Reforma Universitária é discutida há cinco anos
      Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 18:30
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LILIAN MILENA
Da Redação - ADV

Anteprojeto de Lei da Reforma da Educação Universitária chega ao quinto ano sem aprovação do Congresso Nacional. Em dezembro de 2004, o
Ministério da Educação (MEC) apresentou a proposta, como forma de favorecer a expansão e adequação do modelo nacional, lançando discussões
para o desenvolvimento de um modelo institucional para o século XXI.

Acesse aqui o anteprojeto na íntegra

Em junho de 2006, o documento foi entregue ao Congresso Nacional. Desde então, a proposta continua em aberto e governo, instituições de
ensino e organizações sem fins lucrativos voltadas à educação superior, não entram em consenso.

O bom desempenho da educação superior determina a formação de mão de obra mais qualificada e aumento da produção científica no país, daí a
necessidade de investimentos para expansão e aprimoramento de modelos de gestão nacional.

A socióloga e professora adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria do Carmo de Lacerda Peixoto,
explica que a construção de um sistema moderno universitário no Brasil foi feita paulatinamente, desde a década de 1970.

O objetivo do governo militar, ao consolidar as propostas da lei nº 5.540/68, era desenvolver um modelo amplamente difundido na Europa e em
universidades dos Estados Unidos (como Harvard e Yale): o humboldtiano, entendendo que o ensino deveria vir acompanhado da pesquisa de
forma a sistematizar a produção de novos conhecimentos por meio da investigação.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que atualmente apenas 11,5% dos jovens de 17 a 24 anos conseguem
ingressar em cursos superiores, mas a porcentagem que permanece nas salas de aula, e se forma, é de quase 3% levantando questões quanto a
eficiência das políticas governamentais nesse sentido.

Peixoto acrescenta que na década de 1990 o governo estimulou reformas de educação superior a partir da diversificação de fontes de
financiamento para as instituições públicas, diferenciação institucional e expansão da rede privada. O resultado foi o aumento das preocupações de
questões empresariais e de competitividade operacional por parte das universidades públicas – em 2005, o Brasil contava com 176 instituições de
ensino superior, sendo 86 privadas e 90 públicas.

Autonomia

Dentre as principais discussões referentes à lei do ensino superior está a seguridade da autonomia das instituições. Se por um lado, não é função
das universidades implementarem políticas públicas, por outro o Estado deve criar normas gerais para regulamentar o reconhecimento de cursos e
disciplinas nas instituições garantindo a possibilidade de intercâmbio de docentes e a mobilidade dos alunos, como defende a Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência (SBPC).

Conheça pontos polêmicos do Anteprojeto, aqui.

Outro ponto, discutido pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), é a criação de cinco novas
universidades federais. A organização se coloca contra a medida por acreditar que serão alocados recursos desnecessários a partir do
desmembramento de federais já existentes.

Em nota preliminar, divulgada pela diretoria da ANDES, a associação diz que a versão atual do anteprojeto não apresenta mudanças profundas.
“As nervuras principais da contra-reforma já estão definidas pelo conjunto das medidas colocadas em prática pelo governo, em especial o Prouni
[Programa Universidades para Todos], o Sinaes [Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior] a Inovação Tecnológica e a reforma de
profissional e tecnológica”, apontam no relatório.

Acesse:“Versão definida do anteprojeto de lei da educação superior”, publicado pela ANDES -

Discussões abertas

No artigo “A República em termos de reforma universitária: o desafio do governo Lula”, o conselheiro da Câmara de Educação Superior do
Conselho Nacional de Educação (CNE), Hélgio Trindade, enfatiza a necessidade do país superar três impasses:

- Entender qual é o papel real do Estado na reforma de um sistema superior equilibrado nas ralações entre público e privado, dentro de uma
economia mundializada;

- Descobrir até que ponto o nível de massificação pode chegar no sistema público sem comprometer as atividades inovadoras na pesquisa básica e
aplicada;

- E a função estratégica das universidades para a construção de uma nação soberana e inserida na competição internacional pela geração de
conhecimento científico e tecnológico – papel, há muito tempo entendido por países como Estados Unidos e Japão.

O impasse enfrentado pelo governo estaria resumido no trinômio: avaliação/autonomia/financiamento. A intenção do Ministério da Educação a
partir da publicação do anteprojeto educação superior, seria o de responder a essas questões.

Membro da diretoria da SBPC, Isaac Roitman, ressalta que apesar do tema educação ser presente em todos os discursos políticos, está entre os
maiores problemas que o Brasil ainda precisa solucionar. “Não temos conhecimento das articulações que estão sendo feitas entre os vários atores
da educação superior no Brasil. Se ocorrem, não estão sendo publicadas de forma explicita”, completa.

O pró-reitor de graduação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maerbal Marinho, tem uma visão diferente entendendo que o MEC vem
aumentando a interlocução com as entidades envolvidas no país, com relação ao anteprojeto. “Creio que o REUNI (Programa de Apoio a Planos
de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) faz parte de um processo de amadurecimento e serve como exemplo”, explica.

O anteprojeto pretende estabelecer normas gerais para a educação superior. Mas alguns mecanismos podem prejudicar a autonomia das
instituições de ensino, sobretudo com relação aos gastos orçamentários e a dependência das instituições federais em relação à Advocacia Geral da
União (AGU). Os resultados da aprovação dessas medidas recairão sobre todas as instituições, sejam privadas ou públicas, estaduais ou federais.

Leia as propostas da SBPC na íntegra
Reforma Universitária - As propostas da SBPC




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Universidades precisam de modelo mais democrático
      Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 18:30
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ROBERTA SALES
Da Redação - ADV

O recente confronto entre a Tropa de Choque da Polícia Militar e estudantes, professores e funcionários da Universidade de São Paulo (USP)
despertou discussões sobre a universidade pública, dentre elas, o modelo atual de governança e processo de escolha dos reitores. Questões quanto
a participação das comunidades acadêmicas no processo eleitoral e exclusividade de candidatura a professores titulares, surgem como entraves
para um processo mais democrático.

Eleições

Nas universidades estaduais de São Paulo – USP, Unicamp e Unesp - a eleição para reitores ocorre de quatro em quatro anos. Os candidatos são
votados pela comunidade acadêmica – conselhos universitários, com representantes dos diferentes setores da universidade e sociedade civil, e
congregações representando as unidades – que escolhem candidatos para participar do segundo turno. Nesse turno, somente o Conselho
Universitário tem voz para definir uma lista tríplice que é encaminha para o governador do Estado que indica o novo reitor. Só podem participar
do processo professores titulares.

Para Sylvio Barros Sawaya, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, o problema não está na participação do governo no
processo, mas na estrutura de representação das universidades, na qual a presença massiva de professores titulares tira o poder de participação dos
demais professores e escolas, pois “há várias categorias de professores que poderiam estar mais articuladas em função da eleição”.

A falta de envolvimento da comunidade acadêmica, também é apontada como problema pelo professor João Vergílio Gallerani Cuter da
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, pois parte expressiva dos professores acompanha o processo de longe e é apenas
comunicado da decisão. O nome escolhido, segundo ele, “não encarna nenhuma espécie de movimento nascido na comunidade acadêmica, nem se
sente devedor de satisfação a ela”. Além do déficit participativo, Vergílio, comenta sobre o esvaziamento do processo eleitoral, já que não há
visibilidade para os problemas da universidade, que deveriam ser trazidos à tona e discutidos antes da indicação dos nomes à lista tríplice.

Como caminho para tornar o processo mais democrático, o professor Vergílio, sugere pensar em um processo semelhante ao das universidades
federais, cujo modelo de votação é mais participativo e a concorrência não é limitada a professores titulares. Para Sawaya, “a idéia seria recompor
os colegiados de forma mais expressiva e verdadeira”.

Ronaldo Tadeu Pena, reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), defende a importância de um processo eleitoral baseado na
apresentação e discussão de propostas e projetos para a instituição. Posto isso, cabe aos conselhos superiores a regulamentação e consulta junto à
comunidade, sem interferir na opinião. Entretanto, segundo o reitor, a opinião dos professores não deve ser única, mas predominante, atendendo
ao regulamento legal, 70% de participação.
Gestão

A gestão administrativa e financeira das universidades estaduais também é questionada. Referente a indicação de acadêmicos para cargos
departamentais, por exemplo, o professor Vergílio, defende uma avaliação mais criteriosa. Segundo ele, há cargos estritamente acadêmicos, a
exemplo da comissão de pesquisa, e outros que seriam geridos com qualidade por profissionais experientes. “Que sentido tem colocar professores,
por exemplo, na Comissão de Gestão e Patrimônio?”, questiona.

Para Sawaya, o processo híbrido de professores assumindo papéis de administradores precisa ser revisto, pois o modelo atual “apresenta
congestionamento executivo, já que o reitor não tem tempo de atender a todos e não há organização entre as pró-reitorias”.

Na opinião do professor Vergílio, outra questão importante é a falta de transparência e prestação de contas na gestão das universidades públicas,
onde o desperdício de verba e descaso, gerados pela falta de planejamento e cobrança de resultados, é visível.

Reuni

As universidades federais, não se diferenciam somente no processo de eleição, mas contam com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação
e Expansão das Universidades Federais (REUNI), plano com diretrizes para a elaboração de projetos de reestruturação universitária, que sendo
aprovado pelo MEC, será também por ele financiado.
Estrutura do MEC e Universidades Públicas
      Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 20:00
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LILIAN MILENA
Da Redação - ADV

O Ministério da Educação (MEC) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aprovaram recentemente medida
para que o mestrado profissional tenha normas próprias de credenciamento e avaliação. Dentre os quesitos, anunciados no Diário Oficial da União,
do dia 23 de junho, está a necessidade de que parte do corpo docente seja composto não apenas por mestres e doutores, mas por professores com
formação específica na área em que lecionam.

A aplicação dessa portaria exemplifica a função do Estado em atuar na legislação e concepção das universidades. Mas, para entender até onde o
poder público deve se colocar, para definir critérios de avaliação e administração, é preciso destacar órgãos públicos criados para organizar as
Instituições de Ensino Superior (IES). O MEC é a maior instância nesse sentido, por meio da Secretaria de Educação Superior (Sesu), planeja,
orienta e supervisiona o processo de formulação e implementação da Política Nacional de Educação Superior.

Conheça a estrutura organizacional do MEC
FONTE: site do Ministério da Educação

A Sesu também realiza a supervisão, o desenvolvimento e a manutenção das Instituições Públicas Federais de Ensino Superior (Ifes), além da
supervisão das instituições privadas, apoiada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Além da Sesu, o MEC responde pela Capes, que tem o papel de conceder recursos para a formação de pós-graduados stricto sensu (mestrado e
doutorado). Em 2008, o órgão havia fornecido cerca de 41 mil bolsas – em 1995, quando criado, beneficiou próximo de 15.600 estudantes. O
CAPES é responsável pelo investimento da formação de recursos humanos fora do país e de contratos de cooperação científica internacional – em
2008 foram concedidas cerca de 4.200 bolsas no exterior.

O MEC gerencia, ainda, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela produção de estudos, pesquisas e
avaliações das universidades. O Censo da Educação Superior é fruto de levantamentos realizados por esse órgão a partir do preenchimento do
formulário eletrônico, avaliado posteriormente pelo Inep.

O Inep relaciona os dados das IES com os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) – criado em 1995, e realizado a cada
três anos. O sistema é composto por três outros mecanismos do MEC: Avaliação das Condições de Ensino; Avaliação Institucional, e Exame
nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).

Com base nos resultados do Enade, a Sesu e o Inep chegam ao Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) que variam de 1 a 5 (1 e 2 são notas
consideradas ruins). Por fim, a Sesu é quem irá responder pelo credenciamento ou revalidação dos cursos superiores.

Estrutura universitária: dois modelos

UFBA

A Universidade Federal da Bahia, fundada em 1808, tem hoje mais de 150 cursos, de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado), e 24 mil
alunos matriculados. O laboratório Cybermetrics 2009, do Centro de Informações e Documentação (CINDOC), do Conselho Nacional de Pesquisa
da Espanha (CSIC) classificou a instituição na 692ª entre as IES que mais produzem material científico – em âmbito nacional, a UFBA é a 17ª
colocada.

Recentemente a universidade aderiu ao REUNI, tendo apresentado a maior proposta de expansão entre instituições federais que pediram recursos
do programa.

Estima-se que a universidade receberá o financiamento de R$ 90 milhões a serem aplicados durante os 4 anos de duração do REUNI, além do
custo adicional de R$ 69 milhões entregues em 2008. O pró-reitor de graduação da UFBA, Maerbal Marinho, explica que entre os objetivos da
instituição estão a construção de 80 mil metros quadrados de infra-estrutura, aquisição de 10 mil novos computadores, contratação de 533
professores em dedicação exclusiva e aumento de 90% da taxa de alunos concluindo os cursos de graduação.

“A universidade não conseguiria responder a um projeto de expansão como esse sem recursos adicionais. Cabe ao governo ter propostas de
políticas públicas. Os projetos são feitos pelas universidades mantendo a autonomia delas em relação às propostas oferecidas pelo Estado”,
completa. Em 2009 a instituição ofereceu 7 mil vagas, ou 2.800 acima do registrado no ano anterior.

Acesse artigo da UFBA em relação a ranking Cybermetric

Estrutura Organizacional
FONTE: Relatório de Gestão 2008 - UFBA

USP

A Universidade Estadual de São Paulo, fundada em 1934, oferece atualmente 229 cursos para mais de 56 mil alunos. Por ser uma instituição não-
federal, a USP não participa das propostas do REUNI, mas devido ao histórico de pesquisas e programas de expansão, é considerada a principal
universidade do país e da América Latina.

O ranking “The Times”, formado pelas 200 instituições de maior relevância mundial, classificou a universidade brasileira, em 2008, no 196º lugar.
Já no índice Cybermetric, a USP foi reconhecida na 113ª colocação entre todas as IES do mundo – hoje respondendo por 28% da produção
científica nacional.

Estrutura organizacional
FONTE: USP
Pós-graduação no Brasil:10 vezes abaixo do ideal
      Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 19:00
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DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV

Essencial à formação de novos profissionais para atividade docente e fomentar desenvolvimento científico e tecnológico, a capacitação dos
profissionais em pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) está muito aquém do desejado no Brasil. Com base na população, Produto
Interno Bruto (PIB), extensão territorial e na comparação com outros países, estamos 10 vezes abaixo do ideal. A afirmação é do presidente da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães.

A constatação de Guimarães não se refere apenas aos tempos atuais. A falta de especialização dos egressos de universidades já foi pauta de três
edições do Plano Nacional de Pós Graduação (PNPG), além da versão mais recente, PNPG 2005-2010. Este último documento, sintetiza as
diretrizes que norteiam as políticas públicas de qualificação de pessoal em nível de mestrado e doutorado, cujo principal objetivo é expandir a pós-
graduação no país.

Entre as metas, estão a redução da disparidade regional – o Sudeste concentra mais de 50% dos alunos de pós-graduação –, o fortalecimento da
cooperação internacional e uma maior adesão de doutores no meio acadêmico. O esforço do governo em melhorar a educação superior já
conseguiu elevar o patamar de doutorandos para 10 mil por ano, e a meta para formação de mestres em 2010 é de 45 mil.

Perspectivas

Já está em andamento um levantamento das ações realizadas no âmbito do PNPG 2005-2010, antes mesmo de seu término. Guimarães conta que o
objetivo é evitar que haja tempo ocioso até uma próxima ação para mestrado e doutorado pelo próximo governo. Entre o PNPG III e o atual, se
passaram 15 anos. Em agosto será realizado um seminário para verificar todas as medidas tomadas e os seus efetivos resultados.

Guimarães adianta que uma das sugestões para o próximo governo é continuar a capacitação dos estudantes das áreas menos favorecidas, como a
Amazônia. Segundo ele é preciso investir na formação e especialização das pessoas dessas localidades, além de criar subsídios para sua
permanência na região. Também será necessário melhorar a infra-estrutura das instituições locais, permitindo maior tecnologia para a realização
de pesquisas.

Neste sentido, o Ministério da Educação (MEC) possui ações para a interiorização das universidades e expansão do ensino superior. Uma ação,
por exemplo, é a Universidade Aberta do Brasil (UAB) que surge para alcançar as regiões menos favorecidas com a educação superior. Criada em
2005, a instituição de ensino é uma articulação entre universidades estaduais, federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia (Ifets)
para levar ensino superior público aos municípios brasileiros que não possuem cursos de formação superior, ou cujas ofertas são insuficientes para
atender a todos, segundo informou a assessoria de comunicação da Capes.

Outra indicação para medidas futuras é a cooperação internacional, com vistas a moldar o profissional necessário ao mercado globalizado. A
parceria com a França, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos deverá ser reforçada, bem como com países do Mercosul.

Além disso, discussões sobre a alteração da pós-graduação - projeção de vagas e novas áreas e, até mesmo, a possibilidade de ser deslocada da
faculdade – estão em início de discussão. Guimarães ressalta, porém, que essas sugestões são preliminares, e ainda precisam ser minuciosamente
estruturadas.

A ampliação da criação de bolsas integrais ou parciais para profissionais da Educação Básica - área prioritária para o governo -, também deverá
ser abordada somente no próximo governo.

Histórico

Para a elaboração do PNPG 2005-2010, institui-se uma comissão, formada por representantes de todos os segmentos que atuam na pós-graduação:
universidades e pró-reitorias, sociedades científicas, coordenadores de programas e cursos de pós-graduação, representantes de área da Capes,
comitês assessores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), comitês gestores dos fundos setoriais do
Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Associação Nacional de Pós-Graduandos e setor empresarial.

Os planos anteriores forneceram subsídios para verificar as deficiências passadas, medidas tomadas para sua correção e os resultados. Em alguns
pontos, as abordagens dos planos anteriores se repetiram. Veja algumas das metas de todos os planos:

PNPG (1975-1979)
-Institucionalizar o sistema, consolidando-o como atividade regular no âmbito das universidades e garantindo-lhe financiamento estável;
-Elevar os atuais padrões de desempenho e racionalizar a utilização de recursos;
-Planejar a sua expansão, tendo em vista uma estrutura mais equilibrada entre áreas e regiões.

PNPG (1982-1985)
-Expandir a capacidade docente;
-Elevar a qualidade da capacitação dos cursos de pós-graduação;
-Envolver a comunidade científica no processo.

PNPG (1986-1989)
- Desenvolver a pesquisa pela universidade;
- Integração da pós-graduação ao sistema de ciência e tecnologia.

Veja aqui o PNPG 2005-2010 na íntegra
Plano Nacional de Pós-Graduação (2005-2010)




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Academia e mercado disputam talentos
      Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 19:30
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DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV

A absorção imediata de profissionais graduado, feita pelo mercado, tem provocado retração nas metas estipuladas pelo Plano Nacional de Pós-
Graudação (PNPG) 2005-2010, cujo objetivo era encerrar 2010 com 16,1 mil doutorandos, número teto proposto pelo plano. Entretanto, de acordo
com as projeções o número real não deve superar o piso de 13 mil. Para 2009, o número de doutores com base nas previsões da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (CAPES) deve ficar em 12 mil.

Na análise de Jorge Almeida Guimarães, presidente da CAPES, a redução na formação de doutores está relacionada a demanda de mão de obra
qualificada enfrentada pelo mercado. Segundo ele, as áreas ligadas a tecnologias, como engenharia e informática, estão contratando pessoal por
altos salários, assim que os mesmos deixam a graduação. Um dos exemplos é a Petrobras, cujo desenvolvimento de novos projetos demandará
profissionais dessas áreas.

Se por um lado a busca por profissionais graduados é boa para a empregabilidade no país, por outro, pode reduzir o número de especialistas em
pesquisas importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico e, até mesmo, o número de docentes para os cursos de pós-graduação.
Guimarães ressalta que a previsão de engenharia para a Capes era de 20%, porém o registrado é de 13%, justamente pela concorrência com as
empresas.

Ao mesmo tempo, enquanto muitos profissionais são absorvidos pelo mercado, há um movimento de retorno de pessoas graduadas e empregadas
para pós-graduação. A opinião é da Sub-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mônica
Heilbron. Para ela, a aproximação da indústria é benéfica, pois traz um equilíbrio para as universidades mesclando mestrandos e doutorandos
dedicados à área acadêmica e à indústria.

Na avaliação do Presidente da Comissão de Implantação da Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), Paulo Speller, a
absorção de profissionais pela iniciativa privada é natural, pois são estas mesmas empresas que geram empregos e tributos, garantindo que o
governo custeie as bolsas dos programas de pós-graduação. Para Speller a iniciativa privada poderia absorver mais profissionais do que tem feito
atualmente, mas concorda que faltam pós-graduados na área de engenharias.

Bolsas

Em 2003, o número de bolsistas de mestrado e doutorado era de 20 mil. Hoje, são 60 mil bolsistas, dos quais 52 mil são financiados pela Capes.
Guimarães explica que todo o planejamento de criação de bolsas é feito com base em diferentes cenários, portanto, já prevendo futuras demandas.
Em relação à ampliação das bolsas, Guimarães esclarece que o processo é meritocrático. Dos 170 mil estudantes de pós-graduação, um terço
possui bolsa de estudos. Outro um terço têm vínculo empregatício, perdendo o direito à bolsa, e outro um terço busca financiamento em outras
agências de fomento, bancos e etc.
O baixo valor do incentivo – bolsa – favorece a migração dos alunos para a iniciativa privada, na opinião de Heilbron. Hoje, por meio das duas
agências federais (Capes e CNPq), a bolsa para mestrado é de R$ 1.200 e, para doutorado, R$ 2.000. Os valores podem ser suficientes para
algumas áreas, mas não para a área tecnológica, por exemplo, pois as propostas salariais são atraentes.
Para Heilbron o número de bolsas é razoável e provoca concorrência entre os candidatos. Os cursos, que duram dois e quatro anos,
respectivamente, sugerem comprometimento do aluno, e este filtro deve ser feito desde o momento da seleção.

Já para Angela Uller, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), o número de bolsas
não é suficiente e não acompanha os programas do governo que incentivam os alunos a buscarem especialização. Há aumento de procura, mas o
número de bolsas tem se mantido constante. A professora ressalta que os novos cursos começam com número reduzido de bolsas, sendo apenas
duas vagas. A cada três anos os cursos são avaliados, e se subirem de nível, são contemplados com mais bolsas.

Uller avalia positivamente as estratégias do governo para melhorar a educação superior no país, explica que alguns avanços já foram percebidos,
mas poderá levar algumas décadas para perceber resultados reais. Algumas medidas surtem impacto no curto prazo, segundo Uller, a exemplo do
reajuste do benefício concedido aos bolsistas, cuja revisão não acompanha o aumento dos custos do aluno e deve ser revista pelo Congresso.

Capacitação de professores

O plano prevê investimentos globais de R$ 3,2 bilhões até 2010. Destes, R$ 1,6 bilhão será direcionados apenas a formação de novos docentes.
Como as projeções traçadas são baseadas em diferentes cenários, a meta de docentes absorvidos pela pós-graduação é de 4,7 mil a 2,8 mil.

De acordo com a Capes, para atuar na formação de professores para a educação básica, o Ministério da Educação (MEC) criou em 2005 a
Universidade Aberta do Brasil (UAB), fruto da articulação entre universidades estaduais, federais e institutos federais de educação, ciência e
tecnologia (Ifets). O objetivo é levar ensino superior público de qualidade aos municípios brasileiros nos quais não há cursos de formação
superior, ou cujas ofertas são insuficientes para atender a todos. A medida também vai ajudar a reduzir as diferenças regionais.

Na avaliação de Speller, as universidades têm demandado um bom número de profissionais mestres e doutores, conforme últimos concursos
lançados pelo Governo Federal. Ele acredita que a defasagem possa estar na demanda por profissionais qualificados na própria inciativa privada,
em áreas como ciências sociais.

Uller pondera que, embora haja uma demanda por profissionais com pós-graduação no setor acadêmico, essas oportunidades estão mais
concentradas nos cursos novos. Nos cursos mais antigos, há maior presença de profissionais sênior- com mais tempo de experiência e muitos
próximos a aposentadoria -, a renovação ainda é pequena. Ela acredita ser necessário um programa de incentivo aos professores, para ampliar os
cursos mais antigos e suprir a demanda futura por novos profissionais.

Leia mais sobre pós-graduação na matéria "Pós-graduação no Brasil: 10 vezes abaixo do ideal"

Tags: capes, ciência, mercado, pesquisa, pós-graduação

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Enem gera discussões no meio acadêmico
      Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 19:00
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DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV

Substituir o tradicional vestibular nas universidades, servir de ferramenta de comparabilidade e fomentar a reestruturação do ensino médio. Esses
são os principais objetivos do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O projeto, lançado pelo Ministério do Educação (MEC), em março
deste ano, ainda gera muita polêmica em torno da eficácia de suas propostas e alcance de suas intenções.

O modelo único de avaliação permitiria reorganizar os currículos das escolas em nível nacional, que é maior objetivo da iniciativa. De acordo com
o ministério, por intermédio de sua assessoria de imprensa, o vestibular nos moldes de hoje produz efeitos nocivos sobre o currículo do ensino
médio, que está cada vez mais voltado para o acúmulo excessivo de conteúdos.

Os novos exames combinariam a abrangência de conteúdo do vestibular tradicional com o modelo de questões do Enem. O MEC aponta algumas
vantagens do novo modelo:

- Avaliação da capacidade analítica e de raciocínio dos alunos;
- Sinalização ao ensino médio um novo tipo de formação, que privilegie uma educação voltada ao raciocínio e capacidade analítica, e não apenas
no acúmulo de dados
- Avaliação do desenvolvimento das instituições de ensino médio e superior;
- Democratização do acesso às universidades através da centralização dos processos seletivos;
- Redução de despesas de locomoção e taxas com inscrições, pois será apenas um processo seletivo;
- E aumento da mobilidade, pois o estudante, após fazer o exame, poderá escolher até cinco instituições em todo o país.

Modelo

O ENEM tem causado discussões no meio acadêmico. Há consenso quanto à necessidade de melhorar o sistema de ensino no país, entretanto as
opiniões divergem quanto ao modelo adotado para atingir tal objetivo.

Para o Presidente da Comissão de Implantação da Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), professor Paulo Speller, a
seleção através do Enem vai auxiliar na reestruturação de alguns pontos do ensino médio, mas não vai solucionar os problemas. Speller é
favorável ao modelo de prova, pois a metodologia privilegia a totalidade do ensino e, por essa característica, induz a uma nova formação
curricular nas escolas e cursos de pré-vestibular.

Por outro lado, o professor acredita na melhoria do ensino médio independente das discussões sobre o ENEM. Em sua opinião, é necessário um
esforço específico no país em relação ao assunto, com ações que foquem o fortalecimento e melhoria do ensino médio no país.
O professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor do Inep, José Marcelino Rezende Pinto, também observar que as melhoras no
currículo do ensino médio poderiam contar com medidas mais produtivas. A implantação de aulas práticas de biologia, física e química, por
exemplo, faria com que escolas públicas e privadas investissem em laboratórios, complementando o aprendizado, diz ele.

Impactos

Outro aspecto comentado por Rezende é quanto à democratização do acesso. Segundo ele, estudos apontam que o impacto do Enem no ingresso
da USP e UNESP é quase nulo no sentido de alterar o perfil dos alunos ingressantes. Enem é um tipo de exame para o qual o aluno precisa ser
treinado e as escolas privadas têm mais condições de propiciar um treinamento, assim como já acontece com o vestibular tradicional.

Speller, também avalia o acesso, mas no âmbito de mobilidade territorial. Para ele, apesar das alegações das supostas vantagens de alunos de
regiões desenvolvidas sobre os de regiões carentes, há aqui a possibilidade de bons candidatos disputarem de igual para igual. Por exemplo, alunos
bem pontuados do Nordeste concorrem vagas com alunos do Sul. No caso do vestibular, complementa Speller, bons candidatos podiam ser
ofuscados devido a alta nota de corte de sua região.

Vestibular Seriado

O mérito da proposta está em trazer á tona o debate sobre o vestibular no Brasil, que é uma questão dramática. Mas um sistema de acesso à
universidade baseado em uma única prova, não tem como ser democrático. A opinião é do presidente da União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas (Ubes), Ismael Cardoso.

Cardoso considera que o grande problema do vestibular e do Enem é fazer uma única avaliação, ao fim do período escolar, pois não acompanha o
processo de formação do estudante. A prova é aplicada no fim de uma educação ruim. A questão poderia ser solucionada, ou amenizada, se o
exame fosse aplicado uma vez ao ano, durante todo o ensino médio, permitindo que o aluno que se saísse mal na primeira prova, pudesse
recuperar a pontuação nas demais. O método também serviria como ferramenta de avaliação do governo pelo ensino médio, em condições muito
ruins atualmente, em sua opinião.

Vagas

O professor Speller pondera que o Brasil está atrasado nesta discussão, pois vários países já usam o exame nacional como forma de acesso à
universidade e considera que o país cresceu pouco no que diz respeito ao número de vagas disponíveis no ensino superior, questão que está
diretamente ligada ao ensino médio.

Sobre o aumento da oferta de vagas no ensino superior, o MEC informou que conta com programas específicos, como o Programa de
Reestruturação e Expansão da Rede Federal de Ensino Superior (Reuni). Este projeto elevou o número de vagas ofertadas a cada ano de 113 mil,
em 2003, para 227 mil, em 2009, nas 55 universidades federais brasileiras.

Mais quatro novas universidades federais aguardam aprovação pelo Congresso Nacional. São elas: Universidade Federal da Integração Latino-
Americana-UNILA, Universidade Federal da Integração Amazônica – UNIAM, Universidade Luso Afro-Brasileira-Universidade-UNILAB e
Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS.

Histórico

Originalmente concebido para ser uma ferramenta de avaliação dos estudantes de ensino médio, o Enem foi criado em 1998, no Governo
Fernando Henrique Cardoso, pelo então ministro da Educação Paulo Renato Souza. Os dados coletados pelo exame seriam utilizados para
melhorar ou criar políticas públicas para a área.

Em 2005, já no governo de Luis Inácio Lula da silva, o Enem passou a ser utilizado como forma de ingresso no recém criado Programa
Universidade Para Todos (Prouni), cujo objetivo é conceder bolsas integrais ou parciais a estudantes.

A nota do Enem pode ser usada de quatro formas: como fase única; como primeira fase; como fase única para as vagas remanescentes, após o
vestibular; ou combinado ao atual vestibular da instituição. Neste último caso, a universidade definirá o percentual da nota do Enem a ser utilizado
para a construção de uma média junto com a nota do vestibular.

As instituições têm autonomia para optar pela modalidade e divulgar em seus editais qual formato participará cada curso. A migração para o
sistema será acompanhada por um grupo de pesquisa constituído pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(Inep), como forma de analisar as reações ocasionadas pelo novo método de ingresso e, se necessário, propor adequações.

Até junho, das 55 universidades federais, 42 já haviam aderido ao novo Enem. A expectativa do MEC é que todas instituições federais adotem de
alguma forma o exame como seleção de alunos.

Veja o mapa das instituições que aderiram: Observe o mapa das adesões por estado
Programa pretende melhorar o sistema educacional
      Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 18:57
      Exibir blog de Dinheiro Vivo

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV

Criado com objetivo de melhorar a qualidade do ensino do país e envolver a sociedade na construção de um melhor sistema educacional, o Plano
de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi lançado em 2007, pelo Ministério da Educação (MEC). O projeto também tem o intuito de atuar
como ferramenta de prestação de contas à sociedade, tornando mais transparentes as ações do ministério e assegurar que suas ações cheguem às
salas de aula.

O Plano abarca uma série de medidas já em andamento no MEC e ações novas, levando em consideração toda a cadeia do processo educacional.
As atividades vão desde a implementação da avaliação para crianças de seis a oito anos de idade - para verificar o processo de alfabetização dos
alunos a tempo de solucionar possíveis distorções -, até a formação de professores.

A alfabetização de jovens e adultos é contemplada por meio do Programa Brasil Alfabetizado, que propõe a ampliação de turmas nas regiões do
interior do país. As atividades do projeto envolvem a criação de material didático específico para esse público. No âmbito da educação
profissional, o PDE tem como objetivo criar institutos federais de educação em locais estratégicos, para contribuir com o desenvolvimento das
cidades próximas. Também está previsto o acompanhamento e assessoria aos municípios com baixos indicadores de ensino

De acordo com o MEC, as iniciativas foram no sentido de criar um piso salarial aos professores e ampliar o acesso desses educadores à
universidade. Questões relacionadas à infra-estrutura, como eletrificação de escolas públicas e acesso escolar também foram abordadas. Várias
outras ações foram envolvidas no PDE, que teve a colaboração de professores, pesquisadores e ex-ministros da educação em sua elaboração.
Programa amplia vagas nas universidades
      Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 18:30
      Exibir blog de Dinheiro Vivo

FERNANDA BERTONCINI
Da Redação - ADV

A política nacional de expansão da educação superior pública ganhou nova ferramenta para ser definitivamente consolidada. O Programa de
Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído pelo Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007,
atende às exigências previstas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado pelo governo federal, que estabelece a provisão da
oferta de educação superior para – pelo menos – 30% dos jovens entre 18 e 24 anos, até o final da década.

O decreto deve colaborar na erradicação da falta de vagas no ensino público. Para se ter uma idéia, segundo o Censo da Educação Superior de
2005, o Brasil contava com 176 universidades, das quais 90 eram públicas, sendo 52 do sistema federal, 33 estaduais e cinco municipais.

Neste ano, o sistema público acolhia um total de 1.192.189 matrículas de graduação. O setor privado compreendia 1.934 instituições, dentre elas
86 universidades, com 3.260.967 matrículas de graduação. Atualmente, a cada ano ingressam 1.700.000 novos estudantes de graduação, na
modalidade presencial, no sistema nacional de educação superior (INEP, 2005).

Dessa forma, a meta global do programa é elevar gradativamente a taxa de conclusão média dos cursos presenciais para 90% e da relação de
alunos de graduação em cursos presenciais por professor para 18, ao final de cinco anos, a contar do início de cada plano.

O modelo reforça as iniciativas para a ampliação de vagas e a evolução da qualidade da educação no país, com foco na ampliação de políticas de
inclusão e de assistência estudantil, como forma de oferecer igualdade de oportunidades para o estudante com condições sócio-econômicas
desfavoráveis.

Adicionalmente, os projetos apresentados ao REUNI terão suas consistências avaliadas frente às exigências do decreto que compõe o programa. A
implementação do programa por parte das universidades federais será por adesão e as propostas apresentadas devem atender ao seguinte conjunto
de indicadores:

• Ampliação da Oferta de Educação Superior Pública: aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno, e redução das taxas de
evasão e ocupação de vagas ocasionais.

• Reestruturação Acadêmico-Curricular: revisão da estrutura acadêmica para elevar a qualidade do ensino; reorganização dos cursos de graduação;
diversificação das modalidades de graduação; implantação de regimes curriculares e sistemas de títulos que possibilitem a construção de
itinerários formativos e previsão de modelos de transição.

• Renovação Pedagógica da Educação Superior: articulação da educação superior com a educação básica, profissional e tecnológica; atualização
de metodologias de ensino e previsão de programas de capacitação pedagógica.
• Modalidade Intra e Inter-Institucional: promoção da ampla mobilidade estudantil mediante o aproveitamento de créditos e a circulação de
estudantes entre cursos e programas, e entre instituições de educação superior.

• Compromisso Social da Instituição: política de inclusão; programas de assistência estudantil e políticas de extensão universitária.

• Suporte da pós-graduação ao desenvolvimento e aperfeiçoamento qualitativo dos cursos de graduação: articulação da graduação com a pós-
graduação; expansão quali-quantitativa da pós-graduação orientada para a renovação pedagógica da educação superior.

Em cada uma das dimensões, a universidade deverá propor ações para subitens e, caso ainda queira propor alguma ação em um aspecto não
contemplado nessas diretrizes, mas inserido no escopo do programa, poderá fazê-lo em espaço apropriado para cada dimensão da reestruturação
proposta.
Todas as propostas encaminhadas deverão contemplar um aumento mínimo de 20% nas matrículas de graduação projetadas para a universidade,
além de atender as demais diretrizes do programa.

Além disso, os planos de reestruturação apresentados pelas instituições de ensino públicas e aprovados pelo Ministério da Educação, terão sua
exeqüibilidade financeira garantida pelo MEC já a partir de 2008, mediante termo de pactuação de metas a ser firmado entre o MEC e as
universidades participantes.

Outros detalhes podem ser conferidos na íntegra do documento:
REUNI




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12/06/2009 - 09:39

Um discussão sobre a Universidade pública
Vamos pegar a deixa do João Vergílio e começar a discutir seriamente a USP. Colocarei algumas premissas,
para tentar organizar um pouco a pauta.

Elemento 1 - a missão da Universidade.

Nos anos 90 houve grande discussão. De um lado, os que achavam que a Universidade deveria atender o
mercado; do outro, os que consideravam que o único compromisso era com a ciência. E, para cumprir essa
                                                                                                               LUIS NASSIF
missão, o pesquisador deveria ficar solto, sem se amarrar a metas e avaliações.
                                                                                                               Introdutor do jornalismo de
                                                                                                               serviços e do jornalismo
Em um estudo clássico, o então reitor da UNICAMP, Britto Cruz, colocou a discussão nos devidos termos. O       eletrônico no país. Vencedor do
papel da Universidade é formar alunos e fazer ciência, prospectar as fronteiras do conhecimento. Aqueles       Prêmio de Melhor Jornalista de
alunos com vocação empreendedora, com tendência a desenvolver tecnologia, deveriam ser estimulados a           Economia da Imprensa Escrita
montar sua empresa (as incubadoras), registrar suas patentes e ser colocado em contato com empresas.           do site Comunique-se em 2003,
Escritórios de patentes foram criados na UNICAMP e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).             2005 e 2008, em eleição direta
                                                                                                               da categoria. Prêmio iBest de
Uma das maiores asneiras propagadas nos anos 90 - especialmente pelo ex-Ministro Paulo Renato - é que os       Melhor Blog de Política, em
                                                                                                               eleição popular e da Academia
governos deveriam se preocupar apenas com o ensino básico, deixando Universidades para segundo plano.
                                                                                                               iBest.
Cometeu um crime contra a educação, a ciência e a tecnologia nacionais.
                                                                                                               Para enviar emails a Luís Nassif
Elemento 2 - os agentes da Universidade.                                                                       clique aqui.

Definidos os fins (formar alunos e fazer ciência), há que se trabalhar os meios. Todas as análises de meio
deverão ter como foco central os fins.

Os professores - Quem produz conhecimento e forma alunos são os professores. Eles devem trabalhar em
um local que, numa ponta, forneça as melhores condições de trabalho. Na outra, modelos de avaliação que
meçam sua produtividade e grau de excelência. Publicação de papers é um modo, mas não apenas isso.
Geração de patentes é outro, mas não pode ser o foco. Análise do que aconteceu com seus ex-alunos, um
terceiro indicador, mas não exclusivo. A reputação acadêmica do departamento, outro. A avaliação dos alunos
e funcionários, outro.

Os alunos - são os receptadores do conhecimento transmitido pelos professores. Por isso mesmo, devem ser      BUSCA
um agente ativo de avaliação dos mestres e das condições oferecidas pela Universidade. Tempos atrás, fui
                                                                                                                                      buscar
convidado para ser ombudsman de um jornal da ECA/USP, muito bem feito, por sinal. Havia reportagens
acachapantes sobre as más condições de funcionamento da USP, falta de manutenção, restaurantes caindo
aos pedaços etc. Obviamente, há limites para a atuação dos alunos. O caminho é a definição de fóruns
adequados de manifestação mas, principalmente, de clareza sobre a busca permanente da excelência
                                                                                                               CRÔNICA
universitária.                                                                                                 ECONOMIA

Os funcionários - o papel dos funcionários é fornecer a retaguarda administrativa e de serviços para os
professores. Sua estrutura, tamanho, custo deve seguir estritamente o que for necessário para o bom
funcionamento da Universidade. Mas, em fóruns adequados, deve opinar sobre temas a que estão ligados,         ÚLTIMOS POSTS
como as condições de trabalho, as sugestões para melhorias, os compromissos de melhorias contínuas.           Lembranças do capitão Galvão
                                                                                                              A tragédia de Jackson
                                                                                                              Mais pragmatismo, menos ideologia
A direção - há três instâncias de poder na Universidade: os departamentos, o Conselho Universitário e a
                                                                                                              Médicos dizem que Dilma está
Reitoria.                                                                                                     curada
                                                                                                              Pedro Simon, o Catão
Vamos, primeiro, discutir o modelo de gestão na Universidade, antes de retomar essa questão da governança.    Fora de Pauta
                                                                                                              A tradução do Global Trends
                                                                                                              O prêmio da Unesco
Elemento 3 - a governança na Universidade.
                                                                                                              A morte de Michael Jackson
                                                                                                              Trivial dos 40 anos do Pasquim
Gerir uma Universidade é tarefa muitíssimo mais complexa do que administrar uma grande corporação. Na         Um texto imperdível sobre Simonal
empresa, há objetivos definidos (produzir, gerar lucros), cadeia de comando verticalizada (a ordem vem de      A morte da deusa dos dentes
                                                                                                               abundantes
cima e se impõe sobre os departamentos), e formas conhecidas de articulação dos departamentos. A lógica da
                                                                                                               Filhas da crise
Universidade é outra e exige um modelo de governança diferente.                                                A culpa não foi do piloto
                                                                                                               As denúncias permanentemente
Mas o que existe hoje em dia é o caos.                                                                         disponíveis


A primeira instância de poder são os departamentos.
                                                                                                               CALENDÁRIO
                                                                                                                             Junho 2009
Em geral, são caixas pretas. Alguns buscam a excelência, outros são arenas de disputas entre os professores.
A politização começa por ali.                                                                                    S      T    Q    Q    S    S    D
Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência, com a contratação de professores            1      2    3    4    5    6    7
que tragam mais reputação para os departamentos. Em outros campos, a marmelada começa nos próprios               8      9    10   11   12   13   14
concursos para professores, em um sistema de compadrio que compromete a missão da Universidade.                 15   16      17   18   19   20   21
                                                                                                                22   23      24   25   26   27   28
A indicação de acadêmicos para cargos departamentais é uma excrescência que impõe duas perdas: mata-se          29   30
o acadêmico e cria-se um mau gestor.                                                                            « Mai


Por outro lado, as regras do MEC - especialmente para as federais - não estimula nenhuma forma de
aprimoramento de gestão. Se um departamento conseguir economizar em atividades-meio, não terá como              Clique aqui para ler os textos
utilizar os recursos para atividades-fim. No ano seguinte, esses recursos serão retirados por serem             antigos de Luis Nassif.
considerados excedentes.

A segunda instância é o Conselho Universitário.
                                                                                                               Direito de
A implantação de eleição direta nas Universidades gerou, em muitas delas, o populismo acadêmico, de
atendimento das demandas de professores e funcionários, deixando de lado a busca da excelência. No fundo,
                                                                                                               Resposta
                                                                                                               Se foi atacado pela mídia e não teve
me parece ser um arquipélago de ilhas isoladas, cada qual buscando apenas o que interessa a si.                direito de resposta, clique aqui para
                                                                                                               colocar a sua versão.
A terceira instância é a reitoria.

Veja bem, estamos falando em um desafio que o melhor CEO do país teria dificuldades em conduzir. Definir
missão, enquadrar os departamentos em objetivos claros, criar modelos gerenciais (para as atividades-meio)
que desobriguem os professores de serem atropelados pelas pequenas demandas do dia-a-dia, criar
instâncias para as manifestações dos alunos e funcionários, ser o representante do contribuinte perante a
comunidade universitária, cumprindo contratos de gestão, com objetivos claros.                                 ARQUIVOS
Longe de mim criticar a reitora Suely - que foi orientadora da Ruiva e de quem ela tem a melhor das            junho 2009
impressões. Mas não há a menor lógica de colocar uma boa pesquisadora, uma mestra exemplar, uma                maio 2009
acadêmica premiada para um desafio de tal ordem, que nada tem a ver com sua formação.                          abril 2009
                                                                                                               março 2009
                                                                                                               fevereiro 2009
Sem fóruns adequados, sem canais de comunicação, funcionários se organizam em torno do Sindicato, alunos       janeiro 2009
em torno das Assembléias - legitimando seu ativismo com a barbeiragem dos gestores.                            dezembro 2008
                                                                                                               agosto 2007
Vou parando por aqui para começarmos o debate.                                                                 julho 2007
                                                                                                               junho 2007
                                                                                                               maio 2007
Temas sugeridos:
                                                                                                               abril 2007
                                                                                                               março 2007
1. Modelo de governança.                                                                                       fevereiro 2007
                                                                                                               janeiro 2007
No modelo atual - Universidade com autonomia total (inclusive sem a obrigação de prestar contas),              dezembro 2006
departamentos com autonomia total, professores que, depois de empossados, não são obrigados a manter o         novembro 2006
ritmo anterior de produção - é impossível romper esse círculo vicioso.                                         outubro 2006
                                                                                                               setembro 2006
                                                                                                               agosto 2006
Minha proposta é que as Universidades passem a ser administradas por gestores acadêmicos - não um CEO
                                                                                                               julho 2006
de empresa, mas pessoas do meio, com conhecimento sobre a lógica da Universidade e que saibam manejar          junho 2006
ferramentas de gestão. Não se trata de gerir a Universidade como uma empresa privada, isso é bobagem. O        maio 2006
gestor tem que entender todas as especificidades, as necessidades operacionais, as características da          setembro 2005
produção acadêmica e prover os meios necessários. Mas tem que responder ao contribuinte com resultados.        0


Dizer isso é fácil. Difícil é definir um modelo de governça que permita a discussão da missão, da
                                                                                                               CATEGORIAS
implementação de planos por sobre a estrutura de poder interno.
                                                                                                               CULTURA
                                                                                                               Arquitetura
2. Modelo de departamentos.                                                                                    Artes Gráficas
                                                                                                               Cinema
                                                                                                               Costumes
Na era da interdepartamentalidade, é necessário pensar um novo modelo que acabe com as caixas pretas dos       Crônica
                                                                                                               Fotografia
departamentos. De certo modo, eles estratificam o poder, como as velhas cátedras, impedem a renovação, o
                                                                                                               Poesia
dinamismo, as novas ideias, os novos valores.                                                                  Regional
                                                                                                               Televisão

3. Modelo de financiamento.
                                                                                                               DIPLOMACIA
A USP está presa, há anos, à questão dos aposentados, comendo cada vez mais seu orçamento, sem que o
governo do Estado se proponha a agir. As Federais estão amarradas a procedimentos burocráticos que
                                                                                                               ECONOMIA
impedem a busca da eficiência na alocação de recursos.                                                         Agricultura
                                                                                                               Cabeção
Há que se aproveitar o momento para amarrar a questão do financiamento a novas formas de gestão                                      Coluna Econômica
                                                                                                                                     Crise
acadêmica.                                                                                                                           Energia
                                                                                                                                     Logística
                                                                                                                                     Matemática Financeira
É muita coisa a discutir. Lanço aí as primeiras provocações.                                                                         Negócios
                                                                                                                                     Novo Modelo
Enviado por: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo, Universidade
Tags relacionadas: deparamentos, Gestão, Universidade
                                                                                                                                     ESPORTES
                                                                                                                                     Xadrez
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64 comentários para "Um discussão sobre a Universidade pública"
                                                                                                                                     GESTÃO
                                                                                                                                     Cidades
                                                                                                                                     Corrupção
12/06/2009 - 10:05
Enviado por: João Maria Fernandes
                                                                                                                                     GESTÃO PÚBLICA
Nassif:                                                                                                                              Licitação

a palavra “pelego” está no index?
                                                                                                                                     HISTÓRIA
Bom dia.                                                                                                                             Brasileira



                                                                                                                                     JUSTIÇA
12/06/2009 - 10:09
Enviado por: Lima

                                                                                                                                     MEIO AMBIENTE
O apadriamento nao existe so na escolha de professores. Infelizmente, tambem na escolha de alunos para os cursos de
po´sgraduaçao stritus. Se a linha de pesquisa do aluno nao contemplar a politica dos orientadores ele jamais entrara na
universidade. Mesmo quando a pesquisa e de extrema relevancia para o desenvolvimento da sociedade. Me candidatei a uma
vaga no mestrado da UFAL, passei nas 4 fases (avaliaçao do projeto, prova escrita, entrevista e proficiencia em ligua estrangeira)   MÍDIA
mas não consegui a vaga. Colegas que ja haviam passado pela mesma situação me disseram que o problema foi o meu projeto              Blogs
contemplar as dificuldades que os gestores das escolas publicas enfrentam na condução do eixo-pedagogico. logo, tal pesquisa
nao contemplava a linha de pesquisa dos orientadores que estao voltados para pesquisas relacionadas com a propria
unversidade. Pergunto: A UNIVERSIDADE TEM A RESPONSABILIDADE DE BUSCAR CONHECIMENTO QUE MELHORE A
QUALIDADE DA EDUCAÇAO BASICA, OU SÓ DA EDUCAÇAO SUPERIOR?                                                                            MÚSICA
                                                                                                                                     Bossa Nova
                                                                                                                                     Choro
                                                                                                                                     Erudita Brasileira
12/06/2009 - 10:30                                                                                                                   Erudita Internacional
Enviado por: miope                                                                                                                   Jazz
                                                                                                                                     MPB
                                                                                                                                     Pop
Modelo departamental                                                                                                                 Rádios virtuais
                                                                                                                                     Violão
O modelo departamental segue a logica disciplinar. E.g. temos a disciplina de fisica, e um departamento de fisica.

