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Decolagem com destino ao mundo do circo 
Dorotéia Camões 
O mundo das comissárias de vôo foi o tema abordado nas apresentações que aconteceram 
entre os dias 08 e 31 de junho, no picadeiro da Escola Picolino de Artes do Circo. O 
espetáculo intitulado “Moças Aéreas” foi a estréia de um grupo, composto por onze artistas, 
que formou a tripulação da companhia que levou o público a embarcar em uma viagem 
rumo ao universo circense. Luana Serrat, que além de diretora e criadora do espetáculo 
também empresta o nome a Cia., é uma baiana de exímia destreza na arte circense e uma 
referência para muitos artistas que buscam, ou desejam buscar, se aproximar às técnicas 
aéreas do circo. Filha de um dos pioneiros no trabalho com o circo e com o circo social no 
Brasil, a Instrutora/Educadora é integrante da Companhia Picolino de Artes do Circo e da 
Fulanas Cia. de Circo. 
Nesse espetáculo, o cenário e a música, o figurino e a maquiagem das artistas, fizeram 
transparecer o cuidado da direção em produzir uma imagem que se aproximasse, em 
detalhes, ao espaço de um aeroporto, ao fardamento e à convencional maquiagem das 
aeromoças, acrescentando-se, é claro, os detalhes que são particulares ao contexto 
espetacular. 
Ao entrar no circo, o público deparou-se com um espaço que mais parecia o portão de 
embarque de um aeroporto; neste, os passageiros foram convidados pela tripulação de 
artistas a adentrarem na aeronave circense que os conduziria a um mundo mágico. Ao 
embarcar, seguindo a lógica da similaridade, o público foi acompanhado aos seus assentos 
que, como em um avião, eram divididos em classe econômica (arquibancada) e classe 
executiva (reservado), após terem passado pelo check-in de direcionamento. 
A preocupação com os detalhes se estendeu também à mensagem introdutória da 
apresentação: “senhores passageiros do vôo..., favor se dirigir ao portão de embarque...” ou 
ainda: “última chamada para o vôo...”. 
Neste contexto, os sons tiveram o seu papel de destaque e se fizeram ouvir, não apenas 
nas sinalizações de chamadas de embarque, mas inclusive nos slogans expressos através 
dos jingles de várias companhias aéreas e músicas tocadas por Beto Portugal. 
Seguramente, o público agradou-se com os sons aprazíveis soados por este insigne músico, 
que realizou distintamente o approach entre a música e os números circenses. 
O figurino das “Moças Aéreas” era bem característico, contudo viam-se ressaltar as cores 
vibrantes da roupa de cor azul, com direito a lencinho cor-de-rosa envolto no pescoço e, 
para dar um toque especial, um cinto de tonalidade dourada. 
O ritmo do espetáculo é dinâmico, e começou com uma coreografia de dança na qual as 
artistas realizaram o primeiro contato com a platéia. Logo depois, números que destacaram
as técnicas circenses como corda vertical, lira, quadrante, tecido, malabarismo, palhaço, 
embebidos em uma boa dosagem de técnica teatral que fazem transparecer, não apenas o 
trabalho, mas também a experiência de anos de picadeiro da diretora. 
No número da lira, três artistas ousaram na utilização do aparelho explorando, desde figuras 
estáticas no ar, a movimentos de subidas e decidas, estabelecendo constantes contatos 
com o solo do picadeiro, demonstrando harmonia e, muitas vezes, sincronia na atuação. 
Nesta parte da apresentação, o público assistiu o momento da partida da nave circense e 
nela todo o ar de saudade, consequência da separação, do distanciamento. 
O espetáculo continuou e, em meio a essa efervescente atmosfera aérea, não poderia faltar 
um número clássico de dublagem, repleto da comicidade clownesca, para fazer o público rir. 
Um jovem senhor foi convidado a participar “voluntariosamente”. A colagem de várias 
músicas, quais: “Fatalidade” de Diana; “Olha” e “Como vai você” de Roberto Carlos; “Eu sei 
que vou te amar” de Tom Jobim; “Depois do prazer” de Alexandre Pires; “Vingativa” de As 
frenéticas; e “Não se vá” de Jane e Herondy, construíram a narrativa e deram vista a uma 
história divertida, quebrando a tensão e preparando o público para o próximo número. 
A finalização do espetáculo aconteceu com uma belíssima apresentação de tecido 
acrobático a qual, dando vulto à sensualidade feminina, revelou a leveza e a intrepidez das 
artistas na execução de movimentos que, por terem sido realizados de maneira tão suave e 
sublime, encobriram o risco envolvido no desenvolvimento da técnica. Neste número, viu-se 
representada a chagada da nave circense em seu tão esperado destino, a qual foi saudada 
por uma platéia entusiasmada, que aplaudiu energicamente. 
Contudo, vale acrescentar que em alguns números apresentados era patente a 
simplicidade, talvez por opção, no desenvolvimento de movimentos, os quais deixaram de 
surpreender o público com uma ação mais ousada e inesperada. Deve-se salientar, porém, 
que mesmo sem muitos truques complexos, o espetáculo possui uma harmonia e 
organicidade que faz a apresentação se mostrar muito leve e agradável ao espectador. 
