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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA BRASILEIRO
ESCATOLOGIA
Pr. Dalton de Souza Lima
PROGRAMA
UNIDADE I - DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA
UNIDADE II - A PERSPECTIVA CRISTÃ DA MORTE
1. A MORTE FÍSICA
2. A IMORTALIDADE DA ALMA
3. O ESTADO INTERMEDIÁRIO DA ALMA
4. ERROS A RESPEITO DO ESTADO DA ALMA
UNIDADE III - A VOLTA DE CRISTO
1. A NATUREZA DA VOLTA DE CRISTO
2. O TEMPO DA VOLTA DE CRISTO
3. COMO SERÁ A VOLTA DE JESUS
4. PROPÓSITOS DA VOLTA DE CRISTO
UNIDADE IV - O ESTADO DEFINITIVO DOS JUSTOS E DOS INJUSTOS
1. A REALIDADE DO CÉU
2. A REALIDADE DO INFERNO
UNIDADE V - FALSAS IDÉIAS SOBRE AS ÚLTIMAS COISAS
1. ANIQUILACIONISMO
2. RESTAURACIONISMO
UNIDADE VI - POSICIONAMENTOS QUANTO AO MILÊNIO
1. PRÉ-MILENISMO
2. PÓS-MILENISMO
3. AMILENISMO
UNIDADE VII - UMA INTRODUÇÃO A OUTRAS CORRENTES ESCATOLÓGICAS MODERNAS E
COMTEMPORÂNEAS
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SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS
SUMMERS, Ray. A vida no além. Trad. A. Ben Oliver. 2ª
edição. Rio de Janeiro. JUERP, 1979.
SCHALY, Harald. O pré-milenismo dispensacionalista `a luz do amilenismo. 2 ª edição. Rio de
Janeiro, JUERP, 1987.
SCHALY, Harald. Breve história da escatologia cristã. 2ª
edição. Rio de Janeiro, JUERP, 1992.
ERICKSON, Millard. Opções contemporâneas em escatologia. Trad. Gordon Chown. São Paulo,
Edições Vida Nova, 1989.
SHEDD, Russel Philip. A escatologia do novo testamento. São Paulo, Edições Vida Nova, 1989.
SHEDD, Russel Philip; PIERATT, Alan. Imortalidade. São Paulo, Edições Vida Nova, 1992.
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UNIDADE I - DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA
O vocábulo “escatologia” deriva do grego “eschaton”, que significa a culminação futura.
Genericamente, significa o estudo das últimas coisas e tudo que se relaciona a elas.
Num sentido mais amplo, o termo se aplica também a toda a atividade de Deus na história,
quer se olhe para o futuro, presente ou passado.
No Antigo Testamento, muitos textos tinham sentido escatológico para o povo de Israel por
referirem-se à vinda do Messias trazendo julgamento para aquele povo e salvação para os fiéis, e
inaugurando o Reino de Deus. Muitos destes textos apontavam esta vinda do Messias para os
últimos dias. O profeta Joel também anunciou o derramamento do Espírito Santo nos últimos dias.
Assim sendo, a vinda de Jesus e o imediatamente posterior derramamento do Espírito Santo foram
eventos escatológicos, que inauguraram uma nova etapa no plano de Deus que há de se completar
com a volta de Jesus.
Em seu sermão escatológico Jesus refere-se à destruição de Jerusalém como o primeiro
sinal de sua volta. Isso já se cumpriu. Também no Livro do Apocalipse há fatos que já se
cumpriram. Assim sendo, a escatologia não se refere somente a acontecimentos futuros. Deus tem
sempre intervido na história, encaminhando-a, dirigindo-a para a culminação que planejou: a
completa derrota do mal e a restauração do homem e do cosmos sob seu domínio eterno.
UNIDADE II - A PERSPECTIVA CRISTÃ DA MORTE
1. A MORTE FÍSICA
“Todas as idades e culturas consideram traumático o pensamento da morte”. (Packer in
imortalidade, p. 115). A morte não faz parte do plano original de Deus para o homem.
1.1 Natureza e causa da morte
É a dissolução da unidade entre o espírito e o corpo (Eclesiastes 12:17). No original grego,
a palavra traduzida como morte é “tánatos”, que significa literalmente separação. A morte traz,
como conseqüência, a cessação de qualquer atividade na terra.
Também implica na passagem para a eternidade (Lucas 16:19-31) e na manifestação do
juízo eterno de Deus sobre o indivíduo (Hebreus 9:27) ou de sua graça salvadora (João 5:24).
No Novo Testamento significa também o estado espiritual do pecador: sem Cristo e portanto
separado de Deus.
A Bíblia afirma que a morte (física e espiritual) é conseqüência do pecado (Gênesis 2:17,
Gênesis 3, Ezequiel 18:4, Romanos 6:23).
1.2 O conceito (ênfase) de Jesus sobre a morte
Jesus referiu-se à morte como sono (Mateus 9:24, Marcos 5:39, Lucas 8:52, João 11:11).
Em ambas as ocasiões ele ressuscitou mortos. Jesus não estava apresentando a idéia de sono da
alma. Estava empregando uma metáfora para descrever um estado transitório de cessação de
atividade do corpo, e também para afirmar que ele tem poder para resgatar-nos desse estado, tal e
qual alguém que desperta outro do sono.
Considerou como morte o estado espiritual de rebeldia e incredulidade diante dele (João
5:21 – 25).
Assim, para Jesus a morte física possui importância secundária, se comparada ao estado
de separação de Deus, e diante do seu poder de ressuscitar os crentes para a eterna bem –
aventurança (João 11:25 – 26).
1.3 O ensino de Paulo sobre a morte
Empregou a mesma terminologia de Jesus referindo-se à morte como sono (I
Tessalonicenses 4:13). Também aqui a metáfora é empregada em conexão com a ressurreição.
Portanto, a ênfase é a mesma dada por Jesus.
Paulo reafirmou o ensino veterotestamentário de que a morte foi introduzida pelo pecado
(Romanos 5:12, 6:23).
4
No propósito de Deus, Jesus destruiu a morte (II Timóteo 1:10). Entretanto, está realidade
só será completamente consumada no dia da ressurreição (I Coríntios 15:26, 54).
Para o cristão a morte não é derrota, mas uma vitória gloriosa (II Timóteo 4:6-8). Embora
seja um momento traumático, o Espírito Santo o fortalece. Assim o crente pode contemplar uma
vida bem empregada no serviço do Senhor, e ao olhar para frente, o galardão que nos está
reservado.
2. A IMORTALIDADE DA ALMA
2.1 No Antigo Testamento
Já está presente a idéia da imortalidade da alma. No hebraico, a palavra “queber” designa
sepultura, e “sheol” a existência ou estado da alma após a morte.
Tanto os justos como os ímpios vão para o sheol após a morte. Entretanto, alguns textos
evidenciam condições diferentes para justos e injustos. Alguns textos evidenciam até mesmo a
esperança da ressurreição. (Deuteronômio 32:22, Salmos 116:3, Provérbios 9:18, Jó 19:26-27,
Salmos 49:15, Daniel 12:2).
2.2 No Novo Testamento
No Novo Testamento é clara e desenvolvida a idéia da imortalidade da alma:
• Jesus afirmou a imortalidade da alma (Mateus 10:28, Lucas 16:19-31, Lucas 23:42-43)
• Moisés e Elias presentes na transfiguração de Jesus (Marcos 9:1-4)
• O apóstolo Paulo também ensinou a imortalidade da alma (II Timóteo 4:1, Filipenses 1:21-
23)
• O apóstolo João recebeu uma visão dos fiéis a Cristo no Céu (Apocalipse 6:9-12)
3. O ESTADO INTERMEDIÁRIO DA ALMA
Chamamos de estado intermediário da alma o período ou situação da alma entre o
momento da morte e a parousia, quando haverá a ressurreição, o juízo final, a derrota final de
Satanás e a nova criação.
3.1 É um estado de consciência
• Rico e Lázaro – Lucas 16:19-31
• Mártires clamando – Apocalipse 6:9-12
3.2 É um estado fixo
• João 3:17
• Rico e Lázaro – Lucas 16:26
• Presença ou separado de Deus, gozo ou sofrimento, sem possibilidade de mudança
3.2.1 Justos
• Com Deus (Filipenses 1:23, Lucas 23:42, Atos 7:59, II Coríntios 5:1-8)
• No paraíso (I Coríntios 23:42, II Coríntios 12:4, Apocalipse 2:7)
• Em descanso = bem-aventurança, descanso das lutas desta vida (Apocalipse 14:13,
6:9-12)
3.2.2 Ímpios
• Separados de Deus (Lucas 16:19-31, Mateus 25:31-46, Romanos 3:23)
• Sofrendo castigo (Lucas 23:42, II Pedro 2:9, Romanos 6:23)
• No Hades. No grego, hades significa, literalmente, “não ver”. Refere-se ao mundo não
visto, ao além. O Novo Testamento emprega esta palavra onze vezes, com o sentido
de:
a) Referência geral ao sepulcro (Atos 2:27-31, I Coríntios 15:55, Apocalipse 1:18, 6:8)
b) Como referência ao lugar dos injustos mortos (Lucas 16:23, Apocalipse 20:14)
c) Como referência ao sentido implícito de inferno (Mateus 11:23, Lucas 10:15, Mateus
16:18, Apocalipse 20:14).