Ocorre que a ciencia moderna evolui em torno de problemas. E.g. combustiveis renovaveis precisam de solucoes da quimica e            POLÍTICA
da biologia. Surge entao interdisciplinas: e.g. bioquimica.                                                                          Eleições
                                                                                                                                     Internacional
                                                                                                                                     Movimentos Sociais
Louve-se dois novos campi e uma nova universidades montadas em torno do conceito interdisciplinar: USP Leste, Universidade           Novo Mundo
Federal do ABC e Unicamp Limeira.

Abracos,
                                                                                                                                     POLÍTICAS SOCIAIS
                                                                                                                                     Educação
miope                                                                                                                                Fome
                                                                                                                                     Habitação
                                                                                                                                     Previdência
PS: feliz pelo 5o lugar no campeonato mundial da seguranca aerea (Santos Dumont deve estar rindo de orelha a orelha…)
                                                                                                                                     Saneamento
                                                                                                                                     Saúde
                                                                                                                                     Segurança
                                                                                                                                     Terceiro Setor
12/06/2009 - 10:39
Enviado por: Maína

Sugiro a leitura do artigo do professor Vladimir Saflate publicado hoje na Folha de São Paulo sobre o desastre causado não pelos     RELIGIÃO
estudantes como o J. Virgilio quer acreditar e que já foi bem debatido lá no Biscoito Fino e a Massa do Idelber Avelar.

Link para quem não assina o UOL: http://docs.google.com/View?id=dhhkd6qk_16fvt2fxhm                                                  SEM CATEGORIA

Segue o link para quem tem FSP: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1206200908.htm
                                                                                                                                     TECNOLOGIA
                                                                                                                                     C&T
                                                                                                                                     Ciência
12/06/2009 - 10:44                                                                                                                   Defesa
Enviado por: Marko                                                                                                                   Internet
                                                                                                                                     Software
                                                                                                                                     Universidade
Nassif, excelente levantamento de algumas questôes fundamentais. Sou professor, formado em escola pública e trabalhando
numa estadual de Sp e numa particular. Da forma que está, tanto o modelo das públicas quanto o das privadas está falido. As
públicas não dão conta da sua missão, não inovam na velocidade que o país demanda, não são de fato “públicas” (pois são
cooptadas o tempo todo para demandas privadas, como é de notório conhecimento) e não conseguem se financiar
adequadamente. As privadas, mesmo as melhores, decidiram nivelar por baixo, vivendo só de mensalidade, e muitas abriram
mão de qualquer qualidade em favor do lucro imediato. Acho que as universidades públicas precisam de uma devassa como a
que estamos fazendo com o congresso nacional, e muitos dos vícios seriam os mesmos. Não se pode continuar a financiar
pesquisa com dinheiro público sem chegar a algum acordo quanto a avaliação dos resultados (por parte de alunos, e por parte de
                                                                                                                                     TAGS
indicadores de resultados das pesquisas). Mas a questão do financiamento é um nó que precisa ser desatado. Venho                     Banco Central câmbio China crise
conversando informalmente com colegas sobre o modelo de “endowments” usado nas universidades americanas, que eu conheci
                                                                                                                                     Daniel Dantas Gaza
de perto e ajudam a tornar essas instituições as líderes no mundo, tanto em excelência acadêmica quanto em geração de
inovação tecnológica e lucros (patente, etc). Uma coisa que seria interessante você analisar é a diferença entre as nossas           Gilmar Mendes internet Israel
fundações (que não conheço bem, mas muitos criticam) e os endowments, que são fundos 100% atrelados a atividades                     José Serra juros Lula Mídia Obama
específicas (financiam cadeiras, laboratórios, etc). A questão da gestão, como você colocou, é central também, mas é uma             Petrobras   Protógenes São Paulo
questão cultural, de apropriação privada do público, que perpassa toda a nossa estrutura de estado, então acho muito difícil
mudar de uma vez. Mas com certeza, se isso não muda, o resto também não.                                                             Satiagraha STF Veja
12/06/2009 - 11:09
Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante

E os departamentos, embora unidades de apoio administrativos, são capitaneados por docentes. No mais das vezes, sem
treinamento. Por que?
Com as novas exigências de doutorados nos concursos, os professores já entram, nas federais, em “fim de carreira”, visto que
professor adjunto é o cargo máximo da carreira. Professor titular o é por um concurso a parte. Assom, entrando no fim de
carreira, com o intuito de ganhar algum a mais, docentes tornam-se ocupantes de cargos eminentemente administrativos. Sem os
conhecimentos e habilidades necessários, no mais das vezes. E lembremo-nos que mestrados e doutorados são voltados para a
pesquisa. E administrar pesquisa é muito deferente de administrar universidades. Enquanto a primeira tem início, meio e fim, a
segunda deve sobreviver a todos os que dela fazem parte.
Vai ser uma discussão longa!



12/06/2009 - 11:11
Enviado por: Marcos Moura Baptista dos Santos
                                                                                                                                   LINKS
Nassif,                                                                                                                            RELACIONADOS
tua proposta de discussão é boa e bastante bem elaborada para as rodadas iniciais. Espero que o debate e os comentáqrios não       Argemiro Ferreira
fiquem no flaXflu nem se restrinjam a elencar a série de problemas e equívocos de gestão das universidades (não só brasileitras,
diga-se de passagem) e para ta para o propositivo. Particularmente, penso que as IFES teriam muito a ganhar se olhássemos          Blog do Mello
para o que vem fazendo em termos de gestão universitária o grupo de IES reunidos no COMUNG (Consórcio das Universidades            Comunidade de Gestão
Comunitárias Gaúchas), especialmente a Universidade de Santa Cruz do Sul. Sobre o tema postei na comunidade há alguns              Comunidade Verso e Prosa
meses minha dissertação demestrado que trata justamente da governança na Unisc.
Abraço                                                                                                                             Leandro Fortes
Caco Baptista                                                                                                                      Luiz Carlos Azenha
                                                                                                                                   O Biscoito Fino e a Massa
                                                                                                                                   O Caso de Veja
12/06/2009 - 11:13                                                                                                                 Portal Luís Nassif
Enviado por: mauricio

E as ciências humanas? Nesse pique de querer ciencia e prospecção e resultados, vai acabar acontecendo que ninguém quer            LUIS NASSIF INDICA
financiar pesquisas sobre filosofia, historia, literatura etc. É preciso relevar isso e não adotarmos um modelo “capitalista” ou
“mercadista” de universidade.                                                                                                      Argemiro Ferreira
                                                                                                                                   Blog do Mello
                                                                                                                                   Comunidade de Gestão
12/06/2009 - 11:15                                                                                                                 Comunidade Verso e Prosa
Enviado por: Hans Bintje                                                                                                           Leandro Fortes
                                                                                                                                   Luiz Carlos Azenha
O Luis Nassif fez uma ótima descrição do “Modelo Alice”. Do livro de “Alice no País das Maravilhas”: “Alice encontra um gato e     O Biscoito Fino e a Massa
pergunta: Como posso sair daqui? O gato responde: Isso depende muito de para onde você quer ir. Alice explica: Não quero ir        O Caso de Veja
para lugar nenhum. Apenas, sair daqui. O gato retruca: Se você não vai para lugar nenhum, qualquer direção serve.”
                                                                                                                                   Portal Luís Nassif

Cito um exemplo de como assuntos universitários são tratados na Europa. Trecho de artigo da revista
“Brasileiros” ( http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/10/textos/31/ ):

“Em 1969, um grupo de estudos do qual Luciano fazia parte passou por um concurso público para a construção de um novo
hospital psiquiátrico, na cidade de Bérgamo. Começava a se questionar na Itália o papel dos hospitais psiquiátricos e Luciano
entrou de cabeça nessa questão. ‘Chegamos a abrir as portas de hospitais psiquiátricos e a fazer passeatas pela cidade, junto
com os loucos, reivindicando tratamentos mais humanos.’

Foi o estopim que desencadeou a consciência nos estudantes de arquitetura de que nunca teriam resolvido o real problema dos
doentes mentais propondo um belíssimo e novo hospital. Era necessário levá-lo como um problema político. ‘Nesse período, do
ponto de vista da nossa formação humana, houve uma revolução. Abrimos as nossas cabeças ali no provincianismo de Torino.’
Passeatas, salas de aula fechadas e cabeças abertas. Mudanças eram necessárias para seguir. (…)

‘Vivi aos 24 anos a magia de descobrir um mundo diferente e possível. Aprendi que só se podia resolver as coisas a partir de um
pressuposto político.’ No entanto, passado o fervor desse rompante, a vida começou a tomar os seus velhos trilhos, embora
algumas partes tenham descarrilado das antiquadas linhas.

A efervescência estudantil se abrandou, alguns professores tidos antes como ‘imortais’ deixaram suas cátedras, a grade
curricular se adaptou em partes às reivindicações estudantis, a política psiquiátrica foi repensada e reformulada.”

Eu pergunto ao Luis Nassif:

1) Você acredita que se a maneira de tratar os “loucos” não tivesse sido contestada pelos estudantes unversitários, haveria
alguma mudança na política psiquiátrica, melhores hospitais teriam sido construídos e organizados?

2) O gato questionaria: “Para onde você quer ir” com a Universidade?



12/06/2009 - 11:21
Enviado por: ?

Alguns pontos básicos:

1 - Há uma HISTÓRIA da USP que não envolve esse tipo de idéia sobre a “missão” da universidade (a questão é importante,
mas seria preciso recolocar o problema de forma adequada…). Pode-se começar lendo os textos de Franklin Leopoldo e Silva e
de Irene de Arruda Ribeiro Cardoso sobre o assunto.

2 - “Os alunos - são os receptadores do conhecimento transmitido pelos professores.” é uma péssima idéia sobre educação e
pesquisa… os estudantes PRODUZEM pesquisas também, e aí a discussão de patentes fica bastante complicada… e nem é seu
maior problema. Temos bons estudos sobre o tema na própria USP, e sugiro o trabalho de Maria Carlotto (sociologia) sobre o
tema (que inclui análises sobre a lei de inovação tecnológica). O “controle” via NÚMERO de publicações (como “medir” a
qualidade?) é muito questionado na academia (com argumentos racionais…) e não atende às especificidades de diferentes
áreas.
Falta perspectiva política nessa discussão toda.

3 - o organograma da USP não é tão simples (ou, é mais complexo ainda…). Há as congregações, por exemplo, ou seja,
diretorias de faculdades - são institutos independentes entre si, de certa forma. Enfim, seria preciso colocar novamente o
problema, com informações corretas.

Para efetivamente propor uma discussão a respeito da Universidade pública (ou da USP, especificamente?), de modo que saiam
de cena acusações banais e genéricas como em relação às eleições diretas, é preciso escrever outro ou outros posts…
“Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência” - é uma acusação seríssima, que supõe um idéia muito
particular de excelência… e uma capacidade de julgamento incrível…

Decepção.



12/06/2009 - 11:32
Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante

E mais, as universidades novas, federais, que vem sendo criadas, mantém os mesmos moldes, basicamente, e vícios. Perde-se
uma oportunidade ímpar de desenvolver uma nova forma de governança.
O “problema” é que gestão implica em mensuração e controle. Os docentes sentem-se “ameaçados” com cobranças. Cobranças
descabidas, segundo eles, como a presença física nos horários de trabalho, aulas bem fundamentadas e com conteúdo ao invés
de pesquisas de valor discutível… e por aí vai.



12/06/2009 - 11:33
Enviado por: Paulo

No elemento 1
A respeito da asneira de Paulo Renato, além de propagar a centralização das preocupações no ensino básico, ele ainda
distorceu o FUNDEB (proposta dos educadores após mais de 8 anos de discussão, que tramitava na câmara desde o Gov
Itamar, e previa atuar: na quantidade, aumentando o acesso às escolas públicas, e na qualidade da “Educação Básica”. Para isso
haveria uma previsão de 3,5 Bilhões de Reais por ano a ser bancado pelas três esferas).

O grupo do Sr paulo renato mandou retirar do congresso projeto do FUNDEB e enfiou “guela abaixo” da sociedade o tal do
FUNDEF (que atou principalmente no quesito quantidade, para atender as exigências dos organismos da ONU e assim manter
as “aparências”- puro marketing - e que passou a prever 500 milhões por ano para o fundo. Os outros 3 bilhões “devem ter ido”
para o mercado finaneceiro ou para financiar o PDV em que os principais cientistas das universidades públicas pularam fora e
foram para as faculdades pariculares dos amiguinos de FHC). Se não fossem as atuações dos municípios, que tiveram que a
função de gerir o ensino fundamental e com poucos recursos, nem mesmo o ensino fundametal teria sido contemplado nessa
época.

No elemento 2

Cabe acrescentar a necessidade de uma remuneração digna aos educadores, que lhes dê tranquilidade para sair de casa e ficar
em tempo integral na universidade não só atuando em pesquisa, mas também, gerando novas idéias e conceitos além de
estarem à disposição dos alunos para orientação.

A respeito da avaliação, concordo plenamente. Só tem que se tomar o cuidado de não fazer com está hoje com os alunos do
ensino médio, estudando apenas para vestibular (Acredito que seja por isso que o MEC esteja tentando mudar o modo de acesso
à Universidade).
Dependendo do foco tomado para as avaliações, poderá forçar o educador a centralizar suas ações e conhecimentos apenas
para passar na avaliação em detrimento de suas pesquisas e criação de suas idéias.

No que tange os alunos, com certeza a Universidade tem sim de manter um ambiente propício para que os alunos exerçam a sua
“vida acadêmica” com o máximo de qualidade. Tive sorte de estudar em uma Escola Técnica Federal-ETF (isso antes de FHC
tentar desmantelá-las) em que eu passava o dia todo estudando. Havia refeição aos alunos de manhã, tarde e noite. Tinha uma
biblioteca de ótima qualidade tanto para estudo de grupo quanto individual (alunos de faculdades particulares deixavam de
estudar nas bibliotecas de lá para ir estudar na da ETF). Para os alunos mais pobres, havia a possibilidade de serem monitore
(recebiam 70% do salário mínimo, mais vale transporte). Praticamente todas as semanas tinham palestras, teatro, mesas
redondas em que se discutiam de tudo. Pude assim aprender não só o conteúdo específico de minha área profissional
(telecomunicações), mas também cresci como pessoa. Hoje ela é uma CEFET e ministra cursos de nível superior (tecnólogo).
Acredito queas faculdades devam tratar seus alunos como a ETF (em que eu estudei) tratava, lógico que o ambiente é outro,
mais profundo no que tange conhecimento, e portanto deverá ter suas peculiaridades.



12/06/2009 - 11:38
Enviado por: rita

para lima:
aconteceu isso comigo tambem. fui candidata ao mestrado e venci todas as etapas de provas. mas nao conquistei a vaga. estava
num terreno no qual não conhecia ninguém, mas arrisquei ainda assim. cometi um erro enorme.



12/06/2009 - 11:40
Enviado por: André

Caro Nassif,

Creio que o ponto de partida para discussão deve ser exatamente a administração da universidade ou, se prefere, o modelo de
governança.

“Universidade com autonomia total (inclusive sem a obrigação de prestar contas), departamentos com autonomia total,
professores que, depois de empossados, não são obrigados a manter o ritmo anterior de produção - é impossível romper esse
círculo vicioso.”

Quem tem total autonomia é a Reitoria, apoiada pelo Co (abreviatura de Conselho Universitário).

Realmente, falta “prestação de contas” tanto das ações quanto dos gastos.

No passado, os aumentos eram limitados pela disponibilidade orçamentária, estabelecendo-se como teto o limite de 85% do
orçamento.

Hoje não se tem mais informações sobre compromentimento do orçamento com a folha de pagamentos e o reajuste de 6,05% foi
concedido sem apresentação e discussão dos dados financeiros, como era no passado.

(vide comunidado dos reitores em http://www.reitoria.usp.br/reitoria/index.php?q=node/2&nome=noticia&codntc=24167)

Retomando o ponto central, novos rumos para a Universidade, evidentemente a maior barreira à mudança está no caráter
burocrático e autoritário da administração universitária, que precisa ser modificado.

Rompendo esta barreira, abrem-se espaço para o debate democrático do modelo de universidade que queremos.
Abraços



12/06/2009 - 11:43
Enviado por: rogerio nacai

Lima,
a admissão em programa de mestrado NÃO poderia estar atrelada às linhas de pesquisa dos possíveis futuros orientadores,
mas, sim, ser função das qualificações e do mérito dos candidatos.



12/06/2009 - 11:43
Enviado por: romério rômulo

nassif:
há um trabalho denso,produzido pela unesco,sobre universidade.não pode ser desconsiderado.vou tentar localizá-lo (aqui em
casa isso é uma aventura)
e te comunico.
romério



12/06/2009 - 11:44
Enviado por: Rui Daher

Nassif, reproduzo artigo meu, escrito há 5 anos, que mostra como pouca coisa mudou:

MOMENTO DA INTERAÇÃO

Não é de hoje que se ouve falar na dificuldade de interação entre a pesquisa desenvolvida nas
universidades e o setor produtivo nacional. Depois de tanto tempo, seria de se supor que o problema estivesse resolvido ou, pelo
menos, amenizado. Pois não é bem assim. Mesmo ampliadas as ações no sentido dessa aproximação, sobretudo por parte da
universidade com a criação de agências, órgãos, núcleos e redes de pesquisa, o resultado obtido ainda é bastante incipiente.

Em dezembro de 2003, organismos ligados ao assunto promoveram o seminário “Caminhos da Inovação Tecnológica na USP”.
Nele, especialistas brasileiros e do exterior, na presença de pesquisadores da USP e de outras universidades e instituições de
pesquisas, bem como de representantes da iniciativa privada, discutiram evoluções no sentido de superar o problema.
Vários foram os assuntos expostos: casos reais de transferência de tecnologia; a estrutura das agências de inovação -
particularmente a da USP; aspectos da política e gestão tecnológicas; o estágio da P&D na indústria brasileira; os aspectos
legais da obtenção de patentes. Enfim, mostrava-se que há pessoas preocupadas com o assunto e quais organismos foram
criados para catalisar essa aproximação.

Apesar disso, a tônica, ao final de cada uma das exposições, recaía no fato de que os resultados práticos dessas ações eram
muito pequenos, e que a universidade e o setor produtivo, em suas tarefas de gerar conhecimento para o desenvolvimento
econômico, ainda mantinham uma distância abissal.

Nos países mais desenvolvidos, o setor produtivo e a universidade interagem em expectativas que partem das duas pontas. Num
sentido, a percepção das empresas de suas necessidades de novas tecnologias faz com que elas se juntem ao governo para
investir em geração de conhecimento pelos pesquisadores. No sentido inverso, a pesquisa espontânea gerada nas universidades
é percebida e apropriada pelo setor produtivo e transformada em novos produtos, processos e serviços. Não foi isso o que
aconteceu no Brasil.

Do lado do setor produtivo, a convivência com modelos econômicos fechados, reservando mercado e protegendo a indústria com
benefícios, incentivos fiscais e barreiras alfandegárias, em nada estimulou a procura por novas tecnologias. E se, por acaso,
alguma empresa delas precisasse, optava por comprá-las fora. Se naquela época já eram poucos os departamentos de P&D nas
empresas, quase sempre desfocados pelo ambiente econômico, com os anos de estagnação que se seguiram, eles acabaram
empobrecendo ou, simplesmente, desapareceram.
Do lado da universidade, se o resultado do crescimento econômico da década de 70 ainda pôde garantir que as verbas
concedidas pelo governo fossem suficientes para o desenvolvimento de novas pesquisas, essas eram apenas destinadas à
publicação e à obtenção de graduações internas à universidade, pois, mal informadas pelo setor produtivo, desconheciam e, por
isso desconsideravam, as necessidades da sociedade e do mercado.

Na verdade, aquele foi um período em que a universidade priorizou o seu papel de aparelho de resistência à ditadura, o que a
fazia, em determinados momentos, inclusive, a se opor à indústria.
Pois é justamente esse o quadro que mudou de forma radical. Ao mesmo tempo em que, com o final da ditadura militar, a
universidade exorcizou esses demônios e voltou a priorizar o seu papel histórico de gerar conhecimento para melhorar a
sociedade, as transformações nas economias nacional e mundial fizeram com que ela tivesse que olhar para fora na procura de
novos investidores, até porque duas décadas de estagnação já não permitiam mais uma irrigação de verbas que atendesse às
suas necessidades.

As empresas, por sua vez, não mais protegidas, combalidas por seguidos anos de crise econômica e que, antes, a arriscar,
preferiam acomodar-se apenas ao já existente, agora, diante de um sistema econômico competitivo e internacional, não mais
poderiam concorrer se não coadjuvadas pela geração de novas tecnologias.

Hoje, já não é mais apenas recomendável que universidade e empresa se integrem, mas sim questão de sobrevivência para
ambas, o que supõe, mesmo que as condições de crescimento da economia não estejam completamente asseguradas, urgência
numa interação capaz de converter conhecimento científico em retorno financeiro.



12/06/2009 - 11:45
Enviado por: wilson cunha junior

Longe de mim nâo achar que discutir a Universidade Pública seja importante. Mas como simpatizante do blog lamento apenas
que ela ocupe o lugar de uma discussão a meu ver mais crucial que é a forma do governo paulista lidar com problemas socias.
Ainda mais quando o governador em questão é o favorito pra ser o nosso presidente daqui a um ano e meio.

O que aconteceu na USP foi tão grave que só se assemelha ao que acontecia nos anos de chumbo.

Nessa pauta quem está justamente indignado com a repressão do governo paulista acaba sendo rotulado como “netos e viúvas
de 68″. Mas tudo bem. É do jogo.

Mas para os que sentem que 68 nunca vai acabar aqui vai uma missiva:

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/06/aos-que-vieram-depois-de-nos.html
                 Topo
“Os que sobrevivemos, ainda amargamos a incompreensão dos que se puseram a falar sobre nossas fraquezas, sem pensarem
nos tempos sem sol de que tiveram a sorte de escapar.”



12/06/2009 - 11:47
Enviado por: Ana Dias

Nassif,
gostaria de dar o meu “pitaco” como professora de universidade federal e ex-aluna da USP. A questão é muito complexa. Sobre a
função da universidade pública, você já colocou muito bem a questão. Não se trata de só formar pessoas para o mercado, mas
de pensar a “ponta”, ou seja, formar ideias, criar tecnologias e produtos e formar pessoas (pesquisadores, professores,
empreendedores) que pensem a sociedade “para frente”, e não para como está hoje. Agora, a vida real. Com relação aos
professores e aos alunos, a única forma de avaliação que temos é a publicação de papers. Na universidade em que trabalho, no
momento da matrícula, todos os alunos devem avaliar os professores do período anterior, por meio de questionário online. O que
é feito dessa avaliação? Nada, absolutamente nada. Simplesmente não somos avaliados quanto ao ensino. Claro que também
não seria correto utilizar somente a avaliação dos alunos para avaliar um bom professor (há N vieses possíveis na avaliação feita
pelos alunos), porém seria um primeiro indicador, que afinal já está disponível. No meu departamento, ministrar aulas para a
graduação é claramente visto como um castigo. Claro: aulas para a graduação dificilmente geram papers, ao contrário da pós-
graduação. Portanto, ainda que o professor goste de ministrar aulas na graduação, o fato é que, quanto mais se dedicar a isso,
pior para sua carreira. Como você escreveu, e eu concordo, a avaliação por produtividade em papers deve existir, mas não deve
ser a única forma de avaliação, como é hoje. Isso dá um gancho para explicar ao comentarista Lima que, se você quer entrar
num programa de pós, e posso garantir que isso acontece em qualquer programa de pós do país, precisa, sim, ter um projeto que
case direitinho com as linhas de pesquisa do programa. Para entender, é só saber como a CAPES avalia os cursos: número de
papers/professor, número de papers produzidos por alunos e egressos e tempo total do aluno no programa são os indicadores
principais. Portanto, é lógico que um aluno que esteja totalmente fora das linhas de pesquisa, provavelmente, levará mais tempo
até a defesa e publicará menos do que alguém que entre já adequado às pesquisas que estejam sendo realizadas (se o
postulante já estiver participando de alguma dessas pesquisas, melhor ainda!). Vale lembrar que os papers considerados pela
CAPES são só aqueles publicados em revistas chanceladas pelo comitê de cada área na CAPES, que muitas vezes vai
totalmente contra as tendências de um mundo transdisciplinar, mas isso é outra discussão. Quanto aos professores como
administradores, de qualquer forma será um problema, acho. O ideal seria mesmo um acadêmico com formação de gestor,
porque, como você bem coloca, uma universidade não é uma empresa; geri-la é muito diferente de gerir uma empresa, portanto.
O gestor precisa entender muito bem as idiossincrasias da universidade, seus pontos fortes e problemas, tarefa difícil por si só.
Mas é fato que as reitorias e outros cargos de direção, com raras e honrosas exceções, são vistos como passo para uma carreira
para fora da universidade (ou seja, quem está na reitoria quer visibilidade externa e não necessariamente melhorar a situação
interna). E, por mais que a Ruiva admire a Suely Vilela, é preciso lembrar que ela não foi colocada lá contra a vontade, né? Com
relação ao financiamento, no caso das federais, tem-se outro dilema. Por causa de “escândalos das lixeiras” e que tais, por
exemplo, a tendência é sempre burocratizar mais e mais a gestão dos recursos. É evidente que deve-se ter controle sobre o
dinheiro público, mas é fato que é preciso repensar o controle burocrático, que só torna mais difícil o trabalho de quem quer
trabalhar e, principalmente, não impede quem quer desviar recursos de fazê-lo! Esse é um debate que a sociedade precisa fazer.
As pesquisas de ponta podem ser muito prejudicadas por causa dessa burocracia burra (o Miguel Nicolelis falou disso na FSP
essa semana), e o trabalho do dia a dia também (comprar computadores para as tarefas mais simples é uma dor de cabeça
terrível! e eu só consegui uma cadeira decente para trabalhar com o dinheiro de um projeto de pesquisa financiado por uma
empresa). Enfim, essa é uma discussão importante e há muitos pontos mais que eu nem mencionei; espero para ler as opiniões
dos comentaristas de dentro e de fora das universidades.



12/06/2009 - 11:51
Enviado por: romeo

Desculpe, Nassif, mas acho que seu texto, como proposta de discussão, deveria ser isento de observações do tipo:
1. “Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência, com a contratação de professores que tragam mais
reputação para os departamentos. Em outros campos, a marmelada começa nos próprios concursos para professores, em um
sistema de compadrio que compromete a missão da Universidade.”
- esse tipo de generalização pode obstruir e/ou tornar emocional a discussão. Quem lhe garante que nas Exatas não ocorram
marmeladas e compadrios? Com que base você afirma que o compromisso das demais áreas da Usp não é com o padrão de
excelência?
2. “Longe de mim criticar a reitora Suely - que foi orientadora da Ruiva e de quem ela tem a melhor das impressões. Mas não há
a menor lógica de colocar uma boa pesquisadora, uma mestra exemplar, uma acadêmica premiada para um desafio de tal
ordem, que nada tem a ver com sua formação.”
- ao que se sabe, a atual reitora candidatou-se ao cargo de livre e espontânea vontade. Ou não?
Meus reparos decorrem do fato de que sua proposta de administração da universidade por gestores acadêmicos já é
suficientemente provocativa. A questão do financiamento das universidades também já vai dar muito pano pra manga.
Para começar, não seria interessante analisar os modos e os mecanismos de gestão atualmente disponíveis, levando-se em
conta a questão da autonomia das universidades públicas? E ver se, onde e por que não funcionam?
Outra questão de ordem prática: como e por que os “gestores acadêmicos” deverão ter mais sucesso do que no modelo atual de
gestão, no que se refere a fazer com que os governos de plantão cumpram a Constituição, destinando às universidades as
dotações orçamentárias de direito? E as fundações dentro das universidades, como são e como é que ficariam no modelo
proposto? Que outras formas de captação de dinheiro seriam desejáveis, sem ferir a autonomia acadêmica e intelectual, para
que as universidades pudessem depender menos das agências estaduais e federais de fomento à pesquisa?

       Pode mandar as sugestões.




12/06/2009 - 11:55
Enviado por: hugo

“Aqueles alunos com vocação empreendedora, com tendência a desenvolver tecnologia, deveriam ser estimulados a montar sua
empresa (as incubadoras), registrar suas patentes e ser colocado em contato com empresas.”

Ok, e as empresas vão pagar royalties a USP pelo desenvolvimetno e pesquisa?Ou vai continuar a patifaria da univesrersidade
gastar tempo e dinheiro em pesquisa e desnvolvimento para entregar o “produto” pronto para as empresas apenas conabilizarem
os lucros?

       Na Unicamp e na UFMG a universidade participa. De qualquer modo, é um ganho para o país.




12/06/2009 - 11:58
Enviado por: Ana Dias

Apenas para responder ao comentário do Eduardo Petrucci: atualmente, professor adjunto não é mais o fim da carreira; pode-se
passar a professor associado (para isso, há uma avaliação de memorial e arguição em banca). De qualquer forma, professor
titular continua a ser uma realidade muito distante, realmente. Quanto aos cargos de chefia de departamento: o adicional
recebido é muito pouco. Não compensa a quantidade de problemas (nem sempre passíveis de resolução no âmbito do
Departamento) e o tempo perdido (que poderia ser empregado em pesquisa, publicação…). No meu departamento, os
professores “correm” dos cargos de chefia! Na última eleição, só apareceu um candidato e, mesmo assim, na última hora. Por
isso, repito: em muitos casos (com exceções), onde há disputa pelos cargos de chefia, ela acontece por causa da visibilidade
externa, e não pelo desejo em melhorar a situação interna. Melhorar a situação interna pode ser apenas um meio para projetar o
chefe para a comunidade universitária e extra-universitária (mas, como não é a única forma de projetá-lo(a)… nem sempre os
objetivos do departamento/da universidade e os da carreira do gestor estão coadunados!)



12/06/2009 - 12:02
Enviado por: Júlio Pubikher

Ótimo comentário, do blog do Favre:

USP
“As ideias da reitora Suely Vilela e do professor José Arthur Giannotti (”Tendências/Debates”, ontem) são quase convincentes e,
por isso, extremamente perigosas.
É importante revelar que elas se autodesmerecem por dois pontos:
1) A reitora aponta a chamada da Polícia Militar ao campus como resultado do “desrespeito a uma ordem judicial”, sendo que ela
própria, no atual momento, está desrespeitando duas sentenças transitadas em julgado, que condenam a Universidade de São
Paulo a recompor os salários dos professores que não receberam gatilhos devidos e a pagar os respectivos atrasados. Na
Unicamp, por exemplo, essa dívida já foi saldada.
2) O professor José Arthur Giannotti fala em “pautas fantasiosas”.
Eu gostaria que ele respondesse se é fantasioso solicitar que nossos salários, que hoje carregam uma perda de 42% em relação
ao que eram em 1989, sejam corrigidos para patamares minimamente decentes. Os índices por ele apresentados, aliás, são
falsos. Índices corretos poderiam ter sido fornecidos a ele pela Adusp e pela própria reitoria.
PS: Votei, livremente, contra a greve dos professores decidida no dia 4 passado pela maioria e não represento, portanto, a
categoria tão ofendida pelas palavras do professor Giannotti.
MARLENE SUANO, professora-doutora do Departamento de História da FFLCH-USP (São Paulo, SP)



12/06/2009 - 12:15
Enviado por: Paulo

Nassif, vc esqueceu de algo importante de qq universidade pública…os egos envolvidos. Ok, em qq lugar temos brigas de egos,
mas nesses casos, ois empregos estão garantidos e muitos simplesmente não seguem qq ordem, por mais q seja vindo da
reitora. Se não concordam com algo, a briga pode ser feia. Quero ver um CEO lidar com iso facilmente….



12/06/2009 - 12:22
Enviado por: João Vergílio

Nassif,

A amplidão dos temas que você levanta (e a relevância de todos eles) recomenda, a meu ver, a criação, no Portal, de uma seção
dedicada exclusivamente à Educação - uma espécie de forum permanente, onde pudéssemos todos trocar idéias de maneira
civilizada e sem preconceitos de parte a parte.

Tenho minhas dúvidas se deveríamos incluir questões sobre a universidade e questões sobre o ensino básico num mesmo lugar.
Isso pode gerar congestionamento. Talvez o mais recomendável fosse mesmo criar abas separadas, com dinâmicas próprias.

Atualmente, os docentes da FFLCH estão debatendo alguns desses temas numa lista de discussão. O resultado é interessante,
apesar de claramente parcial. Oitenta por cento das intervenções são feitas por pessoas com posições muito semelhantes,
criando às vezes uma falsa impressão de hegemonia. Tenho quase certeza de que o mesmo cenário se repetiria aqui. Mesmo
assim, o tema é tão importante que justifica os riscos. É preciso conquistar os colegas para o debate. Se você achar interessante
a criação desse forum permanente, conte comigo. Serei fruguês de carteirinha.

          Estou juntando material para montar o Grupo. Se puder mediar, será de grande valia.




12/06/2009 - 12:29
Enviado por: emerson

Olá a todos:

Uma correção: A carreira de docente de universidade federal tem várias etapas: A mais baixa é de auxiliar (com graduação),
assistente (com mestrado), adjunto, associado e titular (com doutorado). Dentro das classes de auxilias, assistente, adjunto e
associado existem os niveis I, II, III, e IV. Para ser auxiliar para assistente, basta concluir o mestrado, e de assistente para
adjunto basta o doutorado. Para ser promovido de Adjunto I para II é por tempo de carreira (dois anos). Para ser promovido de
Adjunto IV para Associado I deve haver comprovação de publicação, docencia, orientação, atividades admisnistrativas. De
Associado I para II por tempo de carreira. Para titular, concurso publico. A cada promoção ocorre um pequeno aumento no
salario. Assim é incorreto dizer que o docente entra no fim da carreira e dizer que não há um incentivo para crescer na carreira,
até porque para chegar a titular o docente tem que mostrar uma carreira muito sólida. Ninguem chega a titular antes de 20 anos
de muito esforço.

Uma observação: departamentos de melhor desempenho (por exemplo na avaliação da capes) geralmente são mais rigorosos
nos concursos pois estão bem estabelecidos e temem comprometer sua qualidade e tem sido comum não contratarem nenhum
candidato em determinado concurso, preferindo abrir novo edital 6 meses ou um ano depois. Departamentos com desempenho
inferior geralmente são carentes de pessoas e preferem contratar imediatamente, mesmo se os candidatos forem inexpressivos.
De qualquer modo, os melhores candidatos a docente acabam contratatos nos melhores departamentos, pois nem se
candidatam a vagas em departamentos inferiores.

premio ao merito: o CNPq instituiu uma bosa de produtividade para os pesquisadores mais destacados na área de pesquisa.
Essa bolsa vai do nivel 2 para o 1D, 1C, 1B e 1A. Para ganhar a bolsa o pesquisador deve apresentar um determinado nivel de
produtividade e sua classificação vai depender de uma avaliação dos ultimos dez anos de pesquisa. Apenas os melhores são
premiados.

As agencias de fomento somente dão recursos aos pesquisadores que mostram curriculo compativel. Pesquisadores em inicio de
carreira geralmente conseguem poucos recursos e aqueles mais consolidados consegem mais recursos. Conforme os
pesquisdores inciantes vão consolidando suas carreiras, vão conseguindo mais recursos e consolidando cada vez mais sua
carreira.

assim, me parece que a carreira esta bem definida e premiando o merito.



12/06/2009 - 12:48
Enviado por: hugo
Com certeza é um ganho para o país, mas muito maior para as empresas privadas.

As universidades não tem o direito de participar dos lucros obtidos através das suas pesquisas utilizados pelas indústrias?

Quando se fala em novas formas de financiamento da universidade pública, essa não seria uma forma JUSTA de se desenvolver
as universidades e o país?

Se um laboratório de biotecnologia produzir uma espécie de cana-de-açúcar que creça mais rápido e produza mais açúcar não é
lícito que ela tenha uma participação no que for produzido? Ou tem que se contentar com “computadores novos” em retribuição
pelo trabalho desenvolvido?



12/06/2009 - 12:53
Enviado por: Edmar Roberto Prandini

Nassif,

São duas as questões que precisam ser distinguidas aqui.

Primeiro, em ambientes de dezenas de milhares de pessoas convivendo, com uma gama múltipla de interesses divergentes, é
evidente que o impasse, do confronto político, do conflito existe e sempre existirá. É da natureza da universidade a polêmica e o
conflito.

Então, a primeira questão consiste em como o conflito se processa. A existência da greve, das manifestações e até do piquete,
que o João Vergílio condena, são fenômenos derivados da complexidade dessa sociedade que é a Universidade. Grave não é
sua existência. Grave é a reitoria requerer para o enfrentamento desses conflitos não a institucionalidade existente na própria
Universidade, mas o uso da PM.

A PM? Nem vem ao caso aqui levantar a discussão sobre o modelo da militarização da polícia e sua origem. Mas,
acontecimentos recorrentes demonstram a completa inaptidão da PM para lidar com os conflitos sociais. A greve dos policiais
civis, neste início de ano, como foram tratados pela PM? Se já no que se refere à criminalidade, a PM paulista já tem sido objeto
de inúmeras suspeições quanto aos seus vínculos com as facções criminosas, no que se refere ao tratamento das manifestações
políticas a PM está inapelavelmente marcada pela pecha de autoritarismo.

Então, como a reitora adota como medida recorrer à PM? Ao fazê-lo, a reitora deslegitima-se por completo, tornando
absolutamente impossível prosseguir merecendo qualquer crédito do movimento que se instalou. Ao fazê-lo, ainda que ela
obtenha vitória, será vitória ilegítima, que não conseguirá contar com o acolhilmento de suas posições pelo movimento. O
movimento poderá submeter-se, dado o ônus da humilhação, mas, jamais, o vitorioso gozará de qualquer credibilidade. de tal
sorte que todas as suas medidas, mesmo aquelas que contivessem racionalidade e justeza, jamais, jamais contarão com o
respeito da comunidade universitária.

A segunda ordem de questões refere-se ao problema da missão, da governança e da gestão. É um dramático problema que
envolve a universidade estadual, mas também as federais e as privadas.

Neste caso, a amplitude dos problemas é enorme, e não há hierarquia entre eles. Todos são dramáticos. Envolvem o eterno
problema do orçamento. Da sua centralização e descentralização. Dos processos de contratações e compra. Das autonomias e
controles na execução orçamentária. Da produtividade, e seus índices. Das bolsas. Das verbas de pesquisa. Do reconhecimento
da importância do ensino. O que a Ana Dias comenta, quanto ao prejuízo à carreira do professor que esteja atuando na
graduação é verdadeiro e gravíssimo! E, no caso, das universidades e faculdades privadas, há ainda o problema do lucro, que
tende à exorbitância, e da desigualdade brutal na valorização docente.



12/06/2009 - 13:07
Enviado por: Laud Roces

“Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência”

Como assim? essa frase resume a tosquera que a tempos impregna qualquer debate sobre a Universidade Pública. De um lado
os “gestores”, defendidos por vc Nassif, e de outro lado os que não entendem nada de gestão e acham que pode gerir tudo como
se fosse um relógio suisso. Como se pessoas e objetivos como o da Universidade constitui um esquema linear.
Vivo a 10 anos anos no meio universitário e não vejo e caos alardeado neste post! Não está as 1000 maravilhas, mas funciona.
Nassif, vc defende a Petrobras contra o “caos” que os interesses escusos querem implantar para tirarem vantagens e vem agora
com essa de que está um “caos” na univeridade pública. Isso é conversa de quem se acha mais competente para gerir e
entender algo tão complexo como a Universidade, mais precisamente dos paulistanos setentistas que “se achavam”, com sua
USP única e impávida. Agora que o Brasil descobriu que pode haver pesquisa e desenvolvimento fora de São Paulo ficam
achando que o “modelo” está errado. Fala sério, errado estão os paulistas de achar que só eles pensam!



12/06/2009 - 13:21
Enviado por: PAULO CAVALCANTI

“COLOCANDO ÁGUA NO CHOPP”

Moro na Zona Leste de S. Paulo, uma região carente e pobre da cidade, que tem hoje, 3,9 milhões de habitantes. Só para dar o
sentido da grandeza disso aqui, Porto Alegre, possui 3,7 milhões de habitantes, Recife 1,5 milhões, Belo Horizonte 2.4, Brasilia
com toda sua região metropolitana, soma 2,0 - e finalmente Campinas com menos e 1 milhão.

Em 2004 - foi inaugurado o CAMPUS DA USP-LESTE, fica aqui, do lado da minha casa, em Ermelino Matarazzo, e hoje tem 4
mil alunos. Sabem quais os cursos que tem aqui? - Gestão Ambiental, Enfermagem Geriatrica, Propaganda. Ou seja, nenhum
dos curso tradicionais, e sabem por que? Tem uma lei, que OBRIGA, uma universidade a não ter os mesmos cursos, quando já
tem um Campus naquela cidade.

Idéia de jerico, dos Srs. acadêmicos, que vivem enclausurados dentro da universidade, e vêem o mundo, através da sua
janalinha mediocre.

Como a região é constituida de gente humilde, pobre, esses cursos estão bons, prá quê pobre quer ser médico, advogado,
engenheiro?

Infelizmente, a política da Casa Grande & Senzala, continua em voga, e todo mundo acha absolutamente normal.

Finalizando: O pior defeito que a universidade pública tem, é que ela, e direcionada a uma elite, que estuda e desfruta de um
bem público, pago com o dinheiro do contribuinte pobre em sua maioria, e quando se forma, dá uma banana para a comunidade,
sem contra-partida, vai ganhar dinheiro muito longe dalí.
12/06/2009 - 13:28
Enviado por: José

É curioso como abafado atrás da grita dos grevistas há um eco de fundo que alimenta as manifestações. Esse eco, cuja
existência poucos admitem no plano consciente, luta bravamente para que a maior universidade brasileira continue um
instrumento exclusivo de determinadas classes e categorias sociais e não se abra para a população que não tem acesso a ela.

Os interesses são muitos, mas ficando no terreno da simplificação das posições em ‘direita’ e ‘esquerda’ é possível dizer que
esses dois lados entram em acordo quanto à necessidade de limitar a ampliação do acesso à universidade. A ‘direita’, com sua
arrogância simplória, não gosta da expressão ‘elitização’, mas a ‘esquerda’ gosta, e ambas lutam para que ela se mantenha.

No caminho certo, o governo paulista dá um passo importante para a democratização do ensino de qualidade das universidades
públicas com o projeto de implantação da educação a distância, começando pela pedagogia. É péssimo ver que há professores e
estudantes que lutam contra isso. Porque pensam que estudar na USP e desfrutar desse ensino deve continuar sendo exclusivo
de alguns e não ser aberto para qualquer brasileiro.