Enfim, Moças Aéreas é um espetáculo bom, bem ensaiado, que vale a pena assistir.

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Crítica Espetáculo Moças Aéreas - Cristina Macedo

  • 1. Decolagem com destino ao mundo do circo Dorotéia Camões O mundo das comissárias de vôo foi o tema abordado nas apresentações que aconteceram entre os dias 08 e 31 de junho, no picadeiro da Escola Picolino de Artes do Circo. O espetáculo intitulado “Moças Aéreas” foi a estréia de um grupo, composto por onze artistas, que formou a tripulação da companhia que levou o público a embarcar em uma viagem rumo ao universo circense. Luana Serrat, que além de diretora e criadora do espetáculo também empresta o nome a Cia., é uma baiana de exímia destreza na arte circense e uma referência para muitos artistas que buscam, ou desejam buscar, se aproximar às técnicas aéreas do circo. Filha de um dos pioneiros no trabalho com o circo e com o circo social no Brasil, a Instrutora/Educadora é integrante da Companhia Picolino de Artes do Circo e da Fulanas Cia. de Circo. Nesse espetáculo, o cenário e a música, o figurino e a maquiagem das artistas, fizeram transparecer o cuidado da direção em produzir uma imagem que se aproximasse, em detalhes, ao espaço de um aeroporto, ao fardamento e à convencional maquiagem das aeromoças, acrescentando-se, é claro, os detalhes que são particulares ao contexto espetacular. Ao entrar no circo, o público deparou-se com um espaço que mais parecia o portão de embarque de um aeroporto; neste, os passageiros foram convidados pela tripulação de artistas a adentrarem na aeronave circense que os conduziria a um mundo mágico. Ao embarcar, seguindo a lógica da similaridade, o público foi acompanhado aos seus assentos que, como em um avião, eram divididos em classe econômica (arquibancada) e classe executiva (reservado), após terem passado pelo check-in de direcionamento. A preocupação com os detalhes se estendeu também à mensagem introdutória da apresentação: “senhores passageiros do vôo..., favor se dirigir ao portão de embarque...” ou ainda: “última chamada para o vôo...”. Neste contexto, os sons tiveram o seu papel de destaque e se fizeram ouvir, não apenas nas sinalizações de chamadas de embarque, mas inclusive nos slogans expressos através dos jingles de várias companhias aéreas e músicas tocadas por Beto Portugal. Seguramente, o público agradou-se com os sons aprazíveis soados por este insigne músico, que realizou distintamente o approach entre a música e os números circenses. O figurino das “Moças Aéreas” era bem característico, contudo viam-se ressaltar as cores vibrantes da roupa de cor azul, com direito a lencinho cor-de-rosa envolto no pescoço e, para dar um toque especial, um cinto de tonalidade dourada. O ritmo do espetáculo é dinâmico, e começou com uma coreografia de dança na qual as artistas realizaram o primeiro contato com a platéia. Logo depois, números que destacaram
  • 2. as técnicas circenses como corda vertical, lira, quadrante, tecido, malabarismo, palhaço, embebidos em uma boa dosagem de técnica teatral que fazem transparecer, não apenas o trabalho, mas também a experiência de anos de picadeiro da diretora. No número da lira, três artistas ousaram na utilização do aparelho explorando, desde figuras estáticas no ar, a movimentos de subidas e decidas, estabelecendo constantes contatos com o solo do picadeiro, demonstrando harmonia e, muitas vezes, sincronia na atuação. Nesta parte da apresentação, o público assistiu o momento da partida da nave circense e nela todo o ar de saudade, consequência da separação, do distanciamento. O espetáculo continuou e, em meio a essa efervescente atmosfera aérea, não poderia faltar um número clássico de dublagem, repleto da comicidade clownesca, para fazer o público rir. Um jovem senhor foi convidado a participar “voluntariosamente”. A colagem de várias músicas, quais: “Fatalidade” de Diana; “Olha” e “Como vai você” de Roberto Carlos; “Eu sei que vou te amar” de Tom Jobim; “Depois do prazer” de Alexandre Pires; “Vingativa” de As frenéticas; e “Não se vá” de Jane e Herondy, construíram a narrativa e deram vista a uma história divertida, quebrando a tensão e preparando o público para o próximo número. A finalização do espetáculo aconteceu com uma belíssima apresentação de tecido acrobático a qual, dando vulto à sensualidade feminina, revelou a leveza e a intrepidez das artistas na execução de movimentos que, por terem sido realizados de maneira tão suave e sublime, encobriram o risco envolvido no desenvolvimento da técnica. Neste número, viu-se representada a chagada da nave circense em seu tão esperado destino, a qual foi saudada por uma platéia entusiasmada, que aplaudiu energicamente. Contudo, vale acrescentar que em alguns números apresentados era patente a simplicidade, talvez por opção, no desenvolvimento de movimentos, os quais deixaram de surpreender o público com uma ação mais ousada e inesperada. Deve-se salientar, porém, que mesmo sem muitos truques complexos, o espetáculo possui uma harmonia e organicidade que faz a apresentação se mostrar muito leve e agradável ao espectador. Enfim, Moças Aéreas é um espetáculo bom, bem ensaiado, que vale a pena assistir.