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Assim, concluímos que, tratando-se do estado intermediário dos ímpios, o termo “hades”
adquire o significado de inferno.
3.3 É um estado incompleto
As almas aguardam pela ressurreição – I Coríntios 15, Apocalipse 20:11-13.
4. ERROS A RESPEITO DO ESTADO DA ALMA
4.1 O sono da alma
A alma ficaria inconsciente até o dia da ressurreição (veja explicação dos textos que usam a
metáfora do “sono” em 1.2 e 1.3, e a refutação em 3.1)
4.2 O purgatório
Um local ou estado da alma que não é o Céu nem o Inferno, em que a alma fica sofrendo.
Não pode adquirir mérito para sair dali para o Céu, mas as missas e orações em favor do morto
podem fazer isto.
Textos utilizados pelos católicos em favor desse dogma:
II Macabeus 12:43 - Texto apócrifo, rejeitado pelos próprios judeus. Fere todo o
ensinamento bíblico de outros textos, como Ezequiel 18:4, 20, 21, Hebreus 9:27, etc.
Lucas 16 – Lázaro no seio de Abraão estaria no purgatório. O texto diz que Lázaro estava
sendo consolado.
Mateus 5:25-26 – Uma parábola em que o devedor é lançado na prisão até pagar tudo que
deve. Não pode ser o purgatório, pois segundo o próprio dogma católico, lá ninguém pode pagar
pelos próprios pecados.
I Pedro 3:18-20 – Os espíritos em prisão aos quais Cristo pregou seriam os do purgatório.
Na verdade, Cristo pregou nos dias de Noé aos espíritos aprisionados pelo pecado, através do
próprio Noé.
Examine 3.2 para refutar este erro.
4.3 O limbo
Local ou estado da alma da criança que morre sem o batismo. Não está sofrendo, mas
também não está no Céu. Dali só sairá no dia da ressurreição.
Jesus ensinou que o Reino de Deus é das criancinhas (Marcos 10:14). Sendo ainda puras e
ingênuas, vão para o Céu.
Examine também 3.2 para refutar este erro.
UNIDADE III – A VOLTA DE CRISTO
1. A NATUREZA DA VOLTA DE CRISTO
1.1 Pessoal
Jesus Cristo voltará em pessoa (Atos 1:11, I Tessalonicenses 4:16)
1.2 Visível
Mateus 24:30, Apocalipse 1:7, Atos 1:11 – “Há de vir como para o Céu o vistes ir”.
1.3 Gloriosa e triunfante
Mateus 24:30, Mateus 16:27, Tito 2:13
Na primeira vinda, Jesus veio como servo sofredor. Em sua Segunda vinda, virá em majestade e
glória como Senhor, e julgará os homens.
1.4 Repentina
Mateus 24:36-39, 42-44, Marcos 13:33-37, II Pedro 3:10
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2. O TEMPO DA VOLTA DE CRISTO
2.1 Impossível estabelecer
Mateus 24:36, 42, Marcos 13:32-33.
Todos que tentam estabelecer uma data ou época para a volta de Jesus contrariam a
Palavra de Deus.
2.2 Precedido por sinais
Marcos 13, Mateus 24, Lucas 21, II Tessalonicenses 2:1-12.
Tais sinais começaram a cumprir-se com a ressurreição de Cristo, a destruição de
Jerusalém , etc.
2.3 Época de grande pecado e iniqüidade
II Pedro 3:3, II Tessalonicenses 2:3.
A pecaminosidade da humanidade será tão grande como foi nos dias de Noé, quando Deus
manifestou seu juízo sobre a humanidade através do dilúvio. Isto acontecerá porque a humanidade
apostatará, ou seja, fará sua opção definitiva de voltar as costas para Deus, fechando-se à atuação
do Espírito Santo.
2.4 Época em que os homens julgar-se-ão auto-suficientes para solucionarem seus
problemas
I Tessalonicenses 5:3
Jesus virá em uma época em que os homens estarão convencidos em que estão em paz e
segurança, ou seja, acreditando que conseguiram, ou estão próximos de, estabelecer a paz no
mundo e resolver os principais problemas que afligem a humanidade. Estarão tomados por um
sentimento de auto-suficiência para resolverem seus problemas.
3. COMO SERÁ A VOLTA DE JESUS
A noção de como será a volta de Jesus é dada em alguns textos do Novo Testamento. As
divergências quanto a esta noção decorrem principalmente da interpretação do capítulo 20 do Livro
do Apocalipse, que afirma que Satanás será acorrentado durante mil anos. Os literalistas dividem-
se em pré-milenistas e pós-milenistas. Os amilenistas interpretam simbolicamente o referido texto.
Todas estas correntes, entretanto, concordam que:
• Jesus voltará
• Sua volta será precedida por sinais
• Antes de sua volta Satanás se manifestará com grande poder
• Jesus lançará Satanás no inferno por toda a eternidade, juntamente com os seus anjos.
• Jesus ressuscitará os mortos
• Jesus fará o juízo final
• Jesus lançará todos os pecadores no inferno
• Deus fará uma nova criação, onde os salvos habitarão com ele por toda a eternidade.
4. PROPÓSITOS DA VOLTA DE CRISTO
4.1 A ressurreição dos mortos
I Coríntios 15 e Apocalipse 20:12-13
Paulo afirmou que um último inimigo resta ser vencido: a morte (I Cor. 15:26). Isto ocorrerá
com a volta de Jesus. Ele restaurará o ser humano também fisicamente.
4.2 O juízo final
Mateus 25:31-46, Apocalipse 20:10-15, 21:1-8, Apocalipse 22:3
O poder, a justiça e a misericórdia de Deus triunfarão na história do homem. O pecador não
ficará impune. Os que se arrependeram e confiaram na graça de Cristo estão perdoados e serão
participantes da glória de Cristo.
Satanás, o criador do pecado será impedido de agir para sempre. Será completamente
vencido, aprisionado, e eternamente atormentado.
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4.3 A consumação do Reino de Cristo
Apocalipse 20:2-3, Filipenses 2:9-11
A vitória e o senhorio de Cristo devem ser manifestos diante de todos os seres humanos, de
todas as épocas, e também diante de todos os seres angelicais. Todos terão de se submeter ao seu
domínio, mesmo aqueles que hoje não o reconhecem, ou até mesmo fazem oposição.
4.4 Restauração da ordem no cosmos (a nova criação)
II Pedro 3:7, 10-13, e Apocalipse 21:1-22:5
A Bíblia afirma que, não só o homem foi corrompido pelo pecado, mas também a criação (Gênesis
3:17-18, Romanos 8:20-22). Não sabemos como um fato espiritual pode afetar diretamente a
natureza física do universo, pois a Bíblia não explica isto. Ela apenas afirma que é assim. O
universo físico foi corrompido pelo pecado, e não funciona mais como Deus o criou originalmente.
Está decadente. O apóstolo Pedro diz que os elementos ardendo se fundirão, e que os céus
passarão com grande estrondo. A velha criação desaparecerá para dar lugar à nova criação. Esta
não será contaminada pelo pecado. Tudo será perfeito, e teremos novos corpos adequados a esta
nova criação. Será a nova Jerusalém, a habitação de Deus com os homens. Assim, o propósito
original de Deus para o homem e para a criação será plenamente restaurado.
UNIDADE IV – O ESTADO DEFINITIVO DOS JUSTOS E INJUSTOS
(Apocalipse 20:12 - 21:8)
Em Mateus 25:46 Jesus deixa claro que a vida eterna não tem fim, assim como o castigo
eterno também não terá fim. O estado de bem-aventurança dos justos, ou o tormento dos injustos,
há de ser completado pela ressurreição, pois no estado intermediário das almas estão incorpóreos.
Entretanto, após a ressurreição e o juízo final, os injustos serão novamente lançados no inferno, e
os justos habitarão a nova criação.
1. A REALIDADE DO CÉU (II Pedro 3:13, Apocalipse 21:1 – 22:5)
Os salvos habitarão a nova criação. Entretanto, o Apocalipse fala também que a Nova
Jerusalém descerá do Céu e se estabelecerá na nova criação. Ou seja, a morada celestial do Deus
altíssimo estará entre os salvos. Também transmite a idéia de que a nova criação está inserida na
eternidade e participando dela.
2. A REALIDADE DO INFERNO (Mateus 25:41, Lucas 13:28, Apocalipse 20:10, 15)
Após o juízo final os injustos retornarão ao inferno. Jesus o descreve como fogo eterno,
preparado para o Diabo e seus anjos. Também afirmou, em Lucas, que será lugar de sofrimento e
remorsos intensos (“choro e ranger de dentes”). Tal sofrimento será agravado pela possibilidade de
presenciarem, no dia do juízo, que ficaram fora do Céu. Tal lembrança acompanhará os injustos por
toda a eternidade. Assim, o sofrimento também será moral.