12/06/2009 - 13:29
Enviado por: chris

O que vou relatar aqui diz respeito a minha opinião e vivência pessoal, logo, não necessariamente se traduz como realidade da
graduação e pós-graduação no Brasil.
O que eu vi durante os anos na Universidade:
- A ênfase na quantidade (mais paper, mais alunos) muitas vezes significa perda da qualidade. Os alunos não têm tempo para
amadurecer (tem que defender rápido), os professores tem muito mais alunos para “dividir” a atenção, as Teses (dissertações?)
de Mestrado viraram um trabalho de iniciação científica melhorado. Quando eu pego hoje uma Tese de Mestrado antiga, batida a
máquina, e comparo com uma Tese de Doutorado atual percebo que a discussão da primeira está até mais embasada, havia um
maior esmero, os fundamentos eram bem discutidos, mesmo com um menor número de resultados pois não havia computador e
nem a quantidade de equipamentos para análises sofisticadas como hoje em dia. Já vi muita gente defender “com o que tem”,
pois o prazo é mais importante, se der para “fechar” o trabalho fica tudo bem.
- O CNPq tenta melhorar a questão da qualidade através do índice de impacto das revistas mas não se resolve o problema dos
caciques da pesquisa, aqueles cujo nome aparece em diversas publicações sem que, necessariamente, sequer saibam do
assunto tratado.
- A pesquisa básica ou que não tiver um resultado com aplicabilidade comercial imediata está prejudicada. Parece que ninguém
percebe que as pesquisas básica e aplicada são complementares (uma não é melhor do que a outra). A pesquisa aplicada
envolve mais a otimização e a básica mais a criação.
- O sistema induz a uma excessiva especialização – saber mais sobre cada vez menos. E a trasndisciplinaridade tão necessária
ao desenvolvimento sustentável? Onde está o conhecimento BÁSICO sólido para que qualquer um possa se familiarizar com
outras áreas sem grandes dificuldades? A especialização se tornou um antolho, estamos virando “engrenagens adaptadas a um
sistema” e não refletimos mais profundamente sobre o próprio sistema – pelo menos, a nossa formação acadêmica não está
direcionada para isso.
- Corremos o sério risco de nos tornarmos ignorantes pelo excesso de informação. Qualquer pesquisador não vai publicar um
artigo se puder espichar o assunto e publicar três. Para que ele vai ser conciso? Afinal, ele precisa de um currículo extenso.
Quem estiver interessado (e estiver com tempo!) que trate de ler tudo e garimpar o que interessa.



12/06/2009 - 13:33
Enviado por: Monier

Acompanhei de perto a USP como graduando, e também vi de perto a Unicamp, onde a minha namorada estudou medicina. É
claro que uma análise bem fundamentada precisaria de dados concretos, estatística, etc., mas a minha percepção como
testemunha distraída é que na Unicamp não há vergonha de se integrar na cadeia produtiva local como instituição-universidade.
Enquanto na USP a frase mais ouvida é “meu professor tem uma empresa/instituto que faz…”, na Unicamp ouve-se mais “meu
professor criou um método que é usado pelas empresas do setor de….”
Ou seja, na USP temos uma espécie de cartão de visitas para apresentar a empresa/instituto próprios. Na Unicamp é a
universidade é a “empresa”.
Além disso, na Unicamp eles pesquisam o que está ao redor: carrapato-estrela, óleo de mamona, astrofísica, quartel do exército
rosa, e por aí vai. Em São Paulo a pesquisa parece estar mais distante da realidade local. Em geral são os estudantes que se
metem a pesquisar favela por conta própria, por exemplo (na experiência do Direito), ou montam grupos de estudos à parte para
um monte de objetos diferentes, mas nada institucional. É quase uma aventura. Talvez se explique pelo tamanho das cidades.



12/06/2009 - 13:56
Enviado por: rita

para lima e rogerio nacai:

mas ai é que está o problema. parece que os doutores da universidade somente orientam se o projeto de pesquisa do aluno
estiver de acordo com as linhas de pesquisa do proprio orientador. pode até ser que o tema seja relevante, mas nada que
desperte o interesse do professor orientador, quer dizer, vontade de ajudar o aluno do mestrado a buscar um campo de pesquisa
que seja de seu interesse.eu conheci uma professora de antropologia na graduaçao e ela era a única que não recusava meus
trabalhos de pesquisa. eu tinha muito interesse na área de história e ela me ensinou que mesmo na antropologia não me impede
de trabalhar outras coisas. e eu me apaixonei pela coisa. porém, a minha professora faleceu antes que eu atingisse o mestrado,
ela tinha cancer, e eu fiquei só. foi a única doutora que conheci na minha vida que não tinha medo de orientar alunos, mesmo
que o interesse não fosse exatamente na área que a minha professora se especializou. tenho saudades dela.



12/06/2009 - 14:01
Enviado por: evandro condé

Paulo Renato, ensino básico, com o desmatelamento das escolas técnicas; Nassif, você deve estar brincando.



12/06/2009 - 14:03
Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante

Cara Ana Dias. Obrigado pela correção. O professor associado é uma criação mais nova, não me lembrei dela.
Sei que as reuniões de departamento, para escolher chefia, são na base de que é votado o cara que vai ao banheiro. Quando
volta, a eleição já ocorreu e ele foi o escolhido.
A gratificação, FG, não compensa. Exatamente. Não compensa para quem estudou tanto, chegou a doutorados e além. Ainda
assim, o departamento é administrativo, o colegiado é a dimensão acadêmica. Mas a chefia de departamento fica na mão de um
docente, em parte das instituições federais. Se é tão ruim, por que não largam?
E essa FG de chefia de departamento, já ouvi da boca de um doutor que ele não poderia abrir mão desse ganho sem alterar seu
nível de vida.
“)… nem sempre os objetivos do departamento/da universidade e os da carreira do gestor estão coadunados!)”
Isso é verdade. E também é verdade que gestão está ainda mais fora da carreira de um doutor (que não seja da área de
administração)



12/06/2009 - 14:05
Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante

Em tempo. Não é a instituição que tem que estar coadunada com a carreira do docente. O contrário é que deveria ocorrer.



12/06/2009 - 14:05
Enviado por: henrique rodrigues

Medir desempenho de professor pelo número de publicações tem provocado distorções horrorosas. Como ninguém produz nada
de novo a cada 4, 5 meses, lemos continuamente o mesmo artigo reescrito com outras palavras. E isso quando lemos os artigos,
porque muitas vezes não se publica para ser lido, mas apenas para cumprir os índices exigidos.



12/06/2009 - 14:09
Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante

E, Ana Dias, concordo com vc quando diz que a docência na graduação não é valorizada. Acho que devia ser o que mais pesa
no Lattes, mas houve uma inversão de valores. “Velhos” docentes, habeis no saber fazer de professor, tornavam-se, um dia,
doutores. Hoje, sem ser doutor nem se consegue fazer concurso. E, com a ditadura dos papers, perde-se o fazer de professor.
Tanto a ser mudado. Que comece logo!



12/06/2009 - 14:14
Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante

Caro Hugo,

“Se um laboratório de biotecnologia produzir uma espécie de cana-de-açúcar que creça mais rápido e produza mais açúcar não é
lícito que ela tenha uma participação no que for produzido? Ou tem que se contentar com “computadores novos” em retribuição
pelo trabalho desenvolvido?”

Se toda essa pesquisa foi desenvolvida com dinheiro do povo, meu e seu, dentro de uma intituição federal de ensino sim, ele vai
ter que se contentar com um “computador novo”.
Se for com o dinheiro dele, se ele colocar, como o Bill Gates, o fiofó na reta… aí sim, que ele fique tão rico quanto o Bill.

O que não dá para agüentar mais é a pesquisa pública com o ganho privado!



12/06/2009 - 14:47
Enviado por: Luiz Alberto Vieira

Nassif,

A mensuração da produtividade é algo bastante controverso, especialmente nas ciências sociais.
Atualmente, a produção dos acadêmicos e dos departamentos é feita principalmente através da publicação dos papers.
Como a distribuição de verbas públicas, através das avaliações da CAPES, é em grande medida dependente das publicações em
periódicos, muitos departamentos tem se esforçado em elevar a quantidade de publicações.
No entanto, grande parte dessas publicações não possuem relevância alguma e existe uma enorme diferença nas dificuldades de
publicação.
Nos departamentos de economia, tem ocorrido um corrida em direção à econometria em detrimento das pesquisas históricas,
estas muito mais demoradas. Um econometristas com um bom banco de dados é capaz de reaplicar técnicas em moda nos EUA
aos números brasileiros, os famosos “brazilian cases”, com grande velocidade e produtividade. Mas infelizmente, a maior parte
desses trabalhos não leva em conta as condições instituicionais brasileiras e nem possuem algum verniz teórico.
Na economia, os critérios da publicações tem levada à uma ditadura dos cabeças de planilha.
Um caso interessantes foi o do IE-UFRJ, que para elevar a nota na Capes, decidiu que em sua pós apenas professores com
publicação no exterior nos últimos anos dariam aulas. Mas esse critério excluía Fernando Cardim e Mario Possas, dois dos
maiores economistas brasileiros. Felizmente, na UFRJ o bom senso venceu e o desistiram do absurdo critério, mas não é o que
ocorre na maioria dos departamentos de economia do Brasil.

Abraços,

Luiz Alberto



12/06/2009 - 15:21
Enviado por: Marcio Gaspar

“Os professores - Quem produz conhecimento e forma alunos são os professores. Eles devem trabalhar em um local que, numa
ponta, forneça as melhores condições de trabalho. Na outra, modelos de avaliação que meçam sua produtividade e grau de
excelência. Publicação de papers é um modo, mas não apenas isso. Geração de patentes é outro, mas não pode ser o foco.
Análise do que aconteceu com seus ex-alunos, um terceiro indicador, mas não exclusivo. A reputação acadêmica do
departamento, outro. A avaliação dos alunos e funcionários, outro.”

Ou o professor daa aula ou faz pesquisa. Fazer pesquisa e ainda ter que elaborar aula, orientar trabalhos de graduacao,
mestrado e doutorado. Isso ira acabar por relegar o ensino da graduacao, pois o professor estaraa mais interessado em sua
pesquisa, ja que tera que apresentar produtividade, palavra muito usada no mundo corporativo. Ja ouvi de muitos professores
queixas sobre esta produtividade que a universidade cobra dos professores, aonde nao ee possivel elaborar uma boa aula.



12/06/2009 - 15:22
Enviado por: Anarquista Lúcida

Nassif, além da gravidade dessa sua divisao entre Exatas e Humanas, e do preconceito contra as Humanas — o que aliás
mostra bem o que aconteceria numa possível gestao “profissional” das Universidades — o que você diz sobre a estrutura da
Universidade está errado, pelo menos em relação às federais, e às estaduais do Rio de Janeiro, em que trabalhei. Chefia de
Departamento nao tem poder nenhum, só aborrecimento. E há vários tipos de órgaos intermediários, tanto executivos quanto
“legislativos”, entre o Departamento e o Conselho Universitário/Reitoria. As regras de eleição para os conselhos superiores (nao
há só o Universitário, há tb o de Ensino e Pesquisa, e outros, conforme a Universidade) sao complexas: entre os membros
docentes, há membros por categoria e por unidade, no mínimo; nao sei como sao decididos os representantes dos funcionários e
dos docentes (que sao pouquíssimos em relação aos dos docentes; na maioria das universidades, os diretores de unidade e de
centros têm cadeira cativa nos Conselhos, o que envieza a representação). E que preconceito contra eleição direta, hem? E o
país? Tb deve ser governado por “gestores profissionais”?

Quanto ao Joao Vergílio, é engraçadíssimo (para nao dizer triste…) ele dizer que há uma discussão a respeito na Faculdade
dele, mas que 80% das pessoas que falam têm opiniões parecidas, o que cria uma “falsa” impressão de hegemonia.
Interessante! Só seria verdadeira essa impressão se as posições coincidissem com as dele?

Muito importantes sao as questoes levantadas pela Ana Dias. Ao contrário de nao haver avaliação de produtividade nas
universidades, há sim, mas uma avaliação idiota, quantitativista e/ou com critérios qualitativos deslocados (seria o caso, mutatis
mutandis, daquilo que Paulo Freire chamava de educação bancária). É exatamente a lógica dessa avaliação (a da cenoura e do
bastao) que deturpa tudo, fazendo com que o ensino de graduação seja a última prioridade da maioria dos professores, porque
nao rende nada em termos de avaliação. Até a orientação de teses de mestrado e doutorado, que dá um trabalho danado, acaba
de ser “downgradada” na última mudança de critérios de avaliação da minha Universidade. E a orientação de monografias de
graduação e de especialização passou a nao valer nada.
No caso de uma Faculdade de Letras, e outras de “Humanas”, isso é particularmente grave, porque leva ao desprezo daquilo que
seria mais importante para formar futuros professores, em proveito de conteúdos melhores para “render papers”.



12/06/2009 - 15:47
Enviado por: Rogério do Nascimento

Caro Nassif,
Grande discussão esta aberta, a questão da universidade pública. Difícil não corroborar com pelo menos uma parte das opiniões,
colocadas pelos leitores; em quase todas há um pouco de verdade e sonho de uma educação de qualidade no país.
No entanto, deixo apenas algo aqui para que seja pensando. Muito se falou em USP, UNICAMP, etc. Mais no interior do país há
universidades públicas onde pesquisa e desenvolvimento são feitos, e muitas vezes sem o apoio recebido pelas grandes dos
órgãos financiadores da pesquisa no país. Vale, ao menos por um momento, refletir sobre nossos jovens que na busca do
conhecimento ingressam nestas universidades, seja na gradução, no mestrado ou no doutorado.



12/06/2009 - 15:59
Enviado por: André

Nassif, concordo com muitas das suas colocações, e principalmente sua capacidade de síntese de vários problemas da
universidade, em destaque o lance dos departamentos.
Discordo quando você fala que o problema de contratação de “compadres” está nas Humanas, pois na verdade está em todas
áreas, pelo menos é o que vejo na Unicamp e em outras universidades.
Falta também a discussão ética das fundações e das pesquisas voltadas para o mercado, que representam uma parcela cada
vez maior das pesquisas nas públicas…



12/06/2009 - 16:11
Enviado por: Laud Roces

Vi que um dos comentários reproduziu um outro erro - dentre as dezenas - sobre o ensino e a pesquisa Unvesitária: a de que a
Universidade é para todos”. Não, ela É DE TODOS, mas não é para todos estarem em Universidades como a Unicamp ou USP.
Esse erro é cometido correntemente no Brasil e é fruto de um sistema social baseado na crença de que a ascenção social só é
possível através da graduação na Univerisade pública. É assim que pensam milhoes de pais ao pagar o ensino médio aos seus
filhos. É assim que pensam muitos “gestores” que lêm este blog do Nassif. É assim que pensam muitos moradores da
USP_LESTE, que imaginam que os cursos lá oferecidos são pra a demanda local, etc.
Pensar assim é errado, é ficar a mercê de uma pressão por vaga e por mais cursos que nda ajuda as pesquisas.
A sociedade deve exigir que se ensine nas escolas vias altermativas de ascenção social que não coloquem como obrigatoriedade
um curso numa USP ou UNICAMP. Deve-se incentivar o setor privado a oferecer qualidade e não só quantidade.
A sociedade deve valorizar as pesquisas feitas na Universidade e utilizá-las. Não ver a Universidade Pública apenas pelos seus
diplomas. Devemos formar empreendedores, valorizar os cursos técnicos e uma série de outros recursos para que não se onere
socialmente a universidade pública da forma como se está fazendo!
Nassif e demais “gestores”, outra questão pertinente é a dos Hospitais Universitários. Eles representam um gasto enorme para a
Unviversidade. Eles serviços relevantes à população, que, de outra forma, ficariam sem atendimentos básicos, como aqui em
Campinas. No entanto, ao criticar o valor gasto pelo Estado para formar um aluno (crítica clássica), computam o dinheiro
destinado aos hospitais Universitários e o valor vai lá pras alturas.



12/06/2009 - 16:23
Enviado por: Wu Ming

1. “Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência, com a contratação de professores que tragam mais
reputação para os departamentos.”

Não são os professores que trazem reputação aos departamentos de exatas. São os departamentos de exatas “da USP” que dão
reputação aos professores.
Ser professor da USP em departamentos de profissões liberais é o melhor cartão de visitas que eles podem ter.
É por isso, aliás, que esses professores nunca estão nas greves. Pra que? Eles ganham rios de dinheiro na iniciativa privada e
ainda podem posar de bacanas com seus cartões de visita uspianos! O salário da USP para eles é o dinheiro da pinga…

2. Enviado por: hugo
“Aqueles alunos com vocação empreendedora, com tendência a desenvolver tecnologia, deveriam ser estimulados a montar sua
empresa (as incubadoras), registrar suas patentes e ser colocado em contato com empresas.”
Ok, e as empresas vão pagar royalties a USP pelo desenvolvimetno e pesquisa?Ou vai continuar a patifaria da univesrersidade
gastar tempo e dinheiro em pesquisa e desnvolvimento para entregar o “produto” pronto para as empresas apenas conabilizarem
os lucros?

Nassif:
Na Unicamp e na UFMG a universidade participa. De qualquer modo, é um ganho para o país.”

Qua, qua, qua… Depois vc fica bravo porque virou verbete do Diccionário de Bolso do Almanaque Philosophico Zero à
Esquerda…



12/06/2009 - 16:55
Enviado por: romério rômulo

nassif:
o documento da unesco de que falei acima :
“tendências da educação superior para o século XXI”
(anais da conferência mundial sobre o ensino superior,paris,5 a 9 de outubro
de 1998).
o calhamaço, com 720 páginas ,foi editado no brasil pela unesco/crub,com o apoio da capes.
romério



12/06/2009 - 18:59
Enviado por: Formiga

O MEC está propondo a criação de gestores nas IFES para substituir, em parte, o papel da fundações. Estes gestores seriam
responsáveis pela administração dos convênios e projetos das universidades. Talves seja uma porta para a profissionalização
dos gestores locais. Acho difícil mudar a figura do Chefes de Unidades, Reitores e Pro-Reitores dos professores (eles
equivaleriam a cargos de ministros que ditariam diretrizes gerais). Porém a parte executiva poderia passar para os
administradores, inclusive as coordenações de cursos, tanto de graduação quanto de pós. Uma vez que demanda um tempo
muito grande que poderia ser gasto com atividades fins.

O problema hoje da IFES está nos salários. O dos professores melhorou, e também está-se exigindo mais, o que é bom, porém o
nível de exigencia poderia ser maior. Já os técnicos-administrativos têm um dos salários mais baixos da administração federal
(Engenheiro novo ganha em torno de R$ 1500,00, o mercado paga R$ 4000,00). E não tem segredo só teremos bons servidores
com bons salários, pois caso contrário eles irão prestar outro concurso de outra carreira mais promi$$ora.



12/06/2009 - 19:33
Enviado por: Carlos Morais

Caro Nassif:

A respeito deste trecho de seu texto: “Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência, com a contratação
de professores que tragam mais reputação para os departamentos. Em outros campos, a marmelada começa nos próprios
concursos para professores, em um sistema de compadrio que compromete a missão da Universidade”, informo que, nos
próximos dias, lhe encaminharei relato detalhado do que aconteceu no recente concurso para Professor Adjunto de Literatura
Portuguesa da UNIFESP (Campus de Guarulhos).
Deixo aqui apenas uma pitada: docente universitário há 10 anos, docente em programa de mestrado há três, com um número
razoável de publicações, orientações e participações em bancas de doutorado, mestrado e lato sensu, fui eliminado na primeira
rodada do exame (a prova escrita), sendo que uma das selecionadas para o cargo nunca foi professora universitária, tem apenas
experiência como professora de cursinho e ensino médio, baixíssima produção em termos de publicação, nenhuma em
orientação.
Logo lhe escreverei contando o milagre por inteiro… e os nomes e sobrenomes dos santos também, incluindo os que são
professores da USP ou se formaram lá (o que foi meu caso também).
Um abraço,

Carlos



12/06/2009 - 20:57
Enviado por: Leandro

Ao Hugo e ao Eduardo Gigante:

Colegas, na verdade o que temos na UNICAMP e UFMG, em relação à gestão da propriedade intelectual e transferência de
tecnologia é a instituição de um NIT, para coordenar tais procedimentos.
O que vem a ser isto? Núcleo de Inovação Tecnológica, estabelecido pela Lei da Inovação (art. 16, da Lei 10.973/04).
Embora estas universidades já tivessem tradição nessa área, somente com o novo marco legal da inovação os NIT’s adquiriram
a estrutura atual.
E o mais animador é que várias instituições públicas de pesquisa e ensino (ICT’s, nos termos da Lei) implantaram o mesmo
formato. A rede já é vasta em todo país, com destaque para o sudeste e o sul. E várias instituições privadas tem seguido o
mesmo modelo, como exemplo posso citar a PUC/RS, referência nacional.
Sendo assim, posso lhes assegurar que no atual contexto, na maior parte das universidades públicas não existe mais
transferência de tecnologia sem contrapartida à instituição, nem tampouco descuido em relação à proteção intelectual.
Ainda existem falhas, resistências de departamentos, de próprios pesquisadores, mas o cenário é positivo.
Trabalho em um NIT, e se quiserem, posso fornecer mais detalhes, pois acho o tema apaixonante!
Saudações!



12/06/2009 - 21:48
Enviado por: eufrasio

É uma tristeza ver o quanto se desperdiça de tempo na USP.
Os caras tão discutindo relação…. Putz grila…



12/06/2009 - 23:23
Enviado por: Fabiano

Leigo nestes temas, mas profundamente consternado pelo espetáculo no campus da USP, que tem a virtude de fazer aflorar as
contradições do modelo educacional brasileiro, registro minha surpresa em ler análise do nível de Edmar Roberto Prandini.

Falhas na propositura dos temas, bem assinaladas por um professor por aí acima, não importa, trata-se de levar a experiência do
blog aos seus limites.

De resto, uma direção de direita (embora discreta, nem tanto) não vai prevalecer, mérito do formato do blog (reconheça-se a
abertura, pontilhada, aqui e ali, por rasgos ditatoriais).

Que volte Prandini, desenvolvendo o que esboçou.

fabiano



13/06/2009 - 00:04
Enviado por: Heron

rogerio nacai, Lima e rita,
Suponhamos que já fossem professores doutores orientadores de algum programa de mestrado/doutorado. Supostamente,
seriam especialistas em alguma linha de pesquisa. Não conheço doutores especialistas no universo do conhecimento.
Vocês orientariam alguém em uma linha de pesquisa na qual não são especialistas ?
Não seria um CEGO guiando outro CEGO ?
Como orientandos, o que achariam de um orientador que não é especialista no assunto no qual irão pesquisar ?
Pq será que já temos algumas gerações de doutores formados e hoje orientadores e estes insistem em formar mestres e
doutores nas áreas em que são especialistas ? Isso não é normal ?
Sugestão a vocês:
1. Ao decidir ingressar em uma pós-graduação, pesquisem pontenciais orientadores nas universidades em todo o Brasil
(dependendo da área, talvez no exterior);
2. Leia um pouco sobre os trabalhos de possíveis orientadores. Entre em contato com eles e fale sobre seu interesse em sua
linha de pesquisa.
3. Se necessário, e caso seja na sua mesma cidade, procure integrar-se ao grupo de pesquisa antes de submeter-se ao ingresso
no programa.

Certamente, com isso, suas chances seriam maiores. Especialmente em um doutorado.



13/06/2009 - 00:10
Enviado por: Waldyr Kopezky

Caro Nassif,

Talvez uma pequena digressão sobre a USP ajude:

De como as coisas nascem tortas, mas ficam direitas: a USP foi criada em 1934, na junção de várias faculdades paulistas. Até aí,
nada demais – ela nasceu do conceito latino-americano de “universidade”, que é um conjunto de escolas, institutos e faculdades
autônomas, cada um deles responsável por uma área do conhecimento - ela sendo gerada a partir de seu “embrião”, a FFCL
(Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras). Mas as verdadeiras razões de seu nascimento poucos sabem: a USP nasceu fruto do
desejo da então elite paulista (os “Barões do Café”) de construir uma instituição de ensino superior com nível internacional, para
que seus filhos não precisassem mais atravessar o oceano para estudar na Europa (eles haviam sido grandemente afetados pela
crise de 1929, e já não possuíam mais os recursos frutos da exportação de uma commoditie valorizada). Só por isso.
Por pressão desta elite, o governo do estado de SP assumiu a tarefa, trazendo da Europa várias missões de professores
estrangeiros (principalmente franceses, italianos e alemães), que vieram dar aulas na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras, cuja posterior divisão gerou boa parte das faculdades e institutos da Universidade.
Incrivelmente, o que nasceu torto (voltado para as elites, que sabiam que conhecimento é poder) acabou por se endireitar com o
tempo, tornando esta instituição pública uma potência, acessível a todas as classes. Senão, vejamos: é a universidade com o
maior número de vagas de graduação e de pós-graduação no Brasil, sendo responsável também pela formação do maior número
de mestres e doutores do mundo, bem como responsável por metade de toda a produção científica do estado de São Paulo e
mais de 25% da brasileira. Como o Brasil é responsável por cerca de 2% da produção mundial, pode-se dizer que a USP é
responsável por 0,5% das pesquisas do mundo.
Da Wiki:
“…Em 2008, foi classificada pela revista The Times”(The Times Higher Education Supplement) como a melhor universidade da
América Latina e a 196ª do mundo…No Brasil, a USP tem assumido sistematicamente esse papel de destaque, atuando na
criação de infra-estrutura científica e tecnológica e na formação da elite intelectual do país. A contribuição da USP para a história
brasileira é evidente mesmo nos detalhes mais superficiais: mais de uma dezena de presidentes brasileiros se formaram na
universidade,…que também formou 53 ministros na história do Supremo Tribunal Federal e cuja fundação precede em 108 anos
a da própria Universidade….”.
Agora, um pensamento: Por que o interesse em “matar” a USP, alijando-a de seu potencial humano (que é, afinal de contas, o
seu maior patrimônio)? Porque informação e conhecimento são Poder (assim com maiúsculas). Matando a principal instituição de
ensino do País, só poderão ter acesso a eles os filhos da elite, que terão condição de voltar a estudar no exterior, fazendo com
que esta elite se perpetue pela mediocridade. Porque o dinheiro eles já recuperaram…Faltam apenas as posições na sociedade,
perdidas para mentes mais brilhantes e menos favorecidas na escala social.



13/06/2009 - 08:31
Enviado por: Martins

Vale a pena lembrar que uma das grandes lutas do movimento estudantil de 1968 (com forte base na USP) era combater o
famigerado acordo MEC USAID.
Este acordo tinha como objetivo tirar de nossas Universidades o seu caráter de pesquisa transformando-a, em somente,
reprodutora do conhecimento ( na época e até hoje em grande parte trazida do EUA).
A Ditadura Militar mancumunada com os altos investimentos dos EUA no Brasil tratou de reprimir, prender e assassinar
estudante que participavam das passeatas.
A necessidade de transformar nosso ensino em mero reprodutor de conhecimento e formador de técnicos para atender as
Industrias nascentes (principalmente a automobilistica) era revoltante.

A USP como a principal Universidade do Pais, atraves de alunos e professores faziam barricadas de resistencia.
A Ditadura Militar,usando a força das baionetas conseguiu calar esse movimento, venceu o acordo Mec Usaid.

Encontrando um aluno de Economia da USP perguntei a ele se sabia o que eram os Juros e ele me respondeu:
-é a remuneração justa do Capital.

aí eu me calei e me convenci que o acordo MEC USAID venceu e vinga até hoje- A econometrização das Ciências Economicas
foi feita.



13/06/2009 - 10:41
Enviado por: Mario Abramo

Caro Nassif,
Tenho acompanhado com muito interesse este post. Aliás, parabéns pela excelente colocação inicial, embora eu discorde de
pelo menos uns 70%
Mas tou sentindo falta de uma coisa. Muito se falou da carreira do professor universitário, dos centros tecnológicos, da produção
de conhecimento etc. e coisa e tal. Existe uma função (para mim, uma das mais sociais e importantes) precípua da Universidade
que é a de formar professores para o ensino básico. São eles que irão dar o letramento científico (e aqui eu uso ciência em seu
sentido mais amplo, não apenas nas exatas e biológicas, mas principalmente nas humanas) para os próximos alunos do ensino
superior e para aqueles que ingressam de forma técnica no mercado de trabalho.
Esta formação de professores vem sendo, há muito tempo, deteriorada. Bem antes do Paulo Renato, embora este tenha
prestado um auxílio luxuoso para a deterioração, com a abertura das Uniesquinas e faculdades de pedagogia de fim de semana.
Agora existe uma proposta da UNIVEST de “formar” professores em EaD. Eu não tenho nada contra EaD. Não vejo problema em
formar engenheiros, nem economistas, nem cientistas de computação por meio de EaD. Mas professores ou médicos?
Um professor não pode ser um “despejador de conteúdo”. Ainda mais quando existe uma tendência de privilegiar competências e
habilidades. É necessária uma prática didática que só se conseguem em ambientes reais, interagindo com alunos reais.
Abraços
Mario Abramo
PS: A Ruiva com certeza tem razão quanto à competência acadêmica da Suely. Já a Rainha tem uma visão da competência
administrativa da Suely completamente oposta.



13/06/2009 - 11:34
Enviado por: fanon
Caro Nassif:
Voce diz: “Na Unicamp e na UFMG a universidade participa. De qualquer modo, é um ganho para o país”.

Já estamos cansados de ver discursos e “raciocínios” que insistem em chegar a maravilhosa conclusão de “QUEM GANHA É O
PAÍS”.

Só neste exemplo da educação, veja:

Escola Pública > Universidade Pública = deve ser da e para a “sociedade” (aqui já cabe perguntar, quem da sociedade? A
maioria - trabalhadores e pobres, “todos” indefinidamente, ou os de sempre, a minoria?)

Vagas na universidade pública = o que existe hoje não faz nem cócegas na demanda da maioria da população, dos jovens, etc,
que estão 85% pagando caro nas particulares (caça-níqueis), inclusive com Pró-uni, que ajuda à “todos” (300 mil vagas nas
particulares) mas na verdade dá um dinheiro enorme para as privadas que daria para aumentar em 1 milhão o número de vagas
nas públicas!!!.

O que é ensinado na Universidade Pública: O que vem sendo ensinado na universidade pública no Brasil, pode citar “a melhor”
ou “a mais eficiente”, tem cumprido qual papel? Está a seviço de quem? Tem transformado, ajudado, resgatado, criado, uma
“sociedade” melhor? A universidade pública tem servido ao povo brasileiro? Ou ela tem ajudado a “todos” (leia-se a uma
minoria)?

Estamos cansados de ver expressões do tipo “Isso vai ser bom para o ‘país’”, “Aquilo é bom pra ’sociedade como um todo’”,
“Este projeto, esta obra, esta reforma, etc, vai ser bom pro ‘Brasil”, etc, etc….

E o que vemos? Que é bom para “todos” uma ova, que é bom para o ‘Brasil” uma ova. è bom pra minoria de sempre, os ricos,
“da elite”, etc.

Em todos estes discursos, é só voce substituir as palavras:
“Brasil”, “todos”, “sociedade como um todo”,
por:
Ricos, Burguesia, ou minoria de sempre, privilegiados, “elite”, empresários, banqueiros, indústriais, etc, que daí sim dará o
sentido correto de tudo que é feito e planejado pelo “nosso” Estado brasileiro.

Pois seria ridículo discurirmos, ou acreditarmos, que algo feito, planejado, ou administrado pelo Estado está errado, ou que não
serve à toda população etc, sem antes termos claro a quem serve este ESTADO, quais os atores hegemônicos deste mesmo
ESTADO, que detém de fato o poder e controle do Estado.
Esta discussão tem que ser feita, senão fica parecendo que o Estado é algo transcendente, acima das classes socais, imparcial,
sem controle e sem interesses.
O ESTADO brasileiro está na mão de quem? Então, sendo assim, obviamente servirá a esta minoria, à “elite” (empresários,
banqueiros, agronegócio, etc).

Discutirmos os projetos de educação pública, de universidade, os planejamentos ou obras do estado (desde a Sudene, Sudam,
Avança Brasil, PAC, etc) xingarmos, criticarmos, só estaríamos nos atendo aos instrumentos utilizados pelo Estado, mas não o
cerne da questão: quem manda no Estado?
Pois se considerarmos (lembrarmos!) na mão de quem está o Estado, de quem realmente manda nesse país, aí sim poderemos
discuitir em melhores condições certas coisas. Por exemplo, chegaríamos a conclusão de que muitos (pra não falar todos) dos
planejamentos e obras feitas pelo estado brasileiro, não deram “errado” ou foram “ruins” como muita gente (eu mesmo) fala. Em
vista do real interresse por trás do estado, era isso mesmo que esperavam (aqueles que mandam nas coisas). O planejamneto (e
administarção do estado) é apenas o instrumento pelo qual a classe dominante (do estado, da política, das leis, etc) mantém seu
poder, riqueza, seu estatus ‘quo’.
Achar que o Estado vai (ou iria) fazer um projeto, um plano, um investimento, para ajudar a maioria do povo brasileiro, é de uma
inocência repugnante para um “intelectual” minimamente instruído. Ou é achar que a burguesia é trouxa, que ela vai deixar,
debaixo da sua barba, acontecer do Estado ajudar os pobres, os trabalhadores, enfim, dar educação boa e gratuita, terra,
trabalho, a maioria do povo brasileiro. Mas num vai mesmo.

Se não for os “de baixo”, os trabalhadores(as), o povo pobre, sem terra, sem escola, etc, que lutarmos para conseguirmos as
coisas, não vai ser meia dúzia de especialistas, intelectuais, jornalistas, professores cátedras, ou políticos de plantão, que irão
convencer ‘os verdadeiros mandantes no país” a abrir a mão e dar algo.
O Bolsa Família do Lula é o máximo que conseguem dar!!! Até o Bush gastava mais com assistencialismo, e ninguém lá era
louco de falar que isso era uma política de “esquerda”, como já ouvi aqui sobre o Bolsa família.

Nassif, “De qualquer modo, é um ganho para o país” já está batido.

Abraço aos lutadores, até.



13/06/2009 - 11:45
Enviado por: rita

para Heron:
eu não sei… mas a minha profesora fazia justamente o que voce condena..



14/06/2009 - 14:13
Enviado por: Uiran Gebara da Silva

Uma contribuição muito importante de Maurício Tratemberg para uma discussão como esta.

http://www.espacoacademico.com.br/014/14mtrag1990.htm

A Delinqüência Acadêmica*

Maurício Tragtenberg

O tema é amplo: a relação entre a dominação e o saber, a relação entre o intelectual e a universidade como instituição dominante
ligada à dominação, a universidade antipovo.

A universidade está em crise. Isto ocorre porque a sociedade está em crise; através da crise da universidade é que os jovens
funcionam detectando as contradições profundas do social, refletidas na universidade. A universidade não é algo tão essencial
como a linguagem; ela é simplesmente uma instituição dominante ligada à dominação. Não é uma instituição neutra; é uma
instituição de classe, onde as contradições de classe aparecem. Para obscurecer esses fatores ela desenvolve uma ideologia do
saber neutro, científico, a neutralidade cultural e o mito de um saber “objetivo”, acima das contradições sociais.

No século passado, período do capitalismo liberal, ela procurava formar um tipo de “homem” que se caracterizava por um
comportamento autônomo, exigido por suas funções sociais: era a universidade liberal humanista e mandarinesca. Hoje, ela
forma a mão-de-obra destinada a manter nas fábricas o despotismo do capital; nos institutos de pesquisa, cria aqueles que
deformam os dados econômicos em detrimento dos assalariados; nas suas escolas de direito forma os aplicadores da legislação
de exceção; nas escolas de medicina, aqueles que irão convertê-la numa medicina do capital ou utilizá-la repressivamente contra
os deserdados do sistema. Em suma, trata-se de “um complô de belas almas” recheadas de títulos acadêmicos, de um
doutorismo substituindo o bacharelismo, de uma nova pedantocracia, da produção de um saber a serviço do poder, seja ele de
que espécie for.

Na instância das faculdades de educação, forma-se o planejador tecnocrata a quem importa discutir os meios sem discutir os fins
da educação, confeccionar reformas estruturais que na realidade são verdadeiras “restaurações”. Formando o professor-policial,
aquele que supervaloriza o sistema de exames, a avaliação rígida do aluno, o conformismo ante o saber professoral. A pretensa
criação do conhecimento é substituída pelo controle sobre o parco conhecimento produzido pelas nossas universidades, o
controle do meio transforma-se em fim, e o “campus” universitário cada vez mais parece um universo concentracionário que
reúne aqueles que se originam da classe alta e média, enquanto professores, e os alunos da mesma extração social, como
“herdeiros” potenciais do poder através de um saber minguado, atestado por um diploma.

A universidade classista se mantém através do poder exercido pela seleção dos estudantes e pelos mecanismos de nomeação
de professores. Na universidade mandarinal do século passado o professor cumpria a função de “cão de guarda” do sistema:
produtor e reprodutor da ideologia dominante, chefe de disciplina do estudante. Cabia à sua função professoral, acima de tudo,
inculcar as normas de passividade, subserviência e docilidade, através da repressão pedagógica, formando a mão-de-obra para
um sistema fundado na desigualdade social, a qual acreditava legitimar-se através da desigualdade de rendimento escolar;
enfim, onde a escola “escolhia” pedagogicamente os “escolhidos” socialmente.

A transformação do professor de “cão de guarda” em “cão pastor” acompanha a passagem da universidade pretensamente
humanista e mandarinesca à universidade tecnocrática, onde os critérios lucrativos da empresa privada, funcionarão para a
formação das fornadas de “colarinhos brancos” rumo às usinas, escritórios e dependências ministeriais. É o mito da assessoria,
do posto público, que mobiliza o diplomado universitário.

A universidade dominante reproduz-se mesmo através dos “cursos críticos”, em que o juízo professoral aparece hegemônico
ante os dominados: os estudantes. Isso se realiza através de um processo que chamarei de “contaminação”. O curso catedrático
e dogmático transforma-se num curso magisterial e crítico; a crítica ideológica é feita nos chamados “cursos críticos”, que
desempenham a função de um tranqüilizante no meio universitário. Essa apropriação da crítica pelo mandarinato universitário,
mantido o sistema de exames, a conformidade ao programa e o controle da docilidade do estudante como alvos básicos,
constitui-se numa farsa, numa fábrica de boa consciência e delinqüência acadêmica, daqueles que trocam o poder da razão pela
razão do poder. Por isso é necessário realizar a crítica da crítica-crítica, destruir a apropriação da crítica pelo mandarinato
acadêmico. Watson demonstrou como, nas ciências humanas, as pesquisas em química molecular estão impregnadas de
ideologia. Não se trata de discutir a apropriação burguesa do saber ou não-burguesa do saber, mas sim a destruição do “saber
institucionalizado”, do “saber burocratizado” como único “legítimo”. A apropriação universitária (atual) do conhecimento é a
concepção capitalista de saber, onde ele se constitui em capital e toma a forma nos hábitos universitários.

A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos servos
que ela forma. Esse modo de produção determina o tipo de formação através das transformações introduzidas na escola, que
coloca em relação mestres e estudantes. O mestre possui um saber inacabado e o aluno uma ignorância transitória, não há
saber absoluto nem ignorância absoluta. A relação de saber não institui a diferença entre aluno e professor, a separação entre
aluno e professor opera-se através de uma relação de poder simbolizada pelo sistema de exames – “esse batismo burocrático do
saber”. O exame é a parte visível da seleção; a invisível é a entrevista, que cumpre as mesmas funções de “exclusão” que possui
a empresa em relação ao futuro empregado. Informalmente, docilmente, ela “exclui” o candidato. Para o professor, há o currículo
visível, publicações, conferências, traduções e atividade didática, e há o currículo invisível – esse de posse da chamada
“informação” que possui espaço na universidade, onde o destino está em aberto e tudo é possível acontecer. É através da
nomeação, da cooptação dos mais conformistas (nem sempre os mais produtivos) que a burocracia universitária reproduz o canil
de professores. Os valores de submissão e conformismo, a cada instante exibidos pelos comportamentos dos professores, já
constituem um sistema ideológico. Mas, em que consiste a delinqüência acadêmica?

A “delinqüência acadêmica” aparece em nossa época longe de seguir os ditames de Kant: “Ouse conhecer.” Se os estudantes
procuram conhecer os espíritos audazes de nossa época é fora da universidade que irão encontrá-los. A bem da verdade,
raramente a audácia caracterizou a profissão acadêmica. Os filósofos da revolução francesa se autodenominavam de
“intelectuais” e não de “acadêmicos”. Isso ocorria porque a universidade mostrara-se hostil ao pensamento crítico avançado. Pela
mesma razão, o projeto de Jefferson para a Universidade de Virgínia, concebida para produção de um pensamento independente
da Igreja e do Estado (de caráter crítico), fora substituído por uma “universidade que mascarava a usurpação e monopólio da
riqueza, do poder”. Isso levou os estudantes da época a realizarem programas extracurriculares, onde Emerson fazia-se ouvir, já
que o obscurantismo da época impedia a entrada nos prédios universitários, pois contrariavam a Igreja, o Estado e as grandes
“corporações”, a que alguns intelectuais cooptados pretendem que tenham uma “alma”. [1]

Em nome do “atendimento à comunidade”, “serviço público”, a universidade tende cada vez mais à adaptação indiscriminada a
quaisquer pesquisas a serviço dos interesses econômicos hegemônicos; nesse andar, a universidade brasileira oferecerá
disciplinas como as existentes na metrópole (EUA): cursos de escotismo, defesa contra incêndios, economia doméstica e
datilografia em nível de secretariado, pois já existe isso em Cornell, Wisconson e outros estabelecimentos legitimados. O conflito
entre o técnico e o humanismo acaba em compromisso, a universidade brasileira se prepara para ser uma “multiversidade”, isto
é, ensina tudo aquilo que o aluno possa pagar. A universidade, vista como prestadora de serviços, corre o risco de enquadrar-se
numa “agência de poder”, especialmente após 68, com a Operação Rondon e sua aparente democratização, só nas vagas;
funciona como tranqüilidade social. O assistencialismo universitário não resolve o problema da maioria da população brasileira: o
problema da terra.

A universidade brasileira, nos últimos 15 anos, preparou técnicos que funcionaram como juízes e promotores, aplicando a Lei de
Segurança Nacional, médicos que assinavam atestados de óbito mentirosos, zelosos professores de Educação Moral e Cívica
garantindo a hegemonia da ideologia da “segurança nacional” codificada no Pentágono.

O problema significativo a ser colocado é o nível de responsabilidade social dos professores e pesquisadores universitários. A
não preocupação com as finalidades sociais do conhecimento produzido se constitui em fator de “delinqüência acadêmica” ou da
“traição do intelectual”. Em nome do “serviço à comunidade”, a intelectualidade universitária se tornou cúmplice do genocídio,
espionagem, engano e todo tipo de corrupção dominante, quando domina a “razão do Estado” em detrimento do povo. Isso vale
para aqueles que aperfeiçoam secretamente armas nucleares (M.I.T.), armas químico-biológicas (Universidade da Califórnia,
Berkeley), pensadores inseridos na Rand Corporation, como aqueles que, na qualidade de intelectuais com diploma acreditativo,
funcionam na censura, na aplicação da computação com fins repressivos em nosso país. Uma universidade que produz
pesquisas ou cursos a quem é apto a pagá-los perde o senso da discriminação ética e da finalidade social de sua produção – é
uma multiversidade que se vende no mercado ao primeiro comprador, sem averiguar o fim da encomenda, isso coberto pela
ideologia da neutralidade do conhecimento e seu produto.

Já na década de 30, Frederic Lilge [2] acusava a tradição universitária alemã da neutralidade acadêmica de permitir aos
universitários alemães a felicidade de um emprego permanente, escondendo a si próprios a futilidade de suas vidas e seu
trabalho. Em nome da “segurança nacional”, o intelectual acadêmico despe-se de qualquer responsabilidade social quanto ao
seu papel profissional, a política de “panelas” acadêmicas de corredor universitário e a publicação a qualquer preço de um texto
qualquer se constituem no metro para medir o sucesso universitário. Nesse universo não cabe uma simples pergunta: o
conhecimento a quem e para que serve? Enquanto este encontro de educadores, sob o signo de Paulo Freire, enfatiza a
responsabilidade social do educador, da educação não confundida com inculcação, a maioria dos congressos acadêmicos serve
de “mercado humano”, onde entram em contato pessoas e cargos acadêmicos a serem preenchidos, parecidos aos encontros
entre gerentes de hotel, em que se trocam informações sobre inovações técnicas, revê-se velhos amigos e se estabelecem
contatos comerciais.

Estritamente, o mundo da realidade concreta e sempre muito generoso com o acadêmico, pois o título acadêmico torna-se o
passaporte que permite o ingresso nos escalões superiores da sociedade: a grande empresa, o grupo militar e a burocracia
estatal. O problema da responsabilidade social é escamoteado, a ideologia do acadêmico é não ter nenhuma ideologia, faz fé de
apolítico, isto é, serve à política do poder.
Diferentemente, constitui, um legado da filosofia racionalista do século XVIII, uma característica do “verdadeiro” conhecimento o
exercício da cidadania do soberano direito de crítica questionando a autoridade, os privilégios e a tradição. O “serviço público”
prestado por estes filósofos não consistia na aceitação indiscriminada de qualquer projeto, fosse destinado à melhora de
colheitas, ao aperfeiçoamento do genocídio de grupos indígenas a pretexto de “emancipação” ou política de arrocho salarial que
converteram o Brasil no detentor do triste “record” de primeiro país no mundo em acidentes de trabalho. Eis que a propaganda
pela segurança no trabalho emitida pelas agências oficiais não substitui o aumento salarial.

O pensamento está fundamentalmente ligado à ação. Bergson sublinhava no início do século a necessidade do homem agir
como homem de pensamento e pensar como homem de ação. A separação entre “fazer” e “pensar” se constitui numa das
doenças que caracterizam a delinqüência acadêmica – a análise e discussão dos problemas relevantes do país constitui um ato
político, constitui uma forma de ação, inerente à responsabilidade social do intelectual. A valorização do que seja um homem
culto está estritamente vinculada ao seu valor na defesa de valores essenciais de cidadania, ao seu exemplo revelado não pelo
seu discurso, mas por sua existência, por sua ação.

Ao analisar a “crise de consciência” dos intelectuais norte-americanos que deram o aval da “escalada” no Vietnã, Horowitz notara
que a disposição que eles revelaram no planejamento do genocídio estava vinculada à sua formação, à sua capacidade de
discutir meios sem nunca questionar os fins, a transformar os problemas políticos em problemas técnicos, a desprezar a consulta
política, preferindo as soluções de gabinete, consumando o que definiríamos como a traição dos intelectuais. É aqui onde a
indignidade do intelectual substitui a dignidade da inteligência.

Nenhum preceito ético pode substituir a prática social, a prática pedagógica.

