxe da gramatica normativa iiA sintaxe da gramatica normativa ii
A sintaxe da gramatica normativa ii
Iury Alberth
 
Compreensão Textual
Compreensão TextualCompreensão Textual
Compreensão Textual
Aprova Saúde
 
recursos morfossintáticos-lexicais-semânticos.pptx
recursos morfossintáticos-lexicais-semânticos.pptxrecursos morfossintáticos-lexicais-semânticos.pptx
recursos morfossintáticos-lexicais-semânticos.pptx
MarluceBrum1
 
Hermenêutica Jurídica - Slides das Aulas do Prof. Luís Rodolfo de Souza Dantas
Hermenêutica Jurídica - Slides das Aulas do Prof. Luís Rodolfo de Souza DantasHermenêutica Jurídica - Slides das Aulas do Prof. Luís Rodolfo de Souza Dantas
Hermenêutica Jurídica - Slides das Aulas do Prof. Luís Rodolfo de Souza Dantas
Luís Rodolfo A. de Souza Dantas
 
Português 1
Português 1Português 1
Português 1
Sandra Paula
 
Gênese da pragmática sayonara
Gênese da pragmática sayonaraGênese da pragmática sayonara
Gênese da pragmática sayonara
Sayonara Costa
 
05 - Orações subordinadas substantivas
05 - Orações subordinadas substantivas05 - Orações subordinadas substantivas
05 - Orações subordinadas substantivas
NAPNE
 
Aula 3 concordancia
Aula 3   concordanciaAula 3   concordancia
Aula 3 concordancia
J M
 
Gramática - módulo 1.pdf
Gramática - módulo 1.pdfGramática - módulo 1.pdf
Gramática - módulo 1.pdf
MarcosAntonioGomesCo
 
mapas_conceituais_Filosofia_capitulo_5.pdf
mapas_conceituais_Filosofia_capitulo_5.pdfmapas_conceituais_Filosofia_capitulo_5.pdf
mapas_conceituais_Filosofia_capitulo_5.pdf
RAFAELDEBARROS2
 
fraseoraoeperiodo-keu-110320144846-phpapp01.pptx
fraseoraoeperiodo-keu-110320144846-phpapp01.pptxfraseoraoeperiodo-keu-110320144846-phpapp01.pptx
fraseoraoeperiodo-keu-110320144846-phpapp01.pptx
Bruna Dantas
 
AULA 1
AULA 1 AULA 1
Resumo
Resumo Resumo
Resumo estudo
Resumo estudoResumo estudo
Resumo estudo
Patricia Cardozo
 
Semântica
SemânticaSemântica
Recursos morfossintáticos, lexicais,semânticos
Recursos morfossintáticos, lexicais,semânticosRecursos morfossintáticos, lexicais,semânticos
Recursos morfossintáticos, lexicais,semânticos
Marcia Oliveira
 
Fi relaã§ãµes semã¢nticas entre palavras
Fi relaã§ãµes semã¢nticas entre palavrasFi relaã§ãµes semã¢nticas entre palavras
Fi relaã§ãµes semã¢nticas entre palavras
ostrapaula
 

Semelhante a Estudo das palavras (aula 4) (20)

Semântica pt 1
Semântica pt 1Semântica pt 1
Semântica pt 1
 
Hiperonimo
HiperonimoHiperonimo
Hiperonimo
 
Semântica lexical
Semântica lexicalSemântica lexical
Semântica lexical
 
A sintaxe da gramatica normativa ii
A sintaxe da gramatica normativa iiA sintaxe da gramatica normativa ii
A sintaxe da gramatica normativa ii
 
Compreensão Textual
Compreensão TextualCompreensão Textual
Compreensão Textual
 
recursos morfossintáticos-lexicais-semânticos.pptx
recursos morfossintáticos-lexicais-semânticos.pptxrecursos morfossintáticos-lexicais-semânticos.pptx
recursos morfossintáticos-lexicais-semânticos.pptx
 