O Livro do Apocalipse também descreve o inferno como um lugar de fogo, e o chama de
Segunda morte (20:14, 21:8). É a concretização da total e eterna separação de Deus, resultante do
pecado, conforme Romanos 6:23.
UNIDADE V – FALSAS IDÉIAS SOBRE AS ÚLTIMAS COISAS
1. ANIQUILACIONISMO
Trata-se da heresia que afirma que, as almas dos injustos serão completamente
aniquiladas, ou seja, deixarão de existir. Há quem chegue a afirmar que também Satanás e seus
anjos deixarão de existir. Testemunhas de Jeová crêem no aniquilacionismo.
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2. RESTAURACIONISMO
É a heresia que afirma que todos se salvarão no dia da volta de Jesus. Com a derrota do
pecado, aqueles que estão no inferno serão restaurados por Deus, e também habitarão no Céu.
Esta idéia tem suas raízes em Orígenes, teólogo da escola de Alexandria que viveu no século III da
era cristã (ver história da teologia I).
Esta idéia também não encontra base na Bíblia. Os textos estudados ao longo do semestre
demonstram que, depois de morto, a condenação do pecador não pode ser alterada. A condenação
só pode ser removida quando em vida, pela escolha consciente de submeter-se a Jesus.
UNIDADE VI – POSICIONAMENTOS QUANTO AO MILÊNIO
Apocalipse 20
1. PRÉ-MILENISMO
Resulta da interpretação literal dos versículos 1 a 9. Afirma que ao voltar, Jesus
estabelecerá um reino que dominará todas as nações neste mundo. Decorridos 1000 anos, Satanás
se libertará e fará guerra contra Jesus, pois enganará as nações e liderará um grande exército.
Será vencido. Jesus realizará o juízo final, Satanás será para sempre aprisionado no inferno e Deus
fará a nova criação.
O pré-milenismo divide-se em duas correntes principais: o histórico e o dispensacionalismo.
1.1 Pré-milenismo dispensacionalista
1.1.1 Origem
Dispensacionalismo é o sistema teológico que afirma que a história humana divide-se em
sete dispensações de Deus ao homem:
• O homem em inocência
• O Homem sob consciência
• O homem em autoridade sobre a terra
• O homem sob a promessa
• O homem sob a lei
• O homem sob a graça
• O homem sob o reino pessoal de Cristo
As idéias básicas do dispensacionalismo surgiram entre os jesuítas espanhóis entre 1.550 e
1.630. No século XIX teólogos protestantes da inglaterra as assimilaram e desenvolveram. O
principal deles foi John Nelson Darby. Popularizado pela Bíblia Scofield, infiltrou-se em várias
denominações e organizações evangélicas.
Scofield nasceu em 1843. Era advogado, converteu-se aos 36 anos e aos 39 foi consagrado
pastor congregacional, mesmo sem cursar teologia. Anos mais tarde, com a ajuda de outros líderes
dispensacionalistas, editou a Bíblia com referências que leva o seu nome.
Os principais centros de ensino teológico a difundir o dispensacionalismo foram o Moody
Bible Institute e o Dallas Theological Seminary.
No Brasil, as seguintes denominações e organizações evangélicas adotam o
dispensacionalismo:
• Igrejas filiadas à Convenção Batista Regular
• Grande parte das Igrejas Assembléia de Deus
• Organizações Palavra da Vida
• Ministério Palavra da Fé (Valnice Milhomens)
• Organização Chamada da Meia Noite (Win Malgo)
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1.1.2 Pressupostos
• Entendem que a maior parte dos textgos bíblicos devem ser interpretados literalmente.
• Todas as profecias do antigo testamento ignoram a igreja completamente, e só podem
ser aplicadas ao povo de Israel.
• Quase todas se cumprirão após o arrebatamento da igreja, durante sete anos, e no
milênio, onde os crentes terão participação secundária.
A igreja não é a culminação do plano de Deus para a humanidade, mas sim um “parêntese”
introduzido por Deus devido a rejeição de Jesus por parte dos judeus. Com o arrebatamento da
igreja, o povo judeu volta a ocupar lugar de primazia no plano de Deus.
Dentro dos sete anos seguintes ao arrebatamento, os judeus reconstruirão o templo e
restaurarão sacrifícios. Ainda na metade deste período serão oprimidos pelo Anti-Cristo. No final
deste período Jesus virá em socorro ao povo judeu. Será reconhecido e aclamado rei pelos
judeus, estabelecendo o milênio.
Jesus reinará durante o milênio para que as profecias do Antigo Testamento sobre o povo
de Israel possam se cumprir durante este período.
Os dispensacionalistas crêem que Paulo reconheceu este “parêntese” da igreja, pois em
Efésios 3:2 aparece a expressão “dispensassão da graça de Deus”. (Se compararmos com I
Cor 4:1, perceberemos que não é este o verdadeiro sentido).
1.1.3 Contradições bíblicas do pré milenismo dispensacionalista
• As profecias do Antigo Testamento com respeito a Israel já se cumpriram. As profecias que
dizem respeito à restauração de Judá e do culto sacrificial cumpriram-se com o retorno do
exílio babilônico. As que fazem referência ao juízo sobre Israel e Judá cumpriram-se com o
exílio, e posteriormente, com a vinda do Messias, quando o remanescente do povo de Israel,
os judeus, rejeitou a Jesus (Mat 5:9,10 21:33-45). As profecias de bênçãos sobre Israel que
não se cumpriram, nunca mais se cumprirão, pois Deus as condicionou à fidelidade do povo
(Deuteronômio 28 e 30). Não há necessidade de um reino milenar para que elas se cumpram.
• Os judeus, como nação, povo ou raça, não são mais povo de Deus (Mat 21:33-45, Rom
11:20)
• Os cristãos formam o verdadeiro povo de Deus. (I Pedro 2:9-10, Gal 3:29).
• A igreja está no centro da atuação de Deus. (Efs 5:25-27, 32 Apoc 22:17, I Cor 12:27, Efs
1:22-23, I Pedro 2:9-10). Ela é chamada de noiva de Cristo, Corpo de Cristo, povo santo e
nação eleita.
• Jesus e os apóstolos ensinaram que a volta dele será imediatamente seguida do juízo final
(Mat 25:31-33, 41-46, II Pedro 3:7, 10)
• Não há menção ao milênio nos evangelhos ou nas epístolas. Somente no cap. 20 do
Apocalípse, e em linguagem simbólica.
• A primeira ressurreição à qual se refere Apoc 20:5 é a conversão (Apoc 20:6, Rom 6 João
5:24).
• Não haverá uma primeira volta de Jesus, secreta, para arrebatar a igreja, seguida do milênio
e da ressurreição. (I Tes 4: 16-17). O momento da volta de Jesus será um só, cercado de
alarde, e em seguida virá a ressurreição dos salvos. Todos os salvos serão arrebatados para
participarem do seu cortejo vitorioso.
• Não há base na Bíblia para afirmar que acontecerá uma grande tribulação dos judeus
imediatamente antes da volta de Jesus. No sermão escatológico de Jesus, registrado nos
evangelhos sinóticos, mencionam-se duas situações distintas: a destruição de Jerusalém, que
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cumpriu-se em 70 d.C., e a perseguição aos crentes, que tem acontecido desde os tempos
apostólicos.
1.2 Pré-milenismo histórico
Não faz distinção entre igreja e Israel. Assim, não coloca os judeus em evidência no milênio.
Não aceita as dispensações, nem a igreja como parêntese no plano de Deus. Afirma que o milênio
é necessário para que se cumpra a profecia de que “a terra será cheia do conhecimento do Senhor”
(Isaias 11:9 e Habacuque 2:14). Entretanto, o próprio Senhor Jesus anunciou que isto aconteceria
antes da sua volta (Mateus 24:14 e Marcos 13:10).
É a forma mais antiga de pré-milenismo, adotada por alguns cristãos ao longo da história do
cristianismo.
2. PÓS-MILENISMO
Advoga também um milênio literal. A diferença é que a volta de Jesus será após o milênio.
Ensina que o Evangelho será pregado a todas as nações, e elas se converterão. O poder
transformador do Evangelho derrotará o mal e implantará o Reino de Justiça. Os santos então
possuirão a terra. Ao final do milênio, Satanás tentará recuperar a lealdade dos homens. Então
Jesus voltará e realizará o juízo final.
Não há como conciliar o pós-milenismo com II Tessalonicenses 2 e Apocalipse 20.
3. AMILENISMO
Interpreta o milênio simbolicamente. Não crê, portanto, num reino terreno e político de Jesus
durante mil anos. Baseiam-se no seguinte:
• Jesus não mencionou nenhum reino milenar. Seu sermão escatológico passa da narrativa dos
sinais diretamente para a narrativa de sua volta e realização do juízo final.
• As epístolas também não mencionam um reino de mil anos. Falam da volta de Jesus e em
seguida do juízo final.
• O livro do Apocalipse usa linguagem simbólica ou alegórica. O único texto que cita o reino
milenar de Cristo é Apoc. 20. Não há sentido em interpretá-lo literalmente se o livro foi escrito em
linguagem simbólica. Cria-se uma grande dificuldade hermenêutica.