A delinqüência acadêmica se caracteriza pela existência de estruturas de ensino onde os meios (técnicas) se tornam os fins, os
fins formativos são esquecidos; a criação do conhecimento e sua reprodução cede lugar ao controle burocrático de sua produção
como suprema virtude, onde “administrar” aparece como sinônimo de vigiar e punir – o professor é controlado mediante os
critérios visíveis e invisíveis de nomeação; o aluno, mediante os critérios visíveis e invisíveis de exame. Isso resulta em escolas
que se constituem em depósitos de alunos, como diria Lima Barreto em “Cemitério de Vivos”.

A alternativa é a criação de canais de participação real de professores, estudantes e funcionários no meio universitário, que
oponham-se à esclerose burocrática da instituição.

A autogestão pedagógica teria o mérito de devolver à universidade um sentido de existência, qual seja: a definição de um
aprendizado fundado numa motivação participativa e não no decorar determinados “clichês”, repetidos semestralmente nas
provas que nada provam, nos exames que nada examina, mesmo porque o aluno sai da universidade com a sensação de estar
mais velho, com um dado a mais: o diploma acreditativo que em si perde valor na medida em que perde sua raridade.

A participação discente não constitui um remédio mágico aos males acima apontados, porém a experiência demonstrou que a
simples presença discente em colegiados é fator de sua moralização.



15/06/2009 - 10:57
Enviado por: Frederico Graeff

Sou professor da USP desde 1966. Concordo com a maioria das propostas, destacando a necessidade de eliminar
departamentos, avaliar a produtividade em todos o seus aspectos e entregar a gestao a especialistas. O grande problema e o de
como implementar mudancas. Com o atual processo de decisao, acho muito dificil a mudanca se dar a partir do interior da
Universidade. Como intervir de fora sem caracterizar uma violacao, o que provocaria reacoes conservadoras que poderiam
inviabilizar o processo por muito tempo?



17/06/2009 - 23:28
Enviado por: luiz c l botelho

Prezado Nassif
Tomo a liberdade de divulgar uma sugestão minha ao CNPQ ,em relação ao atual processo de concessão de Bolsas de
Produtuividade Cientìfica do CNPq, ao meu ver bastante distorçido em relação a análise quantitativa de artigos científicos
publicados Pergunta: Prezado Sr Fernando Bacanelli-Física/CNPq Tomo a liberdade de apresentar algumas sugestões para
aperfeiçoar em um nível institucional, as avaliações deste CNPq, em relação a quantificação de valor das publicações científicas
unicamente usando o índice de impacto do Jornal onde o artigo é veiculado. Primeiramente, chamo a atenção deste Conselho
para o fato de que este fator de citação tem o fundamental aspecto de ser aditivo. Por exemplo: 3 artigos de índice de impactação
0.5 tem o mesmo valor de impactação-citação de um artigo 1.5! e não ZERO, como é presentemente avaliado pela maioria dos
Comitês Assessores deste CNPQ-especialmente aqueles da Área de Ciências Básicas. Outro ponto relaciona-se a muito justa e
leal necessidade da existência de fatores de peso em tal avaliação quantitativa de artigos e levando em consideração o número
de autores e os números de páginas dos artigos sob avaliação : Por exemplo ,aquele procedimento de agrupar em faixas,seria-
em minha opinião-; um procedimento não controverso Se o artigo possui entre 1 até 3 páginas, um dado fator de peso deveria
ser associado e naturalmente diferente do peso associado aquele artigo na faixa de 3 até 6 páginas, etc…Outro ponto crucial , e
mandatório para estimular as publicações das pesquisas nacionais em veículos internacionais, seria o pagamento direto aos
autores de um dado valor, depois da publicação e levando em consideração os devidos fatores de peso acima sugestionados, já
que são as publicações em veículos internacionais, independente de eventuais valores de impacto associados as mesmas, é que
realmente contam- em sua quantificação-; na feitura das estatísticas de resultados e contribuições da Ciência Brasileira em
fóruns internacionais.É um fato que é mais relevante para a Ciência Nacional ter 100 artigos publicados nos mais variados
Jornais de Divulgação de nível internacional com árbitros, do que ter UNICAMENTE,por exemplo, a publicação de 20 artigos em
revistas de alta impactação e sempre com a sua contagem dividida nas estatísticas e mérito acadêmico DESIGUALMENTE com
instituições estrangeiras, devido a existência de ” co-autores menores “brasileiros em relação aos outros autores estrangeiros(e
que muitas das vêzes se dizem autores principais das pesquisas apresentadas nestes artigos com autores brasileiros). Note que
para as estatísticas internacionais de avaliação do fator de contribuição internacional da prática científica de um País, os 20
artigos “Qualis A” acima mencionados contam igualmente como 20 artigos de outras Qualis.È claro que tetos de pagamento para
os autores,durante um dado período de tempo, deverá ser sempre limitado ao valor total de uma bolsa de Pesquisa,
correspondente a este período. Acredito que estes procedimentos avaliatórios de artigos internacionais,caso aceito por este
CNPq, certamente levará a um aumento considerável na colocação da Ciência Brasileira nas Estatísticas Internacionais, através
do aumento de publicações de pesquisas nacionais de qualidade em Jornais Internacionais de todas as “Qualis” Atenciosamente
Prof. Titular Luiz.C.L.Botelho-UFF
Resposta:
Prezado Sr. Luiz C.L.Botelho ,
O Serviço de Atendimento agradece muitíssimo as sugestões encaminhadas ao CNPq. É importante conhecermos a opinião das
pessoas que utilizam os nossos serviços: dessa maneira poderemos aperfeiçoá-los. Elogios, críticas e sugestões são sempre
bem vindos.

Assim, estamos encaminhando sua proposta para ser apreciada pela área responsável.

O CNPq agradece a oportunidade de contato e coloca-se à disposição.

Cordialmente,

Serviço de Atendimento do CNPq
23/06/2009 - 17:32
Enviado por: Octavio

Simplesmente a melhor análise da situação das Universidades no Brasil que já li. Alêm de trazer propostas extremamente
coerentes, Parabéns Nassif.

Um comentário adicional. Como alguém que está a 17 anos no meio acadêmico, posso afirmar sem exagero:

O sistema departamental das Universidades e institutos de pesquisa é (com raríssimas excessões) um sistema FEUDAL. Não é
força de expressão não, é feudal mesmo. Qq um que tenha um mínimo de noção do que era o sistema feudal e conheça a
estrutura departamental em Universidades e institutos de pesquisa nesse país, se prestar atenção percebe a verdade daquilo que
afirmo e a similaridade dos sistemas.

O que vemos são feudos dominados por senhores (chefes de departamento, chefes de laboratório, professores titulares etc) que
delegam a quem desejam poderes e privilégios e todos alunos, pós-graduandos etc estão à mercê desses senhores.

Entra na pós graduação quem eles querem, é contratado quem eles aprovam em concursos frequentemente não confiáveis
(marmelada mesmo, ou o famoso concurso com ” CPF” da pessoa), recebe financiamento quem essa elite permite ( pois são eles
que analisam projetos que serão financiados pelo CNPq e outras agências), tem espaço em congressos e simpósios quem eles
deixam, vai pra fora fazer pós-doutorado quem eles dão acesso a isso, etc etc etc ( e bota etc nisso! ).

Todos pagando tributos a eles, seja em forma de teses e publicações, ou de horas de trabalho, ou em bajulação e amaciamento
de ego ou até mesmo formas que é melhor nem mencionar aqui, pois saem do campo da decência, seja ela moral ou
profissional.

Sempre peço a meus colegas e alunos: Quando estivermos “lá em cima” (consequência natural do tempo, pois eles se
aposentam e/ou morrem) vamos tentar fazer diferente!
Espero que um dia meus apelos sensibilizem ao menos uma fração das pessoas que leêm ou ouvem o que digo e eles façam
diferente.Eu pelo menos fiz, faço e farei diferente.



23/06/2009 - 18:15
Enviado por: Octavio

Excelente o comentário:

12/06/2009 - 13:29

Enviado por: chris

Divido com ela a mesma visão da situação atual , da supervalorização da quantidade em detrimento da qualidade.
A ESCOLHA DO REITOR
      Publicado por João Vergílio Gallerani Cuter em 15 junho 2009 às 10:39 em Educação
      Exibir tópicos

Qual é o melhor sistema para se escolher o reitor de uma universidade?

O sistema atualmente vigente na Universidade de São Paulo é o da eleição indireta. O governador escolhe os indicados numa lista tríplice. No
outro extremo, há quem defenda eleições diretas e paritárias, envolvendo alunos, funcionários e professores.

O primeiro sistema tem contra si uma possível partidarização da escolha. O governador, embora constrangido a escolher um dos três nomes da
lista, escolheria o candidato que estivesse politicamente mais afinado com ele. Além disso, a lista tríplice reduz demasiadamente o peso da
comunidade acadêmica. Na prática, um terceiro colocado que tenha obtido um número irrisório de votos pode ser o escolhido. Finalmente, critica-
se o fato de que apenas uma parcela ínfima da comunidade participa do processo eleitoral. (A descrição do processo vigente na USP pode ser
encontrada aqui.)

O segundo sistema tem contra si uma possível corporativização da escolha. A universidade escolheria seu dirigente máximo tendo em vista apenas
interesses corporativos, que nem sempre coincidem com os interesses da sociedade que paga a conta com seus impostos. Além disso, ressalta-se o
fato de que estudantes, funcionários e professores têm diferentes inserções na vida acadêmica. Um reitor deveria ser eleito com base em
finalidades acadêmicas que, embora possam perfeitamente ser entendidas pelos funcionários, não lhes dizem respeito diretamente, e não têm por
isso grande poder de mobilizá-los. No que diz respeito aos estudantes, por outro lado, a escolha seria feita basicamente pelos estudantes de
graduação, que ainda não têm muito contato com a vida universitária em geral, e nenhum contato com as atividades de pesquisa. Além disso, a
maioria deles permanece apenas quatro ou cinco anos na universidade, o que faz com que estes alunos sejam naturalmente menos sensíveis a
questões envolvendo políticas de médio e longo prazo.

Entre esses dois extremos - lista tríplice e eleições diretas - há diversas outras possibilidades que precisam de maior detalhamento para que
possamos avaliá-las. Que tal discutirmos esse tema? Qual é o sistema que você acha o mais adequado? Por quê?

P.S.: Caso sinta-se à vontade para fazê-lo, dê-nos uma dica a respeito de sua inserção na universidade. Aluno, professor, funcionário, ou mero
contribuinte interessado pelo tema?

Tags: diretas, educação, eleições, estudantes, funcionários, lista, professores, reitor, tríplice, usp
Permalink Responder até luzete em 15 junho 2009 at 21:54
Assunto de extrema complexidade e de infinitas controvérsias. coisa que vc gosta, né?!

a história do movimento docente, sobretudo no âmbito das universidades públicas federais, sugere que a soluçâo mais democrática passa
pelo processo de eleição direta. agora, sempre mal resolvida é a questão da paridade, já que se descartou a possibilidade do voto universal.

mas eu não tenho muitas dúvidas, não! lista tríplice, ou sêxtupla (como outrora) é cair no "corporativismo" direto, do partido. melhor, então
colocar todos na fogueira: alunos, funcionários e professores, estabelecendo parâmetros de qualificação para os candidatos.

por aí, joão.
vc que quer mesmo a qualificação do comentarista? muda algo? pedagoga, vale?

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  Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 16 junho 2009 at 1:41
Bravos, Luzete! Falou e disse...

► Responder esta



  Permalink Responder até João Vergílio Gallerani Cuter em 16 junho 2009 at 5:24
Oi, Luzete... Há quanto tempo!

Obrigado pela resposta, antes de mais nada.

Eu não me referi à proposta de eleição direta universal, mas podemos colocá-la. Neste caso, a questão que se coloca é a da anulação do
papel de professores e funcionários no processo decisório. A eleição seria decidida exclusivamente pelo voto dos alunos (e, na maioria das
unidades, pelo voto dos alunos de primeiro ano).

Vamos tentar refinar seu argumento. É claro que se a expressão "mais democrático", neste contexto, quer dizer "mais semelhante ao
processo de escolha de governantes numa sociedade democrática", o processo de eleição direta universal é o "mais democrático". Mas isto
ainda não explica por que ele seria o preferível, concorda? Se "mais democrático" quer dizer "decidido pelo voto das três categorias que
compõem o corpo acadêmico", então o processo "mais democrático" seria o voto paritário. Finalmente, se "mais democrático" quisesse
dizer "mais diretamente vinculado à população em geral, que paga os impostos que sustentam a universidade", então seria mais
democrático, talvez, que o próprio Governador fosse reitor de todas as universidades, ou então que ele indicasse alguém de sua estrita
confiança para sê-lo.

Fixado o sentido de "mais democrático", passaríamos à segunda (e mais importante) questão:

Por que um sistema de escolha de reitores, por ser "mais democrático" (em qualquer sentido) é "melhor"?

Abraço,

João

► Responder esta



  Permalink Responder até luzete em 17 junho 2009 at 18:55
Bom, joâo, entre democrático e meritocrático, fico com o primeiro.

mas isto não quer dizer que entenda o voto universal como caminho. aliás, não acho este um bom caminho.

a participação dos três segmentos no processo, claro, contribui, em princípio, na responsabilidade coletiva. mas, por outro lado, entendo que
as plataformas dos candidatos deveriam ser refinadas, tendo em vista o sentido e a especificidade desta eleição, da eleição de um reitor de
universidade.

entendo que se deva discutir pesos distintos para as categorias, algo complexo, mas que traduza a importância para a vida acadêmica que
cada uma das categorias cumpre no interior da universidade.

► Responder esta



   Permalink Responder até Eduardo Petrucci Gigante em 16 junho 2009 at 12:40
Caro João Vergílio,
a lista triplíce está em desuso, como antigamente era usada. Não sei na USP, mas nas federais a legislação prevê essa lista, a ser apresentada
ao Ministério pelo Conselho Universitário. E o Ministro teria liberdade de escolher qualquer um dos nomes. Houve, depois de muita luta,
um acordo em que é chamada uma "eleição" e a lista é composta pelos três nomes mais votados. E o Ministro concorda em nomear o
primeiro. Mas isso é apenas uma convenção. Se o Ministro, ou o Conselho Universitário optar por outra forma, estarão apoiados na Lei.
Então, modernamente, se faz a tal "eleição" em nome de uma "democracia universitária". Ora, democracia quer dizer que todos sejam
iguais. Não é o que acontece. Existe uma tal "paridade". Ou seja, alguns são "mais iguais" que outros. Deixou de ser democracia, virou
"democratite"!
Leio e ouço sempre esse argumento de que, sem a paridade, os alunos é que escolheriam o reitor. Provavelmente. Como nas eleições em
todos os níveis no nosso Brasil. Quem escolhe os governantes são quem detém a maioria dos votos. A saber, pobres e excluídos. Se vingar
essa "paridade universitária" devemos, no Brasil, defender o voto por classe de renda? Grau de instrução? Região geográfica? Cor dos olhos
e/ou da pele? Religião ou sexo?
O fato de que o Reitor será eleito pelos alunos - que são, enfim, o moto da existência da Universidade - obrigará a essa Universidade vir à
luz, mostrar o que quer e para onde vai. E como vai. Não será mais suficiente declarar que a função da universidade é ensino, pesquisa e
graduação. Vai obrigá-la a definir o que é, exatamente e na sua concepção, ensino, o que é pesquisa e o que é extensão. Assim, esse aluno,
ainda que ingressante, já sabe onde vai se meter. Ou não!

Sou servidor técnico-administrativo de universidade federal.

► Responder esta



  Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 16 junho 2009 at 16:38
Eduardo, a paridade é um critério justo, faz com que os 3 setores da Universidade tenham o mesmo peso. Concordo que os alunos sao os
"destinatários" de tudo (mas nao só eles... o país como um todo...), e que devem ter voz ativa na determinação dos rumos. Mas você há de
convir que eles nao sao os que têm mais preparação específica para decidir sobre os assuntos acadêmicos... (OK, reitor nao é
fundamentalmente para assuntos acadêmicos, nem mesmo o Conselho Universitário, e sim o Conselho de Ensino e Pesquisa). E muitas
vezes estao interessados só na sua formação pessoal e interesses diretos, e nao nas finalidades sociais da Universidade e no bem coletivo
(veja aquele vídeo idiota e fascista feito pelos alunos da Escola Politécnica da USP). E passam no máximo 5, 6 anos na Universidade; os
professores e funcionários passam às vezes 30, 40 anos lá... Há uma diferença de nível de engajamento.

Na verdade, na maioria das universidades o sistema é menos democrático do que a paridade. Às vezes o voto dos professores vale 70%, e o
dos alunos e funcionários, juntos, só 30%. Pessoalmente eu seria a favor de um sistema 40-30-30.

► Responder esta



  Permalink Responder até Eduardo Petrucci Gigante em 16 junho 2009 at 17:10
Os ricos, a classe média alta, tem uma expectativa de vida superior. Ficarão aqui no Brasil mais tempo que os pobres. Proporcionalidade
então?

► Responder esta



  Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 16 junho 2009 at 17:16
Eduardo, nao apela... Isso é forçação de barra. Depois, mesmo se você realmente quiser "esticar" o argumento a esse ponto, entao vejamos a
proporcionalidade. Professores e funcionários levam na Universidade em média mais do que 5 vezes o tempo de permanência dos alunos.
Para fazer a equivalência, o tempo de vida das classes altas teria de ser em média 5 vezes maior que o das classes populares. Se aplica?

Outra coisa: meu argumento sobre a Universidade tratava de diferença de nível de engajamento. Você acha que as classes populares estao
menos engajadas que as classes favorecidas nos destinos do país?

Acho que você pode e deve, se for o caso, discordar do argumento. Mas vamos discutir a sério, sem esses "extremismos"; nao estou em
antagonismo com você, tenho apenas uma opiniao diferente, e dei os argumentos para a minha opiniao; você deu os seus para a sua; outros
aqui terão outras visões. Acho que podemos todos aprender uns com os outros, mesmo se, nesse ponto em particular, continuarmos com
nossas posições originais.

► Responder esta



   Permalink Responder até Eduardo Petrucci Gigante em 16 junho 2009 at 17:30
A idéia é essa. Que esse atrito gere luz, não calor. Seus argumentos são válidos, embora não me convençam. Ainda acho que a finalidade é a
sociedade, o país, através dos seus jovens, o motivo da existência da universidade. E acho que, se a universidade fosse suficentemente
aberta, pública na acepção de "do povo", não deveremos temer que esses jovens votem. E construam uma nova sociedade. A nossa, como
está, não serve para eles.

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  Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 16 junho 2009 at 17:36
Com essa sua última frase, até concordo. Aliás, nao serve para eles, nem para mais ninguém. Nem mesmo para a classe dominante, que vive
cercada de muros, tendo que se proteger daqueles que explora, e num ritmo de competição, stress e consumismo vazio que nao ajuda
ninguém a se realizar como gente. Mas vai tentar convencê-la disso...

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  Permalink Responder até João Vergílio Gallerani Cuter em 17 junho 2009 at 0:17
Não acho completamente absurda a idéia de o reitor ser eleito pelos alunos. Não a aprovo, mas não tenho nenhuma objeção de princípio
contra ela. Eu só acho que a argumentação não pode se basear numa suposta analogia existente entre a forma de se eleger representantes
políticos e a forma de se eleger reitores de universidades. As realidades são muito diferentes.

O nó da questão, Eduardo, é o tipo de relação que existe entre a universidade e a sociedade que está em volta. Considere estas três
características:
1. O Brasil está inserido num contexto internacional mais amplo, mas o Brasil não existe para servir as outras nações, nem deve satisfações
a elas.
2. O Brasil, como qualquer país, não é um sistema dotado de uma finalidade determinada. O Brasil não é uma entidade mantida "para
prestar tais e tais serviços".
3. O Brasil não tem um sistema cíclico de ingresso, em que pessoas entram e saem depois de passarem quatro ou cinco anos, dando lugar a
outras que vão chegando.

Agora, compare com a universidade:
1. Ela está inserida num contexto social mais amplo, ao qual ela deve servir e deve prestar satisfações, já que é mantida com o dinheiro do
contribuinte.
2. Ela tem um finalidade determinada, e deve ser gerida tendo-se em vista o cumprimento dessa finalidade.
3. Ela tem um sistema cíclico de ingresso. Os alunos vão se revezando, entram e saem a cada quatro ou cinco anos.

Será que você está levando em conta essas diferenças?

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   Permalink Responder até Eduardo Petrucci Gigante em 17 junho 2009 at 10:49
Caro João Vergílio,
infeliz minha comparação com o país. Voltemos então ao cerne, democracia. Todos são iguais. Fim. Não existem "paridades" na
democracia, pois formam-se, a partir daí, castas mais ou menos vaorizadas. Mantendo-se a paridade, temos um sistema de escolha por
votação, nunca uma "democracia universitária".
Revezamento de alunos a cada quatro ou cinco anos. Não é mais tão verdade assim. Com a "necessidade" de titulação, estamos falando em 9
e até 14 anos, incluindo o pós-doc. Se for tudo feito na seqüência. Ora, isso já é quase uma geração.

Deve servir e prestar satisfações. Concordo com tudo. Mas não é o que acontece. Em nome de uma "autonomia universitária", as
universidades tornam-se cada vez mais caixas pretas, cada vez dizem menos a que vieram e a que se propõem.

Uma finalidade determinada. Ou deveria ter. E essa finalidade deverá ser pública. Ensino, pesquisa e extensão. E dizer, aos brados, o que
entende por ensino, por pesquisa e por extensão. Temos visto universidades que parecem ter por finalidade transferir renda pública para o
setor privado. Na forma de aluguéis de imóveis depaupaerados que são recuperados para uso e posteriormente devolvidos. Pela compra de
imóveis "restos de edificações" - a preço de CUB cheio - de "nobrezas locais" geralmente falidas. Parecem ter também a finalidade de
fornecer bolsas de estudos para docentes elevarem sua diplomação ao máximo, aposentando-se (ou nem isso, apenas vilipendiando a DE) e
a seguir e indo trabalhar - com relógio ponto - nas uniesquinas da vida.

Assim, a mente jovem, ainda não conspurcada pelo "conhecimento do homem branco", a mente jovem que ainda tem ideais utópicos, talvez
possa ser ela o agente de mudança (sine qua nom) dessas situações. Porque, intestinamente, nada parece vir das universidades. A não ser o
que geralmente vem dos intestinos.

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ENEM ou VESTIBULAR? Qual é o mais democrático?
      Publicado por Rogério Maestri em 27 abril 2009 às 3:43 em Educação
      Exibir tópicos

Caros amigos,
Lanço um desafio para que todos discutam, o que é mais democrático, o ENEM ou os exames de vestibular para o ingresso nas Universidades
Públicas, eu já tenho minha opinião, mas gostaria que alguns de vocês olhassem uma das provas do ENEM, (vide
http://www.enem.inep.gov.br/index.php?option=com_content&task=v...) desse a sua opinião e após isto darei minha opinião. Pode ser que seja
bem diferente do dito consenso!

Tags: educação, enem, vestibular

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Respostas a este tópico



         Permalink Responder até luzete em 9 maio 2009 at 21:39
      Bom, AnaLú,
      este texto comovente, como você o define, responde sim, à proclamação de (ir)responsabilidade da política educacional...

      De você estou apenas recebendo contribuições à coleção de rótulos: religiosa, portadora de fé, adepta do uso do pathos... mais algum?

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         Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 9 maio 2009 at 22:11
      Só acho que você está fugindo aos argumentos, e tentando fazer isso desmerecendo os outros (por ex., você tem algo a dizer sobre as coisas
      ditas sobre o REUNI?). Eu respondi a isso -- de leve, com bom humor, no que me parece. Mas você está respondendo com uma ferocidade
      que estranho, essa nao é a Luzete que conheci até aqui. Você nao está admitindo discussão, Luzete, você quer que nos limitemos a
      "louvações". E, repito, antes de conhecer as medidas! Mas está bem, você nao quer discutir, nao discuta. Acho uma pena.

      ► Responder esta
Permalink Responder até Rogério Maestri em 10 maio 2009 at 2:00
Cara Luzete.

Tirar as esperanças de um povo é a pior coisa que se pode fazer, impedir o acesso a universidade de amplos setores de nossa população não
é só errado politicamente como criminoso, por isto e por outros motivos tenho profunda simpatia com a manifestação da Débora Pereira que
colocaste no teu post.

Se olharmos como única chance de se ter ou não ensino superior para grande parte da população brasileira estaria completamente favorável
ao PROUNI, pois ele na sua formatação abre este sonho e esta perspectiva a muitos.

Se a mim for perguntado a validade da política de cotas sociais posso claramente me expressar vigorosamente favorável esta política,
achando que deveríamos adotar uma política bem mais agressiva.

Eu a muito tempo sugeri uma forma de ingresso que resolveria todo este problema sem vestibular, como? Muito simples! Era só em todas as
escolas de grau médio ranquear todos seus alunos ao longo do segundo grau, aos dez por cento (ou outro número) melhores de cada escola
(pública ou privada) seria garantido o acesso ao ensino superior público. Não interessaria se fosse de uma escola privada de elite ou de uma
escola de periferia, seriam escolhidos simplesmente os melhores! Simples e revolucionário, se 90% dos alunos viessem do ensino público,
90% das vagas seriam desses. Se numa escola 100% dos alunos fossem brancos, negros, pardos, azuis ou de qualquer cor, 10% desses
seriam os escolhidos. Se numa escola de periferia tivéssemos um ensino deficiente, dentro deste ensino deficiente se escolheria os 10%
melhores. Por outro lado seria transferida aos professores do segundo grau a responsabilidade e o poder de definis quem entra no ensino
público superior.

Esta sugestão parte do seguinte pressuposto, a inteligência, a capacidade e a força de vontade se distribuem como uma curva normal igual
para todos. Somente o treinamento que é diferente entre uns e outros.

Não querendo me promover, posso dizer que isto sim é uma proposta revolucionária em termos de ingresso na Universidade, sem ENEM,
sem vestibular, sem cursinhos, sendo a verdadeira seleção por méritos. Quem seria beneficiado com isto?

Voltando ao PROUNI, vou falar porque acho um caminho equivocado para dar acesso ao ensino superior a grande parte da população
brasileira, e como vejo que tens uma formação progressista irás concordar em grande parte comigo.

À medida que se aceita a filantropia nas faculdades e universidades privadas que atendem ao PROUNI, simplesmente está retirando do
Estado impostos que poderiam ser revertidos ao ensino superior. À medida que se aceita teoricamente que instituições privadas sejam
instituições de ensino superior está-se abdicando da obrigação do estado em cumprir seu dever constitucional. À medida que se permite que
recursos públicos através de CAPES, CNPQ, fundos setoriais e aplicações diretas do orçamento sejam empregados em instituições privadas
se está desviando recursos do ensino público para o ensino privado. Em última instância esta se subsidiando o ensino de quem paga em
detrimento daqueles que não tem recursos.

Se formos falar da expansão da rede pública através da criação de novas universidades CETEF’s estou de pleno acordo com isto, mas
gostaria de ver algum trabalho que comparasse todos os recursos públicos desviados (ou isentados) com o que se poderia expandir a rede
pública. Acho que dinheiro público deve ser para ensino público e dinheiro privado para ensino privado. Não sou favorável a expansão
simplesmente das unidades existentes aumentando a centralização e não permitindo o desenvolvimento regional, devemos isto sim
interiorizar os investimentos criando faculdades e universidades novas, livres dos ranços e dos defeitos das antigas. Temos um exército de
jovens doutores que orbitam em torno de centros universitários existentes trabalhando por bolsas e contratos em condições precárias de
contrato. Poderíamos com estes jovens criar novos centros como vigor da juventude e sem o estrelismo dos velhos.

Cara Luzete, talvez não tenha entendido o que proponho, pois gosto mais de tangenciar o assunto dando oportunidade de discussão, não sou
e nunca fui uma pessoa conservadora, acho que temos que adotar soluções revolucionárias para não cair em soluções centristas de
acomodação da situação, pelo que já vi o que escreves, vejo que tens uma trajetória bem mais arrojada do que é proposto hoje em dia, peço
que retomes o teu caminho e veja que para satisfazer um sonho de toda uma população temos que propor o impossível, pois sem ele nada
será feito.

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   Permalink Responder até Rogério Maestri em 10 maio 2009 at 14:01
Caro Fábio
Se nós dois conseguíssemos sintetizar nossas opiniões talvez veríamos que temos mais pontos em comum do que divergentes, talvez como
disseste tu escreves de forma que não fica simples o entendimento imediato e tomando uma carona neste tua observação eu diria que
comigo ainda é pior. Somos um pouco “parabólicos” e não diretos na forma de manifestar o pensamento, então vamos ter calma um com
outro. Vejamos os pontos que considero convergentes, se tiver errado me corrija:
1 – O ensino deve ser um valor universal e para tanto devemos procurar seu acesso a todos que tenham vocação e capacidade.
2 – Uma formação básica, não especializada deve ser oferecida ao aluno de primeiro e segundo grau.
3 – O ingresso no ensino superior deveria levar em conta não o grau de treinamento do aluno (isto deveria ser um mínimo), mas sim sua
capacidade e interesse.
4 – O vestibular e o ENEM não são os melhores instrumentos para avaliar o que está descrito no 3° item.
5 – O interesse da Nação deve sobrepujar os interesses coletivos no ingresso do ensino superior público.
6 – Um aluno de uma escola pública não deve ser prejudicado por um estado incompetente.
Pergunto, se estás de acordo com estes itens? Pode até aditá-los com itens complementares, faça-o e passamos para um segundo nível de
discussão.nham

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  Permalink Responder até Rogério Maestri em 11 maio 2009 at 2:15
Caro Fábio

Tocaste num assunto que poucos dão relevância e considero de suma importância, a educação via meios de comunicação.

Há uma tendência em se propagar aos quatro ventos que sendo um meio áudio-visual privado, as televisões não têm obrigação com a
educação, se a emissora é privada o espaço é privado.

Tem um lado técnico que poucos chamam a atenção, a limitação de emissoras em função das freqüências disponíveis, explico melhor.

Dentro das possibilidades de emissão de ondas eletromagnéticas para as mais diversas funções, limitam-se a faixa de emissão de ondas
eletromagnéticas para UHV a uma banda estreita de freqüências, dentro desta banda há a disponibilidade de no máximo sete ou oito canais
para cada região, não sendo possível a ampliação deste número de canais. Como conseqüência disto a distribuição dessas freqüências deve
ser regulamentada pelo governo, em última instância a emissão de TV é uma concessão pública.

Partindo desta realidade física podemos dizer que não há espaço privado na emissão de televisão, este espaço pertence ao POVO
BRASILEIRO, ou seja, uma emissora de TV deveria ser sujeita as necessidades deste povo.

Se uma das necessidades principais do povo brasileiro é a educação, pode-se exigir que estas emissoras tenham uma programação que sirva
não só ao entretenimento vazio e fútil levado por nossas emissoras, mas por programações culturais (não chatas) voltadas a cultura geral da
população brasileira.

Quando se discute este assunto, vem o contraponto que os jornais e revistas sempre foram livres e sempre deverão o ser e da mesma forma
as TV’s e rádios. Isto é uma enorme de uma falácia, um jornal ou uma revista independem de concessão para funcionarem, poderemos ter
centenas desses sem que um atrapalhe o espaço do outro, já uma TV é limitada à freqüência disponível, logo meios não iguais devem ser
tratados de formas desiguais.

Dominando um número limitado de canais, as TV’s impõe através da cartelização a péssima qualidade de informação, ficando para os mais
abonados a chance de procurar noutro sistema cartelizado uma programação um pouco melhor (TV a cabo, por exemplo). Foge-se das
organizações Marinho e cai-se nas mãos do Rupert Murdoch, ou seja, se corre o bicho pega, se fica o bicho come.

Acho que deves desenvolver mais a tua idéia, pois ela é o centro de um problema que pode se transformar em uma solução.

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   Permalink Responder até Rogério Maestri em 11 maio 2009 at 16:03
Caro Fábio
Um jornal e uma revista são empresas particulares que não necessitam de autorização pública para funcionar. Uma emissora de rádio ou de
televisão são concessões públicas, limitadas em número pela banda de freqüências que elas operam. Há uma diferença de operação que os
proprietários de emissoras de televisão procuram não divulgar. Numa região metropolitana, por IMPOSSIBILIDADES FÍSICAS de sinal
podemos ter mais ou menos cinco a sete canais (o valor correto não sei, mas é algo desta ordem), logo NECESSARIAMENTE uma
emissora tele-difusão tem que ser uma CONCESSÃO PÚBLICA, não é possível qualquer pessoa montar uma emissora pois ela dependerá
de ter a sua banda de sinal.
Conseqüências:

1 - Uma emissora de tele-difusão não tem o mesmo grau de liberdade que um jornal, uma revista ou mesmo uma TV a cabo. Ela ocupa um
espaço público.

2 – A limitação da quantidade de estações OBRIGA a existência de um OLIGOPÓLIO de fato, e é obrigação constitucional do governo o
controle de situações de mercado que fuja a situação de livre concorrência.

3 – O Estado, se tiver vontade política para tanto, pode IMPOR um padrão mínimo de qualidade e exigir uma CONTRAPARTIDA cultural
de uma emissora de TV.

4 – Não proponho a educação formal através de meios áudios-visuais, proponho a utilização desses para aumentar a cultura geral da
população. Vários países europeus obrigam as emissoras de TV apresentar conteúdo para seus tele-espectadores, nem por isto a TV torna-se
algo maçante.

5 – Ninguém, em nome do IBOPE, pode ficar obrigado a assistir o Domingão do Faustão, ou outras jóias como esta.

6 – Mesmo em países de tendência liberal há uma participação do estado na programação das emissoras.

È feita uma cortina de fumaça para que as pessoas não vejam o que realmente é, os donos dos meios de comunicação empregam esta cortina
para esconder o caráter de concessão pública nas emissoras de tele-difusão, isto tudo é feito para que não seja feita uma regulamentação
correta das concessões. Apelam falsamente para a livre concorrência o que é IMPOSSÍVEL fisicamente.

Conclusão final: O estado dispõe de mecanismos que permitiriam o uso da TV para a educação e cultura do povo e não o faz PORQUE
NÃO QUER MECHER COM INTERESSES ECONÔMICOS.

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  Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 11 maio 2009 at 16:59
Pois é, Rogério, daí a importância da Conferência Nacional de Comunicação. Porém pouquíssim difusao está sendo dada a ela. É importante
que todos os interessados em democracia neste país acompanhem essa discussão, para nao deixar que as resoluções tomadas atendam
apenas ao interesse das grandes empresas de comunicação. O blogue que está dando mais atenção a isso é o do Rovai. Convido vocês a
acompanharem o que ele posta a respeito.
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   Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 10 maio 2009 at 19:36
No site abaixo, há uma matéria interessante sobre o uso de jogos educativos para motivar os estudantes:
http://smeira.blog.terra.com.br/

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   Permalink Responder até Rogério Maestri em 11 maio 2009 at 16:14
Aqui no RS temos uma fábrica de equipamentos para aulas de física que além de fantásticos para os alunos apreenderem física, são baratos
e resistentes. Com eles estuda-se cinemática, dinâmica, eletricidade, hidrostática e outros ramso da física como se fosse uma brincadeira.
Instrumentos para melhorar o ensino temos, só falta o investimento.

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  Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 11 maio 2009 at 17:04
Rogério, você devia divulgar isso. Pôr, por ex., no Fora de Pauta do Nassif, e/ou no primeiro tópico sobre educação que ele abrir.
Pessoalmente acho que uma "fábrica de brinquedos" que ensinem, e de jogos, etc., é uma das coisas indispensáveis para que se possa
multiplicar pequenos laboratórios em escolas públicas a preço barato (melhor ainda se, além de fabricar os brinquedos, essas fábricas
pusessem instruções de como produzi-los, modelos, etc., disponíveis na rede, permitindo a cópia sem pagamento de direitos autorais). E
tudo que pudesse ser feito sob forma eletrônica deveria ser posto em sites amplamente divulgados, disponíveis gratuitamente para alunos e
professores.

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  Permalink Responder até Rogério Maestri em 11 maio 2009 at 1:20
Quase como um fechamento de minha interrogação inicial, estou propondo uma alternativa para qualquer tipo de prova de ingresso no
ensino superior, vestibular, ENEM, ou exames que se venham a criar, estou propondo uma avaliação não absoluta, igual entre desiguais,
pois qualquer prova absoluta comparando alunos de grupos diversos, tem intrinsecamente um caráter antidemocrático e elitista. Pedindo
desculpa pela comparação, mas comparar um belo Poodle treinado de circo com um simpático e inteligente cãozinho de um menino
qualquer, não é comparar a inteligência ou a habilidade dos dois, mas sim comparar a qualidade do treinador.

A proposta que faço detalhei no meio de um texto meio confuso em que misturei algumas questões, para clarear mais retomo a proposta de
forma mais detalhada.

A proposta consiste na reserva de vagas da universidade publica a alunos pré-selecionados entre os mais aptos de cada escola de segundo
grau (privada ou pública), ou seja, classificar os alunos de cada escola em função de todo o seu segundo grau, independente da referência
relativa entre cada escola. Seriam escolhidos, por exemplo, 10% de cada grupo de formandos, logo se o ensino público atinge 90% de todos
os alunos ele ficaria com 90% das vagas e no universo de cada escola se reproduziria a mesma proporção.

Para que a idéia seja discutida ou até torpedeada passarei a descrever de forma mais longa seus princípios e vantagens. Não estou esperando
que seja aceita por todos, mas acho que é uma proposta que atinge os anseios de muitos como explicitarei no último parágrafo.

Antes de tudo levantarei os princípios básicos que a norteiam, que são:

O primeiro é que a inteligência e a capacidade são encontradas em todos os grupos homogêneos de forma proporcional ao número de
indivíduos (alunos que estudam em qualquer colégio). Até hoje, excetuando teses raciais e o resultado de falta de falta de alimentação na
infância, não vi qualquer crítica a esta primeira hipótese.

O segundo está baseado na hipótese que um acompanhamento permanente ao longo de três ou mais anos do segundo grau, possibilita uma
visão mais clara e real da potencialidade de cada indivíduo (estou falando de potencialidade) do que uma prova em poucos dias (vestibular
ou ENEM).

Como terceira característica tendo-se uma avaliação entre iguais (mesma escola, mesma região) ter-se-ia uma visão menos distorcida da
capacidade de treinamento de uma escola em relação à outra, sem que pese sobre o aluno a inépcia de governantes ou a falta de recursos
materiais de seus pais. Levar-se-ia a democracia a avaliação dos alunos.

O quarto e último princípio, é que este tipo de procedimento valorizaria os professores de segundo grau, passando a estes a tarefa de
identificar as aptidões de cada aluno. Este método não deixaria a um acadêmico fora da realidade de cada escola a tentativa democratizar o
acesso por cotas raciais ou sociais. Esta vantagem teria como ganho complementar trazer para o primeiro plano as avaliações dos
professores do ensino médio, aumentando tanto a responsabilidade dos mesmos como a sua auto-estima.

Problemas operacionais poderão surgir ao ser implementado um sistema desta forma. Problemas análogos aos que surgiram quando foram
abandonados os vestibulares por faculdades. Naquela época quando foi introduzido o vestibular unificado, surgiram dúvidas como utilizá-
los e na eficácia dos mesmos em classificar os alunos, estes problemas foram solucionados por diversas formas, inclusive com a introdução
de pesos relativos entre disciplinas. Da mesma forma as faculdades poderiam em conjunto com as secretarias de educação, priorizar
habilidades necessárias para cada curso. Teríamos uma transferência de competência de “fundações” que realizam exames para o corpo de
professores do segundo grau.

Se pensarmos na possibilidade de pais com mais recurso transferirem os seus filhos para colégios “mais fracos” ter-se-ia de qualquer forma
um ganho qualitativo nestes colégios à medida que se terão alunos mais motivados, motivam o resto do grupo.

O sistema seria relativamente simples, ao fim de cada trimestre ou bimestre, analisando não só o desempenho escolar medido por provas, os
professores deveriam atribuir conceitos, notas ou outros critérios, dando a cada aluno um “mérito” em cada grupo de habilidades. No fim de
várias avaliações teríamos um perfil completo do aluno e um quadro comparativo entre iguais.

Alguns membros da academia poderiam dizer que os alunos advindos de um segundo grau mais fraco trariam problemas as instituições.
poderei mais tarde refutar este argumento com outras constatações que tenho observado em trinta anos de docência no ensino superior.

Queremos democratizar o ingresso no ensino público superior, queremos reforçar o segundo grau, queremos avaliar de forma mais concreta
as aptidões dos alunos, queremos tirar o trauma do vestibular (e futuramente do ENEM) dos alunos, queremos valorizar os professores de
segundo grau. Por que não fazer isto tudo transferindo aos últimos à definição da capacidade e motivação de cada aluno? Eu confio mais na
avaliação de algumas dezenas de professores de segundo grau que coletivamente poderão definir a qualidade de cada aluno, do que de uma
prova de uma grande fundação, composta de criativos e capazes mestres que tem por objetivo em alguns dias definir o futuro de um aluno.

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  Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 14 maio 2009 at 21:08
Colo abaixo documento que foi enviado pela Associação de Docentes da UFF para todos os professores. Para podermos avaliar:

-- o caráter "democrático" das decisoes que estao sendo tomadas a respeito do uso do ENEM;

-- o grau em que, do modo como o uso do ENEM está sendo feito, realmente se muda alguma coisa com relação à democracia do acesso...
(agora, ALÉM DE ter que ir bem no Vestibular, TAMBÉM se tem que ir bem no ENEM...).


No último dia 06 de maio, o Conselho Universitário (CUV) discutiu dois assuntos importantes para a UFF: a mudança no vestibular e o
Plano de Desenvolvimento Institucional. A sessão foi marcada por uma boa dose de pressa para aprovar os dois pontos, que mereciam maior
tempo de debate e maturação junto à comunidade universitária. Mais uma vez, os exíguos prazos dados pelo governo federal para as
discussões comprometeram na UFF a chamada autonomia universitária, abrindo espaço para um adesismo pouco reflexivo. Isto ficou muito
claro na discussão acerca do novo modelo de vestibular.
O novo vestibular
O debate a respeito do novo modelo de vestibular foi iniciativa do Reitor Roberto Salles, que encaminhou documento a respeito do tema
para discussão no Conselho de Ensino e Pesquisa (CEP). Paralelamente, o documento foi encaminhado às câmaras e à PROAC. A partir daí,
foi aprovado por unanimidade no CEP e na reunião conjunta das câmaras. Só depois de passar por todos esses fóruns a proposta chegou
finalmente ao Conselho Universitário. “Fiz o que me cabia, que era iniciar a discussão nos dois conselhos”, disse Roberto Salles logo no
início da sessão do CUV. Essa afirmação não impediu, no entanto, que vários conselheiros criticassem a forma como a discussão foi
realizada: como o tema fora objeto de deliberação do CEP, não caberia ao CUV qualquer outra postura a não ser aceitar a proposta já
aprovada. Do contrário, acabaria desautorizando a deliberação de um colegiado superior da universidade.
A proposta aprovada na íntegra pelo CEP e apresentada ao CUV estabelece:
a adoção no próximo vestibular de um modelo que combine o novo ENEM com as duas etapas de provas elaboradas pela UFF, ou seja, que
conjugue a avaliação universal de aproveitamento do ensino médio (novo ENEM) com a avaliação de desempenho dos candidatos proposta
pela UFF;
a utilização dos resultados obtidos pelos candidatos no novo ENEM para compor, por média aritmética, a nota final da primeira etapa do
vestibular, que continuará sendo eliminatória;
na primeira etapa da UFF, os candidatos farão provas com questões pertinentes à grande área de conhecimento a que pertence o curso
escolhido, sendo que as questões de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa serão comuns a todas as áreas;
a segunda etapa manterá as características atuais, com provas discursivas abordando questões específicas da área de escolha do candidato;
o programa de vestibular da UFF deverá se aproximar o máximo possível do programa que servirá de base para o novo ENEM;
será mantido o programa de reserva de 20% das vagas para professores da rede pública que concorrem a cursos de licenciatura.

Antes do início da reunião: grupo que defende a nova proposta do governo acerta os detalhes da atuação conjunta durante o CUV, em
conversa com a o Reitor Roberto Salles e com o vice Reitor Emmanuel de Andrade.

Grupo dirigido pela UJS defende adesão total à proposta do MEC e da UFF – no momento em que o professor Heitor Soares encerrava a
apresentação da proposta, um grupo de estudantes secundaristas entrou na sala do CUV cantando “democracia e liberdade, é o povo na
universidade!” A manifestação de apoio à proposta de novo vestibular do governo federal foi saudada pelo vice-reitor Emmanuel de
Andrade. Ele classificou a proposta governamental como o fim do mecanismo perverso do vestibular, com suas taxas e a “indústria da
decoreba” dos cursinhos pré-vestibulares. Membro da União da Juventude Socialista (UJS) - corrente político-estudantil majoritária na
direção da UNE – o aluno de história, Vitor Vogel dirigia os quase 100 secundaristas que ocuparam o teatro da UFF, onde se realizou o
CUV. Era ele quem definia a quem aplaudir ou a quem vaiar. Quem defendia o governo era aplaudido, os que faziam críticas ou
ponderações, eram vaiados. Compartilhando a visão da reitoria da UFF, Vitor também falou em defesa da proposta do MEC.


O estudante de história, membro da UJS, defendeu a proposta do governo no CUV.

Prof. Emmanuel também defendeu a proposta do MEC.




O professor José Raphael Bokehi pediu mais cautela para a discussão

Críticas, questionamentos e protestos – o professor José Raphael Bokehi, no entanto, fez vários questionamentos e críticas em relação à
proposta, sugerindo a necessidade de uma maior discussão a respeito do tema: “Essa é uma discussão importante, mas já foi objeto de
deliberação do CEP. Não podemos nem mudar essa decisão. Pelo estatuto da universidade, quem discute a normatização do acesso é o CEP,
mas quem discute a política universitária é o CUV. Eu acho importante fazer essa discussão aqui. Infelizmente, ela não foi feita antes.
Temos que discutir isso com mais calma, pois a proposta foi apresentada há cerca de um mês pelo governo. Não sei se esse mecanismo de
acesso proposto pelo governo é de fato mais democrático. Será que não vai ter o cursinho pré-ENEM em substituição ao pré-vestibular? A
gente sabe que existe na faculdade particular o pré-ENADE. O vestibular, quando foi criado, também era visto como democrático e a gente
hoje vê que não é. Temos que ter cuidado também ao dizer que a discussão foi democrática porque foi realizada no fórum dos
coordenadores de graduação. Quero lembrar que esse fórum não existe, não é deliberativo. Democrático seria discutir essa questão aqui, no
conselho máximo da universidade”, disse o professor.