Hermenêutica Jurídica - Slides das Aulas do Prof. Luís Rodolfo de Souza Dantas
Hermenêutica Jurídica - Slides das Aulas do Prof. Luís Rodolfo de Souza DantasHermenêutica Jurídica - Slides das Aulas do Prof. Luís Rodolfo de Souza Dantas
Hermenêutica Jurídica - Slides das Aulas do Prof. Luís Rodolfo de Souza Dantas
 
Português 1
Português 1Português 1
Português 1
 
Gênese da pragmática sayonara
Gênese da pragmática sayonaraGênese da pragmática sayonara
Gênese da pragmática sayonara
 
05 - Orações subordinadas substantivas
05 - Orações subordinadas substantivas05 - Orações subordinadas substantivas
05 - Orações subordinadas substantivas
 
Aula 3 concordancia
Aula 3   concordanciaAula 3   concordancia
Aula 3 concordancia
 
Gramática - módulo 1.pdf
Gramática - módulo 1.pdfGramática - módulo 1.pdf
Gramática - módulo 1.pdf
 
mapas_conceituais_Filosofia_capitulo_5.pdf
mapas_conceituais_Filosofia_capitulo_5.pdfmapas_conceituais_Filosofia_capitulo_5.pdf
mapas_conceituais_Filosofia_capitulo_5.pdf
 
fraseoraoeperiodo-keu-110320144846-phpapp01.pptx
fraseoraoeperiodo-keu-110320144846-phpapp01.pptxfraseoraoeperiodo-keu-110320144846-phpapp01.pptx
fraseoraoeperiodo-keu-110320144846-phpapp01.pptx
 
AULA 1
AULA 1 AULA 1
AULA 1
 
Resumo
Resumo Resumo
Resumo
 
Resumo estudo
Resumo estudoResumo estudo
Resumo estudo
 
Semântica
SemânticaSemântica
Semântica
 
Recursos morfossintáticos, lexicais,semânticos
Recursos morfossintáticos, lexicais,semânticosRecursos morfossintáticos, lexicais,semânticos
Recursos morfossintáticos, lexicais,semânticos
 
Fi relaã§ãµes semã¢nticas entre palavras
Fi relaã§ãµes semã¢nticas entre palavrasFi relaã§ãµes semã¢nticas entre palavras
Fi relaã§ãµes semã¢nticas entre palavras
 

Estudo das palavras (aula 4)