• O reino de Jesus não é de natureza terrena, mas espiritual. (João 18:36, Lucas 17:21)
• O reino de Jesus já começou (Marcos 1:15, Mat 28:18). Iniciou-se com o seu ministério, sua
morte e ressurreição, e com o derramamento do Espírito Santo. Suplantou o Império Romano, e
se consumará com a volta de Cristo (Livro do Apocalipse).
• Satanás está amarrado, ou seja, impedido de atuar e manifestar-se com todo o seu poder, pela
atuação do Espírito Santo e da igreja. (II Tes 2:7, 3). Quando vier a grande apostasia, os homens
endurecerão seus corações contra o Espírito Santo. Satanás então se manifestará com todo o
seu poder usando o “homem da iniqüidade” (II Tes 2:3-10). Jesus voltará e o destruirá facilmente
com seu grande poder (“sopro de sua boca” v. 8). Satanás e seus anjos serão para sempre
atormentados no inferno (Apoc 20:10).
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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA BRASILEIRO - ESCATOLOGIA
Pr. Dalton de Souza Lima
Alguns textos bíblicos distintos mencionam as expressões “anticristo(s)”, “besta” e “homem
da iniquidade” Há autores que identificam estas três expressões com um único personagem, que
surgiria imediatamente antes da volta de Jesus. Entretanto, esta idéia parece ter-se desenvolvido
mais como fruto da influência da literatura apocalíptica judaica e, posteriormente, do
dispensacionalismo do que como resultado de reflexão bíblica. Examinando os textos com atenção,
percebemos que são personagens distintos.
1. O ANTICRISTO. (I e II João)
Não há menção a “anticristo” no Livro do Apocalipse. A expressão aparece, e também no
plural, nas epístolas de João (I João 2:18, 4:3, e II João 7). No singular, parece referir-se ao próprio
Diabo, fonte de todo engano, falsa doutrina e apostasia (I João 4:3, II João 7).No plural identifica os
heréticos que servem ao Diabo ensinando falsidades a respeito de Cristo (I João 2:18). É bem
provável que João estivesse referindo-se aos precursores do gnosticismo que estavam infiltrando-
se nas igrejas da Ásia Menor e ensinando uma falsa cristologia.
À primeira vista, pode parecer que João falava de um anticristo que viria na época
imediatamente antes da parousia. Entretanto, ele afirmava que já viviam a última hora, e que ao
invés de um, muitos anticristos já haviam surgido (I João 2:18).
2. A BESTA. (Apocalipse)
O Livro do Apocalipse menciona uma besta que subiu do mar (13:1-10, 18) e uma besta que
subiu da terra (13:11-17). A primeira besta simboliza o império romano, personificado em seus
imperadores (13:1-2). Sua descrição é a mesma do animal que representa o império romano em
Daniel 7:7-8, 17-28. Outra evidência de que trata-se do império romano é o fato de essa besta
possuir autoridade sobre todos os povos (Apoc. 13:7). A mesma recebeu sua autoridade de
Satanás (13:4) e persegue os cristãos (13:7). Isto é exatamente o que o Império romano fazia nos
dias de João.
A menção a uma das cabeças da besta que foi ferida de morte, sendo curada de maneira
maravilhosa, (13:3) reporta ao assassinato de Júlio César, considerado o primeiro imperador
romano, em 44 a C.. Este ato foi o ápice de conspirações políticas de vários grupos que lutavam
pelo poder. Júlio César fora um estadista da república de Roma. Assumiu o poder máximo em
Roma, sufocou rebeliões e liderou campanhas militares, expandindo as fronteiras de Roma por todo
o mundo. Seu assassinato colocou em risco a estabilidade e integridade do império romano, e
portanto, sua própria continuidade. Entretanto, contrariando toda a situação desfavorável, o império
romano sobreviveu, e todos os imperadores romanos subsequentes adotaram o título de “César”.
A adoração a esta besta refere-se ao culto ao imperador Domiciano (13:4-6, 8), que
blasfemava contra Deus atribuindo divindade a si mesmo (13:5 refere-se a ele). A besta é
personificada por um homem cujo número é 666. Na simbologia judaica o número 6 representa
malignidade. Uma pessoa cujo número é 666 representa um indivíduo extremamente maligno. Os
romanos referiam-se a Domiciano como “novo Nero”, devido à sua maldade só comparável à de
Nero. Em hebraico, os números são expressos por letras. As letras de 666 formam uma forma
imperfeita do nome “Neron Kaiser” (Nero César). Segundo Clemente (escritor cristão do século III)
em grego forma “o reino latino”. Todas as duas interpretações do número são cabíveis, pois
dirigindo-se aos leitores da época. João insinua que é possível saber de quem se trata pela
interpretação deste número (13:18). Isto seria muito fácil para os destinatários do Livro do
Apocalipse, uma vez que estavam habituados a usar letras para representar números.
A segunda besta refere-se ao culto estatal organizado, encarregado de promover a
adoração ao imperador (13:12) e eliminar qualquer resistência (13:15). Para isto, além da força
militar do império, utilizavam também truques de ilusionismo e ventriloquismo (13:12-15). Também
eram distribuídas pequenas imagens do imperador Domiciano. Para efetuar qualquer transação era
necessário apresenta-la. Este fato corresponde perfeitamente ao que é descrito como um sinal ou
nome da besta para poder comprar e vender (13:16-17).
O ANTI CRISTO, A BESTA E O HOMEM DA INIQUIDADE
12
Na realidade, quem estava sendo adorado através daquele culto ao imperador, e de todas
as outras formas idolátricas de culto toleradas e disseminadas pelo império romano, era o próprio
Satanás (13:4).
O falso profeta é identificado com a segunda besta, pois se dedica a induzir as pessoas à
adoração da besta por meio do engano. Provavelmente refere-se aos sacerdotes romanos que
recebiam dinheiro do estado para promover o culto estatal.
João afirma que a besta e o falso profeta foram lançados vivos no lago que arde com fogo e
enxofre (19:20). Isto significa o juízo divino, súbito e implacável, sobre o sistema político e religioso,
em plena atividade, que dedicava-se a perseguir os cristãos e a se opor a Deus.
3. O HOMEM DA INIQUIDADE (II Tessalonicenses 2:1-10)
Paulo afirma que, antes da volta de Jesus, haveria de surgir o “homem da iniquidade” (II
Tess. 2:1-3). Virá em ocasião oportuna, quando a ação do Espírito Santo será rejeitada pela
apostasia dos homens (v. 3, 7-8). Ao fechar-se para a ação do Espírito Santo, a humanidade
escolherá o pecado e as falsas religiões, ensejando a ação satânica em toda plenitude, com o
surgimento deste “filho da perdição”.
Paulo refere-se a ele como “aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama
Deus ou é objeto de adoração...” (v. 4). Ao empregar o verbo no presente, indica a própria ação de
Satanás, que já se opõe contra Deus. No versículo 7, ele afirma que “o mistério da iniqüidade já
opera”. O homem da iniquidade será, portanto, a culminação da oposição de Satanás contra contra
Deus. Esta afirmação de Paulo no v. 4 também indica que ele perseguirá os verdadeiros cristãos.
Há uma grande diferença entre este personagem e a besta do Apocalipse. Enquanto a
besta tolerava outras religiões, desde que também lhe prestassem culto, o “homem da iniqüidade”
não tolerará adoração a mais ninguém, apresentando-se ele próprio como Deus (v. 4).
Este homem terá sucesso (eficácia) em conseguir a adesão da humanidade através de
falsos prodígios, engendrados pelo próprio poder de Satanás.(v. 9). Conseguirá iludir os homens
ímpios apresentando-lhes uma falsa e pecaminosa esperança (“engano da injustiça” v. 10). A
adesão da humanidade às mentiras deste homem servem para julgamento dos homens daquela
geração, no sentido de se manifestarem aqueles que têm prazer no pecado, e por isso rejeitam a
verdade (v. 11-12).
O domínio do “homem da iniquidade” será breve. Paulo nos afirma que logo em seguida
Jesus voltará e o destruirá com toda a facilidade (v. 8).
Conclusão
Não podemos, portanto, afirmar que as três expressões refiram-se a um mesmo
personagem. São personagens distintos. A besta representa o império romano com o seu culto ao
imperador perseguindo o cristianismo por todo o mundo ocidental daquela época. O anticristo é o
próprio Diabo, fonte de todo engano, trabalhando para afastar os homens da verdade por meio da
disseminação de falsas doutrinas. Anticristos são todos os homens que são utilizados por ele neste
propósito. E o “homem da iniquidade” será instrumento de Satanás na culminação de sua oposição
ao cristianismo. Todos são resultado da atuação satânica, e têm em comum o uso da mentira
falsificada em verdade com a intenção de seduzir e enganar os homens, afastando-os do
Evangelho.