Madureira, representante do DCE, também fez críticas à proposta.

Afonso Madureira, representante do DCE, também fez críticas e ponderações em relação à proposta: “O congresso estudantil da UFF
aprovou que somos a favor do fim do vestibular, mas a favor do fim do vestibular de fato, do livre acesso à universidade. O MEC não pode
colocar a corda no nosso pescoço. Mesmo com o novo ENEM, tenho certeza de que grande parte dos estudantes do Morro do Estado não
vai entrar na universidade pública”, afirmou.
Falta de democracia é elogiada – apesar dos protestos dos que defendiam mais discussão antes da votação, o reitor Roberto Salles manteve
sua tradição truculenta e empurrou o ponto à votação. Mesmo os estudantes que defendiam a proposta do governo reconheceram essa
postura, tanto que um grupo chegou a comentar entre gargalhadas e aplausos que “o Reitor passou o rodo”. Antes da votação, a maior parte
dos representantes do DCE já havia se retirado do conselho em protesto justamente porque a proposta apresentada ainda não havia sido
debatida profundamente nos fóruns do movimento estudantil. Apesar da falta de debate, com apenas quatro votos contrários, a proposta foi
aprovada.

O PDI da universidade
No segundo momento do CUV, o professor Emmanuel de Andrade apresentou ao Conselho a proposta de Plano de Desenvolvimento
Institucional 2008/2012. Afirmou que o documento apresentado atendia a uma exigência do sistema de regulação da educação superior e
que era necessário aprová-lo para permitir o recredenciamento da UFF. Nas palavras dele, “estamos trazendo esse documento aqui para
deliberação com a sugestão de que durante o ano possamos fazer dois momentos de discussão do PDI: um em agosto com as unidades e o
outro em outubro, para atualizar o documento. Ele mantém o eixo central do PDI 2003/2007: expansão das vagas e melhoria qualitativa dos
cursos.” Emmanuel informou, por fim, que o documento havia sido aprovado por unanimidade na câmara conjunta do CUV.
Pressa é criticada... de novo – mais uma vez, não faltaram críticas à forma apressada como a discussão estava sendo realizada. O professor
Palharini afirmou: “Tenho dúvidas sobre o preparo da UFF para o processo de recredenciamento. Lamento que a UFF não dê a devida
atenção às questões relativas à avaliação e recredenciamento. Lamento também que tenhamos que aprovar um PDI ainda não discutido, não
maturado, não legitimado o suficiente para fazer frente a esse processo. Sei que precisamos aprovar um plano de desenvolvimento
institucional, portanto votarei a favor da proposta, desde que se inclua no parecer que o PDI foi aprovado para fins de recredenciamento da
universidade. Assim, não vai parecer que o CUV aprovou o PDI sem fazer discussão”. Apesar da argumentação de Palharini, o parecer foi
aprovado sem o adendo proposto. Agora, a UFF já tem um plano de desenvolvimento institucional para os próximos anos. Pena que a
comunidade universitária sequer tenha tido tempo de conhecê-lo e discuti-lo. Mais uma vez, prevaleceu a lógica do atropelo do debate. A
pergunta que fica é: até quando?