  • 1. Profª. Ma.: Helen Lemes Aula 4: Polissemia; estudo do léxico: sinonímia, antonímia, hiperonímia/hiponímia, meronímia; associação semântica; homonímia e homofonia. Estudo das palavras: o sentido na Linguagem Jurídica
  • 2. POLISSEMIA  Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar mais de um significado nos múltiplos contextos em que aparece.  Exemplo o sentido da palavra processo: 1. Ação continuada, realização contínua e prolongada de alguma atividade, seguimento, curso, decurso. 2. Modo de fazer alguma coisa; método, maneira, procedimento. 3. Conjunto de papéis e documentos referentes a um litígio; autos.  Agora, vejamos os sentidos da palavra ação: 1. Evidência de uma força, de um agente etc; o seu efeito. 2. Capacidade, possibilidade de executar alguma coisa. 3. Disposição para agir; atividade, energia, movimento. 4. Faculdade de invocar o poder jurisdicional do Estado para fazer valer um direito que se julga ter; meio processual pelo qual se pode reclamar à justiça o reconhecimento, a declaração, a atribuição ou efetivação de um direito, ou a punição de um infrator das leis penais.
  • 3. POLISSEMIA  Chama-se, portanto, polissemia a propriedade do signo linguístico de ter vários sentidos.  O fato de haver uma só forma (significante) com mais de um significado unitário pertencente a campos semânticos diferentes caracteriza, portanto, a polissemia. Polissemia é, então, um conjunto de significados, cada um unitário, relacionados com uma mesma forma. SALTO SONHO
  • 4. POLISSEMIA  Em uma língua qualquer, é muito comum ocorrer que um plano de expressão (um significante) seja suporte para mais de um plano de conteúdo (significado), ou seja, que um mesmo termo tenha vários significados.  Exemplo a palavra canto: cantar, canção e ângulo.  No Direito, são comuns palavras técnicas retiradas do vocabulário geral, como lide, vítima, pena, parecer, taxa, imposto, medida, suplicante, titular, espólio.
  • 5. ESTUDO DO LÉXICO: SINONÍMIA  A sinonímia é uma relação de equivalência de sentido, ou quase equivalência entre duas ou mais palavras. Não há propriamente sinônimo perfeito, porque é possível verificar diferenças, ainda que muito pequenas, entre duas palavras.  Criamos, uma relação de equivalência. E é essa maleabilidade de sentido que nos permite produzir metonímia, metáforas, comparações. Ex: parlamentares não são mercadorias, mas o contexto do discurso do Ministro Joaquim Barbosa permitiu que ele aproximasse essas duas palavras:  O que houve foi a compra de parlamentares para consolidar a base aliada do novo governo. Parlamentares que funcionaram como verdadeira mercadoria (Veja, ano 45, nº39, 26 set.2012, p.68).  A palavra pequeno não é sinônimo de criança, mas em determinados contextos pode funcionar como equivalente de criança.
  • 6. ESTUDO DO LÉXICO: SINONÍMIA  Se prestarmos bem atenção, uma palavra se encaixa melhor em determinados contextos, enquanto outra funciona melhor em outros cenários. Assim, podemos afirmar que os sentidos de duas palavras não são exatamente iguais:  O professor considerou que a questão era inocente.  O juiz sentenciou que o réu era inocente.  O professor considerou que a questão era ingênua.  O juiz sentenciou que o réu era ingênuo.  Como podemos ver, embora a palavra inocente signifique ingênuo, ela não funciona muito bem quando o contexto é o da magistratura. Um réu pode ser inocente (sem culpa) sem ser ingênuo (sem malícia)
  • 7. ESTUDO DO LÉXICO: SINONÍMIA  Precisamos aprender não a dizer que o sinônimo de uma palavra é X, mas verificar em que contextos ela funciona melhor. Se um professor pede um sinônimo de réu, alguém pode dizer acusado. Isoladamente as duas palavras têm sentido quase igual, mas não funcionam bem em determinados cenários:  Depois de ter sido acusado de destruir as provas do crime, procurou um advogado.  Depois de ter sido réu de destruir as provas do crime, procurou um advogado.
  • 8. ESTUDO DO LÉXICO: ANTONÍMIA  É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados diferentes, contrários - ANTÔNIMOS.  Na antonímia procedemos a uma operação que leva em conta a característica dos referentes. Não se trata de relação dos sentidos das palavras. Referentes são as coisas que as palavras representam, ou que as palavras constroem. A operação em que se opõem propriedades só tem sentido em determinada cultura ou contexto.  Assim dizer que uma coisa é contrário de outra tem sentido somente enquanto se apoia em conceitos gerais do que é bom e do que é ruim/mau.