É necessário que todos os servos de Deus estejam atentos, buscando discernimento
através do Estudo da Palavra de Deus e da oração, para não serem enganados pelas falsificações
do cristianismo, engendradas nas oficinas de Satanás. Além disto, é necessário que preguemos a
Palavra de Deus com afinco, pois é ela a arma que destrói as obras do inimigo, fazendo o Reino de
Deus triunfar (Efésios 6:17).
• Podemos afirmar que os três personagens descritos são um único personagem? Porque?
• Quais as semelhanças entre eles? O que representam, essencialmente, estas semelhanças?

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  • 1. 1 SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA BRASILEIRO ESCATOLOGIA Pr. Dalton de Souza Lima PROGRAMA UNIDADE I - DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA UNIDADE II - A PERSPECTIVA CRISTÃ DA MORTE 1. A MORTE FÍSICA 2. A IMORTALIDADE DA ALMA 3. O ESTADO INTERMEDIÁRIO DA ALMA 4. ERROS A RESPEITO DO ESTADO DA ALMA UNIDADE III - A VOLTA DE CRISTO 1. A NATUREZA DA VOLTA DE CRISTO 2. O TEMPO DA VOLTA DE CRISTO 3. COMO SERÁ A VOLTA DE JESUS 4. PROPÓSITOS DA VOLTA DE CRISTO UNIDADE IV - O ESTADO DEFINITIVO DOS JUSTOS E DOS INJUSTOS 1. A REALIDADE DO CÉU 2. A REALIDADE DO INFERNO UNIDADE V - FALSAS IDÉIAS SOBRE AS ÚLTIMAS COISAS 1. ANIQUILACIONISMO 2. RESTAURACIONISMO UNIDADE VI - POSICIONAMENTOS QUANTO AO MILÊNIO 1. PRÉ-MILENISMO 2. PÓS-MILENISMO 3. AMILENISMO UNIDADE VII - UMA INTRODUÇÃO A OUTRAS CORRENTES ESCATOLÓGICAS MODERNAS E COMTEMPORÂNEAS
  • 2. 2 SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS SUMMERS, Ray. A vida no além. Trad. A. Ben Oliver. 2ª edição. Rio de Janeiro. JUERP, 1979. SCHALY, Harald. O pré-milenismo dispensacionalista `a luz do amilenismo. 2 ª edição. Rio de Janeiro, JUERP, 1987. SCHALY, Harald. Breve história da escatologia cristã. 2ª edição. Rio de Janeiro, JUERP, 1992. ERICKSON, Millard. Opções contemporâneas em escatologia. Trad. Gordon Chown. São Paulo, Edições Vida Nova, 1989. SHEDD, Russel Philip. A escatologia do novo testamento. São Paulo, Edições Vida Nova, 1989. SHEDD, Russel Philip; PIERATT, Alan. Imortalidade. São Paulo, Edições Vida Nova, 1992.
  • 3. 3 UNIDADE I - DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA O vocábulo “escatologia” deriva do grego “eschaton”, que significa a culminação futura. Genericamente, significa o estudo das últimas coisas e tudo que se relaciona a elas. Num sentido mais amplo, o termo se aplica também a toda a atividade de Deus na história, quer se olhe para o futuro, presente ou passado. No Antigo Testamento, muitos textos tinham sentido escatológico para o povo de Israel por referirem-se à vinda do Messias trazendo julgamento para aquele povo e salvação para os fiéis, e inaugurando o Reino de Deus. Muitos destes textos apontavam esta vinda do Messias para os últimos dias. O profeta Joel também anunciou o derramamento do Espírito Santo nos últimos dias. Assim sendo, a vinda de Jesus e o imediatamente posterior derramamento do Espírito Santo foram eventos escatológicos, que inauguraram uma nova etapa no plano de Deus que há de se completar com a volta de Jesus. Em seu sermão escatológico Jesus refere-se à destruição de Jerusalém como o primeiro sinal de sua volta. Isso já se cumpriu. Também no Livro do Apocalipse há fatos que já se cumpriram. Assim sendo, a escatologia não se refere somente a acontecimentos futuros. Deus tem sempre intervido na história, encaminhando-a, dirigindo-a para a culminação que planejou: a completa derrota do mal e a restauração do homem e do cosmos sob seu domínio eterno. UNIDADE II - A PERSPECTIVA CRISTÃ DA MORTE 1. A MORTE FÍSICA “Todas as idades e culturas consideram traumático o pensamento da morte”. (Packer in imortalidade, p. 115). A morte não faz parte do plano original de Deus para o homem. 1.1 Natureza e causa da morte É a dissolução da unidade entre o espírito e o corpo (Eclesiastes 12:17). No original grego, a palavra traduzida como morte é “tánatos”, que significa literalmente separação. A morte traz, como conseqüência, a cessação de qualquer atividade na terra. Também implica na passagem para a eternidade (Lucas 16:19-31) e na manifestação do juízo eterno de Deus sobre o indivíduo (Hebreus 9:27) ou de sua graça salvadora (João 5:24). No Novo Testamento significa também o estado espiritual do pecador: sem Cristo e portanto separado de Deus. A Bíblia afirma que a morte (física e espiritual) é conseqüência do pecado (Gênesis 2:17, Gênesis 3, Ezequiel 18:4, Romanos 6:23). 1.2 O conceito (ênfase) de Jesus sobre a morte Jesus referiu-se à morte como sono (Mateus 9:24, Marcos 5:39, Lucas 8:52, João 11:11). Em ambas as ocasiões ele ressuscitou mortos. Jesus não estava apresentando a idéia de sono da alma. Estava empregando uma metáfora para descrever um estado transitório de cessação de atividade do corpo, e também para afirmar que ele tem poder para resgatar-nos desse estado, tal e qual alguém que desperta outro do sono. Considerou como morte o estado espiritual de rebeldia e incredulidade diante dele (João 5:21 – 25). Assim, para Jesus a morte física possui importância secundária, se comparada ao estado de separação de Deus, e diante do seu poder de ressuscitar os crentes para a eterna bem – aventurança (João 11:25 – 26). 1.3 O ensino de Paulo sobre a morte Empregou a mesma terminologia de Jesus referindo-se à morte como sono (I Tessalonicenses 4:13). Também aqui a metáfora é empregada em conexão com a ressurreição. Portanto, a ênfase é a mesma dada por Jesus. Paulo reafirmou o ensino veterotestamentário de que a morte foi introduzida pelo pecado (Romanos 5:12, 6:23).
  • 4. 4 No propósito de Deus, Jesus destruiu a morte (II Timóteo 1:10). Entretanto, está realidade só será completamente consumada no dia da ressurreição (I Coríntios 15:26, 54). Para o cristão a morte não é derrota, mas uma vitória gloriosa (II Timóteo 4:6-8). Embora seja um momento traumático, o Espírito Santo o fortalece. Assim o crente pode contemplar uma vida bem empregada no serviço do Senhor, e ao olhar para frente, o galardão que nos está reservado. 2. A IMORTALIDADE DA ALMA 2.1 No Antigo Testamento Já está presente a idéia da imortalidade da alma. No hebraico, a palavra “queber” designa sepultura, e “sheol” a existência ou estado da alma após a morte. Tanto os justos como os ímpios vão para o sheol após a morte. Entretanto, alguns textos evidenciam condições diferentes para justos e injustos. Alguns textos evidenciam até mesmo a esperança da ressurreição. (Deuteronômio 32:22, Salmos 116:3, Provérbios 9:18, Jó 19:26-27, Salmos 49:15, Daniel 12:2). 2.2 No Novo Testamento No Novo Testamento é clara e desenvolvida a idéia da imortalidade da alma: • Jesus afirmou a imortalidade da alma (Mateus 10:28, Lucas 16:19-31, Lucas 23:42-43) • Moisés e Elias presentes na transfiguração de Jesus (Marcos 9:1-4) • O apóstolo Paulo também ensinou a imortalidade da alma (II Timóteo 4:1, Filipenses 1:21- 23) • O apóstolo João recebeu uma visão dos fiéis a Cristo no Céu (Apocalipse 6:9-12) 3. O ESTADO INTERMEDIÁRIO DA ALMA Chamamos de estado intermediário da alma o período ou situação da alma entre o momento da morte e a parousia, quando haverá a ressurreição, o juízo final, a derrota final de Satanás e a nova criação. 3.1 É um estado de consciência • Rico e Lázaro – Lucas 16:19-31 • Mártires clamando – Apocalipse 6:9-12 3.2 É um estado fixo • João 3:17 • Rico e Lázaro – Lucas 16:26 • Presença ou separado de Deus, gozo ou sofrimento, sem possibilidade de mudança 3.2.1 Justos • Com Deus (Filipenses 1:23, Lucas 23:42, Atos 7:59, II Coríntios 5:1-8) • No paraíso (I Coríntios 23:42, II Coríntios 12:4, Apocalipse 2:7) • Em descanso = bem-aventurança, descanso das lutas desta vida (Apocalipse 14:13, 6:9-12) 3.2.2 Ímpios • Separados de Deus (Lucas 16:19-31, Mateus 25:31-46, Romanos 3:23) • Sofrendo castigo (Lucas 23:42, II Pedro 2:9, Romanos 6:23) • No Hades. No grego, hades significa, literalmente, “não ver”. Refere-se ao mundo não visto, ao além. O Novo Testamento emprega esta palavra onze vezes, com o sentido de: a) Referência geral ao sepulcro (Atos 2:27-31, I Coríntios 15:55, Apocalipse 1:18, 6:8) b) Como referência ao lugar dos injustos mortos (Lucas 16:23, Apocalipse 20:14) c) Como referência ao sentido implícito de inferno (Mateus 11:23, Lucas 10:15, Mateus 16:18, Apocalipse 20:14).