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Ensino Superior

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    Reforma Universitária édiscutida há cinco anos Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 18:30 Exibir blog de Dinheiro Vivo LILIAN MILENA Da Redação - ADV Anteprojeto de Lei da Reforma da Educação Universitária chega ao quinto ano sem aprovação do Congresso Nacional. Em dezembro de 2004, o Ministério da Educação (MEC) apresentou a proposta, como forma de favorecer a expansão e adequação do modelo nacional, lançando discussões para o desenvolvimento de um modelo institucional para o século XXI. Acesse aqui o anteprojeto na íntegra Em junho de 2006, o documento foi entregue ao Congresso Nacional. Desde então, a proposta continua em aberto e governo, instituições de ensino e organizações sem fins lucrativos voltadas à educação superior, não entram em consenso. O bom desempenho da educação superior determina a formação de mão de obra mais qualificada e aumento da produção científica no país, daí a necessidade de investimentos para expansão e aprimoramento de modelos de gestão nacional. A socióloga e professora adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria do Carmo de Lacerda Peixoto, explica que a construção de um sistema moderno universitário no Brasil foi feita paulatinamente, desde a década de 1970. O objetivo do governo militar, ao consolidar as propostas da lei nº 5.540/68, era desenvolver um modelo amplamente difundido na Europa e em universidades dos Estados Unidos (como Harvard e Yale): o humboldtiano, entendendo que o ensino deveria vir acompanhado da pesquisa de forma a sistematizar a produção de novos conhecimentos por meio da investigação. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que atualmente apenas 11,5% dos jovens de 17 a 24 anos conseguem ingressar em cursos superiores, mas a porcentagem que permanece nas salas de aula, e se forma, é de quase 3% levantando questões quanto a eficiência das políticas governamentais nesse sentido. Peixoto acrescenta que na década de 1990 o governo estimulou reformas de educação superior a partir da diversificação de fontes de financiamento para as instituições públicas, diferenciação institucional e expansão da rede privada. O resultado foi o aumento das preocupações de questões empresariais e de competitividade operacional por parte das universidades públicas – em 2005, o Brasil contava com 176 instituições de ensino superior, sendo 86 privadas e 90 públicas. Autonomia Dentre as principais discussões referentes à lei do ensino superior está a seguridade da autonomia das instituições. Se por um lado, não é função das universidades implementarem políticas públicas, por outro o Estado deve criar normas gerais para regulamentar o reconhecimento de cursos e
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    disciplinas nas instituiçõesgarantindo a possibilidade de intercâmbio de docentes e a mobilidade dos alunos, como defende a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Conheça pontos polêmicos do Anteprojeto, aqui. Outro ponto, discutido pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), é a criação de cinco novas universidades federais. A organização se coloca contra a medida por acreditar que serão alocados recursos desnecessários a partir do desmembramento de federais já existentes. Em nota preliminar, divulgada pela diretoria da ANDES, a associação diz que a versão atual do anteprojeto não apresenta mudanças profundas. “As nervuras principais da contra-reforma já estão definidas pelo conjunto das medidas colocadas em prática pelo governo, em especial o Prouni [Programa Universidades para Todos], o Sinaes [Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior] a Inovação Tecnológica e a reforma de profissional e tecnológica”, apontam no relatório. Acesse:“Versão definida do anteprojeto de lei da educação superior”, publicado pela ANDES - Discussões abertas No artigo “A República em termos de reforma universitária: o desafio do governo Lula”, o conselheiro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), Hélgio Trindade, enfatiza a necessidade do país superar três impasses: - Entender qual é o papel real do Estado na reforma de um sistema superior equilibrado nas ralações entre público e privado, dentro de uma economia mundializada; - Descobrir até que ponto o nível de massificação pode chegar no sistema público sem comprometer as atividades inovadoras na pesquisa básica e aplicada; - E a função estratégica das universidades para a construção de uma nação soberana e inserida na competição internacional pela geração de conhecimento científico e tecnológico – papel, há muito tempo entendido por países como Estados Unidos e Japão. O impasse enfrentado pelo governo estaria resumido no trinômio: avaliação/autonomia/financiamento. A intenção do Ministério da Educação a partir da publicação do anteprojeto educação superior, seria o de responder a essas questões. Membro da diretoria da SBPC, Isaac Roitman, ressalta que apesar do tema educação ser presente em todos os discursos políticos, está entre os maiores problemas que o Brasil ainda precisa solucionar. “Não temos conhecimento das articulações que estão sendo feitas entre os vários atores da educação superior no Brasil. Se ocorrem, não estão sendo publicadas de forma explicita”, completa. O pró-reitor de graduação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maerbal Marinho, tem uma visão diferente entendendo que o MEC vem aumentando a interlocução com as entidades envolvidas no país, com relação ao anteprojeto. “Creio que o REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) faz parte de um processo de amadurecimento e serve como exemplo”, explica. O anteprojeto pretende estabelecer normas gerais para a educação superior. Mas alguns mecanismos podem prejudicar a autonomia das instituições de ensino, sobretudo com relação aos gastos orçamentários e a dependência das instituições federais em relação à Advocacia Geral da União (AGU). Os resultados da aprovação dessas medidas recairão sobre todas as instituições, sejam privadas ou públicas, estaduais ou federais. Leia as propostas da SBPC na íntegra Reforma Universitária - As propostas da SBPC View more documents from ProjetoBr.
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    Universidades precisam demodelo mais democrático Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 18:30 Exibir blog de Dinheiro Vivo ROBERTA SALES Da Redação - ADV O recente confronto entre a Tropa de Choque da Polícia Militar e estudantes, professores e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) despertou discussões sobre a universidade pública, dentre elas, o modelo atual de governança e processo de escolha dos reitores. Questões quanto a participação das comunidades acadêmicas no processo eleitoral e exclusividade de candidatura a professores titulares, surgem como entraves para um processo mais democrático. Eleições Nas universidades estaduais de São Paulo – USP, Unicamp e Unesp - a eleição para reitores ocorre de quatro em quatro anos. Os candidatos são votados pela comunidade acadêmica – conselhos universitários, com representantes dos diferentes setores da universidade e sociedade civil, e congregações representando as unidades – que escolhem candidatos para participar do segundo turno. Nesse turno, somente o Conselho Universitário tem voz para definir uma lista tríplice que é encaminha para o governador do Estado que indica o novo reitor. Só podem participar do processo professores titulares. Para Sylvio Barros Sawaya, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, o problema não está na participação do governo no processo, mas na estrutura de representação das universidades, na qual a presença massiva de professores titulares tira o poder de participação dos demais professores e escolas, pois “há várias categorias de professores que poderiam estar mais articuladas em função da eleição”. A falta de envolvimento da comunidade acadêmica, também é apontada como problema pelo professor João Vergílio Gallerani Cuter da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, pois parte expressiva dos professores acompanha o processo de longe e é apenas comunicado da decisão. O nome escolhido, segundo ele, “não encarna nenhuma espécie de movimento nascido na comunidade acadêmica, nem se sente devedor de satisfação a ela”. Além do déficit participativo, Vergílio, comenta sobre o esvaziamento do processo eleitoral, já que não há visibilidade para os problemas da universidade, que deveriam ser trazidos à tona e discutidos antes da indicação dos nomes à lista tríplice. Como caminho para tornar o processo mais democrático, o professor Vergílio, sugere pensar em um processo semelhante ao das universidades federais, cujo modelo de votação é mais participativo e a concorrência não é limitada a professores titulares. Para Sawaya, “a idéia seria recompor os colegiados de forma mais expressiva e verdadeira”. Ronaldo Tadeu Pena, reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), defende a importância de um processo eleitoral baseado na apresentação e discussão de propostas e projetos para a instituição. Posto isso, cabe aos conselhos superiores a regulamentação e consulta junto à comunidade, sem interferir na opinião. Entretanto, segundo o reitor, a opinião dos professores não deve ser única, mas predominante, atendendo ao regulamento legal, 70% de participação.
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    Gestão A gestão administrativae financeira das universidades estaduais também é questionada. Referente a indicação de acadêmicos para cargos departamentais, por exemplo, o professor Vergílio, defende uma avaliação mais criteriosa. Segundo ele, há cargos estritamente acadêmicos, a exemplo da comissão de pesquisa, e outros que seriam geridos com qualidade por profissionais experientes. “Que sentido tem colocar professores, por exemplo, na Comissão de Gestão e Patrimônio?”, questiona. Para Sawaya, o processo híbrido de professores assumindo papéis de administradores precisa ser revisto, pois o modelo atual “apresenta congestionamento executivo, já que o reitor não tem tempo de atender a todos e não há organização entre as pró-reitorias”. Na opinião do professor Vergílio, outra questão importante é a falta de transparência e prestação de contas na gestão das universidades públicas, onde o desperdício de verba e descaso, gerados pela falta de planejamento e cobrança de resultados, é visível. Reuni As universidades federais, não se diferenciam somente no processo de eleição, mas contam com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), plano com diretrizes para a elaboração de projetos de reestruturação universitária, que sendo aprovado pelo MEC, será também por ele financiado.
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    Estrutura do MECe Universidades Públicas Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 20:00 Exibir blog de Dinheiro Vivo LILIAN MILENA Da Redação - ADV O Ministério da Educação (MEC) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aprovaram recentemente medida para que o mestrado profissional tenha normas próprias de credenciamento e avaliação. Dentre os quesitos, anunciados no Diário Oficial da União, do dia 23 de junho, está a necessidade de que parte do corpo docente seja composto não apenas por mestres e doutores, mas por professores com formação específica na área em que lecionam. A aplicação dessa portaria exemplifica a função do Estado em atuar na legislação e concepção das universidades. Mas, para entender até onde o poder público deve se colocar, para definir critérios de avaliação e administração, é preciso destacar órgãos públicos criados para organizar as Instituições de Ensino Superior (IES). O MEC é a maior instância nesse sentido, por meio da Secretaria de Educação Superior (Sesu), planeja, orienta e supervisiona o processo de formulação e implementação da Política Nacional de Educação Superior. Conheça a estrutura organizacional do MEC
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    FONTE: site doMinistério da Educação A Sesu também realiza a supervisão, o desenvolvimento e a manutenção das Instituições Públicas Federais de Ensino Superior (Ifes), além da supervisão das instituições privadas, apoiada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Além da Sesu, o MEC responde pela Capes, que tem o papel de conceder recursos para a formação de pós-graduados stricto sensu (mestrado e doutorado). Em 2008, o órgão havia fornecido cerca de 41 mil bolsas – em 1995, quando criado, beneficiou próximo de 15.600 estudantes. O CAPES é responsável pelo investimento da formação de recursos humanos fora do país e de contratos de cooperação científica internacional – em 2008 foram concedidas cerca de 4.200 bolsas no exterior. O MEC gerencia, ainda, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela produção de estudos, pesquisas e avaliações das universidades. O Censo da Educação Superior é fruto de levantamentos realizados por esse órgão a partir do preenchimento do formulário eletrônico, avaliado posteriormente pelo Inep. O Inep relaciona os dados das IES com os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) – criado em 1995, e realizado a cada três anos. O sistema é composto por três outros mecanismos do MEC: Avaliação das Condições de Ensino; Avaliação Institucional, e Exame nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Com base nos resultados do Enade, a Sesu e o Inep chegam ao Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) que variam de 1 a 5 (1 e 2 são notas consideradas ruins). Por fim, a Sesu é quem irá responder pelo credenciamento ou revalidação dos cursos superiores. Estrutura universitária: dois modelos UFBA A Universidade Federal da Bahia, fundada em 1808, tem hoje mais de 150 cursos, de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado), e 24 mil alunos matriculados. O laboratório Cybermetrics 2009, do Centro de Informações e Documentação (CINDOC), do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC) classificou a instituição na 692ª entre as IES que mais produzem material científico – em âmbito nacional, a UFBA é a 17ª colocada. Recentemente a universidade aderiu ao REUNI, tendo apresentado a maior proposta de expansão entre instituições federais que pediram recursos do programa. Estima-se que a universidade receberá o financiamento de R$ 90 milhões a serem aplicados durante os 4 anos de duração do REUNI, além do custo adicional de R$ 69 milhões entregues em 2008. O pró-reitor de graduação da UFBA, Maerbal Marinho, explica que entre os objetivos da instituição estão a construção de 80 mil metros quadrados de infra-estrutura, aquisição de 10 mil novos computadores, contratação de 533 professores em dedicação exclusiva e aumento de 90% da taxa de alunos concluindo os cursos de graduação. “A universidade não conseguiria responder a um projeto de expansão como esse sem recursos adicionais. Cabe ao governo ter propostas de políticas públicas. Os projetos são feitos pelas universidades mantendo a autonomia delas em relação às propostas oferecidas pelo Estado”, completa. Em 2009 a instituição ofereceu 7 mil vagas, ou 2.800 acima do registrado no ano anterior. Acesse artigo da UFBA em relação a ranking Cybermetric Estrutura Organizacional
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    FONTE: Relatório deGestão 2008 - UFBA USP A Universidade Estadual de São Paulo, fundada em 1934, oferece atualmente 229 cursos para mais de 56 mil alunos. Por ser uma instituição não- federal, a USP não participa das propostas do REUNI, mas devido ao histórico de pesquisas e programas de expansão, é considerada a principal universidade do país e da América Latina. O ranking “The Times”, formado pelas 200 instituições de maior relevância mundial, classificou a universidade brasileira, em 2008, no 196º lugar. Já no índice Cybermetric, a USP foi reconhecida na 113ª colocação entre todas as IES do mundo – hoje respondendo por 28% da produção científica nacional. Estrutura organizacional
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    Pós-graduação no Brasil:10vezes abaixo do ideal Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 19:00 Exibir blog de Dinheiro Vivo DAYANA AQUINO Da Redação - ADV Essencial à formação de novos profissionais para atividade docente e fomentar desenvolvimento científico e tecnológico, a capacitação dos profissionais em pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) está muito aquém do desejado no Brasil. Com base na população, Produto Interno Bruto (PIB), extensão territorial e na comparação com outros países, estamos 10 vezes abaixo do ideal. A afirmação é do presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães. A constatação de Guimarães não se refere apenas aos tempos atuais. A falta de especialização dos egressos de universidades já foi pauta de três edições do Plano Nacional de Pós Graduação (PNPG), além da versão mais recente, PNPG 2005-2010. Este último documento, sintetiza as diretrizes que norteiam as políticas públicas de qualificação de pessoal em nível de mestrado e doutorado, cujo principal objetivo é expandir a pós- graduação no país. Entre as metas, estão a redução da disparidade regional – o Sudeste concentra mais de 50% dos alunos de pós-graduação –, o fortalecimento da cooperação internacional e uma maior adesão de doutores no meio acadêmico. O esforço do governo em melhorar a educação superior já conseguiu elevar o patamar de doutorandos para 10 mil por ano, e a meta para formação de mestres em 2010 é de 45 mil. Perspectivas Já está em andamento um levantamento das ações realizadas no âmbito do PNPG 2005-2010, antes mesmo de seu término. Guimarães conta que o objetivo é evitar que haja tempo ocioso até uma próxima ação para mestrado e doutorado pelo próximo governo. Entre o PNPG III e o atual, se passaram 15 anos. Em agosto será realizado um seminário para verificar todas as medidas tomadas e os seus efetivos resultados. Guimarães adianta que uma das sugestões para o próximo governo é continuar a capacitação dos estudantes das áreas menos favorecidas, como a Amazônia. Segundo ele é preciso investir na formação e especialização das pessoas dessas localidades, além de criar subsídios para sua permanência na região. Também será necessário melhorar a infra-estrutura das instituições locais, permitindo maior tecnologia para a realização de pesquisas. Neste sentido, o Ministério da Educação (MEC) possui ações para a interiorização das universidades e expansão do ensino superior. Uma ação, por exemplo, é a Universidade Aberta do Brasil (UAB) que surge para alcançar as regiões menos favorecidas com a educação superior. Criada em 2005, a instituição de ensino é uma articulação entre universidades estaduais, federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia (Ifets) para levar ensino superior público aos municípios brasileiros que não possuem cursos de formação superior, ou cujas ofertas são insuficientes para atender a todos, segundo informou a assessoria de comunicação da Capes. Outra indicação para medidas futuras é a cooperação internacional, com vistas a moldar o profissional necessário ao mercado globalizado. A
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    parceria com aFrança, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos deverá ser reforçada, bem como com países do Mercosul. Além disso, discussões sobre a alteração da pós-graduação - projeção de vagas e novas áreas e, até mesmo, a possibilidade de ser deslocada da faculdade – estão em início de discussão. Guimarães ressalta, porém, que essas sugestões são preliminares, e ainda precisam ser minuciosamente estruturadas. A ampliação da criação de bolsas integrais ou parciais para profissionais da Educação Básica - área prioritária para o governo -, também deverá ser abordada somente no próximo governo. Histórico Para a elaboração do PNPG 2005-2010, institui-se uma comissão, formada por representantes de todos os segmentos que atuam na pós-graduação: universidades e pró-reitorias, sociedades científicas, coordenadores de programas e cursos de pós-graduação, representantes de área da Capes, comitês assessores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), comitês gestores dos fundos setoriais do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Associação Nacional de Pós-Graduandos e setor empresarial. Os planos anteriores forneceram subsídios para verificar as deficiências passadas, medidas tomadas para sua correção e os resultados. Em alguns pontos, as abordagens dos planos anteriores se repetiram. Veja algumas das metas de todos os planos: PNPG (1975-1979) -Institucionalizar o sistema, consolidando-o como atividade regular no âmbito das universidades e garantindo-lhe financiamento estável; -Elevar os atuais padrões de desempenho e racionalizar a utilização de recursos; -Planejar a sua expansão, tendo em vista uma estrutura mais equilibrada entre áreas e regiões. PNPG (1982-1985) -Expandir a capacidade docente; -Elevar a qualidade da capacitação dos cursos de pós-graduação; -Envolver a comunidade científica no processo. PNPG (1986-1989) - Desenvolver a pesquisa pela universidade; - Integração da pós-graduação ao sistema de ciência e tecnologia. Veja aqui o PNPG 2005-2010 na íntegra Plano Nacional de Pós-Graduação (2005-2010) View more documents from ProjetoBr.
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    Academia e mercadodisputam talentos Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 19:30 Exibir blog de Dinheiro Vivo DAYANA AQUINO Da Redação - ADV A absorção imediata de profissionais graduado, feita pelo mercado, tem provocado retração nas metas estipuladas pelo Plano Nacional de Pós- Graudação (PNPG) 2005-2010, cujo objetivo era encerrar 2010 com 16,1 mil doutorandos, número teto proposto pelo plano. Entretanto, de acordo com as projeções o número real não deve superar o piso de 13 mil. Para 2009, o número de doutores com base nas previsões da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (CAPES) deve ficar em 12 mil. Na análise de Jorge Almeida Guimarães, presidente da CAPES, a redução na formação de doutores está relacionada a demanda de mão de obra qualificada enfrentada pelo mercado. Segundo ele, as áreas ligadas a tecnologias, como engenharia e informática, estão contratando pessoal por altos salários, assim que os mesmos deixam a graduação. Um dos exemplos é a Petrobras, cujo desenvolvimento de novos projetos demandará profissionais dessas áreas. Se por um lado a busca por profissionais graduados é boa para a empregabilidade no país, por outro, pode reduzir o número de especialistas em pesquisas importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico e, até mesmo, o número de docentes para os cursos de pós-graduação. Guimarães ressalta que a previsão de engenharia para a Capes era de 20%, porém o registrado é de 13%, justamente pela concorrência com as empresas. Ao mesmo tempo, enquanto muitos profissionais são absorvidos pelo mercado, há um movimento de retorno de pessoas graduadas e empregadas para pós-graduação. A opinião é da Sub-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mônica Heilbron. Para ela, a aproximação da indústria é benéfica, pois traz um equilíbrio para as universidades mesclando mestrandos e doutorandos dedicados à área acadêmica e à indústria. Na avaliação do Presidente da Comissão de Implantação da Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), Paulo Speller, a absorção de profissionais pela iniciativa privada é natural, pois são estas mesmas empresas que geram empregos e tributos, garantindo que o governo custeie as bolsas dos programas de pós-graduação. Para Speller a iniciativa privada poderia absorver mais profissionais do que tem feito atualmente, mas concorda que faltam pós-graduados na área de engenharias. Bolsas Em 2003, o número de bolsistas de mestrado e doutorado era de 20 mil. Hoje, são 60 mil bolsistas, dos quais 52 mil são financiados pela Capes. Guimarães explica que todo o planejamento de criação de bolsas é feito com base em diferentes cenários, portanto, já prevendo futuras demandas. Em relação à ampliação das bolsas, Guimarães esclarece que o processo é meritocrático. Dos 170 mil estudantes de pós-graduação, um terço possui bolsa de estudos. Outro um terço têm vínculo empregatício, perdendo o direito à bolsa, e outro um terço busca financiamento em outras agências de fomento, bancos e etc.
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    O baixo valordo incentivo – bolsa – favorece a migração dos alunos para a iniciativa privada, na opinião de Heilbron. Hoje, por meio das duas agências federais (Capes e CNPq), a bolsa para mestrado é de R$ 1.200 e, para doutorado, R$ 2.000. Os valores podem ser suficientes para algumas áreas, mas não para a área tecnológica, por exemplo, pois as propostas salariais são atraentes. Para Heilbron o número de bolsas é razoável e provoca concorrência entre os candidatos. Os cursos, que duram dois e quatro anos, respectivamente, sugerem comprometimento do aluno, e este filtro deve ser feito desde o momento da seleção. Já para Angela Uller, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), o número de bolsas não é suficiente e não acompanha os programas do governo que incentivam os alunos a buscarem especialização. Há aumento de procura, mas o número de bolsas tem se mantido constante. A professora ressalta que os novos cursos começam com número reduzido de bolsas, sendo apenas duas vagas. A cada três anos os cursos são avaliados, e se subirem de nível, são contemplados com mais bolsas. Uller avalia positivamente as estratégias do governo para melhorar a educação superior no país, explica que alguns avanços já foram percebidos, mas poderá levar algumas décadas para perceber resultados reais. Algumas medidas surtem impacto no curto prazo, segundo Uller, a exemplo do reajuste do benefício concedido aos bolsistas, cuja revisão não acompanha o aumento dos custos do aluno e deve ser revista pelo Congresso. Capacitação de professores O plano prevê investimentos globais de R$ 3,2 bilhões até 2010. Destes, R$ 1,6 bilhão será direcionados apenas a formação de novos docentes. Como as projeções traçadas são baseadas em diferentes cenários, a meta de docentes absorvidos pela pós-graduação é de 4,7 mil a 2,8 mil. De acordo com a Capes, para atuar na formação de professores para a educação básica, o Ministério da Educação (MEC) criou em 2005 a Universidade Aberta do Brasil (UAB), fruto da articulação entre universidades estaduais, federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia (Ifets). O objetivo é levar ensino superior público de qualidade aos municípios brasileiros nos quais não há cursos de formação superior, ou cujas ofertas são insuficientes para atender a todos. A medida também vai ajudar a reduzir as diferenças regionais. Na avaliação de Speller, as universidades têm demandado um bom número de profissionais mestres e doutores, conforme últimos concursos lançados pelo Governo Federal. Ele acredita que a defasagem possa estar na demanda por profissionais qualificados na própria inciativa privada, em áreas como ciências sociais. Uller pondera que, embora haja uma demanda por profissionais com pós-graduação no setor acadêmico, essas oportunidades estão mais concentradas nos cursos novos. Nos cursos mais antigos, há maior presença de profissionais sênior- com mais tempo de experiência e muitos próximos a aposentadoria -, a renovação ainda é pequena. Ela acredita ser necessário um programa de incentivo aos professores, para ampliar os cursos mais antigos e suprir a demanda futura por novos profissionais. Leia mais sobre pós-graduação na matéria "Pós-graduação no Brasil: 10 vezes abaixo do ideal" Tags: capes, ciência, mercado, pesquisa, pós-graduação Compartilhar
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    Enem gera discussõesno meio acadêmico Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 19:00 Exibir blog de Dinheiro Vivo DAYANA AQUINO Da Redação - ADV Substituir o tradicional vestibular nas universidades, servir de ferramenta de comparabilidade e fomentar a reestruturação do ensino médio. Esses são os principais objetivos do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O projeto, lançado pelo Ministério do Educação (MEC), em março deste ano, ainda gera muita polêmica em torno da eficácia de suas propostas e alcance de suas intenções. O modelo único de avaliação permitiria reorganizar os currículos das escolas em nível nacional, que é maior objetivo da iniciativa. De acordo com o ministério, por intermédio de sua assessoria de imprensa, o vestibular nos moldes de hoje produz efeitos nocivos sobre o currículo do ensino médio, que está cada vez mais voltado para o acúmulo excessivo de conteúdos. Os novos exames combinariam a abrangência de conteúdo do vestibular tradicional com o modelo de questões do Enem. O MEC aponta algumas vantagens do novo modelo: - Avaliação da capacidade analítica e de raciocínio dos alunos; - Sinalização ao ensino médio um novo tipo de formação, que privilegie uma educação voltada ao raciocínio e capacidade analítica, e não apenas no acúmulo de dados - Avaliação do desenvolvimento das instituições de ensino médio e superior; - Democratização do acesso às universidades através da centralização dos processos seletivos; - Redução de despesas de locomoção e taxas com inscrições, pois será apenas um processo seletivo; - E aumento da mobilidade, pois o estudante, após fazer o exame, poderá escolher até cinco instituições em todo o país. Modelo O ENEM tem causado discussões no meio acadêmico. Há consenso quanto à necessidade de melhorar o sistema de ensino no país, entretanto as opiniões divergem quanto ao modelo adotado para atingir tal objetivo. Para o Presidente da Comissão de Implantação da Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), professor Paulo Speller, a seleção através do Enem vai auxiliar na reestruturação de alguns pontos do ensino médio, mas não vai solucionar os problemas. Speller é favorável ao modelo de prova, pois a metodologia privilegia a totalidade do ensino e, por essa característica, induz a uma nova formação curricular nas escolas e cursos de pré-vestibular. Por outro lado, o professor acredita na melhoria do ensino médio independente das discussões sobre o ENEM. Em sua opinião, é necessário um esforço específico no país em relação ao assunto, com ações que foquem o fortalecimento e melhoria do ensino médio no país.
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    O professor daUniversidade de São Paulo (USP) e ex-diretor do Inep, José Marcelino Rezende Pinto, também observar que as melhoras no currículo do ensino médio poderiam contar com medidas mais produtivas. A implantação de aulas práticas de biologia, física e química, por exemplo, faria com que escolas públicas e privadas investissem em laboratórios, complementando o aprendizado, diz ele. Impactos Outro aspecto comentado por Rezende é quanto à democratização do acesso. Segundo ele, estudos apontam que o impacto do Enem no ingresso da USP e UNESP é quase nulo no sentido de alterar o perfil dos alunos ingressantes. Enem é um tipo de exame para o qual o aluno precisa ser treinado e as escolas privadas têm mais condições de propiciar um treinamento, assim como já acontece com o vestibular tradicional. Speller, também avalia o acesso, mas no âmbito de mobilidade territorial. Para ele, apesar das alegações das supostas vantagens de alunos de regiões desenvolvidas sobre os de regiões carentes, há aqui a possibilidade de bons candidatos disputarem de igual para igual. Por exemplo, alunos bem pontuados do Nordeste concorrem vagas com alunos do Sul. No caso do vestibular, complementa Speller, bons candidatos podiam ser ofuscados devido a alta nota de corte de sua região. Vestibular Seriado O mérito da proposta está em trazer á tona o debate sobre o vestibular no Brasil, que é uma questão dramática. Mas um sistema de acesso à universidade baseado em uma única prova, não tem como ser democrático. A opinião é do presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Ismael Cardoso. Cardoso considera que o grande problema do vestibular e do Enem é fazer uma única avaliação, ao fim do período escolar, pois não acompanha o processo de formação do estudante. A prova é aplicada no fim de uma educação ruim. A questão poderia ser solucionada, ou amenizada, se o exame fosse aplicado uma vez ao ano, durante todo o ensino médio, permitindo que o aluno que se saísse mal na primeira prova, pudesse recuperar a pontuação nas demais. O método também serviria como ferramenta de avaliação do governo pelo ensino médio, em condições muito ruins atualmente, em sua opinião. Vagas O professor Speller pondera que o Brasil está atrasado nesta discussão, pois vários países já usam o exame nacional como forma de acesso à universidade e considera que o país cresceu pouco no que diz respeito ao número de vagas disponíveis no ensino superior, questão que está diretamente ligada ao ensino médio. Sobre o aumento da oferta de vagas no ensino superior, o MEC informou que conta com programas específicos, como o Programa de Reestruturação e Expansão da Rede Federal de Ensino Superior (Reuni). Este projeto elevou o número de vagas ofertadas a cada ano de 113 mil, em 2003, para 227 mil, em 2009, nas 55 universidades federais brasileiras. Mais quatro novas universidades federais aguardam aprovação pelo Congresso Nacional. São elas: Universidade Federal da Integração Latino- Americana-UNILA, Universidade Federal da Integração Amazônica – UNIAM, Universidade Luso Afro-Brasileira-Universidade-UNILAB e Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS. Histórico Originalmente concebido para ser uma ferramenta de avaliação dos estudantes de ensino médio, o Enem foi criado em 1998, no Governo Fernando Henrique Cardoso, pelo então ministro da Educação Paulo Renato Souza. Os dados coletados pelo exame seriam utilizados para melhorar ou criar políticas públicas para a área. Em 2005, já no governo de Luis Inácio Lula da silva, o Enem passou a ser utilizado como forma de ingresso no recém criado Programa Universidade Para Todos (Prouni), cujo objetivo é conceder bolsas integrais ou parciais a estudantes. A nota do Enem pode ser usada de quatro formas: como fase única; como primeira fase; como fase única para as vagas remanescentes, após o vestibular; ou combinado ao atual vestibular da instituição. Neste último caso, a universidade definirá o percentual da nota do Enem a ser utilizado para a construção de uma média junto com a nota do vestibular. As instituições têm autonomia para optar pela modalidade e divulgar em seus editais qual formato participará cada curso. A migração para o sistema será acompanhada por um grupo de pesquisa constituído pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), como forma de analisar as reações ocasionadas pelo novo método de ingresso e, se necessário, propor adequações. Até junho, das 55 universidades federais, 42 já haviam aderido ao novo Enem. A expectativa do MEC é que todas instituições federais adotem de alguma forma o exame como seleção de alunos. Veja o mapa das instituições que aderiram: Observe o mapa das adesões por estado
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    Programa pretende melhoraro sistema educacional Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 18:57 Exibir blog de Dinheiro Vivo DAYANA AQUINO Da Redação - ADV Criado com objetivo de melhorar a qualidade do ensino do país e envolver a sociedade na construção de um melhor sistema educacional, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi lançado em 2007, pelo Ministério da Educação (MEC). O projeto também tem o intuito de atuar como ferramenta de prestação de contas à sociedade, tornando mais transparentes as ações do ministério e assegurar que suas ações cheguem às salas de aula. O Plano abarca uma série de medidas já em andamento no MEC e ações novas, levando em consideração toda a cadeia do processo educacional. As atividades vão desde a implementação da avaliação para crianças de seis a oito anos de idade - para verificar o processo de alfabetização dos alunos a tempo de solucionar possíveis distorções -, até a formação de professores. A alfabetização de jovens e adultos é contemplada por meio do Programa Brasil Alfabetizado, que propõe a ampliação de turmas nas regiões do interior do país. As atividades do projeto envolvem a criação de material didático específico para esse público. No âmbito da educação profissional, o PDE tem como objetivo criar institutos federais de educação em locais estratégicos, para contribuir com o desenvolvimento das cidades próximas. Também está previsto o acompanhamento e assessoria aos municípios com baixos indicadores de ensino De acordo com o MEC, as iniciativas foram no sentido de criar um piso salarial aos professores e ampliar o acesso desses educadores à universidade. Questões relacionadas à infra-estrutura, como eletrificação de escolas públicas e acesso escolar também foram abordadas. Várias outras ações foram envolvidas no PDE, que teve a colaboração de professores, pesquisadores e ex-ministros da educação em sua elaboração.
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    Programa amplia vagasnas universidades Postado por Dinheiro Vivo em 25 junho 2009 às 18:30 Exibir blog de Dinheiro Vivo FERNANDA BERTONCINI Da Redação - ADV A política nacional de expansão da educação superior pública ganhou nova ferramenta para ser definitivamente consolidada. O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído pelo Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007, atende às exigências previstas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado pelo governo federal, que estabelece a provisão da oferta de educação superior para – pelo menos – 30% dos jovens entre 18 e 24 anos, até o final da década. O decreto deve colaborar na erradicação da falta de vagas no ensino público. Para se ter uma idéia, segundo o Censo da Educação Superior de 2005, o Brasil contava com 176 universidades, das quais 90 eram públicas, sendo 52 do sistema federal, 33 estaduais e cinco municipais. Neste ano, o sistema público acolhia um total de 1.192.189 matrículas de graduação. O setor privado compreendia 1.934 instituições, dentre elas 86 universidades, com 3.260.967 matrículas de graduação. Atualmente, a cada ano ingressam 1.700.000 novos estudantes de graduação, na modalidade presencial, no sistema nacional de educação superior (INEP, 2005). Dessa forma, a meta global do programa é elevar gradativamente a taxa de conclusão média dos cursos presenciais para 90% e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para 18, ao final de cinco anos, a contar do início de cada plano. O modelo reforça as iniciativas para a ampliação de vagas e a evolução da qualidade da educação no país, com foco na ampliação de políticas de inclusão e de assistência estudantil, como forma de oferecer igualdade de oportunidades para o estudante com condições sócio-econômicas desfavoráveis. Adicionalmente, os projetos apresentados ao REUNI terão suas consistências avaliadas frente às exigências do decreto que compõe o programa. A implementação do programa por parte das universidades federais será por adesão e as propostas apresentadas devem atender ao seguinte conjunto de indicadores: • Ampliação da Oferta de Educação Superior Pública: aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno, e redução das taxas de evasão e ocupação de vagas ocasionais. • Reestruturação Acadêmico-Curricular: revisão da estrutura acadêmica para elevar a qualidade do ensino; reorganização dos cursos de graduação; diversificação das modalidades de graduação; implantação de regimes curriculares e sistemas de títulos que possibilitem a construção de itinerários formativos e previsão de modelos de transição. • Renovação Pedagógica da Educação Superior: articulação da educação superior com a educação básica, profissional e tecnológica; atualização de metodologias de ensino e previsão de programas de capacitação pedagógica.
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    • Modalidade Intrae Inter-Institucional: promoção da ampla mobilidade estudantil mediante o aproveitamento de créditos e a circulação de estudantes entre cursos e programas, e entre instituições de educação superior. • Compromisso Social da Instituição: política de inclusão; programas de assistência estudantil e políticas de extensão universitária. • Suporte da pós-graduação ao desenvolvimento e aperfeiçoamento qualitativo dos cursos de graduação: articulação da graduação com a pós- graduação; expansão quali-quantitativa da pós-graduação orientada para a renovação pedagógica da educação superior. Em cada uma das dimensões, a universidade deverá propor ações para subitens e, caso ainda queira propor alguma ação em um aspecto não contemplado nessas diretrizes, mas inserido no escopo do programa, poderá fazê-lo em espaço apropriado para cada dimensão da reestruturação proposta. Todas as propostas encaminhadas deverão contemplar um aumento mínimo de 20% nas matrículas de graduação projetadas para a universidade, além de atender as demais diretrizes do programa. Além disso, os planos de reestruturação apresentados pelas instituições de ensino públicas e aprovados pelo Ministério da Educação, terão sua exeqüibilidade financeira garantida pelo MEC já a partir de 2008, mediante termo de pactuação de metas a ser firmado entre o MEC e as universidades participantes. Outros detalhes podem ser conferidos na íntegra do documento: REUNI View more documents from ProjetoBr.
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    12/06/2009 - 09:39 Umdiscussão sobre a Universidade pública Vamos pegar a deixa do João Vergílio e começar a discutir seriamente a USP. Colocarei algumas premissas, para tentar organizar um pouco a pauta. Elemento 1 - a missão da Universidade. Nos anos 90 houve grande discussão. De um lado, os que achavam que a Universidade deveria atender o mercado; do outro, os que consideravam que o único compromisso era com a ciência. E, para cumprir essa LUIS NASSIF missão, o pesquisador deveria ficar solto, sem se amarrar a metas e avaliações. Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo Em um estudo clássico, o então reitor da UNICAMP, Britto Cruz, colocou a discussão nos devidos termos. O eletrônico no país. Vencedor do papel da Universidade é formar alunos e fazer ciência, prospectar as fronteiras do conhecimento. Aqueles Prêmio de Melhor Jornalista de alunos com vocação empreendedora, com tendência a desenvolver tecnologia, deveriam ser estimulados a Economia da Imprensa Escrita montar sua empresa (as incubadoras), registrar suas patentes e ser colocado em contato com empresas. do site Comunique-se em 2003, Escritórios de patentes foram criados na UNICAMP e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Uma das maiores asneiras propagadas nos anos 90 - especialmente pelo ex-Ministro Paulo Renato - é que os Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia governos deveriam se preocupar apenas com o ensino básico, deixando Universidades para segundo plano. iBest. Cometeu um crime contra a educação, a ciência e a tecnologia nacionais. Para enviar emails a Luís Nassif Elemento 2 - os agentes da Universidade. clique aqui. Definidos os fins (formar alunos e fazer ciência), há que se trabalhar os meios. Todas as análises de meio deverão ter como foco central os fins. Os professores - Quem produz conhecimento e forma alunos são os professores. Eles devem trabalhar em um local que, numa ponta, forneça as melhores condições de trabalho. Na outra, modelos de avaliação que meçam sua produtividade e grau de excelência. Publicação de papers é um modo, mas não apenas isso. Geração de patentes é outro, mas não pode ser o foco. Análise do que aconteceu com seus ex-alunos, um terceiro indicador, mas não exclusivo. A reputação acadêmica do departamento, outro. A avaliação dos alunos e funcionários, outro. Os alunos - são os receptadores do conhecimento transmitido pelos professores. Por isso mesmo, devem ser BUSCA um agente ativo de avaliação dos mestres e das condições oferecidas pela Universidade. Tempos atrás, fui buscar convidado para ser ombudsman de um jornal da ECA/USP, muito bem feito, por sinal. Havia reportagens acachapantes sobre as más condições de funcionamento da USP, falta de manutenção, restaurantes caindo aos pedaços etc. Obviamente, há limites para a atuação dos alunos. O caminho é a definição de fóruns adequados de manifestação mas, principalmente, de clareza sobre a busca permanente da excelência CRÔNICA universitária. ECONOMIA Os funcionários - o papel dos funcionários é fornecer a retaguarda administrativa e de serviços para os professores. Sua estrutura, tamanho, custo deve seguir estritamente o que for necessário para o bom funcionamento da Universidade. Mas, em fóruns adequados, deve opinar sobre temas a que estão ligados, ÚLTIMOS POSTS como as condições de trabalho, as sugestões para melhorias, os compromissos de melhorias contínuas. Lembranças do capitão Galvão A tragédia de Jackson Mais pragmatismo, menos ideologia A direção - há três instâncias de poder na Universidade: os departamentos, o Conselho Universitário e a Médicos dizem que Dilma está Reitoria. curada Pedro Simon, o Catão Vamos, primeiro, discutir o modelo de gestão na Universidade, antes de retomar essa questão da governança. Fora de Pauta A tradução do Global Trends O prêmio da Unesco Elemento 3 - a governança na Universidade. A morte de Michael Jackson Trivial dos 40 anos do Pasquim Gerir uma Universidade é tarefa muitíssimo mais complexa do que administrar uma grande corporação. Na Um texto imperdível sobre Simonal
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    empresa, há objetivosdefinidos (produzir, gerar lucros), cadeia de comando verticalizada (a ordem vem de A morte da deusa dos dentes abundantes cima e se impõe sobre os departamentos), e formas conhecidas de articulação dos departamentos. A lógica da Filhas da crise Universidade é outra e exige um modelo de governança diferente. A culpa não foi do piloto As denúncias permanentemente Mas o que existe hoje em dia é o caos. disponíveis A primeira instância de poder são os departamentos. CALENDÁRIO Junho 2009 Em geral, são caixas pretas. Alguns buscam a excelência, outros são arenas de disputas entre os professores. A politização começa por ali. S T Q Q S S D Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência, com a contratação de professores 1 2 3 4 5 6 7 que tragam mais reputação para os departamentos. Em outros campos, a marmelada começa nos próprios 8 9 10 11 12 13 14 concursos para professores, em um sistema de compadrio que compromete a missão da Universidade. 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 A indicação de acadêmicos para cargos departamentais é uma excrescência que impõe duas perdas: mata-se 29 30 o acadêmico e cria-se um mau gestor. « Mai Por outro lado, as regras do MEC - especialmente para as federais - não estimula nenhuma forma de aprimoramento de gestão. Se um departamento conseguir economizar em atividades-meio, não terá como Clique aqui para ler os textos utilizar os recursos para atividades-fim. No ano seguinte, esses recursos serão retirados por serem antigos de Luis Nassif. considerados excedentes. A segunda instância é o Conselho Universitário. Direito de A implantação de eleição direta nas Universidades gerou, em muitas delas, o populismo acadêmico, de atendimento das demandas de professores e funcionários, deixando de lado a busca da excelência. No fundo, Resposta Se foi atacado pela mídia e não teve me parece ser um arquipélago de ilhas isoladas, cada qual buscando apenas o que interessa a si. direito de resposta, clique aqui para colocar a sua versão. A terceira instância é a reitoria. Veja bem, estamos falando em um desafio que o melhor CEO do país teria dificuldades em conduzir. Definir missão, enquadrar os departamentos em objetivos claros, criar modelos gerenciais (para as atividades-meio) que desobriguem os professores de serem atropelados pelas pequenas demandas do dia-a-dia, criar instâncias para as manifestações dos alunos e funcionários, ser o representante do contribuinte perante a comunidade universitária, cumprindo contratos de gestão, com objetivos claros. ARQUIVOS Longe de mim criticar a reitora Suely - que foi orientadora da Ruiva e de quem ela tem a melhor das junho 2009 impressões. Mas não há a menor lógica de colocar uma boa pesquisadora, uma mestra exemplar, uma maio 2009 acadêmica premiada para um desafio de tal ordem, que nada tem a ver com sua formação. abril 2009 março 2009 fevereiro 2009 Sem fóruns adequados, sem canais de comunicação, funcionários se organizam em torno do Sindicato, alunos janeiro 2009 em torno das Assembléias - legitimando seu ativismo com a barbeiragem dos gestores. dezembro 2008 agosto 2007 Vou parando por aqui para começarmos o debate. julho 2007 junho 2007 maio 2007 Temas sugeridos: abril 2007 março 2007 1. Modelo de governança. fevereiro 2007 janeiro 2007 No modelo atual - Universidade com autonomia total (inclusive sem a obrigação de prestar contas), dezembro 2006 departamentos com autonomia total, professores que, depois de empossados, não são obrigados a manter o novembro 2006 ritmo anterior de produção - é impossível romper esse círculo vicioso. outubro 2006 setembro 2006 agosto 2006 Minha proposta é que as Universidades passem a ser administradas por gestores acadêmicos - não um CEO julho 2006 de empresa, mas pessoas do meio, com conhecimento sobre a lógica da Universidade e que saibam manejar junho 2006 ferramentas de gestão. Não se trata de gerir a Universidade como uma empresa privada, isso é bobagem. O maio 2006 gestor tem que entender todas as especificidades, as necessidades operacionais, as características da setembro 2005 produção acadêmica e prover os meios necessários. Mas tem que responder ao contribuinte com resultados. 0 Dizer isso é fácil. Difícil é definir um modelo de governça que permita a discussão da missão, da CATEGORIAS implementação de planos por sobre a estrutura de poder interno. CULTURA Arquitetura 2. Modelo de departamentos. Artes Gráficas Cinema Costumes Na era da interdepartamentalidade, é necessário pensar um novo modelo que acabe com as caixas pretas dos Crônica Fotografia departamentos. De certo modo, eles estratificam o poder, como as velhas cátedras, impedem a renovação, o Poesia dinamismo, as novas ideias, os novos valores. Regional Televisão 3. Modelo de financiamento. DIPLOMACIA A USP está presa, há anos, à questão dos aposentados, comendo cada vez mais seu orçamento, sem que o governo do Estado se proponha a agir. As Federais estão amarradas a procedimentos burocráticos que ECONOMIA impedem a busca da eficiência na alocação de recursos. Agricultura Cabeção
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    Há que seaproveitar o momento para amarrar a questão do financiamento a novas formas de gestão Coluna Econômica Crise acadêmica. Energia Logística Matemática Financeira É muita coisa a discutir. Lanço aí as primeiras provocações. Negócios Novo Modelo Enviado por: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo, Universidade Tags relacionadas: deparamentos, Gestão, Universidade ESPORTES Xadrez Comentar Permalink Compartilhe FORA DE PAUTA 64 comentários para "Um discussão sobre a Universidade pública" GESTÃO Cidades Corrupção 12/06/2009 - 10:05 Enviado por: João Maria Fernandes GESTÃO PÚBLICA Nassif: Licitação a palavra “pelego” está no index? HISTÓRIA Bom dia. Brasileira JUSTIÇA 12/06/2009 - 10:09 Enviado por: Lima MEIO AMBIENTE O apadriamento nao existe so na escolha de professores. Infelizmente, tambem na escolha de alunos para os cursos de po´sgraduaçao stritus. Se a linha de pesquisa do aluno nao contemplar a politica dos orientadores ele jamais entrara na universidade. Mesmo quando a pesquisa e de extrema relevancia para o desenvolvimento da sociedade. Me candidatei a uma vaga no mestrado da UFAL, passei nas 4 fases (avaliaçao do projeto, prova escrita, entrevista e proficiencia em ligua estrangeira) MÍDIA mas não consegui a vaga. Colegas que ja haviam passado pela mesma situação me disseram que o problema foi o meu projeto Blogs contemplar as dificuldades que os gestores das escolas publicas enfrentam na condução do eixo-pedagogico. logo, tal pesquisa nao contemplava a linha de pesquisa dos orientadores que estao voltados para pesquisas relacionadas com a propria unversidade. Pergunto: A UNIVERSIDADE TEM A RESPONSABILIDADE DE BUSCAR CONHECIMENTO QUE MELHORE A QUALIDADE DA EDUCAÇAO BASICA, OU SÓ DA EDUCAÇAO SUPERIOR? MÚSICA Bossa Nova Choro Erudita Brasileira 12/06/2009 - 10:30 Erudita Internacional Enviado por: miope Jazz MPB Pop Modelo departamental Rádios virtuais Violão O modelo departamental segue a logica disciplinar. E.g. temos a disciplina de fisica, e um departamento de fisica. Ocorre que a ciencia moderna evolui em torno de problemas. E.g. combustiveis renovaveis precisam de solucoes da quimica e POLÍTICA da biologia. Surge entao interdisciplinas: e.g. bioquimica. Eleições Internacional Movimentos Sociais Louve-se dois novos campi e uma nova universidades montadas em torno do conceito interdisciplinar: USP Leste, Universidade Novo Mundo Federal do ABC e Unicamp Limeira. Abracos, POLÍTICAS SOCIAIS Educação miope Fome Habitação Previdência PS: feliz pelo 5o lugar no campeonato mundial da seguranca aerea (Santos Dumont deve estar rindo de orelha a orelha…) Saneamento Saúde Segurança Terceiro Setor 12/06/2009 - 10:39 Enviado por: Maína Sugiro a leitura do artigo do professor Vladimir Saflate publicado hoje na Folha de São Paulo sobre o desastre causado não pelos RELIGIÃO estudantes como o J. Virgilio quer acreditar e que já foi bem debatido lá no Biscoito Fino e a Massa do Idelber Avelar. Link para quem não assina o UOL: http://docs.google.com/View?id=dhhkd6qk_16fvt2fxhm SEM CATEGORIA Segue o link para quem tem FSP: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1206200908.htm TECNOLOGIA C&T Ciência 12/06/2009 - 10:44 Defesa Enviado por: Marko Internet Software Universidade Nassif, excelente levantamento de algumas questôes fundamentais. Sou professor, formado em escola pública e trabalhando numa estadual de Sp e numa particular. Da forma que está, tanto o modelo das públicas quanto o das privadas está falido. As públicas não dão conta da sua missão, não inovam na velocidade que o país demanda, não são de fato “públicas” (pois são cooptadas o tempo todo para demandas privadas, como é de notório conhecimento) e não conseguem se financiar adequadamente. As privadas, mesmo as melhores, decidiram nivelar por baixo, vivendo só de mensalidade, e muitas abriram mão de qualquer qualidade em favor do lucro imediato. Acho que as universidades públicas precisam de uma devassa como a que estamos fazendo com o congresso nacional, e muitos dos vícios seriam os mesmos. Não se pode continuar a financiar pesquisa com dinheiro público sem chegar a algum acordo quanto a avaliação dos resultados (por parte de alunos, e por parte de TAGS indicadores de resultados das pesquisas). Mas a questão do financiamento é um nó que precisa ser desatado. Venho Banco Central câmbio China crise conversando informalmente com colegas sobre o modelo de “endowments” usado nas universidades americanas, que eu conheci Daniel Dantas Gaza de perto e ajudam a tornar essas instituições as líderes no mundo, tanto em excelência acadêmica quanto em geração de inovação tecnológica e lucros (patente, etc). Uma coisa que seria interessante você analisar é a diferença entre as nossas Gilmar Mendes internet Israel fundações (que não conheço bem, mas muitos criticam) e os endowments, que são fundos 100% atrelados a atividades José Serra juros Lula Mídia Obama específicas (financiam cadeiras, laboratórios, etc). A questão da gestão, como você colocou, é central também, mas é uma Petrobras Protógenes São Paulo questão cultural, de apropriação privada do público, que perpassa toda a nossa estrutura de estado, então acho muito difícil mudar de uma vez. Mas com certeza, se isso não muda, o resto também não. Satiagraha STF Veja
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    12/06/2009 - 11:09 Enviadopor: Eduardo Petrucci Gigante E os departamentos, embora unidades de apoio administrativos, são capitaneados por docentes. No mais das vezes, sem treinamento. Por que? Com as novas exigências de doutorados nos concursos, os professores já entram, nas federais, em “fim de carreira”, visto que professor adjunto é o cargo máximo da carreira. Professor titular o é por um concurso a parte. Assom, entrando no fim de carreira, com o intuito de ganhar algum a mais, docentes tornam-se ocupantes de cargos eminentemente administrativos. Sem os conhecimentos e habilidades necessários, no mais das vezes. E lembremo-nos que mestrados e doutorados são voltados para a pesquisa. E administrar pesquisa é muito deferente de administrar universidades. Enquanto a primeira tem início, meio e fim, a segunda deve sobreviver a todos os que dela fazem parte. Vai ser uma discussão longa! 12/06/2009 - 11:11 Enviado por: Marcos Moura Baptista dos Santos LINKS Nassif, RELACIONADOS tua proposta de discussão é boa e bastante bem elaborada para as rodadas iniciais. Espero que o debate e os comentáqrios não Argemiro Ferreira fiquem no flaXflu nem se restrinjam a elencar a série de problemas e equívocos de gestão das universidades (não só brasileitras, diga-se de passagem) e para ta para o propositivo. Particularmente, penso que as IFES teriam muito a ganhar se olhássemos Blog do Mello para o que vem fazendo em termos de gestão universitária o grupo de IES reunidos no COMUNG (Consórcio das Universidades Comunidade de Gestão Comunitárias Gaúchas), especialmente a Universidade de Santa Cruz do Sul. Sobre o tema postei na comunidade há alguns Comunidade Verso e Prosa meses minha dissertação demestrado que trata justamente da governança na Unisc. Abraço Leandro Fortes Caco Baptista Luiz Carlos Azenha O Biscoito Fino e a Massa O Caso de Veja 12/06/2009 - 11:13 Portal Luís Nassif Enviado por: mauricio E as ciências humanas? Nesse pique de querer ciencia e prospecção e resultados, vai acabar acontecendo que ninguém quer LUIS NASSIF INDICA financiar pesquisas sobre filosofia, historia, literatura etc. É preciso relevar isso e não adotarmos um modelo “capitalista” ou “mercadista” de universidade. Argemiro Ferreira Blog do Mello Comunidade de Gestão 12/06/2009 - 11:15 Comunidade Verso e Prosa Enviado por: Hans Bintje Leandro Fortes Luiz Carlos Azenha O Luis Nassif fez uma ótima descrição do “Modelo Alice”. Do livro de “Alice no País das Maravilhas”: “Alice encontra um gato e O Biscoito Fino e a Massa pergunta: Como posso sair daqui? O gato responde: Isso depende muito de para onde você quer ir. Alice explica: Não quero ir O Caso de Veja para lugar nenhum. Apenas, sair daqui. O gato retruca: Se você não vai para lugar nenhum, qualquer direção serve.” Portal Luís Nassif Cito um exemplo de como assuntos universitários são tratados na Europa. Trecho de artigo da revista “Brasileiros” ( http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/10/textos/31/ ): “Em 1969, um grupo de estudos do qual Luciano fazia parte passou por um concurso público para a construção de um novo hospital psiquiátrico, na cidade de Bérgamo. Começava a se questionar na Itália o papel dos hospitais psiquiátricos e Luciano entrou de cabeça nessa questão. ‘Chegamos a abrir as portas de hospitais psiquiátricos e a fazer passeatas pela cidade, junto com os loucos, reivindicando tratamentos mais humanos.’ Foi o estopim que desencadeou a consciência nos estudantes de arquitetura de que nunca teriam resolvido o real problema dos doentes mentais propondo um belíssimo e novo hospital. Era necessário levá-lo como um problema político. ‘Nesse período, do ponto de vista da nossa formação humana, houve uma revolução. Abrimos as nossas cabeças ali no provincianismo de Torino.’ Passeatas, salas de aula fechadas e cabeças abertas. Mudanças eram necessárias para seguir. (…) ‘Vivi aos 24 anos a magia de descobrir um mundo diferente e possível. Aprendi que só se podia resolver as coisas a partir de um pressuposto político.’ No entanto, passado o fervor desse rompante, a vida começou a tomar os seus velhos trilhos, embora algumas partes tenham descarrilado das antiquadas linhas. A efervescência estudantil se abrandou, alguns professores tidos antes como ‘imortais’ deixaram suas cátedras, a grade curricular se adaptou em partes às reivindicações estudantis, a política psiquiátrica foi repensada e reformulada.” Eu pergunto ao Luis Nassif: 1) Você acredita que se a maneira de tratar os “loucos” não tivesse sido contestada pelos estudantes unversitários, haveria alguma mudança na política psiquiátrica, melhores hospitais teriam sido construídos e organizados? 2) O gato questionaria: “Para onde você quer ir” com a Universidade? 12/06/2009 - 11:21 Enviado por: ? Alguns pontos básicos: 1 - Há uma HISTÓRIA da USP que não envolve esse tipo de idéia sobre a “missão” da universidade (a questão é importante, mas seria preciso recolocar o problema de forma adequada…). Pode-se começar lendo os textos de Franklin Leopoldo e Silva e de Irene de Arruda Ribeiro Cardoso sobre o assunto. 2 - “Os alunos - são os receptadores do conhecimento transmitido pelos professores.” é uma péssima idéia sobre educação e pesquisa… os estudantes PRODUZEM pesquisas também, e aí a discussão de patentes fica bastante complicada… e nem é seu maior problema. Temos bons estudos sobre o tema na própria USP, e sugiro o trabalho de Maria Carlotto (sociologia) sobre o tema (que inclui análises sobre a lei de inovação tecnológica). O “controle” via NÚMERO de publicações (como “medir” a qualidade?) é muito questionado na academia (com argumentos racionais…) e não atende às especificidades de diferentes áreas. Falta perspectiva política nessa discussão toda. 3 - o organograma da USP não é tão simples (ou, é mais complexo ainda…). Há as congregações, por exemplo, ou seja, diretorias de faculdades - são institutos independentes entre si, de certa forma. Enfim, seria preciso colocar novamente o problema, com informações corretas. Para efetivamente propor uma discussão a respeito da Universidade pública (ou da USP, especificamente?), de modo que saiam de cena acusações banais e genéricas como em relação às eleições diretas, é preciso escrever outro ou outros posts…