  • 9. ESTUDO DO LÉXICO: HIPERONÍMIA/HIPONÍMIA
  • 10. ESTUDO DO LÉXICO: MERONÍMIA  Meronímia é a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que apresentam entre si relação de parte/todo. Exemplo: olhos, orelhas, nariz, boca fazem parte da cabeça; a cabeça, o tronco, os membros fazem parte do corpo; livros fazem parte de bibliotecas; maçaneta faz parte da fechadura, porta faz parte da casa.  Essas relações evidenciam a relação entre conhecimento de mundo e conhecimento lexical, conhecimento de como as coisas se organizam e se esquematizam em nossas experiências.
  • 11. ASSOCIAÇÃO SEMÂNTICA  A associação semântica deriva da proximidade de sentido que há entre as palavras. Assim, uma palavra puxa outra.  Tudo ao nosso redor está em contiguidade. E, por isso, as palavras com que expressamos nosso conhecimento e emoções também estão associadas, estabelecendo proximidades mais ou menos evidentes.  Sinônimos, hiperônimos, hipônimos, palavras meronímias funcionam em um texto como elos de uma cadeia.
  • 12. ASSOCIAÇÃO SEMÂNTICA  1. Pressuposições e inferências  Os implícitos fazem parte da nossa vida cotidiana. Se digo “está calor” e estou em um ambiente fechado, isto pode significar: “ligar o ventilador”, “ligar o ar- condicionado”, “abrir as janelas”, ou, simplesmente, “afaste-se um pouco”.  2.Efeitos de sentido  Para conseguir determinados efeitos, o enunciador tem à sua disposição os seguintes recursos: metáforas, metonímias, antíteses, hipérboles e outras figuras de linguagem.  Eufemismos, ex: “Pablo faltou com a verdade”. “Valter não está na melhor de sua forma física”.  Ambiguidade, ex: peças publicitárias, piadas, textos literários.
  • 13. ASSOCIAÇÃO SEMÂNTICA  3. Estratégias referenciais  As vezes, convém uma expressão abstrata, não específica, vaga. Os hiperônimos são, por exemplo, expressões genéricas: coisa, negócio, recurso, dispositivo.  4. Expressões cristalizadas  Elas podem ser usadas com propósito de aproximação do leitor. Nesse item, não se podem esquecer os provérbios que emprestam ao texto um sabor de “língua que usamos”; ausência de formalidade.  A escolha das palavras está subordinada às condições da atividade discursiva, do ambiente e do objeto de que se vai falar.  Gêneros de discurso: uma procuração tem um tema específico, que lhe é própria, diferente de um e-mail ou carta comercial.
  • 14. HOMONÍMIA  Chamamos de homonímia o fenômeno das palavras que apresentam a mesma estrutura fonológica, os mesmos fonemas, a mesma acentuação e ainda assim apresentam significados completamente divergentes!  A situação de uso, ou o contexto comunicacional, será responsável pela construção de sentidos na ocorrência da homonímia, portanto, não haverá nenhum prejuízo ao entendimento da mensagem.  Vão= substantivo (O vão entre uma cama e outra é grande);  Vão= adjetivo ( Isso tudo é vão, não vai resolver nosso problema);  Vão= verbo ir (Eles vão ao campo ver a partida do Vila Nova).
  • 15. HOMOFONIA  Homofonia é quando dois vocábulos possuem uma igualdade fonética, porém uma grafia diferente. Igualdade fonética significa que tem o mesmo som, e grafia diferente significa que se escreve de maneira diferente. Ou seja, palavras homofônicas são palavras que nós escrevemos de formas diferentes, mas que têm o mesmo som.  Coser= costurar, cozer= cozinhar  Cela= quarto para enclausuramento, sela= peça para arriar cavalo.
  • 16. ATIVIDADES Nº1) Assinale a alternativa na qual o antônimo está indicado corretamente. a) ( ) único, especial – genérico. b) ( ) desestimular, desanimar – ampliar. c) ( ) diminuir, reduzir – incentivar. d) ( ) calmo, tranquilo – merecimento. e) ( ) incapacidade, incompetência – irritado. Nº2) Os sinônimos de exilado, sustentar e banimento são, respectivamente: a) ( ) degradado - sustar - prescrição. b) ( ) degredado - sustar - proscrição. c) ( ) degredado - suster - proscrição. d) ( ) degradado - suster - prescrição. e) ( ) degradado - sustar - proscrição. Nº3) Faça uma lista de dez palavras tiradas do vocabulário geral que ganharam sentido técnico no Direito.