  • 5. 5 Assim, concluímos que, tratando-se do estado intermediário dos ímpios, o termo “hades” adquire o significado de inferno. 3.3 É um estado incompleto As almas aguardam pela ressurreição – I Coríntios 15, Apocalipse 20:11-13. 4. ERROS A RESPEITO DO ESTADO DA ALMA 4.1 O sono da alma A alma ficaria inconsciente até o dia da ressurreição (veja explicação dos textos que usam a metáfora do “sono” em 1.2 e 1.3, e a refutação em 3.1) 4.2 O purgatório Um local ou estado da alma que não é o Céu nem o Inferno, em que a alma fica sofrendo. Não pode adquirir mérito para sair dali para o Céu, mas as missas e orações em favor do morto podem fazer isto. Textos utilizados pelos católicos em favor desse dogma: II Macabeus 12:43 - Texto apócrifo, rejeitado pelos próprios judeus. Fere todo o ensinamento bíblico de outros textos, como Ezequiel 18:4, 20, 21, Hebreus 9:27, etc. Lucas 16 – Lázaro no seio de Abraão estaria no purgatório. O texto diz que Lázaro estava sendo consolado. Mateus 5:25-26 – Uma parábola em que o devedor é lançado na prisão até pagar tudo que deve. Não pode ser o purgatório, pois segundo o próprio dogma católico, lá ninguém pode pagar pelos próprios pecados. I Pedro 3:18-20 – Os espíritos em prisão aos quais Cristo pregou seriam os do purgatório. Na verdade, Cristo pregou nos dias de Noé aos espíritos aprisionados pelo pecado, através do próprio Noé. Examine 3.2 para refutar este erro. 4.3 O limbo Local ou estado da alma da criança que morre sem o batismo. Não está sofrendo, mas também não está no Céu. Dali só sairá no dia da ressurreição. Jesus ensinou que o Reino de Deus é das criancinhas (Marcos 10:14). Sendo ainda puras e ingênuas, vão para o Céu. Examine também 3.2 para refutar este erro. UNIDADE III – A VOLTA DE CRISTO 1. A NATUREZA DA VOLTA DE CRISTO 1.1 Pessoal Jesus Cristo voltará em pessoa (Atos 1:11, I Tessalonicenses 4:16) 1.2 Visível Mateus 24:30, Apocalipse 1:7, Atos 1:11 – “Há de vir como para o Céu o vistes ir”. 1.3 Gloriosa e triunfante Mateus 24:30, Mateus 16:27, Tito 2:13 Na primeira vinda, Jesus veio como servo sofredor. Em sua Segunda vinda, virá em majestade e glória como Senhor, e julgará os homens. 1.4 Repentina Mateus 24:36-39, 42-44, Marcos 13:33-37, II Pedro 3:10
  • 6. 6 2. O TEMPO DA VOLTA DE CRISTO 2.1 Impossível estabelecer Mateus 24:36, 42, Marcos 13:32-33. Todos que tentam estabelecer uma data ou época para a volta de Jesus contrariam a Palavra de Deus. 2.2 Precedido por sinais Marcos 13, Mateus 24, Lucas 21, II Tessalonicenses 2:1-12. Tais sinais começaram a cumprir-se com a ressurreição de Cristo, a destruição de Jerusalém , etc. 2.3 Época de grande pecado e iniqüidade II Pedro 3:3, II Tessalonicenses 2:3. A pecaminosidade da humanidade será tão grande como foi nos dias de Noé, quando Deus manifestou seu juízo sobre a humanidade através do dilúvio. Isto acontecerá porque a humanidade apostatará, ou seja, fará sua opção definitiva de voltar as costas para Deus, fechando-se à atuação do Espírito Santo. 2.4 Época em que os homens julgar-se-ão auto-suficientes para solucionarem seus problemas I Tessalonicenses 5:3 Jesus virá em uma época em que os homens estarão convencidos em que estão em paz e segurança, ou seja, acreditando que conseguiram, ou estão próximos de, estabelecer a paz no mundo e resolver os principais problemas que afligem a humanidade. Estarão tomados por um sentimento de auto-suficiência para resolverem seus problemas. 3. COMO SERÁ A VOLTA DE JESUS A noção de como será a volta de Jesus é dada em alguns textos do Novo Testamento. As divergências quanto a esta noção decorrem principalmente da interpretação do capítulo 20 do Livro do Apocalipse, que afirma que Satanás será acorrentado durante mil anos. Os literalistas dividem- se em pré-milenistas e pós-milenistas. Os amilenistas interpretam simbolicamente o referido texto. Todas estas correntes, entretanto, concordam que: • Jesus voltará • Sua volta será precedida por sinais • Antes de sua volta Satanás se manifestará com grande poder • Jesus lançará Satanás no inferno por toda a eternidade, juntamente com os seus anjos. • Jesus ressuscitará os mortos • Jesus fará o juízo final • Jesus lançará todos os pecadores no inferno • Deus fará uma nova criação, onde os salvos habitarão com ele por toda a eternidade. 4. PROPÓSITOS DA VOLTA DE CRISTO 4.1 A ressurreição dos mortos I Coríntios 15 e Apocalipse 20:12-13 Paulo afirmou que um último inimigo resta ser vencido: a morte (I Cor. 15:26). Isto ocorrerá com a volta de Jesus. Ele restaurará o ser humano também fisicamente. 4.2 O juízo final Mateus 25:31-46, Apocalipse 20:10-15, 21:1-8, Apocalipse 22:3 O poder, a justiça e a misericórdia de Deus triunfarão na história do homem. O pecador não ficará impune. Os que se arrependeram e confiaram na graça de Cristo estão perdoados e serão participantes da glória de Cristo. Satanás, o criador do pecado será impedido de agir para sempre. Será completamente vencido, aprisionado, e eternamente atormentado.
  • 7. 7 4.3 A consumação do Reino de Cristo Apocalipse 20:2-3, Filipenses 2:9-11 A vitória e o senhorio de Cristo devem ser manifestos diante de todos os seres humanos, de todas as épocas, e também diante de todos os seres angelicais. Todos terão de se submeter ao seu domínio, mesmo aqueles que hoje não o reconhecem, ou até mesmo fazem oposição. 4.4 Restauração da ordem no cosmos (a nova criação) II Pedro 3:7, 10-13, e Apocalipse 21:1-22:5 A Bíblia afirma que, não só o homem foi corrompido pelo pecado, mas também a criação (Gênesis 3:17-18, Romanos 8:20-22). Não sabemos como um fato espiritual pode afetar diretamente a natureza física do universo, pois a Bíblia não explica isto. Ela apenas afirma que é assim. O universo físico foi corrompido pelo pecado, e não funciona mais como Deus o criou originalmente. Está decadente. O apóstolo Pedro diz que os elementos ardendo se fundirão, e que os céus passarão com grande estrondo. A velha criação desaparecerá para dar lugar à nova criação. Esta não será contaminada pelo pecado. Tudo será perfeito, e teremos novos corpos adequados a esta nova criação. Será a nova Jerusalém, a habitação de Deus com os homens. Assim, o propósito original de Deus para o homem e para a criação será plenamente restaurado. UNIDADE IV – O ESTADO DEFINITIVO DOS JUSTOS E INJUSTOS (Apocalipse 20:12 - 21:8) Em Mateus 25:46 Jesus deixa claro que a vida eterna não tem fim, assim como o castigo eterno também não terá fim. O estado de bem-aventurança dos justos, ou o tormento dos injustos, há de ser completado pela ressurreição, pois no estado intermediário das almas estão incorpóreos. Entretanto, após a ressurreição e o juízo final, os injustos serão novamente lançados no inferno, e os justos habitarão a nova criação. 1. A REALIDADE DO CÉU (II Pedro 3:13, Apocalipse 21:1 – 22:5) Os salvos habitarão a nova criação. Entretanto, o Apocalipse fala também que a Nova Jerusalém descerá do Céu e se estabelecerá na nova criação. Ou seja, a morada celestial do Deus altíssimo estará entre os salvos. Também transmite a idéia de que a nova criação está inserida na eternidade e participando dela. 2. A REALIDADE DO INFERNO (Mateus 25:41, Lucas 13:28, Apocalipse 20:10, 15) Após o juízo final os injustos retornarão ao inferno. Jesus o descreve como fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos. Também afirmou, em Lucas, que será lugar de sofrimento e remorsos intensos (“choro e ranger de dentes”). Tal sofrimento será agravado pela possibilidade de presenciarem, no dia do juízo, que ficaram fora do Céu. Tal lembrança acompanhará os injustos por toda a eternidade. Assim, o sofrimento também será moral. O Livro do Apocalipse também descreve o inferno como um lugar de fogo, e o chama de Segunda morte (20:14, 21:8). É a concretização da total e eterna separação de Deus, resultante do pecado, conforme Romanos 6:23. UNIDADE V – FALSAS IDÉIAS SOBRE AS ÚLTIMAS COISAS 1. ANIQUILACIONISMO Trata-se da heresia que afirma que, as almas dos injustos serão completamente aniquiladas, ou seja, deixarão de existir. Há quem chegue a afirmar que também Satanás e seus anjos deixarão de existir. Testemunhas de Jeová crêem no aniquilacionismo.