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    “Diria que nasExatas há maior compromisso com a busca de excelência” - é uma acusação seríssima, que supõe um idéia muito particular de excelência… e uma capacidade de julgamento incrível… Decepção. 12/06/2009 - 11:32 Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante E mais, as universidades novas, federais, que vem sendo criadas, mantém os mesmos moldes, basicamente, e vícios. Perde-se uma oportunidade ímpar de desenvolver uma nova forma de governança. O “problema” é que gestão implica em mensuração e controle. Os docentes sentem-se “ameaçados” com cobranças. Cobranças descabidas, segundo eles, como a presença física nos horários de trabalho, aulas bem fundamentadas e com conteúdo ao invés de pesquisas de valor discutível… e por aí vai. 12/06/2009 - 11:33 Enviado por: Paulo No elemento 1 A respeito da asneira de Paulo Renato, além de propagar a centralização das preocupações no ensino básico, ele ainda distorceu o FUNDEB (proposta dos educadores após mais de 8 anos de discussão, que tramitava na câmara desde o Gov Itamar, e previa atuar: na quantidade, aumentando o acesso às escolas públicas, e na qualidade da “Educação Básica”. Para isso haveria uma previsão de 3,5 Bilhões de Reais por ano a ser bancado pelas três esferas). O grupo do Sr paulo renato mandou retirar do congresso projeto do FUNDEB e enfiou “guela abaixo” da sociedade o tal do FUNDEF (que atou principalmente no quesito quantidade, para atender as exigências dos organismos da ONU e assim manter as “aparências”- puro marketing - e que passou a prever 500 milhões por ano para o fundo. Os outros 3 bilhões “devem ter ido” para o mercado finaneceiro ou para financiar o PDV em que os principais cientistas das universidades públicas pularam fora e foram para as faculdades pariculares dos amiguinos de FHC). Se não fossem as atuações dos municípios, que tiveram que a função de gerir o ensino fundamental e com poucos recursos, nem mesmo o ensino fundametal teria sido contemplado nessa época. No elemento 2 Cabe acrescentar a necessidade de uma remuneração digna aos educadores, que lhes dê tranquilidade para sair de casa e ficar em tempo integral na universidade não só atuando em pesquisa, mas também, gerando novas idéias e conceitos além de estarem à disposição dos alunos para orientação. A respeito da avaliação, concordo plenamente. Só tem que se tomar o cuidado de não fazer com está hoje com os alunos do ensino médio, estudando apenas para vestibular (Acredito que seja por isso que o MEC esteja tentando mudar o modo de acesso à Universidade). Dependendo do foco tomado para as avaliações, poderá forçar o educador a centralizar suas ações e conhecimentos apenas para passar na avaliação em detrimento de suas pesquisas e criação de suas idéias. No que tange os alunos, com certeza a Universidade tem sim de manter um ambiente propício para que os alunos exerçam a sua “vida acadêmica” com o máximo de qualidade. Tive sorte de estudar em uma Escola Técnica Federal-ETF (isso antes de FHC tentar desmantelá-las) em que eu passava o dia todo estudando. Havia refeição aos alunos de manhã, tarde e noite. Tinha uma biblioteca de ótima qualidade tanto para estudo de grupo quanto individual (alunos de faculdades particulares deixavam de estudar nas bibliotecas de lá para ir estudar na da ETF). Para os alunos mais pobres, havia a possibilidade de serem monitore (recebiam 70% do salário mínimo, mais vale transporte). Praticamente todas as semanas tinham palestras, teatro, mesas redondas em que se discutiam de tudo. Pude assim aprender não só o conteúdo específico de minha área profissional (telecomunicações), mas também cresci como pessoa. Hoje ela é uma CEFET e ministra cursos de nível superior (tecnólogo). Acredito queas faculdades devam tratar seus alunos como a ETF (em que eu estudei) tratava, lógico que o ambiente é outro, mais profundo no que tange conhecimento, e portanto deverá ter suas peculiaridades. 12/06/2009 - 11:38 Enviado por: rita para lima: aconteceu isso comigo tambem. fui candidata ao mestrado e venci todas as etapas de provas. mas nao conquistei a vaga. estava num terreno no qual não conhecia ninguém, mas arrisquei ainda assim. cometi um erro enorme. 12/06/2009 - 11:40 Enviado por: André Caro Nassif, Creio que o ponto de partida para discussão deve ser exatamente a administração da universidade ou, se prefere, o modelo de governança. “Universidade com autonomia total (inclusive sem a obrigação de prestar contas), departamentos com autonomia total, professores que, depois de empossados, não são obrigados a manter o ritmo anterior de produção - é impossível romper esse círculo vicioso.” Quem tem total autonomia é a Reitoria, apoiada pelo Co (abreviatura de Conselho Universitário). Realmente, falta “prestação de contas” tanto das ações quanto dos gastos. No passado, os aumentos eram limitados pela disponibilidade orçamentária, estabelecendo-se como teto o limite de 85% do orçamento. Hoje não se tem mais informações sobre compromentimento do orçamento com a folha de pagamentos e o reajuste de 6,05% foi concedido sem apresentação e discussão dos dados financeiros, como era no passado. (vide comunidado dos reitores em http://www.reitoria.usp.br/reitoria/index.php?q=node/2&nome=noticia&codntc=24167) Retomando o ponto central, novos rumos para a Universidade, evidentemente a maior barreira à mudança está no caráter burocrático e autoritário da administração universitária, que precisa ser modificado. Rompendo esta barreira, abrem-se espaço para o debate democrático do modelo de universidade que queremos.
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    Abraços 12/06/2009 - 11:43 Enviadopor: rogerio nacai Lima, a admissão em programa de mestrado NÃO poderia estar atrelada às linhas de pesquisa dos possíveis futuros orientadores, mas, sim, ser função das qualificações e do mérito dos candidatos. 12/06/2009 - 11:43 Enviado por: romério rômulo nassif: há um trabalho denso,produzido pela unesco,sobre universidade.não pode ser desconsiderado.vou tentar localizá-lo (aqui em casa isso é uma aventura) e te comunico. romério 12/06/2009 - 11:44 Enviado por: Rui Daher Nassif, reproduzo artigo meu, escrito há 5 anos, que mostra como pouca coisa mudou: MOMENTO DA INTERAÇÃO Não é de hoje que se ouve falar na dificuldade de interação entre a pesquisa desenvolvida nas universidades e o setor produtivo nacional. Depois de tanto tempo, seria de se supor que o problema estivesse resolvido ou, pelo menos, amenizado. Pois não é bem assim. Mesmo ampliadas as ações no sentido dessa aproximação, sobretudo por parte da universidade com a criação de agências, órgãos, núcleos e redes de pesquisa, o resultado obtido ainda é bastante incipiente. Em dezembro de 2003, organismos ligados ao assunto promoveram o seminário “Caminhos da Inovação Tecnológica na USP”. Nele, especialistas brasileiros e do exterior, na presença de pesquisadores da USP e de outras universidades e instituições de pesquisas, bem como de representantes da iniciativa privada, discutiram evoluções no sentido de superar o problema. Vários foram os assuntos expostos: casos reais de transferência de tecnologia; a estrutura das agências de inovação - particularmente a da USP; aspectos da política e gestão tecnológicas; o estágio da P&D na indústria brasileira; os aspectos legais da obtenção de patentes. Enfim, mostrava-se que há pessoas preocupadas com o assunto e quais organismos foram criados para catalisar essa aproximação. Apesar disso, a tônica, ao final de cada uma das exposições, recaía no fato de que os resultados práticos dessas ações eram muito pequenos, e que a universidade e o setor produtivo, em suas tarefas de gerar conhecimento para o desenvolvimento econômico, ainda mantinham uma distância abissal. Nos países mais desenvolvidos, o setor produtivo e a universidade interagem em expectativas que partem das duas pontas. Num sentido, a percepção das empresas de suas necessidades de novas tecnologias faz com que elas se juntem ao governo para investir em geração de conhecimento pelos pesquisadores. No sentido inverso, a pesquisa espontânea gerada nas universidades é percebida e apropriada pelo setor produtivo e transformada em novos produtos, processos e serviços. Não foi isso o que aconteceu no Brasil. Do lado do setor produtivo, a convivência com modelos econômicos fechados, reservando mercado e protegendo a indústria com benefícios, incentivos fiscais e barreiras alfandegárias, em nada estimulou a procura por novas tecnologias. E se, por acaso, alguma empresa delas precisasse, optava por comprá-las fora. Se naquela época já eram poucos os departamentos de P&D nas empresas, quase sempre desfocados pelo ambiente econômico, com os anos de estagnação que se seguiram, eles acabaram empobrecendo ou, simplesmente, desapareceram. Do lado da universidade, se o resultado do crescimento econômico da década de 70 ainda pôde garantir que as verbas concedidas pelo governo fossem suficientes para o desenvolvimento de novas pesquisas, essas eram apenas destinadas à publicação e à obtenção de graduações internas à universidade, pois, mal informadas pelo setor produtivo, desconheciam e, por isso desconsideravam, as necessidades da sociedade e do mercado. Na verdade, aquele foi um período em que a universidade priorizou o seu papel de aparelho de resistência à ditadura, o que a fazia, em determinados momentos, inclusive, a se opor à indústria. Pois é justamente esse o quadro que mudou de forma radical. Ao mesmo tempo em que, com o final da ditadura militar, a universidade exorcizou esses demônios e voltou a priorizar o seu papel histórico de gerar conhecimento para melhorar a sociedade, as transformações nas economias nacional e mundial fizeram com que ela tivesse que olhar para fora na procura de novos investidores, até porque duas décadas de estagnação já não permitiam mais uma irrigação de verbas que atendesse às suas necessidades. As empresas, por sua vez, não mais protegidas, combalidas por seguidos anos de crise econômica e que, antes, a arriscar, preferiam acomodar-se apenas ao já existente, agora, diante de um sistema econômico competitivo e internacional, não mais poderiam concorrer se não coadjuvadas pela geração de novas tecnologias. Hoje, já não é mais apenas recomendável que universidade e empresa se integrem, mas sim questão de sobrevivência para ambas, o que supõe, mesmo que as condições de crescimento da economia não estejam completamente asseguradas, urgência numa interação capaz de converter conhecimento científico em retorno financeiro. 12/06/2009 - 11:45 Enviado por: wilson cunha junior Longe de mim nâo achar que discutir a Universidade Pública seja importante. Mas como simpatizante do blog lamento apenas que ela ocupe o lugar de uma discussão a meu ver mais crucial que é a forma do governo paulista lidar com problemas socias. Ainda mais quando o governador em questão é o favorito pra ser o nosso presidente daqui a um ano e meio. O que aconteceu na USP foi tão grave que só se assemelha ao que acontecia nos anos de chumbo. Nessa pauta quem está justamente indignado com a repressão do governo paulista acaba sendo rotulado como “netos e viúvas de 68″. Mas tudo bem. É do jogo. Mas para os que sentem que 68 nunca vai acabar aqui vai uma missiva: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/06/aos-que-vieram-depois-de-nos.html Topo
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    “Os que sobrevivemos,ainda amargamos a incompreensão dos que se puseram a falar sobre nossas fraquezas, sem pensarem nos tempos sem sol de que tiveram a sorte de escapar.” 12/06/2009 - 11:47 Enviado por: Ana Dias Nassif, gostaria de dar o meu “pitaco” como professora de universidade federal e ex-aluna da USP. A questão é muito complexa. Sobre a função da universidade pública, você já colocou muito bem a questão. Não se trata de só formar pessoas para o mercado, mas de pensar a “ponta”, ou seja, formar ideias, criar tecnologias e produtos e formar pessoas (pesquisadores, professores, empreendedores) que pensem a sociedade “para frente”, e não para como está hoje. Agora, a vida real. Com relação aos professores e aos alunos, a única forma de avaliação que temos é a publicação de papers. Na universidade em que trabalho, no momento da matrícula, todos os alunos devem avaliar os professores do período anterior, por meio de questionário online. O que é feito dessa avaliação? Nada, absolutamente nada. Simplesmente não somos avaliados quanto ao ensino. Claro que também não seria correto utilizar somente a avaliação dos alunos para avaliar um bom professor (há N vieses possíveis na avaliação feita pelos alunos), porém seria um primeiro indicador, que afinal já está disponível. No meu departamento, ministrar aulas para a graduação é claramente visto como um castigo. Claro: aulas para a graduação dificilmente geram papers, ao contrário da pós- graduação. Portanto, ainda que o professor goste de ministrar aulas na graduação, o fato é que, quanto mais se dedicar a isso, pior para sua carreira. Como você escreveu, e eu concordo, a avaliação por produtividade em papers deve existir, mas não deve ser a única forma de avaliação, como é hoje. Isso dá um gancho para explicar ao comentarista Lima que, se você quer entrar num programa de pós, e posso garantir que isso acontece em qualquer programa de pós do país, precisa, sim, ter um projeto que case direitinho com as linhas de pesquisa do programa. Para entender, é só saber como a CAPES avalia os cursos: número de papers/professor, número de papers produzidos por alunos e egressos e tempo total do aluno no programa são os indicadores principais. Portanto, é lógico que um aluno que esteja totalmente fora das linhas de pesquisa, provavelmente, levará mais tempo até a defesa e publicará menos do que alguém que entre já adequado às pesquisas que estejam sendo realizadas (se o postulante já estiver participando de alguma dessas pesquisas, melhor ainda!). Vale lembrar que os papers considerados pela CAPES são só aqueles publicados em revistas chanceladas pelo comitê de cada área na CAPES, que muitas vezes vai totalmente contra as tendências de um mundo transdisciplinar, mas isso é outra discussão. Quanto aos professores como administradores, de qualquer forma será um problema, acho. O ideal seria mesmo um acadêmico com formação de gestor, porque, como você bem coloca, uma universidade não é uma empresa; geri-la é muito diferente de gerir uma empresa, portanto. O gestor precisa entender muito bem as idiossincrasias da universidade, seus pontos fortes e problemas, tarefa difícil por si só. Mas é fato que as reitorias e outros cargos de direção, com raras e honrosas exceções, são vistos como passo para uma carreira para fora da universidade (ou seja, quem está na reitoria quer visibilidade externa e não necessariamente melhorar a situação interna). E, por mais que a Ruiva admire a Suely Vilela, é preciso lembrar que ela não foi colocada lá contra a vontade, né? Com relação ao financiamento, no caso das federais, tem-se outro dilema. Por causa de “escândalos das lixeiras” e que tais, por exemplo, a tendência é sempre burocratizar mais e mais a gestão dos recursos. É evidente que deve-se ter controle sobre o dinheiro público, mas é fato que é preciso repensar o controle burocrático, que só torna mais difícil o trabalho de quem quer trabalhar e, principalmente, não impede quem quer desviar recursos de fazê-lo! Esse é um debate que a sociedade precisa fazer. As pesquisas de ponta podem ser muito prejudicadas por causa dessa burocracia burra (o Miguel Nicolelis falou disso na FSP essa semana), e o trabalho do dia a dia também (comprar computadores para as tarefas mais simples é uma dor de cabeça terrível! e eu só consegui uma cadeira decente para trabalhar com o dinheiro de um projeto de pesquisa financiado por uma empresa). Enfim, essa é uma discussão importante e há muitos pontos mais que eu nem mencionei; espero para ler as opiniões dos comentaristas de dentro e de fora das universidades. 12/06/2009 - 11:51 Enviado por: romeo Desculpe, Nassif, mas acho que seu texto, como proposta de discussão, deveria ser isento de observações do tipo: 1. “Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência, com a contratação de professores que tragam mais reputação para os departamentos. Em outros campos, a marmelada começa nos próprios concursos para professores, em um sistema de compadrio que compromete a missão da Universidade.” - esse tipo de generalização pode obstruir e/ou tornar emocional a discussão. Quem lhe garante que nas Exatas não ocorram marmeladas e compadrios? Com que base você afirma que o compromisso das demais áreas da Usp não é com o padrão de excelência? 2. “Longe de mim criticar a reitora Suely - que foi orientadora da Ruiva e de quem ela tem a melhor das impressões. Mas não há a menor lógica de colocar uma boa pesquisadora, uma mestra exemplar, uma acadêmica premiada para um desafio de tal ordem, que nada tem a ver com sua formação.” - ao que se sabe, a atual reitora candidatou-se ao cargo de livre e espontânea vontade. Ou não? Meus reparos decorrem do fato de que sua proposta de administração da universidade por gestores acadêmicos já é suficientemente provocativa. A questão do financiamento das universidades também já vai dar muito pano pra manga. Para começar, não seria interessante analisar os modos e os mecanismos de gestão atualmente disponíveis, levando-se em conta a questão da autonomia das universidades públicas? E ver se, onde e por que não funcionam? Outra questão de ordem prática: como e por que os “gestores acadêmicos” deverão ter mais sucesso do que no modelo atual de gestão, no que se refere a fazer com que os governos de plantão cumpram a Constituição, destinando às universidades as dotações orçamentárias de direito? E as fundações dentro das universidades, como são e como é que ficariam no modelo proposto? Que outras formas de captação de dinheiro seriam desejáveis, sem ferir a autonomia acadêmica e intelectual, para que as universidades pudessem depender menos das agências estaduais e federais de fomento à pesquisa? Pode mandar as sugestões. 12/06/2009 - 11:55 Enviado por: hugo “Aqueles alunos com vocação empreendedora, com tendência a desenvolver tecnologia, deveriam ser estimulados a montar sua empresa (as incubadoras), registrar suas patentes e ser colocado em contato com empresas.” Ok, e as empresas vão pagar royalties a USP pelo desenvolvimetno e pesquisa?Ou vai continuar a patifaria da univesrersidade gastar tempo e dinheiro em pesquisa e desnvolvimento para entregar o “produto” pronto para as empresas apenas conabilizarem os lucros? Na Unicamp e na UFMG a universidade participa. De qualquer modo, é um ganho para o país. 12/06/2009 - 11:58 Enviado por: Ana Dias Apenas para responder ao comentário do Eduardo Petrucci: atualmente, professor adjunto não é mais o fim da carreira; pode-se passar a professor associado (para isso, há uma avaliação de memorial e arguição em banca). De qualquer forma, professor titular continua a ser uma realidade muito distante, realmente. Quanto aos cargos de chefia de departamento: o adicional recebido é muito pouco. Não compensa a quantidade de problemas (nem sempre passíveis de resolução no âmbito do Departamento) e o tempo perdido (que poderia ser empregado em pesquisa, publicação…). No meu departamento, os professores “correm” dos cargos de chefia! Na última eleição, só apareceu um candidato e, mesmo assim, na última hora. Por isso, repito: em muitos casos (com exceções), onde há disputa pelos cargos de chefia, ela acontece por causa da visibilidade
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    externa, e nãopelo desejo em melhorar a situação interna. Melhorar a situação interna pode ser apenas um meio para projetar o chefe para a comunidade universitária e extra-universitária (mas, como não é a única forma de projetá-lo(a)… nem sempre os objetivos do departamento/da universidade e os da carreira do gestor estão coadunados!) 12/06/2009 - 12:02 Enviado por: Júlio Pubikher Ótimo comentário, do blog do Favre: USP “As ideias da reitora Suely Vilela e do professor José Arthur Giannotti (”Tendências/Debates”, ontem) são quase convincentes e, por isso, extremamente perigosas. É importante revelar que elas se autodesmerecem por dois pontos: 1) A reitora aponta a chamada da Polícia Militar ao campus como resultado do “desrespeito a uma ordem judicial”, sendo que ela própria, no atual momento, está desrespeitando duas sentenças transitadas em julgado, que condenam a Universidade de São Paulo a recompor os salários dos professores que não receberam gatilhos devidos e a pagar os respectivos atrasados. Na Unicamp, por exemplo, essa dívida já foi saldada. 2) O professor José Arthur Giannotti fala em “pautas fantasiosas”. Eu gostaria que ele respondesse se é fantasioso solicitar que nossos salários, que hoje carregam uma perda de 42% em relação ao que eram em 1989, sejam corrigidos para patamares minimamente decentes. Os índices por ele apresentados, aliás, são falsos. Índices corretos poderiam ter sido fornecidos a ele pela Adusp e pela própria reitoria. PS: Votei, livremente, contra a greve dos professores decidida no dia 4 passado pela maioria e não represento, portanto, a categoria tão ofendida pelas palavras do professor Giannotti. MARLENE SUANO, professora-doutora do Departamento de História da FFLCH-USP (São Paulo, SP) 12/06/2009 - 12:15 Enviado por: Paulo Nassif, vc esqueceu de algo importante de qq universidade pública…os egos envolvidos. Ok, em qq lugar temos brigas de egos, mas nesses casos, ois empregos estão garantidos e muitos simplesmente não seguem qq ordem, por mais q seja vindo da reitora. Se não concordam com algo, a briga pode ser feia. Quero ver um CEO lidar com iso facilmente…. 12/06/2009 - 12:22 Enviado por: João Vergílio Nassif, A amplidão dos temas que você levanta (e a relevância de todos eles) recomenda, a meu ver, a criação, no Portal, de uma seção dedicada exclusivamente à Educação - uma espécie de forum permanente, onde pudéssemos todos trocar idéias de maneira civilizada e sem preconceitos de parte a parte. Tenho minhas dúvidas se deveríamos incluir questões sobre a universidade e questões sobre o ensino básico num mesmo lugar. Isso pode gerar congestionamento. Talvez o mais recomendável fosse mesmo criar abas separadas, com dinâmicas próprias. Atualmente, os docentes da FFLCH estão debatendo alguns desses temas numa lista de discussão. O resultado é interessante, apesar de claramente parcial. Oitenta por cento das intervenções são feitas por pessoas com posições muito semelhantes, criando às vezes uma falsa impressão de hegemonia. Tenho quase certeza de que o mesmo cenário se repetiria aqui. Mesmo assim, o tema é tão importante que justifica os riscos. É preciso conquistar os colegas para o debate. Se você achar interessante a criação desse forum permanente, conte comigo. Serei fruguês de carteirinha. Estou juntando material para montar o Grupo. Se puder mediar, será de grande valia. 12/06/2009 - 12:29 Enviado por: emerson Olá a todos: Uma correção: A carreira de docente de universidade federal tem várias etapas: A mais baixa é de auxiliar (com graduação), assistente (com mestrado), adjunto, associado e titular (com doutorado). Dentro das classes de auxilias, assistente, adjunto e associado existem os niveis I, II, III, e IV. Para ser auxiliar para assistente, basta concluir o mestrado, e de assistente para adjunto basta o doutorado. Para ser promovido de Adjunto I para II é por tempo de carreira (dois anos). Para ser promovido de Adjunto IV para Associado I deve haver comprovação de publicação, docencia, orientação, atividades admisnistrativas. De Associado I para II por tempo de carreira. Para titular, concurso publico. A cada promoção ocorre um pequeno aumento no salario. Assim é incorreto dizer que o docente entra no fim da carreira e dizer que não há um incentivo para crescer na carreira, até porque para chegar a titular o docente tem que mostrar uma carreira muito sólida. Ninguem chega a titular antes de 20 anos de muito esforço. Uma observação: departamentos de melhor desempenho (por exemplo na avaliação da capes) geralmente são mais rigorosos nos concursos pois estão bem estabelecidos e temem comprometer sua qualidade e tem sido comum não contratarem nenhum candidato em determinado concurso, preferindo abrir novo edital 6 meses ou um ano depois. Departamentos com desempenho inferior geralmente são carentes de pessoas e preferem contratar imediatamente, mesmo se os candidatos forem inexpressivos. De qualquer modo, os melhores candidatos a docente acabam contratatos nos melhores departamentos, pois nem se candidatam a vagas em departamentos inferiores. premio ao merito: o CNPq instituiu uma bosa de produtividade para os pesquisadores mais destacados na área de pesquisa. Essa bolsa vai do nivel 2 para o 1D, 1C, 1B e 1A. Para ganhar a bolsa o pesquisador deve apresentar um determinado nivel de produtividade e sua classificação vai depender de uma avaliação dos ultimos dez anos de pesquisa. Apenas os melhores são premiados. As agencias de fomento somente dão recursos aos pesquisadores que mostram curriculo compativel. Pesquisadores em inicio de carreira geralmente conseguem poucos recursos e aqueles mais consolidados consegem mais recursos. Conforme os pesquisdores inciantes vão consolidando suas carreiras, vão conseguindo mais recursos e consolidando cada vez mais sua carreira. assim, me parece que a carreira esta bem definida e premiando o merito. 12/06/2009 - 12:48 Enviado por: hugo
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    Com certeza éum ganho para o país, mas muito maior para as empresas privadas. As universidades não tem o direito de participar dos lucros obtidos através das suas pesquisas utilizados pelas indústrias? Quando se fala em novas formas de financiamento da universidade pública, essa não seria uma forma JUSTA de se desenvolver as universidades e o país? Se um laboratório de biotecnologia produzir uma espécie de cana-de-açúcar que creça mais rápido e produza mais açúcar não é lícito que ela tenha uma participação no que for produzido? Ou tem que se contentar com “computadores novos” em retribuição pelo trabalho desenvolvido? 12/06/2009 - 12:53 Enviado por: Edmar Roberto Prandini Nassif, São duas as questões que precisam ser distinguidas aqui. Primeiro, em ambientes de dezenas de milhares de pessoas convivendo, com uma gama múltipla de interesses divergentes, é evidente que o impasse, do confronto político, do conflito existe e sempre existirá. É da natureza da universidade a polêmica e o conflito. Então, a primeira questão consiste em como o conflito se processa. A existência da greve, das manifestações e até do piquete, que o João Vergílio condena, são fenômenos derivados da complexidade dessa sociedade que é a Universidade. Grave não é sua existência. Grave é a reitoria requerer para o enfrentamento desses conflitos não a institucionalidade existente na própria Universidade, mas o uso da PM. A PM? Nem vem ao caso aqui levantar a discussão sobre o modelo da militarização da polícia e sua origem. Mas, acontecimentos recorrentes demonstram a completa inaptidão da PM para lidar com os conflitos sociais. A greve dos policiais civis, neste início de ano, como foram tratados pela PM? Se já no que se refere à criminalidade, a PM paulista já tem sido objeto de inúmeras suspeições quanto aos seus vínculos com as facções criminosas, no que se refere ao tratamento das manifestações políticas a PM está inapelavelmente marcada pela pecha de autoritarismo. Então, como a reitora adota como medida recorrer à PM? Ao fazê-lo, a reitora deslegitima-se por completo, tornando absolutamente impossível prosseguir merecendo qualquer crédito do movimento que se instalou. Ao fazê-lo, ainda que ela obtenha vitória, será vitória ilegítima, que não conseguirá contar com o acolhilmento de suas posições pelo movimento. O movimento poderá submeter-se, dado o ônus da humilhação, mas, jamais, o vitorioso gozará de qualquer credibilidade. de tal sorte que todas as suas medidas, mesmo aquelas que contivessem racionalidade e justeza, jamais, jamais contarão com o respeito da comunidade universitária. A segunda ordem de questões refere-se ao problema da missão, da governança e da gestão. É um dramático problema que envolve a universidade estadual, mas também as federais e as privadas. Neste caso, a amplitude dos problemas é enorme, e não há hierarquia entre eles. Todos são dramáticos. Envolvem o eterno problema do orçamento. Da sua centralização e descentralização. Dos processos de contratações e compra. Das autonomias e controles na execução orçamentária. Da produtividade, e seus índices. Das bolsas. Das verbas de pesquisa. Do reconhecimento da importância do ensino. O que a Ana Dias comenta, quanto ao prejuízo à carreira do professor que esteja atuando na graduação é verdadeiro e gravíssimo! E, no caso, das universidades e faculdades privadas, há ainda o problema do lucro, que tende à exorbitância, e da desigualdade brutal na valorização docente. 12/06/2009 - 13:07 Enviado por: Laud Roces “Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência” Como assim? essa frase resume a tosquera que a tempos impregna qualquer debate sobre a Universidade Pública. De um lado os “gestores”, defendidos por vc Nassif, e de outro lado os que não entendem nada de gestão e acham que pode gerir tudo como se fosse um relógio suisso. Como se pessoas e objetivos como o da Universidade constitui um esquema linear. Vivo a 10 anos anos no meio universitário e não vejo e caos alardeado neste post! Não está as 1000 maravilhas, mas funciona. Nassif, vc defende a Petrobras contra o “caos” que os interesses escusos querem implantar para tirarem vantagens e vem agora com essa de que está um “caos” na univeridade pública. Isso é conversa de quem se acha mais competente para gerir e entender algo tão complexo como a Universidade, mais precisamente dos paulistanos setentistas que “se achavam”, com sua USP única e impávida. Agora que o Brasil descobriu que pode haver pesquisa e desenvolvimento fora de São Paulo ficam achando que o “modelo” está errado. Fala sério, errado estão os paulistas de achar que só eles pensam! 12/06/2009 - 13:21 Enviado por: PAULO CAVALCANTI “COLOCANDO ÁGUA NO CHOPP” Moro na Zona Leste de S. Paulo, uma região carente e pobre da cidade, que tem hoje, 3,9 milhões de habitantes. Só para dar o sentido da grandeza disso aqui, Porto Alegre, possui 3,7 milhões de habitantes, Recife 1,5 milhões, Belo Horizonte 2.4, Brasilia com toda sua região metropolitana, soma 2,0 - e finalmente Campinas com menos e 1 milhão. Em 2004 - foi inaugurado o CAMPUS DA USP-LESTE, fica aqui, do lado da minha casa, em Ermelino Matarazzo, e hoje tem 4 mil alunos. Sabem quais os cursos que tem aqui? - Gestão Ambiental, Enfermagem Geriatrica, Propaganda. Ou seja, nenhum dos curso tradicionais, e sabem por que? Tem uma lei, que OBRIGA, uma universidade a não ter os mesmos cursos, quando já tem um Campus naquela cidade. Idéia de jerico, dos Srs. acadêmicos, que vivem enclausurados dentro da universidade, e vêem o mundo, através da sua janalinha mediocre. Como a região é constituida de gente humilde, pobre, esses cursos estão bons, prá quê pobre quer ser médico, advogado, engenheiro? Infelizmente, a política da Casa Grande & Senzala, continua em voga, e todo mundo acha absolutamente normal. Finalizando: O pior defeito que a universidade pública tem, é que ela, e direcionada a uma elite, que estuda e desfruta de um bem público, pago com o dinheiro do contribuinte pobre em sua maioria, e quando se forma, dá uma banana para a comunidade, sem contra-partida, vai ganhar dinheiro muito longe dalí.
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    12/06/2009 - 13:28 Enviadopor: José É curioso como abafado atrás da grita dos grevistas há um eco de fundo que alimenta as manifestações. Esse eco, cuja existência poucos admitem no plano consciente, luta bravamente para que a maior universidade brasileira continue um instrumento exclusivo de determinadas classes e categorias sociais e não se abra para a população que não tem acesso a ela. Os interesses são muitos, mas ficando no terreno da simplificação das posições em ‘direita’ e ‘esquerda’ é possível dizer que esses dois lados entram em acordo quanto à necessidade de limitar a ampliação do acesso à universidade. A ‘direita’, com sua arrogância simplória, não gosta da expressão ‘elitização’, mas a ‘esquerda’ gosta, e ambas lutam para que ela se mantenha. No caminho certo, o governo paulista dá um passo importante para a democratização do ensino de qualidade das universidades públicas com o projeto de implantação da educação a distância, começando pela pedagogia. É péssimo ver que há professores e estudantes que lutam contra isso. Porque pensam que estudar na USP e desfrutar desse ensino deve continuar sendo exclusivo de alguns e não ser aberto para qualquer brasileiro. 12/06/2009 - 13:29 Enviado por: chris O que vou relatar aqui diz respeito a minha opinião e vivência pessoal, logo, não necessariamente se traduz como realidade da graduação e pós-graduação no Brasil. O que eu vi durante os anos na Universidade: - A ênfase na quantidade (mais paper, mais alunos) muitas vezes significa perda da qualidade. Os alunos não têm tempo para amadurecer (tem que defender rápido), os professores tem muito mais alunos para “dividir” a atenção, as Teses (dissertações?) de Mestrado viraram um trabalho de iniciação científica melhorado. Quando eu pego hoje uma Tese de Mestrado antiga, batida a máquina, e comparo com uma Tese de Doutorado atual percebo que a discussão da primeira está até mais embasada, havia um maior esmero, os fundamentos eram bem discutidos, mesmo com um menor número de resultados pois não havia computador e nem a quantidade de equipamentos para análises sofisticadas como hoje em dia. Já vi muita gente defender “com o que tem”, pois o prazo é mais importante, se der para “fechar” o trabalho fica tudo bem. - O CNPq tenta melhorar a questão da qualidade através do índice de impacto das revistas mas não se resolve o problema dos caciques da pesquisa, aqueles cujo nome aparece em diversas publicações sem que, necessariamente, sequer saibam do assunto tratado. - A pesquisa básica ou que não tiver um resultado com aplicabilidade comercial imediata está prejudicada. Parece que ninguém percebe que as pesquisas básica e aplicada são complementares (uma não é melhor do que a outra). A pesquisa aplicada envolve mais a otimização e a básica mais a criação. - O sistema induz a uma excessiva especialização – saber mais sobre cada vez menos. E a trasndisciplinaridade tão necessária ao desenvolvimento sustentável? Onde está o conhecimento BÁSICO sólido para que qualquer um possa se familiarizar com outras áreas sem grandes dificuldades? A especialização se tornou um antolho, estamos virando “engrenagens adaptadas a um sistema” e não refletimos mais profundamente sobre o próprio sistema – pelo menos, a nossa formação acadêmica não está direcionada para isso. - Corremos o sério risco de nos tornarmos ignorantes pelo excesso de informação. Qualquer pesquisador não vai publicar um artigo se puder espichar o assunto e publicar três. Para que ele vai ser conciso? Afinal, ele precisa de um currículo extenso. Quem estiver interessado (e estiver com tempo!) que trate de ler tudo e garimpar o que interessa. 12/06/2009 - 13:33 Enviado por: Monier Acompanhei de perto a USP como graduando, e também vi de perto a Unicamp, onde a minha namorada estudou medicina. É claro que uma análise bem fundamentada precisaria de dados concretos, estatística, etc., mas a minha percepção como testemunha distraída é que na Unicamp não há vergonha de se integrar na cadeia produtiva local como instituição-universidade. Enquanto na USP a frase mais ouvida é “meu professor tem uma empresa/instituto que faz…”, na Unicamp ouve-se mais “meu professor criou um método que é usado pelas empresas do setor de….” Ou seja, na USP temos uma espécie de cartão de visitas para apresentar a empresa/instituto próprios. Na Unicamp é a universidade é a “empresa”. Além disso, na Unicamp eles pesquisam o que está ao redor: carrapato-estrela, óleo de mamona, astrofísica, quartel do exército rosa, e por aí vai. Em São Paulo a pesquisa parece estar mais distante da realidade local. Em geral são os estudantes que se metem a pesquisar favela por conta própria, por exemplo (na experiência do Direito), ou montam grupos de estudos à parte para um monte de objetos diferentes, mas nada institucional. É quase uma aventura. Talvez se explique pelo tamanho das cidades. 12/06/2009 - 13:56 Enviado por: rita para lima e rogerio nacai: mas ai é que está o problema. parece que os doutores da universidade somente orientam se o projeto de pesquisa do aluno estiver de acordo com as linhas de pesquisa do proprio orientador. pode até ser que o tema seja relevante, mas nada que desperte o interesse do professor orientador, quer dizer, vontade de ajudar o aluno do mestrado a buscar um campo de pesquisa que seja de seu interesse.eu conheci uma professora de antropologia na graduaçao e ela era a única que não recusava meus trabalhos de pesquisa. eu tinha muito interesse na área de história e ela me ensinou que mesmo na antropologia não me impede de trabalhar outras coisas. e eu me apaixonei pela coisa. porém, a minha professora faleceu antes que eu atingisse o mestrado, ela tinha cancer, e eu fiquei só. foi a única doutora que conheci na minha vida que não tinha medo de orientar alunos, mesmo que o interesse não fosse exatamente na área que a minha professora se especializou. tenho saudades dela. 12/06/2009 - 14:01 Enviado por: evandro condé Paulo Renato, ensino básico, com o desmatelamento das escolas técnicas; Nassif, você deve estar brincando. 12/06/2009 - 14:03 Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante Cara Ana Dias. Obrigado pela correção. O professor associado é uma criação mais nova, não me lembrei dela. Sei que as reuniões de departamento, para escolher chefia, são na base de que é votado o cara que vai ao banheiro. Quando volta, a eleição já ocorreu e ele foi o escolhido. A gratificação, FG, não compensa. Exatamente. Não compensa para quem estudou tanto, chegou a doutorados e além. Ainda assim, o departamento é administrativo, o colegiado é a dimensão acadêmica. Mas a chefia de departamento fica na mão de um docente, em parte das instituições federais. Se é tão ruim, por que não largam? E essa FG de chefia de departamento, já ouvi da boca de um doutor que ele não poderia abrir mão desse ganho sem alterar seu nível de vida.
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    “)… nem sempreos objetivos do departamento/da universidade e os da carreira do gestor estão coadunados!)” Isso é verdade. E também é verdade que gestão está ainda mais fora da carreira de um doutor (que não seja da área de administração) 12/06/2009 - 14:05 Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante Em tempo. Não é a instituição que tem que estar coadunada com a carreira do docente. O contrário é que deveria ocorrer. 12/06/2009 - 14:05 Enviado por: henrique rodrigues Medir desempenho de professor pelo número de publicações tem provocado distorções horrorosas. Como ninguém produz nada de novo a cada 4, 5 meses, lemos continuamente o mesmo artigo reescrito com outras palavras. E isso quando lemos os artigos, porque muitas vezes não se publica para ser lido, mas apenas para cumprir os índices exigidos. 12/06/2009 - 14:09 Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante E, Ana Dias, concordo com vc quando diz que a docência na graduação não é valorizada. Acho que devia ser o que mais pesa no Lattes, mas houve uma inversão de valores. “Velhos” docentes, habeis no saber fazer de professor, tornavam-se, um dia, doutores. Hoje, sem ser doutor nem se consegue fazer concurso. E, com a ditadura dos papers, perde-se o fazer de professor. Tanto a ser mudado. Que comece logo! 12/06/2009 - 14:14 Enviado por: Eduardo Petrucci Gigante Caro Hugo, “Se um laboratório de biotecnologia produzir uma espécie de cana-de-açúcar que creça mais rápido e produza mais açúcar não é lícito que ela tenha uma participação no que for produzido? Ou tem que se contentar com “computadores novos” em retribuição pelo trabalho desenvolvido?” Se toda essa pesquisa foi desenvolvida com dinheiro do povo, meu e seu, dentro de uma intituição federal de ensino sim, ele vai ter que se contentar com um “computador novo”. Se for com o dinheiro dele, se ele colocar, como o Bill Gates, o fiofó na reta… aí sim, que ele fique tão rico quanto o Bill. O que não dá para agüentar mais é a pesquisa pública com o ganho privado! 12/06/2009 - 14:47 Enviado por: Luiz Alberto Vieira Nassif, A mensuração da produtividade é algo bastante controverso, especialmente nas ciências sociais. Atualmente, a produção dos acadêmicos e dos departamentos é feita principalmente através da publicação dos papers. Como a distribuição de verbas públicas, através das avaliações da CAPES, é em grande medida dependente das publicações em periódicos, muitos departamentos tem se esforçado em elevar a quantidade de publicações. No entanto, grande parte dessas publicações não possuem relevância alguma e existe uma enorme diferença nas dificuldades de publicação. Nos departamentos de economia, tem ocorrido um corrida em direção à econometria em detrimento das pesquisas históricas, estas muito mais demoradas. Um econometristas com um bom banco de dados é capaz de reaplicar técnicas em moda nos EUA aos números brasileiros, os famosos “brazilian cases”, com grande velocidade e produtividade. Mas infelizmente, a maior parte desses trabalhos não leva em conta as condições instituicionais brasileiras e nem possuem algum verniz teórico. Na economia, os critérios da publicações tem levada à uma ditadura dos cabeças de planilha. Um caso interessantes foi o do IE-UFRJ, que para elevar a nota na Capes, decidiu que em sua pós apenas professores com publicação no exterior nos últimos anos dariam aulas. Mas esse critério excluía Fernando Cardim e Mario Possas, dois dos maiores economistas brasileiros. Felizmente, na UFRJ o bom senso venceu e o desistiram do absurdo critério, mas não é o que ocorre na maioria dos departamentos de economia do Brasil. Abraços, Luiz Alberto 12/06/2009 - 15:21 Enviado por: Marcio Gaspar “Os professores - Quem produz conhecimento e forma alunos são os professores. Eles devem trabalhar em um local que, numa ponta, forneça as melhores condições de trabalho. Na outra, modelos de avaliação que meçam sua produtividade e grau de excelência. Publicação de papers é um modo, mas não apenas isso. Geração de patentes é outro, mas não pode ser o foco. Análise do que aconteceu com seus ex-alunos, um terceiro indicador, mas não exclusivo. A reputação acadêmica do departamento, outro. A avaliação dos alunos e funcionários, outro.” Ou o professor daa aula ou faz pesquisa. Fazer pesquisa e ainda ter que elaborar aula, orientar trabalhos de graduacao, mestrado e doutorado. Isso ira acabar por relegar o ensino da graduacao, pois o professor estaraa mais interessado em sua pesquisa, ja que tera que apresentar produtividade, palavra muito usada no mundo corporativo. Ja ouvi de muitos professores queixas sobre esta produtividade que a universidade cobra dos professores, aonde nao ee possivel elaborar uma boa aula. 12/06/2009 - 15:22 Enviado por: Anarquista Lúcida Nassif, além da gravidade dessa sua divisao entre Exatas e Humanas, e do preconceito contra as Humanas — o que aliás mostra bem o que aconteceria numa possível gestao “profissional” das Universidades — o que você diz sobre a estrutura da Universidade está errado, pelo menos em relação às federais, e às estaduais do Rio de Janeiro, em que trabalhei. Chefia de Departamento nao tem poder nenhum, só aborrecimento. E há vários tipos de órgaos intermediários, tanto executivos quanto “legislativos”, entre o Departamento e o Conselho Universitário/Reitoria. As regras de eleição para os conselhos superiores (nao
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    há só oUniversitário, há tb o de Ensino e Pesquisa, e outros, conforme a Universidade) sao complexas: entre os membros docentes, há membros por categoria e por unidade, no mínimo; nao sei como sao decididos os representantes dos funcionários e dos docentes (que sao pouquíssimos em relação aos dos docentes; na maioria das universidades, os diretores de unidade e de centros têm cadeira cativa nos Conselhos, o que envieza a representação). E que preconceito contra eleição direta, hem? E o país? Tb deve ser governado por “gestores profissionais”? Quanto ao Joao Vergílio, é engraçadíssimo (para nao dizer triste…) ele dizer que há uma discussão a respeito na Faculdade dele, mas que 80% das pessoas que falam têm opiniões parecidas, o que cria uma “falsa” impressão de hegemonia. Interessante! Só seria verdadeira essa impressão se as posições coincidissem com as dele? Muito importantes sao as questoes levantadas pela Ana Dias. Ao contrário de nao haver avaliação de produtividade nas universidades, há sim, mas uma avaliação idiota, quantitativista e/ou com critérios qualitativos deslocados (seria o caso, mutatis mutandis, daquilo que Paulo Freire chamava de educação bancária). É exatamente a lógica dessa avaliação (a da cenoura e do bastao) que deturpa tudo, fazendo com que o ensino de graduação seja a última prioridade da maioria dos professores, porque nao rende nada em termos de avaliação. Até a orientação de teses de mestrado e doutorado, que dá um trabalho danado, acaba de ser “downgradada” na última mudança de critérios de avaliação da minha Universidade. E a orientação de monografias de graduação e de especialização passou a nao valer nada. No caso de uma Faculdade de Letras, e outras de “Humanas”, isso é particularmente grave, porque leva ao desprezo daquilo que seria mais importante para formar futuros professores, em proveito de conteúdos melhores para “render papers”. 12/06/2009 - 15:47 Enviado por: Rogério do Nascimento Caro Nassif, Grande discussão esta aberta, a questão da universidade pública. Difícil não corroborar com pelo menos uma parte das opiniões, colocadas pelos leitores; em quase todas há um pouco de verdade e sonho de uma educação de qualidade no país. No entanto, deixo apenas algo aqui para que seja pensando. Muito se falou em USP, UNICAMP, etc. Mais no interior do país há universidades públicas onde pesquisa e desenvolvimento são feitos, e muitas vezes sem o apoio recebido pelas grandes dos órgãos financiadores da pesquisa no país. Vale, ao menos por um momento, refletir sobre nossos jovens que na busca do conhecimento ingressam nestas universidades, seja na gradução, no mestrado ou no doutorado. 12/06/2009 - 15:59 Enviado por: André Nassif, concordo com muitas das suas colocações, e principalmente sua capacidade de síntese de vários problemas da universidade, em destaque o lance dos departamentos. Discordo quando você fala que o problema de contratação de “compadres” está nas Humanas, pois na verdade está em todas áreas, pelo menos é o que vejo na Unicamp e em outras universidades. Falta também a discussão ética das fundações e das pesquisas voltadas para o mercado, que representam uma parcela cada vez maior das pesquisas nas públicas… 12/06/2009 - 16:11 Enviado por: Laud Roces Vi que um dos comentários reproduziu um outro erro - dentre as dezenas - sobre o ensino e a pesquisa Unvesitária: a de que a Universidade é para todos”. Não, ela É DE TODOS, mas não é para todos estarem em Universidades como a Unicamp ou USP. Esse erro é cometido correntemente no Brasil e é fruto de um sistema social baseado na crença de que a ascenção social só é possível através da graduação na Univerisade pública. É assim que pensam milhoes de pais ao pagar o ensino médio aos seus filhos. É assim que pensam muitos “gestores” que lêm este blog do Nassif. É assim que pensam muitos moradores da USP_LESTE, que imaginam que os cursos lá oferecidos são pra a demanda local, etc. Pensar assim é errado, é ficar a mercê de uma pressão por vaga e por mais cursos que nda ajuda as pesquisas. A sociedade deve exigir que se ensine nas escolas vias altermativas de ascenção social que não coloquem como obrigatoriedade um curso numa USP ou UNICAMP. Deve-se incentivar o setor privado a oferecer qualidade e não só quantidade. A sociedade deve valorizar as pesquisas feitas na Universidade e utilizá-las. Não ver a Universidade Pública apenas pelos seus diplomas. Devemos formar empreendedores, valorizar os cursos técnicos e uma série de outros recursos para que não se onere socialmente a universidade pública da forma como se está fazendo! Nassif e demais “gestores”, outra questão pertinente é a dos Hospitais Universitários. Eles representam um gasto enorme para a Unviversidade. Eles serviços relevantes à população, que, de outra forma, ficariam sem atendimentos básicos, como aqui em Campinas. No entanto, ao criticar o valor gasto pelo Estado para formar um aluno (crítica clássica), computam o dinheiro destinado aos hospitais Universitários e o valor vai lá pras alturas. 12/06/2009 - 16:23 Enviado por: Wu Ming 1. “Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência, com a contratação de professores que tragam mais reputação para os departamentos.” Não são os professores que trazem reputação aos departamentos de exatas. São os departamentos de exatas “da USP” que dão reputação aos professores. Ser professor da USP em departamentos de profissões liberais é o melhor cartão de visitas que eles podem ter. É por isso, aliás, que esses professores nunca estão nas greves. Pra que? Eles ganham rios de dinheiro na iniciativa privada e ainda podem posar de bacanas com seus cartões de visita uspianos! O salário da USP para eles é o dinheiro da pinga… 2. Enviado por: hugo “Aqueles alunos com vocação empreendedora, com tendência a desenvolver tecnologia, deveriam ser estimulados a montar sua empresa (as incubadoras), registrar suas patentes e ser colocado em contato com empresas.” Ok, e as empresas vão pagar royalties a USP pelo desenvolvimetno e pesquisa?Ou vai continuar a patifaria da univesrersidade gastar tempo e dinheiro em pesquisa e desnvolvimento para entregar o “produto” pronto para as empresas apenas conabilizarem os lucros? Nassif: Na Unicamp e na UFMG a universidade participa. De qualquer modo, é um ganho para o país.” Qua, qua, qua… Depois vc fica bravo porque virou verbete do Diccionário de Bolso do Almanaque Philosophico Zero à Esquerda… 12/06/2009 - 16:55 Enviado por: romério rômulo nassif: o documento da unesco de que falei acima : “tendências da educação superior para o século XXI” (anais da conferência mundial sobre o ensino superior,paris,5 a 9 de outubro
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    de 1998). o calhamaço,com 720 páginas ,foi editado no brasil pela unesco/crub,com o apoio da capes. romério 12/06/2009 - 18:59 Enviado por: Formiga O MEC está propondo a criação de gestores nas IFES para substituir, em parte, o papel da fundações. Estes gestores seriam responsáveis pela administração dos convênios e projetos das universidades. Talves seja uma porta para a profissionalização dos gestores locais. Acho difícil mudar a figura do Chefes de Unidades, Reitores e Pro-Reitores dos professores (eles equivaleriam a cargos de ministros que ditariam diretrizes gerais). Porém a parte executiva poderia passar para os administradores, inclusive as coordenações de cursos, tanto de graduação quanto de pós. Uma vez que demanda um tempo muito grande que poderia ser gasto com atividades fins. O problema hoje da IFES está nos salários. O dos professores melhorou, e também está-se exigindo mais, o que é bom, porém o nível de exigencia poderia ser maior. Já os técnicos-administrativos têm um dos salários mais baixos da administração federal (Engenheiro novo ganha em torno de R$ 1500,00, o mercado paga R$ 4000,00). E não tem segredo só teremos bons servidores com bons salários, pois caso contrário eles irão prestar outro concurso de outra carreira mais promi$$ora. 12/06/2009 - 19:33 Enviado por: Carlos Morais Caro Nassif: A respeito deste trecho de seu texto: “Diria que nas Exatas há maior compromisso com a busca de excelência, com a contratação de professores que tragam mais reputação para os departamentos. Em outros campos, a marmelada começa nos próprios concursos para professores, em um sistema de compadrio que compromete a missão da Universidade”, informo que, nos próximos dias, lhe encaminharei relato detalhado do que aconteceu no recente concurso para Professor Adjunto de Literatura Portuguesa da UNIFESP (Campus de Guarulhos). Deixo aqui apenas uma pitada: docente universitário há 10 anos, docente em programa de mestrado há três, com um número razoável de publicações, orientações e participações em bancas de doutorado, mestrado e lato sensu, fui eliminado na primeira rodada do exame (a prova escrita), sendo que uma das selecionadas para o cargo nunca foi professora universitária, tem apenas experiência como professora de cursinho e ensino médio, baixíssima produção em termos de publicação, nenhuma em orientação. Logo lhe escreverei contando o milagre por inteiro… e os nomes e sobrenomes dos santos também, incluindo os que são professores da USP ou se formaram lá (o que foi meu caso também). Um abraço, Carlos 12/06/2009 - 20:57 Enviado por: Leandro Ao Hugo e ao Eduardo Gigante: Colegas, na verdade o que temos na UNICAMP e UFMG, em relação à gestão da propriedade intelectual e transferência de tecnologia é a instituição de um NIT, para coordenar tais procedimentos. O que vem a ser isto? Núcleo de Inovação Tecnológica, estabelecido pela Lei da Inovação (art. 16, da Lei 10.973/04). Embora estas universidades já tivessem tradição nessa área, somente com o novo marco legal da inovação os NIT’s adquiriram a estrutura atual. E o mais animador é que várias instituições públicas de pesquisa e ensino (ICT’s, nos termos da Lei) implantaram o mesmo formato. A rede já é vasta em todo país, com destaque para o sudeste e o sul. E várias instituições privadas tem seguido o mesmo modelo, como exemplo posso citar a PUC/RS, referência nacional. Sendo assim, posso lhes assegurar que no atual contexto, na maior parte das universidades públicas não existe mais transferência de tecnologia sem contrapartida à instituição, nem tampouco descuido em relação à proteção intelectual. Ainda existem falhas, resistências de departamentos, de próprios pesquisadores, mas o cenário é positivo. Trabalho em um NIT, e se quiserem, posso fornecer mais detalhes, pois acho o tema apaixonante! Saudações! 12/06/2009 - 21:48 Enviado por: eufrasio É uma tristeza ver o quanto se desperdiça de tempo na USP. Os caras tão discutindo relação…. Putz grila… 12/06/2009 - 23:23 Enviado por: Fabiano Leigo nestes temas, mas profundamente consternado pelo espetáculo no campus da USP, que tem a virtude de fazer aflorar as contradições do modelo educacional brasileiro, registro minha surpresa em ler análise do nível de Edmar Roberto Prandini. Falhas na propositura dos temas, bem assinaladas por um professor por aí acima, não importa, trata-se de levar a experiência do blog aos seus limites. De resto, uma direção de direita (embora discreta, nem tanto) não vai prevalecer, mérito do formato do blog (reconheça-se a abertura, pontilhada, aqui e ali, por rasgos ditatoriais). Que volte Prandini, desenvolvendo o que esboçou. fabiano 13/06/2009 - 00:04 Enviado por: Heron rogerio nacai, Lima e rita, Suponhamos que já fossem professores doutores orientadores de algum programa de mestrado/doutorado. Supostamente, seriam especialistas em alguma linha de pesquisa. Não conheço doutores especialistas no universo do conhecimento. Vocês orientariam alguém em uma linha de pesquisa na qual não são especialistas ? Não seria um CEGO guiando outro CEGO ?
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    Como orientandos, oque achariam de um orientador que não é especialista no assunto no qual irão pesquisar ? Pq será que já temos algumas gerações de doutores formados e hoje orientadores e estes insistem em formar mestres e doutores nas áreas em que são especialistas ? Isso não é normal ? Sugestão a vocês: 1. Ao decidir ingressar em uma pós-graduação, pesquisem pontenciais orientadores nas universidades em todo o Brasil (dependendo da área, talvez no exterior); 2. Leia um pouco sobre os trabalhos de possíveis orientadores. Entre em contato com eles e fale sobre seu interesse em sua linha de pesquisa. 3. Se necessário, e caso seja na sua mesma cidade, procure integrar-se ao grupo de pesquisa antes de submeter-se ao ingresso no programa. Certamente, com isso, suas chances seriam maiores. Especialmente em um doutorado. 13/06/2009 - 00:10 Enviado por: Waldyr Kopezky Caro Nassif, Talvez uma pequena digressão sobre a USP ajude: De como as coisas nascem tortas, mas ficam direitas: a USP foi criada em 1934, na junção de várias faculdades paulistas. Até aí, nada demais – ela nasceu do conceito latino-americano de “universidade”, que é um conjunto de escolas, institutos e faculdades autônomas, cada um deles responsável por uma área do conhecimento - ela sendo gerada a partir de seu “embrião”, a FFCL (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras). Mas as verdadeiras razões de seu nascimento poucos sabem: a USP nasceu fruto do desejo da então elite paulista (os “Barões do Café”) de construir uma instituição de ensino superior com nível internacional, para que seus filhos não precisassem mais atravessar o oceano para estudar na Europa (eles haviam sido grandemente afetados pela crise de 1929, e já não possuíam mais os recursos frutos da exportação de uma commoditie valorizada). Só por isso. Por pressão desta elite, o governo do estado de SP assumiu a tarefa, trazendo da Europa várias missões de professores estrangeiros (principalmente franceses, italianos e alemães), que vieram dar aulas na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, cuja posterior divisão gerou boa parte das faculdades e institutos da Universidade. Incrivelmente, o que nasceu torto (voltado para as elites, que sabiam que conhecimento é poder) acabou por se endireitar com o tempo, tornando esta instituição pública uma potência, acessível a todas as classes. Senão, vejamos: é a universidade com o maior número de vagas de graduação e de pós-graduação no Brasil, sendo responsável também pela formação do maior número de mestres e doutores do mundo, bem como responsável por metade de toda a produção científica do estado de São Paulo e mais de 25% da brasileira. Como o Brasil é responsável por cerca de 2% da produção mundial, pode-se dizer que a USP é responsável por 0,5% das pesquisas do mundo. Da Wiki: “…Em 2008, foi classificada pela revista The Times”(The Times Higher Education Supplement) como a melhor universidade da América Latina e a 196ª do mundo…No Brasil, a USP tem assumido sistematicamente esse papel de destaque, atuando na criação de infra-estrutura científica e tecnológica e na formação da elite intelectual do país. A contribuição da USP para a história brasileira é evidente mesmo nos detalhes mais superficiais: mais de uma dezena de presidentes brasileiros se formaram na universidade,…que também formou 53 ministros na história do Supremo Tribunal Federal e cuja fundação precede em 108 anos a da própria Universidade….”. Agora, um pensamento: Por que o interesse em “matar” a USP, alijando-a de seu potencial humano (que é, afinal de contas, o seu maior patrimônio)? Porque informação e conhecimento são Poder (assim com maiúsculas). Matando a principal instituição de ensino do País, só poderão ter acesso a eles os filhos da elite, que terão condição de voltar a estudar no exterior, fazendo com que esta elite se perpetue pela mediocridade. Porque o dinheiro eles já recuperaram…Faltam apenas as posições na sociedade, perdidas para mentes mais brilhantes e menos favorecidas na escala social. 13/06/2009 - 08:31 Enviado por: Martins Vale a pena lembrar que uma das grandes lutas do movimento estudantil de 1968 (com forte base na USP) era combater o famigerado acordo MEC USAID. Este acordo tinha como objetivo tirar de nossas Universidades o seu caráter de pesquisa transformando-a, em somente, reprodutora do conhecimento ( na época e até hoje em grande parte trazida do EUA). A Ditadura Militar mancumunada com os altos investimentos dos EUA no Brasil tratou de reprimir, prender e assassinar estudante que participavam das passeatas. A necessidade de transformar nosso ensino em mero reprodutor de conhecimento e formador de técnicos para atender as Industrias nascentes (principalmente a automobilistica) era revoltante. A USP como a principal Universidade do Pais, atraves de alunos e professores faziam barricadas de resistencia. A Ditadura Militar,usando a força das baionetas conseguiu calar esse movimento, venceu o acordo Mec Usaid. Encontrando um aluno de Economia da USP perguntei a ele se sabia o que eram os Juros e ele me respondeu: -é a remuneração justa do Capital. aí eu me calei e me convenci que o acordo MEC USAID venceu e vinga até hoje- A econometrização das Ciências Economicas foi feita. 13/06/2009 - 10:41 Enviado por: Mario Abramo Caro Nassif, Tenho acompanhado com muito interesse este post. Aliás, parabéns pela excelente colocação inicial, embora eu discorde de pelo menos uns 70% Mas tou sentindo falta de uma coisa. Muito se falou da carreira do professor universitário, dos centros tecnológicos, da produção de conhecimento etc. e coisa e tal. Existe uma função (para mim, uma das mais sociais e importantes) precípua da Universidade que é a de formar professores para o ensino básico. São eles que irão dar o letramento científico (e aqui eu uso ciência em seu sentido mais amplo, não apenas nas exatas e biológicas, mas principalmente nas humanas) para os próximos alunos do ensino superior e para aqueles que ingressam de forma técnica no mercado de trabalho. Esta formação de professores vem sendo, há muito tempo, deteriorada. Bem antes do Paulo Renato, embora este tenha prestado um auxílio luxuoso para a deterioração, com a abertura das Uniesquinas e faculdades de pedagogia de fim de semana. Agora existe uma proposta da UNIVEST de “formar” professores em EaD. Eu não tenho nada contra EaD. Não vejo problema em formar engenheiros, nem economistas, nem cientistas de computação por meio de EaD. Mas professores ou médicos? Um professor não pode ser um “despejador de conteúdo”. Ainda mais quando existe uma tendência de privilegiar competências e habilidades. É necessária uma prática didática que só se conseguem em ambientes reais, interagindo com alunos reais. Abraços Mario Abramo PS: A Ruiva com certeza tem razão quanto à competência acadêmica da Suely. Já a Rainha tem uma visão da competência administrativa da Suely completamente oposta. 13/06/2009 - 11:34 Enviado por: fanon
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    Caro Nassif: Voce diz:“Na Unicamp e na UFMG a universidade participa. De qualquer modo, é um ganho para o país”. Já estamos cansados de ver discursos e “raciocínios” que insistem em chegar a maravilhosa conclusão de “QUEM GANHA É O PAÍS”. Só neste exemplo da educação, veja: Escola Pública > Universidade Pública = deve ser da e para a “sociedade” (aqui já cabe perguntar, quem da sociedade? A maioria - trabalhadores e pobres, “todos” indefinidamente, ou os de sempre, a minoria?) Vagas na universidade pública = o que existe hoje não faz nem cócegas na demanda da maioria da população, dos jovens, etc, que estão 85% pagando caro nas particulares (caça-níqueis), inclusive com Pró-uni, que ajuda à “todos” (300 mil vagas nas particulares) mas na verdade dá um dinheiro enorme para as privadas que daria para aumentar em 1 milhão o número de vagas nas públicas!!!. O que é ensinado na Universidade Pública: O que vem sendo ensinado na universidade pública no Brasil, pode citar “a melhor” ou “a mais eficiente”, tem cumprido qual papel? Está a seviço de quem? Tem transformado, ajudado, resgatado, criado, uma “sociedade” melhor? A universidade pública tem servido ao povo brasileiro? Ou ela tem ajudado a “todos” (leia-se a uma minoria)? Estamos cansados de ver expressões do tipo “Isso vai ser bom para o ‘país’”, “Aquilo é bom pra ’sociedade como um todo’”, “Este projeto, esta obra, esta reforma, etc, vai ser bom pro ‘Brasil”, etc, etc…. E o que vemos? Que é bom para “todos” uma ova, que é bom para o ‘Brasil” uma ova. è bom pra minoria de sempre, os ricos, “da elite”, etc. Em todos estes discursos, é só voce substituir as palavras: “Brasil”, “todos”, “sociedade como um todo”, por: Ricos, Burguesia, ou minoria de sempre, privilegiados, “elite”, empresários, banqueiros, indústriais, etc, que daí sim dará o sentido correto de tudo que é feito e planejado pelo “nosso” Estado brasileiro. Pois seria ridículo discurirmos, ou acreditarmos, que algo feito, planejado, ou administrado pelo Estado está errado, ou que não serve à toda população etc, sem antes termos claro a quem serve este ESTADO, quais os atores hegemônicos deste mesmo ESTADO, que detém de fato o poder e controle do Estado. Esta discussão tem que ser feita, senão fica parecendo que o Estado é algo transcendente, acima das classes socais, imparcial, sem controle e sem interesses. O ESTADO brasileiro está na mão de quem? Então, sendo assim, obviamente servirá a esta minoria, à “elite” (empresários, banqueiros, agronegócio, etc). Discutirmos os projetos de educação pública, de universidade, os planejamentos ou obras do estado (desde a Sudene, Sudam, Avança Brasil, PAC, etc) xingarmos, criticarmos, só estaríamos nos atendo aos instrumentos utilizados pelo Estado, mas não o cerne da questão: quem manda no Estado? Pois se considerarmos (lembrarmos!) na mão de quem está o Estado, de quem realmente manda nesse país, aí sim poderemos discuitir em melhores condições certas coisas. Por exemplo, chegaríamos a conclusão de que muitos (pra não falar todos) dos planejamentos e obras feitas pelo estado brasileiro, não deram “errado” ou foram “ruins” como muita gente (eu mesmo) fala. Em vista do real interresse por trás do estado, era isso mesmo que esperavam (aqueles que mandam nas coisas). O planejamneto (e administarção do estado) é apenas o instrumento pelo qual a classe dominante (do estado, da política, das leis, etc) mantém seu poder, riqueza, seu estatus ‘quo’. Achar que o Estado vai (ou iria) fazer um projeto, um plano, um investimento, para ajudar a maioria do povo brasileiro, é de uma inocência repugnante para um “intelectual” minimamente instruído. Ou é achar que a burguesia é trouxa, que ela vai deixar, debaixo da sua barba, acontecer do Estado ajudar os pobres, os trabalhadores, enfim, dar educação boa e gratuita, terra, trabalho, a maioria do povo brasileiro. Mas num vai mesmo. Se não for os “de baixo”, os trabalhadores(as), o povo pobre, sem terra, sem escola, etc, que lutarmos para conseguirmos as coisas, não vai ser meia dúzia de especialistas, intelectuais, jornalistas, professores cátedras, ou políticos de plantão, que irão convencer ‘os verdadeiros mandantes no país” a abrir a mão e dar algo. O Bolsa Família do Lula é o máximo que conseguem dar!!! Até o Bush gastava mais com assistencialismo, e ninguém lá era louco de falar que isso era uma política de “esquerda”, como já ouvi aqui sobre o Bolsa família. Nassif, “De qualquer modo, é um ganho para o país” já está batido. Abraço aos lutadores, até. 13/06/2009 - 11:45 Enviado por: rita para Heron: eu não sei… mas a minha profesora fazia justamente o que voce condena.. 14/06/2009 - 14:13 Enviado por: Uiran Gebara da Silva Uma contribuição muito importante de Maurício Tratemberg para uma discussão como esta. http://www.espacoacademico.com.br/014/14mtrag1990.htm A Delinqüência Acadêmica* Maurício Tragtenberg O tema é amplo: a relação entre a dominação e o saber, a relação entre o intelectual e a universidade como instituição dominante ligada à dominação, a universidade antipovo. A universidade está em crise. Isto ocorre porque a sociedade está em crise; através da crise da universidade é que os jovens funcionam detectando as contradições profundas do social, refletidas na universidade. A universidade não é algo tão essencial como a linguagem; ela é simplesmente uma instituição dominante ligada à dominação. Não é uma instituição neutra; é uma instituição de classe, onde as contradições de classe aparecem. Para obscurecer esses fatores ela desenvolve uma ideologia do saber neutro, científico, a neutralidade cultural e o mito de um saber “objetivo”, acima das contradições sociais. No século passado, período do capitalismo liberal, ela procurava formar um tipo de “homem” que se caracterizava por um