  • 8. 8 2. RESTAURACIONISMO É a heresia que afirma que todos se salvarão no dia da volta de Jesus. Com a derrota do pecado, aqueles que estão no inferno serão restaurados por Deus, e também habitarão no Céu. Esta idéia tem suas raízes em Orígenes, teólogo da escola de Alexandria que viveu no século III da era cristã (ver história da teologia I). Esta idéia também não encontra base na Bíblia. Os textos estudados ao longo do semestre demonstram que, depois de morto, a condenação do pecador não pode ser alterada. A condenação só pode ser removida quando em vida, pela escolha consciente de submeter-se a Jesus. UNIDADE VI – POSICIONAMENTOS QUANTO AO MILÊNIO Apocalipse 20 1. PRÉ-MILENISMO Resulta da interpretação literal dos versículos 1 a 9. Afirma que ao voltar, Jesus estabelecerá um reino que dominará todas as nações neste mundo. Decorridos 1000 anos, Satanás se libertará e fará guerra contra Jesus, pois enganará as nações e liderará um grande exército. Será vencido. Jesus realizará o juízo final, Satanás será para sempre aprisionado no inferno e Deus fará a nova criação. O pré-milenismo divide-se em duas correntes principais: o histórico e o dispensacionalismo. 1.1 Pré-milenismo dispensacionalista 1.1.1 Origem Dispensacionalismo é o sistema teológico que afirma que a história humana divide-se em sete dispensações de Deus ao homem: • O homem em inocência • O Homem sob consciência • O homem em autoridade sobre a terra • O homem sob a promessa • O homem sob a lei • O homem sob a graça • O homem sob o reino pessoal de Cristo As idéias básicas do dispensacionalismo surgiram entre os jesuítas espanhóis entre 1.550 e 1.630. No século XIX teólogos protestantes da inglaterra as assimilaram e desenvolveram. O principal deles foi John Nelson Darby. Popularizado pela Bíblia Scofield, infiltrou-se em várias denominações e organizações evangélicas. Scofield nasceu em 1843. Era advogado, converteu-se aos 36 anos e aos 39 foi consagrado pastor congregacional, mesmo sem cursar teologia. Anos mais tarde, com a ajuda de outros líderes dispensacionalistas, editou a Bíblia com referências que leva o seu nome. Os principais centros de ensino teológico a difundir o dispensacionalismo foram o Moody Bible Institute e o Dallas Theological Seminary. No Brasil, as seguintes denominações e organizações evangélicas adotam o dispensacionalismo: • Igrejas filiadas à Convenção Batista Regular • Grande parte das Igrejas Assembléia de Deus • Organizações Palavra da Vida • Ministério Palavra da Fé (Valnice Milhomens) • Organização Chamada da Meia Noite (Win Malgo)
  • 9. 9 1.1.2 Pressupostos • Entendem que a maior parte dos textgos bíblicos devem ser interpretados literalmente. • Todas as profecias do antigo testamento ignoram a igreja completamente, e só podem ser aplicadas ao povo de Israel. • Quase todas se cumprirão após o arrebatamento da igreja, durante sete anos, e no milênio, onde os crentes terão participação secundária. A igreja não é a culminação do plano de Deus para a humanidade, mas sim um “parêntese” introduzido por Deus devido a rejeição de Jesus por parte dos judeus. Com o arrebatamento da igreja, o povo judeu volta a ocupar lugar de primazia no plano de Deus. Dentro dos sete anos seguintes ao arrebatamento, os judeus reconstruirão o templo e restaurarão sacrifícios. Ainda na metade deste período serão oprimidos pelo Anti-Cristo. No final deste período Jesus virá em socorro ao povo judeu. Será reconhecido e aclamado rei pelos judeus, estabelecendo o milênio. Jesus reinará durante o milênio para que as profecias do Antigo Testamento sobre o povo de Israel possam se cumprir durante este período. Os dispensacionalistas crêem que Paulo reconheceu este “parêntese” da igreja, pois em Efésios 3:2 aparece a expressão “dispensassão da graça de Deus”. (Se compararmos com I Cor 4:1, perceberemos que não é este o verdadeiro sentido). 1.1.3 Contradições bíblicas do pré milenismo dispensacionalista • As profecias do Antigo Testamento com respeito a Israel já se cumpriram. As profecias que dizem respeito à restauração de Judá e do culto sacrificial cumpriram-se com o retorno do exílio babilônico. As que fazem referência ao juízo sobre Israel e Judá cumpriram-se com o exílio, e posteriormente, com a vinda do Messias, quando o remanescente do povo de Israel, os judeus, rejeitou a Jesus (Mat 5:9,10 21:33-45). As profecias de bênçãos sobre Israel que não se cumpriram, nunca mais se cumprirão, pois Deus as condicionou à fidelidade do povo (Deuteronômio 28 e 30). Não há necessidade de um reino milenar para que elas se cumpram. • Os judeus, como nação, povo ou raça, não são mais povo de Deus (Mat 21:33-45, Rom 11:20) • Os cristãos formam o verdadeiro povo de Deus. (I Pedro 2:9-10, Gal 3:29). • A igreja está no centro da atuação de Deus. (Efs 5:25-27, 32 Apoc 22:17, I Cor 12:27, Efs 1:22-23, I Pedro 2:9-10). Ela é chamada de noiva de Cristo, Corpo de Cristo, povo santo e nação eleita. • Jesus e os apóstolos ensinaram que a volta dele será imediatamente seguida do juízo final (Mat 25:31-33, 41-46, II Pedro 3:7, 10) • Não há menção ao milênio nos evangelhos ou nas epístolas. Somente no cap. 20 do Apocalípse, e em linguagem simbólica. • A primeira ressurreição à qual se refere Apoc 20:5 é a conversão (Apoc 20:6, Rom 6 João 5:24). • Não haverá uma primeira volta de Jesus, secreta, para arrebatar a igreja, seguida do milênio e da ressurreição. (I Tes 4: 16-17). O momento da volta de Jesus será um só, cercado de alarde, e em seguida virá a ressurreição dos salvos. Todos os salvos serão arrebatados para participarem do seu cortejo vitorioso. • Não há base na Bíblia para afirmar que acontecerá uma grande tribulação dos judeus imediatamente antes da volta de Jesus. No sermão escatológico de Jesus, registrado nos evangelhos sinóticos, mencionam-se duas situações distintas: a destruição de Jerusalém, que
  • 10. 10 cumpriu-se em 70 d.C., e a perseguição aos crentes, que tem acontecido desde os tempos apostólicos. 1.2 Pré-milenismo histórico Não faz distinção entre igreja e Israel. Assim, não coloca os judeus em evidência no milênio. Não aceita as dispensações, nem a igreja como parêntese no plano de Deus. Afirma que o milênio é necessário para que se cumpra a profecia de que “a terra será cheia do conhecimento do Senhor” (Isaias 11:9 e Habacuque 2:14). Entretanto, o próprio Senhor Jesus anunciou que isto aconteceria antes da sua volta (Mateus 24:14 e Marcos 13:10). É a forma mais antiga de pré-milenismo, adotada por alguns cristãos ao longo da história do cristianismo. 2. PÓS-MILENISMO Advoga também um milênio literal. A diferença é que a volta de Jesus será após o milênio. Ensina que o Evangelho será pregado a todas as nações, e elas se converterão. O poder transformador do Evangelho derrotará o mal e implantará o Reino de Justiça. Os santos então possuirão a terra. Ao final do milênio, Satanás tentará recuperar a lealdade dos homens. Então Jesus voltará e realizará o juízo final. Não há como conciliar o pós-milenismo com II Tessalonicenses 2 e Apocalipse 20. 3. AMILENISMO Interpreta o milênio simbolicamente. Não crê, portanto, num reino terreno e político de Jesus durante mil anos. Baseiam-se no seguinte: • Jesus não mencionou nenhum reino milenar. Seu sermão escatológico passa da narrativa dos sinais diretamente para a narrativa de sua volta e realização do juízo final. • As epístolas também não mencionam um reino de mil anos. Falam da volta de Jesus e em seguida do juízo final. • O livro do Apocalipse usa linguagem simbólica ou alegórica. O único texto que cita o reino milenar de Cristo é Apoc. 20. Não há sentido em interpretá-lo literalmente se o livro foi escrito em linguagem simbólica. Cria-se uma grande dificuldade hermenêutica. • O reino de Jesus não é de natureza terrena, mas espiritual. (João 18:36, Lucas 17:21) • O reino de Jesus já começou (Marcos 1:15, Mat 28:18). Iniciou-se com o seu ministério, sua morte e ressurreição, e com o derramamento do Espírito Santo. Suplantou o Império Romano, e se consumará com a volta de Cristo (Livro do Apocalipse). • Satanás está amarrado, ou seja, impedido de atuar e manifestar-se com todo o seu poder, pela atuação do Espírito Santo e da igreja. (II Tes 2:7, 3). Quando vier a grande apostasia, os homens endurecerão seus corações contra o Espírito Santo. Satanás então se manifestará com todo o seu poder usando o “homem da iniqüidade” (II Tes 2:3-10). Jesus voltará e o destruirá facilmente com seu grande poder (“sopro de sua boca” v. 8). Satanás e seus anjos serão para sempre atormentados no inferno (Apoc 20:10).
  • 11. 11 SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA BRASILEIRO - ESCATOLOGIA Pr. Dalton de Souza Lima Alguns textos bíblicos distintos mencionam as expressões “anticristo(s)”, “besta” e “homem da iniquidade” Há autores que identificam estas três expressões com um único personagem, que surgiria imediatamente antes da volta de Jesus. Entretanto, esta idéia parece ter-se desenvolvido mais como fruto da influência da literatura apocalíptica judaica e, posteriormente, do dispensacionalismo do que como resultado de reflexão bíblica. Examinando os textos com atenção, percebemos que são personagens distintos. 1. O ANTICRISTO. (I e II João) Não há menção a “anticristo” no Livro do Apocalipse. A expressão aparece, e também no plural, nas epístolas de João (I João 2:18, 4:3, e II João 7). No singular, parece referir-se ao próprio Diabo, fonte de todo engano, falsa doutrina e apostasia (I João 4:3, II João 7).No plural identifica os heréticos que servem ao Diabo ensinando falsidades a respeito de Cristo (I João 2:18). É bem provável que João estivesse referindo-se aos precursores do gnosticismo que estavam infiltrando- se nas igrejas da Ásia Menor e ensinando uma falsa cristologia. À primeira vista, pode parecer que João falava de um anticristo que viria na época imediatamente antes da parousia. Entretanto, ele afirmava que já viviam a última hora, e que ao invés de um, muitos anticristos já haviam surgido (I João 2:18). 2. A BESTA. (Apocalipse) O Livro do Apocalipse menciona uma besta que subiu do mar (13:1-10, 18) e uma besta que subiu da terra (13:11-17). A primeira besta simboliza o império romano, personificado em seus imperadores (13:1-2). Sua descrição é a mesma do animal que representa o império romano em Daniel 7:7-8, 17-28. Outra evidência de que trata-se do império romano é o fato de essa besta possuir autoridade sobre todos os povos (Apoc. 13:7). A mesma recebeu sua autoridade de Satanás (13:4) e persegue os cristãos (13:7). Isto é exatamente o que o Império romano fazia nos dias de João. A menção a uma das cabeças da besta que foi ferida de morte, sendo curada de maneira maravilhosa, (13:3) reporta ao assassinato de Júlio César, considerado o primeiro imperador romano, em 44 a C.. Este ato foi o ápice de conspirações políticas de vários grupos que lutavam pelo poder. Júlio César fora um estadista da república de Roma. Assumiu o poder máximo em Roma, sufocou rebeliões e liderou campanhas militares, expandindo as fronteiras de Roma por todo o mundo. Seu assassinato colocou em risco a estabilidade e integridade do império romano, e portanto, sua própria continuidade. Entretanto, contrariando toda a situação desfavorável, o império romano sobreviveu, e todos os imperadores romanos subsequentes adotaram o título de “César”. A adoração a esta besta refere-se ao culto ao imperador Domiciano (13:4-6, 8), que blasfemava contra Deus atribuindo divindade a si mesmo (13:5 refere-se a ele). A besta é personificada por um homem cujo número é 666. Na simbologia judaica o número 6 representa malignidade. Uma pessoa cujo número é 666 representa um indivíduo extremamente maligno. Os romanos referiam-se a Domiciano como “novo Nero”, devido à sua maldade só comparável à de Nero. Em hebraico, os números são expressos por letras. As letras de 666 formam uma forma imperfeita do nome “Neron Kaiser” (Nero César). Segundo Clemente (escritor cristão do século III) em grego forma “o reino latino”. Todas as duas interpretações do número são cabíveis, pois dirigindo-se aos leitores da época. João insinua que é possível saber de quem se trata pela interpretação deste número (13:18). Isto seria muito fácil para os destinatários do Livro do Apocalipse, uma vez que estavam habituados a usar letras para representar números. A segunda besta refere-se ao culto estatal organizado, encarregado de promover a adoração ao imperador (13:12) e eliminar qualquer resistência (13:15). Para isto, além da força militar do império, utilizavam também truques de ilusionismo e ventriloquismo (13:12-15). Também eram distribuídas pequenas imagens do imperador Domiciano. Para efetuar qualquer transação era necessário apresenta-la. Este fato corresponde perfeitamente ao que é descrito como um sinal ou nome da besta para poder comprar e vender (13:16-17). O ANTI CRISTO, A BESTA E O HOMEM DA INIQUIDADE
  • 12. 12 Na realidade, quem estava sendo adorado através daquele culto ao imperador, e de todas as outras formas idolátricas de culto toleradas e disseminadas pelo império romano, era o próprio Satanás (13:4). O falso profeta é identificado com a segunda besta, pois se dedica a induzir as pessoas à adoração da besta por meio do engano. Provavelmente refere-se aos sacerdotes romanos que recebiam dinheiro do estado para promover o culto estatal. João afirma que a besta e o falso profeta foram lançados vivos no lago que arde com fogo e enxofre (19:20). Isto significa o juízo divino, súbito e implacável, sobre o sistema político e religioso, em plena atividade, que dedicava-se a perseguir os cristãos e a se opor a Deus. 3. O HOMEM DA INIQUIDADE (II Tessalonicenses 2:1-10) Paulo afirma que, antes da volta de Jesus, haveria de surgir o “homem da iniquidade” (II Tess. 2:1-3). Virá em ocasião oportuna, quando a ação do Espírito Santo será rejeitada pela apostasia dos homens (v. 3, 7-8). Ao fechar-se para a ação do Espírito Santo, a humanidade escolherá o pecado e as falsas religiões, ensejando a ação satânica em toda plenitude, com o surgimento deste “filho da perdição”. Paulo refere-se a ele como “aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração...” (v. 4). Ao empregar o verbo no presente, indica a própria ação de Satanás, que já se opõe contra Deus. No versículo 7, ele afirma que “o mistério da iniqüidade já opera”. O homem da iniquidade será, portanto, a culminação da oposição de Satanás contra contra Deus. Esta afirmação de Paulo no v. 4 também indica que ele perseguirá os verdadeiros cristãos. Há uma grande diferença entre este personagem e a besta do Apocalipse. Enquanto a besta tolerava outras religiões, desde que também lhe prestassem culto, o “homem da iniqüidade” não tolerará adoração a mais ninguém, apresentando-se ele próprio como Deus (v. 4). Este homem terá sucesso (eficácia) em conseguir a adesão da humanidade através de falsos prodígios, engendrados pelo próprio poder de Satanás.(v. 9). Conseguirá iludir os homens ímpios apresentando-lhes uma falsa e pecaminosa esperança (“engano da injustiça” v. 10). A adesão da humanidade às mentiras deste homem servem para julgamento dos homens daquela geração, no sentido de se manifestarem aqueles que têm prazer no pecado, e por isso rejeitam a verdade (v. 11-12). O domínio do “homem da iniquidade” será breve. Paulo nos afirma que logo em seguida Jesus voltará e o destruirá com toda a facilidade (v. 8). Conclusão Não podemos, portanto, afirmar que as três expressões refiram-se a um mesmo personagem. São personagens distintos. A besta representa o império romano com o seu culto ao imperador perseguindo o cristianismo por todo o mundo ocidental daquela época. O anticristo é o próprio Diabo, fonte de todo engano, trabalhando para afastar os homens da verdade por meio da disseminação de falsas doutrinas. Anticristos são todos os homens que são utilizados por ele neste propósito. E o “homem da iniquidade” será instrumento de Satanás na culminação de sua oposição ao cristianismo. Todos são resultado da atuação satânica, e têm em comum o uso da mentira falsificada em verdade com a intenção de seduzir e enganar os homens, afastando-os do Evangelho. É necessário que todos os servos de Deus estejam atentos, buscando discernimento através do Estudo da Palavra de Deus e da oração, para não serem enganados pelas falsificações do cristianismo, engendradas nas oficinas de Satanás. Além disto, é necessário que preguemos a Palavra de Deus com afinco, pois é ela a arma que destrói as obras do inimigo, fazendo o Reino de Deus triunfar (Efésios 6:17). • Podemos afirmar que os três personagens descritos são um único personagem? Porque? • Quais as semelhanças entre eles? O que representam, essencialmente, estas semelhanças?