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    comportamento autônomo, exigidopor suas funções sociais: era a universidade liberal humanista e mandarinesca. Hoje, ela forma a mão-de-obra destinada a manter nas fábricas o despotismo do capital; nos institutos de pesquisa, cria aqueles que deformam os dados econômicos em detrimento dos assalariados; nas suas escolas de direito forma os aplicadores da legislação de exceção; nas escolas de medicina, aqueles que irão convertê-la numa medicina do capital ou utilizá-la repressivamente contra os deserdados do sistema. Em suma, trata-se de “um complô de belas almas” recheadas de títulos acadêmicos, de um doutorismo substituindo o bacharelismo, de uma nova pedantocracia, da produção de um saber a serviço do poder, seja ele de que espécie for. Na instância das faculdades de educação, forma-se o planejador tecnocrata a quem importa discutir os meios sem discutir os fins da educação, confeccionar reformas estruturais que na realidade são verdadeiras “restaurações”. Formando o professor-policial, aquele que supervaloriza o sistema de exames, a avaliação rígida do aluno, o conformismo ante o saber professoral. A pretensa criação do conhecimento é substituída pelo controle sobre o parco conhecimento produzido pelas nossas universidades, o controle do meio transforma-se em fim, e o “campus” universitário cada vez mais parece um universo concentracionário que reúne aqueles que se originam da classe alta e média, enquanto professores, e os alunos da mesma extração social, como “herdeiros” potenciais do poder através de um saber minguado, atestado por um diploma. A universidade classista se mantém através do poder exercido pela seleção dos estudantes e pelos mecanismos de nomeação de professores. Na universidade mandarinal do século passado o professor cumpria a função de “cão de guarda” do sistema: produtor e reprodutor da ideologia dominante, chefe de disciplina do estudante. Cabia à sua função professoral, acima de tudo, inculcar as normas de passividade, subserviência e docilidade, através da repressão pedagógica, formando a mão-de-obra para um sistema fundado na desigualdade social, a qual acreditava legitimar-se através da desigualdade de rendimento escolar; enfim, onde a escola “escolhia” pedagogicamente os “escolhidos” socialmente. A transformação do professor de “cão de guarda” em “cão pastor” acompanha a passagem da universidade pretensamente humanista e mandarinesca à universidade tecnocrática, onde os critérios lucrativos da empresa privada, funcionarão para a formação das fornadas de “colarinhos brancos” rumo às usinas, escritórios e dependências ministeriais. É o mito da assessoria, do posto público, que mobiliza o diplomado universitário. A universidade dominante reproduz-se mesmo através dos “cursos críticos”, em que o juízo professoral aparece hegemônico ante os dominados: os estudantes. Isso se realiza através de um processo que chamarei de “contaminação”. O curso catedrático e dogmático transforma-se num curso magisterial e crítico; a crítica ideológica é feita nos chamados “cursos críticos”, que desempenham a função de um tranqüilizante no meio universitário. Essa apropriação da crítica pelo mandarinato universitário, mantido o sistema de exames, a conformidade ao programa e o controle da docilidade do estudante como alvos básicos, constitui-se numa farsa, numa fábrica de boa consciência e delinqüência acadêmica, daqueles que trocam o poder da razão pela razão do poder. Por isso é necessário realizar a crítica da crítica-crítica, destruir a apropriação da crítica pelo mandarinato acadêmico. Watson demonstrou como, nas ciências humanas, as pesquisas em química molecular estão impregnadas de ideologia. Não se trata de discutir a apropriação burguesa do saber ou não-burguesa do saber, mas sim a destruição do “saber institucionalizado”, do “saber burocratizado” como único “legítimo”. A apropriação universitária (atual) do conhecimento é a concepção capitalista de saber, onde ele se constitui em capital e toma a forma nos hábitos universitários. A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos servos que ela forma. Esse modo de produção determina o tipo de formação através das transformações introduzidas na escola, que coloca em relação mestres e estudantes. O mestre possui um saber inacabado e o aluno uma ignorância transitória, não há saber absoluto nem ignorância absoluta. A relação de saber não institui a diferença entre aluno e professor, a separação entre aluno e professor opera-se através de uma relação de poder simbolizada pelo sistema de exames – “esse batismo burocrático do saber”. O exame é a parte visível da seleção; a invisível é a entrevista, que cumpre as mesmas funções de “exclusão” que possui a empresa em relação ao futuro empregado. Informalmente, docilmente, ela “exclui” o candidato. Para o professor, há o currículo visível, publicações, conferências, traduções e atividade didática, e há o currículo invisível – esse de posse da chamada “informação” que possui espaço na universidade, onde o destino está em aberto e tudo é possível acontecer. É através da nomeação, da cooptação dos mais conformistas (nem sempre os mais produtivos) que a burocracia universitária reproduz o canil de professores. Os valores de submissão e conformismo, a cada instante exibidos pelos comportamentos dos professores, já constituem um sistema ideológico. Mas, em que consiste a delinqüência acadêmica? A “delinqüência acadêmica” aparece em nossa época longe de seguir os ditames de Kant: “Ouse conhecer.” Se os estudantes procuram conhecer os espíritos audazes de nossa época é fora da universidade que irão encontrá-los. A bem da verdade, raramente a audácia caracterizou a profissão acadêmica. Os filósofos da revolução francesa se autodenominavam de “intelectuais” e não de “acadêmicos”. Isso ocorria porque a universidade mostrara-se hostil ao pensamento crítico avançado. Pela mesma razão, o projeto de Jefferson para a Universidade de Virgínia, concebida para produção de um pensamento independente da Igreja e do Estado (de caráter crítico), fora substituído por uma “universidade que mascarava a usurpação e monopólio da riqueza, do poder”. Isso levou os estudantes da época a realizarem programas extracurriculares, onde Emerson fazia-se ouvir, já que o obscurantismo da época impedia a entrada nos prédios universitários, pois contrariavam a Igreja, o Estado e as grandes “corporações”, a que alguns intelectuais cooptados pretendem que tenham uma “alma”. [1] Em nome do “atendimento à comunidade”, “serviço público”, a universidade tende cada vez mais à adaptação indiscriminada a quaisquer pesquisas a serviço dos interesses econômicos hegemônicos; nesse andar, a universidade brasileira oferecerá disciplinas como as existentes na metrópole (EUA): cursos de escotismo, defesa contra incêndios, economia doméstica e datilografia em nível de secretariado, pois já existe isso em Cornell, Wisconson e outros estabelecimentos legitimados. O conflito entre o técnico e o humanismo acaba em compromisso, a universidade brasileira se prepara para ser uma “multiversidade”, isto é, ensina tudo aquilo que o aluno possa pagar. A universidade, vista como prestadora de serviços, corre o risco de enquadrar-se numa “agência de poder”, especialmente após 68, com a Operação Rondon e sua aparente democratização, só nas vagas; funciona como tranqüilidade social. O assistencialismo universitário não resolve o problema da maioria da população brasileira: o problema da terra. A universidade brasileira, nos últimos 15 anos, preparou técnicos que funcionaram como juízes e promotores, aplicando a Lei de Segurança Nacional, médicos que assinavam atestados de óbito mentirosos, zelosos professores de Educação Moral e Cívica garantindo a hegemonia da ideologia da “segurança nacional” codificada no Pentágono. O problema significativo a ser colocado é o nível de responsabilidade social dos professores e pesquisadores universitários. A não preocupação com as finalidades sociais do conhecimento produzido se constitui em fator de “delinqüência acadêmica” ou da “traição do intelectual”. Em nome do “serviço à comunidade”, a intelectualidade universitária se tornou cúmplice do genocídio, espionagem, engano e todo tipo de corrupção dominante, quando domina a “razão do Estado” em detrimento do povo. Isso vale para aqueles que aperfeiçoam secretamente armas nucleares (M.I.T.), armas químico-biológicas (Universidade da Califórnia, Berkeley), pensadores inseridos na Rand Corporation, como aqueles que, na qualidade de intelectuais com diploma acreditativo, funcionam na censura, na aplicação da computação com fins repressivos em nosso país. Uma universidade que produz pesquisas ou cursos a quem é apto a pagá-los perde o senso da discriminação ética e da finalidade social de sua produção – é uma multiversidade que se vende no mercado ao primeiro comprador, sem averiguar o fim da encomenda, isso coberto pela ideologia da neutralidade do conhecimento e seu produto. Já na década de 30, Frederic Lilge [2] acusava a tradição universitária alemã da neutralidade acadêmica de permitir aos universitários alemães a felicidade de um emprego permanente, escondendo a si próprios a futilidade de suas vidas e seu trabalho. Em nome da “segurança nacional”, o intelectual acadêmico despe-se de qualquer responsabilidade social quanto ao seu papel profissional, a política de “panelas” acadêmicas de corredor universitário e a publicação a qualquer preço de um texto qualquer se constituem no metro para medir o sucesso universitário. Nesse universo não cabe uma simples pergunta: o conhecimento a quem e para que serve? Enquanto este encontro de educadores, sob o signo de Paulo Freire, enfatiza a responsabilidade social do educador, da educação não confundida com inculcação, a maioria dos congressos acadêmicos serve de “mercado humano”, onde entram em contato pessoas e cargos acadêmicos a serem preenchidos, parecidos aos encontros entre gerentes de hotel, em que se trocam informações sobre inovações técnicas, revê-se velhos amigos e se estabelecem contatos comerciais. Estritamente, o mundo da realidade concreta e sempre muito generoso com o acadêmico, pois o título acadêmico torna-se o passaporte que permite o ingresso nos escalões superiores da sociedade: a grande empresa, o grupo militar e a burocracia estatal. O problema da responsabilidade social é escamoteado, a ideologia do acadêmico é não ter nenhuma ideologia, faz fé de apolítico, isto é, serve à política do poder.
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    Diferentemente, constitui, umlegado da filosofia racionalista do século XVIII, uma característica do “verdadeiro” conhecimento o exercício da cidadania do soberano direito de crítica questionando a autoridade, os privilégios e a tradição. O “serviço público” prestado por estes filósofos não consistia na aceitação indiscriminada de qualquer projeto, fosse destinado à melhora de colheitas, ao aperfeiçoamento do genocídio de grupos indígenas a pretexto de “emancipação” ou política de arrocho salarial que converteram o Brasil no detentor do triste “record” de primeiro país no mundo em acidentes de trabalho. Eis que a propaganda pela segurança no trabalho emitida pelas agências oficiais não substitui o aumento salarial. O pensamento está fundamentalmente ligado à ação. Bergson sublinhava no início do século a necessidade do homem agir como homem de pensamento e pensar como homem de ação. A separação entre “fazer” e “pensar” se constitui numa das doenças que caracterizam a delinqüência acadêmica – a análise e discussão dos problemas relevantes do país constitui um ato político, constitui uma forma de ação, inerente à responsabilidade social do intelectual. A valorização do que seja um homem culto está estritamente vinculada ao seu valor na defesa de valores essenciais de cidadania, ao seu exemplo revelado não pelo seu discurso, mas por sua existência, por sua ação. Ao analisar a “crise de consciência” dos intelectuais norte-americanos que deram o aval da “escalada” no Vietnã, Horowitz notara que a disposição que eles revelaram no planejamento do genocídio estava vinculada à sua formação, à sua capacidade de discutir meios sem nunca questionar os fins, a transformar os problemas políticos em problemas técnicos, a desprezar a consulta política, preferindo as soluções de gabinete, consumando o que definiríamos como a traição dos intelectuais. É aqui onde a indignidade do intelectual substitui a dignidade da inteligência. Nenhum preceito ético pode substituir a prática social, a prática pedagógica. A delinqüência acadêmica se caracteriza pela existência de estruturas de ensino onde os meios (técnicas) se tornam os fins, os fins formativos são esquecidos; a criação do conhecimento e sua reprodução cede lugar ao controle burocrático de sua produção como suprema virtude, onde “administrar” aparece como sinônimo de vigiar e punir – o professor é controlado mediante os critérios visíveis e invisíveis de nomeação; o aluno, mediante os critérios visíveis e invisíveis de exame. Isso resulta em escolas que se constituem em depósitos de alunos, como diria Lima Barreto em “Cemitério de Vivos”. A alternativa é a criação de canais de participação real de professores, estudantes e funcionários no meio universitário, que oponham-se à esclerose burocrática da instituição. A autogestão pedagógica teria o mérito de devolver à universidade um sentido de existência, qual seja: a definição de um aprendizado fundado numa motivação participativa e não no decorar determinados “clichês”, repetidos semestralmente nas provas que nada provam, nos exames que nada examina, mesmo porque o aluno sai da universidade com a sensação de estar mais velho, com um dado a mais: o diploma acreditativo que em si perde valor na medida em que perde sua raridade. A participação discente não constitui um remédio mágico aos males acima apontados, porém a experiência demonstrou que a simples presença discente em colegiados é fator de sua moralização. 15/06/2009 - 10:57 Enviado por: Frederico Graeff Sou professor da USP desde 1966. Concordo com a maioria das propostas, destacando a necessidade de eliminar departamentos, avaliar a produtividade em todos o seus aspectos e entregar a gestao a especialistas. O grande problema e o de como implementar mudancas. Com o atual processo de decisao, acho muito dificil a mudanca se dar a partir do interior da Universidade. Como intervir de fora sem caracterizar uma violacao, o que provocaria reacoes conservadoras que poderiam inviabilizar o processo por muito tempo? 17/06/2009 - 23:28 Enviado por: luiz c l botelho Prezado Nassif Tomo a liberdade de divulgar uma sugestão minha ao CNPQ ,em relação ao atual processo de concessão de Bolsas de Produtuividade Cientìfica do CNPq, ao meu ver bastante distorçido em relação a análise quantitativa de artigos científicos publicados Pergunta: Prezado Sr Fernando Bacanelli-Física/CNPq Tomo a liberdade de apresentar algumas sugestões para aperfeiçoar em um nível institucional, as avaliações deste CNPq, em relação a quantificação de valor das publicações científicas unicamente usando o índice de impacto do Jornal onde o artigo é veiculado. Primeiramente, chamo a atenção deste Conselho para o fato de que este fator de citação tem o fundamental aspecto de ser aditivo. Por exemplo: 3 artigos de índice de impactação 0.5 tem o mesmo valor de impactação-citação de um artigo 1.5! e não ZERO, como é presentemente avaliado pela maioria dos Comitês Assessores deste CNPQ-especialmente aqueles da Área de Ciências Básicas. Outro ponto relaciona-se a muito justa e leal necessidade da existência de fatores de peso em tal avaliação quantitativa de artigos e levando em consideração o número de autores e os números de páginas dos artigos sob avaliação : Por exemplo ,aquele procedimento de agrupar em faixas,seria- em minha opinião-; um procedimento não controverso Se o artigo possui entre 1 até 3 páginas, um dado fator de peso deveria ser associado e naturalmente diferente do peso associado aquele artigo na faixa de 3 até 6 páginas, etc…Outro ponto crucial , e mandatório para estimular as publicações das pesquisas nacionais em veículos internacionais, seria o pagamento direto aos autores de um dado valor, depois da publicação e levando em consideração os devidos fatores de peso acima sugestionados, já que são as publicações em veículos internacionais, independente de eventuais valores de impacto associados as mesmas, é que realmente contam- em sua quantificação-; na feitura das estatísticas de resultados e contribuições da Ciência Brasileira em fóruns internacionais.É um fato que é mais relevante para a Ciência Nacional ter 100 artigos publicados nos mais variados Jornais de Divulgação de nível internacional com árbitros, do que ter UNICAMENTE,por exemplo, a publicação de 20 artigos em revistas de alta impactação e sempre com a sua contagem dividida nas estatísticas e mérito acadêmico DESIGUALMENTE com instituições estrangeiras, devido a existência de ” co-autores menores “brasileiros em relação aos outros autores estrangeiros(e que muitas das vêzes se dizem autores principais das pesquisas apresentadas nestes artigos com autores brasileiros). Note que para as estatísticas internacionais de avaliação do fator de contribuição internacional da prática científica de um País, os 20 artigos “Qualis A” acima mencionados contam igualmente como 20 artigos de outras Qualis.È claro que tetos de pagamento para os autores,durante um dado período de tempo, deverá ser sempre limitado ao valor total de uma bolsa de Pesquisa, correspondente a este período. Acredito que estes procedimentos avaliatórios de artigos internacionais,caso aceito por este CNPq, certamente levará a um aumento considerável na colocação da Ciência Brasileira nas Estatísticas Internacionais, através do aumento de publicações de pesquisas nacionais de qualidade em Jornais Internacionais de todas as “Qualis” Atenciosamente Prof. Titular Luiz.C.L.Botelho-UFF Resposta: Prezado Sr. Luiz C.L.Botelho , O Serviço de Atendimento agradece muitíssimo as sugestões encaminhadas ao CNPq. É importante conhecermos a opinião das pessoas que utilizam os nossos serviços: dessa maneira poderemos aperfeiçoá-los. Elogios, críticas e sugestões são sempre bem vindos. Assim, estamos encaminhando sua proposta para ser apreciada pela área responsável. O CNPq agradece a oportunidade de contato e coloca-se à disposição. Cordialmente, Serviço de Atendimento do CNPq
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    23/06/2009 - 17:32 Enviadopor: Octavio Simplesmente a melhor análise da situação das Universidades no Brasil que já li. Alêm de trazer propostas extremamente coerentes, Parabéns Nassif. Um comentário adicional. Como alguém que está a 17 anos no meio acadêmico, posso afirmar sem exagero: O sistema departamental das Universidades e institutos de pesquisa é (com raríssimas excessões) um sistema FEUDAL. Não é força de expressão não, é feudal mesmo. Qq um que tenha um mínimo de noção do que era o sistema feudal e conheça a estrutura departamental em Universidades e institutos de pesquisa nesse país, se prestar atenção percebe a verdade daquilo que afirmo e a similaridade dos sistemas. O que vemos são feudos dominados por senhores (chefes de departamento, chefes de laboratório, professores titulares etc) que delegam a quem desejam poderes e privilégios e todos alunos, pós-graduandos etc estão à mercê desses senhores. Entra na pós graduação quem eles querem, é contratado quem eles aprovam em concursos frequentemente não confiáveis (marmelada mesmo, ou o famoso concurso com ” CPF” da pessoa), recebe financiamento quem essa elite permite ( pois são eles que analisam projetos que serão financiados pelo CNPq e outras agências), tem espaço em congressos e simpósios quem eles deixam, vai pra fora fazer pós-doutorado quem eles dão acesso a isso, etc etc etc ( e bota etc nisso! ). Todos pagando tributos a eles, seja em forma de teses e publicações, ou de horas de trabalho, ou em bajulação e amaciamento de ego ou até mesmo formas que é melhor nem mencionar aqui, pois saem do campo da decência, seja ela moral ou profissional. Sempre peço a meus colegas e alunos: Quando estivermos “lá em cima” (consequência natural do tempo, pois eles se aposentam e/ou morrem) vamos tentar fazer diferente! Espero que um dia meus apelos sensibilizem ao menos uma fração das pessoas que leêm ou ouvem o que digo e eles façam diferente.Eu pelo menos fiz, faço e farei diferente. 23/06/2009 - 18:15 Enviado por: Octavio Excelente o comentário: 12/06/2009 - 13:29 Enviado por: chris Divido com ela a mesma visão da situação atual , da supervalorização da quantidade em detrimento da qualidade.
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    A ESCOLHA DOREITOR Publicado por João Vergílio Gallerani Cuter em 15 junho 2009 às 10:39 em Educação Exibir tópicos Qual é o melhor sistema para se escolher o reitor de uma universidade? O sistema atualmente vigente na Universidade de São Paulo é o da eleição indireta. O governador escolhe os indicados numa lista tríplice. No outro extremo, há quem defenda eleições diretas e paritárias, envolvendo alunos, funcionários e professores. O primeiro sistema tem contra si uma possível partidarização da escolha. O governador, embora constrangido a escolher um dos três nomes da lista, escolheria o candidato que estivesse politicamente mais afinado com ele. Além disso, a lista tríplice reduz demasiadamente o peso da comunidade acadêmica. Na prática, um terceiro colocado que tenha obtido um número irrisório de votos pode ser o escolhido. Finalmente, critica- se o fato de que apenas uma parcela ínfima da comunidade participa do processo eleitoral. (A descrição do processo vigente na USP pode ser encontrada aqui.) O segundo sistema tem contra si uma possível corporativização da escolha. A universidade escolheria seu dirigente máximo tendo em vista apenas interesses corporativos, que nem sempre coincidem com os interesses da sociedade que paga a conta com seus impostos. Além disso, ressalta-se o fato de que estudantes, funcionários e professores têm diferentes inserções na vida acadêmica. Um reitor deveria ser eleito com base em finalidades acadêmicas que, embora possam perfeitamente ser entendidas pelos funcionários, não lhes dizem respeito diretamente, e não têm por isso grande poder de mobilizá-los. No que diz respeito aos estudantes, por outro lado, a escolha seria feita basicamente pelos estudantes de graduação, que ainda não têm muito contato com a vida universitária em geral, e nenhum contato com as atividades de pesquisa. Além disso, a maioria deles permanece apenas quatro ou cinco anos na universidade, o que faz com que estes alunos sejam naturalmente menos sensíveis a questões envolvendo políticas de médio e longo prazo. Entre esses dois extremos - lista tríplice e eleições diretas - há diversas outras possibilidades que precisam de maior detalhamento para que possamos avaliá-las. Que tal discutirmos esse tema? Qual é o sistema que você acha o mais adequado? Por quê? P.S.: Caso sinta-se à vontade para fazê-lo, dê-nos uma dica a respeito de sua inserção na universidade. Aluno, professor, funcionário, ou mero contribuinte interessado pelo tema? Tags: diretas, educação, eleições, estudantes, funcionários, lista, professores, reitor, tríplice, usp
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    Permalink Responder atéluzete em 15 junho 2009 at 21:54 Assunto de extrema complexidade e de infinitas controvérsias. coisa que vc gosta, né?! a história do movimento docente, sobretudo no âmbito das universidades públicas federais, sugere que a soluçâo mais democrática passa pelo processo de eleição direta. agora, sempre mal resolvida é a questão da paridade, já que se descartou a possibilidade do voto universal. mas eu não tenho muitas dúvidas, não! lista tríplice, ou sêxtupla (como outrora) é cair no "corporativismo" direto, do partido. melhor, então colocar todos na fogueira: alunos, funcionários e professores, estabelecendo parâmetros de qualificação para os candidatos. por aí, joão. vc que quer mesmo a qualificação do comentarista? muda algo? pedagoga, vale? ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 16 junho 2009 at 1:41 Bravos, Luzete! Falou e disse... ► Responder esta Permalink Responder até João Vergílio Gallerani Cuter em 16 junho 2009 at 5:24 Oi, Luzete... Há quanto tempo! Obrigado pela resposta, antes de mais nada. Eu não me referi à proposta de eleição direta universal, mas podemos colocá-la. Neste caso, a questão que se coloca é a da anulação do papel de professores e funcionários no processo decisório. A eleição seria decidida exclusivamente pelo voto dos alunos (e, na maioria das unidades, pelo voto dos alunos de primeiro ano). Vamos tentar refinar seu argumento. É claro que se a expressão "mais democrático", neste contexto, quer dizer "mais semelhante ao processo de escolha de governantes numa sociedade democrática", o processo de eleição direta universal é o "mais democrático". Mas isto ainda não explica por que ele seria o preferível, concorda? Se "mais democrático" quer dizer "decidido pelo voto das três categorias que compõem o corpo acadêmico", então o processo "mais democrático" seria o voto paritário. Finalmente, se "mais democrático" quisesse dizer "mais diretamente vinculado à população em geral, que paga os impostos que sustentam a universidade", então seria mais democrático, talvez, que o próprio Governador fosse reitor de todas as universidades, ou então que ele indicasse alguém de sua estrita confiança para sê-lo. Fixado o sentido de "mais democrático", passaríamos à segunda (e mais importante) questão: Por que um sistema de escolha de reitores, por ser "mais democrático" (em qualquer sentido) é "melhor"? Abraço, João ► Responder esta Permalink Responder até luzete em 17 junho 2009 at 18:55 Bom, joâo, entre democrático e meritocrático, fico com o primeiro. mas isto não quer dizer que entenda o voto universal como caminho. aliás, não acho este um bom caminho. a participação dos três segmentos no processo, claro, contribui, em princípio, na responsabilidade coletiva. mas, por outro lado, entendo que as plataformas dos candidatos deveriam ser refinadas, tendo em vista o sentido e a especificidade desta eleição, da eleição de um reitor de universidade. entendo que se deva discutir pesos distintos para as categorias, algo complexo, mas que traduza a importância para a vida acadêmica que cada uma das categorias cumpre no interior da universidade. ► Responder esta Permalink Responder até Eduardo Petrucci Gigante em 16 junho 2009 at 12:40 Caro João Vergílio, a lista triplíce está em desuso, como antigamente era usada. Não sei na USP, mas nas federais a legislação prevê essa lista, a ser apresentada ao Ministério pelo Conselho Universitário. E o Ministro teria liberdade de escolher qualquer um dos nomes. Houve, depois de muita luta, um acordo em que é chamada uma "eleição" e a lista é composta pelos três nomes mais votados. E o Ministro concorda em nomear o primeiro. Mas isso é apenas uma convenção. Se o Ministro, ou o Conselho Universitário optar por outra forma, estarão apoiados na Lei. Então, modernamente, se faz a tal "eleição" em nome de uma "democracia universitária". Ora, democracia quer dizer que todos sejam iguais. Não é o que acontece. Existe uma tal "paridade". Ou seja, alguns são "mais iguais" que outros. Deixou de ser democracia, virou
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    "democratite"! Leio e ouçosempre esse argumento de que, sem a paridade, os alunos é que escolheriam o reitor. Provavelmente. Como nas eleições em todos os níveis no nosso Brasil. Quem escolhe os governantes são quem detém a maioria dos votos. A saber, pobres e excluídos. Se vingar essa "paridade universitária" devemos, no Brasil, defender o voto por classe de renda? Grau de instrução? Região geográfica? Cor dos olhos e/ou da pele? Religião ou sexo? O fato de que o Reitor será eleito pelos alunos - que são, enfim, o moto da existência da Universidade - obrigará a essa Universidade vir à luz, mostrar o que quer e para onde vai. E como vai. Não será mais suficiente declarar que a função da universidade é ensino, pesquisa e graduação. Vai obrigá-la a definir o que é, exatamente e na sua concepção, ensino, o que é pesquisa e o que é extensão. Assim, esse aluno, ainda que ingressante, já sabe onde vai se meter. Ou não! Sou servidor técnico-administrativo de universidade federal. ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 16 junho 2009 at 16:38 Eduardo, a paridade é um critério justo, faz com que os 3 setores da Universidade tenham o mesmo peso. Concordo que os alunos sao os "destinatários" de tudo (mas nao só eles... o país como um todo...), e que devem ter voz ativa na determinação dos rumos. Mas você há de convir que eles nao sao os que têm mais preparação específica para decidir sobre os assuntos acadêmicos... (OK, reitor nao é fundamentalmente para assuntos acadêmicos, nem mesmo o Conselho Universitário, e sim o Conselho de Ensino e Pesquisa). E muitas vezes estao interessados só na sua formação pessoal e interesses diretos, e nao nas finalidades sociais da Universidade e no bem coletivo (veja aquele vídeo idiota e fascista feito pelos alunos da Escola Politécnica da USP). E passam no máximo 5, 6 anos na Universidade; os professores e funcionários passam às vezes 30, 40 anos lá... Há uma diferença de nível de engajamento. Na verdade, na maioria das universidades o sistema é menos democrático do que a paridade. Às vezes o voto dos professores vale 70%, e o dos alunos e funcionários, juntos, só 30%. Pessoalmente eu seria a favor de um sistema 40-30-30. ► Responder esta Permalink Responder até Eduardo Petrucci Gigante em 16 junho 2009 at 17:10 Os ricos, a classe média alta, tem uma expectativa de vida superior. Ficarão aqui no Brasil mais tempo que os pobres. Proporcionalidade então? ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 16 junho 2009 at 17:16 Eduardo, nao apela... Isso é forçação de barra. Depois, mesmo se você realmente quiser "esticar" o argumento a esse ponto, entao vejamos a proporcionalidade. Professores e funcionários levam na Universidade em média mais do que 5 vezes o tempo de permanência dos alunos. Para fazer a equivalência, o tempo de vida das classes altas teria de ser em média 5 vezes maior que o das classes populares. Se aplica? Outra coisa: meu argumento sobre a Universidade tratava de diferença de nível de engajamento. Você acha que as classes populares estao menos engajadas que as classes favorecidas nos destinos do país? Acho que você pode e deve, se for o caso, discordar do argumento. Mas vamos discutir a sério, sem esses "extremismos"; nao estou em antagonismo com você, tenho apenas uma opiniao diferente, e dei os argumentos para a minha opiniao; você deu os seus para a sua; outros aqui terão outras visões. Acho que podemos todos aprender uns com os outros, mesmo se, nesse ponto em particular, continuarmos com nossas posições originais. ► Responder esta Permalink Responder até Eduardo Petrucci Gigante em 16 junho 2009 at 17:30 A idéia é essa. Que esse atrito gere luz, não calor. Seus argumentos são válidos, embora não me convençam. Ainda acho que a finalidade é a sociedade, o país, através dos seus jovens, o motivo da existência da universidade. E acho que, se a universidade fosse suficentemente aberta, pública na acepção de "do povo", não deveremos temer que esses jovens votem. E construam uma nova sociedade. A nossa, como está, não serve para eles. ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 16 junho 2009 at 17:36 Com essa sua última frase, até concordo. Aliás, nao serve para eles, nem para mais ninguém. Nem mesmo para a classe dominante, que vive cercada de muros, tendo que se proteger daqueles que explora, e num ritmo de competição, stress e consumismo vazio que nao ajuda ninguém a se realizar como gente. Mas vai tentar convencê-la disso... ► Responder esta Permalink Responder até João Vergílio Gallerani Cuter em 17 junho 2009 at 0:17 Não acho completamente absurda a idéia de o reitor ser eleito pelos alunos. Não a aprovo, mas não tenho nenhuma objeção de princípio
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    contra ela. Eusó acho que a argumentação não pode se basear numa suposta analogia existente entre a forma de se eleger representantes políticos e a forma de se eleger reitores de universidades. As realidades são muito diferentes. O nó da questão, Eduardo, é o tipo de relação que existe entre a universidade e a sociedade que está em volta. Considere estas três características: 1. O Brasil está inserido num contexto internacional mais amplo, mas o Brasil não existe para servir as outras nações, nem deve satisfações a elas. 2. O Brasil, como qualquer país, não é um sistema dotado de uma finalidade determinada. O Brasil não é uma entidade mantida "para prestar tais e tais serviços". 3. O Brasil não tem um sistema cíclico de ingresso, em que pessoas entram e saem depois de passarem quatro ou cinco anos, dando lugar a outras que vão chegando. Agora, compare com a universidade: 1. Ela está inserida num contexto social mais amplo, ao qual ela deve servir e deve prestar satisfações, já que é mantida com o dinheiro do contribuinte. 2. Ela tem um finalidade determinada, e deve ser gerida tendo-se em vista o cumprimento dessa finalidade. 3. Ela tem um sistema cíclico de ingresso. Os alunos vão se revezando, entram e saem a cada quatro ou cinco anos. Será que você está levando em conta essas diferenças? ► Responder esta Permalink Responder até Eduardo Petrucci Gigante em 17 junho 2009 at 10:49 Caro João Vergílio, infeliz minha comparação com o país. Voltemos então ao cerne, democracia. Todos são iguais. Fim. Não existem "paridades" na democracia, pois formam-se, a partir daí, castas mais ou menos vaorizadas. Mantendo-se a paridade, temos um sistema de escolha por votação, nunca uma "democracia universitária". Revezamento de alunos a cada quatro ou cinco anos. Não é mais tão verdade assim. Com a "necessidade" de titulação, estamos falando em 9 e até 14 anos, incluindo o pós-doc. Se for tudo feito na seqüência. Ora, isso já é quase uma geração. Deve servir e prestar satisfações. Concordo com tudo. Mas não é o que acontece. Em nome de uma "autonomia universitária", as universidades tornam-se cada vez mais caixas pretas, cada vez dizem menos a que vieram e a que se propõem. Uma finalidade determinada. Ou deveria ter. E essa finalidade deverá ser pública. Ensino, pesquisa e extensão. E dizer, aos brados, o que entende por ensino, por pesquisa e por extensão. Temos visto universidades que parecem ter por finalidade transferir renda pública para o setor privado. Na forma de aluguéis de imóveis depaupaerados que são recuperados para uso e posteriormente devolvidos. Pela compra de imóveis "restos de edificações" - a preço de CUB cheio - de "nobrezas locais" geralmente falidas. Parecem ter também a finalidade de fornecer bolsas de estudos para docentes elevarem sua diplomação ao máximo, aposentando-se (ou nem isso, apenas vilipendiando a DE) e a seguir e indo trabalhar - com relógio ponto - nas uniesquinas da vida. Assim, a mente jovem, ainda não conspurcada pelo "conhecimento do homem branco", a mente jovem que ainda tem ideais utópicos, talvez possa ser ela o agente de mudança (sine qua nom) dessas situações. Porque, intestinamente, nada parece vir das universidades. A não ser o que geralmente vem dos intestinos. ► Responder esta
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    ENEM ou VESTIBULAR?Qual é o mais democrático? Publicado por Rogério Maestri em 27 abril 2009 às 3:43 em Educação Exibir tópicos Caros amigos, Lanço um desafio para que todos discutam, o que é mais democrático, o ENEM ou os exames de vestibular para o ingresso nas Universidades Públicas, eu já tenho minha opinião, mas gostaria que alguns de vocês olhassem uma das provas do ENEM, (vide http://www.enem.inep.gov.br/index.php?option=com_content&task=v...) desse a sua opinião e após isto darei minha opinião. Pode ser que seja bem diferente do dito consenso! Tags: educação, enem, vestibular Compartilhar ► Responder esta Respostas a este tópico Permalink Responder até luzete em 9 maio 2009 at 21:39 Bom, AnaLú, este texto comovente, como você o define, responde sim, à proclamação de (ir)responsabilidade da política educacional... De você estou apenas recebendo contribuições à coleção de rótulos: religiosa, portadora de fé, adepta do uso do pathos... mais algum? ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 9 maio 2009 at 22:11 Só acho que você está fugindo aos argumentos, e tentando fazer isso desmerecendo os outros (por ex., você tem algo a dizer sobre as coisas ditas sobre o REUNI?). Eu respondi a isso -- de leve, com bom humor, no que me parece. Mas você está respondendo com uma ferocidade que estranho, essa nao é a Luzete que conheci até aqui. Você nao está admitindo discussão, Luzete, você quer que nos limitemos a "louvações". E, repito, antes de conhecer as medidas! Mas está bem, você nao quer discutir, nao discuta. Acho uma pena. ► Responder esta
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    Permalink Responder atéRogério Maestri em 10 maio 2009 at 2:00 Cara Luzete. Tirar as esperanças de um povo é a pior coisa que se pode fazer, impedir o acesso a universidade de amplos setores de nossa população não é só errado politicamente como criminoso, por isto e por outros motivos tenho profunda simpatia com a manifestação da Débora Pereira que colocaste no teu post. Se olharmos como única chance de se ter ou não ensino superior para grande parte da população brasileira estaria completamente favorável ao PROUNI, pois ele na sua formatação abre este sonho e esta perspectiva a muitos. Se a mim for perguntado a validade da política de cotas sociais posso claramente me expressar vigorosamente favorável esta política, achando que deveríamos adotar uma política bem mais agressiva. Eu a muito tempo sugeri uma forma de ingresso que resolveria todo este problema sem vestibular, como? Muito simples! Era só em todas as escolas de grau médio ranquear todos seus alunos ao longo do segundo grau, aos dez por cento (ou outro número) melhores de cada escola (pública ou privada) seria garantido o acesso ao ensino superior público. Não interessaria se fosse de uma escola privada de elite ou de uma escola de periferia, seriam escolhidos simplesmente os melhores! Simples e revolucionário, se 90% dos alunos viessem do ensino público, 90% das vagas seriam desses. Se numa escola 100% dos alunos fossem brancos, negros, pardos, azuis ou de qualquer cor, 10% desses seriam os escolhidos. Se numa escola de periferia tivéssemos um ensino deficiente, dentro deste ensino deficiente se escolheria os 10% melhores. Por outro lado seria transferida aos professores do segundo grau a responsabilidade e o poder de definis quem entra no ensino público superior. Esta sugestão parte do seguinte pressuposto, a inteligência, a capacidade e a força de vontade se distribuem como uma curva normal igual para todos. Somente o treinamento que é diferente entre uns e outros. Não querendo me promover, posso dizer que isto sim é uma proposta revolucionária em termos de ingresso na Universidade, sem ENEM, sem vestibular, sem cursinhos, sendo a verdadeira seleção por méritos. Quem seria beneficiado com isto? Voltando ao PROUNI, vou falar porque acho um caminho equivocado para dar acesso ao ensino superior a grande parte da população brasileira, e como vejo que tens uma formação progressista irás concordar em grande parte comigo. À medida que se aceita a filantropia nas faculdades e universidades privadas que atendem ao PROUNI, simplesmente está retirando do Estado impostos que poderiam ser revertidos ao ensino superior. À medida que se aceita teoricamente que instituições privadas sejam instituições de ensino superior está-se abdicando da obrigação do estado em cumprir seu dever constitucional. À medida que se permite que recursos públicos através de CAPES, CNPQ, fundos setoriais e aplicações diretas do orçamento sejam empregados em instituições privadas se está desviando recursos do ensino público para o ensino privado. Em última instância esta se subsidiando o ensino de quem paga em detrimento daqueles que não tem recursos. Se formos falar da expansão da rede pública através da criação de novas universidades CETEF’s estou de pleno acordo com isto, mas gostaria de ver algum trabalho que comparasse todos os recursos públicos desviados (ou isentados) com o que se poderia expandir a rede pública. Acho que dinheiro público deve ser para ensino público e dinheiro privado para ensino privado. Não sou favorável a expansão simplesmente das unidades existentes aumentando a centralização e não permitindo o desenvolvimento regional, devemos isto sim interiorizar os investimentos criando faculdades e universidades novas, livres dos ranços e dos defeitos das antigas. Temos um exército de jovens doutores que orbitam em torno de centros universitários existentes trabalhando por bolsas e contratos em condições precárias de contrato. Poderíamos com estes jovens criar novos centros como vigor da juventude e sem o estrelismo dos velhos. Cara Luzete, talvez não tenha entendido o que proponho, pois gosto mais de tangenciar o assunto dando oportunidade de discussão, não sou e nunca fui uma pessoa conservadora, acho que temos que adotar soluções revolucionárias para não cair em soluções centristas de acomodação da situação, pelo que já vi o que escreves, vejo que tens uma trajetória bem mais arrojada do que é proposto hoje em dia, peço que retomes o teu caminho e veja que para satisfazer um sonho de toda uma população temos que propor o impossível, pois sem ele nada será feito. ► Responder esta Permalink Responder até Rogério Maestri em 10 maio 2009 at 14:01 Caro Fábio Se nós dois conseguíssemos sintetizar nossas opiniões talvez veríamos que temos mais pontos em comum do que divergentes, talvez como disseste tu escreves de forma que não fica simples o entendimento imediato e tomando uma carona neste tua observação eu diria que comigo ainda é pior. Somos um pouco “parabólicos” e não diretos na forma de manifestar o pensamento, então vamos ter calma um com outro. Vejamos os pontos que considero convergentes, se tiver errado me corrija: 1 – O ensino deve ser um valor universal e para tanto devemos procurar seu acesso a todos que tenham vocação e capacidade. 2 – Uma formação básica, não especializada deve ser oferecida ao aluno de primeiro e segundo grau. 3 – O ingresso no ensino superior deveria levar em conta não o grau de treinamento do aluno (isto deveria ser um mínimo), mas sim sua capacidade e interesse. 4 – O vestibular e o ENEM não são os melhores instrumentos para avaliar o que está descrito no 3° item. 5 – O interesse da Nação deve sobrepujar os interesses coletivos no ingresso do ensino superior público. 6 – Um aluno de uma escola pública não deve ser prejudicado por um estado incompetente. Pergunto, se estás de acordo com estes itens? Pode até aditá-los com itens complementares, faça-o e passamos para um segundo nível de discussão.nham ► Responder esta Permalink Responder até Rogério Maestri em 11 maio 2009 at 2:15
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    Caro Fábio Tocaste numassunto que poucos dão relevância e considero de suma importância, a educação via meios de comunicação. Há uma tendência em se propagar aos quatro ventos que sendo um meio áudio-visual privado, as televisões não têm obrigação com a educação, se a emissora é privada o espaço é privado. Tem um lado técnico que poucos chamam a atenção, a limitação de emissoras em função das freqüências disponíveis, explico melhor. Dentro das possibilidades de emissão de ondas eletromagnéticas para as mais diversas funções, limitam-se a faixa de emissão de ondas eletromagnéticas para UHV a uma banda estreita de freqüências, dentro desta banda há a disponibilidade de no máximo sete ou oito canais para cada região, não sendo possível a ampliação deste número de canais. Como conseqüência disto a distribuição dessas freqüências deve ser regulamentada pelo governo, em última instância a emissão de TV é uma concessão pública. Partindo desta realidade física podemos dizer que não há espaço privado na emissão de televisão, este espaço pertence ao POVO BRASILEIRO, ou seja, uma emissora de TV deveria ser sujeita as necessidades deste povo. Se uma das necessidades principais do povo brasileiro é a educação, pode-se exigir que estas emissoras tenham uma programação que sirva não só ao entretenimento vazio e fútil levado por nossas emissoras, mas por programações culturais (não chatas) voltadas a cultura geral da população brasileira. Quando se discute este assunto, vem o contraponto que os jornais e revistas sempre foram livres e sempre deverão o ser e da mesma forma as TV’s e rádios. Isto é uma enorme de uma falácia, um jornal ou uma revista independem de concessão para funcionarem, poderemos ter centenas desses sem que um atrapalhe o espaço do outro, já uma TV é limitada à freqüência disponível, logo meios não iguais devem ser tratados de formas desiguais. Dominando um número limitado de canais, as TV’s impõe através da cartelização a péssima qualidade de informação, ficando para os mais abonados a chance de procurar noutro sistema cartelizado uma programação um pouco melhor (TV a cabo, por exemplo). Foge-se das organizações Marinho e cai-se nas mãos do Rupert Murdoch, ou seja, se corre o bicho pega, se fica o bicho come. Acho que deves desenvolver mais a tua idéia, pois ela é o centro de um problema que pode se transformar em uma solução. ► Responder esta Permalink Responder até Rogério Maestri em 11 maio 2009 at 16:03 Caro Fábio Um jornal e uma revista são empresas particulares que não necessitam de autorização pública para funcionar. Uma emissora de rádio ou de televisão são concessões públicas, limitadas em número pela banda de freqüências que elas operam. Há uma diferença de operação que os proprietários de emissoras de televisão procuram não divulgar. Numa região metropolitana, por IMPOSSIBILIDADES FÍSICAS de sinal podemos ter mais ou menos cinco a sete canais (o valor correto não sei, mas é algo desta ordem), logo NECESSARIAMENTE uma emissora tele-difusão tem que ser uma CONCESSÃO PÚBLICA, não é possível qualquer pessoa montar uma emissora pois ela dependerá de ter a sua banda de sinal. Conseqüências: 1 - Uma emissora de tele-difusão não tem o mesmo grau de liberdade que um jornal, uma revista ou mesmo uma TV a cabo. Ela ocupa um espaço público. 2 – A limitação da quantidade de estações OBRIGA a existência de um OLIGOPÓLIO de fato, e é obrigação constitucional do governo o controle de situações de mercado que fuja a situação de livre concorrência. 3 – O Estado, se tiver vontade política para tanto, pode IMPOR um padrão mínimo de qualidade e exigir uma CONTRAPARTIDA cultural de uma emissora de TV. 4 – Não proponho a educação formal através de meios áudios-visuais, proponho a utilização desses para aumentar a cultura geral da população. Vários países europeus obrigam as emissoras de TV apresentar conteúdo para seus tele-espectadores, nem por isto a TV torna-se algo maçante. 5 – Ninguém, em nome do IBOPE, pode ficar obrigado a assistir o Domingão do Faustão, ou outras jóias como esta. 6 – Mesmo em países de tendência liberal há uma participação do estado na programação das emissoras. È feita uma cortina de fumaça para que as pessoas não vejam o que realmente é, os donos dos meios de comunicação empregam esta cortina para esconder o caráter de concessão pública nas emissoras de tele-difusão, isto tudo é feito para que não seja feita uma regulamentação correta das concessões. Apelam falsamente para a livre concorrência o que é IMPOSSÍVEL fisicamente. Conclusão final: O estado dispõe de mecanismos que permitiriam o uso da TV para a educação e cultura do povo e não o faz PORQUE NÃO QUER MECHER COM INTERESSES ECONÔMICOS. ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 11 maio 2009 at 16:59 Pois é, Rogério, daí a importância da Conferência Nacional de Comunicação. Porém pouquíssim difusao está sendo dada a ela. É importante que todos os interessados em democracia neste país acompanhem essa discussão, para nao deixar que as resoluções tomadas atendam apenas ao interesse das grandes empresas de comunicação. O blogue que está dando mais atenção a isso é o do Rovai. Convido vocês a acompanharem o que ele posta a respeito.
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    ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 10 maio 2009 at 19:36 No site abaixo, há uma matéria interessante sobre o uso de jogos educativos para motivar os estudantes: http://smeira.blog.terra.com.br/ ► Responder esta Permalink Responder até Rogério Maestri em 11 maio 2009 at 16:14 Aqui no RS temos uma fábrica de equipamentos para aulas de física que além de fantásticos para os alunos apreenderem física, são baratos e resistentes. Com eles estuda-se cinemática, dinâmica, eletricidade, hidrostática e outros ramso da física como se fosse uma brincadeira. Instrumentos para melhorar o ensino temos, só falta o investimento. ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 11 maio 2009 at 17:04 Rogério, você devia divulgar isso. Pôr, por ex., no Fora de Pauta do Nassif, e/ou no primeiro tópico sobre educação que ele abrir. Pessoalmente acho que uma "fábrica de brinquedos" que ensinem, e de jogos, etc., é uma das coisas indispensáveis para que se possa multiplicar pequenos laboratórios em escolas públicas a preço barato (melhor ainda se, além de fabricar os brinquedos, essas fábricas pusessem instruções de como produzi-los, modelos, etc., disponíveis na rede, permitindo a cópia sem pagamento de direitos autorais). E tudo que pudesse ser feito sob forma eletrônica deveria ser posto em sites amplamente divulgados, disponíveis gratuitamente para alunos e professores. ► Responder esta Permalink Responder até Rogério Maestri em 11 maio 2009 at 1:20 Quase como um fechamento de minha interrogação inicial, estou propondo uma alternativa para qualquer tipo de prova de ingresso no ensino superior, vestibular, ENEM, ou exames que se venham a criar, estou propondo uma avaliação não absoluta, igual entre desiguais, pois qualquer prova absoluta comparando alunos de grupos diversos, tem intrinsecamente um caráter antidemocrático e elitista. Pedindo desculpa pela comparação, mas comparar um belo Poodle treinado de circo com um simpático e inteligente cãozinho de um menino qualquer, não é comparar a inteligência ou a habilidade dos dois, mas sim comparar a qualidade do treinador. A proposta que faço detalhei no meio de um texto meio confuso em que misturei algumas questões, para clarear mais retomo a proposta de forma mais detalhada. A proposta consiste na reserva de vagas da universidade publica a alunos pré-selecionados entre os mais aptos de cada escola de segundo grau (privada ou pública), ou seja, classificar os alunos de cada escola em função de todo o seu segundo grau, independente da referência relativa entre cada escola. Seriam escolhidos, por exemplo, 10% de cada grupo de formandos, logo se o ensino público atinge 90% de todos os alunos ele ficaria com 90% das vagas e no universo de cada escola se reproduziria a mesma proporção. Para que a idéia seja discutida ou até torpedeada passarei a descrever de forma mais longa seus princípios e vantagens. Não estou esperando que seja aceita por todos, mas acho que é uma proposta que atinge os anseios de muitos como explicitarei no último parágrafo. Antes de tudo levantarei os princípios básicos que a norteiam, que são: O primeiro é que a inteligência e a capacidade são encontradas em todos os grupos homogêneos de forma proporcional ao número de indivíduos (alunos que estudam em qualquer colégio). Até hoje, excetuando teses raciais e o resultado de falta de falta de alimentação na infância, não vi qualquer crítica a esta primeira hipótese. O segundo está baseado na hipótese que um acompanhamento permanente ao longo de três ou mais anos do segundo grau, possibilita uma visão mais clara e real da potencialidade de cada indivíduo (estou falando de potencialidade) do que uma prova em poucos dias (vestibular ou ENEM). Como terceira característica tendo-se uma avaliação entre iguais (mesma escola, mesma região) ter-se-ia uma visão menos distorcida da capacidade de treinamento de uma escola em relação à outra, sem que pese sobre o aluno a inépcia de governantes ou a falta de recursos materiais de seus pais. Levar-se-ia a democracia a avaliação dos alunos. O quarto e último princípio, é que este tipo de procedimento valorizaria os professores de segundo grau, passando a estes a tarefa de identificar as aptidões de cada aluno. Este método não deixaria a um acadêmico fora da realidade de cada escola a tentativa democratizar o acesso por cotas raciais ou sociais. Esta vantagem teria como ganho complementar trazer para o primeiro plano as avaliações dos professores do ensino médio, aumentando tanto a responsabilidade dos mesmos como a sua auto-estima. Problemas operacionais poderão surgir ao ser implementado um sistema desta forma. Problemas análogos aos que surgiram quando foram abandonados os vestibulares por faculdades. Naquela época quando foi introduzido o vestibular unificado, surgiram dúvidas como utilizá- los e na eficácia dos mesmos em classificar os alunos, estes problemas foram solucionados por diversas formas, inclusive com a introdução de pesos relativos entre disciplinas. Da mesma forma as faculdades poderiam em conjunto com as secretarias de educação, priorizar habilidades necessárias para cada curso. Teríamos uma transferência de competência de “fundações” que realizam exames para o corpo de professores do segundo grau. Se pensarmos na possibilidade de pais com mais recurso transferirem os seus filhos para colégios “mais fracos” ter-se-ia de qualquer forma
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    um ganho qualitativonestes colégios à medida que se terão alunos mais motivados, motivam o resto do grupo. O sistema seria relativamente simples, ao fim de cada trimestre ou bimestre, analisando não só o desempenho escolar medido por provas, os professores deveriam atribuir conceitos, notas ou outros critérios, dando a cada aluno um “mérito” em cada grupo de habilidades. No fim de várias avaliações teríamos um perfil completo do aluno e um quadro comparativo entre iguais. Alguns membros da academia poderiam dizer que os alunos advindos de um segundo grau mais fraco trariam problemas as instituições. poderei mais tarde refutar este argumento com outras constatações que tenho observado em trinta anos de docência no ensino superior. Queremos democratizar o ingresso no ensino público superior, queremos reforçar o segundo grau, queremos avaliar de forma mais concreta as aptidões dos alunos, queremos tirar o trauma do vestibular (e futuramente do ENEM) dos alunos, queremos valorizar os professores de segundo grau. Por que não fazer isto tudo transferindo aos últimos à definição da capacidade e motivação de cada aluno? Eu confio mais na avaliação de algumas dezenas de professores de segundo grau que coletivamente poderão definir a qualidade de cada aluno, do que de uma prova de uma grande fundação, composta de criativos e capazes mestres que tem por objetivo em alguns dias definir o futuro de um aluno. ► Responder esta Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 14 maio 2009 at 21:08 Colo abaixo documento que foi enviado pela Associação de Docentes da UFF para todos os professores. Para podermos avaliar: -- o caráter "democrático" das decisoes que estao sendo tomadas a respeito do uso do ENEM; -- o grau em que, do modo como o uso do ENEM está sendo feito, realmente se muda alguma coisa com relação à democracia do acesso... (agora, ALÉM DE ter que ir bem no Vestibular, TAMBÉM se tem que ir bem no ENEM...). No último dia 06 de maio, o Conselho Universitário (CUV) discutiu dois assuntos importantes para a UFF: a mudança no vestibular e o Plano de Desenvolvimento Institucional. A sessão foi marcada por uma boa dose de pressa para aprovar os dois pontos, que mereciam maior tempo de debate e maturação junto à comunidade universitária. Mais uma vez, os exíguos prazos dados pelo governo federal para as discussões comprometeram na UFF a chamada autonomia universitária, abrindo espaço para um adesismo pouco reflexivo. Isto ficou muito claro na discussão acerca do novo modelo de vestibular. O novo vestibular O debate a respeito do novo modelo de vestibular foi iniciativa do Reitor Roberto Salles, que encaminhou documento a respeito do tema para discussão no Conselho de Ensino e Pesquisa (CEP). Paralelamente, o documento foi encaminhado às câmaras e à PROAC. A partir daí, foi aprovado por unanimidade no CEP e na reunião conjunta das câmaras. Só depois de passar por todos esses fóruns a proposta chegou finalmente ao Conselho Universitário. “Fiz o que me cabia, que era iniciar a discussão nos dois conselhos”, disse Roberto Salles logo no início da sessão do CUV. Essa afirmação não impediu, no entanto, que vários conselheiros criticassem a forma como a discussão foi realizada: como o tema fora objeto de deliberação do CEP, não caberia ao CUV qualquer outra postura a não ser aceitar a proposta já aprovada. Do contrário, acabaria desautorizando a deliberação de um colegiado superior da universidade. A proposta aprovada na íntegra pelo CEP e apresentada ao CUV estabelece: a adoção no próximo vestibular de um modelo que combine o novo ENEM com as duas etapas de provas elaboradas pela UFF, ou seja, que conjugue a avaliação universal de aproveitamento do ensino médio (novo ENEM) com a avaliação de desempenho dos candidatos proposta pela UFF; a utilização dos resultados obtidos pelos candidatos no novo ENEM para compor, por média aritmética, a nota final da primeira etapa do vestibular, que continuará sendo eliminatória; na primeira etapa da UFF, os candidatos farão provas com questões pertinentes à grande área de conhecimento a que pertence o curso escolhido, sendo que as questões de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa serão comuns a todas as áreas; a segunda etapa manterá as características atuais, com provas discursivas abordando questões específicas da área de escolha do candidato; o programa de vestibular da UFF deverá se aproximar o máximo possível do programa que servirá de base para o novo ENEM; será mantido o programa de reserva de 20% das vagas para professores da rede pública que concorrem a cursos de licenciatura. Antes do início da reunião: grupo que defende a nova proposta do governo acerta os detalhes da atuação conjunta durante o CUV, em conversa com a o Reitor Roberto Salles e com o vice Reitor Emmanuel de Andrade. Grupo dirigido pela UJS defende adesão total à proposta do MEC e da UFF – no momento em que o professor Heitor Soares encerrava a apresentação da proposta, um grupo de estudantes secundaristas entrou na sala do CUV cantando “democracia e liberdade, é o povo na universidade!” A manifestação de apoio à proposta de novo vestibular do governo federal foi saudada pelo vice-reitor Emmanuel de Andrade. Ele classificou a proposta governamental como o fim do mecanismo perverso do vestibular, com suas taxas e a “indústria da decoreba” dos cursinhos pré-vestibulares. Membro da União da Juventude Socialista (UJS) - corrente político-estudantil majoritária na direção da UNE – o aluno de história, Vitor Vogel dirigia os quase 100 secundaristas que ocuparam o teatro da UFF, onde se realizou o CUV. Era ele quem definia a quem aplaudir ou a quem vaiar. Quem defendia o governo era aplaudido, os que faziam críticas ou ponderações, eram vaiados. Compartilhando a visão da reitoria da UFF, Vitor também falou em defesa da proposta do MEC. O estudante de história, membro da UJS, defendeu a proposta do governo no CUV. Prof. Emmanuel também defendeu a proposta do MEC. O professor José Raphael Bokehi pediu mais cautela para a discussão Críticas, questionamentos e protestos – o professor José Raphael Bokehi, no entanto, fez vários questionamentos e críticas em relação à proposta, sugerindo a necessidade de uma maior discussão a respeito do tema: “Essa é uma discussão importante, mas já foi objeto de deliberação do CEP. Não podemos nem mudar essa decisão. Pelo estatuto da universidade, quem discute a normatização do acesso é o CEP, mas quem discute a política universitária é o CUV. Eu acho importante fazer essa discussão aqui. Infelizmente, ela não foi feita antes.
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    Temos que discutirisso com mais calma, pois a proposta foi apresentada há cerca de um mês pelo governo. Não sei se esse mecanismo de acesso proposto pelo governo é de fato mais democrático. Será que não vai ter o cursinho pré-ENEM em substituição ao pré-vestibular? A gente sabe que existe na faculdade particular o pré-ENADE. O vestibular, quando foi criado, também era visto como democrático e a gente hoje vê que não é. Temos que ter cuidado também ao dizer que a discussão foi democrática porque foi realizada no fórum dos coordenadores de graduação. Quero lembrar que esse fórum não existe, não é deliberativo. Democrático seria discutir essa questão aqui, no conselho máximo da universidade”, disse o professor. Madureira, representante do DCE, também fez críticas à proposta. Afonso Madureira, representante do DCE, também fez críticas e ponderações em relação à proposta: “O congresso estudantil da UFF aprovou que somos a favor do fim do vestibular, mas a favor do fim do vestibular de fato, do livre acesso à universidade. O MEC não pode colocar a corda no nosso pescoço. Mesmo com o novo ENEM, tenho certeza de que grande parte dos estudantes do Morro do Estado não vai entrar na universidade pública”, afirmou. Falta de democracia é elogiada – apesar dos protestos dos que defendiam mais discussão antes da votação, o reitor Roberto Salles manteve sua tradição truculenta e empurrou o ponto à votação. Mesmo os estudantes que defendiam a proposta do governo reconheceram essa postura, tanto que um grupo chegou a comentar entre gargalhadas e aplausos que “o Reitor passou o rodo”. Antes da votação, a maior parte dos representantes do DCE já havia se retirado do conselho em protesto justamente porque a proposta apresentada ainda não havia sido debatida profundamente nos fóruns do movimento estudantil. Apesar da falta de debate, com apenas quatro votos contrários, a proposta foi aprovada. O PDI da universidade No segundo momento do CUV, o professor Emmanuel de Andrade apresentou ao Conselho a proposta de Plano de Desenvolvimento Institucional 2008/2012. Afirmou que o documento apresentado atendia a uma exigência do sistema de regulação da educação superior e que era necessário aprová-lo para permitir o recredenciamento da UFF. Nas palavras dele, “estamos trazendo esse documento aqui para deliberação com a sugestão de que durante o ano possamos fazer dois momentos de discussão do PDI: um em agosto com as unidades e o outro em outubro, para atualizar o documento. Ele mantém o eixo central do PDI 2003/2007: expansão das vagas e melhoria qualitativa dos cursos.” Emmanuel informou, por fim, que o documento havia sido aprovado por unanimidade na câmara conjunta do CUV. Pressa é criticada... de novo – mais uma vez, não faltaram críticas à forma apressada como a discussão estava sendo realizada. O professor Palharini afirmou: “Tenho dúvidas sobre o preparo da UFF para o processo de recredenciamento. Lamento que a UFF não dê a devida atenção às questões relativas à avaliação e recredenciamento. Lamento também que tenhamos que aprovar um PDI ainda não discutido, não maturado, não legitimado o suficiente para fazer frente a esse processo. Sei que precisamos aprovar um plano de desenvolvimento institucional, portanto votarei a favor da proposta, desde que se inclua no parecer que o PDI foi aprovado para fins de recredenciamento da universidade. Assim, não vai parecer que o CUV aprovou o PDI sem fazer discussão”. Apesar da argumentação de Palharini, o parecer foi aprovado sem o adendo proposto. Agora, a UFF já tem um plano de desenvolvimento institucional para os próximos anos. Pena que a comunidade universitária sequer tenha tido tempo de conhecê-lo e discuti-lo. Mais uma vez, prevaleceu a lógica do atropelo do debate. A pergunta que fica é: até quando? ► Responder esta